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HELTON

KRAMER LUSTOZA

Procurador do Município de São José dos Pinhais-PR;

Vice-Presidente do Conselho de Contribuintes Municipal (2014);

Professor da especialização da

Universidade Tuiuti do Paraná,

Universidade Positivo, ABDConst e IDCC;

Professor do curso de graduação

da PUC-PR; Professor-instrutor

do COTEF-RJ,

ESAF e ESA-OAB; Presidente

da Comissão da Advocacia

Pública da OAB-PR; Mestre em

Direito Constitucional

pela UNI BRASIL, com estudos

na UFPR; Especialista em Direito Tributário;

Graduado em

Direito pela Universidade Positivo;

Pesqúisador integrante do grupo

de estudos Justiça Tributária

e Atividade Econômica

da PUC-PR;

Autor do livro Advocacia

Pública em Ação (3° edição),

e Co-autor do livro

Tributos em espécie (2ª edição),

ambos pela editora

JusPodivm;

1Vl

2015

EDITORA

JusPODIVM

www.editorajuspodivm.com.br

)11

EDITORA

1

'(

JusPODIVM

www.editorajuspodivm.com.br

Rua

Mato

Grosso,

175

Pituba,

CEP:

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José

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Vigliar, Mar-

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SUMÁRIO

CAPÍTULO 1

AUTONOMIA TRIBUTÁRIA

MUNICÍPIOS

DOS

E ASPECTOS

DA ARRECADAÇÃO

9

1. Competência tributária

9

;.

1.1. Espécies de competência tributária

1O

2. Eficiência na arrecadação

tributária municipal

e a (im)possibilidade do protesto da cda

15

3. Requisitos para os municípios

concederem benefícios fiscais

20

4. Efeitos do reconhecimento

da isenção

tributária pelo ente municipal

25

5. Multa punitiva e art.

136 do CTN:

responsabilidade objetiva ou subjetiva?

27

6. ISS fixo para optantes

do simples nacional

35

7. Questões objetivas

39

8. Questões subjetivas

40

l

CAPÍTULO

li

IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS

DE

QUALQUER

NATUREZA -

ISSQN

43

1. Aspecto material

43

1.1. Análise de alguns Serviços

da Lista

54

1.1.1. Exportação de serviço

54

1.1.2. Conflitos entre ICMS e ISSQN:

caso paradigma de Informática

56

1.1.3. Atividades bancárias

59

1.1.4. Arrendamento mercantil -

leasing

59

1.1.5. Franquia (franchising)

62

1.1.6. Construção civil

66

1.1.7. Industrialização por encomenda

73

1.1.8. Aplicação da imunidade

de jornais e periódicos

76

1.1.9.

Locação de bens móveis Serviços relativos a fonografia,

77

1.1.1 O.

fotografia, cinematografia e reprografia

79

1.1.11. Serviços de transporte

de natureza municipal

80

6

2. Aspecto temporal

3. Aspecto espacial

4. Aspecto subjetivo

4.1. Cartórios, notariais e registros públicos

4.2.

Cooperativa

5. Aspecto quantitativo

5.1. Base de cálculo

5.1.1. Base de cálculo especial

para

sociedades profissionais (ISS-fixo)

5.2.

Alíquota

6. Informações complementares

6.1.

6.2. Restituição do tributo perante

Lançamento

a previsão do art. 166 do CTN

6.3. Regime de retenção

7. Quadro sinóptico

no simples nacional

8. Súmulas do STF e do STJ

8.1. SúmulaSTF

8.2.

Súmula STJ

9. Questões objetivas

1

O.

Questões dissertativas

CAPÍTULO Ili

IMPOSTO

PREDIAL

ETERRITORIAL URBANO -

1. Aspecto material

IPTU

2. Aspecto temporal

3. Aspecto espacial

4. A,specto subjetivo

4.1. Invasões de Terras

4.2. Terras da marinha

4.3. Exigência do IPTU no caso de loteamento

4.4. Imunidades de terrenos baldios de Templos Religiosos

irregular

e de Entidades Educacionais e Assistenciais

4.5. Imunidades e sucessão tributária

5. Aspecto quantitativo

5.1. Base de cálculo

5.2.

