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I JORNADA CULTURAL DE AIUABA: ANÁLISE DOS RESULTADOS ALCANÇADOS Francisco Ronald Feitosa Moraes 1 Robério

I JORNADA CULTURAL DE AIUABA: ANÁLISE DOS RESULTADOS ALCANÇADOS

Francisco Ronald Feitosa Moraes 1 Robério Ferreira Nobre 2 Francisco Rômulo Feitosa Moraes 3

RESUMO:

Almejamos com este trabalho apresentar os resultados da I Jornada Cultural de Aiuaba, proposta pelo Ponto de Cultura Fazendo Arte no Sertão. Foram realizadas várias oficinas artísticas e palestras ressaltando a importância da cultura, com show cultural de encerramento em praça pública da igreja matriz, tendo um público de cerca de 500 pessoas. Ocorrido nos dias 08 e 09 de Março de 2014, o evento se mostrou relevante para a disseminação artística e cultural no município. PALAVRAS-CHAVE: Jornada Cultural, Oficinas artísticas, Ponto de Cultura.

1 CONSTRUINDO O CONCEITO DE CULTURA

A palavra cultura possui originalmente o sentido de cultivar o solo, cuidar. Mas hoje a

palavra cultura é um termo com várias acepções, em diferentes níveis de profundidade e diferentes

especificidades. Contemporaneamente a ideia de cultura está associada à de diversidade, passando a

reunir na mesma noção a tradição humanista de cultivo das realizações do espírito humano

consideradas superiores, as artes e ciências e a nova valorização, de raiz iluminista, da diversidade

de costumes e crenças dos povos como via para o conhecimento humano. “A cultura no sentido

moderno ao mesmo tempo seria o conjunto de expressões do espírito ou gênero humano e das

expressões singulares da humanidade”. (MAGALHÃES, 2004, p.02).

Conforme Bueno (2009, p. 38) “A cultura apresenta uma estrutura dialética que torna

possível tanto a aquisição de saberes e conhecimentos, que permitiriam a adaptação do ser humano

à sociedade, quanto a aquisição de saberes e conhecimentos que possibilitariam a crítica à

sociedade”.

Retomando definições mais antigas para cultura, deparamo-nos com algumas ideias, como a

1

Universidade Federal do Ceará – UFC. ronaldmoraes@ymail.com .

2

Universidade Regional do Cariri – URCA. roberiofnobre@gmail.com.

3

Universidade Regional do Cariri – URCA. romulofmoraes@gmail.com.

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do filósofo grego Aristóteles, segundo ele, tudo aquilo que não é natural, ou que não

do filósofo grego Aristóteles, segundo ele, tudo aquilo que não é natural, ou que não vem da natureza, é cultural, ou seja, o que resulta da intervenção humana é considerado cultura. Para ele, a cultura é adquirida, pois é transmitida e aprendida através de técnicas e conhecimentos diversos. Ela pode ser estimulada e desenvolvida, complementada com o uso de técnicas e novos conhecimentos. Marilena Chauí (1995, p.81) também chama a atenção para a necessidade de alargar o conceito de cultura, tomando-o no sentido de invenção coletiva de símbolos, valores, idéias e comportamentos, “de modo a afirmar que todos os indivíduos e grupos são seres e sujeitos culturais”. Aldo Vannucchi (2008, p.11) parece corroborar as palavras de Aristóteles, pois, segundo ele, um conceito básico de cultura seria o seguinte “cultura é tudo aquilo que não é natureza, ou seja, tudo o que é produzido pelo ser humano. Por exemplo: a terra é natureza e o plantio é cultura”. Ainda o autor, apresenta o conceito de cultura em relação a algumas áreas do conhecimento. Segundo ele, o conceito de cultura para a antropologia cultural, por exemplo, possui pelo menos quatro posições quanto ao seu entendimento:

