Introdução ao Agronegócio

FORMAÇÃO
TÉCNICA

Curso Técnico em Agronegócio

Introdução ao
Agronegócio

SENAR - Brasília, 2015

S474m
SENAR – Serviço Nacional de Aprendizagem Rural.
Matemática básica e financeira / Serviço Nacional de Aprendizagem Rural. –
Brasília: SENAR, 2015.
128 p. : il.
ISBN: 978-85-7664-080-6
Inclui bibliografia.
1. Matemática. 2. Matemática financeira. 3. Estatística. I. Serviço Nacional de
Aprendizagem Rural. II. Título.

CDU: 806.90-5

Sumário Introdução à Unidade Curricular –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 6 Tema 1: Agronegócio ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 9 Tópico 1: Importância do Agronegócio ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 9 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 13 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 18 Tópico 2: Contextualização Histórica Tópico 3: Definição de Agronegócio Tópico 4: Agricultura Familiar –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 2 1 Encerramento –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––2 4 Tema 2: Panorama Geral do Agronegócio no Brasil e no Mundo ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––2 6 Tópico 1: Panorama Geral Mundial do Agronegócio 26 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Tópico 2: Panorama Geral do Agronegócio Brasileiro ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 3 2 Encerramento ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 8 7 Tema 3: Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável–––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––8 9 Tópico 1: Definição de Desenvolvimento Sustentável –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––8 9 Tópico 2: Agronegócio Sustentável –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 9 3 Tópico 3: O Mercado de Orgânicos –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 9 3 Tópico 4: O Consumidor de Produtos Saudáveis ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 9 5 Tópico 5: O Novo Código Florestal ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 9 7 Encerramento –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 102 .

Tema 4: Desafios do Agronegócio –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 104 Tópico 1: Mudanças Climáticas ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––105 Tópico 2: O Mercado de Fertilizantes Brasileiro––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 108 Tópico 3: Consumo Mundial de Fertilizantes–––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––110 Tópico 4: Histórico da Utilização de Tecnologia na Agricultura Brasileira ––––––––––––––––––––– 112 Tópico 5: Agricultura de Precisão–––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––114 Tópico 6: Sementes geneticamente modificadas (GM) –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 115 Tópico 7: Logística ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––116 Encerramento –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––122 Referências Básicas –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––123 Referências Complementares ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––123 .

Introdução à Unidade Curricular .

• conhecer o cenário do agronegócio no Brasil. está organizada em quatro temas que se subdividem nos seguintes tópicos e sub-tópicos: Curso Técnico em Agronegócio . econômicos e políticos dos pontos de vista nacional e internacional. Ao final desta unidade curricular. • analisar as interfaces do agronegócio brasileiro. a presente unidade curricular. Dessa forma. • refletir sobre a Cadeia de Valor do agronegócio e seus desdobramentos sociais. com carga horária de 75 horas. você deverá ser capaz de: • compreender as definições de agronegócio. • entender o agronegócio brasileiro e suas perspectivas futuras.6 Introdução à Unidade Curricular A unidade curricular Introdução ao agronegócio foi desenvolvida a partir de uma sólida base teórica e prática para que você se capacite sobre os principais conceitos e desafios desse importante setor da economia brasileira e do mundo.

Breve Histórico Tópico 2: Agronegócio Sustentável Tema 3: Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável Tópico 3: O Mercado de Orgânicos Tópico 4: O Consumidor de Produtos Saudáveis 7 Tópico 5: O Novo Código Florestal 1.TEMA TÓPICO Tópico 1: Importância do Agronegócio Tema 1: Agronegócio Tópico 2: Contextualização Histórica Tópico 3: Definição de Agronegócio Tópico 4: Agricultura Familiar Tópico 1: Panorama Geral Mundial do Agronegócio Tópico 2: Panorama Geral do Agronegócio Brasileiro 1: Soja Tema 2: Panorama Geral do Agronegócio no Brasil e no Mundo 2: Café 3: Cana-de-Açúcar 4: Algodão 5: Arroz 6: Milho 7: Carnes 8: Fruticultura 9: Feijão Tópico 1: Definição de Desenvolvimento Sustentável 1. Evolução Histórica do Código Florestal Brasileiro Tópico 1: Mudanças Climáticas Tópico 2: O Mercado Brasileiro de Fertilizantes Tópico 3: Consumo Mundial de Fertilizantes Tema 4: Desafios do Agronegócio Tópico 4: Histórico da Utilização de Tecnologia na Agricultura Brasileira Tópico 5: Agricultura de Precisão Tópico 6: Sementes Geneticamente Modificadas (GM) Tópico 7: Logística Introdução ao Agronegócio .

01 Agronegócio .

você aprenderá o que é o agronegócio. Também foi registrado um aumento de cerca de 4% das importações. Neste tópico.06 bilhões. as exportações do agronegócio registraram um novo recorde se comparado a anos anteriores. 2013).Tema 1: Agronegócio Este primeiro tema é uma apresentação completa dos principais fundamentos do setor. No ano de 2013. Introdução ao Agronegócio 9 . O objetivo é entender como o conceito de agronegócio precisa sempre ser analisado de maneira mais ampla e sistêmica. • identificar as principais questões e debates sobre o agronegócio nos contextos brasileiro e mundial. Para isso. pois o setor teve um saldo positivo de US$ 82.35 bilhões dos outros setores da economia (DEAGRO/FIESP. muito se tem falado sobre a importância do agronegócio brasileiro. • conhecer as principais características do agronegócio brasileiro. antingindo a cifra de US$ 17. uma das principais economias do mundo. somando US$ 99. o que compensou o deficit de US$ 80. em especial a exportação de soja para a China.97 bilhões.91 bilhões. Um bom exemplo é o aumento considerável das exportações brasileira de grãos. Tópico 1: Importância do Agronegócio Atualmente. A economia brasileira agradece esse resultado. primeiramente será feita uma breve contextualização histórica da agricultura na qual veremos a evolução do agronegócio ao longo dos anos. elaborado para que você desenvolva as seguintes competências: • compreender e fazer uso dos conceitos de Agronegócio utilizados no curso. Você sabe por quê? Eventos específicos e alguns números podem ajudar nessa resposta.

ao contrário dos outros setores. Agora.7 222.97 bilhões de dólares. o resultado da Balança Comercial brasileira seria negativo. Não fosse o resultado positivo do agronegócio. Percebe-se que nesses setores houve um deficit entre importação e exportação.97 16.56 Fonte: MDIC (2014).06 79. Balança Comercial É a parte do balanço de pagamentos que registra a diferença entre exportações e importações de mercadorias de um país.8 99.6 242. em US$ bilhões)   Exportação Importação Saldo 2012 2013 2012 2013 2012 2013 Agronegócio 95. Deficit na Balança Comercial Situação em que o valor total das importações de certo país supera o valor total das exportações realizadas por este mesmo país.6 19. Superavit Situação em que o valor total das exportações de certo país supera o valor total das importações realizadas por este mesmo país.8 142. Veja também que o saldo da Balança Comercial foi superavitário passando de 79.10 O quadro a seguir mostra a Balança Comercial do Brasil no biênio 2012-2013.2 223. Curso Técnico em Agronegócio . Observe que no período de 2012 e 2013 ocorreu um aumento das exportações do agronegócio.5 2. em dado período de tempo.35 Total Brasil 242.9 -80. É calculada por meio da análise do valor total das exportações. Repare que o agronegócio. Esses dados comprovam a importância do agronegócio para a economia brasileira e o porquê de tanto se falar a respeito desse setor. fechou o período com saldo positivo. subtraindo-se dele o valor referente às importações de bens promovidas em determinado período.4 bilhões de dólares em 2012.91 Demais setores 146.2 206. Balança Comercial Brasileira (2012 e 2013. para 82. observe os números dos demais setores da economia brasileira.8 bilhões de dólares para 99. que passaram de 95.55 -59. em dado período de tempo.4 82.91 bilhões de dólares em 2013.1 239.4 17.

Commodity Produtos padronizados e não diferenciados. no Centro-Oeste predominam culturas como soja e algodão. Ambas são produzidas como commodities. milho. soja e Grandes produtores e cana-de-açúcar tradings Cana. cujo preço é. diversificado em relação à sua terra – o perfil da produção agrícola difere de uma região para outra.000 Uso da tecnologia Culturas Perfil Algodão. formado em bolsas de mercadorias no próprio país ou no exterior. Pequenos e médios Tradicionais e arroz e trigo produtores profissionais Fonte:IBGE (2011) Introdução ao Agronegócio .Já sabemos que o Brasil é um país com grandes extensões territoriais e. normalmente. portanto. em grande escala de produção e direcionadas para a exportação. produtores. grandes horticulturas e usinas de açúcar e álcool e vegetais indústria processadora de Alta tecnologia Pequenos e médios Sudeste 250. Por exemplo. milho.000 Tradicional e empresarial suco de laranja Sul 600. café.000 Soja. 11 Perfil da Produção Agrícola Brasileira Região Centro-Oeste e MAPITOBA Número de produtores 25.

açúcar. Pecuária e Abastecimento . o milho. fica fácil entender porque atualmente o país é grande produtor e exportador de soja. as propriedades com pecuária de corte e de leite.USDA. ambas baseadas na agricultura familiar.12 Note que. no período de 2013 a 2014. café e açúcar. o trigo. como por exemplo.8% Carne bovina 2º 1º 20. Posição brasileira na produção e exportação mundial de produtos agrícolas (2013/14) Produtos Produção Exportação % da produção exportada Açúcar 1º 1º 48. As principais culturas da região Sul são o arroz. consumo etc.6% Café 1º 1º 26. café e outros. aliado ao aumento de tecnologia nas propriedades e aos incentivos governamentais. de diversos produtos agrícolas do Brasil e do mundo. em áreas menores de produção e com o uso mais tradicional da tecnologia.4% Carne suína 4º 4º 8.. suco de laranja concentrado e congelado. e frutas.MAPA. o perfil é outro.5% Óleo de soja 4º 2º 15. construídas com dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos . na região Sul. dos produtores e demais participantes do agronegócio brasileiro e mundial. Curso Técnico em Agronegócio . Comentário do autor d O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos-USDA divulga informações de produção. exportação. Observa-se o predomínio de pequenos e médios produtores. também.2% Carne de frango 3º 1º 34. As informações acima foram elaboradas pelo Ministério da Agricultura. Elas comprovam que o Brasil é um grande produtor e exportador de commodities agrícolas. e a suinocultura. É preciso considerar. importação.8% Suco de laranja 1º 1º 79. Os dados divulgados pelo USDA são tomados como referência por grande parte das empresas. Observe a posição brasileira na produção e na exportação mundial de produtos agrícolas. Esta liderança em relação ao mercado mundial é conseguida devido à eficiência do produtor brasileiro. suco de laranja.9% Soja em grão 2º 1º 40.1% Fonte: MAPA (2014) com dados da USDA.8% Milho 3º 2º 18. Depois de ver rapidamente como se divide a produção agrícola em certas regiões do Brasil e os números que as constituem. como a uva e os citros. dos bancos.

1980 e 1990. Introdução ao Agronegócio 13 . eles descobriram que era possível domesticar os animais e que eles poderiam ajudá-los em suas tarefas no campo (ARAÚJO. esses homens entenderam que. 2010). movidos pela necessidade de caça e pesca. vivenciava-se tanto períodos de grande fartura quanto períodos de total escassez devido às condições climáticas adversas. o que impossibilitava. deixando de se deslocar por grandes distâncias em busca de comida. cresceriam e dariam frutos que serviriam para a sua alimentação. com a diversificação da produção de várias culturas. percorrendo lugares distantes. o que permitiu que o homem se fixasse em lugares preestabelecidos. Além disso.Tópico 2: Contextualização Histórica De onde surgiu o conceito atual de agronegócio? Você sabe como surgiu o agronegócio? Tudo começou com a agricultura. foi ocorrendo a integração das atividades agropecuárias com as atividades industriais (ARAÚJO. Durante essas jornadas. se eles lançassem as sementes ao solo. também. ainda que na época fossem muito precárias as condições em termos de infraestrutura. 2010). sempre em busca de alimentos ofertados pela natureza e. Com o passar do tempo. Todo o necessário para a produção de subsistência estava disponível nesses espaços fixos. um marco significativo na história da humanidade. as criações de animais e o desenvolvimento tecnológico. 1970. Há milhares de anos os homens viviam em bandos. Avançando séculos e mais séculos nessa história. veremos quatro marcos temporais: as décadas de 1960. E como será que se desenvolveu essa integração e onde estamos hoje nesse importante capítulo da história do homem e do agronegócio? Evolução da agricultura Para contar esta parte recente da história da agricultura. por exemplo. Podemos considerar que esse é o início da agropecuária. elas germinariam. a conservação dos alimentos.

o leite era utilizado para a produção de queijos e manteiga. milho. Curso Técnico em Agronegócio . iniciou-se um processo de especialização em determinadas atividades. da cana-de-açúcar se faziam a cachaça e o melaço. Com essa evolução agrícola. Aqui temos um marco fundamental na história do desenvolvimento agrícola brasileiro. o algodão. ou de agricultura. Parte disso ocorreu. 2000). que se transformava em roupas. e. ainda. e cana-de-açúcar. também. 2010).1960 – A modernização da agricultura 14 Um exemplo de como era o processo agrícola no Brasil na década de 1960 são as propriedades rurais de Minas Gerais. já que a cidade se tornou atrativa com a oferta de empregos e as propriedades rurais foram perdendo sua autossuficiência (ARAÚJO. em função de um forte movimento de êxodo rural. serviços e infraestrutura que envolve agentes diversos e interdependentes” (ARAÚJO. e gados de corte e de leite. para o tecido. ou primário (ARAÚJO. “Já não se tratava mais de propriedades autossuficientes. 2010). e também criavam porcos. o que fez com que as propriedades rurais se tornassem dependentes de insumos e serviços que elas mesmas não eram mais capazes de produzir. perdeu sentido. Nessas propriedades. com a grande evolução socioeconômica e tecnológica que ocorreu nos diversos setores da economia. mas de todo um complexo de bens. que produziam café. agrícola. Já a segunda metade da década de 1960 é marcada por um processo de modernização da agricultura brasileira. 2010). Durante os anos seguintes. na qual se intensificam as relações entre a agricultura e a indústria (MAZALLI. o termo “agricultura” deixou de abranger a complexidade do setor. pois passou a envolver muitos setores e não era mais classificado como rural. O conceito de setor primário.

Nesse período. ocorrendo um aumento das relações entre agricultura e indústria. com o objetivo de acelerar esse desenvolvimento tecnológico na produção agrícola nacional. Esse Introdução ao Agronegócio . o Sistema Nacional de Crédito Rural (SNCR) foi estruturado. delineou-se um novo modo de produção agrícola. no qual a produção agrícola passou a depender dos insumos que recebia de determinadas indústrias. o governo brasileiro atuou fortemente concedendo o crédito agrícola e fornecendo financiamentos com taxas de juros subsidiadas. Em suma. pois a estrutura agrária existente era arcaica. os financiamentos foram facilitados e proporcionaram maior capitalização aos produtores e às agroindústrias de modo geral. em 1965. Dessa forma. A modernização da agricultura necessitava de investimentos em tecnologia. a década de 1960 é considerada como uma referência no processo de modernização da agricultura brasileira. já na década de 1970. pois. nesse período. sendo os principais objetivos: J Modernização da agricultura Incentivo à produção de alimentos % Administração dos preços agrícolas. 1970 – Investimentos e crédito facilitado para a agricultura 15 Alguns anos mais tarde.

ocorrendo também um incentivo à exportação (KAGEYAMA ET AL. estoques reguladores etc. RAMOS. política de garantia de preços mínimos. • a solução de endividamento de produtores e cooperativas. GRAZIANO DA SILVA. É importante lembrar que. • o programa de reforma agrária. como: • as linhas especiais para agricultores familiares. 1980 – Crise mundial e seus impactos na agricultura Nos anos 1980. O crédito fácil para os agricultores impulsionou a expansão de culturas de larga escala e a utilização de grandes áreas em uma mesma propriedade. Curso Técnico em Agronegócio . 2007). no período entre 1950 e 1975. devido à mecanização e ao aumento do consumo de insumos agrícola. pela qual se implantaram as indústrias de insumos e as máquinas para a agricultura no território brasileiro. o mundo e o Brasil passavam por uma forte crise econômica.. o Estado Brasileiro promoveu a política de Substituição de Importações (SI). o Estado passou a priorizar ações estratégicas dirigidas a segmentos específicos. e nesse período foi realizada a Reforma da Política Agrícola Brasileira. 1998. Com a crise dos mecanismos tradicionais de apoio ao setor (crédito governamental. que levou a uma drástica redução do crédito oficial do SNCR. 1987. • os fundos regionais de investimento.16 fato acabou prejudicando os pequenos produtores no mercado e favorecendo os médios e grandes produtores com maior poder de capitalização.).

Houve uma política de incentivo às importações durante o Governo Collor o que gerou a necessidade de a indústria local se modernizar. Essa lei foi um marco no incentivo à produção agrícola do país. para se tornar competitiva em relação aos produtos importados. assistência técnica e insumos. e nesse período ocorrem vários avanços tecnológicos que permitiram a estruturação dos agentes necessários para atender aos mercados interno e externo. os grãos. e a adoção desse termo ocorreu nos países capitalistas da Europa e nos Estados Unidos. que proporcionam um aumento do financiamento privado da agricultura. Tradings Empresas que financiam o produtor nas atividades de produção e que geralmente recebem produtos.1990 – Neoliberalismo e agricultura Durante os anos 1990. Informações extras O O termo “neoliberalismo” foi definido por Perry Anderson em 1995 como um fenômeno diferente do liberalismo clássico do século XVIII. Dica ' O agronegócio da soja no Brasil cresceu a partir da Lei Kandir (1996) que isenta de ICMS produtos primários e semi-elaborados destinados à exportação.  Assim. contribuindo fortemente com o aumento da produção e a expansão da cultura em diversas regiões do Brasil. grandes empresas multinacionais chegaram ao Brasil e compraram fábricas que estavam em operação. após a Segunda Guerra Mundial. substituindo em parte o crédito do governo. Neste período há um aumento da ação dos capitais privados no campo. Introdução ao Agronegócio 17 . Em paralelo. cresce os mecanismos privados de financiamento para a agricultura vindos das agroindústrias. o Brasil aderiu a uma política neoliberal. como. em troca da disponibilização ao produtor de recursos financeiros. por exemplo. tradings e de outros agentes financeiros.

ao exigir uma carne com qualidade melhor ou da qual o animal a ser abatido sofra o menos possível. do processamento e da distribuição dos produtos agrícolas e dos itens produzidos a partir deles. proposto por Davis e Goldberg. também são consideradas as exigências do consumidor final.Tópico 3: Definição de Agronegócio 18 O conceito de agronegócio vem do inglês agribusiness. a questão da carne bovina. No conceito de agronegócio. Curso Técnico em Agronegócio . e foi apenas a partir da década de 1990 que a tradução do termo para o português (agronegócio) passou a ser aceita e utilizada no país (ARAÚJO. os autores desenvolveram uma ferramenta para analisar a importância de cada elo do agronegócio e concluíram que um dependia do outro. Alguns países importadores como os da União Europeia. e do armazenamento. em 1957. exigem que toda a carne que for exportada pelo Brasil seja certificada e rastreada desde o início do processo de produção. Atualmente. O conceito de agribusiness passou a ser difundido no Brasil somente a partir da década de 1980. o consumidor está cada vez mais exigente. das operações de produção nas unidades agrícolas. Ou seja. O consumidor. Ao estudar os Sistemas Agroindustriais (SAG). poderá perder mercado. Isso levou à definição de agribusiness como: A soma total das operações de produção e distribuição de suprimentos agrícolas. é uma tendência do mercado mundial da qual não se pode ficar para trás. que muitas vezes é o responsável por decisões dentro da cadeia produtiva. que ocorre na propriedade rural. está influenciando diretamente na produção da carne. Se o frigorífico não atender a essas exigências. procurando consumir produtos que tenham qualidade garantida pelo seu fabricante. 2010). Podemos citar como exemplo.

dos produtores rurais. dos processadores. defensivos. Introdução ao Agronegócio 19 . dos transformadores. Ao analisarmos uma cadeia produtiva. E você? A qual parte desse sistema pertence? Ao analisar novamente a figura anterior. havendo a necessidade de uma coordenação da cadeia. Devemos considerar todos aqueles que estão envolvidos antes da produção. os mercados.Contratual Vertical Agências de Estatística Trendings Filmes Individuais Produtor Fornecedor Produtor Matéria-Prima INFRA-ESTRUTURA DE APOIO Trabalho Crédito Transporte Energia Tecnologia Propaganda Armazenagem Outros Serviços Fonte: SHELMAN. Observe com atenção a figura anterior pois ela exemplifica a visão sistêmica do agronegócio. como o governo. 2007. financeiras e de serviços (MENDES. 48). crédito e sementes). durante a produção e no fluxo dos produtos agrícolas até chegar ao consumidor. p. PADILHA JUNIOR. observamos que existe uma interligação entre os elementos da cadeia produtiva. 6. é preciso ter uma visão sistêmica. sob a pressão exercida pelos consumidores. 2000. Também fazem parte desse complexo os agentes que afetam e coordenam o fluxo dos produtos. rações.Sistema agroindustrial Consumidor Industrial Institucional Varejista Processador ESTRUTURAS DE COORDENAÇÃO Mercado Mercado de Futuros Programas governamentais Agências governamentais Cooperativas Joint Ventures Integração . como os dos fornecedores de insumos agropecuários (fertilizantes. e as entidades comerciais. 1991 apud ZYLBERSZTAJN. todos os elos estão interligados e são monitorados pelo governo. dos distribuidores e das revendas de produtos agropecuários. p. Repare que há vários elementos interligados e interdependentes.

