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Nenhum mistério resiste à clareza da luz Conhecer a Umbanda é conhecer a simplicidade do Universo!

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SUMÁRIO

PALAVRAS INICIAIS

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CAPÍTULO 1: A ORIGEM DA UMBANDA E SUAS RAMIFICAÇÕES

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1. O que é a Umbanda?

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2. Qual a diferença entre a Umbanda, o Candomblé e o Kardecismo?

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3. Já ouvi muitas histórias sobre o surgimento da Umbanda.Afinal, de onde ela veio?

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4. Quando e como começa a Umbanda no Brasil?

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5. E quais são as bases doutrinárias e religiosas da Umbanda?

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6. Já vi várias sessões com rituais e elementos diferentes. Existe mais de uma

Umbanda?

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7.

Mas se tem tanto tipo de Umbanda, existe um código ou princípios

comuns a todas?

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8.

É verdade que a pessoa que entra para trabalhar na Umbanda não pode mais sair,

porque atrasa a vida?

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CAPÍTULO 2: MEDIUNIDADE

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9.

O que é mediunidade?

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10. Todos somos médiuns?

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11. O Médium quando está incorporado sabe tudo o que está acontecendo

e o que a pessoa está falando com a Entidade?

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12. Então existe mais de um tipo de mediunidade?

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13. E existem tipos diferentes de médiuns, ou médium é médium, tudo igual?

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14. Um médium pode praticar o mal sob influência de espíritos?

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15. Digamos que uma pessoa tem que trabalhar mediunicamente, mas ela não quer

entrar para um Centro, ela poderá receber um guia ou entidades na rua, em casa, no trabalho, ou seja, em qualquer lugar?

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16. Então, se eu sou médium sou obrigado a trabalhar em um Centro?

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17. Decidi que quero desenvolver minha mediunidade na Umbanda. Como faço?

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18. Como se dá a mediunidade, ou seja, como as Entidades atuam sobre nosso corpo? 27

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19. Qual a diferença entre animismo e mistificação?

20. O que é obsessão e como acontece?

21. Outro dia sonhei com um espírito e este espírito manteve relações sexuais comigo.

Acordei cansada e assustada. O que é isso?

22. O que é médium de transporte?

23. É verdade que as crianças podem ver os espíritos?

24. Acordei e descobri que não conseguia me mexer. O que é isto?

CAPÍTULO 3: ORIXÁS, ENTIDADES E GUIAS

25. O que são os Orixás?

26. O que significa Orixá de Cabeça?

27. E quantos Orixás existem?

28. O que são Entidades?

29. O que são linhas?

30. E se os Orixás não incorporam quem são aqueles que vemos incorporados?

31. E Ogum, Xangô, Iemanjá, Oxum, Nanã, Iansã e Obaluaê? São Orixás, vi incorporar,

mas eles realmente incorporam?

32. E os Ciganos, Baianos, Boiadeiros e Marinheiros de qual linha são?

33. Quais são as características e atribuições de cada Orixá e Entidade?

34. O que é um guia de frente?

35. Pode duas ou mais pessoas receber entidades com o mesmo nome?

36. É verdade que homens que trabalham com Entidades femininas são ou podem

se tornar gays?

37. Como é o trabalho de um Exu e uma Pombo-gira?

38. E os Exus e Pombo-giras têm linha própria?

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40. Teve um médium que disse que se ele abandonasse os trabalhos mediúnicos as

entidades o castigariam. Isto é verdade?

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41.

Trabalhei como médium em um Centro Espírita Kardecista e agora estou na

Umbanda. Mas estou encontrando dificuldades no desenvolvimento e parece que tudo que faço é errado. É mesmo assim difícil na Umbanda?

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42. Por que Ogum vem como um soldado romano e seu médium veste armadura?

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43. Ao escutar um ponto, o médium pode incorporar a qualquer momento ou tem que

 

esperar?

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44. Como se sabe que um Caboclo é um Caboclo, que um Cigano é um Cigano?

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45. Às vezes, na incorporação de uma entidade, o médium apenas gira e esta vai

embora. Por quê?

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46.

Já fui a terreiros que na gira do Povo d’Água todos recebiam todas as entidades

desta linha. Cada médium recebia mais de uma entidade da mesma linha. Pode isto?

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47. Por que tem gente que tem tanto medo dos Exus e Pombo-giras?

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48. Então os Exus e Pombo-giras seguem uma hierarquia e evoluem?

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49. Tenho dificuldade para me concentrar para receber as entidades. Costumo ouvir

“se concentra”, mas não sei como fazer isso. Como se concentrar para cada entidade? . 57

50. Quando minhas entidades sobem, geralmente ainda fico um pouco tonto, aéreo e,

às vezes, elas voltam de novo. Por que isto acontece?

51. Por que acontece de uma pessoa que é da corrente de um Centro e mesmo assim

incorpora em casa, a qualquer hora, todos os dias e várias entidades?

52. Por que as entidades estalam os dedos, quando incorporadas?

53. Qual a diferença entre Egun e Kiumba na Umbanda?

54. Gostaria de saber sobre a forma incorporativa e especialidades dos

55. Por que os Caboclos batem no peito e estendem o braço para o alto ou para

o

56. As Entidades são iguais às imagens que as representam?

57. Como as Entidades conseguem se manifestar nos médiuns? Como é feito para isto

acontecer?

58. Tem alguma coisa que posso fazer para facilitar a incorporação?

59. E a linha do Oriente existe mesmo na Umbanda? É formada por quais entidades?

60. Como se sabe que uma Entidade é de uma determinada Linha e outra Entidade

de outra Linha?

61. O que são as Yabás?

CAPÍTULO 4: FUNDAMENTOS, RITOS E ELEMENTOS RITUALÍSTICOS

62. Qual a diferença entre Fundamento e Rito?

63. Como funciona um terreiro de Umbanda?

64. Quais são os pontos vibracionais de um Terreiro?

65. Quais são os rituais em uma gira ou sessão?

66. O que são os pontos cantados?

67. O que são pontos riscados e para que servem?

68. Qual a necessidade ou a importância do uso de roupas brancas?

69. O que são cambonos ou cambones?

70. Qual a função das ervas?

71. Eu posso usar as ervas para banho quando eu quiser ou sentir necessidade?

72. Quais são as ervas de vibração de cada Orixá?

73. O que é Congá e por que se diz “bater a cabeça no Congá”?

74. O que são guias que os médiuns usam e para que servem?

75. E quais as cores das guias de cada Orixá e Entidade?

76. Se é fundamento da Umbanda não sacrificar animais e não usar sangue, então,

o que oferendar?

77. Onde fazer as oferendas?

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Congá?

78. Por que os Pretos-velhos usam a cruz em seus trabalhos?

79. Por que fazer firmeza para Exus e Pombos-gira?

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81. Por que a Umbanda faz defumação?

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82. As entidades e os pontos cantados falam muito em Aruanda. O que é a Aruanda?

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83. O umbandista pode pular o carnaval mascarado?

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84. Por que alguns Terreiros não trabalham na quaresma?

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85. Por que os pretos-velhos trabalham com um copo d’água em cima de sua tábua?

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86. O que é um otá?

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87. Por que alguns médiuns usam um lenço branco ao redor do pescoço?

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88. O pano da costa é a mesma coisa que a toalha de pescoço?

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89. Por que as Mães de Santo usam um pano na cabeça e alguns médiuns masculinos

usam um tipo de boné?

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90. Para que serve a sineta?

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91. O que são assentamentos e para que servem?

101

92. O que são obrigações e qual sua finalidade?

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93. O que é amaci?

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94. Temos que ficar descalços no Terreiro? Por quê?

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95. Qual a função das velas?

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96. Por que batemos palmas?

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97. Qual a importância do Anjo da Guarda para os umbandistas?

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98. O que é um Ogan?

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99. Já ouvi dizer que na Umbanda não faz obrigações e nem feitura de Pai ou Mãe de

Santo. É verdade?

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100. Qualquer médium pode se tornar Pai ou Mãe de Santo?

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101. Como se forma ou abre um Terreiro de Umbanda?

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102. Os animais podem ser atendidos em um terreiro de Umbanda?

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103. O que significa consagrar e cruzar?

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104. Por que fazer o sinal da cruz no chão e em si mesmo, se isto é um ato católico?

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105. Por que o ponto riscado dos Exus e Pombo-giras tem sempre um tridente? É

símbolo do mal?

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106. Por que se faz a queima de pólvora?

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107. Quais os componentes de um amaci?

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108. A Umbanda realiza os sacramentos?

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109. O que significam as expressões Saravá, Odoiá, Epahey?

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110. O que é preceito e qual sua importância e função?

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111. O que significa Egrégora?

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112. Por que chamam a Umbanda e Candomblé de macumba?

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PALAVRAS FINAIS

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FONTES BIBLIOGRÁFICAS

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PALAVRAS INICIAIS

Este livro nasceu por causa de uma das comunidades de Umbanda que participo na internet, uma comunidade aberta a todos, onde muitos médiuns utilizam aquele meio para dirimir suas dúvidas a respeito de nossa religião, talvez por não terem

Vendo as perguntas e, principalmente, algumas respostas

fornecidas por outros médiuns, eu não conseguia ficar quieta diante de tantas informações equivocadas e acabava respondendo também, informando de maneira mais simples possível os temas pertinentes (como boa filha de Iansã que sou, não consigo ficar sem me meter).

doutrina em suas Casas

Muitos irmãos de fé gostaram das respostas e alguns deles sugeriram que eu escrevesse um livro. De início achei engraçada esta sugestão e nem dei importância, entretanto, como eu havia confeccionado uma apostila para meus filhos de nosso Terreiro, para aqueles da comunidade que pediam mais detalhes e mais informações, lhes enviava via e-mail. Novamente sugeriram escrever um livro, pois haviam

gostado demais da dita apostila. A partir daí a ideia começou a crescer e amadurecer dentro de mim e, então, resolvi consultar minha mentora espiritual, a sábia preta- velha Vovó Luiza de Guiné, sendo que ela consentiu, ficando agradecida por divulgar a Umbanda simples, por tornar público o que muitos consideram como Eró (segredo), mas também me advertiu que eu “estava enfiando a mão em uma

Entendi o seu recado e sua preocupação, pois escrever

cumbuca cheia de formigas”

sobre os fundamentos, a doutrina e os rituais de uma religião que tem muitas vertentes, muitas escolas, que não tem uma decodificação única – como há no

Kardecismo, por exemplo – é realmente procurar sarna para se coçar, sabendo de

antemão que vou sofrer severas críticas e ser atacada. Porém

aqui estou eu!

Resolvi escrever estes parágrafos iniciais para deixar claro que não sou famosa (e nem quero ser), não quero “fundar outra escola de Umbanda”, não tenho nenhuma outra pretensão a não ser contribuir com todos aqueles que estão sedentos de informação a respeito da Umbanda – os praticantes, os simpatizantes ou apenas

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curiosos. Também deixo claro que também não tenho a intenção de dizer que a Umbanda que pratico é a única correta. Mas sim, este livro é baseado na Umbanda Tradicional, baseado naquilo que aprendi com o meu Pai de Santo e durante os 15 anos como umbandista dedicada e leal às suas origens.

Para melhor informar e por fins didáticos, preferi fazer este livro no formato de perguntas e respostas, tendo compilado as perguntas que meus filhos de santo me fazem e os irmãos de fé também. Por fim, saliento que durante as explicações nas respostas não cito os autores (quando são usados), mas não me apropriei das palavras e nem plagiei, pois ao final referencio na bibliografia os autores consultados. Muitas explicações também são das entidades as quais trabalho. Optei por não ficar citando os autores durante o texto para não tornar este livro uma coisa chata de ler, com aspecto de monografia, e porque acaba por confundir o leitor.

Espero que este livro cumpra seu intento de esclarecer as dúvidas e ampliar o conhecimento dos irmãos de fé e simpatizantes, cujo título foi propositadamente escolhido pelo fato do 7 ser um número cabalístico na Umbanda, representando os 7 Planos e 7 Linhas, cujo conteúdo será explicado ao longo deste.

Saravá!

Yalorixá Patrícia

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CAPÍTULO 1

A ORIGEM DA UMBANDA E SUAS RAMIFICAÇÕES

1. O que é a Umbanda? É uma religião, ou seja, o caminho para se chegar a Zambi (Deus) e encontrar

a Luz. A Umbanda é fundamentada no tripé: Fé, Caridade e Humildade e sem a presença destes três princípios não há a verdadeira Umbanda. É uma religião maravilhosa e de grande fundamento, baseada no culto aos Orixás e seus servidores / mensageiros / falangeiros: Crianças, Caboclos, Pretos-Velhos, Exus, etc. Estes grupos de espíritos estão na Umbanda "organizados" em linhas, cada uma delas com funções, características e formas de trabalhar bem específicas, mas todas subordinadas às divindades e forças da natureza que os regem, os Orixás. Seus ritos são simples, mas seus fundamentos são profundos, ou seja, tudo na Umbanda tem um porquê, cada ato, cada ritual tem um motivo, nada é feito por fazer. Então, é preciso conhecer e estudar estes fundamentos.

2. Qual a diferença entre a Umbanda, o Candomblé e o Kardecismo?

A Umbanda, além de atuar com a vibração das energias dos espíritos, os

incorporando, manipula as forças da natureza, o que lhe dá maior potencial de solução dos problemas. Na Umbanda há rituais diversos, usa-se elementos e adornos, tais como: velas, defumação, guias (colares), fumo, bebida, Congá com

imagens, etc. A Umbanda não usa sangue, não incorpora os Orixás, incorporando

os falangeiros de suas linhas. Toda Entidade, que já deu seu nome riscando o

ponto, de qualquer médium, pode fazer atendimento aos consulentes.

O Candomblé nasceu na África e desde o início congregou aspectos culturais

originários de diferentes cidades iorubanas, originando-se aqui diferentes ritos, ou

Nações de Candomblé, predominando em cada nação tradições das cidades ou região que acabou lhe emprestando o nome: Keto, Ijexá, etc. O Candomblé também tem rituais diversos, assim como usam vários elementos. Contudo, a diferença básica e principal do Candomblé para a Umbanda é que no Candomblé usam sangue e sacrifício de animais e eles incorporam os Orixás, que ficam dançando de forma própria. Os atendimentos aos consulentes são feitos apenas pelo Pai ou Mãe

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de Santo, através do jogo de búzios. Estes atendimentos são cobrados, o que para a Umbanda não é permitido.

O espiritismo Kardecista trabalha apenas com a vibração da energia dos médiuns e

do próprio espírito, não há rituais, as roupas são comuns, não usam velas, há doutrina para os consulentes através de palestras, o desenvolvimento mediúnico é para uns poucos e é feito ao redor de uma mesa, estando todos sentados, assim como o contato com os espíritos se dá desta forma e é apenas para doutrinar estes espíritos. Os consulentes não têm contato e não se comunicam diretamente com os desencarnados, quando precisam receber algum recado, os espíritas desenvolvidos psicografam uma carta a qual depois é entregue à pessoa.

3. Já ouvi muitas histórias sobre o surgimento da Umbanda. Afinal, de onde ela veio?

A Umbanda, com esta designação, surgiu no Brasil, é uma religião totalmente

brasileira. Mas torna-se importante expor sinteticamente um histórico sobre os precedentes religiosos e culturais que precipitaram o surgimento desta religião, na primeira década do século XX. Em 1500, quando os portugueses chegaram ao Brasil, depararam-se com uma terra de beleza deslumbrante e já habitada por nativos. Eles, por imaginarem estar nas Índias, deram o nome aos nativos de índios. De início, os contatos entre os dois povos foram amistosos, porém, o relacionamento entre eles começou a ficar ruim, pois os índios foram inescrupulosamente escravizados e forçados a trabalhar na lavoura. Resistiram e reagiram, onde muitos foram mortos. Como os índios eram difíceis de escravizar, os portugueses começaram a traficar negros oriundos da África. Como os índios, os negros sofreram toda espécie de castigos físicos e morais e até a subtração da própria vida. Desta forma, índios e negros, unidos pela dor, pelo sofrimento e pela ânsia de liberdade, desencarnavam e encarnavam em terras brasileiras. Ora trabalhando no plano astral, ora como encarnados, estes espíritos lutavam incessantemente para humanizar o coração do homem branco e fazer com que seus irmãos de raça se livrassem do rancor, do ódio e do sofrimento que lhes eram infrigidos. Além disso, muitas das crianças índias e negras eram mortas, quando meninas (por não servirem para o trabalho pesado), quando doentes, através de torturas quando aprontavam suas “artes” e com isso perturbavam algum senhor. Algumas crianças brancas acabavam sendo mortas também, vítimas da revolta de alguns índios e

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negros. Juntando-se então os espíritos infantis, os dos negros e dos índios acabaram formando o que hoje chamamos de Trilogia Cármica da Umbanda. Assim, hoje vemos estes espíritos trabalhando para reconduzir os algozes de outrora ao caminho da Evolução e da Luz. A igreja católica, preocupada com a expansão de seu domínio religioso, investiu pesadamente para eliminar as religiosidades dos negros e índios. Muitas comitivas sacerdotais foram enviadas com o intuito "nobre de salvar a alma” dos índios e dos africanos. A necessidade de preservar a cultura e a religiosidade fez com que os negros associassem as imagens dos santos católicos aos seus Orixás, como forma de burlar a opressão religiosa sofrida naquela época e, assim, continuar a praticar e difundir o culto às forças da natureza e divindades – a esta associação deu-se o nome de "sincretismo religioso". Os anos de escravidão vão se passando e, em 1889, é assinada a Lei Áurea. O quadro social dos ex- escravos é de total miséria. São abandonados à própria sorte, sem um programa governamental de inserção social. Na parte religiosa, seus cultos são quase que direcionados ao mal, à vingança e à ruína do homem branco – reflexo do período escravocrata. No campo astral, os espíritos que tinham tido encarnação como índios, caboclos e negros não tinham campo de atuação nos agrupamentos religiosos existentes. O catolicismo, religião de predominância, repudiava a comunicação com os mortos e o Kardecismo estava preocupado apenas em reverenciar e aceitar como nobres as comunicações de espíritos considerados “cultos e evoluídos”. Os Orixás, atentos ao cenário existente, por ordens diretas do Cristo Planetário (Jesus) estruturaram aquela que seria uma Corrente Astral aberta a todos os espíritos de boa vontade que quisessem praticar a caridade, independentemente das origens terrenas de suas encarnações, e que pudessem dar um freio ao radicalismo religioso existente no Brasil. Começa a se plasmar, sob a forma de religião, a Corrente Astral de Umbanda, com sua hierarquia, bases, funções, atributos e finalidades.

4. Quando e como começa a Umbanda no Brasil? No final de 1908, por Zélio Fernandino de Moraes. Na época, ele era um jovem com 17 anos de idade, que se preparava para ingressar na carreira militar na Marinha, mas começou a sofrer estranhos "ataques". Sua família, conhecida e tradicional na cidade de Neves, estado do Rio de Janeiro, foi pega de surpresa pelos acontecimentos. Estes "ataques" do rapaz eram caracterizados por posturas de um

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velho, falando coisas sem sentido e desconexas, como se fosse outra pessoa que

havia vivido em outra época. Muitas vezes assumia uma forma que parecia a de alguém rápido desembaraçado, que mostrava conhecer muitas coisas da natureza. Após examiná-lo durante vários dias, o médico da família recomendou que seria melhor encaminhá-lo a um padre, pois o médico (que era tio do paciente), dizia que

a loucura do rapaz não se enquadrava em nada que ele havia conhecido. Acreditava

que o menino estava “endemoniado”. Alguém da família sugeriu que "isso era coisa de espiritismo" e que era melhor levá-lo à Federação Espírita de Niterói, presidida na época por José de Souza. No dia 15 de novembro, o jovem Zélio foi convidado a participar da sessão, tomando um lugar à mesa. Tomado por uma força estranha e alheia a sua vontade, e contrariando as normas que impediam o afastamento de qualquer dos componentes da mesa, Zélio levantou-se e disse: "Aqui está faltando uma flor". Saiu da sala indo ao jardim e voltando após com uma flor, que colocou no

centro da mesa. Essa atitude causou um enorme tumulto entre os presentes. Restabelecidos os trabalhos, manifestaram-se nos médiuns kardecistas espíritos que se diziam pretos escravos e índios. O diretor dos trabalhos achou tudo aquilo um absurdo e advertiu-os com aspereza, citando o "seu atraso espiritual" e convidando-os a se retirarem. Após esse incidente, novamente uma força estranha tomou o jovem Zélio e através dele falou: "Por que repelem a presença desses espíritos, se nem sequer se dignaram a ouvir suas mensagens? Será por causa de suas origens sociais e da cor?" Seguiu-se um diálogo acalorado e os responsáveis pela sessão procuravam doutrinar e afastar o espírito desconhecido, que desenvolvia uma argumentação segura. Um médium vidente perguntou: “Por que o irmão fala nestes termos, pretendendo que a direção aceite a manifestação de espíritos que, pelo grau de cultura que tiveram, quando encarnados, são claramente atrasados? Por que fala deste modo, se estou vendo que me dirijo neste momento a um jesuíta e a sua veste branca reflete uma aura de luz? E qual o seu nome irmão?” Ao que a entidade respondeu: "Se querem um nome, que seja este: sou o Caboclo das Sete Encruzilhadas, porque para mim não haverá caminhos fechados. O que você vê em mim são restos de uma existência anterior. Fui padre e o meu nome era

Gabriel Malagrida. Acusado de bruxaria fui sacrificado na fogueira da Inquisição em Lisboa, no ano de 1761. Mas em minha última existência física, Deus concedeu-me

o privilégio de nascer como caboclo brasileiro." Anunciou também o tipo de missão

que trazia do Astral: "Se julgam atrasados os espíritos de pretos e índios, devo dizer

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que amanhã (16 de novembro) estarei na casa de meu aparelho, às 20 horas, para dar início a um culto em que estes irmãos poderão dar suas mensagens e, assim, cumprir missão que o Plano Espiritual lhes confiou. Será uma religião que falará aos humildes, simbolizando a igualdade que deve existir entre todos os irmãos, encarnados e desencarnados”. O vidente retrucou: "Julga o irmão que alguém irá assistir a seu culto?” perguntou com ironia. E o espírito já identificado disse: "Cada colina de Niterói atuará como porta-voz, anunciando o culto que amanhã iniciarei". Para finalizar o caboclo completou: "Deus, em sua infinita Bondade, estabeleceu na morte o grande nivelador universal, rico ou pobre, poderoso ou humilde, todos se tornariam iguais na morte, mas vocês, homens preconceituosos, não contentes em estabelecer diferenças entre os vivos, procuram levar estas mesmas diferenças até mesmo além da barreira da morte. Por que não podem nos visitar esses humildes trabalhadores do espaço, se apesar de não haverem sido pessoas socialmente importantes na Terra, também trazem importantes mensagens do além?" No dia seguinte, na casa da família Moraes, na rua Floriano Peixoto, número 30, ao se aproximar a hora marcada, 20:00 h, lá já estavam reunidos os membros da Federação Espírita para comprovarem a veracidade do que fora declarado na véspera; estavam os parentes mais próximos, amigos, vizinhos e, do lado de fora, uma multidão de desconhecidos. Às 20:00 horas, manifestou-se o Caboclo das Sete Encruzilhadas. Declarou que naquele momento se iniciava um novo culto, em que os espíritos de velhos africanos que haviam servido como escravos e que, desencarnados, não encontravam campo de atuação nos remanescentes das seitas negras, já deturpadas e dirigidas em sua totalidade para os trabalhos de feitiçaria; e os índios nativos de nossa terra, poderiam trabalhar em benefício de seus irmãos encarnados, qualquer que fosse a cor, a raça, o credo e a condição social. A prática da caridade, no sentido do amor fraterno, seria a característica principal deste culto, que teria por base o Evangelho de Jesus. O Caboclo estabeleceu as normas em que se processaria o culto. Sessões, assim seriam chamados os períodos de trabalho espiritual, diárias, das 20:00 às 22:00 h; os participantes estariam uniformizados de branco e o atendimento seria gratuito. Deu, também, o nome do Movimento Religioso que se iniciava: UMBANDA – Manifestação do Espírito para a Caridade. A Casa de trabalhos espirituais que ora se fundava, recebeu o nome de Nossa Senhora da Piedade, porque assim como Maria acolheu o filho nos braços, também seriam

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acolhidos como filhos todos os que necessitassem de ajuda ou de conforto. Ditadas as bases do culto, após responder em latim e alemão às perguntas dos sacerdotes ali presentes, o Caboclo das Sete Encruzilhadas passou à parte prática dos trabalhos. O Caboclo foi atender um paralítico, fazendo este ficar curado. Passou a atender outras pessoas que haviam neste local, praticando suas curas. Neste mesmo dia incorporou um preto velho chamado Pai Antônio, aquele que, com fala mansa, foi confundido como loucura de seu aparelho e com palavras de muita sabedoria e humildade e com timidez aparente, recusava-se a sentar-se junto com os presentes à mesa. Continuou dizendo outras palavras representando a sua humildade. Uma pessoa na reunião pergunta se ele sentia falta de alguma coisa que tinha deixado na terra e ele responde: "Minha caximba. Nêgo qué o pito que deixou no toco. Manda muleque buscá." Tal afirmativa deixou os presentes perplexos, os quais estavam presenciando a solicitação do primeiro elemento de trabalho para esta religião. Foi Pai Antônio também a primeira entidade a solicitar uma guia, até hoje usada pelos membros da Tenda e carinhosamente chamada de "Guia de Pai Antônio". No dia seguinte, verdadeira romaria formou-se na rua Floriano Peixoto. Enfermos, cegos, etc. vinham em busca de cura e ali a encontravam, em nome de Jesus. Médiuns, cuja manifestação mediúnica fora considerada loucura, deixaram os sanatórios e deram provas de suas qualidades excepcionais. A partir daí, o Caboclo das Sete Encruzilhadas começou a trabalhar incessantemente para o esclarecimento, difusão e sedimentação da religião de Umbanda. Além de Pai Antônio, tinha como auxiliar o falangeiro Malé, Entidade com grande experiência no desmanche de trabalhos de baixa magia. Em 1918, o Caboclo das Sete Encruzilhadas recebeu ordens do Astral Superior para fundar sete tendas para a propagação da Umbanda. As agremiações ganharam os seguintes nomes: Tenda Espírita Nossa Senhora da Guia; Tenda Espírita Nossa Senhora da Conceição; Tenda Espírita Santa Bárbara; Tenda Espírita São Pedro; Tenda Espírita Oxalá, Tenda Espírita São Jorge; e Tenda Espírita São Jerônimo. Enquanto Zélio estava encarnado foram fundadas mais de 10.000 tendas a partir das mencionadas. Embora não seguindo a carreira militar para a qual se preparava, pois sua missão mediúnica não o permitiu, Zélio Fernandino de Moraes nunca fez da religião sua profissão. Trabalhava para o sustento de sua família e diversas vezes contribuiu financeiramente para manter os templos que o Caboclo das Sete Encruzilhadas fundou, além das pessoas que se hospedavam em sua casa para os tratamentos

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espirituais, que segundo o que dizem, parecia um albergue. Nunca aceitara ajuda monetária de ninguém, pois era ordem do seu guia chefe, apesar de inúmeras vezes isto ser oferecido a ele. Ministros, industriais e militares que recorriam ao poder mediúnico de Zélio para a cura de parentes enfermos e os vendo recuperados, procuravam retribuir o benefício através de presentes, ou preenchendo cheques vultosos. "Não os aceite. Devolva-os!", ordenava sempre o Caboclo. A respeito do uso do termo espírita e de nomes de santos católicos nas tendas fundadas, o mesmo teve como causa o fato de naquela época não se poder registrar o nome Umbanda, e quanto aos nomes de santos, era uma maneira de estabelecer um ponto de referência para fiéis da religião católica que procuravam os préstimos da Umbanda. O ritual estabelecido pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas era bem simples, com cânticos baixos e harmoniosos, vestimenta branca, proibição de sacrifícios de animais. As guias usadas são apenas as que determinam a Entidade que se manifesta. Os banhos de ervas, os amacis, a concentração nos ambientes vibratórios da natureza, a par do ensinamento doutrinário, na base do Evangelho, constituiriam os principais elementos de preparação do médium. O ritual sempre foi simples. Nunca foi permitido sacrifícios de animais. Não utilizavam atabaques ou quaisquer outros objetos e adereços. Os atabaques começaram a ser usados com o passar do tempo por algumas das Tendas fundadas pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, mas a Tenda Nossa Senhora da Piedade não utiliza em seu ritual até hoje. Após 55 anos de atividades à frente da Tenda Nossa Senhora da Piedade (1º templo de Umbanda), Zélio entregou a direção dos trabalhos as suas filhas Zélia e Zilméa, continuando, ao lado de sua esposa Isabel, médium do Caboclo Roxo, a trabalhar na Cabana de Pai Antônio, em Boca do Mato, distrito de Cachoeiras de Macacu – RJ, dedicando a maior parte das horas de seu dia ao atendimento de portadores de enfermidades psíquicas e de todos os que o procuravam. Zélio Fernandino de Moraes dedicou 66 anos de sua vida à Umbanda, tendo retornado ao plano espiritual em 03 de outubro de 1975, com a certeza de missão cumprida. Seu trabalho e as diretrizes traçadas pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas continuaram em ação através de suas filhas Zélia e Zilméa de Moraes, e de sua irmã que trabalhava com a Vovó Luiza de Guiné, e que tinham grande amor pela Umbanda.

