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Introdução a Teologia Bíblica do Antigo Testamento

Sumário
Introdução à Teologia do Antigo Testamento .........................03
O
Método
Kaiser........................................................05

segundo

O enquadramento da teologia do AT.......................................07
A divisão em período da história canônica da salvação através
da
teologia
da
aliança ..............................................................08
Os Períodos Históricos
Testamento.....12

da

Teologia

do

Antigo

Divisões da teologia do Antigo Testamento............................15
História
das
formas
literários..................................26

Gêneros

Referências bibliográficas.......................................................30
Introdução à Teologia do Antigo Testamento
1. Conceito e Definição
O conceito de Teologia do Antigo Testamento está
enlaçado ao conceito de “teologia”. Por definição, se
entendermos “teologia” como sendo “o estudo de Deus e de
sua revelação ao homem”, consequentemente a Teologia do

Antigo Testamento será “o estudo de Deus e de sua revelação
ao homem no Antigo Testamento”. Ao considerarmos que “do”
refere-se à “pertencendo a”, o substantivo “teologia” estaria
subordinado ao Antigo Testamento, levando-nos a considerar
uma “teologia que pertence singularmente ao Antigo
Testamento”. Entretanto, o título “Antigo Testamento”, possuiu
uma identidade especial, pois se reconhece o “Antigo
Testamento” como uma unidade na Escritura Sagrada na qual
os cristãos combinam e contrastam com o Novo Testamento.
Portanto, Teologia do Antigo Testamento “é o estudo de Deus e
de sua revelação ao povo eleito segundo os escritos desse
mesmo povo e que, por conseguinte, se difere da revelação de
Deus por meio de Cristo”.
É sabido, porém, que o Antigo Testamento é um conjunto
de 39 livros no cânon cristão, escritos em épocas distintas por
diferentes hagiógrafos. Quanto à literatura, o Antigo
Testamento possui diversificadas características literárias que
vão desde a prosa até ao gênero apocalíptico.
Consequentemente, uma Teologia do Antigo Testamento deve
contemplar todas essas extensões quer sejam temporais,
culturais ou literárias.
Não somos escusados de frisar de que a Teologia do
Antigo Testamento se insere dentro da divisão da Teologia
conhecida como Teologia Bíblica. Esta por sua vez, se ocupa
também da Teologia do Novo Testamento. O propósito da
Teologia Bíblica, segundo Ladd “é de expor a teologia
encontrada na Bíblia em seu próprio contexto histórico, com
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seus principais termos, categorias e formas de pensamentos”.
Isto posto, uma teologia bíblica do Antigo Testamento deve
considerar os graus de desenvolvimento da revelação divina no
Antigo Testamento e ser mais descritiva do que prescritiva, isto
é, descrever o conteúdo teológico do Antigo Testamento e, não
diretamente ocupar-se de sua aplicação, atualização ou
acomodação bíblica.
O encadeamento lógico dessas proposições leva-nos a
seguinte definição: “Teologia do Antigo Testamento é a
disciplina da Teologia Bíblica que estuda a pessoa, atributos,
revelação de Deus, e sua aliança com o povo eleito
considerando a progressividade da revelação, os escritos e
estilos literários do cânon judaico do Antigo Testamento”.
Embora redundante, urge ressaltar que a Teologia do
Antigo Testamento difere-se do estudo denominado de
Introdução ao Antigo Testamento. Enquanto o primeiro se
ocupa da teologia bíblica nos livros veterotestamentário, o
segundo trata dos aspectos pertinentes ao cânon, texto, data,
autoria, composição, estrutura e comentário descritivo de cada
livro sem deter-se em sua teologia específica. As duas
disciplinas formam uma díade e são igualmente necessárias
para a compreensão das Escrituras.
2. Definição e Conceito Segundo Alguns Teólogos
O Dr. Asa Routh Crabtree define a Teologia do Antigo
Testamento como: A Teologia do Velho Testamento é o estudo
dos atributos de Deus e o propósito das suas atividades na
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história e na vida do povo de Israel, de acordo com a doutrina
da revelação divina nos livros sagrados deste povo.
R. K. Harrison, professor de Antigo Testamento do
Wycliffe College, define a disciplina nos seguintes termos: A
Teologia do Antigo Testamento esforça-se para expor, do modo
mais ordenado possível, as grandes declarações da verdade
divina que ocorrem nesses escritos. Tais afirmações podem
incluir revelação direta ou proposicional da parte de Deus a
respeito da Sua natureza e Seus propósitos, proclamações
feitas por profetas e outros de temas ou aspectos específicos da
Torá e do seu significado para os receptores. Segundo Paul
Francis Porta, a Teologia Bíblica do Antigo Testamento
enfatiza a importância teológica de diversos livros ao
revelarem-se no desenrolar gradual da mensagem redentora.
Outros autores que tratam da Teologia do Antigo Testamento
preferem definir Teologia Bíblica em vez de considerar
especificamente o título, pois existem muitas controvérsias a
respeito do tema. Ralph L. Smith afirma que a literatura básica
da disciplina nos últimos 50 anos tem demonstrado pouca
concordância quanto à natureza, tarefa e metodologia dessa
disciplina. De acordo com John McKenzie, na obra “A
Teologia do Antigo Testamento” a Teologia bíblica é a única
disciplina ou subdisciplina no campo da teologia que carece de
princípio, métodos e estrutura que recebam aceitação geral.
Nem mesmo existe uma definição geral de seu escopo.
Concernente a definição, escopo e metodologia, o teólogo
Gerhard von Rad, afirma que a Teologia do Antigo Testamento
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ainda é uma ciência jovem, uma das mais jovens dentre as
ciências bíblicas. (...) Predomina a característica de não ter
ainda havido um acordo perfeito quanto ao domínio que lhe é
próprio.
Essa falta de consenso entre os teólogos a respeito do
assunto têm suscitado calorosas disputas. Um exemplo
vislumbra-se no “Prefácio da Quarta Edição” de Von Rad onde
ele justifica o seu método diacrônico e responde ao teólogo W.
Eichrodt e F. Baumgärtel as críticas ao seu método.
Consequentemente, a delimitação e definição do tema
conduzem a outra controvérsia não menos importante: o
método empregado para se chegar a uma Teologia do Antigo
Testamento.
3. Excurso sobre os Métodos de Teologia do Antigo
Testamento
De acordo com o teólogo K.H. Harrison uma teologia do
Antigo Testamento para ser formulada com sucesso precisa
considerar:
O significado que as palavras e os escritos tinham para
aqueles que os receberam originalmente;
Deve estar firmemente baseada numa tradição tão fiel ao
texto original quanto possível, considerando os problemas de
transmissão textual e o fato de algumas palavras hebraicas
ainda terem significados desconhecidos;
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Para analisar esta questão. 6 . 1961) e Gerhard Von Rad. 2 vols. até mesmo aqueles que estão no fim das suas carreiras acadêmicas. 1986). Segundo o teólogo Kaiser Jr. (SP: ASTE. Por fim. O MÉTODO SEGUNDO KAISER Uma das primeiras preocupações de Walter Kaiser é discutir se de fato existe a possibilidade de uma teologia do Antigo Testamento. o pensamento dos escritores do Antigo Testamento não deve restringir-se aos interesses que dizem respeito à religião ou à vida dos hebreus antigos. a teologia do Antigo Testamento é a disciplina mais exigente dos estudos veterotestamentários. Alegava que a coerência interior do AT e do NT tinha sido reduzida a um tênue fio de conexão histórica e sequencial. o autor faz uma apresentação das posições adotadas por grandes teólogos do AT neste século. como Walter Eichrodt. e que o escopo dessa disciplina tem desencorajado a maioria dos estudiosos. Teologia do Antigo Testamento. Deve considerar parte da revelação contínua de Deus que chega ao seu ponto culminante na proclamação neotestamentária da Sua graça redentora em Cristo. Eichrodt fez um ataque violento contra o historicismo. Theology of the Old Testament (Londres: SCM.Manter o devido equilíbrio entre um método de investigação histórico e objetivo e o conceito de uma revelação autorizada e definitiva de Deus em forma escrita.

