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Roberr J ackson . G '

CO l g S e r en s e n

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Introdu""

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relacõ

çao , · as

çoes Internacionais

T eo r i a s e abordagens

Tr a duç ão :

BÁRBARA DUART E

Rev i são t écnica :

AR T HUR ITUA' T U

Prol. de rela õe

.

.,

ç 5 ml e rnaÇ/o~ai s na PUC - I?io

.

.,.,

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ZAHAR

J orge , Zah a » Ed i t o r _ ~ ' .' .

Rio de Janeiro

32 Intro dução às relações internac i on a is

Web links

h t t p://www.utm. e du/ resear c h/iep/ I/ l og pos . h tm

I nt r od u ç à o c om pl et a a o po sit ivi s m o l ógico . Ho s p e d a do p e l a Univ e r s i da d e T e nnessee a t

M

a r t in .

http :// ww w.v a lt.h e l si nk i . f i / v ol/ pro j e c ts / be h a vi or . h t m

I n for m ação s obr e a s o ri g e n s e a s idéi a s d o be hav io r ismo. Hospe d ado p e l a U n i vers id a d e

d e H e l sinq u e .

http : / /w w w. us ip . o rg /

Ho m e page d o In sti tu te o f Pea c e no s Estados U n i dos, c om lin ks pa r a p u b li cações e o u t r os

mate r ia i s re l ac i o n ados à pes qu i s a da p a z .

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h t tp: j j a ss ets.cam b ridg e .org / O S 21808 7 07 / samp l e j O S2 1 80 87 ' 07 W S. pdf

Um capítul o do l i v r o His t orica l Soc i o l ogy of I n ter n ati o na l Re l at i o n s (Cam b r i dge U ni v ers i ty

P r ess) . Nele, Jo h n M . H obso n enfoca as poss i b il idades d e t r a zer a soc i o l og i a histór i ca de

vo l ta pa r a a s r e l a çõe s i nte rn a c i on a i s .

9

Debates metodorógicos:

abordagens pós-positivist a s

Teoria c rítica

Pós-modernismo

Construtivismo

Teo r ia normati v a

Explicar RI versus en tender RI

Pon tos -chave

Questões

Orientação para leitura complementar

Web links

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3SG

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"

4 1 3 4 8 3 5 2 3 5 5 3 5 6 3 S
4 1 3 4 8 3 5 2 3 5 5 3 5 6 3 S

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Resum o

A

te

essas abo r dage n s

desa c o rdos

g e r a l s o b re as abo rd ag e n s

m

s m eto d o lo g i a s

posit i v i s t as e m R I pro v oc ar am

re a çõ es pós-positiv i sta s

c a te oria norm a ti va .

e c o m p l ex a s

c om o Tod a

ori a c rít i ca, o pós - mode rni smo,

m e t o d o l óg i cas

o c o n s t ru ti v ismo sã o e l abo r a das

e c a d a um a e xp õe

um p a n o r a m a

i nter n os en tr e seus de f e n sore s.

O ca pí tu l o ap r ese n ta

e co n c l u i com uma d i s c u ssão

acerca d a divi s ã o a ca d ê-

obje t ivos po dem

' •

se r , . •

i ca fu nd a m enta l

d a s RI - os q u e defendem

e o s q u e co n sideram

asre - i s to

o m á xi mo d e a l c a n çar

que os est ud os s ã o i n t e r p r eta -

q ue méto d os .

u

l

i

de RI sã o capazes

ç ões intel i g í ve i s das r e lações in t e rnacion a i s .

tilizado s pa ra exp l i c a r c i en ti ficament e

ações in ter n ac i o n a i s

mpossí v e l ,

p o r q u e

·

.

Teoria crítica

Essa abo r d a gem metodol ó gica é, principalmente, um descnvolvimcnto do

pensamento marxista e poderia ser descrita como neorna r xismo. Foi elaborada por um pequeno g r upo de acadêmicos alemães - , muitos dos quais e x ilados nos Estados Unidos - que ficou conhecido como " Escola de Frankfurt" . Nas

R I , a teoria crítica está ligad a à EPI ma r xista (ver Capítulo 6) e dois de seus

impo r tantes t e óricos s ã o : Robert Cox (1981; 1996) e Andrew Linklat e r (1990; 1996). Esses estudiosos rejeit a m os tr ê s postulados bá s icos do positivismo : uma reali d ade externa objetiva; a distinção sujeito/objeco; c a ciência social livre de

v

a lor e s . De acordo com os t e óricos críticos , não e xi s te um a política mundial

o

u uma economia global operando segundo leis sociai s imutáveis . Para eles, o

mundo so c ial é uma construção de t e mpo e e s paço e, nesse sentido, o sistema

int e rnac io n al é uma construção

que é so c ial, in c lusive a s re la ç õ e s int e rnaciona is , é variá vel e por isso hist ór i co. Um a vez que a políti ca mundi a l é cnusrruid a c não des c oberta, é imp o ssível

haver um a distinçã o fundam e ntal e ntre suj e i to (o an a l i sta) e obj e to (o enfoque

d

- mor a l, polít i ca ou id e ologi c amente . T odo c onhe c ime nto re f lete os interesses do observador . Em outra s palavr a s, po r s e r pr o duzido a partir da p e rsp e ctiva soc ia l do analista , o conhecimento s e mpre re ve l a t e nd ê ncias - conscientes ou

específi c a dos Est a do s mai s pod e rosos. Tudo o

a a nálise) . Para os teór i cos críticos, o c onhe c im e nto

não é e não pode ser neutro

Qu a dro 9.1 Robert Cox sobre a teoria crítica como utopia histórica

A teo r i a crí t ic a leva em conta uma escolha normativa a favor da ordem social e po -

I f t i ca d if e r e nt e da ordem prevalecente, mas lim i ta o espectro de escolha a ordens

A teoria crítica

I r r n at iv as q ue s ão viáveis à transformação do mundo existente

n é m, d essa forma, um elemento de utopia no sentido deque pode representar

um q u d r o c oere n te

co m pr c n

wi . • . \ i m a mo n ega a p e rm a n ê n c ia da ordem e x istente .

de uma ordem alternativa, mas sua utopia é restrita pela

o d e pr o c e sso s his t óricos . A utopia deve " rejeitar alternativas imprová-

"

! tu " . , .t

QX (1 996 ) . A p pr oac h e s t o W o r l d Ord e r . C ar nbrid g e: C a mb r i d g e Universiry Press, 90

Abo r d t gc n p ó s - po s i ti vistas

i

nações e tc. Tod as a s teori a s t a mb é m são te n de n c i osas .

n co n s c i en t e s

- co m r e l açã o a in t e r esses ,

va l o r es,

ru I ' s, I a rtidos,

c l asses,

R obc r t Cox ex p r es s ou

335

es

sa v i s ã o e ru l i m a a firmativ a b a s t a n t e

c i ra dn : " A te oria , 1.' se m pre pa r a al g u é m

e

par a algum

propósito. "

C o x t r aç a u m a di st i n ção

e n t r e

o con h e c im e n t o

posit i vista ou d e "res o luç ã o d e p ro bl e m as" e o c o n h ec i mento c r í tic o ou

"emancipató rio",

busca conhecer aquilo qu e existe no pr esen t e. S e ndo ass im , te nd e a o status quo

e

O conh e ciment o

d e re s o lu ção d e p r o b l e m as é c on se rv a d or

interna c ional com ba s e na de s igu a ldad e d e pod e r , q u e e xc l ui mu i to s po v os.

N ã o pode l e var a o c onh ec im e nto d o pr o g r e s so hum a n o e d a em a n cipa çã o ,

valori z ado pelos te ó ricos c r ític o s . D e a cor do C O I11 Cox (1 996 ) , a t e o r ia cr ít i c a

conté m um el e mento de ' utopism o hi s t ór i co .

,

A teoria cr í tic a n ã o

a nali sa ' apen as o s Es ta do s e o s i s te~a

de ' E s t a do s

 

m as '

 

.

"

.

.

)

enfoca de forma mais ge ral o poder e a domina ção

cos bus c am o conh e cimento com uma finalidad e p o líti ca : " Üb ~ ~·~r a hum a n i d a ~ ,

de da s "opres s iva s " e s tru t uras

contr o l a d a s p o r pode res h e g cm ó ni c os. v c rn

pitalista .

t e oria c rítica bu s c a m d es m asca r a r a d o min ação

o Sul p o br e. Essa orient a çã o em d ire ç ão à mud a n ça

n o mundo . T e ó r ico s c rí ti-

mundi ai s,

que . sã o "

da '

g lobal do Nort e ~ i co sobr e " , " progre ss iva e o des e jo . de :

d a políti ca e da e conomi a

m a rxi s ta s

p arricu la ro s Es tados Unidos ~a -

da l i PI, . os seguidor

A s sim COI l l O o s a cad ê mi co s

utilizar a teoria par a ajud a r a pr o duzir tal mudan ç a t a mb é m é r e manesc e nte do '

idealismo , Teórico s críti c os sã o c l a ramente p o lític os

sua progressi s ta (g e ralment e soc ialist a ) ideologi a d a emancipaç ã o e acr e ditam ' que os acadêmicos c on s ervadore s e liberai s d e fendem e promov e m seus v a lores , políticos. Sendo as s im ; os , teóric o s c rítico s . ar g u m e nt a m que os - d e b a tes r eô r i co s - são basicamente políticos e, assim como o s ideali s t a s do período entre gu e rr as, tentam promover a revoluç ã o política e s ocial d e clarada em suas ideologia s .

