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U NIVERSIDADE F EDERAL D E V IÇOSA D EPARTAMENTO DE E NGENHARIA C IVIL

UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL

COMPOSTAGEM DE RESÍDUOS SÓLIDOS ORGÂNICOS - ASPECTOS TEÓRICOS E OPERACIONAIS

Mônica de Abreu Azevedo 1

VIÇOSA MG

2004

1 Engenheira Civil, M.S. em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos, D.S em Engenharia Hidráulica e Saneamento, Professora do Departamento de Engenharia Civil, Universidade Federal de Viçosa, 36570-000 - Viçosa, MG. Tel. (31) 3899-1738; 3899-2740; FAX: (31) 3899-14382; e-mail:

monica.azevedo@ufv.br

COMPOSTAGEM DE RESÍDUOS SÓLIDOS ORGÂNICOS

Mônica de Abreu Azevedo

Compostagem de Resíduos Sólidos Orgânicos Aspectos Teóricos e Operacionais

1. Introdução

Profª. Mônica de Abreu Azevedo

Os resíduos sólidos constituem, atualmente, um dos maiores desafios ambientais a serem equacionados pelo mundo moderno. Este fato está associado a diversos fatores, tais como:

i) o aumento acentuado da geração e alteração da composição dos resíduos, verificados nas últimas décadas como resultado das mudanças nos padrões de produção e consumo, bem como nos processos econômicos e sociais;

ii) a escassez de áreas para a disposição dos resíduos no solo, como conseqüência da

expansão urbana e da existência de leis ambientais mais severas, que têm limitado e direcionado certas práticas produtivas, como também restringindo a disposição inadequada de resíduos no meio ambiente;

Em relação ao Brasil, acrescenta-se:

i) a falta de uma política nacional de saneamento, que não só defina diretrizes técnicas e financeiras, como também contemple aspectos relativos à sustentabilidade dos processos de gestão de resíduos a serem empregados;

ii) a falta de interesse, vontade política e, principalmente, o descaso político e ainda

público, denotados aos problemas ambientais, sociais, econômicos e de saúde pública relacionados aos resíduos sólidos, o que tem contribuído para o drástico quadro que se encontra o gerenciamento dos resíduos sólidos no país. Nesse aspecto, no país são produzidas diariamente cerca de 242 mil toneladas de resíduos, sendo que apenas 24% dos resíduos gerados recebem alguma forma de tratamento: 10% são dispostos em aterros sanitários, 9% são tratados em usinas de

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compostagem, 0,1% são incinerados e 13% são dispostos em aterros controlados. A grande maioria do lixo produzido no Brasil (76%), ainda é disposta inadequadamente no meio ambiente nos lixões (IBGE 1991), que constituem focos constantes de poluição e contaminação ambiental bem como são “agentes” diretos e/ou indiretos da deterioração da qualidade de vida e da saúde pública. Por outro lado, a escassez de recursos naturais e energéticos e a nova ordem ambiental e econômica, que está se estabelecendo no mundo moderno, têm feito com que práticas produtivas e a relação homem/ambiente sejam repensadas, bem como têm sido buscadas “novas” estratégias de desenvolvimento econômico e social compatibilizadas com a preservação ambiental e a melhoria da qualidade de vida. Em relação aos resíduos sólidos, tal situação tem feito com que o gerenciamento de resíduos seja direcionado para os seguintes aspectos (AZEVEDO, 1997):

i) Minimização da Produção

A idéia de reduzir a geração de resíduos passa, necessariamente, por uma

mudança de conceitos e hábitos relacionados à produção e ao consumo. Reduzir a geração de resíduos significa diminuir o desperdício já que o lixo é um subproduto das mais diversas atividades humanas. A minimização da geração de resíduos pode ser conseguida através de: alterações nos processos produtivos (métodos de processamento e matérias primas); de mudanças de atitudes, hábitos e comportamentos ligados ao consumo produção de resíduos (educação ambiental); do emprego de tecnologias limpas; geração de produtos / resíduos, biodegradáveis, recicláveis e/ou reutilizáveis; de medidas políticas (legislação específica para o setor).

ii) Reciclagem e Tratamento de Resíduos

A reciclagem dos materiais presentes no lixo urbano propicia a reutilização

destes materiais como matéria prima para a indústria, caso dos materiais inertes como

papel, papelão, plástico, vidro, metais etc., ou como insumo agrícola através da utilização do composto orgânico, obtido através do processo de tratamento da fração orgânica por compostagem. Em nível de tratamento, os resíduos sólidos poderão ser

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utilizados para o aproveitamento energético, através dos processos de incineração ou digestão anaeróbia. A minimização e a reciclagem dos resíduos sólidos traz, dentre outras, as seguintes vantagens: economia de recursos naturais e de energia, empregados nos processos produtivos; redução dos impactos ambientais; diminuição da produção de resíduos, o que flexibiliza a adoção de processos de tratamento e a disposição sanitariamente adequada dos resíduos, aumento da vida útil dos aterros sanitários e, redução dos custos da coleta, transporte, tratamento e disposição final.

iii) Disposição Final em Aterros Sanitários

O aterro sanitário, dentro de um sistema moderno de gestão de resíduos sólidos,

é visto como sendo uma solução imprescindível, porém, destinado a receber os rejeitos

dos processos anteriores de tratamento e não mais a totalidade dos resíduos gerados.

iv) Sistemas Integrados Diferenciados

O equacionamento do problema dos resíduos sólidos urbanos deve contemplar a

totalidade e os diferentes tipos de resíduos gerados no município, buscando a adoção de soluções integradas, porém diferenciadas de acordo com a natureza e/ou características dos resíduos produzidos.

v) Ampliação dos Sistemas de Saneamento

Os sistemas de limpeza urbana e de gerenciamento dos resíduos sólidos devem abranger a totalidade da população do município. Esta é uma meta que deve ser priorizada não só para questão do lixo, como também para os outros sistemas sanitários.

vi) Participação da Comunidade

A participação da comunidade, dentro de uma visão moderna de gerenciamento

dos serviços de saneamento do lixo, é vista como um fator decisivo e necessário ao sucesso dos programas estabelecidos. O envolvimento da comunidade em todas as fases

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do projeto deve ser sempre considerado, isto contribuirá não só para a melhoria e o sucesso dos projetos a serem implantados, como também criará condições para o estabelecimento de programas de educação ambiental, e mobilização comunitária.

Dentro deste contexto, a reciclagem dos materiais inertes aliada à compostagem da fração orgânica do lixo urbano surgem como um importante processo para o gerenciamento dos resíduos sólidos pelas municipalidades, pelo fato de serem sistemas comprometidos com objetivos sanitários, com princípios ecológicos e de preservação ambiental.

A compostagem é um dos mais antigos processos de tratamento e constitui-se

em um dos mais eficientes processos de reciclagem de resíduos orgânicos com vistas à

utilização agrícola. Este processo tem sido indicado por vários pesquisadores (BIDDLESTONE et. al., 1981), como uma das melhores técnicas para solucionar o problema do lixo urbano, principalmente nos países em desenvolvimento, devido à

possibilidade de ser implantado sob concepções de baixo custo segundo várias escalas operacionais.

A reciclagem dos materiais inertes (papel, plástico, papelão, vidro, metais e

outros), presentes no lixo urbano para a indústria, bem como da fração orgânica (tecidos

vegetais e animais) na forma de húmus para utilização agrícola, através dos processos de compostagem, cumpre, entre outros, os seguintes objetivos:

i) evita a poluição e contaminação do meio ambiente;

ii) atenua os problemas sanitários e de saúde pública;

iii) permite uma grande economia de energia pelo reaproveitamento de produtos;

iv) contribui para a proteção e preservação de recursos naturais.

v) possibilita a geração de emprego podendo absorver a mão-de-obra dos “catadores de

lixo”, resolvendo, portanto, um problema social.

Nesse contexto, o presente trabalho tem o objetivo básico apresentar os aspectos mais relevantes do processo de tratamento e reciclagem de resíduos orgânico, sem contudo, ter a pretensão de resgatar o Estado da Arte da Compostagem. Desta forma, será dada ênfase aos fatores que afetam o processo, bem como as características tecnológicas e operacionais dos sistemas de compostagem por aeração forçada (leiras estáticas aeradas) e por reviramento (processo Windrow), por apresentarem uma série de

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características, que os tornam processos bastante adequados técnica e economicamente para o país, apesar da bibliografia especializada registrar mais de 30 diferentes processos de compostagem (STENTIFORD, 1986).

2. Histórico da Compostagem

A degradação biológica da matéria orgânica, que ocorre espontaneamente, na

natureza, como ação natural do ecossistema global, pode ser entendida como uma

compostagem natural. Provavelmente, foi através da observação deste processo natural que a compostagem surgiu como uma das práticas mais antigas de produção de fertilizantes orgânicos para o solo. Segundo PEREIRA NETO (1987a), a compostagem é o processo de tratamento biológico mais antigo empregado para a reciclagem de resíduos orgânicos para o solo. Os chineses, por exemplo, têm empregado esse sistema natural por milhares de anos, como um processo intermediário no retorno de resíduos agrícolas e dejetos para o solo (STENTIFORD et al., 1985). O processo constituía, basicamente, no empilhamento de resíduos, por longo tempo, até que esses atingissem um grau suficiente de degradação para a aplicação no solo.

O primeiro avanço na prática da compostagem moderna foi realizado na Índia,

por volta de 1920, por Albert Howard um fitopatologista inglês. Howard sistematizou o procedimento tradicional em um método de compostagem denominado Processo Índore (nome da cidade onde foi desenvolvido). Esse processo, inicialmente, utilizava esterco de animal e resíduos vegetais, como palha e folhas, os quais eram colocados em leiras, que atingiam, freqüentemente, altas temperaturas. O material era revirado duas vezes durante todo o período de compostagem, que durava seis meses. O desenvolvimento posterior do processo

envolveu menores ciclos de reviramento e a molhagem da massa de compostagem, a fim de fornecer a quantidade de ar e a umidade necessárias para acelerar o processo (HOWARD, 1938).

A partir de 1920, os processos modernos de compostagem aeróbica foram

pesquisados e desenvolvidos. Pesquisadores, principalmente na Europa, concentraram suas pesquisas nos sistemas fechados de compostagem, os quais promoviam um controle mais rigoroso sobre o processo e um menor período de compostagem. Desse

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empenho, resultaram vários processos mecanizados de compostagem, que foram patenteados à partir de 1929. Entre estes sistemas os mais importantes, destacam-se:

i) Processo Beccari, desenvolvido por Giovanni Beccari em 1922 na Itália. Trata-se de

um sistema fechado e biologicamente misto, onde a decomposição da matéria orgânica é

realizada, principalmente, por meio de bactérias anaeróbicas e em seguida, devido à introdução contínua de ar à massa de compostagem, o processo passa a ser desenvolvido

por bactérias aeróbias.

ii) Sistema Ítano, desenvolvido em 1928, constitui em um método mecanizado, cilindro

mecânico, para a decomposição aeróbica da matéria orgânica. iii) Processo Bordas, constitui em melhorias feitas por Bordas em 1938, no Processo

Beccari. A principal modificação proposta foi a eliminação do estágio anaeróbico do Processo Beccari, pela introdução, forçada de ar dentro do silo de fermentação, por meio de tubos localizados no centro e ao longo das paredes da célula.

iv) Processo Dano, patenteado em 1933, foi desenvolvido na Dinamarca. Este sistema se

processa no interior de bioestabilizadores e consiste na decomposição aeróbica da fração

orgânica, presente no lixo urbano, realizada e acelerada mediante o controle dos principais fatores ambientais, que afetam a atividade biológica, como: temperatura, umidade e aeração.

