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“LEX FICTA EST TANTUM COGNITIO FACIT LIBER”

“LEX FICTA EST TANTUM COGNITIO FACIT LIBER” PROCESSO DE CONHECIMENTO CIVIL UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE –

PROCESSO DE CONHECIMENTO CIVIL

UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE FACULDADE DE DIREITO

OTTO ANTONELLO TERRANA DE MELO BEZERRA BRITO

Otto Antonello Terrana de Melo Bezerra Brito Universidade Federal Fluminense – Faculdade de Direito Parte

Otto Antonello Terrana de Melo Bezerra Brito Universidade Federal Fluminense Faculdade de Direito

Parte I: Caderno de Processo de Conhecimento Civil

2

Formação do Processo e Petição Inicial

4

Improcedência Liminar do Pedido

16

Citação

19

Audiência Preliminar de Conciliação ou Mediação

28

Teoria da Exceção, Resposta do Réu e Revelia

30

Providências Preliminares e Julgamento Conforme o Estado do Processo

45

Extinção do processo

51

Parte II: Notas Tomadas em Sala

62

Aula de 28/04/2016

64

Aula de 03/05/2016

66

Aula de 05/05/2016

71

Aula de 17/05/2016

74

Aula de 19/05/2016

80

Aula de 24/05/2016

85

Aula de 02/06/2016

89

Aula de 09/06/2016

96

Aula de 14/06/2016

100

Aula de 23/06/2016

103

Aula de 28/06/2016

108

Aula de 30/06/2016

112

Aula de 14/07/2016

116

Parte III: Material Complementar, Modelos e Casos Concretos

120

Peça de Assistência Litisconsorcial

122

Carta Precatória

142

Peça de Contestação + Preliminares

143

Despacho Saneador

160

Edital de Citação

161

Decisão: Gratuidade de Justiça e Litigância de Má-Fé

162

Mandado de Intimação

164

Petição Inicial: Conexão + Distribuição por Dependência

165

Peça de Contestação + Reconvenção

182

Sentença: Homologação de Acordo

193

Decisão: Abandono de Causa

194

Ato Executivo do Presidente do Tribunal: Suspensão de Prazos em Processos Eletrônicos

195

Intimação Eletrônica

196

Despacho de Providências Preliminares

197

Despacho: Pagamento de Custas

198

Decisão: Tutela Provisória

199

Otto Antonello Terrana de Melo Bezerra Brito Universidade Federal Fluminense – Faculdade de Direito PARTE

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PARTE I:

CADERNO DE PROCESSO DE CONHECIMENTO CIVIL

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Otto Antonello Terrana de Melo Bezerra Brito Universidade Federal Fluminense – Faculdade de Direito FORMAÇÃO

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FORMAÇÃO DO PROCESSO E PETIÇÃO INICIAL

FORMAÇÃO DO PROCESSO

O processo nasce com a propositura da demanda. A data do protocolo da petição inicial é a data de início

do processo. A partir daí o processo, já existente, se desenvolve, com a prática de novos atos (despacho da

petição inicial, citação, resposta do réu, saneamento do processo, produção de provas, decisão, recursos etc.) e com o surgimento de relações jurídicas processuais.

Art. 312. Considera-se proposta a ação quando a petição inicial for protocolada, todavia, a propositura da ação só produz quanto ao réu os efeitos mencionados no art. 240 depois que for validamente citado.

A partir desta data, surge a litispendência (a pendência da causa): o processo existe e, para o autor, todos

os efeitos daí decorrentes se produzem. Para o réu, no entanto, a litispendência somente produz efeitos a

partir de sua citação.

Art. 240. A citação válida, ainda quando ordenada por juízo incompetente, induz litispendência, torna
Art.
240.
A
citação
válida,
ainda
quando
ordenada
por
juízo
incompetente,
induz
litispendência, torna litigiosa a coisa e constitui em mora o devedor, ressalvado o disposto nos arts.
397 e 398 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil).
§ 1o A interrupção da prescrição, operada pelo despacho que ordena a citação, ainda que proferido
por juízo incompetente, retroagirá à data de propositura da ação.
(
)

A petição inicial é a forma da demanda, o seu instrumento; a demanda é o conteúdo da petição inicial.

REQUISITOS DA PETIÇÃO INICIAL

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Forma: deve ser escrita e, em casos excepcionalíssimos poderá ser oral, como no pedido de concessão de medidas protetivas de urgência em favor da mulher que se afirma vítima de violência doméstica ou familiar (Art. 12, Lei 11.340/2006).

Assinatura de quem possua capacidade postulatória: advogado regulamente inscrito na OAB, Defensor Público e membro do MP. Em alguns casos especiais a própria parte tem capacidade postulatória, como no caso da ação de alimentos (Art. 2º Lei 5.478/68) e na primeira instância dos Juizados Especiais Cíveis.

Indicação do juízo a que é dirigida a demanda.

Qualificação das partes. Art. 319, II, CPC. É possível a demanda contra pessoa incerta, caso em que se deve proceder a um esboço de identificação, bem como será requerida a citação por edital (256, I, CPC). É o caso, por exemplo, na ocupação de terra, da existência de um número indeterminado, mas determinável, de pessoas no polo passivo, caracterizando o litisconsórcio passivo multitudinário.

Causa de pedir o fato e o fundamento jurídico do pedido. O autor tem de, em sua petição inicial, expor todo o quadro fático necessário à obtenção do efeito jurídico perseguido, bem como demonstrar como os fatos narrados autorizam a produção desse mesmo efeito (deverá o autor demonstrar a incidência da hipótese normativa no suporte fático concreto).

O pedido.

Valor da causa. A sua fixação obedece ao que dispõem os artigos 291 a 293 do CPC. Não há causa sem valor, que deve ser certo e fixado em moeda corrente nacional.

Indicação dos meios de prova com que o autor pretende demonstrar a verdade dos fatos alegados. Tal requisito é de pouca eficácia, pois a) o órgão julgador pode determinar de ofício a produção de

Otto Antonello Terrana de Melo Bezerra Brito Universidade Federal Fluminense – Faculdade de Direito provas

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provas (370); b) no momento próprio fase de saneamento do processo as partes são intimadas para indicar de quais meios de prova se servirão.

Opção pela realização ou não de audiência de conciliação ou mediação. Essa audiência preliminar ocorrerá antes de o réu apresentar sua resposta. Se autor e réu manifestarem expressamente a vontade de não resolverem o litígio pela autocomposição, a audiência não ocorrerá (334 §4º, I, CPC).

Documentos indispensáveis à propositura da demanda. Consideram-se indispensáveis tanto os documentos que a lei expressamente exige para que a demanda seja proposta como também aqueles que se tornam indispensáveis porque o autor a eles se referiu na petição inicial, como fundamento do seu pedido.

A É possível a produção ulterior de prova documental (como, p. ex., nas hipóteses do Art. 435,

CPC);

B É possível o autor requerer a aplicação analógica do §1º do Art. 319 do CPC para que o juiz

tome diligências necessárias à obtenção do documento;

C Pode o autor, na própria petição inicial, solicitar a exibição de documento que, não obstante

tenha sido alvo de sua referência na sua petição inicial, porventura esteja em poder do réu ou de terceiro (Art. 397 e ss, CPC).

EMENDA DA PETIÇÃO INICIAL

Se a petição inicial estiver irregular, por lhe faltar algum dos seus requisitos, deve o magistrado intimar o autor para corrigi-la, emendando-a ou completando-a. Art. 321, CPC.

Art. 321. O juiz, ao verificar que a petição inicial não preenche os requisitos dos arts. 319 e 320 ou que apresenta defeitos e irregularidades capazes de dificultar o julgamento de mérito, determinará que o autor, no prazo de 15 (quinze) dias, a emende ou a complete, indicando com precisão o que deve ser corrigido ou completado.

Parágrafo único. Se o autor não cumprir a diligência, o juiz indeferirá a petição inicial.

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Sempre que o defeito for sanável deve o magistrado determinar a emenda; não lhe é permitido indeferir a inicial sem que conceda ao autor a possibilidade de correção.

É possível a emenda da inicial mesmo após a contestação, desde que não enseje modificação do pedido ou da causa de pedir sem o consentimento do réu, caso em que então não seria uma emenda, mas alteração ou aditamento da petição inicial; se não for emendada a petição, impõe-se a extinção do processo sem resolução de do mérito.

INDEFERIMENTO DA PETIÇÃO INICIAL

O indeferimento da P.I. é decisão judicial que obsta liminarmente o prosseguimento da causa, pois não se admite o processamento da demanda. Somente ocorre no início do processo: só há indeferimento liminar antes de ouvido o réu. Após a citação, o juiz não mais poderá indeferir a petição inicial. Após a citação, o juiz não mais poderá indeferir a petição inicial, devendo, se vier a acolher alguma alegação do réu, extinguir o feito por outro motivo. A inépcia, por exemplo, pode ser reconhecida a qualquer tempo, mesmo após a contestação, mas, nesse caso, não implicará indeferimento da petição, e, sim, a extinção do processo sem análise do mérito (485, IV, CPC).

Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando:

I - indeferir a petição inicial;

IV - verificar a ausência de pressupostos de constituição e de desenvolvimento válido e regular do processo;

O indeferimento pode ser total ou parcial. Será parcial quando, por exemplo, havendo cumulação de pedidos, o juízo é incompetente para conhecer e julgar um deles. Neste caso, o juiz indeferirá a cumulação, mas julgará o pedido de sua competência.

Tramitando o processo perante outro juízo, os autos serão remetidos ao juízo

federal competente se nele intervier a União, suas empresas públicas, entidades autárquicas e

fundações, ou conselho de fiscalização de atividade profissional, na qualidade de parte ou de terceiro interveniente, exceto as ações:

7

Art. 45.

Otto Antonello Terrana de Melo Bezerra Brito Universidade Federal Fluminense – Faculdade de Direito I

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I - de recuperação judicial, falência, insolvência civil e acidente de trabalho;

II - sujeitas à justiça eleitoral e à justiça do trabalho.

§ 1o Os autos não serão remetidos se houver pedido cuja apreciação seja de competência do juízo perante o qual foi proposta a ação.

§ 2o Na hipótese do § 1o, o juiz, ao não admitir a cumulação de pedidos em razão da incompetência para apreciar qualquer deles, não examinará o mérito daquele em que exista interesse da União, de suas entidades autárquicas ou de suas empresas públicas.

§ 3o O juízo federal restituirá os autos ao juízo estadual sem suscitar conflito se o ente federal cuja presença ensejou a remessa for excluído do processo.

Não se pode dizer que toda decisão que indefere a petição inicial é uma sentença, e, portanto, submetida ao recurso de apelação. Se o indeferimento for parcial, não haverá extinção do processo, não se podendo falar, pois, de sentença. Só se configura como sentença quando se tratar de indeferimento total da petição inicial feito por juízo singular.

Art. 331. Indeferida a petição inicial, o autor poderá apelar, facultado ao juiz, no prazo de 5 (cinco) dias, retratar-se.

§ 1o Se não houver retratação, o juiz mandará citar o réu para responder ao recurso.

§ 2o Sendo a sentença reformada pelo tribunal, o prazo para a contestação começará a correr da intimação do retorno dos autos, observado o disposto no art. 334.

§ 3o Não interposta a apelação, o réu será intimado do trânsito em julgado da sentença.

HIPÓTESES DE INDEFERIMENTO

Inépcia: se baseia em defeitos vinculados à causa de pedir e ao pedido; são defeitos que não apenas dificultam, mas impedem o julgamento do mérito da causa.

Algumas hipóteses de inépcia:

Ausência de pedido ou de causa de pedir.

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Pedido indeterminado (salvo em situações excepcionais 324).

Quando da narração dos fatos não decorrer logicamente o pedido. Exemplo: o autor pede a invalidação do negócio em razão do inadimplemento; inadimplemento não é causa de invalidade, mas de resolução.

Acumulação de pedidos incompatíveis entre si.

Ilegitimidade da parte.

Falta de interesse processual.

Não atendimento ao disposto nos artigos 106 e 321/CPC.

Art. 321. O juiz, ao verificar que a petição inicial não preenche os requisitos dos arts. 319 e 320 ou que apresenta defeitos e irregularidades capazes de dificultar o julgamento de mérito, determinará que o autor, no prazo de 15 (quinze) dias, a emende ou a complete, indicando com precisão o que deve ser corrigido ou completado.

Parágrafo único. Se o autor não cumprir a diligência, o juiz indeferirá a petição inicial.

Art. 106. Quando postular em causa própria, incumbe ao advogado:

I - declarar, na petição inicial ou na contestação, o endereço, seu número de inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil e o nome da sociedade de advogados da qual participa, para o recebimento de intimações;

II - comunicar ao juízo qualquer mudança de endereço.

§ 1o Se o advogado descumprir o disposto no inciso I, o juiz ordenará que se supra a omissão, no

prazo de 5 (cinco) dias, antes de determinar a citação do réu, sob pena de indeferimento da petição.

Otto Antonello Terrana de Melo Bezerra Brito Universidade Federal Fluminense – Faculdade de Direito §

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§ 2o Se o advogado infringir o previsto no inciso II, serão consideradas válidas as intimações enviadas por carta registrada ou meio eletrônico ao endereço constante dos autos.

PEDIDO

Conceito:

O pedido é o núcleo da petição inicial; a providência que se pede ao Poder Judiciário; a pretensão material

deduzida em juízo (e que, portanto, vira a pretensão processual). Trata-se se um dos elementos objetivos da demanda (junto com a causa de pedir).

O pedido delimita a prestação judicial, que não pode ser extra, ultra ou infra/citra petita, conforme os

artigos 141 e 492, CPC. O pedido também será parâmetro para verificação da ocorrência de conexão, litispendência ou coisa julgada. Ainda, o pedido é o principal parâmetro para a fixação do valor da causa (292, CPC).

Requisitos:

O pedido há de ser certo (322), determinado (324), claro (330, §1º, II) e coerente (330, §1º, IV).

Pedido certo é aquele que é feito expressamente.

Pedido determinado é aquele delimitado em relação à qualidade e à quantidade. Contrapõe-se ao pedido genérico.

Pedido claro é aquele que seja inteligível.

Pedido coerente é aquele que decorre logicamente da causa de pedir.

Art. 321. O juiz, ao verificar que a petição inicial não preenche os requisitos dos arts. 319 e 320 ou que apresenta defeitos e irregularidades capazes de dificultar o julgamento de mérito, determinará que o autor, no prazo de 15 (quinze) dias, a emende ou a complete, indicando com precisão o que deve ser corrigido ou completado.

Otto Antonello Terrana de Melo Bezerra Brito Universidade Federal Fluminense – Faculdade de Direito Parágrafo

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Parágrafo único. Se o autor não cumprir a diligência, o juiz indeferirá a petição inicial.

Cumulação de pedidos:

Cumulação própria: simples ou sucessiva.

Há cumulação própria de pedidos quando são formulados vários pedidos, pretendendo-se o acolhimento simultâneo de todos eles. O CPC autoriza expressamente a cumulação de pedidos em seu artigo 327. Pode ser:

o

Simples: Quando as pretensões não têm entre si relação de precedência lógica, podendo ser analisadas uma independentemente da outra.

o

Sucessiva: Quando os exames dos pedidos guardam entre si um vínculo de precedência lógica: o acolhimento de um pressupõe o acolhimento do anterior. Em qualquer caso, o acolhimento do primeiro pedido não implica necessariamente o acolhimento do segundo.

Cumulação imprópria: subsidiária ou alternativa.

