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José Carlos Barbosa Moreira

A Conexão de Causas I como Pressuposto da Reconvenção

~.

1979

, ,, :-~" t José Carlos Barbosa Moreira A Conexão de Causas I como Pressuposto da

011840

A conexao de causas como pressuposto da reconvencao

3~7 928 MB3Sc 1979

JOSE CA~L.:JS BARBOSA

~ORE1RA. r-

1111\1111\ III11111\

I 31BlIOTECA \

TJERJ

·

·--'----~~'~I

j

À Turma de Bacharéis de 1976 da Faculdade de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, em sinal de reconhecimento pela distinção que me conferiu, ao eleger-me SEU patrono.

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i

Introdução

INDICE GERAL

••••••••••••••••

0.0

•••••••••••••••••••••••••

Pág'.

J

PARTE I

O PROBLEMA EM PERSPECTIVA COMP \RATISTICA

Capitulo I

EXAME DOS PRINCIPAIS SISTEMAS lURIDICOS

§ 1.0 Direito francês § 2.° Direito espanhol e hispan.:ramericano § Direito italiano 3.° §
§
1.0
Direito francês
§
2.°
Direito espanhol e hispan.:ramericano
§
Direito
italiano
3.°
§
Direito alemão (ocidental)
4.°
§
5.°
Direito .austríaco
~,
§
6.°
Direito suíço
§
7.°
Direito português
§
8.°
Outros sistemas jurídicos
Capitulo II
TENTATIVA DE SISTEMATIZ.-\ÇÃO
§
9.°
Esquema de classificação
§
10.
Conclusões
de
ordem si5~emática
PARTE
II
O PROBLEMA NO DIREITO BRASILEIRO
Capítulo I
DIREITO ANTERIOR
§
11.
Até
o Código de
Processo Civil de
1939
§
12.
O Código de Processo Ci"il de
1939
Capitulo II
DIREITO VIGENTE
§
13.
Posição do problema
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
§
14,
O status qua.stionis ,
,
,
""
PARTE III
TENTATIVA DE SOLUÇÃO
Capítulo I
EXAME DO PROBLEMA NO PLANO DOGMATICO
§
15.
Considerações lntr0dut6riat '
'"
. ,
,
, , . ,

13

18

24

36

44

48

51

56

61

65

73

81

89

92

101

",

~ _---

Pág,.

§

16.

O

Código de

Processo Civil de

1973 c o conceito

de

 

conexão

 

"

123

§

1i.

Confronto sistemático entre a

disciplina

da

rcconvcn·

 

ção

e

o

firt.

103

132

 

Capítulo

II

 

EXAME

DO

PROBLE~IA AO

ÂNGULO

DA

VALORAÇÃO DOS II'TERESSES DI JOGO

 

§

18.

Considcraç0~s introdutvrias

 

139

§

19.

Os int~rcss('s em jogo

142

§

20.

Rcpcrcmsl\(,5 na cliscil,lin;! dll !

·qUlsltO

uhst:mcial

de

 

aJmissil'iliJ.\~fc da rC":l'll\'l'n

,'ú0

 

149

§

21.

Supcraçâ0 Jus limites d0 <lr!.

103

 

I j 1

 

Capítulo

11/

 

CO~SIDERAÇOES CONCLUSIVAS

 

§

22.

Balanço dos resultados

 

163

§

23.

A solução proposta c os \Jutros intcn,;s::,cs cm jogo

 

168

 

Principais

kxtos

kgi~"Hi\'os estrangeiros

l:itndos

181

Bibliegrafia

 

205

Introdução

1. Citado em processo de conhecimento, procura o réu, as mais das vezes, defender-se, e a isso em regra se limita. Pode todavia acontecer que também ele queira, por sua vez, acionar o autor. Em torno dessa eventuali- dade gira importante problema de politica legislativa. Deve aproveitar-se o processo já em curso entre as partes para servir de instrumento à solução de ambos os lití- gios? Em outras palavras: é proponh·el nele a ação do primitivo réu em face do primitivo autor, a fim de pro- cessar-se e julgar-se em conjunto com a outra?

O problema, como logo se percebe, é o da admissibili- dade da reconvenção. Fique bem claro que se usa aqui o nomen iuris no sentido estrito de ação intentada pelo réu em face do autor, no mesmo processo em que está sendo por este demandado. É o sentido generalizado no

direito moderno

Tempos menos recentes conheceram

outra figura, a que se atribuía igual denominação, em- bora não apresentasse aquela característica. Era a cha- mada reconventio impropria ou imperfecta, que não con- duzia a processamento e julgamento simultâneos '. A

1.

Vide,

no Código Filipino, a ordenação do tino

III, TiL XXXllI.

§

1.0, verbis

"se

a

rcconvenção for comeÇ3.d:J, depois da ação C0n·

perderá sua

natureza, quanto a esta parte. e não andar;.'; igual passo, mas cada uma fará seu curso, como pcr direito melh~-"r puder, sem uma aguar-

dar a outra", Cf., na literatura. ENDEMAl"~, Das deutsche Zil:ilpro-

zessrecht, p. 666-7;

vilprozess, in Zeitschrift liir deutschen Ci\'jlprozess, v. 4, p. 3 (e nota 1); JAEGER, La riconvenzione nel processo civile. p. 59; AMARAL SANTOS, Da reconvenção no direiro brasileiro. p. 73. 96.

Ci-

testada, e o autor tiver dado sua prova, a T

?cunvenção

LOENIKG, Die Widerklage

im Reichs -

3

,

,

,

I

i

I

-=

única peculiaridade consistia ai em "erem ambas as açÕt·s - a primitiva e a reconvencional - propostas coram "ode))l illd;"c, c\"Ontualmente por força de prorro-

hal~üo da

c(lmpelência

llo órgão

para

julgar a

segunda

(jorum rcco" !'entio"is I. Ainda hoje, algumas legislações

deixam cm princípio à

discrição do órgão judicial processar uma e outra ação

<'m conjunto ou separadamente.

Mas entre nós a figura

da "recoll\"l'llção" sepa!'ada extravasa do âmbilo do ins-

tituto, como atualmen:e o temos, e dela faremos abstra-

ção no prC'sl'ntc contexto.

(t'."., a austriaea:

ZPO,

§

187)

2,

\~:irÜl:3 pOSiÇÕL~S :3~lo a priori concebiveis 110 trata-

mento do prublema. PlJdc o ordenamento, em primeiro lugar, excluir de mock,' radical, para o réu, a possibili-

dade

de

intentar a

Sln

ação

no

próprio feito

em que

se vê demandado: se quiser acionar o autor, terá de instaurar outro proce':-:3l J , Diametralmente oposta a

essa

será a solução consistc:::C' cm só lhe admitir a ação pela

mencionada \·ia, proib:::do-o de demandar cm separado, o que se resolve em \"('!'dadciro ónus de reconvir. Entre

as

duas

alitucle5 êxtremas,

sobra

espaço

para extensa

gama de disciplinas in:::>rrncdiáriQs, que

abrirão

ao réu

a oportunidade de deduzir a sua própria pretensão pela

forma rccOll\'elH:iollal. ~ubon1inando-a entretanto à con- corrência de certos prt:'S3i.lpostos. F'aculta-se cm princí- pio a recoll\'enc:ão, m:'13 limita-sc-lhl' a admissibilidade, em termos mais ou menos rigorosos.

A adotar-se a terceira posição, diversos poderão ser, naturalmente, os critérios empregados pelo legislador

para fixar os lindes dentro dos quais se admitirá a recon- venção. Bem se compreende que alguns digam respeito

a aspectos puramente processuais; e os exemplos são

óbvios. A lei afastará a possibilidade de reconvir, v.g.,

se o órgão a que toca jnlgar a ação primitiva não for

4

-----

- ----

competente para aquela que o rén dcse!~ mo;er. ao a.utor:

on pela. menos se absoluto essa inc0:-~petencIa;. fIxara

, determinado prazo, após o qual se to:-::'1 Imposslvel re- convir; negará o cabimento da reconv":-.,<io em processo qne observe talou qual ril,·; e assim 1':- diante.

I ~

f

I

Não é dessa espécie de restrições que ::05 vamos ocnpar. Interessa-nos outra possibilidade: a de que a lei, para

permitir que se reconvenha. estabele~3 ;'ressnposto. con- cernente à matéria de qne se há de c:::dar na açao do réu. Conforme oportunamclle se ver';. pelo exame do problema em perspectiva comparatís:':,l. é mnito fre- qüente o nso desse tipo de :'mitação - 3 que, por amor à comodidade, chamaremos substancie:. em oposição ao ontro, antes referido. Ele se manifesta. 5e m~neira cons- tante, por meio da exigênc''1 de certs :elaçao, de certo

8.3 duas causas, ,a

ajuizada e a que pretende ajuizar o :-eCl, para autorI-

vínculo,

que

precisará

exi~:ir entre

zá-Ia a valer-se da via recc:wenciona:

3. Tendo-nos expressado comO o fi:é:nOS no parágra-

fo anterior, corre-nos o de;er de co::s:;:nar desde logo uma advertência. Constante. de fato. ::os ordenamentos

de que agora cuidamos, é a idéia da :'. ecessidade de um

d

nexo para legItImar . . o uso

·nstrur.'" -o da reconven-

~--'

. Diversificam. porém. oe modo se::,;';el, as for~nulas

o

I

ção.

excogitadas para definir eSée nexo.

verificar que

Té:'omos ocaslao de

em

caracten-

algumas

leis

se

preocuF ':"!:1

.'

zá-lo com malar rIgor, ao 1='9

--o que 0'''-0- se contentam

:,,:,

,•.• .:>."

com indicações genéricas.