Dessa maneira. Como consequência. Kaiser vai mostrar que a natureza da teologia do AT não é somente uma teologia que está em conformidade com a Bíblia inteira. Essa teologia expressa uma vinculação real com os períodos históricos que compreendem a história de Israel. a teologia do AT em Kaiser tem um centro e conceitualização unificadas e traduzidas nas descrições. como também tinha mudado o objeto do estudo teológico de uma focalização sobre a palavra de Deus e sua obra para os conceitos religiosos do povo de Deus. Assim.causal. para Kaiser. entre os dois testamentos. explanações e conexões do texto sagrado. que resultava de uma causalidade externa. mas é aquela que se descreve e se contém na Bíblia. 7 . na teologia do Antigo Testamento a estrutura está colocada historicamente e seu conteúdo se encontra exegeticamente controlado. onde cada contexto antecedente e mais antigo se torna a base para a teologia que vem a seguir. Já Von Rad não somente negava qualquer fundamento histórico genuíno para a confissão de fé de Israel. O objeto e enfoque da teologia do Antigo Testamento tinham sido mudados da história como evento e da palavra como revelação para uma abordagem tipo história da religião.

e depois arma seus relacionamentos com conceitos secundários. A teologia diacrônica que expõe a crença dos sucessivos períodos e das estratificações da história de Israel. 1970) pode sem enquadrados na teologia estrutural. Branford Co. Von Rad é seu grande expoente. 3. Para Kaiser. da sociologia. Kaiser vai trabalhar com quatro variáveis: 1. A teologia lexicográfica. Para Kaiser. An Outline of Old Testament Theology (Newton. colocando a ênfase sobre as tradições sucessivas da fé e da experiência da comunidade religiosa. Eichrodt e Th. mas diante de uma história da religião de Israel. Mass. 2.: Charles T. A teologia estrutural. essa teologia não tem autonomia. não estamos diante de uma teologia do AT. que descreve o esboço básico do pensamento e da crença do AT em unidades tiradas por empréstimo da teologia sistemática. que limita sua investigação a um grupo ou a grupos de personalidades bíblicas. analisando seu 8 .Ao procurar identificar as teologias do AT. Vriezen. ou de princípios selecionados. C. existindo apenas como função heurística da teologia sistemática.

como por exemplo. o eloísta. (Grand Rapids: Eerdmans. Bromiley. 9 . para abranger uma constelação de palavras que gira ao redor de um tema chave. textos da biblioteca de Qumran ou comentários do Talmude? Para Kaiser a utilização de material alheio ao texto debilitaria o propósito de discutir a feição integral da teologia dentro de uma corrente da revelação. Gerhard Kittel. W. etc. como apócrifos. 1964-74). Ellis. trabalhou apenas com os textos enquadrados no cânone judaico. editor. considera Kaiser.vocabulário teológico especial. E por fim a teologia de temas bíblicos. 10 vols. o vocabulário sacerdotal. G. The Yahwist: the Bible's First Theologian (Notre Dame: Fides Publishers. Theological Dictionary of the New Testament. O enquadramento da teologia do AT Outra questão colocada por Kaiser é a que se refere ao enquadramento da teologia do AT. Aqui se coloca o próprio Kaiser. Toma como exemplo a pregação de Jesus que. 1968) 4. os sábios. que leva sua busca além do vocabulário de personagens. Devese incluir material alheio ao cânone. Peter F. trad..

O que move a teologia do AT? O texto pede para ser entendido e colocado num contexto de eventos e significados. a teologia deve ser bíblica e não precisa repetir cada detalhe do cânone para ser autêntica e exata. O método deve sintetizar os detalhes que parecem discrepantes. considera Kaiser. A motivação maior é entender o texto enquanto texto colocado num contexto de significados. As análises gramaticais e sintáticas identificam a coleção de ideias no período histórico sob investigação. Assim. especial e peculiar. que a teologia bíblica sua grande contribuição. a fim de termos.Assim. então. as raízes históricas da mensagem em seu desenvolvimento e o julgamento das avaliações normativas do texto traduzem o propósito e o papel da teologia bíblica. 10 . uma única teologia bíblica embalada sob a etiqueta de dois testamentos. Os estudos históricos colocam o exegeta em contato com os fluxos de eventos no tempo e no espaço. para Kaiser. É assim.

existe ou não? Kaiser levanta algumas perguntas: existe uma chave para uma organização metódica e progressiva de assuntos. temas e ensinos do Antigo Testamento? Os escritores do AT tinham consciência dessa organização quando acrescentavam algo a essa corrente histórica da revelação? E conclui que as respostas a seus questionamentos definirão o destino e a direção da teologia do AT. no sentido de variedade ou de linhas de continuidade que acontecem dentro de tendências de diversidade. externo.E o centro canônico. Por isso Kaiser defende a realidade do centro canônico. Caso seja impossível responder positivamente as duas perguntas. que a maioria dos teólogos erra ao definir um centro apriorístico. e tentar enquadrar o conteúdo do AT nele. somos obrigados a falar de diferentes teologias do AT. A metodologia deve partir de uma exegese 11 . porém. Considera. Mas para Kaiser isso não acontece: os escritores bíblicos reivindicam a posse da intencionalidade divina na sua seletividade e interpretação daquilo que foi registrado e nós não podemos negar essa realidade. então.

para Kaiser. argumentavam que a revelação verbal tinha tanto direito quanto a história de ocupar o centro do palco teológico. E os escritores bíblicos tinham a palavra divina e o juramento divino de promessa.cuidadosa. não importa a veracidade primeira dos acontecimentos.. Cristiandad.e o fato de que isso estava de acordo com seu plano e propósito. evitando todo e qualquer encaixe precipitado. é a conexão entre a reivindicação divina . mas aquilo que o povo confessava. A fé de Israel. um teólogo católico. Até a década de 70. O mais importante. a maioria dos teólogos considerava que a história era o veículo da revelação divina no AT. A essa afirmação. Roland de Vaux. Herder. Instituciones del Antiguo Testamento (Barcelona. História antiga de Israel. 1976) argumenta: "A interpretação da história dada é verdadeira e tem origem em Deus ou não é digna da fé de Israel e da nossa". 2 vols. (Madri.o ter anunciado muito antes de ter acontecido o curso dos eventos . no entanto. tinha de Ter como seu objeto não os atos de Deus na história. Outros. Aquilo que se conhecia de Deus era conhecido através da história. 1975) . assim como a teologia bíblica. 12 .id.

Neste capítulo. Von Rad trata da divisão da história em períodos de salvação. depois de uma ampla e bem defendida exposição metodológica. e visava à obediência deste). Kaiser constrói sua teologia bíblica. A DIVISÃO EM PERÍODOS CANÔNICA DA SALVAÇÃO TEOLOGIA DA ALIANÇA DA HISTÓRIA ATRAVÉS DA Gerhard Von Rad expõe que as diversas fontes têm diversas maneiras de interpretar a aliança (p. 13 . no entanto. isto é. 138-139). Abraão]. e sim uma lei dada por Deus em suas alianças com o homem [Noé. Os pontos positivos são as explicações do autor quanto à forma e a maneira que na Antiguidade uma aliança era feita. organizando o cânone a partir das promessas de Deus ou daquelas passagens onde considera que Deus acrescentou seu compromisso ou juramento. Trabalhando a partir dessa metodologia.Esse é o centro canônico que Kaiser vai devolver em sua obra. ou aliança no exateuco. o homem faz parte dela no cumprimento e na obediência da lei (esta lei não é necessariamente a lei do Sinai. todas concordam que a aliança está intimamente ligada à lei.

