Você está na página 1de 28
eet ery abitamos a superficie da ‘Terra e dependemos, a viver, dos materiais disponiveis, Estes,em sua maior patte, s2o produto das transformagaes que A crosta terrestre sofre na interagio com a atmosfera, a hidrostera e a biosfera, ou seja, sto produtos do intemperismo, Constituem a base de importantes ati vidades humanas, relacionadas, por exemplo, ao cultivo, do solo € a0 aproveitamento dos depésitos minerais na construcio civil ¢ na indistria. A exploracio sus tentavel desses recursos depende do conhecimento de sua natureza ¢ da compreensio de sua génese, © que constitui 0 objetivo prineipal deste capitulo, ‘O intemperismo € 0 conjunto de moditicagoes de vordemtisica,(desagregagao) € quimica(deconposiz ‘G20) que as rochas sotrem ao atlorar na superficie day Pacslorsads Aaa Met Os produtos do intemperismo, rocha alterada € solo, estio sujcitos aos outros processos do cielo supérgeno — erosio, transporte, sedimentagio — os quais acabam levandojiiydenudagao veontinentalyicom.. © conseqiente aplainamento do relevo.; Os fatores que controlam a acio do intemperismios sao-o clima, que se expressa na variagio sazonal da temperatura e na distrbuigao das chuvas, 0 relevo, que « influi no regime de infiltragio € drenagem das aguas®, pluviais,a fauna e flora, que tornecem matetia organs ‘Ca para reagoes quimicas e remobilizam materials, a6 socha parental, que, segundo sua natureza, apresenta + scsiszéncia,diferenciada. aos processos’de/alteracao® incempenca ¢, finalmente, o tempo de exposicio dag rocha aos agentes intempéricos. e Fig. 8.1 Perll de clteragéo ou perfil de solo tivico, constituide, de base para © topo, pela rocha inalterada, saprolito e solum,O solum compreende os horizontes afetodos pelo pedogénese (0, A, Ee 8). O solo compreende © saprolite (C) e asolum Descrigéio dos horizontes: CC — Horizonte de roche alterado (saprolite). Pode ser subdividico am saprolita grosseira (parte inferior, onde as estruturas e exturas dda roche est6o conservadas) e saprolito fino (parte superior, onde a heranca mortol6gica da rocha néo & mais re Horizonte de acumulacao de argila, matéria orgénica e oxi-hidr6xidos de ferro e de aluminio. Sore! Peril de solo. Foto: Alain Ruellon Horizonte rico em restos orgénicos em vias de decomposigfo. Horizonte mais claro, mercado pela remogéo de particulas argilosas, matérie orgdnice € ovi-hidréxidos de ferro e de aluminia Horizonte escuro, com materia mineral e orgénica e alta atividade biolégica tornam-se sobretudo estruturais, com importante re- organizacio © sransferéncia dos minerais formadores do solo — principalmente argilominerais € oxi- hidroxidos de ferro ¢ de aluminio — entre os i superiores do manto de alteragao. Ai desempenham ‘Papel fundamental a fauna ¢ a flora do solo que. a6 (© iintemperismo © a pedosgénese levam a formas ‘cio de um perfil de alteragio ou perfil de solo. () perfil € estruturado verticalmente, a partir da rocha fresea, na 6 soluum, que consiituem, juntos, o manto de altera- 20 ou regolito (Vig, 8.1), Os materiais do perfil vio sc tornando tanto mais diferenciados com relagio & rocha parental em termos de composicio, estruturas ¢ texturas, quanto mais afastados se encontram dela. Sendo dependentes do clima ¢ do relevo, 0 se, sobre a qual formam-se 0 saprolito © intemperismo e a pedogenese ocorrem de maneira distinea nos diferentes compartimentos morfo-climi- teas do globo, levando 4 formagio de perfis de alteracio compostos de horizontes de diferente es- P ara € composicao, 8.1 Tipos de Intemperismo Os processors através de me: canismos modificadores das propriedades figieasidos _ minerais ¢ rochas (morfologia, resisténcia, textura, etc.), ede suas caracteristicas Quimieas (composigio quimi-y jenecestninitaleristalinajoTim funcio dos mecanismos Fig. On ee tate predominantes de atuacio, sio normalmente classifi- cados em intemperismo fisico © intemperismo quimico, Quando 2 acio (fisica ou bioquimica) de ‘organismos vivos ou da matéria orginica proveniente de sua decomposicio participa do processo, 0 intemperismo é chamado de fisico-biol® mico-bioligico. ico ou qui 8.1.1 Intemperismo fisico “Todos os processos que causam desagremcio day -rochas, com separacio dos gros minerais antes coe sos € com sua fragmentacio, transformando a rocha ‘nalteradayenv material cescontinao'€ fével,constiti _ €m_o intemperismo fisico.’ As SaHMGOESTEtEMperatAA so longo dos dias & noites e a0 longo das diferentes estagdes do ano cau sam expansio e contragio térmica nos materiais rochosos, levando 4 fragmentagio dos gris mine- tais. Alem disso, os minerais, com diferentes coeficientes, de dilatacio térmica, comportam-se de forma dife- rencinda as variagies de temperatura, o que provoct deslocamento relativo entre os eristais, rompendo a coesio inicial entre os grains. A mudanea cicliea de tumidade também pode causar expansio ¢ contr 6, em associacdo com a wariagdo térmica, provoca um efetivo enfraquecimento e fragmentagio das rochas. Este mecanismo € especialmente eficiente nos deser tos, onde a diferenea de temperatura entre o dia ¢ a noite € muito marcada. © congelamento da agua nas fissuras das rochas, acompanhado por um aumento de volume de cerea de 9%, exerce pressio nas paredes, eausando esforcos {que terminam por aumentar a rede de fraturas ¢ frag mentar a rocha (Figs. 8.2 8.3) \ goo . 3.2 Fragmentagdo por eco do gelo. Agua liquide ocupe os fissuras da rocha (o), sendo posteriormen- te congeleda, expondindo e exercendo presséo nas paredes {b). yee ete ee ry infilteacao tem o mesmo efei to, Com o passar do te rais tambem causa exp das fissuras ar a exercer pres s enormes sobre paredes das rochas, nao so mente devide ao proprio nto dos cristais, mas também por sua expansio tér= mica, quando a temperatura umenta nas horas mais quentes do dia, ou pela ab. sorcio de umidade Este tipo de intemperismo fisico é um dos princi- pais problemas que afetam os monumentos, Os sais ‘mais comuns que se precipitam nas fissuras das rochas, Joretos, sulfatos € earbonatos originados da pr6: pris alteragao intempérica da rocha, que sio dissolvidos Superficie Varios quilometros Rocha Enea Ernsto ao M ape = Erosto OS em toy Sa iz t ‘Soerguimento da regio pelas solugdes pereolantes provenientes das chuvas, Hii, atualmente, uma grande preocupagio em preser vare restaurar monuments hist6ricos e, por essa raz, cesses processos intempéricos vém sendo intensamen: te investigados © intemperismo fisico também ocorre quando as m a niv istais mais superficiais, Com o alivio da essi0, 08 corpos rochosos expandem, causando ficie ao longo da qual pressio foi aliviada. Estas fraturas recelaem 0 nome cle juntas de alivio (Fig, 8.4 Fig. 8.5 Acao do cre f contribuinde pa Ruellan, Poe) Finalmente, ontro efeito do intemperismo fisico é a quebra das rochas pela pressio causada pelo cresei- mento de raizes em suas fissuras (Fig, Fragmentando as rochas ¢, portanto, aumentando a superficie exposta a0 ar € & agua, o intemperismo clita 0 intemperismo quit co, A Fig, 8.6 mostra 0 aumento da superficie especifica de um bloco de rocha quando dividido em blocos fisico abre 0 caminho e fa 8.1.2 Intemperismo quimico © ambiente da superficie da ‘Terra, caracterizado por pressdes € temperaturas baisas € riqueza de gua Bleco tnico de eproximadamente I mde lado Volume = 1m" Supeicie espectica ~ 6 ry Rupture 20 Jonge de otros Pe ae Co Cre fC) © oxigénio, é muito diferente daquele onde a maioria das rochas se formaram, Por es rochas afloram 4 superficie da ‘Terra, seus minerais, c motive, quando as entram em desequilibrio e, através de uma série de reagées quimicas, transformam-se em outros mine rais, mais estiveis nesse novo ambiente. (O principal agente do intemperismo quimico é @ gua da chuvay que ingiltra € percola as rochas. 