Você está na página 1de 96

EMPREENDER E INOVAR NAS ORGANIZAÇÕES

Empreender_e_Inovar.indb 1

18/03/2012 22:05:14

UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS – UNISINOS

Reitor
Pe. Marcelo Fernandes de Aquino, SJ

Vice-reitor
Pe. José Ivo Follmann, SJ

Editora Unisinos
Diretor
Pe. Pedro Gilberto Gomes, SJ

Editora da Universidade do Vale do Rio dos Sinos

Editora Unisinos
Av. Unisinos, 950
93022-000 São Leopoldo RS Brasil

Telef.: 51.3590 8239
Fax: 51.3590 8238
editora@unisinos.br

Empreender_e_Inovar.indb 2

18/03/2012 22:05:14

EMPREENDER E INOVAR NAS ORGANIZAÇÕES

Daniela Miranda Oliveira Horta
Elisa Thomas
Gustavo da Silva Costa
Ivan Brasil Galvão dos Santos
Izabel Cristina da Rosa dos Santos (org.)
José Fernando Kronbauer
Luciana Maines da Silva
Vanessa de Souza Batisti

Editora Unisinos
2012

Empreender_e_Inovar.indb 3

18/03/2012 22:05:14

para uso não individual. é ilícita e constitui uma contrafação danosa à cultura. ainda que parcial. Izabel Cristina da Rosa dos Santos (org.] . Foi feito o depósito legal. das páginas que compõem este livro. verão de 2012. sem autorização escrita do editor. 96 p. RS : Ed. [et al. Editor Carlos Alberto Gianotti Acompanhamento editorial Mateus Colombo Mendes Revisão Caroline Soares Editoração Décio Remigius Ely Capa Isabel Carballo Impressão. – São Leopoldo. mesmo para fins didáticos.421 CDU 005. Horta. Série. III. 2. II. Empreendedorismo – Brasil. 2012 2012 Direitos de publicação e comercialização da Editora da Universidade do Vale do Rio dos Sinos EDITORA UNISINOS E55 Empreender e inovar nas organizações / Daniela Miranda Oliveira Horta . Empreender_e_Inovar. 3. Santos. UNISINOS. Ensino a distância. Izabel Cristina da Rosa dos. A reprodução. por qualquer meio. Daniela Miranda Oliveira. I. Inovações tecnológicas.indb 4 18/03/2012 22:05:14 .© dos autores.). – (EAD) ISBN 978-85-7431-505-8 1. 2012.342 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Bibliotecário: Flávio Nunes – CRB 10/1298) Esta obra segue as normas do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa vigente desde 2009.. CDD 658..

da graduação e da pós-graduação. liderança e capacidades interpessoais. entendimento das competências pessoais do empreendedorismo e inovação. por exemplo. conhecedores da temática. oportunizando aos alunos o acesso às discussões e práticas que envolvem o empreendedorismo e a inovação e. como. realizando pesquisa aplicada com empreendedorismo e inovação. 2) Empreender e inovar em organizações Empreender_e_Inovar. criatividade. Com base nesse trabalho realizado. compreende-se que devem estar presentes nas suas atividades de ensino. assim. de modo a alinhar-se às propostas estratégicas da região para a área de Ciência e Tecnologia. Nesse sentido. Desta forma. a UNSINOS vem estimulando. Esse conjunto de três atividades acadêmicas visa enriquecer o currículo de todos os cursos de graduação. a proposta tomou corpo com a organização de três atividades acadêmicas consideradas suficientes para que os alunos de todos os cursos de graduação da universidade possam ter uma formação abrangente e aplicada à prática da inovação e do empreendedorismo. conceitos e compreensões a respeito do empreendedorismo e da inovação. O trabalho de construção desse eixo foi realizado durante o ano 2010 com base em discussões realizadas por um grupo de professores da UNISINOS. o desenvolvimento de pesquisa aplicada de base tecnológica.indb 5 18/03/2012 22:05:14 . pesquisa e extensão as dimensões do empreendedorismo e da inovação. b) verificar o que a UNISINOS já ministrava na graduação nas áreas de inovação e empreendedorismo. capacitando-os para atuar de forma diferenciada no mercado de trabalho. As três atividades acadêmicas que compõe o eixo são: 1) Empreendedorismo e inovação: conceitos e prática Os conhecimentos que compõem essa atividade são relativos à importância da temática do empreendedorismo e da inovação na formação de profissionais na sociedade contemporânea. complementarmente à forte tradição do humanismo social cristão. e c) identificar e brevemente descrever as experiências de algumas universidades nacionais e internacionais a respeito desses dois temas. visando contribuir nas soluções de problemas reais da sociedade. Tais discussões foram fundamentais para: a) definir os pressupostos teóricos de uma formação acadêmica nas áreas de inovação e empreendedorismo. O objetivo central desse projeto é tornar a UNISINOS um agente de inflexão tecnológica.Prefácio A proposta de um eixo de atividades acadêmicas nas áreas de inovação e empreendedorismo para a graduação originou-se no projeto estratégico da universidade intitulado Projeto Tecnosinos – Parque Tecnológico São Leopoldo.

A orientação dada aos alunos é que as três atividades sejam realizadas na sequência. análise de cenários. gestão da inovação. uma vez que as áreas de inovação e empreendedorismo são. pois abrangem conteúdos de diferentes áreas do conhecimento. para que seja possível aproveitar de forma adequada os conteúdos. O processo de implementação do eixo teve início no primeiro semestre de 2011. e compreensão e elaboração de um plano de negócios. Desejamos uma boa leitura a todos! Coordenação do Projeto do Eixo de Inovação e Empreendedorismo: Janaina Ruffoni. os conhecimentos tratados centram-se nos mecanismos de estímulo e fomento ao empreendedorismo e à inovação no Brasil (marcos regulatórios e incentivos fiscais). Processos e estágios para a criação de um novo empreendimento. por fim. nesta trajetória de inserção do eixo. uma unidade conceitual e. o que garante. ferramentas de gestão necessárias para o novo gestor/empreendedor. O planejamento das aulas é realizado colaborativamente por todos os docentes envolvidos com a proposta. O eixo destaca-se ainda por colaborar com o processo de internacionalização da UNISINOS por meio da oferta de uma turma ministrada totalmente em inglês para os cursos presenciais da graduação.indb 6 18/03/2012 22:05:14 . 3) Gestão para empreender e inovar: Na terceira atividade do eixo. por natureza. Entende-se. pode-se sintetizar que a primeira serve para despertar o interesse dos alunos a respeito dos temas de inovação e empreendedorismo. De forma geral. por um lado. por exemplo. assim. disseminar conhecimentos relativos a esses tópicos e estimular os alunos a vislumbrarem novas oportunidades de negócios em diferentes áreas. finanças para inovação. as características das empresas brasileiras e a configuração do ambiente nacional para inovar e empreender. gestão de risco. conceito e características do denominado Sistema Nacional de Inovação. As três atividades acadêmicas são ofertadas para turmas ecléticas de alunos. que isso estimula a geração de ideias diversas de novos negócios e a complementação de visões das diferentes áreas de conhecimento. formulação básica de cenários. A segunda atividade revisa os conceitos principais e capacita os alunos a elaborarem planos de negócios. como. está a realização das suas atividades acadêmicas no formato totalmente a distância.6     P refác i o Os principais conhecimentos envolvidos nesta segunda atividade acadêmica do eixo dizem respeito à inovação e ao empreendedorismo nas empresas e organizações em geral. E. multidisciplinares. ferramentas necessárias para a prática do empreendedorismo e da inovação. mapeamento e análise de ambiente externo e interno às organizações. a troca de ideias e a inovação constante. a terceira atividade objetiva avançar em conhecimentos necessários para a gestão de um novo negócio. Dagmar Rosana Sordi e Fabiane Bordin Unidade Acadêmica de Graduação Empreender_e_Inovar. liderança. por outro. gestão do empreendedorismo e da inovação em organizações. Também. entre outras.

à formulação básica de cenários. solidária e profissional. se for o caso.indb 7 18/03/2012 22:05:14 . que não esgota o tema. mapeamento e análise de ambiente externo e interno das organizações para compreensão e elaboração de um plano de negócios. mas procura focar nos principais conceitos e aplicações. espera-se que você possa identificar oportunidades para negócios empreendedores e. A partir da leitura deste livro. Tem como objetivo principal apoiar o desenvolvimento das competências previstas para a atividade de Empreender e Inovar em Organizações. Capítulo 3 – Como eu devo ser? Características individuais e coletivas necessárias à inovação. proporcionando uma atuação empreendedora de forma ética. aluno. e que. Capítulo 2 – Ambientes de inovação. A organização dos temas procura conduzir você. aprimorar-se.seja possível implementar novos negócios com a utilização da ferramenta plano de negócios. conhecendo os elementos que caracterizam o ambiente nacional em relação à inovação. Capítulo 4 – Organizações inovadoras e empreendedoras no Brasil. e Capítulo 6 – Plano de negócios. apropriando-se de ferramentas de apoio à decisão que possam auxiliar na estruturação de negócios inovadores e de gestão da inovação de forma consistente. Capítulo 5 – Análise de oportunidades para negócios empreendedores. para que seja possível analisar contextos e identificar oportunidades de novos negócios. procurando ter uma visão crítica a respeito das ações que são realizadas no país. Bom proveito! Izabel Cristina da Rosa dos Santos Empreender_e_Inovar. e que possa utilizar os ensinamentos para tomada de decisões no mundo dos negócios. A estrutura deste livro é composta de seis capítulos que foram escritos por professores que investigam e trabalham os temas diretamente: Capítulo 1 – O ambiente brasileiro para o empreendedorismo. Os temas propostos têm como objetivo colaborar para o desenvolvimento do empreendedorismo. do Eixo de Empreendedorismo da universidade.Apresentação Este livro faz parte do conjunto de obras destinado aos alunos dos cursos da modalidade a distância da UNISINOS.

Empreender_e_Inovar.indb 8 18/03/2012 22:05:14 .

porém. a consciência. Fernando Pessoa Empreender_e_Inovar.Pode ser que nos guie uma ilusão. é que nos não guia.indb 9 18/03/2012 22:05:14 .

indb 10 18/03/2012 22:05:14 .Empreender_e_Inovar.

............1 O contexto para a inovação................... 39 3......................................................3 Condições para empreender no Brasil...............................2 Empreendedorismo no Brasil........................................................................................ 13 1......................Sumário Capítulo 1 – O ambiente brasileiro para o empreendedorismo..........1 Inovação.............................. afinal......... 23 Capítulo 2 – Ambientes de inovação..................................................1 Diferença entre ideia e oportunidade....................................................................................................................... 13 1............ 62 Capítulo 6 – Plano de negócios................................................. 73 6............................................... 47 4.1 O empreendedorismo e a inovação...............................1  Palavras iniciais.................................................................... 27 2...... 57 5............................. 73 6......indb 11 18/03/2012 22:05:14 .................. 75 Sobre os autores............................................................................................. 57 5....................................... 29 Capítulo 3 – Como eu devo ser? Características individuais e coletivas necessárias à inovação............................................................................................................................................ 95 Empreender_e_Inovar...............2  Habitats ou ambientes de inovação................2 Critérios para avaliação de oportunidades de negócio.......1 Inovação = Uma ideia brilhante?......................... 39 Capítulo 4 – Organizações inovadoras e empreendedoras no Brasil..................................................................... 47 Capítulo 5 – Análise de oportunidades para negócios empreendedores.................................... o que é o plano de negócios?.................................. 15 1........ 27 2..................2 Mas.........

indb 12 18/03/2012 22:05:14 .Empreender_e_Inovar.

Em qualquer das situações a iniciativa pode ser de um indivíduo. Já na conotação próxima à que se tem hoje. 1. tomando decisões sobre obter e usar recursos. que vão além do aumento de produção e renda per capita. 2010. grupos de indivíduos ou por empresas já estabelecidas” (GEM. tempo e perspectivas de carreira. 2008). adota o seguinte conceito de empreendedorismo: “Qualquer tentativa de criação de um novo negócio ou novo empreendimento.1  O empreendedorismo e a inovação O empreendedorismo é considerado um processo dinâmico. geralmente provenientes do Estado (HISRICH. Empreender_e_Inovar. 2008. 2009). PETERS.indb 13 18/03/2012 22:05:14 . utilizando os recursos disponíveis. ou seja. O modelo de pesquisa do Global Entrepreneurship Monitor (GEM). por exemplo: uma atividade autônoma. 2010). Historicamente. contribuindo para o desenvolvimento econômico. na Idade Média. o termo foi utilizado pelo economista francês Richard Cantillon somente no século XVIII. pode desempenhar um papel de ligação entre ciência. o termo empreendedor definia aquele que gerenciava grandes projetos de produção. SHEPHERD. este capítulo objetiva apresentar o ambiente brasileiro para inovação e empreendedorismo com base no estudo do Global Entrepreneurship Monitor (GEM.Capítulo 1 O ambiente brasileiro para o empreendedorismo Para o planejamento da criação de um novo negócio ou estudo de manutenção do negócio existente. como. uma nova empresa ou a expansão de um empreendimento existente. para que possam produzir bens e serviços com recursos que lhe são disponibilizados. Esse processo empreendedor pode promover mudanças na estrutura do negócio e da sociedade. 210). assumindo o risco empresarial” (SARKAR. p. Cantillon descreveu o empreendedor como “uma pessoa que paga determinado preço por um produto para vendê-lo a preço incerto. criado pelos indivíduos que assumem riscos em termos ativos. a ser explorada nas seções seguintes. tecnologia e inovação.

para o autor. como também no estímulo ao interesse em investir nos novos empreendimentos que estão sendo criados” (HISRICH. 44). 1999. 1). 27). o empreendedorismo é a combinação da prática de empreender à busca constante de mudanças e novas oportunidades de negócios. p. que colocam que o empreendedorismo é “uma teoria de crescimento econômico que coloca a inovação como o fator mais importante. ou seja. Corroboram ainda Hisrich e Peters. liderança e visão de futuro. p. Para se aprender a empreender. do comprometimento empregado na realização do negócio. 51). Empreender_e_Inovar. 12). p. consequências do esforço e da dedicação. p. mas sim uma prática de empreender. p. o comprometimento. PETERS. 2003. o qual deve desejar “aprender a pensar e agir por conta própria. 2004. e recebendo as recompensas da satisfação e independência econômica e pessoal. o termo empreendedorismo como sendo um processo de criar algo novo. Já para autores mais recentes. dinâmico e inovador.14    IZ ABEL CRISTINA D A ROS A DOS S A NTOS Joseph Alois Schumpeter (1883-1950) foi o primeiro economista de renome à luz de Say1 a consolidar o conceito de empreendedorismo associando-o claramente à inovação tecnológica. agregando valor tanto econômico como social. perseverar e de conviver com a incerteza são elementos indispensáveis. p. faz-se necessário um comportamento pró-ativo do indivíduo. O estudo da pesquisa GEM 2008 aponta os empreendedores como sendo inovadores que lançam produtos novos no mercado e utilizam tecnologias 1 Jean Baptiste Say. a ação árdua. o negócio” (DRUCKER apud GREATTI. economista francês que. 12). atitudes. para inovar e ocupar o seu espaço no mercado. novos métodos de produção. assumindo os riscos calculados financeiros e sociais e inerentes a qualquer tipo de negócio. que é o impulso fundamental que aciona e mantém em marcha o motor capitalista. conceituou o empreendedor como “o agente do processo de ‘destruição criativa’. p. a empresa. é o ato. segundo Dolabela (1999. então. novos mercados e. conforme Degen (1989). transformando esse ato também em prazer e emoção” (DOLABELA. 1989. Schumpeter. como Peter Drucker. não só no desenvolvimento de novos produtos (ou serviços) para o mercado. a capacidade de inovar. em 1903. Pode-se caracterizar. “Os economistas tendem a concordar que os empreendedores estão associados à inovação e são vistos como forças direcionadas de desenvolvimento” (FILION. com criatividade. 2008. se referiu ao empreendedor como aquele que “transfere recursos econômicos de um setor de produtividade mais baixa para um setor de produtividade mais elevada e de maior rendimento” (DRUCKER. criativa. formas de percepção do mundo e de si mesmo dirigidos às atividades em que o risco. implacavelmente. sobrepondo-se aos antigos métodos menos eficientes e mais caros” (DEGEN. sendo a inovação uma característica singular dos empreendedores.indb 14 18/03/2012 22:05:14 . Além disso. 1999. mas a introjeção de valores. 33). difícil e arrojada que tem como resultado o efeito dessa prática. comportamentos. Não é somente o acúmulo de conhecimentos. “empreendedorismo não é arte nem ciência. gerando conhecimentos. para a formação empreendedora. constantemente criando novos produtos. dedicando tempo e esforços necessários.

. Começou com uma parceria entre a London Business School e a Babson College. bem como dar consultoria para solucionar problemas que possam vir a ocorrer na gestão do negócio. O estudo revelou que o brasileiro empreende. 2010). com expectativa de internacionalização e criação de empregos. sendo que essa pesquisa é considerada o maior estudo contínuo sobre a dinâmica empreendedora no mundo.indb 15 18/03/2012 22:05:14 . Antes disso. O GEM estuda os indivíduos que criam e fazem a gestão de um negócio e entende que o empreendedorismo é um processo. e a primeira participação do Brasil ocorreu no ano 2000. 1. transformadoras da economia e da sociedade. com a participação de dez países. são mais de cinquenta e nove países. e tinha à sua frente um ambiente político e econômico muito mais instável que o atual. Empreender_e_Inovar. em 1999. Esses empreendedores são os que geram inovações que podem ser consideradas radicais. com o processo de abertura econômica pelo qual passou o Brasil.. As observações deste estudo são em relação às ações dos empreendedores que estão em diferentes fases do processo de criação e desenvolvimento de um negócio.O A MBIENTE BRASILEIRO PARA O EM P REENDEDORISM o      15 desconhecidas.] sejam capazes de reconhecer oportunidades de negócios no ambiente. Para Dornelas (2001). As fases do processo são apresentadas no Quadro 1. independente do nível de sofisticação dos empreendimentos e dos motivos que levaram à criação de novos negócios. A pesquisa GEM apresenta o estudo sobre o empreendedorismo e a inovação no Brasil. bem como por aqueles que percebem a própria capacidade e habilidades para explorar tais oportunidades” (GEM. Em relação à Softex. em conjunto com incubadoras de empresas e instituições de ensino. Isto é um fato real. Esse estudo. conta com a participação do Brasil pelo 11º ano consecutivo. É considerado como extremamente positivo o fato de ter entre as suas principais bases a mentalidade e a atitude da população. Hoje. o intuito foi de estimular e aumentar a participação das empresas brasileiras de softwares nas exportações. que estimulou a concorrência e a criação das seguintes entidades: Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e Sociedade Brasileira para Exportação de Softwares (Softex) (DORNELAS.2  Empreendedorismo no Brasil O termo empreendedorismo é recente no Brasil. o empreendedor não possuía nenhum apoio na busca por informações e instruções de como iniciar seu próprio negócio. O tema empreendedorismo começou a ser conhecido e a despertar o interesse no Brasil com os programas criados pela Softex. Este fato pode beneficiar as sociedades com a presença de pessoas que “[. 2001). O Sebrae tem como objetivo oferecer suporte aos pequenos e microempresários do país na abertura de seu negócio. Ele começou a tomar consistência no início da década de 1990. o surgimento desse órgão foi essencial para despertar o movimento empreendedor no país. de 2010.

como conhecimento do produto. dividiu os países que participaram deste estudo em três categorias: (a) economias baseadas na extração e comercialização de recursos naturais – países impulsionados por fatores. inclusive dos proprietários. concorrência e tecnologia. Fonte: Elaborado pela autora com base no GEM (2010). (b) economias norteadas para a eficiência e a produção industrial em escala – países impulsionados pela eficiência. Este ponto de corte foi feito a partir estudos envolvendo fundamentos teóricos e operacionais. Para investigar as características dos negócios e dos empreendedores que são atuantes no mercado.16    IZ ABEL CRISTINA D A ROS A DOS S A NTOS Quadro 1 – Fases do processo de empreendedorismo. mantendo o foco na categoria de economias fundamentadas/impulsionadas na inovação. poderá indicar condições positivas para a sobrevivência da empresa. Se esta taxa for alta. O estudo do GEM. Empreendedores em estágio inicial Conhecido também por TEA. 2009).indb 16 18/03/2012 22:05:14 . Empreendedores nascentes Indivíduos comprometidos ativamente com recursos de tempo e/ou dinheiro. mas não chegaram à fase de nascimento. e (c) economias fundamentadas/impulsionadas na inovação (SCHWAB. para iniciar um negócio de que sejam proprietários. representa a dinâmica de criação de novos negócios pela população de um país. Empreendedores estabelecidos Indivíduos proprietários de empreendimentos por eles criados e em operação há mais de quarenta e dois meses. como demonstra o Quadro 2: Empreender_e_Inovar. Algumas das variáveis utilizadas pela pesquisa para apresentação dos cruzamentos tem como base os cinco tipos de inovação identificados a partir dos conceitos de Schumpeter (1982). Fase Descrição Nascimento Pagamento de remuneração por mais de três meses a alguém. Taxa de Empreendedorismo em Estágio Inicial. em 2010. Empreendedores nascentes e novos Indivíduos proprietários e que gerenciam um novo negócio que remunerou alguém mais de três e menos de quarenta e dois meses. foram realizados cruzamentos das informações apresentadas pela pesquisa no que se relacionam ao perfil do empreendimento e o perfil do empreendedor.

empreendedores brasileiros segundo características de inovação dos empreendimentos para medir o potencial empreendedor segundo características dos empreendedores. Criação de um novo tipo de organização industrial. Empreendedores Característica Não inovador Capacidade de inovação intermediária Inovadores Conhecimento novo Ninguém considera novo Novo para alguns Novo para todos Quantidade de concorrentes Muitos concorrentes Poucos concorrentes Nenhum concorrente Idade das tecnologias e processos Mais de cinco anos De um a cinco anos Menos de um ano Expectativa de exportação Nenhum consumidor externo Ter até 50% dos consumidores externos Ter mais de 50% dos consumidores externos Criação de emprego Até cinco empregos De cinco a vinte empregos Mais de vinte empregos Fonte: Relatório GEM Brasil (2008. Abertura de novos mercados. Fonte: Elaborado pela autora. conceitos de Schumpeter versus GEM. Abertura de um novo mercado. Empreender_e_Inovar. Criação de novas estruturas de mercado em uma indústria.O A MBIENTE BRASILEIRO PARA O EM P REENDEDORISM o    17   Quadro 2 – Tipos de inovação. Quadro 3 – Metodologia GEM – Empreendedores brasileiros segundo características de inovação dos empreendimentos. Desenvolvimento de novas fontes provedoras de matérias-primas e outros insumos. Introdução de um novo produto ou a melhoria da qualidade de um já existente.indb 17 18/03/2012 22:05:14 . Introdução de um novo método de produção. Introdução de novos métodos de produção. Conceitos de Schumpeter Identificação GEM Introdução de novos produtos. p. 71). tem como base o Quadro 3. Conquista de novas fontes de matérias-primas. A pesquisa GEM 2008. apresentada neste capítulo.

Já o empreendedorismo por oportunidade acontece não por não ter outra opção de trabalho. sendo significativo a partir de 2006. identificar e produzir o novo conhecimento que pode fornecer oportunidades para a inovação do processo. Isso demonstra que o mercado brasileiro está dando condições de implementação de novos empreendimentos e. havia 2. os empreendedores nascentes mantiveram-se. demonstrando uma tendência de crescimento da atividade empreendedora no país.2%). o empreendedorismo motivado por oportunidade teve crescimento.8%. o empreendedor brasileiro está identificando essa oportunidade. e sim por ter identificado uma oportunidade de negócio que desejou perseguir. no qual o empreendedor vê a mudança como norma e como sendo sadia. A taxa entre oportunidade versus necessidade. os empreendedores por oportunidade fizeram-no pela busca de: (a) maior independência e liberdade na vida profissional (43. Essa taxa é considerada a maior desde que o país participa desta pesquisa. que foi de 5. provocando a mudança por si mesmo e sempre buscando a mudança. o que significa que a cada cem brasileiros.3%). os empreendedores por oportunidade são maioria. Drucker (2002) ressalta o aspecto da inovação. À frente do Brasil. tem sido superior a 1. pode ter tido algum desenvolvimento por mudanças ambientais ou por complementação por solução de problemas ou atendimento de necessidade identificadas pelo inovador. (b) pelo aumento da renda pessoal (35.1 empreendedores que o faziam por oportunidade. em 2010. de pessoas na faixa etária de 18 a 64 anos.5%. é superior a cento e vinte milhões de indivíduos. nascentes ou novos. (c) apenas pela manutenção de sua renda pessoal (18.4. em relação ao empreendedorismo motivado por necessidade. No entanto.5%). A motivação para empreender. na proporção apresentada em 2009. Observa-se. representando 131. A população adulta brasileira. ainda. mais de dezessete pessoas realizavam alguma atividade empreendedora no momento da pesquisa. Então. Nesse sentido. O empreendedorismo por necessidade ocorre quando não há outra opção de trabalho.4%. no período de 2001 a 2010. considerando o percentual da TEA. identifica que. reagindo a ela e a explorando como uma oportunidade. que 11. Os dados apresentados pela pesquisa GEM 2010 indicam que a TEA foi de 17. para cada empreendedor iniciando o seu negócio por necessidade. Em 2010. Verificando o estágio do empreendimento. em 2010.8% da taxa de crescimento da TEA são de negócios novos. com menos de quarenta e dois meses de existência.7 milhões de adultos no país.0%). Ainda conforme a pesquisa. Nos outros anos.indb 18 18/03/2012 22:05:15 . e (d) por outros motivos (3. apenas a China possui mais empreendedores: a TEA chinesa foi de 14. para cada empreendedor por necessidade.18    IZ ABEL CRISTINA D A ROS A DOS S A NTOS Outra forma de analisar o empreendedorismo é verificar se há algum potencial de coisa nova ou mesmo pela existência atual. desde 2003. são 21. no Brasil. o empreendedorismo por necessidade superou a taxa de empreendedorismo por oportunidade. por outro lado.1 empreendedores por oportunidade. no Brasil. no Brasil. havia 3. Empreender_e_Inovar. Através de mudanças demográficas.1 milhões de brasileiros envolvidos em atividades empreendedoras em 2010. desde 2007. apenas no ano de 2002. o empreendedor precisa sentir.

