Introdução ao Agronegócio

FORMAÇÃO
TÉCNICA

Curso Técnico em Agronegócio

Introdução ao
Agronegócio

SENAR - Brasília, 2015

S474m
SENAR – Serviço Nacional de Aprendizagem Rural.
Matemática básica e financeira / Serviço Nacional de Aprendizagem Rural. –
Brasília: SENAR, 2015.
128 p. : il.
ISBN: 978-85-7664-080-6
Inclui bibliografia.
1. Matemática. 2. Matemática financeira. 3. Estatística. I. Serviço Nacional de
Aprendizagem Rural. II. Título.

CDU: 806.90-5

Sumário Introdução à Unidade Curricular –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 6 Tema 1: Agronegócio ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 9 Tópico 1: Importância do Agronegócio ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 9 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 13 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 18 Tópico 2: Contextualização Histórica Tópico 3: Definição de Agronegócio Tópico 4: Agricultura Familiar –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 2 1 Encerramento –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––2 4 Tema 2: Panorama Geral do Agronegócio no Brasil e no Mundo ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––2 6 Tópico 1: Panorama Geral Mundial do Agronegócio 26 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Tópico 2: Panorama Geral do Agronegócio Brasileiro ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 3 2 Encerramento ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 8 7 Tema 3: Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável–––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––8 9 Tópico 1: Definição de Desenvolvimento Sustentável –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––8 9 Tópico 2: Agronegócio Sustentável –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 9 3 Tópico 3: O Mercado de Orgânicos –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 9 3 Tópico 4: O Consumidor de Produtos Saudáveis ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 9 5 Tópico 5: O Novo Código Florestal ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 9 7 Encerramento –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 102 .

Tema 4: Desafios do Agronegócio –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 104 Tópico 1: Mudanças Climáticas ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––105 Tópico 2: O Mercado de Fertilizantes Brasileiro––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 108 Tópico 3: Consumo Mundial de Fertilizantes–––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––110 Tópico 4: Histórico da Utilização de Tecnologia na Agricultura Brasileira ––––––––––––––––––––– 112 Tópico 5: Agricultura de Precisão–––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––114 Tópico 6: Sementes geneticamente modificadas (GM) –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 115 Tópico 7: Logística ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––116 Encerramento –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––122 Referências Básicas –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––123 Referências Complementares ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––123 .

Introdução à Unidade Curricular .

6 Introdução à Unidade Curricular A unidade curricular Introdução ao agronegócio foi desenvolvida a partir de uma sólida base teórica e prática para que você se capacite sobre os principais conceitos e desafios desse importante setor da economia brasileira e do mundo. • analisar as interfaces do agronegócio brasileiro. Dessa forma. Ao final desta unidade curricular. • conhecer o cenário do agronegócio no Brasil. • refletir sobre a Cadeia de Valor do agronegócio e seus desdobramentos sociais. está organizada em quatro temas que se subdividem nos seguintes tópicos e sub-tópicos: Curso Técnico em Agronegócio . a presente unidade curricular. você deverá ser capaz de: • compreender as definições de agronegócio. • entender o agronegócio brasileiro e suas perspectivas futuras. econômicos e políticos dos pontos de vista nacional e internacional. com carga horária de 75 horas.

Evolução Histórica do Código Florestal Brasileiro Tópico 1: Mudanças Climáticas Tópico 2: O Mercado Brasileiro de Fertilizantes Tópico 3: Consumo Mundial de Fertilizantes Tema 4: Desafios do Agronegócio Tópico 4: Histórico da Utilização de Tecnologia na Agricultura Brasileira Tópico 5: Agricultura de Precisão Tópico 6: Sementes Geneticamente Modificadas (GM) Tópico 7: Logística Introdução ao Agronegócio .TEMA TÓPICO Tópico 1: Importância do Agronegócio Tema 1: Agronegócio Tópico 2: Contextualização Histórica Tópico 3: Definição de Agronegócio Tópico 4: Agricultura Familiar Tópico 1: Panorama Geral Mundial do Agronegócio Tópico 2: Panorama Geral do Agronegócio Brasileiro 1: Soja Tema 2: Panorama Geral do Agronegócio no Brasil e no Mundo 2: Café 3: Cana-de-Açúcar 4: Algodão 5: Arroz 6: Milho 7: Carnes 8: Fruticultura 9: Feijão Tópico 1: Definição de Desenvolvimento Sustentável 1. Breve Histórico Tópico 2: Agronegócio Sustentável Tema 3: Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável Tópico 3: O Mercado de Orgânicos Tópico 4: O Consumidor de Produtos Saudáveis 7 Tópico 5: O Novo Código Florestal 1.

01 Agronegócio .

antingindo a cifra de US$ 17. somando US$ 99. Introdução ao Agronegócio 9 . você aprenderá o que é o agronegócio. Um bom exemplo é o aumento considerável das exportações brasileira de grãos. O objetivo é entender como o conceito de agronegócio precisa sempre ser analisado de maneira mais ampla e sistêmica. No ano de 2013. o que compensou o deficit de US$ 80.06 bilhões. elaborado para que você desenvolva as seguintes competências: • compreender e fazer uso dos conceitos de Agronegócio utilizados no curso.35 bilhões dos outros setores da economia (DEAGRO/FIESP. Tópico 1: Importância do Agronegócio Atualmente. primeiramente será feita uma breve contextualização histórica da agricultura na qual veremos a evolução do agronegócio ao longo dos anos. 2013). Neste tópico. A economia brasileira agradece esse resultado. Para isso. Também foi registrado um aumento de cerca de 4% das importações.97 bilhões. • identificar as principais questões e debates sobre o agronegócio nos contextos brasileiro e mundial. uma das principais economias do mundo. em especial a exportação de soja para a China. • conhecer as principais características do agronegócio brasileiro. pois o setor teve um saldo positivo de US$ 82. muito se tem falado sobre a importância do agronegócio brasileiro.Tema 1: Agronegócio Este primeiro tema é uma apresentação completa dos principais fundamentos do setor. as exportações do agronegócio registraram um novo recorde se comparado a anos anteriores. Você sabe por quê? Eventos específicos e alguns números podem ajudar nessa resposta.91 bilhões.

subtraindo-se dele o valor referente às importações de bens promovidas em determinado período.8 142. Deficit na Balança Comercial Situação em que o valor total das importações de certo país supera o valor total das exportações realizadas por este mesmo país.6 19. fechou o período com saldo positivo. em dado período de tempo. em US$ bilhões)   Exportação Importação Saldo 2012 2013 2012 2013 2012 2013 Agronegócio 95.35 Total Brasil 242. ao contrário dos outros setores. Veja também que o saldo da Balança Comercial foi superavitário passando de 79.55 -59. em dado período de tempo. que passaram de 95. Percebe-se que nesses setores houve um deficit entre importação e exportação.06 79.7 222.4 82. observe os números dos demais setores da economia brasileira. Observe que no período de 2012 e 2013 ocorreu um aumento das exportações do agronegócio. Superavit Situação em que o valor total das exportações de certo país supera o valor total das importações realizadas por este mesmo país. o resultado da Balança Comercial brasileira seria negativo. Repare que o agronegócio.1 239. Agora. Esses dados comprovam a importância do agronegócio para a economia brasileira e o porquê de tanto se falar a respeito desse setor.97 bilhões de dólares.6 242.5 2. É calculada por meio da análise do valor total das exportações.8 bilhões de dólares para 99.56 Fonte: MDIC (2014).4 bilhões de dólares em 2012. para 82.8 99.4 17.97 16.2 206.10 O quadro a seguir mostra a Balança Comercial do Brasil no biênio 2012-2013.91 Demais setores 146. Curso Técnico em Agronegócio .2 223.9 -80. Balança Comercial Brasileira (2012 e 2013. Não fosse o resultado positivo do agronegócio. Balança Comercial É a parte do balanço de pagamentos que registra a diferença entre exportações e importações de mercadorias de um país.91 bilhões de dólares em 2013.

normalmente.000 Soja.Já sabemos que o Brasil é um país com grandes extensões territoriais e. milho. Commodity Produtos padronizados e não diferenciados. Por exemplo. soja e Grandes produtores e cana-de-açúcar tradings Cana. no Centro-Oeste predominam culturas como soja e algodão. em grande escala de produção e direcionadas para a exportação. formado em bolsas de mercadorias no próprio país ou no exterior.000 Tradicional e empresarial suco de laranja Sul 600. Pequenos e médios Tradicionais e arroz e trigo produtores profissionais Fonte:IBGE (2011) Introdução ao Agronegócio . milho. diversificado em relação à sua terra – o perfil da produção agrícola difere de uma região para outra. portanto. grandes horticulturas e usinas de açúcar e álcool e vegetais indústria processadora de Alta tecnologia Pequenos e médios Sudeste 250. Ambas são produzidas como commodities. cujo preço é. produtores.000 Uso da tecnologia Culturas Perfil Algodão. 11 Perfil da Produção Agrícola Brasileira Região Centro-Oeste e MAPITOBA Número de produtores 25. café.

como por exemplo. Observe a posição brasileira na produção e na exportação mundial de produtos agrícolas. fica fácil entender porque atualmente o país é grande produtor e exportador de soja. suco de laranja. o perfil é outro.USDA.5% Óleo de soja 4º 2º 15.4% Carne suína 4º 4º 8. o trigo.8% Carne bovina 2º 1º 20. café e outros.8% Suco de laranja 1º 1º 79. dos produtores e demais participantes do agronegócio brasileiro e mundial.2% Carne de frango 3º 1º 34. em áreas menores de produção e com o uso mais tradicional da tecnologia. consumo etc. também..MAPA. suco de laranja concentrado e congelado. Observa-se o predomínio de pequenos e médios produtores. as propriedades com pecuária de corte e de leite. aliado ao aumento de tecnologia nas propriedades e aos incentivos governamentais. ambas baseadas na agricultura familiar. como a uva e os citros. café e açúcar. Pecuária e Abastecimento . açúcar.9% Soja em grão 2º 1º 40. no período de 2013 a 2014. As informações acima foram elaboradas pelo Ministério da Agricultura.1% Fonte: MAPA (2014) com dados da USDA. exportação. É preciso considerar. Depois de ver rapidamente como se divide a produção agrícola em certas regiões do Brasil e os números que as constituem.8% Milho 3º 2º 18. dos bancos. construídas com dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos .6% Café 1º 1º 26.12 Note que. e frutas. Elas comprovam que o Brasil é um grande produtor e exportador de commodities agrícolas. Esta liderança em relação ao mercado mundial é conseguida devido à eficiência do produtor brasileiro. Os dados divulgados pelo USDA são tomados como referência por grande parte das empresas. e a suinocultura. As principais culturas da região Sul são o arroz. na região Sul. o milho. importação. Posição brasileira na produção e exportação mundial de produtos agrícolas (2013/14) Produtos Produção Exportação % da produção exportada Açúcar 1º 1º 48. Comentário do autor d O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos-USDA divulga informações de produção. Curso Técnico em Agronegócio . de diversos produtos agrícolas do Brasil e do mundo.

Todo o necessário para a produção de subsistência estava disponível nesses espaços fixos. Há milhares de anos os homens viviam em bandos.Tópico 2: Contextualização Histórica De onde surgiu o conceito atual de agronegócio? Você sabe como surgiu o agronegócio? Tudo começou com a agricultura. a conservação dos alimentos. Com o passar do tempo. 1970. Podemos considerar que esse é o início da agropecuária. movidos pela necessidade de caça e pesca. o que permitiu que o homem se fixasse em lugares preestabelecidos. deixando de se deslocar por grandes distâncias em busca de comida. ainda que na época fossem muito precárias as condições em termos de infraestrutura. percorrendo lugares distantes. eles descobriram que era possível domesticar os animais e que eles poderiam ajudá-los em suas tarefas no campo (ARAÚJO. sempre em busca de alimentos ofertados pela natureza e. um marco significativo na história da humanidade. se eles lançassem as sementes ao solo. 1980 e 1990. cresceriam e dariam frutos que serviriam para a sua alimentação. veremos quatro marcos temporais: as décadas de 1960. também. foi ocorrendo a integração das atividades agropecuárias com as atividades industriais (ARAÚJO. Durante essas jornadas. 2010). Introdução ao Agronegócio 13 . com a diversificação da produção de várias culturas. o que impossibilitava. as criações de animais e o desenvolvimento tecnológico. vivenciava-se tanto períodos de grande fartura quanto períodos de total escassez devido às condições climáticas adversas. Avançando séculos e mais séculos nessa história. esses homens entenderam que. 2010). E como será que se desenvolveu essa integração e onde estamos hoje nesse importante capítulo da história do homem e do agronegócio? Evolução da agricultura Para contar esta parte recente da história da agricultura. por exemplo. Além disso. elas germinariam.

Já a segunda metade da década de 1960 é marcada por um processo de modernização da agricultura brasileira. e gados de corte e de leite. que produziam café. e cana-de-açúcar. Nessas propriedades. para o tecido. e também criavam porcos. Com essa evolução agrícola. agrícola. ou primário (ARAÚJO. na qual se intensificam as relações entre a agricultura e a indústria (MAZALLI. em função de um forte movimento de êxodo rural. 2010). 2000). Curso Técnico em Agronegócio . já que a cidade se tornou atrativa com a oferta de empregos e as propriedades rurais foram perdendo sua autossuficiência (ARAÚJO. 2010). ainda. “Já não se tratava mais de propriedades autossuficientes. 2010). e. iniciou-se um processo de especialização em determinadas atividades. Durante os anos seguintes. com a grande evolução socioeconômica e tecnológica que ocorreu nos diversos setores da economia. o leite era utilizado para a produção de queijos e manteiga. Parte disso ocorreu. o que fez com que as propriedades rurais se tornassem dependentes de insumos e serviços que elas mesmas não eram mais capazes de produzir. mas de todo um complexo de bens. serviços e infraestrutura que envolve agentes diversos e interdependentes” (ARAÚJO. Aqui temos um marco fundamental na história do desenvolvimento agrícola brasileiro. milho. perdeu sentido. que se transformava em roupas. o termo “agricultura” deixou de abranger a complexidade do setor. também. pois passou a envolver muitos setores e não era mais classificado como rural. ou de agricultura. O conceito de setor primário. o algodão.1960 – A modernização da agricultura 14 Um exemplo de como era o processo agrícola no Brasil na década de 1960 são as propriedades rurais de Minas Gerais. da cana-de-açúcar se faziam a cachaça e o melaço.

o Sistema Nacional de Crédito Rural (SNCR) foi estruturado. o governo brasileiro atuou fortemente concedendo o crédito agrícola e fornecendo financiamentos com taxas de juros subsidiadas. os financiamentos foram facilitados e proporcionaram maior capitalização aos produtores e às agroindústrias de modo geral. no qual a produção agrícola passou a depender dos insumos que recebia de determinadas indústrias. com o objetivo de acelerar esse desenvolvimento tecnológico na produção agrícola nacional. sendo os principais objetivos: J Modernização da agricultura Incentivo à produção de alimentos % Administração dos preços agrícolas. Dessa forma. Em suma. A modernização da agricultura necessitava de investimentos em tecnologia. 1970 – Investimentos e crédito facilitado para a agricultura 15 Alguns anos mais tarde.Nesse período. delineou-se um novo modo de produção agrícola. a década de 1960 é considerada como uma referência no processo de modernização da agricultura brasileira. Esse Introdução ao Agronegócio . já na década de 1970. ocorrendo um aumento das relações entre agricultura e indústria. pois. pois a estrutura agrária existente era arcaica. em 1965. nesse período.

16 fato acabou prejudicando os pequenos produtores no mercado e favorecendo os médios e grandes produtores com maior poder de capitalização. o Estado passou a priorizar ações estratégicas dirigidas a segmentos específicos. o mundo e o Brasil passavam por uma forte crise econômica. e nesse período foi realizada a Reforma da Política Agrícola Brasileira. Com a crise dos mecanismos tradicionais de apoio ao setor (crédito governamental. pela qual se implantaram as indústrias de insumos e as máquinas para a agricultura no território brasileiro. 1980 – Crise mundial e seus impactos na agricultura Nos anos 1980. que levou a uma drástica redução do crédito oficial do SNCR. • a solução de endividamento de produtores e cooperativas. • o programa de reforma agrária. 1998. 1987. política de garantia de preços mínimos.. • os fundos regionais de investimento. Curso Técnico em Agronegócio .). É importante lembrar que. O crédito fácil para os agricultores impulsionou a expansão de culturas de larga escala e a utilização de grandes áreas em uma mesma propriedade. RAMOS. GRAZIANO DA SILVA. no período entre 1950 e 1975. estoques reguladores etc. ocorrendo também um incentivo à exportação (KAGEYAMA ET AL. devido à mecanização e ao aumento do consumo de insumos agrícola. como: • as linhas especiais para agricultores familiares. o Estado Brasileiro promoveu a política de Substituição de Importações (SI). 2007).

contribuindo fortemente com o aumento da produção e a expansão da cultura em diversas regiões do Brasil. como. após a Segunda Guerra Mundial. assistência técnica e insumos. Essa lei foi um marco no incentivo à produção agrícola do país. Houve uma política de incentivo às importações durante o Governo Collor o que gerou a necessidade de a indústria local se modernizar. Dica ' O agronegócio da soja no Brasil cresceu a partir da Lei Kandir (1996) que isenta de ICMS produtos primários e semi-elaborados destinados à exportação. que proporcionam um aumento do financiamento privado da agricultura. o Brasil aderiu a uma política neoliberal. os grãos.  Assim. grandes empresas multinacionais chegaram ao Brasil e compraram fábricas que estavam em operação. e nesse período ocorrem vários avanços tecnológicos que permitiram a estruturação dos agentes necessários para atender aos mercados interno e externo. substituindo em parte o crédito do governo. Neste período há um aumento da ação dos capitais privados no campo. por exemplo. tradings e de outros agentes financeiros. Em paralelo. Informações extras O O termo “neoliberalismo” foi definido por Perry Anderson em 1995 como um fenômeno diferente do liberalismo clássico do século XVIII. Introdução ao Agronegócio 17 . e a adoção desse termo ocorreu nos países capitalistas da Europa e nos Estados Unidos. cresce os mecanismos privados de financiamento para a agricultura vindos das agroindústrias. para se tornar competitiva em relação aos produtos importados. Tradings Empresas que financiam o produtor nas atividades de produção e que geralmente recebem produtos. em troca da disponibilização ao produtor de recursos financeiros.1990 – Neoliberalismo e agricultura Durante os anos 1990.

e do armazenamento. Se o frigorífico não atender a essas exigências. também são consideradas as exigências do consumidor final. do processamento e da distribuição dos produtos agrícolas e dos itens produzidos a partir deles. poderá perder mercado. O conceito de agribusiness passou a ser difundido no Brasil somente a partir da década de 1980. a questão da carne bovina. 2010). procurando consumir produtos que tenham qualidade garantida pelo seu fabricante. Alguns países importadores como os da União Europeia. Podemos citar como exemplo. das operações de produção nas unidades agrícolas. o consumidor está cada vez mais exigente. e foi apenas a partir da década de 1990 que a tradução do termo para o português (agronegócio) passou a ser aceita e utilizada no país (ARAÚJO. Atualmente. proposto por Davis e Goldberg. Curso Técnico em Agronegócio . ao exigir uma carne com qualidade melhor ou da qual o animal a ser abatido sofra o menos possível.Tópico 3: Definição de Agronegócio 18 O conceito de agronegócio vem do inglês agribusiness. Ou seja. No conceito de agronegócio. que muitas vezes é o responsável por decisões dentro da cadeia produtiva. é uma tendência do mercado mundial da qual não se pode ficar para trás. que ocorre na propriedade rural. exigem que toda a carne que for exportada pelo Brasil seja certificada e rastreada desde o início do processo de produção. Ao estudar os Sistemas Agroindustriais (SAG). Isso levou à definição de agribusiness como: A soma total das operações de produção e distribuição de suprimentos agrícolas. O consumidor. os autores desenvolveram uma ferramenta para analisar a importância de cada elo do agronegócio e concluíram que um dependia do outro. em 1957. está influenciando diretamente na produção da carne.

havendo a necessidade de uma coordenação da cadeia. os mercados. p. PADILHA JUNIOR. observamos que existe uma interligação entre os elementos da cadeia produtiva. Devemos considerar todos aqueles que estão envolvidos antes da produção. Também fazem parte desse complexo os agentes que afetam e coordenam o fluxo dos produtos. durante a produção e no fluxo dos produtos agrícolas até chegar ao consumidor. 48). Repare que há vários elementos interligados e interdependentes. 2000. como os dos fornecedores de insumos agropecuários (fertilizantes. dos processadores. crédito e sementes).Contratual Vertical Agências de Estatística Trendings Filmes Individuais Produtor Fornecedor Produtor Matéria-Prima INFRA-ESTRUTURA DE APOIO Trabalho Crédito Transporte Energia Tecnologia Propaganda Armazenagem Outros Serviços Fonte: SHELMAN. dos distribuidores e das revendas de produtos agropecuários. dos produtores rurais. defensivos. p. Ao analisarmos uma cadeia produtiva. E você? A qual parte desse sistema pertence? Ao analisar novamente a figura anterior. Observe com atenção a figura anterior pois ela exemplifica a visão sistêmica do agronegócio. como o governo. rações. dos transformadores. todos os elos estão interligados e são monitorados pelo governo. e as entidades comerciais. Introdução ao Agronegócio 19 . sob a pressão exercida pelos consumidores. é preciso ter uma visão sistêmica. 2007. 6. 1991 apud ZYLBERSZTAJN.Sistema agroindustrial Consumidor Industrial Institucional Varejista Processador ESTRUTURAS DE COORDENAÇÃO Mercado Mercado de Futuros Programas governamentais Agências governamentais Cooperativas Joint Ventures Integração . financeiras e de serviços (MENDES.