5.3. Antes da Emenda Constitucional

Alíquota

-

caso da RFFSA

29/2000

80

82

90

92

95

97

97

101

103

106

106

107

11 O

112

112

112

113

113

122

129

129

133

135

137

140

142

143

145

148

151

151

153

156

7

6.

Informações complementares

 

157

6.1.

Lançamento

 

157

6.2. Exceção ao Bem de Família

 

158

6.3. Repetição de indébito

 

158

7.

Quadro sinóptico

 

159

8.

Súmulas do STF e do

STJ

160

8.1. Súmulas STF

160

8.2. Súmulas STJ

 

,.:·······································

160

9.

Questões objetivas

 

160

1

O.

Questões dissertativas

 

170

CAPÍTULO IV

 

IMPOSTO

DE TRANSMISSÃO

DE

BENS "INTER VIVOS" - ITBI

175

1. Aspecto material

 

175

 

1.1. Desapropriação e Usucapião

 

180

1.2. Separação consensual e excesso oneroso de partilha

181

1.3.

Renúncia

à

Herança

 

182

1.4. Anulação do Negócio Jurídico

 
 

de Transmissão imobiliária

 

183

 

1.5. Incidência do ITBI na integralização

 
 

no capital de pessoa jurídica

 

187

2. Aspecto temporal

 

190

3. Aspecto espacial

194

4. Aspecto subjetivo

194

5.

Aspecto quantitativo

 

194

5.1. Base de cálculo

194

5.2. Alíquota

 

198

6.

Informações complementares

 

200

7.

Quadro sinóptico

 

200

8.

Súmulas do STF e STJ

 

201

8.1.

Súmulas STF

201

9.

Questões objetivas

201

1

O.

Questões dissertativas

 

211

CAPITÚLO V

 

CONTRIBUIÇÃO

DE

ILUMINAÇÃO

PÚBLICA -

COSIP

217

1. Aspecto material

 

217

2. Aspecto temporal

219

8

4. Aspecto subjetivo

219

5. Aspecto quantitativo

220

5.1. Basedecálculo

220

5.2. Alíquota

220

6. Informações complementares

220

7. Quadro sinóptico

220

8. Questões de concurso público

221

REFERÊNCIAS

225

CAPÍTULO 1

AUTONOMIA TRIBUTÁRIA

DOS MUNICÍPIOS EASPECTOS

DA ARRECADAÇAO

Sumário

·

1.

Competência

tributária

municipal;

2.

Eficiência

na

arreca-

dação

tributária

municipal

e a (im)possibilidade

do

protesto

da

CDA;

3.

Requisitos para

os

municípios concederem benefícios fiscais;

4.

Efeitos do

reconhecimento da isenção tributária pelo ente municipal;

5.

Multa

puni-

tiva e art.

136 Do CTN:

responsabilidade objetiva ou subjetiva?;

6.

155 fixo

para

optantes

Do

subjetivas.

Simples

Nacional;

7.

Questões

1. COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA

MUNICIPAL

objetivas;

8.

Questões

Competência

tributária

é

a

autorização

constitucional

para

que

deter-

minado

ente

da

federação

(União,

Estados,

Distrito

Federal

ou

Município)

possa

instituir tributos.

Ao

discriminar

competências

tributárias

aos

entes

políticos,

a Constituição

Federal delimita o

campo tributário,

indicando

o

que

estes

entes

podem

e

o

que

devem

fazer

em

matéria

tributária. Ou

seja,

a Constituição Federal

não

cria tributos,

mas

sim

prevê

sua

criação

pelos

entes

da federação.

Importante

asseverar que

a instituição

de

um

determinado

tributo

so-

mente

poderá

ocorrer

por

lei

específica,

consoante

preceituado

pelo

art.

150,

1,

da

Constituição Federal1,

que

positiva

o princípio

da

legalidade.

Por

conseguinte,

detém

competência

tributária

o ente

que

possui

competên-

cia

legislativa

para tanto.

