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DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

Pedro

BIBLIOGRAFIA

Henrique

Gonçalves

Portela,

Direito

Internacional

Público e Privado, Ed. Jus Podivm (básico e objetivo)

Francisco Rezek, Direito Internacional Público, Ed. Saraiva

(clássico)

BIBLIOGRAFIA (cont.)

Marcelo Varella, Direito Internacional Público, Ed. Saraiva (bom)

Hildebrando

Accioly

e

outros,

Manual

de

Direito

Internacional Público, Ed. Saraiva (bom)

 

Malcolm

Shaw,

Direito

Internacional,

Ed.

Martins

Fontes

(melhor)

O QUE ESTUDAR?

CONCONTEÚDO DA AULA

DEVER DE CASA

fundamentos do DIP

alguns aspectos sobre tratados

fontes de DIP

território

sujeitos de DIP

patrimônio comum da humanidade

jurisdição

sucessão de Estados

nacionalidade

imunidades diplomática e consular

condição jurídica do

naturalização

estrangeiro

solução pacífica de controvérsias

TPI e crimes internacionais

uso da força no DIP

direito humanitário

 

responsabilidade internacional do Estado

COMO ESTUDAR MELHOR?

enquanto estiver lendo o livro que escolher, adote uma metodologia de abordagem padrão para todos os tópicos

(isso facilitará a compreensão e a memorização da matéria!):

em que parte do programa do concurso se insere o instituto

em análise? qual o conceito básico deste instituto? quais suas características fundamentais? quais seus marcos

normativos? a evolução histórica do instituto é relevante?

quais os casos internos e internacionais relevantes?

COMO ESTUDAR MELHOR? (cont.)

sempre que houver menção a uma norma, pare e leia a

norma

no caso de julgados internos, leia os casos e, no caso de

julgados internacionais, se não for possível ler a íntegra, ao

menos leia sobre os casos

COMO ESTUDAR MELHOR? (cont.)

há alguns tratados e diplomas internacionais muito

importante e que precisam ser lidos na íntegra: Carta da ONU

(1945), DUDH (1948), Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas (1961), Convenção de Viena sobre Relações

Consulares (1963), PIDCP (1966), PIDESC (1966), Convenção

de Viena sobre Direito dos Tratados (1969) e Convenção de Montego Bay (1982), entre outros

COMO ESTUDAR MELHOR? (cont.)

tente fazer correlações entre o DIP e o direito interno: muitos institutos de direito interno tem fundamento no DIP e isso

facilitará sua compreensão

cuidado: mais importante do que ler muito material é reler o

material certo portanto, escolha um ou dois livros entre os

indicados com os quais você se sinta confortável,

complemente com bons artigos

leia e releia!!!

FUNDAMENTOS DO DIP

- conceito: motivo pelo qual normas de DIP são obrigatórias

- 3 correntes: voluntarismo, objetivismo e pacta sunt servanda

(positivismo): os sujeitos de DIP

expressam livremente sua concordância expressa (tratados) ou

tácita (costumes) com o teor das normas internacionais

a)

voluntarismo

.

vertentes

.

crítica

universais com

importância para a existência e o bom desenvolvimento da

sociedade internacional

b)

objetivismo:

existem

valores

.

vertentes

.

críticas

c) pacta sunt servanda: existem normas importantes para a

existência e o desenvolvimento da sociedade internacional que

ainda dependem de manifestações dos Estados para serem

sindicadas (caso Lótus)

FONTES DE DIP

I. PARTE GERAL.

- conceito: meios de onde surgem e se identificam as normas

internacionais

- art. 38, ECIJ: norma expressa que prevê as fontes de DIP

. não exaustiva

. doutrina e decisões judiciais não são fontes do DIP, mas

apenas meios auxiliares de resolução de controvérsia

-

art. 38(2), ECIJ: trata da equidade . conceito: técnica de julgamento que permite ao juiz

resolver uma controvérsia a partir de considerações de justiça . não é uma fonte do DIP

. depende da concordância das partes

. caso Plataforma Continental do Mar do Norte

(delimitação da plataforma continental do Mar do Norte entre a

Alemanha Ocidental, a Holanda e a Dinamarca) e caso Estreito

de Corfu (indenização a ser paga pela Albânia à Grã-Bretanha)

-

hierarquia entre as fontes de DIP: o entendimento majoritário é que não há hierarquia entre as fontes do DIP

. vigoram os princípios gerais de resolução de conflito de normas

- hierarquia entre normas de DIP: jus cogens e soft law

a) jus cogens:

. conceito: é uma norma aceita e reconhecida pela

comunidade internacional dos Estados como uma norma da qual

[nenhuma derrogação é permitida] e que [só pode ser

modificada por norma ulterior de Direito Internacional geral da

mesma natureza], conforme o art. 53, CVDT (1969) Decreto n.

7.030/2009

. exemplos: normas que proíbem o genocídio, a tortura, a escravidão, a discriminação racial

. jus cogens x art. 103, CONU

Barcelona

Traction:

jus

geram

obrigações erga omnes, que são obrigações de um Estado

perante a comunidade internacional no seu conjunto

caso

normas

cogens

.

b) soft law:

conceito: conjunto de regras com valor normativo limitado, em vias de se tornar direito positivo, mas que ainda não criam obrigações jurídicas

.

. relações internacionais

. linguagem

. exemplos: DUDH (1948) e DADH (1948)

II. COSTUMES.

- conceito: prática geral aceita como sendo o direito, conforme o art. 38(b), ECIJ

- características gerais:

.

ausência de órgãos de produção normativa centralizados

.

abordagem consensual, mais democrática

. ambiguidade, flexibilidade

. voluntaristas x objetivistas

elemento objetivo (inverterata consuetudo): prática efetiva, comportamento propriamente dito . características: foco na existência da prática a) duração: menos relevante; não é rígido; costume

instantâneo

b) reiteração e uniformidade: uso constante e

uniforme (caso Haya de la Torre); desnecessária a absoluta

conformidade; tratamento dos casos de práticas em contrário

(caso Nicarágua)

c) generalidade: normalmente, o costume deve espelhar a prática de um número grande de Estados e, em

especial, daqueles com relação estreita com a questão

-

. atos oficiais: determinar quem pode ser considerado como um ator que age em nome do Estado

. inação: conhecimento da situação + consciência quanto ao dever de se abster (caso Lótus);

- elemento subjetivo (opinio juris): crença que a prática efetiva é realmente obrigatória

.

uso x costume

.

caso Lótus

.

caso Nicarágua

- ônus da prova dos elementos do costume

. costume local x costume global (caso Haya de la Torre)

- situação dos Estados novos em face dos costumes postos

-

objetor persistente: Estado que, de forma expressa, permanente e inequívoca, posiciona-se contra o reconhecimento de uma prática como um costume em gestação

. teoria voluntarista

.

