Você está na página 1de 514

TRF 1ª REGIÃO

TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 1ª REGIÃO

TÉCNICO JUDICIÁRIO ÁREA ADMINISTRATIVA

Língua Portuguesa Noções de Informática Matemática e Raciocínio Lógico-Matemático Noções de Direito Administrativo Noções de
Noções de Informática Língua Portuguesa Matemática e Raciocínio Lógico-Matemático Noções de Direito Administrativo Noções de Direito
Matemática e Raciocínio Lógico-Matemático Língua Portuguesa Noções de Informática Noções de Direito Administrativo Noções de Direito Constitucional Noções
Noções de Direito Administrativo Informática Matemática e Raciocínio Lógico-Matemático Noções de Direito Constitucional Noções de Direito
Noções de Direito Constitucional Lógico-Matemático Noções de Direito Administrativo Noções de Direito Processual Civil Noções de Direito
Noções de Direito Processual Civil de Direito Administrativo Noções de Direito Constitucional Noções de Direito Processual Penal Noções de Regimento
Noções de Direito Processual Penal Noções de Direito Constitucional Noções de Direito Processual Civil Noções de Regimento Interno do TRF -
Noções de Regimento Interno do TRF - 1ª RegiãoNoções de Direito Constitucional Noções de Direito Processual Civil Noções de Direito Processual Penal

Penal Noções de Regimento Interno do TRF - 1ª Região

,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,

04/2016 – Editora Gran Cursos GS1: 789 86 2062 195 7 GG EDUCACIONAL LTDA SIA

04/2016 – Editora Gran Cursos

GS1: 789 86 2062 195 7

04/2016 – Editora Gran Cursos GS1: 789 86 2062 195 7 GG EDUCACIONAL LTDA SIA TRECHO

GG EDUCACIONAL LTDA

SIA TRECHO 3 LOTE 990, 3º ANDAR, EDIFÍCIO ITAÚ – BRASÍLIA-DF

CEP: 71.200-032

CONTATOS:

CAPITAIS E REGIÕES METROPOLITANAS

4007 2501

DEMAIS LOCALIDADES

0800 607 2500

faleconosco@editoragrancursos.com.br

AUTORES:

Bruno Pilastre

Henrique Sodré

Roberto Vasconcelos

J.W. Granjeiro / Rodrigo Cardoso

Ivan Lucas

Deusdedy Solano

PRESIDÊNCIA: Gabriel Granjeiro

DIRETORIA EXECUTIVA: Rodrigo Teles Calado

CONSELHO EDITORIAL: Bruno Pilastre e João Dino

DIRETORIA COMERCIAL: Ana Camila Oliveira

SUPERVISÃO DE PRODUÇÃO: Marilene Otaviano

DIAGRAMAÇÃO: Charles Maia, Oziel Candido da Rosa e Washington Nunes Chaves

REVISÃO: Carolina Fernandes, Emanuelle Alves Melo, Luciana Silva e Sabrina Soares

CAPA: Pedro Wgilson

AUTORES   BRUNO PILASTRE J. W. GRANJEIRO Mestre em Linguística pela Universidade de Brasília. Professor

AUTORES

 

BRUNO PILASTRE

J. W. GRANJEIRO

Mestre em Linguística pela Universidade de Brasília. Professor de Redação Discursiva e Interpretação de Textos. Autor dos livros Guia Prático de Língua Portuguesa e Guia de Redação Discursiva para Concursos pela editora Gran Cursos.

Reconhecido por suas obras, cursos e palestras sobre temas relativos à Administração Pública, é professor de Direito Administrativo e Administração Pública. Possui experiência de mais de 26 anos de regência, sendo mais de

23

anos preparando candidatos para concursos públicos e

17

de Serviço Público Federal, no qual desempenhou atri­

DEUSDEDY SOLANO

buições em cargos técnicos, de assessoramento e direção superior. Ex­professor da ENAP, ISC/TCU, FEDF e FGV/DF. Autor de 21 livros, entre eles: Direito Administrativo Sim­ plificado, Administração Pública - Ideias para um Governo Empreendedor e Lei nº 8.112/1990 Comentada. Recebeu diversos títulos, medalhas e honrarias. Des­ tacam­se os seguintes: Colar José Bonifácio de Andrada, patriarca da Independência do Brasil (SP/2005), Professor Nota 10 (Comunidade/2005), Comendador (ABACH/2003), Colar Libertadores da América (ABACH/2003), Gente que Faz (Tribuna 2003), Profissional de Sucesso (Correio Bra­ ziliense/2003), Medalha do Mérito D. João VI (Iberg/Ibem/ Fenai­Fibra/Aidf/Abi­DF/2006), Cidadão Honorário de Brasí­

lia (Câmara Legislativa do DF/2007), Empresário do Cora­ ção 2006, 2007, 2008, 2010, 2011 e 2012, Master in Busi­ ness Leadership 2006, 2007 e 2009 conferido pela World Confederation of Business.

Servidora efetiva da Polícia Civil do DF, exercendo a função de Escrivã, formada em Direito pela UNIDF (1997) e pós graduada em Processo Penal pela Universidade Gama Filho. Professora em diversos cursos preparatórios para concursos há mais de 15 anos. Autora, pela editora Gran Cursos, do livro Direito Processual Penal – Exercícios Gaba­ ritados.

HENRIQUE SODRÉ

Servidor efetivo do Governo do Distrito Federal desde 2005. Atualmente, é Gerente de Tecnologias de Transportes da Secretaria de Estado de Transportes do Distrito Federal. Atuou como Diretor de Tecnologia da Informação no perí­ odo de 2012 a 2013. Graduado em Gestão da Tecnologia da Informação e pós­graduando em Gestão Pública. Ministra aulas de informática para concursos desde 2003. Leciona nos principais cursos preparatórios do Distrito Federal. Autor do livro Noções de Informática pela editora Gran Cursos.

IVAN LUCAS

RODRIGO CARDOSO

Servidor do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região, o professor Rodrigo Cardoso é graduado em Direito pela Universidade Católica de Brasília e especialista em Direito Administrativo e Direito Constitucional. Professor de Direito Administrativo, Lei 8.112/90 e palestrante, possui grande experiência na preparação de candidatos a concursos públicos. É coautor do livro Direito Administrativo Simplificado com o professor J. W. Granjeiro.

ROBERTO VASCONCELOS

Pós­graduando em Direito de Estado pela Universidade Católica de Brasília, Ivan Lucas leciona Lei 8.112/90, Direito Administrativo e Direito do Trabalho. Ex­servidor do Superior Tribunal de Justiça, o professor atualmente é analista do Tri­ bunal Regional do Trabalho da 10ª Região. Possui grande experiência na preparação de candida­ tos a concursos públicos. É autor, pela Editora Gran Cursos, das obras: Direito do Trabalho para concursos – Teoria e Exercícios; Lei n. 8.112/90 comentada – 850 exercícios com gabarito comen­ tado; Lei n. 8.666/1993 – Teoria e Exercícios com gabarito comentado; Atos Administrativos – Teoria e Exercícios com gabarito comentado; 1.500 Exercícios de Direito Administra­ tivo; 1.000 Exercícios de Direito Constitucional; Legislação Administrativa Compilada, dentre outras.

