EDILENE FÁTIMA DOS SANTOS ISHIKAUA

A VIOLÊNCIA MORAL NA RELAÇÃO DE TRABALHO: A importância
da Consolidação das Leis Trabalhistas na proteção da dignidade da
pessoa humana.

Campo Grande
2016

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à UNIDERP. como requisito parcial para a obtenção do título de graduado em Direito Orientador: Rafael Bueno NOME DO(S) AUTOR(ES) EM ORDEM ALFABÉTICA Campo Grande MS 2016 2 . .EDILENE FÁTIMA DOS SANTOS ISHIKAUA A VIOLÊNCIA MORAL NA RELAÇÃO DE TRABALHO: A importância da Consolidação das Leis Trabalhistas na proteção da dignidade da pessoa humana.

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à UNIDERP. Titulação Nome do Professor(a) Prof(ª). Titulação Nome do Professor(a) 3 .A VIOLÊNCIA MORAL NA RELAÇÃO DE TRABALHO: A importância da Consolidação das Leis Trabalhistas na proteção da dignidade da pessoa humana. Titulação Nome do Professor(a) Prof(ª). como requisito parcial para a obtenção do título de graduado em Bacharel em Direito Aprovado em: __/__/____ BANCA EXAMINADORA Prof(ª).

Legislação 4. 4 . suas causas e suas sequelas. Palavras-chave: Proteção 1. Assédio Moral 3. CLT 2.RESUMO Esta pesquisa visa fazer uma vasta pesquisa bibliográfica a cerca da legislação trabalhista nos termos da violência moral contra o trabalhador. Diretivo 5. Serão apresentadas doutrinas. jurisprudências e súmulas para embasar o teor das pesquisas.

Bullying 3. Law 4. doctrines will be presented. CLT 2.ABSTRACT This research aims to make a vast literature about the labor legislation under moral violence against the worker. its causes and its consequences. directive 5 . Keywords: Protection 1. jurisprudence and precedents to support the content of the research.

................................................................09 REFERÊNCIAS......................................................07 1...........................................12 6 ....... A VIOLÊNCIA MORAL NA RELAÇÃO DE TRABALHO........................SUMÁRIO INTRODUÇÃO............................

Maria Lúcia de Arruda citando o filósofo personalista Mounier. A crise de relacionamento ocorre tanto na família quanto na esfera social. mal-estar no trabalho. pois o trabalho altera a visão que ele tem do mundo e de si mesmo” . ou na expressão consagrada pelas doutrinas e jurisprudência: assédio moral. ou seja. assim. o assédio moral através de suas agressões especialmente pérfidas por atentar contra a dignidade psíquica do ser humano.INTRODUÇÃO Atualmente. que está perdendo sua capacidade de projetar-se no futuro. verifica-se uma queda da auto-estima e surge o sentimento de culpa. mobbing. 7 . Tal fenômeno tem sido denominado pela doutrina como terror psicológico no trabalho. “ao mesmo tempo que transforma a natureza. uma vez que desenvolve as suas faculdades”. A relação familiar arruína-se na medida em que esta é a válvula de escape da vítima. que passa a descarregar sua frustração nos membros da família. Numa visão filosófica propagada para o cotidiano. não permanece o mesmo. A posição sociológica de que “o trabalho é a principal fonte de reconhecimento e realização pessoal” do indivíduo social. aduz que: “todo trabalho trabalha para fazer um homem ao mesmo tempo que uma coisa”. Neste diapasão. enquanto ente não marginalizado pelo desemprego. se configura como um atentado contra direitos da personalidade. muito se tem falado e estudado sobre um fenômeno que assola o mercado de trabalho e provoca a degradação do ambiente de trabalho. A autora expõe o seu entendimento mediante a frase do filósofo de que “pelo trabalho o homem se autoproduz. Em suma. que tem em risco o seu lugar na sociedade. Márcia Guedes assevera que: Na medida em que a vítima sente que está perdendo seu papel e sua identidade social. acarreta conseqüências devastadoras para a vítima de assédio moral. diminuindo a produtividade das empresas e provocando uma série de transtornos de ordem psicológica nos trabalhadores. a vítima é tomada por grave crise existencial. altera o próprio ser humano. o trabalho é a base de transformação da realidade.

para essas situações existem maneiras de reparar o dano sofrido pela vítima.O ordenamento jurídico brasileiro não se vale da omissão nos casos de um indivíduo causar mal a outrem. 8 .

