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AUTORIZAÇÃO ESPECIAL DE PESQUISA NO DIREITO MINERÁRIO BRASILEIRO

PAULA MEIRELES AGUIAR TIAGO DE MATTOS

1 Introdução

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A Autorização Especíal de Pesquisa pode ser considerada uma

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das mais relevantes expressões da atuação administrativa em prol do <, i melhor aproveitamento dos recursos minerais no Brasil.

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O motivo é simples: por meio de uma interpretação sistemá­

tica e não restritiva da legislação mineral, esta medida possibilita ao minerador, antecipadamente, desenvolver atividades relevantes para potencializar o conhecimento e futura exploração da jazida. Uma vez outorgado o Alvará de Pesquisa, deve esta ser realizada no prazo estipulado, com apresentação, ao final, de relatório circunstan­

ciado dos trabalhos, COll tendo os estudos geológicos e teCllológicos quantificati­ vos da jazida e demonstrativos da exequibilidade técnico-econômica da lavra. 1

Apresentado o Relatório Final e sendo este aprovado, abre-se ao minerador prazo para requerer a Concessão de Lavra. Deverá o particu­ lar atender aos requisitos legais para a outorga do Título, incluindo-se aí a aprovação do Plano de Aproveitamento Econômico (PAE) da jazida e o prévio licenciamento ambiental do empreendimento.

1 Art 22, inciso V, Código de Mineraçào<

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Entre a aprovação do Relatório final de Pesquisa e a outorga da Concessão de Lavra não há, na legislação minerária, qualquer outra atividade complementar a ser desenvolvida na área da jazida, deter­ minando ao minerador, nesse ínterim, permanecer inerte, no aguardo

do resultado de seu pleito.

legislação minerária, qual seja, o de fomentar o racional aproveitamento dos recursos minerais, em face de sua essencialidade para a sociedade, consoante o melhor atendimento do interesse público envolvido. A etapa entre a aprovação do Relatório Final de Pesquisa e a Con­ cessão de Lavra se verifica como fase processual de reduzido proveito, dada a inércía a que se prende o minerador e diante da ausência de delimitação precisa do seu campo de atuação. Não obstante a legalidade administrativa rezar a estrita subserviência da atuação do Poder Público

aos padrões legais, deve-se afirmar que a falta de previsão específica não serve de arrimo à negação da possibilidade jurídica da medida. Mesmo porque, se ao Poder Público só compete fazer aquilo que a legislação determina, ao particular, de outro modo, é facultado fazer tudo o que

Jeinão proíbe. Nesse contexto é que o setor mineral começou a questionar a ne­ cessidade de as atividades de pesquisa serem paralisadas em função do aguardo de uma decisão do DNPM sobre a aprovação do PAE e a con­ sequente outorga da Portaria de Lavra. Muitas vezes se passavam anos entre estes dois atos administrativos, o que redundava na aprovação de Planos de Aproveitamento Econômico defasados, em descompasso com as mais novas técnicas de aproveitamento mineral, determinando

a necessidade de apresentação de reavaliação de reservas logo após a

outorga da Concessão de Lavra. Essa medida não representava qualquer compatibilidade com a importância da atividade mineral, demonstrando a inexistência de uma política direcionada ao melhor aproveitamento dos recursos minerais no tempo adequado. Investigando as competências administrativas direcionadas ao Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), órgão encar­ regado da aplicação do Código de Mineração e diplomas legais com­ plementares/ percebe-se que a autarquia ostenta a eminente função de fomentar a produção mineral e estimular o uso racional e eficiente dos recursos minerais. Assim dispõe o art. 3!l, V, da Lei n(1 8.876/1994:

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Diante dessa situação, surgiu na prática administrativa mine­

rária a figura da Autorização Especial de Pesquisa, que visa garantir ao minerador a realização, quando diante de circunstâncias especiais, de atividade de pesquisa complementar após o transcurso do prazo de vigência do Alvará de Pesquisa. Por meio dessa providência, o minerador pode: ]. Melhor ade­ quar os métodos de lavra à realidade fática da jazida; 2. Desenvolver melhores e menos gravosas técnicas para sua consecução; e 3. Confirmar

a existência·dopotendal·mineral já aferido, bem como identificar a sua eventual majoração.

Não obstante a falta de previsão correspondente na legislação minerária, a possibilidade da realização de atividade de pesquisa após

a aprovação do Relatório final tem sido reiteradamente reconhecida pelo DNPM, desde que estejam presentes razões de ordem técnica e

í econômica a lhe justificar a necessidade. O presente trabalho visa apresentar as circunstâncias que ensejam

a possibilidade de realização da atividade complementar de pesquisa, bem como identificar os fundamentos jurídicos que a sustentam.

