TIPOIA FESTIVAL: ECONOMIA DA CULTURA, DESENVOLVIMENTO LOCAL E

NOVAS FORMAS DE PENSAR O RURAL.29
Ivanice Oliveira de Lima30
RESUMO:
O artigo é um estudo de caso sobre o Tipoia Festival, evento realizado há dezesseis anos na Zona da
Mata Norte de Pernambuco, e que oportuniza refletir sobre a produção cultural através de
apresentações de música, exposições, oficinas e debates. Busca-se analisar como o nascimento de
uma cadeia produtiva em cultura, com novos postos de trabalho, pode contribuir para o
desenvolvimento local, envolvendo os atores do município de Tracunhaém-PE e adjacências.
PALAVRAS-CHAVE: Tipoia Festival, Economia da cultura, Desenvolvimento Local.
Cultura, Desenvolvimento local e novas ruralidades.
Para Raymond Willians, cultura representa um modo de vida, e as artes são partes de uma
organização social claramente afetada por mudanças econômicas (WILLIANS, 1958). A definição
de Willians nos orienta para a importância de compreender que a cultura ultrapassa os espaços do
entretenimento, lazer, para penetrar no campo das discussões econômicas e sociais; isso porque vem
se descobrindo que, para além do mundo da “descontração”, os produtos culturais carregam consigo
significações simbólicas essenciais para a ideia de formação educacional, social e até econômica.
Sim, econômica. De acordo com Pesquisas da Organização Internacional do Trabalho (OIT), bens e
serviços culturais participam com 7% no PIB mundial, com crescimento anual previsto em torno de
10% a 20%. No Brasil, os setores criativos vêm crescendo cerca de 6,13%, aumento médio superior
ao do PIB nacional (cerca de 4,3%) nos últimos anos (PORTAL BRASIL, 2013). Isso é somente
uma das comprovações que servem para refutar o entendimento que alguns indivíduos ainda nutrem
de que Cultura é algo sem importância, é passatempo e não deve passar de hobby. Economia
29 Trabalho apresentado ao Grupo de Trabalho 3: Cultura e Desenvolvimento, do III Encontro Brasileiro de Pesquisa
em Cultura. Crato-CE, de 8 a 10 de outubro de 2015.
30 Mestre em Extensão Rural e Desenvolvimento Local (UFRPE). Graduada em Comunicação Social/ Rádio e TV
(UFPE). Professora da Faculdade Joaquim Nabuco. nicelima.com@gmail.com
PRÓ-REITORIA DE CULTURA - PROCULT
UNIVERSIDADE FEDERAL DO CARIRI – UFCA
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Essa articulação entre o poder público e os atores sociais aponta para o desenvolvimento sustentável. como de desenvolvimento. desenvolvimento local referese a um: esforço de mobilização de grupos na comunidade. Para Tauk Santos. por exemplo . ações empreendedoras a partir do aproveitamento das energias endógenas voltadas para os contextos locais (TAUK SANTOS. social. distribuição/circulação/difusão e consumo/fruição de bens e serviços oriundos dos setores criativos. subsidios. descobre-se também uma série de transformações capazes de reconfigurar toda uma comunidade. ou através de iniciativas mais perenes. das diferenéas entre valor e preéo. (REIS. como políticas públicas. a fim de promover. intervenéao e regulaéao. no município. Para Ana Carla Fonseca Reis (2009). 2011). fomento. 25. distribuiéao e demanda. A Zona da Mata de Pernambuco. p. produéao. p. das relaéoes entre criaéao. fruto PRÓ-REITORIA DE CULTURA . produtores culturais. seja possibilitando formação. com o objetivo de melhorar as condições de vida da população mediante uma transformação produtiva. outrora conhecida como uma área de grande riqueza. Quando se descobre o potencial de um determinado grupo no fazer criativo. 2009a. sem arriscar a satisfação das necessidades fundamentais das gerações futuras. Nesse sentido. econômica. e de muito mais – em favor da politica publica nao so de cultura. gerando empoderamento.através de órgãos do governo. 