20 pois como todos os elementos estão relacionados. Informações extras O Podemos citar como exemplo um caso de adulteração do leite ocorrido no Rio Grande do Sul que causou impactos em todos os elos da cadeia produtiva. podemos considerá-lo baseado em cinco setores principais (MENDES. definir o agronegócio de uma maneira mais esquemática de modo a facilitar sua compreensão. Os principais setores do agronegócio Fornecedores de insumos e bens de produção Produção agropecuária Processamento e transformação Distribuição e consumo Serviços de apoio Alimentos Restaurantes Agronômicos Têxteis Hotéis Veterinários Vestuário Bares Pesquisa Lavouras temporárias Calçados Padarias Bancários Madeira Feiras Marketing Horticultura Etanol Supermercados Vendas Silvicultura Combustíveis Papel e papelão Comércio Transporte Floricultura Tratores Fumo Exportação Armazenagem Extração vegetal Óleos essenciais Sementes Calcário Fertilizantes Rações Defensivos Produtos veterinários Colheitadeiras Implementos Produção animal Lavouras permanentes Indústria rural Máquinas Motores Fonte: Mendes (2007). toda a cadeia será afetada. caso ocorra algum problema em algum deles. Os sistemas agroindustriais assemelham-se às redes de relacionamento. baseado em ABAG. Curso Técnico em Agronegócio Portos Bolsas Seguros .2007): • fornecedores de insumos e bens de produção. Sendo assim. • serviços de apoio. • produção agropecuária. Pode-se. • processamento e transformação. também. sendo que nestas cada agente tem contato com um ou mais agentes. Acesse no AVA a reportagem que foi publicada em um jornal do RS para saber mais sobre o assunto. • distribuição e consumo.

jamais um elo pode ser analisado separadamente. 2006). A expressão “agricultura familiar” passou a ser utilizada no Brasil a partir de meados da década de 1990. 21 Introdução ao Agronegócio . é preciso analisar as ações do governo e das instituições responsáveis pela comercialização (como as bolsas de mercadorias). o elo da indústria processadora de suco de laranja. a logística.` Atenção Para analisar um Sistema Agroindustrial . Também devem ser analisados os elos da distribuição (que farão a venda do suco) e o consumidor. Ter uma visão sistêmica do agronegócio ou seja. no SAG da laranja é preciso analisar o elo dos insumos de produção. depois. Tópico 4: Agricultura Familiar Após aprender a respeito dos fatores mais mercadológicos sobre o agronegócio. ocorreram dois eventos que impactaram social e politicamente o meio rural.SAG é preciso seguir as duas orientações abaixo. Por exemplo. o elo do fornecedor de matéria-prima. como fertilizantes. em especial a região Centro-Sul (SCHNEIDER. Dentro dessa perspectiva. 2. Nesse período. segurança alimentar e desenvolvimento local. é preciso considerar outro aspecto: a importância do papel da agricultura familiar no desenvolvimento do país em função da relevância de questões como desenvolvimento sustentável. o elo da produção de laranja e. geração de renda e de emprego. a pesquisa etc. 1. a tecnologia. A ação de cada elo do SAG influencia outros elos e sofre influência deles.

• a queda dos principais produtos agrícolas de exportação. mas nem sempre a terra. sendo responsável pela produção de 70% dos alimentos consumidos no país: cerca de 70% do feijão. Curso Técnico em Agronegócio . 2006): • a falta de crédito do governo para o meio rural. pois. 58% do leite e 46% do milho (SALCEDO. 2014).4% dos estabelecimentos rurais pertencem à agricultura familiar. e os principais motivos eram (SCHNEIDER. A maior parte do trabalho deve ser realizada pelos membros da família. 84. que estavam sendo preteridas das políticas públicas desde a década de 1970. ocorreu a mobilização de diversos movimentos sociais no campo liderados pelo sindicalismo rural ligado à Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – CONTAG. A propriedade dos meios de produção. Estes são números altamente relevantes para todo o abastecimento interno. foi criado o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar – PRONAF com o objetivo principal de prover crédito agrícola e apoio institucional às categorias de pequenos produtores rurais. que emprega quase 75% da mão de obra do setor agropecuário. 87% da mandioca.22 O primeiro deles refere-se à questão política. Esses movimentos produziram diversas formas de manifestação (que ocorrem até hoje. mas somente 24. além de outras questões econômicas. e por conta disso não estavam conseguindo se manter na atividade (SCHNEIDER. 2006). basta acompanhar os noticiários). pode ser definida a partir de três características principais (INCRA. A produção oriunda da agricultura familiar é direcionada principalmente para o mercado interno. nesse período. No Brasil.3% das áreas ocupadas por estabelecimentos agrícolas são administradas por pequenos proprietários. deve pertencer à família e deverá ser feita no interior da propriedade a transmissão desses meios de produção caso ocorra o falecimento ou a aposentadoria dos responsáveis. de acordo com a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação – FAO.1995): A administração da unidade produtiva e os investimentos nela realizados devem ser feitos por indivíduos da mesma família. Como resposta às manifestações sociais da década de 1990. O PRONAF firmou a agricultura familiar no cenário político e social do Brasil. então. como o “Grito da Terra”. A agricultura familiar.

a agricultura familiar é responsável pela produção dos principais alimentos consumidos pela população brasileira: 84% da mandioca. principalmente em um contexto drástico de mudanças climáticas. nos últimos anos. 49% do milho. reduzindo a vulnerabilidade do país ao mercado global e ao choque de preços. percebemos que o modelo de grandes fazendas não é um modelo para ser seguido no futuro”. dinamizar os mercados locais. incentivar a permanência de agricultores na sua comunidade e também. também. para aumentar a segurança alimentar. a produção de alimentos. 40% das aves e dos ovos.De acordo com o Ministério do Desenvolvimento Agrário – MDA. As políticas públicas brasileiras de incentivo ao pequeno produtor são consideradas um exemplo pela FAO. O modelo da agricultura familiar é importante para garantir a segurança alimentar e. 54% do leite. Ao analisarmos esses números. passou a ser um setor prioritário para o governo federal. 67% do feijão. A agricultura familiar ganhou uma importância tão grande que o ano de 2014 foi escolhido pela FAO para ser o Ano Internacional da Agricultura Familiar. que. em nível nacional. “Com o aumento dos preços dos alimentos e as mudanças climáticas. e 58% dos suínos. observamos a importância da agricultura familiar. 23 Introdução ao Agronegócio . De acordo com Salcedo (2014): O incentivo à agricultura familiar contribui para reduzir a pobreza extrema. afirma Salcedo (2014).

o segmento da agricultura familiar emprega diretamente cerca de 10 milhões de pessoas. De acordo com dados do MDA.24 Mas como é a produção dentro desse sistema mais familiar? Na maioria das propriedades de agricultores familiares. o segmento da agricultura familiar conta com mais de 4. temos a importância das políticas públicas e econômicas do Brasil para o desenvolvimento do agronegócio no país Curso Técnico em Agronegócio . Essa primeira parte foi fundamental para lhe dar base não somente para avançar nos demais temas. na América Latina e no Caribe. 93 milhões. A grande concentração de agricultores familiares está na Ásia: o continente concentra 87% dos pequenos agricultores do mundo – a China possui 193 milhões. além de empregar mais de 70% da mão de obra do setor. sendo que. e a Índia. Segundo a FAO. No mundo. Encerramento Neste tema. considerando apenas os países do MERCOSUL. são plantadas grandes variedades de produtos. além de serem utilizadas sementes e espécies tradicionais existentes há centenas de anos.3 milhões de unidades produtivas. você pôde aprender os conceitos mais gerais acerca do agronegócio. 2014). a agricultura familiar é responsável pela produção de 80% dos alimentos consumidos no continente. que correspondem a 84% do número de estabelecimentos rurais brasileiros. como também para aplicar em sua jornada prática. consideradas mais resistentes às pragas e às mudanças climáticas (SALCEDO. elas representam cerca de 80% das propriedades agrícolas e produzem mais de 60% dos alimentos consumidos na região. a Organização das Nações Unidas estima que existam cerca de 500 milhões de pequenas propriedades. Como ponto a se destacar até agora. Na África.

02 Panorama Geral do Agronegócio no Brasil e no Mundo .

• comparar dados do setor agrícola nacional e do internacional. analisaremos dados dos agronegócios mundial e brasileiro. ao final deste tema.26 Tema 2: Panorama Geral do Agronegócio no Brasil e no Mundo Neste segundo tema. como as produções agrícola e pecuária. • conhecer as principais cadeias produtivas brasileiras. para que você. Tópico 1: Panorama Geral Mundial do Agronegócio Curso Técnico em Agronegócio . desenvolva as seguintes competências: • identificar as principais questões e debates acerca do agronegócio nos contextos brasileiro e mundial. assim como as suas perspectivas futuras.

Por isso. veja a seguir alguns dados dos principais produtos que são produzidos e comercializados. No entanto. a armazenagem e a distribuição até chegar ao consumidor final. o trigo. Os principais grãos produzidos na safra 2012/2013 foram o arroz. Para você compreender melhor o que isso representa no mundo. A imagem a seguir apresenta o percentual de produção de cada um desses produtos. a produção de grãos vem aumentando. a industrialização. Introdução ao Agronegócio 27 .O agronegócio tem uma enorme importância na economia brasileira e na mundial. A figura abaixo mostra a produção agrícola e os estoques mundiais de grãos. Como já exposto no tema anterior. diminuindo. assim como dados referentes à produção agrícola e aos estoques mundiais de grãos. inclusive. que envolve também o setor de insumos e equipamentos para a produção. Produção agrícola e estoques mundiais de grãos 2500 2000 1500 Produção 1000 Estoques Finais 500 3 /1 2 12 /1 20 1 11 /1 20 0 10 /1 20 9 09 /0 20 8 08 /0 20 7 07 /0 20 6 06 /0 20 5 05 /0 20 4 04 /0 20 3 03 /0 20 02 /0 20 01 /0 20 00 20 2 0 1 Milhões de toneladas 3000 Fonte: USDA (2013) Mas por que os números relativos aos estoques não variam muito? Podemos dizer que eles estão. o transporte. o milho. a cevada e o sorgo. na qual podemos observar que. Isso vem ocorrendo em função do aumento da demanda por grãos. por exemplo. o processamento da matéria-prima. desde 2000. devemos sempre analisá-lo de uma maneira sistêmica. mas os estoques oscilam sempre na faixa de 500 milhões de toneladas. a soja. é importante ressaltar que a produção agropecuária é apenas uma parte do conceito. a produção de grãos não acompanha esse ritmo devido a fatores climáticos adversos. que pode ser justificado por fatores como o crescimento da população mundial.

Principais produtos (Safra 2012/2013)

28
9%
20%

Arroz
Milho
Soja

27%

Trigo
33%

Outros (aveia, centeio, cevada e trigo)

11%

Fonte: USDA (2013)

Como lei básica do mercado, quando os estoques começam a diminuir muito, os preços no
mercado internacional de grãos aumentam, prejudicando em maior escala a população dos
países menos favorecidos.
Para exemplificar melhor esse cenário, a seguir serão abordadas algumas das questões mais
importantes no cenário internacional e que afetam todos os países, incluindo o Brasil. As
questões a serem discutidas estão relacionadas ao protecionismo dos países ricos, como os
subsídios e as barreiras fitossanitárias.

Comentário do autor

d

Os subsídios agrícolas são incentivos pagos (em valores) pelo governo para
os agricultores de seu país, sendo que uma das principais motivações pelo
pagamento é a compensação dos preços de mercado inferiores ao custo de
produção. Os subsídios são uma ajuda do governo para que os agricultores
garantam uma renda mínima e também funcionam como incentivo ao aumento
da produção (ARAÚJO, 2010).

São considerados exemplos de subsídios a sustentação de preços mínimos ou de renda,
a contribuição financeira de um governo ou algum órgão público em que há transferência
direta de recursos (concessões, empréstimos e títulos), o fornecimento de bens e serviços de
infraestrutura geral, a aquisição de bens etc. (ICONE, 2014).
Como visto no tema anterior, na década de 1970 no Brasil, os agricultores receberam subsídios
oferecidos pelo governo na forma de financiamentos bancários oficiais em um período no
qual havia crédito abundante do governo, com uma parcela de subsídios incluída. Esse tipo
de financiamento foi muito criticado, pois priorizou a liberação de crédito para os grandes
proprietários de terra em detrimento dos pequenos.
O governo brasileiro também forneceu subsídios para o setor do trigo, em especial aos
moinhos, com o objetivo de limitar os preços pagos pelos consumidores. No início da década

Curso Técnico em Agronegócio

de 1980, o governo federal passou a restringir o crédito à agricultura, levando à extinção dos
subsídios na década de 1990 (ARAÚJO, 2010).
Após esse breve histórico, é importante refletir sobre questões que são permanentes no
universo da agricultura. Por exemplo:
• A instabilidade de preços;
• Os riscos climáticos e sanitários;
• Fatores de ordem histórica, cultural e política;
• Essencialidade dos produtos agropecuários destinados à alimentação.
Todos esses aspectos levam os países a adotarem uma série de políticas agropecuárias de
proteção aos seus agricultores. Além de assegurar renda aos produtores, o protecionismo
agropecuário objetiva garantir a segurança alimentar e, muitas vezes, a soberania alimentar: ter
alimentos suficientes para todos e, de preferência, produzidos no próprio país (ALMEIDA, 2009).
Farm Bill é o nome popular dado à legislação agrícola dos EUA, geralmente renovada a cada
quatro anos, que possui como objetivo consolidar em um único documento os programas de
política agrícola do Departamento de Agricultura dos EUA – USDA. A Farm Bill aprovada em maio
de 2008 teve gastos com a agricultura de até US$ 307 bilhões, e os Estados Unidos forneceram
subsídios para diversas culturas, como a soja e o milho, levando ao aumento da produção.

29

Introdução ao Agronegócio

30

A estimativa é de que o Brasil perca cerca de 700 a 800 milhões de dólares com esses subsídios
americanos, o que também afeta os preços internacionais, já que os EUA são o maior mercado
e a sua produção excedente é exportada (ALMEIDA, 2009).
Como visto, a Farm Bill fornece bilhões de dólares em subsídios, cuja maior parte vai para
grandes agronegócios produtores de milho, soja, trigo, algodão e arroz (os dois primeiros
são usados na alimentação do gado). Ou seja, esses subsídios “agrícolas” acabam indo para
a produção de carne. Dessa forma, agricultores que produzem frutas e vegetais recebem
menos de 1% de apoio governamental.
A União Europeia também fornece grandes subsídios para os seus agricultores – estima-se
que sejam fornecidos cerca de 70 bilhões de euros por ano, sendo que 45% do orçamento da
UE são destinados a subsídios agrícolas.

A Europa é, simultaneamente, um importante exportador e o maior importador de produtos
alimentares do mundo. O setor agrícola europeu utiliza métodos de produção seguros, limpos
e ecológicos, e fornece produtos de qualidade que satisfazem às exigências dos consumidores.
O seu papel não consiste apenas em produzir produtos alimentícios, mas também em
garantir a sobrevivência do espaço natural enquanto espaço para se viver, trabalhar e visitar
(COMISSÃO EUROPEIA, 2014).
A Política Agrícola Comum - PAC europeia é definida e aplicada pelos governos dos Estadosmembros. O seu objetivo é apoiar os rendimentos dos agricultores ao mesmo tempo em que
os incentiva a produzir produtos de alta qualidade, de acordo com as exigências do mercado,
e a procurar novas oportunidades de desenvolvimento, nomeadamente fontes de energia
renováveis mais sustentáveis (COMISSÃO EUROPEIA, 2014).

Curso Técnico em Agronegócio

Há 50 anos. A renovação da PAC europeia. A OMC é a organização à qual os países participantes recorrem para a resolução de problemas comerciais uns com os outros. a sua principal prioridade era produzir alimentos suficientes em uma Europa que emergia de uma década de escassez causada pela guerra. A Link Para saber mais sobre protecionismo da União Europeia. e o mercado europeu paga por qualidade. entidade internacional criada em 1995 para coordenar e administrar questões referentes ao comércio mundial. Atenção ` O objetivo da política da UE é permitir que os produtores de todos os alimentos sejam capazes de sobreviver. em vigor de 2014 a 2020. A entidade possui um acordo agrícola. Sua pretensão é fazer a economia girar com foco na produção local. O país é afetado principalmente nos setores da cana-de-açúcar e da pecuária de corte: • cana-de-açúcar: o nosso mercado será atingido se eles aumentarem os incentivos para a produção de açúcar de beterraba. também. e convive no mercado internacional pautado por preços internacionais gerados por essas nações. dificultando ainda mais as exportações para lá. Cerca de um terço da renda dos agricultores europeus provém dos subsídios. está gerando uma expectativa de redução dos subsídios devido ao alto preço das commodities no mercado internacional e. que é um conjunto de normas criado com o objetivo de regularizar os níveis de subsídios e protecionismos do setor agrícola. O seu principal objetivo é apoiar os produtores de bens e serviços. O Brasil não tem condições de garantir os mesmos níveis de subsídios de países como EUA e da UE. Como e onde o Brasil e outros países podem se defender do protecionismo nas nações mais ricas? Essa resposta está relacionada com a Organização Mundial do Comércio – OMC. 2014). à crise dos países da zona do euro. leia uma reportagem disponibilizada no AVA. • pecuária de corte: excessivas exigências de rastreabilidade. pelos seus próprios meios. no mercado da UE e nos mercados mundiais. mas o apoio à produção em grande escala e a compra de excedentes para garantir a segurança alimentar pertencem ao passado. e isso faz com que eles produzam mais e tenham preços mais competitivos no mercado internacional (COMISSÃO EUROPEIA. assim como os exportadores e os importadores no desenvolvimento de suas atividades. Introdução ao Agronegócio 31 .A política agrícola da União Europeia está em constante evolução.

Por meio desse acordo, pretende-se (ICONE, 2014):

32

• fornecer maior transparência dos mercados agrícolas;
• promover a liberalização gradual do comércio pela redução das barreiras tarifárias e não
tarifárias;
• corrigir distorções de preços e equiparação das condições de concorrência, com a redução
dos subsídios domésticos e nas exportações.
A título de exemplo prático, veja algumas ações já realizadas pelo Brasil na OMC:

Suco de Laranja: a disputa entre Brasil e EUA teve início na OMC em 2009 e
se encerrou em junho de 2011. O Brasil saiu vitorioso, e os norte-americanos
desistiram de recorrer da decisão favorável que questionou medidas antidumping
impostas ao suco de laranja brasileiro.
Algodão: o Brasil questiona os subsídios pagos aos produtores americanos
de algodão, considerados ilegais pela OMC. Mais uma vez, saindo-se vitorioso,
devendo receber dos EUA US$ 147 milhões anuais. O valor do fundo do
algodão foi aprovado pelos dois países, mas foi bloqueado em 2012 pelo
Congresso norte-americano. Como resposta, o Brasil ameaçou retaliar na área
de propriedade intelectual, o que já foi autorizado pelo órgão de solução de
controvérsias da OMC.

Carne Bovina: o setor privado brasileiro decidiu pedir ao governo a abertura
de queixa contra a União Europeia na OMC por discriminação no caso das
exportações brasileiras dentro da Cota Hilton. A Cota Hilton é constituída de
cortes especiais do quarto traseiro de novilhos precoces, e seu preço no mercado
internacional corresponde de três a quatro vezes o preço da carne comum. A
cota anual de 65.250 toneladas é fixa, e a ela somente têm acesso os países
credenciados: Argentina, Austrália, Brasil, Uruguai, Nova Zelândia, Estados
Unidos, Canadá e Paraguai. A tarifa extracota é de 12,8% mais 303,4 euros por
100 kg de carne. A cota brasileira é de 10 mil toneladas anuais.

Tópico 2: Panorama Geral do Agronegócio Brasileiro
Nesta etapa, você conhecerá um perfil aprofundado sobre o agronegócio nacional. O tópico
foi dividido por tipo de commodity, bem como pelas respectivas informações sobre sua cadeia,
seu diagnóstico e suas perspectivas futuras.

1: Soja
A soja é a principal oleaginosa produzida no mundo, sendo utilizada como commodity na
produção de óleo, na formulação de rações e na produção de carnes. A imagem a seguir

Curso Técnico em Agronegócio

mostra como os diferentes elos da cadeia estão interligados: o início está no elo dos insumos,
passando pelos elos da produção, dos originadores, das esmagadoras, da indústria de
derivados do óleo e da distribuição até chegar ao elo do consumidor final.
Cadeia produtiva da soja
Insumos
(sementes, defensivos, máquinas etc.)
Produção
Centro-Oeste, Sul, Sudeste, Nordeste e Norte
Originadores
Armazéns Gerais, Cooperativas e trading companies
Esmagadores
Empresas privadas e cooperativas
Indústria derivados do óleo
Maionese, margarina, sabão, tinta etc.
Distribuição
Atacado, Varejo, Mercado Institucional

Consumidor
Fonte: Elaboração da autora

A imagem seguinte apresenta os dados relacionados à produção, ao consumo e aos estoques
mundiais divulgados pelo USDA. Repare que o mercado internacional da soja está dividido
entre quatro países. Quais são eles?

33

300
250
200

Produção

150

Consumo

100

Estoques

50

un
do
M

s
ro
ut
O

in
a
Ch

Ar

ge

nt

in
a

si
l
Br
a

A

0

EU

Milhões de toneladas

Produção, consumo e estoques mundiais de soja: safra 2012/13

Fonte: USDA (2014)

Introdução ao Agronegócio

A Argentina possuía 22,4 milhões de toneladas em estoque, e esse montante representava
quase metade dos estoques mundiais, que foi de 57,8 milhões de toneladas. Um dos motivos
que justificam esse estoque alto é que a oferta da soja é menor do que a demanda nesse país.
Em relação ao Brasil, a imagem a seguir apresenta a produção brasileira do complexo soja no
período de 1999 a 2014.
Produção brasileira do complexo soja
1000.000
90.000
80.000
70.000
60.000
50.000
40.000
30.000
20.000
10.000
0

Soja
Farelo

2014 (E)

2013 (E)

2012

2011

2010

2009

2008

2007

2006

2005

2004

2003

2002

2001

2000

Óleo

1999

Mil. Ton.

Fonte: ABIOVE (2014)

Note que o complexo soja (soja em grão, farelo e óleo) tem grande destaque no agronegócio
brasileiro, já que 26,1 bilhões de dólares foram gerados como divisa pelo setor da soja em 2012.
Esse mesmo setor representou 10,8% do total exportado pelo Brasil. Em 2013, observa-se um
salto de 2% na participação do complexo soja nas exportações do Brasil: 12,8%.

