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Recife/PE, 16 de Junho de 2010. Aos Pastores e Igrejas Batistas da Paraíba.

“Vós bem sabeis como me conduzi em todo o tempo...” Atos 20: 18b. Queridos irmãos, tenho acompanhado o trabalho das Igrejas Batistas na Paraíba com muita oração. Sei que o adversário tem se levantado contra a obra missionária que vem sendo desenvolvida nesse Estado, e principalmente a forma como Deus tem usado os jovens e adolescentes nos últimos anos. O trabalho tem sido observado e admirado por muita gente. Louvado seja Deus por isso! Tenho passado por momentos difíceis de acusações impiedosas quanto ao trabalho que realizei durante 25 anos neste Estado. Confesso que tenho crescido muito em minha dependência de DEUS e estou aproveitando cada oportunidade para experimentar as promessas contidas na Palavra de Deus em meu viver diário. Deus tem enchido meu coração de paz e desejo de servi-Lo com mais ardor e ousadia. Tenho sentido a presença de Deus, enchendo meu coração com uma alegria indestrutível. Deus tem me abençoado com muito amor e paixão pelas almas perdidas e, grande desejo de fazer somente SUA vontade. Tenho lido e ouvido muitos comentários negativos a meu respeito, calúnias sem fim tentando destruir minha vida e ministério, meu amor a Deus e ao trabalho missionário. Mas a cada dia estou mais disposto em dar minha vida e tudo que tenho à Deus e Sua obra. Posso dizer com tranquilidade “Que em nada tenho minha vida preciosa para mim mesmo, contanto que cumpra com alegria o ministério que recebi do Senhor Jesus”. At.20:24. Fiquei calado desde o momento que surgiram as primeiras acusações, esperando uma oportunidade para falar à Assembléia da Convenção Batista Paraibana, que aconteceu no final de Abril em Campina Grande - para me pronunciar diante de todos e explicar o que ocorreu no Vale do Piancó. Só pedimos 10 minutos, mas foi-nos dito que não teríamos a palavra (reunião que tivemos em 10 de abril na sede da Convenção Batista Paraibana) - razão pela qual não compareci à Assembléia. Desejo compartilhar com vocês, a realidade dos fatos. Em fevereiro de 1985 chegamos ao Vale do Piancó com a responsabilidade de plantar Igrejas em todas as cidades; não escolhemos esta região, foi DEUS quem nos enviou. Iniciamos o trabalho em Piancó e aos poucos fomos plantando Igrejas nas outras cidades, Boaventura, Coremas, Aguiar, Igaracy e assim por diante, até chegarmos em quase todas as cidades. Com o crescimento do trabalho houve necessidade de se adquirir terrenos e construir templos e casas pastorais, deixando uma boa estrutura para as igrejas da região. Preciso deixar muito claro, que nunca recebi qualquer valor financeiro da Convenção Batista Paraibana para o trabalho nesta região. Conseguimos ajuda de irmãos norteamericanos e amigos que investiram para compra de terrenos e construção de templos e casas pastorais, verbas designadas para as Igrejas que estavam nascendo. Mas como estas Congregações ainda não haviam sido organizadas oficialmente em Igrejas e não tinham registro no CNPJ, pedimos ao secretário executivo da época, que nos emprestasse o Nome e CNPJ da então Junta Executiva, para lavrar e registrar as escrituras. Isso foi feito com a garantia de que no momento que as Igrejas tivessem seus registros no CNPJ’s as propriedades seriam

