Introdução ao Agronegócio

FORMAÇÃO
TÉCNICA

Curso Técnico em Agronegócio

Introdução ao
Agronegócio

SENAR - Brasília, 2015

S474m
SENAR – Serviço Nacional de Aprendizagem Rural.
Matemática básica e financeira / Serviço Nacional de Aprendizagem Rural. –
Brasília: SENAR, 2015.
128 p. : il.
ISBN: 978-85-7664-080-6
Inclui bibliografia.
1. Matemática. 2. Matemática financeira. 3. Estatística. I. Serviço Nacional de
Aprendizagem Rural. II. Título.

CDU: 806.90-5

Sumário Introdução à Unidade Curricular –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 6 Tema 1: Agronegócio ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 9 Tópico 1: Importância do Agronegócio ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 9 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 13 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 18 Tópico 2: Contextualização Histórica Tópico 3: Definição de Agronegócio Tópico 4: Agricultura Familiar –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 2 1 Encerramento –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––2 4 Tema 2: Panorama Geral do Agronegócio no Brasil e no Mundo ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––2 6 Tópico 1: Panorama Geral Mundial do Agronegócio 26 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Tópico 2: Panorama Geral do Agronegócio Brasileiro ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 3 2 Encerramento ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 8 7 Tema 3: Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável–––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––8 9 Tópico 1: Definição de Desenvolvimento Sustentável –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––8 9 Tópico 2: Agronegócio Sustentável –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 9 3 Tópico 3: O Mercado de Orgânicos –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 9 3 Tópico 4: O Consumidor de Produtos Saudáveis ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 9 5 Tópico 5: O Novo Código Florestal ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 9 7 Encerramento –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 102 .

Tema 4: Desafios do Agronegócio –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 104 Tópico 1: Mudanças Climáticas ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––105 Tópico 2: O Mercado de Fertilizantes Brasileiro––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 108 Tópico 3: Consumo Mundial de Fertilizantes–––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––110 Tópico 4: Histórico da Utilização de Tecnologia na Agricultura Brasileira ––––––––––––––––––––– 112 Tópico 5: Agricultura de Precisão–––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––114 Tópico 6: Sementes geneticamente modificadas (GM) –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 115 Tópico 7: Logística ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––116 Encerramento –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––122 Referências Básicas –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––123 Referências Complementares ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––123 .

Introdução à Unidade Curricular .

6 Introdução à Unidade Curricular A unidade curricular Introdução ao agronegócio foi desenvolvida a partir de uma sólida base teórica e prática para que você se capacite sobre os principais conceitos e desafios desse importante setor da economia brasileira e do mundo. você deverá ser capaz de: • compreender as definições de agronegócio. • entender o agronegócio brasileiro e suas perspectivas futuras. com carga horária de 75 horas. • conhecer o cenário do agronegócio no Brasil. • refletir sobre a Cadeia de Valor do agronegócio e seus desdobramentos sociais. está organizada em quatro temas que se subdividem nos seguintes tópicos e sub-tópicos: Curso Técnico em Agronegócio . • analisar as interfaces do agronegócio brasileiro. a presente unidade curricular. Dessa forma. econômicos e políticos dos pontos de vista nacional e internacional. Ao final desta unidade curricular.

Evolução Histórica do Código Florestal Brasileiro Tópico 1: Mudanças Climáticas Tópico 2: O Mercado Brasileiro de Fertilizantes Tópico 3: Consumo Mundial de Fertilizantes Tema 4: Desafios do Agronegócio Tópico 4: Histórico da Utilização de Tecnologia na Agricultura Brasileira Tópico 5: Agricultura de Precisão Tópico 6: Sementes Geneticamente Modificadas (GM) Tópico 7: Logística Introdução ao Agronegócio . Breve Histórico Tópico 2: Agronegócio Sustentável Tema 3: Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável Tópico 3: O Mercado de Orgânicos Tópico 4: O Consumidor de Produtos Saudáveis 7 Tópico 5: O Novo Código Florestal 1.TEMA TÓPICO Tópico 1: Importância do Agronegócio Tema 1: Agronegócio Tópico 2: Contextualização Histórica Tópico 3: Definição de Agronegócio Tópico 4: Agricultura Familiar Tópico 1: Panorama Geral Mundial do Agronegócio Tópico 2: Panorama Geral do Agronegócio Brasileiro 1: Soja Tema 2: Panorama Geral do Agronegócio no Brasil e no Mundo 2: Café 3: Cana-de-Açúcar 4: Algodão 5: Arroz 6: Milho 7: Carnes 8: Fruticultura 9: Feijão Tópico 1: Definição de Desenvolvimento Sustentável 1.

01 Agronegócio .

Introdução ao Agronegócio 9 . em especial a exportação de soja para a China. antingindo a cifra de US$ 17.97 bilhões.06 bilhões. 2013). o que compensou o deficit de US$ 80. Também foi registrado um aumento de cerca de 4% das importações. primeiramente será feita uma breve contextualização histórica da agricultura na qual veremos a evolução do agronegócio ao longo dos anos. somando US$ 99. Neste tópico. No ano de 2013. O objetivo é entender como o conceito de agronegócio precisa sempre ser analisado de maneira mais ampla e sistêmica. pois o setor teve um saldo positivo de US$ 82. muito se tem falado sobre a importância do agronegócio brasileiro. as exportações do agronegócio registraram um novo recorde se comparado a anos anteriores. Um bom exemplo é o aumento considerável das exportações brasileira de grãos. Você sabe por quê? Eventos específicos e alguns números podem ajudar nessa resposta. • identificar as principais questões e debates sobre o agronegócio nos contextos brasileiro e mundial. Para isso.Tema 1: Agronegócio Este primeiro tema é uma apresentação completa dos principais fundamentos do setor. • conhecer as principais características do agronegócio brasileiro.35 bilhões dos outros setores da economia (DEAGRO/FIESP. elaborado para que você desenvolva as seguintes competências: • compreender e fazer uso dos conceitos de Agronegócio utilizados no curso.91 bilhões. você aprenderá o que é o agronegócio. uma das principais economias do mundo. Tópico 1: Importância do Agronegócio Atualmente. A economia brasileira agradece esse resultado.

Repare que o agronegócio. o resultado da Balança Comercial brasileira seria negativo. Balança Comercial É a parte do balanço de pagamentos que registra a diferença entre exportações e importações de mercadorias de um país. Veja também que o saldo da Balança Comercial foi superavitário passando de 79.2 206. em dado período de tempo.7 222.91 bilhões de dólares em 2013.6 19. observe os números dos demais setores da economia brasileira. Deficit na Balança Comercial Situação em que o valor total das importações de certo país supera o valor total das exportações realizadas por este mesmo país.56 Fonte: MDIC (2014). Curso Técnico em Agronegócio .4 17.4 82.55 -59. Superavit Situação em que o valor total das exportações de certo país supera o valor total das importações realizadas por este mesmo país.35 Total Brasil 242. Observe que no período de 2012 e 2013 ocorreu um aumento das exportações do agronegócio. fechou o período com saldo positivo.5 2.8 99.4 bilhões de dólares em 2012. Percebe-se que nesses setores houve um deficit entre importação e exportação.1 239. É calculada por meio da análise do valor total das exportações.97 16. Esses dados comprovam a importância do agronegócio para a economia brasileira e o porquê de tanto se falar a respeito desse setor. subtraindo-se dele o valor referente às importações de bens promovidas em determinado período.91 Demais setores 146.9 -80. em US$ bilhões)   Exportação Importação Saldo 2012 2013 2012 2013 2012 2013 Agronegócio 95.06 79. Balança Comercial Brasileira (2012 e 2013. para 82. Não fosse o resultado positivo do agronegócio.8 142. que passaram de 95. ao contrário dos outros setores.6 242. Agora.8 bilhões de dólares para 99.2 223.97 bilhões de dólares. em dado período de tempo.10 O quadro a seguir mostra a Balança Comercial do Brasil no biênio 2012-2013.

000 Uso da tecnologia Culturas Perfil Algodão. Commodity Produtos padronizados e não diferenciados. milho.Já sabemos que o Brasil é um país com grandes extensões territoriais e. portanto. Pequenos e médios Tradicionais e arroz e trigo produtores profissionais Fonte:IBGE (2011) Introdução ao Agronegócio . cujo preço é. soja e Grandes produtores e cana-de-açúcar tradings Cana.000 Tradicional e empresarial suco de laranja Sul 600. milho. Por exemplo. em grande escala de produção e direcionadas para a exportação. 11 Perfil da Produção Agrícola Brasileira Região Centro-Oeste e MAPITOBA Número de produtores 25. normalmente. diversificado em relação à sua terra – o perfil da produção agrícola difere de uma região para outra.000 Soja. no Centro-Oeste predominam culturas como soja e algodão. formado em bolsas de mercadorias no próprio país ou no exterior. grandes horticulturas e usinas de açúcar e álcool e vegetais indústria processadora de Alta tecnologia Pequenos e médios Sudeste 250. café. produtores. Ambas são produzidas como commodities.

dos produtores e demais participantes do agronegócio brasileiro e mundial. as propriedades com pecuária de corte e de leite. importação. Os dados divulgados pelo USDA são tomados como referência por grande parte das empresas. suco de laranja concentrado e congelado. o perfil é outro. no período de 2013 a 2014. Posição brasileira na produção e exportação mundial de produtos agrícolas (2013/14) Produtos Produção Exportação % da produção exportada Açúcar 1º 1º 48. suco de laranja. As informações acima foram elaboradas pelo Ministério da Agricultura.8% Carne bovina 2º 1º 20. dos bancos. É preciso considerar. construídas com dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos . de diversos produtos agrícolas do Brasil e do mundo. e a suinocultura.1% Fonte: MAPA (2014) com dados da USDA.6% Café 1º 1º 26. e frutas. Comentário do autor d O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos-USDA divulga informações de produção. Pecuária e Abastecimento . açúcar.12 Note que. Curso Técnico em Agronegócio . como a uva e os citros. Observe a posição brasileira na produção e na exportação mundial de produtos agrícolas.MAPA.4% Carne suína 4º 4º 8. como por exemplo.. café e açúcar.9% Soja em grão 2º 1º 40. Elas comprovam que o Brasil é um grande produtor e exportador de commodities agrícolas.5% Óleo de soja 4º 2º 15. exportação.USDA. o trigo. consumo etc. também. em áreas menores de produção e com o uso mais tradicional da tecnologia. ambas baseadas na agricultura familiar. Observa-se o predomínio de pequenos e médios produtores. aliado ao aumento de tecnologia nas propriedades e aos incentivos governamentais. na região Sul.8% Suco de laranja 1º 1º 79. café e outros.8% Milho 3º 2º 18. Depois de ver rapidamente como se divide a produção agrícola em certas regiões do Brasil e os números que as constituem. As principais culturas da região Sul são o arroz. fica fácil entender porque atualmente o país é grande produtor e exportador de soja. o milho.2% Carne de frango 3º 1º 34. Esta liderança em relação ao mercado mundial é conseguida devido à eficiência do produtor brasileiro.

Além disso. sempre em busca de alimentos ofertados pela natureza e. veremos quatro marcos temporais: as décadas de 1960. foi ocorrendo a integração das atividades agropecuárias com as atividades industriais (ARAÚJO. cresceriam e dariam frutos que serviriam para a sua alimentação. se eles lançassem as sementes ao solo. Avançando séculos e mais séculos nessa história. 1970. Com o passar do tempo. ainda que na época fossem muito precárias as condições em termos de infraestrutura. 2010). a conservação dos alimentos. 2010). movidos pela necessidade de caça e pesca. as criações de animais e o desenvolvimento tecnológico. eles descobriram que era possível domesticar os animais e que eles poderiam ajudá-los em suas tarefas no campo (ARAÚJO. o que permitiu que o homem se fixasse em lugares preestabelecidos. deixando de se deslocar por grandes distâncias em busca de comida. o que impossibilitava. 1980 e 1990. elas germinariam. E como será que se desenvolveu essa integração e onde estamos hoje nesse importante capítulo da história do homem e do agronegócio? Evolução da agricultura Para contar esta parte recente da história da agricultura. percorrendo lugares distantes. com a diversificação da produção de várias culturas. esses homens entenderam que. Todo o necessário para a produção de subsistência estava disponível nesses espaços fixos. vivenciava-se tanto períodos de grande fartura quanto períodos de total escassez devido às condições climáticas adversas. Durante essas jornadas. por exemplo. Introdução ao Agronegócio 13 . Podemos considerar que esse é o início da agropecuária. Há milhares de anos os homens viviam em bandos.Tópico 2: Contextualização Histórica De onde surgiu o conceito atual de agronegócio? Você sabe como surgiu o agronegócio? Tudo começou com a agricultura. um marco significativo na história da humanidade. também.

iniciou-se um processo de especialização em determinadas atividades. 2010). já que a cidade se tornou atrativa com a oferta de empregos e as propriedades rurais foram perdendo sua autossuficiência (ARAÚJO. 2010). ainda. 2010). e cana-de-açúcar. perdeu sentido. Nessas propriedades. o que fez com que as propriedades rurais se tornassem dependentes de insumos e serviços que elas mesmas não eram mais capazes de produzir. o leite era utilizado para a produção de queijos e manteiga. ou primário (ARAÚJO. ou de agricultura. que produziam café. pois passou a envolver muitos setores e não era mais classificado como rural. com a grande evolução socioeconômica e tecnológica que ocorreu nos diversos setores da economia. Aqui temos um marco fundamental na história do desenvolvimento agrícola brasileiro. Já a segunda metade da década de 1960 é marcada por um processo de modernização da agricultura brasileira. O conceito de setor primário. mas de todo um complexo de bens. o algodão. também. milho. agrícola. serviços e infraestrutura que envolve agentes diversos e interdependentes” (ARAÚJO. na qual se intensificam as relações entre a agricultura e a indústria (MAZALLI. Parte disso ocorreu. 2000). que se transformava em roupas. e também criavam porcos. “Já não se tratava mais de propriedades autossuficientes. o termo “agricultura” deixou de abranger a complexidade do setor. em função de um forte movimento de êxodo rural. da cana-de-açúcar se faziam a cachaça e o melaço. Curso Técnico em Agronegócio . Com essa evolução agrícola. para o tecido. e.1960 – A modernização da agricultura 14 Um exemplo de como era o processo agrícola no Brasil na década de 1960 são as propriedades rurais de Minas Gerais. e gados de corte e de leite. Durante os anos seguintes.

no qual a produção agrícola passou a depender dos insumos que recebia de determinadas indústrias. a década de 1960 é considerada como uma referência no processo de modernização da agricultura brasileira. o governo brasileiro atuou fortemente concedendo o crédito agrícola e fornecendo financiamentos com taxas de juros subsidiadas. os financiamentos foram facilitados e proporcionaram maior capitalização aos produtores e às agroindústrias de modo geral. pois. delineou-se um novo modo de produção agrícola. Esse Introdução ao Agronegócio . sendo os principais objetivos: J Modernização da agricultura Incentivo à produção de alimentos % Administração dos preços agrícolas. com o objetivo de acelerar esse desenvolvimento tecnológico na produção agrícola nacional. o Sistema Nacional de Crédito Rural (SNCR) foi estruturado.Nesse período. Em suma. ocorrendo um aumento das relações entre agricultura e indústria. nesse período. Dessa forma. já na década de 1970. em 1965. pois a estrutura agrária existente era arcaica. 1970 – Investimentos e crédito facilitado para a agricultura 15 Alguns anos mais tarde. A modernização da agricultura necessitava de investimentos em tecnologia.

estoques reguladores etc. • a solução de endividamento de produtores e cooperativas. como: • as linhas especiais para agricultores familiares. ocorrendo também um incentivo à exportação (KAGEYAMA ET AL. O crédito fácil para os agricultores impulsionou a expansão de culturas de larga escala e a utilização de grandes áreas em uma mesma propriedade. e nesse período foi realizada a Reforma da Política Agrícola Brasileira. o Estado Brasileiro promoveu a política de Substituição de Importações (SI). no período entre 1950 e 1975. GRAZIANO DA SILVA. • os fundos regionais de investimento. Curso Técnico em Agronegócio .). • o programa de reforma agrária. 1998. o mundo e o Brasil passavam por uma forte crise econômica.. Com a crise dos mecanismos tradicionais de apoio ao setor (crédito governamental. 1987.16 fato acabou prejudicando os pequenos produtores no mercado e favorecendo os médios e grandes produtores com maior poder de capitalização. RAMOS. devido à mecanização e ao aumento do consumo de insumos agrícola. É importante lembrar que. o Estado passou a priorizar ações estratégicas dirigidas a segmentos específicos. pela qual se implantaram as indústrias de insumos e as máquinas para a agricultura no território brasileiro. política de garantia de preços mínimos. 1980 – Crise mundial e seus impactos na agricultura Nos anos 1980. que levou a uma drástica redução do crédito oficial do SNCR. 2007).

Introdução ao Agronegócio 17 . por exemplo. em troca da disponibilização ao produtor de recursos financeiros. Em paralelo. contribuindo fortemente com o aumento da produção e a expansão da cultura em diversas regiões do Brasil. Dica ' O agronegócio da soja no Brasil cresceu a partir da Lei Kandir (1996) que isenta de ICMS produtos primários e semi-elaborados destinados à exportação. os grãos. Tradings Empresas que financiam o produtor nas atividades de produção e que geralmente recebem produtos. cresce os mecanismos privados de financiamento para a agricultura vindos das agroindústrias. Essa lei foi um marco no incentivo à produção agrícola do país. e nesse período ocorrem vários avanços tecnológicos que permitiram a estruturação dos agentes necessários para atender aos mercados interno e externo. como. tradings e de outros agentes financeiros. Houve uma política de incentivo às importações durante o Governo Collor o que gerou a necessidade de a indústria local se modernizar. grandes empresas multinacionais chegaram ao Brasil e compraram fábricas que estavam em operação. Informações extras O O termo “neoliberalismo” foi definido por Perry Anderson em 1995 como um fenômeno diferente do liberalismo clássico do século XVIII. após a Segunda Guerra Mundial. e a adoção desse termo ocorreu nos países capitalistas da Europa e nos Estados Unidos. assistência técnica e insumos.  Assim. o Brasil aderiu a uma política neoliberal. para se tornar competitiva em relação aos produtos importados. que proporcionam um aumento do financiamento privado da agricultura. substituindo em parte o crédito do governo. Neste período há um aumento da ação dos capitais privados no campo.1990 – Neoliberalismo e agricultura Durante os anos 1990.

está influenciando diretamente na produção da carne. a questão da carne bovina. exigem que toda a carne que for exportada pelo Brasil seja certificada e rastreada desde o início do processo de produção. que ocorre na propriedade rural. Atualmente. O conceito de agribusiness passou a ser difundido no Brasil somente a partir da década de 1980. 2010). o consumidor está cada vez mais exigente. Isso levou à definição de agribusiness como: A soma total das operações de produção e distribuição de suprimentos agrícolas. e foi apenas a partir da década de 1990 que a tradução do termo para o português (agronegócio) passou a ser aceita e utilizada no país (ARAÚJO. Ao estudar os Sistemas Agroindustriais (SAG). e do armazenamento. os autores desenvolveram uma ferramenta para analisar a importância de cada elo do agronegócio e concluíram que um dependia do outro. Podemos citar como exemplo. também são consideradas as exigências do consumidor final. que muitas vezes é o responsável por decisões dentro da cadeia produtiva. é uma tendência do mercado mundial da qual não se pode ficar para trás. proposto por Davis e Goldberg. O consumidor. Alguns países importadores como os da União Europeia. Ou seja. poderá perder mercado.Tópico 3: Definição de Agronegócio 18 O conceito de agronegócio vem do inglês agribusiness. Curso Técnico em Agronegócio . das operações de produção nas unidades agrícolas. No conceito de agronegócio. ao exigir uma carne com qualidade melhor ou da qual o animal a ser abatido sofra o menos possível. em 1957. procurando consumir produtos que tenham qualidade garantida pelo seu fabricante. Se o frigorífico não atender a essas exigências. do processamento e da distribuição dos produtos agrícolas e dos itens produzidos a partir deles.

