TIPOIA FESTIVAL: ECONOMIA DA CULTURA, DESENVOLVIMENTO LOCAL E

NOVAS FORMAS DE PENSAR O RURAL.29
Ivanice Oliveira de Lima30
RESUMO:
O artigo é um estudo de caso sobre o Tipoia Festival, evento realizado há dezesseis anos na Zona da
Mata Norte de Pernambuco, e que oportuniza refletir sobre a produção cultural através de
apresentações de música, exposições, oficinas e debates. Busca-se analisar como o nascimento de
uma cadeia produtiva em cultura, com novos postos de trabalho, pode contribuir para o
desenvolvimento local, envolvendo os atores do município de Tracunhaém-PE e adjacências.
PALAVRAS-CHAVE: Tipoia Festival, Economia da cultura, Desenvolvimento Local.
Cultura, Desenvolvimento local e novas ruralidades.
Para Raymond Willians, cultura representa um modo de vida, e as artes são partes de uma
organização social claramente afetada por mudanças econômicas (WILLIANS, 1958). A definição
de Willians nos orienta para a importância de compreender que a cultura ultrapassa os espaços do
entretenimento, lazer, para penetrar no campo das discussões econômicas e sociais; isso porque vem
se descobrindo que, para além do mundo da “descontração”, os produtos culturais carregam consigo
significações simbólicas essenciais para a ideia de formação educacional, social e até econômica.
Sim, econômica. De acordo com Pesquisas da Organização Internacional do Trabalho (OIT), bens e
serviços culturais participam com 7% no PIB mundial, com crescimento anual previsto em torno de
10% a 20%. No Brasil, os setores criativos vêm crescendo cerca de 6,13%, aumento médio superior
ao do PIB nacional (cerca de 4,3%) nos últimos anos (PORTAL BRASIL, 2013). Isso é somente
uma das comprovações que servem para refutar o entendimento que alguns indivíduos ainda nutrem
de que Cultura é algo sem importância, é passatempo e não deve passar de hobby. Economia
29 Trabalho apresentado ao Grupo de Trabalho 3: Cultura e Desenvolvimento, do III Encontro Brasileiro de Pesquisa
em Cultura. Crato-CE, de 8 a 10 de outubro de 2015.
30 Mestre em Extensão Rural e Desenvolvimento Local (UFRPE). Graduada em Comunicação Social/ Rádio e TV
(UFPE). Professora da Faculdade Joaquim Nabuco. nicelima.com@gmail.com
PRÓ-REITORIA DE CULTURA - PROCULT
UNIVERSIDADE FEDERAL DO CARIRI – UFCA
69

2011). 2009a. distribuiéao e demanda. 25. descobre-se também uma série de transformações capazes de reconfigurar toda uma comunidade. A Zona da Mata de Pernambuco.1) citado por Tomás José Jane (2004. produéao. e de muito mais – em favor da politica publica nao so de cultura. sociais e econômicas construídas a partir do ciclo de criação. Para Ana Carla Fonseca Reis (2009). 2015). a Economia da Cultura oferece […] todo o aprendizado e o instrumental da logica e das relaéoes economicas – da visao de fluxos e trocas. econômica. (REIS. subsidios. desenvolvimento local referese a um: esforço de mobilização de grupos na comunidade. produção. Para Tauk Santos. as possibilidades de empreender projetos mais consolidados se fortalecem. no município. 1998. dos mecanismos mais variados de incentivos. outrora conhecida como uma área de grande riqueza. sem arriscar a satisfação das necessidades fundamentais das gerações futuras. como políticas públicas. autoestima e desenvolvimento em várias dimensões: cultural. fruto PRÓ-REITORIA DE CULTURA . o uso racional dos recursos naturais e a governabilidade. produtores culturais.através de órgãos do governo. p.Criativa refere-se ao: conjunto de dinâmicas culturais. Nesse sentido. gerando empoderamento. ações empreendedoras a partir do aproveitamento das energias endógenas voltadas para os contextos locais (TAUK SANTOS.PROCULT UNIVERSIDADE FEDERAL DO CARIRI – UFCA 70 . das relaéoes entre criaéao. intervenéao e regulaéao. distribuição/circulação/difusão e consumo/fruição de bens e serviços oriundos dos setores criativos. por exemplo . seja possibilitando formação. em parceria com o Estado e organizações não-governamentais.30). fomento. apud CULTURA EM NÚMEROS. caracterizados pela prevalência de sua dimensão simbólica (BRASIL. como de desenvolvimento. ou através de iniciativas mais perenes. a fim de promover. das diferenéas entre valor e preéo. o que relaciona a cultura ao desenvolvimento local. quando a iniciativa pública . social. Quando se descobre o potencial de um determinado grupo no fazer criativo. conforme indica Bordenave (2008.179): um processo que articula os esforços nas esferas do crescimento econômico. do reconhecimento do capital humano. com o objetivo de melhorar as condições de vida da população mediante uma transformação produtiva. p. Essa articulação entre o poder público e os atores sociais aponta para o desenvolvimento sustentável.se soma às iniciativas dos “pequenos” articuladores locais. a equidade social. p. p.

13). entendida como via para o desenvolvimento local. como ponto de partida à participação dos munícipes na construção da nova cidadania. Mais especificamente na última década vem se desenvolvendo iniciativas que englobam os atores locais num projeto de desenvolvimento através da produção cultural. p. mas ainda são visíveis as marcas da pobreza e da precariedade em que vive grande parte da população local. no município.10-11): “as velhas identidades nacionais cedem lugar à organização popular na comunidade. justamente a sua rica cultura popular com variadas manifestações artísticas que enchem os olhos das pessoas que visitam a região. percebeu-se que a Cultura pode ser um caminho de questionamento à situação social da Mata Norte e até um meio de empreendimentos profissionais. se verifica o surgimento de outras ocupações profissionais capazes de gerar renda e capacitar os moradores locais para outras funções. Cavalo Marinho) gerando visibilidade para as manifestações nos espaços onde elas se apresentam e trabalhando a autoestima e geração de renda entre as pessoas que PRÓ-REITORIA DE CULTURA . identificações.da monocultura açucareira de Pernambuco.” Se antes tínhamos nas regiões rurais apenas atividades como agricultura e pecuária. ruralidade. 2012. cineclubismo. buscando divulgar a produção cultural tradicional da região (Maracatu. hoje. sem falar do intenso êxodo empreendido por muitos moradores para as zonas urbanas em busca de melhores condições de sobrevivência. Poderíamos afirmar que o espaço rural passa a elaborar novas produções (paisagem. depois das sucessivas crises que abalaram a atividade canavieira de Pernambuco. com potencial para o desenvolvimento local. Atualmente novos empreendimentos econômicos de grande porte começam a se instalar na região. como atesta Tauk Santos (2005. é marcada por grandes desigualdades sociais e patriarcalismo.PROCULT UNIVERSIDADE FEDERAL DO CARIRI – UFCA 71 . O espaço rural deixa de ser única e exclusivamente um espaço de produção agrária para converter-se em espaço de consumo. a partir de esforços de articuladores locais jovens. patrimônio cultural e natural) para a sua reprodução socioeconómica (CRISTÓVÃO. tendo como matéria-prima o que é tão caro à essa região de Pernambuco. raízes. p. PEREIRO. tranquilidade. música. que desenvolve articulações na Mata Norte com moradores da própria região. Como exemplo de iniciativa que aproveita a mão-de-obra local para a articulação com projetos culturais está o Movimento Canavial. Coco. Entretanto. através de iniciativas culturais com literatura. Ciranda.

