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TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO E DA COMUNICAÇÃO (TIC) NA EDUCAÇÃO

ESPECIAL DE DEFICIENTES AUDITIVOS

Fábio Paula dos Santos Marques 1 Thaís Carolyne Soares de Souza 2

RESUMO

A Sociedade mundial está vivendo uma época marcada por grandes revoluções tecnológicas e

pela era da informação, que nos proporcionam um acelerado desenvolvimento em todas as áreas de atuação, modificando as maneiras de ser e agir de seus indivíduos. A educação, independente de sua modalidade, não pode se esquivar desses acontecimentos, pelo contrário, deve estar preparada para as mudanças que as novas tecnologias irão e já estão proporcionando no mundo atual. O artigo a seguir tem como objetivo mostrar a importância das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) na aprendizagem de alunos de Educação Especial, particularmente na de deficientes auditivos. Os resultados dos estudos realizados demonstraram que o uso das TICs na Educação de pessoas com necessidades especiais auditivas tem obtidos grandes resultados, mostrando que houve uma melhora significativa no processo ensino/aprendizagem desses indivíduos.

Palavras-chave: Educação especial, Tecnologias, Informação, Comunicação e deficientes auditivos.

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INTRODUÇÃO

A educação especial é uma modalidade de ensino destinada a educandos portadores de

necessidades educativas especiais, originadas quer de deficiência física, sensorial, mental ou de

características como altas habilidades, super dotação ou talentos. Observa-se nos últimos

tempos que a implantação do uso das Tecnologias da Informação e Comunicação TIC nessa

modalidade de ensino têm apresentado melhores efeitos quando comparada à Educação geral,

e também que grande parte do que é aplicado para portadores de necessidades educativas

especiais, principalmente na área de software, resulta em benefícios a outros usuários,

estendendo-se seu uso de modo generalizado.

Teodoro e Freitas (1992, p. 28) apud Araújo e Fernandes (2011, p.07) corroboram com estas opiniões, afirmando que:

As TIC permitem “disponibilizar ferramentas que ajudam a deslocar o centro do processo ensino/aprendizagem para o aluno, favorecendo a sua autonomia e enriquecendo o ambiente onde a mesma se desenvolve. Permitem a exploração de

1 Acadêmico do 2º período do Curso de Sistemas de Informação da Universidade Federal do Amazonas. E-mail:

fabiomalakian@hotmail.com

2 Acadêmico do 2º período do Curso de Sistemas de Informação da Universidade Federal do Amazonas. E-mail:

thaiscaroline450@gmail.com

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situações, que de outra forma seria muito difícil realizar. Possibilitam ainda a professores e alunos a utilização de recursos poderosos, bem como a produção de materiais de qualidade superior aos convencionais”.

Embora encontremos diferentes formas de classificação das áreas de aplicação das TICs para os portadores de necessidades educativas especiais, destacam-se duas grandes categorias de aplicação que são: “prótese física” e “prótese mental”. Como "prótese física" incluímos o conjunto de dispositivos e procedimentos que visam o desempenho de funções que o corpo não pode ou tem dificuldades de executar devido às deficiências e na "prótese mental" inserimos todo o processo de intervenção sobre portadores de necessidades educativas especiais, visando o seu desenvolvimento cognitivo, sócio afetivo e de comunicação, utilizando-se dos recursos da Informática. Dessa forma, devemos encontrar meios de utilizar os recursos das TICs de forma a facilitar o processo de aprendizagem, interação e inclusão, através das inúmeras possibilidades que elas podem oferecer a essas pessoas com necessidades especiais, tornando-as o mais independente possível, além de proporcionar condições para o desenvolvimento de suas potencialidades cognitivas e qualificação para o mercado de trabalho, tal como Mantoan (2000) apud Bortolozzo e Cantini (2008, p4) comenta:

uma palavra, precisamos somar competências, produzir tecnologia, aplicá-la à

educação, à reabilitação, mas com propósitos muito bem definidos e a partir de princípios que recusam toda e qualquer forma de exclusão social e toda e qualquer atitude que discrimine e segregue as pessoas, mesmo em se tratando das situações

mais cruciais de apoio às suas necessidades.

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2 O CONTEXTO DAS TICS NA EDUCAÇÃO ESPECIAL Há registros históricos nas mais variadas sociedades, que ferramentas e instrumentos desempenham um importante papel no desenvolvimento dos indivíduos, auxiliando-os na tarefa de descobrir e dominar o ambiente em que interagem, seja na maneira concreta (sensorial), abstrata (semiótica), espacial ou temporal. Tecnologias podem ser consideradas extensões do nosso corpo, pelas quais interagimos com o meio, percebendo e sentindo, experienciando e aprendendo. Quanto ao ser humano, Bartoszeck (2007) apud Souza (2008) sustenta que o cérebro é um órgão que pode ter mudanças estruturais e funcionais, processo denominado de “plasticidade neural”. Desse ponto de vista, um dos fatores que mais influenciam no processo de ensino e aprendizagem, é a “experiência”. Em ambientes escolares “enriquecidos” tecnologicamente essas implicariam em mais conexões neurais e consequentemente mais aprendizagem.

