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Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” Faculdade de Engenharia- Campus Bauru Departamento de

Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” Faculdade de Engenharia- Campus Bauru Departamento de Engenharia Elétrica

Utilização de materiais piezoelétricos para sensoriamento e captação de energia cinética corporal em aplicações voltadas à saúde

Aluno:

Vinicius Alexandre Carraschi

RA: 1010166

Disciplina: Conversão de Energia e Transformadores

Disciplina: Conversão de Energia e Transformadores

Professor: Renato C. Creppe

Disciplina: Conversão de Energia e Transformadores Professor: Renato C. Creppe

Bauru

Junho/2016

SUMÁRIO

1 Introdução

1

2 O Efeito Piezoelétrico

 

3

3 Fabricação de Materiais piezoelétricos

7

3.1 Cerâmicas Piezoelétricos

 

7

3.2 Filmes Poliméricos Piezoelétricos

12

3.3 Compósitos Piezoelétricos

15

3.3.1 Compósito

de

Fibra Ativa

16

3.3.2 Compósito de Macro Fibra

17

4 Utilização de Materiais Piezoelétricos em Sensores Corporais

19

4.1 Detecção

de

Atividade Muscular

19

4.2 Mensuração de Batimentos Cardíacos e Pressão Arterial

21

5 Utilização de elementos piezoelétricos para geração de energia

22

5.1

Captação de Energia das Articulações

24

6 Conclusão

26

Referências

27

1

1 INTRODUÇÃO

Há várias décadas a engenharia, computação e outras ciências não biológicas vêm contribuindo para aplicações voltadas à saúde. Ano após anos vemos novos equipamentos médicos sendo criados e aperfeiçoados. Desde o mais simples aparelho de eletrocardiograma até o mais sofisticado sistema de diagnóstico computadorizado por imagem são exemplos dessa contribuição. Os avanços na área são contínuos e a perspectiva é de que continuem assim, contudo, todos esses avanços ainda não são suficientes. Um trabalho feito por Misha Pavel e al, intitulado “The Role of Technology and Engineering Models in Transforming Healthcare”, publicado na sexta edição da “IEEE Reviews in Biomedical Engineering” do ano de 2013 expõe um cenário preocupante: o crescimento populacional, aliado ao envelhecimento da população, juntamente com o panorama do crescimento dos gastos com saúde nas últimas décadas projeta que, caso medidas não sejam tomadas, não será financeiramente viável

atender a demanda por serviços de saúde nas próximas décadas. Este estudo traz alguns gráficos que são aqui transcritos para exemplificarem este contexto.

A Figura 1 mostra que a taxa de dependência, ou seja, os números da população

economicamente inativa (aposentados ou pessoas muito jovens para trabalhar) dividido pelo número

de pessoas que compõe a força de trabalho, irá aumentar muito nos próximos 15 anos.

de trabalho, irá aumentar muito nos próximos 15 anos. Figura 1. Taxa de dependência entre 1950

Figura 1. Taxa de dependência entre 1950 e 2050 [1].

Do mesmo modo, os gastos com saúde nos países desenvolvidos vêm aumentando de maneira

praticamente contínua desde 1980. A porcentagem de gastos com saúde em relação ao Produto

Interno Bruto PIB também vem aumentando. Na imagem da Figura 2, GPD se refere a Gross Domestic Product.

2

2 Figura 2. Evolução dos gastos com saúde entre 1980 e 2007 nos Estados Unidos e

Figura 2. Evolução dos gastos com saúde entre 1980 e 2007 nos Estados Unidos e outros países industrializados [1].

Este trabalho também prevê que uma mudança no paradigma dos cuidados com a saúde é necessária. Ao invés de agir de maneira curativa, diagnosticando a doença quando ela já está instalada e, assim, prescrevendo um tratamento, o foco deve estar na prevenção, com monitoramento contínuo de cada indivíduo, detectando cada pequeno indicativo de irregularidade em seus parâmetros corporais, possibilitando, assim, agir antes que a doença se instale, o que torna o tratamento mais rápido e barato. Para isso, é sugerido o modelo apresentado na Figura 3, sendo que os campos de pesquisa marcados em vermelho, são aqueles onde a engenharia elétrica se faz mais necessária. Para que esse monitoramento contínuo seja realizado com sucesso, é necessário que diversos tipos de sensores sejam instalados no ambiente ou mesmo no corpo de cada indivíduo. Entretanto, o monitoramento contínuo de parâmetros corporais fazendo uso de sensores representa um desafio, à medida que o equipamento utilizado, ao mesmo tempo que cumpra sua função de fornecer os dados com extrema precisão, deve ser desenvolvido de forma que não prejudique o conforto do indivíduo e além de possuir um excelente gerenciamento de energia, para que possa operar sem interrupções, sob diversas condições.

3

3 Figura 3. Representação de uma amostra das áreas-problema nos cuidados com a saúde na camada

Figura 3. Representação de uma amostra das áreas-problema nos cuidados com a saúde na camada superior e as várias soluções tecnológicas para esses problemas na camada inferior, divididas em 4 grandes áreas de pesquisa [1].

Materiais piezoelétricos são extensivamente empregados na fabricação de sensores para diversos fins e, nos últimos anos, muitas pesquisas vêm sendo feitas a respeito da utilização destes sensores para aplicações biomédicas e também para desenvolver geradores que captam a energia cinética gerada pelo movimento corporal e a convertem em energia elétrica. Neste trabalho serão apresentados os princípios da piezoeletricidade, com uma breve explicação sobre a fabricação de alguns tipos de materiais piezoelétricos. Na sequência, serão apresentadas algumas formas de utilização destes materiais em sensores envolvendo aplicações biomédicas e captação da energia cinética corporal.

2 O EFEITO PIEZOELÉTRICO

O efeito piezoelétrico é a geração de carga por um material cristalino quando este é submetido a estresse. O efeito existe em cristais naturais, como quartzo (fórmula química SiO 2 ), cerâmicas sintéticas artificialmente polarizadas e alguns polímeros, como fluoreto de polivinilideno. É dito que materiais piezoelétricos possuem propriedades ferroelétricas. O nome foi dado por uma analogia feita com as propriedades ferromagnéticas. A palavra piezo vem dor grego piezen, que significa “pressionar”. Os irmãos Curie descobriram o efeito piezoelétrico do quartzo em 1880, mas bem pouco uso prático foi feito dele até 1917, quando outro francês, Professor Paul Langevin usou cortes de

4

quartzo parar gerar e detectar ondas de som dentro da água. Seu trabalho levou ao desenvolvimento do sonar.

da água. Seu trabalho levou ao desenvolvimento do sonar. Figura 4. Efeito piezoelétrico em um cristal

Figura 4. Efeito piezoelétrico em um cristal de quartzo [2].