conforme veremos adiante. Zona da Mata Norte de Pernambuco: o cenário. muito antes de produtores consagrados aportarem à Mata Norte de Pernambuco com um intenso projeto de profissionalizar as práticas culturais . que reunia os jovens e seu afã por descobertas na área da música e demais expressões artísticas. comércio varejista. Buenos Aires. Nazaré da Mata.242. inhame. que com incentivos da iniciativa público e privada . Tracunhaém e Vicência. É marcante a grande carência nas condições de vida de sua população (377. As áreas que mais necessitam de atenção são as de saneamento básico. nos vários campos das artes.275 habitantes) e.participam das ações. o perfil produtivo da região passou por uma diversificação de atividades agrárias como a avicultura. Lagoa do Carro. 2010). plantas frutíferas. oficinas e discutir as políticas públicas para a Cultura no Brasil (OLIVEIRA. de acordo com dados do Condepe/Fidem. o que originou boa parte de suas cidades. realizar seminários.desde 2005 tem o objetivo de consolidar uma cena da cultura popular na Zona da Mata. A formação histórica da Mata Norte deveu-se à produção açucareira instalada na região a partir do século XVI. o projeto carro-chefe é o Festival Canavial. 2010). Glória do Goitá. PRÓ-REITORIA DE CULTURA . o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) na região é de 0. No Movimento Canavial. Timbaúba. Antes disso. No entanto. torna-se importante ter mais clareza acerca da realidade de acessos culturais na Mata Norte e suas características. a produção e acesso aos bens culturais. Camutanga. Condado. Macaparana. Goiana. Busca-se no evento (geralmente realizado no mês de novembro) estabelecer intercâmbios com grupos artísticos de Pernambuco e de outros estados do Brasil. Paudalho.9 km² . 2010). localizada da Mata Norte do estado – já existia o Tipoia Festival. A Região vem conquistando significativo potencial turístico favorecido pela grande 31 A Mata Norte é constituída pelas cidades de Aliança.em Tracunhaém. Itambé.PROCULT UNIVERSIDADE FEDERAL DO CARIRI – UFCA 72 . Carpina. prestação de serviços e indústrias (FESTIVAL PERNAMBUCO NAÇÃO CULTURAL. Com as constantes crises do setor sucroalcooleiro. Ferreiros. Lagoa de Itaenga. produção de bananas. Itaquitinga. A Região de Desenvolvimento da Mata Norte compreende 19 municípios em Pernambuco 31 e ocupa uma área total de 3. Chã de Alegria.650 (FESTIVAL PERNAMBUCO NAÇÃO CULTURAL. além da pesca. saúde e emprego. cidade de pouco mais de 13 mil habitantes. através dos engenhos.

Cavalo Marinho e coroação dos reis negros.PROCULT UNIVERSIDADE FEDERAL DO CARIRI – UFCA 73 . e não as várias dimensões que precisam ser consideradas para se instalar plenamente o desenvolvimento local sustentável. (IPHAN. a região da Mata Norte pernambucana começa a se consolidar como um dos polos de desenvolvimento econômico de Pernambuco em razão do aporte gerado principalmente com a instalação de empresas do setor de automóveis. Bumba-meu-boi. cortadores de cana-de-açúcar. 2014). ocorre durante as comemorações do Carnaval e é composto por dança. era realizado nos engenhos de cana-de-açúcar e seu conhecimento é transmitido de forma oral. como o boi e o cavalo (que dá nome à brincadeira). mas demos. o que serve para consolidar a força e a representatividade dessas expressões. pelo patrimônio constituído pelos antigos engenhos. 34 O Maracatu Nação também foi reconhecido como Patrimônio Imaterial do Brasil. música e dança. o Maracatu de Baque Solto32 (ou rural) e o Cavalo Marinho33 foram reconhecidas como Patrimônio Imaterial do Brasil. os orixás. as baianas e os mestres. PRÓ-REITORIA DE CULTURA . numa mistura entre teatro. ênfase às expressões que são encontradas mais comumente na Mata Norte de Pernambuco. 2014). como Cambindas. tem a maioria dos grupos concentrados nas periferias da Região Metropolitana de Recife. O temor é que se leve em conta apenas a questão econômica. mas também ecoa na região metropolitana de Recife e de João Pessoa (PB). nesse sentido. maracatu de trombone. O Maracatu Nação. a cultura precisa ser enxergada como algo maior que apenas a “cereja do bolo”. No cortejo estão presentes personagens como o rei e da rainha. capelas. entre outras localidades. entre fins do século XIX e início do XX. pelo patrimônio cultural composto pelas manifestações culturais e. que sai às ruas para desfiles e apresentações durante o carnaval. Ao mesmo tempo. É um resultado da fusão de manifestações populares. apresenta um conjunto musical percussivo e um cortejo real. um Cavalo Marinho completo pode chegar a ter mais de setenta personagens. Os anseios da população e a qualidade de vida desta precisam receber uma atenção especial e.quantidade e diversidade de atrativos naturais. igrejas e casarios. Entre os personagens estão os caboclos e arreiamás. 