ônus da prova

.

conseqûencias

III. PRINCÍPIOS GERAIS DO DIREITO.

- conceito: normas de caráter genérico e abstrato que compõem quase todas as ordens jurídicas internas e que alicerçam e conferem coerência ao ordenamento jurídico

internacional, orientando a elaboração e a aplicação das

demais normas internacionais e a ação dos sujeitos de DIP

. irrelevância da ordem jurídica interna

IV. ATOS UNILATERAIS.

- conceito: atos cuja existência depende unicamente da

manifestação de um Estado, gerando consequências jurídicas a despeito do consentimento ou do envolvimento de outros

entes internacionais

- tipologia:

a) protesto: ato formal, expresso e público pelo qual um

sujeito de DIP declara sua intenção de (i) não reconhecer uma situação ou direito ou (ii) demonstrar descontentamento com

fatos atribuíveis a outros sujeitos de DIP

b) silêncio/aquiescência: aceitação em relação a determinado ato (TPJI, caso Groenlândia e CIJ, Templo de Préah- Vihéar)

c)

renúncia: ato inequívoco pelo qual um sujeito de DIP

abandona seu direito

d)

de um tratado

denúncia: ato pelo qual um sujeito de DIP se desvincula

estoppel: perda da possibilidade de um parte alegar ou

refutar um fato em detrimento de uma outra parte em razão de

uma conduta anterior

e)

f) reconhecimento: ato unilateral, expresso ou tácito, de admissão da existência de certa situação para fins de produção de consequências jurídicas

.

não é um ato obrigatório

.

reconhecimento x mera ciência

f.1) reconhecimento de Estado: ato pelo qual se admite a formação de um novo Estado

. teoria constitutiva: o reconhecimento é essencial

para dotar um Estado de personalidade jurídica internacional; hipóteses de Estados formados por meios ilegítimos; crítica:

problema de eventual personalidade parcial

. teoria declaratória (majoritária): o ato de reconhecimento expressa mera aceitação de uma situação já

existente e o novo Estado não adquire personalidade jurídica em

razão disso; v. arts. 12, COEA (1948) e 3º, Convenção de Montevidéu sobre Direitos e Deveres dos Estados (1933)

f.2) reconhecimento de governo: admissão de que certo governo é a autoridade máxima de um Estado, com as consequências que daí derivam

.

o

reconhecimento

do

governo

implica

o

reconhecimento do Estado, mas o inverso não é verdadeiro

. doutrina Tobar: condicionalidades para o

reconhecimento de um novo governo; situação dos governos

que chegam ao poder de forma ilegal

. doutrina Estrada: automático reconhecimento de todos os governos; uso político do instituto

efetivo do governo:

autoridade interna máxima exerce controle real e contínuo

sobre território e população

doutrina

do

controle

.

V. TRATADOS.

- conceito: acordo internacional concluído [por escrito] [entre Estados] ou [entre Estados e organizações internacionais], [regido pelo direito internacional], quer conste de um

instrumento, quer de vários, qualquer que seja sua

denominação específica; v. art. 2º(1), CVDT (1969)

- classificação relevante: tratado-norma x tratado-contrato

. ganhou relevância porque, para o STJ, no âmbito do Direito Tributário, somente tratados-contratos podem revogar

lei complementar (STJ, REsp 426.945/PR)

- processo de formação dos tratados:

a) adoção do texto (autenticação): ato pelo qual se

reconhece a equivalência entre o conteúdo do texto negociado e

aquele apresentado ao final da negociação

. não cria compromisso para o Estado

b) assinatura: ato pelo qual se concorda com o conteúdo do tratado

. troca de notas ou de cartas

efeitos: (i) torna imutável o texto do tratado; (ii) gera obrigação de agir de boa-fé na condução das relações

internacionais, sem frustrar o conteúdo do texto assinado (art.

18(a), CVDT, 1969); (iii) prova aceitação quanto a normas costumeiras eventualmente constantes do tratado; (iv) em

alguns casos, é suficiente para expressar o consentimento em

estar submetido ao tratado (não é o caso do Brasil)

. art. 84, VIII, CR88: no Brasil, é ato privativo do

Presidente da República; possibilidade de delegação e costume

constitucional

.

c) ratificação: ato pelo qual se indica o consentimento em estar submetido ao tratado

. irretratável

. art. 49, I, CR88: no Brasil, é ato da competência

exclusiva do Congresso Nacional

. procedimento no Brasil: MRE traduz o texto e prepara uma minuta de Mensagem Presidencial sobre a legalidade do texto, encaminhando-a à Presidência da República o Presidente da República encaminha a Mensagem à Câmara dos Deputados que, então, encaminha para o Senado

aprovado o texto, o Presidente do Senado edita um Decreto

Legislativo o Poder Executivo ratifica o tratado por meio do depósito do instrumento de ratificação no órgão depositário (a

partir deste momento, o Brasil já está obrigado

internacionalmente) o Poder Executivo publica um Decreto Executivo, promulgando o tratado (a partir deste momento, o

tratado integra a ordem jurídica interna; dá executoriedade ao

tratado na ordem interna)

.

Decreto Executivo e costume constitucional

.

análise política e jurídica do tratado

. monismo x dualismo (STF, RE 80.004/SE x STF, ADIn

1.480/DF)

. acordos executivos: acordo cujo engajamento é

realizado exclusivamente pelo Poder Executivo, sem a participação do Congresso Nacional

- valor normativo dos tratados:

. tratados em geral: terão o valor de lei ordinária; conflito entre lei e tratado; caso Fábrica de Chorzów

. tratados que versem de direitos humanos: se aprovados

por 3/5 dos parlamentares, em dois turnos, na Câmara e no

Senado, terão força de norma constitucional (EC n. 45/2004); se

não forem aprovados conforme esse rito, mas versando ainda

sobre direitos humanos, terão status de norma supralegal (STF, RE 349.703/RS e 466.343/SP)

- reservas: declaração [unilateral], qualquer que seja a sua redação ou denominação, feita por um Estado ao [assinar, ratificar, aceitar ou aprovar um tratado], [ou a ele aderir], com o objetivo de excluir ou modificar o efeito jurídico de certas disposições do tratado em sua aplicação a esse Estado,

conforme o art. 2º(d), CVDT (1969)

. sempre por escrito

. se formuladas antes da ratificação e a ratificação for o compromisso definitivo, precisam ser ratificadas no momento da

ratificação

. normas jus cogens e tratados, consequências (CIJ, parecer sobre reservas à Convenção sobre Genocídio; CEDH, caso Loizidou)

. no Brasil, podem ser feitas tanto pelo Executivo quanto

pelo Legislativo

- extinção dos tratados:

a) conflitos armados: conforme o princípio do inter arma silent legis, os tratados em vigor entre partes em guerra deixam

de ser exigíveis entre elas, exceto se (i) o tratado se destinar

justamente a regular as relações em época de conflito armado,

(ii) for a Carta da ONU e (iii) o tratado versar sobre direitos

humanos; v. art. 62, CVDT (1969)

b) ruptura de relações diplomáticas: o rompimento não afetará as relações jurídicas entre os Estados, exceto se a manutenção das relações diplomáticas for essencial para o cumprimento do tratado, conforme o art. 63, CVDT (1969)

c) inexecução por uma das partes: aplicável nas hipóteses

de tratados comutativos, em que a uma prestação corresponde uma contraprestação, conforme o art. 60, CVDT (1969)

. uma violação substancial de um tratado consiste:

(i) numa rejeição do tratado não sancionada pela CVDT (1969) ou (ii) na violação de uma disposição essencial para a

consecução do objeto ou da finalidade do tratado

d)

mudança

substancial

de

circunstâncias

(rebus

sic

standibus): uma mudança fundamental de circunstâncias, ocorrida [em relação às existentes no momento da conclusão de

um tratado] e [não prevista pelas partes], não pode ser invocada

como causa para extinguir um tratado ou dele retirar-se, salvo

se: (i) a existência dessas circunstâncias tiver constituído uma condição essencial do consentimento das partes em obrigarem-

se pelo tratado; e (ii) essa mudança tiver por efeito a

modificação radical do alcance das obrigações ainda pendentes de cumprimento em virtude do tratado; v. art. 62, CDVT (1969)

SUJEITOS DE DIP

I. PARTE GERAL.

- personalidade jurídica internacional: aptidão para ser titular

de direitos e deveres na ordem internacional, incluindo a

criação de normas internacionais, o direito de legação e a faculdade de recorrer a mecanismos internacionais de

solução de controvérsias

. concepção tradicional x concepção evolutiva

- novos sujeitos de DIP:

. Santa Sé e Vaticano

. Soberana Ordem de Malta

.

Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV)

.

indivíduo

- beligerantes e insurgentes:

a) beligerantes: movimentos de grande proporção que visam a derrubada do governo ou a criação de um novo ente estatal

. reconhecimento da beligerância

. efeitos do reconhecimento da beligerância:

(i) incidência das normas aplicáveis aos conflitos

armados

(ii) possibilidade de firmar tratados com Estados

neutros

(iii) isenção de responsabilidade internacional em

face do Estado pelos atos dos beligerantes

b) insurgentes: movimentos de revolta contra o governo de um Estado, mas com proporções bem menores que a beligerância

. reconhecimento da insurgência

.

efeitos não estão pré-definidos pelo DIP

.

efeitos do reconhecimento:

armados

(i)

observar

as

normas

aplicáveis

aos

conflitos

(ii) o Estado onde atuam os insurgentes fica isento

de responsabilidade internacional pelos atos dos insurgentes

II. ESTADOS.

- conceito: agrupamento humano permanente, estabelecido sobre um território determinado e sob governo independente

- elementos constitutivos: população permanente, território determinado, governo soberano e capacidade para entrar em

relações internacionais com os demais Estados; v. art. 1º,

Convenção de Montevidéu sobre Direitos e Deveres dos Estados (1933)

. território: espaço geográfico no qual o Estado exerce seu poder soberano

. população: conjunto permanente de pessoas naturais,

vinculadas juridicamente ao ente pela nacionalidade, sejam

residentes ou não

. governo soberano: internamente, poder estatal com

supremacia absoluta sobre as pessoas, bens e relações jurídicas

dentro do território; internacionalmente, independência estatal em face dos demais Estados

-

direitos e deveres do Estado: Convenção de Montevidéu sobre Direitos e Deveres dos Estados (1933)

a) direito à integridade: o território do Estado é inviolável; e não pode ser objeto de ocupação militar nem de qualquer

medida de força, salvo nas hipóteses de legítima defesa ou de

ação da ONU voltada a manter ou restaurar a paz e a segurança internacionais; v. arts. 39 a 54, CONU

. inaplicabilidade em caso de demarcação obscura

de fronteira

. doutrina do uti possidetis

b) direito à legítima defesa: art. 51 da CONU . caso Caroline: necessidade imediata e irresistível

+ impossibilidade de escolha dos meios de contrarreação + tempo escasso para deliberação + contrarreação razoável . art. 51, CONU c/c art. 2º(4), CONU: necessidade

de ataque armado

. caso Nicarágua: natureza consuetudinária da legítima defesa; definição de ataque armado

preventiva, legítima defesa

legítima

defesa

.

interceptora (iminente e inevitável)

c) dever de não-intervenção: intervenção internacional é a ingerência de um Estado nos negócios internos ou internacionais de outro Estado, com o objetivo de fazer valer sua vontade

.

a

regra

no

DIP,

hoje,

é

que

o

Conselho

de

Segurança da ONU detém o monopólio da força

. as medidas tomadas por uma organização

internacional em face de um Estado-membro, que aderiu ao seu estatuto, não podem ser qualificadas como intervenção

c.1) Doutrina Monroe: não seria admitida a

intervenção de potências europeias nos negócios internos ou externos de qualquer país americano, bem como os EUA

prometiam igualmente não intervir; no governo do presidente

Roosevelt, foi radicalmente alterada e deu lugar ao Big Stick

c.2) Doutrina Drago: impossibilidade de uso de força militar por parte de Estados contra outros Estados como meio para provocar o pagamento de dívidas . foi acolhida em um tratado conhecido como Convenção Porter, com 2 flexibilizações, para permitir o

cabimento do uso da força para cobranças de dívidas quando (i)

o Estado devedor não aceitar a solução pacífica da controvérsia por meio arbitral e, (ii) tendo aceito a arbitragem, não dá

cumprimento ao laudo arbitral

. a Convenção Porter foi revogada pela Carta da ONU, que veda o emprego da força nas relações

internacionais, salvo casos de legitima defesa e ação militar em

prol da paz e da segurança internacionais

c.3) intervenção humanitária: graves violações de direitos humanos não são mais consideradas assuntos internos,

em razão do dever de proteger imposto pelo direito costumeiro

e também por alguns tratados internacionais

I. PARTE GERAL

JURISDIÇÃO

- conceito: é o poder que tem o Estado de exercer sua

influência sobre pessoas, bens e relações jurídicas

- embora, na ausência de uma norma permissiva de DIP,

nenhum Estado esteja legitimado a exercer poder fora de

suas fronteiras, o DIP não proíbe um Estado de exercer jurisdição em seu próprio território por atos ocorridos fora de

seu território (caso Lótus)

- hoje em dia, há maior aceitação de que existem matérias antes sujeitas à jurisdição exclusiva do Estado que podem ser objeto de jurisdição por outros Estados (casos Nottebohm e caso direitos de pesca anglo-noruegueses)

- princípio da jurisdição universal: todo e qualquer Estado tem

jurisdição para julgar infrações especialmente graves, que atingem toda a comunidade internacional

. caso Yerodia: jurisdição territorial obrigatória sobre

pessoas que praticam crimes internacionais . caso Habré: jurisdição territorial obrigatória ou

extradição

- saber se uma questão está ou não no âmbito da jurisdição interna dos Estados é matéria a ser resolvida pelo DIP (caso decretos de nacionalidade em Túnis e Marrocos)

- via de regra, a jurisdição do Estado dentro de seu território é geral (abrange todas as competências típicas de um Estado,

de ordem administrativa, legislativa e judicial), exclusiva (não

concorre com outra ordem soberana) e ampla (abrangendo todas as pessoas, bens e relações), exceto pelas imunidades

II. IMUNIDADES À JURISDIÇÃO.

-

conceito: impedimento a que certas pessoas e entes, por gozarem de status especial, sejam submetidos, bem como

seus bens, à autoridade de outro Estado contra sua vontade

. princípio da soberania dos Estados

- imunidade à jurisdição em favor de Estados: tema cujas diretrizes são eminentemente costumeiras a) imunidade absoluta: princípio do par in parem non habet judicium (entre iguais não há jurisdição) b) imunidade relativa (ratione materiae):

. nos processos de conhecimento: atos de gestão x

atos de império; renúncia à imunidade . nos processos de execução: bens das missões

diplomáticas e consulares, bens não afetos aos servicos

diplomáticos e consulares (STF), execuções fiscais (arts. 23, CVRD, 1961 e 32, CVRC, 1963) e cartas rogatórias (STJ)