Há os que vêem cultura como sistema de padrões de comportamento, de modos de organização econômica e política, de tecnologias, em permanente adaptação, em vista do relacionamento de grupos humanos com seus respectivos ecossistemas; há os que tratam a cultura como um sistema de conhecimento da realidade, como o código mental do grupo, não como um fenômeno material, mas cognitivo; há também os que encaram a cultura como um sistema estrutural, em que o eixo de tudo é a bipolaridade natureza-cultura, tendo como campos privilegiados de sua concretização o mito, a arte, a língua e o parentesco; por fim, há os que entendem a cultura como sistema simbólico de um grupo humano, sistema que só poderá ser apreendido por outro grupo por meio de interpretação e não por mera descrição. (VANNUCCHI, 2008, p. 22).

No campo da Sociologia, segundo Vannucchi (2008), a cultura simboliza tudo o que é aprendido e partilhado pelos indivíduos de um determinado grupo e que lhes confere identidade. Não existem culturas superiores, nem culturas inferiores, pois a cultura é relativa e essa não- supremacia é designada “relativismo cultural”. Enquanto que nos domínios da Filosofia, a cultura é resultado dos modos como os diversos grupos humanos foram resolvendo os seus problemas ao longo da história. Cultura é criação, o Homem não só recebe a cultura dos seus antepassados como também cria elementos que a renovam, sendo assim, a cultura é um fator de humanização, pois, o homem só se torna homem porque vive no seio de um grupo cultural composto por um sistema de símbolos

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compartilhados com que se interpreta a realidade e que confere sentido à vida. Para Laraia:

compartilhados com que se interpreta a realidade e que confere sentido à vida. Para Laraia:

A cultura se desenvolveu a partir da possibilidade da comunicação oral e a capacidade de fabricação de instrumentos, capazes de tornar mais eficiente o seu aparato biológico. Isto significa afirmar que tudo o que o homem faz ele aprendeu com os seus semelhantes e não decorre de imposições originadas fora da cultura. (2004, p. 20).

Dentre os conceitos de cultura apresentados a título de contextualização, acredita-se que a definição de Reis (2006) é a que melhor dialoga com a temática tratada nesta pesquisa. Segundo a referida autora, cultura é,

A produção material e imaterial de uma sociedade e o que lhe dá seu caráter distintivo. Inclui, mas não se limita à produção artística. Abrange desde a produção de elementos da chamada indústria cultural, como livros, jornais, filmes, vídeos e CDs, até o fruto do trabalho dos nossos milhares de cozinheiros, escultores, rendeiras, tapeceiros e tantos outros. (2006, p. 13).

Para a UNESCO, cultura é o “(

)

fundamento da identidade, da energia e das idéias

criativas dos povos. A cultura, em toda a sua diversidade, é fator de desenvolvimento e coexistência em todo o mundo”. A cultura está relacionada a todos os aspectos da vida social, é uma construção histórica e coletiva. Para Santos (2007, p. 44), “cultura é uma dimensão do processo social, da vida de uma sociedade. Não diz respeito apenas a um conjunto de práticas e concepções, como por exemplo, se

poderia dizer da arte”. Completa dizendo ainda que “[

se reduz ao conceito de meios de comunicação de massa, nem a lógica de funcionamento da indústria cultural é necessariamente uma descrição da dimensão cultural da sociedade” (SANTOS, 2007, p. 69). Na sociedade brasileira, muitas são as manifestações culturais, com isso, temos uma série de expressões artísticas que necessitam ser não apenas reconhecidas, mas incentivadas e tratadas como bens de valor para a conservação e desenvolvimento do nosso patrimônio cultural. Sobre diversidade cultural, no site da UNESCO, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, destaca que:

a cultura na sociedade contemporânea não

]

Cada individuo deve reconhecer não apenas a alteridade em todas as suas formas, mas também o caráter plural de sua própria identidade dentro de sociedades igualmente plurais. Somente desta forma é possível conservar a diversidade cultural em sua dupla dimensão de processo evolutivo e fonte de expressão, criação e inovação. (UNESCO).

