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A VIDA EM SANTIDADE

Levítico 19

O texto básico deste estudo apresenta uma repetição de alguns dos mandamentos

dados por a Moisés, no Sinai, e traz várias recomendações ao povo de Deus para que viva vida de santidade. Este capítulo faz parte do chamado Código de Santidade, que compreende os capítulos 17 a 26.

Vida de santidade era o que se esperava de um povo chamado para ser santo, residindo em uma terra santo e servindo a um Deus santo. A tônica do Código de Santidade é atual, tem a ver com o povo de Deus em todas as épocas e em todos os lugares: "santificai-vos, e sede santos, pois eu sou o Senhor vosso Deus" (Lv20.7).

Neste estudo veremos as várias dimensões em que se deve manifestar a vida de santidade.

1 - A SANTIDADE NO RELACIONAMENTO COM DEUS

"Santos sereis, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo" (19.2) No capítulo 19 de Levítico percebe-se uma ênfase no relacionamento respeitoso que deve haver entre o homem e Deus.

As expressões: "eu sou o Senhor" e "eu sou o Senhor vosso Deus", ocorrem cerca de

16 vezes neste capítulo. O capítulo mostra também a qualidade do relacionamento que deve existir entre o homem e Deus: um relacionamento marcado por santidade. A própria natureza de Deus impõe a santidade neste relacionamento (Lv 11.44,45).

A santidade

precisamente, implicações éticas e morais.

no

relacionamento

com

Deus

tem

implicações

práticas,

mais

A santidade no relacionamento com Deus é, portanto, mais que uma questão

teológica: é coerência na prática dos mandamentos do Senhor.

Creio que o nosso maior problema não é teológico, mas ético. Sabemos o que é certo

e conhecemos os mandamentos do Senhor, mas falhamos na prática. Para

experimentar a santidade no relacionamento com Deus, carecemos da ação do

Espírito Santo em nós (Rm 8.1-11; Gl 5.16-26).

2 - A SANTIDADE NA VIVÊNCIA FAMILIAR

"Cada um respeitará a sua mãe e a seu pai

" (19.3)

Este capítulo 19 de Levítico trata a questão da santidade de forma muito prática. São focalizados vários aspectos do nosso dia a dia, nos quais a santidade deve se manifestar. Um desses aspectos é o relacionamento familiar.

É dentro de casa (e ali talvez seja o lugar mais difícil) que devemos evidenciar

santidade. É muito fácil, enquanto estamos no templo participando de um emocionante louvor musical, ou orando, expressar santidade.

Mas, e em casa, no relacionamento com o cônjuge e com os filhos, no relacionamento dos filhos com os pais? Há muitos crentes que cultivam uma santidade litúrgica

A vida de santidade deve ser vivida dentro de

impecável, mas a santidade doméstica

casa: nos sentimentos, nas palavras, nas atitudes.

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Alguém declarou que a santidade no lar é uma condição prévia para estágios mais avançados da santidade.

3 - A SANTIDADE NA VIDA SOCIAL

"Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (19.18)

O texto amplia o círculo dos relacionamentos onde a santidade deve estar presente: a

sociedade em geral. A santidade na vida social é construída nas bases do amor ao

próximo.

Há crentes que não veem nada de mais em passar os outros pra trás, em se tratando de negócios. Muitas vezes, adotamos um tipo de conduta comumente aceito e praticado pela sociedade, mas condenado pela Palavra de Deus. Algumas práticas toleradas pela sociedade atual, mas condenadas no texto são:

O furto (v.11,13) - O furto é uma violação da lei do amor. Era considerado furto, por

exemplo, a desobediência às recomendações dos versículos 9 e 10, ou tratar desonestamente os empregados, mediante a retenção do salário. Burlar a lei para levar vantagem sobre o próximo pode se constituir numa forma de furto. O furto é incompatível com a vida de santidade e inconcebível para aquele que pertence a Cristo (Ef 4.28; Tg 5.4).

A mentira (vv.11,35,36) - Mais uma vez está em foco a honestidade nos negócios. Os

fins não justificam os meios. É lamentável que a mentira seja usada com tanta naturalidade nos relacionamentos sociais hoje em dia. O cristão não pode se conformar com isto de forma alguma, pois, conforme Provérbios 13.5 "o justo aborrece a palavra de mentira" (Cl 3.9,10). Em João 8.44 há um recado muito duro para aqueles que mentem.

A injustiça (v.15) - "Na aplicação da justiça deve haver equidade. Deve haver uma só

lei para ricos e pobres, igualmente. Dinheiro, posição social e poder político nada têm

a ver com a administração da justiça. Essas considerações não deveriam fazer a

menor diferença nos tribunais e nos relacionamentos pessoais" (O A. T. Interpretado,

vol. 1, p. 552, R. N. Champlin, Hagnos, 2001). Santidade e injustiça não combinam.