1s gua, rica em O,, em interacio com o CO, da atmos fera, adquire carater acido. Fy onde a respiracao das plantas pelas raizes ea oxidagio da matéria ongiinica enriquecem © ambiente em CO,, tem seu pH ainda mais diminuido. Fragmentos 6 9 2 is wom om Supericie espectfica total (m’) = 8 fregmenias, cade um com eproximademente 0,5 mde lado. -Volume = (0,5]" x 8 1m’ Superficie expectica = 12m! Fig. 8.6 A fragmentacdo de um bloco de rocha ¢ acompanhada por um aumento significative da superficie exposta 6 ‘aco dos agentes intempéricos. Neste exemplo, um bloco de rocha aprosimadamente cibico, de | m de lado, apresento uma érea exposta de 6m’; quando dividido em cito volumes cibicos de 0,5m de lado, passa o apresentar superficie exposte de 12m’. O grética mostra que a superticle especifica aumenta geometricamente com o aumento do nimero de fragmentos em que ¢ dvidido 0 bloco. Cree Tide meat As equucdes absixo representam os eqnilibrios de HO com CO, CO, +HO> HCO, HCO, > H+ HE HCO; H+ COP “muito cidas ¢, conseqtientemente, aumentando sett Somme mma Os constituintes mais soliveis das rochas intemperizadas so transportados pel nam o perfil de alteracio (fase solivel). Em nseqiténcia, » material que resta no perfil de altera- cho (fase residual) torna-se progressivamente fguas que dre- enriquecido nos constituintes menos soliiveis, Esses ccontstituintes esto nos minerais primérios residu- ais, que resistiram a agao intempérica, e nos minerais secundirios que se formaram no perfil, Dente os wis minerais residuais, o mais comum é 0 quartzo. Os minerais seeundirios sio chamados de neoformados quando resultam da precipitacio de substincias dissolvidas nas aguas que percolam o per- fil, como € o caso, por exemplo, dos oxi-hidréxidos de ferro © de aluminio, Quando se formam pela rais pri quimica, porém preservando pelo menos parcialmente sua trutura, sio chamados de minerais secundarios transformados. \ transformacao ocorte essencial mente entre 0s filossilieacos, come no ease das micas prine! interacio entre as solugdes de percola virios, modificando sua compos (filossilicato.primério) alteradas em illitas ou vermiculitas (filossilicatos secundirios). 8.2 Intemperismo, Erosio ¢ Sedimentagao SQ ReRPEARBOLe um clo importante no ciclo das rochas, estando tsitamente felagionada a _pénese das rochas sedimentares! Os processos intempéricos aruando sobre as r0- chas individualizam uma fase residual que permanece in situ, cobvrindo os continentes, € que € formada por ‘minerais primirios inalrerados € minerais seeundérios AS prineipais assoria- ‘es minerais do manto de alteragao incluem © quartzo, transformados © neoformados as micas mais ou menos transformadas, os angjlominerais do grupo da caulinita ¢ da esmectita € 0s oxi-hidroxidos de ferro e aluminio, Complementarmente a geracao do manto de alteragio, € produzida uma composta de solugies aquosas-ricas nos elementos mais soliveis nas condigdes rei 1a, tais como 0 s6dio, 0 calcio, o potissio e 0 magnésio intes na superficie da Ter e, em menor grau, o silico. Em periodos de estabilidade tecténiea, quando os continentes esto recober 1 Por VegetaeAD, eSSA8 $0 hughes sio lentamente drenadas do perfil de alteragio, indo depositar-se nos compartimentos rebaixadios das paisagens, entre os quais os mais importantes sio as 10 marinas. Assimyjenqquantooy bacias de sedimenta Cap. 14). Mudaneas climatieas ¢ fené nenos rectinicos po: dem colocar em desequilibrio 0 manto de alteracio dos continentes, removendo a vegetacio © tornando. ‘o- mais vulnerivel 4 erosio mecinica. Dessa forma, os minerais primitios © sccundiitios formados no perfil serio carregados pelas guas e depositados nas baci de sedimentagio. Essa etapa do aplainamento dos con. tinentes dominada pela remo. do manto de slteragao esta relacionada 4 geracio das rochas sedimentares clisticas, tais como os areniros, folhelhos e argilitos (ver Cap. 14) Ambientes de intemperismo ¢ ambientes de sedi mentagio podem ser vistos, portanto, como complementares, sendo dominantes nos primeitos os processos de subtragio de matéria e, nos tiltimos, os processos de adi¢io de matéria 8.3 As Reages do Intemperismo [As reagdes do intemperismo quimico podem ser representadas pela seguinte equagio penérica: Mineral 1 + solugio de alteragio > Mineral I + soluglo de lixiviagio Estas reagdes esto suijeitas is leis do equilibrio qui- ico e as oseilagies das eondicdes ambientais. Assim, se componentes, como a propria Agua, sio retirados (ou adicionados, as reagdes poderao ser aceleradas ou retardadas, ou seguir caminhos diferentes, gerando Ca diferentes minerais secunditios e diferentes s de lixiviagio. ollugtes Na maior parte dos ambientes da superficie da Terra, asi sém pH entre 5 ¢ 9. Nes ambientes, as prineipais reagées do intemperismo so hidratagio, dissolugao, hidrélise c oxidagao. Fm alguns ambientes, o pH das iguas pode ser inferior a 5 ¢, neste caso, ao invés da hidrélise, a eeacao predo: euas percolantes minante é a acidélise. Hidratagio |\ hidratagio dos minerais ocorre pela atragio en- treos dipolos das moléculas de agua e as cargas elétricas info neutralizadas das superficies dos grios (Fig, 8.7). Na hidratagio, moléculas de 4gua entram a estrutura mineral, modificando-a ¢ formando, portanto, um novo mineral, Como exemplo, pode-se citar a trans formacio de anidrita em gipso, segundo a reaci CaSO, + 2 HO > CaSO,2H,0 ‘Avgilomineral we Molécula de égua (HO) = Fig. 8.7 As corgas eléricas insaturadas na superticie dos grG0s minerais olraem as moléculas de dquo, que funcio- nam coma dipolos devide & sve morfalogia, Dissolugio Alguns minerais estio sujeitos & dissolugo, que consiste na solubilizagio completa. Fo caso, por exem- plo, da calcita ¢ da halita, que entram em solugio conforme as equagies abaivo: €aCO, > Ca”* + COP NaCl Na* + Cl rer) Meee OME Hidrélise Os principais minerais formadores das rochas, que sho os silicatos, podem ser ennechidas como sais de um dcido fraco (H,SIO,) ¢ de bases fortes (NaOH, KOH, Ca(OH), Mg(OH),). Quando em comtato com 4 gua, os silicatos sofrem hidrdlise, resultando numa solugio alealina, pelo fato de o H,SIO, estar pratica- mente indissociado © as bases muito dissociadas. Pequena proporcio de molécules de CO, ro or dissolve em gotas de chuva pore formar acide carbénico (Hz CO), Uma pequens proporcio de moléculas de H, CO, ioniza formande fons He HCO} (bicerbonato} tornande os gotos levemenie decides. ‘ASgue levemenie écido dissolve poldssio e silico do feldspato ‘ave se recombinam em cavlinite neoformada; os (ons hidrogénic s80 relides na égue do argilominel. Silico, fons potéssio {K") € bicarbonate (1CO;) sao lixiviodos em diregéo aos ries. Fig, BB Alteracdo de um feldspato potdssico em presence de dqua e écido carbénico, com o entrada de H’ na estrutura do mineral, substituindo K°. O potéssio 6 totalmente elimina- do pela solucdo de liniviacdo ec silica apenos parcialmente; silica néo eliminada tecombina-se.com o aluminio também no eliminado, formando uma fase secundéria argilosa {eaulinta} ee ea ee Ojon HY, resultado da ionizacto da agua, entra nas estrururas minertis, deslocando principalmente 0s cations alealinos (K’ ¢ Na’) ¢ alealino-terrosos (Cat* ¢ Mg), que sto liberudos para a solugio, \ estrotura do mineral na interface sélido/solucio de alteragio acaba sendo rom. pda, liberando Si ¢ Al (tomes isolados: mondmeros em grupos: polifmeros) na fase ligitida, Esses elementos podem recombinar:se, resultando na neoform: miners secuncbitios. A Fig. 88 mostra o esquema de alteragto de um feldspato em um mineral secunditio neoformado, a caulinita, Na Fi feldspato em vias de alteracio por dissoh 8.9, um cristal de 0, sem for nacio de produtos secundirios de precipitagio imediata, 4i uma idéia da perda de matéria ¢ da gs porosidade causacas pelo intemperismo quimica, Fig. 8.9 Ir obtida a0 Microscépio EletBnico de Varre Jura, mostrando feldspato porcialmente dissolvido ao longo © quimica, Foter A. Alcover Neto. A hidrolise ocorre sempre na faixa de pH de 5 a 9, Se hi, no meio, condigies de renovagio das solugées reagentes, estas mantém-se sempre diluidas, e as rea ees podem prosseuit, climinande os componentes sohiveis. O grau de eliminacao dos elementos /subs tineias dissolvidos define a intensidade de hidrélise Por exemplo, no caso dos feldspatos potissicos, po- Hidrélise total Na hidrélise total, 100% da siliea ¢ do potissio sio climinados. A silica, apesar de pouco soliivel na faixa de pH da hidrélise (Fig. 8.10) pode ser total s AIOH) Sarai Milimoles por lito Fig. 8.10 Solubilidade do silica & do aluminio em fungao do pH, 0 25°C, Aié valores de pH de cerce de 8, a silica & pouco solixel; sua solubilidade oumenta em meios mais olealines. O ‘aluminio & praticomente insoluvel no inierwalo de pH dos om: bientes normais na superficie (4,5 a 9,5}; em meios muito Scidos ov muito alcalinos, ¢ solubilizado como AF* e AO, respectivoente. mente eliminada se as solugdes de alteraglo perma necerem