Um modelo explanatório, ainda que simplificado, foi proposto em 1927 por A. Meissner. Um cristal de quartzo é modelado como uma estrutura helicoidal (como visto na Figura 4.a) com um átomo de silício, Si e dois de oxigênio, O 2 , se alternando ao redor da hélice. Um cristal de quartzo pode ser cortado ao longo de seus eixos x, y ou z; assim, a Figura 4.a é uma visão ao longo do eixo z. Em uma célula composta por um único cristal, há três átomos de silício e seis de oxigênio. Os átomos de oxigênio são aglomerados em pares. Cada átomo de silício carrega quatro cargas positivas e um par de oxigênios carrega quatro cargas negativas (duas por átomo). Portanto, uma célula de quartzo é eletricamente neutra sob condições de repouso, isto é, quando nenhum estresse mecânico é aplicado sobre o material. Quando uma força externa F x , é aplicada ao longo do eixo x, o lattice (arranjo dos átomos) hexagonal se deforma. A Figura 4.b mostra a força de compressão que muda os átomos em um cristal de tal maneira que uma carga positiva surge no lado do átomo de silício e uma carga negativa aparece no lado do par de átomos de oxigênio. Portanto, o cristal desenvolve uma carga elétrica ao longo do eixo y. Se o cristal é esticado ao longo do eixo x, como mostra a Figura 4.c, uma carga de polaridade oposta é formada ao longo do eixo y, que é o resultado de uma deformação diferente. Esse modelo simples ilustra que um material cristalino pode desenvolver carga elétrica em sua superfície em resposta a deformação mecânica. Para coletar a carga elétrica, eletrodos condutores devem ser colocados no cristal, em lados opostos do corte (Figura 5). Como resultado, um sensor piezoelétrico se torna um capacitor cujo material dielétrico é o cristal piezoelétrico. O dielétrico funciona como um gerador de carga, resultando em uma tensão V através do capacitor. Apesar da carga em um dielétrico cristalino ser formada no local onde é exercida a força, os eletrodos de metal equalizam as cargas ao longo da superfície, tornando o capacitor não seletivamente sensível. Contudo, se os eletrodos possuem um

5

formato complexo, com captação independente das cargas geradas, é possível detectar a exata localização da força aplicada, medindo a resposta de um dado eletrodo selecionado.

medindo a resposta de um dado eletrodo selecionado. Figura 5. O sensor piezoelétrico é formado aplicando

Figura 5. O sensor piezoelétrico é formado aplicando eletrodos a um material cristalino polarizado [2].

O efeito piezoelétrico é um fenômeno físico reversível. Isso significa que aplicar tensão

através do cristal, resulta em deformação mecânica. Colocando mais que um par eletrodos em um cristal, é possível utilizar um par de eletrodos para aplicar tensão ao cristal e outro par de eletrodos para coletar a carga resultante da deformação ocorrida. Esse método é muito utilizado em vários transdutores piezoelétricos.

A magnitude do efeito piezoelétrico em uma forma simplificada, pode ser apresentado pelo

vetor de polarização.

P = P xx + P yy + P zz ,

(1)

onde x, y e z se referem ao sistema ortogonal convencional, relacionado com os eixos do cristal. Em termos de estresse axial, σ, podemos escrever:

P xx = d 11 σ xx + d 12 σ yy + d 13 σ zz

P yy = d 21 σ xx + d 22 σ yy + d 23 σ zz

(2)

P zz = d 31 σ xx + d 32 σ yy + d 33 σ zz

onde as constantes d mn são os coeficientes piezoelétricos ao longo do eixo ortogonal do corte do

6

cristal. Esses coeficientes podem variar de acordo com a posição do corte do material. As dimensões

desses coeficientes são C/N (coulomb/newton), isso é, unidade de carga por unidade de força.

Por conveniência de cálculo, duas unidades foram introduzidas. A primeira é o coeficiente g,

que é definido pela divisão dos correspondentes coeficientes d mn pela constante dielétrica absoluta.

=

0

(3)

Esse coeficiente representa o gradiente de tensão (campo elétrico) gerado pelo cristal por

unidade de pressão aplicada, isto é, sua dimensão é:

/ ²

Outro coeficiente, designado por h, é obtido pela multiplicação dos coeficientes g pelo

correspondente módulo de Young 1 para o eixo correspondente do cristal. A dimensão do coeficiente

h é:

/

Cristais piezoelétricos são conversores diretos de energia mecânica em energia elétrica. A

eficiência da conversão pode ser determinada pelo denominado coeficiente de acoplamento k mn :

=

(4)

O coeficiente k é uma característica importante para aplicações onde a eficiência energética é

a o item fundamental, como em sensores acústicos e ultrassônicos.

A carga gerada pelo cristal piezoelétrico é proporcional a força aplicada, por exemplo, na

direção x a carga é:

= 11

(5)

1 Módulo de Young, também conhecido como módulo elástico, é um valor associado a uma propriedade mecânica de materiais elásticos lineares. Isso define a relação entre o estresse (força por unidade de área) e tensão (proporcional à deformação) em um material.

7

A partir do momento que um cristal com eletrodos acoplados forma um capacitor, que possui

capacitância C, a tensão V, que se desenvolve entre os eletrodos pode ser determinada:

=

=

11

(6)

Por sua vez, a capacitância pode ser representada através da superfície a do eletrodo e a espessura l do cristal:

Então, a tensão de saída é:

=

= κ

11 =

11 a

κ 0

(7)

(8)

O efeito piezoelétrico é o primeiro meio de converter deformação mecânica em sinal elétrico

e vice-versa em sensores semicondutores em miniatura. O efeito, entretanto, pode ser usado apenas para converter mudança de estímulos e não pode ser usado para conversão de estado estacionário ou sinais com mudança lenta, ou seja, a energia é gerada apenas quando há variação na pressão aplicada. Se uma pressão constante se faz presente, nem existe qualquer efeito elétrico no piezo.

3 FABRICAÇÃO DE MATERIAIS PIEZOELÉTRICOS

3.1 Cerâmicas Piezoelétricos

A fabricação de sensores piezoelétricos cerâmicos começa com óxidos metálicos de alta pureza (óxido de chumbo, óxido de zircônio, óxido de titânio, etc.) na forma de pós finos de várias cores. Os pós são moídos até atingirem até uma granulometria específica e misturados em proporções químicas corretas. Em um processo chamado “calcinação”, as misturas são então expostas a uma elevada temperatura, permitindo que os ingredientes reajam para formar um pó cujo cada grão tem a composição química próxima à composição desejada para o composto final. Neste estágio, contudo, o grão não possui, ainda, a estrutura cristalina desejada.

O próximo passo é misturar o pó calcinado com aglutinantes orgânicos sólidos e/ou líquidos,

destinados a queimar durante o cozimento do material e mecanicamente transformar a mistura em um

8

“bolo”, que se aproxima bastante do formato final do elemento a ser produzido. Para formar “bolos” nos formatos desejados, alguns métodos podem ser utilizados. Entre eles, estão pressão (utilizando pistões hidráulicos), moldagem (depositar o líquido viscoso em moldes e esperar secar), extrusão (pressionar a mistura através de uma matriz, fieira ou entre um par de rolos para formar folhas finas) e moldagem em fita (puxar o líquido viscoso em cima de uma correia movendo-se suavemente). Depois que os “bolos” foram formados, eles são colocados em um forno e expostos a um perfil de temperatura cuidadosamente controlada. Após queimar os aglutinadores orgânicos, o material diminui cerca de 15%. Os “bolos” são aquecidos até adquirirem brilho vermelho e mantidos nesse estágio por algum tempo, o que é chamado de “tempo de imersão”, ao longo do qual acontecem as reações químicas finais. A estrutura cristalina é formada quando o material é resfriado. Dependendo do material, o processo de cozimento pode durar até 24 horas. Quando o material está frio, eletrodos de contato são aplicados em sua superfície. Isso pode ser feito de diversas maneiras. Os mais comuns são pulverização catódica (exposição a vapor de metal em vácuo parcial), prata aquecida (um silkscreen de mistura prata-vidro 2 com recozimento) e galvanização não elétrica (deposição química em um banho especial). Cristalites (células de cristal) do material podem ser consideradas dipolos elétricos. Em alguns materiais, como quartzo, estas células são naturalmente orientadas ao longo dos eixos do cristal, assim, conferindo ao material sensibilidade a perturbação. Em outros materiais, os dipolos são orientados aleatoriamente, havendo necessidade de “polarização” do material para que este adquira propriedades piezoelétricas. Algumas técnicas de polarização podem ser utilizadas para conferir propriedades piezoelétricas a um material. O mais popular processo de polarização é a polarização térmica, descrita nos passos a seguir:

1. Um material cristalino (cerâmico ou filme polimérico) que possui dipolos aleatoriamente orientados (Figura 6.a) é aquecido a uma temperatura levemente abaixo da temperatura de Curie 3 . Em alguns casos (para filmes PVDF, que serão citados mais adiante), o material é submetido à estresse. Uma alta temperatura resulta em forte agitação dos dipolos e permite orientá-los mais facilmente na direção desejada.

2. O material é colocado em um forte campo elétrico E (Figura 6.b), onde os dipolos se alinham com as linhas de campo. O alinhamento não é total. Muitos dipolos desviam da direção do campo, contudo, estatisticamente a predominância da orientação dos dipolos é mantida.

3. O material é resfriado enquanto o campo elétrico ao longo de sua espessura é mantido.

2 Adesivos contendo 80 a 85% do peso em flocos de prata, dispersos em um vidro de borato de chumbo 3 A temperatura de Curie é a temperatura no qual o magnetismo permanente de um material se torna induzido. É o ponto crítico onde o momento magnético intrínseco do material muda de direção.

9

4.

O campo elétrico é removido e o processo de polarização é completado. Enquanto o material polarizado se mantiver abaixo da temperatura de Curie, sua polarização será permanente. Os dipolos permanecem “congelados” na direção dada a eles pelo campo elétrico aplicado à alta temperatura (Figura 6.c).

campo elétrico aplicado à alta temperatura (Figura 6.c). Figura 6. Polarização térmica de um material

Figura 6. Polarização térmica de um material piezoelétrico [2].

Outro método, chamado de descarga de polarização corona, é também utilizado para produzir polímeros piezoelétricos (que serão abordados a seguir). O filme é submetido a uma descarga de corona por um eletrodo a alguns milhões de volts por centímetro de espessura do filme por 40 a 50 segundos. Polarização corona é simples de ser realizada e pode ser facilmente aplicada antes que a dano elétrico ocorra, tornando o processo útil, à temperatura ambiente. Depois da polarização, o cristal permanece permanentemente polarizado, entretanto, ele fica eletricamente carregado por um período relativamente curto. Há quantidade suficiente de portadores livres que se movem em configuração de campo elétrico dentro do material e há muitos íons carregados no ar ao redor. Os portadores carregados se movem na direção dos dipolos polarizados e neutralizam suas cargas (Figura 6.c). Consequentemente, após um tempo, o material piezoelétrico polarizado se torna eletricamente descarregado, pelo tempo que permanecer em estado de equilíbrio. Quando um estresse é aplicado ou o ar se movimenta perto de sua superfície o estado balanceado é perturbado e o material piezoelétrico desenvolve uma carga elétrica. Se o estresse for mantido por um instante, as cargas serão novamente neutralizadas por dispersão interna. Assim, o elemento piezoelétrico responde apenas a um estresse variável ao invés de um responder a um estado continuo deste. Em outras palavras, um elemento piezoelétrico é um dispositivo de corrente alternada, ao invés de corrente contínua. Sensibilidades piezoelétricas direcionais (coeficientes d) são dependentes da temperatura. Para alguns materiais (quartzo), a sensibilidade cai com um declive de -0,016% / ºC. Para outros (cerâmicas e filmes PVDF), temperaturas abaixo de 40ºC pode fazê-la cair e a temperaturas mais altas, ela aumenta proporcionalmente a temperatura. Atualmente, os materiais mais populares para fabricação de sensores piezoelétricos são cerâmicos. A primeira das cerâmicas ferroelétricas foi o

10

titanato de bário, uma substância policristalina cuja fórmula é BaTiO 3 . A estabilidade da polarização permanente se deve à força coercitiva dos dipolos. Em alguns materiais, a polarização pode diminuir com o tempo. Para melhorar a estabilidade de um material polarizado, impurezas são introduzidas no material base com a ideia de que a polarização pode ser “trancada” na posição. Apesar da constante piezoelétrica mudar com a temperatura, uma constante dielétrica, k, exibe dependência similar. Assim, de acordo com a equação (8), variações nestes valores tendem a cancelar uns aos outros. Isso resulta em uma melhor estabilidade da tensão de saída V, em um amplo espectro de temperaturas. Os elementos piezoelétricos podem ser usados como cristais únicos ou em uma forma multicamada onde algumas placas de material são laminadas juntas. Isso deve ser feito com eletrodos colocados entre elas. A Figura 7 mostra um sensor de força de camada dupla. Quando uma força externa é aplicada, a parte superior se expande, enquanto a inferior se comprime. Se essas camadas forem laminadas corretamente, isso produz um duplo sinal de saída. Sensores duplos podem ter tanto uma conexão em paralelo (Figura 8.a) quanto em série (Figura 8.b). O circuito equivalente de um sensor piezoelétrico é uma conexão em paralelo de uma fonte de corrente induzida por estresse (i), resistência de fuga (r) e capacitância (C). Dependendo da conexão das camadas, circuitos equivalentes para sensores laminados são mostrados nas Figuras 8.b e 8.d. A resistência de fuga r é bastante elevada (na ordem de 10 12 a 10 14 ohms), o que significa que o sensor tem uma impedância de saída extremamente alta. Isso requer circuitos especiais de interface, como conversores de carga e de corrente-tensão ou amplificadores de tensão com elevadas impedâncias de entrada.

de tensão com elevadas impedâncias de entrada. Figura 7. Sensor piezoelétrico de dupla camada [2]. Figura

Figura 7. Sensor piezoelétrico de dupla camada [2].

Figura 7. Sensor piezoelétrico de dupla camada [2]. Figura 8. Sensores piezoelétricos laminados em paralelo

Figura 8. Sensores piezoelétricos laminados em paralelo (a) e em série (c) e seus correspondentes circuitos equivalentes (b) e (d) [2].

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Para a fabricação de sensores, como o silício não possui propriedade piezoelétricas, tais

propriedades podem ser adicionadas depositando camadas cristalinas de materiais piezoelétricos. Os três materiais mais populares são oxido de zinco (ZnO), nitreto de alumínio (AlN) e o assim chamado sistema de solução sólida de óxido de chumbo-zirconita-titânio Pb(Zr,Ti)O 3 conhecido como cerâmica PZT, basicamente o mesmo material utilizado para fabricação de sensores piezoelétricos discretos. A conformidade (compliance) dos filmes piezo é 10 vezes maior que a dos piezos cerâmicos.