Engenheiro Civil formado pela Universidade Fede­ ral de Goiás, pós­graduado em Matemática Financeira e Estatística. Leciona exclusivamente para concursos há 18 anos, ministrando: Matemática, Raciocínio Lógico e Estatís­ tica. Autor dos livros Matemática Definitiva para Concursos e Raciocínio Lógico Definitivo para Concursos pela editora GranCursos.

4
4

,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,

,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,

ÍNDICE GERAL

LÍNGUA PORTUGUESA

7

NOÇÕES DE INFORMÁTICA

89

MATEMÁTICA E RACIOCÍNIO LÓGICO-MATEMÁTICO

159

NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO

263

NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL

313

NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL

463

NOÇÕES DE REGIMENTO INTERNO DO TRF - 1ª REGIÃO

493

,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,

LÍNGUA PORTUGUESA

SUMÁRIO

ORTOGRAFIA OFICIAL

8

ACENTUAÇÃO GRÁFICA

11

FLEXÃO NOMINAL E VERBAL

18

CONCORDÂNCIA NOMINAL E VERBAL

26

REGÊNCIA NOMINAL E VERBAL

28

PRONOMES: EMPREGO, COLOCAÇÃO E FORMAS DE TRATAMENTO

32

EMPREGO DE TEMPOS E MODOS VERBAIS. VOZES DO VERBO. EMPREGO DO SINAL INDICATI- VO DE CRASE

25/30

PONTUAÇÃO

37

SINTAXE DA ORAÇÃO E DO PERÍODO

25

REDAÇÃO

37

COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS

40

,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,

PILASTREBRUNO

BRUNO PILASTRE

PILASTREBRUNO BRUNO PILASTRE PARTE 1 – GRAMÁTICA CAPÍTULO 1 – FONOLOGIA ORTOGRAFIA OFICIAL Iniciamos nossos

PARTE 1 – GRAMÁTICA

CAPÍTULO 1 – FONOLOGIA

ORTOGRAFIA OFICIAL

Iniciamos nossos trabalhos com o tema Ortografia Oficial. Sabemos que a correção ortográfica é requisito ele­ mentar de qualquer texto. Muitas vezes, uma simples troca de letras pode alterar não só o sentido da palavra, mas de toda uma frase. Em sede de concurso público, temos de estar atentos para evitar descuidos. Nesta seção, procuraremos sanar principalmente um tipo de erro de grafia: o que decorre do emprego inade­ quado de determinada letra por desconhecimento da grafia da palavra. Antes, porém, vejamos a distinção entre o plano sonoro da língua (seus sons, fonemas e sílabas) e a representação gráfica (escrita/grafia), a qual inclui sinais gráficos diversos, como letras e diacríticos.

É importante não confundir o plano sonoro da língua

com sua representação escrita. Você deve observar que a representação gráfica das palavras é realizada pelo sis- tema ortográfico, o qual apresenta características especí­ ficas. Essas peculiaridades do sistema ortográfico são res­ ponsáveis por frequentes divergências entre a forma oral

(sonora) e a forma escrita (gráfica) da língua. Vejamos três casos importantes:

I – Os dígrafos: são combinações de letras que repre­ sentam um só fonema. II – Letras diferentes para representar o mesmo fone­ ma.

III – Mesma letra para representar fonemas distintos.

Para ilustrar, selecionamos uma lista de palavras para representar cada um dos casos. O quadro a seguir apre­ senta, na coluna da esquerda, a lista de palavras; na coluna da direita, a explicação do caso.

Exemplos

Explicação do caso

Achar

Temos, nessa lista de palavras, exemplos de dígra­ fos. Em achar, as duas letras (ch) representam um único som (fricativa pós­alveolar surda). O mesmo vale para a palavra quilo, em que o as duas letras (qu) representam o som (oclusiva velar surda).

Quilo

Carro

Santo

Exato

Nessa lista de palavras, encontramos três letras diferentes (x, z e s) para representar o mesmo fonema (som): fricativa alveolar sonora.

Rezar

Pesar

Xadrez

Mesma letra para representar fonemas distintos. A letra x pode representar cinco sons distintos: (i) con­ soante fricativa palatal surda; (ii) grupo consonantal [cs]; (iii) grupo consonantal [gz]; (iv) consoante frica­ tiva linguodental sonora [z]; e consoante fricativa côncava dental surda.

Fixo

Hexacanto

Exame

Próximo

Há, também, letras que não representam nenhum fonema, como nas palavras hoje, humilde, hotel.

DICA PARA A PROVA!

Os certames costumam avaliar esse conteúdo da se­ guinte forma:

1. O vocábulo cujo número de letras é igual ao de fone­ mas está em:

a. casa.

b. hotel.

c. achar.

d. senha.

e. grande.

Resposta: item (a).

Palavras-chave!

Fonema: unidade mínima das línguas naturais no nível fonê­

mico, com valor distintivo (distingue morfemas ou palavras com significados diferentes, como faca e vaca). Sílaba: vogal ou grupo de fonemas que se pronunciam numa só emissão de voz, e que, sós ou reunidos a outros, formam pala­ vras. Unidade fonética fundamental, acima do som. Toda sílaba

é constituída por uma vogal.

Escrita: representação da linguagem falada por meio de signos gráficos. Grafia: (i) representação escrita de uma palavra; escrita, trans­ crição; (ii) cada uma das possíveis maneiras de representar por escrito uma palavra (inclusive as consideradas incorretas); por

exemplo, Ivan e Ivã; atrás (grafia correta) e atraz (grafia incor­ reta); farmácia (grafia atual) e pharmacia (grafia antiga); (iii) transcrição fonética da fala, por meio de um alfabeto fonético ('sistema convencional'). Letra: cada um dos sinais gráficos que representam, na transcri­ ção de uma língua, um fonema ou grupo de fonemas. Diacrítico: sinal gráfico que se acrescenta a uma letra para conferir-lhe novo valor fonético e/ou fonológico. Na ortografia do português, são diacríticos os acentos gráficos, a cedilha, o trema

e o til.

EMPREGO DAS LETRAS

EMPREGO DE VOGAIS

As vogais na língua portuguesa admitem certa varie­ dade de pronúncia, dependendo de sua intensidade (isto é, se são tônicas ou átonas), de sua posição na sílaba etc. Por haver essa variação na pronúncia, nem sempre a memó­ ria, baseada na oralidade, retém a forma correta da grafia, a qual pode ser divergente do som. Como podemos solucionar esses equívocos? Temos de decorar todas as palavras (e sua grafia)? Não. A leitura e a prática da escrita são atividades fundamentais para evitar erros.

