Capítulo 3: Características das aplicações práticas de máquinas

rotativas

3.1 Introdução
No capítulo anterior, apresentaram-se os princípios básicos de produção de campo e
torque eletromagnético para os diferentes tipos de máquina rotativa. Além disso, foram
apresentados os parâmetros e aspectos construtivos que influenciam a tensão gerada. Neste
capítulo, serão apresentados os aspectos que influenciam e são determinantes do
desempenho dos tipos mais comuns de máquinas em suas aplicações práticas usuais.
3.2 Máquinas síncronas polifásicas: Características básicas
A armadura de uma máquina síncrona é constituída usualmente de um enrolamento
trifásico, percorrido por correntes trifásicas equilibradas, acondicionado no seu estator. A
excitação de campo é produzida por um enrolamento alimentado por corrente contínua,
localizado no rotor. Os enrolamentos de campo e de armadura possuem o mesmo número
de pólos, de maneira que se produz um conjugado eletromagnético estável.
Dois tipos construtivos de rotores são comumente utilizados: os rotores cilíndricos,
também conhecidos como de pólos lisos, ou de pólos cilíndricos e os rotores de pólos
salientes, que são assim construídos para melhor definir os caminhos de fluxo, bem como
lhes dar forma espacial senoidal, através da modelagem das sapatas polares.
A construção de pólos salientes é mais adequada às máquinas de baixa velocidade,
como p. ex. os geradores hidrelétricos e os motores síncronos. Duas razões de natureza
prática justificam essa característica: em primeiro lugar, é difícil acomodar muitas sapatas
polares ao longo da superfície do rotor; depois, a força centrífuga exercida sobre as sapatas
é crescente com a velocidade, o que exige maiores cuidados para velocidades elevadas.
A corrente contínua que alimenta o circuito de campo é suprida usualmente por um
gerador de c.c., conhecido como excitatriz. O eixo da excitatriz (armadura) é solidário ao
rotor da máquina síncrona, de maneira que a tensão colhida do comutador é levada ao
circuito de campo da máquina síncrona através de anéis coletores adicionais, contínuos e
isolados entre si. Um outro esquema viável, dependendo da potência necessária, consiste da
produção de tensão c.c. por meio de dispositivos retificadores, em substituição ao
comutador tradicional.
Um gerador síncrono pode ser utilizado isoladamente, fornecendo potência a um
conjunto de impedâncias. Nesse caso, a potência fornecida dependerá da tensão gerada, que
por sua vez é uma função de fluxo resultante da corrente do rotor. O fator de potência e a
corrente de armadura variam, naturalmente, com a impedância equivalente vista pelos
terminais de armadura da máquina. A freqüência é definida pela velocidade da fonte
primária.
Em uma aplicação mais freqüente, o gerador síncrono fornece potência, justamente
com diversos outros similares, a um grande sistema de energia elétrica. Para funcionamento

em regime permanente, a freqüência da rede e a tensão terminal de um gerador específico
podem ser consideradas praticamente constantes (“barramento infinito”). A velocidade do
campo girante, produzido pelas correntes trifásicas equilibradas do estator, é definida pela
freqüência do sistema, de acordo com:
ω = 2πf
ou
P
ω = ω m rd s
2
O campo produzido pelo rotor gira à velocidade do rotor, que deve então
acompanhar o campo de estator, com a mesma velocidade, para que haja conjugado estável.
A relação entre a velocidade mecânica e a freqüência é dada por:

n=

120 f
rpm
P

Portanto, a máquina gira em sincronismo com a freqüência da rede e esta é a razão para sua
denominação.
Um gerador síncrono que deve ser conectado a um sistema de potência precisa então
ter seu rotor acionado a uma velocidade n definida pela equação acima. Já um motor
síncrono terá sua velocidade definida pela freqüência da rede de alimentação,
independentemente da carga que irá acionar.
Devido à inércia do seu eixo, mesmo quando estiver em vazio (sem carga), o motor
síncrono não possui conjugado de partida. O rotor precisa ser acionado a uma velocidade
próxima da síncrona, quando então o seu campo interage com o campo girante, produzindo
conjugado estável, dado pela equação:

π P

2

  φer Fr senδ r
22
Notar que o sinal negativo foi omitido na equação acima, mas deve-se ter em mente que o
conjugado sempre age no sentido de alinhar os campos de rotor e de estator. Assim, para
funcionamento como gerador, o campo do rotor “caminha” à frente do campo do estator;
para funcionamento como motor, o campo do rotor “acompanha” o campo do estator, que
se situa a sua frente.
Se uma máquina síncrona é conectada a um grande sistema (barramento infinito) a
sua tensão terminal é definida pelo sistema, devendo as demais grandezas físicas se adequar
a condicionadores locais. Desprezando a resistência dos condutores dos enrolamentos de
armadura, bem como o fluxo disperso nesses enrolamentos, a tensão interna gerada iguala a
tensão terminal e o fluxo resultante pode ser calculado pela equação:
T=

φer =

Vt
4,44 fK ω N s

Observe que, uma vez definidos os valores de Vt e f , o fluxo resultante fica
perfeitamente definido, pois K w e N s são parâmetros de projeto da máquina. A fmm
produzida pelo rotor, em condição normal de funcionamento, não varia, pois depende

apenas da corrente de campo que, por sua vez, é constante. Portanto, variações no
conjugado eletromagnético são acompanhadas de variações correspondentes no ângulo de
carga, δ r . Esse comportamento é mostrado pela curva abaixo ( T x δ r ), na qual valores
positivos de T correspondem a funcionamento como motor.

Analisando o comportamento como motor, verifica-se que cargas com pequenas
solicitações de conjugado exigem ângulos δ r pequenos. À medida que a carga aumenta, δ r
também aumenta, fazendo com que o rotor se atrase espacialmente com relação à onda de
fluxo. Para variações bruscas da carga, o rotor oscila em torno do seu novo ponto de
equilíbrio. Esse comportamento dinâmico será estudado em um curso mais avançado. Neste
capítulo, interessa-nos apenas analisar as posições de equilíbrio, para avaliar a manutenção
do sincronismo.
De acordo com a figura acima, é evidente que para δ r = 90º atinge-se o máximo
conjugado possível, correspondente à máxima extração de potência. Nesse ponto, atinge-se
a potência “máxima em sincronismo” e o “conjugado máximo em sincronismo”, pois
mesmo pequenos aumentos em δ r , produzidos por acréscimos de carga, exigiriam valores
maiores de conjugado; entretanto, observa-se que a partir desse ponto o conjugado começa
a diminuir e a máquina tende a parar. Em geral, quando essa situação acontece, o motor é
automaticamente desligado, pela ação de disjuntores. Esse fenômeno é conhecido como
perda de sincronismo.
Para funcionamento como gerador, a perda de sincronismo se dá quando o
conjugado da fonte mecânica, aplicado ao rotor, excede o conjugado eletromagnético
definido pela carga máxima que pode ser absorvida da máquina, definida pela sua tensão
terminal e freqüência constantes. Nesse caso, o rotor tende a acelerar e o controle de torque
da fonte primária precisa atuar rapidamente, parta evitar velocidades que causem danos à
máquina.
3.3 Máquinas de indução polifásicas: características básicas