2014). de hemoderivados. em geral. 33 O Cavalo Marinho é apresentado mais comumente durante o ciclo natalino. Mais recentemente. não dá para ignorar as inseguranças que esse “desenvolvimento” gerado pelas novas indústrias que se instalam na região poderá trazer. Afora isso. há ainda uma infinidade de personagens. 2010). consideradas ícone do fundamento religioso e marco identitário dos maracatus nação (IPHAN. resultante de sua formação no período do ciclo açucareiro em Pernambuco (FESTIVAL PERNAMBUCO NAÇÃO CULTURAL. trabalhadores do canavial. também conhecido como Maracatu de Baque Virado. também tem apresentações na Região Metropolitana do Recife e outras localidades. Seus brincadores são. as baianas. música. neste trabalho. Os mais antigos maracatus foram fundados em engenhos por trabalhadores rurais. 32 Também é conhecido como maracatu de orquestra. (IPHAN. as calungas – bonecas negras confeccionadas com madeira ou pano. trabalhadores da Zona da Mata. Entre os personagens estão mascarados e bichos. poesia e associado ao ciclo canavieiro da Zona da Mata. pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN34. No final de 2014. duas importantes manifestações artísticas da Cultura Popular. No passado. polo farmacoquímico e com os empreendimentos imobiliários que serão gerados a partir dessas novas iniciativas econômicas na região.

o Tipoia Festival. Para além disso. visionária. cada vez mais conhecidas em vários lugares do Brasil e até internacionalmente. Caboclinhos. e uma das que compõe a Mata Norte de Pernambuco. da audição de discos. na década de 1970. também vêm ganhando destaque as peças decorativas em barro. Tipoia Festival: o desenvolvimento de uma cadeia produtiva na cultura O Tipoia surgiu em 1999. que jovens da cidade de Tracunhaém começaram a sentir a necessidade de livre expressão e. vendida nas feiras dos municípios vizinhos. Foi através da música. que estimula o pensar acerca da realidade. transgressora. um evento que congrega talentos e população locais para refletir sobre o mundo a partir de várias expressões artísticas. Não é difícil encontrar os artesãos trabalhando nas calçadas. que empodera. em contato com movimentos mais urbanos de várias linguagens (música. mas também em diálogo com a iniciativa privada. Entre as linguagens artísticas que possibilitam o questionamento de realidades está a música. da cidade de Tracunhaém. tem como forte marca cultural o seu reconhecido artesanato em barro. Boa parte da população urbana de Tracunhaém dedica-se ao artesanato. A cidade se formou e cresceu a partir do trabalho em cerâmica. patrocinados pela iniciativa pública. 2010). daí surgiu o que hoje é consolidado como um dos principais festivais culturais da Mata Norte de Pernambuco. literatura. como protesto pela derrubada do Cineteatro Castro Alves. na última década. a região se destaca pelo grande número de engenhos de cana de açúcar (atualmente alguns vêm se dedicando ao turismo cultural-rural) e pelas manifestações artísticas da cultura popular (Maracatus. Mais recentemente.Culturalmente. audiovisual) e. mas outras expressões artísticas são possíveis de se desenvolver. para grandes nomes da música brasileira como PRÓ-REITORIA DE CULTURA . Tracunhaém (cidade que sedia o Tipoia Festival). participando de maneira mais ativa de editais de fomento cultural. palco. já começa a se empoderar de práticas que possibilitem o desenvolver artístico. principalmente a partir da juventude local que.PROCULT UNIVERSIDADE FEDERAL DO CARIRI – UFCA 74 . Coco de roda) (FESTIVAL PERNAMBUCO NAÇÃO CULTURAL. como o cenário que sedia o Tipoia Festival. e na cidade há várias olarias e ateliers onde são comercializadas as peças. a cidade vem sendo reconhecida por aqueles profissionais e amantes da cultura local. inicialmente utilitária.

