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SS TE mete Cem Maia ial) equilibrado e centrado no COT =t lated IGREJA CENTRADA Tradugao Eulalia Pacheco Kregness G65: . Te EVANGELHO Relativisena Legalismo 7 — Religiao * Iprelupao Oevangelho ndo é religiao nem irreligiéo, mas algo completamente diferente — uma terceira via de relacionamento com Deus por meio da graga. Por isso, ministramos de maneira singularmente equilibrada que evita os dois extremos ¢ comunica fielmente a nitidez do evangelho. Meee poe EVANGELHO Peers a Eee eR eo oe CR a a ae pelond rasan Cr Ce OR nate aie sate qm tap eee ES itas igrejas tag eka saarenne tt Pe ere Con re os red roca anc EYE Bie) PRPC r not Peet isr Buca Ce Ory Pee ae Pere en en Chane Cn rn centrado nele ou capacitado por ele. As implica PMP R Onn eit ORCI ne Rte baat Pah ta eNe Seer Se aE Cea ae reflexio detida sobre o evangelho. OPN One U OR CRE Soh Ck STIs ole ‘aaa Teese ney cae and programas. Para buscé-lo, temos de passar tempo refletindo sobre a homcetaae sobre as verdades e sobre os préprios padrdes do evangelho. E lamentavel, na PIS Cee R eNO ee Ten kee EE NR Oer RS ucelie Rett! eee sud RO EER OS ERT ew OR IEEE LC Ree EOC eee Lumet ase re oO aR ATEN foe Trane ee ta ecu eB oun ORS none LS Cec ORG keno ane ke wer roe COE NCCC MCB LaD Bis Pca Ree Wace One tke sD PS Oat Cote Boel eMC ee RC TECK oR RCO TCE LETTS pertinentes a natureza do proprio evangelho. Na PrIMEIRA PARTE (Teologia a partir do evangelho), analisamos 0 que o evangelho é e o que nao é. Na Sou ae Cortes Okara Comal atone) stare tts e te Pee Kee MANE Lu Cor Otero Te Cm tet hatilte cies) fe she eee oe) que acontece como consequéncia. RRC UB Loe rat eri et capitulo 1 © EVANGELHO NAO CORRESPONDE A TUDO © que queremos dizer com “evangelho"? Responder a essa pergunta 6 um pouco mais complicado do que normalmente ima- em tudo o que a Biblia ensina pode ser considerado “evangelho” (embora seja possivel defender que toda doutrina biblica necessariamente serve de base para 0 entendimento do evangelho). O evange- Iho é uma mensagem sobre como fomos resgatados de um perigo. O proprio termo evangelho tem origem em uma noticia sobre um fato j4 ocorrido e capaz de trans- formar a existéncia. 1. O evangelho é uma boa noticia, nao um bom conselho. 0 evangelho nao é fundamentalmente um modo de vida. Nao éalgo que fazemos, mas que foi feito por nés e ao qual devemos responder. Na traducao grega do Antigo Testamento — a Septua- ginta —, 0 termo euangeliz6 (proclamar as boas-novas) ocorre 23 vezes. Como vemos no salmo 40.9 — “Tenho proclamado boas- -novas de [tua] justica na grande assem- bleia” —, 0 termo 6 geralmente usado para anunciar a boa noticia de algo que aconteceu para resgatar e libertar 0 povo de um perigo. No Novo Testamento, as palavras relacio- nadas evangelion (boas-novas), euangelizd (proclamar as boas-novas) e euangelistés (aquele que proclama as boas-novas) ocor- rem pelo menos 133 vezes. D. A. Carson conclui isso a partir de um estudo completo de palavras pertinentes ao evangelho: ginamos. Ni Visto que 0 evangelho é noticia, boa noti- cia [..J, deve ser anunciado; é isso que se faz com as noticias, O elemento essencial- mente proclamatério da pregacdo esté E TEQLOGIAA PARTIR DO EVANGELHO 0 evangelh ligado ao fato de que a mensagem cen- tral nao é um cédigo de ética a ser deba- zinda uma lista de aforismos tido, menos a ser admirada e ponderada e certamente nao é uma teologia sistemdtica a ser esbo- cada e esquematizada. Embora 0 evange- tho si ética, para os aforis aja 0 ponto de partida correto para a smos ¢ para a sistemé- as trés coisas: tica, ele nao é nenhuma des ele é uma noticia, boa noticia, e, portanto, deve ser publicamente anunciado. 2. O evangelho é uma boa noticia que anuncia que fomos resgatados ou salvos. E fomos resgatados de qué? De que perigo fomos salvos? Ao olharmos para a mensagem do evangelho no Novo Testa- mento, vemos que fomos resgatados da “ira vindoura” no fim dos tempos (Ts 1.10). Mas essa ira no é uma forga impessoal: & a ira de Deus. Deixamos de nos relacionar com Deus; nosso relacionamento com ele foi rompido. Em uma expos 10 do evangelho que tal- ja a mais abrangente da Biblia, Paulo identifica a ira de Deus como o maior pro- blema da condicao humana (Rm 1.18-32). Aqui vemos que a ira de Deus tem muitas implicagdes. O texto-base para isso é Géne- sis 3.17-19, em que, por causa do pecado humano, a maldicio de Deus recai sobre toda a criagdo. Por estarmos separados de Deus, estamos psicologicamente separa- dos de nés mesmos — sentimos vergonha e medo (Gn 3.10). Por estarmos separados de Deus, também estamos socialmente sepa- rados uns dos outros (0 v. 7 relata como Adao e Eva tiveram de se vestir, e 0 v. 16 ver. 0 nde corresponde a tudo 35 em em relagao & a transfe- Jogo deles com Deus)- fala do afastamento do hom mulher; veja também. mos ¥- uel réncia de culpa no dial Por ae separados de Deus; também eetamos fsicamense separados 8 POP natureza. Agora experimentamos softi- mento, trabalho arduo, degeneracao fisica € morte (v.16-19). Na verdade, @ propria terra 6 amaldicoada (v. 17; vela Rm 8.18-25)- Desde o Eden, vivemos em um mundo repleto de sofrimento, doencas, pobreza, racismo, desastres naturais, guerras, enve™ Thecimento e morte — e tudo 6 resultado da ira e da maldigao de Deus sobre 0 mundo. © mundo esta desajustado, e precisamos los. Mas esses relacionamentos nao sao a raiz de nosso pro- ejam 0s ser resgatad “horizontais” blema, embora, quase sempre, fe enxergamos; a raiz é 0 que mais facilment nosso relacionamento “vertical” com Deus: Em iiltima andlise, todos os problemas humanos sao sintomas, ¢ nossa separagio de Deus é a causa. O motivo