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SEBRAE/MG Todos os direitos reservados. Fernanda Ruas e Daniela Carvalho AGRADECIMENTO Clotilde Andrade Paiva. de qualquer forma ou por qualquer meio. desde que divulgadas as fontes. Não é permitida a reprodução total ou parcial. SEBRAE/MG Presidente do Conselho Deliberativo Roberto Simões Diretor Superintendente Afonso Maria Rocha Diretor Técnico Luiz Márcio Haddad Pereira Santos Diretor de Operações Matheus Cotta de Carvalho UNIDADE DE ATENDIMENTO COLETIVO E AGRONEGÓCIOS Priscilla Magalhães Gomes Lins Gerente Fernando Machado Ataíde e Rogério Galuppo Fernandes ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO Lauro Diniz Assessor Márcia Fonseca. Breno Procópio e Jorge Fernando dos Santos REVISÃO P. Eduardo Campelo. José Carlos Ribeiro e Marcelo Magalhães Godoy GESTÃO EDITORIAL Nascentes Comunicação Estratégica EDITOR Adriano Macedo TEXTOS Adriano Macedo.Ficha Técnica @ 2010.S.Lozar PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO Sandra Fujii FOTOGRAFIA Ignácio Costa e Miguel Aun PRODUÇÃO E TRATAMENTO DE IMAGEM Bárbara Monteiro ILUSTRAÇÃO Diego Baptista e Ricardo Sá IMPRESSÃO E ACABAMENTO Gráfica e editora Mafali .

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Apresentação 11 Abrideira 13 Certificadas 31 Viagem Litográfica 83 De Salinas a Poço Fundo 131 Saideira 181 .

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a cachaça entrou nas casas-grandes. Cachaças – Minas Gerais resgata a ampla literatura escrita e oral da saga dos cachaçólogos Roberto Simões e dedica especial atenção à produção da aguar- Presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae-MG 11 . da instalação pantar o frio de bandeirantes. A Minas. reproduz rótulos famosos. relaciona marcas está pronta para conquistar o mundo. De ‘Januária’. Rubelita. quando fatos mais marcantes da história do Brasil. para deflagrar uma tra- cachaça artesanal. a cachaça de alambique. Para al- certificadas. induziu ações que possibilitaram a organização Um subproduto clandestino dos enge- do processo produtivo e o desenvolvimento nhos. uma tidos pelo desafio de produzir um destilado de das pioneiras. a mais famosa. dos fez um diagnóstico sobre a cachaça. Santa Cruz colonizadores. Taiobeiras. Muitos escritores contam a história nas tem mais de 600 marcas diferentes. O esta- país. dades e regiões produtoras. que virou símbolo de resistência aos Novorizonte.Tradição de liberdade e sabor M ais de três séculos depois de es- dente de alambique em Minas. ao lado do 25 produtores e 109 agricultores familiares para samba. lista cançar a qualidade. sempre ligada aos personagens dos participa dessa história desde 2001. Salinas. do Carnaval e da feijoada. Também mostra as iniciativas que possibi- pavam da aventura do Ciclo do Ouro em Minas litaram a modernização do processo produtivo Gerais. apresenta as principais ci- tradicionais produtos do artesanato mineiro. um dos mais ao longo do tempo. da bebida. de produção necessários à disputa do mercado visita museus e coleções e dá dicas culturais. O estudo tempos da Colônia até a República. mais dição a que se dedicaram artesãos comprome- da metade do total nacional. a bebida teve de percorrer longa O livro informa ainda que o Sebrae-MG trajetória. os sabores e a capacidade quase 300 denominações distintas da cachaça. chegou entre o fim do século XVII do já produz 260 milhões de litros por ano de e início do século XVIII. de Salinas e Fruta de Leite formam o maior polo e foi transformada pelo Movimento Modernis- de produção da bebida e ali o Sebrae orienta ta de 1922 em sinal de brasilidade. em 9 mil alambiques. ga- dos primeiros engenhos até o início do século rimpeiros e tropeiros que partici- XXI. ga- da bebida num padrão de qualidade compatí- nhou espaço nas bodegas dos povoados e foi vel com as exigências do mercado mundial e levada pelos mascates a todos os pontos do a imagem conquistada pelo produto. Mi- qualidade. internacional. a ‘Havana’. nas lutas pela independência. superar novo desafio: tornar a cachaça brasileira uma bebida internacional.

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28 13 . 24 Chama da vida desde a Antiguidade.abrideira Personalidade única em cada coração. 27 Linha do tempo. 19 De Januária ao polo de Salinas. 22 De filha bastarda a símbolo nacional. 15 Na algibeira dos tropeiros.

em Cambuquira (MG) 14 .Bico de pena de Almir Costa (1998) a partir de fotografia de Marcelo Magalhães Godoy. que registrou o processo de limpeza (escumação) do caldo de cana em propriedade do senhor José da Costa.

Fonte: DA SILVA. ajuste final do teor alcoólico. . Esse De filha bastarda da indústria da cana- diagnóstico mostrou o domínio da cacha- de-açúcar. a cachaça de alambique se sofisticou. entre outros. A cachaça (nova) é o produto final das seguintes etapas: preparação do caldo de cana. só ção. cachaça Denominação exclusiva da aguardente de cana produzida no Brasil. realizado pelo Insti- técnicas mais apuradas para imprimir pa- tuto de Desenvolvimento Industrial (Indi) drões de qualidade cada vez melhores. em 1982. “Importávamos 50% da cachaça ficar restrita à geografia próxima à produ- consumida aqui. e CAMPELO. A da bebida. Jairo Martins. homogeneização. o Mais Brasileiro dos Prazeres. o maior desafio para os produtores de e registradas”. filtração. produzida no Brasil desde o ça industrial e a tendência de extinção da período colonial. análises. Revelou ainda uma fal- se sofisticou. A aguardente de cana pode ter grau alcoólico entre 38° GL e 54° GL. é claro. dife- reunião de um grupo de produtores para rentemente da aguardente de coluna ou criar a Associação Mineira dos Produto- industrial. O amante da cachaça é conhecido na linguagem do setor como cachaçófilo. é a mais límpida e pura. propagação do fermento. mas acima de 48° GL não pode ser denominada cachaça. lembra-se o engenheiro 15 Produzida no Brasil desde o período colonial. resultado de todo fabricação e a criação de um selo de qua- um processo produtivo que. a de que Minas produzia ternacional e caminha rumo a novos mer- cachaça de boa qualidade e era auto-su- cados. De cada coração nasce uma associação. ocorre numa das etapas iniciais da pro- quanto na identificação de canais de dis- dução). Porque na mesa ou no balcão para o consumidor. no entan- 20% das marcas vendidas eram mineiras to. Cachaça. mistura (cachaças de diferentes tonéis para ajuste da composição físico-química e características sensoriais). Após a destilação. fermentação. a cachaça de alambique cachaça artesanal.Personalidade única em cada coração A cana destilada tem cabeça. Eduardo Antônio Pinto. berço de sua implantação. ganhou status de bebida internacional e caminha rumo a novos mercados Cachaçólogos Profissional da cachaça. Em Belo Horizonte. Tecnologia da Cachaça de Alambique. foi aperfeiçoando a bebida. incor- do país). foi sugerida no estudo setorial porando metodologias e processos com Aguardente em Minas. co- cachaça de coração de alambique. que estabeleceu normas de personalidade única. com teor alcoólico entre 38° GL e 48° GL. Para os aman- to na disputa com produtores informais tes da cachaça (cuja destilação – que não seguem a legislação vigente –. que provoca as no Brasil e no exterior. Sebrae-MG e Sindbebidas. e cachaçólogos. rais é referência nacional de qualidade. É justamente o mercado. Fonte: MAIA. Desde. ganhou status de bebida in- sa mensagem. Editora Anhembi Morumbi. tan- ração e cauda. com autonomia. a certeza é uma tribuição eficientes para colocar a bebida só: a melhor parte é o coração. ao longo dos lidade (o primeiro para bebidas alcoólicas anos. para deixar de ficiente. que seja apreciada com resultado de um movimento de organi- moderação. que não separa a fração nobre res de Cachaça de Qualidade (Ampaq). melhores sensações e evita riscos para as A cachaça produzida em Minas Ge- impertinentes ressacas no dia seguinte. envelhecimento.A. e destilação. a cachaça de alambique passa por uma série de procedimentos (pós-destilação) destinados a apurar a qualidade: maturação. É o coração que alimenta a zação do setor iniciado em 1988 com a cachaça produzida em alambique. Amazile Biagioni R.

foco no padrão de qualidade do produto O economista Eduardo Campelo res- e a organização de clínicas tecnológicas. afirma Campelo. esse monitoramento permite alcançar um produto excepcional. mas faltavam ram capacitadas no processo de boas visão empresarial e aprimoramento da práticas comerciais e participaram de qualidade. O estudo deu sustentação à estru- gar esse mundo da cachaça que não tinha turação de ações para auxiliar grupos de número. com a imagem que a cachaça conquistou nos últimos anos. o desenvolvimen- modelo empresarial. ção da venda do produto. A cachaça de alambique. com metodologia to do associativismo e da cooperação en- associada à tecnologia artesanal. Amazile Biagioni R. A produção da cachaça é acompanhada da geração de resíduos como a folhagem e o bagaço da cana. abrindo 1992 pelo governo estadual para incen- mercados para o produto e contribuin- tivar e fortalecer o setor produtivo da do com a comercialização da cachaça. públicas e privadas. Todos eles têm aproveitamentos importantes. univer- cas. Tecnologia da Cachaça de Alambique. com a divulga- de cana. como o uísque é uma aguarden- ção do Diagnóstico da Cachaça de Minas te de grãos. que supera em muito a concorrência no mercado baseada em preço. o foco para desenvolver o produto e a cultura do Sebrae-MG passou a ser a consolida- da cachaça”. responsável pelo estudo que pesqui- de um padrão de qualidade compatível sou as várias regiões do estado. associações e cooperativas se a adequação dos alambiques às normas mobilizaram para se articular e induzir o legais. à apreciação. a condução de iniciativas com desenvolvimento do setor. à época produtores a organizarem o processo pro- profissional do setor da agroindústria do dutivo e desenvolverem produtos dentro Indi. Eduardo Antônio Pinto. de rodadas de negócios Produção de Aguardente). Os trabalhos do Sebrae-MG junto ao “A Ampaq tirou a cachaça da senzala e a setor de produção e comercialização de colocou na casa-grande. pois destina-se à degustação. criado em e agendas de relacionamento. Também queríamos congre- Gerais. e CAMPELO. à fruição. não tinha bibliografia. Novas tre os produtores. Clínicas tecnológicas Consultorias coletivas organizadas pelo Sebrae-MG para minigrupos de até 10 empresários e empreendedores com a orientação de especialistas nas mais diversas áreas de interesse. ao deleite. a promoção da imagem do produto. Campelo esteve à frente do feiras do setor de bebidas nas principais Pró-Cachaça (Programa de Incentivo à capitais do país. desde a seleção e a colheita da matéria-prima até o engarrafamento e rotulagem do produto. tanto para o aumento da lucratividade financeira do empreendimento como para a preservação ecológica e proteção ambiental. o vinhoto (resíduo da destilação do vinho) e as cinzas ricas em minerais (resíduo da queima do bagaço).A. por exemplo. Sebrae-MG e Sindbebidas. “Nosso alvo era partir de 2010. A nossa ideia era cachaça de alambique de Minas Gerais mostrar que a cachaça é uma aguardente vêm desde o ano de 2001. com a conclusão do tra- a profissionalização do empresário rural balho de estruturação do setor.. com as exigências do mercado interno e O setor se desenvolveu pelo trabalho de empresários com raízes no meio rural qualidade A qualidade da cachaça de alambique é resultado de cuidados e controles específicos adotados em todas as etapas do processo. e que tinham condições financeiras e téc- As ações estruturais implementadas nicas de investir num projeto com novo incluíram. Em seu conjunto.agrônomo José Carlos Ribeiro.. sidades. Fonte: MAIA. a elaboração de mar- instituições. salta que Minas sempre teve tradição Lideranças empresariais também fo- na produção de cachaça. pois não 16 .

MG) Claudionor (Januária. Em 2010. Em 1999. 17 de fevereiro de 2010. mais da metade dos 400 Temos a melhor tecnologia na área. MG) Vale Verde (Betim. MG) Fonte: Revista Veja. que se dedica hoje com sede em Belo Horizonte. suas histórias. lembra Jairo Martins da Silva. José Carlos Ribeiro 1o 2o 3o 4o 5o afirma que a cooperativa participou de Fonte: Revista Playboy. vários produtores se reuniram para criar a Cooperativa de Produção e Promoção da Cachaça de Minas (Coocachaça).havia registro nenhum sobre a cachaça. por meio da tecnologia do “blend”. as das revistas Veja e Playboy. Em 2009. Estamos equiparados em termos de um dos fundadores.7 bilhão de litros. MG) Vale Verde (Betim. a Coocachaça reúne atualmente 80 cooperados com capacidade de produzir até 12 mi- feiras de bebidas e eventos internacionais em várias partes do mundo. Caninha ou Cachaça (PBDAC). garante tores de Cachaça de Alambique (Fenaca). produz algo em torno de 260 milhões 17 . Claudionor e Germana nas primeiras colocações. Hoje. primeiro presidente da as- milhões de litros produzidos anualmen- cipalmente da agroindústria da cacha- sociação. As bebidas produzidas em ça. Ranking das cachaças envelhecidas. A produção José Carlos Ribeiro. produtor da cachaça Germana e te no Brasil. MG) Canarinha (Salinas. o estado é autossuficiente e Anísio Santiago/Havana (Salinas. figurando Anísio Santiago/Havana. juntamente outros estados e também do Programa ta mais de 70% do mercado. afirma alambiques. como melhores uísques do mundo”. incluin- mestre alambiqueiro na Fazenda Taver- de todas as associações surgidas em do aí a cachaça industrial. Com o objetivo de promover e vender a cachaça mineira de alambique. das 10 primeiras posições listadas pela revista Playboy. Ásia e Europa. o engenheiro de alimentos Brasileiro de Desenvolvimento da Aguar- conhecimento da tecnologia artesanal Arnaldo Andrade Ribeiro. em novembro de 1997”. cinco eram mineiras. E já exportou a cachaça mineira. da Federa- Minas estão sempre no topo da lista das qualidade sensorial e degustativa aos ção Nacional das Associações dos Produ- principais classificações nacionais. Revista Playboy lhões de litros anuais. Vale Verde. No topo da preferência As cachaças de alambique produzidas em Minas Gerais costumam figurar no topo de classificações elaboradas por algumas das principais revistas nacionais. brasileira anual de cachaça é estimada à realização de cursos de formação de “Nasceu em Minas Gerais o embrião em mais de 1. que represen- na Real. dente de Cana. 6 de agosto de 2009. “O eixo do com o filho. autor de Cachaça. em 2001. com o apoio da Agência de Promoção às Exportações (Apex). África. prin- Walter Caetano. em Itaverava (MG). MG) Revista Veja 1o 2o 3o Anísio Santiago/Havana (Salinas. os seus produtores”. para a América do Norte. as de litros de cachaça artesanal em 9 mil migrou de São Paulo para Minas Gerais. MG) Germana (Nova União. Canarinha e Vale Verde ficaram nas primeiras posições da relação da revista Veja para as cachaças envelhecidas. o Mais Brasileiro dos Prazeres. Anísio Santiago. MG) Canarinha (Salinas.

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registram os professores Marce- las de tributar a atividade. O destaque com que te faziam parte da dieta alimentar dos a produção de aguardente aparece nos mineiros. revive os dias em que foi tropeiro. locou bandeirantes. poste- ao longo da Serra do Espinhaço. suportar o frio. nial e o advento da independência. tas variam constantemente. principalmente perseguição restritiva é substituída pela sob a forma de rapadura. cachaça expandiu-se em todo o Brasil. restrições à produção de aguardente. região riormente. os engenhos dis- trilhas com tropeiros e mascates para ser seminaram-se pela capitania de Minas vendida nos povoamentos que surgiam para suprir o mercado interno e. A cachaça seguia as produção de cachaça. autores do artigo Os 300 anos da circulação e comercialização e as alíquo- atividade canavieira em Minas Gerais. a Paiva. “A “O consumo de açúcar. e da aguarden- voracidade fiscal. Até o início do século XX. produtor da Branquinha de Minas (ver página 70). proibindo a produ- quando a procura do ouro des- ção de aguardente na capitania da Bahia. A aguardente era largamen- debates dos legisladores provinciais e te consumida pela população escrava. A bebida era um aliado para aguardente para outras capitanias. Tributam-se lo Magalhães Godoy e Clotilde Andrade em cascata as unidades produtivas. Desde o período da co- O século XIX é marcado por uma lonização do estado. Ao longo do alidade marcada pela exploração do tra- século. a até a construção dos primeiros enge- atividade se expande com o término da nhos em Minas. com impostos municipais e provinciais 19 Minas Gerais foi o estado com o maior número de engenhos no Brasil durante todo o século XX. no início do século XVIII. os muares eram o meio de transporte usual para transporte da bebida a granel . chegando em alguns momentos a ter mais engenhos do que a soma dos demais estados do país Vinícius Augusto da Silva. são decretadas diversas fórmu- balho”. e chega-se Durante décadas. Com o fim do sistema colo- suas longas viagens através do sertão. na fala de presidentes da província é que buscava na bebida um suprimento inequívoco indício de que sua dissemi- energético para enfrentar os trabalhos nação e volume de produção estavam extrativos ou como lenitivo diante da re- longe de ser desprezíveis. rapadura e muito fria.Na algibeira dos tropeiros A bebida veio para Minas no final Com a publicação de decreto régio de 24 do século XVII e início do XVIII. era transportada e nova fase para a agroindústria da cana- consumida também pelos canoeiros em de-açúcar. de fevereiro de 1743. exportar açúcar. garimpeiros e tro- região que antecedeu Minas Gerais na peiros para a região. a produção de mesmo a situações de bitributação.

não a central. com outras indústrias baixas arrecadações. a larga sonegação rurais. com a mineração. as cinco usinas existentes respondiam por apenas 6% da produção de açúcar. No recenseamento industrial de 1920. 26% do álcool e 1% da aguardente. segundo os pro- Minas com outras atividades. 1840 cachaça. 20 . com a fiação dos produtores. com a siderurgia das pequenas e as frequentes contestações por parte forjas. Nesse período. como Ponte Nova. álcool. de meados do século XIX. conviveu durante os econômicas. e tecelagem. marcada nuais e mecânicos e outras atividades pela sazonalidade. O resultado foram as outros cultivos.coexistindo”. confirma a convivência destas navam as unidades onde os engenhos duas realidades. Os engenhos ainda produziam 94% do açúcar. com vários trabalhos ma- A agroindústria da cana. a industrialização de subprodutos da cana não desestruturou a produção dos engenhos. algumas regiões se destacam na produção de Vendedor de caldo de cana. que continuam a responder por quase toda a produção de açúcar. O censo demográfico e dois primeiros séculos da história de econômico de 1831/32. 74% do álcool. Januária e Curvelo. 99% da aguardente e a totalidade das rapaduras. até situações em que o engenho aparecia com destaque e a produção de aguardente era a atividade central da unidade. Predomi- fessores. Até o início da década de 1930. Havia desde casos em que o engenho era mais uma atividade Acervo da Fundação Biblioteca Nacional – Brasil da fazenda. aguardente e rapadura do estado. apontam Marcelo Godoy funcionavam junto com a pecuária e e Clotilde Paiva. Rio de Janeiro. com bebidas que ganharam fama dentro e fora do estado. gravura atribuída ao litógrafo brasileiro Lopes.

Acervo da Fundação Biblioteca Nacional - Brasil

Moinho de cana-de-açúcar, do
pintor alemão
Johann Moritz Rugendas

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De Januária ao polo de Salinas
A cachaça Januária, que começou a ser produzida no início do século XX, fez fama durante décadas.
A cidade tornou-se sinônimo de cachaça. Nos anos 1920, os produtores começaram a vender a Januária
para os barqueiros do São Francisco.
Em meados daquela década, comerciantes locais criaram engarrafadoras, surgindo marcas famosas como
Claudionor, Caribé, Januária Centenária, Aquino e Januária Única, entre outras. O elevado conceito das
bebidas entre os apreciadores durou até meados da década de 1960,
quando a imagem e a credibilidade
das cachaças produzidas em Brejo
do Amparo foram arranhadas com a
onda de falsificações.
Nas décadas de 1930 e 1940 há
uma significativa mudança no mercado, quando as usinas passam a
ser apoiadas pelas políticas do Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA),
criado em 1929 para controlar a
produção e manter os preços num
nível adequado, protegendo o produto brasileiro no mercado mundial.
Para atingir essas finalidades, o IAA
estabeleceu rígido sistema de cotas, distribuídas entre as diferentes
unidades produtivas, o que estimulou a concentração da produção em
grandes usinas, com capacidade de

fabricação em larga escala, desestruturando a produção de açúcar de
engenho.
“A partir da década de 50 assiste-se a uma progressiva extinção
da produção de açúcar nos engenhos, restando hoje pouquíssimas
expressões, e uma concentração
cada vez maior da produção de rapaduras e aguardente nas áreas de
menor dinamismo econômico do
estado. Estatísticas apontam para
Minas Gerais como o estado com o
maior número de engenhos no Brasil durante todo o século XX, chegando em alguns momentos a ter
mais engenhos do que a soma dos
demais estados do país”, ressaltam
Marcelo e Clotilde.
O professor Marcelo Godoy estudou o nascimento, a ascensão e o
declínio da indústria canavieira em
Minas Gerais. A tese de doutorado
No país das minas de ouro a paisagem vertia engenhos de cana e casas de negócio, defendida por ele
em 2004 na Universidade de São
Paulo, registra a evolução do setor.
Dados do Anuário Estatístico de Minas Gerais para o ano de 1922/25
e do Censo Agropecuário do IBGE
para o ano de 1995/96 mostram
que o número de engenhos caiu
de 32.928 para 23.626 nesse perí-

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odo. Deste total, foram registrados
14.817 engenhos de fabricação de
rapadura, 343 engenhos de açúcar,
8.466 engenhos para produção de
aguardente, 956 engenhocas de
garapa e 910 para a fabricação de
melado.
São mais de 600 marcas diferentes de cachaça em Minas Gerais,
resultado de um novo dinamismo
na fabricação da bebida. Salinas, no
Norte de Minas, é hoje o maior polo
de produção de cachaça artesanal
do país. A região reúne 25 produtores e 109 agricultores familiares que
formam a Associação dos Produtores de Cachaça Artesanal de Salinas (APACS). Juntos, produzem 5
milhões de litros por ano. Os produtores da APACS são apoiados pelo
Sebrae-MG, que desenvolve em
cinco municípios da região ações
para melhorar a competitividade,
aumentar a produção e a venda de
cachaça.
O Programa Nacional de Certificação da Cachaça, iniciativa do
Instituto Nacional de Metrologia,
Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) e do Sebrae Nacional,
mostra que as cachaças mineiras se
destacam no país. Das 47 marcas
certificadas até 2009, 28 são produzidas em alambiques mineiros.

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De filha bastarda a símbolo nacional
A cachaça se popularizou e
tornou-se signo de resistência
aos colonizadores. Atingiu
o ápice no século XIX,
transformando-se, também,
em sinal de brasilidade

per rescriptum principis
Por rescrito do príncipe. Era a legitimação do filho natural pedida pelo
pai ao Imperador desde que esse não
tivesse filhos legítimos e o casamento
subsequente fosse impossível.

A

aguardente de cana era um subpro-

azeda ou vinho de cana. Esse subproduto

duto da indústria do açúcar, consu-

complementava a alimentação de animais

mido no Brasil Colônia e exportado

e escravos nos próprios engenhos, sendo

para as costas africanas. A cachaça serviu

chamado de cagaça, palavra da qual teria se

como moeda de troca para a compra de es-

derivado o termo cachaça. Há uma outra

cravos que vinham trabalhar nos grandes en-

versão, segundo a qual a bebida era usada

genhos. Segundo o historiador e antropólo-

para amolecer carne de porco ou cachaço. A

go Luís da Câmara Cascudo (1898-1986), em

destilação da garapa azeda em alambiques de

Prelúdio da Cachaça (Editora Itatiaia), “a cacha-

barro deu origem à aguardente nacional.

ça nasceu da indústria do açúcar, bastarda e

Jairo Martins da Silva, em Cachaça, o Mais

clandestina, merecendo depois proclamação

Brasileiro dos Prazeres, levanta outra hipótese

de legitimidade per rescriptum principis. Tornou-

para o início da destilação da cachaça no

se bebida nacional, determinando uma litera-

Brasil. “Os portugueses, acostumados a to-

tura oral de impressionante vitalidade”.

mar bagaceira, improvisaram uma bebida

Para o historiador Caio Prado Júnior

com a substância residual do caldo de cana,

(1907-1990), “a aguardente é um produto

conhecida como borra, garapa azeda ou garapa

mais democrático que o aristocrático açú-

doida. Provavelmente fermentada, ela produ-

car, exclusivo dos senhores de engenho”.

zia o mesmo efeito prazeroso”.

Em seu livro O Mito da Cachaça Havana – Anísio

O certo é que os senhores de engenho

Santiago (Edições Cuatiara), Roberto Carlos

provaram e aprovaram a bebida dos escravos.

Morais Santiago lembra que a descoberta

A aguardente entrou na casa-grande e nas bo-

da cachaça teria ocorrido casualmente, du-

degas, e foi recebida nos salões, passando a

rante o processo de produção de rapadura

ter importância econômica. Tanto que a Coroa

e açúcar mascavo.

portuguesa expediu uma Carta Régia, em 13 de

O caldo da cana era fervido em tachos

setembro de 1649, proibindo a fabricação da

de cobre para ficar limpo e concentrado em

aguardente em todo o país, com duas exce-

massa de boa espessura. Desta, retirava-

ções: não se aplicava a Pernambuco e o uso da

se espuma ou borra com grandes escuma-

bebida restringia-se à população escrava, não

deiras. A borra fermentada, acumulada em

sendo permitida a venda, apenas a produção

cochos de pau, transformava-se em garapa

para consumo próprio.