Há cumulação imprópria quando são formulados vários pedidos, pretendendo-se o acolhimento de apenas um deles. Pode ser:

o Subsidiária: O demandante estabelece uma hierarquia/preferência entre os pedidos formulados: o segundo só será analisado se o primeiro for rejeitado ou não puder ser examinado. O magistrado está condicionado à ordem de apresentação dos pedidos, não podendo passar ao exame do posterior se não examinar e rejeitar o anterior, ainda que haja reconhecimento por parte do réu da procedência do pedido subsidiário.

Não se aplica à cumulação imprópria o requisito da compatibilidade dos pedidos formulados, os quais jamais poderão ser acolhidos simultaneamente (327). Aqui, o valor da causa será o do pedido principal (292).

Otto Antonello Terrana de Melo Bezerra Brito Universidade Federal Fluminense – Faculdade de Direito Poderá

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Poderá o autor recorrer da parte da decisão que rejeitar o pedido principal, mesmo que logre êxito no pedido subsidiário, pois, ao estabelecer a hierarquia, estabeleceu o que para ele é mais interessante.

o Alternativa: O autor formula mais de uma pretensão, para que uma ou outra seja acolhida, sem expressar, com isso, qualquer preferência. É cumulação imprópria, pois somente um dos pedidos formulados poderá ser atendido. 326, §ún, CPC.

OBS: Não se deve confundi-la com pedido alternativo previsto no Art. 325, que é pedido único, fundado em obrigação alternativa (que se caracteriza por permitir o adimplemento por mais de uma forma).

O valor da causa será o do pedido que tiver o maior valor (292, VII, CPC).

Acolhido um dos pedidos, não terá o autor interesse para interpor recurso com o objetivo de acolhimento do outro, diferentemente do que ocorre na cumulação subsidiária, pois não houve determinação da preferência entre os pedidos.

Cumulação inicial e cumulação ulterior.

o

Inicial: quando veiculada na demanda inicial.

o

Ulterior: quando a parte agrega novo pedido ao processo após a postulação inicial. É cumulação ulterior o aditamento permitido da petição inicial (329). Outro exemplo é o ajuizamento pelo autor de ação declaratória incidental que objetiva o reconhecimento da falsidade de documento (430).

Requisitos para a cumulação:

Compatibilidade dos pedidos: 327, §1º, I, CPC. Será possível a cumulação de pedidos incompatíveis nos casos de cumulação imprópria (eventual ou alternativa).

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Competência: o juízo deve ter competência absoluta para conhecer de todos os pedidos formulados (327, §1º, II, CPC).

No caso de incompetência para um dos pedidos, o magistrado deve admitir o processamento do pedido que lhe é pertinente, rejeitando o prosseguimento daquele estranho à sua parcela de jurisdição.

SÚMULA 170 STJ: Compete ao juízo onde for intentada a ação de acumulação de pedidos, trabalhistas e estatutário, decidi-la nos limites da sua jurisdição, sem prejuízo do ajuizamento de nova causa, com pedido remanescente, no juízo próprio.

Identidade do procedimento ou conversibilidade para o procedimento comum. Cláusula geral de adaptabilidade do procedimento comum. Ou seja, todos devem poder tramitar pelo mesmo procedimento (327, §1º, III).

Ampliação da demanda:

Salvo nos casos em que se admite pedido implícito, incumbe ao autor formular na petição inicial todos os pedidos que puder contra ao réu.

Poderá o autor, contudo, aditar a petição inicial antes da citação, desde que arque com as despesas do aditamento (329, I, CPC).

Art. 329. O autor poderá:

I -

consentimento do réu;

até a citação,

aditar ou alterar o pedido

ou

a causa

de

pedir,

independentemente

de

II - até o saneamento do processo, aditar ou alterar o pedido e a causa de pedir, com consentimento do réu, assegurado o contraditório mediante a possibilidade de manifestação deste no prazo mínimo de 15 (quinze) dias, facultado o requerimento de prova suplementar.

Otto Antonello Terrana de Melo Bezerra Brito Universidade Federal Fluminense – Faculdade de Direito Parágrafo

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Parágrafo único. Aplica-se o disposto neste artigo à reconvenção e à respectiva causa de pedir.

Fato constitutivo superveniente causa de pedir remota superveniente, portanto pode ser reconhecido, até mesmo de ofício, caso interfira no julgamento da causa (493). Esse conhecimento pode dar-se em qualquer estágio do processo. Trata-se de regra que, claramente, enfraquece o rigor preclusivo do Art. 392, pois permite acréscimo de nova causa de pedir, até mesmo de ofício.

Redução da demanda:

I) Desistência parcial;

II) Renúncia parcial ao direito postulado;

III) Transação parcial na pendência do processo;

IV) Convenção de arbitragem relativa a parte do objeto do litígio, na pendência do processo;

V) Interposição, pelo autor, de recurso parcial contra a sentença de mérito desfavorável.

Nesses casos, o processo continua em relação à parte restante do mérito e as decisões que homologuem tais atos, em juízo singular, serão interlocutórias, e não sentenças.

Espécies de pedido:

Pedido genérico.

O pedido tem de ser determinado, sendo o pedido indeterminado considerado inepto (330 §1º, III). Somente em alguns casos a lei permite a formulação de pedido genérico (324, §1º):

o

Ações universais: aquelas em que a pretensão recai sobre uma universalidade, seja ela de fato ou de direito, como no caso da herança.

o

Quando não for possível determinar desde logo as conseqüências do ato ou do fato: é o caso, por exemplo, de indenizações relativas a danos que ainda estejam se processando e

Otto Antonello Terrana de Melo Bezerra Brito Universidade Federal Fluminense – Faculdade de Direito que,

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que, portanto, ainda estejam sendo avaliados, como no caso de um acidente provocado pelo réu onde o autor ainda esteja tendo despesas médicas com o tratamento das lesões que sofreu.

OBS: Em se tratando de pedido de indenização por perdas e danos, é necessário que o pedido seja certo e determinado, delimitando o autor quato pretende receber como ressarcimento pelos prejuízos morais que sofreu.

o Quando a condenação depender de ato a ser praticado pelo réu, como na hipótese da ação de prestação de contas cumulada com o pagamento do saldo devedor.

Pedido alternativo.

O pedido será alternativo quando veicular pretensão oriunda de obrigação alternativa, facultativa ou com a faculdade de substituição.

Art. 325. O pedido será alternativo quando, pela natureza da obrigação, o devedor puder cumprir a prestação de mais de um modo.

Parágrafo único. Quando, pela lei ou pelo contrato, a escolha couber ao devedor, o juiz lhe assegurará o direito de cumprir a prestação de um ou de outro modo, ainda que o autor não tenha formulado pedido alternativo.

Não se trata de cumulação de pedidos, nem da chamada cumulação alternativa: somente um pedido é feito; a forma de satisfação desse pedido que é alternativa. Não se aplica às demandas de pedido alternativo o disposto no 292, VII, que cuida da hipótese de cumulação alternativa, em que há mais de um pedido.

Pedido relativo a obrigação indivisível.

Otto Antonello Terrana de Melo Bezerra Brito Universidade Federal Fluminense – Faculdade de Direito Na

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Na obrigação indivisível com pluralidade de credores, aquele que não

participou do processo receberá sua parte, deduzidas as despesas na proporção de seu crédito.

Art. 328.

Obrigação indivisível é aquela cuja prestação tem por objeto uma coisa ou um fato na suscetíveis de divisão, por sua natureza, por motivo de ordem econômica ou dada razão determinante do negócio jurídico (258, CC).

Quando há pluralidade de credores de obrigação indivisível, poderá cada um deles exigir a dívida inteira (260, CC), implicando tratamento igual ao da solidariedade ativa).

Pedido implícito:

O pedido implícito é aquele que, embora não explicitado no instrumento da postulação, compõe o objeto

litigioso do processo (mérito) em razão de determinação legal. Mesmo que a parte não peça, deve o magistrado examiná-lo e decidi-lo.

Embora exista pedido implícito, não se admite a condenação implícita: o magistrado deve examinar expressamente o pedido implícito.

São exemplos de pedido implícito:

A) Juros legais (art. 322, CPC; 405 e 406, CC);

B) Ressarcimento das despesas processuais e dos honorários advocatícios (art. 322, §1º, CPC);

IMPROCEDÊNCIA LIMINAR DO PEDIDO

CONCEITO E REGIME JURÍDICO

A improcedência liminar do pedido é a decisão jurisdicional que, antes da citação do demandado, julga

improcedente o pedido formulado pelo demandante. É decisão de mérito, definitiva, apta à coisa julgada e possível objeto da ação rescisória.

Otto Antonello Terrana de Melo Bezerra Brito Universidade Federal Fluminense – Faculdade de Direito Em

Otto Antonello Terrana de Melo Bezerra Brito Universidade Federal Fluminense Faculdade de Direito

Em situações de manifesta improcedência do pedido, o legislador autoriza dispensa a citação do demandado, autorizando que se profira um julgamento a ele favorável.

Art. 332.

Nas causas que dispensem a fase instrutória, o juiz, independentemente da

citação do réu, julgará liminarmente improcedente o pedido que contrariar:

I - enunciado de súmula do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça;

II - acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recursos repetitivos;

III - entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas ou de assunção de

competência;

IV - enunciado de súmula de tribunal de justiça sobre direito local.

§ 1o O juiz também poderá julgar liminarmente improcedente o pedido se verificar, desde logo, a ocorrência de decadência ou de prescrição.

§ 2o Não interposta a apelação, o réu será intimado do trânsito em julgado da sentença, nos termos do art. 241.

§

3o Interposta a apelação, o juiz poderá retratar-se em 5 (cinco) dias.

§

4o Se houver retratação, o juiz determinará o prosseguimento do processo, com a citação do réu,

e,

se não houver retratação, determinará a citação do réu para apresentar contrarrazões, no prazo

de 15 (quinze) dias.

Causa que dispensa a fase instrutória é aquela cuja matéria fática pode ser comprovada pela prova documental. A Improcedência liminar é hipótese especial de julgamento antecipado do mérito (355), que passa a ser autorizado, também, antes da citação do réu, se a conclusão é pela improcedência.

Uma vez considerado liminarmente improcedente o pedido, deve haver a possibilidade de juízo de retratação, pois, do contrário, a improcedência liminar seria inconstitucional, por violar o princípio do contraditório, além de afrontar o artigo 10 do CPC.

Admite-se a improcedência liminar parcial, caso em que, em vez de toda a demanda, apenas um ou alguns dos pedidos cumulados são liminarmente julgados improcedentes. Como não há, nesse caso, extinção do

Otto Antonello Terrana de Melo Bezerra Brito Universidade Federal Fluminense – Faculdade de Direito processo,

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processo, trata-se de decisão interlocutória, impugnável por agravo de instrumento (1.015, II, CPC). O mesmo se aplica para improcedência liminar da reconvenção.

Transitada em julgado a decisão que julgou liminarmente improcedente o pedido, deverá o escrivão ou chefe de secretaria comunicar ao réu o resultado desse julgamento, até para que ele possa ter conhecimento de uma decisão que lhe favorece e que está acobertada pela coisa julgada (322, §2º, CPC).

HIPÓTESES EXPRESSAS DE IMPROCEDÊNCIA LIMINAR DO PEDIDO

Pedido contrário a precedente obrigatório:

O 332 autoriza i julgamento liminar de improcedência nos casos em que o pedido contrariar determinados precedentes judicias, tenham ou não sido consagrados em súmula. Em todos esses casos, o órgão julgador poderá deixa de aplicar um desses precedentes se for o caso de superá-lo ou de distinguir a situação a ser julgada (se se tratar de caso com particularidades que o distinguem). O juiz pode fazer isso de ofício ou pelo juízo de retratação. Superação do precedente = "overruling"; juízo de distinção = "distinguishing".

Admite-se a improcedência liminar do pedido que contrariar (332):

Enunciado súmula do STF ou STJ;

Acórdão proferido pelo STF ou STJ em julgamento de recursos repetitivos;

Entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas ou de assunção de competência;

Enunciado de súmula de TJ sobre direito local.

Também, a respeito, é importante destacar o artigo 927, CPC:

Art. 927. Os juízes e os tribunais observarão:

I - as decisões do Supremo Tribunal Federal em controle concentrado de constitucionalidade;

II - os enunciados de súmula vinculante;

III - os acórdãos em incidente de assunção de competência ou de resolução de demandas repetitivas e em julgamento de recursos extraordinário e especial repetitivos;

Otto Antonello Terrana de Melo Bezerra Brito Universidade Federal Fluminense – Faculdade de Direito IV

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IV - os enunciados das súmulas do Supremo Tribunal Federal em matéria constitucional e do Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional;

V - a orientação do plenário ou do órgão especial aos quais estiverem vinculados.

(

)

Ressalte-se que somente será permitida a improcedência liminar do pedido se a causa dispensar a produção de provas em audiência.

Reconhecimento de prescrição ou decadência:

No caso, a improcedência liminar somente poderá ocorrer quando tais questões puderem ser examinadas ex officio, pois o réu ainda não foi citado.

OBS: Para DIDIER, é possível que o juiz julgue liminarmente improcedente o pedido em situações atípicas em que se observa manifesta improcedência, como, p.ex., um autor que ajuíza demanda pleiteando autorização para matar alguém.

CITAÇÃO

Art. 238.

Citação é o ato pelo qual são convocados o réu, o executado ou o interessado para

integrar a relação processual.

Este ato tem dupla função: I in ius vocatio, convocar o sujeito a juízo; II edictio actionis, cientificar-lhe do teor da demanda formulada.

A citação não é, a rigor, pressuposto de existência do processo. Trata-se de uma condição de eficácia do processo em relação ao réu (312) e, além disso, requisito de validade dos atos processuais que lhe seguirem (239).

Otto Antonello Terrana de Melo Bezerra Brito Universidade Federal Fluminense – Faculdade de Direito Considera-se

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Considera-se proposta a ação quando a petição inicial for protocolada, todavia, a

propositura da ação só produz quanto ao réu os efeitos mencionados no art. 240 depois que for validamente citado.

Art. 312.

A sentença, por exemplo, proferida em processo em que não houve citação, é ato defeituoso, cuja

nulidade pode ser decretada a qualquer tempo. Não se deve confundir nulidade que se decreta a qualquer tempo com inexistência jurídica.

A citação não é pressuposto processual, porque o momento em que deve ser realizada é posterior à

formação deste.

Se houver litisconsórcio necessário unitário passivo, a falta de citação de qualquer dos réus torna a sentença, que é ineficaz em relação a qualquer deles, passível de nulificação a qualquer tempo, por provocação, também, de qualquer deles. Se o caso é de litisconsórcio necessário simples, a sentença é válida e eficaz em relação àqueles que participaram do feito, mas nula e ineficaz em relação àquele que não foi citado, pois a sentença, no caso, tem um conteúdo específico em relação a ele. Nesse último caso, somente o litisconsorte preterido teria legitimação para pretender o reconhecimento da ineficácia ou a decretação da nulidade da sentença.

COMPARECIMENTO ESPONTÂNEO DO CITADO

Art. 239.

Para a validade do processo é indispensável a citação do réu ou do executado,

ressalvadas as hipóteses de indeferimento da petição inicial ou de improcedência liminar do pedido.

§ 1 o O comparecimento espontâneo do réu ou do executado supre a falta ou a nulidade da citação, fluindo a partir desta data o prazo para apresentação de contestação ou de embargos à execução.

§

2 o Rejeitada a alegação de nulidade, tratando-se de processo de:

I - conhecimento, o réu será considerado revel;

II - execução, o feito terá seguimento.