4 Criação de emprego 78. poucos ou nenhum outro empreendimento oferecendo produtos ou serviços similares.5% de produtos não inovadores. no período de junho de 2011. Os empreendedores brasileiros não são considerados inovadores. o empreendedorismo por necessidade pode ter a influência da conjuntura econômica. apenas 16. como definem a novidade do seu negócio. é possível perceber que. em 2010. Em junho de 2010.2 Idade das tecnologias e processos 85.5 13.7 Expectativa de exportação 84.7 0. idade das tecnologias e processos.indb 19 18/03/2012 22:05:15 . Em 2008. os empreendedores em estágio inicial oferecem produtos ou serviços conhecidos dos seus consumidores. A pesquisa GEM 2008 analisou a taxa de inovação dos negócios (3%) questionando os participantes da pesquisa em relação ao grau de novidade que seus produtos e serviços possuem e ao que representam para seus consumidores.2%.8 7.7 12.3 13. Além disso. passou de 5. de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Potencial empreendedor (%) Não inovador Capacidade de inovação intermediária Inovadores Conhecimento novo 83.7 1. p.9 Característica do empreendimento Fonte: GEM (2008. foi de 6. sendo considerada. No Brasil.2% dos empreendedores por oportunidade têm como objetivo aprimorar a vida com seu novo negócio. A taxa de desemprego no Brasil.8% desses empreendedores consideraram que o produto ou ser- Empreender_e_Inovar. Tabela 1 – Potencial empreendedor segundo características dos empreendimentos. onde também está indicada a relação do potencial empreendedor (não inovador. no Brasil.1 3. novos ou estabelecidos.4 Quantidade de concorrentes 65. capacidade de inovação intermediária e inovadores). a taxa de desemprego no Brasil foi de 7%. quantidade de concorrentes.O A MBIENTE BRASILEIRO PARA O EM P REENDEDORISM o      19 Percebe-se que 78. expectativa de exportação e criação de emprego). para empreendedores nascentes. Por estes dados. sendo considerada compatível com a expansão do emprego formal no Brasil. Observa-se que a taxa do empreendedorismo por necessidade.0 27. tendendo a diminuir quando há o aumento da oferta de emprego. A Tabela 1 apresenta resultados obtidos pela pesquisa GEM 2008 referente ao potencial empreendedor segundo as características dos empreendimentos (conhecimento do produto. a menor para o mês desde o ano de 2002. 71). Na pesquisa realizada pelo GEM em 2010.4%. o potencial empreendedor representava 83.8 14. em termos de níveis de concorrência pela percepção: se é de muitos.8 7.9% para 5.

tanto por oportunidade como por necessidade.20    IZ ABEL CRISTINA D A ROS A DOS S A NTOS viço era novo para todos ou para alguns consumidores. os benefícios da inovação permitem o aumento do nível de geração de emprego e renda. segundo CNAE. segundo motivação e estágio – Brasil – 2010 – Proporção (%).9% escolheram como atividade econômica em estágio inicial empreendimentos referentes a serviços voltados ao consumidor. em segmentos como varejo (25%). muitos e poucos concorrentes). Conforme a pesquisa GEM 2010. para aqueles que inovam. A Tabela 2 apresenta a proporção de empreendedores iniciais por tipo de atividade. Entre esses 16. e destes. totalizando uma concentração de 63% de ocupação destes setores. nascentes ou novos. 83. além de possibilitar o acesso ao mundo globalizado. está em negócios relacionados ao atendimento do consumidor final. Para a análise do empreendedorismo brasileiro e sua segmentação na atividade econômica. E. Motivação Estágio Oportunidade Necessidade Oportunidade Necessidade Comércio varejista 25% 26% 23% 27% Indústria de transformação 10% 11% 11% 10% Alojamento e alimentação 14% 21% 16% 10% Atividades serviços coletivos 6% 8% 10% 8% Atividades imobiliárias 14% 9% 13% 15% Construção 6% 6% 1% 8% Transporte e armazenagem 4% 2% 3% 4% Venda e manutenção de veículos 5% 5% 6% 4% Comércio atacadista 1% 1% 3% 1% Tipo de atividade Empreender_e_Inovar.5% dos empreendedores brasileiros afirma que seu produto ou serviço encontra pouca ou nenhuma concorrência. Quanto à concorrência.8% de empreendedores. 56. 37. alojamento e alimentação (15%) e atividades imobiliárias (13%). sendo que 93% dos empreendimentos possuem concorrência direta (segundo a classificação da pesquisa. elaborada pelo IBGE. o empreendedor brasileiro não tem ou tem pouca percepção quanto à ocupação de nichos mercadológicos. 64. Ou seja. O foco principal dos empreendedores.2% estudaram pelo menos o suficiente para terminarem o ensino médio. foi utilizada a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE).indb 20 18/03/2012 22:05:15 . Tabela 2 – Empreendedores iniciais e CNAE. outro parâmetro para identificar a inovação dos empreendimentos em fase inicial. A pesquisa ainda ressalta que as boas ideias de produtos são consideradas aquelas dirigidas às necessidades dos consumidores.2% (dados de 2010) apontaram que ninguém considerava novo o produto oferecido. indústria de transformação (10%).

Portanto. os negócios não apresentam distinção de gênero. A pouca percepção quanto à ocupação de nichos mercadológicos por parte dos empreendedores faz com que haja um nível considerável de concorrência direta. a gestão do conhecimento está ligada à capacidade das empresas administrarem e utilizarem seus conhecimentos na geração de novos conheci- Empreender_e_Inovar.indb 21 18/03/2012 22:05:15 . A atividade industrial de transformação não apresentou um perfil definido entre a população empreendedora brasileira pesquisada. sendo que o cenário é complexo no mundo empresarial e corporativo. É importante ressaltar os dados referentes ao grau de escolaridade dos empreendedores iniciais quanto ao nível de concorrência: 57% destes empreendedores pelo menos possuem o ensino médio. O gênero masculino. inclusive considerando a faixa dos graduados e pós-graduados. segundo motivação e estágio – Brasil – 2010 – Proporção (%) (continuação) Motivação Estágio Oportunidade Necessidade Oportunidade Necessidade Residência com empregados 10% 5% 10% 9% Outras atividades 5% 6% 4% 4% Tipo de atividade Fonte: GEM (2010. Segundo a pesquisa. busca empreender em atividades imobiliárias e no atendimento às empresas. uma vez que. lembrando que os fenômenos socioeconômicos mundiais podem ser responsáveis pela reestruturação do ambiente de negócios. além da manutenção das atividades comerciais existentes. que impulsionada pela tecnologia da informação e da comunicação é uma realidade que não se pode contestar. isto enfatiza a importância da gestão do conhecimento. difusão e utilização do conhecimento. para o autor. Os dados indicam que o comércio varejista tem preferência pelos empreendedores do gênero feminino. Quando a escolaridade é abaixo de cinco anos. com idade jovem e com escolaridade média. ou seja. A pesquisa de 2010 indicou que os jovens entre dezoito e vinte e quatro anos preferem iniciar seus empreendimentos no ramo do comércio varejista. a gestão do conhecimento é análoga aos conceitos abordados sobre criação. sendo em torno de 33%.O A MBIENTE BRASILEIRO PARA O EM P REENDEDORISM o      21 Tabela 2 – Empreendedores iniciais e CNAE. A pesquisa aponta. A globalização da economia é um exemplo deste cenário. a pesquisa apresentou uma tendência de crescimento dos setores de serviços e da indústria de transformação.5% dos empreendedores brasileiros afirmaram que seus produtos encontram pouca ou nenhuma concorrência no mercado. p. em todas as faixas etárias estudadas. faixa etária e escolaridade. com escolaridade acima dos onze anos de estudo. também. pessoas deste mesmo gênero com maior idade procuram empreender na atividade de alojamento e alimentação. 70). Para Terra (2000). para medir a inovação dos empreendimentos. é levado em conta o grau de concorrência enfrentada pelos empreendedores. que apenas 37. Contudo.

p. prepará-lo para aprender a agir e pensar por conta própria. que se concretizam em novos produtos. 2004. Este indicador demonstra que é preciso dar maior atenção a esse tema nas propostas de políticas públicas. formaram a taxa mais alta. além de estudar as suas expectativas. A pesquisa ainda apontou como destaque o Brasil quanto aos indicadores de escolaridade. O conhecimento leva a uma inovação contínua que deve responder à necessidade e às condições econômicas. p. tendo como objetivo baixar a taxa de mortalidade das empresas. Numa economia em que o processamento de informações. engenho e conhecimento. deve existir talento. em inovação. a inovação necessita de trabalho duro. Empreender_e_Inovar. serviços. adquirir conhecimento e também desenvolver comportamentos. como em qualquer outro empreendimento. Os empreendedores inovam. com ele. não apenas as empresas. Cecatto (2008) argumenta que “quem tem um diferencial a mais vai mais longe”. os empreendedores com formação podem ser muito valorizados (CAPRA. a inovação. liderança e visão de futuro. Porém. 154). costumeiro. 22. com criatividade. entre os países que participaram da pesquisa. tudo isto só será relevante se o empreendedor visualizar a importância dos ativos intangíveis em sua vida profissional. O principal diferencial a que ele se refere é o conhecimento e. Os inovadores devem sair e olhar. 2002. A educação e capacitação são apontadas pela pesquisa GEM 2010 como a maior preocupação por 81% dos especialistas entrevistados. Drucker (2002. criando uma oportunidade para o processo de inovação. necessita de uma competência essencial. para inovar e ocupar o seu espaço no mercado. as novas tecnologias que proporcionam o surgimento de novas fórmulas de “fazer” o trabalho nas empresas. 59-60) aborda que. O autor afirma ainda que a base do espírito empreendedor é a prática da inovação sistemática. onde os empreendedores com nível de pós-graduação. mais que técnico (SAY apud DRUCKER.2%. conhecido e confortável. e a inovação é o instrumento específico do espírito empreendedor. quer se trate de um serviço ou um processo. 40): “O apoio ao empreendedorismo e o aumento da dinâmica empreendedora de um país deveriam ser prioridades de qualquer política ou ação governamental que tenha por objetivo promover o desenvolvimento econômico”. e o relacionamento da inovação. É considerada uma condição sine qua non a capacitação e a qualificação para formar o empreendedor. e desta forma a mudança poderá ocorrer. focalizado e determinado. requer conhecimento. Porém. A inovação “precisa estar organizada para o abandono sistemático de tudo aquilo que é estabelecido. 108). De acordo com Dolabela (1999.indb 22 18/03/2012 22:05:15 . sendo um termo econômico ou social. um conjunto de aptidões. sistemas gerenciais e liderança de mercado. mudança e ação empreendedora às condições dinâmicas da economia. Toda organização. 2002). relações humanas e sociais ou a própria organização” (DRUCKER. ou seja. Além disso. seus valores e suas necessidades. p.22    IZ ABEL CRISTINA D A ROS A DOS S A NTOS mentos. a inovação e a criação de conhecimento são as principais fontes de produtividade. perguntar e ouvir os usuários em potencial. p.

nessa pesquisa foram percebidas. em parte.O A MBIENTE BRASILEIRO PARA O EM P REENDEDORISM o      23 Em relação ao uso de novas tecnologias. alguns aspectos apresentam condições favoráveis e controláveis. apenas 5% dos empreendedores utilizam tecnologias disponíveis a menos de um ano. Entretanto. o que pode prejudicar são as condições ligadas às políticas de apoio ao empreendedor. O empreendedorismo pode ser considerado um facilitador que proporciona o progresso tecnológico e de inovação. (2010). Hoje. com pequenas taxas de populações localizadas nas fronteiras e pela grande demanda de consumo interno. pode envolver mudanças na estrutura do negócio e da sociedade. como mais favoráveis as condições de: (a) oportunidade empreendedora.8% dos empreendedores afirmaram possuir consumidores fora do Brasil. Entretanto. no Brasil. eles podem gerar crescimento. no Brasil. Ainda. crescimento econômico. Outro ponto de atenção que muitas vezes pode ser negativo é o tempo que se leva para obter as licenças de funcionamento dos novos empreendimentos.indb 23 18/03/2012 22:05:15 . tais como inflação. gerando possibilidades de trabalho. como as políticas e programas do governo. mas não consegue proporcionar as condições favoráveis para o desenvolvimento do negócio. renda e investimentos. 1. o país possui a menor orientação internacional entre os empreendedores dos países da América Latina.3  Condições para empreender no Brasil Os especialistas que participaram da pesquisa GEM 2010 indicaram que o país oferece diversas oportunidades de empreendedorismo. e (d) valorização da inovação (Figura 1). Segundo alguns autores. (b) motivação empreendedora. Além disso. permitindo maior distribuição de recursos entre os envolvidos. pelos especialistas entrevistados. isto se deve. Empreender_e_Inovar. Apenas 6. ao fato da grande extensão territorial brasileira. O desenvolvimento dos empreendedores pode contribuir com o país no seu crescimento. (c) mercado interno e dinamismo/oportunidade. serviços educacionais. como Machado et al. financeiros e de ciência e tecnologia. entre outras. que vão além do aumento de produção e de rendimentos. tanto de produto e serviços quanto de mercado.

segundo percepções dos especialistas – Brasil – 2010. Este indicador demonstra que é preciso dar maior atenção a esse tema nas propostas de políticas públicas. Tabela 3 – Recomendações mais citadas pelos especialistas – Brasil – 2002 a 2010. políticas governamentais.. tempo. A pesquisa GEM 2010 também apresenta recomendações feitas pelos especialistas que apontam as questões mais críticas e que podem limitar o empreendedorismo no Brasil. estadual e... Capacidade empreendedora: potencial Transferência e desenvolvimento de tecnologia Políticas gov. 178). 146). apoio financeiro e programas governamentais. % Citações Recomendações 2002 2003 2004 2006 2008 2009 2010 Educação e capacitação 78% 88% 71% 57% 69% 69% 81% Políticas governamentais 76% 62% 57% 100% 63% 75% 47% Apoio financeiro 31% 31% 46% 40% 34% 31% 39% Programas governamentais 51% 38% 26% 43% 40% 44% 33% Fonte: GEM (2010. Média Brasil 2 1 3 4 5 Figura 1 – Condições que afetam o empreendedorismo. Mercado: maiores barreiras. custos... em âmbito federal. Fonte: GEM (2010. A educação e capacitação são apontadas como a maior preocupação pelos especialistas.indb 24 18/03/2012 22:05:15 .. com 81%.24    IZ ABEL CRISTINA D A ROS A DOS S A NTOS Oportunidade de empreendedora Capacidade empreendedora: motivação Mercado: interno e dinamismo/oportunidade Valorização da inovação: consumidor Acesso à infraestrutura física Participação da mulher Valorização da inovação: empresa Normas sociais e culturais Infraestrutura comercial e profissional Proteção aos direitos intelectuais Empreendimentos de alto crescimento Programas governamentais Suporte financeiro Educação e treinamento – ensino superior e... p. Políticas governamentais: impostos. A Tabela 3 aponta a concentração de quatro fatores mais citados nesta pesquisa: educação e capacitação.. Educação e treinamento – ensino. p. Empreender_e_Inovar..

J. Peter Ferdinand. Ronald Jean.br Associação das Entidades Promotoras de Empreendimentos de Tecnologias Avançadas (Anprotec) Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) Endeavor (ONG que apoia empreendedores) Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) Instituto Euvaldo Lodi  REFERÊNCIAS CAPRA.pintec. 296 p. DOLABELA.indb 25 18/03/2012 22:05:15 . _______. 2001. 6. 2006. 14. DRUCKER. 2011. Disponível em: <http://www. 2008. São Paulo: Thomson. A. CECATTO. Acesso em: 29 mai.bte. ed. ed. Rio de Janeiro: Campus.gov. São Paulo: Cultrix. Inovação e espírito empreendedor: entrepreneurship: prática e princípios. As conexões ocultas: ciência para uma vida sustentável. _______. O empreendedor: fundamentos da iniciativa empresarial.gov. F. Empreendedorismo: transformando idéias em negócio. In: Biblioteca Temática do Empreendedor – Sebrae. 1999. 2008. C.mct. São Paulo: Cultura. os especialistas recomendam que seja proporcionada a aproximação das instituições de ensino dos diferentes níveis à vivência do empreendedor. O segredo de Luísa: uma idéia.gov. É importante que sejam identificadas outras informações e análises de estudos que possam apresentar o dinamismo do empreendedorismo. São Paulo: Makron. 2002. São Paulo: Cultura. Empreender_e_Inovar. Oficina do empreendedor. br>.  RECOMENDAÇÕES PARA COMPLEMENTAÇÃO DOS ESTUDOS www. 2004. DORNELAS.O A MBIENTE BRASILEIRO PARA O EM P REENDEDORISM o      25 E. 1989. C.br www. uma paixão e um plano de negócios: como nasce o empreendedor e se cria uma empresa. Fernando.com.. São Paulo: Cengage Learning.ibge. A Importância da Gestão do Conhecimento nas empresas. DEGEN. para aumentar o empreendedorismo no Brasil. os dados e as informações da pesquisa não se limitam à apresentação deste capítulo. A profissão de administrador.finep.br www. Como as atividades do empreendedor são dinâmicas.

 Este capítulo foi elaborado por Izabel Cristina da Rosa dos Santos.usp. José C. Empreendedorismo no Brasil: 2009.weforum. A. Global Competitiveness Report 2009-2010. Revista de Administração. 1991.php?id=41&pag=artigoEntrevistaDetal he>. 2003. 14. Empreender_e_Inovar. HISRICH.. 2010. 2009. São Paulo. Maringá. 3. HISRICH. Disponível em: <http://www.org/pdf/GCR09/GCR20092010 fullreport. v.br>. Teoria do Desenvolvimento Econômico: uma investigação sobre lucros. Porto Alegre: Book- man. p. n. Curitiba: IBQP. GRECO. Michael P. IBQP.08..br/portal/home/index. 2011.ibqp. 2010. GEM 2010: GRECO.fea. 2009.org. _______. 38-47. Porto Alegre: Bookman. Universidade Estadual de Maringá. 1982./set. n 3. Revista de Administração de Empresas. Simara Maria de Souza Silveira et al. TERRA. Acesso em: 30 abr. SCHUMPETER. 2000.ead. p. Curitiba: IBQP. v. Robert D. Genebra: World Economic Forum. Desafios do empreendedorismo. Rio de Janeiro: Elsevier. Acesso em: 29 mai.. Perfis empreendedores: análise comparativa das trajetórias de sucesso e do fracasso empresarial no Município de Maringá. ed. 31. Gestão da Criatividade. C. 34. 63-72. O empreendedor inovador: faça diferente e conquiste seu espaço no mercado. Louis Jacques. 35. 1999. São Paulo.2008. PETERS. SARKAR. p. Soumodip. Revista de Administração de Empresas. SHEPHERD. 2. Robert D.indb 26 18/03/2012 22:05:15 . Disponível em <http://www. jul. juro e o ciclo econômico. 05-28. São Paulo. Empreendedorismo. Empreendedorismo no Brasil: 2008. GREATTI. Empreendedorismo: empreendedores e proprietários-gerentes de pequenos negócios.26    IZ ABEL CRISTINA D A ROS A DOS S A NTOS FILION. K. Empreendedorismo. Dean A. SCHWAB.pdf>. MACHADO. n. v. 2004. Curitiba: IBQP. J./ jun. Michael P. abr. GEM 2008: GRECO. 2008. 2009./set. L. Disponível em: <http:/ www. crédito. Dissertação (Mestrado em Administração). Empreendedorismo no Brasil: 2010. PETERS. Simara. Simara Maria de Souza Silveira et al. jul. 5. 2010. O planejamento de seu sistema de aprendizagem empresarial: identifique uma visão e avalie o seu sistema de relações. Joana Paula et al. São Paulo: Abril Cultural. capital.

indb 27 18/03/2012 22:05:15 . uma novidade para o mercado. Na verdade. Um exemplo disso encontra-se na Apple. 19). p. aborda especificamente a constituição de ambientes para inovação. impulsionado principalmente pelas vendas do iPhone. os grandes vencedores estão fugindo dos produtos e serviços com características de commodities e partindo para soluções inovadoras. Para tal. serviços. 2005) de que “a inovação tecnológica é definida pela implementação de produtos (bens ou serviços) ou processos tecnologicamente novos ou substancialmente aprimorados. Aqui. 2005). como parques tecnológicos e incubadoras. o desenvolvimento e/ou a implementação de produtos. Esse exemplo ilustra bem a situação. o que está por trás disso é a busca da liderança ou da sobrevivência em um mercado cada vez mais competitivo. a palavra inovação está presente nos objetivos de muitas empresas. necessariamente. apresenta uma realidade na qual um produto inovador alavancou um aumento de 49% nos volumes de vendas. A implementação da inovação ocorre quando o produto é introduzido no mercado ou quando o processo passa a ser operado pela empresa” (IBGE. e o papel dos mesmos perante o governo. as dificuldades de ingresso em mercados tradicionais e a criação de mercado para produtos ou serviços inovadores. de acordo com o Manual de Oslo (OCDE. que em 2010. Este capítulo discute a necessidade de empreender. veiculado no site da Rede Globo (www. possibilitando comparabilidade dos dados. Empreender_e_Inovar. é importante ressaltar que a inovação abrange inclusive aquilo que é novo sob o ponto de vista da própria empresa. Este aspecto da inovação como novidade para empresa também pode ser observado no conceito de inovação trabalhado pelo IBGE na Pesquisa de Inovação Tecnológica (PINTEC. Tal conceito é amplamente utilizado internacionalmente para mensuração de indicadores sobre a atividade inovadora das empresas de diversos países. sistemas ou modelos de negócios novos ou modificados.Capítulo 2 Ambientes de inovação No mundo competitivo de hoje. 2. com a finalidade de criar um novo valor para os clientes e também retorno financeiro para a empresa. Este resultado.globo. compreende o projeto.com/economiaenegocios) em 20/04/2010. não representando. teve um aumento de 49% no volume de seus negócios. 2007.1  O contexto para a inovação Atualmente. pois inovação.

inovar traz consigo um conjunto de incertezas. na maioria das vezes. Dessa forma. 1996. laboratórios de empresas e atividades de cientistas e engenheiros. em economias emergentes. Neste sentido. institutos de pesquisa. p. qualquer área do conhecimento humano. Nesse contexto de interação. proposta por Christopher Freeman (1987). Ou seja. Embora estas características denotem um empreendedor. Essa abordagem. universidades. na verdade. “Esses arranjos institucionais envolvem firmas.indb 28 18/03/2012 22:05:15 . 57). pois se encontram inseridas num ambiente composto por outras firmas. incluir investimentos públicos e privados em pesquisa. agências governamentais. Esse sistema. Arranjos institucionais que se articulam com o sistema educacional. 57). completando o circuito dos agentes que são responsáveis pela geração. p. uma vez que um produto ou serviço só vai se caracterizar como inovador a partir de sua aceitação no mercado. redes de interação entre empresas. 1996. estabelecer padrões de desempenho. instituições financeiras. e sim desenvolver produtos e serviços baseados em conhecimento científico. originalmente desenvolvido por Nelson (1993). uma vez que a inovação se preocupa com o sucesso comercial da invenção. possibilitando associar a relação entre as taxas de crescimento de uma economia e o seu grau de inovação tecnológica. entre outros. inovar não representa apenas ter entusiasmo em criar algo diferente. Empreender_e_Inovar. com o setor industrial e empresarial e também com as instituições financeiras. deixa claro que. Esta diferença básica. ainda.28    IVAN BRA SIL G A LVÃO DOS S A NTOS & VA NESSA DE SOUZ A BATISTI Contudo. “O Sistema Nacional de Inovação é uma construção institucional. desenvolvimento e difusão das inovações tecnológicas. conforme Ghostal e Barlett (2000). identificar e desenvolver pessoas e fixar horizontes de crescimento. importação de novos equipamentos e investimentos estrangeiros diretos e. Desta forma. pessoas inventam e somente empresas inovam. agências governamentais. que podem ser definidos como um conjunto de instituições públicas e privadas. enfatizou que a ação coordenada de vários atores impacta o desempenho tecnológico dos países. na capacidade dos empreendedores de modificar. que se manifesta nas competências dos empreendedores em ver e criar oportunidades. empresas ditas inovadoras devem possuir liderança instalada para a inovação. somente é passível de análise quando se considera o seu caráter interativo. universidades. uma vez que as firmas não inovam sozinhas. conforme Barbieri (2003) e Nobrega (2011). faz-se necessário que este ator encontre um ambiente favorável e desafiador que favoreça o desenvolvimento de suas ideias – assunto abordado na próxima seção. é bom que fique bem diferenciado o conceito de inovação do conceito de invenção. O processo de inovação. implementação e difusão das inovações” (ALBUQUERQUE. com sua forma de agir. as quais contribuem para desenvolver e difundir novas tecnologias. surge o conceito de sistemas de inovação (SI). institutos de pesquisa. procura incluir a transferência de novas tecnologias. produto de uma ação planejada e consciente que impulsiona o progresso tecnológico em economias capitalistas complexas” (ALBUQUERQUE.