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2 A Autorização Especial de Pesquisa como instrumento de melhor aproveitamento da jazida: fundamentos jurídicos

2.1 A competência do DNPM de fomentar o racional e eficiente aproveitamento dos recursos minerais e a utilidade pública da atividade mineral

As atividades, entre a aprovação do Relatório Final de Pesquisa e a outorga da Concessão de Lavra pelo DNPM, não foram disciplinadas pelo Código de Mineração, o que resultou, durante muito tempo, em incertezas quanto às possibilidades de atuação do minerador nesta etapa sobre a área do título minerário. A possibilidade que emerge na prá:ris da realização de atividade complementar de pesquisa tem o mérito de imiscuir, na etapa pós Rela­ tório Final de Pesquisa, um sentido de consonância com o propósito da

A Autarquia DNPM tem por finalidade promover o planejamento e o fomento da exploração e do aproveitamento dos recursos minerais e superintender as pesquisas geológicas, minerais e de tecnologia mineral, bem corno assegurar, controlar e fiscalizar o exercício das atividades de mineração em todo o território nadonal, na forma do que dispõe

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o Código de Mineração, o Código de Águas Minerais, os respectivos regulamentos e a legislação que os complementa, competindo-lhe em especial:

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v - fomentar a produção mineral e estimular o uso racional e eficiente dos recursos minerais. 3

Essa atribuição de competência legitima a atuação da autarquia no que concerne a permitir, na ausência de norma contrária, atividades cujo o,bjet~v~ reflete diretamente na eficiência da exploração mineral no pais, hlpotese ela.ra prevista na Autorização Especial de Pesquisa. Res~alte-se, amda, que toda medida voltada à potenciaJização do aproveItamento dos recursos minerais deve ser recebida tendo em vista ~incumbência constitucional de gerar riquezas para a'sociedade ­

a'pal'tIrdo aproveitamento desses recursos. - ---

A mineração é lima atividade desenvolvida em prol do interesse

nacional, conforme versa o art. 176, §12, da Constituição da República

de 1988, devendo haver um aproveitamento racional dos bens minerais os quais, em última análise, pertencem ao pOVO,4 para a satisfação da~ necessidades coletivas.

A consagração da atividade minerária pela Lei Maior como

"interesse nacional" erige-se como pano de fundo em uma estrutura ~orma~vaqu~busca privilegiar Ointeresse público, a partir do fomento mdustnal gendo pelo interesse privado, para a conversão da riqueza mi­ neral inerte em benefícios sociais e econômicos para toda a coletividade. Sobre esse ponto, assim assinala William Freire:

o interesse nacional se relaciona com a finalidade socioeconômica

que deverá ser exercida pela atividade minerária, de maneira a habilitar

a co~se~çãodos objetivos a serem alcançados pela ordem econômica, quaIS seJ.am,. o d:senvolvimento nacional, a erradicação da pobreza e da margmahzaçao e a redução das desigualdades regionais e sociais.s

[ ]

Alinhavados com o reconhecimento constitucional do interesse nacional na mineração, o Decreto-Lei n 2 3.365/41 6 e aRes. CONAMA nº 369/06 7 conferem às atividades de pesquisa e extração de substâncias

J BRASIL. Leí nO 8.876. de 02 de maio de 1994.

, BRASIL. Parecer AGU/MF-2/95. Anexo ao Parecer n. GQ-79.

FNEI~E.CâdiS" <1,' Mineração/IHofado c legislação COnlplCIIIC11lnr el1l i'igol', p. 97.

• BRASIL. Decreto-Lei n" 3.365, de 21 de junho de 1941. BRASIL. Resolução CONAMA n" 369, de 28 de março de 2006.

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minerais o importante status de atividade de utilidade púll/ícn. R O orde­ namento reconhece, dessa forma, a essencialidade da mineração para o funcionamento do Estado, bem como sua importância econômica e estratégica para a satisfação dos interesses da sociedade.~ Esclarecedoras são as palavras de José Mendo Mizael de Souza:

A Mineração é uma atividade de utilidade pública e como tal deve ser reconhecid a, pois é inimaginável a vida sem minerais, metais e compostos metálicos, essenciais para a vida das plantas, dos animais e dos seres hu­ manos. O combate à fome depende da agricultura e esta dos fertilizantes. Também dependem de produtos minerais a habitação, o saneamento básico, as obras de infra-estrutura viária, os meios de transporte e de

comunicação. (

progresso sem a mineração e seus produ tos. 10

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não há

O interesse nacional e a utilidade pública da atividade determi­ nam, em última instância, a necessidade de o minerador e a Adminis­ tração Pública criarem, conjuntamente, condições para desenvolvê-la de forma adequada, apresentando releituras contemporâneas das normas traçadas há mais de quatro décadas em consonância com o comando constitucionaL

