Banco de Dados Geográficos

Eduardo José Batista, Rodrigo Obregon
Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões Departamento de
Sistemas de Informação – Santo Ângelo, RS – Brasil
eduardo_batista91@hotmail.com, rodrigo.obregon@hotmail.com

Resumo: Bancos de dados geográficos oferecem a possibilidade de análise e
consultas espaciais. Em outras palavras esse tipo de banco possibilita a
realização de cálculos como áreas, distâncias e centróides, além de realizar
outras operações entre as geometrias.

1. Introdução
A evolução científica e tecnológica dos últimos anos, motivada principalmente pelas
necessidades de padronização de dados e a comunicação entre os programas de
Sistemas de Informação Gerenciais, fez surgir o conceito de Bancos de Dados
Geográficos. Em um Banco de Dados Geográfico, as geometrias e as descrições dos
elementos que representam as características do mundo real são armazenadas,
gerenciadas e processadas em um único ambiente computacional, o Sistema
Gerenciador de Bancos de Dados Relacional.
Sistema de gerenciamento de banco de dados convencionais não suportam a
implementação de banco de dados geográficos de forma nativa. Por essa razão diversas
empresas desenvolvedoras desses programas criaram extensões que possibilitam
trabalhar com esse tipo de informação espacial. Como exemplo, podemos citar o
PostGis, que é a extensão espacial do PostgreSQL.

2. Banco de Dados
O termo “banco de dados” consiste em um conjunto de dados organizados afim de
atender uma determinada finalidade, ou um conjunto de finalidades integradas. Banco
de Dados Geográficos é utilizado quando os dados a serem armazenados possuem
propriedades que descrevem a sua localização no espaço e a sua forma de representação.
Uma companhia de energia elétrica, por exemplo, necessita que toda a rede elétrica
esteja mapeada, com seus vários elementos, como transformadores, capacitores, cabos,
postes, entre outros.
2.1. Diferenciais dos Banco de Dados Geográficos
Os Bancos de Dados Geográficos, também conhecidos como Banco de Dados
Espaciais, possuem estrutura de funcionamento capazes de suportar formas geométricas
em suas tabelas. Esses bancos oferecem a possibilidade de análise e consultas espaciais,
a realização de cálculos de áreas e distâncias, além de realizar a geração de buffers
(zona de influência) e outras operações geométricas.
Voltando ao exemplo de um banco de uma rede elétrica, envolvendo questões como
“avisar os clientes que ficarão sem energia durante a troca do transformador x”
demandam informação de quais clientes estão conectados ao transformador, onde estão
e onde está o transformador a ser trocado. Estas informações são possíveis de serem
alcançadas através de banco de dados geográficos.