O óxido de zinco foi o primeiro e mais popular material para desenvolvimento de sensores

acústicos ultrassônicos, dispositivo onda-acústica-de-superfície (SAW, do inglês surface-acoustic-

wave), microbalanças e assim por diante. Uma de suas vantagens é a facilidade de gravação química. Os finos filmes de óxido de zinco são usualmente depositados no silício empregando tecnologia de pulverização catódica. Nitreto de alumínio é um excelente material piezoelétrico por conta de sua alta velocidade acústica e sua resistência à umidade e altas temperaturas. Seu coeficiente piezoelétrico é menor do que o do óxido de zinco, mas é maior do que outros filmes finos de materiais piezoelétricos, excluindo as cerâmicas. A alta velocidade acústica o torna uma escolha atrativa para frequências da faixa dos giga-hertz. Usualmente os filmes finos de nitreto de alumínio são fabricados usando tecnologias de deposição de vapor químico ou epitaxia por feixe molecular reativo 4 . Contudo, o inconveniente em usar esses métodos de deposição é a necessidade de uma alta temperatura de aquecimento do substrato (acima dos 1300ºC). Os filmes finos de PZT possuem coeficiente piezoelétrico maior que óxido de zinco ou nitreto de alumínio. Uma grande variedade de técnicas de deposição se encontra disponível para o PZT, entre as quais estão evaporação por feixe de elétrons, pulverização por radiofrequência, deposição por feixe de íons, crescimento epitaxial por pulverização de radiofrequência, ablação por laser 5 , pulverização por magnetron e sol-gel 6 .

A operação final na preparação de um elemento sensitivo é modelagem e finalização. Isso

inclui corte, usinagem e polimento. Após o elemento piezoelétrico ter sido preparado, ele é instalado

no encapsulamento do sensor, onde seus eletrodos são ligados aos terminais elétricos e outros componentes eletrônicos.

4 É uma técnica de crescimento epitaxial de filmes finos de semicondutores e metais em condições de ultra-alto-vácuo (- 10-11 Torr). Esta técnica permite baixas velocidades de crescimento, e baixas temperaturas de crescimento. 5 É o processo de remoção de material a partir de uma superfície sólida (ou, ocasionalmente, um líquido) por irradiação com um feixe de laser. 6 Processo Sol-gel ou pectização refere-se a qualquer rota de síntese de materiais onde num determinado momento ocorre uma transição do sistema sol (solução coloidal) para um sistema gel (rede integrada).

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3.2 Filmes Poliméricos Piezoelétricos

Em 1969, H. Kawai descobriu uma forte piezoeletricidade no fluoreto de polivinilideno (PVDF) e, em 1975, a empresa japonesa Pioneer, Ltda. desenvolveu o primeiro produto comercial com PVDF funcionando como alto-falantes e fones de ouvido piezoelétrico. PVDF é um polímero semicristalino com um grau de cristalinidade de aproximadamente 50%. Como outros polímeros semicristralinos, o PVDF consiste em uma estrutura lamelar misturada com regiões amorfas. Sua estrutura química contém a unidade de repetição do etileno fluorado duplamente CF 2 -CH 2 .

do etileno fluorado duplamente CF 2 -CH 2 . O peso molecular do PVDF é cerca

O peso molecular do PVDF é cerca de 10 5 , o que corresponde a cerca de 2000 estruturas de

repetição. O filme é bastante transparente no espectro de luz visível e próximo da região de

infravermelho (comprimento de onda entre 0.7 e 5 mícrones) e absorve a luz na região do infravermelho distante (entre 25 e 350 mícrones) do espectro eletromagnético. O polímero derrete a cerca de 170ºC. Sua densidade é cerca de 1780 kg/m³. O PVDF é um material mecanicamente durável

e flexível. Em aplicações piezoelétricas, ele geralmente se deforma, uniaxialmente ou biaxialmente,

cerca de muitas vezes seu comprimento. Suas constantes elásticas (como modulo de Young) dependem de sua taxa de deformação. Assim, se o filme de PVDF for deformado a cerca de 140ºC à taxa de 4:1, o valor do módulo é 2.1 GPa, enquanto que, para uma taxa de deformação de 6.8:1, ele é de 4.1 GPa. A resistividade do filme também depende da razão de estiramento. Por exemplo, com

estiramento baixo, ele é cerca de 6,3x10 15 ohm.cm, enquanto que para uma razão de estiramento de 7:1 ele é 2x10 16 ohm.cm.

O fluoreto de polivinilideno não tem um coeficiente piezoelétrico maior, nem tão alto quanto

o de outros materiais comumente usados, como BaTiO 3 ou PZT. Contudo, ele tem uma qualidade

única de não se despolarizar quando submetido a campos elétricos alternados de alta intensidade. Isso significa que mesmo o coeficiente d 31 do PVDF ser cerca de 10% do PZT, o campo máximo permitido

é 100 vezes maior para o PVDF. O filme mostra boa estabilidade: quando armazenado à 60ºC, ele perde sua sensibilidade em cerca de 1-2% ao longo de 6 meses. Características comparativas de vários materiais piezoelétricos são mostrados na tabela a seguir. Outra vantagem do filme piezoelétrico sobre piezos cerâmicos é sua baixa impedância

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acústica, que é próxima à da água, tecido humano e outros materiais orgânicos. Por exemplo, a impedância acústica dos filmes piezoelétricos é apenas 2,6 vezes a da água, enquanto que o piezo cerâmico é tipicamente 11 vezes maior. Uma impedância próxima permite transdução mais eficiente de sinais acústicos em água e tecido. Algumas das propriedades únicas dos filmes piezoelétricos, são:

Amplo faixa de frequência: 0,001 Hz até 10 . Hz.

Vasta gama dinâmica: 10 -8 - 10 6 psi ou µtorr até Mbar.

Baixa impedância acústica: próxima à da água, tecido humano e sistemas adesivos.

Alta conformidade elástica.

Alta tensão de saída: 10 vezes maior que as cerâmicas piezoelétricas para a mesma força aplicada.

Alta força dielétrica: resistência a fortes campos (75 V/µm), onde muitos piezos cerâmicos despolarizam.

Alta resistência mecânica e ao impacto: 10 9 10 10 Módulo de onda P 7 .

Alta estabilidade: resistência à umidade (absorção de umidade menor que 0,02%), maioria dos produtos químicos, oxidantes e intensa radiação ultravioleta e nuclear.

Pode ser fabricado em diversos formatos.

Pode ser colado com adesivos comerciais.

Novos co-polímeros de PVDF, desenvolvidos nos últimos anos, tem expandido a aplicação de sensores de polímeros piezoelétricos. Esses co-polímeros permitem uso a temperaturas mais altas (135ºC) e oferecem novos formatos de sensores desejados, como cilindros e semiesferas. Espessura extremamente baixas são possíveis com co-polímeros que não podem ser facilmente obtidos com PVDF. Esses incluem revestimentos ultrafinos (200 angstrons) que permitem novos aplicações sensores-no-silício (embarcados) e cilindros com espessura de parede em excesso de 1200 µm para

sonar. Cabos piezo também são produzidos usando co-polímeros. Ao contrário dos transdutores piezocerâmicos, transdutores de filmes piezo oferecem uma ampla faixa dinâmica e também são de banda larga, essas características de banda larga (próximos a 2 GHz) e Q baixo são parcialmente atribuídos à maciez do polímero. Como transmissor de áudio, um elemento de filme piezo curvado preso em cada extremidade, vibra no modo comprimento (d 31 ). A configuração d 31 é também usada para aplicações de ultrassom aéreo até frequências de cerca de 50 kHz. Quando usado como transmissor ultrassônico (geralmente > 500 kHz), o filme piezo é normalmente operado no modo espessura (d 33 ). Máxima transmissão ocorre na ressonância da espessura. A ressonância básica de meia-onda de um filme piezo de 28 µm é cerca de 40 MHz. O

7 Em elasticidade linear, O módulo de onda P, também conhecido como módulo longitudinal ou modulo de compressão, é um dos módulos elásticos usados para descrever materiais isotrópicos homogêneos.

