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A IGREJA CRISTÃ E O SEU

RELACIONAMENTO COM O MUNDO
BOSCH, David J. Missão
transformadora: mudanças de
paradigma na teologia da
missão. São Paulo: Sinodal,
2002.
Interessante como algumas obras que lemos no passado continuam tão
pertinentes e necessárias ainda hoje. A obra Missão Transformadora é uma
destas obras. Lançada originalmente em inglês, em 1991, foi amplamente
aclamada na época a obra mais importante do século sobre a o caráter
missionário de Deus e os empreendimentos missionários da igreja.
O autor David J. Bosch era protestante, sul-africano, professor e chefe do
Departamento de Missiologia da UNISA (Universidade da África do Sul), e
respeitado pela liderança protestante mundial dentro do movimento
ecumênico, bem como nos meios mais conservadores e “evangelicais”.
Passou os últimos anos de sua vida desenvolvendo o campo da teologia de
missão, promovendo a cooperação entre as diversas tradições cristãs
mundiais e lutando contra o apartheid. Sua dedicação à luta contra o racismo
no seu país de origem o levou duas vezes a abrir mão de convites para
assumir um dos postos acadêmicos missiológicos mais prestigiosos no
Seminário de Princeton, nos Estados Unidos.
Antes de tudo isso, no início de seu ministério, Bosch fez doutorado sobre a
relação entre escatologia e missão no ministério de Jesus, sob a orientação
de um dos maiores estudiosos da teologia do Novo Testamento deste século,
Oscar Cullman. Ao retornar à África do Sul em 1957, trabalhou como pastormissionário por 9 anos entre o povo Xhosa na área de evangelismo e
plantação de igreja.
Logo no seu prefácio, o autor declara ser o seu livro um trabalho sobre
teologia de missões. Ele divide sua área de pesquisa em quatro grandes
partes:
1) Teologia contemporânea de missões;
2) Fundamentação bíblica de missões;
3) A teologia de missões na história e;
4) A busca por uma teologia de missões.
Esta resenha se deterá nas três ultimas partes do livro.

1

A partir desta plataforma hermenêutica. complementando-se. Thomas Kuhn cunhou a frase “mudanças de paradigmas” para se referir à maneira subjetiva e política como perspectivas radicalmente diferentes na ciência ocorrem. o autor apresenta uma teologia de missões fundamentada em quatro pilares: 1) A compaixão de Deus como fator revelador das ações divinas. são eventos no tempo e espaço. Do primeiro. chamou a igreja.Deve-se ressaltar antes de analisarmos as três partes do livro. a era patrística ortodoxa (séculos 3 a 6). O autor se posiciona como um teólogo de centro. providenciou uma terra. Na terceira base de sua teologia de missões é apresentado a associação do fator sofrimento com a tarefa missionária. a era da Reforma Protestante (séculos 16 a 18). a era católica romana medieval (séculos 7 a 15). Bosch faz o mesmo. o autor defende a necessidade de uma teologia bíblica de missões que seja sadia. através deste povo trouxe o Salvador compassivo e misericordioso. é a história dos seguidores de Jesus em direção ao mundo". Ele não descarta o uso de parte dos modelos evangelicais e ecumênicos como ferramenta para a fundamentação missionária. Hans Kung havia aplicado o conceito de Kuhn ao desenvolvimento do discurso teológico pela igreja ao longo dos séculos. formou um povo. e também aquela que apenas espera o futuro. deu-lhes a lei. Compaixão é por ele apresentada como traço interpretativo e missiológico que une o AT e o NT. Deus escolheu Abraão. todo o capítulo 5 é dedicado a um arrazoado sobre hermenêutica (pressupostos. 2) A História é de Deus. O presente é o momento onde a igreja tem o privilégio de fazer parte da missão de Deus. Ao começar a segunda parte do livro. e a nova era emergente e atual. chave interpretativa. que vai do capitulo cinco ao capitulo nove. Para Bosch. Bosch argumenta sobre a ação divina fazendo história real.). e tudo isto por compaixão e bondade divinas. o qual se expõe sem reservas aos perigos pelo ardor 2 . a era missionária moderna (séculos 18 a 20). e o futuro é a certeza que Ele levará à cabo a sua história. rejeitando a polarização evangelical ou ecumênica. Estabelecendo as suas bases e conceitos. em relação às perspectivas missionárias da igreja. é oferecido ao leitor uma teologia de missões que adota o método chamado de "veio central da mensagem da escritura". Partindo da profecias sobre o servo sofredor de Isaías 53 e indo até o apostolado de Paulo. distanciamento cultural. 3) Testemunho do AT e no NT. "história é a história do próprio Deus. Após identificar os prós e contra de cada posição. onde as pequenas variações dos registros não são vistos como fundamentais e distorcedores da verdade central. Bosch deriva a delimitação das seis épocas paradigmáticas da igreja: a era apostólica (do Novo Testamento). Rejeitando a posição que apenas vive de interpretar o passado. pois os fatos registrados das ações divinas não são mitos. etc. o fato de que duas pessoas influenciaram definitivamente a estrutura de Missão Transformadora: o teólogo católico Hans Kung e o físico e historiador da ciência Thomas Kuhn. rejeitando qualquer mérito humano como motivo do agir ou reagir de Deus.