Entretanto. a história da criação não poderia basear-se em mitos cananeus. Baseados em sua própria história. Parece que o Israel antigo não continha nada a respeito dessa teologia até que ela encontrou um paralelo com a história da salvação. Os hinos prestam grande auxílio teológico pois são declarações do AT sobre a criação do mundo e do homem.Os pontos negativos consistem na linguagem um tanto difícil do autor que não clareia suas ideias. A criação é tida como ação histórica de Javé e é inserida no tempo e no espaço. pode-se “dizer que.1-2) e 14 . Javé nunca foi venerado como Criador”. I. O alcance da concepção da criação com isso teve grande êxito. pois “Javé criou o mundo e criou também Israel”. sobre a Criação detalhada. definiram a noção da criação. e sim em uma realidade histórica. A HISTÓRIA DAS ORIGENS Por causa dos relatos da criação não serem de documentos antigos. existem apenas duas fontes que fazem declarações específicas e de caráter histórico sobre a Criação: código sacerdotal (Gn 1. antes dos séculos VII e VI. Para que a história da salvação pudesse existir.

4b-25). Se por um lado esse fator contribuía para união dos povos. Em muitos aspectos essas narrativas são diferentes. entretanto. antropológicos e o que parte da história da cultura. A história das nações parte da era pósdilúvio. com os descendentes dos 3 filhos de Noé. segue-se uma evolução de pecados e juízos. As diferenças consistem no fato de que P se preocupa com o mundo e com o homem no mundo enquanto que J se preocupa mais com o homem. Pontos positivos: A forma como Israel lê a criação resulta numa união com o ato de salvação. Depois de Babel. denotando assim a graça de Deus. ambas afirmam o homem (homemmulher) como o ponto máximo da criação. seu anseio e seu relacionamento. Existem sempre os chamados pecados ocasionais. Não há no AT uma profunda reflexão teológica sobre o pecado. o abismo entre Deus e os homens aumenta ainda mais com a dispersão e a confusão de línguas. o evento “Babel” traz uma imagem totalmente negativa de separação. A 15 . Von Had analisa as velhas narrativas do pecado sob os ângulos teológicos.narrativa javista (Gn 2. no entanto o homem sempre é preservado. Entretanto. Podemos ver que depois da queda do homem no jardim.

que era bênção exclusiva do povo de Israel. Pontos positivos: O povo era guiado por uma fé simples. Com isso Deus se revelava ao seu povo. II. Também se apropria das promessas. que contém um duplo conteúdo: a garantia da posse da terra prometida e a promessa de uma posteridade inumerável. no Sinai foi garantido a posse definitiva da terra de Canaã. não escatológico. o nome de Javé ainda era desconhecido nesta época. a criação se tornou história. 16 . Pontos negativos: As diversas fontes por vezes confundem-se com a linguagem do autor. No entanto. A HISTÓRIA PATRIARCAL “O Deus que atua em todas as circunstâncias da história patriarcal é Javé”. Javé foi trazendo vida ao povo. conforme J e E.questão das origens também se torna relevante. A fé dos patriarcas demonstrada nas narrativas tinha um significado interessante para o povo. Depois disso Israel se apropria dos fatos passados e reconhece neles a mão de seu Deus Javé. baseada nas promessas feitas aos patriarcas. A primeira promessa era esperada a curto prazo. Javé se fez conhecido pelo nome a partir de Moisés. mas contemporâneo. Também a questão do pecado ficou um tanto sem base. Fé era “firmar-se em Javé”. visto que para o Israel. pois por detrás da história e das promessas aos patriarcas.

o povo ainda não tinha uma noção mais apurada de “eleição”. Israel viu nessa saída a garantia para seu futuro como povo. clemente. Neste contexto. Como já mencionamos.Essa questão da fé era muito interessante. “Portanto. A SAÍDA DO EGITO O fato de Javé conduzir seu povo para fora do Egito se torna uma verdadeira confissão de fé para a história desse povo. não a respeito de si mesmo. claramente se vê que Javé tem uma comunicação a fazer. longânime. houve uma época em que o nome de Javé podia ser interpretado num sentido ou noutro”. Isto só acontece no Deuteronômio. Nos períodos de tribulação reportava-se a esses acontecimentos para amenizarem as dificuldades na sua crença. Javé só se deu a conhecer na época de Moisés. Essa confissão desses fatos “adquiriu uma dimensão toda especial ao fundirse com o mito da criação”.6” e ainda: Zeloso “Êx 34.14”). 17 . A revelação do nome Javé também traz junto um pouco de sua personalidade (Deus compassivo. III. A libertação do Egito e os milagres que se seguiram são uma verdadeira amostra da glória de Javé. fiel. principalmente seu significado. Entretanto. mas de seu propósito para com Israel. “Êx 34. misericordioso.

ele é profanado. Não poderia usar-se esse nome abusivamente. Quanto ao nome Javé. este deveria ser respeitado e santificado. Em alguns manuscritos mais antigos. O fato do ocultamento desse nome e da proibição de seu uso. Era crença determinante a relação do portador com seu nome e seus deuses. o que Von Had defende é que o decálogo chegou até nos com uma série de modificações que se adaptaram e aprimoraramse visando a compreensão da vontade de Javé por Israel. Isso implicava em reconhecer o caráter único e exclusivo do culto de. A REVELAÇÃO DE DEUS NO SINAI Von Had trata das revelações de Deus dadas no monte Sinai. Pontos positivos: A questão do nome de Javé é tratada esplendidamente por Von Had nesse. O nome de Javé não aceita sincretismo religioso. IV. não ocorria. Essa tradição sinaítica do decálogo pode ser localizada nas tradições de Cades. Para tanto. Quando isso acontece. o primeiro mandamento e a questão de imagens. Somente em ritos cultuais fazia-se menção dele. rompendo com o decálogo. o preservou de muitas interpretações errôneas. trabalha com os significados dos mandamentos. Por isso.Antigamente também o nome tinha uma íntima ligação com o seu portador. “A antiga escola crítica considerava 18 .

Após esse capítulo. pelo menos nos tempos antigos. V. sendo por livramento ou provações. A partir disso segue tratando das suas exortações. O objetivo destas é demonstrar a presença atuante de Javé no meio de seu povo. 19 . bem como suas leis.dispensável falar a seu respeito. Von Had trata do Deuteronômio: que. bastante tardia”. Pontos positivos: O decálogo para Von Had é um conjunto de leis que valoriza a vida. Von Had se prende bastante nesse capítulo na pesquisa histórica. do ponto de vista histórico. pois estava persuadida de que o culto de Javé. A doença no exateuco era vista como castigo divino pela desobediência. Este narrativa se divide em duas partes: o êxodo do povo e o anjo de Javé. utilizava imagens”. Isto levava o povo a crer que somente em Deus estava a cura das doenças. Quando olhamos para o povo de Israel. para ele “não é a interpretação da vontade de Javé senão para uma época precisa e. até que Jesus fez nessas leis seus midraxes. parece que esta não era a interpretação correta. Ele era o médico. A TRAVESSIA DO DESERTO Este relato é pertencente a várias tradições.

PONTOS DE VISTA SOBRE MOISÉS E SEU OFÍCIO Também Von Had coloca os diversos pontos de vista o que as tradições Javista. Moisés está envolvido em todos os fatos marcantes. Para os Javistas. Toda a atividade salvífica de Deus em tempos anteriores tinha que ser reconhecida e confessada antes de alguém poder 20 . A DÁDIVA DA TERRA DE CANAÃ São relatos diferenciados que. Os Períodos Históricos da Teologia do Velho Testamento Assim como os apóstolos do NT com suas epístolas. havia a realidade sempre presente da história de Israel. não faltou com nenhuma de suas promessas. Eloísta e o Código sacerdotal tinham sobre Moisés e seu ofício. Moisés é visto como aquele que pode falar com Deus. isso já muda de figura. mesmo para o fenômeno da profecia bíblica. Moisés é instrumento vital para a libertação do povo. eram. No entanto. Ele é o único apto para isso. Moisés está em segundo plano. os intérpretes dos Atos e dos Evangelhos.VI. VII. Para os Eloístas. assim também a teologia do AT poderia semelhantemente começar com os profetas por um motivo bem semelhante. de muitas maneiras. É apenas um homem inspirado a serviço de Javé. demonstram que Deus. apesar de tudo o que aconteceu ao seu povo. Para o Código sacerdotal. entretanto.

