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CEFAC

CENTRO DE ESPECIALIZAÇÃO EM FONOAUDIOLOGIA CLÍNICA

MOTRICIDADE ORAL

HÁBITOS VICIOSOS NOCIVOS À OCLUSÃO

Monografia de conclusão do curso de

especialização em Motricidade Oral

Orientadora: Mirian Goldenberg

DÉBORA SOARES MOREIRA

RIO DE JANEIRO

1999

RESUMO

Esta pesquisa se propõe a identificar os hábitos viciosos nocivos à

oclusão, que podem prejudicar a articulação e a fala.

O conteúdo da pesquisa teórica engloba o desenvolvimento do órgão

dentário, sua oclusão, formação, classificação e etiologia da má-oclusão.

A pesquisa correlaciona a má-oclusão e a fala, mostrando que no

sistema músculo-esquelético-facial existe um equilíbrio entre seus componentes e

as funções que executam.

Os

hábitos

relatados

estão

divididos

em

hábitos

de

sucção,

mastigação, labiais, línguais, posturais e distúrbios funcionais. Estão relacionados

e agrupados os hábitos de sucção digital, chupeta, mamadeira, projeção e sucção

de língua, onicofagia, bruxismo, deglutição atípica e respiração bucal.

Verificou-se que a duração, freqüência e intensidade do hábito vicioso são

fundamentais para a determinação da má-oclusão, seu grau de severidade, e

alterações de fala e motricidade oral causadas, e que a partir destes fatores o

fonoaudiólogo poderá orientar o programa de tratamento.

Pretende-se com esta pesquisa chamar a atenção para a importância do

desenvolvimento saudável da criança, no intuito de prevenir a instalação de hábitos

indesejáveis.

Visa-se

também

com

este

estudo

esclarecer

aos

fonoaudiólogos

e

ortodontistas sobre a importância de um trabalho conjunto, obtendo então um

melhor resultado no tratamento.

ABSTRACT

This research intends to identify the vicious occlusion bad habits that can

cause problems to speech and articulation.

The content issues the dental development, its occlusion, formation,

classification and bad occlusion etiology.

It correlates the speech and bad occlusion, showing the balance

between the skeletal and facial muscles and its functions.

The bad habits are divided into suck, mastication, labial, lingual, posture

and functional disturbs, and are grouped into digital suck habits, pacifier, nursing

bottle, prominence tongue, tongue sucking, atypical deglutition e mouth breath.

The persistence, frequency an intensity of a bad habit is fundamental to

determine the bad occlusion severity grade, speech alterations, and oral motricity

problems caused by these factors and the treatment program.

This research also wants to show the importance on avoiding these

habits towards a healthy development of the children.

This study tries to expose the importance of a work team group between

phonologists and orthodontists in order to achieve better results in treatments.

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO

1

O

ÓRGÃO DENTÁRIO E O DESENVOLVIMENTO DA OCLUSÃO

2

CLASSIFICAÇÃO DA MÁ-OCLUSÃO

4

ETIOLOGIA DA MÁ-OCLUSÃO

6

MÁ-OCLUSÃO E FALA

7

FUNÇÕES MUSCULARES BUCOFACIAIS

8

O

reflexo da sucção

8

HÁBITOS VICIOSOS

10

HÁBITOS DE SUCÇÃO

11

Sucção digital e de chupeta

11

HÁBITOS DE MASTIGAÇÃO

17

Onicofagia

17

Bruxismo

20

HÁBITOS LABIAIS

22

Sucção e/ou mordida do lábio

22

Sucção e mordedura de objetos

22

HÁBITOS LINGUAIS

23

Projeção da língua

23

Sucção de língua

23

HÁBITOS POSTURAIS

24

Postura

24

Posição Incorreta no leito

24

DISTÚRBIOS FUNCIONAIS

24

Deglutição atípica

24

Respiração Bucal

26

CONTENÇÃO AOS MAUS HÁBITOS

27

Chupar o dedo

27

Roer as unhas

27

Chupar ou lamber os lábios

28

Sucção de chupeta e mamadeira

28

CONSIDERAÇÕES FINAIS

29

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

31

INTRODUÇÃO

Se pudéssemos saber primeiramente onde estamos e para onde nos

dirigimos, poderíamos julgar melhor o que fazer e como fazê-lo”.

Freqüentemente

recebemos

Abraham Líncoln.

em

nossos

consultórios,

pacientes

encaminhados por ortodontistas, para reabilitação da musculatura orofacial. Alguns

desses pacientes chegam com uma história de maus hábitos na infância, que

podem persistir até a adolescência, e que ocasionalmente tornam-se fatores

etiológicos de suas alterações oclusais.

O objetivo desse trabalho é fornecer meios aos profissionais de

Fonoaudiologia

que

trabalham

com

motricidade

oral,

de

visualizarem

olistiscamente, os hábitos viciosos que contribuem para o aparecimento de má-

oclusões dentárias.

Falaremos a seguir da sucção digital, chupeta, mamadeira, projeção e

sucção de língua, sucção de lábios, postura anormal da língua bruxismo, deglutição

atípica,

respiração

bucal

e

outros

hábitos

musculares

orofaciais

nocivos,

conhecidamente etiológicos em algumas má-oclusões.

- 1

-

O ÓRGÃO DENTÁRIO E O DESENVOLVIMENTO DA OCLUSÃO

Os morfologistas, na sua grande maioria, definem os dentes como

“órgão ou massa dura de tecidos calcificados, sobre os maxilares, onde, em

conjunto, se dispõem em fileiras”.

Köhler (1994) relata que os dentes são destinados a colher, reter,

cortar, perfurar, dilacerar, esmagar, moer ou triturar os alimentos, funcionando

como intermediários indispensáveis entre as substâncias alimentares e os órgãos

de nutrição.

Eles também exercem outras funções de relevância, como na fonação,

onde seu papel é de extrema importância para a pronúncia de certas consoantes

chamadas “Dentais”, que requerem o apoio da língua ou do lábio de encontro a

arcada dentária.

Na estética facial, servem de apoio para os lábios e bochechas, que

mantém o contorno da face. Nas pessoas com ausência dos dentes; os lábios se

voltam para a cavidade bucal, as bochechas apresentam-se flácidas; os sulcos

naturais da face são acentuados; a extremidade nasal desloca-se para baixo; o

mento fica proeminente e a fenda bucal oculta-se no fundo da depressão criada

pelas extremidades nasal e mentoniana. Além disso, existe, nestes casos, uma

perda de dimensão vertical da face que se reflete de forma intensa sobre as

estruturas moles da face, sobre a mandíbula e sobre a articulação temporo

mandibular,

modificando,

de

modo

profundo

a

fisionomia

do

indivíduo

e

perturbando o funcionamento normal de todas as partes envolvidas.

Segundo Köhler (1994), de acordo com a morfologia, os dentes

possuem a coroa , evidente na cavidade bucal e raiz ou raízes, inseridas nos

alvéolos dos processos alveolares do osso maxilar e da mandíbula. Eles são

fixados nos alvéolos através do ligamento periodontal.

- 2 -

A formação dos dentes inicia-se no segundo mês de vida intra-uterina,

na verdade, ainda não são dentes, mas apenas formações especiais, resultantes

de uma proliferação de células epiteliais, na espessura das formações que darão

origem aos ossos maxilares. Essas formações eqüivalem às sementes dos futuros

dentes decíduos.