Otto Antonello Terrana de Melo Bezerra Brito Universidade Federal Fluminense – Faculdade de Direito Po

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Po de o réu, ainda, comparecer ao processo alegando a invalidade ou inexistência de citação e, ao mesmo tempo, oferecer a defesa:

A) com pedido de novo prazo, tendo em vista a decretação da nulidade da citação e a necessidade de

dispor de um prazo útil para produzir a defesa: nesse caso, reconhecida a inexitência ou nulidade da

citação, aplica-se o §1º do art. 239, CPC;

B) Sem pedido de novo prazo de defesa: o juiz, mesmo reconhecendo o defeito da citação, considera

suprida a falha pelo comparecimento do réu e a apresentação da defesa.

PESSOALIDADE DA CITAÇÃO

A citação será pessoal: deve ser feita na pessoa do citando, sendo esta a regra geral. Poderá ser feita na pessoa do representante legal do citando, como no caso da citação de incapaz, ou de seu procurador, com porder especial para isso (242, CPC c/c 105, CPC). Os presentantes também podem receber a citação: é o

que ocorre com órgão da pessoa jurídica, que a presenta.

LOCAL DA CITAÇÃO

A citação poderá ser feita em qualquer lugar em que se encontre o citando (243). O militar, em serviço

ativo, só será citado na unidade em que estiver servindo, se não for reconhecida a sua residência ou nela

não for encontrado.

IMPEDIMENTO LEGAL PARA CITAÇÃO

Art. 244. Não se fará a citação, salvo para evitar o perecimento do direito:

I - de quem estiver participando de ato de culto religioso;

II - de cônjuge, de companheiro ou de qualquer parente do morto, consanguíneo ou afim, em linha reta ou na linha colateral em segundo grau, no dia do falecimento e nos 7 (sete) dias seguintes;

Otto Antonello Terrana de Melo Bezerra Brito Universidade Federal Fluminense – Faculdade de Direito III

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III - de noivos, nos 3 (três) primeiros dias seguintes ao casamento;

IV - de doente, enquanto grave o seu estado.

EFEITOS DA CITAÇÃO (Art. 240, CPC)

A citação tem como um de seus efeitos o de completar a relação jurídica processual, mas ela não proporciona a formação do processo, que lhe é anterior.

Ademais, a citação válida:

Estende os efeitos da litispendência para o réu;

Note-se que a litispendência só é induzida com a citação em relação ao réu; para o autor, litispendência já existe a partir da propositura da demanda (312).

Em razão disso, para o réu a coisa ou o direito discutido passa a ser litigioso;

Impede modificação da demanda, pelo autor, sem o consentimento do réu;

Constitui em mora o devedor.

Vide Art. 405, CC. A constituição em mora, pela citação, se dá no caso de cobrança de dívidas negociais sem termo certo para pagamento, em relação às quais o devedor não tenha sido constituído em mora pela prática de outro ato anterior (interpelação, p.ex.).

Mora é o retardamento ou imperfeito cumprimento da obrigação.

Mora solvendi ou do devedor: configura-se quando o inadimplemento da obrigação se dá por parte deste.

Mora ex re: mora em razão de fato previsto em lei. Ocorre quando há inadimplemento de obrigação positiva (dar e fazer) e líquida (valor certo), que tenha data fixada para o seu cumprimento. O

descumprimento acarreta automaticamente a mora, sem necessidade de qualquer providência do credor (

o dia do vencimento interpela o homem, art. 397, CC). Ocorre também quando se tratar de obrigação

Otto Antonello Terrana de Melo Bezerra Brito Universidade Federal Fluminense – Faculdade de Direito negativa,

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negativa, desde o dia em que executar o ato de que se devia abster (390, CC). Por último, haverá mora ex re quando da prática de ato ilícito, desde o momento em que foi praticado (398, CC).

Mora ex persona: ocorre quando a obrigação não tiver data fixada para o seu cumprimento, dependendo de providência do credor. Aqui, o devedor só se incorrerá em mora pela notificação, interpelação ou protesto (397, CC).

A

CITAÇÃO E A INTERRUPÇÃO DA PRESCRIÇÃO PELO DESPACHO CITATÓRIO

O

pronunciamento judicial que ordena a citação, ainda que proferido por juízo incompetente, interrompe a

prescrição. Não é a citação que interrompe, mas o ato que a ordena. A data da interrupção, porém, será a da propositura da ação (240 §1º)

Art. 240. A citação válida, ainda quando ordenada por juízo incompetente, induz litispendência, torna litigiosa a coisa e constitui em mora o devedor, ressalvado o disposto nos arts. 397 e 398 da Lei n o 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil).

1 o A interrupção da prescrição, operada pelo despacho que ordena a citação, ainda que proferido por juízo incompetente, retroagirá à data de propositura da ação.

§

2 o Incumbe ao autor adotar, no prazo de 10 (dez) dias, as providências necessárias para viabilizar a citação, sob pena de não se aplicar o disposto no § 1 o .

§

§ 3 o A parte não será prejudicada pela demora imputável exclusivamente ao serviço judiciário.

4 o O efeito retroativo a que se refere o § 1 o aplica-se à decadência e aos demais prazos extintivos previstos em lei.

§

Considera-se proposta a ação quando a petição inicial for protocolada, todavia, a

propositura da ação só produz quanto ao réu os efeitos mencionados no art. 240 depois que for validamente citado.

Art. 312.

Otto Antonello Terrana de Melo Bezerra Brito Universidade Federal Fluminense – Faculdade de Direito Se

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Se o autor não adotar no prazo de 10 dias as providências necessárias para viabilizar a citação (juntar cópia da P.I., adiantar custas e indicar endereço do réu), a prescrição somente se reputará interrompida na data da citação.

MODALIDADES DE CITAÇÃO

Citação pelo correio:

É a regra geral, ressalvados os casos de citação eletrônica (246); não depende de requerimento da parte. É espécie de citação real, na medida em que depende da entrega da correspondência ao citado.

Art. 247. A citação será feita pelo correio para qualquer comarca do país, exceto:

I - nas ações de estado, observado o disposto no art. 695, § 3 o ;

II - quando o citando for incapaz;

III - quando o citando for pessoa de direito público;

IV

-

quando

correspondência;

o

citando

residir

em

local

não

atendido

pela

entrega

domiciliar

de

V - quando o autor, justificadamente, a requerer de outra forma.

Em caso de recusa de recebimento ou de assinatura do recibo; reputa-se frustrada a diligência, já que o carteiro não tem fé pública, restando ao autor a requerer por mandado, cobrando ao réu as custas da diligência fracassada.

A citação postal é ato complexo. Ela se aperfeiçoa com a juntada aos autos do aviso de recebimento, data a partir da qual começa a fluir o prazo para resposta (231, I).

Citação por oficial de justiça:

Também chamada citação por mandado. O mandado é o documentação do ato do juiz pelo escrivão ou chefe de secretaria, que o assina

Otto Antonello Terrana de Melo Bezerra Brito Universidade Federal Fluminense – Faculdade de Direito Art.

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Art. 249.

A citação será feita por meio de oficial de justiça nas hipóteses previstas neste

Código ou em lei, ou quando frustrada a citação pelo correio.

Art. 250. O mandado que o oficial de justiça tiver de cumprir conterá:

I - os nomes do autor e do citando e seus respectivos domicílios ou residências;

II - a finalidade da citação, com todas as especificações constantes da petição inicial, bem como a menção do prazo para contestar, sob pena de revelia, ou para embargar a execução;

III - a aplicação de sanção para o caso de descumprimento da ordem, se houver;

IV - se for o caso, a intimação do citando para comparecer, acompanhado de advogado ou de defensor público, à audiência de conciliação ou de mediação, com a menção do dia, da hora e do lugar do comparecimento;

V - a cópia da petição inicial, do despacho ou da decisão que deferir tutela provisória;

VI - a assinatura do escrivão ou do chefe de secretaria e a declaração de que o subscreve por ordem do juiz.

A citação por oficial de justiça é ato complexo. Ela se aperfeiçoa com a juntada aos autos do mandado,

data a partir da qual começa a fluir o prazo para resposta (231, II).

Citação por mandado com hora certa:

É uma modalidade especial de citação, tratando-se de uma ficção, pois a lei, por ficção, considera que o citando foi cientificado. Artigos 252 a 254, CPC.

Para que se admita a citação por hora certa é necessário que se façam presentes alguns pressupostos: a) procura do citando, sem êxito, por duas vezes, em dias distintos; b) deve haver suspeita de ocultação. O oficial certificará o preenchimento dos pressupostos no mandado.

Ler artigos.

Havendo revelia, o magistrado deverá proceder à nomeação de curador especial ao réu (72, II).

Otto Antonello Terrana de Melo Bezerra Brito Universidade Federal Fluminense – Faculdade de Direito Art.

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Art. 72. O juiz nomeará curador especial ao:

I - incapaz, se não tiver representante legal ou se os interesses deste colidirem com os daquele, enquanto durar a incapacidade;

II - réu preso revel, bem como ao réu revel citado por edital ou com hora certa, enquanto não for constituído advogado.

Parágrafo único. A curatela especial será exercida pela Defensoria Pública, nos termos da lei.

Citação pelo escrivão ou chefe de secretaria:

Se o citando comparecer em cartório, o escrivão ou chefe de secretaria pode fazer a citação (152 + 246). O prazo de resposta, neste caso, começa a fluir da data da citação (231, III).

Citação por edital:

Também é hipótese de citação ficta. Se houver revelia, também há de nomear-se curador especial para promover a defesa do revel (72).

É admissível:

Quando desconhecido ou incerto o réu.

Quando ignorado, incerto ou inacessível o lugar em que se encontra o réu.

Nos casos expressos em lei (256).

Art. 257. São requisitos da citação por edital: I - a afirmação do autor ou
Art. 257. São requisitos da citação por edital:
I -
a
afirmação
do
autor
ou
a
certidão
do
oficial
informando
a
presença
das
circunstâncias
autorizadoras;
II - a publicação do edital na rede mundial de computadores, no sítio do respectivo tribunal e na
plataforma de editais do Conselho Nacional de Justiça, que deve ser certificada nos autos;
III - a determinação, pelo juiz, do prazo, que variará entre 20 (vinte) e 60 (sessenta) dias, fluindo da data
da publicação única ou, havendo mais de uma, da primeira;
Otto Antonello Terrana de Melo Bezerra Brito Universidade Federal Fluminense – Faculdade de Direito IV

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IV - a advertência de que será nomeado curador especial em caso de revelia.

Parágrafo único. O juiz poderá determinar que a publicação do edital seja feita também em jornal local de ampla circulação ou por outros meios, considerando as peculiaridades da comarca, da seção ou da subseção judiciárias.

A parte que requerer a citação por edital, alegando dolosamente a ocorrência das

circunstâncias autorizadoras para sua realização, incorrerá em multa de 5 (cinco) vezes o salário- mínimo.

Art. 258.

Parágrafo único. A multa reverterá em benefício do citando.

Citação por meio eletrônico:

Criada pela lei nº 11.419/2006, que regulamentou o processo em autos eletrônicos. No processo em autos eletrônicos, todas as citações, inclusive da Fazenda Pública, serão feitas por meio eletrônico, na forma dessa lei.

Vide Lei nº 11.419, artigos 1º, 2º, 5º, 6º e 9º.

Para a citação eletrônica é necessário o credenciamento prévio no poder judiciário. Tal modalidade de citação é, para o CPC, preferencial para pessoas jurídicas privadas e públicas.

Art. 246. A citação será feita:

I - pelo correio;

II - por oficial de justiça;

III - pelo escrivão ou chefe de secretaria, se o citando comparecer em cartório;

IV - por edital;

V - por meio eletrônico, conforme regulado em lei.

Otto Antonello Terrana de Melo Bezerra Brito Universidade Federal Fluminense – Faculdade de Direito §

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§ 1o Com exceção das microempresas e das empresas de pequeno porte, as empresas públicas e

privadas são obrigadas a manter cadastro nos sistemas de processo em autos eletrônicos, para efeito de recebimento de citações e intimações, as quais serão efetuadas preferencialmente por esse meio.

§ 2o O disposto no § 1o aplica-se à União, aos Estados, ao Distrito Federal, aos Municípios e às entidades da administração indireta.

§ 3o Na ação de usucapião de imóvel, os confinantes serão citados pessoalmente, exceto quando

tiver por objeto unidade autônoma de prédio em condomínio, caso em que tal citação é dispensada.

Feita a citação eletrônica, o prazo de resposta começa a fluir no dia útil seguinte à consulta ou ao término do prazo para que a consulta se dê (231).

AUDIÊNCIA PRELIMINAR DE CONCILIAÇÃO OU MEDIAÇÃO

Não sendo o caso de indeferimento da petição inicial ou de improcedência liminar do pedido, o juiz determinará a citação do réu e designará audiência de conciliação ou mediação (334).

O réu deve ser citado com no mínimo 20 dias de antecedência em relação à data da audiência. A intimação

do autor para a audiência será feita na pessoa de seu advogado (334).

A audiência será de conciliação ou mediação a depender do tipo de técnica que será aplicada, que

depende do tipo de conflito. De acordo com o Artigo 165 do CPC, será de conciliação nos casos em que não houver vínculo anterior entre as partes; será de mediação nos casos em que houver vínculo anterior entre as partes.

Ao contrário do que ocorria no CPC/73, a audiência de conciliação ou mediação será realizada antes do oferecimento da defesa, sendo, assim, uma audiência eminentemente preliminar.

Otto Antonello Terrana de Melo Bezerra Brito Universidade Federal Fluminense – Faculdade de Direito Art.

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Art. 165. Os tribunais criarão centros judiciários de solução consensual de conflitos, responsáveis pela realização de sessões e audiências de conciliação e mediação e pelo desenvolvimento de programas destinados a auxiliar, orientar e estimular a autocomposição.

§ 1o A composição e a organização dos centros serão definidas pelo respectivo tribunal, observadas as normas do Conselho Nacional de Justiça.

§ 2o O conciliador, que atuará preferencialmente nos casos em que não houver vínculo anterior

entre as partes, poderá sugerir soluções para o litígio, sendo vedada a utilização de qualquer tipo de

constrangimento ou intimidação para que as partes conciliem.

§ 3o O mediador, que atuará preferencialmente nos casos em que houver vínculo anterior entre as

partes, auxiliará aos interessados a compreender as questões e os interesses em conflito, de modo que eles possam, pelo restabelecimento da comunicação, identificar, por si próprios, soluções consensuais que gerem benefícios mútuos.

Casos de não realização da audiência:

Art. 334

§ 4o A audiência não será realizada:

I - se ambas as partes manifestarem, expressamente, desinteresse na composição consensual;

II - quando não se admitir a autocomposição.

§ 5o O autor deverá indicar, na petição inicial, seu desinteresse na autocomposição, e o réu deverá fazê-lo, por petição, apresentada com 10 (dez) dias de antecedência, contados da data da audiência.

OBS: Apesar do texto legal ser expresso quanto à necessidade de ambas as partes se manifestarem expressamente para que não se realize a audiência, há na doutrina aqueles que defendem que basta que uma das partes manifeste expressamente seu desinteresse (Alexandre Câmara).

Comparecer à audiência de conciliação ou mediação é um dever processual das partes, e o comparecimento injustificado do autor ou do réu é considerado ato atentatório à dignidade da justiça,

Otto Antonello Terrana de Melo Bezerra Brito Universidade Federal Fluminense – Faculdade de Direito cuja

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cuja sanção é de multa de até 2% da vantagem econômica pretendida ou do valor da causa, revertida em favor da União ou do Estado (334).