GOVERNO EMPRESAS ACADEMIA Figura 2 – Modelo da tríplice hélice. com resultados marcantes. onde existem condições favoráveis para que a criatividade e a inovação possam ser desenvolvidas”. os quais facilitam a geração de novas ideias. p. este modelo chamado de tríplice hélice (Figura 2). e as iniciativas brasileiras. vêm se sucedendo. e o poder público. 9) definem os habitats ou ambientes propícios à inovação como os “espaços físicos e institucionais. que desde então incentiva o empreendedorismo. como o surgimento da HP. atrelados à Stanford University. p. para aplicar estas pesquisas. tanto internos quanto externos à empresa.2  Habitats ou ambientes de inovação Mattos et al. uma vez que empresas inovadoras geram riquezas e postos de trabalho. os parques tecnológicos e as incubadoras serão explorados. Fonte: Etzkowitz (2009. 2009).indb 29 18/03/2012 22:05:15 . e a primeira empresa criada em um laboratório de universidade (ETZKOWITZ. a Stanford University criou o Parque Industrial de Stanford. tem-se a universidade no compromisso de gerar pesquisas. as tecnópolis e os sistemas locais e regionais de inovação” (MATTOS et al. Na sequência. Pode-se destacar. desde a década de 1980.. Empreender_e_Inovar. uma vez que os primeiros estudos remontam ao início do século XIX. para apoiar a infraestrutura necessária. (2008. e empreendimentos como o Vale do Silício. empresas e poder público. Na década de 1950. os parques científico-tecnológicos. A partir dele. “os ambientes propícios à inovação são os espaços de pré-incubação e incubação de empresas. a empresa. os pólos tecnológicos. vem se fortalecendo desde então. 9). 26). na década de 1930. p.AMBIENTES DE INOVAÇÃO     29 2. De acordo com Etzkowitz (2009). Já externamente à empresa. que une universidades. 2008. nos EUA. enquanto espaços internos às firmas. tanto os departamentos de pesquisa e desenvolvimento (P&D) quanto os espaços/fóruns de discussão. A ideia de se criar ambiente propício não é nova.

se caracterizam por serem gerenciados por profissionais especializados.indb 30 18/03/2012 22:05:16 . Como exemplo. Os objetivos principais destes empreendimentos compreendem a disponibilização de um ambiente favorável ao desenvolvimento de conhecimento e de empresas. com condomínios de empresas maduras e de empresas incubadas no entorno de instituições de ensino. 2011). concentrado e cooperativo. Atualmente. após uma geração inicial (de 1950 a 1980) baseada no pioneirismo. constitui-se como exemplo destes parques de terceira geração. Os parques pioneiros (1ª geração) nasceram de forma espontânea. A Figura 3 ilustra as três gerações de parques tecnológicos. Esses parques tecnológicos. de acordo com a International Association of Science Parks (IASP. cujo principal objetivo é incrementar a geração de renda e riqueza na comunidade.1  Parques tecnológicos O modelo da tríplice hélice. nos Estados Unidos. localizado em Guilford. promovendo um processo de desenvolvimento socioeconômico extremamente impactante.2. caracterizando-se como um complexo produtivo industrial. no Distrito Federal. caracterizada pelo apoio e suporte sistemático de estatais com o objetivo de promover a integração universidade-empresa. uma vez que contam com forte investimento estatal e são orientados para o mercado globalizado. de caráter formal. A segunda geração de parques já nasceu de forma planejada. Empreender_e_Inovar. e atualmente vive-se o momento de criação de parques com ações estruturantes a partir de políticas públicas (de 1990 até hoje). Um exemplo de parque de segunda geração é o The Surrey Research Park. Surrey. formal e estruturada. que abriga um dos maiores clusters tecnológicos do mundo. 2011). no Reino Unido. A terceira geração de parques contempla a criação de estruturas.30    IVAN BRA SIL G A LVÃO DOS S A NTOS & VA NESSA DE SOUZ A BATISTI 2. já planejados e formalizados. os parques tecnológicos encontram-se na sua terceira geração (ANPROTEC. orientadas pelo desenvolvimento econômico e tecnológico de países emergentes. O Parque Tecnológico Sucupira de Biotecnologia e Agronegócios. de serviços. vieram os parques seguidores (de 1980 a 1990). através da promoção da cultura de inovação e competitividade de suas empresas associadas e instituições baseadas no conhecimento. permitindo que nações e regiões pudessem assumir uma posição competitiva privilegiada no desenvolvimento tecnológico mundial. de base científico-tecnológica. que agrega empresas cuja produção se baseia em pesquisa tecnológica desenvolvida nos centros de P&D vinculados a cada parque. planejado. ou seja. segundo a Anprotec (2011). fundamenta o desenvolvimento de parques tecnológicos. pode-se citar o Vale do Silício.

biotecnologia. eletrônica e instrumentação. composto por cinco fundações privadas. França. o Brasil. treze em processo de implantação e outros onze em fase de planejamento. qualificadoras. Os parques tecnológicos no Brasil só começaram efetivamente na década de 1980. (b) capacidade instalada de pesquisa nas universidades brasileiras.indb 31 18/03/2012 22:05:16 . Conforme a Anprotec. o crescimento do número de projetos de desenvolvimento de parques tecnológicos no Brasil vem aumentando de forma significativa devido a: (a) demanda por empresas geradas/formadas em parques tecnológicos. Campina Grande (PB). a partir de parques distribuídos nacionalmente em: Manaus (AM). articuladoras e operacionais. criou um conjunto de ações estruturantes. sem fins lucrativos. Joinville (SC) e Santa Maria (RS). meio ambiente e agronegócios.Performance / Relevância AMBIENTES DE INOVAÇÃO     31 PARQUES TECNOLÓGICOS 3ª GERAÇÃO PARQUES TECNOLÓGICOS 1ª GERAÇÃO 50 PARQUES TECNOLÓGICOS 2ª GERAÇÃO 70 90 Tempo Figura 3 – Gerações de parques tecnológicos. A ideia inicial foi a de transferir tecnologia das universidades para o setor produtivo. De acordo com a Anprotec (2011). (c) experiências bem-sucedidas de países como a Espanha. com a criação do Programa Brasileiro de Parques Tecnológicos. ou seja. Finlândia. São Carlos (SP). apresentava onze parques tecnológicos em operação. Fonte: Anprotec (2011). gerando cerca de cinco mil postos de trabalho. em busca da consolidação dos parques brasileiros. Estados Unidos. e ainda (d) o crescimento e fortalecimento de determinados setores da economia com potencial de atuação em mercados internacionais. serviços. um conjunto de ações a serem implementadas para estabele- Empreender_e_Inovar. sendo que 50% deste valor foi originado a partir de órgãos do Governo Federal ligados a energia. Estes parques agregam mais de duzentas e cinquenta empresas de tecnologia instaladas. além de receberem investimentos públicos da ordem de cinquenta milhões de reais. no final de 2011. Coreia e Taiwan. O Governo Federal.

responsável pelo estabelecimento de diretrizes conceituais e técnicas para o Sinapti. MDIC. regional e local. Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Caixa etc. estabeleceu também um conjunto de ações de qualificação. «« implantação do comitê diretivo e do comitê gestor do Sinapti. Casa Civil. «« Programa de capacitação. «« Articulação dos governos estaduais e municipais: forte envolvimento dos governos estaduais e municipais. ou seja. CNPq. governos estaduais e municipais. através de apoio e participação de deputados e senadores tanto na formulação quanto na execução da política pública.32    IVAN BRA SIL G A LVÃO DOS S A NTOS & VA NESSA DE SOUZ A BATISTI cer as bases e fundamentos para medidas de caráter mais prático e operacional. ou seja. as ações estruturantes desenvolvidas foram: «« criação e implantação do Sistema Nacional de Parques Tecnológicos e Incubadoras de Empresas (Sinapti). Cidades. o qual deverá indicar quais os parques tecnológicos que deverão ser considerados de relevância nacional. Essas ações estão sendo lideradas e executadas pelos Ministérios da Ciência e Tecnologia (MCT) e de Desenvolvimento. De acordo com o MCT (2011) e o MDIC (2011).indb 32 18/03/2012 22:05:16 . estabelecendo os objetivos do sistema. agências de governo. disseminação e esclarecimento acerca das prioridades e desafios do país que devem orientar os projetos de parques tecnológicos. como: «« Lançamento de um edital para apresentação de projetos de parques visando a aplicação da taxonomia de parques. «« constituição do grupo técnico de avaliação e acompanhamento. O Governo Federal. a fim de permitir a definição de metas e estratégias de investimento para o Brasil. Este edital objetivou gerar um “mapeamento” dos projetos e iniciativas de parques no país. «« Articulação de ministérios e agências de governo: atuação conjunta de diversos ministérios (MCT. o MCT e o MDIC desenvolveram um conjunto de ações articuladoras. na busca de qualificar o trabalho a ser desenvolvido. Banco do Brasil. Saúde. Educação. Congresso Nacional. com ministérios. Integração Regional etc. Este trabalho visa assegurar a credibilidade do portfólio de projetos a ser gerado.). ações cujos objetivos são organizar e preparar o ambiente para a implantação das medidas de caráter operacional (MCT.) e agentes de governo (BNDES. MDIC. forma de operação e modelo de governança. 2011). Com o intuito de engajar e comprometer os diversos atores importantes para o cumprimento dos objetivos de uma política pública de apoio à implantação de parques. tanto no processo de definição e Empreender_e_Inovar. Finep. «« Articulação junto ao Congresso Nacional: obtenção de recursos de in- vestimento para projetos de parques tecnológicos via emendas parlamentares. ABDI. «« Realização de um trabalho minucioso de avaliação dos parques existentes.

dentre outras estatais brasileiras. seja pela criação de instrumentos de incentivos ao investimento no próprio “empreendimento parques tecnológicos”. como: «« estruturação e lançamento de programas de apoio a parques tecno- lógicos: programas diferenciados e complementares para apoio ao desenvolvimento e inovação de parques tecnológicos. e apoio à infraestrutura predial e laboratorial. empresas inovadoras e transferência de tecnologia. que representaram cerca de quatrocentas incubadoras de empresas e seis mil e trezentos empreendimentos inovadores. estímulo e fomento ao movimento de parques brasileiro. implantação e infraestrutura de parques tecnológicos e projetos mobilizadores de centros de tecnologia e inovação (C&T&I) dos parques tecnológicos. De acordo com a Anprotec (2011). articulação de políticas públicas e geração e disseminação de conhecimentos. conforme o MCT (2011) e o MDIC (2011). 2011). um conjunto de ações operacionais. que juntos geraram aproximadamente trinta e três mil postos de trabalho no país. no sentido de consolidar processos de apoio. seja pela estruturação de linhas de financiamento que estimulem a participação do setor imobiliário na construção de edificações a serem utilizadas pelas empresas do parque. «« incentivos ao investimento privado em parques tecnológicos: estruturação e lançamento de instrumentos e mecanismos de estímulo à participação privada. contemplando apoio à P&D&I. «« articulação das empresas estatais com prática de investimento em tecnologia: empresas como Petrobrás. com o papel de representar os interesses das incubadoras de empresas. a WAI atua por meio da promoção de atividades de capacitação.AMBIENTES DE INOVAÇÃO     33 formulação dos projetos de parques quanto na etapa de investimentos e sustentabilidade do empreendimento. Como resultado de 2011. Sob o aspecto mundial. A missão desta organização se resume a contribuir no desenvolvimento social e econômico. resultado da articulação da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Também foram implementadas. já que são grandes demandadoras e investidoras em P&D&I. parques tecnológicos e empreendimentos inovadores no Brasil. Orientada pela WAI é que surge a Associação Nacional das Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec). as redes de inovação se integram através da World Alliance for Innovation (WAI. Empreender_e_Inovar. através de inovação. a WAI atingiu o número de duzentas e setenta e duas entidades associadas. «« apoio e financiamento a empresas inovadoras: lançamento de programas de apoio especiais para as empresas instaladas em parques tecnológicos. entidade responsável pela coordenação de vinte e sete associações de ciência e tecnologia.indb 33 18/03/2012 22:05:16 . podem e devem assumir um papel de protagonismo no processo de desenvolvimento da experiência nacional de parques tecnológicos. sistema Eletrobrás. parques tecnológicos e incubadoras no mundo.

De acordo com a Anprotec (2011).indb 34 18/03/2012 22:05:16 . os parques tecnológicos abrigam incubadoras de empresas.2. as incubadoras se classificam em: «« incubadoras de base tecnológica: abrigam empresas cujos produtos. nas quais a tecnologia representa alto valor agregado. «« incubadoras mistas de empresas: abrigam empresas dos dois tipos acima descritos. processos ou serviços são gerados a partir de resultados de pesquisas aplicadas. processos ou serviços por meio de um incremento em seu nível tecnológico. nos quais são oferecidas facilidades para o surgimento e o crescimento de novos empreendimentos.2  Incubadoras de empresas Em se tratando de ambiente físico para desenvolvimento de novas empresas inovadoras. EVOLUÇÃO DO MOVIMENTO BRASILEIRO DE INCUBSADORAS − 2006 Número de incubadoras em operação 377 359 339 350 300 283 250 207 200 183 150 150 135 100 100 60 50 0 2 4 7 10 12 13 19 27 74 38 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 Figura 4 – Evolução do movimento brasileiro de incubadoras. Fonte: Anprotec (2011). Elas se caracterizam por representarem ambientes flexíveis e encorajadores. que se constituem de estruturas destinadas a amparar o estágio inicial de empresas nascentes que se enquadram em determinadas áreas de negócios.34    IVAN BRA SIL G A LVÃO DOS S A NTOS & VA NESSA DE SOUZ A BATISTI 2. Empreender_e_Inovar. «« incubadoras de empresas dos setores tradicionais: abrigam empresas ligadas aos setores tradicionais da economia que queiram agregar valor aos seus produtos.

6 63.6 53. A implantação de redes de negócios. salas para reuniões e capacitações. internet.1 23. (b) apoio técnico e gerencial às empresas nascentes.1 52. no Brasil. As incubadoras dos parques brasileiros vêm apoiando as empresas em processo de desenvolvimento com espaços individualizados.3 56.1 53.9 Fonte: Sebrae/ RS (2011). (e) redução de custos iniciais de instalação e operação. Regiões/ ano Status 2005 2004 2003 2002 2001 2000 Norte ativas extintas 70.1 48.7 46.9 16.6 62. além de acesso às bibliotecas das universidades (ANPROTEC. (c) fortalecimento da capacitação empreendedora.9 71.9 39.4 Nordeste ativas extintas 81. a primeira incubadora de empresas foi instalada em 1985 em São Carlos (SP). Tabela 4 – Taxa de mortalidade para as empresas com até dois anos (em %). as incubadoras devem operar reduzindo o volume de capital necessário para montar uma empresa.5 37.3 62.1 41. 2011).indb 35 18/03/2012 22:05:16 . o fortalecimento do associativismo. o aperfeiçoamento de recursos humanos e o aumento da interação entre empresas e instituições de ensino também são objetivos a serem perseguidos pelas incubadoras.1 51. de forma a acelerar a consolidação das empresas. De acordo com a WAI (2011) e a Anprotec (2011).4 72.9 39.6 46. buscando novos apoios e parceiros para as empresas.4 34.4 21.0 29.7 Centro-Oeste ativas extintas 78. como ilustra a Figura 4. dado o elevado índice de mortalidade das empresas nos seus anos iniciais.1 Sul ativas extintas 76.3 46.9 60.6 28. Curitiba (PR). (d) desenvolvimento de ações associativistas e compartilhadas.0 61. as incubadoras vêm crescendo sensivelmente em números.9 Sudeste ativas extintas 83. a Anprotec apresenta como principal objetivo das incubadoras o aumento da taxa de sobrevivência das microempresas.4 36.1 71.3 47.6 49. Campina Grande (PB) e Distrito Federal (DF).4 54.1 18.6 65.9 61.5 47.9 63. Para essa redução de mortalidade.4 45.9 43.AMBIENTES DE INOVAÇÃO   35   Conforme a Anprotec (2011).1 60.7 38. No que concerne ao Empreender_e_Inovar.5 50. conforme se observa na Tabela 4.5 48. seguida rapidamente pelas incubadoras de Florianópolis (SC).8 52. além de propiciar às incubadas a adoção de novas posturas gerenciais e técnicas. auxiliando na geração de produtos. com serviços de limpeza e segurança.1 29.9 28.4 37.4 51.9 71. oferecendo para tal: (a) infraestrutura física.6 53. processos e serviços com novas tecnologias. Adicionalmente.6 46.1 58.2 27.4 38. pode-se citar como objetivos comuns das incubadoras o desenvolvimento regional.7 36.6 53. Desde a criação da primeira incubadora brasileira.

 REFERÊNCIAS ANPROTEC (Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Ino- vadores). BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). São Paulo: Cultura.br/imprensa/sala_imprensa/manual_de_oslo.org. Henry. José Carlos. 2011. Acesso em: 18 set.bndes. http://www. O segredo de Luísa. http://www. Disponível em: <http://www. ÁLVARES. assessorias em RH e jurídicas e auxílio na busca de financiamentos e projetos. 2011. 2001.pdf – Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).indb 36 18/03/2012 22:05:16 . O processo de incubação compreende uma fase de seleção.jsp – International Association of Science Parks (Iasp). ETZKOWITZ.iasp.org – World Alliance for Innovation (WAI). Inovações nas organizações empresariais. às incubadoras normalmente oferecem cursos e consultorias em plano de negócios. consultorias em gestão administrativa. A graduação das empresas se dará a partir da adoção e sistematização paulatina de processos e práticas operacionais e gerenciais sugeridas pelas consultorias e avaliações realizadas pela gestão da incubadora. BARBIERI. Organizações inovadoras: estudos de casos brasileiros.org. 1999.wainova. Rio de Janeiro: Elsevier. Acesso em: 18 set.br – Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec). São Paulo: FGV. Antônio Carlos Teixeira. acontecerão inúmeras reuniões entre incubados e incubadoras para ajustes estratégicos e operacionais. José Carlos Assis. 2003. In: BARBIERI. José Carlos. Nesse período. até o momento em que a empresa for considerada madura e pronta para o mercado. ou seja. http://www.gov.ws/publico/intro.anprotec. 2009. Segundo a Anprotec (2011). DOLABELA.  LEITURAS COMPLEMENTARES http://www. que em geral passa por várias rodadas de ajustes.br>. contábil e financeira. Fernando. DORNELAS.finep.anprotec. Empreendedorismo: transformando ideias em negócios. Disponível em: <http://www.36    IVAN BRA SIL G A LVÃO DOS S A NTOS & VA NESSA DE SOUZ A BATISTI apoio nas operações.br>. Porto Alegre: EDIPUCRS. normalmente exigindo dos candidatos um plano de negócios. Hélice tríplice – Universidade – Indústria – Governo: inovação em movimento. as empresas incubadas normalmente ficam de três a quatro anos em processo de desenvolvimento/crescimento até a sua graduação.gov. Empreender_e_Inovar.

Kit metodológico para a inovação empresarial. Economia da inovação. OCDE. Disponível em: <http://www..mct. MDIC (Ministério do Desenvolvimento. Pesquisa de Inovação Tecnológica 2005. 2011. GHOSTAL. 2006. London: Frances Pinter. Fernando et al. 2011. 2011. Rio de Janeiro: Campus. Traduzido pela Finep. Acesso em: 18 set. 2011. Disponível em: <http://www. Acesso em: out. A criatividade que conta para a inovação. MCT (Ministério da Ciência. Brasí- lia: Movimento Brasil Competitivo. Tecnologia e Inovação).br>. Disponível em: <http://www.sebrae-rs. IASP (International Association of Science Parks). Victor. Adriana. processos e pessoas.gov. Empreender_e_Inovar.com.shtm>. 2011. Mercado.AMBIENTES DE INOVAÇÃO     37 FINEP (Financiadora Nacional de Projetos). 1993. Acesso em: 18 set. NOBREGA.ibge. SEBRAE/RS (Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa do Rio Grande do Sul). Disponível em <http://www. S. Clemente. Acesso em: 18 set. Disponível em: <http://www. BARLETT. Acesso em: 28 out. Disponível em: <www.iasp.jsp>. Richard R. Rio de Janeiro: IBGE. 2007. SZMRECSÁNYI. de 2011. 2008. Acesso em: 18 set.php/ content/view/77678.ibge. (coord. 1987. C. Nova York: Oxford University Press. Sistemas de inovação.mdic. Manual de Oslo: diretrizes para coleta e interpretação de dados sobre inovação. PELAEZ.).).org>. 2000.finep. NELSON.br/home/estatistica/economia/ industria/pintec/2005/default. Acesso em: 18 set. 2011. SBICCA. Victor. Acesso em: 20 dez. Disponível em: <http://www. Disponível em: <http://www.br>. Disponível em: http://www. Disponível em: <http://www.br/ imprensa/sala_imprensa/manual_de_oslo.html>.br. A organização individualizada: talento e atitude como vantagem competitiva.gov. In: PELAEZ. gov. C.br>. EUROSTAT.  Este capítulo foi elaborado por Ivan Brasil Galvão dos Santos & Vanessa de Souza Batisti. 3.com. 2011.gov.wainova. MATTOS.caxiasdigital. Pintec 2005 – Pesquisa de Inovação Tecnológica 2005 – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.pdf>. Indústria e Comércio Exterior).finep. Tamás (org. Acesso em: 18 set.gov.br/index. IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). WAI (World Alliance For Innovation). Acesso em: 18 set. 2005. Technology policy and economic performance – lessons from Japan. National Inniovation Systems – A comparative Analysis. São Paulo: Hucitec/OEB. 2011. ed. 2011.ws/ publico/intro.gov. FREEMAN.br/blog/clemente-nobrega-diz-que-inovar-e-dinheiro-novo/>.indb 37 18/03/2012 22:05:16 .

Empreender_e_Inovar.indb 38 18/03/2012 22:05:16 .

Capítulo 3 Como eu devo ser? Características individuais e coletivas necessárias à inovação Este capítulo tem por objetivo aprofundar conhecimentos sobre as duas dimen- sões que fomentam a inovação: a pessoal ou individual.indb 39 18/03/2012 22:05:16 . a inovação é considerada um instrumento específico dos empreendedores (DRUCKER. Após essa fase de identificação. Empreender_e_Inovar. transformando-a em um conceito de negócio. Para que uma ideia de fato se transforme em uma inovação. «« coletiva ou social. Por isso. 25). na forma certa. são apresentadas as necessidades que motivam os indivíduos inovadores empreendedores. visto que eles apontam os caminhos que podem levar uma inovação a obter sucesso. que enfatiza a contribuição de equipes e grupos. e sim o resultado de um longo e árduo trabalho que colocou uma ideia no lugar certo. as fontes de inovação. p. os empreendedores precisam avaliar e refinar a ideia. Como saber se a sua ideia é realmente brilhante. que enfatiza o papel da criatividade. e a coletiva ou social. que enfatiza o papel da criatividade. os empreendedores precisam buscar. pelo valor certo e para as pessoas certas. as categorias de empreendedores e as características dos empreendedores inovadores.1  Inovação = Uma ideia brilhante? Ao contrário do que muitos acreditam. 2008. constantemente. Para tanto. 3. e é essa a parte mais complicada. que enfatiza a contribuição de equipes e grupos. a inovação não é apenas uma ideia brilhante que surgiu por acaso. se ela obterá êxito e de que forma? Uma boa forma de se obter isso é fomentando a inovação por meio de suas duas diferentes perspectivas: «« pessoal ou individual. conhecer as mudanças e os seus sintomas.