de toda a infe- licidade — todos os efeitos da maldigao — ¢ que nao estamos reconciliados com Deus. Vemos isso em textos como Romanos 5-8 e 2Corintios 5.20. Assim, o objetivo mais importante de qualquer resgate legitimo da raga humana — a coisa mais importante que nos salvar — € a restauragao do nosso rela- cionamento com Deus. 3. O evangelho é a boa noticia sobre o que Jesus Cristo fez para res- taurar o nosso relacionamento com Deus. Tornar-se cristio diz respeito a uma mudanga de condicao. Lemos em 1030 3.14 (grifo do autor) que “ja passamos da morte para a vida" e nao que estamos passando da morte para a vida. Ou vocé est4 em Cristo, ow nao esté; ou est perdoado e aceito, ou nao est4; ou tem vida eterna, ou nao tem. £ por isso que o dr. Martyn Lloyd-Jones usava muito essa pergunta diagnéstica para aferir a compreensio e a condicdo espiritual de uma pessoa: “Voeé esta pronto agora para 9", Fle explica que, com mpre que fazia e asst gs pessoas geralmente hesitavam eet Psat ae 0", Patt esa spemagio, cle da a seguinte r sposta: afirmar que ¢ cris! far dos. a § passar do ele sei que [.] elas estado pensando da perspectiva de si mesmas; Peps aca que term de Ser boas 0 bas- ristas [..J Parece muita tante para ser © modéstia, mas é e ‘ magagivo da fe] voce nunca serd born ft pastante; ninguém jamais foi bom o bastante. A essencia da salvacao crista é cafirmar que ele é bom 0 bastante e que eu estou nele!* mediatamente ‘uma mentira do diabo, 6 Lloyd-Jones ressalta que tornar-se cris- to é uma mudanca no relacionamento com Deus. Quando cremos ¢ descansamos na obra de Jesus, ela transforma instantanea- mente nossa posigao diante de Deus. Passa- mos a estar “nele”. Desde que li o famoso ensaio de J. I. Packer que abre o livro de John Owen Death of Death in the Death of Christ [A Morte da Morte na Morte de Cristo], gostei da frase “Deus salva pecadores” como um bom resumo do evangelho: Deus salva pecadores. Deus — 0 Jeovd trino e uno, Pai, Filho e Espirito; trés Pes- soas trabalhando juntas com sabedoria, poder e amor soberanos para alcancar @ salvagdo de um povo eleito; 0 Pai ele- gendo, o Filho realizando a vontade do Pai por meio da redencdo, 0 Espirito exe- cutando 0 propésito do Pai e do Filho por meio da regeneragao. Salva — do comeco a0 fim, faz tudo o que significa levar 0 homem da morte no pecado para a vida na gléria: planeja, conquista e comu- nica a redengao, chama e guarda, justi- fica, santifica, glorifica. Pecadores — 0S a6 E TEOLOGIAA PARTIR DO EVANGELHO O evangelho ‘evangelho néo corresponde a tudo mo sao encontrados por Deus, , impotente: homens ct culpados, vis, desamparado attar um dedo para fazer incapazes de le G@ vontade de Deus ou para methorar sua condigao espiritual.® EVANGELHO NAO SAO OS RESULTADOS DO EVANGELHO © evangelho nao diz respeito ao que faze- mas ao que foi feito por nés; mesmo © evangelho resulta em um modo mo: assim, de viver completamente novo. A graca ‘as boas obras dela resultantes precisam ser tanto distinguidas quanto associadas. 0 evangelho, seus resultados e suas impli- cacdesprecisam jadosamente relacionados entre si — nfio podem s fundidos nem separados. Uma das maximas de Martinho Lutero era que somos salvos s6 pela fé, mas ndo uma fé que permanece 6. © que ele queria dizer é que a crenga ver- dadeira no evangelho sempre e necessaria- mente levard as boas obras, mas de modo nenhum a salvagdo ocorre por meio ou por causa das boas obras. Fé e obras nao podem jamais ser confundidas uma com a outra, tampouco separadas uma da outra (Ef 2.8- 10; Tg 2.14,17,18,20,22,24,26). Estou convencido de que a crenga no evangelho nos leva a cuidar dos pobres e a participar ativamente em nossa cultura, er con- tio certamente quanto, segundo Lutero, a fé verdadeira conduz as boas obras. Entre- tanto, assim como a fé e as obras nao podem ser separadas nem confundidas, também 0s resultados do evangelho nao podem ser separados dele nem confundidos com ele. Ouco muitos pregadores afirmarem: “A boa noticia é que Deus esté curando e curaré © mundo de todos os seus males; portanto, a obra do evangelho é trabalhar por justica e paz no mundo”. O perigo dessa linha de pensamento no é que os pormenores nao sejam verdadeiros (eles sfio), mas € 0 fato de que ela confunde resultados com as causas. Ela confunde o que o evangelho é com 0 que 0 evangelho faz. Quando Paulo fala da cria~ taurada, ele afirma que os » garanti- 0 cao material r¢ novos céus € a Nova terra NOs es! dos porque Jesus, na cruz, restaurou no: namento com Deus como filhos ver- os dele. Romanos 8.1-25 ensina, de modo extraordindrio, que a redengo do nosso corpo e de todo 0 mundo fisico ac tece quando recebemos “nossa adogao”. Como filhos de Deus, nossa heranga futura nos @ assegurada (Bf 1.13,14,18; Cl 1.125 3.24; Hb 9.15; 1Pe 1.4) e, por causa dessa heranga, o mundo é renovado. O futuro nos pertence por causa da obra consumada que Cristo realizou no passado. Nao podemos, ento, deixar a impressio de que o evange Iho é simplesmente um programa de reabi- litado divina para o mundo, mas, em vez disso, cle é uma obra substitutiva total- mente consumada. Nao podemos dizer que evangelho significa primeiramente que pas samos a fazer parte de alguma coisa (0 pro- grama do reino de Cristo), mas antes que recebemos alguma coisa (a obra consumada de Cristo). Se cometermos esse erro, 0 evan- gelho se transforma em mais um tipo de sal- vagio pelas obras, e nao a salvagao pela fé. Como J. I. Packer escreve: © evangelho apresenta solugdes para esses problemas [de sofrimento e injus- tiga}, mas 0 faz primeiro resolvendo [..] 