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Lei de Moore

chegando ao fim? A
saída pode estar nos
chips com nanotubos
de carbono da IBM
Por Emerson Alecrim
32 semanas atrás
NEWS176

Com a Lei de Moore perto do limite de validade, a indústria vem tentando encontrar uma forma de
superar esse futuro problema. A IBM é uma das companhias mais engajadas nessa causa. Um dos

de fato. os pesquisadores da companhia constataram que é possível usar nos chips nanotubos de carbonos para formar cadeias de transistores sem interferir nas propriedades elétricas da conexão entre eles. mas. mas sem que isso eleve o tamanho do dispositivo ou os custos de produção. É claro que essa “profecia” não funciona ao pé da letra. um regimento ou qualquer coisa parecida. a Lei de Moore vem correspondendo à realidade até os dias de hoje. . de modo geral. Moore diz no texto que a proporção de transistores que podem ser colocados nos chips aumentaria 100% a cada período de 18 a 24 meses. Onde a pesquisa da IBM se encaixa nessa história? Resumidamente. a tal da Lei de Moore não é. Essa expressão faz referência a um artigo “profético” publicado por Gordon Earl Moore — um dos fundadores da Intel — em 1965 na Electronics Magazine. uma lei. Para quem está por fora do assunto. Só que ela não é eterna: estamos cada vez mais próximos do momento em que será fisicamente inviável (para não dizer impossível) miniaturizar os componentes dos chips. Basicamente. assim como a continuar utilizando o silício como matéria-prima.frutos desses esforços foi apresentado nesta semana: uma técnica que se baseia em nanotubos de carbono que pode “prorrogar” a Lei de Moore ou mesmo dar nova forma ao mercado de processadores.

Trata-se de um feito e tanto! Mas. fazer com que esse processo chegue a medidas abaixo disso. Para você ter ideia da diferença. com nanotubos de carbono é possível. os nanotubos oferecem pelo menos duas vantagens: são excelentes semicondutores. No caso dos chips. em teoria. a própria IBM já conseguiu desenvolver um projeto dechip com tecnologia de fabricação de 7 nanômetros. . são menores que os transistores de silício utilizados atualmente.Conexão de nanotubos de carbono Nanotubos de carbono são estruturas cilíndricas ocas cujo formato lembra uma folha de papel enrolada. O material se mostra promissor em diversas tecnologias.

isso ocorre também com os convencionais transistores de silício). ou seja. principalmente. usando o metal molibdênio no material de contato. Eles conseguiram chegar a um resultado satisfatório reposicionando as ligações do topo para as extremidades dos nanotubos e. as áreas de contato das conexões devem ser menores. essa abordagem não comprometeu a condutividade elétrica das conexões. mas isso leva ao aumento da resistência elétrica e. essencialmente. Nessas circunstâncias. Isso indica que. . nos próximos anos. os nanotubos poderão finalmente ter uso abrangente na construção de processadores. O problema é que eles sempre tiveram dificuldade para conectar transistores de nanotubos de carbono em escalas abaixo de 10 nanômetros.Os pesquisadores sabem dessa e de outras possibilidades há tempos. à uma elevação significativa do calor gerado (só para constar. Nos experimentos. em resolver esse problema. A missão dos pesquisadores da IBM esteve centrada. com efeito. não houve geração excessiva de calor.

. assim. Atuar em várias frentes de pesquisa aumenta as chances da companhia de ficar na vanguarda da próxima tecnologia de processamento computacional e. o estudo com nanotubos de carbono faz parte de um programa de US$ 3 bilhões que a IBM montou há pouco mais de um ano para criar a tecnologia que substituirá a Lei de Moore. o próprio executivo reconhece que. Mas. colher todos os frutos (diga-se: dinheiro.Transistor de nanotubo de carbono com conexão de 6 nanômetros Dario Gil. vice-presidente de ciência e tecnologia da IBM Research. Assim como o chip de 7 nanômetros. barreiras devem ser superadas. Uma delas é o desenvolvimento de uma técnica eficiente de fabricação: não é possível construir chips baseados em nanotubos de carbono usando a técnica dos wafers. É uma estratégia interessante. como é feito com o silício. é um dos que defendem essa ideia. para isso. apesar de todo o otimismo. Mas as pesquisas continuam. muito dinheiro) dessa posição.

Chips de computadores feitos de grafeno usam luz em vez de eletricidade Por: Adam Clark Estes 16 de setembro de 2013 às 19:47 254 0 .