Participação do complexo soja nas exportações brasileiras (%)
15
10
5

Part. Complexo Soja
Fonte: ABIOVE (2014)

Curso Técnico em Agronegócio

2013

2012

2011

2010

2009

2008

2007

2006

2005

2004

2003

2002

2001

0
2000

34

Na safra 2012/2013, a produção mundial foi de 267 milhões de toneladas de soja, sendo
que Brasil, Estados Unidos e Argentina respondem por grande parte do total produzido.
Foram consumidas no mundo 258,8 milhões de toneladas de soja, sendo a China o principal
importador da commodity.

96%. Por ser um dos maiores importadores do complexo soja. produtos siderúrgicos e óleo de soja) respondeu por 67. e a Alemanha.53% das exportações brasileiras destinadas à China em 2002. que faz parte do BRICs. Exportações do complexo soja (2012 e 2013) 0 5 10 15 20 China União Europeia Ásia (exceto china) 2013 2012 Outros Destinos Fonte: ABIOVE (2014) A China. sendo responsável pelo aumento do comércio de produtos agroindustriais e dos preços das commodities agrícolas. Aliás. Como consequência. duas características principais: • a concentração das pautas de exportação e importação (soja. A China entrou na OMC em 2001. Setores do agribusiness enxergam a China como o mais promissor país no consumo de alimentos e fibras. shoyu e óleo de cozinha. busca a autossuficiência com claras intenções de ficar independente do mercado internacional.Os principais mercados para a soja em grão e para o farelo de soja são a União Europeia e a Ásia (China). a China aumentou sua participação como importadora nesse mercado. e. em 2002. tendo essas operações representado 27. o comércio de mercadorias entre Brasil e China apresentou. como soja e milho. como se vê nos dados das exportações do complexo soja nos períodos de 2012 e 2013. causou mudanças importantes no mercado internacional do grão. por isso.19% do total exportado (superando a Holanda. é o segundo maior produtor de grãos do mundo (530 milhões de tonelada/ano). 10. sendo igualmente o maior consumidor.17%). como o maior acesso ao mercado chinês e a limitação dos subsídios do governo desse país aos produtores domésticos Introdução ao Agronegócio 35 . • a China foi o principal país de destino das exportações brasileiras de soja. Uma das razões para a elevada concentração da pauta nesses produtos foi a demanda por soja e óleo de soja. 17. minério de ferro. pois são usados na produção de tofu. itens que fazem parte dos hábitos alimentares dos chineses.

O crescimento das exportações brasileiras para a China decorreu da estratégia das transnacionais que atuam no mercado de grãos. e. Com essa estratégia. Curso Técnico em Agronegócio . as transnacionais buscaram. o que provocou um deslocamento de parcela da soja americana no mercado internacional. Elas atuaram em ambas as regiões. razão pela qual a sua preferência recaiu naturalmente sobre o Brasil. um certificado indicando que as remessas brasileiras de soja não contenham o grão transgênico.36 Nesse período. que consiste em utilizar as regiões economicamente mais produtivas para suprir as regiões mais populosas. Mas o que seria essa estratégia das transnacionais? Atenção ` A estratégia das transnacionais era baseada na ideia de eficiência global. em acordos temporários. A China resiste aos transgênicos. as zonas mais populosas apresentavam perspectivas de crescimento da renda. como a China. diversificar as suas cadeias de oferta. de acordo com as suas próprias estimativas. também. Ela também exige. da produtividade da soja brasileira e da proibição dos transgênicos no Brasil (2002). transformou-se no maior exportador e na segunda maior economia do mundo.

Mas as regiões Norte e Nordeste também estão aumentando a sua área de plantio. as oportunidades e as ameaças. com 15.4%. e áreas no Maranhão. PIB O Produto Interno Bruto mede o valor monetário total dos bens e serviços finais produzidos para o mercado durante determinado período de tempo dentro das fronteiras de um país. nos estados de Mato Grosso. em Tocantins. Rússia. com 10. Introdução ao Agronegócio . a produção de soja concentra-se nas regiões Centro-Oeste e Sul.Perspectiva O trabalho exploratório de economistas (Jim O’Neill.5%.5%. Soja: participação por região do Brasil 3% 7% 6% Norte Nordeste 37% 47% 37 Sul Centro-Oeste Sudeste Fonte: Outlook FIESP (2013) Abaixo tem-se uma panorama da cadeia produtiva da soja. veja a participação da soja por região no Brasil. Rio Grande do Sul.4% da produção brasileira. e os movimentos monetários dos BRICs até 2050. no Piauí e na Bahia. e Goiás. responderam por 8. os pontos fracos. com 29% da produção nacional. No Brasil. A seguir. Paraná. Dominic Wilson e Roopa Purushothaman) do banco de investimentos Goldman Sachs sobre a economia mundial indica que. as economias de Brasil. O estudo mapeia os crescimentos do PIB e da renda per capita. na qual podem-se identificar os seus pontos fortes. com 19. Índia e China podem tornar-se uma força importante na economia mundial. no período de 2012-2013. nos próximos 50 anos.

Ameaças Tarifas alfandegárias. Curso Técnico em Agronegócio . Adoção de biodiesel global via metas de adição. e também por possuírem áreas agricultáveis para expansão do plantio. Igualmente é necessário considerar a tecnologia empregada nas propriedades rurais. Na sequência. O Brasil utiliza um modal de transporte impróprio pela distância percorrida pela soja (± 1. Oportunidades Abrangência do complexo soja na geração de produtos. Pontos fracos Podemos citar como principal ponto fraco a logística deficiente nas regiões produtoras. Fonte: Elaborado pela autora. Áreas agricultáveis que permitem aumento da produção. Novas barreiras de entrada por países importadores. Diferentes cobranças de ICMS pelos estados brasileiros. Pontos fortes Neste item. Estímulo governamental à exportação de soja in natura. o que aumenta o custo de produção. Pontos Fracos Maior produtor mundial é os EUA. observa-se que um dos grandes pontos fortes está na geração de renda nas regiões produtoras de soja. principalmente nos estados de Mato Grosso e Goiás. com base nos dados da ABIOVE (2014). Fortalecimento de ações sustentáveis nos âmbitos nacional e internacional. acompanhe uma análise dos quatro itens. Diversificação via criação de produtos inovadores.000 km). Melhoria nos modais utilizados para o transporte de soja no Brasil. Tecnologia dominada para gerar valor à cadeia. dificultando o escoamento da oleaginosa para os portos que a levarão para o exterior. como o uso de agricultura de precisão e sementes altamente produtivas. Geração de renda nas regiões produtoras (aumenta o IDH).Análise SWOT da cadeia produtiva da soja 38 Pontos Fortes Brasil é segundo maior produtor e exportador mundial.

2 milhões de toneladas. carnes e algodão. abaixo. com uma produtividade média projetada para os próximos anos de 3. Qual é o seu palpite a respeito da cadeia de soja? Confira. o que representará um acréscimo de 21. gerando valor e produzindo produtos que serão vendidos por um valor superior para a commodity. 39 De acordo com o MAPA. Essa produção foi estimada em 2013. tintas e biocombustível. pois.8% em relação à produção de 2013. temos como avançar e pensar a respeito das tendências futuras.3 toneladas por hectare. Introdução ao Agronegócio . também se estima que ocorrerá um grande aumento do consumo de soja para a produção de biodiesel. em especial daquelas que se encontram na região Centro-Oeste. pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais – Abiove.Ameaças Entre as ameaças estão as tarifas alfandegárias e o protecionismo de países como os Estados Unidos. Estima-se que em 2023 a produção de soja seja de 99. Após analisar o quadro anteriormente exposto.3 milhões de toneladas. que subsidiam uma boa parte da sua produção de soja e de outras commodities. Isso torna os seus produtos mais competitivos no mercado internacional Oportunidade Como uma oportunidade está a possibilidade de se pesquisarem novos usos para a soja. como sabão. Existe uma forte tendência da produtividade de aumentar devido ao aumento da tecnificação das lavouras. As projeções de consumo indicam que as demandas de soja no mercado internacional e no mercado interno devem continuar aumentando. como milho. em cerca de 10 milhões de toneladas. algumas projeções. além da demanda de rações animais. a produção de soja em grão em 2013 foi de 81.

que o consumo interno de soja em grão chegue a 50. além de incentivos governamentais para a geração de valor. Esta proporciona mais renda para as regiões produtoras e para o país. mostrando uma perspectiva positiva de crescimento do mercado. ela também seja utilizada de maneira crescente na alimentação humana. deve haver um consumo adicional de soja em relação ao período de 2012-2013 de 8. a proteção do meio ambiente e do consumidor.2 milhões de toneladas. De acordo com o MAPA. tecnologia e impostos a serem arrecadados. a saúde dos animais e das plantas. restrições quantitativas (quotas e contingenciamento de importação).000 80. A seguir. Brasil: projeção da produção. laborais.6 milhões de toneladas ao final da projeção.000 Consumo Exportação 20.000 Produção 40. Saiba mais sobre barreiras comerciais e técnicas no AVA. sendo que se espera um aumento de 19. além da utilização da soja na fabricação de rações animais. Curso Técnico em Agronegócio . também. com dados da CONAB (2013) A cadeia da soja apresenta alto potencial de crescimento. impostos e barreiras tarifárias e não tarifárias) e necessita de maiores investimentos em marketing. consumo e exportação de soja em grão 120. sanitários.000 60. 100. e ainda. queijos etc.000 Mil ton.Estima-se.4% no consumo até 2023. Informações extras O Barreiras Não-Tarifárias são restrições à entrada de mercadorias importadas que possuem como fundamento requisitos técnicos. consumo e exportação de soja em grão. veja uma projeção de produção. principalmente em bebidas. 40 Espera-se que. como a segurança nacional. as BNTs visam a proteger bens jurídicos importantes para os Estados. mas ainda possui grandes gargalos (em logística. assim como mais empregos.000 3 /2 22 1 9 /2 20 20 7 /1 20 18 20 /1 16 5 /1 20 14 20 20 12 /1 3 0 Fonte: MAPA. Normalmente. ambientais.

se as estradas e os portos não conseguem escoar a produção? Coverse sobre esse assunto com o tutor e demais colegas e aprofunde seu conhecimento! O governo tem uma parcela de responsabilidade importante nisso. bola de paintball etc. que não tem condições de concorrer com uma grande empresa. atualmente. O Brasil precisa investir em geração de valor produzindo produtos diferenciados. pois isso trará benefícios aos produtores rurais e. mas. em 1933. Introdução ao Agronegócio 41 . ao pequeno e ao médio produtor. lubrificantes. sendo que os principais países importadores de café brasileiro são: Alemanha. Somos o primeiro na produção mundial de café em grão. Aliás. desenvolvidos pelos produtores e patrocinados pelo governo americano. Abaixo. velas feitas à base de cera de soja. os três principais produtores foram o Brasil. Itália. ao desenvolver nos Estados Unidos o primeiro produto construído à base de soja: um painel de carro feito de plástico de soja. com 37% do mercado mundial cafeeiro. informar-se e tratar a sua propriedade como uma empresa rural. 2: Café O Brasil é o maior produtor e exportador da commodity e conta. A seguir. Entre os produtos à base de soja. Desde essa época. Estados Unidos. produtos de limpeza. em especial. É mais interessante gerar valor e obter mais lucros do que exportar commodities e deixar o lucro do desenvolvimento de produtos para os outros países. mas não basta: o produtor precisa se organizar. estão xampus para animais domésticos. apresentamos alguns usos originais para o grão. Japão e Bélgica. o Brasil é conhecido como o celeiro do mundo. Participação (%) dos países na produção mundial de café em grão: safra 2012/13 Outros 17% México 3% Peru 3% Brasil 37% Índia 4% Honduras 4% Vietnã 17% Etiópia 4% Colômbia 5% Indonésia 6% Fonte: USDA (2013) O gráfico acima nos mostra que. na safra 2012/13. de que adianta produzir tanto. novas tecnologias que incluem o grão foram descobertas. isolante térmico para casas. deixar alguns conceitos no passado e partir em busca de novos desafios. veja o ranking dos países produtores de café na safra 2012/2013.Um exemplo de como é possível gerar valor foi dado por Henry Ford. o Vietnã e a Indonésia.

A qualidade desse grão está relacionada com a altitude em que é plantado (altitudes superiores a 900 metros). É importante ressaltar que estão ocorrendo significativos aprimoramentos na tecnologia de produção. no manejo. como São Paulo. Diferentes tipos de café Arábica A variedade de café mais apreciada no mundo é a arábica e ela representa 59% da produção mundial da cultura de café. devido à sua grande extensão. Pará. nos aperfeiçoamentos genéticos e nas reduções de custos na logística. Essa variedade tem uma grande aceitação na Europa e nos Estados Unidos. Espírito Santo e Rondônia. representou cerca de 25% da cultura nacional de café. o Brasil possui a vantagem de desenvolver diversos tipos e qualidades de cafés – um diferencial que possibilita atender às diferentes demandas.54% da área utilizada em relação à safra de 2012. É mais utilizado na fabricação de café solúvel. Minas Gerais e Mato Grosso. O país conta atualmente com 2. Os principais estados brasileiros produtores dessa variedade são: Espírito Santo (maior produtor de conilon). Curso Técnico em Agronegócio . houve um acréscimo. o que representa um crescimento de 0. A produção nacional de robusta em maio de 2013.73 hectares voltados à cultura de café dos tipos arábica e robusta. Trata-se de um grão bastante achatado e alongado. O cultivo de café arábica totaliza 74. Paraná. pela qual a produção cafeeira está espalhada em 2. Robusta Conilon O café robusta conilon tem a sua origem na África Central e pode ser produzido em altitudes que variam entre o nível do mar e 600 metros.3 milhões de hectares no território nacional. que gera um café fino e com alto valor comercial.42 É importante observar que. Outros estados. Conforme a Conab (2013).341. de 12. por exemplo. Bahia. pois é utilizada para fazer o blend com a variedade arábica. Rondônia. também produzem essa variedade. O maior produtor de café arábica no Brasil é o Estado de Minas Gerais.9% da quantidade de café nacional.370 hectares. no ano de 2013.

000. Paralelamente Introdução ao Agronegócio .200. Hectares produzidos na produção brasileira de café 43 1. como a industrialização do grão verde.000 2012 600.Veja os estados nacionais produtores de café e as respectivas espécies cultivadas em cada local.000 200.000 Hectares 1.000 Outros Rio de Janeiro Goiás Pará Mato Grosso Rondônia Bahia Paraná São Paulo Espírito Santo Minas Gerais 0 Fonte: ABIC (2013) A cadeia agroindustrial do café. Regiões produtoras de café Arábicas Conillon (Robusta) Fonte: ABIC (2013) Agora. a torrefação e a comercialização. ao compararmos os hectares utilizados na produção brasileira de café nos estados produtores. podemos observar que as maiores áreas de produção estão concentradas nos estados de Minas Gerais e Espírito Santo.000 2013 400. segundo Zilbersztajn (1993).000 800. é estruturada pelas operações agrícolas.

o produtor mantém uma relação instável com a cooperativa. PR. SP. Curso Técnico em Agronegócio . Zilbersztajn (1993) acredita que “em geral os produtores trabalham com um nível de incerteza e insegurança muito alto em relação às informações disponíveis no mercado”. que os disponibilizam com menor preço por operarem em grande escala. máquinas etc. desinteresse em participar das transações e dificuldade de comunicação com as fontes. Nesse sentido. em grande parte. 1999): Cadeia produtiva do café no Brasil Insumos (mudas. MT 1º Processamento do Café Maquinistas e Cooperativas 2º Processamento do Café Empresas de torrefação e moagem Vendedores Nacionais Cooperativas. Mas por que essa incerteza acontece para os produtores de café? Essa situação ocorre em função de fatores como distância física entre produtor e cooperativa. são obtidos por meio das cooperativas. Exportadores e Atacadistas Compradores Internacionais Empresas de solúvel. bares e restaurantes Consumidor Fonte: Adaptação de Saes e Farina (1999) A maioria dos produtores de café no Brasil são membros de alguma associação de interesse privado. ES. pois a maioria dos produtores se relaciona com a cooperativa para entregar seus produtos. e os insumos. 1993). já que ele possui a possibilidade de vender a sua produção para outros atores da cadeia (ZILBERSZTAJN. RO. surge outro estudo que indica que a cadeia de café brasileira é constituída pelos seguintes segmentos (SAES E FARINA. mercado institucional. Apenas grandes cafeicultores vendem os grãos para compradores diretos. cafeteiras. torrefação e dealers Varejo Nacional e Internacional Supermercados.) Produção MG.44 a esse conceito. BA. defensivos.

A comercialização e a distribuição de café no Brasil são realizadas “por meio dos exportadores. restaurantes. supermercados e as próprias torrefadoras” (ZYLBERSZTAJN. O povo brasileiro é um dos maiores consumidores de café do mundo. atacadistas e varejistas em geral. como bares. Fonte: ABIC (2013) Perspectivas futuras Consumo de café Segundo a Organização Internacional do Café – OIC. e a preferência nacional é o café torrado e moído: cada consumidor consome em média 2. Segundo a ABIC (2012).8%. o consumo de café no Brasil tem crescido a uma taxa média anual de 4. maquinistas. corretores. Dealers Negociantes que atuam como intermediários em uma transação comercial. 1993). o que equivale a cerca de 400 cafezinhos. os cappuccinos e outras combinações com leite”. os exportadores e os dealers.A ai 0 br o/1 il/ 1 12 02 20 00 20 98 20 96 19 94 19 92 19 19 90 0 19 kg/habitantes 7 Fonte: ABIC (2013) Introdução ao Agronegócio 45 .Por sua vez. Brasil: consumo per capita de café verde e café torrado 6 5 Kg café verde 4 Kg café torrado 3 2 1 04 20 06 20 08 20 M 1 . as cooperativas vendem o café para a indústria de torrefação. também. Veja como vem ocorrendo a evolução do consumo interno no Brasil durante o período de 1990 a 2012. nos processos de torrefação e moagem. Informações extras Veja alguns dados sobre a cafeicultura brasileira: • sustenta de 250 mil a 300 mil produtores. padarias.1 quilos de café por ano. adicionando ao café filtrado também os cafés espressos. • emprega diretamente três milhões de pessoas. É importante destacar que algumas cooperativas atuam. O • responde por 5% das divisas geradas. “os brasileiros estão consumindo mais xícaras de café por dia e diversificando as formas da bebida durante o dia.

segundo dados da ABIC contabilizados desde 1990.6% até 2023. com maior procura por cafés de melhor qualidade. para finalizar esta análise sobre perspectivas futuras do café. E. cuja penetração no mercado ainda é pequena comparada ao tradicional cafezinho) têm apresentado crescimento bastante elevado. A previsão do MAPA é de que o país continue como o maior produtor mundial e o principal exportador. as inúmeras novas opções prontas para o consumo no café da manhã (que incluem bebidas à base de soja. A título de observação. bem como das exportações. consumo e exportação de café 60 50 40 Produção 30 Exportação 20 Consumo 10 3 /2 2 22 /2 20 1 21 /2 20 0 20 /2 20 9 19 /1 20 8 18 /1 20 7 17 /1 20 6 16 /1 20 5 15 /1 20 14 /1 20 13 /1 20 12 20 4 0 3 Milhões de toneladas 46 Outro fato curioso é que. desde 2004. esse panorama teve uma pequena diminuição em 2013 devido ao café disputar a preferência dos consumidores com os produtos prontos. o que se espera alcançar com a oferta de cafés de melhor qualidade. Aliás. Fonte: MAPA (2013) O evento é importante. observa-se o aumento do consumo de café fora do lar em função da popularização das cafeterias em diversas cidades brasileiras. Essas categorias com maior valor agregado desafiam a indústria de café para que busque a inovação e. a ABIC estimou em 2014 a retomada do crescimento do consumo interno de café entre 3% a 4%. também. a preferência é por cafés especiais. desde os tradicionais até os cafés gourmet – informação importante a se considerar não só como tendência futura. Isso incrementa os hábitos de consumo do grão. e ainda de acordo com a ABIC. pois foi a primeira queda registrada no consumo no país desde 2003 e o segundo recuo da série histórica. tais como sucos e achocolatados Brasil: projeção da produção. para que procure voltar a ter altos índices de crescimento. Nestes.As projeções feitas pelo MAPA para o café estimam o aumento da produção até 2023. bem como sua economia. geralmente de melhor qualidade. mas obviamente de mercado. De acordo com a associação. já se observa essa tendência ocorrendo em países da Europa e também nos Estados Unidos. diferenciados e certificados. e que também mantenha os compradores habituais e os parceiros estimados em mais de cem mercados – cenário bastante promissor! Observa-se que o crescimento estimado para o consumo da bebida é de 28. Curso Técnico em Agronegócio .

3: Cana-de-Açúcar No período entre 2000 e 2010.000 0/ 20 11 01 1/ 1 20 2 12 /1 3 0 9/ 1 20 1 9 20 0 8 8/ 0 20 0 7/ 0 7 6/ 0 20 0 6 5/ 0 20 0 5 4/ 0 20 0 4 20 0 3 3/ 0 20 0 2/ 0 2 1/ 0 20 0 20 0 0/ 0 1 0 20 0 Milhões de toneladas Produção mundial de cana-de-açúcar e beterraba Fonte: USDA (2013) Introdução ao Agronegócio . Mas como isso ocorreu? Confira abaixo os principais motivos: • crescimento da população e respectivo aumento do poder de compra dos consumidores em diversas regiões do mundo. 47 Repare como vem crescendo a produção mundial de açúcar a partir da cana-de-açúcar e da beterraba.000 180. constata-se um grande crescimento da produção de cana-deaçúcar em função do aumento da demanda de açúcar no mundo. • aumento do consumo de alimentos processados da cana-de-açúcar resultante da migração da população das áreas rurais para as urbanas.000 140.000 120. como a sucralose.000 100.000 160. 200. • aumento da produção estimulado pelo consumo de adoçantes de baixas calorias à base de açúcar.

a expectativa do governo brasileiro em exportar etanol para os países que adotam os biocombustíveis em suas matrizes energéticas. há quatro principais produtores: Índia. Brasil: produção de cana-de-açúcar 700. Existe. Como se nota.000 500. em alguns países da União Europeia. Brasil e China. Veja como foi a produção brasileira de canade-açúcar no período de 1999/2000 a 2012/2013. Você sabe por quê? Curso Técnico em Agronegócio .000 400.000 Região Norte-Nordeste 100. União Europeia. que só utiliza o açúcar de cana-de-açúcar. o açúcar vem da beterraba. também. o Brasil se destaca.Na composição mundial dos países produtores de cana-de-açúcar. Fonte: UNICA (2013) O tema biocombustível tornou-se uma discussão extremamente relevante no século XXI. em um total de 27 participantes. combustível indicado para veículos com motores flex fuel. ao contrário do Brasil.000 / 20 11 01 1/ 1 20 2 12 /1 3 /1 0 10 20 /0 9 09 20 /0 8 08 20 /0 7 07 20 /0 6 06 20 /0 5 05 20 /0 4 04 20 /0 3 03 20 /0 2 02 20 01 20 00 /0 1 0 20 48 Uma informação importante é a de que.000 Brasil 300.000 Região Centro-Sul 200. Participação mundial dos países produtores de cana-de-açúcar Brasil 22% Outros 26% Paquistão 3% Índia 15% Rússia 3% México 3% EUA 5% União Europeia 9% Tailândia 6% China 8% Fonte: USDA (2013) O aumento da produção de cana-de-açúcar também está relacionado ao aumento do uso do etanol no Brasil.000 Milhões de toneladas 600. e esse açúcar é utilizado também na produção de refrigerantes.