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valor da ressonância depende da espessura do filme. Elas vão de poucos mega-hertz para filmes grossos até mais de 100 MHz para filmes finos (µm).

Símbolo

 

Parâmetro

 

PVDF

Co-polímero

Unidades

 

T

Espessura

 

9, 28, 52, 110

< 1 até 1200

µm (micron, 10 -6 )

d

31

Constante

de

tensão

 

23

 

11

10 -12

m/m ou C/m²

d

33

piezo

 

-33

 

-38

V/m

N/m²

g

31

Constante de perturbação

 

216

 

162

10 - ³

m/m ou C/m²

g

33

piezo

 

-330

 

-542

V/m

N/m²

k

31

Fator

de

acoplamento

 

12%

 

20%

 

k

t

eletromecânico

   

14%

25-29%

 

C

Capacitância

 

380 para 28 µm

380 para 100 µm

pF/cm² @ 1KHz

Y

Módulo de Young

   

2-4

 

3-5

 

10 9 N/m²

 

V

0

Velocidade

Extensão:

 

1,5

 

2,3

 

10 3 m/s

 

do som

Espessura:

 

2,2

 

2,4

 

P

Coeficiente piroelétrico

 

30

 

40

10 -6 C/m² ºK

 

Ε

Permissividade

 

106-113

65-75

 

10 -12 F/m

 

ε/ε 0

Permissividade relativa

12-13

 

7-8

 

ρ

m

Densidade de massa

 

1,78

 

1.82

 

10³ kg/m

 
 

Resistividade

 

> 10 13

>10 14

Ohm metros

ρ

e

volumétrica

R

Resistividade de

< 3,0

< 3,0

Ohms/quadrado p/ NiAl

R

metalização de superfície

 

0,1

 

0,1

Ohms/quadrado p/ Ag Ink

tan δ e

Tangente de perda

   

0,02

0,015

 

@ 1 KHz

 
 

Força de Rendimento

45-55

20-30

10 6 N/m² (eixo de estiramento)

 

Faixa de temperatura

-40 até 80

100

-40 até 115

145

 

ºC

 

Absorção de água

 

< 0,02

< 0,02

 

% H 2 0

 
 

Tensão máx. de operação

750 (30)

750 (30)

V/mil (V/µm), DC,

 

@

25ºC

 

Tensão de ruptura

 

2000 (80)

2000 (80)

V/mil (V/µm), DC,

 

@

25ºC

Tabela 1. Propriedades típicas dos Filmes Piezoelétricos [2].

Quando extrusado em filmes finos, polímeros piezoelétricos podem ser diretamente anexados à uma estrutura sem perturbar seu movimento mecânico. Filmes piezo são recomendados para aplicações de medição de tensão que requerem uma largura de banda muito ampla e alta sensibilidade. Como atuador, a baixa impedância acústica do polímero permite eficiente transmissão de uma banda larga de energia no ar e outros gases. Filmes piezo tem algumas limitações para certas aplicações. Ele é um transmissor eletromecânico relativamente fraco, quando comparado com as cerâmicas, particularmente na ressonância e em aplicações de baixa frequência. O filme de co-polímero tem temperaturas máximas de operação/armazenamento maiores que 135ºC, enquanto que PVDF não é recomendado para uso ou armazenamento acima dos 100ºC. Também, se os eletrodos no filme estão expostos, o sensor pode ser sensível a radiação eletromagnética. Boas técnicas de blindagem encontram-se disponíveis para alta interferência eletromagnética ou de radiofrequência.

15

3.3 Compósitos Piezoelétricos

Juntamente com os esforços para melhorar as propriedades piezocerâmicas através do convencional controle de composição, uma nova abordagem do arranjo estrutural foi desenvolvida. Piezocompósitos, compostos de piezocerâmicas e polímeros, são materiais promissores, por conta de suas excelentes propriedades adaptativas. Newnham introduziu o conceito de conectividade por descrever o número de dimensões com a qual cada fase entrava em contato com si mesma. De acordo com a conectividade de cada fase, as geometrias para compósitos de duas fases podem ser classificadas em 10 estruturas: 0-0, 0-1, 0-2, 0-3, 1-1, 1-2, 1-3, 2-2, 2-3, e 3-3. No caso dos piezocompósitos, o primeiro número na notação denota a conectividade física da fase ativa e o segundo número se refere à conectividade física da fase passiva. Um esquemático destas diferentes conectividades é mostrado na Figura 9.

destas diferentes conectividades é mostrado na Figura 9. Figura 9. Conectividade das fases constituintes em

Figura 9. Conectividade das fases constituintes em compósitos piezoelétricos de cerâmica-polímero [3].

Compósitos com conectividade 1-3 são os mais estudados e utilizados entre todos os outros. Esse compósito consiste de hastes individuais de piezocerâmica ou fibras alinhadas em uma direção paralela à direção de polarização e cercada por uma matriz de polímero. Piezocompósitos 1-3 possuem muitas vantagens sobre as piezocerâmicas monolíticas, incluindo alto fator de acoplamento, baixa impedância acústica, flexibilidade mecânica e ampla largura de banda. Essas características tornam os piezocompósitos 1-3 os melhores candidatos para transdutores ultrassônicos. Além disso, muitas tentativas têm sido feitas para desenvolver novas configurações e técnicas de processamento para piezocompósitos e suas aplicações. Dois compósitos 1-3 com novos arranjos de eletrodos e

16

piezofibras estão despertando interesse devido a suas excelentes propriedades de detecção (atuando como sensor) e atuação. São eles os Compósito de Fibra Ativa e os Compósito de Macro Fibra.

3.3.1 Compósito de Fibra Ativa

Compósito de Fibra Ativa (do inglês, Active Fiber Composite AFC) foi desenvolvido pelo laboratório de Estruturas e Materiais Ativos do Massachusetts Institute of Technology MIT. Ele consiste de uma monocamada de fibras piezocerâmicas unidirecionais, continuas e alinhadas, embutidas em uma matriz polimérica para proporcionar uma atuação no plano, como pode ser observado na Figura 10. Fibras piezocerâmicas ainda mantém muito da capacidade de atuação da estrutura cerâmica, e tem mais força do que a forma monolítica por conta do reduzido volume de falhas (fendas). Fibras piezocerâmicas incorporadas em matriz de polímeros podem ser mais finas, ficando, assim, menos rígida à flexão do que uma pastilha monolítica.

menos rígida à flexão do que uma pastilha monolítica. Figura 10. Estrutura esquemática (a) e seção

Figura 10. Estrutura esquemática (a) e seção transversal (b) de um compósito de fibra ativa [3].