 

1.

Art.

150.

Sem

prejuízo

de outras

garantias

asseguradas

ao

contribuinte,

é

vedado

à

União,

aos

Estados,

ao

Distrito Federal

e

aos

Municípios:!

-

exigir ou

aumentar tributo

sem

lei

que o

estabeleça;

 

1o

Consoante

lecionada o

doutrinador

Antônio

Roque Carrazza",

com-

petência tributária

é a manifestação da

autonomia

da

pessoa

política,

disciplinada pelas

normas constitucionais

que

prevêem

as

concretas

obri-

gações

tributárias,

permitindo

que

o

ente

político

possa criar,

instituir

tributos

através

de

atividade

legislativa.

Para

Paulo

de

Barros

Carvalho a

"competência tributária, em síntese,

é uma das parcelas entre as prerrogativas

legiferantes

possibilidade de legislar para a produção de normas jurídicas sobre tributos"

de que são portadoras as pessoas políticas, consubstanciada na

3

Em outras palavras, é

a repartição

do

poder

de

tributar,

constitucional-

mente atribuído

aos

diversos

entes públicos,

de

modo que cada

um tenha

o

poder

de

instituir e arrecadar

os

tributos

de

sua

exclusiva

responsabili-

dade.

 
 

A competência

tributária

não se

confunde

com

poder

irrestrito

de

tri-

butar.

Isso

porque,

o

exercício da

competência

tributária

encontra

limites

no

ordenamento

jurídico,

atendo-se

às

normas

legais

que

lhe

atribuem

validade, como

o

respeito

ao

pacto federativo,

ao

devido

processo

legisla-

tivo e observância

aos

princípios

constitucionais tributários.

 

De

forma

sucinta,

pela

competência

tributária,

não

cria

tributo

quem

quer, mas

quem

pode,

consoante

a Constituição.

 

Acerca

dos

atributos

da

Competência Tributária,

iremos

adotar

a

sis-

temática

da

doutrina

de

Roque

Antônio

Carrazza

4 , o qual

define

os

se-

guintes:

facultatividade,

indelegabilidade,

privatividade, incaducabilidade,

inalterabilidade

1.1.

Espécies

e irrenunciabilidade.

de

competência

tributária

a)

Competência

tributária

privativa

ou

exclusiva:

É

a

competência

ex-

clusiva de

um

único

ente,

expressa

e

taxativamente

enumerada

na

Constituição

Federal

como

pertencente

a

um

determinado

ente

pú-

blico,

cuidando-se faixas tributárias privativas

5

.

Ou

seja, a Constituição

2.

CARRAZZA,

Roque

Antônio.

Curso

de

Direito

Constitucional

Tributário.

27

ed.

São

Paulo:

Malheiros.

201

O.

p.

531.

3.

CARVALHO,

Paulo

de

Barros.

Curso

de

Direito Tributário.

São

Paulo:

Saraiva,

2005,

p.

218.

4. CARRAZZA,

Roque

Antônio.

Curso

de

Direito

Constitucional

Tributário.

27

ed.

São

 

Paulo:

Malheiros.

201

O.

5. CARRAZZA, Roque

Antônio.

Curso

de

Direito

Constitucional

Tributário.

27

ed.

São

 

Paulo:

Malheiros.

201 O.

p.

557.

pod~

11

habita

somente

um

único

ente

a

instituir

determinado

tributo

e,

por

conseguinte, proíbe

os

demais.

No

Sistema

Tributário

Municipal,

três

são

os

impostos

privativos, previstos

no

art.

156

da

CF,

quais sejam:

ITBI,

ISS

e

IPTU.

b)

Competência

tributária

residual:

É

a

competência

atribuída

para

a

União

criar impostos

e

contribuições

de

seguridade

que

não

estejam

no

rol

de sua

competência

privativa. Seguridade

social

abrange

pre-

vidência,

assistência

e saúde. A

União

pod~

criar

contribuições

para

financiar essas três áreas. A competência

residual

da União está

no art.

154,

1 6 no

e

art.

195,

§

7 , da

CF.

O

art.