posto que o fenômeno poderia estar mascarado em face de aspectos culturais.2%. os números são cabais ao evidenciar que “dos 4. com pesquisa de campo realizada no cotidiano de trabalhadores de diversos setores da indústria no estado de São Paulo. com 16. vejamos: Pesquisa realizada em 1998 demonstra que pelo menos 8. no ambiente de trabalho. Os dados revelam que na Europa 12 milhões de indivíduos sofrem de assédio moral.3% dos trabalhadores violentados psicologicamente. Em segundo. Dentre os países pesquisados destaca-se a Grã-Bretanha em primeiro lugar. como ponderou Ortega y Gasset. todavia os estudiosos afirmam que estes números não retratam a realidade vivenciada. A VIOLÊNCIA MORAL NA RELAÇÃO DE TRABALHO Embora muitos autores façam menção ao fato do assédio moral ser tão antigo quanto o próprio trabalho.718 trabalhadores. considerado pioneiro no estudo acerca da ação perversa do assédio moral sobre o empregado no ambiente de trabalho. violência psicológica de vários tipos. A França com 9.4%. teve como base de análise o cenário trabalhista nacional. sendo possível identificar o assédio moral como destruidor desse ambiente 1. mister se faz ressaltar que só nos últimos dez anos do século XX é que o fenômeno passou a ter maior notoriedade.9% e a Alemanha com 7.1. O estudo da Drª Margarida Barreto citado em outrora. 68% declararam que sofriam assédio no ambiente de trabalho várias vezes por semana. Dados de uma pesquisa de Leymann atinente aos números da violência psicológica trabalhista na Europa foram publicados na obra de Márcia Novaes Guedes.1 % dos trabalhadores europeus empregados sofrem.3%. e 12% afirmaram que a prática era sofrida uma vez por mês ”. A Itália contou apenas 4. observa-se que o contexto econômico atual dotado de uma 1 9 . A expressão mobbing foi inserida no âmbito trabalhista na década de 80 pelo pesquisador Heinz Leymann. Os povos de origem latina tendem a um maior conformismo e resignação diante da violência. 20% relataram que o assédio ocorria em média uma vez por semana. O resultado da pesquisa evidenciou situações anteriormente veladas ao demonstrar que o mobbing também é uma realidade brasileira. a Suécia com 10. Se o homem é o homem e suas circunstâncias. sobretudo pelos estudos incidentes nas relações de trabalho.

O agressor “retira da vítima sua capacidade de defesa. retira dela todo o senso crítico. risinhos. sugestão ou pretensão constantes em relação a alguém”. difamar. vêm exasperando velhas formas de assédio moral no interior das empresas e fazendo emergir novas . tampouco para o que se denomina de justiça social. olhar e não ver ou ignorar sua presença. simplesmente porque não há ofertas de emprego e as pessoas tentam agarrar-se a qualquer custo ao emprego existente (. a crise em identificar valores altruístas como a ética e a consciência de cidadania. ridicularizar. as vitimas preferiam mudar de emprego a denunciar o assédio sofrido. os novos modos de produzir centrados na competitividade e em outros elementos que não cogitam um lugar para a pessoa humana enquanto centro e medida de valores. Neste sentido.. falar baixinho acerca da pessoa. revestidas de abuso e/ou ofensas. difamar. inferiorizar. colocá-los/as em situações vexatórias.) Por outro lado. por exemplo: Gestos.. estigmatizar os/as adoecidos/as pelo e para o trabalho. não cumprimentar. menosprezar ou desprezar. sejam reincidentes. piadas jocosas relacionadas ao sexo. O estabelecimento do mobbing no ambiente de trabalho ocorre de maneira dissimulada e insidiosa. ironizar. que acaba buscando na fuga uma solução para o problema (. É imprescindível que tais condutas. dar tarefas através de terceiros ou colocar em sua mesa sem avisar. é que o medo e a vergonha paralisam a pessoa.. Posto que a própria palavra assédio denota “insistência impertinente. ridicularizar. propiciam circunstâncias favoráveis para as práticas abusivas dentro do ambiente de trabalho. a partir da fusão de elementos que transcendem a obstinação inoportuna e a perseguição sistemática da vítima. eliminando assim qualquer possibilidade de rebelião” As atitudes do agressor com o intuito de desestabilizar a vítima são as mais variadas possíveis. amedrontar. que gradativamente vai destruindo a vítima em toda sua plenitude.certa instabilidade. rir daquele/a que apresenta dificuldades. condutas abusivas e constrangedoras. sugerir que peçam demissão. humilhar repetidamente. com o intuito de subjugar o indivíduo. suspiros. como.. A ação perversa do agressor no ambiente de trabalho ganha tonificação para figurar como assédio moral. ser indiferente à presença do/a outro/a. atribulando sua sanidade mental. o estado assistencial e a política de pleno emprego. controlar o tempo de idas ao banheiro. a magistrada Márcia Novaes Guedes salienta que: Com segurança se pode afirmar que durante o período em que prevaleceu o modelo de produção fordista. tornar público algo íntimo do/a subordinado/a.) Se. por um lado. dar tarefas sem sentido ou que jamais serão utilizadas ou mesmo irão para o lixo. perseguição. não explicar a causa da perseguição. crescem as denúncias. 10 .

Ressalta-se que os elementos que caracterizam o assédio moral. 11 . que podem gerar indenização para um hipotético ressarcimento do dano moral ou material. bem como a análise pormenorizada dos ritos utilizados pelo agressor para desarticular a vítima. quiçá os dois.As práticas que inicialmente dão ensejo à desarmonização do ambiente laboral. havendo a comprovação que ambos decorreram do mesmo fato. constituem na verdade um martírio para vítima proceder naquelas condições de trabalho. levando a sofrimento extremo. que culmina em doenças de ordem física e psíquica. assim como os efeitos na saúde do empregado e a reparação dos danos decorrentes do fenômeno perverso serão abordados em tópicos futuros.

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