Assim como na máquina síncrona, o enrolamento de estator de uma máquina de
indução é em geral trifásico, sendo alimentado por correntes senoidais, defasadas entre si
de 120º. Dessa forma, produz-se um campo magnético que gira com uma velocidade
definida pela freqüência das correntes e pelo número de pólos. Dois tipos construtivos de

possuindo a característica adicional de conversão de freqüência. uma vez que estarão estacionários com relação ao campo do estator. os condutores situados no rotor produzem fems induzidas. Quando o motor é utilizado com o simples propósito de acionamento de uma carga mecânica. que apresenta um enrolamento trifásico. os condutores do seu enrolamento (ou de sua gaiola) não apresentarão tensão induzida. já que os enrolamentos de rotor formam um circuito fechado. produzindo assim um conjugado que mantém o movimento de forma estável. A fim de analisar o funcionamento em regime permanente suponha-se o rotor girando a uma velocidade constante igual a n rpm. Se a fonte mecânica que gira o rotor à velocidade síncrona for retirada. o motor de indução de rotor bobinado pode ser utilizado como conversor de freqüência. que é chamada de “freqüência de escorregamento”. para obtenção de tensões em freqüências diferentes daquela do estator. são vantagens incontestáveis dessa tecnologia. Assim. o escorregamento é dado como uma fração da velocidade síncrona. como não há fonte elétrica de excitação do circuito de rotor. no sentido de rotação definido pelo campo girante.rotor são comuns em máquinas de indução: o “rotor bobinado”. com o mesmo número de pólos que o enrolamento de estator e com os terminais soldados a anéis coletores. tem-se n < n1 . este diminuirá momentaneamente de velocidade. a máquina de indução funciona basicamente como um transformador. que consiste de barras condutoras encaixadas no ferro do rotor e curto-circuitadas em suas extremidades através de anéis condutores. A robustez e a simplicidade da construção. que por sua vez produzem correntes. Esse fenômeno é conhecido como “escorregamento”. a freqüência das tensões induzidas nesses condutores será igual a sf. o que implica em baixo custo. A partir daí. e o “rotor em gaiola de esquilo” ou simplesmente “em gaiola”. Em geral. Nessa situação. dada por n1 − n = sn1 . por ação de forças mecânicas que se opõem ao movimento. os enrolamentos de rotor são curto-circuitados e as correntes de rotor são então . Se o rotor é levado a girar de tal forma que n = n1 . sendo definido matematicamente como: s= n1 − n n1 de onde: n = n1 (1 − s ) Tendo em vista a velocidade relativa entre os condutores do rotor e o campo do estator. cuja velocidade é n1 = 120 f / P . Portanto. Essas correntes de rotor produzem um campo que tende a se alinhar com o campo de estator.

produzindo assim o conjugado que mantém a rotação. considerando ainda proporcionalidade entre Fr e I r . A característica conjugado x escorregamento ou conjugado x velocidade é mostrada na figura abaixo: . o que torna as reatâncias de rotor desprezíveis. φer . as correntes de rotor são menos que proporcionais às tensões induzidas e conseqüentemente ao escorregamento. Essas correntes produzem um campo magnético que tende a acompanhar o campo do estator. as correntes de rotor e a onda de fmm correspondente se atrasa ainda mais. o estator de um motor de indução é usualmente alimentado por tensão e freqüência constantes. Portanto. Os campos são então estacionários entre si e o conjugado resultante é estável. As correntes de rotor são muito elevadas. caso seja vencido o conjugado antagonista. Nesse instante. Além disso. de maneira que a velocidade absoluta do campo do rotor é dada por: ( sn1 ) + n = (n1 − n) + n = n1 Portanto o campo do rotor também gira à velocidade síncrona. Além disso. a velocidade constante. Mas o rotor gira com velocidade n. de modo que o fluxo resultante no entreferro. em relação as suas resistências. Como esse conjugado existe em qualquer velocidade diferente da síncrona. situando-se na faixa de 3% a 10% para motores em gaiola. de maneira que senδ r ≅ 1 e o conjugado fica praticamente proporcional ao escorregamento. que por sua vez são proporcionais à freqüência de escorregamento. as correntes de rotor são praticamente proporcionais às tensões induzidas. o campo do rotor girará com relação a sua superfície com uma velocidade igual a sn1 . A freqüência das tensões geradas no rotor varia. senδ r diminui. com relação à onda de fluxo resultante. Assim como na máquina síncrona ligada a um barramento infinito. bem como pela fems induzidas nessa freqüência. fazendo o escorregamento variar desde s = 1 até o seu valor final em funcionamento estável. No presente momento é importante apenas observar que há um conjugado de partida e. a expressão do conjugado pode ser simplificada para: T = KI r senδ r Para condições normais de funcionamento. pois a máquina se comporta como um transformador energizado com tensão nominal e secundário em curto-circuito. Nesse caso. Na partida. o motor de indução funciona basicamente como um transformador e as correntes induzidas no rotor se devem à variação temporal das correntes de estator. produzido pelo rotor e sua carga.definidas pelas impedâncias dos enrolamentos à freqüência de escorregamento. Para escorregamentos maiores. a onda de fmm de rotor se atrasa aproximadamente de 90º em relação ao fluxo resultante. portanto. o escorregamento é pequeno. Em capítulos posteriores serão apresentados alguns procedimentos para limitar essa corrente de partida. com carga nominal. com relação ao estator. de 2 a 6 Hz. é praticamente constante. s = 1. passa a ser denominado conjugado assíncrono. Assim como o campo do estator gira com relação a este com uma velocidade n1 . Assim. a máquina partirá.