Antes de 1960, já existiam vários sistemas, comerciais, mecanizados do tipo de reator, desenvolvidos à partir de melhorias feitas nos sistemas mecânicos já existentes.

O objetivo comum destes sistemas era melhorar ou acelerar a operação de

compostagem. Enquanto isto, o progresso dos sistemas realizados por meio da compostagem em leiras pareceu ter cessado. Sendo a versão mais desenvolvida a denominada, como sistema Windrow (originada do Processo Indore). Nessa época, as pesquisas eram dirigidas para os sistemas mecanizados, supostamente bem controlados por meio de reatores, e para os sistemas de baixo custo (processo Windrow), que não promoviam um controle eficiente dos parâmetros intervenientes no processo de compostagem. Em 1970, o aumento da preocupação com a proteção ambiental, ocasionou o ressurgimento dos sistemas de compostagem, como um processo de tratamento para o lodo gerado em estações de tratamento de esgoto.

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O Departamento de Pesquisas Agrícolas de Beltsville, nos EUA, desenvolveu o

sistema de compostagem por Leiras Estáticas Aeradas, ou sistema de compostagem por Aeração Forçada, como um processo específico para o tratamento de lodo de esgoto. Esse processo era operado sob certo grau de controle e mostrava ser de grande flexibilidade e viável economicamente (EPSTEIN et al., 1976), preenchendo uma lacuna existente entre os sistemas mecanizados e o processo Windrow (PEREIRA NETO et al., 1986b). Os custos de construção e operação das instalações dos sistemas de compostagem por Leiras Estáticas Aeradas são similares ao processo Windrow. A principal contribuição advinda com o desenvolvimento desse processo foi a possibilidade de se exercer um satisfatório grau de controle sobre as condições de operação do processo, sem a sofisticação existente nos sistemas com o uso de reatores mecânicos (PEREIRA NETO, et al., 1986a). Após o desenvolvimento do processo de compostagem de Beltsiville, as pesquisas na área passaram a enfocar o emprego de novas formas de aeração e controle, as reações microbiológicas e o ecossistema da leira de compostagem. Desta forma, os sistemas de compostagem por leiras sofreram um grande avanço nos últimos dez anos, o mesmo não ocorrendo, segundo STENTIFORD (1986), com os sistemas mecanizados. Uma pesquisa, desenvolvida nos EUA, mostrou que em um total de 79 usinas de compostagem de lodo de esgoto, em operação, 49 empregavam o sistema de Leiras Estáticas Aeradas (GOLDSTEIN, 1985). No Brasil, o sistema por Leiras Estáticas Aeradas vem sendo desenvolvido e pesquisado, desde 1988, no Laboratório de Engenharia Sanitária e Ambiental do Departamento de Engenharia Civil da Universidade Federal de Viçosa. Pesquisas têm sido realizadas com lixo urbano e resíduos agrícolas, objetivando a otimização e o desenvolvimento de tecnologias de baixo custo para a compostagem desses resíduos.

3. Definição

A compostagem é definida, por vários pesquisadores (BIDDLESTONE et al.,

1981 e 1991; KLESS, 1986; GOLUEKE & DIAZ, 1990), como sendo um processo

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biológico de transformação de resíduos orgânicos em um produto final estável e

humificado de uso irrestrito na agricultura, como condicionador e fertilizante do solo. Para GOLUEKE (1977), a definição de compostagem é especialmente importante para distinguí-la dos processos de putrefação natural que ocorrem na natureza. Assim, o autor destaca algumas palavras-chave que devem constar nessa definição, como:

i) controlada - esta palavra foi utilizada para diferenciar a compostagem de qualquer outro processo de putrefação e/ou degradação natural;

ii) biológico - para destacar que a compostagem está sujeita a todas as vantagens e às

limitações peculiares de todo sistema biológico;

iii) aeróbica - para enfatizar que na compostagem moderna o processo tem que ser

aeróbico, a fim de incorporar as vantagens dessa condição ao processo, com o controle da formação de odor e o desenvolvimento de altas temperaturas;

iv) fase termofílica - para especificar sua eficiência em combinar a eliminação de

microrganismos patogênicos (fonte potencial de doenças ao homem), à rápida degradação da matéria orgânica.

v) maturação - é a segunda fase do processo na qual o principal objetivo é obter um

produto final que apresente um elevado estágio de estabilização, que o torne adequado para o uso agrícola; vi) humificação - esse constitue o estágio básico que o composto orgânico, teoricamente, deverá atingir antes de sua utilização agrícola. WAKSMAN (1938), diz que "húmus" não têm por si uma definição rígida, mas pode ser descrito como um agregado complexo de substâncias amorfas resultantes da atividade microbiológica da quebra de resíduos de origem animal e vegetal; vii) produto final seguro - esta frase tem sido empregada largamente em várias definições de compostagem e expressa, principalmente, os riscos epidemiológicos que devem ser eliminados no decorrer do processo. As sugestões de Golueke são bastantes fundamentadas e modernamente, a compostagem vem sendo definida como um processo biológico, aeróbico, controlado, desenvolvido por uma população mista de microrganismos, efetuada em duas fases distintas: a primeira, quando ocorrem as reações bioquímicas de oxidação mais intensas,

predominantemente termofílicas (45-65 o C), e a segunda fase ou fase de maturação,

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quando ocorre o processo de humificação com a produção de composto orgânico, propriamente dito (GOLUEKE, 1977).

O produto final resultante dos processos de compostagem é denominado de

Composto Orgânico, Fertilizante Orgânico ou simplesmente Composto, e constitui-se em um material humificado e, portanto, biologicamente estabilizado, fonte de macro (N,P,K) e micro (Ca, Mg, Fe, etc) nutrientes, os quais passaram da forma orgânica para a forma mineral, apresentando alto teor de material coloidal e com a capacidade de

melhorar as propriedades estruturais do solo. Esse material coloidal é resultante de reações enzimáticas de transformação bioquímica da lignina e proteínas, que se associam produzindo o ácido húmico. Esse ácido, reagindo por sua vez com o cálcio, o magnésio, o potássio e outros produz os humatos, responsáveis pelo incremento da disponibilidade de nutrientes para as plantas (EPSTEIN et al., 1976).

4. Classificação dos Processos de Compostagem

GOLUEKE (1977) classifica os processos de compostagem, de acordo com as principais características do processo, em três bases gerais denominadas: utilização do oxigênio (aeróbico e anaeróbico), temperatura (mesofílica e termofílica) e tecnologia empregada (sistema aberto - compostagem em leiras ou fechado - compostagem mecanizada). Entretanto, o mesmo autor complementa que a compostagem aeróbica é caracterizada por altas temperaturas, pela produção de gases inodoros e pela elevada taxa de decomposição da matéria orgânica. PEREIRA NETO (1987a) acrescenta que a compostagem aeróbica é mais eficiente em termos de decomposição da matéria orgânica do que a compostagem anaeróbica, além de permitir o desenvolvimento de altas temperaturas necessárias para a eliminação de microrganismos patogênicos, geralmente presentes nos resíduos utilizados na compostagem.

A compostagem anaeróbica é caracterizada por baixos valores de temperatura,

pela produção de produtos intermediários de odores desagradáveis e pelo maior tempo gasto para a decomposição da matéria orgânica. São justamente essas diferenças nas características do processo de compostagem, que constituem, segundo GOLUEKE (1977), as vantagens da compostagem aeróbica sobre a anaeróbica.

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Devido a essas vantagens, é que a compostagem é definida, em sua visão moderna, como um processo aeróbico. SINGLEY et al. (1982) citam outra vantagem da compostagem aeróbica. Segundo esses autores, a compostagem aeróbica é um processo bastante flexível devido

à natureza de seu ecossistema, o qual pode se adaptar facilmente a projetos simples com

o mínimo de cuidado operacional, melhor do que qualquer outro processo de tratamento de resíduos. De acordo com a temperatura desenvolvida na massa de compostagem, durante o processo, os sistemas são classificados em mesofílico e termofílico. Esses termos são

usados, cientificamente, para especificar uma faixa ótima de temperatura dos organismos que participam do processo. Entretanto, na prática, são também utilizados para referir a uma faixa específica de temperatura em um processo biológico. Entretanto, nota-se que não existe um consenso entre alguns pesquisadores com relação aos limites dessas faixas de temperaturas (mesofílica e termofílica). GOLUEKE (1977), por exemplo, usa o termo mesofílico para designar os

organismos para os quais a temperatura ótima está na faixa de 8 ou 10 o C a 45 ou 50 o C.

Organismos para os quais a temperatura ótima é maior que 45 o C, o autor denomina de termofílicos. Entretanto, o autor limita a expressão compostagem mesofílica para o

processo no qual a temperatura permanece na faixa de 15 a 25 o C, que na maioria dos casos é a temperatura ambiente. Ele também classifica a compostagem termofílica como

um sistema operado a temperaturas na faixa de 45 a 65 o C. KIEHL (1985), classifica a compostagem mesofílica como o processo no qual a

digestão da matéria orgânica ocorre a temperaturas na faixa de 45 a 55 o C e o processo,

no qual a temperatura é superior a 65 o C, é identificado como termofílico. Para BORDAS & LOPEZ-REAL (s.n.t) de acordo com a temperatura ótima de crescimento, os organismos são classificados em mesofílicos, os que situam-se na faixa

de 25 a 40 o C, e os termofílicos, de 40 a 60 o C. Segundo WPCF (1985) a atividade microbiológica durante a compostagem, pode ser classificada em três estágios básicos: mesofílica, quando a temperatura na leira varia

da temperatura ambiente para 40 o C; termofílica, quando a temperatura varia de 40 a 70

o C; e um período de resfriamento associado à diminuição da atividade microbiológica e

à complementação do processo de compostagem.

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Na prática operacional, a maioria dos processos de compostagem inclui as duas faixas de temperatura mesofílica e termofílica. Em relação à tecnologia empregada, tem-se que os sistemas abertos de compostagem são aqueles nos quais todo o processo é realizado em leiras, pátios a céu aberto, e os sistemas de compostagem fechados ou mecanizados são aqueles em que parte da atividade inicial de degradação da matéria orgânica ocorre em uma unidade fechada denominada de reator, biodigestor ou bioestabilizador. No entanto, GOLUEKE (1977) ressalta que a maior parte dos processos mecânicos necessita de continuação do processo de compostagem em leiras, a fim de permitir um grau de estabilização e maturação suficientes para a produção do composto orgânico.

5. Vantagens e Limitações do Processo

Os sistemas de compostagem oferecem inúmeras vantagens, tais como:

i) rápida decomposição microbiológica da matéria orgânica a um estado "estável", com a mínima produção de odor;

ii) produção de calor durante a decomposição, o qual elimina os microrganismos patogênicos;

iii) pequeno uso de energia externa, quando comparado com outros sistemas de tratamento;

iv) emprego de equipamento simples;

v) grande flexibilidade operacional.

GOLUEKE (1980), afirma que a compostagem é o processo de tratamento de resíduos que apresenta menor custo em relação a outros métodos de tratamento. Vários estudos têm demonstrado que a compostagem é o único processo que combina uma boa

eliminação de patógenos ao alto grau de estabilização da matéria orgânica(FARREL & STERN, 1975; CARRINGTON, 1978). De acordo com EPSTEIN et al. (1982), as desvantagens e limitações do processo

são:

i) geralmente requer maior área do que os outros sistemas de tratamento;

ii) requer o uso de mão-de-obra mais intensiva do que o requerido em outros métodos.