2.2 O princípio da continuidade da atividade mineral

Atinente ao reconhecimento do caráter especial dispensado à mineração pelo ordenamento pátrio, convém mencionar também o

Pl'illcípio da continl/idade da pesquisa e lavra, o qual propugna pela rea­

lização da atividade minerária de modo contínuo, a salvo de fatores

< Essa característica especial da mineração é percebida também em váríos outros países. A

titulo de exemplo, cita·se o Chile. A mineração é considerada ativídade de utilídade pública

1 La concesión

minera obliga aI duefio a desarrolJar la actividad necesaria para satisfacer el interés público

que justifica su otorgamiento [

Também por ser atividade de interesse nacional, a Constituição autoriza a expropriação em favor da mineração. Reza a Carta Maior, em seu artigo 19, n Q 24 que ninguém pode ser privado de sua propriedade, salvo em casos de utílidade públíca e interesse nacional

medíante indenização.

pela Constituição Política chilena. Conforme disposto no art. 19, nO 24, "[

T.

• Na mesma linha, cita-se trecho do Mining Act de 1992 australiano (New SOllth Wales),

que reconhece os relevantes benefícios sociais e econômicos decorrentes da alívidade mi­ nerária: 3. A Objects - TI1C objects of this Act are to encourage and fadlitate the díscovery and development of mineral rcsources in New South Wales, having regard to the need to encollrage ecologicalIy slIstainable development, and in particular: (a) to recognise and toster the significant social and economic benefits to New South Wales that result trom the

effident development of mineral resources (

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III SOUZA de. Direito minerário IIJlticndo, p. 29-30.

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interruptivos de seu Curso, Referem-se a tal princípio os artigos 57 e 87 do Código de Mineração, os quais proíbem expressamente que medidas judiciais interrompam as atividades de pesquisa e lavra,ll Os dispositivos ofertados evidenciam a preocupação do legis­ lador em zelar pela continuidade das atividades do minerador, de modo a garantir a pennanência da geração de riquezas, em atenção ao interesse público no produto da mineração, enquanto importante fator de impulsão do desenvolvimento econômico e social do país, POl' conseguinte, a continuidade da pesquisa e lavra não é sim­ plesmente um direito do minerador, mas representa, principalmente, um dever atinente a este, no caso, de transformar a jazida inerte em riqueza,

Busca-se resguardar o interesse público, exigindo-se que o mi­ nerador não permaneça inerte diante do título minerário outorgado. Ex vi dos artigos 29 e 47, inciso I e XIV,12 do Código de Mineração, o'

- mineradortem a obrigação de iniciar e dar continuidade aos trabalhos de pesquisa e lavra. Tal obrigação se erige como um dos pilares do sis­ tema minerário nacional.

Cabe aqui uma breve digressão, no sentído de evidenciar a orientação do direito minerário para o atendimento do interesse pú­ blico, para afirmar que até a adoção do regime de concessão, operada

o tema, FREIRE; SILVA, O princípio da cOlltinuidade da pesquisa e lavm 1'111 fUllção do interesse nacional da mineração,." p, 187.204.

" Art. 29, O titular da autorização de pesquisa é obrigado, sob pena de sanções:

I - A iniciar os trabalhos de pesquisa:

a) dentro de 60 (sessenta) dias da publicação do Alvará de Pesquisa no Diário Oficial da

União, se o titular for o proprietário do solou tiver ajustado com este o va lor e a forma de pagamento das indenizações a que se refere o Artigo 27 deste Código; ou,

b) dentro de 60 (sessenta) dias do ingresso judicial na área de pesquisa, quando a avalíação

da indenização pela ocupação e danos causados processar-se em juízo. 1 - A não interromper os trabalhos, sem justificativa, depois de iniciados, por mais de 3 (trés) meses consecutivos,

II A não interromper os trabalhos, sem justificativa, depois de iniciados, por mais de 3,

(trés) meses consecutivos, ou por 120 dias acumulados e não consecutivos, (Redação dada pelo Decreto-lei n 2 318, de 1967)

Parágrafo único. O início ou reinício, bem como as interrupções de trabalho, deverão ser prontamente comunicados ao DNPM, bem como a ocorrência de outra substância mineral

útil, não constante do Alvará de Autorização.

