TIPOIA FESTIVAL: ECONOMIA DA CULTURA, DESENVOLVIMENTO LOCAL E NOVAS FORMAS DE PENSAR O RURAL

TIPOIA FESTIVAL: ECONOMIA DA CULTURA, DESENVOLVIMENTO LOCAL E

NOVAS FORMAS DE PENSAR O RURAL.29
Ivanice Oliveira de Lima30
RESUMO:
O artigo é um estudo de caso sobre o Tipoia Festival, evento realizado há dezesseis anos na Zona da
Mata Norte de Pernambuco, e que oportuniza refletir sobre a produção cultural através de
apresentações de música, exposições, oficinas e debates. Busca-se analisar como o nascimento de
uma cadeia produtiva em cultura, com novos postos de trabalho, pode contribuir para o
desenvolvimento local, envolvendo os atores do município de Tracunhaém-PE e adjacências.
PALAVRAS-CHAVE: Tipoia Festival, Economia da cultura, Desenvolvimento Local.
Cultura, Desenvolvimento local e novas ruralidades.
Para Raymond Willians, cultura representa um modo de vida, e as artes são partes de uma
organização social claramente afetada por mudanças econômicas (WILLIANS, 1958). A definição
de Willians nos orienta para a importância de compreender que a cultura ultrapassa os espaços do
entretenimento, lazer, para penetrar no campo das discussões econômicas e sociais; isso porque vem
se descobrindo que, para além do mundo da “descontração”, os produtos culturais carregam consigo
significações simbólicas essenciais para a ideia de formação educacional, social e até econômica.
Sim, econômica. De acordo com Pesquisas da Organização Internacional do Trabalho (OIT), bens e
serviços culturais participam com 7% no PIB mundial, com crescimento anual previsto em torno de
10% a 20%. No Brasil, os setores criativos vêm crescendo cerca de 6,13%, aumento médio superior
ao do PIB nacional (cerca de 4,3%) nos últimos anos (PORTAL BRASIL, 2013). Isso é somente
uma das comprovações que servem para refutar o entendimento que alguns indivíduos ainda nutrem
de que Cultura é algo sem importância, é passatempo e não deve passar de hobby. Economia
29 Trabalho apresentado ao Grupo de Trabalho 3: Cultura e Desenvolvimento, do III Encontro Brasileiro de Pesquisa
em Cultura. Crato-CE, de 8 a 10 de outubro de 2015.
30 Mestre em Extensão Rural e Desenvolvimento Local (UFRPE). Graduada em Comunicação Social/ Rádio e TV
(UFPE). Professora da Faculdade Joaquim Nabuco. nicelima.com@gmail.com
PRÓ-REITORIA DE CULTURA - PROCULT
UNIVERSIDADE FEDERAL DO CARIRI – UFCA
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distribuiéao e demanda.Criativa refere-se ao: conjunto de dinâmicas culturais. desenvolvimento local referese a um: esforço de mobilização de grupos na comunidade. Quando se descobre o potencial de um determinado grupo no fazer criativo. p.1) citado por Tomás José Jane (2004. por exemplo .PROCULT UNIVERSIDADE FEDERAL DO CARIRI – UFCA 70 . Nesse sentido. a equidade social. produéao. A Zona da Mata de Pernambuco. do reconhecimento do capital humano. conforme indica Bordenave (2008. fomento. econômica. sem arriscar a satisfação das necessidades fundamentais das gerações futuras. fruto PRÓ-REITORIA DE CULTURA . dos mecanismos mais variados de incentivos. 2009a. como políticas públicas. a Economia da Cultura oferece […] todo o aprendizado e o instrumental da logica e das relaéoes economicas – da visao de fluxos e trocas. Para Ana Carla Fonseca Reis (2009). caracterizados pela prevalência de sua dimensão simbólica (BRASIL. a fim de promover. subsidios. o uso racional dos recursos naturais e a governabilidade. das relaéoes entre criaéao. 2011). com o objetivo de melhorar as condições de vida da população mediante uma transformação produtiva.179): um processo que articula os esforços nas esferas do crescimento econômico. e de muito mais – em favor da politica publica nao so de cultura.30). gerando empoderamento. seja possibilitando formação. ações empreendedoras a partir do aproveitamento das energias endógenas voltadas para os contextos locais (TAUK SANTOS. 25. ou através de iniciativas mais perenes. outrora conhecida como uma área de grande riqueza. sociais e econômicas construídas a partir do ciclo de criação. Para Tauk Santos. apud CULTURA EM NÚMEROS. como de desenvolvimento. distribuição/circulação/difusão e consumo/fruição de bens e serviços oriundos dos setores criativos. quando a iniciativa pública . social. no município. autoestima e desenvolvimento em várias dimensões: cultural. das diferenéas entre valor e preéo. produção. 2015). descobre-se também uma série de transformações capazes de reconfigurar toda uma comunidade.através de órgãos do governo. p. o que relaciona a cultura ao desenvolvimento local. em parceria com o Estado e organizações não-governamentais. produtores culturais. 1998. as possibilidades de empreender projetos mais consolidados se fortalecem. (REIS.se soma às iniciativas dos “pequenos” articuladores locais. intervenéao e regulaéao. p. Essa articulação entre o poder público e os atores sociais aponta para o desenvolvimento sustentável. p.