154,

I,

trata

da

competência

residual

da

União

para criar

impostos

não

previstos expressamente na

CF.

o

dispositivo

exige

lei

complementar,

não-cumulatividade,

e

base

de

cálculo

e

fatos

geradores

diversos dos

impostos

previstos

na

CF.

em

regra,

os

tributos

são criados

por

lei ordinária.

O

segundo

requi-

sito

é

a

não-cumulatividade,

sendo o

que

foi

pago

anteriormente

irá

gerar

um

crédito

para

 

ser abatido

na

operação subsequente, a fim

de

evitar

o

pagamento

em

cascata,

ou

seja,

o

imposto

que

incide

sobre

ele

mesmo 8

Por sua

vez,

o art.

195,

§

da

criar contribuições

previdenciárias e

CF

trata da

ao

remete

competência

art. 154,

1,

da

residual

CF.

para

c)

Competência

tência

caso

extraordinária: Prevista

no

art.

154, li,

da

,

a compe-

impostos

no

impostos

dizer,

estes

a

que

CF

9

tributária

de

extraordinária autoriza a

ou

de

não

existência

de

na

competência

União

a criar

Vale

iminência

ou

guerra externa,

da União.

compreendidos

União,

nestas

hipóteses,

pode

invadir a competência

alheia

e

criar

im-

posto

cujo

fato

gerador

seja

idêntico

a

de

imposto

de

competência

6.

Art.

154.

A

União

poderá

instituir:

1 -

mediante

lei

complementar,

impostos

não

previs-

tos

no artigo

anterior, desde que

sejam

não-cumulativos

e não tenham

fato

gerador ou

base de

cálculo

próprios

dos discriminados

nesta Constituição;

7.

Art.

195.

A seguridade social

será financiada

por toda

a sociedade,

de forma

direta

e

in-

direta,

nos termos da

lei,

mediante

recursos

provenientes

dos

orçamentos da

União,

dos

Estados,

do

Distrito

Federal

e dos

Municípios,

e das

seguintes

contribuições

sociais:

§

A

lei

poderá

instituir outras

fontes

destinadas a garantir a

manutenção

ou

expansão

da

seguridade

social,

obedecido

o

disposto

no

art.

154,

1.

 

8. de

MACHADO,

Hugo

Brito.

Curso

de

Direito Tributário.

31

ed.

São

Malheiros.

201

 
 

311.

O.

P.

9.

Art.

154.

A

União

poderá instituir:

li

-

na

iminência

ou

no

caso

de

guerra

externa,

im-

postos

extraordinários,

compreendidos

ou

não

em

sua

competência

tributária,

os

quais

serão

suprimidos,

grad3tivamente,

cessadas

as

causas de

sua

criação

12

d)

de

outro

ente. Assim,

por

exemplo,

a

União

extraordinários,

impostos

de

competência

do

pode

criar

Município.

IPTU

ou

ISS

Competência

comum:

ração

para

a criação

administrativa.

São

as

buição

previdenciária

É

de

a

competência

atribuída

tributos

de

acordo

com

taxas,

as

contribuições

dos servidores.

de

aos entes da

a

~ed~­

sua

_competenc1~

melhoria

e

a

contri-

 

Ao

mesmo

tempo

em

que

a Constituição

determinou

a

inviolabilida-

de

dos

direitos

individuais

(art.

5.

0

da CF/88),

ela

também

sistematizou

a

forma

do

Poder

de Tributar

(aptidão

de

criar

tributos),

delimitando-o

no

intuito

de

assegurar os

direitos

dos

contribuintes.

Distribuiu

o

Poder Polí-

tico

em três

esferas (municipal, estadual

e federal)

 
 

Pode-se

entender que

o sistema

tributário

possui

três

níveis

distintos

de

normas,

são

elas:

plano

constitucional:

as

normas

de

competência

-

são

as

normas

que, veiculadas pela

própria

Constituição,

atribuindo

a

competênci:i

que

irá

autorizar as

pessoas

políticas

a criar e cobrar tributos

(positivas

e negativas)

plano da

lei

complementar:

normas gerais

de

direito tributário

-

normas

que, na

diretriz

do

art.

