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Waterloo: "dê-me a noite ou dê-me Blücher"

Enquanto o ataque de D’Erlon estava se desenrolando, os corpos de Reille tinham mergulhado cada vez mais na luta em torno de Hougoumont. Eles foram impelidos a isso pela decisão do príncipe Jérôme de liderar uma segunda brigada de infantaria num assalto ao château.

O ponto alto desse assalto veio quando a infantaria francesa, agindo no lado oeste dos prédios, conseguiu alcançar o portão norte no momento em que ele havia sido aberto para dar entrada a um reforço de munição vindo do morro. Houve um embate no qual os franceses forçavam o portão enquanto os britânicos tentavam fechá-lo.

Em determinado ponto do embate, os ingleses conseguiram fechar o portão, mas o subtenente Legros usou um machado para quebrar a fechadura, forçando caminho para dentro. O oficial avançou, seguido por 50 companheiros mais entusiasmados. No entanto, o tenente-coronel James Macdonnell, do Coldstream Guards, o cabo James Graham e um punhado de soldados correram para o portão e conseguiram fechá-lo, numa queda de braço com os franceses do lado de fora. Todos os franceses que ficaram do lado de dentro foram mortos, com exceção de um garoto do tambor, que foi amarrado e jogado na capela da fazenda. Na luta, o cabo Graham salvou a vida de seu comandante, matando um homem que estava prestes a atirar no oficial.

Waterloo: "dê-me a noite ou dê-me Blücher" Enquanto o ataque de D’Erlon estava se desenrolando, os

Gebhard Leberecht von Blücher, (óleo sobre painel de cobre, anônimo, cópia de original de Paul Ernst Gebauer, 1815-1819)

Wellington, mais tarde, diria que a batalha tinha virado no momento em que os portões de Hougoumont se fecharam. Graham foi promovido a sargento

por seu coronel, em face de seu heroísmo e, mais tarde, por recomendação de Wellington, receberia uma pensão anual até a sua morte, em 1845. Assim que fechou os portões, Macdonnell percebeu que seus homens estavam ficando sem munição. Ele disparou então o sinal convencionado de que precisava ser municiado. Um soldado desceu a ladeira conduzindo uma carroça de munições. Ele atravessou algumas centenas de metros de campo aberto, sob as balas da infantaria e da artilharia francesas, mas, quase milagrosamente, conseguiu chegar a seu destino, com os cavalos feridos e a carroça em frangalhos.

O rumo da batalha não estava ao gosto de Napoleão. Ele compreendia a importância tática do château. Dominando-o, ele poderia servir de base para um ataque contra o flanco de Wellington, mas ele não tivera a intenção de lançar ali o seu grande assalto. Ele pretendia antes facilitar seu caminho pelo centro da posição britânica. A intenção era preocupar Wellington e induzi-lo a mover tropas do centro para reforçar o seu lado direito. O general não caíra na armadilha e o imperador não pudera mover ninguém da direita para reforçar o o próprio centro.

Napoleão, então, ordenou que uma bateria de canhões leves fosse trazida para lançar projéteis incendiários. Sua intenção era arrasar os prédios da fazenda. Ele queria conquistar a posição sem mandar mais homens para aquela batalha, que crescia sem controle. Logo, os prédios estavam em chamas. De fato, apenas a capela escapava do fogo.

Quando as chamas amainaram um pouco, Wellington enviou uma mensagem a Macdonnel: “Vejo que o palheiro fez com que o fogo atingisse o teto. Você deve, de toda forma, manter seus homens nas partes que o fogo não alcançou. Cuide para que nenhum soldado seja perdido com o desabamento do teto ou dos pisos. Depois que eles tiverem caído, ocupe os muros arruinados no jardim, especialmente se o inimigo conseguir passar pelas brasas e chegar à casa”. Wellington estava determinado a manter a posse britânica sobre Hougoumont.