ruralidade. Como exemplo de iniciativa que aproveita a mão-de-obra local para a articulação com projetos culturais está o Movimento Canavial. que desenvolve articulações na Mata Norte com moradores da própria região. no município.da monocultura açucareira de Pernambuco. entendida como via para o desenvolvimento local. p. buscando divulgar a produção cultural tradicional da região (Maracatu.PROCULT UNIVERSIDADE FEDERAL DO CARIRI – UFCA 71 . Mais especificamente na última década vem se desenvolvendo iniciativas que englobam os atores locais num projeto de desenvolvimento através da produção cultural. hoje. Cavalo Marinho) gerando visibilidade para as manifestações nos espaços onde elas se apresentam e trabalhando a autoestima e geração de renda entre as pessoas que PRÓ-REITORIA DE CULTURA . com potencial para o desenvolvimento local. Atualmente novos empreendimentos econômicos de grande porte começam a se instalar na região. é marcada por grandes desigualdades sociais e patriarcalismo. 13). tranquilidade. sem falar do intenso êxodo empreendido por muitos moradores para as zonas urbanas em busca de melhores condições de sobrevivência. como atesta Tauk Santos (2005. O espaço rural deixa de ser única e exclusivamente um espaço de produção agrária para converter-se em espaço de consumo. Ciranda. identificações.” Se antes tínhamos nas regiões rurais apenas atividades como agricultura e pecuária. Poderíamos afirmar que o espaço rural passa a elaborar novas produções (paisagem. se verifica o surgimento de outras ocupações profissionais capazes de gerar renda e capacitar os moradores locais para outras funções. tendo como matéria-prima o que é tão caro à essa região de Pernambuco. Entretanto. percebeu-se que a Cultura pode ser um caminho de questionamento à situação social da Mata Norte e até um meio de empreendimentos profissionais. música. através de iniciativas culturais com literatura. mas ainda são visíveis as marcas da pobreza e da precariedade em que vive grande parte da população local. Coco. p. PEREIRO. como ponto de partida à participação dos munícipes na construção da nova cidadania.10-11): “as velhas identidades nacionais cedem lugar à organização popular na comunidade. patrimônio cultural e natural) para a sua reprodução socioeconómica (CRISTÓVÃO. raízes. cineclubismo. a partir de esforços de articuladores locais jovens. justamente a sua rica cultura popular com variadas manifestações artísticas que enchem os olhos das pessoas que visitam a região. depois das sucessivas crises que abalaram a atividade canavieira de Pernambuco. 2012.

