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um filme sobre os limites do humor da estupidez humana. ARGUMENTO Natalia KleiN lucas HoffmaN
um filme sobre os limites do humor da estupidez humana. ARGUMENTO Natalia KleiN lucas HoffmaN
um filme
sobre os limites
do humor da
estupidez humana.
ARGUMENTO
Natalia KleiN
lucas HoffmaN
BeNto RiBeiRo
3 Storyline 4 PerSonagenS 6 argumento 16 ContatoS

3

Storyline

4

PerSonagenS

6

argumento

16

ContatoS

STORyliNE Nove celebridades recebem um convite para participar de uma reunião com um renomado diretor
STORyliNE Nove celebridades recebem um convite para participar de uma reunião com um renomado diretor
STORyliNE
STORyliNE
STORyliNE Nove celebridades recebem um convite para participar de uma reunião com um renomado diretor estrangeiro
Nove celebridades recebem um convite para participar de uma reunião com um renomado diretor estrangeiro
Nove celebridades recebem um convite
para participar de uma reunião com
um renomado diretor estrangeiro
sobre um suposto projeto no Brasil.
enquanto espera a chegada dele, numa
mansão sombria, o grupo composto por
atores, comediantes, apresentadores,
cantores, mcs, youtubers, etc, começa
a surtar e provocar uma série de
situações absurdas.
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pERSONAGENS a o proposta é que esses atores, comediantes, etc, façam uma versão exagerada e
pERSONAGENS a o
pERSONAGENS
a
o

proposta é que esses atores,

comediantes, etc, façam uma versão

exagerada e deturpada deles mesmos.

mais importante é que o elenco

seja composto por tipos que rendam situações engraçadas e inusitadas.

#

   

uma personalidade que está na mídia e é querida pelo

público. sua morte misteriosa é o catalisador de uma

série de eventos catastróficos envolvendo os outros

personagens.

 

#

a

DiVa

 

Vive em um mundo superficial, à parte das pessoas

normais e da vida real. Não consegue conversar sobre

nada que não seja esse universo de celebridades.

É

super fake, está sempre atuando.

 

#

   

É

um cara misterioso, que não se identifica com

o

grupo. Por ter essa vibe de homem macho que não

quer se envolver com ninguém, as mulheres ficam

extremamente interessadas.

 

#

 

É a que dá as sugestões mais úteis para resolver

os problemas que vão surgindo, mas, por alguma

razão, todos a ignoram, sempre. Por não entrar

em pânico como os demais, atrai a atenção do lobo

solitário.

#     um cara tranquilo, ligeiramente nerd, com umas ideias muito absurdas para lidar

#

   

um cara tranquilo, ligeiramente nerd, com umas ideias muito absurdas para lidar com as situações que vão surgindo. mas, por alguma razão, todos prestam atenção e até vão adiante com esses planos estúpidos.

#

   

um cara muito pilhado. tipo, muito pilhado. Não tem a menor paciência, sentimentos ou empatia pelas pessoas do grupo. conforme as merdas vão acontecendo, ele é o cara com as soluções mais extremas.

#

   

Gatinha, pode falar qualquer coisa que todos sorriem e concordam. Geralmente, nesse tipo de filme, é uma personagem que morre logo.

#

   

Por ser o único negro, tem certeza de que vai morrer a qualquer momento. e evita o tempo todo ficar perto dos tipos que costumam morrer em situações como essa.

#

   

Ninguém nem sabe quem é ou o que faz. É famoso? Já fez o quê? mas ninguém tem coragem de perguntar diretamente.

ARGUMENTO
ARGUMENTO

a primeira imagem do filme é o elenco na sala de jantar

da mansão, completamente surtado, jogando coisas em cima de um espelho enorme na tentativa de quebrá-lo. eles acham que atrás do espelho tem pessoas os observando, como se eles estivessem em um “focus group”. alguns personagens estão

machucados, outros estão sujos de terra, com a roupa rasgada

– estão no auge de uma histeria coletiva.

corta para os créditos: uma compilação de imagens gravadas dos personagens, algumas de arquivo pessoal, outras podem ter sido captadas por celular. imagens de novelas, seriados, shows, vídeos do Youtube, enfim, imagens que os contextualizem em seus universos profissionais.