Apesar da maior resistência, fibras piezocerâmicas tendem a quebrar mesmo quando submetidas à tensão mecânica relativamente baixa, devido a sua natureza quebradiça. A matriz de polímeros pode proporcionar um caminho eficiente para a distribuição de carga entre fibras, transferir o estresse ao redor de uma fibra quebrada quando ocorre algum dano e prevenir a quebra de uma fibra de se propagar para as adjacentes. Tudo isso permite ao compósito de fibra ativa resistir a maiores tensões mecânicas do que fibras individuais e prevenir dano macroscópico. O AFC, portanto, exibe confiabilidade e propriedades estruturais melhoradas, especialmente em termos de danos macroscópicos e catastróficos resultantes de quebras a tensões mecânicas muito baixas, como ocorre com as pastilhas piezoelétricas convencionais. Portanto, a matriz de polímeros confere ao AFC natureza flexível, que permite ser mais facilmente incorporada ou afixada em estruturas curvas. Fibras piezocerâmicas incorporadas na matriz são imprensadas entre duas camadas de filme de poliamida que possui uma distribuição de eletrodos condutores impressa em sua superfície interna.

17

A utilização de eletrodos interdigitados (do inglês, interdigitated electrode IDE) permite tirar

vantagem do efeito piezoelétrico d 33 ao longo do comprimento da fibra piezocerâmica, contra o efeito

d 31 convencional, utilizado na maioria das pastilhas piezoelétricas monolíticas. Isso permite atuação

anisotrópica e leva a uma performance superior do AFC sobre os atuadores piezoelétricos existentes. Essas características estruturais distintas e propriedades piezoelétricas tornam o AFC um componente interessante para aplicações inteligentes em diversos campos. No entanto, ainda existem muitos fatores que podem facilmente influenciar a performance do compósito de fibra ativa. A dificuldade de manipulação das fibras piezocerâmicas durante o processo

de montagem é uma das maiores desvantagens dessa tecnologia. Fibras piezocerâmicas com formato

circular, com diâmetros de 100-200 µm são comumente empregadas na fabricação do compósito de fibra ativa. O alinhamento das finas fibras para formar a monocamada piezoelétrica é tipicamente executada manualmente, o que frequentemente resulta em fibras quebradas e insatisfatoriamente alinhadas. O processo de montagem manual com alta precisão no alinhamento das fibras leva, inevitavelmente, a procedimentos complexos que elevam os custos de fabricação. Ainda, bolhas de

ar são difíceis de serem completamente removidas quando aplicado o polímero às fibras, mesmo

depois do processo de vácuo, o que aumenta muito as chances de falha elétrica. Além disso, estruturas AFC tem desvantagens que influenciam a performance. Primeiramente, altas tensões de operação são

requeridas para produzir o campo elétrico de condução, que é determinado principalmente pelo espaçamento entre os “dedos” dos eletrodos interdigitados, tornado o compósito de fibra ativa

impraticáveis em algumas situações. Segundo, a pequena área de contato entre a seção circular da fibra e os dedos dos eletrodos é uma desvantagem adicional, o que leva a existência de uma matriz

de baixa permissividade. A matriz entre a linha do eletrodo e a fibra não apenas torna a tensão de

condução maior, mas também acumula muito do campo elétrico de condução, o que leva a uma fraca e ineficiente transferência do campo elétrico dentro das piezofibras, o que resulta em reduzida eficiência de trabalho do AFC.

3.3.2 Compósito de Macro Fibra

Compósito de Macro Fibra (do inglês, Macro Fiber Composite MFC) foi desenvolvido no Centro de Pesquisa Langley, da NASA. Os constituintes primários do compósito de macro fibra são

os

mesmos do compósito de fibra ativa, isto é, fibras piezocerâmicas, eletrodos interdigitados e matriz

de

polímeros. Desse modo, o MFC retém a maioria das características do AFC, como alta densidade

de

energia de tensão mecânica, atuação direcional, conformabilidade e durabilidade. Entretanto, no

MFC são utilizadas fibras piezocerâmicas unidirecionais de seção transversal retangular, ao invés de

18

circular, que são incorporadas a uma matriz de polímeros termoendurecível. Os principais componentes do MFC e seu arranjo estrutural são mostrados na Figura 11.

do MFC e seu arranjo estrutural são mostrados na Figura 11. Figura 11. Esquemático (a) e
do MFC e seu arranjo estrutural são mostrados na Figura 11. Figura 11. Esquemático (a) e

Figura 11. Esquemático (a) e seção transversal típica (b) de um compósito de macro fibra [3].

As folhas de fibra piezocerâmicas são produzidas por usinagem de pastilhas piezocerâmicas usando o método do corte em cubos. Comparadas a fibras individuais, as folhas podem ser facilmente manuseadas, permitindo que as fibras piezocerâmicas sejam precisamente alinhadas durante o processo de montagem. Produzir e manipular fibras piezocerâmicas em grupos precisos reduz o custo de produção de dispositivos MFC. Essa técnica de fabricação é precisa, repetitiva e facilmente automatizada. A superfície plana das fibras retangulares permite um contato máximo e direto com os eletrodos, assim, garantindo uma transferência mais eficiente do campo elétrico dentro da fibra. Além disso, a fração do volume de fibras do MFC pode chegar até a 0,824, enquanto a fração máxima do AFC é menor que 0,785, por conta da restrição imposta pela geometria da fibra. Maiores frações de fibra melhoram a performance e aumenta a rigidez e resistência do MFC. Como resultado, a performance de atuação do MFC é quase uma vez e meia a do AFC. Resultados experimentais mostraram que depois de 90 milhões de ciclos elétricos, a atuação do MFC ainda é superior a muitos outros atuadores piezocerâmicos disponíveis comercialmente, sejam eles com ou sem eletrodos interdigitados. Na Figura 12 é possível observar uma imagem da distribuição do campo elétrico na seção vertical de um AFC/MFC, com eletrodos interdigitados. Essa imagem foi obtida através de simulação computacional.

imagem foi obtida através de simulação computacional. Figura 12. Seção vertical de um AFC/MFC com eletrodos

Figura 12. Seção vertical de um AFC/MFC com eletrodos interdigitados, ilustração da distribuição qualitativa das linhas de campo elétrico [3].

19

4

UTILIZAÇÃO

DE

MATERIAIS

PIEZOELÉTRICOS

EM

SENSORES

CORPORAIS

Como pode ser inferido do conteúdo apresentado até aqui, fica evidente a aplicação de materiais piezoelétricos na construção de sensores de naturezas diversas. Entretanto, cada tipo de aplicação que se utilize de sensores possui suas próprias particularidades e limitações. Quando se trata de sensoriamento do corpo humano, a pequena intensidade dos sinais a serem captados e a dificuldade de acoplamento ideal entre o sensor e o tecido orgânico representam fatores importantes a serem considerados. A seguir serão mostradas duas aplicações que utilizam sensores piezoelétricos para detectar sinais corporais para finalidades distintas.