§ 9o As partes devem estar acompanhadas por seus advogados ou defensores públicos.

§ 10. A parte poderá constituir representante, por meio de procuração específica, com poderes para negociar e transigir.

TEORIA DA EXCEÇÃO, RESPOSTA DO RÉU E REVELIA

TEORIA DA EXCEÇÃO

No sentido pré-processual, exceção pode ser entendida como o direito fundamental de defesa.

Na acepção processual, exceção é o meio pelo qual o demandado se defende em juízo, representando, nesse caso, o exercício concreto do direito de defesa. É, pois, a própria defesa. Em sentido processual ainda mais restrito, exceção é uma espécie de matéria que não poderia ser examinada ex officio pelo magistrado.

Em sentido material, exceção relaciona-se com a pretensão (essa relação entre os institutos é fundamental para a sua compreensão), sendo um direito de que o demandado se vale para opor-se à pretensão, para neutralizar a sua eficácia ou extingui-la. É uma pretensão que se exerce como contraposição a outra pretensão.

Otto Antonello Terrana de Melo Bezerra Brito Universidade Federal Fluminense – Faculdade de Direito ESPÉCIES

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Universidade Federal Fluminense – Faculdade de Direito ESPÉCIES DE DEFESA Mérito e admissibilidade : 

ESPÉCIES DE DEFESA

Mérito e admissibilidade:

Processuais ou de admissibilidade: são defesas que têm por objeto os requisitos de admissibilidade da causa (condições da ação e pressupostos processuais).

Defesas de mérito: são aquelas em que o demandado opõe contra a pretensão deduzida em juízo pelo demandante (objeto litigioso), quer para neutralizar os seus efeitos, quer para retardar a produção destes mesmos efeitos (exceções dilatórias de mérito), quer para extingui-los, quer para negá-los peremptoriamente. Ex: pagamento, decadência, etc.

Objeções e exceções:

Exceção, aqui, é a alegação de defesa que, para ser conhecida pelo magistrado, precisa ter sido arguida pelo interessado.

Otto Antonello Terrana de Melo Bezerra Brito Universidade Federal Fluminense – Faculdade de Direito 

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Considera-se objeção a matéria de defesa que pode ser conhecida de ofício pelo magistrado.

de defesa que pode ser conhecida de ofício pelo magistrado. Peremptória e dilatória :  Exceção

Peremptória e dilatória:

Exceção dilatória: é aquela que apenas dilata no tempo o exercício de determinada pretensão. Ela retarda o exame, o acolhimento ou a eficácia do direito do demandante. Ex: Nulidade de citação, conexão, exceção de contrato não cumprido, direito de retenção, etc.

Exceção peremptória: é aquela que objetiva perimir o exercício da pretensão, fulmina-lo. São espécies de exceção peremptória: prescrição, compensação, pagamento, etc.

Direta e indireta:

Defesa direta: aquela em que o demandado se limita (a) a negar a existência dos fatos jurídicos constitutivos do direito do autor ou (b) negar as consequências jurídicas que o autor pretende retirar dos fatos que aduz (embora reconheça a existência dos fatos, negar-lhes a eficácia jurídica pretendida, em conduta que se denomina confissão qualificada).

Otto Antonello Terrana de Melo Bezerra Brito Universidade Federal Fluminense – Faculdade de Direito 

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Defesa indireta: quando agrega ao processo fato novo, que impede, modifica ou extingue o direito do autor. Acontece quando o demandado aduz uma exceção substancial (defesa indireta de mérito que não pode ser conhecida ex officio pelo magistrado 350) ou uma objeção substancial (defesa de mérito que pode ser examinada de ofício pelo magistrado).

Se houver defesa indireta, haverá necessidade de réplica, pois o autor tem o direito a manifestar-se sobre

o fato novo que lhe foi deduzido.

Instrumental e interna:

Exceção interna: aquela que pode ser formulada no bojo dos autos em que está sendo demandado

o réu. A maioria das exceções pode ser formulada internamente.

Exceção instrumental: aquela que, para ser apreciada, exige a formação de um instrumento (autos próprios; conjunto de documentos) autônomo e apensado aos autos principais. É o caso da alegação de suspeição e impedimento do juiz.

RESPOSTA DO RÉU

Frustrada a tentativa de solução do processo por autocomposição, na audiência preliminar de conciliação ou mediação, ou não sendo o caso de sua designação, abre-se ao réu a oportunidade de apresentar a sua resposta à demanda.

A resposta do réu e designação genérica e não se confunde com a defesa do réu, que é apenas uma forma

de o réu responder à demanda.

A resposta do réu pode ser:

O

reconhecimento da procedência do pedido formulado pelo autor (487);

Requerimento avulso de desmembramento do litisconsórcio multitudinário ativo (113);

Otto Antonello Terrana de Melo Bezerra Brito Universidade Federal Fluminense – Faculdade de Direito 

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A contestação;

A reconvenção;

A arguição de impedimento ou suspeição do juiz, membro do MP ou auxiliar da justiça;

A revelia.

A CONTESTAÇÃO

A contestação está para o réu como a petição inicial está para o autor. Trata-se do instrumento da exceção

exercida, assim como a petição inicial é o instrumento da demanda. É pela contestação que o réu

apresenta sua defesa.

Prazo:

O prazo para a apresentação da contestação é de 15 dias.

Seu termo de início é objeto do Artigo 335:

Art. 335.

O réu poderá oferecer contestação, por petição, no prazo de 15 (quinze) dias, cujo

termo inicial será a data:

I - da audiência de conciliação ou de mediação, ou da última sessão de conciliação, quando qualquer parte não comparecer ou, comparecendo, não houver autocomposição;

II - do protocolo do pedido de cancelamento da audiência de conciliação ou de mediação apresentado pelo réu, quando ocorrer a hipótese do art. 334, § 4 o , inciso I;

III - prevista no art. 231, de acordo com o modo como foi feita a citação, nos demais casos.

§ 1 o No caso de litisconsórcio passivo, ocorrendo a hipótese do art. 334, § 6 o , o termo inicial

previsto no inciso II será, para cada um dos réus, a data de apresentação de seu respectivo pedido

de cancelamento da audiência.

Otto Antonello Terrana de Melo Bezerra Brito Universidade Federal Fluminense – Faculdade de Direito 2

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2 o Quando ocorrer a hipótese do art. 334, § 4 o , inciso II, havendo litisconsórcio passivo e o

autor desistir da ação em relação a réu ainda não citado, o prazo para resposta correrá da data de

intimação da decisão que homologar a desistência.

§

Art. 231. Salvo disposição em sentido diverso, considera-se dia do começo do prazo:

I - a data de juntada aos autos do aviso de recebimento, quando a citação ou a intimação for pelo correio;

II - a data de juntada aos autos do mandado cumprido, quando a citação ou a intimação for por oficial de justiça;

III - a data de ocorrência da citação ou da intimação, quando ela se der por ato do escrivão ou

do chefe de secretaria;

IV - o dia útil seguinte ao fim da dilação assinada pelo juiz, quando a citação ou a intimação

for por edital;

V - o dia útil seguinte à consulta ao teor da citação ou da intimação ou ao término do prazo

para que a consulta se dê, quando a citação ou a intimação for eletrônica;

VI - a data de juntada do comunicado de que trata o art. 232 ou, não havendo esse, a data de

juntada da carta aos autos de origem devidamente cumprida, quando a citação ou a intimação se

realizar em cumprimento de carta;

VII - a data de publicação, quando a intimação se der pelo Diário da Justiça impresso ou

eletrônico;

VIII - o dia da carga, quando a intimação se der por meio da retirada dos autos, em carga, do

cartório ou da secretaria.

(

)

Regra da eventualidade ou da concentração da defesa:

Otto Antonello Terrana de Melo Bezerra Brito Universidade Federal Fluminense – Faculdade de Direito Significa

Otto Antonello Terrana de Melo Bezerra Brito Universidade Federal Fluminense Faculdade de Direito

Significa que cabe ao réu formular toda sua defesa na contestação (336). O réu tem o ônus de alegar tudo o quanto puder, pois, caso contrário, perderá a oportunidade de fazê-lo.

Da mesma forma que o autor pode cumular pedidos, própria ou impropriamente, pode o réu cumular defesas, própria ou impropriamente.

Cumulação própria: cada defesa faz o contraponto a um pedido e o demandado deseja que todas elas sejam acolhidas

Cumulação eventual: quando o réu alega uma defesa para a hipótese de a outra, anteriormente formulada, não ser acolhida.

Didier: "A regra da eventualidade autoriza, então, que o réu deduza defesas logicamente incompatíveis. Mas o princípio da boa-fé processual impõe que essa cumulação de defesas incompatíveis tenha limites. Nem toda ilogicidade é superada pela aplicação da regra da concentração da defesa".

Princípio do ônus da impugnação específica:

Não se admite a formulação de defesa genérica. O artigo 337 do CPC lista um rol de defesas processuais que devem ser apresentadas na contestação, antes de o réu discutir o mérito do processo. Segundo o princípio do ônus da impugnação específica, deve o réu, em sua defesa, impugnar de maneira precisa e específica cada um dos fatos narrados pelo autor na inicial, sob pena de reputarem-se incontroversos os fatos não impugnados, consumando-se a preclusão quanto à possibilidade de contestá-los. Importante notar que os fatos incontroversos, por força do 374, não dependerão de prvas.

Art. 341.

Incumbe também ao réu manifestar-se precisamente sobre as alegações de fato

constantes da petição inicial, presumindo-se verdadeiras as não impugnadas, salvo se:

I - não for admissível, a seu respeito, a confissão;

II - a petição inicial não estiver acompanhada de instrumento que a lei considerar da substância do ato;

III - estiverem em contradição com a defesa, considerada em seu conjunto.

Otto Antonello Terrana de Melo Bezerra Brito Universidade Federal Fluminense – Faculdade de Direito Parágrafo

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Parágrafo único.

O ônus da impugnação especificada dos fatos não se aplica ao defensor

público, ao advogado dativo e ao curador especial.

Art. 342. Depois da contestação, só é lícito ao réu deduzir novas alegações quando:

I - relativas a direito ou a fato superveniente;

II - competir ao juiz conhecer delas de ofício;

III - por expressa autorização legal, puderem ser formuladas em qualquer tempo e grau de jurisdição.

Defesas de admissibilidade:

Inexistência ou nulidade da citação: trata-se de defesa dilatória, pois o máximo que o réu poderá conseguir é a renovação do prazo para a apresentação de sua resposta.

Incompetência do juízo. O direito de o réu alegar incompetência no foro do seu domicílio: Tanto a incompetência relativa quanto a absoluta devem ser alegadas na contestação.

Importante notar que o 340 determina que, contendo a contestação alegação de incompetência (absoluta ou relativa), poderá ela ser protocolada no foro de domicílio do réu, fato que será comunicado ao juiz da causa.

Incorreção do valor da causa.

Inépcia da petição inicial.

Perempção, litispendência e coisa julgada.

Conexão e continência.

Incapacidade da parte, defito de representação ou falta de aurorização.

Alegação de convenção de arbitragem.

A existência de convenção de arbitragem não pode ser conhecida de ofício pelo juiz, e a ausência de alegação de sua existência pelo réu é considerada como aceitação da jurisdição estatal e consequente renúncia ao juízo arbitral.

Otto Antonello Terrana de Melo Bezerra Brito Universidade Federal Fluminense – Faculdade de Direito Ainda,

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Ainda, o art. 8º, parágrafo único, da Lei nº 9.307/96 (Lei de Arbitragem), postula que "caberá ao árbitro decidir de ofício, ou por provocação das partes, as questões acerca da existência, validade e eficácia da convenção de arbitragem e do contrato que contenha a cláusula compromissória". Assim, cabe ao árbitro julgar a própria competência.

Ausência de legitimidade ou de interesse processual. O direito de substituição do réu e o dever de o réu indicar o legitimado passivo. Novas hipóteses de intervenção de terceiro.

A alegação de ilegitimidade passiva, formulada pelo réu em sua defesa, confere ao autor o direito de, no prazo de 15 dias, pedir a alteração da P.I. para =a substituição do réu (338).

Há casos em que o réu que alegar sua ilegitimidade tem o dever de indicar o legitimado passivo

(339).

Falta de caução ou de outra prestação que a lei exige como preliminar.

Indevida concessão do benefício da gratuidade concedida ao autor.

Defesas que têm de ser alegadas fora da contestação e que podem ser alegadas depois da contestação:

Há defesas que a própria lei impõe que sejam alegadas em peça distinta da contestação: arguição de impedimento ou suspeição do juiz, membro do MP ou auxiliar da justiça. Essas especificamente podem ser oferecidas também pelo autor.

Há também defesas que podem ser alegadas após apresentada a contestação (342).

Art. 342. Depois da contestação, só é lícito ao réu deduzir novas alegações quando:

I - relativas a direito ou a fato superveniente;

II - competir ao juiz conhecer delas de ofício;

III - por expressa autorização legal, puderem ser formuladas em qualquer tempo e grau de jurisdição.

OBS: No meu entender, a regra do 342, II, torna inócuo o caput do artigo 377, pois seu parágrafo 5º estende a todas as hipóteses previstas nele (com exceção de duas) a possibilidade de reconhecimento de ofício, por se tratarem de matéria de ordem pública.

Otto Antonello Terrana de Melo Bezerra Brito Universidade Federal Fluminense – Faculdade de Direito Aditamento

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Aditamento e indeferimento da contestação:

A contestação pode ser indeferida se for intempestiva ou se, por exemplo, não ficar comprovada a regularidade da representação processual da parte.

Se o réu se apresenta sem advogado, não deve o juiz indeferir a contestação, deve nomear um advogado dativo, que pode ser um defensor público, para ratificar a peça de defesa. O raciocínio é o mesmo para o caso de contestação apresentada por incapaz, que constituiu advogado, mas não tem representante: deve o juiz nomear-lhe um curador especial, e não considerar o réu revel.

Pode-se aditar a contestação para acrescentar as defesas que podem ser alegadas após o prazo de resposta do réu e que estão previstas no 342.

RECONVENÇÃO

A reconvenção é demanda do réu contra o autor no mesmo processo em que está sendo demandado.

Enseja o processamento simultâneo da ação principal e da ação reconvencional, a fim de que o juiz resolva

as duas lides na mesma sentença. Pode ser demanda de qualquer natureza: declaratória, condenatória ou constitutiva.

Não se trata de processo incidente: a reconvenção é demanda nova em processo já existente.

Art. 343.

Na contestação, é lícito ao réu propor reconvenção para manifestar pretensão

própria, conexa com a ação principal ou com o fundamento da defesa.

§ 1o Proposta a reconvenção, o autor será intimado, na pessoa de seu advogado, para apresentar resposta no prazo de 15 (quinze) dias.

§ 2o A desistência da ação ou a ocorrência de causa extintiva que impeça o exame de seu mérito não obsta ao prosseguimento do processo quanto à reconvenção.

§ 3o A reconvenção pode ser proposta contra o autor e terceiro.

§ 4o A reconvenção pode ser proposta pelo réu em litisconsórcio com terceiro.

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§ 5o Se o autor for substituto processual, o reconvinte deverá afirmar ser titular de direito em face do substituído, e a reconvenção deverá ser proposta em face do autor, também na qualidade de substituto processual.

§ 6o O réu pode propor reconvenção independentemente de oferecer contestação.

As regras sobre petição inicial e o pedido aplicam-se à reconvenção.