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Em relação à Legislação Nacional, encontra-se a seguinte definição para o patrimônio cultural, segundo o

Em relação à Legislação Nacional, encontra-se a seguinte definição para o patrimônio cultural, segundo o art. 216 da Constituição Federal Brasileira, “Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira”, dentre os quais podem ser incluídos:

I – as formas de expressão; II – os modos de criar, fazer e viver; III – as criações científicas, artísticas e tecnológicas; IV – as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais; V – os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, ecológico e científico. (CONSTITUIÇÃO FEDERAL, p. 138, 2005).

Em observância à Carta Magna da república brasileira, deve-se, pois, buscar um tratamento equilibrado para essas várias expressões culturais. É necessário compreender a cultura como fundamental à criação e desenvolvimento da identidade de um povo e, a partir de tal compreensão, buscar maneiras de tornar o setor cultural uma ferramenta do crescimento sócio-econômico humana.

2 ASPECTOS RELEVANTES NA ELABORAÇÃO DO PROJETO CULTURAL

A expansão, a globalização e a competição do mercado atual, afetam também a cultura e privilegiam os empreendimentos culturais administrados como negócios. Nesse panorama, artistas, produtores e gestores culturais têm se conscientizado de que é preciso planejar ações, desenvolver procedimentos de gestão e qualidade, firmar parcerias e se colocar de maneira diferenciada nesse mercado. A partir desta ideia, um grupo de jovens do município de Aiuaba, região dos Inhamuns no Estado do Ceará, em momentos de descontração, deram vida em 2009 a Associação Fazendo Artes no Sertão - AFAS, a qual buscava consolidar as atividades culturais do município, por meio de ações que possibilitassem maior envolvimento comunitário e engajamento dos jovens, bem como potencialização dos artistas da terra e seus valores culturais. Conforme Meneses (1999), um bem cultural é uma coisa boa, um bem, realmente bom de conhecer, de ver, de sentir como um vínculo da subjetividade e, finalmente, bom de usar. Mas, para

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se ver, se sentir e se usar este bem, o patrimônio deve ter sua importância

se ver, se sentir e se usar este bem, o patrimônio deve ter sua importância vivida por seus moradores. Se não ocorre esta ligação, todas as ações posteriores perdem seu sentido. Dentre as ações realizadas pela AFAS, uma das que mais se destacou foi o grupo de quadrilha junina Arraiá dos Cangaceiros, participando de diversos festivais em várias macro-regiões do Estado do Ceará, e até mesmo representando a região no Festival Ceará Junino em 2012. Em 2010, a AFAS participou do edital “Pontos de Cultura” da Secretaria de Cultura do Estado do Ceará, sendo selecionada a beneficio financeiro para fortalecimento das suas ações junto a comunidade aiuabense. Assim, no primeiro ano foram desenvolvidas algumas oficinas segundo projeto enviado, dentre as quais destacamos: Oficinas de Audiovisual, de Arte Terapia, de Teatro e de Dança. Na oficina de Audiovisual foram trabalhados, roteiro, produção, direção, câmara, sonorização, edição, gravação e mixagem. Ministrada pelos proprietários do Studio sua Imagem do município de Campos Sales-CE, a empresária Maria Débora Gomes Brito da Cunha e seu sócio, o Sr. José Sobreira de Oliveira, foi direcionada a 25 adolescentes com faixa etária entre 12 e 18 anos. Todos, alunos das escolas da rede publica de ensino de Aiuaba-CE. Como resultado, foi desenvolvido pelo grupo participante um vídeo que foi exposto em telão em praça publica. Na oficina de Arte Terapia, foram trabalhadas diversas técnicas, dentre as quais destacamos as confecção de artefatos com jornais, retalhos de tecido e pinturas em garrafas. Ministrada pela empresária e artesã do município de Campos Sales-CE, a Senhora Izabel Maria Souza Ribeiro, atendeu a 25 pessoas, das quais 75% são membros da Associação das Artesãs do Distrito de Barra - Aiuaba além de alunos pertencentes as escolas da rede publica de ensino de Aiuaba-CE. Como resultado, foi realizada uma feira cultural na praça da igreja matriz do município, onde foram expostos os objetos confeccionados. Durante a mesma, estiveram presentes em média 250 pessoas. Na oficina de Teatro, participaram cerca de 30 adolescentes com faixa etária entre 10 e 18 anos, alunos das escolas da rede publica de ensino de Aiuaba-CE, foram trabalhados, os conhecimentos de corpo, linguagem, postura teatral, espaço, cenário, produção e montagem de espetáculo. Ministrada pelo Sr. Cicero Antonio Leite, acadêmico de Letras e Artes Cênica, promotor de eventos teatrais e presidente da Cia de Teatro Época de Campos Sales. Como resultado, foi realizado um espetáculo de teatro em praça pública, na qual teve destaque uma peça produzida, organizada e apresentada pelos participantes, intitulada “Cala a boca Maristela”, que contou com

