Introdução ao Agronegócio

FORMAÇÃO
TÉCNICA

Curso Técnico em Agronegócio

Introdução ao
Agronegócio

SENAR - Brasília, 2015

S474m
SENAR – Serviço Nacional de Aprendizagem Rural.
Matemática básica e financeira / Serviço Nacional de Aprendizagem Rural. –
Brasília: SENAR, 2015.
128 p. : il.
ISBN: 978-85-7664-080-6
Inclui bibliografia.
1. Matemática. 2. Matemática financeira. 3. Estatística. I. Serviço Nacional de
Aprendizagem Rural. II. Título.

CDU: 806.90-5

Sumário Introdução à Unidade Curricular –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 6 Tema 1: Agronegócio ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 9 Tópico 1: Importância do Agronegócio ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 9 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 13 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 18 Tópico 2: Contextualização Histórica Tópico 3: Definição de Agronegócio Tópico 4: Agricultura Familiar –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 2 1 Encerramento –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––2 4 Tema 2: Panorama Geral do Agronegócio no Brasil e no Mundo ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––2 6 Tópico 1: Panorama Geral Mundial do Agronegócio 26 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Tópico 2: Panorama Geral do Agronegócio Brasileiro ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 3 2 Encerramento ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 8 7 Tema 3: Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável–––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––8 9 Tópico 1: Definição de Desenvolvimento Sustentável –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––8 9 Tópico 2: Agronegócio Sustentável –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 9 3 Tópico 3: O Mercado de Orgânicos –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 9 3 Tópico 4: O Consumidor de Produtos Saudáveis ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 9 5 Tópico 5: O Novo Código Florestal ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 9 7 Encerramento –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 102 .

Tema 4: Desafios do Agronegócio –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 104 Tópico 1: Mudanças Climáticas ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––105 Tópico 2: O Mercado de Fertilizantes Brasileiro––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 108 Tópico 3: Consumo Mundial de Fertilizantes–––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––110 Tópico 4: Histórico da Utilização de Tecnologia na Agricultura Brasileira ––––––––––––––––––––– 112 Tópico 5: Agricultura de Precisão–––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––114 Tópico 6: Sementes geneticamente modificadas (GM) –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 115 Tópico 7: Logística ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––116 Encerramento –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––122 Referências Básicas –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––123 Referências Complementares ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––123 .

Introdução à Unidade Curricular .

• entender o agronegócio brasileiro e suas perspectivas futuras. você deverá ser capaz de: • compreender as definições de agronegócio. Dessa forma. econômicos e políticos dos pontos de vista nacional e internacional.6 Introdução à Unidade Curricular A unidade curricular Introdução ao agronegócio foi desenvolvida a partir de uma sólida base teórica e prática para que você se capacite sobre os principais conceitos e desafios desse importante setor da economia brasileira e do mundo. a presente unidade curricular. • refletir sobre a Cadeia de Valor do agronegócio e seus desdobramentos sociais. • conhecer o cenário do agronegócio no Brasil. com carga horária de 75 horas. Ao final desta unidade curricular. está organizada em quatro temas que se subdividem nos seguintes tópicos e sub-tópicos: Curso Técnico em Agronegócio . • analisar as interfaces do agronegócio brasileiro.

Breve Histórico Tópico 2: Agronegócio Sustentável Tema 3: Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável Tópico 3: O Mercado de Orgânicos Tópico 4: O Consumidor de Produtos Saudáveis 7 Tópico 5: O Novo Código Florestal 1. Evolução Histórica do Código Florestal Brasileiro Tópico 1: Mudanças Climáticas Tópico 2: O Mercado Brasileiro de Fertilizantes Tópico 3: Consumo Mundial de Fertilizantes Tema 4: Desafios do Agronegócio Tópico 4: Histórico da Utilização de Tecnologia na Agricultura Brasileira Tópico 5: Agricultura de Precisão Tópico 6: Sementes Geneticamente Modificadas (GM) Tópico 7: Logística Introdução ao Agronegócio .TEMA TÓPICO Tópico 1: Importância do Agronegócio Tema 1: Agronegócio Tópico 2: Contextualização Histórica Tópico 3: Definição de Agronegócio Tópico 4: Agricultura Familiar Tópico 1: Panorama Geral Mundial do Agronegócio Tópico 2: Panorama Geral do Agronegócio Brasileiro 1: Soja Tema 2: Panorama Geral do Agronegócio no Brasil e no Mundo 2: Café 3: Cana-de-Açúcar 4: Algodão 5: Arroz 6: Milho 7: Carnes 8: Fruticultura 9: Feijão Tópico 1: Definição de Desenvolvimento Sustentável 1.

01 Agronegócio .

Tópico 1: Importância do Agronegócio Atualmente. • conhecer as principais características do agronegócio brasileiro.Tema 1: Agronegócio Este primeiro tema é uma apresentação completa dos principais fundamentos do setor.35 bilhões dos outros setores da economia (DEAGRO/FIESP. Neste tópico. Um bom exemplo é o aumento considerável das exportações brasileira de grãos. Também foi registrado um aumento de cerca de 4% das importações. uma das principais economias do mundo. em especial a exportação de soja para a China. • identificar as principais questões e debates sobre o agronegócio nos contextos brasileiro e mundial. o que compensou o deficit de US$ 80. Você sabe por quê? Eventos específicos e alguns números podem ajudar nessa resposta. somando US$ 99.97 bilhões. Para isso. No ano de 2013. as exportações do agronegócio registraram um novo recorde se comparado a anos anteriores. elaborado para que você desenvolva as seguintes competências: • compreender e fazer uso dos conceitos de Agronegócio utilizados no curso. antingindo a cifra de US$ 17. Introdução ao Agronegócio 9 . muito se tem falado sobre a importância do agronegócio brasileiro. primeiramente será feita uma breve contextualização histórica da agricultura na qual veremos a evolução do agronegócio ao longo dos anos.06 bilhões.91 bilhões. 2013). você aprenderá o que é o agronegócio. O objetivo é entender como o conceito de agronegócio precisa sempre ser analisado de maneira mais ampla e sistêmica. A economia brasileira agradece esse resultado. pois o setor teve um saldo positivo de US$ 82.

56 Fonte: MDIC (2014). o resultado da Balança Comercial brasileira seria negativo.4 bilhões de dólares em 2012. Repare que o agronegócio. para 82.97 bilhões de dólares.10 O quadro a seguir mostra a Balança Comercial do Brasil no biênio 2012-2013. em dado período de tempo.91 bilhões de dólares em 2013.9 -80. em dado período de tempo. fechou o período com saldo positivo. Percebe-se que nesses setores houve um deficit entre importação e exportação.8 bilhões de dólares para 99.8 142.1 239. É calculada por meio da análise do valor total das exportações. Não fosse o resultado positivo do agronegócio.5 2.4 82. Balança Comercial É a parte do balanço de pagamentos que registra a diferença entre exportações e importações de mercadorias de um país. ao contrário dos outros setores. observe os números dos demais setores da economia brasileira.6 242.2 206. que passaram de 95. Agora. subtraindo-se dele o valor referente às importações de bens promovidas em determinado período. em US$ bilhões)   Exportação Importação Saldo 2012 2013 2012 2013 2012 2013 Agronegócio 95. Superavit Situação em que o valor total das exportações de certo país supera o valor total das importações realizadas por este mesmo país.35 Total Brasil 242.06 79. Deficit na Balança Comercial Situação em que o valor total das importações de certo país supera o valor total das exportações realizadas por este mesmo país. Esses dados comprovam a importância do agronegócio para a economia brasileira e o porquê de tanto se falar a respeito desse setor.7 222.6 19. Curso Técnico em Agronegócio . Veja também que o saldo da Balança Comercial foi superavitário passando de 79.2 223.8 99.91 Demais setores 146.97 16.55 -59.4 17. Observe que no período de 2012 e 2013 ocorreu um aumento das exportações do agronegócio. Balança Comercial Brasileira (2012 e 2013.

000 Tradicional e empresarial suco de laranja Sul 600. milho. 11 Perfil da Produção Agrícola Brasileira Região Centro-Oeste e MAPITOBA Número de produtores 25. soja e Grandes produtores e cana-de-açúcar tradings Cana. Ambas são produzidas como commodities. no Centro-Oeste predominam culturas como soja e algodão. Commodity Produtos padronizados e não diferenciados. Por exemplo. formado em bolsas de mercadorias no próprio país ou no exterior. milho. café. normalmente. diversificado em relação à sua terra – o perfil da produção agrícola difere de uma região para outra. grandes horticulturas e usinas de açúcar e álcool e vegetais indústria processadora de Alta tecnologia Pequenos e médios Sudeste 250.Já sabemos que o Brasil é um país com grandes extensões territoriais e.000 Uso da tecnologia Culturas Perfil Algodão. cujo preço é. produtores.000 Soja. Pequenos e médios Tradicionais e arroz e trigo produtores profissionais Fonte:IBGE (2011) Introdução ao Agronegócio . em grande escala de produção e direcionadas para a exportação. portanto.

Observa-se o predomínio de pequenos e médios produtores. o milho. em áreas menores de produção e com o uso mais tradicional da tecnologia. como por exemplo.6% Café 1º 1º 26. também.USDA.MAPA. açúcar.12 Note que. consumo etc. Comentário do autor d O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos-USDA divulga informações de produção. dos produtores e demais participantes do agronegócio brasileiro e mundial. As principais culturas da região Sul são o arroz. Observe a posição brasileira na produção e na exportação mundial de produtos agrícolas.5% Óleo de soja 4º 2º 15. As informações acima foram elaboradas pelo Ministério da Agricultura. de diversos produtos agrícolas do Brasil e do mundo. Esta liderança em relação ao mercado mundial é conseguida devido à eficiência do produtor brasileiro. como a uva e os citros. o trigo. Posição brasileira na produção e exportação mundial de produtos agrícolas (2013/14) Produtos Produção Exportação % da produção exportada Açúcar 1º 1º 48.9% Soja em grão 2º 1º 40. na região Sul. Curso Técnico em Agronegócio . as propriedades com pecuária de corte e de leite.4% Carne suína 4º 4º 8. Elas comprovam que o Brasil é um grande produtor e exportador de commodities agrícolas. importação.. suco de laranja concentrado e congelado.2% Carne de frango 3º 1º 34. construídas com dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos .1% Fonte: MAPA (2014) com dados da USDA.8% Suco de laranja 1º 1º 79. café e outros. e a suinocultura.8% Milho 3º 2º 18. suco de laranja. no período de 2013 a 2014. dos bancos.8% Carne bovina 2º 1º 20. fica fácil entender porque atualmente o país é grande produtor e exportador de soja. o perfil é outro. café e açúcar. Pecuária e Abastecimento . É preciso considerar. exportação. Depois de ver rapidamente como se divide a produção agrícola em certas regiões do Brasil e os números que as constituem. Os dados divulgados pelo USDA são tomados como referência por grande parte das empresas. e frutas. ambas baseadas na agricultura familiar. aliado ao aumento de tecnologia nas propriedades e aos incentivos governamentais.

as criações de animais e o desenvolvimento tecnológico. um marco significativo na história da humanidade. 1980 e 1990. eles descobriram que era possível domesticar os animais e que eles poderiam ajudá-los em suas tarefas no campo (ARAÚJO. percorrendo lugares distantes. veremos quatro marcos temporais: as décadas de 1960. também. 1970. deixando de se deslocar por grandes distâncias em busca de comida. movidos pela necessidade de caça e pesca. elas germinariam. foi ocorrendo a integração das atividades agropecuárias com as atividades industriais (ARAÚJO. Introdução ao Agronegócio 13 . Além disso. cresceriam e dariam frutos que serviriam para a sua alimentação. Podemos considerar que esse é o início da agropecuária. 2010). E como será que se desenvolveu essa integração e onde estamos hoje nesse importante capítulo da história do homem e do agronegócio? Evolução da agricultura Para contar esta parte recente da história da agricultura. 2010). sempre em busca de alimentos ofertados pela natureza e.Tópico 2: Contextualização Histórica De onde surgiu o conceito atual de agronegócio? Você sabe como surgiu o agronegócio? Tudo começou com a agricultura. se eles lançassem as sementes ao solo. Todo o necessário para a produção de subsistência estava disponível nesses espaços fixos. por exemplo. Com o passar do tempo. Durante essas jornadas. esses homens entenderam que. o que impossibilitava. Avançando séculos e mais séculos nessa história. a conservação dos alimentos. o que permitiu que o homem se fixasse em lugares preestabelecidos. vivenciava-se tanto períodos de grande fartura quanto períodos de total escassez devido às condições climáticas adversas. com a diversificação da produção de várias culturas. ainda que na época fossem muito precárias as condições em termos de infraestrutura. Há milhares de anos os homens viviam em bandos.

e gados de corte e de leite. o termo “agricultura” deixou de abranger a complexidade do setor.1960 – A modernização da agricultura 14 Um exemplo de como era o processo agrícola no Brasil na década de 1960 são as propriedades rurais de Minas Gerais. O conceito de setor primário. milho. “Já não se tratava mais de propriedades autossuficientes. Com essa evolução agrícola. o algodão. Nessas propriedades. Parte disso ocorreu. ainda. em função de um forte movimento de êxodo rural. ou de agricultura. agrícola. 2000). que produziam café. 2010). 2010). ou primário (ARAÚJO. serviços e infraestrutura que envolve agentes diversos e interdependentes” (ARAÚJO. Curso Técnico em Agronegócio . 2010). já que a cidade se tornou atrativa com a oferta de empregos e as propriedades rurais foram perdendo sua autossuficiência (ARAÚJO. também. para o tecido. Aqui temos um marco fundamental na história do desenvolvimento agrícola brasileiro. Já a segunda metade da década de 1960 é marcada por um processo de modernização da agricultura brasileira. iniciou-se um processo de especialização em determinadas atividades. mas de todo um complexo de bens. perdeu sentido. e. o que fez com que as propriedades rurais se tornassem dependentes de insumos e serviços que elas mesmas não eram mais capazes de produzir. e cana-de-açúcar. com a grande evolução socioeconômica e tecnológica que ocorreu nos diversos setores da economia. Durante os anos seguintes. da cana-de-açúcar se faziam a cachaça e o melaço. pois passou a envolver muitos setores e não era mais classificado como rural. e também criavam porcos. o leite era utilizado para a produção de queijos e manteiga. na qual se intensificam as relações entre a agricultura e a indústria (MAZALLI. que se transformava em roupas.

delineou-se um novo modo de produção agrícola. nesse período. a década de 1960 é considerada como uma referência no processo de modernização da agricultura brasileira. Dessa forma. com o objetivo de acelerar esse desenvolvimento tecnológico na produção agrícola nacional. ocorrendo um aumento das relações entre agricultura e indústria. 1970 – Investimentos e crédito facilitado para a agricultura 15 Alguns anos mais tarde. sendo os principais objetivos: J Modernização da agricultura Incentivo à produção de alimentos % Administração dos preços agrícolas. pois a estrutura agrária existente era arcaica. pois.Nesse período. Esse Introdução ao Agronegócio . já na década de 1970. A modernização da agricultura necessitava de investimentos em tecnologia. no qual a produção agrícola passou a depender dos insumos que recebia de determinadas indústrias. o governo brasileiro atuou fortemente concedendo o crédito agrícola e fornecendo financiamentos com taxas de juros subsidiadas. Em suma. o Sistema Nacional de Crédito Rural (SNCR) foi estruturado. em 1965. os financiamentos foram facilitados e proporcionaram maior capitalização aos produtores e às agroindústrias de modo geral.

1980 – Crise mundial e seus impactos na agricultura Nos anos 1980. o Estado Brasileiro promoveu a política de Substituição de Importações (SI).16 fato acabou prejudicando os pequenos produtores no mercado e favorecendo os médios e grandes produtores com maior poder de capitalização. 1987. no período entre 1950 e 1975. • os fundos regionais de investimento. É importante lembrar que. Com a crise dos mecanismos tradicionais de apoio ao setor (crédito governamental. que levou a uma drástica redução do crédito oficial do SNCR.. política de garantia de preços mínimos. pela qual se implantaram as indústrias de insumos e as máquinas para a agricultura no território brasileiro. Curso Técnico em Agronegócio . estoques reguladores etc. e nesse período foi realizada a Reforma da Política Agrícola Brasileira. devido à mecanização e ao aumento do consumo de insumos agrícola. o Estado passou a priorizar ações estratégicas dirigidas a segmentos específicos. RAMOS. • o programa de reforma agrária. 2007). como: • as linhas especiais para agricultores familiares. GRAZIANO DA SILVA.). • a solução de endividamento de produtores e cooperativas. O crédito fácil para os agricultores impulsionou a expansão de culturas de larga escala e a utilização de grandes áreas em uma mesma propriedade. o mundo e o Brasil passavam por uma forte crise econômica. 1998. ocorrendo também um incentivo à exportação (KAGEYAMA ET AL.

os grãos. assistência técnica e insumos. e nesse período ocorrem vários avanços tecnológicos que permitiram a estruturação dos agentes necessários para atender aos mercados interno e externo. Essa lei foi um marco no incentivo à produção agrícola do país. Tradings Empresas que financiam o produtor nas atividades de produção e que geralmente recebem produtos. Neste período há um aumento da ação dos capitais privados no campo. como. Dica ' O agronegócio da soja no Brasil cresceu a partir da Lei Kandir (1996) que isenta de ICMS produtos primários e semi-elaborados destinados à exportação. Houve uma política de incentivo às importações durante o Governo Collor o que gerou a necessidade de a indústria local se modernizar. para se tornar competitiva em relação aos produtos importados. e a adoção desse termo ocorreu nos países capitalistas da Europa e nos Estados Unidos. em troca da disponibilização ao produtor de recursos financeiros. contribuindo fortemente com o aumento da produção e a expansão da cultura em diversas regiões do Brasil. cresce os mecanismos privados de financiamento para a agricultura vindos das agroindústrias. por exemplo. grandes empresas multinacionais chegaram ao Brasil e compraram fábricas que estavam em operação. substituindo em parte o crédito do governo. o Brasil aderiu a uma política neoliberal. Informações extras O O termo “neoliberalismo” foi definido por Perry Anderson em 1995 como um fenômeno diferente do liberalismo clássico do século XVIII. Em paralelo. tradings e de outros agentes financeiros. Introdução ao Agronegócio 17 . que proporcionam um aumento do financiamento privado da agricultura.1990 – Neoliberalismo e agricultura Durante os anos 1990.  Assim. após a Segunda Guerra Mundial.

Curso Técnico em Agronegócio . 2010). e foi apenas a partir da década de 1990 que a tradução do termo para o português (agronegócio) passou a ser aceita e utilizada no país (ARAÚJO. Atualmente. O conceito de agribusiness passou a ser difundido no Brasil somente a partir da década de 1980. poderá perder mercado. os autores desenvolveram uma ferramenta para analisar a importância de cada elo do agronegócio e concluíram que um dependia do outro. Podemos citar como exemplo. Alguns países importadores como os da União Europeia. O consumidor. das operações de produção nas unidades agrícolas. exigem que toda a carne que for exportada pelo Brasil seja certificada e rastreada desde o início do processo de produção. procurando consumir produtos que tenham qualidade garantida pelo seu fabricante.Tópico 3: Definição de Agronegócio 18 O conceito de agronegócio vem do inglês agribusiness. ao exigir uma carne com qualidade melhor ou da qual o animal a ser abatido sofra o menos possível. a questão da carne bovina. em 1957. é uma tendência do mercado mundial da qual não se pode ficar para trás. também são consideradas as exigências do consumidor final. No conceito de agronegócio. que muitas vezes é o responsável por decisões dentro da cadeia produtiva. Ou seja. Ao estudar os Sistemas Agroindustriais (SAG). proposto por Davis e Goldberg. Se o frigorífico não atender a essas exigências. do processamento e da distribuição dos produtos agrícolas e dos itens produzidos a partir deles. o consumidor está cada vez mais exigente. que ocorre na propriedade rural. está influenciando diretamente na produção da carne. e do armazenamento. Isso levou à definição de agribusiness como: A soma total das operações de produção e distribuição de suprimentos agrícolas.

p. PADILHA JUNIOR. durante a produção e no fluxo dos produtos agrícolas até chegar ao consumidor. 2007. Introdução ao Agronegócio 19 . 48). 2000. rações.Contratual Vertical Agências de Estatística Trendings Filmes Individuais Produtor Fornecedor Produtor Matéria-Prima INFRA-ESTRUTURA DE APOIO Trabalho Crédito Transporte Energia Tecnologia Propaganda Armazenagem Outros Serviços Fonte: SHELMAN. como o governo. Ao analisarmos uma cadeia produtiva. observamos que existe uma interligação entre os elementos da cadeia produtiva. e as entidades comerciais. é preciso ter uma visão sistêmica. E você? A qual parte desse sistema pertence? Ao analisar novamente a figura anterior. dos transformadores. financeiras e de serviços (MENDES. defensivos. p. Devemos considerar todos aqueles que estão envolvidos antes da produção. os mercados. crédito e sementes). Repare que há vários elementos interligados e interdependentes. havendo a necessidade de uma coordenação da cadeia. todos os elos estão interligados e são monitorados pelo governo. 6.Sistema agroindustrial Consumidor Industrial Institucional Varejista Processador ESTRUTURAS DE COORDENAÇÃO Mercado Mercado de Futuros Programas governamentais Agências governamentais Cooperativas Joint Ventures Integração . Observe com atenção a figura anterior pois ela exemplifica a visão sistêmica do agronegócio. sob a pressão exercida pelos consumidores. como os dos fornecedores de insumos agropecuários (fertilizantes. Também fazem parte desse complexo os agentes que afetam e coordenam o fluxo dos produtos. dos produtores rurais. dos distribuidores e das revendas de produtos agropecuários. dos processadores. 1991 apud ZYLBERSZTAJN.

Sendo assim. • produção agropecuária. • serviços de apoio. Acesse no AVA a reportagem que foi publicada em um jornal do RS para saber mais sobre o assunto. podemos considerá-lo baseado em cinco setores principais (MENDES. também. baseado em ABAG. sendo que nestas cada agente tem contato com um ou mais agentes. Os principais setores do agronegócio Fornecedores de insumos e bens de produção Produção agropecuária Processamento e transformação Distribuição e consumo Serviços de apoio Alimentos Restaurantes Agronômicos Têxteis Hotéis Veterinários Vestuário Bares Pesquisa Lavouras temporárias Calçados Padarias Bancários Madeira Feiras Marketing Horticultura Etanol Supermercados Vendas Silvicultura Combustíveis Papel e papelão Comércio Transporte Floricultura Tratores Fumo Exportação Armazenagem Extração vegetal Óleos essenciais Sementes Calcário Fertilizantes Rações Defensivos Produtos veterinários Colheitadeiras Implementos Produção animal Lavouras permanentes Indústria rural Máquinas Motores Fonte: Mendes (2007). toda a cadeia será afetada.20 pois como todos os elementos estão relacionados. • processamento e transformação. caso ocorra algum problema em algum deles. Pode-se. Os sistemas agroindustriais assemelham-se às redes de relacionamento. Curso Técnico em Agronegócio Portos Bolsas Seguros . • distribuição e consumo. definir o agronegócio de uma maneira mais esquemática de modo a facilitar sua compreensão. Informações extras O Podemos citar como exemplo um caso de adulteração do leite ocorrido no Rio Grande do Sul que causou impactos em todos os elos da cadeia produtiva.2007): • fornecedores de insumos e bens de produção.