Esses chamados fotodetectores de grafeno trabalhariam para diferentes finalidades. Um trio de estudos foi publicado na Nature Photonics e detalham uma nova técnica para usar o grafeno como uma base de luz para chips de computadores. A transmissão óptica também se torna cada vez mais importante na comunicação entre computadores. Müller explicou em um press release.J. que precisam de eletricidade para funcionar e os cientistas ainda não descobriram uma forma de fazer um salto para materiais mais futuristas. Uma equipe liderada por Thomas Müller da Universidade de Tecnologia de Viena também integrou fotodetectores de grafeno em chips. de Columbia e do Centro de Pesquisa T. Watson da IBM mostram uma camada de grafeno(representado na imagem abaixo pela malha hexagonal) que vai acima de uma guia de ondas de silício (roxo) e entre eletrodos (dourado). Um design feito por pesquisadores do MIT. tanto dentro quanto fora de computadores. no entanto. . “Existem muitos materiais que podem transformar luz em sinais elétricos.Graças a avanços na fibra óptica. ele seria mais barato para ser fabricado do que um chip padrão de silício. Elétrons liberados da luz recebida são convertidos em energia elétrica. Bastante ineficiente. Pelo menos não antes do grafeno. “Essas tecnologias não são apenas importantes para transmissão de dados em grandes distâncias. muitas das informações que consumimos hoje são transportadas pela luz. mas o grafeno permite uma conversão particularmente rápida”. são os chips de computador. Um chip feito como esse não seria apenas hiper responsivo e muito rápido.

a velocidade com que você consegue. Os processadores são os responsáveis por isso.11. difícil de imaginar algo que. Outro ponto importante é a velocidade com que os dados são processados. 11 de Outubro de 2014 DOI: http://dx. normalmente tem por volta de 500-700gigabytes (500 GB). vamos especificando o que é o que. Neste tempo. A primeira. Os mais conhecidos são os Pentiuns. por exemplo. Atualmente. 3 bilhões de ciclos de processamento de informações. A velocidade atual deles é de 3 Gigahertz. se pensarmos em um microcomputador de última geração. Se pensarmos na memória de trabalho. Um terabyte equivale a 1024 GB (1TB). é apenas um dos tópicos principais no campo dos fotônicos. por exemplo.org/10. ou seja. O grande volume de pesquisas – três estudos em uma única publicação! – é o que mantém cientistas esperançosos de que o material em breve faça o salto do laboratório para a fábrica de computadores.005 Imaginem um microcomputador com potencial de amarzernar 100 Terabytes de memória e ter um processador mil vezes mais rápido do que os atuais Pentium 7! Pois é. Na verdade. 03.Este é apenas o começo dos chips de computadores de grafeno. um dos materiais mais versáteis que já vimos. N.2014. os microcomputadores que usamos têm duas memórias. PEQUENOS TAMBORES DE GRAFENO SÃO PROMESSAS PARA CHIPS DE COMPUTADORES QUÂNTICOS 10 de novembro de 2014Bio&Tecnologiaadmin_cms PEQUENOS TAMBORES DE GRAFENO SÃO PROMESSAS PARA CHIPS DE COMPUTADORES QUÂNTICOS Edição Vol. que é a memória de processamento ou aquela em que o computador está ligado e na qual você pode abrir vários arquivos e softwares (“programas”) de uma só vez sem o computador dar um “pau” ou travar de vez. que são mil vezes menor do que o megabyte (MB) da memória de armazenamento. vamos comemorar mais uma vitória do grafeno. tem em média 3 megabytes (MB).doi. Então têm em torno de 1000 vezes mais capacidade de armazenamento do que os atuais. embora esteja no nosso dia a dia e bem a nossa frente.10. 2. uma de armazenamento de dados e outra de trabalho. E muitos acham que é pouco… Pois bem. abrir páginas na Internet ou abrir os “programas” e executa-los. agora . ou seja. fica longe de vivenciar um significado próprio de utilidade! Mas.15729/nanocellnews.