fim dos créditos. corta para o elenco novamente na sala de jantar, porém agora em um momento inicial, onde todos estão calmos, arrumados e sentados à mesa, ouvindo uma história séria contada pela “pessoa que morre nos 10 primeiros minutos”. ele descreve a trajetória de uma refugiada que perdeu toda a família. “aliás, a família dela era toda problemática. o pai era esquizofrênico, um dos irmãos era um sequestrador, o outro, que fugiu com ela, era um psicopata. aí arranjaram o casamento dela com um cara bizarro de um país oriental mega machista, o cara estuprou ela várias vezes, ela ficou grávida, perdeu o bebê, o marido

dela morreu. enfim, só merda. e aí quando ela tava cremando o marido morto, parece

dela morreu. enfim, só merda. e aí quando ela tava cremando

o marido morto, parece que ela entrou numa, se atirou no

meio do fogo

da refugiada. e a pessoa completa: “e aí na manhã seguinte ela surge das cinzas completamente pelada com os três dragões bebês.” Ninguém entende nada. “como assim, que dragões bebês?”, as pessoas questionam. “ué, Game of thrones, gente!”

”,

todos reagem horrorizados com a história

Depois desse primeiro momento, eles começam a falar sobre os motivos de estarem ali. Receberam um convite para uma

reunião com um diretor estrangeiro para falar de um projeto misterioso que seria gravado no Brasil. comentam que

o diretor está atrasado e não tem ninguém para dar um

suporte, nenhuma equipe de produção. só os motoristas que os levaram até a casa, mas eles não estão mais ali. só os deixaram naquele lugar mega isolado e foram embora.

o “maconheiro” comenta que uma vez fez um teste de elenco

em que o teste era a própria espera, porque na sala onde ele estava com os outros atores tinha um espelho que dava para outra sala com pessoas que estavam observando tudo. coincidentemente, na sala onde eles estão, também tem um espelho grande. todos olham, mas logo descartam essa possibilidade absurda. a “atriz diva”, no entanto, começa

a atuar para o espelho a partir daí.

a “pessoa que morre nos primeiros 10 minutos” diz que está

trabalhando muito, tá gravando cinco filmes, três seriados, sete propagandas e fazendo quatro peças ao mesmo tempo. Não dorme mais de 2 horas há três anos, está muito cansado, tomando medicamento para ansiedade e já teve até episódios de sonambulismo. enquanto ele conta isso, o “porra louca psicopata” grava um vídeo falando que tá fazendo um projeto super secreto que nem ele sabe o que é”. ao final da gravação, reclama que tá sem sinal e não consegue postar no snapchat. todos reclamam da falta de sinal.

em paralelo, algumas pessoas comentam entre si sobre o “cara que ninguém sabe quem é”. elas se indagam se ele é ator,

o que ele já fez, mas ninguém consegue se lembrar. elas até

ninguém sabe quem é”. elas se indagam se ele é ator, o que ele já fez,

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tentam arrancar alguma informação dele, discretamente, mas tudo que ele diz é vago e não

tentam arrancar alguma informação dele, discretamente, mas tudo que ele diz é vago e não ajuda as pessoas a tirarem uma conclusão. além disso, a “atriz diva” e “a que todo mundo quer pegar” dão muito mole para o “lobo solitário”, mas ele não dá nenhuma corda.

inquietos pela longa espera, eles demoram um tempo para

perceber que o “cara que morre nos 10 primeiros minutos” está apagado. eles o cutucam e acham, em um primeiro momento, que

o cara dormiu – afinal, estava exausto, não dormia direito

há muito tempo, etc. o “lobo solitário” é o único que percebe

que o cara não está respirando. ele tenta socorrê-lo, faz respiração boca a boca, pressiona o peito do cara várias vezes, com força, até que se ouve um “clec”, como se tivesse quebrado uma costela. todos se apavoram, tentam achar sinal de celular para chamar socorro, mas não conseguem. a “atriz diva” fica over atuando para o espelho o tempo todo. alguém localiza um telefone fixo, mas não está dando linha. É quando eles se dão conta de que estão completamente sozinhos em uma mansão abandonada, no meio do nada, sem que ninguém saiba onde eles estão. sons de trovão anunciam que uma tempestade está por vir.