. a imunidade de execução é autônoma em face da

imunidade de jurisdição

-

imunidade

internacionais: ao contrário da imunidade à jurisdição de

Estados, é um tema que tem matriz convencional, devendo-

se primeiro recorrer ao tratado constitutivo da organização

de organizações

à

jurisdição

favor

em

sob análise

. o STF entendeu que a ONU tem imunidade de jurisdição

com base na Convenção sobre Privilégios e Imunidades das

Nações Unidas (1950)

-

imunidades de chefes de Estados e integrantes do alto escalão do governo:

a) perante tribunais internacionais: estando ou não em

exercício, é cabível o exercício da jurisdição em face de chefes e demais autoridades de Estado, conforme expuserem as

convenções que criam essas entidades

b) perante tribunais internos:

b.1) em exercício:

. gozam de imunidade civil relativa, ou seja,

vinculada à prática de atos no exercício da função (ratione

materiae)

. seja no caso de crime comum, seja no caso

de crime internacional, gozam de imunidade penal absoluta,

quer por atos relacionados à função pública, quer por atos não

relacionados à função pública (ratione personae) e, portanto, não é cabível o exercício da jurisdição (Câmara dos Lordes

britânica, caso Pinochet e Corte de Cassação francesa, caso

Kadafi)

b.2) após o exercício da função:

.

a

(ratione materiae)

imunidade

civil

permanece

relativa

. para crimes comuns, a imunidade penal só se aplica a atos oficiais realizados no exercício da função

. no caso de crimes internacionais, não há imunidade (Câmara dos Lordes britânica, caso Pinochet; caso

Yerodia; e caso Habré)

NACIONALIDADE

I. PARTE GERAL.

-

conceito: vínculo jurídico-politico que une o indivíduo ao

Estado, criando direitos e obrigações recíprocos

- arts. 1º e 2º, Convenção da Haia Concernente a Certas

Questões Relativas a Conflitos de Leis sobre Nacionalidade

(Decreto n. 21.798/1932): ordinariamente, é uma matéria a ser tratada pelo direito interno, cabendo exclusivamente ao

ente estatal definir quem é seu nacional

- nacionalidade como direito humano: arts. 15(1) da DUDH, 24(1) do PIDCP e 20(2) do PSRCR . normas exclusivamente internas poderiam levar à apatrídia

. o indivíduo tem direito de mudar de nacionalidade

. é vedada a cassação de nacionalidade por motivos

arbitrários, sem fundamentação em normas pré-estabelecidas

(art. 15(2), DUDH)

. o indivíduo tem direito a ser acolhido no território do Estado que lhe conferiu a nacionalidade (vedação ao banimento)

- teoria da nacionalidade efetiva: nacionalidade deve ser fundada em laços reais e constantes entre o indivíduo e o Estado

. em caso de dupla nacionalidade, a nacionalidade

preponderante deve ser a que corresponde a esses laços fáticos entre a pessoa e um desses Estados (caso Nottebohm)

. a teoria da nacionalidade efetiva só deve ser utilizada quando um conflito se estabelece entre os Estados da

nacionalidade do indivíduo (caso Etiópia-Eritreia)

- tipos e critérios de aquisição:

a) originária (ou primária): é aquela que é atribuída ao indivíduo em decorrência do nascimento

a.1) jus soli (critério territorial): a nacionalidade é

atribuída de acordo com o Estado em cujo território nasce, independente da nacionalidade dos ascendentes

a.2) jus sanguinis (critério subjetivo): a

nacionalidade é atribuída de acordo com a nacionalidade dos pais e outros ascendentes, independente do Estado em cujo

território o indivíduo nasceu

b) adquirida (ou secundária): é aquela atribuída por fato posterior ao nascimento, normalmente em decorrência de manifestação da vontade b.1) naturalização b.2) casamento

b.3) vínculo funcional (jus laboris)

b.4) mudanças territoriais b.5) jus domicilii

b.6) naturalização unilateral

-

nacionalidade

da

do

país

da

sede,

a

nacionalidade dos sócios (caso Barcelona Traction)

PJ

é

a

e

não

a

- proteção diplomática: uso da ação diplomática ou de outros meios pacíficos de solução de conflitos por parte de um Estado que toma para si a causa de um nacional seu, referente a um dano suportado por esse nacional em decorrência de um ilícito internacional de outro Estado , o

que inclui direito de representação em cortes internacionais

(TPIJ, caso Mavrommatis e caso Barcelona Traction)

. endosso

.

esgotamento dos recursos internos

.

cláusula Calvo: renúncia à proteção diplomática

. dupla nacionalidade: art. 4º, Convenção da Haia Concernente a Certas Questões Relativas a Conflitos de Leis sobre Nacionalidade (1930) x caso Mergé; Estados da dupla nacionalidade x terceiros Estados

. proteção diplomática de apátridas e refugiados

. caso La Grand e caso Avena

II. NACIONALIDADE BRASILEIRA.

-

art. 12 da CR88: regras sobre nacionalidade brasileira . segundo o STF, a CR88 é exaustiva (HC 83.113/DF)

- perda da nacionalidade: há duas hipóteses (art. 12, § 4º, CR88)

. cancelamento da naturalização, por sentença judicial, em caso de atividade nociva ao interesse nacional

. aquisição de outra nacionalidade

. constitucionalidade do art. 112, §§ 2º e 3º, Lei n. 6815/80 (Estatuto do Estrangeiro), que trata da nulidade do ato

de naturalização cujos requisitos foram demonstrado com

- reaquisição da nacionalidade: arts. 36 e 37, Lei n. 818/1949

. perda da nacionalidade por aquisição voluntária de outra nacionalidade

. decreto

. o requerente precisa estar domiciliado no Brasil

. não será deferida se ficar demonstrado que a outra

nacionalidade foi adquirida para que o indivíduo se escusasse de

deveres cujo cumprimento seria obrigado em face na

nacionalidade brasileira

II.1. Brasileiros natos.

- art. 12, I, “a”, CR88: os nascidos na [República Federativa do

Brasil], ainda que de [pais estrangeiros], desde que estes não estejam a [serviço] de seu país

. a República Federativa do Brasil abrange: (i) embarcações privadas que estejam navegando em passagem inocente no mar territorial brasileiro; (ii) as aeronaves privadas que estejam

sobrevoando território e mar territorial brasileiros (!); (iii) navios e aeronaves públicos brasileiros, onde quer que estejam; (iv)

embarcações comerciais brasileiras em alto-mar ou em

passagem inocente por mar territorial estrangeiro; e (v)

aeronaves comerciais brasileiras sobrevoando espaço aéreo

internacional ou de passagem no espaço aéreo sobre águas

territoriais ou no espaço aéreo estrangeiro . se desembarcarem em porto brasileiro, este será o

local do registro; se estiverem a caminho do exterior, o local do

registro será o da residência dos pais

-

art. 12, I, “a”, CR88: os nascidos na [República Federativa do Brasil], ainda que de [pais estrangeiros], desde que estes não estejam a [serviço] de seu país(cont.)

. e se apenas um dos pais estiver a serviço de seu país?