1 Pessoal ou individual: conhecendo as necessidades. traz resultados econômicos para a empresa” (LIPPI. elevadas capacidades de comunicação e supervisão. ou não veem de modo a gerar produtos inovadores. aplicada na prática. de serem muito inteligentes e avessos ao risco. tornando-a popular. Pessoas com alto nível de afiliação geralmente são boas para trabalharem em equipe. McClelland. forte necessidade de promoção e atualização. desejo de executar tarefas de gestão rotineiras. Miner (1997) delimitou quatro categorias de empreendedores: «« Real manager: caracterizado por um desejo de exercer poder. Com base nesse estudo. de ser efetivo e de causar impacto. atitude positiva em direção à autoridade. algumas características. o empreendedor deve perceber oportunidades pelas quais outros executivos não se interessam.indb 40 18/03/2012 22:05:16 . as categorias. 2003. SIMANTOB. professor de Psicologia da Universidade de Harvard.40    D ANIEL A MIR A NDA OLIVEIR A HORTA 3. 12). «« Necessidade de autoridade e poder: são pessoas motivadas pela autoridade. Já a inovação pode ser conceituada como “uma iniciativa. A afiliação produz motivação e necessidade de os outros gostarem da pessoa. Este condutor produz uma necessidade de ser influente. p. realizou um estudo onde identificou três tipos de necessidades que motivam os indivíduos empreendedores (SARKAR. Apresentam grande necessidade de liderar e de suas ideias prevalecerem. Os empreendedores costumam apresentar uma elevada necessidade de realização em relação às demais pessoas da população.1. Esse atributo faz com que muitos questionem se existe algum traço individual que torne uns indivíduos mais inovadores do que outros: será que determinadas pessoas já nascem inovadoras e empreendedoras ou aprendem com o tempo? Para encontrar a resposta a essa e outras questões. «« Expert idea generator: empreendedores dessa categoria possuem em comum o fato de serem inovadores. visando desenvolver uma tipologia do perfil do empreendedor. 2008): «« Necessidade de realização: pessoas com alta necessidade de realização gostam de competir com certo padrão de excelência e preferem ser pessoalmente responsáveis por tarefas e objetivos que atribuíram a si próprias. Empreender_e_Inovar. Já o pesquisador Miner realizou uma série de testes em uma amostra de cem empreendedores de sucesso. que surge como uma novidade para a organização e para o mercado e que. de resolverem problemas. Para tanto. tarefas e conhecimentos dos empreendedores inovadores Mas porque é importante ser um empreendedor inovador? A função específica dos empreendedores é tomar os fatores de produção e usá-los para produzir novos bens e serviços. modesta ou revolucionária. «« Necessidade de afiliação: são pessoas motivadas pela interação com outras pessoas.

o empreendedor é aquele que começou toda a confusão”. uma vez que poucas pessoas as possuem com o mesmo peso. 20% gerente e 70% técnico (GERBER. sendo um empreendedor nato. 57). 57). o técnico transforma-se em um problema a ser administrado. Enquanto o empreendedor possui o controle.indb 41 18/03/2012 22:05:16 . Tabela 5 – Características inerentes ao inovador/empreendedor de sucesso. o gerente encontra problemas. se há sucesso. Outro estudo desenvolvido para entender as características dos empreendedores inovadores foi o de Michael Gerber. sendo um intraempreendedor. O seu desejo é a mudança. percebe-se que existe um conflito entre elas. Características Inovador Empreendedor Descrição Relação entre eles Esse perfil gosta de estar no futuro. tem o desejo de ajudar os outros. Para o técnico. Miner reforça que enquanto o personal achiver preenche melhor o requisito de criação de empresas. isso pode ser atribuído ao seu próprio esforço. Um empresário típico é apenas 10% empreendedor. Enquanto o empreendedor encontra oportunidades. o gerente possui a ordem. a energia por trás de toda a atividade humana (catalisador de mudanças).COMO EU DEVO SER?      41 «« Empathic supersalesperson: tem empatia e estilo cognitivo. Segundo Gerber (1995 apud SARKAR. o gerente passa a ser um intrometido a ser evitado. 2008. nele Gerber (1995 apud SARKAR. é a personalidade criativa. prefere situações que envolvam responsabilidade individual claramente definida. prefere situações em que ele próprio pode influenciar e controlar os resultados. tem a habi- lidade de construir estratégias de alianças facilmente. p. 2008) identificou três papéis distintos assumidos pelos empreendedores: o técnico (que faz o trabalho). valoriza o processo social e tem forte necessidade de relações harmoniosas. Embora o ideal fosse que as características convivessem em harmonia. o gestor (que monitora e organiza o trabalho) e o empreendedor (que é conduzido pela visão e que constrói o negócio). “para o gerente. concentra-se e mantém o controle nos assuntos relativos às suas visões. «« Personal achiever: preocupa-se mais em alcançar o sucesso do que com a possibilidade de falhar e não se preocupa com as adversidades. o real manager consegue implementar melhor as mudanças em uma organização. é motivado para alcançar os próprios objetivos. 2008. Empreender_e_Inovar. 1995 apud SARKAR. O empreendedor é um visionário dentro de nós. p. de tal forma que. Para ambos.

42 

 D ANIEL A MIR A NDA OLIVEIR A HORTA

Tabela 5 – Características inerentes ao inovador/empreendedor
de sucesso. (continuação)
Características
Gerente

Descrição

Relação entre eles

Ordena, planeja e prevê. Tenta
minimizar os efeitos das variáveis externas não controláveis.

Sem um gerente, não poderia
haver uma empresa, sem o empreendedor, não haveria inovação, pois é da tensão entre
a visão do empreendedor e do
gerente que nasce a síntese da
qual surgem todas as grandes
obras.

Esse perfil identifica nas mudanças a raiz dos problemas.

Técnico

Tem a confiança no que pode
fazer, não delega, confia que o
seu pessoal possa fazer o trabalho.

Enquanto o empreendedor vive
no futuro e o gerente no passado, o técnico vive no presente.

Vive o presente, o dia a dia. É
quem coloca a mão na massa.
Fonte: Adaptado de Gerber (1995 apud SARKAR, 2008, p. 57).

Morris e Jones (1989, p. 74) apontam que os inovadores devem estar aptos a realizar cinco tarefas: identificar e avaliar uma oportunidade; definir um
conceito de negócio; identificar os recursos necessários; adquirir os recursos
necessários; e implementar o negócio. Para além dessas capacidades, Hood e
Young (1993 apud SARKAR, 2008) apontam que eles também devem possuir
os seguintes conhecimentos: liderança, comunicação (oral e escrita), relações
humanas, gestão, negociação, raciocínio lógico e analítico, tomada de decisão e
definição de objetivos, preparação de um plano de negócios.
3.1.1.1  Pessoal ou individual: enfatizando o papel da criatividade.
Para ser um inovador de sucesso, uma pessoa tem que ter a criatividade
de um inventor e as qualidades de um gestor. A criatividade é a criação e a comunicação de novas conexões importantes que nos permitem pensar em muitas
possibilidades, experimentar formas variadas e utilizar diferentes pontos de vista; que nos permitem pensar em possibilidades novas e incomuns; e que nos leva
a gerar e selecionar alternativas. Essas novas conexões e possibilidades devem
resultar em algo valioso para o indivíduo e o grupo, para a empresa ou sociedade (BESSANT; TIDD, 2009).
Perfil do inovador criativo: ausência de convencionalismos (ter o espírito
livre, ser pouco ortodoxo); integração (ser capaz de integrar informações distintas, de relacionar ideias díspares ou teorias não relacionadas); gosto estético e imaginação (apreciar as expressões artísticas, escrever, compor músicas,
pintar, ter “bom gosto”); flexibilidade e decisão (ser capaz de tomar decisões
depois de avaliar prós e contras, capacidade de mudar de direção); perspicácia

Empreender_e_Inovar.indb 42

18/03/2012 22:05:16

COMO EU DEVO SER?  

43

(saber estar, conhecer as normas sociais de relação); motivação e interesse pelo
reconhecimento dos outros (ser enérgico, querer que os outros reconheçam a
obra, ter objetivos claros).

3.1.2  Coletiva ou social: enfatizando a contribuição de equipes e grupos
Será que uma cultura organizacional pode conduzir a uma maior promoção de inovação dentro de uma empresa?
Segundo Bessant e Tidd (2009), a cultura refere-se a valores, normas e
crenças bem mais profundas e duradouras dentro de uma organização. Já o
ambiente organizacional é definido como o padrão recorrente de comportamentos, atitudes e sentimentos que caracterizam a vida na organização. O ambiente é diferente da cultura, pois é mais observável, dentro da organização, em
um plano mais superficial, mesmo assim, ele influencia diretamente no grau
de inovação.

Tabela 6 – Como o ambiente influencia a inovação.
Maior índice
de inovação

Menor índice
de inovação

Diferença

Confiança e franqueza

253

88

165

Desafio e envolvimento

260

100

160

Apoio e espaço para ideias

218

70

148

Conflitos e debate

231

83

148

Decisões de risco

210

65

145

Liberdade

202

110

92

Fator climático

Fonte: Bessant e Tidd (2009, p. 79).

Isso ocorre devido ao fato de que nem todos possuem o mesmo grau de
empreendedorismo, ou seja, a bagagem pessoal influencia no ambiente, que,
por sua vez, é influenciada pela cultura. A Figura 5 mostra como normalmente
ocorre a distribuição de empreendedores em uma sociedade.
Observa-se na Figura 5 que apenas uma pequena parte da população já
nasce com as capacidades empreendedoras inatas (primeiro círculo e o menor).
O segundo círculo mostra a parte da população que é influenciada pela educação e cultura (inclusive a cultura empresarial) para se tornar empreendedora.
O terceiro círculo mostra as pessoas que podem ser influenciadas pela inovação
desenvolvida pelos empreendedores presentes no primeiro e no segundo círculo. O quarto e último círculo mostra as pessoas que não serão empreendedoras.

Empreender_e_Inovar.indb 43

18/03/2012 22:05:17

44 

 D ANIEL A MIR A NDA OLIVEIR A HORTA

Educação

Cultura
Nascem
empreendedores

Tornam-se
empreendedores
Podem ser
influenciados
População geral

Figura 5 – Distribuição de empreendedores na sociedade.
Fonte: Sarkar (2008, p. 62).

Analisando a Figura 5, fica claro que uma cultura empreendedora deve
ser incentivada para que os círculos mudem de posição (de modo que apenas
uma pequena porção da população não seja empreendedora). E é exatamente
isso que algumas empresas estão fazendo, por meio de ações que promovem o
intraempreendedorismo dentro do ambiente empresarial. O intraempreendedor é considerado o agente responsável pelas inovações que mudam a situação
competitiva das empresas (HSM, 2011).
Entre as ações que estão sendo desenvolvidas pelas empresas encontram-se:
«« a criação de espaços (como uma intranet1) para a troca de informação

entre os colaboradores;
«« um constante incentivo à colaboração, por meio do desenvolvimento

de projetos com a participação de membros de equipes diversas;
«« retorno constante a equipe (tanto individual quanto de forma coleti-

va);
«« recompensas por ideias (ideias inovadoras).

Com isso, pretende-se formar líderes inovadores que enxerguem a empresa como um organismo vivo e não como uma máquina, que tenham uma visão
multidisciplinar que promova a qualidade da inovação na gestão da organização, envolvendo quantos departamentos forem necessários, como marketing e
vendas. Profissionais que desejam descentralizar todas as ações de suas mãos,
1

A intranet tem um público bem restrito, reservado apenas às pessoas ligadas a uma determinada empresa que deseja disponibilizar serviços para seus colaboradores e ferramentas
para auxiliar suas atividades no dia a dia.

Empreender_e_Inovar.indb 44

18/03/2012 22:05:17

indb 45 18/03/2012 22:05:17 . PENSE de maneira inovadora e faça acontecer. 24. no lucro da empresa (HSM. Londres: Quo- rum Books. 2008.br/artigos/pense-de-maneira-inovadora-e-faca-acontecer> Acesso em 29/09/2011. Rio de Janeiro: Globo. apresenta os principais conceitos de inovação e de gestão da inovação. F. MINER. 2003. Esse guia orienta. DRUCKER. n. 2008. São Paulo: Thomson. Entrepreneurship theory and pratic. The case for the public sector. 2011. aquilo que é essencial para qualquer processo inovador: as pessoas – mais do que “fatores”. p. Roberta. em seguida. xviii. 378 p. de Roberta Lippi e Moysés Simantob. H. Os autores destacam. SARKAR. LIPPI. Não falta. Rio de Janeiro: Elsevier. SIMANTOB. Porto Alegre: Bookman. Moysés. Guia Valor Econômico de inovação nas empresas. De início. ainda.com. Disponível em <http://www.. O empreendedor inovador. JONES. 2009. esclarece e mostra o caminho para que as organizações brasileiras tornem-se sistematicamente inovadoras e. Acesso em: 29 set. Inovação e espírito empreendedor (entrepreneurship): prática e princípios. Soumodip.com. HSM. Disponível em: <http://www. Joe. Peter F. 1989. HSM. elas são os verdadeiros “agentes” da inovação.hsm. M.  COMPLEMENTAÇÃO DE ESTUDOS Ficou curioso(a) para saber mais? Então leia o livro Guia Valor Econômico de inovação nas empresas. TIDD.br/ artigos/prepare-se-para-ser-um-lider-inovador>. A psychological typology of successful entrepreneurs. John. 2011). MORRIS.COMO EU DEVO SER?      45 gerenciando redes e pensando estrategicamente na busca por sucesso e.  Este capítulo foi elaborado por Daniela Miranda Oliveira Horta. Inovação e empreendedorismo. John B. hsm. portanto. 1997. Empreender_e_Inovar. Entrepreneurship in established organizations. mais competitivas. Aborda o tema sob todos os ângulos. a integração universidade-empresa e o apoio governamental. Prepare-se para ser um líder inovador. a análise dos macrofatores cruciais para impulsionar a prática da inovação no Brasil: o desenvolvimento tecnológico.  REFERÊNCIAS BESSANT. F. 71-91. consequentemente.

indb 46 18/03/2012 22:05:17 .Empreender_e_Inovar.

2006. e a concorrência aumenta constantemente. uma ideia de um Empreender_e_Inovar. embora esse seja o início para o desenvolvimento de uma novidade. em que o ciclo de vida dos produtos torna-se cada vez mais curto. no sentido de incorporar novos produtos e processos e agregar valor à produção por meio da intensificação do uso da informação e do conhecimento” (TIGRE.1  O que é inovação? Inovação não se refere apenas a uma ideia criativa.Capítulo 4 Organizações inovadoras e empreendedoras no Brasil Este capítulo apresenta os fundamentos a respeito do tema inovação. não basta criar tecnologias e lançar produtos.indb 47 18/03/2012 22:05:17 . invenção e tecnologia.1 Inovação A inovação é um dos principais fatores para aumentar a competitividade das empresas no mercado. É preciso gerar resultado a partir desses lançamentos. No mercado atual. em nível macro. na maior parte das vezes. o que é inovação? 4. 4. é uma faculdade possuída por todos os seres humanos normais. apresentam-se os tipos de inovações e seus impactos. afinal. é importante a capacidade de uma organização oferecer aos clientes produtos diferentes e melhores. Serão discutidos os principais conceitos relacionados ao assunto. p. gera o desenvolvimento socioeconômico de regiões e países. “O desenvolvimento não deriva de um mero crescimento das atividades econômicas existentes. A criatividade é um processo mental que possibilita ter ideias diferentes. começando pela discussão sobre o que é a inovação. mas reside fundamentalmente em um processo qualitativo de transformação da estrutura produtiva.1. Mas para gerar esse desenvolvimento. Porém. bem como as características das organizações inovadoras. influenciando a garantia de sobrevivência. O lançamento de inovações. Depois. Então. VII).

não se trata de algo abstrato e intangível. não oferecendo solução para qualquer necessidade de ordem prática e técnica. no sentido de conhecimento aplicado. O órgão do governo brasileiro que concede registros de invenção. a invenção refere-se a um esforço para sua criação. de uma intervenção na natureza. ÁLVARES. científicos e outros. Num contexto empresarial. Conforme o conceito. A invenção é uma solução técnica para viabilizar uma ideia. Empreender_e_Inovar.48    ELISA T HOM A S indivíduo não gera resultado socioeconômico para as organizações. o reconhecimento da marca pelos consumidores. A partir de uma ideia sobre uma novidade. a conquista de novos consumidores. Ela não é medida por sua importância científica ou tecnológica. proveniente de várias fontes. Por isso. que pode ser empregado em qualquer ramo de atividade. a inovação surge da seleção e combinação de conhecimentos. representando uma solução técnica nova para um problema técnico existente. O resultado da inovação de produto com a aceitação do mercado pode gerar o aumento da receita da empresa. p. que surge da investigação dos fenômenos naturais. Nesse momento. entre outros resultados proporcionados pela mudança. Quando a ideia é colocada em prática. Dessa forma. como apenas uma ideia. afirma que “é patenteável a invenção que atenda aos requisitos de novidade. a redução do tempo de produção. o aumento da qualidade dos produtos. é a aplicação de conhecimentos para materializar a intenção. a redução do desperdício.indb 48 18/03/2012 22:05:17 . mas não consegue ser comercializada – por falta de viabilidade de produção ou por falta de interesse dos compradores – chama-se de invenção. 42). a inovação é uma criação que resulta da ação humana. o Instituto Nacional da Propriedade Intelectual (INPI). A inovação precisa gerar resultado para a organização. a inovação advém da tecnologia. ideia. é um corpo de conhecimentos de diferentes tipos. mas pelo que contribui para o mercado e para o cliente. Já o resultado da inovação no processo produtivo pode ser o menor uso de matéria-prima para produzir algo. A descoberta só aumenta o conhecimento que existe sobre o mundo físico. concretizar/implementar a ideia na prática. através de diferentes métodos (BARBIERI. ao contrário de uma descoberta. 2003. entre outros. Em outras palavras. pode-se evoluir para o desenvolvimento dela. Esse é o conceito de tecnologia. atividade inventiva e aplicação industrial” (1996). Inovação = ideia implementada + resultado invenção criatividade Portanto. criatividade e invenção não são sinônimos de inovação.

A tecnologia pode ter origem em descobertas científicas. outras..indb 49 18/03/2012 22:05:17 . 2008). do setor de serviços. p. As inovações em produto envolvem mudanças significativas nas características ou usos previstos de produtos e serviços. a tecnologia ocupará um papel mais importante na criação de opções radicalmente inovadoras (TIDD et al.1. esta jamais irá prescindir de conhecimentos empíricos. p. 2003. Mesmo assim. também. Pode constituir-se de novos produtos ou serviços oferecidos ao consumidor.42). 2003. inovação de processo.2  Tipos de inovação A inovação pode acontecer de diversas formas na organização. softwares incorporados. ele cita quatro: «« «« «« «« inovação de produto. na espionagem. Confundir tecnologia com bens e serviços é o mesmo que confundir o criador com sua criatura. dependendo dos seus modelos de negócio.. a inovação não está restrita a bens manufaturados. ou a introdução de serviços inteiramen- Empreender_e_Inovar. nas atividades de pesquisa da empresa. ÁLVARES. sejam eles totalmente novos ou com aperfeiçoamentos importantes.43). Sendo um conjunto de conhecimentos. O avanço socioeconômico da organização a partir da inovação pode advir. entre outras fontes.ORG A NIZ A ÇÕES INOVA DORAS E EM PREENDEDOR AS NO BRASIL     49 “Um televisor é um bem ou artefato que resulta da aplicação de um conjunto de conhecimentos que se denomina tecnologia. Podem ser melhoramentos significativos em especificações técnicas. na forma de produzi-los e distribuí-los. por criar novos métodos para organizar suas atividades ou por iniciarem um novo mercado de consumidores formado por pessoas que. componentes e materiais. Quanto mais nova e advinda da ciência. métodos e indicadores de pesquisa e desenvolvimento (P&D). O Manual de Oslo é a principal referência mundial para a orientação e a padronização de conceitos. antes. em termos de eficiência ou de velocidade). e inovação organizacional. em livros. não compravam determinado bem ou serviço. facilidade de uso ou outras características funcionais.]. os tipos de inovação possíveis de gerarem um resultado para as organizações. a adição de novas funções ou características em serviços existentes. Embora a difusão de novos produtos seja o tipo de inovação mais “famoso”. “por mais que certos conhecimentos científicos constituam elementos essenciais de uma dada tecnologia. inovação de marketing. no próximo item. 4. Sobre os tipos de inovações. Algumas empresas inovadoras obtêm resultado por inovações tecnológicas de produtos ou processos. nos processos internos de gestão. “As inovações de produtos no setor de serviços podem incluir melhoramentos importantes no que diz respeito a como elas são oferecidas (por exemplo.. pois se trata de um conhecimento para ser aplicado com o objetivo de produzir certos efeitos desejados” (BARBIERI. na forma de divulgação no mercado ou na região em que ela atua. ÁLVARES. Discutem-se.” (BARBIERI. a tecnologia é um atributo humano [.

Elas tendem a focar em eficiência de produção. que envolve a mudança nos modelos mentais atuais. 58). As inovações organizacionais referem-se à implementação de mudanças nas práticas de negócios. visando. p. Se a inovação em marketing envolver mudanças no design do produto. Bessant e Pavitt falam da inovação de paradigma. São exemplos as melhorias significativas em serviços bancários via internet. Eles chamam a mudança no contexto em que produtos/serviços são introduzidos de inovação de posição. p. Diferente do Manual de Oslo. não alterarão as características funcionais ou a maneira de utilizar o produto. Os autores Tidd. e no método de estabelecimento de preços (OCDE. Empreender_e_Inovar. p. quando algo existente é repensado. 60). como diminuição do tempo ou do custo das atividades de manufatura. Elas podem compreender alterações substanciais na organização de rotinas e procedimentos para a condução do trabalho. melhora na qualidade dos produtos que saem da linha de produção.50    ELISA T HOM A S te novos. diminuição do uso de matérias-primas. incluindo mudanças no design do produto e na embalagem. ou a introdução de serviços de retirada e devolução em casa que melhoram o acesso de clientes a carros de aluguel” (OCDE. 53) denominam de inovação negocial quando se trata da relação da empresa com o seu ambiente de negócio. 2005. o acesso a conhecimentos externos e a satisfação dos funcionários. Bessant e Pavitt (2008) apresentam outra denominação para a colocação do produto no mercado ou sua promoção. na organização do local de trabalho ou nas relações externas da empresa. redução de sobras e economia de energia utilizada. os autores Tidd. Barbieri e Álvares (2003.indb 50 18/03/2012 22:05:17 . As inovações de processo representam mudanças significativas nos métodos de produção e de distribuição de produtos. 2005. elas serão na forma e na aparência. por exemplo. Já as inovações de marketing compreendem a implementação de novos métodos de promoção do produto e sua colocação no mercado. tais como um grande aumento na velocidade e na facilidade de uso.

passando a atender também um público que. não foi necessária inovação tecnológica para avançar o que existia. Observa-se que. Nesse caso. Copos de vidro. a mesma inovação em máquina pode ser considerada um produto ou um processo. uma empresa que fabrica uma máquina inovadora está inovando um produto que ela vende. entre Porto Alegre e São Paulo. pode ser necessário desenvolver novos processos que possibilitem a produção do novo bem. mais provavelmente não haverá processos existentes capazes de produzir a novidade. o serviço aéreo de passageiros oferece apenas o transporte. para isso.1. pois ela será utilizada para os processos produtivos do cliente. o conceito de inovação nos voos aéreos considerava melhorar os serviços prestados. A mudança está no paradigma de viagem aérea. É comum. Quando a organização está pesquisando e desenvolvendo um novo produto. Empreender_e_Inovar. por exemplo. não viajava. ou realizava as viagens de ônibus. Uma inovação de produto para uma organização pode ser considerada inovação no processo produtivo de outra organização. mas já comum no exterior. a inovação em produto e a inovação de processo ocorrem ao mesmo tempo. os alimentos e as bebidas a bordo são vendidos a bordo.indb 51 18/03/2012 22:05:17 . Quanto mais radical for a inovação no produto. As refeições diminuíram de qualidade e quantidade. Autor: Tidd. as empresas aéreas mudaram de posição no mercado. será considerada um novo processo. depois de comprada e instalada na planta do cliente. representado por modificações e acréscimos nas funcionalidades. um tipo de inovação depender de outro. Antes da virada do milênio. Nascente no Brasil. senhor?” eram perguntas comuns vindas da voz dos comissários. Essa máquina. pois o próprio usuário imprime seu comprovante. Dessa forma. tornando-os uma inovação. inclusive. O recibo da passagem não é mais entregue em papel. Mas o mercado não atua mais dessa forma. 4. Em algumas empresas. Dessa forma. Outro ponto a ser ressaltado é que as tipologias de inovação são consideradas sob a visão da empresa analisada no momento.ORG A NIZ A ÇÕES INOVA DORAS E EM PREENDEDOR AS NO BRASIL     51 Quadro 4 – Linhas aéreas de baixo custo. dependendo da empresa analisada. Por exemplo. talheres de metal e opções de vinho estavam incluídos em percursos relativamente curtos. antes. É importante notar que um tipo de inovação não exclui o outro. É um nível gradual de mudanças tecnológicas. por exemplo. As empresas buscaram diminuir seus custos para oferecer passagens a preços mais baixos para o passageiro. A refeição a bordo de qualquer trajeto era servida com opção de pratos quentes. Os dois termos mais usados são inovação incremental ou inovação radical. cobrando valores extras por bagagem despachada ou por reserva de assento. “Carne ou frango.3  Impacto da inovação Outra tipologia para classificar a inovação refere-se ao grau de impacto da mudança. A inovação incremental acrescenta novidades em produtos e processos existentes. Bessant e Pavitt (2008).