2015). sociais e econômicas construídas a partir do ciclo de criação. o uso racional dos recursos naturais e a governabilidade. a equidade social.PROCULT UNIVERSIDADE FEDERAL DO CARIRI – UFCA 70 . caracterizados pela prevalência de sua dimensão simbólica (BRASIL. 1998. do reconhecimento do capital humano. quando a iniciativa pública . em parceria com o Estado e organizações não-governamentais.1) citado por Tomás José Jane (2004. as possibilidades de empreender projetos mais consolidados se fortalecem. p. a Economia da Cultura oferece […] todo o aprendizado e o instrumental da logica e das relaéoes economicas – da visao de fluxos e trocas.Criativa refere-se ao: conjunto de dinâmicas culturais. apud CULTURA EM NÚMEROS. p. dos mecanismos mais variados de incentivos.30). o que relaciona a cultura ao desenvolvimento local.se soma às iniciativas dos “pequenos” articuladores locais. conforme indica Bordenave (2008. autoestima e desenvolvimento em várias dimensões: cultural.179): um processo que articula os esforços nas esferas do crescimento econômico. produção.

como atesta Tauk Santos (2005. percebeu-se que a Cultura pode ser um caminho de questionamento à situação social da Mata Norte e até um meio de empreendimentos profissionais. Atualmente novos empreendimentos econômicos de grande porte começam a se instalar na região. 2012. patrimônio cultural e natural) para a sua reprodução socioeconómica (CRISTÓVÃO. justamente a sua rica cultura popular com variadas manifestações artísticas que enchem os olhos das pessoas que visitam a região. através de iniciativas culturais com literatura. se verifica o surgimento de outras ocupações profissionais capazes de gerar renda e capacitar os moradores locais para outras funções. no município. hoje. ruralidade. entendida como via para o desenvolvimento local.PROCULT UNIVERSIDADE FEDERAL DO CARIRI – UFCA 71 . a partir de esforços de articuladores locais jovens. 13). raízes. Entretanto. Cavalo Marinho) gerando visibilidade para as manifestações nos espaços onde elas se apresentam e trabalhando a autoestima e geração de renda entre as pessoas que PRÓ-REITORIA DE CULTURA . cineclubismo. é marcada por grandes desigualdades sociais e patriarcalismo. p. música.10-11): “as velhas identidades nacionais cedem lugar à organização popular na comunidade. p. que desenvolve articulações na Mata Norte com moradores da própria região. buscando divulgar a produção cultural tradicional da região (Maracatu. identificações. com potencial para o desenvolvimento local. Como exemplo de iniciativa que aproveita a mão-de-obra local para a articulação com projetos culturais está o Movimento Canavial. PEREIRO. tranquilidade. Coco. sem falar do intenso êxodo empreendido por muitos moradores para as zonas urbanas em busca de melhores condições de sobrevivência. mas ainda são visíveis as marcas da pobreza e da precariedade em que vive grande parte da população local. O espaço rural deixa de ser única e exclusivamente um espaço de produção agrária para converter-se em espaço de consumo. como ponto de partida à participação dos munícipes na construção da nova cidadania. Mais especificamente na última década vem se desenvolvendo iniciativas que englobam os atores locais num projeto de desenvolvimento através da produção cultural. depois das sucessivas crises que abalaram a atividade canavieira de Pernambuco. Poderíamos afirmar que o espaço rural passa a elaborar novas produções (paisagem.” Se antes tínhamos nas regiões rurais apenas atividades como agricultura e pecuária. tendo como matéria-prima o que é tão caro à essa região de Pernambuco.da monocultura açucareira de Pernambuco. Ciranda.