A ação de cada elo do SAG influencia outros elos e sofre influência deles. como fertilizantes. Por exemplo. 2. Ter uma visão sistêmica do agronegócio ou seja. a logística. A expressão “agricultura familiar” passou a ser utilizada no Brasil a partir de meados da década de 1990. a tecnologia. 1. ocorreram dois eventos que impactaram social e politicamente o meio rural. 2006). Dentro dessa perspectiva. a pesquisa etc. jamais um elo pode ser analisado separadamente.SAG é preciso seguir as duas orientações abaixo. no SAG da laranja é preciso analisar o elo dos insumos de produção. Também devem ser analisados os elos da distribuição (que farão a venda do suco) e o consumidor. 21 Introdução ao Agronegócio . Tópico 4: Agricultura Familiar Após aprender a respeito dos fatores mais mercadológicos sobre o agronegócio. depois. segurança alimentar e desenvolvimento local. é preciso considerar outro aspecto: a importância do papel da agricultura familiar no desenvolvimento do país em função da relevância de questões como desenvolvimento sustentável.` Atenção Para analisar um Sistema Agroindustrial . geração de renda e de emprego. Nesse período. o elo do fornecedor de matéria-prima. em especial a região Centro-Sul (SCHNEIDER. o elo da indústria processadora de suco de laranja. é preciso analisar as ações do governo e das instituições responsáveis pela comercialização (como as bolsas de mercadorias). o elo da produção de laranja e.

sendo responsável pela produção de 70% dos alimentos consumidos no país: cerca de 70% do feijão. nesse período. 2006): • a falta de crédito do governo para o meio rural. O PRONAF firmou a agricultura familiar no cenário político e social do Brasil. Esses movimentos produziram diversas formas de manifestação (que ocorrem até hoje.3% das áreas ocupadas por estabelecimentos agrícolas são administradas por pequenos proprietários. 84. que estavam sendo preteridas das políticas públicas desde a década de 1970. pois. basta acompanhar os noticiários).22 O primeiro deles refere-se à questão política. mas nem sempre a terra. mas somente 24. que emprega quase 75% da mão de obra do setor agropecuário. e os principais motivos eram (SCHNEIDER. • a queda dos principais produtos agrícolas de exportação. Curso Técnico em Agronegócio . A propriedade dos meios de produção. A maior parte do trabalho deve ser realizada pelos membros da família. foi criado o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar – PRONAF com o objetivo principal de prover crédito agrícola e apoio institucional às categorias de pequenos produtores rurais. A produção oriunda da agricultura familiar é direcionada principalmente para o mercado interno. ocorreu a mobilização de diversos movimentos sociais no campo liderados pelo sindicalismo rural ligado à Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – CONTAG. deve pertencer à família e deverá ser feita no interior da propriedade a transmissão desses meios de produção caso ocorra o falecimento ou a aposentadoria dos responsáveis. além de outras questões econômicas.1995): A administração da unidade produtiva e os investimentos nela realizados devem ser feitos por indivíduos da mesma família. de acordo com a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação – FAO. 58% do leite e 46% do milho (SALCEDO. A agricultura familiar. 87% da mandioca. como o “Grito da Terra”. pode ser definida a partir de três características principais (INCRA. No Brasil. Como resposta às manifestações sociais da década de 1990. e por conta disso não estavam conseguindo se manter na atividade (SCHNEIDER. então. 2014). Estes são números altamente relevantes para todo o abastecimento interno. 2006).4% dos estabelecimentos rurais pertencem à agricultura familiar.

As políticas públicas brasileiras de incentivo ao pequeno produtor são consideradas um exemplo pela FAO. dinamizar os mercados locais. 49% do milho. 54% do leite. observamos a importância da agricultura familiar. em nível nacional. 23 Introdução ao Agronegócio . incentivar a permanência de agricultores na sua comunidade e também. a produção de alimentos. 67% do feijão. De acordo com Salcedo (2014): O incentivo à agricultura familiar contribui para reduzir a pobreza extrema. também. principalmente em um contexto drástico de mudanças climáticas. passou a ser um setor prioritário para o governo federal. reduzindo a vulnerabilidade do país ao mercado global e ao choque de preços. Ao analisarmos esses números. O modelo da agricultura familiar é importante para garantir a segurança alimentar e. 40% das aves e dos ovos. percebemos que o modelo de grandes fazendas não é um modelo para ser seguido no futuro”. afirma Salcedo (2014). a agricultura familiar é responsável pela produção dos principais alimentos consumidos pela população brasileira: 84% da mandioca.De acordo com o Ministério do Desenvolvimento Agrário – MDA. para aumentar a segurança alimentar. “Com o aumento dos preços dos alimentos e as mudanças climáticas. A agricultura familiar ganhou uma importância tão grande que o ano de 2014 foi escolhido pela FAO para ser o Ano Internacional da Agricultura Familiar. e 58% dos suínos. nos últimos anos. que.

Essa primeira parte foi fundamental para lhe dar base não somente para avançar nos demais temas. considerando apenas os países do MERCOSUL.24 Mas como é a produção dentro desse sistema mais familiar? Na maioria das propriedades de agricultores familiares. 93 milhões. a Organização das Nações Unidas estima que existam cerca de 500 milhões de pequenas propriedades. De acordo com dados do MDA. o segmento da agricultura familiar conta com mais de 4. 2014). além de empregar mais de 70% da mão de obra do setor. que correspondem a 84% do número de estabelecimentos rurais brasileiros. consideradas mais resistentes às pragas e às mudanças climáticas (SALCEDO. como também para aplicar em sua jornada prática. além de serem utilizadas sementes e espécies tradicionais existentes há centenas de anos. na América Latina e no Caribe. Na África. Como ponto a se destacar até agora. temos a importância das políticas públicas e econômicas do Brasil para o desenvolvimento do agronegócio no país Curso Técnico em Agronegócio . a agricultura familiar é responsável pela produção de 80% dos alimentos consumidos no continente. elas representam cerca de 80% das propriedades agrícolas e produzem mais de 60% dos alimentos consumidos na região. o segmento da agricultura familiar emprega diretamente cerca de 10 milhões de pessoas. No mundo. Segundo a FAO. e a Índia. Encerramento Neste tema. A grande concentração de agricultores familiares está na Ásia: o continente concentra 87% dos pequenos agricultores do mundo – a China possui 193 milhões. você pôde aprender os conceitos mais gerais acerca do agronegócio.3 milhões de unidades produtivas. são plantadas grandes variedades de produtos. sendo que.

02 Panorama Geral do Agronegócio no Brasil e no Mundo .

Tópico 1: Panorama Geral Mundial do Agronegócio Curso Técnico em Agronegócio . desenvolva as seguintes competências: • identificar as principais questões e debates acerca do agronegócio nos contextos brasileiro e mundial. ao final deste tema. • comparar dados do setor agrícola nacional e do internacional. analisaremos dados dos agronegócios mundial e brasileiro. assim como as suas perspectivas futuras. como as produções agrícola e pecuária. para que você. • conhecer as principais cadeias produtivas brasileiras.26 Tema 2: Panorama Geral do Agronegócio no Brasil e no Mundo Neste segundo tema.

por exemplo. o transporte. o trigo. Para você compreender melhor o que isso representa no mundo. a cevada e o sorgo. a soja. o milho. Introdução ao Agronegócio 27 . a produção de grãos vem aumentando. Produção agrícola e estoques mundiais de grãos 2500 2000 1500 Produção 1000 Estoques Finais 500 3 /1 2 12 /1 20 1 11 /1 20 0 10 /1 20 9 09 /0 20 8 08 /0 20 7 07 /0 20 6 06 /0 20 5 05 /0 20 4 04 /0 20 3 03 /0 20 02 /0 20 01 /0 20 00 20 2 0 1 Milhões de toneladas 3000 Fonte: USDA (2013) Mas por que os números relativos aos estoques não variam muito? Podemos dizer que eles estão. diminuindo. a industrialização. assim como dados referentes à produção agrícola e aos estoques mundiais de grãos. inclusive. Por isso. a produção de grãos não acompanha esse ritmo devido a fatores climáticos adversos. devemos sempre analisá-lo de uma maneira sistêmica. A figura abaixo mostra a produção agrícola e os estoques mundiais de grãos. veja a seguir alguns dados dos principais produtos que são produzidos e comercializados. que pode ser justificado por fatores como o crescimento da população mundial. a armazenagem e a distribuição até chegar ao consumidor final. na qual podemos observar que. Os principais grãos produzidos na safra 2012/2013 foram o arroz. Isso vem ocorrendo em função do aumento da demanda por grãos. desde 2000. é importante ressaltar que a produção agropecuária é apenas uma parte do conceito. A imagem a seguir apresenta o percentual de produção de cada um desses produtos. que envolve também o setor de insumos e equipamentos para a produção. o processamento da matéria-prima.O agronegócio tem uma enorme importância na economia brasileira e na mundial. mas os estoques oscilam sempre na faixa de 500 milhões de toneladas. No entanto. Como já exposto no tema anterior.

Principais produtos (Safra 2012/2013)

28
9%
20%

Arroz
Milho
Soja

27%

Trigo
33%

Outros (aveia, centeio, cevada e trigo)

11%

Fonte: USDA (2013)

Como lei básica do mercado, quando os estoques começam a diminuir muito, os preços no
mercado internacional de grãos aumentam, prejudicando em maior escala a população dos
países menos favorecidos.
Para exemplificar melhor esse cenário, a seguir serão abordadas algumas das questões mais
importantes no cenário internacional e que afetam todos os países, incluindo o Brasil. As
questões a serem discutidas estão relacionadas ao protecionismo dos países ricos, como os
subsídios e as barreiras fitossanitárias.

Comentário do autor

d

Os subsídios agrícolas são incentivos pagos (em valores) pelo governo para
os agricultores de seu país, sendo que uma das principais motivações pelo
pagamento é a compensação dos preços de mercado inferiores ao custo de
produção. Os subsídios são uma ajuda do governo para que os agricultores
garantam uma renda mínima e também funcionam como incentivo ao aumento
da produção (ARAÚJO, 2010).

São considerados exemplos de subsídios a sustentação de preços mínimos ou de renda,
a contribuição financeira de um governo ou algum órgão público em que há transferência
direta de recursos (concessões, empréstimos e títulos), o fornecimento de bens e serviços de
infraestrutura geral, a aquisição de bens etc. (ICONE, 2014).
Como visto no tema anterior, na década de 1970 no Brasil, os agricultores receberam subsídios
oferecidos pelo governo na forma de financiamentos bancários oficiais em um período no
qual havia crédito abundante do governo, com uma parcela de subsídios incluída. Esse tipo
de financiamento foi muito criticado, pois priorizou a liberação de crédito para os grandes
proprietários de terra em detrimento dos pequenos.
O governo brasileiro também forneceu subsídios para o setor do trigo, em especial aos
moinhos, com o objetivo de limitar os preços pagos pelos consumidores. No início da década

Curso Técnico em Agronegócio

de 1980, o governo federal passou a restringir o crédito à agricultura, levando à extinção dos
subsídios na década de 1990 (ARAÚJO, 2010).
Após esse breve histórico, é importante refletir sobre questões que são permanentes no
universo da agricultura. Por exemplo:
• A instabilidade de preços;
• Os riscos climáticos e sanitários;
• Fatores de ordem histórica, cultural e política;
• Essencialidade dos produtos agropecuários destinados à alimentação.
Todos esses aspectos levam os países a adotarem uma série de políticas agropecuárias de
proteção aos seus agricultores. Além de assegurar renda aos produtores, o protecionismo
agropecuário objetiva garantir a segurança alimentar e, muitas vezes, a soberania alimentar: ter
alimentos suficientes para todos e, de preferência, produzidos no próprio país (ALMEIDA, 2009).
Farm Bill é o nome popular dado à legislação agrícola dos EUA, geralmente renovada a cada
quatro anos, que possui como objetivo consolidar em um único documento os programas de
política agrícola do Departamento de Agricultura dos EUA – USDA. A Farm Bill aprovada em maio
de 2008 teve gastos com a agricultura de até US$ 307 bilhões, e os Estados Unidos forneceram
subsídios para diversas culturas, como a soja e o milho, levando ao aumento da produção.

29

Introdução ao Agronegócio

30

A estimativa é de que o Brasil perca cerca de 700 a 800 milhões de dólares com esses subsídios
americanos, o que também afeta os preços internacionais, já que os EUA são o maior mercado
e a sua produção excedente é exportada (ALMEIDA, 2009).
Como visto, a Farm Bill fornece bilhões de dólares em subsídios, cuja maior parte vai para
grandes agronegócios produtores de milho, soja, trigo, algodão e arroz (os dois primeiros
são usados na alimentação do gado). Ou seja, esses subsídios “agrícolas” acabam indo para
a produção de carne. Dessa forma, agricultores que produzem frutas e vegetais recebem
menos de 1% de apoio governamental.
A União Europeia também fornece grandes subsídios para os seus agricultores – estima-se
que sejam fornecidos cerca de 70 bilhões de euros por ano, sendo que 45% do orçamento da
UE são destinados a subsídios agrícolas.

A Europa é, simultaneamente, um importante exportador e o maior importador de produtos
alimentares do mundo. O setor agrícola europeu utiliza métodos de produção seguros, limpos
e ecológicos, e fornece produtos de qualidade que satisfazem às exigências dos consumidores.
O seu papel não consiste apenas em produzir produtos alimentícios, mas também em
garantir a sobrevivência do espaço natural enquanto espaço para se viver, trabalhar e visitar
(COMISSÃO EUROPEIA, 2014).
A Política Agrícola Comum - PAC europeia é definida e aplicada pelos governos dos Estadosmembros. O seu objetivo é apoiar os rendimentos dos agricultores ao mesmo tempo em que
os incentiva a produzir produtos de alta qualidade, de acordo com as exigências do mercado,
e a procurar novas oportunidades de desenvolvimento, nomeadamente fontes de energia
renováveis mais sustentáveis (COMISSÃO EUROPEIA, 2014).

Curso Técnico em Agronegócio

Atenção ` O objetivo da política da UE é permitir que os produtores de todos os alimentos sejam capazes de sobreviver. A Link Para saber mais sobre protecionismo da União Europeia. A entidade possui um acordo agrícola. também. e convive no mercado internacional pautado por preços internacionais gerados por essas nações. que é um conjunto de normas criado com o objetivo de regularizar os níveis de subsídios e protecionismos do setor agrícola. assim como os exportadores e os importadores no desenvolvimento de suas atividades. O Brasil não tem condições de garantir os mesmos níveis de subsídios de países como EUA e da UE. Sua pretensão é fazer a economia girar com foco na produção local. e isso faz com que eles produzam mais e tenham preços mais competitivos no mercado internacional (COMISSÃO EUROPEIA. Cerca de um terço da renda dos agricultores europeus provém dos subsídios. Como e onde o Brasil e outros países podem se defender do protecionismo nas nações mais ricas? Essa resposta está relacionada com a Organização Mundial do Comércio – OMC. leia uma reportagem disponibilizada no AVA.A política agrícola da União Europeia está em constante evolução. à crise dos países da zona do euro. em vigor de 2014 a 2020. e o mercado europeu paga por qualidade. a sua principal prioridade era produzir alimentos suficientes em uma Europa que emergia de uma década de escassez causada pela guerra. O seu principal objetivo é apoiar os produtores de bens e serviços. A renovação da PAC europeia. • pecuária de corte: excessivas exigências de rastreabilidade. mas o apoio à produção em grande escala e a compra de excedentes para garantir a segurança alimentar pertencem ao passado. dificultando ainda mais as exportações para lá. Introdução ao Agronegócio 31 . O país é afetado principalmente nos setores da cana-de-açúcar e da pecuária de corte: • cana-de-açúcar: o nosso mercado será atingido se eles aumentarem os incentivos para a produção de açúcar de beterraba. está gerando uma expectativa de redução dos subsídios devido ao alto preço das commodities no mercado internacional e. entidade internacional criada em 1995 para coordenar e administrar questões referentes ao comércio mundial. no mercado da UE e nos mercados mundiais. pelos seus próprios meios. A OMC é a organização à qual os países participantes recorrem para a resolução de problemas comerciais uns com os outros. 2014). Há 50 anos.

Por meio desse acordo, pretende-se (ICONE, 2014):

32

• fornecer maior transparência dos mercados agrícolas;
• promover a liberalização gradual do comércio pela redução das barreiras tarifárias e não
tarifárias;
• corrigir distorções de preços e equiparação das condições de concorrência, com a redução
dos subsídios domésticos e nas exportações.
A título de exemplo prático, veja algumas ações já realizadas pelo Brasil na OMC:

Suco de Laranja: a disputa entre Brasil e EUA teve início na OMC em 2009 e
se encerrou em junho de 2011. O Brasil saiu vitorioso, e os norte-americanos
desistiram de recorrer da decisão favorável que questionou medidas antidumping
impostas ao suco de laranja brasileiro.
Algodão: o Brasil questiona os subsídios pagos aos produtores americanos
de algodão, considerados ilegais pela OMC. Mais uma vez, saindo-se vitorioso,
devendo receber dos EUA US$ 147 milhões anuais. O valor do fundo do
algodão foi aprovado pelos dois países, mas foi bloqueado em 2012 pelo
Congresso norte-americano. Como resposta, o Brasil ameaçou retaliar na área
de propriedade intelectual, o que já foi autorizado pelo órgão de solução de
controvérsias da OMC.

Carne Bovina: o setor privado brasileiro decidiu pedir ao governo a abertura
de queixa contra a União Europeia na OMC por discriminação no caso das
exportações brasileiras dentro da Cota Hilton. A Cota Hilton é constituída de
cortes especiais do quarto traseiro de novilhos precoces, e seu preço no mercado
internacional corresponde de três a quatro vezes o preço da carne comum. A
cota anual de 65.250 toneladas é fixa, e a ela somente têm acesso os países
credenciados: Argentina, Austrália, Brasil, Uruguai, Nova Zelândia, Estados
Unidos, Canadá e Paraguai. A tarifa extracota é de 12,8% mais 303,4 euros por
100 kg de carne. A cota brasileira é de 10 mil toneladas anuais.

Tópico 2: Panorama Geral do Agronegócio Brasileiro
Nesta etapa, você conhecerá um perfil aprofundado sobre o agronegócio nacional. O tópico
foi dividido por tipo de commodity, bem como pelas respectivas informações sobre sua cadeia,
seu diagnóstico e suas perspectivas futuras.

1: Soja
A soja é a principal oleaginosa produzida no mundo, sendo utilizada como commodity na
produção de óleo, na formulação de rações e na produção de carnes. A imagem a seguir

Curso Técnico em Agronegócio

mostra como os diferentes elos da cadeia estão interligados: o início está no elo dos insumos,
passando pelos elos da produção, dos originadores, das esmagadoras, da indústria de
derivados do óleo e da distribuição até chegar ao elo do consumidor final.
Cadeia produtiva da soja
Insumos
(sementes, defensivos, máquinas etc.)
Produção
Centro-Oeste, Sul, Sudeste, Nordeste e Norte
Originadores
Armazéns Gerais, Cooperativas e trading companies
Esmagadores
Empresas privadas e cooperativas
Indústria derivados do óleo
Maionese, margarina, sabão, tinta etc.
Distribuição
Atacado, Varejo, Mercado Institucional

Consumidor
Fonte: Elaboração da autora

A imagem seguinte apresenta os dados relacionados à produção, ao consumo e aos estoques
mundiais divulgados pelo USDA. Repare que o mercado internacional da soja está dividido
entre quatro países. Quais são eles?

33

300
250
200

Produção

150

Consumo

100

Estoques

50

un
do
M

s
ro
ut
O

in
a
Ch

Ar

ge

nt

in
a

si
l
Br
a

A

0

EU

Milhões de toneladas

Produção, consumo e estoques mundiais de soja: safra 2012/13

Fonte: USDA (2014)

Introdução ao Agronegócio

A Argentina possuía 22,4 milhões de toneladas em estoque, e esse montante representava
quase metade dos estoques mundiais, que foi de 57,8 milhões de toneladas. Um dos motivos
que justificam esse estoque alto é que a oferta da soja é menor do que a demanda nesse país.
Em relação ao Brasil, a imagem a seguir apresenta a produção brasileira do complexo soja no
período de 1999 a 2014.
Produção brasileira do complexo soja
1000.000
90.000
80.000
70.000
60.000
50.000
40.000
30.000
20.000
10.000
0

Soja
Farelo

2014 (E)

2013 (E)

2012

2011

2010

2009

2008

2007

2006

2005

2004

2003

2002

2001

2000

Óleo

1999

Mil. Ton.

Fonte: ABIOVE (2014)

Note que o complexo soja (soja em grão, farelo e óleo) tem grande destaque no agronegócio
brasileiro, já que 26,1 bilhões de dólares foram gerados como divisa pelo setor da soja em 2012.
Esse mesmo setor representou 10,8% do total exportado pelo Brasil. Em 2013, observa-se um
salto de 2% na participação do complexo soja nas exportações do Brasil: 12,8%.

Participação do complexo soja nas exportações brasileiras (%)
15
10
5

Part. Complexo Soja
Fonte: ABIOVE (2014)

Curso Técnico em Agronegócio

2013

2012

2011

2010

2009

2008

2007

2006

2005

2004

2003

2002

2001

0
2000

34

Na safra 2012/2013, a produção mundial foi de 267 milhões de toneladas de soja, sendo
que Brasil, Estados Unidos e Argentina respondem por grande parte do total produzido.
Foram consumidas no mundo 258,8 milhões de toneladas de soja, sendo a China o principal
importador da commodity.

17. itens que fazem parte dos hábitos alimentares dos chineses. 10. Uma das razões para a elevada concentração da pauta nesses produtos foi a demanda por soja e óleo de soja. Aliás. e. como o maior acesso ao mercado chinês e a limitação dos subsídios do governo desse país aos produtores domésticos Introdução ao Agronegócio 35 . Setores do agribusiness enxergam a China como o mais promissor país no consumo de alimentos e fibras. tendo essas operações representado 27. Por ser um dos maiores importadores do complexo soja. causou mudanças importantes no mercado internacional do grão. Exportações do complexo soja (2012 e 2013) 0 5 10 15 20 China União Europeia Ásia (exceto china) 2013 2012 Outros Destinos Fonte: ABIOVE (2014) A China. que faz parte do BRICs. • a China foi o principal país de destino das exportações brasileiras de soja. sendo igualmente o maior consumidor. a China aumentou sua participação como importadora nesse mercado. como se vê nos dados das exportações do complexo soja nos períodos de 2012 e 2013. pois são usados na produção de tofu. duas características principais: • a concentração das pautas de exportação e importação (soja. minério de ferro. como soja e milho.17%). busca a autossuficiência com claras intenções de ficar independente do mercado internacional. e a Alemanha. o comércio de mercadorias entre Brasil e China apresentou. shoyu e óleo de cozinha.19% do total exportado (superando a Holanda.Os principais mercados para a soja em grão e para o farelo de soja são a União Europeia e a Ásia (China). é o segundo maior produtor de grãos do mundo (530 milhões de tonelada/ano). Como consequência. em 2002.96%. sendo responsável pelo aumento do comércio de produtos agroindustriais e dos preços das commodities agrícolas. A China entrou na OMC em 2001.53% das exportações brasileiras destinadas à China em 2002. produtos siderúrgicos e óleo de soja) respondeu por 67. por isso.

que consiste em utilizar as regiões economicamente mais produtivas para suprir as regiões mais populosas. Ela também exige. da produtividade da soja brasileira e da proibição dos transgênicos no Brasil (2002). em acordos temporários. e. Com essa estratégia. de acordo com as suas próprias estimativas. diversificar as suas cadeias de oferta. também. as zonas mais populosas apresentavam perspectivas de crescimento da renda. as transnacionais buscaram. o que provocou um deslocamento de parcela da soja americana no mercado internacional.36 Nesse período. transformou-se no maior exportador e na segunda maior economia do mundo. um certificado indicando que as remessas brasileiras de soja não contenham o grão transgênico. A China resiste aos transgênicos. Mas o que seria essa estratégia das transnacionais? Atenção ` A estratégia das transnacionais era baseada na ideia de eficiência global. Elas atuaram em ambas as regiões. Curso Técnico em Agronegócio . O crescimento das exportações brasileiras para a China decorreu da estratégia das transnacionais que atuam no mercado de grãos. razão pela qual a sua preferência recaiu naturalmente sobre o Brasil. como a China.

nos próximos 50 anos. Dominic Wilson e Roopa Purushothaman) do banco de investimentos Goldman Sachs sobre a economia mundial indica que. no período de 2012-2013. com 29% da produção nacional. Soja: participação por região do Brasil 3% 7% 6% Norte Nordeste 37% 47% 37 Sul Centro-Oeste Sudeste Fonte: Outlook FIESP (2013) Abaixo tem-se uma panorama da cadeia produtiva da soja. com 19. com 15. com 10. A seguir.Perspectiva O trabalho exploratório de economistas (Jim O’Neill. Introdução ao Agronegócio .4%. Paraná. No Brasil. PIB O Produto Interno Bruto mede o valor monetário total dos bens e serviços finais produzidos para o mercado durante determinado período de tempo dentro das fronteiras de um país.5%. em Tocantins. Mas as regiões Norte e Nordeste também estão aumentando a sua área de plantio. responderam por 8.5%. e áreas no Maranhão. na qual podem-se identificar os seus pontos fortes. O estudo mapeia os crescimentos do PIB e da renda per capita. as oportunidades e as ameaças. nos estados de Mato Grosso. a produção de soja concentra-se nas regiões Centro-Oeste e Sul. no Piauí e na Bahia. e Goiás.4% da produção brasileira. e os movimentos monetários dos BRICs até 2050. Índia e China podem tornar-se uma força importante na economia mundial. as economias de Brasil. os pontos fracos. Rússia. Rio Grande do Sul. veja a participação da soja por região no Brasil.

