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CÁTEDRA JAIME CORTESÃO/ENGENHO DOS ERASMOS UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

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D. LUIS DA CUNHA E A “PAZ DE UTREQUE”:

A EUROPA NA TRANSIÇÃO DO SÉCULO XVII-XVIII

Dr. ABILIO DINIZ SILVA

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18,19 e 20 de Março de 2013.

10:30h/12:30h

local: Cátedra Jaime Cortesão (FFLCH)

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De 2012 a 2015 vão ter lugar as comemorações do tricentenário das negociações político-diplomáticas que conduziram aos Tratados que estabeleceram a chamada “Paz de Utreque”. Este Curso pretende contribuir para uma análise aprofundada dos diversos acontecimentos históricos que, a nível global, nos permitem entender a grande crise política européia que conduziu à guerra e depois à referida paz. Luis XIV ao aceitar, a 16 de Novembro de 1700 o testamento de Carlos II de Espanha, em nome de seu neto, provocou a mais viva emoção política em toda a Europa, pois isso significava que a Casa de Bourbon reinaria doravante em França e em Espanha, bem como (e sobretudo) nos respetivos domínios coloniais. Como toda a Europa se encontrava exausta por um século XVII minado por guerras e revoluções que, para além dos imensos custos em vidas humanas, deixavam exauridas as finanças de todos os Estados, a perspectiva de reunir debaixo de uma só Casa Real a dos Bourbons de França dois dos maiores impérios coloniais da época, vinha deitar por terra o sempre desejado “equilíbrio europeu”. Os preciosos recursos financeiros, tanto reais como sobretudo imaginados, provenientes das minas do continente americano, bem como o vasto comércio colonial (no qual se destacava o do tráfego de escravos), faziam da futura união dos impérios coloniais franceses e espanhóis um fator político-econômico de peso, que iria inevitávelmente destabilizar o equilíbrio entre as potências européias. Quer o império austríaco, quer as Potências Marítimas - Inglaterra e Holanda, não podiam aceitar a união política de França com Espanha, tendo em consideração

as ambições hegemônicas de Luís XIV. Ao aceitar para seu neto a Coroa de Espanha, Luís XIV sabia que iria provocar uma guerra de dimensões incalculáveis, com reflexos inevitáveis em ambos os hemisférios do continente americano. Explicar as causas e as origens da guerra de sucessão à Coroa de Espanha; evidenciar os objetivos e ambições coloniais dos diferentes Estados em relação à América; e sobretudo mostrar as múltiplas conseqüências dos diferentes tratados assinados no âmbito da “Paz de Utreque”, constituem os objetivos gerais deste curso. Nomeadamente: no que concerne à delimitação das novas fronteiras políticas do continente americano; no novo fôlego do comércio e do contrabando neste

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continente, com particular incidência no Brasil; no objetivo central da política da Coroa portuguesa de conseguir pelos tratados definir as “fronteira naturais” do Brasil, a norte pelo Oiapoque garantindo o domínio exclusivo do Amazonas, e a sul pelo rio da Prata; e finalmente no enquadramento da economia brasileira, integrada através da sua produção aurífera, no crescimento da economia mundial.

Assim o curso se poderia basear em três aulas, com três horas de duração cada uma, subordinadas aos seguintes temas específicos:

18 de Março: A situação político-econômica da Europa e das Américas, entre

a Paz de Westfália (1648) e os Tratados de Riswique (1697). O expansionismo francês e a guerra com Espanha. As ambições coloniais das Potências Marítimas Inglaterra e Holanda, e o papel do Império Austríaco no xadrez europeu.

19 de Março: Os vários projetos de partilha do Império Espanhol, tendo em

vista a falta de sucessor de Carlos II, e os seus reflexos no “equilíbrio europeu”, nas novas ambições coloniais e na geoestratégia do expansionismo

europeu.

20 de Março: As conseqüências da Paz de Utreque na evolução político- econômica da Europa, da América e da Ásia.

Serão utilizadas, entre outras, as seguintes obras:

Memórias da Paz de Utrecht, offerecidas a El Rei N. S. por D. Luis da Cunha, seu Embaixador Extraº e Plenipº no Congresso da dita Paz, Mss. 4 vols., 1714-1715. British Library, Londres, e ANTT, Lisboa. Cartas do conde de Tarouca e de D. Luiz da Cunha até ao fim da Negociação de Utrecht, para Diogo de Mendonça Corte Real, Sec.º de Estados de Sua Magestade Portugueza. Anno de 1714. Janeiro 2 até 1715 Abril 3. Mss, ANTT, Lisboa. Ofícios de José da Cunha Brochado (representante diplomático de Portugal em Londres)

para

Journal d'Utrecht concernant les présentes négociations de la paix, Utrecht, 1712 Histoire du congrès et de la paix d'Utrecht, comme aussi de celle de Rastadt et de Bade

por

Casimir Freschot, Utrecht, editor G. Van Poolsum, 1716; Actes et Mémoires et autres pièces authentiques concernant la paix d'Utrecht. 2e édition augmentée et corrigée, Utrecht,1714-1715. Suite des actes, mémoires et autres pièces authentiques concernant la paix d’Utrecht

, Utrecht, Edição de G. Van de Water e de J. Van Poolsum, 1713 [obra utilizada pelo conde de Tarouca]. Recueil historique d’actes, negotiations, memoires et traitez, depuis la Paix d’Utrecht jusqu’au second Congrès de Cambray inclusivement. Par Jean Rousset de Missy. Tome I, A la

a Corte de Lisboa, durante as negociações de Utreque, Mss, ANTT, Lisboa.

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Haye, chez Henri Scheurleer, 1728 ; Tome II, A la Haye, chez Henri Scheurleer, 1728. Les grands traités du règne de Louis XIV, publiés par Henri Vast, Paris [s.n.],1893- 1899, 3 vols.[ Contem: vol.I. Traité de Munster. Ligue du Rhin. Traité des Pyrénées, 1648-1659; vol. II. Traité d'Aix-la-Chapelle. Traités de Nimègue, Trêve de Ratisbonne. Traités de Turin et de Ryswick, 1668-1697; vol. III. La succession d'Espagne. Traités d'Utrecht, de Rastadt et de Bade (1713-1714).

Abbé de Saint Pierre [Charles-Irénée Castel de Saint-Pierre], Abrégé du Projet de paix

perpétuelle

approprié à l’état présent des affaires générales de Europe, Rotterdam,

Edition J-D.Beman,1729. Eduardo Brazão, Portugal no Congresso de Utrecht (1712-1715), Lisboa, 1933. François M. Crouzet, Angleterre-Brésil, 1697-1850: un siècle et demi d’échanges commerciaux, in Histoire, Economie et Sociétés, IX, 2 1990. Frias, Duque de, El cumplimiento del Testamento de Carlos II. La embajada del Condestable de Castilla a Felipe V y Luis XIV de Francia. In Hispania Revista Española de Historia, nº97, Madrid, 1965. Klaus Maletke, L’ «equilibre» européen face à la «monarchia universalis». Les réactions européennes aux ambitions hégémoniques à l’époque moderne. Jean-François Labourdette, La diplomatie française au Brésil aux XVII et XVIII siècles. Université Charles de Gaulle, Lille III. Marcelo Bitar Letayf, Economistas españoles del siglo XVIII. Ideas sobre la libertad del comercio con Indias. Madrid, 1968. Maria Leonor Garcia da Cruz, Reavaliações até ao séc. XVIII do discurso crítico sobre a expansão portuguesa ultramarina e as directizes da governação, in Clio, vol.5, 2000.