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Acervo da Fundação Biblioteca Nacional – Brasil Na pintura do francês Jean-Baptiste Debret. escravos africanos extraem a garapa 25 .

gado após a Independência. Tanto os rebelados da revolução sídio literário” para subvencionar os “mestres de Pernambuco. deslocamento da cachaça para o interior do A partir de 1889. a descoberta de dência. Originalmente concebido bagaço de uva. Senhores de engenho. foi instituído o “subsídio voluntário” sucessivas tentativas de proibição de Portu- dos estabelecimentos que vendiam “aguar- gal. de Gusmão. A moda agora era por onde o ouro era escoado para Portugal consumir produtos vindos da Europa. assim como dos proprietários gaceira. que chegou samba. As trilhas eram interligadas a Paraty. comerciantes e alambique”. foi criado o “sub- brasilidade. do Carnaval e da feijoada. como forma de rebeldia e protesto. sob a regência da rainha D. em 1817. em sinal de de 1768 a 1778. suspendeu a proibição. Em 1772. com vistas a contribuir para a reconstrução A bebida tornou-se símbolo de resistência de Lisboa. transformando-se. Atingiu o ápice no século o tributo acabou renovado por mais dez anos. No período entre 1756 ção dos produtos similares europeus. XIX. ouro em Minas Gerais e o surgimento de vá- Em 1822. o Rei Paraty passou a ser sinônimo de cachaça. quanto os inconfi- régios” (professores de primeiras letras). já que ela competia com o vinho e a ba- dente da terra”. o próprio imperador Dom Pedro II rios povoados em lugares altos e úmidos da teria brindado à Independência do Brasil com Serra do Espinhaço foram acompanhados do uma boa dose de pinga. A fama destiladores reagiram. revo- dentes das Minas Gerais. mesmo na época da que a popular caninha começa a recuperar seu proibição. Luísa sendo comum pedir um “cálix de paraty”. aos colonizadores. a cachaça perde o gla- estado. “onde mói um engenho. a famosa aguardente produzida com que a vendessem. Daí as e 1766. devastada por terremoto em 1755. finalmente. O crescente te a partir do Movimento Modernista de 1922 é comércio da cachaça. Em 1661. Os garimpeiros passam a consumir a mour. ao lado do biques clandestinos na região. A solu- A cachaça no Brasil Colônia adquiriu ta- ção encontrada pela metrópole portuguesa manha popularidade que o aumento do con- foi o aumento constante dos impostos sobre sumo da bebida passou a ameaçar a fabrica- a sua comercialização. três décadas antes. estimulou o surgimento de alam- status como símbolo de brasilidade. destila um locais. registra Câmara Cascudo.Afonso VI. também. 26 . D. continuaram a produzir da região como produtora cresceu tanto que e vender a bebida.A ordem da Corte foi ignorada. Somen- através da baía da Ilha Grande. Os republicanos que assumiram o poder cachaça levada pelos tropeiros para ameni- passaram a discriminá-la como símbolo do de- zar o frio. cadente passado imperial. pois a ca- a ter cerca de 150 engenhos. Como se dizia chaça havia caído no agrado dos governantes à época. consumiam a bebida nas lutas de Indepen- No final do século XVII.

. a palavra se origina de uisgebeatha. no ano seguinte. e. No caso do uísque da Escócia. onde o “ardente” se refere à “chama da vida”. de grãos de cevada embolorados. feitos a partir de frutas. O vinho teria sido descoberto pelo próprio Noé. surgiu a cachaça. levam também o mesmo nome. irmã caçula do açúcar. os nomes de bebida destilada. produto que vigorou durante dois séculos como a base da economia nacional. logo após o dilúvio. que plantou uma muda de videira no Monte Ararat. vodca traduz-se por “aguazinha”. escravos afrodescendentes fermentaram o melaço da cana e descobriram o rum. na Rússia. eau de vie. desenvolveram o processo da destilação. o Mais Brasileiro dos Prazeres (Editora Anhembi Morumbi). A cerveja surgiu na Mesopotâmia. no qual os termos latinos aqua vitae ficam bem claros. Os árabes. água ardente. Exemplo disso já se observa na nossa cachaça. o vinho se propagou pela Europa. o surgimento da cachaça ocorreu em São Vicente. o homem produz bebidas alcoólicas. “Em geral. Mais tarde. Ainda que as primeiras mudas tenham chegado ao Brasil bem antes. graças ao Império Romano. No Brasil. Já no Caribe. nos vários idiomas. em 1532. Duarte Coelho trouxe cana para Pernambuco. A cana-de-açúcar é uma planta do gênero Saccharum originária da Ásia. aumentando a produção de bebidas na Idade Média. associam as palavras água e vida. por sua vez. A dificuldade para encontrar e conservar água potável levou-o a fermentar sementes e a destilar gramíneas para matar a sede. Historicamente. com a cana trazida das ilhas atlânticas da Madeira e São Tomé por Martim Afonso de Souza. trazidas pelo fidalgo português Fernando de Noronha. 27 sacerdotisa egípcia Sacerdotes egípcios curavam doenças com a inalação de vapor de líquidos fermentados. lembra Jairo Martins da Silva no livro Cachaça. Os destilados franceses. no Brasil. temos o aquavit dos vikings. e teria motivado a invenção da escrita para que os sacerdotes pudessem controlar estoques de sementes e da bebida. Na Noruega. que tem uma conotação positiva”. Os egípcios curavam suas moléstias inalando vapor de líquidos fermentados. apenas a partir da implantação das capitanias de São Vicente e Pernambuco é que começaram a ser instalados os primeiros engenhos de açúcar no Brasil. O cultivo da uva no Egito antigo era exclusivo dos sacerdotes. em 1504. que em celta antigo significa exatamente a mesma coisa: “água da vida”.Chama da vida desde a Antiguidade Desde a Antiguidade. De lá.

É instituído e passa a valer o subsídio voluntário sobre a aguardente. A Lisboa antes e depois do Terremoto. até que a Coroa portuguesa expede Carta Régia. Criação do subsídio literário sobre a venda da bebida. a partir de fotografia de Marcelo Magalhães Godoy A partir do Movimento Modernista a popular caninha começa a recuperar seu status como símbolo de brasilidade. Acredita-se que a cachaça surgiu em São Vicente. que estabelece um rígido sistema de cotas. Criação do Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA). Bico de pena de Almir Costa. A produção e o consumo de cachaça passam a ter importância econômica no Brasil Colônia. devastada por terremoto em 1755. reprodução do livro “FERNANDO DE NORONHA . a cachaça perde o glamour. proibindo a fabricação da aguardente em todo o país. O tributo é oficialmente revogado anos após a independência. do Carnaval e da feijoada. O recolhimento é destinado ao pagamento de “professores de primeiras letras”. 1504 1532 1649 1661 1743 1756 a 1766 1772 1889 1922 1929 1982 1983 Acervo da Fundação Biblioteca Nacional – Brasil A metrópole portuguesa suspende a proibição e passa a elevar os impostos sobre a venda da aguardente.CINCO SÉCuLOS DE HISTÓRIA” O fidalgo português. Os recursos são destinados à reconstrução de Lisboa. Os republicanos que assumiram o poder passaram a discriminá-la como símbolo do decadente passado imperial. reprodução de gravura alemã do século XVIII 28 O Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais abre linha de crédito para projetos de produção de cachaça de alambique. A partir da República.BRASÃO DE ARMAS. Fernando de Noronha traz as primeiras mudas de cana para o Brasil. permitida apenas para consumo próprio. descoberta por acaso pelos escravos. em 13 de setembro desse ano. desestruturando a produção dos engenhos nas décadas de 1930 e 1940. o que a incentiva na capitania de Minas. . ao lado do samba. O Instituto de Desenvolvimento Industrial (Indi) realiza o estudo setorial Aguardente em Minas. Decreto Régio de 24 de fevereiro de 1743 proíbe a produção de aguardente na capitania da Bahia.

organizados em associações ou cooperativas legalmente constituídas.853. Criação da Federação Nacional das Associações dos Produtores de Cachaça de Alambique (Fenaca). de 4 de agosto desse ano. Criação da Cooperativa de Produção e Promoção da Cachaça de Minas. de 11 de julho de 2001. com sede em Belo Horizonte. o regulamento técnico para fixação dos padrões de identidade e qualidade para aguardente de cana e para cachaça.314.918 (14/07/94). a produção e a fiscalização de bebidas. Pecuária e Abastecimento (Mapa). Criação do Programa Brasileiro de Desenvolvimento da Aguardente de Cana. de 21 de dezembro. 1988 1989 1990 1992 1993 1997 1998 1999 2001 2002 2005 2007 2009 Criação da Comissão de Estudos de Aguardentes de Cana da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). regulamenta a Lei nº 8.645. Brasil e Cachaça do Brasil como indicações geográficas. que dispõe sobre a padronização. regulamenta o Pró-Cachaça. Lei Estadual Nº 13. com a definição da análise de conformidade para o produto pelo Ministério da Agricultura. Início da implantação do processo de certificação da cachaça com a assinatura do convênio entre o Sebrae Nacional e o Instituto Nacional de Metrologia.871. a inspeção. a inspeção. de 4 de setembro. aprovado pela Lei Estadual Nº 10. define as expressões Cachaça. de 5 de junho (Lei da Cachaça de Minas Gerais). O governo de Minas sanciona. O Decreto 4. a classificação. 29 O Ministério da Agricultura. A Ampaq cria o Programa de Garantia de Qualidade. do governo federal. Em 30 de outubro desse mesmo ano. da presidência da República.918. realizada anualmente em Belo Horizonte. de 14 de julho de 1994. conferindo o selo de qualidade às cachaças de seus associados. Pecuária e Abastecimento (MAPA) aprova. de 29 de junho. de 14 de abril. a produção e a fiscalização de bebidas. Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro). de 4 de junho. em 11 de janeiro.O Sebrae-MG produz o diagnóstico da cachaça de alambique do estado de Minas Gerais. com apoio da Agência de Promoção às Exportações (Apex). Decreto 2. por meio da Instrução Normativa nº 13. a lei que declara como Patrimônio Cultural de Minas Gerais o processo de fabricação de cachaça de alambique. regulamenta a Lei nº 13. a classificação.949.062. Caninha ou Cachaça (PBDAC). do governo federal. estabelece o padrão de identidade e as características do processo de elaboração da Cachaça de Minas. cujo embrião surgiu em Minas Gerais.949. regulamenta a Lei Nº 8. Criação da Associação Mineira dos Produtores de Cachaça de Qualidade (Ampaq). Decreto nº 42644. o registro. Criação da Feira e Festival Internacional da Cachaça (Expocachaça). a Instrução Normativa 56 do MAPA aprova os requisitos e procedimentos para registro de estabelecimentos produtores de cachaça. Criação do Programa de Incentivo à Produção de Aguardente (Pró-Cachaça). . com sede em Belo Horizonte. O Decreto nº 6. que dispõe sobre a padronização. de 11 de julho. de origem e uso exclusivamente brasileiros. o registro. Decreto Estadual Nº 34.

.

certificadas

Água da Bica de Brumadinho, 32
DJ resgata tradição da região dos Maias, 36
No alto da serra, uma cachaça “Da Boa”, 41
Dois dedos de prosa em Piranguinho, 44
Gavião do Vale une irmãos
em passatempo levado a sério, 47
Irmãs gêmeas de padrão internacional, 51
Prazer de Minas representa o estado
dentro e fora do país, 55
Prosa & Viola: legado cultural
com a alma do homem sertanejo, 58
Pura de origem na terra do gado zebu, 62
Lenda para deixar saudade, 65
Segredos de Araxá em forma de cachaça, 67
Branquinha nasce granfina, 70
A marca da brasilidade, 74
O canto do Uirapuru chega à China, 77
Flores de sucesso brotam em Salinas, 80

31

Água da Bica de Brumadinho

N

o início do ano 2000, o publi-

atinge todo produtor: a divulgação da

citário Alexandre Wagner pro-

bebida.

curava alguma atividade ren-

Para realizar o “Bate-Papo com Ca-

tável para ajudar a pagar as despesas

chaça”, o publicitário comprava amos-

da sua propriedade rural, em Brumadi-

tras de aproximadamente 50 marcas

nho, na Região Metropolitana de BH.

produzidas no estado; depois fazia

Ao ser procurado por um amigo para se

parcerias com proprietários de bares e

filiar a uma cooperativa de produtores

restaurantes. “Durante os encontros,

de cachaça, não se interessou. “Falei

os clientes podiam escolher a cachaça

“Eu armazeno as minhas
marcas em três madeiras
diferentes, porque
assim ofereço produtos
diferenciados”

que não gostava de cachaça, não tinha

e degustar à vontade; o proprietário

interesse”. Depois de muita insistên-

enchia sua casa e lucrava, e a cultura

cia do amigo, acabou tornando-se um

da cachaça artesanal era divulgada”,

cooperado e descobriu que produzir

explica o produtor. “O mais importante

cachaça poderia ser a solução para a

era consolidar um espaço para a Água

Alexandre Wagner, produtor das
cachaças Água da Bica, Sonhadora
e Rainha do Milênio

propriedade rural. Investiu no negócio,

da Bica, por isso colocávamos cartazes

montou o alambique e começou a pro-

com fotos da marca no bar e distribuía-

duzir, juntamente com o sócio Edson

mos folders sobre o evento”.

Oliveira, a Água da Bica e a Rainha do
Milênio, em 2005.

Alexandre Wagner (ao lado) diz que
a bebida está presente em todos os
estados brasileiros

No período de três anos, de 2006 a
2008, o evento percorreu mais de mil

Para chegar à outra ponta do ne-

estabelecimentos da Região Metropoli-

gócio, o mercado, Alexandre Wagner

tana de BH, resultando numa cadeia de

colocou em prática, no ano seguinte,

comercialização. “Em Minas existe essa

uma ideia criativa, o “Bate-Papo com

cultura do bar, o cliente é leal e sem-

Cachaça”. O objetivo era promover

pre volta. Então, depois que fazíamos

encontros de degustação de cacha-

o bate-papo, o cliente voltava e pedia a

ças de alambique em bares e restau-

Água da Bica, porque tinha experimen-

rantes da capital mineira e da Região

tado durante a degustação. O proprie-

Metropolitana. O projeto surgiu após

tário era obrigado a comprar para aten-

se constatar um problema comum que

der o seu público”, conta Alexandre.

32

Alambique iniciou a
produção em 2005

informa Wagner. ar- muitos dos requisitos presentes no gumenta Wagner. do Centro de Tecnologia da Cachaça. lizadas e representantes para que as maquinário para moagem. “Minha formação cesso de cobre. encontradas em aproximadamente 100 Além das estratégias de mercado. e o produtor investiu também em quali- estão presentes em todos os estados dade na construção do engenho na fa- brasileiros. as forma de atender um público mais am- marcas Água da Bica e Sonhadora são plo”. Sonhadora. alambique. A produção é dividida entre padrões de produção da cachaça arte- as marcas Água da Bica (80 mil litros). voltada para público seleto. e cinco anos em carvalho (Rainha do Milênio) . Regulamento de Avaliação de Confor- A fazenda Sítio do Sossego. é uma ao público feminino. sanal – já estavam adequados. pontos de venda da capital mineira. “O selo Sonhadora (30 mil litros) e Rainha do representou mais um passo para a tra- Milênio (10 mil litros). está localizada próximo ao pelo organismo certificador de pro- rio Paraopeba e produz por ano 120 duto acreditado pelo Inmetro com os mil litros.Em 2007. barris e tonéis para a em publicidade facilitou na divulgação adega com capacidade de 55 mil litros das cachaças. jetória da Água da Bica e Sonhadora. mas depois tem dificuldade cesso. Esta última. uma cachaça suave. Normalmente. no curso de cinco anos. toria do engenheiro Arnaldo Ribeiro. formalizar parcerias com lojas especia- Wagner comprou dornas de aço inox. Wagner ressalta que não zenda Sítio do Sossego. Atualmente. o produ- de cachaça. Alexandre Wagner lembra que de colocar o produto no mercado”. 35 FICHA TÉCNICA Cidade: Brumadinho Região: Região Metropolitana de BH Produtor: Alexandre Wagner (31) 9208-3853 Início da produção: 2005 Volume: 120 mil litros por ano Teor alcoólico: Água da Bica (42%) Sonhadora (39%) Envelhecimento: um ano em umburana (Água da Bica) e  jequitibá (Sonhadora). produz uma cachaça de do Inmetro como certificação de pro- qualidade. mas conseguiu. ele criou também a marca de carvalho e chega a custar R$ 300. Com a consul- tem vendas expressivas em todo o país. filtro para retirada do ex- em qualquer região. enve- “Eu armazeno as minhas marcas em lhecida em tonéis de jequitibá e com três madeiras diferentes. é enve- Um atestado de qualidade para o seu lhecida durante cinco anos em barril público consumidor”. suas marcas pudessem ser compradas envazadora. porque assim teor alcoólico mais baixo destinado ofereço produtos diferenciados. de 75 midade (RAC) – documento fornecido hectares. as marcas Água tor monta um engenho com maquiná- da Bica e Sonhadora receberam o selo rio muito bom. Em 2007.

de produção para se desenvolver aos o produtor consegue ampliar o seu es- poucos. dar um aspecto de sofisticação. em São Gonçalo do Pará. o perfil rústico. pela Associação Brasileira de Embala- 36 . no maioria das cachaças. A cachaça foi certificada pelo Inme- O projeto de identidade da marca ti- Silvana Moreira Gonçalves. A centro-oeste do estado. Na região. uma grande estrutura que Com esta visão.DJ resgata tradição da região dos Maias A DJ Cachaça Mineira surgiu em Além de todo o diferencial de produ- novembro de 2004 para resga- ção. a DJ  se destacou também pela ima- tar uma antiga tradição de fa- gem inovadora do produto. o produtor consegue ampliar o seu espaço” truir um dos melhores alambiques do que está em pleno crescimento”. vés de começar com pequena estrutura “Quando se buscam soluções criativas. a DJ mostra que guiu um caminho diferente do que é uma bebida tradicional como a cachaça percorrido normalmente neste setor de pode ganhar estilo e qualidade. que tem como preocupação sign & Embalagem em 2008. Ao in- quistando os mais exigentes paladares. a família do cada com a técnica de “fosqueamento in- empresário Leonardo Gonçalves Mo- termitente em serigrafia vitrificada” para reira adquiriu a Fazenda do Engenho. “Esta inicialmente para descanso e lazer. afirma Silvana Moreira. E deu certo. representa- bricação de cachaça artesanal na região da pela mudança do estilo adotado pela dos Maias. ção Mineira dos Produtores de Cachaça tanto pelo estilo inovador quanto pela de Qualidade (Ampaq). afirma Brasil. nal. qualidade superior. diretora da DJ. Organizado muito em pesquisa e tecnologia. diretora da Cachaça DJ tro (por meio do IPEM de São Paulo) e nha a intenção de fazer com que o con- recebeu o reconhecimento da Associa- sumidor se surpreendesse duplamente. na cate- básica a qualidade. “Quando se buscam soluções criativas. con- produção de cachaça artesanal. a DJ conquistou o possibilitasse alcançar a excelência do primeiro lugar no Prêmio ABRE de De- produto. de o início. concentrar inúmeros alambiques na dé- A garrafa da DJ passou então a ser fabri- cada de 1940. a DJ optou por construir. que chegou a opção foi por uma versão mais moderna. Para isso investiu goria Bebidas Alcoólicas. des- paço”. que se tornou referência nacio- Silvana Moreira. Com O desenvolvimento da empresa se- as séries Ouro e Prata. Foi imagem sintetiza a evolução do mercado nessa área que Leonardo decidiu cons- consumidor desse destilado nacional.

A lo. A delas é a participação em feiras do setor iniciativa que tem rendido bons resulta- água utilizada no resfriador.500 mudas de árvores sa oferece ainda assistência nativas na reserva florestal da Fazenda. a sede da bém é algo que embasa todas as ações DJ oferece conforto e quali- da empresa. já que é depositado em um profissional. que passa como a ExpoCachaça (MG) e o Congres- dos é a produção de embalagem perso- apenas em canos e serpentinas. A empre- foram plantadas 2. são convertidas em ál- várias ações estão sendo feitas para co- cool combustível para abastecer a frota locar o destilado de São Gonçalo do Pará da DJ. descartá- e Paraná. sendo qualidade e área de lazer. Rio Grande do Sul cabeça e a cauda da cachaça. Também chalés mobiliados. pois representa assim um novo ciclo. com de Embalagem (WPO). Toda cana-de-açúcar utiliza- dade de vida a seus colabo- da na produção é plantada manualmen- radores. treinamento e Na DJ. do ções filantrópicas. alimentação de tanque preparado para recebê-lo. o concurso é considerado o mais para a caixa-d’água. pulverizado em seguida no canavial.gem. retamente na qualidade do A responsabilidade ambiental tam- produto. criando importante do setor. a DJ vende para vários estados brasileiros. o vinhoto não prejudica o meio incentivos para qualificação ambiente. O bagaço da cana de açúcar é reapro- Desde 2007 no mercado. retorna so Brasileiro de Bebidas (SP). por isso. entre eles São Pau- veitado no abastecimento da caldeira. evitando-se impactos ambientais entre as principais marcas do país. Indús- ce que a satisfação dos tria e Comércio Exterior. Amazonas. funcionando como fertilizante natural. Outra com o descarte desses subprodutos. 37 . e do Centro seus funcionários reflete di- São Paulo Design (CSPD). Silvana Moreira conta que veis na produção. A acomodação é em te e sem o uso de agrotóxicos. E o toda essa cadeia produtiva e conta lixo é totalmente recicla- com o apoio da Organização Mundial do e comercializado. além da nalizada para o segmento corporativo. ambulatorial. Uma promoção de eventos culturais. Programa Brasileiro de Design (PSD) do A DJ também reconhe- Ministério do Desenvolvimento. da União Latino- renda destinada a institui- Americana de Embalagem (ULADE).

Silvana Gonçalves afirma que a bebida se destaca também pela imagem inovadora do produto .

Lander Moreira Gonçalves e Silvana Moreira Gonçalves (37) 3221-2800 Início da produção: 2005 Volume: 200 mil litros por ano Teor alcoólico: 40% Envelhecimento: quatro anos em jequitibá-rosa . Os destilados são julgados por seu aroma. a competição avalia as bebidas em categorias reconhecidas pela Indústria de Destilados de Cana-de-Açúcar. A DJ  Cachaça Mineira também foi agraciada com a medalha de Prata no Concurso Mundial de Bruxelas Brasil 2008.Reconhecimento internacional A cachaça DJ recebeu a medalha de ouro na Competição de Degustação do Ministério do Rum 2009. autor de vários livros sobre o rum. A cachaça DJ dividiu a medalha de ouro com marcas famosas como Bacardi Reserva Limitada e Castro Rum. gosto inicial. República Dominicana. em Miami Beach. Panamá. produzidas em mais de 20 países como Porto Rico. A nota final é a soma da pontuação atribuída a cada atributo. Venezuela e Nicarágua. Vinte e dois jurados se reuniram durante dois dias de competição para degustar 65 tipos de bebidas destiladas feitas de cana-de-açúcar. corpo e conjunto. 39 FICHA TÉCNICA Cidade: São Gonçalo do Pará Região: Centro-oeste Produtores: Leonardo Moreira Gonçalves. Organizado por Edward Hamilton. numa escala de 1 a 25 para cada um dos atributos. realizada no Salão Flórida do Hotel Delano.

.

uma estratégia dos produ- a se corresponder por cartas. saudades da cidade onde nasceu toda a A ideia dos empresários era produzir família. nossa terra. já que numa região cercada de plantações de fomos criados na capital. que já tem Esperança. um pouco da nossa própria história. até sários Gil e Silvia Moura no batismo de sua o Chapadão. brinca Gil. passando pela Serra do Buracão. e a cachaça apareceu como 41 “Queríamos de algum modo homenagear Boa Esperança. A moça dizia-se grande nome) e passou a ser conhecido em Minas fã de suas músicas e. seu nome foi reduzido (pelo fato de de Oliveira. Silvia e Gil Moura (ao lado). proprietários do Alambique Toledo e Moura Ltda. proprietários do Alambique te há muitos anos. Queríamos de algum modo home- uma cachaça artesanal de qualidade. “A nossa família é do sul de mais de 40 anos de história”. moradora de Boa Esperança. Lamartine recebeu o convite destacasse a expressão. explorar um nome que está na cabeça de na verdade. uma cachaça “Da Boa” compositor carioca Lamartine O O batismo então se deu e a cachaça foi Babo certa vez recebeu uma car- registrada como “Serra da Boa Esperança”. o cachaça. La- ga: esta é da boa!”. pois eles procuravam uma marca casal Gil e Silvia fundou em 2003 o Alam- que simbolizasse as belezas de Boa Espe- bique Toledo e Moura Ltda. Nome da cachaça é uma homenagem dos proprietários. ta apaixonada de Nair Pimenta Porém. Ali. Queríamos investir na Toledo e Moura Ltda. a cidade dos cafe- se tornasse referência na região de Boa zais e do Festival da Canção. a cidade dos cafezais e do Festival da Canção” Gil e Silvia Moura. “Conseguimos rança. o tal dentista chamado Carlos todo brasileiro quando vai tomar uma pin- Alves Neto. A serra da Boa Esperança é um acidente geográfico no meio rural de Boa Esperança Muitos anos depois. Serra da Boa Esperança. Chegando lá descobriu que Nair era. que tiveram a ideia de um rótulo que gum tempo. que nagear Boa Esperança. à terra onde nasceu a família . Possui aproxima- creve a dor do poeta ao deixar sua terra damente 100 km². com isso. Sem perder o bom humor. mas sentimos café. localizado na rança. clara referência de um dentista para conhecer Boa Espe- ao universo da cachaça. a música que des- e municípios adjacentes.No alto da serra. passaram como Da Boa. Passado al- tores. que vai desde a Serra “no coração do Brasil” inspirou os empre- Azul. “A canção de Lamartine Babo fala Fazenda Várzea do Ribeirão de São Pedro. num de seus enclaves.. milho e criação de gado leiteiro. mas moramos em Belo Horizon- e Silvia Moura. explicam Gil Minas. o adjetivo “Da Boa” fazer parte do próprio no sul de Minas. martine compôs uma de suas mais belas canções.

No começo o objetivo nico voltado à preservação ambiental. e a caldeira na parte sa Senhora de Fátima. o bagaço vai para a cal- Na época. O engenho possui ainda uma rio da Agricultura. fora as vendas diretas. o Alambique Toledo e Moura Ltda. São Pedro impressionam. Segundo a empresa D & R Alambiques. sendo o restante envelhecido Moura mantém um rigoroso padrão téc- com o objetivo de lançar lotes especiais 42 . na irrigação. o engenho foi todo mon- deira e também serve de alimento para tado dentro dos padrões do Ministé- o gado. Rio de Janeiro e capitais do prestou consultoria e forneceu levedu- Nordeste. de qualidade com leve toque frutado e suavidade característica. uma represa de 10 mil metros colocar a cachaça Da Boa.CAPELO Proteção superior de chaminé. dade. Gil Moura Zona da Mata e Região Metropolitana conta que no início pediu apoio à Uni- de Belo Horizonte. A qualidade técnica e a infraestru- Atualmente. Merecem destaque os dois alam- a Da Boa também tem sua fé. Boa Esperança. bique é reutilizada junto com o vinhoto explica Gil. oportunidade. a estrutura produtiva que sua mãe Luzia Augusta trouxe de em elevação – moenda e fermentação Portugal uma pequena imagem de Nos- na parte mais alta. O alambique capelo tem uma coluna lisa e essa proteção na parte superior.5 hectares. com o objetivo de nascente. para evitar a entrada de vento e chuva. coluna e tromba de elefante. fora as duas grandes ade- construiu uma pequena capela na en- gas com mil barris de carvalho escocês trada da propriedade. O resultado é uma bebida distribuidores. Há ainda dois tonéis de São Pedro fez tanto sucesso que entrou jequitibá de grande volume – um de 50 para o roteiro turístico do município de mil e outro de 70 mil litros. depois passamos a nos en- A água usada no resfriamento do alam- cantar com a produção do alambique”. era o lucro. são três os tipos de alambiques: capelo. mapa das cachaças artesanais de quali- E quando o assunto é religiosidade. a cachaça Da Boa é co- tura da fazenda Várzea do Ribeirão de mercializada no sul e oeste de Minas. Com produção anual de 120 mil litros. o Alambique Toledo e produção. Gil conta biques capelos. tem Além de produzir 120 mil litros por conseguido comercializar 30% de sua ano de cachaça. que São Paulo. além dos estados de versidade Federal de Lavras (UFLA). Toda essa estru- no total e nove tonéis de 5 mil litros de tura da Fazenda Várzea do Ribeirão de jequitibá-rosa. A família devota mais baixa –. no 3. como ficou quadrados e uma reserva ambiental de popularmente conhecida na região. Gil Moura conta que parte ex- ras selecionadas para o processo de pressiva das vendas é feita por meio de fermentação.