Encontros consonantais

Por encontro consonantal consideramos o agrupa­ mento de consoantes numa palavra. O encontro consonan­ tal pode ocorrer na mesma sílaba (denominado encontro consonantal real) ou em sílabas diferentes (denominado encontro consonantal puro e simples). Vejamos exemplos de encontros consonantais:

br – braço bm – submeter

8
8

,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,

LÍNGUA PORTUGUESA

LÍNGUA PORTUGUESA cr – escravo bj – objeto gn – digno pt – réptil Dígrafos Denominamos

cr – escravo bj – objeto gn – digno pt – réptil

Dígrafos

Denominamos dígrafos o grupo de duas letras usadas para representar um único fonema. No português, são dígra­ fos: ch, lh, nh, rr, ss, sc, , xc; incluem­se também am,

an, em, en, im, in, om, on, um, un (que representam vogais nasais), gu e qu antes de e e de i, e também ha, he, hi, ho, hu e, em palavras estrangeiras, th, ph, nn, dd, ck, oo etc. É importante observar a distinção entre encontro con- sonantal e dígrafo:

(i) o encontro consonantal equivale a dois fonemas; o

dígrafo equivale a um só fonema.

(ii) o encontro consonantal é formado sempre por duas

consoantes; o dígrafo não precisa ser formado necessaria­ mente por duas consoantes.

Palavra-chave!

Consoante: som da fala que só é pronunciável se forma sílaba com vogal (tirante certas onomatopeias, à margem do sistema fonológico de nossa língua: brrr!, cht!, pst!). Esta definição fun­ cional é válida para o português, mas não para outras línguas, em que há sons passíveis de pertencer à categoria das conso­ antes ou à das vogais. Diz­se de ou letra que representa fonema dessa classe. Do ponto de vista articulatório, há consoante quando a corrente de ar encontra, na cavidade bucal, algum tipo de empecilho, seja total (oclusão), seja parcial (estreitamento).

Separação silábica

O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa afirma que a Separação Silábica (Base XX – Da divisão silábica) faz­ se, em regra, pela soletração, como nos exemplos a seguir:

abade:

a­ba­de

bruma:

bru­ma

cacho:

ca­cho

malha:

ma­lha

manha:

ma­nha

máximo:

má­xi­mo

óxido:

ó­xi­do

roxo:

ro­xo

tmese:

tme­se

Assim, a separação não tem de atender:

(i)

aos

elementos

constitutivos

dos

segundo a etimologia:

a­ba­li­e­nar

bi­sa­vô

de­sa­pa­re­cer

di­sú­ri­co

e­xâ­ni­me

hi­pe­ra­cú­sti­co

i­ná­bil

o­bo­val

vocábulos

su­bo­cu­lar

su­pe­rá­ci­do

(ii) ou à estruturação morfológica da palavra:

in­fe­liz­men­te

A separação silábica ocorre quando se tem de fazer, em fim de linha, mediante o emprego do hífen, a partição de uma palavra. Vejamos alguns preceitos par­ ticulares em relação à separação (segundo a Base XX do Acordo Ortográfico de 1990):

1º. São indivisíveis no interior da palavra, tal como ini­ cialmente, e formam, portanto, sílaba para a frente as sucessões de duas consoantes que constituem perfeitos grupos, ou seja, aquelas sucessões em que a primeira consoante é uma labial, uma velar, uma dental ou uma labiodental e a segunda um l ou um r: a­blução, cele­brar,

du­plicação, re­primir, a­clamar, de­creto, de­glutição, re­ -grado; a-tlético, cáte-dra, períme-tro; a-fluir, a-fricano, ne­vrose. Com exceção apenas de vários compostos cujos prefixos terminam em b, ou d:

ab­ legação

ad­ ligar

sub­ lunar

em vez de

a­blegação

a­dligar

su­blunar

2º. São divisíveis no interior da palavra as sucessões de duas consoantes que não constituem propriamente grupos e igual­ mente as sucessões de m ou n, com valor de nasalidade, e uma consoante:

ab­dicar

ét­nico

Ed­gardo

rit­mo

op­tar

sub­meter

sub­por

am­nésico

ab­soluto

interam­nense

ad­jetivo

bir­reme

af­ta

cor­roer

bet­samita

pror­rogar

íp­silon

as­segurar

ob­viar

bis­secular

des­cer

sos­segar

dis­ciplina

bissex­to

flores-cer

contex­to

nas­cer

ex­citar

res­cisão

atroz­mente

ac­ne

capaz­mente

ad­mirável

infeliz­mente

Daf­ne

am­bição

diafrag­ma

desen­ganar

drac­ma

en­xame

man­chu

Mân­lio

,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,

9
9

BRUNO PILASTRE

PILASTREBRUNO

BRUNO PILASTRE PILASTREBRUNO 3º. As sucessões de mais de duas consoantes ou de m ou n,
3º. As sucessões de mais de duas consoantes ou de m ou n, com o
3º. As sucessões de mais de duas consoantes ou de m ou
n, com o valor de nasalidade, e duas ou mais consoantes
são divisíveis por um de dois meios: se nelas entra um
dos grupos que são indivisíveis (de acordo com o preceito
(1º), esse grupo forma sílaba para diante, ficando a con­
soante ou consoantes que o precedem ligadas à sílaba
anterior; se nelas não entra nenhum desses grupos, a
divisão dá­se sempre antes da última consoante. Exem­
plos dos dois casos:
→ cam­braia
→ ec­tlipse
→ em­blema
→ ex­plicar
→ in­cluir
→ ins­crição
→ subs­crever
→ trans­gredir
→ abs­tenção
→ disp­neia
→ inters­telar
→ lamb­dacismo
→ sols­ticial
→ Terp­sícore
→ tungs­tênio

4º. As vogais consecutivas que não pertencem a ditongos decrescentes (as que pertencem a ditongos deste tipo nunca se separam: ai-roso, cadei-ra, insti-tui, ora-ção, sacris-tães, traves-sões) podem, se a primeira delas não é u precedido de g ou q, e mesmo que sejam iguais, separar­se na escrita:

→ ala­úde → áre­as → ca­apeba → co­ordenar → do­er → flu-idez → perdo­as →
→ ala­úde
→ áre­as
→ ca­apeba
→ co­ordenar
→ do­er
→ flu-idez
→ perdo­as
→ vo­os
O mesmo se aplica aos casos de contiguidade de diton­
gos, iguais ou diferentes, ou de ditongos e vogais:
→ cai­ais
→ cai­eis
→ ensai­os
→ flu-iu

5º. Os digramas gu e qu, em que o u se não pronuncia, nunca se separam da vogal ou ditongo imediato (ne-gue, ne-guei; pe-que, pe-quei), do mesmo modo que as com­ binações gu e qu em que o u se pronuncia:

á­gua

ambí­guo

averi­gueis

longín­quos

lo­quaz

quais­quer

. Na translineação de uma palavra composta ou de uma combinação de palavras em que há um hífen, ou mais, se a partição coincide com o final de um dos elementos ou

membros, deve, por clareza gráfica, repetir-se o hífen no início da linha imediata:

ex­ ­alferes

serená­ ­los­emos ou serená­los­ ­emos

vice­ ­almirante

Apesar de relativamente complexas, as regras enume­ radas na Base XX do Novo Acordo Ortográfico possuem um elemento em comum, a saber:

Toda sílaba é nucleada por uma vogal.

Tradicionalmente, observamos essas regras, as quais são simplificadas:

Regra

Exemplo

Não se separam os ditongos e tri- tongos.

foi­ce, a­ve­ri­guou.

