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MATERIAL DE APOIO Disciplina: Direito Civil Professor: Christiano Cassettari Aulas: 11 e 12 | Data:
MATERIAL DE APOIO
Disciplina: Direito Civil
Professor: Christiano Cassettari
Aulas: 11 e 12 | Data: 24/05/2016
Christiano Cassettari Aulas: 11 e 12 | Data: 24/05/2016 ANOTAÇÃO DE AULA SUMÁRIO 1. Participação Final

ANOTAÇÃO DE AULA

SUMÁRIO

1. Participação Final nos Aquestos

2. Separação de Bens

3. Formas de dissolução da sociedade conjugal

1. Participação Final nos Aquestos

1.1) Disposto nos artigos 1672 a 1686 do CC. Trata-se de um regime importado da Alemanha. A ideia deste regime é estabelecer participação e não comunhão de bens.

Art. 1.672 do CC: No regime de participação final nos aqüestos, cada cônjuge possui patrimônio próprio, consoante disposto no artigo seguinte, e lhe cabe, à época da dissolução da sociedade conjugal, direito à metade dos bens adquiridos pelo casal, a título oneroso, na constância do casamento.

Art. 1.673 do CC: Integram o patrimônio próprio os bens que cada cônjuge possuía ao casar e os por ele adquiridos, a qualquer título, na constância do casamento.

Parágrafo único. A administração desses bens é exclusiva de cada cônjuge, que os poderá livremente alienar, se forem móveis.

Art. 1.674 do CC: Sobrevindo a dissolução da sociedade conjugal, apurar-se-á o montante dos aqüestos, excluindo-se da soma dos patrimônios próprios:

I - os bens anteriores ao casamento e os que em seu lugar se sub-

rogaram;

II - os que sobrevieram a cada cônjuge por sucessão ou liberalidade;

III - as dívidas relativas a esses bens.

Parágrafo único. Salvo prova em contrário, presumem-se adquiridos durante o casamento os bens móveis.

Art. 1.675 do CC: Ao determinar-se o montante dos aqüestos, computar-se-á o valor das doações feitas por um dos cônjuges, sem a necessária autorização do outro; nesse caso, o bem poderá ser reivindicado pelo cônjuge prejudicado ou por seus herdeiros, ou declarado no monte partilhável, por valor equivalente ao da época da dissolução.

por valor equivalente ao da época da dissolução. Extensivo Essencial Carreiras Jurídicas Noturno (estúdio)

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Art. 1.676 do CC: Incorpora-se ao monte o valor dos bens alienados em detrimento da

Art. 1.676 do CC: Incorpora-se ao monte o valor dos bens alienados em detrimento da meação, se não houver preferência do cônjuge lesado, ou de seus herdeiros, de os reivindicar.

Art. 1.677 do CC: Pelas dívidas posteriores ao casamento, contraídas por um dos cônjuges, somente este responderá, salvo prova de terem revertido, parcial ou totalmente, em benefício do outro.

Art. 1.678 do CC: Se um dos cônjuges solveu uma dívida do outro com bens do seu patrimônio, o valor do pagamento deve ser atualizado e imputado, na data da dissolução, à meação do outro cônjuge.

Art. 1.679 do CC: No caso de bens adquiridos pelo trabalho conjunto, terá cada um dos cônjuges uma quota igual no condomínio ou no crédito por aquele modo estabelecido.

Art. 1.680 do CC: As coisas móveis, em face de terceiros, presumem- se do domínio do cônjuge devedor, salvo se o bem for de uso pessoal do outro.

Art. 1.681 do CC: Os bens imóveis são de propriedade do cônjuge cujo nome constar no registro.

Parágrafo único. Impugnada a titularidade, caberá ao cônjuge proprietário provar a aquisição regular dos bens.

Art. 1.682 do CC: O direito à meação não é renunciável, cessível ou penhorável na vigência do regime matrimonial.

Art. 1.683 do CC: Na dissolução do regime de bens por separação judicial ou por divórcio, verificar-se-á o montante dos aqüestos à data em que cessou a convivência.

Art. 1.684 do CC: Se não for possível nem conveniente a divisão de todos os bens em natureza, calcular-se-á o valor de alguns ou de todos para reposição em dinheiro ao cônjuge não-proprietário.

Parágrafo único. Não se podendo realizar a reposição em dinheiro, serão avaliados e, mediante autorização judicial, alienados tantos bens quantos bastarem.

Art. 1.685 do CC: Na dissolução da sociedade conjugal por morte, verificar-se-á a meação do cônjuge sobrevivente de conformidade com os artigos antecedentes, deferindo-se a herança aos herdeiros na forma estabelecida neste Código.

com os artigos antecedentes, deferindo-se a herança aos herdeiros na forma estabelecida neste Código. Página 2

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Art. 1.686 do CC: As dívidas de um dos cônjuges, quando superiores à sua meação,

Art. 1.686 do CC: As dívidas de um dos cônjuges, quando superiores à sua meação, não obrigam ao outro, ou a seus herdeiros.

1.2) Trata-se de um regime híbrido: na constância do casamento existe uma regra e no final existe outra.

a) A regra é a participação dos aquestos no final do casamento. Na constância do casamento existe o patrimônio

individual (cada cônjuge tem o seu). No término do casamento, é dada uma participação de 50% (que pode ser alterada no pacto antinupcial), ou seja, sobre os bens adquiridos na constância do casamento.

b) A separação absoluta é o único regime que dispensa a outorga conjugal (artigo 1647 do CC). A outorga conjugal

é usada para alienar ou constituir um ônus real sobre bens imóveis. A outorga conjugal e necessária para pleitear

como autor ou réu direitos sobre bens imóveis, prestar fiança ou dar aval e doação de bens comuns que não seja remuneratória. Na participação final dos aquestos, é necessária a outorga conjugal.

c) Participação é diferente de comunhão. A palavra comunhão vem de condomínio. No casamento, adota-se o

sistema germânico de condomínio, onde tudo é de todos e o fracionamento disso ocorre no final. Desta forma, ao

fim do casamento existe o calculo da participação de cada cônjuge no fim do casamento. Após, ocorre a indenização.

2. Separação de Bens

2.1) Disposto nos artigos 1687 e 1688 do CC.

Art. 1.687 do CC: Estipulada a separação de bens, estes permanecerão sob a administração exclusiva de cada um dos cônjuges, que os poderá livremente alienar ou gravar de ônus real.

Art. 1.688 do CC: Ambos os cônjuges são obrigados a contribuir para as despesas do casal na proporção dos rendimentos de seu trabalho e de seus bens, salvo estipulação em contrário no pacto antenupcial.

2.2) A administração dos bens é de cada um e a outorga conjugal (ela é questão de ordem pública para proteger o cônjuge e a prole) não é necessária.

2.3) Ambos os cônjuges são obrigados a contribuir para as despesas do casal na proporção de seus vencimentos, salvo disposição inversa no pacto antinupcial.

2.4) Existem dois tipos de separação de bens. São elas:

a) Separação Convencional: ela decorre de pacto antinupcial.

b) Separação Obrigatória: imposta pela Lei. Nestes termos, os casos consagrados no artigo 1641 do CC. São as

hipóteses:

Art. 1.641 do CC: É obrigatório o regime da separação de bens no casamento:

CC. São as hipóteses: Art. 1.641 do CC: É obrigatório o regime da separação de bens

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I - das pessoas que o contraírem com inobservância das causas suspensivas da celebração do

I - das pessoas que o contraírem com inobservância das causas suspensivas da celebração do casamento;

II da pessoa maior de 70 (setenta) anos; (Redação dada pela Lei nº 12.344, de 2010)

III - de todos os que dependerem, para casar, de suprimento judicial.

Maior de 70 anos.

Pessoa que necessita da autorização judicial por idade. Neste caso, o casamento da pessoa dos 16 aos 18

sem autorização dos pais que necessita do suprimento judicial e quando o menor de 16 no caso de gravides que

necessita de um alvará judicial.

Infringir causas suspensivas do casamento descritas no artigo 1523 do CC. São causas suspensivas:

Art. 1.523 do CC: Não devem casar:

I - o viúvo ou a viúva que tiver filho do cônjuge falecido, enquanto

não fizer inventário dos bens do casal e der partilha aos herdeiros;

II - a viúva, ou a mulher cujo casamento se desfez por ser nulo ou ter sido anulado, até dez meses depois do começo da viuvez, ou da dissolução da sociedade conjugal;

III - o divorciado, enquanto não houver sido homologada ou decidida

a partilha dos bens do casal;

IV - o tutor ou o curador e os seus descendentes, ascendentes, irmãos, cunhados ou sobrinhos, com a pessoa tutelada ou curatelada, enquanto não cessar a tutela ou curatela, e não estiverem saldadas as respectivas contas.

Parágrafo único. É permitido aos nubentes solicitar ao juiz que não lhes sejam aplicadas as causas suspensivas previstas nos incisos I, III e IV deste artigo, provando-se a inexistência de prejuízo, respectivamente, para o herdeiro, para o ex-cônjuge e para a pessoa tutelada ou curatelada; no caso do inciso II, a nubente deverá provar nascimento de filho, ou inexistência de gravidez, na fluência do prazo.

- O viúvo ou a viúva que tiver filho do cônjuge falecido sem dar partilha de bens aos herdeiros.

- A viúva ou a mulher cujo casamento se desfez por ser nulo ou por ter sido anulado em até 10 meses após o começo da viúves ou da dissolução da sociedade conjugal.

- Divorciado enquanto não houver sido homologada ou decidida a partilha de bens do casal.

- Tutor ou curador com a pessoa curatelada enquanto não cessar a curatela ou tutela e não for prestada as contas.

Observação: O juiz de direito pode afastar causa suspensiva do casamento.

for prestada as contas. Observação: O juiz de direito pode afastar causa suspensiva do casamento. Página

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Observação: não confundir causas suspensivas com impedimento matrimonial. As causas suspensivas estão no artigo 1523

Observação: não confundir causas suspensivas com impedimento matrimonial. As causas suspensivas estão no artigo 1523 do CC que preconiza o não dever de casar, sendo uma sugestão não casar impondo a separação obrigatória de bens, porém o casamento é válido. Os impedimentos matrimoniais estão descritos no artigo 1521 e fala em ‘’não poder casar’’, sendo uma norma proibitiva e o casamento nulo.

Art. 1.521 do CC: Não podem casar:

I - os ascendentes com os descendentes, seja o parentesco natural ou

civil;

II - os afins em linha reta;

III - o adotante com quem foi cônjuge do adotado e o adotado com

quem o foi do adotante;

IV - os irmãos, unilaterais ou bilaterais, e demais colaterais, até o

terceiro grau inclusive;

V - o adotado com o filho do adotante;

VI - as pessoas casadas;

VII - o cônjuge sobrevivente com o condenado por homicídio ou tentativa de homicídio contra o seu consorte.

Cuidado: nos termos do artigo 1524 do CC, as pessoas que podem arguir cláusula suspensiva são parentes em linha reta consanguíneos ou afins e os colaterais em segundo grau consanguíneos ou afins. O juiz não é obrigado a declarar de ofício.

Art. 1.524 do CC: As causas suspensivas da celebração do casamento podem ser argüidas pelos parentes em linha reta de um dos nubentes, sejam consangüíneos ou afins, e pelos colaterais em segundo grau, sejam também consangüíneos ou afins.

2.5) Súmula 377 do STF: preconiza que na separação obrigatória comunicam-se os bens adquiridos na constância do casamento. Essa Súmula existe, pois é anterior a criação do STJ. O STJ entende que a aplicação da Súmula 377 exige prova de esforço comum. Entende-se por esforço comum como contribuição que vem por ambos os lados.

Súmula 377 do STF: No regime de separação legal de bens, comunicam-se os adquiridos na constância do casamento.

2.6) No caso de separação convencional relativa de bens, o professor entende que a outorga conjugal seria necessária apenas para o bem que é dividido.

2.7) No caso de separação obrigatória deve-se analisar a aplicação da Súmula 377 do STF. Se ela se aplicar, é necessário outorga conjugal.

analisar a aplicação da Súmula 377 do STF. Se ela se aplicar, é necessário outorga conjugal.

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3. Formas de dissolução da sociedade conjugal 3.1) Prevista no artigo 1571 do CC. Art.

3. Formas de dissolução da sociedade conjugal

3.1) Prevista no artigo 1571 do CC.

Art. 1.571 do CC: A sociedade conjugal termina:

I - pela morte de um dos cônjuges;

II - pela nulidade ou anulação do casamento;

III - pela separação judicial;

IV - pelo divórcio.

§ 1o O casamento válido só se dissolve pela morte de um dos

cônjuges ou pelo divórcio, aplicando-se a presunção estabelecida neste Código quanto ao ausente.

§ 2o Dissolvido o casamento pelo divórcio direto ou por conversão, o cônjuge poderá manter o nome de casado; salvo, no segundo caso, dispondo em contrário a sentença de separação judicial.

3.2) As formas são:

a) Nulidade ou anulabilidade do casamento.

b) Morte real.

c) A morte presumida nos termos do artigo 6º do CC. Ou seja, a sentença de ausência não dissolve o casamento.

Observação: bens particulares são aqueles que não se comunicam ou não se comunicaram em razão do regime.

d) A separação: foi criada em 1977 com a Lei do Divórcio. Antes, era através do desquite. Desta forma, podemos

falar em um sistema dúplice, pois a separação dissolve a sociedade conjugal e o divórcio extingue o vínculo. Dissolver a sociedade é por fim ao regime de bens e aos deveres de fidelidade e de vida em comum. Mas a pessoa separada não pode se casar. Ela é uma dissolução e não extinção. A vantagem da separação é que as partes podem se reconciliarem.

e) Divórcio.

e não extinção. A vantagem da separação é que as partes podem se reconciliarem. e) Divórcio.

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