Köhler

(1994)

salienta

a

complexidade

existente

entre

o

desenvolvimento das dentições e o crescimento facial. Esta complexidade pode

ser

explicada

pela

multiplicidade

de

características

que

são

peculiares

à

maturação óssea e dentária da criança. Pode ainda ser explicada pelo fato de que

o aparelho bucal é um conjunto formado por dentes, ossos, músculos, glândulas e

sistema vascular, nervoso e linfático. Sabe-se que o aparelho mastigador, dentro

da embriologia, apresenta precocidade em sua formação, em razão e função de

sua importância para sobrevivência do indivíduo. O autor também destaca que os

dentes constituem a substância mais dura do corpo humano (esmalte) e tem,

também, o mais longo tempo de formação, quando comparados e relacionados

aos outros tecidos orgânicos. Deve-se ainda, considerar que os dentes, quando

formados, apresentam suas coroas, em termos dimensionais, com seu tamanho e

formato definitivos. Este fato é profundamente significativo em função de que as

estruturas circunjacentes passarão pelo processo de aumento proporcional ao

avanço da idade do indivíduo. Esta assíncronia gera situações de aparência

complexa e às vezes não harmoniosas, que são características inerentes ao

desenvolvimento da oclusão dentária.

Köhler (1994) cita ainda, que de acordo com Nakata e Wey, a formação

da dentição decídua tem inicio durante as 6 primeiras semanas de vida intra

uterina. A erupção dos primeiros dentes decíduos começa por volta dos 6 meses

de idade. O término se dá normalmente, cerca de

24

a

30 meses após o

nascimento da criança, quando os 2 o molares decíduos entram em oclusão.

- 3 -

O

mesmo

autor

relata

que

as

arcadas

dentárias,

nesta

fase,

apresentam-se em forma semicircular ou ovóide, havendo a presença ou não de

diastemas entre os dentes. Nesta fase os dentes, tanto na região anterior quanto

na posterior estão orientados quase que perpendicularmente no plano oclusal.

CLASSIFICAÇÃO DA MÁ-OCLUSÃO

Petrelli (1994) destaca que, a classificação mais utilizada das má-

oclusões, é a que apresentou Angle em 1899. Ele tomou como referência a

oclusão do 1 o molar superior, supondo que sua posição na arcada era imutável.

Esta classificação tem por base que os

permanentes

determinam

a

“Chave

de

Oclusão”,

1 os

e

molares

superiores

estuda

às

relações

anteroposteriores das arcadas dentárias.

Angle sistematizou a má-oclusão em três grupos principais:

superior

Denomina-se classe I quando a cúspide mesiovestibular do 1 o molar

permanente

oclui

no

sulco

mesiovestibular

do

1 o

molar

inferior

permanente.

Nesta categoria, existe uma relação normal

entre

a

maxila

e

a

mandíbula. As anomalias encontradas são apenas de posição dentária. Nesta

classe estão relacionadas apenas as anomalias de forma, número e posição

dentária,

mordidas

abertas,

mordidas

profundas,

biprotusões,

e

mordidas

cruzadas. Neste caso, pode ser encontrada uma desarmonia entre o volume ósseo

e dentário, provocando apinhamento dentário, principalmente na região anterior.

A classe II caracteriza-se pela mandíbula em posição distal em relação

à maxila. A cúspide distovestibular do

mesiovestibular do 1 o molar inferior.

1 o molar superior oclui com o sulco

Esta classe apresenta duas divisões:

 

Na

divisão 1 estão os casos cuja chave de molar apresenta-se em

classe

II

e

os

incisivos

superiores

estão

freqüentemente

em

lábioversão

- 4 -

exagerada. Pode estar associada a uma musculatura peribucal anormal com um

lábio superior hipotônico e o inferior hipertônico. A arcada superior pode

apresentar-se com uma grande atresia. A língua não encosta no palato durante a

posição de descanso. Durante a deglutição, há atividade muscular anormal dos

músculos do mento e bucinador, juntamente com uma função compensadora da

língua e modificação da posição língual, com tendência a acentuar o estreitamento

da maxila. Podemos encontrar também associado a este tipo de má-oclusão

alguns tipos de hábitos viciosos, como sucção de dedo ou chupeta, como também

casos de respiradores bucais.

A divisão 2 apresenta a mesma morfologia da classe II, com relação à

oclusão de molares, distinguindo-se pela posição dos incisivos centrais superiores

que encontram-se em palatoversão, enquanto os incisivos laterais superiores

apresentam uma inclinação vestibular. Em alguns casos, podemos encontrar tanto

incisivos centrais e laterais superiores inclinados para palatino, como os caninos

superiores em posição vestibular.

Arcada superior dificilmente é atrésica, sendo freqüentemente mais

ampla que o normal na região intercaninos. Encontra-se também com freqüência a

presença de uma mordida profunda. A função muscular peribucal geralmente

encontra-se dentro dos limites de normalidade, sendo que em alguns casos nota-

se a hipertonicidade do lábio inferior.

Na classe III estão englobadas as anomalias que apresentam uma

relação anterior da mandíbula com a maxila. Na oclusão dos 1 os molares, o sulco

mesiovestibular do 1 o molar permanente inferior oclui anteriormente à cúspide

mesiovestibular do 1 o molar permanente superior. Apresentam-se, muitas vezes

associadas a uma hiperplasia mandibular. Freqüentemente apresentam uma

mordida cruzada anterior e os incisivos inferiores em linguoversão.

- 5 -

ETIOLOGIA DA MÁ-OCLUSÃO

Segundo Schwartz (1994) o desequilíbrio oclusal nem sempre é o

resultado de um determinado fator etiológico. Alguns pacientes, muitas vezes,

apresentam uma pré disposição ou uma anomalia, o hábito ou uma posição

viciosa, apenas viriam auxiliar o desencadear de uma alteração oclusal.

A relação causa e efeito é importante na elaboração de um diagnóstico

clínico. O efeito é de fácil visualização, mas a causa que originou determinada

anomalia nem sempre, pode ser determinada com precisão.

Para os autores, são vários os fatores que podem desenvolver uma

oclusão anormal. Podendo ser agrupados como de origem hereditária, congênita

ou adquirida.

Destacaremos a seguir as anomalias adquiridas, que são diversas

alterações dentofaciais que surgem pela ação de fatores locais ou gerais. Os

hábitos viciosos como sucção digital ou chupeta, interposição de lábios e língua,

causam alterações da arcada dentária, como as mordidas abertas que interferem

na dicção.

Schwartz (1994) cita Moyers, que em seu estudo sobre etiologia da má-

oclusão, analisam fatores como:

A equação ortodôntica de Dockrell que é uma breve expressão do

desenvolvimento de todas as deformidades dento faciais. Uma determinada causa

original atuou por certo tempo sobre o local produzindo um resultado; como locais

etiológicos primários, que são o sistema neuro muscular, osso, dentes, e partes

moles; e também o tempo, que tem dois componentes, o período durante o qual

atua, a causa e a idade em que é observada.

- 6 -

MÁ-OCLUSÃO E FALA

Todo o sistema músculo-esquelético-facial tem equilíbrio entre seus

componentes e as funções que estes executam. Sendo assim, sempre que houver

alterações da forma da face, esta interferirá nas suas funções e vice-versa.

Segundo Sies e Carvalho (1998) todo portador de má-oclusão pode

apresentar dificuldades ou desvios de produção fonêmica, do mesmo modo que

os portadores de disfunções bucofaciais, tal como respiração bucal ou deglutição

atípica, apresentarão má-oclusões características.

A

mordida

aberta

anterior

muitas

vezes

apresenta

os

sons

línguoalveolares (t,d,n,l) com produção alterada para linguodentais. Isto é, a

produção fica sendo interdental facilitada pela abertura anterior. Este tipo de má-

oclusão também pode apresentar o desvio da producão do /s/ e /z/, o sigmatismo

anterior.

Nas mordidas abertas laterais, os sons mais alterados são os /s/ e o /z/,

quando estes são produzidos com escape de ar lateral tendo como resultado som

sibilante e/ou chiante.

A protrusão maxilar com lábioversão inferior pode levar a um não

vedamento labial alterando a produção das bilabiais /p/, /b/, /m/ para labiodentais.

O sigmatismo anterior ou o ceceio anterior pode também estar presente

nas má-oclusões Classe II.

A produção dos fonemas nas má-oclusões pode ser acústicamente

normal e esteticamente imperfeita, como por exemplo, na produção, anteriorizada

do /t/ e /d/ na mordida aberta, onde o som é perfeito e na visualização da fala é que

se percebe a distorção.

Vale lembrar que os distúrbios articulatórios nas má-oclusões vêm

sempre acompanhados de disfunções de deglutição ou de outros desvios de

funções bucofaciais e que estes aspectos devem ser tratados para que sejam

sanadas as dificuldades de fala do paciente.

- 7 -

FUNÇÕES MUSCULARES BUCOFACIAIS

Para um bom desenvolvimento da motricidade oral é necessário, além,

da herança morfofuncional, que estes elementos sejam corretamente estimulados

através das suas próprias funções.

Sies e Carvalho (1998) citam, que o desenvolvimento e a funcionalidade

normal das estruturas musculares e esqueléticas bucofaciais são observadas em

indivíduos que tenha boa herança morfofuncional e que sofram estímulos funcionais

adequados exercidos pelo ambiente.

No desenvolvimento da face estão presentes pressões normais das

forças musculares de crescimento. Portanto, o binômio forma-função deve ser

constantemente avaliado e observado.

A face e a cavidade bucal são um sistema equilibrado e dinâmico. Este

sistema é organizado em funções primárias e secundárias, sendo as secundárias

totalmente dependentes do desenvolvimento e do crescimento normais das

primárias.

São consideradas primárias as funções vitais que mantém a condição

orgânica ideal de todo o restante do corpo, e que dependem das estruturas

bucofaciais. Tais funções seriam sucção, respiração, mastigação e deglutição.

São consideradas secundárias as funções de fala e expressão facial,

assim consideradas por estarem intimamente ligadas às

funções primárias.

O reflexo da sucção

dependentes das

Segundo Sies e Carvalho (1998), a sucção é um reflexo primitivo de

grande importância.

Este reflexo está presente em 100% das crianças normais até os 4

anos de idade. Do 4 o ao 7 o mês de idade há redução na apresentação deste

reflexo, podendo então desaparecer até o final do primeiro ano de vida.

- 8 -

Aceita-se a hipótese de que este reflexo está presente até a idade em

que

as

estruturas

neuro-musculares

estejam

maturas

e

se

adaptando

movimentos de comer e beber coordenados.

O

aleitamento

natural

é

mais

indicado,

visando

o

preparo

aos

e

o

aprimoramento da condição neuromuscular das estruturas bucais que futuramente

irão beber, mastigar e falar. O peito materno é anatômica e funcionalmente

adaptado a esta função vital. No momento da amamentação, a criança recebe

vários estímulos que proporcionam o seu desenvolvimento. São estímulos tátil-

cinestésicos, térmicos, olfativos, visual, auditivo, e motores. Estes impulsos

proporcionarão o desenvolvimento das funções básicas de sucção, mastigação,

deglutição e respiração. Todos estes estímulos dependem da posição do

amamentar, privilegiando cada vez um dos lados do corpo. O aleitamento artificial,

quando necessário, deve ser administrado de maneira conveniente para o

desenvolvimento o mais próximo da normalidade possível.

A manutenção da sucção como função de nutrição ou como hábito de

sugadores é considerado neurofuncionalmente desnecessário apartir do 6 o ou 7 o

mês de idade.

Neste aspecto consideraremos 3 idades diferenciadas, dependendo do

enfoque considerado.

A

1 o idade para o desmame ou do hábito de sucção seria a do enfoque

funcional, na qual a maturação das funções do sistema músculo esquelético e o

surgimento dos primeiros elementos dentários indicariam a necessidade de se

iniciar uma alimentação começando a privilegiar a função mastigatória e não a de

sucção.

Portanto a função de sucção deve ser gradativamente substituída pela

de mastigação, levando a um estímulo mas correto das estruturas bucofaciais.

A

2 o idade seria considerada como a idade da forma, ou até a idade

em que a sucção alimentar ou habitual não prejudicaria a forma anatômica dos

- 9 -

esqueleto facial das arcadas dentárias e da musculatura facial. Sabe-se que a

manutenção

da

sucção

além

dos

4

anos

de

irreversíveis da forma dos elementos citados.

idade

traria

conseqüências

os

A 3 o idade que deve ser considerada é a idade da emotividade. Todos

profissionais

que

entram

em

contato

com

crianças

devem

levar

em

consideração o seu desenvolvimento emocional. O mau hábito da sucção tem suas

raízes muitas vezes neste desenvolvimento e, portanto deve ser observado e,

quando necessário avaliado.

Neste mau hábito, este aspecto já aparece na sucção de chupeta e se

acentua na sucção digital para esta ser intracorpórea e se relacionar diretamente

com a sucção do seio materno.

HÁBITOS VICIOSOS

Segundo Cunha e outros (1998), o hábito é o resultado da repetição de

um ato com determinado fim, tornando-se com o tempo resistente a mudanças. A

instalação do hábito ocorre por ser agradável e trazer satisfação e prazer ao

indivíduo. Inicialmente, há participação consciente do indivíduo em realizar o ato

mas em função da sua repetição contínua, ocorre um processo de automatização e

aperfeiçoamento, tornando-se assim inconsciente.

Moyers (1991) cita, que certos hábitos servem como estímulo ao

crescimento normal dos maxilares; por exemplo, a ação normal dos lábios e a

mastigação. Os hábitos anormais que possam interferir no padrão regular de

crescimento facial devem ser diferenciados dos hábitos normais que são parte de

uma função orofaríngea normal e, portanto, desempenham um importante papel no

crescimento craniofacial e na fisiologia oclusal. Os que interessam neste caso, são

aqueles que provavelmente estão envolvidos na etiologia da má - oclusão. Esses

padrões habituais e danosos da conduta muscular freqüentemente são associados

ao crescimento ósseo deturpado ou retardado, má posições dentárias, distúrbios

- 10 -

dos hábitos respiratórios, dificuldades na fala, perturbações no equilíbrio da

musculatura facial e problemas psicológicos. Portanto, não se pode corrigir a má-

oclusão sem o envolvimento dessas atividades reflexas.