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6. Fatores que Afetam os Processos de Compostagem

A compostagem, como um processo biológico possui todas as vantagens e limitações de um processo biológico. A principal limitação do processo consiste no fato que a capacidade e o desempenho de todo sistema de compostagem são determinados pelos fatores que afetam direta ou indiretamente à atividade microbiológica. Dentre estes fatores podemos destacar:

i) temperatura;

ii) requerimento de oxigênio ou taxa de aeração;

iii) teor de umidade;

iv) nutrientes;

v) tamanho da partícula;

vi) pH.

O sucesso de um sistema de compostagem, com a obtenção de um produto, o composto orgânico, estável e seguro bacteriologicamente, irá depender da observação dos princípios e limites de cada fator que afeta o processo, expressos nos itens a seguir.

6.1. Temperatura

Toda atividade biológica de degradação libera calor como um produto do metabolismo. Nos processos de decomposição ordinários que ocorrem espontaneamente na natureza, não se observa um aumenta significativo da temperatura, pois o calor gerado é rapidamente dissipado, já que, na maioria das vezes, a relação superfície/volume do material é grande. Por outro lado, quando os resíduos orgânicos são empilhados, devido à característica térmica-isolante desses materiais (como o lixo urbano), rapidamente se observa o aumento da temperatura na pilha formada. Segundo BIDDLESTONE et al. (1981), pelo menos uma tonelada de resíduos é necessária para garantir que a temperatura atinja níveis satisfatórios. A elevação da temperatura da massa de compostagem é o resultado da atividade microbiológica, durante a oxidação da matéria orgânica (FINSTEIN, 1982; PEREIRA NETO & AVEZEDO, 1990a; PEREIRA NETO, 1989). FINSTEIN (1982) acrescenta que, existe uma relação de causa e efeito entre a temperatura e o calor gerado pela atividade microbiológica, durante o consumo

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da matéria orgânica nos processos de compostagem. Esta relação de causa e efeito pode ser explicada pela influência recíproca existente entre a temperatura e o calor gerado. Logo que a leira de compostagem é montada, inicia-se a degradação da matéria orgânica presente, pela ação, principalmente, de microrganismos mesofílicos. A temperatura da leira, inicialmente próxima à ambiente, eleva-se como resultado da retenção do calor gerado, pois esta atividade, se as condições ambientais (umidade, aeração, disponibilidade de nutrientes) são propícias, a temperatura da leira atingirá valores de 40

a 60 o C, do segundo ao quarto dia (PEREIRA NETO, 1989; PEREIRA NETO e

AZEVEDO, 1990a), passando para a faixa termofílica na qual a atividade

microbiológica é mais intensa (WPCF, 1985), aumentando, portanto, o calor produzido

e consequentemente a temperatura da leira. Se essa não for controlada durante o

processo, pela ação do reviramento ou pela aeração forçada, poderá atingir valores

maiores que 75 o C, causando à diminuição da atividade microbiológica (MILLER et al., 1982; WILLSON et al., 1980), e prejuízo na eficiência do processo, com o retardamento do período de compostagem e alteração na qualidade do composto produzido (PEREIRA NETO & AZEVEDO, 1990a). Para WASKMAN et al. (1938), quando a

temperatura atinge a faixa de 80 a 85 o C, a atividade microbiológica cessa e as reações passam a ser predominante químicas. PEREIRA NETO (1989) ressalta que as

temperaturas elevadas (> 65 o C) associadas a meios alcalinos (pH>7,5), propiciam a perda de nitrogênio pela volatilização da amônia. Várias pesquisas (WAKSMAN et al., 1938; FINSTEIN, 1982; GOLUEKE, 1977; MILLER, 1982; KUTER et al., 1985; SIKORA et al., 1985; PEREIRA NETO, 1987a; MAC GREGOR et al., 1981) são unânimes ao afirmarem que a maior atividade

microbiológica é atingida à temperatura de 55 o C e, consequentemente, maior será a eficiência do processo desenvolvido nesta faixa de temperatura. Portanto, a compostagem moderna está associada ao desenvolvimento de temperaturas termofílicas, controladas pelo maior período de tempo possível na faixa de

55 o C, o que garante uma série de vantagens, como:

i) desenvolvimento de uma população microbiológica diversificada (WAKSMAN et al., 1938; PEREIRA NETO, et al., 1985; GOLUEKE & DIAZ, 1990); ii) aumento da taxa de decomposição da matéria orgânica (WAKSMAN et al., 1983; PEREIRA NETO, 1987a);

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iii) ação, como mecanismo mais importante, na eliminação de microrganismos

patogênicos (GOLUEKE, 1977; PEREIRA NETO, 1987a; GOLUEKE & DIAZ,

1990);

iv) eliminação de sementes de ervas daninhas, ovos de parasitas e larvas de insetos

(PEREIRA NETO et al., 1985). O controle das temperaturas desenvolvidas ao longo do processo de compostagem poderá ser realizado através de reviramentos periódicos, caso o sistema de

compostagem por reviramento ou através da passagem forçada de ar na leira de compostagem, quando o processo utilizado é o sistema por Leiras Estáticas Aeradas. Em ambos os processos, a aeração da massa de compostagem passa a ser o mecanismo de controle a temperatura na faixa ótima de projeto. Nos processos de compostagem por Leiras Estáticas Aeradas, o controle da temperatura pode ser feito através de taxas de aeração pré-fixadas, utilizando-se um temporizador ("timer") ou, através do controle em "feedback" que, segundo PSARINOS et al. (1986), constitui um ótimo mecanismo de remoção do calor gerado nos processos de compostagem. Para MILLER et al. (1982), o controle da temperatura em "feedback" é utilizado para maximizar a atividade microbiológica através da otimização da temperatura. PEREIRA NETO (1987a) e STENTIFORD (1991) afirmam que este tipo de controle produz três fases distintas ao longo do processo de compostagem:

i) aquecimento - o calor produzido é maior que o calor perdido, produzindo um aumento da temperatura a partir da temperatura ambiente; ii) platô de temperatura - a temperatura permanece sobre controle em "feedback" e o calor produzido é igual ao perdido;

iii) resfriamento - o substrato disponível é insuficiente para que o calor produzido

supere o perdido. A temperatura consequentemente irá reduzir até a temperatura ambiente (indicando o fim da primeira fase do processo, após a qual o material deve

ser posto para maturar). Para que a maior parte da leira de compostagem (maior volume de material)

atinja valores ótimos em torno de 55 o C, a temperatura de controle, segundo PEREIRA

NETO (1990), deverá situar-se na faixa de 65 o C. A temperatura constitui, portanto, o principal parâmetro de controle e o fator mais indicativo da eficiência dos processos de compostagem.

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6.2. Requerimento de Oxigênio/Taxa de Aeração

O oxigênio é essencial ao metabolismo das espécies aeróbias de microrganismos responsáveis pela compostagem (BIDDLESTONE e GRAY, 1991). Sem o fornecimento adequado de oxigênio, a atividade microbiológica será afetada e a temperatura da massa de compostagem não atingirá a faixa termofílica. Consequentemente, o pH da massa cairá e condições anaeróbicas serão desenvolvidas na leira de compostagem (BIDDLESTONE e GRAY, 1981). Como os processos aeróbicos de decomposição de resíduos orgânicos têm sido cientificamente comprovados, ao longo dos anos, como mais eficientes que os processos anaeróbicos, a compostagem, em sua visão moderna, é exclusivamente um processo aeróbico. PEREIRA NETO & AZEVEDO (1990a) citam algumas vantagens dos processos aeróbicos sobre os anaeróbicos:

i) os processos aeróbicos exigem menor período de compostagem (2 a 3 meses), em relação à compostagem anaeróbica que pode chegar até a 2 anos;

ii) a compostagem aeróbica garante a manutenção de temperaturas termofílicas em quase todo o volume da massa de compostagem, o que elimina ovos de larvas de helmintos e organismos patogênicos, além de ser mais eficiente na degradação de compostos orgânicos;

iii) a compostagem aeróbica desde que devidamente controlada não apresenta produção

de chorume. Desta forma, o entendimento da necessidade de oxigênio da massa de compostagem é um fator imprescindível para um bom desempenho e eficiência do processo. A Demanda Química de Oxigênio (DQO) pode ser determinada, estequiometricamente, através da composição química da matéria orgânica. A oxidação

de um composto protéico pode ser apresentada, segundo BIDDLESTONE e GRAY (1991), pela seguinte equação:

C 16 H 24 O 5 N 4 + 1,5 O 2 16 CO 2 + 6 H 2 O + 4 NH 3 +produção de calor

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Baseado nessa equação, verifica-se que 1,5 g de oxigênio serão requeridas por grama de material oxidado. No entanto, na prática, a massa de compostagem é composta por uma mistura de materiais com diferentes demandas teóricas de oxigênio e diferentes graus de degradabilidade. Consequentemente, só 40% da matéria orgânica, presente na massa de compostagem, é oxidada (BIDDLESTONE e GRAY, 1991). Na prática uma maior quantidade de oxigênio deve ser fornecida à leira de compostagem para que as condições aeróbicas sejam garantidas em toda a massa (PEREIRA NETO, 1987a). Vários pesquisadores, trabalhando com a compostagem de diferentes materiais, procuraram determinar o requerimento ótimo de oxigênio (WILLSON, 1977; WILLSON et al., 1980; HIGGINS, 1982; FINSTEIN, 1983; STENTIFORD, 1991). Os resultados destes estudos sugerem que a concentração ótima de oxigênio requerida para o crescimento de microrganismos aeróbicos deve situar-se na faixa de 5 a 15% do volume de ar, sendo 5%, a quantidade mínima para que condições anaeróbicas não sejam desenvolvidas (WPCF, 1985). Segundo PEREIRA NETO (1989), teoricamente, a concentração ideal de oxigênio seria aquela que satisfizesse a demanda bioquímica de oxigênio durante as diversas fases do processo. Entretanto, alguns fatores de ordem prático-operacional e as influências exercidas pela temperatura, teor de umidade, natureza do material a ser compostado, tamanho da partícula, modo de aeração, inviabilizam tal objetivo (GOLUEKE, 1977). Segundo BIDDLESTONE et al. (1981) e KLESS (1986), o fornecimento de oxigênio à massa de compostagem, além de ser essencial para a atividade microbiológica, apresenta as seguintes funções:

i) remoção do excesso de calor produzido (principalmente pela evaporação da água); ii) remoção do vapor de água, podendo haver o ressecamento do material; iii) remoção de gases produzidos pela biodegradação da matéria orgânica (por exemplo:

CO 2 e NH 3 ).

A aeração constitui o principal mecanismo de controle da temperatura e, consequentemente, da eficiência do processo. A escolha de taxas de aeração adequadas irá influenciar no desempenho do processo e na qualidade do composto produzido. Para o Processo Windrow, PEREIRA NETO et al. (1989a) sugerem reviramentos periódicos a cada 3 dias durante os 30 primeiros dias do processo e a cada

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6 dias até que sejam registradas temperaturas máximas inferiores a 40 o C (fim da primeira fase do processo). Para os Sistemas por Leiras Estáticas Aeradas, operando sob taxas de aeração pré-fixadas, vários pesquisadores (EPSTEIN et al., 1976; WILLSON et al., 1978 e 1980; HIGGINS et al., 1980; GOLUEKE, 1980; FINSTEIN et al., 1990), sugerem ciclos de aeração de 20 a 30 minutos com o soprador funcionado a cada 1/10 a 1/20 do ciclo. FINSTEIN et al. (1983) e PSARINOS et al. (1982) asseguram que quando o controle de temperatura e consequentemente a aeração é realizada através do mecanismos em "feedback" a massa de compostagem é bem oxigenada, já que a quantidade de ar necessária para controlar a temperatura a níveis desejados (em torno de

55 o C) é cerca de nove vezes maior que a requerida pela oxidação bioquímica da matéria orgânica.