146 da

CF,

dispõem

sobre

conflitos

São

de

competência,

regulam

as

limitações

do

poder

de

tributar

e

estabele-

cem

as

normas

gerais

em

matéria

de legislação

tributária.

Estas

nor-

mas vem

plano

da

trazer

uma

padronização

para

as

normas

lei

de

de

cada

incidência.

das

legislação ordinária:

Trata-se da

uma

 

pe~.­

soas

competentes,

portanto,

que

veicula a

norma

de

incidência,

ou

seja,

a

norma

que

irá criar o tributo

correspondente.

 

***Quando

é

exigida

lei

complementar?

A

regra

é a

instituição

de

tributos

por

lei ordinária.

A

instituição

por

lei

complementar

é apenas

excepcional.

que

alguns

casos

em

que

a

CF

exige expressamente

lei

complementar

para a

fundamental

é

o

regulação

da

artigo

art.

146

de

CF

 

determinadas

matérias.

O

primeiro

1

º,

o

qual exige a edição

de

uma

lei

complementar de

caráter nacional

sobre matéria

tributária.

10.

Art. 146.

1- dispor sobre conflitos

dos,

Cabe

à

lei

complementar:

de competência, em

e os

Municípios;

o Distrito Federal

matéria

tributíria,

entre a

União,

os

Esta-

li

-

regular as

limitações constitucionais ao

poder de tributar;

 

Ili

-

estabelecer normas gerais

em

matéria de

legislação tributária,

especialmente

sobre:

Em

primeiro

competência,

em

13

lugar,

caoe

à

lei

complementar

ciispor

sobre

conf1itos

de

matéria

tributária,

entre a

União,

os Estados,

o

Distrito

 

Federal

e

os

Municípios.

É

preciso

lei

complementar

para

solucionar

con-

~ed~­

flito

de

competência

entre os

entes,

por exemplo,

entre

iss

e

ICMS,

entre

_competenc1~

IPTU

e

ITR.

O

inciso li

diz

que

cabe

à

lei

complementar

regular

as

limita-

ções

constitucionais

ao

poder

de

tributar.

O

CTN

que

vai

regulamentar

a

anterioridade, a

irretroatividade, etc.

O inciso

Ili

diz

respeito

à fixação

de

normas

gerais

em

matéria tributária.

que essa

exigência

é

tão

somente

para a fixação

de

normas

gerais.

1.2. Mas que normas gerais são

essas?

O inciso

Ili

do

art.

146 fala

que

cabe

à

lei

complementar

estabelecer

normas

gerais

em

matéria

de

legislação

tributária,

especialmente

sobre:

a)

definição

de

tributos

e

de

suas

espécies,

 

bem

como,

em

relação aos

impostos

discriminados

nesta

Constituição,

a

dos

respectivos fatos

gera-

dores,

bases

de

cálculo

e

contribuintes;

b)

obrigação,

lançamento,

crédi-

to,

prescrição

e decadência

tributários;

c)

adequado

tratamento

tributário

ao

ato

cooperativo

praticado

pelas

sociedades cooperativas;

d)

definição

de tratamento

diferenciado

e favorecido

para

as

microempresas

e

para

as

a) definição de tributos

minados nest3

tribuintes;

e de

suas

espécies,

bem

como,

em

relação

aos

bases

de

impostos discri-

e con-

Constituição, a dos respectivos fatos

geradores,

cálculo

pe~.­

b) lançamento,

obrigação,

crédito,

prescrição e decadência tributários;

c) :ratamento

adequado

tributário

ao

ato

cooperativo praticado

pelas sociedades coo-

perativas.

d) definição

de

tratamento

diferenciado

e favorecido

para

as

empresas de

pequeno

porte, inclusive regimes

especiais ou

imposto

previsto

no art.

155, li,

da contribuição a que

se

refere

de 19.12.2003)

das

contribuições

previstas

o

art. 239.

(Incluído

microempresas

e

para

as

simplificados

195,

no

§§

caso

12 e

13,

e

nº 42,

do

no art.