Itaquitinga. o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) na região é de 0. Macaparana. além da pesca. através dos engenhos. É marcante a grande carência nas condições de vida de sua população (377. a produção e acesso aos bens culturais. Timbaúba. Lagoa do Carro.275 habitantes) e. Chã de Alegria. torna-se importante ter mais clareza acerca da realidade de acessos culturais na Mata Norte e suas características. Ferreiros. Busca-se no evento (geralmente realizado no mês de novembro) estabelecer intercâmbios com grupos artísticos de Pernambuco e de outros estados do Brasil. A Região de Desenvolvimento da Mata Norte compreende 19 municípios em Pernambuco 31 e ocupa uma área total de 3. 2010).participam das ações. Lagoa de Itaenga. cidade de pouco mais de 13 mil habitantes. A formação histórica da Mata Norte deveu-se à produção açucareira instalada na região a partir do século XVI. muito antes de produtores consagrados aportarem à Mata Norte de Pernambuco com um intenso projeto de profissionalizar as práticas culturais . saúde e emprego. prestação de serviços e indústrias (FESTIVAL PERNAMBUCO NAÇÃO CULTURAL. realizar seminários. Buenos Aires.650 (FESTIVAL PERNAMBUCO NAÇÃO CULTURAL. No entanto. inhame. Itambé. comércio varejista. oficinas e discutir as políticas públicas para a Cultura no Brasil (OLIVEIRA. 2010). Nazaré da Mata.9 km² . que com incentivos da iniciativa público e privada . PRÓ-REITORIA DE CULTURA . Glória do Goitá. Zona da Mata Norte de Pernambuco: o cenário.desde 2005 tem o objetivo de consolidar uma cena da cultura popular na Zona da Mata. No Movimento Canavial. Antes disso. Condado. plantas frutíferas. As áreas que mais necessitam de atenção são as de saneamento básico.PROCULT UNIVERSIDADE FEDERAL DO CARIRI – UFCA 72 . conforme veremos adiante. nos vários campos das artes. Paudalho.em Tracunhaém.242. Tracunhaém e Vicência. localizada da Mata Norte do estado – já existia o Tipoia Festival. que reunia os jovens e seu afã por descobertas na área da música e demais expressões artísticas. o projeto carro-chefe é o Festival Canavial. Carpina. o que originou boa parte de suas cidades. Goiana. A Região vem conquistando significativo potencial turístico favorecido pela grande 31 A Mata Norte é constituída pelas cidades de Aliança. o perfil produtivo da região passou por uma diversificação de atividades agrárias como a avicultura. de acordo com dados do Condepe/Fidem. Camutanga. produção de bananas. Com as constantes crises do setor sucroalcooleiro. 2010).

Afora isso. há ainda uma infinidade de personagens. 2010). pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN34. No passado. poesia e associado ao ciclo canavieiro da Zona da Mata. Os anseios da população e a qualidade de vida desta precisam receber uma atenção especial e. resultante de sua formação no período do ciclo açucareiro em Pernambuco (FESTIVAL PERNAMBUCO NAÇÃO CULTURAL. Entre os personagens estão mascarados e bichos. também conhecido como Maracatu de Baque Virado. os orixás. 33 O Cavalo Marinho é apresentado mais comumente durante o ciclo natalino. Cavalo Marinho e coroação dos reis negros. ocorre durante as comemorações do Carnaval e é composto por dança. Ao mesmo tempo. mas também ecoa na região metropolitana de Recife e de João Pessoa (PB). a cultura precisa ser enxergada como algo maior que apenas a “cereja do bolo”. Bumba-meu-boi. pelo patrimônio constituído pelos antigos engenhos. No cortejo estão presentes personagens como o rei e da rainha. em geral. Seus brincadores são. neste trabalho. igrejas e casarios. capelas. numa mistura entre teatro. trabalhadores da Zona da Mata. como Cambindas. O Maracatu Nação. como o boi e o cavalo (que dá nome à brincadeira). 2014). que sai às ruas para desfiles e apresentações durante o carnaval. nesse sentido. duas importantes manifestações artísticas da Cultura Popular. No final de 2014.quantidade e diversidade de atrativos naturais. polo farmacoquímico e com os empreendimentos imobiliários que serão gerados a partir dessas novas iniciativas econômicas na região. consideradas ícone do fundamento religioso e marco identitário dos maracatus nação (IPHAN. entre outras localidades. de hemoderivados. Mais recentemente. as baianas. apresenta um conjunto musical percussivo e um cortejo real. Entre os personagens estão os caboclos e arreiamás. É um resultado da fusão de manifestações populares. era realizado nos engenhos de cana-de-açúcar e seu conhecimento é transmitido de forma oral. um Cavalo Marinho completo pode chegar a ter mais de setenta personagens. PRÓ-REITORIA DE CULTURA . 