Comentou-se no estudo da máquina síncrona que. Conforme se mostrou no capítulo anterior. Para que seja produzida a partida. Um enrolamento com dois caminhos paralelos foi escolhido para explicar o funcionamento de um comutador mais próximo dos encontrados na prática. O comutador está representado pelo anel central com 12 segmentos. no sentido de baixo .. A máquina começa a funcionar com a excitação de campo desligada. 3. para que este assuma a velocidade síncrona. o mesmo número de eixos magnéticos. um enrolamento em gaiola é acondicionado no rotor de motores síncronos. o que produz uma pequena aceleração no rotor. quando funcionando como motor. o efeito desse enrolamento distribuído é um campo resultante vertical. Quando o rotor atinge uma velocidade próxima da síncrona.c. o circuito de campo é energizado. desconsiderando os caminhos paralelos. isolados entre si. Notar que esse é o mesmo número de bobinas. esta não possui conjugado de partida. ou seja.4 Funcionamento do comutador A figura abaixo mostra esquematicamente as conexões dos condutores componentes do enrolamento de armadura de uma máquina de c.

o que resulta em faiscamento. que seria linear. do comutador. de um lado. conforme esquema da figura abaixo.. . mantendo o sentido do campo de armadura ainda vertical. o torque eletromagnético produz rotação no sentido horário.para cima. precisa inverter subitamente o sentido de sua corrente. pela outra escova. Notar que o condutor de numero 7. o conjugado mecânico deve ser aplicado no sentido anti-horário e o conjugado eletromagnético passa a ser antagonista. as bobinas a elas ligadas ficam curto-circuitadas e removidas do restante do circuito. serão estudados os procedimentos adequados à obtenção de comutação linear. A inversão de corrente não se dá de forma ideal. como também os anéis 7 e 8. mantendo as direções de referência das correntes. Após essa transição o condutor 1 ocupará o lugar do condutor 12 e terá sua corrente invertida. Durante o pequeno intervalo de tempo em que uma escova faz contato simultâneo com duas lâminas. Para funcionamento como motor e para as direções de referencia das correntes. que está conectado ao segmento de número 2. Admitindo um pequeno deslocamento nesse sentido. Para funcionamento como gerador. No capítulo dedicado ao estudo detalhado da máquina de c. os segmentos 1 e 2 do anel comutador ficam curto-circuitados por uma escova.c. Essa situação é mostrada na figura abaixo.

produzido pela armadura. Lembrando que o seno do ângulo entre os fasores representativos dessas grandezas é igual a 1.5 Máquinas de c. Embora a onda de fmm de armadura não seja senoidal. O rotor acomoda o enrolamento de armadura. As figuras seguintes mostram a representação esquemática usual de máquina de c. tem-se: T= π P 2   φd Fa1 22 Considerando que o valor de pico da componente fundamental da onda espacial triangular de fmm de armadura é 8 π vezes a sua amplitude máxima. facilitando a comutação. tem-se: T = K aφ d I a A constante K a é dada por: .. que acomoda um enrolamento alimentado por c. está a 90º do eixo direto e por isso é denominado de eixo em quadratura.c. conforme se detalhou na seção anterior. produzindo baixas correntes. O estator apresenta uma estrutura de pólos salientes. o conjugado pode ser expresso em função de sua componente fundamental. φ d . A posição das escovas é escolhida de tal forma que os condutores das bobinas sob comutação se encontram na zona-morta de influência do campo de estator. ou seja. têm sido apresentadas em vários tópicos ao longo desse texto.: características básicas As características construtivas essenciais da máquina de c. e do fluxo no eixo direto por pólo. O eixo do campo magnético resultante. Fa1 .3. cujos condutores são conectados aos segmentos do condutor.c.c. e seu diagrama de circuito. O eixo dos pólos do estator é conhecido como “eixo de campo” ou “eixo direto”. a meio caminho entre os pólos de campo.c.

já calculados anteriormente de modo que a tensão entre as escovas pode ser dada por: Ea = K aφd ωm onde K a foi definida na equação de torque. para uma determinada velocidade. como mostra a figura abaixo: O valor médio resultante é a soma dos valores médios. A tensão obtida através das escovas do comutador é a soma das tensões das diversas bobinas. Notar que Ea ωm = T . Uma curva de magnetização típica é mostrada na figura abaixo. uma vez que os eixos magnéticos dos enrolamentos de campo e de armadura se encontram defasados (idealmente) de 90º. Admite-se que fmm de armadura não tem influência sobre o fluxo de eixo direto. relacionando a fmm . resultando em uma forma ondulada. O fluxo φd pode ser determinado a partir do conhecimento da característica fluxofmm do circuito magnético da máquina. isto é. de sua curva de magnetização. ou ainda: Ia Ea I a = Tωm o que reafirma o princípio da conservação da energia no processo de conversão. Tendo em vista que a fem gerada na armadura é proporcional ao fluxo de campo. trabalhar com uma curva de magnetização modificada. do ponto de vista de medição das grandezas. torna-se mais conveniente.Ka = PZ a 2π a onde Z a é o número de condutores por bobina e a é o número de caminhos paralelos.

que é proporcional à fmm. através da relação: Ea ωm = Ea 0 ωm 0 A curva de figura (c) usa como abscissa a corrente de campo. para uma velocidade específica ωm 0 . através de ensaios. Admitindo a operação em uma região linear da curva resultante. i f . o fluxo é proporcional à corrente e é dado por: φd = Ρd ∑ N f i f . com o auxílio de uma curva como a mostrada na figura abaixo. Considerando que a relutância de entreferro é muito superior à relutância do ferro. pois sua obtenção. envolve procedimentos de medição muito simples. no circuito magnético de eixo direto.(ou a corrente de campo) com a fem. pode-se calcular a tensão gerada Ea para uma velocidade ωm específica. Em muitas aplicações práticas ela é preferível. supõem-se constante a relação: Ea 0 ωm 0 = K aφd Assim.

A atratividade da máquina de c. para iniciar o processo de auto-excitação. A figura abaixo apresenta características típicas de regulação de tensão. E a é constante e Vt varia exclusivamente com a corrente de carga. A tensão terminal é dada então por: Vt = E a − Ra I a Notar que a fem Ea depende do fluxo no eixo direto e.c. Em todos estes. Para excitação independente. admitindo velocidade de acionamento constante. nas demais. para máquinas funcionando como gerador. é necessário que haja um magnetismo residual nos pólos de campo. Tendo em vista que a corrente de campo é uma fração muito pequena (1 a 3 por cento) da corrente nominal de armadura. que são obtidas a partir das diferentes maneiras possíveis de realizar a excitação dos enrolamentos de campo. As figuras abaixo mostram esquematicamente as diferentes formas de excitação do enrolamento de campo. Ra . a excitação de campo é provida pelo próprio circuito de armadura. segundo diferentes esquemas.c. independente é utilizada para prover a excitação. para geradores auto-excitados. uma pequena quantidade de potência no circuito de campo é capaz de controlar uma potência elevada no circuito de armadura. uma fonte de c. Na figura (a). . é uma fem Ea . O modelo de circuito de um gerador c. é decorrente da sua capacidade de apresentar uma grande variedade de características de funcionamento. conseqüentemente. em série com a resistência equivalente das bobinas de armadura. de acordo com os diferentes esquemas de excitação. Esse não é o caso. de como este varia com a corrente de armadura (carga).c.