Trata-se de uma fonte de energia natural. 2008)? E que. Canais de distribuição do etanol Produção Usinas Destilarias Distribuição Bases das Distribuidoras e Terminais Varejo Consumidor Postos Revendedores Automobilistas Transportador. o equivalente à capacidade de uma usina Itaipu e meia em bioeletricidade. misturado à gasolina na proporção de 20% a 25%. da sacarina da beterraba. a utilização de álcool combustível permitiu ao Brasil economizar US$ 69. produz-se o etanol hidratado com 5% de água. Ele nos mostra os canais de distribuição. a produção nas usinas. havia também perspectivas de se cogerar.Basicamente porque a pauta do biocombustível está diretamente ligada ao contexto de um desenvolvimento sustentável. Biocombustíveis que não causam danos ao meio ambiente. Informações extras O O etanol (nome técnico do álcool etílico combustível) pode ser produzido a partir da sacarose da cana-de-açúcar. alavancam a geração de postos de trabalho e avançam rumo ao desenvolvimento tecnológico. Introdução ao Agronegócio 49 . Grandes consumidores Terminais Portuários Mercado Externo Fonte: Baseado em Caixeta-Filho et al (2008) Você sabia que. nos Estados Unidos. renovável. no início de 2008. um mercado promissor. sustentável. do amido de milho. e o etanol anidro (0. Ainda no contexto de 2008. ponto urgente na agenda desenvolvimentista mundial. com investimentos de US$ 30 bilhões até 2012? Definitivamente. No Brasil. no Brasil.1 bilhões em divisas com a importação de petróleo (ETH. prevendo a geração de um milhão de empregos. a partir do bagaço e da palha disponíveis. além do trigo e da mandioca. que abastece os automóveis flex. limpa. Revendedor e Retalhista Pequenas empresas. Para entender melhor como funciona a cadeia de produção do etanol.5% de água). a distribuição e o varejo até chegar ao consumidor final. o setor comemorava o crescimento da sua produção e das exportações. no período de 1976 a 2005. observe o diagrama a seguir.

000 Brasil 15. o crédito diminuiu bastante. os grandes grupos familiares deram lugar a grandes empresas multinacionais.000 Região Norte-Nordeste 5. mas. o investimento em pesquisas e os cuidados fitossanitários. Nesse mesmo período. buscando a eficiência e se voltando para uma gestão mais profissional a fim de gerar maior rentabilidade. Podemos observar que o período de 1999 a 2007 foi de crescimento da produção brasileira. que foram compradas por grandes grupos nacionais e internacionais. Fonte: UNICA (2013) Todo esse quadro pessimista levou ao endividamento de grande parte do setor e.000 mil m² 20. levando à venda das empresas endividadas. A recuperação dos preços internacionais do açúcar e do etanol na safra 2009/2010 não foi suficiente para a retomada do setor. levando à cessão dos investimentos do setor. alternando períodos de retração com crescimento moderado. comprometendo a expansão dos canaviais. Durante esse processo. 2008) – ordens de grandeza bem interessantes. Brasil: produção total de etanol 30. resultado próximo ao estimado para o Centro-Oeste. a produção passou a ser instável. Dessa forma. a região Sudeste deverá ter um aumento de área de 11% até 2023 em relação a 2013 (o que representa 616 mil hectares). em setembro de 2008. tradings e fundos de investimento. a partir de 2008. ao aumento dos custos de produção. também.000 3 2 /1 12 20 1 /1 11 20 0 /1 10 20 9 /1 09 20 8 /0 08 20 7 /0 07 20 6 /0 06 20 5 /0 05 20 4 /0 04 20 3 /0 03 20 2 /0 02 20 /0 01 00 20 /0 1 0 20 50 além da movimentação de uma grande indústria nacional de máquinas e equipamentos (JANK. ocorreu a grande crise financeira mundial. De acordo com o estudo Outlook Fiesp. Essas empresas passaram a delinear outra forma de gestão do setor.000 25. o setor perdeu uma capacidade de moagem de 48 milhões de toneladas de cana e chegou à capacidade de 600 milhões de toneladas na região Centro-Sul (OUTLOOK FIESP (2013).Porém.000 Região Centro-Sul 10. Curso Técnico em Agronegócio . É nas regiões Sudeste e Centro-Oeste que está concentrada a maior parte da produção e das usinas de açúcar e etanol.

• o manejo agrícola. • postos de trabalho formais: 1. Introdução ao Agronegócio . Isso representará um aumento de produtividade acima de 5% ao ano.8 bilhões (2010). • receita do setor: superior a R$ 50 bilhões. Fonte: UNICA (2013) 51 Perspectivas futuras De acordo com a União da Indústria de Cana-de-Açúcar – UNICA. o que pode representar forte concorrência para o país. também estão investindo em novas unidades de produção de etanol. • divisas externas: US$ 13.Participação de cada região do Brasil na produção de cana-de-açúcar 8% 7% Nordeste 19% Sul Centro-Oeste 66% Sudeste Fonte: Outlook FIESP (2013) Informações extras Confira números do Setor Sucroenergético: O • estrutura produtiva: 432 plantas (2010). que representam um quarto da população mundial.000. No entanto. • fornecedores de cana: 70.000 para 13. e o Brasil está retomando os investimentos em tecnologia e na construção de novas fábricas. • o etanol celulósico. países como China e Índia. • porcentagem na matriz energética nacional: 18% (segunda fonte: hidroeletricidade). Os principais vetores do crescimento serão: • melhoramento genético clássico e a biotecnologia. • redução de emissões de CO2: 600 milhões de toneladas desde 1975.28 milhão.000 L/ha até o final da década de 2010. o setor pretende trazer tecnologias que elevem a produtividade dos atuais 7. A demanda mundial por energia vem aumentando.

é necessária a conscientização de todos os cidadãos para o consumo consciente. os Estados Unidos empregam 99 milhões de hectares. sem prejudicar o avanço de outras culturas. temos o Brasil em situação privilegiada.7% com milho e 8. havendo uma expansão em Minas Gerais. O Brasil utiliza 62 milhões de hectares.9% com cana-de-açúcar. Atrás dele vem a Tailândia. sendo que o milho representa 30% dessa área. Curso Técnico em Agronegócio . com cerca de 50% do volume total. seriam necessários 123 milhões de hectares para substituir 10% da gasolina produzida no mundo. Por outro lado. Goiás. o Brasil é o principal exportador mundial de cana-de-açúcar. também devem ser estimuladas as pesquisas sobre fontes renováveis de energia. A maioria das destilarias concentra-se no Estado de São Paulo. Nessa matemática. Em relação ao açúcar. e a gasolina representa um quarto do consumo de petróleo. que representa 14% das exportações mundiais. Hoje. desde 1960 a área colhida com cana-de-açúcar apresentou uma taxa de crescimento de 3% ao ano. sendo feitas de maneira global por meio da troca de experiências entre os pesquisadores de diversos países. A título de comparação. com toda a importância em se desenvolverem formas sustentáveis de produção. buscar fontes energéticas que causem menos impacto ao meio ambiente é crucial. De acordo com Goldemberg (2007). o debate sobre o futuro do biocombustível é bastante complexo.52 Lembrando que. órgãos governamentais internacionais divulgam que o biocombustível poderá afetar a capacidade de produção de alimentos no mundo. Sendo assim. Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. pois o país necessita de apenas 2% de suas terras cultiváveis para mover toda a frota nacional de veículos leves exclusivamente a etanol. dos quais 19. Ou seja. Comentário do autor d O bioetanol produzido no mundo representa 4% do consumo de gasolina. Em paralelo a isso.

está ocorrendo um aumento da demanda mundial a um crescimento anual médio de 2%. O comércio mundial do algodão movimenta anualmente US$ 12 bilhões.Confira a projeção de produção. 2014).000 Mil ton.000 45. Introdução ao Agronegócio 53 . Além disso.000 3 /2 2 22 /2 20 1 21 /2 20 0 20 /2 20 9 19 /1 20 8 18 /1 20 7 17 /1 20 6 16 /1 20 5 15 /1 20 4 14 /1 20 13 20 20 12 /1 3 0 Fonte: MAPA (2013) 4: Algodão O algodão é considerado uma das mais importantes culturas de fibras no mundo! Estima-se que. cerca de 35 milhões de hectares de algodão sejam plantados no globo terrestre.000 5.000 Consumo 20. 40.000 Produção 30. o processamento e a embalagem (ABRAPA. o descaroçamento. todos os anos. Brasil: projeção da produção.000 15. desde a década de 1950.000 35. consumo e exportação de açúcar 50. e a cadeia produtiva envolve mais de 350 milhões de pessoas em sua produção: desde as fazendas até a logística.000 Exportação 25.000 10. consumo e exportação de açúcar e de crescimento da produção no período de 2012/2013 a 2022/2023 – mais uma cadeia com futuro promissor na agricultura brasileira de exportação.

Índia. Mais uma vez.000 4. a produção do Brasil foi de um volume médio próximo de 1.7 milhão de toneladas de pluma. Fonte: ICAC (2014) A pluma do algodão destaca-se como a mais importante matéria-prima utilizada em toda a cadeia têxtil do Brasil. Estados Unidos. o Brasil entre os primeiros produtores. sendo que apenas cinco países (China.000 1. máquinas etc) Produtores de algodão (algodão em caroço) Algodoeira (fardo de algodão em pluma) Fiação (tecido bruto) Estamparia e Acabamento (tecido estampado) Indústria de confecção Comércio atacadista Comércio varejista Consumidores finais Fonte: Buainain e Batalha (2007) Curso Técnico em Agronegócio . o algodão é produzido por mais de 60 países nos cinco continentes.Segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão – Abrapa.000 6. o que só comprova a vocação agrícola do país.000 2011/12 5.000 2012/13 3.000 7.000 O ui U be sq ut st ro s ão il as st qu i Pa Br ão A EU di a Ín in a 0 Ch 54 Atualmente. sendo um dos principais setores da economia brasileira. Cadeia têxtil brasileira Insumos (sementes. defensivos. Produção mundial de algodão 8. nas últimas três safras. Paquistão e Brasil) aparecem como os principais produtores da fibra.000 2013/14 2.

• O número de trabalhadores chegou a 1. juta. No segmento de tecelagem. artificiais e sintéticas) para a fabricação de fios. 48. poliamida.01% de outras fibras naturais. no segmento de fabricação de malharia. das quais 28 mil correspondem à cadeia do vestuário. Na fabricação de fios. A participação do consumo da fibra de algodão no contexto geral da produção de fios foi da ordem de 80%. seda e lã) totalizou 1. e 0. linho.2 milhão de empregos somente em vestuário (IEMI. a indústria de fiação consumiu aproximadamente 1. o uso de fibras naturais (algodão. 51.2% do fios utilizados são de algodão. Comentário do autor Confira números que comprovam a importância do uso do algodão na cadeia têxtil nacional. 39% de fios artificiais e sintéticos. Fonte: Conab (2013) A cultura do algodão utiliza tecnologia moderna e recebe grandes investimentos em insumos. sendo 1.7% de fibras artificiais e sintéticas.258 milhão de toneladas. Vejamos alguns números importantes acerca da produção nacional: • 33 mil produtores formalizados em atividade e com porte industrial. máquinas por hectare. foram utilizadas 236 mil toneladas. e 3% de fios oriundos de outras fibras naturais. d No ano de 2010. Por outro lado. Participação de cada região na produção de algodão 3% 30% Nordeste Centro-Oeste 67% 0% Sudeste Fonte: Outlook FIESP (2013) Introdução ao Agronegócio 55 . a partir das fibras artificiais e das sintéticas (viscose. Nesse contexto. 58% do fio utilizado na fabricação de tecidos são de algodão.O Brasil é o quinto maior produtor têxtil do mundo e o quarto maior do segmento de vestuário. sisal.6 milhão de pessoas em 2012. superando até mesmo os investimentos realizados nas culturas de soja e milho. 2013). acrílico poliéster e polipropileno). rami.494 milhão de toneladas de matéria-prima (naturais.

Os principais países produtores são: China.138.310 Outros municípios Fonte: ABRAPA (2014) E.000 20. Principais estados produtores de algodão 100 .314. A produção mundial de arroz concentra-se na Ásia e representa 68% dos 465 milhões de toneladas produzidos atualmente no mundo. Índia. sendo que os estados do Mato Grosso e da Bahia produziram cerca de 65% e 30% da safra 2012/2013.60.001 . uma informação de extrema relevância: você sabia que a produção brasileira de algodão em pluma dos últimos anos tem sido suficiente para abastecer as necessidades de consumo da indústria têxtil nacional e ainda gerar excedentes que são comercializados no mercado de exportação? 5: Arroz O arroz é o terceiro cereal mais consumido no mundo.001 .000 60.000 138. respectivamente.56 A produção do algodão ocorre principalmente nas regiões Centro-Oeste e Nordeste (representa 95% da produção nacional). Indonésia e Bangladesh. ficando atrás apenas do milho e do trigo.526.001 .000 314.20. Curso Técnico em Agronegócio . para encerrar a apresentação da cadeia de algodão.001 .

a produção brasileira foi de 11. nos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.9 milhões toneladas.Principais produtores de arroz (em milhões de toneladas . o Brasil não figura no topo da lista. Participação de cada região do Brasil na produção de arroz 1% 6% 9% 6% 57 Norte Nordeste Sul 78% Centro-Oeste Sudeste Fonte: Outlook FIESP (2013) As projeções de produção e consumo para 2015/2016 feitas pelo MAPA mostram uma situação tênue entre essas duas variáveis. A produção nacional de arroz é tradicionalmente concentrada na região Sul. Introdução ao Agronegócio . Para o período de 2015/2016.2013) 160 140 120 100 80 60 40 20 Philipinas Thailandia Vietnã Bangladesh Indonésia Índia China 0 Fonte: MAPA (2013) Dessa vez. • consumo em 42 milhões de toneladas. estima-se o seguinte cenário: • produção em 12. • importações em 936 mil toneladas. Na safra 2012/2013. o que representa 78% da produção nacional.7 milhão de toneladas. indicando necessidade de importação para os próximos anos.

Nordeste e Centro-Oeste. O que pode ser preocupante.Para evitar esse quadro.000 Importação 1 20 /2 0 20 /2 9 19 20 18 /1 8 20 /1 17 20 /1 7 6 20 16 /1 5 15 20 14 /1 4 20 /1 13 20 12 /1 3 0 20 58 A partir da projeção do MAPA para o período de 2012/2013 a 2020/2022. Esse processo de abertura de área alcançou o seu ponto máximo no período entre 1975 e 1985. Projeção arroz Projeção (em (em arroz milhares de milhares toneladas) de toneladas) 14. vê-se também a redução dessa mesma área. no qual a cultura chegou a ocupar uma área superior a 4. o cultivo do arroz ocorre em várzeas inundáveis. Fonte: MAPA (2013) De acordo com o MAPA. A cultura do arroz de sequeiro é caracterizada por não exigir muitos insumos e por ser tolerante a solos ácidos.5 milhões de hectares. estima-se uma produtividade de 5. o sistema de exploração era caracterizado pelo baixo custo de produção. de modo que esse acréscimo de produção ocorra especialmente por meio do crescimento do arroz irrigado.000 12.000 Consumo 2. cerca de 600 quilos a mais do que a atual produtividade de 4. com produtividade de 7. Hoje.000 Produção 6. a maior parte da produção de arroz do Brasil se concentra no Rio Grande do Sul. O Brasil é o terceiro país exportador e o primeiro em produtividade em sequeiro. • nas outras regiões.000 10.5 toneladas por hectare. deve-se focar em investimentos em tecnologia que levem a um aumento de produtividade. Curso Técnico em Agronegócio .5 toneladas por hectare. Por outro lado.000 8. Essa cultura é considerada importante por ser uma cultura pioneira durante o processo de ocupação agrícola dos cerrados. que teve início na década de 1960.000 4. como os plantios tardios. como Norte. Nessa época. pode-se observar a previsão de aumento da produção na área plantada.9 toneladas por hectare. Cultivo do arroz Existem duas formas de cultivo no país: • na região Sul. a produção do arroz de sequeiro é pequena e ocorre em áreas de formação de pastagens. em que os agricultores não adotavam as práticas recomendadas.

e a área cultivada com arroz sob o sistema de cultivo de sequeiro foi sendo gradativamente reduzida ao mesmo tempo em que a fronteira agrícola se deslocou no sentido sudestenoroeste (EMBRAPA. como o arbóreo. 2003). faz parte da pesquisa desenvolver e incentivar o consórcio de arroz com pastagem no sistema Barreirão (renovação de pastagem degradada) e no sistema Santa Fé (integração lavoura-pecuária). como massas. Essa mudança nos padrões de consumo está levando à sua diminuição per capita de cereais básicos e ao aumento da demanda por produtos com valor agregado. começou a ocorrer a progressiva redução das áreas de abertura. a pesquisa com a cultura do arroz de terras altas prioriza ações com o objetivo de consolidar a presença da cultura em sistemas de produção de grãos nas regiões favorecidas dos cerrados. Essa classe tem como padrão de consumo ser exigente em relação aos produtos que consome e. Além de também procurar adaptá-la ao sistema de plantio direto. Agregação de valor no arroz É fato que na última década houve o aumento da massa salarial e do poder aquisitivo da população brasileira e a ascensão da classe C (também chamada “nova classe média”). ao mesmo tempo.Em meados da década de 1980. tem consciência de que não pode errar na compra por não possuir uma segunda oportunidade de aquisição. De acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa (2003). assim como o sistema sob irrigação suplementar e o de abertura de novas áreas. pães e arroz para uso gourmet. o com certificação de origem etc. Introdução ao Agronegócio 59 . o basmati.

podemos citar como exemplo de geração de valor o arroz do litoral norte gaúcho. Bélgica o arroz é um produto popular no país. Existe uma tendência de aumento de demanda por produtos mais saudáveis e convenientes embalagens menores e mais fáceis de preparar. Portugal como efeito da crise financeira. 2012). com legumes e as versões integrais. O produto é básico na dieta portuguesa. O arroz basmati e o vaporizado apresentam potencial de crescimento no país e na Europa. 56% das vendas de arroz foram de arroz comum. que participaram com 22% das vendas. foram os países africanos. Com a crise econômica. Esse arroz obteve o selo emitido pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial – INPI atestando que o produto da região é diferente dos demais produzidos no Brasil. vêm apresentando maior demanda em função do baixo custo. o consumidor passou a fazer mais refeições em casa. em 2009. Esse é o primeiro registro de Denominação de Origem de um produto brasileiro e o oitavo de Indicação Geográfica do país. seguido pelas variedades de arroz longo. Segundo o Instituto Rio-grandense do Arroz – IRGA. deve-se ao crescente número de imigrantes. O local em que é produzido – a área de cultivo. que apresenta um rendimento superior. localizada em uma faixa de terra entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico – influencia a qualidade do arroz. O INPI confirmou que o cereal tem características distintas e autorizou a utilização do selo por todos os produtores da região que conseguirem alcançar os requisitos mínimos exigidos (são 1.Comentário do autor 60 d No Brasil. África os principais destinos do arroz beneficiado brasileiro. o consumo de arroz per capita na África chega a ser quatro vezes maior que o brasileiro. A expectativa da Aproarroz é que o produto tenha valorização de 20% em relação ao preço atual (APROARROZ. levando a população a adquirir alternativas mais baratas: variedade de arroz pronto para o consumo. principalmente dos tipos longo e integral.400 produtores de arroz em uma área que equivale a 130 mil hectares). Itália é o maior produtor europeu de arroz e o seu consumo manteve-se estável. arroz com tempero. Curso Técnico em Agronegócio . Espanha a maior demanda por variedades especiais de arroz na Espanha. fazendo parte da alimentação diária dos belgas. Consumo de arroz no mundo África do Sul o preço do arroz vem aumentando desde 2008. Em 2009. como massa e arroz. as vendas de alimentos secos. pois não houve alterações significativas de preços.

6: Milho O milho é o principal cereal produzido no mundo. seja por meio do próprio grão ou por seus derivados (ração e produtos destinados à indústria de alimentos). farinhas etc. pela comercialização e pelo armazenamento do cereal. Aproximadamente 75% da demanda de milho no Brasil tem como destino a alimentação animal. como rações. Demanda de milho no Brasil 32% 60% 3% 5% 61 Suinocultura Pecuária Indústria de Sementes Avicultura Fonte: Outlook FIESP (2013) A cadeia produtiva do milho tem como elos os fornecedores de insumos. e. xaropes. nesse caso. é mostrado o elo da distribuição. do varejo. O Brasil possui um mercado regido pela oferta e pela demanda doméstica. máquinas e equipamentos. as cadeias produtivas de aves e suínos têm uma posição de alta competitividade no mercado mundial. para finalizar. e. Introdução ao Agronegócio . Ele é consumido em diversos países de forma in natura ou em produtos industrializados. Também são apresentados os elos que trazem o primeiro e o segundo processamento. desse modo não possui posição de competitividade no âmbito mundial. Veja no detalhe. passando pela produção primária.p Atividade prática Acesse o AVA para ler um texto sobre estocagem de arroz no mundo e responda às questões propostas.