Curso Técnico em Agronegócio Portos Bolsas Seguros . Os sistemas agroindustriais assemelham-se às redes de relacionamento. toda a cadeia será afetada. • serviços de apoio. • distribuição e consumo. também. caso ocorra algum problema em algum deles.2007): • fornecedores de insumos e bens de produção. sendo que nestas cada agente tem contato com um ou mais agentes. Informações extras O Podemos citar como exemplo um caso de adulteração do leite ocorrido no Rio Grande do Sul que causou impactos em todos os elos da cadeia produtiva. definir o agronegócio de uma maneira mais esquemática de modo a facilitar sua compreensão. Os principais setores do agronegócio Fornecedores de insumos e bens de produção Produção agropecuária Processamento e transformação Distribuição e consumo Serviços de apoio Alimentos Restaurantes Agronômicos Têxteis Hotéis Veterinários Vestuário Bares Pesquisa Lavouras temporárias Calçados Padarias Bancários Madeira Feiras Marketing Horticultura Etanol Supermercados Vendas Silvicultura Combustíveis Papel e papelão Comércio Transporte Floricultura Tratores Fumo Exportação Armazenagem Extração vegetal Óleos essenciais Sementes Calcário Fertilizantes Rações Defensivos Produtos veterinários Colheitadeiras Implementos Produção animal Lavouras permanentes Indústria rural Máquinas Motores Fonte: Mendes (2007). podemos considerá-lo baseado em cinco setores principais (MENDES. • produção agropecuária. Pode-se. • processamento e transformação.20 pois como todos os elementos estão relacionados. Sendo assim. baseado em ABAG. Acesse no AVA a reportagem que foi publicada em um jornal do RS para saber mais sobre o assunto.

segurança alimentar e desenvolvimento local. a logística. em especial a região Centro-Sul (SCHNEIDER. 1. a pesquisa etc. o elo da produção de laranja e. 2. Por exemplo. A expressão “agricultura familiar” passou a ser utilizada no Brasil a partir de meados da década de 1990. o elo da indústria processadora de suco de laranja. 21 Introdução ao Agronegócio . 2006). geração de renda e de emprego. Também devem ser analisados os elos da distribuição (que farão a venda do suco) e o consumidor. ocorreram dois eventos que impactaram social e politicamente o meio rural. jamais um elo pode ser analisado separadamente. depois. Nesse período. Tópico 4: Agricultura Familiar Após aprender a respeito dos fatores mais mercadológicos sobre o agronegócio. é preciso considerar outro aspecto: a importância do papel da agricultura familiar no desenvolvimento do país em função da relevância de questões como desenvolvimento sustentável.SAG é preciso seguir as duas orientações abaixo. Ter uma visão sistêmica do agronegócio ou seja. A ação de cada elo do SAG influencia outros elos e sofre influência deles. é preciso analisar as ações do governo e das instituições responsáveis pela comercialização (como as bolsas de mercadorias). a tecnologia. no SAG da laranja é preciso analisar o elo dos insumos de produção. como fertilizantes. o elo do fornecedor de matéria-prima. Dentro dessa perspectiva.` Atenção Para analisar um Sistema Agroindustrial .

22 O primeiro deles refere-se à questão política. de acordo com a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação – FAO. 2014). ocorreu a mobilização de diversos movimentos sociais no campo liderados pelo sindicalismo rural ligado à Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – CONTAG. 58% do leite e 46% do milho (SALCEDO. foi criado o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar – PRONAF com o objetivo principal de prover crédito agrícola e apoio institucional às categorias de pequenos produtores rurais. A agricultura familiar. No Brasil. deve pertencer à família e deverá ser feita no interior da propriedade a transmissão desses meios de produção caso ocorra o falecimento ou a aposentadoria dos responsáveis. A produção oriunda da agricultura familiar é direcionada principalmente para o mercado interno. mas somente 24. nesse período. e por conta disso não estavam conseguindo se manter na atividade (SCHNEIDER. e os principais motivos eram (SCHNEIDER. pode ser definida a partir de três características principais (INCRA. • a queda dos principais produtos agrícolas de exportação. 2006). A propriedade dos meios de produção. O PRONAF firmou a agricultura familiar no cenário político e social do Brasil.4% dos estabelecimentos rurais pertencem à agricultura familiar. 84. Esses movimentos produziram diversas formas de manifestação (que ocorrem até hoje. como o “Grito da Terra”. Estes são números altamente relevantes para todo o abastecimento interno. além de outras questões econômicas.3% das áreas ocupadas por estabelecimentos agrícolas são administradas por pequenos proprietários. que emprega quase 75% da mão de obra do setor agropecuário. então. sendo responsável pela produção de 70% dos alimentos consumidos no país: cerca de 70% do feijão. basta acompanhar os noticiários). Como resposta às manifestações sociais da década de 1990. 2006): • a falta de crédito do governo para o meio rural. pois. 87% da mandioca. A maior parte do trabalho deve ser realizada pelos membros da família.1995): A administração da unidade produtiva e os investimentos nela realizados devem ser feitos por indivíduos da mesma família. Curso Técnico em Agronegócio . que estavam sendo preteridas das políticas públicas desde a década de 1970. mas nem sempre a terra.

para aumentar a segurança alimentar. 67% do feijão. a agricultura familiar é responsável pela produção dos principais alimentos consumidos pela população brasileira: 84% da mandioca. A agricultura familiar ganhou uma importância tão grande que o ano de 2014 foi escolhido pela FAO para ser o Ano Internacional da Agricultura Familiar.De acordo com o Ministério do Desenvolvimento Agrário – MDA. reduzindo a vulnerabilidade do país ao mercado global e ao choque de preços. 54% do leite. dinamizar os mercados locais. afirma Salcedo (2014). passou a ser um setor prioritário para o governo federal. e 58% dos suínos. 49% do milho. também. Ao analisarmos esses números. em nível nacional. 40% das aves e dos ovos. As políticas públicas brasileiras de incentivo ao pequeno produtor são consideradas um exemplo pela FAO. observamos a importância da agricultura familiar. a produção de alimentos. “Com o aumento dos preços dos alimentos e as mudanças climáticas. principalmente em um contexto drástico de mudanças climáticas. De acordo com Salcedo (2014): O incentivo à agricultura familiar contribui para reduzir a pobreza extrema. que. percebemos que o modelo de grandes fazendas não é um modelo para ser seguido no futuro”. nos últimos anos. incentivar a permanência de agricultores na sua comunidade e também. O modelo da agricultura familiar é importante para garantir a segurança alimentar e. 23 Introdução ao Agronegócio .

considerando apenas os países do MERCOSUL. que correspondem a 84% do número de estabelecimentos rurais brasileiros. De acordo com dados do MDA. elas representam cerca de 80% das propriedades agrícolas e produzem mais de 60% dos alimentos consumidos na região. Segundo a FAO. você pôde aprender os conceitos mais gerais acerca do agronegócio. Na África. Como ponto a se destacar até agora.24 Mas como é a produção dentro desse sistema mais familiar? Na maioria das propriedades de agricultores familiares. na América Latina e no Caribe.3 milhões de unidades produtivas. A grande concentração de agricultores familiares está na Ásia: o continente concentra 87% dos pequenos agricultores do mundo – a China possui 193 milhões. sendo que. temos a importância das políticas públicas e econômicas do Brasil para o desenvolvimento do agronegócio no país Curso Técnico em Agronegócio . 93 milhões. o segmento da agricultura familiar conta com mais de 4. como também para aplicar em sua jornada prática. No mundo. o segmento da agricultura familiar emprega diretamente cerca de 10 milhões de pessoas. além de empregar mais de 70% da mão de obra do setor. Essa primeira parte foi fundamental para lhe dar base não somente para avançar nos demais temas. além de serem utilizadas sementes e espécies tradicionais existentes há centenas de anos. são plantadas grandes variedades de produtos. a Organização das Nações Unidas estima que existam cerca de 500 milhões de pequenas propriedades. Encerramento Neste tema. e a Índia. consideradas mais resistentes às pragas e às mudanças climáticas (SALCEDO. 2014). a agricultura familiar é responsável pela produção de 80% dos alimentos consumidos no continente.

02 Panorama Geral do Agronegócio no Brasil e no Mundo .

para que você. ao final deste tema. • comparar dados do setor agrícola nacional e do internacional. • conhecer as principais cadeias produtivas brasileiras. como as produções agrícola e pecuária. analisaremos dados dos agronegócios mundial e brasileiro. Tópico 1: Panorama Geral Mundial do Agronegócio Curso Técnico em Agronegócio . desenvolva as seguintes competências: • identificar as principais questões e debates acerca do agronegócio nos contextos brasileiro e mundial.26 Tema 2: Panorama Geral do Agronegócio no Brasil e no Mundo Neste segundo tema. assim como as suas perspectivas futuras.

é importante ressaltar que a produção agropecuária é apenas uma parte do conceito. devemos sempre analisá-lo de uma maneira sistêmica. veja a seguir alguns dados dos principais produtos que são produzidos e comercializados. Para você compreender melhor o que isso representa no mundo. Produção agrícola e estoques mundiais de grãos 2500 2000 1500 Produção 1000 Estoques Finais 500 3 /1 2 12 /1 20 1 11 /1 20 0 10 /1 20 9 09 /0 20 8 08 /0 20 7 07 /0 20 6 06 /0 20 5 05 /0 20 4 04 /0 20 3 03 /0 20 02 /0 20 01 /0 20 00 20 2 0 1 Milhões de toneladas 3000 Fonte: USDA (2013) Mas por que os números relativos aos estoques não variam muito? Podemos dizer que eles estão. por exemplo. o transporte. o milho. Os principais grãos produzidos na safra 2012/2013 foram o arroz. No entanto. na qual podemos observar que. o processamento da matéria-prima. Isso vem ocorrendo em função do aumento da demanda por grãos. a soja. A imagem a seguir apresenta o percentual de produção de cada um desses produtos. mas os estoques oscilam sempre na faixa de 500 milhões de toneladas.O agronegócio tem uma enorme importância na economia brasileira e na mundial. Como já exposto no tema anterior. inclusive. assim como dados referentes à produção agrícola e aos estoques mundiais de grãos. que pode ser justificado por fatores como o crescimento da população mundial. a industrialização. diminuindo. que envolve também o setor de insumos e equipamentos para a produção. a produção de grãos vem aumentando. A figura abaixo mostra a produção agrícola e os estoques mundiais de grãos. a produção de grãos não acompanha esse ritmo devido a fatores climáticos adversos. a armazenagem e a distribuição até chegar ao consumidor final. a cevada e o sorgo. Por isso. o trigo. desde 2000. Introdução ao Agronegócio 27 .

Principais produtos (Safra 2012/2013)

28
9%
20%

Arroz
Milho
Soja

27%

Trigo
33%

Outros (aveia, centeio, cevada e trigo)

11%

Fonte: USDA (2013)

Como lei básica do mercado, quando os estoques começam a diminuir muito, os preços no
mercado internacional de grãos aumentam, prejudicando em maior escala a população dos
países menos favorecidos.
Para exemplificar melhor esse cenário, a seguir serão abordadas algumas das questões mais
importantes no cenário internacional e que afetam todos os países, incluindo o Brasil. As
questões a serem discutidas estão relacionadas ao protecionismo dos países ricos, como os
subsídios e as barreiras fitossanitárias.

Comentário do autor

d

Os subsídios agrícolas são incentivos pagos (em valores) pelo governo para
os agricultores de seu país, sendo que uma das principais motivações pelo
pagamento é a compensação dos preços de mercado inferiores ao custo de
produção. Os subsídios são uma ajuda do governo para que os agricultores
garantam uma renda mínima e também funcionam como incentivo ao aumento
da produção (ARAÚJO, 2010).

São considerados exemplos de subsídios a sustentação de preços mínimos ou de renda,
a contribuição financeira de um governo ou algum órgão público em que há transferência
direta de recursos (concessões, empréstimos e títulos), o fornecimento de bens e serviços de
infraestrutura geral, a aquisição de bens etc. (ICONE, 2014).
Como visto no tema anterior, na década de 1970 no Brasil, os agricultores receberam subsídios
oferecidos pelo governo na forma de financiamentos bancários oficiais em um período no
qual havia crédito abundante do governo, com uma parcela de subsídios incluída. Esse tipo
de financiamento foi muito criticado, pois priorizou a liberação de crédito para os grandes
proprietários de terra em detrimento dos pequenos.
O governo brasileiro também forneceu subsídios para o setor do trigo, em especial aos
moinhos, com o objetivo de limitar os preços pagos pelos consumidores. No início da década

Curso Técnico em Agronegócio

de 1980, o governo federal passou a restringir o crédito à agricultura, levando à extinção dos
subsídios na década de 1990 (ARAÚJO, 2010).
Após esse breve histórico, é importante refletir sobre questões que são permanentes no
universo da agricultura. Por exemplo:
• A instabilidade de preços;
• Os riscos climáticos e sanitários;
• Fatores de ordem histórica, cultural e política;
• Essencialidade dos produtos agropecuários destinados à alimentação.
Todos esses aspectos levam os países a adotarem uma série de políticas agropecuárias de
proteção aos seus agricultores. Além de assegurar renda aos produtores, o protecionismo
agropecuário objetiva garantir a segurança alimentar e, muitas vezes, a soberania alimentar: ter
alimentos suficientes para todos e, de preferência, produzidos no próprio país (ALMEIDA, 2009).
Farm Bill é o nome popular dado à legislação agrícola dos EUA, geralmente renovada a cada
quatro anos, que possui como objetivo consolidar em um único documento os programas de
política agrícola do Departamento de Agricultura dos EUA – USDA. A Farm Bill aprovada em maio
de 2008 teve gastos com a agricultura de até US$ 307 bilhões, e os Estados Unidos forneceram
subsídios para diversas culturas, como a soja e o milho, levando ao aumento da produção.

29

Introdução ao Agronegócio

30

A estimativa é de que o Brasil perca cerca de 700 a 800 milhões de dólares com esses subsídios
americanos, o que também afeta os preços internacionais, já que os EUA são o maior mercado
e a sua produção excedente é exportada (ALMEIDA, 2009).
Como visto, a Farm Bill fornece bilhões de dólares em subsídios, cuja maior parte vai para
grandes agronegócios produtores de milho, soja, trigo, algodão e arroz (os dois primeiros
são usados na alimentação do gado). Ou seja, esses subsídios “agrícolas” acabam indo para
a produção de carne. Dessa forma, agricultores que produzem frutas e vegetais recebem
menos de 1% de apoio governamental.
A União Europeia também fornece grandes subsídios para os seus agricultores – estima-se
que sejam fornecidos cerca de 70 bilhões de euros por ano, sendo que 45% do orçamento da
UE são destinados a subsídios agrícolas.

A Europa é, simultaneamente, um importante exportador e o maior importador de produtos
alimentares do mundo. O setor agrícola europeu utiliza métodos de produção seguros, limpos
e ecológicos, e fornece produtos de qualidade que satisfazem às exigências dos consumidores.
O seu papel não consiste apenas em produzir produtos alimentícios, mas também em
garantir a sobrevivência do espaço natural enquanto espaço para se viver, trabalhar e visitar
(COMISSÃO EUROPEIA, 2014).
A Política Agrícola Comum - PAC europeia é definida e aplicada pelos governos dos Estadosmembros. O seu objetivo é apoiar os rendimentos dos agricultores ao mesmo tempo em que
os incentiva a produzir produtos de alta qualidade, de acordo com as exigências do mercado,
e a procurar novas oportunidades de desenvolvimento, nomeadamente fontes de energia
renováveis mais sustentáveis (COMISSÃO EUROPEIA, 2014).

Curso Técnico em Agronegócio

em vigor de 2014 a 2020. assim como os exportadores e os importadores no desenvolvimento de suas atividades. no mercado da UE e nos mercados mundiais. e o mercado europeu paga por qualidade. A OMC é a organização à qual os países participantes recorrem para a resolução de problemas comerciais uns com os outros. à crise dos países da zona do euro. leia uma reportagem disponibilizada no AVA. 2014). Como e onde o Brasil e outros países podem se defender do protecionismo nas nações mais ricas? Essa resposta está relacionada com a Organização Mundial do Comércio – OMC. e isso faz com que eles produzam mais e tenham preços mais competitivos no mercado internacional (COMISSÃO EUROPEIA. O país é afetado principalmente nos setores da cana-de-açúcar e da pecuária de corte: • cana-de-açúcar: o nosso mercado será atingido se eles aumentarem os incentivos para a produção de açúcar de beterraba. A Link Para saber mais sobre protecionismo da União Europeia.A política agrícola da União Europeia está em constante evolução. dificultando ainda mais as exportações para lá. também. O seu principal objetivo é apoiar os produtores de bens e serviços. está gerando uma expectativa de redução dos subsídios devido ao alto preço das commodities no mercado internacional e. Cerca de um terço da renda dos agricultores europeus provém dos subsídios. Há 50 anos. e convive no mercado internacional pautado por preços internacionais gerados por essas nações. pelos seus próprios meios. A renovação da PAC europeia. • pecuária de corte: excessivas exigências de rastreabilidade. Introdução ao Agronegócio 31 . entidade internacional criada em 1995 para coordenar e administrar questões referentes ao comércio mundial. O Brasil não tem condições de garantir os mesmos níveis de subsídios de países como EUA e da UE. que é um conjunto de normas criado com o objetivo de regularizar os níveis de subsídios e protecionismos do setor agrícola. mas o apoio à produção em grande escala e a compra de excedentes para garantir a segurança alimentar pertencem ao passado. A entidade possui um acordo agrícola. Atenção ` O objetivo da política da UE é permitir que os produtores de todos os alimentos sejam capazes de sobreviver. Sua pretensão é fazer a economia girar com foco na produção local. a sua principal prioridade era produzir alimentos suficientes em uma Europa que emergia de uma década de escassez causada pela guerra.

Por meio desse acordo, pretende-se (ICONE, 2014):

32

• fornecer maior transparência dos mercados agrícolas;
• promover a liberalização gradual do comércio pela redução das barreiras tarifárias e não
tarifárias;
• corrigir distorções de preços e equiparação das condições de concorrência, com a redução
dos subsídios domésticos e nas exportações.
A título de exemplo prático, veja algumas ações já realizadas pelo Brasil na OMC:

Suco de Laranja: a disputa entre Brasil e EUA teve início na OMC em 2009 e
se encerrou em junho de 2011. O Brasil saiu vitorioso, e os norte-americanos
desistiram de recorrer da decisão favorável que questionou medidas antidumping
impostas ao suco de laranja brasileiro.
Algodão: o Brasil questiona os subsídios pagos aos produtores americanos
de algodão, considerados ilegais pela OMC. Mais uma vez, saindo-se vitorioso,
devendo receber dos EUA US$ 147 milhões anuais. O valor do fundo do
algodão foi aprovado pelos dois países, mas foi bloqueado em 2012 pelo
Congresso norte-americano. Como resposta, o Brasil ameaçou retaliar na área
de propriedade intelectual, o que já foi autorizado pelo órgão de solução de
controvérsias da OMC.

Carne Bovina: o setor privado brasileiro decidiu pedir ao governo a abertura
de queixa contra a União Europeia na OMC por discriminação no caso das
exportações brasileiras dentro da Cota Hilton. A Cota Hilton é constituída de
cortes especiais do quarto traseiro de novilhos precoces, e seu preço no mercado
internacional corresponde de três a quatro vezes o preço da carne comum. A
cota anual de 65.250 toneladas é fixa, e a ela somente têm acesso os países
credenciados: Argentina, Austrália, Brasil, Uruguai, Nova Zelândia, Estados
Unidos, Canadá e Paraguai. A tarifa extracota é de 12,8% mais 303,4 euros por
100 kg de carne. A cota brasileira é de 10 mil toneladas anuais.

Tópico 2: Panorama Geral do Agronegócio Brasileiro
Nesta etapa, você conhecerá um perfil aprofundado sobre o agronegócio nacional. O tópico
foi dividido por tipo de commodity, bem como pelas respectivas informações sobre sua cadeia,
seu diagnóstico e suas perspectivas futuras.

1: Soja
A soja é a principal oleaginosa produzida no mundo, sendo utilizada como commodity na
produção de óleo, na formulação de rações e na produção de carnes. A imagem a seguir

Curso Técnico em Agronegócio

mostra como os diferentes elos da cadeia estão interligados: o início está no elo dos insumos,
passando pelos elos da produção, dos originadores, das esmagadoras, da indústria de
derivados do óleo e da distribuição até chegar ao elo do consumidor final.
Cadeia produtiva da soja
Insumos
(sementes, defensivos, máquinas etc.)
Produção
Centro-Oeste, Sul, Sudeste, Nordeste e Norte
Originadores
Armazéns Gerais, Cooperativas e trading companies
Esmagadores
Empresas privadas e cooperativas
Indústria derivados do óleo
Maionese, margarina, sabão, tinta etc.
Distribuição
Atacado, Varejo, Mercado Institucional

Consumidor
Fonte: Elaboração da autora

A imagem seguinte apresenta os dados relacionados à produção, ao consumo e aos estoques
mundiais divulgados pelo USDA. Repare que o mercado internacional da soja está dividido
entre quatro países. Quais são eles?

33

300
250
200

Produção

150

Consumo

100

Estoques

50

un
do
M

s
ro
ut
O

in
a
Ch

Ar

ge

nt

in
a

si
l
Br
a

A

0

EU

Milhões de toneladas

Produção, consumo e estoques mundiais de soja: safra 2012/13

Fonte: USDA (2014)

Introdução ao Agronegócio

A Argentina possuía 22,4 milhões de toneladas em estoque, e esse montante representava
quase metade dos estoques mundiais, que foi de 57,8 milhões de toneladas. Um dos motivos
que justificam esse estoque alto é que a oferta da soja é menor do que a demanda nesse país.
Em relação ao Brasil, a imagem a seguir apresenta a produção brasileira do complexo soja no
período de 1999 a 2014.
Produção brasileira do complexo soja
1000.000
90.000
80.000
70.000
60.000
50.000
40.000
30.000
20.000
10.000
0

Soja
Farelo

2014 (E)

2013 (E)

2012

2011

2010

2009

2008

2007

2006

2005

2004

2003

2002

2001

2000

Óleo

1999

Mil. Ton.

Fonte: ABIOVE (2014)

Note que o complexo soja (soja em grão, farelo e óleo) tem grande destaque no agronegócio
brasileiro, já que 26,1 bilhões de dólares foram gerados como divisa pelo setor da soja em 2012.
Esse mesmo setor representou 10,8% do total exportado pelo Brasil. Em 2013, observa-se um
salto de 2% na participação do complexo soja nas exportações do Brasil: 12,8%.