exploração de petróleo. na verdade. capacitores e transformadores podem ser. 3. transformadores e capacitores) são topologicamente conectados aos cabos. bem como dos relacionamentos entre eles são relevantes e carecem de estruturas de dados específicas. suponha que a escala de trabalho seja 1:2000 e que o objetivo seja a gestão da rede elétrica. baseados no conceito de proximidade geográfica. como por exemplo. que funciona como um modelo da realidade. a realidade é modelada por variáveis que possuem uma distribuição contínua no espaço. Na visão de campo. permitindo uma forma consistente de análise e consulta.1. mas devido ao surgimento de novos bancos de dados.A organização do banco de dados envolve um mecanismo eficiente de armazenamento e manipulação de dados. constituindo assim a rede elétrica. Os elementos da rede (postes. Os SIG’s permitem a realização de complexas operações de análise sobre estes dados. enquanto os cabos podem ser representados como linhas. quando. Desde a década de 60. foram produzidos os primeiros mapas com precisão. ter acesso a registros de imóveis a partir de sua localização geográfica. Relacionamentos topológicos são aqueles que se mantêm inalterados após distorções no mapa. A geometria diz respeito à forma geométrica utilizada para representar o dado espacial e está ligada à escala de trabalho e ao objetivo da aplicação. A Linguagem SQL foi adotada como Linguagem de Consulta padrão para os sistemas de banco de dados baseados no Modelo Relacional. Todas as posições no espaço geográfico estão associadas a algum valor correspondente à variável representada. estes modelos de dados podem ser divididos segundo duas visões: visão de campo e visão de objetos. Através disso. simplificadamente. vem recebendo alguns incrementos para tratá-los. questões relacionadas ao armazenamento da representação (geometria) dos dados espaciais. representados como pontos. O termo Sistemas de Informação Geográfico (SIG) é aplicado para sistemas que efetuam o tratamento computacional de dados geográficos. abstrações que representam fenômenos que acontecem na realidade (ex. fazer conexões entre diferentes entidades. Eles manipulam dados gráficos e não gráficos de forma integrada. tipo de solo ou relevo. Os postes. pode-se por exemplo. No caso dos bancos de dados geográficos. controle de recursos naturais. a partir do desenvolvimento da cartografia. Os modelos de dados existentes para SIG estão relacionados com as diferentes formas de percepção da realidade que podem ser empregadas. 3. Os objetos definidos com uso do modelo são. No exemplo sobre a companhia de energia elétrica. pressão. a tecnologia de SIG tem sido utilizada em diferentes setores como agricultura. A principal diferença de um SIG para um sistema de informação convencional é sua capacidade de armazenar tanto os atributos descritivos como as geometrias dos diferentes tipos de dados geográficos. entidades reais são observadas como estando . umidade). temperatura.: temperatura. socioeconômicos e controle do uso da terra. Na visão de objetos. Sistema de Informação Geográfico O gerenciamento de informações geográficas originou-se na metade do século XVIII. cujo gerenciamento é controlado pelo Sistema Gerenciador de Banco de Dados (SGBD). tais como a conectividade. Modelo de Dados para SIG Um banco de dados geográfico é uma coleção de dados referenciados espacialmente.

Conforme mostra a figura abaixo. onde nem todas as posições estão preenchidas e. intersecção. além disso.distribuídas sobre um grande espaço vazio. Dados Geográficos Ao se trabalhar com dados geográficos. pertinência. Estas classes de representação dizem respeito a forma na qual os dados espaciais são armazenados (vetores ou matrizes). Nesta classe as entidades podem ser apresentadas na forma de pontos.1. como destaca a figura abaixo. cruzamento e proximidade. 4. Conforme a figura abaixo. 4. linhas (arcos e demais elementos lineares) e polígonos (áreas). mais de uma entidade pode estar situada sobre uma mesma posição geográfica. Classe Vetorial Dados espaciais armazenados no modelo vetorial tem a localização e os atributos gráficos de cada objeto representadas por pelo menos um par de coordenadas. os dados geográficos são agrupados nas classes vetorial e matricial. determina-se as relações topológicas como adjacência. .

2. pois ambos apresentam vantagens e desvantagens na sua utilização. No PostGIS está incluso suporte para todas as funcionalidades e objetos definidos na especificação "Simple Features for SQL"(SFSQL) do padrão OpenGIS® (Open Geospatial Consortium . PostGIS e SpatiaLite. 5. Nele são definidos funções que permitem consultas e manipulações de dados espaciais através de comandos SQL no PostgreSQL.1. extensões espaciais do PostgreSQL e SQLite respectivamente.OGC). Por exemplo.Spatial Database Engine da ESRI® a extensão Spatial da Oracle® e o Spatial Extender do DB2 da IBM®.4. As duas extensões além de serem compatíveis com os padrões Open Geospatial Consortium (OGC). PostgreSQL E Postgis PostGIS é um módulo de extensão do banco de dados gratuito PostgreSQL. são exemplos de SGBD espaciais amplamente utilizados que podem ser citados. Sistemas de Gerenciamento de Banco de Dados Geográficos Atualmente. 5. Classe Matricial A representação é feita através de uma matriz composta de um certo número de colunas e linhas. fácil importação e exportação de dados. onde cada célula tem um valor correspondente ao atributo analisado e pode ser localizada pelo cruzamento entre as linhas e colunas. a classe raster representa melhor fenômenos com variação contínua no espaço. As células da imagem da esquerda são maiores que as da imagem da direita. A figura abaixo mostra a representação em duas resoluções espaciais. O PostGIS adiciona "capacidades espaciais"ao PostgreSQL e permitindo que esse se torne um repositório de dados para os Sistemas de Informações Geográficas (SIG). integração com SIG (Sistemas de Informação Geográfica). apresentando uma baixa resolução espacial se comparado com a da direita. possuem um grande número de funcionalidades. Já o armazenamento na forma de vetores (por coordenadas) é mais preciso. Isso ocorre nos mesmos moldes de soluções pagas como o SDE . A escolha do uso do modelo vetorial ou matricial dependerá de diversos fatores. .

