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Superior Tribunal de Justiça

EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.567.486 - RS (2014/0074987-7)

RELATOR

EMBARGANTE

ADVOGADOS

: MINISTRO PAULO DE TARSO SANSEVERINO : COMPANHIA DE SEGUROS ALIANÇA DO BRASIL : MAURO FITERMAN E OUTRO(S) - RS031897

NATALIA

FERNANDES

SANCHEZ

E

OUTRO(S)

-

SP281891

EMBARGADO

ADVOGADO

: PAULO SILVEIRA GADRET : FELIPE PREZZI DUMIT - RS052810

EMENTA

1. 2. 9.656/98). 3.
1.
2.
9.656/98).
3.

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. OBSCURIDADE. OCORRÊNCIA. SEGURO DE VIDA. REAJUSTE POR FAIXA ETÁRIA. ABUSIVIDADE. LIMITAÇÃO ÀS FAIXAS ETÁRIAS

SUPERIORES A 60 ANOS. PRAZO DE 10 ANOS DE VÍNCULO CONTRATUAL QUE DEVE SER COMPUTADO DESDE A DATA EM VIGOR DA LEI Nº 9.656/98.

Abusividade da cláusula que estabelece fatores de aumento

aumento do prêmio do seguro de acordo com a faixa etária,

após o segurado implementar 60 anos de idade e mais de 10 anos de vínculo contratual.

Analogia com os contratos de plano de saúde (art. 15 da Lei

Cômputo do prazo mínimo de 10 anos de vínculo contratual

necessário a se considerar abusiva a cláusula que estabelece o aumento do prêmio do seguro de acordo com a faixa etária do segurado que deve se iniciar somente após a sua entrada em vigor. 4. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS PARA ESCLARECER OBSCURIDADE.

ACÓRDÃO

Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, acolher os embargos de declaração, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a) Relator(a). Os Srs. Ministros Ricardo Villas Bôas Cueva, Marco Aurélio Bellizze (Presidente) e Nancy Andrighi votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Moura Ribeiro. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Marco Aurélio Bellizze.

Brasília (DF), 1º de setembro de 2016(Data do Julgamento)

Superior Tribunal de Justiça

MINISTRO PAULO DE TARSO SANSEVERINO Relator

de Justiça MINISTRO PAULO DE TARSO SANSEVERINO Relator Documento: 1535091 - Inteiro Teor do Acórdão -

Superior Tribunal de Justiça

EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.567.486 - RS (2014/0074987-7)

RELATOR

EMBARGANTE

ADVOGADOS

EMBARGADO

ADVOGADO

: MINISTRO PAULO DE TARSO SANSEVERINO : COMPANHIA DE SEGUROS ALIANÇA DO BRASIL : MAURO FITERMAN E OUTRO(S) NATALIA FERNANDES SANCHEZ E OUTRO(S) : PAULO SILVEIRA GADRET : FELIPE PREZZI DUMIT

RELATÓRIO

: PAULO SILVEIRA GADRET : FELIPE PREZZI DUMIT RELATÓRIO EXMO. SR. MINISTRO PAULO DE TARSO SANSEVERINO

EXMO. SR. MINISTRO PAULO DE TARSO SANSEVERINO

(Relator):

Trata-se de embargos de declaração opostos por COMPANHIA DE SEGUROS ALIANÇA DO BRASIL contra acórdão no agravo regimental assim ementado:

"AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CIVIL E PROCESSO CIVIL. AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO DE SEGURO DE VIDA. ALTERAÇÃO DE MENSALIDADE. FAIXA ETÁRIA. ABUSIVIDADE. REVISÃO. ÓBICE DAS SÚMULAS 05 E 07/STJ. PRESCRIÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO PRESCRICIONAL ÂNUO. ART. 206, § 1º, B, DO CÓDIGO CIVIL. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE PROVIDO. 1. Abusividade da cláusula que estabelece fatores de aumento aumento do prêmio do seguro de acordo com a faixa etária, após o segurado implementar 60 anos de idade e mais de 10 anos de vínculo contratual. Analogia com os contratos de plano de saúde (art. 15 da Lei 9.656/98). 2. Sujeita-se ao prazo ânuo previsto no Código Civil a ação em que se discute a validade de cláusula contratual reguladora de reajustes do prêmios mensais pagos ao seguro de saúde, por ser inerente à relação entre segurado e segurador. Precedentes. 3. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO" (e-STJ fl. 486).

Em suas razões, a seguradora embargante diz haver obscuridade no acórdão embargado, porquanto "não restou claro o motivo pelo qual entendeu se estar diante de inovação recursal considerando tratar-se de questão que surgiu apenas por ocasião da prolação da R. decisão monocrática que deu

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parcial provimento ao recurso especial", esclarecendo que:

"Apenas por ocasião da apreciação do recurso especial pelo Exmo. Ministro Relator foi consignado que 'a jurisprudência desta Corte Superior é no sentido de que, nos contratos de seguro de vida, a cláusula contratual que prevê o aumento do prêmio segundo a faixa etária do consumidor somente é abusiva quando Apenas por ocasião da apreciação do recurso especial pelo Exmo. Ministro Relator foi consignado que 'a jurisprudência desta Corte Superior é no sentido de que, nos contratos de seguro de vida, a cláusula contratual que prevê o aumento do prêmio segundo a faixa etária do consumidor somente é abusiva quando o segurado completar 60 anos de idade e ter mais de 10 anos de vínculo contratual (e-STJ Fl. 452)', ocasião em que surgiu para a ALIANÇA DO BRASIL a possibilidade de pedir ao menos a aplicação subsidiária deste entendimento, tal como deduzido no agravo" (e-STJ fl. 499/500).