Ar!. 47. Ficará obrigado o titular da concessão, além das condições gerais que constam deste Código, ainda, às seguintes, sob pena de sanções previstas no Capítulo V:

I - iniciar os trabalhos previstos no plano de lavra, dentro do prazo de 6 (seis) meses, con­ tados da data da publicação do Decreto de Concessão no Diário Oficial da União, salvo motivo de força maior, a juízo do DNPM;

XIV - Não suspender os trabalhos de lavra, sem prévia comunicação ao DNPM;

os trabalhos de lavra, sem prévia comunicação ao DNPM; I'AULA MIiIREI.F.S AGUIAR, nACO DE MATTOS t\UiORJZ;\çAo

I'AULA MIiIREI.F.S AGUIAR, nACO DE MATTOS

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no Brasil pela Constituição Republicana ~e 1~34,. vigia no pa~s,.desde 1891, o regime da acessão. Tal sistema, cUJa pnnclpal ~aracten.s~ca era o domínio do proprietário da superfície sobre. as, ~mas, SU)~ltav~ a mineração aos caprichos e à inércia deste propnetano, o que, :n:,ana­ velmente, redundava em prejuízo ao desenvolvimento da atiVIdade minerária para o país. 13 Adotado sob o influxo das ideias sociais e altas razoes de mteresse nacional, o regime da concessão, aliado à separação das propriedad,es superficiária e mineral, revogou a necessária id~n.tidad~en~e o pr_opne­ tário e o minerador, imprimindo maior produtiVIdade a mmeraçao, em

atenção ao interesse público existente nos ganhos sociais da ativid.a~e.:4

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O princípio.da continuidade da lavra, aqui em coment~, ong~na­

rio do Código de Minas de 1940, insere-se nesse context(), e,vI~enClan­

doa submissão da atividade do minerador ao interesse publIco para prover um melhor aproveitamento dos recurs~s miner.ai~. P~rcebe-se que toda a evolução normativa da atividade mmeral fOi dIreClOna~a a consolidar um sistema que valorizava a melhor descoberta e a continua

exploração dos recursos minerais,

A consolidação da dualidade da propnedade mmeral, bem como

a consagração da atividade mineral ininterru~ta l,e:,am à seguinte conclusão: a melhor interpretação das normas mmerarIas deve sempre determinar que o Estado, de forma responsável, permita ao minerador aproveitar todas as potencialida~e~ da jazi~a dentr~ ~o prazo _ade­ quado, retirando da atividade os o~Ices rela~lOnados a .mterven?ao de terceiros calcada em interesses pnvados e a burocracia excessIva na condução dos processos de outorga. Se a atividade deve ser desenvolvida de fonua ininterrupta e estar calcada em um procedimento eficiente, dúvidas não restam d: ~uea A~­ torização Especial de Pesquisa é medida absolutamente legItima, pOiS permite, a um só tempo, a possibilidade de o minerador perma~ecer em campo aperfeiçoando a descoberta da jazida, sendo oportu11lda~e de o Estado, como órgão gestor da atividade, conhe~er, de maneIra mais profunda, o potencial mineral envolvido naquela area outorgada.

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13 CALÓGERAS, As mil1as rio Brasil, Livro I, p, 229, Livro !I, p. 602

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ROCHA; LACERDA. Comentários ao Código de Mmcraçao do BraSIl re;.',sto e alualz_ado, p, 5,

" VIVACQUA. A 1101'a política rio $ul.solo e o Regime Legal das Mi11as, p. 508.

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A aplicação do princípio da eficiência, na hipótese discutida neste artigo, é intuitiva: se há a possibilidade de o minerador criar melhores condições para identificação da jazida mineral e seu ulterior aproveita­ mento, enquanto permanece titular de um Direito Minerário ainda que não de um Título Minerário, em sentido estrito - ela deve ser utilizada. O mesmo ocorre com o princípio da economia processuaL Não há qualquer razoabilidade em exigir que o minerador seja obrigado a fundamentar seu Plano de Aproveitamento Econômico da jazida exclusivamente no Relatório Final de Pesquisa, se há possibilidade de outros elementos contribuírem para sua melhoria e exatidão. Exigir o contrário é corroborar com a hipótese de o minerador apresentar um PAE fictício, apenas para cumprir uma etapa processual, e forçá-lo a esperar a outorga da Portaria de Lavra para submeter ao DNPM um novo plano, sendo este adequado à realidade da área. Se esse aperfeiçoamento pode ser realizado em uma etapa pro­ cessual anterior, determinando a outorga de uma Portaria de Lavra fundamentada em um plano imediatamente executável e dispensando a criação de uma fase processual futura com a exclusiva finalidade que adequar um ato processual obsoleto à sua realidade temporaI, dúvidas não restam de que ele deve ser realizado.