0 mais profundo de todos os proble- mas humanos, o problema do relaciona- e, se nao esclarecermos que a soluedo daque- les problemas depende da solugaio desse iiltimo, estaremos deturpando a men: gem e tornando-nos falsas testemunhas de Deus." mento do homem com seu Criador; Uma questio relacionada é se anuncia- mos 0 evangelho por meio de atos de jus- tiga. Nao somente a Biblia repete varias e TEOLOGIA A PARTIR. DO EVANGELHO OC evangelho no corresponde a tudo 37 ciado varias veres que o evangelho € anunciad pela pregacao, mas 0 bom senso Nos diz que as obras de amo! mais importan- poi acompanhantes dit Pre- » poder de 1 salvador tes que sejam como gacao, nao tém em si mesmas ¢ Jevar as pessoas ao conheciment de Jesus Cristo. Francis Schaeffer argummey” que os relacionamentos ‘os formam 0 critério que julgar se a mensagem deles — assim, a comuni- ‘ica definitiva”.’ No Jaco entre omu- tou acertadamente entre os crista mundo usa pa & mesmo verdadeira dade crista é a “apologét entanto, observe novamente a rel fé © obras. Jesus afirmou que uma ¢ nidade de amor é necessaria para que © mundo saiba que Deus 0 envio (Jo 17-234 cf. 13.35). Dividir nossos bens uns com os outros e com 0 necessitado é um sinal pode- roso a nao cristaos (veja a relacdo entre tes~ temunhar e compartilhar em Atos 4-31-37 e em Atos 6). Mas as boas obras — apesar de incorporarem as verdades do evangelho ede nao ser possivel separa-las da pregacio er confundidas com ele. — nao devem s O evangelho é uma boa noticia que cria uma vida de amor, mas a vida de amor nao é, em si, 0 evangelho. O evangelho é entao, antes de qualquer coisa, um relato sobre a obra de Cristo a nosso favor — é por esse motivo e dessa maneira que o evangelho é salvagao pela (© evangelho é boa noticia porque graga. 0 se trata de uma salvagao realizada a nos favor. E uma boa noticia que cria uma vida de amor, mas a vida de amor nao é, em si, o evangelho.” © EVANGELHO TEM DOIS INIMIGOS IGUAIS E OPOSTOS Consta que Tertuliano, um dos pais da igreja, fez a seguinte afirmagdo: “Assim como Jesus dois ladrdes. 0 evan- pre crucificado entre ‘eros SAO eSSeS a que costume chama- ado entre getho também sem es dois erros * es a refere? E foi crv es ‘Tertuliano Se os Tert te retigid © jrreligido: 0S termos teo- cone | po e anginomisto, Outre sao legal designd-los pode! uu pragmatism) mente bus- nos ja ser mora- Jogicos maneira de fismoe relat Esses dois relativisme (o erros constante verter cam pervert _ pve do poder do ev ismo afirma para sermos s, precisamos ter ue, para § amos te sida santa e moralmente boa. O anti- : ‘como ja somos salvos, Momismo prega que: Come ao precisamos ter uma vida santa e moral- mente boa. £ aqui que se encontra a “ponta de tanca” do evangetho. Uma distingao clara e i definida entre legalismo, antinomismo pevangelho é muitas vezes vital para que © poder transformador do spirito Santo opere. Se nossa pregacio do evangelho seixa transparecer, ainda que muito leve~ tnente, que “F preciso erer e viver correta- mente para ser salvo” a todos assim como sao”, que nossa proclamagao nao ¢ ta reali: a obra transformadora descrita na préxima parte deste livro, a qual molda 0 coragao ¢ muda a identidade. Se pregamos somente doutrinas ¢ éticas gerais da Escritura, néo estamos pregando o evangelho. O evange- lho é a boa noticia de que Deus consumou nossa salvaciio por nds, por meio de Cristo, para nos levar a um relacionamento restau rado com ele e, por fim, destruir todos os efeitos do pecado no mundo. Mesmo assim, € possivel argumentar que, para entender tudo isso — quem Deus 6, por que precisamos de salvagao, o que ele fez para nos salvar —, precisamos conhe- cer os ensinos bisicos de toda a Biblia. J- Gresham Machen, por exenplo, refere-se as doutrinas biblicas de Deus e do homem como os “pressupostos do evangellio”. ou “Deus ama e aceita descobriremos indo 38 E TEQLOGIA A PARTIR DO EVANGELHO CO evangelho ni nie corresponde a tude que nto lho ve- ta- ita Isso significa que 0 entendimento de t6p dade, enearnagio de Cristo, pecado original ¢ pecado em geral & indis wel. Se niio entendemos, por exemplo, esus nao era simplesmente um homem bom, mas também a segunda pessoa da ‘Trindade, ou se nao entendemos o signifi a de Deus”, ¢ impossivel entender cos como, cos pe! que! cado de ‘0 que Jesus realizou na cruz. Nao s6 iss 0, ‘mas o Novo Testamento expliea constante- mente obra de Cristo usando os termos do Antigo Testamento — com o vocabulirio do sacerdécio, do sacrificio e da alianga, Em outras palavras, ndo devemo plesmente pregar a Biblia de forma geral; devemos pregar o evangelho. Entretanto, se os ouvintes da mensagem nao entenderem a Biblia de forma geral, nao entenderao 0 evangelho. Quanto mais entendermos a obra completa da doutrina bibliea, mais entende- remos o proprio evangelho — e quanto mais, entendermos o evangelho, mais claramente veremos que, no final de tudo, & Biblia trata, O conhecimento bibl pensavel ao evangelho e é, ao mesmo tempo, diferente do evangelho, mas é to comum que ocupe o lugar do evangelho quando este no est presente, que as pessoas passaram aconfundir sua identidade. im- © EVANGELHO TEM CAPITULOS. Oevangelho é, entao, boa noticia — nao algo que fazemos, mas que foi feito por nés. Sim- ples assim. Mas, quando fazemos perguntas como “Que boa noticia?” ou “Por que ele é boa noticia?”, a riqueza e a complexidade do evangelho comecam a surgi. Ha duas formas basicas de responder A pergunta “O que é o evangelho?”. Uma delas 6 apresentar as boas-novas de como podemos ser aceitos por Deus. Isso ajuda a entender a pergunta como “O que eu preciso fazer para ser salvo?”