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Nos dias de hoje cada vez mais, as TICs se fazem presente no sistema educativo, uma vez que a nossa sociedade se rendeu às novas tecnologias e suas infinitas possibilidades. Desta forma, tornou-se dever das escolas promover e dispor tecnologias de apoio que se adequam ao perfil de funcionalidade dos alunos com necessidades educativas especiais. Através desse novo auxílio tecnológico, estes alunos poderão ter acesso às mesmas oportunidades educativas que os restantes colegas. Conforme confirma Mantoan (2000) apud Bortolozzo e Cantini (2008, p3):

Para se tornarem inclusivas, acessíveis a todos os seus alunos, as escolas precisam se organizar como sistemas abertos, em função das trocas entre seus elementos e com aqueles que lhe são externos. Os professores precisam dotar as salas de aula e os demais espaços pedagógicos de recursos variados, propiciando atividades flexíveis, abrangentes em seus objetivos e conteúdos, nas quais os alunos se encaixam, segundo seus interesses, inclinações e habilidades”.

Grande parte dos problemas enfrentados no processo educacional das pessoas surdas refere-se ao acesso às informações: barreiras tecnológicas, educacionais, culturais, sociais e econômicas, que impedem ou dificultam o acesso à informação e a interação. Se considerarmos apenas o aspecto da comunicação e da informação, nos deparamos hoje com a supremacia da cultura audiovisual, observada na profusão de meios cada vez mais sofisticados de transmissão de sons e especialmente visuais, num processo criativo inesgotável. A partir disso e da constatação científica dos processos de aprendizagem essencialmente visuais específicos das pessoas surdas tal como o tato e a audição para as pessoas cegas, estão sendo reconfiguradas as propostas educativas, priorizando a experiência visual e utilizando as TICs como ferramentas pedagógicas. Isto inclui a leitura e a escrita, não no que se reporta aos seus aspectos sonoro- auditivos, mas aos visuais e inclui principalmente a leitura e produção de imagens visuais veiculadas pelas TICs, em especial a televisão e a Internet. Sabemos que uma das principais dificuldades de aprendizado dos alunos surdos, muitas vezes está relacionada a dificuldades linguísticas, o que impossibilita o acesso destes ao conhecimento, prejudicando a elaboração do pensamento abstrato.

Se os surdos foram excluídos de aprendizagens significativas, obrigados a uma prática de atividades sensório-motoras e perceptuais, mas não de conteúdo de abstração, se foram impedidos de utilizar a Língua de Sinais em todos os contextos de sua vida, então nada têm a ver os surdos nem a Língua de Sinais com as supostas limitações no uso dessa língua, na aquisição de conhecimentos e no desenvolvimento de seu pensamento. (SKLIAR, 1997 apud MACHADO, 2003, p. 10).

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2.1 O uso das TICs na educação de deficientes auditivos

Os novos meios de comunicação, aprendizagem e socialização ligados às novas tendências tecnológicas no que se refere a suas diversas formas, têm gerado muita discursão no âmbito educacional sobre qual seria a melhor forma de se fazer uso de suas potencialidades na área da educação especial. Dessa forma, os desafios e questionamentos que se colocam para toda a sociedade, também dizem respeito às pessoas com deficiência auditiva, entre eles encontram-se a diversificação e o aumento da clientela, a necessidade da formação de usuários críticos e criativos das TICs, a ampliação do tempo de estudo e o redimensionamento dos papeis das mediações no processo ensino-aprendizagem. Segundo Belloni (2001) apud Basso (2003): “integrar as TICs nos processos educacionais deve necessariamente, compreender as suas duas dimensões como “ferramenta pedagógica”, no âmbito da comunicação educacional; e como “objeto de estudo” no campo da mídia-educação ou educação para as mídias”. Para o autor isto significa uma educação que vise não apenas a aprendizagem do uso das TICs, mas a formação de receptores /usuários críticos e autônomos que através de uma metodologia adequada e recursos motivacionais, descobrem e criam suas próprias mensagens e respostas às TICs. A partir disso vamos analisar uma produção que trata do uso das TICs na educação de deficientes auditivos. O trabalho que veremos a seguir, intitulado O surdo e a Internet (CRUZ, 2001 apud BASSO, 2003, p.121-122), relata uma experiência desenvolvida pela UNICAMP (Universidade Estadual de Campinas), durante o curso de Especialização em Surdez. Que começou a partir de um amplo estudo sobre as potencialidades da Internet e de uma visão geral da vida dos surdos, ao final do mesmo foram pontuados os aspectos positivos da relação que as pessoas surdas estabelecem com a Internet:

- A internet tem se mostrado um local de profunda equidade entre todos os seus

membros. Neste sentido, não parece haver qualquer preconceito ou discriminação e os surdos se sentem aceitos e não excluídos de um mundo sonoro.