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uma platéia de aproximadamente 300 pessoas. A oficina de Dança, realizada com a participação de

uma platéia de aproximadamente 300 pessoas. A oficina de Dança, realizada com a participação de 30 adolescentes na faixa etária entre 10

e 16 anos, alunos das escolas da rede publica de ensino de Aiuaba-CE. Durante a mesma, foram

trabalhados o conhecimento do corpo, linguagem corporal, postura no palco, cenário, produção e montagem de espetáculo. A mesma foi ministrada pelo Sr. João Lucas Silva Bento, acadêmico de

Artes Cênicas, coordenador e coreógrafo da Cia de Teatro e Dança Traquejo de Exu-PE. Como resultado da oficina, foi apresentado um espetáculo de dança em praça pública, intitulado Metanóia, tendo um público de espectadores de cerca de 300 pessoas. Todas as ações desenvolvidas pelo Ponto de Cultura e da AFAS voltaram-se para a inclusão

e a diversidade, buscando maior participação da comunidade. Nesse sentido, percebemos que as atividades realizadas potencializaram o desenvolvimento de algumas habilidades específicas nos participantes que complementaram seus conhecimentos nas dimensões do teatro e dança, bem como aprenderam a produzir materiais diversos através do artesanato. Além de, preparar roteiros, produções, direções e técnicos em gravação e mixagem de sons para o mercado de trabalho. Com o favorecimento dos resultados, construiu-se a proposta da realização da I Jornada Cultura de Aiuaba

– CE.

I JORNADA CULTURAL DE AIUABA

Os eventos são tão variados quanto à criatividade de quem os provoca. No presente estudo, iremos compreender a realização da I jornada Cultural de Aiuaba proposta pela AFAS. Segundo Ansarah (2004), todo evento é o resultado de um ato criativo. Essa criatividade deve espelhar a vontade de fazer, como fazer e por que fazer, isto é, criar. Por isso, estão na criatividade e na ação criadora das pessoas o início e o fim dos eventos. Essa criatividade não pode ser um limitador da ação, mas sim um facilitador da geração e concretização do evento. Sendo o evento a soma de ações previamente planejadas com objetivos de alcançar resultados definidos junto ao público-alvo, sua realização proporcionará resultantes de ordens social e cultural que se dimensionarão de acordo com a própria dinâmica do evento, o qual foi pensado a partir da necessidade de continuar as atividades realizadas mensalmente. Como salienta Botelho:

Vale nesta linha de continuidade a incorporação da dimensão antropológica da cultura,

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aquela que, levada às últimas conseqüências, tem em vista a formação global do indivíduo, a

aquela que, levada às últimas conseqüências, tem em vista a formação global do indivíduo, a valorização dos seus modos de viver, pensar e fruir, de suas manifestações simbólicas e materiais, e que busca, ao mesmo tempo, ampliar seu repertório de informação cultural, enriquecendo e alargando sua capacidade de agir sobre o mundo. O essencial é a qualidade de vida e a cidadania, tendo a população como foco. (2007, p.110).