a fraqueza se torna fortaleza. e em um estágio posterior. Assim a disposição de sofrer é também um fundamento missionário. 4) A missão é de Deus. se o cruzar fronteiras geográficas é o elemento que a Bíblia entende por missões. acertadamente. Em missões. Ressaltando-se o valor de compreender a história a partir de um fundamento normativo. 49:6). "Israel. colaborador voluntário ou mesmo competidor. deve ser visto como ação de Deus. A proposta aqui não é apresentar uma pesquisa histórica das missões cristãs. Embora reconhecendo a ênfase centrífuga do AT. o segundo age como se o missionário fosse o primeiro. "é Ele mesmo que age entre as nações através de Jesus. Isto. o oficial romano procura Jesus. O primeiro absolutista a história denominacional. A eleição de Israel como luz às nações. condena as abordagens missiológicas do tipo "culto aos ancestrais" e "auto idolatração". mas é também reconhecer que a mensagem da cruz é mensagem de salvação. Por outro lado o NT é visto não apenas como missão centrífuga. tem entendido a sua responsabilidade missionária. a instituição cristã. 4:22). oferecendo uma visão geral e resumida. Deus é o real missionário". e ainda lançando mão dos escritos de Bonhoeffer. aborda A Teologia de Missões através do Tempo. A terceira parte do livro que vai do capitulo dez ao capitulo dezessete. e sua ação como testemunha ao ser obediente ao seu chamado. Muito bem elaborado é a questão da missão centrípeta do AT e a centrífuga no NT. Crendo que a Bíblia é um livro que objetiva enfatizar o que Deus faz e não o que o homem faz. Em uma análise final. gregos também. viúvas e órfãos de Israel e. a perda lucro. através de Jesus expandiu a misericórdia a todos. a pobreza riqueza. ele pode apenas ser servo. dividindo o seu escopo de análise em sete períodos: 3 . permite-se que a missiologia se utilize de uma ação crítica de como ela mesma tem sido compreendida através dos séculos. o martírio é mostrado como parte do campo de missões. mas pesquisar as formas nas quais a igreja. a missão é de Deus. Assim. O ponto alto de sua argumentação reside no fato dele distinguir missões do conceito de ir e vir geográfico. a parte mais extensa do livro. Finalizando a sua teologia de missões. e isto somente quando ele está em Cristo. O Deus que é misericordioso com o estrangeiro. enquanto o seu servo missionário testemunha no mundo. a igreja são servos. Magos vêm conhecer o messias. é claramente demonstrado que há no AT centrifugalidade. a participação do homem não é a de autor. dando a idéia que salvação pode ser achada em Israel (Jo. o autor oferece a conecção entre os quatro fundamentos.missionário. segundo o autor. no qual os crentes se unem e existem". a saber. onde os limites distantes da terra são também alvos da salvação de Deus via Israel (Is. Ele usa categorias humanas que são desprezíveis para transformá-las em valor. é por excelência o Deus da história. questionando. como o trabalho de Deus deve ser feito no mundo. pois estar disposto em caminhar em direção à cruz é aceitar o sofrimento. Bosch acompanha a evolução da compreensão teológica de missões. de pronto.