2014). também tem apresentações na Região Metropolitana do Recife e outras localidades. 34 O Maracatu Nação também foi reconhecido como Patrimônio Imaterial do Brasil. O temor é que se leve em conta apenas a questão econômica. e não as várias dimensões que precisam ser consideradas para se instalar plenamente o desenvolvimento local sustentável. a região da Mata Norte pernambucana começa a se consolidar como um dos polos de desenvolvimento econômico de Pernambuco em razão do aporte gerado principalmente com a instalação de empresas do setor de automóveis. música. pelo patrimônio cultural composto pelas manifestações culturais e. mas demos. Os mais antigos maracatus foram fundados em engenhos por trabalhadores rurais. trabalhadores do canavial. cortadores de cana-de-açúcar. o Maracatu de Baque Solto32 (ou rural) e o Cavalo Marinho33 foram reconhecidas como Patrimônio Imaterial do Brasil. 2014). maracatu de trombone. entre fins do século XIX e início do XX. tem a maioria dos grupos concentrados nas periferias da Região Metropolitana de Recife.PROCULT UNIVERSIDADE FEDERAL DO CARIRI – UFCA 73 . música e dança. (IPHAN. (IPHAN. ênfase às expressões que são encontradas mais comumente na Mata Norte de Pernambuco. não dá para ignorar as inseguranças que esse “desenvolvimento” gerado pelas novas indústrias que se instalam na região poderá trazer. as calungas – bonecas negras confeccionadas com madeira ou pano. 32 Também é conhecido como maracatu de orquestra. o que serve para consolidar a força e a representatividade dessas expressões. as baianas e os mestres.

a região se destaca pelo grande número de engenhos de cana de açúcar (atualmente alguns vêm se dedicando ao turismo cultural-rural) e pelas manifestações artísticas da cultura popular (Maracatus. Não é difícil encontrar os artesãos trabalhando nas calçadas. como o cenário que sedia o Tipoia Festival. Entre as linguagens artísticas que possibilitam o questionamento de realidades está a música. em contato com movimentos mais urbanos de várias linguagens (música.PROCULT UNIVERSIDADE FEDERAL DO CARIRI – UFCA 74 . que estimula o pensar acerca da realidade. transgressora. cada vez mais conhecidas em vários lugares do Brasil e até internacionalmente. participando de maneira mais ativa de editais de fomento cultural. e na cidade há várias olarias e ateliers onde são comercializadas as peças. da audição de discos. Foi através da música. já começa a se empoderar de práticas que possibilitem o desenvolver artístico. vendida nas feiras dos municípios vizinhos. para grandes nomes da música brasileira como PRÓ-REITORIA DE CULTURA . tem como forte marca cultural o seu reconhecido artesanato em barro. e uma das que compõe a Mata Norte de Pernambuco. palco. audiovisual) e. Tracunhaém (cidade que sedia o Tipoia Festival). Coco de roda) (FESTIVAL PERNAMBUCO NAÇÃO CULTURAL. visionária.Culturalmente. o Tipoia Festival. que empodera. Mais recentemente. A cidade se formou e cresceu a partir do trabalho em cerâmica. mas outras expressões artísticas são possíveis de se desenvolver. Para além disso. Tipoia Festival: o desenvolvimento de uma cadeia produtiva na cultura O Tipoia surgiu em 1999. a cidade vem sendo reconhecida por aqueles profissionais e amantes da cultura local. um evento que congrega talentos e população locais para refletir sobre o mundo a partir de várias expressões artísticas. da cidade de Tracunhaém. inicialmente utilitária. que jovens da cidade de Tracunhaém começaram a sentir a necessidade de livre expressão e. principalmente a partir da juventude local que. Boa parte da população urbana de Tracunhaém dedica-se ao artesanato. na década de 1970. na última década. Caboclinhos. 2010). literatura. também vêm ganhando destaque as peças decorativas em barro. daí surgiu o que hoje é consolidado como um dos principais festivais culturais da Mata Norte de Pernambuco. mas também em diálogo com a iniciativa privada. patrocinados pela iniciativa pública. como protesto pela derrubada do Cineteatro Castro Alves.