A partir desse pressuposto, o tipo de evento a ser considerado se trata do "evento cultural" que está inserido na categoria de reunião coloquial, tendo como foco difundir manifestações,

estimular a criatividade e expressões populares artísticas e culturais.

Jornada Cultural, a qual, além da consolidação das atividades realizadas, buscou ampliar e oportunizar maior acesso às mais variadas manifestações artísticas e culturais (Teatro, Dança, Música e Artes Visuais), bem como, contribuir com conhecimentos científicos na área – Gestão Cultural, Identidade e Linguagem Cultural, Educação e Cultura: numa construção para o caminho da Pedagogia Cultural – destacando a contribuição destes para o desenvolvimento humano nos variados aspectos, bem como, discutir ações que possam disseminar a cultura como eixo de desenvolvimento e cidadania. A I Jornada Cultural foi realizada em dois dias, tendo início no dia 08 de março de 2014, as 8 h da manha com boas vindas feitas pelo presidente da AFAS e abertura oficial no pátio da Escola de Ensino Médio de Aiuaba, em seguida, todos os participantes se dirigiram as salas onde durante o dia, forma realizadas oficinas, das quais destacamos Gestão e Produção Cultural, Dança Contemporânea, Artes Cênicas – Teatro, Audiovisual, Arteterapia e Pedagogia Cultural. Gestão e Produção Cultural foi direcionada a diretoria e colaboradores da AFAS. Durante a mesma foi trabalhada assuntos relacionados a perspectiva das atividades culturais numa visão da gestão e coordenação das ações. A mesma foi ministrada pelo Prof. Gilmar Pereira da Costa, arte educador e Produtor Cultural. Na oficina de Dança contemporânea foram trabalhadas as várias dimensões da dança na contemporaneidade. Ministrada pelo Sr. João Lucas Silva Bento, acadêmico de Artes Cênicas, coordenador e coreógrafo da Cia de Teatro e Dança Traquejo de Exu-PE. O Teatro teve seu espaço em uma oficina na qual foi trabalhada as várias dimensões do espetáculo teatral. Ministrado pelo artista Cicero Antonio Leite, acadêmico de Letras e Artes Cênica, promotor de eventos teatrais e presidente da Cia de Teatro Época de Campos Sales. Em Arte Terapia, o direcionamento para os jovens participantes teve ênfase em relação aos

A proposta da realização da

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moradores do Distrito de Barra – Aiuaba, tendo o apoio da Associação de Artesãs de

moradores do Distrito de Barra – Aiuaba, tendo o apoio da Associação de Artesãs de Barra-Aiuaba. Foi trabalhada as várias dimensões das artes visuais a partir dos jornais, retalhos de tecido e pinturas em garrafas. Ministrada pela empresária e artesã, a Senhora Izabel Maria Souza Ribeiro e o artista plástico Django da Silva Lima.

Na oficina de Audiovisual e de Sonoros nas Atividades Culturais, foram trabalhados, roteiro,

produção, direção, câmara, sonorização, edição, gravação e mixagem. Ministrada pelos proprietários do Studio Sua Imagem do município de Campos Sales-CE, a empresária Maria Débora Gomes Brito da Cunha e seu sócio, o Sr. José Sobreira de Oliveira. Oficina de Pedagogia Cultural, direcionada aos professores de arte educação do município de Aiuaba-CE foi ministrada pelo Prof. Robério Ferreira Nobre, pedagogo, psicopedagogo e gestor educacional e cultural. Destacando o trabalho com a arte educação e a cultura na escola numa perspectiva contemporânea, possibilitando a reflexão sobre o papel do professor na qualidade das atividades culturais, bem como, integrando-os as concepções pedagógicas da cultura escolar. De acordo com os PCN’s,

Conhecer Arte significa os alunos se apropriarem de saberes culturais e estéticos inseridos nas práticas de produção e apreciação artísticas, fundamentais para a formação e o desempenho social do cidadão. Através da Arte é possível externar sensibilidades absorvidas ao longo de suas relações interpessoais, intergrupais na diversidade sociocultural em que vive. (2009, p. 29).