Ameaças Tarifas alfandegárias. Geração de renda nas regiões produtoras (aumenta o IDH). Curso Técnico em Agronegócio . o que aumenta o custo de produção. principalmente nos estados de Mato Grosso e Goiás.Análise SWOT da cadeia produtiva da soja 38 Pontos Fortes Brasil é segundo maior produtor e exportador mundial. Pontos fracos Podemos citar como principal ponto fraco a logística deficiente nas regiões produtoras. Estímulo governamental à exportação de soja in natura. Diversificação via criação de produtos inovadores. Fortalecimento de ações sustentáveis nos âmbitos nacional e internacional. Adoção de biodiesel global via metas de adição. O Brasil utiliza um modal de transporte impróprio pela distância percorrida pela soja (± 1. Igualmente é necessário considerar a tecnologia empregada nas propriedades rurais. Melhoria nos modais utilizados para o transporte de soja no Brasil. Áreas agricultáveis que permitem aumento da produção. Na sequência. acompanhe uma análise dos quatro itens. dificultando o escoamento da oleaginosa para os portos que a levarão para o exterior. observa-se que um dos grandes pontos fortes está na geração de renda nas regiões produtoras de soja. Diferentes cobranças de ICMS pelos estados brasileiros. Novas barreiras de entrada por países importadores. e também por possuírem áreas agricultáveis para expansão do plantio. como o uso de agricultura de precisão e sementes altamente produtivas. com base nos dados da ABIOVE (2014). Pontos Fracos Maior produtor mundial é os EUA. Oportunidades Abrangência do complexo soja na geração de produtos. Tecnologia dominada para gerar valor à cadeia.000 km). Fonte: Elaborado pela autora. Pontos fortes Neste item.

com uma produtividade média projetada para os próximos anos de 3. tintas e biocombustível. o que representará um acréscimo de 21. Qual é o seu palpite a respeito da cadeia de soja? Confira.3 toneladas por hectare. carnes e algodão. pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais – Abiove. gerando valor e produzindo produtos que serão vendidos por um valor superior para a commodity. como milho. Introdução ao Agronegócio . que subsidiam uma boa parte da sua produção de soja e de outras commodities. a produção de soja em grão em 2013 foi de 81. 39 De acordo com o MAPA. em cerca de 10 milhões de toneladas. temos como avançar e pensar a respeito das tendências futuras.2 milhões de toneladas. Existe uma forte tendência da produtividade de aumentar devido ao aumento da tecnificação das lavouras. Estima-se que em 2023 a produção de soja seja de 99.3 milhões de toneladas. algumas projeções. Essa produção foi estimada em 2013. pois. Isso torna os seus produtos mais competitivos no mercado internacional Oportunidade Como uma oportunidade está a possibilidade de se pesquisarem novos usos para a soja. abaixo. além da demanda de rações animais. como sabão. As projeções de consumo indicam que as demandas de soja no mercado internacional e no mercado interno devem continuar aumentando. em especial daquelas que se encontram na região Centro-Oeste.Ameaças Entre as ameaças estão as tarifas alfandegárias e o protecionismo de países como os Estados Unidos. também se estima que ocorrerá um grande aumento do consumo de soja para a produção de biodiesel.8% em relação à produção de 2013. Após analisar o quadro anteriormente exposto.

tecnologia e impostos a serem arrecadados.2 milhões de toneladas. impostos e barreiras tarifárias e não tarifárias) e necessita de maiores investimentos em marketing. Informações extras O Barreiras Não-Tarifárias são restrições à entrada de mercadorias importadas que possuem como fundamento requisitos técnicos. a proteção do meio ambiente e do consumidor. 100. sendo que se espera um aumento de 19. assim como mais empregos.6 milhões de toneladas ao final da projeção. principalmente em bebidas. e ainda. mostrando uma perspectiva positiva de crescimento do mercado. as BNTs visam a proteger bens jurídicos importantes para os Estados. deve haver um consumo adicional de soja em relação ao período de 2012-2013 de 8.000 3 /2 22 1 9 /2 20 20 7 /1 20 18 20 /1 16 5 /1 20 14 20 20 12 /1 3 0 Fonte: MAPA. restrições quantitativas (quotas e contingenciamento de importação). laborais. De acordo com o MAPA. Saiba mais sobre barreiras comerciais e técnicas no AVA. ambientais. queijos etc. além da utilização da soja na fabricação de rações animais. consumo e exportação de soja em grão. 40 Espera-se que.Estima-se. A seguir. Brasil: projeção da produção. Curso Técnico em Agronegócio . além de incentivos governamentais para a geração de valor. sanitários.000 60.000 Consumo Exportação 20. a saúde dos animais e das plantas.000 80. veja uma projeção de produção. com dados da CONAB (2013) A cadeia da soja apresenta alto potencial de crescimento. mas ainda possui grandes gargalos (em logística. ela também seja utilizada de maneira crescente na alimentação humana.000 Mil ton. Normalmente.4% no consumo até 2023. consumo e exportação de soja em grão 120. Esta proporciona mais renda para as regiões produtoras e para o país. também.000 Produção 40. que o consumo interno de soja em grão chegue a 50. como a segurança nacional.

veja o ranking dos países produtores de café na safra 2012/2013. 2: Café O Brasil é o maior produtor e exportador da commodity e conta. Abaixo. pois isso trará benefícios aos produtores rurais e. lubrificantes. novas tecnologias que incluem o grão foram descobertas. mas. Introdução ao Agronegócio 41 . na safra 2012/13. produtos de limpeza. Aliás. estão xampus para animais domésticos. sendo que os principais países importadores de café brasileiro são: Alemanha. Entre os produtos à base de soja. atualmente. ao desenvolver nos Estados Unidos o primeiro produto construído à base de soja: um painel de carro feito de plástico de soja. informar-se e tratar a sua propriedade como uma empresa rural. isolante térmico para casas. apresentamos alguns usos originais para o grão. que não tem condições de concorrer com uma grande empresa. É mais interessante gerar valor e obter mais lucros do que exportar commodities e deixar o lucro do desenvolvimento de produtos para os outros países. os três principais produtores foram o Brasil. o Brasil é conhecido como o celeiro do mundo. desenvolvidos pelos produtores e patrocinados pelo governo americano. o Vietnã e a Indonésia. em especial. Desde essa época. Somos o primeiro na produção mundial de café em grão. mas não basta: o produtor precisa se organizar. A seguir. com 37% do mercado mundial cafeeiro. se as estradas e os portos não conseguem escoar a produção? Coverse sobre esse assunto com o tutor e demais colegas e aprofunde seu conhecimento! O governo tem uma parcela de responsabilidade importante nisso. O Brasil precisa investir em geração de valor produzindo produtos diferenciados. Itália. ao pequeno e ao médio produtor. Participação (%) dos países na produção mundial de café em grão: safra 2012/13 Outros 17% México 3% Peru 3% Brasil 37% Índia 4% Honduras 4% Vietnã 17% Etiópia 4% Colômbia 5% Indonésia 6% Fonte: USDA (2013) O gráfico acima nos mostra que. de que adianta produzir tanto. deixar alguns conceitos no passado e partir em busca de novos desafios. Estados Unidos. bola de paintball etc.Um exemplo de como é possível gerar valor foi dado por Henry Ford. velas feitas à base de cera de soja. em 1933. Japão e Bélgica.

Minas Gerais e Mato Grosso. também produzem essa variedade. pela qual a produção cafeeira está espalhada em 2. houve um acréscimo. como São Paulo. nos aperfeiçoamentos genéticos e nas reduções de custos na logística. O cultivo de café arábica totaliza 74. que gera um café fino e com alto valor comercial. Conforme a Conab (2013). Espírito Santo e Rondônia.3 milhões de hectares no território nacional. Os principais estados brasileiros produtores dessa variedade são: Espírito Santo (maior produtor de conilon). pois é utilizada para fazer o blend com a variedade arábica. É importante ressaltar que estão ocorrendo significativos aprimoramentos na tecnologia de produção. no ano de 2013. Diferentes tipos de café Arábica A variedade de café mais apreciada no mundo é a arábica e ela representa 59% da produção mundial da cultura de café. Outros estados.42 É importante observar que. Paraná.73 hectares voltados à cultura de café dos tipos arábica e robusta.9% da quantidade de café nacional. A produção nacional de robusta em maio de 2013. o Brasil possui a vantagem de desenvolver diversos tipos e qualidades de cafés – um diferencial que possibilita atender às diferentes demandas. É mais utilizado na fabricação de café solúvel. Curso Técnico em Agronegócio . Trata-se de um grão bastante achatado e alongado. O país conta atualmente com 2. de 12. Robusta Conilon O café robusta conilon tem a sua origem na África Central e pode ser produzido em altitudes que variam entre o nível do mar e 600 metros. representou cerca de 25% da cultura nacional de café. devido à sua grande extensão. no manejo. A qualidade desse grão está relacionada com a altitude em que é plantado (altitudes superiores a 900 metros). Rondônia.341.370 hectares.54% da área utilizada em relação à safra de 2012. Bahia. por exemplo. Essa variedade tem uma grande aceitação na Europa e nos Estados Unidos. O maior produtor de café arábica no Brasil é o Estado de Minas Gerais. o que representa um crescimento de 0. Pará.

como a industrialização do grão verde.000 800. a torrefação e a comercialização. é estruturada pelas operações agrícolas. Hectares produzidos na produção brasileira de café 43 1. Regiões produtoras de café Arábicas Conillon (Robusta) Fonte: ABIC (2013) Agora.000 2012 600. Paralelamente Introdução ao Agronegócio .200.Veja os estados nacionais produtores de café e as respectivas espécies cultivadas em cada local.000. segundo Zilbersztajn (1993). podemos observar que as maiores áreas de produção estão concentradas nos estados de Minas Gerais e Espírito Santo.000 200.000 2013 400.000 Hectares 1. ao compararmos os hectares utilizados na produção brasileira de café nos estados produtores.000 Outros Rio de Janeiro Goiás Pará Mato Grosso Rondônia Bahia Paraná São Paulo Espírito Santo Minas Gerais 0 Fonte: ABIC (2013) A cadeia agroindustrial do café.

ES. Curso Técnico em Agronegócio . em grande parte. o produtor mantém uma relação instável com a cooperativa. Mas por que essa incerteza acontece para os produtores de café? Essa situação ocorre em função de fatores como distância física entre produtor e cooperativa. Nesse sentido. que os disponibilizam com menor preço por operarem em grande escala. bares e restaurantes Consumidor Fonte: Adaptação de Saes e Farina (1999) A maioria dos produtores de café no Brasil são membros de alguma associação de interesse privado. e os insumos. desinteresse em participar das transações e dificuldade de comunicação com as fontes. já que ele possui a possibilidade de vender a sua produção para outros atores da cadeia (ZILBERSZTAJN. Apenas grandes cafeicultores vendem os grãos para compradores diretos. 1993). torrefação e dealers Varejo Nacional e Internacional Supermercados. máquinas etc. cafeteiras. PR. MT 1º Processamento do Café Maquinistas e Cooperativas 2º Processamento do Café Empresas de torrefação e moagem Vendedores Nacionais Cooperativas. surge outro estudo que indica que a cadeia de café brasileira é constituída pelos seguintes segmentos (SAES E FARINA. Exportadores e Atacadistas Compradores Internacionais Empresas de solúvel. defensivos. SP. Zilbersztajn (1993) acredita que “em geral os produtores trabalham com um nível de incerteza e insegurança muito alto em relação às informações disponíveis no mercado”. BA. são obtidos por meio das cooperativas.44 a esse conceito. 1999): Cadeia produtiva do café no Brasil Insumos (mudas. mercado institucional. pois a maioria dos produtores se relaciona com a cooperativa para entregar seus produtos.) Produção MG. RO.

“os brasileiros estão consumindo mais xícaras de café por dia e diversificando as formas da bebida durante o dia.A ai 0 br o/1 il/ 1 12 02 20 00 20 98 20 96 19 94 19 92 19 19 90 0 19 kg/habitantes 7 Fonte: ABIC (2013) Introdução ao Agronegócio 45 . • emprega diretamente três milhões de pessoas. É importante destacar que algumas cooperativas atuam. atacadistas e varejistas em geral. O • responde por 5% das divisas geradas. Brasil: consumo per capita de café verde e café torrado 6 5 Kg café verde 4 Kg café torrado 3 2 1 04 20 06 20 08 20 M 1 .Por sua vez.8%. padarias. e a preferência nacional é o café torrado e moído: cada consumidor consome em média 2. A comercialização e a distribuição de café no Brasil são realizadas “por meio dos exportadores. as cooperativas vendem o café para a indústria de torrefação. corretores. maquinistas. adicionando ao café filtrado também os cafés espressos. como bares. Informações extras Veja alguns dados sobre a cafeicultura brasileira: • sustenta de 250 mil a 300 mil produtores. Fonte: ABIC (2013) Perspectivas futuras Consumo de café Segundo a Organização Internacional do Café – OIC. também. nos processos de torrefação e moagem. restaurantes. os cappuccinos e outras combinações com leite”. os exportadores e os dealers. o que equivale a cerca de 400 cafezinhos. supermercados e as próprias torrefadoras” (ZYLBERSZTAJN.1 quilos de café por ano. 1993). O povo brasileiro é um dos maiores consumidores de café do mundo. Veja como vem ocorrendo a evolução do consumo interno no Brasil durante o período de 1990 a 2012. Segundo a ABIC (2012). o consumo de café no Brasil tem crescido a uma taxa média anual de 4. Dealers Negociantes que atuam como intermediários em uma transação comercial.

desde os tradicionais até os cafés gourmet – informação importante a se considerar não só como tendência futura. geralmente de melhor qualidade. De acordo com a associação. A título de observação. já se observa essa tendência ocorrendo em países da Europa e também nos Estados Unidos. com maior procura por cafés de melhor qualidade. desde 2004. segundo dados da ABIC contabilizados desde 1990. a ABIC estimou em 2014 a retomada do crescimento do consumo interno de café entre 3% a 4%. e que também mantenha os compradores habituais e os parceiros estimados em mais de cem mercados – cenário bastante promissor! Observa-se que o crescimento estimado para o consumo da bebida é de 28. Nestes. Isso incrementa os hábitos de consumo do grão. observa-se o aumento do consumo de café fora do lar em função da popularização das cafeterias em diversas cidades brasileiras. as inúmeras novas opções prontas para o consumo no café da manhã (que incluem bebidas à base de soja. pois foi a primeira queda registrada no consumo no país desde 2003 e o segundo recuo da série histórica.6% até 2023. a preferência é por cafés especiais. tais como sucos e achocolatados Brasil: projeção da produção. Essas categorias com maior valor agregado desafiam a indústria de café para que busque a inovação e.As projeções feitas pelo MAPA para o café estimam o aumento da produção até 2023. bem como sua economia. Curso Técnico em Agronegócio . para finalizar esta análise sobre perspectivas futuras do café. bem como das exportações. e ainda de acordo com a ABIC. A previsão do MAPA é de que o país continue como o maior produtor mundial e o principal exportador. também. Aliás. para que procure voltar a ter altos índices de crescimento. cuja penetração no mercado ainda é pequena comparada ao tradicional cafezinho) têm apresentado crescimento bastante elevado. Fonte: MAPA (2013) O evento é importante. diferenciados e certificados. o que se espera alcançar com a oferta de cafés de melhor qualidade. consumo e exportação de café 60 50 40 Produção 30 Exportação 20 Consumo 10 3 /2 2 22 /2 20 1 21 /2 20 0 20 /2 20 9 19 /1 20 8 18 /1 20 7 17 /1 20 6 16 /1 20 5 15 /1 20 14 /1 20 13 /1 20 12 20 4 0 3 Milhões de toneladas 46 Outro fato curioso é que. esse panorama teve uma pequena diminuição em 2013 devido ao café disputar a preferência dos consumidores com os produtos prontos. E. mas obviamente de mercado.

000 160.3: Cana-de-Açúcar No período entre 2000 e 2010.000 0/ 20 11 01 1/ 1 20 2 12 /1 3 0 9/ 1 20 1 9 20 0 8 8/ 0 20 0 7/ 0 7 6/ 0 20 0 6 5/ 0 20 0 5 4/ 0 20 0 4 20 0 3 3/ 0 20 0 2/ 0 2 1/ 0 20 0 20 0 0/ 0 1 0 20 0 Milhões de toneladas Produção mundial de cana-de-açúcar e beterraba Fonte: USDA (2013) Introdução ao Agronegócio .000 120. constata-se um grande crescimento da produção de cana-deaçúcar em função do aumento da demanda de açúcar no mundo. 47 Repare como vem crescendo a produção mundial de açúcar a partir da cana-de-açúcar e da beterraba.000 180.000 100. como a sucralose. Mas como isso ocorreu? Confira abaixo os principais motivos: • crescimento da população e respectivo aumento do poder de compra dos consumidores em diversas regiões do mundo. 200. • aumento do consumo de alimentos processados da cana-de-açúcar resultante da migração da população das áreas rurais para as urbanas. • aumento da produção estimulado pelo consumo de adoçantes de baixas calorias à base de açúcar.000 140.

ao contrário do Brasil. Participação mundial dos países produtores de cana-de-açúcar Brasil 22% Outros 26% Paquistão 3% Índia 15% Rússia 3% México 3% EUA 5% União Europeia 9% Tailândia 6% China 8% Fonte: USDA (2013) O aumento da produção de cana-de-açúcar também está relacionado ao aumento do uso do etanol no Brasil. União Europeia. a expectativa do governo brasileiro em exportar etanol para os países que adotam os biocombustíveis em suas matrizes energéticas. também. Você sabe por quê? Curso Técnico em Agronegócio . Existe. Brasil: produção de cana-de-açúcar 700.000 Região Norte-Nordeste 100. que só utiliza o açúcar de cana-de-açúcar. o Brasil se destaca.000 500.000 / 20 11 01 1/ 1 20 2 12 /1 3 /1 0 10 20 /0 9 09 20 /0 8 08 20 /0 7 07 20 /0 6 06 20 /0 5 05 20 /0 4 04 20 /0 3 03 20 /0 2 02 20 01 20 00 /0 1 0 20 48 Uma informação importante é a de que. Como se nota. e esse açúcar é utilizado também na produção de refrigerantes.000 Região Centro-Sul 200.000 Milhões de toneladas 600. Veja como foi a produção brasileira de canade-açúcar no período de 1999/2000 a 2012/2013. o açúcar vem da beterraba. em alguns países da União Europeia. Brasil e China. Fonte: UNICA (2013) O tema biocombustível tornou-se uma discussão extremamente relevante no século XXI. combustível indicado para veículos com motores flex fuel.000 400. há quatro principais produtores: Índia. em um total de 27 participantes.Na composição mundial dos países produtores de cana-de-açúcar.000 Brasil 300.

Informações extras O O etanol (nome técnico do álcool etílico combustível) pode ser produzido a partir da sacarose da cana-de-açúcar. um mercado promissor. Ainda no contexto de 2008. da sacarina da beterraba. o equivalente à capacidade de uma usina Itaipu e meia em bioeletricidade. prevendo a geração de um milhão de empregos. nos Estados Unidos. No Brasil. limpa. ponto urgente na agenda desenvolvimentista mundial.1 bilhões em divisas com a importação de petróleo (ETH.Basicamente porque a pauta do biocombustível está diretamente ligada ao contexto de um desenvolvimento sustentável. no início de 2008. Introdução ao Agronegócio 49 . no período de 1976 a 2005. além do trigo e da mandioca. observe o diagrama a seguir. renovável. a utilização de álcool combustível permitiu ao Brasil economizar US$ 69. Revendedor e Retalhista Pequenas empresas. a produção nas usinas. alavancam a geração de postos de trabalho e avançam rumo ao desenvolvimento tecnológico.5% de água). Grandes consumidores Terminais Portuários Mercado Externo Fonte: Baseado em Caixeta-Filho et al (2008) Você sabia que. e o etanol anidro (0. sustentável. havia também perspectivas de se cogerar. Trata-se de uma fonte de energia natural. produz-se o etanol hidratado com 5% de água. que abastece os automóveis flex. do amido de milho. Canais de distribuição do etanol Produção Usinas Destilarias Distribuição Bases das Distribuidoras e Terminais Varejo Consumidor Postos Revendedores Automobilistas Transportador. Para entender melhor como funciona a cadeia de produção do etanol. a distribuição e o varejo até chegar ao consumidor final. misturado à gasolina na proporção de 20% a 25%. com investimentos de US$ 30 bilhões até 2012? Definitivamente. Biocombustíveis que não causam danos ao meio ambiente. 2008)? E que. no Brasil. o setor comemorava o crescimento da sua produção e das exportações. a partir do bagaço e da palha disponíveis. Ele nos mostra os canais de distribuição.

o setor perdeu uma capacidade de moagem de 48 milhões de toneladas de cana e chegou à capacidade de 600 milhões de toneladas na região Centro-Sul (OUTLOOK FIESP (2013). a partir de 2008. Durante esse processo. levando à venda das empresas endividadas. mas. 2008) – ordens de grandeza bem interessantes.000 Brasil 15. Brasil: produção total de etanol 30. a produção passou a ser instável. É nas regiões Sudeste e Centro-Oeste que está concentrada a maior parte da produção e das usinas de açúcar e etanol. alternando períodos de retração com crescimento moderado. A recuperação dos preços internacionais do açúcar e do etanol na safra 2009/2010 não foi suficiente para a retomada do setor. Nesse mesmo período. Essas empresas passaram a delinear outra forma de gestão do setor. ocorreu a grande crise financeira mundial. Podemos observar que o período de 1999 a 2007 foi de crescimento da produção brasileira. o investimento em pesquisas e os cuidados fitossanitários. que foram compradas por grandes grupos nacionais e internacionais. ao aumento dos custos de produção. a região Sudeste deverá ter um aumento de área de 11% até 2023 em relação a 2013 (o que representa 616 mil hectares). De acordo com o estudo Outlook Fiesp. buscando a eficiência e se voltando para uma gestão mais profissional a fim de gerar maior rentabilidade. resultado próximo ao estimado para o Centro-Oeste. Fonte: UNICA (2013) Todo esse quadro pessimista levou ao endividamento de grande parte do setor e. Dessa forma. Curso Técnico em Agronegócio . o crédito diminuiu bastante. os grandes grupos familiares deram lugar a grandes empresas multinacionais.Porém.000 Região Norte-Nordeste 5.000 mil m² 20.000 25. levando à cessão dos investimentos do setor.000 3 2 /1 12 20 1 /1 11 20 0 /1 10 20 9 /1 09 20 8 /0 08 20 7 /0 07 20 6 /0 06 20 5 /0 05 20 4 /0 04 20 3 /0 03 20 2 /0 02 20 /0 01 00 20 /0 1 0 20 50 além da movimentação de uma grande indústria nacional de máquinas e equipamentos (JANK. também.000 Região Centro-Sul 10. em setembro de 2008. comprometendo a expansão dos canaviais. tradings e fundos de investimento.