Introdução ao Agronegócio 19 . dos produtores rurais.Sistema agroindustrial Consumidor Industrial Institucional Varejista Processador ESTRUTURAS DE COORDENAÇÃO Mercado Mercado de Futuros Programas governamentais Agências governamentais Cooperativas Joint Ventures Integração . todos os elos estão interligados e são monitorados pelo governo. 48). Ao analisarmos uma cadeia produtiva. financeiras e de serviços (MENDES. Devemos considerar todos aqueles que estão envolvidos antes da produção. como os dos fornecedores de insumos agropecuários (fertilizantes. Também fazem parte desse complexo os agentes que afetam e coordenam o fluxo dos produtos. defensivos. dos transformadores. como o governo. dos distribuidores e das revendas de produtos agropecuários. 2007. é preciso ter uma visão sistêmica. Repare que há vários elementos interligados e interdependentes. crédito e sementes). PADILHA JUNIOR. dos processadores. rações.Contratual Vertical Agências de Estatística Trendings Filmes Individuais Produtor Fornecedor Produtor Matéria-Prima INFRA-ESTRUTURA DE APOIO Trabalho Crédito Transporte Energia Tecnologia Propaganda Armazenagem Outros Serviços Fonte: SHELMAN. havendo a necessidade de uma coordenação da cadeia. e as entidades comerciais. 6. durante a produção e no fluxo dos produtos agrícolas até chegar ao consumidor. 1991 apud ZYLBERSZTAJN. 2000. sob a pressão exercida pelos consumidores. p. E você? A qual parte desse sistema pertence? Ao analisar novamente a figura anterior. os mercados. observamos que existe uma interligação entre os elementos da cadeia produtiva. Observe com atenção a figura anterior pois ela exemplifica a visão sistêmica do agronegócio. p.

podemos considerá-lo baseado em cinco setores principais (MENDES. definir o agronegócio de uma maneira mais esquemática de modo a facilitar sua compreensão. • distribuição e consumo. Sendo assim. também. Curso Técnico em Agronegócio Portos Bolsas Seguros . • produção agropecuária. baseado em ABAG. toda a cadeia será afetada. Pode-se. caso ocorra algum problema em algum deles. sendo que nestas cada agente tem contato com um ou mais agentes. Os principais setores do agronegócio Fornecedores de insumos e bens de produção Produção agropecuária Processamento e transformação Distribuição e consumo Serviços de apoio Alimentos Restaurantes Agronômicos Têxteis Hotéis Veterinários Vestuário Bares Pesquisa Lavouras temporárias Calçados Padarias Bancários Madeira Feiras Marketing Horticultura Etanol Supermercados Vendas Silvicultura Combustíveis Papel e papelão Comércio Transporte Floricultura Tratores Fumo Exportação Armazenagem Extração vegetal Óleos essenciais Sementes Calcário Fertilizantes Rações Defensivos Produtos veterinários Colheitadeiras Implementos Produção animal Lavouras permanentes Indústria rural Máquinas Motores Fonte: Mendes (2007). • processamento e transformação.2007): • fornecedores de insumos e bens de produção. Os sistemas agroindustriais assemelham-se às redes de relacionamento. Informações extras O Podemos citar como exemplo um caso de adulteração do leite ocorrido no Rio Grande do Sul que causou impactos em todos os elos da cadeia produtiva. Acesse no AVA a reportagem que foi publicada em um jornal do RS para saber mais sobre o assunto. • serviços de apoio.20 pois como todos os elementos estão relacionados.

ocorreram dois eventos que impactaram social e politicamente o meio rural. 2006). em especial a região Centro-Sul (SCHNEIDER. é preciso considerar outro aspecto: a importância do papel da agricultura familiar no desenvolvimento do país em função da relevância de questões como desenvolvimento sustentável.` Atenção Para analisar um Sistema Agroindustrial . como fertilizantes. o elo do fornecedor de matéria-prima. A ação de cada elo do SAG influencia outros elos e sofre influência deles. 1. geração de renda e de emprego. no SAG da laranja é preciso analisar o elo dos insumos de produção. o elo da indústria processadora de suco de laranja. depois. 21 Introdução ao Agronegócio . segurança alimentar e desenvolvimento local. 2.SAG é preciso seguir as duas orientações abaixo. a pesquisa etc. o elo da produção de laranja e. A expressão “agricultura familiar” passou a ser utilizada no Brasil a partir de meados da década de 1990. Nesse período. a logística. Ter uma visão sistêmica do agronegócio ou seja. Tópico 4: Agricultura Familiar Após aprender a respeito dos fatores mais mercadológicos sobre o agronegócio. a tecnologia. jamais um elo pode ser analisado separadamente. Dentro dessa perspectiva. Também devem ser analisados os elos da distribuição (que farão a venda do suco) e o consumidor. é preciso analisar as ações do governo e das instituições responsáveis pela comercialização (como as bolsas de mercadorias). Por exemplo.

pode ser definida a partir de três características principais (INCRA. No Brasil. que estavam sendo preteridas das políticas públicas desde a década de 1970. então. de acordo com a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação – FAO. A produção oriunda da agricultura familiar é direcionada principalmente para o mercado interno. sendo responsável pela produção de 70% dos alimentos consumidos no país: cerca de 70% do feijão. O PRONAF firmou a agricultura familiar no cenário político e social do Brasil. e por conta disso não estavam conseguindo se manter na atividade (SCHNEIDER. que emprega quase 75% da mão de obra do setor agropecuário.22 O primeiro deles refere-se à questão política. 87% da mandioca. ocorreu a mobilização de diversos movimentos sociais no campo liderados pelo sindicalismo rural ligado à Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – CONTAG. 58% do leite e 46% do milho (SALCEDO. • a queda dos principais produtos agrícolas de exportação. como o “Grito da Terra”. nesse período. deve pertencer à família e deverá ser feita no interior da propriedade a transmissão desses meios de produção caso ocorra o falecimento ou a aposentadoria dos responsáveis.4% dos estabelecimentos rurais pertencem à agricultura familiar. A agricultura familiar. Estes são números altamente relevantes para todo o abastecimento interno. 2014). pois. 2006): • a falta de crédito do governo para o meio rural. e os principais motivos eram (SCHNEIDER. foi criado o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar – PRONAF com o objetivo principal de prover crédito agrícola e apoio institucional às categorias de pequenos produtores rurais. A maior parte do trabalho deve ser realizada pelos membros da família. 84. mas somente 24.1995): A administração da unidade produtiva e os investimentos nela realizados devem ser feitos por indivíduos da mesma família. basta acompanhar os noticiários). A propriedade dos meios de produção. Curso Técnico em Agronegócio . Como resposta às manifestações sociais da década de 1990. mas nem sempre a terra. Esses movimentos produziram diversas formas de manifestação (que ocorrem até hoje. 2006). além de outras questões econômicas.3% das áreas ocupadas por estabelecimentos agrícolas são administradas por pequenos proprietários.

A agricultura familiar ganhou uma importância tão grande que o ano de 2014 foi escolhido pela FAO para ser o Ano Internacional da Agricultura Familiar. Ao analisarmos esses números. a agricultura familiar é responsável pela produção dos principais alimentos consumidos pela população brasileira: 84% da mandioca. também. 49% do milho. passou a ser um setor prioritário para o governo federal. incentivar a permanência de agricultores na sua comunidade e também. reduzindo a vulnerabilidade do país ao mercado global e ao choque de preços. em nível nacional. 67% do feijão. 40% das aves e dos ovos. O modelo da agricultura familiar é importante para garantir a segurança alimentar e. afirma Salcedo (2014). dinamizar os mercados locais. observamos a importância da agricultura familiar. para aumentar a segurança alimentar. a produção de alimentos.De acordo com o Ministério do Desenvolvimento Agrário – MDA. percebemos que o modelo de grandes fazendas não é um modelo para ser seguido no futuro”. As políticas públicas brasileiras de incentivo ao pequeno produtor são consideradas um exemplo pela FAO. principalmente em um contexto drástico de mudanças climáticas. 54% do leite. 23 Introdução ao Agronegócio . que. e 58% dos suínos. De acordo com Salcedo (2014): O incentivo à agricultura familiar contribui para reduzir a pobreza extrema. nos últimos anos. “Com o aumento dos preços dos alimentos e as mudanças climáticas.

são plantadas grandes variedades de produtos. elas representam cerca de 80% das propriedades agrícolas e produzem mais de 60% dos alimentos consumidos na região.24 Mas como é a produção dentro desse sistema mais familiar? Na maioria das propriedades de agricultores familiares. Como ponto a se destacar até agora. e a Índia. No mundo. como também para aplicar em sua jornada prática. além de empregar mais de 70% da mão de obra do setor. você pôde aprender os conceitos mais gerais acerca do agronegócio. Encerramento Neste tema. De acordo com dados do MDA. 2014). sendo que. Essa primeira parte foi fundamental para lhe dar base não somente para avançar nos demais temas. considerando apenas os países do MERCOSUL. a agricultura familiar é responsável pela produção de 80% dos alimentos consumidos no continente. que correspondem a 84% do número de estabelecimentos rurais brasileiros. a Organização das Nações Unidas estima que existam cerca de 500 milhões de pequenas propriedades. o segmento da agricultura familiar conta com mais de 4.3 milhões de unidades produtivas. Segundo a FAO. temos a importância das políticas públicas e econômicas do Brasil para o desenvolvimento do agronegócio no país Curso Técnico em Agronegócio . na América Latina e no Caribe. Na África. consideradas mais resistentes às pragas e às mudanças climáticas (SALCEDO. o segmento da agricultura familiar emprega diretamente cerca de 10 milhões de pessoas. A grande concentração de agricultores familiares está na Ásia: o continente concentra 87% dos pequenos agricultores do mundo – a China possui 193 milhões. 93 milhões. além de serem utilizadas sementes e espécies tradicionais existentes há centenas de anos.

02 Panorama Geral do Agronegócio no Brasil e no Mundo .

para que você. analisaremos dados dos agronegócios mundial e brasileiro. • conhecer as principais cadeias produtivas brasileiras. como as produções agrícola e pecuária. assim como as suas perspectivas futuras. Tópico 1: Panorama Geral Mundial do Agronegócio Curso Técnico em Agronegócio . ao final deste tema.26 Tema 2: Panorama Geral do Agronegócio no Brasil e no Mundo Neste segundo tema. • comparar dados do setor agrícola nacional e do internacional. desenvolva as seguintes competências: • identificar as principais questões e debates acerca do agronegócio nos contextos brasileiro e mundial.

Por isso. desde 2000. a industrialização. a armazenagem e a distribuição até chegar ao consumidor final. a produção de grãos não acompanha esse ritmo devido a fatores climáticos adversos. mas os estoques oscilam sempre na faixa de 500 milhões de toneladas. o transporte. a produção de grãos vem aumentando. Isso vem ocorrendo em função do aumento da demanda por grãos. que envolve também o setor de insumos e equipamentos para a produção. devemos sempre analisá-lo de uma maneira sistêmica. inclusive. Os principais grãos produzidos na safra 2012/2013 foram o arroz. é importante ressaltar que a produção agropecuária é apenas uma parte do conceito. No entanto. veja a seguir alguns dados dos principais produtos que são produzidos e comercializados. a soja. que pode ser justificado por fatores como o crescimento da população mundial. o trigo. Introdução ao Agronegócio 27 . a cevada e o sorgo. assim como dados referentes à produção agrícola e aos estoques mundiais de grãos. Produção agrícola e estoques mundiais de grãos 2500 2000 1500 Produção 1000 Estoques Finais 500 3 /1 2 12 /1 20 1 11 /1 20 0 10 /1 20 9 09 /0 20 8 08 /0 20 7 07 /0 20 6 06 /0 20 5 05 /0 20 4 04 /0 20 3 03 /0 20 02 /0 20 01 /0 20 00 20 2 0 1 Milhões de toneladas 3000 Fonte: USDA (2013) Mas por que os números relativos aos estoques não variam muito? Podemos dizer que eles estão. Para você compreender melhor o que isso representa no mundo. Como já exposto no tema anterior. o milho. por exemplo. o processamento da matéria-prima. diminuindo. A figura abaixo mostra a produção agrícola e os estoques mundiais de grãos. na qual podemos observar que.O agronegócio tem uma enorme importância na economia brasileira e na mundial. A imagem a seguir apresenta o percentual de produção de cada um desses produtos.

Principais produtos (Safra 2012/2013)

28
9%
20%

Arroz
Milho
Soja

27%

Trigo
33%

Outros (aveia, centeio, cevada e trigo)

11%

Fonte: USDA (2013)

Como lei básica do mercado, quando os estoques começam a diminuir muito, os preços no
mercado internacional de grãos aumentam, prejudicando em maior escala a população dos
países menos favorecidos.
Para exemplificar melhor esse cenário, a seguir serão abordadas algumas das questões mais
importantes no cenário internacional e que afetam todos os países, incluindo o Brasil. As
questões a serem discutidas estão relacionadas ao protecionismo dos países ricos, como os
subsídios e as barreiras fitossanitárias.

Comentário do autor

d

Os subsídios agrícolas são incentivos pagos (em valores) pelo governo para
os agricultores de seu país, sendo que uma das principais motivações pelo
pagamento é a compensação dos preços de mercado inferiores ao custo de
produção. Os subsídios são uma ajuda do governo para que os agricultores
garantam uma renda mínima e também funcionam como incentivo ao aumento
da produção (ARAÚJO, 2010).

São considerados exemplos de subsídios a sustentação de preços mínimos ou de renda,
a contribuição financeira de um governo ou algum órgão público em que há transferência
direta de recursos (concessões, empréstimos e títulos), o fornecimento de bens e serviços de
infraestrutura geral, a aquisição de bens etc. (ICONE, 2014).
Como visto no tema anterior, na década de 1970 no Brasil, os agricultores receberam subsídios
oferecidos pelo governo na forma de financiamentos bancários oficiais em um período no
qual havia crédito abundante do governo, com uma parcela de subsídios incluída. Esse tipo
de financiamento foi muito criticado, pois priorizou a liberação de crédito para os grandes
proprietários de terra em detrimento dos pequenos.
O governo brasileiro também forneceu subsídios para o setor do trigo, em especial aos
moinhos, com o objetivo de limitar os preços pagos pelos consumidores. No início da década

Curso Técnico em Agronegócio

de 1980, o governo federal passou a restringir o crédito à agricultura, levando à extinção dos
subsídios na década de 1990 (ARAÚJO, 2010).
Após esse breve histórico, é importante refletir sobre questões que são permanentes no
universo da agricultura. Por exemplo:
• A instabilidade de preços;
• Os riscos climáticos e sanitários;
• Fatores de ordem histórica, cultural e política;
• Essencialidade dos produtos agropecuários destinados à alimentação.
Todos esses aspectos levam os países a adotarem uma série de políticas agropecuárias de
proteção aos seus agricultores. Além de assegurar renda aos produtores, o protecionismo
agropecuário objetiva garantir a segurança alimentar e, muitas vezes, a soberania alimentar: ter
alimentos suficientes para todos e, de preferência, produzidos no próprio país (ALMEIDA, 2009).
Farm Bill é o nome popular dado à legislação agrícola dos EUA, geralmente renovada a cada
quatro anos, que possui como objetivo consolidar em um único documento os programas de
política agrícola do Departamento de Agricultura dos EUA – USDA. A Farm Bill aprovada em maio
de 2008 teve gastos com a agricultura de até US$ 307 bilhões, e os Estados Unidos forneceram
subsídios para diversas culturas, como a soja e o milho, levando ao aumento da produção.

29

Introdução ao Agronegócio

30

A estimativa é de que o Brasil perca cerca de 700 a 800 milhões de dólares com esses subsídios
americanos, o que também afeta os preços internacionais, já que os EUA são o maior mercado
e a sua produção excedente é exportada (ALMEIDA, 2009).
Como visto, a Farm Bill fornece bilhões de dólares em subsídios, cuja maior parte vai para
grandes agronegócios produtores de milho, soja, trigo, algodão e arroz (os dois primeiros
são usados na alimentação do gado). Ou seja, esses subsídios “agrícolas” acabam indo para
a produção de carne. Dessa forma, agricultores que produzem frutas e vegetais recebem
menos de 1% de apoio governamental.
A União Europeia também fornece grandes subsídios para os seus agricultores – estima-se
que sejam fornecidos cerca de 70 bilhões de euros por ano, sendo que 45% do orçamento da
UE são destinados a subsídios agrícolas.

A Europa é, simultaneamente, um importante exportador e o maior importador de produtos
alimentares do mundo. O setor agrícola europeu utiliza métodos de produção seguros, limpos
e ecológicos, e fornece produtos de qualidade que satisfazem às exigências dos consumidores.
O seu papel não consiste apenas em produzir produtos alimentícios, mas também em
garantir a sobrevivência do espaço natural enquanto espaço para se viver, trabalhar e visitar
(COMISSÃO EUROPEIA, 2014).
A Política Agrícola Comum - PAC europeia é definida e aplicada pelos governos dos Estadosmembros. O seu objetivo é apoiar os rendimentos dos agricultores ao mesmo tempo em que
os incentiva a produzir produtos de alta qualidade, de acordo com as exigências do mercado,
e a procurar novas oportunidades de desenvolvimento, nomeadamente fontes de energia
renováveis mais sustentáveis (COMISSÃO EUROPEIA, 2014).

Curso Técnico em Agronegócio

que é um conjunto de normas criado com o objetivo de regularizar os níveis de subsídios e protecionismos do setor agrícola. • pecuária de corte: excessivas exigências de rastreabilidade. assim como os exportadores e os importadores no desenvolvimento de suas atividades. em vigor de 2014 a 2020. também. O seu principal objetivo é apoiar os produtores de bens e serviços. e isso faz com que eles produzam mais e tenham preços mais competitivos no mercado internacional (COMISSÃO EUROPEIA. Introdução ao Agronegócio 31 . A Link Para saber mais sobre protecionismo da União Europeia. A entidade possui um acordo agrícola. 2014). à crise dos países da zona do euro. Como e onde o Brasil e outros países podem se defender do protecionismo nas nações mais ricas? Essa resposta está relacionada com a Organização Mundial do Comércio – OMC. Atenção ` O objetivo da política da UE é permitir que os produtores de todos os alimentos sejam capazes de sobreviver. dificultando ainda mais as exportações para lá. A renovação da PAC europeia. entidade internacional criada em 1995 para coordenar e administrar questões referentes ao comércio mundial. Cerca de um terço da renda dos agricultores europeus provém dos subsídios. a sua principal prioridade era produzir alimentos suficientes em uma Europa que emergia de uma década de escassez causada pela guerra. leia uma reportagem disponibilizada no AVA.A política agrícola da União Europeia está em constante evolução. A OMC é a organização à qual os países participantes recorrem para a resolução de problemas comerciais uns com os outros. Sua pretensão é fazer a economia girar com foco na produção local. no mercado da UE e nos mercados mundiais. Há 50 anos. pelos seus próprios meios. e o mercado europeu paga por qualidade. O país é afetado principalmente nos setores da cana-de-açúcar e da pecuária de corte: • cana-de-açúcar: o nosso mercado será atingido se eles aumentarem os incentivos para a produção de açúcar de beterraba. está gerando uma expectativa de redução dos subsídios devido ao alto preço das commodities no mercado internacional e. mas o apoio à produção em grande escala e a compra de excedentes para garantir a segurança alimentar pertencem ao passado. e convive no mercado internacional pautado por preços internacionais gerados por essas nações. O Brasil não tem condições de garantir os mesmos níveis de subsídios de países como EUA e da UE.

Por meio desse acordo, pretende-se (ICONE, 2014):

32

• fornecer maior transparência dos mercados agrícolas;
• promover a liberalização gradual do comércio pela redução das barreiras tarifárias e não
tarifárias;
• corrigir distorções de preços e equiparação das condições de concorrência, com a redução
dos subsídios domésticos e nas exportações.
A título de exemplo prático, veja algumas ações já realizadas pelo Brasil na OMC:

Suco de Laranja: a disputa entre Brasil e EUA teve início na OMC em 2009 e
se encerrou em junho de 2011. O Brasil saiu vitorioso, e os norte-americanos
desistiram de recorrer da decisão favorável que questionou medidas antidumping
impostas ao suco de laranja brasileiro.
Algodão: o Brasil questiona os subsídios pagos aos produtores americanos
de algodão, considerados ilegais pela OMC. Mais uma vez, saindo-se vitorioso,
devendo receber dos EUA US$ 147 milhões anuais. O valor do fundo do
algodão foi aprovado pelos dois países, mas foi bloqueado em 2012 pelo
Congresso norte-americano. Como resposta, o Brasil ameaçou retaliar na área
de propriedade intelectual, o que já foi autorizado pelo órgão de solução de
controvérsias da OMC.

Carne Bovina: o setor privado brasileiro decidiu pedir ao governo a abertura
de queixa contra a União Europeia na OMC por discriminação no caso das
exportações brasileiras dentro da Cota Hilton. A Cota Hilton é constituída de
cortes especiais do quarto traseiro de novilhos precoces, e seu preço no mercado
internacional corresponde de três a quatro vezes o preço da carne comum. A
cota anual de 65.250 toneladas é fixa, e a ela somente têm acesso os países
credenciados: Argentina, Austrália, Brasil, Uruguai, Nova Zelândia, Estados
Unidos, Canadá e Paraguai. A tarifa extracota é de 12,8% mais 303,4 euros por
100 kg de carne. A cota brasileira é de 10 mil toneladas anuais.

Tópico 2: Panorama Geral do Agronegócio Brasileiro
Nesta etapa, você conhecerá um perfil aprofundado sobre o agronegócio nacional. O tópico
foi dividido por tipo de commodity, bem como pelas respectivas informações sobre sua cadeia,
seu diagnóstico e suas perspectivas futuras.

1: Soja
A soja é a principal oleaginosa produzida no mundo, sendo utilizada como commodity na
produção de óleo, na formulação de rações e na produção de carnes. A imagem a seguir

Curso Técnico em Agronegócio

mostra como os diferentes elos da cadeia estão interligados: o início está no elo dos insumos,
passando pelos elos da produção, dos originadores, das esmagadoras, da indústria de
derivados do óleo e da distribuição até chegar ao elo do consumidor final.
Cadeia produtiva da soja
Insumos
(sementes, defensivos, máquinas etc.)
Produção
Centro-Oeste, Sul, Sudeste, Nordeste e Norte
Originadores
Armazéns Gerais, Cooperativas e trading companies
Esmagadores
Empresas privadas e cooperativas
Indústria derivados do óleo
Maionese, margarina, sabão, tinta etc.
Distribuição
Atacado, Varejo, Mercado Institucional

Consumidor
Fonte: Elaboração da autora

A imagem seguinte apresenta os dados relacionados à produção, ao consumo e aos estoques
mundiais divulgados pelo USDA. Repare que o mercado internacional da soja está dividido
entre quatro países. Quais são eles?

33

300
250
200

Produção

150

Consumo

100

Estoques

50

un
do
M

s
ro
ut
O

in
a
Ch

Ar

ge

nt

in
a

si
l
Br
a

A

0

EU

Milhões de toneladas

Produção, consumo e estoques mundiais de soja: safra 2012/13

Fonte: USDA (2014)

Introdução ao Agronegócio

A Argentina possuía 22,4 milhões de toneladas em estoque, e esse montante representava
quase metade dos estoques mundiais, que foi de 57,8 milhões de toneladas. Um dos motivos
que justificam esse estoque alto é que a oferta da soja é menor do que a demanda nesse país.
Em relação ao Brasil, a imagem a seguir apresenta a produção brasileira do complexo soja no
período de 1999 a 2014.
Produção brasileira do complexo soja
1000.000
90.000
80.000
70.000
60.000
50.000
40.000
30.000
20.000
10.000
0

Soja
Farelo

2014 (E)

2013 (E)

2012

2011

2010

2009

2008

2007

2006

2005

2004

2003

2002

2001

2000

Óleo

1999

Mil. Ton.

Fonte: ABIOVE (2014)

Note que o complexo soja (soja em grão, farelo e óleo) tem grande destaque no agronegócio
brasileiro, já que 26,1 bilhões de dólares foram gerados como divisa pelo setor da soja em 2012.
Esse mesmo setor representou 10,8% do total exportado pelo Brasil. Em 2013, observa-se um
salto de 2% na participação do complexo soja nas exportações do Brasil: 12,8%.