Bessant e Pavitt (2008). 2008. São bem conectados com a estrutura Empreender_e_Inovar. em longo prazo. para o desenvolvimento de inovações. 47). 489). pois aproximou as pessoas que estavam fisicamente longe. Elas permitem melhor integração entre os departamentos de P&D. essa atividade é complexa e não depende apenas da boa intenção. quando ela precisa. pertence ou tem acesso à alta gestão. As empresas que conseguem constantemente inovar apresentam algumas características que podem servir de inspiração para aquelas que querem iniciar ou aumentar suas atividades de desenvolvimento de novidades. “Muitas das inovações incrementais decorrem de atividades rotineiras de produção e comercialização para as quais não são alocados recursos específicos” (BARBIERI. familiar e profissional. mais a organização precisa de uma estrutura flexível. motivação e inspiração para mudanças incrementais durante a realização do projeto. Por isso. geralmente a ideia da modificação surge dos profissionais que realizam as atividades. por exemplo. segundo Tidd. a abrangência dos impactos para a inovação: nova para a empresa. inaugurando uma nova rota tecnológica (TIGRE. é preciso a aceitação do risco e dos fracassos por parte da alta gestão. Porém. p. impactando nos âmbitos pessoal. Também pode trazer modificações substanciais na vida da sociedade. e nova para o mundo. pode ser considerada radical. A seguir. Já a inovação radical apresenta saltos descontínuos. identificam-se dez características que fomentam a inovação em empresas. A capacidade de gerar produtos e processos novos está entre os fatores mais impactantes para a performance do negócio.52    ELISA T HOM A S desenhos e características de produtos e processos no mercado. Indivíduos-chave: alguns perfis de indivíduos contribuem para o sucesso das atividades de inovação. em vez da busca por retornos de curto prazo. pois rompe as trajetórias existentes. liderança e desejo de inovar: o comprometimento da alta gestão deve ser para projetos maiores. “A inovação é inerentemente incerta e inevitavelmente envolverá fracassos. Ele. ou da compra da tecnologia mais moderna. Já o patrocinador organizacional acredita no potencial da inovação e consegue auxiliar na obtenção de recursos ou no convencimento dos críticos.indb 52 18/03/2012 22:05:17 . transformando como as coisas são interpretadas e utilizadas. também.. compras e produção. p. de longo prazo. Mesmo assim. bem como sucessos” (TIDD et al. Quando se trata de inovação incremental em processo. A inovação radical pode criar novos segmentos industriais. administração. geralmente. Ela causa um impacto significativo em um mercado e na atividade econômica das empresas nesse mercado. 2003. as estruturas orgânica ou matricial (orientadas por projetos) são mais eficazes pra inovação. Por isso. 2006). nova para o mercado. O gatekeeper tecnológico coleta informação de diversas fontes e repassa à equipe de desenvolvimento. mas precisa compartilhar o desejo estratégico de inovar. o líder não precisa ser o agente de mudança ativo. Estrutura organizacional apropriada: quanto maior o nível de tomada de decisão não programada. A criação do telefone. O inventor é o gerador da ideia. Ele serve como fonte de conhecimento técnico. O Manual de Oslo (2005) considera. marketing. Visão compartilhada.

indb 53 18/03/2012 22:05:17 .ORG A NIZ A ÇÕES INOVA DORAS E EM PREENDEDOR AS NO BRASIL     53 social informal da organização. 2008. estando constantemente abertas para receberem e criarem soluções diferentes daquelas com as quais já estão acostumadas. “Inovação tem a ver com informação. Também servem para aumentar a confiança das pessoas para atuar (apoderamento). A construção Empreender_e_Inovar. O hábito da aprendizagem incentiva o compartilhamento de conhecimentos dentro da organização. 502). p. o sucesso está fortemente associado ao bom fluxo de informação e comunicação” (TIDD et al. 2008. colocando pontos para avaliação da equipe de desenvolvimento – essa não é a preferência do consumidor. As ações de empresas voltadas para a inovação contínua constituem programas de longo prazo. criando o novo. Inovação com alto envolvimento: as habilidades criativas fundamentais e as capacidades para a solução de problemas são de domínio de todos na empresa. “Preparar as pessoas com as habilidades de que necessitam para compreender e operar novos equipamentos. destinar um funcionário ou fazer lobby para colocar obstáculos no caminho da equipe de desenvolvimento. Essa ideia não irá funcionar na prática. como visto acima. o jeito para expressá-la varia: há indivíduos com ideias que desafiam a forma existente. 515). Atmosfera criativa: a criatividade é um atributo que todas as pessoas possuem. muitas vezes. p. procedimentos ou conceitos. o treinamento e a capacitação proporcionados pela organização fazem com que as pessoas se sintam valorizadas. Ampliando o desenvolvimento e o treinamento: a capacidade de inovação está ligada ao investimento da organização em treinar e desenvolver seus funcionários. em vez de treinamentos rápidos limitados a um grupo de pessoas.. Parte da empresa pode não desejar o avanço de um projeto e. os grupos têm mais a oferecer do que os indivíduos isolados. contribuindo para que elas fiquem mais motivadas no ambiente de trabalho. diferenças de perspectivas profundamente arraigadas podem ser resolvidas” (TIDD et al. Por outro lado.. Tidd. p. 2008. e. procedimentos ou conceitos é um passo importante. Bessant e Pavitt (2008. Quanto mais as pessoas forem envolvidas nas mudanças. 501). por isso. mas treinamento e desenvolvimento podem assumir um papel mais amplo” (TIDD et al. p. Entretanto. 501) também justificam a presença do defensor negativo por razões políticas internas na organização.. Mas o principal benefício para a empresa manter treinamentos e capacitações contínuos é manter as pessoas acostumadas com novidades. Trabalho efetivo em equipe: a inovação surge da combinação de diferentes perspectivas na solução de problemas. O custo não está muito alto. Por isso. O consumidor não saberá utilizar. Além de preparar as pessoas para compreender e operar novos equipamentos. Outros contribuem com incrementos de mudança menores. com o objetivo de melhorar o que existe. “Equipes interfuncionais podem reunir os conjuntos de conhecimentos diferentes necessários para tarefas como desenvolvimento de produto ou melhoria de processo – mas também representam um fórum onde. Ele faz a “defensa negativa” de uma ideia. que envolvem diversos departamentos. o assassino de projetos também é um indivíduo-chave para a inovação na empresa. mais receptivas elas se tornam em relação às novidades.

Por isso.. pautas de equipe. As dez características das organizações inovadoras formam esse ambiente. A organização que aprende: o ciclo de aprendizagem envolve um processo de experimentação. Comunicação extensiva: muitas soluções de problemas dependem da combinação de diferentes conhecimentos.indb 54 18/03/2012 22:05:17 . 519).  Empreender_e_Inovar. políticas de comunicação e procedimentos. utilizando múltiplos canais e meios. 2008. «« A inovação precisa de um ambiente propício para acontecer nas organizações. prática. Além do papel do gatekeeper. sessões de desdobramento de políticas e análise. p. a comunicação deve ser multidirecional (para cima. nas formas de gestão e no posicionamento da empresa no mercado.54    ELISA T HOM A S de uma atmosfera criativa voltada para a inovação envolve o desenvolvimento sistemático de estruturas organizacionais. reflexão e consolidação. intranet etc.  IDEIAS DESTACADAS NESTE CAPÍTULO «« A inovação precisa gerar um resultado positivo para a organização. sistemas de recompensa e reconhecimento. que podem estar amplamente distribuídos pela organização. programas de treinamento. 520) sugerem alguns mecanismos para melhorar a comunicação: «« «« «« «« «« rotatividade e cessão de colaboradores. murais de notícias. “O desenvolvimento de um senso de orientação externa – por exemplo. O que é aprendido e desenvolvido em cada ciclo de inovação não é só conhecimento tecnológico. e-mails. Foco externo: compreender as necessidades e preferências dos clientes pode determinar o sucesso de uma inovação. nos serviços oferecidos. mídia múltipla – vídeo. para baixo e lateralmente). sistemas contábeis e de mensuração e desdobramento de estratégias (TIDD et al. 2008). p. «« A inovação pode acontecer de diversas formas: nos produtos ou processos tec- nológicos. Tidd. a melhor gestão da inovação se beneficia de abordagens mais estruturadas.. A gestão do processo de inovação constitui-se em criar condições para que as oportunidades de aprendizagem surjam e sejam exploradas. Bessant e Pavitt (2008. projetos e equipes interfuncionais. que canaliza e direciona a comunicação. é também conhecimento sobre como gerenciar o processo em si. em direção a clientes-chave ou fontes de importantes desenvolvimentos tecnológicos – e a garantia de que isso permeie o pensamento organizacional em todos os níveis são de considerável importância na construção de uma organização inovadora” (TIDD et al.

Ed. PAVITT.br/  REFERÊNCIAS BARBIERI.C. 2008.  Este capítulo foi elaborado por Elisa Thomas.ibict. In: Organizações inovadoras.279. B. ÁLVARES. 3. Inovações nas organizações empresariais. TIGRE. TIDD. Empreender_e_Inovar. Gestão da inovação. Gestão da inovação. K.T. EUROSTAT.br/ «« Biblioteca Virtual de Inovação Tecnológica: http://inovacaotecnologica. BESSANT. Rio de Janeiro: Elsevier.ORG A NIZ A ÇÕES INOVA DORAS E EM PREENDEDOR AS NO BRASIL     55 COMPLEMENTAÇÃO DOS ESTUDOS «« Portal de inovação da empresa 3M: http://www. 2006.indb 55 18/03/2012 22:05:17 . A. ed.com. 2003. Regula direitos e obrigações relativos à propriedade industrial. J. J. P. Manual de Oslo: diretrizes para coleta e interpretação de dados sobre inovação. de 14 de maio de 1996. São Paulo: Bookman... 2005. J. OCDE.3minovacao. 3. C. BRASIL. São Paulo: FGV.. Lei nº 9. Traduzido pela Finep.

indb 56 18/03/2012 22:05:17 .Empreender_e_Inovar.

é a palavra oportunidade. os critérios para avaliação das oportunidades são expostos. Para tanto. Tudo mais é herdar do tio brasileiro ou não estar onde caiu a granada” (apud CHÉR. é aquele fenómeno exterior que pode ser transformado em consequências vantajosas por meio de um isolamento nele. 60). 5. 2002. de certo elemento ou elementos. porém. Seriam. o passo seguinte será identificar se essa ideia é uma oportunidade.1  Diferença entre ideia e oportunidade O sonho de todo empreendedor é o de que a oportunidade “bata à sua porta”. Oportunidade. a partir de três propostas distintas. ideia e oportunidade. O poeta e escritor português Fernando Pessoa. Mas para que isso ocorra. incluindo os tipos de oportunidades. é imprescindível que o empreendedor perceba o que pode ser uma oportunidade e o que não é. ou não. e a coordenação. Muitas pessoas confundem ideia com oportunidade. a partir da avaliação da mesma. que lhe gera uma ideia. A ideia é a base da oportunidade. pela inteligência. p. Algumas vezes assim é. nem o aproveitar-se dela significa o simplesmente aceitá-la. coloca-se como identificar as ideias e oportunidades. primeiramente. da utilização desse ou desses. oportunidade não quer dizer isto. no entendimento que há delas. Julgam muitos que por oportunidade se entende um presente ou favor do Destino. para o homem consciente e prático. análogo a oferecerem-nos o bilhete que há de ter a sorte grande. apresenta-se a diferença entre ideia e oportunidade. em 1928. já falava sobre oportunidade. Por fim.indb 57 18/03/2012 22:05:17 . Depois. a mesma coisa? Seriam complementares? E como identificar uma oportunidade? Ideia e oportunidade são diferentes. uma das mais importantes etapas do processo empreendedor. Na realidade quotidiana.Capítulo 5 Análise de oportunidades para negócios empreendedores Este capítulo trata da identificação e da análise de oportunidades de negócios. “Uma das palavras que mais maltratadas têm sido. Quando o empreendedor se depara com uma determinada situação. pela vontade. Empreender_e_Inovar.

e que pode gerar grandes ideias. Mas para ter boas ideias e desenvolver a criatividade (sim. Além disso.1  Como identificar uma ideia Às vezes algumas pessoas se perguntam “por que não pensei nisso antes?” Quando essas pessoas se dão conta disso. lenços umedecidos. está em verificar que problemas do cotidiano são enfrentados (Quadro 5). chupeta. Notícias de jornal. criticando e duvidando (DORNELAS.indb 58 18/03/2012 22:05:17 . papinha. s/d). assim como recursos internacionais voltados para determinadas áreas também servem de inspiração. começou a desenhar modelos de bolsas que unissem essas características. como mamadeira. dentre outras (SARKAR. O empreendedor deve ficar atento a tudo que acontece a sua volta. Empreender_e_Inovar. brinquedos…).papodeempreendedor. Dornelas (2008. “Gênio é 1% inspiração e 99% transpiração” (THOMAS EDISON. os indivíduos se consideram pouco criativos e sem boas ideias. concorrentes. Junto dos problemas e da vivência do dia a dia. associações e outras entidades empresariais. LUCI A N A M AINES & VANESSA DE SOUZ A BATISTI 5. em áreas onde o empreendedor tem intenção de atuar com um novo negócio. funcionários. fornecedores e canais de distribuição. Muitas vezes também.1.com. clientes. é porque alguém já pensou. p.br/inovacao/o-seu-problema-pode-trazer-uma-boa-ideia-para-um-novo-negocio/). a pesquisa sobre as linhas de financiamento que estão sendo oferecidas pelos governos (no âmbito municipal. 2008). Quadro 5 – Ideia inspirada no cotidiano de uma mãe. fralda. as ideias também podem se originar das seguintes fontes: experiência pessoal do empreendedor. durante a gravidez de sua segunda filha. E a fonte de inspiração mais simples. conversa com amigos são algumas das fontes para vislumbrar a possibilidade de um novo negócio. novos negócios no bairro. é imprescindível ter a mente aberta e estar sempre questionando. pode produzir conclusões interessantes que definirão a estratégia da empresa. 42 e 43) ainda traz outros exemplos de como gerar ideias: a) pesquisar novas patentes e licenciamentos de produtos. A partir de um dilema que a carioca Carla Coelho Coutinho enfrentava no seu dia a dia como mãe (não encontrava para comprar uma bolsa que comportasse todos os seus objetos e os que precisava levar para sua filha. estadual e federal). Fonte: Papo de empreendedor (http://www.58    GUSTAVO d a s i lva c o s ta . é possível desenvolvê-la). 2008).

tendências. ou construídas. 121).1. feiras de negócios etc.1  Fatores tecnológicos Por vários séculos. o desafio maior é transformar tal ideia em oportunidade real de negócio (AIDAR. preferências da população. O meio de transporte. utilizando-se ideias e criatividade empreendedora” (DORNELAS. Portanto. pelo qual eles estão dispostos a pagar. 32). 5. das ideias mais simples até as mais absurdas. a forma de fazer negócio. “Todo negócio deve atender às necessidades de clientes. a vida das pessoas pouco ou quase mudava. Tais necessidades podem ser percebidas a partir de diversas fontes de ideias empreendedoras. p. mudanças no estilo e padrão de vida das pessoas e hábitos dos jovens (futuros e até atuais consumidores para determinados produtos e serviços) e também dos mais velhos (mercado promissor e em crescente ascensão em virtude do aumento da expectativa de vida da população). conforme apresentado anteriormente. o caminho principal para identificar oportunidades de negócio é ‘procurar necessidades de potenciais clientes que não estão sendo satisfeitas e desenvolver produtos ou serviços para satisfazê-las a um custo que os clientes estejam dispostos a pagar” (DEGEN. Empreender_e_Inovar. que critérios mais racionais de negócio serão explorados.2.1. pesquisadores no assunto apontam três principais fontes de oportunidade: (I) mudança tecnológica. na capacidade do empreendedor que vislumbrou a ideia de criar valor para o cliente. p. sim. Ou seja. Mas o mais importante é ter em mente que nessa etapa tudo é válido. universidades. 2007.indb 59 18/03/2012 22:05:18 . a dificuldade não está na ideia. (II) mudança política ou de regulamentos..A NÁLISE DE O P ORTUNIDA DES PARA NEGÓCIOS EM P REENDEDORES     59 b) estar atento aos acontecimentos sociais de sua região. tudo acontecia da mesma forma por gerações. c) visitar institutos de pesquisa. p. pois é somente na próxima etapa (análise da oportunidade). 2009. d) participar de conferências e congressos da área. Porém. “As oportunidades são criadas. atendendo às necessidades de certo público com o produto ou serviço a ser desenvolvido e ofertado no mercado.2  Como identificar uma oportunidade Ter a ideia de um novo negócio é relativamente simples. 2010. 5. e (III) mudança social e demográfica. mediante a oferta de algum produto ou serviço. as rotinas diárias. mas. 29).

Pode-se utilizar como exemplo o setor de telecomunicações no Brasil. De lá para cá muito foi criado e passou a se tornar item necessário em nossas vidas. Invenções como o motor a vapor (ou máquinas a vapor. Com isto.60    GUSTAVO d a s i lva c o s ta .3  Fatores sociais e demográficos As mudanças sociais e demográficas são fortes fontes de oportunidade. A partir dessa data.2. De produtos tecnológicos a sistemas de gestão. A segunda fonte é a regulamentação que protege específicos tipos de atividades. pois nesses casos facilita a entrada de novos participantes em setores específicos. Não se vive mais sem celular ou internet. ao criar oportunidade para produzir coisas diferentes.1. Como exemplo de oportunidade nas mudanças sociais. que tem algumas restrições de locomoção e cuidados com a saúde. empresas privadas puderam participar do setor. destaca-se o aumento da expectativa de vida da população. Além disso. Com isto. gera oportunidade para aqueles que oferecem serviços de transporte aos seus clientes. 5.indb 60 18/03/2012 22:05:18 . principalmente de congelados. a solução para atender as necessidades dos clientes normalmente é mais produtiva do que as disponíveis atualmente. que até 1998 era explorado com exclusividade por instituições públicas.1. pois ambas alteram a demanda por produtos e serviços. Empreender_e_Inovar. que reforça a importância do fator tecnológico como fonte de oportunidade. empresas de turismo estão oferecendo pacotes de viagem para o público da terceira idade.2. O primeiro deles é aproveitar a desregulamentação. A Lei Seca compromete o faturamento de bares e restaurantes. na Inglaterra do século XVIII) deram início a uma transformação na forma de se produzir e transportar bens. 5. LUCI A N A M AINES & VANESSA DE SOUZ A BATISTI Mas há pouco mais de um século vive-se em constante transformação. Por outro lado. E como exemplo de mudança demográfica. pois permite que pessoas que respondem adequadamente às mudanças obtenham ganhos. aponta-se o crescente número de pessoas que moram sozinhas.2  Fatores político-regulatórios O empreendedor pode perceber duas fontes de oportunidade no que se refere aos fatores político-regulatórios. pois inibe o consumo. surgiu uma gama de produtos alimentícios em porções menores ou individuais. existe um universo de oportunidades aguardando pelo empreendedor.

com (2011). novo mercado. nova forma de organização. o objetivo da Nespresso é lembrar o consumidor que beber um bom café é uma das boas coisas da vida. Fonte: Adaptado do site www. Na década de 1970. o departamento de P&D da Nestlé desenvolveu uma máquina de café expresso que utilizava cápsulas de café moído em porções específicas. alegre e descontraído. o som da feira. a Nestlé não reinventou o café. quando foi definida a estratégia de marketing do novo produto. novos métodos de produção e nova matéria-prima. Pelo terceiro ano consecutivo. Empreender_e_Inovar.3  Formas de exploração da oportunidade Cada uma das fontes de oportunidade (mudança tecnológica. como vai? Uma bala azedinha. o cheiro de pão feito em casa. além de tornar seus consumidores uma família em torno de um produto. Resumindo. com um sabor que imitava os cafés de maior categoria italianos. atuando em mais de cinquenta países. O Quadro 7 apresenta estas possibilidades de exploração a partir da fonte mudança tecnológica. a Nespresso só começou a ser vendida em 1986. Em casa ou no escritório. assim como tantas outras que nos remetem a boas recordações. Nos últimos anos. Remeter os consumidores a boas recordações.indb 61 18/03/2012 22:05:18 . um abraço. E a família. Todas estas lembranças nos remetem a bons momentos de nossas vidas. o nhoque da avó. Com a Nespresso.1. a empresa é líder mundial do mercado de café premium em porções individuais. concorrendo unicamente por distribuição e preço. 5. momentos estes que nos alegram e tornam a vida mais leve.nespresso. ou mudança social e demográfica) pode ser explorada de cinco formas distintas: novo produto ou serviço. caracterizando seus consumidores como membros do clube (consumidores que compram a máquina de café expresso participam interativamente das discussões e promoções da Nespresso em seu site). foi a oportunidade identificada pela Nestlé para sofisticar um produto que até vinte anos atrás era praticamente uma commodity dentro do mercado. Registrada a sua patente em 1976. foi nomeada a marca de crescimento mais rápido do Grupo Nestlé. mas simplesmente a forma de bebê-lo. Atualmente. Assim a Nestlé descobriu uma nova oportunidade em um segmento em que nunca havia alcançado a liderança. o segmento de café. mudança política ou de regulamentos. a estratégia comercial da Nespresso era bastante simples: transformar o ato de beber um bom café em um momento confortável. a Nespresso optou pela estratégia de um produto cada vez mais premium.A NÁLISE DE O P ORTUNIDA DES PARA NEGÓCIOS EM P REENDEDORES     61 Quadro 6 – Caso Nespresso.

Forma de exploração da oportunidade Mudança tecnológica Exemplo de uma ideia de negócio em resposta à oportunidade Justificativa Novo produto ou serviço Comunicação Telefone celular Permite a comunicação em diferentes lugares. pensando exemplos de negócios da fonte de oportunidade mudança tecnológica. Novos métodos de produção Computador Telecirurgia Sistema em que especialistas movimentam os braços robóticos durante a cirurgia por meio de um joystick acoplado ao computador.indb 62 18/03/2012 22:05:18 . na sequência. Da mesma forma que se realizou este exercício. LUCI A N A M AINES & VANESSA DE SOUZ A BATISTI Quadro 7 – Formas de exploração da oportunidade a partir de “mudanças tecnológicas”.] não é um plano de negócios. como as chances de cometer um erro nunca são iguais a zero. entre outras. Existem diversas bases para comparar ou julgar uma oportunidade de negócios.. Novo mercado Medicina estética Botox Criado originalmente como alternativa para o tratamento não cirúrgico do estrabismo.2  Critérios para avaliação de oportunidades de negócio Depois de identificar ideias e oportunidades para novos negócios. hoje é utilizado para eliminar ou reduzir as rugas de expressão. Nova forma de organização Internet Sites de compra coletiva Venda de produtos para um número maior de pessoas.. indústria de brinquedos. serão tratadas como roteiro ou plano. que “[. Tais bases. embalagens para alimentos e produtos de higiene. a etapa seguinte refere-se à avaliação da oportunidade identificada. Nova matériaprima Plástico verde Embalagem de produtos Possui propriedades idênticas às do plástico tradicional e tem aplicação em mercados como o automobilístico. Fonte: Adaptado de Baron e Shane (2007). porém. pode-se fazê-lo para as duas outras fontes aqui não exploradas. é importante possuir um argumento racional que guie os passos do empreendedor em futuros empreendimentos. 5. porque foca a ideia e o mercado Empreender_e_Inovar.62    GUSTAVO d a s i lva c o s ta .

