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PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará

SUMÁRIO

1. SISTEMA AGROSSILVIPASTORIL ............. .................................................................. 04
1.1. Introdução
1.2. Descrição do sistema
1.3. - área agrícola
- área pecuária
1.4. Impactos econômicos, sociais e ambientais do sistema agrossilvipastoril
2. MANEJO PASTORIL SUSTENTADO DA CAATINGA .................................................13
2.1. Potencial de produção de fitomassa da caatinga
2.2. Tecnologias de manipulação da vegetação da caatinga
- raleamento
- caatinga enriquecida
3. ROTEIRO DE IMPLANTAÇÃO E ACOMPANHAMENTO DAS UNIDADES
AGROSSILVIPASTORIS .................................................................................................. 21
3.1. Divisão da área
3.2. Área agrícola - preparo da área durante o período seco
- função da leira
3.3. Área agrícola - estabelecimento de culturas durante o período chuvoso
3.4. Área agrícola – a partir do segundo ano
3.5. Área pastoril – preparo da área no período seco
3.6. Área pastoril – plantio de gramíneas no período chuvoso
3.7. Reserva legal
3.8. Terminação de crias
3.9. Manejo do rebanho
4. INSTALAÇÕES ............................................................................................................. 27
4.1.1. As principais instalações
- aprisco
- quarentenário
- isolamento
- esterqueiras
- pedilúvio
- cercas
- comedouros
- bebedouros
- saleiro
- galpões
5. MANEJO REPRODUTIVO PARA PRODUÇÃO DE OVINOS E CAPRINOS EM
COMUNIDADES DE BASE FAMILIAR INSTALAÇÕES............................................ 32
- descarte orientado
- escolha de reprodutores e matrizes
- características de um bom reprodutor
- características de uma boa matriz
- época ideal para a cobertura dos animais
- ciclo estral
- principais sinais apresentados durante o estro ou cio
- rufião
- efeito macho
- estação de monta
- duração da estação de monta

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- relação macho/fêmea
- programação e distribuição dos partos durante o ano
6. ESCRITURAÇÃO ZOOTÉCNICA.......................................................................................... 37
6.1. Alguns índices zootécnicos
- descarte orientado
- eficiência reprodutiva
- intervalo entre parto
- idade ao primeiro parto
- prolificidade
- taxa de fertilidade
- peso ao nascer
- ganho de peso diário (gpd)
- produção de leite (pl)
- duração da lactação (dl)
7. ALTERNATIVAS DE SUPLEMENTAÇÃO E MANEJO ALIMENTAR DE CAPRINOS E
OVINOS .............................................................................................................................................. 42
- silagem
- tipos de silos
- manejo alimentar de caprinos leiteiros - período de aleitamento
- fase de recria
- cabras em lactação
- manejo nutricional de caprinos e ovinos de corte
8. MANEJO SANITÁRIO................................................................................................................ 58
. Conhecendo os sinais de saúde
. Conhecendo os sinais de doença
. Medidas preventivas
. Medidas curativas
- medidas de manejo sanitário
- principais doenças de caprinos e ovinos

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PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará

1. SISTEMA AGROSSILVIPASTORIL
João Ambrósio de Araújo Filho; Evandro V. Holanda Júnior; Nilzemary Lima
da Silva; Francisco Beny de Sousa; Francisco Mavignier França.
1. INTRODUÇÃO
A demanda por alimentos pela crescente população humana vem intensificando a
pressão da exploração dos recursos naturais renováveis, acarretando processos de degradação
ambiental em vastas áreas do planeta.
Isto se torna particularmente patente nas regiões semi-áridas, onde os ecossistemas são
naturalmente fragilizados. Por outro lado, as práticas agrícolas, quer as tradicionais da agricultura
itinerante, quer as modernas, com aplicação intensiva de insumos e custos energéticos elevados,
estão demonstrando carecer dos elementos básicos da sustentabilidade, fator essencial à
sobrevivência do homem no planeta Terra.
Os métodos e práticas para a agricultura sustentável devem espelhar-se no
funcionamento dos ecossistemas naturais. Neste contexto, a floresta primária pode ser
considerada um ecossistema protetório, maduro e equilibrado, enquanto que a vegetação
secundária se constitui em um ecossistema produtivo, por ser relativamente alterável e instável.
Assim, os sistemas de produção agrícolas devem ser enfocados, preferivelmente, como
vegetação secundária. Isto se torna particularmente interessante, quando se trata de
ecossistemas tropicais, onde as perturbações e ajustes desenvolvidos pela mata secundária
apontam-na como importante estádio para manejo da vegetação nos trópicos. Assim, nas regiões
tropicais a vegetação secundária é bastante utilizada nas atividades de produção de alimentos e
na pecuária.
Os sistemas de produção agroflorestais, agropastoris, silvopastoris e agrossilvipastoril
foram desenvolvidos em resposta às pressões por produção de alimentos, tanto para a
população humana, como para os rebanhos. Esses sistemas integram a exploração de espécies
lenhosas perenes associadas às culturas e à pastagem a fim de garantir a estabilidade da
produção e elevar a produtividade da terra, diversificar a produção, melhorar a fertilidade do solo
e aumentar a oferta de forragem de boa qualidade.
O uso de espécies arbóreas constitui a garantia de manter ativa a circulação de nutrientes
e o aporte significativo de matéria orgânica, condições essenciais para se cultivar, de maneira
continuada, os solos tropicais. Neste sentido, as associações de essências florestais com
culturas alimentares, arbóreas e forrageiras herbáceas, árvores frutíferas e cultivos agrícolas
constituem algumas das opções apontadas pelos pesquisadores.
Um modelo experimental de produção AGROSSILViPASTORIL adequado às condições
agroecológicas e sócio-econômicas do semi-árido brasileiro foi desenvolvido pela Embrapa
Caprinos. Este capítulo descreve esse modelo experimental visando orientar aos extensionistas
sobre a utilização do Sistema Agrossilvopstoril para produção de caprinos e ovinos.

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· diversificar a produção. É muito importante a integração entre os subsistemas. O sistema é proposto para unidades produtivas de áreas a partir de três hectares. a segunda um subsistema silvopastoril com base em caatinga manipulada e a terceira. o sistema foi implantado em 14 unidades produtivas localizadas nos estados do Ceará. · melhorar a renda e a qualidade de vida dos agricultores. O desenvolvimento do modelo iniciou-se na década de 80. o que corresponde a uma cobertura de. · fixar a agricultura itinerante. · sustar a degradação ambiental pela exclusão das queimadas e do desmatamento indiscriminado.PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará 2. para validar. Piauí. com base em um lote florestal. 2. 5 . Os dados preliminares indicam de oito a nove hectares como o tamanho da propriedade que permitiria a obtenção de até dois salários mínimos mensais. Foto mostrando a cultura do milho entre as fileiras de leucena no período chuvoso no Campo Experimental da Fazenda Crioula da Embrapa Caprinos. da Embrapa Caprinos. adaptar e demonstrar essa tecnologia nas condições dos produtores. · melhorar a fertilidade do solo. O cerne do sistema é a divisão da área em três parcelas de iguais dimensões. Foi concebido considerando as pressões por produção de alimentos. Sobral. criação de galinhas caipiras e serviços ambientais. leite e pele). O Sistema integra a exploração de lenhosas perenes com culturas e pastagem com os seguintes objetivos: · garantir a estabilidade e elevar a produtividade da terra e da produção. como renda bruta. Os produtos mais importantes do sistema de produção agrossilvopastoril proposto são: madeira para diversos fins. com o animal desempenhando importante papel na redistribuição de nutrientes. devendo ser preservadas cerca de 200 árvores por hectare. tanto para a população humana. como apicultura. grãos e produtos de origem animal (carne. Atualmente. como para os rebanhos. Rio Grande do Norte e Pernambuco. Área agrícola A preparação da área na parcela agrícola consta de um raleamento da vegetação arbórea. Atualmente. 20%. aproximadamente. DESCRIÇÃO DO SISTEMA O modelo experimental do Sistema AGROSSILViPASTORIL está implantado no Campo Experimental da Fazenda Crioula.1. visualiza-se a existência de muitas oportunidades para diversificação da renda do sistema pelo aproveitamento econômico das frutas nativas e dos animais silvestres e pela inclusão de novas atividades. garantindo um aporte anual de matéria orgânica em torno de 1500 Figura 01. uma das quais constituirá um subsistema agropastoril. · aumentar a oferta de forragem de boa qualidade. outro subsistema silvopastoril. feno. Ceará.

Após a colheita da cultura alimentar. três anos. na parcela sob agricultura.PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará kg/ha por ocasião da queda das folhas no início da estação seca. cortada e incorporada ao solo. A primeira consta de folhagem das árvores preservadas quando do raleamento. somando outras duas toneladas. no máximo. renques de leguminosas e árvores). E por fim. os garranchos são enleirados em faixas perpendiculares ao declive do terreno e espaçados de três metros. anualmente. pois. durante a época seca. durante o ciclo das culturas e que podem perfazer até três toneladas por hectare. A segunda consiste da parte aérea da rebrotação dos tocos. O plantio das culturas alimentares deve ser realizado nas faixas entre os cordões. eficiência no uso da mão-de-obra e aumento do retorno com baixos níveis de tecnologia. quando. A terceira origina-se das ervas nativas que são capinadas ou roçadas e incorporadas ao solo. quando.5 tonelada por hectare ano. ao solo até 11 toneladas de matéria orgânica por hectare. Procede-se então. diminuição dos riscos. a rebrotação das espécies nativas comporão importante fonte de adubação verde. Após a retirada da madeira útil. mas é importante a preparação de mudas para replantio logo no primeiro ano. para proteção do solo contra a erosão. Essa produtividade é bem superior à obtida no sistema tradicional. e resulta em uma maior geração de renda. com um espaçamento de 0. redução da incidência de pragas e doenças. cuja venda custeará parte das despesas de implantação. Até que haja um bom estabelecimento da leguminosa perene. A produtividade média obtida na área agrícola do Modelo Experimental é de 1. durando. a leguminosa perene estará estabelecida e os substituirá no papel de proteção do solo. a palhada pode ser recolhida e enfardada para uso como suplemento alimentar volumoso. ao final do período seco. atingindo cerca de duas toneladas por hectare. com o objetivo de proteção do solo. a quinta e última fonte de matéria orgânica advém do esterco dos animais que é distribuído a lanço. que será a principal fonte de adubo verde. durante o período das chuvas. então. pois.200 a 1. tanto quanto promove uma dieta diversificada para a população humana. A quarta é formada pelo corte da parte aérea da leguminosa perene estabelecida nos lados dos cordões de garranchos. O plantio deve ser por sementes.575 kg de milho/ha.50 m entre plantas. então. são adicionadas. em nove anos de avaliação. estabilidade de produção. o uso de várias culturas em sistema de consórcio favorece uma redução menor na complexidade do ecossistema. não deve ser praticado o destocamento. No modelo experimental é realizado o cultivo de milho (Figura 01). alcançando cerca de 1. Recomenda-se a prática da policultura. a parcela agrícola 6 . que é de 400 . Sendo que 30% dessa área destinam-se à preservação ambiental (marta ciliar.300 Kg de milho/ha. A decomposição dos garranchos nos cordões é rápida. O aporte contínuo de matéria orgânica ao solo é garantido por cinco fontes distintas. o plantio de uma leguminosa em linhas localizadas em ambos os lados dos cordões. durante o período das chuvas. Assim. e que atinge até três toneladas por hectare. A experiência tem mostrado que o estabelecimento da leguminosa é uma operação nem sempre realizável na primeira tentativa.

por um período de uma hora a uma hora e meia. diariamente. Plantam-se até três sementes por cova. O preparo da área para implantação do banco de proteína consiste no raleamento da vegetação lenhosa preservando-se até 120 árvores por hectare ou o equivalente a 15% de cobertura. O uso do feno será integrado com o da forragem do banco. menores espaçamentos para ovinos e caprinos e maiores para bovinos. Para o armazenamento do feno é necessário que se disponha de um galpão ou área similar para proteção contra a chuva. o guandu. Para o semi-árido nordestino.Área pecuária Nessa área pode-se adotar vários modelos pastoris. os quebra ventos. No caso da agricultura familiar.5 m dentro de linhas separadas por 1.2.PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará passa a desempenhar o papel de banco de proteína.40 cm acima do solo. no período seco. destacando-se a leucena. 2. propõe-se o banco de proteína.5 m dependendo do tipo de animal que vai utilizá-lo. a rebrotação dos tocos e as sobras do restolho cultural. sugere-se. feijão sorgo . a fim de permitir uma numerosa rebrotação a 7 . para que os animais possam utilizar a leguminosa perene. devendo ser para produção de feno no período das chuvas e como área de ramoneio no período seco. A altura de corte deverá ser de 30 . principalmente de formigas. deve-se dar preferência à exploração de ovinos e caprinos. a jurema preta e a camaratuba. Para redução dos custos de estabelecimento do banco. Sementes de tegumento impermeável. principalmente nas épocas críticas. na primeira estação úmida após o plantio terá início a fase de utilização do banco de proteína. podendo ser incluídos nessa categoria os bancos de proteína. semeados no espaçamento de 0. Banco de Proteína . constituem os tratos culturais rotineiros.5 a 2. o rebanho permanece na área. ou seja. sem necessidade de desbaste após a emergência. o plantio consorciado de culturas de subsistência. Dependendo das condições climáticas. etc. Para tanto. ou seja. O plantio das forrageiras pode ser feito por sementes ou mudas. requerem um tratamento com água fervente. a caatinga manipulada. ácido ou outro agente físico para facilitar a germinação. Aconselha-se ter sempre à mão mudas para replantio. milho. a mata ciliar e os lotes florestais. a caatinga manipulada e o lote florestal. Poderão ser obtidas duas colheitas de feno na estação úmida. Após a emergência. capinas periódicas e controle de pragas.também chamado de bancos forrageiros. consistem de áreas cultivadas com forrageiras de alto valor nutritivo e produtividade destinadas a fornecer suplementação alimentar. a gliricídia. em número equivalente a cerca de 10% do total de covas plantadas. no primeiro ano. As espécies botânicas mais utilizadas na formação dos bancos são geralmente leguminosas.

das herbáceas. Melhoria de sua qualidade bromatológica. Aumento da produção de forragem das herbáceas. 3. Melhoria de sua Objetivo bromatológica. folhagem verde na época seca. assim. na produção de fitomassa herbácea em relação a fitomassa total. Dadas às características de cada técnica de manipulação. Aumento da produção de fitomassa herbácea. pela manhã. a rebrotação da forrageira contra a remoção freqüente. além de otimizar o uso dos recursos forrageiros nativos. elas apresentam desempenhos diferentes (Tabela 02).A manipulação da vegetação da caatinga é o principal componente tecnológico do sistema. Tabela 01. assim. devese subdividi-lo em parcelas que resultem no consumo de sua forragem disponível no prazo máximo de 14 dias. Extensão da produção de bromatológica. conseqüentemente. 8 . Consiste na modificação da cobertura florística de uma área. enriquecimento ou da combinação dessas práticas. Aumento da 1. Características das tecnologias de manipulação da Embrapa Caprinos. Melhoria de sua qualidade 2. as técnicas de manipulação permitem o aumento na disponibilidade da forragem em relação a fitomassa total. Na Tabela 01 são descritas as características das tecnologias de manipulação da caatinga adotadas pela Embrapa e a Figura 02 apresenta fotos das três técnicas de manipulação da vegetação da caatinga. pastoril ou madeireira. a utilização da forragem disponível e a preservação da mata ciliar. de espécies lenhosas com o objetivo de de reconhecido valor reduzir o Descrição forrageiro sombreamento e a densidade de árvores e arbustos indesejáveis 1. visando adequá-la aos objetivos da exploração desejada. Aumento da disponibilidade da forragem produção de forragem de árvores e arbusto. por um período de uma a uma hora e meia. a produtividade por área. na persistência de folhagem verde na época seca e. preferencialmente. por ocasião do ramoneio.PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará partir da base do caule. raleamento. 2. Técnica de manipulação Característica Rebaixamento Raleamento Rebaixamento por meio de Controle seletivo de broca manual espécies lenhosas. Para se otimizar o uso do banco de proteína. constitui uma excelente opção de incrementar a produção de forragem e adequar a caatinga para a espécie animal a ser explorada. protegendo. contra o possível anelamento. através do rebaixamento. 1. A manipulação da vegetação da caatinga. 2. Recomenda-se a preservação de 150 a 200 árvores/ha ou 20% de cobertura na área agrícola e 400 árvores/ha na área pastoril para caatinga raleada ou 200 árvores/ha para caatinga enriquecida. caatinga adotadas pela Enriquecimento Introdução de forrageiras nativas e/ou exóticas adaptadas às condições do sítio ecológico. seja ela agrícola. qualidade 3. protegendo-o. O uso da área para ramoneio será realizado diariamente. Em comparação com a caatinga nativa. Caatinga Manipulada .