A difer e nç a, no entanto ,

é qu e o s teórico s c r íticos

de objetividade e distanciam c nt o

f e lizment e, não se deram conta dis s o.

políti co s epar a o s

Essa visão do conh e cim e nto teórico s cr í tico s dos behavioristas,

conhecimento científic o para propósito s polític o s e do s t eór i co s c l ás s i c 5 , Os t e órico s críticos con s id e ram impo ss ív e l s epar a r o s a c a d êm i c os d e RI d o

seu tema de estudo ,

l j~q tr i ' i ; ; m í : Q l í ' l ~ r pcr ~:h,1111

ou n ã o , cientistas

sutis po r : p e rt en€e r -e m dÜ ' tl 1 ' f fno o , ; - h n m ã l1o - qr r e - :

- d e fend e m e p r omov e P1

r e jeitam a possibilid a d e

a cadêmico, enquanto qu e , o s ideali sta s,

o u so do

c omo al go in e r e n t e mente

do s positiv is r as

que d es pr e zam

a e le s de mui tas

uma v e z que são a s s o c i a do s

form. u ,

so c iais c as ci ê n c ias so c iai s são in s t r u m e n tos

d e p c 1.:1· \',

Introdução às relações in t ernacionai s

A b orda gen s 1'11

I '

send o ass im , o s teó ri cos

qu e as d i f erent e s te o ria s e o s te ór ico s d e RI a t e ndem, M a is d o qu e iss o ,

p ro c u ram u sa r s eus con h ec iment o s

cr í ticos b u s c am i d e n t ifi ca r

o s interesses p o l í tico s

se r o

p a r a p r omov er o qu e acr editam

obj e tivo final d e todo s a b e r , isto é: a emancip a ç ã o huma na d a s estr uturas

glob a i s s o c iai s qu e tê m a té hoj e privilegiad o

a teoria

c rí tic a d e Rl pode s er ent e ndid a como ex plí c ita e a bertamente revoluc i on á -

r i a, uma v ez qu e bu s ca d er rubar

exi st e nte. O p r in c ip a l pr o bl e ma acadêmica e à int e g r idad e

é s e mpr e para a lgu é m e para a l g um propó s ito ",

boa e m t ermo s puramente acadêm i cos? O v a l o r de qua l quer teoria s e ba se ar i a

e m v a l o res p o lítico s : e la promove

D ess a f or m a, n ão t er ia po r b ase v al ores a c adê mico s :

e la es c larece o mun-

do , aum en t a n o s so c o nhecim e nto

d

e ci~ nt í fica . S e "a teor i a

pequena da popul a ção

urna par ce l a r e lativa mente

mundial

à cu s ta da maioria . N esse se ntido,

o si s t e ma ec o n ô mico

e polít i co mundial

d ess a p e r s p e ct iv a

di z r es p e ito à independ ê n c ia

da pesqu is a intel e ctual

como é po s s í v e l decidir s e é

minh as c r ença s p o l í ticas o u i deoló gicas?

r

a c ional

so bre e l e e , e m última a nálise , o

p o lítica e m vez de c ient ífi c a

ou

e s mi s t i lic a?

S e a t e ori a de Rl l ~ r e alm e nt e

v i s ões. Ao me s m o te m p o e m qu e C o x é um d e f e n s or

radica l , é t a mb é m o au to r de t rabal ho s

d

p

o l í ti

aca d ê mi c o s r e conh e c id os

as Rl.

d u 11111.1 "

1111 I

111

•• . •• ••• • •• •• . •• ••• ••• • ••. • •••• • •• . •• •• • • • • . ••• . •.• . • • •.••• • • •• . • • . • . • .

Pós- m odernismo

0 . 0

• •

o • •• . ••• •••

Ii

O pó s -mod e rn is mo

g

dos an os 19 4 0 e início do s 50. A teo r i a só passo u a p e r tencer

Rl

Ri c h a rd A s hle y (199 6 ). C Ol l 1 0 o s t eó r icos c r ít ico s , os p ós - mo dernis t a s bu s

c

fo i c ri a d o p o r um

rup o de fi l óso f o s

franc eses d

1 10

p >/.

111 ti

111

u e r ra q u e r ejeit a v am a f i l oso fi a r - xi s rc n r i a ' i sta pr cdo rni

, no e nt a nto ,

on sc i e nti z ar

11 an te nop a í s

ao ( ; l . O11

n os a n os 1 98 0 . Um d e se u s mais i mpo~· tant es

o s aca d ê mi c o s

expo c n c ' . ' ,

'\\1

ace r c a d e s u as pri s õ e s ' c or rc e i t trais

(V n s qu c »

e a id éia d g U l'

1995) . A mai s p ro emin e nt e d e l as é a da . p ró pri a mod c rn i d adc

acad ê mi c a , n ão

um mei o n e u t ro

d e d ec idir qual a melhor t eo ria em t e rmos

a

moderni z a ç ã o

le va ao prllgr e sso e a lima v i d a m e lh o r p .ua t o dos ( SOb L" , ' S I.

a

cadêmi c os . S e n d o ass im , n ã o po de m ha ve r dis c o rd â n c ias ou c o ntrové r s ias e n-

id

éia , ver C a pí tulo 4) . Os pó s -mode rni sta s

l a n ça m u ma dú v i da s obr e a , I ' ' 11 ~. L

tre os pesqui sa d o r es. E m outr as p alav r a s, d e b a t es ac ad ê m icos s eriam debates

m

o d e rn a d e qu e é po ssí v e l pr o du z ir um c o nh eci m e n to

o bj e tiv o d o f e n n ' n o

políticos di s farç a do s. M a s se a s t e oria s d e RI e todas as outras teori as

cias s o c i a i s re a lmente s ão pol í ti cas, como pod emo s justif i cá - Ia s c omo t e m a s '

de estudo? Po r qu e a t e o r ia crítica ou qualqu e r o utra teori a de RI dev e ria s e r

c on s id erada uma d ec l a r açã o d e conhecimento s e é r ea lme nt e uma d ec l ar aç ã o

pol í ti c a? S e a t e o r i a é sempr e um a e xp r e ssão d e i n t e r esses polít i cos e m v ez de representaçã od a cu r io s idade a cad ê mic a, a ciên c ia polític a não é n e m ciê n c ia

de ciê n-

soc i a l . ' Cr i t i c am

K

n a "c i ê n c i a" , c om o Walr z. T an t o

conhecim e nto h u m a n o, o que o s p ó s - mode r ni s t as

e se m fundam e ntos .

d

os lib era i s c l ás si cos, q u e ac re d itam

no "i lu r n in i s m

" , '

li )

a n r. A l é m d isso , qu es t i o na m os po s itiv i st a s co nt em p orâneo s

a falh a int e l ec tu a l

Kant qu an to

Pa r a o s p ó s-mod e rni s t as,

e d a a r rogâ n cia . a ca d ê mi ca

qu e acr diu u u

W a lt z c rêem no pl 'O g r S S ) d o

c on s id e r a m o n c o - real is m o

e , n esse se nt ido ,

e quiv , a I tI

é a epíe 11 1 '

é ramb ' \ 1\

n

e m e studo - é política . N ã o h á

dú v ida d e qu e tudo isso po ss a s e r ve rdad e '

co

n s iderado

o e x e mplo p ri m á rio

de um a p r i são int e l ec t ua l

d a qu a l

s p

s -

e, n e st e caso, é difícil justificar o estu d o d a s Rl (in c lu s i ve deste manual) e m

1

11 . od e rni s t a s qu e r e m e sc a par .

 

termos simpl es m e nte a c a d ê mi c o s.

 

Teór i cos pó s - mod e rno s

d e lU r e jeit a m

a n oção

d e ver d a d e obj cciv r

'

Uma v ersão moderna da teoria crítica

livre de valo r es,

é: ap e sar de nenhum conhecimen- há uma dif- e rença entre a pol í tica

int e l e ctual e científico enf o c a do por

acad ê mico n ão se

to estar completamente

pur a mente partidária e o entendim e nto

t e ór i co s de Ri prog r essistas . E s se último e mpr e endimento

isol a n e m igno ra compl e tamente a polí t ic a, mas t e nta propor uma a n á lis e sist e mática e independ e nt e. O tr a balho de Robert Cox , por e x e mplo , demonstra como te ór icos críticos se esfor ça m par a identi fic ar se u lugar en tre esta s du a s

.

afirma m que 0$ n e o-r e alistas podem at é acr e dit a r qu e d esc obri ra m

sobre as RI , ma s est ão eng a n a do s . P a ra o p ó s- mo d e rni s mo ,

conheciment o

d o mínio cada v ez m a i s a mplo s o b re o mund o na tu ra l e o s oc i a l , n ã o pa ss a

de uma i lu s ã o . Esses t eór i c o s sã o ba s tant e

i n sti tu ições p ode m se r c o n fig u ra d as de fo rr n a ju s ra

de s m i sti fi c a m a n oção de p r o g r e sso hum a n o un iver s a l ,

a v erdnd '

a crença d e q u ~ aos ind ivídu os un

à id éi a d e q u

a s

l u d .

pod e se e xpandi r e a primorar , ga rantin d o

cé ti c o s q ua n to

p;lra roda a hu m a ni

o pós-modernismo

tem sido de fi nido

como a "incre dul idade

são registros,

co n tra como ·

metanarrativ a s "

o neo-r cali srn o ou o neoliberalismo,

(Lyotard 1984 : xxiv) . Metanarra t iv a s

que afirmam ter d e scoberto a verdade

consideram tais sentenças im-

prováveis e sem credibilidade e argumentam que importantes construções teóricas de Rl , como o realismo e . o liberalismo, são apenas caste los de cartas que desmoronarão com as críticas desconstrutivista s . Os pós-modernistas , por e xemplo, argumentam qu e as afirmações n c o - r e alista s sobre a estrutura anárquica imutável da política internacional não podem ser sustentadas por- que não há razões independentes e imparciais par a julgá-Ias. Tais razões não exist e m porque a ciência social não é neutra , mas histórica , cultural, política

e, portanto, t e ndenciosa . T o da teoria , in c luindo o rico-reali s mo, decide por

con t a própria o que é um "fato", ou seja: não um ponto de vista neutro,

imparcial ou independente a parti r do qual é possível escolher

entre as . afir - palavras, não

sobre o mundo so c i a l . Os pós-modernistas

, mações e rnp í ricas há uma real i dade

riv a is. A teoria emp í rica é um mito. Em outras

objetiva ; tudo o qu e envolve os s e res humanos é subjetivo.

O conhec i mento e o poder estão intimamente relacionados ; o conhecimento

defini t ivamente n ã o e s t á " i mune ao fun c ionamento

do poder " (Srnirh

1997 : ·

181); ver Quadro 9.2 . Os pós-moderni s ta s são de s construtivi s ta s

que s e refe r e m às teorias como

.

" narra t ivas 't ou "rnct a narr a ti v as" . As n a rr a tiv as ou mctan a rrativ a s s ã o sempre

e laboradas po r um teórico , logo sempre s ão con t aminad a s por seus pontos de

Quadro 9.2 A visão pós - modernista do conhecimento e do poder

T od o poder e x ige conhecimento e todo

l a çõe s de poder existentes. Por isso não existe algo como uma " verdade", que

e x i s t e i ndepend e nte do poder. Para parafrasear Foucault, como a história pode

ter u m a v e rd a de se a verdade tem uma história? A verdade não é só algo externo a

Teóricos internacionais pós-

m d r no s t ê m usado essa percepção para examinar as "verdades" das relações

i ru r n . i o n a i s e para perceber como conceitos e afirmações de conhecimento, que Iorninnm a d i sc i p lin a , são de fato al t amente contingentes no que diz respeito às

r

conhecimento reforça e depende de re-

mb i n tes s o c i a is , mas, em vez disso, é parte deles

1.\

esp

f ficas d e p o d e r .

til \ h (1 997 : 18 1 )

Abord ag e m ' p ó - p o s i ti vistas

v i sta e pr e c on cei t o s . P o r t an t o , p ode m ser d e s c onscru í da s, i s t o é: desmonta d as

para ex por se u s e l e m e nt os a rb itrá rio s e suas i nt e nç õ e s

pal a lvo da d es con s rru çã o p ó s - m o d er n i st a

teoria qu c reivindi c a um cn te ndim c nt o f un d a m c nr a l d as re l açõe s inter n a c i o-

nais c om apenas alguns dados sobre o s E s tad o s so b e r a n os e m um a mbient e

anárquico. E a própria t e ori a ne o -r c ali s t a a firm a e x pli ca r d e m odo l e g ítimo a

polít i c a inte rna c ional

t e nd n c i osas . O prin c i -

ESS;J é urn a

na s lU é o r i c o - r e a l i s mo .

