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Dra. Maria do Amparo Rodrigues Lima – OAB/PI Nº 1507/84 Dr. Alone Bruno Ferreira de
Dra. Maria do Amparo Rodrigues Lima – OAB/PI Nº 1507/84
Dr. Alone Bruno Ferreira de Sousa Santos – OAB/PI Nº 9102/12
Dr. Daniel Noronha de Sena – OAB/PI Nº 8736
Rua Raimundo Portela, 945, Bairro de Fátima, Teresina-PI
e-mail: mamparorlima@hotmail.com

EXCELENTÍSSIMO (A) SENHOR(A) DOUTOR(A) JUIZ(A) DE DIREITO DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL E CRIMINAL DA COMARCA DE TERESINA-PIAUÍ

“É ASSEGURADA A PRIORIDADE NA TRAMITAÇÃO DOS PROCESSOS E PROCEDIMENTOS E NA EXECUÇÃO DOS ATOS E DILIGÊNCIAS JUDICIAIS EM QUE FIGURE COMO PARTE OU INTERVENIENTE PESSOA COM IDADE IGUAL OU SUPERIOR A 60(SESSENTA) ANOS, EM QUALQUER INSTÂNCIA” (art. 71 da Lei 10.741/03 Estatuto do Idoso).

MARIA DO AMPARO RODRIGUES LIMA, brasileira, viúva, advogada, portadora do RG nº 140.547/SSP-PI, e do CPF 066.287.453-68, inscrito na OAB/PI sob o nº 1507, residente e domiciliada na Rua Raimundo Portela, 945, Bairro de Fátima, Teresina - PI, em causa própria (art. 36, CPC), vem, respeitosamente, à presença de V. Exa., propor a presente

AÇÃO DE COBRANÇA DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS

contra KARLA CRISTINA MALTA, brasileira, médica, CPF de nº 799.243.603- 20 e RG de nº 3003385 - SSP/PI, residente e domiciliada na Rua Motorista Gregório, nº 3340, Bloco A, apto 201, Bairro Planalto Ininga, em Teresina-PI, nos termos do art. 275, II, “f” do CPC., pelos fatos e fundamentos a seguir expostos:

1.0 DOS FATOS

Em meados de junho de 2014, através de instrumento particular de procuração, em anexo, a Ré outorgou poderes para a ora Autora e seu grupo de advogados apresentarem CONTESTAÇÃO a AÇÃO DE DIVÓRCIO LITIGIOSO COM PEDIDO DE GUARDA COMPARTILHADA, OFERTA DE ALIMENTOS e PARTILHA DE BENS (processo nº0011782- 09.2014.8.18.0140), cuja cópia integral segue em anexo, proposta pelo seu então marido, além de igualmente representa-la conforme todos os termos elencados na procuração ad judicia ora apresentada.

Tal medida foi devidamente protocolada em juízo da 2ª Vara de Família e Sucessões desta comarca.

Além da apresentação desta ação, a ora Autora ainda realizou

diversas diligências nas promotorias de justiça e outros setores administrativos

e judiciais a fim de resolver questões envolvendo os objetos da supracitada

demanda, principalmente no atine a guarda da filha menor do casal, cuja exigência principal da Autora é que esta lhe fosse atribuída de forma unilateral,

além de outras exigências.

Desta feita, as partes firmaram contrato de honorários na modalidade verbal, acordando-se o valor de R$ 24.000,00 (vinte e quatro mil

reais) em contra prestação aos serviços advocatícios em questão, pago mediante

a apresentação de 12 (doze) cheques pré-datados no valor de R$2.000,00 (dois

mil reais) cada, sendo o primeiro com vencimento para o dia 15.07.2014 e último para o dia 15.06.2015, momento em que se emitiu recibo, em anexo, no valor total de R$24.000,00 (vinte e quatro mil reais).

Conforme se depreende dos documentos que instruem o presente,

a Autora cumpriu fielmente e com excelência as suas obrigações de causídica,

dando irrestrito acompanhamento ao feito através de intervenção junto ao juiz da causa em diversas oportunidades, principalmente para que fosse atribuída a guarda unilateral em favor da Genitora de maneira liminar, além do arbitramento de alimentos provisórios em favor da menor, sendo conseguido ainda que fosse designada audiência em caráter de urgência e dessa forma tornasse o feito mais célere e menos traumático, decisões em anexo.