43 FICHA TÉCNICA Cidade: Boa Esperança Região: Sul Produtor: Alambique Toledo e Moura Ltda. Além da qualidade comercialização. já certifica- que o momento agora é investir em es- da pelo Inmetro.com valor agregado. (35) 3851-2717 e (35) 9954-2717 Início da produção: 2003 Volume: 120 mil litros por ano Teor alcoólico: 42% Envelhecimento: dois anos em barris de carvalho (ouro) e jequitibá-rosa (prata) . Gil e Silvia acreditam técnica da cachaça Da Boa. mediante o Programa tratégias de marketing e formar parcerias Nacional de Certificação da Cachaça em com distribuidores e representantes de 2007. e pelo selo da AMPAQ em 2004. outros estados a fim de levar a marca de que faz parte do primeiro critério para Boa Esperança para todo o Brasil.

fizeram os cursos de Especialização e ou melhor. um ponto nosso de produção. Saulo e Jacqueline bém. de muitos testes.Dois dedos de prosa em Piranguinho C onhecida como a capital na- A construção do engenho ocorreu cional do pé de moleque. “Com os cursos. aprendemos a técnica. proprietária da Agroindustrial Serra Grande Ltda.. começa a se firmar. produzir a própria cachaça na Fazenda São produzidos 80 mil litros anuais da Serra Grande. Isso para firmar o pé cachaça artesanal para competir em no mercado de bebidas com um produ- qualidade com as melhores do merca- to de excelência e fazer da propriedade do”. como a região do dedo de prosa. mas os filhos só decidiram ini- cidade de Piranguinho. Isso foi possível após a realização do no comércio de carne em Itajubá. a em 2001. é produzida atualmente a Dedo de resolveu comprar um alambique para Prosa versão Carvalho e Louro-Canela. de corte. Jacqueline Germiniani Calvo. propriedade da família marca. moagem. pelo Os dois entraram de cabeça no setor Centro de Tecnologia Canavieira. o seu Saulo. O gosto Ltda. principalmen- Na Agroindustrial Serra Grande te do uísque e da cachaça. cessos de destilação. Os próximos passos compreen- em Piranguinho. A história da cachaça começou mas precisávamos descobrir um jeito com o patriarca da família Germinia- nosso. dem o lançamento das cachaças Savas- 44 . o empresário adorava estudar os pro- fermentação e destilação. no sul ciar a produção depois de estudar bem do estado. tam- a área e o mercado. uma usina de oportunidades. afirma Jacqueline Germiniani Calvo. “Queríamos produzir uma cação de cachaça. empresa dos irmãos Germinia- pela bebida era tanto que seu Saulo ni. da cachaça de alambique Pós-Graduação em Cachaça na Univer- Dedo de Prosa. além “O papel do produtor de cachaça artesanal é pesquisar sempre e criar novas oportunidades de negócio. ni. Mestre Alambiqueiro em Itaverava. um apaixonado pelos para que a marca tivesse um diferen- destilados. mas sempre com foco na qualidade” depois de imersões profissionais em de cursos de capacitação técnica do cursos especializados na área de fabri- Sebrae-MG. lançada em 2004 pelos sidade Federal de Lavras e o curso de irmãos Saulo e Jacqueline Germiniani. Com histórico bem sucedi- cial”.

em Piranguinho .Divulgação Dedo de Prosa Bebida é produzida na Fazenda Serra Grande.

lidade do seu produto”. O vinhoto vira como o da marca Colinas do Sul Ouro. “O papel do pro- insumo. em par- são registradas dentro de um controle ceria com produtores da região. comercializa fer- “Mostramos que o consumo de bebida mento. E para transfor- que o utilizam para forração dos solos. Na Fazenda Serra investir em outros produtos é uma saí- Grande. Os resíduos viram do”. Todos Jacqueline. O bagaço  é negócio. num total de 800 cabeças da pel de todo produtor de cachaça de raça Nelore. bagaço e mudas de cana-de- alcoólica deve ser na quantidade certa. todas as etapas de produção de aguardente. mar toda a cadeia produtiva da cachaça Também é usado na propriedade para em agronegócio. “No caso da Dedo duz cachaça. região. “nossa principal matéria-pri- segmento. “Percebemos que zação do produto”. durante o confinamento. responsável pela criação de gado de Jacqueline Calvo acredita que o pa- corte. também é a esses processos são acompanhados por um consultor ambiental. limão e mel). 46 . tinada para alimento do gado. que coordena a produção da Dedo de Prosa. parte da palha e do bagaço da dutor de cachaça artesanal é pesquisar cana são usados na queima da caldeira sempre e criar novas oportunidades de e na forração do canavial. nichos e a Dedo de Prosa já vai estar Os produtores procuram ser o mais preparada para absorver esse merca- ecológicos possível. a Agroindustrial Serra fazer o berço para o gado descansar Grande também envaza e produz blends.FICHA TÉCNICA Cidade: Piranguinho Região: Sul de Minas Produtores: Jacqueline e Saulo de Barros Germiniani (35) 3623-1777 ramal 206 Início da produção: 2004 Volume: 80 mil litros por ano Teor alcoólico: 40% Envelhecimento: três anos em barris de carvalho (ouro) e dois anos em louro-canela (prata) si nas versões ouro e prata e 180º (mix de Prosa. é analisada duas vezes ao ano. De repente. o que deve ção da cachaça e desenvolvimento de ser a regra número um de quem pro- ações sustentáveis. que seja sultorias sobre o processo de fabrica- uma bebida de qualidade. irão surgir novos ma”. é claro. e do rigoroso. as máquinas e conexões são da de mercado para alcançar um equilí- limpas diariamente. criadas em confinamento alambique é levar a cultura do desti- com venda certa para o frigorífico da lado de cana aos diversos públicos. adubo no canavial e grande parte é des- da Cooperativa do Sul de Minas. açúcar. a fim de manter a padroni- licor Dedo de Prosa. Desde. Além disso. mas sempre com foco na qua- vendido para produtores de cogumelo. E a água do poço brio comercial precisamos diversificar o artesiano. afirma Jacqueline. E ainda sobra tempo para viajar e que uma boa cachaça é um alimento pelo Brasil a fim de dar palestras e con- que faz bem”.

“A nossa bebida tem baixa acidez. e na Região Metropolita- conhecido também como Tenente Bino. Uma das marcas de te português que chegou ao município destaque é a cachaça Gavião do Vale.Gavião do Vale une irmãos em passatempo levado a sério O município de Belo Vale. Balbino enamorou-se de Cornélia. de um curso histórica – com os legados da de degustação na Associação Mineira Fazenda Boa Esperança. numa área de produtora de cana-de-açúcar. que se tornou uma no. “A nossa bebida tem baixa acidez. fumo e 49 hectares. o mé- nhecido pela sua tradição dico Olinto de Paiva Neto. Ouro Branco. zida na fazenda Gavião. e do Museu do Escravo –. “Meu avô era e Tiradentes. motivou os irmãos Oliveira Salgado Paiva e Olinto de Paiva Neto a enveredarem na produção de cachaça em Belo Vale. de mexerica “ponkan”. Com a mor- pios próximos como Congonhas. do casal Oliveira e Eunice Paiva. ele passou a ser selheiro Lafaiete. saíram com a ideia pelas belezas naturais e pela produção de montar um pequeno alambique. das marcas mais conhecidas na pri- suavidade e um toque adorável”. co- cipou. meira metade do século XX na região Vendida basicamente nos municí- da Zona da Mata Mineira. há destaque durante mais de 30 anos em quase 10 anos. na de Belo Horizonte. a bebida é comer- filha do fazendeiro José de Abreu. Con- te de José de Abreu. vem ganhando igual ao das histórias que escutavam fama como produtor de cachaça arte- do avô Balbino Lopes Salgado. Produ- empregado na Fazenda Córrego Frio. suavidade e um toque adorável” Eunice Caetano Paiva. em Abre Campo. ele vendeu a pa- de justiça Oliveira Salgado Paiva parti- tente da Cristalina para um empresário 47 Cristalina História familiar da produção da aguardente Cristalina. Dali. Em 1950. localizada entre Belo Vale e café. de Abre Campo no final do século XIX. Como gestor da fazenda Córrego Dona Eunice conta que a Gavião do Vale Frio. Balbino ajudou na fabricação da é muito apreciada pelo público femini- cachaça Cristalina. Em 1999. Piedade dos Gerais. ca- cializada nas versões ouro e prata. do Barão de de Produtores de Aguardente de Quali- Paraopeba. imigran- sanal de qualidade. dade (Ampaq). bas envelhecidas durante cinco anos. am- sando-se em seguida com ela. a Gavião do Vale por ter exercido cargos políticos de começou sua história por acaso. Moeda o proprietário da marca. juntamente com o irmão. produtora da Gavião do Vale . o procurador Abre Campo.

Produtores receberam consultoria de especialistas e doutores para garantir a qualidade da produção .

A empresária passou a resolveram então. A empresa Salgado e Paiva de carvalho e mais seis tonéis de jequi- Agroindústria Ltda. de- plantio da lavoura. Além da es- a nossa qualidade para o mercado e o trutura de produção. conta Oliveira. na cachaça”. O investimento inicial priorizou a e eventos com o apoio do Sindicato qualidade técnica e incluiu equipamen- das Indústrias de Cerveja e Bebidas em tos: dornas de aço inox. filtros. Geral do Estado de Minas Gerais (Sin- envasadora. Olinto Paiva Neto. que nal de Certificação da Cachaça (PNCC). tudo.. Só não comprou a recei- Com a morte do irmão e idealizador ta. a fazenda Gavião público em geral. Aí não tinha jeito de acertar a mão da Gavião do Vale. Os irmãos tados de Minas Gerais e São Paulo. como a Feira e Festival In- tom profissional. 49 FICHA TÉCNICA Cidade: Belo Vale Região: Central Produtor: Salgado e Paiva Agroindústria Ltda. da de 2008 por meio do Programa Nacio- Universidade Federal de Viçosa. em 2000. seu Oliveira contou com a Proprietários da fazenda Gavião des- ajuda da esposa Eunice Caetano para de a década de 1990. Oliveira e Olinto gerir a fazenda. pois certifica lises químicas da bebida. construir o desenvolver estratégias para comercia- engenho. o reaproveitamento fende Eunice Caetano. a e três nascentes. caldeira. do vinhoto (usado na irrigação) e do ba- Alguns anos depois conheci o senhor gaço. que me disse ter comprado todo serva de mata nativa. responsável pelas aná- foi uma vitória pra gente. Ao receberam consultoria do engenheiro obter o selo do Inmetro em dezembro agrônomo Luiz Cláudio da Silveira. Na propriedade. (31) 3337-9857 e (31) 99849857 Início da produção: 2002 Volume: 30 mil litros por ano Teor alcoólico: 43% Envelhecimento: cinco anos em carvalho e jequitibá . há ainda uma re- Nassif. com a participação po foi levado a sério. “O selo Biagioni Maia. O que parecia um passatem- lização da marca. caldeira.da cidade chamado Francisco Nassif. uma adega com 80 barris dbebidas). também tem contado ção da produção às normas técnicas com um grupo de distribuidores nos es- do Ministério da Agricultura. e da doutora Amazile no seu projeto de expansão. responsável pela tibá. as dornas. assumindo um em feiras. em 2004. de nove hectares. ternacional da Cachaça (ExpoCachaça). o alambique do meu avô. deu orientações sobre o plantio da a Gavião do Vale deu mais um passo cana-de-açúcar. com rodízio do solo para o ser consumida por mais pessoas”. O planejamento previu a adequa- Gavião do Vale. Queremos que a nos- se preocupou também com os padrões sa marca se torne conhecida e passe a ambientais.

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“Para abrir a fábrica qualidade da bebida e a saúde da Kaiser tive de viajar para o exterior. em barris ça”. As duas nasceram das mãos especialistas do setor. Ex-pro- passou a mostrar. a Minha de destilação e fermentação. do é considerado um Midas. proprieda- garapa extraída da moagem da cana era de da família no município de Betim. que embora empresário ainda guarda a nota. pele prateada. O passou no ramo de bebidas. O a fermentação com fubá. de ir às dornas de fermentação. que selecionar a cana e a não queimá-la. que na boca pequena do merca- ção da produção de cachaça artesanal. A primeira. explica Gonçalves. No pro- construiu um alambique com tecnolo- cesso de destilação. franquia mineira da Coca-Cola. cidas durante três anos. Já a vida à Fazenda Vale Verde. Ambas envelhe- cervejas como do uísque e do vinho. lidade estava vinculada à tecnologia. há emble- modelo de alambique de Luiz Otávio máticas histórias de sucesso. Passamos a usar so- Dessa trajetória. Primeiro. Ali. carregou na baga- mente a fermentação natural e leveduras gem a experiência necessária para dar selecionadas”. A segunda. Por onde a partir de meados dos anos 1980. numa ideia considera- biques trabalhava sem aporte científico da tão ousada à época pelo presidente e tecnológico. produtor das cachaças Vale Verde e Minha Deusa Trajetória do empresário Luiz Otávio é marcada por histórias de sucesso no setor de bebidas . a pesquisar na Europa os vários métodos Vale Verde tem corpo dourado. Na avaliação de de grápia. Na Luiz Otávio recebeu apenas “um dólar” produção da Vale Verde também retirei de contribuição para a empreitada. tanto de Deusa. lembra Luiz Otávio. Gêmeas de 25 anos. ano a ano.Irmãs gêmeas de padrão internacional E las fazem parte de uma geração no uso desse conhecimento na pro- de cachaças preocupada com a dução de cachaça. a maioria dos alam- Kaiser no Brasil. colo- seja mais rápida não é de boa qualidade cada numa moldura. inovamos ao do grupo mundial. a centrifugada. Donald Keough. o projeto signifi- do empresário Luiz Otávio Pôssas Gon- cou também o início da profissionaliza- çalves. a cachaça que saía gia europeia e tornou-se o precursor do alambique passava por um filtro de 51 “Há um público específico para a cachaça artesanal. decantada e filtrada antes poucos minutos de Belo Horizonte. e gera mais acidez. que a qua- prietário da Refrigerantes Minas Gerais. criou a “Naquela época. que é diferente da bebida industrializada” Luiz Otávio Pôssas Gonçalves. do consumidor. em Quis aplicá-los na produção da cacha- barris de carvalho.

Além do investimento em tecnologia e do incentivo à profissionalização do setor. na área da preservação o visitante. que a qualidade na produção de cachaça está associada à tecnologia . Um dos cuidados que tivemos desde o início foi fazer a destilação a vapor. em de pássaros silvestres como papagaios. onde estão dispostos um orquidário “A receita obtida na venda das cachaças com mais de 20 mil orquídeas e viveiros Vale Verde é revertida. integralmente. Além disso. que assegura a retirada de metais pesados. um acervo ambiental. Esse álcool é pior para a saúde. depois. criou o Vale Verde com quase 2 mil garrafas. empresas. tucanos e lóris. uma horta governamentais e de ensino mantêm orgânica. a partir de 1985. como o cobre e o zinco. passeios de charrete e peda- parcerias conosco. de diversas Parque Ecológico com o objetivo de ofe- marcas de todo o Brasil. porque assim se consegue o aquecimento do caldo a uma temperatura gradual e constante. o que faz com que o álcool superior (mais volátil) se separe primeiro. ações de preservação ambiental do par- araras. que atrai a diversão e ecoturismo. das no Museu da Cachaça. responsável pela redução da acidez. “Um costume antigo dos produtores de cachaça artesanal era usar o fogo direto. além de trilhas ecológicas para de responsabilidade ambiental e social”. com esse processo conseguimos fazer uma separação melhor”. a partir da queima de lenha ou do bagaço de cana. por um filtro de carvão. entre os produtores de bebidas destiladas. instituições ainda um parque de pesca. estão reuni- recer aos visitantes um espaço de lazer. para aquecer o alambique e fazer a destilação.resina catiônica. São 30 hectares atenção dos apaixonados pelo assunto. Enfim. Na propriedade. Em 2002. a cachaça Vale Verde também foi pioneira. entre outros. e. 52 O modelo de alambique da Vale Verde mostrou. desenvolvendo ações linhos. Há que.

Sinônimos de Sobre o futuro da cachaça de alam- cachaças de qualidade. enquanto as regiões do Brasil. A ideia era ser uma bebida para dos do Nordeste. carregam o reco- qualidade. ção. “Vejo muito futuro para a ca- nhecimento de organismos públicos e chaça. em Goiás. por exemplo. principalmente agora que temos privados. oferecendo co- Business concedeu a medalha de ouro à nhecimento sobre a fauna e a flora. A cachaça Minha Deusa segue os mesmos padrões de produção da Vale Atualmente. e com preço to Federal. a Vale Verde e bique. Pela mesma publica- Verde. porque aí ela vai ampliar o seu pú- Em 2007. Defendo que haja essa A Vale Verde foi. Qualidade AMPAQ (Associação Mineira essa competição. que. conseguimos divulgar a nossa marca”. Segundo o gerente a Vale Verde produz anualmente 150 mil Rafael Gonçalves Horta. Pará e Acre. a segmentação do mercado. a Vale Verde e a Minha Verde. quan- monstra o sucesso da iniciativa. mais baixo”. o O Parque Ecológico recebe a média primeiro lugar na categoria Melhor Ca- mensal de 6. “A Minha Deusa foi idealizada para já podem ser encontradas nas regiões atender ao público que prefere a cachaça Sudeste e Sul. ção. obteve o selo de qualidade do blico. no entanto. E em 2010. de 20 mil litros por ano. além de revistas nacionais e a certificação que diferencia o bom pro- internacionais.5 mil visitantes. Rafael Gonçalves Horta. comenta o gerente. Luiz Otávio defende a busca pela a irmã. bem como no Distri- fazer batidas e coquetéis. em quase todos os esta- branca. Porque há um público específico Inmetro e foi escolhida a melhor cacha- para a cachaça artesanal. a Vale Verde recebeu. Além cachaça envelhecida Vale Verde e à não dos benefícios sócio-ambientais do par- envelhecida Minha Deusa. Minha Deusa. escala produtiva Deusa são vendidas para quase todas menor. Amazonas. Tem. as duas marcas litros.informa o gerente geral da Fazenda Vale Revista Playboy. o que de- chaça Extra Premium. explica Rafael Horta. duto do ruim. essa definição da ori- de Produtores de Aguardente de Qua- gem da cachaça e o seu modo de produ- lidade) no começo da década de 1990. no Mato Grosso. a revista europeia Drink preservação ambiental. em 2009. que é diferente ça brasileira no Ranking de Cachaças da da bebida industrializada”. completa. 53 FICHA TÉCNICA Cidade: Betim Região: Metropolitana de BH Produtor: Luiz Otávio Pôssas Gonçalves / Fazenda Vale Verde (31) 3079-9171 Início da produção: 1985 Volume de produção: 150 mil litros por ano Teor alcoólico: 40% Envelhecimento: três anos em barris de carvalho (Vale Verde) e três anos em dornas de grápia/madeira neutra (Minha Deusa) . “Esta- do os produtos completam 25 anos de mos incentivando os jovens a ações de lançamento. é preciso que primeira cachaça a receber o Selo de um órgão governamental incentive isso.

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sala de fermentação climatiza- foi eleita. sistema de engarra- Feira e Festival Internacional da Cachaça famento e duas adegas sendo uma com (ExpoCachaça). e no Brasil e no exterior. Vendida 60 hectares. em 2009. “Ao se seguir um regar o selo do Instituto Estrada Real e processo limpo. o empresário Euler Chaves tem 55 “Estamos tendo um reconhecimento da nossa trajetória. a Prazer de Minas caldeira. a sua marca. As características da bebida têm e espero que novas portas sejam aber- agradado ao mercado. e outra com panhado de um convite irrecusável: car- dornas de jequitibá. área de principais cachaças de Minas. dez anos depois. a Melhor Cachaça da da. desde ciou a produção da cachaça o início. produzin- veu conhecer a fundo o universo dos do uma bebida de altíssima e refinada alambiques artesanais para transformar qualidade”. afirma Euler Chaves. dornas de inox. numa das Localizada em região de vale. muita preocu- a sua propriedade rural. Com tra- fazenda também foi uma das primeiras jetória bem sucedida no ramo de venda a utilizar leveduras selecionadas da Uni- de combustíveis.Prazer de Minas representa o estado dentro e fora do país O empresário Euler Chaves ini- essas conquistas à preocupação. “Estamos tendo de excelente qualidade”. com e o buquê da cachaça envelhecida em dois alambiques de cobre aquecidos por tonéis de carvalho –. a Prazer de Minas montou para 18 estados brasileiros – onde o uma das estruturas de produção de ca- consumidor tem saboreado a suavidade chaça mais modernas do estado. com a qualidade em todas as Prazer de Minas em 1999 com fases da produção. Euler resol- para o destilado de cachaça. conseguimos uma ca- representar Minas Gerais em eventos chaça com baixa acidez. A nossa tropolitana de Belo Horizonte. Mas para chegar tas”. produtor da Prazer de Minas Para Euler (na foto da página ao lado). processo limpo garante cachaça com baixa acidez e excelente qualidade . mas sem experiência versidade Federal de Lavras em 1999 na produção de destilados. um reconhecimento da nossa trajetória. “Priorizamos uma o objetivo de gerar mais receita para infraestrutura moderna. que atribui a ele. localizada no pação com a higiene desde o corte e a município de Esmeraldas. O resultado veio acom- barris de carvalho inglês. na região me- lavagem da cana à destilação. observa Euler. e espero que novas portas sejam abertas” Euler Chaves. transparente.

vende 30 mil litros anuais tumam investir: a classe A. “São começou a ser produzida em São Paulo Fazenda integra projeto da Estrada Real Após o convite do Instituto Estrada Real. estamos fazendo de tudo para ficar parecido e criar aquela mesma sensação do caminho histórico”. estados”. cilíndrica. Depois essa garrafa mercado brasileiro para a cachaça. num nicho em que poucos nos principais mercados consumidores produtores de cachaça artesanal cos- do Brasil. transformando-se num ponto turístico. afirma Euler. No início. cachaça. incluindo a construção de um piso similar ao da Estrada Real. a Fazenda Prazer de Minas está se preparando para abrir o empreendimento ao público. ao fazer parte de um grupo que divulgar a Prazer de Minas.feito um trabalho de relacionamento Paulo é o maior comprador da Prazer de permanente com os grandes distribuido- Minas”. pois dentro da fazenda há duas reservas florestais ideais para passeios. grande parte consumida fora a marca inovou no formato das emba- de Minas. 56 . A parceria com o Instituto Estrada Real renderá ainda outros benefícios: “Estamos numa fase de mudança. ele passou a investir também. investe R$ 80 mil somente na urbanização da fazenda. mas como não encontramos esse material. Nossa cachaça estará presente em todos os eventos. res. com o acréscimo do brasão Estrada Real. No começo de fevereiro de 2010. informa Chaves. o maior público sofisticado. O empreendimento também terá restaurante e a oferta de passeios ecológicos para os turistas. a Prazer de Minas passou a ser comercializada com o novo rótulo. Visito um ou passou a utilizar garrafas transparentes dois grandes distribuidores. “Uma vez por mês viajo para lagens. exposições e na rede de hotelaria da Estrada Real”. Hoje. “A pavimentação original é o chamado pé de moleque. no entanto. A Prazer de Minas vai representar também a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais e receberá o apoio do governo estadual. em 2002. O esforço maior. São Paulo. Quando começou a comercializar a Os esforços estão concentrados. “Nós começa- sília. Para isso. diferenciada para atender um está concentrado em São Paulo. afirma Euler Chaves. seja em Bra- importadas do Uruguai. da bebida. Rio de Janeiro ou outros mos a importar a garrafa transparente.

A cachaça R$ 1. “Uma grande empre- moração dos dez anos da marca veio sa comprou 40 unidades para oferecer acompanhada de investimento arrojado a celebridades. de Minas também passou a ter garrafa “É a nossa edição Celebration.260. com não existem mais dessas garrafas impor- design moderno e muito nobre. exclusiva e personalizada.00.” Cada unidade custou lecionado ocorreu em 2004. O cliente recebe a garrafa chegou ao mercado em edição “Gold” em casa. francesa. três. numerada e com certificado no com cinco anos de envelhecimento. Uma memoração aos dez anos da Prazer de das iniciativas para aproximar a Prazer Minas com uma cachaça nobre envelhe- de Minas ainda mais de um público se- cida em carvalho.” 57 FICHA TÉCNICA Cidade: Esmeraldas Região: Metropolitana de BH Produtor: Euler Chaves (31) 9990-3390 Início da produção: 1999 Volume: 50 mil litros por ano Teor alcoólico: 39% Envelhecimento: dois. A come- tadas da Boêmia. Logo após. ven- nome dele. a Prazer de cristal da Boêmia (República Tcheca). O empresá- presenteou o presidente Lula e o vice- rio Euler Chaves importou 200 garrafas presidente José Alencar. e o próprio empresário para uma cachaça artesanal. Chaves garante que quase dida em garrafa de cristal. cinco e dez anos em barris de carvalho Inglês ou dornas de jequitibá .pela Saint-Gobain”. em co- própria.

sendo a sua região famosa . engenheiro e produtor rural José Antô- Merecem destaque as ações de reapro- nio de Freitas Souza resolveu montar um veitamento de resíduos. o município de Mor- unindo tecnologia às normas produtivas ro da Garça.Prosa & Viola: legado cultural com a alma do homem sertanejo Eu sou um homem que cresceu no campo e apaixonado pela sua cultura. “Eu sou um ho- alambique ou ser usada para limpeza das mem que cresceu no campo e instalações. na região central do estado. adequada à legislação ambiental. a minha cachaça representa esse universo” José Antônio de Freitas Souza. entre outras –. dos vaqueiros e das cantorias e produziu a Agro-Indústria Prosa & Viola (nome da uma cachaça de qualidade e com a identi- empresa responsável pela marca) inves- dade da região: a Prosa & Viola. e a com o homem sertanejo. José e por estar localizado no centro Antônio montou um pequeno alambique geográfico de Minas. Com ca- começa a fazer parte também do roteiro pacidade atual de 30 mil litros anuais. explica. Reis. Por esse motivo. como o baga- alambique. duas engarrafadoras. Correinha. produtor da cachaça Prosa & Viola onhecido como a sede do Cir- C Na fazenda Alvorada. é escoada e usada na irriga- apaixonado pela sua cultura. a minha ca- Além da qualidade produtiva. quando o reta. a ideia era produzir uma ço e o vinhoto. Excel- de partículas sólidas da cachaça e ade- sior e Marcolina. a Fa- chaça representa esse uni- zenda Alvorada possui a beleza dos cam- verso”. Por esse motivo. que após resfriar o coisas rurais. 58 pos cerrados. Morro da ga com 180 barris de carvalho e quatro Garça meteu na algibeira o legado cultural tonéis de jequitibá. de uma boa cachaça artesanal. com área de 480 cuito Turístico Guimarães Rosa hectares e criação de gado de corte. a dos alambiques artesanais. Sarobá. com a proibição de desmatamen- mente e que tivesse uma relação tos e queimadas na área de plantio. ção da lavoura. a cachaças que marcaram época como filtros de polimento para a separação Florisbella. Fora o maquinário. tiu numa produção ecologicamente cor- Desde o começo de 2001. com as reutilização da água. o corte sustentável da cachaça bem elaborada tecnica- cana. Ex-distrito estrutura do engenho possui salas de fer- de Curvelo – região que deu notoriedade mentação isoladas.

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revistas e publicações diversas”. Paraná. afirma o produtor José Antônio. manejo do canavial e cuidado com fertilizantes e outros insumos. também. Santa Catarina e Rio Grande do Sul. define Daniela. “Os certificados n° 1 e 2 do Inmetro são. afirma a gerente. a Prosa & Viola e a Terra de Minas são vendidas em Minas Gerais. ao ter contato com públicos diferentes. de encontros das mais diversas áreas profissionais. que avalia todas as etapas do processo artesanal de produção. conta que após a obtenção da certificação as marcas ganharam muito em mídia espontânea. A gerente de vendas. por meio do Programa Nacional de Certificação da Cachaça (PNCC). A iniciativa. na adoção de controles rigorosos no trato da matéria-prima. cumprimento da legislação trabalhista e nos aspectos ambientais. Ele ressalta que. fóruns de profissionais do setor imobiliário. eventos de degustação e. a Agro-In- 60 60 . resultou em um dústria Prosa & Viola foi aprovada nos quesitos de limpeza e higiene. São Paulo. em dezembro de 2006. “Em 2007. da Prosa & Viola e da Terra de Minas. Atualmente. Congressos médicos. foram veiculadas matérias em sites. Mas queremos ampliar esse quadro”. lugares onde temos representantes. principalmente. divulgamos a nossa marca e mostramos a qualidade da cachaça artesanal”. ganho de imagem efetivo para as duas marcas. Isso significou muito pra gente e mostrou que temos qualidade”. respectivamente. onde a Terra de Minas já tem um público consumidor. garante a gerente de vendas. feiras agropecuárias e encontros gastronômicos são exemplos dessa iniciativa. em São Paulo e. Bahia. mas sempre com foco no público classe A. Rio de Janeiro. O projeto para o futuro é ampliar as vendas no Rio de Janeiro. em Minas. propriedades químicas e padronização. o selo Inmetro de qualidade. durante as duas auditorias realizadas pelos técnicos do Inmetro. como práticas ambientais. a Prosa & Viola e a Terra de Minas começaram a participar de feiras do setor.Pioneiras na certificação A Prosa & Viola e a Terra de Minas foram as duas primeiras cachaças artesanais a receber. “Acreditamos que. e em Uberlândia e Diamantina. Dentre as estratégias de venda. Brasília. “No nosso estado temos investido na região do entorno de Belo Horizonte. Daniela Vilaça.

nas. a Prosa & Viola coquetéis. Rosa descreveu com deslumbramento o José Antônio e sua filha Daniela Vilaça Morro da Garça. gerente de vendas da empresa. “Depois da experiência da fei- referência para vaqueiros e viajantes que ra. na Feira e Festival In- caminhos que o escritor João Guimarães ternacional da Cachaça (ExpoCachaça). de 350 metros cercada de superfície pla- montaram um estande para a cachaça na. o da Garça continua mercado. percebemos que o público procurava passam pela região. um ano em tonel de jequitibá (Terra de Minas) . Dizem que foi passando por aqueles ouro. 61 FICHA TÉCNICA Cidade/Região: Morro da Garça / Região Central Produtores: José Antônio de Freitas Souza e Daniela Vilaça Souza (31) 8709-2266 Início da produção: 2001 Volume: 30 mil litros por ano Teor alcoólico: 40% Envelhecimento: três anos em barril de carvalho (Prosa & Viola). Porém. Aí idealizamos a Terra de Mi- comemorou a sua primeira safra. Em 2004. explica o produtor.por representar o início do sertão rosia- para ganhar a característica aparência no. um destilado prata armazenado em antes de ser comercializada. em 2001. Chamado depois de “morro testemu- de Morro da Garça e começaram a pro- nho” e eternizado por Rosa no conto “O sear com os fregueses. foi envelhe- tonéis de jequitibá e com o gosto da cida em barris de carvalho por três anos nossa região”. uma elevação rochosa Souza. Foi a entrada no Recado do Morro”. também uma cachaça branca para fazer Foi ali que.

conhecido na região sigla geralmente utilizada para designar como Marcos da P. puro de uma raça.Pura de origem na terra do gado zebu O nome pode causar certa estra- criadores de gado.O. fez cursos de alambiqueiro e de fermentação. “Meu tio Oto Rezende da Cunha cos Cordeiro. A partir de 1996. localizada em Capinópolis. esse gosto característico. região de raças zebuínas. A marca fez sucesso nheza à primeira vista. De 1980 até a expressão em Conquista. (ou Puro de Origem) é uma ma Marcos Cordeiro. de Minas. A trajetória da cachaça pode ser di- Mas foi justamente pela familiaridade com vidida em dois momentos. transmite ao mercado a percepção o modo de produção da P. Com o suporte da instituição. Para conhecer os processos de produção da cachaça artesanal. na Fazenda Montágua.O. produtor da P. que queria uma alternativa Marcos Cordeiro de Resende. no município de Conquista. eu. Marcos buscou informação técnica junto ao Sebrae-MG. um animal com pedigree.. Às vezes. de Minas foi quem criou a marca no começo da para a criação de gado leiteiro. no Triângulo 1995.O. Então resolvemos investir.O. Marcos priorizou a melhoria técnica do produto. infor- P. na cachaça”. tão próprio da sua terra. Ao longo de mos atributos à cachaça P.. quinze anos. Descendente de italianos que imigraram 62 . o sobrinho Mar- origem. de Minas. de um produto com pureza garantida na Quando resolveu parar. seu Oto foi modernizando Assim. ficou com década de 1980 pensando na cultura dos a marca. a 160 de Rezende conseguiu associar os mes- quilômetros de Uberlândia. e se tornou muito falada por aqui”. meu pai Donaldo e minha mulher Séfora. Afinal. que o Cunha produziu a cachaça em sua fa- “Quando se começa a fabricar a cachaça artesanal não se tem ainda um padrão.O. Mas sempre enfrentava muitas dificuldades. acaba agradando mais pessoas” produtor e alambiqueiro Marcos Cordeiro zenda. “Eu era apenas um consumidor de cachaça e trabalhava com produção de leite há 14 anos. período em que Oto Rezende da Mineiro.

minas d’água e córregos. de Minas é mais leve do que as cachaças de outras regiões do estado. a 25 quilômetros do Rio Grande. quando se começa a fabricar a cachaça artesanal não se tem ainda um padrão e o produtor acaba buscando um gosto. acaba agradando mais pessoas”. madeira usada nos barris para o envelhecimento da bebida durante dois anos. relata. o produtor separa o coração da cachaça para ser envelhecido. de Minas é fabricada na Fazenda Montágua. dentro das normas de certificação das chamadas bebidas de qualidade. No processo de fermentação é usado o chamado fermento caipira. esse gosto característico. A cachaça apresenta teor alcoólico de 39%. farelo de arroz e farelo de soja. A Fazenda Montágua é propriedade da família Rezende há mais de 70 anos. cujo resultado foi positivo. são banhadas por muita água de qualidade – nascentes. em Conquista. Além disso. reutilizando a cabeça e a cauda para produzir álcool para uso doméstico. cuja mistura traz milho. Isso porque a P. baixa acidez e um buquê com leve toque do carvalho. Marcos Cordeiro conta que na época da certificação do Inmetro os técnicos fizeram estudos de qualidade da água. 63 . Um exemplo disso está na preparação do caldo para moagem”.Cachaça com fermento caipira A P. tão próprio da sua terra. Já na destilação. “Acredito que um dos fatores que ajudou na venda da nossa cachaça foi a suavidade. A área foi comprada pelo bisavô de Marcos Cordeiro na década de 1930. afirma o produtor Marcos Cordeiro de Rezende. “Essa água é utilizada na produção da cachaça.O. um sabor que seja do seu agrado.O. Às vezes. O nome “Montágua” foi dado porque as terras.

de Minas com estimativa do Sebrae-MG. Marcos consultoria do Centro de Tecnologia Ca- passou a contar com a família no negó- navieira (CTC) para a completa adequa- cio. fora os alambiques com produção dos procedimentos. além mais de 600 marcas de cachaça em Minas do apoio técnico para a implementação Gerais. Ou seja. no Triân- mento de normas”. existem com 50% do custo da certificação. Marcos Cor- ainda depreciação em relação à cachaça deiro não perde o bom humor e diz que artesanal. E a filha Daniela desenvolve as que esse preconceito contra a cachaça estratégias de divulgação da marca. De acordo O Sebrae-MG ajudou a P. a gente vendia apenas a controle da fermentação e o estabeleci- granel em Conquista e. artesanal poderia diminuir se houvesse A fabricação da cachaça. “A gente percebeu rotulagem. Quando o é apenas uma das etapas do processo da produtor agrega valor ao seu produto. em muitos casos. ampliação das vendas para outras regiões O pai Donaldo. Além da concorrência. de um espaço no mercado. além dos estados de São posa de Marcos no engarrafamento e na Paulo e Rio de Janeiro. responsável por ção às normas do Ministério da Agricul- supervisionar a moagem. de Minas”. contando com a trabalhar nas lavouras de café. ele cadeia produtiva da bebida. mais qualidade na produção. uma disputa des- dução. depois. um mercado concorri- no controle rigoroso do processo de pro- do e.FICHA TÉCNICA Cidade: Conquista Região: Triângulo Mineiro Produtor: Marcos Cordeiro de Resende (34) 9978-0540 e (34) 9989-2034 Início da produção: 1996 Volume: 30 mil litros por ano Teor Alcoólico: 38% (prata) e 39% (ouro) Envelhecimento: dois anos em barril de carvalho (ouro) e jequitibá-rosa (prata) para o Brasil no início do século XX para fissionalizar o negócio. O resultado foi a o alambique e a limpeza do maquinário. “Eu digo que só faço comum a gente escutar que havia gambá o que gosto. “Na fazenda a gente e venda clandestina. havia Depois de tanto esforço. brincadeira é porque tenho três filhas e Em 2000. gulo Mineiro. a gente logo topou”. na avaliação do pro- brae apareceu com a certificação e o selo dutor. Essa lá na fazenda”. relata o produtor. Ele fica na produção. Era com o seu produto. com 78 anos. relembra Cordeiro. com análises químicas constantes. no entanto. Por isso. quando o Se- mente importante. o produtor da P. Outra igual- amplia o mercado. “No início. mas a mudança principal foi da alta tributação. mulher e cachaça. ajuda a es- de Minas Gerais. o produtor já aproveitava os resíduos. de Minas deu mais um salto de qualidade ao pro- 64 sou conhecido como o alambiqueiro da P. é a venda do produto e a conquista do Inmetro. além to e o bagaço. As pessoas acreditavam que tem a fórmula para fazer bons negócios não tínhamos qualificação e higiene.O. . tura e Pecuária (Mapa).O. leal.O. a fermentação. como o vinho- que atua na formalidade enfrenta.

Foi com este espírito mentos artesanais se aliaram à moderna que o engenheiro químico Car- tecnologia de equipamentos e a um rígi- los Assis deu início. onde nasce em campos de chapadão de Uberaba. águas cristalinas brotam Divulgação Lenda do Chapadão ransformar cachaça de qualidade 65 “Quando nasce uma cachaça de qualidade.Lenda para deixar saudade T projeto do engenho. em 2002. à ideia de do controle de qualidade para produzir produzir cachaça no Engenho Santa Fé. os segredos dos fer- em lenda. produtor da Lenda do Chapadão . que se torna presente por gerações” Carlos Assis. No o Velho Chico. uma áurea envolve o engenho. uma bebida única. nasce ali uma lenda. Na região.

sua captação. a fauna e flora são rigorosamente de São Paulo. numa prosa “acompanhada de len- palmente nos resfriadores e no circuito das”. considera Assis. Para divulgar a combustível na caldeira. se processa conhecidos pela suavidade e pelo aroma. uma fermentação inspirada na tradição “A Lenda do Chapadão. reservada em barris de carva- com dispositivos de ajuste de tempera- lho (tipo ouro). captada em Assis mora na roça. certificada da melhor cachaça mineira. O bagaço serve como turo”. Com safras da ordem de 15 mil litros. Em cana- pelo Inmetro. São Paulo e Brasí- cana da safra é colhida e moída diaria- lia. cultivado sem agrotóxico. dois anos. onde do em tonéis de madeira. de onde é obti- bebida. Carlos Engenho. o reaproveitamento é su- recebe os amigos para relembrar sauda- perior a 90%. quando um bar ou A preservação do meio ambiente cachaçaria oferece a bebida aos clientes combina com a qualidade da cachaça para ser degustada. porque quando nossa canavial como fonte de nutrientes e o cachaça é degustada.FICHA TÉCNICA Cidade: Uberaba Região: Triângulo Mineiro Produtor: Carlos Assis (34) 3313-0855 Início da produção: 2003 Volume: 15 mil litros por ano Teor alcoólico: 40% Envelhecimento: um ano em barris de carvalho e jequitibá-rosa de veredas e deixam sua marca nas ca- natural na mesma qualidade quando da chaças que ali são preparadas. parte durante estão instaladas as dornas de aço inox. As nascentes de água crista- no Mercado Central de Belo Horizonte e lina. No caso da água. após sua utilização princi- des. produzindo uma garapa límpida de seleto mercado e de confrarias no fu- rica em sacarose. 66 . retornando ao seu curso a lenda”. a Lenda do Chapadão provém de vinho Assis já totaliza 70 mil litros descansan- fermentado em ambiente isolado. em clubes. “Já fizemos o evento produzida. za o “Dia de Campo”. Produzida em alambiques de cobre. “O ato de degustar uma cachaça de vapor condensado (utilizado na cal- possui a mágica de nos levar por cami- deira para o aquecimento necessário nhos em que só a saudade nos guia. a em cidades de Minas. afirma o produtor. E preservadas. não se tem pressa reflorestamento com plantas nativas pois ela é suave e desce macia”. o vinhoto é aspergido no o público aprovou. restaurantes. Os destilados são Neste ambiente reservado. é prática comum na área que cerca o Fluminense de Nova Friburgo. tibá-rosa (tipo prata). e reúne qualificação para participar mente. tem seu mercado principal vial próprio. parte em tonéis de jequi- tura e de rigoroso controle de sanidade. e junto ao engenho fonte natural. daí à destilação). a Lenda do Chapadão tem parti- da a energia (por meio do vapor) para a cipado de feiras setoriais e também reali- destilação controlada.

mas já começava a dar os primeiros passos para tornar-se uma bebida refinada e apreciada pelos mais exigentes degustadores”. A contá-los em forma de cachaça. alambique aquecido a vapor e produção de café. serpentinas e o Brasil em 1907. filtros para retirada de resíduos de Em sua fazenda. em fazenda Asa Branca. vendo o preparo da rapadura. “Tenho essa pro- Araxá. o que facilita te de uma família muito tradicional que a higienização de todo o equipamen- raramente consumia bebida alcoólica. to. quando iniciou o plantio do canavial e construiu menino. Pauli- de primeira qualidade. altitude apropriada para o cultivo envelhecida em carvalho e que carrega da cana-de-açúcar e conta com água um pouco da história da família. que resolveu. a produção de envazadora. descobrir confidências os primeiros passos para tornar-se uma íntimas de personagens consagrados bebida refinada e apreciada pelos mais da região como Ana Jacinta de São José exigentes degustadores”.  Em 1998. avicul- sou a desvelar segredos desta terra e a tura e pupunha até produção de leite. descendente de libaneses. pas- várias opções desde cogumelo. primeira safra. O gosto pelas coisas do campo fi- da marca Segredo de Araxá. higiene 67 “A cachaça era um produto relativamente marginalizado. um alambique adequado aos padrões “Meu avô Chicrala Miguel Elias veio para técnicos. com dornas.Segredos de Araxá em forma de cachaça F oi na fazenda Asa Branca. Que o cachaça era um produto relativamente apreciador não espere. analisei crala. depois de beber marginalizado. produtor das cachaças Segredo de Araxá e Carnaval . que Paulino Correa Chi- sando em torná-la produtiva. havia criação de gado e cobre. mas já começava a dar algumas doses. do Líbano. Junto com a família ficava na fazenda do seu avô. localizada no Alto Para- priedade bem próxima a Araxá. Paulino Correa Chicrala. iniciar uma atividade rural na ples. Paulino decidiu no Chicrala lembra-se do tempo em que investir na cachaça. E claro. descenden- tubulações de aço inox.  “Fazer cachaça é um processo sim- em 1998. cou marcado em Paulino. de cerca de 20 mil litros. foi produzida a melado para a rapadura”. (a Dona Beja) nem as propriedades das Como a região do Alto Paranaíba é águas medicinais do lugar. Mas poderá marcada por um clima bem equilibra- apreciar o sabor suave de uma cachaça do. é necessário ter disciplina. Pen- naíba.

leu livros sobre o assunto e. com exemplares de jatobá. o principal. Para- 68 Região do Alto Paranaíba é marcada por clima equilibrado e altitude apropriada para o cultivo da cana-de-açúcar . visitou inúmeros alambiques. relata Paulino. em um ambiente com temperatu- lenha substituída pelo bagaço na caldei- ra. Autodidata. ária (IMA) em 2009 devido aos procedi- já que o Ministério da Agricultura. É um valor relativamente baixo. O produtor conta que aprendeu a produzir cachaça sozinho. Também preservo duas nascentes da atualmente em Minas Gerais. acidez máximo de até 0. aromática e com vinhoto na irrigação do canavial e o rea- teor alcoólico de 40%. Rio de Janeiro. Federal.e estar envolvido com o negócio. mere- durante seis anos em barris de carva- cem destaque a redução da queima de lho. a Segredo de Araxá é envelhecida te. como o manejo do ária e Abastecimento estabelece teor de canavial e a não utilização de agrotóxico. luminosidade e umidade adequadas.63g por 100ml de álcool gânico do Instituto Mineiro de Agropecu- anidro. Ali na Fazenda Asa Branca. rodeada por flora nativa de cerrado. cedro.100g por 100ml “Cerquei toda a fazenda com mata nativa de álcool anidro. angico Certificada pelo Inmetro em abril de e pau-ferro. conversou com especialistas da área. ra. o visitante vai encontrar o 2009. o aproveitamento do é uma bebida suave. Distrito dentro da propriedade”. a utilização das pontas da cana para O resultado. A Segredo de Araxá obteve o selo or- em torno de 0. ipê. fermentação e destilação a sanal em harmonia com o meio ambien- vapor. segundo Paulino Chicrala. Outro destaque proveitamento da água. Dentre as ações sustentáveis. da Segredo de Araxá é a baixa acidez. e tenho 30 pés de bálsamo de refloresta- A cachaça Segredo de Araxá é vendi- mento. Digo sempre que higiene. manejo e equipamentos adequados são parte do segredo da boa cachaça artesanal”. alimentar o gado. Embora tenha aprendido sozinho a maior parte do processo. São Paulo. afirma Paulino. Pecu- mentos sustentáveis. Paulino garante que a produção da Segredo de Araxá respeita todas as normas técnicas. colocou a mão na massa. o que atestou os processos de cuidado com o fabrico da cachaça arte- moagem. de 48 hectares.

o fã de uma boa caninha. ressalta. e também maiores de uma vez só. ipê. ele leva”. “Meu grande começo da produção a bebida tem sido sonho é a exportação. aguar- Mato Grosso. conhecida internacio- dução da cachaça. ConBrasil Cachaça Export com foco no A Chicrala Agroindustrial Ltda. também lançou um produtor de São Joaquim de Bicas em 2004 a cachaça Carnaval. brinca. Chicrala Agroindustrial Ltda. 2006 na versão ouro. envelhecida por quatro e 2007. Os fui escolher o nome. o visitante pode em razão dos investimentos já realiza- degustar a cachaça envelhecida em to- dos. ção e da falta de ações para a valori- Para o consumidor que visita a Fa- zação da cachaça artesanal. bálsamo. vender volumes vendida para distribuidores. Dessa forma.ná. De- barris de jequitibá. ra- mercado norte-americano. envelhecida por dois anos em por um terço do que é exportado. Cada produtor é responsável prata. por fazem uso de agrotóxicos no plantio da isso escolhi Carnaval. ressalta. Paulino não pensa em parar. madeira. a pagar IPI de R$ 2.. o alambi- os produtores de cachaça terem sido que oferece um atrativo diferente para excluídos do Simples. critica a atuação do governo em virtude da alta tributa- produto exportado passa a ser mais valorizado no mercado interno”. “Quando Coluninha) e a sua marca de Araxá. em 2004. Goiás e Amazonas. com o volume aproximado de 6 anos em barris de carvalho. um produtor de ao mercado externo. que reúne zão social da fazenda. Ceará. amen- visando a ampliar o nosso espaço no doim. destinada (cachaça Ilha Grande). desde o voltar a vender”. Ele participa do consórcio mais.90 por Paulino Chicrala armazenou a cachaça garrafa. “Estamos desenvolvendo ações néis de umburana. mercado”. carvalho. pensei numa mar- três têm selo orgânico do IMA. garapa. porém. (34) 9105-6674 Início da produção: 1999 Volume anual de produção: 50 mil litros por ano Teor alcoólico: 40% Envelhecimento: quatro e seis anos em carvalho (Segredo de Araxá) e dois anos em jequitibá (Carnaval) . Mato Grosso do Sul.  Apesar de zenda Asa Branca. A Segredo de via telefone e internet. pois não ca que representasse bem o Brasil. O O produtor. Bahia. do norte de Minas (cachaça foi certificada pelo Inmetro. a maior festa po- cana e tampouco no processo de pro- pular brasileira. ficando sujeitos. e na versão mil litros. Araxá quer avançar nesse projeto. O produtor por exemplo. A de que ele gostar de Araxá. “A ideia é que o O produtor tem investido nos úl- visitante possa provar o destilado em timos anos na exportação da Segredo diferentes madeiras. 69 FICHA TÉCNICA Cidade: Araxá Região: Alto Paranaíba Produtor: P aulino Chicrala. em Araxá. reduzindo a competitividade do Segredo de Araxá em vários tipos de produto. em 2008 e 2009. De damos a recuperação do mercado para acordo com Paulino Chicrala. pois da crise. jequitibá. A Carnaval é comercializada portações para os EUA. A marca também Coluna. freijó. “Já fizemos três ex- nalmente”. jatobá e castanheira.

em toda a região. para levar a tal da Granfina a Jequitaí e conheceu a menina Maria de Lourdes. “O Raimundo Preto fazia um canudo e o levou para a Fazenda Coração de Je- com talo de mamoeiro e ficava por ali. vendida a granel. Ele cachaça Branquinha de Minas. Em cada via- filha do tio Dermeval. Nos tempos da tro- Claros. cos- mente. a Granfina. o tio decidiu tio Dermeval”. Ainda adolescente passou e Montes Claros. lembranças da Fazenda Coração de Je- norte de Minas. não tirava gem. Editora Nova Fronteira. 6. O boa que. Editora Nova Fronteira. voltavam com a trabalhar na fazenda do tio Dermeval carga de feijão. 1999. 70 . arrieiro e administrador. Pois foi lá que. “Vixe. vez ou outra. hoje com 84 anos e produtor da léguas – cerca de 65 quilômetros. Atoleiro alambiques. comerciante pioneiro que lios. outras cidades da região.“A Branquinha de Minas busca unir a tradição dos alambiqueiros da época do meu avô Dermeval com a tecnologia e a qualidade deste novo tempo” Antônio Augusto da Silva.O Dicionário da Língua Portuguesa . Depois. além de aprender burro na companhia de outros tropeiros a ser vaqueiro. co- marchas ou pousos fixos. Naquela época. “A Granfina ficou muito afamada na percebeu a demanda por aguardente em época. Fonte: Novo Aurélio . passamos a fa- pa. légua brasileira. Fonte: Novo Aurélio . Branquinha nasce granfina E ra princípio da década de 1940. 1999. 3ª edição. e a comitiva faziam o caminho em três O antigo tropeiro. tumava deixar a Fazenda de Coração de Seu Vinícius guarda até hoje boas Jesus. A bebida era tão produzir a própria cachaça. seu Vinícius partia de Vista Alegre zer venda contratada”. em Água Boa (atual distrito na nossa região. a comitiva levava duas bimbarras os olhos dela. de apenas 15 anos. relembra seu Vi- para Montes Claros. 3ª edição.Século XXI. Em pouco tempo. Digo que ela me comprou de 40 litros cada no lombo do animal.000 braças. Quando A bebida. hoje produtor. relata. posterior- Silva. não resistia aos atributos da Granfina. montado em lombo de sus. um alambiqueiro “dos bons” de Salinas. lembra-se. “Com o tempo. como se cos- meçou cedo a descobrir os segredos dos tuma dizer – em Felício Alves. sus. arroz e outros utensí- Santos Silva. e a escassez do produ- rapora o povo consumia a cachaça do to por ali. equivalente a 3. MG Pipote grande para conduzir cachaça. numa viagem de 10 nícius. pra eu trabalhar pro pai dela. Dermeval passou quando Vinícius Augusto da a vender a bebida no balcão e. LÉGUA Antiga unidade brasileira de medida itinerária.600m. ou seja. no município de Claro dos Poções. produtor das cachaças Branquinha de Minas e Branca de Minas BIMBARRA Bras. Lembro que até em Pi- de Vista Alegre).Século XXI. de Jequitaí a Montes ainda”. abastecia as a gente se casou ela não tinha 17 anos feiras e mercados.O Dicionário da Língua Portuguesa . foi a cachaça boa que apareceu sua venda. o guia da tropa comerciante contratou Manoel Pessoa.

.

descobrimos que O pioneirismo da cachaça Granfina a Granfina já havia sido registrada. afirma. Em uma peça do destino. A gente normalmente diz: desce uma do alambique. sendo substituída pela Branqui- celo dos Santos Reis assumiu a gestão da nha de Minas.mineira. Antônio Augusto da Silva passou a ser o diretor. filho de seu Vinícius e neto de seu Dermeval. o que é uma forma tradicional lá na região de Montes Claros. “É um sinônimo de cacha- fazenda e buscou modernizar a produção ça. tudo para alcançar um outro padrão de qualidade”. visando a melhorar ainda branquinha aí!”. a Granfina aposen- meados da década de 1980. “O tio Marcelo resolveu vender a cachaça somente engarrafada. tudo 72 . mais a marca. “Quando fomos procurar nossa cachaça”. os ges- a criação da Ampaq e com todo aquele tores resolveram modernizar o restante movimento de valorização da cachaça do processo produtivo da fazenda. quando uma nova geração da família adquiriu a Granfina e a transformou na Indústria Cachaça Água Boa Ltda. Seu Vinícius e Antônio Augusto da Silva colocaram Claro dos Poções no roteiro das cachaças de qualidade quando a gente se entretinha. A fazenda acabou perdendo dinheiro e teve que voltar a vender a granel para o público local”. Um novo marco na história da Fazenda Coração de Jesus foi iniciado em 2003. Jequitaí e mos muito tristes. o filho Mar- tou-se. explica Antônio Augusto da Silva. porque tínhamos mais Montes Claros contou com a ajuda dos de 50 anos de história com a marca”. ele então comprou novo maquinário. fez treinamentos. deixando de comercializá-la em barril. conta seu Vinícius. ele metia Uma das primeiras decisões foi o regis- o canudo na bimbarra e se esbaldava na tro da marca. o órgão responsável. Fica- naquela região de Vista Alegre. Por filhos de Dermeval dos Santos Silva. Marcelo percebeu a necessidade de expandir o negócio. explica o diretor. “Essa época coincide com Além da mudança do nome.

para colocar a cachaça de Claro dos Po-

Atualmente, a Indústria Cachaça

ções no roteiro das cachaças de quali-

Água Boa Ltda. consegue vender 80% da

dade. “A nossa ideia era dar um caráter

produção anual no norte de Minas, Re-

mais profissional à produção na Fazen-

gião Metropolitana de Belo Horizonte, e

da Coração de Jesus. Compramos novas

nos estados de São Paulo, Rio de Janei-

máquinas, passamos a fazer análises

ro, Mato Grosso, Rio Grande do Norte,

químicas regularmente, como também a

Bahia e Rio Grande do Sul. A principal

ter maior cuidado com a matéria-prima

forma de comercialização da marca tem

e a higiene. A limpeza é fundamental na

sido por meio de distribuidores, além da

fabricação da cachaça”, afirma Antônio

venda direta. Entre as ações de divulga-

Augusto. As mudanças em busca de qua-

ção, destaca-se a participação em feiras

lidade resultaram na obtenção, em 2009,

do setor como a Feira e Festival Inter-

do selo de qualidade Inmetro, vinculado

nacional da Cachaça (ExpoCachaça) e a

ao Programa Nacional de Certificação da

Feira do Food Service em Minas Gerais

Cachaça (PNCC), ação do Sebrae Nacio-

(Technobar). De acordo com o produtor

nal, Inmetro e Ministério da Agricultura,

Antônio Augusto, a previsão é ampliar a

Pecuária e Abastecimento (Mapa). “Nós

produção da Fazenda Coração de Jesus

já havíamos feito muitas mudanças es-

nos próximos anos, alcançando o volu-

truturais em 2003, por esse motivo ti-

me estimado de 300 mil litros.

vemos somente que redefinir normas

A cachaça Branquinha de Minas tem

de trabalho e registrar as tarefas diárias

teor alcoólico de 38%, com coloração

para receber a certificação”.

dourada após envelhecimento em bar-

A principal mudança com a certi-

ris de castanheira-do-pará durante dois

ficação é a ênfase na qualidade, me-

anos. É uma aguardente suave, com

lhorando-se ainda a produtividade e

baixo teor de acidez, resultado do con-

reduzindo-se o nível de perda de ma-

trole de todo o processo de produção.

teriais, como o fermento. Há também

“A Branquinha de Minas busca unir a

maior controle dos padrões de acidez,

tradição dos alambiqueiros da época do

de teor alcoólico e da composição quí-

meu avô Dermeval com a tecnologia e a

mica. Além do padrão de qualidade do

qualidade deste novo tempo. Tudo para

produto, a certificação possibilitou à

que a cachacinha desça suave e praze-

Branquinha de Minas um aumento de

rosa. E que não traga consequências no

produção da ordem de 30%.

outro dia”, brinca Antônio.

73

FICHA TÉCNICA
Cidade: Claro dos Poções
Região: Norte de Minas
Produtor: A 
ntônio Augusto da Silva, Indústria
Cachaça Água Boa Ltda.
(31) 3241-1965
Início da produção: 1940
Volume: 100 mil litros por ano
Teor alcoólico: 38%
Envelhecimento: um a dois anos em barril de castanheira-do-pará

A marca da brasilidade

A
“Nós queríamos oferecer uma
cachaça diferenciada para o
mercado. Por isso optamos
pelo envelhecimento em duas
madeiras, o que resultou num
paladar único.”
Wellington Braga Júnior,
produtor da cachaça Verde Amarela

Verde Amarela faz parte do grupo

os engenheiros José Carlos Ribeiro e Arnal-

de cachaças artesanais fabricadas

do Ribeiro. Na montagem do engenho da

por uma nova geração de produ-

Verde Amarela, destaque para as dornas e

tores de Minas que têm investido, desde o

tubulações de aço inox, decantador e filtros

princípio, em qualidade técnica e na profis-

para retirada de impurezas, envazadora com

sionalização do setor para inserir o destila-

capacidade para 800 garrafas por dia; e ade-

do de cana-de-açúcar no mercado mundial.

ga com 150 barris de carvalho de 200 litros

A história da marca começa em 2002 quan-

cada, três tonéis de jequitibá-rosa de 20 mil

do os irmãos Wellington Braga Júnior e Mile-

litros cada e mais três dornas de recepção

na Braga resolvem montar um engenho nas

de aço inox de 20 mil litros cada.

terras da família em Marilac, no Vale do Rio

Com capacidade produtiva anual de 60

Doce. A ideia era aproveitar parte dos 210

mil litros, a Verde Amarela é vendida desde

hectares da fazenda Alvorada, tradicional

2005 na versão ouro (um blend envelhecido

produtora de leite na macrorregião de Go-

durante um ano em carvalho e mais um ano

vernador Valadares, para o fabrico de aguar-

em jequitibá rosa) e na versão prata (armaze-

dente. “O meu pai Wellington Braga é pro-

nado nas dornas de recepção de aço inox).

dutor de leite há mais de 20 anos na região,

Wellington Júnior explica que a escolha do

e nós queríamos diversificar os negócios da

blend foi uma estratégia para a comercializa-

fazenda. Naquela época a cachaça estava

ção da marca. “Nós queríamos oferecer uma

sendo muito valorizada e consumida pelas

cachaça diferenciada para o mercado. Por

classes A e B. Sabíamos que, além do inves-

isso optamos pelo envelhecimento em duas

timento inicial, tínhamos de trabalhar pela

madeiras, o que resultou num paladar úni-

qualidade do produto”, conta Milena Braga.

co”. A qualidade técnica também está pre-

Mas, antes de começar o plantio da cana e

sente no engenho da Fazenda Alvorada, co-

a construção do alambique, os irmãos bus-

meçando pelo controle rigoroso da higiene,

caram conhecimento com o curso de Pós-

com assepsia diária das dornas e tubulações

Graduação em Tecnologia da Cachaça, pela

de inox feita por vapor; lavagem semanal do

Universidade Federal de Lavras; e o Curso

alambique e limpeza da caldeira a cada três

de Mestre Alambiqueiro, no Centro de Tec-

dias. As análises químicas são feitas regular-

nologia da Cachaça (CTC) em Itaverava, com

mente para manter o teor de acidez e teor

74

FICHA TÉCNICA
Cidade: Marilac
Região: Vale do Rio Doce
Produtor: Oliveira Braga Indústria e Comércio
de Bebidas
(33) 9979-1171
Início da produção: 2005
Volume de produção: 60 mil litros por ano
Teor alcoólico: 40%
Envelhecimento: Dois anos em carvalho e jequitibá
(Verde Amarela Ouro). Armazenamento em dornas de inox durante
um ano (Verde Amarela Prata)

de cobre como estabelecido pelo Minis-

de Governador Valadares –, venda di-

tério da Agricultura, Pecuária e Abasteci-

reta por meio do site, negociação com

mento (Mapa). A graduação alcoólica da

distribuidores de São Paulo e Rio de Ja-

Verde Amarela é de 40 GL.

neiro, e diversificação do produto – a

Na parte ambiental, o engenho da fa-

cachaça é vendida em embalagens di-

mília Braga é responsável pelo reaprovei-

ferenciadas, como estojos de madeira,

tamento dos recursos hídricos de mais

kits personalizados para presente e ró-

de 80%, sendo que a água usada no res-

tulos temáticos. Uma ação que deu cer-

friamento do alambique é encaminhada

to foi a venda dos garrafões de 15 litros

para um tanque e misturada com o vi-

da Verde Amarela em bares e restauran-

nhoto, e dali bombeada para a lavoura

tes de Governador Valadares. “Nós faze-

e piquetes para alimentar o gado. Além

mos parcerias com os proprietários dos

disso, o bagaço gerado pela moagem da

estabelecimentos, deixando a cachaça

cana vai para a caldeira e também serve

consignada; apenas quando o públi-

como adubo natural.

co consome é que recebemos. Porém,

Os produtores da cachaça Verde Ama-

também estamos fazendo marketing di-

rela vendem a bebida no próprio Vale do

reto na nossa região”, afirma Milena. No

Rio Doce, na Região Metropolitana de

caso do mercado externo, a Verde Ama-

Belo Horizonte, e nos estados de São

rela já exportou duas remessas para os

Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. De acordo

EUA. Idealizada para ser uma cachaça

com o produtor Wellington Braga Júnior,

símbolo da cultura do Brasil, a Verde

a venda é o maior desafio do setor de-

Amarela também explora o quesito

vido à alta tributação e à informalidade.

brasilidade. Nos últimos anos, sempre

“Na nossa região do Vale do Rio Doce,

que ocorre um evento esportivo maior

devem existir mais de 100 alambiques

como os Jogos Olímpicos e a Copa do

informais e o produtor que está dentro

Mundo, os produtores aproveitam e

de todos os padrões técnicos e legaliza-

buscam soluções criativas para ampliar

do tem de competir com esse pessoal. O

as vendas. Em 2010, as garrafas estão

que atrapalha o mercado da cachaça é a

sendo vendidas com uma bandeira do

informalidade”, argumenta.

Brasil presa ao gargalo, contendo uma

Para reverter esse quadro, os irmãos

receita de coquetel ou uma informação

têm investido em várias estratégias para

sobre a Copa. “Queremos aproveitar os

a consolidação da Verde Amarela no

bons momentos para tentar novas ex-

mercado: participação em feiras – Fei-

portações; e a Copa de 2014 será no

ra e Festival Internacional da Cachaça

Brasil, o que dará visibilidade ao país”,

(ExpoCachaça) e feiras agropecuárias

diz Milena.

76

conta Adalto. resolveu com- Fizeram o curso de Tecnologia e Pro- prar um pequeno alambique para pro- dução de Cachaça em Guanhães e. em duzir a própria cachaça na fazenda Vista 2002. Ele e os filhos. e Expresso Cana. res e região. Foi então que perceberam A história da cachaça Uirapuru teve o potencial de mercado da cachaça. seu se transformou num negócio lucrativo. surgiu dos Rodrigues. que seu início em 1992 quando o pai. localizada no distrito de Córrego Expresso Cana. após grande aprendi- Vale do Rio Doce. num total Guanhães. O problema é que a receita marca conquistar espaço no mercado. João Batista de Andrade. não dava certo. registraram as marcas Uirapuru e Nova. compraram o taram que investir em qualidade repre- maquinário para moenda e começaram sentava o principal diferencial para uma a produção. em São Geraldo da Pie- a oportunidade da primeira exporta- dade. genho. ele teve dificuldade de acertar quando começa a cantar. Com experiência de muitos anos ção e para um mercado pouco comum na criação de gado leiteiro e de corte. os irmãos no- ram a sala de fermentação. raldo. Mas que contagia toda a floresta no início.O canto do Uirapuru chega à China U irapuru é um pássaro raro cachaça artesanal igual à da família. aos produtores de aguardente. No mesmo ano. conta Adalto. Eles procuravam um zado e já com experiência. fizeram o plantio da cana. Adalto e Ge- de 12 mil garrafas”. brinca Adalto. a China. até colocar no mercado as pri- “Diz a lenda que quem ouvir o canto meiras garrafas com as marcas Uirapuru desse pássaro viverá feliz para sempre. que passaram a ser Uma dose da Uirapuru é garantia de fe- comercializadas em Governador Valada- licidade eterna”. monta- Depois do negócio. pecuaristas Adalto e Geraldo Pinto no Ao longo de uma década. A a padronização da garapa e o fermento lenda sobre a ave inspirou os irmãos não trabalhava direito”. resolveram nome-marca que simbolizasse o Brasil e montar uma estrutura completa de en- pudesse ter boa circulação no exterior. produtor da cachaça Uirapuru . Adalto e batismo da cachaça que produzem no Geraldo Andrade. cerca de mil caixas. Uma dose da Uirapuru é garantia de felicidade eterna” Adalto Andrade. “Meu pai queria fazer a Eles então fizeram as últimas adequa- 77 “Diz a lenda que quem ouvir o canto desse pássaro viverá feliz para sempre. ele queria fabricar aguardente seguindo “Mandamos dois contêineres para os a receita dos parentes alambiqueiros de chineses.

Divulgação Uirapuru Além da área destinada ao cultivo de cana e à produção de cachaça. a fazenda Vista Nova possui uma reserva legal de 40 hectares e uma mata nativa .

a Andrade Agroindústria A empresa Andrade Agroindústria. Em 2005. a Uirapuru recebeu o de cerejeira. E Com produção anual de 180 mil litros quem saiu na frente como a Uirapuru.ções na estrutura da fazenda Vista Nova e 100 mil da Expresso Cana. garante Adalto. composta na de Belo Horizonte. “Quando o mercado co- para a criação e pastagem das 350 cabe- meçar a exigir produtos certificados para ças de gado da raça mestiço holandês. este último pelo Pro- pouco mais de 30% são destinados ao grama Nacional de Certificação da Ca- plantio de cana. se associou ao Sindicato das Indústrias responsável pela marca Uirapuru. Existem também seis nascen- do Instituto Mineiro de Agropecuária tes protegidas. (33) 3277-7308 e (33) 9989-4570 Início da produção: 2002 Volume: 180 mil litros por ano Teor alcoólico: 40% Envelhecimento: seis meses a um ano em carvalho. sapucaia nhecido. dornas de aço inox para fermen- total da safra é comercializado hoje no tação. além de ajudar em ações de lavoura de cana. um tonel de 20 mil litros de convite do Sebrae para participar de uma grápia. com os certificados e sucupira. vamos ver um aumen- que produzem 450 litros de leite por dia. vai de cachaça. No mesmo ano. e o plan- e passaram a vender para o Nordeste. a comercialização. envazadora e uma adega com Vale do Rio Doce. Rio de Janeiro. e o bagaço vai para a divulgação da marca. sendo 80 mil da Uirapuru beber água limpa”. Pernambuco jequitibá-rosa. que tem o reaproveitamento dos resíduos da pro- fornecido informações e suporte técnico dução – o vinhoto é usado para irrigar a à empresa. 79 FICHA TÉCNICA Cidade: São Geraldo da Piedade Região: Vale do Rio Doce Produtor: A  ndrade Agroindústria Ltda. (IMA) e do Inmetro. jequitibá e cerejeira (Uirapuru Amarela) e grápia (Uirapuru Prata) . caldeira –. o processo ram parceria com um representante local de fermentação é todo natural. na Região Metropolita- capacidade para 85 mil litros. Além disso. com qualidade da cachaça Uirapuru foi reco- espécies como peroba. tam- de Cerveja e Bebidas em Geral do Estado bém investe em ações ambientais. e nos estados de de dois tonéis de 20 mil litros cada de São Paulo. em 2009. lá os produtores firma- valho brasileiro. tio da cana sem agrotóxicos. Fora de Minas Gerais (Sindbebidas). Hoje o engenho conta com três alambi- Adalto Andrade explica que o volume ques. e outra parte é usada chaça (PNCC). o alambique no carro-chefe da fazenda. a fazenda Vista Nova possui O investimento dos irmãos Andrade uma reserva legal de 40 hectares e mais na estrutura técnica do alambique e na uma mata nativa de três hectares. os irmãos para colocar a Uirapuru na linha de fren- Adalto e Geraldo Andrade transformaram te das cachaças artesanais de qualidade. angico. e um menor de 5 mil litros de car- feira em Recife. to de qualidade da cachaça artesanal. Na área de 200 hectares. um tonel de 20 mil litros e Bahia.

Além disso.” José Lucas Mendes de Oliveira. freático em suas terras para evitar in- Para José Lucas. influencia- buscando boa cachaça arte- em Salinas. acrescen- Minas. Antes de iniciar a produ- tou uma receita simples: “Temos um bom ção em escala industrial.Flores de sucesso brotam em Salinas A s folhas da tabua. produtor da cachaça Tabúa tando que o selo de qualidade na fazenda de mesmo nome. erva aquáti- produto. César Portela. não por acaso produzida “Temos um bom produto. uma empresa sólida e transparente. uma empresa sólida e transpa- verificaram a profundidade do lençol rente. pria marca e formou sociedade Ta- potencial de uma do pelo pai e pelo avô. e nos faz pensar com os pés celulose de papel. ado- Gerais (Feam). reconhece. os dois sócios produto. sinaliza que estão no A aguardente tem sua caminho certo. o apoio do Sebrae é muito importante para o sucesso do 80 filtrações que pudessem contaminar a água da região. podendo também dar empresa. Bioética e Adminis- parcerias com tração Hospitalar. For- te na divulgação mado em Filosofia da e pós-graduado em búa. com objetivo claro”. resolveu criar a pró- marca sanal. que foi destacado com o selo ca da família das tifáceas. sua terra natal. com objetivo claro. nos estimula a cia. produção comandada No momento. Por feliz coincidên- no chão. O projeto empresarial foi elaborado sob orientação da Fundação com o sogro. “Essa parceria nos coloca usadas por artesãos para tecer diante da realidade de que somos uma esteiras e cestos. Tabúa se tornou o nome de uma das conhecer nosso potencial e como colo- cachaças artesanais mais festejadas de cá-lo em prática”. ele empresas que começou a produção acreditem no muito cedo. por José Lucas Men- a empresa inves- des de Oliveira. Em 2003. são do Inmetro. . Para sobres- Estadual do Meio Ambiente de Minas sair num mercado tão concorrido.

O nomia da América Latina. que visam a preservar a ticiparam da feira da Associação Brasi- natureza. A Tabúa é comercializada com os o maior evento de hotelaria e gastro- rótulos Flor de Ouro e Flor de Prata. no Rio de Janeiro. e da 42ª Equipotel. armazenada por dois anos em to- tos do Banco do Brasil e cobertura da néis de umburana (600ml) e cinco anos Seguradora Brasileira de Crédito à Ex- em bálsamo (700ml). sendo ideal para caipirinhas. batidas e garantindo-se a devida proteção às coquetéis em geral. realizado em primeiro se refere a uma cachaça ama- São Paulo. A fábrica tem financiamen- rela. O segundo apre- portação (SBCE). Também par- dução limpa”. 81 FICHA TÉCNICA Cidade: Salinas (Taiobeiras) Região: Norte de Minas Produtor: José Lucas Mendes de Oliveira (11) 4021-4822 Início da produção: 2004 Volume: 250 mil litros por ano Teor alcoólico: 41% Envelhecimento: Dois anos em tonéis de umburana (Flor de Ouro 600ml) e cinco anos em bálsamo (Flor de Ouro 700ml) e um ano em tonéis de jequitibá (Flor de Prata) . matas ciliares da propriedade. guardada em tonéis de jequitibá. já que seus produtos senta uma aguardente branca e mais visam também o mercado externo. hídrica e a afloração de nascentes.Divulgação tabúa Também foram mapeadas a malha suave. agregaram valor ao diferen- leira de Supermercados Portal (Abras). em Cabo adoção de técnicas da chamada “pro- Frio (RJ) e Itanhaém (SP). A pre- As duas cachaças foram destaque no ocupação ambiental e a consequente Circuito Brasileiro de Jet Ski. cial do produto.

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viagem litográfica Coleção Lotus Lobo. 108 83 . 85 Coleção José Maurílio Silva.

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como exemplares produzidos nos chamados ci- balhava. quando foi decretada a falência da empresa. Correinha. Porto tico de Minas Gerais para os anos de 1922/25. incluindo litografias de cachaças alambicadas casas de negócio. na diver- país das minas de ouro a paisagem vertia engenhos de cana e sidade. A maior parte do acervo é de autoria do alemão Guilherme Rüdiger. Excelsior. Em 1977. sobretudo nos anos 40 e 50. não só nhar visualmente uma parte da história da bebida em em razão da localização da indústria onde Rüdiger tra- Minas. Januária e Curvelo: Tentadora. Januária. São 89 rótulos de cachaças produzidas em Minas. Números do Anuário Estatís- gonha. de 1918 a 1966. Florisbella. em 1887. Rüdiger trabalhou na União Industrial. há raridades que permitem acompa- chaças produzidas na região da Zona da Mata. La- do total de unidades em Minas. no tempo em que o maior número de engenhos no período. da cidade mineira de Juiz de Fora. revelam que a Zona da Mata apresentava em mais de 35 cidades e distritos. A riqueza do acervo está. Januarense. 8. quando ele preparava uma exposição. uma das mais importan- tes litógrafas do país. mas justificada também pela concentração de clos de Ponte Nova. Lotus o conheceu três anos depois. Em torno de 20% do acervo são de rótulos de ca- Nesta coleção. ele se formou como técnico em desenho para litografia e se mudou para o Brasil aos 26 anos. fayette dobrava o “t” e Sete Lagôas usava chapéu. Nascido em Nürenberg. referência na arte contemporânea brasileira. produzidos ao longo de décadas. Dominante. Ver- muitos engenhos na região. 85 . levantados Januária. a artista plástica recebeu de suas mãos a coleção que integrava seu álbum de trabalhos. também. Marcolina e pelo professor Marcelo Magalhães Godoy no estudo No Sarobá. Cascata.Coleção Lotus Lobo A s reproduções de rótulos de cachaça apresentadas nesta parte integram a coleção da artista plástica Lotus Lobo. fixando residência em Juiz de Fora. e que integram um acervo composto por quase 500 exemplares de peças originais impressas na Litografia e Estamparia União Industrial.504 ou 26% Bambuhy e Dôres do Indayá eram grafadas com “y”.

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há também nomes e expressões pitorescas como Vingança (Leopoldina). uma amostra de rótulos temáticos e curiosos de todas as regiões de Minas. nos anos 1950. De Paraopeba. Na coleção. a Alterosa e a Lambadinha. Ele costumava visitar as empresas e comprar as peças dos lavadores de garrafa. Em dois cadernos antigos. Leite de Onça (Governador Valadares). O cinema é homenageado pela cachaça E O Vento Levou (Curvelo) ou Luzes da Ribalta (Contria). a Gilda de Machado. Chiquita Bacana (São João Del Rei). o JK de Uberlândia. Chica Brava (Pedro Leopoldo). que tinham prática em descolar os rótulos sem prejudicá-los. duas raridades. A última é o exemplar mais raro. Pela coleção desfilam ainda o Al Capone de Itaverava. ele preserva mais de mil rótulos de cachaças. encontramos esta rara coleção do funcionário público aposentado José Maurílio Silva. ou seja. de Betim. e a Rainha do Sertão. 109 . Alegria de Pobre (Além Paraíba). a Maria Bonita de Descoberto.Coleção José Maurílio Silva E m Curvelo. José Maurílio iniciou a coleção há mais de 30 anos. de Itabirito. Perna Bamba (Bom Despacho). motivado pela concentração de inúmeros produtores e engarrafadores da bebida na região. a Princesa do Egito. Nesta edição. Canelinha (Pará de Minas) e Gangorra (Jequiri). São ao todo 66 exemplares que mostram a diversidade da arte da rotulagem. Chora no Copo (Uberlândia). a Luana de Alfenas. produzidas em diversos estados brasileiros em várias décadas do século XX. da época em que o colecionador tinha apenas 12 anos.

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133 araçuaí O rio das araras grandes. 165 131 . 157 poço fundo Da Roseira de Paiolinho a Colinas do Sul.De Salinas a Poço Fundo SALINAS Um mar de aguardente.

A cidade produz 5 milhões de litros de cachaça todo ano .

se tornasse a segunda atividade em fatura- Destacam-se no município 25 produtores mento no município. cooperativa A aguardente ícone é a Havana (hoje Anísio da agricultura familiar responsável pelo blend Santiago). 133 Indicação geográfica O reconhecimento de uma indicação geográfica origina-se do esforço de um grupo de produtores ou de prestadores de serviço que se organizam para defender seus produtos ou serviços. de. tem proprietários contam com o apoio do Se- tanta cachaça que se os donos de brae-MG num projeto que visa a melhorar o alambiques da região abrissem os controle de qualidade e a comercialização tonéis de uma só vez. Boa parte da mão de obra local tra- 109 produtores. no Norte de Minas. o sertão viraria um da cachaça.SALINAS Um mar de aguardente S alinas. no Rio Grande do Sul. criada na década de 1940 e reco- da aguardente Terra de Ouro. O produto é responsável pela maior cia da região de Salinas. tradicionais publicações brasileiras e é con- A maioria dos alambiques de Salinas é registrada no Ministério da Agricultura e os siderada a melhor cachaça envelhecida do Brasil por alguns especialistas. A região ainda produz que integram a Associação dos Produtores leite e carne de sol. formam a Coopercachaça. O produto ou o serviço portador de indicação geográfica tem identidade própria e inconfundível. mas Vale dos Vinhedos. A exemplo dos fabricantes do mar de aguardente. pela diversidade e criatividade do seu arte- donos de 51 marcas de sucesso. A bebida costuma figurar entre em tonéis de bálsamo e outro ideal para cai- as primeiras posições nas classificações de pirinhas e coquetéis. com um pe- lhões de litros do destilado orgânico e arte- dido de Indicação Geográfica de Procedên- sanal. motivados por um lucro coletivo. bebida fez com que a produção de cachaça matéria-prima das melhores aguardentes. A marca abriga nhecida como Patrimônio Cultural Imaterial dois tipos da bebida. sendo um envelhecido da cidade. nal de Propriedade Industrial (INPI). em 2009. também ligados à entida- balha em alambiques e plantações de cana. . e também se destaca Artesanais de Cachaça de Salinas (APACS). Fonte: Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). A terra e o clima da região são adequa- A persistência em garantir o padrão da dos à produção de cana de boa qualidade. os todo ano eles produzem em torno de 5 mi- salinenses entraram. Outros sanato. Parece exagero. no Instituto Nacio- parte do ICMS do município.

chegando às margens do rio 2. no livro comarca de Grão Mogol. Numa petição de Sete anos depois. O estatuto doro de Sá e sua consorte se declararam do município de Santo Antônio de Sali- donos da fazenda Pé da Serra (Matrona) nas é aprovado quatro anos mais tarde e apresentaram escrituras datadas de e a comarca é finalmente instalada em 134 . mais tarde. produto escasso e muito valorizado Já em 18 de dezembro de 1880. a Lei 3. goria de vila. sal. o bandeiran- Pardo de Minas. funda- Taiobeiras (Taiobeiras). em nome do dra Azul) e. o capitão-mor Theo- a vila à categoria de cidade. a menor das divisões administrativas. Fonte: Novo Aurélio – O Dicionário da Língua Portuguesa – Século XXI.725. a Lei na época. 1999. eleva o antigo arraial à cate- lugar à Comarca do Serro Frio. Na véspera do Natal ce uma fazenda de criação de gado às de 1838. 3ª edição. Editora Nova Fronteira. Catinga (Pe- em 16 de janeiro de 1734. o conjunto de paroquianos. que até então perten- te Antônio Luís dos Passos estabele- cia a Minas Novas. Nas cidades e províncias portuguesas. 1999.Origem no sal da terra S Freguesia Povoação. sendo esta pertencente à Segundo Felisbello Freire. Conta-se que conta apenas 248 habitantes. da Fazenda da Salinas ergueu uma casa com destino ao norte de Minas. Joaquim José de meiro aglomerado de casas da região dá Sant’Anna. cessão de sesmaria em Salinas ocorreu Pajaú (Cachoeira de Pajeú). sob o aspecto eclesiástico. Em 16 de ele percorria as terras habitadas pelos maio de 1855. Ainda em abril de 1830. 3ª edição. chegan- de oração sem licença do prelado e sem do aos rios Pardo e Jequitinhonha. a Lei de número 730 eleva índios Tapuias à procura de jazidas de o distrito à condição de freguesia. alinas tem suas origens em 13 1735. Fonte: Novo Aurélio – O Dicionário da Língua Portuguesa – Século XXI. o pri- víncia de Minas Gerais. Vila Povoação de categoria superior à de aldeia ou arraial e inferior à de cidade. Salinas transforma-se no distrito de Rio Na década de 1690. Bom Jardim das capitão Inácio de Souza Ferreira. um recenseamento no arraial margens do rio Pardo. na Bahia. o ter- Em 20 de agosto de 1833. e dispostas de modo que formem rua ou praça interior. por via de regra sem caráter de logradouro público. dor do sítio São José. das Almas e Itacambira. Serra provisão imperial em 1828”. No início do século XVIII. a Câmara de junho de 1554. A ela são incor- História Territorial do Brasil. Em 1663. Conjunto de pequenas habitações independentes. em geral idênticas. quando o Municipal de Minas Novas comunicava desbravador Francisco Bruzza a Sua Majestade Imperial que “o povo Espinosa deixa Porto Seguro. Editora Nova Fronteira.485 eleva 5 de abril de 1830. assinada pelo presidente da pro- Salinas. a primeira con- porados os distritos de Águas Vermelhas. o povoado ceiro Conde da Ponte inicia a ocupação em torno da capela de Santo Antônio de das terras da região.

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136 . a cida- ças artesanais na região. Naquela época. tantes e integra um importante polo Formada em Comunicação Social e pós-graduada em Co- de educação regional. o Projeto de Comercialização da Cachaça em Salinas e Região. primeiro feiras do setor de bebidas. além da Depois dessas iniciativas. conquistar novos parceiros para aumentar as vendas. Rio de Janeiro e Pernambuco. o evento mais contrada em diferentes pontos do país. criando agendas de relacionamen- e único no mundo. Das plantações de cana ao balcão das lojas. tendo na Escola mércio Exterior. criar condições para superar dificuldades comerciais e escoar A cidade tem cerca de 40 mil habi- a produção. Além da qualidade. importante polo produtor da bebida de adota o nome de Salinas e empossa que melhor representa o Brasil. Não sem motivos. é preciso ter capricho. desde 2005. longo é o caminho percorrido pelo produto até o consumidor. Kênia Cardoso. o destila- Clemente Medrado Fernandes como pri- do local passou a se destacar pela quantidade.Iniciativa para conquistar mercados O Sebrae-MG desenvolve. Kênia é a técnica responsável pelo projeto. no atacado e no varejo. Isso porque a cachaça artesanal made in Minas precisa se impor num cenário no qual outras bebidas já têm mercado consolidado. 13 de junho. Agrotécnica Federal o curso de Tecnó- que já viabilizou a participação dos produtores salinenses em logo em Produção de Cachaça. sendo preciso meiro prefeito nomeado. a primeira meta alcançada pelo projeto do Sebrae-MG foi o aumento na fabricação de cacha1892. ressalta a técnica do Sebrae-MG. distribuída ou revendida importante do município é o Festival por grandes redes. A iniciativa visa a apoiar a Associação dos Produtores Artesanais de Cachaça de Salinas (APACS) na identificação de novos mercados e expansão das vendas para outros estados e para o exterior. conhecimento e profissionalismo para colher bons resultados. Em 7 de setembro de 1923. A comercialização ainda é o grande desafio. O padroeiro dos sa- to em exposições e encontros de difusão do destilado regional linenses é Santo Antônio. festejado em nos estados de São Paulo. a cachaça salinense tem sido en- tradicional festa junina. Para alcançar sucesso. O objetivo agora é Mundial da Cachaça. a região de Salinas produzia 4 milhões de litros de cachaça. Depois de se fazer um diagnóstico dos canaviais.

os produtores participam de bilização e conscientização dos coope- programas de capacitação e recebem su- rados. dutor da cachaça Canarinha. Hoje. Hoje. na par- união dos produtores. du- gunda atividade econômica da região. evento gas- uma receita extra em meados do século tronômico de promoção de produtos XX. a APACS divulga ticipação em feiras e em contatos com Salinas como a principal região produto- representantes comerciais. Os cooperados produzem de gado e escravos para plantar cana no a cachaça Terra de Ouro e participaram norte de Minas. Segundo ele. ra de cachaça artesanal do país. Eilton se associou dentro e fora do estado. já são gica Orientada para Resultados (GEOR). a produção de cachaça é a se- brasileiros realizado na Alemanha.A capital da cachaça A Associação dos Produtores Ar- também facilitou o aumento de recursos tesanais de Cachaça de Salinas e o apoio de entidades especializadas (APACS) teve um papel essencial para auxiliar boas práticas de fabrica- na transformação de Salinas em capital ção”. além de promover a porte técnico na comercialização. ge- estabeleceram na cidade. A criação da APACS tria Brasil-Alemanha e da Associação 137 . a região de Salinas A associação agregou a Cooperca- produzia cerca de 1. 51 marcas. graças a um trabalho de mo- Com ela. a cooperativa conta com o ganizada. Além “Nossa produção se tornou mais or- da APACS. afirma Eilton Santiago Soares. Antes da APACS.5 milhão de litros de chaça. em 2006. por dência. atual pre- a APACS congregou os produtores da re- sidente da entidade. Ao assumir a presi- do setor teve o apoio do Sebrae-MG. fundada também em 2001 por cachaça. A aguardente já gerava do Brazilian Taste Festival. Fundada em 2001. obedecendo a um único pa- apoio da Câmara de Comércio e Indús- drão de qualidade. A bebida começou a ser produ- 109 produtores da agricultura familiar zida com os primeiros fazendeiros que se com o objetivo de melhorar o lucro. pro- mundial da cachaça. Técnico agrícola e gião para valorizar e promover a bebida vereador em Salinas. a associação contava meio da metodologia da Gestão Estraté- com apenas 12 associados. alguns deles sa- rar trabalho e ajudar na diminuição do íram da Bahia no século XIX com cabeças êxodo rural. A organização à APACS em 2004. rante a Copa do Mundo de 2006.

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A popular caninha ainda O presidente da APACS enaltece o é pouco conhecida fora do país e chega apoio do Sebrae-MG às iniciativas em aos supermercados brasileiros com im- prol da cachaça de Salinas.Desde 2001.br R$ 7 milhões. foi erguida num terreno 139 . jardins. exposições permanentes. com nharão visibilidade com uma nova ini- público superior a 35 mil pessoas. São Geraldo. a APACS valoriza e promove a bebida dos associados dentro e fora do estado Mineira dos Produtores de Aguardente de 13. Sobrinho tante na nossa luta pelo selo de Indicação de Anísio Santiago.120 metros quadrados no bairro de Qualidade (Ampaq). Ciência e Tecnologia do Norte auditórios. Eilton Soares foi um Salinas em Paris. criador da legendária Geográfica de Procedência. Educação. Com apoio do governo Para Eilton. tendo 2. Entre essas iniciati- trole ainda maior do produto salinense. “Será um museu dife- curso de Tecnólogo em Produção de Ca- rente. reconhece. de Minas (IFNMG). A construção. Sem isso não cachaça Havana. Outro ciativa no município. vas. campus Salinas com a sala de essências aromáticas. o projeto foi elaborado pela donos de alambiques são a inserção no arquiteta Jô Vasconcelos. carga tributária.2 mil mercado internacional e a redução da metros quadrados de área construída. com o objetivo de divul- dos que mais defenderam a construção gar a cachaça no exterior. segundo dados do Cen- outros mercados e tem sido muito impor- tro de Referência da Cachaça. de”. Eilton acredita que a teríamos alcançado tantas conquistas obtenção do selo de Indicação Geográ- e seria quase impossível realizar nossos fica de Procedência vai garantir um con- projetos”. estandes chaça. ele destaca a Feira Mundial da Cacha- As cachaças de Salinas também ga- ça. orçada em (38) 3841-3431 apacs.com. sala de degustação. os maiores desafios dos estadual. que abriu caminhos em valor da garrafa. finalidade de qualificar mão de obra para a moenda e até um canavial de verda- fabricação e comercialização da bebida. engenho.salinas@ig. realizada sempre no mês de julho. oferecido pelo Instituto Federal de de venda. anuncia. a criação do Mu- evento importante deverá ser a mostra seu da Cachaça. “A cidade deve postos que correspondem até a 83% do muito à entidade. Eilton também do espaço e seus olhos brilham quando aponta a existência em sua cidade do fala no assunto. com espaço de lazer.

Cachaça: Majestade Cooperativa dos Produtores de Cachaça de Alambique da Microrregião de Salinas (Coopercachaça) Cachaças: Terra de Ouro Gel. Cachaça: Fabulosa 140 .Associados da Apacs Agro Indústria Monte Alto Ltda. Brasil Indústria e Comércio e Exportação de Bebidas Ltda. Cachaça: Monte Alto Agroindústria Três Irmãos Ltda.

Segredo de Salinas e Memória de Salinas 141 . Cachaças: Indiana.Associados da Apacs Engarrafadora e distribuidora de Aguardente de Cana Indiana Ltda. Cana de Prata. Dona Moça. Cana de Ouro. Sabor de Salinas.

Cachaças: Meia Lua e Beleza de Minas Indústria. Cachaças: Salineira e Valiosa 142 . Comércio e Exportação de Cachaça Salinas Ltda.Associados da Apacs Indústria. Comércio e Exportação de Cachaça Meia Lua Ltda. Comércio e Engarrafamento de Aguardente de Cana Ecológica Cachaça: Fascinação Indústria.

Associados da Apacs Indústria. Cachaças: Cachoeira. Comércio. Salivana e Indaiazinha 143 . Cachaças: Beija-Flor. Importação e Exportação de Cachaça JN Ltda. Asa Branca e Hanavilhana Indústria e Comércio de Aguardente de Cana Beija-Flor Ltda.

Cachaças: Lua Cheia e Só Luar 144 .Associados da Apacs Indústria e Comércio de Aguardente de Cana Artista Cachaças: Artista e Salimel Indústria e Comércio de Aguardente Lua Cheia Ltda.

Brinco de Ouro. Cachaças: Sabinosa.Associados da Apacs Indústria e Comércio de Aguardente Menago Ltda. Puricana e Brinco de Prata 145 . Cachaças: Anísio Santiago – Havana Indústria e Comércio de Aguardente Preciosa Ltda.

Associados da Apacs Indústria e Comércio de Aguardente de Cana Sabiá Cachaças: Sabiá e Flor de Salinas Indústria e Comércio de Aguardente Salicana Ltda. Cachaças: Salicana e Salinense 146 .

Associados da Apacs J.P. Cachaças: Sabor de Minas e Baluarte 147 . Erva Doce e Canardente Indústria de Aguardente São Fidelis Ltda. Cubana Indústria e Comércio e Exportação de Bebidas Samers Ltda. Indústria e Comércio Aguardente de Cana Ltda.

Cachaça: Peladinha Santiago Soares Canarinha 148 . Cachaças: Sabor da Cana e Sobradinha Peladinha Indústria e Comércio Ltda.Associados da Apacs Indústria e Comércio e Exportação de Cachaça Sobrado Ltda.

Cachaças: Seleta. Boazinha e Saliboa Tabúa Indústria e Comércio de Cachaça Ltda. Cachaças: Tabúa Flor de Ouro. Tabúa Flor de Prata e Salideira 149 .Associados da Apacs Seleta e Boazinha Indústria e Comércio Importação e Exportação Ltda.

Oswaldo Santiago conduz o legado deixado pelo pai. o produtor Anísio Santiago .

que desde os seis anos acompanhava o velho na lida da Fazenda Havana. O patriarca passou o chaça do mundo. que passou a se chamar Anísio Santiago. 151 . registrou no no início da década de 1940. mas criou a cachaça Havana francesa Pernod Ricard S/A. A exemplo de Anísio. ficando várias vezes em bastão para os filhos e morreu em 2002. “Salinas produz algumas das melhores cachaças artesanais do país e fazer parte da APACS nos deixa muito orgulhosos”. de propriedade da bia cerveja. primeiro lugar na classificação de cacha- Desde então. Os filhos aprenderam com o pai que a paciência é a alma do negócio. Não tinha ambição por dinheiro e queria fazer uma cachaça de qualidade”. filho de cachaça artesanal do país. O produto Brasil a marca Havana Club visando ao se tornaria conhecido como a melhor ca- comércio de rum. ele e os irmãos preferem a qualidade à quantidade. Oswaldo e os irmãos lutam ças das revistas Veja e Playboy. O patriarca. A produção da Havana – Anísio Santiago raramente ultrapassa a marca de 12 mil litros por safra. só be- Havana Club Holding. “Meu pai começou praticamente do nada. Em 2001. e transformou Salinas num marca da cachaça. afirma Oswaldo. na justiça para reaver o direito de uso da A marca inaugurou uma tradição nos anos 1950. diz Oswaldo. “O sucesso do nosso produto estimulou o surgimento de outras marcas”. na Serra dos Bois.Pioneirismo da Havana U m dos associados da APACS é dos mais importantes polos de produção Oswaldo Mendes Santiago. que viveu 90 anos. isso porque a empresa pai. de Anísio Santiago (1912-2002) Anísio perdeu na justiça o direito de usar e hoje à frente da empresa fundada pelo o nome Havana.

“É Produtor das marcas Boazinha. é dono também da Tanoaria Padre Eustáquio. “Mas não é fácil ser produtor e in- quem mais aprende”. é cante. “Para atender a todos. pois envelhecida em tonéis de carvalho. O lançamento da Cachaça do Coronel. a comercialização e os altos prova viva de que filosofia e cachaça an- impostos continuam sendo os principais dam de mãos dadas. Se- preciso distinguir investimento e despesa. costuma dizer. Mesmo lo pessoal que o transformou num dos assim. começou a comprar outras marcas.O voo da águia Seleta D e barba longa e rabo de ca- tônio buscou-a no fundo da memória e valo. No entanto. alerta. e tem 3 milhões de litros de cachaça armazenados em 465 deles. termediário ao mesmo tempo”. consumidor e distribuidor bebidas do país. onde fabrica os próprios tonéis. é preciso conquistar novos merca- principais personagens da indústria de dos. Dono de um esti- desafios dos donos de alambique. intermediário é quem mais investe. leta e Saliboa. boina basca ou chapéu batizou sua primeira cachaça. “Mestre não é quem mais ensina. recorda. de couro. Anos depois. An- 152 . Para ele. o empresário prepara o Investimento dá retorno. maior produtor mineiro de afirma que a base do sucesso é a honesti- cachaça de alambique em volume. “Ele fazia uma pequena quantidade e a procura era maior que a demanda”. Sua produção começou com a Boazinha. mas os clientes queriam sempre ‘da boazinha’”. nome de uma aguardente produzida pelo conterrâneo Lau. Ele pega o produto pronto para lapidá-lo”. Antônio Eustáquio Antônio emprega quase 100 pessoas e Rodrigues. quando a aguardente não era mais fabricada. despesa. é a dade. ele é um dos associados não investem num produto desconhecido da APACS que mais se destacam no mer- e não podem pagar pelos erros do fabri- cado. não.

O produtor Antônio Eustáquio Rodrigues é um dos principais personagens do ramo .

a produção de cachaça envolve um processo ético e cultural que é uma verdadeira bênção. pela Universidade do Norte do Paraná (Unopa). entre engarrafadores. e hoje continua com os mais jovens”. 154 . Há 10 anos ela trabalha na empresa Seleta e Boazinha. Para o prefeito José Antônio Prates. alguns já no ramo há vários anos. ressalta. Noé. exerce as funções de gerente de produção e comanda 23 funcionários. Joãozinho da Lua Cheia. conforme números da Associação dos Produtores Artesanais de Cachaça de Salinas (APACS).Trabalho da moenda ao comércio A lém dos produtores e seus familiares. Casada e mãe de dois filhos. Boa parte dessa gente é formada por jovens de ambos os sexos. de Antônio Eustáquio Rodrigues. carregadores e motoristas. No auge da produção. “A tradição teve início pelas mãos humildes de personagens como Anísio. e agora está cursando Administração à distância. cerca de 2 mil moradores encontram trabalho direto ou indireto no município. Conheceu o marido na tanoaria e hoje ele é caminhoneiro. Joana Pereira de Melo aprendeu na prática tudo o que sabe. tanoeiros. muita gente em Salinas sobrevive da cachaça.

Em 2009. Salinas tem mente iniciou uma pós-graduação em poucas oportunidades de trabalho”. pois de Taiobeiras. Tecnologia da Produção de Cana. O patrão defender as qualidades do produto. reconhece. A for- cio graças à oportunidade oferecida por mação escolar lhe deu argumentos para Antônio Eustáquio Rodrigues. ção de cachaça. O curso tem aulas de alimenta- nas. é exigente. ela foi para Montes Cla- ele abriu para mim uma oportunida- ros com a finalidade de fazer um curso de de trabalho na própria região onde preparatório para o vestibular. so de Tecnólogo em Produção de Ca- na orientação técnica durante o plantio chaça. admite que nunca havia imaginado que A história de Darlene Pereira dos um dia trabalharia com cachaça. “Além dela.“A cachaça representa nossa sobrevivên- formaram na nova profissão e imediata- cia”. devendo em média um tonel de 10 mil litros por também cuidar do site da entidade e da semana. Todos eles aprenderam o ofí- venda de cachaças por meio dele. recorda. começou a trabalhar por Joana é o tanoeiro Francino Pereira na Associação dos Produtores Artesanais da Silva França. Ciência e Tecnologia do de lojas especializadas e até em labora- Norte de Minas (IFNMG). Ele e mais dois colegas fazem parte administrativa e técnica. topografia franco crescimento e eu me interessei e outras matérias relacionadas à produ- pelo curso”. a maioria jovens de ambos os sexos . biologia. campus Sali- tórios. o curso aprender uma profissão ligada às ciên- possibilita ao profissional atuar na ad- cias biológicas e ficou sabendo do cur- ministração de uma fábrica de cachaça. que fun- os funcionários são parceiros importan- cionou em condições precárias devido tes e por isso precisam ser estimulados à falta de conhecimento técnico. começou de Cachaça de Salinas (APACS). mas ensina tudo o que sabe Darlene afirma que o avô materno com paciência e respeito. Darlene foi uma das primeiras que se 155 A cachaça faz parte da cultura de Salinas e mobiliza em torno de 2 mil pessoas no auge da produção. Natural mendo o curso aos mais jovens. Surdo-mudo. reconhece. mas para que o trabalho seja bem realizado. “O mercado da cachaça estava em ção. química. emprego como aprendiz na Tanoaria Padre Eus- que muito lhe tem ensinado. Açúcar Um dos profissionais comandados e Álcool. Ele sabe que chegou a ter um alambique. Queria moro”. física. no gerenciamento de Educação. Ela auxilia na profissão. “Reco- Santos é um pouco diferente. Segundo ela. oferecido pelo Instituto Federal e a colheita da cana. completan- táquio e há mais de três anos vive da do o aprendizado teórico.

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O sub- 1857 elevou o lugarejo à condição de solo da região. pio e sempre enfrentaram dificuldades A Lei Provincial de 13 de julho de devido ao clima quente e seco. ser escrito com a grafia atual. é rico em sede de distrito. a região apresenta dinamismo na agricultura e na pecuária A produção de cachaça é alternativa econômica do município . ocupando o quarto res. a aguardente A agricultura e a pecuária são as princi- de cana já fazia a festa dos aventureiros pais atividades econômicas do municí- em seus momentos de descanso. a Minas Novas. a Lei 1870 transformou o mas o rio continua sendo um dos mais lugar em cidade. A esta- gem direita do ribeirão Calhau. entre 1830 e cionar em 1942 e hoje está desativada. Por ali passou Boa Vista. A cidade onde fica a cidade. mais tarde. 1840. Araçuaí era a capital do ça desses homens atraiu muitas mulhe- nordeste de Minas. Em 21 de setembro do ras grandes”. Com a Frio e. no entanto. O lugar ção de trem da cidade começou a fun- deu origem à atual Araçuaí. traziam mercadorias da Bahia. a navegação. A presen- Até 1891. As aves se foram. Ali aportavam canoeiros que tátua na praça da Matriz. cujo nome passou a importantes do Vale do Jequitinhonha. na mar- a estrada de ferro Bahia– Minas.araçuaí O rio das araras grandes O nome Araçuaí é de origem in- de Villa de Arassuahy ocorreu em 1° de dígena e significa “rio das ara- julho de 1871. elas seguiram lugar entre os municípios mineiros em rio acima. o movi- No século XIX. Expulsas pelo padre. No século XVIII. abertura da estrada de rodagem. Além das mulheres. de Luciana Teixeira. A instalação do nome minérios e pedras preciosas como tur- 157 Além do subsolo rico em minérios e pedras semipreciosas. prin- município foi ligada à comarca do Serro cipal afluente do Jequitinhonha. o padre Carlos Perei- mento de ônibus e caminhões substituiu ra de Moura fundou a Aldeia do Pontal. mesmo ano. o cresceu às margens do rio Araçuaí. homenageados com uma es- tinhonha. pondo fim à atividade dos na confluência dos rios Araçuaí e Jequi- canoeiros. achando abrigo na Fazenda número de comerciantes.

 A cidade é também conhecida cípio do norte do estado. na produção de cachaça artesanal uma A estrada de ferro Bahia–Minas passou alternativa econômica. topázio. entre elas o rubi. Salinas e outras tos pelos artigos de que necessitam. O comércio araçuaiense foi perden- Araçuaí adentrou o século XXI como do a força no final do século XIX. Por ali passavam movimentada. que contudo Ao longo de muitos anos. lítio. propiciou a perto de 40 mil habitantes. na qual os lavradores da mercadorias oriundas do Serro. começou para trocá-los por carne-seca. A cidade hoje tem Miguel do Jequitinhonha. A cidade encontrou locada da Bahia para o Rio de Janeiro. Existem quase 80 tipos de pedras ou gemas coradas brasileiras catalogadas pelo boletim de preços do Ministério das Minas e Energia. o topázio imperial. que aguardavam os tropeiros na Fazenda da Barra do Piauí. mas ao tipo de solo e ao clima da região Essas mudanças enfraqueceram a economia de Araçuaí. comunicação direta entre a estação de crisólita. a ametista. a safira.malina. Coração do Vale tem a qualidade atribuída não apenas ao processo de qualidade na produção. pela qualidade de sua cachaça e pelo talento de seus artesãos. que ain- produtos agrícolas nas fazendas da re- da atrai compradores de vários lugares. onde eram recebidos pelos tro- contribuiu significativamente para me- peiros. aberta no lhorar o cultivo da cana e a produção meio da mata entre aquela cidade e São de cachaça na região. gião. berilo. 158 . Fonte: Ministério das Minas e Energia. queijo e a extração de pedras coradas. O auge dessa atividade se deu na No entanto. quando as tropas mu- de minério no município é a Companhia daram sua rota para o sul do estado. a esmeralda. região vendem ou trocam seus produ- Peçanha. a turmalina. O mercado municipal é uma praça de grande movimento. o crisoberilo olho de gato e a alexandrita. Araçuaí ainda mantém um comércio expressi- funcionou como entreposto comercial vo. a única indústria extrativa década de 1880. apesar da fama de do Jequitinhonha. a água-marinha. atividade comercial concentrou-se qua- Os armazéns do município viviam abar- se toda em torno das feiras e a cidade rotados de sal e outros produtos de tem hoje grandes armazéns. beira-mar. cassiterita e trem e os distritos mais férteis do muni- quartzo. A escola agríco- a transportar os produtos até Teófilo la mantida pela diocese do município Otoni. A importação foi des- “cidade do já teve”. Brasileira de Lítio (CBL). pedras coradas Pedras preciosas e semipreciosas. Ferros. Em 1901. feldspato. água-marinha. A cidades do norte e nordeste do estado. Minas Novas. A estrada de rodagem. in- um dos principais municípios do Vale fluenciando a decadência da navegação do Jequitinhonha.