mas megacomputadores como os da NASA em nossa casa! Um novo estudo da Universidade de Delft revela que minúsculos cilindros de grafeno tem potencial para atuar como chips de memória em computadores quânticos. Tambor de grafeno O grafeno é famoso por suas propriedades elétricas especiais. pequenas folhas de grafeno podem ser usadas da mesma maneira como a pele de um tambor de um músico. para ouvir o seu “nanosom”. Os resultados da pesquisa foram publicados em agosto deste ano na revista Nature Nanotechnology. Cientistas do Instituto Kavli de Nanociência da Universidade de Tecnologia Delft (TU Delft’s Kavli Institute of Nanoscience). em dimensões que são um bilhão de vezes menor que o metro (1). . O grafeno também é um nanomaterial. e. explorar a maneira como o grafeno se move nestes tambores. todos os quatro são formas alótropas do carbono. Os tambores de grafeno têm grande potencial para serem usados como sensores em dispositivos como telefones celulares. Os nanomateriais possuem dimensões nanométricas. e assim como os diamantes e o carvão. Usando suas propriedades mecânicas únicas. mas a pesquisa em grafite com espessura de uma única folha foi recentemente expandida para explorar o grafeno como um objeto mecânico (Figura 1). No experimento. assim como os nanotubos de carbono. os cientistas usaram uma luz com frequência de micro-ondas para “tocar” os tambores de grafeno. assim. na Noruega. Graças à sua massa extremamente baixa. demonstraram que é possível detectar mudanças extremamente pequenas na posição e forças em “tambores” de grafeno muito pequenos. É como se tivéssemos não um microcomputador. ou seja. esses tambores também poderiam atuar como chips de memória em um computador quântico.isso tudo pode aumentar e para 100 mil vezes mais rápido.

Vibhor Singh e seus colegas fizeram isso usando uma membrana de cristal 2D como um espelho em uma “cavidade opticomecânica” (2). foram direcionados fótons (partículas da luz) de micro-ondas em um pequeno tambor de grafeno (Figura 2). O tambor funciona como um espelho: olhando a interferência dos fótons de micro-ondas que saltam para fora do tambor foi possível perceber mudanças diminutas na posição da folha de . o carvão e o grafite o são. e os nanotubos de carbono. Neste experimento. Na opticomecânica você usa o padrão de interferência da luz para detectar pequenas mudanças na posição de um objeto. no meio. Assim como o diamante. acima. O grafite à direita. Opticomecânica O professor Dr. o grafeno é a forma planar do carbono. à esquerda.Figura 1: Grafeno são formas alótropas do carbono. O grafeno também pode assumir formas diferentes como o fulereno.

Só que no caso do grafeno. Apesar deste período não ser longo para os padrões humanos. É como um telefone celular quando toca. Um laser vermelho é usado para detectar o movimento ressonante do laser por interferometria. a dimensão é 1 bilhão de vezes menor que o metro! Memória Os cientistas também mostraram que você pode usar esses tambores como “chips de memória” para fótons de micro-ondas. uma dimensão que é quase 10. eles fizeram um amplificador no qual os sinais de micro-ondas. ou se movendo para .grafeno de apenas 17 femtometros. você não somente pode fazer a pele do tambor mover-se para cima e depois para baixo. Figura 2: Tambor de grafeno. Usando essa pressão de radiação. tais como aqueles em seu telefone celular. balançando para cima e para baixo. isto é. mas a pequena massa da folha de grafeno e os minúsculos deslocamentos que podem detectar significa que os cientistas podem usar essas forças para “bater o tambor”: os cientistas podem bater o tambor de grafeno com a dinâmica da luz. Se você bater um tambor clássico com um pedaço de pau. a pele do tambor começará a oscilar. no entanto.000 vezes menor que o diâmetro de um átomo (2). convertendo os fótons em vibrações mecânicas e armazená-los por até 10 milissegundos. Um dos objetivos de longo prazo do projeto é explorar tambores de cristal 2D para estudar o movimento quântico. é muito tempo para um chip de computador. Amplificador A luz de micro-ondas no experimento não é boa somente para se detectar a posição do tambor. Um período 1000 vezes menor que o segundo. Com um tambor quântico. que recebe um sinal de micro-onda de uma antena e transforma esse sinal em um sinal elétrico que dá um comando ao telefone para que ele vibre. mas também pode empurrar o tambor com certa força. em que a pele do tambor está ao mesmo tempo subindo e descendo. mas também pode torná-lo uma “superposição quântica”. são amplificados pelo movimento mecânico do tambor (2). Esta força da luz é extremamente pequena.

Tambores de grafeno quântico que estão “balançando para cima e para baixo ao mesmo tempo” podem ser usados para armazenar informação quântica. como se um corpo ocupasse dois espaços ao mesmo tempo. permitindo que você armazene seu resultado de computação quântica e recuperá-lo mais tarde. permite que ele faça cálculos potencialmente muito mais rápido do que um computador clássico como os usados hoje em dia. da mesma maneira como os chips de memória RAM de seu computador. o fato de que os bits quânticos possam estar tanto no estado 0 e 1 ao mesmo tempo. Por isso se chama movimento quântico. “Este movimento quântico” estranho não é apenas de interesse científico. mas também poderia ter aplicações muito práticas em um computador quântico como um “chip de memória” quântico. ouvindo seu som quântico! . Em um computador quântico.cima e para baixo.