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5. Quais são as bases doutrinárias e religiosas da Umbanda?

A mistura de raças e culturas foi responsável por um forte sincretismo religioso, unificando mitologias a partir de semelhanças existentes entre santos católicos e Orixás africanos, dando origem à doutrina Umbandista. Ao contrário do Candomblé,

a Umbanda possui grande flexibilidade ritual e doutrinária, o que a torna capaz de

adotar novos elementos. Assim, o elemento negro trouxe o africanismo (nações); os índios trouxeram os elementos da pajelança; os europeus trouxeram o Cristianismo

e o Kardecismo; e, posteriormente, os povos orientais acrescentaram um pouco de

sua ritualística à Umbanda. Estas cinco fontes criaram o pentagrama umbandista:

Cristianismo

cinco fontes criaram o pentagrama umbandista: Cristianismo Kardecismo Africanismo Orientalismo Indianismo Aspectos

Kardecismo

Africanismo

Orientalismo

Indianismo

Aspectos dominantes do Movimento Umbandista:

1. Ritual, variando pela origem

2. Vestes, em geral brancas

3. Altar (Congá e Peji) com imagens católicas, pretos-velhos, caboclos

4. Sessões espíritas, formando agrupamentos em pé, em salões ou terreiro

5. Desenvolvimento normal em corrente

6. Bases: africanismo, kardecismo, indianismo, catolicismo, orientalismo

7. Serviço social constante nos terreiros, prática da caridade, sem cobrar nada em troca

8. Finalidade de cura material e espiritual com magia branca e sem usar sangue e sacrifício animal

9. Sacramentos: batizados, casamentos e funeral

A Umbanda não tem, infelizmente, um órgão centralizador que em nível nacional ou

estadual dite normas e conceitos sobre a religião ou possa coibir os abusos. Por isto, cada Terreiro segue um ritual próprio, ditado pelo guia-chefe do Terreiro, o que faz a diferenciação de ritual entre uma casa e outra. Entretanto, a base de todo Terreiro tem que seguir os fundamentos da Umbanda, o principio básico do bom senso, da honestidade e do desinteresse material, além de pregar, é claro, o ritual

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básico transmitido através dos anos pelos praticantes. Não importa se o atabaque toca, ou se o ritmo é de palmas, nem mesmo se não há som. O que importa é a honestidade e o amor com que nos entregamos a nossa religião.

6. Já vi várias sessões com rituais e elementos diferentes. Existe mais de uma Umbanda? Não. Existem várias ramificações da Umbanda que guardam raízes muito fortes das bases iniciais e outras que absorveram características de outras religiões já existentes, mas que mantêm a mesma essência nos objetivos de prestar a caridade, com humildade, respeito e fé. As mais conhecidas são:

Umbanda Popular: Que era praticada antes de Zélio e conhecida como Macumbas ou Candomblé de Caboclos, onde podemos encontrar um forte sincretismo associando Santos Católicos aos Orixás Africanos.

Umbanda tradicional: Oriunda de Zélio Fernandino de Moraes (a qual seguimos em nosso Centro e é a base conceitual e doutrinária deste livro).

Umbanda Branca ou de Mesa: Com um cunho Kardecista muito expressivo. Neste tipo de Umbanda não há elementos africanos, nem o trabalho dos Exus e Pombo- giras, ou a utilização de elementos como atabaques, fumo, imagens e bebidas. Esta linha doutrinária trabalha apenas com os Caboclos, Pretos-velhos e Crianças. Também utilizam os livros espíritas Kardecistas como fonte doutrinária, assim como trabalham sentados em torno de uma mesa.

Umbanda Omolokô: Trazida da África pelo Tatá Tancredo da Silva Pinto. Onde há um misto entre o culto aos Orixás e o trabalho direcionado dos Guias e Entidades.

Umbanda Traçada ou Virada: Onde existe uma diferenciação entre Umbanda e Candomblé, mas o mesmo sacerdote ora vira para a Umbanda, ora vira para o Candomblé em sessões diferenciadas. Não é feito tudo ao mesmo tempo. As sessões são feitas em dias e horários diferentes.

Umbandomblé: É tida como Umbanda, há os mesmos Orixás e Guias desta, mas aderiram a algumas ritualísticas, Orixás e fundamentos do Candomblé misturando com os elementos da Umbanda. Também usam o sangue e sacrifício de animais. Portanto, em relação a esta “Umbanda” há polêmica, pois seus adeptos a defendem dizendo que é Umbanda; e os adeptos dos princípios ditados pelo

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Caboclo das Sete Encruzilhadas dizem que não pode ser considerada Umbanda, pois usa sacrifício animal e sangue. Deixo aqui para cada um refletir

Umbanda Esotérica: É diferenciada entre alguns segmentos oriundos de Oliveira Magno, Emanuel Zespo e o W. W. da Matta (Mestre Yapacany), em que intitulam a Umbanda como a “Aumbhandan”, conjunto de leis divinas.

Umbanda Iniciática: É derivada da Umbanda Esotérica e foi fundada por Rivas Neto (Mestre Yamunisiddha Arhapiagha), onde há a busca de uma convergência doutrinária, sete ritos e o alcance do Ombhandhum, o Ponto de Convergência e Síntese. Existe uma grande influência Oriental, principalmente em termos de mantras indianos e utilização do sânscrito.

Umbanda de Caboclo ou Jurema: influência da cultura indígena brasileira com seu foco principal nas entidades conhecidas como Caboclos.

Umbanda de Pretos-velhos: influência da cultura africana, onde encontra-se elementos sincréticos, o culto aos Orixás, sendo que o comando é feito pelos pretos-velhos. Existem outras ramificações, mas não têm uma denominação apropriada, diferenciam-se das outras por diversos aspectos peculiares. A Umbanda, por ser uma religião sincrética, se utiliza de um vasto simbolismo em seus trabalhos e ela tem no simbolismo um de seus maiores fundamentos, que se aplica na identificação das Entidades e na sustentação das linhas de trabalhos espirituais, cada qual com seu nível vibratório. Este simbolismo também identifica o campo vibratório a qual a Entidade desenvolve seu trabalho e sob qual Orixá, ou força da natureza, é regido. Pode-se observar este simbolismo desde sua anunciação, onde o grande mentor espiritual, que teve a missão de fundar e estabelecer os fundamentos da Umbanda como religião e culto, manifestou-se na forma perispiritual e se identificou como “Caboclo das Sete Encruzilhadas”, nome este totalmente simbólico, pois “Caboclo” era a palavra destinada às pessoas mestiças naquela época, e “Sete Encruzilhadas”, que são as sete linhas de trabalhos da Umbanda, os sete caminhos,

que são regidos pelo Orixá maior, Oxalá. Assim, a Umbanda configura-se como

uma religião sem distinção de raças e credos e que através da fé e da humildade tem o objetivo de levar a mensagem da Caridade e do Amor ao próximo. Salientamos que não existe uma verdade absoluta e nem a “verdadeira Umbanda”. O que existe é a identificação do médium com determinada ramificação, por sua

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forma de trabalhar e ritualística. Existem, sim, algumas “umbandas” que não são Umbanda de verdade, em que fogem a todas as normas e fundamentos da Umbanda e que o médium precisa ficar atento e não cair em ciladas.

7. Mas se tem tanto tipo de Umbanda, existe um código ou princípios comuns a todas? Sim, existe. Os fundamentos da Umbanda variam de acordo com a ramificação que praticam, mas existem alguns conceitos básicos que são encontrados na maioria das Casas e podem ser generalizados para todas as formas de Umbanda. São eles:

A existência de uma fonte criadora universal, um Deus Supremo, chamado Zambi ou Olorum.

O culto aos Orixás como manifestações divinas, onde cada Orixá se confunde com um elemento da natureza do planeta ou da própria personalidade humana, em suas necessidades, construções de vida e sobrevivência.

A mediunidade como forma de contato entre o mundo físico e o espiritual, manifestada de diferentes formas.

A manifestação das Entidades, ou Guias, espíritos ainda em processo de evolução, para exercerem o trabalho espiritual incorporando em seus médiuns, organizados em planos e/ou linhas de evolução.

Doutrina, regras, uma conduta moral e espiritual que é seguida em cada Casa de forma variada e diferenciada, de acordo com suas raízes, que existe para nortear seus trabalhos.

Tem como fundamento básico de seus rituais: o uso do branco, não cobrar pelos trabalhos, não matar e não utilizar o sangue e nem sacrifício de animais.

A obediência aos ensinamentos básicos dos valores humanos, como: fraternidade, caridade e respeito ao próximo e por si mesmo. Sendo a caridade uma máxima encontrada em todas as manifestações existentes.

A crença na imortalidade da alma.

A crença na reencarnação e nas leis kármicas.

Se uma das vertentes que se diz Umbanda, mas não respeita algum ou alguns dos princípios acima, cuidado, pois é outra religião, não é Umbanda. Nossa religião foi cuidadosamente desenvolvida pelo Mundo Espiritual para trazer evolução aos

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médiuns participantes e um alento aos seres encarnados que necessitam de uma palavra amiga, um consolo, paz, esperança e perseverança.

8. É verdade que a pessoa que entra para trabalhar na Umbanda não pode mais sair, porque atrasa a vida? Não, não é verdade. Dá uma sensação de caminhos fechados, de reviravolta,

acontecendo tantas coisas estranhas que o primeiro e mais persistente pensamento

é:

“foi só sair do Terreiro que minha vida andou para trás”. Consequentemente, vem

o

pensamento negativo sobre a Umbanda relacionando-a a dor, sofrimento e

escravidão. Automaticamente o médium fica achando que foram as Entidades se vingando (elas não fazem isso!) ou foi o Pai-de-Santo do seu antigo terreiro que, por vingança, fez demandas contra ele, e este acaba esquecendo todos os benefícios recebidos, todos os trabalhos espirituais, toda a ajuda, sustentação e ações

realizadas por meses, anos ou décadas. Para começar a pensar com clareza no que acontece quando um médium sai de um terreiro precisamos saber como ele saiu e como estava envolvido com esse templo religioso. Vejam alguns exemplos: temos os médiuns que saem em pé de guerra; os que saem pela impossibilidade de disponibilizarem mais tempo; os que saem por motivo de doença; os que saem por melhorarem no campo profissional dificultando a permanência no terreiro; os que saem por novos estudos, que acontecem nos mesmos horários das atividades do terreiro; e tem ainda os que simplesmente somem, entre alguns outros motivos. Aqueles que saem em ‘pé de guerra’ são os que mais sofrem ao saírem do terreiro e o mais comum é pensarem que o Terreiro que frenquentavam e, portanto, seu ex-pai de santo está demandando contra eles. A associação da ‘vida virar’ com o pai de santo que, (supostamente) está com raiva do médium que saiu por não aceitar as regras, por não aceitar a forma de conduzir e agir do pai de santo, é quase que unânime. No entanto, esquece-se da Lei da Afinidade, da Lei da Ação e Reação, do livre-arbítrio e da responsabilidade que o próprio médium tem, sendo mais fácil se colocar, muitas vezes, em posição de vítima esquecendo-se de suas ações, obrigações, merecimentos e falhas. Nesse momento perdem-se grandes oportunidades como a de fazer o bem seja lá a quem, do crescimento individual e em grupo que um terreiro proporciona, da simplicidade com que a vida e a Umbanda devem ser vividas. Esquece-se inclusive do Baixo Astral e de como ‘ele’ pensa longe, como ‘ele’ vê e se preocupa com o futuro, como ‘ele’ é forte e determinado

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em suas ações mesmo quando age de forma sutil, como muitas vezes faz. Claro que este tipo de saída, no qual o médium está sob uma ação negativa, não é uma regra, existem também casos em que o próprio Pai de Santo e, consequentemente, todo seu trabalho realizado dentro do terreiro está sob ação do baixo astral e não tem nada de religioso. Desta forma, a saída do médium é por falta de afinidade mesmo, caracterizando o bom uso de seu livre arbítrio, e pela sua falta de interesse em conquistas fáceis e milagrosas. Nestes casos, a ação do astral superior é mais forte dentro do íntimo do médium, afinal, teve maior capacidade de não cair na emboscada dos kiumbas. Saiu para não trabalhar em uma casa sem proteção espiritual. Quanto àqueles que saem pela impossibilidade de disponibilizarem mais tempo, por terem vontade de fazer outra coisa, percebo que vivem grandes conflitos com seus desejos e necessidades e que, infelizmente, acabam sempre colocando os desejos acima das necessidades, ou seja, é aquele médium que vive em um sofrimento contínuo, e que ele mesmo produz, pela sua própria incapacidade de realizar aquilo que deseja e que precisa. Muitas vezes o médium não percebe este conflito e suas reações, assim como não percebe que perdeu o sentido do valor espiritual e ‘escolhe’ aquilo que provocará uma realização social, que muitas vezes é tão momentânea que no dia seguinte já se deseja outra coisa, e outra, e outra… São pessoas que têm dificuldade de lidar com o tempo e de identificar e compreender o sentido do “valor” em suas vidas, pessoas que se perdem no tempo e vagam mundo afora em contínuo conflito em busca de mais tempo e de novos valores. Já aqueles que saem por motivo de doença, por melhora no campo profissional dificultando a permanência no terreiro ou por novos estudos que acontecem nos mesmos horários das atividades do terreiro são aqueles que, na maioria das vezes, estão sendo atacados fortemente e sutilmente pelo baixo astral. Sei que relacionar sucesso profissional ou oportunidade de estudo com baixo astral parece ilógico, no entanto vale à pena pensar com calma no que esse “sucesso” pode proporcionar e, neste caso, é fato que o que será proporcionado é o afastamento do médium, portanto, “ponto para o baixo astral”. (aconselho a leitura do livro “Aconteceu na Casa Espírita” – pelo espírito Nora através do médium Emanuel Cristiano – que mostra claramente como este ataque, entre tantos outros, acontece em um Centro). Tem ainda os médiuns que simplesmente somem e estes, na maioria das vezes, são aqueles que sofrem por suas próprias fraquezas, por suas sensações de solidão,

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pela falta de coragem e por se sentirem perdidos no tempo, na vida e nas suas próprias necessidades, são sempre levados com o vento, com o tempo e com a esperança de novas oportunidades. E vale à pena ainda entender que quando estamos trabalhando em um terreiro de Umbanda estamos lutando contra a ação do baixo astral, contra os seres das trevas, contra seres que, além de pertencerem às nossas afinidades naturais, aos nossos carmas e aos nossos merecimentos, têm a intenção de destruir centros religiosos com o único propósito de não aumentar o sentido do “Bem”. São seres poderosíssimos com ações fulminantes e, na maioria das vezes, proporcionam o afastamento dos médiuns e o enfraquecimento da corrente com um simples estalar de dedos. Importante ainda esclarecer que enquanto o médium pertence à corrente mediúnica do Terreiro ele está sob a guarda do Guia-Chefe do Terreiro, sob proteção da força da esquerda assentada na tronqueira, sob firmeza dos Orixás e fortalecido pela própria corrente mediúnica que, quando bem firmada, torna-se uma verdadeira cúpula, resistente aos ataques do baixo astral. No entanto, quando o médium sai do terreiro estas proteções se dissipam e ele agora tem que caminhar com suas próprias pernas. Desta forma, aqueles espíritos inferiores que antes eram combatidos pelo médium em questão veem-no agora sem proteção e agem de forma brutal e avassaladora na sua vida mediúnica, profissional e emocional, causando a famosa ‘virada de vida’. Entendam que o médium perde aquela proteção, mas não a ação do baixo astral que agora não tem mais nada que o impeça. Portanto, sair de um Terreiro requer responsabilidade, cuidado, conversa, sabedoria e respeito. É preciso saber sair em harmonia, pedindo a benção, a proteção, ensinamento sobre firmezas e sendo muito grato por todas as oportunidades, exercendo a humildade – qualidade imprescindível a qualquer médium umbandista. Tenha certeza, a Espiritualidade Superior respeita o livre-arbítrio e nos dá sempre maravilhosas oportunidades de evolução. E só cabe a nós vivenciá-las com gratidão e amor no coração.

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CAPÍTULO 2

A MEDIUNIDADE

9. O que é mediunidade?

É a faculdade inerente ao homem que permite a ele a percepção, em um grau

qualquer, da influência dos Espíritos. Não constitui privilégio exclusivo de uma ou outra pessoa, pois, sendo uma possibilidade orgânica, depende de um organismo mais ou menos sensitivo. À medida que evolui e se moraliza, o indivíduo adquire faculdades psíquicas e, consequentemente, aumenta sua percepção espiritual – a isto denomina-se de Mediunidade Natural. Esta situação é o ideal a ser atingido por todos os homens e a intuição é a sua forma mais avançada e perfeita. Permite o conhecimento das coisas e o intercâmbio com as entidades espirituais sem necessidade do trabalho mediúnico obrigatório. Entretanto, a muitos homens ainda

atrasados em sua evolução espiritual e moralmente incapazes, são concedidas faculdades psíquicas como graça. Não as conquistaram, mas receberam-nas de empréstimo, por antecipação, numa posse temporária, cuja faculdade fica dependendo do modo como forem utilizadas, da forma pela qual o indivíduo cumprir

a tarefa, cujo compromisso assumiu nos planos espirituais ao recebê-la – a isto

denominamos Mediunidade de Prova ou de Missão ou de Karma. Esta mediunidade

é uma tarefa individualizada, recebida em determinadas condições para utilização imediata, e importa na prática mediúnica como cooperação compulsória. E este acontecimento é plenamente justificável e apropriado porque os seres humanos,

desviados quase sempre das coisas divinas, somente por efeito do chamado sobrenatural se detêm, meditam e se reformam.

10. Todos somos médiuns? Todos nós somos sensitivos, mas alguns em um grau mais elevado que o outro. Estes diferentes níveis de sensibilidade podem ser compreendidos como os diversos tipos de mediunidade, os quais estão ligados à missão, ou comprometimento, que o indivíduo assumiu para executar antes de encarnar no planeta Terra. Alguns são médiuns de incorporação, outros intuitivos, videntes, audientes, de efeitos físicos, de pisocofonia e de psicografia, todos passíveis de desenvolvimento de acordo com o livre arbítrio de cada um e do grau de evolução espiritual. A predisposição mediúnica independe do sexo, da idade e do temperamento, bem como da condição social, da

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raça, da cultura, da religião, da inteligência e até mesmo das qualidades morais. Todavia, quanto mais elevado for moralmente o médium, melhor instrumento este se tornará à Espiritualidade.

11. O Médium quando está incorporado sabe tudo o que está acontecendo e o que a

pessoa está falando com a Entidade? Se o médium é consciente, sim. A grande maioria dos médiuns é consciente ou semiconsciente, ou seja, sabe o que está acontecendo, mas não tem gerência sobre as atitudes da Entidade. Normalmente, logo após a consulta, o médium ainda lembra de alguma coisa, que vem como “flash”, mas logo depois vai aos poucos esquecendo. Somente médiuns inconscientes é que não sabem o que se passou durante uma consulta, mas hoje em dia é muito raro este tipo de mediunidade. Vale lembrar que o princípio básico de uma casa de Umbanda séria é o sigilo em respeito às consultas e o respeito com os problemas de cada um, então ninguém da casa pode comentar com outros o teor das consultas.

12. Então existe mais de um tipo de mediunidade?

Sim. A mediunidade pode ser classificada segundo seus efeitos. Os fenômenos dos efeitos mediúnicos podem ser de dois tipos:

1- Fenômenos de efeitos físicos, materiais ou objetivos: São os que sensibilizam diretamente os órgãos dos sentidos dos observadores. Podem se apresentar sob variadas formas, tais como: materialização, transfiguração, levitação, transporte, bilocação ou bicorporeidade, voz direta, escrita direta, tiptologia e sematologia. 2- Fenômenos de efeitos intelectuais ou subjetivos: São os que ocorrem na esfera subjetiva, não atingindo os cinco sentidos, senão a racionalidade e o intelecto. Podem se apresentar das seguintes formas: intuição, vidência, audiência, desdobramento, psicografia, psicometria e psicofonia. À generalidade dos fenômenos intelectuais de psicografia e psicofonia tem-se denominado de "Incorporação Mediúnica". Ressalte-se, todavia, que não ocorre a "introdução" do Espírito no corpo do médium, mas, sim, uma associação de seus fluidos com os do médium, resultantes das faixas vibratórias em que se encontrem e que pela lei de sintonia e da assimilação se identificam formando um complexo:

Emissor - (Espírito, desencarnado) e Receptor (médium).

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13. E existem tipos diferentes de médiuns, ou médium é médium, tudo igual? Sim, existem diferentes tipos de médiuns, conforme a faculdade sensitiva do médium se classifica o tipo deste. Nos Terreiros de Umbanda pode-se encontrar médiuns de todos os graus e tipos, mas as Entidades normalmente se manifestam pela Incorporação ou pela Radiação Intuitiva, esta última onde o médium recebe as mensagens das entidades por meio da intuição, sem a necessidade da incorporação, mas a incorporação é a modalidade mediúnica mais utilizada. Os consulentes preferem ser atendidos pelos médiuns de incorporação, isto porque eles podem escutar as comunicações diretamente das Entidades, sentindo-se mais confiantes, pois eles estão presentes no momento das manifestações, próximos aos médiuns, já que eles podem “ver” o espírito manifestado, reconhecendo-o através de seus movimentos, ações, etc. As incorporações dividem-se em Conscientes, Semiconscientes e Inconscientes, de acordo com o grau de intervenção do médium. Na incorporação consciente o médium sabe que está ali, sente, observa, mas não domina o corpo nem controla o raciocínio. Também perde a noção de tempo e, embora tenha sido espectador de si mesmo, perde a noção de muita coisa do que se passou ao desincorporar. Na incorporação semiconsciente, o espírito do médium se afasta um pouco do corpo, mas mantém ligação consciente com ele, enquanto que o espírito comunicante assume as funções motoras do corpo físico do médium. A semiconsciência pode variar de intensidade, o médium pode ter desde quase um grau de inconsciência até um grau quase total de consciência. Neste caso, o médium, enquanto dura a manifestação, tem alguns lampejos de consciência, mesmo assim, na maioria das vezes, após a desincorporação ele não se lembra de nenhum fato ocorrido durante a manifestação. Na incorporação inconsciente o médium fica inconsciente, mas em estado de vigília, pois há uma perfeita sintonia com a vibração da Entidade. Neste caso, não há possibilidade de interferência e, ao desincorporar, o médium não vai se lembrar de nada do que se passou. Atualmente, é raro encontrarmos médiuns inconscientes; somente os mais “velhos” de Umbanda podem sê-lo. Os mais “jovens” na mediunidade são conscientes ou semiconscientes para que aprendam com as orientações e conselhos das Entidades. Quando me refiro a jovens e velhos não é em relação à idade biológica e, sim, em relação a tempo de mediunidade. Lembrando que usamos o termo incorporação, mas isto não significa que a Entidade entra no corpo físico do médium, ele apenas toma as rédeas da situação,

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controlando o corpo físico com ou sem intervenção do médium, o espírito se aproxima do corpo, mas não entra nele. A incorporação é o que chamamos de terceira energia. Veja como funciona: existe uma fusão do espírito do médium com o espírito comunicante, criando-se uma terceira energia.

o espírito comunicante, criando-se uma terceira energia. Mas as manifestações mediúnicas não se restringem

Mas as manifestações mediúnicas não se restringem somente às incorporações. Outras formas de manifestação mediúnica:

a) Médiuns Sensitivos ou Impressionáveis: São assim chamados os médiuns

capazes de sentir a presença dos Espíritos, por uma vaga impressão a qual nem sempre sabem explicar. Esta faculdade mediúnica é indispensável para o desenvolvimento das outras. Esta sensibilidade é derivada da glândula pineal, que fica localizada no mesencéfalo, na junção entre o cérebro e a espinha dorsal. b) Médiuns de Efeito Físico: São aqueles aptos a produzirem fenômenos materiais como o movimento de corpos inertes, a produção de ruídos, etc. São divididos em Facultativos (aqueles que têm a consciência de sua mediunidade e produz os fenômenos por sua vontade) e os Involuntários ou Naturais (aqueles que a mediunidade exerce sem que eles saibam, eles não têm consciência dos fenômenos que ocorrem).

c) Médiuns Audientes: São aqueles que ouvem a voz dos espíritos, que às vezes se

fazem ouvir como uma voz interior e em outras como uma voz exterior, clara e

distinta, qual a de uma pessoa encarnada.

d) Médiuns Psicofônicos: Neles o Espírito atua nos órgãos da palavra, geralmente o

médium psicofônico se expressa sem ter a consciência do que diz, embora se ache perfeitamente acordado e em seu estado normal, e outros em estado de

sonambulismo ou próximo ao sonambulismo (transe).

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e) Médiuns Videntes: São aqueles que têm a faculdade de ver os espíritos. Esta faculdade raramente é permanente, pois os espíritos só se mostram, se fazem enxergar por algum motivo. f) Médiuns Escreventes ou Psicógrafos: São aqueles que têm aptidão para obter a escrita direta dos espíritos, de todos os meios de comunicação espírita, esse é considerado pelos espíritas o mais simples e mais cômodo.

14. Um médium pode praticar o mal sob influência de espíritos? Sim pode, tanto quanto pode praticar o bem, também influenciado pelos espíritos. Somente praticam o mal os kiumbas, espíritos do baixo astral. Os médiuns têm esta sensitividade com o mundo espiritual, então, conforme está a vibração do médium (positiva ou negativa) ele pode sintonizar com espíritos obsessores (chamados de kiumbas) ou com espíritos de luz (Entidades e Guias). Muitas são as causas para o médium entrar em sintonia com kiumbas, mas entre as principais, temos: ganância por dinheiro ou por fama ou poder, vaidade e exibicionismo (ego inflado), pensamentos ruins, sentimentos de raiva e vingança, se sentir vítima das circunstâncias, comportamentos imorais, pressa em se desenvolver como médium,

querer trabalhar com esta ou aquela Entidade (escolher a Entidade), entre outros.

onde há honestidade, kiumba não entra; onde há paciência, kiumba não entra; "

(fala da Cabocla Jureminha em uma

onde há comprometimento, kiumba não entra doutrina em nossa Casa).