. pode ser qualquer funcionário a serviço do país, não apenas os dos serviços diplomático ou consular

. o funcionário público precisa estar a serviço do seu país no Brasil

-

art. 12, I, “b”, CR88: os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro [ou] mãe brasileira, desde que [qualquer deles esteja a serviço da República Federativa do Brasil]”

. registro provisório e registro definitivo

. serão brasileiros natos, ainda que jamais venham a

residir no Brasil

- art. 12, I, “c”, CR88 (EC n. 54/2007): os nascidos no [estrangeiro] de pai brasileiro ou de mãe brasileira, desde que [sejam registrados em repartição brasileira competente] ou [venham a residir na República Federativa do Brasil e optem, em qualquer tempo, depois de atingida a maioridade,

pela nacionalidade brasileira]”

. abrange os casos de nascidos em território de patrimônio

comum da humanidade

. redação original (1988): os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou de mãe brasileira, desde que [sejam registrados em repartição brasileira competente,] ou [venham a residir na República Federativa do Brasil antes da maioridade e, alcançada esta, optem, em qualquer tempo, pela nacionalidade brasileira]

. redação com a EC n. 3/1994: os nascidos no estrangeiro,

de pai brasileiro ou mãe brasileira, desde que venham a residir

na República Federativa do Brasil e optem, em qualquer tempo,

pela nacionalidade brasileira

. redação atual (EC n. 54/2007) + art. 95, ADCT

.

a

maioridade

é

personalíssimo

exigida

porque

a

opção

é

direito

. nacionalidade potestativa x nacionalidade sob condição suspensiva

. opção e vedação à extradição do brasileiro nato (art. 5º, LI, CR88)

. o pedido de opção é feito na JF

II.2. Brasileiros naturalizados.

-

art. 12, II, “b”, CR88: os estrangeiros de qualquer

nacionalidade, residentes na República Federativa do Brasil [há mais de quinze anos ininterruptos e sem condenação

penal], desde que requeiram a nacionalidade brasileira

.

naturalização extraordinária

.

direito subjetivo, ato vinculado (?)

. caráter meramente declaratório (STF)

- a JF é competente para as causas envolvendo naturalização e o MPF tem atribuição para promover a ação de cancelamento de naturalização (art. 6º, IX, LC n. 75/1993)

- art. 122, Lei n. 6.815/1980: via de regra, a naturalização só

produz efeitos depois da entrega do certificado pelo JF

- art. 12, § 3º, CR88: cargos privativos de brasileiros natos

. cuidado: o cargo de MRE não é privativo de brasileiro

nato, embora se trate do chefe da carreira diplomática!

-

diferenças

naturalizados:

de

regime

de

brasileiros

natos

e

brasileiros

. proibição de acesso a cargos públicos (art. 12, § 3º,

CR88)

. impossibilidade de compor o Conselho da República (art.

89, VII, CR88)

. possibilidade de cancelamento judicial da naturalização

(art. 12, § 4º, I, CR88)

.

restrições

às

atividades

em

telecomunicações (art. 122, CR88)

empresas

de

-

diferenças

naturalizados (cont.):

de

regime

de

brasileiros

natos

e

brasileiros

. possibilidade de extradição de brasileiro naturalizado, por crime comum cometido antes da naturalização e, em caso de

tráfico de drogas, depois da naturalização (art. 5º, LI, CR88)

cuidado: recentemente, o STF decidiu que brasileiro

nato pode ser extraditado se tiver perdido a nacionalidade por

aquisição voluntária de outra nacionalidade, conforme o art. 12,

§ 4º, I, CR88 (MS 33.864/DF)

CONDIÇÃO JURÍDICA DO ESTRANGEIRO

I. PARTE GERAL.

- definição de estrangeiro

- regra: nenhum Estado é obrigado a admitir estrangeiros em seu território

- a igualdade entre nacionais e estrangeiros deve ser a regra;

as exceções não podem ter motivos discriminatórios ou abusivos . todos os Estados devem garantir os direitos humanos dos

estrangeiros que estão em seu território . normalmente, fica excluído o gozo dos direitos políticos, ressalvada convenções especiais (como, no caso brasileiro, o

Estatuto da Igualdade, entre brasileiros e portugueses)

II. ASILO.

- conceito: acolhimento dado por um Estado a um indivíduo cuja vida, liberdade ou dignidade estejam ameaçadas pelas autoridades de outro Estado (não necessariamente seu

Estado patrial) por conta de perseguições de ordem política

- características:

. ato discricionário v. art. 2º da Convenção sobre Asilo

Diplomático, 1954 (Decreto n. 42.628/1957) e art. 1º da Convenção sobre Asilo Territorial, 1954 (Decreto n. 55.929/1965)

- características (cont.):

. é dever dos demais Estados respeitar o asilo concedido por determinado ente estatal (art. 1º, Convenção sobre Asilo Territorial, 1954)

.

não

existe

foro

internacional

aplicação das normas sobre asilo

. perseguição individual

de

controle

sobre

a

.

pode ser solicitado no país de origem do indivíduo

.

limita-se à proteção por perseguição política

- características (cont.):

. não pode ser concedido a condenados por crime comum (v. art. 14(2), DUDH; art. 1º, Convenção de Montevidéu sobre

Asilo Político, 1933 (Decreto n. 1570/1937); e art. 3º, Convenção sobre Asilo Diplomático, 1954) e crimes contra a humanidade e

de guerra (Resolução ONU n. 3074/1973)

. compete ao Estado que dá o asilo a qualificação do crime, conforme arts. 2º da Convenção de Montevidéu sobre

Asilo Político (1933), 4º da Convenção sobre Asilo Diplomático

(1954) e 4º da Convenção sobre Asilo Territorial (1954) (caso Haya de La Torre)

. é um instituto humanitário e, por isto, não exige

reciprocidade

-

tipos de asilo:

a)

territorial

(externo):

asilo

em

acolhido no território de um Estado

que

o beneficiário

é

. amplamente

(art. 14, DUDH)

aceito

na

sociedade

internacional

. a solicitação é feita em qualquer posto da PF

(normalmente, postos em locais de entrada no entrada no país)

b) diplomático (interno ou extraterritorial): concedido em missões diplomáticas, navios de guerra, aeronaves e acampamentos militares (atenção: não se concede asilo diplomático em consulados!)

. etapa prévia ao asilo territorial

. provisório, pois só poderá ser concedido em casos

de urgência e pelo tempo estritamente indispensável para que o asilado deixe o país com as garantias concedidas pelo Estado

territorial v. art. 5º, Convenção sobre Asilo Diplomático (1954)

.

salvo-conduto

.

amplamente utilizado na América Latina

- princípio do non refoulement (não rechaço): aquele que pleiteia o asilo territorial não deve ter sua entrada proibida no Estado que será o eventual asilante, nem pode ser retirado para Estados onde possa estar sujeito a perseguição

- no Brasil, a concessão de asilo é da competência do Poder Executivo (MJ com oitiva do MRE)

- a condição de asilado no Brasil é regulada pelos arts. 28 a 30, Lei n. 6.815/1980

-

asilo e extradição: segundo o STF, a concessão de asilo não impede, por si só, a extradição, cuja competência para

autorização é do STF; no entanto, cabe ao Executivo, uma vez autorizada a extradição, concretizá-la ou não (STF, Ext.