A Região vem conquistando significativo potencial turístico favorecido pela grande 31 A Mata Norte é constituída pelas cidades de Aliança. realizar seminários. Macaparana. Lagoa de Itaenga. Com as constantes crises do setor sucroalcooleiro. Busca-se no evento (geralmente realizado no mês de novembro) estabelecer intercâmbios com grupos artísticos de Pernambuco e de outros estados do Brasil. o projeto carro-chefe é o Festival Canavial. produção de bananas.650 (FESTIVAL PERNAMBUCO NAÇÃO CULTURAL.em Tracunhaém.PROCULT UNIVERSIDADE FEDERAL DO CARIRI – UFCA 72 . localizada da Mata Norte do estado – já existia o Tipoia Festival. 2010). Chã de Alegria. Paudalho. Ferreiros.desde 2005 tem o objetivo de consolidar uma cena da cultura popular na Zona da Mata. É marcante a grande carência nas condições de vida de sua população (377. 2010). o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) na região é de 0. Timbaúba. No Movimento Canavial. torna-se importante ter mais clareza acerca da realidade de acessos culturais na Mata Norte e suas características. PRÓ-REITORIA DE CULTURA . A Região de Desenvolvimento da Mata Norte compreende 19 municípios em Pernambuco 31 e ocupa uma área total de 3. que com incentivos da iniciativa público e privada . Glória do Goitá. Itaquitinga. Carpina. além da pesca. prestação de serviços e indústrias (FESTIVAL PERNAMBUCO NAÇÃO CULTURAL. oficinas e discutir as políticas públicas para a Cultura no Brasil (OLIVEIRA. saúde e emprego. inhame. o perfil produtivo da região passou por uma diversificação de atividades agrárias como a avicultura.participam das ações. conforme veremos adiante. Nazaré da Mata. comércio varejista. Lagoa do Carro. Itambé. Zona da Mata Norte de Pernambuco: o cenário. Antes disso. através dos engenhos. As áreas que mais necessitam de atenção são as de saneamento básico. muito antes de produtores consagrados aportarem à Mata Norte de Pernambuco com um intenso projeto de profissionalizar as práticas culturais . cidade de pouco mais de 13 mil habitantes.275 habitantes) e. A formação histórica da Mata Norte deveu-se à produção açucareira instalada na região a partir do século XVI. Goiana. Tracunhaém e Vicência. Buenos Aires. plantas frutíferas. o que originou boa parte de suas cidades. a produção e acesso aos bens culturais. No entanto.9 km² . 2010). Condado. nos vários campos das artes. de acordo com dados do Condepe/Fidem.242. Camutanga. que reunia os jovens e seu afã por descobertas na área da música e demais expressões artísticas.

Afora isso. Entre os personagens estão mascarados e bichos. tem a maioria dos grupos concentrados nas periferias da Região Metropolitana de Recife. duas importantes manifestações artísticas da Cultura Popular. No final de 2014.PROCULT UNIVERSIDADE FEDERAL DO CARIRI – UFCA 73 . neste trabalho. pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN34. 2014). No cortejo estão presentes personagens como o rei e da rainha. nesse sentido. polo farmacoquímico e com os empreendimentos imobiliários que serão gerados a partir dessas novas iniciativas econômicas na região. maracatu de trombone. há ainda uma infinidade de personagens. como Cambindas. as baianas. o Maracatu de Baque Solto32 (ou rural) e o Cavalo Marinho33 foram reconhecidas como Patrimônio Imaterial do Brasil. pelo patrimônio constituído pelos antigos engenhos. também conhecido como Maracatu de Baque Virado. igrejas e casarios. numa mistura entre teatro. consideradas ícone do fundamento religioso e marco identitário dos maracatus nação (IPHAN. O temor é que se leve em conta apenas a questão econômica. (IPHAN. apresenta um conjunto musical percussivo e um cortejo real. os orixás. a cultura precisa ser enxergada como algo maior que apenas a “cereja do bolo”. era realizado nos engenhos de cana-de-açúcar e seu conhecimento é transmitido de forma oral. entre outras localidades. resultante de sua formação no período do ciclo açucareiro em Pernambuco (FESTIVAL PERNAMBUCO NAÇÃO CULTURAL. 34 O Maracatu Nação também foi reconhecido como Patrimônio Imaterial do Brasil. mas também ecoa na região metropolitana de Recife e de João Pessoa (PB). ocorre durante as comemorações do Carnaval e é composto por dança. 