ênfase no apocalipcismo (Lutero). Jonh Eliot e Richard Baxter apontavam três elementos de missões: a) Deus é soberano Senhor de missões. Manifestação da misericórdia e glória de Deus. b) O ajuntamento dos crentes em comunidades. A igreja Católica interpreta missões como tarefa de atingir os remanescentes pagãos que vivem em lugares distantes. sendo adicionado posteriormente por Kähler a necessidade do testemunho (martyria) nas missões. Partido do fato que nos dois últimos séculos o mundo de fala inglesa produziu quatro quintos do esforço missionário protestante. a renascença. O conceito missionário puritano desenvolveu a teologia da "melhoria progressiva" em quatro estágios: a) A conversão das almas. 4 . missão passa a ser apenas a expansão da igreja e fora da igreja não há salvação. a igreja é o povo de Deus ativo no mundo e missão é a cristianização dos povos. Propaganda cultural. Voetius advogou missões como conversão dos gentios. se apresenta com todo ardor de um "movimento" que para se preservar de heresias se institucionaliza. Europa também passa a ser vista como campo missionário. e por fim as idéia de Gustav Werneck e Martinho Kähler do "duplo fundamento de missões". Plantar igreja. é o corpo santificado pelo Espírito Santo e enviado para o mundo. escatologicamente perfeita mas é uma comunidade imperfeita. Despaganização como missão. Os reformadores resgatam a dimensão soteriológica sem mudar o conceito igreja-estado. Surge também o movimento pietista com grande ênfase nos sentimentos e na conversão. Missão era "um assunto da cadeira de São Pedro". Bosch dedica especial atenção ao conceito de missões neste ambiente e identifica cinco grandes momentos no desenvolvimento do conceito de missões.1) A Igreja Primitiva . 2) A Era Constantino. Como resultados maléficos gerados por este erro são citados: Triunfo do espírito grego onde a definição sufocou a não definição judaica de Deus. 5) De Jonh Eliot a Jonh Mott. b) Ele se utiliza de meios para atingir a redenção do homem. 3) De Alexandre VI a PIO XII. Comunidade a ser vista como um corpo ambivalente que está mas não é do mundo. Este é o período que envolve as grandes descobertas. c) O homem é responsável por aceitar ou rejeitar o evangelho. É a partir daqui se instala a mudança dos conceitos. Conversão por coerção. surgida na Holanda. Ocorrem aqui mudanças no continente europeu sobre o conceito de missões. O primeiro é fruto da teologia puritana que introduziu o conceito do "Reino da soberania de Deus". especialmente na Alemanha. 4) De Martinho Lutero a Martinho Kähle. É neste período que surgem os anabatistas entendendo missões como "disposição e compromisso com a obra de Deus". Na segunda reforma. Schleiermacher com o conceito de propaganda eclesiástica que deveria envolver propaganda cultural. crença que o mundo pode ser mudado (Calvino). o patronato igreja-império. Como "movimento" em reação a idéia do "mundo já cristianizado" surgiu o monasticismo.

