Metamoderno: Estratégia Poética

O Metamoderno não se pretende uma época artística,
nem uma escola, ou movimento, nem mesmo uma
tendência. O Metamoderno é antes de tudo e mais nada
do que uma estratégia. Uma estratégia poética, cujo
objetivo é dar ao artista todas as condições para a
produção efetiva de um plano de realização estética.
Assim, conclui-se que o metamoderno se apresenta
pelos seguintes tópicos;
a) Toda e qualquer poética é válida, desde que inserida num processo crítico de
utilização dentro de um programa definido de combate artístico.
b) O combate artístico é a pretensão da arte se tornar um instrumento de reinvenção da
percepção da realidade, por meio de artifícios estéticos.
c) O Metamoderno se apresenta atuante, ligado às modificações sócio-culturais,
políticas e estéticas, e mais que isso, motivando estas modificações.
d) Toda produção artística anterior é uma imensa base de dados da qual o poeta/artista
metamoderno deve fazer uso como objeto de pesquisa para fundamentação de um
processo específico num momento específico com um objetivo específico.
e) Cada poema metamoderno exige um processo específico, que lhe é próprio e que o
coloca no âmbito de uma série transformadora de conceitos e instauradora de novas
simbologias.
f) Da desconstrução à construção e vice-versa. Da reciclagem à originalidade e da
cópia ao modelo. O poeta/artista metamoderno constrói seu processo com bases que
sustentam uma postura crítico-criativa da arte e do mundo.
g) Os recursos de linguagem fornecem o material para a mediação entre o prazer
estético e a mensagem conceitual, desse modo, o poeta/artista metamoderno
transforma o acervo em arsenal.
h) O poeta-artista metamoderno tem que criar uma visão esclarecedora, mas não clara
do caminho interpretativo da obra. O caminho é a fonte do prazer estético, em que a
chegada é epifania, e não somente catarse.
i) A realidade não está acessível diretamente, cabe ao poeta metamoderno, por meio
de seu processo artístico, criar nesse mesmo processo estratégias de
desmascaramento / descascamento ad infinitum, como é a natureza dos signos.
j) O metamoderno, enquanto estratégia, pode ser pensado como elemento conceitual
constituinte de qualquer poética que se queira inventiva, mas com um
pensar/repensar/reinventar contínuo, moto-contínuo em busca incessante da relação
prazer-viver-saber-conhecer-fazer
O poeta-artista metamoderno assim se apresenta como um construtor de visões de
mundo, abrindo as portas da percepção para a estrada do sentimento até o castelo
imaginário da razão.
Jayro Luna
1990

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