6.3. Teor de Umidade

O teor de umidade é um importante fator nos processos de compostagem, pois a atividade microbiológica de decomposição da matéria orgânica depende da existência de determinados níveis mínimos de umidade na massa de compostagem, para que esta ocorra de maneira satisfatória durante todo o decurso do processo. As reações bioquímicas de oxidação da matéria orgânica ocorrem na fase líquida. Todos os nutrientes, antes de serem assimilados pelos microrganismos, devem ser dissolvidos em água. Além do mais, a estrutura celular dos microrganismos é composta de 90% de água. Assim, para a produção de novas células, a água deve ser obtida da massa de compostagem (BIDDLESTONE et al., 1981; BIDDLESTONE & GRAY, 1991). Segundo GOLUEKE (1977), teoricamente, o teor de umidade ótimo para a atividade microbiológica seria de 100%. Entretanto, alguns fatores de ordem prático- operacional limitam a umidade em valores máximos e mínimos. GOLUEKE (1977), e GOLUEKE & DIAZ (1990) citam alguns destes fatores:

i) a capacidade de aeração do sistema (manual ou mecânica); ii) as características físicas do material (estrutura e porosidade);

iii) a natureza do substrato;

iv) a necessidade de manter a atividade microbiológica.

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Altos teores de umidade provocam condições anaeróbicas na massa de compostagem, causando todos os inconvenientes deste tipo de decomposição (maior período de compostagem, produção de odor, etc.), já que o oxigênio, para a atividade metabólica dos microrganismos, está disponível no ar contido nos interstícios da massa de compostagem. Se os espaços vazios na massa de compostagem forem ocupados com água, o ar será expulso, não havendo, portanto, o oxigênio necessário para o metabolismo microbiano. Vários pesquisadores (GOLUEKE, 1977; BIDDLESTONE, 1981; OBENG & WRIGHT, 1987; WPCF, 1985), trabalhando com vários tipos de materiais em diferentes teores de umidade, encontram diferentes valores para o limite máximo de umidade. No entanto, todos estes valores encontrados situam-se na faixa de 60 a 70%. Baixos teores de umidade, por sua vez, inibem a atividade microbiológica, diminuindo a taxa de estabilização, ocasionando compostos fisicamente estabilizados, mas biologicamente instáveis (BERTOLDI et al., 1983). Os baixos valores de umidade, como um fator limite para os processos de compostagem, foram estudados por GOLUEKE (1977); WILLSON et al. (1980); WPCF (1985); SINGLEY et al. (1982); PEREIRA NETO (1984); STENTIFORD (1991). Todos estes trabalhos encontraram 40% como o teor mínimo de umidade permissível durante a compostagem. Entretanto, BIDDLESTONE et al. (1981); HOUGHES (1980) e BIDDLESTONE & GRAY (1991) consideram que este teor pode ser mais baixo e sugerem 30%. BIDDLESTONE e GRAY (1991) afirmam que as reações biológicas podem cessar se o teor de umidade for menor que 20%. Segundo GOLUEKE (1977), o teor mínimo de umidade para a atividade microbiológica é de 12 a 15%. Todas as pesquisas anteriormente citadas são unânimes ao afirmarem que o teor ótimo de umidade, para os processos de compostagem, deve situar-se na faixa de 50 a

60%.

Durante a compostagem, há a produção de água como um dos produtos finais do metabolismo microbiano (BIDDLESTONE & GRAY, 1991). A aeração é o principal mecanismo de remoção de calor e de umidade da leira de compostagem (MAC GREGOR et al., 1981; FINSTEIN et al., 1983). Sendo assim, taxas de aeração excessivas irão ocasionar o ressecamento do material. Desta forma, o sucesso operacional de um sistema de compostagem por aeração forçada irá depender da seleção de um regime adequado de aeração.

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BERTOLDI et al. (1983) sugerem, para a compostagem do lixo urbano, um teor de umidade inicial de 65 a 67% e afirmam que, se a compostagem for bem conduzida, esse valor poderá ser reduzido em 30% dentro de um mês, ou seja, ao final da fase ativa, se o processo de compostagem empregado for o sistema por Leiras Estáticas Aeradas.

6.4. Nutrientes

Pode-se afirmar que a compostagem tem sua eficiência estreitamente dependente da atividade dos microrganismos que colonizam a massa de compostagem. Por sua vez, os microrganismos são mais ativos em função da disponibilidade de nutrientes, que servirão de fonte de energia e de material para a síntese protoplasmática. Através de análises químicas, estabeleceu-se que os microrganismos contêm, em média, 50% de carbono, 5% de nitrogênio e 0,25 a 1,0% de fósforo (ALEXANDER, 1977). Desta forma, carbono e nitrogênio são os macronutrientes de maior importância, cuja taxa ou relação C/N é, segundo PEREIRA NETO (1987a), um fator crítico para o processo de compostagem. O carbono é usado pelos microrganismos como fonte de energia para a oxidação metabólica e como o mais importante, isto é, abundante, componente na síntese da parede celular, protoplasma e outras estruturas celulares. É a oxidação do carbono a dióxido de carbono, que é responsável pela maior parte da perda de massa e geração de calor, característica dos processos de compostagem (GOLUEKE & DIAZ, 1990). Nitrogênio é o principal constituinte do protoplasma celular. Nenhum crescimento microbiano acontece sem nitrogênio. Por outro lado, a atividade microbiana, tal como a síntese de ácidos orgânicos é possível na ausência de nitrogênio (GOLUEKE & DIAZ, 1990). A taxa carbono/nitrogênio ou relação C/N é importante parâmetro na compostagem, pois fornece uma indicação útil da provável taxa de decomposição da matéria orgânica (WILLSON, et al., 1980; WPCF, 1985; OBENG & WRIGHT, 1987). A relação C/N, nos microrganismos, está em torno de 8 a 12 (STENTIFORD, 1991). Como, aproximadamente, 50 a 60% do carbono orgânico, presente na massa de compostagem, é convertido a dióxido de carbono (BIDDLESTONE et al., 1981), uma taxa inicial maior que a anterior será necessária para um bom desempenho do processo. WILLSON et al. (1980) sugerem, que uma taxa C/N de 20 a 35 será a mais favorável

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para a rápida conversão de resíduos orgânicos em composto. BIDDLESTONE et al. (1981) e BIDDLESTONE & GRAY (1991) afirmam que a relação C/N inicial ótima está em torno de 30 a 35:1. Para BERTOLDI et al. (1983), a relação C/N inicial ótima é de 25:1, WPCF (1985) de 26 a 31:1; OBENG & WRIGHT (1987), de 25 a 30:1; PEREIRA NETO (1989) de 30 a 40:1; GOLUEKE & DIAZ (1990) de 19 a 30:1 e STENTIFORD (1991) de 15 a 30:1. Todos estes pesquisadores concordam que uma alta relação C/N irá causar diminuição da atividade microbiológica, manifestada por baixos valores de temperatura e por um maior período de compostagem. Por outro lado, a compostagem de resíduos com baixa relação C/N eliminará o excesso de nitrogênio pela volatilização da amônia, principalmente, a altos valores de pH e temperatura. GOLUEKE (1977) recomenda que a concentração de nitrogênio na massa de compostagem deve ser determinada através do Método KJELDAHL. GOLUEKE (1977) e STENTIFORD (1991), sugerem que o conteúdo de carbono viável pode ser calculado pela seguinte fórmula, baseada no teor de cinzas do material:

%Carbono

(100

%Cinzas)

1,8

(% de sólidos voláteis)

1,8

Estudos, realizados na Universidade da Califórnia, concluíram que este método tem previsão de 2 a 10%, quando comparados com outros métodos mais específicos (GOLUEKE, 1977). No metabolismo microbiano, também é exigido certas quantidades de fósforo, potássio, cálcio, sódio, magnésio, enxofre, ferro e traços de outros elementos como cobalto e zinco. Porém, segundo BEDDLESTONE e GRAY (1991), estes elementos são encontrados na maioria das vezes, de forma adequada na matéria orgânica a ser compostada, não necessitando, portanto, de correção em suas concentrações iniciais. Segundo PEREIRA NETO (1987a), os nutrientes representam o parâmetro biológico mais importante em relação à taxa da digestão na operação de qualquer processo biológico. O autor acrescenta que a eficiência biológica dos sistemas de compostagem é influenciada pela diversidade dos nutrientes viáveis para os microrganismos, presentes na massa de compostagem. Quanto mais diversificado for o

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material a ser compostado, tanto mais diversificados serão os nutrientes disponíveis para a população microbiológica e, consequentemente, mais eficiente será o processo de oxidação. PEREIRA NETO (1989) afirma que a fração orgânica do lixo urbano é fonte satisfatória de aminoácidos, vitaminas, proteínas, sais minerais e macro e micronutrientes essenciais à boa atividade de oxidação dos processos de compostagem.

6.5. Tamanho da Partícula

O tamanho da partícula do material a ser compostado é um importante fator, visto que, quando mais fragmentado for o material, maior será a área superficial sujeita ao ataque microbiológico e consequentemente, maior a velocidade de oxidação da matéria orgânica, diminuindo o período de compostagem (PEREIRA NETO & AZEVEDO, 1990a). Enquanto, teoricamente, pode ser verdade que quanto menor o tamanho da partícula, melhor é a degradação biológica, limites existem para a redução no tamanho da partícula, os quais são determinados em funções da força estrutural do material (BERTOLDI et al., 1983). É essencial que o material seja reduzido em tamanho, mas conserve interstícios suficientes para circulação do ar. Segundo GOLUEKE (1977), a redução de tamanho das partículas de resíduos produz inúmeros resultados benefícios, os quais aceleram a decomposição. O material, após trituração, apresenta-se mais suscetível ao ataque bacteriológico, além de adquirir uma estrutura, que facilita o manuseio e aumenta a resposta ao controle de umidade e aeração. O autor acrescenta que o tamanho ideal da partícula será aquele, para o qual não ocorrerá a compactação. PEREIRA NETO (1989) cita alguns fatores de ordem técnico-operacional que limitam o tamanho da partícula. Dentre os fatores técnicos, tem-se a necessidade de aumentar a porosidade do material para facilitar sua aeração, mantendo as características estruturais para a formação da leira de compostagem. A altura da leira é definida com base neste parâmetro, tentando-se evitar a compactação excessiva durante a compostagem. Dentre os fatores operacionais, o aspecto econômico, segundo o autor, é o principal, devido ao alto custo dos equipamentos de trituração. Em se tratando da compostagem do lixo urbano, PEREIRA NETO (1989) recomenda que o tamanho ideal da partícula deve situar-se na faixa de 20 a 50 mm.

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6.6. pH

O pH da massa de compostagem não é usualmente um parâmetro crítico nos

processos de compostagem, pois os microrganismos podem existir em uma ampla faixa de pH (KLESS, 1986).