Com os seus planos saindo dos trilhos, Napoleão tinha de pensar rapidamente numa cartada decisiva. Ele ordenou que uma bateria de 80 canhões disparasse contra o centro de Wellington novamente, com granadas e balas de canhão. Um oficial britânico foi ferido e caiu no chão. Seis de seus homens se precipitaram até ele com uma maca para carregá-lo para a retaguarda em busca de atendimento médico. Uma bomba explosiva caiu sobre eles e todos foram mortos. Outra granada despencou sob o 40ª Regimento, atirando um homem pelo ar, sobre as cabeças de seus companheiros, por mais de dois metros, para uma aterrissagem num monte de detritos. Incrivelmente, o homem sofreu ferimentos não tão graves. Em todos os lugares, os homens eram castigados. Mais uma vez, os regimentos se abaixavam para evitar maiores danos e a cavalaria recuava.

No lado francês, Napoleão estava engajado numa operação de rearrumação. Muitas das unidades de D’Erlon tinham sofrido relativamente poucas baixas, mas estavam dispersas e desorganizadas. Os homens precisariam ser reconduzidos a seus regimentos, cujas formações eram reforçadas por soldados das unidades destroçadas. Uma mensagem de Grouchy chegou ao acampamento. Ela tinha sido escrita às 11 horas, na vila de Walhain. E trazia uma péssima notícia para Napoleão. Grouchy estava na estrada em

direção a Wavre, e não cortando o campo na direção de Waterloo. Para completar, Grouchy avançava lentamente. A carta dizia que Blücher tinha parado perto de Wavre, mas estaria prestes a recuar para Bruxelas, e Grouchy pretendia persegui-lo nessa direção. Claramente, ao redigir a carta, o general não sabia das novas ordens do imperador. Quando essas ordens alcançaram Grouchy, Napoleão não tinha como saber o que ele fizera e onde estaria naquele momento. Ele poderia apenas esperar que Grouchy estivesse fazendo o que ele ordenara e estivesse vindo pelo campo.

Napoleão decidiu que, antes que um novo ataque a Wellington fosse feito, os franceses deveriam tomar La Haye Sainte. Ney enviou uma brigada de infantaria, que, à medida que avançava, sofreu com os disparos do 95º de Rifl es, de volta à duna. Mais uma vez, os franceses tomaram o pomar, mas não conseguiram ir adiante, falhando novamente em tomar a fazenda. Não se sabe exatamente quem tomou a decisão sobre o que fazer a seguir. Alguns relatos dão conta de que Ney tomou a frente, na medida em que Napoleão estava temporariamente fora de combate, com cólicas estomacais. Outros sustentam que Ney não poderia ter tomado decisão tão drástica sem o aval do imperador. Seja lá quem tenha dado as ordens, o que se seguiu foi um dos episódios mais dramáticos das campanhas napoleônicas.

Waterloo: "galopando sobre todas as coisas"

A primeira unidade da cavalaria pesada a se movimentar foi a dos guarda-

vidas, liderada pelo próprio Uxbridge, com o 1º Regimento de Dragões à esquerda e os guardas a cavalo apoiando a retaguarda. Partindo em trote e logo evoluindo para o galope, essa força de mais de mil homens maciços

sobre

cavalos igualmente maciços atravessou a linha defendida pelo

príncipe de Orange a oeste da estrada principal para Bruxelas.

Saltando sobre a vegetação à frente, a onda de cavalarianos ingleses caiu sobre os cavalarianos franceses que haviam castigado os soldados de Hannover enviados à luta pelo príncipe de Orange pouco antes. Desorganizados por causa da própria ação bem-sucedida, os franceses se viram em franca desvantagem. Movendo-se para os lados, alguns caíram do barranco na subida da estrada para Bruxelas, com homens e cavalos perdendo suas vidas. A luta entre as duas forças de elite foi um dos pontos altos da história da cavalaria.