"

15. Digamos que uma pessoa tem que trabalhar mediunicamente, mas ela não quer entrar para um Centro, ela poderá receber um guia ou entidades na rua, em casa, no trabalho, ou seja, em qualquer lugar? Sim e não. Aí vai depender de que tipo de espírito ela está recebendo. Geralmente, nestes casos, o que a pessoa incorpora ou está sendo atuada é por um espírito do baixo astral, ou no mínimo, sem doutrinação. Isto porque uma Entidade, Guia ou Protetor “de Luz”, evoluída, doutrinada, não irá de forma alguma expor a pessoa ao ridículo ou a situações constrangedoras, incorporando em lugares públicos e/ou inadequados. Acontece que, muitas vezes e com frequência, estes espíritos ao incorporarem na pessoa de qualquer jeito e em qualquer lugar, acabam por machucá-la, pois geralmente a derrubam no chão onde quer que esta esteja. E nenhuma Entidade de luz machuca seu aparelho ou o derruba. O fato é que esta

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pessoa é médium, trabalhando ou não em um Centro, e como médium capta e atrai espíritos, como se tivesse uma “antena parabólica” ou um “ímã” conectados em sua cabeça. Como não está em um Centro, este médium não aprendeu a entrar em sintonia com energias positivas e nem aprendeu a identificar o tipo de Entidade. Desta forma, acaba atraindo eguns (espíritos sem rumo, perdidos, mas não são maus) e kiumbas (espíritos do baixo astral, obsessores).

16. Então, se eu sou médium sou obrigado a trabalhar em um Centro?

Como falamos em outra questão, há o livre arbítrio, então, jamais a pessoa será obrigada a trabalhar com sua mediunidade. Mas vale a lembrança de que há a mediunidade de prova (ou de missão ou de karma). Neste caso, a pessoa com este tipo de mediunidade, antes de reencarnar assumiu um compromisso com a espiritualidade de que iria trabalhar. Como fica, então, para o médium que não

cumpre sua promessa ou sua responsabilidade? Simplesmente acarreta para si mais carga kármica – esta é a Lei do livre arbítrio: a pessoa arcar com as consequências de suas escolhas.

17. Decidi que quero desenvolver minha mediunidade na Umbanda. Como faço?

Primeiro, irá participar das sessões como consulente. Depois, querendo realmente receber treinamento para trabalhar sua mediunidade, a primeira lição que o médium tem que aprender é a do comprometimento, a da lealdade e da honestidade. O médium que inicia seu caminho sem entender o que é ser honesto consigo mesmo e suas Entidades já estará iniciando o caminho de forma errada. O médium deve participar de todas as sessões de desenvolvimento e de doutrina. O desenvolvimento é a parte prática do treinamento e a doutrina, a parte teórica, onde vai estudar os fundamentos da Umbanda. Sem participar do desenvolvimento e da doutrina não há evolução. Todo médium deve compreender que as entidades que lhe acompanham não são “gênios da lâmpada” e que o trabalho que vêm desenvolver está diretamente ligado à evolução espiritual deles e a do próprio médium. Deve compreender também que não é só porque estão do “outro lado” que devem ser tidos como deuses ou espíritos santos. Então, assuma seu compromisso com a espiritualidade de forma responsável, com humildade para aprender, tendo paciência e sendo sempre honesto em suas incorporações.

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18. Como se dá a mediunidade, ou seja, como as Entidades atuam sobre nosso corpo?

A mediunidade está diretamente ligada ao funcionamento das chamadas “rodas” ou

“chakras” que a nossa aura (ou perispírito) apresenta aos olhos de quem pode ver. As Entidades se ligam aos chakras para incorporarem no médium, sendo que cada Entidade se liga a um chakra específico. A compreensão sobre o funcionamento destas rodas que, na verdade, são vórtices de entrada e saída de energias, é de extrema necessidade para quem lida com o mundo astral. Vórtices são como cones de energia em formato de espirais que, ora estão no sentido de absorção, ora no sentido de expulsão. São como que pequenos tornados que têm como raiz os plexos nervosos do corpo físico. Daí podermos imediatamente afirmar que nossos plexos nervosos são antenas por onde as energias entram e saem e, por consequência, nosso sistema nervoso é a primeira parte do físico que é

atuada por estas energias. Existem uns cem números de plexos e, por consequência, vórtices ou chakras, mas o importante é conhecer os principais.

ou chakras, mas o importante é conhecer os principais. O chakra coronário se situa no alto

O chakra coronário se situa no alto da cabeça, assentado sobre a glândula Pineal.

Este é o chakra mais procurado pelos pais de santo para a feitura dos filhos. Porque

é através deste chakra que recebemos a luz do alto. Por que você acha que os

sacerdotes, mesmo os católicos, raspavam o alto da cabeça? O chakra coronário é

o sintonizador das ondas do plano mental recebidas por telepatia, quer provenham elas de fora, de espíritos desencarnados e até mesmo encarnados. Funciona como uma antena para vibrações superiores, normalmente pondo-nos em contato mental

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com elas, o que não quer dizer que, sendo mal trabalhado, não nos coloque em sintonia com baixas vibrações e entidades. Fazer a coroa, como costuma ser dito nos Terreiros, é, na verdade, sintonizar esta antena com o padrão vibratório do Orixá (guia de cabeça) que deve reger o iniciante. Depois desta sintonização o médium passa a receber a influência do Orixá mais diretamente e sem interferências de outros. O chakra Coronário desenvolvido e bem “calibrado” permite ao médium o contato telepático com suas entidades de guarda, protetores e Guias, através dos quais poderá receber informações e ensinamentos de toda espécie e, além disso, permite adquirir um tipo de vidência em que as imagens do que acontece no plano paralelo aparecem como que dentro da cabeça do médium. Por este chakra, muitas vezes, são enviadas mensagens através de imagens que, se à primeira vista parecem soltas e difusas, com o tempo vão se explicando. O chakra Frontal desenvolvido adequadamente permite que a visão, bem assim como a audição do médium, se estenda a outros níveis vibratórios além do material. Dependendo do grau e forma de desenvolvimento, este chakra alcança maiores ou menores planos vibracionais e se o médium estiver realmente preparado, poderá ver e ouvir exatamente o que acontece “do outro lado”, mesmo que alguém tente induzi-lo por uma mentira, como acontece em casos de espíritos que querem parecer o que não são. A incorporação se dá através da utilização do(s) chakra(s) do médium pela entidade. De certa forma, poderíamos comparar a uma espécie de "osmose' entre entidade e médium. Ou, como dizem alguns, as entidades irradiam energias sobre determinados chakras de forma a controlar em maior ou menor o grau de consciência (numa variação de controle que vai em média de 30% a 80%, segundo algumas fontes), tomando conta do sistema fônico, mental e da parte motora do médium, fazendo uso para seu trabalho. As entidades desencarnadas precisam de algo que somente o ser encarnado possui, o ectoplasma. E é dele que se utilizam para suas comunicações e trabalhos. A grande maioria das incorporações são do tipo semi-conscientes em maior ou menor grau de consciência por conta do tipo de médium e, também, a paciência e conhecimento de cada um. As mediunidades do tipo totalmente inconscientes estão diminuindo cada vez mais. A cumplicidade é fundamental para melhoria das relações entre médium e entidades, sendo que os médiuns têm co-

mais. A cumplicidade é fundamental para melhoria das relações entre médium e entidades, sendo que os

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responsabilidade para com aquilo que for dito ou feito pelas entidades, já que fazem uso do nosso mental e do nosso corpo.

19. Qual a diferença entre animismo e mistificação? A palavra animismo vem do latim anima, que significa alma. Animismo significa o que é próprio da alma e considera-se a alma, simultaneamente, princípio de vida orgânica e psíquica. Então, se o médium manifesta o que é de seu próprio espírito, a sua própria alma, é animismo. A atuação anímica do médium acontece de forma quase sempre inconsciente, de modo que o próprio médium dificilmente consegue perceber a sua própria interferência ou participação no fenômeno que manifesta, não conseguindo separar o que é seu do que é da entidade, mesmo quando o fenômeno, em si, é consciente. Trabalhamos com entidades que usam roupagem fluídica de Caboclos, Pretos Velhos, Exus e tantos outros, justificando-se o emprego do animismo, pois o espírito (alma) do médium é parte integrante dessa modalidade, para poder formar a terceira energia. O que se discute é o quanto o médium interfere durante a incorporação, pois quanto maior a interferência, mais animismo está sendo praticado – o que é inaceitável. Devemos deixar a entidade que nos assiste atuar de forma total e, para isto, o médium deve se preparar para se entregar de corpo e alma aos trabalhos mediúnicos. Mistificar significa enganar, tendo consciência de que está fingindo. Portanto, a mistificação significa logro total, ou seja, o médium finge estar incorporado quando na verdade não existe nenhuma entidade atuando, o que é inconcebível.

20. O que é obsessão e como acontece? Processo pelo qual um obsessor exerce sua ação obsessiva sobre uma ou mais pessoas ou espíritos, alternando, diminuindo ou desorganizando sua energia ou vibração. Alimentam-se basicamente de energias produzidas por sensações, ou mais especificamente, emoções. São emoções viciantes, ou seja, produzem dependência, necessidade, vontade de querer cada vez mais aquela determinada emoção. Ah, emoções consideradas “boas” também viciam e, portanto, podem gerar obsessão. As obsessões surgem de carências, ilusões, medos, fascínios e vaidades. São originados pela ignorância e pelo ego negativo (egoísmo). No momento em que alguém considerar que, para ser feliz, para sentir-se bem, para conquistar paz e saciedade, precisa buscar no outro ou em meios externos esta sensação, então os

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processos obsessivos surgem. Estes erros humanos dão origem a comportamentos viciados, os quais necessitam se auto-alimentar, para que continuem a produzir as sensações desejadas, porque as emoções viciam. A consequência deste processo é que, quando um vício emocional surge, as obsessões começam; quando os medos surgem, as obsessões começam; quando o desejo de controlar o outro surge, as obsessões começam. Alimentamos as obsessões porque não combatemos os nossos hábitos nocivos, porque somos manipulados por nossas emoções, porque não lutamos para controlá-las e desistimos fácil, porque duvidamos da nossa força, porque nos consideramos superiores ou inferiores aos outros, porque somos egoístas. Tudo, efetivamente tudo na vida cotidiana na Terra é uma constante batalha por energia. Como não aprendemos a conquistar esta energia por meio da conexão com a espiritualidade superior, então acabamos buscando este suprimento de forma equivocada, mergulhando nas emoções. E assim nos tornamos apegados e dependentes das emoções. Os nossos erros e orgulho alimentam o umbral!

21. Outro dia sonhei com um espírito e este espírito manteve relações sexuais comigo. Acordei cansada e assustada. O que é isso? Isto pode acontecer. São kiumbas viciados em sexo, habitantes do mais baixo astral (zonas umbralinas), chamados de íncubus e súcubus. Íncubus e súcubus são nomes dados a espíritos que regrediram à fase dos instintos. São espíritos que quando encarnados eram desvirtuados sexualmente, viciados em sexo. Quando desencarnaram continuaram em busca de satisfazer um apetite sexual animalesco, vampirizando encarnados, até que se bestializaram. Íncubus é o kiumba masculino que durante a noite (durante o sono do encarnado) vem copular com mulheres; e Súcubus é o kiumba feminino que vem copular com homens. Estes kiumbas vasculham o mental das pessoas em busca das fraquezas e se utilizam delas para se aproximar. Assumem uma aparência que atrai a vítima, plasmam a forma física que a pessoa sempre desejou (perfeição). Geralmente, a pessoa que está sendo obsedada por Íncubus/Súcubus tem sonhos eróticos, mas há casos em que a pessoa não se lembra de nada. Os kiumbas se alimentam da energia sexual dos encarnados enquanto copulam e ficam ligados às suas vítimas. Então, quando elas acordam, eles continuam drenando a energia vital da pessoa e descarregando seus negativismos. A pessoa começa a ficar cansada, fadigada, com mal-estar durante o dia e, durante a noite, tem o sono perturbado e pode ter pesadelos. Estas são as

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vítimas passivas. Mas existem as vítimas ativas, que são as que buscam satisfazer

suas necessidades sexuais desequilibradas, desejos sexuais exóticos, no astral. Ou, então, são pessoas que tomaram consciência do que estava acontecendo e gostaram. Existem casos que as pessoas deixam de ter relações sexuais com seus parceiros para só ter relações sexuais no astral. Os principais alvos de Íncubus/Súcubus são pessoas desequilibradas sexualmente ou que estão com muita energia sexual acumulada. Para solucionar casos como estes a pessoa deve procurar ajuda espiritual e se conscientizar de que ela precisa romper esta ligação, mudando seus hábitos e exterminando seus vícios e desequilíbrios.

22. O que é médium de transporte?

O médium de transporte puxa para si as energias e vibrações negativas e maléficas do consulente. O médium deve ser desenvolvido, capacitado, firmado e estar preparado para realizar esta ação de limpeza, pois lida com os eguns e kiumbas (espíritos obsessores) que rondam o consulente. O transporte só é realizado pela determinação do Guia-Chefe, que libera seu “aparelho” para executar esta ação.

23. É verdade que as crianças podem ver os espíritos?

Sim, é comum crianças até os sete anos perceberem a presença de seres, situações e fatos que ocorrem em outra dimensão e que os olhos humanos não conseguem ver. Os primeiros sete anos de vida é uma adaptação do espírito que até então vivia

no astral e precisa acostumar-se à nova reencarnação. A criança, nesta fase, costuma brincar e conversar com “seu amigo imaginário”, cujo ser, na verdade, é um espírito que vem ajudar nesta adaptação. Nos primeiros dias o bebê dorme muito porque vive mais na outra dimensão do que aqui – sabe-se que quando dormimos nosso espírito vai para o astral para se refazer. Neste período, alguns conseguem até ficar conscientes durante o sono, assumindo a vida adulta que tinham antes de nascer. Quando acordam, esquecem e retomam a nova experiência. Casos assim são raros, dependem do grau de lucidez do espírito e também do seu nível de evolução. A maioria das pessoas não tem consciência da vida astral depois do reencarne, mas algumas trazem a sensibilidade aberta nos primeiros anos e permanecem ainda muito ligadas à dimensão de onde vieram. Por este motivo, têm facilidade de perceber espíritos desencarnados. Para elas isto é natural e ficam

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surpresas ao perceber que ninguém mais está vendo o que elas veem. Esta percepção, à medida que o espírito vai se adaptando à nova encarnação, vai se apagando e, ao chegar aos nove ou dez anos, se apaga completamente. Nos casos em que a criança tem mediunidade, esta sensibilidade pode reaparecer depois dos doze ou treze anos, ou até um pouco mais tarde. Então, será bom estudar as leis naturais de influências e energias a fim de compreender como orientar-se dentro do processo. A mediunidade precisa ser estudada por quem a possui. Quando a pessoa capta as energias das pessoas ao redor e das outras dimensões fica confuso e perturbado, sente coisas inexplicáveis, tais como mal-estar, dores de cabeça, enjoo, irritabilidade, depressão e tantas outras manifestações, sem que haja uma causa que justifique e não percebe que estas sensações não são suas. Assim, procuram os médicos que não encontram nenhuma doença e acabam diagnosticando como um desequilíbrio mental e receitando psicofármacos. O curioso é que quando o problema é de captação energética os medicamentos não curam, ao contrário, podem aumentar o mal-estar. Sem conhecer o processo e saber o que está acontecendo, a pessoa pode ficar anos atormentada, estabelecendo um círculo vicioso que, com o decorrer dos anos, pode transformar-se em doença física ou mental.

24. Acordei e descobri que não conseguia me mexer. O que é isto? Isto é catalepsia projetiva. Este fenômeno ocorre da seguinte forma: a pessoa desperta durante a noite e descobre que não pode se mover. Parece que uma força invisível impede seus movimentos. Desesperada, a pessoa tenta gritar, mas não consegue. Tenta abrir os olhos, mas também não obtém resultado. Isso dura apenas alguns instantes, mas para a pessoa parece que decorreu muito tempo de agonia. Algumas pessoas culpam os seres espirituais por esta paralisia. Mas não é. Na verdade, a pessoa acordou no meio de um processo de transição do corpo espiritual para o corpo físico. Pois todas as noites o nosso espírito “sai” do corpo e se desloca pelo astral. Porém, estamos acostumados a acordar quando esta transição já terminou e não durante o seu acontecimento. A catalepsia projetiva acontece quando acordamos ainda durante este processo de transição. Não é motivo de desespero, deve-se ficar calmo que, aos poucos, nossos movimentos vão retornando, à medida que o espírito vai completando o seu “religamento” ao corpo.

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CAPÍTULO 3

ORIXÁS, GUIAS E ENTIDADES

25. O que são os Orixás?

Orixás são espíritos superiores de alta força vibratória. Na Umbanda são tidos como os maiores responsáveis pelo equilíbrio da natureza e que cooperam diretamente com Zambi (Deus), fazendo com que Suas Leis sejam cumpridas constantemente. Orixá significa literalmente “Senhor da Cabeça” (Ori = cabeça; Xá = senhor) e, como tal, o “santo” principal a que está ligada espiritualmente qualquer pessoa. Para a Umbanda, o sentido da palavra santo é diferente do sentido da igreja católica, sendo assim, para a Umbanda todo Orixá é santo, mas nem todo santo é Orixá, em virtude do plano de hierarquia, de acordo com as missões que desempenham ou desempenharam na Terra.

26. O que significa Orixá de Cabeça?

É o Orixá que cuida do equilíbrio energético, físico, espiritual e emocional do médium. Veja, nós, seres humanos, somos seres espirituais manifestando-se em corpos físicos e, portanto, somos influenciados pela ação de energias desde o momento do nascimento. Quando nossa personalidade (desta existência) começa a ser definida, uma das energias predomina – e é a que vai definir, de alguma forma, nosso arquétipo. Ao regente desta energia predominante, definida no nosso nascimento, denomina-se de Orixá de Cabeça ou Chefe de Cabeça ou Pai / Mãe de Cabeça. A forma como nosso corpo reage às diversas situações durante esta encarnação, tanto física quanto emocionalmente, está ligada ao arquétipo, isto é, à personalidade e características emocionais dos Orixás, que conhecemos através das lendas africanas. Junto a esta energia predominante, duas outras se colocam como secundárias, que na Umbanda denominamos de "Juntós", corruptela de "Adjuntó", palavra latina que significa auxiliar. Sendo assim, um destes adjuntós irá ser o outro Pai ou Mãe de Cabeça daquele médium. Isto porque o Orixá de Cabeça vai ser correspondente ao sexo do médium, ou seja, se o médium é mulher seu Orixá de Cabeça irá ser um Orixá feminino e o seu adjuntó será do sexo oposto, formando um par – e vice-versa no caso de médium do sexo masculino. E ainda tem uma terceira energia adjuntó e que, junto com as outras duas, formam a Coroa do médium. Em todos os rituais de Umbanda, de modo especial na primeira Obrigação,

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a invocação desta força é feita para todos os médiuns quando efetuam seus

Assentamentos, para atrair para perto de si a energia pura do seu Pai ou Mãe de Cabeça energético e dos seus Adjuntós.

27. E quantos Orixás existem?

Na Umbanda Tradicional existem 9 Orixás, distribuídos em 7 Linhas. São eles:

Oxalá, Iemanjá, Oxum, Nanã, Iansã, Xangô, Ogum, Oxossi, Obaluaê. Vale aqui ressaltar que, na Umbanda, os Orixás não incorporam, pois são espíritos superiores

e muito evoluídos, sendo os chefes de linha. Outras vertentes da Umbanda

acrescentaram mais Orixás oriundos do Candomblé, sendo os mais comuns: Obá,

Ewa, Logun-edé, Ossãe, Oxumaré.

28. O que são Entidades?

Entidade é o nome dado a todos os espíritos que estão em uma boa faixa de vibração astral para o trabalho na Umbanda. Conforme seu grau de evolução espiritual, estes espíritos são levados a fazer parte de uma falange (agrupamento de espíritos), a fim de atuarem, aprenderem e evoluírem espiritualmente. Eles permanecem nas falanges até sua possível reencarnação ou evolução para um plano espiritual superior. Falange é um agrupamento de mais de 400 mil espíritos, que atuam em um determinado plano espiritual, ou seja, em uma determinada faixa de vibração. Existem Entidades de Alta e Regular faixa vibratória e, por isto, elas se dividem em vários grupos: Falangeiros dos Orixás, Caboclos, Pretos Velhos, Exus e Pombo-Giras, Ibeijadas e demais Entidades que atuam de formas diversas. Cada falange recebe o nome de seu chefe e cada Entidade dentro desta falange atende por este mesmo nome. Aos que se encontram em Baixas faixas vibratórias não são entidades, mas sim espíritos denominados kiumbas e eguns. Quando um médium trabalha com uma determinada Entidade, ele não trabalha com um único espírito. O que ocorre é que todas as Entidades que constituem aquela determinada falange têm uma única tônica de vibração com a qual penetram na faixa vibratória do médium, à razão de um por segundo, mantendo assim a sintonia durante todo o período que dura uma comunicação. Em outras palavras, as Entidades não trabalham isoladamente, mas em falange, todas em uma única vibração. Embora não seja muito comum, é possível acontecer que uma mesma Entidade, embora seja uma só vibração, venha em diversas falanges, com diferentes nomes,

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conforme sua missão espiritual. Um espírito de certo grau de evolução pode se desdobrar na vibração, ou seja, aumentá-la ou diminuí-la, obviamente que dentro de um certo limite preestabelecido. Desta forma, esta Entidade pode se apresentar ora numa faixa, ora em outra. Mas é necessário compreender que há diferença entre hierarquia terrena e evolução espiritual, ou seja, não é porque o espírito, quando encarnado, ocupou determinada posição ou pertenceu à determinada raça que se agrupará igualmente na vida espiritual. As falanges não se agrupam conforme as raças ou costumes da vida terrena, mas sim de acordo com o grau de evolução espiritual e afinidade vibratória. Desta forma, um espírito pode se apresentar, por exemplo, como um Caboclo, apenas para ter um melhor acesso a um médium e a seus consulentes ou porque se afinizou com esta falange ou linha.

29. O que são linhas? Uma Linha é a vibração de um determinado Orixá. A Linha equivale a um grande exército de espíritos que rendem obediência a um "Chefe". Este "Chefe" representa para nós um Orixá e cabe a ele uma grande missão no espaço. Para entender melhor, pense em um organograma de empresa: em um organograma temos o chefe do setor e abaixo deste os funcionários que trabalham para este chefe. Setor = Linha; Chefe = Orixá. Mas tem funcionário que pertence a um setor que não tem chefe, então responde a outro chefe – assim acontece com a espiritualidade na Umbanda. As 7 Linhas da Umbanda:

1ª – Linha de Oxalá 2ª – Linha do Povo d’água ou das Yabás (Iemanjá, Oxum, Iansã 1 e Nanã) 3ª – Linha de Xangô 4ª – Linha de Ogum 5ª – Linha de Oxossi 6ª – Linha de Yori ou Ibeiji 7ª – Linha das Almas ou Yorimá Veja como se organiza uma Linha:

1 Iansã, dependendo da ramificação ou vertente da Casa de Umbanda, pode ser considerada da Linha de Xangô ou da Linha de Ogum. Como nossa Casa segue a Umbanda Tradicional, Iansã é da Linha do Povo d’Água.

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ZAMBI
ZAMBI
IEMANJÁ ou POVO d'ÁGUA
IEMANJÁ ou
POVO
d'ÁGUA
CHEFE DE LEGIÃO
CHEFE DE
LEGIÃO
7 CHEFES DE FALANGE
7 CHEFES DE
FALANGE
XANGÔ
XANGÔ
CHEFE DE LEGIÃO
CHEFE DE
LEGIÃO
7 CHEFES DE FALANGE
7 CHEFES DE
FALANGE
OGUM
OGUM
CHEFE DE LEGIÃO
CHEFE DE
LEGIÃO
7 CHEFES DE FALANGE
7 CHEFES DE
FALANGE
OXOSSI
OXOSSI
CHEFE DE LEGIÃO
CHEFE DE
LEGIÃO
7 CHEFES DE FALANGE
7 CHEFES DE
FALANGE
YORI ou IBEIJI
YORI ou
IBEIJI
CHEFE DE LEGIÃO
CHEFE DE
LEGIÃO
7 CHEFES DE FALANGE
7 CHEFES DE
FALANGE
OXALÁ
OXALÁ
CHEFE DE LEGIÃO
CHEFE DE
LEGIÃO
7 CHEFES DE FALANGE
7 CHEFES DE
FALANGE
ALMAS ou YORIMÁ
ALMAS ou
YORIMÁ
CHEFE DE LEGIÃO
CHEFE DE
LEGIÃO
7 CHEFES DE FALANGE
7 CHEFES DE
FALANGE

E assim sucessivamente, a cada grau que vai descendo na hierarquia a quantidade de Entidades vai se multiplicando por 7, pois cada Entidade, dentro de sua hierarquia, delega ordenações para mais 7. Cada Linha compõe-se de 7 Legiões, tendo cada Legião o seu chefe. Cada Legião divide-se em 7 grandes Falanges que também tem um chefe e cada Falange divide- se em 7 subfalanges, e assim por diante, obedecendo a um critério lógico.

Categoria

Quantidade

Grau

Denominação

Criador

1

-

Zambi

Orixá

7

1º grau

Chefe de Legião

Guia-chefe

49

2º grau

Chefe de Falange

Guia-subchefe

343

3º grau

Chefe de Sub-Falange

Guia

2401

4º grau

Chefe de Grupamento

Protetor

16807

5º grau

Chefe Integrante de Grupamento

Protetor

117649

6º grau

Subchefe de Grupamento

Protetor

823543

7º grau

Integrante de Grupamento

Observe que o 7 é um número cabalístico para a Umbanda.

30. E se os Orixás não incorporam quem são aqueles que vemos incorporados? Então, se o Orixá não incorpora, aqueles que incorporam são os Guias, Protetores e Entidades de sua Linha. Nenhuma entidade da Linha de Oxalá incorpora, somente passam vibrações. As entidades que incorporam na Umbanda trabalham dentro de uma das 7 Linhas. Desta forma: os Pretos-velhos são da Linha das Almas (Yorimá); as Crianças são da Linha de Yori (Ibeiji); os Caboclos são da Linha de Oxossi. Contudo, estas entidades, apesar de pertencerem a estas Linhas, podem vir na vibração de outra Linha, por questão de afinidade. Então, podemos ter um Preto- velho (que originalmente é da Linha das Almas) que vem na vibração do Povo d’Água ou em outra, assim como as outras entidades. Para se saber qual vibração

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vem determinada entidade somente através de seu nome completo (por ex., Pai Benedito do Cruzeiro), pelo ponto riscado e ponto cantado de raiz. Obs.: a entidade vir na vibração do povo d’água, por exemplo, não significa que o Preto-velho vai vir na gira daquela linha; ele vem na gira de pretos-velhos, normalmente. Nos Terreiros, em geral, trabalha-se com Protetores de 5°, 6° e 7° graus. Para se trabalhar com os Guias de 4° grau é exigida muita experiência e devoção por parte do médium. Raras, praticamente impossíveis, são as incorporações dos Guias de 2° e 3° graus, que necessitam de um médium muitíssimo preparado, com espiritualidade muito elevada, com o Terreiro com total ausência de obsessores tanto da corrente quanto da assistência, assim como uma corrente firme. E, repetindo, é impossível a incorporação dos Orixás.

