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1 - Fala um pouco sobre você, caminhos seguidos e como

encontrou-se com a performance.
Há uns dez anos creio que busco pensar que no cotidiano podemos realizar
ações performativas que se emaranham em suas motivações políticas,
emocionais, corporais, contraculturais. Não tinha a princípio um interesse,
aproximação, conhecimento ou afinidade exatamente com a ideia de
performance enquanto arte, algo que poderia estar em um espaço
institucional sendo apresentada como arte. Essa aproximação tem rolado
conforme desejos de performatividade e minhas pesquisas no campo do
audiovisual e das novas mídias (que é o título do curso em que me graduei
esse ano) convergiram, e pelo fato de que a performance é uma expressão
de arte que leva em consideração de maneira bem intensa e interessante o
corpo, a presença, a vida cotidiana, a política, colaborando na
dessacralização dos espaços de arte e da própria arte em si.
2 - Como surgiu essa performance? É sua primeira personagem?
Então, eu não vejo exatamente como uma personagem, seria mais como
uma variação performativa de mim mesmo, uma forma peculiar de estar
compartilhando conteúdo audiovisual. Eu ainda preciso pesquisar mais
sobre como definir isso, mas tenho usado o termo persona. É de onde se
origina a palavra em português ‘pessoa’, mas originalmente seu sentido em
grego está associado a ideia de máscara e de personagem. Então talvez
seja uma hibridação de tudo isso (pessoa, máscara, personagem) e acabe
não sendo nada disso. Marvin Carlson em Performance: A critical
Introduction fala um pouco sobre essa ideia de “persona” na performance
como diferente de “personagem” a partir da experiência de artistas nos
anos 70 que exploravam, através da performance, selfs imaginários ou
alternativos. Esses artistas eram apontados como 'auto-transformacionais' e
autores de 'fantasias autobiográficas'.
Essa performance surgiu em um contexto de pesquisa envolvendo a ideia
de performatividade com arquivo digital; a pesquisa do vídeo enquanto uma
mídia relacional, corporificada e não (apenas) representacional; e a relação
entre humanidade, animalidade e pós-humanismo.
3 - Qual o público que "consome" esse tipo de atividade artística?
Nesse contexto de dessacralização, politização, cotidianização, de presença
(no geral) do corpo e de distanciamento de certos cânones ainda bem
enraizados nas expectativas de muitos tipos de ‘público’, a performance não
é muito digestível ao mercado e me parece que a formação de público aqui
no brasil em relação a esse tipo de arte tem se dado mais a partir de
iniciativas independentes de pessoas com interesse nesse tipo de
expressão, por vezes ligadas a universidade. Ao menos nas performances
em que o público tem que se direcionar ao espaço em que elas vão ocorrer,
creio que esses espaços são da academia e de instituições culturais como o
Sesc ou festivais de arte no geral. Também tem várias performances que
ocorrem na rua então o público é quem tá passando.
4 - Qual público você desejaria atingir?

por exemplo. uma das ações da série de performance envolveu uma pesquisa sobre arquivo em um laboratório com arquivos audiovisuais. a partir do conceito de deslocamento. Também penso bastante na relação de continuidade entre físico e digital. e quando apresentei ela meu interesse era procurar gatos no lugar e interagir especificamente com eles. Então. e a intenção da performance era levantar atenção ao arquivo nesse laboratório. a partir 1) de um curta chamado Upaba Cyborg e 2) de um trabalho de instalação performativa cinematográfica em múltiplos canais. . entre corpo e vídeo. do contexto ao qual a ação se insere. Uma outra ação.Quais os planos futuros? No momento. O ‘público’ ai tava restrito a um contexto específico. envolve vídeos em que gatos orgânicos interagem como gatos robôs. para a série Futuro Mendigado tenho interesse de trabalhar um pouco a relação entre performance e cinema.Acho que isso vai variando do tipo de ação que a performance envolve. Infelizmente isso não aconteceu. 5 . e no aspecto relacional do vídeo que pode fazer do público uma presença a partir do virtual. chamada de devir-máquina. a #5. e o Cyborg foi “gatificado” por uma horda de crianças. eles eram o público.