Participação do complexo soja nas exportações brasileiras (%)
15
10
5

Part. Complexo Soja
Fonte: ABIOVE (2014)

Curso Técnico em Agronegócio

2013

2012

2011

2010

2009

2008

2007

2006

2005

2004

2003

2002

2001

0
2000

34

Na safra 2012/2013, a produção mundial foi de 267 milhões de toneladas de soja, sendo
que Brasil, Estados Unidos e Argentina respondem por grande parte do total produzido.
Foram consumidas no mundo 258,8 milhões de toneladas de soja, sendo a China o principal
importador da commodity.

causou mudanças importantes no mercado internacional do grão. e a Alemanha. como se vê nos dados das exportações do complexo soja nos períodos de 2012 e 2013. 17. e. • a China foi o principal país de destino das exportações brasileiras de soja. 10. Exportações do complexo soja (2012 e 2013) 0 5 10 15 20 China União Europeia Ásia (exceto china) 2013 2012 Outros Destinos Fonte: ABIOVE (2014) A China. como o maior acesso ao mercado chinês e a limitação dos subsídios do governo desse país aos produtores domésticos Introdução ao Agronegócio 35 . duas características principais: • a concentração das pautas de exportação e importação (soja. A China entrou na OMC em 2001. Como consequência. sendo responsável pelo aumento do comércio de produtos agroindustriais e dos preços das commodities agrícolas. Uma das razões para a elevada concentração da pauta nesses produtos foi a demanda por soja e óleo de soja. tendo essas operações representado 27. itens que fazem parte dos hábitos alimentares dos chineses. por isso.96%. que faz parte do BRICs. minério de ferro.Os principais mercados para a soja em grão e para o farelo de soja são a União Europeia e a Ásia (China).53% das exportações brasileiras destinadas à China em 2002. Aliás. sendo igualmente o maior consumidor. produtos siderúrgicos e óleo de soja) respondeu por 67.19% do total exportado (superando a Holanda. o comércio de mercadorias entre Brasil e China apresentou.17%). shoyu e óleo de cozinha. pois são usados na produção de tofu. a China aumentou sua participação como importadora nesse mercado. busca a autossuficiência com claras intenções de ficar independente do mercado internacional. como soja e milho. em 2002. é o segundo maior produtor de grãos do mundo (530 milhões de tonelada/ano). Por ser um dos maiores importadores do complexo soja. Setores do agribusiness enxergam a China como o mais promissor país no consumo de alimentos e fibras.

de acordo com as suas próprias estimativas. também. da produtividade da soja brasileira e da proibição dos transgênicos no Brasil (2002). Mas o que seria essa estratégia das transnacionais? Atenção ` A estratégia das transnacionais era baseada na ideia de eficiência global. Com essa estratégia. um certificado indicando que as remessas brasileiras de soja não contenham o grão transgênico. como a China. razão pela qual a sua preferência recaiu naturalmente sobre o Brasil.36 Nesse período. Ela também exige. as transnacionais buscaram. A China resiste aos transgênicos. diversificar as suas cadeias de oferta. e. O crescimento das exportações brasileiras para a China decorreu da estratégia das transnacionais que atuam no mercado de grãos. transformou-se no maior exportador e na segunda maior economia do mundo. o que provocou um deslocamento de parcela da soja americana no mercado internacional. Curso Técnico em Agronegócio . as zonas mais populosas apresentavam perspectivas de crescimento da renda. Elas atuaram em ambas as regiões. em acordos temporários. que consiste em utilizar as regiões economicamente mais produtivas para suprir as regiões mais populosas.

O estudo mapeia os crescimentos do PIB e da renda per capita. os pontos fracos.5%. no Piauí e na Bahia. nos estados de Mato Grosso. com 10. as oportunidades e as ameaças. em Tocantins. A seguir. Mas as regiões Norte e Nordeste também estão aumentando a sua área de plantio.4%. com 19. e Goiás. e áreas no Maranhão.5%. com 29% da produção nacional.Perspectiva O trabalho exploratório de economistas (Jim O’Neill.4% da produção brasileira. veja a participação da soja por região no Brasil. e os movimentos monetários dos BRICs até 2050. com 15. Dominic Wilson e Roopa Purushothaman) do banco de investimentos Goldman Sachs sobre a economia mundial indica que. as economias de Brasil. Rússia. Introdução ao Agronegócio . a produção de soja concentra-se nas regiões Centro-Oeste e Sul. na qual podem-se identificar os seus pontos fortes. PIB O Produto Interno Bruto mede o valor monetário total dos bens e serviços finais produzidos para o mercado durante determinado período de tempo dentro das fronteiras de um país. Rio Grande do Sul. nos próximos 50 anos. Paraná. No Brasil. Soja: participação por região do Brasil 3% 7% 6% Norte Nordeste 37% 47% 37 Sul Centro-Oeste Sudeste Fonte: Outlook FIESP (2013) Abaixo tem-se uma panorama da cadeia produtiva da soja. responderam por 8. Índia e China podem tornar-se uma força importante na economia mundial. no período de 2012-2013.

Tecnologia dominada para gerar valor à cadeia. Fortalecimento de ações sustentáveis nos âmbitos nacional e internacional. Ameaças Tarifas alfandegárias.000 km). Oportunidades Abrangência do complexo soja na geração de produtos. Pontos fortes Neste item. Geração de renda nas regiões produtoras (aumenta o IDH). Diferentes cobranças de ICMS pelos estados brasileiros. e também por possuírem áreas agricultáveis para expansão do plantio. acompanhe uma análise dos quatro itens. dificultando o escoamento da oleaginosa para os portos que a levarão para o exterior. Fonte: Elaborado pela autora. Adoção de biodiesel global via metas de adição. Estímulo governamental à exportação de soja in natura. Melhoria nos modais utilizados para o transporte de soja no Brasil. O Brasil utiliza um modal de transporte impróprio pela distância percorrida pela soja (± 1. observa-se que um dos grandes pontos fortes está na geração de renda nas regiões produtoras de soja. Na sequência. principalmente nos estados de Mato Grosso e Goiás. Novas barreiras de entrada por países importadores. Pontos fracos Podemos citar como principal ponto fraco a logística deficiente nas regiões produtoras. Áreas agricultáveis que permitem aumento da produção. com base nos dados da ABIOVE (2014). Igualmente é necessário considerar a tecnologia empregada nas propriedades rurais.Análise SWOT da cadeia produtiva da soja 38 Pontos Fortes Brasil é segundo maior produtor e exportador mundial. Pontos Fracos Maior produtor mundial é os EUA. Curso Técnico em Agronegócio . como o uso de agricultura de precisão e sementes altamente produtivas. Diversificação via criação de produtos inovadores. o que aumenta o custo de produção.

Essa produção foi estimada em 2013. em cerca de 10 milhões de toneladas.Ameaças Entre as ameaças estão as tarifas alfandegárias e o protecionismo de países como os Estados Unidos. temos como avançar e pensar a respeito das tendências futuras. As projeções de consumo indicam que as demandas de soja no mercado internacional e no mercado interno devem continuar aumentando. Existe uma forte tendência da produtividade de aumentar devido ao aumento da tecnificação das lavouras. Introdução ao Agronegócio . Após analisar o quadro anteriormente exposto. carnes e algodão. 39 De acordo com o MAPA. algumas projeções. como sabão. abaixo. a produção de soja em grão em 2013 foi de 81. em especial daquelas que se encontram na região Centro-Oeste. Estima-se que em 2023 a produção de soja seja de 99. também se estima que ocorrerá um grande aumento do consumo de soja para a produção de biodiesel. o que representará um acréscimo de 21. com uma produtividade média projetada para os próximos anos de 3.3 toneladas por hectare. pois.2 milhões de toneladas.3 milhões de toneladas. Qual é o seu palpite a respeito da cadeia de soja? Confira. que subsidiam uma boa parte da sua produção de soja e de outras commodities. tintas e biocombustível. além da demanda de rações animais. Isso torna os seus produtos mais competitivos no mercado internacional Oportunidade Como uma oportunidade está a possibilidade de se pesquisarem novos usos para a soja. gerando valor e produzindo produtos que serão vendidos por um valor superior para a commodity. pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais – Abiove.8% em relação à produção de 2013. como milho.

assim como mais empregos.000 3 /2 22 1 9 /2 20 20 7 /1 20 18 20 /1 16 5 /1 20 14 20 20 12 /1 3 0 Fonte: MAPA. 100. Saiba mais sobre barreiras comerciais e técnicas no AVA. laborais. deve haver um consumo adicional de soja em relação ao período de 2012-2013 de 8. além de incentivos governamentais para a geração de valor. com dados da CONAB (2013) A cadeia da soja apresenta alto potencial de crescimento.000 60. a proteção do meio ambiente e do consumidor. ambientais. De acordo com o MAPA.4% no consumo até 2023. as BNTs visam a proteger bens jurídicos importantes para os Estados.2 milhões de toneladas. Normalmente.000 80. Curso Técnico em Agronegócio .000 Produção 40. Esta proporciona mais renda para as regiões produtoras e para o país. mostrando uma perspectiva positiva de crescimento do mercado. que o consumo interno de soja em grão chegue a 50.000 Consumo Exportação 20. principalmente em bebidas. sendo que se espera um aumento de 19. veja uma projeção de produção. mas ainda possui grandes gargalos (em logística. 40 Espera-se que. queijos etc. também. além da utilização da soja na fabricação de rações animais. tecnologia e impostos a serem arrecadados. restrições quantitativas (quotas e contingenciamento de importação). Informações extras O Barreiras Não-Tarifárias são restrições à entrada de mercadorias importadas que possuem como fundamento requisitos técnicos. e ainda. a saúde dos animais e das plantas. impostos e barreiras tarifárias e não tarifárias) e necessita de maiores investimentos em marketing. como a segurança nacional. Brasil: projeção da produção. sanitários. consumo e exportação de soja em grão 120.000 Mil ton. A seguir.6 milhões de toneladas ao final da projeção. ela também seja utilizada de maneira crescente na alimentação humana.Estima-se. consumo e exportação de soja em grão.

Abaixo. apresentamos alguns usos originais para o grão. em 1933. em especial. pois isso trará benefícios aos produtores rurais e. mas. na safra 2012/13. os três principais produtores foram o Brasil. Participação (%) dos países na produção mundial de café em grão: safra 2012/13 Outros 17% México 3% Peru 3% Brasil 37% Índia 4% Honduras 4% Vietnã 17% Etiópia 4% Colômbia 5% Indonésia 6% Fonte: USDA (2013) O gráfico acima nos mostra que. se as estradas e os portos não conseguem escoar a produção? Coverse sobre esse assunto com o tutor e demais colegas e aprofunde seu conhecimento! O governo tem uma parcela de responsabilidade importante nisso. com 37% do mercado mundial cafeeiro. Itália. ao desenvolver nos Estados Unidos o primeiro produto construído à base de soja: um painel de carro feito de plástico de soja. veja o ranking dos países produtores de café na safra 2012/2013.Um exemplo de como é possível gerar valor foi dado por Henry Ford. Entre os produtos à base de soja. mas não basta: o produtor precisa se organizar. informar-se e tratar a sua propriedade como uma empresa rural. estão xampus para animais domésticos. lubrificantes. desenvolvidos pelos produtores e patrocinados pelo governo americano. sendo que os principais países importadores de café brasileiro são: Alemanha. bola de paintball etc. Desde essa época. novas tecnologias que incluem o grão foram descobertas. Aliás. Japão e Bélgica. o Brasil é conhecido como o celeiro do mundo. 2: Café O Brasil é o maior produtor e exportador da commodity e conta. Estados Unidos. É mais interessante gerar valor e obter mais lucros do que exportar commodities e deixar o lucro do desenvolvimento de produtos para os outros países. que não tem condições de concorrer com uma grande empresa. velas feitas à base de cera de soja. deixar alguns conceitos no passado e partir em busca de novos desafios. produtos de limpeza. de que adianta produzir tanto. ao pequeno e ao médio produtor. Somos o primeiro na produção mundial de café em grão. Introdução ao Agronegócio 41 . o Vietnã e a Indonésia. O Brasil precisa investir em geração de valor produzindo produtos diferenciados. atualmente. A seguir. isolante térmico para casas.

pela qual a produção cafeeira está espalhada em 2. o Brasil possui a vantagem de desenvolver diversos tipos e qualidades de cafés – um diferencial que possibilita atender às diferentes demandas. Diferentes tipos de café Arábica A variedade de café mais apreciada no mundo é a arábica e ela representa 59% da produção mundial da cultura de café.370 hectares. É mais utilizado na fabricação de café solúvel. o que representa um crescimento de 0. de 12.73 hectares voltados à cultura de café dos tipos arábica e robusta.9% da quantidade de café nacional. Minas Gerais e Mato Grosso. houve um acréscimo. Trata-se de um grão bastante achatado e alongado. É importante ressaltar que estão ocorrendo significativos aprimoramentos na tecnologia de produção.54% da área utilizada em relação à safra de 2012. Curso Técnico em Agronegócio . Robusta Conilon O café robusta conilon tem a sua origem na África Central e pode ser produzido em altitudes que variam entre o nível do mar e 600 metros. A produção nacional de robusta em maio de 2013. nos aperfeiçoamentos genéticos e nas reduções de custos na logística. Bahia. O cultivo de café arábica totaliza 74. A qualidade desse grão está relacionada com a altitude em que é plantado (altitudes superiores a 900 metros). Outros estados. por exemplo. como São Paulo. no manejo. devido à sua grande extensão. Os principais estados brasileiros produtores dessa variedade são: Espírito Santo (maior produtor de conilon). Paraná. Conforme a Conab (2013). Rondônia. pois é utilizada para fazer o blend com a variedade arábica. Espírito Santo e Rondônia. O país conta atualmente com 2.341.42 É importante observar que.3 milhões de hectares no território nacional. no ano de 2013. também produzem essa variedade. representou cerca de 25% da cultura nacional de café. O maior produtor de café arábica no Brasil é o Estado de Minas Gerais. Essa variedade tem uma grande aceitação na Europa e nos Estados Unidos. que gera um café fino e com alto valor comercial. Pará.

Hectares produzidos na produção brasileira de café 43 1. podemos observar que as maiores áreas de produção estão concentradas nos estados de Minas Gerais e Espírito Santo.000 800.200.000 Outros Rio de Janeiro Goiás Pará Mato Grosso Rondônia Bahia Paraná São Paulo Espírito Santo Minas Gerais 0 Fonte: ABIC (2013) A cadeia agroindustrial do café. Paralelamente Introdução ao Agronegócio .000. ao compararmos os hectares utilizados na produção brasileira de café nos estados produtores. Regiões produtoras de café Arábicas Conillon (Robusta) Fonte: ABIC (2013) Agora. segundo Zilbersztajn (1993). como a industrialização do grão verde. é estruturada pelas operações agrícolas. a torrefação e a comercialização.000 2013 400.Veja os estados nacionais produtores de café e as respectivas espécies cultivadas em cada local.000 200.000 2012 600.000 Hectares 1.

defensivos. Apenas grandes cafeicultores vendem os grãos para compradores diretos. PR. RO. mercado institucional. desinteresse em participar das transações e dificuldade de comunicação com as fontes. Curso Técnico em Agronegócio . máquinas etc. MT 1º Processamento do Café Maquinistas e Cooperativas 2º Processamento do Café Empresas de torrefação e moagem Vendedores Nacionais Cooperativas. 1993). ES. 1999): Cadeia produtiva do café no Brasil Insumos (mudas. que os disponibilizam com menor preço por operarem em grande escala. já que ele possui a possibilidade de vender a sua produção para outros atores da cadeia (ZILBERSZTAJN. o produtor mantém uma relação instável com a cooperativa.) Produção MG. Nesse sentido. torrefação e dealers Varejo Nacional e Internacional Supermercados. em grande parte.44 a esse conceito. são obtidos por meio das cooperativas. BA. surge outro estudo que indica que a cadeia de café brasileira é constituída pelos seguintes segmentos (SAES E FARINA. Mas por que essa incerteza acontece para os produtores de café? Essa situação ocorre em função de fatores como distância física entre produtor e cooperativa. Exportadores e Atacadistas Compradores Internacionais Empresas de solúvel. e os insumos. Zilbersztajn (1993) acredita que “em geral os produtores trabalham com um nível de incerteza e insegurança muito alto em relação às informações disponíveis no mercado”. cafeteiras. pois a maioria dos produtores se relaciona com a cooperativa para entregar seus produtos. bares e restaurantes Consumidor Fonte: Adaptação de Saes e Farina (1999) A maioria dos produtores de café no Brasil são membros de alguma associação de interesse privado. SP.

A ai 0 br o/1 il/ 1 12 02 20 00 20 98 20 96 19 94 19 92 19 19 90 0 19 kg/habitantes 7 Fonte: ABIC (2013) Introdução ao Agronegócio 45 . o consumo de café no Brasil tem crescido a uma taxa média anual de 4. • emprega diretamente três milhões de pessoas. Informações extras Veja alguns dados sobre a cafeicultura brasileira: • sustenta de 250 mil a 300 mil produtores. O • responde por 5% das divisas geradas. as cooperativas vendem o café para a indústria de torrefação. Fonte: ABIC (2013) Perspectivas futuras Consumo de café Segundo a Organização Internacional do Café – OIC. A comercialização e a distribuição de café no Brasil são realizadas “por meio dos exportadores. atacadistas e varejistas em geral. Segundo a ABIC (2012). O povo brasileiro é um dos maiores consumidores de café do mundo. nos processos de torrefação e moagem. 1993).1 quilos de café por ano. É importante destacar que algumas cooperativas atuam. Veja como vem ocorrendo a evolução do consumo interno no Brasil durante o período de 1990 a 2012. o que equivale a cerca de 400 cafezinhos. supermercados e as próprias torrefadoras” (ZYLBERSZTAJN. e a preferência nacional é o café torrado e moído: cada consumidor consome em média 2. adicionando ao café filtrado também os cafés espressos. como bares.8%. corretores. maquinistas. os cappuccinos e outras combinações com leite”. Brasil: consumo per capita de café verde e café torrado 6 5 Kg café verde 4 Kg café torrado 3 2 1 04 20 06 20 08 20 M 1 .Por sua vez. os exportadores e os dealers. restaurantes. “os brasileiros estão consumindo mais xícaras de café por dia e diversificando as formas da bebida durante o dia. também. padarias. Dealers Negociantes que atuam como intermediários em uma transação comercial.

desde 2004. geralmente de melhor qualidade. Fonte: MAPA (2013) O evento é importante. para que procure voltar a ter altos índices de crescimento. o que se espera alcançar com a oferta de cafés de melhor qualidade. já se observa essa tendência ocorrendo em países da Europa e também nos Estados Unidos. as inúmeras novas opções prontas para o consumo no café da manhã (que incluem bebidas à base de soja. Nestes. a preferência é por cafés especiais. tais como sucos e achocolatados Brasil: projeção da produção. A título de observação. bem como das exportações. com maior procura por cafés de melhor qualidade. A previsão do MAPA é de que o país continue como o maior produtor mundial e o principal exportador. esse panorama teve uma pequena diminuição em 2013 devido ao café disputar a preferência dos consumidores com os produtos prontos. mas obviamente de mercado. Aliás. para finalizar esta análise sobre perspectivas futuras do café. Curso Técnico em Agronegócio . Isso incrementa os hábitos de consumo do grão. cuja penetração no mercado ainda é pequena comparada ao tradicional cafezinho) têm apresentado crescimento bastante elevado. pois foi a primeira queda registrada no consumo no país desde 2003 e o segundo recuo da série histórica.As projeções feitas pelo MAPA para o café estimam o aumento da produção até 2023. observa-se o aumento do consumo de café fora do lar em função da popularização das cafeterias em diversas cidades brasileiras. a ABIC estimou em 2014 a retomada do crescimento do consumo interno de café entre 3% a 4%. diferenciados e certificados. e ainda de acordo com a ABIC.6% até 2023. De acordo com a associação. também. desde os tradicionais até os cafés gourmet – informação importante a se considerar não só como tendência futura. Essas categorias com maior valor agregado desafiam a indústria de café para que busque a inovação e. bem como sua economia. segundo dados da ABIC contabilizados desde 1990. e que também mantenha os compradores habituais e os parceiros estimados em mais de cem mercados – cenário bastante promissor! Observa-se que o crescimento estimado para o consumo da bebida é de 28. consumo e exportação de café 60 50 40 Produção 30 Exportação 20 Consumo 10 3 /2 2 22 /2 20 1 21 /2 20 0 20 /2 20 9 19 /1 20 8 18 /1 20 7 17 /1 20 6 16 /1 20 5 15 /1 20 14 /1 20 13 /1 20 12 20 4 0 3 Milhões de toneladas 46 Outro fato curioso é que. E.

como a sucralose. • aumento do consumo de alimentos processados da cana-de-açúcar resultante da migração da população das áreas rurais para as urbanas.000 100.000 160.3: Cana-de-Açúcar No período entre 2000 e 2010.000 120.000 140. • aumento da produção estimulado pelo consumo de adoçantes de baixas calorias à base de açúcar. 200. 47 Repare como vem crescendo a produção mundial de açúcar a partir da cana-de-açúcar e da beterraba. Mas como isso ocorreu? Confira abaixo os principais motivos: • crescimento da população e respectivo aumento do poder de compra dos consumidores em diversas regiões do mundo. constata-se um grande crescimento da produção de cana-deaçúcar em função do aumento da demanda de açúcar no mundo.000 0/ 20 11 01 1/ 1 20 2 12 /1 3 0 9/ 1 20 1 9 20 0 8 8/ 0 20 0 7/ 0 7 6/ 0 20 0 6 5/ 0 20 0 5 4/ 0 20 0 4 20 0 3 3/ 0 20 0 2/ 0 2 1/ 0 20 0 20 0 0/ 0 1 0 20 0 Milhões de toneladas Produção mundial de cana-de-açúcar e beterraba Fonte: USDA (2013) Introdução ao Agronegócio .000 180.