Pois bem, após a honrosa e desgastante atuação desta causídica e de seu grupo de advogados, a Ré, mais precisamente em setembro de 2014, as vésperas da audiência tão batalhada pela causídica, por simplesmente dizer que não confiava mais nos trabalhos da Autora, a ora Ré solicitou o substabelecimento dos poderes a outro advogado, afirmando que não mais tinha interesse nos serviços de sua então causídica, ora Autora. Desta feita, solicitou que os demais cheques até então não descontados fossem devolvidos a sua pessoa, pois afirmou que não iria mais paga-los. Após curta conversa, afirmou que pagaria apenas o cheque do mês de outubro, restando ainda 07 cheques, os quais foram “amigavelmente” entregues a Ré, sendo o que o referente ao mês de outubro de 2014, que inclusive já havia sido negociado, deveria ser compensado pela Ré, mas que infelizmente foi sustado e devolvido, conforme cópia em anexo, tendo a Autora suportado os prejuízos do mesmo.

Ainda assim, conforme ata da única audiência realizada, grande parte do teor do acordo firmado entre as partes, sem dúvidas, foi baseada em todas as ações e opções apresentadas pela Autora, em conjunto com a Ré e a outra parte, motivo pela qual se ratifica que grande parte do êxito da ação foi baseada no trabalho realizado pela Autora, comprovando-se mais uma vez a efetiva prestação dos serviços, restando devido o pagamento de honorários na forma acordada, por ser a medida da mais plena justiça.

2.0 DO DIREITO

2.1 DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS DEVIDOS.

Ora, Excelência, havendo um processo, os próprios autos são a prova maior de tais préstimos: as petições realizadas, os argumentos colacionados, as reuniões e diligências realizadas e etc, processo em anexo. Todo o empenho e trabalho realizado está cabalmente comprovado nos autos, ao contrário da comprovação da quitação do valor acordado a título de honorários advocatícios, cujos pagamentos foram realizados na proporção 3/12, restando ainda 9 parcelas no valor de 2 mil reais a serem adimplidas.

Ademais, apesar de não ter havido contrato de honorários escrito, tem-se como prova o ciente da Ré no recibo do valor total acordado como honorários, de considerável relevância para se confirmar o valor do contrato verbal, devendo este prevalecer para todos os efeitos, tendo em vista que a ora Autora confiou na palavra de sua então cliente estabelecendo, ainda que de forma verbal, um valor para o patrocínio da demanda.

Ressalta-se ainda que, todos os esforços foram envidados para a melhor resolução do processo, além de que as obrigações decorrentes de contrato de serviços advocatícios são de meio, sendo o advogado obrigado a diligenciar honestamente a realização de um fim, com os meios de que dispõe, fazendo jus à remuneração, independentemente do resultado do processo em que atuou.

Pelo exposto, comprovada a contratação e a efetiva prestação dos serviços, resta devido o pagamento de honorários na forma acordada, por ser a medida da mais plena justiça.

2.2

JUDICIALMENTE.

DA

POSSIBIIDADE

DO

ARBITRAMENTO

DOS

HONORÁRIOS

Não sendo o entendimento de Vossa Excelência em determinar que a Ré pague os honorários advocatícios ainda devidos, ou seja, R$18.000,00 (dezoito mil reais), já descontados os valores pagos nos três primeiros meses do contrato (julho, agosto e setembro) e inexistindo contrato escrito de honorários advocatícios, os honorários devem ser fixados por arbitramento judicial para apuração do quantum devido ao advogado.

É sabido que os honorários de advogado, contratados de forma verbal, podem ser fixados no âmbito da ação de cobrança, sem a necessidade do procedimento preparatório de arbitramento, desde que no contexto da prova se possa apurar o trabalho prestado, o nexo causal e o respectivo valor.

Havendo a real prestação de serviços profissionais de advocacia, com ajuizamento de ação, mesmo existindo acordo direto entre as partes, extrajudicialmente, devidos são os honorários do profissional da área. Não havendo contrato escrito, e não provando pelos meios próprios a existência de acordo quanto aos valores acertados por conta do trabalho advocatício a ser prestado, cabível o arbitramento segundo um critério razoável, adotando-se como base a tabela da Entidade responsável pela fiscalização da conduta do profissional OAB.

Sendo assim, basta apenas a prova da contratação e da consequente prestação de serviços, devendo o magistrado usar tais subsídios como base para arbitrar os honorários devidos.

Neste sentido, mister a colação de ementas atualizadas a respeito:

AÇÃO DE COBRANÇA E ARBITRAMENTO DE HONORÁRIOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ADVOCATÍCIOS. CONTRATO VERBAL. ÔNUS PROBATÓRIO. Sendo fato incontroverso a prestação dos serviços de advocacia, não tendo o réu documentado adequadamente os valores que alega ter pago ao autor em contraprestação, impõe-se a procedência da presente demanda. Incidência à espécie do art. 333, inc. II, do CPC. Sentença mantida. NEGARAM PROVIMENTO AO APELO. UNÂNIME. (Apelação Cível Nº 70054999545, Décima Quinta Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Munira Hanna, Julgado em 26/11/2014).