A reconvenção e a ação principal devem ser julgadas na mesma sentença, embora sejam autônomas: não há obrigatoriedade de ambas terem seus respectivos méritos apreciados, pois pode o autor desistir da demanda principal ou ela não ser apreciada por algum defeito que comprometa a sua admissibilidade. Mas, se houverem de ser julgadas, haverão de sê-lo na mesma sentença.

O artigo 343 admite expressamente ampliação subjetiva do processo ao possibilitar a reconvenção contra [ou em conjunto com] terceiro. Note-se que, no entanto, não se admite a propositura da reconvenção apenas contra o terceiro. O terceiro deverá integrar litisconsórcio em ambos os casos. Em qualquer caso, a reconvenção será instrumento que provoca a intervenção de terceiro(s) no processo.

Em alguns casos, o ingresso do terceiro já se enquadra em tipos previstos em lei (como a assistência litisconsorcial e a citação de litisconsorte necessário passivo). Mas em outros, não, tal como o ingresso de terceiro como litisconsorte ulterior, no polo passivo ou ativo, simplesmente em razão de conexão.

Requisitos da reconvenção:

Haja uma causa pendente: a reconvenção pressupõe a existência de uma causa já pendente, pois do contrário seria uma ação nova.

A observância do prazo de resposta: a reconvenção deve ser apresentada no mesmo prazo da contestação e na mesma peça em que ela é apresentada (343, caput). Porém, o réu pode reconvir independentemente de contestar, se quiser (343, §6º).

Competência: o juízo da causa principal também deve ser competente para julgar a reconvenção.

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Compatibilidade entre os procedimentos.

Conexão: a reconvenção deve ser demanda conexa à ação principal ou a algum dos fundamentos da defesa.

Interesse processual: quando o efeito prático almejado pela reconvenção puder ser alcançado pela simples contestação, como nos casos das ações dúplices, não se admite a reconvenção por falta de interesse processual.

Na acepção processual , a ação dúplice é aquela em que se permite ao réu a formulação de um pedido contra o autor no bojo da contestação. O réu pode contestar e formular um pedido. É sinônimo de pedido contraposto, e é possível nas hipóteses admitidas em lei, como no procedimento sumário e na Lei dos Juizados Especiais. São também dúplices as ações meramente declaratórias.

Cabimento: há procedimentos em que se veda expressamente a reconvenção, como no procedimento dos Juizados Especiais Cíveis.

Despesas processuais: caberá à lei estadual definir se há ou não pagamento de custas processuais em razão da reconvenção. Na JF a reconvenção não se sujeita ao pagamento de custas (Lei 9289); Dispensa-se a caução às custas, na reconvenção (83, CPC).

Reconvenção e substituição processual:

Se o réu quiser reconvir em face do substituto processual, deverá fundar o seu pedido em pretensão que tenha em face do substituído, desde que para tal pretensão o substituto tenha legitimação extraordinária passiva.

Reconvenção e pedido contraposto:

Pedido

reconvenção, pode ser formulada pelo réu na mesma peça em que se apresenta a sua defesa. A

contraposto

é

outra

espécie

de

demanda

do

réu

no

mesmo

processo,

e,

assim

como

a

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reconvenção e o pedido contraposto distinguem-se quanto à amplitude da cognição judicial a que dão ensejo, sendo o pedido contraposto uma demanda mais simplificada do que a reconvenção. Além disso, enquanto a reconvenção precisa apenas ser conexa com a ação principal ou com os fundamentos de defesa, o pedido contraposto o legislado restringe a causa de pedir remota (nos Juizados Especiais deve ficar restrito aos "mesmos fatos da causa") ou tipifica a pretensão que pode ser por ela veiculada (nas ações possessórias, admite-se apenas o pedido de indenização).

A REVELIA

Didier: A revelia é um ato-fato processual, consistente na não apresentação tempestiva da contestação.

Fato jurídico: ocorre independentemente da ação ou da vontade das pessoas. Como exemplo, o próprio decurso de tempo, causando consequências jurídicas, como a prescrição, a decadência,

caducidade,

etc.

Já o ato jurídico é a atuação humana, dependente da vontade, para que se realizem atos com consequências jurídicas. É toda ação humana capaz de criar, extinguir, manter, alterar ou transferir direitos. São os atos humanos que causam consequências jurídicas.

Art. 344.

Se o réu não contestar a ação, será considerado revel e presumir-se-ão verdadeiras

as alegações de fato formuladas pelo autor.,

Art. 374. Não dependem de prova os fatos:

(

)

III - admitidos no processo como incontroversos;

Efeitos:

Efeito material: presunção da veracidade das alegações de fato feitas pelo demandante. 344

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Os prazos contra o réu revel que não tenha advogado fluem a partir da publicação da decisão. 346

Efeito processual: Preclusão em desfavor do réu do poder de alegar algumas matérias de defesa (ressalvadas aquelas previstas no 342).

Possibilidade de julgamento antecipado do mérito da causa, caso se produza o efeito material da revelia. 355

Mitigações à eficácia da revelia:

A presunção da veracidade não é efeito necessário da revelia: é possível que haja revelia e não se presuma a ocorrência dos fatos deduzidos contra o revel. Art. 345:

Art. 345. A revelia não produz o efeito mencionado no art. 344 se:

I - havendo pluralidade de réus, algum deles contestar a ação;

Obs: o efeito é afastado apenas em relação ao fato comum contestado; em relação aos fatos exclusivos do litisconsorte revel, a presunção de veracidade se aplica normalmente.

II - o litígio versar sobre direitos indisponíveis; - indispensável à prova do ato; III
II - o litígio versar sobre direitos indisponíveis;
-
indispensável à prova do ato;
III
a
petição
inicial
não
estiver
acompanhada
de
instrumento
que
a
lei
considere
IV - as alegações de fato formuladas pelo autor forem inverossímeis ou estiverem em
contradição com prova constante dos autos.

Além dos casos elencados pelo 345, não se presumirá a veracidade dos fatos quando terceiro houver ingressado no processo como assistente do revel, hipótese em que será considerado seu substituto processual (121, § ún).

A revelia não implica necessariamente vitória do autor: os fatos podem não se subsumir à regra de direito invocada. Ao réu revel é permitido, sem impugnar os fatos, tratar, apenas, do direito. A

Otto Antonello Terrana de Melo Bezerra Brito Universidade Federal Fluminense – Faculdade de Direito presunção

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presunção da veracidade dos fatos afirmados pelo autor não equivale ao reconhecimento da procedência do pedido. A presunção incide apenas sobre os fatos afirmados pelo demandante.

Matérias que podem ser alegadas após o prazo de defesa: Art. 342.

Art. 342. Depois da contestação, só é lícito ao réu deduzir novas alegações quando:

I - relativas a direito ou a fato superveniente;

II - competir ao juiz conhecer delas de ofício;

III - por expressa autorização legal, puderem ser formuladas em qualquer tempo e grau de jurisdição.

Proibição de alteração de pedido ou causa de pedir: Art. 329.

Intervenção do réu revel: o réu revel pode intervir no processo em qualquer fase, recebendo-o no estado em que se encontrar, passando, a partir daí, a ser intimado dos atos que forem praticados no processo. Arts. 346 e349.

Necessidade de intimação do réu revel que tenha advogado constituído nos autos.

Possibilidade de ação rescisória por erro de fato: a incontrovérsia dos fatos ocorre, muitas vezes, em razão da revelia. Assim, é possível ao réu-revel ajuizar ação rescisória por erode fato, se a sentença considerar existente fato que não ocorreu ou inexistente fato que tenha ocorrido.

Querela nullitatis: ação autônoma de impugnação de sentença nula (no caso, por ausência de citação).

Impedimento à extensão da coisa julgada à resolução da questão prejudicial incidental. Art. 503.

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Revelia na reconvenção

PROVIDÊNCIAS PRELIMINARES E JULGAMENTO CONFORME O ESTADO DO PROCESSO

SANEAMENTO E FASE DE SANEAMENTO. AS PROVIDÊNCIAS PRELIMIARES

Apresentada ou não a resposta do réu, inicia-se uma fase do procedimento comum que se denomina de fase de saneamento. Durante este período, o magistrado deve tomar providências que deixem o processo apto para que nele seja proferida uma decisão, chamada de julgamento conforme o estado do processo.

Art. 347. Findo o prazo para a contestação, o juiz tomará, conforme o caso, as providências preliminares constantes das seções deste Capítulo.

A atividade de saneamento do magistrado não se esgota nessa fase, que se caracteriza, apenas, pela concentração de atos de regularização do processo. Desde o momento em que recebe a petição inicial, pode o magistrado tomar providências para regularizar eventuais defeitos processuais, como a determinação de emenda da petição inicial.

Rol de providências preliminares:

Tendo sido apresentada defesa indireta, deve o juiz intimar o autor para apresentar a sua réplica, em 15 dias (350-351), que consiste na manifestação do demandante sobre os fatos novos deduzidos pelo réu em sua defesa. Se a defesa for direta, não haverá intimação para a réplica.

Art. 437. O réu manifestar-se-á na contestação sobre os documentos anexados à inicial, e o autor manifestar-se-á na réplica sobre os documentos anexados à contestação.

§ 1o Sempre que uma das partes requerer a juntada de documento aos autos, o juiz ouvirá, a seu respeito, a outra parte, que disporá do prazo de 15 (quinze) dias para adotar qualquer das posturas indicadas no art. 436.

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§ 2o Poderá o juiz, a requerimento da parte, dilatar o prazo para manifestação sobre a prova documental produzida, levando em consideração a quantidade e a complexidade da documentação.

Se o réu apresentar defesa direta, mas trouxer documentos, deve o magistrado intimar o autor para manifestar-se sobre eles.

Se há defeitos processuais que possam ser corrigidos, deve o juiz providenciar a sua correção, em até 30 dias. 352.

Art. 352. Verificando a existência de irregularidades ou de vícios sanáveis, o juiz determinará sua correção em prazo nunca superior a 30 (trinta) dias.

Se houver revelia, deve o magistrado verificar a regularidade da citação.

Se, não obstante a revelia, a presunção de veracidade dos fatos afirmados pelo autor não se tiver produzido, deve o juiz intimar o autor para especificar as provas que pretende produzir em audiência. 348.

Se a revelia decorrer de citação ficta ou se o réu revel for preso, deve o magistrado designar o curador especial. 72, II.

Se o réu reconveio, deve o magistrado intimar o autor para contestar a reconvenção, em 15 dias.

Se o réu promover uma denunciação da lide ou um chamamento ao processo, o magistrado tomará as providências inerentes a essas intervenções.

Se o réu requereu a revogação da justiça gratuita concedida ao autor, o juiz, após ouvi-lo, decidirá a respeito; se revogar a gratuidade, caberá agravo de instrumento. 101 e 1.015.

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Se houver alegação de incompetência, o juiz decidirá sobre a sua competência. Se reconhecê-la, determinará a remessa dos autos ao juízo competente.

O juiz decidirá sobre eventual impugnação ao valor da causa apresentada pelo réu na contestação.

O magistrado deve verificar se é caso de intervenção do MP (178), da CVM (Art. 31 da lei n. 6385/76), do CADE (Art. 118 da lei n.12.528/2011) ou de qualquer outro órgão/entidade cuja presença no processo seja obrigatória por força de lei.

JULGAMENTO CONFORME O ESTADO DO PROCESSO

Art. 354. Ocorrendo qualquer das hipóteses previstas nos arts. 485 e 487, incisos II e III, o juiz proferirá sentença. Parágrafo único. A decisão a que se refere o caput pode dizer respeito a apenas parcela do processo, caso em que será impugnável por agravo de instrumento.

Depois de cumpridas as providências preliminares, ou não havendo necessidade delas, o juiz examinará o processo para que tome uma dessas decisões.

o

Extingue-o sem resolução do mérito. 485 c/c 354.

o

Extingue-o com resolução do mérito, em razão de autocomposição total. 487 c/c 354.

o

Extingue-o com resolução do mérito pela verificação da ocorrência da decadência ou prescrição. 487 c/c 354.

o

Julga antecipadamente o mérito da causa. 355.

o

Profere decisão de saneamento ou organização do processo, com ou sem audiência para produzi-la em cooperação com as partes. 357.

Otto Antonello Terrana de Melo Bezerra Brito Universidade Federal Fluminense – Faculdade de Direito JULGAMENTO

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JULGAMENTO ANTECIPADO DO MÉRITO

Pode ser que, concluídas as providências preliminares (ou constatado que nenhuma delas era necessária),

o juiz se depare com um processo cujo mérito já se encontra em condições de receber imediato

julgamento. Neste caso, deverá ser proferida sentença de mérito, extinguindo-se o feito com apoio no

disposto no art. 487, l, através da qual o juiz acolherá ou rejeitará o pedido formulado pelo autor.

O julgamento antecipado do mérito é uma das possíveis decisões que podem ser tomadas no julgamento

conforme o estado do processo. Trata-se de uma decisão de mérito, fundada em cognição exauriente, proferida após a fase de saneamento do processo, em que o magistrado reconhece a desnecessidade de produção de mais provas em audiência de instrução e julgamento.

Art. 355. O juiz julgará antecipadamente o pedido, proferindo sentença com resolução de mérito, quando:

I - não houver necessidade de produção de outras provas;

II - o réu for revel, ocorrer o efeito previsto no art. 344 e não houver requerimento de prova, na forma do art. 349.

O inciso I autoriza o julgamento antecipado quando não for necessária a produção de provas em audiência,

ou seja, quando a prova exclusivamente documental for bastante para a prolação de uma decisão de mérito.

É possível que, não obstante a revelia e o julgamento antecipado do mérito, o autor perca a causa; nada impede que o magistrado julgue improcedente o pedido, a despeito de reputar existentes os fatos alegados pelo autor p. ex., os fatos deduzidos não têm aptidão para conferir ao autor o direito afirmado.

As condições para o julgamento imediato podem fazer-se presentes apenas em relação a uma parcela do objeto do processo. É o que se dá quando um ou mais dos pedidos formulados, ou parcela deles (ou até mesmo parcela do único pedido formulado, quando for possível cindir-se aquilo que tenha sido objeto do pedido) mostrar-se incontroversa (art. 356, I) ou estiver em condições de imediato julgamento (art. 356, II). Pense-se, por exemplo, no caso em que o autor postula a condenação do réu ao pagamento de uma quantia em dinheiro e o réu, ao contestar, reconhece ser devedor, mas de uma quantia inferior à que está

a ser cobrada. Pois em um caso assim, deverá o juiz desde logo - e tendo em vista o fato de que uma

Otto Antonello Terrana de Melo Bezerra Brito Universidade Federal Fluminense – Faculdade de Direito parcela

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parcela do pedido tornou-se incontroversa - proferir decisão de julgamento antecipado (rectius, imediato) parcial do mérito.

Enquanto o provimento judicial de julgamento imediato total do mérito é uma sentença (impugnável por apelação), a decisão de julgamento imediato parcial do mérito tem natureza interlocutória, impugnável por agravo de instrumento (art. 356, § 5º e art. 1.015, XIII).

SANEAMENTO E ORGANIZAÇÃO DO PROCESSO

Se não for o caso de extinção do processo sem nem com resolução do mérito, deverá o magistrado proferir uma decisão de saneamento e organização do processo. 357.

Consiste o saneamento do processo na resolução de questões processuais que eventualmente ainda estejam pendentes (como, por exemplo, o pronunciamento da competência do juízo ou o exame da regularidade da representação processual de alguma das partes) e na declaração de que não há qualquer impedimento ao exame do mérito (a declaração de saneamento propriamente dita, em que se declara que o processo está saneado, isto é, limpo, sem vícios).