diluidas, 0 que acontece em condigdes de pluviosidade alta e drenagem eficiente dos perfis. O tesiduo da hidrdlise toral do K-feldspato € 0 hidréxido de aluminio (gibbsita), insohivel nessa faixa de pH (Fig. 8.10). KAIS,O, + 8HLO> AIOH), + 3H SIO, + K! +H Hidrélise parcial Na hidrélise parcial, em fungio de condigdes de drenagem menos eficientes, parte da silica per manece no perfil; 0 porassio pode ser total ou parcialmente climinado, Esses elementos rea com © aluminio, formando aluminossilicatos hideatados (argilominerais) Em funcao do grau de climinacio do potassio, duas situagdes sio possiveis: + 100% do potissio € climinado em solugio: 2 KAIS.O, + 11 HO Si,ALO(OH), +4 HSI, + 2K +201 Poe) Nesse caso, forma-se a caulinita, com elimi de 66% da st permanéneia de todo 0 aluminio, + parte do potissio nfo é eliminada em solucio: AIS,O, +84 HO Si, A},,O,, Al, (OH), 8, +32 HSIO, #2K" + 2011 Aqui forma-se outro tipo de argilomineral, esmectita, com eliminacio de 87% do potissio, 46% da silica © permanéncia de todo o aluminio, No caso de hidrlise toral, além do aluminio, tam bém 0 ferro permanece no perfil, ji que esses dois elementos tém comportamento geoquimico muito semethante no dominio hidrolitico, Ao processo de climinacio total da silica e formacio de osi-hidrdxidos de aluminio e de ferro da ferralitizagao, ¢ o nome de alitizagao ou No caso de hidrélise parcial, hii a formacio de silieatos de aluminio, € o proceso é genericamente denominado sialitizagao. Quando sio originados argilominerais do tipo da caufinita, em que a rela ALE 1:1 (um dtomo de silicio para um de aluminio na molécula), fala-se de ao de itomos § monossiali iaagiio, No caso de seem formados argilominerais do tipo esmectita, em que a relaglo Si:Al € 2:1 (dois 4 minio na molécula), 0 processo € a um de alu amos de silicie pat ssialitiz: gio. Acidolise ‘RAHBUIE!. No entanto, em ambientes mais frios, onde a decomposigio da matéria orginica nio é cos que diminuem ‘aguas, sendo assim eapazes de total, formam-se icidos orga bastante 0 plT da complexar 0 erro € 0 aluminio, colocando-os em solugio. Nestes dominios de pH < 5 nao é a hidrdlise, mas a acidélise o proceso dominante dle decomposigio dos minera primarios. No caso do feldsparo potissico, ocorre acidélise total, quando as solugdes de ataque tiverem pH me- fazendo. om que todas os elementos entrem KAIS),O,+ 4H? +4 O93 HSIO, + APY +k! As rochas que sofrem acidélise total geram solos constituidos praticamente apenas dos minetais primi. tis mais insolveis como © quarizo (solos podz6lices). Dee ee ete A acidélise parcial corre quando as soluedes de ataque apresentam pH entre 3 € 5 ¢, nesse caso, a te mogio do aluminio é apenas parcial, levando a individualizacio de esmectitas aluminosas: OK AISi,O, +321 935i, Al, O,, Al, OH! AP +9 K' +65 HSiIO, Oxidagio Alguns elementos podem estar présentes nos mi ners em mais de um estado de oxidacio, como, por exemplo,o ferro, que se encontra nox miners ferro magnesianos primitios como a biotite, anfibélios, piroxénios e olivinas sob forma de Fe’. Liberado em solugio, oxidase a Fe", © precipita como um novo mineral, a goethita, que € um dxido de ferro hideatado (ig 81: 28SI0,+51,0++0, > 2 NeOOH + 2I1SiO, A goethita pode transtormarse em hematita por desidratacio: 2FeOOH > FeO, + HO ei - Piroxénio rico em ferro, loerande ‘sities. '@. ions terrosos para a solucao. @ AS Bxigenio, tormando ferro femco. Ferro férrico combina com Agua precipitando produtos ferruginosos. Fig. 8.11 A alleracéo in Fe resulte, por exidacée do Fe’ pare Fe’, na formacéo de um o%-hidréxido, © goetila mpérice de um mine 148 Decirranpo a Terra © Fe nao entra na estrutura da maior parte dos. 8,4 Distribui gilominerais. Apenas em certas esmectitas indo o A wente, em quantidade muito pequena, pode 0 dos Process: Alteragio na Superficie da Terra Mais rai substi dominio da hidrolise total ou da bidrdlise que leva 4 A distribuigao potencial dos processos de altera © AD nay caulinitas, De modo geral, 10 ulitizacio, o ferro é individualizado em Oxi- sentada na Fig, 8.14. Esse esquema distingue >rincipalmente). RSS@SiRninraisTeORfereRniAs COKER ras intempencas tons de castanho, wermelho, larania & amarelo, tao comuns nos solos das zonas tropicais. + Regides sem alteragio quimica, correspondend 1 140 da superficie dos continentes; Genericamente, di-se o nome de lateritas s for i ewegi eek mini ania maces superficiais constituidas por oxi-hidréxidos de linita. Ao conjunto de As regid aluminio ¢ de ferro © por espectivamente, alitizagio © monossidlitizagio, di-se —_liquido, o que pode resultar de duss situagde nome de lateriza a) as temperaturas reinantes sio inferiores a OC Todas as reagies do intemperismo quimico acon de tal sorte que a dgua se encontra sempre no estado ecem nas descontinuidades das rochas, podend sélido: so as zonas polares, esultar no fenémeno denominado esfoliagio esferoidal. As arestas ¢ os vértices dos blocos rocho. : st0$ ao ataque do intemperisme coG cc dadas a partir de formas Alagus dois lado: Fig. 8.12 A chorocdo este pre) As regides com alteracio guimica correspondem a0 resto do globo ¢ sio caracterizadas, a0 mesmo tempo, por uma certa umidade ¢ pela existéncia de cobertura vegetal mais ou menos desenvolvida, Trata- se de um dominio heterogéneo, que € subdividido em quatro zonas de distribuieio grosseiramente latitudinal, em funcio de’ suas caracteristicas climaticas: * Zona da acidélise oral (16% da superficie continental) Sto as zonas frias do globo, onde a vegetagio é composta prineipaimente por liquens ¢ coniferas, cujos residuos se degradam lentamente, fornecendo com: Sei OME plexos orginicos capazes de fazer © aluminio migrar por acidélise total, Os solos resultantes sio solos podzélicos, ricos em quartzo € em matéria oryginica. ‘A zona da acidélise total corresponde a zona circumpolar do hemisfério norte + Zona da alitizacio (13.5% da superficie continental Corresponde as regides do dominio tropical, racterizadas por precipitacio abundante, superior a 1.500 mm, ¢ vegetacao exuberante, \ associat neral caracteristiea ¢ de oxi-hidroxidos de ferro © de aluminio, gocthita ¢ gibbsita, respectivamente 1 Zone do aliizacao 2 Zone da monassialiizagso 3 Zone da bissialitizacao 4 Zonas muito dridas, sem ahe- ago quimico 5 Zono da acidélise total 6 Zonas cobertas por gelo 7 Bxensao aproximada das dre- ‘as tectonicamente ativos (TA), nos quois os tipos de intemperismo encontrom-se modificados . NS \ [tsor 130° 90 "608 30°! 30°60 90120 150° 180 Sem alloragae quimica Monoaselitaago0 Fig. 8.14 Distribuicso dos principais processos de interngerismo no superlicie da Terra et a * Zona da monossialitizacio (18% da superficie con tinental Ftd contida no dominio tte ical suls-dmido, corr precipitagio superior a 500 mm e temperatura médi anual superior a 15°C. Os principals minerais forma dos sio a caulinita © 0s oxi-hidréxidos de ferro. * Zona cla bissialiizagao 39% da superficie continental Sio as zonas temperadas ¢ ftidas, onde a alteragio € lixiviacio so pouco intensas, resultando ma forma io de argilominerais secundirios em silicio, Essa zona engloba tanto o ambiente hideolitico de formagio de esmectitas ricas em elementos alealinos ¢ alealino terrosos, como © ambiente da aciddlise parcial, onde se formam as esmectitas aluminosas Esse esquema, vilido na escala do planeta, pode ser bastante modificado por condigdes locais de televo, ico predominante, etc. NAIBAH| Amazonica, pot exemplo, embora 0 processo domi nante scja a laterizagio, sobre rochas teas em quartzo ( pode ocorrer uma acidolise secundaria, resultando nay perda de argilas ¢ ievando a tormagio de verdadadeiros solos podzulicon. | microclima, tipo litol 8.5 Fatores que Controlam a Alteragao Intempérica Varias caracteristicas do ambiente em que se pro: cessa 0 intemperismo influem diretamente nas reacdes de alteragio, no que diz respeito a sua natureza, veloc dade ¢ intensidade, Sao os chamados fatores de controle do intemperismo, basicamente representados. pelo material pare! topografia, biosferac tem- po. Material parental A alteracio intempérica das rochas depende da natureza dos minerais constitutintes, de sua textura estrutura. Por exemplo, uma rocha siliedtieateome SlpeAnito & mais resistence a alteracdo que uma ro- cha éarb6nAtiea/eomoyounérmores (Fig, 8.15). Entre os minerais constituintes das rochas, alguns slo mais suseetiveis que outros & alteragio, A série de 2 normal Goldich (Tabela 8.1) representa a seqiién de estabilidade dos principais minceais frente ao intemperismo, Para os minerais &igati¢oside:origem’! pied, esta séric & equivalente a série de Bowen Fig. 8.15 Rochas diferentes expostas na mesma dp: idécada je 1960), apresentando diferentes graus de enconira-se ba ada, enquanto 0 timula, em gror ledo, preservada. Foto: M. C. M, de ver Cap. 16), que representa a ordem de cristalizagio dos minerais a partir do magma. Assim, consideran. do a seqiiéncia de minerais maticespaeolivinay primeira ‘mineral a cristalizar-se, a cerca de 1.400°C.