. A segunda forma é oferecer as boas-novas biblicas daquilo que Deus realizaré plenamente na histéria, por ‘em Jesus, Isso serve para como “Existe espe meio da salvaga entender a pergunt ranga para 6 mundo?”, + entendermos a pergunta da_ pri- la, expli camos como o ser humane pecador pode se reconciliar com um Deus santo e como sua vida pode ser mudada em consequén- cia disso. & uma mensagem relacionada a Jas. A resposta pode ser eshogada da quem 6 Deus, o que é sto © 0 que ele fer, 0 ui lidando basicamente meira forma, mais individua pes seguinte maneir: © pecado, quem é C que é fé. Estamos com temas. Se entendermos a pergunta da segunda forma, perguntando tudo 0 que Deus realizar na histéria, explicamos de onde surgiu o mundo, o que deu errado com ele e como podera ser restaurado. Essa é ‘uma mensagem sobre 0 mundo. A resposta pode ser esbocada da seguinte maneira: Criagdo, Queda, redengao e restauragio. Aqui temos ento capitulos de um enredo, de uma historia. SAN t3 7. lem aL a) A frase muito conhecida “Pregue o ‘evangelho; se necessario, use palavras” é Util, mas também enganosa. Se 0 evangelho se referisse acima de tudo ao que temos de fazer pars ser salvos, poderia ser transmitido tanto por agSes (3 ser imitadas) quanto por palavras. Mas, se o evangelho diz respeito, acima de tudo, ao que Deus fez pare nos salvar e 3 maneira em que recebemos isso por fé, ele s6 pode ser anunciado com palavras. A fé nao pode vir sendo pelo ouvir. Por isso, Galatas 2.5 afirma que a heresia ameaca a verdade do evangelho, e Filipenses 1.16 declara que a mente da pessoa tem de ser persuadida sobre a verdade do evangelho. Efésios 1.13 também afirma que o evangelho é a palavra da verdade. Efésios 6.19 e Colossenses 1.23 ensinam que proclamamos o ‘evangelho por meio da comunicacao verbal, particularmente da pregacdo. E TEOLOGIA A PARTIR DO EVANGELHO O evangelho ndo corresponde a tudo 39 apitulo, os no proxime apresen- ancira de Mas, insisto com lose pos pgelho. ita Como ver nao existe uma tnicn taro evangelho biblice. que seja a mais: ws do € yore par sfvel em sttas apresentagan rigo de responder a prime re vo?") (CO que eu preciso para ser salvo’ sem a segunda (*Existe espel para 0 ira pode mundo?" & que, ha, a pt shar se moldando pelo pensame indo o qual o objetivo da reli mas neces! iduais de libertagao gsi concepgao dental, sey olerecer bens que s dades espirituais e ind da culpa ¢ da eseravidao, nao revela muilo sobre a bondade da cri ‘io original nem sob agio de Deus com o mundo fisico e, portant, pode smo levar 0 ouvinte a enxergar o cristi como uma simples fuga do mundo. Toda- nda maior © perigo de entender 0 elo de forma tao restrita quanto uma simples trama sobre a renovagio do mundo. Isso apresenta te o plano de De para salvar o mundo, mas, na verdade, néo Ihe explica como restaurar 0 relaciona- mento com Deus e se tornar parte do plano. Chego mesmo a dizer que, sem a primeira mensagem, a segunda nao é evangelho. J. 1. Packer afirmou: ow Nos tiltimos anos, grandes avangos da teo- logia biblica e da exegese canénica contem- pordnea refinaram nosso entendimento sobre a historia biblica em geral de como 0 plano de Deus de abengoar Israel — e, por meio de Israel, o mundo — chegou ao dpice em Cristo e por meio dele. Mas nao vejo como seria posstvel negar que cada livro do Novo Testamento, seja qual for seu outro objetivo, tenha em vista, de uma forma ou de outra, a pergunta fundamental de Lutero: “Como um pecador fraco, perverso e culpado pode encontrar um Deus gra- ciosy?”. Também néo hd como negar que © cristianismo verdadeiro realmente s6 snjotn quando essa eseaberta 6 feta jem inicio ; reds que os desenvorviientOs at. fa me ment Be me encore HOss0s HOTHZONLES Com sa sos hor A180 ree qnarrativd, distraem-nos prande ar os impedem de (idan COM a per. Cea fo [autero no ambito pessoal, preju- empo que ajudam nossa sangelho.” gunta de dicam ao mesm0 eompreensito do ev im, a grande narrativa biblica um alicerce decisivo para evar qualquer pessoa @ restaurar seu Pijacionamento com Deus. Um modo de pro- ceder é fundir as duas Tesportng a pergunta “o que 6 o evangelho?”, para que as verda- des do evangelho sejam apresentadas numa historia com capitulos, e nao simplesmente s como um conjunto de temas. A Mesmo assi 3 da redengao cosmica € mostrada’ ny abordagem narrativa levanta as quest6es, ea abordagem tematica supre as respostas. ‘Como apresentariamos 0 evangelho a alguém dessa maneira? O que segue é um “toteiro conversacional” para apresentar- mos 0 evangelho como capitulos de uma histria. Na Biblia, 0 termo evangelho é a declaragao do que Jesus Cristo fez. para nos salvar. A luz do uso biblico, devemos obser- var que os capitulos 1 (Deus e Criagio), 2 (Queda e Pecado) ¢ 4 (Fé) no sio, estrita- mente falando, “o evangelho”. Sao 0 prélogo € 0 epilogo. Simon Gathercole argumenta que tanto Paulo como os autores dos Evan- gelhos consideraram trés elementos basicos como parte das boas-novas: a identidade de Jesus como Filho de Deus e Messias, a morte de Jesus pelo pecado e para justifica~ $A0 e o estabelecimento do reino de Deus e da nova criagao.'