2014). trabalhadores do canavial. música. o que serve para consolidar a força e a representatividade dessas expressões. entre fins do século XIX e início do XX. capelas. as calungas – bonecas negras confeccionadas com madeira ou pano. em geral. que sai às ruas para desfiles e apresentações durante o carnaval. um Cavalo Marinho completo pode chegar a ter mais de setenta personagens. as baianas e os mestres. Entre os personagens estão os caboclos e arreiamás. cortadores de cana-de-açúcar. trabalhadores da Zona da Mata. Os mais antigos maracatus foram fundados em engenhos por trabalhadores rurais. ênfase às expressões que são encontradas mais comumente na Mata Norte de Pernambuco. música e dança. não dá para ignorar as inseguranças que esse “desenvolvimento” gerado pelas novas indústrias que se instalam na região poderá trazer. também tem apresentações na Região Metropolitana do Recife e outras localidades. 2010).quantidade e diversidade de atrativos naturais. Bumba-meu-boi. Seus brincadores são. pelo patrimônio cultural composto pelas manifestações culturais e. (IPHAN. Cavalo Marinho e coroação dos reis negros. a região da Mata Norte pernambucana começa a se consolidar como um dos polos de desenvolvimento econômico de Pernambuco em razão do aporte gerado principalmente com a instalação de empresas do setor de automóveis. 33 O Cavalo Marinho é apresentado mais comumente durante o ciclo natalino. 32 Também é conhecido como maracatu de orquestra. Os anseios da população e a qualidade de vida desta precisam receber uma atenção especial e. como o boi e o cavalo (que dá nome à brincadeira). e não as várias dimensões que precisam ser consideradas para se instalar plenamente o desenvolvimento local sustentável. Mais recentemente. 2014). É um resultado da fusão de manifestações populares. No passado. PRÓ-REITORIA DE CULTURA . de hemoderivados. mas demos. O Maracatu Nação. Ao mesmo tempo. poesia e associado ao ciclo canavieiro da Zona da Mata.

a cidade vem sendo reconhecida por aqueles profissionais e amantes da cultura local. e na cidade há várias olarias e ateliers onde são comercializadas as peças. como protesto pela derrubada do Cineteatro Castro Alves. inicialmente utilitária. na década de 1970. mas também em diálogo com a iniciativa privada. audiovisual) e. Entre as linguagens artísticas que possibilitam o questionamento de realidades está a música. mas outras expressões artísticas são possíveis de se desenvolver. também vêm ganhando destaque as peças decorativas em barro. que jovens da cidade de Tracunhaém começaram a sentir a necessidade de livre expressão e. da audição de discos. Foi através da música. a região se destaca pelo grande número de engenhos de cana de açúcar (atualmente alguns vêm se dedicando ao turismo cultural-rural) e pelas manifestações artísticas da cultura popular (Maracatus. tem como forte marca cultural o seu reconhecido artesanato em barro. vendida nas feiras dos municípios vizinhos. Coco de roda) (FESTIVAL PERNAMBUCO NAÇÃO CULTURAL. na última década. visionária. cada vez mais conhecidas em vários lugares do Brasil e até internacionalmente. que empodera. 2010). e uma das que compõe a Mata Norte de Pernambuco. que estimula o pensar acerca da realidade. literatura. da cidade de Tracunhaém.Culturalmente. patrocinados pela iniciativa pública. para grandes nomes da música brasileira como PRÓ-REITORIA DE CULTURA . palco. Tracunhaém (cidade que sedia o Tipoia Festival). A cidade se formou e cresceu a partir do trabalho em cerâmica. principalmente a partir da juventude local que. daí surgiu o que hoje é consolidado como um dos principais festivais culturais da Mata Norte de Pernambuco. o Tipoia Festival. Não é difícil encontrar os artesãos trabalhando nas calçadas. em contato com movimentos mais urbanos de várias linguagens (música.PROCULT UNIVERSIDADE FEDERAL DO CARIRI – UFCA 74 . participando de maneira mais ativa de editais de fomento cultural. como o cenário que sedia o Tipoia Festival. já começa a se empoderar de práticas que possibilitem o desenvolver artístico. Para além disso. Mais recentemente. Boa parte da população urbana de Tracunhaém dedica-se ao artesanato. Caboclinhos. Tipoia Festival: o desenvolvimento de uma cadeia produtiva na cultura O Tipoia surgiu em 1999. um evento que congrega talentos e população locais para refletir sobre o mundo a partir de várias expressões artísticas. transgressora.