232/CUB, 1961; STF, Ext. 524/PAR, 1990)

-

formas de extinção do asilo: renúncia, fuga e saída do

território do Estado asilante sem autorização do governo

III. REFÚGIO.

-

conceito: acolhimento dado por um Estado a indivíduo cuja vida, integridade física ou dignidade estejam ameaçadas:

(a) devido a [fundados temores] de perseguição por [motivos de raça, religião, nacionalidade, grupo social ou

opiniões políticas], (i) encontrando-se o indivíduo [fora de seu

país de nacionalidade], sem poder ou sem querer se acolher à

proteção de tal país, ou (ii) não tendo o indivíduo nacionalidade

e [estando fora do país onde antes teve sua residência habitual],

sem poder ou querer regressar a ele; (b) devido a [grave e generalizada violação de direitos

humanos], sendo o indivíduo [obrigado a deixar seu país de

nacionalidade]

-

histórico:

. até 1951, a proteção era voltada a grupos específicos (o documento dado aos refugiados era conhecido como passaporte Nansen”)

. em 1951, foi aprovada a Convenção dos Refugiados, que, no entanto, possuía limitação temporal, podendo os Estados,

ainda, impor uma limitação geográfica, abrangendo apenas fatos

ocorridos na Europa o Brasil aderiu à convenção por meio do Decreto n. 50.215/1961, impondo a limitação geográfica

- histórico (cont.):

. em 1966, foi editado o Protocolo Adicional, que suprimiu a limitação temporal o Brasil aderiu ao Protocolo em 1972, mantendo a restrição geográfica

. em 1969, foi aprovada a Convenção da Organização de

Unidade Africana (hoje, União Africana), o primeiro documento

a adotar uma definição ampla de refugiado, abrangendo não

apenas a perseguição fundada em vários motivos, como tb toda e qq grave violação de direitos humanos, conflitos internos,

agressão estrangeira e qualquer outra circunstância que tenha

perturbado a ordem interna

- histórico (cont.):

. em 1989, o Decreto n. 98.602/1989 derrubou no Brasil a

limitação geográfica sobre isso, importa salientar que houve casos em que, em razão da limitação geográfica, foi conferido

asilo territorial em lugar de refúgio, embora fosse caso de

refúgio: (i) na década de 70, perseguição política no governo Pinochet e (ii) perseguição religiosa no Irã, em 1986

. em 1997, a Lei n. 9.474/1997 adotou o conceito amplo de refugiado

-

características:

. ato vinculado (art. 26, Lei n. 9.474/1997)

. meramente declaratório (art. 26, Lei n. 9.474/1997)

. só pode ser solicitado quando o indivíduo está fora de

seu país de origem

. existe foro internacional de controle acerca da aplicação

das normas sobre refúgio, o ACNUR (art. 18, p. único, Lei n.

9.474/1997)

caráter

decisão

de

concessão

do

refúgio

a

tem

. perseguição coletiva

. não se limita à proteção por perseguição política

(abrange desastres naturais? Caso Brasil-Haiti)

- características (cont.):

. o fundado temor deve ser aferido com um juízo de possibilidade, sendo desnecessária a prova da inevitabilidade da perseguição

.

discussões

sobre

o

caráter

político

ou

comum

de

eventual crime cometido pelo solicitante são irrelevantes

. pode ser negado a pessoas que tenham cometido crime

contra a paz, crime de guerra, crime contra a humanidade, crime hediondo, participado de atos terroristas ou tráfico de drogas

-

possibilidade de deferimento de refúgio por perseguição promovida por agentes privados:

. especial relevância no caso de mulheres e crianças

. se as autoridades públicas não conseguem punir os

agentes perseguidores e evitar novas perseguições, é evidente a

impossibilidade de retorno ao Estado de origem (Reino Unido, caso Lyudmila Dzhugun; Canadá, caso Diluna)

. no Brasil, o Conare não vem reconhecendo o refúgio a grupos perseguidos por agentes privados (caso dos ciganos

romenos)

- princípio do non refoulement: tendo sido solicitado o refúgio, é proibido o retorno forçado do estrangeiro para território em que sua vida, integridade física e dignidade estejam em risco por motivo de perseguição v. arts. 14 da DUDH, 22(8) da Convenção Americana sobre Direitos Humanos, 33 da

Convenção Relativa ao Estatuto dos Refugiados e 7º, § 1º, e

37 da Lei n. 9.474/1997 . exceção ao princípio de que cabe aos Estados podem

permitir ou não a entrada de estrangeiros em seu território

. cuidado: não significa que o Estado requerido tenha que deferir o pedido de refúgio (art. 7º, § 2º, Lei n. 9.474/1997)

- art. 8º, Lei n. 9.474/1997: o ingresso irregular no território nacional não constitui impedimento para o estrangeiro solicitar refúgio às autoridades competentes

- refúgio e extradição:

. art. 33, Lei n. 9.474/1997: o [reconhecimento] da

condição de refugiado [obstará o seguimento] de qualquer

pedido de extradição baseado nos [fatos que fundamentaram a

concessão de refúgio]

. art. 34, Lei n. 9.474/1997: a [solicitação] de refúgio [suspenderá, até decisão definitiva], qualquer processo de

extradição pendente, em fase administrativa ou judicial,

baseado nos [fatos que fundamentaram a concessão de refúgio]

- refúgio e extradição (cont.):

. por incidência do art. 34 da Lei n. 9.474/1997, o STF, hoje, entende que pode avaliar se é conveniente ou não a concessão da prisão domiciliar, da prisão em albergue ou

liberdade vigiada

. caso Padre Medina (STF, Ext 1.008/COL): o STF entendeu

que a concessão de refúgio compete ao Executivo, ficando

vinculado o Judiciário na análise da extradição, em função do art. 33 da Lei n. 9.474/1997

- refúgio e extradição (cont.):

. caso Battisti (STF, Ext 1.085/IT e MS 27.875/DF): por

maioria, o STF reviu a posição anterior para entender no sentido da possibilidade da revisão judicial da decisão concessiva do

refúgio, uma vez que se trata de ato vinculado, com requisitos

próprios; nesse sentido, concluiu, por maioria, que o refúgio a Battisti foi concedido indevidamente pelo MJ (em grau de

recurso), autorizando, assim, a extradição de Battisti; no

entanto, e também por maioria, o STF entendeu que a palavra final sobre extradição é do Executivo

- formas de extinção do refúgio:

a) cessação da condição de refugiado: v. art. 38 da Lei n. 9.474/1997; superação dos requisitos para reconhecimento da condição de refugiado ou à desnecessidade da manutenção desse status

b) perda da condição de refugiado: v. art. 39 da Lei n.