O texto avança da extensão desde a criação e descreve a tríplice tragédia do homem como resultado da queda. A palavra principal é "Benção" repetida da parte Deus — que existia apenas no estado embrionário. trata-se da "Bênção" da ordem criada. 13:14. 21:12. Abraão ocupou um lugar de destaque no auge da revelação. ou "Deus de Abraão. Aparentemente era porque pessoalmente recebiam a palavra de Deus. No inicio. os patriarcas eram considerados "profetas" (Gn 20:7. Depois. através da descendência de Abraão. Freqüentemente.ver mais firme a revelação adicional de Deus. Além disto. Devemos. de Isaque e de Jacó". a palavra do Senhor "veio" a eles de modo direto (Gn 12:1. em Adão e Noé. do Dilúvio e da fundação de Babel para a universalidade da nova provisão da salvação da parte de Deus para todos os homens. portanto. 22:1) 21 . começar onde começou: na história — história verdadeira e real. O auge veio na quíntupla "Bênção" para Abraão em Gênesis 12:1-3. A Era Patriarcal Esta era foi tão significativa que Deus Se anunciava como "Deus dos patriarcas". que incluía bênçãos materiais e espirituais. A Era Prépatriarcal Sem dúvida. SI 105:15). é a "Bênção" da família e da Nação.

delineava os meios morais. 17:1. do que todos aqueles que viveram durante os milênios anteriores! Como conseqüência.ou o Senhor "apareceu" a eles numa visão (12:7. 15:1. aos Dez mandamentos. Viria no ato primário do Êxodo.15). 18:1) ou na personagem do Anjo do Senhor (22:11. podemos. Os períodos de vida de Abraão. 22 . com toda a segurança. Isaque e Jacó formam outro tempo distintivo no fluxo da história. e semelhantes detalhes do código da aliança (Êxodo 21-23) para o governo civil. Deus. com a graciosa libertação de Israel do Egito. delinear Gênesis 12-50 como nosso segundo período histórico no desdobrar da teologia do AT. Toda a discussão quanto a ser um novo povo de Deus se derivava de Êxodo 1-40. durante o conjunto de dois séculos representado pelas vidas combinadas deles. em fé. experimentaram e ouviram tanto. cerimoniais e civis de se cumprir tão alta vocação. operada por Deus. Estes três privilegiados da revelação viram. exatamente como foi feito por gerações posteriores que tinham o registro escrito das Escrituras. a subseqüente obediência de Israel. A Era Mosaica Israel foi então chamado "reino de sacerdotes e nação santa" (Êxodo 19:6). com todo o amor. ou mais. a teologia do tabernáculo e dos sacrifícios.

Juízes e até Samuel e Reis. a palavra de Deus se tornara "rara" naqueles dias em que Deus falou a Samuel (1 Samuel 3:1). De fato. De fato. Moisés foi o padrão para aquele grande Profeta que estava para vir.27. Conseqüentemente. o profeta de Deus foi Moisés — um profeta sem igual entre os homens ( Números 1-36 ). as linhas de demarcação não se escrevem tão nitidamente. o Messias. A história de Josué. Esta história se estende ao longo do período dos juizes para incluir a teologia das narrativas da arca da aliança em 1 Samuel 47 os tempos se tornaram tão distorcidos e tudo parecia estar em tantas mudanças subseqüentes devido ao declínio moral do homem e à falta da revelação da parte de Deus. são momentos significantes na história da revelação deste 23 . e Números 1-36. Durante esta era inteira. embora os temas centrais da teologia e os eventos-chave sejam bem registrados historicamente. ( Deuteronômio 16:15-18 ) A Era Pré-Monárquica Uma das partes da promessa de Deus que recebeu uma descrição detalhada foi a conquista da terra de Canaã.Levítico 1.

são usualmente reconhecidos pela maioria dos teólogos bíblicos de hoje. e ofertas e no propiciatório.) A história e a teologia se combinavam para enfatizar os temas de uma dinastia real continuada. Neste período. O surgimento de exigência de um rei para reinar sobre uma nação que se cansou da sua experiência em teocracia conforme era praticada por uma nação rebelde. e um "rei" que agora reinava sobre um reino que 24 . Depois da Lei até Davi não há avanço teológico. A Era Monárquica O pedido do povo no sentido de lhe ser dado um rei. O melhor que se pode dizer do período pré-monárquico é que era um tempo de transição. cada um destes motivos régios foi cuidadosamente vinculado com idéias e palavras de tempos anteriores: uma "descendência"" um "nome" que "habitava" num lugar de "descanso". quando Samuel era juiz (1 Sm 8-10). e até o reinado de Saul nos preparam negativamente para o grandioso reinado de Davi (1 Sm 11 —2 Sm 24:1 Reis l-2. como Espírito Santo. A vida de Cristo é mais precisamente predita. deus é revelado como Santo.período. e um reino perpétuo com um domínio e alcance que se tornaria universal na sua extensão e influência. Mesmo assim. uma "bênção" para toda a humanidade. como Eterno. nos sacrifícios.

42:18. Gálatas 4:4. o pecado de Israel também exigiu boa parte da atenção dos profetas. a lei mosaica pressupunha a promessa patriarcal e edificava sobre ela. A Sabedoria. Pedro 1:10-12. Já 1:1. Infelizmente.duraria para sempre. Assim. 2-2). O conceito-chave era "o temor do Senhor" — uma idéia que já começou na era patriarcal (Gn 22:12. Divisões da teologia do Velho Testamento As divisões naturais incluem as grandes doutrinas a serem discutidas: A Doutrina da Criação A Doutrina de Deus A Doutrina do Homem e do Pecado A Doutrina da 25 . Os quarenta anos de Salomão foram marcados pela edificação do templo e por outro derramamento de revelação divina. Com essas revelações o mundo deveria esperar até que chegasse a " Plenitude dos Tempos " . Este período é caracterizado historicamente pela prática desenfreada do pecado e declínio de Israel. 8-9. os profetas poderiam agora focalizar sua atenção sobre o plano e reino de Deus no seu alcance mundial. Agora que a "casa" de Davi e o templo de Salomão tinham sido estabelecidos. sendo assim. porém. assim também a sabedoria salomônica pressupunha a promessa abraâmico-davídica como a lei mosaica.

outros cientistas acreditam que o Universo era uma bola imensa de hidrogênio que se expandiria indefinidamente e alcançaria distâncias quase infinitas. quando declara que tudo em algum tempo começou a existir. A teoria do Panteísmo . A idéia básica desta 26 . Na tentativa de definir as origens do Universo. A Doutrina da Criação A Constatação de um princípio claramente definido. Teorias Referentes à Criação Teoria da Grande Explosão ("BIG BANG"). esta teoria acredita na eternidade da matéria. sobre a Teoria da Relatividade. Podemos dizer que a " Ciência e a religião são como duas janelas na mesma casa. mas a Bíblia a refuta. houve uma grande explosão desta imensa bola de hidrogênio. tanto nas referência cosmológicas quanto bíblicas. Eles imaginam que. criou Deus os céus e a terra. sugerindo a cifra de 12 bilhões de anos. as sábias palavras das Escrituras.Salvação. podem desencadear novas e fascinantes descobertas que confirmem ainda mais. O Panteísmo declara que Deus e a Natureza são a mesma coisa e estão inseparavelmente ligados. A partir do estudo de Einstein. Daí. em algum tempo indecifrável. "No princípio. surgiram os mundos. as galáxias. De fato. através de ambas contemplamos as obras do Criador. procuram determinar a sua idade.