0 9 .0 a 2. Fotos: João Ambrósio de Araújo Filho Tabela 02. produção e persistência da fitomassa e produtividade animal entre caatinga nativa e manipulada.PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará Composição Produtividade – fitomassa herbácea Fitomassa pastável Lenhosas: 60% Herbáceas: 40% 4. segundo as três técnicas adotadas pela Embrapa Caprinos Características Limite de uso Disponibilidade de forragem em relação a fitomassa total Produção de fitomassa herbácea em relação a fitomassa total Caatinga nativa Técnica de manipulação da caatinga Rebaixamento Raleamento Enriquecimento 7-10% 60% 10% 40% 60% 60% 60% 90% Persistência de folhagem verde na época seca Nula 75 dias após a seca Nula Leguminosas perenes é total se não igual raleamento e nativa Produção animal .0 cab/ha/ano 8-10.000 kg Matéria seca/ha/ano Matéria 6.Kg Peso Vivo/ha/ano 8.2.5 cab/ha/ano 2. Fotos das três técnicas de manipulação da caatinga adotadas pela Embrapa Caprinos.0 cab/ha/ano Produção 40 Kg Peso Vivo/ha/ano 60 Kg Peso Vivo/ha/ano 150 Kg Peso Vivo /ha/ano Custo Unitário (R$/ ha) 750.000 kg Matéria seca/ ha/ano 40% da fitomassa total .0 60.00 750.0 150. Comparação da disponibilidade de forragem.00 850.400 kg Matéria seca/ha/ano 3.200 kg seca/ ha/ano Espécie mais adaptada Capacidade de suporte Lenhosas: 10% Herbáceas: 90% 10.000 kg Matéria seca/ ha/ano Caprina Ovina Ovina e caprina 2.0-3.0 40.000 kg Matéria seca/ ha/ano Lenhosas: 40% Herbáceas: 60% 4.00 (a) Rebaixamento (b) Raleamento (c) Enriquecimento Figura 02.

a finalidade do plantio. IMPACTOS ECONÔMICOS. o sistema agrossilvopastoril proporciona uma lucratividade de 29.5% e a relação benefício/custo alcançou a índice de 1. O manejo consistirá em cortes de faixas da mata feitos anualmente. Na estação úmida subseqüente. os lotes são formados por áreas de caatinga arbórea com adequado potencial madeireiro. a. lenha e forragem) e catingueira (lenha e forragem). proceder-se-á o controle dos arbustos. Após o primeiro corte.Neste caso. Os cortes serão praticados durante o período seco. destacando-se o sabiá (estacas.A formação de lotes florestais ex situ constitui uma excelente alternativa para incrementar a produção madeireira e forrageira de áreas com bom potencial e recuperar áreas degradadas. O espaçamento variará de acordo com o porte da planta. A época do primeiro corte para colheita de madeira ou lenha dependerá da espécie arbórea.6% e uma renda familiar mensal de R$ 1. b. Ex situ . A implantação poderá ser feita diretamente por sementes ou por mudas. lenha e forragem). Quanto às vantagens sociais. Os animais só passarão a utilizar a área para ramoneio a partir do segundo ano.PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará Lote Florestal . Diversas espécies da caatinga se prestam à formação de lotes florestais. Os lotes florestais podem ser formados in situ e ex situ.As áreas de exploração florestal podem ser transformadas em sistemas de produção silvopastoris. A taxa interna de retorno (TIR) financeira obtida foi de 31. interessando 1/7 da parcela. aroeira (madeira. A recuperação dos investimentos dá-se em 10 anos para um volume de investimentos da ordem de R$ 43. É também aconselhável o consórcio com culturas de subsistência no ano do plantio. do potencial da área e das condições climáticas. estacas. espaçamentos maiores ara ter-se condições de produção de forragem pelo estrato herbáceo por um período mais prolongado. Outro indicador relevante da dimensão social é o valor presente líquido que é de R$ 56. com a inclusão do pastoreio. seguido da admissão dos animais no lote.2 mil. Para um plantel de ovinos e/ou caprinos estabilizado em 280 cabeças.00. In situ . ambos visando à produção de carne (Tabela 03). pode-se destacar o uso mais intenso de mão-de-obra que é de 680 homens/dia no sistema agrossilvopastoril contra 540 no sistema de produção convencional para um rebanho de 280 animais com a adoção de um mínimo de tecnologias. O manejo das rebrotas será feito ao fim da segunda estação seca.718. pau-branco (madeira e forragem). 3. manejo e sanidade) preconizadas pela Embrapa Caprinos. sob 10 . devendo-se utilizar. a jurema preta (lenha e forragem).355. preferencialmente. as espécies arbóreas devem ser selecionadas em função de seu potencial para produção simultânea de madeira para diversos fins e forragem.35.25. as práticas de manejo deverão ser as mesmas adotadas para os lotes florestais in situ. Para tanto. mororó (estaca e forragem). SOCIAIS E AMBIENTAIS DO SISTEMA AGROSSILVIPASTORIL Estudo recente realizado pela Embrapa Caprinos comparou um modelo teórico do sistema agrossilvipastoril com um modelo teórico convencional que utiliza o mínimo de tecnologias (alimentação.

o sistema atua pela proteção das nascentes (mata ciliar) e pela redução das perdas de água pelo solo.7% com a sociedade como decorrência das imperfeições do mercado. é um indicador robusto uma vez que serão poupados de exploração. Para efetivação dessa alternativa. Além disso. ficando os 29.9 mil. pois permite a incorporação de até 11 toneladas de matéria orgânica na área agrícola/ano. de conservação de forragens e dos recursos naturais. leite de cabra e proteína animal. Em termos de ambientais.PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará o ponto de vista privado. o Sistema Agrossilvopastoril promove a melhor convivência do complexo unidade produtiva-família com as instabilidades climáticas do semi-árido brasileiro. crédito facilitado. mandioca. e R$ 72. promove proteção contra erosão e favorecer a biologia do solo. Sugere-se a adoção de tecnologias de captação d água in situ e da chuva como forma a aumentar a disponibilidade de água para consumo doméstico e uso econômico. CONSIDERAÇÕES FINAIS A ovinocaprinocultura desponta como uma das opções disponíveis para o desenvolvimento do espaço rural de grandes áreas do semi-árido do Nordeste do Brasil. associada ao cultivo de culturas alimentares e do aproveitamento da 11 .3%. o aumento da oferta de alimento para os rebanhos é uma necessidade imprescindível. O sistema também favorece a fauna nativa pela preservação dos habitats e pelo não uso de agrotóxicos. No que concerne à segurança hídrica. Este resultado fortalece o poder reivindicatório dos atores da cadeia produtiva considerando que o segmento tem direito ao retorno desta renda na forma de assistência técnica. reserva estratégica de forrageiras tolerantes à seca. pois permite: (1) aumentar e estabilizar a oferta de alimentos para a família: milho. A adoção das tecnologias de manipulação da caatinga. (2) aumentar o estoque de forragens para os animais ao longo do ano: (o aproveitamento sustentável dos recursos naturais da caatinga. apoio a pesquisa e outras formas de fortalecimento da cadeia produtiva. para um mesmo plantel de animais. conservação de forragens). pode-se afirmar que a redução da área de 193 para 50 hectares. feijão. Quanto aos ganhos ambientais. entre os sistemas convencional e o agrossilvopastoril. grãos e restolhos de cultura. 143 hectares que poderão ficar em repouso para a recuperação da caatinga. apesar de ainda não ter sido adotada uma metodologias que mensurasse monetariamente tais benefícios. Além dos impactos econômicos e financeiros favoráveis. de promover ao sustar as queimadas e valorizar a biodiversidade para a produção promove a manutenção e integração da vegetação nativa ao processo de produção. sob o ponto de vista social. o ovinocaprinocultor somente se apropria de 70. Este resultado denota que da renda total gerada. banco de proteínas. o Sistema promove impactos positivos no solo.

PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará caatinga com fins florestais contribuirá para a geração de renda e melhorar da qualidade de vida das famílias que vivem no semi-árido nordestino. a tradição da pecuária regional. A carência de políticas para ampliar e consolidar estratégias de compensação por serviços ambientais: água. luvissolos. latosssolos. que são: A baixa adoção de metodologias participativas para incorporação das tecnologias aos sistemas produtivos. requerendo linhas de crédito que considerem o tempo necessário à otimização do desempenho produtivo do sistema. biodiversidade. Os custos de implantação são elevados e o desempenho produtivo do sistema nos primeiros anos é inferior ao seu potencial. há outras restrições para adoção massal desse Sistema pelos agricultores familiares do semi-árido. A carência de técnicos capacitados para atuar com base em princípios agroecológicos. a topografia da unidade produtiva (evitar área com mais de 25% de declividade). Além dessas condições inerentes ao agroecossistemas e a cultura do local. sendo indicado para argissolos. carbono. A baixa organização visando à certificação de qualidade dos produtos e que permita uma inserção favorável dos agricultores familiares no mercado. 12 . Para adoção das tecnologias utilizadas no Sistema Agrossilvipastoril deve considerar o potencial do solo. a existência de áreas degradadas (quatro a cinco anos para recuperação e recomposição florestal em áreas de baixa produtividade).

os podzólicos (14.20C.megatérmico (temperatura média acima de 180C). já tendo sido identificados até 12 tipos de associações. Já o segundo é característico do sertão. com chuvas de verão. BShs’ . Sua área de ocorrência estende-se do sul do Piauí ao oeste da Bahia e de Pernambuco. de densidade relativamente elevada. ocupa uma área aproximada de 1. a vegetação de litoral. Predomina no norte do Maranhão e do Piauí. que. onde existem sérias limitações 13 .640. a floresta tropical e úmida de encosta. ou seja. As formações vegetais existentes na região nordestinas são latifoliadas.000 km2. Cerca de 60% da área total. recobre. que compreende 10 estados da União. localmente conhecida por inverno. dominada por arbustos e árvores de pequeno porte. com chuvas de verão-outono. que. toda a região semi-árida do Nordeste Brasileiro.3). e a seca. as areias quartzosas (9.4). Podem ser distinguidas a floresta equatorial a noroeste do Maranhão. 980.9% do território nacional. juntamente com o cerrado.megatérmico. com chuvas de outono-inverno. com duas estações diferenciadas pela ocorrência de precipitações: a chuvosa. Ocorre na região costeira dos Estados da Paraíba. também chamada de verão. Pernambuco. O primeiro predomina nas encostas das serras e nos baixios. Pode ser definida como uma floresta baixa. espinhenta. perdem sua folhagem durante a estação seca. Sua definição é extremamente difícil. destacando-se.60C a um mínimo de 22. os litólicos (19. pelos percentuais de área ocupada. A caatinga pertence ao grupo das formações complexas.7).2). os latossolos (19. Sua localização geográfica vai de 10 a 180 latitude sul e de 34030’ a 480 20’ longitude oeste. Considerando o complexo da vegetação lenhosa. que ocorre ao longo do litoral dos Estados do Rio grande do Norte à Bahia e nas serras úmidas. Quinze classes de solos foram identificadas no semi-árido Nordestino. Alagoas.megatérmico. MANEJO PASTORIL SUSTENTADO DA CAATINGA João Ambrosio de Araújo Filho INTRODUÇÃO A região nordestina brasileira. podem-se agrupar as caatingas em dois tipos gerais de que ocorrem na paisagem nordestina: o arbóreo e o arbustivo. O clima predominante da região é quente e semi-árido. BShw’ . nos Estados do Ceará e Rio Grande do Norte e oeste da Paraíba. segundo a classificação de Köeppen: BShw . os campos e cerrados e a caatinga da região semi-árida. em virtude da heterogeneidade de sua composição botânica e fisionomia.3) e os planossolos (9. os brunos não cálcicos (13.000 km2 constituem o Semi-Árido Nordestino. correspondendo a 19. A precipitação média situa-se em torno de 650 mm anuais e a temperatura varia de um máximo de 36.1). Sergipe e Bahia. caracteristicamente. praticamente. Três tipos de climas semiáridos predominam na região.PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará 2. áreas melhor dotadas de solos de maior potencial produtivo e condições mais adequadas de umidade. Os solos predominantes são arenosos sedimentares ou de origem arqueana.

seja ela agrícola. ou estádios diferentes da sucessão secundária. em áreas de caatinga arbórea-arbustiva. a forragem já perdeu percentual substancial de seu valor nutritivo. a vegetação lenhosa da caatinga pode ser manejada com o objetivo de aumentar a produção e a disponibilidade de forragem. No que tange no estrato herbáceo. flores e frutos.0 kg/ha/ano de peso vivo animal. além das mudanças na composição florística e na 14 . das quais cerca de 180 são consideradas endêmicas. também. Todavia. como do herbáceo.5 a 2. de 7. apresentando uma produção máxima de 8. Várias famílias botânicas estão representadas na vegetação da caatinga. POTENCIAL DE PRODUÇÃO DE FITOMASSA DA CAATINGA A produção média anual de fitomassa da parte aérea da vegetação da caatinga situa-se em torno seis toneladas por hectare. localmente. flores e frutos. Porém. do tipo de solo e do estádio de sucessão secundária. e quatro toneladas de folhas. é baixo.0 a 10. Daí a exploração pastoril na caatinga apresentar índices extremamente baixos. com até 70% das espécies arbóreas potencialmente forrageiras. aproximando-se de 26 espécies arbóreas e arbustivas por hectare. Todavia. tanto do estrato arbustivo-arbóreo. principalmente se constituído por espécies anuais.0 há para se manter um caprino ou um ovino adulto e de 10-12 ha para um bovino adulto. assim distribuídas: duas toneladas de madeira.0 a 10.PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará de solo e água. cerca de 90% provêm das espécies lenhosas. precipitação e condições hídricas. ao longo do ano. objetiva-se enriquecê-lo com novas espécies exóticas ou nativas e estabilizar sua composição florística ao longo dos anos. relevo. O substrato da caatinga pode ser dominado por bromeliáceas no tipo arbóreo e espécies herbáceas no tipo arbustivo. Considerando-se somente a produção de folhagem. Nesse. Essas médias sofrem fortes variações em virtude principalmente das mudanças das características da estação das chuvas. podem ser identificados vários clímaxes edáficos. o tipo arbustivo do sertão pode. pastoril ou madeireira.0% da produção de fitomassa foliar são realmente consumidos. TECNOLOGIAS DE MANIPULAÇÃO DA VEGETAÇÃO DA CAATINGA A manipulação da vegetação consiste em toda e qualquer modificação induzida pelo homem na cobertura florística de uma área. onde a natureza da vegetação está associada ao tipo de solo. ser considerado um disclímax do tipo arbóreo. por só estarem disponíveis para o animal no início da estação seca. Nessa ocasião. No caso do estrato lenhoso. com uma taxa de incremento anual de cerca de cinco estéreos. pecuária e madeireira a que vem sendo submetida à vegetação da caatinga ao longo dos quatro últimos séculos. Do ponto de vista da produção de forragem. tendo sido identificadas 564 espécies arbóreas. dados os processos de exploração agrícola. visando adequá-la aos objetivos da exploração desejada. O número de espécies lenhosas na região. sendo precisos de 1. é elevado. como um todo. resultante do uso passado e presente da área. com a queda das folhas. onde explicavelmente se concentra a atividade pastoril do sertão.

e a formação e manejo de bancos de proteína. resultaram na geração de tecnologias de manipulação da vegetação lenhosa e herbácea da caatinga com elevados incrementos na produção com sustentabilidade e melhoria da qualidade da forragem. garantem a sustentabilidade das tecnologias de manipulação da caatinga: preservação de até 400 árvores por hectare. no máximo. reduzindo o sombreamento e a densidade de árvores e arbustos indesejáveis. se existir disponibilidade de mão-de-obra especializada. Pesquisas desenvolvidas pelas instituições de pesquisa da região. quando se trata principalmente de espécies anuais. adição de matéria orgânica ao solo. Raleamento O raleamento da vegetação arbórea-arbustiva da caatinga consiste no controle seletivo de espécies lenhosas. importante. utilização máxima de 60% da forragem disponível e preservação da mata ciliar em toda a malha de drenagem da pastagem. o rebaixamento com manejo da rebrotação e o enriquecimento. nos deteremos sobre as três mais comumente usadas: o raleamento. a preservação da mata ciliar visa a proteção dos recursos hídricos pelo controle da quantidade e da qualidade da água que se escoa na malha de drenagem da pastagem. com o objetivo de. Por fim. Essas tecnologias só terão vantagens se forem utilizados métodos adequados aos objetivos da exploração da fazenda. Dentre as diversas alternativas de manipulação da vegetação da caatinga visando a produção pecuária. quando seguidas. obter-se incremento da produção de fitomassa do estrato herbáceo. contribuindo para o controle das enxurradas. de insumos e de equipamentos adequados. Reduções abaixo deste valor poderão não resultar em aumentos 15 . se forem conhecidas as respostas da cobertura florística às práticas utilizadas. Três recomendações fundamentais. A manutenção de uma cobertura arbórea em áreas de caatinga manipulada serve a cinco propósitos: preservação da biodiversidade da vegetação nativa. ou o equivalente a 40% de cobertura. Áreas de caatinga raleada deverão ter um sombreamento por árvores e/ou arbustos em cerca de 40%. e conforto animal. além de servir como um corredor para a vida selvagem. cerca de 400 árvores de porte médio por hectare. correspondendo ao. se forem avaliadas as respostas econômicas e se houver linhas de crédito ajustadas às reais condições da atividade pastoril. propiciando a formação de uma pastagem nativa de elevada produtividade. Já a manutenção no solo de no mínimo 40% da forragem disponível atende aos objetivos de proteção do solo contra a erosão eólica e laminar do início da estação das chuvas. interceptação de porção significativa da precipitação pluvial. se houver potencial do sitio ecológico para a produção de forragem. produção de foragem. constituem objetivos importantes o repovoamento com espécies nativas de áreas de vegetação degradada. com destaque para Universidade Federal do Ceará e da Embrapa Caprinos. A intensidade do raleamento depende das condições topográficas do terreno e das características da vegetação. aporte de matéria orgânica para a manutenção de fertilidade do solo.PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará arquitetura. e proteção do banco de sementes.