A maioria das espécies de microrganismos tem uma faixa ótima de pH. A faixa

ótima para a maioria das bactérias está entre 6 e 7,5, enquanto que para os fungos está entre 5,5 e 8,0 (GOLUEKE, 1977). No entanto, a faixa de pH mais favorável para os processos de compostagem aeróbicas, na qual a maioria dos microrganismos exibem um maior crescimento e atividade, situa-se na faixa de 5,5 a 8,0, conforme preconizada por vários autores (WILLSON et al., 1980; BERTOLDI et al., 1983; KLESS, 1986; OBENG e WRIGHT, 1987c). BERTOLDI et al. (1983) afirmam que a compostagem pode ser desenvolvida com valores de pH variando de 3 a 11. STENTIFORD (1991) ressalta que substratos, com valores iniciais de pH na faixa de 5 a 11,5, têm sido compostados com sucesso empregando-se vários sistemas de compostagem. WILLSON et al. (1980) acrescentam que para faixas extremas de pH, o que pode ocorrer é apenas o retardamento da atividade microbiológica por 1 a 2 dias. PEREIRA NETO (1987a), relata que o pH inicial na compostagem é ligeiramente ácido (pH 5 a 6), podendo, em alguns casos ocorrer uma queda nos primeiros dias (2 a 3 dias), devido a acumulação de ácidos formados por bactérias na degradação de compostos carbonáceos complexos em ácidos orgânicos intermediários. Dependendo das características ambientais na leira, esta fase inicial ácida pode ser transitória devido ao florescimento de uma população de microrganismos capaz de utilizar ácidos como substrato (GOLUEKE, 1977). Simultaneamente, compostos de proteínas mais solúveis começam a ser decompostos, produzindo compostos básicos e, consequentemente, o pH aumenta para a faixa alcalina (GOLUEKE, 1977). O pH continua a aumentar, atingindo valores de 8 a 9, retornando ao final do processo para valores em torno de 7 a 8,5 (STENTIFORD, 1991). Segundo BERTOLDI et al. (1983), altos valores de pH, nas fases iniciais do processo, associados a altos valores de temperatura podem causar a perda de nitrogênio pela volatilização da amônia.

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OBENG & WRIGHT (1987), dizem que o pH reflete as condições de mau funcionamento do processo, pois se a massa de compostagem se tornar anaeróbica, o pH cairá para valores em torno de 4,5, como resultado da acumulação de ácidos. PEREIRA NETO (1987a), trabalhando com a compostagem de lixo urbano com lodo de esgoto, observou em mais de 40 experimentos, nos quais o pH inicial foi artificialmente variado, um fenômeno de "auto-regulação" do pH, efetuado pelos microrganismos no decorrer do processo. O autor concluiu que nos processos de compostagem o pH não é um fator crítico.

7. Fases do Processo de Compostagem

7.1. Fase Ativa

A fase ativa é definida como sendo o período de compostagem, no qual ocorrem

as reações bioquímicas mais intensas de oxidação da matéria orgânica (FINSTEIN,

1984).

É nesta fase que os principais parâmetros (taxa de aeração, teor de umidade,

temperatura), intervenientes no processo, são mantidos sob controle, para a obtenção de uma alta taxa de degradação da matéria orgânica. O tempo de duração da fase ativa depende, principalmente, do processo de compostagem empregado e do material utilizado. PEREIRA NETO (1987a), trabalhando com a co-compostagem do lixo urbano e lodo de esgoto pelo sistema de Leiras Estáticas Aeradas, encontrou para o sistema operado sob o modo positivo (injeção de ar) uma duração média de 30 dias e para o sistema operado sob o modo negativo (sucção de ar) uma duração média de 50 dias. Pesquisas desenvolvidas no

Laboratório de Engenharia Sanitária e Ambiental, do Departamento de Engenharia Civil da Universidade Federal de Viçosa (PEREIRA NETO et al., 1989a), com a compostagem do lixo urbano, onde foram propostas mudanças ao processo tradicional de reviramento (Windrow), encontraram um período de 65 dias de duração da fase ativa. NÓBREGA (1991), em seu estudo sobre um método híbrido de aeração forçada para a compostagem do lixo urbano, encontrou para a fase ativa do processo, uma duração média de 20 dias. VITORINO (1991), trabalhando com a compostagem de bagaço-de-

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cana (70%) e esterco bovino (30%) pelo processo Windrow, verificou um período médio de 55 dias para a fase ativa do processo. KLESS (1986), em seu trabalho com a compostagem de lodo de esgoto pelo sistema de Leiras Estáticas Aeradas, encontrou uma duração média de 27 dias para a fase ativa do processo.

7.2. Fase de Maturação

A maturação é a segunda fase do processo de compostagem, na qual a matéria

orgânica previamente oxidada, durante a fase ativa, sofre um processo de humificação e eliminação de algum microrganismo patogênico remanescente. ZUCCONI et al. (1984) concluíram que só após a fase de maturação é que haverá a produção do composto orgânico. Os autores definem o composto como um produto humificado, com odor de terra vegetal, que pode ser facilmente manuseado e armazenado e, quando aplicado ao solo, não causa danos à produção agrícola.

A maturação na compostagem é importante para a obtenção de um produto final,

ou seja, o composto orgânico, de alta qualidade (MOREL et al., 1984). INBAR et al. (1990), acrescentam que a maturação é especialmente importante quando o composto é aplicado ao solo imediatamente antes da plantação, pois segundo os autores, a aplicação de composto imaturo, com alta relação C/N, causa a imobilização do nitrogênio (consumo do nitrogênio presente no solo para a oxidação da matéria orgânica remanescente do composto), e relações C/N excessivamente baixas causam a produção de amônia, que é tóxica às plantas. Ambos os extremos interferem no crescimento das plantas.

O composto não maturado induz alta atividade microbiológica no solo por algum

tempo após sua incorporação, causando, potencialmente deficiência de oxigênio e uma série de problemas indiretos de toxidez para as raízes das plantas (ZUCCONI, 1981) além de causarem problemas de odor, durante sua utilização (INBAR et al., 1990). Outro problema da utilização do composto, segundo os mesmos autores, é a possibilidade do crescimento de Salmonella e/ou, outros patogênicos que dependem de nutrientes livres, que no caso do composto não maturado, estão geralmente presentes em altas concentraç·es. No entanto, os autores concluem que a concentração de nutrientes

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solúveis decae com o período de maturação, não sendo possível o recrescimento de patogênicos no composto maturado. Os benefícios advindos da fase de maturação são dependentes do controle exercido na matéria orgânica fresca presente em sua transformação em um produto final estável. Segundo INBAR et al. (1990), a atividade da microflora benéfica que coloniza o composto, durante a fase de maturação, é afetada pelo estágio de maturação. Esta afirmação pode ser exemplificada por CHUNG et al. (1988), que relatam que uma espécie de "Trichoderma hamatum" um agente biocontrolador de patogênicos de plantas, cresce como soprófita na matéria orgânica fresca, não matando os patogênicos e assim, podendo haver o desenvolvimento de doenças nas plantas. No entanto, durante a fase de maturação, o mesmo microrganismo mata os patogênicos, promovendo o controle biológico. Se a fase de maturação é considerada durante os processos de compostagem, o resultado obtido é um produto final estável, humificado e livre de microrganismos patogênicos, que, quando aplicado ao solo, trará benefícios como melhorias na aeração, capacidade de retenção de umidade e crescimento das plantas, aumentando a fertilidade do solo, por participar diretamente da nutrição das plantas, via metabolismo dos processos enzimáticos (WASKMAN, 1938). PEREIRA NETO e BOHNENBERGER (1990b), afirmam que o produto final da compostagem, o húmus, é estabilizado biologicamente, possuindo alto teor de material coloidal e nutrientes, que passaram da forma orgânica para a forma mineral. ALEXANDER (1977), ressalta outra função benéfica do húmus. Segundo o autor, a resistência natural de decomposição dos humatos, é vista como um importante mecanismo, através do qual, os nutrientes são gradualmente assimilados pelas plantas. BERTOLDI et al. (1983) e MOREL et al. (1984); externam sua preocupação com a existência e viabilidade técnico-operacional de métodos que avaliem o grau de maturação de compostos, devido a existência no mercado de produtos vendidos como compostos orgânicos, mas que não são suficientemente estabilizados. Vários métodos químicos, físicos e biológicos têm sido pesquisados para determinar o grau de maturação dos compostos (ZUCCONI et al., 1981a, b; MOREL et al., 1984; STENTIFORD & PEREIRA NETO, 1985; INBAR, 1990). Alguns destes métodos são citados e analisados por MOREL et al. (1984) como: a taxa C/N; análise de polissacarídeos; medidas do Tri-Fosfato de Adenosina (ATP); teste de cromotografia;

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testes de colorimétricos, após a extração de componentes húmicos; testes da atividade respiratória e testes de fitotoxidade. PEREIRA NETO (1987a), cita vários trabalhos, nos quais foram avaliados diferentes métodos de determinação do grau de maturação do composto. Alguns destes métodos requerem tempo e laboratórios bem equipados, outros, porém, são de mais simples utilização, como a taxa C/N e os testes de toxidades. A duração da fase de maturação depende:

i) do tipo do processo de compostagem empregado durante a primeira fase bioxidativa; ii) do grau de controle exercido durante a primeira fase do processo; iii) das características do material pré-estabilizado. WILLSON et al. (1980), trabalhando com a compostagem de lodo de esgoto, relatam uma duração média de 30 dias para a fase de maturação. STENTIFORD & PEREIRA NETO (1984) afirmam que, sob as condições do clima britânico, o período médio de maturação para lixo urbano e lodo de esgoto é de 3 a 4 meses. PEREIRA NETO et al. (1989b), em pesquisas realizadas com a compostagem do lixo urbano, estabilizado previamente durante 60-70 dias com reviramentos periódicos, verificam a necessidade de um período adicional de 30 dias para a fase de maturação. Apesar da grande importância da fase de maturação nos processos de compostagem, o processo de maturação, segundo STENTIFORD (1991), nada mais é que um período de estocagem, em pilha, do material pré-estabilizado durante a fase ativa. Durante este período não há necessidade de aeração da pilha, pois as necessidades metabólicas são satisfatórias através da ventilação natural.

8. Mudanças Ocorrentes na Compostagem

A compostagem é um processo usualmente envolvido no tratamento de larga variedade de resíduos orgânicos. Conseqüentemente, tem sido extremamente difícil precisar todas as mudanças bioquímicas que ocorrem durante o processo (BIDDLESTONE & GRAY, 1981). Porém, a degradação biológica pode ser descrita, em aspectos gerais, segundo um paralelo feito entre a atividade microbiológica e a temperatura, que governa uma particular fase do processo.