* O evangelho, entio, esta contido no capitulo 3, com suas trés divisoes — encarnagio, substituicdo e restauragao. O capitulo 1, sobre Deus, e 0 capitulo 2, sobre © pecado, constituem informacgées prévias absolutamente essenciais para entender- aa oe da pessoa e da obra de » O capitulo 4 ajuda a entender como » & TEOLOGIA A PARTIR DO EVANGELHO. O evangelho néo con Tesponde a tudo devemos corresponder As o oferecida por Cristo, Mesmo assim, & razoavel e nat I nos referirmos ao conjunto de qi angelho”, capitulos como “oe DE ONDE VIEMOS? Resposta: Deus. Existe ape @ infinito em poder, bond: mas & também pessoal e fala conosco na Biblia, O mundo nao iio de um Deus mt todas as coisas, um Deus. Ele le © santidade, moroso, um Deus, que um acidente, m tinico (Gn 1). Deus ¢ mas por que ele fez mundo e também a nés? Ba resposta a essas que torna profundo e singular 0 Por que criou 0 pergunta entendimento que 0 cristio tem de Deus. Embora exista somente um Deus, no ser de Deus existem trés pessoas — Pai, Filho e Espirito Santo —, que sao todas igualmente Deus e se amam, se adoram, se servem e se apreciam desde a eternidade. Se Deus fosse unipessoal, nao conheceria o amor até criar outros seres, Nesse caso, amor e comuni: dade nao teriam sido essenciais ao seu card- ter; teriam surgido mais tarde. No entanto, Deus é tritino, e, assim, amor, amizade e comunidade Ihe sao intrinsecos e esto no mago de toda a realidade. Fomos, pois criados por um Deus tritino (Jo 1.1-4), mas ou porque desejava a alegri do amor e do servigo mituos. Ele ja deti- nha e isso, Deus nos criou para compartilhar seu amor e servigo. Jo nos er ele CAPITULOS EVANGELHO ‘apitulo 7 De onde viemos? Capitulo 2 Por que as coisas deram tao errado? Capitulo 3 O que restaurara as coisas? 2, Eapitule 4 Camo posse ser restaurado? NTU e ee) Como Joio 17.20-24 ensina, as pessoas da ‘Trindade amam e servem umas As outras :, assim, so “voltadas para 6 outro’ Deus nos criou para vivermos dam for Ihara alegria «9 ami que exist jou um mundo bom com 0 qua mundo repleto de seres humanos chamados nat, Para compat mem seu intimo, Deus « se preacupa, um servir a para adorar, para conhecer € pars cle endo a si mesmos. POR QUE AS COISAS DERAM TAO ERRADO? Resposta: Pecado. Deus nos criou para adora-lo e servi-lo, e para amar ao proxi a, seriamos com- Se vivéssemos dessa fo! pletamente felizes ¢ usufrui mundo perfeito, Mas a raga humana inte se afastou de Deus, rebelando-se contra sua autoridade. Em vez de viver para Deus € vivemos cent mos de um a para nossos semelhantes dos em nés mesmos. Como © nosso Tr cionamento com Deus foi desfeito, todos ‘os outros relacionamentos — com os outros seres humanos, com nés mesmos e com 0 mundo criado — também sofreram ruptu- ras. O resultado é decadéncia e ruina espi- ritual, psicolégica, social e fisica. “Tudo se parte, 0 centro nao sustenta. Mera anar- quia avanga sobre o mundo...” — o mundo acha-se agora debaixo do poder do pecado. © pecado colhe duas consequéncias terriveis. Uma é a escravidao espiritual ATS iaY No] Sa ereR a7 Ns [ei 18 lo) De Deus: aquele que ¢ Unico, mas se relaciona conosco Por causa do pecado: escravidao condenacao Cristo: encarnacdo, substituicao, restauracao Por meio da fé: graca e verdade E TEOLOGIAA PARTIR DO EVANGELHO O evangelho ndo corresponde a tudo a 2 nio em os crer ou nunca faze ga ow (Rm 6.15-18). Podemo Deus, mas, de qualquer formas mos dele nosso maior Bem. SDC og oe evince anton oconte ee vida, vivendo para i carreira, familia, fama, romance’, | 2 poder, conforto, cat cis € politeas bo alguma outra coisa. Mas o resultae) © Sempre a perda desse controle, algum HEP de ceoravidao, Todas as pessoas tem de viver para alguma coisa, ¢, se niio vivemos para Deus, somos dominados pelo objetiv? os — quando trabalhamos “é-lo, quando teme- para o qual viveme ‘em demasia para alean¢! mos descontroladamente que esse objetivo seja ameacado, quando sentimos uma raiva profunda caso ele esteja sendo impedido e quando nos entregamos a um desespero inconsolavel caso ele se perca. Pouco antes de se suicidar, 0 romancista David Foster Wallace proferiu 0 seguinte discurso aos formandos de 2005 da Kenyon College: Todo 0 mundo adora alguma coisa. A tinica escolha que temos de fazer 0 que adorar. E a razao persuasiva para, tal- vez, escolhermos um tipo de deus ou algo espiritual para adorarmos [...] € que praticamente qualquer outra coisa que vocé adore 0 comeré vivo. Se voce adora dinheiro e bens, se sio eles que déo sentido @ seu viver, entéo vocé nunca teré o bas- tante, nunca sentiré que tem o bastante [...] Adore seu corpo, sua beleza, seu poder de sedugéo, e voc’ sempre se acharé feio. E, quando o tempo ea idade camegarem a parecer, vocé morrerd milhdes de vezes antes que lamentem de verdade sua morte ‘Adore o poder, e acabard se achando fraco e amedrontado, e sentird a necessi- dade de ter cada vez mais poder sobre os pm para anestesiar seu proprio medo, Adore seu intelecto, alguém iilgea idee, como a ‘ ird se sentindo estipide, uma fraude, sempre ¢ beira E TEOLOSIAAPARTIRDO EVANGELHO. evan Mas 0 que hd de insi- fescobert0: ‘ de ser ese mas de adoracio & que dioso RESON scientes. SG configuracdes- 10 incons' ida nossa vide.” -padrao pecado é 2 nas sofremos P eulpados por © por i ‘ausa do pecado. Get “Bom, no sou muito a boa pessoa — e isso waa”, Sera? Imaginemos uma ‘yitiva pobre — COM apenas jna ao menino como ela religioso. 1 6 0 que impo senhora — wma tum filho. A mée ens ue ele viva ~ 4 ; oer ajudar os pobres. Ela ganha trabalhar duro ea muito mal, mas, com o pouco que conse- ve economizar, ajuda 0 filho a terminar a Bi dade, Imaginemos que, depois de for- mado, 0 rapaz. mal fale com a mie nova~ rent. Envia-The um cartio no Natal, mas ao a visita; nfo atende a seus telefonemas rem Ihe responde as cartas. No entanto, o filho vive exatamente como a mae ensinou: éhonesto, trabalhador e caridoso. Diriamos que o comportamento dele é aceitavel? Claro que nao! Sera que nao diriamos que, apesar de “viver corretamente”, 0 rapaz faz algo condendvel por negligenciar o relaciona- mento com a pessoa a quem ele deve tudo? Da mesma forma, se Deus nos criou e lhe devemos tudo, mas nao vivemos para ele, “viver de modo decente” nao é o bastante. Todos temos uma divida que deve ser paga. yer sempre a verdade, O QUE RESTAURARA AS COISAS? Resposta: Cristo. Em primeiro lugar, Jesus Cristo restaura as coisas por intermédio de y para C. S. Lewis