Carey e a explosão missionária onde missões significou. É neste contexto que é planejada a Conferência Missionária Internacional em Edimburgo em 1910. fosse modificado por ênfases arminianas. gradualmente. onde a ênfase não questionou o significado de missões em si mesma. e quatro fatores deram lugar a quatro novos conceitos de missões: a) O Denominacionalismo. O segundo momento é marcado pelos avivamentos com J. Com esta posição a teologia humanizou a Deus e divinizou o homem. Segundo Bosch. mas abordou como conquistar o mundo. e os evangélicos são agora considerados como "irmãos distantes". d) O governo universal de Cristo é então estabelecido. o autor identifica uma mudança significativa na ênfase missionária que migra de "encontro de cristão com homens de outras fés". missões estrangeiras. o "mundo deserto" está agora no coração do homem. o liberalismo teológico americano conseguiu expandir o conceito social na tarefa missionária. Transferiu a força das missões para as denominações confundindo missões com expansão da igreja denominacional. Karl Bart teve grande influência no retorno ao conceito de Missio Dei e à teologia do apostolado. portanto. permitindo que o calvinismo. Por fim. O terceiro momento surgiu como resultado do grande avanço missionário que provocou dinamismo na igreja. e deu lugar a teologia do "Reino da graça de Deus".Edward e Whitefield. gerando urgência missionária. O aumento considerável do "prato instituição" da balança pesou novamente. b) O Adventismo. surge com a incorporação do CMI ao Conselho Mundial de Igrejas. c) O Evangelho Social. O homem passou a ser tido como "bom". o quinto e último momento. É neste ambiente teológico que surgiu W. As mudanças começaram na conferência de Jerusalém em 1928 quando se reconheceu que o cristianismo não era a religião do ocidente. O conceito de missões passou a significar proclamação para a conversão do indivíduo. a implantação do reino é fruto de uma auto-redenção e não de "obra missionária para conversão". que agora é interpretada como futura. 5 . Gigantesco movimento que reacendeu o ardor missionário e idéia sobre missões volta a ser entendida como "uma obrigação em obediência à ordem de Deus". fazendo surgir à teologia do "Reino da Esperança". Naquela reunião. O quarto momento é o resultado do aumento das atividades missionárias. A influência do Vaticano II na teologia. este aumento não permitia que as organizações e igrejas ignorassem umas às outra. para "diálogo entre homens de fés vivas". volta a conceber a igreja como causa da existência de missões. basicamente.c) Cristo reinaria em um estado quando o governo nacional proclamasse a vontade de Deus como a mais alta autoridade. que mudaram a concepção puritana inicial. e que este também era alvo de missões. Movimento que mesmo tendo erros e heresias despertou o senso da volta de Cristo. Surgiu então a teologia missionária ecumênica. Após oferecer uma avaliação da teologia católica e da Igreja ortodoxa. tendo seus escritos impactado a reunião do CMI em Tambaram em 1938. d) O Movimento Voluntário Estudantil de Mott.

chegase a uma denominação condenatória de "evangelho diluído" e dá as razões: a) A caridade se torna revolução. mas é enviada de volta ao mundo com uma missão. d) A sociedade. mas nem toda ação tem uma intenção missionária.O ponto máximo de distância é dito ser em Uppsala. Analisando as conseqüências da posição do grupo dos ecumênicos. o qual considerou missões como "humanização". É ela que tem a fé. uma exposição eclesiológica. c) A escatologia bíblica é trazida para o agora. cujas vidas em comunhão com o Deus triúno. entre doutrina e vida. criando-se uma espécie de "paranóia cristã". como ponto de partida. chamado novo nascimento e conversão. ajuntados por divina eleição. é feita uma diferenciação entre direção e intenção missionárias. promovido pelos evangelicais com o objetivo de reconduzir a igreja de volta aos seus alvos espirituais e sociais. b) A ressurreição de Cristo é a salvação de todo universo. Nesta seção a igreja é apresentada como diferenciada do mundo. fruto de se enfatizar todas as coisas neste mundo como temporárias. Partindo da definição que missões "é um aspecto essencial da vida da igreja e do indivíduo cristão". é exposto. c) Cristo é apenas o cabeça da igreja. gerando um apego. o 6 . que pode orar proclamar e que pode ter uma relação pessoal com Deus. O mundo não! A igreja "é a comunidade dos crentes. é concedido o perdão dos pecados e mandados para servir o mundo em solidariedade com toda humanidade". Esta última parte que vai do capitulo 18 ao capitulo 23 é dedicada à necessidade de se estabelecer um caminho para a teologia de missões. a igreja sai do mundo por ser eleita e restaurada por Deus e para Deus. colocando o mundo como campo do inimigo da igreja e não como campo missionário que também pertence a Cristo. Perde-se a idéia mais ampla do Reino de Deus. sem importância. um alerta é dado contra a polarização dos evangelicais de manter a igreja afastada do "mundo". embora esteja nele. às estruturas. Assim na teologia de Bosch há um duplo movimento. Abrindo a estrada para uma teologia de missões reformada. Isto é feito ao mesmo tempo em que se corrigem as distorções polarizantes dos modelos evangelical e ecumênico. Corrigindo distorções. Missão que tem como o escopo o testemunho. o que pode conduzir à três erros: a) Dicotomização. É dito que toda ação da igreja tem uma direção missionária. Bosch refuta essas posições ao alegar que a Bíblia é normativa e que homem algum recebeu o mandato de reavaliá-la ou mudar a doutrina da salvação. Como resposta surgiu o encontro de Lousanne. a história e os eventos do mundo são considerados como "a mina" onde se deve examinar a experiência missionária e) A igreja é irrelevante por ser vista apenas como mais um elemento no mundo. quase fanático. b) Conservadorismo seletivo.