" por t odo s o s s é cul os q ue po ss amo s c on t em pl a r "

(Waltz

1995 : 75 ) .

339

A s crítica s pós - modern as ao nc o -realis rn o a b orda m a es tr u t ur a a n á rquic a

da t e oria (Ashl e y 1 986 : 289 ; W a lk e r 1993: 123).

Por ser não-hi s tórica , a t eo ria lev a . a uma forma d e t r a n s f o rm a ç ã o d o ab s -

c a tendêncian ã o-hi s tóric a

. trato

CI11 re alid a d e ,

na qU;J1 c xrrur ura s soe i , i s produ z id as

hi sr oric a mcnte p e la natureza .

que '

são a pre s en t a das com o I i mi raçõe s inalteráv e i s dete r min a da s

O neo-realismo cnf ari za a "con t inuidade e rep e tiç ã o " (W a lker1995 : ' 309),

e o s ator es individuai s

devem p a rticipar da repr o du ç ã o

(Ashley 1986 : 291) . Ne s s e s e ntid o , o n c o - r ca lisrno t em muita dificuld;de

d

imaginação t e ó ric a . Qualquer p e n s am e nto s obre futuras alternativ a s fica .

paralisado e ntre as a ltern a tiva s cional e da a n a rquia i n t ern a c ional do gov e rno mund ia l .

são

"reduzidos na anális e fin a l . a merosobjetos

do todo ou '

fica r a o largo da · história"

e c onfro nrnr

a mud . ui ç .: na s rd a ~ ' lics illlt 'l " /Ia(i o /lais, revelando urna pobre

ó bvia s - d a c o ndi çã o d e Es tado sobera n o

na- .

ou d e s ua ( improv á v e l) aboli ç ão e criaç ã o

Qual a contribu i ção da meto d ologia de R l p ós -mod e rnista?

Um de seus

. ~eIlef ! cios é o esva z iamento de egos , e concei t os acad ê micos : pesquis a dores

n o rma lmente reivindicam muito e m. funç ã o d e suas te o rias . O neo , re ali~mo

é um bom exe mplo dis s o : n ã o cumpr e

conhecim e nto d e Rl do qu e afirm a . Outro benefício é o que st ionamento de verdades universais, típica s do realismo e de boa p a rte do idealismo liberal. Em suma, frear as pretensões científic a s ou acadêmicas pode ser positivo .

H á também , no entanto, um l a do n e g a tivo . Por qu c d e ver ía mos aceitar a

análise do s pós - modernist a s

Por que a d e sconstrução

orig i nal? Se

toda descrição do mundo s ocial é arbitrária e t e nd e nci o s a , o pó s -modernismo,

portanto,

p r ó pr ia. -temlia:.,O-.pós<-mock-ruist.-l - Ihcha r d ; AsM er a H n nã - q tr e mo - h á l . Tma · ·- .

"posicionalidadc " - não h á idéia s Il e m c ert e z a s está v eis - s obre as quai s

su a s . pr o mcs s a s

e ap r esent a meno s

se a t e oria é de ce r t a forma se mpretendenciosa?

d e v e ter mais cr é dito do que a construção

n ã o pod e s er p o upado ,

logo s ua cr ític a pode se voltar contra

a

- ---~---

-

--

-

o In tr oduç ã o às r e lações internacionai s

 

•••••• • • • • •• • • • •••••• • • • • • • • •• • •••

o

di scurso,

a escrita e a ação social podem se basear. De modo i r ô n ico , no

en

t a n t o , o qu e t orna o pó s - m oder n is m o

co m p r eensív e l , in c lu s iv e o t r a balho de

Construtivismo

A s hl ey , é s u a conf or midad e às co nv e nç ões fund a mentai s da pe s quisa intel e c-

t ual e acadê mi ca , as q ua i s form a m a ba se de todo conh ec ime nt o,

i

n c luindo

o e nf o qu e do co n s t r u t i v i s m o

0

• • • • • •• • . • •••• •• •• • • • • •• •• •

es t á na c on sc i c n t í z a ç ã o

hu man a '

1

•••••

n o S I ' II li 'prl

o

conh ecim e nt o

s o c i a l . O s t ex to s d e As hl e y se a d a pt a m à s c o n v en çõ e s

da

n

as qu es t ões mund i ai s, O s co n st r uti vi s t as,

c o m o os teó r ico s c r í t i

l i I ' o s po

g

r a m á tica e d o vo c abulá r io d a língua ingl esa e , ce rta ment e, e l e v iv e conform e

mod er ni st a s, arg um e nt a m qu e n ão ex i s t e um a r ea l i d a d e soci a l e xrcrnn 01 je·llv, r,

vi

v emo s no ssa s vida s , d e ntro dos l i m i t es d e padr ões p e sso a i s d e temp o, e s paço

O

mu ndo s oc ia l e o p o líti co não f o rm a mum a

e nr i d a d e fisi ca

o u L I I) ) Li b jc ' l t I

e

te . , marca dos e m e dido s por meio de c a l e nd ários , r e l óg i os, m i lhas,

quilô rne -

m

a t er i a l ex t e rio r à co n sc i ê n c i a h u m a n a . O sis t e m a i nt erúacio l l p l · . l ~ ~

'. I g e

quc

t r os e te . Da m esma f o rm a , h á conv e nç ões s imila res d e d i r e ito inte rn a cional ,

p

olític a e eco n o mi a.

Essa s m e dida s e p a dr ões são alg un s do s e l e m e nt o s

m a i s

e stá " l á f or a" como o s i s t e m a s o l a r - n ão ex i s t e p or

C01110 uma c o n sc i ê n c i a in te r sub j etiva e nt re as pes s oas . É, um a i nven ção

conta própria,

ma s t i IlH'llll'

I I riu~ ( )

fund a m e nt a i s d o mundo moderno .

humana,

nã o um t i po f í s i co ou ma t er i a l , m as int e l ec tu a l o u .i~e~.

i:la d

. J 1 I1/1

O pro b lema m a i s prco c up a nte é que o pós-mo d ernismo pod e s e deterio-

c

onjun to

d e id é ia s, Ul l l ace r vo d e p e n sa m entos , um s i s tem a

d e n orma s ,

91-g. lI i ; t , I "

r ar no n i ilismo - o pra z er do negativi s mo

f e ita s simplesmente p e l a vontade d e c r i tic ar. A s narrativ as p o dem s e r d e sfeita s sem na da p a ra subst i tu í - Ias. E m última aná lise, os p ós-m o d e rnis tas pod e m ficar al ie nado s do mundo s ocial e político quc bu sc am e ntender . Um mundo

f o rmado e x c lu s iv a ment e de c ontin gê nc ia e op or tunid a d es

ve z d e esco lh a e ra zão , pod e dei x a r d e ser co mpree n síve l

pós-mod e rnismo

qu e o niili s m o rejeit a a pos s ibilid a de

pod e r á fo r n ecer qu a lqu e r b a se de conhe c imento.

H á um p ó s-m o de r ni s mo mod e r a do p re s s up os t o n a n oç ão de que a s n ?ssa s

i d éi a s e teor ia s s o br e o mun d o sempre cont ê m elem e ntos tant o d e s ubj e tivid a de

qu a nt o d e obj e t i vid a d e . O e lem e nt o subj e tivo es t á

dif e r e nt es v a lo re s e co nc e i to s e ao fato in e vit á v e l d e qu e t o d os nó s encaramo s

- , i s to é: a s c r íticas podem s er

( As hley 1996), e m

ou sig n ificat ivo. O

pod e, port a nto ,

de ce rt o m o do , se to r na r niilista e , um a v e z

e o valor d o co nh ec i mcnt o, a teoria nã o

as socia do a no s s a a d es ã o a

do por d e t e rmina d as p e ss o ;1s e m lim a é po ca e l oc alpar ti cul a r es . Se

c i d é ias ge r ad os na s r e l ações Í l1 t e rn ac i o n ~is se m o difica m , 6 s i s tem a , P r t n nt li'

mu d ar á tamb é m , qu e co n s i ste d e p e n s am e n tos

subjet i vo da s relaç ões in t ern a c i o n a i s

"c ientí f ic os" 110 se ntid o hi stó ri co e soc i o ló g i co , m as não n o sentido es t r i tame nt e

p or meio d e m c de

pen sa r ncnr o.

e de i d éias . O c ar á t e r , inll· r•

p o d e se r es tud a do

po s i r ivis r a d o mundo . N esse s en ti d o, o c ou st rutiv i s mo

sit

é u ma re j e i ç ã o i te "i I ) .

i vista d e RI. N ã o é, n o e nt a n to,

um a n egação da ciênc i a "so c ia l " c om . t , I . '.

E

mbor a o c on s trllti ~ i s l11 o s e j a, ' a l g uma s ve zes, c on s i d e r ado

bo

textos do fi l óso f o i ta li a n o d o s é c ul o X VIII G i a mb arti s ra

S

rdagc m,

a teo ria é; na ver d ade,

um a a nti ga

m e t o d o l ogia

eg undo V ico, o mundo n a tur a l

urn a 1 1 v i l . 1

- pr ov c ni r u e IllH

Vico ( P o m p a

hi st

1( H.l).

r i () ( '

é f ei t o p or D e u s , mas o mundo

e i to p e l o hom e m

f

(Po m p a

19 8 2 : . 2 6) . A hi s t ória

n ão é u m t i p o d p l "

l '

li

qu

e se desenv olv e indcp e nd cn r c mcntc

d a s q u estões

hu m a n a s

- o s h ' m e u s

o

m u ndo

por m ei o de no s sos próprio s

p o ntos de vist a . O e l e m e nto

obj e tiv o

c

o n s troe m a p ró p ria h istó ria e t a mb é m o rga ni z a m

Es t a d o s , q u e são c s c r I L u ! " : ! : .

indi c a qu e po d emos r e a lmente concordar

so br e p e rc e p çõ es b as t a nt e

sub s -

hi

s t ó ricas . D e ac or do com lima a n ti ga i dé i a n a hi s t ó ria d o p e n sam e nt o

p I fe i

t

a n c i a is d e com o é o mundo r ea l . Fal a m os a m e sma lín g u a. C alcul a mo s

c om

os

c on st rutivis t as t a m bé m a r gu m e nt a m

qu e os Es t a d o s , a s si m como o s i s ' 1 1 1.