O Festival representa esse acesso cultural que ganha o apoio das pessoas abertas para ao novo e ávidas por cultura e diversão. Na ocasião. o evento foi realizado na sede do Independente Futebol Clube. o Tipoia [. No que se refere à geração de renda. mesmo nos momentos de adversidades.. a sede do Independente Futebol Clube ficou pequena para abrigar tanta gente e. no Independente Futebol Clube. sobretudo numa cidade cuja população pouco acesso tem a eventos culturais e. (Sidclei Marcelino. o Festival vem mostrando cada vez mais garra e muitos músicos. o Tipoia foi para as ruas. o mundo do trabalho e a própria região de forma diferente. para mostrar a cena efervescente da Mata Norte em três dias de shows. o aporte de turistas na pequena cidade durante os dias do festival contribui para desenvolver a economia local: PRÓ-REITORIA DE CULTURA . tem dificuldades para formar repertórios. Os organizadores eram os jovens da turma concluinte do Ensino Médio do Colégio Estadual Agamenon Magalhães. muitas foram as transformações que o evento favoreceu na pequena cidade de Tracunhaém. interior de Pernambuco. portanto. em 2002. Com a resistência do Tipoia. Elba Ramalho e Geraldo Azevedo. Coordenador Geral do Festival. sempre encontraram no Tipoia uma oportunidade para mostrar seus trabalhos. Transformações que ultrapassaram os limites do município e possibilitaram olhar a cena cultural. juntando vários públicos e até contribuindo para quebrar preconceitos que se imagina que “shows de rock” ainda possam enfrentar. Em 2000. Com o passar dos anos e o aumento do público.PROCULT UNIVERSIDADE FEDERAL DO CARIRI – UFCA 75 . 2013) Personagens e perspectivas de desenvolvimento local Ao longo dos dezesseis anos de Tipoia Festival. shows com bandas da região. depoimento concedido à autora. com pouco acesso. o que serviu para estimular a produção musical local.] representa um espaço para a música que não toca no rádio. que reúne pessoas de Tracunhaém e cidades vizinhas. Para Sidclei. em Tracunhaém. Um dos grandes destaques do Tipoia é justamente a sua democrática programação cultural. tornando-se um dos eventos de cultura mais conhecidos e estabelecidos na Mata Norte. que. o preconceito vem sendo quebrado. ouviam seus vinis e discutiam políticas socioculturais para a cidade interiorana. o Tipoia apresentou.Fagner. pela primeira vez. Os depoimentos abaixo foram concedidos por personagens diversos que acompanham de perto o festival e conseguem exprimir as mudanças detectadas..