A cavalaria britânica em carga contra a infantaria francesa: cenário de carnificina (Estes terríveis cavaleiros cinzentos,

A cavalaria britânica em carga contra a infantaria francesa:

cenário de

carnificina (Estes terríveis cavaleiros cinzentos, Orlando Norie, séc. XIX)

Os guardas a cavalo e os dragões avançaram pela encosta a oeste de La Haye Sainte. Empurrando para os lados os cavaleiros franceses no caminho, eles se depararam com soldados da infantaria francesa ainda tentando chegar ao morro. Eles foram obrigados a recuar também pela cavalgada triunfante da cavalaria pesada. Somerset, aos poucos, segurou os seus homens. Tendo assegurado o controle das proximidades de La Hay Sainte e

também a segurança

dos homens de

Baring, o oficial

subiu de

novo

a

encosta

com

seus

regimentos.

Eles

estavam

no

meio

da

encosta

quando

Somerset

avistou

outros

cavaleiros franceses. Imediatamente, carregou sobre eles. As duas brigadas

francesas foram pegas inteiramente de surpresa e não puderam resistir. Após algumas baixas, os homens recuaram. Somerset, por sua vez, reuniu

seus

homens

e

voltou

para

o

seu

campo.

Uxbridge, enquanto isso, tinha levado os guarda-vidas para a esquerda. O

general liderou os seus homens num ataque ao longo do morro ao norte de La Haye Sainte até atingir o flanco da infantaria francesa, comandada por

Quiot. A carga atingiu os infantes enquanto eles trocavam

fogo

com

a

infantaria britânica posicionada nas moitas. Um oficial inglês que estava na posição e vinha tendo pesadas baixas até a chegada de Uxbridge, mais tarde, lembraria o impacto da aparição dos cavalarianos: “A infantaria do nosso lado abriu caminho, enquanto os guarda-vidas cortavam o ar em

todas as direções. Centenas de soldados inimigos se jogavam ao chão, fingindo-se de mortos, enquanto os cavalos galopavam sobre eles e, depois,

levantavam-se

e

fugiam”.

Uxbridge reorganizou seus homens a tempo de ver outra brigada da infantaria francesa surgir por trás da fumaça no esforço de chegar ao alto do morro. Avançando quase em ritmo de desfile, Uxbridge carregou contra a

tropa, levando os homens a recuar ladeira abaixo. Nesse momento, houve certa confusão, à medida que soldados da infantaria britânica desceram a

ladeira com as baionetas fixadas. Em meio à fumaça e à confusão, os ofi ciais tinham confundido os uniformes azuis dos franceses com os dos holandeses. Isso atrapalhou a ação da cavalaria, permitindo que mais

inimigos

escapassem.

Enquanto tudo isso acontecia, Ponsonby tinha visto a Household Brigade avançar e ordenara ao corneteiro o toque de atacar. À sua direita, estava a Guarda dos Dragões Reais; ao centro, vinham os Dragões de Inniskilling e, à direita, os Scots Greys. As três nacionalidades dos regimentos (ingleses, irlandeses e escoceses) deram o nome da unidade: The Union Brigade. Os Scots estavam protegidos dos canhões franceses por uma cavidade no terreno. Eles despontaram repentinamente do seu buraco para o topo da encosta e surgiram diante dos homens da divisão de Marcongnet. Para os franceses, foi como se aqueles cavaleiros viessem do fundo da terra. Não houve tempo para tomar qualquer providência, muito menos manobrar para uma formação em quadrado. Os cavaleiros e seus cavalos cinzentos já

estavam

em

cima

deles.

Um oficial francês lembraria que ele estava organizando seus homens para fazer fogo contra a desarrumada infantaria britânica quando viu o terror de frente. “Eu virei para chamar um de meus homens para uma posição mais avançada e o vi caindo morto aos meus pés com um golpe de sabre. Quando olhei em volta, vi a cavalaria britânica forçando seu caminho sobre nossa formação e nos despedaçando.” A coluna francesa era tão densa que os scots tiveram de reduzir a velocidade de seu avanço para abrir seu caminho a golpes de sabre. Vendo a fortuna mudar de lado depois de terem sofrido na mão dos franceses, os homens do 92º fixaram suas baionetas e, em total desordem, partiram para cima dos franceses, completando o cenário de uma carnificina.