1 e

Constitucional

pela Emenda

Parágrafo único.

A lei

complementar de que trata

o inciso Ili,

d, também

poderá

instituir

um

regime

único

de

arrecadação

dos impostos

e contribuições da

União,

dos Estados,

do Distrito Federal

nal

nº 42,

de

e dos Municípios, observado que:

19.12.2003)

(Incluído pela Emenda Constitucio-

1- será

opcioral

para o contribuinte;

li

- poderão

ser estabelecidas condições

de

enqua-

dramento

diferenciadas

por

Estado;

Ili

-

o

recolhimento

será

unificado

e

centralizado

e

a distribuição da parcela

de

recursos

pertencentes

aos

respectivos

entes federados

será

imediata, vedada qualquer retenção

ção

nacional único de

ou

condicionamento;

pelos

IV - a arrecadação,

adotado

a fiscaliza-

cadastro

e a cobrança poderão ser compartilhadas

contribuintes.

entes federados,

Art. 146-A.

Lei

complementar

poderá

estabelecer critérios

especiais de

tributação,

com

o objetivo

de prevenir desequilíbrios da

concorrência,

sem prejuízo

da

competência

de

a União,

por lei,

estabelecer normas de

igual objetivo.

14

:icu::'

empresas

de

pequeno

porte, inclusive

regimes especiais

ou

simplificados

no

caso

do

imposto

previsto

no

art.

155,

li, das

contribuições

previstas

no

art.

195,

1 e

§§

12

e

13,

e da

contribuição

a que se

refere

o art.

239.

A autonomia

municipal

é consagrada

nos artigos

29

e

30

da Constitui-

ção Federal.

Em

decorrência desta autonomia,

o Município pode governar-

-se

e

administrar-se,

instituindo

regras a

si

próprio,

sem

interferência

ou

autorização dos demais

entes políticos. Por força

da

autonomia

municipal,

os

Municípios

são

livres

para criar

a arrecadar

os

tributos

de

sua

compe-

tência,

devendo

a Administração

Pública

Municipal

dispor

de

meios

com

o fim

de efetivar a arrecadação.

 
 

Neste

sentido, leciona

Roque

Antonio

Carrazza

que:

 

"o

Município,

no

Brasil,

é entidade

autônoma.

Pessoa política,

legisla

para

si,

de acordo com

as

competências

que

a

Carta

Magna lhe

deu.

Nenhuma lei que não

a

emana

de sua

Câmara

tem

a possibilidade jurídica

resse local"

11

Contudo,

esta

autonomia

municipal

de

ocupar-se com assuntos de

inte-

não

dispensará

a necessidade

do

Município

observar as

normas gerais das

situações autorizadas pela

Cons-

tituição

Federal,

como

por

exemplo,

as

normas

gerais

do

direito

tributá-

rio

estabelecidas

no Código Tributário Nacional

-,

as

normas

aplicáveis ao

Simples

Nacional

definidas na

Lei

Complementar

123,

e as

normas

gerais

do

JSSQN

estabelecidas

na

Lei

complementar

n.

116/2003.

 

Um

problema

crônico

que acompanha a tributação

municipal

é a res-

peito

da guerra fiscal entre

os

Municípios,

uma vez que

procurando

inves-

timentos,

os

entes

municipais

reduzem

alíquotas

dos

tributos, concedem

isenções e

outros

beneficias

fiscais,

criando

uma

grande

desigualdade

entre eles

no

campo

de

desenvolvimento

social

12

Por estas

razões

que

a

Constituição

Federal

determinou

que

caberia

a Lei

complementar

regular

as

n~rmais

gerais

do

ISSQN.

 

Estas

e outras

questões atinentes

à

tributação

municipal

serão

trata-

das

nesta

obra,

que

traz ainda, o

posicionamento

atualizado

do

Superior

Tribunal

de Justiça,

Supremo Tribunal Federal

e

dos Tribunais de

Contas,

quando for

o caso.

 

11.

CARRAZZA,

Roque

Antonio.

