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TERMOQUÍMICA

A termoquímica estuda as trocas de energia, na forma de calor, envolvidas

nas reações químicas e nas mudanças de estado físico das substâncias. O

calor (energia calorífica) é a energia transferida de um sistema para outro (ou entre um sistema e o meio ambiente). São dois os processos em que

há troca de energia na forma de calor: exotérmico e endotérmico.

Processo exotérmico: ocorre com liberação de calor.

Fenômeno químico C 8 H 18 + 25/2O 2 8CO 2 + 9H 2 O + calor

Fenômeno físico

H 2 O (l)

H 2 O (s)

+ calor

Processo endotérmico: ocorre com absorção de calor. Fenômeno químico

2Fe 2 O 3 (s)

+ 3C (s)

+ calor 4Fe (s)

+ 3CO 2 (g)

Fenômeno físico

H 2 O (l)

+ calor

H 2 O (v)

CALORIMETRIA: medida das quantidades de calor

Unidades de medida:

Joule (J) - SI Calorias (cal)

Algumas conversões importantes:

1 kJ = 1000 J

1 kcal = 1000 cal

1 cal = 4,18 J

de medida: Joule (J) - SI Calorias (cal) Algumas conversões importantes: 1 kJ = 1000 J
de medida: Joule (J) - SI Calorias (cal) Algumas conversões importantes: 1 kJ = 1000 J

CALORÍMETRO OU BOMBA CALORIMÉTRICA

CALORÍMETRO OU BOMBA CALORIMÉTRICA Q v = m . c.  T Q v = quantidade

Q v = m . c. T

Q v = quantidade de calor recebida pela substância (cal)

m = massa da substância (g)

c = calor específico da substância (cal/g.ºC) T = variação de temperatura (ºC)

Ex.: Determinação do calor de combustão do grafite:

C

+

O 2

CO 2 .

No calorímetro coloca-se uma massa

conhecida de grafite atravessada por um

fio de ignição. Com o aparelho fechado

introduz-se O 2 em excesso e sob pressão. A corrente irá incandescer o fio de ignição

e provocar a queima do grafite. A

quantidade de calor que sai da bomba é

absorvida pelo calorímetro e pode ser calculada utilizando a elevação da temperatura da água.

Observações:

- Q v é o calor a volume constante, pois a bomba calorimétrica é hermeticamente fechada

- O calor específico da água é 1 cal/g°C

Calcule a quantidade de calor liberada por

uma reação química que é capaz de elevar

de 20ºC para 28ºC a temperatura de 2 kg de

água.

Resposta: 16 kcal ou 66,9 kJ

ENTALPIA

Energia POTENCIAL OU INTERNA
Energia
POTENCIAL OU INTERNA

cinética

Toda e qualquer substância possui certa quantidade de energia interna

armazenada, parte na forma de ENERGIA QUÍMICA (ligações entre os átomos, coesão entre as moléculas) e parte na forma de ENERGIA

TÉRMICA (movimentos de translação, rotação e vibração de átomos e

moléculas).

ENTALPIA (H) é a medida do calor potencial de uma substância.

Experimentalmente não podemos medir a energia potencial de cada

substância, porém, quando uma substância sofre uma transformação

química, podemos medir o calor absorvido ou liberado durante o processo, o que indica a variação dos calores potenciais (variação de

entalpia) entre o início e o fim da reação.

H = H final

H = H produtos

-

-

H inicial H reagentes

A entalpia é uma propriedade extensiva da matéria → depende da quantidade da substância.

REAÇÃO EXOTÉRMICA
REAÇÃO EXOTÉRMICA

ENTALPIA

Energia interna total dos reagentes (energia inicial) MAIOR que a energia interna total dos produtos
Energia interna total dos reagentes (energia
inicial) MAIOR que a energia interna total dos
produtos formados (energia final)

LIBERA ENERGIA NA FORMA DE CALOR

REAÇÃO ENDOTÉRMICA Energia interna total dos reagentes (energia inicial) MENOR que a energia interna total
REAÇÃO ENDOTÉRMICA
Energia interna total dos reagentes (energia
inicial) MENOR que a energia interna total
dos produtos formados (energia final)

ABSORVE ENERGIA NA FORMA DE CALOR

ENTALPIA

1º PRINCÍPIO DA TERMODINÂMICA LEI DA CONSERVAÇÃO DA ENERGIA
1º PRINCÍPIO DA TERMODINÂMICA
LEI DA CONSERVAÇÃO DA ENERGIA

A energia total após a reação

é igual à energia total antes

da reação

Numa reação, quando as moléculas

perdem energia interna, ganha-se igual quantidade de calor e/ou

trabalho.

ENTALPIA

H – VARIAÇÃO DE ENTALPIA.
H – VARIAÇÃO DE ENTALPIA.