O segundo dia começou com a Palestra intitulada ‘Linguagem e Identidade Cultural’,

proferida por Antonio Robson Cavalcante Lêdo, Presidente da Associação Arte Jucá, Gestor e Produtor Cultural da cidade de Arneiroz-CE, Coordenador Geral do Festival dos Inhamuns: Circo, Bonecos e Artes de Rua, abordando as várias linguagens artísticas, bem como apresentando a história da construção da identidade do Festival dos Inhamuns, criado pelo grupo Arte Jucá em 2005. Na sequência, houve continuação das oficinas. A partir das 16 h, aconteceram apresentações dos resultados das oficinas e em seguida a palestra: Relações Interpessoais, Motivação e Liderança Cultural, proferida pelo Pedagogo Robério Ferreira Nobre. No encerramento das oficinas, foram distribuídos fichas de avaliação da jornada, aos participantes solicitando que descrevessem pontos positivos e negativos, bem como sugestões para que o grupo pudesse replanejar as ações em outro momento, dentre as quais destacamos, minimamente, o que foi dito por alguns participantes,

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Nunca havia participado de um evento tão grandioso, estou emocionado. (PARTICIPANTE 1, 2014) A I

Nunca havia participado de um evento tão grandioso, estou emocionado. (PARTICIPANTE 1, 2014)

A I jornada cultural me despertou o prazer e desejo de participar ativamente das atividades culturais no município. (PARTICIPANTE 2, 2014)

Não sabia o valor que um professor tinha no desenvolvimento da sensibilidade cultural. Hoje, despertei minha própria sensibilidade, construindo-me enquanto agente cultural. (PROFESSOR 1, 2014)

Não percebia a importância que as atividades culturais tinham diante da juventude. Hoje percebo que uma sociedade sem estas atividades, é um povo sem luz. (PARTICIPANTE 3,

2014)

As atividades culturais fazem milagres. Como seria bom que todos pudessem e quisessem

participar deste milagre. (PARTICIPANTE 3, 2014)

Diante destes relatos, percebemos que os objetivos propostos foram alcançados, arriscamos dizer que foram bem mais além, pois pensamos na participação enquanto engajamento cultural, o despertou nos participantes uma necessidade de efetivação dessa participação.

A cultura adquire formas diversas através do tempo e do espaço. Essa diversidade

manifesta-se na originalidade e na pluralidade de identidades que caracterizam os grupos e

as sociedades que compõem a humanidade. Fonte de intercâmbios, de inovação e de

criatividade, a diversidade cultural é, para o gênero humano, tão necessária como a diversidade biológica para a natureza. Nesse sentido, constitui o patrimônio comum da humanidade e deve ser reconhecida e consolidada em benefício das gerações presentes e futuras (UNESCO, 2002, p. 3).

Com início às 20 h, realizou-se um show cultural na praça da igreja matriz, destacando show de humor com a personagem Jadylene do humorista Ronald Campos de Iguatu-CE, apresentações de dança, teatro e música. Estiveram presente em média 500 pessoas participando e assistindo ao espetáculo. Eventos de sucesso segundo Melo Neto (2004) são acontecimentos que proporcionam novos tipos de relações entre as pessoas, novos jargões lingüísticos, palavras de ordem, fomentam paixões e desenvolvem hábitos, portanto, o evento trabalha questões inerentes aos seres humanos e influencia na forma de vida. “Os cenários escolhidos dos atores nem sempre privilegiam o conteúdo artístico e a profundidade do tema escolhido." (MELO NETO, 2004, p.55), pois é fundamental fazer com que os consumidores consigam formar uma imagem de atmosfera livre e descontraída para o evento. A montagem do espaço, os cenários, o ecletismo, a diversidade, a fusão de temas e estilos, o