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE COBRANÇA DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. CONTRATO VERBAL. FIXAÇÃO POR ARBITRAMENTO JUDICIAL. 1. O contrato de prestação de serviços advocatícios não tem forma prescrita em lei, podendo ser celebrado, inclusive, de forma verbal, por ausência de vedação legal. 2. Em qualquer hipótese, a prestação do serviço profissional assegura aos advogados inscritos na OAB o direito ao recebimento de honorários, nos termos do que prescreve o caput art. 22 do Lei nº 8.906/94. 3. Na falta de estipulação ou de acordo, os honorários devem ser arbitrados pelo Juízo, tomando- se como parâmetro indicativo a Tabela de Honorários da OAB/RJ, observando-se, para tanto, o disposto no art. 22 § 2º da Lei 8.906/94. 4. O autor, apelado, atuou como patrono da apelante em sede administrativa e em ação de execução fiscal que tramitou perante a 1ª Vara Federal do Rio de Janeiro e, após a defesa confeccionada pelo apelado, foi julgada extinta. 5. A sentença que julgou parcialmente procedente o pedido, fixando o percentual dos honorários advocatícios, em 2% (dois por cento) sobre o valor da dívida, deve ser mantida. 6. DESPROVIMENTO DO RECURSO, NOS TERMOS DO ART. 557, CAPUT, do CPC. (TJ-RJ - APL: 01242996120118190001 RJ 0124299-61.2011.8.19.0001, Relator:

DES. BENEDICTO ULTRA ABICAIR, Data de Julgamento:

09/01/2014, SEXTA CAMARA CIVEL, Data de Publicação:

25/03/2014 00:00)

AÇÃO DE ARBITRAMENTO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. CONTRATO VERBAL. AUSÊNCIA DE AJUSTE ENTRE AS PARTES. APRECIAÇÃO EQUITATIVA DO JUIZ. PARÂMETROS. ARTIGO 22 DO ESTATUTO DA ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL. VALOR DA CAUSA. Segundo o § 2º, do art. 22, do Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil, "na falta de estipulação ou de acordo, os honorários são fixados por arbitramento judicial, em remuneração compatível com o trabalho e o valor econômico da questão, não podendo ser inferiores aos estabelecidos na tabela organizada pelo Conselho Seccional da OAB". Para o arbitramento de verba honorária contratual, o magistrado deve observar a complexidade do trabalho desenvolvido pelo profissional e do valor econômico da questão, fixando remuneração com eles compatível. (TJ-MG - AC:

10024111817821001 MG , Relator: Luiz Artur Hilário, Data de Julgamento: 22/04/2014, Câmaras Cíveis / 9ª CÂMARA CÍVEL, Data de Publicação: 28/04/2014)

Em suma, prestado e não pago o serviço jurídico, faz jus o profissional ao arbitramento dos seus honorários pertinentes, em valores condignos a seu mister, devendo este provar, apenas e tão somente, tais préstimos e o não o valor antecedente avençando.

3.0 DO PEDIDO

Pelo exposto, requer que se digne Vossa Excelência em:

a) A citação da Ré, no endereço declinado no preâmbulo, a fim de que, em querendo apresente a defesa que tiver, sob pena de revelia e consequente confissão acerca da matéria de fato.

b) Seja julgado ao final procedente, in totum, a presente ação, condenando a Ré ao pagamento dos R$ 18.000,00 (dezoito mil reais) restantes, conforme honorários contratados verbalmente desde julho/2014 para prestação de serviços advocatícios pela Autora, no valor total de R$24.000,00.

c) Caso não seja este o entendimento de V. Exa., sejam arbitrados os honorários com base no zelo, competência, tempo e dedicação da Autora, adotando-se como base os valores mínimos estabelecidos na tabela de honorários da OAB/PI.

d) Seja condenada a Ré no pagamento de custas e honorários sucumbenciais de 20% sob o total da condenação da presente ação.

Para prova, além de todos os meios permitidos no Direito, a Autora requer o depoimento pessoal do representante da Ré, sob pena de confissão, mais a juntada dos documentos anexos, oitivas de testemunhas e perícia, se necessário for necessária, sem prejuízo da juntada de outros documentos que se fizerem necessários no curso da instrução processual, o que fica, desde logo, requerido.

Dá-se à causa o valor de R$ 788,00 (setecentos e oitenta e oito

reais).

Nestes termos,

Pede e espera deferimento.

Teresina, 19 de janeiro de 2015.

MARIA DO AMPARO RODRIGUES LIMA OAB/PI- 1507