Não se separam os dígrafos ch, lh, nh, gu, qu.

cha­ve, ba­ra­lho, ba­nha, fre­guês, quei­xa

Não se separam os encontros con­ sonantais que iniciam sílaba.

psi­có­lo­go, re­fres­co

Separam­se as vogais dos hiatos.

ca­a­tin­ga, fi­el, sa­ú­de

Separam­se as letras dos dígra­ fos rr, ss, sc, e xc.

car­ro, pas­sa­re­la, des- ­cer, nas­ço, ex­ce­len­te

Separam­se os encontros con­ sonantais das sílabas internas, excetuando­se aqueles em que a segunda consoante é l ou r.

ap­to, bis­ne­to, con­vic- ­ção, a­brir, a­pli­car

PROSÓDIA (BOA PRONÚNCIA)

A prosódia é a parte da gramática tradicional que se dedica às características da emissão dos sons da fala, como o acento e a entonação. Observe algumas orientações em relação à posição da sílaba tônica:

(i)

São oxítonas (última sílaba tônica):

cateter

faz­se mister (= necessário)

Nobel

ruim

ureter

(ii)

São paroxítonas (penúltima sílaba tônica):

âmbar

caracteres

recorde

filantropo

gratuito (ui ditongo)

misantropo

(iii) São palavras que admitem dupla prosódia:

acróbata ou acrobata

Oceânia ou Oceania

ortoépia ou ortoepia

projétil ou projetil

réptil ou reptil

10
10

,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,

LÍNGUA PORTUGUESA

LÍNGUA PORTUGUESA USO DA LETRA MAIÚSCULA INICIAL (i) nos antropônimos, reais ou fictícios: → Pedro Marques

USO DA LETRA MAIÚSCULA INICIAL

(i)

nos antropônimos, reais ou fictícios:

Pedro Marques

Branca de Neve

(ii)

nos topônimos, reais ou fictícios:

Lisboa

Atlântida

(iii) nos nomes de seres antropomorfizados ou mitoló­ gicos:

Adamastor

Netuno

(iv)

nos nomes que designam instituições:

Instituto de Pensões e Aposentadorias da Previ- dência Social

(v)

nos nomes de festas e festividades:

Natal

Páscoa

Ramadão

(vi)

nos títulos de periódicos, que retêm o itálico:

O Estado de São Paulo

(vii) Em siglas, símbolos ou abreviaturas internacionais ou nacionalmente reguladas com maiúsculas, iniciais ou mediais ou finais ou o todo em maiúscula:

FAO

ONU

Sr.

V. Exª.

USO DA LETRA MINÚSCULA INICIAL

(i) ordinariamente, em todos os vocábulos da língua

nos usos correntes;

(ii)

nos nomes dos dias, meses, estações do ano:

segunda-feira

outubro

primavera

(iii)

nos bibliônimos (nome, título designativo ou intitula­

tivo de livro impresso ou obra que lhe seja equiparada) (após o primeiro elemento, que é com maiúscula, os demais vocá­ bulos podem ser escritos com minúscula, salvo nos nomes próprios nele contidos, tudo em grifo):

O senhor do Paço de Ninães ou O senhor do paço de Ninães.

Menino de Engenho ou Menino de engenho.

(iv)

nos usos de fulano, sicrano, beltrano.

(v)

nos pontos cardeais (mas não nas suas abreviaturas):

norte, sul (mas SW = sudoeste)

(vi) nos axiônimos (nome ou locução com que se presta

reverência a determinada pessoa do discurso) e hagiônimos (designação comum às palavras ligadas à religião) (opcio­

nalmente, nesse caso, também com maiúscula):

senhor doutor Joaquim da Silva

bacharel Mário Abrantes

o cardeal Bembo

santa Filomena (ou Santa Filomena)

(vii) nos nomes que designam domínios do saber, cursos

e disciplinas (opcionalmente, também com maiúscula):

português (ou Português).

COMO ABREVIAR

(i) Comumente, as abreviaturas são encerradas por

consoante seguida de ponto final:

Dr. (Doutor)

Prof. (Professor)

(ii)

Mas os símbolos científicos e as medidas são abre­

viados sem ponto; no plural, não há s final:

m (metro ou metros)

h (8h = oito horas. Quando houver minutos: 8h30min ou 8h30)

P (Fósforo – símbolo químico)

(iii)

São mantidos os acentos gráficos, quando existirem:

pág. (página)

séc. (século)

(iv) É aconselhável não abreviar nomes geográficos:

Santa Catarina (e não S. Catarina)

São Paulo (e não S. Paulo)

Porto Alegre (e não P. Alegre )

ACENTUAÇÃO GRÁFICA

Quatro diacríticos (sinal gráfico que se acrescenta a uma letra para conferir­lhe novo valor fonético e/ou fono­ lógico) compõem a acentuação gráfica: o acento agudo, o acento grave, o acento circunflexo e, acessoriamente, o til. Vejamos, em síntese, as características de cada um.

(i) o agudo (´), para marcar a tonicidade das vogais

a (paráfrase, táxi, já), i (xícara, cível, aí) e u (cúpula, júri, miúdo); e a tonicidade das vogais abertas e (exército, série, fé) e o (incólume, dólar, só);

(ii) o grave (`), utilizada sobretudo para indicar a ocor­

rência de crase, isto é, a ocorrência da preposição a com o artigo feminino a ou os demonstrativos a, aquele(s), aquela(s), aquilo;

(iii) o circunflexo (^), para marcar a tonicidade da vogal

a nasal ou nasalada (lâmpada, câncer, espontâneo), e das

vogais fechadas e (gênero, tênue, português) e o (trôpego, bônus, robô);

(iv) e acessoriamente o til (~), para indicar a nasalidade

(e em geral a simultânea tonicidade) em a e o (cristã, cristão, pães, cãibra; corações, põe(s), põem).

A seguir há as principais regras apresentadas pelo Novo Acordo de 1990. É uma tabela muito importante, a qual deve ser estudada cuidadosamente.

,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,

11
11

PILASTREBRUNO

BRUNO PILASTRE

PILASTREBRUNO BRUNO PILASTRE Assunto   O acordo de 1990 Alfabeto O alfabeto é formado por vinte

Assunto

 

O acordo de 1990

Alfabeto

O alfabeto é formado por vinte e seis (26) letras:

 

a, b, c, d, e, f, g, h, i, j, k, l, m, n, o, p, q, r, s, t, u, v, w, x, y, z

Sequências

con-

 

O acordo de 1990 afirma que, nos países de língua portuguesa oficial, a ortografia de palavras com consoantes

sonânticas

“mudas” passa a respeitar as diferentes pronúncias cultas da língua, ocasionando um aumento da quantidade de palavras com dupla grafia. Pode-se grafar:

fato e facto (em que há dupla grafia e dupla pronúncia)

aspecto e aspeto (dupla pronúncia e dupla grafia)

Acentuação grá- fica – Oxítonas

Primeiramente, observa­se que as regras de nas.

acentuação dos monossílabos tônicos são as mesmas das oxíto-

São assinaladas com acento agudo as palavras oxítonas que terminam nas vogais tônicas abertas a, e, o, e com acento circunflexo as que acabam nas vogais tônicas fechadas e, o, seguidas ou não de s:

fubá

cafés

bobó

mercês

babalaô

 