MEDIDA DA QUANTIDADE DE CALOR LIBERADO OU ABSORVIDO POR UMA REAÇÃO A PRESSÃO CONSTANTE

REAÇÃO EXOTÉRMICA queima do carvão

C +

H

H reagentes

H produto

 CO 2 + calor O 2 C (s) + O 2 (g) reagentes H
CO 2
+ calor
O 2
C (s) + O 2 (g)
reagentes
H
CO 2 (g)
produto

caminho da reação

REAÇÃO ENDOTÉRMICA oxidação do nitrogêni

H

H produto

H reagentes

+ O 2 + calor  2NO N 2 2 NO (g) produto H +
+
O 2 + calor 
2NO
N 2
2 NO (g)
produto
H
+
N 2 (g)
O 2 (g)
reagentes
caminho da reação

FATORES QUE INFLUENCIAM NAS ENTALPIAS

a) Quantidade dos reagentes

H é eferente às quantidades molares escritas na equação.

Ex.: 2 H 2(g) + O 2 (g) 2 H 2 O (v)

H = -116,24 kcal

b) Estado físico dos reagentes e dos produtos de reação

A passagem de um estado físico para outro envolve absorção ou

liberação de calor. Este calor deve ser contabilizado no valor da

entalpia dos reagentes e dos produtos.

Considere os exemplos a seguir, a 1 atm e 25ºC:

H 2(g) + ½O 2 (g) H 2 O (v) H 2(g) + ½O 2 (g) H 2 O (l) H 2(g) + ½O 2 (g) H 2 O (s)

H = - 58,12 kcal H = - 68,56 kcal H = - 70,00 kcal

O gráfico indica as entalpias molares de fusão e

de vaporização, que tem valor igual à +1,44 kcal

e + 10,44 kcal, respectivamente.

as entalpias molares de fusão e de vaporização, que tem valor igual à +1,44 kcal e

FATORES QUE INFLUENCIAM NAS ENTALPIAS

c) Estrutura dos reagentes e dos produtos da reação Alotropia (elemento químico) e polimorfia (substâncias).

Como regra geral, pode-se dizer que a forma cristalina de maior

entalpia é a mais reativa e a de menor entalpia é a mais estável.

Ex.: C (grafite) + O 2 (g) CO 2 (g) C (diamante) + O 2 (g) CO 2 (g)

H 1 = - 94059 cal/mol H 2 = - 94512 cal/mol

d) Influência da forma como os reagentes estão presentes (em

solução ou não)

A dissolução de uma substância em água pode ser um processo exotérmico ou endotérmico, dependendo da substância a ser dissolvida. Devido a isso, o calor de reação irá sofrer influência e dependerá da diluição dos reagentes.

FATORES QUE INFLUENCIAM NAS ENTALPIAS

e) Temperatura em que a reação química ocorre

Uma mesma reação que ocorre em diferentes temperaturas apresentará

valores de H diferente em decorrência da diferença entre os calores específicos das substâncias que reagem e dos produtos, ou seja, a quantidade de calor necessária para aquecer um sistema que está numa dada temperatura é diferente em outra temperatura.

H 2 (g) H 2 (g)

+

+

Cl 2 (g) 2 HCl (g) Cl 2 (g) 2 HCl (g)

H = - 44000 cal (15ºC) H = - 44056 cal (75ºC)

 2 HCl ( g ) Cl 2 ( g )  2 HCl ( g

EQUAÇÃO TERMOQUÍMICA

Informações:

- temperatura e pressão na qual foi feita a reação;

- substâncias que reagem e que são formadas, com respectivos coeficientes;

- a fase de agregação (sólida, líquida ou gasosa) em que se encontra cada

substância;

- a variedade alotrópica;

- a quantidade de calor envolvida (liberada ou absorvida).

H 2 (g) + ½ O 2 (g) H 2 O (l)

C (diamante) + O 2(g) CO 2(g)

H = - 68,5 kcal/mol (25ºC, 1 atm)

H = - 94512 cal/mol (25ºC, 1 atm)

½ H 2 (g)

+

H 2 (g)

½ Cl 2 (g) + H 2 OHCl (aq)

H = - 40 kcal/mol (25ºC, 1 atm)

+

Cl 2 (g) 2 HCl (g)

H = - 44056 cal (75ºC, 1 atm)

ENTALPIAS DE REAÇÃO OU CALORES DE REAÇÃO

ENTALPIA PADRÃO
ENTALPIA PADRÃO

- temperatura de 25ºC;

- pressão de 1 atm;

- forma alotrópica (ou cristalina) e estado

físico mais estável e comum do elemento (ou composto);

- substâncias simples possuem entalpia

nula (zero) no estado padrão.

Por quê? Devido a impossibilidade de determinar diretamente as entalpias das substâncias, utiliza-se a variação de entalpia e essa

variação depende da temperatura, do estado físico, etc, precisa-se de um

referencial, um estado padrão.