de modo que a tensão obtida para correntes próximas à nominal fica aproximadamente constante. considerando tensão terminal constante. A figura abaixo mostra tais características. Já os geradores com excitação em derivação possuem tensão terminal que cai pouco com a carga. pois precisa transportar a corrente de carga e então poucas espiras são suficientes para produção de fmm. Por isso. . esse tipo de excitação quase não é utilizado para geradores. para motores. já o campo série é constituído de condutor grosso. Nos geradores compostos.Notar que o gerador série apresenta uma variação muito elevada da tensão terminal com a carga. para produzir a fmm desejada tendo em vista que é circulado por uma baixa corrente. Em geradores compostos. o enrolamento série é usualmente enrolado por cima do campo de derivação. Construtivamente. é importante analisar as características velocidade-conjugado. Um controle fino da tensão em geradores derivação e composto pode ser realizado através de um reostato no campo de variação. comparativamente. a equação que relaciona a fem gerada com a tensão terminal é: Vt = E a + Ra I a Enquanto a regulação de tensão é uma característica importante para geradores. para motores típicos. Nesse caso. com muitas espiras. Os esquemas de excitação adotados para geradores são também utilizados para motores. o enrolamento do campo derivação é constituído de condutor fino. a queda de tensão decorrente do campo de variação pode ser compensada pela elevação provocada pelo campo série.

de maneira que se obtém uma variação correspondente na velocidade. há então uma queda de velocidade. um aumento no conjugado de carga exige aumento de corrente que. O fluxo de campo é alterado pela corrente que circula no reostato. . Mas.m. Em aplicações nas quais podem ocorrer sobrecargas pesadas. embora a ligação subtrativa seja raramente utilizada. produz um aumento de fluxo. reduzindo a fcem gerada. E a . não exigindo assim tanta corrente da fonte. esse tipo de motor pode ser vantajoso. tem-se uma característica velocidade-conjugado intermediária. através de um reostato de campo. um aumento em conjugado exige um aumento proporcional na corrente de armadura. inversamente proporcional à variação do fluxo. o motor derivação permite. para Ea constante. pela tensão terminal aplicada. Permitindo-se adicionalmente variações de tensão de armadura.e. Em princípio.Motores com excitação independente possuem fluxo de campo praticamente constante. compensando assim aumentos muito acentuados na corrente. No motor composto. Isso provoca uma pequena queda na velocidade. Assim. controlar a velocidade dentro de uma faixa relativamente ampla (5 x 1). pois o acréscimo de potência fica limitado pela queda de velocidade.c. Ea é mantida praticamente constante. pode-se obter faixa muito ampla de variação de velocidade. nesse caso. para compensar o aumento de fluxo. o campo série poderia ser aditivo ou subtrativo. como a f. No motor série. Embora seja um motor de velocidade praticamente constante.

a fim de realizar um estudo sobre os efeitos do motor de indução sobre o circuito de alimentação.2 Ondas de fluxo de fmm em máquinas de indução Tendo em vista que a onda de fluxo resultante gira em relação ao rotor com velocidade de escorregamento.1 Introdução Devido à alimentação dos enrolamentos polifásicos de estator por correntes equilibradas. que mantém a rotação. para uma máquina de dois pólos. produzindo correntes. tem-se que a onda de fmm de rotor (e o fluxo de rotor) se atrasa de 90º em relação ao fluxo resultante. Por efeito de indução magnética. giram sobre o rotor à velocidade de escorregamento.Capítulo 4: Motores de Indução em Regime Permanente 4. as fems induzidas no rotor . resultando em um conjugado constante. são geradas nos circuitos de rotor. para circuitos de rotor puramente resistivos. Essas observações e as equações já apresentadas no capítulo anterior serão utilizadas nesse capítulo. a) Reação do rotor Uma vez que a onda de fluxo resultante está adiantada de 90º elétricos das fems induzidas no rotor. Para a máquina de dois pólos. bem como a onda de fluxo resultante. 4. φ 2 . O conjugado desenvolvido por interação desta fmm com o fluxo resultante é dado por: T= π P 2   φer Fr senδ r 22 onde δ r é o ângulo espacial entre os campos. resultante e de rotor. portanto. cujo efeito é uma onda de fmm que gira na mesma velocidade que o fluxo de estator. δ r = 90º e o conjugado assume seu valor ótimo. tem-se.s. Como o rotor gira a uma velocidade abaixo da velocidade síncrona. a onda de fmm de rotor. portanto: δ r = 90º +φ2 . as correntes de rotor se atrasam das fems induzidas do ângulo de fator de potencia. forma-se uma onda de fluxo de amplitude constante que gira no entreferro à velocidade síncrona.m. f. entretanto. Se. Tem-se.e as correntes por ela produzidas – estão na freqüência de escorregamento. o fluxo disperso de rotor e a reatância de dispersão correspondente forem consideráveis.e. São essas correntes que produzem a fmm de rotor.

Considerando. girante. à freqüência de escorregamento. induzidas pelo fluxo de estator . correntes e impedâncias do rotor equivalente são definidos como valores referidos ao estator. Como o rotor possui seus enrolamentos curto-circuitados. mas com número de espiras por fase igual ao enrolamento de estator.s. que o rotor foi substituído por um outro. Esse movimento relativo produz fems induzidas no estator.em uma situação hipotética sem rotor . O estator. Assim como ocorre em transformadores. a relação fasorial entre a fem gerada e a corrente do rotor equivalente resulta então na impedância de dispersão.c. Se o número de espiras por fase do estator. hipoteticamente. fixos. sendo N r o número de espiras por fase do rotor.m. à freqüência de escorregamento. podem ser relacionados através da equação: E 2e = aE rotor Como as fmms produzidas por ambos são iguais. Essa reação é idêntica à que acontece com o circuito primário de um transformador. é: Z 2e = a 2 Z rotor Os valores das tensões.reduzindo a tensão interna gerada do estator. situando-se a 90º +φ 2 (atrás da onda de fluxo). este não tomaria conhecimento dessa mudança.Notar que φ 2 é o ângulo de fator de potência da impedância de dispersão do rotor.N r . quando se conecta carga no seu secundário. real e fictício. na freqüência de escorregamento: E 2e = Z 2 e = r2 + jsx2 I 2e . a relação entre as impedâncias de dispersão.e. os circuitos de rotor de motores de indução reagem produzindo uma onda de fmm com o mesmo número de pólos que a onda de estator. para compensar o desbalanceamento de tensões. que gira com a mesma velocidade que o fluxo resultante. caso a fmm produzida pelo rotor equivalente fosse a mesma. as tensões induzidas em ambos os rotores. toma conhecimento da existência do rotor devido a sua onda de fmm. cujos enrolamentos estão. com o mesmo número de pólos que o primeiro. N e for igual a a. tem-se: I 2e = I rotor a Conseqüentemente. naturalmente. com polaridade oposta àquela das f. para o mesmo fluxo e velocidade. b) Grandezas de rotor relativas ao estator Pelo menos no que se refere às componentes fundamentais. o circuito de alimentação envia mais corrente.