A demanda mundial por energia vem aumentando.000 L/ha até o final da década de 2010. • receita do setor: superior a R$ 50 bilhões. • divisas externas: US$ 13.28 milhão. Os principais vetores do crescimento serão: • melhoramento genético clássico e a biotecnologia. • postos de trabalho formais: 1. • fornecedores de cana: 70.000 para 13. Introdução ao Agronegócio .Participação de cada região do Brasil na produção de cana-de-açúcar 8% 7% Nordeste 19% Sul Centro-Oeste 66% Sudeste Fonte: Outlook FIESP (2013) Informações extras Confira números do Setor Sucroenergético: O • estrutura produtiva: 432 plantas (2010). • o manejo agrícola. Isso representará um aumento de produtividade acima de 5% ao ano. o setor pretende trazer tecnologias que elevem a produtividade dos atuais 7. • porcentagem na matriz energética nacional: 18% (segunda fonte: hidroeletricidade).8 bilhões (2010). o que pode representar forte concorrência para o país. também estão investindo em novas unidades de produção de etanol.000. que representam um quarto da população mundial. Fonte: UNICA (2013) 51 Perspectivas futuras De acordo com a União da Indústria de Cana-de-Açúcar – UNICA. países como China e Índia. No entanto. e o Brasil está retomando os investimentos em tecnologia e na construção de novas fábricas. • redução de emissões de CO2: 600 milhões de toneladas desde 1975. • o etanol celulósico.

Ou seja. Sendo assim. Atrás dele vem a Tailândia. órgãos governamentais internacionais divulgam que o biocombustível poderá afetar a capacidade de produção de alimentos no mundo. sendo feitas de maneira global por meio da troca de experiências entre os pesquisadores de diversos países.9% com cana-de-açúcar. com cerca de 50% do volume total. Curso Técnico em Agronegócio . dos quais 19. Hoje.7% com milho e 8. que representa 14% das exportações mundiais. O Brasil utiliza 62 milhões de hectares. Em relação ao açúcar. havendo uma expansão em Minas Gerais. seriam necessários 123 milhões de hectares para substituir 10% da gasolina produzida no mundo. sem prejudicar o avanço de outras culturas. Comentário do autor d O bioetanol produzido no mundo representa 4% do consumo de gasolina. Por outro lado. é necessária a conscientização de todos os cidadãos para o consumo consciente. A título de comparação. pois o país necessita de apenas 2% de suas terras cultiváveis para mover toda a frota nacional de veículos leves exclusivamente a etanol. Em paralelo a isso. Goiás. Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. sendo que o milho representa 30% dessa área. o Brasil é o principal exportador mundial de cana-de-açúcar. os Estados Unidos empregam 99 milhões de hectares. Nessa matemática.52 Lembrando que. desde 1960 a área colhida com cana-de-açúcar apresentou uma taxa de crescimento de 3% ao ano. De acordo com Goldemberg (2007). A maioria das destilarias concentra-se no Estado de São Paulo. com toda a importância em se desenvolverem formas sustentáveis de produção. também devem ser estimuladas as pesquisas sobre fontes renováveis de energia. e a gasolina representa um quarto do consumo de petróleo. temos o Brasil em situação privilegiada. buscar fontes energéticas que causem menos impacto ao meio ambiente é crucial. o debate sobre o futuro do biocombustível é bastante complexo.

Confira a projeção de produção.000 15.000 3 /2 2 22 /2 20 1 21 /2 20 0 20 /2 20 9 19 /1 20 8 18 /1 20 7 17 /1 20 6 16 /1 20 5 15 /1 20 4 14 /1 20 13 20 20 12 /1 3 0 Fonte: MAPA (2013) 4: Algodão O algodão é considerado uma das mais importantes culturas de fibras no mundo! Estima-se que. o descaroçamento. está ocorrendo um aumento da demanda mundial a um crescimento anual médio de 2%.000 Produção 30. o processamento e a embalagem (ABRAPA.000 35.000 10. cerca de 35 milhões de hectares de algodão sejam plantados no globo terrestre.000 Exportação 25.000 45. Brasil: projeção da produção.000 Consumo 20. consumo e exportação de açúcar e de crescimento da produção no período de 2012/2013 a 2022/2023 – mais uma cadeia com futuro promissor na agricultura brasileira de exportação. consumo e exportação de açúcar 50. desde a década de 1950.000 5. 40. 2014). Introdução ao Agronegócio 53 . todos os anos. e a cadeia produtiva envolve mais de 350 milhões de pessoas em sua produção: desde as fazendas até a logística.000 Mil ton. Além disso. O comércio mundial do algodão movimenta anualmente US$ 12 bilhões.

000 1.000 7. Produção mundial de algodão 8. Índia. defensivos. Mais uma vez. máquinas etc) Produtores de algodão (algodão em caroço) Algodoeira (fardo de algodão em pluma) Fiação (tecido bruto) Estamparia e Acabamento (tecido estampado) Indústria de confecção Comércio atacadista Comércio varejista Consumidores finais Fonte: Buainain e Batalha (2007) Curso Técnico em Agronegócio . sendo que apenas cinco países (China. Fonte: ICAC (2014) A pluma do algodão destaca-se como a mais importante matéria-prima utilizada em toda a cadeia têxtil do Brasil. Paquistão e Brasil) aparecem como os principais produtores da fibra.000 O ui U be sq ut st ro s ão il as st qu i Pa Br ão A EU di a Ín in a 0 Ch 54 Atualmente. Cadeia têxtil brasileira Insumos (sementes. a produção do Brasil foi de um volume médio próximo de 1. nas últimas três safras.000 2013/14 2. sendo um dos principais setores da economia brasileira. o Brasil entre os primeiros produtores.000 4.000 2012/13 3. o algodão é produzido por mais de 60 países nos cinco continentes.000 2011/12 5. o que só comprova a vocação agrícola do país.000 6.Segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão – Abrapa. Estados Unidos.7 milhão de toneladas de pluma.

máquinas por hectare. sisal. sendo 1. 58% do fio utilizado na fabricação de tecidos são de algodão. Vejamos alguns números importantes acerca da produção nacional: • 33 mil produtores formalizados em atividade e com porte industrial. no segmento de fabricação de malharia. d No ano de 2010. Comentário do autor Confira números que comprovam a importância do uso do algodão na cadeia têxtil nacional.6 milhão de pessoas em 2012. rami. acrílico poliéster e polipropileno). • O número de trabalhadores chegou a 1.01% de outras fibras naturais. linho. Participação de cada região na produção de algodão 3% 30% Nordeste Centro-Oeste 67% 0% Sudeste Fonte: Outlook FIESP (2013) Introdução ao Agronegócio 55 . Por outro lado.2 milhão de empregos somente em vestuário (IEMI. Fonte: Conab (2013) A cultura do algodão utiliza tecnologia moderna e recebe grandes investimentos em insumos.258 milhão de toneladas.O Brasil é o quinto maior produtor têxtil do mundo e o quarto maior do segmento de vestuário. o uso de fibras naturais (algodão. e 0. poliamida. 48. artificiais e sintéticas) para a fabricação de fios. das quais 28 mil correspondem à cadeia do vestuário. No segmento de tecelagem. 51. juta. seda e lã) totalizou 1.7% de fibras artificiais e sintéticas. 39% de fios artificiais e sintéticos. a indústria de fiação consumiu aproximadamente 1.494 milhão de toneladas de matéria-prima (naturais. 2013). e 3% de fios oriundos de outras fibras naturais. superando até mesmo os investimentos realizados nas culturas de soja e milho. Na fabricação de fios.2% do fios utilizados são de algodão. a partir das fibras artificiais e das sintéticas (viscose. A participação do consumo da fibra de algodão no contexto geral da produção de fios foi da ordem de 80%. foram utilizadas 236 mil toneladas. Nesse contexto.

60.000 314. uma informação de extrema relevância: você sabia que a produção brasileira de algodão em pluma dos últimos anos tem sido suficiente para abastecer as necessidades de consumo da indústria têxtil nacional e ainda gerar excedentes que são comercializados no mercado de exportação? 5: Arroz O arroz é o terceiro cereal mais consumido no mundo.20.138. ficando atrás apenas do milho e do trigo.56 A produção do algodão ocorre principalmente nas regiões Centro-Oeste e Nordeste (representa 95% da produção nacional).314.526.000 20.001 .001 . Principais estados produtores de algodão 100 .000 138. Indonésia e Bangladesh.001 .001 . Índia. A produção mundial de arroz concentra-se na Ásia e representa 68% dos 465 milhões de toneladas produzidos atualmente no mundo.000 60.310 Outros municípios Fonte: ABRAPA (2014) E. Os principais países produtores são: China. respectivamente. para encerrar a apresentação da cadeia de algodão. Curso Técnico em Agronegócio . sendo que os estados do Mato Grosso e da Bahia produziram cerca de 65% e 30% da safra 2012/2013.

A produção nacional de arroz é tradicionalmente concentrada na região Sul. Na safra 2012/2013. o Brasil não figura no topo da lista.9 milhões toneladas. Introdução ao Agronegócio . Para o período de 2015/2016.Principais produtores de arroz (em milhões de toneladas . • consumo em 42 milhões de toneladas. a produção brasileira foi de 11. estima-se o seguinte cenário: • produção em 12. o que representa 78% da produção nacional. nos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.7 milhão de toneladas.2013) 160 140 120 100 80 60 40 20 Philipinas Thailandia Vietnã Bangladesh Indonésia Índia China 0 Fonte: MAPA (2013) Dessa vez. indicando necessidade de importação para os próximos anos. Participação de cada região do Brasil na produção de arroz 1% 6% 9% 6% 57 Norte Nordeste Sul 78% Centro-Oeste Sudeste Fonte: Outlook FIESP (2013) As projeções de produção e consumo para 2015/2016 feitas pelo MAPA mostram uma situação tênue entre essas duas variáveis. • importações em 936 mil toneladas.

cerca de 600 quilos a mais do que a atual produtividade de 4. O Brasil é o terceiro país exportador e o primeiro em produtividade em sequeiro.Para evitar esse quadro. no qual a cultura chegou a ocupar uma área superior a 4. que teve início na década de 1960. Curso Técnico em Agronegócio . o cultivo do arroz ocorre em várzeas inundáveis.000 8.5 toneladas por hectare. Hoje.9 toneladas por hectare. Fonte: MAPA (2013) De acordo com o MAPA. Projeção arroz Projeção (em (em arroz milhares de milhares toneladas) de toneladas) 14. em que os agricultores não adotavam as práticas recomendadas.000 Consumo 2. a produção do arroz de sequeiro é pequena e ocorre em áreas de formação de pastagens. Nordeste e Centro-Oeste. Cultivo do arroz Existem duas formas de cultivo no país: • na região Sul.000 10.000 Produção 6. Essa cultura é considerada importante por ser uma cultura pioneira durante o processo de ocupação agrícola dos cerrados. A cultura do arroz de sequeiro é caracterizada por não exigir muitos insumos e por ser tolerante a solos ácidos.5 toneladas por hectare. Esse processo de abertura de área alcançou o seu ponto máximo no período entre 1975 e 1985. O que pode ser preocupante. deve-se focar em investimentos em tecnologia que levem a um aumento de produtividade.000 12. como os plantios tardios. de modo que esse acréscimo de produção ocorra especialmente por meio do crescimento do arroz irrigado. como Norte.000 4. a maior parte da produção de arroz do Brasil se concentra no Rio Grande do Sul.000 Importação 1 20 /2 0 20 /2 9 19 20 18 /1 8 20 /1 17 20 /1 7 6 20 16 /1 5 15 20 14 /1 4 20 /1 13 20 12 /1 3 0 20 58 A partir da projeção do MAPA para o período de 2012/2013 a 2020/2022. Nessa época. pode-se observar a previsão de aumento da produção na área plantada. • nas outras regiões.5 milhões de hectares. estima-se uma produtividade de 5. com produtividade de 7. vê-se também a redução dessa mesma área. o sistema de exploração era caracterizado pelo baixo custo de produção. Por outro lado.

pães e arroz para uso gourmet. faz parte da pesquisa desenvolver e incentivar o consórcio de arroz com pastagem no sistema Barreirão (renovação de pastagem degradada) e no sistema Santa Fé (integração lavoura-pecuária). Além de também procurar adaptá-la ao sistema de plantio direto. como o arbóreo. o basmati. a pesquisa com a cultura do arroz de terras altas prioriza ações com o objetivo de consolidar a presença da cultura em sistemas de produção de grãos nas regiões favorecidas dos cerrados. o com certificação de origem etc. Essa classe tem como padrão de consumo ser exigente em relação aos produtos que consome e. assim como o sistema sob irrigação suplementar e o de abertura de novas áreas. ao mesmo tempo. começou a ocorrer a progressiva redução das áreas de abertura. e a área cultivada com arroz sob o sistema de cultivo de sequeiro foi sendo gradativamente reduzida ao mesmo tempo em que a fronteira agrícola se deslocou no sentido sudestenoroeste (EMBRAPA. como massas. Essa mudança nos padrões de consumo está levando à sua diminuição per capita de cereais básicos e ao aumento da demanda por produtos com valor agregado. tem consciência de que não pode errar na compra por não possuir uma segunda oportunidade de aquisição. Introdução ao Agronegócio 59 .Em meados da década de 1980. Agregação de valor no arroz É fato que na última década houve o aumento da massa salarial e do poder aquisitivo da população brasileira e a ascensão da classe C (também chamada “nova classe média”). 2003). De acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa (2003).

2012). Existe uma tendência de aumento de demanda por produtos mais saudáveis e convenientes embalagens menores e mais fáceis de preparar. Curso Técnico em Agronegócio . Consumo de arroz no mundo África do Sul o preço do arroz vem aumentando desde 2008.400 produtores de arroz em uma área que equivale a 130 mil hectares). 56% das vendas de arroz foram de arroz comum. O arroz basmati e o vaporizado apresentam potencial de crescimento no país e na Europa. as vendas de alimentos secos. principalmente dos tipos longo e integral. Portugal como efeito da crise financeira. que apresenta um rendimento superior. Bélgica o arroz é um produto popular no país. vêm apresentando maior demanda em função do baixo custo. o consumo de arroz per capita na África chega a ser quatro vezes maior que o brasileiro. que participaram com 22% das vendas. O INPI confirmou que o cereal tem características distintas e autorizou a utilização do selo por todos os produtores da região que conseguirem alcançar os requisitos mínimos exigidos (são 1. localizada em uma faixa de terra entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico – influencia a qualidade do arroz. Esse é o primeiro registro de Denominação de Origem de um produto brasileiro e o oitavo de Indicação Geográfica do país. África os principais destinos do arroz beneficiado brasileiro. podemos citar como exemplo de geração de valor o arroz do litoral norte gaúcho.Comentário do autor 60 d No Brasil. levando a população a adquirir alternativas mais baratas: variedade de arroz pronto para o consumo. pois não houve alterações significativas de preços. Com a crise econômica. o consumidor passou a fazer mais refeições em casa. Espanha a maior demanda por variedades especiais de arroz na Espanha. foram os países africanos. deve-se ao crescente número de imigrantes. O produto é básico na dieta portuguesa. seguido pelas variedades de arroz longo. A expectativa da Aproarroz é que o produto tenha valorização de 20% em relação ao preço atual (APROARROZ. arroz com tempero. como massa e arroz. com legumes e as versões integrais. O local em que é produzido – a área de cultivo. Itália é o maior produtor europeu de arroz e o seu consumo manteve-se estável. fazendo parte da alimentação diária dos belgas. em 2009. Segundo o Instituto Rio-grandense do Arroz – IRGA. Em 2009. Esse arroz obteve o selo emitido pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial – INPI atestando que o produto da região é diferente dos demais produzidos no Brasil.

as cadeias produtivas de aves e suínos têm uma posição de alta competitividade no mercado mundial. Introdução ao Agronegócio . pela comercialização e pelo armazenamento do cereal. farinhas etc. máquinas e equipamentos. Veja no detalhe. Demanda de milho no Brasil 32% 60% 3% 5% 61 Suinocultura Pecuária Indústria de Sementes Avicultura Fonte: Outlook FIESP (2013) A cadeia produtiva do milho tem como elos os fornecedores de insumos. e. seja por meio do próprio grão ou por seus derivados (ração e produtos destinados à indústria de alimentos). Ele é consumido em diversos países de forma in natura ou em produtos industrializados. O Brasil possui um mercado regido pela oferta e pela demanda doméstica.p Atividade prática Acesse o AVA para ler um texto sobre estocagem de arroz no mundo e responda às questões propostas. é mostrado o elo da distribuição. passando pela produção primária. xaropes. do varejo. nesse caso. como rações. 6: Milho O milho é o principal cereal produzido no mundo. Aproximadamente 75% da demanda de milho no Brasil tem como destino a alimentação animal. e. Também são apresentados os elos que trazem o primeiro e o segundo processamento. para finalizar. desse modo não possui posição de competitividade no âmbito mundial.

Máquinas e Equipamentos Produção Primária Máquinas e Equipamentos Comercialização e Armazenamento Cooperativas 1º Processamento Rações (Petfood) Rações e Farelo Sementes Produção de Milho Armazenagem Governo Indústria de Defensivos e Fertilizantes Fonte: Sousa et. óleo. cuscuz. Snacks. sopas. farinha. Suínos e Bovinos Indústria de cervejas. al. outros produtos. Moagem via seca: fubá. (1995) Curso Técnico em Agronegócio 2º Processamento Moagem via úmida: amido. highmaltose. matinais e outros. Pequeno Varejo Mercado Institucional . cereais. amilopectina. Distribuição e Varejo Nacional e Internacional Supermercado Aves. canjica. refrigerantes e outros. misturas para bolo.Cadeia produtiva do milho 62 Fornecedores de Insumos.

Produção mundial de milho (milhões de toneladas) 1000 900 800 700 600 500 2012/13 400 2013/14 300 200 100 do un M em ai s pe ro Eu U ni ão D ia l Br as i na Ch i EU A 0 Fonte: USDA (2014) Observa-se que houve uma diminuição da produção brasileira. Na safra 2013/2014.4 milhões de toneladas e elas terão um aumento maior ainda se comparadas com o volume exportado no ano anterior (94. mas. levando à elevação das importações de milho e também de carnes. Mas por quê? Devido à redução da área plantada de milho e ao aumento da área de produção de soja. 2007). • Na China. Os principais países produtores e consumidores de milho no mundo são os Estados Unidos e a China. as exportações mundiais do milho foram estimadas pelo USDA em 114. o aumento de consumo está relacionado ao crescimento da renda dos chineses. causando o aumento do consumo desse cereal no país (CARVALHO.A safra mundial 2012/21013 dessa commodity foi de 860 milhões de toneladas. no décimo levantamento da safra mundial 2013/2014 feito pelo USDA. setor que tem como insumo o milho (CARVALHO. Introdução ao Agronegócio 63 . a produção mundial foi estimada em 966. 2007). • Nos Estados Unidos.5 milhões de toneladas). incentivos financeiros e políticas do governo estimulam a produção de biocombustível feito de milho.6 milhões de toneladas. Mas por quê? Observa-se que houve uma diminuição da produção brasileira.

Curso Técnico em Agronegócio . Participação de cada região do Brasil na produção de milho 2% 6% 3% Norte 33% 43% Nordeste Sul Centro-Oeste Sudeste Fonte: Outlook FIESP (2013) 7: Carnes Sabe-se que a carne é um dos produtos agrícolas mais amplamente consumidos ao redor do mundo. A região Sudeste é responsável por 16% da produção total. Veja o panorama da participação de cada região na produção de milho no Brasil.Exportações mundiais de milho 64 120 100 80 60 40 20 do un M ro s O ut nt in a ge a Ar U cr ân i Br as il EU A 0 2012/13 2013/14 Fonte: USDA (2014) A produção nacional está concentrada em duas regiões principais: Centro-Oeste (43%) e Sul (33%). Para se ter ideia. 58 milhões de toneladas/ano. a produção pecuária mundial foi de. em média. de 2001 a 2013.

Índia e a União Europeia. o Brasil era o segundo maior produtor mundial de carne bovina.38 milhões de toneladas (os Estados Unidos ficaram em primeiro lugar. Brasil.27 milhões de toneladas). em 2013. • menor dependência de grãos. com 11. Introdução ao Agronegócio .Produção mundial de carne bovina 59 58 Milhões de toneladas 57 56 55 54 53 52 51 50 /1 3 12 /1 2 20 11 /1 1 20 10 /1 0 20 09 /0 9 20 08 /0 8 20 07 /0 7 20 06 /0 6 20 05 /0 5 20 04 /0 4 20 03 /0 3 20 02 /0 2 20 01 20 20 00 /0 1 49 Fonte: USDA (2013) De acordo com o USDA. 60 50 65 40 30 20 10 do M un ia in a Ín d ro U ni ão Eu Ch ia pe as Br EU il 0 A Milhões de toneladas Produção mundial de carne bovina Fonte: USDA (2013) Segundo especialistas do setor. China. com 9. o Brasil é o país que possui a maior capacidade de aumentar a produção de carne bovina pelos seguintes motivos: • sistema de criação quase 100% no pasto. Os principais países produtores são Estados Unidos.

Fonte: EMBRAPA (2014) Mas como está estruturada toda a cadeia produtiva da carne bovina? Confira no quadro a seguir. • 560 curtumes. • 55. Curso Técnico em Agronegócio . 2012).8 milhão de propriedades rurais. com 38. • 4.• altas taxas de produtividade. Em 2012. a produção brasileira foi de 9.3 quilos de consumo por brasileiro/ano.3 milhões de cabeças de gado. A região Sul participou com 12%. a Norte com 19% e a Nordeste com 10% (IBGE. Fonte: OUTLOOK FIESP/DEAGRO (2013). 66 • custo de produção mais baixo do que em outros países.000 estabelecimentos de varejo. • 700 indústrias de carnes e derivados. seguem alguns números importantes a se considerar: • 1.150 empresas de calçados. • 100 indústrias de armazenagem. • 37. A região que apresentou o maior percentual foi a Centro-Oeste. a Sudeste com 20%. • 7 milhões de empregos. Produção de carne bovina: participação por região do Brasil 19% 20% Norte Nordeste 10% 12% 39% Sul Centro-Oeste Sudeste Fonte: FIESP/DEAGRO (2013) Ainda sobre a pecuária brasileira.5% do abate nacional.

Carne suína A carne suína é a fonte de proteína animal mais importante no mundo. agora. lojas próprias de frigoríficos Consumidores finais Fonte: ABIEC (2011) Perspectivas da cadeia pecuária nacional • A tendência mundial de crescimento da população urbana nos países emergentes e o aumento da renda familiar tendem a levar ao aumento contínuo do consumo de carne bovina e da demanda mundial pelo produto. brincos para rastreabilidade. até 2050 a população mundial crescerá de 7 bilhões para 9 bilhões de habitantes. indústria de alimentos e food service.21 kg/hab/ano em 2010 (USDA). sementes forrageiras etc) Pecuaristas produção de animais para abate Indústria de frigorífica (carnes in natura. Conheça. 2011). pois possui o maior rebanho de gado comercial do mundo. fertilizantes. • O Brasil está estrategicamente posicionado para suprir essa demanda adicional. atacado. varejo. a produção mundial foi de 107. outros subprodutos da carne) Distribuição distribuirdor.328 milhões de toneladas).Cadeia produtiva da carne Insumos para a produção (genética. grandes redes varejistas. Em 2013. • Segundo a FAO. foram produzidos 94.514 milhões de toneladas e a produção vem crescendo com o passar dos anos (em 2005. Introdução ao Agronegócio 67 . suplementos minerais. e a oferta de carnes precisará aumentar de 200 milhões para 470 milhões de toneladas em 2050.02 kg/hab/ano em 2000 para 9. a produção mundial de carne suína no período de 2005 a 2013. couros. • O aumento populacional e a evolução econômica dos países em desenvolvimento levaram à elevação do consumo per capita de carnes: 9. sendo também o maior exportador de carne bovina no globo (ABIEC. miúdos e glândulas.

370 milhões de toneladas em 2013. Estados Unidos e Brasil.000 92. Somos o quarto maior produtor e exportador.000 Mil toneladas 102.Produção mundial de carne suína 68 108.000 106.000 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 Fonte: USDA/ABIPECS (2014) Existe uma forte concentração na produção mundial.000 90.000 88. Veja como foi a produção mundial de carne suína por países no ano de 2013. com o montante de 3.000 98.000 94. Curso Técnico em Agronegócio .000 86.000 104. pois a China responde por cerca da metade da produção e o restante está dividido entre União Europeia .000 100.000 96.