óleo. al. amilopectina. refrigerantes e outros. matinais e outros. canjica. Snacks. Moagem via seca: fubá. Suínos e Bovinos Indústria de cervejas.Cadeia produtiva do milho 62 Fornecedores de Insumos. sopas. farinha. cereais. highmaltose. misturas para bolo. cuscuz. outros produtos. Distribuição e Varejo Nacional e Internacional Supermercado Aves. Máquinas e Equipamentos Produção Primária Máquinas e Equipamentos Comercialização e Armazenamento Cooperativas 1º Processamento Rações (Petfood) Rações e Farelo Sementes Produção de Milho Armazenagem Governo Indústria de Defensivos e Fertilizantes Fonte: Sousa et. Pequeno Varejo Mercado Institucional . (1995) Curso Técnico em Agronegócio 2º Processamento Moagem via úmida: amido.

a produção mundial foi estimada em 966. Os principais países produtores e consumidores de milho no mundo são os Estados Unidos e a China. setor que tem como insumo o milho (CARVALHO. Mas por quê? Observa-se que houve uma diminuição da produção brasileira. Produção mundial de milho (milhões de toneladas) 1000 900 800 700 600 500 2012/13 400 2013/14 300 200 100 do un M em ai s pe ro Eu U ni ão D ia l Br as i na Ch i EU A 0 Fonte: USDA (2014) Observa-se que houve uma diminuição da produção brasileira. Mas por quê? Devido à redução da área plantada de milho e ao aumento da área de produção de soja. Na safra 2013/2014. 2007). Introdução ao Agronegócio 63 . as exportações mundiais do milho foram estimadas pelo USDA em 114.6 milhões de toneladas.5 milhões de toneladas).A safra mundial 2012/21013 dessa commodity foi de 860 milhões de toneladas. • Na China. • Nos Estados Unidos.4 milhões de toneladas e elas terão um aumento maior ainda se comparadas com o volume exportado no ano anterior (94. no décimo levantamento da safra mundial 2013/2014 feito pelo USDA. 2007). incentivos financeiros e políticas do governo estimulam a produção de biocombustível feito de milho. mas. levando à elevação das importações de milho e também de carnes. o aumento de consumo está relacionado ao crescimento da renda dos chineses. causando o aumento do consumo desse cereal no país (CARVALHO.

A região Sudeste é responsável por 16% da produção total. em média.Exportações mundiais de milho 64 120 100 80 60 40 20 do un M ro s O ut nt in a ge a Ar U cr ân i Br as il EU A 0 2012/13 2013/14 Fonte: USDA (2014) A produção nacional está concentrada em duas regiões principais: Centro-Oeste (43%) e Sul (33%). Veja o panorama da participação de cada região na produção de milho no Brasil. Participação de cada região do Brasil na produção de milho 2% 6% 3% Norte 33% 43% Nordeste Sul Centro-Oeste Sudeste Fonte: Outlook FIESP (2013) 7: Carnes Sabe-se que a carne é um dos produtos agrícolas mais amplamente consumidos ao redor do mundo. de 2001 a 2013. 58 milhões de toneladas/ano. Para se ter ideia. Curso Técnico em Agronegócio . a produção pecuária mundial foi de.

Produção mundial de carne bovina 59 58 Milhões de toneladas 57 56 55 54 53 52 51 50 /1 3 12 /1 2 20 11 /1 1 20 10 /1 0 20 09 /0 9 20 08 /0 8 20 07 /0 7 20 06 /0 6 20 05 /0 5 20 04 /0 4 20 03 /0 3 20 02 /0 2 20 01 20 20 00 /0 1 49 Fonte: USDA (2013) De acordo com o USDA. Brasil. com 9. em 2013. o Brasil é o país que possui a maior capacidade de aumentar a produção de carne bovina pelos seguintes motivos: • sistema de criação quase 100% no pasto.27 milhões de toneladas). com 11. o Brasil era o segundo maior produtor mundial de carne bovina. China. 60 50 65 40 30 20 10 do M un ia in a Ín d ro U ni ão Eu Ch ia pe as Br EU il 0 A Milhões de toneladas Produção mundial de carne bovina Fonte: USDA (2013) Segundo especialistas do setor. Introdução ao Agronegócio . Índia e a União Europeia.38 milhões de toneladas (os Estados Unidos ficaram em primeiro lugar. Os principais países produtores são Estados Unidos. • menor dependência de grãos.

• 7 milhões de empregos. 66 • custo de produção mais baixo do que em outros países. Produção de carne bovina: participação por região do Brasil 19% 20% Norte Nordeste 10% 12% 39% Sul Centro-Oeste Sudeste Fonte: FIESP/DEAGRO (2013) Ainda sobre a pecuária brasileira.3 quilos de consumo por brasileiro/ano. • 100 indústrias de armazenagem. • 700 indústrias de carnes e derivados. Fonte: EMBRAPA (2014) Mas como está estruturada toda a cadeia produtiva da carne bovina? Confira no quadro a seguir.8 milhão de propriedades rurais. a Sudeste com 20%.000 estabelecimentos de varejo. A região que apresentou o maior percentual foi a Centro-Oeste. a Norte com 19% e a Nordeste com 10% (IBGE. • 55.• altas taxas de produtividade. • 4.5% do abate nacional. 2012). • 560 curtumes. seguem alguns números importantes a se considerar: • 1. Em 2012. A região Sul participou com 12%. a produção brasileira foi de 9.150 empresas de calçados. Curso Técnico em Agronegócio .3 milhões de cabeças de gado. Fonte: OUTLOOK FIESP/DEAGRO (2013). • 37. com 38.

514 milhões de toneladas e a produção vem crescendo com o passar dos anos (em 2005. sendo também o maior exportador de carne bovina no globo (ABIEC.328 milhões de toneladas). Em 2013. couros.Cadeia produtiva da carne Insumos para a produção (genética. • Segundo a FAO. • O Brasil está estrategicamente posicionado para suprir essa demanda adicional. outros subprodutos da carne) Distribuição distribuirdor. a produção mundial de carne suína no período de 2005 a 2013. suplementos minerais. fertilizantes. foram produzidos 94. pois possui o maior rebanho de gado comercial do mundo. e a oferta de carnes precisará aumentar de 200 milhões para 470 milhões de toneladas em 2050. agora. Carne suína A carne suína é a fonte de proteína animal mais importante no mundo. até 2050 a população mundial crescerá de 7 bilhões para 9 bilhões de habitantes. lojas próprias de frigoríficos Consumidores finais Fonte: ABIEC (2011) Perspectivas da cadeia pecuária nacional • A tendência mundial de crescimento da população urbana nos países emergentes e o aumento da renda familiar tendem a levar ao aumento contínuo do consumo de carne bovina e da demanda mundial pelo produto. 2011). indústria de alimentos e food service. varejo. a produção mundial foi de 107. brincos para rastreabilidade. grandes redes varejistas. Conheça. miúdos e glândulas.02 kg/hab/ano em 2000 para 9. sementes forrageiras etc) Pecuaristas produção de animais para abate Indústria de frigorífica (carnes in natura. atacado.21 kg/hab/ano em 2010 (USDA). • O aumento populacional e a evolução econômica dos países em desenvolvimento levaram à elevação do consumo per capita de carnes: 9. Introdução ao Agronegócio 67 .

000 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 Fonte: USDA/ABIPECS (2014) Existe uma forte concentração na produção mundial.000 106.000 Mil toneladas 102. Estados Unidos e Brasil.000 94.000 96.Produção mundial de carne suína 68 108. Veja como foi a produção mundial de carne suína por países no ano de 2013.370 milhões de toneladas em 2013.000 88.000 100. Somos o quarto maior produtor e exportador.000 86. Curso Técnico em Agronegócio .000 90.000 98. com o montante de 3.000 92.000 104. pois a China responde por cerca da metade da produção e o restante está dividido entre União Europeia .

Nos empregos diretos. Introdução ao Agronegócio .500 1.000 500 13 20 12 20 1 20 1 0 20 1 9 20 0 8 20 0 07 20 06 20 20 05 0 Fonte USDA/ABIPECS (2014) Mercado interno A suinocultura está concentrada na região Sul do Brasil e gera 186. No mercado de carne suína.272 empregos indiretos. agora. Rússia.606 empregos diretos e 405.500 2. 2014).000 Ca na dá Fi lip in as Ja pã o M éx Co ic ré o ia do Su l O ut ro s am tn ss ia Vi e si l Rú Br a EU A Ch U . 2012).000 69 Mil toneladas 3. a suinocultura de subsistência. Ou seja.000 10. o mercado internacional de carne suína movimentou 6. com aproximadamente dois terços das importações mundiais – Japão.000 2.000 ton.000 1. Veja. o Brasil ainda tem pouca participação mundial em comparação às carnes bovina e de frango.000 20. Coreia do Sul e China (USDA. Coreia do Sul. Estados Unidos e Canadá.932 trabalhadores. Produção brasileira de carne suína 4.010. concentrando-se em cinco importadores.000 30. O principal motivo são as barreiras sanitárias impostas por alguns importadores.663 empregados (ABIPECS. e a agroindústria. 86. México. mais de meio milhão de pessoas envolvidas na produção.810 milhões de toneladas.500 3. 50. 50.E in a ur op ei a27 0 Fonte: USDA/ABIPECS (2014) Também em 2013. como Japão.Produção mundial de carne suína-2013 60. a suinocultura industrial possui 49.000 1. México.000 40. como foi a produção brasileira de carne suína no período de 2005 a 2013.

a participação de cada região do Brasil na produção de carne suína. a seguir.949 milhões de toneladas e.Apresenta-se.00 60. vem ocorrendo um crescimento do consumo de carne suína no Brasil.00 U Fonte: USDA.00 20.00 10. o consumo era de 1. Estimativas do setor esperam que nos próximos anos o consumo brasileiro passe para 16. Em 2005.771 milhões de toneladas. Veja como se comportou o consumo mundial per capita de carne suína em 2011. o consumo doméstico vem crescendo devido ao aumento populacional e do poder aquisitivo.00 Kg per capita 50. 70 Carne suína: participação por região do Brasil 1% 18% Nordeste 16% Sul 65% Centro-Oeste Sudeste Fonte: FIESP/DEAGRO (2013) Nos últimos dez anos.2 kg/ano. à busca de padrões de qualidade na produção e na industrialização.4 kg/ano (valor ainda baixo em relação a outros países. como Hong Kong. ao desenvolvimento de cortes especiais e aos investimentos em linhas de corte e em logística de frio. Consumo mundial per capita de carne suína 70. O consumo per capita de carne suína atualmente no Brasil é de 13. ABIPECS (2012) Curso Técnico em Agronegócio Su l a re ia do Su íç Co ia Sé rv Ta iw an na Ch i ro 7 -2 on M op ei a la Be Eu r te ne g s ru au ac M ni ão H on g Ko n g 0 . passou a ser 2.00 30. E por que esse aumento? De acordo com a ABIPECS.00 40.50 kg/ano por pessoa). em 2013. às ações de promoção da carne suína realizada para os consumidores e para as redes de varejo. que tem um consumo de 66.

direto e indireto.17% em relação a 2011.000 20. a avicultura é responsável pelo emprego.050 milhões de toneladas.Carne de frango No Brasil. principalmente nos estados do Sul e do Sudeste. ano no qual foram produzidos 13. em muitas cidades. pela concentração no interior do país. constatase uma redução de 3. a produção de carne de frango foi de 12. Produção mundial de carne de frango 30.000 5. também. A importância social da avicultura no Brasil se verifica.000 s ro ut O Ín di a Eu U ro niã pe o ia il as Br Ch in a EU A 0 Fonte: ABEF (2013) Introdução ao Agronegócio 71 .000 15. centenas de empresas beneficiadoras e dezenas de empresas exportadoras. Uma participação impressionante! O setor é representado por dezenas de milhares de produtores integrados. de mais de 3.5% do Produto Interno Bruto – PIB nacional. Os Estados Unidos estão na liderança da produção mundial de carne de frango.000 25. Participação regional na produção de frango (2013) 1% 3% Norte 22% Nordeste Sul 14% 60% Centro-Oeste Sudeste Fonte: Outlook Fiesp (2013) Em 2012.6 milhões de pessoas e responde por quase 1.645 milhões de toneladas. que aparece em terceiro lugar. Aqui.000 10. sendo que. a produção de frangos é a principal atividade econômica (ABEF. seguidos pela China e pelo Brasil. 2013).

Entre as carnes. às exportações.9%.2 bilhões.72 Sobre a produção brasileira. aumentando a demanda em 3. A carne de frango deve ter um crescimento anual de 3. são estimadas maiores taxas de crescimento da produção no período de 2013 a 2023. • o modo de produção cooperativista que ocorre no Sul do país. Projeções futuras O cenário é promissor: as projeções de carnes para o Brasil feitas pelo MAPA mostram que esse setor deve apresentar intenso crescimento nos próximos anos. que representa um valor relativamente alto. Em 2012. E quais são os porquês desse crescimento? • oferta crescente de grãos. tendo passado de 34 quilos em 2002 para 45 quilos em 2012.3 milhões de toneladas. já que conseguirá atender ao consumo doméstico e às exportações (MAPA.9% ao ano. Exportações por produtos 37% Cortes 54% Industrializados Salgado Inteiros 4% 5% Fonte: ABEF (2014) Houve um aumento do consumo per capita entre 2002 e 2012. as exportações brasileiras de carne de frango foram de 3. • o baixo custo de produção em relação aos países concorrentes. • o sucesso do modo de produção integrada. e a carne bovina. Para a produção de carne suína. o MAPA projetou um crescimento 1. de 2% ao ano. o que representa um montante de US$ 7. Desde 2004. 2013). Nas exportações por produto. elevando a qualidade do produto e reduzindo as barreiras sanitárias.7 bilhões de toneladas. 69% foram destinados ao consumo interno e 31%. observa-se que os produtos mais exportados são os cortes. Curso Técnico em Agronegócio . seguido pelos Estados Unidos e pela China. o Brasil é o maior exportador mundial.

000 0 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022 2023 Frango Bovina Suína Fonte: MAPA (2013) As projeções do consumo realizadas pelo MAPA mostram a preferência dos consumidores brasileiros pela carne bovina.Brasil: projeção da produção de carnes Mil toneladas 25.000 15. talvez por raízes culturais.000 4.000 73 Mil toneladas 12.000 6. Brasil: projeção do consumo de carnes 14.000 10.000 20. De acordo com o MAPA.000 8. estima-se um crescimento do consumo de carne de frango e de suíno para o período 2022/2023.000 0 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022 2023 Bovina Suína Frango Fonte: MAPA (2013) Introdução ao Agronegócio .000 2.000 5.000 10.

mais relacionada à confiabilidade.Brasil: projeção da exportação de carnes 5. à variedade e à saudabilidade.000 Mil toneladas 74 Em relação às exportações.000 1. as projeções do MAPA indicam elevadas taxas de crescimento para os três tipos de carnes analisados. O quadro a seguir mostra as oportunidades de mercado.500 3. Acompanhe os números coletados sobre o ano de 2012: • a carne bovina foi destinada a 142 mercados.500 2.500 1. voltando a ter a Rússia como o principal importador. 3. sendo esperado um cenário favorável para os próximos anos. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne – ABIEC fez uma análise sobre o mercado da carne brasileira no mundo. • a carne de frango foi destinada a 152 países. os problemas enfrentados atualmente pelo setor e a imagem que a associação quer passar em relação à carne.000 2. • a carne suína teve 75 países de destino.500 4. sendo a Rússia o principal deles. Curso Técnico em Agronegócio .000 500 0 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022 2023 Bovina Suína Frango Fonte: MAPA (2013) O Brasil tem exportado carnes para diversos países.000 4. tendo a Arábia Saudita como principal comprador.

e também carnes de aves (cortes de aves empanados e nuggets). Introdução ao Agronegócio . Vende muito Vende pouco Não vende PROBLEMAS DA CARNE HOJE: • Desconfiança do mercado quanto a A IMAGEM QUE A ABIEC QUER DA CARNE: sanidade e rastreabilidade • Confiabilidade • Imagem associada ao desmatamento • Variedade da Amazônia • Sabor saudável (boi a pasto + baixo teor • Baixa padronização de gordura) • Descumprimento de prazos • Abundância • Consumidor não conhece Fonte: ABIEC Fonte: Adaptado de ABIEC (2011) Qual é o cenário do consumo de carne ao redor do mundo? Alemanha 75 a carne está presente em todas as refeições da Alemanha. mas tiveram retração de consumo nos últimos anos. Há tendência de aumento de procura por carne de aves. Ações da ABIEC devem se concentrar nos países que compram pouca ou nenhuma carne do Brasil.Mercado da carne O mercado da brasileira carne Para onde o Brasil vende e para onde quer vender. O país tem tradição no consumo de embutidos cozidos. inclusive no café da manhã e no lanche (consumida em sanduíches). fritos ou defumados e. salsichas de porco ou presunto prontos para fritar são comuns. também tem receptividade aos produtos importados. O hambúrguer é a variedade de carne vermelha mais importante. apesar de produzir este produto.

em supermercados. steaks e almôndegas. que também responde pela maior parte das carnes orgânicas comercializadas. os bifes e as almôndegas. os americanos têm preferido comer em casa ao invés de jantar fora e optam por alimentos em conserva ou enlatados por serem fontes de proteínas mais baratas. A carne de porco também é bastante consumida. EUA devido à crise. no Hemisfério Norte. as mais vendidas são as salsichas. principalmente. ainda não é disseminada. sem nenhuma fiscalização sanitária. China diversas empresas chinesas têm se esforçado para posicionar os seus produtos como sendo saudáveis. Há um aumento da demanda por carnes mais magras. no entanto. produzidas e consumidas. As frutas tropicais e subtropicais possuem elevado potencial de consumo. Curso Técnico em Agronegócio . apenas a banana tem presença significativa no comércio internacional. Empresas nacionais lideram as vendas no mercado doméstico de carnes. Produtos de carne vermelha mais consumidos: hambúrgueres. A venda da carne só é permitida em açougues credenciados pelo governo e. peru ou opções mais magras de carne bovina. como as de frango. Fonte: Apex-Brasil (2013) 8: Fruticultura Panorama mundial A produção mundial de frutas se caracteriza pela diversidade de espécies cultivadas. e o consumo de carne vermelha faz parte da dieta diária da população. mas teve retração das vendas em 2008 devido à alta de preço. A mortadela é o tipo de carne processada oferecida no país e tem vários sabores e temperos. Entre as carnes resfriadas. salsichas em estilo ocidental e também novos produtos. sendo representada em grande parte por frutas de clima temperado. pois há poucas empresas estrangeiras que abatem os animais dentro das práticas islâmicas. São consumidos os tradicionais derivados de carne para enlatados e conservas. O tipo de carne mais consumido na China é a de aves. como salsicha de abóbora.76 Angola o país enfrenta problemas com a venda de carnes no mercado clandestino. Entre as carnes vermelhas estão as de carneiro. Há tendência de crescimento da linha de produtos saudáveis e orgânicos. Arábia Saudita as carnes resfriadas são o único tipo de alimento resfriado.

Índia e Brasil. que. e as principais frutas produzidas foram bananas. juntos. maçãs e uvas. respondem por 43.6% do total mundial e têm suas produções destinadas principalmente aos seus mercados internos. melancias. Introdução ao Agronegócio . Os três maiores produtores são: China. a produção mundial foi de 822 milhões de toneladas. Produção mundial de frutas 900 Milhões toneladas 800 77 700 600 500 400 300 200 100 0 1991/1992 1996/1997 2000/2001 2007/2008 2009/2010 2010/2011 Fonte: USDA (2012) Em 2011.A produção mundial de frutas tem apresentado crescimento contínuo.

o que representa 27% da mão de obra agrícola do agronegócio (IBRAF. 2013). com uma produção estimada em 43. com o setor empregando cerca de cinco milhões de pessoas.2 milhões de hectares (em pequenas e médias propriedades). Curso Técnico em Agronegócio . a cadeia produtiva das frutas do Brasil destacou-se como um dos mais importantes segmentos econômicos do agronegócio brasileiro. Produção Brasileira de Frutas 45 Milhões de toneladas 40 35 30 25 20 15 10 5 0 01 0/ 0 20 02 1/ 0 20 03 2/ 0 20 04 3/ 0 20 05 4/ 0 20 06 5/ 0 20 07 6/ 0 20 08 7/ 0 20 09 8/ 0 20 10 9/ 0 20 11 0/ 1 20 12 1/ 1 20 Fonte: IBGE (2013) A área cultivada para as frutas em todos os estados brasileiros passou dos 2.6 milhões de toneladas. sendo que o país é o terceiro maior produtor de frutas frescas do mundo.Percentual de produção das principais frutas produzidas no mundo 78 5% 7% Bananas 4% Melancias 19% Uvas Maçãs 10% Laranjas 18% 12% Côcos 12% Mangas e goiabas 13% Melões Abacaxis Fonte: IBRAF (2013) Panorama Brasileiro Em 2012.

Percentual da produção de frutas nos estados brasileiros 5% 4% 9% São Paulo Bahia 18% 64% Rio Grande do Sul Pará Minas Gerais 79 Fonte: IBRAF (2013) Comentário do autor d Não podemos esquecer o Polo de Frutas de Petrolina-Juazeiro. possuindo força suficiente para alavancar economias locais estagnadas e com poucas alternativas de desenvolvimento. desse total. O volume total dessa produção representa 71% no contexto nacional. 47% foram destinados ao sistema agroindustrial para o processamento de sucos e frutas desidratadas. foram produzidos 43. Os demais 53% foram direcionados para o mercado de frutas frescas. a distribuição desse segmento é feita em cinco estados brasileiros. onde a fruticultura é uma atividade com grande efeito multiplicador de renda. Introdução ao Agronegócio .Percentual de produção das principais frutas produzidas no Brasil Laranjas 32% Bananas 40% Uvas Abacaxis 4% 7% 3% 14% Maçãs Outras Fonte: IBRAF (2013) Em relação à produção geral de frutas. Em 2012.6 milhões de toneladas de frutas no Brasil e.