o Tipoia [. que. juntando vários públicos e até contribuindo para quebrar preconceitos que se imagina que “shows de rock” ainda possam enfrentar. Com o passar dos anos e o aumento do público. Transformações que ultrapassaram os limites do município e possibilitaram olhar a cena cultural. portanto. tem dificuldades para formar repertórios. o evento foi realizado na sede do Independente Futebol Clube. sempre encontraram no Tipoia uma oportunidade para mostrar seus trabalhos.] representa um espaço para a música que não toca no rádio. muitas foram as transformações que o evento favoreceu na pequena cidade de Tracunhaém. com pouco acesso. Um dos grandes destaques do Tipoia é justamente a sua democrática programação cultural. para mostrar a cena efervescente da Mata Norte em três dias de shows. Para Sidclei. ouviam seus vinis e discutiam políticas socioculturais para a cidade interiorana. Com a resistência do Tipoia. o preconceito vem sendo quebrado. Elba Ramalho e Geraldo Azevedo. Na ocasião. o Tipoia foi para as ruas. Os organizadores eram os jovens da turma concluinte do Ensino Médio do Colégio Estadual Agamenon Magalhães. Coordenador Geral do Festival. Os depoimentos abaixo foram concedidos por personagens diversos que acompanham de perto o festival e conseguem exprimir as mudanças detectadas. interior de Pernambuco. o mundo do trabalho e a própria região de forma diferente. em 2002.PROCULT UNIVERSIDADE FEDERAL DO CARIRI – UFCA 75 . o aporte de turistas na pequena cidade durante os dias do festival contribui para desenvolver a economia local: PRÓ-REITORIA DE CULTURA . depoimento concedido à autora. o Tipoia apresentou. em Tracunhaém. mesmo nos momentos de adversidades.Fagner. sobretudo numa cidade cuja população pouco acesso tem a eventos culturais e. No que se refere à geração de renda. a sede do Independente Futebol Clube ficou pequena para abrigar tanta gente e. pela primeira vez. o que serviu para estimular a produção musical local. shows com bandas da região. o Festival vem mostrando cada vez mais garra e muitos músicos.. O Festival representa esse acesso cultural que ganha o apoio das pessoas abertas para ao novo e ávidas por cultura e diversão. (Sidclei Marcelino.. Em 2000. que reúne pessoas de Tracunhaém e cidades vizinhas. tornando-se um dos eventos de cultura mais conhecidos e estabelecidos na Mata Norte. no Independente Futebol Clube. 2013) Personagens e perspectivas de desenvolvimento local Ao longo dos dezesseis anos de Tipoia Festival.

fiteiro. eu nessa idade que tenho.. vêm cantores de fora. sem nada. É um momento de interação entre as pessoas. pastel (risos). (Zezinho de Tracunhaém. depoimento concedido à autora.Tipoia aqui vira Carnaval.. nos envolvemos mesmo com a festa. depoimento concedido à autora. pessoas de diversos lugares com hábitos e práticas culturais semelhantes e distintas. Hoje o Tipoia é uma festa tão grande feito a festa de Santo Antonio aqui na cidade.PROCULT UNIVERSIDADE FEDERAL DO CARIRI – UFCA 76 . Ele [o Sidclei. 24 anos. depoimento concedido à autora. PRÓ-REITORIA DE CULTURA . não apenas pelo rico artesanato em barro. com a atração a Tracunhaém de pessoas de fora. que dividem espaço para experienciar arte. quando a cidade de Tracunhaém recebe. favorecendo a quebra de preconceitos e o estímulo ao capital social: O Tipoia só faz o bem. 45 anos. durante alguns dias. setembro de 2013)..O povo que é de fora costuma vir logo cedo. artesão Patrimônio Vivo de Pernambuco.. setembro de 2013). coxinha. é uma festa que movimenta muita gente. nota 10 para ele. procuram se informar mais. artesão. mas a gente ficou impressionado. (Jair Correia de Oliveira. O evento serve para divulgar Tracunhaém e faz muita gente se animar. A gente achava que as pessoas ‘diferentes’ que vinham para a cidade iam aprontar confusão. coordenador geral do Tipoia] é um menino que destacou o evento muito bem.. Outro importante incentivo é ao turismo. tem bandas. mas também pelas demais expressões artísticas diversas e congregadas no evento. é muita gente comprando peça de barro aqui. (Jair Correia de Oliveira. Quando tem o Tipoia é bom pra gente que vende lanches. Os três dias de show valem muito. setembro de 2013). é cachorro-quente. o pessoal vem pra brincar mesmo. setembro de 2013).Eu mesmo gosto muito da mostra de filmes. as pessoas tratam todos muito bem. artesãos mais novos. Mas o evento não pode ser entendido apenas como festa “pra turista ver”. artesão. 