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FORMAÇÃO PARA

PROFESSORES QUE
DESEJAM ATUAR NO 1º ANO

ALFABETIZAÇÃO
MATEMÁTICA

ALFABETIZAÇÃO
MATEMÁTICA
A alfabetização não se restringe ao aprendizado da
língua. É preciso também alfabetizar matematicamente.
Dessa forma, a escrita e a leitura das primeiras ideias
matemáticas devem fazer parte do contexto de
alfabetização.

A alfabetização matemática também trata da
compreensão, da interpretação e da comunicação das
ideias matemáticas tidas como iniciais para a
construção do conhecimento matemático. Para essa
comunicação é preciso criar espaços de trocas e
aprendizagens significativas.

Ser alfabetizado em Matemática
é compreender o que se
lê e escreve a respeito de:
Espaço e
Forma

Grandezas
e Medidas

Números e
Operações

Tratamento
da
Informação

O INÍCIO É ASSIM...

. e cabe à escola ajudar na construção do pensamento matemático da criança.E NA ESCOLA? A construção do número pela criança é a base para a ampliação do campo numérico que a vida em sociedade exige. As experiências iniciais são muito importantes nesse processo.

►o uso de recursos didáticos como suporte à ação reflexiva do aluno.Para estimular o aprendizado da matemática é preciso considerar: ►o conhecimento do aluno. . ►o trabalho com diferentes hipóteses e representações que os alunos produzem.

: Saber que tal objeto se chama bola. forma. Ex. do mundo exterior. peso). . ► O conhecimento lógico-matemático: consiste em relações mentais realizadas pelo indivíduo. Ex.A NATUREZA DO CONHECIMENTO LÓGICO-MATEMÁTICO Segundo PIAGET existem três tipos de conhecimento: ► O conhecimento físico: conhecimento dos objetos. ► O conhecimento social: é uma convenção criada pelas pessoas. percebido pela observação.: Reconhecer que duas bolinhas se diferenciam por serem de cores diferentes e se assemelham por terem o mesmo tamanho e peso.: Perceber as propriedades ou atributos de uma bolinha (cor. Ex.

porque o que vivo passa pelo meu corpo que tudo registra. posso depois lembrar.O CORPO APRENDE Aquilo que vivencio. com símbolos. figuras) e. . As propostas devem num primeiro momento envolver atividades com o corpo e/ou objetos. finalmente. depois com imagens (desenhos.

é a ação mental que se estimula quando as crianças podem ter os objetos e os materiais em suas mãos. Porém não é a manipulação em si o importante para o aprendizado da matemática. entre outros. . O que realmente importa como sugerem Piaget e Inhelder (1975) ou Kamii (1990).ESTÍMULO À AÇÃO MENTAL A manipulação é um passo necessário e indispensável para a aquisição de competências matemáticas.

PROCESSOS MENTAIS BÁSICOS COMPARAÇÃO SEQUENCIAÇÃO CLASSIFICAÇÃO CORRESPONDÊNCIA INCLUSÃO CONSERVAÇÃO SERIAÇÃO .

 Constituem-se num alicerce que será utilizado para sempre pelo raciocínio humano. independentemente do assunto ou tipo de problema enfrentado.PROCESSOS MENTAIS BÁSICOS  São fundamentais para a construção dos conceitos de número e das quatro operações.  Desenvolvem-se a partir da estimulação. etc. ações. diante de situações onde a criança estabelece relações entre objetos. ocorrências . .

.Descubra o processo mental envolvido nas atividades As atividades propostas em cada estação do circuito estão relacionadas a um processo mental. Descobrir e anotar ao lado de cada número da papeleta qual o processo mental correspondente.

seriar. A comparação é fundamental para classificar. e para a conservação. O processo de comparação envolve noções elementares como a de tamanho. com as quais as crianças convivem desde cedo. incluir. .COMPARAÇÃO Comparar é examinar dois ou mais objetos com a intenção de distinguir relações de semelhanças e diferenças. de distância e de quantidade.

No entanto.CORRESPONDÊNCIA É o ato de estabelecer a relação “um a um”. . existe também a correspondência de vários a um ou de um a vários. Essa percepção possibilita igualar duas coleções no sentido da quantidade. A correspondência um a um é uma percepção fundamental para que a criança seja capaz de atingir o conceito de número operatório.