Este modelo é aplicável em áreas de caatinga sucessional. através de dados de pesquisa. são desprovidas de estrato herbáceo que se preste. as de sistema radicular caracteristicamente profundo.PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará relevantes da produtividade do estrato herbáceo. onde as árvores se apresentam isoladas e cercadas por um substrato arbustivo. influem na intensidade do raleamento. obtém-se um aumento considerável da produção de fitomassa do estrato herbáceo que passa a contribuir com cerca de 80% da fitomassa pastável disponível. obtendo-se um adequado controle das espécies lenhosas indesejáveis. O raleamento em savana consiste em se preservar as árvores como indivíduos isolados. avaliações de áreas agrícolas recém-abandonadas (capoeiras). faz-se o roço de todas as rebrotações das espécies lenhosas que foram brocadas. Em nenhuma fase da operação de raleamento deve ser usado o fogo. para apressar sua decomposição. neste caso. não sendo recomendado o raleamento em áreas com declividade superior a 25%. principalmente a declividade. as espécies tóxicas ou que causem problemas aos animais e ao homem. com esta prática. Devem ser mantidas as espécies de valor forrageiro. É. importante. Devem ser controlados os arbustos pioneiros. O tipo bosquete consiste em se poupar as árvores por grupos. o raleamento se presta á exploração com bovinos e/ou ovinos. reduzindo sua densidade para o patamar acima recomendado. a fim de conter a erosão. as extensas áreas dos tabuleiros sertanejos não carecem e não respondem aos métodos do raleamento. Assim sendo. procurar obter conhecimento prévio do potencial forrageiro do estrato herbáceo. O uso do raleamento em savana. pois. principalmente do marmeleiro. ao pastoreio. quer quantitativa. principalmente em caatingas arbóreas ou em avançado estado sucessional. por causa do perigo de erosão devido a maior exposição do solo. quase sempre resulta em perdas consideráveis de árvores. que pelo ressecamento. sem afetar sua biodiversidade. Já o modelo em faixas deve ser usado em terrenos acidentados (declividade de até 25%). nem todos os sítios ecológicos respondem ao raleamento. Ao meio da estação das chuvas. Os aspectos topográficos da área. ou estudos da vegetação herbácea ocorrente em clareiras naturais ou locais inacessíveis. quer pela queda devido ao vento. colocando-se as faixas de vegetação nativa intocadas perpendiculares ao declive do terreno. quer qualitativamente. Após o corte. Há três tipos de raleamento: em savana. Ë apropriado para áreas com declividade máxima de 10%. muitas áreas do semi-árido nordestino. que ocorrem naturalmente na área. a madeira útil deve ser retirada e os garranchos picotados. Esta operação deverá ser repetida no período do ano seguinte. A opção pelo raleamento depende do potencial da resposta do estrato herbáceo da área e do objetivo da criação da fazenda. devido a fatores não bem esclarecidos. O percentual máximo de declividade deve ser o mesmo recomendado para o raleamento em savana. Como. em bosquete e em faixas. Na verdade. Por outro lado. A aplicação do método do raleamento inicia-se na estação seca por um corte raso das espécies arbóreas e arbustivas. antes de decidir pelo método. A manutenção da área raleada é obtida com roços sempre na estação úmida e a 16 . e as de valor madeireiro ou paisagístico.

maior capacidade de suporte (de 22.0 ha/UA) e maior produção animal (de 8. em operações de cria.0 kg para ovinos em terminação a pasto. destacando-se: maior disponibilidade de forragem (de 10% na caatinga nativa para 60% da fitomassa total). nos anos normais. reduzindo drasticamente a produção de fitomassa pastável. devendo-se optar por sistemas alternados ou diferidos. Todavia.0 kg para bovinos e de até 80. uma vez que este ocorre somente em termos de dicotiledôneas herbáceas anuais.quatro anos.5 cordeiros desmamados. não signifique incremento na produção de forragem. análises de custo e receita mostraram que a operação raleamento só passa a ser rentável. No caso dos bovinos. Pastagens de caatinga raleada apresentam uma capacidade de suporte anual média para bovinos em torno de 2. com baixo impacto sobre a composição florística da vegetação da pastagem. e que resultem em uma produção anual por matriz de. em base anual. Por outro lado.PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará cada três .0 ha por cabeça e para ovinos 0. Isto se deve. 1. Vale salientar que a queda dos parâmetros da produção animal na caatinga raleada. 17 . a produção de peso vivo animal por hectare. o hábito de captar a forragem com a língua. resultando em uma altura de tosa mais elevada.5-3. maior produção de fitomassa herbácea (de10% na caatinga nativa para 80%). Do ponto de vista econômico. situa-se em torno de 60. pelo menos. a não ser que seja adotado sistemas de acasalamento com base em três partos a cada dois anos. quando sistemas de pastoreio de curta duração são utilizados. ainda quando plântulas. Isto resulta em um pastejo de grande impacto sobre a composição botânica da vegetação herbácea da pastagem. o uso da área raleada só deverá ser feito após a maturação e queda das sementes das espécies herbáceas. quando a produção de peso vivo animal ultrapassar os 30 kg por hectare anualmente. Sua boca pequena e lábios móveis e fendidos permitem uma tosa excessivamente baixa e uma seletividade elevada. Assim o pastoreio contínuo com ovinos em áreas de caatinga raleada não é absolutamente recomendado. em anos de seca tem sido de somente 22%. provavelmente. Diversos benefícios podem advir do raleamento da vegetação lenhosa da caatinga. e seletividade na composição da dieta exercida mormente em nível de espécie botânica permitem o estabelecimento das plântulas das forrageiras herbáceas anuais.0 ha/UA na caatinga nativa para 5. Um dos problemas mais comumente enfrentados no manejo da caatinga raleada consiste na manutenção da estabilidade da composição florística do estrato herbáceo. Em operações de recria esse patamar é sempre superado.5 há por cabeça. podendo praticamente eliminar as herbáceas forrageiras. Isto porque as preferências forrageiras e o hábito de pastejo das espécies animais podem afetar profundamente a composição botânica das camadas herbácea. O mesmo não acontece com os ovinos. mesmo em condições de pastoreio contínuo. Ao primeiro ano. o raleamento não alcançará rendimentos economicamente compensadores. ao fato da presença significativa das gramíneas e de que o aumento da produção de fitomassa do estrato herbáceo. em sua maioria não forrageiras.0 kg/ha/ano na caatinga nativa para 60 kg/ha/ano.

pelo menos. Deverão ser rebaixadas as espécies de reconhecido valor forrageiro. A caatinga rebaixada deverá ser explorada com caprinos. dois bovinos por piquete. com o objetivo de aumentar a disponibilidade da forragem de árvores e arbustos. na caatinga rebaixada são necessários de 3. em termos médios.5 a 4. pelo menos. poupando-se de uma a duas vergônteas por toco. A caatinga rebaixada deverá ser explorada com caprinos.5 a 0. Deverá haver. Resultados de pesquisa indicam que em torno de 40% da fitomassa do sistema advém do estrato herbáceo e 60% do estrato arbustivo arbóreo. resultante do rebaixamento. o mororó. Com a redução do sombreamento pelas copas de árvores e arbustos. cerca de 70% das espécies arbóreas e arbustivas da caatinga são forrageiras. Provavelmente. 40.5 a 4. Em termos de capacidade de suporte. Para a combinação caprino x bovino.7 ha por caprino. 18 . por exemplo). a madeira útil é retirada e os garranchos picotados no local para apressar sua decomposição. dois bovinos por piquete. tais como o sabiá.0 para a combinação de bovinos e caprinos. na caatinga rebaixada são necessários de 3. de 0. em kg/ha e por ano.0 para caprinos e 51. Convém notar que deverá haver. observa-se um significativo aumento da produção de fitomassa pelo estrato herbáceo.5 ha para manter em base anual uma cabeça de bovino. A primeira admissão de animais a áreas de caatinga rebaixada deverá ser feita ao meio da estação das chuvas subsequente ao rebaixamento. poupando-se somente as espécies arbóreas cuja folhagem só é consumida. com o objetivo de se permitir a lignificação das rebrotações. Em seguida. constitui a alternativa de mais adequada aos diferentes tipos de caatinga do semi árido nordestino uma vez que. Em termos de capacidade de suporte. quando seca (a catingueira. Ao fim do período seco seguinte. evitando-se impactos negativos do ramoneio sobre as espécies arbóreas rebaixadas. aproximadamente. devem ser utilizados.7 ha por caprino. ou com a combinação de bovinos e caprinos na proporção de 1:6 ou 1:8. proceder-se-á ao corte das rebrotações das espécies lenhosas forrageiras. havendo também o desenvolvimento de até dois caules por planta para produção futura de madeira útil. ou com a combinação de bovinos e caprinos na proporção de 1:6 ou 1:8. situa-se em torno de 20. O resultado dessa prática é que a planta continuará produzindo forragem acessível para os animais a partir das rebrotações na base do caule. a jurema-preta e o quebra-faca. 4. O corte raso da vegetação lenhosa deverá ocorrer durante a estação seca. A produção de peso vivo.5 há para manter em base anual uma cabeça de bovino. Na estação das chuvas subsequente.PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará Caatinga rebaixada com manejo da rebrotação Consta o rebaixamento de broca manual de espécies lenhosas.0 para bovinos. as rebrotações dos arbustos não forrageiros devem ser roçadas para controle das espécies indesejáveis. A técnica deve ser utilizada em áreas de vegetação lenhosa predominada por árvores e arbustos reconhecidamente forrageiros.0 ha para manter um bovino e seis caprinos.5 a 0. de 0. melhorar sua qualidade bromatológica e estender a produção de folhagem verde por mais tempo na estação seca.

mororó. feijão. também. capim-corrente e gramão "Aridus". Os benefícios mais importantes advindos do rebaixamento da vegetação arbórea arbustiva da caatinga são: maior disponibilidade de forragem (de 10% na caatinga nativa para 40% da fitomassa total). Capinas e roços deverão ser efetuados. mandioca.0 ha/UA). um decréscimo de 52% na produção animal da caatinga rebaixada no período de seca prolongado. rico em leguminosas forrageiras. Áreas de caatinga enriquecida. gramíneas. percentual de sombreamento que não interferirá no crescimento e desenvolvimento das espécies exóticas ou nativas a ser introduzidas. o sabiá. principalmente com leguminosas. o que corresponderá a uma cobertura de 15 a 20%. As espécies apontadas têm se mostrado bem adaptadas às condições edafoclimáticas do sertão. no primeiro ano pode-se associar o plantio da forrageira com o cultivo de uma cultura de subsistência (milho. sempre que necessários. maior capacidade de suporte (de 22. As pesquisas. já perdeu a diversidade florística que lhe é peculiar. Com o objetivo de cobrir parcialmente os custos. carecendo. quer pelo superpastoreio. De preferência. A aplicação do método inicia-se na estação seca com o raleamento da vegetação lenhosa. quer pelas práticas de agricultura itinerante. forragem nutritiva aos animais no 19 . leucena. mantendo-se verdes e produtivas. tão somente.0 kg/ha/ano na caatinga nativa para 40 kg/ha/ano). O enriquecimento pode ser feito ao nível do estrato herbáceo ou do lenhoso. tais como cultivares de capim-buffel. não se faz necessário desmatar a caatinga.0 ha/UA/ano caatinga nativa para 8. sorgo. quebra-faca. Como o fósforo tende a ser o nutriente de maior deficiência na maioria dos solos da caatinga. O plantio da forrageira dar-se-á no período das chuvas. e leguminosas como a cunhã. maior persistência de folhagem verde na época seca. O bosquete ou banco de proteínas pode ser formado na maioria dos solos do sertão. a cunhã e a jurema-preta como ótimas opções. e maior produção animal (de 8. em função do uso indiscriminado. preservando-se 150 a 200 árvores por hectare.PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará Verificou-se. o ressemeio deve ser feito pela prática do cultivo mínimo. conduzidas com ovinos e caprinos. recomenda-se promover uma adubação fosfatada. a produção de forragem só poder ser incrementada pela introdução de forrageiras nativas e/ou exóticas adaptadas às condições de sítio ecológico. Tc). Caatinga enriquecida No sertão nordestino são encontradas extensas áreas. Nestas condições. em alguns sítios mais comuns no sertão. na base de 100 kg/ha de P2O5. Por outro lado. apontam a leucena. No primeiro caso. Tratando-se de estrato lenhoso. oferecendo. cuja vegetação. O enriquecimento pode ser feito ao nível do estrato herbáceo ou lenhoso. têm sido utilizadas como bancos de proteína para a estação seca. tendose em vista a preservação do estrato herbáceo nativo. canavalia e ervade-ovelha têm sido consideradas como as melhores opções. algaroba e carqueja constituem ótimas seleções. mesmo durante o período seco. o seu raleamento. assim.

recuperações periódicas do estande. maior produção de fitomassa herbácea (de10% na caatinga nativa para 90%). antes de ir á caatinga. quer para a fase de cria. o crescimento vertiginoso da ovinocaprinocultura na região desponta como uma opção. 20 .PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará período crítico do ano. destacam-se: maior disponibilidade de forragem (de 10% na caatinga nativa para 90%). maior capacidade de suporte (de 22. diariamente o rebanho é conduzido. ao banco de proteínas. de complementação da exploração pastoril na caatinga. Por outro lado.0 ha/UA) e maior produção animal (de 8. o enriquecimento da caatinga é uma operação rentável. caracterizadas por condições de superpastejo podem ser apontadas como um dos fatores preponderantes na determinação dos processos de degradação ambiental e estabelecimento da desertificação no semi-árido nordestino. em pesquisas realizadas na Embrapa Caprinos. onde permanece por um período de até 2 horas. desde os primórdios da exploração pelo colonizador. No primeiro caso foi obtida uma relação custo-benefício de 1:2. Por outro lado. tempo suficiente para o consumo de uma quantidade adequada de forragem de alta qualidade. tais como controle de invasoras. Em termos de rendimento econômico. já nas últimas décadas daquele século. Com um efetivo bovino representando cerca de 17% do rebanho nacional. colhida pelo próprio animal. Considerações finais As atividades pastoris em andamento na caatinga nordestina nos últimos quatro séculos. Entre os benefícios oriundos do enriquecimento. quer para a de recria. à pecuária nordestina ainda tem um longo caminho a percorrer. A idéia é proporcionar uma suplementação alimentar nutritiva. Ceará. tornaram pouco a pouco os estados nordestinos em importadores de carne e corroborou a crença de que a exploração pastoril de bovinos não tem mais vez nos sertões nordestinos. não de substituição. requerendo cuidados extras. grande maioria do qual é criado na caatinga. mas. associada ao manejo conservador da pastagem na certa recolocará a exploração pastoril com sustentabilidade como um dos esteios na geração de renda e melhorai da qualidade de vida do sertanejo. em Sobral. A caatinga. teve sua vocação pautada para a pecuária que atingiu seu apogeu no século XIX. com o conseqüente aumento da oferta de alimento para os rebanhos.0 kg/ha/ano na caatinga nativa para 150 kg/ha/ano).5. Para tanto. está ao alcance dos criadores. O potencial de produção de forragem de qualidade nos sertões ainda é muito significativo e a recuperação das áreas degradadas. A decadência da bovinocultura.0 ha/UA na caatinga nativa para 1. rebaixamento ou retirada da macega ao fim da estação e combate a possíveis pragas. deve ser um pasto de manejo mais intenso. A adoção das tecnologias discutidas.

 proteção física do solo. Por ocasião do plantio será feita uma adubação na cova. correspondente à aplicação de 10 toneladas por hectare. etc. no início do período das chuvas.Estabelecimento de culturas durante o período chuvoso Serão.6 há para reserva legal.30 a 0. 4. jurema preta. Divisão da Área A Unidade Técnica de Referência – Sistema de Produção Agrossilivopastoril (UTR-SPA) terá uma área padrão de 10 ha.8 ha para a pecuária.6 ha para a agricultura. procedendo-se. seguido da retirada de toda a madeira útil e amontoamento dos garranchos em cordões de 0. estabelecidos.40 cm de largura e espaçados por leiras de 3. 2. gliricídia. sorgo. etc) nas leiras. então. Área Agrícola . mandioca. então. seguindo as curvas de nível do terreno. a palhada será recolhida e amonificada para suplementação de volumoso ao fim do período seco. equivalentes a uma cobertura de 20%. 2. 21 . um corte raso da vegetação arbórea com a preservação de 200 árvores por ha. ROTEIRO DE IMPLANTAÇÃO E ACOMPANHAMENTO DAS UNIDADES AGROSSILVIPASTORIS João Ambrósio de Araújo Filho Marcelo Renato Alves de Araújo 1. Após a colheita da produção agrícola. durante a época seca. Área Agrícola .5 m. leguminosas arbustivas perenifólias (leucena. mamona. o plantio e o cultivo das culturas (milho. assim subdivididos: 1. com esterco de cabra e ovelha curtidos.PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará 3. feijão. Será dada uma capina e um roço para controle das ervas daninhas.0 ha para terminação das crias e 1. 3.0 metros.) em linhas de ambos os lados dos cordões com o espaçamento entre plantas de 0. Função da leira  fornecimento de nutrientes com a decomposição da MO.Preparo da área durante o período seco Na parcela agrícola será feito. durante o desenvolvimento da cultura.

com um reprodutor Anglonubiano. A madeira útil (estacas e estacotes) será retirada e os garranchos cortados em pedaços pequenos para facilitar o trânsito (pessoas e animais) e acelerar sua decomposição. Exceto pela entrada dos animais durante trinta dias no início do período chuvoso e no início do período seco (ver Anexos) 8. Terminação de Crias As áreas destinadas à terminação das crias serão submetidas às mesmas operações descritas para as parcelas pastoris. Área Pastoril – Plantio de gramíneas no período chuvoso No início da estação das chuvas. 5. Área Agrícola – A partir do segundo ano A partir do segundo ano. A admissão do rebanho será feita ao final da época das chuvas. não sendo desenvolvida nenhuma outra atividade exploratória. separadamente. Manejo do Rebanho A UTR. Após a colheita de grãos das diferentes das culturas anuais o restolho será também colhido e transformado em alimentação estratégica para época seco. sua vegetação lenhosa submetida a um corte raso. Crias ovinas ou caprinas ocuparão a mesma área. será feito o plantio de gramíneas perenes. conservando-se uma rebrotação por tronco. Área Pastoril – Preparo da área no período seco As parcelas destinadas à exploração pastoril terão. Reserva Legal Nas parcelas de reserva legal deverá ser implantado um apiário constante de 20 colméias. serão efetuados três cortes das leguminosas.0 x 1. 6. em covas espaçadas de 1. durante o período seco. 20 corte 45 dias após o primeiro. porém.0 m seguido do roço de todas as rebrotações (troncos cortados). durante a época das chuvas: 10 corte aos 30 – 45 dias após o inicio das chuvas. 9. equivalente a uma cobertura arbórea de 20%. No terço final do verão as matrizes passarão a 22 . 7. sendo estes utilizados como adubação verde e o 30 corte 45 dias após o segundo sendo utilizado para confecção de feno. separadas por sexo. mas. conforme sua capacidade de suporte forrageiro receberá o rebanho de matrizes ovinas Crioulas e um reprodutor Santa Inês ou o rebanho de matrizes caprinas mestiças com aptidão leiteira. com preservação de até 200 árvores por ha. O manejo alimentar será semelhante para os dois rebanhos. Após as colheitas (grãos e restolho) o rebanho terá acesso ao Banco de Proteína por até 90 minutos. serão divididas em dois piquetes destinados para as fêmeas e para os machos.PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará 4. As matrizes permanecerão nas respectivas áreas pastoris por todo o ano.