As palavras oxítonas cuja vogal tônica, nas dupla grafia:

pronúncias cultas da língua, possui variantes (ê, é, ó, ô) admitem

matinê ou matiné

cocô ou cocó

São assinaladas com acento gráfico as formas verbais que se tornam oxítonas terminadas em a, e, o, em virtude da conjugação com os pronomes lo(s):

dá-la

amá-la-ás

sabê-lo

dispô-lo

É assinalado com acento agudo o e das terminações em, ens das palavras oxítonas com mais de uma sílaba

(exceto as formas da 3ª pessoa do plural do presente do indicativo dos verbos ter, vir e seus derivados, que são marcadas com acento circunflexo):

também

parabéns

(eles) contêm

(elas) vêm

Acentuação grá- fica – Paroxítonas

São assinalados com acento agudo os ditongos tônicos éi, éu, ói, sendo os dois últimos (éu, ói) seguidos ou não de s:

 

fiéis

réus

heróis

Não se usa acento gráfico para distinguir oxítonas homógrafas:

colher (verbo)

colher (substantivo)

A

exceção é a distinção entre pôr (verbo) e por (preposição)

São assinaladas com acento gráfico as paroxítonas terminadas em:

a) l, n, r, x, ps (e seus plurais, alguns dos quais passam a proparoxítonas):

lavável

plânctons

açúcar

ônix

bíceps

As exceções são as formas terminadas em ens (hifens e liquens), as quais não são acentuadas graficamente.

b)

ã(s), ão(s), ei(s), i(s) um, uns, us:

órfã(s)

sótão(s)

jóquei(s)

fórum

álbum

vírus

bílis

O

acento será agudo se na sílaba tônica houver as vogais abertas a, e, o, ou ainda i, u e será circunflexo se houver

as vogais fechadas a, e, o.

12
12

,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,

LÍNGUA PORTUGUESA

LÍNGUA PORTUGUESA   Observa­se que as paroxítonas cuja vogal tônica, nas pronúncias cultas da língua, possui
 

Observa­se que as paroxítonas cuja vogal tônica, nas pronúncias cultas da língua, possui variantes (ê, é, ô, ó) admitem dupla grafia:

 

fêmur ou fémur

ônix ou ónix

pônei ou pónei

Vênus ou Vénus

Não são assinalados com acento gráfico os

ditongos ei e oi de palavras paroxítonas:

estreia

ideia

paranoico

jiboia

Não são assinaladas com acento gráfico as creem, desdeem, releem, reveem etc.

formas verbais creem, deem, leem, veem e seus derivados: des-

Não é assinalado com acento gráfico o penúltimo o do hiato oo(s):

voo

enjoos

Não são assinaladas com acento gráfico as

palavras homógrafas:

para (verbo) para (preposição)

pela(s) (substantivo) pela (verbo) pela (per + la(s))

pelo(s) (substantivo) pelo (verbo) pelo (per + lo(s))

polo(s) substantivo polo (por + lo(s))

A

exceção é a distinção entre as formas pôde (3ª pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo) e pode

(3ª pessoa do singular do presente do indicativo).

Observação 1: assinalam-se com acento circunflexo, facultativamente, as formas:

dêmos (1ª pessoa do plural do presente

do subjuntivo)

demos (1ª pessoa do plural do pretérito

perfeito do indicativo)

fôrma (substantivo)

forma (substantivo; verbo)

Observação 2: assinalam­se com acento agudo, facultativamente, as formas verbais do tipo:

amámos (pretérito perfeito do indicativo)

amamos (presente do indicativo)

louvámos (pretérito perfeito do indicativo)

louvamos (presente do indicativo)

Oxítonas e Paroxí- tonas

 

São assinaladas com acento agudo as vogais tônicas i e u das palavras oxítonas e paroxítonas que constituem

o

2º elemento de um hiato e não são seguidas de l, m, n, nh, r, z:

 

país

ruins

saúde

rainha

Observações:

1) Incluem­se nessa regra as formas oxítonas dos verbos em air e uir em virtude de sua conjugação com os

pronomes lo(s), la(s):

atraí-las

possuí-lo-ás

2) Não são assinaladas com acento agudo as palavras oxítonas cujas vogais tônicas i e u são precedidas de ditongo crescente:

baiuca

boiuna

feiura

3) São assinaladas com acento agudo as palavras oxítonas cujas vogais tônicas i e u são precedidas de ditongo

crescente:

Piauí

tuiuiús

4) Não são assinalados com acento agudo os ditongos tônicos iu, ui precedidos de vogal:

distraiu

pauis

,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,

13
13

BRUNO PILASTRE

PILASTREBRUNO

BRUNO PILASTRE PILASTREBRUNO     Não se assinala com acento agudo o u tônico de formas
   

Não se assinala com acento agudo o u tônico de formas rizotônicas de arguir e redarguir:

 

arguis

 

argui

redarguam

Observações:

1)

Verbos como aguar, apaziguar, apropinquar, delinquir possuem dois paradigmas:

a)

com o u tônico em formas rizotônicas sem acento gráfico:

averiguo

ague

b)

com o a ou o i dos radicais tônicos acentuados graficamente:

averíguo

águe

2)

Verbos terminados em -ingir e -inguir cujo u não é pronunciado possuem grafias regulares.

atingir; distinguir

 

atinjo; distinguimos

Acentuação

grá-

 

Todas as palavras proparoxítonas são acentuadas com acento gráfico:

 

fica

Proparoxí-

rápido

tonas

 

cênico

 

místico

meândrico

cômodo

Trema

   

O

trema (¨) é totalmente eliminado das palavras portuguesas ou aportuguesadas:

 
 

delinquir

cinquenta

tranquilo

linguiça

O

trema é usado em palavras derivadas de nomes próprios estrangeiros com trema:

mülleriano, de Müller

 

Hífen

 

O

hífen é usado em compostos, locuções e encadeamentos vocabulares.

 

O

Acordo de 1990 observa que são escritas aglutinadamente palavras em que o falante contemporâneo perdeu a

noção de composição:

 

paraquedas

 

mandachuva

Emprega­se o hífen nos seguintes topônimos:

­ iniciados por grã e grão: Grão-Pará

 

­ iniciados por verbo: Passa-Quatro

­ cujos elementos estejam ligados por artigo:

Baía de todos-os-Santos

Os demais topônimos compostos são escritos separados e sem hífen: Cabo Verde. As exceções são: Guiné- -Bissau e Timor-Leste.

