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UFF/M ATEM ATICA
N OTAS DE CURSO : T EORIA DOS G RUPOS

20 JANEIRO 2016

Estas s˜ao notas de um curso de introduc¸a˜ o a` Teoria dos Grupos, visando o estudo da Teoria
˜ alg´ebricas. O objetivo aqui e´ complementar o assunto visto em sala de
de Galois de equac¸oes
˜ simples e diretas dos v´arios resultados
aula. Fiz um esforc¸o em apresentar demonstrac¸oes
conhecidos.
˜ sem prova (receba como um conEncontram-se em est´agio rudimentar: h´a afirmac¸oes
vite para pensar a respeito), n˜ao h´a muitos exerc´ıcios, o detalhamento n˜ao est´a balanceado.
Quanto a erros e equ´ıvocos, posso prometer duas coisas: existem; n˜ao os cometi propositadamente dessa vez.
´
Mea culpa a parte, espero sinceramente que estas notas sejam uteis.
Coment´arios s˜ao
sempre bem-vindos: nos d˜ao a breve satisfac¸a˜ o de que houve interesse.

Nivaldo.
www.professores.uff.br/nmedeiros

Sum´ario
1

Conceitos b´asicos

3

2

Subgrupos

4

3

Classes laterais

6

4

Subgrupos normais

7

5

Fatoriza¸ca˜ o

8

6

O produto direto

9

7

O teorema dos homomorfismos

9

8

Grupos c´ıclicos

11

9

Classifica¸ca˜ o de grupos de ordem pequena
9.1 Grupos de ordem 4 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
9.2 Grupos de ordem 6 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

12
13
13

10 Automorfismos

15

11 A¸coes
˜ de grupos

15

12 A equa¸ca˜ o de classes de conjuga¸ca˜ o

17

13 Geradores e rela¸coes
˜

18

14 O produto semi-direto

18

15 Os teoremas de Sylow

21

16 Algumas palavras sobre p-grupos

23

Sum´arioTeoria dos Grupos – Notas de curso

Sum´arioNivaldo, 20 janeiro 2016

17 Grupos de permuta¸coes
˜

23

18 Grupos abelianos finitos

26

19 O teorema de Jordan-Holder
¨

28

20 Grupos soluveis
´

31

2

Teoria dos Grupos – Notas de curso

1

Nivaldo, 20 janeiro 2016

Conceitos b´asicos

Um grupo G e´ um conjunto com uma operac¸a˜ o “·”, satisfazendo as seguintes propriedades:
˜ em G n˜ao importa:
1. Associatividade: a ordem com que realizamos as operac¸oes
(a · b) · c = a · (b · c),

para quaisquer a, b, c ∈ G;

2. Elemento neutro: existe um elemento em G, denotado simplesmente por “1”, que satisfaz:
1 · g = g · 1 = g,
para todo g ∈ G;
3. Inversos: dado g ∈ G, existe h ∈ G tal que
g · h = h · g = 1.
´
´
O elemento neutro de G e´ unico.
Dado g ∈ G, o inverso de g e´ unico,
e e´ denotado
−1
sugestivamente por g . Da associatividade, o elemento
g n := g · g · · · g
| {z }
(n vezes)

fica bem definido. Se n < 0, tomamos g n := (g −1 )−n e, para n = 0, g 0 := 1, para todo g ∈ G.
˜
Com estas convenc¸oes,
g n · g m = g n+m

para todos n, m ∈ Z e todo g ∈ G.

(1.1)

Exemplo 1.1.
´
(a) Os numeros
inteiros Z com a operac¸a˜ o de soma; ou ainda Q, R ou C tamb´em com a
operac¸a˜ o de soma.
´
(b) O anel Zn das classes residuais modulo
n, com a operac¸a˜ o de soma.
(c) Os elementos n˜ao nulos em Q, R ou C, com a operac¸a˜ o de multiplicac¸a˜ o.
(d) Mais geralmente, os elementos invert´ıveis A∗ de um anel A, com a operac¸a˜ o de produto
do anel.
´
´
(e) O conjunto S 1 dos numeros
complexos z com modulo
|z| = 1, com a operac¸a˜ o de produto.
(f) (O grupo linear geral). Seja K um corpo (por exemplo, K = C, R ou Q). Denotamos por
GLn (K) o conjunto das matrizes quadradas de ordem n invert´ıveis, com entradas em K.
Ent˜ao, com o produto usual de matrizes, GLn (K) e´ um grupo. O elemento neutro e´ a
matriz identidade.
˜ lineares invert´ıveis de um espac¸o vetorial V em si mesmo, com a
(g) As transformac¸oes
operac¸a˜ o de composic¸a˜ o.

3

rotac¸oes Veja [M. que e´ chamado o grupo sim´etrico.1. com a operac¸a˜ o de composic¸a˜ o. (b) e (d) s˜ao exemplos de grupos abelianos. escrevemos a operac¸a˜ o como “·” e a chamamos simplesmente de “produto”. Qualquer teorema ˜ ou conceito que apresentarmos. h. h0 ∈ H. substitu´ımos g n por ng. 1 ∈ H. se aplica a qualquer um dos exemplos apresentados. ˜ do plano em si mesmo que preservam distˆancias. Na lista acima. . Por exemplo. ou aditivos. 2 Subgrupos Dado um grupo G. herdando o produto de G. isto e´ . Independentemente do caso. respectivamente. Artin. Algebra. se h−1 ∈ H e h · h0 ∈ H para todo h. O grupo de simetrias de um pol´ıgono regular P de n lados e´ denominado o grupo diedral Dn . Cap. ent˜ao o conjunto das bijec¸oes Perm C. E´ um fato not´avel que toda isometria ˜ ˜ e reflexoes. um grupo. chamado o grupo das permuta¸co˜ es de C. n} abreviadamente por Sn . isto e´ gh = hg para quaisquer g. . . o subgrupo H e´ tamb´em um grupo. e´ o grupo das isometrias do plano. os grupos Sn e Zn s˜ao finitos. (j) Se X ⊂ R2 e´ um subconjunto n˜ao vazio. g −1 por −g. Em particular. o elemento neutro e´ denotado por 0. Note que. Uma idiossincrasia da teoria e´ o tratamento dado aos grupos nos quais a operac¸a˜ o e´ comutativa. . temos um conjunto com uma operac¸a˜ o que satisfaz as trˆes propriedades exigidas para um grupo. . denotadas por (h) Se C e´ um conjunto qualquer. . . ˜ de aˆ ngulos 2kπ/n O grupo Dn possui exatamente 2n elementos: n deles s˜ao rotac¸oes ˜ (k = 0. finalmente. ˜ do plano possa ser escrita como composic¸a˜ o de translac¸oes. em cada uma dessas situac¸oes. (a) Z e´ um subgrupo do grupo aditivo Q. . A simbologia com respeito a` operac¸a˜ o e´ especial: denotamos “·” por “+”. A notac¸a˜ o para conjuntos finitos e´ especial: indicamos Perm{1. se n˜ao impusermos restric¸oes.Teoria dos Grupos – Notas de curso Nivaldo. ent˜ao o conjunto das isometrias do plano que preservam X. A ordem de um grupo G e´ simplesmente a sua cardinalidade e a denotamos por |G|. n − 1) em torno do baricentro b de P . e suas ordens s˜ao n! e n. os grupos em (a). isto e´ . formam. ˜ Assim. com a operac¸a˜ o (i) O conjunto das bijec¸oes de composic¸a˜ o. um subconjunto H ⊂ G e´ um subgrupo de G se e´ n˜ao-vazio e se e´ fechado com respeito a inversos e produtos de seus elementos. os outros n elementos s˜ao as reflexoes com respeito as n retas que ligam b ao conjunto formado pelos v´ertices e pontos m´edios dos lados de P (note que h´a 2n desses pontos). 4 . Tais grupos s˜ao chamados abelianos. 2. Notac¸a˜ o: H < G. Exemplo 2. e. 20 janeiro 2016 ˜ C → C. Sim(X) := {σ e´ isometria | σ(X) = X} e´ o grupo das simetrias de X. 5].

ent˜ao todo elemento de G tem ordem finita. a ordem de g: o(g) := |hgi| . denotado por hSi. ˜ e as rotac¸oes ˜ (em torno de um centro fixado) s˜ao subgrupos das isome(f) As translac¸oes ˜ n˜ao: a composic¸a˜ o de duas reflexoes ˜ com trias do plano. (d) O grupo das matrizes ortogonais On (R) = {A ∈ GLn (R) | hAu. o subgrupo gerado por S e´ o conjunto de todos os produtos finitos de elementos de S ou seus inversos: hSi = {s1 s2 · · · sn | n ∈ N. ∀u. De maneira equivalente. Formalmente: hSi e´ . J´a o conjunto das reflexoes ˜ prerespeito a retas distintas n˜ao e´ uma reflex˜ao. A rec´ıproca n˜ao vale: todo elemento do grupo infinito Z2 × Z2 × Z2 × · · · possui ordem 2 (veja sec¸a˜ o 6). Dado um subconjunto S de um grupo G. 5 . Mostre que a intersec¸a˜ o de dois subgrupos de um grupo G e´ ainda um subgrupo de G. definimos o subgrupo gerado por S. vi. Como toda transformac¸a˜ o ortogonal tamb´em preserva distˆancias. prove que a intersec¸a˜ o arbitr´aria de subgrupos e´ um subgrupo. (c) O grupo linear especial SLn (R) = {M ∈ GLn (R) | det M = 1} formado pelas matrizes de determinante 1. o(g) ∈ N ∪ {∞}.4. No caso particular em que S = {g} e´ um conjunto unit´ario. De modo geral. (e) Zn n˜ao e´ um subgrupo aditivo de Z. por definic¸a˜ o. Assim. A ordem de g e´ menor inteiro positivo n tal que g n = 1 (ou ∞ caso tal inteiro n˜ao exista). (a) E´ claro que se G e´ um grupo finito.3. Uma caracterizac¸a˜ o importante e´ dada a seguir: Proposi¸ca˜ o 2. e´ um subgrupo de GLn (R). Avi = hu. si ∈ S ∪ S −1 }. 20 janeiro 2016 (b) S 1 e´ um subgrupo do grupo multiplicativo C∗ . On (R) e´ tamb´em um subgrupo do grupo das isometrias de Rn . temos h{g}i = {g n | n ∈ Z} que denotamos simplesmente por hgi.2. a intersec¸a˜ o de todos os subgrupos de G que cont´em S. v ∈ Rn } e´ um subgrupo de GLn (R). j´a que a composta de duas reflexoes serva orientac¸a˜ o. Exemplo 2. A cardinalidade desse subgrupo e´ . como o menor subgrupo de G que cont´em S. Exerc´ıcio 2. por definic¸a˜ o.Teoria dos Grupos – Notas de curso Nivaldo.

o conjunto dos elementos equivalentes a x sob esta relac¸a˜ o e´ Hx.2. x ∼e y se e somente se x ∈ yH ou ainda se e somente se y −1 x ∈ H. as classes laterais a` esquerda e a` direita de um elemento g ∈ G n˜ao coincidem. Se H e´ um subgrupo de G. (d) Pode ocorrer que g e h possuam ordem finita mas gh seja um elemento de ordem infinita! Procure por exemplos no grupo GL2 (R) do item anterior. os conjuntos quocientes G/ ∼e := {classes laterais a` esquerda de H em G} e G/ ∼d := {classes laterais a` direita de H em G} 6 . entretanto.Teoria dos Grupos – Notas de curso Nivaldo. Mas naturalmente podemos estendˆe-la para subconjuntos: dados A. e e´ chamado classe lateral a` direita de x. e (AB)−1 = B −1 A−1 . (c) O grupo multiplicativo GL2 (R) das matrizes 2 × 2 invert´ıveis com entradas reais e´ infinito. Exerc´ıcio 3. b ∈ B} e Note que A(BC) = (AB)C A−1 = {a−1 | a ∈ A}. O conjuntos dos elementos que s˜ao equivalentes a x e´ portanto xH. 3 Classes laterais A operac¸a˜ o de um grupo G diz respeito a seus elementos. Associamos a H duas relac¸oes primeira delas: x ∼e y se xH = yH. ent˜ao gH = Hg para todo subgrupo H e todo elemento x ∈ G (por´em esta propriedade n˜ao caracteriza um grupo abeliano. isto e´ . A segunda relac¸a˜ o de equivalˆencia e´ definida por x ∼d y se Hx = Hy. Portanto. Analogamente. ent˜ao rH 6= Hr. Assim. omitindo “`a esquerda” ou “`a direita” sempre que o contexto o permitir. Muitas vezes diremos apenas “classe lateral”. Se G e´ abeliano. abreviamos {a}B por aB. ˜ de equivalˆencia. veja o exemplo dos quat´ernios). toda matriz idempotente. Quando um dos conjuntos e´ unit´ario. Em geral. A Seja H um subgrupo de um grupo G. ent˜ao H < G ⇐⇒ HH = H e H −1 = H. para x. tome H como sendo o subgrupo gerado por uma reflex˜ao qualquer em D3 e considere as classes laterais de uma rotac¸a˜ o r 6= 1.1. y ∈ G. Exerc´ıcio 3. 20 janeiro 2016 (b) Todo inteiro n˜ao nulo possui ordem infinita em Z. e e´ denominado a classe lateral a` esquerda de x. as matrizes A para as quais existe n tal que An = I. definimos AB = {a · b | a ∈ A. possui ordem finita (vocˆe e´ capaz de encontrar alguma?). Por exemplo. ent˜ao: xH = H ⇐⇒ x ∈ H ⇐⇒ Hx = H . B ⊆ G. Se H ⊆ G e´ n˜ao-vazio.