3 Hipóteses não taxativas que ensejam a aplicação da Autorização Especial de Pesquisa

A Autorização Especial de Pesquisa surge como uma medida ca­ paz de conferir maior racionalidade ao processo de aproveitamento das riquezas minerais, na medida em que permite maior aproximação entre a realidade fática da jazida e o seu Plano de Aproveitamento Econômico. Ressalte-se que a Autorização Especial de Pesquisa não se presta a prorrogar o prazo de vigência das Autorizações de Pesquisa ordinárias. Pelo contrário, serve para consolidar a possibilidade de atuação do mi­ nerador em uma área na qual a jazida já foi descoberta e o Relatório Final apresentado. Seu objetivo é permitir que os trabalhos complementares de investigação do potencial mineral, quando passíveis de aperfeiçoar a futura exploração da área, sejam realizados com antecedência em uma etapa do processo minerário em que, apesar de não haver Título Minerário vigente, há oneração da área pelo minerador e a existência

de direito pendente de exercício -

Cuida-se de hipótese, e.g., em que a evolução do processo tecno­ lógico de lavra permita a ampliação do espectro de teor de minérios

o requerimento da lavra.

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2.3 A permanência de oneração da área pelo minerador:

existência de Direito Minerário apesar de inexistência de Título Minerário

Outro fundamento jurídico que justifica a Autorização Especial de Pesquisa é: constatação de que a fase entre a Autorização de Pesqui­ s~ e a Co~ces:a~ de La:ra, apesar de não prever a outorga de qualquer TItulo Mmerano ao mmerador, resguarda a existência de um direito:

o de requerer a lavra no prazo de um ano, contado da aprovação do Relatório de Pesquisa. Essa prerrogativa determina que, enquanto o minerador prepara

o Plano de Aproveitamento Econômico da jazida para instruir o Re­

querimento de Lavra, ele permanece onerando a área, sendo o único legitimado); a obter o seu aproveitamento econômico. Ora, se ele é o único agente capaz de lavrar a área na hipótese de p~osseguimento do processo, em respeito ao princípio da prioridade, nao há qualquer justificativa passível de impedi-lo de tomar provi­ dências para melhor conhecê-la. Afasta-se, nessa hipótese, qualquer argumento de que eventual atividade fora do prazo do Alvará de Pesquisa seria considerada irregular em função da ausência de título autorizativo, pois a vigência e continuidade do processo minerário, a existência de prazo para requerer a lavra, bem como a possibilidade de os novos dados coletados permitirem a elaboração de um Plano de Aproveitamento Econômico mais eficiente, determinam que a pesquisa após a vigência do Alvará é, na verdade, um poder/dever do minera­ dor de, enquanto agente onerador da jazida, ser responsável pelo seu melhor conhecimento.

2.4 Os princípios da eficiência e economia processual

Deve-se apontar que quando o formalismo se erige como um empecilho à realização do ~nteresse público impende seja ele afastado.

, . Em at~nção.ao princípio da ~ficiêllcia,o qual impõe à Administração Pubhca a pnmazIa pela otimização dos recursos públicos, de modo

a evitar desperdícios, há necessidade de serem criadas medidas, em

consonância com a legislação, para permitir a busca pela excelência no seu aproveitamento.

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Em razão do princípio d.l prioridade, consagrado no art. 11 do Código de Mineração.

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a~rov.eitáveis, com a inclusão de algumas categorias que não tinham viabilIdade econômica à época dos trabalhos de pesquisa.

~estestermos, a di~torçãoem face da evolução da técnica enseja a

IealIz~çaode novas pesqUIsas para a delimitação da real reserva inserida na polIgonal do Direit~Min.erário, de modo a potencializar o aproveita­ mento d~srecursos mmeralS, sem necessidade de esperar a outorga da Concessao de Lavra para tanto. A pesquisa complementar identifica esse ganho de ~proveitamento,de forma que a futura aprovação do Plano de ~p~oveItament~.E~on~mic~da jazida, ao contemplar a reserva po­ tenCIahzad~,p.ermltIra o lIcenCIamento ambiental do empreendimento em consonanCIa ~.?m.oreal volume de substâncias a serem exploradas. .A conVeI1IenCIa d,a realização de atividade complementar de pes~UIsase ~eve~a.tambem quando se cogita, e.g., a hipótese de cessão de t~tulo~~merano.s,momento em que é prudente que o cessionário realIze atIvidade de mvestigação, além'daquela eventualmente realiza­ da p:lo ~edent~,em r~zãoda nec~ssidadede se confirmar o potencial economlco da area objeto do negocio.