a Bíblia declara que Deus criou todas as coisas. o texto de Hebreus 11. este foi criado por Ele. o qual diz que "os mundos foram criados pela palavra de Deus. e . entendemos que aquilo qual não é aparente. tudo teve um começo. Utilizase como base. pois o Criador não é parte do Universo. mediante o poder de sua palavra. A Doutrina de Deus 27 . para a afirmação desta idéia. A partir daí. isto é. Ora. estão expostas na Bíblia Gn 1. a mais difundida. a revelação bíblica não aceita. mas pode referir-se à coisas imateriais. mediante processos naturais e por transformação gradual. mas tudo emana e faz parte dEle. Declara que Deus criou tudo "do nada". Entretanto.3. Esta é talvez. ensinada e pregada no meio evangélico. Criada por Charles Darwin. (SI 6) A Teoria Evolucionista. este ensinamento. os seres passaram a existir. não quer dizer "do nada". a partir do nada ( Catastrófica ). sim. além da Ciência. Entretanto. Teoria da Criação. de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente’. de modo algum.teoria é que o Senhor não cria nada. preexistente. As provas diretas da criação. ensina que a matéria é eterna.1.

4: 30 Os Atributos Vida: Deus tem vida em si mesmo. irmãos. por nosso Senhor Jesus Cristo e pelo amor do Espírito.Fala Apoc. e Deus limpará de seus olhos toda a lágrima. 1: 7 . 2: 7 2 º Aspecto de sua personalidade VOLIÇÃO I Cor. o Espírito de conhecimento e de temor do Senhor. Apocalipse 7:17 Porque o Cordeiro que está no meio do trono os apascentará.Entristece Ef. 4 Impede Atos 16 .Testifica João 15: 26 .Ensina João 14: 26 . .Intercede Rom. que combateis comigo nas vossas orações por mim a Deus .Envia Atos 13: 2. o Espírito de sabedoria e de INTELIGÊNCIA. .Atributos da Personalidade de Deus 1 º Aspecto de sua personalidade INTELECTO Isaías 11: 2 Repousará sobre ele o Espírito do Senhor. Deus é vida 28 . distribuindo particularmente a cada um como quer.Ama II Tim. 8: 26 Revela II Pe. 6-7 . 1: 21 3 º Aspecto de sua personalidade SENSIBILIDADE Rom. 15: 30 Rogovos. e lhes servirá de guia para as fontes das águas da vida.Instrui Atos10:19–20 . 12: 11 Mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas.Escolhe Atos 20: 28 . o Espírito de conselho e de fortaleza.

tratável. Eterno: A infinidade de Deus em relação ao tempo é denominada eternidade.É Livre Efésios 1:11 . julgar corretamente e prudentemente. portanto Deus é absolutamente independente de tudo fora de Si mesmo para a continuidade e perpetuidade de Seu Ser. moderada. Ele nunca teve início. 14:26 ) e o princípio de vida ( At.B. ( Jó 9:14 . sem parcialidade.É Ativo João 5:17 Atributos de Sua Grandeza Auto-Existência: Deus existe por Si mesmo. depois pacífica. Sábio: Capacidade de agir.Tem Propósito Efésios 3:11 Tem Emoções Salmos 103:13 . e sem hipocrisia. Deus é Eterno (Salmos 90: 2. Deus é elevado acima de todos os limites temporais e de toda a sucessão de momentos.17:25. João 11:8-9 ) H. Outros Atributos .28 ).( Jo. Tiago 3:17 Mas a sabedoria que do alto vem é. e 29 .5:26. Deus é a razão de sua própria existência ( João 5: 26. Salmo 36: 9 ). Smith define a sabedoria de Deus como o Seu atributo através do qual Ele produz os melhores resultados possíveis com os melhores meios possíveis. cheia de misericórdia e de bons frutos. Deuteronômio 33: 27 ). A eternidade de Deus significa que Deus transcende a todas as limitações de tempo ( II Pedro 3: 8 ) Ele é o Eterno EU SOU. primeiramente pura.

( Deuteronômio 32: 4. Seu conhecimento não é progressivo ou fragmentado e Nem precisa de observar ou de raciocinar para adquirir conhecimento ( Jó 37: 16. Onipresença: Deus está em todos os lugares ao mesmo tempo ou tudo está em sua presença o O Panteísmo ensina que tudo é Deus o Os Materialistas ensina que Deus está distribuído em todo o espaço Imensidão: A infinidade de Deus em relação ao espaço é denominada imensidade. e nem menos. mais santo. Presciência: Significa conhecimento prévio do 30 . Isaías . Onisciência: Atributo pelo qual Deus. O próprio Deus jamais mudará de opinião. Tiago 1: 17 ). mas fará conforme seu plano predeterminado (Isaías 46:9. conhece-se a Si próprio e a todas as coisas possíveis e reais.57:15) Imutabilidade: É o atributo pelo qual não encontramos nenhuma mudança em Deus. Jeremias 23: 24 ). A base de Sua imutabilidade sua perfeição porque toda mudança tem que ser para melhor ou pior e sendo Deus absolutamente perfeito jamais poderá ser mais sábio.10).tem a totalidade de sua existência num único presente indivisível (Is. Deus é imenso (Isaías 66: 1.40:28 ). mais misericordioso. única. mais justo.

Onividência: Significa que tudo está ao alcance de Sua visão. Tiago 1: 13). é a Bíblia Sagrada. Entretanto. das coisas que existiram no passado. acerca da origem da humanidade. a verdadeira história das 31 . Onipotência: É o atributo pelo qual encontramos em Deus o poder ilimitado para fazer qualquer coisa que Ele queira. Entretanto há muitas coisas que Deus não pode realizar. de modo plausível e coerente.Perfeito Salmo 18:30 . Não é dedução ou previsão ( Mateus 6:8 ). não significa o exercício para fazer aquilo que é incoerente com a natureza (Romanos 7: 15). a única fonte realmente autorizada. mudar ou negar-se a Si mesmo (Números 23: 19. isto é. pecar.futuro.Infinito I Reis 8:27 Soberano Neemias 9:6 Incompreensível Jó 37:5 A Doutrina do Homem e do Pecado Têm surgido as mais variadas teorias acerca da origem do homem. De um modo geral. Outros Atributos . Os dois primeiros capítulos de Gênesis nos oferecem. que existem no presente e existirão no futuro. elas não conseguem anular a ligação do ser humano com a Terra. Hebreus 6: 18. Ele não pode mentir.

Alma . era um boneco de terra. Espírito . foram feitos espíritos por criação.origens. A Bíblia detalha o que se passou em Gênesis l: 26. informa primeiro de forma geral e depois descreve melhor. Deus pegou do pó da terra e formou um corpo: mas esse corpo não era um homem. em mais detalhes. Se Deus não 32 . ou seja. Salmo 104:4 Corpo "E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra": a que parte se refere? o corpo. esse mesmo fato. Gênesis 2: 7. inclusive a do homem. uma forma simples que podemos perder a grandeza desse ato.Corpo O homem é diferente e superior a todas as criaturas que Deus criou. porque de nenhuma outra criatura a Bíblia informa que foi criada à imagem e semelhança de Deus. Espírito Mas o versículo continua: "e soprou-lhe nas narinas o fôlego de vida". Hebreus 1: e 14. Deus fez os anjos espíritos. Podemos afirmar isso. A Bíblia utiliza muito essa forma acerca dos grandes acontecimentos. por composição. A Bíblia nos mostra que os anjos forma criados espíritos. A CRIACAO DO HOMEM Gênesis 1: 26-27 A Bíblia nos informa sobre a criação do homem.