Essa equação pode ser representada pelo seguinte diagrama de circuito: 4. Assim como em um transformador. dos enrolamentos de armadura. Como em um transformador. de maneira que o circuito equivalente. essa corrente pode ser desmembrada em duas parcelas. sendo estas todas. com relação à tensão E1 . grandezas por fase Y do estator. que se opõe à tensão aplicada. representa a perda de potência no circuito magnético. atrasada em 90º. a outra. definem-se as correntes de excitação ( Iϕ ). E1 é a fcem gerada. (r1 + jx1 ) é a impedância de dispersão e I1 é a corrente da fonte de alimentação.onde x2 é a reatância de dispersão do rotor equivalente (ou referida ao estator).3 O Circuito Equivalente da Máquina de Indução A análise que segue é realizada para uma máquina funcionando como motor. a máquina exige uma pequena corrente da fonte de alimentação. Conclusões semelhantes podem ser obtidas para geradores. um fluxo mútuo resultante no circuito magnético gera fcems induzidas no enrolamento de cada fase do circuito primário. por fase. de acordo com a expressão: Vt = E1 + (r1 + jx1 ) I 1 onde Vt é a tensão terminal. sendo uma delas responsável diretamente pelo fluxo no circuito magnético e. toma a forma da figura abaixo: . conseqüentemente. invertendo as direções de referência das correntes de estator. na freqüência do estator. de magnetização ( I m ) e de perdas no circuito magnético ( I n ). Assim. necessária à manutenção do fluxo resultante. Essa relação pode ser representada pelo circuito equivalente da figura abaixo: Mesmo quando não há carga no eixo do motor.

evidentemente. com grandezas relativas ao estator. tem-se: s E1 = (r2 + jsx2 ) I 2e ou r  E1 =  2 + jx2  I 2 e s  Essa última equação pode ser usada para completar o circuito equivalente: . Notar que o circuito da figura acima é idêntico ao que representa os fenômenos que ocorrem no primário de um transformador em vazio. considerar-se-ão grandezas relativas ao estator. à freqüência de estator e para um valor de E1 que corresponde ao funcionamento com tensão terminal nominal.A corrente I n está naturalmente em fase com E1 e as grandezas g n e bm são a condutância de perdas e a susceptância de magnetização. Para incluir os efeitos dos fenômenos de rotor. Como a tensão gerada pelo fluxo resultante é proporcional à velocidade relativa entre a onda de fluxo e os enrolamentos. usualmente. respectivamente. supondo enrolamentos de rotor e de estator com mesmo número de espiras. a tensão gerada no rotor equivalente é: E 2e = s E1 Mas. Essas grandezas são determinadas. tem-se que: E 2e = (r2 + jsx2 ) I 2e Combinando as equações acima. a partir do circuito equivalente de rotor. Já a corrente I m se defasa de 90o de E1 e é a responsável pela produção do fluxo mútuo.

subtraída a corrente de excitação. varia com a carga no eixo. a potência mecânica interna da máquina é dada pela diferença: 1− s r  Pmec = Pg1 − P2 perdas = q1 I 22  2 − r2  = q1I 22 r2 . que gira à velocidade síncrona. se encontram na freqüência de estator. s s  ou ainda: Pmec = (1 − s ) Pg1 e: 1− s r  Pg1 = q1I 22  2  = q1 I 22 r2 . 4. a corrente de estator produz uma fmm que é exatamente equilibrada pela fmm pela corrente de rotor. a potência total transferida do estator para o rotor. essa grandeza representa não apenas a dissipação de potência nos circuitos de rotor. por sua vez. algumas características de desempenho. estacionários. Por exemplo. Deve-se notar ainda que. Isso se justifica pelo fato de que variações no desempenho do rotor são “informadas” ao estator através de variações na onda de fluxo resultante. referidas ao estator. + q1I 22 r2 s s   Isso sugere que o circuito equivalente seja modificado para refletir essas duas parcelas da potência transferida através do entreferro. Portanto. é: Pg1 = q1 r2 2 . Além disso.Notar que a parte real da impedância de rotor é variável com o escorregamento que. mas também a potência desenvolvida no eixo da máquina. em uma máquina de q1 fases. como correntes. as grandezas de rotor. relativamente aos seus enrolamentos. como mostra a figura abaixo: .I 2 s e as perdas no cobre dos enrolamentos de rotor são dadas por: P2 perdas = q1r2 I 22 Portanto. velocidade e perdas podem ser obtidas em função do conjugado da carga.4 Análise do Circuito Equivalente A partir do circuito equivalente do motor de indução.

Tendo em vista que a corrente de excitação em máquinas de indução usuais situa-se na faixa de 30% a 50% da corrente nominal.T Combinando essa equação com a equação anterior de Pmec. pode ser obtida através da expressão: ωs = 4πf N pólos Notar que.Lembrando que o produto do conjugado eletromagnético exercido sobre o rotor pela sua velocidade reproduz a potência desenvolvida no eixo. o ramo de excitação não pode ser desprezado. aglutinando estas com as demais perdas da máquina. devido também aos altos valores de reatância de dispersão. Assim. o circuito equivalente fica: . tem-se: Pmec = (1 − s )ωs . consiste em eliminar o ramo de perdas no ferro. para então obter a potência disponível no eixo. A única aproximação que é comumente permitida. fica: T= q1I 22 r2 . Essa potência resultante define então o conjugado de acionamento de carga. como é prática comum nas aplicações com transformadores. ωs s A velocidade síncrona. como também as perdas suplementares. estas devem ser subtraídas ainda do valor de Pmec calculado pelas equações acima. por facilitar a obtenção de parâmetros de circuito equivalente. que serão subtraídas para obter a potência líquida que define o conjugado. Mais além. para efeito de simplificação. caso sejam consideradas as perdas por atrito e ventilação. em rd/s. a evolução para circuitos L-equivalentes torna-se proibitiva.