23 . quando passarão a acompanhar as mães ao pasto. Sua desmama dar-se-á aos 45 dias de idade. ou um período de lactação inferior a 120 dias. A desmama se dará aos 70 dias de idade. acima descrita e pernoitarão separados das mães. também. ou deixarem de parir por dois anos consecutivos serão descartadas do rebanho. já descrita. os animais receberão.PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará receber uma suplementação diária de 0. Já os nascidos na época seca. Além disso. na proporção de 2. será descartada do rebanho. As fêmeas serão submetidas ao mesmo regime alimentar dos machos. A fêmea que não manifestar prenhez. sem suplementação alimentar na época das chuvas e com suplementação na estação seca. terão à sua disposição sal mineral e água à vontade. permanecendo no piquete até idade de nove meses ou atingir o peso vivo de 65% da fêmea adulta. terão à sua disposição sal mineral e água à vontade.0% do peso vivo. com ajustes quinzenais. à noite receberão uma suplementação da mistura. serão levadas aos piquetes de terminação. uma suplementação de uma mistura eqüalitária de feno de leguminosa e rolão de milho. a fim de permitir a ordenha pela manhã. então. permanecerão no estábulo até a idade de 15 dias. a partir de 15 dias de idade. diariamente. quando. Os cabritos. assim. A estação de cobertura terá a duração de 42 dias. após a desmama. à base da mistura. quando serão levados para a pastagem de terminação.0 kg. Todavia. de uma mistura igualitária de feno de leguminosa e rolão de milho. por duas estações de cobertura sucessivas. conforme recomendações dos cuidados sanitários. por outro lado.000 kg para as cabras em lactação. Vacinações de praxe e combate a endo e ectoparasitas seguirão as recomendações de rotina. serão submetidas ao tratamento do umbigo. As matrizes ovinas serão submetidas à cobertura a intervalos de oito meses. A ordenha terá início a partir de 15 dias após o parto e ocorrerá pela manhã. Os machos terão um período de acabamento de 90 dias. Ao final do período seco.600 kg para as ovelhas e 1. As matrizes que tiverem uma produção média diária de leite abaixo de 1. Sal mineral e água serão servidos à vontade. O rebanho caprino será dividido em dois grupos. além de sal mineral e água servidos à vontade. resultando. Á noite permanecerão com suas mães. quando. um dos quais será coberto em no segundo mês após o inicio do verão e o outro 06 meses após o primeiro lote. Também. após o nascimento. acompanharão as mães ao pasto. Os cordeiros. então serão levados à área de terminação a pasto. As crias. com nascimento nos meses da estação das chuvas deverão permanecer no estábulo até 15 dias de idade. em três parições a cada dois anos. A estação de cobertura será também de 42 dias. As crias. receberão no ovil diariamente. uma suplementação de volumosos. da palhada amonificada.

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Currais .Aprisco de chão batido . armazenam e reduzem o desperdício de alimentos. dividem pastagens. protegem e dão segurança aos animais.Pedilúvio .Saleiros .Comedouros . INSTALAÇÕES Introdução A importância das instalações está fundamentada na extrema capacidade que elas têm em buscar a otimização da relação homem/animal/ambiente.Eqüidistante dos piquetes e sede da propriedade.PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará 4. . As Principais Instalações Entre as instalações mais utilizadas na produção de caprinos e ovinos.Bebedouros . favorecem o manuseio do rebanho e o controle de doenças. com boas aguadas ou bebedouros.Apriscos .Galpões .Cercas . dentro de um processo de produção. . Chiqueiro de chão batido 27 .Quaternário .Fácil acesso (época das secas e chuvas).Aprisco de piso cimentado Princípios básicos para localização e orientação Chiqueiro de piso cimento do Aprisco: . as principais são: .Isolamento . 4. isto é: elas facilitam e reduzem o uso da mão de obra para as tarefas diárias.Aprisco Os Apriscos podem ser de três tipos basicamente: .Aprisco de piso ripado suspenso .Local seco.Esterqueiras . entre outras.1.

Deve dar acesso a um piquete com pastagem nativa ou cultivada. Aprisco Piso Ripado .Maternidade.45m e podendo medir entre 6-10m de comprimento. O tamanho do Aprisco deve ser definido de acordo com a dimensão do rebanho. . internamente. Nos currais de manejo o poderá ter o tronco de contenção feito em tábuas cujas portas são de correr (parecido com o de bovinos). 28 . Esta área permite manejar adequadamente das matrizes próximas à parição e as recém-paridas. . É importante que o Aprisco apresente. Sua altura interna recomendada é de 0. destinadas para lotes de animais nas seguintes fases de desenvolvimento: - Currais de manejo.85m. deverá construir um abrigo aos reprodutores. caudectomia. . desmama e eventuais curativos.Proteção contra ventos frios do sul (predominantes).Baias das crias . .Baias dos reprodutores. mantendo-as isoladas do restante do rebanho. largura interna 0. meia parede + grades). casqueamento. evitando a ação de predadores e a ocorrência de miíases (bicheiras) nos animais recém-nascidos.Possuir boa ventilação (evitar locais naturalmente abafados.oeste: Radiação solar sobre a cumeeira da construção.PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará . Baias dos reprodutores Para os produtores que adotam o sistema de monta controlada. .Apresentar ótima capacidade de higienização das futuras instalações (retida do esterco).Solário Currais de manejo São os locais onde se faz todos os manejos dos animais tais como: vermifugação. Maternidade A maternidade visa abrigar as fêmeas próximas ao parto para parirem em condições confortáveis. pelo menos quatro divisões. que deverá ficar o mais distante possível das baias das fêmeas para evitar coberturas indesejadas e a área coberta será de 3m2 por reprodutor. Sua localização deve ser estratégica.Orientação leste. marcação.

apriscos ou chiqueiros. junto às baias. durante o período do tratamento e recuperação . 29 . respeitando sempre uma distância de aproximadamente de 50 m de aprisco. umidade e chuvas. com a finalidade de proporcionarem aos animais espaço livre para receberem sol. poderá se escolher uma determinada área. . Esta área deve ser construída distante das demais instalações. Os pedilúvios deverão ser construídos na entrada dos currais. Solário É uma área descoberta na instalação ligada à área coberta. onde deve ficar todo animal doente. neste caso. . Quando cheia. toda vez que eles entrem ou saiam do aprisco.Esterqueiras É uma construção fora da área de proximidade com o aprisco e dos piquetes de pastejo. a que os animais não tenham acesso para depositar as fezes. É o local onde se coloca o esterco dos animais retirado quando da limpeza de chiqueiros e apriscos. espalha-se uma camada de cal virgem sobre o esterco e cobre-se com lona plástica ou camada de palha. Pode ser construída de alvenaria ou toras de madeiras de 50 cm de altura.Quarentenário É uma área com baias e piquete de pastejo para alojar animais comprados de outras propriedades e regiões. de pelo menos 30 dias. que a área utilizada depende da categoria animal e do número de animais. facilitando assim o manejo alimentar e principalmente sanitário. pisando através deles. Entre 60 e 90 dias o esterco estará curtido e pronto para uso. Deve-se observar. Recomenda-se que o solário tenha sua área cinco (05) vezes maior que a área coberta. visando evitar que animais portadores de doenças venham contaminar o rebanho. É recomendada a permanência.5 m2 para cada cabrito ou borrego. de tal modo a forçar os animais a passarem.PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará Baias da crias É convincente ter baias destinadas às crias. prevenir a superlotação e facilitar a dispersão. . para separação destes em relação ao restante do rebanho. o espaçamento recomendado é de 0. ou nos casos de rebanhos menores.Isolamento É uma baia separada.Pedilúvio A finalidade do pedilúvio é fazer a desinfecção espontânea dos cascos dos animais. Essas baias devem ser protegidas contra ventos fortes. se movimentarem.

0 cm de profundidade. por fora das baias. conforme a disponibilidade de forragem. utilizar 04 animais para cada metro linear de cocho. que deve medir 0. A cal virgem diluída em água funciona como um bom desinfetante sendo mais barato que os demais. .Comedouros Os comedouros ou cochos devem ficar. em especial a pele dos animais que acaba perdendo valor comercial.75 m. A maioria dos produtores de caprinos e ovinos do Nordeste utiliza as cercas de arame farpado.25 m linear de cocho para cada animal adulto. Devem possuir esticadores bem colocados de maneira a permitir um bom estiramento dos fios.0 m de comprimento com 10. 30 . a) solução de formol a 10 %. madeira ou outros materiais como pneus. sendo que esta não é recomendada para uma exploração racional em virtude da possibilidade de causar danos. recomenda-se 0. o sulfato de cobre a 10 % e a cal virgem. Se o animal estiver recebendo forragem verde ou silagem como volumoso. podendo ser utilizadas as telas de um metro da largura na parte inferior da cerca e complementá-la na sua porção superior com dois ou três fios de arame liso.PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará Eles devem ter as seguintes dimensões: 2. dividindo em piquetes. o que possibilita a troca dos animais entre as áreas.Cercas Para um maior aproveitamento das áreas de pastejo é necessária a construção de cercas. ou seja. As cercas de arame liso têm apresentado bons resultados em terrenos pouco acidentados. Outra opção para um sistema intensivo são as telas existentes no mercado. de preferência. facilitando a mão de obra no fornecimento do alimento e no momento da limpeza dos mesmos. . De um modo geral. Os comedouros podem ser construídos de alvenaria. O fundo do cocho deve estar a 20 cm do piso da instalação. Vários são os produtos que podem ser utilizados nos pedilúvios. A largura deve ser a mesma largura da porteira.

Uma alternativa é localizar os saleiros fora da baia a uma altura de 20cm do chão ou dentro da baia a 1. protegido do sol e da umidade e afastado dos bebedouros. . baldes.0m de altura. outros (banheiras. para evitar contaminação da água com fezes e urina. para otimização do manejo na propriedade. 31 . maquinaria e medicamentos. e caixas de alvenaria). Os bebedouros podem ser localizados do lado de fora das baias. Devem ficar a uma altura acima da cauda dos animais. madeira. Os cochos de sal mineral podem ser de vários tipos: pneus. Devem ser de fácil acesso para os animais. devem ser construídos em locais estratégicos.Saleiro O saleiro serve para fornecer o sal mineral.Galpões Os galpões são construções auxiliares para o armazenamento de alimentos (rações e feno).Bebedouros Os bebedouros devem localizar-se em local de fácil acesso para os animais e para o manejador. Os tipos de bebedouros existentes são: automático (em vaso comunicantes de nível constante. podendo prejudicar sua saúde. com bóia ou válvula).PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará as sobras devem ser coletadas diariamente a fim de evitar que o animal consuma alimento fermentado. a uma altura de 20cm do piso. evitando que fiquem próximos ao cocho de volumoso e distante do sal mineral. de fundamental importância para a dos saúde animais. pneus. . metal. etc. .

DESCARTE ORIENTADO No mínimo. 30 dias antes do período de acasalamento deverá ser feita a seleção de todas as fêmeas que irão entrar em reprodução observando-se os aspectos sanitários gerais e realizando um exame mais criterioso da glândula mamaria. Na pecuária. com a comercialização de carne. além de ser necessário o maior número de informações possíveis sobre os animais escolhidos para reprodução. Critérios de descarte de fêmeas para estação de monta: .Úberes perdidos (Mastites) . Essas técnicas vão permitir a utilização racional dos animais. objetivando eliminar 20% das fêmeas adultas. sendo que. otimizando a comercialização. oportunidade de programar nascimentos e desmamas. pele e principalmente de animais gerados para esse fim. bem como os descartes de animais improdutivos ou incompatíveis com o sistema adotado. quanto à presença de mastite e do aparelho reprodutivo. a possibilidade de comercialização onde a oferta é menor e conseqüentemente melhor remuneração. Uma matriz e um reprodutor devem estar bem nutridos e saudáveis para que respondam com eficiência ao manejo que se deseja (reprodutivo). que será indispensável na tomada de decisões dentro da unidade produtiva.Animais que falharam no segundo período da estação de monta 32 . as quais serão repostas por 20% de fêmeas jovens. Essas informações virão de uma escrituração zootécnica clara e eficiente. se algum destes estiver mal conduzido não haverá manejo reprodutivo. quanto à presença de corrimento purulento. planejamento alimentar e sanitário e por fim.Animais com problemas de doenças infecto-contagiosas . São eles: o Manejo alimentar. a reprodução animal é sustentada por três importantes aspectos. A implantação de um sistema de manejo reprodutivo eficiente significa um melhor acompanhamento dos animais. Estes são itens a serem verificados durante o descarte orientado. O controle parcial ou total da reprodução de ovinos e caprinos é uma das principais ferramentas que o pequeno produtor deve adotar para organizar sua produção de acordo com o mercado local e/ou regional. de acordo com a exploração desejada. intensificação da produção. diminuição da mortalidade neonatal concentrando os partos nas épocas mais adequadas do ano. MANEJO REPRODUTIVO PARA PRODUÇÃO DE OVINOS E CAPRINOS EM COMUNIDADES DE BASE FAMILIAR INTRODUÇÃO A criação de pequenos ruminantes em unidades familiares assume um importante papel na geração de emprego e renda. leite. Nenhuma exploração poderá ser produtiva sem que sejam adotadas técnicas reprodutivas que organizem a produtividade como um todo. o qual é realizado anualmente. o Manejo Sanitário e a Escrituração Zootécnica.PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará 5.

oriundos de parto simples. assim como um mal reprodutor.Fêmeas que não acompanham o escore do rebanho . pois ele deixará um grande número de descendentes no plantel. assim como padrão racial para o tipo de exploração desejado. Sugere-se. pois este animal produzirá crias hermafroditas (animais com os dois sexos). sendo fértil. apresentar boa massa testicular.PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará . se possível. Nunca adquirir caprinos mochos de ascença. simétricos e presentes na bolsa escrotal. ausência de alterações e lesões no pênis e prepúcio. grande interesse sexual pela fêmea. apresentar comportamento masculino e dominante. bons aprumos e não possuir defeitos hereditários como prognatia e agnatia. a realização de um exame andrológico por especialista e em laboratório idôneo para a certificação do animal como bom reprodutor.Fêmeas que criaram ruim os cordeiros e apartaram abaixo da média. CARACTERÍSTICAS DE UMA BOA MATRIZ A fêmea deve apresentar características que a classifique como uma boa matriz. produzindo crias saudáveis com produção de leite suficiente para alimentá-las. A escolha do macho e da fêmea tem influência decisiva nos resultados econômicos da produção do rebanho. Escolha de reprodutores e matrizes Esses animais representam 50% do material genético na formação da sua descendência. sendo responsáveis diretos pelo aumento no resultado da produção tanto em quantidade como em qualidade. CARACTERÍSTICAS DE UM BOM REPRODUTOR O conhecimento da origem e do sistema de criação do animal é fundamental para seu desempenho. A escolha de um bom reprodutor é muito importante.Fêmeas com aborto infeccioso . deve ser um animal harmônico com boa capacidade corporal. 33 . testículos firmes.

urina e berra com freqüência. no Nordeste do Brasil. a media é de 31. variando de 17 a 24 dias. Na ovelha. A duração deste na cabra é de 24 a 48 horas. 34 . ângulo pélvico avantajado (garupa larga). Maturidade Sexual é a idade em que os animais estão preparados para iniciarem a atividade reprodutiva plena. monta e se deixa montar pelas companheiras. ÉPOCA IDEAL PARA A COBERTURA DOS ANIMAIS Os animais. que tem duração de 21 dias na cabra. Em geral. não urina e não berra com freqüência e nem apresenta corrimento de muco. ao passo que na ovelha deslanadas. agita a cauda com movimentos rápidos e no sentido horizontal. isto é. Para fêmeas o parâmetro mais utilizado é o peso. A vagina mostra-se úmida. durante o terço médio e viscoso branco no terço final do estro. com aspectos femininos. machos e fêmeas. os machos atingem a puberdade em torno de 10 a 12 meses. em torno de 60 a 70% do peso médio das fêmeas adultas do rebanho. apresenta a vulva edemaciada. a média é de 17 dias. no início do estro. habilidade materna e prolificidade de acordo com a raça. com a presença de muco de aspecto cristalino. Todas as informações sobre reprodutores e matrizes devem estar muito bem anotadas e registradas para que sirvam como banco de dados. fertilidade satisfatória. diminui a ingestão de alimentos. no sentido vertical e a fêmea volta à cabeça para os costados e flancos sempre que é cortejada pelo macho.PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará A cabra ou a ovelha destinada para a reprodução deve apresentar padrão racial bem definido. só devem ser incluídos nos programas de cobertura da fazenda. apresentar bons aprumos. geralmente. após atingirem a Maturidade Sexual. entre os indivíduos da mesma raça. glândulas mamárias uniformes. tetas simétricas e bem posicionadas. levemente inchada e avermelhada. PRINCIPAIS SINAIS APRESENTADOS DURANTE O ESTRO OU CIO A fêmea caprina no cio apresenta inquietação. CICLO ESTRAL O ciclo estral compreende um período entre dois estros (cio). semelhante á clara de ovo. prenhez e partos normais. O movimento da cauda é feito. bom potencial leiteiro para atender as necessidades das crias. com o regime de manejo no qual o animal é explorado. A ovelha. bom desenvolvimento corporal. como o manejo da alimentação-nutrição e saúde a que o indivíduo é submetido. sendo possível a classificação de novos animais para a reprodução (escrituração zootécnica). creme claro. procura se aproximar do macho. É prudente salientar que a maturidade sexual do macho varia de raça para raça. sendo a variação de 14 a 19 dias. Estro ou cio é o período em que a fêmea aceita o macho e está pronta para ser fecundada. principalmente.3 horas podendo apresentar variações.