corta para um momento seguinte, todos em volta da mesa,

tentando racionalizar a situação e decidir o que fazer.

o “porra louca psicopata” sugere que todos enterrem o cara morto, para não gerar suspeitas. todos acham a sugestão sem fundamento, exceto o “lobo solitário”, que concorda totalmente. o maconheiro diz que o mais seguro é queimar

o corpo, para que não haja nenhum risco dele voltar como

zumbi. a “que ninguém escuta” diz que eles estão loucos, que

o cara morreu sozinho, ninguém teve culpa, e enterrar

o corpo só vai piorar a situação. “tá, beleza, mas e queimar?”, insiste o maconheiro.

Na mesa, desde o início do filme, tem umas jarras de suco

e água sobre a mesa, que todos estavam tomando. o “lobo

solitário” toma um gole de água, mas se dá conta de algo, cospe a água de volta e devolve o copo sobre a mesa. o “único

negro do grupo” percebe e pergunta por que ele fez aquilo. o “lobo solitário” se

negro do grupo” percebe e pergunta por que ele fez aquilo.

o “lobo solitário” se faz de desentendido, mas o outro

insiste. “eu vi você indo beber a água e depois cuspindo

e devolvendo o copo, o que foi isso?” o “lobo solitário”

diz que achou que tava com sede, mas passou. “Você acha que

a água tá envenenada?”, ele pergunta, deixando todos ainda

mais paranoicos. “Não, de maneira nenhuma, pode tomar”. “mas

você cuspiu!”, “eu só queria molhar as gengivas”, ele rebate. “então você tá dizendo que se eu beber esse copo inteiro eu não vou estar correndo nenhum risco?”, pergunta “o único negro do grupo”. a “que ninguém escuta nunca” interrompe

e

diz “gente, pelo amor de deus, essa discussão não tem

o

menor fundamento” e pega o copo para beber. o “lobo

solitário” diz “NÃo!”, voa em cima dela e dá um tapa no copo,

que se espatifa no chão. todos ficam petrificados.

“Que que foi isso?”, ela pergunta. “um mosquito ia te picar”, diz o “lobo solitário”. “ah, tá”, diz o único negro do grupo, “ela você salva, mas eu você ia deixar tomar?! eu sei o que que tá acontecendo aqui”. ele diz que está surpreso de não ter sido o primeiro a morrer, afinal, ele é o único negro do grupo. todos tentam amenizar a situação e dizem que ele está exagerando, que não tem nada de errado com a água, que ninguém vai morrer. o “único negro do grupo” então diz:

“beleza, então por que vocês todos não bebem agora?”, mas obviamente ninguém quer beber mais.

o “lobo solitário” diz que vai embora e quem quiser que

vá com ele. a “atriz diva” e “a que todos querem pegar” se voluntariam a ir junto, na mesma hora. ele diz que não garante que poderá protegê-las dos perigos da noite. a “que ninguém ouve nunca” diz que é melhor ninguém sair, está tarde, aquele é um lugar ermo e a qualquer momento pode começar um temporal. É mais seguro esperar na casa. o “lobo solitário” tenta convencê-la a ir com ele, as outras mulheres ficam com ciúmes, mas “a que ninguém ouve” não dá a menor bola para o cara, acha ele bizarro.

Por fim, o “lobo solitário” pega suas coisas e vai embora. Não sem antes fazer

Por fim, o “lobo solitário” pega suas coisas e vai embora. Não sem antes fazer todo um discurso sobre o homem de verdade ser dono de si mesmo e saber lidar com a natureza. ele sai de quadro, ficamos com os outros que debatem se devem ou não ir junto. luz e som de raio e choque, mas não vemos o que está

acontecendo do outro lado, apenas as reações de quem ficou na casa. eles ficam perplexos e comentam que o cara foi atingido por um raio. a “que todos querem pegar” sai correndo para socorrer o “lobo solitário”, mas nunca vemos o lado de fora, ficamos sempre nas reações das pessoas do lado de dentro. som da “que todos querem pegar” tropeçando. ela pede ajuda

e diz que acha que quebrou a perna. o “maconheiro” vai tentar

ajudar, mas o “porra louca psicopata” o segura e diz que todo

mundo que sai da casa sofre algum acidente, que é melhor ele esperar do lado de dentro. “Vem voltando sozinha”, ele grita para a garota do lado de fora. “isso, vem se arrastando”, completa. De repente, som de uivos. “Que que é isso? lobo?”, “mas tem lobo aqui?!”, “lobo guará de repente?” o som fica cada vez mais próximo e acompanhamos as reações deles enquanto os lobos supostamente devoram a garota e o “lobo solitário”.

eles voltam para dentro da casa, em pânico. “É uma maldição! Quem tentar sair daqui morre, a gente tá preso nesse lugar”, concluem. o “porra louca psicopata” diz que pelo menos os lobos comeram os outros dois corpos, mas que agora eles precisam, mais do que nunca, se livrar do corpo do “cara que morreu nos 10 primeiros minutos”. Dessa vez, todos concordam, exceto a “que ninguém escuta nunca”.

o “porra louca psicopata” começa a cavar um buraco no jardim interno da casa, com a ajuda do “único negro do grupo”

e o “cara que ninguém sabe quem é”. enquanto isso, “a que

ninguém escuta nunca” tenta achar sinal para o celular

e o “maconheiro” tira fotos com o cadáver de óculos escuros

segurando uma pá. a “atriz diva” continua tentando conversar

com o “cara que ninguém sabe quem é” para tentar descobrir se ele é famoso ou não. um dos caras que estão cavando bate com pá em algo duro. todos vão ver o que é. eles continuam cavando, é uma espécie de baú pequeno, antigo. Dentro dele,

duas pistolas antigas, do século XViii, XiX. todos pegam as armas e ficam mexendo, brincando,

duas pistolas antigas, do século XViii, XiX. todos pegam

as armas e ficam mexendo, brincando, exceto “a que ninguém escuta nunca”. alguém comenta que as armas estão carregadas.

o “maconheiro” bota uma arma na mão do cadáver, que está

de óculos escuros, e tira umas fotos. “a que ninguém escuta

nunca” consegue sinal e fala por alguns segundos com

a polícia, mas o “porra louca psicopata” percebe, tira

o telefone dela e destrói com a pá. “sem polícia, entenderam bem? esse assunto vai morrer aqui entre a gente”, ele diz. “a não ser que eles estejam observando a gente”, diz

o

maconheiro. “como assim, quem são eles?”, pergunta

o

psicopata. “a equipe de filmagem que tá escondida atrás

do espelho”. a “que ninguém escuta” tenta acalmar todo mundo

dizendo que essa é uma ideia absurda, mas parece que quanto mais ela fala, mais as pessoas se convencem do contrário. “Realmente, eu tô me sentindo observado”, alguém comenta. eles olham em volta, paranoicos.

todos – exceto “a que ninguém ouve nunca” – tentam arrancar

o espelho. “tá grudado na parede”, diz a “atriz diva”. “Não

existe nenhuma parede”, rebate o psicopata. “Quebra tudo”. tomados por uma histeria coletiva, eles jogam coisas em cima do espelho enorme na tentativa de quebrá-lo. até que

o quebram quase que completamente e percebem que não tem nada

atrás. Depois de alguns segundos, eles se acalmam e ficam cada um em seu canto, sem saber mais o que fazer. É quando, do nada, “a que ninguém escuta” tem uma síncope e vai quebrar mais o espelho. todos se entreolham e comentam coisas como “que isso, gente, pessoa desequilibrada”. até que um pedaço grande do espelho despenca e decepa a cabeça dela. silêncio absoluto por alguns instantes, até que o psicopata comenta:

“tá, quem vai buscar o alvejante?”.

corta para momentos depois, o “porra louca psicopata” limpa

o chão com luvas de cozinha. Por alguma razão, as pessoas

estão mais indiferentes à morte da “que ninguém ouvia nunca”.

o maconheiro desenha num caderninho. o “que ninguém sabe quem é” pergunta o que ele está desenhando e o maconheiro mostra

e explica: é o “cara que morreu nos primeiros 10 minutos”

ressuscitando como zumbi e matando todo mundo. a “atriz diva”

conversa com o psicopata e “o único negro do grupo” sobre o “cara que ninguém

conversa com o psicopata e “o único negro do grupo” sobre

o “cara que ninguém sabe quem é”. eles especulam sobre quem

ele pode ser, até que concluem que ele é um infiltrado e vão

abordá-lo.

corta para o “cara que ninguém sabe quem é” todo amarrado numa cadeira. o porra louca psicopata parte para cima dele, mas todos o seguram e falam para ele esperar que eles vão conseguir tirar alguma informação sem precisar de nenhuma

medida extrema. mas a verdade é que nenhum deles sabe direito

o

que fazer. o maconheiro joga um copo d’água na cara dele

e

fica fazendo cosquinha. a “atriz diva” sobe em cima dele

e

começa a falar coisas pesadas com uma voz sexy. o “único

negro do grupo” pergunta o que porra ela está fazendo. ela

diz que se confundiu porque geralmente quando amarra alguém assim é pra outras finalidades. o “porra louca psicopata” perde a paciência e diz que agora quem vai resolver isso

é ele.

corta para eles levando o “cara que ninguém sabe quem é”

amarrado com uma sacola plástica de supermercado na cabeça. eles discutem sobre a necessidade do plástico na cabeça,

o “porra louca psicopata” diz que é pro cara não saber pra

onde está sendo levado. alguém diz “mas a gente não vai sair da casa”, “shhh, cala a boca, ele não precisa saber disso”.

Quando finalmente o levam para outro cômodo e tiram a sacola, descobrem que o cara morreu sufocado. eles debatem sobre

o que houve, porque nos filmes o cara sempre é levado com

a cabeça coberta, “mas nunca com sacola de supermercado,

né?”, “eu disse que não era pra usar essa sacola!”, etc.

cansados, e agora com três corpos para enterrar, os quatro sobreviventes aceitam a proposta do “maconheiro” e decidem fumar um baseado antes pra relaxar. e ficam olhando para

a cara do “que ninguém sabe quem é”, morto, tentando lembrar

se é famoso ou não. ficam falando uns nomes, mas não chegam

a nenhuma conclusão. a “atriz diva” sai para ir ao banheiro, completamente chapada. os caras voltam ao trabalho, pegam as pás e continuam a cavar.

a “atriz diva” está muito chapada no banheiro e conversa com o espelho, viajando que

a

“atriz diva” está muito chapada no banheiro e conversa com

o

espelho, viajando que tem uma equipe de filmagem atrás.

ela se assusta com um rato, grita, tropeça, bate com a cabeça

e desmaia. os caras ouvem o grito e se deparam com a “atriz

diva” já caída no chão. “a gente cava mais um buraco?”, se

perguntam, já banalizando completamente a morte.

enquanto cavam os buracos, a “atriz diva” acorda e se

levanta, tonta e mancando. o maconheiro entra numa de que ela

é um zumbi. ele e o “único negro do grupo” usam as mãos do

“cara que morreu aos 10 minutos” para enforcá-la e mantê-la

afastada. o “maconheiro” diz que o único jeito de matá-la

é

atingindo a cabeça, mas o “único negro do grupo” discorda

e

diz que ela tá viva. o “porra louca psicopata” não hesita

e a acerta com a pá: “morre, zumbi, morre!” o “único negro do grupo” sai de perto deles e diz que eles enlouqueceram.

o “maconheiro” e o “porra louca psicopata” conversam sobre

alguma trivialidade. De repente, surge o “único negro do grupo” com uma das pistolas antigas do baú e aponta para eles. Diz que sabe bem como essas coisas funcionam, que

o único negro do grupo não tem a menor chance de sobreviver

a dois brancos psicopatas e o único jeito de continuar vivo

é se livrando deles. o “maconheiro” se apavora e diz para ele não fazer isso. o “porra louca psicopata” se mantém muito calmo e diz que é melhor assim, é melhor morrer logo do que continuar esse pesadelo. “Pode atirar”, ele diz. o “único negro do grupo” atira e morre. o tiro saiu pela culatra.