31. E Ogum, Xangô, Iemanjá, Oxum, Nanã, Iansã e Obaluaê? São Orixás, vi

incorporarem, mas eles realmente incorporam? Primeiro, é preciso relembrar que estes Orixás não pertenciam à Umbanda, originalmente lá no início. Eles foram sendo absorvidos por esta religião à medida que suas legiões e falanges foram necessitando trabalhar e se apresentando, assim como os Ciganos, Baianos, Boiadeiros, Marinheiros, Exus. Quando em um Terreiro temos a gira do Povo d’Água e vemos Iemanjá, Oxum, Nanã, Iansã incorporarem nos médiuns, não significa que sejam os Orixás. Na verdade, são sua legião e seus falangeiros que estão ali incorporados. Da mesma forma com Ogum, Xangô e

Obaluaê. Ah, mas eu escutei um médium dizer que recebeu seu Ogum

pode afirmar. Popularmente, pelo senso comum, a gente se refere assim mesmo, pois dizer que “recebi meu falangeiro de Ogum” é bem mais comprido e complicado, não é?! Então, o que fazemos é carinhosamente abreviar e os chamamos apenas pelo nome de sua Linha, assim como se faz com um parente querido.

alguém

32. E os Ciganos, Baianos, Boiadeiros e Marinheiros de qual linha são? Estas entidades são consideradas auxiliares, podendo ter gira própria ou vir em outra gira, geralmente em gira de Pretos-velhos, como é o caso dos Baianos, ou na gira dos Caboclos, como é o caso dos Boiadeiros (que também podem vir na gira dos Baianos, dependendo de que falange pertence) ou na gira do Povo d’Água, como é o caso dos Marinheiros. Há Casas que fazem gira própria para cada uma dessas entidades, como é o nosso caso. A estas entidades costumamos dizer que

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são Linhas Auxiliares. No Terreiro do Pai Maneco eles designam de Linha Neutra. Assim, se são auxiliares não têm linha própria. Estas entidades não podem ser Pai ou Mãe de Cabeça de nenhum filho, pois somente os Orixás o são.

33. Quais são as características e atribuições de cada Orixá e Entidade?

LINHA DE OXALÁ

Esta linha representa o princípio, o reflexo de Deus, o verbo solar. É a luz refletida que coordena as demais vibrações. As atribuições de Oxalá são as de não deixar um só ser sem o amparo religioso dos mistérios da fé. Seus símbolos são a cruz latina branca, a estrela de seis pontas e o sol.

são a cruz latina branca, a estrela de seis pontas e o sol. Oxalá é caracterizado

Oxalá é caracterizado pela cor branca e sincretizado com Jesus. A data de homenagem a Oxalá é dia 25 de dezembro.

POVO D’ÁGUA (YABÁS)

As entidades desta linha gostam de trabalhar com água, fixando vibrações de maneira serena. Esta é a única linha que possui mais de uma representação, com vários santos católicos sincretizados com ela. Iemanjá Iemanjá significa a energia geradora, a divina mãe do universo, o eterno feminino, a divina mãe na Umbanda. Esta força da natureza também tem papel muito importante em nossas vidas, pois é ela que rege nossos lares, nossas casas. É ela que dá o sentido da família às pessoas que vivem debaixo de um mesmo teto. Ela é a geradora do sentimento de amor ao seu ente querido, que vai dar sentido e personalidade ao grupo formado por pai, mãe e filhos tornando-os coesos. Rege as uniões, os aniversários, as festas de casamento, todas as comemorações familiares. É o sentido da união por laços consanguíneos ou não. Caracterizada pela cor azul claro. É sincretizada com Nossa Senhora da Glória. Seus símbolos são as ondas, o peixe e lua em semicírculo. A data comemorativa é dia 15 de agosto (na Umbanda Tradicional).

símbolos são as ondas, o peixe e lua em semicírculo. A data comemorativa é dia 15

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Oxum

É o Orixá que domina a água doce, o arco-íris e as suas ligações. Porém, exerce o

domínio mais acentuado nas cachoeiras, em um sentido geral de purificação. Consolida no filho de fé a força mágica (axé) pelas vibrações que o envolvem ou fortifica a mediunidade nos banhos de cachoeira. Também simboliza a maternidade, a família, a afeição, a fertilidade. Ela estimula a união matrimonial, favorece a conquista da riqueza espiritual e a abundância material. Atua na vida dos seres estimulando em cada um os sentimentos de amor, fraternidade e união. Caracterizada pela cor azul Royal, sendo sincretizada com Nossa Senhora da Conceição. Seus símbolos são a cachoeira e o coração. A data de homenagem é dia 8 de dezembro.

e o coração. A data de homenagem é dia 8 de dezembro. Iansã É uma Orixá

Iansã

É uma Orixá guerreira e que domina também as águas como todas as Yabás, mas

exerce ainda seu domínio sobre os raios, as chuvas e os ventos. Iansã simboliza a força mágica capaz de afastar os males e as influências negativas, amparando as súplicas dos que recorrem ao seu poder vibratório, com o poder de descarregar cargas nocivas de feitiçaria e afastar os eguns. Uma de suas atribuições é colher os seres fora-da-lei e, com um de seus magnetismos, alterar todo o seu emocional, mental e consciência, para, só então, redirecioná-lo numa outra linha de evolução, que o aquietará e facilitará sua caminhada pela linha reta da evolução. É caracterizada pela cor amarelo-ouro escuro, sendo sincretizada com Santa Bárbara. Seus símbolos são o raio, a taça e a espada. Sua data comemorativa é dia 4 de

dezembro.

e a espada. Sua data comemorativa é dia 4 de dezembro. Nanã É considerada a avó

Nanã

É considerada a avó da Umbanda, a senhora idosa, que representa a sabedoria.

Exerce seu domínio sobre a chuva, as águas paradas, as nascentes. A Orixá Nanã rege sobre a maturidade e seu campo preferencial de atuação é o racional dos seres. Atua decantando os seres emocionados e preparando-os para uma nova

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vida, já mais equilibrada. É caracterizada pela cor roxa, sendo sincretizada com Nossa Senhora Santana. Seu símbolo é a chuva. A data comemorativa é 26 de julho.

Seu símbolo é a chuva. A data comemorativa é 26 de julho. L INHA DE X

LINHA DE XANGÔ

Xangô é o Orixá que coordena toda lei kármica, é o dirigente das almas, o senhor da balança universal, que afere nosso estado espiritual. Xangô é o Orixá da Justiça e seu campo preferencial de atuação é a razão, despertando nos seres o senso de equilíbrio e equidade, já que só conscientizando e despertando para os reais valores da vida, a evolução se processa num fluir contínuo. Xangô é sincretizado com São Jerônimo e sua cor é marrom. Os três símbolos mais comuns deste Orixá são: o machado, o trovão e a rocha. O machado significa a injustiça sendo cortada; o trovão representa a lei de causa e efeito, lembrando carma; a rocha representa a dureza e inflexibilidade da razão. Sua data de homenagem é 30 de setembro.

LINHA DE OGUM

Sua data de homenagem é 30 de setembro. L INHA DE O GUM A vibração de

A vibração de Ogum é o fogo da salvação ou da glória, o mediador de choques consequentes do carma. É a linha das demandas da fé, das aflições, das lutas e batalhas da vida. É a divindade que, no sentido místico, protege os guerreiros. Todo Ogum é aplicador natural da Lei e todos agem

com a mesma inflexibilidade, rigidez e firmeza, pois não se permitem uma conduta alternativa. Onde estiver um Ogum, lá estarão os olhos da Lei, mesmo que seja um falangeiro de Ogum, avesso às condutas liberais dos frequentadores dos Terreiros de Umbanda, sempre atento ao desenrolar dos trabalhos realizados, tanto pelos médiuns quanto pelos espíritos incorporadores. Dizemos que Ogum é, em si mesmo, os atentos olhos da Lei, sempre vigilante, marcial e pronto para agir onde lhe for ordenado. É o símbolo do trabalho, da atividade criadora do homem sobre a natureza, da produção e da expansão, da busca de novas fronteiras, de esmagamento de qualquer força que se oponha à sua própria expansão.

e da expansão, da busca de novas fronteiras, de esmagamento de qualquer força que se oponha
e da expansão, da busca de novas fronteiras, de esmagamento de qualquer força que se oponha

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Sua cor é o vermelho

e o escudo. Sua data é 23 de abril.

e é sincretizado com São Jorge. Seus símbolos são a espada

LINHA DE OXOSSI

A vibração de Oxossi significa ação envolvente ou circular dos viventes da Terra, ou

seja, o caçador de almas, que atende na doutrina e na catequese. Suas entidades falam de maneira serena e seus passes são calmos, assim como seus conselhos e trabalhos. É a força cósmica da natureza comandando a mente por intermédio dos aromas e princípios curativos das ervas, inclusive da descarga humana, por meio dos banhos e defumações purificadoras que recebem das selvas os elementos primordiais destas magias. Oxossi é o caçador por excelência, mas sua busca visa o conhecimento. Logo, é o cientista e o doutrinador, que traz o alimento da fé e o saber aos espíritos fragilizados tanto nos aspectos da fé quanto do saber religioso. Oxossi é caracterizado pela cor verde, que corresponde ao elemento verde da natureza: as matas e o povo que as habita, os índios e seus mestiços, os Caboclos.

É sincretizado com São Sebastião. Seus símbolos são o arco e a flecha. A data de

homenagem é 20 de janeiro.

o arco e a flecha. A data de homenagem é 20 de janeiro. L INHA DE

LINHA DE YORI

Corresponde à linha das crianças, espíritos puros em corpos físicos recém-libertos do útero materno, espíritos que não tiveram a oportunidade de ampla vivência em corpos físicos, considerados ainda aprendizes. Também podem ser espíritos de adultos que se afinizam com esta linha, optando por trabalhar como crianças. O Orixá correspondente é Ibeiji. Esta é a única falange que consegue realmente dominar a magia, devido à pureza de suas vibrações. Estas entidades, altamente evoluídas, externam pelos seus aparelhos maneiras e vozes infantis de modo sereno, às vezes um pouco vivas. Quando na categoria de protetores, gostam de sentar no chão e comer coisas doces, mas sem desmandos. Esta linha é caracterizada pelas cores rosa e azul claros e é sincretizada com Cosme e Damião. Seus símbolos são as flores, pirulitos, enfim, temas infantis. Sua data é 27 de setembro.

com Cosme e Damião. Seus símbolos são as flores, pirulitos, enfim, temas infantis. Sua data é

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42 L INHA Y ORIMÁ OU DAS A LMAS Obaluaê É um Pai bondoso e fraternal

LINHA YORIMÁ OU DAS ALMAS

Obaluaê

É um Pai bondoso e fraternal para aqueles que se tornam merecedores, através de

gestos humildes, honestos e leais. Obaluaê estabelece o cordão energético que une

o espírito ao corpo (feto), que será recebido no útero materno assim que alcançar o desenvolvimento celular básico (órgãos físicos). Ambos os nomes surgem quando nos referimos a esta figura, seja Omulu seja Obaluaê. Para a maior parte dos devotos da Umbanda, os nomes são praticamente intercambiáveis, referentes a um

mesmo arquétipo e, correspondentemente, uma mesma divindade. Comanda as doenças e, consequentemente, a saúde. Assim como sua mãe Nanã, tem profunda relação com a morte. Esta grande potência astral inteligente, quando relacionado à vida e à cura, recebe o nome de Obaluaê. Tem sob seu comando incontáveis legiões de espíritos que atuam nesta Linha, trabalhadores do grande laboratório do espaço e verdadeiros cientistas, médicos, enfermeiros etc., que preparam os espíritos para uma nova encarnação, além de promoverem a cura das nossas doenças. Atuam também no plano físico, junto aos profissionais de saúde, trazendo

o bálsamo necessário para o alívio das dores daqueles que sofrem. O Senhor da

Vida é também Guardião das Almas que ainda não se libertaram da matéria. Assim, na hora do desencarne, são eles, os falangeiros de Obaluaê, que vêm ajudar a desatar os fios de agregação astral-físico (cordão de prata), que ligam o perispírito

ao corpo material. Os comandados de Obaluaê, dentre outras funções, são diretamente responsáveis pelos sítios pré e pós morte física (Hospitais, Cemitérios, Necrotérios, etc.), envolvendo estes lugares com poderoso campo de força fluídico- magnético, a fim de não deixarem que os vampiros astrais (kiumbas desqualificados) sorvam energias do duplo etérico daqueles que estão em vias de falecerem ou falecidos. Suas cores são o preto e o branco, sendo sincretizado com São Lázaro. Seu símbolo é o cruzeiro das almas e sua data é 17 de dezembro.

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43 Pretos Velhos São os primeiros espíritos que foram ordenados a combater o mal em todas

Pretos Velhos São os primeiros espíritos que foram ordenados a combater o mal em todas as suas manifestações. São os Guias velhos, verdadeiros magos que, velando suas formas kármicas, revestem-se das roupagens de Pretos-Velhos, ensinando e praticando as verdadeiras "mirongas". Eles são a doutrina, a filosofia, o mestrado da magia em fundamentos e ensinamentos. Geralmente gostam de trabalhar e consultar sentados, fumando cachimbo, sempre numa ação de fixação e eliminação através de sua fumaça. Seus fluídos são fortes, porque fazem questão de "pegar bem" o aparelho e o cansam muito, principalmente pela parte dos membros inferiores, conservando-o sempre curvo. Falam compassado e pensam bem no que dizem. Raríssimos os que assumem a Chefia de Cabeça, mas são os auxiliares dos outros Guias, sendo o seu braço direito. Eles representam a humildade, força de vontade, a resignação, a sabedoria, o amor e a caridade. São um ponto de referência para todos aqueles que necessitam, pois curam, ensinam, educam pessoas e espíritos sem luz. Não têm raiva ou ódio pelas humilhações, atrocidades e torturas a que foram submetidos no passado. Com seus cachimbos, fala pausada, tranquilidade nos gestos eles escutam e ajudam àqueles que necessitam, independentes de sua cor, idade, sexo e de religião. São extremamente pacientes com os seus filhos e, como poucos, sabem incutir-lhes os conceitos de karma e ensinar-lhes resignação. Não se pode dizer que em sua totalidade esses espíritos são diretamente os mesmos Pretos-Velhos da escravidão. Pois, no processo cíclico da reencarnação passaram por muitas vidas anteriores, foram negros escravos, filósofos, médicos, ricos, pobres, iluminados, e outros. Mas, para ajudar aqueles que necessitam, escolheram ou foram escolhidos para voltar à Terra em forma incorporada de Preto- Velho. Outros, nem negros foram, mas escolheram como missão voltar nessa pseudoforma. Outros foram até mesmo Exus, que evoluíram e tomaram a forma de um Preto-Velho. Estes espíritos assumem esta forma com o objetivo de manter uma perfeita comunicação com aqueles que os vão procurar em busca de ajuda. Suas cores são o branco e o preto e não são sincretizados com santos católicos. Seu símbolo é a cruz e também pode ser 3 estrelas. A data comemorativa é 13 de maio.

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ENTIDADES AUXILIARES

44 E NTIDADES A UXILIARES Boiadeiros São espíritos de pessoas que em vida trabalharam com o

Boiadeiros

São espíritos de pessoas que em vida trabalharam com o gado, em fazendas por todo o Brasil, estas entidades trabalham da mesma forma que os Caboclos nas

sessões de Umbanda. Os Boiadeiros representam a força de vontade, a liberdade e

a determinação que existe no homem do campo e a sua necessidade de conviver

com a natureza e os animais, sempre de maneira simples, mas com uma força e fé muito grande. O Boiadeiro está ligado com a imagem do peão boiadeiro – habilidoso, valente e de muita força física. Os Boiadeiros vêm dentro da Linha de Oxossi ou da gira de Baianos, mas também são regidos por Iansã, tendo recebido da mesma a autoridade de conduzir os eguns da mesma forma que conduziam sua boiada quando encarnados. Levam cada “boi” (espírito) para seu destino e trazem

os “bois” que se desgarram (obsessores, kiumbas, etc.) de volta ao caminho do

resto da “boiada” (o caminho do bem). Suas cores são o vermelho, verde, roxo e branco; e não são sincretizados com um santo católico. Seu símbolo é a cruz ou o laço.

Baianos

O

Baiano representa a força daquele que fica à margem da sociedade, o que sofreu

e

aprendeu na "escola da vida" e, portanto, pode ajudar as pessoas. Enfrentam os

invasores (kiumbas, obsessores) de frente, chamando para si toda a carga. Buscam sempre o encaminhamento e doutrinação, mas quando o kiumba não aceita e insiste em perturbar algum médium ou consulente, então o Baiano se encarrega de "amarrá-lo" para que não mais perturbe ou até o dia que tenha se redimido e queira realmente ser ajudado. A Entidade pode vir como Baiano e não ser necessariamente da Bahia, da mesma forma que na linha das crianças nem todas as entidades são realmente crianças. Os Baianos são das mais humanas entidades dentro do Terreiro, por falar e sentir a maioria dos sentimentos dos seus consulentes. Podem trabalhar em outras giras nas Linhas dos Caboclos e Pretos-velhos. São grande admiradores da disciplina e organização dos trabalhos. São consoladores por natureza e adoram dar a disciplina de forma brusca e direta, diferente de qualquer

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entidade. Sua cor é o amarelo, não é sincretizado com santos católicos. Seu símbolo

é a cruz ou cactus.

com santos católicos. Seu símbolo é a cruz ou cactus. Marinheiros São Mestres da Jurema e

Marinheiros São Mestres da Jurema e possuidores de um grande ensinamento. São em geral marinheiros, marujos, navegadores e pescadores que, na maioria, tiveram seu desencarne nas águas profundas do mar. São comandados e chefiados pelo Mestre Martim Pescador, grande catimbozeiro e que trabalha com as energias das águas do mar. Não são possuidores de giras próprias e se fazem presentes nas giras do Povo d’água. Quase sempre se apresentam cambaleantes (não por estarem bêbados, mas sim por causa do balanço do navio), e têm em suas danças o balanço das ondas do mar. Seu trabalho é realizado em descarrego, consultas, passes, no desenvolvimento dos médiuns e em outros trabalhos que possam envolver demandas. Em muito, seu trabalho é parecido com o dos Exus. Dificilmente um leigo irá notar a diferença entre alguns marinheiros e os Exus na hora da gira. Sua cor é o azul marinho. Não é sincretizado com santos católicos. Seus símbolos são as ondas, âncora, peixe ou navio.

Seus símbolos são as ondas, âncora, peixe ou navio. Ciganos Numerosas correntes ciganas estão a serviço

Ciganos Numerosas correntes ciganas estão a serviço do mundo imaterial e carregam como seus sustentadores e dirigentes aqueles espíritos mais evoluídos e antigos dentro da ordem de aprendizado, preservando os costumes como forma de trabalho e respeito, facilitando a possibilidade de ampliar suas correntes com seus companheiros desencarnados e que buscam no universo astral seu paradeiro. Muitos que atuam como Ciganos não foram ciganos em sua vida terrena, mas sim médicos, cientistas, etc. que, por se afinizarem com esta falange, preferem trabalhar vestindo esta roupagem. Trabalham dentro da parte espiritual da Umbanda com uma vibração oriental com seus trajes típicos, com sua cultura de adivinhações através das cartas, leitura das mãos, numerologia, bola de cristal e as runas. Não confundir

a falange dos Ciganos da gira de santo com os Exus Ciganos. Agem no plano da

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saúde, do amor e do conhecimento, suportam princípios magísticos e têm um tratamento todo especial e diferenciado de outras correntes e falanges. Ao contrário do que se pensa, os espíritos ciganos reinam em suas correntes preferencialmente dentro do plano da luz e positivo (linha de santo), não trabalhando a serviço do mal e trazendo uma contribuição inesgotável aos homens, claro que dentro do critério de merecimento. Suas cores dependem da escolha de cada Cigano, mas em linhas gerais esta falange se caracteriza pela cor laranja. Não são sincretizados com santos católicos, mas pode-se representá-los com a imagem de Santa Sara, a padroeira dos Ciganos. Seus símbolos são a estrela de Davi, a lua com estrela, cometa, lemniscata.

a estrela de Davi, a lua com estrela, cometa, lemniscata. Veja quadro-resumo sobre os Orixás: Orixás

Veja quadro-resumo sobre os Orixás:

Orixás

Elemento

Campo de

 

Campo de

 

Cor

 

Saudação

 

Força

Atuação

Oxalá

 

Ar

Campinas

   

 

Branco

 

Epa Babá

Iemanjá

 

Água

 

Mar

 

Família

Azul claro

 

Odoyá ou

Odociaba

Iansã

 

Água

Ar

 

Água da

chuva

 

Emoções

Amarelo

Epahey, Oyá

Fogo

Bambuzal

 

Eguns

 

escuro

   

Água

   

Maternidade

   

Oxum

Cachoeiras

 

Amor

Azul royal

 

Ora ie ie ô

     

Chuva

       

Nanã

 

Água

Poças

Mudanças de estado de vida

 

Roxo

Saluba, Nanã

Nascentes

   

Mangues

     
       

Abertura dos

   

Ogum

 

Fogo

Meio das

estradas

caminhos

Proteção

Vermelho

 

Ogum iê

           

Rosa e

 

Ibeiji

 

Ar

 

Jardins

Família

Espiritualidade

Azul

claros

Oni Ibeijada

Xangô

 

Fogo

 

Rochas

 

Justiça

Marrom

Kaô Kabecilê

Sabedoria

         

Saúde

   

Oxossi

 

Terra

 

Matas

Fartura

 

Verde

 

Okê

   

Conhecimento

   

Obaluaê

 

Terra

Cemitérios

 

Transmutação

 

Preto e

 

Atotô

   

Saúde

Branco

 

Entidades

 

Elemento

Campo de

Campo de

Cor

 

Saudação

Força

 

Atuação

   

Cruzeiro das

Branco e

Adorei as

Pretos velhos

Terra

almas

 

Caridade

Preto

Almas

Quadro-resumo sobre as Entidades:

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Entidades

Elemento

Campo de

Campo de

Cor

Saudação

Força

Atuação

   

Árvores

     
       

Vermelho

 

Boiadeiros

Terra

Campinas

Sítios

Fazendas

Eguns

Força de

vontade

Verde

Roxo

Branco

Jetruá ou

Xetruá

     

   

Baianos

Terra

Estradas de

terra

Perseveran

Amarelo

É da Bahia

ça

Marinheiros

Água

Mar

Descarregos

Azul

Da Costa,

Demandas

marinho

Marujo

Ciganos

Fogo

Estradas

Saúde

Multicolor

Arriba

Natureza

Amor

Laranja

Exus

Terra

Encruzilha-das

Demandas

Preto e

 

Pombo-giras

Fogo

Passagens

Descarregos

Vermelho

Laroyê

34. O que é um guia de frente?

É a Entidade que chefia a coroa do médium, é representante direto de seu Orixá de Cabeça. É responsável em comandar todas as entidades e guias que trabalham na

coroa do médium, trazendo as orientações e ordens diretas do Pai ou Mãe de Cabeça. São também conhecidos como mentores ou guias espirituais. Os guias de frente geralmente são um Preto-velho ou um Caboclo.

35. Pode duas ou mais pessoas receber entidades com o mesmo nome?

Sim. E isto é bastante comum. Mas isto não significa que é a mesma entidade, são entidades que trabalham em um mesmo campo vibracional e que por afinidade

escolheram aquele nome. Agora pense: você conhece pessoas que têm o mesmo nome (são homônimas), mas por terem o mesmo nome elas são as mesmas e são iguais?

36. É verdade que homens que trabalham com Entidades femininas são ou podem

se tornar gays? Não, não é verdade. O que determina a preferência sexual de uma pessoa é ela mesma e não a Entidade. Ninguém vira ou se torna homossexual por trabalhar com Entidade feminina. Entidade é Entidade e a pessoa é a pessoa, ou seja, ou ela já é homossexual ou não é; a pessoa não “vira” homossexual por causa da Entidade. O médium é um instrumento, um aparelho para a espiritualidade trabalhar pela expansão da caridade, assim sendo, a Entidade não interfere na identidade do médium, senão os médiuns de 7 Linhas que trabalham com todas as linhas iriam ter personalidade múltipla. E se formos pensar desta forma, aí as mulheres também não

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poderiam trabalhar com Entidades masculinas, pois se tornariam lésbicas. É certo que as Entidades atuam na personalidade do médium no intuito de melhorá-lo como pessoa e evoluir como ser humano, mas nunca em sua identidade sexual.

37. Como é o trabalho de um Exu e uma Pombo-gira? Eles são os guardiões dos caminhos, soldados dos Pretos-velhos e Caboclos, emissários entre os homens e os Orixás, lutadores contra o mau, sempre de frente, sem medo, sem mandarem recado. A função das Pombo-giras está relacionada à sensualidade. Elas frenam os desvios sexuais dos seres humanos, direcionam as energias sexuais para a construção e evitam as destruições. A sensualidade desenfreada (volúpia) é um dos males que destroem o homem. Este vício é alimentado tanto pelos encarnados quanto pelos desencarnados, criando um ciclo ininterrupto, caso as Pombo-giras não atuassem neste campo emocional. Em seus trabalhos Exu corta demandas, desfaz trabalhos de feitiços e magia negra, feitos por espíritos malignos. Ajudam nos descarregos e desobsessões, retirando os espíritos obsessores e os trevosos, e os encaminhando para luz ou para que possam cumprir suas penas em outros lugares do astral inferior. Os Exus são considerados como "policiais” que agem pela Lei, no submundo do "crime" organizado. As equipes de Exus sempre estão nestas zonas infernais, mas não vivem nela. Passam a maior parte do tempo nela, mas não fazem parte dela. Devido a esta característica, os Exus são confundidos com os kiumbas. Videntes os veem nestes lugares e erroneamente dizem que eles são de lá. A maneira dos Exus atuarem, às vezes nos choca, pois achamos que eles devem ser caridosos, benevolentes, etc. Mas, como podemos tratar mentes transviadas no mal? Os Exus usam as ferramentas que sabem usar: a força, o medo, as magias, as capturas, etc. Os métodos podem parecer, para nós, um pouco sem "amor", mas eles sabem como agir quando necessitam que a Lei chegue às trevas. Eles ajudam aqueles que querem retornar à Luz, mas não auxiliam aqueles que querem "cair" nas trevas. Quando a Lei deve ser executada, eles a executam da melhor maneira possível, doa a quem doer. Os Exus, como executores da Lei e do carma, esgotam os vícios humanos, de maneira intensiva. Às vezes, um veneno é combatido com o próprio veneno, como se fosse a picada de uma cobra venenosa. Assim, muitos vícios e desvios são combatidos com eles mesmos. Os Exus estão ligados de maneira intensiva com os assuntos terra-a- terra (dinheiro, disputas, sexo, etc.). Quando a Lei permite, eles atendem aos

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diversos pedidos materiais dos encarnados. Eles têm sob o domínio todas as energias livres, contidas em: sangue, cadáveres, esperma, etc. Por isso, seus campos de atuação são os cemitérios, matadouros, prostíbulos, boates, necrotérios, etc. Eles lá estão porque bloqueiam as investidas dos kiumbas e espíritos endurecidos que se comprazem nos vícios e na matéria. Os kiumbas, seres astutos, conseguem se manifestar como um Exu num terreiro muito preso às magias negras e assuntos que nada trazem elevação espiritual, ou em terreiros sem firmeza. Ao se manifestarem, pedem inúmeras oferendas, trabalhos, despachos em troca destes favores fúteis. Normalmente eles pedem muito sangue, bebidas alcoólicas e fumo. Mas, e os verdadeiros Exus deixam? É uma pergunta que comumente fazemos, quando estes disparates ocorrem. Os Exus permitem isso para darem lição nestes falsos chefes de terreiros ou médiuns. Como foi dito, os métodos dos Exus para fazer com que a Lei se cumpra, são variados. Muitas vezes, também, a obsessão é tão grande e profunda que os Exus não podem separar de uma só vez obsedado e obsessor, pois isto causaria a ambos um prejuízo enorme. Outras vezes, os Exus deixam que isto aconteça para criar armadilhas contra os kiumbas que, uma vez instalados nos terreiros, são facilmente capturados e, assim, após um interrogatório, podem revelar segredos de suas organizações que, logo em seguida, são desmanteladas. Alguns terreiros, depois disso, são também desmantelados pelas ações dos Exus, causando doenças que afastam os médiuns, as pessoas, etc. Existem algumas coisas com as quais um guia da direita 2 (caboclo, preto-velho e criança) não lida, mas quando se pede a um Exu, ele vai até essa sujeira, entra e tira a pessoa do apuro. Se tiver alguém para te assaltar ou te matar, os Exus te ajudam a se livrar de tais problemas, desviando o bandido do seu caminho. Assim como a Pombo-Gira não rouba homem ou traz mulher para ninguém, são espíritos que conhecem o coração e os sentimentos dos seres humanos e podem ajudar a resolver problemas conjugais e sentimentais. Para finalizar, se você vier pedir a um Exu de Lei (de verdade) para prejudicar alguém, pode estar certo que você será o primeiro a levar a execução da Justiça.