passadas para seus respectivos nomes. E baseados nessa garantia, as escrituras foram lavradas e registradas em nome da Junta Executiva. O que fizemos no ano 2000, como presidente da Convenção Batista Paraibana, foi honrar o acordo que havia sido feito entre a Secretaria Executiva e as Igrejas Batistas do Vale do Piancó, quando passamos os patrimônios para as Igrejas, legítimas proprietárias, que também, com muito sacrifício, investiram todos os seus recursos para o pagamento dos terrenos e construção de seus templos e casas pastorais. Quero dizer, aos irmãos, que não recebi nenhum centavo da Convenção Batista Paraibana para aquisição de terrenos e construção destes templos e casas que estão sendo questionados. Não houve nenhum investimento de nossa Convenção e as propriedades pertencem às Igrejas. A questão de estar em nome da Junta Executiva foi opção das Igrejas, mediante garantia do então Secretário Executivo, de que passaria para as igrejas, quando tivessem seus registros no CNPJ. Poderia ter colocado em meu nome, mas não achei que fosse correto; com certeza as Igrejas não teriam passado pelo constrangimento que estão passando. Poderia ter deixado no nome dos proprietários vendedores (não crentes), e com certeza absoluta as Igrejas não teriam sido prejudicadas, porque a qualquer momento que fossem solicitados, passariam as escrituras para as igrejas. Mas preferimos colocar em nome da Junta Executiva, o órgão que foi criado para ajudar as igrejas, órgão formado pelas igrejas e deu no que deu. O grande erro que cometi, foi ter colocado aqueles terrenos em nome da Junta Executiva, trazendo constrangimento a todas as igrejas do Vale do Piancó. Estou sendo acusado de ladrão, sem nunca ter recebido um centavo da Convenção Batista Paraibana, aliás, trabalhei onze anos como gerente administrativo da JPS - Junta de Promoção Social, sem salário, carteira assinada, INSS, FGTS ou qualquer ajuda de custo; eu trabalhava todos os dias das 07:00 às 14:00 horas, e depois do expediente, saindo todos os dias às 16:00h, eu e minha família, íamos a outras cidades para fazer o trabalho missionário, voltando às 23:00h (e isso de domingo a domingo). Eu e minha esposa doamos nossas vidas para o trabalho na região; investimos parte de nossos recursos para comprar terrenos e construir templos; e estamos saindo como usurpadores dos bens da Convenção. Que bens, pergunto? Pois a Convenção nunca comprou qualquer bem no Vale do Piancó. Em 1989, quando da saída dos Missionários Americanos da região, a Junta de Promoção Social não encontrou uma pessoa entre o povo Batista que quisesse assumir a sua gerencia administrativa, pois os recursos financeiros do projeto Água Viva, também retornaram para os EUA com a saída dos Missionários Americanos, e muita coisa precisava continuar funcionando sem o dinheiro que vinha de fora. Não houve uma pessoa que quisesse assumir a JPS; então me pediram que Eu ajudasse nesse momento difícil e foi o que fiz: sacrifiquei minha vida e família para ajudar os batistas paraibanos. Muitos problemas foram resolvidos nesse período de onze anos (01/05/1990 a 31/12/2000), e sempre tivemos aval da Convenção para fazer o que fosse melhor para o Reino de Deus. Quanto à fazenda em Itaporanga, foi adquirida para ajudar famílias carentes da região, e só não foi distribuída/doada a eles, porque havia pendências nas escrituras. Há provas de que os irmãos norte-americanos, trouxeram o Projeto Água Viva, como ajuda àquela região, inclusive anunciando publicamente que o projeto fora elaborado e executado para benefício do povo do sertão. Quando assumimos a gerência do projeto, o irmão Reginaldo trabalhava na fazenda, e lá permaneceu por 12 anos, sem salário fixo, carteira assinada, INSS, FGTS, férias, etc. Com a saída dos Americanos, as verbas do projeto foram suspensas, como disse anteriormente, e ficamos sem recursos para manter aquela estrutura; os pastores que fizeram

parte da JPS sabem do sufoco que passamos para manter os Centros Comunitários funcionando, e várias pequenas indústrias falidas. Não podemos admitir que em um projeto de ajuda humanitária, as pessoas trabalhem sem qualquer direito trabalhista; por isso, antes de nossa saída do Vale do Piancó, fizemos um acordo com Reginaldo, que passou 12 anos cuidando da fazenda. Como não tínhamos dinheiro para pagar seus direitos, lhe entregamos 10 hectares de terra, e ele devolveu à JPS R$ 3.800,00, correspondente a diferença nesse acerto. Se não tivéssemos feito este acordo e ele tivesse entrado na justiça, levaria a fazenda toda e não apenas 10 hectares. Quanto aos 3 hectares que foram vendidos, o foi pela necessidade de manutenção da própria fazenda: cercas, galpão, e outras melhorias, para que fosse utilizada como acampamento para as Igrejas Batistas do Sertão. Foram construídos sanitários, piscina e refeitório, dando condição mínima para que a fazenda fosse utilizada para abençoar as igrejas do sertão. E o fiz, porque recebi a fazenda como patrimônio da Junta de Promoção Social, sem escrituras, mas todos os Batistas Paraibanos da época, sabem que foi adquirida com recursos do Projeto Água Viva, dinheiro dos irmãos Americanos, e este projeto foi administrado pela Junta de Promoção Social, que decidiu com mais de 2/3 de seus membros fazer as doações e vendas de resíduos de material do projeto. Hoje estão dizendo que tudo é patrimônio da Convenção Batista Paraibana, sem levar em conta o estatuto da JPS - criada pela própria Convenção. A JPS administrou o Projeto e os bens lhe pertenciam. Se assim não for, confesso que fui enganado, quando me convidaram para administrar a JPS, dizendo que o patrimônio lhe pertencia, e que era um projeto de ajuda humanitária, e que não havia recursos para pagar a um gerente, e que o trabalho deveria ser voluntário. Quando assumi, todos eram conscientes de que o patrimônio era da JPS, agora, depois de 25 anos estão dizendo que tudo é da Convenção e o que fiz está tudo errado. Me sinto enganado e traído! Além de tanto trabalho, fui difamado e caluniado como usurpador dos bens da Convenção, sem nunca receber dela um centavo para o trabalho na Região. Que Deus tenha misericórdia dos que estão envolvidos nisso. Quero encerrar dizendo que tudo o que tem acontecido, não diminuiu meu amor a Deus, pela Paraíba e pelos Paraibanos. E meu desejo é que o Senhor recompense a todos com muitas bênçãos celestiais. No amor de Cristo,

Pr. Cirino Refosco