86. No mercado de carne suína. Introdução ao Agronegócio .500 2. a suinocultura industrial possui 49.000 40.272 empregos indiretos. mais de meio milhão de pessoas envolvidas na produção.E in a ur op ei a27 0 Fonte: USDA/ABIPECS (2014) Também em 2013.000 ton. 2012). 2014).000 1. Coreia do Sul e China (USDA.000 69 Mil toneladas 3. o mercado internacional de carne suína movimentou 6. México. Estados Unidos e Canadá.810 milhões de toneladas.000 30.000 2. 50.Produção mundial de carne suína-2013 60. concentrando-se em cinco importadores.000 20.000 Ca na dá Fi lip in as Ja pã o M éx Co ic ré o ia do Su l O ut ro s am tn ss ia Vi e si l Rú Br a EU A Ch U . Ou seja. Nos empregos diretos. O principal motivo são as barreiras sanitárias impostas por alguns importadores.500 3.932 trabalhadores.010.500 1. México. 50.000 500 13 20 12 20 1 20 1 0 20 1 9 20 0 8 20 0 07 20 06 20 20 05 0 Fonte USDA/ABIPECS (2014) Mercado interno A suinocultura está concentrada na região Sul do Brasil e gera 186.000 10.000 1. o Brasil ainda tem pouca participação mundial em comparação às carnes bovina e de frango.663 empregados (ABIPECS. com aproximadamente dois terços das importações mundiais – Japão. como Japão. Rússia.606 empregos diretos e 405. Coreia do Sul. Veja. a suinocultura de subsistência. agora. como foi a produção brasileira de carne suína no período de 2005 a 2013. Produção brasileira de carne suína 4. e a agroindústria.

ao desenvolvimento de cortes especiais e aos investimentos em linhas de corte e em logística de frio. Consumo mundial per capita de carne suína 70. Em 2005.00 Kg per capita 50. a seguir. o consumo era de 1.00 60. 70 Carne suína: participação por região do Brasil 1% 18% Nordeste 16% Sul 65% Centro-Oeste Sudeste Fonte: FIESP/DEAGRO (2013) Nos últimos dez anos.00 U Fonte: USDA.00 30.00 10. o consumo doméstico vem crescendo devido ao aumento populacional e do poder aquisitivo. passou a ser 2.Apresenta-se. vem ocorrendo um crescimento do consumo de carne suína no Brasil. que tem um consumo de 66. a participação de cada região do Brasil na produção de carne suína. à busca de padrões de qualidade na produção e na industrialização. O consumo per capita de carne suína atualmente no Brasil é de 13. Estimativas do setor esperam que nos próximos anos o consumo brasileiro passe para 16. em 2013. E por que esse aumento? De acordo com a ABIPECS.4 kg/ano (valor ainda baixo em relação a outros países.949 milhões de toneladas e. como Hong Kong. às ações de promoção da carne suína realizada para os consumidores e para as redes de varejo. ABIPECS (2012) Curso Técnico em Agronegócio Su l a re ia do Su íç Co ia Sé rv Ta iw an na Ch i ro 7 -2 on M op ei a la Be Eu r te ne g s ru au ac M ni ão H on g Ko n g 0 .00 20.50 kg/ano por pessoa).2 kg/ano.771 milhões de toneladas.00 40. Veja como se comportou o consumo mundial per capita de carne suína em 2011.

de mais de 3.6 milhões de pessoas e responde por quase 1. sendo que. a produção de carne de frango foi de 12. a avicultura é responsável pelo emprego.000 10. seguidos pela China e pelo Brasil. Uma participação impressionante! O setor é representado por dezenas de milhares de produtores integrados. Os Estados Unidos estão na liderança da produção mundial de carne de frango.000 20. ano no qual foram produzidos 13.000 15.000 25. principalmente nos estados do Sul e do Sudeste.645 milhões de toneladas.17% em relação a 2011. Aqui. centenas de empresas beneficiadoras e dezenas de empresas exportadoras. constatase uma redução de 3. a produção de frangos é a principal atividade econômica (ABEF. A importância social da avicultura no Brasil se verifica. Participação regional na produção de frango (2013) 1% 3% Norte 22% Nordeste Sul 14% 60% Centro-Oeste Sudeste Fonte: Outlook Fiesp (2013) Em 2012. que aparece em terceiro lugar.5% do Produto Interno Bruto – PIB nacional.000 5. em muitas cidades.000 s ro ut O Ín di a Eu U ro niã pe o ia il as Br Ch in a EU A 0 Fonte: ABEF (2013) Introdução ao Agronegócio 71 .050 milhões de toneladas. 2013). também. Produção mundial de carne de frango 30.Carne de frango No Brasil. pela concentração no interior do país. direto e indireto.

o Brasil é o maior exportador mundial. • o sucesso do modo de produção integrada.9% ao ano. elevando a qualidade do produto e reduzindo as barreiras sanitárias.72 Sobre a produção brasileira. às exportações.2 bilhões. A carne de frango deve ter um crescimento anual de 3. de 2% ao ano. • o modo de produção cooperativista que ocorre no Sul do país. as exportações brasileiras de carne de frango foram de 3. Para a produção de carne suína. Em 2012. e a carne bovina. • o baixo custo de produção em relação aos países concorrentes. o que representa um montante de US$ 7.3 milhões de toneladas. Projeções futuras O cenário é promissor: as projeções de carnes para o Brasil feitas pelo MAPA mostram que esse setor deve apresentar intenso crescimento nos próximos anos. Desde 2004. tendo passado de 34 quilos em 2002 para 45 quilos em 2012. o MAPA projetou um crescimento 1. Entre as carnes. que representa um valor relativamente alto. já que conseguirá atender ao consumo doméstico e às exportações (MAPA. são estimadas maiores taxas de crescimento da produção no período de 2013 a 2023. Curso Técnico em Agronegócio . Exportações por produtos 37% Cortes 54% Industrializados Salgado Inteiros 4% 5% Fonte: ABEF (2014) Houve um aumento do consumo per capita entre 2002 e 2012. E quais são os porquês desse crescimento? • oferta crescente de grãos. aumentando a demanda em 3.7 bilhões de toneladas.9%. Nas exportações por produto. 69% foram destinados ao consumo interno e 31%. seguido pelos Estados Unidos e pela China. observa-se que os produtos mais exportados são os cortes. 2013).

talvez por raízes culturais.000 0 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022 2023 Frango Bovina Suína Fonte: MAPA (2013) As projeções do consumo realizadas pelo MAPA mostram a preferência dos consumidores brasileiros pela carne bovina.000 20. estima-se um crescimento do consumo de carne de frango e de suíno para o período 2022/2023.000 10.000 2.000 10. Brasil: projeção do consumo de carnes 14.000 8.000 73 Mil toneladas 12.000 4.Brasil: projeção da produção de carnes Mil toneladas 25.000 6.000 0 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022 2023 Bovina Suína Frango Fonte: MAPA (2013) Introdução ao Agronegócio .000 5. De acordo com o MAPA.000 15.

O quadro a seguir mostra as oportunidades de mercado. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne – ABIEC fez uma análise sobre o mercado da carne brasileira no mundo. Curso Técnico em Agronegócio .500 4.000 2. sendo a Rússia o principal deles.500 3.Brasil: projeção da exportação de carnes 5. tendo a Arábia Saudita como principal comprador. • a carne de frango foi destinada a 152 países.000 1.000 Mil toneladas 74 Em relação às exportações. 3. sendo esperado um cenário favorável para os próximos anos.500 2. à variedade e à saudabilidade. as projeções do MAPA indicam elevadas taxas de crescimento para os três tipos de carnes analisados.000 500 0 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022 2023 Bovina Suína Frango Fonte: MAPA (2013) O Brasil tem exportado carnes para diversos países.500 1. Acompanhe os números coletados sobre o ano de 2012: • a carne bovina foi destinada a 142 mercados. voltando a ter a Rússia como o principal importador. mais relacionada à confiabilidade. os problemas enfrentados atualmente pelo setor e a imagem que a associação quer passar em relação à carne.000 4. • a carne suína teve 75 países de destino.

fritos ou defumados e. Ações da ABIEC devem se concentrar nos países que compram pouca ou nenhuma carne do Brasil. salsichas de porco ou presunto prontos para fritar são comuns. Introdução ao Agronegócio . O hambúrguer é a variedade de carne vermelha mais importante. e também carnes de aves (cortes de aves empanados e nuggets). O país tem tradição no consumo de embutidos cozidos. mas tiveram retração de consumo nos últimos anos. apesar de produzir este produto. inclusive no café da manhã e no lanche (consumida em sanduíches). Vende muito Vende pouco Não vende PROBLEMAS DA CARNE HOJE: • Desconfiança do mercado quanto a A IMAGEM QUE A ABIEC QUER DA CARNE: sanidade e rastreabilidade • Confiabilidade • Imagem associada ao desmatamento • Variedade da Amazônia • Sabor saudável (boi a pasto + baixo teor • Baixa padronização de gordura) • Descumprimento de prazos • Abundância • Consumidor não conhece Fonte: ABIEC Fonte: Adaptado de ABIEC (2011) Qual é o cenário do consumo de carne ao redor do mundo? Alemanha 75 a carne está presente em todas as refeições da Alemanha.Mercado da carne O mercado da brasileira carne Para onde o Brasil vende e para onde quer vender. também tem receptividade aos produtos importados. Há tendência de aumento de procura por carne de aves.

EUA devido à crise. pois há poucas empresas estrangeiras que abatem os animais dentro das práticas islâmicas. em supermercados. China diversas empresas chinesas têm se esforçado para posicionar os seus produtos como sendo saudáveis. principalmente. Há tendência de crescimento da linha de produtos saudáveis e orgânicos. Entre as carnes resfriadas. produzidas e consumidas. A venda da carne só é permitida em açougues credenciados pelo governo e. peru ou opções mais magras de carne bovina.76 Angola o país enfrenta problemas com a venda de carnes no mercado clandestino. salsichas em estilo ocidental e também novos produtos. Fonte: Apex-Brasil (2013) 8: Fruticultura Panorama mundial A produção mundial de frutas se caracteriza pela diversidade de espécies cultivadas. Curso Técnico em Agronegócio . Há um aumento da demanda por carnes mais magras. apenas a banana tem presença significativa no comércio internacional. A mortadela é o tipo de carne processada oferecida no país e tem vários sabores e temperos. mas teve retração das vendas em 2008 devido à alta de preço. ainda não é disseminada. Arábia Saudita as carnes resfriadas são o único tipo de alimento resfriado. Entre as carnes vermelhas estão as de carneiro. como as de frango. sem nenhuma fiscalização sanitária. que também responde pela maior parte das carnes orgânicas comercializadas. no Hemisfério Norte. os americanos têm preferido comer em casa ao invés de jantar fora e optam por alimentos em conserva ou enlatados por serem fontes de proteínas mais baratas. sendo representada em grande parte por frutas de clima temperado. como salsicha de abóbora. As frutas tropicais e subtropicais possuem elevado potencial de consumo. os bifes e as almôndegas. O tipo de carne mais consumido na China é a de aves. e o consumo de carne vermelha faz parte da dieta diária da população. São consumidos os tradicionais derivados de carne para enlatados e conservas. A carne de porco também é bastante consumida. no entanto. as mais vendidas são as salsichas. Empresas nacionais lideram as vendas no mercado doméstico de carnes. steaks e almôndegas. Produtos de carne vermelha mais consumidos: hambúrgueres.

melancias. a produção mundial foi de 822 milhões de toneladas. Índia e Brasil. respondem por 43.A produção mundial de frutas tem apresentado crescimento contínuo. Produção mundial de frutas 900 Milhões toneladas 800 77 700 600 500 400 300 200 100 0 1991/1992 1996/1997 2000/2001 2007/2008 2009/2010 2010/2011 Fonte: USDA (2012) Em 2011. maçãs e uvas. e as principais frutas produzidas foram bananas. Os três maiores produtores são: China.6% do total mundial e têm suas produções destinadas principalmente aos seus mercados internos. que. Introdução ao Agronegócio . juntos.

2 milhões de hectares (em pequenas e médias propriedades).Percentual de produção das principais frutas produzidas no mundo 78 5% 7% Bananas 4% Melancias 19% Uvas Maçãs 10% Laranjas 18% 12% Côcos 12% Mangas e goiabas 13% Melões Abacaxis Fonte: IBRAF (2013) Panorama Brasileiro Em 2012. o que representa 27% da mão de obra agrícola do agronegócio (IBRAF. Produção Brasileira de Frutas 45 Milhões de toneladas 40 35 30 25 20 15 10 5 0 01 0/ 0 20 02 1/ 0 20 03 2/ 0 20 04 3/ 0 20 05 4/ 0 20 06 5/ 0 20 07 6/ 0 20 08 7/ 0 20 09 8/ 0 20 10 9/ 0 20 11 0/ 1 20 12 1/ 1 20 Fonte: IBGE (2013) A área cultivada para as frutas em todos os estados brasileiros passou dos 2.6 milhões de toneladas. 2013). Curso Técnico em Agronegócio . com uma produção estimada em 43. com o setor empregando cerca de cinco milhões de pessoas. sendo que o país é o terceiro maior produtor de frutas frescas do mundo. a cadeia produtiva das frutas do Brasil destacou-se como um dos mais importantes segmentos econômicos do agronegócio brasileiro.

47% foram destinados ao sistema agroindustrial para o processamento de sucos e frutas desidratadas. foram produzidos 43. desse total. Introdução ao Agronegócio . Os demais 53% foram direcionados para o mercado de frutas frescas.Percentual de produção das principais frutas produzidas no Brasil Laranjas 32% Bananas 40% Uvas Abacaxis 4% 7% 3% 14% Maçãs Outras Fonte: IBRAF (2013) Em relação à produção geral de frutas. O volume total dessa produção representa 71% no contexto nacional. Percentual da produção de frutas nos estados brasileiros 5% 4% 9% São Paulo Bahia 18% 64% Rio Grande do Sul Pará Minas Gerais 79 Fonte: IBRAF (2013) Comentário do autor d Não podemos esquecer o Polo de Frutas de Petrolina-Juazeiro. a distribuição desse segmento é feita em cinco estados brasileiros.6 milhões de toneladas de frutas no Brasil e. onde a fruticultura é uma atividade com grande efeito multiplicador de renda. possuindo força suficiente para alavancar economias locais estagnadas e com poucas alternativas de desenvolvimento. Em 2012.

em 2011. limões e bananas. as exportações tiveram um recuo devido à crise econômica mundial. Reino Unido. Após este ano. Entre as frutas importadas pelo Brasil. A Balança Comercial brasileira de frutas frescas. no período de 1999 a 2012. Rio Grande do Norte. do Senac. foram exportadas em 2012 o total de 693 mil toneladas de frutas frescas e. Estados Unidos e Uruguai. podemos destacar o Curso de Formação Inicial e Continuada – Eixo Tecnológico: Recursos Naturais – Trabalhador na Fruticultura Básica. Curso Técnico em Agronegócio . Espanha. Mercado externo Neste segmento. bem como nas unidades de ensino do Senai. maçãs. Mas como se configuram esses números em detalhes? • as principais frutas exportadas são melões.Distribuição da comercialização de frutas 80 Produção Comercial das Frutas Mercado de Frutas Frescas 53% Mercado de Frutas Processadas 47% Fonte: IBRAF (2013) Informações extras O Por meio do Pronatec são oferecidos cursos gratuitos nas escolas públicas federais. o volume exportado foi de 681 mil toneladas. Entre os cursos oferecidos. ameixas e uvas frescas. mostra um crescimento das exportações até o ano de 2008. • os principais estados exportadores são Ceará. do Senar e do Senat em instituições privadas de ensino superior e de educação profissional técnica de nível médio. estaduais e municipais. Bahia e São Paulo. mangas. • os principais destinos são Holanda. destacam-se peras.

Para mudar esse cenário. Introdução ao Agronegócio 81 . dessa forma. buscando um modo de vida mais saudável. as importações apresentaram crescimento que pode ser justificado pelo aumento do poder aquisitivo da população combinado à mudança de hábitos alimentares. Atenção ` Um importante ponto de atenção: apesar de o Brasil ser o terceiro maior produtor mundial de frutas com 41 milhões de toneladas. alavancar o desenvolvimento sustentável do setor. o consumo da população brasileira ainda é baixo se comparado ao de países desenvolvidos (é menor que os 400 gramas diários exigidos pela Organização Mundial de Saúde). o varejo e o consumidor final (que. como bom sinal de desenvolvimento. No período mencionado (1999 a 2012). agora. Hoje. a estrutura da cadeia produtiva da fruticultura: os principais agentes e os fluxos de comercialização. o Instituto Brasileiro de Frutas – IBRAF está desenvolvendo um plano de marketing com o objetivo de aumentar os níveis de consumo interno e. valoriza-se muito o consumo de frutas.Balança comercial brasileira de frutas frescas 800 700 US$ milhões 600 500 400 300 200 100 0 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 Exportações Importações Fonte: IBRAF (2013). está cada vez mais exigente em relação ao produto que consome). Conheça. além de promover impactos na área de saúde pública e gerar desenvolvimento regional com a geração de empregos. com dados da Secex.

O programa está sendo desenvolvido desde 1998 para promover e divulgar no exterior a qualidade. as pequenas empresas e os produtos regionais tornam-se mais importantes. mães e filhos. a diversidade e a sustentabilidade da produção brasileira de frutas. quando ele escreveu que: À medida que a economia ia se globalizando e que os produtos adquiriam padrões mundiais. entre elas se destaca o projeto Brazilian Fruit.) Produção e beneficiamento agrícola (Produtores beneficiadores primários e secundários) Comercialização (Ceasas. podemos também citar a agricultura familiar.. mas estudos e campanhas de promoção da fruta vêm sendo desenvolvidos. Dentro desse conceito. Curso Técnico em Agronegócio . A presença do Brasil no mercado internacional de frutas frescas ainda é pequena. os produtos são consumidos frescos e o seu transporte não encarece o preço final. e posicionar o país como grande supridor mundial de frutas frescas e processadas. a produção regional ganharia destaque. bares e restaurantes) Consumidor Fonte: Buainain e Batalha (2007) Tendências futuras Existe uma tendência mundial relacionada aos hábitos alimentares que é a saudabilidade e a sustentabilidade. Desse modo. defensivos. mercado institucional. pois grande parte da produção de frutas vem desse modo de produção. parceria entre o IBRAF e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações – ApexBrasil. O que realmente conta é o lugar. visto que são pequenas áreas de cultivo e a mão de obra é constituída por pais. máquinas etc. Nessa proposta de vida. Esse conceito já foi tratado há um tempo pelo professor Dr.Estrutura da cadeia produtiva de frutas brasileira 82 Fornecedores de insumos (mudas. intermediários e exportadores) Varejo (Supermercados. Milton Santos.. consomem-se alimentos saudáveis e produzidos em regiões próximas à área de comercialização. À medida que o mundo se globaliza.

Brasil. • oscilações acentuadas dos preços causadas pela sazonalidade e por calendários de produção diferenciados entre os hemisférios Norte e Sul e nas diversas regiões do país. • número elevado de cooperativas e associações de produtores.De acordo com Buainain e Batalha (2007). podem gerar sinergias e aumento de competitividade para todo o setor. Isso ocorre devido aos hábitos de consumo da população de cada país e também porque existe grande variedade de tipos de grãos. Essas características podem ser tratadas como problemas ou dificuldades. pois tudo o que é produzido é consumido internamente. mas. e os principais países produtores são Índia. Entre elas. a produção mundial é de 23 milhões de toneladas. Existe uma característica particular nesse setor. Atualmente. destacam-se: • forte presença de agricultores familiares e elevada relação entre trabalho e capital. Mianmar e China. • existência de um comércio com grande número de países produtores. a fruticultura apresenta algumas características peculiares que a diferenciam de outras cadeias produtivas e que afetam sua competitividade. 9: Feijão O feijão é cultivado em várias regiões do mundo. Introdução ao Agronegócio 83 . se for feita a devida coordenação. envolvendo muitas empresas importadoras e exportadoras.

A cadeia produtiva do feijão apresenta importantes características. pois perde valor comercial. Curso Técnico em Agronegócio . sendo responsável por 16% da produção mundial.500 1.000 Mil toneladas 3.000 kg por hectare).500 3. foram produzidos 2. 2010). Este irá empacotá-lo e vendê-lo ao supermercado (FUSCALDI & PRADO. partindo de 2. se confirmadas as projeções de produção. com dados da CONAB (2013) Estima-se que o consumo passará de 3.5 milhões de toneladas. Lembrando que a armazenagem do grão não pode ser realizada por período superior a dois meses. Veja.000 500 3 20 22 /2 02 2 02 1 20 21 /2 02 0 /2 20 20 /2 02 9 19 20 20 18 /2 01 8 01 7 20 17 /2 01 6 /2 20 16 /2 01 5 15 20 /2 01 4 01 20 14 /2 13 20 12 /2 01 3 0 20 84 O Brasil é considerado um grande produtor e consumidor de feijão. predominantemente nos supermercados. Na safra 2012/2013.985 milhões de toneladas.8 milhões de toneladas (OUTLOOK FIESP.500 4. A comercialização do feijão ocorre para os consumidores finais. consumo e importação de feijão 4.As projeções realizadas pelo MAPA mostram que a produção terá um aumento.000 Consumo 2. e. que irá revender para o atacadista. como uma estrutura produtiva composta por lavouras com menos de dez hectares. e os grãos são vendidos em pacote. segundo o MAPA. As lavouras têm baixa produtividade (cerca de 1.500 Produção 2.262 milhões na safra 2022/2023. ele é entregue a um intermediário.000 Importação 1. 2013). a seguir. um esquema figurativo para a cadeia produtiva do feijão. Brasil: projeção da produção. 2013). O consumo médio anual tem sido de 3. exigindo pequenas quantidades de importação (CONAB. mas existe um longo caminho a percorrer desde a propriedade até chegar à mesa do consumidor.8 milhões da safra 2012/2013 para 3.598 milhões de toneladas para 3. o que equivale a cerca de 75% do total da área cultivada do país. Vamos conferi-lo? Quando o feijão sai da propriedade rural onde foi produzido. Fonte: MAPA. não haverá necessidade de importação de feijão nos próximos anos.

Outra informação importante é a de que a colheita do produto é feita manualmente. 1989). têm-se altos custos de transporte. Feijão: Participação por região do Brasil 85 4% Sul 16% 31% Sudeste Centro-Oeste 20% Nordeste 29% Norte Fonte: Outlook FIESP (2013) Como o feijão é produzido em locais e épocas diferentes. pois em alguns anos a produção é alta. que ocorrem em diferentes locais e épocas do ano. A primeira safra ocorre no Sul do Brasil. com pouca utilização de máquinas (apenas em poucas propriedades é utilizada Introdução ao Agronegócio . por famílias. a segunda. e por ser uma leguminosa muito suscetível a doenças e pragas (SPERS & NASSAR. há quebras de safras devido ao baixo uso de tecnologia e à necessidade de água. O produto é produzido em três safras. em outros. ocorre uma grande movimentação do produto pelo país.Cadeia produtiva do feijão Agente financeiro Produção agrícola Intermediários Atacado Varejo Consumidores Governo Fonte: Fuscaldi & Prado (2010) A cadeia produtiva do feijão é caracterizada por existirem grande incerteza nas transações entre os vários elos e assimetria de informação. É uma cultura de risco. e a terceira. e pela inexistência de transparência no preço. no Nordeste. Por ser transportado quase que totalmente pelas estradas. no Sudeste (principalmente em Minas Gerais).

ocorrem fortes oscilações de preços entre os anos – em período de quebra de safra acontece muita especulação e elevação do preço – e nos períodos de superprodução – quando há o aumento da oferta. passando por intermediários. pode ser necessária a intervenção governamental. os produtores de feijão precisam assumir uma postura empresarial. Curso Técnico em Agronegócio . O contrário também (preços muito baixos) necessita de intervenção para evitar prejudicar o pequeno produtor. Nesse mercado. Perspectivas da cadeia produtiva do feijão De acordo com Spers & Nassar (1989). Porém. O preço do feijão é calculado desde a lavoura até a entrega do produto beneficiado ao consumidor.86 a colheita mecanizada). 1989). Nessas duas situações. buscando incorporar novas tecnologias e irrigação às culturas. como universidades e a Embrapa (FUSCALDI & PRADO. A disponibilidade e o avanço genético dos cultivares também são fatores restritivos na cadeia do produto. no checklist de boas práticas sugeridas pelos autores: • estar ciente das informações sobre a formação do preço. Uma importante orientação para quem pretende investir no setor está. bem como ter um planejamento de longo prazo em relação à comercialização e à rotação de cultura. está começando a ocorrer um maior acesso dos produtores a variedades cultivadas e desenvolvidas por instituições de melhoramento genético. 2010). ocorre uma redução significativa do preço. já que se trata de um produto de cesta básica. na qual os preços não podem ficar muito elevados. atacadistas e varejistas (SPERS & NASSAR.