Art. 357. Não ocorrendo nenhuma das hipóteses deste Capítulo, deverá o juiz, em decisão de saneamento e de organização do processo:

I - resolver as questões processuais pendentes, se houver;

II - delimitar as questões de fato sobre as quais recairá a atividade probatória, especificando os meios de prova admitidos;

III - definir a distribuição do ônus da prova, observado o art. 373;

IV - delimitar as questões de direito relevantes para a decisão do mérito;

V - designar, se necessário, audiência de instrução e julgamento.

§ 1o Realizado o saneamento, as partes têm o direito de pedir esclarecimentos ou solicitar ajustes,

no prazo comum de 5 (cinco) dias, findo o qual a decisão se torna estável.

Otto Antonello Terrana de Melo Bezerra Brito Universidade Federal Fluminense – Faculdade de Direito §

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§ 2o As partes podem apresentar ao juiz, para homologação, delimitação consensual das questões

de fato e de direito a que se referem os incisos II e IV, a qual, se homologada, vincula as partes e o

juiz.

§ 3o Se a causa apresentar complexidade em matéria de fato ou de direito, deverá o juiz designar audiência para que o saneamento seja feito em cooperação com as partes, oportunidade em que o juiz, se for o caso, convidará as partes a integrar ou esclarecer suas alegações.

§ 4o Caso tenha sido determinada a produção de prova testemunhal, o juiz fixará prazo comum não superior a 15 (quinze) dias para que as partes apresentem rol de testemunhas.

§ 5o Na hipótese do § 3o, as partes devem levar, para a audiência prevista, o respectivo rol de testemunhas.

§ 6o O número de testemunhas arroladas não pode ser superior a 10 (dez), sendo 3 (três), no máximo, para a prova de cada fato.

§ 7o O juiz poderá limitar o número de testemunhas levando em conta a complexidade da causa e dos fatos individualmente considerados.

§ 8o Caso tenha sido determinada a produção de prova pericial, o juiz deve observar o disposto no art. 465 e, se possível, estabelecer, desde logo, calendário para sua realização.

§ 9o As pautas deverão ser preparadas com intervalo mínimo de 1 (uma) hora entre as audiências.

Didier: Embora o §3º preveja a audiência de saneamento e organização do processo em cooperação com as partes apenas em causas complexas, não há qualquer restrição para que o juiz a determine em causas não tão complexas. O saneamento compartilhado tende a ser mais frutuoso sempre. No mínimo, serve como mais um momento processual que favorece a autocomposição.

O §2º permite que as partes levem ao juiz, para homologação, uma organização consensual do processo. Neste caso, temos um negócio bilateral, em que as partes chegam a um consenso em torno dos limites do seu dissenso. Ou seja, as partes concordam que controvertem sobre tais ou quais pontos. Além disso, as partes delimitam consensualmente as questões jurídicas que reputam fundamentais para a solução do mérito. Podem, por exemplo, negociar qual o Direito aplicável ao caso. Observados os pressupostos gerais da negociação processual (190), o juiz fica vinculado a essa delimitação.

Otto Antonello Terrana de Melo Bezerra Brito Universidade Federal Fluminense – Faculdade de Direito Art.

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Art. 190. Versando o processo sobre direitos que admitam autocomposição, é lícito às partes plenamente capazes estipular mudanças no procedimento para ajustá-lo às especificidades da causa e convencionar sobre os seus ônus, poderes, faculdades e deveres processuais, antes ou durante o processo.

Parágrafo único. De ofício ou a requerimento, o juiz controlará a validade das convenções previstas neste artigo, recusando-lhes aplicação somente nos casos de nulidade ou de inserção abusiva em contrato de adesão ou em que alguma parte se encontre em manifesta situação de vulnerabilidade.

O calendário processual:

Neste momento, sobretudo na audiência de saneamento e organização do processo em cooperação com as partes, pode-se celebrar outro negócio jurídico: o calendário processual (191).

Art. 191. De comum acordo, o juiz e as partes podem fixar calendário para a prática dos atos processuais, quando for o caso.

§ 1o O calendário vincula as partes e o juiz, e os prazos nele previstos somente serão modificados em casos excepcionais, devidamente justificados.

§ 2o Dispensa-se a intimação das partes para a prática de ato processual ou a realização de audiência cujas datas tiverem sido designadas no calendário.

Trata-se de um agendamento para a prática de atos processuais, feito de comum acordo entre partes e órgão julgador e em atenção às particularidades da causa. Normalmente relacionado à prática dos atos instrutórios, o calendário também pode ter por objeto atos postulatórios (entrega de razões-finais, p. ex.), decisório e executórios.

EXTINÇÃO DO PROCESO

O CPC cuida, nos artigos 485 e 487 respectivamente das hipóteses de extinção sem e com análise de mérito. Porém, uma decisão interlocutória (203, §2º), além de outras, também pode fundar-se nos artigos 485 e 487. Ou seja, é possível que haja uma decisão que, apesar de se fundar nesses artigos, não extingue o processo nem encerra uma de suas fases.

Otto Antonello Terrana de Melo Bezerra Brito Universidade Federal Fluminense – Faculdade de Direito EXTINÇÃO

Otto Antonello Terrana de Melo Bezerra Brito Universidade Federal Fluminense Faculdade de Direito

EXTINÇÃO SEM ANÁLISE DE MÉRITO (485, CPC)

A extinção do processo sem resolução do mérito não obsta, em regra, a que o autor intente de novo a demanda, desde que seja possível sanar a falha que ensejou o juízo de inadmissibilidade e que se comprove o pagamento das custas processuais e dos honorários de advogado (486).

Primazia da decisão de mérito:

O juiz tem o dever de examinar o mérito da causa, só não o fazendo quando houver obstáculo intransponível, eis que a solução de mérito é o objetivo do processo.

Determina o 488 que "desde que possível, o juiz resolverá o mérito sempre que a decisão for favorável à parte a quem aproveitaria eventual pronunciamento nos termos do art. 485". Emprega-se a expressão "desde que possível" em razão de existirem obstáculos que são insuperáveis, como a incompetência absoluta ou o impedimento. Assim, se a petição for inepta, em razão de o pedido ser indevidamente indeterminado, mas o réu tiver razão (em razão da prescrição, por exemplo), o juiz pode julgar improcedente o pedido. Se o autor não pagou as custas processuais, mas o réu tem razão, o juiz pode julgar improcedente o pedido, etc.

Distribuição por dependência em caso de renovação da demanda (286, II):

Art. 286. Serão distribuídas por dependência as causas de qualquer natureza:

(

)

II - quando, tendo sido extinto o processo sem resolução de mérito, for reiterado o pedido, ainda que em litisconsórcio com outros autores ou que sejam parcialmente alterados os réus da demanda;

Análise do 486:

Otto Antonello Terrana de Melo Bezerra Brito Universidade Federal Fluminense – Faculdade de Direito Art.

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Art. 486.

O pronunciamento judicial que não resolve o mérito não obsta a que a parte

proponha de novo a ação.

1 o No caso de extinção em razão de litispendência e nos casos dos incisos I, IV, VI e VII do art. 485, a propositura da nova ação depende da correção do vício que levou à sentença sem resolução do mérito.

§

2 o A petição inicial, todavia, não será despachada sem a prova do pagamento ou do depósito das custas e dos honorários de advogado.

§

3 o Se o autor der causa, por 3 (três) vezes, a sentença fundada em abandono da causa, não

poderá propor nova ação contra o réu com o mesmo objeto, ficando-lhe ressalvada, entretanto, a

possibilidade de alegar em defesa o seu direito.

§

As sentenças do 485, por não versarem sobre o mérito da causa, não obstam a renovação da demanda, ou seja, sua repropositura com os mesmos elementos (pedido, partes e causa de pedir). No entanto, o legislador exige que o vício que der causa à extinção sem análise de mérito deve ser sanado para que a demanda seja analisada, uma vez reproposta.

ATENÇÃO! Pode-se entender que o magistrado faz dois juízos: um sobre o processo e outro sobre a relação jurídica discutida (mérito), sendo o juízo sobre a admissibilidade do processo preliminar ao juízo de mérito. Sendo assim, no caso do §1º, uma vez que o juiz decide pela inadmissibilidade da demanda, seja por conta do indeferimento da petição inicial, seja por qualquer dos outros fatores elencados, faz-se coisa julgada em relação à admissibilidade. Isso significa que não se apreciou o mérito e, portanto, não se formou coisa julgada sobre este, sendo o processo extinto sem análise de mérito. A consequência do trânsito em julgado da decisão que entende inadmissível a demanda no estado em que se encontra é a seguinte: uma vez reproposta a ação (em um segundo processo), se o vício não tiver sido sanado, o juízo desse segundo processo fica vinculado à decisão sobre a questão processual, de modo que a “nova” demanda não poderá ser examinada. Percebe-se, assim, que o juízo de admissibilidade é uma decisão, tanto quanto o juízo de mérito, e forma [um tipo específico de] coisa julgada. Tanto é assim que o legislador expressamente permite o ajuizamento de ação rescisória contra as sentenças previstas no §1º do Art. 486:

Otto Antonello Terrana de Melo Bezerra Brito Universidade Federal Fluminense – Faculdade de Direito §

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§ 2o Nas hipóteses previstas nos incisos do caput, será rescindível a decisão transitada em julgado que, embora não seja de mérito, impeça:

I - nova propositura da demanda; ou

(

)

Indeferimento da P.I.:

Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando:

I - indeferir a petição inicial;

Tema já abordado.

Abandono do processo pelas partes:

II - o processo ficar parado durante mais de 1 (um) ano por negligência das partes;

Antes de extinguir o processo, deve o magistrado, sob pena de nulidade da sentença, providenciar a intimação pessoal das partes, para que, em cinco dias, demonstrem o interesse no prosseguimento do processo (485, §1º).

Abandono do processo pelo autor:

III - por não promover os atos e as diligências que lhe incumbir, o autor abandonar a causa por mais de 30 (trinta) dias;

O abandono assemelha-se à desistência, mas o abandono é tácito e a desistência é expressa. O abandono é

um ato-fato processual; a desistência é um negócio jurídico processual unilateral.

O

processo somente deve ser extinto se o ato, cujo cumprimento incumbir ao autor, for indispensável para

o

julgamento da causa, se sua omissão inviabilizar a análise do mérito. Assim, não se deve extinguir o

processo, por exemplo, se o autor não depositar os honorários periciais: a consequência desta inércia

seria, no máximo, a não realização da perícia.

Falta de “pressupostos processuais”:

Otto Antonello Terrana de Melo Bezerra Brito Universidade Federal Fluminense – Faculdade de Direito IV

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IV - verificar a ausência de pressupostos de constituição e de desenvolvimento válido e regular do processo;

É difícil, na prática, a falta de um pressuposto processual implicar, automaticamente, a extinção do processo. Normalmente, é sanável essa falta, por estar relacionada a um vício de forma, como ocorre com a possibilidade de emenda da petição inicial (321) e de correção da capacidade processual (76). O CPC, em diversos dispositivos, imputa ao juiz o dever de prevenção, que lhe impõe a conduta de determinar a correção do defeito processual, antes do juízo de inadmissibilidade.

Ademais, revisar tópico “pressupostos processuais”.

Existência de perempção, litispendência ou coisa julgada:

V - reconhecer a existência de perempção, de litispendência ou de coisa julgada;

Perempção: se dá quando o autor der causa por 3 vezes à extinção do processo por abandono (267 c/c 268). Proposta a mesma demanda pela quarta vez, é caso de extinção do processo em razão da perempção. O que perime, porém, não é o direito material litigioso. Perde o autor o direito de demandar sobre aquela mesma situação substancial, ainda que em reconvenção. Poderá, no entanto, deduzi-la como matéria de defesa, caso venha a ser demandado. A perempção é uma sanção ao abuso do direito de demandar.

Litispendência: quando se propõe demanda idêntica a outra que já se encontra em curso. Uma ação será idêntica a outra quando possuir as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido (337, § 2º). É preciso, em regra, que haja a tríplice identidade entre os elementos das duas ações para que elas sejam consideradas idênticas.

Coisa julgada: quando se propõe demanda que já fora definitivamente decidida, ou seja, aquela sobre a qual não cabe mais recurso.

OBS: Estes fenômenos podem ocorrer em relação a apenas parcela da demanda (litispendência parcial, por exemplo), nos casos de processo com mais de um pedido.

Ausência de interesse ou legitimidade:

Otto Antonello Terrana de Melo Bezerra Brito Universidade Federal Fluminense – Faculdade de Direito VI

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VI - verificar ausência de legitimidade ou de interesse processual;

O interesse de agir é o biônimo de necessidade mais adequação:

o

Necessidade ou Utilidade da Ação: a prestação jurisdicional deve ser um meio necessário para a solução da lide, ou seja, o processo deve ser o mecanismo necessário e útil para a parte ter seu conflito resolvido.

o

Adequação da Ação: O instrumento usado pelo autor deve ser o adequado. Não cabe o autor impor uma habeas data para ser solto de uma prisão ilegal, se o instrumento cabível é habeas corpus, por exemplo.

Legitimidade ad causam: É necessário que autor tenha o direito material pretendido, em regra, para poder buscá-lo no judiciário. O autor deve ter uma relação com a pretensão proposta em juízo.

o

Legitimidade Ordinária: quando a parte defende ou buscam seu próprio direito, ou seja, é titular do direito.

o

Legitimidade Extraordinária: é chamada de Substituição Processual, ocorre quando a lei autoriza terceiro atuar em nome próprio sobre direito de outrem em juízo. É o caso de uma associação defendendo interesse de consumidores.

O legitimado extraordinário, não poderá dispor do direito em disputa, tendo em vista que não pertencem a ele.

A legitimação extraordinária decorre exclusivamente da lei, não havendo previsão legal, não é possível que terceiro seja legitimado.

Existência de convenção de arbitragem:

Otto Antonello Terrana de Melo Bezerra Brito Universidade Federal Fluminense – Faculdade de Direito A

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A existência de convenção de arbitragem (cláusula compromissória ou compromisso arbitral) é fato que não pode ser conhecido de ofício pelo órgão jurisdicional (337, §§5º e 6º).

Desistência do prosseguimento do processo (revogação da demanda):

VIII - homologar a desistência da ação;

A desistência do prosseguimento do processo ou desistência da ação é um ato unilateral do demandante, a princípio sem necessidade de consentimento do réu, pela qual ele abdica expressamente da sua posição processual (autor), adquirida após o ajuizamento da demanda. Trata-se de uma “revogação” da demanda,

que, uma vez homologada, autoriza a extinção do processo sem exame do mérito.

Admite-se desistência parcial, hipótese em que não haverá extinção do processo, pois a parcela não desistida deve prosseguir para ulterior julgamento.

ATENÇÃO: a desistência da ação não se confunde com a renúncia ao direito sobre o que se funda a demanda. Ambos são atos processuais dispositivos, que exigem do advogado poder especial para agir (105), mas a desistência refere-se apenas ao prosseguimento do processo (não extinguindo o mérito), enquanto a renúncia, por outro lado, diz respeito ao próprio direito em que se pauta a demanda e, por isso, gera a extinção do processo com análise de mérito.

ação.

§ 4 o Oferecida a contestação, o autor não poderá, sem o consentimento do réu, desistir da

§ 5 o A desistência da ação pode ser apresentada até a sentença.