2 Quando nos referimos a Direita ou Esquerda não tem a conotação de Bem e Mal. Mas sim quanto a pólos positivo e negativo, como tudo no universo tem os dois pólos para haver equilíbrio. A pilha que você usa em um equipamento tem os dois pólos para poder funcionar

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38. E os Exus e Pombo-giras têm linha própria? Não, eles têm gira própria, mas não Linha, apesar de falarmos em “Linha da Esquerda” ou “Linha da Quimbanda”. Exu e Pombo-Gira pertencem à falange de Santo Antônio (Bará) e se apresentam na Linha das Almas (7ª Linha). Na dúvida, pergunte-se: Por que será que você pede licença a Santo Antônio (Bará) para trabalhar? Simples, é porque ele comanda os Exus e Pombos-Giras.

39. Porque algumas entidades na Umbanda bebem e fumam? Em primeiro lugar, é preciso deixar claro que as Entidades não precisam comer nem beber, pois são espíritos, não têm mais o corpo físico, portanto, não sentem fome nem sede. O fumo dentro da Umbanda não é fruto do vício e da vaidade das Entidades. A grande maioria delas nem conheceu o fumo em vida terrena. O fumo serve como defumador individual de cada entidade. Fumos utilizados pelas Entidades e defumadores aplicados por nós têm princípios parecidos. As ervas utilizadas, antes de serem colhidas, passam toda sua vida absorvendo energia do sol, armazenando minerais, matérias orgânicas, energia lunar, óleos essenciais, entre outras substâncias. A queima dessas ervas, bem como do tabaco utilizado nos fumos, liberam energia acumulada nessas ervas, energias estas que servem para dispersar maus fluidos e pensamentos, que espantam maus espíritos, que doutrinam espíritos perdidos, que atraem entidades para o trabalho, enfim, dependerá de que ervas estão sendo utilizadas no defumador e qual o tipo de fumo da Entidade. O álcool também tem emprego sério na Umbanda. Quando tomado aos goles, em pequenas quantidades, proporciona uma excitação cerebral ao médium, liberando- lhe grande quantidade de substâncias ativadoras cerebrais, acumulada como reserva nos plexos nervosos (entrelaçamento de muitas ramificações de nervos), a qual é aproveitada pelos Guias, para poderem trabalhar no plano material. Deste modo, quando o médium ingere pequena quantidade da bebida, suas ideias e pensamentos brotam com maior intensidade. É também uma forma em que a Entidade se aproveita este momento para ter maior “liberdade de ação”. Os Exus são os que mais fazem uso da bebida. Isto se deve ao fato destas linhas utilizarem muito de energias etéricas, extraídas de matéria (alimentos, álcool, etc.), para manipulação de suas magias, para servirem como “combustível”, encontrando, então, uma grande fonte desta energia na bebida. Estas linhas estão mais próximas às vibrações da Terra (faixas vibratórias), onde ainda necessitam destas energias

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retiradas da matéria para poderem realizar seus trabalhos e magias. O marafo também é usado para limpar/descarregar pontos de pemba ou pólvora usados em descarregos. O álcool, por sua volatilidade, tem ligação com o ar e pode ser usado para retirar energias negativas do médium. Já o álcool consumido pelo médium também é dissipado no trabalho, ficando em quantidade reduzida no organismo. O perigo, nestes casos, é o animismo, ou seja, o Médium consumir a bebida em grandes quantidades por conta própria e não na quantidade que o Guia acha apropriada. Nestes casos, pode ser que o Guia vá embora e deixe o médium sob os efeitos da bebida que consumiu sem necessidade.

40. Teve um médium que disse que se ele abandonasse os trabalhos mediúnicos as entidades o castigariam. Isto é verdade? Não, nenhuma Entidade de luz faz isto. Apesar de, na maioria das vezes, quando um médium abandona o caminho espiritual, sua vida começa a travar e até a andar para trás. Por causa disto, muita gente acha que é “castigo”. A Umbanda, tampouco seus guias e protetores, não punem e nem castigam, mas, sim, orientam e amparam. Abandonando o trabalho espiritual, estamos abandonando também nossas entidades, ou seja, estamos por conta própria e caminhando apenas com nossos pés. Não é castigo nem punição, é apenas a lei energética da vida: aquilo que emanamos recebemos de volta.

41. Trabalhei como médium em um Centro Espírita Kardecista e agora estou na Umbanda. Mas estou encontrando dificuldades no desenvolvimento e parece que tudo que faço é errado. É mesmo assim difícil na Umbanda? Para responder a esta questão, vou usar as palavras do Pai Fernando de Ogum, do Terreiro do Pai Maneco:

O kardecismo é muito mais tolerante que a Umbanda. Na mesa um espírito incorpora, deixa uma linda mensagem de amor ou de advertência para os perigos mundanos sem a necessidade de dizer seu nome. Na Umbanda, ele tem que incorporar no ponto de chamada, com a tipicidade da linha (Caboclo, Preto-velho ou Criança), cumprir todas as ordens da hierarquia do terreiro, riscar o seu ponto individual, beber, fumar e dar seu nome, correndo o risco de, se não cumprir tudo, ser chamada a sua atenção. Claro que tudo será feito com cautela e tempo de treinamento. Para chegar a isso, o médium passa uma dificuldade de saber o que

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fazer dentro do terreiro. Ele está incorporado com a Entidade, sentindo toda sua energia, mas ainda falta muito para dar o passo certo como “cavalo bem domado”, chegando mesmo em alguns momentos achar que o espírito se afastou, fato explicado pelo impulso mental do médium (médium consciente). O seu impulso inicial é procurar alguém para lhe dar um passe ou tocar em sua testa para poder incorporar. Muitos dirigentes não gostam desse procedimento e inibem o espírito de fazer isso, o que é um erro porque, talvez até mais que o próprio dirigente, é o espírito quem quer o desenvolvimento de seu cavalo escolhido. Deve-se deixar que isso aconteça, sem exageros, é claro. Com o decorrer do tempo este médium ganha um charuto, cachimbo ou cigarro de palha, conforme a entidade, e é quando ele começa a se acalmar, até procurar um lugar para sentar. Daí para riscar o ponto é bem mais rápido. Quero anotar aqui, para conhecimento dos médiuns em desenvolvimento, alguns erros que atrapalham bastante a evolução da mediunidade:

não procurar, sob nenhuma hipótese, tentar adivinhar o nome do espírito; não querer riscar o ponto sem antes estar bem assentado com a entidade; não tentar dar avisos e recomendações a ninguém; não ter ciúmes do espírito e não pensar que ele é seu, porque espírito não tem dono; durante a incorporação você não deve ter vergonha, nem incorporar pensando no que o outro está pensando de você.

42. Por que Ogum vem como um soldado romano e seu médium veste armadura? A característica de Ogum que vem com uma armadura é porque as pessoas fizeram estes símbolos, por falta de real conhecimento deste Orixá. A Umbanda é cheia de folclore, e o folclore é aproveitado pelos espíritos. Um Ogum é qualquer falangeiro de Ogum. Por causa do sincretismo religioso, muitas pessoas confundem achando que aquela imagem sincretizada com o santo católico é de fato o Ogum. A Umbanda usa a imagem de São Jorge para representar Ogum, mas isto não significa que os dois sejam os mesmos. São Jorge era um soldado romano que se negou a perseguir os cristãos, se converteu e quando morreu foi santificado pela igreja católica; já Ogum é um Orixá e nunca viveu na Terra. Lembrando que a Umbanda usa as imagens de santos católicos como sincretismo para seus Orixás, mas estes não se fundem, ou seja, não são os mesmos santos.

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43. Ao escutar um ponto, o médium pode incorporar a qualquer momento ou tem

que esperar? Tem horas que o médium tem que saber segurar a vibração. O médium tem que aprender a se curvar diante do ponto cantado. No ponto de Preto-Velho não pode vir um Caboclo. Quando se canta para Iemanjá, tem que vir Iemanjá e não Iansã. Se alguém em um trabalho precisa de energia de Iemanjá é bom que as pessoas da corrente se concentrem e tragam esta energia para fortalecer este campo de força que está sendo formado. Incorporar espíritos que não estão sendo chamados pode atrapalhar na formação deste campo. Além do mais, só se recebe as entidades na hora dos trabalhos, não nos pontos de abertura e de saudação aos Orixás da casa.

44. Como se sabe que um Caboclo é um Caboclo, que um Cigano é um Cigano?

Sob o comando da música, do ponto cantado. As entidades podem trabalhar juntas,

mas cada uma vem em seu ponto de chamada. Com o tempo, o médium aprende a diferenciar o tipo de vibração.

45. Às vezes, na incorporação de uma entidade, o médium apenas gira e esta vai

embora. Por quê?

Isto acontece porque pode ser que não houve a formação certa da terceira

A Umbanda não é como um curso que se

você fizer direitinho no final do curso você vai receber um diploma. Na Umbanda não

existe este tempo, cada um tem um tempo diferente. E o que enfraquece os médiuns são os medos, as angústias, emoções que estão dentro de cada pessoa. Na hora de incorporar tem que se desligar de tudo e concentrar.

energia. Há também a questão do tempo

46. Já fui a terreiros que na gira do Povo d’Água todos recebiam todas as entidades

desta linha. Pode isto? Poder não pode, apesar de ser mais ou menos comum. Se uma pessoa recebe e trabalha com Iansã, não vai receber Iemanjá, Oxum e Nanã. Recebe-se apenas uma das Yabás e também da falange dos Marinheiros. Esta é uma linha com vibração muito forte e, principalmente para os iniciantes, elas têm vibrações muito parecidas. Então, como o médium ainda não sabe diferenciar e nem sabe qual delas está recebendo, é comum, ao escutarem um ponto, já incorporarem, mesmo que a pessoa receba Iemanjá, por exemplo, e estão cantando ponto para Oxum. Deixam

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vir, a entidade vem, e acabam “recebendo” todas as Yabás. Na verdade, o médium

ficou com um resquício da vibração de sua entidade (e que costuma ficar por um tempo mesmo), aí cantam outro ponto para outra Yabá e sua entidade acaba vindo novamente (ou não vem, tem médium que sente a vibração, não está incorporado e

É preciso disciplina e estudo por parte destes médiuns e também

que o dirigente doutrine sua corrente.

já sai rodando

).

47. Por que tem gente que tem tanto medo dos Exus e Pombo-giras? Porque eles são erroneamente associados com a magia negra, com a produção do mal e até mesmo com o diabo e a morte, uma ideia que certos feiticeiros que se apresentam como sacerdotes umbandistas fazem questão de propagar. Também, porque alguns dirigentes abrem seus terreiros sem o devido conhecimento e, por isto, não fazem a devida firmeza deste, abrindo espaço para manifestação de

kiumbas. Os kiumbas gostam de se fazerem passar por Exus e Pombo-giras. O que pode acontecer quando um kiumba se passa por Exu? Todos os desvarios possíveis: falam em matar, bebem demais, xingam, falam palavras de baixo calão, se insinuam sexualmente, ameaçam aqueles que não fazem o que eles querem dizendo que vão se vingar, e por aí afora. Vendo isto, as pessoas começaram a

achar que eles são do mal. E há ainda os mistificadores

contrapropaganda que vitimiza estas entidades guardiãs! Outro aspecto importante que merece ser suscitado diz respeito a alguns "médiuns" infiltrados no movimento umbandista. Despidos das qualidades nobres que o ser humano necessita buscar

para seu progresso espiritual, contaminam e desarmonizam os locais de trabalhos espirituais. Tentam impressionar os menos esclarecidos com gracejos, malabarismos, convites imorais, encharcados de cachaça ou whisky. "Desincorporados", atribuem aos Exus e Pombo-giras tais comportamentos. Estes são os mistificadores. Fatos como estes são de pessoas sem escrúpulos, moral ou ética, pessoas perniciosas que aproveitam a imagem distorcida de Exu para exteriorizarem o seu verdadeiro "eu". Estes "médiuns", não raras vezes, acabam caindo no ridículo, ficam desacreditados, dando margem, segundo a Lei de Afinidades, a aproximação e posterior tormento por parte dos obsessores. Para saber diferenciar um Exu ou Pombo-gira de um kiumba ou de uma mistificação observe o comportamento e a expressão física. Exu não vem todo torto, não se arrasta no chão, não emite grunhidos, não esbraveja, não sente raiva (mesmo

É amplo o espectro da

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quando tem que puxar a orelha de alguém o faz com amor e carinho, mas com firmeza), não ameaça, não aceita pedidos para prejudicar outras pessoas, não separa casal, não tem comportamento promíscuo, não pede roupas de luxo e nem sensuais, não bebe em excesso, não pede oferendas com sangue e sacrifício de animais; enfim, não faz nada que seja contra a Lei da Umbanda e da espiritualidade elevada. Lembre-se que Exus e Pombo-giras obedecem e seguem a Oxalá, portanto, eles:

Tem palavra e a honram

Buscam evoluir

Por sua função kármica de Guardião, sofrem com os constantes choques energéticos a que estão expostos

Afastam-se daqueles que atrasam a sua evolução, inclusive de seus médiuns

Estas Entidades mostram-se sempre justas, dificilmente demonstrando emotividade, dando-nos a impressão de serem mais "duras" que as demais Entidades, pois aplicam a Lei doa a quem doer

São caridosos e trabalham nas suas consultas mais com os assuntos ligados à Terra, o mundo material

Sempre estão nos lugares mais perigosos para a Alma Humana

Quando não estão em missão ou em trabalhos, demonstram o imenso amor e compaixão que sentem pelos encarnados e desencarnados.

48. Então os Exus e Pombo-giras seguem uma hierarquia e evoluem? Sim. Os Exus e Pombo-giras são espíritos que, como nós, buscam a evolução, a elevação, empenhando-se o mais que podem para aplicarem as diretrizes traçadas pelos Orixás e espiritualidade superior. É bem verdade que em seu estágio inicial de evolução os Exus ainda têm um comportamento às vezes instável, cabendo aos verdadeiros umbandistas o dever de não deixar que se desvirtuem de seu avanço espiritual. (obs.: quando me refiro a Exu aqui no texto leia-se também Pombo-gira, pois esta é um Exu feminino; optei em citar apenas Exu para ficar mais fácil escrever). Os Exus também estão divididos em hierarquias, onde tem-se desde Exus muito evoluídos e ligados aos Orixás até aqueles que ainda estão iniciando sua caminhada espiritual evolutiva, estando mais ligados às vibrações de nosso planeta. Então, vamos ver sua hierarquia e grau de evolução, no quadro a seguir.

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Planos

Graus

Categorias

Denominação

 

7° grau

7

Chefes de Legião

 

3° Plano

6° grau

49

Chefes de Falange

Exus

5° grau

343

Chefes de

Coroados

 

Subfalange

2° Plano

4° grau

2.401

Chefes de

Exus

Grupamento

Cruzados

 

3° grau

16.807

Chefes de Coluna

Exus

2° grau

117.649

Chefes de

Espadados ou

1° Plano

Subcoluna

Batizados

1° grau

?

Integrantes de

Exus Pagãos

Coluna

ou Aprendizes

EXUS COROADOS: são aqueles que têm grande evolução espiritual, já estão nas funções de mando. Recebem ordens diretamente dos Orixás. Apenas alguns médiuns bem preparados, com grande missão aqui em nosso planeta, têm um Exu Coroado como seu guardião pessoal. São os guardiões chefes de Terreiro. Estes não reencarnam mais. EXUS CRUZADOS: são aqueles que já sabem diferenciar o bem do mal; portanto, já trabalham no Terreiro atendendo aos consulentes. São subordinados aos Exus Coroados, devendo seguir seus ordenamentos. Ajudam a firmar e a fazer a segurança do Terreiro. Ainda estão no ciclo das reencarnações. EXUS ESPADADOS ou BATIZADOS: são os Exus que estão na aprendizagem da prática da caridade, já foram batizados, ou seja, já aceitam a disciplina, mas ainda só podem participar das giras sem atender aos consulentes. São subordinados aos Exus Cruzados. EXUS PAGÃOS ou APRENDIZES: são os iniciantes na incorporação em seus médiuns, recém-libertos das sombras; sendo os kiumbas capturados que se arrependeram dos males praticados. São conhecidos, também, por “rabos de encruza”. Por ainda estarem conhecendo o bem e ainda sendo disciplinados na conduta moral e ética, não são confiáveis, ficando sempre sob vigilância dos Exus hierarquicamente superiores e evoluídos. Os Exus, em geral, não são bons nem ruins, são apenas executores da Lei. Ogum, responsável pela execução da Lei, determina as execuções aos Exus – estes sempre trabalhando em conjunto.

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49. Tenho dificuldade para me concentrar para receber as entidades. Costumo ouvir “se concentra”, mas não sei como fazer isso. Como se concentrar para cada entidade? Em gira feita dentro de um Centro Espírita já existe um procedimento de abertura de canal com o Mundo Espiritual. Isto é feito na abertura da gira, quando nós cantamos para todas as entidades. Com isso já é feita a aproximação de todas as entidades dentro de cada gira. O Mundo Espiritual sabe muito bem quem está pronto para a incorporação ou não, mesmo sendo um médium antigo. No Mundo Espiritual seguem ordens e não existe a dúvida, são regras muito rígidas que devemos respeitar, como é o caso de seguir a hierarquia para incorporar. Por isso, uma incorporação só se dá com o consentimento do Mundo Espiritual. E uma boa concentração acaba em uma boa incorporação. Sabemos que cada entidade tem seu campo de força e de atuação. Então, para melhor se concentrar, foque seu pensamento nestes campos de força. Veja:

Para Iemanjá: se transporte para o mar, veja você brincando nas suas ondas sagradas, sinta a sua água fria e pura no seu corpo a banhar, lembre-se do gosto da água salgada em sua boca, sinta a pureza de seus pontos, sinta-se feliz e em paz. Para Oxum: envie seus pensamentos para uma cachoeira, um riacho de águas limpas, liberte-se de sua matéria, deixando o pensamento voltar-se para banhar-se nessas águas doces e maravilhosas de nossa Mamãe Oxum. Abra os seus olhos e contemple a imagem de Nossa Senhora da Glória (Oxum), simples e bela como suas águas. Para Iansã: a sua concentração irá se basear em raios, tempestades, trovões, ventos e chuva. Envie seus pensamentos diretos a sua imagem no Congá. Eleve seu pensamento e sua vontade de prestar caridade, sinta-se útil dentro do terreiro. Mostre sempre que está pronto para servir a Oxalá e Iansã. Para Nanã: concentre-se nos mangues, na chuva e em uma senhora idosa, sábia e amorosa. Sinta o peso da idade. Lembrando que, em relação ao Povo d’Água, você deve se concentrar para apenas uma das entidades, para aquela que você sente a vibração mais forte, para aquela que te arrepia e que te deixa em estado de transe. Para Ogum: como Ogum está em várias linhas, como: o mar, a terra, o mato e o espaço, você pode dirigir a concentração para vários pontos. Levante seus olhos na direção de sua imagem e contemple o seu rosto, sua armadura, seu escudo e sua

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lança. Sinta o seu poder, a sua presença, vibre com os pontos cantados. Entregue a sua mente e seu corpo. Para Xangô: Como esta Linha tem como ponto de força as pedras, as montanhas, grutas, leve seus pensamentos até estes lugares, imagine você sentado lá em cima de uma pedreira bradando e saudando a natureza e os ventos. Contemple a força e o poder do seu leão que aos seus pés deita-se com sua grandiosa beleza. Para Caboclo: pense nas matas e nas selvas. Imagine-se dentro de uma tribo de índios, com suas ocas, seus caboclos e caboclas enfeitadas com lindos penachos de penas, colorindo as suas vestimentas, sua integração perfeita com a natureza, pássaros voando pelo meio da mata virgem e você correndo em meio à natureza. Para Obaluaê: para esta entidade, a concentração só é feita por médiuns antigos e preparados. Os médiuns devem se concentrar pedindo mentalmente para que todo mal se afaste de todos dentro e fora do terreiro, que toda doença do corpo físico seja levada. E que a paz de nosso corpo volte, com a graça dos Orixás. Para as Crianças: feche os olhos e materialize em sua mente uma pracinha linda e bela cheia de árvores, lindos jardins com muitas flores, com crianças brincando, risos de alegria e felicidade. As Crianças adoram se manifestar em médiuns novos, pois para eles o fato de um médium novo ficar balançando para lá e para cá é uma brincadeira. Por isto, é preciso se concentrar bem e ter os pensamentos puros para que a incorporação se conceda logo. Para os Pretos-velhos: a concentração deve ser voltada à época da escravidão, reporte-se àquelas fazendas de café do século passado, mas sempre pensando em um negro velho, sentado em cima de um tronco de árvore com o seu cachimbo a pitar, com um cajado ao lado para lhe facilitar o seu andar, nas festas que faziam dentro de suas senzalas. Sempre que você levar o seu pensamento aos Pretos- Velhos, pense sempre em coisas boas, nunca em sofrimento. Lembrai do cruzeiro bendito. Lembrai de um Velho querido. Ciganos: leve seus pensamentos para a dança ao redor de uma fogueira, sinta a alegria e magia do povo cigano, em seus cavalos, em suas tendas, no seu baralho. Baianos: foque seu pensamento na caatinga, no sol quente, nos cactus, em sua alegria e na sua fé. Boiadeiros: pense em suas terras, em seu laço, no seu boi, na sua boiada, naquele chapéu de couro junto com seu chicote e nos pontos que são cantados e batidos através dos atabaques.

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Marinheiros: pense no mar, na vida de pescador, no gingado do balanço do mar, na alegria em aportar em terras firmes. Exus e Pombo-giras: a concentração para esta gira não é muito difícil, mas de muita responsabilidade para o médium. É uma gira muito pesada para um médium novo e ele só trabalhará com ordem do Guia Chefe do Centro. Nesta gira, a concentração é simples e perigosa. Para um médium já antigo, que conhece os fluídos de seu Exu ou da sua Pombo-Gira, fica mais fácil. Porém, para um médium novo que não conhece os fluídos do Povo da Rua fica bem complicado. Abra sua mente para os pontos cantados. O Exu da casa e chefe da gira vem primeiro. E sempre é ele quem puxa os seus compadres, podemos assim dizer. Sendo deste modo, a concentração é quase espontânea para o médium. Ligue-se nos pontos e no atabaque, para que facilite a sua incorporação.

50. Quando minhas entidades sobem, geralmente ainda fico um pouco tonto, aéreo e, às vezes, elas voltam de novo. Por que isto acontece? Toda concentração tem o seu começo e fim. Quando você estabelece um contato com o Mundo Espiritual, você abre uma linha de incorporação. Quando o médium está pronto ou em fase de desenvolvimento, você se concentra e tem a incorporação, depois há a desincorporação e a desconcentração. O fato de você cortar o pensamento no final de uma incorporação é muito importante, pois não é só porque o guia foi embora que o canal com o Mundo Espiritual está fechado. O canal só se fecha quando você pára de se concentrar. Depois que seu guia já subiu, você deve parar com a concentração, às vezes isso não é muito fácil, pois você ainda sente os fluídos da última incorporação. Leve o seu pensamento a nosso Pai Oxalá e respire fundo, bata sua cabeça no Congá pedindo força, volte para o seu lugar e fique parado. Se as pernas estiverem bambeando sente-se no banco, beba uma água, tente botar a sua mente em estado normal. Se não conseguir vá até o Guia chefe do terreiro ou ao Sacerdote. Lembre-se: não é o guia que está querendo voltar, ele sabe muito bem quais são as ordens e como cumpri-las, é o fluído da entidade que ainda está perto de você.

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51. Por que acontece de uma pessoa que é da corrente em um Centro e mesmo

assim incorpora em casa, a qualquer hora, todos os dias e várias entidades? Temos que entender que cada caso é um caso, existem muitos motivos. Às vezes, esta pessoa exacerbou em vidas anteriores com o mau uso da mediunidade e, portanto, nesta encarnação traz os resquícios daquela vida que exerceu a mediunidade com muito desequilíbrio. Às vezes, a pessoa é um médium nato, não precisa de desenvolvimento para tal (nem todos os médiuns são assim), mas esta pessoa é desregrada, indisciplinada, emocionalmente desequilibrada, se auto- obsedando e aí dá vazão ao seu desequilíbrio incorporando em qualquer lugar, principalmente dentro de casa. Às vezes, é um bom médium no terreiro, mas fora dele leva uma vida desregrada em vários aspectos: ou bebe muito, ou é sexualmente promíscua, ou tem pensamentos negativos, ou não tem o autoconhecimento necessário depositando exteriormente a responsabilidade de suas mazelas, ou é uma pessoa com muita mágoa e raiva guardada dentro de si e usa as entidades para falar o que pensa e sente, ou tudo isso junto. Desta forma, nestes momentos, abre seu campo eletromagnético para a entrada de entidades de baixo nível ou ainda entidades pagãs. Para a resolução destes processos existem caminhos, quais sejam: A pessoa tem que procurar seu Pai ou Mãe de Santo, pedindo ajuda. A pessoa precisa buscar seu equilíbrio emocional, físico, mental e espiritual. Precisa buscar o desenvolvimento de suas faculdades mediúnicas de forma disciplinada. Precisa estudar muito, para poder ter condição de controlar este processo que acontece com ela. E, acima de tudo, não enxergar a mediunidade como um castigo e um fardo, mas sim como uma oportunidade de zerar seu karma e evoluir espiritualmente.

52. Por que as entidades estalam os dedos, quando incorporadas?

Este ato é de grande importância. Nossas mãos possuem uma quantidade enorme de terminais nervosos, que se comunicam com cada um dos chakras de nosso corpo. Dentre as funções conhecidas pelas entidades está a retomada de rotação e frequência do corpo astral; também a descarga de energias negativas. O dedo polegar tem uma ligação direta com o chakra esplênico; o indicador com o chakra cardíaco; o anular, chakra básico; o dedo médio, chakra coronário; uma polegada abaixo do anular o chakra solar e, no lado oposto do dedo polegar, o chakra frontal.

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61 Desta forma, ao estalar os dedos, as Entidades estão dispersando as energias negativas, reequilibrando o

Desta forma, ao estalar os dedos, as Entidades estão dispersando as energias negativas, reequilibrando o campo magnético em volta do médium ou do consulente, além de estar enviando aos Exus mensagens para a realização de determinado trabalho. Ao estalar os dedos da mão esquerda, os Guias absorvem negatividades e fazem limpeza energética; e quando estalam os da mão direita, os Guias irradiam cargas positivas, reenergizando, acalmando e curando as pessoas.

53. Qual a diferença entre Egun e Kiumba na Umbanda? Para nós, umbandistas, Eguns são todas as almas desencarnadas e que ficam vagando no plano espiritual, perdidas. Não são más, apenas estão perdidas e sem rumo; mas quando elas se “encostam” ou seguem alguém por se sentirem mais seguras, ou porque foram atraídas pela luz daquela pessoa ou por sintonia de pensamento, acabam a prejudicando. Por isto, os eguns são doutrinados pelas Entidades para se afastarem e irem para uma colônia espiritual para evoluírem. Os kiumbas são espíritos que habitam o plano do baixo astral, as zonas umbralinas. São espíritos que ainda têm sentimentos negativos, tais como a raiva, a vingança e o ódio. São organizados, têm sua “quadrilha”, são astutos e planejam seus ataques. Têm como objetivo destruir a luz e a caridade, para poderem angariar mais adeptos para sua turma. Os kiumbas costumam prender e subjugar os eguns para usá-los como seus soldados e espiões, justamente pelo fato dos eguns serem frágeis e não ter pensamento próprio, perderam sua consciência, assim, os eguns acabam sendo

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presas fáceis dos kiumbas que, para aliciarem e prenderem, usam de artimanhas e falsas promessas de conforto, felicidade e alívio.