Alma Vemos no final de Gênesis 2: 7. Ainda que sejam distintas umas das outras. audição. material. é a nossa alma. A vida no espírito vem direta de Deus. através 33 . foi manifesta a vida no homem. "e o homem se tomou alma vivente" Quando o Espírito de Deus tocou aquele boneco de terra. paladar e tato. elas não atuam independentes do comando da alma. olfato. AS FACULDADES DISTINTAS DO HOMEM As Faculdades do Corpo: São Cinco as faculdades. uma vida que saiu de dentro de Deus. Deus pegou aquele boneco e soprou algo de dentro Dele.tivesse soprado. Deus soprou nas narinas o Espírito que iria trazer vida na alma e no corpo. O que manifesta a vida no homem. Com o espírito conheço a Deus. as quais se manifestam através do corpo: visão. com a minha alma conheço meu intelecto. os quais recebem impressões do mundo exterior. é a mesma palavra usada para espírito. São denominadas de instintos naturais ou sentidos corporais. as vontades. aquele boneco de terra estaria lá até hoje. A palavra fôlego no hebraico. a nossa personalidade. as emoções. Estudaremos em mais detalhes durante a matéria Teologia Sistemática do homem. Quando Deus soprou. aquele boneco recebeu vida. transmitidas ao cérebro. e com o corpo conheço o mundo físico.

34 . sentimento e vontade. como alegria. tristeza.do sistema nervoso. prazer. A VONTADE se expressa como resultante das influências do intelecto e dos sentimentos. pesar e dor. Ela não age sozinha. O INTELECTO é à parte da alma que pensa. as quais são: Fé e Consciência. gozo. paz. pois pode sentir todas as grandes emoções. O SENTIMENTO faz o homem um ser emotivo. As Faculdades do Espírito: Duas faculdades principais se destacam com abrangência sobre outras qualidades importantes. decide. pelas quais ela se manifesta: intelecto. As Faculdades da Alma: São três as faculdades principais ou qualidades da alma. Ela obedece às forças emotivas e intelectuais da alma. raciocina. Elas identificam o ser religioso do homem. E dai que partem as ordens para todas as partes do corpo. Não há vontade livre ou independente. julga e conhece. Podemos chamar de natureza espiritual. São elas que regem as atividades do corpo. descontentamento. Os sentidos físicos obedecem às leis naturais que estão impressas no ser humano. Ele não é uma máquina insensível.

inevitavelmente.T. 1. (Chata) Pecar. 35 . ele não havia ainda desenvolvido o seu caráter moral. Perverter a lei de Deus ou andar pelo tortuoso em oposição ao. A PROPENSÃO PARA O PECADO Propenso. rebelar-se. daí perverter ou ser perverso. De fato. ser ruidoso ou maldoso. errar o alvo. A possibilidade para o pecado surgiu com a tentação. 4. danificar por ‘meios violentos. dor ou tristeza e dai. Significa primariamente ir além. transgredir. (Rasha) Ser ímpio basicamente significa ser solto ou mal ligado. Com o significado de quebrar. 5. caminho reto de Deus. (Pasha) Transgredir. O termo significa entortar ou torcer. Como ser racional. mas não destinado. A palavra veio a significar aquilo que causa dano. em seu primeiro estado de inocência desconhecia o pecado. Esta propensão para a transgressão não significa que o homem. 2. conscientemente. para descreverem o pecado são tão notáveis como o registro de sua historia. estivesse destinado a pecar.da qual o ser humano é dotado especialmente para uma perfeita comunhão com Deus. Esta tendência baseava-se unicamente em seu Livre-arbítrio. o homem. 3. Ele poderia. (Ra ‘a’) Ser mau. TENTAÇÃO E QUEDA DO HOMEM A Terminologia do Pecado As palavras empregadas no V. o mal moral. (Avah’) Ser perverso.

Concluímos. A morte física se tornou. O 36 . AS CONSEQUÊNCIAS DA QUEDA O Pecado afetou a vida física e psíquica do homem. O seu pecado foi uma transgressão deliberada ao limite que Deus lhe havia colocado.manter-se fiel aos limites do conhecimento que o Criador lhe deu. de modo explícito. Por isso. então. a conseqüência natural da desobediência de Adão. mas histórico.12). Não foi um relato teórico ou figurativo. entendemos que o pecado de nossos primeiros pais foi um ato involuntário de sua própria vontade e determinação. da parte de Satanás. ou. literalmente. Paulo escreveu aos Romanos: "Por um homem entrou o pecado no mundo. e partir para o outro lado. ATRAVES DO PECADO A queda de Adão e Eva é apresentada. que os instigou a desobedecer à ordem de Deus. na Bíblia. pois. e pelo pecado a morte" (Rm 5. que a essência do primeiro pecado está na desobediência do homem à vontade divina e na realização de sua própria vontade. e a espiritual se constituiu na eterna separação de Deus. A QUEDA DO HOMEM. rebelar-se contra esta lei. E claro que a tentação veio de fora. então.

porque é chegado o reino dos céus. a possibilidade de viver e também perdeu a imagem de Deus em sua vida. Arrependimento O verdadeiro arrependimento envolve a pessoa toda.17). Isto implicou.vos. certamente morrerás" (Gn 2. e causou-lhe a "morte espiritual". João 3:3 .Em verdade 37 . no momento exato que pecou. 18: 3 E disse: Em verdade vos digo que. todo o seu ser. Mas a sua mensagem era a mesma: Arrependimento e Conversão. toda a sua personalidade. "O salário do pecado é a morte" (Rm 6. se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças de modo algum entrareis no reino dos céus.. 4: 17 Daí por diante passou Jesus a pregar e a dizer: Arrependei . Adão não morreu no mesmo dia em que pecou. Mat.23). Podia descrever as glórias do céu para comover os homens. Arrependimento não é apenas mudança de pensamento. Cristo chegara ao mundo. O pecado afetou a vida espiritual do homem. no rompimento da comunhão com o Criador.. A Doutrina da Salvação OS 2 PASSOS PARA A SALVAÇÃO Mat.Criador foi enfático no Jardim: "Porque no dia em que dela comeres. mas perdeu. vindo do seio do Pai.

3: 24 . A conversão pode e deve repetir-se todas as vezes em que o homem pecar e afastar-se de Deus. abandonando o pecado paras seguir a Cristo. pela redenção que há em Cristo Jesus. para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos sob a tolerância de Deus. Volição. Estudaremos o arrependimento em cada um dos poderes da personalidade: Intelecto. A Graça Tito 2: 11 Pois a graça de Deus se manifestou. 38 . Os elementos básicos estabelecidos para salvação conf. escrito pelo Apóstolo Paulo aos Romanos são: 1 o . trazendo salvação a todos os homens.25 E são justificados gratuitamente pela sua Graça. OS 3 ELEMENTOS BÁSICOS PARA A SALVAÇÃO Rom. Nascer do novo significa "um novo ser uma nova pessoa ou seja uma nova personalidade". Sensibilidade. primeiramente. Conversão Conversão é uma palavra usada para exprimir o ato do pecador. Deus o propôs para propiciação pela Fé no seu Sangue. para seguir a Jesus. favor. Emprega-se. a palavra conversão para significar aquela primeira experiência do homem. não pode ver o reino de Deus.te digo que se alguém não nascer de novo. abandonando o pecado. porque ela consiste no ato de abandonar o pecado e aproximar-se de Deus. geralmente. Graça significa.

para que ninguém se glorie. Por conseguinte.ou a disposição bondosa da parte de Deus. nos purifica de todo pecado. porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe. pagou toda a pena do pecado. e isto não vem de vós. por meio da Fé. Não vem das obras. 39 . e que é galardoador dos que o buscam. A graça é conhecida como Fonte da Salvação. sem Fé é impossível agradar a Deus. 2: 8 . seus pecados perdoados e sua alma purificada. 1: 7 O sangue de Jesus Cristo . 2 o . ele pode justamente perdoar o pecado sem levar em conta os merecimentos ou não merecimentos A graça manifesta-se independente das obras dos homens. A Fé Ef. Em virtude do sacrifício de Cristo no calvário. (Favor não merecido ) A graça de Deus aos pecadores revela-se no fato de que ele mesmo pela expiação de Cristo. 3 o . e pela mesma fé é ele levado a crer em Cristo Jesus.9 Pois é pela graça que sois salvos. Heb. 11: 6 Ora. Sangue é conhecido como a Base da Salvação. é dom de Deus. O Sangue I Jo. seu Filho. o crente é separado para Deus. Pela fé reconhece o homem a necessidade de salvação.