afirmou que, a existe, certamente nao nos rela- amos com ele da mesma forma que as apse andar de um edificio ae a com as pessoas do segundo od clonamo-nos com ele da forma mlet se relaciona com Shakespeare. ‘Setho no corresponde a tudo (logit). A Filho de Dex Seat Ase 8 cosas ¢ asa da FE Nos (personagens) talvez conhegamos bem autor, mas S64 medida que ele decide dar Ses a Seu proprio respeito na pega.! informagd Na perspectiva crista, porém, eremos que Deus fez mais do que simplesmente nos dar informagdes. Muitos ffs das historias polieiais ¢ de mistério eseritas po thy Sayers afirmam que cla for uma das rimeiras mulheres a estudar na Univer- sidade de Oxford. A personagem principal ias — lorde Peter Wimsey — ocrata solteiro. Todavia, Doro- suas histé de éum detetive a a altura das historias, aparece uma gem, Harriet Vane. Ela 6 d a nova perso a como uma das primeiras mulheres a m Oxford — ¢ como autora de rio. Ela ¢ Peter acabam se asam. Quem era Harriet? examinou 0 cs se formar sde mis romane\ apaixonando ese Muitos acreditam que Sayer mundo que havia criado, apaixonou-se por rio ¢ colocou-se na historia lar quanto a realidade da enearnag: 1.14). & como se Deus tivesse olhado para ia criado, tivesse visto im sentido pena de seu 0 mundo que hav nossa perdigiio e ass povo. Entio, colocou a si mesmo na his ria humana como personagem principal (Jo 3.16). A segunda pessoa da Trindade, 0 Filho de Deus, veio ao mundo como homem, Jesus Cristo. ‘A segunda maneira de Jesus restaurar ubstituicdo, Por io, oO Deus 1 NOSsOs as coisas é por meio a da nossa culpa e condena 10 pode simplesmente dei cau justo r pecados de lado, Sentir pena nao é o sufi- ciente. Jamais admitiriamos que um juiz humano deixasse um bandido livre s6 por- que ele se arrependeu — tanto menos espe- rariamos que o Juiz divino e perfeito agisse dessa forma! Mesmo quando perdoamos 08 erros cometidos contra nds, ndo podemos fazé-ly sem custo, Se uma pessoa nos fere € tuma nosso dinheiro ou acaba com nossa EB SFOLOGIA A PARTIR DO EVANGELHO Oe felicidade ou nossa reputagio, podemos obrigi-la a nos restituir ou entao podemos « Ihe perdoar nds absor= veremos 6 custo sem nenhuma compensa Gao. Jesus Cristo viveu de modo perfeito — 0 ’ inico ser humano que conseguin isso (Hb ‘ 4.15). No fim de sua vida, cle merecia by 0 caceitagio: no fim de nossa vida, porque 0 que significa qu todos vivemos em pecado, merecemtos reje {0 ¢ condenagao (Rm 3.9.10). Mas, quando © tempo se completou, Jesus re em i na cruz, a rejeigto © a conde 218), para que, nosso hugs nagio que merecemos (1Pe : quando erermos nele, recebamos ah aaceitagio que ele merece (2Co 5.21). Nada & mai nte do que imaginar alguém dando sua vida para Em A Tale of Two Cities," de Char- les Darnay nigio & toc salvar outra pes les Dickens, dois homens ~ Ch ¢ Sydney Carton — amam a mesma mull Lucie Manette, mas ela decide se Charles. Mais tarde, durante a Revolugio Jos & jogado na prisio ¢ ali fica aguardando ser executado na guilho- tina, Sydney visita Charles na prisio, xeda-o com drogas ¢ tira-o dali. Q costureira (lambém no corredor da morte) “sar com, ando uma jovem pereebe que Sydney esté tomando o lugar de Charles, ela fiea maravithada e pede que ele segur A cos- profundamente tocada por seu sacrificio substitutivo — e nem era a favor dela! Quando entendemos que Jesus fez a mesma coisa por nds, tudo muda: a maneira de vermos Deus, nés mesmos eo mundo, Aterceira maneira de Jesus consertar as. coisas é por intermédio da restauragao final de tudo o que deu errado no mundo. Na pri- tureira fic meira vez que Jesus veio do céu a terra, veio em fraqueza, para sofrer por nossos peca dos. Mas, na segunda ver que vier, ele jul- gara-o mundo, dando fim a toda maldade, sofrimento, decadéncia ¢ morte (Rm 8.19- 21; 2Pe 3.13). Isso significa que a salvagio de Cristo nao apenas salva nossa alma para angelho nio conesponde a tudo 43 nto da maldicao co objetivo final auragio do mundo io da nossa alma Ramachandra va € sem para que escapemos do sofrime sobre o mundo fisico. Antesy 6 a renovagio € a fisico, bem como a redenca e do nosso corpo. Vinoth observa como essa perspect Ielo entre as religi _.. nossa salvagdo n&o depende de esca- parmos deste mundo, mas da trans formagao deste mundo [..] Vooe nae speranca para o mundo em encontrard es qualquer outro sistema religioso ou filo- sofia humana. A perspectiva biblica é sin- gular. Assim, quando alguém me diz que ha salvagéo em outras crencas, pergunt0: “De que salvacdo voce esté falando?”. Nenhuma fé promete salvagéo eterna para o mundo da mesma maneira que @ COMO POSSO SER RESTAURADO? Resposta: Fé, Jesus morreu por nossos pecados ¢ ressuscitou do timulo. Pela fé em Jesus, nossos pecados podem ser perdoa- dos, e podemos ter a certeza de que vivere- ‘mos com Deus para sempre ¢ de que um dia ressuscitaremos da morte como aconteceu com Jesus. Entio o que significa crer, ter f6? Em primeiro lugar, significa entender o que significa salvacio “pela fé”. Crer em Cristo nao significa que nosso passado esta per- doado, que iniciamos uma nova vida e que temos de nos empenhar para viver melhor do que vivemos anteriormente. Se vocé cré nisso, ento continua pondo sua fé em si mesmo. Vocé é seu proprio salvador. Vocé espera que seus proprios esforgos morais e habilidades o restaurem perante Deus. Mas isso nunca vai funcionar. Ninguém tem uma vida perteita. Até mesmo nossos melhores feitos sio manchados por motivagdes eyo‘s- tas e impuras. O evangelho, a boa noticia, é que, quando cremos no Salvador, no hé mais 44 denacio alguma para aqueles que esto ~eondenaci’ “as” (Rm 8.1). Depositar a fé en Cristo Jest Tago de esforg cada em Cristo re nifiea deixar de