54. Gostaria de saber sobre a forma incorporativa e especialidades dos Pretos- velhos. Sua forma de incorporação é compacta, sem dançar ou pular muito. A vibração começa com um "peso" nas costas e uma inclinação de tronco para frente, e os pés fixados no chão. Se locomovem apenas quando chegam e quando vão embora, para as saudações necessárias (atabaque, congá, etc.) e depois sentam e praticam sua caridade (podemos encontrar alguns que se mantém em pé). É possível ver Pretos-velhos dançando, mas este dançado é sutil, apenas com movimentos dos ombros quando sentados ou batendo os pés no chão. Esta simplicidade se expande tanto na sua maneira de ser e de falar. Usam vocabulário simples, sem palavras rebuscadas. A linha é um todo, com suas características gerais, mas diferenças ocorrem porque os Pretos-velhos são trabalhadores de Orixás e trazem para sua forma de trabalho a essência da irradiação do Orixá para quem eles trabalham. Estas diferenças são evidenciadas na incorporação e também na maneira de trabalhar e especialidade deles. Para exemplificar:

PRETOS-VELHOS DE OGUM: São mais rápidos na sua forma incorporativa e sem muita paciência com o médium e, às vezes, com outras pessoas que estão cambonando e até consulentes. São diretos na sua maneira de falar, não enfeitam muito suas mensagens, as vezes parece que estão brigando, para dar mesmo o efeito de "choque", mas são no fundo extremamente bondosos tanto para com seu médium e para as outras pessoas. São especialistas em consultas encorajadoras, ou seja, encorajando e dando segurança para aqueles indecisos e "medrosos". É fácil pensar nesta característica, pois Ogum é um Orixá considerado corajoso. PRETOS-VELHOS DE OXUM: São mais lentos na forma de incorporar e até falar. Passam para o médium uma serenidade inconfundível. Não são tão diretos para falar, enfeitam o máximo a conversa para que uma verdade dolorosa possa ser escutada de forma mais amena, pois a finalidade não é "chocar" e sim, fazer com que a pessoa reflita sobre o assunto que está sendo falado. São especialistas em reflexão, nunca se sai de uma consulta de um Preto-velho de Oxum sem um minuto que seja de pensamento interior. Às vezes, é comum sair até mais confuso do que quando entrou, mas é necessário para a evolução daquela pessoa.

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PRETOS-VELHOS DE XANGÔ: Sua incorporação é rápida como as de Ogum. Assim como os falangeiros de Xangô, trabalham para causas de prosperidade sólida, bens como casa própria, processo na justiça e realizações profissionais. Passam seriedade em cada palavra dita. Cobram bastante de seus médiuns e consulentes um comportamento correto e moral. PRETOS-VELHOS DE IANSÃ: São rápidos na sua forma de incorporar e falar. Assim como os de Ogum, não possuem também muita paciência para com as pessoas. Esta rapidez é facilmente entendida pela força da natureza que os rege e é esta mesma força que lhes permite uma grande variedade de assuntos com os quais ele trata, devido a diversidade que existe dentro deste único Orixá. Geralmente suas consultas são de impacto, trazendo mudança rápida de pensamento para a pessoa. São especialistas também em ensinar diretrizes para alcançar objetivos, seja pessoal, profissional ou até espiritual. Entretanto, é bom lembrar que sua maior função é o descarrego. É limpar o ambiente, o consulente e demais médiuns do Terreiro de eguns ou espíritos de parentes e amigos que já se foram, e que ainda não se conformaram com a partida permanecendo muito próximos destas pessoas. PRETOS-VELHOS DE OXOSSI: São os mais brincalhões, suas incorporações são alegres e um pouco rápidas. Estes Pretos-Velhos geralmente falam com várias pessoas ao mesmo tempo. Possuem uma especialidade: a de receitar remédios naturais para o corpo e a alma, assim como emplastros, banhos e compressas, defumadores, chás, etc. São verdadeiros químicos em seus tocos. PRETOS-VELHOS DE NANÃ: São raros, sua maneira de incorporação é de forma mais envelhecida ainda, lenta e muito pesada, enfatizando ainda mais a idade avançada. Falam rígido, com seriedade profunda. Não brincam nas suas consultas e prezam sempre o respeito, tanto do médium quanto do consulente e de pessoas a volta como os cambonos e pessoas do terreiro em geral e principalmente do pai ou da mãe de santo. Cobram muito do seu médium, não admitem roupas curtas ou transparentes. Seu julgamento é severo. Não admite injustiça. Costumam se afastar dos médiuns que consideram de "moral fraca", mas prezam demais a gratidão, de uma forma geral. Podem optar por ficar numa casa, se seu médium quiser sair, se julgar que a casa é boa, digna e honrada. É difícil a relação com estes guias, principalmente quando há discordância, ou seja, não são muito abertos a negociação no momento da consulta. São especialistas em conselhos que formem

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moral e entendimento do nosso karma, pois isso é a sua função. Atuam também como os de Iansã e Obaluaiê, conduzindo Eguns. PRETOS-VELHOS DE OBALUAÊ: São simples em sua forma de incorporar e falar. Exigem muito de seus médiuns, tanto na postura quanto na moral. Defendem quem é certo ou quem está certo, independente de quem seja, mesmo que para isso ganhem a antipatia dos outros. Agarram-se a seus "filhos" com total dedicação e carinho, não deixando no entanto de cobrar e corrigir também, pois entendem que a correção é uma forma de amar. Devido à elevação e à antiguidade do Orixá para o qual eles trabalham, acabam transformando suas consultas em conselhos totalmente diferenciados dos demais Pretos-Velhos. Ou seja, se adaptam a qualquer assunto e falam deles exatamente com a precisão do momento. Como trabalha para Obaluaê, e este é o "dono das almas", estes Pretos-Velhos são geralmente chefes de linha e, assim, têm facilidade para trabalhar para vários assuntos, pois sua "visão" é de longo alcance para diversos assuntos, tornando-os capazes de traçar projetos distantes e longos para seus consulentes, tanto pessoal como profissional e até espiritual. Assim, exigem também fiel cumprimento de suas normas, para que seus projetos não saiam errado; para tanto, os filhos que os seguem devem fazer passo a passo tudo que lhes for pedido, apenas confiando nestes Pretos-Velhos. Gostam de contar histórias para enriquecer o conhecimento o médium e as pessoas a volta. PRETOS-VELHOS DE IEMANJÁ: São belos em suas incorporações, contudo, mantendo uma enorme simplicidade. Sua fala é doce e meiga. Sua especialidade maior é, sem dúvida, os conselhos sobre laços espirituais e familiares. Gostam também de trabalhar para fertilidade de um modo geral, e especialmente para as mulheres que desejam engravidar. Utilizando o movimento das ondas do mar, são excelentes para descarregos e passes. PRETOS-VELHOS DE OXALÁ: São bastante lentos na forma de incorporar, tornam-se belos principalmente pela simplicidade contida em seus gestos. Raramente dão consulta, sua maior especialidade é dirigir e instruir os demais Pretos-Velhos. Cobram bastante de seus médiuns, principalmente no que diz respeito à prática de caridade, bom comportamento moral dentro e fora do terreiro, ausência de vícios, humildade; enfim, o cultivo das virtudes mais elevadas.

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55. Por que os Caboclos batem no peito e estendem o braço para o alto ou para o

Congá? Os Caboclos batem no peito do seu “cavalo” para equilibrar suas emoções, possibilitando uma sintonia ou vibração mais apurada com seu aparelho para que haja um bom trabalho espiritual. Ao estender o braço para o alto ou para o Congá os Caboclos estão lançando uma “flecha de energia”, que ativa os campos de força assentados e firmados no Terreiro, conforme a necessidade do trabalho espiritual a realizar.

56. As Entidades são iguais às imagens que as representam?

Não, isto é um tabu, é um folclore. Os espíritos não têm forma e as imagens são apenas representações. As Entidades plasmam uma forma, geralmente tomam a forma / corpo de sua última encarnação ou da encarnação que mais o marcou. A fé do ser humano é volúvel e fraca. Desta forma, o homem precisa de uma representação, e a Umbanda, assim como a Igreja Católica, faz uso das imagens a

fim de estabelecer um elo entre o médium, sua fé e o Guia representado. E também

Sabemos que as Entidades trabalham em

falanges, na prática, isto significa que não existe apenas um Caboclo Tupinambá, um Exu Marabô ou um Preto Velho chamado Pai Tomé. Mas sim existem diversas Entidades que trabalham em cada uma destas falanges e, como a Umbanda é uma religião que prima pela humildade, pelo trabalho sem estrelismos, cada um dos trabalhadores destas falanges assume o nome de seu líder. Isto explica porque baixam dois, três ou mais Zé Pelintras num mesmo Terreiro, no mesmo momento – porque são diversos trabalhadores da mesma falange usando o mesmo nome. Mas e quanto à sua forma física, ou seja, quanto à sua forma espiritual? Será que todos aqueles que se apresentam como Exu Tranca Ruas usam capa e chapéu? Se houver esta regra quanto à aparência, algo não faz sentido nesta história de os espíritos trabalharem em falanges. Também não faz sentido é o fato dos Caboclos, que representam o arquétipo do nativo brasileiro, serem muitas vezes representados como os caciques norte-americanos, com aqueles cocares grandes que vão até o chão. É provável que as Pombo-giras sejam realmente bonitas, isto faz parte do seu estereótipo, mas por que será que alguns insistem em representá-las, tanto nas pinturas como nas imagens de gesso, com roupas vulgares (diferente de sensuais) e às vezes até seminuas? Talvez alguns “umbandistas” queiram reforçar o senso

há uma particularidade a este respeito

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comum de que elas eram prostitutas! Erro crasso e, se alguém discordar, que venham as pedras, mas não concordo com o senso comum. Muitas vezes esquecemos que espírito não tem forma, é energia. É provável que muitas vezes assuma a forma que lhe convém, que convém ao espírito e não a nós, que temos a ridícula tendência de mistificar e folclorizar as entidades que tanto nos servem. Umbanda é religião, não é folclore.

57. Como as Entidades conseguem se manifestar nos médiuns? Como é feito para isto acontecer? Como tudo no universo material se manifesta através de formas e estruturas, os espíritos para se manifestarem em nossa realidade espaço-tempo, em nossa consciência, em nossa “tela mental”, em nossos sonhos e em manifestações mediúnicas de incorporação, necessitam assumir formas, estruturas e aparências. Estas formas são chamadas de corpos espirituais e são de natureza semelhante às estruturas que dão forma à matéria. Existem três etapas na formação da aparência espiritual para os espíritos (ou Entidades) que trabalham na Umbanda e para todos aqueles espíritos que, de alguma forma, necessitam se apresentar em nossa realidade material. Primeiro, é preciso saber que há a unicidade espiritual, ou seja, o espírito é único e indivisível. Diferente do corpo material que é um organismo, formado pelos diversos órgãos, o espírito em sua essência é único e indefinível. Nesta sua natureza ele não consegue se manifestar aos humanos – que é o caso dos Orixás. Primeira etapa:

Polaridade espiritual: Nesta etapa, o espírito elabora sua roupagem fluídica ou o corpo espiritual. A polaridade é um conceito de natureza material e o espírito, para se manifestar nesta realidade material de espaço-tempo, necessita se polarizar. A polaridade se apresenta como Feminina ou Masculina. O espírito cria um “campo estrutural” que dará forma ao seu corpo espiritual, que poderá ser de mulher ou de homem. Segunda etapa:

Triplicidade espiritual: Aqui os espíritos escolhem a melhor opção para realizarem suas atividades, as quais melhor se adaptam às suas características. Na triplicidade, o espírito poderá assumir a forma de criança, adulto ou velho. Terceira etapa:

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Qualidade vibracional espiritual: Nesta etapa, a opção é setenária, dependo da sua natureza e dos conhecimentos adquiridos no processo evolutivo, o espírito vem trabalhar nos Terreiros Umbandistas vinculados a uma das sete vibrações existentes na natureza (sete linhas), ou seja, conforme seus compromissos com os Orixás Regentes de cada linha: Ogum, Xangô, Iemanjá, Oxossi, Oxalá, Erê, Obaluaê. Estes princípios se aplicam em qualquer linha de trabalho da Umbanda, sejam Exus, Ciganos, Baianos, etc., sempre teremos crianças (Mirim), adultos e velhos, homens ou mulheres e sempre vinculados às sete linhas.

58. Tem alguma coisa que posso fazer para facilitar a incorporação? Quando o médium está preparado para seguir o procedimento normal do aprendizado, não deve segurar as incorporações e jamais esquecer o momento certo da incorporação. Se está se chamando uma Entidade pelo ponto individual 3 o médium não deve dar passagem, exceto se for ponto de linha 4 , o momento for oportuno e permitido pelo desenrolar da gira. O médium deve facilitar a incorporação. Na Umbanda, as entidades têm incorporações típicas da linha. O índio é ereto, forte e incorpora com uma vibração firme, algumas vezes se ajoelhando e batendo no peito. O preto-velho já é mais macio na incorporação, se curva e faz o tipo de cansado e a criança o tipo infantil. Quando o ponto estiver induzindo o tipo da Entidade, o médium já deve estar psicologicamente preparado para receber e se comportar conforme o tipo da Entidade. É um erro lutar contra o espírito, ou seja, receber um índio como se fosse um preto-velho. Não é o médium que deve achar que sua Entidade tem que fazer isto ou aquilo, é a Entidade que tem seu estilo e que vai se movimentar conforme sua tipicidade. Lembrando que Exu não é aleijado e Pombo-gira não é prostituta. Ambas são entidades maravilhosas e não precisam fazer o tipo distorcido do folclore da Umbanda.

59. E a linha do Oriente existe mesmo na Umbanda? É formada por quais entidades? Sim, existe. A Linha do Oriente abrigou as diversas Entidades que não se encaixavam nas matrizes indígena, brasileira e africana, pois são profetas,

3 Ponto individual = é o ponto específico para determinada Entidade, só para aquela Entidade. Ex.:

ponto da Vovó Luiza de Guiné, ponto da Cabocla Jureminha, etc. 4 Ponto de Linha = ponto para todas as Entidades de determinada Linha: ponto para Caboclos, para os Pretos-velhos, etc.

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apóstolos, iniciados, cabalistas, ascetas, pastores, instrutores e peregrinos. A Linha do Oriente, apesar de não ser Oriente no sentido geográfico, popularizou-se no Brasil nas décadas de 50 e 60, ocasião em que as tradições orientais budistas e hinduístas se firmaram entre os brasileiros praticantes de modalidades ligadas ao orientalismo. Espíritos falando nomes desconhecidos por nossa gente, que tiveram encarnações como indianos, tibetanos, chineses, egípcios, árabes e outros, incorporavam nos terreiros do Brasil, ao lado das linhas de ação e trabalho dos caboclos e pretos-velhos, sem esquecermos os espíritos ciganos. Estas entidades preservam conhecimentos milenares de magia e de cura. São sábios que ajudam seus irmãos encarnados, independentemente de sua origem religiosa. São espíritos que não encarnam mais, mas que querem auxiliar os encarnados e desencarnados em sua evolução espiritual, transmitindo seu conhecimento e sabedoria. Os mais altos conhecimentos esotéricos da antiguidade são conhecidos, no plano astral, pelas entidades que se manifestam nesta Linha. São conhecimentos magísticos e espiritualistas desaparecidos no plano material e preservados no astral, mantidos com estas entidades, cada qual com o conhecimento da religião de seu povo. A Linha do Oriente tem enviado uma quantidade imensa de espíritos para a Corrente da Umbanda, as quais vêm com a missão de humanizar corações endurecidos e fecundar a fé, os valores espirituais, morais e éticos no mental humano. Diversos terreiros umbandistas não têm por hábito trabalhar com esta linha, talvez por a desconhecerem ou desconhecerem os benefícios que os povos ligados às suas diversas falanges podem nos proporcionar. Se as evocarmos, com certeza seus Guias nos darão a cobertura e as orientações necessárias e os consulentes poderão usufruir de seus magníficos trabalhos, principalmente relacionados à cura, campo em que gostam de atuar. A Linha do Oriente é regida por Oxalá, irradiador da fé para a dimensão humana, com entidades atuando nas vibrações de diversos Orixás. A Linha do Oriente ainda está atuante e beneficiando aqueles que a invocam e a oferendam. A saudação para esta linha é “Salve o Povo do Oriente” e também “Salve o Povo da Cura”.

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60. Como se sabe que uma Entidade é de uma determinada Linha e outra Entidade de outra Linha? Sabe-se através do nome da Entidade (nome completo), seu ponto riscado e ponto cantado de raiz 5 . Nesta questão, irei me ater aos nomes das Entidades. A Umbanda não é só magia, existe uma Ciência Divina que fundamenta nossa religião, por meio da qual é possível fazer uma correta interpretação dos nomes das Entidades, dos Guias e Exus. Existe grande curiosidade sobre a força e regência na qual nossas Entidades e Exus trabalham, pois todos estão atuando no campo de um ou mais Orixás. É importante salientar que o Orixá de Cabeça do médium não necessariamente é determinante para identificar com qual Entidade o médium trabalha ou vai trabalhar. Para interpretar os nomes precisa-se da chave interpretativa, que é a correta relação entre os elementos dos nomes e seus Orixás correspondentes. Por exemplo, se montanhas são de Xangô, Caboclo tal da Montanha, Exu Montanha e todas as entidades e guias com “sobrenome” Montanha são de Xangô, assim como Caboclo Sete Montanhas, Exu Sete Montanhas e todas as entidades e guias com “sobrenome” Sete Montanhas são de Xangô, trabalhando nas Sete Linhas de Umbanda. E assim por diante. Também é preciso conhecer as forças, campos, verbos e ações relacionados aos Orixás, como por exemplo: cortar, arrancar, romper, abrir, trancar, girar, virar. Desta forma, identifica-se a qual falange pertencem. Exemplo:

Ação abrir pertence a Ogum, sendo assim, dá origem às falanges:

Abre Caminho (Ogum/Ogum) Abre Rio (Ogum/Oxum) Abre Matas (Ogum/Oxossi) Abre Tudo (Ogum/Oxalá) Abre Calunga (Ogum/Obaluaê).

E com identificação do elemento principal, como: “pedra” ou “pedreira” (Xangô), “água ou cachoeira” (Oxum), “estrada” (Ogum), etc. vai-se localizando o campo de atuação:

Pedra Preta (Xangô/Obaluaê)

5 Ponto cantado de raiz = é o ponto trazido pela Entidade, ninguém conhece, é Eró, não é cantado pelas pessoas. Pertence à Entidade, ao Guia, e designa quem ele é, de onde vem, qual linha trabalha. A Entidade fornece seu ponto cantado de raiz quando se apresenta e risca seu ponto, em uma cerimônia específica para isso, a obrigação.

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Pedra de Fogo (Xangô/Xangô ou Ogum) Pedreira das Almas (Xangô/Obaluaê) Pedreira de Ferro (Xangô/Ogum) Pedreira de Ouro (Xangô/Oxum). Por mais que se conheça a chave de um nome, é muito comum a Entidade não revelar seu nome por inteiro. Posso saber que trabalho com Exu Tranca Ruas, um Exu de Ogum, no entanto, ele pode ser Tranca Ruas das Matas, logo vai voltar-se a Oxossi, então, ele é um Exu de Ogum atuando no campo de Oxossi. Ainda assim não é suficiente para identificar o nome da Entidade. Sua correta revelação dever ser feita somente nas obrigações, com a própria Entidade dando a interpretação. No nosso blog há uma lista com vários nomes de Entidades e sua regência. Endereço do blog: http://luzdivinaespiritual.blogspot.com.br

61. O que são as Yabás? Yabás são as Orixás femininas (Iemanjá, Oxum, Iansã, Nanã), representantes da Linha d’Água, corrente sagrada de Umbanda que lida com o mundo das emoções. Oxum é um Orixá feminino que habita o domínio natural das águas doces, dos rios e cachoeiras. Tem seus domínios na riqueza, na beleza, na prosperidade e no amor. É em Oxum que encontramos as bênçãos matrimoniais, uma vez que ela é a responsável por todas as uniões, inclusive as financeiras. Enquanto Iemanjá é quem confere as bênçãos do lar, à união que trará filhos e consagrará uma nova família. Mas é de Oxum que mora o símbolo da sensibilidade e da emotividade. Por isto, muitas vezes derrama lágrimas ao incorporar em alguém, característica que se transfere a seus filhos, identificados por chorões. E como choros podem ser compreendidos como expressão tanto de alegria quanto de tristeza, a lágrima também guarda a força da Linha d’Água. E também tem Nanã, sendo a Yabá mais velha, é a possibilidade de se conhecer a morte para se ter vida, é a senhora das mudanças de estado de vida (nascimento, morte). Nanã é a avó bondosa, carinhosa, compreensível, sensível, mas também com suas rabugices.

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CAPÍTULO 4

FUNDAMENTOS, RITOS E ELEMENTOS RITUALÍSTICOS

62. Qual a diferença entre Fundamento e Rito?

Fundamento: é um conjunto de princípios de um sistema, ou seja, é tudo que fundamenta e direciona os trabalhos da Umbanda. É a sua doutrina, sua filosofia, seus conceitos, suas leis, suas diretrizes e sua teoria. Há o fundamento da Umbanda, com suas leis para a prática desta religião; e há o fundamento da Casa ou Terreiro, o qual estabelece suas linhas de força, de trabalho e de culto, assim como a missão da Casa. O fundamento do Terreiro é estabelecido pelos Dirigentes Espirituais. Os fundamentos (da Umbanda e do Terreiro) interferem e determinam o resultado final dos trabalhos realizados. São fundamentos da Umbanda: os Orixás da Umbanda, a prática da caridade (não cobrança pelos trabalhos), as Entidades, as características de cada Linha, as formas de atuação da espiritualidade, toda a teoria sobre a religião, o uso do branco, a formação da corrente, o uso de ervas, uso de pemba, pontos riscados, pontos cantados, Congá, e o não uso de sangue e de

sacrifícios de animais. São fundamentos do Terreiro: número de sessões e sua periodicidade, normas da casa, defumação, assentamentos e firmezas. Rito ou ritual: rito é um conjunto de rituais litúrgicos, ou seja, é tudo que existe de ritual dentro das sessões do Terreiro. O rito é tudo aquilo que não interfere no resultado final dos trabalhos, nem na missão da Casa e nem pode ser contrário aos Fundamentos da Umbanda. É estabelecido pelo Pai ou Mãe de Santo. É um conjunto cerimonial de práticas com a finalidade de organizar o ambiente para a realização de uma tarefa. Assim, permite aguçar e ordenar o pensamento de todos em uma só direção. A Umbanda procura disciplinar o médium para uma sintonia mais fácil e harmoniosa com os Guias. Nós, em nosso atual estado evolutivo, ainda precisamos de um ponto de apoio (elementos) para dirigir a mente ou comandar nossa vontade. Elementos de rito ou ritualísticos: atabaque, bater palmas, saia rodada ou não, guias (colares), sineta litúrgica, procedimentos litúrgicos.

63. Como funciona um terreiro de Umbanda?

O culto e a prática da Umbanda dividem-se em três partes: a física, a mediúnica e a espiritual. Física é o terreiro, mediúnica são os médiuns e espiritual os espíritos e

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toda força invisível que atua sobre a física e a mediúnica. No terreiro é onde se praticam os trabalhos espirituais. Dentro da construção física, o espaço central é onde se faz as giras e está localizado o Congá. No meio do terreiro, nos 4 cantos e no Congá tem a segurança da Casa e dela é que vem todo o axé do Terreiro. Em volta ou perto da porta da entrada fica a parte destinada à assistência. Quando se entra no terreiro no espaço destinado aos trabalhos, é respeitoso fazer o sinal da cruz com as mãos no chão ou bater o dedo indicador neste, levá-lo à testa, na cabeça e na nuca em respeito à segurança da esquerda e cumprimentar mentalmente, saudando a Umbanda, o Pai de Cabeça e sua segurança da esquerda. É um ato que faz parte do ritual e é demonstração de respeito com a Umbanda ou com o Orixá que se está cumprimentando. Defronte ao Congá deve-se deitar de bruços e bater cabeça. Os terreiros têm a proteção de um dos sete Orixás e seus trabalhos sempre são abertos com a proteção da linha. Os trabalhos são abertos com a chamada desta linha, para depois ser chamada outra. A proteção da Quimbanda fica por conta do Exu protetor do Pai ou Mãe de Santo na esquerda. O correto é iniciar os trabalhos com o Hino da Umbanda, a defumação, os pontos de abertura dos trabalhos, o chamado dos espíritos para arriarem e trabalharem. Chama-se pontos de chamada ou linha. Ponto de linha é quando se faz o chamado dos espíritos, em geral dentro de suas respectivas linhas. Quando se canta o ponto de linha, qualquer entidade da linha chamada pode arriar. Para eles deixarem o terreiro, canta-se o ponto de subida, é quando, em um terreiro organizado, todos devem se despedir sem a necessidade da hierarquia ordenar verbalmente. O ponto individual é para chamar um determinado espírito. Normalmente, é ele quem deixa a letra e música que funciona como um mantra. A entidade está na Aruanda ou em algum lugar, quando houve que está sendo cantado em algum Terreiro o seu ponto individual, imediatamente ele atende e arria. O ponto cantado é muito respeitado pelas entidades e um não incorpora no ponto do outro. A não ser que não seja entidade e sim um kiumba. Todo terreiro tem em sua entrada uma pequena casinha à esquerda onde está assentada a segurança do Exu protetor da casa. Este local chama-se Tronqueira. Dentro, estão as armas do Exu, como a segurança do centro do terreiro e permanece sempre alimentado com velas, bebidas, charutos e, às vezes, comidas (amalás). Sua função é cuidar da segurança externa do terreiro, por isto deve-se cumprimentá-la antes de entrar no terreiro. À direita da entrada tem outra pequena casinha (Casa das Almas) onde está assentada a segurança do

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Preto ou Preta Velha do Terreiro. Também deve-se cumprimentar fazendo-se o sinal da cruz no chão. O cumprimento da linha de esquerda é com a mão esquerda e da linha de santo com a mão direita.

com a mão esquerda e da linha de santo com a mão direita. 64. Quais são

64. Quais são os pontos vibracionais de um Terreiro? Os pontos vibracionais são toda e qualquer forma de magnetização em determinado local, de sintonias adequadas à proteção do ambiente. Dividem-se em 3 grupos:

internos, externos e defesa. 1) Pontos vibracionais externos São aqueles que se localizam na parte externa da Casa. São eles:

Tronqueira: firmeza para o Exu e Pombo-gira guardiões da Casa. Casa das Almas: local de firmeza das Almas Benditas e Pretos-velhos. Neste local acendem-se as velas para os desencarnados e para os pretos-velhos dirigentes do Terreiro. Casa dos Orixás: local de assentamento de Ogum para este ajudar a barrar fora do Terreiro as influências espirituais negativas. É um local de alta vibração, onde ficam também os assentamentos de Orixá dos médiuns, assim como é o local onde se fazem as oferendas para todas as Linhas. O médium deve manter uma atitude de extremo respeito, falando apenas o estritamente necessário e trajando sua roupa branca quando ali entrar. Cozinha: onde são feitas as comidas a serem ofertadas aos Orixás. Quando a cozinha estiver sendo usada com esta finalidade, nenhum médium deve entrar sem autorização. O médium, se for convidado a ajudar, deve manter uma atitude de extremo respeito, falando apenas o necessário e trajando roupa branca e com pano de cabeça. Os médiuns que estiverem próximos devem falar baixo e só se dirigir aos

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que estão trabalhando na cozinha se estritamente necessário. Antes de começar a ser utilizada com fins religiosos, uma vela branca deve ser acesa junto a um copo d’água, em local apropriado a este fim. 2) Pontos vibracionais internos São aqueles que se localizam na parte interna da Casa (parte interna é toda aquela que fica da porta para dentro). São eles:

Quartinha de Oxalá: fica acima da porta de entrada da Casa, do lado de dentro, junto com o Anjo de Guarda. Representa um ponto de atração de energias positivas vindas de Oxalá e que são irradiadas a todos que passam por ali. Assentamento: assentamento para o Chefe Espiritual da Casa, e que somente os filhos da casa têm conhecimento. Congá: altar dos Orixás, lugar de concentração de todas as energias dos Orixás e Entidades, onde ficam seus elementos de fixação de vibração: otás, flores, imagens, etc. Atabaques: também são considerados Orixás. Por isto devem ser tratados com respeito, sem brincadeiras e serem cobertos com pano branco quando não estão sendo utilizados. Só os Ogans e as Entidades do dirigente podem tocar neles. Anjo da Guarda: local onde os médiuns acendem as velas aos seus Anjos de Guarda. Geralmente, fica próximo ao Congá. 3) Pontos vibracionais de defesa:

São todos aqueles realizados com a finalidade de evitar a interferência espiritual de visitantes mal intencionados. São eles:

Pararraio: localiza-se sob 6 o Congá. Serve para descarregar energias negativas que possam ocorrer durante as sessões. Consiste em diversos elementos de proteção, encimados por uma barra de aço que atravessa uma tábua com um ponto riscado de descarga. Por este motivo, os filhos devem bater cabeça no Congá depois de desincorporar. Firmeza dos 4 cantos: assentamento realizado sob o piso, nos quatro cantos do Terreiro, das entidades regentes da coroa do dirigente da Casa e/ou regentes espirituais desta.