como corte e tratamento de umbigo. porém. com o reprodutor mais indicado. o corpo lúteo que se forma após a ovulação é de má qualidade no tocante à síntese e secreção de progesterona ou hormônio da prenhez. é necessária a atenção do produtor para esses sinais. numa proporção de 1 macho para 20 fêmeas. As fêmeas caprinas e ovinas que entrarão em estação de monta devem ficar separadas dos machos por um período equivalente a trinta dias. desmama. Transcorridos os sete dias. podendo até realizar a cópula sem que ocorra a fecundação da fêmea. que através de técnicas cirúrgicas. castração. ESTAÇÃO DE MONTA Consiste no manejo que visa concentrar os nascimentos dos animais em épocas compatíveis com a exploração. A técnica mais utilizada para fazer um rufião é a vasectomia. seja ela familiar ou não. causadas pelo contato visual. Em geral. muitas vezes o auxílio de um rufião é o mais recomendado. em seguida devem retornar para a identificação dos estros que serão aproveitados. assim como a sincronização do cio pelo efeito macho. por esse motivo é que os cios apresentados no período de sete dias após a entrada dos machos nos rebanhos serem desprezados. teve sua capacidade de fecundação alterada. RUFIÃO É um macho fisiologicamente normal. ficando eles junto com as fêmeas por um período de sete dias. Mas. ocorrendo apenas à presença de plasma seminal no ejaculado. 35 . cabras e ovelhas apresentam o estro e ovulam no transcorrer de 3 a 5 dias após a introdução dos machos. separação por sexo e descartes. são evidentes na mesma fêmea caprina ou ovina. leite ou derivados. além de variarem em diferentes períodos de estro. de modo que com a estação de monta concentra-se a mão de obra empregada na criação. Favorece também. EFEITO MACHO É a manifestação do estro seguida de ovulação ou apenas a ocorrência da ovulação em fêmeas caprinas ou ovinas. havendo uma interrupção no fluxo de espermatozóides até o pênis. a implementação de práticas de manejo com as crias. Cada fêmea que tiver o cio identificado deve ser repassada para a cobertura propriamente dita. os rufiões devem ser retirados do rebanho por 24 horas. que consiste na extirpação bilateral de um segmento do canal deferente. bem como nas épocas de maior oferta de alimentos e/ou para minimizar os efeitos da sazonalidade na produção de carne. planejamento alimentar. sensitivo e/ou auditivo com um macho que pode ser um rufião ou não. Passado os 30 dias se inseri os rufiões no rebanho. Para identificar corretamente a cabra e a ovelha em estro.PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará Nem todas essas características. Esse tipo de macho é uma importante ferramenta na identificação do estro nas fêmeas.

sanidade e reprodução. esse manejo não é aconselhável. A escolha da melhor técnica a ser adotada depende de cada região. O domínio das técnicas e práticas de manejo em cada fase de produção. CONSIDERAÇÕES FINAIS A exploração racional de caprinos e ovinos requer organização e planejamento para que se torne viável. podendo responder bem ao novo manejo. PROGRAMAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO DOS PARTOS DURANTE O ANO O manejo reprodutivo (estação de monta) deve ser adequado aos objetivos do sistema de produção da propriedade. RELAÇÃO MACHO/FÊMEA Nas propriedades que utilizam o rufião para auxiliar na identificação do estro. aliado aos conhecimentos sobre melhoramento genético. sugere-se 45 e 35 dias para cabras e ovelhas respectivamente. pele e/ou animais para a venda. fato que possibilita a elevação do número de fêmeas por reprodutor podendo chegar até uma proporção de 50 fêmeas para um macho. sendo o intervalo entre partos de 12 meses o mais indicado. Dessa forma tem-se o controle de todas as coberturas. ficando o produtor livre para adotar o que for mais adequado para suas condições. visto que seus requisitos de energia e proteína aumentam no último terço da gestação. Fêmeas gestantes requerem alimentos nutritivos e de boa digestibilidade. A duração da estão de monta é equivalente a três ciclos estral de cada espécie para que haja o condicionamento das fêmeas e assim. alimentação. O entendimento da unidade produtiva como uma empresa capaz de gerar lucro é de fundamental importância para que a atividade faça parte dos elos que compõe a cadeia produtiva da ovinocaprinocultura. aconselha-se a duração de 63 dias para cabras e de 51 dias para ovelhas. Dessa forma indicam-se dois sistemas de distribuição dos partos durante o ano. bem como da oferta de alimento para os animais. O produtor deve fazer um planejamento alimentar seguro e eficiente para que a técnica funcione. principalmente os que serão submetidos ao manejo de três partos em dois anos. já que um dos partos ocorrerá durante a época crítica do ano (setembro e outubro). 36 . Em propriedades que não armazenam alimentos para a época seca. Em propriedades que já adotam esta técnica.PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará DURAÇÃO DA ESTAÇÃO DE MONTA Numa propriedade em que a estação de monta irá ser adotada pela primeira vez. leite. a matriz é levada para ser coberta pelo reprodutor desejado. são estratégias relevantes para garantir e incrementar a valorização econômica dos produtos da caprinocultura e da ovinocultura em comunidades de base familiar no Nordeste Brasileiro. seja ele produção de carne.

A anotação zootécnica. os dados são pouco utilizados. separando os animais por categorias de produção. É corrente entre os técnicos a idéia de que se deve anotar o máximo de expressões produtivas dos animais. identificar animais e famílias mais sensíveis e propensos a enfermidades. identificar aqueles mais produtivos. identificar com rapidez. determinar melhores épocas para práticas sanitárias e reprodutivas. observar o histórico reprodutivo dos animais. muitas vezes. quando se realiza. 37 . carece de valor prático. possíveis problemas que estejam ocorrendo no rebanho. etc.  Controle do manejo na propriedade. e esta é uma das razões do abandono da escrituração por parte de proprietários e empregados. partos. tais como coberturas. Muitas vezes o que o técnico não sabe explicar é o porquê de se adotar esta prática. sempre e em qualquer sistema. se interpreta e se faz uso dos resultados desta documentação. o produtor utiliza fichas individuais para o registro do desempenho de cada animal e fichas coletivas para o controle das práticas de manejo. ESCRITURAÇÃO ZOOTÉCNICA INTRODUÇÃO A caprinocultura e a ovinocultura constituem numa importante alternativa à geração de renda para agricultores familiares. Na maior parte dos estabelecimentos de exploração pecuária no Brasil não se realiza anotação zootécnica e. Essas fichas são assim armazenadas em arquivos físicos na propriedade. Dados anotados e não utilizados dão a sensação. Veja algumas vantagens de fazer escrituração:  Arquivos de informações zootécnicas da criação. As principais vantagens consistem em: conhecer melhor cada um dos animais. muito pertinente. A escrituração zootécnica pode ser feita de maneira manual.  Registros de produtividade. Tem como objetivo guardar informações acerca de cada animal:  Quantas cabras pariram neste ano?  Quantos cabritos nasceram?  Quantos sobreviveram?  Qual o peso ao nascer?  Qual o peso a desmama?  Qual a idade e peso médio ao abate?  Quantos animais adoeceram neste ano? A anotação ou escrituração zootécnica é a documentação dos fatos relativos à vida produtiva dos animais. por si. A utilização das informações disponibilizadas com a escrituração zootécnica permite ao produtor um gerenciamento muito mais eficiente de seu rebanho e da propriedade como um todo. e. de trabalho perdido. facilitar o manejo em geral. reduzir custos com alimentação.PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará 6. e este valor só aparece quando se analisa.

é possível agregar valor aos animais no momento da venda.As tatuagens Uma vez identificados. .0 13.5 13.2 13.  Seleção do rebanho. os animais precisam ser catalogados em fichas individuais e coletivas. o que torna o produto mais competitivo.7 098 SRD F baia 07/05/2006 3. uma vez que o comprador está adquirindo junto com o animal. .6 099 SRD M malhada 13/05/2006 3. um "certificado" com seu histórico e desempenho.8 12. Por outro lado. A identificação individual dos animais é a primeira prática a ser adotada. no momento da seleção e descarte dos animais do rebanho. Dinâmica da escrituração Coleta de dados Cálculo dos índices zootécnicos Análise dos resultados MODELO DE FICHA DE CONTROLE Número do animal Raça Sexo 096 SRD F branca 21/04/2006 3.PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará  Informação referente à sanidade do rebanho.1 Peso a Peso ao Pelagem Nascimento nascer Desmama (Kg) (Kg) 38 . todas estas vantagens culminam com uma excelente ferramenta de auxílio ao produtor.Os colares. Em adição.5 097 SRD M vermelho 28/04/2006 2.  Informações referentes à reprodução do rebanho.Os brincos plásticos .

Eficiência Reprodutiva A eficiência reprodutiva é o terno usado para caracterizar o conjunto de eventos reprodutivos que interessam. pele e leite. onde tem baixa disponibilidade de alimento e consequentemente aumento com os custos de produção. defeituosos. improdutivos ou menos produtivos.PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará MODELO DE FICHA DE MONTA CONTROLADA Número da fêmea Data da Cobertura Número do reprodutor Previsão do parto Observação 021 17/11/2005 369 04/2006 - 009 25/11/2005 369 04/2006 - 042 03/12/2005 256 05/2006 - 033 09/12/2005 256 05/2006 MODELO DE FICHA DE OCORRÊNCIA Número do animal Data Ocorrência Observações 045 08/08/2006 Linfadenite caseosa Tratado 023 09/11/2006 Óbito Causa desconhecida 051 27/12/2006 Intoxicação Por planta 064 06/01/2007 Linfadenite caseosa Tratado ALGUNS ÍNDICES ZOOTÉCNICOS Descarte orientado Esse consiste em uma prática de manejo que identifica e retira animais velhos. O descarte orientado em rebanhos caprinos e ovinos é o processo de fácil adoção e com um custo praticamente zero. o descarte orientado traz vantagens como aumento da produtividade do plantel. O percentual anual de descarte deve variar entre 15 a 20%/ano. 39 . vacinas e vermífugos. sendo indicado também na época seca. da matriz e de sua cria. e ingresso imediato de recursos financeiros. elevação da eficiência e da eficácia produtiva. Recomendado para os rebanhos de produção de carne. redução dos gastos pela diminuição do uso de medicamentos. em maior ou menor intensidade. maior oferta de forragem. a fertilidade do reprodutor.

60% do peso corporal quando adulta. sendo o atributo inerente ao indivíduo. a eficiência reprodutiva tem a ver com o crescimento antes e após a desmama. Dentre as características reprodutivas para o sistema de produção. Significa precocidade reprodutiva e que as cabritas e borregas devem ser manejadas com muita atenção. composto pelos dois períodos que determinam a sua duração: o período de gestação mais o período de serviço. Considerando este aspecto. a idade ao primeira parto (IPP) é um registro muito importante. mas o período de serviço é variável. em dias. pelo menos. à raça ou à espécie animal. 40 . para a alocação de nutrientes recomenda-se cobrir a fêmea pela primeira vez somente quando esta tiver. Uma prolificidade de 1. e o fato do organismo animal priorizar a prenhez. com a puberdade. Conhecer o intervalo de partos dentro do sistema em que se trabalha é importante para buscar as melhores alternativas para se implantar a próxima estação de monta. Intervalo entre parto É o período de tempo entre dois partos consecutivos. o percentual de matrizes em lactação. significando que as fêmeas que têm o seu primeiro parto mais cedo. Idade ao primeiro parto É o período. enquanto na caprinocultura e ovinocultura de corte deseja-se trabalhar com intervalos de parto de 8 meses. O período médio de gestação da cabra e da ovelha é 150 dias. das fêmeas que estão parindo pela primeira vez. com o período de serviço e com todos os eventos fisiológicos que culminam na parição e. Geralmente para animais leiteiros deseja-se intervalos de partos variando entre 10 a 12 meses. isto é. consequentemente. Prolificidade É o índice que indica o número de crias nascidas sobre o número de fêmeas paridas.PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará Portanto. à família. apresentando grande influência reprodutiva. com o índice de fertilidade. sendo uma característica de ordem fisiológica com variações dentro da espécie e da raça. desde o nascimento até o primeiro parto das primíparas. Essa idade tem alta correlação com a vida útil produtiva. com a idade à primeira cria.5 é muito satisfatória para os índices zootécnicos dos rebanhos de caprinos e ovinos do Nordeste. o volume de produção de leite e/ou carne a venda de animais e o crescimento do rebanho. com a gestação. O período de gestação é praticamente constante. Assim a eficiência reprodutiva influência no número de crias nascidas na propriedade. com o início da lactação e o intervalo entre parto. são mais férteis e produzem mais durante a sua vida reprodutiva.

idade. O desempenho reprodutivo do rebanho é influenciado por fatores intrínsecos à espécie animal e extrínsecos. A duração da lactação média em cabras é de 247 dias.intensiva e intensiva) e da raça. dependendo do tipo de exploração (extensiva. tais como: manejo alimentar e sanitário. como. Duração da lactação (DL) É o período. Pode ocorrer também um ganho de peso negativo (com perda real de massa corporal). pois está diretamente relacionada com a receita de uma propriedade rural. semi . em dias. número de partos. número de crias. umidade relativa do ar e do solo. e por outros fatores. alimentação. número de ordenhas diárias e condições climáticas. assim como a sua produção de leite ou carne. Isto acontece quando o animal se alimenta em pastagens que não fornecem nutrientes suficientes para suas necessidades de manutenção. É o índice que vai determinar a idade ao primeiro parto e o intervalo entre partos de um rebanho.32 Kg. multiplicado por cem. por determinar a sobrevivência das crias e seus desempenhos subseqüentes O peso ao nascer pode ser influenciado por fatores diretamente relacionados ao animal. instalações. define a forma da curva de lactação. Produção de leite (PL) A produção de leite é uma das características econômicas mais importantes na ser avaliada. Ganho de peso diário (GPD) É a taxa de ganho de peso médio por dia obtida como medida de controle de crescimento e engorda. além disso. entre o parto e o encerramento da lactação. como nutrição. sanidade e número de cabritos por parto. como raça. A duração da lactação é uma característica de interesse econômico estreitamente relacionado à produção de leite. 41 . tendo uma variação de 178 a 316 dias. é importante ressaltar que a persistência prolongada resultará em diminuição na eficiência reprodutiva do animal ao longo de sua vida produtiva. por exemplo.PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará Taxa de fertilidade É a relação entre o número de fêmeas paridas e o número de fêmeas expostas ao acasalamento. e o regime de exploração. entre outros. O peso ao nascer médio para caprinos no Nordeste é de 2. Diversos fatores podem influenciar a produção de leite. Por outro lado. sexo da cria e tamanho dos pais. idade da matriz. raça. O ganho varia com a alimentação fornecida e o potencial genético do animal. Peso ao nascer O peso ao nascer é uma característica importante nos rebanhos caprinos e ovinos.

42 .PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará 7. sendo assim a maior parte da dieta desses animais é constituído da vegetação da Caatinga. há que se buscar dentre as inúmeras alternativas existentes aquelas estratégias de suplementação da Caatinga mais adequadas para cada época do ano. Considerando o potencial para aproveitamento da vegetação da Caatinga durante dois a quatro meses na época chuvosa (variável de acordo com a região). ALTERNATIVAS DE SUPLEMENTAÇÃO E MANEJO ALIMENTAR DE CAPRINOS E OVINOS Eficiência de um sistema de pro dução Manejo Reprodutivo Manejo Sanitário Manejo Alimentar Fracionamento dos alimentos O maior efetivo de caprinos e ovinos encontra-se na região Nordeste. espécie e categoria animal.