as mes m as unidad es de p esos e m e did a s. Tudo o qu e é s ó lid o não s e d e smanc h a

no ar. No c entro , está

i nt e rsubj e tivo (B r echr 1963: 113-16). E sse co n hecimento

padrõ e s de docum e ntaç ã o

t r ar qu e nã o r e s ult a d e um p e n sam e nto

d e v e conter m a i s do qu e s impl e s av a lia çõ e s s ub jet i vas . O pós - moder nismo

mod e rado se aprox i ma da posi çã o do s con s truti v i s tas ,

d

e à c l ar e z a da expos i ç ã o ; e s t á obrigado a d e mons-

de s ejoso , a divinhaç ã o ou f a nt a sia ;

a no çã o d a tr a n s mi s s ã o d e c onh ec ime nto p e l o m e i o

e

stá vinculado

a

com b a s e no conc e ito

e intersubjetivid a de .

es t a t a l , sã o c r ia ções a r t i f i ci ai s . E ntr e o s imp o r ta nt es t eóri c( ) s c . ºf! ~ t ~u tivis ta ·

Rl es t ão Pe ter K a t ze n st e i n ( 1 99 6 ) , Fri e dri c h Kr a t o ch w i l (1989 ) , N i c h o l a s

(1989 ) e A l ex and e r W e nd t ( 19 9 2) . Vamo s a b o rda r

c

contr a o p os it i vi s m o, em par ti c ul a r o n c o -r e a l is m o ,

c

nu

t rês as p ec t o s da abord a P I 1 l

'S

o n s t r uti v i s ta

d as Rl : s u as s up os i ções

filo s ó f i c as , s ua s p es qu isa s e s u a s r e a

P

ara a a b o rd age m co n s t r uti vi s t a

d e RI : ( i ) a s r e l a ç õe s hu ma n a s , i n c l u s iv e : I S

e i d é i a s c

r e laçõe s i nt ern ac i o n a i s ,

n

co n s i ste m e s se n cinÍ m e i 1 t e d e p e n sa mento s

ã o d e forç as ou condi çõ e s ma t eriais ; (ii) as crença s int e r s ubj e ti vas ( i d é i as,

0 0 -

o às relações inte r nacionais

II ' P~ ' es, suposlçoes etc.) c omuns entre a s pesso a s constituem o e lemento i d . o l ó g ico c e ntr a l enfocado pelos c onst r urivi s t a s ; (iii) essas crenças comuns

m p õe rn e expr e ssam os interess e s e as id e ntidade s

das pessoas: como o modo

q u e se concebem as suas relações ; (iv) os construtivistas re s saltam os meios nos

qu a i s e ssa s r e lações são formad a s e expressa s - por ex e mplo, por interm é d i o de

i nstituições so c iais coletivas, como a sob e ran i a estatal, " que não apresenta uma

r ea lidade material; mas e xiste apenas porque as p e ssoa s a cr e ditam, em geral, na s ua existência, c agem d e fo r ma correspond e nte " (Finnernorc e Sikkink 2001:

3 92) . Cada um desses e l e mentos da filosofi a construtivista pode ser ampliado. As rela çõ es humanas , in c lusive as r e l a ções interna c ionais, consistem de

pcn . ~all1enws e idéias e n ã o essen c ialmente de força s e condições materia i s.

Es s e é o elemento idealista filosófico do construtivismo qu e contra s ta com a

filosof i a m a terialista da maioria dos raciocínios positivistas da ciência social.

De

acordo com a fi Ios o fia c onsrrurivisra, o mundo so ci al n ã o é uma realidade

dad

a, isto

é : n ã o é algo "que está lá for a" e e xi s t e ind e pendentemente dos

pens a m e ntos

e xtern a , cujas leis podem se r descobertas por meio de pesquisas científic a s e

e x plic a das p e la teoria cient í fica, c omo bchaviori s t as e po s itivisras argumentam .

e da s idé i as das pessoas envolvid a s. O mundo não é uma realidade

O

mundo so c ial c político n ã o f a z parte da natu reza e não exist e m l e i s naturais

da

sociedad e , da economia ou da políti c a. A hist ó ria nã o é um processo ext e rno,

qu

e s e desen v olve ind e pendentemente da s id éias e do pensamento humano.

P ortanto , a so c iologia, a e conomi a , a ci ê ncia pol í ti c a e o e s tudo da hist ór ia não

podem ser "ciências" objetivas no sentido po s i t ivist a e strito da palavra . Tudo aquilo que é inerente ao mundo so c ial do s i ndivíduos é e labora-

do po r e le s m e smos - sendo assim, o fato

t oma c ompre en sível. O mundo social é um mundo da consciência humana:

de o s homens o construír e m , o

de

pe n sa m en to s e crenças, de idéias e concei t os , de linguagens e discursos, de

sin

a i s , in di ca çõ e s e entendimentos entre seres humanos, esp e cialmente en-

tr e g rupos de sere s humano s, como Estados e nações. O mundo soci a l é um

d

m í nio inre rsubj e tívo, isto é: possui significado para as pesso a s que oorga-

ni

za r a m

. vivem ne l e . É c erto que p a rte desse mundo soci a l é constru í do P9r

urid : d s f í s ica s. As i déia s e c re nç a s por tr ás dessas e ntidades, no entanto, Si III i s i r n] err a n tes, o u s e j a : o si g nificado del a s para as pessoas. O siste- m a i i u '1'11:1 i na l de seg ur a n ç a e d efe s a , por e xemplo , consiste d e territór i os, JloJllllaç( ('S, arm as e rec u rsos f í s ic os, m as a s id é ias e os entendimentos de l i l H do ' ú til os q u a i s e s tes rec u rsos são c o nce bi dos, o rga niz a dos e utili z ados-

Ab ordagens p é s - positivisras

3 43

em al i anç a s , F orça s A rmada s e t c , - são m ais re l e v a n tes . E mb ora o e l emen t o

f í sico estej a l á, é se cund ár i o ao as p ec t o i nt e l ectu a l que o i n funde,

ga niza e o ori e nta . O raci o cíni o ligad o à s e g uran ça i n ter n a c i o n a l é b em m a i s

significativo do qu e os r e cur s o s f ís i cos envolvi dos, qu e n ão p oss u e m valor sem

o componente int e lectual, sã o a pen a s c ois as.

p l aneja , o r -

Quadro 9.3 A concepção construtivista de Wend t , das estru t ur~ sociais

As es t rutur a s sociais têm t r ê s e lem e n t os: conh ec im e nt o co mum , r e cursos materiais

e práticas . Prim e iro , as e stru t uras sociais sã o . d e fin i d as , e m part e, por enten -

, dimentos, e xpe c tativ as e co nh ec im en t o mú t u o . ' C on s ti t u e m os atores e m uma d e terminada situaç ã o e a natur e za de su a s rela ç - e s , sejam cooperativas ou. con - flituo s as . Um dil e ma de s egur a n ç a, por e x e mplo , c um a e stru t ura ' social composta de entendim e nto s inter s ubj e tivo s, na qual os Estados s ão t ã o desconfiadosque . elaboram as pior e s suposiçõ e s sobre a s ' intençõe s dos outros atorese; ' conse- . qücnt e m e ntc, dc f in c m se u s int er e s se s em termos cgoí sras . Uma co~un i dad e de

segur a nç a é um a estrutu ra s o c ial diferente , formada por conh e cimento comum" em que o s Es t ados c onfi a m uns nos outros p a ra r e solver disputa s sem a guerra. '

Essa dependência d a s e s truturas s ociais sobr e a s id é i a s é a vis ã o idealista (ou :

"

" idea-ist " ) do construtivismo s obr e a estrutura.

Wendt (1992: 73)

.

O asp e cto id e oló g ico c e nt ra l enfoc a do pelos . consrrutivisrass ã o as c! : ~nç ~ inre r subjetivas (idéias , concepçõ e s e suposições) comuns entre as pessoas.Nas

RI, tais crenças englobam a noção de um g r upo d e pessoas sobre si mesmo como uma nação ou uma nacionalidad e, suas concepçõe s de se u país como um Estado, a s noções de seu Estado como i ndep e ndent e ou s ob era no, a id é ia de s i próprios como difer e nt e s d e out r as pessoas em te r mos cultur a is, religiosos ou ., histó r icos , suas p e rcepçõ e s d e sua s hist ó ria s e tradições, con v icções políticas , preconceito s e ideologi as, sua s instituiçõ e s políticas, e muito mais . Essas c r en- ças d e vem ser mútu a s para t e rem significado. A realidade existenci a l de um a na ç ão é m a rcada pel a evid ê ncia d e uma crença comum entre a população que comp õ e - e m conjun t o, um a c omu n i dad e na cion a l c orrisu a p r ó pria i d e n t id a - de distinta. Se tais cr e n ç as são sustentad a s soment e por poucas pe s soas, não

- ---

-

. ,, ' ,

~ :

o du ção às rel a ções i nt er n acionai s

A b o r d agen s p ó s-positivistas

345

dem s e r su fici e nt e m e nt e gerai s p a r a t e r em s i g nific a d o polít i co e social. P or exe mplo , e m muitas pa rt e s do L e ste eu r opeu, a nt es do século XI X , só a lgun s pe-

p

o

O c on str utiv ism o

é um a a b ordagem

e mp í rica do e s tudo

de re l ações i n -

ternacionais, qu e dem o n s tr a a l g u ns i nt eresses e a l g um as con du tas d e pesqui-

qu e nos cí r culo s d e i nte le ctu a is tinh a m uma p e rc e pç ã o de id e ntidade nacional :

s

a di s tinto s . Se o mundo p o lí t i co e soc i a l consis t e, e m s u a b ase, d e cre nça s

ser s é rv io, c r o a t a, ro me no ou búlgaro . A d i fusão d es sa id é ia e nt r e a população ,

na i s são c o nst r uçõ es s ociais a ssociad as a um a det er min a da époc a e local.

c

omun s , como iss o af eta a f or m a d e ex pl i ca r os even t os e os e pi s ódio s

inter -

no s é culo XIX, em par a l e lo à difu são d a educação e da a lfa be tiz aç ã o, a judou a

n

a cion a is impo r tante s? Os co n s r r uriv is ra s,

p or via d e ~ ~ egra ,não ' consegu e m

dar origem a es sas nações. As nações, os nacionalismos e a s id e ntidadesnacio-

endos sa r concepções p os itivi s ta s d e caus a lidad e porqu e n ão ex aminam o conte - údo inte r s ubj e t i v o d e eve nt os e e pi só dio s. P o r exe mpl o, a co nh e c i d a im a gem d a

 

C

om o j á indicado , a l é m das cr e nças e das i d é ias e m comum , os l i m i t e s t a mb é m

bola d e sinu c a da s relações int ernac i o n ais é re j eita d a p e l os co n str utiv i stas . por

s ã o imp o rtantes . A int e rsubjetividade s ó vai at é um c er to ponto . Cren ças comuns

constitu e m e e xp r essam os intere s s e s e as id e ntidades de c e rtas p e sso as : o modo C0l110 u m g r up o s e c onc e be em s uas r e laçõe s com out r o s gr upos , formados p or ind i v í d uos dif e r e nt es. Ser um norte - am er icano si g n i fic a p e rte nc e r a uma na çã o sob e ran a cristã e, em e special, de origem prote s tante , ser cidad ão de um a naç ã o de líng ua i ng l e s a, uma n a ç ã o com base e m uma ideologi a r e publ i c a n a e liberal, com , u ma tradi ção d e i mi g ra ç ão distint a e uma for t e t end ê n c i a e m p r ol do c a pita l i smo

n ã o se r cap a z d e r e v e l a r p e n sa m entos , i dé i as, c r e n ças ctc. dos a t o re s envolvidos

nos co n fli tos irit e rna c i o nai s. E m out ras p a l a v ras, a fi n a lid a de dosconstruti- .

v i s t as é estud a r o interi o r d as b o l as d e s i n u ca co m o o b jetiv o cie ' é .l g q \ l tr~ ' 4 n i .

co nhe c ime n t o m a i s pr of u ndo a ce r ca

d

e t~i s co n f li tos.