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Seu avô busca também melhorar sua imagem. 3ª edição. favorecem o plan- Minas Gerais (Sindbebidas-MG). Fonte: Novo Aurélio . desde cedo usada duto foi lançado durante a Expocachaça na produção das melhores aguardentes. gais”. a ros. foi produ- usando embalagens diferenciadas e per- tor da cachaça Sarajá. e num evento de degustação em Araçuaí está relacionada ao tipo de realizado no Mercado Central. que chegou a ser seguindo a padronização do produto. para transporte de objetos e mercadorias sobre bestas. O pro- tio da cana-de-açúcar. tem sido chaçaboa. que se refere tanto 160 . paterno. Mas o pai e “A Coração do Vale é produzida e co- os tios não deram continuidade à tradi- mercializada segundo todas as normas le- ção que ele resolveu retomar. É o que ga- blend elaborado a partir da produção dos rante o presidente da Cooperativa Ca- 25 cooperados da Cachaçaboa. Esse melhoria e na divulgação da cachaça Co- mesmo produto certamente seria trans- ração do Vale.O Dicionário da Língua Portuguesa . muito apreciada na cidade. Nuno dos Santos. bem como o Cerveja e Bebidas em Geral do Estado de tipo de solo do lugar. um ao próprio clima da região. aprimorada a cada dia e a Cooperativa mais conhecido como Toninho. de Produção de Cachaça de Alambique e desde então vem se empenhando na de Araçuaí e Região (Cachaçaboa). Antônio Luiz Moreira Santos. como de sua geração que se interessou pela fizeram até meados do sécu- produção de aguardente de cana. garante Toninho. e os tropeiros ainda cruzassem Toninho tem 13 irmãos e foi o único o Vale do Jequitinhonha. A tradição Indústrias do Estado de Minas Gerais de se produzir cachaça na região vem de (Fiemg) e o Sindicato das Indústrias de longe. Editoria Nova Fronteira. o Ins- desciam o rio Araçuaí levando e trazen- tituto Evaldo Lodi (IEL)/Federação das do toda sorte de mercadorias. à cana utilizada nos alambiques e na capital mineira. (festival realizado anualmente em Belo A qualidade da cachaça produzida Horizonte). A nova cachaça. portado também pelos antigos canoei- mediante parceria com o Sebrae-MG.Século XXI. também solo. que ainda naquela época subiam e Prefeitura Municipal de Araçuaí. feita pela Cooperativa Araçuaí e Região (Cachaçaboa) em 2009.A cachaça do Coração do Vale S bruaca Saco ou mala de couro cru. Bolsa de couro. 1999. provavelmente levariam em suas sumiu a presidência da Cooperativa de bruacas muitas garrafas da aguardente Produção de Cachaça de Alambique de Coração do Vale. O clima semi-árido. Ele as- lo XX. lançada no mesmo ano.

que desenvolve iniciativas para unir os produtores em torno da produção e venda da bebida . “Sabemos produzir e a entidade está nos ajudando a vencer os obstáculos comerciais”. mediante a utili- tonéis de jequitibá. finanças.à legislação federal. “O projeto é Sebrae-MG. elementos químicos que podem prejudi- registro. Toninho se cooperativa da cachaça mais bem estru- diz otimista com relação à parceria com o turado de que tem notícia. madeira muito encon- zação de rótulo e embalagens diferen- trada no Vale do Jequitinhonha. isenta de sitos para a padronização. Para elaborar a Coração do Vale. corte e moagem da cana. Todo esse trabalho possibilitou o aprimoramento dos cooperados em métodos gerenciais relacionados à administração. que dispõe de requi- ção” – a parte boa da bebida. analisa. ção inerentes à cachaça brasileira. atividade. quan- Quem degusta a cachaça sente no olfato to aos licenciamentos necessários para a e no paladar as propriedades da bebida. estocagem. “Nosso Por essas e outras. afirma que Araçuaí tem o projeto de nais e internacionais”. armazenamento. A princi- ciados que se adequaram à padroniza- pal dificuldade dos produtores são as ção da nova marca de aguardente. classificação. entre elas a capacitação dos produtores para o associativismo e o cooperativismo. a técnica do Se- problema é a falta de distribuição e de di- brae-MG na microrregião. que acarretou uma série de financiado pelo BNDES e a cidade produz iniciativas. Um dos diferenciais da cachaça A cooperativa buscou também melhorar de Araçuaí é o fato de ser envelhecida em a imagem do produto. inspeção. produção e fiscaliza- car o sabor e a qualidade da aguardente. barreiras para entrar no mercado. custos e meio ambiente. Kênia Cardo- vulgação junto aos consumidores nacio- so. os produtores utilizam as melhores práticas de produção nos processos de plantio. produção. fermentação e destilação do caldo. Eles dedicam especial atenção à separação das frações de cachaça. fazendo uso apenas do “cora- 161 Toninho está à frente da Cachaçaboa.

visando à produção de 1.br 162 . A mão de obra é basicamente familiar e o subproduto é utilizado na pecuária local e na produção de adubo orgânico. a Cachaçaboa foi formalizada como cooperativa em 2004 devido à necessidade de unir forças para levar à frente um produto de qualidade. especialmente nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. o projeto desenvolvido na região contempla a busca de mercados potenciais. afirma. (33) 3731-4432 cachaca@mesovales. sendo que três delas podem chegar a 100 mil litros de cachaça por ano. além de servir como base energética de combustível para a destilação. Cada unidade de produção rural tem capacidade para destilar até 40 mil litros.uma excelente cachaça”. A entidade foi estruturada com uma planta industrial para o beneficiamento secundário da cana. A expectativa é que a produção da Cooperativa Cachaçaboa atinja pelo menos 300 mil litros em 2010. além do planejamento de marketing. O desafio agora é desenvolver estratégias de comercialização do novo produto.org. cada um deles empregando de quatro a cinco pessoas na região. Em 2010. Reúne 25 produtores.2 milhão de litros de cachaça por ano. Surgida inicialmente em 1999 como um projeto para organizar a atividade dos produtores.

Rainer. Enquanto o criador da famosa marca. Foi trabalhar na escola agrícola do município. chegou a conhecer pequenas fábricas de destilados à base de trigo e batata. Na sua opinião. sugeriu produzirem aguardente em parceria e montou um alambique em sua pequena fazenda. Morando na Índia. muito tradicionais na região. adaptouse tanto à vida do lugar que chegou a ser secretário municipal de Agricultura. Casou-se com a jovem filha de um garimpeiro. Até então. o vinho e o conhaque. cujo mercado tinha a produção agrícola como carro-chefe. Um amigo seu. Ainda na Alemanha. Darlan Nepomuceno. ajudou a fundar o Partido Verde em seu país e chegou ao Brasil em 1987 por meio de um convênio do governo alemão com a diocese de Araçuaí. Ele morou em Berlim e em várias cidades do mundo. lembra Rainer. Rainer. Heinrich Nicolaus Busselmann vive em Araçuaí o que chama de sua “terceira vida”. com quem teve dois filhos. Lembra-se de que em países como a França uma boa estratégia foi patentear como patrimônio histórico e cultural os produtos feitos artesanalmente. Rainer tem muito a oferecer no quesito comercial. 163 . Naquela época. Como fabricante e bom bebedor. como o queijo. no norte da Alemanha. Ainda na Alemanha. ele era secretário de Agricultura e enfrentava o problema da informalidade no setor de produção de cachaça. e vive da produção de cachaça e da criação de cabras e galinhas em sua pequena propriedade. “Acompanhei de perto todo o processo e aprendi as manhas do negócio”. Rainer participou da luta para salvar a agricultura familiar. Pouco a pouco. mas pode oferecer como diferencial a qualidade de seus produtos. no município de Salinas. acompanhou de perto a integração da economia nacional na então Comunidade Europeia. acredita. levou-lhe de presente uma garrafa de Havana. Um dos fundadores da Cooperativa Cachaçaboa. Sua irmã. ele diz que a cachaça acalma o espírito. produtores de destilados feitos de pera e ameixa. “Essa ideia pode salvar os pequenos produtores brasileiros de alimentos e bebidas”. com a missão de adaptar o sistema de produção europeu à agricultura familiar de subsistência. O alemão começou a produzir cachaça em 1999. que não entendia nada sobre a bebida típica de seu país. como é conhecido na cidade. preferia beber cerveja. às margens do rio Araçuaí. estudou agronomia e sociologia. Curioso pelos processos de destilação. Morava na Alemanha quando provou cachaça pela primeira vez. estudou o assunto com amigos do sul da Bavária. foi se tornando um especialista em destilados.A terceira vida de Rainer Natural de Osnabrück. Anísio Santiago. conheceu uma bebida feita de ar- roz. que até então predominava em boa parte da Europa. típica do Vale do Jequitinhonha. acabou se transformando num produtor de boa cachaça. “Quem não atingia os objetivos e regras previamente estabelecidos era automaticamente excluído do processo”. alimenta a boa prosa com os amigos e tem tudo para ajudar no crescimento econômico de Araçuaí. que trabalhava como assistente social da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-MG). muito antes de pensar no Brasil. o pequeno produtor não tem como competir na quantidade ou no preço. recorda. plantava cana para alimentar o gado de leite.

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cada neto de Quinzinho ras ao lado da caldeira e do alambique. e a irmã Is- tro filhos. que se recorda de quan- mil habitantes. a Roseira. se envolveu com o ne- numa área de 474 km².sul do estado Da Roseira de Paiolinho a Colinas do Sul O município de Poço Fundo. tem apenas 15. a 10 km da fa- no entanto. atividade bebida. cachaça que ficou afa- impregnada no DNA da família. mair. concentra-se no distrito de zenda. há 15 alambiques. Ele foi o deixava a gente passar no calçamento. A primeiro produtor rural da região e mon- gente tinha que subir pela rua da cadeia. o pa- em sociedade com o irmão Naro. ainda nos anos 1950. “A gente chegava na cidade e ti- Paiolinho. Olívio. Joaquim (mesmo sul do estado. zenda do Brejo Grande para a produção de rapadura e cachaça. Todos carregam Quem seguiu com a produção da Roseira na memória e no jeito de falar a rotina de 165 Colinas do Sul surgiu a partir da união de cooperados de Poço Fundo e de Machado. média de para vender dois barris de 100 litros de um para cada mil moradores. em torno da Coopercasul . em 2004. A maioria. Chegou a produzir aquim continuou a produção da Roseira 80 litros por dia. Ele cangava os bois de madrugada no entanto. Zico Rosa. Rosa seguiu seu rumo. a cachaça Izaltina. distribuídos do. dona triarca passou o alambique para os qua- Augusta produz a Paiolinho. Nos anos 1970. ainda jovem. Darílio e Ari.9 nome do avô). no foi seu Olívio e o filho. tou nessa época uma engenhoca na fa- mas sem fazer barulho”. Daí. Com a morte de Olívio na década de 1990. cachaça em Poço Fundo. O carro cantava e a polícia não Costa). gócio. de onde surgiu a tradição da nha de parar na entrada e passar sabão produção da cachaça das mãos de seu nos eixos do carro de boi para não fazer Quinzinho Rosa (Joaquim Francisco da barulho. cuidava da qualidade da a própria marca de cachaça. Seu Jo- mada na redondeza. seus filhos resolveram dividir Quinzinho Rosa gastava horas e ho- a fazenda. Em toda a região. mas produzindo Com paciência.

utilizam a da Agricultura. ao lado Por meio do projeto Gestão Estratégi- das dornas de fermentação e do calor da ca Orientada para Resultados (GEOR). da cabeça e da cauda. isto é. por exem- Neste momento. explica que essa de- de Machado. Criada com os cooperativa. A primeira etapa das ações do Sebrae- “O levantamento que fizemos mostrou MG. Hoje. sendo que rais começaram a participar de palestras de apenas os produtores que estão dentro sensibilização sobre cooperativismo. um dos 60 cooperados. a iniciativa ganhou corpo em terminação foi inscrita no estatuto e apro- março de 2005. Essa primeira ação serviu de parte nobre da cachaça. a Coopercasul. afirma Anderson. o Sebrae-MG identificou uma melhora significativa da qualidade dos 166 . chamada “linha de campo”. equipamentos incompletos (au- já fizeram do ofício a cachaça de cada um.quem cresceu no meio do canavial. O presidente da alcançar novos mercados. Luiz (filho de alambiques fora dos padrões. a região se prepara para plo). a con- das normas podem fornecer cachaça para vite do Sebrae-MG. quando os produtores ru- vada por todos os cooperados. de 21 municípios da região. sência de filtros e decantadores. Em dois anos. fora as adequações suporte aos produtores para que eles deixas- ambientais e de higiene”. Pecuária tores num novo patamar de qualidade para e Abastecimento (Mapa). Hoje essa lise de elementos –. ficou estabele- criar uma associação (ou cooperativa) para cido como pré-requisito para participar da fortalecer a produção regional de cachaça. No início havia muitos bisnetos de Quinzinho Rosa. produtores perceberam a necessidade de Para mudar esse quadro. Coopercasul. com fotos. os nhoto diretamente nos cursos d’água. Anderson da Costa (bisneto alambiqueiros de Poço Fundo e da cidade de Quinzinho Rosa). e normas técnicas que situação mudou. sem a informalidade. sendo que alguns produtores ainda um novo ciclo de expansão. aroma e aná- coração. o caldeira. buscassem o registro e fizessem as adequações necessárias. os percasul em 2005. compre- que parte dos alambiques do sul de Minas endeu um diagnóstico da produção de cada produzia a cachaça de ‘bica corrida’. Desde 2004. avaliação aquela em que não se faz a separação do da cachaça – aparência. desde a sua fundação. sabor. Os irmãos garantem que o cheiro Sebrae-MG entrou como parceiro da Coo- que vem do berço é o da cachaça. após a profis- usavam a queima da lenha e jogavam o vi- sionalização da atividade. a ade- O caminho pareceu a solução ideal para quação do engenho às normas de produ- agregar valor à produção e inserir os produ- ção do Ministério da Agricultura. Todos os nossos 30 coope- deveriam ser adequadas junto ao Ministério rados. com estrutura dona Augusta) e Anderson (filho de Joaquim) rudimentar.

seguiram os passos do patriarca. Seu Quinzinho Rosa .Os produtores Zico Rosa e Joaquim da Costa. de Paiolinho.

do bagaço. A meta da Cooperativa é vender a cachaça Colinas do Sul em todo o território nacional e.alambiques e da produção. 168 O produtor Avelino José Capela. engarrafa- xas de fermentação apenas de aço inox ou mento e venda. análises químicas. das cinzas da caldeira (UFLA) e do Ministério da Agricultura. os cooperados contaram mais uma vez com consultoria do Sebrae-MG para estabelecer o padrão de qualidade da marca que iria representar dali para a frente a cooperativa: a Colinas do Sul. o qual recomenda o controle do técnicos da Universidade Federal de Lavras vinhoto. e a outorga do uso da água. ml de álcool anidro. o teor de acidez máximo estabelecido pelo Mapa é de 150 mg/100 convencionais solicitadas nos órgãos competentes. separação dos álcoois superiores.com. a cooperativa exige um Ao produtor cabe entregar a cachaça teor abaixo dos 90 mg. aço carbono. procedimentos certos de aproveitamento sustentável – bagaço e vinhoto –. que contou com a colaboração dos biental. paralelamente. Por esse motivo. A taxa de cobre é de dentro do padrão estabelecido. Tudo isso passou a ser padrão entre os cooperados. no mercado internacional. A segunda etapa de conformação da Coopercasul tratou do seu estatuto e da eleição dos diretores. é cobrado do produtor o uso de cai- – transporte. é um dos cooperados da Coopercasul . Em seguida. separação dos álcoois supe- (35) 3283-1023 / (35) 9146-7523 coopercasul@yahoo.br riores e rigoroso controle ambiental. a cooperativa Todos os cooperados tiveram ainda que estabeleceu um padrão rigoroso de quali- se adequar a um projeto de controle am- dade. Além perativa faz todo o restante do processo disso. fora as licenças Para se ter ideia. Correções na estrutura do engenho. todos os cooperados fazendo um esforço muito grande para se adequarem. de Cambuí. a coo- 4 mg/l e a graduação alcoólica 47 GL.

afirma o vice-presidente. com capacidade produtiva estimada de 2 milhões de litros de cachaça por ano. Estamos buscando uma visão moderna. sendo a maioria ocupação de mão de obra familiar. Vilela defende ainda a cooperativa como solução para os pequenos produtores. oferece infraestrutura para comercialização e representa os produtores junto aos órgãos governamentais”. “O cooperativismo agrega valor ao produto. O vice-presidente da Coopercasul. teremos dinheiro e caixa para contratar um gestor e manter uma cooperativa-empresa. com estrutura para comercialização. . Ivan Vilela. explica que a parceria ampliará para mais de 60 o número de produtores. a cooperativa do sul de Minas gera hoje cerca de 500 empregos diretos e mais de 100 indiretos.Joaquim Silvério é alambiqueiro da propriedade de dona Augusta Costa Novas perspectivas no mercado A Coopercasul está fechando uma parceria com a Cooperativa dos Produtores de Cachaça de Alambique da Região Centro-Oeste de Minas Gerais. que ofereça sede com melhores equipamentos e vendedores nas regiões. Segundo dados da Associação Comercial de Poço Fundo. A nossa ideia é consolidar a marca em Minas e depois partir para os outros estados”. “Com um número maior de cooperados após a fusão. com o objetivo de fortalecer as duas regiões produtoras e ampliar o mercado das marcas Colinas do Sul e Real.

170 . o selo do Inmetro.58 me divisão geográfica utilizada pelo Se- milhões. apenas 10. de de mais de 600 mil empregos. e renda. jun- do total de produtores.8 estão distribuídos em 17 cidades das milhões de litros foram exportados. E lência de associações e cooperativas as microempresas correspondem a 99% de produtores que desenvolvem. parcela mínima da bebida é destinada ao um atestado que garante essencialmen- mercado externo. destacamos 81 mar- sileira. O principal destino é a Alema- brae-MG em seus projetos. Indústria e Comércio. segundo nú- te o padrão de qualidade da bebida meros do Ministério de Desenvolvimen- que chega ao consumidor. sobretudo na geração de emprego mercado internacional. Ou fundamental importância na economia seja. uma até o final de 2009. É uma síntese da realidade bra- Nesta edição. há uma avenida de crescimento no local. dentro e fora do país.As cachaças de Minas Gerais P or todo o estado a produção da nha (terra da cerveja). Em 2009. Minas Gerais se destaca como mercado.7 bilhão de litros. segun- Minas Gerais. São produtos de exce- do o Instituto Brasileiro da Cachaça. Em alguns 180 empresas exportadoras. diretos e organização do setor e de ampliação do indiretos. a bebida tem a bebida para mais de 60 mercados. No Brasil. São aproximadamente milhares de famílias. como em Salinas. Cachaças polo de produção de cachaça artesanal. o setor tamente com o Sebrae-MG. que enviam casos. – Minas Gerais registrou também as his- Com capacidade instalada de produ- tórias dos produtores que obtiveram. responsável por cachaça de alambique mobiliza 24% dessa fatia. Os produtos to. ge- cinco macrorregiões de Minas. confor- rando uma receita de apenas US$ 15. ção de mais de 1. que reúne atualmente mais de 40 cas diferentes de cachaça artesanal de mil produtores de 4 mil marcas. ações de da cachaça é responsável pela geração melhoria da qualidade do produto.

171 .

Região Central Belo Vale Gavião do Vale  Morro da Garça betim Minha Deusa e Vale Verde  Esmeraldas  Betim  Brumadinho  Belo Vale brumadinho Água da Bica e Sonhadora morro da garça Prosa & Viola e Terra de Minas esmeraldas Prazer de Minas 172 .

Região Leste  Marilac  Governador Valadares marilac Cachaça Verde Amarela governador valadares Uirapuru 173 .

de Minas uberaba Cachaça Lenda do Chapadão  Uberaba  Conquista 174  Araxá .O.Região Oeste araxá Cachaça Carnaval e Segredo de Araxá conquista P.

Região Sul boa esperança Serra da Boa Esperança piranguinho Dedo de Prosa   São Gonçalo do Pará  Boa Esperança poço fundo Colinas do Sul  Poço Fundo  são gonçalo do Pará Cachaça DJ 175 Piranguinho .

Região Norte  Salinas  Araçuaí  Claro dos Poções 176 .

araçuaí Coração do Vale claro dos poções Branquinha de Minas salinas Anísio Santiago e Havana salinas Artista salinas Asa Branca salinas Beija-Flor salinas Baluarte salinas Beleza de Minas salinas Boazinha salinas Brinco de Ouro e Brinco de Prata salinas Cachoeira salinas Cana de Ouro e Cana de Prata salinas Canarinha salinas Canardente salinas Dona Moça 177 .

salinas Erva Doce salinas Fabulosa salinas Flor de Salinas salinas Hanavilhana salinas Indaiazinha salinas Indiana salinas Lua Cheia salinas Majestade salinas Meia Lua salinas Memória de Salinas salinas Monte Alto salinas Peladinha salinas Puricana salinas Rio Salinas salinas Sabiá salinas Sabinosa salinas Sabor de Cana salinas Sabor de Minas 178 .

salinas Sabor de Salinas salinas Saliboa salinas Salicana salinas Salideira salinas Salimel salinas Salineira salinas Salinense salinas Salivana salinas Segredo de Salinas salinas Seleta salinas Sobradinha salinas Só Luar salinas Tabua Flor de Ouro e Tabua Flor de Prata salinas Terra de Ouro salinas Salideira 179 salinas Salineira salinas Valiosa .

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188 Novo colecionador. 188 Inspiração literária. 188 Oração do Pau-d’Água. 192 Engenho Boa Vista. 183 Museu da Cachaça. 194 Berços de boa madeira. 195 Dicas de leitura. 187 Musa dos Sambistas. 186 Xico da Kafua. 190 Clube Mineiro da Cachaça. 196 181 . 191 A arte da tanoaria.saideira Cachaça de A a Z. 185 Raridades em Caeté. 189 Leveduras selecionadas. 193 Degustação de cachaça.

Bagaceira Abrideira Badalo Atitude Abençoada Caiana Danada Elixir Faísca Cumbica Dengosa Endiabrada Garapa Homeopatia Gororoba Januária Imaculada Isca Jurubita Jinjibirra Não-sei-quê Levanta-velho Katiassa Lindinha Limpa-goela Marvada Mulatinha Mé Nó-cego Orontanje Purgante Óbsessão Prego Queima-pé Rama Tremedeira Santinha Trago Saideira Talagada Xixi-de-gato Tiúba Uca Umazinha Vexadinha Uísque-de-pobre Zombeteira .

entorta-pé. glostora. chá de cana. azulzinha. boresca. consolação. antibiótico. Badalo. cobertor de pobre. cem-virtudes.Danada. ardosa. engorda-marido. caxiri. girgolina. desmancha-samba. chibatada. acalma-nervo. generosa. brasa.o Cachaça de A a Z A cachaça. catuaba. catuta. cascavel. apaga-tristeza. arrupiada. arrebenta-peito. bagaço. birita. braseira. capim-santo. branca. aquela que matou o guarda. fogo. dona-branca. arapari.Faísca. guampa. giribita. canguara. bagaceira. calibrina. aguardente. distinta. cumbica. atentada. azuladinha. cascabulho. faz-xodó. aguinha. cauim. caninha. azougue. caxaramba. assovio de cobra. A B C . desabafa-peito. F . azinhavre. birinaite. listamos quase 300 denominações distintas. birinata. bambu-amigo. ou em diferentes grupos sociais. . De A a Z. abrideira. . que já fazem parte do folclore nacional. goró.Cabreira. canica. bico. cura-tudo. catinguenta. A seguir. chica-boa. cumbeca. estricnina. grogue. a grande variedade de nomes da bebida revela a criatividade dos bons bebedores. Elixir. água de briga. amansa-sogra. boazinha. filha de senhor de engenho. cha- 183 D . gramática. gororobinha. espanta-moleque. canjebrina. consola-corno. esquenta por dentro. baronesa. aça. bicha. água que passarinho não bebe. desde as suas origens no Brasil Colônia. fruta. acuicui. água-benta. fogosa. . caiana. cumulaia. E . desmanchadeira. canha. esquenta-peito. douradinha. água-maluca. chinelada.Homeopatia. fogo-molhado. comadre. dindinha. brasileira. cavalo-arriado. brava. dengosa. fanta. chicote. o destilado de cana que melhor representa a alma brasileira pode ser identificado por meio de expressões solenes ou bem-humoradas. braba.Garapa. capote de pobre. boinha. bichinha. antioxidante. dengosa. canicilina. ditadura. boa. bebida de pobre. água-doce. fechacorpo. engasga-gato. anacuíta. atitude. chorinho. calorenta. branquinha. espírito. depurativo. endiabrada. borbulhante. choro. Em cada região do país. congonha. G . caxirim. champanha da terra. forra-peito. bafo de tigre. ariranha. puletada. ganhou uma infinidade de apelidos. gororoba. chora-menina. garapa-doida. gengibirra.Abençoada. H . gás. cobreira. bicarbonato de soda. água de cana. gororoba. cana. aguarrás. de colarzinho. amarelinha. doidinha. boa ideia. faz-dodó. bota-fora. amansa-corno. café branco. cachorro de engenheiro.

marafo. mania.Lágrima de virgem. piloia. .Maçangana. tome-juízo. T . tiúba. lindinha. tiguara. orontanje. santinha. pilora. isca. piribita. paP trícia. mamãe de aluana. venenosa. mamadeira. mangaba. perigosa. tira-prosa. lebreia. levanta-velho. proletária. malunga. moçabranca. jinjibirra. mata-bicho. mandureba. imbiriba. incha-cara. monjopina. moça-loura. .Januária. malafo. penicilina. roxo-forte. retrós. otim-fim-fim. remédio.Saideira. sinhazinha. lanterneta. uminha. talagada. otim-fifum. limpa-goela. . urina de santo. tapa no beiço. malvada. xixi de gato. quebra-goela. quebra-munheca. xinapre. virtude.White water. preciosa. uísque de pobre. . tremedeira. lamparina.Velha-aroeira.Não sei quê. suor de alambique. . trago. semente de arenga. umazinha. imaculada. lisa. jurupinga. . tira-teima. zuninga. jura. . maria-branca. . U V W X Z . vexadinha. . .Xarope de bebo. purgante. meu-consolo. injeção. passa-raiva. maria-teimosa. prego. . virgem.Quebra-gelo. sururuca. pechincha. restilo.I J K L M N O P. matuaba. martelada. óleo de cana. pindaíba. parda. tenebrosa. sumo da cana. jeribita. . porongo. teimosa. Q R S . mijo-santo. lapada.Zombeteira. Iaiá me sacode. pela-goela.Katiassa. samba. terebintina. queima-pé. xixi de anjo. sete-virtudes. mé. mamãesacode. legume. nó-cego. ximbica. tira-juízo.Obsessão.Rama. omim-fum-fum. mijo de câo. jurubita. parnaíba.Tafiá. mulatinha. 184 . urina de gato.Uca. tiquira. pinga. marvada. pitu. pura. .  arati.

br ou www. desde os primeiros relatos no Egito Antigo com o surgimento da cerveja até os dias atuais. com rótulo datado de 1935. o visitante pode fazer uma viagem no tempo pelos painéis que ilustram a história da bebida.com.valeverde.00 (adulto) e R$ 7.br . como o alambique de cerâmica.00 (adulto) e R$ 5. por exemplo. Por meio de uma ação judicial. precursor dos alambiques de cobre. dedicada ao jogador de apenas 17 anos.Museu da Cachaça Cachaça. que conquistaria a Copa de 1958 com a Seleção Brasileira de Futebol.cachacavaleverde. km 39 – Bairro Vianópolis. ele pensou em construir um espaço para contar a história das bebidas e. Região Metropolitana de Belo Horizonte. que é hoje parte do legado cultural e gastronômico de Minas. Na época. Há também peças que fazem parte da história da cachaça mineira. Consolo de Corno ou Granfina? Estas marcas fazem parte do acervo de mais de 1500 garrafas do Museu da Cachaça. e a Pelé Caninha. Apenas cinco unidades teriam sobrado nas mãos de colecionadores e uma delas faz parte deste acervo. o museu teve início quando o empresário e produtor da cachaça Vale Verde. todas as garrafas foram retiradas do mercado. Inaugurado em 1989 no Vale Verde Alambique e Parque Ecológico. Pelé não gostou da homenagem por ter seu nome vinculado a uma bebida alcoólica. da cachaça. Luiz Otávio Pôssas Gonçalves. Amansa Sogra. Entrada aos domingos e feriados: R$ 15. adquiriu uma coleção com cerca de 350 marcas. Mais informações: (31) 3079-9171. no município de Betim. Bárbara Monteiro Que tal conhecer as cachaças Iracema.com. que funcionava com tração animal.50 (criança). e uma antiga moenda. Entrada de segunda a sábado: R$10. www. Naquela época. a máquina usada para encher com aguardente as garrafas e garrafões. O acervo do Museu da Vale Verde conta com algumas raridades: a cachaça Chita. No Museu da 185 .00 (criança). em especial. Museu da Cachaça Vale Verde Alambique e Parque Ecológico Rodovia MG 50.