Participação do complexo soja nas exportações brasileiras (%)
15
10
5

Part. Complexo Soja
Fonte: ABIOVE (2014)

Curso Técnico em Agronegócio

2013

2012

2011

2010

2009

2008

2007

2006

2005

2004

2003

2002

2001

0
2000

34

Na safra 2012/2013, a produção mundial foi de 267 milhões de toneladas de soja, sendo
que Brasil, Estados Unidos e Argentina respondem por grande parte do total produzido.
Foram consumidas no mundo 258,8 milhões de toneladas de soja, sendo a China o principal
importador da commodity.

Como consequência. busca a autossuficiência com claras intenções de ficar independente do mercado internacional.17%). sendo responsável pelo aumento do comércio de produtos agroindustriais e dos preços das commodities agrícolas. é o segundo maior produtor de grãos do mundo (530 milhões de tonelada/ano). 10. 17. A China entrou na OMC em 2001. Por ser um dos maiores importadores do complexo soja. Exportações do complexo soja (2012 e 2013) 0 5 10 15 20 China União Europeia Ásia (exceto china) 2013 2012 Outros Destinos Fonte: ABIOVE (2014) A China. como o maior acesso ao mercado chinês e a limitação dos subsídios do governo desse país aos produtores domésticos Introdução ao Agronegócio 35 . produtos siderúrgicos e óleo de soja) respondeu por 67. e. por isso. • a China foi o principal país de destino das exportações brasileiras de soja. Setores do agribusiness enxergam a China como o mais promissor país no consumo de alimentos e fibras. Uma das razões para a elevada concentração da pauta nesses produtos foi a demanda por soja e óleo de soja.96%. Aliás. minério de ferro.53% das exportações brasileiras destinadas à China em 2002. a China aumentou sua participação como importadora nesse mercado. o comércio de mercadorias entre Brasil e China apresentou. pois são usados na produção de tofu. itens que fazem parte dos hábitos alimentares dos chineses. e a Alemanha. que faz parte do BRICs. duas características principais: • a concentração das pautas de exportação e importação (soja.Os principais mercados para a soja em grão e para o farelo de soja são a União Europeia e a Ásia (China).19% do total exportado (superando a Holanda. sendo igualmente o maior consumidor. causou mudanças importantes no mercado internacional do grão. como soja e milho. em 2002. como se vê nos dados das exportações do complexo soja nos períodos de 2012 e 2013. shoyu e óleo de cozinha. tendo essas operações representado 27.

e. O crescimento das exportações brasileiras para a China decorreu da estratégia das transnacionais que atuam no mercado de grãos. Mas o que seria essa estratégia das transnacionais? Atenção ` A estratégia das transnacionais era baseada na ideia de eficiência global. diversificar as suas cadeias de oferta. como a China. as zonas mais populosas apresentavam perspectivas de crescimento da renda. Curso Técnico em Agronegócio . que consiste em utilizar as regiões economicamente mais produtivas para suprir as regiões mais populosas. também. razão pela qual a sua preferência recaiu naturalmente sobre o Brasil. da produtividade da soja brasileira e da proibição dos transgênicos no Brasil (2002). Elas atuaram em ambas as regiões. um certificado indicando que as remessas brasileiras de soja não contenham o grão transgênico. o que provocou um deslocamento de parcela da soja americana no mercado internacional. A China resiste aos transgênicos. em acordos temporários.36 Nesse período. transformou-se no maior exportador e na segunda maior economia do mundo. de acordo com as suas próprias estimativas. Ela também exige. Com essa estratégia. as transnacionais buscaram.

4%. nos próximos 50 anos. e Goiás. com 19. Rússia. e os movimentos monetários dos BRICs até 2050. Introdução ao Agronegócio . O estudo mapeia os crescimentos do PIB e da renda per capita. veja a participação da soja por região no Brasil. responderam por 8. Soja: participação por região do Brasil 3% 7% 6% Norte Nordeste 37% 47% 37 Sul Centro-Oeste Sudeste Fonte: Outlook FIESP (2013) Abaixo tem-se uma panorama da cadeia produtiva da soja. na qual podem-se identificar os seus pontos fortes. com 10. e áreas no Maranhão. as economias de Brasil. Rio Grande do Sul. com 29% da produção nacional. as oportunidades e as ameaças. A seguir.4% da produção brasileira.5%.5%. os pontos fracos. No Brasil. Índia e China podem tornar-se uma força importante na economia mundial. no período de 2012-2013. Paraná. PIB O Produto Interno Bruto mede o valor monetário total dos bens e serviços finais produzidos para o mercado durante determinado período de tempo dentro das fronteiras de um país. com 15. no Piauí e na Bahia. a produção de soja concentra-se nas regiões Centro-Oeste e Sul. em Tocantins. Dominic Wilson e Roopa Purushothaman) do banco de investimentos Goldman Sachs sobre a economia mundial indica que.Perspectiva O trabalho exploratório de economistas (Jim O’Neill. Mas as regiões Norte e Nordeste também estão aumentando a sua área de plantio. nos estados de Mato Grosso.

principalmente nos estados de Mato Grosso e Goiás. Pontos fracos Podemos citar como principal ponto fraco a logística deficiente nas regiões produtoras. Fortalecimento de ações sustentáveis nos âmbitos nacional e internacional. Diversificação via criação de produtos inovadores.Análise SWOT da cadeia produtiva da soja 38 Pontos Fortes Brasil é segundo maior produtor e exportador mundial. Fonte: Elaborado pela autora. Curso Técnico em Agronegócio . Adoção de biodiesel global via metas de adição. Novas barreiras de entrada por países importadores.000 km). Tecnologia dominada para gerar valor à cadeia. o que aumenta o custo de produção. como o uso de agricultura de precisão e sementes altamente produtivas. Na sequência. Pontos fortes Neste item. Geração de renda nas regiões produtoras (aumenta o IDH). Áreas agricultáveis que permitem aumento da produção. Oportunidades Abrangência do complexo soja na geração de produtos. observa-se que um dos grandes pontos fortes está na geração de renda nas regiões produtoras de soja. e também por possuírem áreas agricultáveis para expansão do plantio. O Brasil utiliza um modal de transporte impróprio pela distância percorrida pela soja (± 1. Pontos Fracos Maior produtor mundial é os EUA. Igualmente é necessário considerar a tecnologia empregada nas propriedades rurais. Ameaças Tarifas alfandegárias. acompanhe uma análise dos quatro itens. Estímulo governamental à exportação de soja in natura. Diferentes cobranças de ICMS pelos estados brasileiros. Melhoria nos modais utilizados para o transporte de soja no Brasil. dificultando o escoamento da oleaginosa para os portos que a levarão para o exterior. com base nos dados da ABIOVE (2014).

também se estima que ocorrerá um grande aumento do consumo de soja para a produção de biodiesel.Ameaças Entre as ameaças estão as tarifas alfandegárias e o protecionismo de países como os Estados Unidos. além da demanda de rações animais. algumas projeções. tintas e biocombustível. abaixo. o que representará um acréscimo de 21. como milho. gerando valor e produzindo produtos que serão vendidos por um valor superior para a commodity. pois. Essa produção foi estimada em 2013.8% em relação à produção de 2013. temos como avançar e pensar a respeito das tendências futuras.2 milhões de toneladas. como sabão. em especial daquelas que se encontram na região Centro-Oeste. Isso torna os seus produtos mais competitivos no mercado internacional Oportunidade Como uma oportunidade está a possibilidade de se pesquisarem novos usos para a soja. pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais – Abiove.3 toneladas por hectare. em cerca de 10 milhões de toneladas. As projeções de consumo indicam que as demandas de soja no mercado internacional e no mercado interno devem continuar aumentando. carnes e algodão. a produção de soja em grão em 2013 foi de 81.3 milhões de toneladas. Após analisar o quadro anteriormente exposto. Existe uma forte tendência da produtividade de aumentar devido ao aumento da tecnificação das lavouras. com uma produtividade média projetada para os próximos anos de 3. 39 De acordo com o MAPA. Estima-se que em 2023 a produção de soja seja de 99. Introdução ao Agronegócio . Qual é o seu palpite a respeito da cadeia de soja? Confira. que subsidiam uma boa parte da sua produção de soja e de outras commodities.

além da utilização da soja na fabricação de rações animais. além de incentivos governamentais para a geração de valor.000 Mil ton. Informações extras O Barreiras Não-Tarifárias são restrições à entrada de mercadorias importadas que possuem como fundamento requisitos técnicos.Estima-se. consumo e exportação de soja em grão 120. mas ainda possui grandes gargalos (em logística. laborais. queijos etc. consumo e exportação de soja em grão. Curso Técnico em Agronegócio . com dados da CONAB (2013) A cadeia da soja apresenta alto potencial de crescimento. 100.000 60. e ainda.000 80. sendo que se espera um aumento de 19. ambientais.4% no consumo até 2023. Brasil: projeção da produção. Saiba mais sobre barreiras comerciais e técnicas no AVA. Normalmente. ela também seja utilizada de maneira crescente na alimentação humana. tecnologia e impostos a serem arrecadados. A seguir. impostos e barreiras tarifárias e não tarifárias) e necessita de maiores investimentos em marketing. a proteção do meio ambiente e do consumidor. veja uma projeção de produção.000 Produção 40. principalmente em bebidas. De acordo com o MAPA. sanitários. 40 Espera-se que. mostrando uma perspectiva positiva de crescimento do mercado. a saúde dos animais e das plantas. que o consumo interno de soja em grão chegue a 50. Esta proporciona mais renda para as regiões produtoras e para o país. deve haver um consumo adicional de soja em relação ao período de 2012-2013 de 8. assim como mais empregos. também.000 Consumo Exportação 20. como a segurança nacional. restrições quantitativas (quotas e contingenciamento de importação).2 milhões de toneladas.000 3 /2 22 1 9 /2 20 20 7 /1 20 18 20 /1 16 5 /1 20 14 20 20 12 /1 3 0 Fonte: MAPA.6 milhões de toneladas ao final da projeção. as BNTs visam a proteger bens jurídicos importantes para os Estados.

o Brasil é conhecido como o celeiro do mundo. em 1933. Estados Unidos. A seguir. Participação (%) dos países na produção mundial de café em grão: safra 2012/13 Outros 17% México 3% Peru 3% Brasil 37% Índia 4% Honduras 4% Vietnã 17% Etiópia 4% Colômbia 5% Indonésia 6% Fonte: USDA (2013) O gráfico acima nos mostra que. com 37% do mercado mundial cafeeiro. Japão e Bélgica. Somos o primeiro na produção mundial de café em grão. Desde essa época. 2: Café O Brasil é o maior produtor e exportador da commodity e conta. em especial. o Vietnã e a Indonésia. desenvolvidos pelos produtores e patrocinados pelo governo americano. velas feitas à base de cera de soja. Introdução ao Agronegócio 41 . Abaixo. Itália. que não tem condições de concorrer com uma grande empresa. atualmente. ao pequeno e ao médio produtor. novas tecnologias que incluem o grão foram descobertas. pois isso trará benefícios aos produtores rurais e. Aliás. mas não basta: o produtor precisa se organizar. sendo que os principais países importadores de café brasileiro são: Alemanha. isolante térmico para casas. veja o ranking dos países produtores de café na safra 2012/2013. deixar alguns conceitos no passado e partir em busca de novos desafios. de que adianta produzir tanto. ao desenvolver nos Estados Unidos o primeiro produto construído à base de soja: um painel de carro feito de plástico de soja. lubrificantes. estão xampus para animais domésticos. O Brasil precisa investir em geração de valor produzindo produtos diferenciados. se as estradas e os portos não conseguem escoar a produção? Coverse sobre esse assunto com o tutor e demais colegas e aprofunde seu conhecimento! O governo tem uma parcela de responsabilidade importante nisso.Um exemplo de como é possível gerar valor foi dado por Henry Ford. os três principais produtores foram o Brasil. na safra 2012/13. bola de paintball etc. informar-se e tratar a sua propriedade como uma empresa rural. apresentamos alguns usos originais para o grão. produtos de limpeza. É mais interessante gerar valor e obter mais lucros do que exportar commodities e deixar o lucro do desenvolvimento de produtos para os outros países. Entre os produtos à base de soja. mas.

por exemplo. Conforme a Conab (2013). Minas Gerais e Mato Grosso. devido à sua grande extensão.3 milhões de hectares no território nacional. no manejo. nos aperfeiçoamentos genéticos e nas reduções de custos na logística. pela qual a produção cafeeira está espalhada em 2. Paraná. O maior produtor de café arábica no Brasil é o Estado de Minas Gerais. Robusta Conilon O café robusta conilon tem a sua origem na África Central e pode ser produzido em altitudes que variam entre o nível do mar e 600 metros. Trata-se de um grão bastante achatado e alongado.341. É mais utilizado na fabricação de café solúvel.9% da quantidade de café nacional. pois é utilizada para fazer o blend com a variedade arábica. É importante ressaltar que estão ocorrendo significativos aprimoramentos na tecnologia de produção. Espírito Santo e Rondônia. Os principais estados brasileiros produtores dessa variedade são: Espírito Santo (maior produtor de conilon). houve um acréscimo. que gera um café fino e com alto valor comercial. A produção nacional de robusta em maio de 2013. Outros estados.370 hectares. o que representa um crescimento de 0. Bahia.54% da área utilizada em relação à safra de 2012.42 É importante observar que. Pará. de 12. O cultivo de café arábica totaliza 74. representou cerca de 25% da cultura nacional de café. A qualidade desse grão está relacionada com a altitude em que é plantado (altitudes superiores a 900 metros). o Brasil possui a vantagem de desenvolver diversos tipos e qualidades de cafés – um diferencial que possibilita atender às diferentes demandas. Curso Técnico em Agronegócio . como São Paulo. no ano de 2013. Rondônia. também produzem essa variedade. Essa variedade tem uma grande aceitação na Europa e nos Estados Unidos. O país conta atualmente com 2.73 hectares voltados à cultura de café dos tipos arábica e robusta. Diferentes tipos de café Arábica A variedade de café mais apreciada no mundo é a arábica e ela representa 59% da produção mundial da cultura de café.

Hectares produzidos na produção brasileira de café 43 1.000 2012 600. Regiões produtoras de café Arábicas Conillon (Robusta) Fonte: ABIC (2013) Agora. Paralelamente Introdução ao Agronegócio . como a industrialização do grão verde. podemos observar que as maiores áreas de produção estão concentradas nos estados de Minas Gerais e Espírito Santo.Veja os estados nacionais produtores de café e as respectivas espécies cultivadas em cada local. ao compararmos os hectares utilizados na produção brasileira de café nos estados produtores.000 Outros Rio de Janeiro Goiás Pará Mato Grosso Rondônia Bahia Paraná São Paulo Espírito Santo Minas Gerais 0 Fonte: ABIC (2013) A cadeia agroindustrial do café.000 Hectares 1. é estruturada pelas operações agrícolas. a torrefação e a comercialização.200.000 2013 400.000 800.000 200.000. segundo Zilbersztajn (1993).

em grande parte.) Produção MG. e os insumos. mercado institucional. cafeteiras. o produtor mantém uma relação instável com a cooperativa. PR. Zilbersztajn (1993) acredita que “em geral os produtores trabalham com um nível de incerteza e insegurança muito alto em relação às informações disponíveis no mercado”. Nesse sentido. BA. defensivos. máquinas etc. MT 1º Processamento do Café Maquinistas e Cooperativas 2º Processamento do Café Empresas de torrefação e moagem Vendedores Nacionais Cooperativas. 1999): Cadeia produtiva do café no Brasil Insumos (mudas. já que ele possui a possibilidade de vender a sua produção para outros atores da cadeia (ZILBERSZTAJN. RO.44 a esse conceito. torrefação e dealers Varejo Nacional e Internacional Supermercados. Curso Técnico em Agronegócio . 1993). desinteresse em participar das transações e dificuldade de comunicação com as fontes. bares e restaurantes Consumidor Fonte: Adaptação de Saes e Farina (1999) A maioria dos produtores de café no Brasil são membros de alguma associação de interesse privado. Apenas grandes cafeicultores vendem os grãos para compradores diretos. Exportadores e Atacadistas Compradores Internacionais Empresas de solúvel. pois a maioria dos produtores se relaciona com a cooperativa para entregar seus produtos. ES. que os disponibilizam com menor preço por operarem em grande escala. Mas por que essa incerteza acontece para os produtores de café? Essa situação ocorre em função de fatores como distância física entre produtor e cooperativa. são obtidos por meio das cooperativas. SP. surge outro estudo que indica que a cadeia de café brasileira é constituída pelos seguintes segmentos (SAES E FARINA.

as cooperativas vendem o café para a indústria de torrefação. Segundo a ABIC (2012). maquinistas. O • responde por 5% das divisas geradas.A ai 0 br o/1 il/ 1 12 02 20 00 20 98 20 96 19 94 19 92 19 19 90 0 19 kg/habitantes 7 Fonte: ABIC (2013) Introdução ao Agronegócio 45 . nos processos de torrefação e moagem. Veja como vem ocorrendo a evolução do consumo interno no Brasil durante o período de 1990 a 2012. Dealers Negociantes que atuam como intermediários em uma transação comercial.8%. atacadistas e varejistas em geral.Por sua vez. e a preferência nacional é o café torrado e moído: cada consumidor consome em média 2. os exportadores e os dealers. • emprega diretamente três milhões de pessoas. supermercados e as próprias torrefadoras” (ZYLBERSZTAJN. 1993).1 quilos de café por ano. Fonte: ABIC (2013) Perspectivas futuras Consumo de café Segundo a Organização Internacional do Café – OIC. os cappuccinos e outras combinações com leite”. também. restaurantes. o consumo de café no Brasil tem crescido a uma taxa média anual de 4. “os brasileiros estão consumindo mais xícaras de café por dia e diversificando as formas da bebida durante o dia. O povo brasileiro é um dos maiores consumidores de café do mundo. Brasil: consumo per capita de café verde e café torrado 6 5 Kg café verde 4 Kg café torrado 3 2 1 04 20 06 20 08 20 M 1 . o que equivale a cerca de 400 cafezinhos. É importante destacar que algumas cooperativas atuam. como bares. padarias. adicionando ao café filtrado também os cafés espressos. A comercialização e a distribuição de café no Brasil são realizadas “por meio dos exportadores. corretores. Informações extras Veja alguns dados sobre a cafeicultura brasileira: • sustenta de 250 mil a 300 mil produtores.

6% até 2023. Nestes. Isso incrementa os hábitos de consumo do grão. tais como sucos e achocolatados Brasil: projeção da produção. Curso Técnico em Agronegócio . bem como das exportações. para que procure voltar a ter altos índices de crescimento. a preferência é por cafés especiais. esse panorama teve uma pequena diminuição em 2013 devido ao café disputar a preferência dos consumidores com os produtos prontos. segundo dados da ABIC contabilizados desde 1990. geralmente de melhor qualidade. mas obviamente de mercado. com maior procura por cafés de melhor qualidade. consumo e exportação de café 60 50 40 Produção 30 Exportação 20 Consumo 10 3 /2 2 22 /2 20 1 21 /2 20 0 20 /2 20 9 19 /1 20 8 18 /1 20 7 17 /1 20 6 16 /1 20 5 15 /1 20 14 /1 20 13 /1 20 12 20 4 0 3 Milhões de toneladas 46 Outro fato curioso é que. A título de observação. também. para finalizar esta análise sobre perspectivas futuras do café. observa-se o aumento do consumo de café fora do lar em função da popularização das cafeterias em diversas cidades brasileiras. Aliás.As projeções feitas pelo MAPA para o café estimam o aumento da produção até 2023. a ABIC estimou em 2014 a retomada do crescimento do consumo interno de café entre 3% a 4%. e que também mantenha os compradores habituais e os parceiros estimados em mais de cem mercados – cenário bastante promissor! Observa-se que o crescimento estimado para o consumo da bebida é de 28. desde 2004. já se observa essa tendência ocorrendo em países da Europa e também nos Estados Unidos. E. o que se espera alcançar com a oferta de cafés de melhor qualidade. cuja penetração no mercado ainda é pequena comparada ao tradicional cafezinho) têm apresentado crescimento bastante elevado. De acordo com a associação. Essas categorias com maior valor agregado desafiam a indústria de café para que busque a inovação e. as inúmeras novas opções prontas para o consumo no café da manhã (que incluem bebidas à base de soja. pois foi a primeira queda registrada no consumo no país desde 2003 e o segundo recuo da série histórica. Fonte: MAPA (2013) O evento é importante. e ainda de acordo com a ABIC. bem como sua economia. diferenciados e certificados. desde os tradicionais até os cafés gourmet – informação importante a se considerar não só como tendência futura. A previsão do MAPA é de que o país continue como o maior produtor mundial e o principal exportador.

constata-se um grande crescimento da produção de cana-deaçúcar em função do aumento da demanda de açúcar no mundo.000 120. 200. como a sucralose.000 140.000 100. • aumento da produção estimulado pelo consumo de adoçantes de baixas calorias à base de açúcar.3: Cana-de-Açúcar No período entre 2000 e 2010.000 160. Mas como isso ocorreu? Confira abaixo os principais motivos: • crescimento da população e respectivo aumento do poder de compra dos consumidores em diversas regiões do mundo. • aumento do consumo de alimentos processados da cana-de-açúcar resultante da migração da população das áreas rurais para as urbanas. 47 Repare como vem crescendo a produção mundial de açúcar a partir da cana-de-açúcar e da beterraba.000 180.000 0/ 20 11 01 1/ 1 20 2 12 /1 3 0 9/ 1 20 1 9 20 0 8 8/ 0 20 0 7/ 0 7 6/ 0 20 0 6 5/ 0 20 0 5 4/ 0 20 0 4 20 0 3 3/ 0 20 0 2/ 0 2 1/ 0 20 0 20 0 0/ 0 1 0 20 0 Milhões de toneladas Produção mundial de cana-de-açúcar e beterraba Fonte: USDA (2013) Introdução ao Agronegócio .

combustível indicado para veículos com motores flex fuel.000 500.Na composição mundial dos países produtores de cana-de-açúcar.000 Milhões de toneladas 600. Brasil e China. o açúcar vem da beterraba. em um total de 27 participantes. ao contrário do Brasil. União Europeia. que só utiliza o açúcar de cana-de-açúcar.000 Região Norte-Nordeste 100. e esse açúcar é utilizado também na produção de refrigerantes.000 / 20 11 01 1/ 1 20 2 12 /1 3 /1 0 10 20 /0 9 09 20 /0 8 08 20 /0 7 07 20 /0 6 06 20 /0 5 05 20 /0 4 04 20 /0 3 03 20 /0 2 02 20 01 20 00 /0 1 0 20 48 Uma informação importante é a de que. em alguns países da União Europeia.000 Região Centro-Sul 200. Como se nota. há quatro principais produtores: Índia.000 Brasil 300. a expectativa do governo brasileiro em exportar etanol para os países que adotam os biocombustíveis em suas matrizes energéticas. o Brasil se destaca. Você sabe por quê? Curso Técnico em Agronegócio . Fonte: UNICA (2013) O tema biocombustível tornou-se uma discussão extremamente relevante no século XXI. Participação mundial dos países produtores de cana-de-açúcar Brasil 22% Outros 26% Paquistão 3% Índia 15% Rússia 3% México 3% EUA 5% União Europeia 9% Tailândia 6% China 8% Fonte: USDA (2013) O aumento da produção de cana-de-açúcar também está relacionado ao aumento do uso do etanol no Brasil. Existe. Brasil: produção de cana-de-açúcar 700. também.000 400. Veja como foi a produção brasileira de canade-açúcar no período de 1999/2000 a 2012/2013.