000 Milhões de toneladas 600.000 Brasil 300. Fonte: UNICA (2013) O tema biocombustível tornou-se uma discussão extremamente relevante no século XXI. União Europeia. há quatro principais produtores: Índia. Brasil: produção de cana-de-açúcar 700. a expectativa do governo brasileiro em exportar etanol para os países que adotam os biocombustíveis em suas matrizes energéticas. Participação mundial dos países produtores de cana-de-açúcar Brasil 22% Outros 26% Paquistão 3% Índia 15% Rússia 3% México 3% EUA 5% União Europeia 9% Tailândia 6% China 8% Fonte: USDA (2013) O aumento da produção de cana-de-açúcar também está relacionado ao aumento do uso do etanol no Brasil. o Brasil se destaca. combustível indicado para veículos com motores flex fuel.000 Região Norte-Nordeste 100.000 400. Como se nota. Você sabe por quê? Curso Técnico em Agronegócio .000 Região Centro-Sul 200. também.000 500. Veja como foi a produção brasileira de canade-açúcar no período de 1999/2000 a 2012/2013. em um total de 27 participantes. e esse açúcar é utilizado também na produção de refrigerantes.000 / 20 11 01 1/ 1 20 2 12 /1 3 /1 0 10 20 /0 9 09 20 /0 8 08 20 /0 7 07 20 /0 6 06 20 /0 5 05 20 /0 4 04 20 /0 3 03 20 /0 2 02 20 01 20 00 /0 1 0 20 48 Uma informação importante é a de que. Brasil e China. o açúcar vem da beterraba. em alguns países da União Europeia.Na composição mundial dos países produtores de cana-de-açúcar. ao contrário do Brasil. Existe. que só utiliza o açúcar de cana-de-açúcar.

Ele nos mostra os canais de distribuição. sustentável. Trata-se de uma fonte de energia natural. havia também perspectivas de se cogerar. e o etanol anidro (0. no período de 1976 a 2005. a partir do bagaço e da palha disponíveis. no início de 2008. um mercado promissor. além do trigo e da mandioca. que abastece os automóveis flex. da sacarina da beterraba. nos Estados Unidos.5% de água). Grandes consumidores Terminais Portuários Mercado Externo Fonte: Baseado em Caixeta-Filho et al (2008) Você sabia que. Canais de distribuição do etanol Produção Usinas Destilarias Distribuição Bases das Distribuidoras e Terminais Varejo Consumidor Postos Revendedores Automobilistas Transportador. o setor comemorava o crescimento da sua produção e das exportações. a distribuição e o varejo até chegar ao consumidor final. Ainda no contexto de 2008.Basicamente porque a pauta do biocombustível está diretamente ligada ao contexto de um desenvolvimento sustentável. prevendo a geração de um milhão de empregos. No Brasil. Para entender melhor como funciona a cadeia de produção do etanol. a utilização de álcool combustível permitiu ao Brasil economizar US$ 69. Revendedor e Retalhista Pequenas empresas. no Brasil. produz-se o etanol hidratado com 5% de água. limpa. do amido de milho. alavancam a geração de postos de trabalho e avançam rumo ao desenvolvimento tecnológico. observe o diagrama a seguir. Informações extras O O etanol (nome técnico do álcool etílico combustível) pode ser produzido a partir da sacarose da cana-de-açúcar. o equivalente à capacidade de uma usina Itaipu e meia em bioeletricidade. ponto urgente na agenda desenvolvimentista mundial. Introdução ao Agronegócio 49 . misturado à gasolina na proporção de 20% a 25%.1 bilhões em divisas com a importação de petróleo (ETH. 2008)? E que. renovável. Biocombustíveis que não causam danos ao meio ambiente. com investimentos de US$ 30 bilhões até 2012? Definitivamente. a produção nas usinas.

Podemos observar que o período de 1999 a 2007 foi de crescimento da produção brasileira. alternando períodos de retração com crescimento moderado. também. Fonte: UNICA (2013) Todo esse quadro pessimista levou ao endividamento de grande parte do setor e.000 Região Norte-Nordeste 5. buscando a eficiência e se voltando para uma gestão mais profissional a fim de gerar maior rentabilidade. que foram compradas por grandes grupos nacionais e internacionais. levando à venda das empresas endividadas.000 mil m² 20.Porém. os grandes grupos familiares deram lugar a grandes empresas multinacionais.000 Região Centro-Sul 10. Durante esse processo. comprometendo a expansão dos canaviais.000 Brasil 15. Curso Técnico em Agronegócio . Essas empresas passaram a delinear outra forma de gestão do setor. resultado próximo ao estimado para o Centro-Oeste.000 25. a produção passou a ser instável.000 3 2 /1 12 20 1 /1 11 20 0 /1 10 20 9 /1 09 20 8 /0 08 20 7 /0 07 20 6 /0 06 20 5 /0 05 20 4 /0 04 20 3 /0 03 20 2 /0 02 20 /0 01 00 20 /0 1 0 20 50 além da movimentação de uma grande indústria nacional de máquinas e equipamentos (JANK. É nas regiões Sudeste e Centro-Oeste que está concentrada a maior parte da produção e das usinas de açúcar e etanol. em setembro de 2008. mas. a região Sudeste deverá ter um aumento de área de 11% até 2023 em relação a 2013 (o que representa 616 mil hectares). o setor perdeu uma capacidade de moagem de 48 milhões de toneladas de cana e chegou à capacidade de 600 milhões de toneladas na região Centro-Sul (OUTLOOK FIESP (2013). tradings e fundos de investimento. ocorreu a grande crise financeira mundial. a partir de 2008. A recuperação dos preços internacionais do açúcar e do etanol na safra 2009/2010 não foi suficiente para a retomada do setor. Dessa forma. levando à cessão dos investimentos do setor. Nesse mesmo período. De acordo com o estudo Outlook Fiesp. 2008) – ordens de grandeza bem interessantes. o crédito diminuiu bastante. ao aumento dos custos de produção. Brasil: produção total de etanol 30. o investimento em pesquisas e os cuidados fitossanitários.

• fornecedores de cana: 70. Fonte: UNICA (2013) 51 Perspectivas futuras De acordo com a União da Indústria de Cana-de-Açúcar – UNICA.000 L/ha até o final da década de 2010. • o manejo agrícola.000.28 milhão. A demanda mundial por energia vem aumentando. e o Brasil está retomando os investimentos em tecnologia e na construção de novas fábricas. o setor pretende trazer tecnologias que elevem a produtividade dos atuais 7. • o etanol celulósico. • postos de trabalho formais: 1. que representam um quarto da população mundial. também estão investindo em novas unidades de produção de etanol. • receita do setor: superior a R$ 50 bilhões. Isso representará um aumento de produtividade acima de 5% ao ano. países como China e Índia.000 para 13. Introdução ao Agronegócio .8 bilhões (2010). Os principais vetores do crescimento serão: • melhoramento genético clássico e a biotecnologia.Participação de cada região do Brasil na produção de cana-de-açúcar 8% 7% Nordeste 19% Sul Centro-Oeste 66% Sudeste Fonte: Outlook FIESP (2013) Informações extras Confira números do Setor Sucroenergético: O • estrutura produtiva: 432 plantas (2010). No entanto. • divisas externas: US$ 13. • redução de emissões de CO2: 600 milhões de toneladas desde 1975. o que pode representar forte concorrência para o país. • porcentagem na matriz energética nacional: 18% (segunda fonte: hidroeletricidade).

Em relação ao açúcar. Comentário do autor d O bioetanol produzido no mundo representa 4% do consumo de gasolina. sendo que o milho representa 30% dessa área. e a gasolina representa um quarto do consumo de petróleo. buscar fontes energéticas que causem menos impacto ao meio ambiente é crucial. sem prejudicar o avanço de outras culturas. Atrás dele vem a Tailândia. Goiás. sendo feitas de maneira global por meio da troca de experiências entre os pesquisadores de diversos países. Nessa matemática. é necessária a conscientização de todos os cidadãos para o consumo consciente. Hoje. o Brasil é o principal exportador mundial de cana-de-açúcar. O Brasil utiliza 62 milhões de hectares. pois o país necessita de apenas 2% de suas terras cultiváveis para mover toda a frota nacional de veículos leves exclusivamente a etanol. Sendo assim. que representa 14% das exportações mundiais. Em paralelo a isso.52 Lembrando que. A título de comparação. temos o Brasil em situação privilegiada. dos quais 19. desde 1960 a área colhida com cana-de-açúcar apresentou uma taxa de crescimento de 3% ao ano. também devem ser estimuladas as pesquisas sobre fontes renováveis de energia.9% com cana-de-açúcar. De acordo com Goldemberg (2007). seriam necessários 123 milhões de hectares para substituir 10% da gasolina produzida no mundo. Ou seja. com cerca de 50% do volume total. o debate sobre o futuro do biocombustível é bastante complexo. havendo uma expansão em Minas Gerais. Por outro lado. A maioria das destilarias concentra-se no Estado de São Paulo. os Estados Unidos empregam 99 milhões de hectares. Curso Técnico em Agronegócio . Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.7% com milho e 8. com toda a importância em se desenvolverem formas sustentáveis de produção. órgãos governamentais internacionais divulgam que o biocombustível poderá afetar a capacidade de produção de alimentos no mundo.

000 5.000 35.000 45. consumo e exportação de açúcar 50.000 15. cerca de 35 milhões de hectares de algodão sejam plantados no globo terrestre.000 3 /2 2 22 /2 20 1 21 /2 20 0 20 /2 20 9 19 /1 20 8 18 /1 20 7 17 /1 20 6 16 /1 20 5 15 /1 20 4 14 /1 20 13 20 20 12 /1 3 0 Fonte: MAPA (2013) 4: Algodão O algodão é considerado uma das mais importantes culturas de fibras no mundo! Estima-se que. 2014). o processamento e a embalagem (ABRAPA.000 Exportação 25. Além disso. todos os anos. o descaroçamento.000 Mil ton.000 Produção 30.000 Consumo 20. Brasil: projeção da produção. desde a década de 1950. está ocorrendo um aumento da demanda mundial a um crescimento anual médio de 2%. e a cadeia produtiva envolve mais de 350 milhões de pessoas em sua produção: desde as fazendas até a logística. consumo e exportação de açúcar e de crescimento da produção no período de 2012/2013 a 2022/2023 – mais uma cadeia com futuro promissor na agricultura brasileira de exportação. Introdução ao Agronegócio 53 . O comércio mundial do algodão movimenta anualmente US$ 12 bilhões.Confira a projeção de produção. 40.000 10.

sendo um dos principais setores da economia brasileira. o Brasil entre os primeiros produtores.000 2013/14 2. Fonte: ICAC (2014) A pluma do algodão destaca-se como a mais importante matéria-prima utilizada em toda a cadeia têxtil do Brasil.7 milhão de toneladas de pluma. o que só comprova a vocação agrícola do país. Paquistão e Brasil) aparecem como os principais produtores da fibra. o algodão é produzido por mais de 60 países nos cinco continentes.000 1. Mais uma vez.000 4. Produção mundial de algodão 8. sendo que apenas cinco países (China. Estados Unidos.000 2011/12 5. defensivos. Índia.Segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão – Abrapa. Cadeia têxtil brasileira Insumos (sementes. a produção do Brasil foi de um volume médio próximo de 1.000 2012/13 3. nas últimas três safras.000 O ui U be sq ut st ro s ão il as st qu i Pa Br ão A EU di a Ín in a 0 Ch 54 Atualmente.000 6. máquinas etc) Produtores de algodão (algodão em caroço) Algodoeira (fardo de algodão em pluma) Fiação (tecido bruto) Estamparia e Acabamento (tecido estampado) Indústria de confecção Comércio atacadista Comércio varejista Consumidores finais Fonte: Buainain e Batalha (2007) Curso Técnico em Agronegócio .000 7.

7% de fibras artificiais e sintéticas. a partir das fibras artificiais e das sintéticas (viscose.2% do fios utilizados são de algodão. juta. foram utilizadas 236 mil toneladas. 39% de fios artificiais e sintéticos.258 milhão de toneladas. superando até mesmo os investimentos realizados nas culturas de soja e milho.01% de outras fibras naturais. das quais 28 mil correspondem à cadeia do vestuário.2 milhão de empregos somente em vestuário (IEMI. 48. o uso de fibras naturais (algodão. d No ano de 2010. Na fabricação de fios. rami. Vejamos alguns números importantes acerca da produção nacional: • 33 mil produtores formalizados em atividade e com porte industrial. Nesse contexto. poliamida.494 milhão de toneladas de matéria-prima (naturais. 2013). e 3% de fios oriundos de outras fibras naturais.6 milhão de pessoas em 2012. artificiais e sintéticas) para a fabricação de fios. no segmento de fabricação de malharia. sisal. 58% do fio utilizado na fabricação de tecidos são de algodão. linho. • O número de trabalhadores chegou a 1. Comentário do autor Confira números que comprovam a importância do uso do algodão na cadeia têxtil nacional. sendo 1. acrílico poliéster e polipropileno). seda e lã) totalizou 1. 51. e 0. Por outro lado. No segmento de tecelagem. Fonte: Conab (2013) A cultura do algodão utiliza tecnologia moderna e recebe grandes investimentos em insumos. Participação de cada região na produção de algodão 3% 30% Nordeste Centro-Oeste 67% 0% Sudeste Fonte: Outlook FIESP (2013) Introdução ao Agronegócio 55 . A participação do consumo da fibra de algodão no contexto geral da produção de fios foi da ordem de 80%. máquinas por hectare. a indústria de fiação consumiu aproximadamente 1.O Brasil é o quinto maior produtor têxtil do mundo e o quarto maior do segmento de vestuário.

Curso Técnico em Agronegócio . para encerrar a apresentação da cadeia de algodão.60.138.314. A produção mundial de arroz concentra-se na Ásia e representa 68% dos 465 milhões de toneladas produzidos atualmente no mundo.000 314. sendo que os estados do Mato Grosso e da Bahia produziram cerca de 65% e 30% da safra 2012/2013. Os principais países produtores são: China.001 .001 .000 138.310 Outros municípios Fonte: ABRAPA (2014) E. respectivamente. ficando atrás apenas do milho e do trigo. Indonésia e Bangladesh. Índia. Principais estados produtores de algodão 100 .526.20.000 20. uma informação de extrema relevância: você sabia que a produção brasileira de algodão em pluma dos últimos anos tem sido suficiente para abastecer as necessidades de consumo da indústria têxtil nacional e ainda gerar excedentes que são comercializados no mercado de exportação? 5: Arroz O arroz é o terceiro cereal mais consumido no mundo.000 60.001 .001 .56 A produção do algodão ocorre principalmente nas regiões Centro-Oeste e Nordeste (representa 95% da produção nacional).

a produção brasileira foi de 11. Na safra 2012/2013. o Brasil não figura no topo da lista. • importações em 936 mil toneladas. • consumo em 42 milhões de toneladas. A produção nacional de arroz é tradicionalmente concentrada na região Sul.7 milhão de toneladas. Para o período de 2015/2016.Principais produtores de arroz (em milhões de toneladas . Participação de cada região do Brasil na produção de arroz 1% 6% 9% 6% 57 Norte Nordeste Sul 78% Centro-Oeste Sudeste Fonte: Outlook FIESP (2013) As projeções de produção e consumo para 2015/2016 feitas pelo MAPA mostram uma situação tênue entre essas duas variáveis.9 milhões toneladas. nos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. o que representa 78% da produção nacional.2013) 160 140 120 100 80 60 40 20 Philipinas Thailandia Vietnã Bangladesh Indonésia Índia China 0 Fonte: MAPA (2013) Dessa vez. indicando necessidade de importação para os próximos anos. estima-se o seguinte cenário: • produção em 12. Introdução ao Agronegócio .

como os plantios tardios. Nessa época.000 Consumo 2. Por outro lado. Projeção arroz Projeção (em (em arroz milhares de milhares toneladas) de toneladas) 14. como Norte.5 milhões de hectares. O que pode ser preocupante.5 toneladas por hectare. no qual a cultura chegou a ocupar uma área superior a 4. Essa cultura é considerada importante por ser uma cultura pioneira durante o processo de ocupação agrícola dos cerrados. Cultivo do arroz Existem duas formas de cultivo no país: • na região Sul. em que os agricultores não adotavam as práticas recomendadas.000 8.000 Produção 6. Curso Técnico em Agronegócio . A cultura do arroz de sequeiro é caracterizada por não exigir muitos insumos e por ser tolerante a solos ácidos. Hoje. o sistema de exploração era caracterizado pelo baixo custo de produção. a maior parte da produção de arroz do Brasil se concentra no Rio Grande do Sul. de modo que esse acréscimo de produção ocorra especialmente por meio do crescimento do arroz irrigado. • nas outras regiões. deve-se focar em investimentos em tecnologia que levem a um aumento de produtividade. o cultivo do arroz ocorre em várzeas inundáveis.5 toneladas por hectare. a produção do arroz de sequeiro é pequena e ocorre em áreas de formação de pastagens. com produtividade de 7. que teve início na década de 1960.000 10. O Brasil é o terceiro país exportador e o primeiro em produtividade em sequeiro. estima-se uma produtividade de 5. Nordeste e Centro-Oeste. pode-se observar a previsão de aumento da produção na área plantada. Fonte: MAPA (2013) De acordo com o MAPA.000 Importação 1 20 /2 0 20 /2 9 19 20 18 /1 8 20 /1 17 20 /1 7 6 20 16 /1 5 15 20 14 /1 4 20 /1 13 20 12 /1 3 0 20 58 A partir da projeção do MAPA para o período de 2012/2013 a 2020/2022. cerca de 600 quilos a mais do que a atual produtividade de 4.000 12.9 toneladas por hectare. vê-se também a redução dessa mesma área.000 4.Para evitar esse quadro. Esse processo de abertura de área alcançou o seu ponto máximo no período entre 1975 e 1985.

Essa classe tem como padrão de consumo ser exigente em relação aos produtos que consome e. Além de também procurar adaptá-la ao sistema de plantio direto. como massas. e a área cultivada com arroz sob o sistema de cultivo de sequeiro foi sendo gradativamente reduzida ao mesmo tempo em que a fronteira agrícola se deslocou no sentido sudestenoroeste (EMBRAPA. De acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa (2003). 2003). o com certificação de origem etc. começou a ocorrer a progressiva redução das áreas de abertura. ao mesmo tempo. a pesquisa com a cultura do arroz de terras altas prioriza ações com o objetivo de consolidar a presença da cultura em sistemas de produção de grãos nas regiões favorecidas dos cerrados. o basmati. Essa mudança nos padrões de consumo está levando à sua diminuição per capita de cereais básicos e ao aumento da demanda por produtos com valor agregado. Agregação de valor no arroz É fato que na última década houve o aumento da massa salarial e do poder aquisitivo da população brasileira e a ascensão da classe C (também chamada “nova classe média”). assim como o sistema sob irrigação suplementar e o de abertura de novas áreas.Em meados da década de 1980. como o arbóreo. faz parte da pesquisa desenvolver e incentivar o consórcio de arroz com pastagem no sistema Barreirão (renovação de pastagem degradada) e no sistema Santa Fé (integração lavoura-pecuária). tem consciência de que não pode errar na compra por não possuir uma segunda oportunidade de aquisição. pães e arroz para uso gourmet. Introdução ao Agronegócio 59 .

que apresenta um rendimento superior. Itália é o maior produtor europeu de arroz e o seu consumo manteve-se estável. vêm apresentando maior demanda em função do baixo custo. Em 2009. arroz com tempero. Esse arroz obteve o selo emitido pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial – INPI atestando que o produto da região é diferente dos demais produzidos no Brasil. principalmente dos tipos longo e integral. Curso Técnico em Agronegócio . fazendo parte da alimentação diária dos belgas. o consumo de arroz per capita na África chega a ser quatro vezes maior que o brasileiro. pois não houve alterações significativas de preços. em 2009. O arroz basmati e o vaporizado apresentam potencial de crescimento no país e na Europa. as vendas de alimentos secos. com legumes e as versões integrais. A expectativa da Aproarroz é que o produto tenha valorização de 20% em relação ao preço atual (APROARROZ. Existe uma tendência de aumento de demanda por produtos mais saudáveis e convenientes embalagens menores e mais fáceis de preparar. Espanha a maior demanda por variedades especiais de arroz na Espanha. O INPI confirmou que o cereal tem características distintas e autorizou a utilização do selo por todos os produtores da região que conseguirem alcançar os requisitos mínimos exigidos (são 1. que participaram com 22% das vendas. África os principais destinos do arroz beneficiado brasileiro. foram os países africanos. O local em que é produzido – a área de cultivo. O produto é básico na dieta portuguesa. Com a crise econômica. localizada em uma faixa de terra entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico – influencia a qualidade do arroz. seguido pelas variedades de arroz longo. Consumo de arroz no mundo África do Sul o preço do arroz vem aumentando desde 2008.Comentário do autor 60 d No Brasil. deve-se ao crescente número de imigrantes. o consumidor passou a fazer mais refeições em casa. Portugal como efeito da crise financeira. 2012). Bélgica o arroz é um produto popular no país. podemos citar como exemplo de geração de valor o arroz do litoral norte gaúcho. 56% das vendas de arroz foram de arroz comum.400 produtores de arroz em uma área que equivale a 130 mil hectares). Segundo o Instituto Rio-grandense do Arroz – IRGA. levando a população a adquirir alternativas mais baratas: variedade de arroz pronto para o consumo. como massa e arroz. Esse é o primeiro registro de Denominação de Origem de um produto brasileiro e o oitavo de Indicação Geográfica do país.