É precisamente a esse ãngulo que o p!'oble~a, ao no.ss~ ver, assume particular relevância prática. Nao CO~StItUl qnestão acadêmica a de saber se se de~e conSIderar admissivel ou não nma den:anda recon,'enclOnal: na VIda forense, a cada passo têm de enfrentá-la e resolvê-Ia os juizes. Ora, é bastante simples, em regra, apurar se

5

forense, a cada passo têm de enfrentá-la e resolvê-Ia os juizes. Ora, é bastante simples, em

i

,

estão satisfeitos os pressupostos relacionados com a com- petência do órgão, com o prazo de propositura, com a espécie de procedimento, etc. Bem mais complexa pode revelar-se a averiguação da presença ou ausência do requisito substancial de admissibilidade. E facilmente se entende que assim seja. De um lado, afirmar ou negar o vinculo necessário entre a reconvenção e a ação ' pres- supõe, em geral, trabalho interpretativo realizado sobre textos menos explícitos ou mais vagos do que os con- cernentes aos aspectos meramente processuais da ma- téria. De outro, quando o legislador se esforça em fixar com maior precisão a natureza do liame exigivel entre as duas causas, delicada continua a ser a tarefa do apli- cador da norma. de quem se há de esperar cuidadosa avaliação dos dados do iu.s positum, para assegurar a utilização profícua da reconvenção, sem deixar-se deter por aparentes barreiras textuais, que possam confiná-la em âmbito indevidamente restrito. 4. Com problema deste último tipo, ao nosso ver, é que se defronta o intérprete, no Brasil, em face do esta- tuto processual de 1973. O pressuposto substancial da admissibilidade da reconvenção acha-se expresso no art. 315, caput, onde se impõe que ela "seja conexa com a ação principal ou com o fundamento da defesa". Não suscitaria maiores dificuldades a formulação adotada, caso não se houvesse abalançado o Código, noutro dis-

Supérfluo tah-('z ressalvar c;u.:: nesta passagem, como noutras, em~

pr

ri,'a ação, cuja propositura d<!u causa à formação do processo, sem com isso prctcndcrmos, de longe sequer, pôr em dúvida a natu-

a palavra "ação", rre\'ilatiç causa, para designar a primi-

:gamos

reza de açeia que também

â reconvcnção se reconhece.

Nossa ma-

por exemplo,

neira de dizer tem o abono do uso doutrinário (vide,

em PONTES DE MIRANDA, Comentários ao Código de Proces-

so eh'i! de 1973, t. IV, p. 162, a rubrica do comentário n,O 3: "Lia- me entre a ação e a reeon\'enção") e do próprio texto legal (ef. arta.

317 e 318 do vigente Código nacional).

6

"

~I

,

:

I

317 e 318 do vigente Código nacional). 6 " ~ I , : I " l

"

l

I

I

-=

positivo, a consagrar um conceito de cone.:tão. Reza, com efeito, o art. 103: "Reputam-se conexas duas ou mais ações, quando lhes for comum o objeto ou a causa de pedir". Ora, a primeira tendência, na i::terpretação do art. 315, caput, será a de pedir ao art. 1[13 subsídios d~­ cisivos para esclarecer, lá, o sentido da palavra "conexa"; e tal inclinação na verdade se faz sentir, de forma latente ou patente, na doutrina surgida à luz do Código em vigor. Resta averiguar se a estrita e cOe!'ente observân- cia desse entendimento não levará pc:-ventura a um amesquinhamento da reconvenção, além de todo limite razoável; e, na hipótese afirmativa, se Si'!'a fora de pro- pósito cogitar de outra solução interpre:c.tiva, suscetível de prevenir tão grave inconveniente. Se:::telhantes inda- gações, contudo, não se vêem postas, ao :::tenos de modo explícito, nas obras doutrinárias pulc::cadas durante estes cinco anos de vigência do Código

Aliás, em termos mais genéricos, c?oe assinalar o escasso interesse que tem suscitado, na ?rocessualística brasileira, a problemática da reconvençiJ. Poucas são as monografias dedicadas ao assunto; e apenas de uma delas, escrita sob o regime de 1939 3, peje-se dizer que haja trazido ao estudo do instituto cOl::ribuição de re- levo. O que se afirma da reconvenção e::: geral também se afirmará, até a fortiori, do partiCl::~r aspecto que

neste trabalho, com exclusividade, se focaliza. Os pró- prios comentadores do Código atual, com raras exce- ções, não têm julgado necessário demo:'~r-se em anali-

sá-lo, a despeito da óbvia existência, na lei, de algo que ousaríamos classificar como atrevido desafio herme- nêutico.

Todas essas razões justificam a presente tentativa de elaboração, cujo objeto já ficou, nas linhas anteriores,

3. Aludimos à obra de AMARAL SANTOS, pÇ1 reconv. no dir.

bras.

7

É tempo de pôr as indagações a

que acima nos referimos, e de buscar responder a elas, ou quando menos de ministrar sugestões, ou de apontar

caminhos, para o descobrimento de respostas satisfató-

rias,

claramente delimitado,

Tal o propósito que nos anima,

5, O estudo do problema, conquanto não deva des- prezá-los, tampouco pode cingir-se aos dados puramente textuais, Admitir ou não o ajuizamento de ação por via reconvencional, já o dissemos, é questão de política jurí- dica, diantc da qual inúmeras opções de conveniência se deparam ao legislador, pressionado por fatores às vezes

contraditório_s, uns a s{~licitá-lo no sentido de maior libe~

ralidade, outros a aconselhar-lhe moderação, A disci- plina legal espelha um juízo valorativo, resultante da ponderação uos inll'l'esscs cm jogo e do balanceamento dos prós e dos contras, que - como quase tudo, no di-

reito

c

na

\'ida -

oferece.a

rcconvenção.

~!as pode suceder que a fórmula literal escolhida não

seja a mais

feliz,

ou

que -

e o caso, na matéria, fre-

qüente - a respectiva elasticidade, intencional ou não, conceda ao intérprete mesmo ampla margem para o exercício de sua própria atividade de valoração, Ter- se-á de alcntar cuidadosamente, como é intuitivo, na razão de scr elo instituto e na finalidade prática a que

ele visa.

básica, a que

Entretanto. se se quiser enunciar uma diretriz

obedecer a tarefa hermenêutica, po-

deve

der-sc-á lalvcz dizer que ao intérprete cumpre empenhar- se em descobrir, entre os variáveis entendimentos do texto legal, aquele que lhe enseje traçar à admissibili- dade da reconvenção fronteiras capazes, tanto quanto possível, de deixar aberta a via de acesso, ou de man- tê-la fechada, conforme predominem, respectivamente, as vantagens ou as desvantagens da utilização desse meio processual:

8

6, O problema de politica legislativa, " que vimos alu- dindo, naturalmente se tem posto em numerosos siste- mas ju;fdicos, Sendo comuns a muitos ddes as questões que influem na preferência por talou qual disciplina, reveste-se de enorme interesse a pesquisa comparatística, Antes de mais nada, ela ministra elementos para um inventário de soluções, permitindo a respectiva distribui- ção esquemática, de acordo com traços essenciais cons- tantes em grupos de ordenamentos e, mediante o con- fronto atento, a identificação das linhas de força, das tendências fundamentais dominantes, Como as fórmu- las às vezes se repetem, com maior ou menor exatidão, é sempre útil averiguar o sentido em que se vêm enten- dendo e aplicando alhures textos semelhantes àqueie que constitui o objeto principal do nosso estudo - in casu, o vigente Código de Processo Ci\'il brasileiro, Mas até de regulamentações literalmente bem diversas podem obter-se dados valiosos, na medida em que a análise con- siga revelar, por sob a pele de dispositi\'os redigidos em termos discordantes, canais profundos de ligação,

retraçar

nesta sede o histórico da reconvenção, em exposição cro- nologicamente ordenada, desde as origens até os dias que correm, Tal exposição já foi feita em obras acessi- veis, às quais nada teríamos, por esse prisma, que acres- centar de substancial'. Por outro lado, os sistemas jurí- dicos mais afastados no tempo encararam o problema

Parece-nos

desnecessário,

em

contrapartida,

4.

Consultar-sç-ão

com

proveito,

entre

OUtr03.

DESJARDIl"S,

De

Ir.

compemario" cl des demandes reCOllVellfi~)n':(.·;·f:.'5, p. 13 e 5.; JA,E-

GER, La riCOI/V. 11ft proe. cii' p. 47 e 5.: DI'SI, La domando r'· convenzionale nel diritto processuale civile, p. :. c 5.; PEDRO PAL- MEIRA, Da rccom'cnção, p. 6 r: 5.; AMAR.-\L SANTOS, Da reren',', no dir. bras., p. 63 e s. Uma brevíssima síntese cm BARBOSA ~10-

RETRA,

receres),

Reconvcnção,

p.

113

e

s.

in

Direito

Proccssua:

Civil

(Ensaios

e

pa-

9

I

I

síntese cm BARBOSA ~10- RETRA, receres), Reconvcnção, p. 113 e s. in Direito Proccssua: Civil (Ensaios

j

"

r

 

sob condições pollticas, sociais, econômlcas, tão diferen- tes das de hoje, que o confronto das soluções se afigura pouco frutlfero. Seria manifestamente arbitrário aplicar

a

qualquer ordenamento moderno conclusões extraídas

de regras que se entendeu conveniente editar sobre a admissibilidade da reconvenção, no governo de Justinia:

no ou durante a vigência do regime feudal. Assinalam, por exemplo, os estudiosos do assunto que, em épocas

remotas, tiveram papel de relevo, como fontes inspira- doras da disciplina da matéria, a imensa dificuldade das comunicações, o funcionamento descontinuo ou mesmo esporádico dos órgãos encarregados de administrar jus- tiça, a rivalidade entre as diversas jurisdições (v. g.,

a

eclesiástica e a leiga), que procuravam expandir-se

umas à custa das outras, e quejandas circunstàncias '.

Os Estados contemporâneos praticamente desconhecem

problemas de tal índole, ou pelo menos não os conhecem sob as mesmas formas; em compensação, defrontam-se com outros, de superlativa gravidade, que dificilmente terão preocupado os legisladores de outrora. Eis porque

de modo c\'cntual e incidente nos interessarão, no cur-

so desta pesquisa) as referências de ordem histórica.

s.