A desistência independerá do consentimento do réu até o momento que este oferecer a contestação, o

que implica que é possível que, mesmo depois de o réu ter sido citado, o autor desista unilateralmente da ação, pois a citação precede a contestação. Após ter sido oferecida a contestação, a desistência passará a

ser ato bilateral, pois exige-se o consentimento do réu. Isso acontece porque o réu tem o direito de, uma vez convencido de que está com a razão, ver o mérito da lide julgado em definitivo, para não ter que se preocupar em ser novamente demandado a respeito da mesma matéria no futuro.

Em qualquer caso, a desistência depende da homologação do juiz, e não é impossível que ele se negue a homologar. O juízo que homologou a desistência fica prevento para julgar a demanda, se eventualmente reproposta (286, II).

Otto Antonello Terrana de Melo Bezerra Brito Universidade Federal Fluminense – Faculdade de Direito Falecimento

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Falecimento do autor e intransmissibilidade do direito litigioso:

IX - em caso de morte da parte, a ação for considerada intransmissível por disposição legal; e

Atuação de ofício do juiz:

§ 3 o O juiz conhecerá de ofício da matéria constante dos incisos IV, V, VI e IX, em qualquer tempo e grau de jurisdição, enquanto não ocorrer o trânsito em julgado.

EXTINÇÃO COM ANÁLISE DE MÉRITO (487)

A consequência da extinção de um processo com análise de mérito é o fato de que a ação não poderá ser intentada novamente.

Art. 487. Haverá resolução de mérito quando o juiz:

I - acolher ou rejeitar o pedido formulado na ação ou na reconvenção;

II - decidir, de ofício ou a requerimento, sobre a ocorrência de decadência ou prescrição;

III - homologar:

a) o reconhecimento da procedência do pedido formulado na ação ou na reconvenção;

b) a transação;

c) a renúncia à pretensão formulada na ação ou na reconvenção.

Parágrafo único. Ressalvada a hipótese do § 1o do art. 332, a prescrição e a decadência não serão reconhecidas sem que antes seja dada às partes oportunidade de manifestar-se.

Julgamento do mérito: a procedência e a improcedência:

I - acolher ou rejeitar o pedido formulado na ação ou na reconvenção;

II - decidir, de ofício ou a requerimento, sobre a ocorrência de decadência ou prescrição;

Otto Antonello Terrana de Melo Bezerra Brito Universidade Federal Fluminense – Faculdade de Direito Chama-se

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Chama-se de procedência o julgamento em que o magistrado acolhe o pedido; improcedência ocorre quando o pedido não pode ser acolhido.

Como na reconvenção há a criação de uma ação autônoma anexa à ação principal, deverá também ser analisada a procedência ou improcedência do pedido que se formula, o que resultará na extinção do mesmo com análise de mérito, exatamente como ocorre em uma ação normal.

É possível que ocorra a chamada procedência parcial: quando se pleiteia uma indenização “X” e o magistrado concede “X – Y”, p. ex. Isso não se confunde com a situação em que há multiplicidade de pedidos e o juiz acolhe apenas um: nesse caso opera-se a procedência em relação a um pedido e improcedência em relação ao(s) outro(s).

IMPORTANTE: o réu pode, em resposta, alegar contradireito seu que se opõe à pretensão do autor. Um exemplo é a alegação de prescrição. Essa alegação de contradireito se submeterá, assim como a alegação de direito por parte do autor, à análise por parte do juiz, uma vez que passa a compor o mérito da causa. Portanto, a decisão que não acolhe a alegação de prescrição por parte do réu, por exemplo, resolve parte do mérito da causa a parcela relacionada à afirmação do contradireito.

Homologação de autocomposição das partes:

III - homologar:

a) o reconhecimento da procedência do pedido formulado na ação ou na reconvenção;

b) a transação;

c) a renúncia à pretensão formulada na ação ou na reconvenção.

A transação é o negócio jurídico pelo qual as partes põem fim consensualmente ao litígio, após concessões mútuas (840, CC).

Renúncia ao direito sobre o que se funda a demanda é o ato abdicativo pelo qual o demandante reconhece não possuir o direito alegado.

O reconhecimento da procedência do pedido é a conduta do demandado que admite a procedência do pedido que lhe foi dirigido (submissão).

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A autocomposição é gênero, do qual transação, renúncia e reconhecimento da procedência são espécies.

É possível que a autocomposição seja parcial, ou seja, envolva apenas parte do mérito. Nestes casos, a homologação judicial não implicará a extinção do processo, e sim a solução parcial do mérito e o prosseguimento da causa para o julgamento do restante. Não será, assim, sentença, mas decisão interlocutória.

OBS: Art. 515, §2º:

§ 2o A autocomposição judicial pode envolver sujeito estranho ao processo e versar sobre relação jurídica que não tenha sido deduzida em juízo.

É também possível que a conciliação ocorra fora do âmbito do processo de conhecimento, sendo frequente a autocomposição em processo de execução (924, III e IV). Além disso, é possível homologação de conciliação já em fase recursal.

Em relação às custas:

Art. 90. Proferida sentença com fundamento em desistência, em renúncia ou em reconhecimento do pedido, as despesas e os honorários serão pagos pela parte que desistiu, renunciou ou reconheceu.

§ 1o Sendo parcial a desistência, a renúncia ou o reconhecimento, a responsabilidade pelas despesas e pelos honorários será proporcional à parcela reconhecida, à qual se renunciou ou da qual se desistiu.

§ 2o Havendo transação e nada tendo as partes disposto quanto às despesas, estas serão divididas igualmente.

§ 3o Se a transação ocorrer antes da sentença, as partes ficam dispensadas do pagamento das custas processuais remanescentes, se houver.

§ 4o Se o réu reconhecer a procedência do pedido e, simultaneamente, cumprir integralmente a prestação reconhecida, os honorários serão reduzidos pela metade.

Decisão sobre a decadência ou prescrição:

Otto Antonello Terrana de Melo Bezerra Brito Universidade Federal Fluminense – Faculdade de Direito Art.

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Art. 387

Parágrafo único. Ressalvada a hipótese do § 1o do art. 332, a prescrição e a decadência não serão reconhecidas sem que antes seja dada às partes oportunidade de manifestar-se.

A decadência ou caducidade é a perda do direito potestativo em razão do seu não exercício no prazo legal

ou contratualmente estabelecido.

Embora o 487, II, do CPC prescreva que a extinção do processo em razão da decadência pode dar-se ex officio, é preciso lembrar que o Código Civil apenas autoriza o reconhecimento ex officio da decadência legal, e não da convencional:

Código Civil:

Art. 210. Deve o juiz, de ofício, conhecer da decadência, quando estabelecida por lei.

Art. 211. Se a decadência for convencional, a parte a quem aproveita pode alegá-la em qualquer grau de jurisdição, mas o juiz não pode suprir a alegação.

A prescrição encobre a eficácia de determinada pretensão, em razão do não exercício dela em

determinado lapso de tempo (198, CC). Ela pode ser reconhecida a qualquer tempo e grau de jurisdição (193, CC).

Otto Antonello Terrana de Melo Bezerra Brito Universidade Federal Fluminense – Faculdade de Direito PARTE

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PARTE II:

NOTAS TOMADAS EM SALA

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Otto Antonello Terrana de Melo Bezerra Brito Universidade Federal Fluminense – Faculdade de Direito PROCESSO

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PROCESSO DE CONHECIMENTO CIVIL 28/04/2016

Bibliografia recomendada:

1 Alexandre Câmara

2 Hartmann

3 Medina

4 Freddie Didier

5 Teresa Wambier

6 Humberto Theodoro Jr.

7 José Carlos Barbosa

Apesar de a disciplina se intitular “processo de conhecimento civil”, o processo de conhecimento é, em verdade, muito mais amplo do que aquilo que será exposto.

Por exemplo, dentro do processo de conhecimento há a fase de conhecimento propriamente, e também a fase de cumprimento de sentença, que é onde se efetiva o direito declarado na fase de conhecimento. Por exemplo, na fase de conhecimento será declarada uma determinada dívida, e na fase de cumprimento de sentença será efetivado o pagamento dessa dívida. A fase de conhecimento é onde se diz o direito.

Processo sincrético: antes do CPC/2015 todas essas fases eram constituídas em processos distintos. Hoje fala-se não em processo de execução, e sim a fase de execução, daí denominando-se o processo de sincrético.

OBS: No caso da execução, ainda é possível falar em processo de execução autônomo nos casos de títulos executivos extrajudiciais, pois não é necessária uma fase de conhecimento, uma vez que, por exemplo, já é da natureza de um cheque a liquidez e certeza da dívida.

Otto Antonello Terrana de Melo Bezerra Brito Universidade Federal Fluminense – Faculdade de Direito Importante

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Importante notar que recursos cíveis também se inserem em processo de conhecimento, pois ainda se está diante de uma fase cognitiva, ou seja, onde ainda se busca dizer o direito, que será posteriormente efetivado em fase de execução.

Nesta disciplina serão tratados os elementos da primeira parte do processo de conhecimento: postulação, instrução (provas) e decisão.

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PROCESSO DE CONHECIMENTO CIVIL 03/05/2016

Professora hoje dará aula de reforço sobre prazos, pois muitos alunos não tiveram essa aula no semestre passado.

Atualmente, sob a vigência do CPC de 2015, não há que se falar em procedimento sumário. Restaram apenas o procedimento comum e os procedimentos especiais, estes estudados em disciplina própria. Portanto, nesta disciplina será estudado o procedimento comum.

Um exemplo de procedimento especial é o utilizado em juizados especiais, tratado pela lei nº 9.099.

Atualmente, diferencia-se processo de execução de fase de execução. O processo de execução contempla, atualmente, apenas os títulos executivos extrajudiciais, como o cheque e a nota promissória, que são títulos que possuem força executória por si só, não sendo necessário o exercício de cognição. Importante ressaltar é que, atualmente, após a fase de conhecimento/cognição (antigo processo de conhecimento) produz-se um título executivo judicial, ou seja, a sentença, onde se insculpe uma obrigação de fazer, não fazer ou dar, que será efetivada através da chamada fase de cumprimento de sentença/acórdão (também chamada de fase de execução), que se dá no mesmo processo. Antes, até mesmo o título executivo judicial (sentença) deveria ser executado em processo distinto (processo de execução).

Quando estudamos recursos ainda estamos lidando com fase de conhecimento, apenas em segundo grau de jurisdição. A fase de execução terá início após o trânsito em julgado da decisão, que põe fim à fase de cognição.

Exemplos de formas de comunicação processual (estudar à parte):

Oficial de justiça avaliador: é como se fosse um carteiro, um longa manus do juiz. Esse oficial de justiça comparece ao endereço da parte com um mandado judicial. Se comunica com as partes e com os advogados.

Correio: as comunicações feitas por correio são feitas mediante aviso de recebimento, que é uma espécie de recibo.

Otto Antonello Terrana de Melo Bezerra Brito Universidade Federal Fluminense – Faculdade de Direito o

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o AR em mãos próprias: modalidade muito específica de Aviso de Recebimento, onde só pode ser entregue em mão da exata pessoa a quem se destina a comunicação;

Cartas: precatória, rogatória, de ordem e arbitral (estudar à parte).

Diário Oficial: forma de comunicação oficial dos atos. É causa de nulidade publicações que não estejam no nome do advogado de uma das partes.

Intimação eletrônica: Lei 11.419/2006 (Processo eletrônico). Somente para advogados cadastrados.

Edital (estudar à parte).

O dia do começo do prazo está no 231, CPC.

Art. 231. Salvo disposição em sentido diverso, considera-se dia do começo do prazo:

I - a data de juntada aos autos do aviso de recebimento, quando a citação ou a intimação for pelo

correio;

II - a data de juntada aos autos do mandado cumprido, quando a citação ou a intimação for por oficial de justiça;

III - a data de ocorrência da citação ou da intimação, quando ela se der por ato do escrivão ou do

chefe de secretaria;

IV - o dia útil seguinte ao fim da dilação assinada pelo juiz, quando a citação ou a intimação for por

edital;

V - o dia útil seguinte à consulta ao teor da citação ou da intimação ou ao término do prazo para

que a consulta se dê, quando a citação ou a intimação for eletrônica;

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VI - a data de juntada do comunicado de que trata o art. 232 ou, não havendo esse, a data de

juntada da carta aos autos de origem devidamente cumprida, quando a citação ou a intimação se

realizar em cumprimento de carta;

VII - a data de publicação, quando a intimação se der pelo Diário da Justiça impresso ou eletrônico;

VIII - o dia da carga, quando a intimação se der por meio da retirada dos autos, em carga, do cartório ou da secretaria.

§ 1o Quando houver mais de um réu, o dia do começo do prazo para contestar corresponderá à última das datas a que se referem os incisos I a VI do caput.

§ 2o Havendo mais de um intimado, o prazo para cada um é contado individualmente.

§ 3o Quando o ato tiver de ser praticado diretamente pela parte ou por quem, de qualquer forma,

participe do processo, sem a intermediação de representante judicial, o dia do começo do prazo para cumprimento da determinação judicial corresponderá à data em que se der a comunicação.

§ 4o Aplica-se o disposto no inciso II do caput à citação com hora certa.

OBS:

Art. 218. Os atos processuais serão realizados nos prazos prescritos em lei.

§ 4o Será considerado tempestivo o ato praticado antes do termo inicial do prazo.

Intempestiva é a peça apresentada após exaurido o prazo para tal.

PRAZO

Importantíssimo saber que, inexistindo prazo determinado pelo juiz ou prazo legal, o prazo será de 5 dias para a prática de ato processual a cargo da parte.

Otto Antonello Terrana de Melo Bezerra Brito Universidade Federal Fluminense – Faculdade de Direito §

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§ 2o Quando a lei ou o juiz não determinar prazo, as intimações somente obrigarão a comparecimento após decorridas 48 (quarenta e oito) horas.

§ 3o Inexistindo preceito legal ou prazo determinado pelo juiz, será de 5 (cinco) dias o prazo para

a prática de ato processual a cargo da parte.

§ 4o Será considerado tempestivo o ato praticado antes do termo inicial do prazo.

Regras importantes sobre prazos:

Exclui-se o dia do começo e inclui-se o dia do fim. 224, CPC

Art. 224. Salvo disposição em contrário, os prazos serão contados excluindo o dia do começo e incluindo o dia do vencimento.

§ 1o Os dias do começo e do vencimento do prazo serão protraídos para o primeiro dia útil seguinte,

se coincidirem com dia em que o expediente forense for encerrado antes ou iniciado depois da hora

normal ou houver indisponibilidade da comunicação eletrônica.

§ 2o Considera-se como data de publicação o primeiro dia útil seguinte ao da disponibilização da informação no Diário da Justiça eletrônico.

§ 3o A contagem do prazo terá início no primeiro dia útil que seguir ao da publicação.

Só se conta prazo processual em dias úteis. Em dias não-úteis e feriados suspende-se a contagem de prazos. 219, CPC.

Art. 219. Na contagem de prazo em dias, estabelecido por lei ou pelo juiz, computar- se-ão somente os dias úteis.

Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica-se somente aos prazos processuais.

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Os dias do começo e do vencimento do prazo serão protraídos para o primeiro dia útil seguinte, se coincidirem com dia em que o expediente forense for encerrado antes ou iniciado depois da hora normal ou houver indisponibilidade da comunicação eletrônica. 224, §1º, CPC.

Quando o prazo for contado em horas (ex. 48h) não se aplicam as regras referentes aos prazos processuais contabilizados em dias. Assim, por exemplo, as 48h serão contadas em “dias” corridos. Desse modo, um prazo de 48h publicado no D.O. na quinta, será contado na sexta e no sábado.