de novas pesquisas, após a entrega do Relatório Final de Pesquisa, en­ tendendo se tratar de providência voltada ao melhor aproveitamento da jazida, que deveriam ser realizadas em função da necessidade de fomento ao uso racional e eficiente dos recursos minerais. Trata-se de caso em que a interessada, posteriormente à apresen­ tação de requerimento de Concessão de Lavra e do respectivo PAE, no qual considerou a viabihdade econômica de atividade de lavra a céu aberto, constatou que a materialização da lavra subterrânea afigurar-se­ ia como alternativa mais indicada, tendo-se em vista os riscos ambien­ tais envolvidos e os melhores interesses da comunidade local. Nessas circunstâncias, deduziu requerimento para a realização de atividade complementar de pesquisa mineral, cujos resultados seriam levados em consideração na apresentação de novo PAE. As razões expostas no parecer favoravelmente ao acolhimento

do pedido versam sobre a supremacia do interesse público sobre o privado,

em face do qual se erige ao Estado o poder-dever de assegurar o melhor aproveitamento dos recursos minerais, como espécie de bens públicos de interesse da coletividade. Tal princípio deve ser respeitado e aplicado pelo DNPM, como prevê o art. 3 2 supracitado, da Lei nº 8.876/94, que confere ao órgão a incumbência de "fomentar a produção mineral e estimular o uso racional e eficiente dos recursos minerais". Outra razão apontada alicerça-se na preocupação com a sus­ tentabilidade socioeconômica do empreendimento, pelo que impende seja bem elaborado o controle ambiental, de modo a reduzir os danos e viabilizar a consecução do projeto. A produção de tais efeitos por conta de estudo complementar é apontada como justificativa suficiente para que seja autorizada a sua realização:

. .

, uma das estruturas negociais mais comuns nesse

tIpo de 0pe~açao~aq~elabaseada em Contratos de Opção de Com­ pra d; .DIreItos Mmerarios, hipótese em que o comprador vincula o exerCIc~odo fechamento da aquisição à comprovação de existência do potenCI~1~presentadopelo vendedor no Relatório Final de Pesquisa. Nessa hlpot~se,a pesquisa complementar tem o condão de acelerar o processo, ~OIS,ao permitir que o c.o~'pradorconheça a jazida já na fase do Requelllnento de Lavra, possibilIta que os investimentos a serem aportados se materializem com antecedência, não havendo necessidade de se esperar a outorga da Concessão de Lavra para serem efetivados. Ressalte-.se ,que esses dois exemplos servem apenas para ilustrar al~um~s. das hlp~teses ~m que a pesquisa complementar é cabível. Nao ha lIsta taxatIva de situações que se sujeitam a essa circunstância, ~e,:,e~do.~ada caso concreto ser examinado à luz dos fundamentos Jundl~os)a~prese~tad~s,para que se conclua sobre a possibilidade de submissao a Autonzaçao Especial.

. Sabe-se 9 ue

Nesse sentido, a precaução do minerador no que tange a este dano representa fundamento bastante à autorização dos trabalhos com­ plementares de pesquisa, considerando-se a necessidade de busca do

desenvolvimento sustentável, que nas palavras de Silvia Helena Serra

" não

sofrendo alteração, seja restabelecido a uma condição tal que possa ser

usufruído pelas presentes e futuras gerações".

lJ/ caSII, depois de apresentado relatório final de pesquisa e antes da outorga da concessão de lavra, tendo se materializado situação fática que justifique novos trabalhos de pesquisa, com fundamento no poder discricionário da Administração Pública bem como no dever do Depar­ tamento Nacional de Produção Mineral em fomentar a racionalização do uso do subsolo, entende-se pela possibilidade da rea.lização de trabalhos complementares de pesquisa.

significa que o meio ambiente não possa ser alterado, mas que,

4 Prece~entesdo, DNPM: a Autorização Especial de PesqUIsa na pratica

Por meio do Parecer PROGE n Q 59/2004,16 a Procuradoria-Geral do DNPM reconheceu a possibilidade da realização, pelo minerador,

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! BRASIL. Procuradoria Fcdt1ral_ DNPlv1. Parecer/PROGE n~ ~9/20n-l-CCE.