CmOVE1'-TOA, Principij di diritto processuafe civile, p. 1138~9; SALVIOLI, Storia della procedura civi/e e criminale, v. III, parte

 

II, p. 205: JAEGER, La riconv. ncl proe. civ., p. 55, 57·8; DINI La dom. riconv., p. 12; AMARAL SANTOS, Da recollv. no dir. bras.,

p.

71, 134.

 

10

I

Parte

I

o

problema em perspectiva comparatística

J

1

C!lPítulo

~~-----------------

1

EXAME DOS

PRINCIPAIS

SISTEMAS JURíDICOS

§

1. 0

Direito francês

7. Na França, o antigo direito c05tnmeiro mostrava-

se refratário à reconvenção '. A Cc:.tttme de Paris, em sna primeira redação (1510), formúnente a proscrevia no art. 75: "Reconvenlioll en cour la;:c n'a poinl de lieu".

Com o passar do tempo atennon-se o rigor, e a segund:l redação da mesma Coutume (1580) admitiu a demanda

certas condições. no art. 106: "R e-

convention en cour lave n'a lieu, si file ne dépend d~ l'acfion el que la demande en recont:flltion soit la défense Gonlre l'aclion premieremenl inlenter, el, en ce cas, le défendeur, par le moye1! de ses défe1lSfS, se peul consti-

tuer demandeur". Já transparecia, ai, a idéia do vínculo entre a causa originária e a recon\"e-nção, como pressu~ posto da admissibilidade. E mais: o r;exo vinha indicado sob duas modalidades - relação entre a reconvenção e a ação; relação entre a reconvenção e a defesa -, des- dobramento que se voltará a deparar em numerosas le- gislações modernas, inclusive no vigente Código de Pro-

cesso Civil brasileiro.

reconvencional sob

6. Ampla informação ao propósito cm DESJARDINS, De la compenso

s.

el des demo recanv.,

p.

327

e

13

-

,.

A prática judiciária dos séculos XVII e XVIII pareoo haver entendido e aplicado com alguma liberalidade os textos restritivos. Segundo autorizados depoimentos, chegou-se a admitir com largueza a demanda reconven- cional, fora dos estritos limites em que ela se achava expressamente prevista '.

8. O movimento favorável à admissão ampla da recon-

venção, contudo, não encontrou eco na legislação napoleâ- nica. Nenhum dispositivo do velho Code de procédure civile cuidou de disciplinar especificamente a matéria:

apenas o art. 464, ao tratar das demandes nouvelles no juizo da apelação, consagrou regra que se reputaria aplicá-

vel ao pedido reconvencional, dispondo, na La alínea, que a demanda nova só seria admissível caso visasse à com- pensação ou servisse de defesa contra a ação primitiva. Leis posteriores aludiram à reconvenção, sem no entan- to se preocuparem com a delimitação genérica do seu âmbito de cabimento.

:\0 silêncio dos textos, dividiu-se a doutrina, forman-

do-se três correntes principais. A mais liberal admitia

a reconvenção sem 'quaisquer restrições além das conti-

das no art. 464 do Código. Outra entendia subsistente o regime da nova Coutume de Paris. Predominou na ju- risprudência uma terceira opinião, intermediária: a re- convenção era admitida sob certas condições, menos ri- gorosas q~e as do sistema anterior; nomeadamente, quando tendesse à compensação, valesse de qualquer mo- do como defesa ou fosse conexa com a ação originária. No caso de simples conexão, ficaria à discrição do juiz, tendo em vista critérios de conveniência, receber a de- manda do réu sob a forma reconvencional ou, com base no art. 171 do diploma napoleónico, remetê-lo a via

Vide ainda, a esse respeito, DESJARDINS, De Ia compenso eI des

tkm. reconv., p.

332 e

S.

De Ia compenso eI des tkm. reconv., p. 332 e S. separada. Hipótese particular de adtnisSibilidade

separada. Hipótese particular de adtnisSibilidade da re- convenção seria a de pedido de perdas e danos fundado na própria ação principal, ou mais exatamente no pre- juizo que, ao ver do réu, a propositura dela pudesse ter-lhe causado '.

9. O Código atual, de 1975, regula e:rpressis verbis a

matéria no art. 70. Após estatuir, na 1.a a1inea, que as

demandas reconvencionais "ne sont recevables que si

elles se rattachent aux prétcntions origi"aires par un lien

suftisant", acrescenta na 2. 8 alínea que a "demande en compensation" é admissivel mesmo na ausência de tal vínculo, ressalvado ao órgão judicial o poder de separá-Ia

.da ação primitiva; "si elle risque de re/arder ti l'exces le

jugement sur le tout". Prevêem-se, pois, duas possibi- lidades: a da reconvenção que tende à compensação e

a da reconvenção relacionada com a ação "par un lien

suftisant". Constituindo a reconvenção uma espécie do gênero "demandes incidentes" (cf. art. 63), a disposição do art. 70 acerca do segundo caso bem se conjuga com

a do art. 4.°, 2. 8 alínea, fine, que permite a modificação do "objet du UNge" por demandas incidentes, "lorsque

celles-ci se rattachent aux prétentions ol"iginaires par un

Os dois textos, como se vê, empregam

idênticas expressões. Abstraindo-se da hipótese de compensação, restaria de- terminar a área de atuação do outro requisito substan- cial. A lei adotou fórmula elástica, provavelmente de caso pensado. Quando se deve entender "suficiente" o nexo entre as causas, para reputar-se admissivel a re-

lien suftisant".

8. Sobre todos esses pontos, DESJ ARDTNS, De la compenso et des demo reconv., p. 491 e S.; GARSONNET e Ct::ZAR BRU, Précis

de procédure civile, p. 127-9; JAPIOT, Traité élémentaire de pro- cédure civije eI commerciaJe, p. 539; MOREL. TraiIé éIémentaire de procédure civile, p. 295-6 (e, nesta, nota 3); VINCENT, Procé.

dure civile.

15." ed.,

p.

708-9.

15

convenção?

:\ão o esclarece o Código, que recorre, con-

soante se escreveu, a "UHe lIotion bicn vague" 9.

Auto-

rizado expositor do direito vigente alude a um "/ien de cOllttcxité"J sem preocupar-se em oferecer qualquer defi- nição ". O que aí se tem, indiscutivelmente, é um con- ceito jurídico indeterminado, cabendo ao aplicador da lei, mo cada caso. à vista d~s peculiaridades da espécie, deci- di,· se o liame é ou não suficiente para legitimar o pro- cesso simultâneo.

10. Cabem aqui duas palavras a respeito de alguns 0",",nomcntos que têm afinidade com o francês. O mais ir.:portantc deles é o be!ga, Deixando de lado o antigo

(',Ale de procédure eh'ii,', mutuado da França, e concen-

t,'ando nossa atenção 100 Code Judiciairc de 1977, verifi- ca'5e que o art. 14 defi:::e a reconvenção (aliás em termos bastante restritivos, df certo ponto de vista) como "la

demande ilU'i(lente formée

a

par le défendcur et qui tend

condamnation à chargc du de-

falre

prononcer UI'"

",",/deur", sem cuidar de fixar-lhe os pressupostos de

admissibilidade.

.sem limitações específicas, ao menos de ordem substan-

cial.

Confirma-o, em rrimeiro lugar, uma passagem do

A m"ii" legis parece ser a de admiti-la

Relatório do Commiss.,úc Royal à la Réformc Judiciairc,

consoante a qual a. def::::ição adotada reflete a concepção que a Cour d€ la.ssafio,: :rancesa propusera ao Governo em seu projeto de 1806: a de uma contrapretensão "admissi-

9.

BLANC - V'lATIE, !.ic:.4\'cau code de procédure ch'ile, t. I, p. 84. Vale assinalar que a observação não se inscreve propriamente em pauta critica: "li lIe convient pas" - acrescentam os autores -

"de

toujours

regrelter l'fmploi dalls

les

IcXlcS

d'expressio/ls

au

ca-

ractêre

imprécis: UII

lex:e ne

peUl

tou(

prévoir

et

ii

e51

préférable

de

laisser au

JURe

le

so:n

d'une

adaptation

aux

circonstances

par-

ticulieres

de

chaq1J.e

cause".

10.

VINCENT,

Procédure

ci'llile.

18.-

ed.,

p,

975.

16

ble dans tous les caa ou eUe n'eat défcndue par la loi" ".

Outra confirmação, ao menos parcial. extraí-se do dis- posto no art. 563, cuja 2. a alínea contém regra específica

de competência para as "d!'mandes T(,"Jliventionelles qui,

que! que soit lwr montan!,

trat, soit du fait qui sert d,' fondemcn! à la demande ori-

ginaire"; daí se infere a possibilidade de reconvenções que não derivem desse c01.trato ou d2sse fato 12, QU, em outras palavras, a desnece>sidade de :ulidamento comum à reconvenção e à ação vimitiva, p~~"a tornar admissí- vel aquela. Prevê-se de ,::odo expre>so, na 3. a aline:t do mesmo artigo, hipótese particular semelhante a uma das que consagrara a jur:5-prudência ~a111esaJ sob a vi- gência do estatuto napoleó::ico: a de ceconvenção funda-

de-

(

) déril'cnt soit du con-

da H sur mande".

le

caractere

vc.n~;oirc ou

t;.-,."téraire

d'une

A jurisprudência predon::nante na França, 'sob o velho

Código, parece haver inspi"ado outras legislações, que a receberam em medida mais ou m€1:05 estrita. Assim, v.g., o Código do Principado de ~'[ôna,o. de 1896, no art. 382, limitou a três os caso> de admis>ibilidade da recon- venção: o de proceder da t:lesma causa que a ação prin-

cipal (hipótese enquadrá"cl na de cO::ôão), o de servir

11. VAN REEPI:\'GHEN, Rar.'-·:~: du Comm. -,.:;_·~e Róyal (lia Ré/orme

lu-

LC5 h15: ·:.Lic1115 judiriair('s et la

Jlldiciaire,

diciaire.

p.

Cf.

20,

no

ainda

volum,:

Projer

de

I,',

:'::stiLuanF

le

Code

FETTWEIS,

compétence. no volumo

:

L-

Code

Judie',;,·:.

 

p.

