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UFCD 4561 - Empresa Leia o seguinte caso: “Muito do stress que as pessoas sentem

UFCD 4561 - Empresa

Leia o seguinte caso:

“Muito do stress que as pessoas sentem não vem de terem coisas demais para fazer. Ele vem de não terminarem o que começaram.”

David Allen

O Absentismo e os Factores de Stress

Tomás, 42 anos, casado e pai de dois filhos, trabalha numa empresa da indústria transformadora, que se dedica à montagem de carroçarias para veículos automóveis, na região do Ribatejo. À luz da legislação e regulamentação em vigor no domínio da Segurança e Saúde no Trabalho, este é “um bom local de trabalho”. O ruído foi reduzido para um nível aceitável e a iluminação é boa. Tomás não se queixa de desconforto térmico, quer no Verão quer no Inverno. Embora trabalhe numa linha de montagem flexível, com alguma rotação de tarefas (job rotation), houve a “preocupação ergonómica”, por parte da empresa, em ajustar a sua posição de trabalho de modo a evitar “cargas e movimentos desnecessários”. Do ponto de vista da segurança, a empresa é considerada um exemplo, tendo já sido galardoada duas vezes pelas suas “boas práticas” no domínio da SHST.

Apesar de tudo isto, o Tomás sente-se triste, ansioso, e até doente. Fuma, bebe e come demasiado. À noite tem dificuldade em adormecer e acorda cedo, sentindo-se cansado e frustrado. Maria, a sua mulher, que é assistente administrativa na Autarquia Local, está preocupada com as dores de cabeça persistentes do Tomás, a sua má digestão crónica, e a sua tensão alta. Ela insiste com ele para irem, juntos, ao médico de família, mas ele resiste, alegando que “não ia adiantar nada” e que, além disso, “não podia faltar ao trabalho”. As coisas lá em casa também correm mal, depois de “um casamento feliz de 16 anos”: o relacionamento do Tomás já não é o mesmo em termos afectivos, conjugais e parentais. Os dois filhos do casal já deram conta de que “o pai não anda bem”.

A empresa onde o Tomás trabalha, praticamente desde que abandonou a escola sem ter

chegado a completar o 9.º ano de escolaridade, enfrentou o ano passado uma série de problemas (económicos, financeiros, comerciais, técnicos e organizacionais) devido à alteração da sua estratégia de negócio, ao seu reposicionamento no mercado e à reestruturação do seu sistema de produção e de vendas. A empresa, fundada nos anos 30, sempre teve sucesso no mercado interno enquanto foi uma PME de controlo accionista familiar, mas a sua situação financeira degradou-se ao longo da década de 1990. Hoje, a maioria do capital já está nas mãos do grupo financeiro e económico a que pertence o seu principal credor (um conhecido

banco comercial). A mudança de administração (e de estilo de gestão) foi dolorosa para muita gente. O seguro de saúde / doença e outras regalias sociais foram cortadas. E até o refeitório da empresa foi fechado. A aposta dos “novos patrões sem rosto” (como alguém lhes chamou) é a internacionalização, com a construção de uma fábrica em Espanha. Entretanto, iniciou-se um processo de downsizing e foi desenhado um novo layout de produção.

A empresa despediu cerca de 30% do pessoal mais antigo e menos qualificado, incluindo um

tio materno do Tomás. O despedimento de quarenta pessoas, quase todas da terra, teve um

e menos qualificado, incluindo um tio materno do Tomás. O despedimento de quarenta pessoas, quase todas

impacto muito grande no concelho e na região. O novo director fabril, incita o pessoal a “trabalhar mais e melhor”. Tem havido um maior recurso conforme as encomendas ao trabalho suplementar, que por vezes nem sequer é pago. Já houve queixas do Sindicato à Inspecção-Geral do Trabalho. Os novos gestores tratam os trabalhadores como “colaboradores” e gostam de usar palavras, complicadas para o Tomás, como

“responsabilidade social”, “flexibilidade”, etc

passou a ser mais monótono, com um pequeno número de tarefas simples e repetitivas e um ciclo operatório curto. Há alguma rotação de tarefas nos postos de trabalho vizinhos. Em 2005, foi instituído um prémio de produtividade, que penaliza as faltas de assiduidade e os atrasos. O Tomás, que era um bom operário, sente-se agora desmotivado. E está a ter alguma dificuldade para lidar com as novas máquinas computorizadas, que exigem conhecimentos que ele não possuía. Por outro lado, as mais recentes rescisões de contrato causaram uma natural inquietação entre os trabalhadores, habituados que estavam a um “emprego estável e seguro” numa empresa que “era uma grande família”. Em contrapartida, foram recrutados alguns trabalhadores do leste europeu (sobretudo ucranianos). São acusados de “trabalharem como uns malucos”. O ambiente de trabalho tornou-se mais crispado, havendo inclusive alguns indícios de xenofobia. O pessoal tende a ajudar-se menos uns aos outros. Todos receiam ser abrangidos pelos próximos despedimentos e ninguém quer ver o seu ordenado diminuído ao fim do mês. O clima organizacional degradou-se. O novo director já ameaçou com a deslocalização da fábrica para Espanha. (…) Entretanto, o Tomás vai fazer um curso de formação profissional (“reciclagem”, disseram-lhe), e isso também o não ajuda muito porque é uma situação nova para ele. É como “voltar aos bancos da escola”, vinte e tal anos de pois. Os trabalhadores andam “tensos”. Também tem aumentado a conflitualidade entre eles (discussões verbais, ameaças, etc.).

Quanto ao trabalho que o Tomás executa,

I

a) Identifique e comente os principais factores indutores de stress a que o Tomás está sujeito na situação acima descrita.

b) Que consequências resultam para o Tomás, para o grupo e para a organização?

c) Em seu entender porque motivo o Tomás está a lidar mal com o que se passa no seu local de trabalho?

d) Que alterações proporia para ajudar o Tomás e os demais trabalhadores da empresa onde trabalham?

II

e) Indique três factores promotores do absentismo.

f) Para cada factor exponha uma medida de combate ou prevenção.

Formador: Luís Martins

promotores do absentismo. f) Para cada factor exponha uma medida de combate ou prevenção. Formador: Luís