Ato processual quem cumpre é o advogado ou defensor, que possuem capacidade postulatória.

Em litisconsórcio, só se inicia o prazo após a juntada do mandado de citação do último litisconsorte. Art. 231, §1º, CPC.

Art. 231. Salvo disposição em sentido diverso, considera-se dia do começo do prazo:

(

)

§ 1o Quando houver mais de um réu, o dia do começo do prazo para contestar corresponderá à última das datas a que se referem os incisos I a VI do caput.

Suspensão: a contagem do prazo é “pausada”. Após a suspensão, retoma-se a contagem de onde ela parou.

Interrupção: a contagem do prazo é “reiniciada”. A contagem será feita em sua integralidade novamente, após o momento em que se deu a interrupção. O prazo é “zerado”.

Otto Antonello Terrana de Melo Bezerra Brito Universidade Federal Fluminense – Faculdade de Direito PROCESSO

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PROCESSO DE CONHECIMENTO CIVIL 05/05/2016

Continuação de prazo.

Art. 224. Salvo disposição em contrário, os prazos serão contados excluindo o dia do começo e incluindo o dia do vencimento.

§ 1o Os dias do começo e do vencimento do prazo serão protraídos para o primeiro dia útil seguinte,

se coincidirem com dia em que o expediente forense for encerrado antes ou iniciado depois da hora normal ou houver indisponibilidade da comunicação eletrônica.

§ 2o Considera-se como data de publicação o primeiro dia útil seguinte ao da disponibilização da informação no Diário da Justiça eletrônico.

§ 3o A contagem do prazo terá início no primeiro dia útil que seguir ao da publicação.

No litisconsórcio passivo, quando os réus possuem advogados distintos de escritórios distintos os prazos serão contabilizados em dobro.

Art. 229. Os litisconsortes que tiverem diferentes procuradores, de escritórios de advocacia distintos, terão prazos contados em dobro para todas as suas manifestações, em qualquer juízo ou tribunal, independentemente de requerimento.

§ 1o Cessa a contagem do prazo em dobro se, havendo apenas 2 (dois) réus, é oferecida defesa por apenas um deles.

§ 2o Não se aplica o disposto no caput aos processos em autos eletrônicos.

OBS: Não confundir data de disponibilização com data de publicação no diário da justiça eletrônico. Lei 11.419 (processo eletrônico). A data de disponibilização não fixa termo ad quo, serve apenas para saber que a data da publicação é o dia seguinte.

Interrupção de prazo: a contagem do prazo é “reiniciada”, começando a contar do 0.

Suspensão de prazo: a contagem do prazo é “pausada” e, ao recomeçar, continua de onde parou.

Otto Antonello Terrana de Melo Bezerra Brito Universidade Federal Fluminense – Faculdade de Direito Prazos

Otto Antonello Terrana de Melo Bezerra Brito Universidade Federal Fluminense Faculdade de Direito

Prazos em horas são contados de maneira corrida, não importando se se trata de feriado ou fim de semana. Deve-se computar, inclusive, os minutos.

Quando os prazos forem dados em meses, serão contabilizados os dias corridos (ou seja, computando feriados e dias úteis também).

COGNIÇÃO

O exercício de cognição feito pelo juiz é o juízo que ele faz acerca de determinada matéria, analisando alegações e provas para, a partir desse quadro, dizer a que parte assiste razão na demanda. É a atividade que leva à formação do convencimento do juiz.

O grau cognição que o juiz exerce varia de acordo com as situações que se lhe apresenta. Em casos de tutela de urgência, o deferimento desta terá por base uma cognição sumária, pois estará se baseando em um juízo de probabilidade (fumus boni iuris). No curso do processo, quando o juiz for confirmar ou revogar a tutela de urgência concedida ele o fará com base, agora, em um juízo exauriente, também chamado de cognição plena. Estar-se-á diante de um juízo de certeza.

Fases da cognição:

o

Cognição a respeito das questões preliminares.

Vícios que são sanáveis ou eventualmente levam à extinção do processo sem análise de mérito.

o

Cognição a respeito das questões prejudiciais.

Vícios que levam à extinção do processo com análise de mérito. Chamadas de “falsas preliminares” ou “falsas decisões de mérito”. Pois não são exatamente nem uma nem outra.

Podem ser:

Prejudiciais de prescrição e decadência.

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Prejudiciais em relação ao mérito: não é possível analisar o mérito antes de se analisar tais questões, como, por exemplo, análise da alegação, pelo réu, de invalidade do contrato sobre o qual se funda a demanda do autor. Outro exemplo é a homologação de acordo, o que também extingue o processo com análise de mérito, mesmo que o mérito, a rigor, não tenha sido de fato analisado.

o Cognição a respeito das questões de mérito.

Em tese, o juízo de cognição a respeito das questões preliminares e prejudiciais deve ser exercido na fase de saneamento.

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PROCESSO DE CONHECIMENTO CIVIL 17/05/2016

Continuação de Prazo

Quando estamos discutindo prazos que dizem respeito a órgãos da administração pública em geral, estes devem ser intimados pessoalmente, tendo, além disso, seu prazo contado em dobro ou até em quádruplo, conforme o órgão. No caso de advogados, só haverá contagem de prazo em dobro quando estivermos diante de um litisconsórcio onde os advogados das partes são de escritórios diferentes.

Art. 180. O Ministério Público gozará de prazo em dobro para manifestar-se nos autos, que terá início a partir de sua intimação pessoal, nos termos do art. 183, § 1o.

§ 1o Findo o prazo para manifestação do Ministério Público sem o oferecimento de parecer, o juiz requisitará os autos e dará andamento ao processo.

§ 2o Não se aplica o benefício da contagem em dobro quando a lei estabelecer, de forma expressa, prazo próprio para o Ministério Público.

Art. 183. A União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas respectivas autarquias e fundações de direito público gozarão de prazo em dobro para todas as suas manifestações processuais, cuja contagem terá início a partir da intimação pessoal.

§ 1o A intimação pessoal far-se-á por carga, remessa ou meio eletrônico.

§ 2o Não se aplica o benefício da contagem em dobro quando a lei estabelecer, de forma expressa, prazo próprio para o ente público.

Art. 186. A Defensoria Pública gozará de prazo em dobro para todas as suas manifestações processuais.

§ 1o O prazo tem início com a intimação pessoal do defensor público, nos termos do art. 183, § 1o.

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§ 2o A requerimento da Defensoria Pública, o juiz determinará a intimação pessoal da parte

patrocinada quando o ato processual depender de providência ou informação que somente por ela

possa ser realizada ou prestada.

§ 3o O disposto no caput aplica-se aos escritórios de prática jurídica das faculdades de Direito

reconhecidas na forma da lei e às entidades que prestam assistência jurídica gratuita em razão de convênios firmados com a Defensoria Pública.

§ 4o Não se aplica o benefício da contagem em dobro quando a lei estabelecer, de forma expressa, prazo próprio para a Defensoria Pública.

Art. 229. Os litisconsortes que tiverem diferentes procuradores, de escritórios de advocacia distintos, terão prazos contados em dobro para todas as suas manifestações, em qualquer juízo ou tribunal, independentemente de requerimento.

§ 1o Cessa a contagem do prazo em dobro se, havendo apenas 2 (dois) réus, é oferecida defesa por apenas um deles.

§ 2o Não se aplica o disposto no caput aos processos em autos eletrônicos.

DISTRIBUIÇÃO E REGISTRO

Introdução:

No que tange o tema competência, não basta estudar apenas pelo CPC, devendo ser utilizados também o CODJERJ (é uma resolução do órgão especial do TJ) e o Regimento Interno do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Cada estado possui o seu.

OBS: Órgão Especial Para certas matérias é necessária a atuação do pleno, ou seja, o conjunto de todos os desembargadores do TJ. No entanto, como em alguns TJs o número de desembargadores é muito grande (Ex: no RJ são 180), cria-se o Órgão Especial, composto por 25 desembargadores, eleitos por critérios de mérito e antiguidade.

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Em determinadas comarcas, geralmente as menores, há menos especialização das varas, sendo possível, por exemplo, que uma mesma vara cumule competência cíveis, consumeristas, familiares, etc. A distribuição da Petição Inicial será feita quando na comarca houver mais de uma vara especializada com competência para julgar o mérito da ação. A distribuição é feita de maneira aleatória, por sorteio. Nem sempre haverá distribuição, por conta da ausência de pluralidade de varas competentes em algumas comarcas.

A distribuição é realizada extrajudicialmente, através dos registros de distribuição, que não integram o

Poder Judiciário, apesar de a ele vinculados. Esses registros também emitem certidões de distribuição, que comprovam não haver no seu nome ações pendentes para fins de comprovação de idoneidade moral, exigida, por exemplo, em concursos públicos.

OBS: Caso haja algum processo em seu nome que já tenha sido extinto, é necessário, ainda, dar baixa no processo.

Todo processo começa com o registro. Todo tribunal tem um juiz responsável pela distribuição, que é responsável pelo controle e seriedade da distribuição, devendo garantir que não há desvios objetivando eleição de juízo. Já houve casos de juízes processados por vender distribuições. A professora comentou, ainda, que o TJRJ é notório em termos de corrupção

O Art. 285 do novo CPC torna obrigatória a publicizar diariamente as distribuições. No caso de distribuições

eletrônicas, estas serão publicizadas no Diário Oficial Eletrônico.

Art. 285. A distribuição, que poderá ser eletrônica, será alternada e aleatória, obedecendo-se rigorosa igualdade.

Parágrafo único. A lista de distribuição deverá ser publicada no Diário de Justiça.

Antes do 285 era muito mais difícil controlar a distribuição, o que facilitava a corrupção e eleição de foro.

A forma como o registro é feito está vinculado à forma como a petição inicial se encontrava no momento

de seu protocolo. Nos casos de intervenção de terceiros, o terceiro convocado, a princípio, não constará na distribuição original. Para isso há o 288, que regula os aditamentos necessários no registro de distribuição. Assim, passará o processo a estar vinculado também ao CPF do terceiro.

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Art. 288. O juiz, de ofício ou a requerimento do interessado, corrigirá o erro ou compensará a falta de distribuição.

Distribuição por Dependência

Em casos de conexão, continência, etc., em que mais de uma ação devam ser julgadas pelo mesmo juízo, haverá a distribuição por dependência. É o caso, por exemplo, de dois sócios de uma sociedade empresária que demandam a anulação de uma determinada reunião. Não seria possível admitir que, uma vez distribuídas as ações, elas fossem julgadas por juízos de competência empresarial diferentes, pois corre o risco de produzir decisões conflitantes entre si. Não é possível reconhecer, em face de um autor, que a reunião não foi válida e, simultaneamente, reconhecer, em face do outro autor, que a reunião foi válida. Assim, aquele que tiver a sua Petição Inicial primeiro distribuída, definirá qual será o juízo prevento:

Art. 59. O registro ou a distribuição da petição inicial torna prevento o juízo.

Assim, a segunda ação, por ser conexa, deverá ser distribuída por dependência ao mesmo juízo prevento para conhecer da primeira ação.

Art. 286. Serão distribuídas por dependência as causas de qualquer natureza:

I - quando se relacionarem, por conexão ou continência, com outra já ajuizada;

II - quando, tendo sido extinto o processo sem resolução de mérito, for reiterado o pedido, ainda que em litisconsórcio com outros autores ou que sejam parcialmente alterados os réus da demanda;

III - quando houver ajuizamento de ações nos termos do art. 55, § 3o, ao juízo prevento.

Parágrafo único. Havendo intervenção de terceiro, reconvenção ou outra hipótese de ampliação objetiva do processo, o juiz, de ofício, mandará proceder à respectiva anotação pelo distribuidor.

Art. 55. Reputam-se conexas 2 (duas) ou mais ações quando lhes for comum o pedido ou a causa de pedir.

§ 1o Os processos de ações conexas serão reunidos para decisão conjunta, salvo se um deles já houver sido sentenciado.

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§ 2o Aplica-se o disposto no caput:

I - à execução de título extrajudicial e à ação de conhecimento relativa ao mesmo ato jurídico;

II - às execuções fundadas no mesmo título executivo.

§ 3o Serão reunidos para julgamento conjunto os processos que possam gerar risco de prolação de decisões conflitantes ou contraditórias caso decididos separadamente, mesmo sem conexão entre eles.

Importante ressaltar que os processos em questão não serão fundidos nem nada parecido. O que acontece é que ambos serão apensados, para serem julgados simultaneamente pelo mesmo juízo.

Outro exemplo de processo que será distribuído por dependência é o caso de embargos à execução. A execução se dará em determinado juízo, que se torna prevento para conhecer dos embargos à execução (é que os embargos à execução não são exatamente um recurso, e sim uma nova ação, devendo ser elaborada uma Petição Inicial).

A distribuição por dependência em caso de conexão ou continência deverá ser feita quando o autor da segunda demanda já souber da propositura da primeira, e a ciência quanto à propositura da primeira ação será presumida após a citação.

OBS: quem fica prevento é o juízo, e não o juiz. Ou seja, se o juiz de uma determinada vara for promovido, morrer, etc. e for substituído, o novo juiz, responsável pela vara, é quem irá tratar das ações. Além do mais, existem causas de competência originária dos tribunais (órgão colegiado composto por desembargadores), e não de um juízo monocrático (juiz).

Cancelamento de distribuição:

Todo processo que é distribuído nos juízos não-especiais tem um custo, e é o autor que adianta as despesas desse processo. As despesas são as custas judiciais e as taxas judiciais (no RJ, 2% sobre o valor da causa). Quando o autor não tem condições de arcar com tais despesas, ele não pode ser obstado de ter seus direitos tutelados, de modo que, caso demonstre hipossuficiência, pode pedir, na petição inicial, a gratuidade de justiça.

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Quando você não paga adequadamente (e não tiver pedido o benefício da gratuidade de justiça), o juiz irá conceder o prazo de 15 dias para que o pagamento seja realizado. No entanto, se você não realizar o pagamento correto das custas nesse prazo, a distribuição será cancelada. Quando ela for cancelada inexistirá registro sobre aquela ação.

Art. 290. Será cancelada a distribuição do feito se a parte, intimada na pessoa de seu advogado, não realizar o pagamento das custas e despesas de ingresso em 15 (quinze) dias.

Assim, uma burla à distribuição é o não pagamento proposital das custas a fim de tentar nova distribuição para novo juízo. A vantagem disso é se esquivar de juízos que você sabe que são operados por juízes notoriamente desfavoráveis a você no caso concreto.

Juntada da procuração:

Art. 287. A petição inicial deve vir acompanhada de procuração, que conterá os endereços do advogado, eletrônico e não eletrônico.

Parágrafo único. Dispensa-se a juntada da procuração:

I - no caso previsto no art. 104;

II - se a parte estiver representada pela Defensoria Pública;

III - se a representação decorrer diretamente de norma prevista na Constituição Federal ou em lei.

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AULA DE PETIÇÃO INICIAL MINISTRADA PELO MONITOR EM 19/05/2016 SOB SUPERVISÃO DO PROFESSOR ORIENTADOR

1.

FORMAÇÃO DO PROCESSO

O

processo nasce com a propositura da demanda, sendo a data do protocolo da petição inicial a data de

início do processo.

Art. 312. Considera-se proposta a ação quando a petição inicial for protocolada, todavia, a propositura da ação só produz quanto ao réu os efeitos mencionados no art. 240 depois que for validamente citado.

A partir desta data, surge a listispendência: o processo existe e, para o autor, todos os efeitos daí