“Ha! Na sua cara!”, diz o “porra louca psicopata”. ele dá toda uma aula sobre esse modelo de pistola, que tinha um defeito de fabricação que causou várias mortes acidentais na época. “como é que você sabe essa merda toda?”, pergunta

o maconheiro. “eu vi naquele trato feito”. “ah, maneiro,

também me amarro nesse programa. aliás, sabia que eles nem gravam na loja de verdade? os caras construíram uma réplica da loja num estúdio e as negociações são todas armadas”, “sério, cara? Pô, não sabia não”. “será que essa casa aqui também é uma réplica da casa de verdade num estúdio?”,

pergunta o maconheiro. “Pô, claro que não, né, imbecil.”, “eu sei, eu sei, só tava

pergunta o maconheiro. “Pô, claro que não, né, imbecil.”, “eu sei, eu sei, só tava fazendo um brainstorming”.

eles se dão conta de que estão sem comer há horas e ainda estão com larica. eles entram numa de que precisam comer senão vão morrer de fome. o “maconheiro” diz que vai procurar alguma coisa comestível nas bolsas das pessoas e sai. o “porra louca psicopata” se sente fraco, acha que vai desfalecer e, num ato de desespero, morde um pedaço da perna do “cara que morreu nos primeiros 10 minutos”. ele se sente culpado e diz algo como “porra, foi mal cara, você não vai precisar dessa perna onde você tá”. Nisso, o “maconheiro” volta com a mão cheia de mini sanduíches e diz que a geladeira tá cheia de comida. o “porra louca psicopata” se vira para olhar, com a cara cheia de sangue, e o “maconheiro” se desespera, acha que ele virou zumbi também. o “porra louca” tenta se explicar, diz que achou que iria morrer desnutrido, o “maconheiro” questiona por que caralhos ele escolheu justamente o cara que morreu primeiro e está menos fresco. “sei lá, porra, ele pareceu mais apetitoso”. “esse seu apetite por carne humana não é normal, cara! eu vou ter que te sacrificar!”, “se você me sacrificar, eu te sacrifico primeiro!”, “É pro seu bem, cara!”

o “maconheiro” pega a pistola que estava na mão do “único

negro do grupo”, enquanto o “porra louca psicopata” corre até

o baú para pegar outra pistola. eles apontam um para o outro,

só que ao contrário, com a culatra virada para frente. eles fazem ameaças, choram, dizem que vão abaixar a arma ao mesmo tempo, contam até três, mas nenhum dos dois abaixa. Repetem essa sequência mais uma ou duas vezes até que atiram. só que dessa vez o tiro sai pela frente e os dois se matam. eles caem

ao mesmo tempo no chão.

silêncio absoluto. takes de todos os personagens mortos, exceto os que morreram fora da casa.

De repente, o “cara que morreu nos primeiros 10 minutos” acorda, como se tivesse descansado e dormido profundamente pela primeira vez em anos. ele tenta se levantar, sua costela está quebrada. sente uma dor na perna e vê que tem uma

mordida. Não entende porra nenhuma, mas fica apavorado e pega uma das armas que vê

mordida. Não entende porra nenhuma, mas fica apavorado

e pega uma das armas que vê no chão. sons de sirene, entra

a policia, que o vê com a arma na mão, e dá voz de prisão.

cRÉDitos fiNais: montagem com várias pessoas dando a notícia de que o cara é um assassino e matou vários colegas de trabalho em uma reunião sangrenta. imagens de jornais, manchetes dizendo coisas como “Qual É o limite Do HumoR?”. Depoimento de um delegado da policia civil dizendo que eles

têm várias provas de que o cara é o assassino. as impressões digitais dele estão na pistola que matou duas pessoas, os desenhos que ele fez dele mesmo matando as pessoas (no caderno que, na verdade, é do maconheiro), mostrando que

o crime foi premeditado, as fotos no celular do “maconheiro”, com ele segurando armas, as marcas da mão dele no pescoço da “atriz diva” e a gravação no celular do “porra louca” em que ele é visto ao fundo falando que não dorme há anos, toma remédio tarja preta e teve episódios de sonambulismo. especialistas especulam que ele pode ter cometido esses crimes durante o sono. o próprio cara dá entrevista acreditando que ele cometeu esses crimes enquanto dormia.

esses crimes durante o sono. o próprio cara dá entrevista acreditando que ele cometeu esses crimes

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natalia Klein anataliaklein@gmail.com (21) 99480-0181 (21) 3251-0181
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anataliaklein@gmail.com
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