a Fé coloca a verdade na mente e Cristo no coração. Justificação Justificar é um termo judicial que significa absolver. Justificação é mais que perdão dos pecados. colocado a nossa disposição pela fé. Regeneração é uma mudança radical. Regeneração Regenerar significa: Restaurar o que esta destruído. declarar justo. por isso concluímos que a Fé é o Meio para a Salvação. ele recebe a sentença de absolvição. O réu. Portanto Justificação é o Ato de Deus tornar justo o pecador 2 o . e. nos trata como se nunca tivéssemos cometido um só pecado. em seguida. Deus apaga os pecados. operada 40 . ao invés de receber sentença condenatória.A Fé conduz-nos ao Salvador. que se recebe pela Fé. A NATUREZA DA SALVAÇÃO Vejamos os 3 aspectos da Salvação 1 o . Quando se trata do ser humano. é a remoção da condenação. Esta absolvição é dom gratuito de Deus. A Fé é a ponte que dá passagem ao mundo espiritual. Essa doutrina assim se define: "Justificação" é um ato da livre graça de Deus pelo qual ele perdoa todos os nossos e nos aceita como justos aos seus olhos somente por nos ser imputada a justiça de Cristo.

se alguém está em Cristo. ele passa a pensar de modo diferente. fazer santo. Diante do exposto. podemos estabelecer o seguinte: Santificação é um processo O crente precisa esforçar-se para progredir em santificação. II Cor. Consagração No sentido de viver uma vida santa e justa.pelo Espírito Santo na alma do homem. Purificação Algo que separado e dedicado tem de ser purificado. sentir de modo diferente e querer de modo diferente: tudo se transforma. atinge. O homem regenerado não faz tanta questão de satisfazer à sua própria vontade como de satisfazer à de Deus. Nova Criatura é. Dedicação Representa o que está dedicado a Deus. Volição e a Sensibilidade. as coisas velhas já passaram. 3 o . consagrar. Na Regeneração. no sentido ser sua propriedade. 5: 17 Portanto. A Palavra santo tem muitos significados: Separação Representa o que está separado de tudo quanto seja terreno e humano. tudo se fez novo. para melhor ser apresentado. Santificação Santificar é tornar sagrado. Esta Regeneração. portanto todas as faculdades do homem ou seja: Intelecto. separar. 41 .

1: 7 O sangue de Jesus Cristo. nos purifica de todo o pecado. HISTÓRIA DAS FORMAS . 17: 17 Santifica-os na verdade a tua palavra é a verdade. seu filho. HISTÓRIA DAS FORMAS ("FORMGESCHICHTE") É o padrão da exegese moderna. 1: 6 Tendo por certo isto mesmo.II Cor. foi encontrado um manuscrito básico para a edição da melhor bíblia hebraica que se tem hoje. E por que tanta fé neste 42 . O Espírito Santo Fil.GÊNEROS LITERÁRIOS 1. purifiquemo-nos de toda a impureza tanto da carne. e foi adquirindo erros de escrita? Muitas vezes. como se sabe se o texto atual corresponde ao original? Até que ponto é fiel? Em 1008. Está no museu de Leningrado. Mas.7: 1 Ora. Em geral todo método exegético moderno aborda os seguintes tópicos: a) critica textual se os manuscritos originais desapareceram ou nunca foram encontrados. questiona-se: por quanto tempo o livro foi sendo recopiado. amados. visto que temos tais promessas. como do espírito. Os meios divinos de santificação O Sangue de Cristo I Jo. A Palavra de Deus Jo. vários manuscritos (cópias) de um mesmo livro trazem palavras diferentes. que aquele que em vós começou boa obra a aperfeiçoará até o dia de Jesus Cristo. aperfeiçoando a nossa santificação no temor de Deus.

Os rabinos tinham muito cuidado em transmitir a doutrina. e procuravam unificar os textos. A diferença entre ambos é pouquíssima.Há livros que antes de serem escritos. vários manuscritos datando do II século a. e há alguns. considerado autentico.C. foram passados oralmente por várias gerações. Os textos velhos eram colocados em lugares onde ninguém podia mais usá-los. Os beduínos acharam às margens do Mar Morto. do qual aquele de 1008 é cópia. E como o 43 . chamados gezidas.C. se a nossa Bíblia é a tradução daquele manuscrito. A Bíblia original (copiada) data do século II d. Cada manuscrito que serviu para a composição de um texto tem uma história diferente.C. aproximadamente. cujo texto é quase completamente igual ao que temos. Ora. Por isso eles dividem as perícopes e estudam as tradições e fontes delas. b) 'sitz in leben'. aquela Bíblia é a melhor. Numa destas gezidas foi encontrado um documento do ano 800. como o livro de Isaías.manuscrito? O manuscrito mais antigo (até pouco tempo) do AT era composto de fragmentos de um papiro do I ou II século a.

Isto se vê nos salmos 103.manuscrito chegou a esta fonte? Deste estudo se deduz a 'sitz in leben' (situação na vida) deste manuscrito no gênero literário. legenda. onde ficava a árvore da vida. a influência é mais velada. Têm tonalidade solene e são originários de círculos politeístas. 17. ou cujos personagens são os deuses. mito . ll e nos proféticos: Job 26. PRINCIPAIS GENEROS LITERÁRIOS DA BÍBLIA Dividem-se assim os diversos gêneros literários encontrados na Bíblia: a) Narrativo: histórico e didático b) Legislativo c) Sapiencial d) Profético e) Cânticos (Poesias) a) narrativo-didático: mito. A 'sitz in leben' que este gênero literário tem na comunidade. Mas a árvore da vida do Gênesis já existe num poema de Gilgames (de origem Babilônica): um herói perguntou a um seu antepassado que era deus. Quem determina isto é a critica literária. alegoria. c) história da redação . 6-9.Por que há certas palavras a mais ou a menos nos Evangelhos? Isto varia com a 'sitz in leben' do manuscrito. 2. que sempre foi monoteista. por exemplo. Nos livros históricos. parábola l. conto. fábula. Tudo isto dentro do estudo da história das formas. 8-16. saga. muito influenciou no povo de Israel. 88.conto que se passa com deuses. Ele a 44 . A mitologia babilônica. l2. a 'sitz in leben' desta comunidade na história.

O importante a se notar nisso tudo é que. A tradicional briga dos anjos com Lucifer existe num mito fenício sob a forma de uma briga de deuses. tirando as características politeístas e servindo-se da cultura popular para levar uma mensagem. o autor purifica a lenda. de outra fez a terra. na bíblia. o homem e o mundo são maus do principio. Por isso. Então para matar o homem. A árvore da vida. Na sabedoria babilônica. O autor sagrado aproveitase destes elementos. foi beber num poço e uma serpente levou o seu ramo. significa que o homem foi criado para não morrer. mas purificando-os e adaptando-os. Tendo sede. o deus mandou o dilúvio. ao ser transcrita para o livro sagrado. Depois pediu a um deus artista que fizesse o homem com o sangue apodrecido do deus vencido. A história do dilúvio tem uma similar na cultura babilônica. É o caso de uma deusa que era amada ao mesmo tempo por um deus e por um homem. e levou um ramo para plantar.encontrou no fundo do mar. O deus vencido foi partido ao meio. explicam que o mundo nasceu de uma briga dos deuses. De uma metade fez o deus vencedor o céu. 45 .