< mais suscetivel a alteragio; em seguida vém os piroxénios, os anfibélios eas micas, cristalizados a tem peraturas mais baixas. Considerando a seqiiéncia dos plagioclisios, a anortita apresenta ponto de fusio ma ximo € a albita, minimo. Os K-feldspatos fundem a temperaturas ainda mais baixas. Assim, io mais sus cetiveis 4 alteracio intempérica, pela ordem, anortta albita ¢ K-feldspato. Ququarexoyiiliimo%mineralaicris=® talizarsey ja a temperaturas proximas de 500°C: « mineral comum mais resistente ao intemperismo, Nao é, entretanto, inalterivel, pois, em condigbes de clima tropical muito agressivas, © intemperismo quimico CUT TR} abil Tabela 8.1 Série de Goldich: ordem de estabilidade frente ao intemperismo dos minerais mais comuns. Comparacéo com a série de cristalizagao magmatica de Bowen. ESTABILIDADE DOS MINERAIS VELOCIDADE DE INTEMPERISMO_ SERIE DE BOWEN. Mais estavel Menor Oridos de fore thera) feito) Argilomineaie Botte lia Anfiston Prone Ancrtia nina Cacho Halts Menos estével Maior ‘Como conseqiiéncia dessa diferenciagio de com portamento dos minerais frente ao intemperismo, os perfis de alteragio serio naturalmente enrique- cidos nos minerais mais resistentes, como 0 quattz0, © empobrecidos ou mesmo desprovidos dos mi nerais mais alteraveis, como a olivina \ composigio mineralégiea da rocha em vias de alteragio modifica o pH das solugdes percolantes em funcao das reagdes quimicas que ocorrem. Embora a carga elétrica global das estruturas mi- nerais deva ser nula, a superficie dos gros pode conter valencias insaturadas. Em contato com a Ultimo a cristalizar Quereo Anfibéio Posério Primeiro a cristalizar ‘agua, ocorre hideataei jo entre os dipolos da agua e as cargas superfi ig 8.7), podendo, esta atracao ser forte 0 suficiente para ionizar a agua Os fons H* assim gerados substituem os cations nas superficies dos g aumento do pH da fase liq de minerais portadores de elementos alealinos € minerais, 0 que resulta 0 a. Assim, a presenca calino-terr0s possibilita a instalagio de um pH ‘mais alealino nas éguas que os percolam, enquanto minerais sem estes elementos geram condigdes de pH mais dcidas, yd ey Uma idéia desta diferenea & dada pela eseala de pH de abrasdo (Tabela 8.2). O pH de abrasio é de erminado experimentalmente através da medida do pH da saspensio formada por agua destilada e fcido, © mineral pur moida NapmattiezaSineernats mente’as tochas Si: monomineraicas) os pH resultante uas so a dia ponderada dos valores relativ ses mine is presentes, O pH depende também do tempo de contato das solugdes com os gris minerais ¢ Jentro do perfil, de acordo com os minerais resentes. \ boa circulagio das solugGes no perfil leva i homogencizacio do pH. Assim, nas partes dos per fis onde a alterigao se processa ja ha algum tempo, a circulacio das aguas é mais intensa ¢ o pH das solu ges € mais homogéneo, Nas zonas mais profundas io perfil, onde a alteragio ¢ incipiente pelo Fito de as descontinuidades serem mais fechadas, restringindo a circulacio das aguas, a variagio do pH das solucdes é mauity maior, diferindo de um ponto « outro, em fun, ‘A textura da rocha original influencia o intemperismos ‘napmecinla- com quespetimiteymaion oueinenor iniilitucssy dda agua, L:ntre 05 matermas sedimentares, o> arcnusoy tendenva'ser mais permicaveis que oy argtlosos, (0 10s tipos de rochas, aquclas com arranjo m ip 7 i compacto € texturas mais grossas (menor superficie es pecifiea dos geios) alteram-se menos rapidamente que npactas ¢ de texturas mais finas, Qutras [Na Fig. 8.16, pode-se abservar o efeito, apds eros, dochamadotintetniperismosditerencig!.‘\ rocha de base ncia foi mais intemperizadh, tornando-se frive ce sendo mais erodida que a rocha da parte superior, que fica suspensa, ainda coesa, nao afetada pelos agentes cerosivos que atuaram na dca, Efeito semelhante ocorres nas rochas vulcinicas ¢ sedimentares da Bacia do Parana, ‘onde as camadas de derrames basilticos foram menos Tabela 8.2 Valores de pH de abrasdo para os principais minerais (inte Conn Bor diopsidio CaMg(SiOs)2 10-11 olivina (MgFe);SiO, 10-11 hornbienda (CaNa),(MgFeAl)<(AlSi),0,,(OH): 10 leucita KAISI.O, 10 2 albita NaAISisOs 9-10 = biotita K(MgFe)x(Al)SisOr0(OH)2 8-9 = microclinio KAISis 8-9 5 anortita CaAl:Si20s 8 hiperstenio (MgFe)2i,0s = muscovita KAI(AN)Sis0;0(0H) > 7-8 ortociasio KAISI;Os 8 montmorilionita ALSiO;OH);.NH,O 6-7 caulinita ALSLOs(OH), 5-7 8 gibbsita A(OH)s 6-7 3 quartzo Sid; 6-7 6 Hematita FeO; 6 2 Magnesita MgCo, 10-11 5 Dolomita Camg(CO,), 9-10 £ Calcita © aragonita Caco, 8 é Pe iitemperizacas e, assins, mais preservadas da erosio, que as rochas, ado sdimentares sobre e subjacentes. O resu &o relevo em forma de cestas Fig. 8.16.0 intemperismo, desogregando e decompendo f perizadas sero menos ofetades pela erosdo. Ni ji, observa-se que a eros incidiu mais forement ha inferior, maisatetade pelo interperismo Fonte: Plume C&D. McGeory, com permissb0.da McGraw Hill Companies Pluviosidade anual reponderante no determinagao 9 intemperismo. O grifica mostra as variocdes incoo de ol 0 +s) O iolemperismfisico predomina | ‘na8-Gre0s onde temperatura e pluviosidade sfc bas Aa cons: | tio, temperature e pluviosidade mais altas favorecem of Pa el eRe LC \ velocidade da alteragio de um mesn » tipo de material pode modifiear-se com 0 tempo. Por exc plo, um derrame vuleanico tecém-formado apresentar no inicio de sua exposigie intempericas, uma alteragio mais lenta, devide 3 hinitada intiltracio das aguas, Com o desenvolvimento de niaterial inemperizado na superficie do derrame, haveri pro gressivamente condiciies para que as fy nifiltrer cada vez mais © permanecam mais tempo em contat com os materiais ainda inalterados, promovendo as re ages quimicas de forma mais eficiente que no inicio. Clima Orchima € 0 tator que, solacamerite, mais infhaen cainosiotemsperismo{! 8.1" utro fator, determina o tipo € a velocidade di Mais do que qualquer intemperismo numa dada regido, Os dois mais im portantes patimetros climaticos, ypreerpiragao”€ KSEE, revulam a naturera © a velocidade das feagSes quimicas. Assim, « quantidade de agua disp = 0 Equador. Pree ae eat nivel nos perfis de alteragio, forneeida pelas chuvas, wem no sentido de acele rar ou retardar as reagGes do intemperismo, ou ainda modlificar a natureza dos produtos neoformados, se bem como a temperatu undo a possibilidade de eliminacio de companentes potencialmente sokiveis, Sa \ Fig, 8.18 mostea que a quantidade € 4 natureza dos produtns do intemperismo estio muito, bem correlacionaclas com a precipitagio mécia anual | A cada W°C de umento na temperatura, a velocidade das rcacées | guimicas aumenta de duas a trés vezes, A Fig, 8.19 mostra o efeito combinado da precipita- io, temperatura e vegetieao sobre o desenvolvimento Tundra Zonarde | padzolizacéo 300] Pracipitagéo / Evaporacéo { mm/ano | HB ore cs iizacso THM Zoro de Monoatictzcse0 Ml Roche povco aerate Eslope Deserto e | | semiseseio 2 a0 8 8 260 ° Ba ‘onthidrdxidos de 2 foro e de clini & = ae Pluviosidade anual { mm } Fig. 8.18 A intensidede do intemperisme aumenta com o pluviosidade, resuliando num solo com maior proporgaa de minerais secundérios {frocéo argila). A cada feito de pluviosidode corresponde umo composicaa preponderanve dos nfinerois secundris: esmecita para pluvisidade no muito élevada (bssiolizagdo), cavlrita para pluviosidede méaio {monossioltizagéo)# oxhidréxidos para pluviosidade mais ata {altizac60. ferralitzagéo} Savona Floresia tropical Savana Temperature (°C) THI Zoro do Blnaogto I Rochointarado Fig. 8.19 © tipo e a intensidade do intemperismo podem ser relacionados com a temperatura, pluviosidade e vegelogdo. O intemperismo quimico 6 mais pronunciado nos trOpicos, onde