Trata-se de uma fonte de energia natural. da sacarina da beterraba. a partir do bagaço e da palha disponíveis. e o etanol anidro (0. limpa. Ainda no contexto de 2008. do amido de milho. misturado à gasolina na proporção de 20% a 25%. produz-se o etanol hidratado com 5% de água. Grandes consumidores Terminais Portuários Mercado Externo Fonte: Baseado em Caixeta-Filho et al (2008) Você sabia que. a utilização de álcool combustível permitiu ao Brasil economizar US$ 69. a produção nas usinas. Introdução ao Agronegócio 49 . Biocombustíveis que não causam danos ao meio ambiente. Revendedor e Retalhista Pequenas empresas. Para entender melhor como funciona a cadeia de produção do etanol. a distribuição e o varejo até chegar ao consumidor final. no período de 1976 a 2005. observe o diagrama a seguir. alavancam a geração de postos de trabalho e avançam rumo ao desenvolvimento tecnológico. além do trigo e da mandioca. ponto urgente na agenda desenvolvimentista mundial. que abastece os automóveis flex. Informações extras O O etanol (nome técnico do álcool etílico combustível) pode ser produzido a partir da sacarose da cana-de-açúcar. nos Estados Unidos.5% de água). havia também perspectivas de se cogerar. o setor comemorava o crescimento da sua produção e das exportações. prevendo a geração de um milhão de empregos. Ele nos mostra os canais de distribuição. No Brasil. 2008)? E que. no início de 2008. no Brasil.Basicamente porque a pauta do biocombustível está diretamente ligada ao contexto de um desenvolvimento sustentável. um mercado promissor. Canais de distribuição do etanol Produção Usinas Destilarias Distribuição Bases das Distribuidoras e Terminais Varejo Consumidor Postos Revendedores Automobilistas Transportador. renovável. o equivalente à capacidade de uma usina Itaipu e meia em bioeletricidade.1 bilhões em divisas com a importação de petróleo (ETH. com investimentos de US$ 30 bilhões até 2012? Definitivamente. sustentável.

a região Sudeste deverá ter um aumento de área de 11% até 2023 em relação a 2013 (o que representa 616 mil hectares).000 Brasil 15. a partir de 2008. É nas regiões Sudeste e Centro-Oeste que está concentrada a maior parte da produção e das usinas de açúcar e etanol. Durante esse processo. em setembro de 2008. Podemos observar que o período de 1999 a 2007 foi de crescimento da produção brasileira. o setor perdeu uma capacidade de moagem de 48 milhões de toneladas de cana e chegou à capacidade de 600 milhões de toneladas na região Centro-Sul (OUTLOOK FIESP (2013).000 Região Norte-Nordeste 5.000 3 2 /1 12 20 1 /1 11 20 0 /1 10 20 9 /1 09 20 8 /0 08 20 7 /0 07 20 6 /0 06 20 5 /0 05 20 4 /0 04 20 3 /0 03 20 2 /0 02 20 /0 01 00 20 /0 1 0 20 50 além da movimentação de uma grande indústria nacional de máquinas e equipamentos (JANK. De acordo com o estudo Outlook Fiesp.000 Região Centro-Sul 10. Brasil: produção total de etanol 30. levando à cessão dos investimentos do setor. mas. 2008) – ordens de grandeza bem interessantes.Porém. A recuperação dos preços internacionais do açúcar e do etanol na safra 2009/2010 não foi suficiente para a retomada do setor. os grandes grupos familiares deram lugar a grandes empresas multinacionais. Fonte: UNICA (2013) Todo esse quadro pessimista levou ao endividamento de grande parte do setor e. resultado próximo ao estimado para o Centro-Oeste. Dessa forma.000 25. levando à venda das empresas endividadas. o crédito diminuiu bastante. também. Nesse mesmo período. o investimento em pesquisas e os cuidados fitossanitários. a produção passou a ser instável. Essas empresas passaram a delinear outra forma de gestão do setor. alternando períodos de retração com crescimento moderado. tradings e fundos de investimento. ao aumento dos custos de produção. buscando a eficiência e se voltando para uma gestão mais profissional a fim de gerar maior rentabilidade. Curso Técnico em Agronegócio . comprometendo a expansão dos canaviais. que foram compradas por grandes grupos nacionais e internacionais.000 mil m² 20. ocorreu a grande crise financeira mundial.

• o manejo agrícola. que representam um quarto da população mundial. Fonte: UNICA (2013) 51 Perspectivas futuras De acordo com a União da Indústria de Cana-de-Açúcar – UNICA.000 para 13. • postos de trabalho formais: 1. países como China e Índia. o setor pretende trazer tecnologias que elevem a produtividade dos atuais 7.Participação de cada região do Brasil na produção de cana-de-açúcar 8% 7% Nordeste 19% Sul Centro-Oeste 66% Sudeste Fonte: Outlook FIESP (2013) Informações extras Confira números do Setor Sucroenergético: O • estrutura produtiva: 432 plantas (2010).28 milhão.8 bilhões (2010).000 L/ha até o final da década de 2010. • fornecedores de cana: 70. • redução de emissões de CO2: 600 milhões de toneladas desde 1975. Isso representará um aumento de produtividade acima de 5% ao ano. • o etanol celulósico. e o Brasil está retomando os investimentos em tecnologia e na construção de novas fábricas. • receita do setor: superior a R$ 50 bilhões. Introdução ao Agronegócio . Os principais vetores do crescimento serão: • melhoramento genético clássico e a biotecnologia. No entanto. • porcentagem na matriz energética nacional: 18% (segunda fonte: hidroeletricidade). A demanda mundial por energia vem aumentando.000. também estão investindo em novas unidades de produção de etanol. • divisas externas: US$ 13. o que pode representar forte concorrência para o país.

Comentário do autor d O bioetanol produzido no mundo representa 4% do consumo de gasolina. seriam necessários 123 milhões de hectares para substituir 10% da gasolina produzida no mundo. Atrás dele vem a Tailândia. temos o Brasil em situação privilegiada. é necessária a conscientização de todos os cidadãos para o consumo consciente. os Estados Unidos empregam 99 milhões de hectares. sendo feitas de maneira global por meio da troca de experiências entre os pesquisadores de diversos países. Por outro lado.9% com cana-de-açúcar. o Brasil é o principal exportador mundial de cana-de-açúcar. buscar fontes energéticas que causem menos impacto ao meio ambiente é crucial. Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Ou seja. Goiás. Em paralelo a isso. com toda a importância em se desenvolverem formas sustentáveis de produção. pois o país necessita de apenas 2% de suas terras cultiváveis para mover toda a frota nacional de veículos leves exclusivamente a etanol. o debate sobre o futuro do biocombustível é bastante complexo. também devem ser estimuladas as pesquisas sobre fontes renováveis de energia. O Brasil utiliza 62 milhões de hectares.7% com milho e 8. A maioria das destilarias concentra-se no Estado de São Paulo. Curso Técnico em Agronegócio . órgãos governamentais internacionais divulgam que o biocombustível poderá afetar a capacidade de produção de alimentos no mundo. sendo que o milho representa 30% dessa área. que representa 14% das exportações mundiais. De acordo com Goldemberg (2007). dos quais 19. A título de comparação. sem prejudicar o avanço de outras culturas. e a gasolina representa um quarto do consumo de petróleo. Hoje. desde 1960 a área colhida com cana-de-açúcar apresentou uma taxa de crescimento de 3% ao ano.52 Lembrando que. Nessa matemática. com cerca de 50% do volume total. Sendo assim. Em relação ao açúcar. havendo uma expansão em Minas Gerais.

40. e a cadeia produtiva envolve mais de 350 milhões de pessoas em sua produção: desde as fazendas até a logística. cerca de 35 milhões de hectares de algodão sejam plantados no globo terrestre. Brasil: projeção da produção. todos os anos.000 Produção 30.000 Consumo 20. o descaroçamento.000 Exportação 25. consumo e exportação de açúcar 50. desde a década de 1950. Introdução ao Agronegócio 53 . está ocorrendo um aumento da demanda mundial a um crescimento anual médio de 2%. O comércio mundial do algodão movimenta anualmente US$ 12 bilhões. 2014).000 10.Confira a projeção de produção.000 5.000 Mil ton.000 45. Além disso. o processamento e a embalagem (ABRAPA.000 35.000 3 /2 2 22 /2 20 1 21 /2 20 0 20 /2 20 9 19 /1 20 8 18 /1 20 7 17 /1 20 6 16 /1 20 5 15 /1 20 4 14 /1 20 13 20 20 12 /1 3 0 Fonte: MAPA (2013) 4: Algodão O algodão é considerado uma das mais importantes culturas de fibras no mundo! Estima-se que. consumo e exportação de açúcar e de crescimento da produção no período de 2012/2013 a 2022/2023 – mais uma cadeia com futuro promissor na agricultura brasileira de exportação.000 15.

o algodão é produzido por mais de 60 países nos cinco continentes.000 4.000 2011/12 5. o que só comprova a vocação agrícola do país.000 6. Mais uma vez. máquinas etc) Produtores de algodão (algodão em caroço) Algodoeira (fardo de algodão em pluma) Fiação (tecido bruto) Estamparia e Acabamento (tecido estampado) Indústria de confecção Comércio atacadista Comércio varejista Consumidores finais Fonte: Buainain e Batalha (2007) Curso Técnico em Agronegócio . o Brasil entre os primeiros produtores. Produção mundial de algodão 8.000 1.Segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão – Abrapa. sendo que apenas cinco países (China.000 O ui U be sq ut st ro s ão il as st qu i Pa Br ão A EU di a Ín in a 0 Ch 54 Atualmente. defensivos. Paquistão e Brasil) aparecem como os principais produtores da fibra.7 milhão de toneladas de pluma. sendo um dos principais setores da economia brasileira.000 2012/13 3. nas últimas três safras. Cadeia têxtil brasileira Insumos (sementes. Índia. Estados Unidos. Fonte: ICAC (2014) A pluma do algodão destaca-se como a mais importante matéria-prima utilizada em toda a cadeia têxtil do Brasil. a produção do Brasil foi de um volume médio próximo de 1.000 7.000 2013/14 2.

• O número de trabalhadores chegou a 1. Na fabricação de fios. Participação de cada região na produção de algodão 3% 30% Nordeste Centro-Oeste 67% 0% Sudeste Fonte: Outlook FIESP (2013) Introdução ao Agronegócio 55 . 48. foram utilizadas 236 mil toneladas. 58% do fio utilizado na fabricação de tecidos são de algodão. Comentário do autor Confira números que comprovam a importância do uso do algodão na cadeia têxtil nacional. seda e lã) totalizou 1.494 milhão de toneladas de matéria-prima (naturais. linho. a partir das fibras artificiais e das sintéticas (viscose. Nesse contexto. no segmento de fabricação de malharia. máquinas por hectare.7% de fibras artificiais e sintéticas.6 milhão de pessoas em 2012.258 milhão de toneladas. artificiais e sintéticas) para a fabricação de fios. acrílico poliéster e polipropileno). rami.2% do fios utilizados são de algodão. juta. e 3% de fios oriundos de outras fibras naturais. Fonte: Conab (2013) A cultura do algodão utiliza tecnologia moderna e recebe grandes investimentos em insumos. sisal. Vejamos alguns números importantes acerca da produção nacional: • 33 mil produtores formalizados em atividade e com porte industrial. 39% de fios artificiais e sintéticos. sendo 1.01% de outras fibras naturais. e 0. das quais 28 mil correspondem à cadeia do vestuário. a indústria de fiação consumiu aproximadamente 1. No segmento de tecelagem. superando até mesmo os investimentos realizados nas culturas de soja e milho. 51. d No ano de 2010. A participação do consumo da fibra de algodão no contexto geral da produção de fios foi da ordem de 80%. poliamida.2 milhão de empregos somente em vestuário (IEMI. 2013). Por outro lado. o uso de fibras naturais (algodão.O Brasil é o quinto maior produtor têxtil do mundo e o quarto maior do segmento de vestuário.

uma informação de extrema relevância: você sabia que a produção brasileira de algodão em pluma dos últimos anos tem sido suficiente para abastecer as necessidades de consumo da indústria têxtil nacional e ainda gerar excedentes que são comercializados no mercado de exportação? 5: Arroz O arroz é o terceiro cereal mais consumido no mundo.56 A produção do algodão ocorre principalmente nas regiões Centro-Oeste e Nordeste (representa 95% da produção nacional).001 .138.001 .526.20.314.000 20. Principais estados produtores de algodão 100 .000 314. para encerrar a apresentação da cadeia de algodão. Indonésia e Bangladesh. sendo que os estados do Mato Grosso e da Bahia produziram cerca de 65% e 30% da safra 2012/2013. A produção mundial de arroz concentra-se na Ásia e representa 68% dos 465 milhões de toneladas produzidos atualmente no mundo.60. Curso Técnico em Agronegócio . ficando atrás apenas do milho e do trigo.000 60.001 . Os principais países produtores são: China.001 .000 138.310 Outros municípios Fonte: ABRAPA (2014) E. Índia. respectivamente.

2013) 160 140 120 100 80 60 40 20 Philipinas Thailandia Vietnã Bangladesh Indonésia Índia China 0 Fonte: MAPA (2013) Dessa vez.Principais produtores de arroz (em milhões de toneladas . estima-se o seguinte cenário: • produção em 12. Para o período de 2015/2016. • consumo em 42 milhões de toneladas. o Brasil não figura no topo da lista. o que representa 78% da produção nacional. Introdução ao Agronegócio . a produção brasileira foi de 11. • importações em 936 mil toneladas. Na safra 2012/2013.7 milhão de toneladas. A produção nacional de arroz é tradicionalmente concentrada na região Sul. nos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. indicando necessidade de importação para os próximos anos. Participação de cada região do Brasil na produção de arroz 1% 6% 9% 6% 57 Norte Nordeste Sul 78% Centro-Oeste Sudeste Fonte: Outlook FIESP (2013) As projeções de produção e consumo para 2015/2016 feitas pelo MAPA mostram uma situação tênue entre essas duas variáveis.9 milhões toneladas.

9 toneladas por hectare. O que pode ser preocupante. Esse processo de abertura de área alcançou o seu ponto máximo no período entre 1975 e 1985.000 4.000 12.5 milhões de hectares. com produtividade de 7. pode-se observar a previsão de aumento da produção na área plantada. Por outro lado.000 10.000 Importação 1 20 /2 0 20 /2 9 19 20 18 /1 8 20 /1 17 20 /1 7 6 20 16 /1 5 15 20 14 /1 4 20 /1 13 20 12 /1 3 0 20 58 A partir da projeção do MAPA para o período de 2012/2013 a 2020/2022. Projeção arroz Projeção (em (em arroz milhares de milhares toneladas) de toneladas) 14. • nas outras regiões.5 toneladas por hectare. vê-se também a redução dessa mesma área.000 Consumo 2. a maior parte da produção de arroz do Brasil se concentra no Rio Grande do Sul.000 Produção 6. de modo que esse acréscimo de produção ocorra especialmente por meio do crescimento do arroz irrigado. como Norte. Cultivo do arroz Existem duas formas de cultivo no país: • na região Sul. Curso Técnico em Agronegócio . a produção do arroz de sequeiro é pequena e ocorre em áreas de formação de pastagens. no qual a cultura chegou a ocupar uma área superior a 4. estima-se uma produtividade de 5. como os plantios tardios.Para evitar esse quadro. Nordeste e Centro-Oeste. Fonte: MAPA (2013) De acordo com o MAPA. o cultivo do arroz ocorre em várzeas inundáveis. O Brasil é o terceiro país exportador e o primeiro em produtividade em sequeiro.000 8. o sistema de exploração era caracterizado pelo baixo custo de produção. em que os agricultores não adotavam as práticas recomendadas. cerca de 600 quilos a mais do que a atual produtividade de 4.5 toneladas por hectare. Nessa época. Essa cultura é considerada importante por ser uma cultura pioneira durante o processo de ocupação agrícola dos cerrados. Hoje. deve-se focar em investimentos em tecnologia que levem a um aumento de produtividade. A cultura do arroz de sequeiro é caracterizada por não exigir muitos insumos e por ser tolerante a solos ácidos. que teve início na década de 1960.

Além de também procurar adaptá-la ao sistema de plantio direto. o basmati. a pesquisa com a cultura do arroz de terras altas prioriza ações com o objetivo de consolidar a presença da cultura em sistemas de produção de grãos nas regiões favorecidas dos cerrados. como o arbóreo. Essa mudança nos padrões de consumo está levando à sua diminuição per capita de cereais básicos e ao aumento da demanda por produtos com valor agregado. 2003). Agregação de valor no arroz É fato que na última década houve o aumento da massa salarial e do poder aquisitivo da população brasileira e a ascensão da classe C (também chamada “nova classe média”).Em meados da década de 1980. e a área cultivada com arroz sob o sistema de cultivo de sequeiro foi sendo gradativamente reduzida ao mesmo tempo em que a fronteira agrícola se deslocou no sentido sudestenoroeste (EMBRAPA. pães e arroz para uso gourmet. faz parte da pesquisa desenvolver e incentivar o consórcio de arroz com pastagem no sistema Barreirão (renovação de pastagem degradada) e no sistema Santa Fé (integração lavoura-pecuária). o com certificação de origem etc. como massas. assim como o sistema sob irrigação suplementar e o de abertura de novas áreas. Introdução ao Agronegócio 59 . Essa classe tem como padrão de consumo ser exigente em relação aos produtos que consome e. começou a ocorrer a progressiva redução das áreas de abertura. ao mesmo tempo. tem consciência de que não pode errar na compra por não possuir uma segunda oportunidade de aquisição. De acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa (2003).

seguido pelas variedades de arroz longo. pois não houve alterações significativas de preços. Curso Técnico em Agronegócio .Comentário do autor 60 d No Brasil. que participaram com 22% das vendas. A expectativa da Aproarroz é que o produto tenha valorização de 20% em relação ao preço atual (APROARROZ. podemos citar como exemplo de geração de valor o arroz do litoral norte gaúcho. Itália é o maior produtor europeu de arroz e o seu consumo manteve-se estável. Existe uma tendência de aumento de demanda por produtos mais saudáveis e convenientes embalagens menores e mais fáceis de preparar. 56% das vendas de arroz foram de arroz comum. fazendo parte da alimentação diária dos belgas.400 produtores de arroz em uma área que equivale a 130 mil hectares). Com a crise econômica. foram os países africanos. Segundo o Instituto Rio-grandense do Arroz – IRGA. com legumes e as versões integrais. Esse é o primeiro registro de Denominação de Origem de um produto brasileiro e o oitavo de Indicação Geográfica do país. O produto é básico na dieta portuguesa. vêm apresentando maior demanda em função do baixo custo. deve-se ao crescente número de imigrantes. Em 2009. o consumo de arroz per capita na África chega a ser quatro vezes maior que o brasileiro. Bélgica o arroz é um produto popular no país. principalmente dos tipos longo e integral. Portugal como efeito da crise financeira. África os principais destinos do arroz beneficiado brasileiro. o consumidor passou a fazer mais refeições em casa. levando a população a adquirir alternativas mais baratas: variedade de arroz pronto para o consumo. O local em que é produzido – a área de cultivo. O arroz basmati e o vaporizado apresentam potencial de crescimento no país e na Europa. Consumo de arroz no mundo África do Sul o preço do arroz vem aumentando desde 2008. 2012). Espanha a maior demanda por variedades especiais de arroz na Espanha. que apresenta um rendimento superior. localizada em uma faixa de terra entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico – influencia a qualidade do arroz. as vendas de alimentos secos. arroz com tempero. como massa e arroz. em 2009. O INPI confirmou que o cereal tem características distintas e autorizou a utilização do selo por todos os produtores da região que conseguirem alcançar os requisitos mínimos exigidos (são 1. Esse arroz obteve o selo emitido pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial – INPI atestando que o produto da região é diferente dos demais produzidos no Brasil.

é mostrado o elo da distribuição. e. farinhas etc. Introdução ao Agronegócio . do varejo. passando pela produção primária. nesse caso.p Atividade prática Acesse o AVA para ler um texto sobre estocagem de arroz no mundo e responda às questões propostas. xaropes. desse modo não possui posição de competitividade no âmbito mundial. como rações. Veja no detalhe. Demanda de milho no Brasil 32% 60% 3% 5% 61 Suinocultura Pecuária Indústria de Sementes Avicultura Fonte: Outlook FIESP (2013) A cadeia produtiva do milho tem como elos os fornecedores de insumos. e. Ele é consumido em diversos países de forma in natura ou em produtos industrializados. seja por meio do próprio grão ou por seus derivados (ração e produtos destinados à indústria de alimentos). pela comercialização e pelo armazenamento do cereal. O Brasil possui um mercado regido pela oferta e pela demanda doméstica. máquinas e equipamentos. Aproximadamente 75% da demanda de milho no Brasil tem como destino a alimentação animal. 6: Milho O milho é o principal cereal produzido no mundo. Também são apresentados os elos que trazem o primeiro e o segundo processamento. para finalizar. as cadeias produtivas de aves e suínos têm uma posição de alta competitividade no mercado mundial.