' .

Para o s c oust r uriv is t as , o c onfl ito , CI11 v á de s e r c on si derado ' um choque

e ntre forç a s ou en t id ades

de s aco rd o, d is put a , e qu ívoc o , fa lt a d e com un icaçã o o u a l g um ' ( )lI tL ~ Q ' d~ ~~~t~~ - ;-.

( Esta d os co n c

id os co m o unid a des) , é vistocomo

e

c o ntr a o es t a dism o e o autorir a ri s mo - is s o é dif e r en te d o qu e se r um mex ica no ,

d ime n t o

e n t r e age nt es c on sc i e nt es.

O c onflir o i: se mpr e UI11 co nf r on t o en t; ·c ·

u

m russo aLI at é mesmo um bret ã o , Portanto , as id e ntidad es nacionais s ão consti -

a s m e nt e s c a s vontad e s das parte s envolvidas . P ara se en te nder corr e tamente

tu í d a s por me i o de c re nças inrersubjeriv as di s ti n t as, as qua is s e es tend e m a t é u m a

det e rmin a da di s t â n c i a n o e s paç o e t e mp o . Ao m e s m o tempo e m qu e as id e ntid a de s pod e m s e sobr e por, e las s ã o de certa f or ma incom e n s ur á veis . Se os norte-ameri-

c a nos decidir e m imp or s u as cr e n ç as b ásica s sobr e o s mex icanos , descobrir ã o e ,

p r o v a ve lmen te, e nfr e nt arão uma r e jeiç ão e um a res i stê n c i a i nt e l ec tual e qui va l e nt e

com b a s e nas c renças si gnific a tiv a ment e dif e r e nte s do s v i z inho s do Sul . Os c ons trut i vista s ressalt a m n ã o só a s d i f e r e nç as e nt r e as pe s soa s e os m e ios que in st i t ucion a l i z a m e regulam a s su as div er sidad es, mas também a s m a n eiras . de criar e m ante r rel a ções socia i s, e conômic as e polític as a pe s ar das diferenças. Gru pos d is t in to s de pesso as reali za ram isso por m e io d a s ob er ania , dos di reitos humanos, do co m é r c io intern a cional, das organi z açõ e s não - govername ntais

d e v á rias o u tras i nstituições .

Na b ase , e sse s arr a njos s oc i ais são ex pre s sões

l i a p l i cações de i d é i a s e crenças que

difer e nt e s pe s soas no mundo s uste ntam

111 o rnum e por meio

d as q u a i s s ão c a pa z es de e ntender e lid a r umas com as

\

("xisl ' P r ' OIHa própria . T u d o is s o p e rtenc e ã um mundo de intersubj e t i vidad e, qll l' n 111s i rnp r e ex i stiu no passado e n ã o é ce rt o que e xi s tirá no futu r o . É . u l 1l :

til oduro \ 0 inte l ecto hu m ano associado a u m d eter mina do p er íod o da h i stór ia 1IIIIIIdin l . Ú i sp c cifi c arncnre ~l istórico.

u r ra . - pe l o menos a t é cer to p o n to . Nenhuma estrutura id e ológic a elaborada

tais c o nflito s, é n e c essár io a n a li s ar os di sc ur sos pr ese nte s

r eve l a r as f onte s e a in t en sida d e

tuai s pre se ntes e a s p oss ib i lidade s

e ex pr e s s os . Um :

po-

c ompar a do à t a r e f a d e um dipl omata encarre g a d o d e i nvestigar uma

e op i -

niões c omun s qu e pud es sem s ervir de b a se p a ra uma r eso lu çã o . T a lvez seja

as expl i c a çõ es par a o

fra ca s s o d e uma m e diaç ã o n a qual es tiv esse env ol v ido , com o exigê n c i as irre ais,

po ssíve l enco nt r ar na a utobi og r af i a

n o eve nto . I s so pod e

i

nt e l e c-

a s crenças .

d a d i s pu ta , b e m co mo os obst á culo s

de r eso luç ão

- os s entim e nt o s,

sã o or g aniz a d o s

e as i d é ias por m e io d os qu a i s o s c onfl i t o s

pro g r a m a d e pe sq uis a co nst r ur i v ista

d e ria s er

e m mei o a um c on f lito int er n a cion a l

j d i sp u t a i nt er nac io nal co m o ' o bj ê t iv ode iden t if i c ar int ere sse s - cr en ça s

d e um di p l o m a t a

f a lta de confiança ou bo a vontad e, inflex ibili d a de

a b ase id e oló g ica da di s puta se rá r e v e lad a c s u as " causas" se rão a valiad a s sob a

ó t i c a c e rta, i s to é: c om o um a d i s c órd i a i n r c r s ubjc t i va .

a

pesquis a um a qu es tão d e in te rpr etaçã o . mais d o qu e d e exp lic açã o. Em outras

palavra s, _ n ãQ . a c r e ditam qu e é

com r e laç ã o à

p es quisa , que re s ult ará e m um c o nhecime n t o o bjeti v o qu e pode se r ampl i ado

à m ed ida qu e os r és L l l ra d < :) : < ;d a L t n ã Jis es ac umular» , A l g un s c on s t r utivis-

tas s ã o mais céticos qu a nto ao conhecim e nto

da s p a rt e s ete . Em resumo,

O

s con srr urivis ra s

pe r ten ce m à linh a de a cad ê mic os

po s s í v e lt e r

qu e con s id e ram

um a po s i çã o n e ut ra

o bjetivo d o que o utros : a qu e l es

.

Introdução às relações internacionais

Ab ord a g e m. 1/1

qu e t e nd e m a o p ó s-mod er ni s mo s ã o, e m ge ral, m a is cencos , se compara- dos com aqu e l e s qu e tend e m a uma agend a de pesqu i sa de ciências soc i ais .

Algun s cousrrutivisras, t a lvez aqu e les qu e foram antes cientistas sociai s positi-

vi s tas , abordam o s " mecanismo s e proc e s s o s d e construç ã o social " (F i nnemore

e Sikkink 2001 : 403). A linguagem dos " mecanis mos" e " processos " impulsiona os acad ê mi c o s a e ntenderem o mundo intern acional como uma realidade

externa , a qual pode s e r e xplic a da p e lo conh e cim e nto de suas leis e forças

sociais. Outro s con s trurivista s ,

tendem a c on s iderar a pesqui s a como a forma de e ntrar no mundo da s p e s s oas,

ex a minando s e u raciocínio e sua lingu a g e m, expondo suas suposições e crenças

e mostrando como ess as c ondições con f iguram s e us comportamentos. A s e guir , men c ion a mos alguns exemplos da abordag e m construtivista para

a pe s qui s a s o c ial (tirado d e Kat z en s t e in 1996) . No es tudo sobre a s e gurança

que

enfati z am o di s curso e a comunicação ,

poder s ã o

395). Iss o signifi c a , port a nto, qu e não há um " dil e m a d e s e g u ra ll ~ 1"1111' li , , I

entre E s t a do s s oberano s, porque qu a lquer s ituaç ão e m q u e se encontram é um momento criado. por e le s me s m os , o u

prisioneiros da estrutura

estatal independente da pr á tica dos E s tados, ma s t a mb é m nã CX i s l t ' lIll ( o. l o lI l l I

independ e ntes

uns aos outros em s ua s r el a ções e a o fa z er is s o t a mbém or g an i za n a :111 1111' 11 I

o mun do po l í r i O, l i\( 1I1 IV!'

inte rna c ional , qu e de f in e S lI : l S inr e ra ç õ c s .

as relaçõ es int e rnacionai s , é cri a do e con s tituído totalm e n t e p e l a s p

referente ao s ocial ex iste i s o l a do da atividade hum an a ou i nde p e nd ' 11 1 ' 1 " 11 ,

institu i ções e não característica s e s s e nci a i s d a an ar q u i a " (W" I 11 11 11'1'

a

n á rqui c a

(

s n r c 1'1'/

s ' j a : c ]

'

I ' 1111111

/I ,,,

11 1

do s ist e ma e s tatal. N ã o . ex i s i uu: ' H ' , I I ' IIII

das regras p e la s quai s ele s se r e conh ece m .

P o rtant o.

O s E t a d

. n 11'011111 111

' 55 ) : I H , Nud"

Há al g uma s importantes implic aç õ es re s ult a nt e s d a m eto d o l og i a ' o .I l S U ' W vi

ta das lU . S e "a an a rquia é o que os E s tado s f a z e m d e l a" , n a da na po l í t i , 1 1\ l1l H Itll I

nacional , por e x emplo , o s c on s trutivi s r us pre s t a m muita a tenção à i nflu ê ncia

é

inevitá ve l ou imutá vel. N a d a é

' determinado ou cerr o. Tud o . é in tc r s u l ~, ' t i V \l

e

ao s efeitos, i s t o é : o condicionamento da cultura e da identidad e sobre po-

e

, portanto , i mprevi s í vcl. Tu do es t á em c on s tante mudan ça , O s i s t e m a '

i S ll ' l Il l '

líticas e a çõ e s de seg urança , No e studo da dissuas ã o,

eles e nfocam o papel de

é

uma cria ç ão do s E s tado s e, s e e s tes m o di fi ca m s ua s con c e p çõ es d e ' qU (' l I l 1110,

norma s , em p a rticular , d a s "normas proibitiv a s " e do s tabus que condicionam

o uso limitado d e arma s nu c leare s e química s . No estudo acerca da interven-

ç ã o

qu e encorajam e inibem , aut o riz a m e pr oíbem tai s a ç õ e s interna c ionai s, Nesse

se ntido , o s con s trurivist as r e jeit a m as explic a çõ e s do s ri co -r e alist a s , que ten-

d e m a descon s id e r a r t ai s e lem e ntos

poder milita r ou só os interesses materiais , Para o s c on s rrurivist a s , as relaçõe s internacio n ais s ão mai s complexas, e é necessário enfatizar os asp e ctos cu ltu- v rais-insri ru c ionais-norrnativos de s t a complex idad e . Em suma, todos os fatores

construrivisras, como a cultura, a

identidade, as norm a s , as instituições, são ex emplos de um mundo intersubje- tivo elaborado e não de um mundo objetivo d e scoberto , Em uma frase muitas vezes repetida , Alexander Wendt (1992) resumiu a ess ê ncia do consrrurivismo nas RI: " A an a rqu i a é o que os Estados fazem dela" .