pela primeira vez. Com a resistência do Tipoia. o aporte de turistas na pequena cidade durante os dias do festival contribui para desenvolver a economia local: PRÓ-REITORIA DE CULTURA . juntando vários públicos e até contribuindo para quebrar preconceitos que se imagina que “shows de rock” ainda possam enfrentar. 2013) Personagens e perspectivas de desenvolvimento local Ao longo dos dezesseis anos de Tipoia Festival. com pouco acesso.Fagner. o Tipoia foi para as ruas. Coordenador Geral do Festival. o mundo do trabalho e a própria região de forma diferente. No que se refere à geração de renda.] representa um espaço para a música que não toca no rádio. para mostrar a cena efervescente da Mata Norte em três dias de shows. mesmo nos momentos de adversidades. Transformações que ultrapassaram os limites do município e possibilitaram olhar a cena cultural. sobretudo numa cidade cuja população pouco acesso tem a eventos culturais e. interior de Pernambuco. que reúne pessoas de Tracunhaém e cidades vizinhas. depoimento concedido à autora. no Independente Futebol Clube. o Tipoia apresentou. ouviam seus vinis e discutiam políticas socioculturais para a cidade interiorana. tornando-se um dos eventos de cultura mais conhecidos e estabelecidos na Mata Norte. Com o passar dos anos e o aumento do público. (Sidclei Marcelino. tem dificuldades para formar repertórios. o Tipoia [. muitas foram as transformações que o evento favoreceu na pequena cidade de Tracunhaém. O Festival representa esse acesso cultural que ganha o apoio das pessoas abertas para ao novo e ávidas por cultura e diversão. em 2002. Em 2000. Os organizadores eram os jovens da turma concluinte do Ensino Médio do Colégio Estadual Agamenon Magalhães. sempre encontraram no Tipoia uma oportunidade para mostrar seus trabalhos. a sede do Independente Futebol Clube ficou pequena para abrigar tanta gente e.. que. em Tracunhaém. o evento foi realizado na sede do Independente Futebol Clube. o que serviu para estimular a produção musical local.PROCULT UNIVERSIDADE FEDERAL DO CARIRI – UFCA 75 . shows com bandas da região. Os depoimentos abaixo foram concedidos por personagens diversos que acompanham de perto o festival e conseguem exprimir as mudanças detectadas. Elba Ramalho e Geraldo Azevedo. Um dos grandes destaques do Tipoia é justamente a sua democrática programação cultural. o preconceito vem sendo quebrado. Na ocasião. Para Sidclei. portanto.. o Festival vem mostrando cada vez mais garra e muitos músicos.