CLASSIFICAÇÃO Classificar é aproximar elementos por alguma semelhança que escolhemos. 2) Nível das coleções não figurais: coleções constituídas em função das semelhanças. 3) Nível da classificação operatória: esse nível só é atingido com a aquisição da reversibilidade e da capacidade de perceber inclusões hierárquicas. É quando a criança consegue identificar classes e subclasses nelas contidas. é construir categorias. Esse atributo comum gera um nome para o grupo. 1) Nível das coleções figurais: classificações formando figuras. . Ao classificar criamos uma classe. A relação entre os elementos já é elemento-classe. Nessa fase a relação entre as partes é elemento-elemento. formada por elementos com algum atributo comum a todos eles. pois a criança consegue nomear o atributo comum e dar nome à sua coleção.

é possível haver a troca deles de maneira equivalente. a escolha do seguinte é feita ao sabor do momento e não por critérios preestabelecidos. Assim. sem alterar a sequência. Quando organizamos uma fila utilizando uma sequência de elementos consideramos diferenças de natureza qualitativa o que não permite. portanto. como os elementos se repetem. . ordenação crescente ou decrescente.SEQUENCIAÇÃO Sequenciar é fazer suceder a cada elemento um outro qualquer. isto é.

obtemos uma fila. na qual cada elemento tem seu lugar bem definido.SERIAÇÃO Seriar é ordenar. de forma ascendente ou descendente. . Níveis: 1) Ausência de seriação ou nível pré-operatório 2) Seleção por tentativa e erro ou série intuitiva: ainda não antecipa as ações 3) Série operatória: a criança ordena a partir de critérios lógicos. Ela “pesquisa” qual será o próximo elemento a ser colocado na série. pois a reversibilidade do pensamento permite esse ir e vir. organizar pelas diferenças. é capaz de selecionar e antecipar o lugar de cada elemento. Assim.

inclusão hierárquica é a capacidade de perceber que o ”um” está incluído no “dois”. o “dois” no “três”. por exemplo. de modo que os cinco brinquedos. Na perspectiva de Piaget. A percepção de inclusão oferece dificuldade por exigir uma dupla e simultânea percepção. são o grupo todo. A inclusão de classes é necessária à construção da noção de quantidade. e assim por diante. A comparação será entre um subconjunto com o todo e não apenas entre subconjuntos.INCLUSÃO É o ato de fazer abranger um conjunto por outro. .

uma quantidade ou valor não varia. apesar das variações de forma ou de arranjos espaciais. se nada for retirado ou adicionado a ele.CONSERVAÇÃO Conservação é a capacidade de perceber que. Conservação de números Conservação de matéria Conservação de área Conservação de líquidos Conservação de comprimento .

. possibilitam o desenvolvimento da linguagem matemática.. VAMOS BRINCAR. . o trabalho com estratégias de resolução de problemas e também o desenvolvimento do raciocínio lógico.BRINCADEIRAS E JOGOS Quando intencionalmente utilizados pelo professor.

ALFABETIZAÇÃO MATEMÁTICA Números e Operações CONTAGEM Oralidade Apontando elementos (etapas) REPRESENTAÇÃO Desenhos Símbolos Signos (algarismos) ESCRITA NUMÉRICA Hipóteses OPERAÇÕES Ideias Sentenças Algoritmos .

As atividades corporais e os materiais adequados à construção de cada conceito estimulam percepções táteis. . gerando uma memória sensorial que armazena informações captadas pelos sentidos. nos vemos diante da necessidade de favorecer o surgimento de contextos solicitadores. visuais e auditivas.CONSTRUÇÃO DO NÚMERO Dada a complexidade da construção da estrutura numérica na criança. diversificados e estimulantes nos ambientes em que a criança vive.

a concretude.A exploração de jogos com materiais manipulativos favorecem o significado. a visualização. a percepção e a compreensão necessários para o desenvolvimento de habilidades numéricas. .

escrevê-los. compará-los.32) utiliza o termo “numerização” atribuído à aprendizagem dos números em sua correlação com suas respectivas quantidades. assim como de lê-los.NUMERIZAÇÃO Ramos (2009. p. Ela define alfabetização como “processo pelo qual se adquire o domínio de um código (alfabeto) e a habilidade de utilizá-lo para ler e escrever” e numerização como “processo pelo qual se adquire o domínio de um código numérico (algarismos) e a habilidade de associar esses números a quantidades. . por analogia com a alfabetização. fazer operações com eles e posicionálos numa sequência”.

três.. mas os usa apenas como nomes de objetos. na contagem.. a criança pula objetos ou conta várias vezes o mesmo objeto.MOMENTOS VIVENCIADOS NA CONSTRUÇÃO DO NÚMERO Em um primeiro momento a criança vai sabendo os nomes. . imitando os adultos: um.. Às vezes. dois.