Numa área de 100 m². O acervo encanta pela diversidade e as garrafas são o retrato vivo da história da produção de cachaça no Brasil. na Região Metropolitana de Belo Horizonte. de Teófilo Otoni. esta última uma aguardente de mandioca produzida no Maranhão. 3651-8757. Estrada da Fazenda Ouro Fino – Caeté. produzida por Júlio Laender. da primeira safra.7 mil marcas diferentes de aguardente. quando Paulo Diogo trabalhava em João Pinheiro (MG).br . 9999-6960 ou www. Visita mediante agendamento prévio. . Há também curiosidades como O Babão (aguardente de quiabo) e Tiquira. na década de 1970. onde decidiu comprar todas as 13 marcas expostas na prateleira de um boteco. De Salinas.Raridades em Caeté Museu da Cachaça de Caeté Sítio Vale do Ipê.com. Curvelo e Januária. além das principais marcas produzidas nos tempos áureos de Ponte Nova. O médico Paulo Diogo Monteiro de Barros mantém um tributo à cachaça brasileira em Caeté. Mais informações: (31) 3651-2024. ele preserva mais de 8. muito apreciada pelos norte-americanos na época em que estiveram na base montada na região. Localizada no Sítio Vale do Ipê. de 186 1905. o acervo tem raridades como uma antiga Jurema. são mais de 80 garrafas de diferentes produtores e épocas. a coleção foi iniciada despretensiosamente. Além de contar com uma Pelé na coleção. durante a Segunda Guerra. ao pé da Serra da Piedade. e 67 marcas encontradas nas cidades de Paracatu.museudacachacamg. uma antiga Havana. Patos de Minas e Pirapora.

um aficionado da aguardente nacional. que passaram a presenteá-lo. além de equipamentos usados em alambiques. um bem precioso que compõe a nossa vida na cultura. passou a comprar duas garrafas de cada marca. Outras raridades são as garrafas de Pingo de Ouro. de safras que muitas vezes nem os produtores têm mais. produz desde 1853 em Passos.br . 1.195.Um dos principais acervos em Belo Horizonte está aberto à visitação no restaurante Xico da Kafua. quando adquiriu o restaurante.xicodakafua. Mais informações: (31) 3375-2030 ou www. Pouco a pouco. bairro João Pinheiro. Bom bebedor. Natural de Dores do Indaiá (MG). produzida em Santo Antônio do Grama. uma para servir e outra para o acervo pessoal. Murai foi descobrindo outros colecionadores e passou a frequentar feiras. tornou-se conhecido pelos donos de alambiques. Entre as raridades. sentindo seu aroma e suas particularidades”. Além das Divulgação Xico da Kafua garrafas expostas. A partir daí. que. 187 Xico da Kafua Avenida Itaú. Murai define a cachaça como “um espírito de liberdade. “Conservamos exemplares raros. exposições e eventos de degustação em várias partes do país. O proprietário é Murai Caetano de Oliveira. no sul do estado. ele começou a colecionar cachaças em 1984. Para ele. “uma boa cachaça é aquela que degustamos com calma e concentração. os fregueses do Xico da Kafua têm a oportunidade de ver de perto cerca de 2 mil garrafas de diferentes marcas e safras de cachaça. Cada vez mais interessado no assunto. o museu do Xico da Kafua mantém exemplares de 20 marcas ofertadas por fabricantes especialmente para degustação. segundo ele. uma das melhores cachaças do país. o comerciante destaca um exemplar da marca Botica.” Hoje. na gastronomia e nas alegrias de encontros festivos”. na Zona da Mata Mineira.com.

. imortalizada pela caipiríssima Inezita Barroso. de Alfredo Del-Penho e Pedro Paulo Malta. de Laureano. de Minas original. ele nunca comprou uma única garrafa. “Gosto de colecionar por causa dos rótulos. e Amor de Feirante. Resende já formou um acervo com mais de 500 marcas. venha a nós o vosso líquido. Tenho. sambistas da nova geração da Lapa boêmia. Produzido em 2006 pelo músico e pesquisador Henrique Cazes com direção artística de João Augusto. Outro projeto musical que merece destaque é o álbum duplo Cachaça Fina. vários bambas cantaram e decantaram a cachaça. o desembargador Sérgio Resende começou a sua coleção de cachaça em 2006. a P. Aniceto do Império e Zeca Pagodinho.90. Samba. por exemplo. de Salinas. São nada menos que 35 faixas falando de coisas do Brasil – incluindo a cachaça. nos dai hoje / Perdoai o dia em que bebemos de menos. Noel Rosa. Nas viagens pelo estado. Outro clássico que não poderia faltar é Cachaça. Porém. registrando também uma seresta satírica. como uma antiga Havana. Destacam-se no repertório Meu Molequim.O. Preço: R$ 27. produzido em 2003.. Seresta & Baião. Essa cachaça faz parte da memória da minha família”. a ser bebido à nossa vontade. purificado seja o vosso caldo / Aguardente sem mistura. no Triângulo Mineiro.Oração do Pau-d’Água Musa dos sambistas Samba e cachaça sempre fizeram parceria. com Morena & Nelson Câmara. Santa Cana que se extrai da roça. aos contemporâneos Moacyr Luz. O curioso é que Sérgio Resende não é um degustador de cachaça. de Héber Lobato. com Eudes Fraga. com Consuelo de Paula. Graal. Sérgio passou a ganhar de presente dos amigos uma aguardente da região visitada. no Rio de Janeiro. Amém. com Jiripoca Band. 188 . Prova disso é o CD Cachaça dá samba!. Preço: R$ 20. naturalmente. uma embolada e a antológica Malvada pinga (Moda da pinga). explica Sérgio. O disco reúne sambas de primeira. dessa memória que faz parte da cultura mineira. assim no boteco como em qualquer lugar / Cinco litros por dia. algumas raridades. o que pode ser garantia de vida longa à coleção. Lúcio Girão e Marinósio Filho (“Você pensa que cachaça é água?”). o disco reúne 14 composições sobre a aguardente nacional. produzida por Oto Rezende da Cunha em Capinópolis. Hic! Novo colecionador Ex-presidente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Do centenário poeta da Vila. assim como perdoamos o mal que a “marvada” nos faz / Não nos deixeis cair atordoados e livrai-nos da rádio-patrulha.

. Em determinado ponto da narrativa. constatou. o romancista baiano narra as aventuras de um homem dado à bebedeira. o transporte. João Dornas Filho registrou. Riobaldo afirma: “Ali. dado histórico nacional (. o tempo. seu fascínio sobre a mente do povo. poderia dar dignidade à indústria da cachaça. o defunto percorre os pontos de boemia que frequentou para só depois ser sepultado. O quinto será meu caixão. Levado pelos companheiros de cachaça numa espécie de despedida. No fim da minha vida quero morrer de fartura. Isso em pleno século XX. Vou mandar fazer um bicame de madeira de canela. que se afoga no mar da Bahia. o vinho etc. por exemplo. pra passar toda cachaça dos quintos pra minha goela. No romance Grande Sertão: Veredas. o autor que melhor abordou a cachaça do ponto de vista ficcional foi Jorge Amado. o vinho é meu parente. o “sabiá da crônica”. inspirou-se num estapafúrdio projeto de lei que tentava proibir a fabricação. novela escrita em 1959 e publicada no volume intitulado Os Velhos Marinheiros – duas histórias do cais da Bahia. Na obra A Cachaça no Folclore de Minas Gerais. Ele escreveu A cachaça também é nossa. de que não precisa. com o título lembrando o mote “O petróleo é nosso”. cuidando nos alambiques.) Não lhe faço a apologia. Enquanto isso. Registro sua presença cultural. ele menciona indiretamente o ciclo de produção de Januária. No seu famoso Dicionário Folclórico da Cachaça. nas grandes dornas de umburana”.. crônica de protesto contra tal absurdo: “O Brasil é o único país do mundo que não leva a sério sua bebida nacional”. que teriam de ser respeitados. punindo-se severamente as fraudes”. a sepultura. Contudo. Rubem Braga. 189 . como perfeito se faz.. o alambique. E com visão futurista sugeriu: “Por que não estudar seriamente o problema da aguardente de vários pontos de vista. em A Morte e a Morte de Quincas Berro d’Água. a rapaziada suava. a cachaça é uma utilidade pública brasileira.. inspirando vários escritores em diferentes épocas. a venda. o conhaque. amparada pelo governo. Assim essas cachaças – a vinte-e-seis cheirosa – tomando gosto e cor queimada. a compra e o uso da cachaça. Não há festa nem festejo que meus parentes não entre. uma quase ode à aguardente nacional: A cachaça é minha prima.). Mário Souto Maior resgata o pensamento do poeta Carlos Drummond de Andrade sobre a bebida: Queiram ou não queiram seus adversários.Inspiração literária A cachaça serviu de tema para a ficção e a poesia. estabelecendo padrões de idade e qualidade (como se faz em outros países com o uísque. Com o estilo humorístico que lhe era peculiar. desde o da saúde pública até o da exportação?. Outro bom mineiro que não poderia deixar de se referir à aguardente nacional foi Guimarães Rosa. por exemplo. Uma associação de produtores.

Em seguida.Rendimento e qualidade Leveduras selecionadas A pesquisadora e professora da Universidade Federal de Lavras (UFLA). a levedura produz mais cachaça com a mesma quantidade de cana. 190 Os benefícios da UFLA-CA11 são muitos. facilitando o manuseio e diminuindo o tempo de estocagem. além de ter reduzido o teor de acidez do seu produto de 140 mg por 100 ml de álcool anidro para 23mg. Essa tecnologia é um selo internacional de qualidade”. até o final da década de 1990. Segundo a professora Rosane Schwan.8 mil leveduras naturais. desde o alto rendimento na produção de etanol e ésteres. a pesquisadora e uma equipe de alunos do Departamento de Biologia da Ufla coletaram o total de 1. A levedura selecionada ainda se destaca por não produzir os aldeídos na mesma quantidade que as leveduras usadas pela indústria atual. Bahia e São Paulo. começou em 1997 um estudo pioneiro no Brasil relacionado às leveduras selecionadas. Rosane Freitas Schwan. o milho e o farelo de arroz) era de perdas durante o processo produtivo. também tem sua levedura. e a realidade para a maioria dos produtores que usavam apenas o fermento caipira (como o fubá. Esses elementos são responsáveis pela desagradável ressaca do dia seguinte. “O uísque escocês utiliza as leveduras selecionadas da cevada há mais de 40 anos. A empresa LNF Latino Americana (Bento Gonçalves. explica Rosane. o último levantamento da universidade revelou que cerca de 1. passando pelo aproveitamento de quase 100% dos elementos resultantes da quebra de sacarose na fermentação – glicose e frutose –. sendo o produto comercializado também nos estados do Tocantins. que são microorganismos com elevada capacidade produtiva para transformar o açúcar do mosto da canade-açúcar em álcool. RS) atua como parceira no desenvolvimento da levedura selecionada na versão seca e desidratada. Os primeiros alambiques a utilizar a UFLA-CA11 foram os das cachaças Bocaina (Lavras). O objetivo da pesquisa era oferecer aos produtores de cachaça artesanal uma tecnologia que já vem sendo usada pelas principais marcas de bebidas do mundo. retiradas de amostras de caldos de cana de alambiques de Minas Gerais e Goiás. não havia um estudo sobre a fermentação da cachaça. eles isolaram em laboratório a espécie Saccharomyces cerevisiae.2 mil alambiques em Minas Gerais já fazem uso da UFLA-CA11. a Ufla resolveu fazer a transferência da tecnologia com o objetivo de atender um número maior de produtores. reduzindo o custo do alambique. Santa Catarina. denominada UFLA-CA11 e que possui características superiores. A Universidade Federal de Ouro Preto e a Universidade Federal de Minas Gerais também desenvolvem pesquisas sobre leveduras selecionadas. Em 2008. O produtor Antonio Claret Sales conta que conseguiu aumentar em 30% a produção da Bocaina com a levedura. o que elimina a necessidade de centrífuga. Prazer de Minas (Esmeraldas) e Da Boa (Boa Esperança). que é resultado da fermentação da uva. Já o vinho. até o alto poder de sedimentação. No Brasil. . Na prática. Naquela época.

Até o início de 2010. Albernaz afirma que o Clube Mineiro da Cachaça está aberto a todos aqueles que valorizam “o autêntico produto nacional. vizinho do famoso restaurante do Bolão. participação em feiras. que atuam em diferentes estados brasileiros. que recebem regularmente informações sobre o universo da cachaça e participam de eventos relacionados à bebida. é sede do Clube Mineiro da Cachaça (CMC).Clube Mineiro da Cachaça 191 divulgação do mundo”. Em janeiro. congressos e simpósios sobre cachaça. em Belo Horizonte. mas contribui consideravelmente nos debates para a divulgação. divulgação O tradicional bairro de Santa Tereza. atuando junto a órgãos governamentais e associações de produtores.8 mil associados em todo o país. a entidade abriu um bar na Rua Mármore. Para o especialista Murilo Albernaz. a cachaça sempre sofreu com o preconceito que muitos cultivam com relação às coisas genuinamente nacionais. O CMC não tem objetivos oficiais. 373. criado em 2001 para promover a aguardente produzida nos melhores alambiques de Minas Gerais. o trabalho do CMC consistia na produção de eventos. presidente do Clube. A entidade congrega cerca de 1. comercialização e consumo da cachaça mineira. em Santa Tereza. que pode ser comparado aos melhores destilados . No entanto. reconhece que isso vem diminuindo graças ao trabalho dos produtores e de suas associações. além da realização de palestras e degustações em diferentes regiões do país.

A arte da tanoaria A tanoaria é uma arte antiga que consiste na fabricação de vasilhas de madeira para acondicionar vinhos e aguardentes. a cartola e o tonel. bálsamo e ipê-amarelo para atender ao mercado mineiro. Estas vasilhas recebem várias designações. que aprendeu o ofício de tanoeiro aos 22 anos. Um exemplo é a Tanoaria Padre Eustáquio. A fábrica é gerenciada por Joana Melo. é possível encontrar profissionais que vivem cercados de madeiras. pinos e de uma infinidade de peças e instrumentos que fazem parte da arte da tanoaria. O profissional responsável por confeccionar os vasilhames de madeira é conhecido como tanoeiro. 192 . Antônio Rodrigues. a arte da tanoaria continua viva nas terras de Salinas e das Minas Gerais. No século XIX. além dos estados de São Paulo e Bahia. O ofício nasceu na Europa e sempre esteve ligado à produção vinícola. como o barril. aduelas. Hoje. Como Joana gosta de dizer. Em Minas Gerais. ela coordena uma equipe de cinco profissionais que confeccionam barris e tonéis de jequitibá. de Salinas. do produtor da marca Seleta. de acordo com suas dimensões e capacidade de armazenagem. as correntes migratórias trouxeram alguns desses artesãos para o Brasil. que passaram a produzir barris e tonéis para armazenar a cachaça. umburana.

para degustações. a 500 m do centro de Coronel Xavier Chaves. Engenho Boa Vista Sítio Boavista. e da esposa Cida Chaves. em Coronel Xavier Chaves (MG). Nas tardes de sábado. Degustação com petiscos aos sábados. de propriedade de Rubens Resende Chaves (bisneto de Xavier Chaves e descendente direto dos pais de Ti- Cida Chaves e Rubens Resende Chaves mantiveram a tradição secular da família de Tiradentes 193 . que produzem 30 mil litros anuais da cachaça Século XVIII. a 14 km de São João del-Rei. das 10h às 13h. Bárbara monteiro Um dos dois mais antigos alambiques do Brasil em funcionamento está localizado na Estrada Real. Aberto diariamente para visitação. em direção à Fazenda do Pombal. rapadura e licor de cachaça. erguido no século XVIII. Na cidade mineira está o Engenho Boa Vista.Engenho Boa Vista radentes). o casal recebe visitantes. das 9h às 16h. acompanhadas de petiscos. das 10h às 13h. A edificação ainda guarda a atmosfera da época. Mais informações: (32) 3357-1238. A proprietária também faz melado.

Se não tiver aroma. O recipiente mais usual são copinhos de vidro. A primeira é uma avaliação subjetiva que consiste em observar. como maracujá. do alambique à mesa” (Editora Senac). deixando sensação de prazer. abacaxi. “Cachaça. • Após agitação. • Quando esfregada na pele (como nos testes de perfume). as frutas indicadas são as de sabores marcantes. 194 Tipos de copo A melhor forma de saborear a bebida é utilizando um recipiente pequeno (cálice ou copo). • O aroma deve ser agradável. carambola. linguiças e embutidos em geral. Fonte: Livros “Tecnologia da Cachaça de Alambique” (Sindibebidas e Sebrae). degustação e análise sensorial são processos distintos. Em geral. O limite é um dedo abaixo da borda. . • Se envelhecida em madeira. A análise sensorial é uma degustação técnica. apreciar e classificar. É o resultado estatístico da avaliação de grande número de provadores previamente selecionados e treinados. a sensação do retrogosto é harmoniosa. Degustar é uma arte e pede atenção especial para se observar características sensoriais importantes de uma boa cachaça como aparência. • O tato na língua é aveludado. cor. Harmonização A branca é mais indicada para a caipirinha. Este seria o limite ideal para a saúde. Há médicos. Incolor ou dourada clara. • Queima agradavelmente a boca.Degustação de cachaça Todo produtor de cachaça tem como principal objetivo ter o seu produto reconhecido e aprovado sensorialmente pelo consumidor. passe um pouco na pele. Ou seja. Uma boa dica é intercalar os goles de cachaça com goles de água para manter o “bom relacionamento” da bebida com o organismo. a cachaça é boa para harmonizar com pratos de tempero forte. O Mais Brasileiro dos Prazeres” e “Cachaça artesanal. deixe o álcool evaporar e sinta o aroma da madeira. • A cachaça deve escorrer em lágrimas brilhantes pelas paredes internas do recipiente. aroma e sabor: • A aparência deve ser límpida e transparente (ausente de partículas). O ideal é servir a bebida sem transbordar. você pode ter sido enganado (a bebida não é envelhecida ou é de má qualidade). busca-se apenas exprimir o prazer ou o desprazer dos sentidos na experimentação. • Se você gosta de cachaça envelhecida. A cachaça envelhecida deve ser apreciada pura. deixa aroma agradável. com volume aproximado de 20ml. como feijoada. carnes. especialistas e mesmo produtores de cachaça de alambique que defendem o consumo máximo de uma dose diária. deixa suave amargor. avaliar (através de uma escala comparativa ou por analogias sempre subjetivas). pitanga. formam-se bolhas que se desfazem em aproximadamente 15 segundos. Para os especialistas. experimentar. • Após ingestão. Beba sempre em pequenos goles para as papilas da língua avaliarem e transmitirem ao cérebro o teor de acidez. bem condimentados. De modo geral. • A boa cachaça deixa no copo uma oleosidade a escorrer lentamente. • O aroma não pode provocar ardor nos olhos ou nariz. Para a elaboração de drinques. o equivalente a um copinho de cachaça. morango e limão.

imburanade-cheiro. Vinhático Excelentes madeiras amarelas: vinhático-da-mata e vinhático-do-campo. cumaré. garapiapunha ou grapiapunha. Assim como o uísque. angelim-doce. Baixa a acidez e diminui o teor alcoólico da cachaça. livro de autoria de José Carlos e Arnaldo Andrade Ribeiro. angelim-pedra. Madeira universalmente utilizada para armazenagem de bebidas destiladas. óleo-cabureíba. pau-pintado. e Fabricação Artesanal da Cachaça Mineira. Cada madeira confere características peculiares de cor. cabureíba. pau-bálsamo. que não altera a cor da cachaça. atenuando a sensação desidratante do álcool presente. Aranhagato. cabriuva-parda. Confere tom amarelado à bebida. . o rum e o conhaque. Confere cor amareloouro e gosto próximo ao da cachaça pura. Fonte: Associação Mineira dos Produtores de Cachaça de Qualidade (Ampaq). Cerejeira Cereja-galega. Freijó (Frei Jorge) Madeira castanha com listras escuras. Angelim-araroba Angelim-coco. Tecnologia de Cachaça de Alambique. em razão das estruturas peculiares de seus taninos e lignina. angelimde-espinho e angelim-de-folha-larga (acapu). Garapa Fornece madeira de lei de cerne amarelado e ondeado. Fornece cor amarelo-ouro e gosto próximo ao da cachaça pura. cerejeira-daeuropa. Ocorre da Bahia até o Rio de Janeiro e Minas Gerais. Madeira brancoavermelhada ou amarelada e avermelhada. brilho. porosidade ao oxigênio e aos componentes da própria cachaça produzida.Boa madeira Conheça algumas das madeiras brasileiras utilizadas em barris para o envelhecimento da cachaça. garapa-amarela. Elimina o leve gosto de bagaço de cana sem alterar a cor. Jatobá O tronco produz um óleo tido pela cultura popular como medicinal. cabriúva-do-campo. Ocorrência do Nordeste ao Sul do país. 195 Carvalho Ocorrência do carvalho brasileiro da Bahia até Santa Catarina. urarama. angelim-do-pará. cabrué. aroma. Madeira róseo-acastanhada ou begerosada. Amendoim Madeira neutra. Umburana Cumbarudas-caatingas. de branca para amarelada. sabor e adstringência. óleo-pardo. Ocorrência da Bahia ao Rio Grande do Sul e Mato Grosso. Torna a cachaça macia e aveludada. Modifica ainda a coloração. de Amazile Biagioni Maia e Eduardo Campelo. Resulta numa cachaça de gosto forte. angelim-rosa. Bálsamo Cabriúva. angelim-pinima. cereja-dospassarinhos. a bebida passa por um processo de envelhecimento para adquirir boas propriedades sensoriais de aroma e paladar. que fica mais suave. opacas e pulverulentas Jequitibá Jequitibá-rosa. Ipê-Amarelo Garante uma cachaça que desce macio num tom alaranjado. Amarelinha. jequitibávermelho e jequitibá-branco. amburana. angelim-rajado.

elaboração. os textos apontam a trajetória da cachaça desde o seu início. No livro há desde informações históricas sobre o início da produção de cachaça no Brasil até a chegada das primeiras mudas da cana Cayenne ao Rio de Janeiro. a presença da bebida nas mesas humildes e nas sofisticadas. norte de Minas Gerais. Editora Terceiro Nome. 2006. Este livro apresenta a história. ainda.Dicas de Leitura Cachaça. glossário da cachaça para que o leitor possa entender o mundo fantástico da sua alquimia. um passeio pela cultura brasileira com informações sobre cerimoniais que incluem a cachaça até o uso da bebida nas guerras do Império. Possui. O livro aborda a história de sucesso da mais famosa e tradicional marca de cachaça artesanal do Brasil. também. nos canaviais e engenhos brasileiros do século XVI. a conhecida ‘água que passarinho não bebe’. daí cana caiana. cultura e história da cachaça brasileira. ainda. orientações para análise do produto. Editora Anhembi Morumbi. Editora Itatiaia (em sebos) e Global Editora (edição mais recente. faz uma comparação de caráter científico. oriunda da Guiana Francesa. “Há uma tradição de que a cachaça misturada com pólvora provoca a coragem”. É considerada Patrimônio Cultural Imaterial de Salinas e ícone da cachaça artesanal mineira e brasileira em face de sua qualidade. 2006. informações sobre mercado e legislação. A cachaça é a bebida destilada mais consumida no Brasil. Edições Cuatiara. sociológicos e econômicos que caracterizam o país desde o seu descobrimento. serviço e degustação da cachaça. aspectos relevantes da economia. transformouse na bebida de todas as classes sociais. O Mais Brasileiro dos Prazeres O Mito da Cachaça Havana – Anísio Santiago Jairo Martins da Silva. desde a década de 1940. mineira e de Salinas. pelo produtor Anísio Santiago (1912-2002). O livro aborda ainda o processo de fabricação sem tecnicidades tediosas e leva o leitor a conhecer diferentes tipos de cachaça e alambiques. história. tornou-se marca lendária em todo o país. mapas. De norte a sul do país. 2009. . as regiões produtoras. a utilização da cachaça na gastronomia e no preparo de aperitivos e. Com gravuras. a ‘Havana – Anísio Santiago’. No capítulo sobre degustação. Na publicação. Resultado de minuciosa pesquisa do folclorista Luís da Câmara Cascudo. história e sociologia da cachaça. O autor refaz uma viagem na linha do tempo para oferecer aos estudiosos e interessados um detalhado levantamento de etnologia. vencendo os preconceitos que sempre a acompanharam desde a sua criação. no tempo da colonização portuguesa. notoriedade e fama em mais de 60 anos de produção. agora pelos sucessores. 196 Preludio da Cachaça Luís da Câmara Cascudo. que recorreu a objetos. o autor faz um mapeamento das principais cidades produtoras e respectivas características regionais. incluindo modelos de fichas técnicas de degustação. A Bebida Brasileira Erwin Weimann. O livro aborda. Saída dos engenhos de cana. documentos e fontes as mais diversas. de 2006). Sua origem está envolta em fatos históricos. Produzida em Salinas. entre as bebidas destiladas fabricadas no mundo e a tradicional cachaça. fotos e uma coletânea de rótulos. Há ainda capítulos com receitas à base da bebida. Cachaça. Roberto Carlos Morais Santiago.

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