10 HP e 6 pólos.740watts 0.2π rd / s Pólos 120 f = 0.4º jxϕ I2 = I1  r2  jxϕ +  + jx2  s  Pg1 = 3.294 .0.8 ∠ − 32. x2 = 0.02 A potência mecânica interna é: Pmec = (1 − s ) Pg1 = 0. potência de saída e conjugado de carga. calcular: a) velocidade do rotor.5 Exemplo de aplicação Um motor de indução trifásico.4.98rd / s = 39. ou n = (1 − s ). por atrito e por ventilação são de 403W e são consideradas independentes da carga.632 watts A potência da carga será então: .144 . 220V.70 + j 3. Solução: a) ωr = (1 − s ). xϕ = 13.I 22 . tem as seguintes constantes em ohm/fase. 60 Hz. c) fator de potência e rendimento. referidas ao estator: r1 = 0. Para um escorregamento de 2%.144 = 5. b) corrente de estator. 0.98.5740 = 5. r2 = 0.61 Pg1 = q1I 22 Z eq I1 = V1 220 ∠0º = 127V .25 As perdas totais no ferro.98.1200rpm = 1176 rpm Pólos b) r2 s = (r1 + jx1 ) + ( jxϕ ) //(r2 s + jx2 ) = 5.V1 = Z eq 3 I 1 = 18.ωs = 2π (1 − s ).503 . x1 = 0. f Pólos = (1 − s ) 2 4πf = 40π . e funcionamento com tensão e freqüência nominais.209 .

usando o circuito equivalente de Thévenin.863 = 86.6 Conjugado e potência a partir do teorema de Thévenin A expressão do conjugado interno exige o conhecimento da corrente I 2 . a partir das características nominais da máquina.5 N . = 0. A fim de facilitar o cálculo do conjugado e da potência. pode-se representar o circuito de estator. = cos ∠θ1 = cos 32.Pc arg a = Pmec − Pperdas = 5632 − 403 ≅ 5.98. que não é um dado obtenível diretamente.6) c) f . p.844 onde θ1 é o ângulo entre V 1 e I 1 Pentrada = Pc arg a + 3r1 I12 + 3r2 I 22 + 403 = 6060W n= Pc arg a Pentrada = 5230 = 0. o conjugado será: Tc arg a = Pc arg a ωr = 5230 = 42. O circuito resultante fica: onde V 1a = jxϕ r1 + jx1 + jxϕ e R1 + jX 1 = V1 ( jxϕ )(r1 + jx1 ) r1 + j ( x1 + xϕ ) .4º f .125. p.230 watts Portanto.3% 6060 4.m (0.

para região de velocidades negativas. 2 2 ( R1 + r2 / s ) + ( X 1 + x2 ) s . Para s > 0. Notar que. fazendo com que o campo gire em sentido contrário à rotação mecânica. Isso significa que a velocidade praticamente não varia. Portanto. produzindo um torque de frenagem. O comportamento poderia ser avaliado pelo prolongamento da curva. essa região de curva é chamada de “região de frenagem” e o método de parada é conhecido como “frenagem por inversão de fases”. nessa região. Esse comportamento pode ainda ser obtido através da inversão súbita de duas fases. 2 ωs  r  2  R1 + 2  + ( X 1 + x2 ) s  q1 A curva conjugado-velocidade ou escorregamento é mostrada na figura abaixo. tem-se funcionamento como motor. é necessário que a máquina seja acionada no sentido contrário ao de rotação do campo. a curva conjugado-velocidade apresenta uma inclinação acentuada. para velocidades próximas da síncrona. para s < 0. tem-se funcionamento como gerador. Para se obter s > 1. mesmo para variações consideráveis do conjugado. Por isso. resultando em: Pmec q1V12a r2 1− s = .Assim: I 2 = V12a V 1a e I 22 = 2 r   r2   2  R1 + 2  + j ( X 1 + x2 ) R +  1  + ( X 1 + x2 ) s  s  V12a  r2   s Portanto: T = . que é definido pela exigência de carga no eixo. para funcionamento em torno das condições nominais de operação. o motor de indução é basicamente uma máquina de velocidade constante. A curva para a potência mecânica interna pode ser obtida através da relação Pmec = (1 − s )ωsT .

O produto ω s T corresponde à potência desenvolvida na resistência r2 / s que. substituindo na expressão do conjugado.A curva é semelhante à de conjugado. observa-se que na região em que s > 1. A figura ainda mostra a variação da corrente de armadura com o escorregamento. a potência é negativa. conforme a expressão encontrada para T. pelo princípio de casamento de impedâncias. I2 = V1a 2 r   2  R1 + 2  + ( X 1 + x2 ) s  Notar que o conjugado máximo e a potência interna máxima não ocorrem à mesma velocidade. como mostra a figura abaixo. obtém-se: . O conjugado máximo ocorre quando a potência ω s T é máxima. o que significa que a máquina entrega potência ao circuito de alimentação. Entretanto. assume seu valor ótimo quando: r2 smáxT = R12 + ( X 1 + x2 ) 2 ou: smáxT = r2 2 R12 + ( X 1 + x2 ) que.

é necessário que variações na resistência do circuito de rotor sejam acompanhadas por variações proporcionais no escorregamento e. em algumas aplicações. 0. Também o valor do escorregamento.7 Curvas normalizadas de conjugado-velocidade Tendo em vista que a curva conjugado-velocidade é função de diversos parâmetros. como mostram as curvas da figura abaixo.5q1V12a ω s R1 + R12 + ( X 1 + x2 )2 Conforme se observou da curva conjugado-velocidade. para o qual ocorre conjugado máximo. em cujos enrolamentos é possível conectar resistências. Dividindo membro a membro ambas as expressões de T e Tmáx. costuma-se utilizar funções de conjugadovelocidade normalizadas.Tmáx = 1 . usam-se motores de rotor bobinado. na velocidade. Entretanto. a máquina de indução apresenta uma velocidade de regime permanente praticamente constante. pela expressão do conjugado máximo. obtém-se: 2[ R1 + R12 + ( X 1 + x2 ) 2 ] r2 T s = 2 Tmáx r   2  R1 + 2  + ( X 1 + x2 ) s   Explicitando r2 na expressão de s máxT e substituindo na equação acima. fica: . Assim. variando assim a resistência equivalente de rotor. 4. trabalhar com curvas normalizadas. Para manter o conjugado constante. conseqüentemente. A fim de conseguir uma característica de velocidade variável. com um número menor de parâmetros. às vezes é mais simples. o valor do conjugado máximo independe do valor dessa resistência. varia proporcionalmente a r2 .