confiar em He passar a conf em Jesus ¢ sre, Significa pedir: “Pai acct crcausa do que fiz 01 farei, mas “jesus fer. em meu lugar", jm, somos adotados na vez ma -me, nao Po por causa do que indo agimos i Quai de Deus erecebemos odireito a0 seu a eterno amor paternal (Jo 1.12,13)- rr meunda coisa que precisamos ter em mente € que nao somos salvos pela quali- dade da nossa fé, mas pelo que’ Jesus fez por si facil pressupor aue Ser salvo pela fé" Significa que Deus agora vai nos amar Por causa da profundidade do nosso arrependi- mento e da nossa fé, Mais uma vez, isso nos transforma sutilmente em nossos proprios salvadores, endo Jesus. O que nos salva nao 6o tamanho da fé, mas o objeto da nossa fé, Imaginemos que duas pessoas embarquem no mesmo aviao. Uma delas nao tem quase nenhuma fé no avido ou na tripulagio, e esté morrendo de medo. A outra confia ple- namente no avido e na tripulagao. Os dois passageiros entram na aeronave, viajam e chegam em seguranca ao destino. Uma pes soa teve cem vezes mais fé do que a outra; contudo, as duas fizeram um voo seguro. Nao a quantidade de fé, mas o objeto da f& (avido e tripulacao) impediu que os passa- geiros sofressem algum dano e, assim, che- gassem saos e salvos ao seu destino. A fé salvadora nfo é um nivel de certeza psico- légica; é um ato da vontade que nos leva a descansar em Cristo, Entregamo-nos total- mente a ele porque ele se entregou total- mente por nés (Mc 8.34; Ap 3.20). © CORRETO RELACIONAMENTO DO EVANGELHO COM TUDO NO MINISTERIO ae sempre © perigo de que lideres € ‘ores de igreja entendam o evangelho & TEOLOGIAA PARTIR DO EVANGELHO © vangetho ni nde corresponde a tudo apenas como o padrao ménimo de contetido doutrinario para sermos crentes em Cristo. Consequentemente, muitos pastores e lide res se sentem mais fortalecidos com uma ou mais destas ideias: ensinar doutrinas mais avangadas, ou formas mais profun- das de espiritualidade, ou uma comuni- dade intencional os sacramentos, ou um “discipulado mais profundo”, ou uma eura psicolgica, ou justiga soci al e engajamento cultural. Um dos motivos é 0 surgimento natural de certa especializag: > & medida que se da o crescimento ¢ o amadureci- mento da igreja. As pessoas naturalmente querem se aprofundar em varios topicos e disciplinas ministeriais. Essa tendéncia, porém, pode nos levar a perder de vista 0 todo. Embora possamos ter a tendéncia de nos concentrar em uma s6 area ou ministé- rio, é 0 evangelho que traz unidade a tudo o que realizamos. Cada forma de ministério écapacitada pelo evangelho, fundamentada no evangelho e resulta do evangelho. Por ser infinitamente rico, 0 evangelho consegue suportar © peso de ser o “elemento principal” da igreja. Talvez uma ilustracio nos ajude aqui. Imagine que vocé seja misico de uma orquestra e comece a tocar. Mas 0 som & horrivel, porque os instrumentos estio desafinados, O problema nao sera resolvido simplesmente afinando os instrumentos uns pelos outros. Nao vai dar certo se cada mAsico afinar seu instrument pelo docolega ao lado, porque cada um estaré afinando em um tom diferente. Nao, os instrumentos tém de ser devidamente afinados por uma nica fonte de tom. Geralmente tentamos afinar a nés mesmos de acordo com o som de tudo ‘em nossa vida. Normalmente isso é descrito BTEOLOGIA A PARTIR DO EVANGELHO O evangelho nao corresponde a tudo como “enti gunta a ser feita é “Sintonia com o qué finado com 0 qué?” comes ar em sintonia”. Contudo, a per- ". O evangelho nao 2a nos sintonizar em relacao aos nos: sos problemas particulares ¢ ambientes que nos ceream; em primeiro lugar, ele nos sin- toniza novamente com Deus.” Se um elemento do ministério nao for reconhecido como um resultado do evan- gelho, poderd, as vezes, ser confundido com 0 evangelho ¢, com o tempo, suplantara 0 evangelho na pregagio e no ensino da igreja. Aconselhamento, lideranga espiritual, pré- tica da justiga, engajamento cultural, instru cdo doutrinaria e até mesmo 0 evangelismo podem se tornar mais importantes que 0 evangelho. Nesses casos, 0 evangelho, como acima esbocado, nao é mais entendido como a nascente, a dinmica central da qual pro- cedem todas as outras coisas. Ele nao é mais 0 centro da pregacao, do pensamento ou da vida da igreja; foi substituido por alguma outra coisa boa. Por conseguinte, o niimero de convertidos comeca a cair, uma vez que © evangelho nao é pregado com o tipo de precisio que convence do pecado, expde 08 segredos do coracao (1Co 14.24,25) € da a0s cristaos e também aos nao cristios uma percepcao da realidade de Deus, mesmo contra a vontade. Por ser infinitamente rico, 0 evange- Tho consegue suportar o peso de ser o “ele mento principal” da igreja. Em 1Pedro 1.12 eno contexto ali, observamos que os anjos nunca se cansam de examinar e explorar as maravilhas do evangelho. Ele pode ser pre- gado a partir de muitas historias, temas e principios da Biblia inteira. Mas, quando a pregacio do evangelho é ou confundida com outros esforgos da igreja ou separada deles, ela se torna mera exortacao (para aderir a um programa da igreja ou a um padrao de ética biblico) ou mera instrugdio informa tiva (para inculcar os valores e as crengas da igreja). Quando a conexiio apropriada entre 45 o evangelho e qualquer aspecto do ministé- rio 6 rompida, ambos sio prejudicados. CO evangelho é, antes de tudo, “a procla- macao de um arauto”."" E uma boa noticia que gera uma vida de amor, mas a vida de ngelho nao amor nao é 0 evangelho. O e & tudo 0 que cremos, fazemos ou dizemos. © evangelho tem de ser primeiramente 1. Este capitulo analisa mnitas verdades que nao podem ser confundidas com 0 evangelho, Em que sentido cada uma dessas verdades nao é o evangelho’ + Tudo o que a Biblia ens + Modo de vida; algo que r + Unir-se ao programa do reino de Deus; plano divino de reabi para 0 mundo. ina. alizamos. Se 0 evangelho nfo é tudo, o que é co evangelho? 