9.474/1997; sanção por descumprimento de alguma limitação

ou condição feita pelo Estado concedente do refúgio

. inc. IV: a saída do território nacional sem prévia autorização do Governo brasileiro; segundo o Conare, não se

trata de perda automática, dependendo da análise do caso

concreto

- a instrução do pedido de refúgio é feita pela PF; a decisão sobre o pedido de refúgio, bem como aquela sobre a

cessação e a perda da condição de refugiado, são tomadas

pelo Conare, cabendo recurso ao MJ quando em desfavor do solicitante (arts. 24, 27, 29 e 40, Lei n. 9.474/1997)

IV. DEPORTAÇÃO.

- conceito: ato pelo qual o Estado retira compulsoriamente de seu território um estrangeiro que ali entrou ou permaneceu de forma irregular e que se negou a sair voluntariamente

- características:

. embora no art. 57 da Lei n. 6.815/1980 esteja escrito

será promovida”, trata-se de ato discricionário

. é ato de ofício . é da atribuição da PF; o Judiciário não participa do

procedimento

- características (cont.):

. a irregularidade é essencialmente administrativa (não

criminal), relacionada ao não cumprimento dos requisitos exigidos para a entrada e a permanência no território . a deportação se faz para o país da nacionalidade ou de

procedência do estrangeiro ou para qualquer outro que consinta

em recebê-lo (art. 58, p. único, Lei n. 6.815/1980)

. o estrangeiro deportado pode retornar ao país, desde

que regularize o vício que gerou a deportação e pague eventuais

custas da deportação suportadas pelo Tesouro Nacional (art. 64, Lei n. 6.815/1980)

- não cabe saneamento do vício dentro do território

- art. 61, Lei n. 6.815/1980: inconstitucionalidade da competência do MJ para decretar prisão para deportação

(art. 5º, LXI, CR88)

- art. 62, Lei n. 6.815/1980: não sendo exeqüível a deportação

ou quando existirem indícios sérios de periculosidade ou

indesejabilidade do estrangeiro, proceder-se-á à sua expulsão

- art. 63, Lei n. 6.815/1980: não cabe a deportação quando a extradição é vedada

. arts. 5º, LII, CR88 e 77, Lei n. 6.815/1980:

. o fato for crime político

. o deportado correr risco de vida no Estado a que

deportado

deportado

houver

de

responder,

o

. requerente, perante Tribunal ou Juízo de exceção

no

Estado

V. EXPULSÃO.

conceito: é o ato pelo qual o Estado retira do seu território o estrangeiro que:

(i) atentar contra a segurança nacional, a ordem política

ou social, a tranqüilidade ou moralidade pública e a economia

popular

(ii) for considerado nocivo ou inconveniente aos interesses

nacionais

-

(iii) praticar fraude a fim de obter a sua entrada ou permanência no Brasil

-

características:

.

ato discricionário

.

ato de ofício

. ato da competência do Presidente da República (decreto), em procedimento levado a cabo no MJ

. a expulsão se faz para o país da nacionalidade ou para

qualquer outro que consinta em recebê-lo (art. 58, p. único, Lei n. 6.815/1980)

. o retorno do estrangeiro expulso é proibido, salvo se

houver um novo decreto revogando o decreto de expulsão (a ser editado de ofício ou a pedido do estrangeiro), sob pena de

configurar o crime do art. 333, CP

- art. 69, Lei n. 6.815/1980: inconstitucionalidade da competência do MJ para decretar prisão para expulsão (art. 5º, LXI, CR88)

-

art. 75, Lei n. 6.815/1980: não cabe a expulsão quando

a) a extadição é vedada (arts. 5º, LII,

6.815/1980):

CR88 e

77,

. o fato for crime

Lei n.

. o expulso correr risco de vida no Estado a que

deportado

.

o

expulso

houver

de

responder,

no

Estado

requerente, perante Tribunal ou Juízo de exceção

-

art. 75, Lei n. 6.815/1980: não cabe a expulsão quando (cont.)

b) quando o estrangeiro tiver:

(i) cônjuge brasileiro do qual não esteja divorciado

ou separado, de fato ou de direito, e desde que o casamento

tenha sido celebrado há mais de 5 (cinco) anos; união estável (?) (ii) filho brasileiro que, comprovadamente, esteja

sob sua guarda e dele dependa economicamente

. cuidado: art. 75, § 1º, Lei n. 6.815/1980 o STJ vem relativizando essa regra em prol do melhor interesse do

menor, desde que se demonstre a dependência econômica da

prole

-

art. 22(9), PSJCR: não é permitida expulsão coletiva

-

STF

e

STJ: decreto de expulsão com cumprimento

subordinado à prévia execução da pena imposta no Brasil

constitui empecilho ao livramento condicional

VI. EXTRADIÇÃO.

- conceito: ato pelo qual um Estado entrega a outro Estado um

indivíduo que tenha violado leis penais para que seja julgado ou submetido a cumprimento de pena imposta em

condenação

- características:

. se for fundada em tratado, o exame do pedido é

obrigatório, mas o deferimento é discricionário; se for fundada em reciprocidade, tanto o exame como o deferimento são

- características (cont.):

. não é ato de ofício, há pedido do Estado interessado

. o Brasil adota o sistema misto: a extradição é ato de

competência híbrida do Judiciário (o STF verifica a legalidade do pedido, autorizando a extradição art. 83, Lei n. 6.815/1980) e

do Executivo (o Presidente da República entrega o extraditando

ao Estado requerente)

. a decisão da extradição é irrecorrível (art. 83, Lei n.

6.815/1980), não cabendo HC

. negada a extradição, não se admitirá novo pedido baseado no mesmo fato (art. 88, Lei n. 6.815/1980)

- características (cont.):

. em razão do art. 78, II, da Lei n. 6.815/1980, o STF tradicionalmente exigia que houvesse ou sentença final de

privação de liberdade, ou decreto de prisão para cumprimento;

mais recentemente, no entanto, o STF autorizou a extradição

quando ausente processo penal contra o extraditando, desde que haja investigação criminal em curso (STF, Ext 1.178/URU)

. o retorno do indivíduo é permitido após o encerramento do processo penal (em caso de absolvição) ou após o

cumprimento da pena (em caso de condenação)

- princípios regentes:

a) princípio da contenciosidade limitada: a autoridade do Estado solicitado não analisa o mérito da demanda penal que motiva o pedido de extradição, detendo-se apenas na verificação da existência ou não das condições da extradição,

que são aquelas constantes do tratado e da lei interna (art. 85,

§ 1º, Lei n. 6.815/1980) . exceção: na hipótese de extradição do naturalizado

por comprovado envolvimentocom tráfico de drogas (art. 5º,

LI, CR88), o STF pode analisar o mérito da demanda penal que subsidia o pedido extradicional (STF, Ext 1.082/URU e STF, Ext

- princípios regentes (cont.):

b) princípio da identidade ou da dupla tipicidade: a conduta em que se baseia o pedido de extradição deve ser

considerada ilícito criminal no Estado solicitante e no Estado

solicitado (art. 77, II, Lei n. 6.815/1980)

.

desnecessidade

de

absoluta

coincidência

descritiva ou de identidade de denominação (nomen juris)

. possibilidade de extradicão parcial

- princípios regentes (cont.):

c) princípio da especialidade: o extraditando só poderá ser

processado e julgado pelos fatos constantes no pleito de extradição

- princípios regentes (cont.):

d) princípio da preponderância: é proibida a extradição por crime político (art. 5º, LII, CR88); quando houver conexão com crime comum, poderá ser concedida a extradição se o crime comum constituir o fato principal (art. 77, § 1º, Lei n.

6.815/1980)

. STF decide o caráter das infrações (art. 77, § 2º, Lei n. 6.815/1980)

. controle de convencionalidade do art. 77, § 3º,

6.815/1980 (“poderá”): terrorismo não é crime político v. arts.