 

Emprega­se o hífen em palavras compostas que designam espécies botânicas e zoológicas:

 

couve-flor

 

bem-te-vi

Emprega­se o hífen para ligar duas ou mais palavras que ocasionalmente se combinam, formando encadeamen­ tos vocabulares:

ponte Rio-Niterói

 

Hífen – síntese das regras do uso do hífen no caso de prefixos e falsos prefixos

 

Primeiro elemento

   

Segundo elemento

aero

di

ili/ilio

mono

psico

 

a) iniciado por vogal igual à vogal final do 1º elemento b) iniciado por h

agro

eletro

infra

morfo

retro

(‘terra’)

entre

intra

multi

semi

   

alfa

extra

iso

nefro

sobre

ante

foto

lacto

neo

supra

anti

gama

lipo

neuro

lete

arqui

geo

macro

paleo

tetra

auto

giga

maxi

peri

tri

beta

hetero

mega

pluri

ultra

bi

hidro

meso

poli

bio

hipo

micro

proto

contra

homo

mini

pseudo

14
14

,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,

LÍNGUA PORTUGUESA

LÍNGUA PORTUGUESA ab ob sob sub     iniciado por b , h , r  

ab ob sob sub

   

iniciado por b, h, r

 

co (‘com’)

   

iniciado por h (a ABL sugere eliminar essa letra, passando­se a grafar, assim, coerdar, coerdeiro, coipônimo etc.)

ciber

 

iniciado por h, r

 

inter

super

 

nuper

hiper

ad

 

iniciado por d, h, r

 

pan

 

a) iniciado por vogal

 

b) iniciado por h, m, n [diante de b e p passa a pam]

circum

 

a) iniciado por vogal

 

b) iniciado por h, m, n [aceita formas aglutinadas como circu e circum]

além aquém ex (“cessamento ou “estado anterior”) recém

sem

 

qualquer (sempre)

 

sota

soto

 

vice

pós

 

sempre que conservem autonomia vocabular

pré

pró

DISTINÇÕES

 

Ela reclama porque é carente. [conjunção causal] Ela devia estar com fome, porque estava branca. [conjunção explicativa – equivale a pois] O preso fugiu porque dopou o guarda? [pergunta que propõe uma causa possível, limitando a resposta a sim ou não]

 

Distinção entre a, à, e á

(I) a. A palavra a pode ser:

(i) artigo feminino singular:

Eu comprei a roupa ontem. A menina mais bonita da rua.

   

(II)

porquê: a forma porquê é substantivo e equivale

 

(ii)

pronome:

(é sinônimo) a causa, motivo, razão. É acentuada por ser uma palavra tônica:

Não sabemos o porquê da demissão de José.

Mara é muito próxima da família, mas não a vejo há meses.

 

(iii)

preposição:

[equivale a: Não sabemos o motivo/a causa/a razão da demissão de José]

Andar a cavalo é sempre prazeroso.

   

(III)

por que: a forma por que (com duas palavras) é

à. A palavra à (com o acento grave) é utilizada

quando ocorre a contração da preposição a com o artigo feminino a:

João assistiu à cena estarrecido. [assistir a (preposição) + a cena (artigo feminino)].

(II)

utilizada quando:

(i) significa pelo qual (e flexões pela qual, pelas quais, pelos quais). Nesse significado, a palavra que é pronome relativo. Não revelou o motivo por que não compareceu à aula. [Não revelou o motivo pelo qual não compareceu à

aula]

 

(III)

três meses não chove no interior do Pará. [= faz] Não mais violência no centro da cidade. [= existe] Na BR040 muitos acidentes fatais. [= acontecem]

. A palavra é uma forma do verbo haver:

 
 

(ii)

equivale a por qual, por quais. Nessas formas, a

forma que é pronome indefinido. Ela sempre quis saber por que motivo raspei o cabelo.

   

(iii)

a forma por que é advérbio interrogativo. Nessa

 

(IV) á. A palavra á é um substantivo e designa a letra a:

estrutura, é possível subentender uma das palavras motivo, causa, razão. Por que [motivo] faltou à aula?

Está provado por á mais bê que o vereador estava errado.

 

Distinção entre porque, porquê, por que e por quê

 

(iv)

a forma por que faz parte de um título.

 

Por que o ser humano chora.

Estes são os usos das formas porque, porquê, por que e por quê:

(IV)

por quê: a forma por quê (com duas palavras e

 

(I)

porque: a forma porque pode ser uma conjunção

acentuada) é usada após pausa acentuada ou em final de frase. Estavam no meio daquela bagunça sem saber por quê.

(causal ou explicativa) ou uma pergunta que propõe uma causa possível, limitando a resposta a sim ou não:

,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,

15
15

PILASTREBRUNO

BRUNO PILASTRE

PILASTREBRUNO BRUNO PILASTRE Distinção entre acerca de e cerca de A torre eminente é a mais

Distinção entre acerca de e cerca de

A

torre eminente é a mais fotografada.

(I)

A locução acerca de equivale a a respeito de,

(ii)

que se destaca por sua qualidade ou importância;

sobre. Por exemplo:

excelente, superior:

Nós, linguistas, pouco conhecemos acerca da origem da linguagem. [= sobre a origem da linguagem – a respeito da origem da linguagem]

O

mestre eminente era seguido por todos.

(II)

O adjetivo iminente, por sua vez, tem o seguinte

significado:

 

(II) A locução cerca de tem valor de aproximada- mente, quase:

Iminente: o que ameaça se concretizar, que está a ponto de acontecer; próximo, imediato:

Cerca de duas horas depois da missa o pároco faleceu. [= aproximadamente duas horas depois – quase duas horas depois].

O

desabamento iminente é o que mais preocupa as

autoridades.

 

O

edital iminente deixa os candidatos ansiosos.

Distinção entre ao encontro de e de encontro a

Distinção entre mas e mais

(I) A locução ao encontro de possui o significado equi­ valente às expressões em direção a, a favor de. Veja os exemplos:

Na escrita, é muito comum haver a troca da forma mas

pela forma mais. Os estudantes produzem frases como:

O

país é rico, mais a gestão pública é ineficiente.

Os vândalos saíram ao encontro dos policiais, que fechavam a avenida. [= em direção a] Com a decisão da Presidente Dilma, o governo vai ao encontro das reivindicações da população. [= a favor de]

Na oralidade, o fenômeno é comum em formas seme­ lhantes à palavra mas:

faz/fa(i)z;

 

paz/pa(i)z;

nós/(i)s.

(II)

A locução de encontro a é antônima à locução ao

É

preciso, porém, distinguir as duas formas, pois na

encontro de. De encontro a significa choque, oposição, sendo equivalente à forma contra. Observe a frase a seguir:

frase O país é rico, mais a gestão pública é ineficiente há inadequação, uma vez que se deve utilizar a forma mas: O

O caminhão perdeu os freios e foi de encontro ao carro do deputado.

país é rico, mas a gestão pública é ineficiente.

A

distinção das duas formas é a seguinte:

[= contra] A decisão do governo foi de encontro aos desejos do Movimento Passe Livre. [= contrariou]

(I) A palavra mas é conjunção que exprime principal­ mente oposição, ressalva, restrição:

O

carro não é meu, mas de um amigo.

Distinção entre aonde e onde

(II)

A palavra mais é advérbio e traduz a ideia de

aumento, superioridade, intensidade:

(I) A forma aonde é a contração da preposição a com do advérbio onde. Emprega­se com verbos que denotam movi­ mento e regem a preposição a (verbos ir, chegar, levar):

Ele sempre pensa em ganhar mais dinheiro. Ele queria ser mais alto que os outros.

Aonde os manifestantes querem chegar? [verbo chegar]. Os investigadores descobriram aonde as crianças eram levadas. [verbo levar].

Distinção entre se não e senão

(I)

A forma se não (separado) é usada quando o se

pode ser substituído por caso ou na hipótese de que:

Se não perdoar, não será perdoado.