2. Keller escreve: “O evangelho nao diz respeito ao que fazemos, mas a0 que foi feito por nés; mesmo assim, o evangetho resulta em um modo de viver completamente novo. A graca NOTAS "Me 1.1: Le 2.105 1Co 1.16.17: 15 *D. A Carson, “What Is the Gospel? — Revisited”, un. 5-24, Jesus diz: “Quem ouve 2 minha palavra eee CEM to Cok ; For th TT Piper, edigio de Sam Storms e Justin Taylor (Wheaton roan fare of God's Name °0 verbo traduzido por “passainos” em 140 3.14 6 metabaino, @cré naquele que me enviou tem a vid; to como boa noticia, ¢ noticia ¢ me ue temos de fazer e mais foi feito. O evangelho & acima ‘a obra de Cristo a entendi menos sobre sobre 0 que de tudo um r or ato sobre salvagao conquistada para ele éevangelho da graca, yeremos no proximo capi- evangelho ser boas-novas ho significa que seja uma mensagem sim * entendimento do evangelho, nao ho tinico”. 6 ‘Todavia, come tulo, 0 fato de 0 ples. N cabe a ideia de “taman eas boas obras dela resultantes precisam ser tanto distinguidas quanto associadas”, Como uma pessoa ou ministério pode distinguir entre “o evangelho” e “os resultados do evangelho”? 3, A secdo intitulada “O evangelho tem capitulos” nos ensina a apresentar 0 evangelho a alguém como capitulos de uma histéria maior. Para vocé, que outros “roteiros conversacionais” sio frutiferos ao conversar sobre o evangelho com nao cri Ecom cristéos? 4. O-que acontece quando o evangelho é proclamado sem seus resultados, ou quando os resultados sio buscados sem a proclamacdo do evangelho? sone Ree says in Honor of John + que significa “passar de um lugar a outro”. Em Josio la eterna e nao vai a julgamento, “6 TEOLOGIA A PARTIR DO EVANGELHO © evangetho ndo con respande a tudo vida". Uma passagem paralela é Colossenses 1.13, na qual lemos que os \s para o reino do Filho, jd passou [metabaino] da morte pai seguidores de Cristo foram transferidos do dominio das tre "Dp. Martyn Lloyd-Jones, Spiritual Depression: Its Causes and Cure (Grand Rapids: Es uJ. 1. Packer, “Introductory Essay to John Owen's Death of Death in the Death of Christ”, disponivel em: www. all-of-grace.org/pub/others/deathofdeath. html, acesso em: 4 jan. 2012. [Edigio em portugués: A Mortificagao do Pecado: Um Classico do Século XVII, tradugao de Gordon Chown (Sio Paulo: Vida, 2005).) J. 1. Packer, Knowing God (Downers Grove: InterVarsity, 1973), p- 171. [Edigio em portugués: O Conhecimento de Deus, tradugio de Cleide Wolf (Sao Paulo: Mundo Cristo, 2005).] “Francis Schaeffer, The Mark of the Christian (Downers Grove: InterVarsity, 1977), p- 25. Cf. Timothy George; John Woodbridge, The Mark of Jesus: Loving in a Way the World Can See (Chicago: Moody, 2005). “Carson, “What Is the Gospel? ~ Revisited’, in For the Fame of God's Name, p. 158. “Embora eu tenha ouvido e lido essa citagao de outros pregadores, nunca consegui localizé-la nos escritos de im ser apécrifas, embora o prineipio esteja correto. S, 2001), P. 9. ferdmans, 1965), P- 34: Tertuliano. Penso que essas palavras pos "J. Gresham Machen, Christianity and Liberalism, nova ed. (Grand Rapids: Eerdmans ‘J. 1. Packer, In My Place Condemned He Stood: Celebrating the Glory of the Atonement (Wheaton: Crossway, 2007), p. 26- "Simon Gathercole, “The Gospel of Paul and the Gospel of the Kingdom”, in God's Power to Save, edigdo de Chris Green (Leicester: InterVarsity, 2006), p. 138-54. “DP. A. Carson, The Difficult Doctrine of the Love of God (Wheaton: Crossway, 2000), p. 39, 43. [Edigio em portugués: A Dificil Doutrina do Amor de Deus, tradugio de Degmar Ribas (Rio de Janeiro: CPAD, 2007).] Carson sada, mesmo antes da criagio escrove: “Entio, o que temos é um retrato de Deus enjo amor, mesmo na eternidade pa de qualquer coisa, é voltado para 0 outro. O mesmo nao pode ser dito, por exemplo, de Ala. Contudo, porque o Deus da Biblia é um, essa pluralidade-em-unidade nao destrdi o foco inteiramente apropriado que ele tem em si mesmo como Deus [...] Desde sempre, o amor de Deus é voltado para o outro (...] Somos amigos de Deus em virtude do amor intratrinitario de Deus que operou de tal modo na plenitude dos tempos, que o plano de redengdo, concebido na , no tempo € no espago, exatamente no momento certo”. mente de Deus na eternidade passada, invadiu nossa histé Veja “The Dance of Creation” in Tim Keller, The Reason for God: Belief in an Age of Skepticism (New Yor Dutton, 2008), p. 225-6 [edigdo em portugués: A Fé na Era do Ceticismo, tradugao de Regina Lyra (Rio de Janeiro: Campus, 2009); “The Dance”, em Tim Keller, King's Cross: The Story of the World in the Life of Jesus (New York: Dutton, 2011), p. 3-13 [edigao em portugués: A Cruz do Rei, tradugdo de Marisa K. A. de Siqueira Lopes (Sao Paulo: Vida Nova, 2012)]. ‘William Butler Yeats, “The Second Coming” (1920). [Veja Vizioli (Sao Paulo: Companhia das Letras, 2001), tradugio utilizada nessa citagao.] "Emily Bobrow, "David Foster Wallace, In His Own Words” (extraido de seu discurso para os formandos de 2005 da Kenyon College), disponivel em: http://moreintelligentlife.com/story/david-foster-wallace-in-his-own-words, o de Paulo segunda vinda’, in Poemas, tradi acesso em: 4 jan. 2012. "Veja C. S. Lewis, Christian Reflections (Grand Rapids: Eerdmans, 1967), p. 167-76. “Edigio em portugués: Um Conto de Duas Cidades (Sao Paulo: Estagio Liberdade, 2010). “Vinoth Ramachandra, The Scandal of Jesus (Downers Grove: ‘arsity, 2001), p. 24. Sou agradecido a Michael Thate por essa ilustracao. “Carson, “What Is the Gospel? ~ Revisited”, in For the Fame of God's Name, p. 158.