6 Sob = abaixo, embaixo

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65. Quais são os rituais em uma gira ou sessão?

Há dois tipos de sessões ou giras: de desenvolvimento e de trabalho ou caridade. As giras de trabalho (ou caridade) são sessões públicas, onde os guias incorporam nos médiuns para atender ao público. As giras de desenvolvimento são sessões privadas aos médiuns da casa, para treinamento da mediunidade. Lembre-se que num Terreiro muitas energias são usadas, portanto, não use metais

no corpo (colares, pulseiras, brincos, relógios).

As giras podem variar de casa para casa, sendo que cada Terreiro determina os seus rituais, dias e o horário, mas em geral podemos padronizar as giras da seguinte forma:

Defumação: Antes da abertura vem a defumação. A defumação é feita no Congá, nos quatro cantos do terreiro, nas guias e no corpo da Mãe ou Pai de Santo, daí segue a corrente: médiuns, capitão e auxiliares, assistência.

Oração: É feita a prece que oficializará a abertura dos trabalhos. Esta prece é feita com um Pai-Nosso e uma Ave-Maria seguida de um pronunciamento de fé do Pai ou Mãe de Santo. No momento da oração, todos devem estar ajoelhados e nenhum atabaque toca. O silêncio e a concentração na hora da oração são imprescindíveis. Abertura da gira: Começa com o ponto cantado de Abertura de Gira e são feitas as saudações a Oxalá e a todos os Orixás. Em alguns Centros é cantado o Hino da Umbanda. Depois são puxados os pontos de saudação aos Orixás regentes da coroa do dirigente. Proteger os trabalhos: antes de começar (abrir) a gira são cantados pontos para os Exus e Pombo-giras guardiões da Casa, a fim de que estes entrem no Terreiro (não

incorporação nesta parte) e retirem todos os pontos negativos, inclusive retirando

os

kiumbas (espíritos não doutrinados) e protegendo a porta (porteira) do Terreiro,

para que os médiuns não incorporem estes espíritos que, muitas vezes, querem se fazer passar por uma entidade. Ritual da Toalha: O ritual da Toalha é o ato de bater a cabeça colocando-se de

bruços e deitado em frente e aos pés de seu Sacerdote (Pai ou Mãe de Santo), com

a

cabeça voltada e prostrada na toalha. Este ritual significa a solicitação

da

bênção do seu Pai Espiritual e do seu Orixá, representando um ato de humildade,

obediência e resignação aos preceitos religiosos, como também a aceitação daquela Casa e seus mentores como seus condutores no caminho dos serviços de Zambi e

de nossa religião. É a submissão aos ordenamentos divinos e o reconhecimento de

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sua opção religiosa. As mãos voltadas com as palmas para cima, neste momento, no mesmo nível que a cabeça, é que vão complementar o recebimento das emanações vibratórias positivas de Zambi, dos Orixás cultuados na Umbanda e dos Orixás da Casa Sagrada daquele filho de fé. Neste instante deve o filho e médium, em uma prece mental rápida, pedir auxílio para um melhor desempenho de suas funções mediúnicas, recebendo o axé dos Orixás donos daquela Casa Sagrada. O respeito aos seus Sacerdotes é fundamental e definitivo no caminho da espiritualidade, pois são eles que vão ser os condutores de sua vida espiritual e religiosa. Não insista em se achar uma exceção, porque não há exceções no caminho onde a humildade deve ser seu precursor em busca do aprendizado religioso. Bater cabeça: Este é o ato de submissão em que nos abaixamos diante de todos os Orixás, pedindo sua proteção. O médium se abaixa e toca suavemente a testa no chão, mostrando respeito pela terra que toca e sendo humilde ao se abaixar diante da espiritualidade. Em primeiro lugar bate cabeça no Congá, depois nos quatro cantos (em X), em seguida para os Pais de Santo, depois Pai e Mãe Pequeno do terreiro, seguido dos ogans. O ponto de bater cabeça é tocado, porém existe um ponto especifico para a Mãe/Pai de Santo e outro para os demais. Após o ato de bater cabeça, todos estão prontos para receber os Orixás. Os trabalhos (a incorporação, passes, consultas): São chamadas as Entidades que virão para trabalhar neste dia. As Entidades sempre serão chamadas na ordem de hierarquia da Casa. Esta é, sem dúvida, a parte mais longa da gira. Se for dia de homenagem a algum Orixá, a homenagem será antes dos passes e das consultas. Fechamento: Após o atendimento, é feito o fechamento com uma oração (Pai-Nosso e Ave Maria e um pronunciamento de fé sobre o trabalho) que oficializará o fechamento dos trabalhos e da corrente. Após a oração é cantado um ponto de fechamento de giras (trabalhos). Assim, são dados os trabalhos por encerrado neste dia. Obs.: pedir a bênção aos Sacerdotes: o médium umbandista deve, sempre que entrar ou sair de sua Casa Sagrada, saudar e tomar a bênção de seus Sacerdotes (Pai ou Mãe de Santo, Ogans, Pai e Mãe Pequeno), tomando entre suas mãos a mão de seu Pai Espiritual beijando-a respeitosamente, levando-a até sua testa e trazendo-a de volta à posição normal. Quando isto ocorre o filho está reconhecendo que seu Pai ou Mãe Espirituais é o seu orientador que o conduzirá dentro

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da doutrina religiosa. Ao levar sua mão até a própria testa representa, neste ato, seu desejo de que aquelas mãos preparadas o conduzam nos serviços da espiritualidade, representando ainda a humildade de que se serve para prosseguir em seu aprendizado e iniciação religiosa. Ao beijar a mão de seu Sacerdote está admitindo que o respeita como intermediário entre ele e os Orixás, bem como os espíritos que o assistem, manifestando seu desejo de ser abençoado pelos Orixás responsáveis pelos seus Sacerdotes e da Casa onde está se iniciando.

66. O que são os pontos cantados? Os pontos cantados da Umbanda são cânticos invocando as Entidades, marcando o início de sua incorporação ou desincorporação, para criar formas mágicas para determinados trabalhos, para abrir e fechar sessões no Terreiro, para pedir forças espirituais, para afastar espíritos maus, para pedir maleime (perdão) e outras diversas finalidades. Expressam uma mensagem, uma emoção, um sentimento, uma imagem, um alerta, etc. Os pontos cantados são verdadeiras preces, quando bem cantados, em cujas letras realmente há imagens positivas, que elevam o tônus vibracional (energético) de todos, facilitando a atuação das Entidades espirituais em determinados médiuns e mesmo nos consulentes. O ponto cantado é o caminho vibratório por onde "anda" a gira. É o verbo sagrado, portanto, entoe-os adequadamente, harmoniosamente. Curimba é o conjunto de instrumentos que formam a música do terreiro. Tradicionalmente, a base de toda curimba são os atabaques. Os atabaques são considerados sagrados e são cruzados pelas Entidades. Eles têm nome: Rum (o maior), Rumpi (o médio) e Lê (o pequeno). No início, a Umbanda não usava a música, só as palmas que mantinham o ritmo dos pontos cantados. Isto porque a Umbanda era proibida e o som na noite indicava os locais das sessões, que eram feitas às escondidas. A Umbanda é regida pela música. Todo seu ritual é por ela comandado, o que se chama ponto cantado. Juntamente com o som dos atabaques forma-se uma corrente magnética e, quando nos concentramos para o inicio de uma incorporação, somos envolvidos por estes sons mágicos, fazendo nosso corpo vibrar em sintonia facilitando, assim, este processo. Em realidade, os pontos cantados são verdadeiros mantras, preces, rogativas que dinamizam forças da natureza e nos fazem entrar em contato íntimo com as forças espirituais que nos regem. Existe toda uma magia e ciência por trás das curimbas que, se entoadas com conhecimento, amor, fé e racionalidade,

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provoca, através das ondas sonoras, a atração, coesão, harmonização e dinamização de forças astrais sempre presentes em nossas vidas. Todas as Linhas da Umbanda têm seus pontos cantados próprios, com palavras-chave específicas e a justaposição de termos magísticos, de forma que o responsável pela curimba (Ogan) deve ter conhecimento do fundamento da canção. Em algumas ocasiões determinadas pessoas, até com boas intenções, mas sem conhecimento, puxam pontos em horas não apropriadas e sem nenhuma afinidade com o trabalho ora realizado. Tal fato pode causar transtornos à eficácia do que está sendo feito, uma vez que podem atrair forças não condizentes àquele trabalho, ou ainda despertar energias contrárias ao trabalho espiritual. Quanto à origem, os pontos cantados dividem-se em Pontos de Raiz (enviados pela espiritualidade) e pontos terrenos (elaborado diretamente por médiuns intuitivos). Os Pontos de Raiz ou espirituais jamais podem ser modificados, pois se constituem em termos harmoniosa e metricamente organizados, ou seja, com palavras colocadas em correlação exata, que fazem abrir determinados canais de interação físico-astral, direcionando forças para os mais diversos fins (sempre positivos). No que concerne aos pontos cantados terrenos, a espiritualidade os aceita, desde que pautados na razão, bom senso e fé de quem os compõe. Quanto à finalidade, os pontos cantados podem ser:

Tipos de pontos

Finalidade

Pontos de chegada e partida

São cantados para a incorporação e desincorporação das entidades nos médiuns.

Pontos de vibração

São cantados para atrair a vibração de um determinado Orixá ou Guia para os trabalhos do terreiro.

Pontos de defumação

Para serem usados apenas durante a defumação.

Pontos de descarrego

São cantados quando se fazem descarregos.

Pontos de fluidificação

São cantados durante os passes, ou em momentos em que algum elemento esteja sendo energizado no terreiro.

Pontos contra demandas

São cantados apenas quando solicitados pelo guia incorporado, quando o mesmo julgue necessário.

Ponto de abertura e fechamento de trabalhos

São cantados no início e no final das sessões.

Pontos de firmeza

São cantados com objetivo de fortalecer um trabalho que esteja sendo realizado no terreiro.

Pontos de doutrinação

São cantados quando um espírito sofredor está sendo encaminhado.

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Tipos de pontos

Finalidade

Pontos de segurança ou proteção (são cantados antes dos de firmeza)

São cantados com objetivo de fortalecer a corrente contra as más influências antes de algum trabalho a ser realizado.

Pontos de cruzamento de linhas e Pontos de cruzamento de falanges

Servem para atrair mais de uma vibração ao mesmo tempo, com objetivo de que trabalhem em conjunto.

Pontos de cruzamento de terreiro

São cantados no momento em que o terreiro está sendo cruzado, para início da sessão.

Pontos de consagração do Congá

São cantados para homenagear os Orixás e Guias responsáveis pela Direção da casa espiritual.

Pontos de boas vindas

São cantados para saudar o dirigente de outra casa que esteja presente à sessão, e para convidá-lo a adentrar o terreiro, caso deseje.

Pontos de homenagem

São cantados para homenagear os Orixás e Guias.

E outros mais, consoante a finalidade a que se destinam.

67. O que são pontos riscados e para que servem?

Pontos riscados são a grafia dos Orixás, são símbolos magísticos que abrem ou fecham portas, que trazem ou repelem energias, ativam ou desativam forças astrais

e da natureza. Além disso, é a assinatura, é o emblema de determinada entidade. O

instrumento utilizado para riscar um ponto chama-se pemba, que é um giz em forma oval. É pela grafia, pela lei de pemba, que podemos afirmar se é um caboclo, um preto-velho, qual preto ou qual caboclo e assim por diante. É uma forma de

identificação, mas também de força, ativação e facilitação dos trabalhos.

O valor mágico de um ponto riscado é muito grande. Cada entidade tem o seu ponto

riscado característico, além daqueles que estas utilizam para determinados trabalhos.

Alguns elementos básicos dos pontos riscados:

Ponto – o Ser Supremo, a origem. Uma linha reta – o mundo material. Duas linhas retas – o princípio, o masculino e o feminino.

Uma linha curva – a polaridade. Dois traços curvos – as duas polaridades: positiva e negativa. Um triângulo de lados iguais – a força divina, a tríplice aliança da Umbanda (Zambi, Orixás e Entidades).

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Hexagrama (estrela de seis pontas) – todas as forças do espaço, Oxalá.

Um quadrado – os 4 elementos (água, terra, fogo e ar). Um pentagrama (estrela de Davi) – representa a Linha do Oriente (Povo Cigano). Três estrelas – representam os Pretos-velhos e Almas benditas. Círculo – o universo, a perfeição, ponto de força. Um círculo com dois diâmetros entre si – o plano divino, o quaternário espiritual. Círculos menores e semicírculos – as fases da lua (símbolo de Iemanjá), forças de luz, inclui Iansã. Sol – símbolo de Oxalá. Espiral para fora – indica chamamento de força, retirando demanda.

Seta (reta ou curva) e arco – irradiação de Oxossi (caboclo). Balança, machado ou rocha – símbolos de Xangô. Nuvem – símbolo do Povo do Oriente e também de Iansã. Raio – símbolo de Iansã. Espada curva – símbolo de Ogum. Espada reta – símbolo de Iansã. Bandeira branca com cruz grega vermelha – símbolo de Ogum.

Flor e coração – símbolos de Oxum. Coração com uma cruz no interior – símbolo de Nanã. Traços pequenos na vertical (chuva) – símbolo de Nanã. Folhas ou plantas – símbolos de Oxossi. Tridentes – símbolos para Exu e Pombos-giras; garfos curvos para a Calunga e retos para a Rua (pode haver ou não caveira). Cruz latina branca – cruz de Oxalá. Cruz latina com pedestal – símbolo de Omulu / Obaluaê. Estrela Guia (com cauda) – símbolo do Povo Cigano.

Lemniscata (oito deitado) – símbolo do infinito e do Povo Cigano. Cordão com nó ou um pano – símbolo das crianças. Conchas do mar – símbolo das crianças. Água / ondas – símbolo de Iemanjá (mar). Traço ou linha curva com círculo nas pontas – símbolo de força, amarração e descarrego. Rosa dos Ventos – chamamento de força ou descarrego. Palmeiras ou coqueiros – Força dos Pretos-Velhos

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Traço com três semicírculos nas pontas – descarrego e força.

Evidentemente, as entidades se utilizam dos desenhos aqui representados cada qual com sua maneira e necessidade, de acordo com o trabalho a ser realizado, sendo que nós só poderemos saber exatamente seu significado apenas quando indagamos da entidade o porquê da utilização daqueles determinados desenhos no ponto riscado.

68. Qual a necessidade ou a importância do uso de roupas brancas?

A roupa branca representa a pureza e a simplicidade. Além disso, o branco é a cor

que protege o médium das vibrações negativas, pois é uma cor refletora, a qual não retém estas energias, sendo, portanto, neutra para os trabalhos espirituais. Vale lembrar que sua roupa branca de trabalho deve ser tratada de maneira especial, usada exclusivamente para este fim, deve ser vestida dentro do Centro (e não vir de

casa com ela) e ser lavada à parte de outras roupas. É interessante enxaguá-la com sal grosso na água e/ou anil.

69. O que são cambonos ou cambones?

Cambone é o médium iniciante que tem como atividade auxiliar as Entidades, os médiuns e os dirigentes do Terreiro. Como auxiliar das entidades, cabe ao cambone ser o intérprete da mensagem entre

a entidade e o consulente, além de um defensor da entidade e da integridade física

do médium. Cabe a ele cuidar do material da entidade, orientar o que acontece em

sua volta e também ajudar o entendimento do consulente, pois a linguagem da entidade nem sempre é entendida, mas ao cambone fica claro já pela sua intimidade com o comportamento da entidade que ele serve. Ao cambone é dada uma oportunidade especial de conhecer mais a Umbanda e a forma das entidades trabalharem, porque seu contato é direto. Como o cambone tem como obrigação ouvir o que a entidade ouve e fala, seu conhecimento aumenta consideravelmente.

Funções:

Servir à entidade e ao médium

Colaborar, física e espiritualmente, com o médium e com a entidade, antes, durante e depois do trabalho.

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Orientar o consulente quando este não entende: banhos, entregas, novas consultas, vibrações e o que for necessário.

Prestar muita atenção na consulta, para não ser infringida nenhuma regra ou regulamento da casa e, notando alguma anormalidade, deve ser comunicado ao chefe de cambone ou ao pai e mãe pequeno e, conforme o caso, o pai ou mãe- de-santo.

Deve apresentar honestidade e sigilo absoluto, não devendo nunca contar a ninguém o teor das consultas, a não ser ao pai ou mãe-de-santo, para auxílio ao consulente.

Não pode incorporar quando está atendendo a uma entidade, exceto quando autorizado pela entidade a quem estiver servindo.

70. Qual a função das ervas?

Sem as ervas não se tem axé (força de vibração) nos trabalhos. As ervas são usadas para trazer energias boas e positivadas, tirar energias ruins e maléficas, e, em muitos casos, trazer a resposta de algo que é necessário para a pessoa que a usa. As ervas também são usadas para lavar e sacralizar os objetos rituais, para purificar a cabeça e o corpo dos médiuns e sacerdotes nas obrigações, para curar as doenças e afastar males de todas as origens. O elemento vegetal é muito importante para a manutenção e equilíbrio dos seres vivos. Através de processos variados os vegetais retiram a energia da natureza, seja através do sol, da lua, dos planetas, da Terra, da água, etc. As ervas também são utilizadas para os mais diversos objetivos nos banhos de ervas. Há banhos para todos os fins na Umbanda: limpeza, fixação, descarga, purificação, consagração, equilíbrio, paz, prosperidade, cura, etc. Há banhos feitos macerados (amacis), outros cozidos, uns podem, outros não podem ser aplicados na cabeça. Só podem ser aplicados na cabeça os banhos relativos aos seus Orixás de cabeça. E toda esta magia está baseada nas propriedades de cada erva.

71. Eu posso usar as ervas para banho quando eu quiser ou sentir necessidade?

Não, não é assim. As ervas devem ser usadas de forma correta, com orientação das entidades e/ou Pai ou Mãe de Santo, pois estes conhecem como devem ser usadas (in natura ou feito amaci), quando devem ser colhidas, e qual função cada uma

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possui. As ervas são diretamente influenciadas pela natureza. A lua e o sol são os astros que muito influenciam na absorção da energia vital, e os umbandistas devem conhecer estas influências. Dentre as quatro fases lunares, que tem duração de sete dias cada, tem-se duas fases chamadas de quinzena positiva, propícia para a colheita de ervas para rituais diversos na Umbanda (banhos, defumações, etc.) e, nas outras duas, tem-se a quinzena negativa, pois a concentração de energia, nas

folhas, frutos e flores, é muito baixa. Os vegetais são condensadores das energias solares e espirituais. Há ervas que recebem influxos mais diretos de certos planetas ou satélites naturais, sendo, portanto, ervas particulares destes planetas. Os planetas são a concretização de certos Campos de Forças de um determinado Orixá, assim, por extensão, tem-se as ervas de determinado Orixá.

A Lua Nova é a primeira fase da quinzena positiva, pois a energia vital concentra-se

na parte superior do vegetal, isto é, nas folhas, frutos, flores e caules superiores.

Assim, é uma das fases propícias para a colheita de elementos vegetais.

A Lua Crescente é a fase complementar ou segunda fase da quinzena positiva. A

energia vital ainda está nas folhas, flores e frutos. Então, ainda e uma fase propícia para a coleta das ervas.

A Lua Cheia é a fase que está na quinzena negativa, não sendo o melhor ciclo para

a colheita de ervas para efeitos ritualísticos, pois a energia vital está no caule principal e dirige-se às raízes, para completar o ciclo.

A Lua Minguante não é uma fase propícia para a colheita de ervas, pois está na

quinzena negativa, sendo que a energia está concentrada nas raízes. Resumindo, as fases propícias para a colheita das ervas são na Lua Nova e Crescente; as fases em que não se deve colher as ervas são na Lua Minguante e Cheia. Se for possível coletar pessoalmente as ervas, além de observar a fase da lua, tem o horário adequado, que é logo ao amanhecer e, antes de colher, deve-se pedir licença a Oxossi. É importante que, no instante em que for retirar as ervas, mentalizar pedindo para que, na finalidade desejada, possa usufruir de todas as energias que estão contidas nestas ervas.

72. Quais são as ervas de vibração de cada Orixá? Veja o quadro a seguir:

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Orixás e Entidades

Ervas

Exu

Pimenta, capim tiririca, arruda, salsa, hortelã

Iansã

Catinga de mulata, Cordão de frade, Gerânio cor-de-rosa ou vermelho, Açucena, Folhas de Rosa branca, Erva de Santa Bárbara, Espada de Santa Rita, folhas de bambu, verbena

Ibeiji

Jasmim, alecrim, rosa branca

Nanã

Colônia, Manjericão Roxo, Taioba (não serve para banho), Ipê Roxo, Erva de Passarinho, Dama da Noite, Folha da Quaresma, Jarrinha, Parioba, Golfo Redondo, Canela de velho, Salsa da Praia, Manacá

Obaluaê

Canela de Velho, Barba de Velho, Erva de Passarinho, Cinco Chagas, Fortuna, Hera

Ogum

Aroeira, Pata de Vaca, Carqueja, Losna, Comigo Ninguém Pode, Folhas de Romã, Espada de S. Jorge, Flecha de Ogum, Cinco Folhas, Macaé, Folhas de Jurubeba

Oxalá

Poejo, Camomila, Chapéu de Couro, Erva de Bicho, Cravo, Coentro, Gerânio Branco, Arruda, Erva Cidreira, Erva de S. João, Alecrim do Mato, Hortelã, Alevante, Erva de Oxalá (Boldo), Folhas de Girassol

Oxossi

Malva Rosa, Mil Folhas, Sete Sangrias, Folhas de Aroeira, Folhas de fava de Quebrante, Folhas de Samambaia, Folhas de Palmeira, Folhas de Laranjeira, Erva Cidreira, Folhas de Jurema, Folhas de Maracujá, Folhas de Palmito, Folhas de Abacateiro

Oxum

Colônia, Erva Cidreira, Gengibre, Camomila, Arnica,Trevo Azedo ou Grande, Chuva de Ouro, Manjericão, Erva Sta. Maria, Calêndula, Alfazema

Xangô

Erva de São João, Folhas de Limoeiro, Erva Moura, Erva Lírio, Folhas de Café, Folhas de Mangueira, Erva de Xangô, Alevante, Quebra-Pedra

Pretos-velhos

Arruda, aroeira, cheiro verde

73. O que é Congá e por que se diz “bater a cabeça no Congá”?

O Congá não é um simples altar montado para enfeitar o Terreiro. É o altar da

Umbanda com elementos magísticos, ou seja, com axé. A maioria dos Congás

possui imagens de santos católicos, imagens de caboclos e pretos-velhos, pedras,

copos com água, flores, entre outros elementos, variando de acordo com as

ordenanças do Chefe do Terreiro. Esta mistura de elementos tem toda uma base

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mágica que os leigos não conseguem enxergar. Nas imagens encontramos símbolos

de respeito e pontos de fixação e concentração, para onde o olhar e o pensamento se dirigem e o médium consegue, assim, obter concentração para os seus Orixás e Entidades, se entregando ao Deus criador, Zambi. O Congá também representa um pedacinho da natureza divinizado, nele as forças da natureza estão presentes gerando energia para as sessões. E estão presentes os quatro elementos básicos da natureza: água (presente nos copos com água, nos vasos com flores, nas bebidas), terra (plantas, pedras), ar (incensos) e fogo (velas). Enfim, todo o Congá é um campo vibratório mágico, é um pedacinho da Aruanda no Terreiro de Umbanda. Assim, o Congá é um núcleo de força em atividade constante, agindo como centro atrator, condensador, escoador, expansor, transformador e alimentador dos mais diferentes tipos e níveis de energia e magnetismo. É atrator porque atrai para si todas as variedades de pensamentos que pairam sobre o Terreiro, numa contínua atividade magneto-atratora de recepção de ondas ou feixes mentais, quer positivos ou negativos. É condensador, na medida em que tais ondas ou feixes mentais vão se aglutinando ao seu redor, num complexo influxo de cargas positivas e negativas, produto da psicoesfera dos presentes. É escoador, na proporção em que, funcionando como verdadeiro fio-terra (párarraio), comprime miasmas e cargas magneto-negativas e as descarrega para a terra, num potente efluxo eletromagnético. É expansor, pois que, condensando as ondas ou feixes de pensamentos positivos emanados pelo corpo mediúnico e assistência, os potencializa e devolve para os presentes, num complexo e eficaz fluxo e refluxo de eletromagnetismo positivo. É transformador no sentido de que, em alguns casos e sob determinados limites, funciona como um reciclador de lixo astral, condensando- os, depurando-os e os vertendo, já reciclados, ao ambiente de caridade. É alimentador, pelo fato de ser um dos pontos do Terreiro a receber continuamente uma variedade de fluídos astrais, que além de auxiliarem na sustentação da egrégora da Casa, serão o combustível principal para as atividades do Congá (Núcleo de Força).

O Congá, dentro dos Terreiros Umbandistas sérios, tem fundamento, tem sua razão

de ser, pois é pautado em bases e diretrizes sólidas e magísticas, sob a supervisão dos espíritos da Aruanda.

O “bater a cabeça” é um rito que representa humildade e respeito, é um ato de

oferecimento de seu Ori (coroa), de reverência e agradecimento à Coroa Regente da

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Casa e de pedido de bênção e proteção. Bater a cabeça também ajuda a restabelecer a energia do médium depois da incorporação.