61,

no

dizer

d,-,

qual

o

are

1~ "élargi!

la

':."ion

de

de";

;

}e

récom'cl1fiOflllclle".

dI.! sorte qu "/e juge saisi d:, principal pt;.: c:ml1laílrC plus souvent

des réclalllaliol/s que la par::e adrerse au.~;:: li formuler conlre It'

demandeur"

::

(destaque

nos~,-''i.

12. A

refere-se à compe-

tência do tribunal do trabal::o. do tribunal do comércio c do juiz

de paz. CL a L" alínea: "Lr tribunal de premiere instance connaít des demandes reconventionnelles quel's qu'cn soiem la nature rI

le montam",

17

2."

alínea, parcialmente tr3.nscrita

no

12:'\::0,

,

de defesa contra ela e o. de visar à compensação. Na Tunísia, o Código de 1959 (art. 227, fine) admite a re- convenção quando sin'a de defesa contra a ação prin- cipal e quando tenda à compensação ou à reparação do prejuízo causado pelo processo. Em ambos os diplo- mas, são bem perceptiveis os ecos da doutriua prevale-

cente nos tribunais franceses. A influência é menos sen- sivel no Código da provincia canadense de Québec, onde

o art. 172 abre ao réu a via recol1vencional "pau r faire

valoir contre le demandcur toute réelamalion lui résultant de la même source que la dcmande prinripale, ou d'une

sourcC' conncxc H As leis de alguns cantões suíços de lín- gua francesa aludir-se-á no parágrafo reservado ao di- reito helvético.

§ 2. 0

Direito espanhol e hispano-americano

espanhol

de sistema que admite em termos amplíssimos a recon-

venção.

qualquer disposição restritiva de ordem substancial: as únicas limitações dizem respeito à competência ratione

materiae do órgão perante o qual pende a ação originária

Não se. eucontra na Ley de Enjuiciamiento Civil

11.

O ordenamento

ministra

bom

ex~mplo

alínea) e ao prazo para reconvir (art. 543).

A doutrina cinge-se em regra a acentuar a liberalidade

critique de

de· concepção

que já não corresponde às conveniências atuais de poli-

(art. 542, 3. a

do tratamento dado à matéria '"

lege

ferenda,-- vendo nela a

embora a

sobrevivência

13. DE LA PLAZA, Der('cho Proccm! Ci~'iI espaliol. 1. I, p. 384; RODRíGUEZ SOLAND, La demanda reconvencional CD la le- gislaci6n espaiíola, in Rev. de Der. Proc., 1950, n.O 2, p. 275-6, com abonações jurisprudenciais.

18

J-

tica processual".

Alguns autores formulam

ressalvas:

a

prE'J;ensão reconvencional teria de ser "compatlvel com

o

objeto inicial do processo" lO; não seria admissível re-

convenção contraditória com a defesa, como no caso de

o

réu negar a existência do contrato afirmado pelo autor

e,

apesar disso, reconvir para reclamar prestação nele

fundada lO. O requisito da conexão entre as duas causas, dispensável em princípio, seria em todo caso exigível em certos procedimentos especiais, por motivos relacionados

com a competência ou com O rito: assim, v.g., em tema de arrendamentos rústicos ou urbanos, admitir a recon- venção independentemente da conexidade importaria in- fringir normas sobre competência ou vulnerar "los prin-

cipias de identidad de trdmite" ".

12. A orientação adotada pelo direito espanhol in- fluenciou, como é natural, inúmeras legislações proces- suais hispano-americanas, em que continua a prevalecer

a ampla admissibilidade da reconvenção do ponto de

vista substancial, isto é, independentemente da existência

de liame entre ela e a causa primitivamente ajuizada. Ne-

nhuma exigência dessa índole depara-se nos textos dos Códigos da Bolívia (arts. 348/9), do Chile (arts. 314/5), da Colômbia (art. 401), do Peru (art. 326), do Uruguai (art. 324), para não falarmos no da '-enezuela, que vai além, permitindo expl'essÍS verbis que a reconvenção ver-

(art.

se "sobre cosa distinta de la deZ juicio principal"

14. PRIETO-CASTRO,

Derecho Procesal Civil, t. I, p. 338-9; Traba-

jas

y

orientaciones

de

Derecho

ProcesaI,

p.

245-6; SANPONS

SALGADO,

La reconvención.

p.

7,

133

e

s.

15. GUASP,

Derecho

ProcesaJ Civil,

p.

261.

16. SAMPONS SALGADO, La reconV., p. 9.

 

17. RODRIGUEZ SOLANO,

La demo

reconv.,

p.

275-6.

19

-

-

,_

---

,--

,-'-- -- ,-- - --,---.---

---------

226) ", Afastam-se dessa linha o ordenamento argentino e o guatemalteco, dos quais se falará adiante em sepa- rado. Convém ressalvar, no entanto, que uma coisa é a letra fria dos textos, outra a maneira como são eles entendi- dos e aplicados na prática judiciária. Da ausência de regra escrita ao propósito não se pode pura e simples- mente concluir que em todos os paises mencionados se faculte na verdade ao réu utilizar a via reconvencional para qualquer ação que queira intentar contra o autor, ainda que sem relação alguma com a ajuizada por este.

Assim, Jlor exemplo, os expositores do dircito colombia- no, çonjugando as disposições do art. 401, 2. a alinea,

149 c 82, concernentes aos

principio, com as dos <lrts.

pressupostos da reunião de processos e da acumulacão de ações, respectivamcntl" ensinam que a admissibilid~de da reconvenção se condiciona à existência de algum vín- culo entre ambas as causas o'. Tal requisito deve ser apreciado "com critério amplo" c,,; a conexão pelo funda- mento ou pelo objeto, embora suficiente, não é necessátia;

entre

de

serem utilizáveis ""~s mesmas provas" 'na instrucão de uma e de outra causa· a conexidade pode també~ ocor- rer entre a pretensão reconvenclOnal e qualquer das defesas ("excepcianes") da primitivo réu ". A doutrina peruana igualmente reclama a ocorrência de conexão, em-

as

hispóteses

de

admissibilidade

inclui-se

a

18.

Ac\!ntua

o

plmll) CLT~C:\. {krccho

Pr,'rcHlI

Ci"j!,

1.

11,

p.

89:

"la

TCCOfll'CI1c1ÚI/

p/h>dl'

('''-ar

fundada

('II

c!

mismo

fífulo

o

C/I

título

distinto,

lefla (J fiO ,tlaciólI con la demanda".

19-:- DEVIS ECHANDIA, Compcndio de Dcrccho Proccsal, t. I, p. 402 ("conexión o atinidad";; MORALES, Curso de Derecho Proce.wl

Civil.

Parte

General,

p.

360.

20. DEVIS ECHANDlA. ibid.

21. MORALES, ibid.

22. DEVIS ECHANDtA, ibid.

20

-", '."""

." "",.~

pregada esta palavra em sentido largo, a apanhar tanto os casos em que os pedidos se baseiam no mesmo titulo, como àqueles em que resuitam de titulos diferentes, desde que se trate da mesma "questão jurídica" ". Parece me- nos rigorosa a atitude da literatura uruguaia, onde se admite com maior facilidade a inexistência de requisito substancial ", aludindo-se por vezes aos pressupostos da cumulação originária de ações, os quais teriam de con- correr para que se admitisse a reconvenção "; mas são irrelevantes no presente contexto, dada a sua índole formal ".

13. O Código nacional argentino, ao tratar da recon-

venção no "praceso ordinario" (art. 357), nenhum requisi- to substancial consagra para a respectiva admissibilidade. Com referência ao HproCf'SO sumario", todavia, reza o art.

487 que ela será admissivel "si las pretensiones en e17a deducidas derivaren de la misma reladón jurídica o fue- ren cone~'as con las invocadas en la demanda". Ter-se-

(mais precisamente,

três, como logo se verá), dependendo do procedimento o re-

relação

Tal disciplina não será tão arbi-

trária quanto pode à primeira vista parecer: se levar- mos em conta que, no "proceso sumarísimo", a recon-

iam assim dois regimes diversos

ou entre as duas causas.

conhecer-se

não

relevância

â

existência

de

23. ALZAMORA VALDEZ, Derecho Procesal Civil - Teoría deI procesa ordinario, p. 73.

24. TE1TELBAUM, EI

proccso

acumulari\'(1 C·) iI, p.

26,

55 (nota

901

e

160.

25. GREIF, in

Curso

de

Derccho

Procesal.

L

II,

p.

58.

26. Ressalve-se o primeiro. que diz respeito aos objetos das açõcs:

"que 110 sean contrarias entre si, de modo que por la una quede excluída la otra, salvo el caso que se prDponga una coma subsi- diaria de otra"; esse, porém, é obviamente inaplicável ao problema da reconvenção, conforme observa TEITELBAUM, EI proc.

I

acumulo civ., p.

56 (nota

95)

e

160.

21

venção se vê proibida em termos absolutos (art. 498, 1.°), é licito conjecturar que a lei quis estabelecer uma gradação inspirada em compreensiveis motivos de poli- tica legislativa, restringindo ou mesmo preexcluindo a possibilidade de reconvir nos processos a que pretendeu assegurar mais rápido andamento, enquanto a ampliava naqueles em que não se lhe afiguraram tão graves os

reconvenção é capaz de

riscos do

acarretar.

Na literatura processual, contudo, o ponto tem sido objeto de controvérsias. Enquanto alguns autores se conformam às indicações do texto, aceitando a variedade da regulamentação ", outros há que subordinam a admis- sibilidade da reeonvenção à presença de um vínculo en- tre ela e a causa primitiva, inclusive no procedimento ordinário. Aqui nos interessa muito menos tomar posi- ção no debate do que apreender a significação do requisito substancial, formulado pelo Código no que concerne às ações de rito sumário e estendido por um setor da dou- trina - eventualmente com talou qual modificação ,- às de rito ordinário.