Suínos e Bovinos Indústria de cervejas. Moagem via seca: fubá. (1995) Curso Técnico em Agronegócio 2º Processamento Moagem via úmida: amido. Máquinas e Equipamentos Produção Primária Máquinas e Equipamentos Comercialização e Armazenamento Cooperativas 1º Processamento Rações (Petfood) Rações e Farelo Sementes Produção de Milho Armazenagem Governo Indústria de Defensivos e Fertilizantes Fonte: Sousa et. Distribuição e Varejo Nacional e Internacional Supermercado Aves. Pequeno Varejo Mercado Institucional . cereais. refrigerantes e outros. canjica. highmaltose. óleo. misturas para bolo. farinha. al.Cadeia produtiva do milho 62 Fornecedores de Insumos. sopas. matinais e outros. outros produtos. cuscuz. Snacks. amilopectina.

Os principais países produtores e consumidores de milho no mundo são os Estados Unidos e a China.4 milhões de toneladas e elas terão um aumento maior ainda se comparadas com o volume exportado no ano anterior (94. o aumento de consumo está relacionado ao crescimento da renda dos chineses. Mas por quê? Observa-se que houve uma diminuição da produção brasileira. mas. 2007). Introdução ao Agronegócio 63 . Na safra 2013/2014. setor que tem como insumo o milho (CARVALHO. • Na China.6 milhões de toneladas. causando o aumento do consumo desse cereal no país (CARVALHO. levando à elevação das importações de milho e também de carnes. 2007). Produção mundial de milho (milhões de toneladas) 1000 900 800 700 600 500 2012/13 400 2013/14 300 200 100 do un M em ai s pe ro Eu U ni ão D ia l Br as i na Ch i EU A 0 Fonte: USDA (2014) Observa-se que houve uma diminuição da produção brasileira. no décimo levantamento da safra mundial 2013/2014 feito pelo USDA.A safra mundial 2012/21013 dessa commodity foi de 860 milhões de toneladas. Mas por quê? Devido à redução da área plantada de milho e ao aumento da área de produção de soja. a produção mundial foi estimada em 966. • Nos Estados Unidos. as exportações mundiais do milho foram estimadas pelo USDA em 114.5 milhões de toneladas). incentivos financeiros e políticas do governo estimulam a produção de biocombustível feito de milho.

a produção pecuária mundial foi de.Exportações mundiais de milho 64 120 100 80 60 40 20 do un M ro s O ut nt in a ge a Ar U cr ân i Br as il EU A 0 2012/13 2013/14 Fonte: USDA (2014) A produção nacional está concentrada em duas regiões principais: Centro-Oeste (43%) e Sul (33%). em média. de 2001 a 2013. Veja o panorama da participação de cada região na produção de milho no Brasil. A região Sudeste é responsável por 16% da produção total. Para se ter ideia. 58 milhões de toneladas/ano. Participação de cada região do Brasil na produção de milho 2% 6% 3% Norte 33% 43% Nordeste Sul Centro-Oeste Sudeste Fonte: Outlook FIESP (2013) 7: Carnes Sabe-se que a carne é um dos produtos agrícolas mais amplamente consumidos ao redor do mundo. Curso Técnico em Agronegócio .

China. Índia e a União Europeia. com 11. Os principais países produtores são Estados Unidos. • menor dependência de grãos. o Brasil era o segundo maior produtor mundial de carne bovina. o Brasil é o país que possui a maior capacidade de aumentar a produção de carne bovina pelos seguintes motivos: • sistema de criação quase 100% no pasto. 60 50 65 40 30 20 10 do M un ia in a Ín d ro U ni ão Eu Ch ia pe as Br EU il 0 A Milhões de toneladas Produção mundial de carne bovina Fonte: USDA (2013) Segundo especialistas do setor. com 9.27 milhões de toneladas).Produção mundial de carne bovina 59 58 Milhões de toneladas 57 56 55 54 53 52 51 50 /1 3 12 /1 2 20 11 /1 1 20 10 /1 0 20 09 /0 9 20 08 /0 8 20 07 /0 7 20 06 /0 6 20 05 /0 5 20 04 /0 4 20 03 /0 3 20 02 /0 2 20 01 20 20 00 /0 1 49 Fonte: USDA (2013) De acordo com o USDA. Brasil.38 milhões de toneladas (os Estados Unidos ficaram em primeiro lugar. em 2013. Introdução ao Agronegócio .

2012). a Norte com 19% e a Nordeste com 10% (IBGE.150 empresas de calçados. • 100 indústrias de armazenagem.• altas taxas de produtividade. • 700 indústrias de carnes e derivados. • 560 curtumes. A região Sul participou com 12%. Em 2012.3 quilos de consumo por brasileiro/ano.000 estabelecimentos de varejo. Fonte: OUTLOOK FIESP/DEAGRO (2013). a Sudeste com 20%.3 milhões de cabeças de gado. Curso Técnico em Agronegócio . seguem alguns números importantes a se considerar: • 1. • 37. A região que apresentou o maior percentual foi a Centro-Oeste. Fonte: EMBRAPA (2014) Mas como está estruturada toda a cadeia produtiva da carne bovina? Confira no quadro a seguir. • 4. com 38. a produção brasileira foi de 9.5% do abate nacional. • 7 milhões de empregos. • 55. 66 • custo de produção mais baixo do que em outros países. Produção de carne bovina: participação por região do Brasil 19% 20% Norte Nordeste 10% 12% 39% Sul Centro-Oeste Sudeste Fonte: FIESP/DEAGRO (2013) Ainda sobre a pecuária brasileira.8 milhão de propriedades rurais.

lojas próprias de frigoríficos Consumidores finais Fonte: ABIEC (2011) Perspectivas da cadeia pecuária nacional • A tendência mundial de crescimento da população urbana nos países emergentes e o aumento da renda familiar tendem a levar ao aumento contínuo do consumo de carne bovina e da demanda mundial pelo produto. Introdução ao Agronegócio 67 . fertilizantes. pois possui o maior rebanho de gado comercial do mundo. miúdos e glândulas. • Segundo a FAO. grandes redes varejistas. • O aumento populacional e a evolução econômica dos países em desenvolvimento levaram à elevação do consumo per capita de carnes: 9. • O Brasil está estrategicamente posicionado para suprir essa demanda adicional. outros subprodutos da carne) Distribuição distribuirdor. atacado. Conheça. até 2050 a população mundial crescerá de 7 bilhões para 9 bilhões de habitantes. couros. a produção mundial foi de 107. Em 2013. sementes forrageiras etc) Pecuaristas produção de animais para abate Indústria de frigorífica (carnes in natura. foram produzidos 94.02 kg/hab/ano em 2000 para 9. a produção mundial de carne suína no período de 2005 a 2013. indústria de alimentos e food service. brincos para rastreabilidade. agora.21 kg/hab/ano em 2010 (USDA). varejo. suplementos minerais. e a oferta de carnes precisará aumentar de 200 milhões para 470 milhões de toneladas em 2050.514 milhões de toneladas e a produção vem crescendo com o passar dos anos (em 2005. Carne suína A carne suína é a fonte de proteína animal mais importante no mundo. 2011).328 milhões de toneladas).Cadeia produtiva da carne Insumos para a produção (genética. sendo também o maior exportador de carne bovina no globo (ABIEC.

000 106.000 Mil toneladas 102.000 92.000 96.000 100. Veja como foi a produção mundial de carne suína por países no ano de 2013.Produção mundial de carne suína 68 108. Curso Técnico em Agronegócio .000 104. Somos o quarto maior produtor e exportador.000 90.000 86.000 98.000 94.000 88.370 milhões de toneladas em 2013. com o montante de 3.000 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 Fonte: USDA/ABIPECS (2014) Existe uma forte concentração na produção mundial. pois a China responde por cerca da metade da produção e o restante está dividido entre União Europeia . Estados Unidos e Brasil.

000 10.000 30. No mercado de carne suína.000 1.000 2. 86. 50. Rússia. como foi a produção brasileira de carne suína no período de 2005 a 2013. O principal motivo são as barreiras sanitárias impostas por alguns importadores. o mercado internacional de carne suína movimentou 6.500 2.500 3.000 1. a suinocultura industrial possui 49. 50. como Japão. Veja.000 40. México.000 ton.010.810 milhões de toneladas. Coreia do Sul.000 69 Mil toneladas 3.000 Ca na dá Fi lip in as Ja pã o M éx Co ic ré o ia do Su l O ut ro s am tn ss ia Vi e si l Rú Br a EU A Ch U . o Brasil ainda tem pouca participação mundial em comparação às carnes bovina e de frango. Produção brasileira de carne suína 4.932 trabalhadores. concentrando-se em cinco importadores. México.606 empregos diretos e 405. Introdução ao Agronegócio .000 20. e a agroindústria.663 empregados (ABIPECS. com aproximadamente dois terços das importações mundiais – Japão. mais de meio milhão de pessoas envolvidas na produção. Estados Unidos e Canadá. Nos empregos diretos. Coreia do Sul e China (USDA.Produção mundial de carne suína-2013 60. Ou seja. 2014).272 empregos indiretos. 2012).500 1. a suinocultura de subsistência.000 500 13 20 12 20 1 20 1 0 20 1 9 20 0 8 20 0 07 20 06 20 20 05 0 Fonte USDA/ABIPECS (2014) Mercado interno A suinocultura está concentrada na região Sul do Brasil e gera 186.E in a ur op ei a27 0 Fonte: USDA/ABIPECS (2014) Também em 2013. agora.

00 30.00 40.Apresenta-se. como Hong Kong. E por que esse aumento? De acordo com a ABIPECS. em 2013. a participação de cada região do Brasil na produção de carne suína. Em 2005.949 milhões de toneladas e. passou a ser 2.00 20. o consumo era de 1. vem ocorrendo um crescimento do consumo de carne suína no Brasil.4 kg/ano (valor ainda baixo em relação a outros países. que tem um consumo de 66.00 Kg per capita 50. a seguir. O consumo per capita de carne suína atualmente no Brasil é de 13. às ações de promoção da carne suína realizada para os consumidores e para as redes de varejo. à busca de padrões de qualidade na produção e na industrialização.00 U Fonte: USDA.50 kg/ano por pessoa).00 10.00 60.2 kg/ano. Consumo mundial per capita de carne suína 70. ao desenvolvimento de cortes especiais e aos investimentos em linhas de corte e em logística de frio. o consumo doméstico vem crescendo devido ao aumento populacional e do poder aquisitivo. Estimativas do setor esperam que nos próximos anos o consumo brasileiro passe para 16.771 milhões de toneladas. ABIPECS (2012) Curso Técnico em Agronegócio Su l a re ia do Su íç Co ia Sé rv Ta iw an na Ch i ro 7 -2 on M op ei a la Be Eu r te ne g s ru au ac M ni ão H on g Ko n g 0 . Veja como se comportou o consumo mundial per capita de carne suína em 2011. 70 Carne suína: participação por região do Brasil 1% 18% Nordeste 16% Sul 65% Centro-Oeste Sudeste Fonte: FIESP/DEAGRO (2013) Nos últimos dez anos.

também. Uma participação impressionante! O setor é representado por dezenas de milhares de produtores integrados. pela concentração no interior do país.000 25. em muitas cidades. 2013). sendo que. Aqui.050 milhões de toneladas.17% em relação a 2011. centenas de empresas beneficiadoras e dezenas de empresas exportadoras. constatase uma redução de 3. a produção de carne de frango foi de 12. de mais de 3.5% do Produto Interno Bruto – PIB nacional. que aparece em terceiro lugar. ano no qual foram produzidos 13.6 milhões de pessoas e responde por quase 1.000 20.000 s ro ut O Ín di a Eu U ro niã pe o ia il as Br Ch in a EU A 0 Fonte: ABEF (2013) Introdução ao Agronegócio 71 . direto e indireto. Produção mundial de carne de frango 30.645 milhões de toneladas.000 10. a produção de frangos é a principal atividade econômica (ABEF. seguidos pela China e pelo Brasil. a avicultura é responsável pelo emprego. Participação regional na produção de frango (2013) 1% 3% Norte 22% Nordeste Sul 14% 60% Centro-Oeste Sudeste Fonte: Outlook Fiesp (2013) Em 2012. Os Estados Unidos estão na liderança da produção mundial de carne de frango.000 5.Carne de frango No Brasil.000 15. A importância social da avicultura no Brasil se verifica. principalmente nos estados do Sul e do Sudeste.

3 milhões de toneladas. seguido pelos Estados Unidos e pela China. Entre as carnes. 69% foram destinados ao consumo interno e 31%. • o baixo custo de produção em relação aos países concorrentes.2 bilhões. Nas exportações por produto. o que representa um montante de US$ 7. A carne de frango deve ter um crescimento anual de 3. elevando a qualidade do produto e reduzindo as barreiras sanitárias. são estimadas maiores taxas de crescimento da produção no período de 2013 a 2023.9% ao ano. • o modo de produção cooperativista que ocorre no Sul do país. observa-se que os produtos mais exportados são os cortes.9%. Exportações por produtos 37% Cortes 54% Industrializados Salgado Inteiros 4% 5% Fonte: ABEF (2014) Houve um aumento do consumo per capita entre 2002 e 2012. • o sucesso do modo de produção integrada. Projeções futuras O cenário é promissor: as projeções de carnes para o Brasil feitas pelo MAPA mostram que esse setor deve apresentar intenso crescimento nos próximos anos. E quais são os porquês desse crescimento? • oferta crescente de grãos. Para a produção de carne suína. 2013).72 Sobre a produção brasileira. e a carne bovina.7 bilhões de toneladas. já que conseguirá atender ao consumo doméstico e às exportações (MAPA. as exportações brasileiras de carne de frango foram de 3. o MAPA projetou um crescimento 1. Em 2012. Curso Técnico em Agronegócio . que representa um valor relativamente alto. aumentando a demanda em 3. o Brasil é o maior exportador mundial. às exportações. tendo passado de 34 quilos em 2002 para 45 quilos em 2012. Desde 2004. de 2% ao ano.

000 4.000 2.Brasil: projeção da produção de carnes Mil toneladas 25.000 0 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022 2023 Bovina Suína Frango Fonte: MAPA (2013) Introdução ao Agronegócio . Brasil: projeção do consumo de carnes 14.000 73 Mil toneladas 12. talvez por raízes culturais.000 8.000 10.000 6.000 15.000 10.000 5. De acordo com o MAPA. estima-se um crescimento do consumo de carne de frango e de suíno para o período 2022/2023.000 0 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022 2023 Frango Bovina Suína Fonte: MAPA (2013) As projeções do consumo realizadas pelo MAPA mostram a preferência dos consumidores brasileiros pela carne bovina.000 20.

500 4.500 3.500 1. Curso Técnico em Agronegócio . as projeções do MAPA indicam elevadas taxas de crescimento para os três tipos de carnes analisados.000 500 0 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022 2023 Bovina Suína Frango Fonte: MAPA (2013) O Brasil tem exportado carnes para diversos países. sendo a Rússia o principal deles. voltando a ter a Rússia como o principal importador. sendo esperado um cenário favorável para os próximos anos. à variedade e à saudabilidade. os problemas enfrentados atualmente pelo setor e a imagem que a associação quer passar em relação à carne.000 1. mais relacionada à confiabilidade. • a carne de frango foi destinada a 152 países.Brasil: projeção da exportação de carnes 5. tendo a Arábia Saudita como principal comprador. Acompanhe os números coletados sobre o ano de 2012: • a carne bovina foi destinada a 142 mercados.500 2.000 4. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne – ABIEC fez uma análise sobre o mercado da carne brasileira no mundo. O quadro a seguir mostra as oportunidades de mercado.000 Mil toneladas 74 Em relação às exportações.000 2. • a carne suína teve 75 países de destino. 3.

apesar de produzir este produto. fritos ou defumados e. também tem receptividade aos produtos importados. Há tendência de aumento de procura por carne de aves. Vende muito Vende pouco Não vende PROBLEMAS DA CARNE HOJE: • Desconfiança do mercado quanto a A IMAGEM QUE A ABIEC QUER DA CARNE: sanidade e rastreabilidade • Confiabilidade • Imagem associada ao desmatamento • Variedade da Amazônia • Sabor saudável (boi a pasto + baixo teor • Baixa padronização de gordura) • Descumprimento de prazos • Abundância • Consumidor não conhece Fonte: ABIEC Fonte: Adaptado de ABIEC (2011) Qual é o cenário do consumo de carne ao redor do mundo? Alemanha 75 a carne está presente em todas as refeições da Alemanha. O hambúrguer é a variedade de carne vermelha mais importante. e também carnes de aves (cortes de aves empanados e nuggets). inclusive no café da manhã e no lanche (consumida em sanduíches).Mercado da carne O mercado da brasileira carne Para onde o Brasil vende e para onde quer vender. salsichas de porco ou presunto prontos para fritar são comuns. Ações da ABIEC devem se concentrar nos países que compram pouca ou nenhuma carne do Brasil. mas tiveram retração de consumo nos últimos anos. O país tem tradição no consumo de embutidos cozidos. Introdução ao Agronegócio .

Produtos de carne vermelha mais consumidos: hambúrgueres. A mortadela é o tipo de carne processada oferecida no país e tem vários sabores e temperos. Entre as carnes resfriadas. ainda não é disseminada. As frutas tropicais e subtropicais possuem elevado potencial de consumo. no Hemisfério Norte. Há tendência de crescimento da linha de produtos saudáveis e orgânicos.76 Angola o país enfrenta problemas com a venda de carnes no mercado clandestino. no entanto. como as de frango. Entre as carnes vermelhas estão as de carneiro. mas teve retração das vendas em 2008 devido à alta de preço. principalmente. os americanos têm preferido comer em casa ao invés de jantar fora e optam por alimentos em conserva ou enlatados por serem fontes de proteínas mais baratas. sendo representada em grande parte por frutas de clima temperado. salsichas em estilo ocidental e também novos produtos. EUA devido à crise. O tipo de carne mais consumido na China é a de aves. sem nenhuma fiscalização sanitária. as mais vendidas são as salsichas. que também responde pela maior parte das carnes orgânicas comercializadas. Empresas nacionais lideram as vendas no mercado doméstico de carnes. Há um aumento da demanda por carnes mais magras. Arábia Saudita as carnes resfriadas são o único tipo de alimento resfriado. os bifes e as almôndegas. como salsicha de abóbora. São consumidos os tradicionais derivados de carne para enlatados e conservas. apenas a banana tem presença significativa no comércio internacional. steaks e almôndegas. peru ou opções mais magras de carne bovina. A venda da carne só é permitida em açougues credenciados pelo governo e. em supermercados. Fonte: Apex-Brasil (2013) 8: Fruticultura Panorama mundial A produção mundial de frutas se caracteriza pela diversidade de espécies cultivadas. Curso Técnico em Agronegócio . e o consumo de carne vermelha faz parte da dieta diária da população. produzidas e consumidas. China diversas empresas chinesas têm se esforçado para posicionar os seus produtos como sendo saudáveis. A carne de porco também é bastante consumida. pois há poucas empresas estrangeiras que abatem os animais dentro das práticas islâmicas.

Os três maiores produtores são: China. e as principais frutas produzidas foram bananas. Índia e Brasil. melancias. que. a produção mundial foi de 822 milhões de toneladas. Produção mundial de frutas 900 Milhões toneladas 800 77 700 600 500 400 300 200 100 0 1991/1992 1996/1997 2000/2001 2007/2008 2009/2010 2010/2011 Fonte: USDA (2012) Em 2011. maçãs e uvas. juntos. respondem por 43.A produção mundial de frutas tem apresentado crescimento contínuo. Introdução ao Agronegócio .6% do total mundial e têm suas produções destinadas principalmente aos seus mercados internos.

2013). com o setor empregando cerca de cinco milhões de pessoas. com uma produção estimada em 43. Produção Brasileira de Frutas 45 Milhões de toneladas 40 35 30 25 20 15 10 5 0 01 0/ 0 20 02 1/ 0 20 03 2/ 0 20 04 3/ 0 20 05 4/ 0 20 06 5/ 0 20 07 6/ 0 20 08 7/ 0 20 09 8/ 0 20 10 9/ 0 20 11 0/ 1 20 12 1/ 1 20 Fonte: IBGE (2013) A área cultivada para as frutas em todos os estados brasileiros passou dos 2. a cadeia produtiva das frutas do Brasil destacou-se como um dos mais importantes segmentos econômicos do agronegócio brasileiro.2 milhões de hectares (em pequenas e médias propriedades). o que representa 27% da mão de obra agrícola do agronegócio (IBRAF. Curso Técnico em Agronegócio . sendo que o país é o terceiro maior produtor de frutas frescas do mundo.6 milhões de toneladas.Percentual de produção das principais frutas produzidas no mundo 78 5% 7% Bananas 4% Melancias 19% Uvas Maçãs 10% Laranjas 18% 12% Côcos 12% Mangas e goiabas 13% Melões Abacaxis Fonte: IBRAF (2013) Panorama Brasileiro Em 2012.

Introdução ao Agronegócio . Em 2012.6 milhões de toneladas de frutas no Brasil e. Os demais 53% foram direcionados para o mercado de frutas frescas. O volume total dessa produção representa 71% no contexto nacional. 47% foram destinados ao sistema agroindustrial para o processamento de sucos e frutas desidratadas. possuindo força suficiente para alavancar economias locais estagnadas e com poucas alternativas de desenvolvimento. a distribuição desse segmento é feita em cinco estados brasileiros. foram produzidos 43. desse total. Percentual da produção de frutas nos estados brasileiros 5% 4% 9% São Paulo Bahia 18% 64% Rio Grande do Sul Pará Minas Gerais 79 Fonte: IBRAF (2013) Comentário do autor d Não podemos esquecer o Polo de Frutas de Petrolina-Juazeiro. onde a fruticultura é uma atividade com grande efeito multiplicador de renda.Percentual de produção das principais frutas produzidas no Brasil Laranjas 32% Bananas 40% Uvas Abacaxis 4% 7% 3% 14% Maçãs Outras Fonte: IBRAF (2013) Em relação à produção geral de frutas.