138

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Cita-se tamb~m () Parecer na 16/2006-PF-3~DS/DNPM/MG_

MAH, 17 elaborado a partir de requerimento da interessada para realiza­ ção de pesquisa complementar após a aprovação de Relatório Final. Os novos estudos serviriam à redefinição da viabilidade do aproveitamento econômico da área, rica em minério de ferro, em face do advento de téolicas mais avançadas para a descoberta de novos e maiores depósitos. A revisão do conceito de exploração minerat no caso, possibilitaria um acréscimo significativo ao potencial econômico da área. O Parecer esposou entendimento favorável ao acolhimento do pleito, levando em consideração que a negação do pedido acarretaria numa jazida subexplorada, situação decerto apartada do objetivo ma­ nifesto do DNPM de fomentar a Mineração e contribuir para o desen­ volvimento econômico do país.

Levou-se em conta, ademais, o princípio da economia processual, em atenção ao qual impende sejam consideradas do ponto de vista jurídico medidas capazes de agilizar o processo de outorga dos títulos minerários, desde que não haja flagrante desrespeito ao contexto da legislação minerária, o que se reputou não existir na hipótese. Em favor do reconhecimento da medida, o Parecer valeu-se ainda de entendimento exarado em manifestação do então Procurador-Geral do DNPM, no processo nº 930.813/2002, que versava sobre a possibilida­ de de se operar uma analogia com o artigo 31 do Código de Mineração, que admite a prorrogação do prazo para apresentação do Requerimento

de Lavra, in verbis:

Dest.a ~orte,considerando que cabe ao DNPM administrar o patrimônio brasIleIro e fome~tara agregação de novas riquezas minerais, que so­ mente surgem apos a pesquisa e, principalmente, após a lavra, quando p~ssama circular em benefício da sociedade, e as riquezas, propriamente dItas, que são os minérios, e levando em conta que o art. 31 do eM, em seu parágrafo único, admite prorrogação de prazo para apresentação do requerimento de lavra, denotando um sentido correto da necessidade de .adequação ll1~i5COIl(Jelli~l1tedo p/n/lO de aproveitamelJto econômico, para eVitar desperdlC10 de bells 111mernis, que, se não objeto de requerimento de lavra para efeito da outorga da concessão, permaneceriam inermes, sem proveito para a sociedade. (g.n.)

Esposando o mesmo entendimento, o Parecer PF30DS/DNPM/MC n'2 5-1/201O-0C" propugnou pela possibilidade de a autarquia analisar

,- Ill~ASII

Procurildp!'ia

Federal-

DNl'lv!.l'arecer n'·16/~nllh.

" BI~ASIL.Procuradoria·Federal- D:\JP\-!. Parecer PF3"D5/D"-JPMIt\'lG-OC.

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novo Plano de Aproveitamento Econômico (PAE), elaborado,s~br~ os resultados de pesquisa realizada depois de apresentado? RelatorIO Fmal de Pesquisa, bem como depois protocolizados o Requenmento de Lavra

e o respectivo PAE

Cuida-se de hipótese de alteração da tItulandade do ~tul~ mI­ nerário, na qual a cessionária, aproveitando o tempo de tramttaçao do

processo antes da aprovação do primeiro PAE, realizou novos estudos para aferição das reservas anteriormente encontradas, bem como no intuito de aprimorar o PAE já apresentado.

A interessada concluiu, a partir de seus estudos, que uma nova

metodologia de lavra seria mais adequada ao aproveitamento da jazi~a, possibilitando a exploração de minério de baix~ teor, trazendo ~alOr viabilidade para o empreendimento e proporCIonando a reduçao do impacto ambiental da futura

O setor técnico do DNPM julgou válida a pretensao da mteressada

no que tange ao novo PAE apresentado, reputando, todavia, ser impos­ sível a aprovação da reavaliação da reserva, uma vez que os trabal~os

de pesquisa foram realizados após o transcurso do prazo do Alvara de

Pesquisa, não havendo previsão lega~~a.ra tan~o. , .

A interessada insistiu na pOSSIbIlIdade )UndICa de seu pedIdo,

provocando a manifestação da Procuradoria Federal. O Parecer acolheu

a pretensão da Interessada,

em melhor consonância com a reahdade fatIca da JaZIda, nao havendo

observ~ndo q~e.o nov~ P~E se _encontrava

originário.

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.

139

razão para se afastar providência capaz de promover o melhor apro­ veitamento dos recursos minerais, in verbis:

Assim, se observamos que o novo Plano de Aproveita;r:ento Econômico - PAE está em melhor consonância com a realidade fatIca do momento,

ou seja, se o novo estudo e a nova técnica ~n~ontr~da pela miner~d?:a permitirá um melhor aproveitamento da.pzl~a, mdusl.ve do mmeno de baixo teor; se reduz os impactos ambientaiS e permite malOr atra­ tividade para o empreendimento, trazendo in~lusive mai?r segurança

para o pessoal e equipamentos; se ~ r~jei.tosera melh~r utilIzado, e~c

etc

obsoleto quando comparado com o mais atual.