O teor do art. 487 não se afigura muito preciso: fala-se aí em pretensões derivadas "da mesma relação jurídica" e em pretensões "conexas com as invocadas na deman":

da", como se se tratasse de hipóteses perfeitamente dis- tintas. Não ministrando o texto o conceito de conexão, a impressão que se tem é a de q ue o legislador, de caso pensado, procurou fugir ao emprego de fórmula rígida, deixando fluidos os contornos da figura, em ordem a con- ceder certa elasticidade à valoração judicial no caso concreto.

retardamento

que

a

27. AREAL - FENOCHIETTO, Manual de Derecho Procesal, t. n, p. 216-7; CARLI, ~a demanda civil, p. 294 (embora com crítica

de lege 'erenda).

I'

.Na doutrina,

encontra-se

quem

.

;

'

conceitue

a

conexão

como "ccnnunida4 en el título (GaIUSa) o 0\ eZ objeto""

- modo de dizer que traz à mente, de imediato, a fórmula

do art. 103 do nosso vigente Código. Há quem prefira pôr a tónica na circunstância de haver relação entre as questões suscitadas na reconvenção e na ação ", ou ainda entre as questões suscitadas na reconvenção e na defesa do réu-reconvinte 30. Merece atenção esse critério, que voltaremos a deparar na literatura italiana n.

14. Posição clara, do ponto de vista que nos interessa,

119

Có'

é a adotada pelo Código da Guatemala, cujo art.

28. MORELLO

.

PASSI

LANZA

-

SOSA

BERIZONCE,

digos procesa!fS ell lo cil'i1 y comerC'ial de la P-,'d"cia de BuC/loS

Ayres y de la l\'ación comentados y allotad(~5, :. 1\", p. 448-9. Aí se

acr~scenta que a con.::xão "exislirâ también c;,.o,;::Jo las decisiolles

que hayan de recaer CI1I cada una de las callS

fUlldamento y éste llcccsariamcnte fuere Ct~;':::·.ft'1lte, de manera

quc si se lo rcconocierc ell uno 110 podrá 5,-~ >:l.'gGdo en oIro y

viccvcrsa". Caso se enknda essa passagem e~'=: rderente à causa pctendi, a hipótese subsume-se na expressa r--~ meio da fórmula

que o texto transcre\"e, l'crbis "comunidatl e: ,{

Se se quer aludir simplesmente à existência ':: uma questão co· mum, de fato ou de dirdto, o ensinamento 3.Y::::-:.ha-se da doutrina

a seguir referida cm nossa exposição.

.'ul'ieren el mismo

título

(causa)".

29. UNO PALACIO, Manual de Dcrccho Proccs;: Civil, p. 392.

30. l"ORBERTO PALACIO, La rcc(!llvcncióll (': ;.'; proceso civil y comercial, p. 149-50, para quem é inconcebl'.';::: "que a través de demanda, su contestación y rccolll'enciÓII, S2 !:batan cucsriones que no tielletl entre si un solo punto de con:~':u". Acrescenta o autor: "Pero bastaría que ésle existiera, p-:lr r:inimo que fuese, para admitir la recom·ención, ya seo que se d~; entre demanda y reconvención, o entre defensas opuestas por el demandado y la

misma reconvención", Esse desdobramento em alternativa - lia- me entre a causa rcconvencional e a origmária ou entre aquela e

a defesa oposta a esta - é característka, s.::gundo se verã, de mais de um texto legal expresso, inclusive c brasileiro (art. 315).

31.

Mais precisamente na obra de JAEGER: l/ide, infra, R.O 19.

23

,,,.,~.

ti

dispõe: "Solamante ai contestarse la demanda podrá pr~

ponerse la rcconvención, sicmpre qwe se llcnen los requt- silos siguiClltcs: que la prctcnsión que se ejercite tenga

fonc.rión ]'or ra~ón dei objcto ° dei

y 110 deba scgllirsc por distintos trámites". Feita abstra- ção da parte derradeira, que entende cóm o procedimento, vé-se que está nitidamente posta a necessidade de satis-

na fórmula "co-

IIc.rió" por razón de! objcto ° de! título eon la demanda".

Conforme esclarece o mail; autorizado expositor do

fazer-se requisito substancial, expresso

título eon la demanda

àircito processual guatemalteco, a lei

anterior seguia a

tradiriío espanhola, permitindo ao réu intentar sob a for-

ma r~'cOl1\·cncional qualquer açao contra o autor, ainda que nenhuma relação houvesse entre ela e a originária.

Dessa tradição desgarrou-se o Código em vigor desde 1964, "para critar la cOn!plcjidad de los litigios" ", Vale notar, de passagem, que a dicção do art, 119 lembra o conceito de conexão esposado pelo estatuto pátrio em vigor (ar!. 103); por outro lado, não se prevê no diploma

do

país

centro-americano

a

segunda

hipótese

co~tem­

piada em nOsso art. 315, qual seja a da conexidade entre a reconvenção e a defesa,

§

3.°

Direito italiano

15. A exposição relativa ao ordenamento peninsular,

naquilo que aproveita à nossa pesquisa, pode ser feIta

com abstracão da circunstãncia de se haverem sucedIdo dois CÓdig;s, o de 1865 e o de 1940. Com efeito, são muito semelhantes as disposições que num e noutro res-

peitam ao tema do presente tra_balho, o. que explica nítida continuidade da eIaboraçao doutrmárla, onde a

a

32.

24

AGUIRRE

GODOY,

Derccho

Procesal

Civil,

t.

I,

p.

467.

substituição do antigo diploma pelo atusl não provoco'u sensível mudança de rumo. Em ambos ,'6 estatutos fi- guram na parte referente à competência os dispositivos que tratam da reconvenção, O art. 100 CJ velho Código, no particular, dizia competente a autor:lade judiciária perante a qual pendesse a causa principa: para conhecer "delZ'azione in riconvcnzione dipendente d"l titolo dedotto in giudizio dall'aftore, o daZ titolo che già ~ppartiene alla causa principale come mezzo di eceezio'é J '. A regra é quase ipsis vcrbis reproduzida no art. 36 da lei vigente, com o acréscimo de exceção que não iI::porta aqui; no mais, apenas se usaram a expressão "dorl"ande riconven~

zionali" em vez de ua::ione in riconvenzio'i~-", a forma ana-

lítica ache dipendono" em lugar de "dipt~;i.:nte", e o pro- nome "quello" na oração final, para evita:' a repetição do substantivo "titolo",

16, Antes de enfrentarmos a questão capital, impõe- se uma observação, À primeira vista, o :20r literal e a colocação dos dispositivos aludidos POàf::! sugerir que os pressupostos indicados naqueles texto;; ::ão se refiram propriamente à admissibilidade da reco::"."enção, mas à competência do órgão perante o qual cor:-~ a ação origi- nária para conhecer da causa reconvencóJ::aL A depen- dência do "titolo" deduzido pelo autor, o;,: já pertencente à matéria do processo como meio de de:fsa, seria rele- vante, sim, para aferir a posição dessa cs'.:;;a, em relação ao campo de competência do menciona à : órgão; a ine- xistência do requisito, contudo, não sign:::caria necessa- riamente que o réu ficasse impedido de u::cizar a via re- convencional, Permaneceria aberta seme:hante possibi- lidade, desde que, por outro razão, o órg-ão processante da causa originária fosse também competente para a reconvenção, descabendo, nessa hipótese, qualquer exi- gência de ordem substancial. Em outras palavras: o anti- go art. 100 e o atual ari. 36 esgotariam sua função nor-

gência de ordem substancial. Em outras palavras: o anti- go art. 100 e o atual ari.

mativa na fixação de critério a cuja luz pudesse o ~uiz da causa primitiva, em principio incompetente para a re- convencional, afirmar ou negar a ocorrência de prorroga- ção, que o habilitasse a julgar a segunda.

O problema -

que, conforme veremos, se pÔ3 igual-

mente no direito alemão - interessa ao estudo compa- ratístico na medida em que influi na classificação dos ordenam~ntos. Entendido o requisito de que ora se cuida como atinente apenas à competéncia, teriam de incluir-se

os Códirros italianos (e bem assim a ZPO de 1877) entre os dipl;mas que dispensam vínculo de substância para admitir a reconvcnção; adotado o outro entendImento, diversa há de ser obviamente a colocação respectiva. O exame da doutrina peninsular, quer anterior, quer pos- terior à reforma processual de 1940, revela o predomínio

amplo da tese segundo a qual o art. 100 do. v,elho Códi_gCl

vi crente não dizem respeito so a competen-

cia para a recon~·enção.mas regulam a própria admissi- bilidade desta", condicionada assim a um pressuposto de índole substancial: que a pretensão do reconvinte, de-

penda do título deduzido em juízo pelo. a~tor-reconvindo ou do título já pertinente à causa orlgmarm, como meio de defesa do réu.

e o ar\.

36 do

1\-~ssc scntidl). s:Jb o csta~l!tc! dI! 1865. MORTARA, COnTcntaria (MI

33. Codtcc c dcfIc Lcggi di prorcdura cil';/C, v. 11, p. 103; CHIO~f:N­

26

DA, Principii di ,iírirro prL,ccssualc civi/e, p. 1140; BETTI, D/ntlo proccssuale C;"L".'e italian,J, p. 141: JAEGER, La riCO/H'. 1/e! p~oc.

ci\'.,

Dmtto

p.

di

144

\!

5.:

diriJ!c)

sob

('

r.:gim

:

\"ig

:nt

:,

CALAMANDREI, J.~fI.IU­

155;

ZANZUCCHI,

-iolli

-

proccssudc

ci~'ilc, p.

prOCCSSUG e

I' ·'Ie v I P 197' SA.TIA DiriltO processualc civilc,

eH I

,

,.

,.,

•.

p.

processuale cmle, v. I, p.

157' MA~"'DRIOLI, Corso di diri/{o processuale civill', v. I, p. 100;

proec-

40;

LIEB~IA!'\. Manuale

di

dirilfo

RIécA~BARBERIS, Preliminari e commento aI

Cadice

di

dura civile, v. I, p. 79;. D'O~OFRIO, Commento ai Cadice di pro-

cedura civile, v.

143 e S.; GIONFRIDA, La compelenza lIel IIUOl'O processo civile,

I,

p.