4.1 Detecção de Atividade Muscular

Mensuração da atividade muscular tem sido amplamente reconhecida como uma aproximação útil para gerar sinais de controle para interfaces humanas. Pesquisas prévias têm proposto vários métodos para essa mensuração e os tem aplicado em próteses, manipuladores controlados por humanos e assim por diante. Os métodos tradicionais incluem eletromiografia (EMG), mecanomiografia (MMG), ultrassonografia e mensurações com sensores piezoresistivos. Um novo método utilizando filmes piezoelétricos finos e flexíveis foi testado. O sensor de filme piezoelétrico é composto por nitreto de alumínio (AlN) orientado. Ele foi usado para medir alterações na seção transversal dos músculos através de movimentos da superfície da pele. Para investigar a relação entre o movimento muscular e o sinal captado pelo sensor, foi empregada ultrassonografia, como método confiável para medir de maneira qualitativa o movimento muscular e, assim, comparar com os dados fornecido pelo sensor piezoelétrico. O sensor foi colocado diretamente sobre a pele e os sinais por ele fornecido eram medidos ao mesmo tempo em que o músculo era observado através de ultrassonografia.

que o músculo era observado através de ultrassonografia. Figura 13. Posição do sensor e do aparelho

Figura 13. Posição do sensor e do aparelho de ultrassonografia [4].

20

A camada de nitreto de alumínio foi depositada em um substrato de poliamida, conforme representação mostrada na Figura 14. Quando uma força externa é aplicada na direção do comprimento do filme de AlN, uma carga elétrica é gerada nos eletrodos. Então, um amplificador de carga é usado para converter a saída do sensor em sinal de tensão.

usado para converter a saída do sensor em sinal de tensão. Figura 14. Estrutura do sensor

Figura 14. Estrutura do sensor flexível [4].

Para o caso geral, a carga de saída Q pode ser expressa por:

=

31 є

(9)

onde d 31 é o coeficiente piezoelétrico de carga, є s é a distribuição da tensão sobre o sensor E é o módulo de Young do filme de nitreto de alumínio e S é a área do sensor. O valor de d 31 para o sensor

é de 0,56 pC/N. Quando a tensão se distribui de maneira uniforme, a equação pode ser derivada:

Q = d 31 EєS

(10)

onde є é a tensão uniforme. A espessura total do sensor é 40 µm. Esse sensor tem uma seção transversal relativamente pequena, então, até mesmo pequenas forças podem criar perturbações relativamente grandes na direção do comprimento. Além disso, a fina espessura e a flexibilidade permitem que o sensor se ajuste bem à pele. Os módulos de Young do sensor e dos tecidos orgânicos são mostrados na Tabela 2. Verifica-

se que o valor do módulo de Young do sensor é muito maior do que o dos tecidos, o que dificulta o acoplamento mecânico dos materiais e não transmite com precisão as perturbações do músculo para

o sensor.

21

Material

Módulo de Young (MPa)

Sensor de filme de nitreto de alumínio

3500

Pele

0,420

Panniculus adiposus 8

0,182

Músculo

0,102

Figura 15. Exemplo de resultado experimental da contração muscular. (Topo) espessura do músculo, (meio) derivada de primeira ordem T’, (base) sinal de saída do sensor [4].

Uma amostra dos resultados do experimento é exibida na Figura 15. O sensor conseguiu detectar alterações no movimento do músculo, mesmo que sem muita precisão.

no movimento do músculo, mesmo que sem muita precisão. Figura 15. Exemplo de resultado experimental da

Figura 15. Exemplo de resultado experimental da contração muscular. (Topo) espessura do músculo, (meio) derivada de primeira ordem T’, (base) sinal de saída do sensor [4].

4.2 Mensuração de Batimentos Cardíacos e Pressão Arterial

A mensuração da taxa de batimentos cardíacos e pressão arterial é essencial para detectar qualquer anomalia no coração. Portanto, capacidade de monitoramento contínuo e em tempo real é altamente desejável para desenvolver plataformas confiáveis que ajudarão na detecção de possíveis problemas. Uma folha de sensor piezoelétrico foi colocado na superfície da região anterior do tórax. Seus terminais de saída foram conectados a um osciloscópio para medir a tensão de circuito aberto. Um ciclo de batimento cardíaco é dividido em cinco partes, indicadas pelas letras (a), (b), (c), (d) e (e) na Figura 16.1. Através de um estudo prévio do comportamento do coração e da análise da informação fornecida pelo sensor, foi possível formular uma equação simples (que não será abordada

8 Camada de gordura subcutânea que recobre os músculos.

22

aqui) para cálculo do número de batimentos cardíacos por minuto em função do sinal de saída do sensor.

Para determinar níveis altos ou baixos de pressão sanguínea, foi utilizado o sinal de perturbação fornecido pelo sensor (Figura 16.1). Este sinal é invertido e a soma dos valores de seus pontos de máximo, dividido pelo número de pontos de máximo denota a pressão máxima, enquanto a soma dos valores de seus pontos de mínimo dividido pelo número de pontos de mínimo indica a pressão mínima. Os resultados obtidos foram conferidos através métodos convencionais de aferição da taxa de batimentos cardíacos e pressão sanguínea. Para que este processo se torne eficaz, é necessário que o conjunto seja calibrado para cada pessoa.

necessário que o conjunto seja calibrado para cada pessoa. (1) (2) Figura 16. Mensuração da tensão

(1)

que o conjunto seja calibrado para cada pessoa. (1) (2) Figura 16. Mensuração da tensão de

(2)

Figura 16. Mensuração da tensão de circuito aberto, demonstrando atividade mecânica do coração (a) e extração da pressão através da tensão induzida (b) [5].

5 UTILIZAÇÃO DE ELEMENTOS PIEZOELÉTRICOS PARA GERAÇÃO DE ENERGIA

A miniaturização e diminuição no consumo de energia, aumentou a popularidade de novos paradigmas da eletrônica, tais como dispositivos eletrônicos vestíveis e implantados, bem como redes de sensores sem fio. Há uma forte exigência para que essas aplicações sejam autossuficientes em energia e dispensem o uso de baterias, por conta dificuldade e altos custos em efetuar a troca de um grande número de baterias. Até agora, muitas possíveis soluções foram apresentadas, como células solares, células de micro combustível, microturbinas geradoras, etc. Entre elas, a captação de energia cinética possui a vantagem de ser limpa, estável e de menor tamanho, quando comparada às outras. Em muitas máquinas e sistemas biológicos, a energia cinética sempre existe na forma de vibrações, deslocamentos regulares ou aleatórios e forças motrizes. Vibrações também existem amplamente em artigos domésticos, estruturas em movimento, como automóveis e aviões, estruturas