De acordo com Cunha e outros (1998) a etiologia dos hábitos bucais

em geral contém um aspecto psicológico muito forte quando se trata de uma

válvula de segurança contra pressões emocionais, físicas ou psíquicas. Muitos

pais podem com certa freqüência se sentir culpados ou fracassados ao lidarem

com os hábitos dos filhos, pois a criação que deram a eles pode ter contribuído

para a instalação deste hábito indesejável e assim procuram avidamente um

remédio que possa cessar esse processo.

HÁBITOS DE SUCÇÃO

No primeiro ano de vida, a boca é a região mais importante do corpo e

a sucção, uma resposta natural própria da espécie; já nasce com o indivíduo. A

partir da 29 a semana de vida intra-uterina, por meio de registros ultra-sonográficos

já se pode observar a sucção, embora ela só esteja perfeitamente madura na 32 a

semana. Também foram registradas imagens de fetos lambendo a placenta e o

cordão umbilical, chupando o dedo e deglutindo o líquido amniótico. A sucção tem

como função básica a alimentação, visando a ingestão do leite materno – o único

alimento do recém-nascido. Entretando a sucção também pode representar um

mecanismo para descarregar energia e tensão, servindo como fonte de prazer e

segurança. Uma vez sendo possível respeitar a livre demanda, ou seja, a criança

podendo mamar sempre que desejar, não se faz necessário o uso de outros

artifícios

como

estímulo

estomatognático.

para

maturação

Sucção digital e de chupeta

neurofisiológica

do

sistema

Cunha e outros (1998), afirmam que a sucção sem fins alimentares ou

de nutrição, ou seja, o hábito de sucção de dedo ou chupeta pode acarretar

- 11 -

algumas alterações nas estruturas bucais. A presença e o grau de severidade dos

efeitos nocivos desses hábitos dependerão de alguns parâmetros tais como:

Duração (período de atividade), freqüência (número de vezes por dia), intensidade

(definida pela duração de cada sucção, bem como do grau de atividade dos

músculos envolvidos), posição da chupeta ou do dedo na boca, idade de término

do hábito, padrão de crescimento da criança e grau de tonicidade da musculatura

bucofacial.

Segundo Moresca e Feres (1994), deve-se também procurar descobrir

a causa e as circunstâncias sobre as quais o hábito foi desenvolvido, pois além de

provocar malefícios à oclusão, pode representar uma situação emocional do

paciente, que se torna mais evidente nos seus momentos de angústia e

ansiedade.

Essas crianças utilizam a sucção digital para a liberação de tensões

emocionais, às quais não são capazes de vencer, consolando-se em regressar a

um padrão de comportamento infantil.

O hábito de sucção do polegar está intimamente ligado ao aleitamento

materno, ao seio materno, ao “Prazer”, que produz na criança uma notável

satisfação, e é de grande efeito tranqüilizante. A causa da sucção do polegar pode

ser decorrente de problemas ambientais, como ciúmes, necessidade de carinho,

ansiedade, podendo este ato de “Prazer” ser prejudicial. Por exemplo, quando a

mamadeira for usada como tranqüilizante, poderá gerar um hábito de sucção

incorreto.

A

criança,

ao

ser

desmamada,

automaticamente,

suprirá

essa

necessidade com a sucção do polegar, ou de outros dedos, na tentativa de voltar

ao instante de mais íntima ligação materna, ou simplesmente como uma maneira

de chamar a atenção dos pais.

Para Moresca e Feres (1994) a causa mais freqüente de sucção de

polegar

são

os

movimentos

labiais

insuficientes,

isto

é,

uma

capacidade

inadequada da fase de sucção, no ato de alimentação. Verifica-se que bebês que

- 12 -

se alimentam em seios com fluxo rápido de leite, ou em mamadeiras estão mais

sujeitos à sucção de polegar do que aqueles que dispunham de seios ou

mamadeiras dotadas de fluxo mais lento. Percebe-se também que quando

alimenta-se os bebês em intervalos de tempos menores diminuem a incidência

dos hábitos bucais.

Sabe-se que muitas vezes o aleitamento artificial se faz necessário com

o emprego da mamadeira, se isto não for planejado corretamente, poderá ocorrer

uma carência no número de sucções que a criança normalmente faria no mamilo.

Assim sendo a mamadeira oferece o volume de leite suficiente para se atingir a

plenitude alimentar, mas a necessidade de fazer sucção persiste, e se acentua

gradativamente.

Moresca e Feres (1994) destacam que a criança na ânsia de se

satisfazer começa com a sucção na mão toda, e só irá dormir quando se sentir

satisfeita

nos

aspectos

emocionais.

Com

pouco

tempo

como

se

fosse

aprimorando seu próprio método a criança descobre o polegar e pela facilidade

passa a fazer sucções especialmente neste dedo. Pela oferta continuada e o

exagero na sucção poderá instalar-se o hábito indesejável. Apesar disso é muito

comum antes que a criança resolva seu problema por conta própria o oferecimento

da chupeta com um recurso que irá suprir o déficit de sucção. Não havendo

método a oferta passa a ser excessiva e sobrevem também o hábito de sucção

indesejado.

As alterações na dentição e na oclusão provocadas pelo hábito de

sucção da chupeta ou por sucção digital em geral são semelhantes. Quanto a isto,

controvérsias

na

literatura

sugerindo

que

os

maiores

efeitos

deletérios

provocados pela sucção digital sejam em função da dificuldade da remoção deste

hábito quando comparada aos da remoção da chupeta.

Moresca e Feres (1994) complementam que, por volta dos 3 anos, toda

criança demonstra uma tendência à sucção do polegar. Os autores relatam que as

- 13 -

crianças nascem com o reflexo da sucção e com um padrão de deglutição infantil,

caracterizado por um posicionamento anterior da língua entre os rebordos

alveolares. O reflexo de sucção é fundamental para a obtenção de nutrição

adequada.

Se a sucção estende-se até os 4 anos de idade deve merecer maior

atenção, pois as deformações da oclusão aumentam significativamente. Vale

salientar que nesta época a sucção do polegar é apenas parte do quadro, uma vez

que as deformações da oclusão agravam-se, pois com o aumento do transpasse

horizontal, a deglutição normal vai se tornando cada vez mais difícil. O lábio inferior

passa a se posicionar erradamente entre a face palatina dos incisivos superiores,

tanto

em

repouso

como

em

atividade.

A

língua,

posicionando-se

mais

anteriormente para realizar o selamento labial, dará maior contração ao músculo

mentoniano e hipertonificado; o lábio superior se tornará hipotônico. Esses são os

agravantes do hábito de sucção, que serão fortes coadjuvantes para destruir o

equilíbrio muscular existente nesta região.

Segundo Cunha e outros (1998), os problemas bucais decorrentes dos

hábitos de sucção não nutritivas mais freqüentes são: Mordida aberta anterior,

normalmente com contorno circular; inclinação vestibular e diastema entre os

incisivos centrais superiores, e retroinclinação dos incisivos inferiores; maior

incidência de traumas nos incisivos superiores por causa da hipotonicidade do

lábio superior e à falta de proteção devido a sua inclinação; mordida cruzada

superior; aumento da sobremordida; redução da largura da arcada dentária

superior em função da alta atividade muscular na região de molares durante a

sucção; desenvolvimento de interposição lingual e alteração no padrão de

deglutição; alteração na articulação das palavras.

Em relação ao hábito de sucção digital, freqüentemente, a superfície

ventral do polegar toca o palato e se apoia sobre os incisivos inferiores, atuando

como alavanca. Algumas vezes podemos observar a língua entre o polegar e os

- 14 -

incisivos inferiores. A pressão exercida pelo dedo sobre os dentes, os lábios e o

palato tem potencial para alterar a direção e interferir no crescimento craniano.

Além dos problemas propriamente relacionados com a cavidade bucal, o hábito de

sucção digital pode ocasionar desde problemas de pele até deformidades na

posição e função dos dedos, deformidades estas nem sempre reversíveis sem

intervenção cirúrgica.

Moyers

(1991)

esclarece

que,

o

tipo

de

má-oclusão

que

pode

desenvolver um sugador digital, vai depender de diversas variáveis, como a

posição do dedo, as contrações musculares orofaciais associadas, a posição da

mandíbula durante a sucção, a morfologia esquelética, a duração da sucção, e

assim por diante. A mordida aberta anterior é a má-oclusão mais freqüente. A

protração dos dentes anteriores superiores será observada, particularmente, se o

polegar estiver sustentando para cima, contra o palato. Pode-se desenvolver uma

retração postural mandibular se o peso da mão ou braço forçar continuamente a

mandíbula a assumir um posição retruída para a prática do ato. Ao mesmo tempo,

os incisivos inferiores podem estar inclinados para lingual. Quando os incisivos

superiores

estiverem

inclinados

vestibularmente

e

uma

mordida

aberta

foi

desenvolvida, torna-se necessário que a língua seja projetada para frente durante a

deglutição, para promover um selamento anterior.

Durante a sucção do polegar, as contrações da parede bucal, em

alguns tipos de sucção ocasionarão uma pressão negativa dentro da boca,

resultando em um estreitamento do arco maxilar. Com este transtorno, no sistema

de forças dentro e ao redor do complexo maxilar, é freqüentemente impossível

para o assoalho nasal cair verticalmente para sua esperada posição durante o

crescimento. Desse modo, pode-se encontrar nos sugadores do polegar um

assoalho nasal estreito e uma abóboda palatina profunda. O lábio superior torna-

se hipotônico e o inferior hiperativo, pois deve ser elevado, por contrações do

- 15 -

músculo orbicular. Essas contrações anormais dos músculos durante a sucção e

deglutição estabilizam a deformação.

Não há diferença clínica significativa entre criança que utilizam chupetas

ortodônticas e convencionais (entre 2 e 5 anos de idade) com respeitos às

relações transversais nos planos sagital, vertical e oclusal. Nos casos de sucção

de chupeta, cerca de um terço das crianças colocam o disco plástico dentro da

boca, o qual pode ferir a gengiva marginal e o fino osso alveolar que suporta os

dentes anteriores.

Se a criança abandonar o hábito durante a primeira dentição, entre 3 e

4 anos de idade, existe a possibilidade de a mordida aberta anterior se auto

corrigir. Entretanto, esta correção espontânea pode ser atrapalhada pela presença

de outros hábitos bucais – que podem ou não ser originários do hábito de sucção

– tais como projeção da língua, interposição do lábio e respiração bucal.

Até a época de erupção dos primeiros dentes descíduos, a chupeta tem

um papel importante na sucção, estimulando o desenvolvimento favorável da

arcada dentária superior e do palato. Para tanto, a chupeta deve ser ortodôntica,

ou seja, com formato anatômico, que se adapta perfeitamente a cavidade bucal da

criança, ajustando-se ao palato e à língua e acompanhando bem o movimento de

sucção. O disco plástico deve ter o formato côncavo com perfurações para evitar o

acúmulo de saliva e conseqüente irritação da pele. Não deve ter argola para que a

mãe não possa prender um cordão ou fralda ou corrente (para não haver risco de

estrangulamento ou de aumento do peso da chupeta). Deve-se ficar atento com

relação aos diversos tamanhos existentes que acompanham o desenvolvimento da

criança.

Uma primeira oportunidade para a orientação de retirada do hábito

ocorre quando funcionalmente as necessidades neuro musculares da criança já

foram

supridas,

visando

assim

equilíbrio

orgânico.

Se

a

criança

foi

bem

estimulada, ou seja mamou no peito ou na mamadeira de maneira adequada, o

- 16 -

início da retirada ocorrerá por volta dos 6 a 7 meses de idade, no momento em

que começa e erupção dos primeiros dentes. A partir desse momento desenvolve-

se toda a potencialidade para o início da mastigação,

que pode ser estimulada

com a introdução do uso da colher ou do contato direto do alimento com a gengiva.

Esta atividade ajudará na maturação do sistema mastigatório e, por volta dos 18

meses de idade a criança provavelmente já não estará mais necessitando da

chupeta ou do dedo.

Por volta dos 4 anos de idade os profissionais indicam o limite para não

haver comprometimento da forma das arcadas dentárias. Até esta idade não se

verifica grandes deformidades bucofaciais causadas pelos hábitos de sucção não

nutritiva. E, mesmo em caso positivo, se o hábito for removido nessa época, na

maioria das vezes, o crescimento ósseo se processa de maneira normal,

ocorrendo “auto correção” da má-oclusão. Verificando-se a persistência do hábito,

o profissional deve então intervir. Caso tenha se perdido a oportunidade de

orientação dos pais durante a fase do desmame – que acompanha o processo

fisiológico – esta é a melhor fase para remoção do hábito, pois a criança já é

capaz de compreender e aceitar as explicações que lhe foram dadas.

Tanto o profissional como os pais têm papéis fundamentais nesta

tarefa: O profissional deve atuar na motivação da criança por meio de slides,

modelos ou fotos de dentes bonitos e feios explicando como ocorreu cada uma

destas situações.

HÁBITOS DE MASTIGAÇÃO

Onicofagia

Os hábitos mastigatórios indesejáveis abrangem tudo aquilo que é feito

sem o objetivo de nutrição, como roer unha, tampa de caneta e morder o lábio e/ou

a bochecha. Aliado a isso existe um forte componente emocional. A etilologia

sugerida inclui estresse, imitação de outros membros da família, hereditariedade,

- 17 -

transferência do hábito de sucção do polegar e falta de cuidado no trato de unhas

e cutículas.

Segundo Cunha e outros (1998), entre 3 e 6 anos de idade há aumento

significativo na ocorrência do hábito.

Nesta fase o mundo da criança muda, de proteção e segurança, para

um mundo exigências. Nesta idade, a criança ainda não está preparada para

assumir todas as responsabilidades que lhe são exigidas. A idade de 5 a 6 anos

coincide com o inicio da fase escolar. A criança desenvolve muita frustração e

tensões interiores, então ela procura um refúgio e geralmente troca o hábito de

sucção do polegar por algo mais agressivo, o roer as unhas. O roer as unhas é um

mecanismo liberador de tensões.