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Os resíduos orgânicos são, naturalmente, reservatórios de uma diversificada população de microrganismos provenientes da atmosfera, água, solo etc. (BIDDLESTONE & GRAY, 1981). A decomposição natural, normalmente, ocorre na faixa de temperatura mesofílica (10 a 40 o C), o que torna a flora mesofílica a mais importante neste processo. Logo que os resíduos orgânicos são empilhados, inicia-se a atividade biológica de decomposição, pela flora mesofílica, dos compostos de mais fácil degradação, como açúcares, proteínas, aminoácidos, amido e gorduras. A energia liberada por esta decomposição é retida na leira devido à natureza isolante-térmica da matéria orgânica. Em conseqüência, a temperatura da leira aumenta, a uma taxa controlada pelos fatores ambientais e pela natureza do material (GOLUEKE, 1977). A faixa de temperatura mesofílica é suprimida pela termofílica, bem como a população microbiana. O pH que é inicialmente ácido na compostagem (4,5 a 6,0) passa para a faixa alcalina (7,5 a 8,5). A amônia poderá então, ser liberada por volatilização caso o nitrogênio esteja presente em excesso. Bactérias termofílicas, fungos e actinomicetos multiplicam-se tão logo a temperatura atinja a faixa de 55 a 60 o C e iniciam o ataque a polissacarídeos, como hemicelulose e proteína, transformando-os em subprodutos (açúcares simples), que são utilizados por várias outras espécies de microrganismos (SCHULZE, 1981). Nesta faixa de temperatura, dependendo do processo utilizado, ocorrerá, a maior eliminação de organismos patogênicos, bem como de larvas de insetos, ovos de helmintos e sementes de ervas daninhas. Quando o processo de compostagem não é controlado, a temperatura pode atingir valores superiores a 80 o C, que são prejudiciais ao processo. Logo que a temperatura da leira ultrapassa 60 o C, cessa-se a atividade dos fungos termofílicos e a reação de decomposição continua pela ação dos actinomicetos e de bactérias formadoras de esporos (BIDDLESTONE & GRAY, 1991). Assim que as fontes mais imediatas de carbono são exauridas, a atividade microbiológica diminui. O calor gerado pela atividade biológica é perdido pela massa de compostagem. Em conseqüência, a temperatura da leira cai, marcando o fim da fase termofílica, na qual os compostos de mais fácil decomposição foram degradados e a maior demanda de oxigênio foi atingida.

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Durante esta fase de resfriamento, os microrganismos, principalmente fungos e

actinomicetos, situados nas zonas periféricas da leira (de baixa temperatura), reinvadem

a massa de compostagem recomeçando um ataque aos compostos mais resistentes. Os

microrganismos mesofílicos tornam-se predominantes, embora a temperatura continue decrescendo, até igualar-se à ambiente. Segundo PEREIRA NETO (1989), logo que a temperatura da leira atinja valores inferiores a 40 o C, o material deve ser posto para maturar. Durante a fase de maturação,

complexas reações bioquímicas ocorrem entre resíduos de lignina e proteína, provenientes da morte de microrganismos, para formarem ácidos húmicos. O material se torna progressivamente mais humificado e conseqüentemente com aspecto de terra vegetal (BIDDLESTONE & GRAY, 1991), podendo então, ser aplicado ao solo sem causar danos agrícolas nem impactos ambientais adversos. Pelo exposto anteriormente, verificamos que a decomposição da matéria orgânica nos processos de compostagem em leiras é um processo ecológico dinâmico e complexo, onde a temperatura e a característica do substrato estão em contínua mudança.

9. Utilização do Composto Orgânico

A compostagem, quando realizada dentro dos conceitos modernos, resultará em um produto final estável, livre de microrganismos patogênicos, contendo macro (NPK)

e micronutrientes (Fe, Ng, Ca, etc.) podendo ser utilizado para diversas finalidades. PEREIRA NETO & BOHNEBERGER (1990c) ressaltam os efeitos do composto nas propriedades do solo. Segundo os autores o composto, quando aplicado ao solo, beneficiará as propriedades químicas, físicas, biológicas e bioquímicas do solo. Dentre as melhorias das propriedades químicas do solo, advindas com a incorporação de adubos orgânicos, têm-se: fornecimento de macro e micro-nutrientes, aumento da capacidade de troca de cátions, formação de substâncias complexas, aumento do poder tampão do solo, correção de acidez, aumento da capacidade do solo em absorver rápidas mudanças no pH (acidez e alcanilidade) e a neutralização de certas substâncias tóxicas.

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Alguns autores (GOLUEKE, 1977; WILLSON et al., 1980; BIDDLESTONE et al., 1981; BERTOLDI, 1983; OBENS & WRIGHT, 1987), defendem a hipótese de que um dos grandes benefícios advindos da aplicação dos adubos orgânicos no solo está em sua capacidade de funcionar como condicionador, melhorando a estrutura física, ou seja, melhorando sua capacidade de aeração, permeabilidade, retenção de água, além de propiciar maior estabilidade estrutural, como resistência a erosão. PEREIRA NETO & BOHNENEBERGER (1990c) acrescentam que, os adubos orgânicos contribuem ainda para reduzir as variações diárias de temperatura do solo por serem maus condutores de calor.

Com relação aos efeitos sobre as propriedades biológicas e bioquímicas do solo, PEREIRA NETO & BOHNENEBERGER (1991c) relatam que os adubos orgânicos são portadores de uma população diversificada e estabilizada de microrganismos e que, quando incorporados ao solo, permitem o aumento da atividade biológica. Isto traz benefícios as culturas, sob ponto de vista de nutrição e proteção contra parasitas e organismos causadores de doenças nas plantas. A composição química dos compostos orgânicos varia conforme o tipo de resíduo compostado. Embora GOLUEKE (1977) afirme que esta variação é, fundamentalmente, quantitativa, uma vez que a matéria orgânica é sempre o substrato utilizado. Desta forma, a presença de metais pesados no composto orgânico, o que restringiria sua utilização, será função do resíduo utilizado. PEREIRA NETO & COELHO (1990d) afirmam que, desde que obedecidos os critérios básicos da compostagem, os compostos orgânicos provenientes do lixo urbano não apresentam níveis perniciosos de metais pesados. Os autores acrescentam que o mesmo não pode ser dito da compostagem envolvendo alguns tipos de lodos de esgotos, principalmente, os oriundos de comunidades altamente industrializadas que adotem sistemas unitários para a coleta dos esgotos. PEREIRA NETO & COELHO (1990d) citam algumas aplicações do composto orgânico:

i) produção de alimentos (leguminosas, grãos e árvores frutíferas);

ii) paisagismo e floricultura (plantas ornamentais, parques, jardins, play-grounds e reflorestamento);

iii) como produto básico para fertilizantes minerais;

iv) recuperação de áreas sujeitas à erosão;

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v) proteção de taludes e encostas; vi) como material de cobertura em áreas de mineração e aterros sanitários.

10. Aspectos Epidemiológicos na Compostagem

A compostagem, como um processo de tratamento de resíduos, deve resultar em um produto final, o composto orgânico, estável, humificado, livre de microrganismos patogênicos e de qualquer substância que possam causar danos à saúde humana ou à plantas e aos animais. Os resíduos orgânicos, freqüentemente, são reservatórios de organismos patogênicos de origem humana, animal ou vegetal. Um fato preocupante relacionado à compostagem do lixo urbano, segundo PEREIRA NETO & STENTIFORD (1991b) é o fato de que no país, o lixo domiciliar é coletado juntamente com o lixo público, hospitalar e comercial, aumentando, portanto, a possibilidade da existência de microrganismos, que podem causar sérios danos à saúde pública. Desta forma, o bom desenvolvimento do processo, principalmente através do

binômio temperatura/tempo, ou seja o controle da temperatura em torno de 55 o C pelo maior tempo possível, surge como o principal mecanismo na eliminação de microrganismos patogênicos. KNOLL (1961) e GOLUEKE (1977) citam outros fatores que contribuem para a eliminação de patogênicos nos processos de compostagem:

competição intra-espécies, fatores antibióticos e extinção do substrato. PEREIRA NETO (1986d) acrescenta as flutuações de temperatura e mudanças bruscas no pH. Algumas tabelas apresentam o Ponto de Morte Térmica de alguns patogênicos e parasitas encontrados comumente na compostagem. Observando-se os dados destas

tabelas, conclui-se que a temperatura de 55 a 60 o C, se mantida por um tempo médio de 1 hora, é suficiente para eliminar qualquer patogênico. No entanto, GOLUEKE (1977) enfatiza o cuidado que se deve ter ao analisar este tipo de tabela, cujos dados são obtidos de pesquisas "in vitro", em escala de laboratório. Segundo o autor, a interpretação errônea destes resultados tem levado a negligência operacional dos sistemas de compostagem, por parte dos técnicos responsáveis, ocasionando a produção de "compostos" em tempos recordes de 3 a 5 dias. Este produto, porém, não se encontra

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estabilizado, humificado nem livre de organismos patogênicos, tendo, portanto, seu uso restringido ou até mesmo contra indicado. KNOLL (1991), trabalhando com a co-compostagem do lixo urbano e lodo de esgoto, verificaram a necessidade de manutenção de temperaturas termofílicas pelo período mínimo de 14 a 16 dias, respectivamente, para a eliminação de Salmonella no processo de compostagem por Leiras Estáticas Aeradas. STENTIFORD (1991), recomenda que na consideração dos aspectos epidemiológicos na compostagem, deve-se considerar não só o consumidor, ou seja, a pessoa que utiliza os alimentos produzidos com adubação orgânica, como também os trabalhadores que estão em contato íntimo com o composto e com o processo de compostagem. Segundo o autor, a ocorrência de riscos à saúde humana na compostagem se dá na área de recepção do material a ser compostado, principalmente, através da inalação de microrganismos ou através do contato direto com o material, durante as operações de compostagem, que irão depender do tipo do processo empregado. WILLSON et al. (1980), recomendam alguns cuidados básicos que os operadores dos sistemas de compostagem devem ter, a fim de reduzir ou eliminar os riscos envolvidos com o processo.

11. Sistemas de Compostagem

Neste item pretende-se descrever de forma mais detalhada os sistemas de compostagem mecânicos - Processo Dano, e os sistemas de compostagem em leiras - Processo Windrow e Sistema por Leiras Estáticas Aeradas, por serem os sistemas de compostagem mais empregos no país.

11.1. Sistema Dano

A descrição do sistema Dano feita a seguir baseia-se em LIMA (1985) e

REZENDE (1991).

O sistema Dano constitui-se, basicamente, de um cilindro metálico rotativo,

com as seguintes dimensões típicas: 35 m de diâmetro e 28 m de comprimento. O cilindro gira continuamente a uma velocidade de 0,6 a 2 rpm, fazendo com que os

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resíduos sejam triturados por atrito e abrasão. O ar é injetado no interior, do cilindro em sentido contrário ao fluxo do material orgânico e é drenado através de uma válvula contra odor. O tempo de detenção da massa orgânica no cilindro, ou seja, no bioestabilizador (como é comumente denominado) varia de 2 a 3 dias. Durante este período, a umidade e a temperatura da massa são controlados afim de maximizar a atividade microbiológica de degradação. Após o período de permanência dentro do bioestabilizador, o material é primeiramente, peneirado em uma peneira de 20 cm, na qual 50 por cento do volume de resíduos ficam retidos e depois em uma peneira de 10 mm de malha, produzindo de 25 a 30 por cento de "composto fino". GOLUEKE (1977); GOLUEKE e DIAZ (1990); PEREIRA NETO e STENTIFORD (1992b) afirmam que o tempo de detenção de 2 a 3 dias no bioestabilizador, não é suficiente para a eliminação de microrganismos patogênicos, nem para a estabilização da matéria orgânica, mesmo com a obtenção de temperaturas termofílicas, sendo necessário, portanto, um período adicional de compostagem em leiras, afim de que o material seja sanitizado e humificado. REZENDE (1991), em seu estudo, realizou um avaliação criteriosa sobre o processo Dano de compostagem da cidade de Belo Horizonte. Baseada em seus resultados, a autora afirma que, o bioestabilizador Dano não funciona como reator de compostagem e sim como uma unidade de trituração e mistura, homogeneizando o tamanho das partículas do material para valores inferiores a 30 mm. A pesquisadora acrescenta que, o material, após permanecer por um tempo de detenção médio de 20 horas dentro do bioestabilizador Dano, não apresenta características de material estabilizado, mas em estado inicial de decomposição. Estes resultados confirmam a descrença nos processos acelerados de compostagem preconizada por outros pesquisadores (GOLUEKE e DIAZ, 1990 e PEREIRA NETO e STENTIFORD, 1992b), para a produção de composto orgânico em tempos recordes de 3 a 10 dias.