é mostrado o elo da distribuição. e. passando pela produção primária.p Atividade prática Acesse o AVA para ler um texto sobre estocagem de arroz no mundo e responda às questões propostas. Também são apresentados os elos que trazem o primeiro e o segundo processamento. para finalizar. Ele é consumido em diversos países de forma in natura ou em produtos industrializados. farinhas etc. nesse caso. máquinas e equipamentos. xaropes. e. seja por meio do próprio grão ou por seus derivados (ração e produtos destinados à indústria de alimentos). 6: Milho O milho é o principal cereal produzido no mundo. do varejo. como rações. Veja no detalhe. Introdução ao Agronegócio . Aproximadamente 75% da demanda de milho no Brasil tem como destino a alimentação animal. desse modo não possui posição de competitividade no âmbito mundial. pela comercialização e pelo armazenamento do cereal. as cadeias produtivas de aves e suínos têm uma posição de alta competitividade no mercado mundial. O Brasil possui um mercado regido pela oferta e pela demanda doméstica. Demanda de milho no Brasil 32% 60% 3% 5% 61 Suinocultura Pecuária Indústria de Sementes Avicultura Fonte: Outlook FIESP (2013) A cadeia produtiva do milho tem como elos os fornecedores de insumos.

misturas para bolo. Distribuição e Varejo Nacional e Internacional Supermercado Aves. outros produtos. canjica. Moagem via seca: fubá. Pequeno Varejo Mercado Institucional . Snacks. óleo. cereais. farinha. highmaltose. matinais e outros. refrigerantes e outros. sopas. amilopectina. al. Máquinas e Equipamentos Produção Primária Máquinas e Equipamentos Comercialização e Armazenamento Cooperativas 1º Processamento Rações (Petfood) Rações e Farelo Sementes Produção de Milho Armazenagem Governo Indústria de Defensivos e Fertilizantes Fonte: Sousa et. Suínos e Bovinos Indústria de cervejas. (1995) Curso Técnico em Agronegócio 2º Processamento Moagem via úmida: amido. cuscuz.Cadeia produtiva do milho 62 Fornecedores de Insumos.

mas. no décimo levantamento da safra mundial 2013/2014 feito pelo USDA. Mas por quê? Devido à redução da área plantada de milho e ao aumento da área de produção de soja. o aumento de consumo está relacionado ao crescimento da renda dos chineses. • Nos Estados Unidos.5 milhões de toneladas). Introdução ao Agronegócio 63 . levando à elevação das importações de milho e também de carnes.6 milhões de toneladas. Na safra 2013/2014. Mas por quê? Observa-se que houve uma diminuição da produção brasileira. 2007). causando o aumento do consumo desse cereal no país (CARVALHO. 2007). Os principais países produtores e consumidores de milho no mundo são os Estados Unidos e a China. • Na China.A safra mundial 2012/21013 dessa commodity foi de 860 milhões de toneladas. as exportações mundiais do milho foram estimadas pelo USDA em 114.4 milhões de toneladas e elas terão um aumento maior ainda se comparadas com o volume exportado no ano anterior (94. a produção mundial foi estimada em 966. Produção mundial de milho (milhões de toneladas) 1000 900 800 700 600 500 2012/13 400 2013/14 300 200 100 do un M em ai s pe ro Eu U ni ão D ia l Br as i na Ch i EU A 0 Fonte: USDA (2014) Observa-se que houve uma diminuição da produção brasileira. setor que tem como insumo o milho (CARVALHO. incentivos financeiros e políticas do governo estimulam a produção de biocombustível feito de milho.

em média. de 2001 a 2013. a produção pecuária mundial foi de. 58 milhões de toneladas/ano. Curso Técnico em Agronegócio . Participação de cada região do Brasil na produção de milho 2% 6% 3% Norte 33% 43% Nordeste Sul Centro-Oeste Sudeste Fonte: Outlook FIESP (2013) 7: Carnes Sabe-se que a carne é um dos produtos agrícolas mais amplamente consumidos ao redor do mundo.Exportações mundiais de milho 64 120 100 80 60 40 20 do un M ro s O ut nt in a ge a Ar U cr ân i Br as il EU A 0 2012/13 2013/14 Fonte: USDA (2014) A produção nacional está concentrada em duas regiões principais: Centro-Oeste (43%) e Sul (33%). Para se ter ideia. Veja o panorama da participação de cada região na produção de milho no Brasil. A região Sudeste é responsável por 16% da produção total.

o Brasil é o país que possui a maior capacidade de aumentar a produção de carne bovina pelos seguintes motivos: • sistema de criação quase 100% no pasto. China. Índia e a União Europeia. em 2013. com 11. 60 50 65 40 30 20 10 do M un ia in a Ín d ro U ni ão Eu Ch ia pe as Br EU il 0 A Milhões de toneladas Produção mundial de carne bovina Fonte: USDA (2013) Segundo especialistas do setor. Brasil. Introdução ao Agronegócio . com 9.Produção mundial de carne bovina 59 58 Milhões de toneladas 57 56 55 54 53 52 51 50 /1 3 12 /1 2 20 11 /1 1 20 10 /1 0 20 09 /0 9 20 08 /0 8 20 07 /0 7 20 06 /0 6 20 05 /0 5 20 04 /0 4 20 03 /0 3 20 02 /0 2 20 01 20 20 00 /0 1 49 Fonte: USDA (2013) De acordo com o USDA.27 milhões de toneladas). Os principais países produtores são Estados Unidos. o Brasil era o segundo maior produtor mundial de carne bovina.38 milhões de toneladas (os Estados Unidos ficaram em primeiro lugar. • menor dependência de grãos.

150 empresas de calçados. A região Sul participou com 12%. 2012). • 560 curtumes. A região que apresentou o maior percentual foi a Centro-Oeste.3 milhões de cabeças de gado. seguem alguns números importantes a se considerar: • 1. a Sudeste com 20%. • 7 milhões de empregos.• altas taxas de produtividade. • 700 indústrias de carnes e derivados. a produção brasileira foi de 9.3 quilos de consumo por brasileiro/ano. • 4.5% do abate nacional. com 38. Fonte: OUTLOOK FIESP/DEAGRO (2013). a Norte com 19% e a Nordeste com 10% (IBGE.000 estabelecimentos de varejo. • 100 indústrias de armazenagem. Curso Técnico em Agronegócio .8 milhão de propriedades rurais. Em 2012. 66 • custo de produção mais baixo do que em outros países. Fonte: EMBRAPA (2014) Mas como está estruturada toda a cadeia produtiva da carne bovina? Confira no quadro a seguir. Produção de carne bovina: participação por região do Brasil 19% 20% Norte Nordeste 10% 12% 39% Sul Centro-Oeste Sudeste Fonte: FIESP/DEAGRO (2013) Ainda sobre a pecuária brasileira. • 37. • 55.

Em 2013. couros. a produção mundial de carne suína no período de 2005 a 2013. a produção mundial foi de 107. Carne suína A carne suína é a fonte de proteína animal mais importante no mundo. 2011). atacado. foram produzidos 94. varejo. lojas próprias de frigoríficos Consumidores finais Fonte: ABIEC (2011) Perspectivas da cadeia pecuária nacional • A tendência mundial de crescimento da população urbana nos países emergentes e o aumento da renda familiar tendem a levar ao aumento contínuo do consumo de carne bovina e da demanda mundial pelo produto.02 kg/hab/ano em 2000 para 9.514 milhões de toneladas e a produção vem crescendo com o passar dos anos (em 2005. miúdos e glândulas.21 kg/hab/ano em 2010 (USDA).Cadeia produtiva da carne Insumos para a produção (genética. pois possui o maior rebanho de gado comercial do mundo. • O aumento populacional e a evolução econômica dos países em desenvolvimento levaram à elevação do consumo per capita de carnes: 9. grandes redes varejistas. até 2050 a população mundial crescerá de 7 bilhões para 9 bilhões de habitantes. outros subprodutos da carne) Distribuição distribuirdor. Conheça. brincos para rastreabilidade. • Segundo a FAO. sementes forrageiras etc) Pecuaristas produção de animais para abate Indústria de frigorífica (carnes in natura. sendo também o maior exportador de carne bovina no globo (ABIEC. e a oferta de carnes precisará aumentar de 200 milhões para 470 milhões de toneladas em 2050. suplementos minerais. • O Brasil está estrategicamente posicionado para suprir essa demanda adicional. fertilizantes.328 milhões de toneladas). indústria de alimentos e food service. Introdução ao Agronegócio 67 . agora.

000 88.000 90. Curso Técnico em Agronegócio .000 104. Veja como foi a produção mundial de carne suína por países no ano de 2013.000 106.Produção mundial de carne suína 68 108. com o montante de 3.000 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 Fonte: USDA/ABIPECS (2014) Existe uma forte concentração na produção mundial.000 98.000 100.000 92.000 96.000 86. Somos o quarto maior produtor e exportador. Estados Unidos e Brasil.370 milhões de toneladas em 2013. pois a China responde por cerca da metade da produção e o restante está dividido entre União Europeia .000 Mil toneladas 102.000 94.

o mercado internacional de carne suína movimentou 6. 2012). a suinocultura de subsistência.000 ton.000 30.932 trabalhadores.810 milhões de toneladas. o Brasil ainda tem pouca participação mundial em comparação às carnes bovina e de frango.500 3.000 69 Mil toneladas 3. México. Introdução ao Agronegócio . O principal motivo são as barreiras sanitárias impostas por alguns importadores. Coreia do Sul. Nos empregos diretos. Coreia do Sul e China (USDA.000 500 13 20 12 20 1 20 1 0 20 1 9 20 0 8 20 0 07 20 06 20 20 05 0 Fonte USDA/ABIPECS (2014) Mercado interno A suinocultura está concentrada na região Sul do Brasil e gera 186.606 empregos diretos e 405. Ou seja.010. 50.272 empregos indiretos.000 1. concentrando-se em cinco importadores.000 40.000 10. como Japão. Estados Unidos e Canadá.000 20. a suinocultura industrial possui 49.500 1. Rússia.E in a ur op ei a27 0 Fonte: USDA/ABIPECS (2014) Também em 2013.663 empregados (ABIPECS. 2014). com aproximadamente dois terços das importações mundiais – Japão. No mercado de carne suína. como foi a produção brasileira de carne suína no período de 2005 a 2013.Produção mundial de carne suína-2013 60. 86. Veja. e a agroindústria. agora. 50.500 2. mais de meio milhão de pessoas envolvidas na produção. México.000 2.000 1.000 Ca na dá Fi lip in as Ja pã o M éx Co ic ré o ia do Su l O ut ro s am tn ss ia Vi e si l Rú Br a EU A Ch U . Produção brasileira de carne suína 4.

ABIPECS (2012) Curso Técnico em Agronegócio Su l a re ia do Su íç Co ia Sé rv Ta iw an na Ch i ro 7 -2 on M op ei a la Be Eu r te ne g s ru au ac M ni ão H on g Ko n g 0 . vem ocorrendo um crescimento do consumo de carne suína no Brasil. Consumo mundial per capita de carne suína 70. 70 Carne suína: participação por região do Brasil 1% 18% Nordeste 16% Sul 65% Centro-Oeste Sudeste Fonte: FIESP/DEAGRO (2013) Nos últimos dez anos.00 20.50 kg/ano por pessoa).00 40. como Hong Kong.949 milhões de toneladas e. Estimativas do setor esperam que nos próximos anos o consumo brasileiro passe para 16. Veja como se comportou o consumo mundial per capita de carne suína em 2011. em 2013. O consumo per capita de carne suína atualmente no Brasil é de 13. à busca de padrões de qualidade na produção e na industrialização.00 30. o consumo doméstico vem crescendo devido ao aumento populacional e do poder aquisitivo. ao desenvolvimento de cortes especiais e aos investimentos em linhas de corte e em logística de frio. o consumo era de 1. às ações de promoção da carne suína realizada para os consumidores e para as redes de varejo.2 kg/ano. E por que esse aumento? De acordo com a ABIPECS.4 kg/ano (valor ainda baixo em relação a outros países.00 Kg per capita 50. Em 2005.Apresenta-se.00 10.00 U Fonte: USDA.771 milhões de toneladas.00 60. que tem um consumo de 66. a participação de cada região do Brasil na produção de carne suína. passou a ser 2. a seguir.

a produção de carne de frango foi de 12. Participação regional na produção de frango (2013) 1% 3% Norte 22% Nordeste Sul 14% 60% Centro-Oeste Sudeste Fonte: Outlook Fiesp (2013) Em 2012. Produção mundial de carne de frango 30.000 20.000 5. a produção de frangos é a principal atividade econômica (ABEF. direto e indireto. principalmente nos estados do Sul e do Sudeste. 2013). ano no qual foram produzidos 13. também.000 25. em muitas cidades.000 15.000 10.645 milhões de toneladas. Aqui. que aparece em terceiro lugar.000 s ro ut O Ín di a Eu U ro niã pe o ia il as Br Ch in a EU A 0 Fonte: ABEF (2013) Introdução ao Agronegócio 71 . pela concentração no interior do país.6 milhões de pessoas e responde por quase 1. A importância social da avicultura no Brasil se verifica.Carne de frango No Brasil. Os Estados Unidos estão na liderança da produção mundial de carne de frango.17% em relação a 2011. de mais de 3. seguidos pela China e pelo Brasil.050 milhões de toneladas. a avicultura é responsável pelo emprego. centenas de empresas beneficiadoras e dezenas de empresas exportadoras. sendo que. Uma participação impressionante! O setor é representado por dezenas de milhares de produtores integrados.5% do Produto Interno Bruto – PIB nacional. constatase uma redução de 3.

• o sucesso do modo de produção integrada. Entre as carnes. observa-se que os produtos mais exportados são os cortes.7 bilhões de toneladas. às exportações. aumentando a demanda em 3.2 bilhões. elevando a qualidade do produto e reduzindo as barreiras sanitárias. o que representa um montante de US$ 7. de 2% ao ano. as exportações brasileiras de carne de frango foram de 3. o Brasil é o maior exportador mundial. e a carne bovina. • o modo de produção cooperativista que ocorre no Sul do país. Curso Técnico em Agronegócio . Em 2012.3 milhões de toneladas.9%. E quais são os porquês desse crescimento? • oferta crescente de grãos. Desde 2004. 69% foram destinados ao consumo interno e 31%. 2013). Exportações por produtos 37% Cortes 54% Industrializados Salgado Inteiros 4% 5% Fonte: ABEF (2014) Houve um aumento do consumo per capita entre 2002 e 2012. já que conseguirá atender ao consumo doméstico e às exportações (MAPA.72 Sobre a produção brasileira.9% ao ano. que representa um valor relativamente alto. Projeções futuras O cenário é promissor: as projeções de carnes para o Brasil feitas pelo MAPA mostram que esse setor deve apresentar intenso crescimento nos próximos anos. Nas exportações por produto. o MAPA projetou um crescimento 1. tendo passado de 34 quilos em 2002 para 45 quilos em 2012. são estimadas maiores taxas de crescimento da produção no período de 2013 a 2023. A carne de frango deve ter um crescimento anual de 3. Para a produção de carne suína. seguido pelos Estados Unidos e pela China. • o baixo custo de produção em relação aos países concorrentes.

000 15.000 73 Mil toneladas 12.000 0 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022 2023 Frango Bovina Suína Fonte: MAPA (2013) As projeções do consumo realizadas pelo MAPA mostram a preferência dos consumidores brasileiros pela carne bovina.000 4.000 10.000 0 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022 2023 Bovina Suína Frango Fonte: MAPA (2013) Introdução ao Agronegócio .000 5.000 6.000 2. De acordo com o MAPA. Brasil: projeção do consumo de carnes 14. talvez por raízes culturais.000 20. estima-se um crescimento do consumo de carne de frango e de suíno para o período 2022/2023.000 8.000 10.Brasil: projeção da produção de carnes Mil toneladas 25.

000 500 0 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022 2023 Bovina Suína Frango Fonte: MAPA (2013) O Brasil tem exportado carnes para diversos países.000 2. sendo a Rússia o principal deles. Curso Técnico em Agronegócio . tendo a Arábia Saudita como principal comprador.500 4. • a carne de frango foi destinada a 152 países. voltando a ter a Rússia como o principal importador. as projeções do MAPA indicam elevadas taxas de crescimento para os três tipos de carnes analisados.000 1.500 2. O quadro a seguir mostra as oportunidades de mercado. à variedade e à saudabilidade. mais relacionada à confiabilidade.000 4. • a carne suína teve 75 países de destino. os problemas enfrentados atualmente pelo setor e a imagem que a associação quer passar em relação à carne.000 Mil toneladas 74 Em relação às exportações.500 3.Brasil: projeção da exportação de carnes 5. sendo esperado um cenário favorável para os próximos anos.500 1. Acompanhe os números coletados sobre o ano de 2012: • a carne bovina foi destinada a 142 mercados. 3. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne – ABIEC fez uma análise sobre o mercado da carne brasileira no mundo.

O país tem tradição no consumo de embutidos cozidos. Há tendência de aumento de procura por carne de aves. apesar de produzir este produto. também tem receptividade aos produtos importados. mas tiveram retração de consumo nos últimos anos. fritos ou defumados e. Vende muito Vende pouco Não vende PROBLEMAS DA CARNE HOJE: • Desconfiança do mercado quanto a A IMAGEM QUE A ABIEC QUER DA CARNE: sanidade e rastreabilidade • Confiabilidade • Imagem associada ao desmatamento • Variedade da Amazônia • Sabor saudável (boi a pasto + baixo teor • Baixa padronização de gordura) • Descumprimento de prazos • Abundância • Consumidor não conhece Fonte: ABIEC Fonte: Adaptado de ABIEC (2011) Qual é o cenário do consumo de carne ao redor do mundo? Alemanha 75 a carne está presente em todas as refeições da Alemanha. salsichas de porco ou presunto prontos para fritar são comuns. Introdução ao Agronegócio . Ações da ABIEC devem se concentrar nos países que compram pouca ou nenhuma carne do Brasil. e também carnes de aves (cortes de aves empanados e nuggets). inclusive no café da manhã e no lanche (consumida em sanduíches).Mercado da carne O mercado da brasileira carne Para onde o Brasil vende e para onde quer vender. O hambúrguer é a variedade de carne vermelha mais importante.

mas teve retração das vendas em 2008 devido à alta de preço. como salsicha de abóbora. produzidas e consumidas. salsichas em estilo ocidental e também novos produtos. Arábia Saudita as carnes resfriadas são o único tipo de alimento resfriado. e o consumo de carne vermelha faz parte da dieta diária da população. ainda não é disseminada. peru ou opções mais magras de carne bovina. Produtos de carne vermelha mais consumidos: hambúrgueres. Fonte: Apex-Brasil (2013) 8: Fruticultura Panorama mundial A produção mundial de frutas se caracteriza pela diversidade de espécies cultivadas. A venda da carne só é permitida em açougues credenciados pelo governo e. pois há poucas empresas estrangeiras que abatem os animais dentro das práticas islâmicas. sem nenhuma fiscalização sanitária. os americanos têm preferido comer em casa ao invés de jantar fora e optam por alimentos em conserva ou enlatados por serem fontes de proteínas mais baratas. no Hemisfério Norte. que também responde pela maior parte das carnes orgânicas comercializadas. Há um aumento da demanda por carnes mais magras. Empresas nacionais lideram as vendas no mercado doméstico de carnes. O tipo de carne mais consumido na China é a de aves. Há tendência de crescimento da linha de produtos saudáveis e orgânicos. São consumidos os tradicionais derivados de carne para enlatados e conservas. China diversas empresas chinesas têm se esforçado para posicionar os seus produtos como sendo saudáveis. os bifes e as almôndegas.76 Angola o país enfrenta problemas com a venda de carnes no mercado clandestino. steaks e almôndegas. A carne de porco também é bastante consumida. as mais vendidas são as salsichas. apenas a banana tem presença significativa no comércio internacional. sendo representada em grande parte por frutas de clima temperado. A mortadela é o tipo de carne processada oferecida no país e tem vários sabores e temperos. principalmente. em supermercados. EUA devido à crise. como as de frango. Curso Técnico em Agronegócio . Entre as carnes vermelhas estão as de carneiro. no entanto. As frutas tropicais e subtropicais possuem elevado potencial de consumo. Entre as carnes resfriadas.

e as principais frutas produzidas foram bananas. Os três maiores produtores são: China. Índia e Brasil.A produção mundial de frutas tem apresentado crescimento contínuo. respondem por 43. Introdução ao Agronegócio . a produção mundial foi de 822 milhões de toneladas. maçãs e uvas. que. juntos.6% do total mundial e têm suas produções destinadas principalmente aos seus mercados internos. melancias. Produção mundial de frutas 900 Milhões toneladas 800 77 700 600 500 400 300 200 100 0 1991/1992 1996/1997 2000/2001 2007/2008 2009/2010 2010/2011 Fonte: USDA (2012) Em 2011.

6 milhões de toneladas. o que representa 27% da mão de obra agrícola do agronegócio (IBRAF.2 milhões de hectares (em pequenas e médias propriedades). 2013). Curso Técnico em Agronegócio . sendo que o país é o terceiro maior produtor de frutas frescas do mundo. com uma produção estimada em 43. a cadeia produtiva das frutas do Brasil destacou-se como um dos mais importantes segmentos econômicos do agronegócio brasileiro. com o setor empregando cerca de cinco milhões de pessoas. Produção Brasileira de Frutas 45 Milhões de toneladas 40 35 30 25 20 15 10 5 0 01 0/ 0 20 02 1/ 0 20 03 2/ 0 20 04 3/ 0 20 05 4/ 0 20 06 5/ 0 20 07 6/ 0 20 08 7/ 0 20 09 8/ 0 20 10 9/ 0 20 11 0/ 1 20 12 1/ 1 20 Fonte: IBGE (2013) A área cultivada para as frutas em todos os estados brasileiros passou dos 2.Percentual de produção das principais frutas produzidas no mundo 78 5% 7% Bananas 4% Melancias 19% Uvas Maçãs 10% Laranjas 18% 12% Côcos 12% Mangas e goiabas 13% Melões Abacaxis Fonte: IBRAF (2013) Panorama Brasileiro Em 2012.

a distribuição desse segmento é feita em cinco estados brasileiros. onde a fruticultura é uma atividade com grande efeito multiplicador de renda. possuindo força suficiente para alavancar economias locais estagnadas e com poucas alternativas de desenvolvimento.Percentual de produção das principais frutas produzidas no Brasil Laranjas 32% Bananas 40% Uvas Abacaxis 4% 7% 3% 14% Maçãs Outras Fonte: IBRAF (2013) Em relação à produção geral de frutas. desse total. Em 2012. O volume total dessa produção representa 71% no contexto nacional. Percentual da produção de frutas nos estados brasileiros 5% 4% 9% São Paulo Bahia 18% 64% Rio Grande do Sul Pará Minas Gerais 79 Fonte: IBRAF (2013) Comentário do autor d Não podemos esquecer o Polo de Frutas de Petrolina-Juazeiro. Os demais 53% foram direcionados para o mercado de frutas frescas. foram produzidos 43. Introdução ao Agronegócio . 47% foram destinados ao sistema agroindustrial para o processamento de sucos e frutas desidratadas.6 milhões de toneladas de frutas no Brasil e.

mangas. no período de 1999 a 2012. Curso Técnico em Agronegócio . em 2011. do Senar e do Senat em instituições privadas de ensino superior e de educação profissional técnica de nível médio. maçãs. as exportações tiveram um recuo devido à crise econômica mundial. podemos destacar o Curso de Formação Inicial e Continuada – Eixo Tecnológico: Recursos Naturais – Trabalhador na Fruticultura Básica. bem como nas unidades de ensino do Senai. A Balança Comercial brasileira de frutas frescas. Rio Grande do Norte. Estados Unidos e Uruguai. Entre os cursos oferecidos. Mercado externo Neste segmento. destacam-se peras. Reino Unido. ameixas e uvas frescas. limões e bananas. do Senac. estaduais e municipais.Distribuição da comercialização de frutas 80 Produção Comercial das Frutas Mercado de Frutas Frescas 53% Mercado de Frutas Processadas 47% Fonte: IBRAF (2013) Informações extras O Por meio do Pronatec são oferecidos cursos gratuitos nas escolas públicas federais. • os principais estados exportadores são Ceará. foram exportadas em 2012 o total de 693 mil toneladas de frutas frescas e. Bahia e São Paulo. o volume exportado foi de 681 mil toneladas. Espanha. mostra um crescimento das exportações até o ano de 2008. Entre as frutas importadas pelo Brasil. Mas como se configuram esses números em detalhes? • as principais frutas exportadas são melões. Após este ano. • os principais destinos são Holanda.