74. O que são guias (colares) e para que servem? Os colares usados no pescoço pelos médiuns, dentro de um Terreiro, são as guias ou fio de contas. As guias são ritualisticamente preparadas, ou seja, são imantadas de acordo com a vibração de quem as irá utilizar e conforme o objetivo a que se destinam. Elas podem ser de porcelana ou louça ou de cristal ou ainda de sementes (Lágrimas de Nossa Senhora), jamais de plástico ou vidro simples. São compostas de contas distribuídas em um fio (de nylon ou fibra vegetal), obedecendo a uma ordem de números e de cores adequados; ou ainda, de acordo com as determinações de uma entidade em particular. Mas, para que servem realmente as guias? Enquanto em forma de colares, sem a preparação devida, realmente não passam de enfeites. Após, no entanto, passarem pelo ritual de obrigação e preparação de acordo com as informações passadas pelas Entidades que delas vão fazer uso, ou pela entidade-chefe da Casa, nelas são fixadas determinadas energias, ou pequena parte de egrégoras que, pela lei das afinidades, têm como objetivo principal atrair para elas e para quem as está usando mais energias de mesmo teor (lembre-se de que os semelhantes se atraem). Desta forma, se o caboclo Tal, de uma determinada falange, consagra sua guia em acordo com as energias de sua falange, ela estará atraindo as energias desta falange durante seu uso. Finalidades das guias:

Têm poder de elevação mental e sintonia. Se utilizadas durante um trabalho espiritual, tem função de servir como ponto de atração e identificação da vibração principal e/ou falange em particular atuante naquele trabalho, servindo assim como elemento facilitador da sintonia para o médium incorporado. Elas nos auxiliam em nossas incorporações, pois estas atraem a energia (axé) particular de cada entidade, captando e emitindo bons fluidos, formando, assim, um círculo de vibrações benéficas ao redor do médium que as usa.

Têm poder de proteção, servindo como párarraio. Se há uma carga negativa grande, ao invés desta carga chegar diretamente no médium, ela é descarregada nas guias, podendo inclusive, arrebentá-las. Quando isto ocorrer, deve-se juntar o

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máximo possível de contas e entregá-las ao dirigente da Casa, para sua nova confecção. Têm poder de desobsessão. Quando um consulente ou médium está sob influência de obsessores e espíritos do baixo astral, o Pai ou Mãe de Santo pode

usar suas guias para afastar estes espíritos, circundando a cabeça da pessoa com elas. Mas só o Dirigente da Casa pode fazer isso! Esta é a explicação básica do “para que serve”. Mas o mais importante, que a maioria não sabe e/ou finge não saber, é exatamente o modo de preparação destas guias porque, jamais poderão ser preparadas sem que o médium que vai usá-la esteja presente. Na verdade, a energia que é assentada na guia terá que ser, obrigatoriamente, uma energia criada a partir de uma mistura entre:

a) A energia da entidade e/ou de sua falange;

b) A energia das ervas e elementos em que a guia será assentada;

c) A energia do médium que vai usá-la quando incorporado.

Quaisquer outros tipos de energias, sejam de outras ervas além das estritamente indicadas ou de pessoas fora do contexto indicado acima, entrarão como interferência e poderão criar outros tipos de vínculos, ou seja, ficarão erradas. O ritual de preparação é exatamente aquele que vai, além de assentar a energia padrão da guia, criar os vínculos entre a entidade (e sua falange), a guia

propriamente dita e o médium. Isto é tão importante que, como vemos em alguns Terreiros mais informados, as guias individuais só podem ser tocadas pelo médium que as usam. Isto evita interferências de energias de outras pessoas.

75. E quais as cores das guias de cada Orixá e Entidade? As cores das guias dependem do tipo de Umbanda praticada naquela Casa. No nosso Terreiro seguimos o padrão da Umbanda Tradicional, as quais são praticadas pela maioria das Casas. As cores indicativas das Linhas e das Entidades são:

ORIXÁS

OXALÁ

OXOSSI E

CABOCLOS

XANGÔ

COR DAS GUIAS

branco leitoso, em porcelana

verde

verde

marrom

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ORIXÁS

 

COR DAS GUIAS

 

OGUM

vermelho

 

IEMANJÁ

azul claro

 

OXUM

azul royal

 

IANSÃ

amarelo ouro escuro

 

NANÃ

roxo

OBALUAÊ

preto e branco (bicolor)

 

PRETOS-VELHOS

branco

e

preto

(bicolor),

ou

Lágrimas

de

Nossa Senhora

 

CRIANÇAS

rosa e azul (bicolor)

 

BOIADEIROS

vermelho, verde, roxo e branco (multicolor)

 

MARINHEIROS

azul marinho

 

BAIANOS

amarelo

CIGANOS

laranja ou multicolorido

 

EXU

preto e vermelho (bicolor)

 

POMBO-GIRA

vermelho e preto (bicolor)

 

Curiosidade: Os Pretos-velhos são nossos Guias ou Protetores, mas no Candomblé

são considerados Eguns (almas desencarnadas) e, decorrente disso, só têm fio de

conta (guia) na Umbanda. Usam branco e preto. Estas cores são usadas porque,

quando os Pretos-Velhos estavam encarnados como escravos, só podiam andar de

branco ou xadrez preto e branco (carijó), em sua maioria. Temos também a guia

feita com a Lágrima de Nossa Senhora, semente cinza com uma palha dentro. Esta

guia vem dos tempos dos cativeiros, porque era o material mais fácil de se encontrar

na época da escravatura, cuja planta era encontrada em quase todos os lugares.

76. Se é fundamento da Umbanda não sacrificar animais e não usar sangue, então,

o que oferendar?

A Umbanda é uma religião simples, mas de grande força, pois utiliza os elementos

da natureza, nos quais está contido o axé dos Orixás e Entidades. Não precisa-se

do sangue para nada! Sangue só traz kiumbas e, assim, nossa oferenda acaba

tendo efeito contrário ao desejado

Amalá. Muita gente pensa que a finalidade de um amalá é dar de comer aos

A comida que ofertamos damos o nome de

espíritos. Erro grosseiro porque o espírito de luz não tem nenhuma necessidade de

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comidas humanas, por não terem mais o corpo físico. O amalá é um ritual que se faz com elementos que vibram na sintonia dos espíritos, que eles usam para criar um campo de força. O amalá reúne a força do médium, do Orixá e das Entidades que vêm aceitar e se comprometer a executar o trabalho. Muitos pais-de-santo que, por um motivo ou outro não possuem terreiro, trabalham com muita eficiência somente através das entregas aos Orixás. Em momentos de dificuldade, para a cura da

saúde, o equilíbrio e a paz familiar, levantar as forças pela energia e muitas outras necessidades, um amalá bem feito e direcionado à entidade certa resolve o problema. Pela quantidade de situações fica difícil enumerá-las nesta oportunidade. Cada objetivo tem que haver um trabalho certo, com a entidade especialista, e tudo isso ainda sob a inspiração de uma intuição.

Todo amalá deve ter um objetivo específico. Não se faz um amalá só por fazer.

O

termo comumente usado para a feitura do amalá é “entrega”, o que não está

errado considerando que estamos depositando materiais para os espíritos os transformarem em um campo de força.

Deve-se imaginar que durante a construção de uma entrega o amor e carinho daquele que o está construindo, de certa forma transmite sua energia. As vibrações do Orixá ajudam a aumentar a energia do trabalho que será somado com a do espírito que for utilizá-lo.

A

intuição deve fazer parte da construção de um amalá. Existem receitas das

entregas de cada Orixá ou entidade, mas ele não deve ser somente uma cópia.

Alguns elementos que devem ser acrescentados nos amalás, desde que não fuja

da

vibração do orixá a quem se entrega, vêm por intuição.

O

médium só se tornará independente, ou seja, não vai depender da orientação

de uma entidade incorporada, quando ele souber manipular os elementos que constroem um campo de força através do amalá.

Quando estivermos falando sobre os elementos usados na Umbanda, como a fundanga, ponteiras, pembas e outros, vamos descobrir que eles dificilmente devem ser usados em uma entrega. Quem faz uma entrega com materiais que possam agredir a natureza não deixa de ser um baita egoísta que não se importa

com a humanidade e o semelhante. O umbandista, pela sua religião que manipula

e usa a natureza como para seus trabalhos, é um ecologista em potencial.

Qualquer material não biodegradável não deve ser deixado no local da entrega do

amalá, exceto as velas que se queimam e derretem. Se isso não for possível, a

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pessoa tem a obrigação de ir um ou dois dias após levantar toda a entrega feita. Os materiais usados nos amalás são: velas, charutos, cigarros, fumo, caixa de fósforos entreaberta, frutas, comidas e bebidas. Todo esse material são biodegradáveis. O alguidar, que é onde se deposita a comida, segundo algumas correntes, forma uma ligação do amalá com o elemento terra por ser feito de barro. Mas se a entrega for feita no chão, o contato se dá da mesma forma, razão porque recomendo que ao invés do alguidar, que se faça um canto bonito com folhas naturais, como folha de bananeira e outras de forma larga, e que se use uma porunga substituindo o alguidar de barro. Deixar ponteira e facas, que não têm nenhum efeito no amalá, choca com a natural energia ecológica do umbandista. Copos de vidro ou copos de plásticos também caem no absurdo e no erro, por não terem nenhuma energia. Para a bebida deve ser usado um coité e o que sobrar na garrafa deve ser jogado em círculo em volta do trabalho. Não vejo necessidade das fitas coloridas, se o trabalho pode ser cercado com raízes de folhagens extraídas do próprio mato.

AMALÁ PARA OXALÁ

Arroz branco doce colocado em tigela de louça branca, coberto com algodão, com um cacho de uva branca por cima de tudo. Também se faz agrado com uma mesa de frutas, que não podem ter espinhos, farpas ou fiapos. Despeje ao redor do amalá a água mineral e acenda 9 velas brancas. Flores brancas. Local da entrega: um lugar muito bonito e cheio de paz, como uma colina limpa, ou na praia.

AMALÁ PARA IEMANJÁ

Manjar do Céu (leite, maizena, leite de coco, açúcar). Despeje ao redor do amalá o champagne branco e acenda 7 velas cor azul clara. Rosas brancas. Local da entrega: na praia.

AMALÁ PARA OXUM

Canjica branca cozida em água pura sem sal. Despeje ao redor do amalá o champagne branco ou licor sem cor ou azul ou água mineral. Acenda 7 velas cor azul Royal. Flores brancas ou azuis. Local da entrega: ao lado de uma cascata ou cachoeira.

AMALÁ PARA IANSÃ

Milho cozido, debulhado, (ou canjica amarela) com mel em cima. Despeje ao redor do amalá o champagne branco ou água mineral. Acenda 9 velas cor amarelo escuro. Flores amarelas. Local da entrega: em uma pedra ao lado de um rio.

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AMALÁ PARA NANÃ

Batata doce com mel por cima. Despeje ao redor do amalá o champagne rosé ou vinho licoroso ou água mineral. Acenda 7 velas de cor roxa. Flores roxas. Local da entrega: ao lado de um mangue ou poça d’água.

AMALÁ PARA XANGÔ

Espuma de quiabo 7 , enfeitada com 12 quiabos. Despeje ao redor do amalá a cerveja preta. Coloque 7 charutos. Acenda 7 velas cor marrom. Flores: Lírios. Local da entrega: em uma pedra grande e bonita.

AMALÁ PARA OGUM

Feijão mulatinho ou mangas espada com casca e abertas. Despeje ao redor do amalá a cerveja branca. Coloque 7 charutos. Acenda 7 velas cor vermelha. Flores:

cravos vermelhos. Local da entrega: em uma campina bonita ou no meio de uma estrada de chão.

AMALÁ PARA OXOSSI

Axoxô (milho com coco em cima), ou pamonha, ou milho cozido, ou moranga bem assada com milho dentro coberto de mel, e frutas diversas. Despeja-se ao redor do amalá água de coco, ou água mineral ou vinho branco seco. Coloque 7 charutos. Acenda 7 velas de cor verde. Flores: brancas ou samambaia. Local da entrega:

entrada da mata.

AMALÁ PARA AS CRIANÇAS

Doces, pirulitos e balas. Despeje ao redor do amalá o guaraná e acenda 7 velas cor azul e 7 velas cor rosa. Flores do campo ou brancas. Local da entrega: jardim florido.

AMALÁ PARA OS PRETOS VELHOS

Feijoada (sem rabo, orelha e pés do porco), cocada ou rapadura, banana prata. Despeje ao redor do amalá café preto amargo ou vinho tinto doce ou água mineral. Coloque cachimbo aceso ou cigarro de palha. Acenda 7 velas cor branca e 7 velas cor preta ou 7 velas cor branca e preta. Flores brancas. Local da entrega: embaixo de uma árvore frondosa.

AMALÁ PARA OBALUAÊ

7 Espuma de quiabo = cortar os quiabos em rodelas finas, colocar em um alguidar, colocar um pouco de cerveja preta e ir mexendo com uma colher de pau até formar uma consistência espumosa.

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Pipoca estourada com areia da praia, ou feijão preto cozido. Despeje ao redor do amalá um vinho licoroso ou água mineral. Acenda 7 velas cor branca e preta. Flores brancas. Local da entrega: embaixo de uma árvore frondosa.

AMALÁ PARA BOIADEIROS

Abóbora assada com mel ou arroz tropeiro ou virado de feijão ou cocada e rapadura. Despeje ao redor do amalá a cerveja branca ou cachaça. Coloque 7 cigarros. Acenda 7 velas cor vermelha, 7 cor verde, 7 cor roxa e 7 cor branca. Flores do campo. Local da entrega: campina ou porteira de sítio ou fazenda ou embaixo de uma árvore colocando junto uma roda de carroça.

AMALÁ PARA OS MARINHEIROS

Pode ser o mesmo de Iemanjá ou peixe de água salgada. Despeje ao redor do amalá o rum ou conhaque. Coloque 7 cigarros. Acenda 7 velas cor azul marinho. Flores: cravo branco. Local da entrega: na praia.

AMALÁ PARA OS BAIANOS

Cocada, rapadura ou farofa com carne seca, aipim com melado em cima. Despeje ao redor do amalá uma batida (de coco, de preferência). Coloque 7 cigarros de palha ou cigarros comuns. Acenda 7 velas cor amarela. Flores: amarelas ou cactus. Local da entrega: em uma campina ou embaixo de uma árvore frondosa.

AMALÁ PARA OS CIGANOS

Frutas diversas cobertas com mel e canela ou goulash (cozido de carne com legumes). Despeje ao redor do amalá um ponche de frutas ou vinho tinto. Acenda 7 velas cor laranja. Flores: diversas e coloridas. Local da entrega: em uma estrada em meio à natureza ou embaixo de uma árvore junto com uma roda de carroça.

AMALÁ PARA EXUS E POMBO-GIRAS

Padê de Exu (farofa feita com farinha e azeite de dendê, com pimentas por cima). Despeje ao redor do amalá a cachaça ou whisky (se for para Exu) ou champagne rosé (se for para Pombo-gira). Coloque 7 charutos para Exu e 7 cigarros para Pombo-gira, sempre deixando uma caixa de fósforo entreaberta. Acenda 7 velas cor vermelha e 7 cor preta. Flores: cravos vermelhos para Exu; rosas vermelhas para Pombo-Gira. Local da entrega: na entrada da mata, embaixo de 2 galhos que se cruzam.

AMALÁ PARA MARIA PADILHA

7 maçãs vermelhas, 21 morangos, 7 ameixas vermelhas ou pretas, 7 bombons. Despeje ao redor do amalá o licor de anis. Coloque 7 cigarrilhas, deixando a caixa

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de fósforo entreaberta. Acenda 7 velas vermelhas. Flores: rosas vermelhas. Local da entrega: na entrada da mata, embaixo de 2 galhos que se cruzam. Falamos em despejar a bebida ao redor quando for entrega no lado externo, para não poluir o ambiente. Se o amalá for para permanecer na Casa dos Orixás, aí a bebida fica em copos ou coités. Lembrando que todo Amalá deve ser adornado com os elementos de cada Orixá e Entidade, como: velas de sua cor, cigarros, incenso, flores, etc.

77. Onde fazer as oferendas? A Umbanda evolui, como tudo no universo. Com a evolução espiritual, a Umbanda e seus Guias não aceitam que se maltrate e prejudique a natureza, que é sua morada e contém seus campos de atuação e de força. Desta forma, quando uma Entidade fala em colocar a oferenda em uma encruzilhada ou em outro local qualquer, devemos usar a encruzilhada astral, que fica firmada na Casa dos Orixás. Observe o diagrama explicativo:

firmada na Casa dos Orixás. Observe o diagrama explicativo: Então, nada de colocar oferendas nas ruas,

Então, nada de colocar oferendas nas ruas, no mar, em rios ou nas matas. Portanto, as oferendas devem ser colocadas na Casa dos Orixás, ou dentro do Terreiro se ele não possuir esse local, respeitando esta encruzilhada astral, nos pontos cardeais e de firmeza relativos a cada Orixá e Guia. Costuma-se dizer que Exu é o dono das Encruzilhadas. Mas, afinal, o que é uma Encruzilhada? – alguns podem perguntar. Encruzilhada é o encontro de duas

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realidades-limite como matéria-astral, luz-treva ou, de modo mais simples, é o encontro de dois caminhos distintos. Por isto, ela é a representação do ponto de força de Exu, o qual ocupa ou está em todos os caminhos, lugares e passagens, e não apenas na encruzilhada de rua, de terra, ou de mata. Afinal, lidamos com decisões e escolhas entre realidades distintas a todo o momento.

78. Por que os Pretos-velhos usam a cruz em seus trabalhos?

Minha preta-velha, a Vó Luiza, explicou o seguinte: a cruz é a representação física da encruzilhada astral, por isto os pretos-velhos trabalham com uma cruz, para firmar os pedidos e ampliar a magia. Acontece que muitos dirigentes não sabem disso e, consequentemente, não ensinam aos seus médiuns e todos acabam

achando que os pretos-velhos usam o crucifixo

cruz sem o Cristo. Se um dos fundamentos da Umbanda é a crença em vida após a morte, a reencarnação e a comunicação com os espíritos, não faz sentido as Entidades usarem o Cristo crucificado, que simboliza a morte – sendo que este é um dogma da igreja católica e não da Umbanda.

Mas não é correto; o correto é uma

79. Por que fazer firmeza para Exus e Pombo-giras?

Exus e Pombo-giras são nossos guardiões e defensores dos ataques do astral inferior. As firmezas e pontos de defesa dos Terreiros são feitos para afastar os kiumbas, para que os médiuns e consulentes fiquem protegidos de seus ataques. Ao fazermos firmeza para eles estamos fornecendo pontos de energização e fixação de

energia como ponto de força.

80. O que é pemba e qual sua função na Umbanda?

A pemba é uma força misteriosa da escrita astral que tem o poder de fechar, trancar ou abrir um Terreiro, de acordo com os trabalhos que vão ser praticados. Ela é o instrumento mais usado e mais poderoso da Umbanda, porque faz a sua escrita em todas as linhas e em todas as cores, centralizando sobre o terreiro a força da magia, para que sob seu domínio possa a água, o fogo, a luz, as ervas e todos os outros elementos formarem verdadeira magia astral. A pemba é amplamente usada nos trabalhos de magia, servindo para grafar os pontos riscados. A pemba é usada para traçar pontos que servem de firmeza e captação de forças para os trabalhos, é com ela que as entidades riscam seus pontos e o ponto riscado é a identidade da

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Entidade. Seu ponto riscado é a concentração da energia, ou é seu ponto de força. A pemba exterioriza o pensamento do Guia, que tem nos seus riscos a sua escrita, para com ela oferecer aos homens a sua carta de apresentação, revestida de todos os poderes que ele traz consigo. Funciona como elemento de magia e é muito importante na condução dos trabalhos. Quando se cruza um médium com a pemba equilibra-se os seus campos reagentes para que ele possa assimilar bem as energias, já que a pemba, após ser imantada com a energia do respectivo Orixá, imanta o médium para facilitar a captação, pelos chakras, da energia desejada onde estas energias serão transformadas em força espiritual. Portanto, a pemba também é um imã móvel carregando os médiuns de energia positiva. Existem pembas de diversas cores, sendo elas correspondentes às cores das linhas da Umbanda. A pemba é uma composição de sulfato de cálcio hidratado, cozido à baixa temperatura, encontrado na maioria das vezes em cor branca e em formato de pequenos bastões. A pemba legítima é aquela que vem da África, sendo um dos mais antigos talismãs. Muito embora originalmente a pemba fosse confeccionada com uma espécie de caulim procedente da África, a mesma é a preferida pelos praticantes da Umbanda por serem mais macias. Com a dificuldade de importação daquele material, o mesmo foi substituído por calcário brasileiro, proveniente principalmente do estado de Minas Gerais.

81. Por que a Umbanda faz defumação? Como vimos, as ervas tem seus poderes de magia, de cura, contendo a vibração das linhas das entidades. A defumação é a queima de sete ervas, cada erva contendo a vibração energética de uma Linha. A fumaça decorrente da queima das ervas descarrega o corpo mediúnico e sutiliza suas vibrações, tornando-as receptivas às energias de ordem positiva, fazendo com que a comunicação com a espiritualidade superior fique em perfeita harmonia. Considerando que a matéria é energia condensada "em descida" vibratória do mundo oculto, a defumação representa uma operação inversa ou libertação de energias, as quais passam a repercutir nos planos etéricos e astrais de onde se originaram. A queima de ervas defumadoras também obedece a uma determinada disciplina mental e concentração, além da limpeza espiritual do ambiente.

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82. As entidades e os pontos cantados falam muito em Aruanda. O que é a Aruanda? Esta explicação foi fornecida pela Preta-velha que trabalho e é minha orientadora espiritual, a Vovó Luiza. Sabemos que o plano espiritual contém sete dimensões, ou planos. Cada plano, por sua vez, contém várias colônias espirituais, cujos “moradores” se agruparam ali por sintonia e afinidade. A Aruanda é uma destas colônias espirituais, assim como existe a colônia chamada de “Nosso Lar”, descrita em livros kardecistas. Então, a Aruanda é o lar de nossos Guias e Entidades da Umbanda. Dentro da Aruanda existem “bairros”, ou seja, agrupamentos de entidades conforme a linha de trabalho, e cada região tem sua designação. Por exemplo: os falangeiros de Ogum ficam no agrupamento chamado de Humaitá; os Caboclos ficam no Juremá ou Aldeia; Xangô, Jacutá e assim por diante – mas estas regiões situam-se dentro da Aruanda. Segundo a Vó Luiza, as colônias ficam no plano espiritual em conexão com os diversos países do nosso planeta Terra, conforme a finalidade de cada colônia e conforme a afinidade com estes povos. Desta forma, Ela afirmou que a Aruanda situa-se no plano espiritual do Brasil, em sua crosta, e também que no plano espiritual da crosta brasileira existem mais de cem colônias, sendo uma delas a Aruanda.

83. O umbandista pode pular o carnaval mascarado? Cada Terreiro tem seus fundamentos, sendo que há casas que orientam seus médiuns a não pular carnaval fantasiados e, principalmente, não usar máscaras. Segundo os dirigentes destes terreiros, tal proibição é para evitar que os “Exus peguem” os médiuns. Sinceramente, particularmente não acredito nesta versão e tampouco compreendo. O carnaval é o momento em que há muitas pessoas deliberadamente extravasando tudo o que conteve durante o ano, assim acabam liberando em excesso sua libido, bebendo em demasia, fazendo algazarras, entre outras libertinagens. Por conta disso, é óbvio que os kiumbas e eguns se comprazem, se conectando com as pessoas que assim agem. Alguns umbandistas, com menos conhecimento ou que não refletem sobre os mitos repassados,

acreditam que os Orixás afastam-se do planeta, e que até os Exus, nossos guardiões, “ganham liberdade” e são “soltos” (como se estivessem presos por nós!),

Ora, vamos ser racionais e refletir: você

não realizando sua função de proteção

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acredita mesmo que os Orixás, Entidades e os Exus que são designados para nos

proteger, orientar, fazer caridade vão mesmo se afastar e nos deixar à mercê? Que estamos fadados a sermos pegos por kiumbas e Eguns? Faz sentido? Faz sentido o fato de, se um umbandista resolver brincar um pouco com sua família e amigos, dentro do bom senso e do equilíbrio, sem exageros, vai ser castigado ficando com

um kiumba obsessor à tiracolo? O que vemos aqui nestas orientações de alguns

dirigentes é que ainda predomina a visão errônea de Exu e Pombo-gira e também a desculpa de muitos mistificadores que jogam a culpa por seus atos libertinos nas costas destas Entidades, dizendo: “menina, minha pombo-gira me pegou na rua e aí

ou, “ah, meu exu estava

encostado em mim e fez eu beber até cair!”. Ora, isto é absurdo! Como umbandista,

Por isto, o que

Mas,

na época de carnaval, por causa da densa energia coletiva emanada, o pensamento excessivamente libertino que permeia a ambiência prejudica o equilíbrio, atrai

espíritos vingativos, malévolos, vampirescos – daí a necessidade de maior vigilância

por nossa parte. Mas é nesta época que os Exus de Lei, os Exus Guardiões,

patrulham ainda mais a crosta brasileira, como o fazem em outras ocasiões em vários momentos. Os dirigentes sérios e com conhecimento de causa orientam que, se os umbandistas forem participar das festividades carnavalescas, brinquem de forma sadia, respeitando-se e respeitando os outros, sem abusos de bebidas, sem ingerir drogas e se resguardem, pois estarão conscientes que os locais estão densos, pesados de todo tipo de pensamento. Portanto, antes de sair acreditando e fazendo tudo o que lhe falarem, use seu discernimento e se pergunte se isto tem procedência. A melhor solução é manter-se informado através do estudo dos fundamentos!

acredito que nesta época do ano abrem-se determinados portais

temos que cuidar no carnaval – e em todas as épocas – é com os excessos

eu fui para a cama com o primeiro cara que apareceu

”,

84. Por que alguns Terreiros não trabalham na quaresma?

A dúvida sobre o funcionamento dos Terreiros de Umbanda durante

a quaresma vem da época que os Orixás eram proibidos de serem cultuados e deveriam ser sincretizados com os santos católicos. Como o período da quaresma corresponde a uma época de reclusão e reflexão dentro da igreja católica, muitos Terreiros de Umbanda e Candomblé ficavam em uma posição delicada junto à comunidade católica e fechavam as portas para não terem

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problemas com as autoridades locais e com as pessoas em geral, quando poderiam

ser acusados de desrespeitosos com a religião católica. As pessoas consideravam

que as casas de santo não deveriam bater tambores ou praticar qualquer ritual

na quaresma, a exemplo da igreja católica que deixa suas imagens cobertas por

mantos de cor roxa em sinal de respeito e luto, onde os católicos se recolhem em

oração e penitência para preparar o espírito para a ressurreição de Cristo.

Os Centros de Umbanda não precisam parar suas atividades durante a quaresma,

podendo funcionar normalmente, pois não estão ligados aos dogmas da igreja

católica que determinam que não possam fazer atendimento espiritual nesta

ocasião.

Devemos lembrar que estes são rituais católicos e não pertencem à religião

umbandista. A quaresma, para nós, apenas marca o encerramento de um ciclo e o

início de outro, delimitado por Jesus. O encerramento de uma época sem caridade,

sem amor fraternal, sem religiosidade e espiritualidade e o início de uma época de

vida nova, de compreensão e de comprovação de vida após a morte física.

85. Por que os pretos-velhos trabalham com um copo d’água em cima de sua tábua?

Porque a água contida no copo tem funcionamento parecido com a da fumaça,

sendo que a fumaça carrega as energias consigo, similar ao vento, e a água absorve

estas energias. Então, a água do copo tem a finalidade de atrair para si as energias

negativas. A água está presente em praticamente todos os trabalhos de Umbanda e

sua função é importantíssima. Tem o poder de absorver, acumular ou descarregar

qualquer vibração, seja benéfica ou maléfica. Nunca se deve encher o copo de água

até a boca, porque ela crepitará. Nunca se deve acender vela para o Anjo da

Guarda, cruzar o Terreiro, fazer uma gira, uma obrigação sem ter um copo com

água. Por isto que em cima do Congá sempre tem um copo com água.

Procedências de águas sagradas para uso na Umbanda:

Origem

Vibração

Rocha

Ligada a Xangô Água detida em saliências nas rochas. Funções: traz força física, disposição, boa vontade, sabedoria

Mar