citados , importantes para os pesquisadores

armada , eles s e preo c up a m c om os a rra nj o s normativo s e in s titucionai s

condi c ionai s, enfoc a ndo, e m vez disso , o

Seu trabalho é característico por ir contra a teoria positivista qºJl~ -º: :(ealismo. e,

e m particular , a de Kenneth Waltz , Para Wendt, não há um mundo-internacional

obj e tivo i s olado da s pr á ticas e das instituiçõ e s organiz ada s p e los Estado s , conse-

qü e ntemente , a anarquia n ã o é um tipo d e realidad e e x terna que dita uma lógica de análise com base no neo-realismo , N e sse a s pecto , W e ndt discorda fund a men-

" A a j uda a s i mes mo c a política de

talmente da te s e c e ntr a l do neo-realismo:

seus interesse s e o que de s ejam,

Os E s tado s pod e m d e cidir, por exemplo,

soberani as , e, cas o is s o se t o rn as s e r ea lidad e , n ã o ha v e ri a m a i s urn a a n arq u i . i 1 111 1 ' 1

nacion a l , E m s eu lugar , s urgiria um admir á ve l mund o nov o não-anárqui (

qu

p o deria m , qu e m s ab e, co n s truir um mundo e m qu e todo s s e s uj e it as s e m a o " I H' I \I

comum" ( Onuf 1995). O re s ultado se ria um

glin s as p e cto s f un dam e nt a i s, à fre nte da mod e rnid a dc , Ad e mai s, se r u d , i u " lI l i

e e stá em constante mudanç a, se ria i mp oss ív e l prev e r co m o a s r e l aç õe s i n t ' J ' l I . H l i ,

nais se riam no futuro . Entr e outros asp e cto s , i ss o s ignifi ca qu e um a c i ê n i n s

i.II

com capa c idade e x plica t iva e de previ s ão no campo da s Rl nã o pod e ex i st ir ,

,1 s itua ç ã o cons c qü c nr c m c nre t a mb é m m ud 11'1'1.

redu z ir ou a t é m es m o dc s i ~c i r ' d l ' , 1101'

('111

S E ,' ! . l h I'

.

l ' J \1

ti

e ta l v e z os E s t ad os f oss em s ubordin a do s a um g o v e rJll J mundi a l ,

mundo além d a s o b er a n i a

Muitos construtivi s tas ,

no entanto , n ã o e s t ão s atisf e it o s c o m e ss a C Ol1 lu . ' :

e prete ndem construir uma c i ê ncia social de RI , porque n ã o ace i tam a ss umi r objetivos mai s modesto s de uma RI humani s ta, se comparad os com a qu e l "

d e fendidos pela abordagem c lássica. Portanto , o s con s truti v i s t as,

querem p e rmanecer dentro da revolução bchavioris r a , emb ora n ã o a . i te m

a noç ã o de realidade ext e r na e o bj e t iva. E le s ar g um e n t am

i n l u s i v c

r e alidad e intersubjetiva ,

e ntre o s que a tuam e m nome do s E s tado s , é po ss í v el h a ver e nr e nd i r n ' 111 0

mútuo, id é ia s comun s, práticas conjunta s e re g ra s COl11UI1S qu e adquir em li m a

e

m

' I' ,

I ,

l I l ~1. 1

e

m p r o l d

i s to é: afirmam qu e e ntr e a g en t e s hum a n o s,

o às relações internacionais

I ) /l ição social independentemente

de qualque r destes agentes. Coletivamente,

ess as r e gras e prática s con s tituem uma realidade política intersubjetiva. Uma

ciência social de LU pode ser

realidade intcrsubjeriva - este é o objetivo da maioria dos consrrutivistas. Nesse aspecto, a distância entre o consrrutivismo e o positivismo não é tão

construída sob a análise construtivista dessa

grande quanto parece. Na observação de um behaviorista proeminente da ciência

política, essa suposição é exposta claramente:

aos próprios comportamentos políticos são dados cruciais para a observação cientí- fica, precisamente porque, a partir do ponto de vista da persua s ão behaviorista , não

há um 'certo comportamento' em um sentido puramente físico ou mecanicista . A observação é um ato de comunicação em que tanto o observador quanto o obser-

vado estão mutuamente envolvidos

"Os significados dados p e las pessoas

As questões do observador e as reações do

observado devem ser mutuamente significativas" (Eulau 1963) . "Segundo Eulau, o , mundo externo do comportamento humano é social: uma esfera da comunicação humana. Cientistas sociais só podem acessar este mundo por meio da comunica- ção e, conseqüentemente, de um entendimento dele . As hipóteses e a s teorias do observador , c ontudo, são independentes e objetivas, ou seja : ocupam uma área de

explicação científica distinta. O problema metodológico com o consrrutivismo surge nesse ponto, porque a teoria apresenta um caráter dividido: ao enfatizar a inrcrsubjctividadc, é pós-posirivista, mas ao cnfocar a explicaç ã o científica, é posi- tivista , A quest ã o será explorada na última seção d e st e capítulo.

Teoria normativa

A te ori a normariva de lU, de fato, é pré - positivisra . Na verdade, é tanto moderna

0 1 110 pr é-moderna: pertence à história do pensamento político e se origina na Antigüidade e u r opéia, como nos textos de Tucídides. Três importantes teóricos

iv os d e Rl s ão Chris Brown (1992), Mervyn Frost (1996), Terry Nardin e Bro wn , N ar din e Rengger (2002) , Chris Brown (1992 : 3) define a

n o rma

(19t!3)

n hor d nu 11 1 d e forma s ucinta: " [A] teoria de relações internacionais norrnativas ' 11 trnh: lh o v o ltad o para a dimensão moral das relaçõ e s internacionais e para I~'qU I'S I! 's m a i s a mpla s de significado e interpretação produzidas pela disci-

Abord age n s pós - positivistas

349

plina, Em sua - ess ê ncia, avalia rr n a tu r e z aé ti ca d asre l aç õ e s e ntre co mun i dad e s/ ' Estados. A política int e rna c ional e nvolve a lgum as da s que s t õ e s norm a rivas mais importantes enfr e ntadas pelos s ere s humano s e m suas vida s como a ordem, a paz e a guerra, a justiça e a injustiça, os direitos humanos, a inrervenç ã o na soberania estatal ; a proteção ambicntal e os problemas éticos simila res. Em . muitos aspectos, embora não em todos, a teoria normarivase aproxima da abordagem c lá s sica, exceto pelo f a ro de qu e s e aprofunda em te r n ~ r~fe;e~ ~ tes à teoria pol í tica e à filosofia moral e recor r e a desenvolvimentos recentes nestes campo s . A "teoria norrn a tiv a" é lia verdade outro nome para a teoria política ou para a filo s ofia moral da s rela ç õ e s int e rna c ion a i s .

A maioria dos acadêmico s

positivisra s

d e lU traça uma distinção

básica

entre a teoria e mpírica e a norm à riva , S eg undo e l es, a úlrimà é exclusivamente prescritiua. Isto é, a teoria emp í rica (positivista) analis a os fatos, o que realmente acontece , enqualllo a teoria normutiva ab o rd a valore s, um mundoideal que . não e xiste como t a l . A m a ior part e dos teórico s norrnarivos ' rej é iraria ess ' àdis - ,

tanto de - pr á ticas

com conteúdo norrnativo ; por exemplo, as regras s obre a conduta da guerra ou sobre o s direitos humano s . A t e oria norrnariva, portanto, se pr e ocupa basica-,

tinção por c onsiderá-Ia e ngano sa .

fatos quanto de v alor es , s endo que os " f a ro s ' s ã o regras, institui çõ es

P

' a e sse s, a teoria normativarrara

c

'

' , '

mente em dar uma descrição teórica dessas regra s , instituições e práticas nor- mativas, b e m COl11O em t o mar ex pl í c ito s o s dilemas, o s confl itos c a s quest õ e s ' normativa s envolvidos na conduta da polític a externa e de outras atividades ' internacionais. Ou seja, a teoria norrnativa é cmp í rica em seu próprio modo. Além disso , os teóricos norruativos - ressalram. quea s teorias n ã o-normativas '

também se baseiam em valores , e apenas não premissa s e aos seus valores norrnativos .

Entre as tentativas dos analistas norrnarivos de esclarecer qu es tões morai s básicas da s relações internacionais , urna notável foi a de Chris Brown (1992), que resumiu as principai s controvérsias da polític a mundial referentes a duas perspectivas morais rivais definida s pelos termo s " c o s mopolitismo" e "co- munitarisrno" (a teoria da sociedade interna c ional também se dedica a estes problema s norrnativos, ver C apítulo 5). O cosmopolirisrno é uma doutrina norrnativa centrada nos indivíduos e em toda a comunidade de seres humano s ,

como as unidades fundam e ntai s

b

comunidades política s , em particular os Estado s soberanos, por exemplo, como

são claros COI11 . r e lação a suas

da política mundial CO!l1 dire i tos e d e veres

á sieo s . Já o c ( ; e m . i

m[iar i s nl c O ~ t l ' ~ , } ' lao- ou t rina n ~'J ' l . la tiv ~o rms t a f qu - c - Cf t f o( ; a -' f t S . z : . : • .

., .

In t rodu çã o às relações internacionais

as un id a d e s n or rn a t i v as fundament a i s d a p o líti c a mund ia l, c uj os di re i tos, obri- gações e i nt er esses l e gítimos têm prioridade sobre todas as outras a g ê nci a s

c ca t e g ori as no rrn a ri va s . Para B r own, uma grande parte da t e oria normativ a

c ont e mpo râ n e a se int e re ss a em avaliar e ss a s dout r ina s mor a is rivais . Uma das t a r e fa s dat e o r ia no r mativa é d e termina r quais da s du a s import a nte s dout r ina s

t ê m prio r idade e quais de ve m se r privil e giadas. A s quest õe s s ã o complexas :

qu a is os direitos do s Estados? Eles devem ter p e rm i ssão p a ra possuírem ar -

m as de de s truição em massa que ameaçam a human i dade? Quais os direitos

d o s indivíduos? O s di r eito s individuais são prio r it á rios diante dos es tatais?

O s indiv í duos são f ormado s p e los Estados - como súdito s, cidadãos? N ã o há

r es p os ta s si mple s. Muitos an a list as est ã o s a ti s f c i t o s C0111 a propo s iç ã o de qu e

' ido s 0 1 1\ l is rados sob . r a nos ? A s respon s abilid a de s i nternacionais d e todo

os Es t ados são as mes m as o u a l g un s de l es tê m res p onsa bilid a des esp e ci a i s ?