Waterloo: "então, ocorreu um rompimento na linha

O ponto no qual Wellington montou posição parecia, num primeiro olhar, apenas uma simples montanha, mas havia aspectos que seriam decisivos no decorrer da batalha. A serra do monte Saint-Jean formava um ângulo reto com a estrada principal que seguia para o norte, rumo a Bruxelas, por onde Wellington recuara na véspera. Essa estrada passava por La Belle Aliance, a hospedaria que Napoleão transformara em quartel-general, e pelo topo do monte Saint-Jean, onde o general inglês montara o seu. Agora, eles estavam a 1.200 metros um do outro. No espaço que os separava, o terreno descia suavemente na direção de um vale antes de se elevar na encosta do morro.

O campo era aberto, sem cercas, valas ou árvores, apenas grama alta, entre 1,5 e 2 metros. No início da batalha, essa grama serviria para esconder os homens no terreno, mas logo ela seria pisoteada até se transformar num tapete. O campo era, em geral, plano, mas havia algumas elevações e cavidades aqui e ali. Na parte mais ao leste, o córrego Smohain formava um pequeno vale que ficava abaixo do restante do campo de batalha.

Ao longo do topo da montanha onde Wellington estava, corria uma precária estrada vicinal que ligava Wavre a Hal. No ponto exato onde ela cortava a estrada de Bruxelas, havia um olmo. Ali, Wellington tomou posição para a batalha. A leste dessa encruzilhada, a estrada era margeada por moitas; a oeste corria por um recorte do terreno. Essas características ofereciam proteção extra para a infantaria. Wellington posicionou sua primeira linha ao longo dessa estrada.

O campo era aberto, sem cercas, valas ou árvores, apenas grama alta, entre 1,5 e 2

Sob o comando do major Georg Baring, a Legião Alemã e o 95º Regimento de Rifles defendem a fazenda La Haye Sainte (A defesa da fazenda La Haye

Sainte,

óleo

sobre

tela,

Adolf

Northen,

séc.

XIX)

No

vale, havia

três

edifícios

de pedra,

pertencentes a fazendas, que

poderiam ser usados como posições defensivas muito eficientes. Homens

ocultos ali teriam

a capacidade

de despejar fogo sobre

o

flanco dos

franceses que seguissem em direção à montanha. Esse fator tornou-se

crucial

para

os

planos de Wellington.

A

leste,

no flanco

esquerdo de

Wellington, estava a fazenda Papelotte, sobre uma ravina, às margens do

Smohain. Wellington estacionou os holandeses de Perponcher em Papelotte

para defendê-la. Mais adiante, estava a aldeia de Frischermont, que não

teve

papel

de

destaque

na

batalha.

Na beira da estrada para Bruxelas estava La Haye Sainte. Era uma casa grande com alguns estábulos e um celeiro, cercados por um muro alto de

pedra, dentro do qual havia ainda um jardim e um lago. Um portão dava

acesso, pelo jardim,

à estrada,

mas o complexo tinha poucas janelas.

Wellington pôs

dois batalhões da Legião Alemã ali, apoiados por um

regimento de Nassau. Na margem oposta da estrada, de frente para La Hay

Sainte, havia uma espécie de duna, totalmente escavada pelos habitantes

locais

para

a

retirada

da

areia fina

de

que

ela era composta.

Ali se

posicionou o 95º Regimento de Rifles. A unidade estava equipada com rifles

Baker, que

eram bem mais certeiros do que os mosquetes-padrão da

infantaria,

porém

mais

difíceis

de

carregar.

Além

disso,

sofriam

constantemente

 

com

entupimentos.

 

A mais ocidental das construções era também a maior delas. Hougoumont era usualmente descrita como um “château”, significando que era mais

uma grande

casa de campo

do que uma fazenda.