3. De fato. Este conceito pode ser reformulado de outras maneiras. O ´ındice de um subgrupo pode ser finito ou infinito. para todo elemento de G. suas classes laterais a` esquerda e a` direita coincidem. para todo g ∈ G. 5. em um grupo de ordem 20 podemos ter subgrupos apenas de ordens 1. que denotamos por (G : H). s˜ao equivalentes: Proposi¸ca˜ o 4. O corol´ario acima foi provado por Lagrange quando G e´ um grupo sim´etrico. Por outro lado. 10 e 20.3. (a) H e´ normal em G. como sendo a cardinalidade de qualquer um dos conjuntos quocientes acima do conjunto acima. 20 janeiro 2016 n˜ao coincidem em geral. igual a ordem de H. Como ilustrac¸a˜ o. Como G e´ a uni˜ao disjunta de suas (G : H) classes laterais (`a esquerda. ent˜ao a ordem de H divide a ordem de G. Ent˜ao |G| = |H| (G : H). (Lagrange) Se G e´ um grupo finito e H e´ um subgrupo de G. a aplicac¸a˜ o xH 7→ Hx−1 est´a bem definida e define uma bijec¸a˜ o entre estes dois conjuntos. digamos). fica demonstrado ent˜ao o teorema a seguir. E´ relativamente rara a situac¸a˜ o em que as classes laterais a` esquerda e a` direita de H em G coincidam. a aplicac¸a˜ o H → gH h 7→ gh define uma bijec¸a˜ o. dado g ∈ G. percebendo na prova de Lagrange os elementos essenciais. Isto nos permite definir o ´ındice de H em G. (c) gHg −1 ⊆ H.1. Os casos em isto acontece s˜ao importantes e os estudamos agora. Teorema 3. Corol´ario 3. Dizemos que o subgrupo H e´ normal em G. (b) gHg −1 = H. o que indicamos por H C G. 7 . 4 Subgrupos normais Seja H um subgrupo de um grupo G. se. para todo g ∈ G. Ainda assim.Teoria dos Grupos – Notas de curso Nivaldo. 4. Seja G um grupo finito. se Hg = gH para todo g ∈ G. todas as classes laterais possuem a mesma cardinalidade.4. Foi Jordan quem. consequentemente. Por ˜ pares tem ordem 60 mas n˜ao possui nenhum subgrupo exemplo. 2. mais precisamente. provou o Teorema 3. Nada nos garante que existam subgrupos com cada uma dessas ordens. o grupo A4 de permutac¸oes de ordem 30 (veja Sec¸a˜ o 17).

h 8 . para todo g ∈ G}.2. denotemo-los por G/H. K. o quociente G/G0 e´ abeliano. Com efeito. . Note que G e´ abeliano se e somente se G0 = {1}. Ent˜ao |HK| = |H| |K| . Ent˜ao os conjuntos quocientes G/ ∼e e G/ ∼d s˜ao iguais. Exemplo 4. a resposta e´ n˜ao (busque um contra-exemplo em S3 : tome ˜ distintas). escrevemos H ∩ K = {g1 . al´em disso. O grupo (G/H. denotado por Z(G). . e´ o conjunto dos elementos de G que comutam com todos os outros. ent˜ao h h ˜ = k k˜ ∈ H ∩ K e logo h ˜ = hi e k˜ = ki para algum i. Dados h ∈ H e k ∈ K. pois da´ı segue que |H × K| = |H ∩ K| |HK| . gn } e definimos hi = hgi e ki = gi−1 k. y ∈ G}i ou seja. tudo que precisamos fazer e´ mostrar que a imagem inversa de hk ∈ HK possui exatamente |H ∩ K| elementos. . Ent˜ao hi ki = hk. a saber. ent˜ao temos as igualdades (como conjuntos) (xH)(yH) = (xH)(Hy) = x(Hy) = (xy)H visto que H e´ normal em G. ·) e´ denominado o grupo quociente de G por H. k) 7→ hk. subgrupos de um grupo G.1. y] := xyx−1 y −1 . 2. 5 Fatoriza¸ca˜ o Sejam H. o elemento neutro e´ a classe 1H = H. K subgrupos finitos de um grupo G. . |H ∩ K| (5. O subgrupo dos comutadores de G e´ definido por G0 := h{xyx−1 y −1 | x. . ou seja. esta operac¸a˜ o herda a associatividade do grupo G. Z(G) = {x ∈ G | gx = xg. O centro de G e´ sempre um subgrupo normal. Isto nos leva a definir uma operac¸a˜ o em G/H. Por outro lado. n. . Note que G e´ abeliano se e somente se G = Z(G).1) Demonstra¸ca˜ o: Considere a func¸a˜ o H × K → HK dada por (h. para ˜ ∈ H e k˜ ∈ K s˜ao tais que i = 1. Dado um grupo G. 20 janeiro 2016 Seja H um subgrupo normal de um grupo G. . Este e´ um subgrupo normal de G e. G0 e´ o menor subgrupo de G que cont´em todos os comutadores [x. podemos determinar a ordem do conjunto HK: duas transposic¸oes Proposi¸ca˜ o 5. Ser´a que o produto HK = {hk | h ∈ H. k ∈ K} e´ um subgrupo de G? Em geral. Ainda assim. e o inverso da classe xH e´ a classe x−1 H. (xH) · (yH) := (xy)H. Para tal fim. o centro de G.Teoria dos Grupos – Notas de curso Nivaldo. Esta operac¸a˜ o faz do conjunto G/H um grupo. para cada i. 1. se h −1 −1 ˜ k˜ = hk. . Sejam H. Se xH e yH s˜ao classes laterais.

Ent˜ao (HK)(HK) = H(KH)K = H(HK)K = (HH)(KK) = HK e (HK)−1 = K −1 H −1 = KH = HK e da´ı decorre HK e´ um subgrupo. consiste do produto cartesiano G × H. nos perguntamos: em que situac¸oes Proposi¸ca˜ o 5. h) e´ (g −1 . assuma HK = KH. temos G C G × H. h2 ∈ H. Decorre da definic¸a˜ o que f (1G ) = 1H f (x−1 ) = f (x)−1 . 1H ). Note que o produto do lado direito e´ feito em G. 6 O produto direto A maneira mais simples de construir um grupo a partir de dois grupos G e H e´ atrav´es do produto direto: como conjunto.3.1. h−1 ). HK e´ um subgrupo de G se e somente se HK = HK. y ∈ G. O elemento neutro e´ (1G . h1 h2 ) com g1 . Demonstra¸ca˜ o: Suponha que HK e´ um subgrupo de G. . (b) Se H e K s˜ao normais em G. Reciprocamente. Gk e´ definido de maneira an´aloga. Ent˜ao KH = (H −1 K −1 )−1 = (HK)−1 = HK e o resultado segue do Exerc´ıcio 3. e 9 . ent˜ao HK e´ um subgrupo normal de G. mais uma vez pelo Exerc´ıcio 3. . G2 . observe que. H C G × H. 7 O teorema dos homomorfismos Uma aplicac¸a˜ o f : G → H entre dois grupos e´ um homomorfismo se f (x · y) = f (x) · f (y) ∀x. identificando G = G × {1H } e H = {1G } × H. G ∩ H = {1} e GH = G × H. . O inverso de (g. . g2 ∈ G. enquanto o do lado esquerdo e´ realizado em H. h1 ) · (g2 .2. ent˜ao HK e´ um subgrupo de G. Nessa construc¸a˜ o. O produto direto de uma Q fam´ılia infinita {Gλ }λ∈Λ e´ definido como sendo o sub´ conjunto dos elementos (gλ ) ∈ λ∈Λ Gλ tais que gλ 6= 1 somente para um numero finito de ´ındices λ. 20 janeiro 2016 ˜ o produto HK e´ ainda um subgrupo? Naturalmente.Teoria dos Grupos – Notas de curso Nivaldo. O produto e´ feito coordenada a coordenada: (g1 . Exerc´ıcio 5.1. h2 ) := (g1 g2 . h1 . O produto direto de uma fam´ılia finita de grupos G1 . Mostre que: (a) Se H e´ normal em G.

O teorema dos homomorfismos e´ uma ferramenta eficaz para encontrar isomorfismos em grupos quocientes. Se ϕ(xN ) = ϕ(yN ). se B e´ um subgrupo de H. Teorema 7. Fato similar ocorre com as outras classes laterais do grupo quociente G/N .1 que R/Z ∼ = S 1 . Temos assim uma aplicac¸a˜ o induzida do grupo quociente G/N no grupo H. gN g −1 ⊆ N . Da 2 2 1 1 mesma forma. nomes e nomes: um homomorfismo e´ um epimorfismo se e´ sobrejetor. ´ (a) O nucleo do homomorfismo R → S 1 dado por t 7→ e2πit e´ exatamente o grupo dos inteiros Z. Por este motivo. cujo nucleo e´ SLn (R). Exemplo 7. De fato. nuc f = {g ∈ G | f (g) = 1H }. ent˜ao a imagem inversa f −1 (B) = {g ∈ G | f (g) ∈ B} e´ um subgrupo de G. ent˜ao 1H = ϕ(xN )ϕ(yN )−1 = ϕ((xN )(yN )−1 ) = ϕ(xy −1 N ) = f (xy −1 ) e logo xy −1 ∈ N . Em contrapartida. o nucleo e´ um subgrupo normal de G. um monomorfismo se e´ injetor. f (gng −1 ) = f (g)f (n)f (g −1 ) = f (gg −1 ) = 1H ´ ou seja. se y ∈ xN . ou seja. 20 janeiro 2016 Se A e´ um subgrupo de G. isto e´ .Teoria dos Grupos – Notas de curso Nivaldo. ´ O nucleo de um homomorfismo e´ um subgrupo de G. Como esta aplicac¸a˜ o e´ sobrejetora. xN = yN .2. ent˜ao sua imagem f (A) e´ um subgrupo de H. se n pertence a N = nuc f e g ∈ G e´ arbitr´ario. Portanto. ent˜ao f (y) = f (x). Nomes. Observe que um monomorfismo induz um isomorfismo de G com o subgrupo f (G) de H. Demonstra¸ca˜ o: Temos ϕ(xN · yN ) = ϕ(xyN ) = f (xy) = f (x)f (y) = ϕ(xN ) · ϕ(yN ) e logo a aplicac¸a˜ o e´ realmente um homomorfismo. segue do Teorema 7. Seja f : G → H um homomorfismo de grupos. Em particular. Assim. os grupos G/N e f (G) s˜ao isomorfos. GLn (R)/ SLn (R) ∼ = R∗ . Como usual.1. N o seu nucleo. ´ Cada elemento de N e´ levado em um unico elemento de H. um homomorfismo injetor e´ tamb´em dito ser um mergulho. o nucleo ´ nuc f de um homomorfismo f : G → H e´ definido como sendo o conjunto dos elementos de G que s˜ao levados no elemento neutro de H. a saber 1H . ´ Ent˜ao a aplica¸ca˜ o ϕ : G/N xN → H 7→ f (x) e´ um homomorfismo injetor. mostrando a injetividade e terminando a demonstrac¸a˜ o. 10 . Mais ainda. ´ (b) A aplicac¸a˜ o det : GLn (R) → R∗ e´ um homomorfismo sobrejetor. e um isomorfismo se e´ bijetor. mostra-se que o quociente R /Z e´ isomorfo ao (toro) S × S .

