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PARTICIPAÇÃO PERCENTUAL DA DEMANDA INSTITUCIONAL

NO PIB.

Virgilio Pacheco*

Esse é um pequeno exercício de observação do PIB brasileiro, que


pode ser feito pela óptica do produto, demanda e renda. Essencialmente,
persiste o entendimento de equilíbrio resultante entre a oferta agregada (PIB)
e a demanda agregada (Consumo+Investimento+Gasto do Governo), quando
podemos acrescentar o resultado do comercio exterior, ou seja, das
exportações menos as importações.
Assim, nossa ênfase dirigir-se-á para a demanda agregada dos últimos
decênios, cuja média, é superior a média do produto no período. O consumo
das famílias em termos percentuais alcança 89.1 % no período 1991/2008;
Considerado o período 1991/2000 essa participação alcança esse percentual
se eleva a 93,7 %, conquanto 2001/2008 a participação das famílias no
consumo marca 83, 4 %.
Portanto, qualquer que seja o período considerado, a participação é
muito elevada considerando a medíocre taxa de crescimento do produto nos
mesmos períodos. Pior, temos o crescimento do produto apoiado pelo
aumento do consumo, quando falta adequadamente investimento em infra-
estrutura (energia, estradas, portos, aeroportos etc.) para dar suporte ao
crescimento de forma equilibrada, evitando assim os gargalos ou pontos de
estrangulamentos.
A situação muito assemelha a fabula da cigarra e da formiga. No
nosso caso escolhemos o papel da cigarra, cujo consumo este sendo feito
sem laborarmos o futuro.
A formação bruta de capital, absolutamente insuficiente, apropria
durante os mesmos períodos acima mencionados apenas 23% de 1991/2008;
No período 1991/2000 verifica-se a maior média com participação de 24,6
do PIB, conquanto essa participação média diminua para 21 % em relação ao
produto de 2001/2008.
A participação do setor governo apresenta uma média mais
homogênea durante esses períodos considerados de tal forma que para o
intervalo 1991/2008 sua participação foi 11.7; No período de 1991/2000 o
gasto de governo foi de 11%, conquanto de 2001/2008 se eleva para 12.7%.
Esse incremento, entretanto, de 1.7% grande parte se dirigiu aos gastos
correntes contribuindo assim para manutenção da carga tributária.
O resultado com o resto do mundo apresenta invariavelmente um
resultado negativo, o que reflete a grande vulnerabilidade histórica do nosso
comercio exterior, além da manutenção das importações sobre as
exportações, condição necessária para o equacionamento entre a demanda e
oferta agregada, como veremos adiante. Dessa forma o saldo com o resto do
mundo de 1991/2008 corresponde a -29.4 do PIB, sendo que 1991/2000 esse
percentual é de -23.7, quando declina para -16.5 entre 2001/2008.
O quadro anexo apresentado sintetiza os dados acima analisados.
Assim, considerando a equação de equilíbrio da renda, teremos: Y= C + I +
G + X – M. A renda ou produto é igual ao consumo das famílias +
investimento + gastos do governo + exportação – importação. Em termos
percentuais, teremos:

Demanda
Agregad
a
exclusive
RM X-
Periodos Y C I G X M M
Media -
91/2000 100 93.7 24.6 11 129 10.4 39.8 29
Média -
2001/2008 100 83.4 21 12.7 117 27.5 44.0 17
Média -
1991/2008 100 89.1 23 11.7 124 18 41.7 24

Como se pode observar, dado produto e renda média no período


1991/2000= 100 a demanda agregada é de 129. Os gastos das famílias tem
sido o componente de maior pressão da demanda agregada. Nos últimos
anos a expansão do crédito consignado, dentre outros mecanismos de
incentivo ao aumento do endividamento das famílias, aumento da renda de
extratos marginalizados, no conjunto tem favorecido o aquecimento da
demanda. A insuficiência da oferta tem sido ajustada via importações e
conseqüente déficit em conta corrente. Dessa forma o resultado líquido de –
29 % no comercio exterior, decorre desse ajustamento, cuja trajetória se
repete nas médias de 2001/2008 e 1991/2008, apresentando o saldo de -17%
e -24%, face suas demandas agregadas de 117% e 124%, respectivamente

O comportamento secularizado dessas variáveis e a possível


manutenção de resultados semelhantes sugerem algumas inferências para a
economia brasileira: O modelo consagrado durante os períodos
considerados, eminentemente de caráter neoliberal, enfatiza a política
monetária restritiva, cujas taxas de juros elevadas, têm retroalimentado a
dívida pública que hoje alcança quase dois trilhões de reais. Essa política
monetária está geminada à política fiscal, cuja carga tributária tem escalado
patamares cada vez mais elevados, cuja contradição maior se explicita na
redução da responsabilidade do Estado na formação bruta de capital, que
determina a insuficiente oferta de infra-estrutura para alavancar o produto e
renda nacional, cuja média histórica da ultimas décadas tem apresentado um
crescimento medíocre face às necessidades sociais do País, conforme
apresentado na tabela abaixo, concernente ao mesmo período acima
considerado.

VARIAÇÃO MÉDIA DO PIB

%
Variação
Periods PIB
Media
91/2000 2.7
Média
2001/2008 3.1
Média
1991/2008 2.9
Fonte: Banco Central

Essas questões ainda que parciais e sumariadas vão requerer o


enfrentamento pelo futuro governo, seja quem for o vencedor. A diferença é
que caso se perpetue o atual esquema de poder capitaneado pelo PT,
certamente continuaremos a conviver com essas contradições, mais ou
menos intensificadas pela conjuntura externa, face necessidade de
financiamento das contas correntes. Nessa perspectiva, há permanecer a
atual política monetária com manutenção de elevadas taxas de juros
certamente assistiremos a retroalimentação de baixa taxa de crescimento do
produto, renda, injustiça fiscal, manutenção da insuficiência de
investimentos na formação bruta de capital, sobretudo no que concerne à
infra-estrutura.

Assim, ressalto minha concordância com sua ênfase à questão fiscal, o


texto do Tony Volpon e sua interação, como foram enfatizados, com o de
Demetrio Carneiro. Talvez, exista diferença quanto à intensidade e
amplitude dessas propostas.
Sem dúvidas, a proposição de criação do CEN (Conselho Econômico
Nacional) nos moldes explicitado é inovadora e oportuniza a
compatibilização dos três preços mais importantes da economia no plano
macroeconômico, quais sejam juros, cambio e salários.
Manifesto minha satisfação em receber o seu e-mail, pois que convida
ao debate sério e conseqüente, vital ao PPS e aos anseios dos brasileiros.

NOTA ALTERNATIVA BRASIL: Os textos mencionados pelo autor estão em:

Tony Volpon
http://www.scribd.com/doc/32138161/Atacando-a-doenca-e-nao-os-sintomas

Demetrio Carneiro
http://www.scribd.com/doc/32082263/O-QUE-O-PPS-ESPERA-OU-PODE-ESPERAR-
DA-ECONOMIA

*VIRGÍLIO PACHECO DE ARAÚJO NETO, 61, é baiano, economista, militante do


PPS, ex-vereador por Salvador.
* Economista, Conselheiro do Conselho Federal de Economia, Professor da Universidade Católica do Salvador, ex- Vereador,
Presidente do PPS/Salvador, Auditor Fiscal do Estado da Bahia