Entre os cursos oferecidos. Mercado externo Neste segmento. limões e bananas. bem como nas unidades de ensino do Senai. o volume exportado foi de 681 mil toneladas. estaduais e municipais. mostra um crescimento das exportações até o ano de 2008. ameixas e uvas frescas. Espanha. Estados Unidos e Uruguai. • os principais estados exportadores são Ceará. Curso Técnico em Agronegócio . maçãs. do Senar e do Senat em instituições privadas de ensino superior e de educação profissional técnica de nível médio. Mas como se configuram esses números em detalhes? • as principais frutas exportadas são melões. podemos destacar o Curso de Formação Inicial e Continuada – Eixo Tecnológico: Recursos Naturais – Trabalhador na Fruticultura Básica. mangas. em 2011. as exportações tiveram um recuo devido à crise econômica mundial. Entre as frutas importadas pelo Brasil. Rio Grande do Norte. Reino Unido. A Balança Comercial brasileira de frutas frescas. Bahia e São Paulo. • os principais destinos são Holanda. Após este ano. do Senac.Distribuição da comercialização de frutas 80 Produção Comercial das Frutas Mercado de Frutas Frescas 53% Mercado de Frutas Processadas 47% Fonte: IBRAF (2013) Informações extras O Por meio do Pronatec são oferecidos cursos gratuitos nas escolas públicas federais. no período de 1999 a 2012. destacam-se peras. foram exportadas em 2012 o total de 693 mil toneladas de frutas frescas e.

Introdução ao Agronegócio 81 . alavancar o desenvolvimento sustentável do setor. está cada vez mais exigente em relação ao produto que consome). com dados da Secex. valoriza-se muito o consumo de frutas. Conheça. além de promover impactos na área de saúde pública e gerar desenvolvimento regional com a geração de empregos. No período mencionado (1999 a 2012). agora. a estrutura da cadeia produtiva da fruticultura: os principais agentes e os fluxos de comercialização. Atenção ` Um importante ponto de atenção: apesar de o Brasil ser o terceiro maior produtor mundial de frutas com 41 milhões de toneladas. dessa forma. o varejo e o consumidor final (que. Para mudar esse cenário. o Instituto Brasileiro de Frutas – IBRAF está desenvolvendo um plano de marketing com o objetivo de aumentar os níveis de consumo interno e. as importações apresentaram crescimento que pode ser justificado pelo aumento do poder aquisitivo da população combinado à mudança de hábitos alimentares. Hoje. como bom sinal de desenvolvimento. o consumo da população brasileira ainda é baixo se comparado ao de países desenvolvidos (é menor que os 400 gramas diários exigidos pela Organização Mundial de Saúde).Balança comercial brasileira de frutas frescas 800 700 US$ milhões 600 500 400 300 200 100 0 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 Exportações Importações Fonte: IBRAF (2013). buscando um modo de vida mais saudável.

os produtos são consumidos frescos e o seu transporte não encarece o preço final.. Nessa proposta de vida. a diversidade e a sustentabilidade da produção brasileira de frutas. visto que são pequenas áreas de cultivo e a mão de obra é constituída por pais. A presença do Brasil no mercado internacional de frutas frescas ainda é pequena. pois grande parte da produção de frutas vem desse modo de produção. mas estudos e campanhas de promoção da fruta vêm sendo desenvolvidos. intermediários e exportadores) Varejo (Supermercados. Desse modo. parceria entre o IBRAF e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações – ApexBrasil. O que realmente conta é o lugar.Estrutura da cadeia produtiva de frutas brasileira 82 Fornecedores de insumos (mudas. e posicionar o país como grande supridor mundial de frutas frescas e processadas. máquinas etc. defensivos. consomem-se alimentos saudáveis e produzidos em regiões próximas à área de comercialização. a produção regional ganharia destaque. mães e filhos. À medida que o mundo se globaliza. quando ele escreveu que: À medida que a economia ia se globalizando e que os produtos adquiriam padrões mundiais. O programa está sendo desenvolvido desde 1998 para promover e divulgar no exterior a qualidade.) Produção e beneficiamento agrícola (Produtores beneficiadores primários e secundários) Comercialização (Ceasas. Esse conceito já foi tratado há um tempo pelo professor Dr. Dentro desse conceito. podemos também citar a agricultura familiar. entre elas se destaca o projeto Brazilian Fruit. Milton Santos. bares e restaurantes) Consumidor Fonte: Buainain e Batalha (2007) Tendências futuras Existe uma tendência mundial relacionada aos hábitos alimentares que é a saudabilidade e a sustentabilidade. as pequenas empresas e os produtos regionais tornam-se mais importantes. mercado institucional.. Curso Técnico em Agronegócio .

pois tudo o que é produzido é consumido internamente. mas. destacam-se: • forte presença de agricultores familiares e elevada relação entre trabalho e capital.De acordo com Buainain e Batalha (2007). se for feita a devida coordenação. Existe uma característica particular nesse setor. e os principais países produtores são Índia. 9: Feijão O feijão é cultivado em várias regiões do mundo. Essas características podem ser tratadas como problemas ou dificuldades. Entre elas. • oscilações acentuadas dos preços causadas pela sazonalidade e por calendários de produção diferenciados entre os hemisférios Norte e Sul e nas diversas regiões do país. Brasil. a fruticultura apresenta algumas características peculiares que a diferenciam de outras cadeias produtivas e que afetam sua competitividade. Isso ocorre devido aos hábitos de consumo da população de cada país e também porque existe grande variedade de tipos de grãos. podem gerar sinergias e aumento de competitividade para todo o setor. a produção mundial é de 23 milhões de toneladas. Atualmente. Mianmar e China. Introdução ao Agronegócio 83 . envolvendo muitas empresas importadoras e exportadoras. • existência de um comércio com grande número de países produtores. • número elevado de cooperativas e associações de produtores.

não haverá necessidade de importação de feijão nos próximos anos.8 milhões da safra 2012/2013 para 3. Lembrando que a armazenagem do grão não pode ser realizada por período superior a dois meses. O consumo médio anual tem sido de 3. predominantemente nos supermercados.8 milhões de toneladas (OUTLOOK FIESP.000 500 3 20 22 /2 02 2 02 1 20 21 /2 02 0 /2 20 20 /2 02 9 19 20 20 18 /2 01 8 01 7 20 17 /2 01 6 /2 20 16 /2 01 5 15 20 /2 01 4 01 20 14 /2 13 20 12 /2 01 3 0 20 84 O Brasil é considerado um grande produtor e consumidor de feijão. sendo responsável por 16% da produção mundial.5 milhões de toneladas. 2013). o que equivale a cerca de 75% do total da área cultivada do país. que irá revender para o atacadista. se confirmadas as projeções de produção. pois perde valor comercial.985 milhões de toneladas. As lavouras têm baixa produtividade (cerca de 1.500 4. 2013).500 Produção 2. e. como uma estrutura produtiva composta por lavouras com menos de dez hectares. A comercialização do feijão ocorre para os consumidores finais.000 Importação 1. Veja. partindo de 2. e os grãos são vendidos em pacote. foram produzidos 2. um esquema figurativo para a cadeia produtiva do feijão.500 3.As projeções realizadas pelo MAPA mostram que a produção terá um aumento.262 milhões na safra 2022/2023. Na safra 2012/2013. ele é entregue a um intermediário.598 milhões de toneladas para 3. segundo o MAPA. a seguir. com dados da CONAB (2013) Estima-se que o consumo passará de 3. 2010). exigindo pequenas quantidades de importação (CONAB. Brasil: projeção da produção.000 Consumo 2.000 kg por hectare).000 Mil toneladas 3. Fonte: MAPA. Curso Técnico em Agronegócio . mas existe um longo caminho a percorrer desde a propriedade até chegar à mesa do consumidor. consumo e importação de feijão 4. Este irá empacotá-lo e vendê-lo ao supermercado (FUSCALDI & PRADO. Vamos conferi-lo? Quando o feijão sai da propriedade rural onde foi produzido. A cadeia produtiva do feijão apresenta importantes características.500 1.

ocorre uma grande movimentação do produto pelo país. no Nordeste. há quebras de safras devido ao baixo uso de tecnologia e à necessidade de água. com pouca utilização de máquinas (apenas em poucas propriedades é utilizada Introdução ao Agronegócio . Outra informação importante é a de que a colheita do produto é feita manualmente. no Sudeste (principalmente em Minas Gerais). Por ser transportado quase que totalmente pelas estradas. É uma cultura de risco. têm-se altos custos de transporte. e por ser uma leguminosa muito suscetível a doenças e pragas (SPERS & NASSAR. que ocorrem em diferentes locais e épocas do ano. A primeira safra ocorre no Sul do Brasil. e a terceira. por famílias.Cadeia produtiva do feijão Agente financeiro Produção agrícola Intermediários Atacado Varejo Consumidores Governo Fonte: Fuscaldi & Prado (2010) A cadeia produtiva do feijão é caracterizada por existirem grande incerteza nas transações entre os vários elos e assimetria de informação. a segunda. em outros. 1989). e pela inexistência de transparência no preço. O produto é produzido em três safras. Feijão: Participação por região do Brasil 85 4% Sul 16% 31% Sudeste Centro-Oeste 20% Nordeste 29% Norte Fonte: Outlook FIESP (2013) Como o feijão é produzido em locais e épocas diferentes. pois em alguns anos a produção é alta.

Porém. no checklist de boas práticas sugeridas pelos autores: • estar ciente das informações sobre a formação do preço. A disponibilidade e o avanço genético dos cultivares também são fatores restritivos na cadeia do produto. Nessas duas situações. 2010). Uma importante orientação para quem pretende investir no setor está. pode ser necessária a intervenção governamental. Perspectivas da cadeia produtiva do feijão De acordo com Spers & Nassar (1989). bem como ter um planejamento de longo prazo em relação à comercialização e à rotação de cultura. está começando a ocorrer um maior acesso dos produtores a variedades cultivadas e desenvolvidas por instituições de melhoramento genético. já que se trata de um produto de cesta básica. ocorrem fortes oscilações de preços entre os anos – em período de quebra de safra acontece muita especulação e elevação do preço – e nos períodos de superprodução – quando há o aumento da oferta. atacadistas e varejistas (SPERS & NASSAR. 1989). Curso Técnico em Agronegócio . Nesse mercado. buscando incorporar novas tecnologias e irrigação às culturas. O preço do feijão é calculado desde a lavoura até a entrega do produto beneficiado ao consumidor. os produtores de feijão precisam assumir uma postura empresarial.86 a colheita mecanizada). na qual os preços não podem ficar muito elevados. como universidades e a Embrapa (FUSCALDI & PRADO. O contrário também (preços muito baixos) necessita de intervenção para evitar prejudicar o pequeno produtor. ocorre uma redução significativa do preço. passando por intermediários.

e teve a oportunidade de conhecer as principais cadeias produtivas brasileiras e como elas estão em comparação com o mundo. você pôde se aprofundar no entendimento de mercado do agronegócio em nível nacional e internacional.• acompanhar os fenômenos climáticos como El Niño e La Niña. melhorando as qualidades funcional e nutricional do grão. além das perspectivas futuras para cada uma delas. Encerramento Neste tema. • trabalhar alinhado a uma ação conjunta de melhoramento genético e de engenharia de alimentos com o objetivo de gerar valor ao feijão. • pensar em dois tipos de produto: um grão tradicional destinado ao mercado comum interno e outro para nichos de mercados mais exigentes. 87 Introdução ao Agronegócio . já que eles afetam a oferta de feijão e causam variações nos preços. • desenvolver o marketing da cadeia por meio de ações de comunicação e publicidade que proporcionem o aumento do consumo do produto.

03 Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável .

bem como suas perspectivas futuras. Tópico 1: Definição de Desenvolvimento Sustentável O desenvolvimento sustentável busca a eficiência econômica junto com as eficiências social e ecológica: um tripé de ações que devem caminhar juntas. • conhecer as principais questões sobre meio ambiente e o agronegócio. analisaremos os principais pontos de relação entre o agronegócio mundial. Introdução ao Agronegócio 89 . desenvolva as seguintes competências: • aprofundar seu conhecimento sobre as principais questões e os debates acerca do desenvolvimento sustentável. ao final deste tema. O conceito de “desenvolvimento sustentável” surgiu nos anos 1970 com o nome de “ecodesenvolvimento” e foi resultado de um estudo em busca de um caminho alternativo. um conceito diferente dos desenvolvimentistas e dos que defendiam o crescimento zero (ROMEIRO.Tema 3: Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável Neste terceiro tema da unidade curricular Introdução ao Agronegócio. 2012). o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável para que você.

com o apoio do Clube de Roma. algumas consequências seriam extremamente problemáticas. Curso Técnico em Agronegócio . o mundo também assistia ao crescimento de países emergentes. • aumento da poluição. Segundo o Relatório Meadows. 1972). 1: Breve Histórico 1972 – Estocolmo Na primeira Conferência das Nações Unidas sobre meio ambiente realizada em Estocolmo. os limites ambientais levariam a catástrofes caso o crescimento econômico não cessasse. também no ano de 1972. • deterioração do nível de vida. como os “Tigres Asiáticos”. No período da publicação do relatório. alguns países. Nesse época. Dentro desse contexto. do MIT. do relatório preparado pelo casal Meadows. passavam por grande crescimento econômico.. ocorreram grandes discussões sobre as maneiras de se pensar sobre o meio ambiente e o crescimento econômico.90 Para os teóricos que defendiam o crescimento zero. como os Estados Unidos. pois. sobre os limites ambientais ao crescimento econômico (MEADOWS ET AL. em caso de se manter o mesmo ritmo. outros da Europa ainda se recuperando da Segunda Guerra Mundial e o Brasil também atravessava um período de prosperidade devido ao chamado “milagre econômico”. o crescimento econômico necessitava diminuir ou mesmo parar. tais como: • esgotamento dos recursos naturais. começou a aparecer outra visão a partir da publicação.

Apesar do crescimento. Gro Harlem Brundtland. a grande maioria dos países permanecia com um alto nível de pobreza e eles não iniciaram um processo de crescimento econômico sustentável. maior será o crescimento demográfico. 2012). mas isso não basta para que ocorra a melhoria do bem-estar da população – é preciso que ocorram políticas públicas específicas direcionadas para quem realmente precisa. A consequência dessa explosão demográfica seria a utilização dos recursos naturais acima de sua capacidade. pois. cuja chefia foi exercida pela primeira-ministra da Noruega. Nessa ocasião. bem como responsabilidade da não existência de um planejamento do governo de controle da natalidade. políticas e econômicas. Na declaração também constava que é possível manter o crescimento econômico eficiente (sustentado) no longo prazo e que ele pode acontecer junto com a melhoria das condições sociais (melhor distribuição da renda) e respeitando-se o meio ambiente. O crescimento econômico eficiente é considerado condição necessária. a pobreza seria uma das causas fundamentais dos problemas ambientais desses países (ROMEIRO. Comentário do autor A Declaração de Cocoyok é resultado de uma reunião da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento – UNCTAD e do Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas – Unep. Introdução ao Agronegócio 91 . 1982 – Nairóbi Outro marco importante da agenda da sustentabilidade ocorreu em 1982 com a Conferência de Nairóbi. d Nesse documento. A declaração afirma que os países desenvolvidos têm grande responsabilidade nessa questão. em longo prazo. ou seja. promovida pela Unep. Além de melhores condições sociais e do crescimento econômico eficiente. apresentou-se um documento chamado Declaração de Cocoyok (1974) no qual se defendia que o alto crescimento da população era resultado de causas sociais. afirma-se que a explosão populacional e a destruição ambiental são resultados da total falta de recursos em alguns países. criou-se a Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento. pois possuem elevados níveis de consumo. Para a Organização. As primeiras reações da ONU após a Conferência de Estocolmo contaram com o apoio dos ecodesenvolvimentistas e foram direcionadas para a defesa da necessidade do crescimento econômico dos países pobres. é preciso que haja equilíbrio ecológico. 1974 – Cocoyok Ainda durante a década de 1970. precisamos deixar um mundo melhor para as gerações futuras. quanto maior o nível de pobreza.

(Richard Norgaard.Brundtland 92 Em 1987. também conhecido como Relatório Brundtland (1991). A partir de 1987. 1988) Sustentabilidade implica em que o nível total da diversidade e da produtividade dos componentes dos sistemas e de suas relações sejam mantidas e aprimoradas. apesar de ambas terem o mesmo conceito normativo.” 1992 – Rio de Janeiro No ano de 1992. • satisfazer as necessidades básicas dos seres humanos. • promover as diversidades social e cultural. 1991) Sustentabilidade requer um estoque constante de capital natural. na qual foi discutida intensamente a questão do aquecimento global nos anos 1990. a expressão “desenvolvimento sustentável” substituiu a expressão “ecodesenvolvimento”. garantirem o aumento da renda nacional.1987 . Nesse relatório. (União Mundial para a Conservação. a redução do impacto do aumento da industrialização e do consumo sobre o meio ambiente. também. • manter a integridade ecológica. O desenvolvimento sustentável pode ser atingido com um conjunto de políticas capazes de. acesso à saúde e à educação) e. publicou-se um documento chamado “Nosso Futuro Comum”. (David Pearce. o desenvolvimento sustentável foi definido como: “aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem às suas necessidades. • alcançar equidade e justiça sociais. Leia com atenção exemplos de definições de sustentabilidade: Desenvolvimento Sustentável significa melhorar a qualidade de vida humana vivendo dentro da capacidade de suporte dos ecossistemas. o acesso a direitos sociais básicos (segurança econômica. 1988) Fique atento! A sustentabilidade só é possível se contemplar os seguintes objetivos: • integrar conservação e desenvolvimento. ocorreu a II Conferência da ONU sobre Meio Ambiente. Curso Técnico em Agronegócio . simultaneamente. no Rio de Janeiro.

Com o aumento da presença em supermercados e uma extensa base de consumidores de orgânicos e compradores regulares. Esse aumento na demanda por produtos saudáveis faz parte de uma das tendências mundiais na alimentação. Produtos orgânicos não são mais apenas uma tendência. O consumo de produtos verdes não é apenas uma “onda” passageira – esse tipo de consumo representa uma mistura de orientação de compra com valores sociais. sendo a Alemanha o principal país consumidor. por parte do consumidor. a praticidade e a busca por produtos gourmet. qualidade e segurança alimentar são os principais atrativos desses produtos. Tópico 3: O Mercado de Orgânicos De acordo com a FAO (2007). como os produtos orgânicos. frescor. esse mercado representa US$ 20 bilhões. Introdução ao Agronegócio 93 . Quando se fala de produção. a preocupação com a origem e a qualidade dos alimentos e dos produtos. a previsão é de que esse mercado mundial atinja US$ 70 bilhões em 2012. representando 31 milhões de hectares e um mercado de US$ 40 bilhões em 2007. mas sim realidade. no qual existe. precisa-se considerar o mercado consumidor.Tópico 2: Agronegócio Sustentável Uma das grandes questões do agronegócio é incentivar a produção de commodities ou de produtos voltados a um nicho de mercado. De acordo com a FAO (2007). o mercado de alimentos orgânicos está crescendo no mundo inteiro: sabor. tem ocorrido um aumento do consumo saudável. sendo que também tem destaque o consumo de alimentos éticos. “a agricultura orgânica não é mais um fenômeno apenas de países desenvolvidos. e também com a postura das empresas em relação às responsabilidades social e ambiental.” Nos Estados Unidos. pois já é praticada comercialmente em 120 países. Já o mercado europeu é estimado em US$ 15 bilhões. Atualmente.

94 De acordo com a Federação Internacional de Movimentos de Agricultura Orgânica – Ifoam. “os governos precisam investir em recursos e em tecnologia a fim de que a agricultura orgânica deixe de ser uma resposta ao mercado e se torne importante alternativa para os desafios mundiais” (IFOAM. Informações extras O Um interessante artigo do site AlterNet levanta uma questão no mínimo preocupante: nos EUA. Cereais recebem 13. 1978 apud SOUZA. entre os anos de 1999 e 2012. que já se transformou em grande preocupação social. Devido à disparidade de preços. a maior parte da população acaba ingerindo uma dieta rica em proteínas. Também segundo a Ifoam. Dessa forma.36%. levam aos altos índices de obesidade que afetam especialmente os menos favorecidos. pois eles são os resultados de uma forma de produção agrícola. o mercado mundial de agricultura orgânica registrou crescimento de aproximadamente 6. e a base dessa diferenciação está relacionada ao modo de produção. a área destinada ao cultivo de alimentos orgânicos cresceu 300%. totalizando 3. apenas 0. O governo americano vem tomando medidas para combater esse quadro. Os produtos orgânicos são diferenciados.7 milhões de hectares. a procura por alimentos locais e orgânicos ainda está limitada aos que têm condições financeiras favorecidas. que. Isso se dá devido aos grandes subsídios oferecidos pelo governo norteamericano aos produtores de carnes (73. somados à falta de atividade física. gordura e carboidratos simples.37%. pecuária e avícola que adota um sistema que exclui ou evita o uso de fertilizantes solúveis e pesticidas químicos nas operações de cultivo (OELHAF. Mercado de orgânicos no Brasil Para que haja maior crescimento do setor de orgânicos no Brasil. De acordo com Souza (2000). é mais barato comer um hambúrguer do que uma salada. os movimentos da agricultura alternativa valorizam a Curso Técnico em Agronegócio . 2013).23% e frutas e vegetais. apesar da desaceleração da economia europeia – que é a maior consumidora do setor – entre os anos de 2011 e 2012. 2000).80%) e laticínios. famílias americanas com poucos recursos ingerem mais fast-food simplesmente porque esses alimentos são mais baratos e de fácil acesso em comparação a frutas e vegetais. Infelizmente. principalmente porque esses alimentos são mais caros.