Hoje. agora. as importações apresentaram crescimento que pode ser justificado pelo aumento do poder aquisitivo da população combinado à mudança de hábitos alimentares. o Instituto Brasileiro de Frutas – IBRAF está desenvolvendo um plano de marketing com o objetivo de aumentar os níveis de consumo interno e. buscando um modo de vida mais saudável. No período mencionado (1999 a 2012). Conheça. com dados da Secex. dessa forma. está cada vez mais exigente em relação ao produto que consome). além de promover impactos na área de saúde pública e gerar desenvolvimento regional com a geração de empregos. o varejo e o consumidor final (que.Balança comercial brasileira de frutas frescas 800 700 US$ milhões 600 500 400 300 200 100 0 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 Exportações Importações Fonte: IBRAF (2013). a estrutura da cadeia produtiva da fruticultura: os principais agentes e os fluxos de comercialização. como bom sinal de desenvolvimento. Atenção ` Um importante ponto de atenção: apesar de o Brasil ser o terceiro maior produtor mundial de frutas com 41 milhões de toneladas. valoriza-se muito o consumo de frutas. Para mudar esse cenário. alavancar o desenvolvimento sustentável do setor. Introdução ao Agronegócio 81 . o consumo da população brasileira ainda é baixo se comparado ao de países desenvolvidos (é menor que os 400 gramas diários exigidos pela Organização Mundial de Saúde).

consomem-se alimentos saudáveis e produzidos em regiões próximas à área de comercialização. O programa está sendo desenvolvido desde 1998 para promover e divulgar no exterior a qualidade. defensivos. a produção regional ganharia destaque.. entre elas se destaca o projeto Brazilian Fruit. quando ele escreveu que: À medida que a economia ia se globalizando e que os produtos adquiriam padrões mundiais.) Produção e beneficiamento agrícola (Produtores beneficiadores primários e secundários) Comercialização (Ceasas. Esse conceito já foi tratado há um tempo pelo professor Dr. e posicionar o país como grande supridor mundial de frutas frescas e processadas. bares e restaurantes) Consumidor Fonte: Buainain e Batalha (2007) Tendências futuras Existe uma tendência mundial relacionada aos hábitos alimentares que é a saudabilidade e a sustentabilidade. Desse modo. visto que são pequenas áreas de cultivo e a mão de obra é constituída por pais. O que realmente conta é o lugar.. parceria entre o IBRAF e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações – ApexBrasil. os produtos são consumidos frescos e o seu transporte não encarece o preço final. mães e filhos. intermediários e exportadores) Varejo (Supermercados. as pequenas empresas e os produtos regionais tornam-se mais importantes. mas estudos e campanhas de promoção da fruta vêm sendo desenvolvidos. Nessa proposta de vida.Estrutura da cadeia produtiva de frutas brasileira 82 Fornecedores de insumos (mudas. À medida que o mundo se globaliza. mercado institucional. a diversidade e a sustentabilidade da produção brasileira de frutas. podemos também citar a agricultura familiar. máquinas etc. A presença do Brasil no mercado internacional de frutas frescas ainda é pequena. pois grande parte da produção de frutas vem desse modo de produção. Curso Técnico em Agronegócio . Dentro desse conceito. Milton Santos.

a fruticultura apresenta algumas características peculiares que a diferenciam de outras cadeias produtivas e que afetam sua competitividade. • existência de um comércio com grande número de países produtores. 9: Feijão O feijão é cultivado em várias regiões do mundo. destacam-se: • forte presença de agricultores familiares e elevada relação entre trabalho e capital. envolvendo muitas empresas importadoras e exportadoras. Introdução ao Agronegócio 83 . Mianmar e China. pois tudo o que é produzido é consumido internamente. e os principais países produtores são Índia. • oscilações acentuadas dos preços causadas pela sazonalidade e por calendários de produção diferenciados entre os hemisférios Norte e Sul e nas diversas regiões do país. a produção mundial é de 23 milhões de toneladas. mas. Existe uma característica particular nesse setor.De acordo com Buainain e Batalha (2007). Brasil. • número elevado de cooperativas e associações de produtores. se for feita a devida coordenação. podem gerar sinergias e aumento de competitividade para todo o setor. Atualmente. Essas características podem ser tratadas como problemas ou dificuldades. Entre elas. Isso ocorre devido aos hábitos de consumo da população de cada país e também porque existe grande variedade de tipos de grãos.

a seguir. predominantemente nos supermercados.500 Produção 2. Brasil: projeção da produção. 2013).500 4. foram produzidos 2.598 milhões de toneladas para 3.8 milhões de toneladas (OUTLOOK FIESP. consumo e importação de feijão 4. A cadeia produtiva do feijão apresenta importantes características. Este irá empacotá-lo e vendê-lo ao supermercado (FUSCALDI & PRADO.8 milhões da safra 2012/2013 para 3.As projeções realizadas pelo MAPA mostram que a produção terá um aumento. A comercialização do feijão ocorre para os consumidores finais. 2010). As lavouras têm baixa produtividade (cerca de 1. que irá revender para o atacadista. um esquema figurativo para a cadeia produtiva do feijão. e os grãos são vendidos em pacote.000 Consumo 2. pois perde valor comercial. mas existe um longo caminho a percorrer desde a propriedade até chegar à mesa do consumidor. como uma estrutura produtiva composta por lavouras com menos de dez hectares.262 milhões na safra 2022/2023. Fonte: MAPA. se confirmadas as projeções de produção. Vamos conferi-lo? Quando o feijão sai da propriedade rural onde foi produzido.500 3.000 500 3 20 22 /2 02 2 02 1 20 21 /2 02 0 /2 20 20 /2 02 9 19 20 20 18 /2 01 8 01 7 20 17 /2 01 6 /2 20 16 /2 01 5 15 20 /2 01 4 01 20 14 /2 13 20 12 /2 01 3 0 20 84 O Brasil é considerado um grande produtor e consumidor de feijão.5 milhões de toneladas. segundo o MAPA. ele é entregue a um intermediário. Lembrando que a armazenagem do grão não pode ser realizada por período superior a dois meses.500 1. sendo responsável por 16% da produção mundial.000 kg por hectare). e. com dados da CONAB (2013) Estima-se que o consumo passará de 3. não haverá necessidade de importação de feijão nos próximos anos.000 Importação 1. partindo de 2. O consumo médio anual tem sido de 3. exigindo pequenas quantidades de importação (CONAB. 2013).000 Mil toneladas 3. Curso Técnico em Agronegócio . Veja.985 milhões de toneladas. o que equivale a cerca de 75% do total da área cultivada do país. Na safra 2012/2013.

e pela inexistência de transparência no preço. 1989).Cadeia produtiva do feijão Agente financeiro Produção agrícola Intermediários Atacado Varejo Consumidores Governo Fonte: Fuscaldi & Prado (2010) A cadeia produtiva do feijão é caracterizada por existirem grande incerteza nas transações entre os vários elos e assimetria de informação. Feijão: Participação por região do Brasil 85 4% Sul 16% 31% Sudeste Centro-Oeste 20% Nordeste 29% Norte Fonte: Outlook FIESP (2013) Como o feijão é produzido em locais e épocas diferentes. e por ser uma leguminosa muito suscetível a doenças e pragas (SPERS & NASSAR. por famílias. ocorre uma grande movimentação do produto pelo país. no Nordeste. pois em alguns anos a produção é alta. O produto é produzido em três safras. no Sudeste (principalmente em Minas Gerais). em outros. com pouca utilização de máquinas (apenas em poucas propriedades é utilizada Introdução ao Agronegócio . A primeira safra ocorre no Sul do Brasil. a segunda. Outra informação importante é a de que a colheita do produto é feita manualmente. e a terceira. É uma cultura de risco. Por ser transportado quase que totalmente pelas estradas. que ocorrem em diferentes locais e épocas do ano. há quebras de safras devido ao baixo uso de tecnologia e à necessidade de água. têm-se altos custos de transporte.

Porém. Nesse mercado. O contrário também (preços muito baixos) necessita de intervenção para evitar prejudicar o pequeno produtor. Curso Técnico em Agronegócio . buscando incorporar novas tecnologias e irrigação às culturas.86 a colheita mecanizada). 2010). como universidades e a Embrapa (FUSCALDI & PRADO. Nessas duas situações. pode ser necessária a intervenção governamental. no checklist de boas práticas sugeridas pelos autores: • estar ciente das informações sobre a formação do preço. A disponibilidade e o avanço genético dos cultivares também são fatores restritivos na cadeia do produto. na qual os preços não podem ficar muito elevados. Perspectivas da cadeia produtiva do feijão De acordo com Spers & Nassar (1989). já que se trata de um produto de cesta básica. atacadistas e varejistas (SPERS & NASSAR. ocorre uma redução significativa do preço. bem como ter um planejamento de longo prazo em relação à comercialização e à rotação de cultura. está começando a ocorrer um maior acesso dos produtores a variedades cultivadas e desenvolvidas por instituições de melhoramento genético. ocorrem fortes oscilações de preços entre os anos – em período de quebra de safra acontece muita especulação e elevação do preço – e nos períodos de superprodução – quando há o aumento da oferta. 1989). os produtores de feijão precisam assumir uma postura empresarial. Uma importante orientação para quem pretende investir no setor está. O preço do feijão é calculado desde a lavoura até a entrega do produto beneficiado ao consumidor. passando por intermediários.

• acompanhar os fenômenos climáticos como El Niño e La Niña. além das perspectivas futuras para cada uma delas. Encerramento Neste tema. você pôde se aprofundar no entendimento de mercado do agronegócio em nível nacional e internacional. e teve a oportunidade de conhecer as principais cadeias produtivas brasileiras e como elas estão em comparação com o mundo. já que eles afetam a oferta de feijão e causam variações nos preços. • desenvolver o marketing da cadeia por meio de ações de comunicação e publicidade que proporcionem o aumento do consumo do produto. • trabalhar alinhado a uma ação conjunta de melhoramento genético e de engenharia de alimentos com o objetivo de gerar valor ao feijão. • pensar em dois tipos de produto: um grão tradicional destinado ao mercado comum interno e outro para nichos de mercados mais exigentes. 87 Introdução ao Agronegócio . melhorando as qualidades funcional e nutricional do grão.

03 Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável .

Tema 3: Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável Neste terceiro tema da unidade curricular Introdução ao Agronegócio. analisaremos os principais pontos de relação entre o agronegócio mundial. Tópico 1: Definição de Desenvolvimento Sustentável O desenvolvimento sustentável busca a eficiência econômica junto com as eficiências social e ecológica: um tripé de ações que devem caminhar juntas. um conceito diferente dos desenvolvimentistas e dos que defendiam o crescimento zero (ROMEIRO. desenvolva as seguintes competências: • aprofundar seu conhecimento sobre as principais questões e os debates acerca do desenvolvimento sustentável. bem como suas perspectivas futuras. 2012). • conhecer as principais questões sobre meio ambiente e o agronegócio. O conceito de “desenvolvimento sustentável” surgiu nos anos 1970 com o nome de “ecodesenvolvimento” e foi resultado de um estudo em busca de um caminho alternativo. o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável para que você. ao final deste tema. Introdução ao Agronegócio 89 .

Dentro desse contexto. ocorreram grandes discussões sobre as maneiras de se pensar sobre o meio ambiente e o crescimento econômico. passavam por grande crescimento econômico. • deterioração do nível de vida. o mundo também assistia ao crescimento de países emergentes. em caso de se manter o mesmo ritmo. do MIT. sobre os limites ambientais ao crescimento econômico (MEADOWS ET AL. alguns países. Segundo o Relatório Meadows.. Nesse época. o crescimento econômico necessitava diminuir ou mesmo parar. • aumento da poluição. como os “Tigres Asiáticos”. No período da publicação do relatório. começou a aparecer outra visão a partir da publicação. tais como: • esgotamento dos recursos naturais. pois. 1972). como os Estados Unidos. os limites ambientais levariam a catástrofes caso o crescimento econômico não cessasse. 1: Breve Histórico 1972 – Estocolmo Na primeira Conferência das Nações Unidas sobre meio ambiente realizada em Estocolmo. do relatório preparado pelo casal Meadows. algumas consequências seriam extremamente problemáticas. também no ano de 1972. com o apoio do Clube de Roma.90 Para os teóricos que defendiam o crescimento zero. Curso Técnico em Agronegócio . outros da Europa ainda se recuperando da Segunda Guerra Mundial e o Brasil também atravessava um período de prosperidade devido ao chamado “milagre econômico”.

precisamos deixar um mundo melhor para as gerações futuras.Apesar do crescimento. quanto maior o nível de pobreza. maior será o crescimento demográfico. Introdução ao Agronegócio 91 . Para a Organização. pois possuem elevados níveis de consumo. promovida pela Unep. As primeiras reações da ONU após a Conferência de Estocolmo contaram com o apoio dos ecodesenvolvimentistas e foram direcionadas para a defesa da necessidade do crescimento econômico dos países pobres. é preciso que haja equilíbrio ecológico. a grande maioria dos países permanecia com um alto nível de pobreza e eles não iniciaram um processo de crescimento econômico sustentável. Além de melhores condições sociais e do crescimento econômico eficiente. bem como responsabilidade da não existência de um planejamento do governo de controle da natalidade. A declaração afirma que os países desenvolvidos têm grande responsabilidade nessa questão. 1982 – Nairóbi Outro marco importante da agenda da sustentabilidade ocorreu em 1982 com a Conferência de Nairóbi. a pobreza seria uma das causas fundamentais dos problemas ambientais desses países (ROMEIRO. d Nesse documento. em longo prazo. políticas e econômicas. Na declaração também constava que é possível manter o crescimento econômico eficiente (sustentado) no longo prazo e que ele pode acontecer junto com a melhoria das condições sociais (melhor distribuição da renda) e respeitando-se o meio ambiente. mas isso não basta para que ocorra a melhoria do bem-estar da população – é preciso que ocorram políticas públicas específicas direcionadas para quem realmente precisa. cuja chefia foi exercida pela primeira-ministra da Noruega. apresentou-se um documento chamado Declaração de Cocoyok (1974) no qual se defendia que o alto crescimento da população era resultado de causas sociais. 1974 – Cocoyok Ainda durante a década de 1970. Gro Harlem Brundtland. pois. O crescimento econômico eficiente é considerado condição necessária. afirma-se que a explosão populacional e a destruição ambiental são resultados da total falta de recursos em alguns países. Comentário do autor A Declaração de Cocoyok é resultado de uma reunião da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento – UNCTAD e do Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas – Unep. A consequência dessa explosão demográfica seria a utilização dos recursos naturais acima de sua capacidade. ou seja. Nessa ocasião. criou-se a Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento. 2012).

• manter a integridade ecológica. publicou-se um documento chamado “Nosso Futuro Comum”. (Richard Norgaard. (David Pearce. 1988) Fique atento! A sustentabilidade só é possível se contemplar os seguintes objetivos: • integrar conservação e desenvolvimento. Curso Técnico em Agronegócio . o acesso a direitos sociais básicos (segurança econômica. simultaneamente.” 1992 – Rio de Janeiro No ano de 1992. o desenvolvimento sustentável foi definido como: “aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem às suas necessidades. acesso à saúde e à educação) e. • satisfazer as necessidades básicas dos seres humanos. a expressão “desenvolvimento sustentável” substituiu a expressão “ecodesenvolvimento”.Brundtland 92 Em 1987.1987 . 1991) Sustentabilidade requer um estoque constante de capital natural. Leia com atenção exemplos de definições de sustentabilidade: Desenvolvimento Sustentável significa melhorar a qualidade de vida humana vivendo dentro da capacidade de suporte dos ecossistemas. na qual foi discutida intensamente a questão do aquecimento global nos anos 1990. • promover as diversidades social e cultural. • alcançar equidade e justiça sociais. no Rio de Janeiro. (União Mundial para a Conservação. a redução do impacto do aumento da industrialização e do consumo sobre o meio ambiente. apesar de ambas terem o mesmo conceito normativo. garantirem o aumento da renda nacional. também. O desenvolvimento sustentável pode ser atingido com um conjunto de políticas capazes de. Nesse relatório. também conhecido como Relatório Brundtland (1991). ocorreu a II Conferência da ONU sobre Meio Ambiente. A partir de 1987. 1988) Sustentabilidade implica em que o nível total da diversidade e da produtividade dos componentes dos sistemas e de suas relações sejam mantidas e aprimoradas.

esse mercado representa US$ 20 bilhões. e também com a postura das empresas em relação às responsabilidades social e ambiental. Introdução ao Agronegócio 93 . no qual existe. qualidade e segurança alimentar são os principais atrativos desses produtos. “a agricultura orgânica não é mais um fenômeno apenas de países desenvolvidos. representando 31 milhões de hectares e um mercado de US$ 40 bilhões em 2007. o mercado de alimentos orgânicos está crescendo no mundo inteiro: sabor. mas sim realidade. De acordo com a FAO (2007). Tópico 3: O Mercado de Orgânicos De acordo com a FAO (2007). a praticidade e a busca por produtos gourmet. precisa-se considerar o mercado consumidor. Com o aumento da presença em supermercados e uma extensa base de consumidores de orgânicos e compradores regulares. pois já é praticada comercialmente em 120 países. Esse aumento na demanda por produtos saudáveis faz parte de uma das tendências mundiais na alimentação. a previsão é de que esse mercado mundial atinja US$ 70 bilhões em 2012.Tópico 2: Agronegócio Sustentável Uma das grandes questões do agronegócio é incentivar a produção de commodities ou de produtos voltados a um nicho de mercado. a preocupação com a origem e a qualidade dos alimentos e dos produtos. Atualmente. Já o mercado europeu é estimado em US$ 15 bilhões.” Nos Estados Unidos. como os produtos orgânicos. sendo que também tem destaque o consumo de alimentos éticos. frescor. O consumo de produtos verdes não é apenas uma “onda” passageira – esse tipo de consumo representa uma mistura de orientação de compra com valores sociais. Quando se fala de produção. tem ocorrido um aumento do consumo saudável. sendo a Alemanha o principal país consumidor. Produtos orgânicos não são mais apenas uma tendência. por parte do consumidor.

o mercado mundial de agricultura orgânica registrou crescimento de aproximadamente 6.23% e frutas e vegetais. que já se transformou em grande preocupação social.7 milhões de hectares. a procura por alimentos locais e orgânicos ainda está limitada aos que têm condições financeiras favorecidas. Cereais recebem 13. Também segundo a Ifoam.80%) e laticínios. Devido à disparidade de preços. pecuária e avícola que adota um sistema que exclui ou evita o uso de fertilizantes solúveis e pesticidas químicos nas operações de cultivo (OELHAF. entre os anos de 1999 e 2012. pois eles são os resultados de uma forma de produção agrícola.37%. gordura e carboidratos simples. “os governos precisam investir em recursos e em tecnologia a fim de que a agricultura orgânica deixe de ser uma resposta ao mercado e se torne importante alternativa para os desafios mundiais” (IFOAM. levam aos altos índices de obesidade que afetam especialmente os menos favorecidos. totalizando 3.94 De acordo com a Federação Internacional de Movimentos de Agricultura Orgânica – Ifoam. que.36%. famílias americanas com poucos recursos ingerem mais fast-food simplesmente porque esses alimentos são mais baratos e de fácil acesso em comparação a frutas e vegetais. 1978 apud SOUZA. é mais barato comer um hambúrguer do que uma salada. Os produtos orgânicos são diferenciados. os movimentos da agricultura alternativa valorizam a Curso Técnico em Agronegócio . a área destinada ao cultivo de alimentos orgânicos cresceu 300%. principalmente porque esses alimentos são mais caros. a maior parte da população acaba ingerindo uma dieta rica em proteínas. e a base dessa diferenciação está relacionada ao modo de produção. 2000). Informações extras O Um interessante artigo do site AlterNet levanta uma questão no mínimo preocupante: nos EUA. De acordo com Souza (2000). Infelizmente. Mercado de orgânicos no Brasil Para que haja maior crescimento do setor de orgânicos no Brasil. apenas 0. O governo americano vem tomando medidas para combater esse quadro. somados à falta de atividade física. Dessa forma. apesar da desaceleração da economia europeia – que é a maior consumidora do setor – entre os anos de 2011 e 2012. Isso se dá devido aos grandes subsídios oferecidos pelo governo norteamericano aos produtores de carnes (73. 2013).