Os grãos de milho conferem à silagem um alto conteúdo em energia fermentável no rúmen. de misturas múltiplas. utilização de banco de proteína. Transferir o excesso de forragens produzido na estação chuvosa (3 a 5 meses) para sua utilização na seca (7 a 9 meses) é uma proposta tão óbvia que não encontra contestadores. confinamento dos animais em períodos de escassez de forragem. a presença de parte aérea com valor nutritivo superior. A eficácia da ensilagem como alternativa para enfrentar a escassez de forragens nos períodos de seca do Nordeste brasileiro é mencionada freqüentemente nos estudos de viabilidade da pecuária dessa região.PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará Essas estratégias incluem o uso da conservação de forrageiras nativas e cultivadas através das técnicas da ensilagem e fenação. A escolha de um híbrido de milho deve ser baseada na alta porcentagem de grãos na matéria seca total. e associado a esse aspecto. é importante que se utilizem parâmetros que conciliem valor nutritivo e produtividade e para isso os dados de produção de matéria seca digestível por hectare (PMSD) podem ser úteis. Apresenta ainda baixo custo de produção e é de fácil mecanização. Na escolha de híbridos. Anatomia Ponto importante na alimentação de qualquer rebanho é o planejamento estratégico do manejo alimentar para as diversas categorias do sistema de produção. Milho Várias características peculiares ao milho fazem dessa planta uma das mais adequadas para ensilagem. já que esta chegar a apresentar 70% dos custos de produção de um sistema. o sorgo e o capim elefante são as forrageiras mais indicadas para ensilagem. SILAGEM Armazenar forragens de boa qualidade para utilizá-las no período seco significa ir de encontro a um dos principais problemas da exploração pecuária nordestina que é a estacionalidade da produção forrageira. A planta de milho possui níveis adequados de carboidratos solúveis e baixa capacidade de tamponamento. O milho. mandioca entre outros. otimizando assim o ganho animal por categoria e diminuindo os custos com a alimentação. o que favorece a fermentação dentro do silo. 43 . cultivo de culturas forrageiras não convencionais como palma.

rendimentos de matéria verde e MS de. Existem à disposição dos criadores no mercado três tipos básicos de sorgo que são o granífero. nas restritas áreas úmidas do semiárido. essa espécie tem grande capacidade de produzir rebrotas de excelente material forrageiro. A EMPARN. Mesmo sendo uma cultura anual. e com irrigação de 6 t. Além disso. é uma das poucas forrageiras cultivadas pelos criadores nas restritas áreas úmidas de aluvião existentes. 40 a 60 t. o sorgo surge como um ótimo substituto para a produção de silagem. na tentativa de garantir qualidade e consumo ao material ensilado. com potencial de produção de 60 t. Recomendam se cultivares denominados de duplo propósito com altura média de 2 m e 40 a 50% da MS na forma de grãos. o forrageiro e o sacarino. no entanto. respectivamente. Ensaios de avaliação de capim elefante realizados pela EMPARN. o que implica em gastos para a sua renovação. a cada 60 dias. dependendo das condições climáticas. com materiais oriundos da Rede Nacional . As variedades que produzem maior quantidade de grãos. parecem produzir silagem de melhor digestibilidade. e 12 a 15 t. em condições de irrigação e adubação. referências mais amplas (72 a 92%). em parceria com a Embrapa/Milho e Sorgo lançou recentemente uma variedade de sorgo de dupla aptidão denominada BRS – Ponta Negra. que apresenta como pontos de destaque. Capim elefante O capim elefante pode ser considerado uma das forrageiras mais importantes na produção de volumosos para a pecuária da região nordestina. Considera o valor nutritivo da silagem de sorgo equivalente a 85 a 90% da de milho. 44 . extremamente mal manejadas no Nordeste. ou seja. coordenada pela Embrapa Gado de Leite. as capineiras de capim elefante são em geral. época em que os grãos estão variando entre textura pastosa até farináceo-duro./ha/corte e rendimento de grãos em sequeiro superior a 3 t. proporcionalmente à massa verde. havendo. Pelo seu alto potencial produtivo. MS/ha /ano. sendo o período para colheita de aproximadamente 6 dias.PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará Ponto de colheita: o milho deve ser cortado para a ensilagem quando apresentar de 30% a 35% de matéria seca. o sorgo representa uma das poucas possibilidades do agricultor familiar obter altos rendimentos de forragem com qualidade em regime de sequeiro. identificaram clones com potencial de produção de até 10 t.RENACE. Paralelamente a esse potencial de produção. .Sorgo Como em muitas regiões do semi-árido nordestino o milho é uma cultura de risco. e muitas vezes proporcionam um maior consumo de MS. MS/ha/corte.

um silo construído com 13 m de comprimento. em camada uniforme de 20-25 cm de espessura para facilitar o processo de compactação. é importante considerar como ponto limitante para a ensilagem dessa gramínea. Com o aumento da altura do silo. raspa e manivas de mandioca. Com um bom planejamento. 5 m de largura e 1. para o armazenamento de quantidades maiores que 10 toneladas de forragem. pois estas impedem a drenagem dos líquidos da silagem (efluentes).5m e altura de 1. Demarcar a área da base do silo utilizando piquetes nas extremidades e os unindo por um barbante para manter o alinhamento das laterais. sem a utilização de aditivos. em um período de chuvas de seis meses. pela diminuição de 15 cm em cada lateral. que no ponto de corte. Não é recomendável construir silos muito grandes. TIPOS DE SILOS Silo de superfície O silo de superfície é indicado para o preparo de silagem em pequenas e médias propriedades agrícolas. O comprimento varia em função do volume de forragem que se deseja armazenar. Em termos referenciais. de MV/corte. Proceder a cobertura do terreno demarcado com palhas para evitar o contato direto da forragem com o solo. No dimensionamento do silo deve-se considerar sua largura entre 5. os criadores poderiam realizar até três cortes nas capineiras (com intervalos de 45 a 60 dias). Espalhar a forragem em toda a extensão do silo.0 a 5. Esses silos podem ser alocados próximos à área de produção da forragem ou de arraçoamento dos animais sem necessidade de construções rurais. O emurchecimento do capim ao sol após o corte por 8 a 12 horas pode melhorar o padrão da fermentação das silagens. de maneira a ir dando a forma de trapézio invertido ao silo. 45 . o alto teor de umidade.5 m de altura. deixar uma inclinação suave em suas extremidades para facilitar o trabalho do trator durante a descarga e compactação da forragem. Não utilizar lonas plásticas. Esses locais preferencialmente devem apresentar um pequeno declive e não estarem sujeitos a encharcamento.5 m. O trator deve ser operado em velocidade lenta. Cada camada de forragem deve ser criteriosamente compactada. polpa cítrica) ao capim elefante úmido por ocasião da ensilagem.PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará Considerando se que 70 a 80% da produção das capineiras ocorre no período das águas e que o valor nutritivo destas decresce à medida que elas se desenvolvem. recomenda a ensilagem dessa produção de forragem como uma prática de manejo viável. situa-se na faixa de 82% a 85%. proporciona armazenamento de 35 a 40 t de silagem. com movimentos de ida e vinda em toda a extensão do silo. Outra alternativa seria a adição de materiais de alto teor de MS (fenos triturados.2 a 1. particularmente as de base familiar. Cada uma das camadas subseqüentes deverá ter sua largura reduzida. com potencial de produção de 30 a 40 t. Para a obtenção de silagens de capim elefante de qualidade razoável.

Nesta ocasião. A lona deverá ser estendida cobrindo toda a extensão do silo com uma sobra de pelo menos 0. A compactação de cada camada da forragem é obtida pelo caminhar de 3 a 4 pessoas. e dimensões de comprimento e largura 3 m maiores que a base do silo. para que ocorra a elevação do aro e a expulsão do ar. O material picado é então depositado no silo. bem drenada e selecionada em função da proximidade dos locais de alimentação dos animais. Em seguida efetua-se o acabamento e nivelamento manual de toda a superfície da massa de forragem armazenada. 46 . Este processo tem inicio trabalhando-se na lateral que está a favor do vento. a fim de verificar se existem perfurações na lona e consertá-las. deve possuir espessura de 200 micra. Abrir uma valeta de 20 cm de largura por 10 cm de profundidade em todos os lados do silo para fixação da lona de cobertura. até atingir a outra extremidade que permanecia aberta. Após a conclusão do silo. distribuídos de forma homogênea em camadas de 20-25 cm para facilitar o processo de compactação. Dedicar especial atenção na compactação (com os pés) da forragem situada próxima à parede do silo. melhorar a compactação e a proteção do silo. procedimento similar é adotado na lateral oposta e em uma das extremidades. utilizando-se ancinhos e enxadas. O aro metálico deverá ser montado sobre o solo nivelado e revestido com palha para evitar o contato da forragem com a terra. De preferência esta lona. estes devem ser muito bem misturados à massa de forragem.2 a 1. A forragem pode ser picada no campo ou na boca do silo. se forem utilizados aditivos como uréia (0. este deve ser isolado para evitar que a presença de animais possa danificar a lona e comprometer a qualidade ou até mesmo ocasionar a perda da silagem.PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará A forragem pode ser triturada no campo ou junto ao silo. Silo cincho A área onde será localizado o silo deve ser plana. utilizando-se máquinas forrageiras ou colheitadeiras. deve ter as rampas de suas extremidades preenchidas com forragem e sofrerem compactação com os pneus dianteiros do trator. Para expulsar o ar remanescente. Os silos devem ser inspecionados regularmente. este deve ser recoberto com uma camada de terra. pois essa impede a drenagem dos líquidos da silagem (efluentes). Esta prática aumenta a longevidade da lona por protegê-la da ação direta dos raios solares. fixando-se a lona na valeta com areia. melaço (3%) entre outros.5 m de altura. em partículas de 2 a 3 cm de tamanho. O importante é que os pedaços fiquem com tamanho entre 2 e 3 cm. iniciando-se pela extremidade já fechada. Não se recomenda o uso de lona plástica em lugar da palha. para facilitar a sua fixação.5 m em todos os lados. O silo ao atingir 1. Após isso.5%). inicialmente em círculos no centro do aro e progressivamente ampliando-se esse círculo até atingir as bordas da estrutura metálica.

47 . num processo denominado de fenação. Os silos devem ser inspecionados regularmente e o produtor deve ter disponível pedaços de lona e cola para reparar eventuais perfurações. Feno O feno é um alimento volumoso preparado mediante o corte e desidratação de plantas forrageiras. Utilizar lona plástica de espessura 200 micra e tamanho 8 x 8 m para cobrir o silo. o armazenamento do feno de forma adequada. até a vedação final na base. a forragem pode ser guardada. Uma vez concluída a construção do silo. de modo a permitir uma melhor aderência da lona de cobertura à forragem. numa última etapa. vindo a comprometer a qualidade ou até mesmo ocasionar a perda da silagem. o silo estará praticamente pronto. três atividades devem ser programadas: produção de forragem. deve-se efetuar o abaulamento da forragem situada no seu topo.80% de umidade.PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará Quando o silo atingir a altura de 2 m. fixandose primeiro a lona no topo com cordas ou cordões e a seguir. conservando o seu valor nutritivo. acondicionada em carrosdemão. secagem ou desidratação das plantas cortadas e enfardamento e recolhimento do feno. Utilizar réguas e marcas na parede do silo para controlar a subida do aro de forma uniforme e corrigir os desníveis intensificando a compactação nas áreas em que o aro estiver com menor elevação. fixando-se as extremidades da lona dentro da vala com cobertura de areia. Fenação É o processo de desidratação que transforma a forragem verde com 65 . por vários meses. corte da planta forrageira. Abertura do silo A abertura do silo poderá ser realizada quando transcorridos pelo menos 30 dias de sua conclusão. A retirada da silagem deverá ser em fatias no sentido vertical. basicamente.5 m podem ser feitos se o produtor não tiver forragens suficientes. Silos menores com 1. bastando que o aro metálico seja retirado e se proceda a abertura de uma vala para fixação da lona de cobertura. Para se produzir feno. E. este deve ser isolado para evitar a presença de animais que possam danificar a lona. sacos ou outros depósitos e conduzida ao local de fornecimento aos animais. em feno com 10 a 20% de umidade. Durante o uso da silagem deve-se ter o cuidado de eliminar as partes estragadas por mofo e exposições à água e ao ar. fenação propriamente dita. Neste ponto. Nesta forma.0 a 1. de cima para baixo realiza-se a expulsão do ar.

Recomenda-se iniciar a viragem do material logo após o corte. Secagem A secagem do material é. e mesmo que esteja próximo ao ponto de feno. Para a fenação de leguminosas. ser novamente esparramado e revirado. Recomenda-se ainda ceifar apenas a quantidade suficiente para o processamento do dia. para logo às primeiras horas da manhã seguinte. Nesses casos. lançando-se mão de fatores climáticos (temperatura. nem está suficientemente úmido a ponto de fermentar. se houver rompimento das hastes. O corte deve ser feito nas primeiras horas da manhã (6-7 horas). pois dela dependerá a qualidade do produto final. o material deverá atravessar a noite em leiras. já com o orvalho evaporado. com ideal de 15 a 18%. mesmo que a forrageira esteja com o orvalho. de acordo com a capacidade operacional de cada propriedade. pois ao final do dia estará mais seca que aquela cortada no meio da manhã (9-10 horas). ainda não está no ponto. atingem o ponto do feno no final do dia em que foram cortadas. existem outras que necessitam ainda de algumas horas de sol do dia seguinte. Este ponto pode ser determinado torcendo-se um feixe de capim com as duas mãos: se surgir umidade. Muitas gramíneas. haverá grande perda de carboidratos e vitaminas. ficando já em posição de ser recolhido pelas enfardadeiras. A umidade deverá estar entre 10 e 20%. porém.). após secar o orvalho. devido às suas características morfológicas. se não ocorrer desprendimento de umidade. Se ocorrerem fermentações. Ocorrendo chuvas inesperadas durante o dia. menores serão as perdas e melhor a qualidade do produto final. até que a umidade se aproxime do ponto de feno. tantas vezes quantas forem possíveis. umidade relativa. devido à facilidade que possuem em apresentar aflatoxinas ou fermentações. O ponto de feno é atingido quando o material ainda não virou palha. ventos. uma das etapas mais importantes do processo de fenação. sem dúvida alguma. para que sejam mantidos todos os princípios nutritivos do material original. As plantas jovens também 48 . Deve ser rápida e criteriosa. etc. está no ponto. todo o processo de viragens deve ser iniciado novamente. fugindo da ação maléfica da chuva e do orvalho. A cura final deve ser efetuada em pequenas e frouxas leiras.PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará Um dos grandes segredos da obtenção de bons fenos é a rapidez com que a forragem atinge o ponto de feno. o material também deverá ser enleirado. recomenda-se apertar um pouco mais a secagem. já virou palha. para que o material chegue a umidade desejada mais uniformemente. Quanto mais rápido se conseguir o feno. Essa etapa pode ser cumprida através de processos naturais (no próprio campo).

e a amarração do fardo com corda de sisal apropriada ou arame fino. seco e quebradiço. absorvendo e retendo com maior facilidade a umidade do ar. ocupa menos espaço no depósito. evitando-se os efeitos maléficos da secagem excessiva ou de chuvas imprevistas. e facilita a sua comercialização. 49 . o feno solto é transportado diretamente ao galpão reservado para este fim. e boa capacidade de rebrota. para a elaboração das chamadas medas. descuido mais grave comete aquele que enfarda o material com excesso de umidade.PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará devem receber uma secagem mais rigorosa em virtude do maior teor em açúcares que possuem. odor e presença de mofo. O uso dos bancos de proteínas tem o propósito estratégico de corrigir a deficiência de proteína e fornecer forragem de melhor qualidade aos animais. com alto valor nutritivo e elevado teor de proteína. No primeiro caso. Banco de proteína O Banco de Proteína é um sistema integrado onde uma porção da área da pastagem nativa ou cultivada é reservada para leguminosas forrageiras de alto valor nutritivo. de crescimento rápido. Os fardos de feno podem ser feitos utilizando-se enfardadeiras simples. a quantidade de folhas. examinando-se o estado de maturação. construídas aproveitando-se materiais e as facilidades existentes na propriedade. indica que houve um descuido do operador e a forrageira ultrapassou o ponto de feno. a presença de material estranho (ervas. Entretanto. As leguminosas utilizadas devem ser de alta produtividade. A compactação do feno pode ser feita com os pés ou com uma alavanca. Qualidade do Feno A qualidade do feno pode ser apreciada visualmente. o material deverá ser recolhido do campo. de acordo com as possibilidades de cada propriedade.virou palha. Enfardamento Uma vez atingido o ponto de feno. terra) e suas condições gerais em termos de cor. ou então é levado para locais previamente estudados. Como Enfardar o Feno Manualmente O enfardamento do feno facilita o transporte e o manuseio. resistência à seca e tolerância a pragas e doenças e alta palatabilidade. Quando o material se apresentar esbranquiçado. A retirada do feno poderá ser feita a granel ou em fardos. o mais depressa possível. encontrando-se excessivamente seca .

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Na formação de banco de proteína as forrageiras mais usadas são Leucena, a Cunhã, o
Guandu e a Gliricídia, por serem adaptadas à região Nordeste e apresentarem crescimento
rápido, possuindo elevado teor de proteína.
O preparo do solo através da aração e gradagem constitui o melhor recurso para o
estabelecimento das leguminosas, além de facilitar as práticas de manutenção e manejo. O
método de plantio pode ser a lanço, em linhas ou em covas, manual ou mecanicamente. A
profundidade de semeadura deve ser de 2 a 5 cm, pois, em geral, as leguminosas forrageiras
apresentam sementes pequenas.
A densidade de semeadura depende da qualidade das sementes (valor cultural), do
método de plantio e do espaçamento utilizado. A maioria das leguminosas tropicais apresenta
alta percentagem de sementes duras, ou seja, não germinam logo após a semeadura. Em geral,
a percentagem de sementes duras situa-se entre 60 e 90% e a dormência é devida à presença
de uma cobertura impermeável à penetração da água, o que impede sua germinação. Em
condições naturais, a cobertura torna-se gradualmente permeável e ocorre a germinação de uma
certa proporção de sementes a cada período, o que contribui para assegurar a sobrevivência da
espécie, principalmente, em regiões onde ocorrem secas prolongadas.
A escarificação causa o rompimento da película das sementes, o que irá aumentar a
permeabilidade à água e, consequentemente, estimular a germinação. Esta ruptura poderá ser
obtida por diversos métodos mecânicos, químicos ou físicos, que dependem das características
da leguminosa.
A área a ser plantada depende da categoria e do número de animais a serem
suplementados, de suas exigências nutritivas e da disponibilidade e qualidade da forragem das
pastagens.
O pastejo no banco de proteína deve ocorrer por apenas duas horas ao dia, antes do
rebanho ir à Caatinga.
Dois a três meses antes do final do período chuvoso recomenda-se deixar a leguminosa
em descanso para que acumule forragem para utilização durante a época seca, a qual deve estar
em torno de duas a três t/ha de matéria seca.