(II) O advérbio onde é utilizado com verbos que não denotam movimento e não regem a preposição a:

[se não = caso não. É conjunção condicional] Se não chover, viajarei amanhã. [se não = na hipótese de que não]

Onde mora o presidente da Colômbia? [verbo morar] Os investigadores descobriram onde o dinheiro era lavado. [verbo lavar]

Distinção entre eminente e iminente

Também há o uso da forma se não como conjunção condicional, equivalendo a quando não:

A

grande maioria, se não a totalidade dos acidentes de

trabalho, ocorre com operários sem equipamentos de segu­ rança. [se não = quando não]

 

(II)

A palavra senão (uma única palavra) possui as

Os adjetivos eminente e iminente são parônimos (são quase homônimos, diferenciando­se ligeiramente na grafia e na pronúncia).

seguintes realizações:

(i) É conjunção e significa:

(I) O adjetivo eminente tem os seguintes significados:

 

(a)

de outro modo; do contrário:

(i) muito acima do que o que está em volta; proemi­

Coma, senão ficará de castigo.

nente, alto, elevado:

 

(b)

mas, mas sim, porém:

16
16

,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,

LÍNGUA PORTUGUESA

LÍNGUA PORTUGUESA Não obteve aplausos, senão vaias. (ii) É preposição quando equivale a com exceção de

Não obteve aplausos, senão vaias.

(ii) É preposição quando equivale a com exceção de, salvo, exceto:

Todos, senão você, gostam de bolo.

(iii) É substantivo masculino e significa pequena imper- feição; falha, defeito, mácula:

Não há qualquer senão em sua prova.

Para concluir nossos estudos sobre Fonologia, vamos ler uma reportagem sobre o Acordo Ortográfico, a qual foi publicada no dia 28 de dezembro de 2012, no jornal Folha de São Paulo.

GOVERNO ADIA PARA 2016 INÍCIO DO ACORDO ORTO- GRÁFICO

O governo federal adiou para 2016 a obrigatoriedade

do uso do novo acordo ortográfico. A decisão foi publicada nesta sexta-feira no "Diário Oficial da União".

A implantação das novas regras, adotadas pelos seto­

res público e privado desde 2009, estavam previstas para o

próximo dia 1º de janeiro. A reforma ortográfica altera a grafia de cerca de 0,5% das palavras em português. Até a data da obrigatoriedade, tanto a nova norma como a atual poderão ser usadas.

O adiamento de três anos abre brechas para que novas

mudanças sejam propostas. Isso significa que, embora jor­ nais, livros didáticos e documentos oficiais já tenham ado­ tado o novo acordo, novas alterações podem ser implemen­ tadas ou até mesmo suspensas.

Diplomacia

A decisão é encarada como um movimento diplomático,

uma vez que o governo, diz o Itamaraty, quer sincronizar as mudanças com Portugal.

O país europeu concordou oficialmente com a reforma

ortográfica, mas ainda resiste em adotá-la. Assim como o

Brasil, Portugal ratificou em 2008 o acordo, mas definiu um período de transição maior. Não há sanções para quem desrespeitar a regra, que é, na prática, apenas uma tentativa de uniformizar a grafia no Brasil, Portugal, nos países da África e no Timor­Leste.

A intenção era facilitar o intercâmbio de obras escritas no

idioma entre esses oito países, além de fortalecer o peso do idioma em organismos internacionais.

"É muito difícil querer que o português seja língua oficial

nas Nações Unidas se vão perguntar: Qual é o português que vocês querem?", afirma o embaixador Pedro Motta, represen­ tante brasileiro na CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa).

na CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa). (Folha de São Paulo) (Folha de São Paulo)

(Folha de São Paulo)

dos Países de Língua Portuguesa). (Folha de São Paulo) (Folha de São Paulo) 17

(Folha de São Paulo)

17
17

,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,

BRUNO PILASTRE

PILASTREBRUNO

BRUNO PILASTRE PILASTREBRUNO CAPÍTULO 2 – MORFOLOGIA (Folha de São Paulo) Em morfologia, dois processos são
BRUNO PILASTRE PILASTREBRUNO CAPÍTULO 2 – MORFOLOGIA (Folha de São Paulo) Em morfologia, dois processos são

CAPÍTULO 2 – MORFOLOGIA

(Folha de São Paulo)

Em morfologia, dois processos são importantes: a flexão e a derivação.

Flexão: processo morfológico que consiste no emprego de diferentes afixos acrescentados aos radicais ou aos temas (nominais, verbais etc.) das palavras variáveis para exprimir as categorias gramaticais (número, gênero, pessoa, caso, tempo etc.).

Derivação: processo pelo qual se originam vocábulos uns de outros, mediante a inserção ou extração de afixos.

Kehdi (1993) classifica os seguintes tipos de morfemas em português:

Classificação de caráter formal (destaque para o significante)

Classificação de base funcio­ nal (destaque para a função dos morfemas)

aditivo: fazer – refazer. subtrativo: órfão – órfã. alternativo: ovo – ovos. reduplicativo: pai – papai. de posição: grande homem – homem grande. zero: casa – casas. cumulativo: amamos (­mos = desinência número­pessoa). vazio: cafeZal.

radical afixos desinências vogais temáticas vogais e consoantes de liga- ção

A fórmula geral da estrutura do vocábulo verbal portu­ guês é a seguinte (Camara Jr., 1977):

T (R + VT) + SF (SMT + SNP) [em que T (tema), R (radical), VT (vogal temática), SF (sufixo flexional ou desinência), SMT (sufixo modo-tempo­ ral), SNP (sufixo número-pessoal)]

A flexão verbal caracteriza-se na língua portuguesa pelas desinências indicadoras das seguintes categorias gra­ maticais: (a) modo, (b) tempo – em um morfema cumulativo –, (c) número, (d) pessoa – em um morfema cumulativo.

ESTRUTURA E FORMAÇÃO DAS PALAVRAS

Neste capítulo estudaremos, de modo esquemático, o assunto morfologia/morfossintaxe. É um assunto importante, o qual é recorrentemente cobrado em concursos. Observamos que a abordagem a seguir é predominantemente linguística. Iniciamos a exposição com a noção de morfema. Nas línguas humanas, um morfema é a menor unidade linguís­ tica que possui significado, abarcando raízes e afixos, formas livres (por exemplo: mar) e formas presas (por exemplo:

sapat­, ­o­, ­s) e vocábulos gramaticais (preposições, conjun­ ções). Observe que, em algumas palavras, pode-se identificar duas posições de realização dos sufixos:

Prefixo (antes da raiz)

Raiz

Sufixo (depois da raiz)

in­

feliz

­mente

infelizmente

Há técnicas para identificação da estrutura mórfica das palavras. Vejamos duas:

Teste de comutação: método comparativo buscando a detecção das unidades significativas que compõem a estru­ tura das palavras. música – músicas amavam – amaram

Segmentação mórfica: possibilidade ou não de divisão de palavras em unidades menores significativas. Sol Mar deslealdade des­ leal ­dade

Palavras-chave!

Morfema: a menor parte significativa que compõe as palavras. É um signo mínimo. Radical e afixos: o radical é o morfema básico que constitui uma palavra de categoria lexical (substantivo, adjetivo, verbo e advérbio); os afixos são morfemas presos anexados a um radical (prefixos e sufixos).