Essa tendência pode ser verificada mesmo na população com baixa renda familiar. o termo “orgânico” deve ser utilizado quando é possível visualizar “o conceito da unidade produtiva como um organismo. que passaram a aumentar o seu volume de compra desses produtos. a rotação de culturas e o controle biológico de pragas. sendo que o seu conceito teve início em 1925 na Inglaterra e se espalhou pelos Estados Unidos na década de 1940. citado em Souza (2000). Esse estudo mostrou que o consumidor brasileiro está disposto a pagar mais caro por um produto que não causa danos ambientais e que uma faixa de 68% do universo pesquisado fez essa afirmativa. segundo esse autor. Ainda segundo a autora. na sequência. no Brasil parece existir uma tendência semelhante. agricultura biológica. insetos. identifica-se uma tendência de o consumidor orgânico privilegiar. segundo pesquisa realizada pelo Ibope e que analisou de maneira mais geral a questão ambiental. que estão relacionados à utilização de práticas agrícolas como a adubação orgânica de origem animal ou vegetal. Todas essas vertentes possuem um objetivo em comum: desenvolver uma agricultura ecologicamente equilibrada e socialmente justa. minerais. que começou no Japão na década de 1930. 2. matérias orgânicas. Estados Unidos. também. agricultura orgânica. os principais princípios são a diminuição do uso de produtos químicos e a valorização de processos biológicos e vegetativos no sistema de produção. plantas. micro-organismos. 80% dos consumidores da União Europeia estão dispostos a pagar 5% a mais por esse produto. 3. existe uma disposição dos consumidores em pagar por novas dimensões de qualidade dos produtos e. Essa disposição dos consumidores está promovendo mudanças no comportamento das redes de varejo de alimentos. a questão do sabor dos alimentos orgânicos (DAROLT.” Tópico 4: O Consumidor de Produtos Saudáveis De acordo com o professor americano Michael Conroy. esses movimentos tiveram início na década de 1920.utilização de matéria orgânica e. observando países como Alemanha. a hora do negócio de orgânicos é agora! Introdução ao Agronegócio 95 . aspectos relacionados à saudabilidade. agricultura natural. da cultura e dos produtos analisados. mas que também precisa ser economicamente viável. no qual todas as partes componentes – solo. e dentro deles existem quatro vertentes: 1. em segundo lugar. agricultura biodinâmica. enquanto outra. em artigo publicado por França (2008). que surgiu em 1924. de 24%. de outras práticas culturais que favorecem os processos biológicos. Ou seja. em primeiro lugar. Austrália. mostrou-se contrária à ideia. As motivações para o consumo variam em função do país. 4. mas. aspectos relacionados ao meio ambiente e. que teve início na década de 1930 na Suíça e anos mais tarde foi difundida pela França. 2009). Segundo o mesmo autor. De acordo com Elhers (1996). Inglaterra. Segundo Souza (2000). animais e homens – interagem para criar um todo coerente. França e Dinamarca.

Certificação Fair Trade Como se pode observar. com demanda crescente por seus produtos e sem concorrência das grandes empresas do setor (já que estas produzem um produto homogêneo e trabalham com grandes escalas de produção). Trata-se de fazer parte de um mercado exigente. Curso Técnico em Agronegócio . 1991). ZYLBERSZTAJN. a preferência por produtos com denominação de origem e selos verdes. que estão cada vez mais exigentes (FARINA.Comentário do autor 96 d De acordo com Giordano (2000). o consumo de produtos verdes não é apenas uma “onda” passageira – esse tipo de consumo representa uma mistura de orientação de compra com valores sociais. trabalham com agricultura familiar e terceirizam a sua produção. um novo mercado para pequenas empresas e produtores de agricultura familiar está se delineando. e a aceitação em pagar mais por um produto ambientalmente mais seguro. A revolução na tecnologia de transmissão de informações está tornando o consumidor mais consciente e exigente em relação aos produtos alimentícios. estão a busca pela qualidade e por produtos com baixo impacto ambiental. e. As pequenas empresas operam em uma escala menor de produção. Essa mudança nos hábitos de consumo aumenta os cuidados que as empresas precisam ter com a qualidade dos seus produtos para poderem estar sempre oferecendo os produtos adequados a esses novos nichos de consumo. entre as características desse consumidor. A defesa do meio ambiente e a busca por alimentos saudáveis e equilibrados têm levado à criação de novos produtos embasados nesse conceito e faz com que alguns produtos fora desses conceitos não sejam mais consumidos. e esse tipo de consumidor está influenciando as ações da indústria.

AMARAL. Porém. solidariedade. Mas. Geralmente. a fabricantes de 14 países europeus e também do Japão. Está havendo uma expansão da linha de produtos com certificação orgânica e fair trade das grandes redes de supermercados. do Canadá e dos Estados Unidos. Nesse tipo de comércio. Comentário do autor O selo de “comércio justo” é um selo concedido pela FLO. é bem importante entender a evolução histórica do Código Florestal Brasileiro (CANAL DO PRODUTOR. 2006). Esse selo identifica produtos de empresas que pagam mais que a média d do mercado aos fornecedores. sendo conhecido como “preço prêmio”. como: justiça social. preço justo.Comércio solidário e justo Outra ideia que vem ganhando força é a do comércio solidário. como frutas. No Brasil. e esse valor retorna à comunidade. que irá discutir a sua melhor utilização (DINIZ. cerveja. e as companhias que utilizam o selo garantem que não utilizam trabalho escravo e também mão de obra infantil. Introdução ao Agronegócio . e a Medida Provisória pelo Congresso. o preço determinado para esse tipo de produto está acima do preço de mercado.651 (Novo Código Florestal) foi publicada no Diário Oficial da União em 25 de maio de 2012. vinho. antes de apresentarmos brevemente as principais disposições do Novo Código Florestal. Comece a observar! 97 Tópico 5: O Novo Código Florestal A Lei nº 12. 2014). legumes. a primeira iniciativa de empresa certificada pela Organização é uma entidade de pequenos proprietários rurais do norte da Bahia que exportam sucos de frutas (CIPOLA. como as discussões e as negociações políticas sobre os vetos. transferência de tecnologia e aumento da renda dos produtores. Há ainda conflitos a serem resolvidos. chocolate. geralmente agricultores do terceiro mundo. sediada na Alemanha. desenvolvimento sustentável. respeito ao meio ambiente. transparência. Seu processo de homologação foi árduo. a lei publicada é bem diferente da lei aprovada pelo Congresso Nacional. e é possível encontrá-la em vários tipos de produtos. há uma sensibilização dos consumidores para adquirirem um produto que tenha compromisso com o desenvolvimento da comunidade e os grupos de pequenos produtores pobres. envolvendo anos de discussões políticas e interesses diversos. Essa proposta é baseada em princípios básicos. mel. 2002). NEVES. aves etc.

Nesse decreto não era prevista uma distância mínima para a proteção dessas áreas e também não foi definida como obrigatória a ocorrência de uma espécie de “reserva florestal” nas propriedades. foi em 1934. foram definidas severas penalidades. que se instituiu o Código Florestal Brasileiro. autorizava a substituição dessas matas pelo plantio de florestas homogêneas para futura utilização e melhor aproveitamento industrial. 1986 – A Lei no 7.APPs. como o exílio. Além das regras. Esse código destacou. por meio do Decreto no 23. 2014) 1965 – “Novo Código Florestal” – Lei Federal no 4.RL e Áreas de Preservação Permanente . A Lei no 7.511/86 modificou o regime da reserva florestal. a coroa portuguesa colocou diversas normas para conservar o estoque florestal da colônia brasileira. 2014). 1934 – Primeiro Código Florestal do Brasil Dando um enorme salto na história brasileira. Anteriormente a essa lei. Para o produtor rural é importante conhecer os seguintes pontos: Reserva Legal . as áreas de reserva florestal podiam ser 100% desmatadas. originariamente de cinco metros para 30 metros. porém manteve a autorização para que o proprietário das terras fizesse a reposição das áreas desmatadas (até o início da vigência dessa lei) com espécies exóticas e as utilizasse com fins econômicos. vigorou até 1986. que havia sido instituído anteriormente pelo Código Florestal de 1934.1: Evolução Histórica do Código Florestal Brasileiro 98 Brasil Colônia Sabe-se que ainda no período colonial. para todos que desrespeitassem as regras de utilização do solo e das florestas existentes no país. O objetivo desse ponto era assegurar o fornecimento de carvão e lenha – insumo energético de grande importância nessa época – permitindo a abertura das áreas rurais em. não permitindo mais o desmatamento das áreas nativas. foram estabelecidos pontos como as limitações ao direito de propriedade relacionadas ao uso e à exploração do solo e das florestas. (CANAL DO PRODUTOR. A Lei Federal no 7.793. o conceito de florestas protetoras (conceito parecido ao das Áreas de Preservação Permanente – APPs).511 altera o conceito de reserva florestal e as APPs O conceito de reserva florestal. Curso Técnico em Agronegócio . no máximo.771/65 Nessa versão. mas seria necessário plantar espécies exóticas em substituição dessas florestas. entre outros pontos.511 alterou o conceito de reserva florestal. Porém. sendo que nos rios com mais de 200 metros de largura a APP passou a ser equivalente à largura do rio” (CANAL DO PRODUTOR. 75% da área de matas existentes na propriedade. “Essa lei também alterou os limites das APP’s.

bordas dos tabuleiros ou chapadas. alterando assim a lei de 1965.803 determinou a criação da Reserva Legal e a alteração nas APPs Em 1989.803 alterou novamente o tamanho das APPs nas margens dos rios e criou novas áreas localizadas ao redor das nascentes. e passou a permitir apenas o desmatamento de 20% nos ambientes que possuem uma floresta típica. à conservação e reabilitação dos processos ecológicos. à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas. o mínimo é de 80%. 2001 – Medida Provisória nº 2. sendo que. O tamanho mínimo da reserva depende do tipo de vegetação existente e da localização da propriedade. a Lei Federal no 7. para as demais regiões e biomas. excetuada a de preservação permanente. Reserva legal passou a ser definida como a área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural. ou ainda se a propriedade estiver em altitude superior a 1. 2014) 1996 – A Medida Provisória no 1. as APPs sofreram diversas modificações e passaram a ser a faixa marginal dos cursos d’água cobertos ou não por vegetação. a partir da linha de ruptura do relevo.166 novamente alterou os conceitos de reserva legal e áreas de preservação permanente. necessária ao uso sustentável dos recursos naturais. ficou definido que podem ser computados no cálculo da área de reserva legal os plantios de árvores frutíferas Introdução ao Agronegócio 99 . 1998 – Lei de Crimes Ambientais Essa lei também alterou dispositivos do Código Florestal e transformou diversas infrações administrativas em crimes. Também foi estabelecida que fossem destinados obrigatoriamente 20% de Reserva Legal para áreas de cerrado. Nessa Medida Provisória. ou se ocorrer qualquer das situações previstas no artigo 3º. Foi instituída nessa lei a Reserva Legal. 20%.1989 – A Lei Federal no 7.166-67/2001 – altera conceitos e limites de Reserva Legal e APPs A Medida Provisória no 2.511/96 amplia a restrição em áreas de floresta Essa Medida Provisória restringiu a abertura de área em florestas. Nessa área. Nas pequenas propriedades ou posse rural familiar.803 determinou que as reposições das florestas fossem feitas prioritariamente com espécies nativas (não era proibida a utilização de espécies exóticas). no Cerrado Amazônico. 35%. A Lei no 7. olhos d’água.8 mil metros. no bioma Amazônia. da Lei Florestal (CANAL DO PRODUTOR. que é um percentual de limitação de uso do solo na propriedade rural. não pode ocorrer conversão às atividades que demandem a remoção da cobertura vegetal. e.

100 ornamentais ou industriais. que é a unidade de medida expressa em hectares. 2014). que estarão sujeitos ao Cadastro Ambiental Rural . 2014). compostos por espécies exóticas. O que muda com o Novo Código Florestal? Em termos gerais e estruturais. serão abordadas algumas questões tratadas pelo Novo Código Florestal e apresentadas no Manual do Novo Código Florestal. Curso Técnico em Agronegócio . 2010 – Aprovação da proposta em comissão A proposta do deputado Aldo Rebelo para a modificação do Código Florestal Brasileiro foi aprovada pela Comissão Especial do Código Florestal no dia 6 de julho de 2010. fixada para cada município. divididos entre APP e RL. realizado pelo Sistema Faep. O que mudou foi a implementação e a fiscalização desses espaços. A seguir. a mudança é pouco significativa. considerando fatores como tipo de exploração predominante no município e renda. foi acatada pela comissão e está pronta para a apreciação nos plenários da Câmara e do Senado (CANAL DO PRODUTOR. A proposta foi aprovada com 13 votos a favor. A proteção do meio ambiente natural continua sendo obrigação do proprietário mediante a manutenção de espaços protegidos de propriedade privada.CAR e institui-se o módulo fiscal. cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas (CANAL DO PRODUTOR. pois a lei aprovada permitiu que fossem realizados somente ajustes pontuais para adequação da situação de fato à situação de direito pretendida pela legislação ambiental.

compondo base de dados para controle. e facilitar o trabalho de fiscalização (SISTEMA FAEP. Está proibida a utilização de novas áreas em APP e Reserva Legal além dessas ocupadas até 22 de julho de 2008. a estabilidade geológica.PRA. 2012). e combate ao desmatamento. Exemplos: várzeas ocupadas com arroz. 2. 4. benfeitorias. no entorno dos reservatórios d’água artificiais. obrigatório para todos os imóveis rurais. monitoramento. 6. uva. São permitidas a manutenção e a continuidade dessas atividades desde que não estejam em área que ofereça risco às pessoas e ao meio ambiente. ocupadas antes de 22 de julho de 2008. e que sejam observados critérios técnicos de conservação do solo e da água indicados pelo Programa de Regularização Ambiental . Introdução ao Agronegócio . Cadastro Ambiental Rural . 2012). especialmente.APP e a Reserva Legal. Área de Preservação Permanente . A inscrição no Cadastro Ambiental Rural é feita no órgão ambiental municipal ou estadual. localizadas: 1.CAR É um registro eletrônico de abrangência nacional. 5. e. montes.APP São áreas protegidas. O órgão ambiental poderá comprovar a situação de área consolidada por meio de fotos de satélite que possui em seus arquivos. 2012). facilitar o desenvolvimento da fauna e flora.PRA. montanhas e serras (SISTEMA FAEP. cobertas ou não por vegetação nativa.Áreas consolidadas Áreas consolidadas são as Áreas de Preservação Permanente . com edificações. assegurar e preservar o bem-estar das populações humanas (SISTEMA FAEP. nas encostas ou em partes destas com declividade superior a 45°. • cadastrar as Áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal. conter a erosão do solo. nas faixas marginais de qualquer curso d’água natural (mata ciliar de beira de rio). 3. 101 Função das Áreas de Preservação Permanente Preservar os recursos hídricos. sendo indispensável para aderir ao Programa de Regularização Ambiental . encostas ocupadas com café. a biodiversidade e a beleza da paisagem. diminuir os riscos de enchentes e deslizamentos de terra e pedra nas encostas. 2012). atividades agrossilvipastoris. ecoturismo ou turismo rural. no entorno dos lagos e lagoas naturais. planejamento ambiental e econômico. entre outros. no entorno das nascentes e dos olhos d’água perenes. referentes a período anterior a 22 de julho de 2008 (SISTEMA FAEP. no topo de morros. aviários. Os objetivos do CAR são: • receber informações ambientais das propriedades e das posses rurais.

Programa de Regularização Ambiental .PRA 102 O Programa de Regularização Ambiental permite ao proprietário rural regularizar as Áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal consolidada. foi possível verificar a importância do desenvolvimento sustentável para garantir não somente o futuro do agronegócio. desde que não estejam em áreas de risco e sejam observados critérios técnicos de conservação do solo e da água (SISTEMA FAEP. Encerramento Neste tema. Você aprendeu boas práticas e conheceu novas ideias sobre o segmento de orgânicos. 2012). mas também do planeta. Esse programa resolverá diversos passivos ambientais dos produtores rurais e será considerado no acesso aos incentivos econômicos e financeiros na prestação de serviços ambientais. Curso Técnico em Agronegócio . agora estando apto a avaliar a melhor forma de aplicá-las em seu dia a dia.

04 Desafios do Agronegócio .

veja alguns fatos para inspirar a nossa reflexão. menos pessoas viverão da agricultura e menos ainda serão os agricultores. Desafio 4 Desenvolver novas tecnologias para extrair mais de uma porção menor de área. desenvolva as seguintes competências: • desenvolver sua própria opinião crítica a respeito dos desafios apresentados. utilizando menos mão de obra. ração e fibras deverá dobrar até 2050. O aumento da população agravará um problema já existente.104 Tema 4: Desafios do Agronegócio Neste último tema da unidade curricular Introdução ao Agronegócio. ao mesmo tempo em que as lavouras serão utilizadas para produzir bionergia e para fins industriais. até 2050 a população crescerá de sete para nove bilhões de habitantes. na maior parte das regiões do mundo. Dessa forma. Desafio 3 Preservar habitats naturais e manter a biodiversidade. pois as cidades estão crescendo. que é a fome mundial. • identificar as principais ações necessárias no presente e futuras para o agronegócio. • O volume produzido de alimentos. pois o grupo dos mais ricos cresce menos que o grupo dos mais pobres. analisaremos os principais desafios do agronegócio mundial e do brasileiro para que você. • De acordo com a FAO. ao final deste tema. O crescimento populacional agravará a desigualdade. Nos próximos anos os desafios da agricultura estarão relacionados ao fato de que. Curso Técnico em Agronegócio . podemos concluir que a agricultura e todos os envolvidos em suas cadeias terão os seguintes desafios: Desafio 1 Competir por área e água. Como ponto de partida para esta reta final. Desafio 2 Contribuir para reduzir os danos ao meio ambiente.

A função do Painel Intergovernamental da ONU para Mudanças Climáticas é “suprir o mundo com visões científicas claras sobre o estado atual do conhecimento em mudanças climáticas e seus potenciais impactos ambientais e socioeconômicos”. divulgado em 2007. Como resultado dessa reunião. com o aval da ONU. na sigla em inglês). as nações da Ásia e da África subsaariana abrigarão 60% da população do planeta. 1  O IPCC é uma pequena organização. Todos os cientistas que colaboram com o painel o fazem de forma voluntária. foi divulgado o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC1. sediada em Genebra e possui uma equipe de funcionários que trabalham em turno integral. e praticamente dobrou a quantidade de provas científicas do impacto do aquecimento global desde o último relatório. a alimentação e a segurança da população no planeta. Introdução ao Agronegócio . 105 De acordo com o relatório divulgado no Japão. sem fins lucrativos.Comentário do autor d 2050 – No cenário delineado pela FAO. a entidade já produziu quatro grandes relatórios. um milhão de crianças sofre de desnutrição grave há meses. a habitação. Até hoje. cientistas e autoridades do mundo inteiro se reuniram no Japão para debater sobre as grandes mudanças que estão ocorrendo no clima no mundo inteiro. mas que haverá um impacto cada vez maior sobre a humanidade” (IPCC. no qual integrantes do IPCC apontam que “até agora os efeitos do aquecimento são sentidos de forma mais acentuada pela natureza. 19/7/2012) Tópico 1: Mudanças Climáticas No dia 30 de março de 2014. (Fonte: Portal Terra. segundo aponta um relato do Programa Alimentar Mundial da ONU. as mudanças climáticas afetarão a saúde. No Iêmen. 2014). um dos países mais pobres do Oriente Médio.

arroz e trigo. • utilizando menos o carro. prejudicando o ecossistema dos corais desse mar e dos outros existentes na Terra. • diminuindo o consumo de água. • adotando um estilo de vida mais sustentável. Um ponto muito debatido na reunião refere-se à insegurança alimentar. sistemas como o mar do Ártico estarão ameaçados pelo aumento da temperatura em dois graus Celsius. precisam colaborar. e algumas previsões indicam perdas que chegam a 25% em diversas culturas. como também de grandes inundações.106 As análises apontam que. Curso Técnico em Agronegócio . Todos. A perspectiva é extremamente preocupante. até 2050. É necessário agir desde já. • reciclando embalagens. como as de colheitas de milho. nos próximos 20 a 30 anos. mas como isso pode ser feito? • preservando os recursos naturais não renováveis. sem exceção. é cada vez mais comum ouvirmos falar de períodos de seca nunca registrados antes. O aquecimento global no mundo produz os seguintes impactos: Impactos sobre espécies Inundações Degelo Queimadas Falta d’água Mudança nas colheitas Atualmente.

40% da população mundial estaria passando fome. 2014). arroz e feijão – a população usava 43% da renda apenas para comprar comida (SCHREINER. Introdução ao Agronegócio 107 .] de 1990 para cá. Atualmente. a incorporação de novas técnicas agrícolas provocou um verdadeiro salto de eficiência no setor. [.É preciso sempre pensar: que mundo deixarei para os meus filhos. chega a 4.7 toneladas. os riscos só aumentam. sobrinhos e netos. a produção de carne de frango aumentou 475% e a de suínos. Veja como é o crescimento em produtividade de algumas commodities no Brasil e no mundo. Nas últimas quatro décadas. Até os anos 1970. (MARZOLA FILHO. Nesse mesmo período. o Brasil expandiu a área das lavouras em 37%. e isso acontecerá com as pessoas. e para as gerações futuras? De acordo com o relatório. como resolver isso? Como produzir mais e de maneira sustentável considerando que os recursos naturais como água e terra são escassos... Então. com as colheitas e com a disponibilidade de água”. o país é um grande exportador de soja. O agronegócio precisará investir cada vez mais em tecnologia e inovação. já a produtividade agrícola saltou 212%. “na medida em que avançamos [as previsões] no futuro. 2013). Há 30 anos. Se não fossem os fertilizantes. 250%. que também estão ocorrendo mudanças climáticas e as legislações são cada vez mais restritivas ao dano ambiental? É necessário proporcionar mais produtividade ao agronegócio e conseguir produzir muito mais alimentos sem destruir o que restou do seu patrimônio natural. a produtividade média da soja era de menos de duas toneladas por hectare – atualmente. o Brasil era um grande importador de commodities como carne bovina. café e açúcar (são exportados aproximadamente 50% de tudo o que é produzido).

4 0.7 -6.Crescimento em produtividade (%) 108 Commodity Mundo Brasil Milho 17 73 Arroz 8 30 Sorgo -0.4% 2006 21.7% 2001 17.1% 2008 22.4 19.7% 2003 22.4% 2011 (*) 26.1% Crescimento Médio (*) Previsão Fonte: ANDA – maio de 2011 Curso Técnico em Agronegócio Crescimento Anual 4.4% 2004 22.7 6. Acompanhe a evolução do mercado no período de 1997 a 2011.8 19.5% 1999 13.0 6.8 0.6% .0 4.3% 2002 19.5 9.6% 2000 16.1 4.6 17.0% 2007 24.7 49 Algodão 23 49 Trigo 11 8 Fonte: USDA (2013) Tópico 2: O Mercado de Fertilizantes Brasileiro De acordo com a Associação Nacional para Difusão de Adubos – Anda. Evolução Anual do Mercado de Fertilizantes (em Milhões de Toneladas) Ano Mercado 1997 13.1 11.0% 2005 20.0% 2010 24.08 milhões de toneladas em 2013.4 -8.2 -11.9% 2009 22. o mercado nacional movimentou 31.8 1998 14.