Dos 7 aos 10 anos de idade a incidência mantém-se estável entre 28%

e 30%, havendo grande aumento a partir dos 10 anos e com a entrada da

adolescência. Cerca de quase 45% dos adolescentes possuem o hábito de roer

as unhas. Com o passar da idade essa incidência diminuí rapidamente; 20% entre

16 e 17 anos de idade. Apenas 10% mantém o hábito na fase adulta. O hábito de

roer unhas normalmente esta confinado às das mãos, entretanto, ocasionalmente,

envolve a dos pés. O hábito atinge as unhas de todos os dedos igualmente. Muito

raramente uma só unha é atingida. As unhas acometidas pelo hábito são muito

curtas e irregulares.

O ato de roer unha obedece uma seqüência

de 4 fases distintas.

Inicialmente, a mão é colocada nas proximidades da boca. Esta postura demora

de poucos segundos a meio minuto. A seguir o dedo é colocado contra o dente,

seguindo uma série de rápidas e espasmódicas e mordidas, com

a unha bem

posicionada contra a borda cortante do dente, finalmente, o dedo é retirado da

boca para que seja feita uma inspeção visual

ou

de tato por outro dedo.

Normalmente a expressão facial neste momento é muito intensa. Se a pessoa

- 18 -

perceber que está sendo observada, ela imediatamente pára. Toda a seqüência

pode durar de 40 segundos a alguns minutos.

Algumas crianças que possuem o hábito de roer unhas podem morder

outros objetos como lápis ou qualquer outro, em especial quando estão absorvidos

em determinada atividade ou sob pressão. Além disso, este hábito pode estar

associado a sucção digital, bruxismo, terror noturno, sonambulismo, acesso de

fúria e ao próprio hábito de colocar o dedo no nariz. É importante acrescentar que

o hábito de roer unhas pode ser hereditário, possivelmente resultante da imitação

de outros membros da família ou pessoas muito próximas.

O hábito de roer unhas pode ferir a cutícula, tornar áspera a ponta da

unha, provocar sangramento nas bordas da unha e até causar deformidades nesta

fase.

Infecções fúngicas ou bacterianas secundárias (micoses ou paroníquia)

podem ocorrer e vir a contaminar a cavidade bucal. O inverso também pode

ocorrer, pois portadores de herpes lábial podem apresentar manifestações nos

dedos.

O hábito de roer unhas pode acarretar problemas para a dentição e a

higiene bucal. Forças não fisiológicas atuando sobre os dentes podem levar a

reabsorções radiculares. Pequenas fraturas nas bordas dos incisivos e gengivites

podem ser resultantes de traumas causados por este hábito.

O hábito de roer unhas em crianças mais velhas e adolescentes não é

socialmente aceito. Estes indivíduos podem estar sujeitos a críticas por parte dos

pais e amigos, podendo se sentir rejeitados.

O tratamento deve estar direcionado às causas que levam ao estresse

e à tensão. Caso seja possível descobri-la a atenção deve estar voltada para

melhorar a auto-estima da criança. Nesta situação indica-se o aconselhamento

psicológico para melhores resultados. A importância de uma atividade física deve

ser colocada para que a criança descarregue suas energias sem deixar de lado

- 19 -

atividades como desenho, no qual esta criança usará a mente, as mão e as

emoções.

O tratamento só terá êxito se a criança estiver empenhada na remoção

do hábito. É importante o desenvolvimento do querer, dando-lhes suporte com

muito carinho, estimulando-as com atividades diversas e sempre valorizando as

suas realizações.

Bruxismo

O bruxismo pode ser definido como o serrar ou ranger os dentes

durante movimentos não funcionais do sistema mastigatório.

A etiologia do bruxismo é multifatorial, podendo ser causado pela

combinação de fatores locais e psicológicos.

A criança aos 3 anos de idade, com dentição decídua deve apresentar

sua função neuromuscular mastigatória completa. No caso desta função não estar

completamente desenvolvida, o bruxismo pode surgir com tentativa de suprir esta

necessidade, podendo estender-se até ao redor dos 6 anos de idade. Certas

patologias gerais são colocadas como causadoras do bruxismo. Entre as mais

significativas temos as doenças alérgicas como rinite alérgica, asma, e fusão do

ouvido médio; prurido anal ou oxiúrno uma vez que a coceira intensa causa

sofrimento,

levando

a

criança

a

cerrar

ou

ranger

os

dentes.

Além

disso,

deficiências nutricionais podem agir como fator pré- disponente, mais comum em

crianças que em adultos.

O bruxismo pode ser noturno e inconsciente. Ocorre em períodos bem

precisos e determinados do sono; fase do REM (Rapid Eye Movement). É um

reflexo

automático

do

sistema

neuromuscular.

Corresponde

ao

“verdadeiro”

bruxismo,

ou

seja,

um

ranger

de

dentes

devido

à

predominância

de

um

componente lateral das forças matigatórias.

- 20 -

O bruxismo também pode ser diúrno e consciente, um hábito do mesmo

tipo que roer unhas ou uso abusivo de goma de mascar, correspondendo ao cerrar

dos dente devido à predominância de um componente horizontal das forças

mastigatórias.

O bruxismo noturno pode gerar forças oclusais muito intensas, forças

muito maiores que aquelas geradas conscientemente. O grande aumento destas,

que pode ser até 6 vezes resulta em carga extra para a dentição, o osso alveolar, o

periodonto, e a articulação temporomandibular. É possível que a inibição cortical,

normalmente operante durante a fase em que a pessoa encontra-se acordada é

suprimida durante o sono possibilitando os músculos mastigatórios de exercerem

forças oclusais maiores nesta fase.

Na dentição decídua, é importante ter cuidado no diagnóstico do

bruxismo, pois podemos observar uma porcentagem mais significativa de facetas

de desgaste no nível de dentes posteriores e anteriores que a porcentagem de

bruxismo reportado. Na realidade, independente de qual seja a dentição, decídua,

mista ou permanente, as facetas de desgaste não nos permitem afirmar a

incidência de bruxismo atual. Elas nos permitem apenas saber que ocorreu um

episódio de bruxismo.

A

maioria

da

criança

que

apresentam

bruxismo

é

hipotônica,

apresentando maior necessidade de estímulo. Alimentação deve ser observada

em termos de consistência, preferencialmente fibrosa, e os líquidos devem ser

ingeridos com o auxílio de canudinho para estimular a sucção. É importante

aconselhar os pais que organizem melhor o momento anterior ao sono, para que a

criança tenha um sono mais tranqüilo. Evitar a tendência de fazer a criança se

cansar para dormir, pois desta maneira ela ficará mais excitada. O aconselhável

seria diminuir o rítmo desta criança a partir do final da tarde para que ela pudesse

ter uma passagem do momento de excitação para o momento do sono mais

- 21 -

calmo. Isso ajuda para os problemas do sono, nos quais estão incluídos os

pesadelos e o bruxismo.