Leucena
A leucena é uma das forrageiras mais
promissoras

para

a

região

semiárida,

principalmente, pela capacidade de rebrota durante
a época seca, pela adaptação às condições
climáticas do Nordeste e pela excelente aceitação
pelos caprinos, ovinos. O banco de proteína de
leucena pode ser usado para pastejo direto,
produção de forragem verde, produção de feno e

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de silagem, enriquecimento da pastagem nativa e da silagem de gramíneas e produção de
sementes.
Para formar banco de proteína, a leucena deve ser plantada em linhas espaçadas de dois
a três metros. A densidade deve ser ao redor de dez plantas por metro, sendo necessários
aproximadamente três a cinco quilos de sementes por hectare. A semeadura pode ser feita
manualmente, com uso de matracas ou com semeadeiras, numa profundidade de dois a quatro
centímetros. Formigas e cupins são as principais pragas que atacam a leucena na fase de
estabelecimento. Em áreas muito infestadas, o controle dessas pragas deve ser iniciado desde o
preparo do solo e com práticas culturais.
Antes do plantio, é necessário tratar as sementes por meio de escarificação e inoculação.
A escarificação é feita para diminuir a dureza da casca das sementes e promover uma
germinação rápida e uniforme, e a técnica mais recomendada é a utilização de água quente.

Palma forrageira
A
volumoso
importância

palma

constitui

suculento
para

de
os

alimento
grande
rebanhos,

notadamente nos períodos de secas
prolongadas, pois, além de fornecer
alimento verde, contribui no atendimento
de grande parte das necessidades de
água dos animais As espécies de palmas
forrageiras mais utilizadas na alimentação
animal no

Nordeste são a gigante,

redonda e miúda.
A produtividade média da palma pode ser estimada em torno de 80 toneladas de matéria
verde/ha/corte, com valores superiores a 200 toneladas/ha/corte quando do uso de adubações
pesadas. O uso do esterco deve ser feito a cada dois anos, na dose de cerca de 2 t/ha, enquanto
que, em termos de adubação mineral, é recomendada a fórmula 90-60 kg/ha de N-P2O5.
A palma apresenta baixa proteína digestível e valor equivalente à silagem de milho em
extratos não nitrogenados, além de elevado índice de digestibilidade da matéria seca (75%). Um
fator limitante para a nutrição dos animais com uso da palma é a baixa quantidade de matéria
seca consumida, visto que esse cultivo apresenta alta quantidade de água (90%).
Mandioca
Entre os cultivos produtores de alimentos energéticos, com tolerância às condições de
semi-aridez, destaca-se a mandioca, que é tradicionalmente cultivada nas áreas com solos de
textura leve e boa profundidade. A mandioca pode contribuir com o aumento dos nutrientes na

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PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará

dieta dos animais de várias maneiras, entre elas merecem destaque a fabricação da raspa e o
aproveitamento da parte aérea.
Raspas de mandioca são raízes picadas em máquinas simples e secadas ao sol,
preferencialmente em terrenos cimentados. É alimento rico em energia e pobre em proteína. Por
essa razão deve ser fornecido aos animais junto com alimentos ricos em proteína como o feno de
leguminosas (leucena e guandu), farelos (soja, algodão) (ou com substâncias nitrogenadas como
a uréia de uso exclusivo para ruminantes).
A economicidade do uso da raspa de mandioca depende da relação de preço entre a
raspa e o cereal mais utilizado como ração, que no nosso caso é o milho. O valor de mercado da
raspa de boa qualidade é 80% do valor do milho e 85% do valor do sorgo. Portanto, seu uso é
recomendado quando seu preço de aquisição ou seu custo de produção for inferior a 80% do
valor do milho.
Uma forma de melhorar o valor nutritivo da raspa seria através da adição de uréia. O uso
mais tradicional da uréia é realmente em confinamento, na mistura com melaço, porém, tal
produto é de disponibilidade e preço inacessíveis em regiões não produtoras, como o Nordeste.
A raspa de mandioca é tão eficiente na utilização da uréia pelos ruminantes quanto o melaço.
A parte aérea da mandioca corresponde a toda porção da planta acima do solo, apesar de
alguns autores considerarem como aproveitável tanto para alimentação animal como humana,
apenas o terço superior, mais enfolhado e conseqüentemente mais rico do ponto de vista
nutricional. Além da alta produtividade, a parte aérea da mandioca, bem como suas folhas,
apresenta elevados teores protéicos e com teores de fibra inferiores aos de várias forrageiras
tropicais.

SUPLEMENTAÇÃO MINERAL - Mineralização
Consiste no fornecimento de sal mineral de boa qualidade, à vontade, a todos os animais.
Tal prática aumenta a saúde do rebanho e o seu desempenho produtivo. Já nos rebanhos em
que essa prática não é adotada ou que não é feita de modo adequado, as taxas de natalidade e
de crescimento são menores e a incidência de doenças é maior.
O sal mineral é uma mistura composta por sal comum, uma fonte de fósforo e cálcio
(farinha de ossos ou fosfato bicálcico) e micronutrientes, nas seguintes proporções:
- 50% de sal comum.
- 49% de farinha de ossos calcinada ou fosfato bicálcico.
- 1% de micronutrientes.

52

. à vontade. a uma temperatura 56° por uma hora. Em criação intensiva onde o cabrito fica separado da mãe. O leite é oferecido na quantidade de 15% do peso vivo.Após o nascimento. A partir do 15° dia de vida dos cabritos poderá iniciar o fornecimento de sólidos (volumoso e concentrado). após esse período se tem a fixação da quantidade de leite oferecido até o desmame. Depois de completado esse período. onde o cabrito permanece o dia com a cabra. os animais devem ser instalados em baias coletivas. No quarto dia. liberando mais leite de cabra para venda. Trinta por cento do volumoso (na base seca) poderá ser constituído de feno de leguminosas (leucena ou gliricídia). As crias são separadas das mães antes da primeira mamada.Outro esquema seria manter as crias separadas das mães durante o dia. de manhã antes de soltar e à tarde após recolhimento das fêmeas ao aprisco. em virtude que este é o período máximo onde possibilita a absorção de anticorpos pelo cabrito. Artificial: Mais adotado em sistema de criações intensivas. é importante que o cabrito permaneça o maior tempo possível com a cabra para ingerir leite em quantidade suficiente para o seu desenvolvimento. que ocorre mais intensamente nesse período. sendo separado ao final do dia.PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará MANEJO ALIMENTAR DE CAPRINOS LEITEIROS . Essa medida é importante para a prevenção de futuras doenças. Para um sistema extensivo pode realizar os seguintes procedimentos: . para uma possível intervenção do tratador (auxiliar na mamada do cabrito ou fornecimento em mamadeira do colostro) até as 36 horas de vida. onde consumirão leite de vaca ou sucedâneo à vontade em mamadeiras coletivas. esse é fornecido aos animais em mamadeiras individuais. 53 . onde o cabrito é alimentado com mamadeiras individuais ou coletivas com leite de vaca. búfala ou sucedâneos. as crias permanecem com as mães confinadas durante sete dias ou em pastos apropriados para este fim. dividido em duas mamadas (metade pela manhã e o restante à tarde). permitindo o contato apenas para o aleitamento duas vezes ao dia. são soltas com as mães nos pastos e recebem diariamente suplementação de forragem de boa qualidade e/ou concentrado. O colostro fornecido aos cabritos passa por tratamento que é feita em banho-maria. A pesagem deve ser feita semanalmente para o ajuste da quantidade de leite a ser oferecida até os 42 dias de idade. Neste sistema é importante observar se o cabrito ingeriu o colostro nas 6 primeiras horas de vida. durante as primeiras 36 horas de vida. três vezes ao dia.Período de aleitamento São observados dois sistemas de aleitamento: Natural: Mais utilizado em criações extensivas. o fornecimento de volumoso (capim verde picado e feno de gramíneas) é à vontade até o desmame.

400 Kg/dia de concentrado. os valores de suplementação devem ser oferecidos na quantidade de até 1 Kg/animal/dia. O programa nutricional para esta categoria será o semi-intensivo no período das águas (pasto nativo + suplementação no final da tarde). após as animais retornarem ao aprisco uma suplementação com 15% de proteína bruta (PB).2 Sal comum 1.0 Na época seca o recomendado é o confinamento dos animais e oferecer uma dieta total balanceada (volumoso + concentrado energético e protéico e sal mineral). quando os cabritos atingirem três vezes o peso de nascimento ou estiverem consumido pelo menos 100g de concentrado pode-se fazer o desmame.PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará Fase de recria O desmame pode ocorrer a partir dos 63 dias.90 Farelo de soja 12. recomenda-se uma suplementação de 0.00 Milho ou sorgo grão 31.50 Fosfato bicálcio ou farinha de ossos calcinados 1. para os animais que precisam de recuperação de escore corporal 54 .20 Animais no período seco Deve-se ter muita atenção com os animais neste período para preparação desses para a próxima lactação. sendo 300g/animal/dia. A suplementação terá uma faixa de 16% de Proteína Bruta. porém em pastagem nativa suplementada na época seca com volumosos.0 Suplemento mineral 1.60 Uréia pecuária 0. Exemplo de suplementação utilizada para cabras em lactação: Itens Participação (%) Farelo de soja 16. Cabras em lactação As cabras no período das chuvas são mantidas em pastagens nativas e poderão receber no período da tarde. No período da seca o recomendado é restringir os animais em áreas menores oferecendo a eles uma alimentação completa tendo 12% de Proteína Bruta. esses animais devem estar com bons escores corporais boas na época do parto. Exemplo de ração total para cabras em lactação: Itens Participação (%) Silagem de sorgo 53. com 15% de PB.70 Calcáreo calcítico 0. Pra animais que estão com bom escore corporal.8 % Milho grão 81.

a situação torna-se mais delicada: a capacidade de ingestão de alimentos das borregas e cabritas ainda não é máxima e o maior crescimento do(s) feto(s). para que se possível. dependendo da intensidade da atividade e da qualidade do volumoso oferecido. em quantidade suficiente para que haja uma sobra de pelo menos 20% do oferecido. na época da estação seca os animais devem ser suplementados com volumoso de boa qualidade. para se certificar que o animal ingeriu o suficiente para suprir suas necessidades. caso se utilize um alimento de qualidade inferior. Deve sobrar mais. enquanto aumenta a demanda por nutrientes. 55 . Reprodutores Para uma boa manutenção do escore corporal dos reprodutores é recomendados a suplementação com concentrado na base de 150 a 200 g/dia. em média de 200 a 300 g/animal/dia. e disponibilizar água e mistura mineral completa. No terço final da primeira gestação.200 Kg/dia. para expressar suas plenas condições reprodutivas. feno ou silagem. pode-se restringir o consumo de concentrado para 0. O concentrado deve ser fornecido desde o início da gestação. é aconselhável fornecer um concentrado que contenha de 13% a 14% de proteína bruta. que passa(m) a ocupar espaço. Esta prática pode ser realizada pela simples mudança dos animais para um pasto de boa qualidade ou mediante suplementação com 18% de proteína bruta. MANEJO NUTRICIONAL DE CAPRINOS E OVINOS DE CORTE Matriz As matrizes devem estar em uma boa condição corporal. Na prática. As matrizes que tiverem abaixo da condição corporal desejada devem receber uma suplementação 14 dias antes da estação de monta e 14 a 21 dias após a cobrição prática conhecida como flushing. Matriz durante a prenhez O fornecimento de volumoso deve ser na forma de forragem verde. diminui ainda mais a capacidade de ingestão. a borrega ou cabrita aumente de peso.600 Kg/dia e para aqueles que estiverem obesos. com o aumento do fornecimento de concentrado podendo chegar a 500 g/dia. dependendo do tamanho da raça.PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará deve ser de 0. Os reprodutores devem ser preparados com um mês de antecedência para a época da estação de monta.

desta forma. à vontade. na época chuvosa as crias devem acompanhar as mães no pasto nativo e tendo como suplementação somente sal mineral. moído na forma de xerém 56 Farelo de soja 18 Concentrado com 18. melancia forrageira). O suplemento utilizado poderá ter 18% de proteína bruta.pastos diferidos (caatinga. o manejo deve ser diferenciado. Crias. oferecer concentrado. etc. A suplementação dessa categoria será de fundamental importância. verde ou fenada. capins buffel. no mínimo. para compensar a diminuição do consumo alimentar.5% de PB Recria A recria dos cordeiros deve ser o pastejo e ramoneio em áreas de caatinga complementado. tanto na época chuvosa como na seca. algaroba. gramão. as crias devem ser retidas no aprisco e as mães mantidas em piquete próximo ou retidas no aprisco para propiciar segurança e amamentação contínua às crias. gliricídia. caso seja conveniente aumentar o ganho de peso dos animais. guandu. volumoso de boa qualidade nutricional podendo ser capim-elefante picado ou outra gramínea. com 15 dias antes da parição.). estando esta diretamente relacionada com o nível de produção de leite. pois ainda está na fase de crescimento. aleitamento até 15 dias As crias devem mamar o colostro o mais cedo possível (de preferência até 6 horas) após o nascimento devido à importância deste para a sua imunização contra enfermidades. A introdução de feno e concentrados extras nesta fase deve começar por volta dos 90 dias de gestação ou. forragem conservada (feno e/ou silagem de leucena. Na época da seca as crias devem continuar retidas no aprisco e receberem. Lactação O início da lactação é o período de maior demanda por nutrientes pela matriz. Simultaneamente. palhadas e outros restolhos culturais. Até os 15 dias de idade. corrente. forrageiras para corte ou apanha (palma-forrageira. 56 . com algumas das seguintes alternativas: . pois além da lactação essas matrizes serão submetidas a uma nova estação de monta. Crias de 15 dias de idade até o desmame Dos 15 dias de idade em diante.PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará Além disso. contribuindo. para reduzir a mortalidade de animais jovens. Exemplo de concentrado para animais para na fase de cria: Itens Participação (%) Feno de leucena ou gliricídia ou de cunhã 26 Milho ou sorgo. maniçoba). especialmente nos períodos secos. a borrega ainda tem as exigências para manter seu próprio desenvolvimento.

vagens de algaroba. A exigência aproximada de proteína bruta é 15 %. Torta de algodão A ração deverá ser constituída de 26. rebaixada ou enriquecida com suplementação mineral e protéica. grãos de sorgo. entre outras).PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará . Quando estes não estiverem em serviço. de guandu. a suplementação deve ser de 150 a 200 g/dia. Reprodutores Os reprodutores sempre devem receber volumoso de boa qualidade à vontade e uma suplementação à base de concentrado. misturas múltiplas compostas de mescla de minerais com algumas espécies disponíveis na propriedade (folhas desidratadas de leguminosas nativas. tão somente para manutenção do escore de condição corporal. 57 . Em estudos desenvolvidos na Embrapa Caprinos constatou-se que o uso de leguminosa. aumenta de forma significativa o desempenho do animal.concentrados e subprodutos industriais isentos ou com baixo nível de químicos (farelos de algaroba. antes de utilizar-se o quadrado de Pearson. como a leucena. tendo assim 17. de maniçoba. Observação: O cálculo está balanceando de forma aproximada somente para proteína bruta. milho e outros. Um exemplo de uma suplementação protéica é a 60% de feno de leucena e 40% grão de sorgo. raspas de mandioca). babaçu.3% de milho moído. raspa de mandioca. Trinta dias antes do início da estação de monta o fornecimento de concentrado deve ser aumentado podendo chegar a 500 g/dia dependendo da qualidade do volumoso oferecido. na composição dos suplementos. Acabamento Para o acabamento dos cordeiros em um sistema de agricultores familiares o recomendado é a terminação em pasto nativo de caatinga raleada. cultivados segundo métodos agroecológicos). O sistema de fornecimento do suplemento é à vontade. grãos (sorgo.7% de torta de algodão e 73. Exemplo 1: Formular uma ração com 18% de proteína bruta (PB) usando-se farelo de algodão e milho moído. Exemplo 2: Suplementação para cabra em lactação. de leucena.6% de proteína bruta. Quando existe mais de dois alimentos disponíveis faz-se misturas de maneira a ter-se apenas dois. tendo uma lotação no máximo de 12 animal/ha por um período de 100 dias.

5°C a 40. . É necessário entender que as medidas preventivas devem ser implantadas para um melhor ganho na produtividade.Falta de apetite ou apetite depravado.Pêlos lisos e brilhantes. MANEJO SANITÁRIO 1. Conhecendo os sinais de doença O produtor deverá estar alerta para qualquer mudança no comportamento do animal.Temperatura normal . LEMBRETE: Animais sadios podem apresentar até 40. assim como diminuição da fertilidade. . 58 . ou queda dos pêlos.Tristeza e isolamento do rebanho. A presença de alguns sinais e sintomas. Estas práticas irão controlar as influências do ambiente.Fezes e urina normais.Febre e urina com alterações. . . .Crescimento normal.Ruminação normal.38. pois poderá ser o início de alguma doença. de modo a prevenir o estabelecimento de enfermidades no rebanho ou controlar as já existentes. citados abaixo.Apetite normal.5° C 3. pode indicar alguma enfermidade: . pois animais doentes têm queda na produção de carne e leite.Pêlos sem brilho ou arrepiados. . . 2.5°C. . Conhecendo os sinais de saúde Sanidade de caprinos e ovinos MEIO AMBIENTE ÊXITO NA EXPLORAÇÃO SAÚDE DO ANIMAL MANEJO POTENCIAL GENÉTICO O caprino e o ovino saudáveis devem apresentar: -Vivacidade.PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará 8. . Introdução É uma ação de fundamental importância para a sustentação da atividade.

. . Introdução de novos animais ao rebanho Com a compra ou qualquer introdução de animais. Higiene das Instalações Devem ser instauradas como medidas rotineiras as seguintes ações: .PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará .Uso de medicamentos . 2.Alimentação correta.Antibióticos.Uso de vermífugos. . Medidas Preventivas São medidas que têm a finalidade de evitar doenças. . .Medicamentos.Soros.Varrer e lavar boxes. cabriteiro e baias. 4. 59 . .Atraso no crescimento (animal raquítico).Ficar em local separado para uma prévia observação (quarentena).Retirar as fezes diariamente. . MEDIDAS DE MANEJO SANITÁRIO 1. As formas utilizadas são: .Manejo correto. Medidas curativas São atitudes que visam a cura de doenças já instaladas. apresenta um maior custo para o produtor. apriscos. “Prevenir é melhor do que remediar. .Higiene das instalações. .” 5. LEMBRETE: O animal poderá apresentar apenas um destes sinais ou mais de um ao mesmo tempo. estes deverão: . .Secar e lavar os bebedouros com freqüência (1 vez/semana).Parada da ruminação.Possuir atestados de vacinas e certificados de ausência de algumas doenças. .Uso de vacinas. Sendo destacadas as seguintes formas de medidas preventivas: .Limpar os comedouros.

Este procedimento tornará o animal mais resistente às doenças. . Cuidados com as fêmeas em idade reprodutiva Em relação às matrizes devem-se tomar cuidados nas diversas fases de produção em que essas se encontram.1. O retorno do animal para o rebanho deve ser após sua devida recuperação. Desinfecção do Umbigo . .Caso este procedimento não seja possível.Este procedimento evitará que o umbigo sirva de porta de entrada para doenças oportunistas. . Ingestão do Colostro . Durante a prenhez .Deve ser ingerido nas primeiras horas de vida.2.Após o nascimento. o produtor poderá seguir os seguintes caminhos: utilizar colostro retirado de outras cabras ou usar colostro artificial.Anote a data da cobertura e calcule a data provável do parto (150 dias a partir da cobertura).PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará 3. como medida preventiva. .Coloque as fêmeas em piquete próximo à propriedade. 4. .Coloque a fêmea em piquete ou baia maternidade. entre estas destacamos: 4. .Faça a “secagem” do leite nas cabras leiteiras.Imerso em solução de iodo a 10%. 5. 60 .Limpe rigorosamente a baia maternidade. 6-8 semanas antes do parto. Deverão ser tomadas medidas que tenham a finalidade de protegê-los. 5. o umbigo do cabrito deve ser cortado a uma altura de dois dedos (3 cm). Cuidados com os recém-nascidos Os recém-nascidos correspondem ao futuro do rebanho devendo receber atenção privilegiada. uma semana antes do parto. 45 dias antes do parto. . 4. Isolamento de Doentes Todo e qualquer animal suspeito de doenças ou em tratamento deverá ser isolado do rebanho.Forneça alimentos de boa qualidade durante toda a prenhez.1. . .

início e final do verão. . O casqueamento deve ser realizado duas vezes ao ano . Em animais confinados. Durante o parto e pós-parto . siga as orientações do veterinário.2.PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará 5.Banhe os animais recém adquiridos antes de incorporá-los ao rebanho. 61 . Casqueamento O casqueamento é uma das medidas preventivas para evitar doenças nos cascos.Nos casos de retenção da placenta.Banhe os animais no final da tarde.Banhe os animais com produtos carrapaticidas. .Não banhar animais no terço final da prenhez e animais com menos de um mês de idade. . 6. Controle de ectoparasitos Os principais ectoparasitos que acometem os caprinos e os ovinos são os piolhos e os ácaros causadores de sarnas. .Após o parto. Como forma de fortalecer e evitar o aparecimento de doenças nos cascos é recomendados que após o casqueamento os animais devam passar pelo pedilúvio.Repita o banho 7 a 10 dias após. 7.Em partos complicados. . De acordo com a presença destes devem ser tomadas as seguintes atitudes: . observe se a fêmea expulsa a placenta. .Separe os animais com piolhos e sarnas. procure orientação do veterinário. . o casqueamento deve ser realizado sempre que necessário.

ocasionando problemas na produção de leite. uma das principais causas de perdas nos rebanhos é provocado por helmintos ou vermes o que provoca. .Vermifugação estratégica.cabeça inchada. . .Pouco crescimento. especialmente em ovinos e caprinos.Papeira .Os tratamentos efetuados são de forma ineficiente.Aparecimento de resistência parasitária a vários grupos químicos. . 62 . grandes prejuízos para o produtor.Evite a superlotação das pastagens. PRINCIPAIS DOENÇAS DE CAPRINOS E OVINOS Verminoses gastrointestinais Nos ruminantes.Principal causa de morte dos caprinos e ovinos. na maioria das vezes. As verminoses gastrointestinais se destacam devido a inúmeros problemas. Para isso têm-se como medidas preventivas os seguintes aspectos: . . Transmissão Os animais se contaminam ingerindo pasto infestado pelas larvas dos vermes.Anemia. de carne. e até mesmo morte s no rebanho. fracos. . .Faça rodízio de piquetes. .Diarréia freqüentes.PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará 8.Altos custos de anti-helmínticos disponíveis no mercado. . . Sintomas -Os animais ficam magros.Vermifugue todo animal de compra antes de incorporá-lo ao rebanho. principalmente quando jovens. . Controle de verminoses Os vermes são as principais causas de perdas no rebanho.Controle de forma eficiente é uma prática pouco utilizada. .Pêlos arrepiados. destacandose as seguintes dificuldades: .

PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará Controle .Siga as seguintes recomendações: 1ª Vermifugação: vermifugue todo o rebanho no primeiro mês do período seco ou quando as pastagens estiverem secas. . . na estação seca.Mantenha cochos de água e alimentos sempre limpos e fora da baia.Faça a limpeza das instalações. Manejo auxiliar para o controle da verminose .Controlar os vermes quando eles estão em menor número na pastagem. 2ª Vermifugação: vermifugue 60 dias após a primeira vermifugação.O exame é feito comparando-se as diferentes tonalidades da mucosa conjuntiva ocular. 63 . em regime extensivo o exame deve ser a cada 15 dias no período chuvoso e mensalmente no período seco. 4ª Vermifugação: vermifugue em meados da estação chuvosa. colocando o esterco nas esterqueiras. .Troque o vermífugo somente a cada ano para evitar a resistência dos vermes. Método FAMACHA - Recomenda-se medicar o menor número possível de animais.A mucosa ocular de todos os animais deve ser observada periodicamente. isto é. - Regiões semi- áridas. . 3ª Vermifugação: vermifugue no penúltimo mês do período seco. .Vermifugação estratégica .

. .Morte. etc. comumente encontrados no organismo de ovinos e caprinos.Diarréias agudas.PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará .Vermifugue todo animal de compra antes de incorporá-lo ao rebanho. Tratamento A aplicação de sulfas.Separar os animais por faixa etária.Perda de peso. 64 . .Separe os animais jovens dos adultos.Desidratação. por pelo menos 12 horas (faça as vermifugações sempre no final da tarde). os quais se localizam nos gânglios superficiais e internos. . Sintomas .Evite a superlotação das pastagens. . Transmissão Através da ingestão de água ou alimentos contaminados com oocistos.Vermifugue os cabritos e cordeiros após a terceira semana de pastejo.Após a vermifugação. baço. porém os jovens são mais susceptíveis que os adultos. . . em contato direto com o material purulento dos abscessos. EIMERIOSE É causada por parasitas. . etc.Limpar as instalações e equipamentos com cal virgem. a qual leva a formação de abscessos (caroços).Falta de apetite. bem como nos pulmões.Evitar superlotação de animais em apriscos e nas pastagens. .Faça rodízio de piquetes. . fígado. Prevenção . subagudas ou crônicas. água sanitária. LINFADENITE CASEOSA (MAL-DO-CAROÇO) A Linfadenite Caseosa é uma doença provocada por bactérias. . os animais devem permanecer presos no chiqueiro ou no aprisco. .Vermifugue as fêmeas 30 dias antes do parto. Acomete animais de qualquer idade. Transmissão Ocorre através de ferimentos da pele ou mesmo pela mucosa intacta.

Prevenção .Forrar o chão com qualquer material para evitar a contaminação.Principalmente abscessos.O material contaminado deve ser queimado e enterrado.Lavar a área do abscesso com água e sabão. .Ingestão de água e alimentos contaminados com pus dos abscessos. . . Sintomas .Colocar solução de iodo a 10% dentro do abscesso.Isolar os animais com abscessos.Fazer a incisão ou corte do abscesso. . .Fazer a limpeza interna do abscesso. quando os pêlos da área começarem a cair. .Cortar os pêlos e desinfetar o local com álcool iodado ou tintura de iodo.Pelo cordão umbilical mal tratado. . 65 . .Inspecionar periodicamente o rebanho. .Cortar o abscesso no sentido vertical (de cima para baixo). Controle . .Pressionar para retirar todo o material purulento.Desinfetar todos os instrumentos utilizados no procedimento. . -Isolar o animal até a completa cicatrização. retirando todo o pus restante.Evitar que os abscessos se rompam.Evitar comprar animais com abscessos. . . .PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará . Como fazer o corte dos abscessos .Limpar e desinfetar as instalações.Tratar o umbigo dos recém-nascidos e ferimentos.

66 . podendo ser observado pus e odor fétido. .Condições que causam estresse no animal tais como.Limpar e lavar o casco. preenchido com solução de sulfato de cobre ou de zinco a 5% . pastos alagados e crescimento exagerado dos cascos. . .Colocar o animal em local seco e limpo. Tratamento . Transmissão . .Observar o crescimento dos cascos e apará-los duas vezes ao ano.10%. com maior freqüência nos animais jovens.Através do contato direto entre animais doentes e sadios. devido às instalações sem higiene e úmidas.10%.Evitar o acesso e a permanência dos animais em pastos encharcados e em pisos úmidos. excesso de ventilação.Passar os animais em pedilúvio. e superlotação. Prevenção . . transporte. Ocorrem com maior frequência no período chuvoso. instalações úmidas e sem higiene. vermelho e inchado.Aumento de temperatura no espaço entre os cascos.Descartar animais com a doença crônica nos cascos. . além de fatores ambientais e de manejo.O animal apresenta claudicação (manqueira) e dificuldade de locomoção. Acomete caprinos e ovinos de todas as idades. uma vez por semana. CATARRO) Afeta os pulmões e demais órgãos do sistema respiratório. sendo causada por vários agentes microbianos. formol a 5% ou cal virgem. BRONCOPNEUMONIA (TOSSE. mudança brusca de temperatura. .PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará PODODERMATITE (MAL DO CASCO) Afeta caprinos e ovinos de qualquer idade.Fazer curativos diários com pomada antibiótica ou solução de sulfato de zinco ou de cobre a 5 % . Sintomas .

. 67 . Transmissão .PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará Sintomas . . . A doença é mais freqüente em épocas chuvosas.Diminuição do apetite. .Oferecer alimentação adequada. .Limpar as instalações. quando a população de insetos é elevada. de um animal doente para o sadio.Contato direto entre animais doentes ou portadores e os animais sadios.diminuição do apetite. . . . do frio e da chuva.Evitar a entrada de animais doentes no rebanho. .Isolar os animais doentes. . Diversos microrganismos são responsabilizados pelo aparecimento da doença.Proteger os animais de fortes correntes de vento. evitando sujeiras e umidade excessiva.olhos congestos (vermelhos).febre moderada.Tosse. .Febre. Tratamento . . .Transporte do micróbio.dificuldade respiratória (cansaço). . sendo que acomete caprinos e ovinos de qualquer idade. . . Prevenção .Tratar o umbigo das crias e administrar o colostro. Sintomas .pequena mancha branca no olho.Lacrimejamento.Corrimento nasal (catarro).cegueira do animal.Evitar superlotação de animais na instalação e na pastagem. CERATOCONJUNTIVITE INFECCIOSA É uma doença que afeta as estruturas do olho.Pêlos arrepiados. pelas moscas.Lavar os olhos com solução fisiológica (soro). .

.Cuidado com o umbigo dos recém-nascidos . . produzindo toxinas que irão determinar toda a sintomatologia da doença.Evitar ferimentos e outros traumatismos nos olhos dos animais.Paralisia da mandíbula e dos membros.Evitar comprar animais com problemas nos olhos. .Aplicar antibióticos formulados especialmente para aplicação no olho.Espasmos quando o animal é estimulado. geralmente de evolução aguda. com pouca probabilidade para o tratamento curativo.Controlar a população de moscas. . . Sintomas . Prevenção . 68 .Dificuldade respiratória. Prevenção .Andar rígido. . ocasionando na maioria das vezes mortes súbitas no rebanho. .Morte. Transmissão O C. o Clostridium tetani. .PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará .Protusão da membrana nictante.Limpar as instalações. tetani pode instalar-se em qualquer ferida contaminada por terra e multiplicar-se no local.Após cirurgias ou castrações deve ser aplicado de soro antitetânico CLOSTRIDIOSES São infecções causadas por bactérias. Esta doença é caracterizada por sinais de paralisia. pelo menos duas vezes ao dia. TÉTANO É uma enfermidade causada por toxinas produzidas por uma bactéria do grupo dos clostrídeos.

perfringens Tipo A Enterotoxemia. . . e ocorre a falta de medidas de higiene na ordenha e pelo contato do úbere com o solo contaminado. . Tratamento O tratamento deve ser feito com o uso de antibióticos sob a orientação do médico veterinário.Inchaço no úbere.PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará DOENÇAS CAUSADAS PELOS 10 CLOSTRIDIUM SPP. Tetani Cl.Queda na produção de leite.Enterotoxemia . Rim Polposo • • • • • Cl. Haemolyticum Gangrena Gasosa Tétano Síndrome da Morte Súbita Hemoglobinúria Bacilar Transmissão Através da ingestão de esporos. chauvoei Cl.Vacinação MAMITE É a inflamação da glândula mamária causada por vários tipos de micróbios. Gangrena Gasosa Tipo BDisenteria dos Cordeiros. sordellii Cl. .Morte súbita Prevenção . Enterotoxemia Tipo C Enterotoxemia Tipo D Enterotoxemia.Febre. . 69 . em alguns casos podem penetrar através de feridas Sintoma .Aumento da temperatura do úbere. Sintomas . Septicum Cl.Leite com grumos. novyi Carbúnculo Sintomático e Gangrena pós-parto Tipo BHepatite Infecciosa Cl. MAIS COMUNS • Cl.Úbere fica dolorido.

70 .Estabelecer linha de ordenha. - Tratar as lesões com solução de permanganato de potássio a 3% ou solução de Iodo a 10% acrescido de glicerina. CUIDADO: Lavar cuidadosamente as mãos e os braços após contato com animais doentes. . na proporção de uma parte da solução de iodo para uma de glicerina.Vesículas (bolhas) que se rompem e formam crostas nos lábios. narinas e. Prevenção . ECTIMA CONTAGIOSO (BOQUEIRA) É uma doença causada por vírus e que acomete caprinos e ovinos.Após a ordenha: megulha-se as tetas em solução desinfetante.PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará Prevenção .Limpeza e desinfecção das instalações. .Antes da ordenha: deve-se realizar a limpeza do úbere.Higiene do ordenhador (corte de unhas e lavar mão e antebraços antes da ordenha). .Higienização do local de ordenha. pois o ectima contagioso é uma doença transmitida ao ser humano. no úbere e espaço interdigital em adultos. após o aparecimento de surto da doença.Vacinar os animais do rebanho. gengivas. .Isolar os animais. Tratamento .Não incorporar animais doentes ao rebanho. principalmente entre o terceiro e o sexto mês de idade. Transmissão .Fornecer o colostro às crias. . . .Através do contato direto entre os animais doentes e os animais sadios. Sintomas . para que animais que apresentaram mamite sejam os últimos a ser ordenhados. ocasionalmente.

Forma nervosa: . . Sintomas Forma articular: .PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará ARTRITE ENCEFALITE CAPRINA VIRAL É uma doença ocasionada por vírus que afeta caprinos de todas as idades. etc. .Ocorrendo em animais com mais de 12 meses de idade. causando 100% de mortalidade. Nos animais pode causar a morte.Paralisia num dos membros. .Não existe tratamento.Cuidados higiênicos na ordenha (linha de ordenha).Usar uma agulha para cada animal. duas sorologias negativas intervalasdas de 90 dias.Manter programa de vigilância sorológica (semestral). nos adultos ocorre na forma de artrite. .Artrite não purulenta (carpometacarpiana).Encefalite. .Adquirir somente animais com. mamite e pneumonia. Prevenção . . instrumentos contaminados. .Fatal na maioria dos casos. Tratamento .Desinfetar os instrumentos de descorna e tatuagem.Eliminação dos doentes é a prática mais segura. 71 . Transmissão A principal via é a ingestão de colostro e/ou leite de animais infectados. pelo menos. evoluindo para os demais. como agulhas. Transmissão O vírus é transmitido através da saliva de animais infectados. . RAIVA É uma doença infecciosa que afeta o sistema nervoso central. materiais cirúrgicos. .Evitar cruzar animais soronegativos com soropositivos.

Prevenção .Usar a dose recomendada pelo fabricante.Mudança de comportamento.Não comprar vacinas congeladas. Cuidados com os medicamentos . Aplicação de medicamentos e vacinas Cuidados com a vacina -Observar prazos de validade.Não guardar restos de vacinas para usá-las depois. .Após a vacinação lavar as seringas e agulhas com água corrente e depois esterilizar.Ansiedade.Combater a proliferação dos morcegos. .Vacinação periódica – anualmente. .Ter o cuidado com o transporte das vacinas que precisam ser conservadas no frio. observar se os instrumentos se encontram em perfeitas condições. .Vacinar cães e gatos da propriedade. . . . . . esterilizar as seringas e agulhas (15 minutos.Morte em 5 a 10 dias. . .Agitar a vacina antes de retirá-la do frasco. .Pupila dilatada.Antes da vacinação.Observar prazos de validade. . .Não expor as vacinas ao sol. pode-se observar excitação e agressividade. todo cuidado é pouco. Cuidados com os instrumentos .O local de aplicação do medicamento no animal deve ser realizado somente naqueles indicados pelo fabricante. . sendo muito raro nos ruminantes.Sialorréia.Manter as vacinas em caixa de isopor com gelo. Lembrete: Apesar da forma paralítica ser a mais freqüente.PROJETO RAÍZES 2008 – Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado do Ceará Sintomas: .Deglutição dificultada. com água fervente). Tratamento Não existe tratamento Lembrete: Tratar-se de uma ZOONOSE. .Antes da vacinação. . 72 .

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