4º, VIII, CR88, 11 da Convenção Interamericana contra o

Terrorismo (2002) e 2º da Convenção para Prevenir e Punir os

Atos de Terrorismo (1999)

- extradição de nacionais: é vedada a extradição pelo Brasil de brasileiro nato (art. 5º, LI, CR88)

. cometimento do crime, pedido de extradição e opção

pela nacionalidade brasileira

. cuidado: recentemente, o STF decidiu que brasileiro nato

pode ser extraditado se tiver perdido a nacionalidade por

aquisição voluntária de outra nacionalidade, conforme o art. 12,

§ 4º, I, CR88 (MS 33.864/DF)

- art. 77, III, Lei n. 6.815/1980: não será deferida a extradição se o Brasil for competente, segundo suas leis, para julgar o crime imputado ao extraditando

. o STF flexibiliza esse rigor, admitindo a extradição nos

casos em que, embora o Brasil seja competente, ainda não tenha

sido instaurado aqui processo pelos mesmos fatos

- art. 77, V, Lei n. 6.815/1980: não será concedida a extradição se o extraditando estiver respondendo a processo ou já houver sido julgado (condenado ou absolvido) no Brasil [pelo mesmo fato em que se fundar o pedido]

. se o extraditando estiver sendo processado ou tiver sido

julgado por [fatos diversos], a extradição poderá ser concedida,

mas só será executada depois de cumprida a pena no Brasil (art.

89, Lei n. 6.815/1980)

- art. 77, VI, Lei n. 6.815/1980: não caberá extradição se o crime estiver prescrito segundo a lei do Brasil ou do Estado requerente . análise pelo critério unitário, não cabendo mesclagem dos sistemas (STF, Ext 1.012/RFA)

- Súmula n. 421/STF: não impede a extradição a circunstância de ser o extraditando casado com brasileira ou ter filho

brasileiro

- art. 88, Lei n. 6.815/1980: negada a extradição, não se

admitirá novo pedido baseado no mesmo fato

- art. 91, Lei n. 6.815/1980: não será efetivada a entrega sem que o Estado requerente assuma o compromisso de:

. não ser o extraditando preso nem processado por [fatos anteriores] ao pedido

. computar o tempo de prisão que, no Brasil, foi imposta

[por força da extradição]

. comutar em pena privativa de liberdade a pena corporal

ou de morte, ressalvados, quanto à última, os casos em que a lei

brasileira permitir a sua aplicação

. não ser o extraditando entregue, sem consentimento do Brasil, a outro Estado que o reclame

. não considerar qualquer motivo político para agravar a

pena

TRIBUNAL PENAL INTERNACIONAL

- natureza jurídica: é uma organização internacional com personalidade jurídica própria, voltado a persecução e

punição de alguns crimes internacionais sob determinadas

condições

. cuidado: não é órgão da ONU, embora faça parte do

sistema das Nações Unidas

- crimes internacionais: crimes de especial gravidade, produtos de (i) uma atividade estatal ou, (ii) quando cometidos por agentes privados, endossados por uma política estatal, composto por [pelo menos um] dos elementos abaixo:

a) a conduta proibida afeta um interesse internacional

relevante (crimes contra a ONU e seu pessoal, por exemplo)

b) a conduta proibida é considerada ofensiva a valores

compartilhados pela comunidade internacional, violando a consciência de humanidade (tortura, escravidão e genocídio, por

exemplo)

- crimes internacionais (cont.):

c) a conduta proibida envolve mais de um Estado, seja em

razão de sua preparação, da nacionalidade dos agentes ou das vítimas ou, ainda, em razão de ser praticada além-fronteira

(crimes de guerra, por exemplo)

d) a conduta afeta um interesse internacional de uma

forma menos gravosa que nos itens (a) ou (b), mas não pode ser

prevenida ou controlada exceto pela criminalização internacional (posse ilegal de armas nucleares, por exemplo)

- principais normas regentes:

a) princípio da complementariedade (ou subsidiariedade):

esgotamento dos recursos internos estatais ou recursos internos

ineficazes ou em desconformidade com compromissos

internacionais (art. 1º, Estatuto de Roma Decreto n.

4.388/2002)

- principais normas regentes (cont.):

b) princípio da responsabilidade criminal do indivíduo: a

jurisdição do TPI é sobre as pessoas responsáveis pelos crimes de maior gravidade com alcance internacional, não sobre

Estados v. art. 25(1), Estatuto de Roma

c) responsabilidade penal subjetiva: salvo disposição em

contrário, o TPI só pune pessoas que atuem com vontade de

cometê-lo e com conhecimento dos seus elementos materiais v. art. 30(1), Estatuto de Roma

- principais normas regentes (cont.):

d) princípio da irrelevância da qualidade oficial: o Estatuto

de Roma será aplicável de forma igual a todas as pessoas, sem

distinção alguma baseada na qualidade oficial v. art. 27,

Estatuto de Roma

e)

imprescritibilidade:

os

crimes

da

competência

do

Tribunal não prescrevem v. art. 29, Estatuto de Roma

-

condições prévias ao exercício da jurisdição: art. 12 do Estatuto de Roma

. representação por Estado-parte ou atuação de ofício do

Procurador do TPI o TPI poderá exercer sua jurisdição se um

ou mais Estados a seguir identificados forem [partes] no

presente Estatuto ou [aceitarem a competência] do Tribunal: (i)

Estado em cujo [território] tenha tido lugar a conduta em causa

(ou, se o crime tiver sido cometido a bordo de um navio ou de

uma aeronave, o Estado de matrícula do navio ou aeronave) e (ii) Estado de que seja [nacional a pessoa a quem é imputado um

crime]

- condições prévias ao exercício da jurisdição (cont.): art. 12 do Estatuto de Roma

. representação por parte do Conselho de Segurança da ONU o TPI poderá exercer sua jurisdição em [Estados

signatários e não signatários], neste último caso [independente

de aceitação] (caso Omar Al Bashir)

- competência ratione temporis: crimes cometidos após a entrada em vigor do presente Estatuto v. art. 11(1), Estatuto de Roma . para casos de adesão posterior à entrada em vigor do Estatuto, o TPI será competente para os crimes cometidos após a

entrada em vigor do Estatuto relativamente a esse Estado v.

art. 11(2), Estatuto de Roma

- competência ratione loci: o TPI exercerá sua jurisdição no

território de qualquer Estado Parte e, por acordo especial, no território de qualquer outro Estado v. art. 4º(2), Estatuto de

Roma

- competência ratione materiae: crimes mais graves, que afetam a comunidade internacional no seu conjunto v. art. 5º(1), Estatuto de Roma . genocídio: certos atos enumerados que são praticados com intenção de destruir, no todo ou em parte, um grupo

nacional, étnico, racial ou religioso, enquanto tal v. art. 6º,

Estatuto de Roma

. crimes contra a humanidade: certos atos enumerados,

quando cometido no quadro de um ataque, generalizado ou sistemático, contra qualquer população civil, havendo

conhecimento desse ataque v. art. 7º, Estatuto de Roma

- competência ratione materiae (cont.):

. crimes de guerra: atos cometidos contra normas de Direito Humanitário e Direito de Guerra, estabelecidas no Estatuto de Roma e tb nas Convenções da Haia e de Genebra,

em especial quando forem (i) parte integrante de um plano ou

de uma política ou (ii) parte de uma prática em larga escala desse tipo de crimes (art. 8º, Estatuto de Roma)

. crime de agressão: não há definição no Estatuto de Roma (necessária, em função do art. 5º(2)), mas pode ser

compreendido como qualquer ato tendente a agredir ou violar o

território de um Estado com objetivo de violar sua soberania

-

entrega: ato pelo qual o Estado coloca à disposição do TPI as pessoas a serem por ele julgadas ou ja condenadas pela organização v. art. 89, Estatuto de Roma

. não esbarra na vedação à extradição de brasileiro nato a entrega de nacionais natos ao TPI