• desenvolver o marketing da cadeia por meio de ações de comunicação e publicidade que proporcionem o aumento do consumo do produto. além das perspectivas futuras para cada uma delas. 87 Introdução ao Agronegócio . • pensar em dois tipos de produto: um grão tradicional destinado ao mercado comum interno e outro para nichos de mercados mais exigentes.• acompanhar os fenômenos climáticos como El Niño e La Niña. melhorando as qualidades funcional e nutricional do grão. já que eles afetam a oferta de feijão e causam variações nos preços. Encerramento Neste tema. e teve a oportunidade de conhecer as principais cadeias produtivas brasileiras e como elas estão em comparação com o mundo. você pôde se aprofundar no entendimento de mercado do agronegócio em nível nacional e internacional. • trabalhar alinhado a uma ação conjunta de melhoramento genético e de engenharia de alimentos com o objetivo de gerar valor ao feijão.

03 Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável .

• conhecer as principais questões sobre meio ambiente e o agronegócio. Tópico 1: Definição de Desenvolvimento Sustentável O desenvolvimento sustentável busca a eficiência econômica junto com as eficiências social e ecológica: um tripé de ações que devem caminhar juntas. desenvolva as seguintes competências: • aprofundar seu conhecimento sobre as principais questões e os debates acerca do desenvolvimento sustentável. O conceito de “desenvolvimento sustentável” surgiu nos anos 1970 com o nome de “ecodesenvolvimento” e foi resultado de um estudo em busca de um caminho alternativo. 2012). um conceito diferente dos desenvolvimentistas e dos que defendiam o crescimento zero (ROMEIRO. ao final deste tema. Introdução ao Agronegócio 89 . bem como suas perspectivas futuras. analisaremos os principais pontos de relação entre o agronegócio mundial. o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável para que você.Tema 3: Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável Neste terceiro tema da unidade curricular Introdução ao Agronegócio.

Curso Técnico em Agronegócio . No período da publicação do relatório.90 Para os teóricos que defendiam o crescimento zero. do relatório preparado pelo casal Meadows. outros da Europa ainda se recuperando da Segunda Guerra Mundial e o Brasil também atravessava um período de prosperidade devido ao chamado “milagre econômico”. os limites ambientais levariam a catástrofes caso o crescimento econômico não cessasse. sobre os limites ambientais ao crescimento econômico (MEADOWS ET AL. 1972). alguns países. com o apoio do Clube de Roma. em caso de se manter o mesmo ritmo. começou a aparecer outra visão a partir da publicação. como os Estados Unidos. do MIT. como os “Tigres Asiáticos”. o mundo também assistia ao crescimento de países emergentes. o crescimento econômico necessitava diminuir ou mesmo parar. • aumento da poluição.. algumas consequências seriam extremamente problemáticas. 1: Breve Histórico 1972 – Estocolmo Na primeira Conferência das Nações Unidas sobre meio ambiente realizada em Estocolmo. também no ano de 1972. tais como: • esgotamento dos recursos naturais. ocorreram grandes discussões sobre as maneiras de se pensar sobre o meio ambiente e o crescimento econômico. pois. Segundo o Relatório Meadows. passavam por grande crescimento econômico. • deterioração do nível de vida. Nesse época. Dentro desse contexto.

Comentário do autor A Declaração de Cocoyok é resultado de uma reunião da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento – UNCTAD e do Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas – Unep. Gro Harlem Brundtland. Introdução ao Agronegócio 91 . 2012). A consequência dessa explosão demográfica seria a utilização dos recursos naturais acima de sua capacidade. ou seja. criou-se a Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento. a grande maioria dos países permanecia com um alto nível de pobreza e eles não iniciaram um processo de crescimento econômico sustentável. precisamos deixar um mundo melhor para as gerações futuras. a pobreza seria uma das causas fundamentais dos problemas ambientais desses países (ROMEIRO. 1974 – Cocoyok Ainda durante a década de 1970. afirma-se que a explosão populacional e a destruição ambiental são resultados da total falta de recursos em alguns países. promovida pela Unep. Além de melhores condições sociais e do crescimento econômico eficiente. Para a Organização. Na declaração também constava que é possível manter o crescimento econômico eficiente (sustentado) no longo prazo e que ele pode acontecer junto com a melhoria das condições sociais (melhor distribuição da renda) e respeitando-se o meio ambiente. bem como responsabilidade da não existência de um planejamento do governo de controle da natalidade. em longo prazo. A declaração afirma que os países desenvolvidos têm grande responsabilidade nessa questão. maior será o crescimento demográfico. d Nesse documento. pois possuem elevados níveis de consumo. pois. O crescimento econômico eficiente é considerado condição necessária. mas isso não basta para que ocorra a melhoria do bem-estar da população – é preciso que ocorram políticas públicas específicas direcionadas para quem realmente precisa. As primeiras reações da ONU após a Conferência de Estocolmo contaram com o apoio dos ecodesenvolvimentistas e foram direcionadas para a defesa da necessidade do crescimento econômico dos países pobres. políticas e econômicas. apresentou-se um documento chamado Declaração de Cocoyok (1974) no qual se defendia que o alto crescimento da população era resultado de causas sociais. Nessa ocasião. 1982 – Nairóbi Outro marco importante da agenda da sustentabilidade ocorreu em 1982 com a Conferência de Nairóbi. quanto maior o nível de pobreza.Apesar do crescimento. é preciso que haja equilíbrio ecológico. cuja chefia foi exercida pela primeira-ministra da Noruega.

publicou-se um documento chamado “Nosso Futuro Comum”. • promover as diversidades social e cultural. Nesse relatório. acesso à saúde e à educação) e. (David Pearce. • manter a integridade ecológica. apesar de ambas terem o mesmo conceito normativo. o acesso a direitos sociais básicos (segurança econômica. no Rio de Janeiro. • alcançar equidade e justiça sociais. (União Mundial para a Conservação. O desenvolvimento sustentável pode ser atingido com um conjunto de políticas capazes de. também. Leia com atenção exemplos de definições de sustentabilidade: Desenvolvimento Sustentável significa melhorar a qualidade de vida humana vivendo dentro da capacidade de suporte dos ecossistemas.1987 . garantirem o aumento da renda nacional. ocorreu a II Conferência da ONU sobre Meio Ambiente. A partir de 1987. Curso Técnico em Agronegócio . o desenvolvimento sustentável foi definido como: “aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem às suas necessidades. (Richard Norgaard. na qual foi discutida intensamente a questão do aquecimento global nos anos 1990.” 1992 – Rio de Janeiro No ano de 1992. simultaneamente. também conhecido como Relatório Brundtland (1991). 1988) Sustentabilidade implica em que o nível total da diversidade e da produtividade dos componentes dos sistemas e de suas relações sejam mantidas e aprimoradas.Brundtland 92 Em 1987. 1988) Fique atento! A sustentabilidade só é possível se contemplar os seguintes objetivos: • integrar conservação e desenvolvimento. a expressão “desenvolvimento sustentável” substituiu a expressão “ecodesenvolvimento”. a redução do impacto do aumento da industrialização e do consumo sobre o meio ambiente. 1991) Sustentabilidade requer um estoque constante de capital natural. • satisfazer as necessidades básicas dos seres humanos.

mas sim realidade. e também com a postura das empresas em relação às responsabilidades social e ambiental. representando 31 milhões de hectares e um mercado de US$ 40 bilhões em 2007. Com o aumento da presença em supermercados e uma extensa base de consumidores de orgânicos e compradores regulares. como os produtos orgânicos. Esse aumento na demanda por produtos saudáveis faz parte de uma das tendências mundiais na alimentação.Tópico 2: Agronegócio Sustentável Uma das grandes questões do agronegócio é incentivar a produção de commodities ou de produtos voltados a um nicho de mercado. a praticidade e a busca por produtos gourmet. o mercado de alimentos orgânicos está crescendo no mundo inteiro: sabor. sendo a Alemanha o principal país consumidor. “a agricultura orgânica não é mais um fenômeno apenas de países desenvolvidos. tem ocorrido um aumento do consumo saudável. Introdução ao Agronegócio 93 . pois já é praticada comercialmente em 120 países. a preocupação com a origem e a qualidade dos alimentos e dos produtos. Atualmente. esse mercado representa US$ 20 bilhões. Produtos orgânicos não são mais apenas uma tendência. Já o mercado europeu é estimado em US$ 15 bilhões. por parte do consumidor. sendo que também tem destaque o consumo de alimentos éticos. precisa-se considerar o mercado consumidor. no qual existe. Tópico 3: O Mercado de Orgânicos De acordo com a FAO (2007). O consumo de produtos verdes não é apenas uma “onda” passageira – esse tipo de consumo representa uma mistura de orientação de compra com valores sociais. frescor.” Nos Estados Unidos. a previsão é de que esse mercado mundial atinja US$ 70 bilhões em 2012. Quando se fala de produção. qualidade e segurança alimentar são os principais atrativos desses produtos. De acordo com a FAO (2007).

80%) e laticínios. a maior parte da população acaba ingerindo uma dieta rica em proteínas. pois eles são os resultados de uma forma de produção agrícola. famílias americanas com poucos recursos ingerem mais fast-food simplesmente porque esses alimentos são mais baratos e de fácil acesso em comparação a frutas e vegetais. Informações extras O Um interessante artigo do site AlterNet levanta uma questão no mínimo preocupante: nos EUA. e a base dessa diferenciação está relacionada ao modo de produção. Também segundo a Ifoam. “os governos precisam investir em recursos e em tecnologia a fim de que a agricultura orgânica deixe de ser uma resposta ao mercado e se torne importante alternativa para os desafios mundiais” (IFOAM. De acordo com Souza (2000). apesar da desaceleração da economia europeia – que é a maior consumidora do setor – entre os anos de 2011 e 2012. apenas 0. Isso se dá devido aos grandes subsídios oferecidos pelo governo norteamericano aos produtores de carnes (73.7 milhões de hectares.37%. Devido à disparidade de preços. que já se transformou em grande preocupação social. 2013). Os produtos orgânicos são diferenciados.36%. totalizando 3. é mais barato comer um hambúrguer do que uma salada. Cereais recebem 13. a área destinada ao cultivo de alimentos orgânicos cresceu 300%.23% e frutas e vegetais. o mercado mundial de agricultura orgânica registrou crescimento de aproximadamente 6. a procura por alimentos locais e orgânicos ainda está limitada aos que têm condições financeiras favorecidas. gordura e carboidratos simples. Mercado de orgânicos no Brasil Para que haja maior crescimento do setor de orgânicos no Brasil. entre os anos de 1999 e 2012. Dessa forma. somados à falta de atividade física. principalmente porque esses alimentos são mais caros. levam aos altos índices de obesidade que afetam especialmente os menos favorecidos. pecuária e avícola que adota um sistema que exclui ou evita o uso de fertilizantes solúveis e pesticidas químicos nas operações de cultivo (OELHAF. O governo americano vem tomando medidas para combater esse quadro. os movimentos da agricultura alternativa valorizam a Curso Técnico em Agronegócio . que. 1978 apud SOUZA. Infelizmente.94 De acordo com a Federação Internacional de Movimentos de Agricultura Orgânica – Ifoam. 2000).

agricultura biológica. e dentro deles existem quatro vertentes: 1.” Tópico 4: O Consumidor de Produtos Saudáveis De acordo com o professor americano Michael Conroy. a hora do negócio de orgânicos é agora! Introdução ao Agronegócio 95 . 2009). a questão do sabor dos alimentos orgânicos (DAROLT. animais e homens – interagem para criar um todo coerente. o termo “orgânico” deve ser utilizado quando é possível visualizar “o conceito da unidade produtiva como um organismo. que estão relacionados à utilização de práticas agrícolas como a adubação orgânica de origem animal ou vegetal. De acordo com Elhers (1996). os principais princípios são a diminuição do uso de produtos químicos e a valorização de processos biológicos e vegetativos no sistema de produção. 3. Essa disposição dos consumidores está promovendo mudanças no comportamento das redes de varejo de alimentos. em primeiro lugar. aspectos relacionados ao meio ambiente e. Ainda segundo a autora. no qual todas as partes componentes – solo. que passaram a aumentar o seu volume de compra desses produtos. matérias orgânicas. mas. existe uma disposição dos consumidores em pagar por novas dimensões de qualidade dos produtos e. 80% dos consumidores da União Europeia estão dispostos a pagar 5% a mais por esse produto. que teve início na década de 1930 na Suíça e anos mais tarde foi difundida pela França. Todas essas vertentes possuem um objetivo em comum: desenvolver uma agricultura ecologicamente equilibrada e socialmente justa. de 24%. a rotação de culturas e o controle biológico de pragas. enquanto outra. aspectos relacionados à saudabilidade. de outras práticas culturais que favorecem os processos biológicos. citado em Souza (2000). Esse estudo mostrou que o consumidor brasileiro está disposto a pagar mais caro por um produto que não causa danos ambientais e que uma faixa de 68% do universo pesquisado fez essa afirmativa. segundo esse autor. plantas. mas que também precisa ser economicamente viável. em artigo publicado por França (2008). 2. também. no Brasil parece existir uma tendência semelhante. mostrou-se contrária à ideia. da cultura e dos produtos analisados. insetos. Inglaterra. agricultura biodinâmica. que surgiu em 1924. sendo que o seu conceito teve início em 1925 na Inglaterra e se espalhou pelos Estados Unidos na década de 1940. na sequência. minerais. Ou seja. Estados Unidos. Austrália. micro-organismos. Segundo o mesmo autor. Segundo Souza (2000). que começou no Japão na década de 1930. 4. em segundo lugar. Essa tendência pode ser verificada mesmo na população com baixa renda familiar. observando países como Alemanha. segundo pesquisa realizada pelo Ibope e que analisou de maneira mais geral a questão ambiental. esses movimentos tiveram início na década de 1920. agricultura natural. As motivações para o consumo variam em função do país. identifica-se uma tendência de o consumidor orgânico privilegiar. França e Dinamarca.utilização de matéria orgânica e. agricultura orgânica.

A revolução na tecnologia de transmissão de informações está tornando o consumidor mais consciente e exigente em relação aos produtos alimentícios. ZYLBERSZTAJN. com demanda crescente por seus produtos e sem concorrência das grandes empresas do setor (já que estas produzem um produto homogêneo e trabalham com grandes escalas de produção). trabalham com agricultura familiar e terceirizam a sua produção. A defesa do meio ambiente e a busca por alimentos saudáveis e equilibrados têm levado à criação de novos produtos embasados nesse conceito e faz com que alguns produtos fora desses conceitos não sejam mais consumidos.Comentário do autor 96 d De acordo com Giordano (2000). a preferência por produtos com denominação de origem e selos verdes. e esse tipo de consumidor está influenciando as ações da indústria. e. Curso Técnico em Agronegócio . estão a busca pela qualidade e por produtos com baixo impacto ambiental. Essa mudança nos hábitos de consumo aumenta os cuidados que as empresas precisam ter com a qualidade dos seus produtos para poderem estar sempre oferecendo os produtos adequados a esses novos nichos de consumo. que estão cada vez mais exigentes (FARINA. o consumo de produtos verdes não é apenas uma “onda” passageira – esse tipo de consumo representa uma mistura de orientação de compra com valores sociais. Certificação Fair Trade Como se pode observar. e a aceitação em pagar mais por um produto ambientalmente mais seguro. 1991). entre as características desse consumidor. As pequenas empresas operam em uma escala menor de produção. Trata-se de fazer parte de um mercado exigente. um novo mercado para pequenas empresas e produtores de agricultura familiar está se delineando.

Comece a observar! 97 Tópico 5: O Novo Código Florestal A Lei nº 12. como frutas. o preço determinado para esse tipo de produto está acima do preço de mercado. a fabricantes de 14 países europeus e também do Japão. AMARAL. que irá discutir a sua melhor utilização (DINIZ. Há ainda conflitos a serem resolvidos. antes de apresentarmos brevemente as principais disposições do Novo Código Florestal. Mas. e esse valor retorna à comunidade. Porém. Seu processo de homologação foi árduo. sediada na Alemanha. como as discussões e as negociações políticas sobre os vetos. envolvendo anos de discussões políticas e interesses diversos. preço justo. Nesse tipo de comércio. aves etc. geralmente agricultores do terceiro mundo. Geralmente. e a Medida Provisória pelo Congresso. NEVES.651 (Novo Código Florestal) foi publicada no Diário Oficial da União em 25 de maio de 2012. há uma sensibilização dos consumidores para adquirirem um produto que tenha compromisso com o desenvolvimento da comunidade e os grupos de pequenos produtores pobres. respeito ao meio ambiente. 2014). é bem importante entender a evolução histórica do Código Florestal Brasileiro (CANAL DO PRODUTOR. No Brasil. Esse selo identifica produtos de empresas que pagam mais que a média d do mercado aos fornecedores. cerveja. transferência de tecnologia e aumento da renda dos produtores. 2006). do Canadá e dos Estados Unidos. sendo conhecido como “preço prêmio”. desenvolvimento sustentável. solidariedade. vinho. a lei publicada é bem diferente da lei aprovada pelo Congresso Nacional. legumes.Comércio solidário e justo Outra ideia que vem ganhando força é a do comércio solidário. Introdução ao Agronegócio . mel. Está havendo uma expansão da linha de produtos com certificação orgânica e fair trade das grandes redes de supermercados. e as companhias que utilizam o selo garantem que não utilizam trabalho escravo e também mão de obra infantil. a primeira iniciativa de empresa certificada pela Organização é uma entidade de pequenos proprietários rurais do norte da Bahia que exportam sucos de frutas (CIPOLA. chocolate. Comentário do autor O selo de “comércio justo” é um selo concedido pela FLO. Essa proposta é baseada em princípios básicos. transparência. como: justiça social. 2002). e é possível encontrá-la em vários tipos de produtos.

não permitindo mais o desmatamento das áreas nativas. foram definidas severas penalidades. “Essa lei também alterou os limites das APP’s. 1986 – A Lei no 7. Anteriormente a essa lei.RL e Áreas de Preservação Permanente . a coroa portuguesa colocou diversas normas para conservar o estoque florestal da colônia brasileira. Esse código destacou. foi em 1934. 2014). Curso Técnico em Agronegócio . foram estabelecidos pontos como as limitações ao direito de propriedade relacionadas ao uso e à exploração do solo e das florestas.511 altera o conceito de reserva florestal e as APPs O conceito de reserva florestal. vigorou até 1986. originariamente de cinco metros para 30 metros. O objetivo desse ponto era assegurar o fornecimento de carvão e lenha – insumo energético de grande importância nessa época – permitindo a abertura das áreas rurais em.APPs. A Lei no 7. o conceito de florestas protetoras (conceito parecido ao das Áreas de Preservação Permanente – APPs). A Lei Federal no 7. por meio do Decreto no 23. mas seria necessário plantar espécies exóticas em substituição dessas florestas. entre outros pontos. 75% da área de matas existentes na propriedade. (CANAL DO PRODUTOR.1: Evolução Histórica do Código Florestal Brasileiro 98 Brasil Colônia Sabe-se que ainda no período colonial. 1934 – Primeiro Código Florestal do Brasil Dando um enorme salto na história brasileira. que se instituiu o Código Florestal Brasileiro. porém manteve a autorização para que o proprietário das terras fizesse a reposição das áreas desmatadas (até o início da vigência dessa lei) com espécies exóticas e as utilizasse com fins econômicos. autorizava a substituição dessas matas pelo plantio de florestas homogêneas para futura utilização e melhor aproveitamento industrial.511 alterou o conceito de reserva florestal. sendo que nos rios com mais de 200 metros de largura a APP passou a ser equivalente à largura do rio” (CANAL DO PRODUTOR. 2014) 1965 – “Novo Código Florestal” – Lei Federal no 4. Para o produtor rural é importante conhecer os seguintes pontos: Reserva Legal . que havia sido instituído anteriormente pelo Código Florestal de 1934. para todos que desrespeitassem as regras de utilização do solo e das florestas existentes no país. Além das regras. as áreas de reserva florestal podiam ser 100% desmatadas.771/65 Nessa versão.793. como o exílio. Nesse decreto não era prevista uma distância mínima para a proteção dessas áreas e também não foi definida como obrigatória a ocorrência de uma espécie de “reserva florestal” nas propriedades. no máximo. Porém.511/86 modificou o regime da reserva florestal.

8 mil metros.803 determinou que as reposições das florestas fossem feitas prioritariamente com espécies nativas (não era proibida a utilização de espécies exóticas). a Lei Federal no 7. bordas dos tabuleiros ou chapadas.166-67/2001 – altera conceitos e limites de Reserva Legal e APPs A Medida Provisória no 2. e. sendo que. ficou definido que podem ser computados no cálculo da área de reserva legal os plantios de árvores frutíferas Introdução ao Agronegócio 99 . excetuada a de preservação permanente. O tamanho mínimo da reserva depende do tipo de vegetação existente e da localização da propriedade. Nessa área. a partir da linha de ruptura do relevo.166 novamente alterou os conceitos de reserva legal e áreas de preservação permanente. 2014) 1996 – A Medida Provisória no 1. à conservação e reabilitação dos processos ecológicos.803 determinou a criação da Reserva Legal e a alteração nas APPs Em 1989. não pode ocorrer conversão às atividades que demandem a remoção da cobertura vegetal. 20%. alterando assim a lei de 1965. no Cerrado Amazônico. Foi instituída nessa lei a Reserva Legal.1989 – A Lei Federal no 7. Nessa Medida Provisória.803 alterou novamente o tamanho das APPs nas margens dos rios e criou novas áreas localizadas ao redor das nascentes. 2001 – Medida Provisória nº 2. as APPs sofreram diversas modificações e passaram a ser a faixa marginal dos cursos d’água cobertos ou não por vegetação. da Lei Florestal (CANAL DO PRODUTOR. e passou a permitir apenas o desmatamento de 20% nos ambientes que possuem uma floresta típica. Nas pequenas propriedades ou posse rural familiar.511/96 amplia a restrição em áreas de floresta Essa Medida Provisória restringiu a abertura de área em florestas. Também foi estabelecida que fossem destinados obrigatoriamente 20% de Reserva Legal para áreas de cerrado. 1998 – Lei de Crimes Ambientais Essa lei também alterou dispositivos do Código Florestal e transformou diversas infrações administrativas em crimes. à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas. olhos d’água. ou ainda se a propriedade estiver em altitude superior a 1. 35%. ou se ocorrer qualquer das situações previstas no artigo 3º. Reserva legal passou a ser definida como a área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural. no bioma Amazônia. necessária ao uso sustentável dos recursos naturais. que é um percentual de limitação de uso do solo na propriedade rural. para as demais regiões e biomas. A Lei no 7. o mínimo é de 80%.