de maneira que boas aproximações podem ser obtidas a partir da função normalizada simplificada. comparativamente às demais impedâncias do circuito equivalente. definem-se funções normalizadas de corrente de carga. para simplificar a expressão acima. pode-se obter: . para diversos valores do parâmetro Q. pode-se fazer Q → ∞ . Semelhantemente às curvas normalizadas de conjugado-velocidade. a função normalizada fica: T = Tmáx 2 s s máxT + s máxT s A figura abaixo mostra uma família de curvas normalizadas.T = Tmáx sendo Q = 1+ Q2 +1 1+  s s 1 Q 2 + 1 + máxT 2 s  s máxT    X 1 + x2 R1 Considerando o baixo valor de R1 . Nesse caso. A partir das expressões de I 2 e s máxT . notar que a influência dos valores de Q é pequena.

para cada projeto de máquina. não apenas em funcionamento normal de regime permanente. . Entretanto. o valor da resistência de rotor é determinante do desempenho da máquina. soluções de compromisso devem ser encontradas.I2 I 2 máxT = (1 + ) 2 1 + Q2 + Q2 2  smáxT  1+ Q2  + Q2 1 + s   ≅ 2Q 2 2  smáxT  2 2   Q +Q s   = 2 2  smáxT    +1  s  4. Quanto maior o valor dessa resistência. Dessa forma. valores elevados de r2 prejudicam o rendimento do motor. dependendo das exigências de aplicação específica. apesar de influírem positivamente no fator de potência. mas também na partida (s=1).8 Efeitos da Resistência de Rotor Conforme se pode observar das equações de conjugado e corrente. menor será a corrente de partida e maior será o conjugado correspondente.

as resistências externas podem ser completamente excluídas do circuito de rotor. à medida em que a máquina ganha velocidade e o escorregamento começa a diminuir. 4. A indutância de dispersão da camada mais profunda é maior do que a indutância na camada da periferia do rotor.2 Rotores de barras profundas e de gaiola dupla Devido a efeitos da distribuição não uniforme de fluxo disperso nas barras do rotor.8. a corrente em cada barra tende a circular em camadas mais próximas da superfície. fazendo com que a resistência efetiva da barra seja maior que se houvesse uma distribuição uniforme da corrente. Semelhantemente ao efeito pelicular. de acordo com: 2 1 2 r2 = s( máxT ) R12 + ( X 1 + x2 ) Quando a máquina atinge a velocidade nominal. como mostra a figura abaixo: . este fenômeno se acentua com o aumento da freqüência.1 Motor de rotor bobinado A fim de permitir que a resistência equivalente do rotor assuma valores diferentes. a corrente será maior na periferia. para cada velocidade (ou escorregamento). fazendo com que este assuma sempre seu valor máximo. se esta for uma característica desejável de determinada aplicação. Dessa forma é possível controlar o conjugado. a resistência efetiva é uma função da freqüência. Considerando que as camadas estão em paralelo. as reatâncias de dispersão são maiores nas camadas mais profundas.4. a partir dos quais podem ser conectados resistores variáveis.8. pode-se obter um bom rendimento em funcionamento normal. de acordo com: smáxT = r2 2 R + ( X 1 + x2 ) ou seja. produzindo um curto-circuito nos anéis coletores. na partida e em funcionamento normal. r2 é escolhida. o motor de rotor bobinado permite ainda o controle de sua velocidade. costuma-se adotar a solução de rotor com enrolamento idêntico ao estator. Como a distribuição de corrente depende de um efeito indutivo. Além de permitir um controle das condições de partida. proporcionalmente à diminuição de r2 . Assim. Assim. mas com terminais solidários a anéis coletores.

que na velocidade nominal. e bom desempenho em funcionamento nominal. que não apresenta a flexibilidade do rotor bobinado. de acordo com as exigências de projeto. Já as barras profundas possuem dimensões um pouco maiores.3 Classes padronizadas para motores de indução . na partida. A gaiola mais superficial é constituída de barras de dimensão reduzida. por onde deverão circular as correntes na situação de mais alta freqüência (partida). Uma outra forma de obter o mesmo efeito é através do uso de duas gaiolas. quando as condições de partida são muito severas. com baixas resistências de rotor. possuir boas características de partida. 4. Mesmo assim. ou seja: quanto mais profundas forem as barras. em funcionamento normal (velocidade nominal) é igual a 2 ou 3 Hz. curtocircuitadas entre si através de anéis montados sobre o rotor. Lembrando que a freqüência das correntes de rotor. Este deverá ser utilizado. contribuindo para a redução da resistência equivalente nas baixas freqüências (funcionamento com velocidade nominal). Os motores com rotores em gaiola dupla ou em barras profundas podem. vê-se portanto que as barras profundas favorecem a obtenção de resistências de rotor significativamente maiores na partida. um aumento na largura das barras (profundidade alcançada no interior do rotor) produz uma redução na resistência efetiva mais significativa nas baixas freqüências. é igual a 60 Hz e. com altas resistências efetivas de rotor. o projeto deve atender a uma solução de compromisso. menor será a relação entre a resistência de rotor nas baixas freqüências e a resistência efetiva nas altas freqüências.8.Assim.

Sua operação pode ser manual ou automática. Possui basicamente o mesmo conjugado de partida dos motores da Classe A. São geralmente usados para acionar ventiladores. mas a corrente de partida é um pouco reduzida (75% da anterior). Nesta classe se encontram motores com gaiola única. c) Classe C (ABNT-H): Alto conjugado de partida e baixa corrente de partida são as características básicas dos motores dessa classe. Possuem rotores em gaiola . bombas e máquinas operatrizes. conhecido como compensador de partida. O conjugado de partida pode atingir o dobro do seu valor nominal. ocorrendo para um valor de escorregamento menor que 20%. Para potências nominais em torno de 7 HP. Já a corrente de partida. com o auxílio de relés. corrente de partida normal e baixo escorregamento. b) Classe B (ABNT-N): Conjugado de partida normal. Na Classe A se enquadram motores de potência nominal inferior a 7. sendo limitada. entretanto. o fator de potência. por um alto valor de reatância. embora possa provocar afundamentos de curta duração (VTCDs).De acordo com a classificação estabelecida pela NEMA (normas americanas) e pela ABNT (NBR7094). mas a máquina apresenta um bom rendimento.5 HP ou superior a 200 HP. A corrente de partida fica reduzida devido ao uso de gaiola dupla ou com barras profundas. com relativamente alta corrente de partida. Isso reduz. utilizando-se para tanto de um autotransformador. por isso. devido à baixa exigência de conjugado de partida. portanto.5 e 200 HP. O conjugado máximo é bem maior que duas vezes o conjugado de partida. a partida pode se dar com tensão plena aplicada diretamente nos terminais de estator. baixa corrente de partida e baixo escorregamento nominal. varia de 5 a 8 vezes a corrente nominal. Em outros casos. os motores de indução podem ser agrupados conforme suas características conjugado-velocidade e de corrente de partida nas seguintes classes: a) Classe A (ABNT-N): Conjugado de partida normal. A partida com tensão plena pode ser adotada em máquinas de potência maior que na Classe A. pode se partir a máquina com tensão reduzida. em motores de grande porte. Motores dessa classe são os mais comuns nas aplicações que exigem potências entre 7. Um diagrama de circuito desse equipamento é apresentado na figura abaixo. que são geralmente suportáveis pela rede de distribuição. de baixa resistência e. mas pode ser comparável ao valor nominal. Em muitos desses casos. em motores de pequeno porte. essa corrente se situa na ordem de grandeza de correntes de surto.