temperatura e pluviosidade sfc moiores. Ao contrario, nas regises polores © nos desertes, 0 intemperismo é minimo. bore) do perfil de alteracio, O intemperismo é mais pronun: clo é intensa, afetando todos os mineraisalteraveis ao mesmo tempo, que de- ciado nos répicos, onde a alter saparecem rapidamente, dando lugar a produto secundirios neoformados. Em geral, os minerais pri- miirios estio ausentes, com excegio daqueles mais, resistentes como, por exemplo, o quartzo ea muscovita Os perfis apresentam grande espessura de saprolite € {Nos ciimay mass thos, a ateragio afeta apenas os mis nerais primarios menos resistentes (por exemplo, nas ochas mais comuns da crosta, os ferromaygnesianos, det xando inalterados os aluminossilicatos). Fst aera diferencial no tempo, resultando em niveis alterados que contém uma certa quantidade de minerais primérios nio decompostos. Um exemplo clissico da a¢io do clima na velog dadé"ddlisitemperismo, quimico,¢.dadorpelorcaso de um obelisco egipeio com idade de mais de 3.000 anos € que se encontrava ainda bem preservado em sew local de origem: quando foi retirado © exposto em regiio mais timida (Nova lorque, PUA), sofrea tama 10 que, aps pouco tempo, as inscrigdes ofiginais ja nao eram mais lepiveis (Fig. 5.21) ‘Topografia ‘A topografia regula a velocidade do escoamento st perficial das aguas pluviais que também depende da oberRRvEgeEA) ¢, portanto, controlaa quan tidade de dgua que se infiltra nos perfis, de cuja cticiéneia depende a eliminagio dos com- ponentes sokiveis, ASimeagGessquimicasde intemperismo ocorrem mais intensamente nox comparumentos do relevo onde € possivel boa infiltracao da agua, percolacio por tempo ciente para a consumagio das reagies € sdrenagem para lixivia iss Com a repeticio desse processo, os dos produtos sohi- componentes soliiveis s20 eliminados ¢ 0 perfil se aprofunda. A Fig, 8.21 mostra diferentes situacdes de relevo que influem diretamente na infil. tragio das aguas € na drenagem interna dos perfis. F fil de alterag n encostas muito ingremes, 0 per ) nto se aprofunda porque as ‘iguas escoam tapidamente, no ficando em mm. eas ret Fig. 8.20 A agulha de Clespatra, um abelisco egipcio de ‘ranito, sofreu alteragéo mais intensa em 75 anos em Novo Torque do que em 35 séculos no Egito, sob clima muito mais seco. Folo: M. C. M. de Toledo mz c Fig. 8.21. Inlluéncia do topogratic na intensidade do intemperismo. Setor A: Boa infiltracdo e boa drenagem favorecem o iniemperismo quimico, Setor 3: Boa infilracao e ma drenagem desfavorecem o intemperism quimico contato com os materiais tempo suficiente Setor C: Ma infitragdo e mé drenagem desfavorecem 0 intemperismo quimico i eae mat para promover as reaedes quimicas, Além disso, 0 ma. terial desagregado em infeio de alteracio € facilmente cattegado pela erosio, Por outro lado, nas baixadas, as ‘igus ficam muito tempo em contato €om as rochas € tornam_se concentradlas nos componentes sohiiveis, per dendo assim sua capacidade de continuar promovendo ices de ataque aos minerais, Nesses meios confinantes, proxim i 0 pe © processo atuante & normalmente a bissiali > nivel fresitico e sem escoamen: to sufic il também nio se aprofunda muito & Nesses compartimentos topogrificos, hi desnivel consi- drivel em telacio ao nivel de hase regional, permitinde boa infiltracio das dquas, drenagem interna dos perfis cficiente € conseqiiente eliminacio dos produtos dissol shes, Gamo escoamento superficial reduzido, 0s pers formados sio poupados de uma erosio intensa poden | eee minerais secundinios ai for mados tendem a uma composieao mais simples ‘oxt-hidrésidos de ferro € de aluminio ¢ caulinita onde a silica no tiver sido totalmente lisiviada; em outeas palavras, corre aliizaeo (ou fertalitizacio) € monossi- aliizacio, Biosfera 8 qualidade da agua que promove o intemperismot _ quiimco € bastante influenciada pela acio da biosferar \ mateéna orginiea morta no solo decompoc-se, libe: rando CO, ,cuja coneentracao nos poros do solo pode ser até 100 vezes maior que na atmosfera, o que dimi- ‘nui o pH das dguas de infiltragio. Fm torno das raizes das plantas, o pH € ainda menor, na faisa de 2.a4,¢ é mantido enquanto © metabolismo da planta continua (Fig, 8.22). Isso € particularmente importante para o comportamento do aluminio qu . Sendo muito pow co solivel nos meios normais, torna-se bastante solivel em pH abuso de 4. \ biosfera também participa mais diretamente ao processo intempérico através da forma culas onginieas que sio eapazes de complesar dos minerais, colocando-os em solugio. Os acidos onginicos produzidos pelos microorganismos sio ca 10 de molé- pazes de extrair até mil vezes mais ferro © aluminio Fig. 8.22 A concentracao hidrageniénica nas imediacoes das raizes das plantas pode ser muito grande (boixo pH) focilitando fracas iénicas com os grdios minerais. dos silicatos que as dguas da chuva, SUpeekieiesera — oi Tempo © tempo necessirio para intemperizar uma deter ‘minadla rocha cepende dos nutros fatores que eontrolam o intemperismo, principalmente da susceptibilidade dos constituintes minerais ¢ do clima. Fm condigies de intemperismo pouco agressivas, € necessirio um tem- po mais longo de exposigao as intempeéries para haver ‘© desenvolvimento de um perfil de alteragio, Caleula-se a taxa atual de intemperismo através de estudos de balango de massa em bacias pequenas, me dlindo a saida de substincias dissolvidas na drenagem. avaliagio da velocicade do intemperismo, passado pode ser realizada no caso de haver, por exemplo, lavas capeando © perfil de alteragio: a datagio absoluta da rocha parental do perfil ¢ das lavas colloca um interval miximo de tempo para o desenvolvimento do. perfil Avalia-se também o tempo a partir do qual as tochas foram sujeitas ao intempensmo pela datacio das super ficies de apliinamento onde os pertis se dlesenvolvem. & anos podem ser cansiderados representativos para a velocidade de aprofundamento do perfil de alter cio, sendo que o extremo superior deste intervalo, pres da ordem de 20 a 50 m por milhio de refere-se aos climas mais agressivas. Te} Os estudos da decomposicao das rochas em mo- numentos € edificios também € util na compreensio do fitor tempo no fendmeno da alteragio intempérica \ velocidade do intemperismo dos monumentos pode ser muito pequena, da ordem de alguns milimetros por ano, © exemplo ja citado do obelisco (Fig. 8.20) que foi rapidamente alterado em Nova lorque, sob Fito, onde foi naturalmente preservado por cerca de 35 séculos, de- clima mais dmido que o reinante 20 ‘monstra 0 efeito interativo entre clima e tempo ne process ce intemperismo, 1 8.6 Produtos do Intemperismo © manto de intemperismo geralmente evolui, em suas porcdes mais superficiais, através dos pro- cessos pedogenéticos, para a formagio dos solos Em condigdes excepeionais, que exigem uma con- jungio de varios furores, entre os quais condigdes relativamente agressivas de intemperismo, formam, se no manto de alteragio horizontes enriquecidos em minerais de interesse ceondmico, Sao os deps~ sitos lateriticos 8.6.1 Solos Os produtos firiiveis € moveis formados na su- perficie da Terra como resultado da desagregacio € decomposigio das rochas pela acio do intemperismo podem nao ser imedi nente erodicos e transporra- dos pelos agentes dal 4 fsigaag para bacias de secimenragio continentais ou ma- rinhas (zonas deprimidas nos continentes,ri0s, lagos, ‘mares C oceanos), Quaindeformados’ em reides pla: | “nas ou de relevo suave ou. ainda, quando estio | _ protegidos por cobertuta vewetal, sofrem pouco a aco Mai@tosH6. sobretudo a crosio fisica ou meciinica, Nesta Situagio, o saprolito evolui através de reorganizagoes estruturais e¥eruadas por processos pedogenéticns, dando origem aos solos. Pa ee le Le Os processos pedogenéticns ou de formagio dos solos sio estudados por um ramo relativamente re conte das cujas noo Ivisieas e conceitos fundamentats foram detinidos 1877, pelo cientista russo Dokouchaew. A partir dessa data, 0 solo deisou de ser considerado simplesmente tum corpo inerte, que reflete unicamente a compost ‘io da rocha que lhe dev origem (rocha parental), para ser identificado como um material que evolu no tem po, sob acto dos fatores ativos do gtchossepeeHEO) (lima, vegetacio, topogratia ¢ brostera, Ni é facil definir 0 solo, pelo fat de ser um materi al complexo, eujo conceito var utilizagin, Assim, para 0 