11.2. Compostagem em Leiras

Os dois sistemas básicos de compostagem em leiras são o Processo Windrow e o Processo de Aeração Forçada ou Sistema por Leiras Estáticas Aeradas.

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Os dois processos são bastante similares, diferindo, contudo, quando a forma em que o ar é introduzido na massa de compostagem. No Processo Windrow, a oxigenação é feita através de reviramentos periódicos. No sistema por Leiras Estáticas Aeradas, a aeração é efetuada através da injeção ou sucção de ar na leira de compostagem, por meios de sopradores mecânicos. Basicamente, as etapas operacionais, em ambos os processos, para a compostagem do lixo urbano, são as seguintes:

i) a fração orgânica do lixo urbano, previamente separada dos materiais inertes como vidro, plástico, papel, etc, "in natura" ou triturada é misturada, no caso da co- compostagem com outro tipo de resíduo orgânico, até que a massa de compostagem adquira característica homogêneas;

ii) a leira é construída seguindo determinadas dimensões pré-fixadas. No caso da Aeração Forçada, a leira é construída sobre uma tubulação perfurada, previamente instalada e conectada à bomba de ventilação. Durante esta fase, a massa de compostagem terá sua umidade corrigida para valores ótimos de projeto.

iii) a leira de compostagem é aerada através de reviramentos periódicos, mecânicos ou manuais, no caso do processo Windrow, ou através da aeração forçada, por sopradores mecânicos, no caso do sistema por Leiras Estáticas Aeradas. A duração desta etapa é função do tipo do processo empregado, durando em média 30 dias para o sistema de aeração forçada (PEREIRA NETO, 1987a) e 60 a 70 dias para

o processo Windrow (PEREIRA NETO et al., 1989a e PEREIRA NETO e

STENTIFORD, 1989c);

iv) a leira é desmontada e o material é posto para maturar, em pilhas de forma, geralmente, cônica;

v) após a maturação o composto é peneirado, estando pronto para utilização. O rejeito

do peneiramento é destinado a áreas de enterramento. Parte do composto maturado

é utilizado como material de cobertura na construção de Leiras Estáticas Aeradas.

11.2.1. Processo Windrow

Uma versão atual do processo Indore, o Processo Windrow é talvez o sistema de compostagem de menor custo, embora não exerça um controle preciso

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sobre os parâmetros operacionais do processo, da forma com que vem sendo realizado no país. No entanto, segundo algumas modificações propostas por PEREIRA NETO et al. (1989a) e PEREIRA NETO e STENTIFORD (1989c), o processo Windrow passa a ser um processo controlado de tratamento de resíduos orgânicos. O método proposto por estes autores será o método descrito a seguir. Segundo este método a leira de compostagem, montada com a fração orgânica do lixo urbano, apresenta seção reta triangular e dimensões típicas de 1,6 m de altura e 3 m de largura. Durante a montagem da leira e reviramentos, a umidade é corrigida para valores em torno de 55% (valor ótimo de projeto), evitando-se os valores extremos, inferiores a 40% e superiores a 60%. Neste processo, o ciclo de reviramento governa toda a dinâmica de degradação da massa orgânica, aumentando ou diminuindo o período de compostagem, constituindo, portanto, o único mecanismo capaz de exercer um controle efetivo da temperatura e oxigenação (PEREIRA NETO et al., 1989a). O ciclo de reviramento, proposto por estes autores, compreende um reviramento feito a cada 3 dias, nos primeiros 30 dias do processo, seguindo-se de um reviramento feito a cada 6 dias, até que sejam registradas temperaturas máximas inferiores a 40 o C, fim da primeira fase do processo (média de 60 a 70 dias), após a qual o material é posto para maturar, durante um período médio de 30 dias. A configuração geométrica da leira é neste processo, um fator importante no controle da temperatura, pois permite um balanço térmico entre o calor produzido pela massa de compostagem e o calor perdido para o ambiente de forma que a temperatura máxima permaneça na faixa de 60 o C. A configuração geométrica deve ser alterada a cada reviramento em função da temperatura registrada imediatamente antes do reviramento. Este método propõe que o reviramento da leira seja feito removendo-se a camada superficial da leira (primeiros 15 cm), que geralmente apresenta temperaturas próximas a ambiente e, que este material passe a constituir o núcleo da nova leira montada, após o reviramento. Este procedimento permite que o material exposto a baixas temperaturas, passe após o reviramento, a ficar sujeito a altas temperaturas, evitando alguns impactos ambientais adversos como a proliferação de moscas, além

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de melhorar a eficiência do processo em relação a eliminação de patogênicos, quando comparado ao processo tradicional. Nos estudos e pesquisas realizados sobre o processo Windrow no Laboratório de Engenharia Sanitária e Ambiental - LESA da UFV, (PEREIRA NETO et al., 1989a), conseguiu-se os seguintes resultados: controlar a emanação de odores características deste processo nos primeiros 5 a 8 dias (enquanto nos processos convencionais de reviramento demora de 15 a 20 dias); evitar a proliferação de moscas; obter uma redução média de sólidos voláteis de 46%, durante o período de compostagem; alto estágio de humificação do composto (denotado pela relação C/N de 1:12), eliminação satisfatória de patógenos.

O processo Windrow, embora exija grandes áreas e maior mão-de-obra,

quando comparado com outros processos de compostagem (GOLUEKE, 1977), parece ser uma alternativa viável para países em desenvolvimento, principalmente para pequenas comunidades, onde o custo da terra é acessível e a mão-de-obra é abundante.

11.2.2. Sistema de Compostagem por Leiras Estáticas Aeradas

A compostagem do lixo urbano é uma prática antiga, sendo que pesquisas

efetuadas nos últimos 50 anos revelaram a existência de mais de 30 diferentes processos de compostagem (GRAY et al., 1977a). Estes processos encontram-se basicamente concentrados em dois pontos extremos. De um lado, as instalações de alto custo, baseadas em reatores mecânicos, que geralmente apresentam alto grau de controle. De outro, os sistemas Windrow - leiras reviradas manual ou mecanicamente que são sistemas de baixo custo, porém sem nenhum grau de controle (PEREIRA NETO, 1987b). A necessidade de se obter um sistema intermediário, que mantivesse as características de baixo custo e permitisse a ação de um grau satisfatório de controle no

processo, levou ao desenvolvimento dos sistemas de compostagem por Aeração Forçada ou Leiras Estáticas Aeradas, que segundo PEREIRA NETO (1990b) constitui o segundo marco na história da compostagem depois do estabelecimento do processo Indore, na Índia, em 1926. O sistema de compostagem por Aeração Forçada - Leiras Estáticas Aeradas foi desenvolvido em Beltville, Maryland - EUA, em 1975, como um método específico para o tratamento de lodos de esgotos domésticos (PEREIRA NETO et al.,

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1986e). Neste processo o lodo é misturado com lascas de madeira a fim de criar uma estrutura adequada para a construção das leiras, fornecer porosidade necessária a boa eficiência do sistema de aeração, além de ser fonte de carbono para um melhor balanço da relação C/N da mistura. Este material, após misturado era empilhado sobre dois condutos perfurados os quais eram conectados a uma bomba de ventilação que succionava o ar através da massa de compostagem. Neste sistema tornava-se necessário recolher a condensação do vapor succionado pela tubulação de aeração e usar uma pilha de composto maturado (1t/10t massa de compostagem), a qual servia de filtro para os gases expelidos pela bomba. O período de aeração era de 21 dias, onde eram, geralmente, registradas temperaturas da ordem de 80 o C. Após este período o material era posto para maturar (EPSTEIN et al., 1976; WILLSON et al., 1980). A Universidade de Rutgers, New Jersey, EUA, seguindo a mesma linha de pesquisa de Beltville e estudando a relação existente entre temperatura, atividade microbiana e a perda relativa de umidade, procurando estabelecer o controle destes parâmetros através da taxa de aeração aplicada, propôs em 1980, o Processo Rutgers de Compostagem (FINSTEIN et al., 1980). As principais diferenças deste processo em relação ao processo de Beltville são:

i) inversão do sentido de aeração (injeção de ar ao invés de sucção);

ii) aplicação da aeração como forma de controle da temperatura interna da leira, com

utilização do controle em "feedback". O processo de Rutgers apresenta uma série de vantagens em relação ao Processo de Beltville e são, justamente, estas vantagens, que fazem com que os sistemas de compostagem por aeração forçada - injeção de ar (aeração positiva) sejam os mais adotados na Europa (FINSTEIN et al., 1980). Algumas das vantagens da aeração

positiva (injeção de ar) sobre a aeração negativa (sucção de ar) são citadas a seguir:

i) na aeração positiva a perda de carga é significativamente menor do que na aeração por sucção (HIGGINS, 1982);

ii) a distribuição de ar na leira sob aeração positiva é mais uniforme do que na aeração negativa (HIGGINS, 1982; STENTIFORD e PEREIRA NETO, 1985);

iii) a aeração positiva não necessita de uma pilha - filtro, que segundo HIGGINS (1982), é responsável pelo aumento da perda de carga, não exercendo de forma satisfatória o controle de odor, para o qual seu uso foi idealizado;

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iv) uma menor resistência ao fluxo de ar aumenta a eficiência da bomba de aeração e consequentemente menor será a manutenção exigida pela bomba (KLESS, 1988);

v) a perda de nitrogênio da leira de compostagem é menor na aeração positiva (PEREIRA NETO, 1987b);

vi) a aeração positiva evita o entupimento da tubulação de aeração por água ou compostos sólidos, o que tem sido observado na aeração negativa (BIDDLESTONE et al., 1981);

vii) a aeração positiva remove de forma mais eficiente o calor produzido na leira de

compostagem do que a aeração por sucção (FINSTEIN e MILLER, 1984); viii) a aeração positiva remove mais eficientemente o excesso de umidade do que a

aeração negativa (PSARIANOS et al., 1983);

ix) a aeração positiva aliada ao controle da temperatura em feeback, mantendo-se a temperatura abaixo 60 o C, promove uma maior taxa de decomposição do que a obtida pelo Processo de Beltville (FINSTEIN et al., 1983);

x) o modo positivo de aeração permite um elevado grau de controle da temperatura interna da leira (o que pode ser utilizado para melhorar a eficiência do processo), menor perda de umidade, grande atividades microbiana de degradação e eliminação de microrganismos patogênicos (PEREIRA NETO, 1987b);

xi) com relação aos aspectos operacionais, o sistema por injeção de ar apresenta as

melhores vantagens visto que: envolve menor mão-de-obra, necessita de menor área para instalação (não requer espaço para a pilha-filtro e apresenta um menor período de compostagem), dispensa aparatos para condensação, não conduz chorume nem odor, fatos associados ao sistema negativo (PEREIRA NETO, 1987b). Outra forma de aeração dos processos de compostagem em leiras além da aeração positiva (injeção de ar) e negativa (sucção), foi proposta por PEREIRA NETO (1987b). Esta nova forma de aeração, denominada aeração híbrida, combina o modo negativo seguido do modo positivo de aeração. Este sistema híbrido da forma sugerida por PEREIRA NET0 (1987b), apresentou segundo o autor, as limitações existentes nos dois sistemas, não sendo eficiente na eliminação de microrganismos patogênicos como esperado. NÓBREGA (1991), estudando um método híbrido de aeração forçada para compostagem em leiras, propôs um sistema no qual a tubulação de aeração, quando funcionando sob o modo negativo, tinha a exaustão conectada a um tubo flexível, não