A maledicência (vv.16,17) - O pecado da maledicência é amplamente praticado na

sociedade atual. Ele está presente nos meios de comunicação, na política, nas empresas e, infelizmente, até na igreja. A maledicência é expressão de carnalidade e

é um pecado a ser enfrentado e vencido pelos que desejam viver vida de santidade (Tg 1.26; I Pe 3.8-12).

A vingança (v.18) - A vingança é fruto do rancor. Quando este sentimento se aloja no

coração do indivíduo, o processo de santificação fica completamente comprometido. O

remédio contra este mal está indicado neste versículo: "amarás o teu próximo como a

ti mesmo". Mas o amor ao próximo não é simplesmente resultado de um esforço humano, é fruto da regeneração (I Jo 4.7,8).

4 - A SANTIDADE NA PRÁTICA RELIGIOSA

"Guardareis os meus sábados e reverenciareis o meu santuário" (19.30) A santidade evidenciada no respeito a Deus e na boa vivência social, deve ser celebrada liturgicamente através de práticas religiosas corretas e equilibradas. Algumas delas são apresentadas no texto e podem ser perfeitamente contextualizadas:

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Repúdio à idolatria (vv. 4,5) - A recomendação desse versículo tem por base o segundo dos Dez Mandamentos. Esta recomendação está em sintonia com o conceito monoteísta que permeia todo o Pentateuco, exigindo o culto somente ao Único e Verdadeiro Deus.

A palavra hebraica traduzida por "ídolo" significa "nada". É por isso que Paulo afirma em I Coríntios 8.4-6: "sabemos que o ídolo de si mesmo nada é no mundo, e que não

há senão um só Deus (

para nós há um só Deus, o Pai, de quem são todas as

coisas e para quem existimos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as

coisas

não é santa e é reprovada pelo Senhor.

Qualquer prática religiosa que não considera isto, por mais intensa que seja,

)

".

Oferta de louvores ao Senhor (vv. 23-25) - Sem entrar nos detalhes referentes à

época em que se permitia consumir os frutos, é importante observar o sentimento que deveria envolver os israelitas durante a colheita do quarto ano de produção: "Porém,

no quarto ano todo o seu fruto será santo, será oferta de louvores ao Senhor" (v.24).

Russel N. Champlin comenta este versículo, dizendo: "O proprietário da árvore e os pobres tinham uma espécie de refeição comunal, em honra a Yahweh, a fonte de todas as coisas boas. A generosidade do Senhor era assim reconhecida, por meio dessa refeição. Ele era o convidado invisível que estava vendo todas as coisas. E o que não fosse consumido, ficava para os sacerdotes" (op. cit., p. 554).

Este ato é profundamente inspirativo. Algumas igrejas, especialmente aquelas localizadas em regiões rurais, realizam cultos de gratidão pela colheita. É uma prática bíblica, saudável e edificante.

Respeito pelo sagrado (v.26) - "Não comereis cousa alguma com sangue". No Pentateuco, mui especialmente em Levítico, encontramos várias vezes esta proibição. Para compreende-la é necessário lembrar que o sangue de animais era a base do sistema sacrificial levítico.

No Novo Testamento é o sangue de Cristo. A leitura simultânea de Levítico e Hebreus nos auxilia na compreensão desta relação. Mas o que está em foco é a reverência às coisas sagradas. Esta atitude é recomendada, por exemplo, em relação à Santa Ceia (I Co 11.27-29).

Rejeição às superstições (vv. 26, 31) - "Não agourareis nem adivinhareis". Estão em pauta nesses versículos, superstições que eram comuns entre as pessoas naquela época. Atualmente vemos ressurgir com toda a força, crenças e superstições. Mas a base da nossa fé é a Palavra de Deus.

E revelamos santidade quando a nossa fé e prática são determinadas não por

crendices, mas pelos ensinos da Palavra de Deus (Is 8.19,20; II Tm 3.16,17). As superstições e o envolvimento com a astrologia e o espiritismo contaminam e escravizam. É por isso que tais práticas são veementemente condenadas na Bíblia.

Cuidado com o corpo (vv.27-29) - Nestes versículos, pelo menos três questões são tratadas: corte de cabelo, autoflagelação e prostituição. Segundo estudiosos, as recomendações sobre o corte do cabelo e da barba eram para evitar uma possível identificação com os pagãos, que cortavam o cabelo e o dedicavam aos deuses.

O versículo 28 proíbe a autoflagelação. Ainda mais devido ao motivo pelo qual alguns

se entregavam a tal prática: em favor dos mortos. Este versículo condena, ainda, as

tatuagens.

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O versículo 29 proíbe a prostituição. Na antiguidade praticava-se em larga escala a

prostituição cultual. Israel é advertido para não se contaminar com esta prática.

A santidade na prática religiosa envolve, portanto, o cuidado com o corpo. O nosso

corpo é morada do Espírito Santo (I Co 3.16,17; II Co 7.1; I Ts 4.3-7).

AUTOR: REV. ENEZIEL PEIXOTO DE ANDRADE

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