18
18

,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,

LÍNGUA PORTUGUESA

LÍNGUA PORTUGUESA Modo: refere­se a um julgamento implícito do falante a respeito da natureza, subjetiva ou

Modo: refere­se a um julgamento implícito do falante a respeito da natureza, subjetiva ou não, da comunicação que faz. Indicativo, subjuntivo e imperativo. Tempo: refere­se ao momento da ocorrência do pro­ cesso, visto do momento da comunicação. Presente, preté­

   

passo que o particípio é de aspecto concluso ou perfeito. O valor do pretérito ou de voz passiva (com verbos transitivos) que às vezes assume, não é mais que um subproduto do seu valor de aspecto perfeito ou concluso. Entretanto, o particípio foge até certo ponto, do ponto de vista mórfico, da natureza verbal. É no fundo um adjetivo com as marcas nominais de feminino e de número plural em /S/. Ou em outros termos: é um nome adjetivo, que semanticamente expressa, em vez da qualidade de um ser, um processo que nele se passa. O estudo morfológico do sistema verbal portu­ guês pode deixá­lo de lado, porque morfologicamente ele per­ tence aos adjetivos, embora tenha valor verbal no âmbito semân­ tico e sintático. O gerúndio, ao contrário, é morfologicamente uma forma verbal.

rito (perfeito, imperfeito, mais­que­perfeito), futuro (do pre­ sente, do pretérito). Tempos compostos: auxiliar (ter e haver)

+

particípio.

As formas nominais do verbo são: infinitivo (-r), gerún­ dio (­ndo) e particípio (­do). Sobre as formas nominais, Camara Jr. (1977) pronun­ cia­se da seguinte maneira:

 
 

Resta uma apreciação semântica, nas mesmas linhas, das cha­ madas formas nominais, cujos nomes tradicionais são – infinitivo, gerúndio e particípio. Aqui a oposição é aspectual e não tempo­ ral. O infinitivo é a forma mais indefinida do verbo. A tal ponto, que costuma ser citado como o nome do verbo, a forma que de maneira mais ampla e mais vaga resume a sua significação, sem implicações das noções gramaticais de tempo, aspecto ou modo. Entre o gerúndio e o particípio há essencialmente uma oposição de aspecto: o gerúndio é <imperfeito> (processo inconcluso), ao

Depreensão morfológica (como identificar morfemas)

A técnica de depreensão é simples: se tivermos uma forma verbal a ser analisada, procedemos à comutação ao mesmo tempo com o infinitivo impessoal e com a primeira pessoa do plural do tempo em que se encontra o verbo. O infinitivo sem o /r/ apresenta o radical e a vogal temática. A primeira pessoa do plural exibe a desinência [­mos] (SNP ou DNP). O que sobrar será a desinência modo­temporal.

 

Exercício: indique nos quadros em branco a VT, os SMT

e os SNP.

 
 

Indicativo

VT

SMT

SNP

P r e t é r i t o imperfeito

VT

SMT

 

SNP

Subjuntivo

VT

SMT

SNP

 

Presente

Presente

 

Amo

     

Amava

       

Cante

     

Amas

Amavas

Cantes

Ama

Amava

Cante

Amamos

Amávamos

Cantemos

Amais

Amáveis

Canteis

Amam

Amavam

Cantem

 

As categorias verbais

   

Verbos notáveis

 

A categoria de tempo

Antes de estudar alguns verbos notáveis da língua por­ tuguesa, é importante que o estudante saiba da existência de duas características dos verbos: ser rizotônico ou arrizotônico. Rizotônicos: são as estruturas verbais com a sílaba tônica dentro do radical. Arrizotônicos: são as estruturas verbais com a sílaba tônica fora do radical.

A categoria de tempo constitui uma relação entre dois momentos: momento da comunicação e momento do pro­ cesso. Em português: passado x presente x futuro.

 
 

Tempos simples:

 

I – Presente: simultaneidade entre momento da comu­ nicação e momento de ocorrência do processo. II – Passado ou pretérito: anterioridade entre o mo­ mento da ocorrência do processo e o momento da comunicação (o processo que se está enunciando ocorreu antes do momento da fala). III – Futuro: indica relação de posterioridade. O proces­ so ainda vai ocorrer, é posterior à fala.

Tempos complexos: ocorrem quando há dois proces­

   

Arrear

 

Verbo irregular da 1ª conjugação. Significa pôr arreio. Como ele, conjugam­se todos os verbos terminados em -ear. Variam no radical, que recebe um i nas formas rizotônicas. Presente do Indicativo: arreio, arreias, arreia, arrea- mos, arreais, arreiam. Presente do Subjuntivo: arreie, arreies, arreie, arree- mos, arreeis, arreiem. Imperativo Afirmativo: arreia, arreie, arreemos, arreai, arreiem. Imperativo Negativo: não arreies, não arreie, não arree- mos, não arreeis, não arreiem.

sos. Além de estabelecer relação entre os dois processos e

momento da comunicação, deve­se estabelecer relação entre os dois processos entre si.

o

,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,

19
19

BRUNO PILASTRE

PILASTREBRUNO

BRUNO PILASTRE PILASTREBRUNO Pretérito Perfeito do Indicativo: arreei , arreaste , arreou , arreamos , arreastes

Pretérito Perfeito do Indicativo: arreei, arreaste, arreou, arreamos, arreastes, arrearam. Pretérito Mais­que­perfeito do Indicativo: arreara, arre- aras, arreara, arreáramos, arreáreis, arrearam. Futuro do Subjuntivo: arrear, arreares, arrear, arrear- mos, arreardes, arrearem. Pretérito Imperfeito do Subjuntivo: arreasse, arreas- ses, arreasse, arreássemos, arreásseis, arreassem. Futuro do Presente: arrearei, arrearás, arreará, arrea- remos, arreareis, arrearão. Futuro do Pretérito: arrearia, arrearias, arrearia, arre- aríamos, arrearíeis, arreariam. Infinitivo Pessoal: arrear, arreares, arrear, arrearmos, arreardes, arrearem. Pretérito Imperfeito do Indicativo: arreava, arreavas, arreava, arreávamos, arreáveis, arreavam. Formas Nominais: arrear, arreando, arreado.

Arriar

Verbo regular da 1ª conjugação. Significa fazer descer. Como ele, conjugam­se todos os verbos terminados em -iar, menos mediar, ansiar, remediar, incendiar e odiar. Presente do Indicativo: arrio, arrias, arria, arriamos, arriais, arriam. Presente do Subjuntivo: arrie, arries, arrie, arriemos, arrieis, arriem. Imperativo Afirmativo: arria, arrie, arriemos, arriai, arriem. Imperativo Negativo: não arries, não arrie, não arrie- mos, não arrieis, não arriem. Pretérito Perfeito do Indicativo: arriei, arriaste, arriou, arriamos, arriastes, arriaram. Pretérito Mais­que­perfeito do Indicativo: arriara, arria- ras, arriara, arriáramos, arriáreis, arriaram. Futuro do Subjuntivo: arriar, arriares, arriar, arriar- mos, arriardes, arriarem. Pretérito Imperfeito do Subjuntivo: arriasse,