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perfurado, de diâmetro de 100 mm, o qual era conectado a um tubo perfurado radialmente de mesmo diâmetro e colocado na parte superior da leira, a qual funcionava como uma pilha-filtro. Com este sistema conseguiu-se uma redução no período de aeração (primeira fase do processo) para vinte dias. O desempenho do sistema quanto a eliminação de patogênicos, redução dos teores de umidade e sólidos voláteis foram bastante satisfatórios. O método de aeração utilizado no presente estudo foi a aeração por injeção de ar ou aeração positiva. O sistema por Leiras Estáticas Aeradas operando sob o modo positivo de aeração será descrito a seguir. O sistema por Leiras Estáicas Aeradas é um sistema estacionário de compostagem em leiras, usado para o tratamento de resíduos orgânicos (PEREIRA NETO, 1987a). Neste sistema os resíduos a serem compostados são colocados sobre uma tubulação perfurada (podendo ser usado tubo de PVC) envolta em uma camada de palha, para impedir o entupimento dos orifícios da tubulação. A tubulação é conectada a uma bomba de ventilação, a qual opera intermitentemente, sendo controlada automaticamente por um temporizador ("timer") ou por um sistema em "feedback", baseado na temperatura da leira. Este sistema regula os parâmetros de oxigênio e temperatura de forma a maximizar a taxa de decomposição. Para estabelecer e manter temperaturas termofílicas nas camadas externas da massa de compostagem (evitando-se o contato direto com as condições ambientais), a leira é coberta com uma camada de composto maturado (150-300 mm), que funciona como material isolante e também como filtro biológico para os odores produzidos durante o processo. Após a fase termofílica do processo de compostagem, durante a qual o material é aerado por 3 a 4 semanas, a leira é desmontada e o material é posto para maturar (segunda fase do processo), por um tempo adicional de 1 a 4 meses, dependendo das condições climáticas locais. Após a fase de maturação, na qual aumenta-se o grau de estabilização e humificação do material, o composto é peneirado, estando pronto para a utilização agrícola ou como material de cobertura para novas leiras. Os sistemas de Compostagem por Leiras Estáticas Aeradas caracterizam-se por apresentarem baixo custo e alta eficiência na degradação e humificação de resíduos

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orgânicos e eliminação de microrganismos patogênicos (AZEVEDO e PEREIRA

NETO, 1991). Estes sistemas foram estudados por vários pesquisadores (FINSTEIN e

MILLER, 1984; STENTIFORD et al.,

LOVE, 1991; NÓBREGA, 1991), etc. Estes estudos

compostagem

1985; PEREIRA NETO et al., 1985, 1986e;

STENTIFORD,

1990;

compreenderam a compostagem do lixo urbano, do lodo de esgotos,

conjunta,

co-compostagem, destes resíduos. Dos resultados obtidos verifica-se:

i) um período máximo de 30 dias para a fase de aeração;

ii) uma duração de 1 a 4 meses para a fase de maturação;

iii) uma redução mínima de 40% no teor de sólidos voláteis, após a fase de aeração;

iv) manutenção de temperaturas termofílicas, em torno de 55 o C, por pelo menos 15 dias;

v) eliminação de microrganismos patogênicos, durante a primeira fase do processo;

vi) relação C/N final em torno de 12-20:1, e

vii) variação de pH entre 5,5 a 8,6.

12. Projeto Básico de uma Unidade de Triagem e Compostagem de Resíduos Sólidos Urbanos

12.1. Dados/Levantamentos Necessários

Para a elaboração do projeto de uma unidade de triagem e compostagem (UTC) de resíduos sólidos deverão, em uma primeira etapa, ser levantados dados os seguintes dados, dentre outros:

i) aspectos gerais do município: localização geográfica, área territorial; municípios

vizinhos, distância dos principais centros e municípios;

ii) aspectos hidrológicos, climatológicos e topográficos: principais recursos hídricos do

município, condições climáticas e pluviométricas; relevo predominante;

iii) condições de infra-estrutura existentes: sistema viário, condições das principais vias

de acesso, transportes urbano e intermunicipal, rede elétrica;

iv) sistemas de saneamento básico: condições, grau de cobertura e qualidade dos

serviços de saneamento prestados a população;

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v) aspectos demográficos: população urbana e rural recenseada nos últimos censos, taxa

de crescimento populacional, distribuição demográfica da população;

vi) aspectos econômicos e sociais: principais atividades econômicas do município, nível

de renda da população; vii) aspectos de saúde pública: sistema de saúde, número de estabelecimento de saúde (hospitais, ambulatórios,postos de saúde, clínicas médicas e odontológicas, farmácias), capacidade de atendimento do sistema de saúde, principais doenças que atingem a

população; viii) aspectos educacionais e culturais: rede de ensino local, número e tipo dos estabelecimentos de ensino, grau de escolaridade da população, principias atividades culturais do município, principais festas típicas e religiosas comemoradas.

Torna-se também de suma importância para elaboração do projeto básico o levantamento detalhado do sistema de limpeza urbana praticado no município. Deverão ser levantados e avaliados os seguintes dados que irão subsidiar a realização do diagnóstico do sistema de gestão de resíduos empregado. i) os tipos de resíduos gerados no município;

ii) os tipos de serviços/atividades prestados pelo órgão responsável pela limpeza urbana;

iii) a produção diária de resíduos e a taxa de geração per capta;

iv) o sistema de acondicionamento;

v) os sistemas de coleta e transporte praticados;

vi) o tratamento e/ou destinação final adotados;

vii) o gerenciamento dado aos resíduos das unidades de saúde e aos resíduos considerados “ especiais” ou perigosos, que por ventura sejam gerados no município.

12.2. Estudo e Determinação da Composição Gravimétrica

Dentro de qualquer projeto que vise equacionar o problema dos resíduos sólidos produzidos dentro de uma municipalidade, torna-se necessário, em uma primeira etapa, a determinação das características qualitativas e quantitativas dos resíduos gerados. Estes dados são de suma importância para todas as etapas do sistema de gestão a ser implantado ou otimizado no município, ou seja, tanto para a definição do tipo de acondicionamento, dimensionamento dos sistemas de coleta e transporte, quanto para

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fornecer elementos indispensáveis para a escolha e dimensionamento dos sistemas de tratamento e destinação final a serem adotados. Dentre as características dos resíduos sólidos a serem determinadas, duas são de grande valia na elaboração do projeto e deverão ser sempre determinadas, uma vez que estão associadas a trabalhos simples de campo, não exigindo, portanto, equipamentos laboratoriais nem pessoal técnico especializado, são elas: a composição gravimétrica (percentagem em peso dos diversos constituintes dos resíduos) e, o peso específico. Estes dados servirão de base para a elaboração do “Balanço de Massa” do lixo produzido, o que norteará o estudo de viabilidade técnica e econômica das soluções de tratamento e destinação final contempladas, por determinarem o potencial de reaproveitamento dos resíduos gerados.

12.3. Projeto da Unidade de Triagem e Compostagem

O projeto de uma unidade de triagem e compostagem (UTC) deverá estar integrado dentro de um projeto maior que visa a implantação no município de um “Sistema Integrado de Gestão de Resíduos”. Neste aspecto, o projeto da UTC deverá ser acompanhado de outros projetos e programas, como:

i) mobilização comunitária e educação ambiental;

ii) implementação de uma Unidade Técnica e de Apoio Local UTAL, necessária a

sustentabilidade do projeto;

iii) implantação da coleta seletiva e diferenciada no município;

iv) implantação do aterro para o rejeito da UTC e para os resíduos não reaproveitáveis e

não perigosos gerados no município;

v) tratamento e/ou destinação final adequada para os resíduos das unidades de saúde;

vii) desativação e fechamento da área do antigo lixão;

viii) treinamento dos funcionários que irão trabalhar na UTC;

ix) implantação gradativa de projetos agregados como hortas comunitárias, horto

florestal, oficina artesanal para reciclagem de papel, controle de erosão, recuperação de

mata ciliar, etc.

12.3.1. Escolha da Área para Implantação da UTC

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A escolha da área para implantação de uma UTC deverá seguir as recomendações e exigências do órgão ambiental competente. Geralmente, a área deverá atender os seguintes critérios (LESA,1997):

i) Distância do Centro Urbano: levar em conta a proximidade do centro urbano, o custo de transporte e o roteiro de coleta, o qual poderá ser modificado em função do local de implantação do Projeto;

ii) Tipo e Facilidade de Acesso: estrada asfaltada, estrada de terra, proximidade de

rodovias garantia de acesso durante todo o ano;

iii) Avaliar recursos Hídricos: verificar existência de nascentes, córregos, rios e nível

do lençol freático no entorno da área avaliada;

iv) Topografia: verificar a possibilidade de áreas, relativamente planas para UTC que

atendem à uma população de até 10000 habitantes, e áreas em declive com platôs para

UTC que atendam à uma população de 12 a 25000 habitantes. Deve-se atender para a necessidade de movimentação de terra levando em conta o seu custo;

v) Tipo de vegetação: evitar áreas que demandem desmatamento dando preferência

para áreas de pastagem, de culturas de ciclo curto, áreas já degradadas etc.

vi) Infra-estrutura Disponível: o local deve ser abastecido ou estar próximo de

recursos como abastecimento de água e energia elétrica;

vii) Sentido Predominante dos Ventos: o sentido dos ventos deve ser oposto aos

núcleos habitacionais em relação à área avaliada, quando esta situa-se a uma distância

inferior a 1 (um) Km dessas habitações;

viii) Localização de Habitações em Áreas Adjacentes: observar existência de habitações no entorno do local escolhido, evitando a possibilidade de conflitos;

ix) Localização em Relação a Expansão Urbana: o local deve estar fora da tendência

de crescimento do município;

x) Área de Preservação Ambiental: verificar se o local escolhido não é reserva

ecológica, área de preservação ambiental, mata nativa ou similar;

xi) Possibilidade de Inundação: a área avaliada deve estar em local onde não haja

possibilidade de inundação;

xii) Área Total Disponível: a área deverá, preferencialmente, ser suficiente para a

alocar o projeto proposto, incluindo o aterro de rejeitos e projetos agregados (hortos, hortas, oficinas de papel reciclado etc.);

xiii) Verificar a Situação Legal do Imóvel: necessidade de desapropriações, custos;

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xiv) Informações Adicionais:

informações de moradores locais e adjacências.

observações que não se enquadram nos itens acima e

12.3.2. Memorial Descritivo

O memorial descritivo do projeto básico de uma UTC deverá conter as informações necessárias a execução do projeto, bem como descrever as diversas etapas construtivas da UTC. Deverá também, especificar as técnicas construtivas a serem empregadas como o tipo e características dos materiais e elementos utilizados.

12.4. Módulos Componentes da UTC

A UTC é composta pelos seguintes módulos ou unidades:

i) Unidade administrativa administração, almoxarifado, vestuários e refeitório

ii) Unidade de triagem recepção e seleção do lixo

iii) Depósito de materiais recicláveis galpão para prensa, papel e papelão e baias para

recicláveis

iv) Pátio de compostagem

v) Depósito para estocagem/beneficiamento do composto

vi) Aterro de rejeitos

vii) Sistema de tratamento das águas de drenagem do pátio de compostagem e esgoto

sanitário da UTC

viii) Unidade de educação ambiental sala de aula, oficina de reciclagem de papel, sala

de exposições, etc.

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13. Referências Bibliográficas

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