PROCULT UNIVERSIDADE FEDERAL DO CARIRI – UFCA 76 . é muita gente comprando peça de barro aqui. setembro de 2013). que dividem espaço para experienciar arte. Mas o evento não pode ser entendido apenas como festa “pra turista ver”. estou tendo acesso a essas coisas agora. pastel (risos). (Josinaldo Lucas dos Santos. artesão. setembro de 2013). Outro importante incentivo é ao turismo. É um momento de interação entre as pessoas. Quando tem o Tipoia é bom pra gente que vende lanches. coxinha. é uma festa que movimenta muita gente. coordenador geral do Tipoia] é um menino que destacou o evento muito bem. É bom para o comércio e para o desenvolvimento. a população local também se identifica com o festival e passa a ter facilitado o acesso a bens culturais: Nós.. nos envolvemos mesmo com a festa. 24 anos. favorecendo a quebra de preconceitos e o estímulo ao capital social: O Tipoia só faz o bem. Os três dias de show valem muito. artesãos mais novos. levamos a nossa família. mas a gente ficou impressionado. é uma coisa diferente que o Tipoia traz para a gente.. já para conhecer a cultura de Tracunhaém. (Alexandre da Silva Santos. mas também pelas demais expressões artísticas diversas e congregadas no evento. setembro de 2013). 45 anos. depoimento concedido à autora. com a atração a Tracunhaém de pessoas de fora.. 23 anos.O povo que é de fora costuma vir logo cedo. depoimento dado à autora em setembro de 2015). procuram se informar mais. (Jair Correia de Oliveira. sem nada. vêm cantores de fora. né? Quem vem de fora se embeleza com as coisas bonitas daqui.Eu mesmo gosto muito da mostra de filmes. sem confusão. depoimento concedido à autora. A gente achava que as pessoas ‘diferentes’ que vinham para a cidade iam aprontar confusão. Eles param no comércio. depoimento concedido à autora. (Jair Correia de Oliveira. produtor cultural e poeta. o povo vem para aqui e sai de madrugada de tanto comer... as pessoas tratam todos muito bem. quando a cidade de Tracunhaém recebe. padeiro. Ele [o Sidclei. artesão. o pessoal vem pra brincar mesmo. fiteiro. artesão Patrimônio Vivo de Pernambuco. setembro de 2013). 45 anos. não apenas pelo rico artesanato em barro. (Philippe Wolney. Hoje o Tipoia é uma festa tão grande feito a festa de Santo Antonio aqui na cidade. depoimento concedido à autora. nota 10 para ele. durante alguns dias.Tipoia aqui vira Carnaval. Para a população o Tipoia é uma vitrine e uma experiência de interações estéticas e de práticas culturais. eu nessa idade que tenho. é cachorro-quente. (Zezinho de Tracunhaém. setembro de 2013). pelo contrário. pessoas de diversos lugares com hábitos e práticas culturais semelhantes e distintas. PRÓ-REITORIA DE CULTURA . 78 anos.. depoimento concedido à autora. O evento serve para divulgar Tracunhaém e faz muita gente se animar. tem bandas.