. Peters e Shepherd (2009). 5. “Um plano de avaliação de uma oportunidade inclui os seguintes passos: a descrição do produto ou do serviço. 221).2. Sarkar coloca que a avaliação da oportunidade “[. Dornelas. Alguns ainda incluem análises preliminares de viabilidade econômico-financeiras. Concorrência (contra quem?) – Engloba a identificação dos potenciais concorrentes. é bastante importante ter um guia para orientar o empreendedor durante este processo. enquanto outros trazem um plano dos próximos passos para colocar o negócio em operação. No Quadro 8. é possível observar na íntegra as questões que devem ser respondidas pelo plano de avaliação de uma oportunidade.. tais como setor. a análise da facilidade e das barreiras à entrada no mercado etc. clientes. SHEPHERD. Este plano deve ser menor que o plano de negócios. 2009. 1. uma avaliação do empreendedor e da equipe e a especificação de todas as atividades e recursos necessários (humano e financeiro) para traduzir a oportunidade em uma empresa viável” (SARKAR.indb 63 18/03/2012 22:05:18 . p. 220). concorrentes. uma avaliação da oportunidade. Empreender_e_Inovar. Resumo da ideia (o quê?) – Geralmente chamada elevador pitch. e não na empresa como um todo. serão abordados alguns dos principais pontos a se considerar no momento da avaliação de uma oportunidade de negócios. a determinação da dimensão do mercado-alvo e do preço que seria possível cobrar nesse mesmo mercado pelo novo produto/serviço. e Maximiano (2011). 3. fornecedores. com base nas propostas desenvolvidas por Sarkar (2008). p. tanto internos quanto externos. Mercado (para quem?) – Engloba a identificação dos potenciais clientes. centrando-se na oportunidade. de forma geral. significa explicar a ideia de forma resumida. diretos ou indiretos. Quadro 8 – Plano de avaliação de uma oportunidade.A NÁLISE DE O P ORTUNIDA DES PARA NEGÓCIOS EM P REENDEDORES     63 (a oportunidade) da ideia – não o empreendimento” (HIRSCH. É claro que cada avaliação depende de vários fatores. 174). dizer por que é que ela é viável etc. 2008. Quanto à estrutura. além dos aspectos mercadológicos do novo negócio.] é talvez o elemento mais crítico para o processo empreendedor” (2008. fornecendo subsídios para a tomada de decisão de avançar ou não com o empreendimento. p. De toda forma. Hirsch. A seguir. Timmons e Spinelli (2010). esses roteiros para avaliação de oportunidades contemplam a descrição do produto ou serviço a ser desenvolvido e ofertado.1  Plano de avaliação de uma oportunidade Antes de apresentar o seu plano de avaliação de uma oportunidade. 2. PETERS.

Mais sobre o produto ou serviço (baseado em quê?) – Constitui-se em detalhar vários aspectos sobre as características do novo bem. estes são os mercados em que os negócios atingem maior porte e o maior faturamento bruto. taxa de crescimento do mercado e perspectivas futuras do negócio.2 Roteiro de análise de oportunidade a partir da estrutura e da demanda de mercado O roteiro de análise de oportunidade com base na estrutura e na demanda de mercado é uma adaptação de duas propostas: Dornelas. sua sustentabilidade e a base de sua vantagem competitiva. sua sofisticação tecnológica. como o seu grau de inovação. menor a lucratividade do mesmo. valor agregado e tempo de vida do produto. Peters e Shepherd (2009). As perspectivas relacionadas a prazos (curto. médio ou grande) que possui o mercado a ser atingido.indb 64 18/03/2012 22:05:18 . Quanto menos ocupados são os mercados. normalmente. são analisadas as principais expectativas do mercado quanto aos prazos relativos a clientes. como é o processo de produção etc. 5. tamanho do mercado. c) Tamanho do mercado: este aspecto analisa o tamanho (pequeno. (continuação) 4. 7. Timmons e Spinelli (2010). Fonte: Extraído de Sarkar (2008. p.64    GUSTAVO d a s i lva c o s ta . em expansão ou consolidado). capacidade do mercado. Recursos necessários (como será possível?) – Engloba a identificação dos recursos necessários para preencher a necessidade identificada no mercado. Quanto maior a pressão da concorrência sobre determinado mercado. benefícios para o usuário. Por que eu (ou nós)? – Engloba a identificação das garantias que você e sua equipe oferecem para uma concretização bem-sucedida do projeto. Este roteiro aborda basicamente a análise de mercado. Possui correlação direta com o tipo de produto/serviço da empresa. Como vamos fazer? – Engloba a identificação de onde será sediada a empresa. razoavelmente ou pouco ocupados) para novos negócios. médio e longo) são importantes para avaliar a correlação entre a potencialidade do negócio e o valor de capital de giro para manutenção do mesmo por parte do empreendedor. Porém. estrutura do mercado. e Hirsch. 5.2. b) Estrutura do mercado: aqui são analisados os diferentes tipos de concorrência setorial (concorrência ou liderança de mercado). 6. a partir de seis aspectos a serem analisados: perspectivas de mercado. maiores Empreender_e_Inovar. LUCI A N A M AINES & VANESSA DE SOUZ A BATISTI Quadro 8 – Plano de avaliação de uma oportunidade. a) Perspectivas de mercado: neste aspecto. d) Capacidade do mercado: tal aspecto revela o quanto o mercado possui de espaço (fortemente. 221). em relação ao mercado a ser atingido (fragmentado.

Fatores como patentes. altos custos (tipo passivos trabalhistas) para o encerramento da empresa.indb 65 18/03/2012 22:05:18 . capacidade produtiva e medidas de mercado. aspectos como faturamento. mantendo-se as variáveis econômicas estáveis. restrições governamentais para a venda ou fechamento do negócio. entre outros. «« Potencial de valor agregado: quando a empresa possui um valor estratégico significativo para empresas concorrentes ou de outros setores. ponto comercial. «« Barreiras de saída do negócio: são fatores do ambiente ou da própria empresa que impedem que o empreendedor se desvincule dela. considerando: «« Valor futuro de venda da empresa (valuation): é a definição do valor do negócio para uma venda. estagnados ou em declínio).A NÁLISE DE O P ORTUNIDA DES PARA NEGÓCIOS EM P REENDEDORES     65 as margens de lucro. Estes fatores normalmente se caracterizam como apego emocional à empresa. Neste caso. entre outros. definem o valor financeiro da empresa. f) Perspectivas futuras do negócio: por fim. marca. este aspecto trata do negócio como um ativo de longo prazo do empreendedor. Considera. e) Taxa de crescimento do mercado: aqui se chega a quanto o mercado possui de espaço de crescimento (mercados em expansão. Empreender_e_Inovar. o faturamento ou o porte da empresa não são fundamentais para o seu valor de avaliação. lucro operacional. porém também são maiores as necessidades de inovação e disposição ao risco da empresa. baseado em dados passados da empresa e projeções futuras.

podem ser utilizadas vendas de impacto. Produtos de maior valor agregado. Necessita um processo de pré-venda. Lojas de cosméticos. possui apelo de compra duradoura. o produto pode ser usado ou guardado por um prazo médio. R el at ivo. Produto de uso de necessidade contínua. Sujeito à moda ou atualizações constantes. Exemplos de negócios Food service. analisam com maior ênfase os benefícios/ riscos percebidos. há uma pesquisa mais intensiva de preços. têm necessidade de uso normal para a satisfação de sua necessidade. Possuem uma concepção de compra anterior. pouca comparação de preços. verif icam o ciclo de vida temporal do produto. no momento da venda. Possuem diversos motivos para compra. não há uma relação de necessidade imediata. resolve necessidades de forma imediata. valorizam experiências anteriores. Benefícios para o usuário Imediatos. baixa relação custo-benefício.66    GUSTAVO d a s i lva c o s ta . possuem necessidade contínua de consumo. medida de satisfação imediata. ên f a s e maior na disponibilidade do que no preço. Valor agregado Baixo. a partir da estrutura e da demanda de mercado. Empreender_e_Inovar. LUCI A N A M AINES & VANESSA DE SOUZ A BATISTI Quadro 9 – Detalhamento dos aspectos de análise de oportunidade. Perspectivas de mercado Prazos Perspectivas Curto Médio Longo Clientes Acessíveis. produto de uso de necessidade futura. Percepção do cliente de um longo ciclo de vida em relação ao custo.indb 66 18/03/2012 22:05:18 . Indústria moveleira. Tempo de vida do produto Consumo praticamente imediato.

produção. C oncor r ente s de grande e médio portes. a partir da estrutura e da demanda de mercado. foco geográfico pontual. Lojas de móveis e eletrodomésticos. Empreender_e_Inovar. necessita de um mix de produtos mais amplo para geração de escala. forte concorrência por preço. de pequeno porte. já consolidados. Presente em todas as fatias da sociedade.indb 67 18/03/2012 22:05:18 . bom espaço para penetração de novos produtos. necessita amplitude do canal de distribuição. Commodities. alto valor de faturamento bruto. fortes barreiras de entrada. Comidas congeladas. Lideranças por segmento.A NÁLISE DE O P ORTUNIDA DES PARA NEGÓCIOS EM P REENDEDORES     67 Quadro 9 – Detalhamento dos aspectos de análise de oportunidade. (continuação) Estrutura de mercado Tipo de mercado Mercado a ser atingido Fragmentado Em expansão Consolidado Concorrência Muitos concorrentes. Exemplos de porte de mercado Produtos para diabéticos. forte aspecto do ponto comercial ou do canal de distribuição. Livrarias. C oncor r ente s de g ra nde e méd io porte. Liderança de mercado Lideranças regionais. ênfase no atendimento e busca por novos clientes. tais como arroz. Exemplos de setor concorrencial Lavanderias. feijão. Tamanho do mercado Porte do mercado Enfoque Pequeno Médio Grande Porte de mercado Forte busca por nichos. Liderança por custos de escala (P&D. pouca colaboração entre os mesmos. sal. publicidade). Presente em classes sociais específicas. compras. possui grandes valores de venda e de escala.

Exemplos de capacidades de mercado E let r o domé s t ic o s (linha branca). Com vistas a auxiliar na análise de ideias. Fonte: Adaptado de Dornelas. Vestuários (moda). Taxa de crescimento do mercado Espaço de crescimento do mercado Taxa Expansão Estagnados Em declínio Taxa de expansão do mercado Novos mer c ados com altas expectativas de crescimento do consumo.] acredita mais na ideia do que na necessidade de fazer qualquer espécie de avaliação” (MAXIMIANO. Exemplos de expansão de mercado E-books. Timmons e Spinelli (2010). e Hirsch. controle governamental e investimento inicial e retorno. capacidade de expansão medida pela evolução do produto ou tendências. nenhuma delas é garantia de sucesso. Mercados com consumo estável. Tablets. viabilidade de produção. taxa média de crescimento de 30 -50% ou mais. mercados de tecnologia. E é com base nesta crença que muitas ideias são fadadas ao fracasso. quando se transformam em negócio.. perspectiva de consumo limitada pelo crescimento da população. a partir da estrutura e da demanda de mercado. concorrência.3  Avaliação de ideias de negócios Independente da origem da ideia ou da oportunidade. Mercados de grande apelo de consumo via desenvolvimento de novas necessidades. Supermercados..indb 68 18/03/2012 22:05:18 . crescimento de acordo com a economia. Peters e Shepherd (2009). Maximiano. 28). 2011. Mercados que apresentam decréscimo de consumo.68    GUSTAVO d a s i lva c o s ta . p. Empreender_e_Inovar. normalmente. aborda os seguintes aspectos: viabilidade de mercado. CDs. 5.2. LUCI A N A M AINES & VANESSA DE SOUZ A BATISTI Quadro 9 – Detalhamento dos aspectos de análise de oportunidade. o empreendedor ou potencial empreendedor ainda “[. sendo necessário considerar e planejar vários aspectos entre o surgimento da ideia e a criação do negócio. Mercados com relativa intensidade da concorrência. (continuação) Capacidade do mercado Espaço de mercado ocupado Percentual Fortemente Razoavelmente Pouco Percentual de capacidade Mercados já dominados por grandes players. em sua proposta de critérios para avaliar produtos e negócios (Quadro 10). Contudo. taxa média de diminuição acima de 10%.

especificamente. o empreendedor tem de considerar o controle governamental a Empreender_e_Inovar. indivíduos com poder aquisitivo e disposição de comprar.. p. 2011. em relação à estrutura deste mercado (existência de poder de mercado exercido por uma ou poucas organizações e suas implicações para o negócio). Analisado o mercado consumidor e concorrente. a qual “[. o empreendedor deve avaliar a viabilidade de produção do produto ou serviço. 30). no presente ou no futuro” (MAXIMIANO. Além das questões dispostas no quadro sobre a concorrência.A NÁLISE DE O P ORTUNIDA DES PARA NEGÓCIOS EM P REENDEDORES     69 Quadro 10 – Critérios para avaliar produtos e negócios Critério Questões Viabilidade de mercado O produto tem compradores potenciais? Com que frequência o produto seria comprado? Quem compraria? Quantos comprariam? Onde estão os compradores? Qual preço aceitariam? Há sazonalidade? Concorrência Quem são os concorrentes? Quantos são? Onde estão? Quais são suas vantagens competitivas? Qual é o alcance e a eficácia de seus canais de distribuição? Há barreiras para novos ingressantes? Quais são os fornecedores dos concorrentes? Viabilidade de produção Existem componentes e matérias-primas para fazer o produto? Existem máquinas. segundo o autor.] refere-se à capacidade efetiva de fornecer o produto ou serviço. Entretanto. equipamentos e instalações? Existe a mão de obra? Qual a necessidade de desenvolvimento e experimentação? Qual o investimento necessário? Controle governamental Há controles governamentais sobre o produto ou tipo de negócio? Há necessidade de licenciamento ou aprovação? Qual o investimento necessário para atender a legislação? Investimento inicial e retorno Qual o investimento necessário? Qual o período de retorno desse investimento? Fonte: Adaptado de Maximiano (2011).. ou seja. determina-se a viabilidade da ideia pelo mercado.indb 69 18/03/2012 22:05:18 . Isto porque. real ou potencial. A análise mercadológica (clientes e concorrentes) deve possibilitar uma estimativa de potencial de receitas do futuro negócio. o empreendedor também deve estudar o ramo de atividade escolhido. O critério viabilidade de mercado preocupa-se com a existência de mercado. para a ideia. Verificada a viabilidade da produção ou prestação do serviço. entre os clientes e o empreendedor estão os concorrentes – segundo aspecto a ser analisado.

Entenda o setor de telecomunicações no Brasil. HUNGRIA. O empreendedor inovador: faça diferente e conquiste seu espaço no mercado. Excelentes oportunidades de negócios são jogadas fora por falta de um trabalho anterior de pesquisa. A estratégia e o cenário dos negócios. São Paulo: Pearson Prentice Hall. Ronald J. Porto Alegre: Bookman. como questões de legislação. 2007.com. DORNELAS. O seu problema pode trazer uma boa ideia para um novo negocio. br/inovacao/o-seu-problema-pode-trazer-uma-boa-ideia-para-um-novo-negocio/>. GHEMAWAT. 2009. 3. Empreender_e_Inovar. 2007. abertura e gerenciamento de um negócio próspero. Michael P. entre outras. Rogério. Soumodip. Marcelo M. licenciamento. Inovação e empreendedorismo. Camila. ou seja. Acesso em: 19 dez. o montante necessário para iniciar a operação do negócio. DEGEN. 2002. regulamentação. Stephen.. Scott A. 2011. DORNELAS. RODRIGUES. Robert D. SHANE. São Paulo: Elsevier. Empreendedorismo.. 2009. John. 2000. planejamento. ed. São Paulo: Thomas Learning. o último critério a ser analisado é o investimento inicial. 2011. conhecimento do produto a ser oferecido e elaboração de uma boa pesquisa para análise de oportunidades. Por fim. ed. SPINELLI.shtml>.. O empreendedor: empreender como opção de carreira. CHÉR. para auxiliar na decisão do empreendedor de prosseguir ou não com a implantação do novo negócio. Lorena. Acesso em: 19 dez. 7. 2008. LUCI A N A M AINES & VANESSA DE SOUZ A BATISTI que estará sujeito (quarto critério a ser avaliado). Robert A. Rio de Janeiro: Elsevier. São Paulo: Pearson Prentice Hall. São Paulo: Elsevier. A.uol. Empreendedorismo: transformando ideias em negócios. SARKAR. José. ed. 4. e o retorno esperado. Joe. SHEPHERD. com base nas estimativas de receitas e no investimento inicial. Disponível em: <http://www. O meu próprio negócio: todos os passos para avaliação.br/folha/dinheiro/ult91u395749. MAXIMIANO. levantamento de dados de mercado. TIDD. 2010. 2009. Jeffry A. TIMMONS.. In: Folha on-line. Porto Alegre: Bookman. Rio de Janeiro: Elsevier.70    GUSTAVO d a s i lva c o s ta . 2008.com.  REFERÊNCIAS AIDAR. ratifica-se que tão importante quanto o comprometimento do empreendedor com o negócio é a sua atividade de pesquisa em relação ao mesmo. 2. Encaminhando o final do capítulo.folha. Empreendedorismo: uma visão do processo. Disponível em: <http://www1. PETERS. São Paulo: Thomson Learning. BARON. Porto Alegre: Bookman. Antonio C. Empreendedorismo. 2011.indb 70 18/03/2012 22:05:18 . In: Papo de empreendedor.papode empreendedor. ed. P. Criação de novos negócios. BESSANT. José. HISRICH. Administração para empreendedores. Dean A.

Strategic management journal. Journal of small business management. Empreender_e_Inovar. 4. JARILLO.indb 71 18/03/2012 22:05:18 .. 1989. A paradigm of entrepreneurship: entrepreneurial management. uncertainty. L. 45-60. v. 27. MULFORD. n. H. oct.. Luciana Maines & Vanessa de Souza Batisti. p. C. 1990. H. 17-27. B. C. p. BLACKBURN.A NÁLISE DE O P ORTUNIDA DES PARA NEGÓCIOS EM P REENDEDORES     71 SHRADER. Strategic and operational. J. L. V. and performance in small firms. 11.  Este capítulo foi elaborado por Gustavo da Silva Costa. STEVENSON. v.. C.

indb 72 18/03/2012 22:05:18 .Empreender_e_Inovar.

Capítulo 6 Plano de negócios Este capítulo aborda o tema plano de negócios. análise de mercado e os planos de marketing. Inovação é a ferramenta específica do empreendedor. A insatisfação e o inconformismo em relação ao que está à sua volta predispõem a descobertas e propostas propositivas para si mesmo e para os outros. De fato.indb 73 18/03/2012 22:05:18 . refere que o Brasil se situa numa das primeiras posições mundialmente falando na criação de novas Empreender_e_Inovar. Isso é capaz de ser apresentado como uma disciplina. observando e acumulando os passos das inovações anteriores. como obter uma posição de destaque e respeito na sociedade e a independência financeira? Uma resposta muito provável seria o sonho de ser um empresário. capaz de ser aprendido. O Sebrae (2009). sendo isto um dos entendimentos sobre o que é empreendedorismo e o principal fator promotor do desenvolvimento econômico e social de um país (DOLABELA. investir. em pesquisa sobre condicionantes e taxa de mortalidade de empresas no Brasil. 6. o GEM (2009). Empreendedorismo é a criação de valor por pessoas e organizações. é preciso sonhar. Mas o que seria sonhar acordado? Como ter um futuro promissor e feliz. 2008). o meio através do qual ele explora a mudança como uma oportunidade para o seu negócio ou serviço (o que seria o risco supracitado). operacional e financeiro. promovendo com isso um ganho ou um rearranjo do estado social e econômico. posteriormente. informa que este sonho é levado à prática. fazendo com que o país seja constantemente citado como um país de pessoas empreendedoras. em seu relatório executivo. arriscar e não temer talvez sejam as palavras-chave para um empreendedor. Talvez fosse melhor dizer sonhar acordado. como em um laboratório ou em uma biblioteca. sendo que apresenta-se o conceito. como deve ser o seu formato e. Além disso. descrição da empresa. as principais etapas: sumário executivo. trabalhando juntas para implementar uma ideia criativa. de abrir seu próprio negócio. ou onde se tem oportunidade para se estudar tecnologia do ponto de vista de conhecimentos científicos e empíricos aplicáveis à produção ou à melhoria de bens ou serviços. transformando aquilo que comumente se chamaria de risco.1  Palavras iniciais Criar. de ser praticado. produtos e serviços.

Constatada a dificuldade em abrir uma empresa e mantê-la. Segundo essa pesquisa. O Sebrae realizou pesquisa de campo no início dos anos 2000 para investigar as empresas fechadas. como falta de clientes. predominam as causas econômicas conjunturais.74     J OSÉ FERN A NDO K RONBA UER empresas. sendo que o fator falta de clientes pressupõe. As causas desse alto índice de fechamento precoce são variadas foram alvo de estudo.: A questão admitia respostas múltiplas. Em segundo lugar. Tão impressionante quanto a quantidade de empresas que abrem anualmente no Brasil é o fato de que mais da metade (55. A Tabela 7 ilustra as principais informações obtidas nessa pesquisa. Esta análise deve permitir ao empreendedor deixar de se guiar apenas pela intuição e dispor de informações e ferramentas para tomar Empreender_e_Inovar. 2009). questões relacionadas a falhas gerenciais na condução dos negócios. não só funcionando mas constituindo fonte satisfatória de renda para seus proprietários. também.64%) destas empresas estarão fechadas em menos de três anos após sua abertura (SEBRAE. Tabela 7 – Causas das dificuldades e razões para o fechamento das empresas. entre as causas do fracasso. parece de suma importância efetuar uma análise prévia e qualificada das oportunidades idealizadas. falhas no planejamento inicial da empresa. Categorias Ranking Falhas gerenciais 1º Falta de capital de giro 42% 3º Problemas financeiros 21% 8º Ponto / local inadequado 8% 9º Falta de conhecimentos gerenciais 7% 2º Falta de clientes 25% 4º Maus pagadores 16% 6º Recessão econômica no país 14% Logística operacional 12º Instalações inadequadas 3% 11º Falta de mão de obra qualificada 5% Políticas públicas e arcabouço legal 5º Falta de crédito bancário 14% 10º Problemas com a fiscalização 6% 13º Carga tributária elevada 1% 7º Outra razão 14% Causas econômicas conjunturais Dificuldades/Razões Percentual de empresários que responderam Obs. encontram-se em primeiro lugar.indb 74 18/03/2012 22:05:19 . Fonte: Sebrae. maus pagadores e recessão econômica no país.

pois é muito comum se perceber metas superavaliadas ou detalhes inadvertidamente ignorados. ao contrário. 6. ao se transpor as diversas etapas pré-concebidas. seus produtos e serviços. prover um plano de ação que indicará o que fazer e quando fazer. metas. Esse será o momento para avaliar e projetar em números e prazos do investimento e do retorno sobre o capital. poderá ser verificado. É também entendido como sendo uma proposta ou um plano de ação para o referido empreendimento. sendo muito mais fácil corrigir na fase de concepção do negócio do que em uma empresa efetiva. que é o guia para a existência de uma empresa. E é aqui que entra o plano de negócios. 2002). SIEGEL et al. estratégia. são muito efêmeros (CHÉR. Este projeto é chamado de plano de negócios. mercado. o que é o plano de negócios? Para que se faça a avaliação de uma oportunidade de negócio e para que este venha a termo. pelo menos diminuirá a possibilidade de vícios de origem. O exercício de transformar a ideia de empreender num projeto obriga o empreendedor a testar premissas e formatá-las conforme a realidade. pois de tempos em tempos qualquer plano deverá receber ajustes. Ao confeccionar o plano de negócios da ideia empresarial. 2002). Ainda que essa análise de oportunidade não consiga. Planos de negócios. se o negócio idealizado possui consistência. que é a de entrar ou não no mercado. finalmente. por esse motivo não são documentos para ficarem esquecidos após sua confecção.2  Mas. O plano de negócios compreende um momento de planejamento do empreendedor. e. garantir o sucesso do empreendimento. O plano também servirá para determinar os passos do empreendedor. estrutura organizacional e planejamento financeiro (BERLE. a partir de alguns pontos decisivos para a sua concretização. 1995. porque estão constantemente sujeitos a mudanças. tais como testar a viabilidade da ideia. efetuar ou não o investimento. no sentido de avaliar o desempenho do seu negócio em relação ao que planejou (CHÉR. sendo uma das ferramentas mais adequadas para que os riscos sejam cada vez menores e os objetivos sejam atingidos. 2002. Pode ser. sendo que a função essencial do plano de negócios é descrever em detalhes a missão e o propósito essencial do seu empreendimento. ao demonstrarem e avaliarem um objeto dinâmico. 1993). por si só. ajudando a diminuir o risco da empreitada. um documento escrito que descreve os objetivos de um negócio e seus respectivos passos necessários para a sua realização. CHÉR. que são as empresas.. Empreender_e_Inovar. apresentam essa mesma característica de dinamismo. é necessário estruturar o projeto do referido negócio.P LANO DE NEGÓCIOS     75 uma decisão de fato. é o mapa rodoviário para avançar pela estrada do sucesso. devem ser constantemente revisados e atualizados. ainda. servir de documento de apresentação para busca de financiamento. afinal.indb 75 18/03/2012 22:05:19 . a planta para construir sua empresa e a chave para abrir a porta para o empréstimo bancário.

quem for fazê-lo deverá responder às seguintes questões: «« O quê? Ou seja. 1993). apresentação da empresa. A partir de agora. O certo é que todos os autores buscam um roteiro lógico e coerente para organizar a apresentação da empresa. Empreender_e_Inovar. Embora existam variações entre as propostas de plano de negócios. que resume as principais características da empresa. não havendo um modelo. visto que se trata de uma versão condensada do plano inteiro. sendo este a principal seção do plano de negócios.2.1.indb 76 18/03/2012 22:05:19 . SIEGEL et al. há uma estrutura básica que se repete em vários modelos existentes na literatura. 2008. sendo que não há uma estrutura rígida e específica para se escrever um plano de negócios. plano operacional. qual o propósito do seu plano? O que você está apre- sentando? O que é a sua empresa? Qual é seu produto/serviço? «« Onde será localizada a empresa? Onde está seu mercado e os seus clientes? «« Por que se precisa do dinheiro requisitado para o negócio? «« Como será empregado o dinheiro na empresa? Como está a saúde fi- nanceira do negócio? Como está o crescimento da empresa? «« Quanto de dinheiro será necessário para investimento? Como se dará o retorno sobre o investimento? «« Quando o negócio foi ou será criado? Quando se precisará dispor do capital requisitado? Quando ocorrerá o pagamento do empréstimo obtido? Finalmente. serão detalhados os itens de um plano de negócios. Ao se preparar um sumário executivo. plano de marketing.1  O sumário executivo A apresentação de uma empresa se inicia com um sumário executivo.1  Como deve ser o formato do plano de negócios? Diversos autores apresentam uma sugestão de formato para a montagem do plano de negócios.. de seu negócio e possibilidades visando a facilitar o entendimento e a aprovação de quem for analisar o plano de negócios. com pequenas variações entre si. ou seja. um padrão. e que o importante é se observar as particularidades e as peculiaridades de cada negócio.2. proporcionando ao leitor uma compreensão relativamente sólida daquilo que será apresentado em maiores detalhes em todo o plano. plano financeiro. Essa estrutura pode conter: «« «« «« «« «« apresentação do documento.76     J OSÉ FERN A NDO K RONBA UER 6. 6. é importante frisar que se deve ter em mente que o sumário executivo do plano de negócios deve ser dirigido ao público-alvo. pois prepara e atrai o leitor para a leitura integral do conteúdo. enfatizando os assuntos que mais interessam àqueles que irão analisá-lo (DORNELAS.