agrdnomo ou para o agrieultor, em funeio da sua «© solo € 0 meio necessinio para o desenvolvimento das plantas, enquanto para o engenheiro é o material que ser vye para a hase ou fundacio de obras evis fafa EGIL, 4 amsupefo esstanto part anquslogn ¢ 0 mater Sp fundamental para as suns pesquisis, por servir de reyis- tro de eivilivacies pretcritas: iparaio hidrologey@iSOKi! _simplesmente 0 meio poroso que abriga reservatGrios Gesigaasisubternineas Desta forma, cacks uma das espe cialidades possut uma defini¢ao que atende @ seus objetivos. Entretanto, existe uma detinigio simples que se adapta pe da Terra ¢ que considera © solo como © produto do Jtamente aos propdsitos das Ciéneias nremperismo, do remanejamenta e da organizacio das camadas superiores da crosta rerrestre, sob agi da atmosier, da hidrosfera, da hiosfera © das trocas de energia enwvolvidas. Para um saprolito tornar-se um solo, & precisa, em primcieo iugar, que nesse meio alimentaciny mineral dos onsinismos vivos autérrofos ¢, em particular, dos vere ‘ua ede clementos quimicos, que sin encontrados no ar ou tais superiores, esteja assegurada, A vida necessit dissolvidos na agua € que tém como fonte prmaria as rochas ¢, secundatiamente, os tecidos onginicos pré-enis tentes, Nas rochas, esses elemientos esti disponivels para os onganismos em concentraghes muito baisas « ‘nas soluches, em concentragies demasiadamente cleva- dds, para assegurar uma alimentacio continua e su para os organismos vivos. Neste particular, BBA). No solo, essa fungio vital para os organismos ‘vivos é desempenhada por uma fragin organomineral de nominada plasma argilo-hiimico, por ser constituida pela fotima associagio de argilominerais e hiimus, \ as ht Me rte sociagio deste plasma argilo-himico com minerais res duis, herdados da rocha parental como, por exemplo, 0 quarizo, fomece a organizagio estrutural e textural do solo. Fm funcio das condigéies ambientais, que envol vem rocha parental, clima, organismos vivos (flora € relevo € tempo, os ticas e propriedades fisicas, quimicas¢ fisico-quimicas diferenciadas, ASSIMN] fauna, incluindo © ser humano) solos podem apresentar caractet -dezenas de metros) ou rasos (alguns pouco centi- metros), podem apresentar-se homogéneos ou _nitidamente diferenciados em horizontes.: A formagio do solo Na porcio mais superticial do perfil de alteracio, © saprolito, sob a agio dos fatores que controlam a alteracio intempérica, sofre profundas ¢ importantes modificagdes, caracterizadas por: (I) perda de maté- tia, provocada pela lixivia como quimica (em solue io tanto fisica (em particulas) ©), Gi) adigao de matéria, proveniente de fontes externas, incluindo matéria or ginica de origem animal ou vegetal, poeiras minerais vindas da atmosfera e sais minerais trazidos por fluxo s, (ill) translocagao de maté- tia, isto é, remobilizacio através dos fluxos de solugdes no interior do perfil (movimentos verticais e laterais) fou pela agao da fauna e (iv) transformagio de ma- téria, em contato com os produtos da decomposicao ascendente de solug ‘post mortem cx materia vegetal ¢ animal, Esses mecanismos sio controlados pelas solu- des que percolam o periil vertical ¢ lateralmente ao longo da vertente € pelos organismos, ANGSBEE “tura vegetal, dificultando a erosio, tem um papel “mais protetor que destruidor das estruturas dos: “solos. Numa escala global, os principais agentes de remobilizagio dos materiais do solo (bioturbacio) S30 ‘os animais. Os vermes pais importantes bioturbadores, seguidos pelas formigas. Os eupins ¢ outros invertebrados tém papel men impacto desses varios grupos nio € uniforme no globo porque habitam ambientes especificas, Os cupins aruam Drincipalmente na faixa tropical, enquanto a atuagio dos sio os 9 importante, O vermes se estende por todo 6 planeta, mas concentra-se preferencialmente nos ambientes timidos das pastaens ¢€ florestas, Em termos geoprificos, as formigas sio mais disseminadas que qualquer outro animal. A atuagao da fauna nos solos pode atingir profundidades de até al: guns metros, com a eseavagio, transporte ¢ redeposi¢io de consideriveis quantidades de material, misturando os varios componentes do solo € promovendo a forma edo de estruturas tipieas de bioturbagio. A importineia da bioturbagao pode ser avaliada pela velocidade de cons ttucio de cupinzeitos, que se di na razao dealguns gramas a alguns quilogramas de material por nm por ano, Classificagao dos solos Os solos encontrados na superficie da ‘Terra apre: sentam grande diversidade em fungio das diferentes combinagdes de seus fatores de formacio, Para a re alizagio da cattografia dos solos, etapa essencial e neces correta utilizagio nos diferentes do- ia para su minios de aplic classificagiv. », € de fundamental importineia sua Chassificar um solo, entretanto, no é tarefa fic, pois eles formam um meio continuo ao longo do re em lateral de um tipo a outro © que difieulta em muito a levo, sendo que a passa se faz de forma gradu: colocacio de um limite entre 05 varios tipos. A classificacao dos solos pode ser feita segundo dife rentes critérios. A énfase na utilizagio de critérios genéticos, morfologicos ou morfogenéticos varia de pais para pais, o que di orjgem a diferentes classitic pedoligicas. Sio bastante conhecidas a classificagio fran- ccesa, largamente utilizada para cartografar os solos tropicais da Affica, a classificacio adotada pela FAO (Food and Agricultural Organization) na sistematizagio da carta mundial de solos, ¢ a classificacio portuguesa, tam- bém largamente utilizada na Africa, Entretanto, sem duvida, a classificagao mais difundida é a “Soil Taxonomy” ", desenvolvida nos FUA, que considera 12 ordens de solos, subdividides em sub-ordens, grandes grupos, grupos, familias ¢ series CO Me ace ee me ALFISSOLO. Solo de Norestas deciduas, de cor marrom,rlaivamento {rt feo emalumina# fer [ARIDISSOLO Solo de regies secas, do cor pli, arenoso, com povea matara organs ENTISSOLO. Soo jovem de egies secas ou frias, cam cores pallas emalera orginice HisTossoLo| “ura orgnica muito jovem, de cor escura @ frequentomente Bes INCEPTISSOLO Solo Jovem de rogidesdticase montanhosas, ormado por maoral facamenteimiempencade MoLISsoLo Solo eseuro e maco, formado sob graminess, com ato onteido em matna oganica OxISsoLo ‘Solo de regidos tropicals ides, atamente intorper ‘ado, side © pouco fet (equraionte ao latosso}0) ESPODOSSOLO ‘Sole jovom, seid, das fresias de confor, coberto por uma camada palda scrzentada uLTissoLo Soin veho,pabre em nutnentes, de egies ‘montanhoste e ovis seas stamente nlemporzadas VeRTISSOLO Solo de wade iniermedia com arias expansive [HG s01L.08 0 Areas monTaNHosAs [HR overs cexaoas Fig. 8.23 Mapa de solos do continente omericano, al ies RANDO A TERRA \ classificacin € importante € es bo, N encontrados em diferentes regides do glo- mapa de solos do continente americano (Fig, cana, fica evidente que a distribuicie dos solos é zonal, em funcio da latitude e da altitude, estando relaciona: da, portanto, ao clima © a vegetacio, Solos Tropi Nas re es tropicals, como € © caso do Brasil solo poseni propriedades fisieas, qui micas © morfoligicas especificas, mas seu conjunto apresenta um certo nimero de atribu conn, par exemplo, composicio mineralégica sim, pples (quartz, caulinita, oxi-hidroxidos de ferro e de aluménio, erande espessura ¢ horizontes com cares ‘dominantémentelamarelasiow vermelliag (Ip. 8.24 Em funcio dos processos genéticos ¢ do longe empo envolvido na sua formacio, os solos tropicals reflexo de uma composigio dominada por minerais lesprovidos dos elementos mais soliiveis. Sia. s¢ de mais baisa fertilidade, quando comparados e« »s solos de clima temperado, ricos em laipilominerais capazes de ERORRIEMEMOSGUIIEDS necessirios a0 ‘metabolismo vegetal! Os solos tropteass representamy ecossistemas fives extremamente vulnerivels as agbes antrpicas, © (px: s frem de forma acentuadia os efeitos de uma urtilizacio que se di por tGenieas de manejo iio adequadas, AMR Fig. 8.24 Peril de solo io dos solos tropicals, que pode levi-los a destrutgio, & tum dos mais importantes problemas ambientais que humanidade tera de entrentar neste seculo., Solos brasileiros © Brasil situa-se quase que inteiramente no domi nio tropical timido (esceto a regio Sul © © Nordeste semi-irido). Esta situagio, aliada & estabilidade tural de seu embasament que 5 fin Creticeo