78 (ci.

p. 79-80);

DINI,

La dom. riconv.,

p.

t

I

17. Emprega-se com freqüência a pslavra "titulo" para designar a causa petendi ". Nessa perspectiva, a primeir& hipôtese de admissibilidade da re:onvenção, no direito italiano, poderia entender-se como de conexão en- tre a ação reconvencional e a primitiva, caracterizada pela identidade do elemento causal, comum a ambas. A reconvenção seria admissível quando o réu-reconvinte se valesse da mesma causa petendi invocada pelo autor. Bem percebeu a doutrina, porém, quão difícil se tornava construir sobre tal base. Quando o autor pleiteia a pres- tação jnrisdicional, narra um fato (ou conjunto de fatos)

a que atribui aptidão para justificar a prondência reque- rida em face do réu; a esse próprio fato \0U conjunto de fatos), sem qualquer alteração, acréscimo ou supressão, teria o réu de atribuir, por sua vez, na po5:ulação recon- vencional, aptidão para justificar a provl::éncia requeri- da em face do autor. Ora, soa estranho que o mesmo fato (ou conjunto de fatos) possa fund=entar ambos os pedidos, o do autor e o do réu-reconvi::te.

Tem-se falado, ao propósito, no caso de contrato bi- lateral, em que cada uma das partes, resp52tivamente na ação e na reconvenção, reclame da outra a prestação

a que se obrigou. Assim, V.g., se o comp!""ldor aciona o

vendedor para haver a coisa, e o segundo T"çconvém para cobrar o preço, a admissibilidade da reco::venção resul-

p.

363 c s. Afiter, FRANCHI, DelJa competer::.;;. per connessionc,

'n

Commentario del Cad ice di procedura cid!, jirigido por AL.

34.

Oscilante CARNELUTIl. que no Sistema

em conformi.

dadc com a doutrina prevalecente, mudou de P25ição nas lnstitu-

ciones dei ~,uevo proceso civil j~aJiano. p. 234, e 5alvo engano vol-

tou à atitude inicial em Diritto e processo, p. 178, onde alude à re. convenção como o meio pelo qual o réu ex~r.:ita "una pre/esa

connessa con la pre/esa deli' attore medesimo".

LORIO. v.

del diritlo

I,

p.

352·3.

processuale civile, v.

I,

p.

935, opi::::

a

v.g

ZANZUCCID. Dir. proc. civ .• v. I, p. 198.

27

I, p. 352·3. processuale civile, v. I, p. 935, opi:::: a v.g ZANZUCCID. Dir. proc. civ

.

taria da identidade da causa petendi, que se pretende situar no contrato de compra e venda ". O ponto será objeto de exame atento no lugar adequado; note-se desde já, todavia, que o contrato, só por si, não constitui a cau- sa pctoldi nem da ação do comprador, nem da reconven- ção do vendedor. Aquela normalmente se fundará no

contrato e na drcunstâllcia de não ter sido entregue a

coisa

esta, no contrato c 110 não-pagamento do

preço.

Haverá. pois, ao menos uma parte em que não coincidem as causas de pedir. Dai as ressalvas eneontradiças na literatura italiana: vários autores tomam a precaução de esclarecer que, para admitir-se a reconvenção, é bas- tante a identidade parcial do título, podendo o réu-recon- vinte basear-se em elemento de fato alheio à fundamen- tação do pedido do autor ",;,

18. E oportuno examinar de perto as duas mais ela-

boradas tcntatÍ\'as de sistematização da matéria na pe-

Datam ambas, curiosamente, da época em que

nínsula,

vigia o Código de 1865; a doutrina mais moderna, a rigor,

não tem trazido ao estudo do problema contribuiçãp de

grande relevo.

Desde cedo há de ter-se percebido a necessidade de dar sentido útil ao texto legal, na parte cm que subordinava a admissibilidade da reconvenção à circunstância de "d~­ pender" esta do "título" já deduzido em juízo pelo autor. Tal preocupação transparece nas linhas dedicadas ao

35.

36.

ZA~'ZCCCHI, ob. c lug.

cit.

cm a. nota anterior.

Por

sob

formulações

a

comunhão

de

parte

variáveis,

do

título,

aCclfdam

cm

considerar

suficicnt!.!

entre

oUtro5,

CALAMANDREI,

[stil.lio"i, p. 155; UEBMAN, M<7I.ale, v. I, p, 157; D'ONOFRIO,

p, 170-1; FRANCm,

COm"""lo, v, I, p. 79; DTNI, lA dom. ricO"v

Della compct. per cannes!., p. 354; GIONFRIDA, La campet. nel

nUQ\'o

proc. civ.,

p.

360. Cf.

a exata

observação

feita

entre

nós

por CALMO~ DE PASSOS, Comentários ao Código de Processo

28

Ctvll, v. m, p. 410-1, Bcen."a do exemplo referido

~.

.'

no texto.

assunto, no principio do século, pelo maior processualis-

Ai se começa por excluir que, aos olhos

da lei, devesse a reconvenção buscar fundamento "no mesmo título". Assinale-se que a última expressão não parece corresponder conceptualmente, de maneira exata, a causa petendi: aludia o escritor â "relação jurídica que constitui o fundamento próprio da ação" _ ou seja,

ta italiano ".

apenas ao primeiro elemento do seu próprio conceito de causa petendi, tal como delineado noutro passo da obra, onde se falava de "um direito" e de "um estado de fato contrário ao direito" 38. Ao dizer-se, por conse- guinte, que não era indispensável sequer a identidade

do título, ia-se além do ponto a que se chegaria se se dis- pensasse somente a identidade da cansa de pedir. Uma vez que a relação entre "título" e causa petendi era vista como relação entre a parte e o todo, claro está que con- siderar desnecessária a identidade até do parte constituía atitude menos rigorosa do que a de quem só reputasse

desnecessária

a mente a da parte.

Feita essa observação, vejamos como se distribuiriam, de acordo com a doutrina referida, as hipóteses de re-

identidade do

todo,

exigindo eventual.

convenção admissível porque "dipendel1tc dal titolo de-

Haveria, primeiro, o caso

de fundarem-se ambas as ações numa única relação juri- dica (reitere-se: não propriamente na mesma causa pe_ tCl1ai!)' Aqui se procedia a um desdobramento: ou ocor- reria identidade do direito em questão, com diversidade de pedidos (exemplo: ação declaratória negativa, basea-

dotto in giudizio dan'attore".

37,

CHIOVENDA, Pri"cipii. p.

1140 e

S.

38.

CHIOVENDA, Principii. p. 63. ef. Instituições de Direito Proces.

suai Civil, v. I, p. 32, onde o autor, referindo-se ao primeiro dos dois elementos que a seu ver habitualmente int~gram a causa pe_ telldi, usa a expressão "uma relação jurídica" em sentido equiva- lente àquele em que, nos Principii, lug. Cit., aludira a "um direito",

29

da em simulação; reconvenção para p~dir-se a condena-

que

de tacha de simulado), ou então variedade dc direitos, com ","dade apenas, da relação jurídica na qual ambos se fundariam (exemplo: ação do vendedor para cobrar o preço; rcconvenção do comprador para haver a coisa). Em segundo lugar, ter-se-ia o caso de serem divcrsos quer

ção do autor à prestação devida por força

do ato

os direitos postulados, quer as relações jurídicas básicas (exemplo: ação de um proprietário cm face do proprie- tário vizinho para compeli-lo a obsel'\'ar a distância legal; rccol1venção do réu para que o autor, por sua ,"cz, obser-

ve tal distância). Viria por fim o caso de variedade de

vínculos juridicos postos cm relação de exclusão reci- proca (rccol1\'enção com função de açao declaratória in-

cidentc) Não é mister analisar em seus pormenores o esquema

ehiovendiano. parcialmente inspirado na doutrina alemã,

a que tcremos adiante ocasião de referir-nos. O que

impcnde

é

ressaltar

as

linhas-mestras

da

constnução.

Primeiro, registre:se que o escritor não exigia a conexão entre a causa orIginária e a reconvencional, abstendo-se de condicionar a admissibilidade da reconvenção à iden- tidade da causa pctc'Ildi. A necessidade de "depender" ela do "título" deduzido em juízo via-se entendida em

39. CHIO\"E:\"O:\, Principij, p.

(no tcrccirn parágl:if,) 03 p. 560,

p~lr .::yidcntc lap~o dI! n;:\'j)ão, lc-sl! "il1,l~ I!.'!i/ll') r.:m Y.:.' d~ "[dcl/-

Ao esquema chiovcndianv filiam-se,

ANDRIO-

com fiddidadc mais ou menos estrita, a" c\:posiçi"lcs d

firii"); Irlstir., v. II, p. 219-:!O.

560-1

::

LI, CommeTlto aI Cadice di procedura chile, v. I, p. 125: de DINI,

La dom. ricoMl'., p. 166 e 5.; e do próprio ZANZUCCHI, Dir. proe.

30

ci)-'.,

I, p. 198-9. Da. concepção exposta, cm substância, também

não parece muito afastado

quando, com referência ao "1;toio dedoHo

considera suficiente a alegação,

nericamente

MANDRIOU,

.,

pelo

réu,

ill

de

laJti

costitutivi

Corso,

"/atti

della

\".

file

I,

p.

siano

100,

giudido dall'attorc",

ge-

colJega/j

eon

domanda

prjn~

_cipllk".

------

-

acepção muito ampla: bastava que o réu-reconvinte se reporlllsse a alguma relação jurídica afirmada, explicita ou implicitamente, na demanda inicial, como pressuposto (positivo ou negativo) do direito postulado pelo autor. S~ quiséssemos identificar o pensamento fundamental inspirador da teoria, poderíamos descobri-lo na idéia de que se deveria admitir a reconvenção quando o funda- mento invocado pelo réu fosse tal que o autor, pelos pró- prios termos de sua postulação, ficass~ em condições de prever o contra-ataque e de preparar-s.e para a defesa ". Teria de existir, por conseguinte, alg-.;m nexo entre os fundamentos de ambas as ações; não s~ adotava, entre- tanto, atitude rigol'osa no tocante à CJracterização desse nexo, que poderia ser mais ou menos estreito.