pecuária. que proporciona acesso cultural às pessoas de Tracunhaém. produtora cultural. empreendimentos que conseguem ressignificar o meio rural. resistindo. o papel que a cultura tem como geradora de emprego e renda no meio rural. como agricultura. fruto também da globalização que permite aos atores locais uma gama maior de conexões e relações. Ao mesmo tempo. O Tipoia Festival estimula a formação de uma cadeia produtiva em cultura. logística. principalmente no que diz respeito à produção executiva. Foi possível vivenciar na prática o corre-corre dos bastidores. geração de renda para os pequenos comerciantes locais e a autoestima dos moradores. cada vez maior. depoimento dado à autora em setembro de 2015). através do Festival. o que contribui para aumentar o empoderamento. e para muito dos grupos e bandas.PROCULT UNIVERSIDADE FEDERAL DO CARIRI – UFCA 77 . diferentes de atividades ditas “mais tradicionais”. autoestima. o evento proporciona se especializar na prática profissional. estimulando a renovação musical e o contato com grandes nomes da nossa cultura. (Hevelyne Figueiredo. vem ganhando importância e repercussão. o Tipoia é o primeiro palco importante onde eles tocam. valorização dos talentos locais. O evento contribui para quebrar preconceitos. Para os profissionais o evento contribuiu muito para se experimentar como organizar um evento envolvendo profissionais iniciantes em produção. surgem ideias. iluminação etc. Diante desse cenário. PRÓ-REITORIA DE CULTURA . Conclusões O entendimento de novas ruralidades contemporâneas nos esclarece para diversas possibilidades no meio rural. fomentando a cultura da Mata Norte. que presenciam o desenvolvimento do turismo e valorização da cultura de Tracunhaém. produtores culturais. como ocorre com o Tipoia Festival. aprender como resolver várias problemáticas que práxis a produção de evento do porte do Tipoia.Para quem trabalha com produção cultural. artistas. na Mata Norte de Pernambuco. servindo como vitrine e estímulo à cena local (Philippe Wolney. uma referência para outros festivais de música e cultura na Mata Norte do estado. técnica. contribuiu muito para a minha formação na área de produção. facilitando trocas. produtor cultural e poeta. depoimento dado à autora em setembro de 2015). reunindo estudantes. através de iniciativas que envolvem os atores das comunidades em empreendimentos diversos. capital humano: [trabalhar no Tipoia] foi uma experiência única.

11. Recife: Bagaço. PRÓ-REITORIA DE CULTURA . – Recife: FUNDARPE. PE). Comunicação e Educação.br/cultura/2013/02/economia-criativa-cresce-mais-que-o-pib-no-brasil>.1958. 2005.).p. Olinda: Associação Reviva. jan/abril 1998.do? id=18733&sigla=Noticia&retorno=detalheNoticia Acesso em: 15 jan. Extensão Rural e Desenvolvimento Sustentável.CEVASCO. Maracatu Nação. 134 f. gênero e capital social: a experiência da Alternativa FM. Economia criativa cresce mais que o PIB no Brasil. n. 2015. 2013 Disponível em: <http://www.:il. Atas do VIII Citurdes. In: PINHO.Trad.brasil. Maracatu Baque Solto e Cavalo Marinho são os novos Patrimônios Imateriais. Anuário internacional de comunicação lusófona 2004. Ministério da Cultura do. 2010. Método Canavial: introdução à produção cultural.29-30. O papel das rádios comunitárias na educação e mobilização das populações para os programas de desenvolvimento local em Moçambique. Xerardo. JANE. WILLIAMS. Maria E. emissora da Associação das Mulheres de Nazaré da Mata – Amunam / Ivanice Oliveira de Lima. PORTAL BRASIL. 2010. 103 p. TAUK SANTOS. Estratégias de comunicação para o desenvolvimento local e os desafios da sustentabilidade. Turismo Rural em tempos de Novas Ruralidades. 25‐27 DE JUNHO DE 2012. Raymond. Artur. Dep.gov.br/portal/montarDetalheConteudo. -. PEREIRO. Disponível em: http://portal. p. In: TAVARES. São Paulo. A Cultura é de Todos (Culture is Ordinary).gov. INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL. 2004.PROCULT UNIVERSIDADE FEDERAL DO CARIRI – UFCA 78 .9-22. Gestão da comunicação e desenvolvimento regional. Jorge (org. FESTIVAL PERNAMBUCO NAÇÃO CULTURAL (2010: Recife. ______. Afonso. 2 ed. Educação patrimonial para a Mata Norte / Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco.Referências BRASIL. ed. Maria Salett. Rádio comunitária. 2015. CRISTÓVÃO. Cartilha Prêmio Economia Criativa. UTAD‐CHAVES. : il. 2011. Acesso em: 26 set.iphan. Letras USP. São Paulo: INTERCOM. OLIVEIRA. – 2.2010. LIMA. Tomás José. José Benedito. 196 p. Ivanice Oliveira de.

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