o autor elabora muito bem a questão da história da salvação à parte da história do mundo que é dita governada por forças diabólicas. e isto não é uma tarefa apenas de alguns cristãos. o ponto focal do envolvimento de Deus na história do mundo é chamado de missões. por ser além de uma leitura básica na área eclesiástica. não deve produzir uma igreja que desenvolva uma mentalidade de gueto e se volte para si mesma. em missões não há uma classe especial de religiosos. seminarista ou pessoas que desejam entender melhor a vontade de Deus para a sua igreja precisam ler este livro. O fronte missionário hoje é todo lugar. da comunhão. 4) Missão procede da certeza de que o Reino de Deus não é somente uma realidade futura. e a corrente oposta que faz a história do mundo a própria história da salvação. ação do Pai do Filho e do Espírito Santo. é mensagem de fé. o conceito de "missão como um evento escatológico" é introduzido. Esta obra é de profunda reflexão teológica no que concerne a missão da igreja hoje. Bosch advoga a posição de que "Deus age na história. Entendendo que igreja é participante da história. Bosch conclui a sua teologia de missões dizendo que "Missão é a igrejacruzando-fronteiras-na-forma-de-serva". 6) Por fim. É a igreja em missão que possui a esperança e o amor para o mundo. e a história da salvação não é algo divorciado e segregado da história do mundo". o fechamento do seu trabalho nos conduz a ver missões como a mais alta expressão do amor de Deus pelo homem e cosmos criado. nossa vida inteira no mundo é vida-em-missão. mesmo composto nos detalhes europeus de escrita detalhista. nos aproxima do cumprimento e do fim. mas de todos. Todo líder comunitário eclesial. o conceito escatológico de missão significa que o mundo está sendo infundido com esperança. O último capítulo desta quarta seção do livro conclui o trabalho do autor apresentando missões como missio Dei. Com um breve histórico e análise bíblica do desenvolvimento do conceito de missões como missão de Deus.qual deve ser entendido como ação balanceada da pregação. mas já está presente em nosso meio. da Diaconia e da Liturgia (encontro com Deus). mas por trabalhar 7 . esperança e amor. Por outro lado. 3) Missão sendo também um evento escatológico relembra a igreja que a tarefa está inacabada. A missão concedida por Deus à sua igreja. 2) Missão como evento escatológico. todos "são meramente mendigos que dizem a outros mendigos aonde achar pão". Para ele. Não sendo esta intervenção uma obra acabada. e como fator gerador de seis implicações: 1) Missão nunca pode ser considerada como pré-condição ou pré-requisito para a vinda do fim. 5) Missão como evento escatológico significa que nossa ação missionária.

na forma de pergunta: quais são os modelos da igreja na tarefa de transformar o mundo. O longo capítulo 12. apesar da ambigüidade e estranheza. Tal tradução interpreta apenas um lado da ambigüidade proposital do título original. qualquer análise de um modelo emergente não passa de tentativa e por isso é precária. quando os críticos já fazem parte de outro paradigma. Claro que paradigmas só se avaliam séculos depois. E aí permanece o maior desafio do livro. Portanto. Assim. 8 . entretanto. é uma mistura das teologias missionárias atuais e a de Bosch. Transforming Mission. e de que maneira o mundo transforma os modelos que ela emprega para testemunhar? Outra observação que e preciso fazer e quanto à tradução do titulo do original para o português ficando com o nome Missão Transformadora. Por isso. creio que teria sido mais apropriado traduzir o título como Transformando Missão. ao resumirem um vasto período de 2 mil anos. 11). o paradigma emergente é mais um ideal esperado do que o real nas suas multidimensões. de 166 páginas. pelo menos com tamanha profundidade – a missão de Deus e o seu povo missionário.questões que poucos ainda escrevem. A tradução para o português desta obra nas primeiras 440 páginas se destaca pela clareza. O uso do gerúndio “transformando” (transforming) produz a idéia tanto de uma missão transformadora do mundo quanto de uma missão transformada pelo mundo. como afirma o autor (p.