2. se há escassez em algum período do ano (sazonalidade). terceiros e parceiros estratégicos (DORNELAS. É curioso observar os seguintes passos: «« Descrição detalhada do desenvolvimento do produto. estrutura legal. também. Mercado é o conjunto de compradores.2. 6. seguro. certificados e diagramas. «« Descrição das necessidades de matéria-prima. Kotler e Armstrong (1999) afirmam que. sendo importante que as declarações sejam fundamentadas com fotos. quantos funcionários serão necessários na operação dos mesmos e em quantos turnos de trabalho.1. em caso de falta da principal. CHÉR 2002).indb 77 18/03/2012 22:05:19 . deve ser apresentado um breve resumo da organização da empresa. e indústria ou setor é o conjunto de vendedores. do recebimento da matéria-prima até o produto acabado.2. ressaltando. «« Descrição dos equipamentos previstos no processo produtivo.. tópicos como equipe gerencial. custos. e qual o índice de refugo de matéria-prima (DORNELAS. 2008. É recomendado apresentar as razões de mercado que justificam a criação do negócio.2  Descrição da empresa Nesta seção. localização e infraestrutura. na definição de Dias (2003). fornecedores. nesta seção do plano de negócios. é o conjunto de pessoas ou organizações cujas necessidades podem ser satisfeitas por produtos ou serviços e que dispõem de renda para adquiri-los. 6. É aconselhável que constem. SIEGEL et al. manutenção de registros.4  Análise de mercado e análise estratégica Mercado. Fazer uma previsão de compra de matéria-prima para ser incluída na projeção de fluxo de caixa se faz necessário. por que ela é capaz de fornecê-los e como eles são fornecidos. sendo necessário comunicar de forma simples e clara as características e apelos dos produtos e serviços. a qualificação e a experiência dos profissionais nos níveis de comando. A equipe de gestão é o principal foco dos investidores que analisam planos de negócios.1. para o profissional de marketing. Empreender_e_Inovar. mercado é o conjunto de todos os compradores reais e potenciais de um produto ou serviço.3  Produtos e serviços O objetivo desta seção do plano de negócios é informar quais são os produtos e serviços da empresa. É comum o empreendedor estar mais familiarizado sobre os produtos e serviços do que o analista que avaliará o plano de negócios. matéria-prima alternativa. segurança. quais as características da equipe de produção e em quais aspectos seu produto ou serviço difere dos da concorrência. se existem fornecedores alternativos ou. 2008. quais os custos de manutenção. Fluxogramas são interessantes.1. 1987).P LANO DE NEGÓCIOS     77 6. pois permitem uma visualização gráfica de cada etapa do processo de produção. ainda. suas características.

compreendendo. Este ambiente é composto por um microambiente e um macroambiente. O microambiente consiste em forças próximas à empresa que afetam sua capacidade de servir a seus clientes – a empresa. como fatores sociais. dos concorrentes. naturais. O macroambiente consiste em forças sociais maiores que afetam todo o microambiente – forças demográficas. dos fornecedores e do ambiente em que a empresa vai atuar. Fonte: Wright. os canais de marketing. acionistas e parceiros. Nickels e Wood (1999) definem ambiente de marketing como todos os fatores internos e externos que influenciam direta ou indiretamente o sucesso da empresa. Kroll e Parnell (2000). Já o ambiente externo é formado pelo conjunto de fatores fora da cadeia de valores da empresa. econômicas. os concorrentes e os públicos. Macroambiente Forças Econômicas Forças Sociais Ambiente Setorial Poder de barganha dos fornecedores Ameaças de entrada Organização Pressão de produtos substitutos Forças Tecnológicas Poder de barganha dos compradores Rivalidade entre concorrentes existentes Forças Político-legais Figura 6 – Níveis de análise ambiental. não só o estudo das potencialidades de venda. mas também do ambiente onde a empresa vai atuar. Empreender_e_Inovar. como empregados. O ambiente interno é formado pelo conjunto de fatores dentro da cadeia de valores da empresa que podem influenciar seu sucesso. as empresas devem monitorar tanto o ambiente interno quanto o externo. entre outros. portanto.78     J OSÉ FERN A NDO K RONBA UER A análise de mercado é voltada para o conhecimento dos clientes. fatores competitivos. 2008). políticas e culturais (DOLABELA. tecnológicas. os fornecedores. fatores econômicos. Para eles. fatores políticos. os mercados de clientes. fatores tecnológicos.indb 78 18/03/2012 22:05:19 .

Kroll e Parnell (2000) utilizam uma divisão ligeiramente diferente. que toda tecnologia nova substitui uma tecnologia antiga.1  O macroambiente O macroambiente. taxas de inflação e o câmbio (NICKELS. 6. KOTLER.2.indb 79 18/03/2012 22:05:19 . taxa de juros. As principais forças que atuam no macroambiente de uma empresa são: «« Ambiente demográfico Demografia é o estudo da população humana em termos de tamanho. 1999. na concepção de Kotler e Armstrong (1999). sexo. de antemão.P LANO DE NEGÓCIOS     79 Wright. os orçamentos elevados para pesquisa e desenvolvimento Empreender_e_Inovar. que configuram oportunidades ou ameaças para a empresa. seus negócios declinaram. 2000). cresceram muito as preocupações ambientais. PARNELL. geralmente fora do próprio contexto do setor. São apontados como tendência tecnológica a rapidez nas mudanças em relação à própria tecnologia. O crescimento populacional. e os profissionais de marketing devem estar atentos às seguintes tendências: escassez de matérias-primas. bem como os esforços de marketing da organização.4. conforme ilustrado na Figura 6 e descritos a seguir. ocupação e outros dados estatísticos. pois distinguem os níveis de análise no macroambiente. aumento da poluição. o envelhecimento da população. são os principais aspectos do ambiente demográfico. as empresas estão aptas a dar rapidamente aos clientes o que eles querem. ARMSTRONG. os deslocamentos de populações entre as regiões de um país e o aumento da escolaridade. compreende as forças que estão mais distantes do controle da empresa. localização. A empresa e todos os outros atores operam em um macroambiente maior de forças. WRIGHT. os principais aspectos que dizem respeito ao Produto Interno Bruto (PIB). e são as pessoas que constituem os mercados. densidade. no setor em que a empresa opera – análise setorial – e na empresa em si. pois se refere a pessoas. WOODS. «« Ambiente tecnológico Graças às novas tecnologias. 1999). idade. ARMSTRONG. O ambiente demográfico é muito interessante para os profissionais de marketing. consistindo em fatores que afetam o poder de compra e os padrões de dispêndio do consumidor. Nas últimas décadas. mas todas as vezes que as indústrias velhas lutaram contra ou ignoraram as novas tecnologias. aumento do custo de energia. raça. «« Ambiente natural O ambiente natural constitui-se dos recursos que são usados como insumos ou que são afetados pela atividade de marketing. 1999. Sabe-se. intervenção governamental na administração dos recursos naturais (KOTLER. KROLL. «« Ambiente econômico O ambiente econômico é composto pelos fatores econômicos que influenciam a compra pelos consumidores. entre outros.1.

por se tratar de crença secundária. Wright. «« Ambiente cultural As instituições e outras forças que afetam os valores básicos.1. ameaça de substituição. As crenças básicas. Na Figura 7 está ilustrada a dinâmica das forças competitivas de Porter. substitutos e os entrantes potenciais são todos “concorrentes” para as empresas na indústria. agências governamentais e grupos de pressão que influenciam e limitam várias organizações e indivíduos em uma dada sociedade. WOODS. passados de pai para filho e reforçados pelas igrejas. 1996). as percepções. historicamente. poder de negociação dos fornecedores e rivalidade entre os atuais concorrentes – refletem o fato de que a concorrência em uma indústria não está limitada aos participantes estabelecidos. que é medido em termos de retorno em longo prazo sobre o capital investido. Kotler e Armstrong (1999) ensinam que o ambiente político é constituído de leis. 1999). dependendo das circunstâncias particulares. capazes de sofrer forte influência pelas ações destas. que serão detalhadas na sequência. trabalho e governo.indb 80 18/03/2012 22:05:19 . A análise estrutural de Porter (1996) menciona cinco forças competitivas básicas e que determinam o potencial da organização.4. Kroll e Parnell (2000) destacam que o sistema político-legal de uma nação influencia muito as operações comerciais e o padrão de vida dos cidadãos. Clientes. ressaltando que. ARMSTRONG. poderia ser definida como rivalidade ampliada (PORTER. Nickels e Woods (1999) veem as leis e as decisões judiciais como formas de proteção aos consumidores.2. Nossas crenças e valores são moldados pela sociedade em que vivemos. 1999). As cinco forças competitivas – entrada. fornecedores. Empreender_e_Inovar. as preferências e os comportamentos da sociedade constituem o ambiente cultural. Concorrência. são difíceis de modificar. 1999. promoção à concorrência leal e melhorias no ambiente natural.2  Análise setorial A análise setorial compreende os fatores mais próximos das empresas. como crença no casamento. a concentração em pequenos aprimoramentos e regulamentação crescente (NICKELS. «« Ambiente político A influência do governo sobre os mercados e as empresas é o objeto de análise do ambiente político. sistemas que favorecem a realização de negócios têm sido associados com padrões de vida mais elevados. mas a crença de que se deve casar jovem é mais suscetível à alteração.80     J OSÉ FERN A NDO K RONBA UER (P&D). ARMSTRONG. KOTLER. neste sentido mais amplo. podendo ter maior ou menor importância. Os profissionais de marketing devem prever as mudanças culturais para poderem identificar novas oportunidades e ameaças (KOTLER. poder de negociação dos compradores. 6.

em larga escala. Fonte: Porter (1996). reduzindo a lucratividade do setor. d) custos de mudança: toda vez que o comprador enfrentar algum custo para mudar de um fornecedor para outro. «« Ameaça de entrada A entrada de novos concorrentes intensifica a luta por fatias de mercado. e depende das barreiras de entrada existentes em conjunto com a reação que o novo concorrente pode esperar da parte dos concorrentes já existentes. forçando o entrante a efetuar forte esforço e elevado dispêndio de recursos para superar os vínculos já estabelecidos. naturalmente se forma uma barreira de entrada para os novos entrantes. com demanda elevada de capital. b) diferenciação de produto: ocorre quando o mercado já possui uma forte identificação com as marcas das empresas estabelecidas. pois os benefícios devem superar o custo da mudança.P LANO DE NEGÓCIOS     81 ENTRANTES POTENCIAS Ameaças de novos Poder de negociação CONCORRENTES NA INDÚSTRIA Poder de negociação FORNECEDORES COMPRADORES Ameaças de produtos SUBSTITUTOS Figura 7 – Forças que dirigem a concorrência na indústria. Estas são as principais fontes de barreiras de entrada: a) economia de escala: decorre da necessidade de ingresso no mercado.indb 81 18/03/2012 22:05:19 . e) acesso aos canais de distribuição (visto que raramente se encontra a situação de um mercado carente por um produto): nas situações normais os canais de distribuição já estão ocupados pelas empresas esta- Empreender_e_Inovar. c) necessidade de capital: quando é necessário investir elevadas montas de recursos para ingressar em uma indústria. cria-se uma barreira de entrada.

quanto mais limitados os canais no atacado e no varejo mais difícil será a entrada na indústria. principalmente. pois ao atingir-se determinado patamar. elevam os preços ou reduzem a qualidade dos bens e serviços fornecidos.82     J OSÉ FERN A NDO K RONBA UER belecidas. «« Poder de negociação dos fornecedores É observado quando os fornecedores. O importante é ter presente que o poder dos compradores é mensurado pelos seguintes aspectos: concentração. Os produtos substitutos agem como um limitador à alta de preços da indústria. afetando as vendas da indústria estudada (WRIGHT. transferindo para si boa parte da rentabilidade de uma indústria incapaz de repassar os aumentos de custos em seus próprios preços. KROLL. lucratividade da indústria compradora. acesso favorável às matérias-primas. importância da indústria para o fornecedor: quando os fornecedores vendem para várias indústrias e uma não representa uma fração significativa de suas vendas. produtos produzidos por indústrias com lucros altos têm elevado potencial de dano. como. pois estas possuem capital disponível tanto para pesquisa em melhoramentos e publicidade quanto para suplantar barreiras de entradas financeiras (PORTER. dificultando o escoamento de produtos do entrante. f) desvantagens de custo independentes de escala: observadas em termos de tecnologia patenteada. 2000. subsídios oficiais e curva de aprendizagem. fabricados por empresas de outros setores. por exemplo. importância do fornecedor para a indústria: quando o insumo do fornecedor é importante para o processo de fabricação do comprador. Tudo isso afeta a rentabilidade da indústria. o poder de controle deles sobre preços. 67). exigem melhor qualidade e jogam os concorrentes uns contra os outros. quando comparados ao produto da indústria estudada. poucos fornecedores dominam algum setor. qualidade e os termos de venda. muita informação (PORTER. As condições que tornam os fornecedores poderosos são similares àquelas que conferem poder aos compradores. Os produtos substitutos que exigem maior atenção são os que apresentam tendências de melhora na sua relação preço-desempenho. localizações favoráveis. como a concentração. ou seja. custo de mudança. o poder do fornecedor é aumentado. Da mesma forma. representatividade. Empreender_e_Inovar. «« Poder de negociação dos compradores Os compradores barganham menores preços. 1996). representam alternativas satisfatórias às necessidades dos clientes.indb 82 18/03/2012 22:05:19 . ausência de produtos substitutos: os compradores não têm fontes alternativas de suprimento. importância do produto para o comprador e. ameaça de integração para trás. diferenciação de produto. por exemplo. então são fracos em relação aos fornecedores existentes. 1996). PARNELL. p. «« Pressão dos produtos substitutos Produtos substitutos são aqueles que. g) política governamental: ocorre quando há limitação ou mesmo impedimento da entrada pelo governo. as emissoras de TV. a relação de preço-desempenho passa a favorecer o produto substituto.

inviabiliza a opção do comprador de substituí-lo. que podem alterar a condição da empresa. obtendo assim a preferência de uma ampla parcela dos clientes. é necessário efetuar uma análise dos seus recursos – os humanos. especialização da produção e volume de compra junto aos fornecedores. possibilitando a ela um melhor posicionamento de mercado (tirando vantagem de determinadas oportunidades do ambiente e evitando ou minimizando as ameaças ambientais) (WRIGHT. elevando a competição e possivelmente causando redução na lucratividade (PORTER.4. diferenciação e enfoque. geralmente. Trata-se de ações ofensivas ou defensivas adotadas pela empresa. controle rígido de custos e a minimização de despesas indiretas. Quando os três recursos do ambiente interno trabalham juntos em excelência. É oportuno abordar. compondo uma solução única que reflete suas circunstâncias particulares. a integração para frente. No entanto.indb 83 18/03/2012 22:05:19 . inviabilizando a formação de estoques reguladores.1. Porter (1996) destaca três estratégias genéricas internamente consistentes: liderança no custo total. 1999). ainda nesta seção. Para obtê-la. significa um avanço sobre o mercado da indústria. As competências essenciais permitem que uma empresa satisfaça melhor que as outras as necessidades de seus clientes. KROLL. PARNELL. a estratégia competitiva genérica. A contraposição das informações sobre o ambiente com o conhecimento das capacidades da empresa permite à administração formular estratégias realistas para que seus objetivos sejam atingidos. faz-se necessária elevada Empreender_e_Inovar. ameaça de integração para frente: da mesma forma que a ameaça de integração para trás por parte do cliente. Geralmente. que não pode ser plenamente copiada pelos concorrentes. 1996). Para obter isso. A ferramenta indicada para auxiliar na tarefa de alinhamento dos ambientes interno e externo é a matriz de SWOT.P LANO DE NEGÓCIOS     83 especialmente quando o produto não é armazenável. «« Liderança no custo total Consiste em atingir menores custos totais em relação aos concorrentes. assistência e outras áreas. é necessário. diferenciação do produto ou custo de mudança: se o fornecedor conseguiu desenvolver um diferencial no seu produto ou custo de mudança de fornecedor. WOODS. auxiliando a empresa a revelar as competências essenciais. em uma indústria. NICKELS.3  O ambiente interno Para que se conheçam as capacidades da empresa. 6. Cada empresa descobre maneiras próprias para atingir esse objetivo. a empresa não pode ignorar qualidade. 2000. A matriz de SWOT avalia os pontos fortes (strenghts) e fracos (weaknesses) da empresa em relação a seus concorrentes e às oportunidades (opportunities) e ameaças (threats) do ambiente externo.2. a liderança no custo total é obtida através de investimentos substanciais em equipamentos modernos. visando a enfrentar com sucesso as cinco forças competitivas e obter um retorno sobre investimento maior. ganhos em custo através de experiência adquirida. por parte do fornecedor. oferecem à empresa uma vantagem competitiva sustentada. Embora o custo baixo seja o centro da estratégia. os organizacionais e os físicos. obter-se ganhos de escala através de grandes quantidades produzidas.

a resposta seria uma. diminuindo sua sensibilidade à diferenciação. os concorrentes podem imitar os fatores de diferenciação de uma empresa. apenas algum diferencial de preço. a liderança no custo total apresenta alguns riscos. preço.2. tornar o produto diferente dos demais a ponto de ser considerado único no âmbito da indústria. seria outra. em virtude da atenção colocada no custo. Isto significa que os compradores podem estar dispostos a sacrificar algumas das características do produto em troca de um preço menor. «« Diferenciação A diferenciação visa a. Ainda assim. «« Enfoque Visa a atender muito bem ao segmento escolhido. através da gestão estratégica do composto de marketing: produto. 2003). a possibili- Empreender_e_Inovar. Mas todos os esforços são insuficientes para tentar transmitir o seu dinamismo e sua heterogeneidade. proporcionando um isolamento contra a rivalidade competitiva. reduzindo a diferenciação percebida a ponto de enfraquecer a posição conquistada. devido à lealdade dos consumidores com relação à marca. criando e trocando produtos e valores uns com os outros. como o nome diz. pois a diferenciação sustenta. Finalmente.1. os lucros devem ser constantemente reinvestidos em equipamentos modernos. Além disso. comunicação e distribuição (NICKELS.84     J OSÉ FERN A NDO K RONBA UER capacidade financeira. em geral. WOOD. tais como a mudança tecnológica que anula o investimento ou o aprendizado anterior. Uma vez atingida a liderança no custo total. Marketing pode ser definido como o esforço empresarial para criar continuamente valor para os clientes e gerar vantagem competitiva duradoura para a empresa. para que não se perca a vantagem conquistada. e há dez anos. por exemplo. ainda. inflação em custos que estreitam a capacidade de a firma manter o diferencial de preço suficiente para compensar a imagem da marca do produto em relação ao preço dos concorrentes ou outras formas de diferenciação. 1999. incapacidade de ver a mudança necessária no produto ou no seu marketing. que afasta muitos competidores desta estratégia. mesmo depois de conquistada.5  O plano de marketing O que é exatamente o marketing? Se esta pergunta fosse feita há quarenta anos. e tomando-se cuidado para não perdê-la.indb 84 18/03/2012 22:05:19 . 6. havendo. por meio da imitação ou de sua capacidade de investir em instalações modernas. DIAS. a necessidade dos compradores pode se alterar com o tempo. Marketing também é visto como o processo social e gerencial através do qual indivíduos e grupos obtêm aquilo que desejam e que necessitam. isso significa dizer que a empresa é capaz de atender seu alvo estratégico estreito mais efetiva ou eficientemente do que os concorrentes que estão no mesmo patamar. Empresas com foco em diferenciação não podem ignorar os custos. aprendizado de baixo custo por novas empresas que entrem na indústria ou perseguidores.