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ineditismo, a interatividade, a tradição, a experimentação, a polêmica, as técnicas e a simulação são

ineditismo, a interatividade, a tradição, a experimentação, a polêmica, as técnicas e a simulação são alguns exemplos de elementos de criatividade que podem influenciar na atração do público e no conseqüente sucesso do evento. Como um meio de encontro dos indivíduos e valorização de determinada, o evento cultural tem o papel de formador de opinião. Por esse fato, nota-se que os eventos apresentam esse tipo de educação mais "informal". Segundo Bueno (2009, p. 28-29) “A educação deve ultrapassar o plano da crítica às dimensões culturais da racionalidade na sociedade, para atingir as instancias de formação material de relação sujeito e objeto, da constituição social dos sujeitos”. Dessa maneira, é papel de um evento cultural afirmar-se a partir dos valores e conhecimentos que pode transmitir ao público vigente. Sabendo que as pessoas possuem a liberdade de frequentarem um evento pela busca ou não deste conhecimento, o evento cultural é mais uma atividade a ser vivida no momento de lazer do indivíduo. Gutierrez sobre esse tipo de escolha do indivíduo afirma:

Vai da busca de uma simples e amena sensação de conforto até à esperança de vivenciar sensação tão intensa e arrebatadora que pode enterrar qualquer vestígio de racionalidade com o respeito a fins, qualquer busca racional de dominação, qualquer identidade de classe social, ou ainda qualquer sentimento de solidariedade, privilegiando única e exclusivamente a sua realização egoísta e pessoal (2001,p. 14).

Assim, as pessoas geralmente buscam no evento cultural uma alternativa de lazer. O fato de esta prática lhe trazer algum conhecimento ou valor cultural é facultativo tanto pelo indivíduo frequentador, pelo produtor cultural, ou até pelo próprio evento (situações e fatores internos e externos no decorrer do evento que influenciam em seu próprio sentido).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Através deste estudo, percebemos que a sociedade Aiuabense precisava com urgência da realização de atividades culturais que caracterizassem a construção de conceitos e efetivação da participação da comunidade nas atividades realizadas. Pode-se perceber que se necessita de investimento real no desenvolvimento de atividades culturais. Destacamos também a formação dos profissionais de cultura – tanto de artistas que compreendam os mecanismos de mercado e do setor cultural, quanto de gestores e administradores

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que compreendam as reais necessidades do setor cultural. Necessita-se de profissionais que tenham como fundamento

que compreendam as reais necessidades do setor cultural. Necessita-se de profissionais que tenham como fundamento uma visão organizadora e estratégica, instigando a busca constante do conhecimento específico e a capacidade crítica para que possam refletir, discutir, pesquisar e contribuir para a profissionalização do setor cultural. É fundamental a profissionalização da área de produção cultural em termos de planejamento e estrutura, bem como uma ação pedagógica junto a coordenação das associações, tanto do ponto de vista estético, social e principalmente organizacional para uma otimização dos resultados. Nesse sentido, alem das atividades com a comunidade, buscou-se capacitar a equipe da AFAS para que a mesma consiga de forma consistente atuar no gerenciamento das atividades. Pode-se perceber também que a jornada possibilitou o acesso à cultura, garantindo ao maior número de pessoas a possibilidade de participar do processo de criação e fruição da arte, aceitando a existência de uma sociedade com diferentes expressões culturais e consequentemente com diferentes necessidades de incentivo. Espera-se também que os administradores municipais percebam a necessidade de investir em infraestrutura eficiente (centros culturais, museus, bibliotecas, teatros, salas de exibição, oficinas), ampliando redes de pólos culturais, gerando descentralização e a permanente formação de agentes culturais. Somente a continuidade pode garantir credibilidade, e a manutenção de um movimento de estruturação da atividade econômica e cultural garantirá que a cultura possa cumprir seu papel no desenvolvimento de cidadãos conscientes de que a cultura é fundamental para o desenvolvimento humano, educacional e social no município de Aiuaba.

REFERÊNCIAS

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