19. A outra tentativa de sistematização que neste

contexto merece registro põe em ter~os mais explícitos a necessidade de abandonar-se, por insltisfatória, a idéia da identificação entre "título" e caUSJ petendi. Com re- ferência ao caso de obrigações deri\'adas de ~ontratos bilaterais, sublinha-se que "o autor não invoca, como fundamento juridico de sua demanda. toda a relação obrigacional (bilateral), mas só algt.!ls pontos, aqueles

) o réu,

por sua vez, se reconvém ao autor, JOão invocará prova-

Destarte,

força é convir que ação e reconvençào têm aí fundamen-

em razão dos quais subsiste o seu direito, e (

velmente esses mesmos pontos, senão outros".

40.

no

entendimento

Atente-se

lanço

dos

Principii,

atribuído

ao texto

do

p.

ll~), onde,

art.

100,

ao

justificar o

aludindo

3.", prillc.,

a "UII !irofo o rapporto giuridico dedotto in giudizio per la necessità

dell'a;:ionc"

"tanto

basta perche ['auore debba prevedere che iI convenuto potrà pro-

porre

di essa".

;n base a questo una demanda, e pre pararsi la di/tesa contra

(destaques

do

original),

explicava

o

mestre:

31

essa". ;n base a questo una demanda, e pre pararsi la di/tesa contra (destaques do original),

tQS diversos Ú, circunstância bastante - permitimo-nOB acrescentsr - para excluir a admissibilidade da segunda, caso se pretendesse exigir a comunhão da causa petendi.

Por outro lado, a construção chiovendiana tampouco satisfaria plenamente. Ela recaria por certa falta de clareza nos termos, abrindo na prática margem a dúvi- das. Ademais, o critério da previsibilidade da reconven- ção pelo autor não se mostraria adequado ao deslinde do problema das limitações l'0stas ao uso da via recon- ,·"nciona!. Para bem resolvi",,). antes se deveria buscar inspiração num "principio SllFc:'ior de ordem e de regula-

ridade dos juízos", e bem ass:::: t'm considerações relacio-

"I

JAEliER,

La r c,,,,,'.

",.[

pr.:

"',.

p,

150. nnta

I.

A

expnsição

a s.:guir rcsumid:l em nosso k\:.' .::-!c()ntra-~;.' Il:l.S p. 148 c S., especo

153-5, do livro.

É pnssívd K-:.: :.lmbém !ln c\)mcntárill a acórdãu,

publicJ.do

pdo

autM,

$\)b

o L:.::'

di

acccrtarncnto

c

su,li

prctcsi

limiti

krritMi::

~)ncn.' ddla

prova;

lk:kgazionc

g.::n.::rica per assunzin!lc di pr,',>:", in

IVI', di

dir.

pme. dI'"

V. VII,

\93(\ parte

II,

p.

80

e

5,),

Em

qu':

7J

c

S.

pc~c a

(\)

!~~.::"'\, que intl'r

::ss3.

DI:"!. L,.; dom.

nc,llll'"

aqui

está nas

p.

166, nota.

p.

35,

não parece que JAEGER h.'or.:1. ::1,JdificaUl) substancialmente o seu

procC5slIalc cil'i/c, p, 151·2.

pensamento

ldcntifica·sc aí o "Iilolo" na

na

ubrn

poSh:riM

D',iuo

: '~!l:a:iollc dr!!c prclc5c Glllitctiche

dcllc

par/i", c~lnsi,q

:nte

cm "~:.:' pllllli

addolli

a

sostcgno

ddle

foro richicste c che pIJSSOIIO .i,-'~":.:;rc og!:,'.'(O di qucsLioll" intlucrl.li

haver varia-

a mes-

ma. De qualqu~r Sl1rtc, nã,' 5"; ::.figuram consistentes as críticas

L--\EGER, qu;.:r na primeira vasão

166, nota 35

(La dom. ricoII\"., p.

do a fórmula; m3S a idéia b

pcr la dccisiollc

Jclla

cOllfr,1\ ('.'

:,:,;

.

::

.1

prindpalt ".

s

:m

Pode

dúvida. permanec

rcc

:ntc

(p.

:u

de DINI à sistl'matização d.:

165-6),

G;':':~ ~J. mais

CiL). SurpreendI! cm particular::. afirmação: "Noll la comunallza

32

di

questioni,

ossia

di

mOlin;.::::"-",c,

e quclla

che

puo

dar

luogo

all'ammissione della ricom·c!l::::~'.'=c, perchi: fZOIl la comunallza di

questioni dà luogo a que/Ia conr:essione che e n('cessaria per poter

ammettere la ricom'cn::iotlc" -

exemplo quase didático de petição

de prinCípio, que fica por d::!ITlJnstrar a necessidade da concxão,

100 do velho Código de 1865, nem se

à

refere o art.

qual não se referia o

36

d"

art.

diploma em '1igor.

nadas com a conveniência de assegurar a maior corres- pondên~ia possivel entre o processo e o seu e.~copo.

teleológica.

Adota-se aqui

perspectiva eminentemente

Uma razão essencial justifica a subsistência da recon- venção: "a oportunidade para que o mesmo processo sirva simultaneamente à solução de várias controvérsias,

isto é, para que o funcionamento da máquina judiciária

- já posta em movimento quanto a uma controvérsia -

tenha o maior rendimento, com o mesmo dispêndio de tempo e de forças". Em síntese: a reconvenção justifi- ca-se na medida em que atende à economia processual,

e tal há de ser a medida de sua admissibilidade. Fora de semelhantes limites, "a introdução de uma ação re- convencional no processo não serviria Eenão para com- plicar inutilmente o funcionamento da máquina, para sobrecarregá-la sem resultado e, por conseguinte, com evidente prejuízo".

Formuladas essas premissas, procura-se à luz delas responder à indagação: quando se poderá dizer que a abertura da via reconvencional significa poupança de energias? Para atingir a meta do processo (de conheci- mento, é óbvio), que consiste na emissão da sentença definitiva, cumpre esclarecer uma série de pontos duvi-

dosos, de questões de fato e de direito, que vão constituir fundamentos da decisão. Ora, haverá economia se o tra- balho realizado pelas partes e pelo juiz, com aquela fina- lidade, puder servir ao julgamento de mais de uma causa

- especificamente, ao da ação primitiva e ao da recon-

venção. Daí se infere que o elemento decisivo, para reputar-se admissível a reconvenção, deve residir na pre- sença de questões comuns a ela e à ação originária. O termo vago de "título", empregado pela lei, resolver-se-ia no conceito de questão.

33

. ,

/1

20. Até aqui cuidamos das ~ipóteses enquadráveis na

cláusula da lei italiana (da antiga e da atual) concer- nente à reconvcnção admissível por "dependência" em relação ao "título" deduzido pelo autor. Em ambos os

textos, o de 1865 e o de 1940, existe no entanto referên- cia expressa a outro caso: o de depender a reconvenção

de título já pertencente à causa "come mezzo di eccezio-

ne" - usada a palavra, ai. no sentido amplo de "defesa".

O

exemplo clássico é o do réu que alega compensação

e,

afirmando ser o valor do seu crédito superior ao do

crédito do autor, recoll\'ém para pedir a condenação deste ao pagamento do saldo. Tal hipótese é estreme de dúvida: com efeito, não se pode hesitar no reconheci- mento do' estreito nexo entre a defesa baseada na com- pensação e a cobrança por "ia rccon\'encional da eventual diferença.

O que se tem discutido. na literatura peninsular, é a existência de outras hipóteses também suscetiveis de enquadramento na mencionada cláusula. Para mais de um escritor, o caso da compensação é único -12, e os, de-

mais exemplos que se têm sugerido corresponderiam a recoll\'enções admissíveis par torça da dependência quan- to ao "título" deduzido pelo autor. Recairiam, pois, no

gr~po de hipóteses de que se

sendo inútil e descabido recorrer, para justificar a ad- missibilidade, a cláusula final do art. 100, n. o 3, do velho Código, ou à do art. 36 do vigente.

Nenhuma relevância prática apresenta a questão: con- forme exatamente já se assinalou'", desde que se esteja

tratou nos itens anteriores,

42. CHIOVENDA, Principii, p. 561, fala, com certa cautela, dI! "caso

refutando

como impertinentes os rl.!stan~es exemplos apontados cm doutrina. Mais categórico J.-'\EGER, La ricotH'. /lei pme:. civ., p. 159, 161.

JAEGER,

43.

típico",

mas parece

não admitir a

existência

de

outro,

La ricom·.

nel proc. ci~·.• p.

163.

34

em condições de declarar admissível a reconvenção, nada importa que ela o seja por um motivo ou por outro, que a "dependência" se configure em relação ao titulo deduzido pelo autor ou ao pertencente à causa como meio de defesa. Não nos furtaremos, todavia, a uma obser- vação: entre os casos a cujo respeito se controverte, figura o de ação de separação (ou de divórcio), pro- posta por um dos cônjuges com lastro em fato imputado

ao outro, à qual este oferece

obter, por sua vez, a medida, com ba

juge autor. Convém sublinhar a razão pela qual o en- quadramento da hipótese se torna difícil, ou quand3 menos problemático, no direito italia::o: é que os textos legais, aludindo unicamente a um I:exo entre ação e reconvenção relacionado com o fundamento ("titolo") , omitem qualquer referência a outra modalidade de vín- culo, contemplada expressis verbis em mais de um orde- namento: o vínculo relacionado com o objeto. Havendo cláusula desse gênero, nela encontra cômodo apoio a admissibilidade da reconvenção em h:póteses tais. Sua ausência leva os intérpretes a procurar justificações um tanto artificiosas. Parece-nos que rea:mente não assistia razão aos que, na Itália, tentavam e::quadrar o caso na moldura da "dependência" em face do título pertencente à causa qual "mezzo di eccezione"; mas tampouco soam inteiramente satisfatórias as outras soluções propostas, como a de afirmar a identidade parcial de fundamento numa e noutra ação ", ou a de admitir que o julgamento de ambas pressupõe o desate de uma quest ao- comum " .

reconvenção, no intuito d ~

-.e

na culpa do côn-

44. CHIOVE'KDA,

Priflcipii.

p.

próprio casamento).