. estou tendo acesso a essas coisas agora. mas também pelas demais expressões artísticas diversas e congregadas no evento. (Philippe Wolney. não apenas pelo rico artesanato em barro. setembro de 2013). o pessoal vem pra brincar mesmo. com a atração a Tracunhaém de pessoas de fora.. Ele [o Sidclei. Quando tem o Tipoia é bom pra gente que vende lanches. A gente achava que as pessoas ‘diferentes’ que vinham para a cidade iam aprontar confusão. é cachorro-quente. Hoje o Tipoia é uma festa tão grande feito a festa de Santo Antonio aqui na cidade. depoimento concedido à autora. O evento serve para divulgar Tracunhaém e faz muita gente se animar. PRÓ-REITORIA DE CULTURA . sem confusão. é muita gente comprando peça de barro aqui. setembro de 2013). 45 anos. mas a gente ficou impressionado.. sem nada. setembro de 2013). (Alexandre da Silva Santos. depoimento concedido à autora. quando a cidade de Tracunhaém recebe. 24 anos. Os três dias de show valem muito. pelo contrário. (Jair Correia de Oliveira. depoimento dado à autora em setembro de 2015). pessoas de diversos lugares com hábitos e práticas culturais semelhantes e distintas. nota 10 para ele. vêm cantores de fora. as pessoas tratam todos muito bem. produtor cultural e poeta. artesão. depoimento concedido à autora. que dividem espaço para experienciar arte. coxinha. artesão Patrimônio Vivo de Pernambuco. artesão. depoimento concedido à autora. (Josinaldo Lucas dos Santos. é uma festa que movimenta muita gente. Mas o evento não pode ser entendido apenas como festa “pra turista ver”. Eles param no comércio. padeiro. setembro de 2013). pastel (risos). é uma coisa diferente que o Tipoia traz para a gente. tem bandas. Para a população o Tipoia é uma vitrine e uma experiência de interações estéticas e de práticas culturais. depoimento concedido à autora. né? Quem vem de fora se embeleza com as coisas bonitas daqui. o povo vem para aqui e sai de madrugada de tanto comer.O povo que é de fora costuma vir logo cedo. a população local também se identifica com o festival e passa a ter facilitado o acesso a bens culturais: Nós. nos envolvemos mesmo com a festa.Tipoia aqui vira Carnaval. levamos a nossa família.. coordenador geral do Tipoia] é um menino que destacou o evento muito bem. artesãos mais novos. 23 anos.. fiteiro. favorecendo a quebra de preconceitos e o estímulo ao capital social: O Tipoia só faz o bem.PROCULT UNIVERSIDADE FEDERAL DO CARIRI – UFCA 76 . (Zezinho de Tracunhaém. 78 anos. já para conhecer a cultura de Tracunhaém. 45 anos. durante alguns dias. (Jair Correia de Oliveira. É bom para o comércio e para o desenvolvimento. procuram se informar mais. setembro de 2013).. Outro importante incentivo é ao turismo. eu nessa idade que tenho. É um momento de interação entre as pessoas.Eu mesmo gosto muito da mostra de filmes.