3. Exemplo 8. A1 / B1 A2 / B2 N / {1} (c) Se A1 ⊆ A2 .1. Demonstra¸ca˜ o: Sejam A um subgrupo de G que cont´em N e B um subgrupo de f (G). Ent˜ao. onde φ e´ a func¸a˜ o de Euler. exerc´ıcios. (b) A1 C A2 se e somente se B1 C B2 . 2). ¯ forma geral. A rec´ıproca n˜ao vale: o exemplo mais simples e´ Z2 × Z2 . ¯ De 2. e que N e´ normal. As demonstrac¸oes acontecimentos. isto e´ . interse¸co˜ es e produtos. se existe g ∈ G tal n que G = hgi = {g | n ∈ Z}. Teorema 7.1. Mantenha as hip´oteses do Teorema 7. Ent˜ao HN e´ ainda um subgrupo de G. 8 Grupos c´ıclicos ´ Um grupo G e´ dito c´ıclico se G e´ gerado por um unico elemento. Z e´ gerado ´ por 1 ou por −1 e estes s˜ao seus unicos geradores. n) = 1. Ent˜ao f −1 (f (A)) = A e f (f −1 (B)) = B (a prova fica sob seus cuidados). a aplicac¸a˜ o H → HN/N dada por h 7→ hN e´ um ´ homomorfismo sobrejetor. Logo Zn possui φ(n) geradores distintos. 20 janeiro 2016 (c) Suponha que H e N s˜ao subgrupos de G. todo grupo c´ıclico e´ abeliano. ent˜ao (A2 : A1 ) = (B1 : B2 ). De fato. Para cada n > 0. gerado por exemplo por 1.1). Estas bije¸co˜ es preservam inclus˜oes. Mais precisamente. Zn = hki se e somente se mdc(k. ´ındices e subgrupos normais. 11 . Segue da´ı que H ∼ HN = H ∩N N (compare com a Proposic¸a˜ o 5. ´ 1. se A1 . Em virtude de (1. ent˜ao: f / f (G) G (a) A1 ⊆ A2 se e somente se B1 ⊆ B2 . Por outro lado. Isso mostra que a aplicac¸a˜ o Ψ e´ uma bijec¸a˜ o. as aplica¸co˜ es Ψ : {subgrupos de G que contˆem N } → {subgrupos de f (G)} f −1 A 7→ f (A) (B) ← B s˜ao inversas uma da outra. Zn e´ um grupo c´ıclico de ordem n. nesta altura dos imediatamente o item (a). (d) f (A1 ∩ A2 ) = B1 ∩ B2 e f (A1 · A2 ) = B1 · B2 .1).Teoria dos Grupos – Notas de curso Nivaldo. cujo nucleo e´ H ∩ N . A2 s˜ao subgrupos de G que cont´em N e Bi = f (Ai ) (i = 1. Da´ı decorre ˜ das outras afirmac¸oes ˜ s˜ao. O grupo aditivo dos numeros inteiros e´ um grupo c´ıclico infinito.

Em primeiro lugar. ent˜ao d = n/m. o nucleo da aplicac¸a˜ o acima e´ da forma nZ. (c) Se H e´ um subgrupo de G. e´ o unico com esta propriedade. ent˜ao H e´ c´ıclico. ent˜ao G ∼ = Z e logo H ∼ = kZ para algum inteiro k ≥ 0. digamos G = hgi. se G e´ finito. (Euler) Seja n > 0 um inteiro.a. 5 ou 7. pela escolha de d. a menos de isomorfismos. Seja G um grupo c´ıclico. Logo g r = g k−qd e´ um elemento de H. Suponha que G e´ finito. ent˜ao G ∼ = Z. 12 . Em particular. onde n = |G|. Se ∼ ´ n = 0. se G e´ finito. Se mdc(a. 3. Seja h ∈ H. ent˜ao G ∼ = Zn . 9 Classifica¸ca˜ o de grupos de ordem pequena Vamos agora classificar todos os grupos de ordem ≤ 7. Ent˜ao ´ existem unicos q. ent˜ao aφ(n) ≡ 1 (mod n). ent˜ao G e´ um grupo c´ıclico e portanto. como vemos na proposic¸a˜ o a seguir. ent˜ao H = hg n/m i. ´ Demonstra¸ca˜ o: (a) e (b): Sendo um subgrupo de Z. temos G ∼ = Z/nZ = Zn . pelo item (c). pelo teorema dos homomorfismos. ent˜ao o(g) divide |G| e portanto g |G| = 1.3. ´ (d): O subgrupo hg n/m i possui ordem m e. Segue-se que r = 0. se |H| = m. ent˜ao existe um unico ´ subgrupo H de G com |H| = m. com 0 ≤ r < d. Proposi¸ca˜ o 8. ent˜ao G e´ isomorfo ao grupo de res´ıduos modulo n. (c): Se G e´ infinito. se G e´ um grupo de ordem m = 2. ent˜ao G = Z.4. digamos h = g k . todos os grupos c´ıclicos. Desta observac¸a˜ o temos imediatamente o: Teorema 8. Ent˜ao: (a) A aplica¸ca˜ o Z → G dada por k 7→ g k e´ um homomorfismo sobrejetor. para algum n ≥ 0. Assim. Em particular.2. n) = 1. (d) Se G e´ finito de ordem n e m | n. Se G e´ finito de ordem n e |H| = m. se n > 0. H = hg d i. temos o Corol´ario 8. r ∈ Z tais que k = qd + r. pela Proposic¸a˜ o 8. Seja d o menor inteiro positivo tal que g d ∈ H. (b) Se G e´ infinito. Demonstra¸ca˜ o: O resultado segue simplesmente do fato de que o grupo multiplicativo (Zn )∗ possui ordem φ(n). Recorde que a ordem de um elemento g e´ a cardinalidade do subgrupo gerado por g.2. Como um caso particular do teorema de Euler. Da´ı. 20 janeiro 2016 Esses exemplos compreendem. (Pequeno Teorema de Fermat) Se p e´ um primo e p .Teoria dos Grupos – Notas de curso Nivaldo. ent˜ao ap−1 ≡ 1 (mod p). isomorfo a Zm nesses casos. Passamos ao estudo dos grupos de ordem 4 e 6.

ent˜ao G = {1. Com efeito. Como veremos a seguir. A afirmac¸a˜ o fica assim demonstrada.1 Grupos de ordem 4Nivaldo. para demonstrar a afirmac¸a˜ o. 20 janeiro 2016 Grupos de ordem 4 Seja G um grupo de ordem 4. e portanto um isomorfismo. g 4 . Demonstra¸ca˜ o: As poss´ıveis ordens para elementos de G s˜ao 1. Se G possui um elemento de ordem 4. Aqui G e´ um grupo c´ıclico. Ent˜ao gh 6∈ {1. ent˜ao G e´ abeliano. Logo G possui pelo menos sete elementos distintos. Ent˜ao G ∼ = Z4 ou G ∼ = Z2 × Z2 . existem apenas duas ˜ de 3 elementos. basta mostrar que nenhuma das duas possibilidades abaixo ocorre: • Todo elemento de G \ {1} possui ordem 2: tome g. A aplicac¸a˜ o G → Z2 × Z2 dada por 1 7→ (¯0. Fica ent˜ao facil verificar que {1. x. De fato. Da´ı. 5. Ent˜ao: hxi ∩ hyi = hxi ∩ hzi = hyi ∩ hzi = {1}. y 2 . 2. y.Teoria dos Grupos – Notas de curso 9. a saber. Dados x. g 5 13 . Em resumo. z→ 7 (¯1. 9. ent˜ao G e´ c´ıclico e logo G ∼ = Z4 . Seja G um grupo de ordem 6. . x2 . as poss´ıveis ordens de elementos de G s˜ao 1. como gh tem ordem 2. ¯1) ¯ 0). . • Todo elemento de G\{1} possui ordem 3: tome x. ent˜ao o(g 2 ) = 3 e o(g 3 ) = 2.2 Grupos de ordem 6 Classificamos agora os grupos de ordem 6. 1. x 7→ (¯0. 2 Por outro lado. Mas podemos ser mais precisos: Afirma¸ca˜ o: Existem elementos x e y em G tais que o(x) = 3 e o(y) = 2. z}. 4. . defina g := xy. a classificac¸a˜ o de G fica subordinada a` an´alise de duas possibilidades: Caso 1: xy = yx. Pelo Teorema de Lagrange. Ent˜ao G ∼ = Z6 ou G ∼ = S3 . g 2 . provamos o Teorema 9. 3 ou 6. y. x. z ∈ G distintos entre si e de ordem 3. se g ∈ G e´ tal que o(g) = 6. g 3 . 2. z e z 2 .1 9. h ∈ G distintos. ¯0). Seja G um grupo de ordem 4. se g = 1 para todo g ∈ G. h} e. ¯ y 7→ (1. h. Agora. Logo podemos supor que G n˜ao possui elementos de ordem 6.1. . y ∈ G distintos. possibilidades: o grupo c´ıclico de ordem 6 ou o grupo das permutac¸oes Teorema 9. g. y. Logo os seis elementos 1. o que n˜ao e´ poss´ıvel. gh} e´ um subgrupo de G de 4 elementos. g. onde z = xy. N˜ao e´ l´a muito trabalhoso verificar que g a 6= 1 para cada a = 1.2. ¯1) e´ um homomorfismo bijetor (a verificac¸a˜ o disto e´ deixada ao leitor). segue-se que gh = hg. g. o que n˜ao e´ poss´ıvel pelo Teorema de Lagrange.

Ent˜ao o(σ) = 3. sec¸a˜ o V. Tamb´em. a menos de isomorfismos. yx}. 2 e j = 0.2) Isso mostra que so´ existe.2 Grupos de ordem 6Nivaldo.7 (grupos gerados por dois elementos). conclu´ımos que todo grupo que se enquadra no segundo caso e´ isomorfo a S3 . Como S3 possui ordem 6. y. todas as considerac¸oes i j particular. sejam σ = 2 1 3 2 3 1 o(τ ) = 2 e στ 6= τ σ. (9. Uma generalizac¸a˜ o das id´eias utilizadas na demonstrac¸a˜ o do Teorema 9. 1. (9. xy. 1. basta provar que yxy −1 6∈ {1. se H e´ um grupo de ordem 6 com elementos condic¸oes α e β tais que o(α) = 3. j = 0. segue-se que G ∼ = Z6 . a aplicac¸a˜ o G → H dada por xi y j 7→ αi β j e´ um homomorfismo (bijetor). o(β) = 2 e αβ 6= βα ˜ tecidas a respeito de G se aplicam a H.2) se verifica ao substituirmos x por α e y por β. “Elementos de Algebra”. 2. temos que G = {1. y. Conclu´ımos assim que G = hgi e portanto. eτ = Agora. Caso 2: xy 6= yx. x2 . Por outro lado. constituindo assim o grupo G. Mais precisamente. 20 janeiro 2016 s˜ao distintos entre si. um grupo de ordem 6 satisfazendo as ˜ do segundo caso. xy. 1. utilizando-se a equac¸a˜ o (9.2 pode ser en´ contrada no livro de A. pois a relac¸a˜ o em (9.2.Teoria dos Grupos – Notas de curso 9. em ent˜ao G ∼ = H. da Proposic¸a˜ o 8. x. Mais ainda. Logo todo elemento de G pode ser escrito (de maneira unica) na i j forma x y com i = 0. 1}. 14 . Garcia e Y. x. yx = x2 y. Lequain. t ≥ 0) e logo um produto de dois elementos de G e´ da forma a xi y j xa y b = xi+2 j y j+b .     1 2 3 1 2 3 elementos do grupo S3 . H = {α β | i = 0. yx} o que e´ facilmente verificado utili´ zando o fato que y = y −1 .1) e induc¸a˜ o. Nesse caso. obtemos que t y s xt = x2 s y s (s. De fato.1) Com efeito. pois esses seis elementos s˜ao necessariamente distintos entre si.

e. chamado o grupo dos automorfismos internos. nossas exigˆencias se traduzem simplesmente em: 1·s = s e (gh)s = g(hs). temos Int(G) ∼ = G . ent˜ao G possui um automorfismo interno n˜ao-trivial. denotado por Aut G. todo elemento de G \ {1} possui ordem 2. s) ou mesmo gs = σ(g. Se G e´ n˜ao abeliano. ) 7→ (y.1) temos um homomorfismo G → Aut G. s)) para quaisquer g. percebeu-se.1. que e´ trivial se. temos k ≥ 2. temos trˆes casos. Eis bons exemplos: se um objeto X possui alguma estru´ tura (um espac¸o vetorial. Uma situac¸a˜ o t´ıpica s˜ao as permutac¸oes que “misturam” o conjunto dado). Assim. Z(G) Como consequˆencia: Proposi¸ca˜ o 10. h ∈ G) (10. s) = σ(g. Um automorfismo interno ιg e´ a aplicac¸a˜ o identidade de G se e somente se g comuta com todos os elementos de G. Demonstra¸ca˜ o: Com efeito. 20 janeiro 2016 Automorfismos Um automorfismo de um grupo G e´ um isomorfismo de G em si mesmo. Int(G). os automorfismos com respeito a essa estrutura formam um grupo. . ˜ sobre S. O que definic¸oes 15 . s ∈ S. Como |G| ≥ 3. s). De fato. ent˜ao G define um conjunto de func¸oes ˜ acima que cada elemento define uma bijec¸a˜ o g : S → S (cuja inversa e´ g −1 ). segue das Se G age em S. Dado g ∈ G. um corpo). y. 11 A¸coes ˜ de grupos Nosso ponto de vista at´e aqui tem sido estudar os grupos de maneira puramente abstrata: a princ´ıpio. aqui. Fica mais sugestivo escrever σg (s) = σ(g. ent˜ao x 7→ x−1 (x ∈ G) define um automorfismo. por fim. os elementos de grupo n˜ao tem significado algum. e´ um subgrupo de Aut G. se todo elemento de G \ {1} possui ordem 2. Pelo teorema dos homomorfismos. a noc¸a˜ o de grupo n˜ao surgiu assim. os automorfismos de G formam um grupo. Nesta sec¸a˜ o buscamos recuperar esse vi´es mais geom´etrico. Com a operac¸a˜ o de composic¸a˜ o. as simetrias de X tamb´em formam um grupo. (x. σ(h. ) define um automorfismo n˜ao trivial de G. se G e´ abeliano. s) = s e σ(gh. . quando a ac¸a˜ o estiver subentendida. sua imagem. h ∈ G. Em particular. ent˜ao G ∼ = Zk2 = Z2 × · · · × Z2 para algum k (tente prov´a-lo!). De fato. que ˜ de fun¸co˜ es definidas em contextos muito distintos possuiam propriedades sicertas colec¸oes ˜ (interpretando geometricamente. . Note que nestes exemplos a operac¸a˜ o nos grupos e´ a composic¸a˜ o de func¸oes. como j´a tivemos oportunidade de ˜ analisar. Como ιgh = ιg ◦ ιh (g. a func¸a˜ o ιg : G → G dada por x 7→ gxg −1 e´ um automorfismo de G.Teoria dos Grupos – Notas de curso 10 Nivaldo. Um grupo G age em um conjunto S se existe uma aplicac¸a˜ o σ : G × S → S tal que σ(1. e somente se. x. Todo grupo finito G de ordem ≥ 3 possui pelo menos um automorfismo n˜ao-trivial. Historicamente. de maneira cada vez mais frequente. func¸oes ˜ milares. . um espac¸o topologico. . Outro exemplo: se X e´ um subconjunto do plano. uma variedade. .

consequemente. {v1 . ou seja. A ac¸a˜ o n˜ao e´ transitiva: ´ a orbita de um ponto p e´ o c´ırculo centrado na origem e que passa por p. Dizemos que um grupo G age transitivamente no conjunto S se dados s e t em S. isto e´ . definimos uma ac¸a˜ o de G = (R. Dado s ∈ S. No primeiro caso. Note que uma matriz de rotac¸a˜ o preserva orientac¸a˜ o. para algum (e logo para todo) s ∈ S. Exemplo 11. Os ⊆ Ot . Produtos e inversos de elementos de Gs tamb´em fixam s e logo Gs e´ um subgrupo de G. Sejam X = R2 . +) em R2 por (t. O grupo H age sobre o conjunto das bases ordenadas ortonormais. (a) Seja G = GL2 (R) o grupo das matrizes 2 × 2 invert´ıveis. Gs := {g ∈ G | gs = s}. Da mesma forma. existe uma matriz invert´ıvel que leva um no outro. (c) Na mesma notac¸a˜ o de (b). 20 janeiro 2016 torna a coisa toda mais interessante e´ que pedimos que a multiplicac¸a˜ o em G seja compat´ıvel ˜ induzidas. o estabilizador de uma reta e´ o subgrupo {id. Observe que rt+t0 = rt ◦ rt0 . respectivamente. como em (a). H = rθ = sen θ cos θ Ent˜ao o grupo H age em R2 . Y = {bases ordenadas de R2 } e Z = {retas de R2 }. esta ac¸a˜ o n˜ao e´ transitiva. `) 7→ g(`). g(v2 )} e (g. Tal homomorfismo tamb´em e´ chamado uma reprede G no grupo das permutac¸oes senta¸ca˜ o de G. Os := {gs | g ∈ G} ´ Duas orbitas Os e Ot ou s˜ao disjuntas ou coincidem: se x ∈ Os ∩ Ot . v2 }) 7→ {g(v1 ). (d) Inspirados no exemplo (b). Aqui. o grupo H tamb´em age (transitivamente) no conjunto das retas do plano que passam pela origem. s pertence a` orbita de t e. O estabilizador de s ∈ S e´ o subconjunto dos elementos de G que deixam s fixo. 0) e´ o subgrupo 2πZ. se Os = S. Dizendo de maneira equivalente. Vocˆe consegue identificar o estabilizador de `? (b) Seja H = SO2 (R) o grupo das matrizes 2 × 2 de rotac¸a˜ o. uma ac¸a˜ o de G com a composic¸a˜ o das func¸oes em S e´ simplesmente um homomorfismo G → Perm S ˜ de S.   cos θ − sen θ | θ ∈ [0.1. Aqui. ent˜ao x = gs = ht e logo ´ s = g −1 ht. por (g. o estabilizador de um ponto p 6= (0. p) 7→ rθ (p). existe g ∈ G tal que gs = t. Da mesma forma temos a inclus˜ao oposta e logo Os = Ot . rπ }. (g. G age transitivamente em Y . a ac¸a˜ o e´ transitiva: dados dois pontos do plano. x) 7→ g(x). ou seja. 2π) .Teoria dos Grupos – Notas de curso Nivaldo. p) 7→ rt (p). isto e´ . 16 . isto e´ . a orbita de uma reta ` passando pela origem e´ o conjunto das retas que passam pela origem. a o´ rbita de s e´ o conjunto de todas as poss´ıveis imagens de s por elementos de G. Portanto. Ent˜ao G age nestes trˆes espac¸os. simplesmente por (rθ . Entre´ tanto a ac¸a˜ o de G em Z n˜ao e´ transitiva: por exemplo.

reobtemos o Teorema de Lagrange: se G e´ finito. Note que g 7→ x−1 gx define uma bijec¸a˜ o Ex → H. Cada elemento de uma classe lateral gGs leva s no elemento gs. sua orbita e´ a classe lateral Hx e seu estabilizador e´ ´ trivial. dada por gGs 7→ gs. para cada s ∈ S. para todo x ∈ G. se gs = hs. p) 7→ λ·p.2. 0). etc. Como as orbitas s˜ao disjuntas e sua uni˜ao e´ todo o grupo G. ·). 20 janeiro 2016 (e) Sejam G = (R − {0}. A bijec¸a˜ o entre as classes laterais do estabilizador e a orbita dizem neste caso que ´ Hx e H tˆem a mesma cardinalidade. x ∈ G. Se p 6= (0. O estabilizador de x e´ chamado o centralizador de x em G: CG (x) = {g ∈ G | gxg −1 = x} = {g ∈ G | gx = xg}. 12 A equa¸ca˜ o de classes de conjuga¸ca˜ o Um grupo G sempre age em si mesmo. s˜ao tamb´em levados em conta. Ent˜ao ιgh = ιg ιh ´ e logo esta e´ de fato uma ac¸a˜ o de G em si mesmo. (a) Seja H um subgrupo de G. segue do teorema de Lagrange que |G| = |Os | |Gs | (11. Seja G um grupo agindo em um conjunto S. X = R2 e considere a ac¸a˜ o (λ. No caso em que G e´ finito. Por outro lado. ent˜ao |G| = (G : H) |H|. e de v´arias maneiras distintas. Dado x em G. Ent˜ao G age no conjunto das classes laterais (digamos a` esquerda) de H simplesmente por (g. ´ temos uma bijec¸a˜ o entre as classes laterais do estabilizador Gs e os elementos da orbita Os . A maior parte das aplicac¸oes Exemplo 11. diferentes ac¸oes Comec¸amos pela a¸ca˜ o por conjuga¸ca˜ o. Definimos uma ac¸a˜ o de H em G por h(x) := hx para cada ´ h ∈ H. Isso vai muito mais al´em do que meras relac¸oes ´ quando aspectos geom´etricos. Por´em.Teoria dos Grupos – Notas de curso Nivaldo. onde ιg : G → G e´ dada por ιg x = gxg −1 (g ∈ G) (o conjugado de x por g). definida por g 7→ ιg . A an´alise de ˜ nos fornece informac¸oes ˜ fundamentais sobre a estrutura de G.1) ´ que e´ chamada a equa¸ca˜ o das o´ rbitas. Em suma.1). Em particular. ordem de G. s um elemento de S e Gs seu estabilizador. Esta ac¸a˜ o e´ transitiva. 17 . Aqui. (b) (Ac¸a˜ o por translac¸a˜ o) Seja H um subgrupo de G. principalmente suas orbitas.. ent˜ao h−1 gs = s e logo as classes laterais gGs e hGs s˜ao iguais. xH) 7→ gxH. Dado x ∈ G. ˜ sobre S se conhecemos A id´eia por tr´as de uma ac¸a˜ o e´ que podemos obter informac¸oes ´ ˜ como (11. ´ ´ a orbita da origem e´ a propria origem e o estabilizador e´ todo o grupo G. a orbita de um elemento x ∈ G e´ denominada classe de conjuga¸ca˜ o de x: C`x = {gxg −1 | g ∈ G}. topologicos. ent˜ao Op e´ a reta (perfurada) que passa pela origem na direc¸a˜ o dada pelo vetor p e Gp = {1}. a cardinalidade de uma orbita divide a ˜ que faremos est˜ao baseadas nesta identidade. o estabilizador da classe xH e´ o subgrupo Ex = {g ∈ G | x−1 gx ∈ H}.

Novamente. Um elemento x ∈ G pertence ao centro Z(G) de G se e somente se C`x = {x}. digamos H < G. Suponha agora que apenas um dos subgrupos seja normal em G.Teoria dos Grupos – Notas de curso Nivaldo. ent˜ao vimos que G e´ produto direto interno de H e N . o inverso de h · n e´ n−1 h−1 = h−1 (hn−1 h−1 ). p e p2 . Se H ∩N =1 e G = HN. dados g1 . . ent˜ao g1 g2 = h1 n1 h2 n2 = (h1 h2 ) · (n1 n2 ). Um aspecto vantajoso dessa situac¸a˜ o e´ que recuperamos a estrutura de G a partir de H e N : de fato. o numero de conjugados de x ∈ G e´ (G : CG (x)). Demonstra¸ca˜ o: De fato. Se p e´ um numero ´ primo e |G| = p2 . j´a que N e´ normal em G. ´ Como o ´ındice do centro n˜ao pode ser um numero primo. os casos poss´ıveis para |Z(G)| s˜ao 1. 18 . g2 ∈ G.1). e tanto H como N s˜ao normais em G.1) i=1 onde g1 . g2 s˜ao como acima. recuperamos a estrutura de G a partir de H e N . Em particular. gk s˜ao representantes das distintas classes de conjugac¸a˜ o fora do centro de G. 20 janeiro 2016 ´ Em particular. devemos ter |Z(G)| = p2 . escreva gi = hi ni com hi em H e ni em N . . ´ H´a um pequeno abuso de notac¸a˜ o aqui: o somatorio do lado esquerdo pode n˜ao aparecer. ou seja. obtemos a equa¸ca˜ o de classes (de conjuga¸ca˜ o) para um grupo finito G |G| = |Z(G)| + k X |C`gi | (12.1) Se g1 . N C G. g2 . . ou seja. H ∩N =1 e G = HN. G e´ abeliano. Se H e N satisfazem (14. o produto fica dado em termos de elementos de H e N . o que ocorre se e somente se G e´ abeliano. ent˜ao G e´ abeliano. ent˜ao escrevemos g1 g2 = h1 n1 h2 n2 = (h1 h2 ) · (h−1 2 n1 h2 )n2 (14. segue-se da equac¸a˜ o de classes que a ordem de Z(G) e´ divis´ıvel por p. Como para cada g 6∈ Z(G) ´ temos que |C`g | e´ maior que 1 e divide a ordem de G (a cardinalidade de uma orbita divide a ordem do grupo). (14. . ent˜ao dizemos que G e´ o produto semi-direto interno de H e N . indicado por G = H n N .2) que e´ o produto de elementos de H e N . Desta ´ ´ observac¸a˜ o aparentemente inocua e do fato de que as orbitas atrav´es de uma ac¸a˜ o s˜ao disjuntas. G ∼ = H × N . 13 Geradores e rela¸coes ˜ 14 O produto semi-direto Sejam N e H subgrupos de um grupo G. De maneira an´aloga. Uma aplicac¸a˜ o da equac¸a˜ o de classes: Proposi¸ca˜ o 12.1.

o elemento neutro e´ (1H . A segunda. y) = (h−1 . Como fazˆe-la? Eis a pista: sendo N normal em G. que denotamos por H nσ N ou N oσ H.1) e logo Aut K n K e´ um grupo n˜ao abeliano de ordem |K| |Aut K|. ent˜ao K possui um automorfismo n˜ao trivial (Proposic¸a˜ o 10. desejamos uma vers˜ao “externa” dessa construc¸a˜ o.Teoria dos Grupos – Notas de curso Nivaldo. seja h ∈ H tal que σh 6= idN . y 2 ) e. ainda que H e N sejam abelianos. Sejam H • e N • suas respectivas imagens. Ent˜ao existe x ∈ N tal que σh (x) = y com y 6= x. n) s˜ao mergulhos. definimos no conjunto H × N a operac¸a˜ o (h1 . Exemplo 14. sempre e´ poss´ıvel encontrar um homomorfismo H → Aut N : basta tomar h 7→ idN para todo h ∈ H. n) = (h. ent˜ao Aut N ∼ = (Zn )∗ e. A primeira. 1N )(1H . 2 Esta operac¸a˜ o e´ associativa. chamado o produto semi-direto de H e N por σ. Por outro lado. x) ·σ (h−1 . x) = (h−1 . Temos em m˜aos o necess´ario para a generalizac¸a˜ o. Na maioria das vezes identificamos H com H • e N com N • e escrevemos H n N no lugar de H nσ N . H • ∩ N • = 1 e logo G e´ o produto semi-direto interno de H • e N • . Em particular. Nesse ultimo caso. 1N ). Se G = H nσ N . (H × N. σ1 (y)x) = (h−1 . 1N )(1H . Como ιh1 h2 = ιh1 ◦ ιh2 . o inverso de (h. σh (x)y) = (h−1 . Se |K| ≥ 3. yx). Nada melhor que uma s´erie de exemplos para estressar a importˆancia dessa construc¸a˜ o. Por fim. 1N )−1 = (1H . ·σ ) e´ realmente um grupo. 19 .2. Exemplo 14. n2 ) := (h1 h2 .2). temos que G = H • N • . dado por h 7→ σh . Teorema 14. a conjugac¸a˜ o por h. Assim. Ent˜ao (1. O produto semi-direto da´ı resultante e´ simplesmente o produto direto H × N usual. trivial. o grupo Z2 n Zn e´ o grupo diedral de 2n elementos (cf. ent˜ao H→ h 7→ G N→ e n 7→ (h. se N = Zn e´ c´ıclico de ordem n. σh−1 (n1 )n2 ). Ent˜ao H nσ N e´ um grupo n˜ao abeliano. cada h em H define um automorfismo ιh de N . n). Como (h. (h−1 . por outro lado. Exemplo 14.3. se K e´ um grupo finito. se n ≥ 3. (Por exemplo. Sejam N e H dois grupos e suponha que tenhamos um homomorfismo σ : H → Aut N . σh (n)) segue-se que N • e´ normal em G.5 a seguir). H´a ent˜ao duas maneiras de definir um homomorfismo Z2 → Aut N . Seja σ : H → Aut N um homomorfismo n˜ao trivial. σh (n−1 )). n1 ) ·σ (h2 . Seja N um grupo com um automorfismo ψ de ordem 2. Com efeito. Inspirados em (14. e´ tal que ¯1 7→ ψ. 20 janeiro 2016 Como no caso do produto direto.1. consideramos o produto semi-direto Aut K n K com respeito ao homomorfismo Id : Aut K → Aut K. de (h. temos um homomorfismo H → Aut N . 1N ) G (1H . n) e´ (h−1 . n)(h. Dados grupos H e N quaisquer. foi ´ considerada no exemplo anterior. y) ·σ (1. −¯1 possui ordem 2).

s inteiros positivos tais que sm ≡ 1 (mod n).4) e as . ent˜ao G e´ um grupo n˜ao abeliano de ordem 6. Tomando K = Z4 . (0. Os grupos c´ıclicos s˜ao aqueles que melhor conhecemos e ˜ interessantes j´a a partir deles. e portanto as trˆes primeiras propriedades s˜ao v´alidas. (14. A condic¸a˜ o necess´aria e suficiente e´ que. A unicidade de G foi vista em ??. ent˜ao sm ≡ 1 (mod n). conclu´ımos que G e´ o grupo D4 . (14. ou seja. Procuramos pelos poss´ıveis produtos semi-diretos entre Zm e Zn . s¯) = as ´ ˜ o que prova a ultima das relac¸oes. temos bab−1 = (¯ 1. n. e portanto isomorfo a S3 . se σ(¯1) = s¯.6) Demonstra¸ca˜ o: Seja G = Zm nσ Zn . ¯ 0) ·σ (¯ 0. temos que Aut Z4 ∼ = (Z4 )∗ ∼ = Z2 .5. n inteiros positivos. Teorema 14. b = (¯ 1.Teoria dos Grupos – Notas de curso Nivaldo. ¯1) ·σ (¯1. 1). ¯ 0). a saber. bi = haihbi an = bm bab−1 =1 = (14. A importˆancia do produto semi-direto reside na sua eficiˆencia em construir novos grupos a partir de grupos conhecidos. ˆ Sejam a = (¯ 0.4. podemos realizar construc¸oes Sejam m.3) G = ha. Ent˜ao hai e hbi s˜ao as imagens dos mergulhos canonicos de Zn e Zm em G. Na situac¸a˜ o do exemplo anterior. procuramos pelos poss´ıveis homomorfismos σ : Zm → Aut Zn ∼ = (Zn )∗ . ¯0)−1 = (¯0. Sejam m. As possibilidades s˜ao: G ∼ = D4 ou ∼ ¯ ¯ G = quat´ernios. Note que hai e´ normal em G.5) (14. Por fim. seja G = Aut K n K. ´ Ent˜ao existe um unico grupo G satisfazendo |G| = m · n. onde σ : Zm → Z∗n e´ o homomorfismo definido por 1¯ 7→ s¯. ¯ 1). 20 janeiro 2016 Exemplo 14. 20 . Se K = Z3 . σ¯1 (¯1)) = (¯0. Como G possui um elemento de ordem 4. Logo G e´ n˜ao abeliano de ordem 8.

onde p e´ um primo que n˜ao divide m. ent˜ao e−1 gp possui ordem p.m. Seja G um grupo finito. se k = 0). Conclu´ımos que GB e´ um subgrupo de G de ordem pk . Pelo teorema que acabamos de provar. Seja B ∈ X tal que p . Por outro lado. existe em G pelo menos um subgrupo de ordem pk . De fato.1). e logo dividiria |X|. Teorema 15. al´em disso. ent˜ao gb e hb s˜ao tamb´em elementos distintos de B. Lema 15. ent˜ao G possui um elemento de ordem p. (Sylow) Se G e´ um grupo de ordem pk m. temos |G| = |OB | |GB | e portanto pk divide |GB |. pois caso contr´ario p dividiria a cardinalidade de ´ todas as orbitas de X. ent˜ao gb ∈ gB = B.4.3. Ent˜ao G age em S por ˜ sobre os conjugac¸a˜ o. donde |GB | ≤ pk . Demonstra¸ca˜ o: Seja P um p-subgrupo de Sylow de G e seja g ∈ P . se e > 1. O grupo G age em X pela translac¸a˜ o a` esquerda: dado A ∈ X. ent˜ao o unico p-subgrupo de Sylow de G e´ {1}. De (11. 20 janeiro 2016 Os teoremas de Sylow Lema 15. para algum e > 0. ent˜ao  k  p m p. Em particular. mas tamb´em a ac¸a˜ o de seus subgrupos.1).Teoria dos Grupos – Notas de curso 15 Nivaldo. Ent˜ao um elemento Q ∈ S e´ fixado por todo elemento de H (na a¸ca˜ o por conjuga¸ca˜ o de H em S) se e somente se H ⊆ Q. Seja H < G com ordem uma potˆencia de p (mas n˜ao necessariamente de Sylow). com g 6= 1. este e´ chamado um p-subgrupo de Sylow de G. O ´ ´ outro caso extremo e´ quando m = 1: aqui o unico p-subgrupo de Sylow de G e´ o proprio G.2. Se p e´ um primo que n˜ao divide m e k ≥ 0. 21 . vamos considerar n˜ao somente a ac¸a˜ o de G. Fixado um primo p. contradic¸a˜ o com o Lema 15. |GB | ≥ pk . se g e h s˜ao elementos distintos de GB .1. Demonstra¸ca˜ o: (Wielandt) Seja X a colec¸a˜ o de todos os subconjuntos de G de cardinalidade pk . Seja S o conjunto de todos os p-subgrupos de Sylow de G. ent˜ao G cont´em um subgrupo de ordem pk . Se e = 1. Corol´ario 15.|OB | (tal B existe. (Cauchy) Se p e´ um primo que divide a ordem de um grupo finito G. Esta observac¸a˜ o e´ o ponto de partida para obter outras informac¸oes subgrupos de Sylow. Note que se p n˜ao ´ divide a ordem de G (ou seja. ent˜ao g e´ o elemento que buscamos. pk Demonstra¸ca˜ o: Como  k  p m pk m · (pk m − 1) · · · (pk m − (pk − 1)) = pk 1 · 2 · · · pk basta observar que a maior potˆencia de p que divide tanto o numerador quanto o denomik−1 nador e´ pp +1 . se b ∈ B e g ∈ GB . sempre podemos escrever |G| = pk m com k ≥ 0 e de forma que p . definimos gA = {ga | a ∈ A}. Ent˜ao a ordem de g e´ pe .

isto e´. ˜ Demonstra¸ca˜ o: Como j´a anunciamos. |G| = |GP | |OP | .7. segue-se que |OP | divide m e. A = Z/5Z. calculada na Proposic¸a˜ o 5. a ac¸a˜ o de H em S n˜ao possui ´ orbitas triviais.4. Em particular. ´ Sejam OP e GP a orbita e o estabilizador de P pela ac¸a˜ o de G em S. e escreva |G| = pk m. Da ´ equac¸a˜ o das orbitas (11. Agora. ou seja. ou seja. como dividem a ´ ordem de P .6. ´ Exemplo 15. (ii) Se np e´ o numero ´ de p-subgrupos de Sylow de G. contradic¸a˜ o com (ii). Em resumo. ent˜ao hQh−1 = Q para todo h ∈ H. pelo Corol´ario 15. 22 . e´ uma potˆencia de p. B = Z/7Z e como mdc(5.m. p . Como a rec´ıproca e´ evidente. Um p-subgrupo de Sylow e´ normal em G se e somente se np = 1. Seja S o conjunto dos p-subgrupos de Sylow de um grupo finito G. Suponha.1). existe g ∈ G tal que Q = gP g −1 . Seja n5 o numero de subgrupos de G de ´ ordem 5 e n7 o numero de subgrupos de G de ordem 7. p divide cada Q-orbita. Para provar (iii) usamos um artif´ıcio similar. de certos subgrupos de G em S.1). que Q 6∈ OP . o unico p-subgrupo de Sylow ´ ´ fixado por esta ac¸a˜ o e´ o proprio P . ou seja.Teoria dos Grupos – Notas de curso Nivaldo. a prova consiste em comparar os resultados de ac¸oes ˜ s˜ao sempre por conjugac¸a˜ o. As outras orbitas s˜ao n˜ao-triviais e. (iii) Se H e´ um subgrupo de G cuja ordem e´ uma potˆencia de p. mostramos S = OP .5. Seja G um grupo de ordem 35 = 5·7.6. ent˜ao. E como |OP | divide m. n˜ao h´a Q-orbitas triviais.4. B subgrupos de G com |A| = 5 e |B| = 7. Do Lema 15. dados P. segue do Teorema Chinˆes dos Restos que G ∼ = Z/35Z. Teorema 15. respectivamente. n7 | 5 e n7 ≡ 1 (mod 7) =⇒ n7 = 1. donde p | np . onde k ≥ 0 e p . (Sylow) Seja G um grupo finito. 7) = 1. contradic¸a˜ o. Tome p um numero ´ primo. Como GP ⊇ P . G e´ um grupo c´ıclico. s˜ao divis´ıveis pelo primo p. vem que Q que n˜ao fixa nenhum dos elementos ´ ´ de OP . argumentando como na demonstrac¸a˜ o do Lema 15. consequentemente. A e B s˜ao normais em G. Ent˜ao. Segue da´ı que G ∼ = A × B. mais uma vez por (11. Ent˜ao. fica mostrado tamb´em que np | m. Nesta demonstrac¸a˜ o. vale HQ = QH. Sejam A. Mais ainda. mais uma vez por conjugac¸a˜ o.|OP |. a demonstrac¸a˜ o est´a completa. da´ı. a ac¸a˜ o de G em S e´ transitiva. temos A ∩ B = {1} e AB = G. os p-subgrupos de Sylow de G s˜ao p-grupos isomorfos. Se H n˜ao est´a contido em nenhum psubgrupo de Sylow de G.2 que HQ e´ um subgrupo de G cuja ordem. as ac¸oes ´ Seja P ∈ S e considere a ac¸a˜ o de P em S.4. terminando assim a prova de (i) e (ii). Ent˜ao: (i) A a¸ca˜ o por conjuga¸ca˜ o de G em S e´ transitiva. Segue Proposic¸a˜ o 5. em particular. Observe que Q tamb´em age em OP . novamente pelo Lema 15. por contradic¸a˜ o. Como S e´ a uni˜ao disjunta de suas orbitas. como Q ⊆ HQ e Q e´ um subgrupo de Sylow. segueˆ se que np = |S| e´ congruo a 1 (mod p). 20 janeiro 2016 Demonstra¸ca˜ o: Se Q e´ fixado por H.1. Resulta da´ı que p divide |OP |. ent˜ao np | m np ≡ 1 e (mod p). ∼ ∼ Agora. Corol´ario 15. ent˜ao H est´a contido em algum p-subgrupo de Sylow de G. Pelo Teorema de Sylow: n5 | 7 e n5 ≡ 1 (mod 5) =⇒ n5 = 1. vale HQ = Q e portanto H ⊆ Q. ou seja. seja Q ∈ S um p-subgrupo de Sylow qualquer. Q ∈ S.

. Q. . existe uma cadeia de subgrupos G = Gn−1 B Gn−2 B · · · B G1 B {1} tal que (Gi : Gi−1 ) = p para cada i. Demonstra¸ca˜ o: Feita por induc¸a˜ o. Como x comuta com todos os elementos de G.1) que o centro Z de G e´ n˜ao trivial e portanto. ent˜ao na maioria das vezes consideramos A = {1. Assim. um ˜ subconjunto do seu grupo de permutac¸oes. Pelo Teorema de Cauchy 15. . para algum n ≥ 1. . . Uma maneira de definir uma ac¸a˜ o de G em si mesmo e´ atrav´es das transla¸co˜ es: dado g ∈ G. naturalmente. Isto e´ natural: Os grupos de permutac¸oes ˜ qualquer colec¸a˜ o de simetrias (bijec¸oes) de um conjunto em si mesmo e´ . como veremos a seguir. como desejado. pelo Teorema de Cauchy 15.1) tal que |Gi | = pi para i = 1. ˜ de A. .3 ˆ (aplicado a` projec¸a˜ o canonica G → G/hxi) que a essa cadeia corresponde uma cadeia de subgrupos em G como em (16. Suponha a Proposic¸a˜ o v´alida para todos os p-grupos de ordem pn−1 . digamos |G| = pn . . isto e´ . n} e indicamos Perm S por Sn .1. o subgrupo hxi e´ normal ´ em G e o quociente G := G/hxi e´ um p-grupo de ordem pn−1 . Proposi¸ca˜ o 16. Sejam p um numero ´ primo e G um p-grupo finito. Agora. Mais ainda. um elemento do grupo Perm G. . ent˜ao Perm A e Perm B s˜ao naturalmente isomorfos. ent˜ao Perm A denota o grupo das permutac¸oes mamos os elementos de A de letras.1. 23 .3. Ent˜ao existe uma cadeia de subgrupos G = Gn B Gn−1 B · · · B G1 B {1} (16. Seja G um grupo. (Cayley) A aplica¸ca˜ o τ : G → Perm G dada por g 7→ τg e´ um homomorfismo injetor. um grupo finito de ordem n e´ isomorfo a um subgrupo do grupo sim´etrico Sn . nada a fazer. Z2 × Z2 × · · · . digamos com n elementos.1) com G1 = hxi e tal que o ´ındice em cada passo da cadeia ainda e´ p. definimos τg : G → G por τg (x) = gx (x ∈ G). Se n = 0. Teorema 17. segue do Teorema dos Homomorfismos 7. 20 janeiro 2016 Exerc´ıcio 15. para enfatizar que os elementos de A n˜ao interessam: se B e´ um outro conjunto com a mesma cardinalidade de A. ChaSe A um conjunto qualquer. Prove que se p e q s˜ao primos gˆemeos e |G| = pq. a cada elemento de G fica associada uma bijec¸a˜ o.8. Z2 × Z2 . existe um elemento x ∈ Z de ordem p. todo grupo finito pode ser visto como um subgrupo de um grupo de permuta¸co˜ es. ent˜ao G e´ c´ıclico.3. Em particular. 16 Algumas palavras sobre p-grupos ´ Seja p um numero primo. Segue da equac¸a˜ o de classes (12.Teoria dos Grupos – Notas de curso Nivaldo. 17 Grupos de permuta¸coes ˜ ˜ tˆem papel de destaque entre os grupos finitos. a ordem de um p-grupo finito e´ sempre uma potˆencia de p. 2. Dizemos que um grupo e´ um p-grupo se a ordem de cada um dos seus elementos e´ uma potˆencia de p. Pela hipotese de induc¸a˜ o. n. Se A e´ finito. S˜ao exemplos de 2-grupos: D4 .

a menos da ordem na qual os ciclos aparecem. o 4-ciclo (1 5 2 6) denota a permutac¸a˜ o   1 2 3 4 5 6 . Em outras palavras. Por exemplo. n˜ao e´ unico. que e´ injetor. toda permutac¸a˜ o pode ser escrita como um produto de transposic¸oes. leva jr em j1 e fixa todo elemento diferente dos ji ’s. (5 2 6 1). . τ e´ realmente um homomorfismo. 20 janeiro 2016 Demonstra¸ca˜ o: Se g. toda permutac¸a˜ o se fatora como um produto de ciclos. e´ arranjar o dom´ınio e imagem em linhas. Se G possui n elementos. Uma tal permutac¸a˜ o e´ chamada um r-ciclo ou um ciclo de comprimento r. Tal ´ produto. Dois ciclos (j1 · · · jr ) e (k1 · · · ks ) s˜ao ditos disjuntos se os conjuntos dos ji ’s e ki ’s s˜ao disjuntos. . (j1 j2 · · · jr ) = (j1 j2 )(j2 j3 ) · · · (jr−1 jr ). ent˜ao τ (G) e´ isomorfo a um subgrupo de Perm G ∼ = Sn . Seja σ uma permutac¸a˜ o. ´ ˜ que aparecem em um decomposic¸a˜ o est´a Entretanto a paridade do numero de transposic¸oes bem definida. j2 . Denotamos por (j1 j2 · · · jr ) a permutac¸a˜ o que leva ji em ji+1 para i < r. σ(1) σ(2) · · · σ(n) ˜ podem ser descritas de maneira mais eficiente. jr letras distintas. por´em de escrita longa. O ciclo mais simples depois da identidade e´ um 2-ciclo e estes chamados de transposi¸co˜ es. 5 6 3 4 2 1 Um mesmo r-ciclo pode ser denotado de v´arias formas diferentes. Entretanto certos tipos de permutac¸oes Sejam j1 . . Um r-ciclo possui ordem r. (2 6 1 5) ˜ para o 4-ciclo acima. mas a rec´ıproca n˜ao vale.Teoria dos Grupos – Notas de curso Nivaldo. Nem toda permutac¸a˜ o e´ um e (6 1 5 2) s˜ao as outras poss´ıveis notac¸oes ciclo. Assim. ˜ Um r-ciclo qualquer se escreve como um produto de transposic¸oes: de fato. Todavia. os ciclos desempenham o mesmo papel ´ que os numeros primos na aritm´etica dos inteiros. Ciclos disjuntos permutam entre si. ˜ Em particular. uma permutac¸a˜ o de ordem p em Sp e´ um p-ciclo. Tal escrita e´ ´ unica. em geral. se p e´ primo. (1 2 3 4) = (1 2)(2 3)(3 4) = (1 4)(1 3)(1 2). fazendo corresponder em uma mesma coluna um elemento e sua imagem:   1 2 ··· n . neste sentido. Toda permutac¸a˜ o pode ser escrita como um produto de ciclos disjuntos. como veremos a seguir. Como descrevˆe-la? Uma maneira simples. h ∈ G. . por exemplo. O sinal de uma permutac¸a˜ o σ e´ definido por sinal(σ) = Y σj − σi i<j 24 j−i . ent˜ao τgh = τg ◦ τh ou seja.