A casa também

era

cercada por

um

muro

e

tinha

um lago

defronte, mas os prédios eram

maiores e mais sólidos. Além da casa, havia uma capela, celeiro, estábulos, chalés e outras construções. Um portão abria-se para o sul e outro para o norte. A leste do terreno, existia um pomar, também murado; ao sul, um

bosque

cercado

de

sebes.

Para

guarnecer

essa

verdadeira

fortaleza,

Wellington enviou os quatro regimentos da Guarda Britânica que estavam

no

campo

de

batalha.

Wellington estava preocupado com o lado direito de sua formação. Napoleão

poderia ainda marchar para oeste e cortar sua linha

de suprimentos e a

rota para a Marinha Real. Ele pôs a maior parte de suas forças a oeste da

estrada, à sua direita. Ainda assim, ele não ficou satisfeito e destacou uma força de 15 mil homens, enviando-a para Hal, alguns quilômetros a oeste, a

fim de guarnecer a rota de fuga para o Escalda. Ele pretendia se retirar por

ali

caso

Blücher

não

chegasse

a

tempo

a Waterloo.

Às 2 horas, Wellington recebeu um bilhete de Blücher avisando que seus

homens

estavam cansados

demais para

dar início

à

marcha antes

do

amanhecer. Assim que o sol

saísse, porém, ele colocaria o IV Corpo,

de

Bülow, em marcha, seguido por outros corpos, tão logo pudessem estar

formados o sufi ciente para se movimentar. Analisando o mapa, Wellington

concluiu que

Bülow

deveria

chegar

por

volta

de

14

horas.

Quando o dia amanheceu, tanto Wellington quanto Napoleão já estavam no campo de batalha. O general britânico reposicionou umas poucas unidades até fi car satisfeito, depois seguiu para sua posição sob o olmo no cruzamento das estradas, de onde tinha excelente visão da área. E esperou.

A todo momento,

ofi ciais se aproximavam

do general

em busca

de

aconselhamento ou trazendo notícias. Um deles foi Uxbridge, comandante

da cavalaria britânica e segundo oficial em hierarquia no campo. Ele tinha uma questão delicada a tratar. Wellington era notoriamente amigo de

segredos e não

tinha discutido os seus planos

para

a

batalha que

se

aproximava. “Como eu sou o segundo no comando”, começou Uxbridge, “no caso de alguma coisa acontecer a você, quais são os planos?”

Wellington pensou por um momento e indicou o campo à frente, onde os franceses se agrupavam. “Quem vai atacar primeiro, Bonaparte ou nós?”, perguntou. “Bonaparte”, respondeu Uxbridge. “Bem”, continou o comandante. “Bonaparte não me mandou uma cópia dos seus planos e, como meus planos dependem do que ele fizer, como você espera que eu possa lhe dizer quais são meus planos?” Uxbridge assentiu um pouco contrariado.

Napoleão, por sua vez, estava ansioso pelo início da batalha. Às 6 horas, ele ditou a Soult as ordens de movimentação das tropas, determinando que as

unidades estivessem prontas para se mover às

9 horas.

Enquanto seu

exército se posicionava, o imperador tomava café com seus ofi ciais superiores. Os homens entravam e saíam de acordo com o que seus deveres permitiam, mas, em todo caso, foi uma refeição completa. Napoleão estivera expondo como as probabilidades eram favoráveis aos franceses quando Ney entrou a tempo de ouvir a parte final de suas observações.

O oficial lembrou que, quanto lutou contra Wellington na Espanha, o general inglês provara ser especialista em escapar de armadilhas aparentemente complexas. Soult, que também já enfrentara Wellington, sugeriu que fosse enviada a Grouchy uma mensagem ordenando que os homens de Gérard fossem destacados para atacar o flanco esquerdo da formação inglesa. Napoleão jogou seus talheres sobre a mesa, raivoso, e disse: “Porque você já foi vencido por Wellington, acha que ele é um grande general? Eu lhe digo que ele é um mau general, que os ingleses são uma tropa ruim e que esse caso não é mais complicado do que tomar o café da manhã”.