- A Internet é rica fonte de informações escritas que substituem as orais com grande

vantagem. Para que o acesso a estas informações se dê com maior confiabilidade, os autores

apontam a necessidade do desenvolvimento de um senso crítico por parte de seus usuários.

- A possibilidade de dispor de recursos visuais facilita a inserção das pessoas surdas,

pois as animações de imagens e sinais gráficos utilizados são de fácil compreensão e favorecem estes usuários, em particular. Uma das entrevistadas referiu, quanto à aprendizagem do instrumento, que era muito fácil, pois ele próprio a ensinava. Entretanto, a dificuldade encontra-

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se nas características das instruções escritas, pois a aprendizagem do Português não é uma atividade muito tranquila para os surdos.

- A Internet tem se configurado para as pessoas surdas com as mesmas potencialidades

do telefone para as pessoas ouvintes. Através delas, ampliaram-se as possibilidades de

comunicação (via e-mail, chat, etc.).

- A escrita de sinais Sign Writing mostrou-se também promissora. Ela é uma escrita que

envolve símbolos e convenções que permite, através de desenho, exprimir os movimentos utilizados na elaboração dos sinais. Porém, as dificuldades de compreensão e apropriação desta simbologia pelas pessoas surdas são muitas.

- Os tradutores online são bastante úteis para as pessoas surdas, embora apresentem

erros de significados nas traduções justapostas, comprometendo a compreensão da informação.

- A utilização da Internet como fator de agregação das comunidades surdas espalhadas

pelo país e pelo mundo favorece a interação entre diversas nacionalidades e possibilitando a união para reivindicação de seus direitos. Os resultados deste trabalho demonstraram que houve uma significativa melhora nas habilidades de leitura e escrita das pessoas surdas, além de ampliar as possibilidades de contato com outras realidades políticas e culturais. Segundo os autores do projeto,

No ambiente telemático (os surdos têm tido) a oportunidade de dialogar sem opressão das diferenças e compreender quais são os projetos comuns para além da diferença. Este também tem sido um espaço de denúncia do fracasso escolar e da falta de educação dos surdos. (ARCOVERDE; GIANINI, 1999, p.4).

Outro fator importante foi a desmistificação da presença dos surdos na Internet perante

os ouvintes, que geralmente não os consideram com capacidade de utilizarem-se dela. Embora

a Internet possibilite a independência das pessoas surdas, o que é bastante positivo, a

comunicação via Internet apresenta a limitação de ocorrer através da leitura e da escrita, fato que denuncia a precariedade da formação que tem sido proporcionada a estas pessoas, como também a muitas pessoas ouvintes.

3. RESULTADOS ESPERADOS E DISCUSSÕES Os resultados obtidos com a pesquisa possibilitam iniciar uma série de discussões a respeito da utilização dos recursos oferecidos pela Tecnologia da Informação e da Comunicação (TIC) na Educação Especial, também pôde-se ter uma noção abreviada da situação de algumas instituições que se propõe a atender alunos com necessidades educacionais especial, em particular os que apresentam problemas auditivos. Das dificuldades apresentadas podemos

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salientar principalmente a falta de recursos tecnológicos disponíveis nas instituições e também

a deficiência apresentada pelos docentes em relação a utilização das TICs de forma

pedagógica, deixando claro a necessidade de maiores investimentos e ações voltadas para a aquisição de equipamento e principalmente a qualificação dos profissionais que os utilizarão. Através de alguns trabalhos pesquisados, podemos perceber os resultados positivos obtidos no processo de ensino aprendizagem de alunos com deficiência auditiva que utilizaram os recursos oferecidos pelas TICs, o que nos demonstra a diferença que o seu uso pode trazer para o universo dos alunos da Educação Especial.

CONCLUSÃO Mesmo considerando a importância significativa que as TICs representam na educação de discentes especiais, não podemos esquecer-nos de ponderar alguns fatores que ainda

atrapalham sua total inclusão no sistema de ensino como ambientes escolares devidamente equipados, a formação de professores capacitados para o uso das TICs, pois a falta de informação sobre elas faz com que eles as reduzam a simples transmissores de informações a receptores passivos, ou ainda temem que elas tomem o seu lugar ou mais grave que isso, que

as encare como recursos que compensam as necessidades dos alunos, transformando-as em

objetos de lazer. Quanto a educação especial dedicada aos surdos, as escolas ainda não compreenderam o valor das TICs para esse tipo de clientela e estão centrando seus esforços na

aquisição de “ferramenta pedagógicas” destinadas ao desenvolvimento de habilidades específicas, como falar, ler e escrever ou a meros instrumentos de comunicação.

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REFERÊNCIA

ARCOVERDE,

R.D.L;

GIANINI,

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BORTOLOZZO, Ana Rita Serenato, CANTINI, Marcos Cesar. O uso das TIC’s nas necessidades educacionais especiais. Paraná, 2008, p.3. Disponível em: < http://www.pucpr.br/eventos/educere/educere2006/anaisEvento/docs/CI-151-TC.pdf>. Acesso em: 19/08/2016.

SOUZA, Mari

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Informática

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