tal como deduzido no agravo" (e-STJ fl. 499/500). Pede o acolhimento dos presentes aclaratórios, com efeitos

Pede o acolhimento dos presentes aclaratórios, com efeitos modificativos, para que (e-STJ fls. 501/502): (a) "seja expressamente consignado que, neste caso concreto, deverá ser observado o critério de que a abusividade do reajuste aplicado somente ocorre após o segurado completar 60 (sessenta) anos de idade e, cumulativamente, tiver superado 10 (dez) anos de vigência contratual"; (b) "seja expressamente delimitado o termo a quo da contagem do prazo de 10 (dez) anos de vigência contratual, como também já realizado por esta Col. Corte em outra oportunidade, a fim de que se consigne que o decêndio da apólice sub judice ocorreu apenas em 2012 (dez anos após o início da vigência do contrato de seguro de vida atualmente em vigor)"; e (c) subsidiariamente, "se reconheça que o termo a quo para o cômputo dos 10 (dez) anos de relação contratual seria a data de entrada em vigor da lei dos planos de saúde (lei n. 9656/98), em 2 de janeiro de 1999, tal como aplicado em caso anteriormente julgado por esta Col. Terceira Turma (hipótese em que deverão ser extirpados somente os reajustes aplicados após janeiro de 2009)". Não houve impugnação aos aclaratórios (cf. e-STJ fls. 506). É o relatório.

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EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.567.486 - RS (2014/0074987-7)

VOTO

EXMO. SR. MINISTRO PAULO DE TARSO SANSEVERINO

(Relator):

Eminentes colegas, os presentes embargos devem ser acolhidos. Efetivamente, o v. acórdão embargado foi obscuro acerca do início do cômputo do prazo mínimo de 10 anos de vínculo contratual necessário a se considerar como abusiva a cláusula que estabelece o aumento do prêmio do seguro de acordo com a faixa etária do segurado. Do que se vê, o acórdão combatido aplicou, de forma analógica, a Lei nº 9.656/98, não tendo feito referência clara acerca do momento inicial do prazo mínimo de 10 anos de vínculo contratual nela previsto. Na hipótese concreta em testilha, o primeiro contrato celebrado pelo segurado remete ao ano de 1989, período anterior à vigência da mencionada lei. Cabe registrar que a lei não pode retroagir para alcançar fatos ocorridos no passado. Nessa toada, consigno que a declaração de abusividade da cláusula que prevê o reajuste do prêmio do seguro será limitada ao fato de o segurado haver ultrapassado os 60 anos, desde que conte com mais de 10 anos de vínculo, contados, na hipótese concreta dos autos, do início de vigência da Lei nº

9.656/98.

Ante o exposto, acolho os presentes embargos de declaração, nos termos da fundamentação, para determinar que a declaração de abusividade da cláusula que prevê o reajuste do prêmio do seguro está limitada ao segurado-recorrido haver ultrapassado os 60 anos, desde que conte com mais de 10 anos de vínculo, contados do início de vigência da Lei

10 anos de vínculo, contados do início de vigência da Lei Documento: 1535091 - Inteiro Teor

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nº 9.656/98. É o voto.

Superior Tribunal de Justiça nº 9.656/98. É o voto. Documento: 1535091 - Inteiro Teor do Acórdão

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CERTIDÃO DE JULGAMENTO TERCEIRA TURMA

Número Registro: 2014/0074987-7

PROCESSO ELETRÔNICO

EDcl no AgRg no REsp 1.567.486 / RS

Números Origem: 00111103399064 00144391620118216001 00783824620138217000 03874071020138217000 04935892020138217000 107412003 11103399064 111103399064 144391620118216001 3874071020138217000 4935892020138217000 70056627805 70057689622 70058811936

783824620138217000 AUTUAÇÃO : : : :
783824620138217000
AUTUAÇÃO
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PAUTA: 01/09/2016

JULGADO: 01/09/2016

Relator Exmo. Sr. Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO

Presidente da Sessão Exmo. Sr. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE

Subprocurador-Geral da República Exmo. Sr. Dr. JOSE ADONIS CALLOU DE ARAUJO SA

Secretária Bela. MARIA AUXILIADORA RAMALHO DA ROCHA

RECORRENTE

COMPANHIA DE SEGUROS ALIANÇA DO BRASIL MAURO FITERMAN E OUTRO(S) - RS031897 NATALIA FERNANDES SANCHEZ E OUTRO(S) - SP281891 PAULO SILVEIRA GADRET FELIPE PREZZI DUMIT - RS052810

ADVOGADOS

RECORRIDO

ADVOGADO

ASSUNTO: DIREITO CIVIL - Obrigações - Espécies de Contratos - Seguro

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO

EMBARGANTE

:

COMPANHIA DE SEGUROS ALIANÇA DO BRASIL

ADVOGADOS

:

MAURO FITERMAN E OUTRO(S) - RS031897

EMBARGADO

:

NATALIA FERNANDES SANCHEZ E OUTRO(S) - SP281891 PAULO SILVEIRA GADRET

ADVOGADO

:

FELIPE PREZZI DUMIT - RS052810

CERTIDÃO

Certifico que a egrégia TERCEIRA TURMA, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão:

A Turma, por unanimidade, acolheu os embargos de declaração, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a) Relator(a). Os Srs. Ministros Ricardo Villas Bôas Cueva, Marco Aurélio Bellizze (Presidente) e Nancy Andrighi votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Moura Ribeiro. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Marco Aurélio Bellizze.