Essa tendência pode ser verificada mesmo na população com baixa renda familiar. o termo “orgânico” deve ser utilizado quando é possível visualizar “o conceito da unidade produtiva como um organismo. que teve início na década de 1930 na Suíça e anos mais tarde foi difundida pela França. Essa disposição dos consumidores está promovendo mudanças no comportamento das redes de varejo de alimentos. Austrália. agricultura natural. e dentro deles existem quatro vertentes: 1. Ou seja. agricultura biológica. da cultura e dos produtos analisados. As motivações para o consumo variam em função do país. enquanto outra. 80% dos consumidores da União Europeia estão dispostos a pagar 5% a mais por esse produto. a rotação de culturas e o controle biológico de pragas. a hora do negócio de orgânicos é agora! Introdução ao Agronegócio 95 . a questão do sabor dos alimentos orgânicos (DAROLT. aspectos relacionados ao meio ambiente e. Estados Unidos. agricultura biodinâmica. plantas. aspectos relacionados à saudabilidade. que surgiu em 1924. 3. os principais princípios são a diminuição do uso de produtos químicos e a valorização de processos biológicos e vegetativos no sistema de produção. identifica-se uma tendência de o consumidor orgânico privilegiar. insetos. matérias orgânicas. França e Dinamarca. também. Segundo o mesmo autor. de outras práticas culturais que favorecem os processos biológicos. no Brasil parece existir uma tendência semelhante. mas. segundo pesquisa realizada pelo Ibope e que analisou de maneira mais geral a questão ambiental. micro-organismos. segundo esse autor. existe uma disposição dos consumidores em pagar por novas dimensões de qualidade dos produtos e. de 24%. no qual todas as partes componentes – solo.utilização de matéria orgânica e. Segundo Souza (2000). Inglaterra. 2009). citado em Souza (2000). em segundo lugar. mas que também precisa ser economicamente viável.” Tópico 4: O Consumidor de Produtos Saudáveis De acordo com o professor americano Michael Conroy. De acordo com Elhers (1996). em artigo publicado por França (2008). agricultura orgânica. Ainda segundo a autora. em primeiro lugar. que passaram a aumentar o seu volume de compra desses produtos. que começou no Japão na década de 1930. sendo que o seu conceito teve início em 1925 na Inglaterra e se espalhou pelos Estados Unidos na década de 1940. minerais. Esse estudo mostrou que o consumidor brasileiro está disposto a pagar mais caro por um produto que não causa danos ambientais e que uma faixa de 68% do universo pesquisado fez essa afirmativa. Todas essas vertentes possuem um objetivo em comum: desenvolver uma agricultura ecologicamente equilibrada e socialmente justa. 4. mostrou-se contrária à ideia. na sequência. observando países como Alemanha. que estão relacionados à utilização de práticas agrícolas como a adubação orgânica de origem animal ou vegetal. animais e homens – interagem para criar um todo coerente. esses movimentos tiveram início na década de 1920. 2.

o consumo de produtos verdes não é apenas uma “onda” passageira – esse tipo de consumo representa uma mistura de orientação de compra com valores sociais.Comentário do autor 96 d De acordo com Giordano (2000). ZYLBERSZTAJN. Curso Técnico em Agronegócio . A revolução na tecnologia de transmissão de informações está tornando o consumidor mais consciente e exigente em relação aos produtos alimentícios. que estão cada vez mais exigentes (FARINA. trabalham com agricultura familiar e terceirizam a sua produção. e. As pequenas empresas operam em uma escala menor de produção. um novo mercado para pequenas empresas e produtores de agricultura familiar está se delineando. Trata-se de fazer parte de um mercado exigente. Essa mudança nos hábitos de consumo aumenta os cuidados que as empresas precisam ter com a qualidade dos seus produtos para poderem estar sempre oferecendo os produtos adequados a esses novos nichos de consumo. com demanda crescente por seus produtos e sem concorrência das grandes empresas do setor (já que estas produzem um produto homogêneo e trabalham com grandes escalas de produção). A defesa do meio ambiente e a busca por alimentos saudáveis e equilibrados têm levado à criação de novos produtos embasados nesse conceito e faz com que alguns produtos fora desses conceitos não sejam mais consumidos. 1991). entre as características desse consumidor. e esse tipo de consumidor está influenciando as ações da indústria. estão a busca pela qualidade e por produtos com baixo impacto ambiental. e a aceitação em pagar mais por um produto ambientalmente mais seguro. Certificação Fair Trade Como se pode observar. a preferência por produtos com denominação de origem e selos verdes.

Introdução ao Agronegócio . Essa proposta é baseada em princípios básicos. e é possível encontrá-la em vários tipos de produtos. a lei publicada é bem diferente da lei aprovada pelo Congresso Nacional. aves etc. Esse selo identifica produtos de empresas que pagam mais que a média d do mercado aos fornecedores. transferência de tecnologia e aumento da renda dos produtores. Comece a observar! 97 Tópico 5: O Novo Código Florestal A Lei nº 12. antes de apresentarmos brevemente as principais disposições do Novo Código Florestal. Há ainda conflitos a serem resolvidos. preço justo. que irá discutir a sua melhor utilização (DINIZ. e esse valor retorna à comunidade. solidariedade. geralmente agricultores do terceiro mundo. o preço determinado para esse tipo de produto está acima do preço de mercado.Comércio solidário e justo Outra ideia que vem ganhando força é a do comércio solidário. sendo conhecido como “preço prêmio”. cerveja. 2014). do Canadá e dos Estados Unidos. Comentário do autor O selo de “comércio justo” é um selo concedido pela FLO. Porém. Seu processo de homologação foi árduo. 2002). AMARAL.651 (Novo Código Florestal) foi publicada no Diário Oficial da União em 25 de maio de 2012. Nesse tipo de comércio. Mas. como frutas. desenvolvimento sustentável. legumes. há uma sensibilização dos consumidores para adquirirem um produto que tenha compromisso com o desenvolvimento da comunidade e os grupos de pequenos produtores pobres. No Brasil. transparência. Está havendo uma expansão da linha de produtos com certificação orgânica e fair trade das grandes redes de supermercados. como: justiça social. respeito ao meio ambiente. a primeira iniciativa de empresa certificada pela Organização é uma entidade de pequenos proprietários rurais do norte da Bahia que exportam sucos de frutas (CIPOLA. é bem importante entender a evolução histórica do Código Florestal Brasileiro (CANAL DO PRODUTOR. e a Medida Provisória pelo Congresso. 2006). como as discussões e as negociações políticas sobre os vetos. vinho. envolvendo anos de discussões políticas e interesses diversos. NEVES. chocolate. mel. a fabricantes de 14 países europeus e também do Japão. Geralmente. e as companhias que utilizam o selo garantem que não utilizam trabalho escravo e também mão de obra infantil. sediada na Alemanha.

Nesse decreto não era prevista uma distância mínima para a proteção dessas áreas e também não foi definida como obrigatória a ocorrência de uma espécie de “reserva florestal” nas propriedades. foi em 1934. entre outros pontos. o conceito de florestas protetoras (conceito parecido ao das Áreas de Preservação Permanente – APPs). foram definidas severas penalidades. sendo que nos rios com mais de 200 metros de largura a APP passou a ser equivalente à largura do rio” (CANAL DO PRODUTOR. Esse código destacou.793. para todos que desrespeitassem as regras de utilização do solo e das florestas existentes no país.APPs.511 altera o conceito de reserva florestal e as APPs O conceito de reserva florestal. no máximo. que havia sido instituído anteriormente pelo Código Florestal de 1934. não permitindo mais o desmatamento das áreas nativas. 1986 – A Lei no 7. Curso Técnico em Agronegócio . “Essa lei também alterou os limites das APP’s. autorizava a substituição dessas matas pelo plantio de florestas homogêneas para futura utilização e melhor aproveitamento industrial. mas seria necessário plantar espécies exóticas em substituição dessas florestas. vigorou até 1986. porém manteve a autorização para que o proprietário das terras fizesse a reposição das áreas desmatadas (até o início da vigência dessa lei) com espécies exóticas e as utilizasse com fins econômicos.RL e Áreas de Preservação Permanente .511 alterou o conceito de reserva florestal. (CANAL DO PRODUTOR. 2014). foram estabelecidos pontos como as limitações ao direito de propriedade relacionadas ao uso e à exploração do solo e das florestas. Para o produtor rural é importante conhecer os seguintes pontos: Reserva Legal . como o exílio. 2014) 1965 – “Novo Código Florestal” – Lei Federal no 4. a coroa portuguesa colocou diversas normas para conservar o estoque florestal da colônia brasileira. Além das regras. que se instituiu o Código Florestal Brasileiro. 75% da área de matas existentes na propriedade. A Lei no 7.1: Evolução Histórica do Código Florestal Brasileiro 98 Brasil Colônia Sabe-se que ainda no período colonial. O objetivo desse ponto era assegurar o fornecimento de carvão e lenha – insumo energético de grande importância nessa época – permitindo a abertura das áreas rurais em. Anteriormente a essa lei.771/65 Nessa versão. 1934 – Primeiro Código Florestal do Brasil Dando um enorme salto na história brasileira. por meio do Decreto no 23. Porém. A Lei Federal no 7.511/86 modificou o regime da reserva florestal. as áreas de reserva florestal podiam ser 100% desmatadas. originariamente de cinco metros para 30 metros.

à conservação e reabilitação dos processos ecológicos.803 alterou novamente o tamanho das APPs nas margens dos rios e criou novas áreas localizadas ao redor das nascentes. a Lei Federal no 7. Nessa Medida Provisória. ou se ocorrer qualquer das situações previstas no artigo 3º. e. Nessa área. para as demais regiões e biomas.166-67/2001 – altera conceitos e limites de Reserva Legal e APPs A Medida Provisória no 2. 20%. no Cerrado Amazônico.803 determinou que as reposições das florestas fossem feitas prioritariamente com espécies nativas (não era proibida a utilização de espécies exóticas). o mínimo é de 80%. Nas pequenas propriedades ou posse rural familiar. 35%. no bioma Amazônia.166 novamente alterou os conceitos de reserva legal e áreas de preservação permanente. Foi instituída nessa lei a Reserva Legal. as APPs sofreram diversas modificações e passaram a ser a faixa marginal dos cursos d’água cobertos ou não por vegetação. sendo que. da Lei Florestal (CANAL DO PRODUTOR.803 determinou a criação da Reserva Legal e a alteração nas APPs Em 1989. Reserva legal passou a ser definida como a área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural. 2014) 1996 – A Medida Provisória no 1. O tamanho mínimo da reserva depende do tipo de vegetação existente e da localização da propriedade. Também foi estabelecida que fossem destinados obrigatoriamente 20% de Reserva Legal para áreas de cerrado.1989 – A Lei Federal no 7. 2001 – Medida Provisória nº 2.511/96 amplia a restrição em áreas de floresta Essa Medida Provisória restringiu a abertura de área em florestas. que é um percentual de limitação de uso do solo na propriedade rural. excetuada a de preservação permanente. 1998 – Lei de Crimes Ambientais Essa lei também alterou dispositivos do Código Florestal e transformou diversas infrações administrativas em crimes. ficou definido que podem ser computados no cálculo da área de reserva legal os plantios de árvores frutíferas Introdução ao Agronegócio 99 . e passou a permitir apenas o desmatamento de 20% nos ambientes que possuem uma floresta típica. bordas dos tabuleiros ou chapadas. necessária ao uso sustentável dos recursos naturais. A Lei no 7. ou ainda se a propriedade estiver em altitude superior a 1. a partir da linha de ruptura do relevo.8 mil metros. olhos d’água. à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas. não pode ocorrer conversão às atividades que demandem a remoção da cobertura vegetal. alterando assim a lei de 1965.

serão abordadas algumas questões tratadas pelo Novo Código Florestal e apresentadas no Manual do Novo Código Florestal. a mudança é pouco significativa. 2010 – Aprovação da proposta em comissão A proposta do deputado Aldo Rebelo para a modificação do Código Florestal Brasileiro foi aprovada pela Comissão Especial do Código Florestal no dia 6 de julho de 2010. que estarão sujeitos ao Cadastro Ambiental Rural . 2014). A proteção do meio ambiente natural continua sendo obrigação do proprietário mediante a manutenção de espaços protegidos de propriedade privada. realizado pelo Sistema Faep. cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas (CANAL DO PRODUTOR. O que muda com o Novo Código Florestal? Em termos gerais e estruturais. 2014). pois a lei aprovada permitiu que fossem realizados somente ajustes pontuais para adequação da situação de fato à situação de direito pretendida pela legislação ambiental. Curso Técnico em Agronegócio . fixada para cada município.100 ornamentais ou industriais. compostos por espécies exóticas. considerando fatores como tipo de exploração predominante no município e renda. divididos entre APP e RL.CAR e institui-se o módulo fiscal. A proposta foi aprovada com 13 votos a favor. foi acatada pela comissão e está pronta para a apreciação nos plenários da Câmara e do Senado (CANAL DO PRODUTOR. O que mudou foi a implementação e a fiscalização desses espaços. que é a unidade de medida expressa em hectares. A seguir.

3. no entorno das nascentes e dos olhos d’água perenes. obrigatório para todos os imóveis rurais. A inscrição no Cadastro Ambiental Rural é feita no órgão ambiental municipal ou estadual. Área de Preservação Permanente . São permitidas a manutenção e a continuidade dessas atividades desde que não estejam em área que ofereça risco às pessoas e ao meio ambiente. compondo base de dados para controle. a estabilidade geológica. ocupadas antes de 22 de julho de 2008.PRA. cobertas ou não por vegetação nativa. e facilitar o trabalho de fiscalização (SISTEMA FAEP. e que sejam observados critérios técnicos de conservação do solo e da água indicados pelo Programa de Regularização Ambiental . facilitar o desenvolvimento da fauna e flora. no topo de morros.APP e a Reserva Legal. planejamento ambiental e econômico. assegurar e preservar o bem-estar das populações humanas (SISTEMA FAEP. aviários. a biodiversidade e a beleza da paisagem. entre outros. Cadastro Ambiental Rural . 6. monitoramento. 101 Função das Áreas de Preservação Permanente Preservar os recursos hídricos. nas faixas marginais de qualquer curso d’água natural (mata ciliar de beira de rio). referentes a período anterior a 22 de julho de 2008 (SISTEMA FAEP. Introdução ao Agronegócio . com edificações. 2012).CAR É um registro eletrônico de abrangência nacional. 2012). Os objetivos do CAR são: • receber informações ambientais das propriedades e das posses rurais.APP São áreas protegidas. 2012). conter a erosão do solo. localizadas: 1. O órgão ambiental poderá comprovar a situação de área consolidada por meio de fotos de satélite que possui em seus arquivos. encostas ocupadas com café. no entorno dos reservatórios d’água artificiais.Áreas consolidadas Áreas consolidadas são as Áreas de Preservação Permanente . 4. ecoturismo ou turismo rural. sendo indispensável para aderir ao Programa de Regularização Ambiental . 5. diminuir os riscos de enchentes e deslizamentos de terra e pedra nas encostas. Exemplos: várzeas ocupadas com arroz. nas encostas ou em partes destas com declividade superior a 45°. 2. 2012). no entorno dos lagos e lagoas naturais. montes. • cadastrar as Áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal. atividades agrossilvipastoris. e combate ao desmatamento. montanhas e serras (SISTEMA FAEP. especialmente. Está proibida a utilização de novas áreas em APP e Reserva Legal além dessas ocupadas até 22 de julho de 2008. benfeitorias. e.PRA. uva.

foi possível verificar a importância do desenvolvimento sustentável para garantir não somente o futuro do agronegócio. mas também do planeta. Curso Técnico em Agronegócio . Você aprendeu boas práticas e conheceu novas ideias sobre o segmento de orgânicos. desde que não estejam em áreas de risco e sejam observados critérios técnicos de conservação do solo e da água (SISTEMA FAEP.Programa de Regularização Ambiental . 2012). Encerramento Neste tema. agora estando apto a avaliar a melhor forma de aplicá-las em seu dia a dia.PRA 102 O Programa de Regularização Ambiental permite ao proprietário rural regularizar as Áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal consolidada. Esse programa resolverá diversos passivos ambientais dos produtores rurais e será considerado no acesso aos incentivos econômicos e financeiros na prestação de serviços ambientais.

04 Desafios do Agronegócio .

O aumento da população agravará um problema já existente. veja alguns fatos para inspirar a nossa reflexão. Curso Técnico em Agronegócio . utilizando menos mão de obra. • O volume produzido de alimentos. ao final deste tema. analisaremos os principais desafios do agronegócio mundial e do brasileiro para que você. podemos concluir que a agricultura e todos os envolvidos em suas cadeias terão os seguintes desafios: Desafio 1 Competir por área e água. Nos próximos anos os desafios da agricultura estarão relacionados ao fato de que. pois as cidades estão crescendo. • identificar as principais ações necessárias no presente e futuras para o agronegócio. menos pessoas viverão da agricultura e menos ainda serão os agricultores. até 2050 a população crescerá de sete para nove bilhões de habitantes. ração e fibras deverá dobrar até 2050. na maior parte das regiões do mundo. Dessa forma. O crescimento populacional agravará a desigualdade. desenvolva as seguintes competências: • desenvolver sua própria opinião crítica a respeito dos desafios apresentados. Desafio 4 Desenvolver novas tecnologias para extrair mais de uma porção menor de área. • De acordo com a FAO. pois o grupo dos mais ricos cresce menos que o grupo dos mais pobres. Desafio 3 Preservar habitats naturais e manter a biodiversidade.104 Tema 4: Desafios do Agronegócio Neste último tema da unidade curricular Introdução ao Agronegócio. Como ponto de partida para esta reta final. que é a fome mundial. Desafio 2 Contribuir para reduzir os danos ao meio ambiente. ao mesmo tempo em que as lavouras serão utilizadas para produzir bionergia e para fins industriais.

Como resultado dessa reunião. (Fonte: Portal Terra. as mudanças climáticas afetarão a saúde. um milhão de crianças sofre de desnutrição grave há meses. as nações da Ásia e da África subsaariana abrigarão 60% da população do planeta. mas que haverá um impacto cada vez maior sobre a humanidade” (IPCC. e praticamente dobrou a quantidade de provas científicas do impacto do aquecimento global desde o último relatório. a alimentação e a segurança da população no planeta. A função do Painel Intergovernamental da ONU para Mudanças Climáticas é “suprir o mundo com visões científicas claras sobre o estado atual do conhecimento em mudanças climáticas e seus potenciais impactos ambientais e socioeconômicos”. 19/7/2012) Tópico 1: Mudanças Climáticas No dia 30 de março de 2014. na sigla em inglês). divulgado em 2007. segundo aponta um relato do Programa Alimentar Mundial da ONU. cientistas e autoridades do mundo inteiro se reuniram no Japão para debater sobre as grandes mudanças que estão ocorrendo no clima no mundo inteiro. No Iêmen. sem fins lucrativos. 2014).Comentário do autor d 2050 – No cenário delineado pela FAO. 105 De acordo com o relatório divulgado no Japão. um dos países mais pobres do Oriente Médio. Até hoje. foi divulgado o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC1. sediada em Genebra e possui uma equipe de funcionários que trabalham em turno integral. com o aval da ONU. Introdução ao Agronegócio . a entidade já produziu quatro grandes relatórios. 1  O IPCC é uma pequena organização. Todos os cientistas que colaboram com o painel o fazem de forma voluntária. no qual integrantes do IPCC apontam que “até agora os efeitos do aquecimento são sentidos de forma mais acentuada pela natureza. a habitação.

prejudicando o ecossistema dos corais desse mar e dos outros existentes na Terra. sem exceção. Curso Técnico em Agronegócio . até 2050. É necessário agir desde já. Todos. nos próximos 20 a 30 anos. A perspectiva é extremamente preocupante. • reciclando embalagens. • utilizando menos o carro. arroz e trigo. como também de grandes inundações. • diminuindo o consumo de água. • adotando um estilo de vida mais sustentável. precisam colaborar. sistemas como o mar do Ártico estarão ameaçados pelo aumento da temperatura em dois graus Celsius.106 As análises apontam que. mas como isso pode ser feito? • preservando os recursos naturais não renováveis. e algumas previsões indicam perdas que chegam a 25% em diversas culturas. Um ponto muito debatido na reunião refere-se à insegurança alimentar. como as de colheitas de milho. O aquecimento global no mundo produz os seguintes impactos: Impactos sobre espécies Inundações Degelo Queimadas Falta d’água Mudança nas colheitas Atualmente. é cada vez mais comum ouvirmos falar de períodos de seca nunca registrados antes.

É preciso sempre pensar: que mundo deixarei para os meus filhos. Há 30 anos. 40% da população mundial estaria passando fome. o Brasil expandiu a área das lavouras em 37%. chega a 4. Introdução ao Agronegócio 107 . O agronegócio precisará investir cada vez mais em tecnologia e inovação. com as colheitas e com a disponibilidade de água”. [. a produção de carne de frango aumentou 475% e a de suínos. Nesse mesmo período. Nas últimas quatro décadas. 2014). sobrinhos e netos.] de 1990 para cá. Até os anos 1970. o país é um grande exportador de soja. “na medida em que avançamos [as previsões] no futuro. que também estão ocorrendo mudanças climáticas e as legislações são cada vez mais restritivas ao dano ambiental? É necessário proporcionar mais produtividade ao agronegócio e conseguir produzir muito mais alimentos sem destruir o que restou do seu patrimônio natural. Veja como é o crescimento em produtividade de algumas commodities no Brasil e no mundo.. já a produtividade agrícola saltou 212%. Então. arroz e feijão – a população usava 43% da renda apenas para comprar comida (SCHREINER. a produtividade média da soja era de menos de duas toneladas por hectare – atualmente. 250%.. os riscos só aumentam. a incorporação de novas técnicas agrícolas provocou um verdadeiro salto de eficiência no setor. Se não fossem os fertilizantes. 2013). café e açúcar (são exportados aproximadamente 50% de tudo o que é produzido).7 toneladas. e para as gerações futuras? De acordo com o relatório. e isso acontecerá com as pessoas. o Brasil era um grande importador de commodities como carne bovina. como resolver isso? Como produzir mais e de maneira sustentável considerando que os recursos naturais como água e terra são escassos. (MARZOLA FILHO. Atualmente.

6% 2000 16.8 19.5% 1999 13.1% Crescimento Médio (*) Previsão Fonte: ANDA – maio de 2011 Curso Técnico em Agronegócio Crescimento Anual 4.9% 2009 22.Crescimento em produtividade (%) 108 Commodity Mundo Brasil Milho 17 73 Arroz 8 30 Sorgo -0.7% 2001 17.7% 2003 22.8 0.5 9.4% 2006 21.0% 2005 20.4% 2011 (*) 26.0% 2007 24.4% 2004 22.0 6.4 -8.08 milhões de toneladas em 2013.3% 2002 19.0 4.1% 2008 22.4 19.7 6.6% .2 -11.6 17. Acompanhe a evolução do mercado no período de 1997 a 2011.8 1998 14.7 49 Algodão 23 49 Trigo 11 8 Fonte: USDA (2013) Tópico 2: O Mercado de Fertilizantes Brasileiro De acordo com a Associação Nacional para Difusão de Adubos – Anda.4 0.7 -6.0% 2010 24.1 11. Evolução Anual do Mercado de Fertilizantes (em Milhões de Toneladas) Ano Mercado 1997 13. o mercado nacional movimentou 31.1 4.