Quanto à segmentação por estado brasileiro. além da diminuição da renda do comprador e das crises mundiais. e o excesso de umidade no Centro-Oeste. como a que ocorreu em 2008. 2011. o crescimento médio anual foi de 4. principalmente na região Sul. e também pela estocagem de fertilizantes por parte do produtor rural. O mercado disponível para consumo de fertilizantes por cultura está representado da seguinte forma: Consumo de fertilizantes por cultura em 2010 (%) 23% Outras 25% Soja 5% Algodão 109 6% Café 15% Cana-de-açúcar 15% Milho Fonte: Gestão de Informação de Marketing da Bunge Fertilizantes S/A. No ano de 2008. um dos principais nutrientes utilizados nas formulações de fertilizantes. atingindo 35% do total entregue no país. No entanto. O aumento nos custos dos fretes marítimos implicou aumento de preço das matérias-primas importadas. Os períodos de estagnação são justificados pelos problemas de estiagens prolongadas. ao considerar o período entre 1997 e 2011.Nota-se que. Outras culturas como milho. A cultura que mais consome fertilizantes no Brasil é a soja. nota-se a grande representatividade da região Centro-Oeste. houve um crescimento constante do mercado de fertilizantes. mas esse mesmo mercado apresentou estagnação nos anos de 2003 e 2004.6%. no período entre 1997 e 2011. A análise anterior permite uma melhor compreensão da distribuição do fertilizante por unidade da federação. O aumento do petróleo influenciou diretamente o aumento das matérias-primas derivadas do nitrogênio. como os aumentos elevados nos preços dos fertilizantes no mercado internacional (que trouxeram consequências para o Brasil) e dos custos de fretes marítimos (que alteraram a relação entre demanda e oferta de matérias-primas utilizadas). café e algodão totalizam 77% das vendas de fertilizantes no mercado brasileiro. cana-de-açúcar. Introdução ao Agronegócio . e em 2008 e 2009. outros fatos também contribuíram para a estagnação do mercado.

Índia e Estados Unidos.Consumo de fertilizantes por região do Brasil (2010) 110 14% 30% 29% 28% Fonte: Adaptado pelo autor A representatividade da região Centro-Oeste deve-se ao fato de o Estado do Mato Grosso ser o maior consumidor de fertilizantes do país. tanto em pastagem quanto para a abertura de novas áreas. O Brasil consome 3% de nitrogenados. O consumo de fertilizantes no Brasil representa 6% do total consumido no mundo. China. acompanhe na sequência um breve panorama do consumo de fertilizantes no mundo. A título de comparação. Maiores consumidores mundiais de fertilizantes N P2O5 K20 NPK China 33% 30% 22% 30% Índia 15% 15% 9% 14% EUA 12% 11% 16% 12% Brasil 3% 9% 14% 6% Subtotal 63% 65% 61% 62% Outros 37% 35% 39% 38% Fonte: IFA. 9% de fosfatados e 14% de óxido de potássio (K2O). Trata-se do maior polo agrícola brasileiro. Tópico 3: Consumo Mundial de Fertilizantes Os maiores consumidores de nutrientes minerais para fertilizantes no mundo são Brasil (ocupa a quarta posição). com altas taxas de produtividade e áreas disponíveis para crescimento. ANDA (2011) Curso Técnico em Agronegócio .

será muito importante que o setor de insumos agrícolas. Algumas fontes consideram o Brasil como um dos únicos países do mundo com quantidade de terras agricultáveis capaz de enfrentar o grande desafio dos próximos anos para alimentar toda a demanda da população mundial. reduzam o impacto sobre os recursos naturais do planeta. Introdução ao Agronegócio . o alinhamento das ações com foco na sustentabilidade do planeta. o cenário futuro exige intensificar o uso de tecnologias que resultem em maior produtividade e que. a importância dos fertilizantes para a produção de alimentos no Brasil é relativamente elevada. Se a previsão de aumento da produção mundial de alimentos se tornar realidade. área plantada e produção de grãos no Brasil 246 CAGR 246 Produção de Grãos 218 Consumo de Fertilizantes 225 5. 4. A utilização de fertilizantes pode proporcionar aumento de produção de alimentos quando essa tecnologia for aplicada corretamente. Nossa vocação como país é a de grande participante. Podemos observar que. fator essencial da produtividade. o consumo de fertilizante cresceu 5. ou seja.7%.5%.5% 111 00/01 01/02 02/03 03/04 05/06 06/07 111 Fonte: ANDA e CONAB (2013) Esse setor é de importância relativamente forte para a produção de alimentos no Brasil. Como já exposto.De certa forma.9% ao ano e a produção de grãos.5% 159 150 132 129 119 148 117 121 115 147 142 122 133 112 108 100 92/93 108 93/94 138 132 122 104 103 94/95 95/96 98 96/97 104 97/98 106 98/99 106 99/00 128 4. esteja estruturado em bases sólidas. Variação do consumo de fertilizantes.9% 206 Área Plantada 190 181 177 183 175 167 170 4. também. o crescimento médio anual de área plantada no Brasil foi de 1. no período compreendido entre as safras 92/93 e 2006/2007. mas isso só será possível com as devidas adequações no sistema agrícola atual.

Qual é a atual produção brasileira de fertilizantes? 2. considerando os tratores de alta potência e os com potência abaixo de 100hp. O Brasil possuía uma frota de 3. pois a nossa produção é pequena.380 tratores2. No período de 1939-1940. fertilizantes.Atividade prática p 112 O Brasil é altamente dependente dos fertilizantes importados. ocorrendo dificuldades na importação de tratores e outras máquinas agrícolas. É possível utilizar na agricultura um substituto sustentável do fertilizante químico? Tópico 4: Histórico da Utilização de Tecnologia na Agricultura Brasileira A mecanização agrícola no Brasil ocorreu logo após a Primeira Guerra Mundial. 2002). defensivos e. Em 2012 a estimativa da frota de tratores no Brasil é de 664. ocorreu uma grande falta de mão de obra para a agricultura (BRUM. 1988).. Quais são os principais países exportadores? 3. pesquise e responda às questões abaixo. maquinário) (MOURA ET AL. não houve evolução do processo de implantação da mecanização no Brasil. principalmente. 2 Curso Técnico em Agronegócio . o governo observou que havia a necessidade de aumentar a produção do campo.041unidades. Após o término da Segunda Guerra Mundial. A partir dessa afirmação. 1. Nesse mesmo período. elevando a produtividade e também expandindo áreas de produção e promovendo o uso de insumos modernos (sementes selecionadas.

começaram a ser desenvolvidos novos tipos de equipamentos no Brasil. pois. atendendo desde às operações realizadas com tração animal até às operações que exigem tratores equipados com alto grau de tecnologia (MOURA ET AL. É necessário. modelos e procedências que eram inadequados para serem utilizados em solo brasileiro. tais como: • plantio direto. abaixo das praticadas pelo mercado. a produção de colheitadeiras que monitoram a produtividade da área que está sendo colhida e também a umidade dos grãos. colheitadeiras para o café e a cana-de-açúcar. Isso possibilitou oferecer uma ampla linha de produtos. considerar que havia grande variedade de máquinas. por exemplo. a construir novas plantas. Também são desenvolvidas plantadeiras específicas para o plantio direto. Introdução ao Agronegócio 113 . ela emite um mapa de produtividade da área por meio de sistemas controlados por satélite. também. Ao final de uma jornada de trabalho. mas um fator limitante da expansão desse setor era a falta de qualificação das pessoas para o manuseio dessas máquinas. o governo federal criou o Moderfrota. um programa de crédito rural direcionado.A partir de 1949. a partir desde período. Esses problemas acabaram trazendo benefícios para o setor de máquinas agrícolas brasileiras. reduzindo a importação de produtos ligados a esse setor. 2002). impulsionado pelo aumento nas importações de tratores. também.. Atualmente. com taxas de juros diferenciadas. esse setor possui tecnologia de ponta. a indústria nacional de máquinas agrícolas passou a aumentar a capacidade instalada das unidades existentes e. como. A agricultura brasileira utiliza várias tecnologias de mecanização. e equipamentos para a agricultura de precisão. começou a haver um grande desenvolvimento da mecanização no Brasil. No início do ano 2000. e oferecido tanto ao pequeno quanto ao grande produtor. Diante desse cenário (com o aquecimento da demanda devido ao aumento do crédito).

Índia e França. China. por exemplo. como soja. impactando diretamente diversas cadeias produtivas. açúcar etc. 114 • controle da compactação. trigo. • automação de mecanismos. A aplicação de tecnologias modernas para o cultivo reflete-se no aumento de produtividade da agricultura brasileira. como. inclusive. – estamos. suco de laranja. o Brasil é um grande produtor e exportador de commodities. disputando o mercado internacional com outros países. O setor de máquinas e implementos agrícolas desempenha um importante papel nas economias paulista e gaúcha. dentre outros. a maior parte dos grandes produtores mundiais de máquinas e implementos agrícolas possui unidades industriais no Brasil. arroz. Tópico 5: Agricultura de Precisão A sessão anterior mostrou que a agricultura brasileira vem passando por importantes transformações nos últimos anos e. atualmente. Os avanços ocorrem devido à renovação e à expansão do parque de máquinas agrícolas. Por quê? Curso Técnico em Agronegócio . como soja. Atualmente. milho. aliados à utilização de sementes mais produtivas. • informações operacionais. algodão e laranja. Mas alguns países como os EUA e os da Europa apresentam uma tecnologia de produção mais desenvolvida que a brasileira. que estão concentradas principalmente nos estados do Rio Grande do Sul e São Paulo. 2002). (MOURA ET AL. ao aumento do uso de fertilizantes e a uma maior eficiência dos agroquímicos.• irrigação com pivô-central. café. Estados Unidos.

o que permite o tratamento e a análise dos dados coletados no campo. Atualmente no Brasil. A análise desses dados permite a otimização dos insumos agrícolas. 2011). como produtividade. Introdução ao Agronegócio 115 . universidades e as empresas que fabricam máquinas de agricultura de precisão. é preciso abordar as questões da inovação e do conhecimento. Hoje.). quando foi gerado na Europa o primeiro mapa de produtividade e nos EUA foi realizada a primeira adubação com doses variadas. infestação de ervas daninhas. 2011). pragas e doenças (MAPA. os norte-americanos transformaram a agricultura de precisão em um grande negócio. químicas etc. Uma questão polêmica refere-se à tecnologia das sementes geneticamente modificadas – GM. E no Brasil.Porque esses países utilizam novas tecnologias da informação que permitem o manejo da atividade agrícola com dados precisos sobre a localização e o desenvolvimento das lavouras (MOLIN. especialmente colhedoras equipadas com monitores de produtividade. Em 1990. gerando lucros para o agricultor e diminuindo o impacto ambiental (MAPA.org. com o lançamento no mercado de sensores. Acesse o portal do SENAR www. 2003). foi desenvolvido o sistema de posicionamento global por satélites – GPS. No início da década de 1990.senar. A agricultura de precisão utiliza de maneira intensa os sistemas de posicionamento de satélites e os sistemas de informações geográficas – GIS. como se dão as atividades da agricultura de precisão? Tais atividades começaram a se intensificar em 1995.br e saiba mais! Tópico 6: Sementes geneticamente modificadas (GM) Quando se fala em tecnologia. com a importação de equipamentos. as soluções existentes têm como foco principal a aplicação de fertilizantes e corretivos em taxa variável. e também firmou parcerias com a Embrapa. sendo desenvolvido em sete módulos. solo (características físicas. O curso possui carga horária de 120 horas. os transgênicos são uma ferramenta fundamental para a agricultura de commodities brasileira e mundial. pois ambos são fatores fundamentais para que ocorra uma agricultura competitiva e sustentável. A adoção da agricultura de precisão foi intensificada nos anos 1980. mas é preciso sempre considerar que a agricultura de precisão é um sistema de gestão da propriedade rural e deve ser utilizada em todos os seus aspectos. Comentário do autor d O Senar criou o programa Agricultura de Precisão para levar ao produtor rural conceitos modernos e novas tecnologias. que trouxe grandes contribuições para as lavouras. 2003). softwares e serviços (MOLIN.

a pesquisa e o desenvolvimento de novas variedades GM mostram que novas culturas também podem se beneficiar dessa tecnologia. 2000). Pesquise mais sobre o assunto e converse com os seus colegas sobre os prós e os contras da adoção dessa tecnologia e. Curso Técnico em Agronegócio . as três principais funções logísticas (estocagem. em que ocorre especialização de produção e comercialização de excedentes. Com esta semente à disposição. sua importância vem só aumentando. o produtor vai lançar mão de uma tecnologia de ponta para resolver questões agronômicas. Tópico 7: Logística Definição A logística é uma das mais antigas atividades econômicas. Nas economias com atividades organizadas.116 De acordo com Paolinelli (2014). No Brasil. formar a sua própria opinião sobre o assunto. e. a produção de feijão é caracterizada por significativa participação da agricultura familiar. desde o processo de mudança de economias exclusivamente extrativistas para as atuais. Link A Acesse o AVA e confira alguns dados sobre a adoção de sementes geneticamente modificadas. desse modo. como a cana-deaçúcar e as frutas cítricas: A Embrapa desenvolveu um feijão transgênico resistente a uma praga que assola a produção dessa leguminosa em muitas regiões do mundo. armazenagem e transporte) passaram a ser fundamentais para que o consumo pudesse acontecer (FLEURY.

2001). mais livre e facilitada é a comercialização. Modais de Transporte A matriz de transportes é baseada em cinco diferentes modais: • ferroviário. 2001). • hidroviário. pois possibilitam que as diferentes regiões geográficas se especializem naquilo que melhor produzem. A logística gerencia as atividades e os atores que estão presentes nas cadeias de produção e distribuição. dos sistemas de transporte para serem efetuadas. a importância da logística cresce ainda mais. passem a percorrer distâncias cada vez maiores para serem disponibilizados aos consumidores (BALLOU. essencialmente. Com a globalização e o consequente aumento da distância entre produção e consumo. antes comercializados próximos aos locais de produção. sistemas logísticos eficientes formam bases para o comércio. Na economia mundial. e em condições adequadas de consumo (BALLOU. • rodoviário. Introdução ao Agronegócio 117 . oferta e demanda. desde os fornecedores de matériasprimas. explorando suas vantagens de produção para posteriormente trocarem entre si (BALLOU. O desenvolvimento do comércio nacional ou internacional só ocorre devido a sistemas logísticos.O objetivo principal da logística é colocar à disposição dos consumidores os produtos que eles desejam consumir no tempo e no lugar certos. A evolução do comércio faz com que produtos. de modo que o objetivo logístico seja atingido a um menor custo possível. 2001). As exportações e as importações de um país dependem. e quanto melhores e mais baratos são esses sistemas.

o alimento é transportado até os consumidores. ou processamento. Desse modo. O gerenciamento do transporte e da armazenagem permite obter ganhos claros nas cadeias agroindustriais. inclusive de pequenos produtores. ao saírem das propriedades. Além disso. Dessas unidades. o transporte pode ser considerada como a mais importante. especialmente em relação às perdas de mercadorias que ocorrem. das atividades de pós-colheita (pré-processamento. atualmente. 2010). também por meio do armazenamento. Considera-se que a maioria dos produtos agrícolas deve ser transportada no mínimo duas vezes. devido ao transporte inadequado ou ao tempo curto de perecibilidade dos produtos (CAIXETA FILHO. principalmente. armazenamento. mas. Conforme Caixeta Filho (2010) afirma. os produtos agrícolas. Os modais rodoviários são os mais utilizados no Brasil e na Argentina. Já os modais ferroviário e aquaviário são os mais utilizados pelos Estados Unidos (em especial estes últimos. EUA e Argentina Modais Brasil EUA Argentina Rodoviário 58% 5% 80% Ferroviário 25% 35% 18% Aquaviário 17% 60% 2% Fonte: CNT (2013) O principal objetivo da logística agroindustrial é melhorar a eficiência da movimentação de cargas agrícolas por meio de veículos adequados. os produtos já processados ou beneficiados são transportados até as áreas de armazenamento e comercialização. nos sistemas agroindustriais. normalmente são transportados mais vezes (CAIXETA FILHO. Participação dos modais de transportes no Brasil. Curso Técnico em Agronegócio . segundo Caixeta Filho (2010). a logística é um elemento integrador de produtores. No passado. próximas ao consumo. 118 • aéreo. com a especialização e a urbanização. Isso torna o papel da logística fundamental. seguem em distâncias relativamente curtas até as unidades de processamento e armazenagem. obter o menor custo possível. e. Já as distâncias entre as processadoras e os locais de comercialização podem ser relativamente grandes. visto que parte da produção é transportada por balsas e navios). 2010). e produtos com maior nível de industrialização.• dutoviário. embalagem e comercialização). transporte. a população migrava em busca de alimentos. ao permitir que os produtos sejam comercializados em locais distantes das propriedades agrícolas.

A logística é um dos grandes gargalos do agronegócio brasileiro. não adianta aumentar a produção se essa é perdida. a quantia recebida pelos produtores em pagamento da sua produção. não é suficiente nem mesmo para cobrir seus custos. Caramuru e Soy Transport Coalition (2010) Podemos observar que os custos de transporte do Brasil são muito maiores que os custos dos EUA e da Argentina. Dessa forma.) Origem Transporte Interno Externo * Total Brasil-Sorriso (MT) 145 45 190 Argentina-Córdoba 36 66 102 EUA-Saint Louis 25 46 71 *Marítimo .Xangai (US$/ton. O custo médio de frete nos principais países produtores de soja mostra que os custos logísticos do Brasil são muito mais altos que os custos da Argentina e dos EUA. Os países em desenvolvimento têm capacidade de alimentar a maior parte da população mundial. De acordo com Ballou (2009) é estimado que um terço dos alimentos perecíveis produzidos seja perdido durante a distribuição. desse modo. que perde muito com toda essa ineficiência. não conseguem alimentar nem a sua própria população.Veja os custos logísticos para exportação à China. Os meios de transporte nesses países são primitivos. 2010). uma vez que. Caixeta Filho (2010) reforça a necessidade do aumento da eficiência dos transportes. principal comprador mundial de commodities. antes mesmo que possa atingir os consumidores. segundo ele. O que dificulta a nossa competitividade no mercado. muitas vezes. as ferrovias são deficientes e as rodovias não são modernas.Fonte: Centrogrãos. o que leva muitos a desistirem de produzir (CAIXETA FILHO. Introdução ao Agronegócio 119 . Isso pode ocorrer devido a acidentes. devido às suas más condições de transporte. Custo do frete até a China. no entanto. em especial aquelas que são voltadas à exportação. Um dos grandes desafios atuais do agronegócio é buscar constantemente meios de aumentar a produção mundial de alimentos com o objetivo de diminuir a fome no mundo (CAIXETA FILHO 2010). prejudicando todos os elos de todas as cadeias produtivas. roubo de cargas ou mesmo deterioração dos produtos.

Comparativo Custo Logístico Básico Soja (US$/ton)

120
Frete Lavoura-Porto
Custo Porto (FOB)
Total

Brasil

Argentina

EUA

125,00

32,0

20,0

10,0

5,0

3,0

135,0

37,0

23,0

Fonte: IMEA; USDA (2013)

O aprimoramento logístico gera benefícios para todos os envolvidos
na cadeia. Uma maior eficiência logística reduz as perdas durante
o transporte e os custos logísticos envolvidos, os quais podem ser
traduzidos em menores preços para os consumidores, em maiores
lucros para produtores e intermediários, ou nos dois.
Todos ganham com isso, inclusive a economia do país, que fica
mais dinâmica (CAIXETA FILHO, 2010).
As perdas durante o transporte estão relacionadas, principalmente,
aos descuidos durante o carregamento e o descarregamento das
cargas, à umidade, aos acidentes, e ao roubo de cargas.
Armazenagem
Em 2013, a oferta instalada de armazéns era de 142,6 milhões de toneladas, e a demanda
era de 186,1 milhões de toneladas (safra 2013/14), uma diferença de 43,5 milhões de
toneladas (24% da produção).
A produção de grãos no Brasil é dividida por regiões: as regiões Sul e Centro-Oeste são as
maiores produtoras.
Produção de grãos por regiões do Brasil e unidades de armazenamento
Região

Produção
Mil toneladas

Unidades

Norte

5.503

470

Nordeste

12.278

1.162

Centro-Oeste

77.615

3.985

Sudeste

20.241

2.927

Sul

70.512

9.330

Total

186.149

17.874

Fonte: CONAB; FAO (2013)

Curso Técnico em Agronegócio

Porém, as unidades de armazenagem ainda são poucas, havendo um deficit em relação à
produção. Segundo a FAO, é necessária uma capacidade de armazenagem acima de 20% da
produção, sendo que ainda assim estamos com um deficit de 73 milhões de toneladas.
Percentual de deficit de armazenagem nas regiões brasileiras

Nordeste
7%

Norte
4%

Sudeste
3%

Centro
Oeste
53%

Sul
33%

Fonte: CONAB; FAO (2013)

As taxas de armazenagem nas fazendas em diversos países mostram que o Brasil possui uma
capacidade muito pequena em relação aos Estados Unidos, por exemplo.
Taxa de armazenagem nas fazendas em países de destaque
na produção de commodities
Região

Participação

EUA

55% a 66%

Austrália

35%

Europa

35%

Argentina

35% a 45%

Canadá

85%

Brasil

35%

Fonte: USDA (2013)

Essa é uma realidade que precisa ser bem administrada pelos setores público e privado,
pois a armazenagem é uma ótima estratégia de comercialização, especialmente quando
ocorre um excesso de oferta devido a uma supersafra, momento no qual o produtor pode
armazenar a sua produção e esperar o melhor momento para vendê-la no mercado.

Introdução ao Agronegócio

121

122

O Plano Safra atual reservou R$ 30 bilhões para a construção de armazéns nos próximos
seis anos (R$ 5 bilhões por ano), levando ao aumento da capacidade estática para 65
milhões de toneladas, mas ainda será insuficiente para cobrir toda a produção.

Encerramento
Nesta unidade, você pôde aprender sobre os principais conceitos e desafios do agronegócio,
bem como suas configurações no Brasil e no mundo. É importante não parar por aqui e
continuar a investigar a respeito do tema e, principalmente, manter-se atualizado, pois os
números apresentados mudam a cada ano. Utilize bem os novos conhecimentos adquiridos.
Sucesso nessa nova jornada!

Curso Técnico em Agronegócio

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