2008.. Essas estratégias geralmente se referem ao composto de marketing: produto. torne-se necessário. WOOD. aquisição. uso ou consumo. conhecendo e compreendendo o cliente tão bem que o produto ou serviço sirva. visto que é a matéria-prima utilizada pela empresa para produzir ações que a leva a atingir seus resultados. e que possa satisfazer a um desejo ou necessidade. dos concorrentes. sendo constituído pela análise de mercado. 1993. KOTLER. por impulso e com pouca comparação e trabalho. A empresa pode adotar estratégias específicas. Na elaboração de um plano de negócios. atuando sobre o composto de marketing. e pela estratégia de marketing. ou. sendo os meios e métodos que a empresa deverá utilizar para atingir seus objetivos. DORNELAS. e ratificando a importância da análise de mercado. Em relação à estratégia de marketing. [. DIAS. que é o planejamento da forma como a empresa oferecerá seus produtos ao mercado. é peremptório observar os resultados das pesquisas de mercado. A projeção de vendas da empresa está diretamente ligada à estratégia de marketing estabelecida (CHIAVENATO.. 2005. ARMSTRONG. voltada para o conhecimento dos clientes. praça (canais de distribuição) e propaganda ou comunicação. um serviço ou uma ideia que um consumidor adquire através de uma troca de marketing para satisfazer uma necessidade ou um desejo. pois dela dependerão todas as outras” (DORNELAS. Produtos de consumo são comprados pelo consumidor final para consumo pessoal e se dividem em: a) produtos de conveniência: que são comprados frequentemente. 1999. pois toda estratégia de negócio depende de como a empresa abordará seu mercado. sendo que de nada adianta saber fabricar um bom produto ou prestar um bom serviço se a empresa não souber colocá-lo no mercado e conseguir convencer as pessoas a comprá-lo.P LANO DE NEGÓCIOS     85 dade de tornar a venda supérflua..] É importante que a empresa conheça muito bem o mercado onde atua ou pretende atuar. NICKELS. ARMSTRONG. Eis os pilares da estratégia de marketing: «« Produtos O produto é um bem. esta “é considerada por muitos a parte mais importante do plano de negócios e também a mais difícil de se fazer. Os produtos são classificados de acordo com o tipo de consumidores que os usam – produtos de consumo e produtos industriais. SIEGEL et al.indb 85 18/03/2012 22:05:19 . é qualquer coisa que possa ser oferecida a um mercado para atenção. ainda. 2003). preço. DOLABELA. 1999). desejado e venda por si próprio. visando a aperfeiçoar suas potencialidades de sucesso (KOTLER. São os artigos de pri- Empreender_e_Inovar. 2008). pois só assim conseguirá estabelecer uma estratégia de marketing vencedora. o plano de marketing é a comunicação direta entre a natureza do negócio pretendido e a maneira pela qual ele poderá ter sucesso. 1999. 1999. de forma a obter melhor resultado sobre seus competidores. Esta seção do plano de negócios deve ser a primeira seção a ser elaborada. De outra forma. dos fornecedores e do ambiente em que a empresa vai atuar. através da seleção dos seus alvos para saber se o negócio é realmente viável.

de impulso e de emergência.indb 86 18/03/2012 22:05:19 . Ao projetar as características de um produto. Quando um produto está sendo desenvolvido. c) Embalagem: as decisões sobre embalagem baseavam-se em fatores como custo e produção. As marcas devem ter algumas características. c) produtos de especialidade: são aqueles produtos que possuem características únicas ou forte identificação de marca. têm preço mais baixo. b) produtos de comparação: são comprados com menos frequência e comparados em termos de adequação. reconhecido e lembrado. Podem ser homogêneos. Na verdade.86     J OSÉ FERN A NDO K RONBA UER meira necessidade. e. é apresentada a Figura 8 com as decisões sobre produtos individuais e o significado de cada aspecto. as empresas devem ter em mente a utilidade. ou heterogêneos. a) Atributos do produto: abrangem os conceitos de qualidade. de forma consistente. qualidade e preço. como seguros de vida e doações de sangue. características e design do produto. A seguir. a manutenção. e sua função é conter e proteger o produto. deve ser facilmente traduzível em outras línguas e deve poder ser registrado e protegido legalmente. preço e estilo. as marcas são uma espécie de abreviatura que representa uma combinação única de características e benefícios oferecidos por cada produto em questão. quando existem diferenças de estilo. b) Marca: a marca é uma promessa do vendedor de oferecer. Empreender_e_Inovar. um grupo específico de características. Atributos do produto Marca Embalagem Rótulo Serviços de apoio ao produto Figura 8: Decisões sobre produtos individuais. sendo que a qualidade é a capacidade do produto de desempenhar suas funções. a aparência. benefícios e serviços aos compradores. como o nome deve sugerir alguma coisa sobre os benefícios e qualidades do produto. deve ser original. o custo e a comunicação. em geral. deve ser fácil de ser pronunciado. As características do produto têm a função de fornecer benefícios aos clientes. qualidade. Fonte: Kotler e Armstrong (1999). existem aspectos que devem ser definidos para dar forma ao produto. d) produtos não procurados: produtos desconhecidos pelos consumidores ou que eles não pensam em consumir. apresentando uma garantia de qualidade. quando o consumidor entende que existe semelhança entre as características a ponto de comparar os preços entre eles.

na tentativa de formar um canal de distribuição. d) Rótulo: podem ser de simples etiquetas até peças gráficas complexas. visto que a maioria dos fabricantes utiliza intermediários para levar seus produtos até os clientes. onde os preços podem variar entre um patamar mínimo e um máximo. estratégia do mix de marketing e os custos envolvidos na produção. preocupações sociais. é o ponto de distribuição. O piso do preço é determinado pelos seus custos e o teto é determinado pela percepção do consumidor quanto ao valor do produto (KOTLER. 1999). e) Serviços de apoio ao produto: são os serviços que ampliam os produtos reais. especialização e escala operacional que geralmente pode oferecer mais às empresas do que elas conseguiriam por conta própria. Em relação às influências que determinam a fixação dos preços de seus produtos. uma relação entre o que os consumidores esperam ganhar com o que esperam dar em troca. ou ainda.indb 87 18/03/2012 22:05:19 . O rótulo pode ter várias funções e cabe ao fabricante determinar quais serão ativadas. Esse valor é a razão entre os benefícios e o preço percebidos. dos intermediários se deve ao fato de que eles possuem contatos. a embalagem tornou-se importante ferramenta de marketing. que é o conjunto de providências envolvido no processo de disponibilizar produtos ou serviços para os consumidores. quais sejam o mercado e demanda. descrição e promoção do produto. reação dos distribuidores e ações do governo (KOTLER. WOOD. ARMSTRONG. visto Empreender_e_Inovar. Entre eles estão o serviço de atendimento ao consumidor e projetos que facilitam a manutenção de equipamentos pelo próprio usuário. sendo que as percepções dos clientes a respeito do valor influenciam o processo de determinação de preço por parte da empresa.P LANO DE NEGÓCIOS     87 Atualmente. Os fatores internos correspondem a objetivos de marketing. Há. facilitar a utilização e sugerir qualidades ao produto. os demais representam custos. Já os fatores externos também devem ser considerados na fixação dos preços. experiência. Uma embalagem inovadora pode dar à empresa uma vantagem sobre seus concorrentes. garantir a segurança do cliente. protegê-lo. 1999). ainda. NICKELS. como a conjuntura econômica. produzindo um valor percebido para o produto ou serviço. «« Preços Preço é o volume de dinheiro cobrado por um produto ou serviço. «« Praça O conceito de praça refere-se aos canais de distribuição do produto. As embalagens são responsáveis por conter o produto. ARMSTRONG. classificação. Na verdade. A utilização. os custos. 1999. O preço é o elemento do mix de marketing que produz receitas. as empresas devem levar em conta fatores internos e externos à sua organização. As funções são de identificação. é a soma dos valores que os consumidores trocam pelo benefício de possuírem ou usarem um produto ou serviço. por parte das empresas. preços e ofertas dos concorrentes e outros fatores externos. definindo canal de marketing como a rede de parceiros na cadeia de valor que coopera para trazer os produtos dos produtores para os consumidores finais.

88 

  J OSÉ FERN A NDO K RONBA UER

que o processo de distribuir visa a maximizar as utilidades de tempo, lugar e
posse (DIAS, 2003; KOTLER; ARMSTRONG, 1999; NICKELS; WOOD, 1999).
«« Promoção

A função da promoção é fomentar, facilitar e favorecer o ato da venda em
si. As vendas “fecham” os negócios, encerram um processo, são o seu próprio
fim. As promoções “abrem” essa possibilidade, facilitando a venda. A promoção
faz parte de um sistema maior, chamado de comunicação integrada de marketing (CIM). Além da promoção, a CIM é composta por propaganda, marketing
direto, relações públicas e venda pessoal, além de técnicas de suporte, como
marketing de causa, merchandising e patrocínio. O objetivo da CIM é manter
diálogo com os clientes e outros grupos de interesse, coordenando todas as
mensagens de marketing para criar uma imagem unificada à organização e
seus produtos. O programa total de comunicações de marketing de uma empresa, também chamado de mix de promoção, consiste na combinação específica
de propaganda, promoção de vendas, relações públicas e venda pessoal (DIAS,
2003; NICKELS; WOOD, 1999; KOTLER; ARMSTRONG, 1999).
Há que se falar do processo de comunicação, entendendo-se a comunicação como o processo de emissão, transmissão e recepção de mensagens por
meio de métodos e sistemas convencionados, envolvendo os seguintes elementos:
a) emissor: a parte que emite a mensagem para o receptor;
b) codificação: o processo de transformar o pensamento em forma simbólica;
c) mensagem: o conjunto de símbolos que o emissor transmite;
d) mídia: os canais de comunicação através dos quais a mensagem passa
do emissor ao receptor;
e) decodificação: o processo pelo qual o receptor confere significado aos
símbolos transmitidos pelo emissor;
f) resposta: as reações do receptor após ter sido exposto à mensagem;
g) feedback: a parte da resposta do receptor que retorna ao emissor;
h) ruído: distorção ou estática não planejada durante o processo de comunicação, que resulta em uma mensagem chegando ao receptor diferente da forma como foi enviada pelo emissor (KOTLER; ARMSTRONG,
1999; FERREIRA, 1993).
Para finalizar este pilar da estratégia de marketing, é importante abordar
o mix de promoção. Um dos componentes do mix de promoção é a propaganda,
sendo entendida como toda forma paga de apresentação impessoal e promoção de ideias, bens ou serviços por um patrocinador identificado, criando e
produzindo relações de troca com os clientes. A propaganda é considerada não
pessoal porque a mensagem é enviada através de uma mídia, como o rádio,
jornais, televisão, mala direta, internet ou outdoors. Outro componente desse
mix é a promoção de vendas, ou seja, trata-se de uma antecipação de uma compra através da concessão de incentivos de duração limitada aos consumidores,
isto é, enquanto a propaganda oferece razões para a compra de um produto ou
serviço, a promoção de vendas oferece razões para a compra ou venda ser feita
imediatamente. O último item do mix de promoção são as relações públicas. O

Empreender_e_Inovar.indb 88

18/03/2012 22:05:19

P LANO DE NEGÓCIOS 

89

seu objetivo é a construção de um bom relacionamento com os vários públicos
da empresa através de uma publicidade favorável, uma boa imagem corporativa. Relações públicas desempenham as funções de relações com a imprensa ou
com agências de assessoria de imprensa, as relações de publicidade do produto,
os assuntos públicos e as relações com o investidor (KOTLER; ARMSTRONG,
1999; NICKELS; WOOD, 1999).
6.2.1.6  O plano operacional
Para que uma empresa opere, produza os seus produtos e serviços é necessário que alguns procedimentos sejam realizados, sendo que, para que isso
ocorra, é necessário que exista a infraestrutura necessária. O plano operacional de um plano de negócios é destinado a descrever as maneiras e os recursos
que a empresa utilizará para atingir os resultados propostos no planejamento.
Também compõem o plano operacional a previsão e planejamento das instalações, das máquinas e dos equipamentos necessários, dos funcionários, dos
insumos e dos processos de fabricação e terceirização. Também é sugerido que
se fale sobre a estrutura da empresa – a estrutura organizacional, ou seja, as
assessorias externas e sua estrutura jurídica. Este capítulo do plano de negócios deve explicitar como a empresa irá criar seus produtos e serviços, e alguns
tópicos são decisivos, tais como:
«« desenvolvimento de produtos: mesmo que os produtos já tenham sido

desenvolvidos, é comum a empresa prosseguir com esforços de desenvolvimento para manter sua posição competitiva;
«« fabricação: é importante descrever o processo pelo qual serão produzidos os artigos; normalmente requer descrição da fábrica, dos equipamentos, materiais e dos requisitos de mão de obra, das técnicas e
processos que serão utilizados e o potencial da empresa em volume de
produção.
«« manutenção e assistência técnica: o plano deve descrever o nível de
apoio que a empresa irá oferecer ao cliente que comprou seu produto
ou serviço.
«« influências externas: deve-se citar fatores fora do controle da empresa
que possam impactar a forma de operar prevista (DORNELAS, 2008;
SIEGEL et al., 1993).
6.2.1.7  O plano financeiro
O plano financeiro visa a vislumbrar uma possibilidade de ganho, ou seja,
todo investidor deseja atingir uma situação futura melhor que a atual. O incentivo a investir nasce da expectativa de que o investimento se revele lucrativo.
Fazer um investimento consiste, para uma empresa, em comprometer capital,
sob diversas formas, de modo durável, na esperança de manter ou melhorar sua
situação econômica. A remuneração do investidor é a recompensa obtida pelo
sacrifício da privação do consumo. Os juros pagos pelo tomador ao investidor,

Empreender_e_Inovar.indb 89

18/03/2012 22:05:20

90 

  J OSÉ FERN A NDO K RONBA UER

por sua vez, são o preço a pagar pelo adiantamento dessa satisfação, lembrando
que toda aposta comporta risco, entendendo o risco como a probabilidade de
obter resultados insatisfatórios mediante uma decisão. Vários elementos podem fazer com que as previsões com base nas quais se tomou uma decisão se
tornem desatualizadas: um erro de avaliação do ritmo de evolução do mercado,
da intensidade da pressão concorrencial, da própria qualidade dos produtos fabricados ou do equipamento utilizado para sua produção pode transformar um
sucesso esperado em um fracasso (SAUL, 1995; GALESNE et al., 1999).
Tendo em vista a possibilidade de algo não sair ou acontecer conforme
o previsto em relação ao investimento, é necessário criar critérios de avaliação que sustentem a tomada de decisão sobre este investimento, que sirvam de
análise do desempenho futuro projetado. E isso é muito subjetivo e tem grande
influência na decisão de investir. Investidores podem ter percepções diferenciadas de um mesmo empreendimento, em função de vários fatores, como a experiência, o grau de conhecimento daquele tipo de investimento, a capacidade
econômica, o risco, a incerteza, a impetuosidade e a prudência. Além de fatores
desta ordem, é claro que as perspectivas de retorno, o horizonte do projeto e
seu tempo de retorno são fatores de ordem econômica de grande relevância ou
decisivos. Esses critérios são verificados através de indicadores de viabilidade,
assim chamados por serem eles que permitirão ao analista aceitar ou rejeitar o
investimento, ou, no caso, permitirão ao empreendedor aceitar ou rejeitar o seu
projeto (ABREU FILHO et al., 2006).
Os indicadores de viabilidade mais utilizados são:
«« Taxa mínima de atratividade (TMA)

Pode-se definir taxa mínima de atratividade como ganho mínimo que o
investidor espera ganhar. É a taxa mínima de rentabilidade exigida no projeto
e representa o custo de oportunidade do capital investido ou uma taxa definida
pela empresa em função de sua política de investimento, sendo que esta taxa
pode mudar de entidade para entidade (pessoa, empresa etc.). Tudo depende de
seu status econômico-financeiro e de seu ambiente de atuação. Por outro lado,
o custo de oportunidade vem a ser o que perdemos ou deixamos de ganhar em
relação a remunerações melhores para o capital naquele momento, encarado
como um benefício que a empresa poderia obter em seu melhor uso alternativo, ou seja, trata-se de um custo incremental; ele não representa uma saída de
caixa, mas uma renúncia, em função do projeto, de uma entrada de caixa que a
empresa poderia ter (GALESNE et al., 1999; CARVALHO, 2002).
«« Índice de rentabilidade (IR)

O índice de rentabilidade é um indicador de atratividade do investimento,
pois demonstra quanto do capital investido retorna em determinada unidade de
tempo. É obtido pela divisão do lucro líquido pelo investimento total. Está relacionado com a competitividade da empresa, pois mede o lucro sobre as vendas
e a consequente capacidade de investimento da empresa. É expresso pelo resultado, em percentuais, da divisão dos lucros pelas vendas totais (ROSA, 2004).

Empreender_e_Inovar.indb 90

18/03/2012 22:05:20

Para que o investimento seja rentável é necessário que o valor do índice de lucratividade seja superior a um. é vista como a taxa de retorno que equilibra o capital investido com os retornos futuros esperados. O primeiro não leva em consideração o valor do dinheiro no tempo. 1999. Além disso. Se a TIR for maior que a TMA. ou seja. ABREU FILHO et.. 2006).. Este indicador é importante em situações de sensibilidade a riscos. o projeto deve ser aceito. Costuma-se criticar o payback pelo fato de que a opção com menor prazo de retorno não necessariamente é a mais lucrativa. pois permite interpretar facilmente os resultados (GALESNE et al. com o desconto dos fluxos de caixa feito a uma taxa k definida pela empresa. 1995). mas. o segundo faz essa consideração. sua TMA. pois limita o risco e possibilita que o dinheiro retornado seja empregado em outros investimentos considerados de grande interesse. também. a de melhor lucro. É. pois não diferencia os projetos lucrativos daqueles que causam prejuízos (SAUL. fornecendo um número de períodos do fluxo de caixa em questão nos quais o somatório dos benefícios se iguala ao somatório dos custos. o payback é muito utilizado porque os investidores nem sempre preferem a melhor alternativa. No entanto. segundo a real classificação de alternativas.P LANO DE NEGÓCIOS     91 «« Índice de lucratividade (IL) É uma medida relativa de custo e benefício do capital investido. sim. pois pode apresentar mais de um resultado. Por outro lado. Pode ser analisado de duas formas: payback simples e payback descontado. é bastante controversa. O valor presente líquido é a diferença entre o valor presente das entradas líquidas de caixa associadas ao projeto e o investimento inicial necessário. deve-se ter definida a taxa mínima de atratividade do projeto. se dá pela existência de maior lucro. 1999. que será o índice utilizado para desvalorizar as entradas futuras. sendo o critério mais utilizado por profissionais de finanças. pois. portanto. mais apropriado para análises (HIRSCHFELD. a de menor prazo de retorno. «« Tempo de retorno (payback) O objetivo do payback é determinar o tempo que o capital levará para ser devolvido ao investidor. sendo. ABREU FILHO et al. 2006). «« Taxa interna de retorno (TIR) É a taxa que torna o valor presente das entradas líquidas de caixa associadas ao projeto igual ao investimento inicial.. o benefício líquido de caixa por unidade de moeda investida. pode levar a resultados equivocados quando for utilizada para comparar projetos diferentes. al. quando há mais de uma inversão de sinal. 2000). pois quanto mais distantes estiverem Empreender_e_Inovar. Para calcular o VPL. «« Valor presente líquido (VPL) O valor presente líquido de um projeto é a diferença entre o valor presente do projeto (receitas) e seu custo (investimento). No entanto..indb 91 18/03/2012 22:05:20 . O IL estabelece a razão entre o valor presente das entradas líquidas de um projeto e o investimento inicial. significando que as entradas líquidas do mesmo foram superiores ao capital investido (GALESNE et al.

Vendas acima do ponto de equilíbrio geram lucro. «« Ponto de equilíbrio Ponto de equilíbrio é a quantidade de unidades ou valor monetário que deve ser alcançado em vendas para cobrir as despesas fixas do empreendimento somadas às suas despesas variáveis. considerando que o capital de giro é uma necessidade permanente da empresa. enquanto que resultados de vendas abaixo deste ponto geram prejuízo.indb 92 18/03/2012 22:05:20 . desde a compra da matéria-prima até o recebimento da venda. No Quadro 11 encontra-se a fórmula do ponto de equilíbrio econômico. depreciação. Empreender_e_Inovar.. os impostos e remunerar adequadamente os investidores. causadas por limites de licenças de operação (HILSCHFELD. normalmente período de um ano.. com o significado de suas abreviações (ABREU FILHO et al.92     J OSÉ FERN A NDO K RONBA UER os retornos. poder gerar recursos suficientes para pagar suas dívidas de curto prazo sem precisar recorrer a empréstimos onerosos de curto prazo. ABREU FILHO et al. custos fixos. pode ser também econômico. depreciação e imposto de renda. 2006). maior será a incerteza para realizá-los. Ao se atingir o ponto de equilíbrio. 2006). imposto de renda e o custo do capital. Para análises financeiras. quando cobre custos variáveis. fixos. 2002). através da rotação de seu ativo circulante (AC). «« Necessidade de capital de giro Capital de giro é o montante que a empresa terá disponível para manter suas atividades de curto prazo. quando cobre custos variáveis. não se produz lucro nem prejuízo. e. A Figura 9 ilustra o referido conceito. 2000. por recursos permanentes (ASSAF NETO. pois é o que determina a quantidade mínima suficiente para pagar os custos operacionais. O ciclo operacional de uma empresa abrange todo o ciclo de produção da empresa. finalmente. Ponto de equilíbrio pode ser operacional. A necessidade de capital de giro (NCG) mostrará qual é o capital de giro mínimo que a empresa precisa ter para. preferencialmente. Também é um critério importante quando ocorrem limitações de tempo e prazo para o retorno de investimento. leva-se em conta o ponto de equilíbrio econômico. representando os recursos demandados por uma empresa para financiar suas necessidades operacionais identificadas desde a aquisição de matérias-primas (ou mercadorias) até o recebimento pela venda do produto acabado. pode ser contábil. SILVA. Pode ser expresso em unidades físicas (produtos) ou em unidades monetárias. é razoável que ele seja financiado. CARVALHO. 2002. quando cobre os custos variáveis mais os custos fixos.

cap. SILVA. sempre visando ao objetivo da organização.  REFERÊNCIAS ABREU FILHO.) P = preço Q = quantidade CV = custos variáveis CF = custos fixos C. Empreender_e_Inovar. 2006. procedimentos e ferramentas foram e continuam sendo criados.P LANO DE NEGÓCIOS     93 Quadro 11 – Fórmula do ponto de equilíbrio econômico.(P. Finanças corporativas. Compra de matéria-prima Início da fabricação PME (Mp) Onde: Fim da fabricação PMF Venda PMV Recebimento da venda PMC PME (Mp) = prazo médio de estocagem de matérias-primas PMF = prazo médio de fabricação PMV = prazo médio de venda (estocagem produtos acabados) PMC = prazo médio de cobrança (recebimento de vendas) Figura 9 – Ciclo Operacional. = depreciação contábil periódica que reduz a base tributária Fonte: Abreu Filho et al. Administração do capital de giro.Q – CV. PE econômico: P. César Augusto Tibúrcio. Para que as decisões sejam mais acertadas. = custo do capital IR = alíquota do imposto de renda depr.Q = CV. Fonte: Assaf Neto e Silva (2002). 2002. Rio de Janeiro: FGV. seja financeira. (2006). + IR. ASSAF NETO. José Carlos Franco de et al.indb 93 18/03/2012 22:05:20 .Q + CF + C. São Paulo: Atlas. 2.Q – CF – depr. a capacidade de previsão do futuro que se espera do dirigente de empresa está no permanente ajuste entre o que foi planejado e o que o cenário interno e externo acenam.cap. fazendo com que decisões de todo calibre sejam tomadas. No entanto. ed. competitiva. Alexandre. As tomadas de decisões empresariais são realizadas visando a uma melhoria de condição. estratégica.

Curitiba: IBQP. São Paulo: Atlas. 2008. Empreendedorismo no Brasil. Jaime E. Rio de Janeiro: LTC. 2008. n. José Carlos Assis. jul. KIRSCHNER. R. Marketing: relacionamentos. 2. ARMSTRONG. 3. 2000. Administração estratégica: conceitos. qualidade. HIRSCHFELD. 4. Guia da Ernst & Young para desenvolver seu plano de negócios. FENSTERSEIFER. O meu próprio negócio: todos os passos para avaliação. Rio de Janeiro: Else- vier. São Leopoldo: UNISINOS. São Paulo: Atlas. 1996.pdf>. KROLL. KOTLER. CHÉR. v. S. Philip. Nestor. Empreendedorismo: dando asas ao espírito empreendedor. Marian Burk. Decisões de investimentos da empresa. Revista de Administração. Acesso em: 19 set. Empreender_e_Inovar./set. Joana Paula et al.sebrae. G. Plano de negócios instantâneo. PORTER. 2002.. Gestão de marketing. br/bds/bds. A. DORNELAS. William G. SEBRAE/SP – SERVIÇO NACIONAL DE APOIO À MICRO E PEQUENA EMPRESA – SP. ed. WRIGHT.. WOOD. 2003. NICKELS. Engenharia econômica e análise de custos.94     J OSÉ FERN A NDO K RONBA UER BERLE. Roberto. Rogério. DOLABELA.com.. 1999. São Paulo: Elsevier. planejamento. Paul. São Paulo: Saraiva. Gustav. 37. valor. Governança corporativa no Brasil em perspectiva. Disponível em: <http://www.nsf/8F5BDE79736CB99483257447006CBAD3/$File/NT00037936. Alain. 1999. São Paulo: Saraiva. 1995. Competição: estratégias competitivas essenciais. São Paulo: Cultura. Fa- tores condicionantes e taxas de sobrevivência e mortalidade das micro e pequenas empresas no Brasil (2003–2005). Fernando. et al. 2000. ed.  Este capítulo foi elaborado por José Fernando Kronbauer. São Paulo. 2005. 1995. 2010. L.. 1993. 2002. M. Rio de Janeiro: Axcel Books. Gary. Princípios de marketing. Henrique. LAMB. M. Eric S. CARVALHO. P. ed. PARNELL.biblioteca. CHIAVENATO. GALESNE. 2011. DIAS. MACHADO. SIEGEL. Rio de Janeiro: Record. abertura e gerenciamento de um negócio próspero. 2. Idalberto. São Paulo: Atlas. Análise de investimentos: critérios de decisão e avaliação de desempenho nas maiores empresas do Brasil. SAUL. Rio de Janeiro: Campus.indb 94 18/03/2012 22:05:20 . Empreendedorismo corporativo. O segredo de Luísa. Rio de Janeiro: LTC. 1999..

Gustavo da Silva Costa Mestre em Administração pela UNISINOS. no planejamento e inteligência de mercado. coordenador dos intercâmbios do curso de Administração e professor integrante do eixo de empreendedorismo da UNISINOS.indb 95 18/03/2012 22:05:20 . É professora integrante do eixo de empreendedorismo da UNISINOS. professora na graduação e no MBA da UNISINOS.Sobre os autores Daniela Miranda Oliveira Horta Doutoranda em Administração com ênfase em Estratégias Organizacionais. mestre em Administração com ênfase em Marketing. pela UNISINOS. É professora integrante do eixo de empreendedorismo da UNISINOS. pela PUCRS. Ivan Brasil Galvão dos Santos Mestre em Administração pela UNISINOS. É professora integrante do eixo de empreendedorismo da UNISINOS. professora da Graduação e assessora da Gerência de Marketing da Unidade Acadêmica de Graduação da UNISINOS. professora na graduação e no MBA da UNISINOS. assessora da Gerência Acadêmica da Unidade de Graduação da UNISINOS. Também é professor integrante do eixo de empreendedorismo da UNISINOS. especialização. professora da graduação. É professora integrante do eixo de empreendedorismo da UNISINOS. coordenadora do MBA em Gestão de Organizações Inovadoras da UNISINOS. professor nos cursos de graduação e no MBA da UNISINOS. professor da graduação e da graduação tecnológica da UNISINOS. professora nos cursos de graduação e no MBA da UNISINOS. José Fernando Dresch K ronbauer Mestre em Saúde Coletiva pela UNISINOS. Elisa Thomas Mestre em Administração pela UNISINOS. Izabel Cristina da Rosa dos Santos Mestre em Ciência da Comunicação pela UNISINOS. Empreender_e_Inovar. Luciana M aines da Silva Mestre em Administração pela UNISINOS. Vanessa de Souza Batisti Mestre em Economia pela UNISINOS.

indb 96 18/03/2012 22:05:20 .Empreender_e_Inovar.