A saga se chama etimológica quando é para explicar um nome..A linguagem mítica da bíblia. e daí este sinal ficou para a descendência.. para explicar a existencia de uma vegetação pobre e espinhosa na região sul ocidental do Mar Morto. porque a tribo tinha o nome de cainitas e eles deduziram que seu fundador devia chamar-se Caim. Existe na Palestina uma Ramat Leqi (montanha da queixada). A origem de várias estátuas de pedra.contos que se ligam a lugares. O próprio nome de Caim é inventado. saga . Explicavam que Deus colocara um sinal em Caim para que ninguém o matasse.. A saga se chama etiológica quando procura a causa de um fenômeno. o antropomorfismo de Deus. tudo isto tem origem desta inspiração na literatura exterior a Israel. A narrativa de Caim e Abel é outra.. para explicar a origem de uma tribo cujos integrantes tinham um sinal na testa. o valor. Para explicar a origem deste nome eles inventaram a estória de Sansão. Por exemplo. o caráter sagrado de qualquer fenômeno que chama a atenção. pessoas. formadas pela erosão é explicada pela história da mulher de Ló. a chuva de enxofre. um homem 46 . surgiu a lenda de Sodoma e Gomorra. 2. modos de vida dos quais se quer explicar a origem. costumes. que foi transformada em estátua.

19) é uma história difamatória contra os amonitas e moabitas. é para reprimir um costume dos cananeus de imolar crianças. 47 . Nem sempre há lição em cada uma. 0 caso das filhas de Ló (Gen. que não deu certo. 3. Gen 28. Seu valor é maior para a critica literária.distingue-se da saga porque se refere a pessoas ou objetos sagrados e querem demonstrar a santidade destes por meio de um fato maravilhoso. que ficou c conhecido como monte da queixada. que lutara contra muitos inimigos usando uma queixada. Depois ele jogou a queixada naquele monte. tradicionais inimigos de Israel. e os vencera. O valor da saga está na riqueza popular (folclórica) que ela traz.1 . A imolação de Isaac. Dan l. a briga de Labão com Jacó (Gen 31).17. Outras sagas da Bíblia: a de Noé embriagado.15: histórias a respeito de Moisés. legenda . É comum nas legendas referir-se à lei ou objeto de culto.muito forte. (Amon e Moab significam 'do pai').10: Jacó sonha com os anjos (pedra de Betel). Legendas na Bíblia há em Num 16. 3. Os milagres de Elias contra os sacerdotes de Baal. 4: sonhos de Daniel. Mas a fartura de detalhes que ela traz mostra a mentalidade do povo. A saga se chama heróica quando tem por finalidade engrandecer a vida dos heróis do passado. 2.

que foi destruída por Javé. um misto de elementos verídicos e legendários acrescentados.costume proibido pela lei de Moisés. 1-7). 9 e Ex 12 e 13 falam da origem da Páscoa. quando se trata da animação de objetos. popular.parábola é uma história comparativa. alegoria é uma história comparativa em que cada elemento tem um significado particular (ex: Is 5. Os livros Josué e Juízes (550 a.C. 9. onde ninguém sabe o fim da lenda e o começo da história. 4. Há três tipos: 1. A circuncisão (Gen 17) é explicada assim: Deus apareceu a Abraão para fazer aliança com ele e o pacto era a circuncisão de todos os meninos no oitavo dia. A serpente de bronze (Num 21) se refere a uma serpente de bronze mandada fazer pelo rei Manassés. baseada em histórias que corriam na boca do povo. parábolas. Há ainda o apólogo. Jos 5. de sentido global (ex: II Sam 12.) 48 . fábulas. 1-4). É uma história primitiva.7). b) narrativo-histórico Difere do didático porque pretende contar um fato acontecido realmente. fábula é a narrativa que faz os seres inanimados ou os animais falarem (ex: Juízes. alegorias .

estão nesta categoria. 14 ). Entre os povos submetidos havia um grupo de judeus. mais antiga e mais verdadeira. principalmente à procura de escravos para trabalhar. e muitos fugiram. e cada uma conta diferente. A fuga de Israel do Egito está ligada a um fato acontecido no tempo de Ramsés II. todavia a mensagem pode ser considerada autêntica. Mas se analisarmos bem. Ele foi um faraó que empreendeu grandes conquistas. São as duas tradições: a javista. inclusive muitos judeus. 2. epopéia (nacionalreligiosa) são histórias retiradas da catequese do povo. fraquejou a vigilância. O exemplo mais típico deste gênero é a narração epopéica da passagem do mar vermelho (Ex. Mais tarde. a sacerdotal. há duas citações do mesmo fato. mais recente. veremos que na própria Bíblia. Esta narrativa na Bíblia é contada com todos aqueles retoques conhecidos. Há 49 . Se bem que tenham elementos acrescentados. Então eles empreenderam a fuga pelo deserto e se aproveitaram de uma região onde havia um braço de mar que secava durante a maré baixa para sair do território egípcio. afirma que o vento soprou durante toda a noite e fez o mar recuar. modificou a narração para a divisão das águas em duas muralhas por onde todos passaram em seco.

em 14. 0 I Reis. Ao transcrever isto na Bíblia. Os povos orientais são muito ricos neste tipo de literatura. A partir destas crônicas vários livros foram escritos. é que são usados documentos escritos na época. 19 afirma que o restante está nos livros das crônicas dos Reis de Israel. há três: 1. Quando os soldados chegaram. 3. Quanto aos tipos de leis. vers. Mas o que se deve concluir daí é que os soldados os perseguiram na fuga e eles passaram na maré baixa. Somente a partir do livro dos Reis. eles se adiantaram ainda mais.uma certa contradição nestas duas. 11. Tem muito em comum com os outros povos vizinhos e herdou muito deles. leis 50 . porque são mais históricos.41 cita os anais de Salomão. Antes era apenas história popular. Enquanto isso. historiográfico . Há passagens na Bíblia que são repetições do código de Hamurábi.é o trabalho dos escribas encarregados de escrever as crônicas dos anais dos reis. c) Legislativo É representado na Bíblia principalmente no Pentateuco. a maré já subira e não dava passagem. cap. através dos elementos da natureza. o autor sagrado quer mostrar o fato da presença de Deus em ajuda de seu povo. São documentos de maior credibilidade.

Os povos da época tinham seus profetas. Russel N. 2. d) Sapiencial Originou-se também dos povos vizinhos. Mesquita. pois as suas fontes também não eram religiosas. 1995. São cantos de louvor. Não são todos de Davi. A sabedoria bíblica não difere muito da sabedoria oriental em geral. Walter. exortações e oráculos. Eles manifestavam ao povo a vontade de Deus com sermões. Apareceram conforme as necessidades. KAISER Jr. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CHAMPLIN. Trad. São de origem profana e não religiosa. É preciso notar que naquela época profeta não era sinônimo de adivinho. Foram compostos sem seqüência ou cronologia. 3. O Antigo Testametno interpretado São Paulo: Hagnos. 2001 FRANCISCO. Teologia 51 . Rio de Janeiro: Juerp.causídicas: pormenorizadas conforme as situações. como às vezes se identifica. Introdução ao Velho Testamento. Eles moravam nos palácios dos reis e eram os que dialogavam com os deuses. Antônio N. de súplica. 0 povo oriental é pensador por natureza e a sabedoria é uma virtude muito difundida e apreciada. leis apodíticas: universais. f) Salmos Também tem influência externa (fora de Israel). principalmente a partir do Exílio. leis rituais.. Clayde T. e) Profético Também tem origem fora de Israel. com sinais.

1980.do Antigo Testamento . Roland de. VAUX.São Paulo: Vida Nova. 2004. São Paulo: Vida Nova. G. Instituições de Israel no Antigo Testamento. 1974 52 . São Paulo: ASTE. Teologia do Antigo Testamento. VON RAD.