561

(a

pane

comum

consistiria

no

45. JAEGER, La riconv. nel proc. civ .• p. 162

35

§ 4.°

Direito alemão

(ocidental)

21. A semeIhança dos Códigos peninsulares, também

a ZPO da República Federal da Alemanha alude à recon-

venção na parte relativa à competência. Nos termos do ~ 33. La alínea. é possível reconvir perante o juízo da ação. quando a contrapretensão é conexa ("iII Zusammen- hang slrhl") com a pretensão que naquela se faz valer, ou com os meios de defesa contra ela aduzidos. A colo- cação do dispositivo e a redação um tanto ambígua suscitaram na doutrina controvérsia análoga à de que S2 deu noticia no parágrafo atinente ao direito italiano. EnCjuanto uma corrente na conexão a que alude o § 33 pressuposto de admissibilidade da reconvenção, outra prefere atribuir:lhe o mero efeito de tornar competente para ri causa rcconvencional o órgão que processa a ação

primitiva 4':.

O segundo entendimento tem como corolário

.

,

reputar-se admissivel a reconvenção independentemente

";'~,'.

Dcre-

rh" Pr,lccsal Cl-i!, \". I, p. 31'7; HELLWIG, Lchrbuch dcs di'uf- 5ch('! Zil'ilpw;'t",lr,'clus, \". III, p. 56; Sy.\IC/I! des dcutschcll Zivil- pr,':.cssrcchls, Y. I~ P. )1(\: LE,\;T, Diriflo pr,'('cHua/C eh'ilc tcdcsco,

p. 188; BER:\HARDT, Gnll1driss dcs Zir:"!pro:.cssrcchIJ, p. 101;

ROSE'\BERG·SCHWAB. iíl'ílpro:cssrcc!zr, p. 526; GRUNSKY,

Gnl'ldlar.;clI de.' l'crfuhrclIsrcch.'s. p. 140·]: cm sedio! monográfica.

:'\:1.

prim~ira CMr

::nte

1'

1,'.,

W:'\CH.

Atal/ual de

alinham·~

::.

HEI:\SHEI~1ER. Klag(' und Wid

:rklage,

schc!! Zil'l'lpf():~'\'. \'. )S. 19!19, p. 1

:

s.

in Zcilschrilt liir deut.

outra tem como prin-

A

cip:l.i~ r(,pfl.!~cntant('s KOHLER, ner Pro:'.".\5 G./s Rcchlsl"crhâltnis,

p. }1)8; STEI'\', (;rlllldriss dcs Zil'ilpro:cHrc,ius ulld des KOllkurs-

rcc!tls, p. 289: STEI,\'-JO'\AS, J)ic Zil'ilpro:l'S~ordllul/g fiírdasdeut-

schc Rcich, v. I, p. 104·5; OERTMANN, Grundriss des Zivilpro- :.essrcchIS, p. 143 (modificando opinião anterior: vide Dic Inzident-

flo!ststcllungsklagc, in Zeilschrifr fiir deutschcn O\'ilprozess, v. 22,

36

18%, p. 61); GOLDSCHMIDT. Zivilprozessrecht.

p.

95. 173;

NI-

KISCH, Ziviipro:.pssrecht,

cesa!

BRLTJ"

p.

98-9, 171;

SCH5~KE, Derecho Pro-

293--4;

JAUER~IG, Zivilprozessrecht,

Civil,

iS,

p,

145,

177;

BLOMEYER, Zh'ilprozessrecht,

p.

205;

p,

Zivi!prozcssrecht,

p.

156; ZEISS. ZMlprozessrecht, p.

38. 167;

BAUMBACH.LAU.

de qualquer nexo de substância, caso se possa afirmar com outro fundamento a competência do mencionado órgão para julgá-la; só para a eventual prorogatio fori é que se tornaria relevante a existência da conexão. Essa tese vem predominando na literatura: de acordo com ela, o ordenamento tedesco teria de incluir-se entre os que se abstêm de formular requisito substancial para admitir a reconvenção. O problema importa-nos apenas ao ângulo do enqua-

Muito

maior interesse tem para nós o exan:e. ainda que per-

functório, do sentido em que se ente::J". na Alemanha,

a cláusula legal referente à conexão.

que se poderão extrair dados particuh:'mente úteis para

o desate das questões hermenêuticas ;;'-lscitáveis a pro- pósito do nosso próprio texto em vig0~.

22. A primeira observação cabível é a de que a ZPO

adotou formulação mais genérica do q:';e a das leis pro- cessuais italianas. Nestas, conforme ;;2 explicou, a rela-

ção entre a causa reconvencional e 3 originária vê-se posta em termos de dependência qua:::o ao título de~u­ zido pelo autor ou quanto àquele que pertença ao feito como meio de defesa. No que tange à ;;2gunda hipótese, não parece haver divergência essellê:al entre os dois sistemas; e a melhor prova disso é qt;e na doutrina ale- mã também se costuma apontar como exemplo típico o da reconvenção oferecida com o esco:'J de obter a con- denação do autor ao pagamento da i:ferença entre o seu crédito e o de maior valor, alegado em parte pelo réu para fim de compensação".

dramento da ZPO num esquema comparatístico.

Dessa pesquisa é

TERBACH,

zessordnung und Nebengesett.e,

Zivilprozessordnung,

v.

p.

I,

gráfico,

LOENING,

Die

Widerklage,

80;

1,

p.

WIECZOREK, Zivi/pro~

p.

Si

::!44;

e

s.

no

plano

mono-

47. Vide por todos HEINSHElMER. Klage und Widerklage, p. 38·9. O autor formula outros exemplos, um ~Q! ~~I - ° da recon·

37

No que concerne ao outro grupo de casos, todavia, a diferença é sensível. Os textos peninsulares só cogita- ram' Cl'pressis t!CT~is de uma vinculação relacionada com

o fundamento da ação primitiva e da reconvenção -

~em prejuízo do que ficou dito, no parágrafo anterior, sobre a atitude prevalecente na doutrina, que com boas razões se negou em geral a identificar as noções de "tito- /o" e de causa petendi. Não se depara em qualquer dos dois Códigos, de 1865 e de 1940, alusão a nexo caracte-

rizado pela eomunhão do objeto, e já foi oportunamente registrado o artificialismo das construções a que a ciên- cia processual teve de recorrer para remediar a omissão

(ride,

s"pra, o item

n.o

20).

A ZPO fala genericamente de conexão ("Zusarnmcn- hal1çj"). Xenhuma dificuldade se opós, assim, a que desde cedo se reconhecesse em sede doutrinária mais de um tipo de parentesco entre a causa originária e a re- convenção. Os primeiros trabalhos importantes a res- peito da matéria já assinalavam a possibilidade de que tal nexo dissesse respeito quer ao fundamento de uma

e outra ação, quer ao respectivo objeto ". Na melhor

literatura" depara-Se referência ao caso da ação de di-

vórcio a que se contrapõe reconvenção também tendente à dissolução do casamento - espécie que, com algumas

h:nçl,)

ap3.r.:ce inc1u

Obscrn.:--sc de passagem que,

na Itália, JAEGER, La ,':com'. ncl proe. cil'" p. lfí2. prdcrc in- cluir a espécie cnlfl.! o!'t casos de "dcJX'nd.:':ncia" com relação ao

"título" deduzido cm juízo pelo autor.

çon\!xa

o j\',; na lit::ratura

com

dir~ito de

retenção

oposto

cm

defesa

-

mais recente (r.f,'., ROSENBERG·

526).

SCrnV.-\.B, ZiI'i!w,J;:cssr,thr, p.

48.

Vide. ainda no século passado, LOENING, Die Widerklage. p. 94.

CC.,

em

nosso!.

dias,

ROSENBERG-SCHWAB,

ZiviLprozessreclu.

p. 525.

 

49.

V.g

HELLWlG, L!hrbuch, v. II, p. 265; Sy,tem, V. I, p. 127.

38

   

outras análogas, se situa entre os mais caracteristicos

exemplos de conexão' pelo

objeto.

 

I

 

23.

Visto não suscitar problemas de grande vulto a

 

hipótese de admissibilidade resultante de vínculo entre

a

reconvenção e a defesa, convém que nos detenhamos

por alguns momentos na análise do outro grupo de casos,

a

saber, o de conexidade entre a pretensão do reconvinte

e

a do autor, encarada, repita-se, ao ângulo do funda- mento ou pelo prisma do objeto. Como bem se com- preende, o requisito da conexão entre as duas preten- sões envolve a necessidade de terem ambas algum traço comum. Dividiu-se a doutrina, contudo. quando tratou de precisar em que deveria consistir esse lirune. A maio-

ria dos autores, conjugando o disposto no i 33, l.a alínea, com a regra do § 145, 2. a alínea, da ZPO - a cuja luz fica

o

órgão judicial autorizado a ordenar qc:e se processem

separadamente a ação e a reconvenção, quando a pretensão do reconvinte não esteja "em conexão juridica (in rechtli- chem Zu.sammenhang)" com a do auto!' -, inclinou-se a exigir a comunhão numa rewção jurídico: mas não faltou quem se satisfizesse com a comunhão em fato 00.

50. Entre os qU;! adotam o prim;;iro entendim,,:::~'. sustentando-o em termos explícitos ou pelo m;;;":0S fazendo ac~"'~panhar do adjetivo rechrlich, na exposição da m:l.:éria, o SUbSI3:":::\"(I Zusammenhang, podem citar-se: \V ACH, MGlw::;!, v. II, p. 2:- ·S: HELLWIG, Leltr- buch, v. II, p. 264 c nota lt: Y. III, p. 56: 5ys!em, v. I, p. 127, 316; STEIN - JONAS, Dic ZPO iiir das lh:ursche Reich, v. I, p. 109; OERTMANN, GrunJriss, p. 79; GOLDSCHMIDT, Zivil-