como também para mover cargas de alto impacto. costuma-se associar o motor a um volante. As aplicações principais desses motores se dão no acionamento de cargas intermitentes. Aplicações típicas de motores dessa classe são compressores e transportadores. Isso resulta num conjugado de partida mais alto. As formas práticas de implementação dessa característica se baseiam nas equações de conjugado e de freqüência. o motor de indução simples. repetidas a seguir: . mas a corrente de partida é baixa. que auxilia no impacto. O escorregamento à plena carga é igualmente elevado (7 a 11%). cuja resistência é elevada. com corrente de partida mais baixa.9 Controle de Velocidade Conforme se explicou em seções anteriores. mas com prejuízo do rendimento em funcionamento normal. Finalizando. Entretanto. transferindo sua energia cinética. é uma máquina de velocidade constante. Neste caso. a característica da velocidade variável pode ser requerida para diversas aplicações. Possuem geralmente um rotor com gaiola única. Curvas típicas das diferentes classes são apresentadas na figura abaixo. O conjugado máximo é também elevado e ocorre para valores de escorregamento entre 50 e 100%. 4. é necessário que o motor reduza significativamente a velocidade.dupla. que exigem altas acelerações. constituída freqüentemente de barras de latão. com o aumento do conjugado. sem requisitos adicionais. cabe ressaltar que essas Classes são usadas para agrupar características de comportamento médio de motores que possuem características de projeto semelhantes e são destinados ao mesmo tipo de aplicação. Para tanto. d) Classe D (ABNT-D): Alto conjugado de partida e alto escorregamento caracterizam os motores desta Classe. com resistência mais alta do que os da Classe B. relativamente às classes anteriores.

r  q1V12a  2  1 s T= . de maneira que para cada mudança. O enrolamento de estator é projetado de forma que. altera-se a velocidade do campo girante (síncrona) e conseqüentemente. para atender à exigência de conjugado constante. . através de alteração nas ligações das bobinas. a velocidade síncrona varia. b) Variação da freqüência da rede Variando a freqüência da tensão de alimentação. 2 ωs  r  2  R1 + 2  + ( X 1 + x2 ) s  P n f = 2 60 As formas usuais de implementação do controle de velocidade são: a) Variação do número de pólos Como a freqüência da rede não muda. Isso evita complicações devidas à necessidade de rearranjar o enrolamento de rotor. caso fosse bobinado.n deve permanecer constante. rotores em gaiola são utilizados nesse esquema. na mesma proporção. A variação de velocidade se dá em decorrência de alteração no conjugado eletromagnético (que varia com o quadrado da tensão terminal). bem como da característica torque-velocidade da carga. como mostra a figura abaixo. de maneira a produzir o mesmo número de pólos que o estator. o produto P. produzindo assim variação na velocidade do rotor. A variação de freqüência pode ser obtida através de conversores a estado sólido. entretanto. ou através de outra máquina de indução com rotor bobinado. que se altere o módulo da tensão terminal. duas velocidades síncronas ficam definidas. Portanto. sempre na razão de 2 para 1. o número de pólos é também alterado. é necessário. pois as gaiolas reagem com o mesmo número de pólos que o enrolamento de estator. Em geral. c) Variação da tensão da rede Esse método é comumente utilizado com pequenos motores. a velocidade do motor. Para que seja mantida constante a indução magnética.

03. definidas por três diferentes valores de resistência de rotor. A freqüência variável pode ser produzida por dispositivos a estado sólido. utiliza-se rotor bobinado. e) Aplicação de tensão com freqüência ajustável no circuito de rotor. A figura abaixo mostra três curvas conjugado-velocidade distintas. da carga. determinar: a) A componente de carga I2.d) Variação da resistência do rotor Os efeitos da resistência do rotor foram mostrados na seção anterior. ou através da tensão terminal de estator (da rede). alimentados independentemente. para um escorregamento s = 0.2: Para o motor do exemplo 7. b) O conjugado interno máximo e a velocidade correspondente. . definem valores correspondentes para a velocidade do motor. da corrente de estator. o conjugado interno T e a potência interna P. As interseções dessas curvas com a característica torquevelocidade. Nesse caso. Exemplos e Exercícios: Exemplo 7. que é alimentado com tensão na freqüência desejada.1.

144 = 78.192 2 2 2 2 0. calculam-se as grandezas do circuito equivalente de Thévenin: V1a=122.6992 3 2 ⋅ (150. 0.0 N ⋅ m 125.9 A 2 2 r2  r2    2 2  R1 +  + ( X 1 + x2 )  0.5 = 7980 watts r • Pmec = q1 (1 − s )I 22 .699 • R + (X + x ) • T= 1 1 2 nmax T = (1 − smax T ) ⋅ 1200 = 970 rpm • Tmáx = 1 .144 s máxT = = = = 0.80 = 7980 watts s b) No ponto de conjugado máximo.1. tem-se: r2 0.490) ohms.T = (1 − 0. dados no exemplo 7.273 + j 0.3 = I2 = = 23. para s = 0.80.490 + x2 ) s 0. = = 65.80 .97 ⋅ 23. 2 = 3 ⋅ 0.5) ⋅ 0.5 A .7504 0.5q1V12a ω s R1 + R12 + ( X 1 + x2 )2 c) Como na partida s = 1: V1a I 2 partida = = 2 (R1 + r2 ) + ( X 1 + x2 )2 T= q1 I 22partida ωs .3 0.9 2 ⋅ 4. r2/s = 4.c) O conjugado de partida e a correspondente corrente de carga no estator.273 +  + (0.417 2 + 0. Solução: a) A partir dos parâmetros de circuito equivalente.03) ⋅125.6 • Pmec = (1 − s )ω s .6 ⋅ 65.03    q1 I 22 r2 3 ⋅ 23. • A corrente I2 pode ser calculada por: V1a 122.r2 = = 175 N ⋅ m 122.273 + 0.6 = 150.9 2 ⋅ 4.5 N ⋅ m ωs s 125.144 0.3 volts e (R1 + j X1) = (0. Além disso.03 .

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