Uma é a ordem e a outra é a inclusão hierárquica. Número Operatório ´Cardinal Ordinal Nome da quantidade CLASSIFICAÇÃO Ideia de lugar SERIAÇÃO .CONSTRUÇÃO DO NÚMERO Piaget aponta que o número é uma síntese de dois tipos de relação que a criança elabora entre os objetos.

Se perguntamos quantos são ela pode dizer o “numeral” certo. mas apenas um nome para cada elemento. mas esse “numeral” não indica a quantidade.MOMENTOS VIVENCIADOS NA CONSTRUÇÃO DO NÚMERO Em um segundo momento. os elementos continuam nomes. Didática da Matemática. e sim. Ernesto Rosa Neto – Ed Ática . até onde ela chegou.

MOMENTOS VIVENCIADOS NA CONSTRUÇÃO DO NÚMERO Em um terceiro momento a criança constrói a noção de número que envolve o seriar e. além disso. incluir em cada número todos os anteriores. Didática da Matemática. Ernesto Rosa Neto – Ed Ática .

.O QUE PROPOR Atividades para a quantificação numérica – Utilizar coleções de objetos (tampinhas. comparações. classificações que favorecerão o reconhecimento de quantidades e a exploração de ideias das operações. contagens. canudinhos) para o aluno realizar agrupamentos. palitos.

.O QUE PROPOR Atividades para a representação gráfica espontânea da quantidade – Propor o registro de atividades onde vivenciaram a quantificação: brincadeiras. jogos. histórias.

ao investigar como as crianças entram no mundo da escrita da linguagem matemática relata que inicialmente existe a utilização do desenho ligado a forma do objeto. para depois indicar desenho representando a totalidade do conjunto. depois passam para o desenho cópia do objeto. . escrevem o número acompanhado do desenho.EXPRESSANDO A COMPREENSÃO Danyluk. desenhos que não têm semelhança com o objeto. Assim.

Essa linguagem é simbólica. a capacidade de generalizar e abstrair. .LINGUAGEM MATEMÁTICA A linguagem matemática precisa ser vista pela criança como forma de representar o que ela vivenciou e descobriu. no devido tempo. constituindo uma ferramenta que pode favorecer.

de documentos ou outros que indicam medidas).). dramatizações. músicas. etc.  Utilizar diferentes recursos que apresentem situações envolvendo contagens. leitura e escrita numéricas (brincadeiras.O QUE PROPOR Atividades para o conhecimento da leitura e da escrita dos signos numéricos :  Oportunizar contato com diferentes portadores numéricos que existem no cotidiano (placas. números de telefones. . histórias.

de cartelas ou tabelas numeradas. .DESCOBERTA DE REGULARIDADES  Propiciar atividades que auxiliem o aluno na descoberta de regularidades do sistema numérico. Para isso é importante a exploração do calendário. etc. da fita métrica.

PORTADORES NUMÉRICOS .

Jogos para comparar e identificar quantidades .

Compondo e decompondo quantidades .

Jogos para verificar diferentes formas de compor números .

Jogos para o trabalho com nosso sistema de numeração .

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS • • • DANYLUK. 1988. – Campinas: Papirus. Constance. – Porto Alegre : Sulina. – Caxias do Sul: 2ª edição. A criança e o número: implicações educacionais da teoria de Piaget para para a atuação junto a escolares de 4 a 6 anos / Constance Kamii. – 8ª ed. KAMII. Ocsana. EDUCS. 1991. DANYLUK. . 1998. de Assis]. Alfabetização matemática: as primeiras manifestações da escrita infantil / Ocsana Danyluk. Ocsana S. Alfabetização matemática: o cotidiano da vida escolar / Ocsana Sônia Danyluk. [tradução Regina A. Passo Fundo : Ediupf.

2005. Conversas sobre números. ed. – São Paulo: Ática. 2008. – São Paulo: Ática. Ernesto Rosa. – (Coleção Formação de Professores) • NETO. Sergio. Didática da Matemática / Ernesto Rosa Neto. . – (Série Educação) • RAMOS. rev. – 2. Educação infantil e percepção matemática / Sergio Lorenzato.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS • LORENZATO. 2009. ações e operações: uma proposta criativa para o ensino da matemática nos primeiros anos / Luzia Faraco Ramos. SP: Autores Associados. Luzia Faraco. e ampliada – Campinas.

br • Fotos: Acervo da assessoria do projeto . 1997. Didática de Matemática: como dois e dois: a construção da matemática/ Marília Toledo e Mauro Toledo.google. • TOLEDO. Marília. • Imagens: www.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS • Revista Educação Infantil – Especial – Ano I – Nº 01 – Editora Minuano. São Paulo: FTD.com.