Esqueleto de soldado é descoberto no campo da batalha de Waterloo

Combate a 20 quilômetros de Bruxelas, em 1815, selou derrota de Napoleão

13 jun 2012

Esqueleto de soldado no campo da batalha de Waterloo (AFP/VEJA) Quase dois séculos depois da derrota

Esqueleto de soldado no campo da batalha de Waterloo (AFP/VEJA)

Quase dois séculos depois da derrota de Napoleão Bonaparte em Waterloo, no território da atual Bélgica, arqueólogos encontraram o esqueleto completo de um soldado morto no célebre campo da Batalha de Waterloo.

“Ele parece morrer diante de nossos olhos”, disse nesta terça-feira o arqueólogo Dominique Bosquet, referindo-se ao esqueleto desenterrado na semana passada durante trabalhos de restauração do local, situado cerca de vinte quilômetros ao sul de Bruxelas.

NAPOLEÃO BONAPARTE

Em 1799, um oficial de artilharia do exército francês de apenas 30 anos de idade liderou um golpe de estado e se autoproclamou Primeiro Cônsul. Era Napoleão Bonaparte, que cinco anos mais tarde seria proclamado imperador. A chegada de Napoleão ao poder é o marco histórico que encerra a Revolução Francesa, detonada dez anos antes. Napoleão governou a França até abril de 1814 (voltou a ocupar a posição durante alguns meses em 1815). Em seu governo, a França envolveu-se em conflitos com as grandes potências da Europa, as Guerras Napoleônicas. Napoleão conquistou uma hegemonia sem precedentes no Velho Continente. Em 1812, porém, sofreu um grave revés na Campanha da Rússia e viu seu império começar a ruir. A batalha final aconteceu em Waterloo, em junho de 1815, quando o exército de Napoleão foi derrotado pelos britânicos, que o exilaram na ilha de Santa Helena, no Oceano Atlântico, onde morreria seis anos depois.

BATALHA DE WATERLOO

A Batalha de Waterloo aconteceu em 18 de junho de 1815 na cidade homônima, na Bélgica. Esse foi um combate decisivo das forças francesas contra as britânicas. Aconteceu durante o Governo dos Cem Dias de Napoleão Bonaparte. Cerca de 125.000 homens do Grande Exército Napoleônico enfrentaram 210.000 soldados do campo aliado na batalha que mudou o destino da Europa. Os franceses foram derrotados e mais de 12.000 pessoas foram mortas.

Deitado de costas, com uma bala ainda presa na altura do pulmão esquerdo, o soldado estava coberto por 40 centímetros de terra. Aparentemente, o corpo não foi movido após a sua morte. Pode ter sido enterrado rapidamente por algum companheiro de batalha, para não atrair saqueadores, segundo os arqueólogos.

O local onde foi encontrado, atrás de um bastião das tropas do Duque de Wellington – general e estadista britânico que derrotou Napoleão Bonaparte -, sugere que o soldado era britânico, segundo Yves Vander Cruysen, da associação “Batalha de Waterloo 1815”.

O uniforme foi desfeito com o tempo, mas a futura análise dos objetos pessoais – uma colher, moedas, botões da roupa e um pedaço de madeira com as iniciais CB gravadas – poderão confirmar se ele pertencia ao campo dos vencedores (Grã-Bretanha, Prússia e Holanda) ou, ao contrário, se estava sob as ordens do imperador da França.

A três anos do bicentenário da batalha, foram iniciados trabalhos de restauração do local onde ocorreu a Batalha de Waterloo com o objetivo de reforçar seu potencial turístico. No próximo sábado e domingo, será realizada uma reconstituição da batalha que acontece anualmente. Durante a cerimônia, centenas de curiosos estarão vestidos com trajes de época.

(Com Agência France-Presse)

http://veja.abril.com.br/ciencia/esqueleto-de-soldado-e-descoberto-no-

campo-da-batalha-de-waterloo/