A seguir. 2014). O que muda com o Novo Código Florestal? Em termos gerais e estruturais. realizado pelo Sistema Faep. divididos entre APP e RL. O que mudou foi a implementação e a fiscalização desses espaços. compostos por espécies exóticas. A proposta foi aprovada com 13 votos a favor. que estarão sujeitos ao Cadastro Ambiental Rural . Curso Técnico em Agronegócio . foi acatada pela comissão e está pronta para a apreciação nos plenários da Câmara e do Senado (CANAL DO PRODUTOR. 2010 – Aprovação da proposta em comissão A proposta do deputado Aldo Rebelo para a modificação do Código Florestal Brasileiro foi aprovada pela Comissão Especial do Código Florestal no dia 6 de julho de 2010.CAR e institui-se o módulo fiscal.100 ornamentais ou industriais. A proteção do meio ambiente natural continua sendo obrigação do proprietário mediante a manutenção de espaços protegidos de propriedade privada. a mudança é pouco significativa. 2014). serão abordadas algumas questões tratadas pelo Novo Código Florestal e apresentadas no Manual do Novo Código Florestal. cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas (CANAL DO PRODUTOR. pois a lei aprovada permitiu que fossem realizados somente ajustes pontuais para adequação da situação de fato à situação de direito pretendida pela legislação ambiental. fixada para cada município. que é a unidade de medida expressa em hectares. considerando fatores como tipo de exploração predominante no município e renda.

compondo base de dados para controle. 2012). Área de Preservação Permanente . planejamento ambiental e econômico. Cadastro Ambiental Rural . montanhas e serras (SISTEMA FAEP. 2012). e.CAR É um registro eletrônico de abrangência nacional. 5. entre outros. referentes a período anterior a 22 de julho de 2008 (SISTEMA FAEP. e facilitar o trabalho de fiscalização (SISTEMA FAEP. conter a erosão do solo. nas faixas marginais de qualquer curso d’água natural (mata ciliar de beira de rio). 2012). 3. obrigatório para todos os imóveis rurais.Áreas consolidadas Áreas consolidadas são as Áreas de Preservação Permanente . ecoturismo ou turismo rural. a biodiversidade e a beleza da paisagem. localizadas: 1. no entorno dos reservatórios d’água artificiais.APP São áreas protegidas. encostas ocupadas com café.APP e a Reserva Legal. sendo indispensável para aderir ao Programa de Regularização Ambiental . 2012). especialmente. O órgão ambiental poderá comprovar a situação de área consolidada por meio de fotos de satélite que possui em seus arquivos. 4. aviários. Está proibida a utilização de novas áreas em APP e Reserva Legal além dessas ocupadas até 22 de julho de 2008. Introdução ao Agronegócio . 101 Função das Áreas de Preservação Permanente Preservar os recursos hídricos. atividades agrossilvipastoris.PRA. 6. assegurar e preservar o bem-estar das populações humanas (SISTEMA FAEP. a estabilidade geológica. nas encostas ou em partes destas com declividade superior a 45°. montes. Exemplos: várzeas ocupadas com arroz. e combate ao desmatamento. facilitar o desenvolvimento da fauna e flora. no entorno dos lagos e lagoas naturais. monitoramento. benfeitorias. no entorno das nascentes e dos olhos d’água perenes. A inscrição no Cadastro Ambiental Rural é feita no órgão ambiental municipal ou estadual. uva. 2. cobertas ou não por vegetação nativa. ocupadas antes de 22 de julho de 2008. no topo de morros.PRA. Os objetivos do CAR são: • receber informações ambientais das propriedades e das posses rurais. com edificações. • cadastrar as Áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal. e que sejam observados critérios técnicos de conservação do solo e da água indicados pelo Programa de Regularização Ambiental . diminuir os riscos de enchentes e deslizamentos de terra e pedra nas encostas. São permitidas a manutenção e a continuidade dessas atividades desde que não estejam em área que ofereça risco às pessoas e ao meio ambiente.

agora estando apto a avaliar a melhor forma de aplicá-las em seu dia a dia. Encerramento Neste tema.Programa de Regularização Ambiental .PRA 102 O Programa de Regularização Ambiental permite ao proprietário rural regularizar as Áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal consolidada. foi possível verificar a importância do desenvolvimento sustentável para garantir não somente o futuro do agronegócio. Você aprendeu boas práticas e conheceu novas ideias sobre o segmento de orgânicos. desde que não estejam em áreas de risco e sejam observados critérios técnicos de conservação do solo e da água (SISTEMA FAEP. 2012). Esse programa resolverá diversos passivos ambientais dos produtores rurais e será considerado no acesso aos incentivos econômicos e financeiros na prestação de serviços ambientais. mas também do planeta. Curso Técnico em Agronegócio .

04 Desafios do Agronegócio .

ao final deste tema. Nos próximos anos os desafios da agricultura estarão relacionados ao fato de que. menos pessoas viverão da agricultura e menos ainda serão os agricultores. O aumento da população agravará um problema já existente. Curso Técnico em Agronegócio . ração e fibras deverá dobrar até 2050. Desafio 2 Contribuir para reduzir os danos ao meio ambiente. desenvolva as seguintes competências: • desenvolver sua própria opinião crítica a respeito dos desafios apresentados. O crescimento populacional agravará a desigualdade. ao mesmo tempo em que as lavouras serão utilizadas para produzir bionergia e para fins industriais. analisaremos os principais desafios do agronegócio mundial e do brasileiro para que você. até 2050 a população crescerá de sete para nove bilhões de habitantes. • O volume produzido de alimentos.104 Tema 4: Desafios do Agronegócio Neste último tema da unidade curricular Introdução ao Agronegócio. pois as cidades estão crescendo. Dessa forma. Desafio 4 Desenvolver novas tecnologias para extrair mais de uma porção menor de área. Como ponto de partida para esta reta final. na maior parte das regiões do mundo. que é a fome mundial. Desafio 3 Preservar habitats naturais e manter a biodiversidade. • De acordo com a FAO. podemos concluir que a agricultura e todos os envolvidos em suas cadeias terão os seguintes desafios: Desafio 1 Competir por área e água. veja alguns fatos para inspirar a nossa reflexão. utilizando menos mão de obra. pois o grupo dos mais ricos cresce menos que o grupo dos mais pobres. • identificar as principais ações necessárias no presente e futuras para o agronegócio.

a entidade já produziu quatro grandes relatórios.Comentário do autor d 2050 – No cenário delineado pela FAO. cientistas e autoridades do mundo inteiro se reuniram no Japão para debater sobre as grandes mudanças que estão ocorrendo no clima no mundo inteiro. 19/7/2012) Tópico 1: Mudanças Climáticas No dia 30 de março de 2014. com o aval da ONU. as mudanças climáticas afetarão a saúde. 2014). no qual integrantes do IPCC apontam que “até agora os efeitos do aquecimento são sentidos de forma mais acentuada pela natureza. (Fonte: Portal Terra. 105 De acordo com o relatório divulgado no Japão. Até hoje. a habitação. Todos os cientistas que colaboram com o painel o fazem de forma voluntária. um dos países mais pobres do Oriente Médio. na sigla em inglês). um milhão de crianças sofre de desnutrição grave há meses. divulgado em 2007. e praticamente dobrou a quantidade de provas científicas do impacto do aquecimento global desde o último relatório. Como resultado dessa reunião. as nações da Ásia e da África subsaariana abrigarão 60% da população do planeta. sem fins lucrativos. 1  O IPCC é uma pequena organização. sediada em Genebra e possui uma equipe de funcionários que trabalham em turno integral. segundo aponta um relato do Programa Alimentar Mundial da ONU. A função do Painel Intergovernamental da ONU para Mudanças Climáticas é “suprir o mundo com visões científicas claras sobre o estado atual do conhecimento em mudanças climáticas e seus potenciais impactos ambientais e socioeconômicos”. foi divulgado o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC1. Introdução ao Agronegócio . No Iêmen. a alimentação e a segurança da população no planeta. mas que haverá um impacto cada vez maior sobre a humanidade” (IPCC.

como as de colheitas de milho. Um ponto muito debatido na reunião refere-se à insegurança alimentar. nos próximos 20 a 30 anos. arroz e trigo. • utilizando menos o carro. é cada vez mais comum ouvirmos falar de períodos de seca nunca registrados antes. Curso Técnico em Agronegócio . precisam colaborar. prejudicando o ecossistema dos corais desse mar e dos outros existentes na Terra. Todos.106 As análises apontam que. É necessário agir desde já. sem exceção. até 2050. mas como isso pode ser feito? • preservando os recursos naturais não renováveis. O aquecimento global no mundo produz os seguintes impactos: Impactos sobre espécies Inundações Degelo Queimadas Falta d’água Mudança nas colheitas Atualmente. • adotando um estilo de vida mais sustentável. sistemas como o mar do Ártico estarão ameaçados pelo aumento da temperatura em dois graus Celsius. • diminuindo o consumo de água. • reciclando embalagens. e algumas previsões indicam perdas que chegam a 25% em diversas culturas. como também de grandes inundações. A perspectiva é extremamente preocupante.

É preciso sempre pensar: que mundo deixarei para os meus filhos. Então. já a produtividade agrícola saltou 212%. [. e isso acontecerá com as pessoas. (MARZOLA FILHO. Nesse mesmo período. Há 30 anos. o Brasil era um grande importador de commodities como carne bovina. com as colheitas e com a disponibilidade de água”. Atualmente. Veja como é o crescimento em produtividade de algumas commodities no Brasil e no mundo. o Brasil expandiu a área das lavouras em 37%. sobrinhos e netos. a incorporação de novas técnicas agrícolas provocou um verdadeiro salto de eficiência no setor. 250%. a produtividade média da soja era de menos de duas toneladas por hectare – atualmente.7 toneladas. e para as gerações futuras? De acordo com o relatório. 2014). 40% da população mundial estaria passando fome. que também estão ocorrendo mudanças climáticas e as legislações são cada vez mais restritivas ao dano ambiental? É necessário proporcionar mais produtividade ao agronegócio e conseguir produzir muito mais alimentos sem destruir o que restou do seu patrimônio natural. Até os anos 1970. o país é um grande exportador de soja. chega a 4. a produção de carne de frango aumentou 475% e a de suínos. Nas últimas quatro décadas.. 2013). Se não fossem os fertilizantes. O agronegócio precisará investir cada vez mais em tecnologia e inovação. como resolver isso? Como produzir mais e de maneira sustentável considerando que os recursos naturais como água e terra são escassos. arroz e feijão – a população usava 43% da renda apenas para comprar comida (SCHREINER. café e açúcar (são exportados aproximadamente 50% de tudo o que é produzido). os riscos só aumentam.] de 1990 para cá.. “na medida em que avançamos [as previsões] no futuro. Introdução ao Agronegócio 107 .

2 -11.4 19.8 1998 14.8 19.0% 2010 24.8 0.1% Crescimento Médio (*) Previsão Fonte: ANDA – maio de 2011 Curso Técnico em Agronegócio Crescimento Anual 4. Evolução Anual do Mercado de Fertilizantes (em Milhões de Toneladas) Ano Mercado 1997 13.1 4.4 -8.7% 2001 17.6% 2000 16.4 0.4% 2011 (*) 26.7 6.4% 2006 21.08 milhões de toneladas em 2013.1 11. Acompanhe a evolução do mercado no período de 1997 a 2011.7 -6.5% 1999 13.4% 2004 22.6% .0 4.6 17.3% 2002 19.1% 2008 22.0% 2007 24.Crescimento em produtividade (%) 108 Commodity Mundo Brasil Milho 17 73 Arroz 8 30 Sorgo -0.7 49 Algodão 23 49 Trigo 11 8 Fonte: USDA (2013) Tópico 2: O Mercado de Fertilizantes Brasileiro De acordo com a Associação Nacional para Difusão de Adubos – Anda.9% 2009 22.5 9.0 6.0% 2005 20.7% 2003 22. o mercado nacional movimentou 31.

um dos principais nutrientes utilizados nas formulações de fertilizantes. e também pela estocagem de fertilizantes por parte do produtor rural. O mercado disponível para consumo de fertilizantes por cultura está representado da seguinte forma: Consumo de fertilizantes por cultura em 2010 (%) 23% Outras 25% Soja 5% Algodão 109 6% Café 15% Cana-de-açúcar 15% Milho Fonte: Gestão de Informação de Marketing da Bunge Fertilizantes S/A. café e algodão totalizam 77% das vendas de fertilizantes no mercado brasileiro. o crescimento médio anual foi de 4. atingindo 35% do total entregue no país. No entanto. além da diminuição da renda do comprador e das crises mundiais. No ano de 2008. A cultura que mais consome fertilizantes no Brasil é a soja. nota-se a grande representatividade da região Centro-Oeste. e o excesso de umidade no Centro-Oeste. como a que ocorreu em 2008. houve um crescimento constante do mercado de fertilizantes. outros fatos também contribuíram para a estagnação do mercado.Nota-se que. cana-de-açúcar. O aumento nos custos dos fretes marítimos implicou aumento de preço das matérias-primas importadas. Outras culturas como milho. Os períodos de estagnação são justificados pelos problemas de estiagens prolongadas. A análise anterior permite uma melhor compreensão da distribuição do fertilizante por unidade da federação. como os aumentos elevados nos preços dos fertilizantes no mercado internacional (que trouxeram consequências para o Brasil) e dos custos de fretes marítimos (que alteraram a relação entre demanda e oferta de matérias-primas utilizadas). e em 2008 e 2009. Introdução ao Agronegócio . principalmente na região Sul. 2011. Quanto à segmentação por estado brasileiro.6%. ao considerar o período entre 1997 e 2011. mas esse mesmo mercado apresentou estagnação nos anos de 2003 e 2004. no período entre 1997 e 2011. O aumento do petróleo influenciou diretamente o aumento das matérias-primas derivadas do nitrogênio.

tanto em pastagem quanto para a abertura de novas áreas. acompanhe na sequência um breve panorama do consumo de fertilizantes no mundo. Maiores consumidores mundiais de fertilizantes N P2O5 K20 NPK China 33% 30% 22% 30% Índia 15% 15% 9% 14% EUA 12% 11% 16% 12% Brasil 3% 9% 14% 6% Subtotal 63% 65% 61% 62% Outros 37% 35% 39% 38% Fonte: IFA. ANDA (2011) Curso Técnico em Agronegócio . O consumo de fertilizantes no Brasil representa 6% do total consumido no mundo. Tópico 3: Consumo Mundial de Fertilizantes Os maiores consumidores de nutrientes minerais para fertilizantes no mundo são Brasil (ocupa a quarta posição). A título de comparação. com altas taxas de produtividade e áreas disponíveis para crescimento. Índia e Estados Unidos. China. Trata-se do maior polo agrícola brasileiro. O Brasil consome 3% de nitrogenados.Consumo de fertilizantes por região do Brasil (2010) 110 14% 30% 29% 28% Fonte: Adaptado pelo autor A representatividade da região Centro-Oeste deve-se ao fato de o Estado do Mato Grosso ser o maior consumidor de fertilizantes do país. 9% de fosfatados e 14% de óxido de potássio (K2O).

esteja estruturado em bases sólidas. mas isso só será possível com as devidas adequações no sistema agrícola atual. Como já exposto. A utilização de fertilizantes pode proporcionar aumento de produção de alimentos quando essa tecnologia for aplicada corretamente. no período compreendido entre as safras 92/93 e 2006/2007. Podemos observar que.5% 159 150 132 129 119 148 117 121 115 147 142 122 133 112 108 100 92/93 108 93/94 138 132 122 104 103 94/95 95/96 98 96/97 104 97/98 106 98/99 106 99/00 128 4. a importância dos fertilizantes para a produção de alimentos no Brasil é relativamente elevada. o alinhamento das ações com foco na sustentabilidade do planeta. o cenário futuro exige intensificar o uso de tecnologias que resultem em maior produtividade e que. reduzam o impacto sobre os recursos naturais do planeta.5%. Introdução ao Agronegócio . Nossa vocação como país é a de grande participante.7%. o consumo de fertilizante cresceu 5. Algumas fontes consideram o Brasil como um dos únicos países do mundo com quantidade de terras agricultáveis capaz de enfrentar o grande desafio dos próximos anos para alimentar toda a demanda da população mundial.5% 111 00/01 01/02 02/03 03/04 05/06 06/07 111 Fonte: ANDA e CONAB (2013) Esse setor é de importância relativamente forte para a produção de alimentos no Brasil.9% 206 Área Plantada 190 181 177 183 175 167 170 4. 4. ou seja. fator essencial da produtividade.9% ao ano e a produção de grãos. Variação do consumo de fertilizantes.De certa forma. área plantada e produção de grãos no Brasil 246 CAGR 246 Produção de Grãos 218 Consumo de Fertilizantes 225 5. o crescimento médio anual de área plantada no Brasil foi de 1. também. Se a previsão de aumento da produção mundial de alimentos se tornar realidade. será muito importante que o setor de insumos agrícolas.

ocorreu uma grande falta de mão de obra para a agricultura (BRUM.380 tratores2. 1. É possível utilizar na agricultura um substituto sustentável do fertilizante químico? Tópico 4: Histórico da Utilização de Tecnologia na Agricultura Brasileira A mecanização agrícola no Brasil ocorreu logo após a Primeira Guerra Mundial. pesquise e responda às questões abaixo.Atividade prática p 112 O Brasil é altamente dependente dos fertilizantes importados. não houve evolução do processo de implantação da mecanização no Brasil.. Nesse mesmo período. considerando os tratores de alta potência e os com potência abaixo de 100hp. 2002). Em 2012 a estimativa da frota de tratores no Brasil é de 664. A partir dessa afirmação. o governo observou que havia a necessidade de aumentar a produção do campo. ocorrendo dificuldades na importação de tratores e outras máquinas agrícolas. elevando a produtividade e também expandindo áreas de produção e promovendo o uso de insumos modernos (sementes selecionadas. fertilizantes. No período de 1939-1940. defensivos e. Qual é a atual produção brasileira de fertilizantes? 2. 1988). principalmente. Após o término da Segunda Guerra Mundial. Quais são os principais países exportadores? 3. pois a nossa produção é pequena. maquinário) (MOURA ET AL.041unidades. 2 Curso Técnico em Agronegócio . O Brasil possuía uma frota de 3.

também. Isso possibilitou oferecer uma ampla linha de produtos.A partir de 1949. a construir novas plantas. e oferecido tanto ao pequeno quanto ao grande produtor. começaram a ser desenvolvidos novos tipos de equipamentos no Brasil. Também são desenvolvidas plantadeiras específicas para o plantio direto. colheitadeiras para o café e a cana-de-açúcar. pois. um programa de crédito rural direcionado. No início do ano 2000. a partir desde período. A agricultura brasileira utiliza várias tecnologias de mecanização. o governo federal criou o Moderfrota. a indústria nacional de máquinas agrícolas passou a aumentar a capacidade instalada das unidades existentes e. e equipamentos para a agricultura de precisão. com taxas de juros diferenciadas. ela emite um mapa de produtividade da área por meio de sistemas controlados por satélite. Esses problemas acabaram trazendo benefícios para o setor de máquinas agrícolas brasileiras. modelos e procedências que eram inadequados para serem utilizados em solo brasileiro. a produção de colheitadeiras que monitoram a produtividade da área que está sendo colhida e também a umidade dos grãos. impulsionado pelo aumento nas importações de tratores. tais como: • plantio direto. abaixo das praticadas pelo mercado. esse setor possui tecnologia de ponta.. começou a haver um grande desenvolvimento da mecanização no Brasil. como. Atualmente. reduzindo a importação de produtos ligados a esse setor. É necessário. Ao final de uma jornada de trabalho. por exemplo. Diante desse cenário (com o aquecimento da demanda devido ao aumento do crédito). considerar que havia grande variedade de máquinas. atendendo desde às operações realizadas com tração animal até às operações que exigem tratores equipados com alto grau de tecnologia (MOURA ET AL. mas um fator limitante da expansão desse setor era a falta de qualificação das pessoas para o manuseio dessas máquinas. 2002). também. Introdução ao Agronegócio 113 .

Índia e França. dentre outros. O setor de máquinas e implementos agrícolas desempenha um importante papel nas economias paulista e gaúcha. Atualmente. por exemplo. açúcar etc. • automação de mecanismos. Estados Unidos. – estamos. como. arroz. que estão concentradas principalmente nos estados do Rio Grande do Sul e São Paulo. café. Os avanços ocorrem devido à renovação e à expansão do parque de máquinas agrícolas. o Brasil é um grande produtor e exportador de commodities. disputando o mercado internacional com outros países. ao aumento do uso de fertilizantes e a uma maior eficiência dos agroquímicos. atualmente. milho. a maior parte dos grandes produtores mundiais de máquinas e implementos agrícolas possui unidades industriais no Brasil. Tópico 5: Agricultura de Precisão A sessão anterior mostrou que a agricultura brasileira vem passando por importantes transformações nos últimos anos e. 114 • controle da compactação. inclusive. suco de laranja. aliados à utilização de sementes mais produtivas. algodão e laranja.• irrigação com pivô-central. 2002). Por quê? Curso Técnico em Agronegócio . como soja. China. (MOURA ET AL. A aplicação de tecnologias modernas para o cultivo reflete-se no aumento de produtividade da agricultura brasileira. Mas alguns países como os EUA e os da Europa apresentam uma tecnologia de produção mais desenvolvida que a brasileira. trigo. • informações operacionais. impactando diretamente diversas cadeias produtivas. como soja.

A adoção da agricultura de precisão foi intensificada nos anos 1980. é preciso abordar as questões da inovação e do conhecimento. os transgênicos são uma ferramenta fundamental para a agricultura de commodities brasileira e mundial. os norte-americanos transformaram a agricultura de precisão em um grande negócio.). Atualmente no Brasil. universidades e as empresas que fabricam máquinas de agricultura de precisão. como produtividade. Comentário do autor d O Senar criou o programa Agricultura de Precisão para levar ao produtor rural conceitos modernos e novas tecnologias. sendo desenvolvido em sete módulos. Acesse o portal do SENAR www. as soluções existentes têm como foco principal a aplicação de fertilizantes e corretivos em taxa variável. especialmente colhedoras equipadas com monitores de produtividade. O curso possui carga horária de 120 horas. com a importação de equipamentos. A análise desses dados permite a otimização dos insumos agrícolas. pragas e doenças (MAPA. Em 1990. gerando lucros para o agricultor e diminuindo o impacto ambiental (MAPA. mas é preciso sempre considerar que a agricultura de precisão é um sistema de gestão da propriedade rural e deve ser utilizada em todos os seus aspectos. infestação de ervas daninhas. Uma questão polêmica refere-se à tecnologia das sementes geneticamente modificadas – GM.senar.org. Hoje. 2011).Porque esses países utilizam novas tecnologias da informação que permitem o manejo da atividade agrícola com dados precisos sobre a localização e o desenvolvimento das lavouras (MOLIN. que trouxe grandes contribuições para as lavouras. Introdução ao Agronegócio 115 . A agricultura de precisão utiliza de maneira intensa os sistemas de posicionamento de satélites e os sistemas de informações geográficas – GIS. pois ambos são fatores fundamentais para que ocorra uma agricultura competitiva e sustentável. químicas etc. quando foi gerado na Europa o primeiro mapa de produtividade e nos EUA foi realizada a primeira adubação com doses variadas. E no Brasil. solo (características físicas. foi desenvolvido o sistema de posicionamento global por satélites – GPS. No início da década de 1990. e também firmou parcerias com a Embrapa. com o lançamento no mercado de sensores. como se dão as atividades da agricultura de precisão? Tais atividades começaram a se intensificar em 1995. 2011). softwares e serviços (MOLIN. 2003). o que permite o tratamento e a análise dos dados coletados no campo.br e saiba mais! Tópico 6: Sementes geneticamente modificadas (GM) Quando se fala em tecnologia. 2003).

Link A Acesse o AVA e confira alguns dados sobre a adoção de sementes geneticamente modificadas.116 De acordo com Paolinelli (2014). Com esta semente à disposição. o produtor vai lançar mão de uma tecnologia de ponta para resolver questões agronômicas. Tópico 7: Logística Definição A logística é uma das mais antigas atividades econômicas. as três principais funções logísticas (estocagem. a pesquisa e o desenvolvimento de novas variedades GM mostram que novas culturas também podem se beneficiar dessa tecnologia. No Brasil. desde o processo de mudança de economias exclusivamente extrativistas para as atuais. 2000). e. desse modo. armazenagem e transporte) passaram a ser fundamentais para que o consumo pudesse acontecer (FLEURY. em que ocorre especialização de produção e comercialização de excedentes. Pesquise mais sobre o assunto e converse com os seus colegas sobre os prós e os contras da adoção dessa tecnologia e. a produção de feijão é caracterizada por significativa participação da agricultura familiar. sua importância vem só aumentando. Nas economias com atividades organizadas. formar a sua própria opinião sobre o assunto. como a cana-deaçúcar e as frutas cítricas: A Embrapa desenvolveu um feijão transgênico resistente a uma praga que assola a produção dessa leguminosa em muitas regiões do mundo. Curso Técnico em Agronegócio .