2}) ´ segue-se que toda transposic¸a˜ o tem sinal negativo. se σ = τ1 τ2 · · · τk e´ um produto de transposi¸co˜ es. An = h3-ciclosi.3. (1 2)α.Teoria dos Grupos – Notas de curso Nivaldo. Das igualdades (1k) = (2k)(12)(2k) e (ij) = (j1)(i1)(j1) (i. digamos α = (3 4 5). ou seja. Seja α um 3-ciclo.2. dado σ em An . a identidade e´ uma permutac¸a˜ o par e a transposic¸a˜ o (1 2) e´ ´ımpar. ent˜ao σ se escreve como um produto de k − 1 transposic¸oes. todo 3-ciclo pertence a An . Por outro lado. a aplicac¸a˜ o sinal e´ de fato um homomorfismo. ent˜ao H = A5 . O subgrupo An e´ chamado o grupo alternado de grau n. Vocˆe est´a convidado a preencher os detalhes. (1 2). Proposi¸ca˜ o 17. donde temos a sobrejetividade. Em particular. ´ O nucleo An do homomorfismo sinal e´ portanto um subgrupo normal de ´ındice 2 de Sn ˜ que se escrevem como o produto de um numero ´ e constitui-se de todas as permutac¸oes par ˜ de transposic¸oes.4. α2 . Para todo n ≥ 3. Assim. ent˜ao σ se escreve ´ ˜ como um produto de um numero par de transposic¸oes. Como: e (ab)(cd) = (acb)(acd) (ab)(bc) = (abc) a demonstrac¸a˜ o est´a terminada. ent˜ao σρj − σρi e ρj − ρi tˆem sinais opostos). Agrupando-as de par em par. Uma permutac¸a˜ o e´ dita par se seu sinal e´ positivo e ´ımpar caso contr´ario. ent˜ao Demonstra¸ca˜ o: Se σ e ρ s˜ao duas permutac¸oes sinal(σρ) = Y σρj − σρi i<j = j−i Y σρj − σρi Y ρj − ρi · = sinal(σ) sinal(ρ) ρj − ρi j−i i<j i<j (pois se ρj − ρi e j − i tˆem sinais opostos. 2. α. Sugest˜ao: use a equac¸a˜ o #{conjugados a α em S5 } = (S5 : CS5 (α)). Se H C A5 cont´em um 3-ciclo. +1} e´ um homomorfismo sobrejetor. A aplica¸ca˜ o sinal : Sn → {−1. Ent˜ao: C = {1. 20 janeiro 2016 onde abreviamos σ(i) por σi. sinal(12) = −1. ent˜ao j > i e τ j < τ i se e somente se j = 2 e i = 1. ˜ Demonstra¸ca˜ o: Se σ e´ um k-ciclo. Demonstra¸ca˜ o: Eis um roteiro. o que prova a ultima afirmac¸a˜ o do teorema. 25 . Teorema 17. temos dois casos: elas s˜ao disjuntas ou n˜ao. Seja n ≥ 2 um inteiro. Por exemplo. ´ 1. j. ˜ quaisquer. Lema 17. (1 2)α2 } s˜ao todos os elementos de S5 que comutam com α. Mostre que o numero de 3-ciclos em S5 e´ exatamente 20. k 6∈ {1. ent˜ao sinal(σ) = (−1)k . Se τ = (12). Mais ainda.

4. Generalize o resultado anterior: Exerc´ıcio 17. Conclua o lema. ent˜ao H = An .5. Teorema 17. A5 e´ um grupo n˜ao abeliano simples. ent˜ao H = hhi e´ uma parcela direta de A. Observa¸ca˜ o 17. Neste mesma linha de id´eias. ou seja. obtemos r = 0: de fato. Sejam A um p-grupo abeliano finito e H = hhi. por outro lado. 1. temos τ στ −1 = (3 1 2 4 5) e (τ στ −1 )σ −1 = (1 3 4) ∈ H. Assim. se r 6= 0. que podemos supor uma entre α = (1 2 3). p) = 1. Para n > 6. pode-se provar que A6 e´ simples. com 0 ≤ r < p. Mostre que: τ βτ −1 = (1 2)(4 5) e (τ βτ −1 )β −1 = (3 5 4) ∈ H.6. 20 janeiro 2016 ˜ pares em C. H cont´em um 3-ciclo. em qualquer caso. temos que rh = p(y − qh) e. consiste em contar as estruturas de ciclos dos tipos (1 2)(3 4) e (1 2 3 4 5) e usar o teorema de Lagrange. Se h ∈ A possui ordem m´axima. 26 . Lema 18. H 6= {1}. ent˜ao tome τ = (1 2)(3 5).7. Ent˜ao H possui uma permutac¸a˜ o par. onde h ∈ A possui ordem m´axima em A. Escrevendo k = pq + r. Conclua que todos os 3-ciclos s˜ao de conjugados a α por permutac¸oes conjugados entre si em A5 (use o item (a)).Teoria dos Grupos – Notas de curso Nivaldo. Uma outra prova. ent˜ao o(rh) = o(h) j´a que mdc(r. mostre que para τ = (1 3 2). Se β ∈ H. Se A 6= H.2. por um lado. ou β = (1 2)(3 4) σ = (1 2 3 4 5). usa-se o fato de que A6 e´ simples e o Exerc´ıcio 17.1. logo (A5 : CA5 (α)) = 60/3 = 20. ent˜ao existe a ∈ A \ H de ordem p. 2. o numero ´ 3. Se σ ∈ H. Prove que se n ≥ 5 e H C An cont´em um 3-ciclo. Demonstra¸ca˜ o: Com efeito.5. 18 Grupos abelianos finitos Nosso objetivo nesta sec¸a˜ o e´ provar o Teorema de Decomposic¸a˜ o Prim´aria para os grupos abelianos finitos. p(y − qh) ´ n˜ao possui ordem m´axima em A j´a que e´ multiplo de p. mais aritm´etica. para algum inteiro k > 0. Demonstra¸ca˜ o: Seja H C A5 . Seja A p-grupo abeliano finito. Lema 18. Logo py = kh. O resultado segue do Lema 17. pelo Teorema de Cauchy existe y ∈ A tal que a ordem de y + H em A/H e´ igual a p. Logo p(y − qh) = 0 e da´ı y − qh 6∈ H possui ordem p. H´a trˆes permutac¸oes ˜ pares e´ 20. Uma prova surpreendemente curta pode ser encontrada em Van der Waerden.4.

pela hipotese de induc¸a˜ o. φ : A → A a projec¸a˜ o canonica e H = φ(H).1). onde |A| = pn . 20 janeiro 2016 Demonstra¸ca˜ o: Por induc¸a˜ o em n. Ent˜ao H ∼ = H. para algum subgrupo K. A = H ⊕ K. Sejam A = A/hai. φ(h) ∈ A possui ordem m´axima e. −1 (K). temos que H ∩ K = {1} e. Se n = 1 ou A = H. Suponhamos n > 1 e H $ A. ¯ ´ pois H ∩ hai = {1}. ent˜ao A e´ c´ıclico e logo o resultado e´ v´alido. Tomando K = φ .Teoria dos Grupos – Notas de curso Nivaldo. Assim. Seja a ∈ A \ H de ordem p ˆ (Lema 18.

.

.

.

como |K| = p .

K .

e |A| = p .

A.

.3 a cada um deles para obter o resultado. Teorema 18. a menos de isomorfismos. . A se escreve como soma direta dos seus subgrupos de Sylow.3. Agora aplicamos a Proposic¸a˜ o 18. Proposi¸ca˜ o 18. ou seja. . j´a que ela possui um elemento de ordem m´axima em A. A = H ⊕ K. r − 1.2. cada p-subgrupo de Sylow de A e´ normal. Tais p-grupos. Demonstra¸ca˜ o: A existˆencia de uma tal decomposic¸a˜ o segue do Lema 18. (Decomposic¸a˜ o prim´aria) Seja A um grupo abeliano finito. onde p percorre os primos que dividem |A|. Ent˜ao existe uma decomposi¸ca˜ o de A como soma direta de p-grupos c´ıclicos. Logo. s˜ao unicamente determinados. Demonstra¸ca˜ o: Sendo A abeliano.4. A unicidade se segue olhando-se os elementos de cujas ordens s˜ao potˆencias de p m´aximas. segue-se que |A| = |H| |K|. .. Um p-grupo abeliano finito A se escreve de maneira unica ´ como uma soma direta A = H1 ⊕ H2 ⊕ · · · ⊕ Hr onde cada Hi e´ um p-grupo c´ıclico com 1 < |Hi | ≤ |Hi+1 | para i = 1. 27 . aplicado repetidas vezes. A unicidade vem do fato de que podemos cancelar cada parcela de maior ordem.

1) onde cada subgrupo Gi−1 e´ normal no subgrupo anterior Gi . . se G/H n˜ao e´ simples.1. a segunda Z3 . Z3 e Z5 . podemos fazer isto entre {1} e H. eis a ultima: uma s´erie subnormal e´ ´ uma s´erie de composi¸ca˜ o se ela n˜ao admite refinamentos proprios. 20 janeiro 2016 O teorema de Jordan-Holder ¨ Tome G um grupo finito. Um refinamento e´ dito pr´oprio se subgrupos novos foram acrescentados. A primeira delas tem como fatores quocientes os grupos Z5 . S´eries de composic¸a˜ o n˜ao s˜ao unicas. ¨ A surpresa vem do seguinte resultado (o Teorema de Jordan-Holder): independentemente da maneira com que fac¸amos essa inserc¸a˜ o de subgrupos. n. Z2 e Z5 e a terceira Z2 . 28 . inserir subgrupos normais n˜ao repetidos nesta cadeia. ent˜ao decorre do Teorema dos Homomorfismos que existe um subgrupo K de G tal que H B K B G. Z n˜ao possui nenhuma. Provar este teorema e´ o nosso proximo objetivo. Os quocientes Gi−1 /Gi s˜ao os fatores quocientes (ou simplesmente fatores) da s´erie. Todo grupo finito possui uma s´erie de composic¸a˜ o. Se G e´ um grupo simples. desde que prossigamos inserindo subgrupos normais at´e ´ obter quocientes simples. se H n˜ao e´ simples. em contrapartida. 1. ent˜ao G B {1} e´ uma s´erie de composic¸a˜ o.Teoria dos Grupos – Notas de curso 19 Nivaldo. ou seja. a menos de reordenac¸a˜ o. As s´eries ¯ B {¯0}. . Z30 B h¯ 5i B h10i Z30 B h¯3i B h¯6i B {¯0} e Z30 B h¯2i B h¯6i B {¯0} s˜ao as poss´ıveis s´eries de composic¸a˜ o de Z30 . tal que {1} ( H ( G Temos ent˜ao uma cadeia G B H B {1}. Por outro lado. . Exemplo 19. Se cada Gi e´ normal no grupo ambiente G. claro. 2. ˜ ´ Para terminar essa longa sequˆencia de definic¸oes. Isso certamente n˜ao surpreende. Os subgrupos Gi s˜ao chamados termos. N˜ao pressupomos que os grupos Gi sejam distintos. Uma s´erie subnormal de G e´ uma sequˆencia de subgrupos G = G0 B G1 B G2 B · · · B Gn = {1} (19. Perguntamo-nos se podemos repetir esse processo. os mesmos quocientes. . respectivamente. ´ 3. esse processo n˜ao pode continuar 6= 6= indefinidamente. sempre obteremos. Sendo G finito. Um refinamento de uma s´erie subnormal e´ simplesmente uma nova s´erie obtida pela inserc¸a˜ o de subgrupos (n˜ao necessariamente distintos). Seja G um grupo. ent˜ao a s´erie e´ dita normal. Se G n˜ao e´ simples. Chegamos assim a uma cadeia G B G1 B G2 B · · · B Gn B {1} tal que cada grupo quociente Gi /Gi+1 e´ um grupo simples. Z2 e Z3 . O caso do grupo Z30 ilustra bem isso. para i = 1. ent˜ao existe um subgrupo H normal em G.