H á c ircun s t â nci as c on ce bív eis so b a s qu ais o di re i to d e defe sa de um Estado

s oberano pod e r í a s e r d es resp e i tad o de modo l eg ít i mo? Há um a base normariva

v á lida p a ra s enegar a a dmi ssão ao . c lub e nucl e ar ? A soci e d a de i nternacional

é r e spons á v e l , por forn e c e r a se gur a nça p e ssoal ou e sta é uma - responsabili- dad e nacional e xc l us iv a do s Es tados sob era no s? A s oci e dade internacional é

r es pons á vel por govcrnar país es independente s cujos . governos deixaram d e .

ex istir? A " limp e za ét nic a " d eve se mpr e s er co nd e n a d a? O objerivode defender

e d e sen vo lv e r a d e m ocracia ju st i f i ca a in t e rv e n ção mi l i ta r e a ocupação de um

pa ís? Asoc i eda dc i nternac i o n a l p o d e eseera r d e mo do ra z o á v e l qlle os líderes

o

confl it o normativ o e ntr e o cosmopolitismo e o c omunitar i smo n ã o pod e

n

ac i o nai s co loqu e m Sl' U S p r ó prio s s oldad os e m p e ri go par a proteger os direitos

se

r s olucionado, m as s im compreendido e, com otimism o, a dministrado d e

hu m ano s em paíse s es tr a n ge ir os? H á al g uma ba se nu r ni . ativ ~ para justificar o .

maneira s ábia . Brown a p r e senta o que talve z s eja a vi sã o mai s p r e domin a nte da t e o r i a nor-

 

uso da força para mudar as f ront e ira s in t erna c ion a is? Há ci r cunstâncias con- ceb í v eis s ob as quai s a pr o te ção ao m eio ambien t e g l o bal pod e r i a intel~ferir d e

m

a ti v a n a s Rl contempor â n eas . M er v y n F rost (1996) apr ese nta uma t e nt a tiv a

f o rm a ju s ti ficáve l n a so b e r a ni a do Es t a do?

men os pr cva l c ntc , ma s de c err a form a m a i s elem e n tar, de . qu cs tion a r a mora-

~

E m s um a, essa r

e i ra a b o rd age m te nt a tra n sfor mar prdticas ' no r mati -

l i d a dc d e indi ví duo s e d e comunidad es polític as:

 

v

as do s Esta d os e l í d e re s estata i s e m t eorias. E n fat i za qu e

a es s ê n c ia d a é ti c~

in te rn acio n a l

se r e f e r e às e sco lha s m ora i s d os p o l f ri c o s c , s endo as s im , as .

 

deveria ser ant es de mais n a d a dir e cion a da à q u es t ã o : o qu e

eu , c omo cidadã o (ou n ós o g overno , o u nós a na ção, ou n ós a comunidade d e

a t e oria norm a tiva

r es po s t as às qu e st õ e s norrnariv as inter nac ionais , c omo a s c itadas ac i m a . i s ã o apr e s e nt a d as , prim e ir a ment e , p e l os pr a ti ca ntes env o lvido s. A principa l tarefa :

Est a d os) d eve r í amos fa zer? Ma s en c on t r a r uma r es po s t a a esse tipo d e qu e st ão

d

a te oria no r mativ a é qu es t io n ar ess a s r es p os ta s com o o bj et i v o d e esc l arec e r

 

e

a v a l i a r a ju s tific a t iva ex po s t a p or e la s. Ess a a bo rd age m r essa lt a qu e a éti ca

d epe nd e, e m ge r a l , de se e n c ontr ar um a r es p os t a a uma qu es t ão a nt er i o r b e m difer e n te . E ssa qu e st ã o an t e ri o r e m a i s imp o rt a nte di z r es p e it o à p o siç ão . é t ica da s in s ti tu i ções d e ntr o d as , qu a i s n os e n co nt r amo s ( e a po s i ção é ti ca da s in s titu i ções d e ntro das quai s outro s e ncontram as i me s mo s ) .

De aco r do com Fr ost , se acreditarmo s que o s Es tados s ã o mai s important es do que outr as instituiç õe s poderíamo s con c luir qu e, e m certa s circun s t â n c ia s,

i n t e r na ci o nal ; assi m como a ét i ca e m q u alq u er ou t ra esfe r a da ativi c ). a d c h u man a , se d es en v ol ve d e ntr o d a própri a a ti vi dad e - ne ste cas o a ati vidade d a pol í ti c a - e s e adapta às c ar act er í s ticas e a o s I irni res da conduta hu ma n a nest espaço . Segundo ess a t e rceira abordagem à t e ori a n o rmativa, o s pesqu isador es d e v e m aval ia r a condut a do s e st a dista s p o r meio d e p a dr ões ace ito s , e m g e r a l, po r e st es m es mos es t a distas . Cas o c ont rári o , a t eo ria , al é m d e jul gar ma l as

é

um de ve r do s cid a d ãos arri s car sua pr ó pri a vid a p a ra d e fend e r o se u Es tado.

pr á tica s e p e rder o co nt a t o C0 1 1 1 a rea lid a d e, ente nd e e int er p re t a errado

O

objeti v o da teori a no r mativa é categori z ar <t as i tu açã o é tic a das instituições "

mundo m or al , ond e os líde re s es tata is d e vem agi r e se r jul g ad os .

e m r e laç ã o umas às outras (Frost 1996: 4) .

A teoria norrnativ a r e jeit a o positivi s mo e o co nsidera um a m etod . olo i.

Uma terceira abordagem à t e oria nor r nativa e s tá associ a d a à escol a da so -

ci e dade internacional (ver Capítulo 5) e e nfoca a ética do d ire ito interna c ional

(N a rdin 1983) e a é tica do e st a d i smo (jackson 1995; 1996) . Es sa vis ã o t ra ta d e qu e stõ es C OI11 O: que g rupos d e pessoa s e st ã o qualific a do s pa r a se rem r ec onhe -

falh a e incapa z de l idar com

qu e stões mai s

ci s õ es mo r a is. A o mes m o t e m po, - a t eori a nor r nat i va t a m bém se d istiu g u d.1 re j e i çã o p ó s-posiri v i s ta da tra di çã o c l áss ic a da te o r i a políti ca cda filo s f ia

a s

o que os an alista s norrnativ os c on si d er a m

funda me ntai s d as rela çõ e s intern aci onai s, i sto é: dil em a s c d

BIBLIOTECA

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moral . Contudo , i sso também s ig ni f ic a qu e a te o r i a norrnativ a , assim como o const r ur i vis r no, es t á ex pos t a à c rítica de am b os o s l a d o s : o po s itiv i s m o ques - tiona a sua incapa c idad e d e e x pl i car com b as e e m te rmos c ientíficos; e os pós - modernos a r gumentam que a t e oria normativa lida c om mitos, ilusões e decepções de v a lores clássicos supo s tament e a ntiquados . Os a nalist a s norma - ti v os e construtivi s tas u tiliz a m a me s m a abord a gem ao enfocar idéias e crenças inte r subjeti va s . A dif e rença é que enqu a nto a maio r ia do s construrivistas espe- r a c r i a r uma ciência social adequad a , a maior p a rt e dos a n a list a s normativos se s at is fa z em p re se r v a r , transmiti r e a mpliar a t eoria política clá s sica d as relações

int e rnac io n ais

(B r own, N a rdin e Rengger 2002).

E xpli car R I versus entender RI

A d iv isão meto d o l ógica b á s i ca nas RI di z res p ei to à n a tu r eza do mundo s o c ial

(ont o l ogia ) c à r e l ação do n osso co n he c im e n to c om est e mundo ( e pistemo -

log ia ). A qu es t ão da r ealid a d e objetiva " l á

criaç ã o subjetiva da s p esso a s (O a ke s h otr 1933 ) ? A posiç ã o objetivista extrema

é pur a m e nt e natu ra list a e mat eria li s t a; as re l açõe s i nte r n a cionais são basica - me nt e a lgo , um objeto , ex i stente l á for a. Já a p os iç ã o subjetivi s ta extrem a é

exc lusiv a men te idealist a, ou s e j a, as r e l a ç õe s int er nacionai s são , basicamente , u ma i d éi a ou um co n c e ito comu m à s p e s so as s ob r e c om o devem se organizar

e se r e l acio n ar umas com as outras

mente p e l a l ín gua , p e la s id é ias e p e los con ce it o s . A q u estão da e pisternologia é abordada a partir da seguinte pergunta: de q u e m odo pod e mos a d q ui r i r conh e cimento sob re o mundo? Em um ex tremo Sl"n. n n o çã o de explicação c ientífica do mundo , cuja tarefa é construir uma j n i. soc i a l v á l id a com b ase em uma fundaç ã o de proposições ernpíricas veri I • vcis. Em u m outro extrem o , es t á a noção de entendimento do mundo ,

(lIjü l l 1 iss . o é nt e ndcr e i nt e rp r eta r o t e ma e m e studo . S e gundo essa visão,

hist ó ri cos, l eg ais o u mora i s da p o lítica mund i al não pod e m ser

o n to l og i a é r e s s a lt a d a p e la s eguinte pergunta : h á uma fo ra" o u o m. und o é s ó fe i to d e ex peri ê nc i a, isto é, é a

de modo

político: é c onstitu í do exclusiva-

p ru h l e m n s

u u du z id o» ' 1 1 l te rm o s de c i ê n c ia se m sere m mal int e rpr et ados.

Abordagens p 6s- positivistas

353

D e monstramos a o longo do li v r o qu e h á t ant o u ma v is ã o " confront ac i o n is-

ta " qu a nto uma " cooperativa " s obr e a sep aração o nt o l ógica e nt re o obj e tivismo

e o subjetivis m o , e s o br e a s e p a ra çã o ep is t e m o ló g ic a

tendimento . Uma posiç ã o extrem a é adot a da p e lo s b e havior i stas e por a lguns positivis t as , que lut a m a favor d e uma teoria c i ent í fica fund a ment a da e m uma vis ã o do mundo como uma re alidade objetiva, Outra po s i ç ão ex t re ma é adotada p e los pós-modernistas , os qua i s consideram a real i dade unia cr ia ção subjetiva das p e sso a s . Qu a nto à epistemologia, algu n s pós-mode rn istas acham que urna interp r et aç ão sarisf atóri a do mundo político e s oci a l é pos s ív e l , ' mas outros

pó s -mode r n is ta s r e j e i ta m at é m e smo i ss o ( v e r as o b s erv a ç õe s anteriores sobre

a t e ndência ni ilista d o pós-modernismo) . De a c ordo com a lg ~ n$ acad ê micos ,

s o m e n te po siç õ es e x trem a s são in te l ec tu al ment e cocrc n re s .É ' pre ci so escoll l ' ~r , ·

en t re a m e todol og i a " p os i t ivi s ta"

as du as, um a v ez que a p resenta m " s up osiçõe s ex c lu si v a m e nt e mútu a s" (Smith 1 9 97: 186) s obr e o mun d o d as r e l ações i nt e rn ac ion a i s .

e nt r e a ex pl i c açã o e o e n -

e a " p ós- po s i t ivist a't. É

imprová v el a s sociar ' .