Modais de Transporte A matriz de transportes é baseada em cinco diferentes modais: • ferroviário. desde os fornecedores de matériasprimas. 2001). e quanto melhores e mais baratos são esses sistemas. O desenvolvimento do comércio nacional ou internacional só ocorre devido a sistemas logísticos. 2001). A evolução do comércio faz com que produtos. 2001). e em condições adequadas de consumo (BALLOU. passem a percorrer distâncias cada vez maiores para serem disponibilizados aos consumidores (BALLOU. As exportações e as importações de um país dependem. A logística gerencia as atividades e os atores que estão presentes nas cadeias de produção e distribuição. sistemas logísticos eficientes formam bases para o comércio. essencialmente. a importância da logística cresce ainda mais. antes comercializados próximos aos locais de produção. Introdução ao Agronegócio 117 . Na economia mundial. dos sistemas de transporte para serem efetuadas. oferta e demanda. pois possibilitam que as diferentes regiões geográficas se especializem naquilo que melhor produzem.O objetivo principal da logística é colocar à disposição dos consumidores os produtos que eles desejam consumir no tempo e no lugar certos. mais livre e facilitada é a comercialização. explorando suas vantagens de produção para posteriormente trocarem entre si (BALLOU. de modo que o objetivo logístico seja atingido a um menor custo possível. Com a globalização e o consequente aumento da distância entre produção e consumo. • rodoviário. • hidroviário.

principalmente. Já os modais ferroviário e aquaviário são os mais utilizados pelos Estados Unidos (em especial estes últimos. especialmente em relação às perdas de mercadorias que ocorrem. o alimento é transportado até os consumidores. O gerenciamento do transporte e da armazenagem permite obter ganhos claros nas cadeias agroindustriais. Curso Técnico em Agronegócio .• dutoviário. No passado. também por meio do armazenamento. Além disso. os produtos agrícolas. 118 • aéreo. inclusive de pequenos produtores. devido ao transporte inadequado ou ao tempo curto de perecibilidade dos produtos (CAIXETA FILHO. Desse modo. Isso torna o papel da logística fundamental. EUA e Argentina Modais Brasil EUA Argentina Rodoviário 58% 5% 80% Ferroviário 25% 35% 18% Aquaviário 17% 60% 2% Fonte: CNT (2013) O principal objetivo da logística agroindustrial é melhorar a eficiência da movimentação de cargas agrícolas por meio de veículos adequados. o transporte pode ser considerada como a mais importante. 2010). com a especialização e a urbanização. ao saírem das propriedades. segundo Caixeta Filho (2010). 2010). Conforme Caixeta Filho (2010) afirma. a logística é um elemento integrador de produtores. e. Dessas unidades. Os modais rodoviários são os mais utilizados no Brasil e na Argentina. nos sistemas agroindustriais. atualmente. embalagem e comercialização). das atividades de pós-colheita (pré-processamento. Participação dos modais de transportes no Brasil. os produtos já processados ou beneficiados são transportados até as áreas de armazenamento e comercialização. ou processamento. normalmente são transportados mais vezes (CAIXETA FILHO. transporte. Considera-se que a maioria dos produtos agrícolas deve ser transportada no mínimo duas vezes. a população migrava em busca de alimentos. mas. próximas ao consumo. obter o menor custo possível. Já as distâncias entre as processadoras e os locais de comercialização podem ser relativamente grandes. visto que parte da produção é transportada por balsas e navios). ao permitir que os produtos sejam comercializados em locais distantes das propriedades agrícolas. armazenamento. seguem em distâncias relativamente curtas até as unidades de processamento e armazenagem. e produtos com maior nível de industrialização.

Isso pode ocorrer devido a acidentes. desse modo. Dessa forma. O custo médio de frete nos principais países produtores de soja mostra que os custos logísticos do Brasil são muito mais altos que os custos da Argentina e dos EUA. em especial aquelas que são voltadas à exportação. Introdução ao Agronegócio 119 . muitas vezes. O que dificulta a nossa competitividade no mercado.Xangai (US$/ton. as ferrovias são deficientes e as rodovias não são modernas. não conseguem alimentar nem a sua própria população. roubo de cargas ou mesmo deterioração dos produtos. o que leva muitos a desistirem de produzir (CAIXETA FILHO. Os países em desenvolvimento têm capacidade de alimentar a maior parte da população mundial. Caixeta Filho (2010) reforça a necessidade do aumento da eficiência dos transportes. De acordo com Ballou (2009) é estimado que um terço dos alimentos perecíveis produzidos seja perdido durante a distribuição. não é suficiente nem mesmo para cobrir seus custos. uma vez que.Fonte: Centrogrãos. devido às suas más condições de transporte. A logística é um dos grandes gargalos do agronegócio brasileiro.Veja os custos logísticos para exportação à China.) Origem Transporte Interno Externo * Total Brasil-Sorriso (MT) 145 45 190 Argentina-Córdoba 36 66 102 EUA-Saint Louis 25 46 71 *Marítimo . prejudicando todos os elos de todas as cadeias produtivas. Um dos grandes desafios atuais do agronegócio é buscar constantemente meios de aumentar a produção mundial de alimentos com o objetivo de diminuir a fome no mundo (CAIXETA FILHO 2010). Custo do frete até a China. que perde muito com toda essa ineficiência. antes mesmo que possa atingir os consumidores. não adianta aumentar a produção se essa é perdida. 2010). a quantia recebida pelos produtores em pagamento da sua produção. Caramuru e Soy Transport Coalition (2010) Podemos observar que os custos de transporte do Brasil são muito maiores que os custos dos EUA e da Argentina. segundo ele. principal comprador mundial de commodities. no entanto. Os meios de transporte nesses países são primitivos.

Comparativo Custo Logístico Básico Soja (US$/ton)

120
Frete Lavoura-Porto
Custo Porto (FOB)
Total

Brasil

Argentina

EUA

125,00

32,0

20,0

10,0

5,0

3,0

135,0

37,0

23,0

Fonte: IMEA; USDA (2013)

O aprimoramento logístico gera benefícios para todos os envolvidos
na cadeia. Uma maior eficiência logística reduz as perdas durante
o transporte e os custos logísticos envolvidos, os quais podem ser
traduzidos em menores preços para os consumidores, em maiores
lucros para produtores e intermediários, ou nos dois.
Todos ganham com isso, inclusive a economia do país, que fica
mais dinâmica (CAIXETA FILHO, 2010).
As perdas durante o transporte estão relacionadas, principalmente,
aos descuidos durante o carregamento e o descarregamento das
cargas, à umidade, aos acidentes, e ao roubo de cargas.
Armazenagem
Em 2013, a oferta instalada de armazéns era de 142,6 milhões de toneladas, e a demanda
era de 186,1 milhões de toneladas (safra 2013/14), uma diferença de 43,5 milhões de
toneladas (24% da produção).
A produção de grãos no Brasil é dividida por regiões: as regiões Sul e Centro-Oeste são as
maiores produtoras.
Produção de grãos por regiões do Brasil e unidades de armazenamento
Região

Produção
Mil toneladas

Unidades

Norte

5.503

470

Nordeste

12.278

1.162

Centro-Oeste

77.615

3.985

Sudeste

20.241

2.927

Sul

70.512

9.330

Total

186.149

17.874

Fonte: CONAB; FAO (2013)

Curso Técnico em Agronegócio

Porém, as unidades de armazenagem ainda são poucas, havendo um deficit em relação à
produção. Segundo a FAO, é necessária uma capacidade de armazenagem acima de 20% da
produção, sendo que ainda assim estamos com um deficit de 73 milhões de toneladas.
Percentual de deficit de armazenagem nas regiões brasileiras

Nordeste
7%

Norte
4%

Sudeste
3%

Centro
Oeste
53%

Sul
33%

Fonte: CONAB; FAO (2013)

As taxas de armazenagem nas fazendas em diversos países mostram que o Brasil possui uma
capacidade muito pequena em relação aos Estados Unidos, por exemplo.
Taxa de armazenagem nas fazendas em países de destaque
na produção de commodities
Região

Participação

EUA

55% a 66%

Austrália

35%

Europa

35%

Argentina

35% a 45%

Canadá

85%

Brasil

35%

Fonte: USDA (2013)

Essa é uma realidade que precisa ser bem administrada pelos setores público e privado,
pois a armazenagem é uma ótima estratégia de comercialização, especialmente quando
ocorre um excesso de oferta devido a uma supersafra, momento no qual o produtor pode
armazenar a sua produção e esperar o melhor momento para vendê-la no mercado.

Introdução ao Agronegócio

121

122

O Plano Safra atual reservou R$ 30 bilhões para a construção de armazéns nos próximos
seis anos (R$ 5 bilhões por ano), levando ao aumento da capacidade estática para 65
milhões de toneladas, mas ainda será insuficiente para cobrir toda a produção.

Encerramento
Nesta unidade, você pôde aprender sobre os principais conceitos e desafios do agronegócio,
bem como suas configurações no Brasil e no mundo. É importante não parar por aqui e
continuar a investigar a respeito do tema e, principalmente, manter-se atualizado, pois os
números apresentados mudam a cada ano. Utilize bem os novos conhecimentos adquiridos.
Sucesso nessa nova jornada!

Curso Técnico em Agronegócio

Disponível em: <http://www. 2014.. São Paulo: Atlas. 1997.php>. Tendências da alimentação contemporânea. Argemiro Luis. 2014. ABIPECS – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DA INDÚSTRIA PRODUTORA EXPORTADORA DE CARNE SUÍNA. anda. Acessado em: 20 jan. ESPM. Gestão do Agronegócio: textos selecionados. Gestão agroindustrial. O cidadão consumidor e a construção jurídica da sustentabilidade.aspx>. 3. BALLOU. SILVA. H. 2014. BARBOSA. R. O. Acessado em: 14 jan.com.br/>. 2014. Introdução ao Agronegócio 123 .).Referências Básicas BATALHA. BRUM. Disponível em: <http://www. S. Curso de Férias. ESPM. 2012. Acessado em: 14 jan.aspx>. PILAU.br/site/index. R. MULLER. Disponível em: <http://www. In: LITON. J. Referências Complementares ABIEC – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DAS ÍNDÚSTRIAS EXPORTADORAS DE CARNE. 2010.O. 2014.org. Acessado em: 15 jan. Consumo e sustentabilidade.com. 2009.com.org. Acessado em: 10 fev.br/index. A ordem mundial e as relações internacionais do Brasil. Aspectos do Agronegócio no Brasil.abrapa. Evento CAEPM. Disponível em: <http://www. ARAÚJO. ABRAPA – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS PRODUTORES DE ALGODÃO. APROARROZ – ASSOCIAÇÃO DOS PRODUTORES DE ARROZ DO LITORAL NORTE GAÚCHO. Fundamentos dos agronegócios. Unijui. BODNAR.com. ed. Patricia K.asp?id=1>. São Paulo: Atlas. Logística empresarial. Acessado em: 18 jan. A.php/aproarroz>. ABIOVE – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DAS INDÚSTRIAS DE ÓLEOS VEGETAIS. ANDA – ASSOCIAÇÃO NACIONAL PARA DIFUSÃO DE ADUBOS. P.abipecs. São Carlos: EdUFSCar. MASSILON. M. 2010. BATALHA. Z. R. ALMEIDA. M. 2005.br/estatisticas/Paginas/default.. São Paulo. 2009.abiec.br/home. Disponível em: <http://www. 2001.abiove.br/texto.aproarroz. 2003. Disponível em: <http:// www. M. (coord. Fundamentos do agronegócio. L. São Paulo: Atlas. L. 2014. SãoPaulo: Atlas. Passo Fundo-MG: Universidade de Passo Fundo.

htm>. Piracicaba.br/>. Disponível em: <http://www.esalq. Homepage. Acessado em: 10 jan. M. 2014. DINIZ.A. 124 BUAINAIN.embrapa. Pecuária e Abastecimento (MAPA): Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura – IICA. CONAB – COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO. A modernização da agricultura: trigo e soja. p. G.pdf.ecocitrus. CONWAY.br/codigoflorestal/historico-da-proposta>. ______. São Paulo: Atlas. 2014. CANAL DO PRODUTOR. Disponível em: <http://www. 2014. 1988. Acesso em 22/02/2014. 18-29.tche. Acessado em: 15 fev.br/feijao/doc_135. (org. 2014.. 2003. 2014. E. Disponível em: <http://www.BRUM. Disponível em: <http://www. 2003. 2006. jan. Ministério da Agricultura. Acessado em: 31 jan.com. M. Acessado em: 11 abr. Disponível em: <http://www. BATALHA. Disponível em: <http://www.br/pib/>. M. CEPEA – CENTRO DE ESTUDOS AVANÇADOS EM ECONOMIA APLICADA. Volume 7.br>.conab.br/>. São Paulo: Estação Liberdade. Rio de Janeiro: Vozes. Disponível em: <http://europa. COMISSÃO EUROPEIA. 2014. FARINA. J.eu/pol/agr/index_pt. Disponível em: <http://www. Q. O.emater.com/>.canaldoprodutor. Pecuária e Abastecimento (MAPA): Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura – IICA. SP: CEPEA/ ESALQ/USP. ECOCITRUS. S. EMBRAPA – EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA. Produção de alimentos no século XXI: biotecnologia e meio ambiente. Las Perspectivas del Comercio Solidario en Brasil. J. A. M. Homepage. 2007. In: ZYLBERSZTAJN. SCARE. 214. Volume 4. In: Visão Mundial [site]. ECOVIDA. Ministério da Agricultura. Cadeia produtiva do algodão. A. Acessado em: 14 fev.embrapa. R. jan. 2014. Homepage. ETH Bioenergia S.cnptia. H..br>. 2014. Belo Horizonte. 2007.org. Gestão da qualidade no agribusiness: estudos e casos. Disponível em: <http://www. Acessado em: 25 fev.odebrechtagroindustrial. Acessado em: 14 abr.). 2014. O Novo Código Florestal.visaomundial. 200 p. EMATER/RS-ASCAR. Homepage. Padronização em sistemas agroindustriais. com. ______.org. Curso Técnico em Agronegócio .ecovida. F. gov.usp. Disponível em: <http://www.br>. Acessado em: 20 jan.br/site/sobre/>. Acessado em: 2 jan. Acessado em: 10 fev. Cadeia produtiva da fruticultura. Disponível em: http://docsagencia.cepea. D.

IBD – INSTITUTO BIODINÂMICO.. Disponível em: <http://www. aspx. GONZALEZ. Logística empresarial: a perspectiva brasileira. Futuro energético e biocombustíveis: existe ameaça à produção de alimentos?. R. 2014. Graduate School of Business and Administration. ed.. ibge. ICAC – INTERNATIONAL COTTON ADVISORY COMMITTEE.br/home/>. Disponível em: <http://www. Da lavoura às biotecnologias: agricultura e indústria no sistema internacional. Acessado em: 10 abr.iconebrasil.br/pt/Default. P. GOODMAN.br/>. José.icac. GRAZIANO DA SILVA. PRADO. 2014. 2014. 2007.. São Paulo: Atlas. 2014. Acessado em: 14 fev. J.br/index. Disponível em: <http://www. Acessado em: 31 jan. cifeijao. 2014. 2000. Acessado em: 31 jan. Disponível em: <http://www.php?p=infraestrutura>.org/>. Disponível em: <http://www. org/>. Disponível em: <http://www.org. Homepage. 1968. IFOAM – INTERNATIONAL FEDERATION OF ORGANIC AGRICULTURE MOVIMENTS. F.C. 1998. 2014. Disponível em: <http://www. Acessado em: 12 fev. Acessado em: 30 jan. B. Acessado em: 11 abr.ibraf. Disponível em: http://www. Acessado em: 15 jan. WANKE.FUSCALDI.com. Agribusiness coordination: a systems approach to the wheat. Rio de Janeiro: Campus. Disponível em: <http://www. 2007. Introdução ao Agronegócio 125 . INTERNATIONAL FERTILIZER INDUSTRY ASSOCIATION. org/>. ch/>. Acessado em: 2 fev. Acessado em: 14 jan. and Florida orange economies.com.. WILKINSON.fertilizer. F. Disponível em: <https://www. 2. A nova dinâmica da agricultura brasileira. FIGUEIREDO. FLEURY.ipcc. F. Campinas: Unicamp. D. 1990. A.. ICONE – INSTITUTO DE ESTUDOS DO COMÉRCIO E NEGOCIAÇÕES INTERNACIONAIS. L.net>.ibd.ifoam. GOLDBERG. SORJ. Boston: Harvard University. Division of Research.br/>. 2014. IBRAF – INSTITUTO BRASILEIRO DE FRUTAS. G. FAIRTRADE INTERNATIONAL. Biocombustíveis: uma nova estratégia para o planeta. IPCC – INTERGOVERNMENTAL PANEL ON CLIMATE CHANGE. Homepage. São Paulo: Ethanol Summit. F. K. 2014. 2014. K . soybean. J. São Paulo: Ethanol Summit. 2014.gov. R. GOLDEMBERG. IBGE – INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA.fairtrade. Infraestrutura e logística do feijão.com.

1990 [1987]. (org. MONTIGAUD. Produtividade e crescimento – algumas comparações. SCARE. MEADOWS. agosto de 2008. P. São Paulo Ethanol Summit. T. Agronegócio: uma abordagem econômica. NASSAR.gov. PECUÁRIA E ABASTECIMENTO. T. 2013. A importância da comunicação. M. G. Disponível em: < http://www. A agricultura familiar e a agricultura de precisão. A.). F. G. ______. L. 2014.. C. 2002. Certificação no agribusiness.. p. 2003. MAPA – MINISTÉRIO DA AGRICULTURA. São Paulo. São Paulo: Pearson Prentice-Hall.br/>..). beefpoint. D.126 JANK. Uruguai. Brasília: IPEA. The limits to growth. São Paulo: Atlas. PADILHA JR. H. C. MASSILON. 2000. Gestão da qualidade no agribusiness: estudos e casos. MOURA. Fundamentos do agronegócio. ______. 2003. 2007. p. 30-46.amanha. B. O novo padrão agrícola brasileiro: do complexo rural aos complexos agroindustriais. 2014. php?option=com_content&view=article&id=4799:a-plantacao-eficiente&catid=124:sementesda-mudanca&Itemid=198>.. GASQUES. M. Brasília-DF. Série Agronegócios: Volume 1. TAVARES. S. D. In: DELGADO. Agricultura de Precisão. Montpellier: Centre International de Hautes Etudes Agronomiques Méditerranéennes/ Institut Agronomique Méditerranéen. São Paulo: Unesp.com. M. A. J. 113-223. MOLIN. Acessado em: 4 fev. 83 p. et al. O processo recente de reorganização agroindustrial: do complexo à organização “em rede”. Acessado em: 16 jan.br/index. Les filières fruits et légumes et la grande distribution: méthodesd’analyse et résultats. Brasilia-DF. IV Coloquio Transformaciones Territoriales. 2007. New York: Universe Books. 2011. A..). G.. 175 p. F. Piracicaba-SP: O autor. M. J. ______. VALDES. Disponível em: <http:// www. São Paulo: Atlas. TYBUSCH. 2014. C. ______. MARZOLA. Brasília-DF: MAPA/ACS. 2003. A plantação eficiente. F. (coord. J.. Inserção internacional do agro – caminho sem volta. F. Agricultura e políticas públicas. C. J. Acessado em: 10 jan. R. Agricultura de precisão – o gerenciamento da variabilidade. A.. Coleção Prismas/PROPP. 1991. Montevideo. BACCHI. 1972..com. GASQUES. MAZZALI. T. J. L. Fundação Getúlio Vargas (FGV). 2007. PINAZZA.br/cadeia-produtiva/comercio-internacional/insercao-internacional-do-agrocaminho-sem-volta-70410/>. Disponível em: <http://www. (org. In: ZYLBERSZTAJN. VILLA-VERDE. KAGEYAMA. M. D. AgroAnalysis. A cadeia produtiva do milho. M. MENDES. J. Curso Técnico em Agronegócio . G.agricultura.

M. Introdução ao Agronegócio 127 . Q. M.. 26. Conhecimento e inovação são as chaves para uma agricultura competitiva e sustentável.. Economics of natural resources and the environment. Disponível em: <http://www. M. fev. v. L.php?pid=S010340142012000100006&script=sci_arttext>. Novo Código Florestal. 1999. 365 p. Ijuí-RS: Unijuí. L. Q. M. D. SALCEDO.scielo.pdf>. A. F.br/scielo.dw. aspx?CodNoticia=195735>. J. SAES. 2003. E. Desenvolvimento rural: tendências e debates contemporâneos. S. Acessado em: 21 jan.. M. 97. ZYLBERSZTAJN. E.. Acessado em: 9 abr. br/>. 230 p. L. NASSAR. Abertura da Tecnoshow 2014 marcada por anseios e crescimentos do setor.unica. F. J.. 1998. 1980. PAOLINELLI. M. Disponível em: <http://www. M. DIESEL. Disponível em: <http://www. PORTER. V.usda. 2000. 2014. R. Desenvolvimento sustentável: uma perspectiva econômico-ecológica. A. São Paulo: Milkbizz. PEARCE.. São Paulo: Saraiva. Competitividade do sistema agroindustrial do milho.de/pol%C3%ADticas-de-agricultura-familiar-brasileiras-s%C3%A3o-exemplomundial/a-16978799>. D. 74.250. av.com/ comunicacao/novo-codigo-florestal-principais-mudancas. ROMEIRO. SISTEMA FAEP. M. 34. Disponível em: <https://s3-sa-east-1. 2014. Q. P. Estratégia competitiva: técnicas para análise de indústrias e da concorrência. S. 273-471. n. Competitividade do agribusiness brasileiro. Marketing e estratégia em agronegócio e alimentos. M.agrolink.amazonaws. M. 2014. vol. 2006. M. E. S. M. Agricultura familiar e desenvolvimento local. M. SPERS. K. New York: Harvester Wheatsheaf. Revista Agroanalysis. 2014. gov/wps/portal/usda/usdahome>. São Paulo: Atlas.com. AZEVEDO. (coord.. 2006. S. São Paulo: USP/PENSA. TURNER. Políticas de agricultura familiar brasileiras são exemplo mundial. SCHNEIDER. Sustainable development and institutional change: the role of altruistic behavior. F. SCHREINER. São Paulo: Fundação Getulio Vargas. 2012. p. UNICA – UNIÃO DA INDÚSTRIA DE CANA-DE-AÇUCAR. SOUZA.br/noticias/ClippingDetalhe. ZUIN. L. In: FARINA.102. FARINA. São Paulo. 1998. R. USDA – UNITED STATES DEPARTMENT OF AGRICULTURE. M. 2014. Acessado em: QUEIROZ. ZYLBERSZTAJN. CASTRO. (orgs. n. S.com.NEVES. ROMEIRO. SAES. O agribusiness do café no Brasil. Disponível em: <http://www. Agronegócios. Texto para Discussão. In: FROELICH. Rio de Janeiro: Campus. R. T. p. T. R. 2014. Acessado em: 10 abr. A. São Paulo: PENSA.. E. In: FARINA.).. Competitividade do sistema agroindustrial do feijão. E..). Estud. D. M. Disponível em: <http://www. gestão e inovação. E. Acessado em: 2 fev. A. E. Competitividade do agribusiness brasileiro. 1990. Acessado em: 14 abr. IE/Unicamp.

p. SCARE. produção agropecuária. D. ZYLBERSZTAJN. Gestão da qualidade no agribusiness: estudos e casos. D. M. madeira/móveis e fertilizantes. Pensa-USP-FEA-FIA. R. (org. (org.). NEVES. D. indústria de insumos. São Paulo: Pioneira. Apoio à instalação dos fóruns de competitividade nas cadeias produtivas couro/ calçados. ZYLBERSZTAJN. distribuição.128 ZYLBERSZTAJN. F. D.... 2003. Revisando o papel do Estado. 2002. In: ZYLBERSZTAJN. 80-90. 2000 Curso Técnico em Agronegócio . São Paulo: Atlas. têxtil. Economia e gestão dos negócios agroalimentares: indústria de alimentos. F.).

SENAR.BR/ETEC WWW.1º ANDAR .BR .ORG.ORG.EDIFÍCIO ANTÔNIO ERNESTO DE SALVO .CEP: 70830-021 FONE: + 55 61 2109 1300 WWW.SENAR.BRASÍLIA DISTRITO FEDERAL .SGAN 601 MÓDULO K .