Curso

de

Direito

Constitucional

Tributário.

São

Paulo:

Malheiros,

2006,

p .179.

12. Marcos

SANTI,

Eurico

Diniz

de.

Curso

de

Direito

tributário

e finanças

públicas.

São

 

Paulo:

Saraiva,

p. 770/771

n~rmais

15

2. EFICIÊNCIA

NA

ARRECADAÇÃO

TRIBUTÁRIA

MUNICIPAL

E A

(IM)POSSIBILIDADE

DO PROTESTO

DA

COA

 

No

ano

de

2015,

o

Superior Tribunal

de Justiça sediou o

li

Seminário

de

Planejamento

Estratégico Sustentável do

Poder Judiciário, sendo que

na

abertura,

o

Ministro

Herman

Benjamin

ressaltou a

importância

de

novos

comportamentos

para

estimular

a

adoção

de

práticas

sustentáveis:

"Não

vamos transformar nossos É transformar e deixar para

mas paradigmas da coisa pública''.

hábitos da

enorme.

trás paradigmas;·não·só paradigmas ambientais,

noite para

o

dia.

A missão

é

O

conceito de

"burocracia';

desenvolvido

no

final

do

século

XVIII

por

Max Weber,

fruto

do

ideário liberal

que

tatal,

tinha

como

pedra

fundamental

dor da atividade

pública

13

como forma

mais racional

fito

de

distanciá-los

das

Deste

de

modo,

o

pregava a mínima

a legalidade,

intervenção

es-

disciplina-

pensado

pela profis-

princípio

modelo

burocrático foi

marcado

gerir da coisa

pública,

sionalização dos agentes públicos, sendo

o

a estes assegurados direitos com

do

poder

político,

bem

como

teve

como

objetivo

o autor

arbitrariedades

pela

hierarquização

dos

órgãos

Assim, a adoção

do

modelo

burocrático

no

Brasil

impedir a sedimentação do clientelismo

Sérgio Buarque de

Holanda

alerta que

democrático jamais se naturalizou

no setor público Contudo,

"a ideologia impessoal do liberalismo

Só assimilamos efetivamente

es-

entre nós.

ses princípios até

autoridade

permitindo

Junto

o

onde coincidiram

com

nosso

a negação pura

14

e simples de

uma

incomoda, conftrmando

tratar

com

com

a idéia

de

um

Estado

e ineficácia,

das

instintivo

familiaridade os governantes"

horror às

os

hierarquias e

problemas

de

qual

burocrático, surgiu

de

morosidade, lentidão

seja:

afastando

dos

seus verdadeiros fim,

atendimento

necessidades

cidadãos.

sou

tria

trole

Diante

de

críticas realizadas,

o sistema

por

uma

série

de reformulações,

onde

pelos

da

processos

eficiência dos

(no

sentido

de

resultados.

ofrma)

da Administração

Pública

pas-

se

buscou

abandonar a

idola-

para

se

preocupar com

o con-

13.

14.

da

delos de Gestão e Tendências Atuais.

SCHIER,

Adriana

Costa Ricardo.

Administração

ln:

Pública:

Apontamentos

Romeu

sobre

os

Mo-

GUIMARÃES,

Edgar (Coord.).

Professor

Cenários do

Felipe

Direi-

Bacellar

to

Administrativo

-

Estudos

em

Homenagem

ao

Filho.

Belo

Horizonte:

Fórum.

2004.

pp.

21-55.

HOLANDA,

p. 119

Sérgio

Buarque.

Raízes do

Brasil.

24 ed.,

Rio ele Janeiro: José Olympio,

1992,

16

O eixo

central

da eficiência

administrativa

concentra-se

no

dever

do

Estado aperfeiçoar suas

atividades

com

o fito

de

diminuir a

burocratização

e

lentidão

administrativa para

obter um

maior rendimento funcional

e,

com

isto

adequação técnica

ao

obter

controle

uma

que

rentabilidade

assegure

social.

Para

isso,

da

torna-se

atividade

necessário

pública,

15

,

uma

e planejamento

essa

adequado

sujeita

confor-

presteza

e