HÁBITOS LABIAIS

Sucção e/ou mordida do lábio

Quando se discute o hábito de sucção do polegar, não se pode deixar

de associar o hábito de sucção e/ou mordida do lábio, pois a atividade anormal do

lábio também é considerada agente etiológico de má-oclusão. Este hábito faz

desenvolver uma atividade muscular de compensação. A mordida aberta, bem

como a sobremordida faz com que a criança tenha dificuldade na realização do

selamento

labial

correto,

criando

uma

pressão

negativa

requerida

para

a

deglutição normal. Com a finalidade de compensação, os músculos mentonianos

tornam-se hipertônicos, e a língua é projetada para a frente, para realizar o

selamento labial. Neste caso irá se formar um ciclo, pois a mordida aberta,

presente na região anterior, se acentua cada vez mais com o hábito de sucção do

lábio. A pressão exercida pela língua a cada deglutição também aumenta,

provocando cada vez mais a inclinação dos incisivos superiores para vestibular.

Sucção e mordedura de objetos

Segundo Hanson e Barrett (1995), algumas crianças costumam prender

lápis, borracha ou outros objetos entre os dentes frontais superiores e inferiores.

Se o objeto for de material resistente, este hábito poderá provocar danos as

pontas dos dentes e a sua oclusão. Se este objeto se projetar para dentro da

cavidade

bucal,

poderá

afetar

a

postura

de

conseqüentemente, a forma de deglutição.

repouso

da

língua

e,

A sucção habitual de lápis, chupetas e outros objetos duros podem ser

tão danosos ao crescimento facial e a oclusão dentária quanto a sucção digital.

- 22 -

HÁBITOS LINGUAIS

Projeção da língua

Para Moyers (1991), as deglutições com projeção lingual, que podem

ser etiologicamente responsáveis pela má-oclusão, são de 2 tipos: A deglutição

com projeção simples, que é a projeção lingual associada a uma deglutição normal

ou com dentes em contado. E na deglutição com projeção lingual complexa, a

criança normalmente deglute com os dentes em oclusão e lábios levemente

fechados, e a língua mantida contra o palato atrás dos dentes anteriores. A

deglutição com projeção lingual simples, geralmente está associada a uma história

de sucção digital, mesmo que o hábito de sucção não seja praticado por muito

tempo, pois é necessário que a língua se projete para adiante, para manter um

selamento anterior com os lábios durante a deglutição. Por outro lado, é mais

provável que as deglutições com projeção lingual complexa estejam associadas a

problemas naso-respiratórios crônicos, respiração bucal, amigdalites ou faringites.

Quando as amígdalas estão inflamadas, a base da língua pode ultrapassar os

limites dos pilares da fauce alargados. Para evitar esta invasão a mandíbula cai

reflexamente separando os dentes e criando mais espaços para a língua se

projetar para a frente durante a deglutição, numa posição mais confortável. A dor e

a diminuição do espaço na garganta precipitam uma nova postura de projeção da

língua e reflexo de deglutição, enquanto os dentes e os processos alveolares

acomodam às forças neuromusculares.

Sucção de língua

De acordo com Moyers (1991) existe um hábito freqüentemente

confundido com deglutição e com projeção lingual, que é o de sucção da língua.

Essa confusão se origina na mordida esquelética aberta, onde o plano mandibular

é divergente e a altura da face anterior é maior que a altura da face posterior. Sob

- 23 -

essas circunstâncias, a língua tem muita dificuldade de selamento do portal

anterior durante a deglutição.

HÁBITOS POSTURAIS

Postura

Pessoas com postura corporal defeituosa, freqüentemente demonstram

uma postura mandibular indesejada. Ambas podem ser expressões de uma saúde

geral deficiente. Por outro lado, aquele que se mantém ereto com a cabeça bem

posicionada sobre a coluna vertebral, quase que reflexamente manterá o mento

para a frente, numa posição preferencial.

A postura corporal é a expressão somatória dos reflexos musculares, e

portanto, é normalmente passível de mudança e correção.

Posição Incorreta no leito

Outro hábito vicioso citado por Moresca e Feres (1994) é a posição

incorreta no leito. A posição do rosto sobre o travesseiro pode ser considerada um

fator etiológico de má-oclusão. A postura do rosto sobre o travesseiro geralmente

é associada ao hábito do braço ou da mão sobre o rosto, provocando pressões

anormais,

causando

deste

modo,

alterações

como

mordida

cruzada

e

ou

alterações na articulação temporo mandibular.

Moyers (1991) acrescenta que a constante manutenção de um bebê

muito novo em posição supina sobre uma superfície dura e plana, pode moldar e

conformar a cabeça, pelo achatamento occipital, ou produzir assimetria facial.

DISTÚRBIOS FUNCIONAIS

Deglutição atípica

Segundo Cunha e outros (1998) o processo de deglutição normal é

fundamental para o bom desenvolvimento e a relação entre arcadas dentárias.

- 24 -

Uma criança só terá fisionomia harmoniosa e os dentes em oclusão satisfatória se

estiver com os dentes extremamente cerrados durante a deglutição.

Os aspectos essenciais da deglutição normal de alimentos sólidos são:

fechamento dos lábios; dentes em leve contato oclusal; língua elevada no palato;

cerramento momentâneo dos dentes com a língua acoplada ao palato para

selamento, a medida que os alimentos passam dentro da faringe.

Na deglutição atípica o que ocorre normalmente é a associação de

pressões atípicas de lábios e língua. A língua faz pressão anterior colocando-se

entre os dentes anteriores, causando mordida aberta anterior (disfunção de maior

incidência

causada

pela

deglutição

atípica)

vestíbuloversão dos dentes anteriores.

A interposição

da

língua

sobre

os

podendo

também

haver

dentes

anteriores

durante

a

deglutição é freqüentemente observada em pacientes que apresentam mordida

aberta anterior, de onde se conclui haver relação de causa-efeito.

Esta interposição lingual anterior na deglutição atípica afeta os dentes

em desenvolvimento, evitando até o desenvolvimento vertical total dos segmentos

dentoalveolares anteriores, o que origina mordida aberta anterior. Os incisivos

superiores e inferiores podem ficar inclinados através da ação da língua, apesar

de algumas vezes os incisivos inferiores estarem inclinados para lingual devido à

contração do lábio inferior durante a deglutição.

A interposição da língua é conseqüência de uma relação anormal e,

portanto, um fenômeno de adaptação. Em crianças de até 10 anos de idade, a

interposição lingual é comum durante a deglutição.

A maturação dos reflexos de

deglutição coincide com a época de

grandes alterações de crescimento, quando o aumento da arcada dentária inferior

permite maior acomodação da língua, entretanto, acredita-se que, quando a

transição de uma deglutição infantil para uma deglutição adulta não ocorre, a

- 25 -

função anormal da língua pode ser um fator determinante ou agravante de má-

oclusão.

A deglutição atípica e a projeção da língua são definidas como padrões

funcionalmente

anormais.

Estes

padrões

são

comumente

observados

em

conjunção com a mordida aberta anteriror, o que nos sugere uma relação de

causa-efeito.

Respiração Bucal

Cunha e outros (1998) definem como sendo a respiração mais

freqüente através da boca. Na maioria dos

casos

o

que

se

observa é a

combinação da respiração nasal com a bucal, em diferentes graus. Uma vez que a

manutenção das vias aéreas é essencial para a vida do indivíduo, problemas

respiratórios como os que resultam de alergias, hipertrofias de amígdalas e

adenóides e desvios de septo podem ser fatores etiológicos ou predisponentes ao

desenvolvimento da mordida aberta anterior. É difícil de se identificar o nível

mínimo de respiração bucal que induzirá à deformidade dentofacial.