A Balança Comercial brasileira de frutas frescas. destacam-se peras. podemos destacar o Curso de Formação Inicial e Continuada – Eixo Tecnológico: Recursos Naturais – Trabalhador na Fruticultura Básica. em 2011. no período de 1999 a 2012. maçãs. mangas. do Senac.Distribuição da comercialização de frutas 80 Produção Comercial das Frutas Mercado de Frutas Frescas 53% Mercado de Frutas Processadas 47% Fonte: IBRAF (2013) Informações extras O Por meio do Pronatec são oferecidos cursos gratuitos nas escolas públicas federais. Mercado externo Neste segmento. • os principais estados exportadores são Ceará. Curso Técnico em Agronegócio . o volume exportado foi de 681 mil toneladas. foram exportadas em 2012 o total de 693 mil toneladas de frutas frescas e. Entre os cursos oferecidos. estaduais e municipais. Estados Unidos e Uruguai. Após este ano. bem como nas unidades de ensino do Senai. do Senar e do Senat em instituições privadas de ensino superior e de educação profissional técnica de nível médio. as exportações tiveram um recuo devido à crise econômica mundial. Espanha. Entre as frutas importadas pelo Brasil. Reino Unido. Rio Grande do Norte. • os principais destinos são Holanda. Bahia e São Paulo. limões e bananas. mostra um crescimento das exportações até o ano de 2008. Mas como se configuram esses números em detalhes? • as principais frutas exportadas são melões. ameixas e uvas frescas.

Hoje. alavancar o desenvolvimento sustentável do setor. Para mudar esse cenário. além de promover impactos na área de saúde pública e gerar desenvolvimento regional com a geração de empregos. valoriza-se muito o consumo de frutas. como bom sinal de desenvolvimento.Balança comercial brasileira de frutas frescas 800 700 US$ milhões 600 500 400 300 200 100 0 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 Exportações Importações Fonte: IBRAF (2013). a estrutura da cadeia produtiva da fruticultura: os principais agentes e os fluxos de comercialização. buscando um modo de vida mais saudável. o varejo e o consumidor final (que. com dados da Secex. agora. Conheça. está cada vez mais exigente em relação ao produto que consome). Introdução ao Agronegócio 81 . No período mencionado (1999 a 2012). o consumo da população brasileira ainda é baixo se comparado ao de países desenvolvidos (é menor que os 400 gramas diários exigidos pela Organização Mundial de Saúde). o Instituto Brasileiro de Frutas – IBRAF está desenvolvendo um plano de marketing com o objetivo de aumentar os níveis de consumo interno e. dessa forma. Atenção ` Um importante ponto de atenção: apesar de o Brasil ser o terceiro maior produtor mundial de frutas com 41 milhões de toneladas. as importações apresentaram crescimento que pode ser justificado pelo aumento do poder aquisitivo da população combinado à mudança de hábitos alimentares.

) Produção e beneficiamento agrícola (Produtores beneficiadores primários e secundários) Comercialização (Ceasas. a diversidade e a sustentabilidade da produção brasileira de frutas. podemos também citar a agricultura familiar. parceria entre o IBRAF e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações – ApexBrasil. as pequenas empresas e os produtos regionais tornam-se mais importantes. A presença do Brasil no mercado internacional de frutas frescas ainda é pequena. defensivos. Dentro desse conceito. mães e filhos. O programa está sendo desenvolvido desde 1998 para promover e divulgar no exterior a qualidade. a produção regional ganharia destaque. máquinas etc. os produtos são consumidos frescos e o seu transporte não encarece o preço final. Milton Santos. O que realmente conta é o lugar. mercado institucional. Desse modo. quando ele escreveu que: À medida que a economia ia se globalizando e que os produtos adquiriam padrões mundiais. consomem-se alimentos saudáveis e produzidos em regiões próximas à área de comercialização. entre elas se destaca o projeto Brazilian Fruit. intermediários e exportadores) Varejo (Supermercados.Estrutura da cadeia produtiva de frutas brasileira 82 Fornecedores de insumos (mudas. Nessa proposta de vida. Curso Técnico em Agronegócio . e posicionar o país como grande supridor mundial de frutas frescas e processadas.. visto que são pequenas áreas de cultivo e a mão de obra é constituída por pais. mas estudos e campanhas de promoção da fruta vêm sendo desenvolvidos.. pois grande parte da produção de frutas vem desse modo de produção. Esse conceito já foi tratado há um tempo pelo professor Dr. À medida que o mundo se globaliza. bares e restaurantes) Consumidor Fonte: Buainain e Batalha (2007) Tendências futuras Existe uma tendência mundial relacionada aos hábitos alimentares que é a saudabilidade e a sustentabilidade.

Existe uma característica particular nesse setor. • existência de um comércio com grande número de países produtores. Introdução ao Agronegócio 83 . Brasil. • número elevado de cooperativas e associações de produtores. podem gerar sinergias e aumento de competitividade para todo o setor. pois tudo o que é produzido é consumido internamente. envolvendo muitas empresas importadoras e exportadoras. destacam-se: • forte presença de agricultores familiares e elevada relação entre trabalho e capital. Mianmar e China. e os principais países produtores são Índia. 9: Feijão O feijão é cultivado em várias regiões do mundo. Entre elas. se for feita a devida coordenação. mas. • oscilações acentuadas dos preços causadas pela sazonalidade e por calendários de produção diferenciados entre os hemisférios Norte e Sul e nas diversas regiões do país. Isso ocorre devido aos hábitos de consumo da população de cada país e também porque existe grande variedade de tipos de grãos. a fruticultura apresenta algumas características peculiares que a diferenciam de outras cadeias produtivas e que afetam sua competitividade. a produção mundial é de 23 milhões de toneladas. Atualmente.De acordo com Buainain e Batalha (2007). Essas características podem ser tratadas como problemas ou dificuldades.

500 Produção 2. O consumo médio anual tem sido de 3. Fonte: MAPA. predominantemente nos supermercados. se confirmadas as projeções de produção. sendo responsável por 16% da produção mundial. o que equivale a cerca de 75% do total da área cultivada do país. Este irá empacotá-lo e vendê-lo ao supermercado (FUSCALDI & PRADO.000 Consumo 2.As projeções realizadas pelo MAPA mostram que a produção terá um aumento. com dados da CONAB (2013) Estima-se que o consumo passará de 3. que irá revender para o atacadista. não haverá necessidade de importação de feijão nos próximos anos. Vamos conferi-lo? Quando o feijão sai da propriedade rural onde foi produzido. A cadeia produtiva do feijão apresenta importantes características.000 kg por hectare). foram produzidos 2. 2013).262 milhões na safra 2022/2023. Lembrando que a armazenagem do grão não pode ser realizada por período superior a dois meses. a seguir.598 milhões de toneladas para 3.000 Mil toneladas 3. como uma estrutura produtiva composta por lavouras com menos de dez hectares. mas existe um longo caminho a percorrer desde a propriedade até chegar à mesa do consumidor. Na safra 2012/2013. Curso Técnico em Agronegócio . consumo e importação de feijão 4. e os grãos são vendidos em pacote. e.8 milhões da safra 2012/2013 para 3. As lavouras têm baixa produtividade (cerca de 1. 2013).000 500 3 20 22 /2 02 2 02 1 20 21 /2 02 0 /2 20 20 /2 02 9 19 20 20 18 /2 01 8 01 7 20 17 /2 01 6 /2 20 16 /2 01 5 15 20 /2 01 4 01 20 14 /2 13 20 12 /2 01 3 0 20 84 O Brasil é considerado um grande produtor e consumidor de feijão. A comercialização do feijão ocorre para os consumidores finais. Veja. ele é entregue a um intermediário.5 milhões de toneladas. pois perde valor comercial. exigindo pequenas quantidades de importação (CONAB. Brasil: projeção da produção.500 3. 2010).8 milhões de toneladas (OUTLOOK FIESP.500 1. segundo o MAPA. partindo de 2.985 milhões de toneladas.500 4.000 Importação 1. um esquema figurativo para a cadeia produtiva do feijão.

Cadeia produtiva do feijão Agente financeiro Produção agrícola Intermediários Atacado Varejo Consumidores Governo Fonte: Fuscaldi & Prado (2010) A cadeia produtiva do feijão é caracterizada por existirem grande incerteza nas transações entre os vários elos e assimetria de informação. por famílias. que ocorrem em diferentes locais e épocas do ano. pois em alguns anos a produção é alta. Outra informação importante é a de que a colheita do produto é feita manualmente. A primeira safra ocorre no Sul do Brasil. Feijão: Participação por região do Brasil 85 4% Sul 16% 31% Sudeste Centro-Oeste 20% Nordeste 29% Norte Fonte: Outlook FIESP (2013) Como o feijão é produzido em locais e épocas diferentes. É uma cultura de risco. a segunda. têm-se altos custos de transporte. Por ser transportado quase que totalmente pelas estradas. O produto é produzido em três safras. no Sudeste (principalmente em Minas Gerais). e por ser uma leguminosa muito suscetível a doenças e pragas (SPERS & NASSAR. e pela inexistência de transparência no preço. há quebras de safras devido ao baixo uso de tecnologia e à necessidade de água. ocorre uma grande movimentação do produto pelo país. e a terceira. com pouca utilização de máquinas (apenas em poucas propriedades é utilizada Introdução ao Agronegócio . em outros. no Nordeste. 1989).

bem como ter um planejamento de longo prazo em relação à comercialização e à rotação de cultura. buscando incorporar novas tecnologias e irrigação às culturas. os produtores de feijão precisam assumir uma postura empresarial. na qual os preços não podem ficar muito elevados. 1989). como universidades e a Embrapa (FUSCALDI & PRADO. no checklist de boas práticas sugeridas pelos autores: • estar ciente das informações sobre a formação do preço. A disponibilidade e o avanço genético dos cultivares também são fatores restritivos na cadeia do produto. ocorrem fortes oscilações de preços entre os anos – em período de quebra de safra acontece muita especulação e elevação do preço – e nos períodos de superprodução – quando há o aumento da oferta. O contrário também (preços muito baixos) necessita de intervenção para evitar prejudicar o pequeno produtor. pode ser necessária a intervenção governamental. está começando a ocorrer um maior acesso dos produtores a variedades cultivadas e desenvolvidas por instituições de melhoramento genético. passando por intermediários. O preço do feijão é calculado desde a lavoura até a entrega do produto beneficiado ao consumidor. Perspectivas da cadeia produtiva do feijão De acordo com Spers & Nassar (1989). Porém. ocorre uma redução significativa do preço. atacadistas e varejistas (SPERS & NASSAR. Uma importante orientação para quem pretende investir no setor está. 2010). Nessas duas situações. já que se trata de um produto de cesta básica.86 a colheita mecanizada). Nesse mercado. Curso Técnico em Agronegócio .

Encerramento Neste tema. melhorando as qualidades funcional e nutricional do grão. além das perspectivas futuras para cada uma delas. • pensar em dois tipos de produto: um grão tradicional destinado ao mercado comum interno e outro para nichos de mercados mais exigentes. 87 Introdução ao Agronegócio . você pôde se aprofundar no entendimento de mercado do agronegócio em nível nacional e internacional. • trabalhar alinhado a uma ação conjunta de melhoramento genético e de engenharia de alimentos com o objetivo de gerar valor ao feijão.• acompanhar os fenômenos climáticos como El Niño e La Niña. • desenvolver o marketing da cadeia por meio de ações de comunicação e publicidade que proporcionem o aumento do consumo do produto. já que eles afetam a oferta de feijão e causam variações nos preços. e teve a oportunidade de conhecer as principais cadeias produtivas brasileiras e como elas estão em comparação com o mundo.

03 Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável .

Introdução ao Agronegócio 89 . desenvolva as seguintes competências: • aprofundar seu conhecimento sobre as principais questões e os debates acerca do desenvolvimento sustentável. bem como suas perspectivas futuras. ao final deste tema. • conhecer as principais questões sobre meio ambiente e o agronegócio. o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável para que você. Tópico 1: Definição de Desenvolvimento Sustentável O desenvolvimento sustentável busca a eficiência econômica junto com as eficiências social e ecológica: um tripé de ações que devem caminhar juntas. um conceito diferente dos desenvolvimentistas e dos que defendiam o crescimento zero (ROMEIRO.Tema 3: Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável Neste terceiro tema da unidade curricular Introdução ao Agronegócio. O conceito de “desenvolvimento sustentável” surgiu nos anos 1970 com o nome de “ecodesenvolvimento” e foi resultado de um estudo em busca de um caminho alternativo. 2012). analisaremos os principais pontos de relação entre o agronegócio mundial.

. tais como: • esgotamento dos recursos naturais. algumas consequências seriam extremamente problemáticas. passavam por grande crescimento econômico. também no ano de 1972. do MIT. sobre os limites ambientais ao crescimento econômico (MEADOWS ET AL. Segundo o Relatório Meadows. No período da publicação do relatório. ocorreram grandes discussões sobre as maneiras de se pensar sobre o meio ambiente e o crescimento econômico. Curso Técnico em Agronegócio . Nesse época. • deterioração do nível de vida. alguns países. com o apoio do Clube de Roma. o mundo também assistia ao crescimento de países emergentes.90 Para os teóricos que defendiam o crescimento zero. 1972). outros da Europa ainda se recuperando da Segunda Guerra Mundial e o Brasil também atravessava um período de prosperidade devido ao chamado “milagre econômico”. começou a aparecer outra visão a partir da publicação. Dentro desse contexto. do relatório preparado pelo casal Meadows. o crescimento econômico necessitava diminuir ou mesmo parar. em caso de se manter o mesmo ritmo. • aumento da poluição. como os Estados Unidos. como os “Tigres Asiáticos”. 1: Breve Histórico 1972 – Estocolmo Na primeira Conferência das Nações Unidas sobre meio ambiente realizada em Estocolmo. os limites ambientais levariam a catástrofes caso o crescimento econômico não cessasse. pois.

a pobreza seria uma das causas fundamentais dos problemas ambientais desses países (ROMEIRO. Além de melhores condições sociais e do crescimento econômico eficiente. Para a Organização. cuja chefia foi exercida pela primeira-ministra da Noruega. mas isso não basta para que ocorra a melhoria do bem-estar da população – é preciso que ocorram políticas públicas específicas direcionadas para quem realmente precisa. A declaração afirma que os países desenvolvidos têm grande responsabilidade nessa questão. precisamos deixar um mundo melhor para as gerações futuras. 1982 – Nairóbi Outro marco importante da agenda da sustentabilidade ocorreu em 1982 com a Conferência de Nairóbi. d Nesse documento. maior será o crescimento demográfico. apresentou-se um documento chamado Declaração de Cocoyok (1974) no qual se defendia que o alto crescimento da população era resultado de causas sociais. a grande maioria dos países permanecia com um alto nível de pobreza e eles não iniciaram um processo de crescimento econômico sustentável. 1974 – Cocoyok Ainda durante a década de 1970. afirma-se que a explosão populacional e a destruição ambiental são resultados da total falta de recursos em alguns países. A consequência dessa explosão demográfica seria a utilização dos recursos naturais acima de sua capacidade.Apesar do crescimento. é preciso que haja equilíbrio ecológico. ou seja. 2012). O crescimento econômico eficiente é considerado condição necessária. Na declaração também constava que é possível manter o crescimento econômico eficiente (sustentado) no longo prazo e que ele pode acontecer junto com a melhoria das condições sociais (melhor distribuição da renda) e respeitando-se o meio ambiente. Comentário do autor A Declaração de Cocoyok é resultado de uma reunião da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento – UNCTAD e do Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas – Unep. bem como responsabilidade da não existência de um planejamento do governo de controle da natalidade. Nessa ocasião. políticas e econômicas. criou-se a Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento. quanto maior o nível de pobreza. em longo prazo. Introdução ao Agronegócio 91 . pois possuem elevados níveis de consumo. Gro Harlem Brundtland. promovida pela Unep. pois. As primeiras reações da ONU após a Conferência de Estocolmo contaram com o apoio dos ecodesenvolvimentistas e foram direcionadas para a defesa da necessidade do crescimento econômico dos países pobres.

a redução do impacto do aumento da industrialização e do consumo sobre o meio ambiente. no Rio de Janeiro. (Richard Norgaard. na qual foi discutida intensamente a questão do aquecimento global nos anos 1990. Nesse relatório. 1991) Sustentabilidade requer um estoque constante de capital natural. também conhecido como Relatório Brundtland (1991). também. A partir de 1987. 1988) Sustentabilidade implica em que o nível total da diversidade e da produtividade dos componentes dos sistemas e de suas relações sejam mantidas e aprimoradas. • alcançar equidade e justiça sociais. simultaneamente.Brundtland 92 Em 1987. (União Mundial para a Conservação. apesar de ambas terem o mesmo conceito normativo. publicou-se um documento chamado “Nosso Futuro Comum”. Curso Técnico em Agronegócio . o acesso a direitos sociais básicos (segurança econômica.” 1992 – Rio de Janeiro No ano de 1992. O desenvolvimento sustentável pode ser atingido com um conjunto de políticas capazes de. • promover as diversidades social e cultural. • manter a integridade ecológica. a expressão “desenvolvimento sustentável” substituiu a expressão “ecodesenvolvimento”.1987 . • satisfazer as necessidades básicas dos seres humanos. (David Pearce. 1988) Fique atento! A sustentabilidade só é possível se contemplar os seguintes objetivos: • integrar conservação e desenvolvimento. garantirem o aumento da renda nacional. o desenvolvimento sustentável foi definido como: “aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem às suas necessidades. ocorreu a II Conferência da ONU sobre Meio Ambiente. acesso à saúde e à educação) e. Leia com atenção exemplos de definições de sustentabilidade: Desenvolvimento Sustentável significa melhorar a qualidade de vida humana vivendo dentro da capacidade de suporte dos ecossistemas.

como os produtos orgânicos. a praticidade e a busca por produtos gourmet. a previsão é de que esse mercado mundial atinja US$ 70 bilhões em 2012. precisa-se considerar o mercado consumidor.” Nos Estados Unidos. por parte do consumidor. “a agricultura orgânica não é mais um fenômeno apenas de países desenvolvidos. O consumo de produtos verdes não é apenas uma “onda” passageira – esse tipo de consumo representa uma mistura de orientação de compra com valores sociais. Tópico 3: O Mercado de Orgânicos De acordo com a FAO (2007). representando 31 milhões de hectares e um mercado de US$ 40 bilhões em 2007. a preocupação com a origem e a qualidade dos alimentos e dos produtos. Com o aumento da presença em supermercados e uma extensa base de consumidores de orgânicos e compradores regulares. pois já é praticada comercialmente em 120 países. esse mercado representa US$ 20 bilhões. e também com a postura das empresas em relação às responsabilidades social e ambiental. De acordo com a FAO (2007). Introdução ao Agronegócio 93 . sendo que também tem destaque o consumo de alimentos éticos. Esse aumento na demanda por produtos saudáveis faz parte de uma das tendências mundiais na alimentação. frescor. Quando se fala de produção. Atualmente. o mercado de alimentos orgânicos está crescendo no mundo inteiro: sabor. Já o mercado europeu é estimado em US$ 15 bilhões. Produtos orgânicos não são mais apenas uma tendência. no qual existe. qualidade e segurança alimentar são os principais atrativos desses produtos. sendo a Alemanha o principal país consumidor. tem ocorrido um aumento do consumo saudável.Tópico 2: Agronegócio Sustentável Uma das grandes questões do agronegócio é incentivar a produção de commodities ou de produtos voltados a um nicho de mercado. mas sim realidade.

que já se transformou em grande preocupação social. famílias americanas com poucos recursos ingerem mais fast-food simplesmente porque esses alimentos são mais baratos e de fácil acesso em comparação a frutas e vegetais. que. é mais barato comer um hambúrguer do que uma salada. a área destinada ao cultivo de alimentos orgânicos cresceu 300%. pecuária e avícola que adota um sistema que exclui ou evita o uso de fertilizantes solúveis e pesticidas químicos nas operações de cultivo (OELHAF.37%. 1978 apud SOUZA.36%. a procura por alimentos locais e orgânicos ainda está limitada aos que têm condições financeiras favorecidas. De acordo com Souza (2000). “os governos precisam investir em recursos e em tecnologia a fim de que a agricultura orgânica deixe de ser uma resposta ao mercado e se torne importante alternativa para os desafios mundiais” (IFOAM. entre os anos de 1999 e 2012. O governo americano vem tomando medidas para combater esse quadro. apenas 0. Os produtos orgânicos são diferenciados. gordura e carboidratos simples. Isso se dá devido aos grandes subsídios oferecidos pelo governo norteamericano aos produtores de carnes (73. 2000). Devido à disparidade de preços. Cereais recebem 13. totalizando 3. a maior parte da população acaba ingerindo uma dieta rica em proteínas. o mercado mundial de agricultura orgânica registrou crescimento de aproximadamente 6. pois eles são os resultados de uma forma de produção agrícola. 2013).7 milhões de hectares. Dessa forma. e a base dessa diferenciação está relacionada ao modo de produção. principalmente porque esses alimentos são mais caros. os movimentos da agricultura alternativa valorizam a Curso Técnico em Agronegócio . Mercado de orgânicos no Brasil Para que haja maior crescimento do setor de orgânicos no Brasil. Também segundo a Ifoam. levam aos altos índices de obesidade que afetam especialmente os menos favorecidos.80%) e laticínios. Infelizmente. Informações extras O Um interessante artigo do site AlterNet levanta uma questão no mínimo preocupante: nos EUA. apesar da desaceleração da economia europeia – que é a maior consumidora do setor – entre os anos de 2011 e 2012.94 De acordo com a Federação Internacional de Movimentos de Agricultura Orgânica – Ifoam. somados à falta de atividade física.23% e frutas e vegetais.

