DA FOZ DO RIO SÃO FRANCISCO

CARTA DE RESINA – TERRITÓRIO QUILOMBOLA BREJÃO DOS NEGROS - SERGIPE

Figura 1: Comunidade Quilombola Resina - Território Brejão dos Negros na Foz do São Francisco – Sergipe (CPP, 2016)

Ressoou entre nós, na região da Foz do Rio São Francisco, lugar por onde passaram inúmeros
negros acorrentados pela escravidão este grito popular: M’BOOORA GEEENTE! Este foi o grito,
que marcou a resistência do povo deste lugar, RESINA, situado no Território Quilombola Brejão
do Negros, na Foz do Velho Chico, nos hospedou nos dias 28 a 30 de outubro de 2016. Éramos
cerca de 60 pessoas, dos Movimentos Sociais, Pastorais Sociais do Campo, da Bahia, Alagoas e
Sergipe e Povos e Comunidades Tradicionais (Indígenas, Quilombolas, Camponeses,
Pescadores e Pescadoras Artesanais, Marisqueiras, Ribeirinhos). Neste intercâmbio vivenciamos
dores e alegrias e dividimos publicamente esta mensagem de resistência, esperança, força e fé.

Num contexto de graves consequências provocados pelo golpe no Brasil, denunciamos os
entraves para impedir a demarcação dos territórios tradicionais, indígenas, quilombolas,
pesqueiros e camponeses como sinais de ditadura e violência. Avança o agro e hidronegócio, a
criminalização dos movimentos sociais, bem como, são constituídos os PECs com mudanças
constitucionais de morte, que visam intensificar a fragilidade social dos Povos e Comunidades
Tradicionais no Brasil. Contudo, aqui reafirmamos nossas esperanças, nossas identidades que
historicamente resistem aos interesses do capital e às artimanhas da mídia golpista e burguesa.
Elas continuam aliadas e porta vozes dos interesses de um modelo de desenvolvimento
predador, concentrador de terra, água e poder.

Nesta esperança, mesmo num cenário de desinteresse de reconhecer, legalizar e promover a
vida nestes territórios, desta irrupção ditatorial que enfraquece nossa democracia, de ameaças de
direitos, não queremos e não podemos renunciar aos sonhos dos nossos ancestrais de proteger
os nossos territórios e construir um bom viver numa terra sem males. Herdamos esta visão dos
protagonistas que estão sendo vitimados por autentico genocídio: indígenas, quilombolas,
pescadores, ribeirinhos e camponeses dão uma contribuição de cuidados com a natureza, seu
modo de vida tradicional que se contrapõe ao capitalismo voraz e desumano.

Convocamos todos à Resistência, intensificando o trabalho de base como construção direta da
democracia participativa do poder popular, do uso criativo dos instrumentos de comunicação
alternativos para denunciar a morte e celebrar a vida, da formação e informação crítica,
libertadora e das garantias dos direitos.

Que a seiva da Natureza e da nossa fé traga a força para as crianças, jovens, mulheres, velhos e
adultos, desde o caminho de Abrão até o ânimo dos cultos dos nossos ancestrais – do batuque
Africano ao toque do Maracá que se preservem em nós, a coragem de lutar!

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