produtores culturais. resistindo. Diante desse cenário. como agricultura. vem ganhando importância e repercussão. (Hevelyne Figueiredo. Ao mesmo tempo. iluminação etc. através do Festival. fruto também da globalização que permite aos atores locais uma gama maior de conexões e relações. O Tipoia Festival estimula a formação de uma cadeia produtiva em cultura. produtor cultural e poeta. e para muito dos grupos e bandas. diferentes de atividades ditas “mais tradicionais”. o evento proporciona se especializar na prática profissional. empreendimentos que conseguem ressignificar o meio rural. cada vez maior. surgem ideias. como ocorre com o Tipoia Festival. estimulando a renovação musical e o contato com grandes nomes da nossa cultura. o Tipoia é o primeiro palco importante onde eles tocam. produtora cultural. aprender como resolver várias problemáticas que práxis a produção de evento do porte do Tipoia. o papel que a cultura tem como geradora de emprego e renda no meio rural. Foi possível vivenciar na prática o corre-corre dos bastidores. reunindo estudantes.PROCULT UNIVERSIDADE FEDERAL DO CARIRI – UFCA 77 . artistas. pecuária. que proporciona acesso cultural às pessoas de Tracunhaém. Para os profissionais o evento contribuiu muito para se experimentar como organizar um evento envolvendo profissionais iniciantes em produção. geração de renda para os pequenos comerciantes locais e a autoestima dos moradores. logística. PRÓ-REITORIA DE CULTURA . depoimento dado à autora em setembro de 2015). na Mata Norte de Pernambuco. depoimento dado à autora em setembro de 2015). Conclusões O entendimento de novas ruralidades contemporâneas nos esclarece para diversas possibilidades no meio rural. o que contribui para aumentar o empoderamento. capital humano: [trabalhar no Tipoia] foi uma experiência única. técnica. uma referência para outros festivais de música e cultura na Mata Norte do estado. servindo como vitrine e estímulo à cena local (Philippe Wolney. contribuiu muito para a minha formação na área de produção. facilitando trocas.Para quem trabalha com produção cultural. fomentando a cultura da Mata Norte. O evento contribui para quebrar preconceitos. através de iniciativas que envolvem os atores das comunidades em empreendimentos diversos. valorização dos talentos locais. autoestima. que presenciam o desenvolvimento do turismo e valorização da cultura de Tracunhaém. principalmente no que diz respeito à produção executiva.

Extensão Rural e Desenvolvimento Sustentável.Trad. TAUK SANTOS. Maria Salett. PEREIRO. CRISTÓVÃO. Ministério da Cultura do. p. LIMA. Comunicação e Educação. 103 p. PORTAL BRASIL.2010. Economia criativa cresce mais que o PIB no Brasil.CEVASCO. n.br/portal/montarDetalheConteudo. 2015. A Cultura é de Todos (Culture is Ordinary). In: TAVARES. 196 p. – 2.gov. 2004.). gênero e capital social: a experiência da Alternativa FM. OLIVEIRA.Referências BRASIL.11. Maria E. 2013 Disponível em: <http://www. INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL.1958.iphan. ed. : il. 2010. Maracatu Nação.do? id=18733&sigla=Noticia&retorno=detalheNoticia Acesso em: 15 jan. Anuário internacional de comunicação lusófona 2004. jan/abril 1998. Cartilha Prêmio Economia Criativa. José Benedito.:il. Método Canavial: introdução à produção cultural. Rádio comunitária. São Paulo. Olinda: Associação Reviva. WILLIAMS.PROCULT UNIVERSIDADE FEDERAL DO CARIRI – UFCA 78 . FESTIVAL PERNAMBUCO NAÇÃO CULTURAL (2010: Recife. Maracatu Baque Solto e Cavalo Marinho são os novos Patrimônios Imateriais. UTAD‐CHAVES. Jorge (org.9-22. Educação patrimonial para a Mata Norte / Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco. São Paulo: INTERCOM. Recife: Bagaço. JANE. emissora da Associação das Mulheres de Nazaré da Mata – Amunam / Ivanice Oliveira de Lima. Dep. Disponível em: http://portal. 2005. -. Acesso em: 26 set.p. 25‐27 DE JUNHO DE 2012. Atas do VIII Citurdes. Estratégias de comunicação para o desenvolvimento local e os desafios da sustentabilidade.29-30. 2011. Gestão da comunicação e desenvolvimento regional. – Recife: FUNDARPE. In: PINHO. 2010. PRÓ-REITORIA DE CULTURA . 2015. ______. Artur.br/cultura/2013/02/economia-criativa-cresce-mais-que-o-pib-no-brasil>. 134 f. PE). Raymond.brasil.gov. Letras USP. O papel das rádios comunitárias na educação e mobilização das populações para os programas de desenvolvimento local em Moçambique. Xerardo. 2 ed. Turismo Rural em tempos de Novas Ruralidades. Tomás José. Afonso. Ivanice Oliveira de.