(Lei modular de Dedekind) Sejam H. aplicado quando A = u(U ∩ v) e B = U ∩ V . Este resultado not´avel ser´a provado como consequˆencia de um outro ainda mais forte: o teorema de Schreier (Teorema 19. (Schreier) Duas s´eries subnormais quaisquer de um grupo G admitem refinamentos equivalentes. K. obtemos u(U ∩ V ) ∼ U ∩V . No ultimo exemplo. L subgrupos de um grupo G. 2. ent˜ao hH. V subgrupos de um grupo G. de forma que fatores isomorfos ´ estejam em correspondˆencia. Ki Demonstra¸ca˜ o: Seja hk ∈ L. 2. Lema 19. claro. Lema 19. v. Ent˜ao h ∈ H ∩ L e logo hk ∈ (H ∩ L)K. segue-se que hk ∈ L e. U. onde h ∈ H e k ∈ K. Ent˜ao: 1. Isto mostra que (HK) ∩ L ⊆ (H ∩ L)K.2). = = u(U ∩ v) v(u ∩ V ) (U ∩ v)(u ∩ V ) v(U ∩ V ) u(U ∩ V ) PPP LLL oo rr PPP o LLL r o r o r P o P LLL PPP oo rr o r o L r P r oo U ∩V v(u ∩ V ) u(U ∩ v) PPP PPP nnn n n PPP nn PPP nnn n PPP n PPP nnn PPP nnn n n PPP nnn PP nnn (U ∩ v)(u ∩ V ) Demonstra¸ca˜ o: 1. se HK = KH. Como K ⊆ L. u(U ∩ V ) ∼ v(U ∩ V ) ∼ U ∩V . v C V . A outra asserc¸a˜ o e´ provada de maneira an´aloga. Isto n˜ao foi obra do acaso: o Teorema de Jordan¨ Holder (Teorema 19. 29 .Teoria dos Grupos – Notas de curso Nivaldo. Em particular. Ki ∩ L = hH ∩ L. = u(U ∩ v) (U ∩ v)(u ∩ V ) ´ trocarmos u por v nos lugares adequaO outro isomorfismo segue de maneira similar (apos dos) e isto termina a prova do lema. obtemos (U ∩ v) C (U ∩ V ) e como u C U . (Zassenhaus ou Lema da Borboleta) Sejam u. Teorema 19. segue-se que u(U ∩ v) C u(U ∩ V ). Ent˜ao (HK) ∩ L = (H ∩ L)K. segue que u(U ∩ v) ∩ (U ∩ V ) = (u ∩ V )(U ∩ v) e portanto de AB/A ∼ = B/(A ∩ B).4).5) afirma que o mesmo acontece em qualquer grupo G. Sendo v C V . vimos que as duas s´eries de composic¸a˜ o de Z30 apresentadas s˜ao equivalentes. hk ∈ HK. u(U ∩ v) C u(U ∩ V ) e v(u ∩ V ) C v(U ∩ V ).4. 20 janeiro 2016 Dizemos que duas s´eries subnormais s˜ao equivalentes se os fatores n˜ao triviais de uma s´erie est˜ao em bijec¸a˜ o com os fatores n˜ao triviais da outra.3. Para a inclus˜ao oposta. com K ⊆ L. Tudo comec¸a com o seguinte lema. com u C U . tome h ∈ H ∩ L e k ∈ K.2. Da Lei Modular de Dedekind (Lema 19. Isto termina a prova.

nos diz que o quociente entre os termos indicados na primeira das linhas acima e´ isomorfo ao quociente dos da segunda. Conclu´ımos que os refinamentos s˜ao equivalentes. Assim. composic¸a˜ o n˜ao se alteram apos 30 .3 aplicado aos grupos Gi+1 C Gi e Hj+1 C Hj . Tipicamente. elas admitem refinamentos equivalentes. da forma · · · B Gi+1 (Gi ∩ Hj ) B Gi+1 (Gi ∩ Hj+1 ) B · · · · · · B Hj+1 (Gi ∩ Hj ) B Hj+1 (Gi+1 ∩ Hj ) B · · · O Lema 19. o refinamento e´ Gi = Gi+1 (Gi ∩ H0 ) B Gi+1 (Gi ∩ H1 ) B · · · B Gi+1 (Gi ∩ Hn ) = Gi+1 Mutatis mutandis. respectivamente. Cada uma das novas s´eries obtidas possui mn + 1 termos. temos o resultado. usando os termos da segunda s´erie. constru´ımos um refinamento para a segunda s´erie.Teoria dos Grupos – Notas de curso Nivaldo. Demonstra¸ca˜ o: Pelo Teorema de Schreier. (Jordan-Holder) Duas s´eries de composi¸ca˜ o de um grupo G s˜ao equivalentes. ¨ Teorema 19. A id´eia e´ construir um refinamento da primeira. 20 janeiro 2016 Demonstra¸ca˜ o: Sejam G = G0 B G1 B G2 B · · · B Gm = {1} e G = H0 B H1 B H2 B · · · B Hn = {1} duas s´eries subnormais de G. no passo de ´ındice i. os termos desses refinamentos s˜ao. dadas duas s´eries de composic¸a˜ o de G. inserindo n − 1 termos entre cada passo. Como os fatores quocientes n˜ao-triviais de uma s´erie de ´ um refinamento.5.

1. . Proposi¸ca˜ o 20. . Ent˜ao Ki+1 C Ki e logo. . Definindo Hi := H ∩ Gi para i = 0. ´ 2.1) tal que fator quociente Gi−1 /Gi e´ abeliano. dados x.1. Todo p-grupo finito G e´ soluvel: se |G| = pn . Suponha agora que H C G e seja Ki := H · Gi para i = 0. k ∈ H. O grupo sim´etrico S3 e´ soluvel: a s´erie S3 B h(1 2 3)i B {(1)} tem como fatores quocientes os grupos Z2 e Z3 . n e portanto G = Pn B Pn−1 B · · · B P1 B {1} ´ e´ uma s´erie soluvel cujos fatores quocientes s˜ao c´ıclicos de ordem prima. 2. ´ 3. . Mais ainda. . 1. ´ (b) Reciprocamente. 20 janeiro 2016 Grupos soluveis ´ Um grupo G e´ dito soluvel ´ se existe uma s´erie subnormal G = G0 B G1 B G2 B · · · B Gn = {1} (20. Logo H e´ soluvel. cada fator Hi /Hi+1 ´ e´ isomorfo a um subgrupo de Gi /Gi+1 . se H e´ normal em G e tanto H como G/H s˜ao soluveis. pela correspondˆencia do teorema dos homomorfismos (Teorema 7. yH = Hy. ´ ent˜ao G e´ soluvel. e´ uma s´erie soluvel. ´ ´ Demonstra¸ca˜ o: (a) Suponha que G possua uma s´erie soluvel (19. basta considerar a s´erie G B 1. e xyGi+1 = yxGi+1 (pois Gi /Gi+1 e´ abeliano). n. (12)(34). (14)(23)} e´ o grupo de Klein. Ent˜ao: (a) Se G e´ soluvel. . .1). Todo grupo abeliano G e´ soluvel. Agora. n. . . ´ se H e´ normal em G. . n. . ent˜ao existem subgrupos Pi C G de ordem pi para i = 0. . ent˜ao H = H0 B H1 B H2 B · · · B Hn = {1} e´ uma s´erie subnormal em H. ´ Exemplos: ´ 1. sendo portanto abeliano. S4 B A4 B V B {(1)} ´ onde V = {(1). . O grupo sim´etrico S4 e´ soluvel: de fato. . para cada i = 1. ´ 4. Nesse caso dizemos que a s´erie e´ soluvel. segue-se que hxHGi+1 · kyHGi+1 = kyHGi+1 · hxHGi+1 31 . . (13)(24). Seja H um subgrupo de um grupo G. .3) G/H = K0 /H B K1 /H B K2 B · · · B Kn /H = {1} e´ uma s´erie subnormal de G/H.Teoria dos Grupos – Notas de curso 20 Nivaldo. ent˜ao G/H e´ soluvel. ´ ent˜ao H e´ soluvel. xH = Hx. ent˜ao do fato de que hH = kH = H. y ∈ Gi e h. pelo teorema dos homomorfismos.

1. os grupos sim´etricos apresentam comportamento bem distinto para n ≥ ´ 5: An e´ um grupo n˜ao abeliano simples. j. ou seja. temos xyx−1 y −1 = (ijk)(krs)(kji)(srk) = (kir). Isto pode ser provado diretamente com um argumento elegante (cf.Teoria dos Grupos – Notas de curso Nivaldo. Corol´ario 20. que apresentamos abaixo. G/N = HN/N ∼ = H/(H ∩ N ) ∼ =H e logo o resultado segue da Proposic¸a˜ o 20. podemos supor que H e N s˜ao subgrupos de um grupo G. Como este ultimo quociente e´ isomorfo ao grupo (Ki /H)/(Ki+1 /H). Isto mostra que n˜ao existe uma s´erie subnormal de An com fatores quocientes abelianos. An n˜ao e´ ´ soluvel. pelo teorema dos homomorfismos. 32 . Usando que Ki−1 /Ki ∼ = (Ki−1 /H)/(Ki /H) e colando a s´erie G = K0 B K1 B · · · B Kn = H com uma s´erie subnormal de H com fatores abelianos. pelo Lema 17.1. Seja H um subgrupo normal de An tal que An /H seja abeliano. basta mostrar que An n˜ao e´ soluvel. ´ (b) Suponhamos agora que H e´ normal em G e que tanto H como G/H s˜ao soluveis. temos (xH)(yH)(x−1 H)(y −1 H) = (xH)(x−1 H)(yH)(y −1 H) = H e logo xyx−1 y −1 ∈ H. Se n ≥ 5. existe uma s´erie subnormal G/H = K0 /H B K1 /H B · · · B Kn /H = 1 com fatores abelianos e onde os Ki ’s s˜ao subgrupos de G contendo H e Ki C Ki−1 (Teorema 7. Dados x. Assim. y ∈ An . ´ deduzimos que G/H e´ soluvel. H cont´em todos os 3-ciclos e e´ portanto.4.2. Como vimos. com N normal em G. ent˜ao o grupo sim´etrico Sn n˜ao e´ soluvel. igual a An . r. Proposi¸ca˜ o 20. Ki /Ki+1 e´ abeliano. 20 janeiro 2016 ´ isto e´ . Logo G e´ soluvel. obtemos uma s´erie ´ subnormal em G cujos fatores s˜ao abelianos.3). H ∩ N = {1} e G = HN .3. Ent˜ao. Tomando x = (ijk) e y = (krs) com i. O produto direto H × N de dois grupos e´ soluvel ´ se e somente se H e N s˜ao soluveis. ´ ´ Demonstra¸ca˜ o: Pela Proposic¸a˜ o 20. apˆendice de [Artin]). Ent˜ao. s distintos. e portanto n˜ao e´ soluvel. k. ´ Demonstra¸ca˜ o: Com efeito. ´ Em geral. um produto semidireto H n N e´ soluvel ´ se e somente se H e N s˜ao soluveis.