A) ENTALPIA (OU CALOR) PADRÃO DE FORMAÇÃO (F )

Entalpia (ou calor) padrão de formação de uma substância é a variação de

entalpia verificada na formação de 1 mol da substância, a partir das

substâncias simples correspondentes, estando todas no estado padrão.

H 2(g) + ½O 2 (g) H 2 O (l)

H = H final H inicial

H = - 286,6 kJ/mol

(25ºC, 1 atm)

ou

H = H produtos - H reagentes

final – H inicial  H = - 286,6 kJ/mol (25ºC, 1 atm) o u 

A) ENTALPIA (OU CALOR) PADRÃO DE FORMAÇÃO (f )

Pelo fato de se referir à formação de 1 mol da substância, esse valor é também chamado de CALOR MOLAR DE FORMAÇÃO da substância. Exemplos:

de CALOR MOLAR DE FORMAÇÃO da substância. Exemplos: ATENÇÃO: tome cuidado para não cometer erros comuns,

ATENÇÃO: tome cuidado para não cometer erros comuns, como por exemplo:

cuidado para não cometer erros comuns, como por exemplo: (O Δ H associado a essa equação

(O Δ H associado a essa equação não representa o calor de formação do CO 2 , pois o

diamante não é a forma mais estável do carbono.)

, pois o diamante não é a forma mais estável do carbono.) (O Δ H ,

(O Δ H, nessa equação, não representa o calor de formação do NH 3 , pois aí aparecem 2

mols de NH 3 ,em vez de 1 mol.)

, pois aí aparecem 2 mols de NH 3 ,em vez de 1 mol.) (O Δ

(O Δ H, nessa equação, não representa o calor de formação do CaCO 3 , pois a reação

parte de substâncias compostas e não de substâncias simples.)

A) ENTALPIA (OU CALOR) PADRÃO DE FORMAÇÃO (f )

O conhecimento das entalpias padrão de formação das substâncias é muito importante,

pois permite calcular as variações de entalpia das reações químicas das quais essas

substâncias participam. Por exemplo, vamos calcular a variação de entalpia da reação a

seguir (Dado f do brometo de amônio é 270,8 kJ/mol:

 H° f do brometo de amônio é – 270,8 kJ/mol: Nesse caso, temos: É importante
 H° f do brometo de amônio é – 270,8 kJ/mol: Nesse caso, temos: É importante

Nesse caso, temos:

brometo de amônio é – 270,8 kJ/mol: Nesse caso, temos: É importante notar que o cálculo
brometo de amônio é – 270,8 kJ/mol: Nesse caso, temos: É importante notar que o cálculo
brometo de amônio é – 270,8 kJ/mol: Nesse caso, temos: É importante notar que o cálculo
brometo de amônio é – 270,8 kJ/mol: Nesse caso, temos: É importante notar que o cálculo

É importante notar que o cálculo das variações de entalpia de todas as reações

químicas pode ser efetuado a partir das entalpias padrão de formação das substâncias

que participam da reação dada.

Ex. 1: Calcule a entalpia da reação:

CO 2(g) + C (s)

2 CO (g)

B) ENTALPIA (OU CALOR) PADRÃO DE COMBUSTÃO (C )

Entalpia (ou calor) de combustão de uma substância é a variação de

entalpia (quantidade de calor liberada) verificada na combustão total de

1 mol de uma determinada substância, supondo-se todas as substâncias envolvidas nessa combustão no estado padrão.

Exemplo: CH 4 (g) + 2 O 2 (g) CO 2 (g) +

H 2 O (l)

H = - 890,8 kJ/mol

C) ENTALPIA (OU CALOR) DE NEUTRALIZAÇÃO

Entalpia (ou calor) de neutralização é a variação de entalpia (quantidade de calor liberada) verificada na neutralização de 1 mol de H + do ácido por 1 mol de OH - da base, supondo-se todas as substâncias em diluição total ou infinita, a 25ºC e 1 atm.

Ex.: HCl (aq) + NaOH (aq) NaCl (aq) + H 2 O (l)

H = - 57,9 kJ/mol

- Quando o ácido e a base são fortes, a entalpia de neutralização é constante e vale

aproximadamente - 57,9 kJ/mol.

- Se o ácido e/ou base forem fracos, não haverá ionização total e o calor liberado será

D) ENERGIA DE LIGAÇÃO

Energia de ligação é a variação de entalpia (quantidade de calor absorvida) verificada na quebra de 1 mol de uma determinada ligação química, supondo-se todas as substâncias no estado gasoso, a 25ºC e 1 atm.

A QUEBRA DE LIGAÇÕES É SEMPRE UM PROCESSO ENDOTÉRMICO.

HH ou H 2 (g)

CH

2 H (g)

H = + 435,5 kJ/mol

energia de ligação = 412 kJ

Exemplo: Calcular a variação de entalpia da reação:

2 HI (g) + Cl 2 (g) 2 HCl (g) + I 2 (g