23 anos. já para conhecer a cultura de Tracunhaém. Eles param no comércio. é uma coisa diferente que o Tipoia traz para a gente. estou tendo acesso a essas coisas agora. pelo contrário. levamos a nossa família. produtor cultural e poeta. Para a população o Tipoia é uma vitrine e uma experiência de interações estéticas e de práticas culturais. sem confusão.. (Alexandre da Silva Santos. né? Quem vem de fora se embeleza com as coisas bonitas daqui. a população local também se identifica com o festival e passa a ter facilitado o acesso a bens culturais: Nós. 78 anos. depoimento concedido à autora. (Philippe Wolney. (Josinaldo Lucas dos Santos. padeiro. setembro de 2013). depoimento concedido à autora. o povo vem para aqui e sai de madrugada de tanto comer. 45 anos. depoimento dado à autora em setembro de 2015). É bom para o comércio e para o desenvolvimento.

capital humano: [trabalhar no Tipoia] foi uma experiência única. PRÓ-REITORIA DE CULTURA . empreendimentos que conseguem ressignificar o meio rural. uma referência para outros festivais de música e cultura na Mata Norte do estado. Conclusões O entendimento de novas ruralidades contemporâneas nos esclarece para diversas possibilidades no meio rural. Foi possível vivenciar na prática o corre-corre dos bastidores. fomentando a cultura da Mata Norte. artistas.Para quem trabalha com produção cultural. técnica. logística. o papel que a cultura tem como geradora de emprego e renda no meio rural. o que contribui para aumentar o empoderamento. O Tipoia Festival estimula a formação de uma cadeia produtiva em cultura. Para os profissionais o evento contribuiu muito para se experimentar como organizar um evento envolvendo profissionais iniciantes em produção. surgem ideias. valorização dos talentos locais. autoestima. depoimento dado à autora em setembro de 2015). e para muito dos grupos e bandas. vem ganhando importância e repercussão. estimulando a renovação musical e o contato com grandes nomes da nossa cultura. cada vez maior. (Hevelyne Figueiredo. depoimento dado à autora em setembro de 2015). como agricultura. resistindo. pecuária. Ao mesmo tempo. o evento proporciona se especializar na prática profissional. produtor cultural e poeta. reunindo estudantes. iluminação etc. fruto também da globalização que permite aos atores locais uma gama maior de conexões e relações. contribuiu muito para a minha formação na área de produção. principalmente no que diz respeito à produção executiva. que presenciam o desenvolvimento do turismo e valorização da cultura de Tracunhaém. como ocorre com o Tipoia Festival. diferentes de atividades ditas “mais tradicionais”.PROCULT UNIVERSIDADE FEDERAL DO CARIRI – UFCA 77 . aprender como resolver várias problemáticas que práxis a produção de evento do porte do Tipoia. produtores culturais. que proporciona acesso cultural às pessoas de Tracunhaém. O evento contribui para quebrar preconceitos. Diante desse cenário. na Mata Norte de Pernambuco. produtora cultural. servindo como vitrine e estímulo à cena local (Philippe Wolney. o Tipoia é o primeiro palco importante onde eles tocam. através do Festival. através de iniciativas que envolvem os atores das comunidades em empreendimentos diversos. facilitando trocas. geração de renda para os pequenos comerciantes locais e a autoestima dos moradores.

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