23

como edifícios e pontes, bem como a movimentação humana. Em aplicações que envolvam cuidados com a saúde, como, por exemplo, uma peça de vestuário que monitore sinais vitais, a utilização de baterias seria indesejável, pois, além da necessidade de troca ou recarga, suas dimensões e peso poderiam trazer desconforto para o usuário. Para uma aplicação com esta, a coleta de enérgica cinética gerada pelo próprio movimento do corpo seria uma solução bastante interessante. Até agora, coletores de energia da movimentação corporal para eletrônicos vestíveis e implantáveis têm sido estudados extensivamente. A movimentação humana tem características de movimentos de larga amplitude a baixas frequências. A regra geral indica que quanto menor for o tamanho do objeto, maior será sua frequência de ressonância. Portanto, é difícil projetar um captador de energia ressonante em miniatura que funcione em humanos. Como resultado, para muitos geradores piezoelétricos em aplicações humanas, o componente piezoelétrico é acoplado ou através de tensão direta (como juntas de joelho e cotovelo) ou em regiões que sofrem impacto (como as solas dos pés). Estudos mostram que, para uma pessoa pesando 68 kg, caminhando com a velocidade de 2 passos por segundo e um movimento de calcanhar de 5 cm, a máxima energia que pode ser gerada é 67 W., entretanto, se a interferência na marcha trazida pelo dispositivo coletor de energia for levada em consideração, a energia extraída obviamente será reduzida. No caso mencionado, com uma perda mecânica de 75%, eficiência eletromecânica de 50%, perda de energia de 10% e taxa diária de movimentação de 16,6%, o limite teórico da coleta de energia piezoelétrica é de aproximadamente 1,265 W. Um dos grandes desafios em coletar energia do movimento corporal é o fato de que o corpo não se move periodicamente. Além disso, com exceção das juntas, as amplitudes das acelerações/tensões tendem a ser modestas. Enquanto osciladores naturais são adequados para coletar vibrações muito próximas a sua frequência natural, coletam pouca energia de vibração fora dessa estreita faixa, assim, projetos práticos para coletar energia do corpo humano se utilizam de grandes tensões, associadas a impactos no calcanhar ou movimento das juntas ou utilizam coletores não lineares que coletam energia de forma mais eficaz em uma faixa de frequência maior. Para ser eficiente, um sistema de coleta de energia cinética do corpo humano deve possuir um bom projeto mecânico que permita a transmissão eficiente da energia mecânica para o material piezoelétrico, transdução eficiente de energia mecânica para elétrica e extração eficiente de energia, pelo circuito elétrico de coleta. Muitas aproximações são utilizadas para aumentar a energia coletada do movimento corporal, uma delas é o desenvolvimento de coletores de baixa-frequência. Com projeto apropriado, podem ser construídos dispositivos com frequência ressoantes de 7 a 10 Hz.

24

A seguir será mostrada brevemente uma aplicação envolvendo coleta de energia cinética corporal com dispositivos piezoelétricos.

5.1 Captação de Energia das Articulações

Neste trabalho, para captação da energia, foi utilizado um compósito piezoelétrico composto por fibra piezoelétrica do tipo PZT-5A, utilizando Kapton 9 como matriz polimérica. As propriedades eletromecânicas do material piezoelétrico podem ser verificadas na Tabela 3.

Propriedade

Valor

Unidade

Dimensões

132 x 14 x 1,1

mm³

Coeficiente piezoelétrico de carga (d 33 )

550

pC/N

Fator de acoplamento eletromecânico (k 33 )

0,67

-

Modulo de Young (Y 33 )

2,44x10 10

N/m²

Resistência à deformação

157

MPa

Força de bloqueio a 1kV

1

N

Tabela 3. Propriedades do transdutor de compósito de fibra piezoelétrica [8].

do transdutor de compósito de fibra piezoelétrica [8]. Figura 17. Transdutor de fibra piezoelétrica utilizado

Figura 17. Transdutor de fibra piezoelétrica utilizado [8].

Para a realização dos testes, foi montado um aparelho que simula membros humanos e suas articulações (Figura 18). Dois transdutores foram afixados a essa estrutura, um para fornecer os valores de tensão de circuito aberto e o outro para efetuar a medição indireta dos valores de corrente, via medição da tensão em carga resistiva acoplada. Os ângulos de flexão dessa junta artificial foram variados ao longo do experimento, para simular diversas situações de movimentação, enquanto era feita a leitura da tensão e corrente nos transdutores. Foram feitos testes com ângulos de curvatura de 45, 90 e 135º e os parâmetros (tensão, corrente, potência e velocidade angular da junta) foram medidos para cada ciclo, sendo que cada ciclo compreende um movimento de flexão e um movimento de extensão. Quanto maior o ângulo de

9 Filme de poliamida desenvolvido pela DuPont no final dos anos 1960, que permanece estável dentro de uma ampla faixa de temperaturas (de -269 a + 400ºC). É utilizado, entre outras coisas, para circuitos impressos flexíveis e mantas térmicas em espaçonaves, satélites e diversos outros instrumentos espaciais.

25

curvatura, maiores foram os valores medidos, sendo que o melhor resultado apresentado foi no movimento de extensão para um ângulo de 135º, onde os valores de pico aproximados para um ciclo encontram-se dispostos na Tabela 4 e também podem ser visualizados no gráfico da Figura 19. A frequência medida para o movimento de dobra da junta foi de 6,3 Hz.

medida para o movimento de dobra da junta foi de 6,3 Hz. Figura 18. Testes experimentais

Figura 18. Testes experimentais com o transdutor e aparelho reproduzindo membro humano com articulação [8].

Parâmetro

Valor

Unidade

Tensão

- 5,1

V

Corrente

0,2

µA

Potência

1,1

µW

Velocidade angular

1,6

rad/s

Tabela 4. Resultados do teste para um ângulo de 135º, movimento de flexão [8].

do teste para um ângulo de 135º, movimento de flexão [8]. Figura 19. Valores de tensão,

Figura 19. Valores de tensão, corrente, potência e velocidade angular da junta (extensão) com ângulo de 135º [8].

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O intuito final do experimento era verificar se este sistema de captação de energia era capaz de alimentar um sistema simples de sensoriamento, composto por um microcontrolador, um acelerômetro do tipo MEMS 10 de três eixos, um sensor de temperatura e um módulo de transmissão de radiofrequência. Ao final, foi provado que é possível alimentar um sistema simples de sensoriamento corporal através da coleta da energia gerada por atividades simples, como, por exemplo, uma caminhada.

6 CONCLUSÃO

Por todo o exposto neste trabalho, fica evidente a importância e representatividade dos materiais piezoelétricos na conversão eletromecânica de energia em aplicações miniaturizadas, seja no sensoriamento do corpo humano, seja na geração de energia elétrica a partir da coleta da energia cinética corporal. Diversas pesquisas vêm sendo feitas neste campo, o que foi verificado pela grande quantidade de materiais encontrados durante a fase busca de referências para a elaboração deste trabalho, entretanto, mesmo as mais recentes não apresentam resultados plenamente satisfatórios a ponto de oferecer soluções comercialmente viáveis. Retomando o exemplo do item 4.1, o experimento, realizado por volta do ano de 2009, utilizou um elemento piezoelétrico com módulo de Young muito superior ao dos tecidos ao qual foi afixado. Nos últimos anos, novos materiais, com melhores características vem sendo desenvolvidos, o que permitiriam melhores resultados nesta aplicação. Nota-se que este é um campo promissor e necessário, tendo em vista a grande necessidade de intensa aplicação da tecnologia nos cuidados à saúde, em face do cenário demográfico mundial, contudo, é necessário melhorar os resultados que vem sendo obtidos por pesquisadores no mundo todo e integrá-los (por exemplo, unindo o sistema de detecção de movimentos do item 4.1 com o sistema de captação de energia cinética corporal, do item 5.1), para compor soluções que sejam econômica e comercialmente viáveis e possam beneficiar a todos os possíveis usuários dessas aplicações.

10 Sistema Microeletromecânico (do inglês microelectromechanical systems).

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REFERÊNCIAS

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