, , não vejo razão para o DNPM mSlstIr na aprovaçao do PAE antIgo,

Ressaltou-se também o fato de que não havia razão para qu.e a Licença Ambiental, requisito para a Concessão de ~avra, fos~e obtIda com base no PAE antigo, sendo que toda a metodologIa que sena ~mpre­ gada na lavra seria de conformidade com os novos es~dos reahzados. Igualmente, foram suscitados na fundame~~aça~ do Pa~ecer os princípios da eficíél1cin, que prima pela melhor utlhzaçao posslVel dos

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recursos públicos, e o da m::.onbilidndt', que conjura a necessidade de as decisões do Poder Público serem tomadas da maneira mais concorde ao interesse social e à racionalidade no aproveitamento dos recursos minerais, in perbis:

Assim, quando mera formalidade burocrática for um empecilho à reali­ zação o interesse público, o formalismo deve ceder diante da eficiência. E aqui se diz "interesse público" porque, embora haja um interesse par­ ticular evidente, que é o da Interessada em obter lucro Com a atividade minerária, é interesse do Estado a fomentação da mineração, como pro­ dutora de divisas e de emprego, que atingem toda a sociedade brasileira.

Há de se considerar ainda o princípio da razoabilidade, que anda pai I'flSSII com o da proporcionalidade, e que devem ser entendidos como a obediência a critéríos aceitáveis do ponto de vista racional, consoante a. decisào de·pessoas 'equilibradas; 'devendo a decisão ser tomada de maneira mais adequada ao interesse social e à racionalidade.

5 Conclusão

No âmbito do processo administrativo minerário, a falta de previ­ são legal específica não embaraça a possibilidade de se realizar atividade complementar de pesquisa na etapa pós Relatório Final de Pesquisa.

2. A permanência de oneração da área pelo minerad?r, em razão da existência do direito de requerer a lavra ou pedIr a sua pror­

 

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rogação.
3.

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a aplicação dos princípios da economIa pl:ocessua ,e

razoabilidade, que, em conjunto, det~r~mnam a prev~lencla

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da atividade, em seu maior grau de efetIVlda~e, e~ detnmento das providências burocráticas para sua reahzaçao.

Referências

BRASIL. Código de Mineração.

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1941 Dispõe sobre desa propriações por

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BRASIL. Procuradoria Federal -

BRASIL. Procuradoria-Federal - DNPM. Parecer PF3~DS/DNP"'1/MG-OC.

369 de 28 de março de 2006. Dispõe sobrc os casos

BRASIl.

Rcsoluçao~ONA1,. i ~teressesocial ou baixo impacto ambientaL que

excepcionais, de utihd~depublica, _I ~ _ em Área de Preservação Permanente

possibili tam a intervençao ou supressao

-

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8.876,

de 02 de mNalo.

ia o Departamento I

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' Trata-se de providência voltada ao melhor aproveitamento das riquezas

I minerais e em plena consonância Com o contexto da legislação minerária.

A utilidade da medida verifica-se na possibilidade de se melhor

DNPM. Parecer/PROGE n e 59/2004-CCE.

- MA n 2

ajustar o Plano de Aproveitamento Econômico à realidade fática da jazida, conferindo maior racionalidade e eficiência à exploração de

recursos de vital importância para a sociedade, bem como conferindo

maior agilidade ao processo de outorga de títulos minerários.

O ordenamento jurídico pátrio reconhece que a mineração é ativi­

dade produtiva de utilidade pública, desenvolvida em prol do interesse

nacional. Surge para o Estado, desse modo, o poder-dever de assegurar o melhor aproveitamento possível dos recursos minerais, consoante o atendimento do interesse público nos benefícios decorrentes da indus­ trialização dos bens minerais.

Além do caráter especial da mineração, consagrado inclusive constitucionalmente, outras razões indicam a possibilidade de ocorrência da Autorização Especial de Pesquisa:

1. A necessidade de continuidade das atividades, não havendo justificativa plausível para sua paralisação.

de ve~e~a~r~/conamanegiabre.cfm?codlegi=489>.

APP. Disponível em <http://www.mma.gov. r p

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. SlLVA Tiago de Mattos. O princípio da contilluidade da pcsqll;;;a .o.ltl<'1'II

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141