nao sofreu movimentagdes de grande | te, leva a predominineia de uma coberrura pedolgic que reflete, de maneira acentuad como preponderante na sua formaci sio bem estudad ‘oda EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa A, ses trabalhos permitiram o desenvolvimento de classificagion pripria, publicada em 1999, subelividin do os solos em classes, com seis diferentes niveis, hierirquicos. O primeira nivel comporta | Mer as na Tabela 8.3. No Brasil, os latos fica, Fes ocorrem em praticamenre todas tipos de rochas. Como pode ser visto na Fig, 8.23, outros tipos de solos ocorrem em fungi de pec iaridades das condigdes de formagio © evolugio pedolégica, como o cli ma semi-arido do Nordeste brasileiro, que condiciona a formacio de yertissolos © entissolos, segundo a Soil Taxonomy”, ji mencionada. Importancia do solo e de sua preservaga O solo 6, sem diiviela, « rarural mais importante de um pais, pois & dele que derivam os produtos para alimentar sua populagio, Nas repides intertropieais, essa importaneia é maior veratene Fan, andl, por duas nazis principais Carituto 8 + InTEMPERIsmo E Formacho po Soro (161 Tabela 8.3 Classificacao de solos utilizade pela EMBRAPA Eo Canes Neossolo Solo pouco evoluido, com auséncia de horizonte 8. Predominam as caracteristicas herdadas do material original. Vertissolo Solo com desenvolvimento restrito; apresenta expans&o © contrag&o pela presenga de argilas 2:1 expansivas Cambissolo Solo pouco desenvolvido, com horizonte B incipiente. Chernossolo Solo com desenvolvimento médio: aluagao de processos de bissialitizagao, podendo ou ndo apresentar acumulagao de carbonato de calcio. Luvissolo Solo com horizonte 8 de acumulagao (B textural), formado por argila de atividade alta (bissialitizagao); horizonte superior lixiviado Alissolo Solo com horizonte B textural, com alto conteudo de aluminio extraivel; solo acide. Argissolo Solo bem evoluido, argiloso, apresentando mobilizacao de argila da parte mais superficial Nitossolo Solo bem evoluido (argila caulinitica ~ oxi-hidréxidos), fortemente estruturado (estrutura em blocos), apresentando superficies brilnantes (cerosidade). Latossolo Solo altamente evoluldo, laterizado, rico em argilominerais 1:1 € oxi hidroxidos de ferro e aluminio. Espodossolo Solo evidenciando a atuagao do processo de podzolizagao; forte Gluviagdo de composios aluminosos, com ou sem ferro; presenga de humus dcido. Planossolo Solo com forte perda de argila na parte superficial e concentragao intensa de argila no horizonte subsuperficial. Plintossolo Solo com expressiva plintitizagdo (segregacao e concentracdo localizada de ferro) 3 Gleissolo Solo hidromérfico (saturado em Agua), rico em matéria organica. apresentando intensa reducao dos compostos de ferro. Organossolo Solo essenciaimente organico; material original constitui © proprio solo. velbios, Frigeis, em precitio, de tal forma que os impactos provocados por desestabilizar © sistema, Desmatamente, ealtine 162 DeciFranvo a TERRA quantidade de alimentos, tém resultado no desmatamento de areas florestadas para expansio das uma soluio iluséria, pois os solos das florestas representam sistemas muito fr reas agriculturivei geis, que acaham sendo destruidos com o dlesmatamento, Na Amaz6nia, por exemplo, a taxa amual de desmatamento para tins agricolas estd em tomo de 1,3 milhdes de hectares, € mio tem resolvide sitistitoriamente o problema. © uso adequado dos solos jd existentes, prevenindo-se sua desteuicio, & a melhor solugio, Além disso, solos de outros ambien: tes, como 0 cerrado, com a aplicagio de formas adequadas de irrigaeio, poderiam contribuir de for- ma mais conereta e permanente para o aumento da producto de alimentos. Para proteger os recursos do solo, esti disponivel hoje um conjunto de téenicas de manejo que incluem a identificacio © mapeamento dos solos vulneriveis, a implementagio de solugdes alternativas a forte depen- déncia de agroquimicos ¢, finalmente, o reflorestamento, 8.6.2 Depésitos lateriticos Os processos genéticos que atuam na formacio de um depésito lateritico classifieam-se em 2 grupos: * Preservacio do mineral primério de interesse & sua coneentr: > relativa devida 4 por acumul perda de matéria do perfil durante a alteracio. Nesse caso, 9 mineral portador do elemento de interesse econdmicn € relativamente resistente ao intemperisme © permanece no perfil, enquanto os outros minerais io alterados, ¢ pelo menos parte da matéria ¢ isivinda .. por exemplo, dos depésitos de fosfato, por concentracio de apatita, de erémio, por entricio de eromita, estanho, por concent dle cassiterita, ferro, por concentragio de hematita, ete do perfil. Ei 0 cas * Destruicio do mineral primirio € formacio de minerais secundirios mais ricos que © mineral prima Hiono elemento de interesse, Isso ocorre com elementos de baixa solubilidade como 0 Ale o Ti, que formam minerais secundarios (gibbsita ¢ anatisio, respectiva ua Tiber primirios portadores, Mas também pode ocorrer com que migeam no perfil de alte ragio e vo precipitar como fases secunditias nos 10 dos minerais mente) imediatamente apo: elementos mais solivei horizontes que apresentem condigdes propicias para tal. Fo caso, por exemplo, do minério de niquel iquelifera) © de mang (garnierita © goethi {psilomelano e pirolusita). Em algumas situagdes, ocorre um processo mis to, pelo qual o mineral primario portador do elemento de interesse permanece inalterado no que diz respeito a seu arcabouco essencial, mas sofre transformagdes que podem melhorar ou piorar sua qualidade como mineral de minério, Um bom exemplo dessa situagdo sio os depésitos lateriticos de nidbio, onde o pirocloro do manto lateritico ental, mas nio é mais o Ca-pirocloro da rocha Ba-pirocloro intemperismo, sim 0 transformado pelo No caso de alguns depdsitos lateriticos, como atuacio os de ouro, o minério € formado p conjunta dos dois processos: 0 mineral de miné rio € uma mistura de particulas de ouro primario mais ou menos preservadas da alteragio e de par ticulas de ouro secundario precipitado a partir de solugaes, Como conseqiiéncia de seu modo de forma cho, por pros cumulagio relativa ¢/ou absoluta de elementos no perfil de alteracio, em ambiente de abundincia de agua ¢ de oxigénio, as jazidas lateriticas apresentam algumas cas comuns. Ocorrem sempre na superficie da terra ou préximo dela, sob forma de bolsdes ou man: essos de aracterist tos, 0 que permite a lavra a céu aberto. No caso de elementos que admitem mais de um nimero de oxidacio, estes se encontram com seus nimeros de oxidacio mais altos. De modo geral, os deposits lateriticos possuem teores relativamente baixos, 0 que € compensado por tonclagens expressivas. Fi- nalmente, dada a dificuldade de preservacio de Formagdes superficiais por um periodo de tempo muito extenso, os depésitos lateriticas estao limit pte dos aos tempos geoldgicos mais re prineipalmente cenozdicos. Para que um depésito lateritieo se forme, € ne: atores Por © de ordem litologica, climatica e morfotectonic: sétio que ocorra uma converpéncia de fator litolégico, entende-se a natureza da rocka So bre a qual o intemperismo vai atuar. De modo geral, nas jazidas lateriticas, ha um enriquecimento prévio do elemento em questio na rocha parental que, nes contexto, € denominada protominério, As vezes, © proprio protominério pode ser explorado, ©, esse caso, © minério lateritico & apenas uma €0. bertura enriquecida do minério primi exemplo, podem-se mencionar algumas jazidas de apatita e de manganés. Em out io, Como, Porc} protominério € focha estéril, como as rochas s que dio origem as lateritico, ou rochas de qualquer natureza, que dio origem ais hauxitas (minério de aluminio), ultramiti das de niquel © clima tem um papel importante na génese dos depositos lateriticos. De modo geral, sto necessari as condig es de alta pluviosidade e temperatura para que a alteragio tenha natureza lateritica, caracteti zada pelo intenso ataque 208 minerais primarios € lixiviacio dos ions mai a maior parte das jazidas lateriticas do mundo en- contra-se na faixa tropical do globo, sobretudo nas Wes timidas. Depdsitas lateriticas situados fora desta faixa foram originados em outras épocas geo logicas quando, em funcio da deriva continental, estava soliveis, Por esse motivo, sujeitos a condigdes clinsaticas mais favo- riveis, Por fatores morfotectOnicos favoraveis 4 génese