agricultura natural. a questão do sabor dos alimentos orgânicos (DAROLT. 2009). agricultura biodinâmica. mas que também precisa ser economicamente viável. que passaram a aumentar o seu volume de compra desses produtos. da cultura e dos produtos analisados. enquanto outra. insetos. citado em Souza (2000). minerais. sendo que o seu conceito teve início em 1925 na Inglaterra e se espalhou pelos Estados Unidos na década de 1940. identifica-se uma tendência de o consumidor orgânico privilegiar. esses movimentos tiveram início na década de 1920. o termo “orgânico” deve ser utilizado quando é possível visualizar “o conceito da unidade produtiva como um organismo. Ou seja. Segundo Souza (2000). que teve início na década de 1930 na Suíça e anos mais tarde foi difundida pela França. mas. em artigo publicado por França (2008). de 24%. Essa disposição dos consumidores está promovendo mudanças no comportamento das redes de varejo de alimentos. também. que começou no Japão na década de 1930. agricultura biológica. agricultura orgânica. a hora do negócio de orgânicos é agora! Introdução ao Agronegócio 95 . observando países como Alemanha. 4. a rotação de culturas e o controle biológico de pragas. As motivações para o consumo variam em função do país. segundo pesquisa realizada pelo Ibope e que analisou de maneira mais geral a questão ambiental. Estados Unidos. De acordo com Elhers (1996). em primeiro lugar. micro-organismos. que estão relacionados à utilização de práticas agrícolas como a adubação orgânica de origem animal ou vegetal. França e Dinamarca. segundo esse autor. de outras práticas culturais que favorecem os processos biológicos. no Brasil parece existir uma tendência semelhante. em segundo lugar. matérias orgânicas. Todas essas vertentes possuem um objetivo em comum: desenvolver uma agricultura ecologicamente equilibrada e socialmente justa. 2. aspectos relacionados ao meio ambiente e. 3.utilização de matéria orgânica e. animais e homens – interagem para criar um todo coerente. na sequência. Esse estudo mostrou que o consumidor brasileiro está disposto a pagar mais caro por um produto que não causa danos ambientais e que uma faixa de 68% do universo pesquisado fez essa afirmativa. Segundo o mesmo autor. no qual todas as partes componentes – solo. Austrália.” Tópico 4: O Consumidor de Produtos Saudáveis De acordo com o professor americano Michael Conroy. e dentro deles existem quatro vertentes: 1. Ainda segundo a autora. aspectos relacionados à saudabilidade. que surgiu em 1924. Inglaterra. os principais princípios são a diminuição do uso de produtos químicos e a valorização de processos biológicos e vegetativos no sistema de produção. mostrou-se contrária à ideia. 80% dos consumidores da União Europeia estão dispostos a pagar 5% a mais por esse produto. Essa tendência pode ser verificada mesmo na população com baixa renda familiar. plantas. existe uma disposição dos consumidores em pagar por novas dimensões de qualidade dos produtos e.

entre as características desse consumidor. A defesa do meio ambiente e a busca por alimentos saudáveis e equilibrados têm levado à criação de novos produtos embasados nesse conceito e faz com que alguns produtos fora desses conceitos não sejam mais consumidos. um novo mercado para pequenas empresas e produtores de agricultura familiar está se delineando. e. Essa mudança nos hábitos de consumo aumenta os cuidados que as empresas precisam ter com a qualidade dos seus produtos para poderem estar sempre oferecendo os produtos adequados a esses novos nichos de consumo. Trata-se de fazer parte de um mercado exigente. e esse tipo de consumidor está influenciando as ações da indústria. com demanda crescente por seus produtos e sem concorrência das grandes empresas do setor (já que estas produzem um produto homogêneo e trabalham com grandes escalas de produção). As pequenas empresas operam em uma escala menor de produção. o consumo de produtos verdes não é apenas uma “onda” passageira – esse tipo de consumo representa uma mistura de orientação de compra com valores sociais. trabalham com agricultura familiar e terceirizam a sua produção.Comentário do autor 96 d De acordo com Giordano (2000). que estão cada vez mais exigentes (FARINA. Certificação Fair Trade Como se pode observar. estão a busca pela qualidade e por produtos com baixo impacto ambiental. 1991). A revolução na tecnologia de transmissão de informações está tornando o consumidor mais consciente e exigente em relação aos produtos alimentícios. e a aceitação em pagar mais por um produto ambientalmente mais seguro. ZYLBERSZTAJN. Curso Técnico em Agronegócio . a preferência por produtos com denominação de origem e selos verdes.

sediada na Alemanha. preço justo. No Brasil. Mas. 2014).Comércio solidário e justo Outra ideia que vem ganhando força é a do comércio solidário. Seu processo de homologação foi árduo. transferência de tecnologia e aumento da renda dos produtores. Porém. como as discussões e as negociações políticas sobre os vetos. vinho. AMARAL. a fabricantes de 14 países europeus e também do Japão. do Canadá e dos Estados Unidos. e as companhias que utilizam o selo garantem que não utilizam trabalho escravo e também mão de obra infantil. sendo conhecido como “preço prêmio”. envolvendo anos de discussões políticas e interesses diversos. NEVES.651 (Novo Código Florestal) foi publicada no Diário Oficial da União em 25 de maio de 2012. e a Medida Provisória pelo Congresso. respeito ao meio ambiente. e é possível encontrá-la em vários tipos de produtos. como: justiça social. Nesse tipo de comércio. 2006). Comentário do autor O selo de “comércio justo” é um selo concedido pela FLO. chocolate. transparência. Geralmente. há uma sensibilização dos consumidores para adquirirem um produto que tenha compromisso com o desenvolvimento da comunidade e os grupos de pequenos produtores pobres. 2002). antes de apresentarmos brevemente as principais disposições do Novo Código Florestal. como frutas. desenvolvimento sustentável. aves etc. Comece a observar! 97 Tópico 5: O Novo Código Florestal A Lei nº 12. Está havendo uma expansão da linha de produtos com certificação orgânica e fair trade das grandes redes de supermercados. legumes. a primeira iniciativa de empresa certificada pela Organização é uma entidade de pequenos proprietários rurais do norte da Bahia que exportam sucos de frutas (CIPOLA. Introdução ao Agronegócio . a lei publicada é bem diferente da lei aprovada pelo Congresso Nacional. cerveja. que irá discutir a sua melhor utilização (DINIZ. é bem importante entender a evolução histórica do Código Florestal Brasileiro (CANAL DO PRODUTOR. Há ainda conflitos a serem resolvidos. e esse valor retorna à comunidade. Essa proposta é baseada em princípios básicos. Esse selo identifica produtos de empresas que pagam mais que a média d do mercado aos fornecedores. geralmente agricultores do terceiro mundo. o preço determinado para esse tipo de produto está acima do preço de mercado. solidariedade. mel.

as áreas de reserva florestal podiam ser 100% desmatadas. como o exílio. entre outros pontos. Nesse decreto não era prevista uma distância mínima para a proteção dessas áreas e também não foi definida como obrigatória a ocorrência de uma espécie de “reserva florestal” nas propriedades. Esse código destacou. A Lei no 7. 1986 – A Lei no 7. Para o produtor rural é importante conhecer os seguintes pontos: Reserva Legal .511 altera o conceito de reserva florestal e as APPs O conceito de reserva florestal. que havia sido instituído anteriormente pelo Código Florestal de 1934.APPs. 2014).1: Evolução Histórica do Código Florestal Brasileiro 98 Brasil Colônia Sabe-se que ainda no período colonial. 2014) 1965 – “Novo Código Florestal” – Lei Federal no 4. foi em 1934. porém manteve a autorização para que o proprietário das terras fizesse a reposição das áreas desmatadas (até o início da vigência dessa lei) com espécies exóticas e as utilizasse com fins econômicos. originariamente de cinco metros para 30 metros.793.511 alterou o conceito de reserva florestal. para todos que desrespeitassem as regras de utilização do solo e das florestas existentes no país. Porém. a coroa portuguesa colocou diversas normas para conservar o estoque florestal da colônia brasileira. Anteriormente a essa lei.RL e Áreas de Preservação Permanente . A Lei Federal no 7. (CANAL DO PRODUTOR. vigorou até 1986. Curso Técnico em Agronegócio .511/86 modificou o regime da reserva florestal. no máximo. 75% da área de matas existentes na propriedade. sendo que nos rios com mais de 200 metros de largura a APP passou a ser equivalente à largura do rio” (CANAL DO PRODUTOR. “Essa lei também alterou os limites das APP’s. foram estabelecidos pontos como as limitações ao direito de propriedade relacionadas ao uso e à exploração do solo e das florestas. Além das regras. mas seria necessário plantar espécies exóticas em substituição dessas florestas. não permitindo mais o desmatamento das áreas nativas. por meio do Decreto no 23. autorizava a substituição dessas matas pelo plantio de florestas homogêneas para futura utilização e melhor aproveitamento industrial. que se instituiu o Código Florestal Brasileiro. O objetivo desse ponto era assegurar o fornecimento de carvão e lenha – insumo energético de grande importância nessa época – permitindo a abertura das áreas rurais em. 1934 – Primeiro Código Florestal do Brasil Dando um enorme salto na história brasileira.771/65 Nessa versão. o conceito de florestas protetoras (conceito parecido ao das Áreas de Preservação Permanente – APPs). foram definidas severas penalidades.

O tamanho mínimo da reserva depende do tipo de vegetação existente e da localização da propriedade. alterando assim a lei de 1965. e. que é um percentual de limitação de uso do solo na propriedade rural. para as demais regiões e biomas. ou ainda se a propriedade estiver em altitude superior a 1. Reserva legal passou a ser definida como a área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural. 20%. Foi instituída nessa lei a Reserva Legal. não pode ocorrer conversão às atividades que demandem a remoção da cobertura vegetal. olhos d’água. à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas. 35%. excetuada a de preservação permanente.166-67/2001 – altera conceitos e limites de Reserva Legal e APPs A Medida Provisória no 2. necessária ao uso sustentável dos recursos naturais. 2001 – Medida Provisória nº 2. A Lei no 7. bordas dos tabuleiros ou chapadas.511/96 amplia a restrição em áreas de floresta Essa Medida Provisória restringiu a abertura de área em florestas.8 mil metros. sendo que. no bioma Amazônia.803 alterou novamente o tamanho das APPs nas margens dos rios e criou novas áreas localizadas ao redor das nascentes. 1998 – Lei de Crimes Ambientais Essa lei também alterou dispositivos do Código Florestal e transformou diversas infrações administrativas em crimes. à conservação e reabilitação dos processos ecológicos.803 determinou a criação da Reserva Legal e a alteração nas APPs Em 1989. Nas pequenas propriedades ou posse rural familiar. a Lei Federal no 7. 2014) 1996 – A Medida Provisória no 1. da Lei Florestal (CANAL DO PRODUTOR. Nessa Medida Provisória. ficou definido que podem ser computados no cálculo da área de reserva legal os plantios de árvores frutíferas Introdução ao Agronegócio 99 . ou se ocorrer qualquer das situações previstas no artigo 3º.803 determinou que as reposições das florestas fossem feitas prioritariamente com espécies nativas (não era proibida a utilização de espécies exóticas). no Cerrado Amazônico. Também foi estabelecida que fossem destinados obrigatoriamente 20% de Reserva Legal para áreas de cerrado. o mínimo é de 80%. Nessa área.1989 – A Lei Federal no 7. e passou a permitir apenas o desmatamento de 20% nos ambientes que possuem uma floresta típica. a partir da linha de ruptura do relevo.166 novamente alterou os conceitos de reserva legal e áreas de preservação permanente. as APPs sofreram diversas modificações e passaram a ser a faixa marginal dos cursos d’água cobertos ou não por vegetação.

2014). considerando fatores como tipo de exploração predominante no município e renda. O que mudou foi a implementação e a fiscalização desses espaços. fixada para cada município.CAR e institui-se o módulo fiscal. 2010 – Aprovação da proposta em comissão A proposta do deputado Aldo Rebelo para a modificação do Código Florestal Brasileiro foi aprovada pela Comissão Especial do Código Florestal no dia 6 de julho de 2010. pois a lei aprovada permitiu que fossem realizados somente ajustes pontuais para adequação da situação de fato à situação de direito pretendida pela legislação ambiental. cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas (CANAL DO PRODUTOR. que é a unidade de medida expressa em hectares. foi acatada pela comissão e está pronta para a apreciação nos plenários da Câmara e do Senado (CANAL DO PRODUTOR. A proteção do meio ambiente natural continua sendo obrigação do proprietário mediante a manutenção de espaços protegidos de propriedade privada.100 ornamentais ou industriais. divididos entre APP e RL. A proposta foi aprovada com 13 votos a favor. realizado pelo Sistema Faep. O que muda com o Novo Código Florestal? Em termos gerais e estruturais. 2014). que estarão sujeitos ao Cadastro Ambiental Rural . compostos por espécies exóticas. A seguir. serão abordadas algumas questões tratadas pelo Novo Código Florestal e apresentadas no Manual do Novo Código Florestal. Curso Técnico em Agronegócio . a mudança é pouco significativa.

5. São permitidas a manutenção e a continuidade dessas atividades desde que não estejam em área que ofereça risco às pessoas e ao meio ambiente. facilitar o desenvolvimento da fauna e flora. Os objetivos do CAR são: • receber informações ambientais das propriedades e das posses rurais. no entorno dos reservatórios d’água artificiais. montes. 101 Função das Áreas de Preservação Permanente Preservar os recursos hídricos. Cadastro Ambiental Rural . nas faixas marginais de qualquer curso d’água natural (mata ciliar de beira de rio). 2012). a biodiversidade e a beleza da paisagem. 2012).Áreas consolidadas Áreas consolidadas são as Áreas de Preservação Permanente . ocupadas antes de 22 de julho de 2008. aviários. O órgão ambiental poderá comprovar a situação de área consolidada por meio de fotos de satélite que possui em seus arquivos. assegurar e preservar o bem-estar das populações humanas (SISTEMA FAEP. conter a erosão do solo. monitoramento. 4.PRA. ecoturismo ou turismo rural. sendo indispensável para aderir ao Programa de Regularização Ambiental . localizadas: 1. 3. no topo de morros. atividades agrossilvipastoris. 2012). Exemplos: várzeas ocupadas com arroz.APP São áreas protegidas.APP e a Reserva Legal. montanhas e serras (SISTEMA FAEP. e. 6. Está proibida a utilização de novas áreas em APP e Reserva Legal além dessas ocupadas até 22 de julho de 2008. 2. uva. Área de Preservação Permanente . planejamento ambiental e econômico. e que sejam observados critérios técnicos de conservação do solo e da água indicados pelo Programa de Regularização Ambiental . obrigatório para todos os imóveis rurais. a estabilidade geológica. • cadastrar as Áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal. referentes a período anterior a 22 de julho de 2008 (SISTEMA FAEP. nas encostas ou em partes destas com declividade superior a 45°. no entorno dos lagos e lagoas naturais. cobertas ou não por vegetação nativa. e combate ao desmatamento. A inscrição no Cadastro Ambiental Rural é feita no órgão ambiental municipal ou estadual.PRA.CAR É um registro eletrônico de abrangência nacional. no entorno das nascentes e dos olhos d’água perenes. 2012). encostas ocupadas com café. benfeitorias. Introdução ao Agronegócio . entre outros. especialmente. diminuir os riscos de enchentes e deslizamentos de terra e pedra nas encostas. compondo base de dados para controle. e facilitar o trabalho de fiscalização (SISTEMA FAEP. com edificações.

Programa de Regularização Ambiental .PRA 102 O Programa de Regularização Ambiental permite ao proprietário rural regularizar as Áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal consolidada. Encerramento Neste tema. agora estando apto a avaliar a melhor forma de aplicá-las em seu dia a dia. desde que não estejam em áreas de risco e sejam observados critérios técnicos de conservação do solo e da água (SISTEMA FAEP. Você aprendeu boas práticas e conheceu novas ideias sobre o segmento de orgânicos. Curso Técnico em Agronegócio . mas também do planeta. foi possível verificar a importância do desenvolvimento sustentável para garantir não somente o futuro do agronegócio. 2012). Esse programa resolverá diversos passivos ambientais dos produtores rurais e será considerado no acesso aos incentivos econômicos e financeiros na prestação de serviços ambientais.

04 Desafios do Agronegócio .

até 2050 a população crescerá de sete para nove bilhões de habitantes. na maior parte das regiões do mundo. Curso Técnico em Agronegócio . pois o grupo dos mais ricos cresce menos que o grupo dos mais pobres. Como ponto de partida para esta reta final. menos pessoas viverão da agricultura e menos ainda serão os agricultores. • identificar as principais ações necessárias no presente e futuras para o agronegócio. Dessa forma. desenvolva as seguintes competências: • desenvolver sua própria opinião crítica a respeito dos desafios apresentados. O crescimento populacional agravará a desigualdade. utilizando menos mão de obra. veja alguns fatos para inspirar a nossa reflexão. que é a fome mundial. Desafio 3 Preservar habitats naturais e manter a biodiversidade. podemos concluir que a agricultura e todos os envolvidos em suas cadeias terão os seguintes desafios: Desafio 1 Competir por área e água. ao mesmo tempo em que as lavouras serão utilizadas para produzir bionergia e para fins industriais. ao final deste tema. pois as cidades estão crescendo. • De acordo com a FAO. Desafio 2 Contribuir para reduzir os danos ao meio ambiente. O aumento da população agravará um problema já existente.104 Tema 4: Desafios do Agronegócio Neste último tema da unidade curricular Introdução ao Agronegócio. • O volume produzido de alimentos. Nos próximos anos os desafios da agricultura estarão relacionados ao fato de que. analisaremos os principais desafios do agronegócio mundial e do brasileiro para que você. Desafio 4 Desenvolver novas tecnologias para extrair mais de uma porção menor de área. ração e fibras deverá dobrar até 2050.

Como resultado dessa reunião. a alimentação e a segurança da população no planeta. 1  O IPCC é uma pequena organização. sem fins lucrativos. Todos os cientistas que colaboram com o painel o fazem de forma voluntária. 19/7/2012) Tópico 1: Mudanças Climáticas No dia 30 de março de 2014. 2014). a habitação. e praticamente dobrou a quantidade de provas científicas do impacto do aquecimento global desde o último relatório. divulgado em 2007. foi divulgado o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC1. cientistas e autoridades do mundo inteiro se reuniram no Japão para debater sobre as grandes mudanças que estão ocorrendo no clima no mundo inteiro.Comentário do autor d 2050 – No cenário delineado pela FAO. segundo aponta um relato do Programa Alimentar Mundial da ONU. um dos países mais pobres do Oriente Médio. mas que haverá um impacto cada vez maior sobre a humanidade” (IPCC. as mudanças climáticas afetarão a saúde. com o aval da ONU. Introdução ao Agronegócio . A função do Painel Intergovernamental da ONU para Mudanças Climáticas é “suprir o mundo com visões científicas claras sobre o estado atual do conhecimento em mudanças climáticas e seus potenciais impactos ambientais e socioeconômicos”. 105 De acordo com o relatório divulgado no Japão. um milhão de crianças sofre de desnutrição grave há meses. a entidade já produziu quatro grandes relatórios. Até hoje. na sigla em inglês). (Fonte: Portal Terra. no qual integrantes do IPCC apontam que “até agora os efeitos do aquecimento são sentidos de forma mais acentuada pela natureza. sediada em Genebra e possui uma equipe de funcionários que trabalham em turno integral. as nações da Ásia e da África subsaariana abrigarão 60% da população do planeta. No Iêmen.

sem exceção. mas como isso pode ser feito? • preservando os recursos naturais não renováveis. como também de grandes inundações. Um ponto muito debatido na reunião refere-se à insegurança alimentar.106 As análises apontam que. prejudicando o ecossistema dos corais desse mar e dos outros existentes na Terra. • diminuindo o consumo de água. Todos. nos próximos 20 a 30 anos. arroz e trigo. Curso Técnico em Agronegócio . A perspectiva é extremamente preocupante. até 2050. • adotando um estilo de vida mais sustentável. como as de colheitas de milho. sistemas como o mar do Ártico estarão ameaçados pelo aumento da temperatura em dois graus Celsius. • reciclando embalagens. é cada vez mais comum ouvirmos falar de períodos de seca nunca registrados antes. • utilizando menos o carro. O aquecimento global no mundo produz os seguintes impactos: Impactos sobre espécies Inundações Degelo Queimadas Falta d’água Mudança nas colheitas Atualmente. É necessário agir desde já. precisam colaborar. e algumas previsões indicam perdas que chegam a 25% em diversas culturas.

“na medida em que avançamos [as previsões] no futuro. 40% da população mundial estaria passando fome. Há 30 anos.] de 1990 para cá. café e açúcar (são exportados aproximadamente 50% de tudo o que é produzido). os riscos só aumentam. e para as gerações futuras? De acordo com o relatório. Até os anos 1970. 250%.. sobrinhos e netos. a produtividade média da soja era de menos de duas toneladas por hectare – atualmente. que também estão ocorrendo mudanças climáticas e as legislações são cada vez mais restritivas ao dano ambiental? É necessário proporcionar mais produtividade ao agronegócio e conseguir produzir muito mais alimentos sem destruir o que restou do seu patrimônio natural. a produção de carne de frango aumentou 475% e a de suínos. Se não fossem os fertilizantes. Atualmente.7 toneladas. Nas últimas quatro décadas. O agronegócio precisará investir cada vez mais em tecnologia e inovação. Veja como é o crescimento em produtividade de algumas commodities no Brasil e no mundo. como resolver isso? Como produzir mais e de maneira sustentável considerando que os recursos naturais como água e terra são escassos. 2014). o Brasil expandiu a área das lavouras em 37%. o Brasil era um grande importador de commodities como carne bovina. Então. e isso acontecerá com as pessoas.É preciso sempre pensar: que mundo deixarei para os meus filhos. a incorporação de novas técnicas agrícolas provocou um verdadeiro salto de eficiência no setor. [.. Introdução ao Agronegócio 107 . 2013). chega a 4. arroz e feijão – a população usava 43% da renda apenas para comprar comida (SCHREINER. com as colheitas e com a disponibilidade de água”. Nesse mesmo período. já a produtividade agrícola saltou 212%. (MARZOLA FILHO. o país é um grande exportador de soja.