N o e ntan t o,

o utr o s a ca d ê mi cos

da s 1.1 se es f o r ça m

para e v i t ar posiçõe s

e xt r e m as \ 1 0 d ebat e r n c tod o l óg i co .

qu a l s ej a po ss ív e l e v it a r lima e sc o lha r ígida e n t re

vi s mo, a lgo qu e s e j a uma s impl es exp l icação o u um pu ro e nt e ndi me nto . , O .

desejo p e lo caminho intermediário j á e s tav a pre s ente na d efiniç ã ode Max

We b er

m e nto interpretativo da aç ã o soci a la f im de a l c anç ar explicações causais para

s e us cur s os e efeito s ". Weber corr o b o ra o f a to d e que o s acad ê micos devem ent e nd er o mund o pa r a r ea li za r suas pe s qu isa s e m fe n ô m ea o s . s ocia i s c Tam- b é m a firma , contudo , que iss o n ã o imped e os pesqu i sadore s de começar a estrutu ra r hipóteses para testar t e orias empíric a s e bu s car expl i car fen ô rne-

nos sociais. Ness e terr e no (Serensen 1998), a s RI n ã o e stão obrig a das a uma escolha c ru e l e n tr e ver s õ e s ex tr e mas do po s itivi s mo ou do p ó s-positivis- mo. P od e m prosseguir e m um c a minho int e rm e di á rio m e todológico entre

o subjetivismo e o objetivi s mo , e entre a e x plic a ç ã o e o entendimento . Isto

é: não h á um abismo insuper á vel entre e xt r emos m e t o dol ó gicos

t as e pós-positivis ta s, Trata-se d e uma po s i ç ã o d e " t a nt o /quanto" e m vez

de lima de " ou/ou ": em v ez d e s e es c olh e r e nt re

dim e nsões discutidas (subjetividad e ver s u s o bj e tiv i da d e e e xpli ca ção v e rsus

en te ndi l TTe Fl ' tO) , : . tT a t ' a . - ~ , d e - - . Hma -p 0S - i~() . ~ qH C - ' r - r 0 Et tra en c oner n r ' l I m e - l ugal ' ·

Pro c ur a m l im a á rea int er m e diária;

na · , "

o objcrivismo e o s ~ llb J eti- '

( 1964 : 88) d e "s ociolo g ia " c om o " lima c i ê n c ia qu e v i sa ao entend i:

posicivis- .

o s d ois e xtr e mos d a s duas

inte r mediário a os e xt r emos .

•• •

---------

-.

.

o •

~

,

Introd u ção às relações internac i onais

o Qu a d r o 9.4 i nd ic a a po s iç ão a p r op ria d a das d i f ere nt es a b o rd a g en s

me-

todológi cas s ob re as du a s dim e ns õ es.

pós-mod e rnismo re flet e no s s a s d ú vida s c om rela ção a o Iugar dessa abordagem

O ponto de inte rrogaç ã o

po r trás do

no ei x o e x pl i c a ção / entendimento. O p ó s-modernismo é um " ente ndime nto"

e m sua crítica de temi a s consagradas, m a s t a mb é m contém uma tendência nii-

lista, já observada . Isso cria dúvidas sobre a po s ição dessa abordagem no eixo.

O niili s mo não é nem uma explicação nem um ente ndimento,

gori a diferente . Algum a s abordagens m e todológicas - como o construtivisrno e a teoria c r ítica, assim como abo r dag e ns clássicas e normat iv as - tendem

mas uma cate -

mais p a ra cami n hos i ntermed iá rio s do que pa ra e x t r emo s. V a le obs e rva r que alguns dos p r incipais d e bates d e ntro d a s tr a dições teóric a s consagradas de RI

s e ref e rem exatam e nte a esse aspecto d a combinaçã o ap r opr i ad a . A questão

e stá no centro dos debates entre r e alistas e neo -realistas

tulo 3) ; entre corrent e s diferenresda

Ca p í t u lo 5) ; e e ntr e v ár i a s e scol as d e nt r o do lib e ralismo ( v er Capítulo 4) . Este

e s col a da so c iedade internacional (ve r

clássicos (ver Capí-

c

a pítulo mostrou como o deb a te continua nas e entre as difer e ntes abo r da-

g

e ns p ó s-posirivi sr a s . ind e pendent e m e nte

do m e io esc o lh i do

p a ra e nfocar a

quest ã o , trat a - s e do p r in c ipal probl e m a m e t o dol ó gi co

~

1 I' . '

ll1 1i _'t!

• • • •

r n t ,

da s R I.

Quadro 9.4 O debate metodológico: resumo

Behaviorismo

Positivismo

ONTOlOGIA :

OBJETIVISTA

. EPISTEMOlOGIA:

/ EXPUCAÇÃO

Teori a

critica

Construtivismo

Teoria clá ssica Teo r ia normativa

ENTENDIMENTO

SUBJETIVISTA

Pós - modernismo

••••••• • ••••• • ••• • . ••• . • .• • • • • • ••.••• • • • • • • •

Pontos - chave

- • • • •• • . •• • • • •• ••••••

o

• ••

,.

• Abordagens pós-p os it i vist a s

in c luem : a teoria c r í ti ca ; o p ó s - r n d ' t l li .11111.

o construtivismo; e a teoria normativa, A teoria c ríti c a é u m d I lvu l vl

mento do p e nsamento marxista; pro c ura ex por a do mi n aç o

Norte rico sobre o Sul pobre . A teo r ia c rí tica vê () c o nb e ç ' i m n t P tl l (

bn l dI )

iner e ntemente

político; os cientistas sociais são in strumento s

d

p

ler,

• Os pós-modern i st a s c on tes tam a~~ ç ãod e re alid a d e, d ~ verd a d e,

d '

i t l i "

d

e que ex is te ou pod e ex i s tir um conhecim e nto

e m ex p an são

s br e

 

mundo humano. As na r r a ti v as , in c lu s ive as m e tan a r ra t i v a s ,

s ã o

m

t'

c

on s truídas por

um te ó ric o

e, · por ta n to ,

s ã o se ~p re

c on tarn i n a d r

p

seus pon t os d e vista e pr ec on ce ito s.

construíd a s , i s t o é : d esa s s o ciad a s d e se u s e l e m e ntos a rbi tr á rios e . d u • •' , inten çõ es tend e n c i o s as.

A s n a rrativ as

ped e m ass i m s er I "

• O s const ru tivis t as co n co rd a m

com o s po s itiv i s tas q u e é p os s ív e l a uniu

lar um c on hec im e nto vá lid o so o mund o . M a s , em c on trap os i ç ] ,

construtivi s tas e nfatizam o papel da s i d é i as , do c onh e cim e n to

c o m u m

1 <

mundo s oc i a l. O s E sta do s c on s tro e m

un s aos o utr os e m s u as r e i ç

I',

ao f a z e r is so, ta mb é m co n st ro e m a an arqui a in te rn acio n a l qu e

d ef i n

' 1 1 . 1 ' .

relaçõe s. A an a rqui a n ã o é um a condi ção

f az em dela .

natur a l, ma s o qu e o s

CL d < "

• A t e ori a norm ati va tent a e s c la r ecer quest õ es mor a i s b ásic a s d a s r I . c ',

inte r na c ionais. As prin c ipais

per s pectiva s norma t ivas sã o o cosmop o l i 'i I )H

e o comunitaris mo. As ques tõ es l e vantad a s p o r essas per s p e cti va s s ã o m -

plex as , como , por e x emplo : quai s os direitos dos E s tados? Qu a i s o s dir i r " do s indivíduo s? O s direitos i ndividu a i s s ã o p r iorit á rios dian te do s es t c . i ?

A étic a interna c ion a l tamb é m se ref e r e à s escolha s morai s dos p o l ít i c o .

• As dua s dimen s õ es m e todol óg i ca s

b ás ic as d e RI s ã o a n at ur eza do mu nd

socia l (ontologi a ) e a r e l açã o do noss o c o n he c im e nto c om es s e mun do ( cp i _

temolo g ia). A dimen s ão ont o ló g i c a e nvolv e a natur eza d a r ea li dad e s o i I :

é uma realidade objetiv a " l á f o r a" ou um a cr i açã o subj e tiva d as p e ssoa ? A

dime n sã o episte mol ó gic a se ref e r e ao s m e ios pelos quais é p oss f ve l a dquirir conhe c im e n t o s obre o mund o . P o d e mo sex pli c á-Io c i e nt i fi ca m ente ou d e v e - mos, em vez disso , e ntend ê -Io d e modo in t erpr e tativo?

u o às r e l a ções internacionais

Há uma visão "confrontacionista" e uma "coop e rativa" da divisão me-

in superável entre a

metodologia positivista e a pós-positivista. A visão cooperativa vê um caminho intermediário entre abordagens diferentes.

todológica. A visão confrontacionis t a vê um abismo

Q ue s tões

.

• Resuma as principais questões no debate entre positivistas e pós-positi- vistas. Qual dos lados no debate você é a favor? Por quê?

• Identi f ique, no minimo, duas abordagens pós-positivistas principais. Quais

s ã o a s semelhanças e diferenças metodológicas mais significativas entre as abordagens identificadas?

• Qual a m e lhor forma de a nalisar as metodologias de RI: como categori- camente diferentes ou c onceitualmente sobrepostas?

• Resum a a s persp e ctivas metodoló g ica s d a abordagem clássica e da teor i a

norrnativ a . Há diferença s significativ as e ntre essas ou são basicamente a mesma abordagem?

~

'

.

P a r a material e recursos adicionais, consulte o web site do manual em:

www.ou p .co. uk /best.textbooks/politicsjjacksonsorensen2e/

O r ientação par a l e itur a com p l eme nt a r

UI ' UWI1. " N n rdin, T . e Re n gger, N . (2002). "Introduction", International Relations in Political

'''tI/lX/'I. f l l l1b r id g c : C a mb rid ge Univer s ity Press.

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porâneo s , com b ase no p e ns a mento da E s c o l a d e Fri lnkfiwl. T.l I l 1 h{ - m cOl l l é m apre s entaçõ e s de alunos, links para outros web sit e s e f o n tes rela c ionad as .

http://WWw.ukc.ac.ukjPOlitics/publications/jOurna/s/k tp aper s /webb4 . htm/

Artigo de K e ith Webb sobre o pen s amento pô s - modern o c h c ) fn a d o : " Prc lir n in a ry Qu e sti o ns about Postmod e rni s m". Hosp e dado pela Univer s id a d e d c Kcnr

ht t p://home.pi.berlazone/

Planet links para Internet. artigos online relacionados ao con s trutivismo. Ho s p e dado pelo site holandês

http://wwW . Qub . ac . uk/ies/onlinepapers/poe13_01.Pdf

Aplica a t eoria normativa à análise da legitimidade da União Européia. O artigo é escrito

por Richard Bellamye D a rio Castiglione e hospedado pela Quecn's Univer s ity, de B e lfast.