de jazidas latetiticas, entendem-se do relevo que permitem uma boa drenagem, possi- bilitando © eseoamento das solucdes de ataque das rochas para que 0 intemperismo seja intenso, Além fil seja prescrvado da erosio para poder aprofundar-se. Sio, dessa forma, caracteristicas disso, nceessirin que 0 pet as areas bem drenadas € tectonicamente estaveis as mais favoriveis para a formagio de depdsitos es- pessos ¢ evoluidos. Depésitos lateriticos do Brasil No Brasil, situndo quase todo na faixa tropical do globo, as eondigdes para o intemperismo lateritico vem existindo pelo menos desde © Terciirio, o que resul- Je 75% do territtrio 1: s lateriticas. Essas formag6es esto au- na regio Nordeste, de clima semi-érido, © na regio Sul, de clima sub-tropical. As formacdes lateriticas comportam intimeras jazidas, que contribu- tou numa i ional coberto por formagd sentes apena em com cerea de 30% da producio mineral brasileira, excluindo o carvio € o petréleo, Os principais bens minerais concentrados por laterizagio no Brasil sio Fe, Mn, Al, Ni, Nb ¢ fosfatos (Fig, 8.25). Os depésitos formaram-se a partir de protominérios de idades que vio do Arqueano a0 ‘Tercidrio, mas a laterizacio € sempre relativamente re- estando relacionada prineipalmente 4s superficies de aplainamento Sul-Americanas (Eoceno) ¢ Velhas (Plioceno).. cent DO Cee CM Depésitos lateriticos de ferro todas as jazidas de ferro do Brasil concentragio & de origem sedimentar quim no Quadshivero Berrifero (MG) © em Carajis (PA), € parcialmente detritiea, como em Urucum (MS). Os sedimentos depositaram-se em bacias pericratonicas a primeira vuleano-sedimentares que sofreram posteriormente uma ou mais fasts de metamorfismo, O protominétio: que resulta desses processos 0 itabirito, rocha de estrutura bandada caracteristica, com alternincia de leitos ferruginosos (hematita predominante) © silicosos (quarto). © processo intempérico levou A dissolucio do quartzo com a conseqiiente concentracio relativa da hematita (mineral de minétio) no perfil, por una es pessura que pode ultrapassar 300) m. No 1opo do perfil desenvolveu-se um horizonte endurecido de couraca ferruginosa formada principalmente por goetbita (canga), que impediu a erosio € permitiu © aprofundamento do perfil. Em Carajis © no Qua drilitero Ferrifero, esse horizonte de eanga corresponde i Supertici um periado de tempo muito longo desde o Koceno) para a formacio dos depésitos Sul-Americana, indicando No caso dos depositos de ferro lateriticos, os con: troles preponderantes na génese do minério sio de ordem Titoldgiea © morfoteetinica Depésitos lateriticos de manganés © Brasil possui numerosos depdsitos de manganés, para os quais a laterizacio contribui decisivamente. Os principais situam-se no Mato Grosso do Sul (Uirucum) ¢ na Amazonia (Serra do. Navio, Azul, Buritirama). Nesses iiltimos, a primei nés é de origem sedimentar ou vuleano-sedimentar, sob a forma de uma rocha rica em carbonatos (rodocrosita) ¢ silieatos de manganés (Mn-granadas, Mn-olivinas © Mn- piroxénios), onde este elemento aparece com niimero de oxidagio 2°, acompanhados de outros, minerais tais como micas, quartzo ete. Quando a proporcio de mine ‘At protominério, este pode ser explorade econo: micamente, como € 0 1 Conselheiro Lafaiete (MG). Porém, em geral, é a laterizacio que, aumentando © teor de manganés s de manganés ja é elevada so do depésito de no minério, torna econdmica sua exploracio, 164 DeciFRANDO A TERRA A- Amazonas Bacias B - Parnaiba C- Parana -Allantico Oar @re OMn gn Penb 1 -Trombetas 4-Carajas 4 -Amapa 1 -Carajés 4 -Catalao 2- Jari 2-Urucum 2- Carajas 2-Santa Fé 2-Araxa 3-Paragominas | 3-Quadriatero | 3- Urucum 3 Niquelangia 3-Tapira 4- Pogos de Caldas Ferrifero, 4- Quadrilatero 4- Barro Alto Ferrifero Fig, 8.28 Localiragao dos mois importantes deposits loteriicas do Brusil de Al, Mn, Fe, Ni, Pe Nb Cal A alteragio intempérica provoea a dissolugio dos minerais que acompanham os minerais de minétio € promor formagio de dxidos de Mn” (hausmanita e manganita, por exemplo) © Ma* (pirolusita, criptomelano ¢ liioforita, por exemplo), mais ricos em manganes que osidaciio dos minerais de mann ‘os minerais originais. Agai também o controle princi pal na genese do minério é litoldgicn, Porém, a0 contririo do caso do ferro, parece nio existir uma as- sociagao clara entre os depésitos € as superficies de aplainamento, Depositos lateriticos de niquel Os macigos ultrabasicos do Brasil, que sivas ro- chas originais dos depdsitos de niquel lateritico, sie ‘sumerosos, de tipos variados ¢ dispersos por todas as zonas climatias. Os depositos mais importantes esta0 situados no Centro-Oeste (Niquelindia ¢ Barro Alto), regido de ima tropical de estacdes contrastadas e, em menor grau,na Amaziinia (Vermelho), sob elima tropi cal timido. O Ni esti pre a, incorporado ao reticulo eristalino das olivinas, serpen- finas e, em menor grau, dos piroxénios. Esses minerais si facilmente alterados, dando origem a novos mine rais como a serpentina, 0 taleo, a clorita e a goethira, mnte na tocha original ultrabs cnriquecidos em Ni, O controle litoligico é muito im- portante nesse caso, pois as tochas ultra Linicas rochas que possuem teores de niquel suficien- te para gerar depositos por intemperismo. Nesse case, entretanto, 0 fator climatico também conta muito, sendo as regides de clima mais contrastado as mais favoniveis para a pénese de depositos de niquel latertica Depésitos lateriticos de aluminio © Brasil possui enormes reservas de bauxita (mi nério de aluminio), concentradas prineipalmente 2 Amazinia (Paragominas, Trombetas, ete:), onde deri- ‘vam de sedimentos areno-argilosos. Porém, espathados por todo o Pais, ha pequenos depdsitos de bausita re lacionados prinejpalmente a rochas alealinas (Pocos de por exemple). Diferemtemente dos outros mi nérios lateriticos, qualquer rocha pode gerar bauxiti, pois 0 ALE um elemento abundante nas rochas cv muns € muito pouco solivel na superficie, de modo ‘que se concentra facilmente com a lisiviagio intensa dos outros componentes. O principal mineral de mi nério & um hidrosido, a gibbsita Te) Pe aa t e tL) Nio hi, portanto, controle litoligico na geragio das jazidas de bausita, sendo os fatores mais influentes as condigdes morfoteetinicas, que devem propiciar uma alteragio em ambiente de drenagem livre para que & Iixiviagao dos outros elementos possi ocorrer, € cl maticas, caracterizadas por precipitacio intensa ¢ temperaturas altas. Depésitos lateriticos de nidbio ¢ fosfatos © Brasil possui grandes reservas de nidbio € fosfatos, cuja origem esti relacionada a alt macigos carbonatiticos. Essas rochas tém originalmen te teores elevados de Nb ¢ P, si fucilmente alteriveis, aos. A pente controlada fiw de pois seus constitutintes prineipais sio car vidas -génese das pelo fator ltalégico. , portanto, estr © Nb ¢ enriquecido a partir da concentragio resi dual do pirocloro, sua principal fase portadora, Apesar desse mineral poder sofrer uma certa alteracio duran tc ointemperismo, seu contetido em nidbi fiea mantide. As maiores jazidas de nidbio do Brasil estio situadas em Araxi e Catalio. A primeira, Araxi, constitui a mai or reserva de niébio do mundo. Da mesma forma, 0 fisforn € enriquecide pela con Jacupiranga (SP), 0 teor de apatita no carbonatito ji é sulficientemente alto para que a rocha parental possa ser explorada como minério, Porém, na maior parte civ residual daapatita, Fm alguns macigos, como das jazidas de fosfato, como, por exemplo, Cat Araxi, é 0 manto de alteracio, onde a apatita esti centrada, que constitui o minério, CT eer Leituras recomendadas MURCK, B, W, SKINNER, B. }.; PORTE! a C. Environmental Geology. New York: J. Wiley 8 Sons, 1996. PRE SIEVER, R. Understanding Earth. New York: W. H. Freeman, 1998, SKINNER, B. J; PORTER, S. C.. The Dynamic Earth. New York: J. Wiley & Sons, 1995. TARBUK, E, J, LUTGENS, EK, & Tasa, D. Earthy: An Introduction to Physical Geology. New Jersey: Prentice Hall, 1996, THOMAS, M. F. Geomorphology in the Tropics. New York: John Wiley & Sons, 1994, MELFI, A. J.; TRESCASES, J. J. CARVALHO, As OLIVEIRA, S.M.B; RIBEIRO FILHO, FORMOSO, M. L. L. The Lateritic Ore Deposits of Brazil. Seenass Géolgiques Bulletin, vol4l, 1988. STRAKHOV, NM. Princples of Lithegenesi. Lon- dres: Oliver & Boyd, 1967. vol.1. RUELLAN, Aj DOSSO, M. Regards sur le Sok Paris: Les Editions Foucher, 1993.