5 9.4 0.4% 2011 (*) 26.7 -6.7 6.6% 2000 16.4 19.8 19.1 11.7% 2003 22.4% 2004 22.1 4.4 -8.0% 2005 20.7% 2001 17. Acompanhe a evolução do mercado no período de 1997 a 2011.4% 2006 21.1% Crescimento Médio (*) Previsão Fonte: ANDA – maio de 2011 Curso Técnico em Agronegócio Crescimento Anual 4.6 17.7 49 Algodão 23 49 Trigo 11 8 Fonte: USDA (2013) Tópico 2: O Mercado de Fertilizantes Brasileiro De acordo com a Associação Nacional para Difusão de Adubos – Anda.08 milhões de toneladas em 2013. Evolução Anual do Mercado de Fertilizantes (em Milhões de Toneladas) Ano Mercado 1997 13.8 1998 14.3% 2002 19.2 -11.1% 2008 22.0% 2010 24.0 6.6% .Crescimento em produtividade (%) 108 Commodity Mundo Brasil Milho 17 73 Arroz 8 30 Sorgo -0.0 4.5% 1999 13. o mercado nacional movimentou 31.0% 2007 24.8 0.9% 2009 22.

o crescimento médio anual foi de 4. Introdução ao Agronegócio . No ano de 2008. como os aumentos elevados nos preços dos fertilizantes no mercado internacional (que trouxeram consequências para o Brasil) e dos custos de fretes marítimos (que alteraram a relação entre demanda e oferta de matérias-primas utilizadas). ao considerar o período entre 1997 e 2011. A análise anterior permite uma melhor compreensão da distribuição do fertilizante por unidade da federação. Os períodos de estagnação são justificados pelos problemas de estiagens prolongadas. No entanto.Nota-se que. cana-de-açúcar. como a que ocorreu em 2008. mas esse mesmo mercado apresentou estagnação nos anos de 2003 e 2004. O aumento do petróleo influenciou diretamente o aumento das matérias-primas derivadas do nitrogênio. nota-se a grande representatividade da região Centro-Oeste. além da diminuição da renda do comprador e das crises mundiais. Outras culturas como milho. outros fatos também contribuíram para a estagnação do mercado. O mercado disponível para consumo de fertilizantes por cultura está representado da seguinte forma: Consumo de fertilizantes por cultura em 2010 (%) 23% Outras 25% Soja 5% Algodão 109 6% Café 15% Cana-de-açúcar 15% Milho Fonte: Gestão de Informação de Marketing da Bunge Fertilizantes S/A. e o excesso de umidade no Centro-Oeste. atingindo 35% do total entregue no país. 2011. e em 2008 e 2009. houve um crescimento constante do mercado de fertilizantes. A cultura que mais consome fertilizantes no Brasil é a soja. Quanto à segmentação por estado brasileiro. café e algodão totalizam 77% das vendas de fertilizantes no mercado brasileiro. O aumento nos custos dos fretes marítimos implicou aumento de preço das matérias-primas importadas. e também pela estocagem de fertilizantes por parte do produtor rural. no período entre 1997 e 2011. principalmente na região Sul.6%. um dos principais nutrientes utilizados nas formulações de fertilizantes.

A título de comparação. com altas taxas de produtividade e áreas disponíveis para crescimento. Maiores consumidores mundiais de fertilizantes N P2O5 K20 NPK China 33% 30% 22% 30% Índia 15% 15% 9% 14% EUA 12% 11% 16% 12% Brasil 3% 9% 14% 6% Subtotal 63% 65% 61% 62% Outros 37% 35% 39% 38% Fonte: IFA. Trata-se do maior polo agrícola brasileiro. Índia e Estados Unidos.Consumo de fertilizantes por região do Brasil (2010) 110 14% 30% 29% 28% Fonte: Adaptado pelo autor A representatividade da região Centro-Oeste deve-se ao fato de o Estado do Mato Grosso ser o maior consumidor de fertilizantes do país. China. tanto em pastagem quanto para a abertura de novas áreas. Tópico 3: Consumo Mundial de Fertilizantes Os maiores consumidores de nutrientes minerais para fertilizantes no mundo são Brasil (ocupa a quarta posição). O Brasil consome 3% de nitrogenados. O consumo de fertilizantes no Brasil representa 6% do total consumido no mundo. ANDA (2011) Curso Técnico em Agronegócio . 9% de fosfatados e 14% de óxido de potássio (K2O). acompanhe na sequência um breve panorama do consumo de fertilizantes no mundo.

9% 206 Área Plantada 190 181 177 183 175 167 170 4.5% 111 00/01 01/02 02/03 03/04 05/06 06/07 111 Fonte: ANDA e CONAB (2013) Esse setor é de importância relativamente forte para a produção de alimentos no Brasil. o crescimento médio anual de área plantada no Brasil foi de 1. esteja estruturado em bases sólidas. A utilização de fertilizantes pode proporcionar aumento de produção de alimentos quando essa tecnologia for aplicada corretamente. Nossa vocação como país é a de grande participante. Introdução ao Agronegócio .De certa forma.7%. o cenário futuro exige intensificar o uso de tecnologias que resultem em maior produtividade e que. 4. reduzam o impacto sobre os recursos naturais do planeta. o consumo de fertilizante cresceu 5. o alinhamento das ações com foco na sustentabilidade do planeta. mas isso só será possível com as devidas adequações no sistema agrícola atual. a importância dos fertilizantes para a produção de alimentos no Brasil é relativamente elevada. também.5%.5% 159 150 132 129 119 148 117 121 115 147 142 122 133 112 108 100 92/93 108 93/94 138 132 122 104 103 94/95 95/96 98 96/97 104 97/98 106 98/99 106 99/00 128 4.9% ao ano e a produção de grãos. no período compreendido entre as safras 92/93 e 2006/2007. fator essencial da produtividade. Podemos observar que. Algumas fontes consideram o Brasil como um dos únicos países do mundo com quantidade de terras agricultáveis capaz de enfrentar o grande desafio dos próximos anos para alimentar toda a demanda da população mundial. Variação do consumo de fertilizantes. Se a previsão de aumento da produção mundial de alimentos se tornar realidade. Como já exposto. área plantada e produção de grãos no Brasil 246 CAGR 246 Produção de Grãos 218 Consumo de Fertilizantes 225 5. ou seja. será muito importante que o setor de insumos agrícolas.

ocorreu uma grande falta de mão de obra para a agricultura (BRUM. 1. ocorrendo dificuldades na importação de tratores e outras máquinas agrícolas. elevando a produtividade e também expandindo áreas de produção e promovendo o uso de insumos modernos (sementes selecionadas. No período de 1939-1940. Em 2012 a estimativa da frota de tratores no Brasil é de 664. Após o término da Segunda Guerra Mundial. principalmente.380 tratores2. Qual é a atual produção brasileira de fertilizantes? 2.Atividade prática p 112 O Brasil é altamente dependente dos fertilizantes importados. fertilizantes. O Brasil possuía uma frota de 3. considerando os tratores de alta potência e os com potência abaixo de 100hp. Nesse mesmo período. pesquise e responda às questões abaixo. 2 Curso Técnico em Agronegócio . 2002). defensivos e. não houve evolução do processo de implantação da mecanização no Brasil. pois a nossa produção é pequena. 1988). maquinário) (MOURA ET AL. o governo observou que havia a necessidade de aumentar a produção do campo. A partir dessa afirmação. Quais são os principais países exportadores? 3. É possível utilizar na agricultura um substituto sustentável do fertilizante químico? Tópico 4: Histórico da Utilização de Tecnologia na Agricultura Brasileira A mecanização agrícola no Brasil ocorreu logo após a Primeira Guerra Mundial.041unidades..

colheitadeiras para o café e a cana-de-açúcar. a produção de colheitadeiras que monitoram a produtividade da área que está sendo colhida e também a umidade dos grãos. e equipamentos para a agricultura de precisão. também. Diante desse cenário (com o aquecimento da demanda devido ao aumento do crédito). Introdução ao Agronegócio 113 .A partir de 1949. a partir desde período. pois. o governo federal criou o Moderfrota. Ao final de uma jornada de trabalho. A agricultura brasileira utiliza várias tecnologias de mecanização. mas um fator limitante da expansão desse setor era a falta de qualificação das pessoas para o manuseio dessas máquinas. Atualmente.. atendendo desde às operações realizadas com tração animal até às operações que exigem tratores equipados com alto grau de tecnologia (MOURA ET AL. ela emite um mapa de produtividade da área por meio de sistemas controlados por satélite. Isso possibilitou oferecer uma ampla linha de produtos. a indústria nacional de máquinas agrícolas passou a aumentar a capacidade instalada das unidades existentes e. esse setor possui tecnologia de ponta. Esses problemas acabaram trazendo benefícios para o setor de máquinas agrícolas brasileiras. começaram a ser desenvolvidos novos tipos de equipamentos no Brasil. tais como: • plantio direto. como. também. a construir novas plantas. por exemplo. com taxas de juros diferenciadas. começou a haver um grande desenvolvimento da mecanização no Brasil. modelos e procedências que eram inadequados para serem utilizados em solo brasileiro. considerar que havia grande variedade de máquinas. reduzindo a importação de produtos ligados a esse setor. impulsionado pelo aumento nas importações de tratores. abaixo das praticadas pelo mercado. É necessário. Também são desenvolvidas plantadeiras específicas para o plantio direto. No início do ano 2000. um programa de crédito rural direcionado. 2002). e oferecido tanto ao pequeno quanto ao grande produtor.

dentre outros. ao aumento do uso de fertilizantes e a uma maior eficiência dos agroquímicos. o Brasil é um grande produtor e exportador de commodities. impactando diretamente diversas cadeias produtivas. 2002). como soja. café. suco de laranja. • informações operacionais. Tópico 5: Agricultura de Precisão A sessão anterior mostrou que a agricultura brasileira vem passando por importantes transformações nos últimos anos e. Atualmente. trigo. – estamos. 114 • controle da compactação. Estados Unidos. aliados à utilização de sementes mais produtivas. China. açúcar etc. Por quê? Curso Técnico em Agronegócio . Índia e França. como soja. algodão e laranja. (MOURA ET AL. como. Os avanços ocorrem devido à renovação e à expansão do parque de máquinas agrícolas. Mas alguns países como os EUA e os da Europa apresentam uma tecnologia de produção mais desenvolvida que a brasileira. a maior parte dos grandes produtores mundiais de máquinas e implementos agrícolas possui unidades industriais no Brasil.• irrigação com pivô-central. O setor de máquinas e implementos agrícolas desempenha um importante papel nas economias paulista e gaúcha. • automação de mecanismos. que estão concentradas principalmente nos estados do Rio Grande do Sul e São Paulo. por exemplo. inclusive. atualmente. A aplicação de tecnologias modernas para o cultivo reflete-se no aumento de produtividade da agricultura brasileira. arroz. milho. disputando o mercado internacional com outros países.

com o lançamento no mercado de sensores. No início da década de 1990. A agricultura de precisão utiliza de maneira intensa os sistemas de posicionamento de satélites e os sistemas de informações geográficas – GIS.Porque esses países utilizam novas tecnologias da informação que permitem o manejo da atividade agrícola com dados precisos sobre a localização e o desenvolvimento das lavouras (MOLIN. softwares e serviços (MOLIN. quando foi gerado na Europa o primeiro mapa de produtividade e nos EUA foi realizada a primeira adubação com doses variadas. químicas etc. E no Brasil. foi desenvolvido o sistema de posicionamento global por satélites – GPS. Introdução ao Agronegócio 115 . universidades e as empresas que fabricam máquinas de agricultura de precisão. 2011). como produtividade.senar. Acesse o portal do SENAR www. mas é preciso sempre considerar que a agricultura de precisão é um sistema de gestão da propriedade rural e deve ser utilizada em todos os seus aspectos. 2011). 2003). como se dão as atividades da agricultura de precisão? Tais atividades começaram a se intensificar em 1995. A análise desses dados permite a otimização dos insumos agrícolas. o que permite o tratamento e a análise dos dados coletados no campo.org. gerando lucros para o agricultor e diminuindo o impacto ambiental (MAPA. infestação de ervas daninhas. Hoje. pois ambos são fatores fundamentais para que ocorra uma agricultura competitiva e sustentável. A adoção da agricultura de precisão foi intensificada nos anos 1980. O curso possui carga horária de 120 horas. os transgênicos são uma ferramenta fundamental para a agricultura de commodities brasileira e mundial. com a importação de equipamentos. e também firmou parcerias com a Embrapa. Comentário do autor d O Senar criou o programa Agricultura de Precisão para levar ao produtor rural conceitos modernos e novas tecnologias. que trouxe grandes contribuições para as lavouras. os norte-americanos transformaram a agricultura de precisão em um grande negócio. pragas e doenças (MAPA.br e saiba mais! Tópico 6: Sementes geneticamente modificadas (GM) Quando se fala em tecnologia. especialmente colhedoras equipadas com monitores de produtividade. solo (características físicas. Em 1990. Uma questão polêmica refere-se à tecnologia das sementes geneticamente modificadas – GM. as soluções existentes têm como foco principal a aplicação de fertilizantes e corretivos em taxa variável.). 2003). Atualmente no Brasil. sendo desenvolvido em sete módulos. é preciso abordar as questões da inovação e do conhecimento.

em que ocorre especialização de produção e comercialização de excedentes. Com esta semente à disposição.116 De acordo com Paolinelli (2014). a pesquisa e o desenvolvimento de novas variedades GM mostram que novas culturas também podem se beneficiar dessa tecnologia. desde o processo de mudança de economias exclusivamente extrativistas para as atuais. sua importância vem só aumentando. a produção de feijão é caracterizada por significativa participação da agricultura familiar. No Brasil. Link A Acesse o AVA e confira alguns dados sobre a adoção de sementes geneticamente modificadas. 2000). desse modo. Pesquise mais sobre o assunto e converse com os seus colegas sobre os prós e os contras da adoção dessa tecnologia e. Curso Técnico em Agronegócio . armazenagem e transporte) passaram a ser fundamentais para que o consumo pudesse acontecer (FLEURY. Nas economias com atividades organizadas. formar a sua própria opinião sobre o assunto. e. Tópico 7: Logística Definição A logística é uma das mais antigas atividades econômicas. as três principais funções logísticas (estocagem. o produtor vai lançar mão de uma tecnologia de ponta para resolver questões agronômicas. como a cana-deaçúcar e as frutas cítricas: A Embrapa desenvolveu um feijão transgênico resistente a uma praga que assola a produção dessa leguminosa em muitas regiões do mundo.

O desenvolvimento do comércio nacional ou internacional só ocorre devido a sistemas logísticos. Com a globalização e o consequente aumento da distância entre produção e consumo. • rodoviário. sistemas logísticos eficientes formam bases para o comércio. a importância da logística cresce ainda mais. explorando suas vantagens de produção para posteriormente trocarem entre si (BALLOU. A evolução do comércio faz com que produtos. mais livre e facilitada é a comercialização. essencialmente. Na economia mundial. dos sistemas de transporte para serem efetuadas. passem a percorrer distâncias cada vez maiores para serem disponibilizados aos consumidores (BALLOU. e quanto melhores e mais baratos são esses sistemas. de modo que o objetivo logístico seja atingido a um menor custo possível. • hidroviário. pois possibilitam que as diferentes regiões geográficas se especializem naquilo que melhor produzem. As exportações e as importações de um país dependem. A logística gerencia as atividades e os atores que estão presentes nas cadeias de produção e distribuição. oferta e demanda. Introdução ao Agronegócio 117 . Modais de Transporte A matriz de transportes é baseada em cinco diferentes modais: • ferroviário. 2001). e em condições adequadas de consumo (BALLOU. 2001). desde os fornecedores de matériasprimas. 2001). antes comercializados próximos aos locais de produção.O objetivo principal da logística é colocar à disposição dos consumidores os produtos que eles desejam consumir no tempo e no lugar certos.

e produtos com maior nível de industrialização. ou processamento. Os modais rodoviários são os mais utilizados no Brasil e na Argentina. os produtos agrícolas. No passado. Dessas unidades. Além disso. Considera-se que a maioria dos produtos agrícolas deve ser transportada no mínimo duas vezes. principalmente. a logística é um elemento integrador de produtores. embalagem e comercialização). ao saírem das propriedades. Isso torna o papel da logística fundamental. armazenamento. os produtos já processados ou beneficiados são transportados até as áreas de armazenamento e comercialização. EUA e Argentina Modais Brasil EUA Argentina Rodoviário 58% 5% 80% Ferroviário 25% 35% 18% Aquaviário 17% 60% 2% Fonte: CNT (2013) O principal objetivo da logística agroindustrial é melhorar a eficiência da movimentação de cargas agrícolas por meio de veículos adequados. o alimento é transportado até os consumidores. Curso Técnico em Agronegócio .• dutoviário. Já os modais ferroviário e aquaviário são os mais utilizados pelos Estados Unidos (em especial estes últimos. devido ao transporte inadequado ou ao tempo curto de perecibilidade dos produtos (CAIXETA FILHO. também por meio do armazenamento. visto que parte da produção é transportada por balsas e navios). Participação dos modais de transportes no Brasil. ao permitir que os produtos sejam comercializados em locais distantes das propriedades agrícolas. mas. normalmente são transportados mais vezes (CAIXETA FILHO. segundo Caixeta Filho (2010). especialmente em relação às perdas de mercadorias que ocorrem. inclusive de pequenos produtores. das atividades de pós-colheita (pré-processamento. nos sistemas agroindustriais. 2010). a população migrava em busca de alimentos. o transporte pode ser considerada como a mais importante. atualmente. O gerenciamento do transporte e da armazenagem permite obter ganhos claros nas cadeias agroindustriais. e. próximas ao consumo. Conforme Caixeta Filho (2010) afirma. seguem em distâncias relativamente curtas até as unidades de processamento e armazenagem. 118 • aéreo. Desse modo. obter o menor custo possível. Já as distâncias entre as processadoras e os locais de comercialização podem ser relativamente grandes. com a especialização e a urbanização. transporte. 2010).

no entanto. Introdução ao Agronegócio 119 . segundo ele. 2010). Os países em desenvolvimento têm capacidade de alimentar a maior parte da população mundial. Caramuru e Soy Transport Coalition (2010) Podemos observar que os custos de transporte do Brasil são muito maiores que os custos dos EUA e da Argentina. De acordo com Ballou (2009) é estimado que um terço dos alimentos perecíveis produzidos seja perdido durante a distribuição. principal comprador mundial de commodities. em especial aquelas que são voltadas à exportação. o que leva muitos a desistirem de produzir (CAIXETA FILHO.Veja os custos logísticos para exportação à China. O que dificulta a nossa competitividade no mercado. as ferrovias são deficientes e as rodovias não são modernas.Fonte: Centrogrãos. O custo médio de frete nos principais países produtores de soja mostra que os custos logísticos do Brasil são muito mais altos que os custos da Argentina e dos EUA. não é suficiente nem mesmo para cobrir seus custos. Dessa forma. Um dos grandes desafios atuais do agronegócio é buscar constantemente meios de aumentar a produção mundial de alimentos com o objetivo de diminuir a fome no mundo (CAIXETA FILHO 2010).) Origem Transporte Interno Externo * Total Brasil-Sorriso (MT) 145 45 190 Argentina-Córdoba 36 66 102 EUA-Saint Louis 25 46 71 *Marítimo . não conseguem alimentar nem a sua própria população. Isso pode ocorrer devido a acidentes. A logística é um dos grandes gargalos do agronegócio brasileiro. a quantia recebida pelos produtores em pagamento da sua produção. Os meios de transporte nesses países são primitivos. muitas vezes. desse modo. devido às suas más condições de transporte.Xangai (US$/ton. que perde muito com toda essa ineficiência. Caixeta Filho (2010) reforça a necessidade do aumento da eficiência dos transportes. uma vez que. prejudicando todos os elos de todas as cadeias produtivas. antes mesmo que possa atingir os consumidores. roubo de cargas ou mesmo deterioração dos produtos. Custo do frete até a China. não adianta aumentar a produção se essa é perdida.

Comparativo Custo Logístico Básico Soja (US$/ton)

120
Frete Lavoura-Porto
Custo Porto (FOB)
Total

Brasil

Argentina

EUA

125,00

32,0

20,0

10,0

5,0

3,0

135,0

37,0

23,0

Fonte: IMEA; USDA (2013)

O aprimoramento logístico gera benefícios para todos os envolvidos
na cadeia. Uma maior eficiência logística reduz as perdas durante
o transporte e os custos logísticos envolvidos, os quais podem ser
traduzidos em menores preços para os consumidores, em maiores
lucros para produtores e intermediários, ou nos dois.
Todos ganham com isso, inclusive a economia do país, que fica
mais dinâmica (CAIXETA FILHO, 2010).
As perdas durante o transporte estão relacionadas, principalmente,
aos descuidos durante o carregamento e o descarregamento das
cargas, à umidade, aos acidentes, e ao roubo de cargas.
Armazenagem
Em 2013, a oferta instalada de armazéns era de 142,6 milhões de toneladas, e a demanda
era de 186,1 milhões de toneladas (safra 2013/14), uma diferença de 43,5 milhões de
toneladas (24% da produção).
A produção de grãos no Brasil é dividida por regiões: as regiões Sul e Centro-Oeste são as
maiores produtoras.
Produção de grãos por regiões do Brasil e unidades de armazenamento
Região

Produção
Mil toneladas

Unidades

Norte

5.503

470

Nordeste

12.278

1.162

Centro-Oeste

77.615

3.985

Sudeste

20.241

2.927

Sul

70.512

9.330

Total

186.149

17.874

Fonte: CONAB; FAO (2013)

Curso Técnico em Agronegócio

Porém, as unidades de armazenagem ainda são poucas, havendo um deficit em relação à
produção. Segundo a FAO, é necessária uma capacidade de armazenagem acima de 20% da
produção, sendo que ainda assim estamos com um deficit de 73 milhões de toneladas.
Percentual de deficit de armazenagem nas regiões brasileiras

Nordeste
7%

Norte
4%

Sudeste
3%

Centro
Oeste
53%

Sul
33%

Fonte: CONAB; FAO (2013)

As taxas de armazenagem nas fazendas em diversos países mostram que o Brasil possui uma
capacidade muito pequena em relação aos Estados Unidos, por exemplo.
Taxa de armazenagem nas fazendas em países de destaque
na produção de commodities
Região

Participação

EUA

55% a 66%

Austrália

35%

Europa

35%

Argentina

35% a 45%

Canadá

85%

Brasil

35%

Fonte: USDA (2013)

Essa é uma realidade que precisa ser bem administrada pelos setores público e privado,
pois a armazenagem é uma ótima estratégia de comercialização, especialmente quando
ocorre um excesso de oferta devido a uma supersafra, momento no qual o produtor pode
armazenar a sua produção e esperar o melhor momento para vendê-la no mercado.

Introdução ao Agronegócio

121

122

O Plano Safra atual reservou R$ 30 bilhões para a construção de armazéns nos próximos
seis anos (R$ 5 bilhões por ano), levando ao aumento da capacidade estática para 65
milhões de toneladas, mas ainda será insuficiente para cobrir toda a produção.

Encerramento
Nesta unidade, você pôde aprender sobre os principais conceitos e desafios do agronegócio,
bem como suas configurações no Brasil e no mundo. É importante não parar por aqui e
continuar a investigar a respeito do tema e, principalmente, manter-se atualizado, pois os
números apresentados mudam a cada ano. Utilize bem os novos conhecimentos adquiridos.
Sucesso nessa nova jornada!

Curso Técnico em Agronegócio

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