No ano de 2008. No entanto. cana-de-açúcar. e em 2008 e 2009. e também pela estocagem de fertilizantes por parte do produtor rural. além da diminuição da renda do comprador e das crises mundiais. Quanto à segmentação por estado brasileiro. nota-se a grande representatividade da região Centro-Oeste. como a que ocorreu em 2008. O aumento do petróleo influenciou diretamente o aumento das matérias-primas derivadas do nitrogênio. um dos principais nutrientes utilizados nas formulações de fertilizantes. 2011. atingindo 35% do total entregue no país. O mercado disponível para consumo de fertilizantes por cultura está representado da seguinte forma: Consumo de fertilizantes por cultura em 2010 (%) 23% Outras 25% Soja 5% Algodão 109 6% Café 15% Cana-de-açúcar 15% Milho Fonte: Gestão de Informação de Marketing da Bunge Fertilizantes S/A. Os períodos de estagnação são justificados pelos problemas de estiagens prolongadas. A cultura que mais consome fertilizantes no Brasil é a soja. Introdução ao Agronegócio . Outras culturas como milho. no período entre 1997 e 2011. A análise anterior permite uma melhor compreensão da distribuição do fertilizante por unidade da federação. O aumento nos custos dos fretes marítimos implicou aumento de preço das matérias-primas importadas.Nota-se que.6%. outros fatos também contribuíram para a estagnação do mercado. e o excesso de umidade no Centro-Oeste. principalmente na região Sul. o crescimento médio anual foi de 4. ao considerar o período entre 1997 e 2011. café e algodão totalizam 77% das vendas de fertilizantes no mercado brasileiro. mas esse mesmo mercado apresentou estagnação nos anos de 2003 e 2004. houve um crescimento constante do mercado de fertilizantes. como os aumentos elevados nos preços dos fertilizantes no mercado internacional (que trouxeram consequências para o Brasil) e dos custos de fretes marítimos (que alteraram a relação entre demanda e oferta de matérias-primas utilizadas).

ANDA (2011) Curso Técnico em Agronegócio . Trata-se do maior polo agrícola brasileiro. China. com altas taxas de produtividade e áreas disponíveis para crescimento. Tópico 3: Consumo Mundial de Fertilizantes Os maiores consumidores de nutrientes minerais para fertilizantes no mundo são Brasil (ocupa a quarta posição). O Brasil consome 3% de nitrogenados. O consumo de fertilizantes no Brasil representa 6% do total consumido no mundo. Maiores consumidores mundiais de fertilizantes N P2O5 K20 NPK China 33% 30% 22% 30% Índia 15% 15% 9% 14% EUA 12% 11% 16% 12% Brasil 3% 9% 14% 6% Subtotal 63% 65% 61% 62% Outros 37% 35% 39% 38% Fonte: IFA. acompanhe na sequência um breve panorama do consumo de fertilizantes no mundo. 9% de fosfatados e 14% de óxido de potássio (K2O). Índia e Estados Unidos. tanto em pastagem quanto para a abertura de novas áreas.Consumo de fertilizantes por região do Brasil (2010) 110 14% 30% 29% 28% Fonte: Adaptado pelo autor A representatividade da região Centro-Oeste deve-se ao fato de o Estado do Mato Grosso ser o maior consumidor de fertilizantes do país. A título de comparação.

5%. também.De certa forma. Podemos observar que. Algumas fontes consideram o Brasil como um dos únicos países do mundo com quantidade de terras agricultáveis capaz de enfrentar o grande desafio dos próximos anos para alimentar toda a demanda da população mundial.7%.5% 111 00/01 01/02 02/03 03/04 05/06 06/07 111 Fonte: ANDA e CONAB (2013) Esse setor é de importância relativamente forte para a produção de alimentos no Brasil. fator essencial da produtividade. o cenário futuro exige intensificar o uso de tecnologias que resultem em maior produtividade e que. o consumo de fertilizante cresceu 5. Introdução ao Agronegócio . Nossa vocação como país é a de grande participante. Se a previsão de aumento da produção mundial de alimentos se tornar realidade. no período compreendido entre as safras 92/93 e 2006/2007. mas isso só será possível com as devidas adequações no sistema agrícola atual. área plantada e produção de grãos no Brasil 246 CAGR 246 Produção de Grãos 218 Consumo de Fertilizantes 225 5. Variação do consumo de fertilizantes. 4.5% 159 150 132 129 119 148 117 121 115 147 142 122 133 112 108 100 92/93 108 93/94 138 132 122 104 103 94/95 95/96 98 96/97 104 97/98 106 98/99 106 99/00 128 4.9% 206 Área Plantada 190 181 177 183 175 167 170 4. Como já exposto. o crescimento médio anual de área plantada no Brasil foi de 1. esteja estruturado em bases sólidas. A utilização de fertilizantes pode proporcionar aumento de produção de alimentos quando essa tecnologia for aplicada corretamente. será muito importante que o setor de insumos agrícolas. o alinhamento das ações com foco na sustentabilidade do planeta.9% ao ano e a produção de grãos. ou seja. reduzam o impacto sobre os recursos naturais do planeta. a importância dos fertilizantes para a produção de alimentos no Brasil é relativamente elevada.

2002). não houve evolução do processo de implantação da mecanização no Brasil. considerando os tratores de alta potência e os com potência abaixo de 100hp. Após o término da Segunda Guerra Mundial. 1988). elevando a produtividade e também expandindo áreas de produção e promovendo o uso de insumos modernos (sementes selecionadas. ocorrendo dificuldades na importação de tratores e outras máquinas agrícolas.Atividade prática p 112 O Brasil é altamente dependente dos fertilizantes importados. Em 2012 a estimativa da frota de tratores no Brasil é de 664. Quais são os principais países exportadores? 3. A partir dessa afirmação. defensivos e. fertilizantes. É possível utilizar na agricultura um substituto sustentável do fertilizante químico? Tópico 4: Histórico da Utilização de Tecnologia na Agricultura Brasileira A mecanização agrícola no Brasil ocorreu logo após a Primeira Guerra Mundial. pois a nossa produção é pequena. maquinário) (MOURA ET AL. No período de 1939-1940. ocorreu uma grande falta de mão de obra para a agricultura (BRUM. 1. Qual é a atual produção brasileira de fertilizantes? 2. 2 Curso Técnico em Agronegócio . principalmente..380 tratores2.041unidades. pesquise e responda às questões abaixo. o governo observou que havia a necessidade de aumentar a produção do campo. Nesse mesmo período. O Brasil possuía uma frota de 3.

esse setor possui tecnologia de ponta. Atualmente. a partir desde período. impulsionado pelo aumento nas importações de tratores. A agricultura brasileira utiliza várias tecnologias de mecanização. reduzindo a importação de produtos ligados a esse setor. também. por exemplo. o governo federal criou o Moderfrota. colheitadeiras para o café e a cana-de-açúcar. com taxas de juros diferenciadas. 2002). como. Isso possibilitou oferecer uma ampla linha de produtos. a indústria nacional de máquinas agrícolas passou a aumentar a capacidade instalada das unidades existentes e. e oferecido tanto ao pequeno quanto ao grande produtor. começaram a ser desenvolvidos novos tipos de equipamentos no Brasil. abaixo das praticadas pelo mercado. modelos e procedências que eram inadequados para serem utilizados em solo brasileiro. No início do ano 2000. a produção de colheitadeiras que monitoram a produtividade da área que está sendo colhida e também a umidade dos grãos. Também são desenvolvidas plantadeiras específicas para o plantio direto. um programa de crédito rural direcionado.. É necessário. também. pois.A partir de 1949. ela emite um mapa de produtividade da área por meio de sistemas controlados por satélite. considerar que havia grande variedade de máquinas. a construir novas plantas. Introdução ao Agronegócio 113 . tais como: • plantio direto. atendendo desde às operações realizadas com tração animal até às operações que exigem tratores equipados com alto grau de tecnologia (MOURA ET AL. Esses problemas acabaram trazendo benefícios para o setor de máquinas agrícolas brasileiras. começou a haver um grande desenvolvimento da mecanização no Brasil. mas um fator limitante da expansão desse setor era a falta de qualificação das pessoas para o manuseio dessas máquinas. Ao final de uma jornada de trabalho. e equipamentos para a agricultura de precisão. Diante desse cenário (com o aquecimento da demanda devido ao aumento do crédito).

trigo. Por quê? Curso Técnico em Agronegócio . o Brasil é um grande produtor e exportador de commodities. Índia e França. algodão e laranja. China.• irrigação com pivô-central. suco de laranja. dentre outros. ao aumento do uso de fertilizantes e a uma maior eficiência dos agroquímicos. como soja. por exemplo. Estados Unidos. arroz. 114 • controle da compactação. a maior parte dos grandes produtores mundiais de máquinas e implementos agrícolas possui unidades industriais no Brasil. atualmente. aliados à utilização de sementes mais produtivas. 2002). Mas alguns países como os EUA e os da Europa apresentam uma tecnologia de produção mais desenvolvida que a brasileira. açúcar etc. café. (MOURA ET AL. Tópico 5: Agricultura de Precisão A sessão anterior mostrou que a agricultura brasileira vem passando por importantes transformações nos últimos anos e. A aplicação de tecnologias modernas para o cultivo reflete-se no aumento de produtividade da agricultura brasileira. que estão concentradas principalmente nos estados do Rio Grande do Sul e São Paulo. como. inclusive. Atualmente. como soja. • automação de mecanismos. disputando o mercado internacional com outros países. • informações operacionais. Os avanços ocorrem devido à renovação e à expansão do parque de máquinas agrícolas. – estamos. impactando diretamente diversas cadeias produtivas. milho. O setor de máquinas e implementos agrícolas desempenha um importante papel nas economias paulista e gaúcha.

2003). e também firmou parcerias com a Embrapa. as soluções existentes têm como foco principal a aplicação de fertilizantes e corretivos em taxa variável. gerando lucros para o agricultor e diminuindo o impacto ambiental (MAPA. universidades e as empresas que fabricam máquinas de agricultura de precisão.Porque esses países utilizam novas tecnologias da informação que permitem o manejo da atividade agrícola com dados precisos sobre a localização e o desenvolvimento das lavouras (MOLIN. com o lançamento no mercado de sensores. que trouxe grandes contribuições para as lavouras.br e saiba mais! Tópico 6: Sementes geneticamente modificadas (GM) Quando se fala em tecnologia. os norte-americanos transformaram a agricultura de precisão em um grande negócio. No início da década de 1990. Acesse o portal do SENAR www. O curso possui carga horária de 120 horas. A adoção da agricultura de precisão foi intensificada nos anos 1980. E no Brasil.). pois ambos são fatores fundamentais para que ocorra uma agricultura competitiva e sustentável. foi desenvolvido o sistema de posicionamento global por satélites – GPS. A análise desses dados permite a otimização dos insumos agrícolas. infestação de ervas daninhas. como produtividade. pragas e doenças (MAPA. A agricultura de precisão utiliza de maneira intensa os sistemas de posicionamento de satélites e os sistemas de informações geográficas – GIS. 2011).org. 2003).senar. 2011). mas é preciso sempre considerar que a agricultura de precisão é um sistema de gestão da propriedade rural e deve ser utilizada em todos os seus aspectos. é preciso abordar as questões da inovação e do conhecimento. com a importação de equipamentos. softwares e serviços (MOLIN. Atualmente no Brasil. Introdução ao Agronegócio 115 . Em 1990. químicas etc. como se dão as atividades da agricultura de precisão? Tais atividades começaram a se intensificar em 1995. o que permite o tratamento e a análise dos dados coletados no campo. Hoje. os transgênicos são uma ferramenta fundamental para a agricultura de commodities brasileira e mundial. especialmente colhedoras equipadas com monitores de produtividade. Uma questão polêmica refere-se à tecnologia das sementes geneticamente modificadas – GM. quando foi gerado na Europa o primeiro mapa de produtividade e nos EUA foi realizada a primeira adubação com doses variadas. sendo desenvolvido em sete módulos. solo (características físicas. Comentário do autor d O Senar criou o programa Agricultura de Precisão para levar ao produtor rural conceitos modernos e novas tecnologias.

armazenagem e transporte) passaram a ser fundamentais para que o consumo pudesse acontecer (FLEURY. Curso Técnico em Agronegócio . 2000). sua importância vem só aumentando. desde o processo de mudança de economias exclusivamente extrativistas para as atuais. Com esta semente à disposição. o produtor vai lançar mão de uma tecnologia de ponta para resolver questões agronômicas. a produção de feijão é caracterizada por significativa participação da agricultura familiar.116 De acordo com Paolinelli (2014). Tópico 7: Logística Definição A logística é uma das mais antigas atividades econômicas. formar a sua própria opinião sobre o assunto. em que ocorre especialização de produção e comercialização de excedentes. desse modo. No Brasil. e. a pesquisa e o desenvolvimento de novas variedades GM mostram que novas culturas também podem se beneficiar dessa tecnologia. Link A Acesse o AVA e confira alguns dados sobre a adoção de sementes geneticamente modificadas. as três principais funções logísticas (estocagem. como a cana-deaçúcar e as frutas cítricas: A Embrapa desenvolveu um feijão transgênico resistente a uma praga que assola a produção dessa leguminosa em muitas regiões do mundo. Pesquise mais sobre o assunto e converse com os seus colegas sobre os prós e os contras da adoção dessa tecnologia e. Nas economias com atividades organizadas.

sistemas logísticos eficientes formam bases para o comércio. a importância da logística cresce ainda mais. e em condições adequadas de consumo (BALLOU. de modo que o objetivo logístico seja atingido a um menor custo possível. mais livre e facilitada é a comercialização. antes comercializados próximos aos locais de produção. dos sistemas de transporte para serem efetuadas. 2001). As exportações e as importações de um país dependem. 2001). Na economia mundial. A logística gerencia as atividades e os atores que estão presentes nas cadeias de produção e distribuição. Com a globalização e o consequente aumento da distância entre produção e consumo. A evolução do comércio faz com que produtos. explorando suas vantagens de produção para posteriormente trocarem entre si (BALLOU. Modais de Transporte A matriz de transportes é baseada em cinco diferentes modais: • ferroviário. • hidroviário. e quanto melhores e mais baratos são esses sistemas. 2001).O objetivo principal da logística é colocar à disposição dos consumidores os produtos que eles desejam consumir no tempo e no lugar certos. Introdução ao Agronegócio 117 . oferta e demanda. pois possibilitam que as diferentes regiões geográficas se especializem naquilo que melhor produzem. passem a percorrer distâncias cada vez maiores para serem disponibilizados aos consumidores (BALLOU. desde os fornecedores de matériasprimas. essencialmente. • rodoviário. O desenvolvimento do comércio nacional ou internacional só ocorre devido a sistemas logísticos.

O gerenciamento do transporte e da armazenagem permite obter ganhos claros nas cadeias agroindustriais.• dutoviário. 118 • aéreo. Isso torna o papel da logística fundamental. EUA e Argentina Modais Brasil EUA Argentina Rodoviário 58% 5% 80% Ferroviário 25% 35% 18% Aquaviário 17% 60% 2% Fonte: CNT (2013) O principal objetivo da logística agroindustrial é melhorar a eficiência da movimentação de cargas agrícolas por meio de veículos adequados. o alimento é transportado até os consumidores. nos sistemas agroindustriais. seguem em distâncias relativamente curtas até as unidades de processamento e armazenagem. Desse modo. próximas ao consumo. ou processamento. atualmente. Participação dos modais de transportes no Brasil. 2010). normalmente são transportados mais vezes (CAIXETA FILHO. Já as distâncias entre as processadoras e os locais de comercialização podem ser relativamente grandes. especialmente em relação às perdas de mercadorias que ocorrem. inclusive de pequenos produtores. Curso Técnico em Agronegócio . os produtos agrícolas. e produtos com maior nível de industrialização. devido ao transporte inadequado ou ao tempo curto de perecibilidade dos produtos (CAIXETA FILHO. Além disso. Dessas unidades. segundo Caixeta Filho (2010). também por meio do armazenamento. visto que parte da produção é transportada por balsas e navios). embalagem e comercialização). e. Conforme Caixeta Filho (2010) afirma. transporte. No passado. ao saírem das propriedades. mas. ao permitir que os produtos sejam comercializados em locais distantes das propriedades agrícolas. os produtos já processados ou beneficiados são transportados até as áreas de armazenamento e comercialização. a logística é um elemento integrador de produtores. armazenamento. das atividades de pós-colheita (pré-processamento. obter o menor custo possível. com a especialização e a urbanização. a população migrava em busca de alimentos. Já os modais ferroviário e aquaviário são os mais utilizados pelos Estados Unidos (em especial estes últimos. principalmente. Considera-se que a maioria dos produtos agrícolas deve ser transportada no mínimo duas vezes. o transporte pode ser considerada como a mais importante. 2010). Os modais rodoviários são os mais utilizados no Brasil e na Argentina.

no entanto. não é suficiente nem mesmo para cobrir seus custos. Custo do frete até a China. muitas vezes. Caramuru e Soy Transport Coalition (2010) Podemos observar que os custos de transporte do Brasil são muito maiores que os custos dos EUA e da Argentina. roubo de cargas ou mesmo deterioração dos produtos. uma vez que. não adianta aumentar a produção se essa é perdida. O que dificulta a nossa competitividade no mercado. O custo médio de frete nos principais países produtores de soja mostra que os custos logísticos do Brasil são muito mais altos que os custos da Argentina e dos EUA. segundo ele. devido às suas más condições de transporte.) Origem Transporte Interno Externo * Total Brasil-Sorriso (MT) 145 45 190 Argentina-Córdoba 36 66 102 EUA-Saint Louis 25 46 71 *Marítimo . A logística é um dos grandes gargalos do agronegócio brasileiro. Os meios de transporte nesses países são primitivos.Fonte: Centrogrãos. desse modo. Os países em desenvolvimento têm capacidade de alimentar a maior parte da população mundial. De acordo com Ballou (2009) é estimado que um terço dos alimentos perecíveis produzidos seja perdido durante a distribuição.Veja os custos logísticos para exportação à China. 2010). o que leva muitos a desistirem de produzir (CAIXETA FILHO. principal comprador mundial de commodities. não conseguem alimentar nem a sua própria população. Caixeta Filho (2010) reforça a necessidade do aumento da eficiência dos transportes. prejudicando todos os elos de todas as cadeias produtivas. Isso pode ocorrer devido a acidentes. Introdução ao Agronegócio 119 . as ferrovias são deficientes e as rodovias não são modernas.Xangai (US$/ton. em especial aquelas que são voltadas à exportação. Um dos grandes desafios atuais do agronegócio é buscar constantemente meios de aumentar a produção mundial de alimentos com o objetivo de diminuir a fome no mundo (CAIXETA FILHO 2010). a quantia recebida pelos produtores em pagamento da sua produção. Dessa forma. que perde muito com toda essa ineficiência. antes mesmo que possa atingir os consumidores.

Comparativo Custo Logístico Básico Soja (US$/ton)

120
Frete Lavoura-Porto
Custo Porto (FOB)
Total

Brasil

Argentina

EUA

125,00

32,0

20,0

10,0

5,0

3,0

135,0

37,0

23,0

Fonte: IMEA; USDA (2013)

O aprimoramento logístico gera benefícios para todos os envolvidos
na cadeia. Uma maior eficiência logística reduz as perdas durante
o transporte e os custos logísticos envolvidos, os quais podem ser
traduzidos em menores preços para os consumidores, em maiores
lucros para produtores e intermediários, ou nos dois.
Todos ganham com isso, inclusive a economia do país, que fica
mais dinâmica (CAIXETA FILHO, 2010).
As perdas durante o transporte estão relacionadas, principalmente,
aos descuidos durante o carregamento e o descarregamento das
cargas, à umidade, aos acidentes, e ao roubo de cargas.
Armazenagem
Em 2013, a oferta instalada de armazéns era de 142,6 milhões de toneladas, e a demanda
era de 186,1 milhões de toneladas (safra 2013/14), uma diferença de 43,5 milhões de
toneladas (24% da produção).
A produção de grãos no Brasil é dividida por regiões: as regiões Sul e Centro-Oeste são as
maiores produtoras.
Produção de grãos por regiões do Brasil e unidades de armazenamento
Região

Produção
Mil toneladas

Unidades

Norte

5.503

470

Nordeste

12.278

1.162

Centro-Oeste

77.615

3.985

Sudeste

20.241

2.927

Sul

70.512

9.330

Total

186.149

17.874

Fonte: CONAB; FAO (2013)

Curso Técnico em Agronegócio

Porém, as unidades de armazenagem ainda são poucas, havendo um deficit em relação à
produção. Segundo a FAO, é necessária uma capacidade de armazenagem acima de 20% da
produção, sendo que ainda assim estamos com um deficit de 73 milhões de toneladas.
Percentual de deficit de armazenagem nas regiões brasileiras

Nordeste
7%

Norte
4%

Sudeste
3%

Centro
Oeste
53%

Sul
33%

Fonte: CONAB; FAO (2013)

As taxas de armazenagem nas fazendas em diversos países mostram que o Brasil possui uma
capacidade muito pequena em relação aos Estados Unidos, por exemplo.
Taxa de armazenagem nas fazendas em países de destaque
na produção de commodities
Região

Participação

EUA

55% a 66%

Austrália

35%

Europa

35%

Argentina

35% a 45%

Canadá

85%

Brasil

35%

Fonte: USDA (2013)

Essa é uma realidade que precisa ser bem administrada pelos setores público e privado,
pois a armazenagem é uma ótima estratégia de comercialização, especialmente quando
ocorre um excesso de oferta devido a uma supersafra, momento no qual o produtor pode
armazenar a sua produção e esperar o melhor momento para vendê-la no mercado.

Introdução ao Agronegócio

121

122

O Plano Safra atual reservou R$ 30 bilhões para a construção de armazéns nos próximos
seis anos (R$ 5 bilhões por ano), levando ao aumento da capacidade estática para 65
milhões de toneladas, mas ainda será insuficiente para cobrir toda a produção.

Encerramento
Nesta unidade, você pôde aprender sobre os principais conceitos e desafios do agronegócio,
bem como suas configurações no Brasil e no mundo. É importante não parar por aqui e
continuar a investigar a respeito do tema e, principalmente, manter-se atualizado, pois os
números apresentados mudam a cada ano. Utilize bem os novos conhecimentos adquiridos.
Sucesso nessa nova jornada!

Curso Técnico em Agronegócio

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