As alterações posturais que permanecerem por um período prolongado,

serão capazes de provocar alterações na arquitetura facial devido a rotação da

mandíbula, aumento de altura facial e subsequente desenvolvimento de mordida

aberta anterior esquelética.

O respirador bucal, obrigado a manter a boca aberta, rompe o equilíbrio

muscular normal, constituido pelas forças externas do bucinador e as forças

internas da língua. Desta forma, a língua esta em posição mais baixa e anterior,

não exercendo sua força muscular sobre o palato, tornando–o estreito e profundo,

devido a ação livre do bucinador. Além disso, os incisivos inferiores ocluem no

palato pela perda de apoio oclusal, devido a acentuada lábio-versão dos incisivos

superiores. O lábio inferior se interpõe sob os incisivos superiores e o lábio

- 26 -

superior torna-se hipotônico e ressecado pela constante passagem de ar. As

gengivas tornam-se também hiperemiadas e hiperatrofiadas pela exposição ao ar.

Os

respiradores

bucais

normalmente

são

denominados

“Facies

Adonoideana” por apresentarem alguns sinais clínicos: face alongada, atresia

maxilar,

retrusão

mandibular,

expressão facial ausente.

incisivos

superiores

visíveis

e

proeminentes,

Outro achado importante é a ausência da competência lábial, ou seja,

a capacidade dos lábios de estar em contato, quando em repouso, o que

freqüentemente é observado na maioria dos pacientes respiradores bucais.

CONTENÇÃO AOS MAUS HÁBITOS

Chupar o dedo

O uso de esparadrapo, substâncias amargas, censuras e humilhações

são absolutamente desaconselháveis, pois a criança acabará por se sentir

menosprezada. O mais indicado esta em atender perfeitamente as necessidades

alimentares do bebê, e manter o ambiente do lar tranqüilo e feliz.

Roer as unhas

O tratamento é freqüentemente desanimador; castigos e restrições às

vezes agravam a situação, acabando por roer as unhas quando estiver sozinho.

Aplicação de substâncias amargas ou esparadrapo nenhum auxílio traz.

Pode-se aconselhar o amolecimento da cutícula das unhas com a aplicação de

óleo de oliva. O uso de luvas leves, de algodão, à noite, como lembrança de que as

unhas não devem ser roídas, dá resultado em alguns casos. Percebe-se que a

criança que rói unha pode estar infeliz, preocupada e angustiada.

- 27 -

Chupar ou lamber os lábios

A aplicação de manteiga de cacau melhora a irritação dos lábios

causada pelo mau hábito como também pode concorrer para o desaparecimento

do mesmo.

Sucção de chupeta e mamadeira

Deve-se oferecer chupeta aos bebês?

Quando a oferta da chupeta for agradável ao bebê, tornando-se parte

da sua tranqüilidade, é importante que a chupeta faça parte de sua vida. Deve-se

orientar para que sejam utilizadas nos momentos necessários, quando o bebê se

apresente irritadiço ou sonolento após as mamadas. Assim que a criança

adormece, deve ser removida com delicadeza da boca para que a criança não se

habitue com o sugar intermitente da chupeta.

É importante que os pais percebam que a chupeta deve ter sua

utilização disciplinada.

Quais os cuidados que se deve orientar sobre o uso de chupeta e

mamadeira?

As chupetas não devem ser amarradas em cordões ou fraldas em torno

do pescoço da criança, prevenindo-se sufocações e a contínua disponibilidade da

sucção, o que estimula o hábito.

O ato de sucção em mamadeira deve exigir esforço da musculatura

bucal, com controle da quantidade e velocidade do fluxo, para que o bebê aprenda

a deglutir de forma correta. A localização do orifício também é importante; deve

estar na parte superior do bico, voltado para cima e fazendo com que o líquido não

caia na parte posterior da língua, mas sobre seu canolamento.

Como fazer para desmotivar o uso da chupeta?

- 28 -

Deve-se destacar a criatividade e a capacidade de persuasão do

profissional e pais em relação à criança, criando o incentivo para a atitude de

abandono da chupeta.

O melhor momento para retirar a chupeta é quando esta envelhece,

como a chupeta é um hábito ele só se identificará com a velha. Deve-se evitar

comprar outra.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A cavidade bucal humana tem seu crescimento, desenvolvimento e

função

intimamente

ligados

ao

complexo

muscular

bucofacial.

Durante

o

desenvolvimento normal da oclusão, os dentes irrompem num ambiente dinâmico,

onde atuam músculos da mastigação, da língua e face em geral, determinando um

conjunto de atividades funcionais. Neste ambiente é imprescindível que sempre

haja uma harmonia entre a atividade funcional e o crescimento das estruturas

ósseas e principalmente até que os dentes encontrem seus antagonistas na

arcada oposta, entrando em oclusão. Quando tudo ocorre dentro do padrões

fisiológicos normais, predominam os papéis de “estimular” e “formar”. Assim

sendo qualquer modificação no mecanismo funcional poderá alterar o efeito de

equilíbrio e formação, resultando em desvios e deformações no complexo

craniofacial.

A

elaboração

desta

pesquisa

partiu

da

vontade

de

unir

mais

a

fonoaudiologia e a ortodontia. Pensou-se em vários temas que relacionassem as

duas profissões à motricidade oral.

Através de um levantamento dos casos que normalmente chegam aos

consultórios e clínicas, encaminhados por ortodontistas ou vice-versa, concluiu-se

que os hábitos viciosos são fatores etiológicos das má oclusões e que o trabalho

do

ortodontista

para

ser

intervenção fonoaudiológica.

satisfatório,

depende,

- 29 -

na

maioria

das

vezes

da

O trabalho inicia com a definição do órgão dentário, com suas respectivas

características, a importância do “dente” para a mastigação, estética facial, sua

relação

com

o

estado

fonoaudiologia: A fala.

psicológico

do

indivíduo

e

o

fundamental

para

a

Para analisar a má-oclusão, foi necessário primeiro definir a oclusão.

As alterações de oclusão mais comuns foram citadas e correlacionadas

com hábitos viciosos.

Neste momento ocorreu então a seleção de todos os hábitos viciosos

citados

pelos

autores

e

que

poderiam

interferir

na

oclusão,

levando

em

consideração a duração, freqüência, e intensidade desses hábitos. Esses três

fatores são fundamentais para definir o grau de severidade da má-oclusão e como

ela pode prejudicar a motricidade oral e a fala.

Os hábitos viciosos foram divididos em hábitos de sucção, mastigação,

línguais, posturais e distúrbios funcionais.

Na

apresentação

desses

hábitos

viciosos

relatou-se

os

fatores

desencadeantes da má-oclusão, e o estado psicológico que envolve os indivíduos.

O conhecimento do desenvolvimento natural da criança, levando em

consideração sua individualidade e suas fases de crescimento e amadurecimento

psicológico, são o ponto de partida para se entender os motivos que a levam a

perseveração de um hábito.

Então a prevenção da instalação dos hábitos viciosos não deveria ser

primordial?

Conclui-se após o término da pesquisa que sim, e que a orientação a pais e

educadores é fundamental no intuito de prevenir esses hábitos deletérios à

oclusão, motricidade oral, fala e a formação psicológica desses pequenos

indivíduos.

- 30 -

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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