e ainda permite que a base de dados seja acessada e consultada por um grande número de usuários (na intranet ou internet). (1 0 0.Além disso. Os tipos de dados espaciais fornecidos pela extensão PostGIS podem ser vistas na figura: Esses tipos possuem a seguinte representação textual: • Point: (0 0 0) • LineString: (0 0... 0 0 0). 4 4 0. 6 6 0)) Linguagens de Consulta para BDG • Extensões do SQL. 4 0 0...) • MultiPoint: (0 0 0. (4 4 0. 1 1. 2 2 0). livra o usuário e seu software cliente da tarefa de lidar com o processamento das consultas. utilizar o PostGIS em um servidor. Spatial SQL. 2 2) • Polygon: ((0 0 0.. 4 4 0) • MultiLineString: ((0 0 0. Isso evita que o usuário tenha que armazenar e processar um grande número de informações. 1 1 0. 5 5 0. Linguagens de Consulta Textuais • Exemplo 1 (SF-SQL) – critério de seleção espacial e resultado textual . em geral • GeoSQL...). . SF-SQL. 0 4 0. .

• Exemplo 2 (GeoSQL) – critério de seleção espacial e resultado gráfico • Exemplo 3 (Spatial SQL) – critério de seleção espacial e resultado misto A criação de uma tabela com estes tipos de dados deve ser realizada em duas etapas como mostrado no exemplo abaixo. onde é criada uma tabela para armazenar os distritos da cidade de São Paulo: .

Os parâmetros dessa função são: • nome do banco de dados. Após criar as tabelas de dados. usa-se a representação textual das geometrias em conjunto com a função GeometryFromText que recebe a representação textual e mais o sistema de coordenadas em que se encontra a geometria: . • nome da coluna espacial. • nome da tabela que irá conter a coluna espacial. que serve para criar uma restrição que verifica o tipo do objeto sendo inserido na tabela. Para isso. • tipo da coluna espacial.Na primeira etapa. • dimensão em que se encontram as coordenadas dos dados. realiza todo o trabalho de preenchimento da tabela de “geometry_columns”. usamos a função AddGeometryColumn para adicionar a coluna com o tipo espacial. Esta função implementada no PostGIS e especificada no OpenGIS. definimos os atributos básicos (alfanuméricos) e na segunda. • sistema de coordenadas em que se encontram as geometrias da tabela. inserimos as informações usando o comando SQL INSERT.

7435582. como no caso de consultas por janela.967006. 7337341.000355. podemos construir a seguinte consulta: . Por exemplo. poderíamos construir o seguinte índice espacial: Os índices espaciais são usados em consultas que envolvam predicados espaciais. O operador && pode ser usado para explorar o índice espacial.882699.Para recuperar as informações em cada tabela.150681 e 275421. onde um retângulo envolvente é informado e as geometrias que interagem com ele devem ser recuperadas rapidamente. A sintaxe básica para criação de um índice é a seguinte: Para a tabela do exemplo. para consultarmos os distritos de São Paulo que interagem com o retângulo envolvente de coordenadas: 438164. Por exemplo. o comando abaixo seleciona a linha do bairro “Grajaú”: Outra funcionalidade disponível nesta extensão é indexação espacial. As colunas com tipos espaciais podem ser indexadas através de uma R-Tree construída no topo do mecanismo GiST.

em vista de sua ampla potencialidade de aplicação. o espaço de armazenamento utilizados pelas tabelas preenchidas com os dados usados no teste o tempo de execução de consultas. apesar disso. tanto espaciais como não-espaciais. como a área de um polígono e a distância ou perímetro de uma forma geométrica. Foi observado que ambas as extensões oferecem total suporte às funcionalidades especificadas no esquema SQL feito pela Open Geospatial Consortium (OGC). como uniões. a resposta do SpatiaLite é bastante rápida (praticamente instantânea) também. faz-se necessário ferramentas cada vez mais robustas que possam transformar esses dados em informações uteis. A extensão oferece também funções que realizam cálculos em formas geométricas. Ressalta-se que SGBD-G é uma tecnologia ainda em solidificação. etc. Quanto ao espaço de armazenamento. pois a extensão cumpre com o papel desejado de maneira eficaz. Para ficar em um exemplo. Pode-se concluir. é uma extensão do banco de dados SQLite. por exemplo. Os valores obtidos no estudo permitiram concluir que a extensão PostGIS permite a execução mais rápida de consultas. e referência linear. os critérios usados foram as especificadas pelas OGC. para determinar a extensão de uma rodovia interestadual ou da fronteira de um estado. As funções também podem gerar novas formas geométricas. porém o número de funções não-especificadas definidas no PostGIS é bastante superior ao do SpatiaLite. para definir regiões de vendas. Essas funções podem ser usadas. Vantagens e Desvantagens Em um estudo feito comparando as extenções do PostgreSQL e SQLite. 5. por exemplo. criando um buffer de 8 quilômetros em torno de todos os escritórios de vendas. até há poucos anos atrás o SGBD-G não trabalhava bem um dado matricial. portanto que o uso do SpatiaLite em aplicações que não exijam consultas muito complexas e com uma base de dados pequena é justificável. SQLite e SpatiaLite SpatiaLite.3. Conclusão Com o grande volume de dados que são gerados diariamente. a criação e desenvolvimentos dos chamados Banco de Dados Geográficos (BDG) tem sido cada vez mais explorada.5. 5. era melhor deixar as imagens como arquivos. cálculos de área e distância. No contexto do Geoprocessamento. . ocupando menos espaço em disco quando comparada ao PostGIS. isso se deve principalmente ao fato anteriormente mencionado sobre o número de funções implementadas em ambos. encontrar a forma geométrica que representa a união de duas regiões de vendas ou encontrar a interseção entre duas regiões de vendas. Elas podem ser usadas. seus recursos avançados de manipulação de dados e análise espacial incluem agregados espaciais. interseções.2. a extensão SpatiaLite ocupou menos espaço em disco.

M. Disponível em: <www. Cirano. LISBOA FILHO. Curso de Introdução ao uso de Geotecnologias Livres. Disponível em: <http://www. Introdução à Ciência da Geoinformação. IOCHPE.Trabalhar com SGBD-G requer conhecimento específico.. A. DAVIS JUNIOR. Apostila de sistema de informações geográficas. ZIMMERMANN. Universidade de São Paulo. CASANOVA.M.br/gilberto/livro/introd/> Acesso em 13 de Set. Rodrigo Evangelista. A. Editora MundoGEO. CÂMARA. Simone Maria dos. Curitiba. Proceedings of the XV JAI-Jornada de Atualização em Informática. MONTEIRO. 2005. Rosângela. DAVIS JUNIOR. 1996. FERREIRA. INPE.inpe.inpe.dpi.. Ivanildo. de 2016.pdf> Acesso em 13 de Set. Introdução a sistemas de informações geográficas com ênfase em banco de dados.br/livros/bdados/cap1. Jugurta. Conceitos básicos de sistemas de informação geográfica e cartografia aplicadas a saúde. G. PINA. Nilson Clementino. C.A. . Maria de Fátima Sá. G. Banco de Dados Geográficos. 2006. BARBOSA. VINHAS. MEDEIROS. L.. In: Conceitos básicos de sistemas de informação geográfica e cartografia aplicadas a saúde. João Pessoa. L.. de 2016. Organização Pan-Americana da Saúde. Bancos de dados geográficos: uma análise das arquiteturas dual (Spring) e integrada (Oracle Spatial). QUEIROZ. Marília Sá. Pedro Lucas Lopes. DELGADO. 2009. Comparação do desempenho de extensões espaciais de SGBD: PostGIS e SpatiaLite..dpi. Referências: CÂMARA. Goiânia: Centro Federal de Educação Tecnológica de Goiás. CARVALHO. porém a literatura na área é escassa. SILVA. 2000. Já existe um conjunto importante de tutoriais e manuais que ensinam a realizar determinadas operações em banco de dados. Tese de Doutorado. SANTOS.. C. M. 2002. G.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful