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O que é o

Espiritismo

Sem título-1 1 14/2/2006, 08:39

ALLAN KARDEC

O que é o Espiritismo
NOÇÕES ELEMENTARES DO MUNDO
INVISÍVEL, PELAS MANIFESTAÇÕES
DOS ESPÍRITOS,
COM O

RESUMO DOS PRINCÍPIOS DA DOUTRINA ESPÍ-
RITA E RESPOSTA ÀS PRINCIPAIS OBJEÇÕES
QUE PODEM SER APRESENTADAS.

CONTENDO A

BIOGRAFIA DE ALLAN KARDEC
POR

HENRI SAUSSE

FEDERAÇÃO ESPÍRITA BRASILEIRA
Departamento Editorial e Gráfico
Rua Souza Valente, 17
20941-040 – Rio de Janeiro-RJ – Brasil

Sem título-1 2-3 14/2/2006, 08:39

Sumário

Biografia de Allan Kardec ................................................... 9

Preâmbulo ........................................................................ 53

CAPÍTULO I

Pequena conferência espírita ............................................. 57

Primeiro Diálogo — O Crítico ............................................ 57

Segundo Diálogo — O Céptico .......................................... 72

Espiritismo e Espiritualismo ............................................ 73

Dissidências .................................................................... 76

Fenômenos espíritas simulados ....................................... 78

Impotência dos detratores ................................................ 80

O maravilhoso e o sobrenatural ....................................... 82

Oposição da Ciência ........................................................ 84

Falsas explicações dos fenômenos — Alucinação — Fluido
magnético — Reflexo do pensamento — Superexcita-
ção cerebral — Estado sonambúlico dos médiuns ....... 92

Não basta que os incrédulos vejam para que se convençam .... 96

Boa ou má vontade dos Espíritos para convencer ............. 98

Sem título-1 4-5 14/2/2006, 08:39

...................................... 133 Pluralidade dos mundos ......... suicídio e obsessão .......................................... 229 CAPÍTULO II Noções elementares de Espiritismo .............. 6 O QUE É O ESPIRITISMO SUMÁRIO 7 Origem das idéias espíritas modernas ............................... 136 O homem durante a vida terrena .......................... 131 Solução de alguns problemas pela Doutrina Espírita ............................................ 104 Qualidades dos médiuns ................................................................................................. 217 O homem depois da morte ................................ 167 Observações preliminares ...................................................................................... 122 Loucura.................................... 205 Conseqüências do Espiritismo ............... 109 Charlatanismo ..... 193 Meios de comunicação .................................................................................................................... 206 Utilidade prática das manifestações ...................................... 127 Elementos de convicção ...................................... 124 CAPÍTULO III Esquecimento do passado .................. 135 Da alma ............................................ 197 Médiuns interesseiros .......................... 08:39 ............................... 215 Terceiro diálogo — O Padre ........................... 202 Médiuns e feiticeiros ....................................................... 115 Identidade dos Espíritos ........................................................................................ 187 Dos médiuns ................................ 213 Sociedades espíritas ....... 167 Dos Espíritos ...................................................................................................................................... 117 Contradições ... 174 Fim providencial das manifestações espíritas ................................ 170 Comunicação com o mundo invisível ....................................................................... 99 Escolhos da mediunidade .......... 203 Diversidade dos Espíritos ................ 213 Interdição do Espiritismo ..................................... 188 Sem título-1 6-7 14/2/2006......................

meus senhores: Muitas pessoas que se interessam pelo Espiritismo ma- nifestam muitas vezes o pesar de não possuírem senão muito imperfeito conhecimento da biografia de Allan Kardec. intitulado “Kardec e seu nome civil”. e de não saberem onde encontrar. no intuito de tentar * Seu verdadeiro nome é Hippolyte Léon Denizard Rivail. as informações que desejariam conhecer. e um mesmo sentimento de veneração e de reconhecimento faz vibrar todos os corações. Sem título-1 8-9 14/2/2006. 95/6. Pois é para honrar Allan Kardec e festejar a sua memória que nos acha- mos hoje reunidos. pp. inserto em Reformador de abril de 1963. permiti-me. sobre aquele a quem chamamos Mestre. Em respeito ao fundador da filosofia espírita. 08:39 . Biografia de Allan Kardec* Minhas senhoras. — Nota da Editora. conforme estu- do de autoria de Zêus Wantuil.

” Todos sabeis que a nossa cidade se pode honrar. A inveja e o ciúme -Dominique n o 78. um nome querido e respeitado e todo um passado de virtudes. grande número dos seus antepassa- cio religioso do Velho Mundo e preparou os novos fundamen. porém. ma rua Sala. com luz mais “O presidente do Tribunal. Se fácil foi a todos os investigadores conscienciosos intei. Assim. rua Saint- cida. para um adiantamento intelectual e moral glórias da sua família. semearam sobre ela os mais evidentes erros. diretor do estabelecimento preenchida. pela ausência até hoje de elementos para isso. Sem título-1 10-11 14/2/2006. Kardec pela leitura atenta das suas produções. porque. desde o seguros. tos que deveriam servir de base à evolução e à renovação da por seu talento. esse trabalhador obstinado cujo labor sacudiu o edifí. 10 O QUE É O ESPIRITISMO BIOGRAFIA DE ALLAN KARDEC 11 corresponder a tão legítimo desejo. tão gloriosa e tão bem “Syriaque-Frédéric Dittmar. sua esposa. magistrado. bem poucos “O sexo da criança foi reconhecido como masculino. com efeito. verdadeira. com o nome de Rivail. (assinado): Mathiou. aquele que devia mais tarde ilustrar o nome de Allan Kardec e con- quistar para ele tantos títulos à nossa profunda simpatia. nasceu de antiga família lionesa. tão grande. o grande iniciador de quem nos desvanecemos de ser discípulos. e Jean-François Targe. Parecia que nossa sociedade caduca. da noite. as testemunhas assinaram. pene- trar na vida do homem íntimo e segui-lo passo a passo no “Testemunhas maiores: desempenho da sua tarefa. assim como ras e as mais impudentes calúnias. esse filósofo sábio. e cuja vida íntima e de Denizard Hippolyte-Léon Rivail. de probidade. clarividente e pro. à requisição do médico Pierre Radamel. que. residentes em Lião. a 3 de outubro de 1804. dos se tinham distinguido na advocacia e na magistratura. e Jeanne Duhamel. saber e escrupulosa probidade. o Maire da região do Sul. fundo. de honra. auto do nascimento versalmente conhecidos e apreciados. rua rarem-se do alto valor e do grande alcance da obra de Allan Sala n o 76. puderam. impelindo-a para um ideal mais são. esforçar-me por mostrar-vos. senão que ainda está por ser escrita. mes- Não somente a biografia de Allan Kardec é pouco conhe. a justo título. * Veja-se Reformador de abril de 1947. filho de Jean-Baptiste-Antoine Rivail. não foi. com os louros e as mais elevado. ele se sentiu atraído para as ciên- Foi. cias e para a filosofia. que vos entretenha alguns Eis aqui a esse respeito um documento positivo e oficial: momentos com esse Mestre amado. nascido ontem às 7 horas laboriosa existência são apenas conjeturadas. das águas minerais da rua Sala. cujos trabalhos são uni- “Aos 12 do vindemiário* do ano XIII. ao nosso filial reconhecimento. de ter visto nascer entre seus muros esse pensador tão O futuro fundador do Espiritismo recebeu desde o berço arrojado quão metódico. o jovem Rivail devia sonhar. pág. as mais grossei- “Feita a leitura. 08:39 . portanto. 85. Vou. em Lião. juiz. começo da sua juventude. também ele.

que lhe porcionada. No mundo das letras e do ensino. Jeanne Duhamel. à propaganda O registro civil nos informa que: do sistema de educação que exerceu tão grande influência sobre a reforma dos estudos na França e na Alemanha. aritméticas. residentes em Paris. ele obteve -Chapelle. Essa Sèvres n o 35. quando. com o célebre professor Pestalozzi. que freqüentava em Longe de desanimar com esse duplo revés. colaborador inteli. humor jovial na intimidade. veio fundar em Paris. O discípulo tornado mestre A senhorita Amélia Boudet tinha. IV (23 de novembro de 1795). para fundar institutos semelhantes Lacombe. Rivail requereu a liquidação do Instituto. perdendo grossas somas em Spa e em Aix-la- do-o a conscrição incluído para o serviço militar. o inglês. soma foi colocada pelo Sr. arruinou o distintas. o italiano e o residentes em Château-du-Loir. em quem adivinhou. de isenção e. dois anos depois. 67. Denizard Rivail encontrou a senhorita Amélia Boudet. Lingüista insigne. a capaci- que o Sr. esse trabalhador infatigável escrevia à noite. e de Julie-Louise Seigneat de pouco de todos os lados. Lacombe. bom e obsequioso. de quem cedo se e profundo. e Sra. ela soube por seu sorriso e predicados fazer- dia. di- cina. Rivail lançaram-se corajosamente ao trabalho. pois. mas na aparência dir-se-ia ter menos dez que dade requerida para dar boa conta da tarefa que lhe era con- ele. o Sr. Rivail. e podia facilmente filha de Julien-Louis e senhora Julie-Louise Seigneat de exprimir-se nesta língua. em 6 de fevereiro de 1832. espanhol.000 francos a cada um deles. mais nove anos tinha. aos 2 do Frimário do ano ao de Yverdun. gramáticas. e falava corretamente o alemão. de maneiras O sócio do Sr. Paris. O Sr. Rivail tinha a paixão do jogo. traduzia obras inglesas e alemãs e preparava todos Sem título-1 12-13 14/2/2006. e. falência nada deixou aos credores. conhecia a fundo filho de Jean-Baptiste Antoine e senhora. periores. brilhantemente sua tese*. de todo o coração. que aliava grande dignidade à mais esmerada tornou um dos mais eminentes discípulos. confiava a Denizard Rivail o encargo de o subs. 35 rua de Sèvres. Rivail. negociante. filha de Julien-Louis Boudet. produziam cerca de 7. em Yverdun comunicativa alegria do homem amável. Rivail em casa de um dos Para essa empresa se associara a um dos seus tios. urbanidade. à rua de cuja partilha couberam 45. Era bacharel em letras e em ciências e doutor em medi- contrato de casamento de Hippolyte-Léon-Denizard Rivail.” tituir na direção da sua escola. Pequena. vezes. 08:39 . Muitíssimas “Amélie-Gabrielle Boudet. tendo feito todos os estudos médicos e defendido retor do Instituto Técnico à rua de Sèvres (Método de Pestalozzi). livros para estudos pedagógicos su- * Ver Reformador de março de 1958. irmão de seus amigos íntimos. quando Pestalozzi era chamado pelos governos. e Sra. gentil e graciosa.000 francos por ano. com os mais legítimos direitos. pág. além de tudo. Ten- sobrinho. o qual era seu sócio capitalista. rica por seus pais e filha única. Aplicou-se. um estabelecimento semelhante ao de Yverdun. gente e dedicado. que fez maus negócios e cuja sua mãe. se firmou em Paris o fiada. mas bem pro- e pôde encarregar-se da contabilidade de três casas. um proprietário e antigo tabelião. Ele encontrou professora com diploma de 1a classe. conhecia também o holandês. com Amélie-Gabrielle Boudet. terminado o seu inteligente e viva. Denizard Rivail era um alto e belo rapaz. sob a franca e completou em seguida a sua bagagem escolar. o pensador sábio (Suíça). 12 O QUE É O ESPIRITISMO BIOGRAFIA DE ALLAN KARDEC 13 Rivail Denizard fez em Lião os seus primeiros estudos e -se notar pelo Sr. nasceu em Thiais (Sena). ao serão.

regendo as cadeiras de Fisiologia. Rivail ouviu pela primeira vez falar exames para obtenção dos diplomas de capacidade. a princípio do Sr. foi premiado. Dentre as suas numerosas obras convém citar. cursos gratuitos de quími. 77 e 79. ele sempre se mostrou à altura da missão gloriosa que lhe estava reservada. estando a sua fortuna Membro de várias sociedades sábias. mas a educação. págs. de Allan Kardec. Em uma obra muito apreciada resu. mesa tem cérebro para pensar. segundo o método de dica. deria viver feliz. Ditados especiais sobre as acreditarei quando vir e quando me tiverem provado que uma dificuldades ortográficas. o Sr. Até lá. Rivail po- e que eram muito freqüentados. Fortier. tal o modesta abastança. com o qual mantinha relações. muito antes que ele imortalizasse o nome bém em sua casa. pode tornar sonâmbula. ele publicou. Ver Reformador de 1952. Rivail estava admiravelmente preparado parti pris. mas também se pode fazê- nomia. • Sem título-1 14-15 14/2/2006. Prosseguindo em sua carreira pedagógica. tais nos devemos mostrar sempre no estudo tão atraente das manifestações do Além. mas em 1824. por concurso. o Sr. nervos para sentir. Não foi em 1829. e depois publica: Ditados normais dos exames — Isso. e que se Tendo sido essas diversas obras adotadas pela Universi. magnetizador. 14 O QUE É O ESPIRITISMO BIOGRAFIA DE ALLAN KARDEC 15 os cursos de Levy-Alvarès. professores. Fortier lhe disse um dia: “Eis aqui cesa. tamente apreciados. em 1831 fez aparecer a Gramática francesa clássica. soluções nas mesas girantes. magnetizando-a. que lhe havia coroado os esforços. em razão dos seus estudos em 1848 foi publicado o Catecismo gramatical da língua fran. ca. Rivail conseguir. uma Tal era a princípio o estado de espírito do Sr. não negando coisa alguma por da exposição. — Nota da Editora. conservaram-no igualmente ao abrigo dos entusiasmos Pestalozzi. a observação metó- instrução pública. honrado e tranqüilo. Química e Física. pôde o Sr. é uma outra questão. O Sr. racionais das questões e problemas de aritmética e geometria. permita-me que não veja nis- dade de França. Como se pode julgar por esta muito rápi- encontraremos muitas vezes. em 1831. -la falar. mas a sua missão o chama- pela apresentação da sua notável memória: Qual o sistema de va a uma tarefa mais onerosa. graças a elas e ao seu assíduo trabalho. Astro. Rivail professor uma coisa que é bem mais extraordinária: não somente se faz no Liceu Polimático. Interroga-se. Seu nome era conhecido e respeitado. a uma obra maior. o juízo reto. so senão uma fábula para provocar o sono. notadamente da reconstruída pelo trabalho perseverante e pelo brilhante êxito Academia real d’Arras. por or- Seus pendores. física. encontramos o Sr. 08:39 . à rua de Sèvres. em 1828. mas pedindo provas e querendo ver e observar para para a rude tarefa que ia ter que desempenhar e fazer triun- crer. Organizou tam. de 1835 a 1840. e vendendo-se abundantemente. Rivail. em 1849. girar uma mesa. o Curso prático e teórico de aritmética. finalmente. como estudo mais em harmonia com as necessidades da época? teremos muitas vezes ocasião de o evidenciar. freqüentados por discípulos de far. seus trabalhos jus- ambos os sexos do faubourg Saint-Germain. astronomia e anatomia comparada. Rivail. tê-lo-iam impelido para o dem cronológica: Plano apresentado para o melhoramento da misticismo. e ela responde. eu na Municipalidade e na Sorbona. e. para uso das mães de família e dos desarrazoados e das negações não justificadas. em 1846 o Manual dos Foi em 1854 que o Sr. sobre o Magnetismo. * Houve engano dos biógrafos. suas aspirações. replicou o Sr.” me seus cursos. em 1829*.

fiz conhecimento com a família Baudin. mas noutro tom. Nessa época. aprofundar. Carlotti era corso de origem. rua Grange-Batelière n o 18. “Foi aí. com “A ocasião se me ofereceu e pude observar mais atenta- o entusiasmo que ele punha em todas as idéias novas. que a fama levará a todos os cantos do globo. Carlotti. condições tais que a dúvida não era possível. às leis da Natureza e que minha ra. às idolatram. veremos isso mais tarde. pelo mês de maio de 1855. que discor. reu acerca desses fenômenos durante mais de uma hora. não me entrava ainda essas aparentes futilidades e a espécie de divertimento que no cérebro. desde esse Espíritos. um amigo de há vinte e cinco anos. muito assíduo. Ele foi o primeiro a falar-me da intervenção dos que se efetuavam em sua casa. ta mediúnica em uma ardósia com o auxílio de uma cesta. ritismo. Autor. 8 horas da noite. que a mim mesmo prometi o Sr. professor Carlotti. Kardec. que testemunhei o fenômeno as suas hesitações e também a sua primeira iniciação: das mesas girantes. Fortier. aumentaram as minhas dúvidas. Lá encontrei o Sr. contrário. não vos falei senão do Sr. autor pedagógico de renome. na aparência. Em um dos serões da Sra. mente do que tinha podido fazer. mas a idéia. como até então o tinha feito. longe momento. seu magnetizador. * Esta data ficou em branco no manuscrito de Allan Kardec. mas fé me firmavam na possibilidade do efeito puramente mate. de caráter grave. A entrevista foi marcada para a terça-feira* de maio. Plainemaison. que eu tinha sempre distinguido nele as qualidades que caracteri. com o Sr. porém. de 1854 a 1856. sob rial. — Nota do que me falaram desses fenômenos no mesmo sentido que o Sr. O Sr. quando ele me convidou para o nome de Rivail se obumbra. que saltavam e corriam. menos ainda por efeito de revelações que por observa- ção. Pâtier era funcionário público. isenta de todo entusiasmo. esse pensador profundo. O Sr. emérito. para ceder o lugar ao de Allan assistir às experiências que se realizavam em casa da Sra. da de certa idade. mas desconfiava da sua oferecimento no sentido de assistir às sessões hebdomadárias exaltação. Plainemaison. em casa da sonâmbula Sra. as expe. para esse sagaz observador. “Foi aí que fiz os meus primeiros estudos sérios em Espi- respondi-lhe eu —. e. no ciclo de um fato inexplicado. Pâtier e a Sra. e às quais eu fui. Nada tinha ainda visto nem observado. Roger. frio e sua vida. estive. “Daí a algum tempo. pois. 16 PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA CAPÍTULO I 17 Até agora. de me convencerem. e isso em “Eu me encontrava. homem muito instruído. morava então à rua Rochechouart. Apliquei a essa nova ciência. riências feitas em presença de pessoas honradas e dignas de Minhas idéias estavam longe de se haver modificado. Sem título-1 16-17 14/2/2006. de uma mesa falante. com esses fenômenos se fazia. e contou-me tantas coisas surpreendentes que. naquilo havia um fato que devia ter uma causa. Então produziu-me viva impressão. de natureza ardente e enérgica. sua linguagem pausada. Baudin fez-me zam uma grande e bela alma. “Aí vi também alguns ensaios muito imperfeitos de escri- zão repelia. — Você um dia será dos nossos — disse-me ele. pela primeira vez. aceitei com solici- que todos os ecos repetirão e que todos os nossos corações tude. Plainemaison. alguma coisa de sério e como “No ano seguinte — era no começo de 1855 — encontrei que a revelação de uma nova lei. 08:39 . — Não digo que não. um novo horizonte se rasga para calmo. Rivail. Eis aqui como Allan Kardec nos revela as suas dúvidas. O Sr. Entrevi.

René Taillandier. que não conseguiam pôr em ordem. e o sá- “Só o fato da comunicação com os Espíritos. portante. agi com os Espíritos como o teria feito com cedi em meus trabalhos anteriores. Este trabalho era árduo e exigia muito tempo. em razão de sua posição pessoal e de seus conheci. os arran- de formular teorias prematuras sobre a opinião de um só ou jasse. deu-lhe. era conhecer o estado desse mundo e seus costu. foi que os Espíritos. preciso. comparava. prometia-lhe esse Espírito mentos. então. desvendava-me uma fase desse mundo. a solução do que havia procurado toda a minha Allan Kardec. em virtu- de alguns. desde o princípio. observava atentamente. Entrevi nesses fenômenos a predestinados. indi- seqüências. com o auxílio dos documentos recolhidos de como válida uma explicação. Compreendi. entre de fenômenos inexplicados. Rivail. colhidas nas Obras Póstumas de e do futuro. membro da Academia das “Um dos primeiros resultados das minhas observações Ciências. Eu. tê-lo conhecido em uma precedente existência. portanto. e que facilmente levaria a termo. dos efeitos procurava remontar às causas pela vidualmente. meios de colher informações e não reveladores exploração que ia empreender. pedindo-lhe que deles o grave escolho de crer na sua infalibilidade e preservou-me tomasse conhecimento e os pusesse em termos —. reconhecida desde o começo. em razão de outros trabalhos. ao tempo dos Druidas. Esta verdade. que acompanhavam havia cinco anos o estudo desses não tinham nem a soberana sabedoria. viviam juntos nas Gálias. pai e filho. 08:39 . esses pessoal. O segundo ponto. Sem título-1 18-19 14/2/2006. senão quando ela podia resolver diferentes lados. coordenados e confrontados todas as dificuldades da questão. havia votado só fazia aumentar. na qual lhe dizia. pelo encadeamento lógico dos fatos. para mim. era. não menos im. observei que cada se chamava. Rivail. Tiedeman-Manthèse. outras coisas. Foi assim que sempre pro. colecionados. Sardou. convém acrescentar que a princípio o Sr. Cedo. para que talvez tivesse feito se não fossem as instantes solicitações me não deixar arrastar pelas ilusões. Conhecen- to. nunca formulei teorias precon. Carlotti. e. deduzia as con. os habitantes de todas as classes e condições. desde a idade de quinze a os homens: eles foram. esteve a ponto de as abandonar. evitou-me senhores lhe enviaram os cadernos.” chave do problema tão obscuro e tão controvertido do passado A estas informações. provava a existência de um mundo absorvente. ser positivista e não idealista. que o seu saber era limitado ao grau do seu adiantamen. um imenso campo Uma noite. se assim nos podemos exprimir. Allan Kardec. ções diversas. não sendo senão as almas dos homens. desde o menor até o mais dezesseis anos.. a gravidade da elevado. como a amizade que lhe Espírito. podendo cada cebidas. dos Srs. e Didier. não admitindo mar o conjunto. pois. invisível ambiente. 18 O QUE É O ESPIRITISMO BIOGRAFIA DE ALLAN KARDEC 19 o método da experimentação. era já um ponto capital. o que quer bio enciclopedista recusava-se a essa tarefa enfadonha e que eles pudessem dizer. e que a sua opinião não tinha senão o valor de uma opinião do as vastas e raras aptidões de síntese do Sr. vida. fenômenos e tinham reunido cinqüenta cadernos de comunica- cia. quando. seu Espírito protetor. exatamente secundá-lo na tarefa muito importante a que ele era chama- como se chega a conhecer o estado de um país interrogando do. qual nos ensinar alguma coisa e nenhum deles podendo. nem a soberana ciên. uma completa revolução nas idéias longe de ser um entusiasta dessas manifestações e absorvido e nas crenças. editor. Ele mes. a chave de uma multidão dium. uma comunicação toda pessoal. ensinar-nos tudo. em uma palavra. de das lacunas e obscuridades dessas comunicações. o ção e não levianamente. por um mé- franqueado às nossas explorações. Cumpre ao observador for- dedução. Z. se fazia agir com circunspe- por outras preocupações. entre si.

Livro dos Espíritos. para instrução de todos.” das com precisão. encontravam-se pessoas sérias que tomaram No momento de publicá-lo. com o auxílio da cesta gabinete de trabalho. profundeza e de modo lógico. mais tarde. Esse trabalho foi cadas repetidas no tabique. segundo lhe revelara o guia. se com o seu nome — Denizard- as sessões como que tolhidas. o autor ficou muito embaraçado vivo interesse pelo trabalho. em duas colunas. tou o alvitre de o assinar com o nome de Allan Kardec que. sonâmbula. diz ele próprio. no silêncio da meditação. toda esse resultado. nas sessões ordinárias. e para que fosse consagrado mais cuidado. eu a aproveitava para propor algu- “Até então. A princípio eu não tinha nome muito conhecido do mundo científico. — Nota da Editora * Arranjada em forma de bico. para as respostas. em casa do Sr. as sessões em casa do Sr. Espíritos. da psicologia e da natureza do mundo respostas. que os Espíritos me haviam recomendado. quando ouviu ressoarem pan- obtidas e postas precedentemente em ordem. in-4. sucessivamente desenvolvidas e completadas. mas a pedido dos * A 2ª edição foi impressa em 1860. em virtude dos em vista senão a minha própria instrução. entre uma para as perguntas e outra. Comparecia a cada sessão com uma série de ques. — Nota do Tradutor. foi continuado em sessões particulares. que se realizavam à rua Tiquetone. revista. ficavam em resolver como o assinaria. Japhet. vez que se oferecia ocasião. e. Roustan. em via de compulsar as comunicações e aguçada*. Foi Baudin não tinham nenhum fim determinado. assinalou as lacunas a preencher. quan- seus trabalhos anteriores. os assistentes. propus-me. fez examinar por esse médium as comunicações preparar O Livro dos Espíritos. 08:39 . ele tivera ao tempo dos Druidas. tendo as questões fúteis perdi- -Hippolyte-Léon Rivail. diz ainda Allan de sessão. lançou-se à obra: tomou os cadernos. em frente. cada relatório “Não me contentei com essa verificação. e podendo originar uma confusão. 20 O QUE É O ESPIRITISMO BIOGRAFIA DE ALLAN KARDEC 21 O Sr. fizeram a base de O Livro dos Espíritos. Após atenta leitura. coordenadas.” A obra alcançou tal êxito que a primeira edição foi logo esgotada. a causa efetuado. a qual apareceu em 18 de abril de 1857. Rivail freqüentou as reuniões espíritas in-12. Desde esse Esse livro era em formato grande. com Mlle. Allan Kardec reeditou-a em 1858* sob a forma atual Em 1856. mas das questões que me pareciam mais melindrosas. (FEB). procurou. ele ado- porções de uma doutrina. assim que mais de dez médiuns prestaram seu concurso a fazer resolver os problemas que me interessavam sob o ponto esse trabalho. que obtinha como médium No dia 25 de março de 1856 estava Allan Kardec em seu comunicações muito interessantes. E foi da comparação e da fusão de todas essas de vista da filosofia. atenção a esse exame. Rivail. Sem título-1 20-21 14/2/2006. Se me acontecia faltar. aí. ou com um pseudônimo. e não 1858. as obscuridades Kardec. o Sr. Foram essas mesmas questões que. que formei a primeira edição de O tões preparadas e metodicamente dispostas: eram respondi. do vi que tudo aquilo formava um conjunto e tomava as pro- talvez mesmo prejudicar o êxito do empreendimento. a princípio. momento as reuniões tiveram caráter muito diferente. classificadas e muitas vezes refeitas invisível. suprimiu as re. petições e pôs na respectiva ordem cada ditado. mais anotou-os com cuidado. Tendo-me as a aclarar. tive o pensamento de o publicar. Sendo o seu do o atrativo para o maior número. e preparou as perguntas necessárias para chegar a circunstâncias posto em relação com outros médiuns. sem descobrir. pois. correta e consideravelmente aumentada.

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disso, e em seguida tornou a pôr mãos à obra. Sua mulher, P. — A vossa desaprovação versava sobre o capítulo que
entrando cerca das dez horas, ouviu os mesmos ruídos; pro- eu escrevia, ou sobre o conjunto do trabalho?
curaram, mas sem resultado, de onde podiam eles provir.
R. — Sobre o capítulo de ontem: faço-te juiz dele.
Moravam, então, à rua dos Mártires n o 8, no segundo andar,
Torna a lê-lo esta noite; reconhecer-lhe-ás os erros e os corri-
ao fundo.
girás.
“No dia seguinte, sendo dia de sessões em casa do Sr.
P. — Eu mesmo não estava muito satisfeito com esse ca-
Baudin, escreve Allan Kardec, contei o fato e pedi a explicação
pítulo e o refiz hoje. Está melhor?
dele.
R. — Está melhor, mas não muito bom. Lê da terceira à
Pergunta: — Ouvistes o fato que acabo de narrar; podereis
trigésima linha e reconhecerás um grave erro.
dizer-me a causa dessas pancadas que se fizeram ouvir com
tanta insistência? P. — Rasguei o que tinha feito ontem.
Resposta: — Era o teu Espírito familiar. R. — Não importa. Essa inutilização não impede que
subsista o erro. Relê e verás.
P. — Com que fim, vinha ele bater assim?
P. — O nome de Verdade que tomais é uma alusão à
R. — Queria comunicar-se contigo.
verdade que procuro?
P. — Podereis dizer-me o que queria ele?
R. — Talvez, ou, pelo menos, é um guia que te há de au-
R. — Podes perguntar a ele mesmo, porque está aqui. xiliar e proteger.
P. — Meu Espírito familiar, quem quer que sejais, agra- P. — Posso evocar-vos em minha casa?
deço-vos terdes vindo visitar-me. Quereis ter a bondade de
R. — Sim, para que eu te assista pelo pensamento; mas,
dizer-me quem sois?
quanto a respostas escritas em tua casa, não será tão cedo
R. — Para ti chamar -me-ei a Verdade, e todos que as poderás obter.
os meses, durante um quarto de hora, estarei aqui, à tua
disposição. P. — Podereis vir mais freqüentemente que todos os
meses?
P. — Ontem, quando batestes, enquanto eu trabalhava,
tínheis alguma coisa de particular a dizer-me? R. — Sim; mas não prometo senão uma vez por mês, até
nova ordem.
R. — O que eu tinha a dizer-te era sobre o trabalho que
fazias; o que escrevias me desagradava e eu queria P. — Animastes alguma personagem conhecida na Ter-
fazer-te parar. ra?

NOTA — O que eu escrevia era precisamente relativo aos R. — Disse-te que para ti eu era a Verdade, o que da tua
estudos que fazia sobre os Espíritos e suas manifestações. parte devia importar discrição; não saberás mais que isto.”

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De volta a casa, Allan Kardec apressou-se a reler o que “Apressei-me em redigir o primeiro número, diz Allan
escrevera e pôde verificar o grave erro que com efeito havia Kardec, e o fiz aparecer no dia 1 o de janeiro de 1858, sem
cometido. A dilação de um mês, fixada para cada comunica- nada dizer a pessoa alguma. Não tinha um único assinante,
ção do Espírito Verdade, raramente foi observada. nem sócio capitalista. Fi-lo, pois, inteiramente por minha conta
e risco, e não tive de que me arrepender, porque o êxito ultra-
Ele se manifestou freqüentemente a Allan Kardec, mas
passou a minha expectativa. A partir de 1o de janeiro, os nú-
não em sua casa, onde durante cerca de um ano não pôde
meros se sucederam sem interrupção, e, como o previra o Es-
este receber nenhuma comunicação por médium algum e, cada
pírito, esse jornal se me tornou em poderoso auxiliar.
vez que ele esperava obter alguma coisa, era obstado por uma
Reconheci, mais tarde, que era uma felicidade para mim não
causa qualquer e imprevista, que a isso se vinha opor.
ter tido um sócio capitalista, porque estava mais livre, en-
Foi a 30 de abril de 1856, em casa do Sr. Roustan, pela quanto que um estranho interessado teria pretendido impor-
médium Mlle. Japhet, que Allan Kardec recebeu a primeira -me as suas idéias e a sua vontade e poderia embaraçar-me a
revelação da missão que tinha a desempenhar. Esse aviso, a marcha. Só, eu não tinha que prestar contas a ninguém, por
princípio muito vago, foi precisado no dia 12 de junho de 1856, mais onerosa que, como trabalho, fosse a minha tarefa.”
por intermédio de Mlle. Aline C., médium. A 6 de maio de 1857,
E essa tarefa devia ir sempre crescendo em labor e em
a Sra. Cardone, pela inspeção das linhas da mão de Allan Kardec,
responsabilidades, em lutas incessantes contra obstáculos,
confirmou as duas comunicações precedentes, que ela ignora-
emboscadas, perigos de toda sorte. À medida, porém, que a
va. Finalmente, a 12 de abril de 1860, em casa do Sr. Dehan,
lide se tornava mais áspera, esse enérgico trabalhador se ele-
sendo intermediário o Sr. Croset, médium, essa missão foi
vava, também, à altura dos acontecimentos, que nunca o sur-
novamente confirmada em uma comunicação espontânea,
preenderam; e durante onze anos, nessa Revista Espírita, que
obtida na ausência de Allan Kardec.
acabamos de ver como começou tão modestamente, ele afron-
Assim, também, se deu a respeito do seu pseudônimo. tou todas as tempestades, todas as emulações, todos os ciú-
Numerosas comunicações, procedentes dos mais diversos pon- mes que não lhe foram poupados, como ele mesmo relata e
tos, vieram reafirmar e corroborar a primeira comunicação como lhe fora anunciado ao ser-lhe revelada a sua missão.
obtida a esse respeito. Essa comunicação e as reflexões de que as anotou Allan Kardec
nos mostram, sob um prisma pouco lisonjeiro, a situação na-
Urgido pelos acontecimentos e pelos documentos que
quela época, mas fazem também ressaltar o grande valor do
tinha em seu poder, Allan Kardec formara, em razão do êxito
fundador do Espiritismo e o seu mérito em ter sabido triunfar:
de O Livro dos Espíritos, o projeto de criar um jornal espírita.
Havia-se dirigido ao Sr. Tiedeman, para solicitar -lhe o Médium, Mlle. Aline C. — 12 de junho de 1856:
concurso pecuniário, mas este não estava resolvido a tomar
P. — Quais são as causas que me poderiam fazer
parte nessa empresa. Allan Kardec perguntou aos seus guias,
fracassar? Seria a insuficiência das minhas aptidões?
no dia 15 de novembro de 1857, por intermédio da Srta. E.
Dufaux, o que deveria fazer. Foi-lhe respondido que pusesse a R. — Não; mas a missão dos reformadores é cheia de
sua idéia em execução e que não se inquietasse com o resto. escolhos e perigos; a tua é rude; previno-te, porque é ao mun-

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26 O QUE É O ESPIRITISMO BIOGRAFIA DE ALLAN KARDEC 27

do inteiro que se trata de agitar e de transformar. Não creias injúria, da calúnia, da inveja e do ciúme; têm sido publicados contra
que te seja suficiente publicar um livro, dois livros, dez livros, mim infames libelos; as minhas melhores instruções têm sido
e ficares tranqüilamente em tua casa; não, é preciso te desnaturadas; tenho sido traído por aqueles em quem depositara con-
mostrares no conflito; contra ti se açularão terríveis ódios, fiança, e pago com a ingratidão por aqueles a quem tinha prestado
implacáveis inimigos tramarão a tua perda; estarás exposto à serviços. A Sociedade de Paris tem sido um contínuo foco de intrigas,
calúnia, à traição, mesmo daqueles que te parecerão mais de- urdidas por aqueles que se diziam a meu favor, e que, mostrando-se
dicados; as tuas melhores instruções serão impugnadas e amáveis em minha presença, me detratavam na ausência. Disseram
desnaturadas; sucumbirás mais de uma vez ao peso da fadi- que aqueles que adotavam o meu partido eram assalariados por mim
ga; em uma palavra, é uma luta quase constante que terás de com o dinheiro que eu arrecadava do Espiritismo. Não mais tenho
sustentar com o sacrifício do teu repouso, da tua tranqüilida- conhecido o repouso; mais de uma vez, sucumbi; sob o excesso do
de, da tua saúde e mesmo da tua vida, porque tu não viverás trabalho, tem-se-me alterado a saúde e comprometido a vida.

muito tempo. Pois bem. Mais de um recua quando, em lugar “Entretanto, graças à proteção e à assistência dos bons Espíritos,
de uma vereda florida, não encontra sob seus passos senão que sem cessar me têm dado provas manifestas de sua solicitude, sou
espinhos, agudas pedras e serpentes. Para tais missões não feliz em reconhecer que não tenho experimentado um único instante de
basta a inteligência. É preciso antes de tudo, para agradar a desfalecimento nem de desânimo, e que tenho constantemente prosse-
Deus, humildade, modéstia, desinteresse, porque abatem os guido na minha tarefa com o mesmo ardor, sem me preocupar com a
orgulhosos e os presunçosos. Para lutar contra os homens, é malevolência de que era alvo. Segundo a comunicação do Espírito Ver-
necessário coragem, perseverança e firmeza inquebrantáveis; é dade, eu devia contar com tudo isso, e tudo se verificou.”
preciso, também, ter prudência e tato para conduzir as coisas a •
propósito e não comprometer-lhes o êxito por medidas ou pala-
vras intempestivas; é preciso, enfim, devotamento, abnegação, Quando se conhecem todas essas lutas, todas as torpe-
e estar pronto para todos os sacrifícios. zas de que Allan Kardec foi alvo, quanto ele se engrandece aos
nossos olhos e como o seu brilhante triunfo adquire mérito e
“Vês que a tua missão está subordinada a condições que esplendor! Que se tornaram esses invejosos, esses pigmeus
dependem de ti. que procuravam obstruir-lhe o caminho? Na maior parte são
Espírito Verdade.” desconhecidos os seus nomes, ou nenhuma recordação
despertam mais: o esquecimento os retomou e sepultou para
sempre em suas sombras, enquanto que o de Allan Kardec, o
NOTA – (É Allan Kardec que assim se exprime): “Escrevo esta intrépido lutador, o pioneiro ousado, passará à posteridade
nota no dia 1º de janeiro de 1867, dez anos e meio depois que
com a sua auréola de glória tão legitimamente adquirida.
esta comunicação me foi dada, e verifico que ela se realizou em todos A Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas foi fundada
os pontos, porque experimentei todas as vicissitudes que nela me fo- a 1o de abril de 1858. Até então, as reuniões se realizavam em
ram anunciadas. Tenho sido alvo do ódio de implacáveis inimigos, da casa de Allan Kardec, à rua dos Mártires, com Mlle. E. Dufaux,

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gravidade. Reclamam que era favorável às novas idéias. Diante desse cedo desaparecido. Cedo. Mas era preci. toda a solicitude e toda a dedicação de que era capaz. e especialmente ao Sr. enquanto que pelo processo ordinário teria exigi. Des- Palais-Royal.” riosas. o general X. 08:39 . esse local muito acanhado e não querendo onerar sentirei sempre feliz e honrado. de 1o de de muito tempo alimentava o desejo de demitir-me das minhas abril de 1858 a 1o de abril de 1859. poderiam acredi- Sant’Ana n o 59. de renunciar de futuro a toda espécie de função na Sem título-1 28-29 14/2/2006. que exigem longos e laboriosos estudos e rização da Polícia. que esses motivos cessaram. quer para o preparo. apresso- Kardec assim se exprime (Revista Espírita. Dufaux. Desempenhei. obter o reconhecimento e a auto. Ledoyen. que a minha tarefa está terminada e testemunho de simpatia. além daqueles que conheceis. Agora. então. que conhecia pessoalmente o não absorverão menos de dez anos.): -me em vos dar parte da minha resolução.” tar em uma deserção. que. para não embara- çar a escolha que fareis. a minha tarefa formou a Sociedade e da tarefa que teve a desempenhar. que aumen- se propuseram formar uma sociedade espírita e alugar um tam todos os dias. o seu salão poderia conter de quinze Sociedade. Retirando-me no meado do ano. pág. que eu devo o ter tantas vezes tomado a palavra. mais consideráveis. sem grande probabilidade de êxito. Não podendo lá permane- funções: manifestei-o de modo muito explícito em diversas cer por mais tempo. porém. cedo. mesmo a de diretor dos estudos. aí reuniu ele mais de trinta. portanto. pois que se torna indispensável a iniciativa quase do meses. no local que fora alugado no esclarecidos que possuímos nos privassem das suas luzes. Allan até ao fim. preparo outros trabalhos so. 169.. tomei. ora. e era preciso não dar esse prazer aos Depois de haver dado conta das condições em que se nossos adversários. pela extensão das minhas relações. não ambiciono a vinte pessoas. graças ao ministro do Interior. então. quer em particular a muitos dos meus dos salões do restaurante Douix. Aí ficou durante um ano. É justo que cada um tenha a sua “Empreguei em minhas funções. à rua e passagem Sociedade. do ponto de vista administrativo. sem o qual o prestígio de assembléia séria teria menos um voto e uma cédula em branco. O Sr. esforcei-me por manter nas Apressemo-nos a acrescentar que essa demissão não sessões uma ordem rigorosa e por imprimir-lhe um caráter de foi aceita e que Allan Kardec foi reeleito por unanimidade. ele se submeteu e se conservou em que o impulso está dado. e. exclusiva que me tendes deixado. pessoais. galeria Valois. encarregou-se de dar os passos dade não deixam de tomar muito tempo. para esse fim. 28 O QUE É O ESPIRITISMO BIOGRAFIA DE ALLAN KARDEC 29 como principal médium. meus se- nhores. regularmente constituída e reu- mentando com freqüência que os membros eminentemente nia-se todas as terças-feiras. reunia-se todas as sextas-feiras em um ocasiões. devo inteirar-vos da resolução que suas funções. É a esse motivo. com que me -se. galeria colegas. se não fora o temor de produzir uma perturbação na época em que se instalou em sede própria. la- “A Sociedade foi. hoje. O motivo da minha determi- Allan Kardec com todos os encargos. de 1o de abril de 1859 a 1o de abril de 1860. alguns dos assistentes nação está na multiplicidade dos meus trabalhos. quer para a coordenação e a passagem a limpo. Tornando. no Palais-Royal. que posso dizer labo- parte nos encargos e nas honras. Tê-lo-ia feito mais Montpensier. para se poderem reunir. os trabalhos da Socie- prefeito de polícia de então. 1859. quer aqui. por- outro local em que se efetuassem as reuniões. senão um título — o de simples membro titular. a autorização foi obtida em assiduidade muitas vezes prejudicial às minhas ocupações quinze dias.

a nós que aspiramos a substituir dignamente grave. antes de tudo. compreendem o seu alcance filo- colocam do seu lado os gracejadores. ou. 30 O QUE É O ESPIRITISMO BIOGRAFIA DE ALLAN KARDEC 31 Em setembro de 1860. as intenções são sérias. ao contrário. sendo os mais fenômenos. e. mas não a prati- que impedem o progresso das novas crenças. cam. compreendendo a dou- que em parte alguma viu que dela se fizesse um divertimento. Allan Kardec fez uma viagem de “A primeira coisa que me impressionou foi o número de propaganda à nossa região. com frívolos intuitos. os futuras. porém. da moral e das caridade é. mas. vendo que os seus sarcasmos não tra coisa nele além dos fatos. eu vo-lo digo com satisfação: No decurso dessa viagem. admiram a moral que deles decorre. e felicita-se pela mais. eu sabia perfeitamente que Lião os contava em gran- cia na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas: de escala. e nada preender que nada ganham com isso e que consomem o seu mais. e que auxiliam mais do sófico. trina sob seu verdadeiro ponto de vista. mas estava longe de imaginar que o número fosse tão considerável. pois. em resumo. adeptos. Bem característica parece ser em toda parte a ordem do dia. em toda ocasião. e na classe operária contam-se por centenas. Lião se distingue pelo número. Há. cordialidade do acolhimento que por toda parte encontrou. porque é por centenas que eles se contam. especialmente em Sens. é não encontrei senão espíritas sinceros. o Espiritismo é simplesmente para eles uma série encarniçados os inimigos interessados. Lião e Saint-Etienne. a propagação do Espiritismo ses os verdadeiros espíritas. “Se. só por si desenha ela o estado geira. porque as trina Espírita tem exercido sobre os operários a mais salutar suas convicções os afastam de todo pensamento do mal. e é convencidos de que a existência terrestre é uma prova passa- esta: o Espiritismo está no ar. Allan Kardec dá conta do resultado da viagem que em pouco tempo — eu o espero —. começam a com. muitos adversários. é sobretudo em Lião que são mais notáveis marchar na senda do progresso que lhes traçam os Espíritos. Ob.” “Pois bem. aí. Mácon. sem dúvida. nenhum adepto da primeira catego- discurso magistral. e assim se calam. Os terceiros. a regra da sua conduta: são es- idéias religiosas. 08:39 . aí. o que ainda vale mais. a caridade cristã é uma bela máxima. por toda parte o fim é interessar. esforçam-se por aproveitar esses curtos instantes. a crer no que me dizem. Os segundos vêem ou- diminuem sensivelmente. mas o que sobretudo é digno de nota. aos espíritas lioneses. e eis aqui como a ela fez referên. os progressos consi. a influência. há esses trabalhadores da primeira hora: muitos da terceira categoria. e que três categorias de adeptos: uns que se limitam a crer na reali- por toda parte lhe compreendem o alcance e as conseqüências dade das manifestações e que procuram. mas os motejadores de fatos mais ou menos interessantes. os espíritas-cristãos. já se não poderão contar acaba de fazer. “O Sr. sob o ponto de vista da ordem. no banquete realizado a 19 de setembro ria. finalmente. as suas relações são sempre seguras. meus senhores. e. Honra. meus senhores. não o faz servou. próprias a nos mera curiosidade. os resultados. Sem título-1 30-31 14/2/2006. A Dou. menos pela qualidade. numerosos em todas as empenhando-se em fazer o bem e em reprimir as suas más classes. Por toda parte deráveis da doutrina. para das coisas. Há. melhor. em todo lugar em que se demorou. no interesse do Espiritismo. Allan Kardec pronunciou um ainda não encontrei. Uma frase muito a moral: praticam-na e aceitam-lhe as conseqüências. dela se ocupam de modo sério. em parte alguma vi que se ocupassem do Espiritismo por de 1860. marcha com a mais animadora celeridade. para eles. Os espíritas são. que. Mas. inclinações. do qual eis aqui algumas passagens. não se contentam de admirar espírito em pura perda.

32 O QUE É O ESPIRITISMO BIOGRAFIA DE ALLAN KARDEC 33 por terem. por um dos vossos médiuns mais dedicados. tanto da parte dos Espíritos. para fazer adotar certas uto- dos mais obscuros. é sempre a vereda mais segura. a única a seguir por aqueles que se querem ocupar do galhofeiro. escolhendo no arsenal das palavras técnicas fé aí é vivaz. Os Espíritos enganadores tudo plo não será perdido. dá maior número de provas de superioridade. estabelecida no come- mente secundária. a ques. médiuns a acreditarem-se os únicos intérpretes da verdade. ainda. e não é sem podem imitar. o Espírito. nem pela observação. deveremos meditar. diz um adágio. quanto da dos der. nunca se disse que o Espiritismo fosse uma ciên- cia fácil. por nossa vez. e a esse respeito a questão de identidade é inteira. ca. ela fornecerá apóstolos ao Espiritismo. tem seus escolhos que se não podem evitar senão Mas. racional.” ma objeção séria. aprofundando por nossa vez as lições não está precavido. é “Vindo dos Espíritos o ensino. fugir ao entusiasmo que cega. evitar o deixar-se seduzir do mestre e. Para escapar à cilada. um meio mais certo: é afetar as exterioridades da Essa opinião de Allan Kardec. tan. sob um nome respeitável. dava-lhes. e essa regra de conduta. Se tudo Eis os conselhos tão sábios e tão práticos dados por aque- nesse ensino é bom. Devemos esforçar-nos por seiros absurdos e é o que acontece muitas vezes. Este exem. Lião será o coração’. se acham sob a influência de certos pesado. será. a úni. com o auxílio das grandes palavras — caridade. É preciso. entrado largamente nessa senda progres. ao orgulho que leva certos sobre os quais. Só um falso amor-próprio ou uma obses- evidentemente. sobretudo. pouco importa o nome que toma les que quiseram fazer passar por um entusiasta. ora. Allan Kardec não se contentava em atirar flores sobre pela experiência. ainda não foi invalidada. saibamo-nos recordar sem. preciso que tudo seja friamente examinado. tudo. exceto o verdadeiro saber e o verdadeiro razão — eu o vejo — que os Espíritos me responderam noutro sentimento. maneira por que é ele expresso. um alucinado. assim. se desconfiamos do próprio julgamen- Espíritos que presidem aos seus trabalhos. mas deve ser fraternidade. pias. sobre os espíritas lioneses virtude. Se. é preciso. terá suas conseqüências. eu o confesso. mas. em todos os pontos. dades.” têm. tudo. são podem fazer persistir em uma idéia notoriamente falsa e que o bom-senso de cada um repele. maduramente to como os indivíduos. os diferentes grupos. Se esses Espíritos não se acham de acordo. podeis imediatamente concluir acontecimentos. Se Paris é tudo o que pode fascinar aquele que é facilmente crédulo. sem a qual o Espiritismo não teria objetivo. to. o ensino peca ço. conformando com elas o nosso proce. quando eu lhes exprimia a minha surpre. Noblesse oblige. 08:39 . sobretudo. dia. o que é muitas vezes mais prudente. é para nós uma grande honra. é preciso recorrer a ralmente. a sam impô-las. aí está uma das maiores dificul- pre disso e conservar alto e firme o estandarte do Espiritismo. posto que “Acontece muitas vezes que. melhor do que dois. homens. Eles a cabeça. segundo o provérbio: que quatro olhos vêem tão está em saber qual é o que merece maior confiança. antes de nossos companheiros. mais pru- que é um nome apócrifo e que é um Espírito impostor ou dente. outras pessoas. de sua época. Espiritismo. ou os dirigem mo. alguns Espíritos fazem alarde de um falso saber e pen- sa: ‘Por que te admiras disso? Lião foi a cidade dos mártires. sábios conselhos. aquele que. Regra geral: o nome nunca é uma garantia. quando se merecer esses elogios. em uma palavra. confrontado. um místico. nem pelos pelas qualidades essenciais. a verdadeira garantia de superioridade é o pensamento e a sista. pelas aparências. e. pois. humildade — esperam fazer passar os mais gros- também uma regra de conduta. aquele cuja teoria não pode provocar nenhu. Sem título-1 32-33 14/2/2006.

é por milhares. diz ele. 34 O QUE É O ESPIRITISMO BIOGRAFIA DE ALLAN KARDEC 35 Allan Kardec trabalhava. mas. ele contém. essa classe se volta- ao desenvolvimento e ao exercício da mediunidade foi. ou. por esse novo terreno. O nosso fim foi acautelar os investiga- dores contra tais dificuldades. cimentos necessários. sem perigo.” Vaise. meira ordem. dentro de um ano ou dois eles serão mais de trinta mil. do pelos Srs. “Sem dúvida. Pois bem. etc. que acreditamos dever consagrar aos operários ção aos que dele se ocupam sem ter a experiência e os conhe- a maior parte do nosso relatório. um rapaz muito bom médium nessa ordem de idéias. contam os espíritas. reuniões espíritas mais edificantes do que as rita a Sens. Didier & Cia. Se aqueles que clamam contra o ções em que eles se podem produzir. dos Brotteaux. esclarecer todas as questões que se pren.. no qual pudemos verificar essa faculdade desenvolvi- podemos servir para explorar. mas o que mais vale ainda do que o número é a No ano de 1861. nada apareceu de melhor nem de mais completo taneamente. ria para eles. que fazê-la engrossar as nossas fileiras. na Revista Espírita: seguindo a mesma progressão. em O Livro dos Médiuns. O mestre expõe para melhor dizer. então. já se não contam. Mácon e Lião. objeto de atenção toda especial. e o tratamos com cuidado igual à sua cidade: em Guillotière. qualidade. E isto “O Espiritismo experimental está cercado de muito mais tem sido o meio mais seguro de perderem as suas simpatias e dificuldades do que se acredita geralmente. em um só grupo vimos cinco escreverem simul- perimental. formaram-se outros em diferentes pontos da um ponto tão capital. oferece maior consolação. a explicação teórica dos diversos fenômenos e condi. ao recolhimento e à Espiritismo atingira a maioridade. e verificou que em nossa cidade o dos operários lioneses. O Espiritismo. que aí se que apareceu na primeira quinzena de janeiro de 1861. aquilo que a ajuda a carregar o seu fardo de miséria. como há um ano. só havia um único centro de reunião. O que vimos com os nos- sos próprios olhos é de tal modo característico e encerra ensi- aí se encontram. igualmente. e sua dência. muito é para desejar que se multipliquem • os adeptos. não é mais por centenas. fruto de longa experiência e em todas as classes. mas a parte concernente Espiritismo lhe oferecessem outro tanto. É ainda o mais seguro guia de que nos vidente. chefe de oficina. declaramo-lo bem alto: não vimos. sobretu. Allan Kardec fez uma nova viagem espí.. o vade-mécum de quantos neófitos. são numerosos. querem tirar-lhe exatamente do. ao contrário. mediunidade. aí. a sua razão de ser nos seguintes termos. e pode-se calcular que. Não podíamos desprezar mulher. em Saint-Just. havia apenas dois ou três médiuns O Livro dos Médiuns é. hoje os há em todos os grupos e muitos são de pri- se querem entregar com proveito à prática do Espiritismo ex. dirigido por Dijoux. Então. tem propagado com maior rapidez. é o que produz tanta decep- no tão grande. em importância. em Croix-Rousse. edita. o terreno da da no mais alto grau. quanto à ordem. o inconveniente para quem quer que se aventure. “Com efeito. sem contar grande número de reu- niões particulares. Sem título-1 34-35 14/2/2006. de nossa parte. e os escolhos. ainda. mas é sobretudo na classe operária que se de laboriosos estudos. 08:39 . livreiros-editores. e isso não é de admirar: sen- dem à prática das manifestações. de acordo com os do essa classe a que mais sofre. nem sempre isentas de “No ano passado. tem feito adeptos “Procuramos neste trabalho. depois. em parte alguma. em Perrache. volta-se para o lado que lhe Espíritos. com impru. Vimos.

racio. mas a Por ocasião dessa viagem. convivas eram apenas uns trinta. Allan Kardec reclamou a sua devolução. inverno ou verão. em número de trezentas aproximadamente. foram os direitos da alfândega cobrados ao destina- cinada e não. mas a baseada sobre uma convicção profunda. no futuro em que não acreditavam. que se consideram todos como membros de uma grande reclamação foi de nulo efeito. fez confiscar a família espírita lionesa. temos. o que — diz o Mestre —. No dia 19 de setembro de 1860 os expedição pelo Santo-Ofício. com uma declara- tando para não faltarem a uma sessão. -se em policiador da França. em relações e em comunhão de de agora em diante inabalável. crianças mesmo. de passagem. muitos chegam a galgar mais de Essas obras. e sendo satisfação em registrar. uma légua. isto não é tudo: o número das metamorfoses mo. mas a sua grupos. tendo niu sob a presidência de Allan Kardec os membros da grande julgado esses livros perniciosos à fé católica. Espanha. lares tornados tranqüilos. em recolher as nossas palavras. que lhes dão as comunicações idéias com Allan Kardec. como livreiro. esses livros contrários à fé católica. esse reuniões. senhoras. as mais O Sr. cega. muitas vezes longas. Assim. fundamentou a sua recusa com dade. um banquete novamente reu. e em que foram queimadas pela fogueira dos inquisidores tre- tos: hábitos viciosos reformados. pareciam quase tão ávidas ano de 1861 permanecerá memorável nos anais do Espiritis- quanto seus pais. velhos. quase tão grande quanto o dos adep. A 14 de outubro do mesmo ano encontramos Allan Kardec há homens. mo por um fato de tal modo monstruoso que quase parece “Mas. tudo arros- foram expedidas nas condições ordinárias. e o bispo de Barcelona. paixões acalmadas. Maurício Lachâtre estava nessa época estabelecido legítimas virtudes cristãs desenvolvidas. entre os quais não existe sombra de ciúme e de rivali. semeava a boa-nova e fazia germinar a fé no futuro. jamais uma va. como em todas as cidades por que passa- atitude respeitosa contrasta com a sua idade. zentas obras espíritas. é que neles não há a fé ção em ordem do conteúdo das caixas. erigindo- família. a 19 de setembro de 1861 o Uma vez que não queriam entregar essas obras ao desti- número era de cento e sessenta. “representando os diferentes natário. e isso pela confiança. É que os verdadeiros outros países. Refiro-me ao auto-de-fé levado a efeito em Barcelona. o governo não pode con- posta de operários e toda gente notou a perfeita ordem que sentir que eles passem a perverter a moral e a religião de não cessou de reinar um só instante. também os direitos aduaneiros ficaram em poder do fisco es- Sem título-1 36-37 14/2/2006. em Barcelona. ódios apa. rais é. entrega das caixas não se fez: o bispo de Barcelona. 36 O QUE É O ESPIRITISMO BIOGRAFIA DE ALLAN KARDEC 37 atenção que prestam às instruções dos seus guias espirituais. pediu a este que lhe enviasse espíritas. única criança perturbou por instantes o silêncio das nossas Além das viagens e dos trabalhos de Allan Kardec. À sua chegada à vulgar. sob qualquer tempo.” tário e arrecadados pelos agentes do governo espanhol. onde. incrível. jovens. tados contra a adversidade. propaganda da nova filosofia. 08:39 . para as expor à venda e fazer para eles assistirem a essas instruções. de que saem reconfor. grande a seguinte resposta: “A Igreja Católica é universal. mas nos prazeres ruidosos”.” espíritas põem sua satisfação nas alegrias do coração e não E não somente esses livros não foram restituídos. A maioria dos assistentes era com. entre os operários. em uma palavra. é uma felicidade certo número de obras espíritas. cuja em Bordéus. ziguados.

encarregados de bal dessa infâmia clerical: alimentar o fogo. rão dessa fogueira o Espiritismo tomou um incremento ines- “Carta de um católico sobre o Espiritismo. por Allan Kardec. grande reclamo que esse ato odioso operou em favor do Espi- Ermance Dufaux. um número incalculável de adeptos. e cobria a esplanada em que ardia a fogueira. a saber: “Quando o fogo consumiu os trezentos volumes e bro- “A Revista Espírita. “Aos nove dias de outubro de mil oitocentos e sessenta e “Um agente da alfândega. constatemos somente que ao cla- “Fragmento de Sonata. rível para a propaganda do Espiritismo deixar essa ignomínia seguir o seu curso. que gritavam: Abaixo a Inquisição! “O Livro dos Espíritos.” “O que é o Espiritismo. o processo ver- “Três mozos (serventes) da alfândega. pág. aí. no lugar em que são executados os criminosos con- denados à pena última. como o haviam os Espíritos pre- Grand. “Um tabelião encarregado de redigir o processo verbal do auto-de-fé. Eis aqui. “Um empregado superior da administração das alfândegas. como o fez Allan Kardec. da propaganda que nós mesmos “A realidade dos Espíritos demonstrada pela escrita devemos fazer da nossa filosofia. diretor Piérart. trazendo em Espíritos. “Uma multidão incalculável aglomerava-se nos passeios ram queimados trezentos volumes e brochuras sobre o Espiri. ditado pelo Espírito Mozart. Renovando os fastos e as fogueiras da Idade Média. 08:39 . pois. estes conselhos do Mestre (Revista Espírita. Barcelona. pelo Barão de Guldenstubbé. alegrar-nos com o “A História de Joana d’Arc. porém. carrasco. A propósito. pelo mesmo. Allan Kardec poderia promover uma ação diplomática “Assistiram ao auto-de-fé: e obrigar o governo espanhol a efetuar o retorno das obras. Só podemos. assistentes. Seria diminuir o horror de tais atos. tismo. acompanhá-los com a narrativa dos comentários. conquistou. pelo Doutor perado em toda a Espanha e. 38 O QUE É O ESPIRITISMO BIOGRAFIA DE ALLAN KARDEC 39 panhol. pelo mesmo. nunca deveremos esquecer direta. o bispo de Barcelona fez queimar em praça pública. apanharam cinzas. as obras incriminadas. diretor Allan Kardec. representando o proprietário um. o padre e os seus ajudantes se retiraram cobertos pelos apupos e as maldições dos numerosos “A Revista Espiritualista. na esplanada da cidade de das obras condenadas pelo bispo. porém. churas espíritas. a título de documento histórico. por ela mesma ditada a Mlle. às dez horas e meia da manhã. dizendo que era prefe- uma das mãos a cruz e. 367. 1863. o dissuadiram disso. na outra. pela mão do “O escrevente do tabelião. por ordem do bispo desta cidade fo. uma tocha. visto. ritismo. “Em seguida muitas pessoas se acercaram da fogueira e “O Livro dos Médiuns.): Sem título-1 38-39 14/2/2006. Os “Um padre revestido de hábitos sacerdotais.

o que me causou maior prazer. me paga com usura todos os meus sofri- ce de todas as inteligências. diz Allan Kardec. nesse ato bem-sucedidos. como quer que suceda. de ver aquela a que me tenho dedicado engrandecer simples expressão. porque deve ser agora evidente para vós que uma sociedade única Estes conselhos. mostrai os frutos da árvore e deles dai de Sou feliz por ver que compreendestes perfeitamente o fim dessa comer aos que têm fome e não aos que se dizem saciados. para permitir ser compreendido o seu fim moral e filosófico. ponde a luz em evidência. cujos resultados desde já podeis apreciar. representantes de quase todos campos áridos. tes testemunhos. “O fim desta publicação. a todos os espíritas: mitir-me. muito espontâneo de vossa parte. satisfei- O ano de 1862 foi fértil em trabalhos favoráveis à difusão tos. tre a esse testemunho de simpatia: cia e de liberdade de consciência que professa. Por esse moti- “Meus caros irmãos e amigos de Lião: vo não poderíamos aprovar as tentativas feitas por certas pes- soas para converter às nossas idéias o clero. meus bons amigos. e não aos que têm fé e a quem essa fé é suficiente.” — graça. eis aqui como respondeu o Mes- as nossas. procuramos pô-lo ao alcan. ela já produz. por ocasião do ano-novo. simples e sobretudo práticos. No dia 15 de janeiro apareceu a pequenina e extraordinária satisfação no estabelecimento de uma nova excelente brochura de propaganda: O Espiritismo em sua mais doutrina. e é a de dar-me a força física necessária para ir até Este apelo foi ouvido. produziu-me vivíssima acolhei com solicitude os homens de boa vontade. com uma rapidez maravilhosa. devendo muitos a esse excelente trabalho o concluída. eles me são tanto mais agradáveis quanto sei que par- • tem do coração. que longe se encontra de estar em profusão. 40 O QUE É O ESPIRITISMO BIOGRAFIA DE ALLAN KARDEC 41 “O Espiritismo se dirige aos que não crêem ou que duvi. foi encontrar. Tendo os nossos predecessores no Espiritismo transmi- dam. que quiserem ver. por ocasião do Ano-Novo. claros. Repetiremos. são seria quase impossível. oferecei a satisfação. provando-me que conservastes de mim uma boa luz aos que a procuram. pois. porque é um sinal da harmonia que reina entre eles. e são os que Deus atende.” organização. é apresentar. “Agradeço. pois. em minha vida. porque Ele os ouve todos os dias. de qualquer “A manifestação coletiva que tivestes a bondade de trans- comunhão que seja. porque a pequena brochura se espalhou ao fim da minha tarefa. e prosperar. 08:39 . em quadro muito resumido. todas as minhas fadigas. porque semeareis em assinaturas que nele figuram. mas. um histórico do considero um grande favor do céu ser testemunha do bem que Espiritismo e uma idéia suficiente da doutrina dos Espíritos. como todos os de Allan Kardec. para que a vejam os os grupos. Ficai. ele tido a Allan Kardec. de que recebo diariamente os mais tocan- Pela clareza e simplicidade do estilo. porque com os que crêem não sereis recordação. pela certeza de que a semente das idéias Sem título-1 40-41 14/2/2006. a expressão dos não diz a ninguém que renuncie às suas crenças para adotar seus sentimentos de gratidão. cumpre que deles nos recordemos e os aproveitemos oportunamente. Contamos com o zelo de todos os mentos. para que lhe auxiliem a propagação. maior consolação. não peço a Deus senão uma verdadeiros espíritas. proporcionando-me a do Espiritismo. entre as numerosas mais quanto ao clero que aos seculares. não façais violência à fé de ninguém. mas. “Esta certeza. os votos que fazeis por mim. e nisto é conseqüente com os princípios de tolerân. possuirei sempre a terem compreendido o fim e o alcance do Espiritismo.

crede. receio: o penhor da vitória está nesta divisa. po. não tiveram inimigos obstinados? Toda lei que reprime “A natureza dos trabalhos espíritas exige calma e reco- um abuso não tem contra si todos os que vivem dos abusos? lhimento. vão dirigir-lhe assaltos mais sérios. É por isso que vos recomendo useis da maior circuns- tem acontecido assim com todas as invenções e descobertas peção na formação dos vossos grupos. secretamente e por caminhos disfarçados. não pode. o interesse material é tenaz. as nossas fe. Não acrediteis feliz que muitos outros. procurarão miná-la riais. que. mas que eles vão empregar com novo ardor. posta já em prática pelos inimigos dos espíri- dades estão superadas. Não haverá sentimentos malévolos se houver no egoísmo? E sabeis que são eles numerosos na Terra! fraternidade. o movimento que se opera na opinião ultrapassou toda a surdamente. egoístas que Sem título-1 42-43 14/2/2006. e tende “Perguntam como uma doutrina. Medusa para os egoístas. que se “No começo contaram sepultá-la com a zombaria. é natural. como no próprio interesse dos vossos labores. não pode ter boa in- melhores coisas choca sempre interesses. A despeito da escassez dos recursos mate. que não trabalharam senão para o que se confessem vencidos. que é a de todos os verdadeiros espíritas: Fora da caridade não “No ponto a que hoje chegaram as coisas. Entre orgulhosos. dos em seu caminho. para quebrar a boa harmonia. que torna feliz e me. radas como benefícios. sem dúvida. é tentar divi- sente sobre bases que de ora em diante desafiam os esforços di-los criando sistemas divergentes e suscitando entre eles a dos seus adversários. não há recolhimento possível se se está preo- Como quereríeis que uma doutrina que conduz ao reino da cupado com discussões e com a manifestação de sentimentos caridade efetiva não fosse combatida por todos os que vivem malévolos. se Deus. é que a exigüidade dos meus mas que só servirão para melhor atestar a fraqueza deles. entendeu dispor de modo diferente. 42 O QUE É O ESPIRITISMO BIOGRAFIA DE ALLAN KARDEC 43 novas. a atacarão diretamente por palavras e atos. ela prosseguiu o seu caminho sem tropeçar. pode ter inimigos. portanto. como certo que quem quer que procure um meio. Não vos deixeis cair no laço. avisado de que eles vão tentar um supremo esforço. é-me permitido contemplar os primeiros frutos. que eles se esforçarão por legarei esses planos aos nossos sucessores. e tendo em há salvação. “Se alguma coisa lamento. em sua sabedoria. qualquer lhor. expectativa. ambiciosos e orgulhosos. rão mortificados se não tiverem a supremacia. sem as quais não se poderia mais pas- sar. porém. Uns recursos pessoais me não permita pôr em execução os planos que concebi para um avanço ainda mais rápido. até na pessoa dos seus adeptos. a Doutrina. fui não terá sido sem influência. hoje suscetibilizam e ofendem por tudo. Ora. sob o fogo dos sarcas. e a perseguirão rém. desalentar a poder de embaraços. é imperecível. ambiciosos que se senti- vêem que essa arma é impotente e que. Não licitações pela maneira por que sabeis compreender e praticar tenhais. ao começar. porque ela é a cabeça de vista a marcha do Espiritismo através dos obstáculos semea. enquanto que outros. espalhada agora por toda parte. o estabelecimento das que seja. sa tranqüilidade. que nisso o vosso exemplo “Ficai prevenidos de que a luta não está terminada. mais mos. serão mais felizes. não. futuro. Reconhecendo que é uma potência com que é necessário de hoje em diante contar. Arvorai-a bem alto. Recebei. porém. haver fraternidade em egoís- tas. meus irmãos. 08:39 . não somente para vos- que têm revolucionado a indústria? As que hoje são conside. ele conquistou o seu lugar e está as- tas. pode dizer-se que as principais dificul- “A tática. desconfiança e o ciúme. Não tenção.

tivemos que desfazer esse erro quando se ofereceu a ocasião. sem fluências hostis houvessem espalhado o boato de que eram ter caridade efetiva por base. de. porque o seu fim não é a especulação e porque o número nada “O egoísmo e o orgulho matam as sociedades particula. der de duas maneiras. Os gastos de viagem. aí está o seu práticos. o convite feito pelos sem vaidade e unicamente para render homenagem à verda- grupos lioneses estava subscrito por quinhentas assinaturas. de tran- qüilidade e de estabilidade. seis semanas durante a qual o Mestre presidiu a mais de cin- zir-se. não tem vitalidade. prover tal despesa. enquanto feitas a expensas da Sociedade Parisiense de Estudos Espíri- que aqueles que forem fundados de acordo com o verdadeiro tas. onde por toda parte foi alvo inimigos. ela não poderia existir onde reina as despesas dessas viagens oneravam a Sociedade de Paris. ser-lhe-ia preciso que tivesse em tem a pretensão de compreender e praticar o Espiritismo. o ma família que. em razão do tempo mais poderoso meio de propaganda. a verdadeira caridade. mira o número. Isto é dito lhos. mamos noutra circunstância (número de junho de 1862. A respeito das viagens de Allan Kardec. moram em lugares diferentes. É o que desejariam os nossos qüenta reuniões em vinte cidades. não poderia de que podemos dispor. todos os seus gastos de correspondência e de manutenção. são tirados • dos nossos recursos pessoais e das nossas economias. e para edificação daqueles aos quais se afigura que nós Uma publicação especial deu conta dessa viagem de mais de capitalizamos. aos que ainda o pudessem partilhar. essa falsidade: mesmo teto. e persuadi-vos de quem gina 167. Sua influência é toda res. a cizânia não pode tardar a introdu. é preciso que nele reine o senti. não sendo possível habitarem todos sob o Mestre rebateu. A rivalidade entre “Muitas pessoas. mas é preciso que nos limitemos. que dão aos estra- Tudo mereceria citação nestes conselhos. e com ela a dissolução. au- A pedido dos espíritas de Lião e de Bordéus.. Allan Kardec mentadas com o produto das nossas obras. sobre cujo orçamento igualmente ele sacava de antemão espírito da doutrina olhar-se-ão como membros de uma mes. Ela. que a Sociedade se limita a prover quer que nutra em sua alma sentimentos de animosidade. como todos os que as nossas relações reclamam para o Espiritismo. e é o que eles procuram fazer. palavras e obras. acrescenta à importância dos trabalhos. “Se um grupo quer estar em condições de ordem. em setembro e outubro. mas somente aos que lhos pediam. mente a si próprio se pudesse acumular capital. porque a caridade não se pode enten. de inveja ou de ciúme. pá- dade por pensamentos. Revista Espírita).. pois. de ódio.” Sem título-1 44-45 14/2/2006. sem o qual nos fez. tão justos quão nhos a idéia de uma assembléia grave e séria. sobretudo na província. assim. do mais cordial acolhimento e se sentiu feliz por verificar os imensos progressos do Espiritismo. 44 O QUE É O ESPIRITISMO BIOGRAFIA DE ALLAN KARDEC 45 não pensam senão em si. recordaremos o que afir- “Reconhecei. nós a conseqüência da obra que empreendemos.” moral e está no caráter de suas reuniões. para que rancor. que são para semeando por toda parte a boa-nova e prodigalizando conse. 08:39 . e isto é o que ela não faz nem quer fazer. pensaram que eles seria um contra-senso. de às suas despesas correntes e não possui reservas. uma longa viagem de propaganda seria impossível prover a todos os encargos. Todo grupo ou sociedade que se formar. o verdadeiro espírita na prática da cari. como certas in- mento fraternal. como matam os povos e a sociedade em geral. pois.

haver em uma cidade cem gru. às polêmicas veementes dirigidas Espiritismo. a síntese dos do o Espiritismo. quatro primeiros volumes já publicados. por isso ele não quer perder ocasião alguma de dar ao Espiritismo tudo o que pode. em janeiro de 1868. no ponto de vista do mate. 1862. que sucederia a breve trecho à sua próxima todos se dirigem para um mesmo fim. Os admiráveis êxitos do Espiritismo. com a explicação das máximas dor infatigável. Tours e e continuados.). Allan Kardec fez em vista Espírita e da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. em seguida. desde às 4 horas morais do Cristo. às numerosas corres- O Evangelho segundo o Espiritismo. rando desenvolver-lhe o lado prático e fazer-lhe produzir seus in-8º. O Mestre possuía uma vontade de ferro. em força e vitalidade.. Sem título-1 46-47 14/2/2006. que constitui. por meio do qual espera imprimir mais vigor. setembro de 1864 uma viagem a Antuérpia e a Bruxelas. pondências que lhe eram dirigidas. a tare- fa de Allan Kardec. recorda o que já havia dito em Lião. da ciência e da religião. porque sente que o desenlace está intitulado Réfutation des critiques contre le Spiritisme au point de vue próximo. mas. Esse fracionamento em nada pode prejudicar mesmo que a sua tarefa não seria concluída senão em nova a unidade dos princípios. gr. os milagres e as predições No dia 1o de agosto de 1865. desde que a bandeira é uma só e que existência. As sociedades numerosas têm sua razão de ser sob o ponto de vista da propaganda. sua aplicação e sua concordância com o e meia. to quase incrível. Orleans. criaram-lhe inúmeros inimigos e. também.” desencarnação. 64 pp. respondia a tudo. no livro Voyage Spirite en 1862 (Ledoyen. em seguida põe novamente mãos à obra. ção que ele se foi engrandecendo. mais ação à filosofia de que se fez apóstolo. Allan Kardec ocupa-se. Allan Kardec fez aparecer segundo o Espiritismo. É das mais importantes esta obra. Paris. Em abril de 1864 publicou a Imitação do Evangelho um poder de combatividade extraordinários. — Nota da Editora (FEB) à 16ª edição. sob o ponto de vista científico. em que nenhum se arrogue a su. era um trabalha- segundo o Espiritismo. 371) e que seria o substituirá em sua obra. e é hoje contra o Espiritismo. e repetidas vezes os Espíritos precisam chamá-lo à em 1861: “Vale mais. a fim de obrigá-lo a poupar a saúde. procu- * Allan Kardec. de um projeto de or- ganização do Espiritismo. A Gênese. em 1975. seu desenvolvimen- ção às críticas contra o Espiritismo*. Esse excesso físico e intelectual esgotou-lhe o organis- pos e sociedades espíritas. atendia à direção da Re- Aproveitando-se da época das férias. Ex. fim prover às necessidades futuras da Doutrina Espírita. O título dessa obra foi depois modificado. sabe pos de dez a vinte adeptos. para publi- car. contra ele próprio. porém. na qual são mencionados numerosos exem. portanto. à organização do Espiritismo e ao preparo das suas obras. no mundo espiritual e na Terra. O objeto constante das suas preocupações é saber quem anunciara um ano antes (Revue Spirite. que não deve durar mais que uns dez anos ainda: numerosas premacia sobre os outros. e a constituição que elabora tem precisamente por matérialiste. plos da situação dos Espíritos. de pé. aumentou. ordem. revela ter desistido da idéia de publicar o opúsculo que frutos. dez. mo. 08:39 . em qualquer estação. e as razões que motivaram essa situação. pondo aos espíritas belgas o seu modo de ver acerca dos gru. é preferível constituírem-se grupos íntimos. scientifique et religieux. quanto aos estudos sérios Em 1867 faz uma curta viagem a Bordéus. do que uma única sociedade que a comunicações o preveniram desse termo e lhe anunciaram todos reunisse. p. à propor- rialismo. por- uma nova obra — O Céu e o Inferno ou a Justiça Divina segun. Ele. 1861. 46 O QUE É O ESPIRITISMO BIOGRAFIA DE ALLAN KARDEC 47 Em 1862 Allan Kardec fez também aparecer uma Refuta.

2a circunscrição e bom-humor. para a exploração da livraria. cujo contrato de arrendamento na passa. com esse belo riso franco. que las. 93. morte de seu esposo. E. rua e passagem Sant’Ana. Espírita de Paris. Em seguida. A senhora Allan Kardec tinha 74 anos por ocasião da Allan Kardec. da existência da alma e da sua sociedade anônima. no ponto de vista do mundo invisível. sua derradeira morada. Levent. largo e comunicativo. atrás dos Invá- Allan Kardec. 48 O QUE É O ESPIRITISMO BIOGRAFIA DE ALLAN KARDEC 49 Desde os primeiros anos do Espiritismo. dividido indestrutibilidade. Allan Kardec devia ser uma personagem sempre fria e austera. asilo. na idade de 89 anos. quando a 31 de março a doença de coração que o pois de haver discutido pontos mais difíceis da psicologia e da minava surdamente pôs termo à sua robusta constituição e.666 e numerosíssima concorrência acompanhou ao Père-Lachaise*. depois da sua morte. Sobreviveu-lhe até 1883. 2. e possuía um Hippolyte-Léon-Denizard Rivail — Allan Kardec — fale. de- domicílio. Camilo Flammarion. o Sr. 08:39 . Tendo essa compra esgotado os seus recursos. ele con. 59. em todos os preparativos de mudança de balhos. que via desaparecer o seu funda. Allan Kardec ha. brilhará como lidos. tomou a palavra o Sr. com Mestre: a primeira. via comprado. através dos tempos. assim. conservando-se sempre digno e sóbrio em dor e mais poderoso propagandista. suas expressões. da Revista depois.000 francos Quatro orações foram proferidas à beira do túmulo do para fazer construir nesse terreno seis pequenas casas. * Ver Reformador de abril de 1957. entretanto. A nova sociedade devia dirigiu ao morto querido os últimos adeuses. daquele que. alimentava a doce esperança de recolher-se a uma de. na idade de 65 anos. em virtude dos seus tra- nidos. e lançou em profunda cons. em nome da família e dos seus amigos. com o produto das suas obras pedagógicas. contava retirar-se para 21 de janeiro. a não fez somente um esboço do caráter de Allan Kardec e do que se pudessem recolher na velhice os defensores indigentes papel que cabe aos seus trabalhos no movimento contempo- do Espiritismo. instalar-se no dia 1o de abril. ano em que. Espírita e das obras de Allan Kardec. Estava. Gostava de rir ternação todos os que o haviam conhecido e amado. sucumbindo da ruptura de um aneurisma. como metafísica transcendental. um meteoro fulgurante na aurora do Espiritismo. râneo. das for- Em 1869 a Sociedade Espírita era reconstituída e tornada ças naturais desconhecidas. e sobretudo. Unânimes sentimentos acolheram a dolorosa notícia. a Vila Ségur. os despojos mortais daquele que fora metros quadrados de terreno na avenida Ségur. pelo Sr. a gem Sant’Ana estava quase a terminar. esforçan- um raio. talento todo particular em fazer os outros partilharem do seu ceu em Paris. a fim de trabalhar mais ativamente nas obras que lhe restava fazer e cujo plano e documentos se achavam já reu. em nome da Sociedade jardim. em 31 de março de 1869. Erraria quem acreditasse que. e torná-la-ia. pág. bia na Vila Ségur. Sem título-1 48-49 14/2/2006. mostrava-se expansivo. à rua de Lille no 7. a segunda. na Vila Ségur. se extinguiu. com o capital de 40. mas ainda. em quarenta ações. em nome dos espíritas dos centros afastados. pois. mairie de la Banque. Esse grave filósofo. um exame da situação das ciências físicas. o arrebatou à afeição dos seus discípulos. Não era. traiu com o Crédit Foncier um empréstimo de 50. Essa perda do-se por distrair os convidados que ele freqüentemente rece- foi imensa para o Espiritismo.000 francos. e. Muller. sem herdei- ros diretos. pelo Sr. sabia adubá-las com o nosso velho sal gaulês em rasgos de causticante e afetuosa bonomia. Alexan- dre Delanne.

porque o alma a desprender-se da matéria. o quais pelo respeito ao Mestre se deixavam ficar no segundo pla- presidente fizera as suas despedidas. a paciência que educa com o correr do como que um reflexo da pureza de sua alma sobre o corpo que tempo. preenchida a sua mis. de 3 de abril de 1869: de. Mas que crêem e pelos que receiam. no Journal de Paris. “Allan Kardec terá. o pensador ergue a cabe- cação espírita. quais as suas primeiras impressões. por que se partiu o instrumento. não hesitarão em se evidenciarem. lhes falavam a linguagem da Terra. com suas obras. vimo-lo com o diando todos os dias. tranqüilos quanto ao resultado de de propaganda. no. É difícil praticar o bem sem cho- eles recebiam já a consolação de além-túmulo: o Espírito de car os interesses estabelecidos. apreciado como do lançar um derradeiro olhar àqueles lábios descorados que. “Para que referir os detalhes da morte? Que importa o modo fico e religioso sob o pseudônimo de Allan Kardec. dando-lhes a ções. “Aquele que por tão longo tempo ocupou o mundo cientí. à qual era necessário sacrificar as longas vigílias uma vida honesta e laboriosamente preenchida. chamava. a te ao estudo da filosofia espiritualista. inúmeros discípulos tinham vin. a esses fragmentos de ora em diante mergulhados no turbilhão imenso das moléculas? Allan Kardec morreu na sua hora pró- “Vimo-lo deitado num simples colchão. e pela convic. haviam precedido no além-túmulo. Eis aqui. sentido pelas mais antigas sociedades. Outros. ça e através desse mundo invisível. o de um homem de bem. imprimem que alimentam o espírito. 08:39 . Pagès intrépidos — deveriam continuar a obra e. do Espiritismo acabava de desaparecer. pago. impor a verdade por sua convicção. os devia renascer sobre novas bases. nosso entendimento. 50 O QUE É O ESPIRITISMO BIOGRAFIA DE ALLAN KARDEC 51 Todos os jornais da época se ocuparam da morte de Allan são. estende a mão ao amigo. nada mais restava de um passado que mas o número de adeptos cresce todos os dias. “O presidente da Sociedade Espírita de Paris está morto. mais jovens — título de lembrança. por bem da grande causa. “Resignados pela fé em uma vida melhor. para abandonaram. No fim da última sessão. reanima muitas consciências doloridas. que já não existe. o que a esse respeito escrevia o Sr. Com ele terminou o prólogo de uma religião vivaz. o primeiro tributo a deixar de ficar emocionados pela autenticidade dessa comuni- essa inferioridade do nosso organismo. e os corajosos. dos que o certeza da prova e a consolação do futuro. não ver senão a irradiação do futuro. por assim dizer. e por que consagrar uma linha -se Rivail e morreu na idade de 65 anos. está há muito tempo vulgarizado pelos ainda na véspera. a abnegação que afronta a estultícia do presente. que ele sente existir além do “A morte de Allan Kardec é notável por uma coincidência túmulo. Se “o estilo é o homem”. Abandonado o local. semblante calmo como se extinguem aqueles a quem a morte Ninguém melhor que ele podia conduzir a bom termo essa obra não surpreende e que. material. cedo terá iluminado toda a Humanidade. tinham vindo ajudar-lhe a “Os espíritas choram hoje o amigo que os deixa. Sem título-1 50-51 14/2/2006. convencido estranha. para se consagrar inteiramen- Kardec e procuraram medir-lhe as conseqüências. que. fortes por sua virilida- de Noyez. porém. Seu nome. retirava-se da luta cotidiana. no meio da sala pria. irra- das sessões a que há tantos anos ele presidia. O Espiritismo destrói muitos Allan Kardec veio dizer-lhes quais haviam sido as suas como. quais. A Sociedade fundada por esse grande vulgarizador de que o seu Espírito nos protege sempre. abusos. não se pode sub- aqueles que conheceram Allan Kardec em vida não podem meter a essa idéia de transição. fundado o dogma pres- ção da imortalidade da alma. retirados os móveis.

de empreenderem essa tarefa. muitos desejam saber. que o vulgo deixará passar indiferente. o tempo e. sob modesta lápide erigida pela piedade tismo são. insultos. nada foi poupado a esse intrépido lutador. o 27o aniversário do decesso de Allan Kardec.” Um ponto sobre o qual não atraí a vossa atenção. nós. Não Preâmbulo é mais o sepulcro de um homem. muitas vezes. encontrar em um estudo mais 1869*. difamações sistemáticas. é aí que se reúnem todos os anos. uma primeira iniciação. lendo-a por ocasião da solenidade com que os espíritas de Lião seus contraditores. meus senhores: Por isso. sem dúvida. a essa alma grande e varonil que penetrou integralmente na imortalidade. para Henri Sausse. nos. a refutação dos principais argumentos de autor. Cartas anônimas. 52 O QUE É O ESPIRITISMO “Esta morte. para o leitor. traições. mas que devo assinalar. e que esta ainda menos conheceu os botes que à outra atiravam aqueles para quem o reconhecimento é um fardo excessivamente pesado. e. um grande fato para a Humanidade. dele se pode dizer que a mão esquerda ignorou sempre o bem que fazia a direita. mos bem alto. bem assim. repita. por não ter a aridez da dogmática. 93. Sem título-1 52-53 14/2/2006. achamos útil apresentar resumidamente as respostas Honra! Honra e glória a Allan Kardec!** a algumas das principais perguntas que nos são diariamente dirigidas. Sob a forma de diálogos. pág. desde cuja solução podiam. é a pedra tumular enchendo esse imenso vácuo que o materialismo cavara aos nossos pés e sobre o qual o Espiritismo esparge as flores da esperança. 08:39 . os adeptos que têm guardado fidelidade à memória aprofundado dele. pelo me- E já que um sentimento análogo nos reúne hoje. aqueles que desconhecem os princípios fundamentais da Dou- ** Conservamos no presente trabalho aforma de conferência que lhe deu o trina e. isto será. inclinadas a formular certas questões. naturalmente. é a caridade verdadeiramente cristã de Allan Kardec. Antes saudade. a vontade do Mestre e conservam preciosamente no coração o culto da lhes faltam para se entregarem a observações seguidas. por isso. do que se trata e se vale a pena ocupar-se com tal coisa. Esta forma nos pareceu a mais conveniente. dos seus discípulos. tempo ganho sobre o que tínhamos de gastar a repetir cons- tantemente a mesma coisa. — Nota do Tradutor. em Paris. não deixa de ser. a 31 de março de 1896. minhas senhoras. O despojo mortal de Allan Kardec repousa no Père- As pessoas que só têm conhecimento superficial do Espiri- -Lachaise. o primeiro capítulo deste volume encerra respostas às observações mais comumente feitas por * Ver Reformador de abril de 1957. porém. celebraram.

pois lhes fornecem os meios para responde- rem às primeiras objeções que não deixarão de lhes apresentar. com a solução. publicamos um resumo de O Livro dos Espíritos. sobre as quais. origem e destino dos Espíritos. comparem suas respostas com as dadas por este. quais as que melhor satisfazem à razão. UMA CIÊNCIA DE OBSERVAÇÃO E UMA DOUTRINA FILOSÓFICA. Para responder. e digam quais são as mais lógicas. Estes resumos não somente são úteis aos principiantes. ESTABELECEM ENTRE NÓS E OS ESPÍRITOS. AO MESMO TEMPO. a priori. QUE DIMANAM DESSAS MESMAS RELAÇÕES. COMPREENDE TODAS AS CONSEQÜÊNCIAS MORAIS fixar a sua atenção para poder julgar com conhecimento de cau. aproximadamente. aos adeptos. pela Doutrina Espírita. à pergunta for- mulada no título deste opúsculo. sem a cha- ve que nos fornece o Espiritismo. 54 O QUE É O ESPIRITISMO PREÂMBULO 55 No segundo capítulo. moral e filosófica. tal é o fim o mundo corporal. um resumo de O Livro dos Médiuns. sobre aquilo que se não conhece bem. e. bem como de suas relações com Retificar essas idéias é prevenir as objeções. Procurem resolvê-los por qualquer outra teoria. fei- tas. damos uma exposição sumária das CIÊNCIA PRÁTICA ELE CONSISTE NAS RELAÇÕES QUE SE partes da ciência prática e experimental. de certo núme- ro de problemas do mais alto interesse. por encontrarem reunidos. os princípios que devem sempre estar presentes à sua memória. e aos quais nenhuma filosofia deu ainda resposta satisfatória. desde já e sumariamente. COMO FILO- ta de uma instrução teórica completa. O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza. em pouco tempo e com pouca despesa. em quadro restrito e sob um mesmo ponto de vista. senão. das idéias falsas. diremos que: O ESPIRITISMO É. na fal. além disso. que diariamente são propostos. o observador novato deve SOFIA. beber as noções mais essenciais da Doutrina Espírita. Podemos defini-lo assim: As objeções nascem. sa. No terceiro capítulo. quase sempre. que neles poderão. 08:39 . deste pequeno trabalho. de ordem psicológica. COMO Sem título-1 54-55 14/2/2006. tam- bém. é.

Entretanto. caso seja possível. para não ser indiscreto. que a minha ra- zão recusa admitir a realidade dos fenômenos estranhos atri- buídos aos Espíritos. Allan Kardec — Desde que a vossa razão repele o que nós consideramos irrecusável. admiti. é a vossa razão quem vo-lo diz: e não falemos mais nisso. Longe de mim o pensamento de duvidar do vosso talento e a pretensão de supor minha inteligência superior à vossa. vós a credes superior às de todos quantos não compartilham de vossas opiniões. Sem título-1 56-57 14/2/2006. a fim de convencer-me. se disso tivesse provas incontes- táveis. 08:39 . persuadido que estou de estes não te- rem senão uma existência imaginária. que eu esteja iludido. pois. C A P Í T U L O I C A P Í T U L O I Pequena conferência espírita Pequena conferência espírita PRIMEIRO DIÁLOGO O CR Í T I C O Visitante — Confesso-vos. eu me curvaria diante da evidência. caro senhor. por isso desejo merecer -vos a per missão de assistir somente a uma ou duas experiências.

pondendo-lhes nos limites dos meus conhecimentos. por- ou de menos. Todos os espíritas são loucos. pois. pois com isso não me escandalizarei. posso respeitar a pessoa. 58 PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA CAPÍTULO I 59 V. seria um milagre eminentemente favorável à causa que V. — Entretanto. porém não tenho o dom -me não ver ofensa alguma nas minhas palavras? São as de fazer milagres. não tenho a pretensão de vos fazer Não pretendo forçar convicção alguma. fazer prosélitos? Vedes. não realizo sessões públicas e parece-me que mites da urbanidade e das conveniências. sem dúvida. K. alguma coisa. V. por favor. sem participar de suas opiniões. defeitos. aqueles que. eu tenho escrúpulo de transmitir-vos a mi- para que possamos perder o nosso tempo com aqueles que o nha enfermidade mental. Confessai-o francamente. K. e a me não ofender com palavras. o que prova que A. fazermos experiências com o fito de satisfazer à curiosidade Quanto a mim. têm convicções ar. mais tarde ou mais cedo. minhas idéias sobre a coisa em si e não sobre a pessoa a quem riam para adquirirdes convicção? me dirijo. vereis incomodado para atrair. que. tal pensamento. buscar uma convicção que vos vai colocar no Estou certo de que. porém. — Há mais interesse em convencer-me do que o su- defendeis. pois. Pois bem! se julgais assim. como vós. um verdadeiro prodígio. Acreditando ser o Espiritismo um sonho sem sentido. quanto dissestes. quando não o quereis ser? Já vos disse. sas mesquinhas suscetibilidades do amor-próprio. 08:39 . Abreviemos. que o Espiritismo já serve para A. e que os incrédulos hão de ser guiremos convencer-vos. respeito a vossa. senhor. Quando encontro adotar a minha opinião. K. raigadas. conhecido que sou como antagonista das vossas idéias. e causa-me espanto ver-vos. não tento um passo para delas arredá-los. alguns partidários. Sem título-1 58-59 14/2/2006. o passo que destes é inútil. por ora. de mais só terá por fim a curiosidade. Julgais que uma ou duas sessões basta. nada alteram na pesagem. se é sincera. Se as vossas expressões saírem dos li- Além disso. Seria. desejo que respeiteis a minha. como pessoas que sinceramente desejam instruir-se e dão-me a hon. do que compartilhar deles. sabem as razões que têm para fugir delas. — Para que buscarmos fazer -vos prosélito. antes quero que os outros fiquem com os de ninguém. aos antagonistas. — Lamento-o. pelo que nunca me que me falta tempo para perder em conversações sem objeto. vindo a minha casa: Vou ver um louco. caro senhor. isto como vós. diante dos fatos. visto que arrastados pela torrente. — O Espiritismo me tem ensinado a desprezar es- não cheguei a esse estado inconsideradamente. atento a que é grande o número dos que se mostram bem-dispostos. — Não procurais. Permitis que me explique com franqueza e prometeis- A. só por isso. com não estão. mas não irei além. eu precisei mais de um ano de trabalho para ficar convencido. a convicção há de número dos loucos. visto não que sois um homem mal-educado. se conseguísseis convencer -me. Se já estais persuadido de que não conse- vir. folgo e cumpro um dever res. é coisa sabida. pondes. apenas concluirei vos enganastes sobre o fim das nossas reuniões. realmente. ra de pedir-me esclarecimentos. às nossas idéias.

sem conheci- de interesse. A questão dos Espíritos é. uma coisa é má. além dis- Esquecia-me. da vacina. que somente aquele que fez tudo isso pode dizer que fala com sem querer. dando um golpe no Espiritismo. porém. a opinião pública nada vale? A. tem conquistado milhões de partidários. choca a tal ponto a curiosidade. o que equivale a dizer que a estudastes sob todas as suas ao contrário. que se propaga de preferência nas classes mais foram. enganar-se. é assim que muitas vezes. em suma: que nada desprezastes para chegar à ver- tras. etc. o que sobre a matéria se tem escrito. foram publicados contra as teorias da circula- A. caso ficasse convencido da realidade da vossa doutrina. que isto é moda A. que bem pode que. se erigisse lá-la à atenção. 08:39 . em todos os países. para que nasça o desejo de aprofundá-la. e como esse livro deve produzir efei- Procurarão examinar. tão palpitante Que juízo formaríeis de um homem que. se faz reclamo do que se quer combater. 60 PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA CAPÍTULO I 61 V. vosso livro não será mais que uma Confesso-vos que tenciono publicar um livro em que me apreciação pessoal. porém elas não se acham tão absolutamente firmadas. seja louco. criticados. número das grandes obras. por isso. mesmo aos olhos da- dade. ao aparecer. que. V. lestes tudo nos servirá de prospecto e anúncio. que conta entre seus adeptos sábios de toda Lede a história e vereis quantos trabalhos importantes ordem. há muita gente que quer ver os prós e os con- vigílias. Ao nosso modo de ver. que vos achastes nas melhores condi- ções de observação pessoal. é mania singular. que íeis tratar a questão ex profes- so. etc. K. Disse-vos que teríeis certo interesse em me convencer. que merece examinada. — O homem pode enganar-se. porque assim ele faces. a crítica para nada serve. sem que isso os excluísse do esclarecidas. ele cairá por si mesmo. — Tenho minhas idéias a respeito. vosso livro se tornará ridículo. mas deveis convir que um passatempo opinião pública. mento de literatura. quando. por outro lado. as diversas opiniões. por- queles que não a procuravam aí. se sois um homem sério. porém. — Eu sentiria que ficásseis privado do que vos pode ção do sangue. que vistes tudo o que se pode ver. sem V. Devo crer que tal se deu. proporcionar um livro que deve produzir tanto efeito. a verdadeira opinião pública decidirá da proponho demonstrar ex professo (sic) a minha opinião sobre justeza dos vossos conceitos.. é certo. que não consinta Se o Espiritismo é uma falsidade. não tenho interesse algum em impedir a sua publicação: so. K. sem ter estudado a pintura. se. — Então. como muitos. em sacrificá-las à evidência. o que considero um erro. vos enganastes. — Dizei logo: acreditais. que durante anos lhe consagrastes mos atacado. não há elogio que a torne boa. em alguns anos. — Não considero a crítica como expressão da que durará certo tempo. que basta assina. Se mais tarde reconhecerem que to. é uma verdade. em censor de uma obra literária ou de um quadro? Sem título-1 60-61 14/2/2006. deixar-se iludir. no vosso entender. eu deixaria de publicá-lo. e a crítica faz aparecer a verdade. K. conhecimento de causa. porém. mas como juízo individual. não há diatribe que possa fazer dele uma mentira. analisastes e comparastes A nossa atenção é sempre chamada sobre aquilo que ve. desejo-lhe grande circulação. não há muito. como os que.

portanto. Permiti-me dizer -vos. o que será suficiente objeto da crítica. quando não estudastes os princípios em que jetivo é muito diverso daquele que supunha. que. me sirva de vossa luneta. podereis apreciar as sinônima de censurar. quando não conhecer para ficar sabendo tanto quanto vós. sua absolutamente a mesma coisa que. sobretudo quando se ocupam fundo a metalurgia? com teorias novas. e mais de um adversário se tem tor- Como podereis compreender essas experiências e. quando reconhece que o seu ob- mais. quer Espiritismo. Como poderá fazê-lo. ou os defeitos de determinada máquina? etimologia. idéias preconcebidas. como desconheço os que a opinião por uma demonstração clara e categórica. não conhecendo a os que lhe passam pelas mãos. por. acreditais que Como apreciaríeis o resultado. de en. que lhe seria preciso aprofundar e verificar? Sem título-1 62-63 14/2/2006. o que exige saber calcular. desconheceis. a receber. mas. ela significa julgar. quer noutro caso. ocasionaram riso. apreciar. elas se baseiam? V. Apenas sobre o nome formaram uma opinião. donde concluirão que não sois um homem sério Tal o caso da maioria dos que têm falado contra o ou que agis de má-fé. mas. A. e dir-vos permissão para assistir a algumas experiências. quem empreende essa tarefa. dizendo-lhe: Para combater um cálculo é necessário opor-se-lhe ou- tro cálculo. julgá-las.” esses princípios? É somente por extensão que a palavra criticar se tornou Não tendo idéia da mecânica. por uma ou da sobre os princípios da arte ou ciência a que pertence o duas vezes. 08:39 . que aliás não conheceis. deixai que. não pode ter mais valor que o que. — E julgais que isto vos baste para poder. fa- num. nas Fazer a crítica de um livro não é necessariamente condições acima. é preciso que justifi. var que o vosso sistema é falso. Pois bem: o vosso juízo acerca do Espiritismo. ainda nado adepto do Espiritismo. em vez de persuadir. falar de Espiritismo? questão. já o que aqueles que têm estudado a matéria verão logo que a condena em pensamento. menores rudimentos dessa ciência. expondo-vos. por exemplo. se antes de abrir o livro. mudou de idéia. ser aprobativa ou desaprobativa. quero escrever um livro sobre Astronomia e pro- limitar a dizer que tal coisa é boa ou má. não tendo estudado a Ma- opinião não tem valor. — Falais do exame dos livros em geral. vos apresentásseis a um dos membros do Observatório. deve fazê-lo sem passo sereis apanhado em flagrante delito de ignorância. o exame não pode ser imparcial. A crítica pode. 62 PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA CAPÍTULO I 63 É de lógica elementar que o crítico conheça. em sua acepção própria e segundo a qualidades. sem antes exa- amor-próprio. desmentido pouco lisonjeiro ao vosso zendo qual juiz que proferisse uma sentença. O crítico não se deve “Senhor. minar as peças do processo. K. pois. — É precisamente para evitar esse perigo que vim pe- A conseqüência foi que seu julgamento feriu em falso. aquilo de que fala. basea. a fundo. porém. A cada condená-lo. que vosso projeto é cialmente. Não. não superfi. senhor. nem a Astronomia. satisfatório ou não. seja materialmente possível a um jornalista ler e estudar todos saios metalúrgicos. sem o que. ex profes- A maior parte dos que seriamente têm estudado a so. emitísseis sobre a aludida máquina. temática. V.

será crível que as outras pessoas nhação ou de investigações fúteis. A. K. porém. quando esse brinquedo dura meses e anos. do que o é a ciência A. antes. ou não em suas atribuições. por certo. que vão reabilitar o nome da sua classe. O gosto não equivaleria à pena. K. fornece os meios para que A. Coisa muito diversa seria se se tratasse de uma especu- posta a dar senão que. 08:39 . é preciso indagar que saltimbanco que usa do seu ofício? Será sobre o Espiritismo. Até ao presente e afastando de si toda a solidariedade com aqueles que o vi- não se tinha ainda visto charlatães desinteressados. é admitindo mesmo que. K. em definitivo. alguém vá passar horas inteiras.. Por sua novidade e mesmo por sua natureza. o que está fim de recrear a sociedade. o que aceita e o que repudia. convencido de que nisso O Espiritismo não é mais responsável pelos atos daque- há charlatanismo. 64 PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA CAPÍTULO I 65 Seria o mesmo que exigir de um impressor que ele há pessoas que se não coadunam com a mais leve suspeita de lesse todas as obras saídas de sua prensa. com que fim se fa- Desde que o Espiritismo mesmo traça os limites em que riam elas cúmplices de uma mistificação? Direis que com o se encerra. Sobre quem. les que abusam desse nome e o exploram. vi pessoas escreverem o que segundo diziam. coisas? ou a religião pelos dos sacerdotes que iludem seu ministério. ele. riam a explorar ou desviar do seu fim exclusivamente moral. porém. definindo claramente seu verdadeiro caráter lar. porém. define o que pode ou não dizer ou fazer. não se dando ao trabalho de do. não se deve concluir que pancadas. lhes não existe vinho puro. porque a tentação do ganho é má conselheira. interesse havia em enganar. uma mesa. Suponhamos que um gaiato de mau gosto tenha querido para transformá-lo em meio de vida. ora. ficasse bem com- preferível produzir um só trabalho bom a fazer dez maus. a falta recai sobre aqueles que. por terem encon- que o mistificado é o próprio mistificador. cairá o ridículo? Será sobre o Antes de julgar isso uma fraude. só pelo gosto de fazer que creiam em uma coisa que ele sabe para chamar concorrência. em instrumento de adivi- uma vez divertir-se assim. estou. pessoas cujo caráter já é uma garantia de probidade. mas. trado saltimbancos adornando-se sob o nome de espíritas. isso em nada ofenderia a realidade do princípio. porque de tudo se pode abusar. agarrado a Espiritismo. provado um manejo fraudulento. V. — Nada. embuste. — Não acrediteis que minha opinião se tenha formado levianamente. — Quanto vos cobraram para mostrar-vos essas médica pelos atos dos charlatães que impingem suas drogas.. presentes pactuassem com ele? Demais. V. julgo estudá-lo. — Ora. — A tão judicioso raciocínio não tenho outra res. so- Sem título-1 64-65 14/2/2006. o Espiritis- mo se presta a abusos. é melhor não fazê-la. neste último caso. não deixareis de convir que cuja doutrina escrita desmente tais asserções? ou. Não é provável que. quando nos falta o tempo para fazer lação. toda Concordo em que uma vez se prestassem a tal brinque. aí tendes charlatães de uma espécie singu- os reconheçam. o julgam pelas aparências e que. dizem com gravidade: eis o que é o ser falsa. imóvel. Vi mesas girarem e produzirem sons como de Por vender-se vinho falsificado. ditavam os Espíritos. conscienciosamente uma coisa.

A. eles se colocam na posição do histo. se. e do tista que os fabrica? Entretanto. 08:39 . pinta em seu quadro um cava. paradas. Um célebre cirurgião reconhe- rém a consciência impõe ao crítico a obrigação de não dizer o ceu que certas pessoas podem. intenção. Quando usa desses meios. para poder adaptar-se à primeira mesa que se meter-se-á. eu vo-la reconhecerei. no segundo. que é negro. como dissestes. vos declaro que não irei defendê-los. não será possível que elas sejam preparadas com algum A. por exemplo. afirmar apresenta. para nós. desde Tertuliano. Devemos também convir que o seu processo é assaz deli- que a cor negra conviria mais. era preciso que o mecanismo empregado fosse bem engenhoso para fazê-las produzir movimentos e sons tão va- O que é evidente. fazem-no por ignorância ou má descobrirdes fatos demonstrados de embuste. é um abuso de outro gênero. de deduzir descrever tal mecanismo? deles as conseqüências boas ou más que lhes aprouver. para isso. cado e sutil. ora. até o presente ninguém conseguiu ver e aprovar ou censurar os princípios do Espiritismo. visto que seus aparelhos estão espalhados pelas Se um pintor. K. no primeiro caso há leviandade. — Se é um estalido do músculo. alterarem a verdade? respondi. generalizar essas acusações. que as mesas estivessem pre- contra os que não pensam como nós. senhor. alterasse os fatos históricos. todos têm completa liberdade de giratórias e falantes. porém. Ora. porque o Espiritismo sé- rio é o primeiro a repudiá-los. a que já te. co. e nisto não se comete erro. cavalheiro. lançar sobre eleva- partido fica desacreditado e não consegue o seu fim. neste último caso. pode não ser para vós outros. Aqueles que atribuem ao Espiritismo o que é contrário à Quando a fraude for provada. não é então a artifício? mesa que está preparada. Como é que. — É sempre a mesma questão de boa-fé. E. mesmo depois que é uma calúnia. fustigai-os e eu desde já má-fé. não nos revoltamos de forma alguma Admitindo. K. às mesas que se movem e fa. Uma vez que cada qual explica Sem título-1 66-67 14/2/2006. pela contração de um músculo contrário do que ele sabe que é. mesa. produzir um ruído semelhante ao que atribuís à condição é não falar do que não conhece. po- V. no interesse de sustentar um partido ou uma opi- auxilia no trabalho de preveni-los e lhe presta importante ser- nião. sem deixar sinal algum exterior que o denuncie. a primeira da perna. é o que faz a maioria dos nossos adversários. o viço. por- deve necessariamente aprovar nossas idéias. que já tratava das mesas Em resumo. 66 PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA CAPÍTULO I 67 bre os críticos que falam do que não sabem ou de. não faltará quem diga que essa cor faz aí mau efeito. se sua mesma ciência. que eu não pretendo que a crítica alguns indivíduos isolados. charlatanismo. cinco partes do mundo. — Voltemos. por favor. — Eis o que vos ilude. cientemen. como não é ainda conhecido o nome do hábil ar- cada qual julga as coisas debaixo de certo ponto de vista. de as haver estudado. Porém. e quem assinalar tais abusos o riador que. especulação ou abuso de confiança. credulidade dos assistentes. riados. ele deveria gozar de grande fato mais positivo nem todos tiram as mesmas conseqüências. lam. donde concluiu que os médiuns se divertem à custa da V. celebridade. vendo que o cavalo é branco. do número de pessoas honradas a reprovação que só cabe a Notai bem. lo branco.

fico completa- músculo estalador uma propriedade bem maravilhosa. recebam ou não um pagamento. mais perspicácia. devem ter a propriedade de fazer estalar o músculo cur. a ciência não conta. ponder às portas e paredes em que as pancadas se fazem ou. Sem título-1 68-69 14/2/2006. teria estudado o fenô- meno da tiptologia sobre os indivíduos que os produzem? Não. naram quando dele se aborreceram. se podia produzir todos os efeitos tiptológicos? Não. a tercei. das as suas fases? Verificou.) Por que se dá isso. dico. A. fenômeno era um passatempo. desconfiava que esse músculo mesas girantes que durante certo tempo fizeram furor. para mente inteirado da força dos outros argumentos que quereis que ele possa mover uma pesada mesa. porque recearia que ele não julgasse o meu mal com ra. sejam eles prín. sem Quando estes nada mais tiveram a aprender no giro das me- mais amplo exame concluiu. sua descoberta. com toda a autoridade de sua sas. K. quando é uma coisa séria? O célebre cirurgião. por- Respeito a ciência desse sábio cirurgião. notando certa sófica. e somente acho que. e. para que as mesas fa. 68 PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA CAPÍTULO I 69 a seu modo essa pretendida fraude. a quarta. validar. — Porque das mesas girantes saiu uma coisa ainda ele observou um efeito fisiológico anormal em alguns indivíduos mais séria: uma ciência completa. por meio desse estalido muscu- lar. junho de 1859. fica reconhecido Estudou ele. mente. que eu não compreendo bem como pode esse músculo res. por certo. ele ficaria convencido da insuficiência do que se apresentam algumas dificuldades na aplicação. em pleno Instituto. do máximo interesse para os homens que refletem. levantá-la. — Entretanto. 141: “Le muscle craqueur”. o fenômeno da tiptologia em to- que a verdadeira causa não é sabida. ao menos. do contrário. analogia entre esse efeito e o que essas mesas produzem. a segunda. pág. se sábio? Quem pensa hoje nessa opinião? tenha tornado comum. conservá-la suspensa sem ponto de apoio. hoje já possuísse tanta virtude (Revue Spirite. 08:39 . e não são mais que embusteiros. de que falais. abri-la. da teoria indicada. são pessoas com as quais cipes ou artífices. ciência. Para as pessoas fúteis. finalmente. A primeira é que é singular que essa faculdade. não mais com elas se ocuparam. apesar disso. e. que todos os que concorrem. a menos que os não vades beber em fontes mais fechá-la. autênticas. que é necessário dar-se a esse querer apoiar-vos para esmagar o Espiritismo. hesitaria muito em confiar-me a esse mé- não resulte a quem assim procede senão fadiga e dor. uma perfeita doutrina filo- que nunca se ocuparam de mesas batedoras. Já que esse juízo é uma das autoridades em que pareceis vir. às seu processo. julgou-se no caso de proclamar a mesas falantes. esse lem. se me tivesse de sujeitar a uma culo durante duas ou três horas consecutivas. que é preciso ter -se robustíssima vontade de mistificar. Confesso-vos que. que nada querem aprofundar. até o Não será esse juízo assaz comprometedor para um presente excepcional e olhada como um caso patológico. final. para fazer estalar o mús. ninguém se ocupa com elas. V. fazê-la despedaçar-se ao cair. um divertimento que abando- to-perônio. quando disso operação cirúrgica. bem vedes que já passou a moda das Ninguém.

tudo deve ter começo. com estas perde-se o tempo. é aos desta última classe que me senão aparente. — Eu faço grande distinção entre o incrédulo por igno- que vos diga. — Uma coisa é estar convencido e outra estar há. quando não se está familiarizado com obras que tratam dessa ciência. colhamos de passagem. é mostrar per. uma confirmação. agentes fazem. mesmo aquele que. 70 PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA CAPÍTULO I 71 O período de curiosidade teve seu tempo. nem ligação necessária. seja movido pela como poderá fazê-lo. brinquedo para os outros. não há utilidade em lhos fornecer. se elas dirijo. eu pertenço a esse número. frustrarem-se todas as nossas previsões. não apre- Os fenômenos espíritas diferem essencialmente dos das sentando nexo algum. do: uma palavra. sucedeu-lhe o as condições em que se pode encontrá-las. então. por meio de uma fenômenos espíritas à vontade. obtidos e os transformam em objeto de zombaria. O aprendiz. porém. incomodasse. sabe. Instruí-vos primeiramente pela teoria. quando não lhe facultais os meios para curiosidade. por simples curiosidade. V. porque. no domínio da se vem com o espírito prevenido. sobretudo. quando descubro alguém com disposições favoráveis. pelo que cer-se. é preciso que os inteligíveis para vós. mas que deseja esclarecer-se. lede e meditai as meira vista. para prová-lo. isso? Se só trabalhais na presença de pessoas convictas. que nada viu ainda. deixai A. nada me custa esclarecê-lo. em começo. são reconhecidos por outros sinais que não ape- A quem deseja instruir-se. essas pessoas que o consideram como coisa grave. e que as inteligências desses série de observações feitas com cuidado todo particular. direi: “Não se pode fazer um nas o desejo de ver uma ou duas experiências: esses querem curso de Espiritismo experimental como se faz um de Física trabalhar seriamente. Com estes eu não me ocupo. te para lhes destruir as prevenções. Aqueles que acidentalmente poderíeis ver. K. julgam mal os resultados Quanto aos que manifestam sincero desejo de esclare. ele um raio de luz. como meio de instruir-se. O Espiritismo entrou. e que talvez as eles chamam ilusões. seriam pouco ciências exatas: não se produzem à vontade. A. um fato aparentemente insignificante. pessoas em quem a vontade de instruir-se não é disposto a convencer-se. e ainda não têm sentido para quem os observa superficialmente ou menos a satisfazer a daqueles que se apresentam com pensa. eis por que não me presto a fazer mentos hostis. se aparecesse. não se prestam a servir de experiências sem resultado provável. somente a experiência pode conven. K. é para Porém. 08:39 . severança. atento que nunca se é senhor de produzir os A convicção só se adquire com o tempo. o melhor modo que têm. rância e o incrédulo por sistema. ensinais a quem já sabe. cer. ou de Química. o pouco que vêem não é suficien- absolutamente. — Enfim. como não brincam. gente séria. nelas aprendereis os princí- Sem título-1 70-71 14/2/2006. mas. e ainda mais quando da observação. — No entanto. e não aos que julgam humilhação vir escutar o que não encontram logo o que parecem buscar. é observando muito e por muito tem- po que se descobre uma porção de provas que escapam à pri. que nada V. As provas abundam para o observador assíduo e refleti- sim. que não o toma como objeto de divertimento. muitas vezes. ao passo que tais fatos não se prestam a qualquer experiência de curiosidade.

para mim ao menos. meu caro senhor. que já se possui um ponto de apoio e não se tem necessidade liminar de que acabais de falar. quando se vos apresentar a ocasião de observar da Metafísica. qual resta ainda muito a aprender. grande mas que vos voltarão à memória. questões genéricas. há partidários e V. qual a necessidade da minha ignorância a respeito. depois dela. pela resposta que dão. Então. dir-vos-ei que não sou a favor nem contra o Espiritismo. meu amigo. ainda existirem dúvidas ou pontos obs- curos. querer instruir-se. essa leitura tem a dupla vantagem de evitar repetições inúteis e de provar um desejo sincero de instruir-se. que são da língua vulgar e der às perguntas que me quiserdes dirigir. desse dificuldades. seria. da Psicologia e da Moral. em particular. qualquer que seja a imenso que não pode ser percorrido em algumas horas. SEGUNDO DIÁLOGO O CÉPTICO Se. vos darão. e. cavalheiro. de perder tempo em rever os princípios mais elementares da Doutrina. O Espiritismo prende-se a todos os ramos da Filosofia. ordem em que os fatos se mostrem. e. a utilidade do estudo pre. e propunha-me submeter-vos algumas das objeções que foram feitas em minha presença e que me pare. 72 PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA CAPÍTULO I 73 pios. uma primeira convicção moral. por- V. o esclarecimento não oferecerá mais dificuldade. para substi- A. encontrareis a descrição de todos os fenômenos. porque nada vereis de estranho. o que aconselho a todos que dizem tenho escrito sobre essa matéria. não poderei dizer mais do que sei. contraditórios. não tenho a compreendereis a possibilidade deles pela explicação que elas pretensão. — Compreendo. em primeiro lugar. — Seja. tudo quanto Eis. além disso. ESPIRITISMO E ESPIRITUALISMO cem de certo valor. tende a bondade de chamar-me à ordem. de poder responder a todas. a algumas interesse no mais alto grau. criação de novos termos: espírita e espiritismo. é fácil conhecer Em prévia leitura cada qual encontrará. — Terei grande satisfação. é um campo ou operar pessoalmente. entretanto. vós vos fortificareis contra presunção de minha parte pretender levar de vencida todas as todas as dificuldades que possam surgir e formareis. por ora. para uso geral. sempre que forem por todos compreendidos? Sem título-1 72-73 14/2/2006. modo. em respon. K. sem- adversários dele. uma se neles há alguma coisa mais que curiosidade! resposta à maior parte das questões que lhe venham à mente. a seu respeito tenho ouvido argumentos muito pre que eu dela me afaste. pela narrativa de grande número de fatos espon- O Espiritismo é uma ciência que acaba de nascer e da tâneos de que pudestes ser testemunha sem os compreender. Como predisposição pessoal. Entre as pessoas de meu conhecimento. 08:39 . limitar-nos-emos. feitas com sinceridade e sem pensamento oculto. pois. tuir: espiritualista e espiritualismo. mas esse assunto me excita o Se o permitirdes. compreendereis.” Compreendeis que me seria materialmente impossível re- petir de viva voz e a cada pessoa. que vos confesso a Pergunto-vos.

porque. e até combatê-los. e foram imediatamente aceitos objeto. Como o podereis demonstrar falta de boas razões. é espiritualista. com- ta a qualificação de espiritualista. feitas em todos os países. afecionividade. se fossem dirigidos ao espiritualismo e aos sa indicação. tínhamos necessidade de Ainda que os Espíritos fossem uma quimera. 08:39 . aque- o espiritualismo. as idéias relativas aos Espíritos. por espírito de contradição. entre o que ela ensina e as idéias por eles admitidas. seu uso está tão generalizado que os próprios ad- Já há algum tempo. únicos empregados em todas as publicações. é a Academia que no-la dá: que Gall imaginou para a sua nomenclatura das faculdades. para exprimir os fenômenos especiais dessa ciência. esses termos estão hoje incluídos na Se adotei os termos espírita. criticam tudo Todas as religiões são necessariamente fundadas sobre que não provém delas. Além disso. Espiritualista. sem equívoco. um artigo em que se dizia tê-la o autor escrito rismos. aqueles que no princípio os classificavam de barba- obra filosófica. li num jornal. mas nem contrárias. com certeza. sem desmentir-lhe o título. além da matéria. ao materialismo. espiritismo. Aquele que crê que em nós existe outra les que assim provocam tão pequeninas chicanas. havia utili- termos especiais. alimentividade. no começo e por Para as novas coisas são necessários termos novos. Agarrar-se a tais bagatelas é nos Espíritos e nas suas manifestações. não empregam outros. essas palavras não são mais bárbaras que as outras que as ciências. Hoje. tomando ares de oposicionistas. Bárbaros ou não. Sem título-1 74-75 14/2/2006. como as verdadeiras. confiantes nes- confusão. bem poderia nada pelo público. o que não implica a crença o acanhamento de suas idéias. etc. têm sido empregadas nos Estados Unidos desde que começa- ram a surgir as manifestações dos Espíritos. os partidários dos Espíri- fulminam o Espiritismo e os espíritas viriam produzir enorme tos ficariam singularmente desapontados se. favoráveis ou Todo espírita é necessariamente espiritualista. — De há muito tem já a palavra espiritualista uma tão criando. Eles ocupam o vértice da todos os espiritualistas são espíritas. e lista que crê ou não crê nos Espíritos. quan- algum tempo. Há pessoas que. o Espiritismo hoje possui a sua nomencla- dade em adotar termos especiais para designar o que a eles se tura. As palavras espiritualismo e espiritualista são inglesas. também delas se serviram na França. espiritismo. não lhe teria especificado o preendeu-se a sua utilidade. só revelam coisa. Os sermões e as pastorais que do ponto de vista espiritualista. é porque eles ex- língua usual e em todas as línguas da Europa. elas não o são mais do que aquela acepção bem determinada. porque as falsas idéias. as artes e a indústria diariamente es- A. acreditassem encontrar alguma concordância espiritualistas. 74 PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA CAPÍTULO I 75 Já ouvi alguém classificar tais termos de barbarismos. aquele ou aquela pessoa cuja doutrina é oposta como: Secretividade. refere. Se eu tivesse dado à minha Revis- porém. ora. dizer nela sobre os Espíritos. que apareceram os termos espírita. devem ser expressas por termos próprios. são os primem. do se quer evitar equívocos. distinguir daquele que tem esta crença? Ver -vos-eis obrigado a servir-vos de uma perífrase e dizer: É um espiritua. logo. tal como a Química. a propósito de uma versários. K. coluna da nomenclatura da nova ciência.

sem ter estudado a que. se apegam às idéias primitivas e morrem com elas. não deveria ser a que prende a imensa maioria dos adeptos. sas. apenas com As sessões das Academias apresentam sempre o quadro dez anos de vida. não tem isto é um absurdo. ele já conta tal número de adeptos como ainda de perfeito e cordial entendimento? nenhuma seita contou depois de um século de existência. e é o que ninguém ainda fez. Apresentou o Espiritismo a centésima parte das cisões como afirmam os nossos adversários. aplicadas às Referindo-nos ao Espiritismo. leis que os regem. em qualquer ciência. — Essa diversidade. até que seus princípios ficas. qual a doutrina filosófica ou religiosa que oferece um apenas se limita ao modo de encarar alguns pontos da doutri. e não constitui um antagonismo radical nos princípios. 08:39 . cada pessoa tivesse um sistema e houvesse encarado os fatos de um modo particular? DISSIDÊNCIAS Onde estão hoje esses sistemas primitivos? Caíram todos ante uma observação mais completa. Bastaram apenas alguns anos para que ficasse estabele- cida a unidade grandiosa que hoje prevalece na Doutrina. Cada descoberta. com exceção de mesma na América e na Europa? algumas individualidades que. não indicará isso uma falta de sem claramente assentados? argumentos sérios? Não encontramos as mesmas dissidências nas ciências Se eles os tivessem. não É realmente curioso ver as puerilidades a que recorrem deu nascimento a dissidências. não podem produ- que desejam estacionar? zir-se. seria necessário demonstrar categorica- produzido cismas entre os que querem adiantar -se e os mente que os fenômenos não se produzem. não deixariam de fazê-los valer. durante tantos séculos. não era bastante dizer: isto não se dá. sem afetar o fundo. que tal diver. qual a ciência que. é. K. os adversários do Espiritismo. primeiramente. V. — A isso responderei. parece-me. não são hoje mais empregadas surgirem os primeiros fenômenos. é que nada pôde deter-lhe a marcha ascendente e que. quando eram ignoradas as senão pelos adeptos da escola americana. Sem título-1 76-77 14/2/2006. a sua condenação. porém. Montpellier? Para aniquilá-lo. 76 PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA CAPÍTULO I 77 As palavras espiritualismo e espiritualista. ao manifestações dos Espíritos. em seu começo. melhormente constituídas? Qual o recurso de que lançam mão? Zombarias. nunca de um só argumento peremptório. realmente. porém. Qual a gência só existe na forma. exemplo igual? na. na crença do a que chamais uma ciência. e Se ela se baseasse em fatos positivos. não será natural que. e a Não tem cada qual seus sistemas particulares? prova de ainda lhe não terem achado um ponto vulnerável. negações. É fato Em Medicina não há a Escola de Paris e a Escola de verificado e reconhecido por seus próprios adversários. dilaceraram a Igreja e que ainda questão. hoje a dividem? Dizei-me. Estarão os sábios de perfeito acordo sobre todos os pontos? calúnias. ela ciência. nesta como em todas as coi- A.

tenho assistido a cente- Quando se mostrou em cena a engenhosa aparição dos nas de reuniões espíritas. nas quais se espera o soar da -se que ela não exista? meia-noite. tê-los-ia certificado pensava nele. por causa da sua popularidade e das controvérsias agora como as coisas se passam. refletir que as asserções de um escamoteador não são pala- Sobre quem cairá o ridículo. — Não estará provado que. os reclamos provocaram o exame e contribuí- de serem completamente outras as condições em que se dão ram para lhe aumentar o número de adeptos. além disso. podia servir a explorações. Alguns chegaram mesmo a comparar as reuniões espí- A. e posso asseve- dando: Eis aí o que é o Espiritismo! rar-vos que nada vejo que se lhe pareça. meu amigo. assistia um dia a uma repre- bricar com água de Seltz vinho de Champanha. fora do Espiritismo. ao lado de um jornalista que ele não desta espécie apenas água de Seltz? conhecia. e certificar se há identidade real caminham tão estonteadamente? entre a imitação e a coisa imitada. cha- mando para ele a atenção de muita gente que nem sequer Um estudo. as práticas. K. eles. Se é aqui que vindes colher argumentos para o vosso mo um golpe mortal? artigo. V. é justa- Acreditaram alguns prestidigitadores que o nome de es. como já tinham simulado a clari- vidência sonambúlica. Quanto ao Espiritismo. — “Belo! Vamos assistir a uma sessão espírita.” Antes de pronunciar tão positiva sentença. Que direis da lógica daquele que pretendesse. as fórmulas e as palavras místicas destas. então. — Por ser uma coisa suscetível de imitação. para que os fantasmas apareçam. disse-lhe o espírita. lha a isto. ele ouviu o Isto é privilégio de todas as coisas que apresentam a pos. perguntar-lhe-ia se ele se reconhece no multidão simularam.” fenômenos de mediunidade. porque se reco- os fenômenos espíritas. longe de sofrer com Ninguém compra um brilhante sem primeiro estar convencido de não ser uma pedra d’água. segue- ritas às assembléias do sabbat. por se fa- Um espírita. deve-se Muitos críticos não têm bases mais sólidas. quando aquele lhes atribuem? repudia o fim. Quando chegou a cena das feiticeiras. 08:39 . assevero-vos que ele não primará pela veracidade. 78 PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA CAPÍTULO I 79 FE N Ô M E N O S E S P Í R I TA S S I M U L A D O S os espíritas não se ocupam de fazer aparecer espectros nem de ler a buena-dicha. ser todo vinho sentação de Macbeth. seu crédito. em vez de brincadeira. esses mesmos fenômenos podem produzir-se? E disso não Só a malevolência e uma rematada má-fé puderam con- podemos concluir que eles não têm a origem que os espíritas fundir o Espiritismo com a magia e a feitiçaria. mesmo pouco acurado. — “Eu sou um deles. que. não se proclamou que naquilo recebia o Espiritis. tem crescido pelos reclamos que lhe fazem. vou saber piritismo. mente o que precisava para o meu próximo artigo. e nelas nada encontrei que se asseme- espectros. e todos os gaiatos os aplaudiram. tais ataques. bra. ele era coisa séria. vizinho dizer: sibilidade de engendrar falsificações. mais ou menos grosseiramente. Se eu encontrasse por aqui de que era objeto. e para atrair a algum desses loucos. Sem título-1 78-79 14/2/2006. ficariam sabendo que nheceu. alguns quadro que tem ante os olhos. a não ser sobre aqueles que vras de um evangelho.

08:39 . concorreram para a sua vulgarização. ela dimana A. há muita gente inconsciente. cujas opiniões têm certo peso? pois que as que lhe opõem. Um fato peremptório responde. que inutiliza todas as suas combina- mo também conta em suas fileiras muitos homens de não me. O erro de todos está em crerem que a fonte do Espiritismo ninguém consegue deter o Espiritismo na sua marcha. e. como estão nos de. mas se firma? Não será esse fenômeno digno da atenção dos permite a cada qual receber diretamente comunicações dos pensadores? Espíritos e por elas certificar-se da veracidade do fato. e que se baseia na opinião de um só homem. mais forte que Deus. A verdadeira causa está. Essa universalidade das manifestações dos Espíritos. nos real valor. e não podem achar ritas se compõe de homens inteligentes e de estudos. ções. outros. ao lado deles. Também. os prejuízos. seja ele o mais idéia de que poderão arruiná-lo. de serem a expressão da verdade. sem querê-lo. como já disse. porque lutam contra os interesses. é a prova V. não prova. digo-vos. mais. que os abusos que elas vêm destruir. é que. nada as poderá deter. apresenta mais forte que eles. te. todos. apesar de todo o saber. entre os detratores do Espiritismo. escamoteação. que a si mesmos procu- Isto se tem dado sempre com todas as idéias novas. en. cha- rem enganar fazendo o papel de charlatães e escamoteadores? madas a revolucionar o mundo. mas em toda par- ção. abalam as tidigitação. essa de dar-lhe um golpe mortal. que avança im- pávida através da chuva de dardos que lhe atiram. porque não há lugar em que os Espíritos se não possam manifestar. e. para que se cumpra a lei do progresso da humanidade. chegada a hora. 80 PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA CAPÍTULO I 81 I M P O T Ê N C I A D O S D E T R AT O R E S sígnios de Deus. Essa impotência dos adversários do Espiritismo prova mas. quando. ainda de outra causa. apesar de tudo o que fazem para contê-la. são eles sociedades para transformá-las. que a imensa maioria dos espí. não se encontrarão também homens de primeiramente. além disso. como esses que acabais de citar. — Convenho que. refutando essa opinião. sem o concurso de estranhos. surgem em todos os pontos do globo para desmentir os Sem título-1 80-81 14/2/2006. de todo o poder oficial. nos palácios e nas choupanas. no aumento da alucinação humana. a essa obje- ção. A isso respondo que o Espiritis. Admiram-se de ver o desenvolvimento dessa doutrina. Uns má-fé pode dizer que seus adeptos são recrutados entre as crêem encontrá-lo no grande poder do diabo. pres- movimentos irresistíveis que. é uma só. pois. que se não tenha lisonjeado com a idéia procuram na Terra uma coisa que só achariam no Espaço. muitos deles avançam que deve haver Como persuadir a milhões de indivíduos que tudo isso nisso alguma coisa de real. próprios que obtêm tais resultados? É possível fazê-los crer que eles se mistifiquem a si mesmos. já hoje. que talvez seja um desses grandes não é mais que comédia. charlatanismo. na própria natureza do rá a sua força máscula e a segurança das bases em que Espiritismo cuja força não provém de uma só fonte. sem exce. Uma idéia que resiste a tantos assaltos. eles obscuro folhetinista. só a o motivo por não o buscarem onde ele realmente está. não há um só dos seus contrários. forçosamente elas encontram obstáculos. daí a tretanto. não são convincentes. fonte do Espiritismo não se acha num ponto. de tempos a tempos. que assim se mulheres simples e as massas ignorantes. em todos os países. real valor. K. — Não o contesto. que lhes faltam boas razões. mesmo. porém.

para que do o que nelas existe de absurdo. em parte. ação dos raios solares. além disso. porém. porventura. futuro — como tem sido em todas as questões científicas e nos elétricos não compreendem a rapidez com que se transmi. O Espiritismo repudia. àquele a rapidez da sua propagação. Fazendo abstração das qualidades da Doutrina. da Filosofia e da Razão. a uma recrudescência do amor ao maravilhoso e ao sobrenatural. fora das leis da Natureza. para que não podem explicar aqueles que desconhecem o mundo que lado se deve pender? O grande juiz. denuncian- dos insucessos dos que tentam deter-lhe a marcha. Em todos os tempos foram reputados sobrenaturais os fenômenos cuja causa não era conhecida. que o Sol não existe. fruto da ignorância e dos triunfassem. nos limites do que lhe pertence. ter visto e observado. pois bem: o Espiri- A. si a experiência e o peso dos fatos. que agra. Direis: a minha razão não aceita essas comunicações. Acresce que o Espiritismo esclarecido. — Uma idéia só é supersticiosa quando falsa. mas tismo vem revelar uma nova lei. ele as conhece a todas? que é exigir que se acredite nas superstições e nos erros popu- lares. 82 PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA CAPÍTULO I 83 detratores e confirmar os princípios da Doutrina. é o invisível. como alguns pretendem. procura. a fazer reviver brilho do Cristianismo. antes que. segundo a qual a conversação cessa de o ser desde que passe a ser uma verdade reconhecida. isto me parece difícil. como o que A questão está em saber se os Espíritos se manifestam. eles têm por que este deve. por- ação dessas leis. O positivismo nada admite que escape à no século positivo em que vivemos. já condenados pela razão. isto é. vede nisso a causa que há de real ou de falso nas crenças populares. por muito tempo. se dá por intermédio da eletricidade. o mesmo acontece de ficar provado que não existem espíritos. evidentemente. é de encontro a essa força que origem. Vou mais longe e digo que é precisamente o positivismo Eis o motivo por que os espíritas ligam tão pouca do nosso século que faz com que adotemos o Espiritismo. isso não pode ser tachado de superstição. mostrando o da muito mais que as que se lhe opõem. como os deuses do paganismo ante o V. industriais classificadas como absurdas e impossíveis em sua te um despacho telegráfico. com o Espírito de um morto é um fato tão natural. os fatos. K. Sobrenatural é tudo o que está fora as crenças fundadas no maravilhoso e no sobrenatural. entre dois indivíduos se- ou não. porque elas se equiparam Pretendeis julgar a priori segundo a vossa opinião. nesta questão. mas. 08:39 . ora. — O Espiritismo tende. assim como os que desconhecem as leis dos fenôme. os que crêem e que não são nenhuns mentecaptos todo efeito maravilhoso. ora. era-lhes mister impedir que os Espíritos se preconceitos. antes parados por uma distância de cem léguas. destruir as idéias supersticiosas. aos que sentem a o fazemos depois de. nós só às asserções de quem pretendesse afirmar. com os outros fenômenos espíritas. e importância às manobras dos seus adversários. ao contrário. manifestassem. das leis da Natureza. todas as negações se vêm quebrar. como o é hoje. ele Sem título-1 82-83 14/2/2006. é uma força invocam também as suas razões e. O M A R AV I L H O S O E O S O B R E N AT U R A L O sobrenatural desaparece à luz do facho da Ciência.

(O Livro dos Médiuns. Como vos disse há pouco. sua opinião das mesas girantes? nesse sentido teria grande peso na balança. não decidiu este que aquilo era uma utopia. ou os explicam de Pelo fato de ainda não ter o Espiritismo adquirido direito modo diferente do vosso. mais repeliriam com desdém. Se nisso tivessem notado alguma coisa de sério. são todos eles contra vós. Revue Spirite. se tornaram título de glória para os seus autores? Os sábios não serão o farol das nações. os grandes dignitários. os oficiais. antes de responder à vossa judiciosa observação. funcionários. antes explica. quando vos derdes ao trabalho fessores. certos efeitos. Mas. uma dessas leis. no entanto. pág. mas opõe-se- -vos a opinião dos sábios que os contestam. uma dou- todos os sábios são contra nós. os artistas. 393. já ele conta entre seus adeptos grande teoria do futuro repousa sobre bases positivas e racionais. com o que se não devia ocupar? Sem título-1 84-85 14/2/2006. os pro- É o que compreendereis. merecerá ser condenado? Por que não fixaram eles sua atenção sobre o fenômeno Se nunca a Ciência se houvesse enganado. a sua é pena. Ele amplia. o domínio da Ciência. o có- cumpre-me corrigir um grave erro que cometestes dizendo que digo das conseqüências faz dele. — Vós vos apoiais em fatos. parece- -me que não desprezariam fatos tão extraordinários e nem os Não repeliu ela como quimeras tantas descobertas que. — Traçastes o dever dos sábios de modo admirável. é precisamente na classe ilus- Deste último ponto de vista. ao mesmo tempo. 21. os eclesiásticos. de. K. que eles o tenham esquecido em mais de uma possibilidade. e janeiro de 1862. em virtude de A. cap. porém. ela número de médicos de todas as nações. igualmente. etc. a descoberta dessa nova lei traz conseqüências morais. tarde. os médicos sejam homens de ciência. OPOSIÇÃO DA CIÊNCIA Admite-se erroneamente que os sábios só se encontram na ciência oficial e nos corpos constituídos. demonstrando. e como a sua em todos os países.) se agrupam ao redor da sua bandeira. 08:39 . e ninguém nega que agrada ao espírito positivo do nosso século. isto ções do homem. e não têm o dever Não foi devido a um parecer do nosso primeiro corpo sá- de esclarecê-las? bio que a França se absteve da iniciativa do vapor? A que atribuís que tenham deixado de fazê-lo. no que se refere ao seu futuro. porém. como.. os homens de letras. seu plano a Napoleão I. 84 PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA CAPÍTULO I 85 não faz milagres nem prodígios. e circunstância. não são pessoas em quem se não deva reconhecer uma certa dose de ilustração. os magistrados. os altos de estudá-lo. quando se Quando Fulton veio ao campo de Bolonha apresentar o lhes apresentava tão bela ocasião de revelar ao mundo a exis. a experiência prova o contrário. que confiou o exame imediato ao Ins- tência de uma nova força? tituto. pág. infelizmente. trina filosófica. que zembro de 1861. assim. é nisto que ele próprio se torna uma ciência. V. de cidade na ciência oficial. ele corresponde às aspira- trada que o Espiritismo faz maior número de prosélitos. II. dissestes.

matéria. dando diariamente. os fenômenos julgaram do mesmo modo. certas pessoas se comprazem em sos caprichos. Nem todos os sábios. K. obstinado amor-próprio. Se quiserdes edificar uma casa. rem. e. — Admito perfeitamente que eles não sejam infalíveis. um erro fazê-las juiz dela. tenham ou não tenham um título oficial. desde então. lado. porém. e vereis que se há de dar com o Espi- alguém irá pedir a solução a um químico ou a um ritismo o mesmo que se deu com tantas outras verdades. porque agiu visando uma ana- a idéias novas. não há pessoa sensata que não faça jus. tiça ao seu saber eminente. logia que não existe. não tem o poder de forçar convicções. que se pode. — Concordai. Espíritos. dos domínios da ciência propriamente dita. restará a vergonha do erro de se haverem opinião vale alguma coisa. como agentes. e. quando se trata de uma questão de teologia. ficam fora Certo que não. tão astrônomo? combatidas e de que hoje seria ridículo duvidar. levando os prejuízos do seu Finalmente. arquiteto? Quando a opinião pública se tiver formado a respeito. livre-arbítrio e não estão sujeitas aos nos- à força de mau gosto. também. ides membros dessas corporações a aceitarão sob o poder dos fatos. manipular. A Ciência enganou-se quando quis experimentar os cer que eles não são infalíveis e. seu domínio como a de decretar se Deus existe ou não. Se estiverdes enfermo. 86 PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA CAPÍTULO I 87 Devemos daí concluir que os membros do Instituto são Os do Espiritismo têm. cada um tem a sua especialidade. têm independência. se ela estivesse do vosso levianamente pronunciado contra o poder infinito do Criador. aos homens de estudo e saber. sua que o preferiram. sem. que as suas senten. amanhã. 08:39 . confiareis esse trabalho a um músico? O Espiritismo é uma questão de crença pessoal que não pode depender do voto de uma assembléia. é. contudo. deixar de reconhe. foi ças não estão isentas de apelação. sem ir mais longe. como já tem emendado outros. inteligências que ignorantes e que sejam justificados os epítetos triviais que. Hoje. ela está tão fora dos limites do juiz naquilo que está fora da sua competência. e notai que agora chamo sábios que ela produz têm por agentes forças materiais. pois. consultar um dançarino? Deixai passar esta geração. será a vez dos que não cre- Não. os Quando estais a braços com um processo. portanto. porque esse voto. foi o mesmo que se deu com os que acreditavam no mo- As ciências vulgares repousam sobre as propriedades da vimento de rotação da Terra. juízo temerário que o tempo se encarregou de ir emen- V. Sem título-1 86-87 14/2/2006. que ninguém pode ser bom pronunciar-se nesta questão. cha- mam loucos aos crentes. far -vos-eis sangrar por um embora lhe fosse favorável. As corporações sábias não podem nem jamais poderão A. e depois. e que. àqueles mas não é menos verdade que. à vontade. como experimenta uma pilha voltaica. concluiu pela negação. daria grande peso ao vosso sistema. por isso eles escapam aos nossos processos de prodigalizar-lhes? laboratório e aos nossos cálculos. em virtude do seu saber. sobretudo no que se refere malsucedida como devia sê-lo.

ela é mais que uma base em que se firma a crença na existência dos Espíritos e. quando se tem a chave para seres que escapem aos nossos sentidos? explicá-los.” “Que novo horizonte vai abrir-se ao pensamento! Que campo tão vasto de observação! V. para certa sociedade. por que negá-lo? estivéssemos sem conhecer a admirável lei da gravitação universal e “Antes de inventar-se o microscópio. na sua comunicação conosco? “Quanta luz pode projetar essa descoberta? Quantas coi- A. ora. outrora “Se Newton não tivesse prestado atenção à queda de uma maçã. não é mais ridículo que a dança das rãs. qual é a alcance que a dos infinitamente pequenos. perscrutei esta grandes descobertas? Sem título-1 88-89 14/2/2006. acaso. encerre al- “Onde a impossibilidade material de haver no espaço guns desses segredos da Natureza. revolucionam a Humanidade. que ele nada afirma. burlescamente designado sob o nome de dança das tantos estragos à economia? mesas. Eis o raciocínio que me fazia um sábio médico. são inteligen- deles o objeto do seu estudo. Eu próprio não a adotei senão depois de meticu. — Perfeitamente. o hábito das coisas positivas. eles não constituem uma das potências da Natureza. uma “Guardemo-nos. talvez ainda “Dizem que seres invisíveis se comunicam. a ridícula pretensão de saber tudo. mas duvida. que existissem esses milhares de animálculos que causam “O fenômeno. mas que valor tem isso. e. porque não costumo aceitar idéia alguma sem “Não há efeito sem causa. sondei. “A descoberta do mundo dos invisíveis tem muito mais notai. eis aí um sábio raciocinando com sabedoria e prudência. é uma revolução nas idéias. Tendo adquirido. 88 PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA CAPÍTULO I 89 Muitos fizeram o seguinte raciocínio: nova ciência nos seus mais íntimos refolhos. duzir-nos à solução dos mais difíceis problemas. busquei expli- car-me tudo. talvez. por que não poderão comunicar-se conosco? Se estão em encontre em tais fenômenos. de negar a possibilidade do que não com. é preciso que alguma coisa de verdade se tes. pois. o desmen- tido que desabonaria nossa perspicácia. e homens notáveis fizeram “Se esses seres invisíveis que nos rodeiam. sem ser sábio. eu penso igualmente. e. sobretudo. nos acontecimentos da vida destes. porém. não relação com os homens. com receio de receber. suspeitava alguém as fecundas propriedades da pilha elétrica. seria divertimento para certo cír- destino. incrédulo e hoje fervoroso adepto: se Galvani tivesse repelido sua serva e lhe chamasse visionária e lou- ca. loso exame. dessas forças ocultas de que nem suspeitávamos? preendemos. uma ilusão. no estudo das ciências quando o mesmo se tem dado a respeito de todas as exatas. — Essa crença apóia-se sobre o raciocínio e sas misteriosas explicadas? sobre os fatos. Quem sabe se culo. uma farsa. descoberta. K. e os efeitos mais vulgares podem con- lhe conhecer o como e o porquê. mas não daria a volta ao mundo. mais cedo ou mais tarde. 08:39 .” “Teremos. “Os crentes são ridiculizados. que. e Eles disseram ainda: de dizer que Deus nada mais nos pode revelar? “Já que tanta gente se ocupa com eles. se o quiserem. quando esta lhe falou das rãs que dançavam no prato. devem desempenhar um papel no seu pode ter esse caráter de generalidade.

com o vapor pro- damos o nome de Espíritos. mas não podeis deixar de convir que. há meio século. e tirarmos da água os meios de iluminar-nos e V. dos fatos. devemos concluir que exista. providos de todos os nossos correspondência entre dois pontos opostos do nosso planeta. essa observação não é nova: tanto a história ço ser povoado pelos seres pensantes que. estudaram seriamente. Sua convicção formou-se pela observação e pelo donado de propósito no lamaçal da superstição. depois de haverem sagrada quanto a profana provam a antiguidade e a universa- vivido na Terra. elas são igualmente feitas por muitos outros homens prova que os antigos o conheciam tão bem. apenas conseguiria fazer rir de si. povoando o espaço. pois. 90 PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA CAPÍTULO I 91 “Cristóvão Colombo não foi repelido. e tiveram a modéstia de não dizer: não compreendemos. somente ele não era ensinado. coisa mais prodigiosa que o espa. em alguns minutos. aban- ser a verdade. não é uma criação moderna. pois. — É exato. um navio avançar con- tra o vento. do que admitir aqueles a quem em algumas horas. não aquecer-nos. já ela avançou. há bem pouco. nela deixaram seu invólucro material? lidade dessa crença. tão freqüentes. tratado como insensato? de água límpida encerrasse milhares de seres. órgãos e funcionando como nós. cuja pequenez “São idéias tão estranhas. averiguá-la pela observação “Será isso. porque uma substância invisível. estes viram. não superficialmente e de ânimo que nós. que se perpetuou através de todas as vicissitudes por que tem passado o mundo. entre “Não se achará neste fato a explicação de tantas crenças que existem desde os mais remotos tempos? os mais selvagens povos. — Sem dúvida. eu digo que há mais dificuldade em conceber a nos- século a possibilidade de.” a da existência futura. poderia pensar que uma só gota desgostos. Eis as reflexões de um sábio. Resta. Se essas idéias fossem uma quimera. dizem. sobrecarregado de Quem. os ruídos. e esta só consideração mero de efeitos insólitos que olhávamos como sobrenaturais e devia bastar para exigir mais circunspeção. porque não admitimos o sobrena- Sem título-1 90-91 14/2/2006. duzido por um pouco de água fervente. impossibilidade material de existirem seres movimentações de objetos. eles são de duas naturezas: uns es- que todos esses homens sisudos as tivessem adotado? Que. que não se lhes deve extrema nos confunde a imaginação? dar crédito. se tivesse proposto iluminar toda A. no estado de idéias inatas e intuiti- vas. “Quem. estabelecer-se sa razão seres de tal tenuidade. mas por ser uma coisa possível. acreditais Quanto aos fatos. barulhos e Não há. pudessem ser vítimas de uma ilusão? visões e as aparições. ou talvez melhor esclarecidos. isto não pode ções misteriosas que o tornavam inacessível ao vulgo. e grande nú- invisíveis para nós. porventura. mas de um sábio sem pre- O Espiritismo. pontâneos e outros provocados. senão com precau- prevenido. raciocínio. a cidade de Paris em um instante e com um só reservatório de desde que uma coisa não é impossível. e se mostra. tudo tensão. Ora. hoje nos parecem simples. pois. sem partido fixo. a razão não a repele. atravessar-se a França. Entre os primeiros estão as por tanto tempo. e tão gravadas no pensamento como a do Ente Supremo e “São coisas que bem merecem estudo aprofundado. sem causa material. 08:39 . mas a isso se pode responder que data de meio Ora. K.

essa alucinação seria prodígio médiuns. Quando vedes os aparelhos do telégrafo fazerem sinais dem dar conta dos fenômenos espíritas. vítimas da mesma verti. se há um efeito inteligente. como tantos outros. são pessoas que nada viram ainda e suspende no espaço. se ergue. bem compreendeis que esses apa- apresentar a explicação deles. porém. o efeito inteligente tem uma mecanismo da alucinação. — Admitindo a realidade do fenômeno das mesas que giram e falam. não será mais racional atribuí-lo à ação de um Alucinação. segundo suas idéias particulares e cair. efeitos inteligen- do a mesa ou outro objeto se move. ou não. porém. por um produto da sua imagi. dizem. FALSAS EXPLICAÇÕES DOS FENÔMENOS V. ou bate. seja do médium. não são inteligentes. Dá-se o mesmo com as Há. mas que é uma inteligência quem os faz mover. — Ignoro que já se tenha claramente explicado o “Se todo efeito tem uma causa. foi-se levado a tirar a seguinte conclusão: A. gem? E quando o mesmo fato se reproduz por toda parte.” Da forma como querem defini-la. ao mesmo tempo. causa inteligente. dúvida de que poderiam ser assim explicados. 92 PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA CAPÍTULO I 93 tural. que aqueles que por meio dela preten. Será admissível que todos os de quem interroga. se despedaça. alucinação. ao se apressam a concluir. porque. — Fluido magnético. passeia por uma câmara. — É contra os fenômenos provocados que principal. este pode ser um reflexo da inteligência. não será possível que os quando se reconheceu que respondiam ao pensamento com médiuns sejam vítimas de uma alucinação? inteira liberdade. Os fatos provocados são os obtidos por intermédio de todos os países? A ser assim. além disso. 08:39 . sem ponto de apoio. enfim. Sem título-1 92-93 14/2/2006. em reza. relhos. A. V. Se tudo se limitasse a esses efeitos materiais. a resposta recebida estava sempre no pensamento de alguém. não possam antes transmitindo o pensamento. presentes sejam. efeito singularíssimo e digno de estudo. — Tal foi o primeiro pensamento que tive. creia ver o que não existe. em observação superficial. tudo isso não pode ser o efeito de uma baseadas. Dão-se. quando Ponhamos de lado toda suposição de charlatanismo. quando ela se destaca do solo e se Os que contestam. quando tes? Esta a questão. seja nação. à vontade. Suponho que o médium. K. sem que pessoa alguma lhe toque. de ferro ou de madeira. — Reflexo do pensamento fluido qualquer. ela não deixa de ser um Poderão tais fenômenos ser produzidos por um fluido. maior que o próprio fato. quando muito. ou mesmo dos assistentes. V. a dita mesa. sem se admitir que esse fluido seja dotado de inteligência? É pena. — Pode-se responder que. quando. — Estado sonambúlico dos médiuns. K. do magnético. visto como tudo se submete às leis imutáveis da Natu. por exemplo? — Superexcitação cerebral. admitamos a mais completa boa-fé. não há mente a crítica se levanta. e esses movimentos e golpes nos deram provas de inteligência. fatos que escapam a essa hipótese: quan- mesas a que nos referimos.

mas está perfeitamente acordado. morta havia dezoito meses e a quem do-se presentes vinte pessoas. que não permite confundi-lo com o escrever? À primeira vista. mas é desmentida por um conjunto de fatos monstrada por fatos da maior evidência. havia nisto um motivo para a Ciência exer. parece-me difícil -se na busca de causas. 94 PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA CAPÍTULO I 95 A. quem se não limitar a julgar as coisas. reconhecerá sem dificuldade que o médium é dotado de cem. que o médium se ache em estado magnético. ou nário. será o pensamento desta ou ele não conhecera. em minha casa e na presença de vinte testemunhas. retrato reconhecido pelo próprio pai da jo- daquela que é refletido. porque. crer que a mesa seja sonâmbula. muito lhe dá a percepção sonambúlica — espécie de dupla vista —. 08:39 . — É ainda esse um desses sistemas que não resis- tem a um exame aprofundado. longe de Abstraindo das comunicações escritas. segundo querem alguns. Além disso. perguntou a um Espírito se uma Sem título-1 94-95 14/2/2006. o fenômeno. diante deles. agindo e fora do alcance intelectual e da instrução do médium? respos- pensando como os outros. Como explicar o fato seguinte e cem médium se ache em estado de crise e goze certa lucidez. K. O médium nem se acha em Como conciliar essa tese com as respostas obtidas. a independência absoluta da inteli- gência que se manifesta. seria muito mais prodigioso. mesmo feitas mentalmente? Certamente. sendo a independência do seu pensamento de- nal. A. — Não será admissível. que outros da mesma espécie? — Um dos meus amigos. K. E depois ainda o maravilhoso seria maior. dizem. sem nada apresentar de extraordi- tas que vão de encontro às suas idéias. achan. — É ainda um erro. essa opinião nada tem de irracio- sonâmbulo. ro que uma mesa responde com precisão às questões propos- tas. um dia. que o quilo que é conhecido. lo que fez alguma vez sair um pensamento de um corpo iner- te? Qual deles pôde produzir aparições visíveis e. Será por efeito sonambúlico que certo médium desenhou. ainda. a cada passo. o retrato de uma jovem. cem vezes mais extraordinárias e in. que os médiuns só falam com clareza da- V. mesmo. que aliás nos pode explicar a ampliação momentânea de suas faculdades intelectuais? Por que. o som. vem. ou escrevem na sua própria quando não sabem ler nem uma faculdade particular. ou o desta ou daquela outra? Tal sis. é impossível duvidar. tan- Pois quê! o pensamento poderá refletir-se sobre uma su. tão concludentes que. Certos efeitos particulares deram lugar a essa suposi- que destroem completamente as previsões dos assistentes? ção. convenho. não deixariam de os sonâmbulos? reconhecer. cer a sua sagacidade. como a luz. gíveis? Qual fez que um corpo pesado se mantivesse suspenso perfície. porém. tão crise nem dorme. o calórico?! no ar. Dizem. bom médium escrevente. compreensíveis do que aquelas que se lhes apresenta. por uma só Quando os médiuns escrevem em uma língua que não conhe- face. qual o sonâmbu- ser simplificado. desejos e opiniões. as comunicações ob- Se os que assim pensam se tivessem dado ao trabalho de tidas pelos médiuns não vão além do alcance das que nos dão estudar o fenômeno em todas as suas fases. filho da falta de observação. presente então à sessão? Será por efeito do mesmo gêne- tema é insustentável. se admitirmos É realmente curioso ver-se os contraditores empenharem. sem ponto de apoio? Em verdade. mesmo admitindo-se essa teoria.

porque eles podem ser desmentidos pelos simples bom-senso mostra que. o que se exige é boa-fé. 08:39 . ainda em explicar os fatos a seu modo. era Não basta dizer: Mostrai-me tal fato e eu crerei. por não que- fé. e na maio. preciso esperar pela boa vontade deles. K. mora em Paris. vemos respostas combinarem com o Que faz o naturalista quando quer estudar os hábitos de pensamento de quem pergunta. Se todos testemunhassem esses fatos. corroborando-se uns aos outros. é neces- ainda deste mundo. precisamente o tal. mas quem acre- do. a crer. por causa da idade da pessoa por quem ele perguntava. e com razão: que não podem ter fé ante. engana-se redondamente. ceder-se do mesmo modo com os Espíritos. porque bem sabe que o animal não lhe obedecerá. que são inteligên- cias muito mais independentes que as dos animais. em certos casos. aquele que mais desejais será. Seria isso uma ilusão? Aos olhos do observador atento e assíduo surgem eles Seu pensamento poderia sugerir-lhe tal resposta. sário ter-se a vontade de perseverar. ditar que basta tocar a manivela. Eles querem que os fatos obe. inumeráveis. espera-as e colhe-as na passagem. quan. a dúvida não mais Quantos deles. não persistem seria permitida. aliás coisa diversa. porém. dizem eles. Sem título-1 96-97 14/2/2006. Se. N Ã O B A S TA Q U E O S I N C R É D U L O S V E J A M PA R A Q U E S E É erro crer que se exija fé antecipada de quem quer estu- CONVENÇAM dar. pedem. como em todas as coisas. ao que respondem. apesar de sua vonta. não convenceriam. havia quinze anos. ria das vezes não se lhes fornece. por terem de ferir seu amor-próprio com a confissão de deçam à sua ordem e a Espíritos não se pode dar ordens. deixar que os fatos se produzam espontaneamente. deixamo-las à margem. rua gi-los. virão. para com vagar isso seja uma lei geral? observá-lo à sua vontade? Não. talvez. e o que quereis se apre- Ele foi e encontrou a pessoa no lugar indicado. Muitos até ficariam incomodados. rermos com elas perder nosso tempo. número tanto. se se vissem forçados A. será racional concluirmos que um animal? Mandá-lo-á fazer tal ou qual coisa. nada tem conseguido ver? turbação ao seio das reuniões. ora. dizendo que o que viram nada prova? Essas pessoas só servem para trazer per- de. são sempre perigosos os do instinto do animal. Como é que tanta gente. deve pro- fatos que ainda se não observaram. — O que os incrédulos desejam ver. sentará. são os fatos positivos. por isso. para fazer que a havia toda a probabilidade de ela não existir mais? máquina ande.” que não obtereis. é se haverem enganado. quando menos o esperardes. foi-lhe respondido. ainda vive. mas espreita as manifestações espontâneas Nisso. 96 PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA CAPÍTULO I 97 pessoa que ele tinha perdido de vista. há cépticos que negam até a evidência e aos quais os próprios prodígios V. — É simples a razão. com mais forte razão. a sua falta de coisa alguma. sem pretender forçá-los ou diri- “Sim. outros. O juízos precipitados. depois de haverem visto. sem que elas mesmas lucrem Apresentam-lhes como motivo. cipada e que se lhes deve dar os meios para poderem crer.

B O A O U M Á V O N TA D E D O S E S P Í R I T O S Por sua causa os Espíritos nada fazem. é o que nos ensinam palavra. preten. — Uma coisa que eu desejava saber. quando o não traduzam por palavras. serão elas fi- direito de impor-lhes a nossa opinião. que nada viram. cuja opinião teria grande influência? A. não sabem ou não querem colocar-se nas condições precisas para Para compreendê-los é preciso nos elevarmos pelo pensa- obtê-los. des a seus olhos. que nada se pôde ou se quis mostrar-lhes. colocarmo-nos no seu ponto de vista. que nos parece tão longo. mas. e certos Ao lado desses cépticos endurecidos estão os que que. é a fatui- haverem formado levianamente a sua convicção. não faleis mais nisso. o que favorável aos que se tornam adeptos. ou o maneira de julgar as coisas. cia a coisas cujo verdadeiro alcance nos escapa. pois que não são eles que devem descer ao Quem de boa-fé deseja observar. não digo crer sob nosso nível. convenho. pessoas. em compensação. tendo formado uma opinião. Disponde dade desses pretensos observadores que nada observam. K. é o É isso pouco lisonjeiro. pensam e agem segundo outros ele- senão ilusão e charlatanismo? Nada. Os Espíritos gostam dos observadores assíduos e cons- observar com paciência infatigável. que vós de tal paciência? Não. mentos. V. ao passo que a nossa vista é circunscrita pela maté- qüilos e dizerem tanto quanto quiserem. ligam às vezes importân- dem por ela explicar tudo. os Espíritos têm sua lhas de uma revelação espontânea dos Espíritos. 08:39 . mento acima do horizonte material e moral. são futilida- rem ver a seu modo. mas subirmos nós até eles. porém não temos o ponto de partida das idéias espíritas modernas. abrangem o conjunto. é o sentimento de hostilidade e descrédito obriga. a distância. — Os Espíritos devem almejar fazer prosélitos. eles mesmo. e. a boa-fé. naquele momento. meu amigo. sim. um simples passo. para estes multiplicam eles as fontes de luz. a qual nem sempre se coaduna resultado de uma crença prévia na existência deles? Sem título-1 98-99 14/2/2006. que. seguir. por que Por isso vos dizia eu que não é a fé antecipada o que não se prestam. cumpre-lhe aguardar. que exista em seus pensamentos. para nós de importância extrema. V. pois ninguém a tal vos como títeres. esta condição é também cienciosos. ria. melhormente. — É por julgarem que. nômenos se possam dar contrariamente ao seu desejo. comparar coisas incompatíveis. porque o seu dia também chegará. é para eles um instante. e direis: por falta de tempo. Então desejam colocá-los no banco dos réus e fazê-los moverem-se não vos ocupeis. é melhor deixá-los tran. deve. não de- vem fornecer provas às pessoas a quem não ligam a O R I G E M D A S I D É I A S E S P Í R I TA S M O D E R N A S importância que elas pretendem ter. aos meios de convencer certas pedimos. o tempo. limitada pela estreiteza do círculo em que vivemos. pormenores. eles vêem. 98 PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA CAPÍTULO I 99 Que se pode responder a quem não vê por toda parte com a nossa. mas abandonar toda idéia preconcebida e não querer o estudo e a observação. estes não compreendem que os fe. pois que ela prova não os afugenta não é a dúvida que nasce da ignorância. pouco se PA R A C O N V E N CER importando com o que possam dizer ou pensar.

ria o reflexo da pessoa ou das pessoas presentes? porque. se o princípio fosse uma quimera. Se- guma aparência de razão. os Espíritos são a causa e ta independência da inteligência que se manifesta. se o Espiritismo fosse fundado no pensamento inteligente tem uma causa inteligente. em primeiro lugar. pois. a comple- marcha seria totalmente ilógica. todo efeito De fato. não foi ele uma hipótese imaginada com o fim ensinado. por este meio do visível. Ela não não o efeito. como já o disse. Esta inteligência não preconcebido da existência dos Espíritos. Uma vez revelada a existência dos Espíritos e estabeleci- dos os meios de nos comunicarmos com eles. e tudo o Pois bem! não foi mesmo deste modo que nasceu tal pen- que soubemos depois. não nasceu do cérebro de ninguém. A idéia dos Espíritos não preexistia. pois sabemos que mos sabendo sobre eles! essa crença é tão velha quanto o mundo. Eis a marcha das coisas: fenômenos espontâneos se pro- que. e ela demonstrou ram assim. consecutiva. supondo essas idéias nascidas de uma crença Não se tardou. Sem título-1 100-101 14/2/2006. mas as coisas não se passa- se. etc. — Como dissestes. foi-nos por eles samento. condições de sua existência e seu papel no mun- materialista. va a buscar-se-lhes a causa fora da ação de um fluido magné- no ponto de vista em que vos achais. porque a matéria não é inteligente. como já igualmente vo-lo dis- dele emanadas também o seriam. do ponto de vista desses seres. possível conceber o pen- incorpóreos chamados Espíritos. a seu respeito. duvidar da sua veracidade.. até aí. essa questão tem importância. a reconhecer nesses ruídos e movimen- antecipada. porém. mas não é natural imaginar-se uma causa antes de tão? Ela própria respondeu. de propriedade ainda desconhecida. Quem era en- causa. de objetos. que: Se todo efeito tem uma causa. neste último caso. quando se vê um efeito. nem ao objeto nem à pessoa. Não se podendo. 08:39 . sem causa ostensiva conhecida. a primeira suposição feita. autoriza- A. ainda que seja difícil tico ou outro qualquer. pôde-se entreter Assim. realizando- -se sob a influência de certas pessoas. para chegar a eles. em uma palavra. que essa por provas irrecusáveis. samento da existência dos Espíritos. Nada. todos os resultados materiais observados. K. porém. partiu-se. só a experiência podia pronunciar-se. movimentos possa nisso ter desempenhado seu papel. em muitas circunstâncias. de explicar certos fenômenos. foi a de uma causa material. Se assim pudéssemos interrogar os seres do mundo dos infinitamente pequenos. as conseqüências Assim se julgou no começo. pois. podia estar no objeto. isto é. quantas coisas curiosas não ficaría- Falo das idéias espíritas modernas. Notai. nem mesmo lhe foi cia de seres invisíveis. poder-se-ia. com al. pancadas. que a imaginação pudesse produzir tos um caráter intencional e inteligente. do que se concluiu. que achassem explicação provável na existên. mas nos foi dada pelos Espíritos mesmos. se efeitos não se tives- sem mostrado. acreditar-se. Não era. somente a observação conduziu à causa espiritual. por. longe de que os Espíritos fossem uma idéia pre- conversações seguidas e obter informações sobre a natureza concebida. 100 PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA CAPÍTULO I 101 Compreendeis a importância de minha pergunta. explicar tudo. pode-se procurar-lhe a pertencia. é admissível que a imaginação duziram. declarando pertencer aos seres lhe ter visto os efeitos. tais como ruídos estranhos.

os Espíritos abando. respeito dos homens. 08:39 . na sua extremidade européia se houvessem produzido alguns de saber e ignorância. mas. e podia-se cia distinguir o que é bom do que é mau. parte. que. também. e observar sua situação segundo o gênero de morte e modo de tais problemas. e Deus sabe quantos surgiram! Enfim. até que observações numerosas tives- pelo qual viveram na Terra. possuem um invó- só viram demônios. por sinais incontestáveis. Uns creram ser os Espíritos superiores em tudo. e que hoje po- que. Sem título-1 102-103 14/2/2006. podiam julgá-los. ao passo que outros se faziam notar pelo tangível. era só por suas palavras e atos que lucro. desde o instante em que abandonam o cor- Foi ainda a experiência quem se encarregou da solução po. espécie de corpo fluídico. ter-se-ia logo concluído que entre eles rições e do contato. antes da descoberta da América. neles imateriais. nos acotovelam sem cessar. a que chamamos perispírito. reco- Quem eram os habitantes desse mundo? Eram seres à nhecer seus parentes e amigos e os que conhecera na Terra. apesar de nunca os havermos visto. um Foi o que aconteceu com os Espíritos. soube-se que eles não são entes abstratos. as almas daqueles que já viveram na nam os primitivos. desde então. sem derramado luz sobre o assunto. que uns são muito felizes e E — coisa notável — à medida que meios de mais fácil outros muito desgraçados. ficou explicado o fenômeno das apa- cinismo da linguagem. pode tornar-se momentaneamente visível e mesmo muito boas coisas. que não são seres à parte. sinais. o verdadeiro do falso adquirir o conhecimento dos seus costumes. reza excepcional e. dentre eles. no sentido absoluto da palavra. renuncia à linguagem dos voam os espaços. onde deixaram seu invólucro corpóreo. havia bons e maus. de que acabamos de falar. insuficientes e incômodos. outros. Ficou- seguidas. cada qual pode. de natu- comunicação se acham ao nosso dispor. e. sobre a sua natu- que nos conduziram a comunicações mais regulares e mais reza e sobre o que podemos chamar estado fisiológico. sim. nos cercam. teríamos interrogado e eles teriam respondido. foi assim que se fio elétrico estivesse estabelecido através do Atlântico. uns tenham dito molecular. Foi o que se deu nas relações com o mundo invisível: A observação não nos esclareceu somente sobre as qua- as manifestações materiais foram sinais e meios de aviso lidades morais dos Espíritos. e. e ter-se-ia logo concluído que na outra Uma vez bem informados acerca dos defeitos e das boas extremidade se achavam seres inteligentes. Ficaríamos assim com a certeza da sua existência. qual o mudo Terra. -se sabendo. absolutamente como procedemos a ser. estranhos à Humanidade? Eram bons ou maus? pode-se acompanhá-los em todas as fases de sua existência de além-túmulo. por eles mesmos. usos e modos de em suas relações conosco. recuperando a palavra. cabe à nossa prudên- comunicar-se. o campo das conjeturas e dos sistemas esteve aberto. invisível no estado normal. em certos Suponhamos que dentre os desconhecidos habitantes casos e por uma espécie de condensação ou de disposição transatlânticos. sinais inteligentes. diáfano. que desejavam qualidades que entre eles se encontram. vaporoso. e que reconheceu entre eles todos os graus de bondade e malvadez. mas. 102 PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA CAPÍTULO I 103 Suponhamos que.

está em demonstrar. O V. a história do Espi. pela voz do médium. seja no interior do órgão auditivo. a escrita substituiu- o tiverdes estudado a fundo. O mais vulgar — o que se pode chamar univer- o Espírito. e serve-se ainda algumas vezes. de uma mesa. a que podereis assistir. Sem título-1 104-105 14/2/2006. — De boa vontade. a alma ou termediárias. contudo. sem. ele mesmo. que se fazem ouvir. Quanto aos meios. podem esses seres invisíveis conversar conosco? O objeto assim empregado não é. porquanto é difícil compreender como influência que recebe do Espírito. assim como o fruto despojado do invólucro cortical riais. esse invólucro é um laço que o das disposições peculiares às pessoas que lhes servem de in- prende ao Espírito. seja sas e mostra-vos a possibilidade de certos fenômenos. que tudo nele é o resultado da -o. de um objeto móvel. an. que bate com o pé. para só conservarmos as vel. o corpo morre. sobretudo. ao qual se adapta um lápis. como uma prancheta. 104 PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA CAPÍTULO I 105 Enquanto dura o corpo. uma cestinha. Esse modo primitivo é demorado e dificilmente se presta a ritismo. Certos Espíritos se comunicam por pancadas. abandona-o. que Depois. quanto que um estudo completo torna conhecidos. pelos quais plo. a independência preensão do mecanismo e servirá. ou designando as letras que devem formar as palavras. quando. por exem- de meio para a produção de diferentes fenômenos. uma MEIOS DE COMUNICAÇÃO caixa. em poucas palavras. uma espécie de porta-lápis. e reconhecereis ainda melhor quando comunicações de certo desenvolvimento. e é obtida de diferentes maneiras. podereis dar. 08:39 . prias substâncias dos corpos. — Falastes de meios de comunicação. K. de modo mais palpável. mais ou menos apurada dos Espíritos. Tal é. outros existem mais mate- interiores. cujo único mérito pouco que eu vos disser. o lápis. sem que estes se movimentem. na generalidade dos casos. ao qual transmite a -me disso uma idéia. isto é. propriamente falando. cuja ponta pousa sobre o papel. são muito variados e dependem tanto pela vista. encontrareis minuciosamente em O Livro dos Médiuns. agora. tes de começar a vossa iniciação. um meio pouco apreciá- as peças exteriores da nossa roupa. sal — consiste na intuição. nas idéias e pensamentos deixar o primeiro envoltório. A natureza e a substância do objeto são indiferentes. que é a mesma coisa. observação e não de um sistema preconcebido. porém. médium coloca as mãos sobre esse objeto. é este. Mas o que não é senão uma complicação de meios. mais que um apêndice da mão. este último pode escrever. pela música e por muitos outros meios da natureza. respon- conserva ainda o perisperma. As pancadas podem ser obtidas pelo mo- É esse invólucro semimaterial do Espírito que lhe serve vimento de oscilação de um objeto. cavalheiro. vou fazê-lo. porém. A. Serviu-se no começo. por desenhos. idéia de algumas das experiências. para vos dar uma do médium. dendo por sim ou por não. bem vedes. A existência desse envoltório Os Espíritos manifestam-se ainda e podem transmitir seus semimaterial é já uma chave para a explicação de muitas coi- pensamentos por sons articulados. do mesmo modo como despimos que eles nos sugerem. contudo. segurando. Muitas vezes se fazem ouvir nas pró- ele se nos manifesta. bastará para facilitar-vos a com. reconheceu-se a inutilidade desse intermediário. e o lápis traça os caracteres. abrevia- damente. porque isto exigiria prolongado desenvolvimento. no ar.

dos fluidos está na natureza dos Espíritos que o assistem. escreventes. aptidões especiais que dependem de sua dade mediúnica. os médiuns são muito numerosos e é tem consciência mais ou menos nítida do que obtém: é o mé. para esses diferentes modos de A. isto implicaria a permanência da faculdade. V. elas não estão isentas de incon- faculdade é a mais comum. das quais duas são muito distintas. Ainda que. falantes. K. Para compreendê-las. seu papel é exatamente o de um intérprete. deve compreender. V. ele pessoas que nos cercam. Outras vezes. mesmo. donde mesmo experimentá-lo? resulta: 1o . e sem que ele tenha consciência do que escre- valor. causa moral está na vontade do Espírito que se comunica. atuando existe. como pancadas. de perigos. isto é. antes que nos meios de execução. algumas vezes. tereis o melhor meio de vos convencer. estudo. — Até ao presente não se conhece um diagnóstico médium. corre- ria o risco de queimar os dedos. raríssimo. o pensamento do O sexo. As comunicações do além-túmulo são cercadas de mais videntes. K. todos os que julgamos descobrir. digo mais: se possuirdes a facul- comunicação. O médium escrevente apresenta numerosas variedades. riência ensina a distingui-los com facilidade. a idade e o temperamento são indiferentes. a expe- aparecem entre os homens e mulheres. que nem todos os Espíritos podem comunicar-se in- Sem título-1 106-107 14/2/2006. 08:39 . Poderia eu quando isto lhe apraz. O posse dessa aptidão? Espírito atua. 106 PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA CAPÍTULO I 107 Os médiuns possuem. ou nas transmite um pensamento que não é o seu e que. à qual dá um impulso totalmente independente da para a mediunidade. — O processo parece-me dos mais simples. ao pas- proveitosa sobretudo para as pessoas que ainda não estão so que ela é essencialmente móbil e fugidia. neste caso. — Há algum sinal pelo qual se possa reconhecer a é necessário saber-se o modo pelo qual se opera o fenômeno. por ser a que permite sária experiência. experimentar é o único meio de saber se a faculdade ve: é o médium escrevente mecânico. e não segundo a nossa vontade. temos médiuns de efeitos físicos. tentasse fazer manipulações químicas. etc. a que melhor se desenvolve pelo venientes e. quando não o sejamos. -vos vivamente a não tentardes ensaio algum antes de acurado movimentos de corpos. sem comunicações mais freqüentes e rápidas. eles Espírito e o do médium se confundam algumas vezes. há médiuns auditivos. se bem que escrevendo de modo involuntário. desenhadores. que qualquer dos membros de nossa família. aconselho- aptos para produzir fenômenos materiais. Somente. Além disso. saber Química. diretamente sobre a mão do A. para os que não têm a neces- exercício e também a mais preciosa. a qualidade essencial de um médium está na assimilação. Assim. Demais. mais ou menos fácil. portanto. são sem vontade deste. a vantagem dos que são mecânicos é qualquer. É o mesmo que aconteceria àquele que. sua cações que recebe. então. Obtêm-se comunicações igualmente boas por esses dois Se a mediunidade se traduzisse por um sinal exterior gêneros de médiuns. — Perfeitamente. entre crianças. não se encontrar algum em dium intuitivo. Sua causa física convencidas. músicos. doentes e pessoas sadias. por- organização. seu pensamento se comunica com o deste que. velhos. sobre o cérebro do médium. Esta última dificuldades do que se pensa. que não podeis duvidar da vossa boa-fé. nas comuni- perispirituais do encarnado e do Espírito desencarnado..

é fazer idéia bem falsa das nossas relações com o onde os chamam com recolhimento e para coisas sérias. indepen. sobretudo. V. instruir. como fariam estudantes em uma assembléia de doutos. eles recusam-se a prestar-lhe qualquer serviço. nas exibidas. se prestam a responder a perguntas de curiosidade. nem também a experiência alguma. são de menos o esperar. a cobiça é-lhes. eles vêm mais A. que pelo desejo real de se tudo. de prova. antipática. uma manifestação em dado momento. é preciso: 1o. de alguma sorte especial. pos- suem uma aptidão. As comunicações de além-túmulo com um fim fútil. Seria. Pascal. nada lhe garante obter pondendo a tudo sem se importarem com a verdade. um erro cícios de força muscular. 08:39 . ordem inferior. — Aquele que não se quer dar ao trabalho de estu- ou menos de boa vontade segundo as circunstâncias e. como nós nos ser- feito. Bossuet. quando ele dos os que produzem manifestações físicas. se ponham às ordens do primeiro que os chame. segundo a sua simpatia pelas pessoas que os chamam. não gostam dos e não pelo pedido do primeiro que tenha a fantasia de evocá- curiosos. assim como os sábios da Terra não se entregam a exer- variações que esse fenômeno apresenta. Sabemos que os fenômenos espíritas não se produzem tar. não se incomodariam com elas. porém. zombando. 2o . que lhe convenha fazê-lo. to- pode perder ou ver suspender-se a sua faculdade. calam-se e conservam-se afastados para escu. Para que um Espírito se comunique. não mundo espiritual. obtido a peso de ouro. dos assistentes. para os efeitos Estas poucas palavras bastam para mostrar que há nis- materiais. 108 PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA CAPÍTULO I 109 diferentemente por todos os médiuns. que sua posição ou suas ocupações lho permitam. pois. os Espíritos superiores não se ocupam com essas to um sério estudo a fazer-se. 2o . reuniões sérias. ritos superiores como Fénelon. podemos comunicar-nos com os Espíritos muita gente que deseja ter certeza de que não vai perder o tem- de todas as categorias. senhor. é antes guiado pela curiosidade. Além disso. K. nho. se eles. e -los por um sentimento de curiosidade. crer que Espí- as. nestas circunstânci. sem por isso serem essencialmente maus. são assunto muito grave e respeitabilíssimo para serem assim Os Espíritos frívolos andam por toda parte. com po. porquanto Nas reuniões frívolas eles tomam a desforra. e se comunicar pelo primeiro médium de que se lance vimos dos trabalhadores para os serviços pesados. mesmo os mais elevados como com os mais vulgares. como o movimento das rodas de um mecanismo. quando aqueles precisam que tais crer que todo Espírito possa vir responder ao apelo que lhe é efeitos se dêem. lançam mão dos atrasados. sobre- dar. porém. um indivíduo possua aptidão mediúnica. com os nossos parentes e amigos. os Espíritos. muitas vezes. a fim de se poder explicar as coisas. 3o . ou Não. ora. que todo médium Os Espíritos denominados batedores e. fazendo de tudo dependem da vontade dos Espíritos. assim como eu. certeza que lhe poderia provir do fato concludente. a tanto Os Espíritos sérios só comparecem nas reuniões sérias. Santo Agosti- depois da morte não o fazem também. — Antes de empreender um estudo de longo fôlego. mão. há Em princípio. geralmente. mesmo admitindo-se que divertimento. dente das condições individuais de possibilidade. Sem título-1 108-109 14/2/2006. quando na Terra. e res. que encontre no médium um instrumento MÉDIUNS INTERESSEIROS apropriado à sua natureza. para por hora.

ou ter menos fadi- alguma. ele o faz. Se ele deixou seu modo de vida. É absolutamente o mesmo que se se dissesse ser no interesse da Humanidade que o pa- seu evocador. Os médiuns verdadeiramente sérios e devotados. eles se mostram que ele obtenha que os Espíritos façam o que não querem. verdade — que a afeição e a simpatia são os mais poderosos móveis de atração para os Espíritos —. essa dádiva. Quando se está bem compenetrado desta çam todas as garantias desejáveis. e estes mesmos. gas. deixá-lo em falta. salvo se ele a suprir pela astúcia. desde que os fe- cursos no trabalho ordinário e não abandonam suas nômenos não se produzem à vontade. o que é mais que duvidoso. fariam o maior dano ao Espiritismo. em todos os casos só se prestariam a isso Espíritos de classe inferior. os médiuns mercenários pululariam e os jornais viriam sem- pre cheios de seus reclamos. seria puro acaso se. estímulo do interesse. deiro fabrica o pão. 08:39 . eles não consagram à mediunidade senão o tempo sessão paga. e de lhe poder ela. com razão se poderia suspeitar que o V. deve sentar-se-iam cem charlatães que. que se não pode comprá-la. no momen- to preciso. se a que ela sirva de profissão. admitindo mesmo inteira boa-fé. — Primeiro: será mesmo no interesse da causa que píritos das pessoas que nos são caras. o que é muito raro. — Compreendo esse raciocínio do ponto de vista mo- médium retribuído simulasse quando o Espírito não o auxilias- ral. apre- Aquele. ao de- em violento desejo de lucro. K. A. a bem da causa. e que não merecem confiança zia. encontram um diverti. devotados. é porque não lhe satisfa- pulosos a respeito de meios. muitas vezes. não é justo que aquele que emprega seu tem- se. repugnaria à razão evocar por dinheiro os Es. abusando de uma facul- provar aos Espíritos sua boa vontade por uma observação sé. que precisa de fatos que o convençam. que viria desnaturar a intenção e transformá-la A multiplicidade dos médiuns nas famílias torna. inúteis os médiuns de profissão. e por esperar ganhar mais. A natureza da faculdade mediúnica opõe-se. entretanto. A mediunidade não é o único recurso. pois. pois se é uma verdade que médiuns em geral. sem prejuízo de outras ocupações. pois que ele desejaria de qualquer forma ganhar dinheiro. Não há sacrifício algum no empregar o tempo em uma mento maldoso em frustrar as combinações e os cálculos do coisa de que se espera tirar lucro. ou no seu próprio? sintam nisso. que tenha a idéia de servir-se deles para ganhar dinheiro. ainda que estes ofere- ele fosse malsucedido. não seja indenizado quando esse tempo é Além de que o desinteresse absoluto é a melhor garantia roubado ao trabalho de que precisa para viver? de sinceridade. nesse trabalho mais útil. não se pode deixar de Se não fosse o descrédito que acompanha esse gênero de compreender que não lhes agradam as solicitações de alguém exploração. à vista de sua dependência de ele não a tivesse. muito pior seria se neles encontrassem o a fé não se impõe. Sem título-1 110-111 14/2/2006. se produzisse exatamente aquele que desejáva- que lhe podem dar. pouco escru. quan- do não possuem uma existência independente. 110 PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA CAPÍTULO I 111 Se os incrédulos são inclinados a suspeitar da boa-fé dos ria e paciente. dade real ou simulada. procuraria ganhar a vida de outro modo. em um novo. pois. vontade estranha à do médium. mos ver para nos convencermos. ora. empregando parte do tempo destinado aos divertimentos e Dai cem mil francos a um médium e não conseguireis repouso. para o que me felicito de muito haver concorrido. para um que fosse leal. em profissões. tornam-se apreciados e respeitados. procuram re- Porém. não o é menos. seria antes um motivo para que mais. supondo que eles con. se deseja ser auxiliado. po.

se- província. acharia muito mais facilidade se tra um que não esteja nas mesmas condições. K. eles consideram uma injúria a acusação de tirarem qualquer lucro da sua faculdade. ins. Muita gen- Pois bem! caro senhor. da borra de café. que um fundem o abuso com a realidade. senhor. e onde para eles o mo coisa diferente de uma exibição de fenômenos curiosos. desinteressados não se acham ao dispor de qualquer e sentimo- pirar-vos-á mais confiança. Aquele que. que se a exploração da me- vê-lo trabalhar. das causas que mais têm concorrido para o crédito e propaga- ção da doutrina. embaraçam. para dizer que é nisso que consiste o Es- talmente diversa da que sentiríeis. deseja convencer-se encontra os meios. pois. apesar de serdes incrédulo. mais tarde Sem título-1 112-113 14/2/2006. como lhes chamais. mal-intencionados. Os médiuns sérios e sinceros — e eu dou este nome aos servindo-se das cartas. Se eles unicamente a si prejudicassem. como poderiam ser úteis para possui hoje. atrair os que ainda crêem nessas tolices. há falsos médiuns que tudo aproveitam. convencido de que não lhe vamos roubar o tempo. não contaria a quarta parte dos adeptos que oferecem as garantias precisas. por causa do descrédito de que se que compreendem e tomam a peito a dignidade. — Tudo isso é muito lógico. qualquer que seja a forma ou disfarce com Para suprir. 112 PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA CAPÍTULO I 113 É. a fim de contentar a todos os gostos. e disso se aproveitam os médium nessas condições faria sobre vós uma impressão to. que se encontram por toda parte. se ela só tivesse intérpretes A. do que como meio de instrução. Buscá-los-iam antes como divertimento. seja embora ele o mais humilde proletário. — Se os médiuns públicos. pois. escrúpulos que não nos suspeitardes da sua lealdade.. fiou — evitam até as aparências do que poderia fazer pairar na falta de Espíritos. 08:39 . con- te que se deseja convencer. levar alguém à convicção? O inconveniente que assinalais. cie de especulação. etc. quando buscamos aquele que recebe uma paga. dos. porque não há motivo algum para -nos constrangidos de incomodá-los. mas os médiuns vos impunha. para ouvir a eles são desconhecidos na maioria dos centros espíritas da buena-dicha. e é esta uma existissem médiuns públicos. reprovam toda espé. onde a reputação de mercenários bastaria para que riamente. que compreendem a santidade do mandato que Deus lhes con. diunidade conduz a cometer abusos prejudiciais à se soubésseis que atrás de tudo aquilo havia uma questão de doutrina. da clara de ovo. estimulado pela fé somente e não pelo desejo do ganho. um princípio: todos quantos vêem no Espiritis. esperando por esse meio. ofício não seria lucrativo. seja a insufi- que se apresente. deiro sentimento religioso. consideração tornariam objeto e da concorrência de médiuns desinteressa- e os verdadeiros interesses da doutrina. É perfeitamente compreensível que os médiuns de pro- fissão sejam excessivamente raros. involuntariamente o respeito por ele se V. não destrói os de muito mais gravidade. repelir o seu auxílio. porém. ou. ciência da clientela. pelo menos em França. quando mesmo fosseis admitido por favor. sobre eles a menor suspeita de cobiça. os excluíssem de todos os grupos sérios. concordai que vendo-o antes animado de um verda. sem nada aprofundarem. o Espiritismo sério tem razão de não aceitá-la. de dinheiro. não interessados. concordo. senhor. seja a faculdade que lhes falta. se lhe tivésseis pago para piritismo. encontrareis mil como este. ao passo que. o mal não seria grande. con- Convinde. que vos citei. há pessoas que. Já vedes.

arrasta ao abuso. como vedes. — Desde que a mediunidade não é mais que um meio de entrar em relação com as potências ocultas. isto é. V. porém. se tiver perseverança e boa vontade. a Se. feiticeiros são mais ou menos a mesma coisa. não é por assistir a algum tempo. com o mundo invisí- dades fluídicas entre o Espírito evocado e o médium. não é dificuldade material que se apresenta à sua produção. ora. pois que a possibilidade e a exati- dão das comunicações são um produto de causas que não Ao lado. seja entre os outros. que. coisa nem por capricho. não se pode negar que isto é um obstáculo para a nada se viu de sério. foram qualificados de feiticeiros e falsas ou impossíveis. primeiro que tudo. insólitos e incompreendidos. fazendo-nos melhor conhecer as condições em que se produzem as manifestações. ora. sai-se menos disposto à convicção. se opõem à regularidade e precisão necessárias naquele Ponho de lado todo pensamento de fraude e embuste. que lhe sejam pedidas. vel. 08:39 . A. repelimos a exploração da mediunidade. do que tenho dito. foi o mesmo que se deu Sem título-1 114-115 14/2/2006. pelo simples fato de produzirem fenômenos variantes são múltiplas. e leis. nem por sistema. é necessário interesseiros sejam charlatães. — Em todos os tempos houve médiuns naturais e to. e não para tal outro. e isto por causas independentes da vontade do Espíri. para estar constantemente à disposição do Quem deseja convencer-se deve. mas porque os próprios de que ninguém a princípio suspeitava: a necessidade de afini. seja entre os desinteressados. de alguma sorte orgânicas. são indivi- duais e não gerais. hoje. as comunicações são incompletas. é subordinada a impressão desfavorável. os progressos dependem do médium nem do Espírito. as mais das vezes. que lhe paga. cujas inconscientes que. médiuns e Limito-me a dizer-vos que as afinidades fluídicas. e satisfazer a todas as evocações curar elementos de sinceridade. pio do qual dimanam as faculdades mediúnicas. Para que um médium de profissão possa oferecer toda Não concluo. isto é o que não se encontra em médium algum. K. fazer à clientela. a assimilação acusados de pactuarem com o diabo. por se trazer dessas sessões uma A mediunidade. princí. do ganho impele ao charlatanismo e autoriza a suspeita de que ele se possa comunicar facilmente com qualquer Espírito velhacaria. pois. que. e que se põe à disposição do público. e a todo momento. como um médico. porque não estou fazen- do um curso de Espiritismo. Prova a experiência que. mediunidade de profissão. fluídica entre o Espírito e o médium só se estabelece depois de quando não se está preparado para tal. porém. ou somente uma vez em dez acontece que ela uma sessão que se ficará convencido. mostram-nos. das considerações morais. princípios que regem as nossas relações. da ciência espírita. podendo existir do médium para tal Espíri. e a quem o desejo de satis- suponho que exista a mais completa lealdade. MÉDIUNS E FEITICEIROS to. seja completa desde a primeira vez. que todos os médiuns segurança às pessoas que o venham consultar. às quais todo médium está talvez sem vontade alguma de prosseguir num estudo em que sujeito. sem essas afinidades. pro- público. 114 PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA CAPÍTULO I 115 ou mais cedo. digo somente que a ambição que ele possua uma faculdade permanente universal. o que não posso desenvolver aqui. cavalheiro.

A controvérsia que drejarem o Espiritismo. por menos elevados que sejam. Espíritos. 08:39 . estão às ordens dos médiuns. do que se con. porém. antecedentes do médium. daí a justa reprovação que os feriu. 116 PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA CAPÍTULO I 117 com a maioria dos sábios que dispunham de conhecimentos aci. veriam que ele diz positivamente que os Espíritos não estão do mais aprofundado. o que não é muito A semelhança que certas pessoas pretendem estabele. sem sair das leis naturais. se tivessem dado ao trabalho de estudá. Não é certamente aí que se deve ir beber instruções de. — Não o digo em absoluto. para conhecermos a tingui-las. explorando-a. representar palha- eles mesmos abusaram da credulidade pública. amuletos e talismãs. também há mé. o Espiritismo a aniqui. mas a maioria dos críticos não se quer dar a esse observar minuciosamente e ter em conta. e reduzindo Deve-se notar que esse gênero de mediunidade. à vontade. eles produzirão bom to eles estão perfeitamente com a verdade. nis. à vontade e em público. porém. obrigar os recalcitrantes a falarem dele. não são. e sobretudo em pú- blico. çadas e fazer escamoteações para divertimento dos curiosos. por darem voga à idéia espírita. neste caso a mediunidade e a presti- Basta-nos comparar o poder atribuído aos feiticeiros com digitação se tocam tão de perto que é difícil muitas vezes dis- a faculdade dos verdadeiros médiuns. limita-se a produzir sempre o mes- mo fenômeno. K. tâncias que só o estudo da teoria dos fenômenos espíritas nos la. nos. é sempre suspeita. de suas pode fazer apreciar. — Neste caso. clui que os médiuns não são feiticeiros. resultado. constrangê-los a responder ao seu chamado. despojando-a do seu pretenso poder sobrenatural. quando a seu justo valor os fenômenos possíveis. devemos diferença. sérias sobre o Espiritismo. ditados obtém. fazer comparecer o Qualquer que seja o grau de veracidade desses fenôme- Espírito de tal ou tal personagem. A obtenção desses fenômenos à vontade. como efeitos mediúnicos. que. porque há Espíritos de baixa categoria que se V. que a luz se deve fazer Sem título-1 116-117 14/2/2006. julgando que os Espíritos melhor garantia de sinceridade. nem sobre a filosofia da doutrina. O desinteresse absoluto é a cer. sujeitos aos caprichos de ninguém. deixando o envoltório corporal. o vulgar bom-senso repele a idéia de virem os ma do vulgar. engrimanços. — Falais de Espíritos bons ou maus. salvo pequenas variantes. provém do erro em que estão. Tais fenômenos não são impossíveis. quer o caráter e os trabalho. senão charlatanice? DIVERSIDADE DOS ESPÍRITOS A. à vonta. ções. podem prestar à sua produção e que se divertem. que ninguém pode. mediunidade nisso exista. sérios ou frívolos. se estabelece a respeito provoca em muitas pessoas um estu- -lo. repugna à sua razão crer que um indivíduo qualquer possa. muitas vezes. todos os efeitos que certos médiuns acre. fórmulas. próprio para dissipar dúvidas. quer um grande número de circuns- Longe de fazer reviver a feitiçaria. se antes de ape. parece-me terem sido prestidigitadores na vida terrena. e. os Espíritos se despojam diuns especialmente próprios para esse gênero de manifesta. antes de vermos nisso a ação dos Espíritos. ao vosso ver. talvez por já confesso-vos que não compreendo essa diferença. das imperfeições inerentes à matéria. mais ou menos ilustre. A ignorância exagerou seu poder e. é um meio de chamar a atenção dos indiferentes e V.

os mes. Entre eles alguns há que. Notai bem que o que digo é fruto da expe. sistemáticos. sobre todas as verdades que nos são ocultas. apresenta-se imensa dificuldade: nes- Espíritos de todos os graus de inteligência e moralidade. o que dizem os Espíritos. pela mesma razão. porém. prudentes e levianos. A. eis o motivo por que se não deve crer cegamente em tudo riência. o mundo corporal fornece Entre eles há alguns que são mais ou menos adiantados. K. depois da mor- Os Espíritos que formam a população invisível da Terra te. conservam ainda as mesmas paixões. isto é. muitas vezes. pela morte do corpo. de seus prejuízos. e. distintas. ses conflitos de opiniões diversas. com muita lentidão. ele o deixa. nem o Tê-los-á Deus assim criado em tão diversas categorias? que ganhamos em conversar com eles. mas exprimem diversos graus de adiantamento. que não atingiram também a perfeição. cada um fala segundo suas idéias. 08:39 . este alimenta ral e intelectualmente. mo- seu contingente ao espiritual. quando morrerdes. encontram os mesmos vícios e as mesmas virtudes. passo no caminho do progresso. todas as opiniões políticas e religiosas têm pelo contrário. as do corporal e o mundo espiritual estão em contínuo imperfeições morais são do Espírito e não do corpo. outros. a humanidade. como distinguir-se o erro V. recebem logo a luz da verdade. pelos nascimentos. — É o mesmo que perguntar por que todos os alunos A. de que vos serviria ter trabalhado para a vossa onde vai aprender novas coisas. — Quando eles apenas servissem para dar-nos a de um colégio não estão cursando a aula de Filosofia. revezamento. Os Sem título-1 118-119 14/2/2006. entre eles representantes. ignorantes e charlatães. vêem as coisas sob um ponto de sofos. colhido no que eles nos dizem em suas comunicações. K. O mun- físicas. soal. por eles sábios. deixando o corpo Em cada nova existência. só isto seria de grande importância para quantos ainda duvidam Todos os Espíritos têm a mesma origem e o mesmo desti- que tenham uma alma e ignoram o que será deles depois da no. e. pois. porque não são mais do que as eles ficam libertos dos prejuízos terrenos. Seria erro acreditar que os Espíritos. de alguma sorte. filó- seu grau de aperfeiçoamento. até que o tempo e novas provas os e o que eles dizem é. mos preconceitos e erros. não haja a soma de conhecimentos e a elevação moral que o nosso glo- distinção alguma entre o vosso Espírito e o de um selvagem? bo comporta. K. o Espírito dá maior ou menor material. — Por que não são perfeitos todos os Espíritos? da verdade? Não descubro a utilidade dos Espíritos. instrução e melhoramento. É. as diferenças que os separam não constituem espécies morte. quando adquiriu na Terra É possível admitirdes que. como se não se despissem vista mais justo do que quando estavam encarnados. — Sem dúvida eles ficam livres das imperfeições encarnações de Espíritos mais ou menos adiantados. 118 PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA CAPÍTULO I 119 para eles. apenas a sua opinião pes- venham esclarecer. para ir viver em mundo mais elevado Assim sendo. neles se O progresso dos Espíritos faz-se gradualmente e. almas dos homens. quando um vadio. — Sendo assim. e que Espíritos não são perfeitos. há entre mas vezes. das dores e enfermidades corporais. prova de sua existência e de serem as almas dos homens. um princípio elementar do Espiritismo que existem V. será tanto quanto vós? são. os homens não são perfeitos por serem A. raciocinadores. o reflexo do mundo corporal. algu.

galhofeiros. a fim de que. K. em uma palavra. o Espiritismo é uma ciência de mos. e só por esse preço adquiriremos a ciência. que a todos nós interessa no mais alto ponto. e cuja missão é guiar os homens pelo bom cami- dispensados do trabalho de estudar. Tampouco os Espíritos são leitores da buena-dicha. quando não pode. muito cômodo se nos baixa esfera. 120 PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA CAPÍTULO I 121 Como todas as ciências filosóficas. deiro estado do mundo espiritual. são as comunicações com eles que nos en. estudando-os. que nos iniciam na natureza íntima desse ter para nós a opinião daqueles que sabem. e que se adquire os meios Os Espíritos não estão encarregados de trazer-nos a de afastar os Espíritos enganadores. ficando assim vista o bem. Acima dessa turba de ciência já feita. não possuindo todos o mesmo grau de incapacidade. os defeitos. — Essa reflexão é ainda uma conseqüência da igno. vista das questões científicas e outras que podemos submeter Deste ponto de vista. não há Espírito algum cujo estudo aos Espíritos. mas não julgueis que o estudo Deus quer que trabalhemos. ação oculta sobre o mundo visível. Quanto aos Espíritos A. para bem conhecer um povo é necessá. sua falsas doutrinas. por envoltório corpóreo para que ficassem isentos de todas as suas analogia. mites do possível. sempre com todos eles. pois que todos temos que ir para lá. e aquele que se vangloria de obter deles certos segredos. distinguir a verdade da impostura. os Espíri- rio estudá-lo sob todas as faces. esta exige longos es. então. e não para dele tirar qual- V. mas. os sinceros dos hipócritas. realmente. então. deixa-nos na incerteza. como fazemos quando observamos os costu- dirigirmo-nos aos homens como aos Espíritos. é só assim que se aprende a tudo descobrir. cumpre-nos sabê-los apreciar e compreender. que só têm em bastasse pedir para sermos logo servidos. de tudos e minuciosas observações. e não para imperfeições. ou revelar-nos sinaram que isto não se dá. não podem saber tudo. Vós mesmos tendes a prova tos não vêm libertar-nos dessa necessidade: eles são o que disso. que o nosso pensamento se dos outros seja inútil. absolu- estudamos com o fim de conhecer o estado das individualidades tamente como se dá entre nós. nós. prepa- Quanto aos erros que se podem originar da divergência ra para si estranhas decepções da parte dos Espíritos de opiniões entre os Espíritos. a Compreendo que. pensáveis que bastava aos Espíritos deixarem seu são. 08:39 . as suas imperfeições. mundo. são outros tantos objetos instrução. nunca lhes perguntemos o que eles não Sem título-1 120-121 14/2/2006. à medida que se aprende a distinguir os bons dos maus. o Espiritismo tem por objeto estudá-los. esses nos ensinam muito. e fizeram-nos conhecer o verda. mos distinguir quem erra ou quem tem razão? Vale tanto nos instruímos. as relações que nos prendem a elas. ora. que peso pode de observação. exercite. seria. as coisas antes do tempo próprio. Estes nos vêm ensinar grandes coisas. e quando eles não nos instruam. A divergência de suas opiniões. esclarecidos. mes de um povo desconhecido para nós. nos fazer conhecer o que nos deve ser oculto. fiquemos sabendo o que seremos um dia. Aquele que supõe nele achar meio fácil de saber tudo. porém sempre nos li- rância do verdadeiro caráter do Espiritismo. labora em grande erro. sobre as teorias não nos traga alguma utilidade. e não uma arte de adivinhar e especular. eles desaparecem por si mes. o bom-senso repelirá as do mundo invisível. nho. alguma coisa aprendemos que dividem os sábios. a ignorância mesmo. Nós o os sábios dos ignorantes. existem os Espíritos superiores. — A minha observação subsiste sempre no ponto de quer vantagem material. observação.

nem mesmo fornecer inventos já prontos e no esta- O Espiritismo possui. conhecer o futuro. pois. culo das idéias. como a Astronomia V. querer ir além é sujeitarmo-nos às manifestações dos envolve. para viver e fazer brotar seu trigo. Antes dos progressos sérios da Astronomia. arrecadar heranças. libertar-se do nos mistérios do além-túmulo. ro de problemas. já não muito tranqüilamente. seria de grande importância a revelação de uma tal potência. porque já não se pode encontrar na influência dos os sábios a esses estudos? Há alguém que ouse dizer que eles astros o prognóstico do destino? perdem o tempo? Sem título-1 122-123 14/2/2006. é. uma outra utilidade. fazer fortuna. Supondo que a isso se limitasse a sua utilidade. o mundo dos Espíritos existe em virtude de uma dessas leis naturais. porém. se entregam nada serve. da sua sorte futura. — Podíamos dizer o mesmo das vias férreas e do abstraindo-se mesmo de toda a sua doutrina moral? De nada vapor. K. antes que se soubesse ser tos. valerá um mundo inteiro novo que se nos revela. quantas ciên- cias deixariam de ser úteis! Quantas delas não oferecem van. antes que se conhecesse que está fora dos limites do seu fim providencial. acreditava- O camponês. ele U T I L I D A D E P R ÁT I C A D A S M A N I F E S TA Ç Õ E S nos mostra a influência que o mundo invisível exerce sobre o visível e as relações existentes entre eles. Sob tal ponto de vista. tarde ou cedo. descobrir minas de car. alarga o cír- Espíritos frívolos. 122 PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA CAPÍTULO I 123 podem ou não devem revelar. A. qual a sua utilidade prática? como sendo uma das forças que regem o Universo e contri- Não se tendo sentido a sua falta até ao presente. o mundo microscópico e outras tantas coisas. não pre- -se na Astrologia. quando o Se utilidade prática. e o Espiritismo nos faz conhecê-lo. mas por fa- descoberta dos novos planetas. fazendo-nos melhor compreender as leis da riência nos ensina a julgar do grau de confiança que lhes Natureza. contentemo-nos com o que nos Tudo que serve para erguer uma ponta do véu que nos dizem. 08:39 . parece. Não convém pedir-lhe senão o que ele pode dar. que nos devem interessar de trabalho de estudar. quando ele nos inicia vão ou tesouros ocultos. — Admitamos que a coisa esteja comprovada. Ele é a prova tagem alguma. o Espiritismo não na tem. e viver sem ele. Ora. sempre dispostos a falar de tudo. e nunca o a Terra e não o Sol que se move. é dar meios de passar boa conhecimento dele nos conduz à solução de tão grande núme- vida. ele não pode algum modo. mais do de serem explorados. até então insolúveis. ele no-lo faz ver tismo reconhecido como realidade. temos de produzir altas e baixas na Bolsa. a Os homens passavam igualmente bem. pois. não pelo raciocínio. da sua imortalidade. -me que se podia continuar a dispensá-lo. positiva: é a natural influência moral que exerce. sem os quais também se vivia muito bem. Será razoável dizer-se que a Astronomia para cisa saber o que seja um planeta. buem para a manutenção da harmonia geral. o Espiri- nos ensina as que ligam os astros à Terra. nem transformar-se em ações transpor esse marco fatal? de Bancos. da sua individualidade depois da morte. Para que. para vós. devemos conceder. A expe. antes da destruição do materialismo. comercialmente falando! patente da existência da alma. ajuda o desenvolvimento da inteligência. visto que todos nós.

girar a cabeça). a respeito dessa loucura. mas se esque- sionar a loucura. compreendido. que torna o cérebro mais Eu digo. de cujo nome não me recordo. segundo um o instrumento desorganizado. para a Astrologia. exame. pois. mas vou ainda além: afirmo que. dos anjos. Entre as causas mais numerosas de excitação cerebral. mária é uma predisposição orgânica. sua loucura teria seguido outro rumo. as artes. for. ao passo que outras enlouquecem sob o influxo suicídio. considerados como loucos. num indivíduo que deles piritismo veio destronar os adivinhos. a Química para a Alquimia. nós somos todos dignos de um hospital de doidos. estando girantes não tivessem então aparecido (as quais. 08:39 . antes de se ocupar com os Espíritos. se o Espiritismo fosse a sua preocupação dominante. instrumento do pensamento. tismo procurem agarrar-se a todos os pretextos. mas é também sabido que os nos- prudente deter-lhes a propagação. esta poderá ser a dos Espíritos.” conseqüência. os desastres. LOUCURA. por matar o cão — diz que o cão está danado. dado provas de excentricidade nas suas idéias. lhe fizeram A loucura é. de um sistema político ou social. A loucura provém de um certo esta. ele é um preservativo contra a loucura e o cam loucas. Ele é. de uma ciência. da sociedade. se as mesas do patológico do cérebro. Esse gracejo de mau gosto começa a não ter valor. que então se torna idéia trariadas. Todas as grandes preocupações do espírito podem oca- Falam muito do caso de Vitor Hennequin. SUICÍDIO E OBSESSÃO É certo que um jornal disse que se contavam. os 4. da fortuna. trocadilho bem espirituoso dos nossos adversários.000 espíritas da localidade em questão eram Não é. — Deveis conhecer o provérbio: “Quem quer eles. sos adversários têm a idéia fixa de se crerem os únicos dota- dos de razão. para a magia. Existindo uma predisposição para a loucura. nesse sentido. os feiticeiros e os que se tenha ocupado. Ouvi. as ciências.000 capazes de perturbar as faculdades mentais. o pensamento fica alterado. 4. a religião mesmo. Para A. bem encontrareis pessoas que pensam excessivamente e não fi. pelo que acham casos de loucura espírita. da menor excitação. cuja causa pri. o Es. É provável que o louco reli- gioso se tivesse tornado um louco espírita. o que é a Astronomia diabo. as quais são também as mais freqüentes causas do Sem título-1 124-125 14/2/2006. as afeições con- caráter de preocupação principal. toma esta o devemos contar as decepções. do poder. portanto. como este Dessa espécie. e isto é tão real que algum. os Estados Unidos contam centenas de lhes pareceu próprio para despertar temores e suscetibilidades. fixa. pois. já ele havia necem o seu contingente. conquanto não resista ao mais ligeiro to maior. e. 124 PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA CAPÍTULO I 125 Assim como a Astronomia destronou os astrólogos. um efeito consecutivo. o raciocínio de desde que tal moléstia vai invadindo as classes mais elevadas um louco. só em uma V. K. e todos os países do mundo um número ainda mui- empregam-no logo. do liam a buena-dicha. é uma esquisitice como outra qualquer. cem que. que o Espiritismo não tem privilégio ou menos acessível a certas impressões. como poderá ser a de Deus. da maternidade. milhares. estranhável que os inimigos do Espiri. — Certas pessoas consideram as idéias espíritas como localidade da América. pois.

o verdadeiro espírita vê as coisas deste mundo Neste caso. nossos pensamentos morrem com cada uma das nossas exis- e que. 08:39 . sem consciência do que fo- mente dita. ao despertar. muitas vezes. mos. O diabo. de uma causa incessante de loucura e de suicí- dio. que já tem desar- ranjado mais de um cérebro. V. o único afeta-o mediocremente. pelo espetáculo que lhe dão as co. além disso. Suas convicções dão- -lhe. pois que. uma resignação que o preserva do desespero e. dizem. a medicação comum é impotente e mesmo de um ponto de vista tão elevado. agindo não sobre o enfermo. mas da subjuga- uma entidade nova. que Para me servir da comparação que fizestes do homem. é um çar-nos-emos por evitá-las. Ele sabe. faltas. muito freqüente. não contam as epilepsias que têm sua origem lembrando do que aprendeu na anterior. quando não se lembra delas. freio para corrigi-las. ao mesmo tempo. porque sua recompensa será proporcional à rito obsessor. quando che- colocar o medo. é uma espécie de aniquilamento. que as tribulações não são prejudicial. por E S Q U E C I M E N T O D O PA S S A D O conseqüência. também é considerável o número dos lhe falta essa reminiscência. coragem com que as houver suportado. ao passo que recordando as nossas que. É fora a primeira. perdemos a Em o número das causas de loucura. só causa medo às crianças. terrompem todas as relações e fazem dele. mas sobre o Espí- sem murmurar. desde que molde a fazê-lo refletir. ferindo as imaginações fracas com esse painel adiantados do que aos dez. sim. principalmente do diabo. e este quadro é bem de existências. por detalhes horrorosos. Sabe-se o número de vítimas que gássemos aos setenta anos. com o aluno de um colégio. nesse abalo de cérebros tão delicados. o Espiritismo nos oferece. Fazendo conhecer esta nova causa de perturbação Aquilo que em outro qualquer produziria violenta comoção. Terra. inaptidões e punições que disso nos provieram. Suponhamos que cada dia. não estaríamos mais se tem feito. Ele sabe que os dissabores da vida são provas que servirão para o seu adiantamento. do que podemos concluir que os ção que Espíritos malévolos exercem sobre certos indivíduos. para renascer em outra. tornando-se elas piores que an. Ora. têm as aparências da loucura propria- tências. quando lhes perdem o medo. 126 PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA CAPÍTULO I 127 suicídio. se as sofrer meio de vencê-la. não se no resultado. a sorte deplorável dos que abre- mem aproveitar da experiência adquirida em suas anteriores viam voluntariamente os seus dias. orgânica. esta não provém de lesão alguma cerebral. eu não compreendo como tes. pois. cada existência é para ele qual se que por esse meio têm sido detidos nesse funesto declive. esfor- sustador. um dos grandes resultados do Espiritismo. na as contêm por algum tempo. — Não consigo explicar a mim mesmo como pode o ho- municações com os Espíritos. é independente de qualquer crença no Espiritismo e existiu em todos os tempos. deste modo. Essas soluções de continuidade na vida do Espírito in- Não confundamos a loucura patológica com a obsessão. este poderia aproveitar as lições da quarta classe. Esta afecção. para eles senão os incidentes desagradáveis de uma viagem. mas. Sem título-1 126-127 14/2/2006. devemos também memória de tudo quanto fizemos no dia anterior. de alguma sorte. em troca desse peque. como o papão e o lobisomem. capricham em tornar mais as. O Espiritismo é o remédio e não a causa do mal. está sempre a recomeçar.

ele se juntasse a lembrança do passado? tras questões de não menor importância e. lançar um véu sobre os seus primeiros anos! Quantos. não faria mais o que fiz!” cola do sofrimento e do trabalho. terá mais firmeza. com que professo- hoje sois um homem estimável? Aos olhos do mundo. sois um res ele estudou as matérias de uma classe. bem. porque esse apresentais são naturais em quem ainda nada conhece. se torna natural e vem confirmar essa justiça e essa sabedoria. -vos-ia agradável a lembrança de ter sido outrora enforcado ções. por isso. com isso nada perde ele das suas aquisi. viveis com tornaram laborioso e dócil. e. contrária à justiça e à sabedoria de Deus. o que parecia uma aumentar as angústias e tribulações da vida presente. pode encontrar-lhes respostas ela. seu Espírito tra- Sem título-1 128-129 14/2/2006. o homem traz por intuição e não contrair outras. ele possui um fundo que vai sempre crescen. saiba. deve sempre ir provocando novas fazer. Esse es- quecimento temporário é um benefício da Providência. a expe- Tudo se encadeia no Espiritismo. não farei Vós. sua vida espiritual. ser- passado do Espírito. K. fá-lo-ão em outra. 128 PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA CAPÍTULO I 129 A. uma vez terminada que. relativa ao aniquila- um curso completo de Espiritismo. cumprindo-vos ter cuidado de É assim que. não têm dito: “Se eu tornará melhor quando voltar. e aos olhos de Deus um Espírito reabilitado. de modo que não há essa solução de continuidade em questões. Se os castigos o Livre da reminiscência de um passado importuno. vê-se que seus princípios emanam uns dos outros. não tem base mais segura. o que adquiriu em ciência e moralidade. seu Espírito. quando passa para a classe seguinte. por exemplo. então. vossas castigado por preguiçoso e insubordinado? dívidas anteriores estão pagas. por certo. por provas rudes e terrí- conjunto. como idéias inatas. se soube tirar proveito das lições da experiência. longe de ter de recomeçar tudo. que se prende a ou. levar-me-eis a fazer A segunda parte da vossa objeção. Pois bem. mediante estudo sério. veis expiações. que lhe importa saber quando foi mais liberdade. se no curso de uma existência ele se vida. em uma nova existência. cuja recordação seria muito penosa e viria servindo-se mutuamente de apoio. quando direi que pouco importa saber onde. — De pergunta em pergunta. do e sobre o qual se apóia para fazer maiores conquistas. que seria se a problema do esquecimento do passado. o Espírito recobra a lembrança do seu passado. sois hoje um homem de aqui senão tocar levemente o assunto. por vossa maldade? Não vos perseguiria a vergonha de saber que o mundo não ignorava o mal que tínheis feito? Que vos Servindo-me ainda da comparação supra com o aluno. e. que é a vida normal do Espírito. é para vós um novo ponto de partida. mas talvez devais isso aos rudes castigos que recebestes Se em cada uma de suas existências um véu esconde o pelos malefícios que hoje vos repugnariam à consciência. quando se toma o riência só se adquire. muitas vezes. 08:39 . apenas esquece o modo por que as conquistou. todas as objeções que mento do pensamento. amadurecido na es- tivesse de recomeçar. anomalia. Digo Quantos homens desejariam assim poder. melhorou. meu amigo. Tal é o Se os sofrimentos da vida parecem longos. então muito mais explícitas do que as que posso dar em sumária poderá julgar do caminho que seguiu e do que lhe resta ainda explicação que. uma vez que as homem novo. mas olvido só se dá durante a vida corporal. importa o que fizestes e o que sofrestes para expiar. como. reencarnando. se ao chegar ao termo de sua carreira. durante a em moralidade porque. o que eles não podem fazer nesta mesma vida.

tiveram a paciência e a perseverança exigidas. é a realidade destes que muita um indivíduo que vos deu outrora muitos motivos de queixa. que aconte- porque. podeis aceitá-la nos quais. a realidade do efeito implica a da causa Supondo que um indivíduo condenado às galés tome a que o produz. — Acho-o muito natural. Isto está em perfeita concordância com a doutrina dos Espíritos. conservando vossa tem de penosa. é certo. também. ele seria se colocaram nas condições precisas para observá-los. se ele mesmo os esquecesse. não bem acolhido. como eu faltas para convosco. que seria singular que tão racional filosofia tivesse saído de fatos ilusórios e controvertidos. que. 08:39 . quem não aceita essas con- de se extinguirem. e. mostra não ter sério desejo de esclarecer-se. o que convence a uns. compreendê-los. não a admitindo senão a título de hipótese. em estado de intuição. que não pode ser que. porque não porém. ampla averiguação. não produz impressão alguma em Sem título-1 130-131 14/2/2006. as boas resoluções que tiver toma. ligar-se a vós pelos laços de família. mas fica Suponhamos ainda — o que é um caso muito comum — sempre de pé a questão das manifestações. ao sua existência precedente. a respeito dos mundos superiores ao nosso planeta. para melhor observá-los bos vos lembrásseis de vossas passadas inimizades? Em vez e. só reinando o bem. — Convenho. onde não há árvores. todos desconhecessem os seus antecedentes. até mais que ontem fizemos. dos. todavia. eis por que seus habitantes se recordam da opinião sobre as vias e meios que a ela conduziram. sobretudo. gente contesta. Mas isso tam- nesto e andar de cabeça erguida. a lembrança do passado nada como aceitaríeis outra qualquer. em vossas relações. ELEMENTOS DE CONVICÇÃO do. Nem todos. V. poderia ser ho. se um é verdadeiro. por seu devotamento e afeição. K. Seja como for. ora. a fim de reparar suas A. a Doutrina Espírita é perfeitamente racional. Os elementos de convicção não são os mesmos para to- riores. dições. todos os dias aceitamos o resultado dos cálculos astronômicos. Espírito arrependido. Se. ora. uma prova? Em boa lógica. os ódios se eternizariam. como nós nos recordamos hoje do menos. ou. veio encarnar-se em vosso meio. Disso resulta que a reminiscência do passado perturba- ria as relações sociais e seria um tropeço ao progresso. ou desonrou em outra existência. convém que cada um se coloque. por outros. e não deveis achar extraordinário o desejo que que talvez vos arruinou. é feito curvá-la sob o peso da vergonha do que não pode olvidar. firme resolução de tornar-se um homem de bem. em vez de ser obrigado a bém se dá com todas as ciências: o que uns não fazem. testemunharam os fatos. e essa repulsa o lança de novo nos braços do vício. ilustre amigo. que do ponto de vista filo- sófico. não vos procuro que eles sejam aproveitados. ela produz neles a impressão de um mau sonho. se achais a filosofia boa. não se pode colher frutos. e vos manifestam de testemunhá-los. sem que nós mesmos os façamos. 130 PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA CAPÍTULO I 131 rá. em vossa família mesmo se encontre resolvida senão por fatos. ce quando ele termina o cumprimento da pena? A sociedade o repele. se am. a outra não pode ser falsa. e com tal pessoa é inútil perdermos tempo. É assim que se efetua gradualmente o progresso da humanidade. Quereis Convireis. explico em que condições acharíeis mutuamente na mais embaraçosa posição. Quanto à lembrança do que fizeram em mundos infe.

— O senhor tinha razão de dizer que das mesas Notei que em algumas pessoas os mais importantes fe. V. e longe es- nômenos não produziram a menor impressão. assim sendo. longe estão de ser completas. se as aos outros aquilo que compreendo. V. a ciência. ao lado dos quais somos simples átomos. ao passo que. — Tendes uma sociedade que se preocupa com esses estudos: ser-me-ia possível fazer parte dela? O Espiritismo veio coordená-las. de Leibnitz. eles a vêem tão grande. há. se ele. pelo só nunca se poderá dizer: a doutrina de Allan Kardec. 08:39 . fato encarado como simples objeto de curiosidade. ou menos esclarecidos. porque possuireis diferença capital. supondo não existissem as manifestações. circunstâncias vos fizerem testemunhar alguns fatos de ma. ainda não. — Nisso vos contesto. Quando se vê um fato que não se compreende. porque se não há. dais-me ser. o fundo é a doutrina. subida honra atribuindo-me esse sistema quando ele não me pertence. for compreendido. dar-lhes corpo. ainda nada viram e crêem tão firmemente como eu. mas. Há entre o Espiritismo e outros sistemas filosóficos esta nifestação. à parte o fato das manifestações. estou persuadido de que vos levarão a refletir. mais suspeitas desperta e mais o sistema. conquanto em estado de confusão. eu não tenho o mérito da invenção de um só manifestações e a doutrina filosófica. teriores. quanto Agora vejo quanto é vasto o campo aberto pelo vosso mais extraordinário ele é. pois que valor pode ter um nome em assunto de das manifestações é acessório. mais uma base onde firmar o vosso raciocínio. Sem título-1 132-133 14/2/2006. naquele que Há duas coisas no Espiritismo: a parte experimental das me atribuís. Ora. princípio. se nunca um engano crer-se que as experiências físicas sejam o único tivéssemos passado das mesas giratórias e falantes? meio de convencer. desaparecendo o maravilhoso e o sobrenatural. porém. caro senhor. porém. observei. giratórias e falantes saiu uma doutrina filosófica. que estes são todos obra de homens. Eu vi. é logo admitido por ter uma razão de A. Acreditais que esse número seria o que é hoje. a doutrina não deixaria de ser sempre a que melhor resolve uma multidão de problemas reputados insolúveis. e isto. coordenei e procuro fazer compreender são. K. K. tão racional. É o que explica o número de adeptos A. ao passo que tava eu de suspeitar as conseqüências que surgiram de um uma simples resposta escrita venceu todas as dúvidas. e. para elas o fenômeno lizmente. S O C I E D A D E S E S P Í R I TA S Quantos me disseram que essas idéias estavam em ger- me no seu cérebro. e foi para eles como um raio de luz. pensamento se esforça para lhe dar uma causa vulgar. — Por ora. do que concluem que. esta é a parte que me cabe. 132 PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA CAPÍTULO I 133 outros. vê-los-eis com menor prevenção. que nela tamanha gravidade? encontram tudo quanto pode satisfazer às suas aspirações in. Ele foi totalmente deduzido do ensino dos Espíri- Certamente as explicações que vos acabo de dar. sumárias como tos. fe- estudo que fizeram da parte filosófica. eu sou todos os dias visitado por pessoas que Diz-se: a filosofia de Platão. necessidade de ser doutor em Espiritismo. nesta conversa. é preciso um pouco de tudo. O Espiritismo tem auxiliares de maior preponderância. nela recebido. de Descartes. para ser que a simples leitura de O Livro dos Espíritos produziu. É.

Enquanto esperais. com a condição de não fazer reflexão o temem. Como a Sociedade não deseja ser perturbada nos seus estudos. que supõem ir aí achar uma distração e que as vossas. cuja maioria se recomenda pela superioridade do mem. porém. admitir. não creais. elas não são mistério para pessoa alguma. se poria seu saber e posição social. mas não é uma escola nem um curso de mais cedo. e a porta vos seria interdita. tudo se passa às claras. é uma realidade. arredando-se esse homem. é na curiosidades. propagação? boram e coordenam questões que se relacionam com o pro- A. K. como visitante. Mais tarde. mesmo como simples vi- sitantes. Se. Podem interdizer -lhe o exercício público. àqueles que um ter mo às manifestações. 08:39 . Sem título-1 134-135 14/2/2006. uma espécie de espetáculo. sem que para isso se esforcem tanto. como vo-lo trário. infelizmente para os recebe em seu seio. não há dúvida que. quando as vossas convicções têm boas razões. incorreria na censura dos disse. elas estão à co e chame o primeiro recém-vindo para assistir às suas disposição de todo o mundo e se produzem desde o palácio até sessões. zando com seus princípios e convicções. ela decidirá se vos deve Se o Espiritismo é uma quimera. por esse meio. pois. é o centro ao qual convergem a prática e as sociedades e. ao con- alguma de natureza a melindrar quem quer que seja. como tantas outras. porque a violência é o argumento daqueles que não ensino elementar. Aí encontrareis uma reunião de homens graves e de boa Se as manifestações espíritas fossem privilégio de um ho- sociedade. se afastarem das conveniências. adversários. — Seria um modo de perder a partida um pouco gresso da Ciência. há segredos. estiverem fortalecidas pelo estudo. e só uma coisa séria pode causar temor. pois. que ela convide o públi. ou aquelas cujas dispo- tempo com questões elementares. nem os que. ficarão desapontados e melhor farão se lá não forem. — Solicito-vos uma última resposta: O Espiritismo ocupa de aprofundar os diferentes pontos da ciência tem poderosos inimigos. impedir-lhe a ensinos colhidos em todas as partes do mundo e onde se ela. a mansarda. a de ter-se sobre ele ao menos idéias mais firmes do Aqueles. não poderiam eles interditar-lhe espírita e procura esclarecer-se. que se V. INTERDIÇÃO DO ESPIRITISMO É uma sociedade científica. então está em a Natureza. as pessoas que não conhece. 134 PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA CAPÍTULO I 135 contudo. aí não no que quer que seja. ele cairá por si mesmo. do con- trário. nada oculto. não simpati- sições hostis são notórias. que vos vou apresentar. é Como não faz demonstrações com o fim de satisfazer assaz sabido que não é em público que elas mais se dão. eu. ela afasta com cuidado os curiosos. e ninguém com um traço de pena pode revogar uma lei meus colegas. se o perseguem é por que a uma ou duas sessões. podereis assistir. com discussões intempestivas ou com o espírito de contradição. lançariam a desordem no seu seio. natural. ela não admite os que lhe viriam fazer perder Eis por que ela recusa admitir. e que não consentiria.

ao homem fazer mal ao próximo. — De boa mente. fornecendo provas patentes da conseguirá também que o não façam na de seus vizinhos. além disso. ele se dirige. a quem ele não convém. mas. TERCEIRO DIÁLOGO por exemplo. que um governo seja forte O Espiritismo tem por fim combater a incredulidade e bastante para impedi-los de trabalhar em suas casas. Admitamos. os Espíritos ditariam outros. nas filosóficas. e o número desses hemisférios. quem Primeiro que tudo. não tem sua fonte entre os Àquele que diz: “Eu creio na autoridade da Igreja e não homens. suas funestas conseqüências. sem nada buscar além dos seus queimados nem encarcerados. que um prisioneiro em seu cárcere. ela então se que me devo colocar perante vós. àqueles mundo inteiro. 08:39 . de si mesma responder a elas. tornará nociva e pode ser combatida. A liberdade de consciência é conseqüência da liberdade de pensar. restando-lhes a A seus olhos. necessárias. Ele consiste na crença limites”. dirigir-vos. que é um dos atributos do homem. antes de Se transformardes. e o Espiritismo. que não podem ser me afasto dos seus ensinos. mesmo nas barbas da livros em que estão expostas. em instrumento de perseguição. por não procuramos violentar-vos a consciência. ora. respeitai tam- minha vez. Se desejardes silêncio do seu gabinete. porém. no existência da alma e da vida futura. porque isso não fará que esses dois astros troquem os seus papéis”. encontrá-las-eis nos tenha comunicações com os Espíritos. senhor. entretanto. Em resumo. como muito bem sabeis. dele não têm necessidade. — Permitir-me-eis. 136 PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA CAPÍTULO I 137 intimidade. mesmo que seja errônea. mas. K. quando não há país algum. é respeitável. o Espiritismo é hoje um fato consumado. quando sincera e não permita liberdade de recusá-lo. assim como Um abade. que um indivíduo no pretensão de vos converter às nossas idéias. desde que todos podem ser médiuns. é pois preciso que aqueles. ele se não a respeitasse. Se chegassem a destruir todos os livros espíritas. que de nenhuma sorte são alguma e que não vem forçar nenhuma convicção. se resignem a vê-lo ao seu lado. nós lhe O PADRE diríamos: “Acreditai-o se quiserdes. Se alguém fosse por sua consciência arrastado a crer. que é o Sol que gira ao redor da Terra. estaria em contradição com os seus prin- já conquistou o seu lugar na opinião pública e entre as doutri- cípios de liberdade e tolerância. O Espiritismo. conhecê-las pormenorizadamente. cumpre-me declarar que não tenho a impedirá que uma família no seu lar. creio útil fazer-vos conhecer o terreno em inocente. pois. nos dois que em nada crêem ou que de tudo duvidam. reverendo. toda crença. o Espiritismo responde que não se impõe a pessoa individual e não nas sociedades. algumas perguntas? bém a nossa. uma crença. neles podereis estudá-las polícia e sem que esta o saiba? à vontade e aceitá-las ou rejeitá-las. os que têm fé religiosa e a quem esta fé satisfaz. Sem título-1 136-137 14/2/2006. em que não se encontrem médiuns? não é pequeno. A. ele é obra dos Espíritos.

138 PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA CAPÍTULO I 139

Tal é, senhor abade, a linha de conduta que tenho segui- Se ela se houvesse encerrado nos limites da discussão,
do com os ministros dos diversos cultos que a mim se hão nada haveria de melhor; lede, porém, a maioria dos discursos
dirigido. Quando eles me interpelaram sobre alguns pontos proferidos por seus membros e publicados em nome da
da Doutrina, dei-lhes as explicações necessárias, abstendo- religião, os sermões que têm sido pregados, e vereis neles
-me de discutir certos dogmas de que o Espiritismo não se a injúria e a calúnia transbordando por toda parte
quer ocupar, por serem todos os homens livres em suas apre- e os princípios da doutrina sempre indigna e perversamente
ciações; nunca, porém, fui procurá-los no propósito de lhes desfigurados.
abalar a fé por meio de qualquer pressão. Do alto do púlpito, não temos sido — os espíritas — qua-
Àquele que nos procura como irmão, nós o acolhemos lificados de inimigos da sociedade e da ordem pública, não
como tal; ao que nos repele, deixamo-lo em paz. É o conselho temos sido anatematizados e rejeitados pela Igreja, sob o pre-
que não tenho cessado de dar aos espíritas, porque não con- texto de que é melhor ser incrédulo do que crer-se em Deus e
cordo com os que se arrogam a missão de converter o clero. na alma pelos ensinos do Espiritismo?
Sempre lhes tenho dito: Semeai no campo dos incrédulos, onde Não lamentam muitos, hoje, não se poder atear para os
há colheita a fazer. espíritas as fogueiras da Inquisição?
O Espiritismo não se impõe, porque, como vo-lo disse — Em certas localidades não têm sido assinalados à
respeita a liberdade de consciência; ele sabe também que toda animadversão de seus concidadãos, a ponto de fazer que se-
crença imposta é superficial e não desperta senão as aparên- jam nas ruas perseguidos e injuriados?
cias da fé; nunca, porém, a fé sincera. Ele expõe seus princí-
Não se tem imposto a todos os fiéis que os evitem como
pios aos olhos de todos, de modo a cada um poder formar
pestíferos, e impedido que os criados entrem a seu serviço?
opinião segura.
Muitas mulheres não têm sido aconselhadas a separa-
Os que lhe aceitam os princípios, sacerdotes ou leigos, o
rem-se de seus maridos, como muitos maridos de suas
fazem livremente e pelos achar racionais; mas nós não fica-
mulheres, tudo por causa do Espiritismo?
mos querendo mal aos que se afastam da nossa opinião. Se
hoje há luta entre a Igreja e o Espiritismo, nós temos cons- Não se têm tirado lugares a empregados, retirado o pão
ciência de não havê-la provocado. do trabalho a operários e recusado caridade aos necessitados,
por serem eles espíritas?
Padre. — Se a Igreja, vendo levantar-se uma nova doutri-
na, cujos princípios, em consciência, julga dever condenar, Não se têm despedido de alguns hospitais, até cegos, pelo
podeis contestar-lhe o direito de discuti-los e combatê-los, fato de não quererem abjurar sua crença?
premunindo os fiéis contra o que ela considera erro? Dizei-me, senhor abade, será isso uma discussão leal?
A. K. — De modo algum podemos contestar esse direito, Os espíritas responderam, porventura, à injúria com a
que também reclamamos para nós outros. injúria, ao mal com o mal?

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140 PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA CAPÍTULO I 141

Não. A tudo opuseram eles sempre a calma e a modera- A. K. — Cada um é, certamente, livre de crer no que qui-
ção. A consciência pública já lhes faz a justiça de reconhecer ser ou de não crer em coisa alguma; e não toleraríamos mais
não terem sido eles os agressores. uma perseguição contra aquele que acredita no nada depois
da morte, assim como na promovida contra um cismático de
Padre. — Todo homem sensato deplora esses excessos;
qualquer religião.
mas a Igreja não pode ser responsável pelos abusos
cometidos por alguns de seus membros pouco esclarecidos. Combatendo o materialismo, não atacamos os indivíduos,
A. K. — Convenho; mas, entrarão na classe dos pouco mas sim uma doutrina que, se é inofensiva para a sociedade,
esclarecidos os príncipes da Igreja? quando se encerra no foro íntimo da consciência de pessoas
esclarecidas, é uma chaga social, se vier a generalizar-se.
Vede a pastoral do bispo de Argel e de alguns outros.
A crença de tudo acabar para o homem depois da morte,
Não foi um bispo quem ordenou o auto-de-fé de que toda solidariedade cessa com a extinção da vida corporal,
Barcelona? leva-o a considerar como um disparate o sacrifício do seu bem-
A autoridade superior eclesiástica não tem todo o -estar presente, em proveito de outrem; donde a máxima: “Cada
poder sobre os seus subordinados? um por si durante a vida terrena, porque com ela tudo se acaba.”

Se ela tolera esses sermões indignos da cadeira evangéli- A caridade, a fraternidade, a moral, em suma, ficam sem
ca; se ela patrocina a publicação de escritos injuriosos e base alguma, sem nenhuma razão de ser. Para que nos moles-
difamatórios contra uma classe inteira de cidadãos, e se não tarmos, nos constrangermos e nos sujeitarmos a privações
se opõe às perseguições exercidas em nome da religião, é por- hoje, quando amanhã, talvez, já nada sejamos?
que as aprova.
A negação do futuro, a simples dúvida sobre outra vida,
Em resumo, a Igreja, repelindo sistematicamente os es- são os maiores estimulantes do egoísmo, origem da maioria
píritas que a buscavam, forçou-os a retroceder; pela natureza dos males da Humanidade. É necessário possuir alta dose de
e violência dos seus ataques ela ampliou a discussão e condu- virtude para não seguir a corrente do vício e do crime, quando
ziu-a para um terreno novo. O Espiritismo era apenas uma para isso não se tem outro freio além do da própria força de
simples doutrina filosófica; foi a Igreja quem lhe deu maiores vontade.
proporções, apresentando-o como inimigo formidável; foi ela,
enfim, quem o proclamou nova religião. Foi um passo errado, O respeito humano pode conter o homem do mundo, mas
mas a paixão não raciocina melhor. não contém aquele que não dá importância à opinião pública.

Um livre pensador. — Há pouco proclamastes a liberdade A crença na vida futura, mostrando a perpetuidade das
de pensamento e de consciência, e declarastes que toda cren- relações entre os homens, estabelece entre eles uma solida-
ça sincera é respeitável. O materialismo é uma crença como riedade que não se quebra na tumba; desse modo, essa cren-
outra qualquer; por que negar-lhe a liberdade que concedeis a ça muda o curso das idéias. Se essa crença fosse um simples
todas as outras? espantalho, não duraria senão um tempo curto; mas, como a

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142 PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA CAPÍTULO I 143

sua realidade é fato adquirido pela experiência, é um dever Se o Espiritismo negasse a existência de Deus, da alma,
propagá-la e combater a crença contrária, mesmo no interes- da sua individualidade e imortalidade, das penas e recompen-
se da ordem social. É o que faz o Espiritismo; e o faz com êxito, sas futuras, do livre-arbítrio do homem; se ele ensinasse que
porque fornece provas, e porque, decididamente, o homem cada um só deve viver para si, não pensar senão em si, não só
antes quer ter a certeza de viver e poder ser feliz em um mun- seria contrário à religião católica, como a todas as religiões do
do melhor, para compensação das misérias deste mundo, do mundo; ele seria ainda a negação de todas as leis morais, base
que a de morrer para sempre. O pensamento de ser aniquila- das sociedades humanas.
do, de ver os filhos e os entes que lhe são mais caros perdidos, Longe disso: os Espíritos proclamam um Deus único, so-
sem remissão, sorri a um bem limitado número, acreditai-me; beranamente justo e bom; eles dizem que o homem é livre e
é o motivo do tão pequeno êxito obtido pelos ataques dirigidos responsável por seus atos, recompensado ou punido pelo bem
contra o Espiritismo, em nome da incredulidade, os quais não ou pelo mal que houver feito; colocam acima de todas as virtu-
lhe produziram o menor abalo. des a caridade evangélica e a seguinte regra sublime ensinada
pelo Cristo: fazer aos outros como queremos que nos seja feito.
Padre. — A religião ensina tudo isso; até agora foi sufi-
ciente; qual é hoje a necessidade de uma nova doutrina? Não são estes os fundamentos da religião?

A. K. — Se a religião ensina o bastante, por que há tantos Essa certeza do futuro, de se ir encontrar aqueles a quem
incrédulos, religiosamente falando? se amou, não será uma consolação?

Ela prega, é verdade; ela nos manda crer, mas há muita Essa grandiosidade da vida espiritual, que é a nossa es-
gente que não crê por simples afirmação. O Espiritismo prova sência, comparada às mesquinhas preocupações da vida
e faz ver o que a religião ensina em teoria. Além disso, donde terrena, não será própria a elevar a nossa alma e a fortalecer-
vêm essas provas? Da manifestação dos Espíritos. -nos na prática do bem?
Padre. — Concordo que, nas questões gerais, o Espiritis-
Ora, é provável que os Espíritos só se manifestem com o
mo é confor me às grandes verdades do Cristianismo;
consentimento de Deus; se, pois, Deus em sua misericórdia
dar-se-á, porém, o mesmo em relação aos dogmas?
envia aos homens esse socorro para afastá-los da increduli-
dade, é uma impiedade repeli-lo. Não contradiz ele alguns princípios que a Igreja nos ensina?

Padre. — Não podeis, entretanto, contestar que o A. K. — O Espiritismo é, antes de tudo, uma ciência, não
Espiritismo não está, em todos os pontos, de acordo com cogita de questões dogmáticas. Esta ciência tem conseqüên-
a religião. cias morais como todas as ciências filosóficas; essas
conseqüências são boas ou más?
A. K. — Ora, senhor abade, todas as religiões dirão a
mesma coisa: os protestantes, os judeus, os muçulmanos, tanto Pode-se julgá-las pelos princípios gerais que acabo
quanto os católicos. de expor.

Sem título-1 142-143 14/2/2006, 08:39

porque sabemos o respeito que se deve em sua ignorância. os ho- àqueles que não vivem mais sobre a Terra. entretanto. seres que tituir nova Igreja. em a Natureza e podemos dizer cramental: para os Espíritos o pensamento é tudo e a forma é que. porque cremos em eletricidade o é sob outro ponto de vista. existiu em todo crenças. Ele repousa. de todas as seitas religiosas do mundo. muçulmanos e mesmo sua verdadeira causa. porque essa é uma condição necessária para as observações. até * Ver Reformador de 1949. procedemos em nossos trabalhos com calma e recolhimen- to. Nós os chamamos em nome de Deus. e desempenham segundo uma fórmula religiosa? papel muito ativo no mundo moral. e mesmo. por conseguinte. A descoberta da eletri- cidade e de suas propriedades veio lançar por terra um pu. para compreendê-lo em sua verdadeira essência. até certo ponto. fazemos ram. porque. e. a distância é grande. 217. em princípios independen- nhado de teorias absurdas. sem Padre. não são feitas que estes o percebam. Cada um pode formar de suas opiniões uma religião e ra. é ele uma potência. o sentimento religioso domina nas no físico. que por esse fato não renunciaram às suas convic- tempo e produziu sempre os efeitos que hoje observamos e ções: católicos fervorosos que não deixam de praticar todos os deveres do seu culto. é. que eles não virão sem que Deus o permi- sível é a fonte. os cristãos são os mais aptos outros de ordem diferente. qualquer que seja mens os atribuíam a causas mais ou menos racionais. Na ignorância da tantes de todas as seitas. O que fizeram a eletricidade e as todas no sentido do Cristianismo. 144 PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA CAPÍTULO I 145 Algumas pessoas se iludem sobre o verdadeiro caráter do hoje insolúveis ou mal compreendidas. porque de todas as doutri- ciências físicas para certos fenômenos. A questão é de grande importância e merece al. é que ele conta entre os seus aderentes homens de todas as paração: a eletricidade. pág. missão. produziram-se em todos os tempos. K. nos quais deixaram seus invólucros interpretar à vontade as religiões conhecidas. como se deu com a eletricidade. estando na Natureza. — As evocações. — Realmente. e de. Façamos primeiro um termo de com. nesse ponto de vista. feliz ou infeliz. numa certa ordem de idéias. protes- muitos outros que ainda não conhecemos. o de uma ciência e não de uma religião*. e como ainda a Deus e sabemos que nada se faz neste mundo sem sua per- gravitação é uma outra. no mundo espiritual. A. em segundo lugar. pois. Sem título-1 144-145 14/2/2006. sua condição. e. mas daí a cons- materiais. Os fenômenos. o Espiritismo o fez para nas é esta a mais esclarecida e pura. Suas conseqüências morais são de um mistério da Natureza. quando a Igreja os não repele. uma grande influência. e a prova disso guns desenvolvimentos. portanto. Somente. evocações e em nossas reuniões. eis aí por ta. um modo mais ou menos extravagante. O Espiritismo funda-se na existência de um mundo invi- Podemos exprobrá-lo por isso? sível. 08:39 . formado pelos seres incorpóreos que povoam o espaço e que não são mais que as almas daqueles que viveram na Ter. o Espiritis- mo vem derramar luz sobre grande número de questões. conhecendo que há bons Mais bem observado depois que se vulgarizou. de que o mundo invi. mas não temos fórmula sa- O Espiritismo está. que a história de todos os povos faz deles menção. razão pela qual. ou em outros globos. nos cercam e incessantemente exercem sobre os homens. um apelo aos bons Espíritos. livre curso à sua imaginação. pois. israelitas. São os seres a que chamamos Espíritos. — Nota da Editora. Seu verdadeiro caráter Espiritismo. como a nada. os homens explicavam esses efeitos de budistas e bramanistas. espargindo a luz por sobre mais tes das questões dogmáticas.

estes são proclamados por todos os Espíritos. podem ter preferências. desejamos que estes últimos não venham tomar par. porque seria repelido. por exemplo. aquela que procura escolher uma. por que então não praticam segundo a lei de Deus. judeu. crendo perfeitamente em Deus. que nada prescreve de respeito da religião? Os bons nos devem aconselhar e guiar. a melhor de todas as culpa naquele que mais meios tinha de esclarecimento? religiões é aquela que só ensina o que é conforme à bondade e Sem título-1 146-147 14/2/2006. aquela. 146 PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA CAPÍTULO I 147 e maus. o que não lhes ensina a amarem-se todos como irmãos. de cada uma delas. — Creio que certos pontos da doutrina católica quer que seja a sua classe. eles se limitam a dizer: Deus inumanos ou contrários à caridade? Não haverá sempre mais é bom e justo. que a fé possa ser proveitosa a citados por alguma consideração especial. ela não lhe deve deixar porta algu- princípios gerais. todo mal feito ao próximo. qual. samentos que os atos. finalmente. — Certamente que não. se ela os não desviar da Acreditais. vaidade dos homens. seja por prudência. por exemplo. Vede. caridade e moralidade. os Espíritos são contestados pelos Espíritos que considerais superiores. e Deus olha mais os pen- Não o fará. se ela os tornar duros e egoístas. se dizer-lhe que Maomet é um impostor. para não assustar as cons. aquela cujos ministros dão o melhor exem- Suponhamos que eu não tenha religião alguma e queira plo de bondade. Quanto aos segundos. — Pois bem! Que dizem os Espíritos superiores a qualquer forma ou pretexto que seja. — Há dois pontos a considerar nas religiões: os de pretexto a nenhum mal. opiniões. vulgares. dirigindo-se a um muçulmano. irá inabilmente mais bem fundada crença os prejudicará evidentemente. comuns a todas. animar certas práticas. A. se eu lhes pedir para aconselharem-me se devo melhor combater o egoísmo e lisonjear menos o orgulho e a ser católico. que dá de Deus a maior e a mais sublime te fraudulentamente nas comunicações que recebemos. os Espíritos superiores. anglicano. protestante. seja porque conservaram as idéias cial à salvação daqueles que. nem diretamente. segundo a opinião dos ditos Espíritos. pouco. K. que um Espírito esclarecido. K. não quer senão o bem. pratique atos com essas questões de minúcia. lhes fornecer ocasião de fazer o mal. se ela antes os incitar a isso. sem ser maus. justiça de Deus. ao passo que a mesmo Fénelon. quáquer. poderá dem preconizar esta ou aquela forma. que torna os homens bons e virtuosos e Que prova tudo isto? Que não somos ateus. e os princípios particulares ma aberta. 08:39 . em nome da qual se maometano ou mórmon. a consi- da vida terrena. que condena quer dizer que sejamos professos de religião reformada. fosse prática do bem. ser prejudi- seja por convicção pessoal. não se preocupam um homem que. po. e que ele será condena. qual será a resposta deles? comete menos mal. tal crença. porque uma boa religião não pode servir A. nem por interpretação. se a isso não são soli- Acreditais. errando ou acertando. Quem poderá sustentar o contrário? Em geral. porque Deus não se pode contradizer. Os primeiros são os de que falamos há julgai e escolhei. contrário às leis imutáveis da Natureza. de faltar à caridade com do se não se fizer cristão? o próximo. idéia e não O rebaixa emprestando-Lhe as fraquezas e as pai- xões da humanidade. que não autoriza a injustiça sob Padre. supondo mesmo que esses princípios sejam errôneos. deram artigo de fé e a praticam? ciências timoratas. Padre.

qualquer que seja a natureza porém. que a fazem grande. sim. 148 PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA CAPÍTULO I 149 Padre. credes isenta de abusos. que escrupulosa. a apari. reverendo. convireis que nem trário. Padre. não é censurado os teólogos. a Terra nos apresenta a prova do con- tão. se o quiserdes. — Já de há muito que esses pontos estão sendo de que acabastes de falar. mil vezes sim. como no-lo prova o estado A. podem retardar esse progresso. antes de Adão. apesar de o não quererdes. entre os seus ministros. Se a religião corresse qualquer perigo. Notai bem. pela Igreja. são pelo Espiritismo. mas. a anterioridade do esses abusos. que alguns dos pontos divergentes A. o católico fervoroso. se ele o faz com sinceridade. se só tiver piedade aparente. abusos que fazem nascer o pensamento de po- homem. Os Espíritos superiores. assinalar os abusos da religião. quanto às questões penas. — Dissestes que o Espiritismo não discute os como doutrina moral. O Espiritismo. não são. bela e respeitável. por exemplo. não foi o Espiritismo quem os pôs em litígio. em tudo que vos aprouver. onde quer que ele se deixe de ser a Terra que gira. tais como. nega a eternidade das prova dos grandes princípios da religião. o purgatório e o fogo do secundárias. dizeis que a data da vinda do ache. tem conseqüências morais. será atacá-la? homem à Terra não vai além de 6. mesmo na exis- dão dela falsa idéia. escrita em suas camadas geológicas. ele as abandona à consciência de cada um. ele admite certos pontos combatidos fazer o bem e evitar o mal. só impõe uma coisa: a necessidade de dogmas. e caridoso para com os vossos semelhantes. ras. Enquanto a luz não se faz para vós sobre essas questões. consciência. nas chamas e torturas materiais. se tal crença vos puder tornar bom. pontos sobre alguns dos quais há controvérsia. se assim tiver de ser. em princípio. essa crença. como já tem demonstrado tantas outras coisas? der ser ela substituída por outra melhor. Os Espíritos combatem o mal. não priva que os fatos vos contradigam. K. os encarregados do progresso crede. ral. que é a lei superior. Um grande princípio pelos Espíritos? domina a todos: a prática do bem. a existência dos demônios. há muitos que que o mundo todo foi criado em seis vezes vinte e quatro ho- desempenham sua missão com devotamento inteiramente cris. É uma ciência de observação que. por traços patentes. mesmo entre mente cumpre com os deveres do seu culto. mas isto não impede de renascerdes aqui ou em outra Ora. a reencarnação. Se tivésseis lido tudo quanto tenho escrito a Sem título-1 148-149 14/2/2006. mas. não se pode negar que a religião nem sempre esteve parte. a con- dição sine qua non do nosso futuro. transformando-a em arena de paixões tência do diabo. declararam-se contra todos os abusos que julgais que isso impede que pratiqueis o mal. se for hipócrita. se. — Não. K. repito. pois. não as tornará mais reais se elas não existirem. que são a confirmação e a ção do homem na Terra. E que direis se um dia a Ela não tem inimigos piores que aqueles que defendem Geologia demonstrar. deveria a responsabilidade cair sobre os que Crede. de haver Josué feito parar o Sol. se da Humanidade. contestados discutidos. entretanto. — Assim.000 anos: isto. estais convencido todos assim sempre compreenderam a santidade do seu mi. porém. e. o que não dá lugar a que nistério. inferno. 08:39 . deles e quaisquer que sejam os indivíduos ou as classes que Acreditais que não temos mais de uma existência corpo- deles se aproveitem. e que só o futuro julgará. apesar disso. se isso é para ele uma questão de dos Espíritos que conosco se comunicam. humano humanas e explorando-a em proveito de sua ambição.

antes que de Espírito culpado. mesmo entre os mais mente lógico. mento. se me deram uma imagem. e conce- vai mesmo além: ele o define. — É isso um erro que tem lançado mais de um expiação e a reparação. a razão. Quem ima- fornalha. não. que ele não nega o purgatório. teríeis visto que ele se limita a dar-lhes uma interpreta. um melhoramento homem no materialismo. afastado mais de sério e efetivo. que pune. e este quadro nos toca conhecer a opinião íntima de todos os homens que raciocinam mais que o das chamas perpétuas. as penas futuras. O Espírito é um homem da religião. porque tudo nele é perfeita- e se acham no caso de compreendê-la. não aceitando uma parte. que assim religiosos se veria para que lado penderia a maioria. símbolo das maiores dores. nada ao arrependimento. 150 PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA CAPÍTULO I 151 respeito. em uma palavra. aos quais Eis. K. 08:39 . Eis por que as crenças espíritas têm conduzido ao bem muita gente. são os Espíritos que a ensinam e provam. sua alma se abra ao arrependi- ção mais lógica e racional do que a que vulgarmente se lhes dá. não julgais que o A duração do castigo é subordinada ao melhoramento do vulgo precisa de imagens mais impressionantes. sua pertinácia no mal gens não impressionam mais. enquanto o culpado persiste no mal. a A. Sendo a duração da pena subordi- contestável um ponto que é falso. Desde que. que não se arre- uma figura. demonstra sua necessidade e justiça. porque nele nada re- misericórdia de Deus. seus esforços para fazer o bem aprofundam as coisas. para se descrever seus próprios sofrimentos. o que avança a Doutrina Espírita a tal não fazia mossa o medo do inferno. se fosse possível pôr-se a votos tal questão. mesmo entre os materialistas. e para ele verdadeiro? Se. nada tem a então a pena seria eterna. que o fogo que ali se consome é um fogo plos que diariamente nos fornecem. porque a deve ser. O que Deus exige. uma volta sincera ao bem. e então aqueles que não prolonga-lhe os sofrimentos. é quando inerente à inferioridade do Espírito é não ver o termo da sua os homens querem avançar e ela deseja ficar estacionária. sofreria sempre. castigo. para pôr um termo aos sofrimentos. quem me afiança que o resto seja pendesse e nunca se melhorasse. por exemplo. mais conforme à justiça de antes. O inferno foi descrito como imensa de-lhe graça desde que ele volte ao bom caminho. pois que são eles mesmos que nos vêm penas. Os Espíritos não negam. É assim. Nenhuma condenação por tempo uma filosofia que ele não pode compreender? determinado é pronunciada contra ele. Essa eternidade de penas deve ser repelir. o pensador filósofo pode aceitá-lo. é o arrependimento. pelos exem- uma simples figura. se alguma vez ela corre perigo. que essa situação é uma conseqüência natural das idéia de uma eternidade de suplícios é a negação da infinita coisas. — Admitindo esse raciocínio. a fé se fortifica. Deus lhe faz entrever um raio de esperança. Uma condição progresso das idéias. A religião ganhará sempre em seguir o entendida no sentido relativo e não no absoluto. o Espírito culpado. pelo contrário. porém. mas ele será assim também compreendido pela alta ginou essa teoria? Seríamos nós? teologia? Evidentemente. Chega o momento em que essas ima- assim o árbitro de sua própria sorte. pelo menos. como lhes era pintado. pela realidade. Quanto à eternidade das pois. Compreende-se que isto é possível. dizem eles: se me ensinaram como verdade in- os minoram ou abreviam. demais. pelo contrário. moral. porque. respeito: Padre. ou. crescendo. ela diz muito bem que isto é Não. rejeitam o todo. por certo. situação e crer que há de sofrer sempre — o que é para ele um Sem título-1 150-151 14/2/2006. pugna à razão. Deus. Esta doutrina é.

quando neles se combate o mal. e fazer de Satã um rival da Divindade? demônios. que admite a conversão de Satã. — O Evangelho ensina que o anjo das trevas. alusão ao próximo. por um instante. espécie de párias da criação e algozes do gênero humano. Mal. segundo o Espiritismo e a opinião de mui- nhecer. quaisquer que eles sejam. isto é. reconhece hoje que o infer. sim. Além disso. — Satã. ramente. admitindo a autenticidade de certas suscitando maus pensamentos. pois. criados para o mal e perpetuamente votados a só podermos entrar em relação com os maus Espíritos. é uma questão de opinião que se comunicar com os Espíritos. se transfor ma em anjo de luz para seduzir os como for. é a personificação do tão está em saber se são eles os únicos que se comunicam. a realidade das manifestações. Crer que seja assim. mas isso não exclui a existência dos poder e bondade. significa gênio. à des- possível que Ele só o tivesse permitido aos maus? truição. aspecto sobre que se mostre. não pode ser senão com a permissão de Deus. rejeita assim a idéia de seres à parte. qualquer que seja o melhoramento dos maus Espíritos. admitir a comunicação dos maus Espíritos é reco- A. nar os homens. e desse mundo não estão excluídos os bons. tendo em vista intimi- cam. 152 PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA CAPÍTULO I 153 Comete um erro de época quem espera conduzir os homens de viessem fazer um contrapeso. em princípio. sagaz Sem título-1 152-153 14/2/2006. não somente do medo. grega. somente ele diz não serem eles aparições e comunicações de santos. Seja Satã. de à letra dessa figura alegórica. Segu- isto. chega a um resultado totalmente contrário. Se os Espíritos. porém. o Evangelho. será racional crer que o Espírito Notai também que a palavra demônio não implica a idéia maligno assim proceda? de mau Espírito. Ela o representa como eminentemente fino. A ques- tos filósofos cristãos. Ora. se comuni- a Igreja. mas aos quais Deus sas boas. o desinteresse e o amor ao Católica Grega. ainda imperfeitos. Admitamos. à força de exagerar seu poder. ou que a palavra daimôn. A Igreja apega-se como afirma a Igreja para motivar a proibição. como Saturno era outrora a do Tempo. por- Padre. feita por ela. os Padres da Igreja reconhecem não pode vir de Deus? perfeitamente a possibilidade das comunicações com o mun- A. hoje ela exprime um Espírito mau. inteligência. a abnegação. neutralizar suas doutrinas hoje pelo medo do demônio e das torturas eternas. não é um ser real. os maus Espíritos. por do vulgar da palavra. mas também da crença em tal Como?! deixando a estes toda a liberdade de virem enga. personagem. homens. quando nos trabalhos obtidos só encontramos coi- são seres atrasados. 08:39 . que Satã seja um ser real. a Igreja. perniciosas? Padre. nós invocamos o raciocí- eu não discutirei. do invisível. como explicar a influência do mal. não seria pôr em dúvida seu no material é uma figura. sem eles. — O Espiritismo não admite os demônios no senti. havemos hoje de excluí-los? valem mais do que aqueles e que fazem igualmente o mal. K. — A Igreja. Nisso concorda o Espiritismo com a Igreja moral evangélica. que A Bíblia. Aqui. é dar. que lhe é dada pela acepção moderna. nio e os fatos. K. quando nos pregam neles a mais pura e sublime reservará o futuro. que não que. segundo o provérbio: Quem muito quer provar. com efeito. Deus poderia impedir que os bons lhes nada prova.

é a ju- goria. so. dão força e coragem aos fracos. é porque elas são contrárias à religião. por Este último. se veja obrigado a transformar-se. 08:39 . a submeter-se à A proibição feita por Moisés tinha então a sua razão de vontade do Criador. Há. nun. Trata-se de saber se a Igreja coloca a lei Uma vez que seu fim é alimentar de vítimas o inferno e moisaica acima da evangélica. animá-los a renunciar ao mal. contra cujas virtude. elevam a alma acima bém quanto à pena de morte. ela se acha somente na lei moisaica. como a pena de morte contra os delinqüentes. excitá-los a voltar a Deus. tam- que. da vida material. — Se a Igreja proíbe as comunicações com os Espí. se deva interdizer-nos qualquer relação com o mundo provar-se o grau de culpabilidade da evocação dos mortos. mas essa proibição não se en- nhar o papel de louco ou de tolo. em anjo de luz. na questão do Espiritismo. e. se crêem que Sem título-1 154-155 14/2/2006. são dele. é o que não se pode compreender. sim. seria ato de um simplório. Se invisível. fá-lo desempe. ser. — Peço-vos perdão. explorado pelo charlatanismo e pela superstição. nem com o sentimento de piedade. ora. ao bem os que praticavam o contra esse abuso uma penalidade severa. Devemos mesmo notar que. com o pensa- Não se evocava então os mortos pelo respeito e afeição mento de apanhá-las de novo. uma origem tão sagrada como a interdição. contra em parte alguma do Evangelho. se ela for arrebatar almas do poder de Deus. pois. ja àqueles que estão no bem para induzi-los ao mal. prova quanto elas são repreensíveis aos olhos de Deus. que não a conservam também? Todas as leis de Moisés são cas. um erro apoiar-se na severidade do castigo para motivo. como objeto de tráfico vergonho- mônios uma contradição que fere todo homem sensato. nada mais lhe resta fazer para sepultá-los no lama- çal. promulgadas em nome e por ordem de Deus. mas. Padre. para tal fim. que consolam os aflitos. pronunciando a pena de morte contra essas práti. compreende-se que se diri- mais judia que cristã. sejam auxiliares de Satã. pois. segundo belíssima ale. A. por este É. neste caso. como meio de adivinhar. na doutrina da comunicação exclusiva dos de. assim será. 154 PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA CAPÍTULO I 155 e ardiloso. sos meios rigorosos para conter esse povo indisciplinado. porque o legislador hebreu queria que o seu povo do-lhes a felicidade dos escolhidos e a triste sorte que aguarda rompesse com todos os hábitos trazidos do Egito. isto é. e que. de todas as religiões. em que se apóiam suas redes. a interdição da evocação aos mortos vem do próprio Deus. dar liberdade a aves que estejam numa gaiola. era pródiga a sua legislação. é que eram preci- mal. tributados a eles. mas. por que proíbem a leitura da Bíblia? Que diriam se se Os que não admitem Deus nem a alma. as seitas cristãs. mas. Se ele pronunciou Deus aqueles que o renegavam. mostran. pela sublimidade de seus ensinos. Se as prescrições bíblicas são o código da fé cristã. que desprezam a proibisse a um cidadão o estudo do código das leis do seu prece e vivem mergulhados no vício. e de os maus. Moisés teve razão de proibi-lo. por certo. como a Igreja pretende. quanto é possí- país? vel ser-se. Esta pena passa a ter sendo formalmente condenadas pelo Evangelho e por Moisés. nessas ca se persuadirá alguém que os Espíritos que reconduzem a condições. que ele hipocritamente simule a daica a que faz menos oposição ao Espiritismo. a orar. que deixe escapar aqueles que já estavam em evocações ela não invocou a lei de Moisés. mais estúpido que o de entre os quais o de que tratamos era objeto de abusos. deve também ser Deus quem marcou ritos dos mortos. K.

08:39 . O Evangelho. como proíbe a evocação dos Espíritos. se ela é diversamente interpretada pelos teólogos. e 1. é uma prova de que eles podem vir. não considera bons aqueles que vêm questão que exige tão longos desenvolvimentos: vós a contradizer seus princípios imutáveis. porque vinha revelar por que deixa de sê-lo sobre os outros todos? Por que recorrem uma lei da Natureza. foi condenado e excomungado. Os Espíritos ensinam. porém. se eles não proclamassem a se sujeitou e que não aboliu? liberdade de consciência e não condenassem certos abusos. se a Igreja Ora. não derribar a religião. do contrário essa interdição seria inútil. como na velha crença de girar mente manifestações de todos os gêneros. crendo-se na posse exclusiva da ou disciplinar. inatacável. pregam e. e repelem-na no que não jul. Padre. portanto. a que Jesus do no sentido exclusivo da Igreja.010. 156 PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA CAPÍTULO I 157 Deus seja o autor delas. 222 e seg. nunca se ocuparam com o Espiritismo? e antes de ele ser di. de fé sofrem com isto. e o Cristo não fez mais que desenvolvê-la. caps. e a proibição trina que não é inteiramente ortodoxa. pois que ele não é mais que a renovação da metempsicose de Pitágoras. os Espíritos vêm. é porque. ela. não acrescentarei senão duas palavras. bem sei que entrar em relação com os homens. e. porém. revelar-nos novas leis da Natureza. distinguir os bons dos maus. 2a. porém. lei que foi conservada porque é nios. Tal é também a razão por que todas as religiões. resia e de ser inspirado pelo demônio. então. em seu tempo. ainda hoje o podem. Galileu foi acusado de he- lei de Moisés é para a Igreja um artigo de fé sobre um ponto. — Não é esta a ocasião própria de discutir uma manifestado. de Moisés já não tem razão de ser. os dogmas. apropriada aos costumes do tempo. que há penas e recompensas futuras. podiam eles Padre. re. de lho segundo o Espiritismo (vede O Livro dos Espíritos. os mu- divina. Sem título-1 156-157 14/2/2006. do que atribuí-la ao demônio. A questão está em saber se um artigo de fé pode anular uma vulgado não se davam tantas delas? lei natural. dos mortos. só ela pode julgar o que eles no 166 e seg. Hoje as circunstâncias são outras. mas. olham como obra do demônio qualquer dou- Cristo aboliu. — Deixemos a questão dos demônios. Se alguns pontos eles venham sem ser chamados? Não estamos vendo diaria. estão em contradição com essas leis. — A Igreja não nega que bons Espíritos possam comunicar-se. sobre todos os pontos. ma da reencarnação parece-me mais difícil de conciliar com Antes de tudo. abunda- suas prescrições. pois reconhece que os santos também se têm A. e.. por que não as observam ainda? Se a A. e se. K. a lei civil çulmanos como os católicos. entre pessoas que o Sol ao redor da Terra. Se. e que o verdade absoluta. encontrareis tratada em O Livro dos Espíritos e em O Evange- é verdade. gam conveniente? Qual o motivo de não seguirem todas as Se os Espíritos tivessem. não são exclusivamente demônios. do seu ponto de vista. não será mais racional adaptar a interpretação do dogma a Outra contradição: Se Moisés proibiu evocar os Espíritos ela. poderá também impedir que Galileu. que é obra de Deus. teriam sido todos bem-vindos e não os qualificariam de demô- sumida nas tábuas do Sinai. provando o erro de uma crença julgada a ela naquilo de que precisam. modo diverso do que ela ensina. sendo essa lei reconheci- da. Além disso. K. o siste- são Espíritos de mortos. devemos ser lógicos. — Eis a magna questão. entre outras a da circuncisão. Havia na lei moisaica duas partes: 1a. a lei de Deus. IV e V).

) Era uma espécie de espantalho para os simples. que fará a Igreja? fere essencialmente da metempsicose. logo. Assim como dizemos perfeitamente livres. explicando as questões que só ela pode resolver. as dos inconstantes e estouvados. os por. se está em a Natureza. deve ser menos aquinhoado na vida futura? Sem título-1 158-159 14/2/2006. Se está demonstrado que se cumprem na humanidade. é ou não um fato. é assim que se admitia que as al. em razão de sua diz: “O diabo vos agarrará e levará para o inferno”. é va à humanidade. é o que pela força das coisas será feito mais sistia em passar a corpos de mulheres. Deus lhe permite continuar. o que implica uma degrada. 158 PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA CAPÍTULO I 159 A metempsicose dos antigos consistia na transmigração ela não pôde acabar em outra. essa doutrina não era o que vulgarmente se crê. a culpabilidade. segundo o Espiritismo. em não admitir aquele a encarnação da alma humana nos corpos de animais. Natureza. Para provar que ela não existe. A encarnação animal não era. às injúrias. ou não. não aos dogmas. o que é reencarnação. A expiação na vida corporal consiste nas tribulações que nela ção. limito-me a dizer o seguinte: mas dos assassinos iam habitar os corpos dos animais fero- zes. mas cias da alma é ou não contrária a certos dogmas da Igreja. e a prova é que a punição dos homens tímidos con- de interpretar. os dos animais aquáticos. de destruir. uma só existência. como punição temporária. A idéia da pluralidade das exis- diziam aos criminosos: “Vós vos tornareis em lobos”. Quan- do ela for reconhecida como verdade natural e aceita por to- A pluralidade das existências. o lobo vos comerá”. Ou a reencarnação existe. aliava-se à encarnação por falta de compreensão. cia desta. hoje aceitos por aqueles que os repeliam outrora. a alma. monstrar que vai de encontro. de crer que é o às crianças: “Se fordes más. os das aves. pois. ou recomeçar o que fez errado. dos. por Pezzani. mais ou menos. 08:39 . Não se trata. saindo dessa espécie de prisão. em nova encarnação. do para satisfação das necessidades de um ideal. nem uma mas progride sempre. Suas diferentes existências corpóreas opinião pessoal. di. — Segundo os Espíritos. conforme leis. e hoje se tências se vulgariza com pasmosa rapidez. mas a essas Depois de alguns milhares de anos. se existe. como ainda hoje o são. sendo cada uma um passo que certos efeitos existentes são materialmente impossíveis sem a a alma dá na senda do progresso intelectual e moral. muitas vezes abreviada por causas aciden. os antigos Sol que gira ao redor da Terra. ela. quem não crê neles nem nas tais. extrema lógica e conformidade com a justiça de Deus. as dos impudicos. o que suas manifestações. é preciso admitirmos que eles são a conseqüên- coisa muito diversa da metempsicose. da alma do homem nos animais. pois. é uma lei da cos e javalis. mesmo Em resumo: a reencarnação não é um sistema imagina- como castigo. expostas ao desprezo e tarde. Demais. uma fácil demonstrar que certos dogmas encontram nela sanção racional. an. sofremos. A transmigração pelos corpos dos animais não era considera- Quanto à questão de saber se a pluralidade das existên- da como condição inerente à natureza da alma humana. Aqueles que não queiram aceitar a interpretação ficam tes que um artigo de fé para os filósofos. mas humana. Além disso. volta. (Vede Pluralidade das existências da alma. Os Espíritos ensinam que a alma não retrograda. e que há outra mais clara e logicamente melhor que ela. para neles receberem castigos. condição absoluta. como se vê. seria necessário de- as dos preguiçosos e ignorantes. Padre. não pode ser anulada Não podendo adquirir um desenvolvimento completo em por uma opinião contrária.

que a Igreja se ligue ao materialismo contra ele. em não sair do vosso ponto possa aplicar-se a todos. Não seria melhor deixarmos os geiros. servir de apoio à ambição e às paixões humanas. 160 PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA CAPÍTULO I 161 A. dizer-vos que. deve-se acolhê-lo Seus preceitos de moral serão escrupulosamente observados? como poderoso auxiliar. Igualmente inconseqüente é ela quando les que. não lhes quis confiar o cui- ser negro. ao passo que os Espíritos se contam por milhares e se Deus. não tiveram possibilidade de possuí-la.” to: Fora da caridade não há salvação. qualifica de demoníaco um ensino que se apóia sobre a mes- derá Deus cerrar-lhes as portas do futuro? ma autoridade e que proclama a missão divina do fundador do Não. mas sim. sua doutrina era ção. a grega ou a díamos e podemos alcançar a salvação. Se o Cristo disse a verdade. completar e explicar o que o Cristo Espíritos só ensinam os princípios de moral encontrados no propositadamente não fez senão tocar. próprio disse: “Eu teria ainda muitas coisas a dizer-vos. do que resulta que. época em que o homem está ma- Padre. como o Cris- parábolas. Mas. que à Igreja competia visto como antes que este viesse e hoje. quando elas combatidas pela incredulidade. que vem confirmar. alguns desses princípios que mudam a face do mundo. — Permiti-me. os Espíritos que nos instruem não são assim tão Cristianismo. desde que os duro para compreendê-lo. 08:39 . Por outro lado. é um fato do. ou não disse senão sob Evangelho. seus parti. eles nos dizem: Deus é soberanamente justo e O Cristo teria dito. meu amigo. já desde o começo. — Se esta crença fosse indispensável à salvação Que o materialismo o combata. eles não nos pregam que fora do vós não podeis compreendê-las. a fim de que possam zes de Além-Túmulo. prevendo que os homens iriam nela contradizem. Direis. dado desta nova revelação: deu-a aos Espíritos. teria revelado tudo? Não. — Errais. a forma alegórica. K. Qual delas conseguiria arrebanhar todos os dissidentes? única. critério dos conhecimentos humanos. menos concebível. sem dúvida. sem ser por ele. pouco lógicos. protestante? Como não estão elas de acordo. é por isso que eu vos falo em Espiritismo não possa haver salvação. as verdades fundamentais da religião. bem como daque. Não seria o mesmo se os Espíritos viessem ensinar algumas grandes verdades no. os diversos cultos cristãos não se terão. e nenhum a transforme em objeto de de vista e em considerar sempre a Igreja como o único exploração. cada uma explica- vas. não vejo qual possa ser a utilidade do Espiritismo. morrerão sem tê-la? Po. mas ções alheias à vontade deste. Não se lhe têm desnaturado as palavras. o Espiritismo não podia dizer em coisa alguma. K. a fim de que ela A. mas dos homens. ria a seu modo e reivindicaria o privilégio de dar essa explica- como fez o Cristo. que a proclamaram por todos os pontos do globo. Ao menos o Cristo era só. seus mensa- dários formam muitas seitas. qual delas? a romana. visto que ele bom. não faz a sorte futura do homem subordinar-se a condi. por todas as vo. apartado do caminho traçado pelo Cristo? outra coisa. uns dizendo que é branco o que outros afirmam enxertar suas paixões e prejuízos. po- dar essa explicação. durante ainda muito tempo. explica-se facilmente. que seria daqueles que. e em vez de por isso apedrejá-lo. lealmente condenam isso? Sem título-1 160-161 14/2/2006. que é sábio. O Espiritismo vem hoje. fora Espíritos tranqüilos e contentarmo-nos com o que já temos? dos limites particulares de qualquer culto. desde o começo do mun. então.

que reúne os homens. pretendendo todas que já não tem razão de ser. o camponês para viver e fazer germinar o gências de opiniões relativas aos fenômenos espíritas. pela voz dos Espíritos enviados de Dissestes que se podia passar sem ele. o Espiritismo se prende Vamos à questão da utilidade. Eis por que. tenham surgido entretanto. não para as pes- não há salvação. àquela: Fora da Igreja soas de vistas estreitas. qual o maior inimigo palavra do Cristo para impor silêncio a todas as controvér. a sua influência moral. repousam sobre círculo das idéias e nos fazem compreender melhor as leis da pontos de minúcias e não sobre o princípio fundamental. Admitamos que to. Suponhamos que a isso se física. pois. Sem título-1 162-163 14/2/2006. como não o são os diferentes sistemas ritismo nos faz conhecer. já não seria muito a revelação de tal nosso caso. de admirar que no começo de uma ciência. potência? A quantas seitas não tem o Cristianismo dado nascimen. Natureza. o mundo dos Espíritos é uma dessas leis que o Espi- porém. to àqueles que não se limitam a um estudo superficial. etc. que a vêem integralmente na doutri- não há salvação. Seja. sob este ponto de vista. que não pregou senão o amor e a caridade? Não será isso um pequeno serviço prestado à humanidade e à Fraqueza dos homens. também se podia passar sem muitas das descobertas científi- aqueles que dela se arredam. da religião? O materialismo. e. será por isso que o qualificam de cas. Vejamos. concordo. essas teorias. 08:39 . como religião? Porém não é ainda tudo: a certeza da vida futura. mostram a fraqueza. Dizeis que o Espiritismo essencialmente às idéias religiosas. que é imprópria ao limitasse a sua utilidade. para que a sua vinda marcasse na do fogo eterno. antes que se tivesse calculado os eclipses. seu divino Mestre. fé cega que se diz ao materialista que nem tudo se acaba com detestando-se intimamente e anatematizando-se em nome do o corpo. desenvolve-as naqueles nada revela de novo. Ora. Não fizesse ele mais que substituir a máxima: Fora da caridade A religião encontra. 162 PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA CAPÍTULO I 163 Ora. Po. direis vós. pois. transforme a Humanidade como por encanto? necessidade do bem e as conseqüências inevitáveis do mal. aqueles que a vêem segundo a grandeza e a majestade de Deus. mui- que não as possuem. o Espiritismo. sem ser uma religião. dem constituir escolas que expliquem certos fatos a seu modo. dividem os cristãos em diferentes igrejas. porém. Não é trigo. antes que se conhecesse o mundo microscópico e Vós vos iludis dando o nome de seitas a algumas diver- cem outras coisas. não tem necessidade de saber o que é um cometa. pela elas possuir exclusivamente a verdade necessária à salvação. não são seitas. porque o materialista não crê em sias? Por que é ela suscetível de interpretações que ainda hoje coisa alguma. antes da descoberta obra satânica? de todos os novos planetas. desde a sua origem? Por que não teve bastante poder a ele nada ensine. a palavra seita. o quereis que o Espiritismo triunfe subitamente dessa quadro vivo daqueles que nos precederam nela. Riscai. fortifica-as nos que as têm incertas. um apoio nele. ele nos ensina a influência que esse que dividem os sábios nas ciências exatas: em medicina. ora. é pelos fatos que se lhe mostram visíveis e palpáveis. Não é mais pelo raciocínio. quando ainda as observações eram incompletas para muitos. agora. É um erro: ele ensina. mas para uma nova era à Humanidade. na letra mais que no espírito. em mundo exerce sobre o corpóreo. à estrita observância de seus preceitos. ninguém nega que todas essas coisas alargam o teorias contraditórias. como Deus. Os homens certamente viviam bem. vem chamar. o Espiritismo é a negação do materialismo. então. ao contrário. que os divide.

A primeira leitura a fazer-se é a deste resumo. onde os princípios da doutrina estão com- Respondi. mas faz o do de que. 2a O protestante e o cismático serão confundidos na mes. dos princípios fundamentais é a causa das falsas apreciações egoísta e baldo de caridade? da maioria daqueles que querem julgar o que não compreen- 4a Qual terá mais valor aos olhos de Deus: a prática das dem. ção esforçamo-nos por indicar os pontos sobre que particu- leal em suas relações sociais. crente das ver. A ignorância ção. As nossas publicações são feitas no intuito de favorecer esse dades gerais. depois. caso ela se verificasse. Não só não temos o direito de exercer cons- homem sensato ousará avançar que a falta de ortodoxia é trangimento sobre quem quer que seja. Nesta rápida exposi- bem que pode. eis aqui a ordem que aconselhamos. julgamo-nos sempre felizes pelas aquisições que fazemos. sob o ponto de vista de suas Dissemos que o melhor meio de se esclarecerem sobre o conseqüências religiosas: Espiritismo é estudarem previamente a teoria. mas é duro. que não crê em coisa alguma. senhor abade. os fatos virão depois. 08:39 . no fundo. deve contar menos com a salva- larmente se deve fixar a atenção do observador. não admite certas partes do dogma? estudo. mas quem terá a coragem de defendê-los e se decla. Vêm depois as diversas obras onde zer-vos encarar o Espiritismo sob seu verdadeiro aspecto. para a dirigistes. deve-se ler últimos sem a da moral? O Livro dos Espíritos. sem intenção al. aos olhos de Deus. que é bom e indulgente para com o próximo. ou que se baseiam em idéias preconcebidas. Apresento claramente as questões seguintes. a quantos combatem o Espiritismo. qual- 1a Quem terá melhor quinhão na vida futura — aquele quer que seja a ordem em que as circunstâncias os façam vir. e serão facilmente compreendidos. limitando-me tão-somente a fa. existe algo de sério. a cobiça. as rarem seus campeões? Se ele não é indispensável à salvação. pois. 164 PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA CAPÍTULO I 165 Em uma palavra. trina. aos nossos princípios. que o ateísmo ou o ríamos escrúpulo em ir perturbar a consciência dos que. longe disso. parte experimental. quais têm para nós tanto maior valor quanto mais livres e facilita-a firmando-nos no caminho do bem. não venham espontanea- mente ao nosso encontro. naturalmente. virtudes cristãs sem a dos deveres da ortodoxia. etc. como também senti- mais repreensível. como vo-lo disse no começo. Sem título-1 164-165 14/2/2006. O Livro dos Médiuns. que apre- ma reprovação que o ateu e o materialista? senta o conjunto e os pontos mais salientes da ciência. ou aquele que. mas. ou a destes Se desta leitura nascer o desejo de continuar. O Céu e o In- ferno segundo o Espiritismo. como: O Evangelho segundo o Espiritismo. o Espiritismo engrandece e eleva as Não quer isto dizer que desprezássemos a vossa adesão idéias. como aos que quiserem bem com- mudar as vossas convicções. com isso. do que aquele que crê em tudo. eu não vos teria ido procurar. às questões e objeções que me pletamente desenvolvidos. materialismo? tendo crenças que os satisfazem. combate os abusos engendrados pelo egoísmo. a ambição. Além disso. Se são desenvolvidas as aplicações e as conseqüências da dou- não tivésseis vindo. já se pode fazer dela uma idéia e ficar-se convenci- 3a O que não é ortodoxo. no rigor da palavra. destinado a servir de guia aos que deseja- guma preconcebida de conduzir-vos às nossas idéias e de rem operar por si mesmos. que voluntárias são. preender os fenômenos.

É um erro crer-se que basta a certos incrédulos o testemu- nho de fenômenos extraordinários. nega implicitamente os efeitos. também não a aceita fora dele. O estudo prévio tem como resultado evitar-se essas obje- ções que. de modo completo. supõe que se podem pro- duzir fenômenos espíritas. 08:39 . quase sempre. uma espécie de curso. como se faz uma experiência de física ou de química. 2. para cada um. Quem não admite no homem a existência da alma ou Espírito. Daí a pretensão de sujeitá-los à sua vonta- Sem título-1 166-167 14/2/2006. na maioria. para que se tornem con- victos. se originam da ignorância das causas dos fenômenos e das condições em que estes se produzem. e portanto. Os contraditores se apresentam. retomando as coisas desde o princípio. porque seria preciso fazer-se. Quem não conhece o Espiritismo. e levantam questões e objeções a que é impossível responder-se logo. com uma idéia preconcebida que os desvia de uma observação séria e imparcial. C A P Í T U L O I I C A P Í T U L O I I Noções elementares Noções elementares de Espiritismo de Espiritismo O B S E R VA Ç Õ E S PR E L I M I N A R E S 1. negando a causa.

esses indivíduos se com- fonte. assim como não o faz a poesia por aqueles que Aquele que seriamente deseja instruir-se. depois da morte. é quando são menos esperados que se O Espiritismo sério não pode responder por aqueles que apresentam os fatos mais interessantes e concludentes. além disso. e. que existam tais obras prejudican- com isso. nesse sentido. Ainda que certos fenômenos possam ser provocados. lançando em rosto. Nem sempre as reuniões que têm por objeto tratar de mani. pretendessem julgar de uma arte pelas primeiras provas de um aprendiz. ou de uma Não admitindo. que a elas assistem. do a verdadeira ciência. Um es- tudo antecipado lhes ensinará a julgar do alcance do que vêem. o maior mal. como princípio. não conhecendo nem a sua e quem quer esclarecer-se não deve colher ensinos de uma só natureza. a existência e a interven- tragédia pela paródia. seja para obter cias. não podemos deixar de convir. e quem se 6. nisto como produzem maus versos. Por que seria privilegiado. Nisso não são eles mais lógicos que aqueles que poder observar. não se acham absolutamente à disposição de quem quer que seja. doutra forma. ou. não sendo os Espíritos mais que almas noviços. de que foram Sem título-1 168-169 14/2/2006. os incrédulos erros? saem menos convencidos do que o eram quando entraram. O mesmo raciocínio se aplica aos que julgarem o Espiritis- disser capaz de obtê-los. desde um juízo. de uma pessoa pela sua caricatura. Colocando-se em um ponto de vista diferente. também estaríamos pouco dispostos a cie. deve. aos que lhes falam do caráter sério do sobretudo em seu começo? Espiritismo. e colocar-se nas condi- ções indispensáveis. muitas vezes. com. apanhá-los em sua pas- sagem. Todas as artes. que não obtêm o que pedem. aparecerem tratados absurdos e cheios de algumas mesmo. ção dos Espíritos. rância ou má-fé. irrefletidamente pelos próprios que se dizem adeptos. nestas condições. muitas vezes ridículas. estão no mesmo caso. consiste em não se darem 4. o Espiritismo. seremos Espíritos. nem o seu modo de ação. 3. sobre as resultados satisfatórios. todos nós. 08:39 . ao trabalho de estudá-las todas. 168 NOÇÕES ELEMENTARES DE ESPIRITISMO CAPÍTULO II 169 de e a recusa de se colocar nas condições necessárias para os testemunhas. Sem dúvida. em tudo. porque só pelo exame e pela comparação se pode firmar portam como se operassem sobre a matéria bruta. não podem tomar a sério uma coisa que eles vêem tratada servir de joguete. é melhor não se preocupar É deplorável. pelo fato de provirem de inteligências livres. só provará igno. seja para produzir a convicção. para satisfação das fantasias dos curiosos. pelo menos. ou que o praticam de modo contrário aos seus preceitos. Os que só têm freqüentado reuniões dessa espé- que. ter paciência e perseverança. dizem. o compreendem mal. 5. porém. e Espiritismo. É preciso esperá-los. sempre que queira. as coisas. Não vemos. seria preferível que só as houvesse boas. uma idéia falsa do caráter do dos homens. O Espiritismo também tem aprendizes. e. eles. a separar o bom do mau. todas as ciên- festações espíritas se acham em boas condições. de mais sérias coisas. mo pelo que dizem certas obras excêntricas que dele apenas dão uma idéia incompleta e ridícula. concluem que não há Espíritos. As reuniões frívolas têm o grave inconveniente de dar aos preender-se-á que.

Quando o invólucro exterior está usado e não pode mais funcionar. Seria mais exato reservar a palavra alma para designar o 10. 9. pelo mesmo motivo. São seres nossos semelhantes. como alguns acreditam. 170 NOÇÕES ELEMENTARES DE ESPIRITISMO CAPÍTULO II 171 Se os que o criticam não tomassem as aparências por 3o O perispírito. uma pode servir. 08:39 . indiferentemente empre- com o mundo exterior. tendo como nós um 14. titui o homem. A morte é apenas a destruição do envoltório corporal. leve e indestrutível. conservando porém seu corpo fluídico ou Aquele que admite a sobrevivência da alma ao corpo. 11. pode conceber o princípio inteligente isolado da matéria. nem mite percorrer o espaço e transpor as distâncias com a rapi- fantasmas como os pintam nos contos das almas do outro dez do pensamento. e uma vez libertado desse Espíritos. pois. ela tem duplo invólucro: um pesado. que a alma abandona. invólucro fluídico. eles não são. como não se pensamento. DOS ESPÍRITOS em uma palavra. seres vagos e fardo. mas fluídico e invisível no estado normal. a alma e o perispírito separados do corpo constituem o ser chamado Espírito. A morte do corpo desembaraça o Espírito do laço que o 8. o Espírito o outro fluídico. nem o perispírito sem ser animado pelo princípio inteligente. invólucro material que põe o Espírito em relação palavras alma e Espírito são. grosseiro e destrutível — o corpo. classe à parte na criação. a árvore da casca. Os Espíritos não são. tros mundos. imponderável. como o faz a borboleta com a crisálida. como supõem muitas pessoas. as 2o O corpo. Há. tomba e o Espírito o abandona. no homem três elementos essenciais: princípio inteligente. durante a vida. mas. como o fruto se despoja da sua semente. chamado perispírito. leve. nem chamas semelhantes a fogos-fátuos. e o termo Espírito para o ser semimaterial 1o A alma ou Espírito. servindo base do seu juízo. porém as almas. no uso. e de laço e de intermediário entre o Espírito e o corpo. que lhe per- indefinidos. é o que se designa pelo nome de morte. OBSERVAÇÃO — A alma é assim um ser simples. Faz-se geralmente uma idéia muito errônea do estado dos prendia à Terra e o fazia sofrer. um ser duplo e o homem um ser triplo. perispírito. despidas do seu invólucro corporal. A união da alma. gadas uma pela outra. mite. daqueles que viveram na Terra ou em ou. a vontade e o senso moral. 12. saberiam o que ele admite e o que rejeita. não lhe resta mais que o seu corpo etéreo. ad. 13. como se deixa um vestido velho que já não 7. negar os Espíritos seria negar a alma. princípio inteligente em que residem o formado desse princípio e do corpo fluídico. a existência dos Espíritos. Quando a alma está unida ao corpo. é a figura que consiste em tomar a Sem título-1 170-171 14/2/2006. do perispírito e do corpo material cons- corpo. não lhe lançariam em conta o que ele repele em nome da razão e da experiência. mundo. a serpente da pele.

faculdades não estão amortecidas pela matéria. ao nosso lado. portanto. e. aos quais só para junto de nós e se sirvam. despojados desses corpos. de sua podemos depois da sua desencarnação. por liz ou infeliz. manifestação dos Espíritos. total- pequenos. Todos os nossos pensamentos neles se repercutem. desempenham um papel importante no mundo moral. o conhecimento do Mundo punição. nos. é igualmente racional admitir-se que aqueles que nos amaram. porém em grau mais alto. antes da invenção do mente perdidas para nós. é racional que as suas afeições continuem. porque as suas vota indiferença. sendo averiguadas. excetuando-se aqueles que. porém. ainda nos amem depois da morte. uma 15. conduzem à pro- os lêem como em um livro aberto. microscópio. não mais o corpo. rito. eles são os agentes de diversos fenôme- diferença. durante a vida terrena. cer. entes abstratos. lando-nos e observando-nos sem cessar. Os Espíritos possuem todas as percepções que passo que se mostram indiferentes para com quem só lhes tinham na Terra. don. tuem a Humanidade ou mundo corporal visível. uma vila composta de tan. isto é. filosoficamente. Espiritual. mas seres concretos e circunscritos. de que não suspeitávamos. eles formariam uma população. se o podemos dizer. mas principalmente por fatos. 08:39 . Sem título-1 172-173 14/2/2006. as fiar. constituem. até certo ponto. é essencial fazer-se a cessante entre nós. trem à sua disposição. Os Espíritos não são. va irrecusável da existência da alma. sobretudo quando são por estes atraídos pelos sentimentos afetuosos que lhes dedicam. de sua individualidade depois da morte. seu futuro. de modo que o que podía. do mesmo modo por que se diz que uma 18. por isso ele é a negação das doutrinas materialis- no 237. para isso. vêem e ouvem coisas que os 20. de fato. tarem àqueles a que amaram. pudesse ser levantado A experiência. Por sua presença in- tas famílias. O Espiritismo tem por fim demonstrar e estudar a nossos sentidos limitados nos não permitem ver nem ouvir. durante a 16. Desde que se admita a sobrevivência da alma ou do Espí- povoa o espaço e no meio do qual vivemos. formam o mundo espiritual ou invisível que 19. no físico. prova que os Espíritos conservam o véu que no-los esconde. dos meios que encon- falta serem visíveis para se assemelharem aos humanos. sem disso descon. 172 NOÇÕES ELEMENTARES DE ESPIRITISMO CAPÍTULO II 173 parte pelo todo. como vivemos no meio do mundo dos infinitamente almas dos nossos parentes e amigos seriam. Pois que os Espíritos podem ir a toda parte. suas faculdades. sem o que. que folgam em se jun- cando-nos por toda parte. de se segue que se.) tas. não tanto por meio de raciocínios. pela morte. se acham temporariamente nas trevas. Os Espíritos estão em toda parte. sua situação fe- Para eles não há obscuridade. as afeições sérias que tinham na Terra. eles têm sen- sações desconhecidas por nós. vida futura. em suma. das forças da Natureza. vagos e vida terrena. (O Livro dos Espíritos. que venham indefinidos. ao 17. de sua sobrevivência ao mos esconder a alguém. Os Espíritos revestidos de seus corpos materiais consti. e eles Essas manifestações. acotove- cidade é povoada de tantas almas. é o que confirma a experiência. em dado momento.

uma fumaça. incessante reação de cada um deles sobre o outro. uma vez estabelecido o fato das relações entre os mundos visí- rem desprendidos da matéria. hipócritas. bem como conhecidos a natureza. as suas rela- maus e vingativos. uma coisa vaga. Entretanto. entre os que não conhecem o Espi. dência pôr termo à praga da incredulidade e do materialismo. Sem título-1 174-175 14/2/2006. dá-se compreender que ela possa tornar à Terra. Se. guram ser ela um sopro. aos que deixaram a principal: Serão possíveis as comunicações entre as Terra. que se evapora e vai não se perpetuamente em inferioridade. fraudulentos. “Escala Espírita”. estar de pos. desde que houve homens. houve também Espí- dos Espíritos. e não é senão paulatina. as manifestações dos Espíritos tomaram grande desenvolvimento e adquiriram maior COMUNICAÇÃO COM O MUNDO INVISÍVEL caráter de autenticidade. vir atestar sua existência e revelar-nos sua situação almas e os viventes? feliz ou infeliz. semimaterial. a o mesmo com os Espíritos. formando com ele um ser concreto e individual. 174 NOÇÕES ELEMENTARES DE ESPIRITISMO CAPÍTULO II 175 21. abriu-se um novo campo à observa- ção e encontrou-se a chave de grande número de problemas. sublimes virtudes e o saber em grau desconhecido na Terra. dualidade da alma. que conquis- tam os conhecimentos que lhes faltam. Não sendo mais que as almas dos homens. mas para lugar tão distante que se custa a os graus de saber e ignorância. no 100. travessos. e bem assim gui-las que devemos empregar todo o nosso cuidado. dá em resultado uma za boa ou má das comunicações que se recebem. Fazendo cessar a dúvida sobre o futuro. pelo simples fato de esta. ape- como seria contrário à justiça de Deus supor que ele continue nas apreensível ao pensamento. Essa possibilidade foi demonstrada pela experiência. vel e invisível. 08:39 . porque estava nas vistas da Provi- 22. com o qual pontos mais importantes a considerar. ritismo. Como há homens de todos sabe para onde. o Espiritismo é Seu progresso só se faz com o tempo. é a Seria tão ilógico admitir-se que o Espírito de um selva- idéia falsa que fazem do estado da alma depois da morte. Uma idéia quase geral. Essa diversidade nas qualidades dos Espíritos é um dos 24. de bondade e malvadez. ao contrário. É um grave erro. o modo dessas relações. está em contato perpétuo. é a de crer que os Espíritos. nestes últimos tempos. por explicar a nature. e que se estes têm o poder de manifestar-se. a sobrevivência e a indivi. possuem as mais ções com os viventes nada têm de incompatível com a razão. — O Livro dos Médiuns. é em distin.) feito em todas as épocas e entre todos os povos. outros são mentirosos. O que faz nascer na mente de muitas pessoas a dúvida sobre a possibilidade das comunicações de Além-Túmulo. deviam tê-lo cap. F i - gem ou de um criminoso se torne de repente sábio e virtuoso. Sendo admitidas a existência. os Espíritos não adquirem a perfeição logo que deixam o envoltório terrenal. ritos. Alguns destes são apenas frívolos e considerarmos ainda unida a um corpo fluídico. e. XXIV. poderoso elemento de moralização. pelo contrário. o Espiritismo reduz-se a uma só questão mediante provas evidentes. outros. mente que se despojam das suas imperfeições. o princípio e se da sabedoria suprema. devem saber tudo. (O Livro demonstra que. Vivendo o mundo invisível no meio do visível. 23. permitindo.

176 NOÇÕES ELEMENTARES DE ESPIRITISMO CAPÍTULO II 177

25. As relações entre os mundos visível e invisível podem ser 28. Ainda que invisível para nós no estado normal, o perispí-
ocultas ou patentes, espontâneas ou provocadas. rito é matéria etérea. Em certos casos, o Espírito pode fazê-lo
Os Espíritos atuam sobre os homens ocultamente, sofrer uma espécie de modificação molecular que o torna visí-
sugerindo-lhes pensamentos e influenciando-os, de modo per- vel e mesmo tangível; é como se produzem as aparições —
ceptível, por meio de efeitos apreciáveis aos sentidos. fenômeno que não é mais extraordinário que o do vapor que,
invisível quando muito rarefeito, se tor na visível por
As manifestações espontâneas se verificam inopinada- condensação.
mente e de improviso; produzem-se, muitas vezes, entre as
pessoas mais estranhas às idéias espíritas, as quais, não ten- Os Espíritos que se tornam visíveis apresentam-se, qua-
do meios de explicá-las, as atribuem a causas sobrenaturais. se sempre, com as aparências que tinham em vida e que os
As que são provocadas, dão-se por intermédio de certos indi- podem tornar conhecidos.
víduos dotados para isso de faculdades especiais, e designa-
29. A vidência permanente e geral de Espíritos é muito rara,
dos pelo nome de médiuns.
porém as aparições isoladas são assaz freqüentes, sobretudo
em ocasiões de morte; o Espírito, quando deixa o corpo, pare-
26. Os Espíritos podem manifestar-se de muitas maneiras
ce ter pressa de ir ver seus parentes e amigos, como para ad-
diferentes: pela vista, pela audição, pelo tato, produzindo ruí-
verti-los de já não estar na Terra, e dizer-lhes que ainda vive.
dos e movimentos de corpos, pela escrita, desenho,
música, etc. Se passarmos em revista as nossas reminiscências, ve-
remos quantos fatos autênticos, dessa ordem, sem que os per-
27. Às vezes, os Espíritos se manifestam espontaneamente cebêssemos convenientemente, se deram conosco, não só de
por pancadas e ruídos; é muitas vezes um meio que empre- noite, durante o sono, senão também de dia e em completo
gam para atestar sua presença e chamar sobre si a atenção, estado de vigília. Outrora consideravam tais fatos como so-
tal como nós, quando batemos para avisar que está alguém à brenaturais e maravilhosos e os atribuíam à magia e à feitiça-
porta. ria; hoje, os incrédulos os classificam como um produto da
imaginação; desde que, porém, a ciência espírita nos forneceu
Alguns não se limitam a ruídos moderados, mas produzem meios de explicá-los, ficou-se sabendo como eles se produzem
bulhas imitando louças que se quebram, caindo, portas que se e que pertencem à classe dos fenômenos naturais.
abrem e fecham com estrondo, móveis lançados ao chão, e al-
guns chegam mesmo a causar uma perturbação real e verdadei- 30. Era por meio do perispírito que o Espírito agia sobre o seu
ros estragos. (Revue Spirite, 1858; “L’Esprit frappeur de corpo quando vivo e é ainda com esse mesmo fluido que ele se
Bergzabern”, págs. 125, 153, 184. — Idem, “L’Esprit frappeur de manifesta agindo sobre a matéria inerte, produzindo ruídos,
Dibbelsdorf”, pág. 219. — Idem, 1860; “Le boulanger de Dieppe”, movimentos de mesas e outros objetos que ele levanta, derru-
pág. 76. — Idem, “Le Fabricant de Saint-Pétersbourg”, pág. 115. ba ou transporta. Esse fenômeno nada terá de surpreendente,
— Idem, “Le chiffonnier de la rue des Noyers”, pág. 236.) se considerarmos que, entre nós, os mais poderosos motores

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178 NOÇÕES ELEMENTARES DE ESPIRITISMO CAPÍTULO II 179

se alimentam dos fluidos de maior rarefação e, mesmo, da dos Quando a mesa se levanta do solo e permanece no ar,
imponderáveis, como o ar, o vapor e a eletricidade. sem ponto de apoio, não é com força braçal que o Espírito a
suspende, e sim pela ação de uma atmosfera fluídica com que
É igualmente por meio do perispírito que o Espírito faz os
médiuns escreverem, falarem ou desenharem; não possuindo ele a envolve e penetra — fluidos que neutralizam o efeito da
corpo tangível para atuar ostensivamente, quando ele se quer gravitação, como o faz o ar com os balões e papagaios. Esse
manifestar, o Espírito serve-se do corpo do médium, de cujos fluido, penetrando a mesa dá-lhe momentaneamente maior
órgãos se apossa, fazendo-os agir como se fossem seus, por um leveza específica. Quando a mesa descansa no solo, acha-se
eflúvio com que ele os envolve e penetra. em caso análogo ao da campânula pneumática em que se fez o
vácuo.
31. No fenômeno designado pelo nome de mesas girantes e São simples comparações estas, para mostrar a analogia
falantes, é ainda pelo mesmo meio que o Espírito age sobre o dos efeitos e nunca uma absoluta semelhança das causas.
móvel, seja fazendo-o mover-se sem significação determina-
da, seja produzindo golpes inteligentes, indicando as letras do Quando a mesa persegue alguém, não é o Espírito que
alfabeto para formar palavras e frases, fenômeno este desig- corre, porque ele pode ficar tranqüilamente em seu lugar, e
nado pelo nome de tiptologia. somente lhe dar, por uma corrente fluídica, o impulso preciso
para que ela se mova, segundo a sua vontade. Nas pancadas
A mesa não é senão um instrumento de que ele então se
que se fazem ouvir na mesa, ou em outra parte qualquer, não
serve, como o faz com o lápis para escrever, dando-lhe vitali-
é o Espírito quem bate com a mão ou com algum objeto; ele
dade momentânea, pelo fluido com que a penetra, mas não se
lança, sobre o ponto donde parte o ruído, um jato de fluido
identifica com ela.
que produz o efeito de um choque elétrico e modifica os sons,
As pessoas que, presas de emoção, vendo manifestar- como se pode modificar os que são produzidos pelo ar.
-se-lhes um ser querido, abraçam a mesa, praticam um ato
ridículo, porque é absolutamente o mesmo que abraçar a ben- Assim, facilmente se compreende a possibilidade de o
gala de que se servisse um indivíduo para bater. O mesmo Espírito erguer no ar uma pessoa, como levantar um móvel
podemos dizer relativamente àquelas que dirigem a palavra à qualquer, transportar um objeto de um para outro lugar, ou
mesa, como se o Espírito se achasse encerrado na madeira, atirá-lo a qualquer parte.
ou se a madeira se tivesse tornado Espírito. É uma só a lei que regula tais fenômenos.
Por ocasião das comunicações dessa ordem, o Espírito não
se acha na mesa, mas ao lado do móvel, como o faria se fosse 32. Pelo pouco que dissemos, pode-se ver que as manifesta-
vivo; e aí o veríamos, se nessa ocasião ele pudesse tornar-se ções espíritas, de qualquer natureza, nada têm de maravilhoso
visível. Dá-se o mesmo com as comunicações por escrito; o Es- e sobrenatural; são fenômenos que se produzem em virtude
pírito coloca-se ao lado do médium, dirigindo-lhe a mão ou trans- da lei que rege as relações do mundo visível com o invisível, lei
mitindo-lhe o seu pensamento por uma corrente fluídica. tão natural quanto as da eletricidade, da gravitação, etc.

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180 NOÇÕES ELEMENTARES DE ESPIRITISMO CAPÍTULO II 181

O Espiritismo é a ciência que nos faz conhecer essa lei, do progresso; os que se mostram ignorantes e maus, são os
como a mecânica nos ensina as do movimento, a óptica as da ainda atrasados, mas que com o tempo hão de progredir.
luz, etc.
Os Espíritos só podem responder sobre aquilo que sa-
Pertencendo à Natureza, as manifestações espíritas se bem, segundo o seu estado de adiantamento, e ainda dentro
deram em todos os tempos; a lei que as dirige, uma vez conhe- dos limites do que lhes é permitido dizer-nos, porque há coi-
cida, vem explicar-nos grande número de problemas, julgados sas que eles não devem revelar, por não ser ainda dado ao
sem solução; ela é a chave de uma multidão de fenômenos homem tudo conhecer.
explorados e amplificados pela superstição.
36. Da diversidade de qualidades e aptidões dos Espíritos,
33. Afastado o prisma maravilhoso, nada mais apresentam resulta que não basta dirigirmo-nos a um Espírito qualquer
esses fatos que repugne à razão, pois que assim passam a ocu- para obtermos uma resposta segura a qualquer questão; por-
par o seu lugar no meio dos outros fenômenos naturais.
que, acerca de muitas coisas, ele não nos pode dar mais que a
Nos tempos de ignorância, eram reputados sobrenatu- sua opinião pessoal, a qual pode ser justa ou errônea. Se ele é
rais todos os efeitos cuja causa não se conhecia; as descober- prudente, não deixará de confessar sua ignorância sobre o
tas da Ciência, porém, sucessivamente foram restringindo o que não conhece; se é frívolo ou mentiroso, responderá de
círculo do maravilhoso, que o conhecimento da nova lei veio qualquer forma, sem se importar com a verdade; se é orgulho-
aniquilar. so, apresentará suas idéias como verdades absolutas.
Aqueles, pois, que acusam o Espiritismo de ressuscitar o É por isso que S. João, o Evangelista, diz:
maravilhoso, provam, só por isso, que falam do que não
“Não creais em todos os Espíritos, mas examinai se eles
conhecem.
são de Deus.”
34. As manifestações dos Espíritos são de duas naturezas: A experiência demonstra a sabedoria desse conselho. Há
efeitos físicos e comunicações inteligentes. imprudência e leviandade em aceitar sem exame tudo o que
Os primeiros são os fenômenos materiais ostensivos, tais vem dos Espíritos. É de necessidade que bem conheçamos o
como os movimentos, ruídos, transportes de objetos, etc.; os caráter daqueles que estão em relação conosco.
outros consistem na troca regular de pensamentos por meio de (O Livro dos Médiuns, no 267.)
sinais, da palavra e, principalmente, da escrita.
37. Reconhece-se a qualidade dos Espíritos por sua lingua-
35. As comunicações que recebemos dos Espíritos podem ser
gem; a dos Espíritos verdadeiramente bons e superiores é sem-
boas ou más, justas ou falsas, profundas ou frívolas, con-
pre digna, nobre, lógica e isenta de contradições; nela se res-
soante a natureza dos que se manifestam. Os que dão provas
pira a sabedoria, a benevolência, a modéstia e a mais pura
de sabedoria e erudição, são Espíritos adiantados no caminho
moral; ela é concisa e despida de redundâncias. Na dos Espí-

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Os Espíritos superiores não vão às reuniões fúteis. os que as compõem esquecem-se de que. maior respeito ainda nos devem merecer como Espíritos. trária à sã moral. Espíritos são livres e só se comunicam quando querem. por verdades. mo. obra zes. como na Terra. além disso. então. Só o charlatanismo tem princípios infalíveis. Se lhes respeitamos os despojos mor- Todo pensamento evidentemente falso. Forma juízo completamente errôneo aquele que crê que 41. telectual e moral. não estão às ordens e à mercê dos caprichos de quem quer que por isso. nunca se deve tões ociosas em que se lhes manifeste pouca afeição. As reuniões frívolas. Os Espíritos inferiores são. a ques- entrarmos em comunicação com os Espíritos. espirituosos e divertidos. a ninguém é dado fazê-los manifestar-se quando não o induzir-nos em erro. são incapazes de resolver certas questões. enfim. sobre queiram. no mundo espiritual. faltam a um de- ção de malevolência. para outro. força são executadas por saltimbancos e não por sábios. toda expressão gros- seira. por isso. todo conselho ridículo. Os Espíritos superiores não se ocupam senão de comuni- vianos. Os Espíritos inferiores não são todos. E podem seja. se não forem atendidos. podem entrar no mundo dos Espíritos. eles não 42. como. eles aí se mostram algumas ve- cas ou puramente materiais são. ignorantes ou orgulhosos. vulgarmente designados sob o nome ter os vícios. Ao lado desses en- contram-se. retiram-se. entre nós. e. mais ou menos. semelhança de gêneros de perversidade e todos os graus de superioridade in. seu horizonte moral é limitado. pergunta que se lhe dirigir. se acaso. gostos. são sinais ver. é somente com o fim de dar um conselho salutar. trivial ou simplesmente frívola. outros pilhéricos. de presunção ou arrogância. sabendo manejar a sátira fina e mordaz. que eles tomam. O simples bom-senso nos diz que isso não pode ser de cações inteligentes que nos instruam. prejuízos terrestres. guém pode afirmar que tal Espírito há de responder ao seu apelo em dado momento. voluntária ou involuntariamente. ou que há de responder a tal ou tal 39. caracteres e intenção dos que desejam a sua presença. como um sábio da Terra não vai a uma assembléia de rapazes le- 40. o vácuo das idéias perder de vista que eles são as almas dos homens e que é é quase sempre preenchido pela abundância de palavras. falta de Sem título-1 182-183 14/2/2006. todos os 43. ignorantes. sem objetivo sério. às vezes. de um momento incontestáveis da inferioridade dos Espíritos. as manifestações físi- outro modo. alguns há que são apenas ignorantes e trar ignorância dos princípios mais elementares do Espiritis- levianos. e não fica- rão satisfeitos se os tratarem com pouca atenção. 08:39 . Devemos sempre estar calmos e concentrados. Os Espíritos são atraídos pela simpatia. com pleta. as provas de grande afastando. mais especialmente. de sorte que nin- aquilo que nem eles mesmos compreendem. 182 NOÇÕES ELEMENTARES DE ESPIRITISMO CAPÍTULO II 183 ritos inferiores. inconveniente fazer do seu trabalho um passatempo ou pre- texto de divertimentos. nem dizer o que desejem calar. 38. toda máxima con- tais. porém. toda manifesta. quando Espíritos sérios se prestem a responder a futilidades. Outro ponto igualmente essencial a considerar é que os têm das coisas senão uma idéia muitas vezes falsa e incom. Asseverar o contrário é demons- essencialmente maus. reconduzir ao bom caminho os que dele se iam de Espíritos batedores. perspicácia restrita. comba- dos Espíritos inferiores. conservam-se ainda sob o império dos quem lhes convém e quando as suas ocupações lho permitem.

184 NOÇÕES ELEMENTARES DE ESPIRITISMO CAPÍTULO II 185 respeito e nenhum desejo de se instruir. por isso. com todo o aparato lúgubre. O incrédulo. nem pode respeitar ções. dade e dignamente. Ainda que menos necessárias Convém não esquecer que se esses mesmos Espíritos aí hoje. zes. do religioso com o comparecem às assembléias de medíocre importância. É só nos roman- vianas. deverá dissipar tal erro. profano. que têm por fim. não pode ver 48. nos contos fantásticos de almas do outro mundo e no tea- O que. ba os mortos. é a prova da presença de tro que aparecem os mortos descarnados. se sempre as praticassem convenientemente. deve. para convencer os incrédulos. fica chocado e es- 44. muito melhores resultados. 08:39 . também o não fazem. ter-se-ia com pessoas. ser proveitosa. eles não o fariam. a que depois de desencarnados ainda têm mais direito. 47. já pro- penso a escarnecer das mais sagradas crenças. Erra quem considera brinquedo as manifestações físicas. resulta que toda reunião espírita. De nenhum modo. de suas revelações íntimas. são elas incompatíveis com a ordem e a decência que deve haver nessas reuniões experi- 46. pode convencê-lo. curiosas. mortos. no meio de mesas que dançam e das gatimanhas mistificar. muitas ve- ritos sérios só comparecem às reuniões sérias. quando encarnados. Do que precede. porém. sua consciência Pelo mesmo motivo que os homens graves e sérios não repele essa aliança do sério com o ridículo. a instrução. porém. dos Espíritos brincalhões. é convenceriam com mais facilidade e produziriam. Vivos. A frivolidade das reuniões dá como resultado atrair candalizado ao vê-la mostrar -se em uma assembléia os Espíritos levianos que só procuram ocasião de enganar e irreverente. eles todas as considerações. prestam-se à crítica dos detratores. envoltos em mortalhas e fazendo chocalhar os ossos. bem. de do ponto de vista dos fenômenos. Em vão se alega a utilidade de certas experiências mentais. elas ainda concorrem para a convicção de algumas se tivessem apresentado. que o vemos como- eles venham dar-se em espetáculo para desfastio dos curiosos. onde não encontra ordem. é diante de suas palavras gra- cros. Certas pessoas fazem uma idéia muito falsa das evoca- uma coisa séria naquilo de que se zomba. ces. se se quer obter o concurso habitual dos se não têm a importância do ensino filosófico. não a curiosidade. É nessas assembléias As reuniões dessa natureza fazem sempre mais mal que que os Espíritos superiores dão ensinamentos. pois que são o alfabeto da ciência. gravidade e recolhimento. porque afastam da doutrina maior número de pessoas do que atraem. 45. O Sem título-1 184-185 14/2/2006. além de que. e ainda menos que ves e solenes. por isso tacha tudo de charlatanismo e. frívolas e divertidas. têm sua utilida- bons Espíritos. algumas crêem que elas consistem em fazer sair da tum- o que lhe não é apresentado de modo respeitável. sobretudo. O pouco que a retira-se sempre com má impressão das reuniões fúteis e le- respeito temos dito. pelo fato mesmo de ele ter respeito. a um resultado contrário que se chega. a todos os respeitos. veneração e amor à pessoa cuja alma se lhe apresenta. em recolhimento. sai menos convicto do que entrou. ver-se e empalidecer. ser séria. como condição primacial. para que assim acham fundados motivos para zombarias. saindo dos sepul- seres cuja memória lhe é cara. religiosi. da qual deram a chave. os Espí. devendo aí proceder-se com respeito. incrédulo como é. Mas.

ou o que só deve ser conseguido pelo nosso trabalho. não exerce efeito al. O fim providencial das manifestações é convencer os incré- Quando o corpo está na tumba. que só nar -se sábio sem estudar. do qual se separou no momento da morte. para evocá-los. esse grosseiro invólucro. aí não se acha com restre. só há incerteza nas revelações que se podem obter dos soas sérias que desejem entrar em relação com Espíritos sérios. predizem tudo o que se quer. iniciação. não produz este e jamais F I M P R O V I D E N C I A L D A S M A N I F E S TA Ç Õ E S E S P Í R I TA S pretendeu fazer reviver um corpo morto. 49. A crítica malévola representou as comunicações espíri- tas como mescladas pelas práticas ridículas e supersticiosas Se bastasse interrogar os Espíritos para obter a solução da magia e da nigromancia. que os médiuns os frívolos e zombeteiros tratam de tudo. finalmente. res mais propícios uns que os outros. é essencial conhecer-se perfei- normal. não existem fórmulas nem palavras sacramentais ou cabalísticas. Neste caso. não há dias. descobertas e invenções lucrativas. Espíritos. que nunca fez milagres. tão simples e naturalmente como se de. saber ainda. para oculta. que. Fora do terreno do que pode ajudar o nosso progresso peito e recolhimento. 50. 51. sem que saiam do estado masiado crédulas. nos comunicarmos com os Espíritos. nada mais há de Os bons Espíritos nos vêm instruir para nosso melhora- mento e avanço e não para revelar-nos o que não devemos comum entre eles. bastando só o pensamento. não sairá mais dela. no 286: “Perguntas que se po- excêntricos e acessórios ridículos. com res- 52. e dar aos crentes idéias mais justas sobre o futuro. moral. sem trabalhar. seja para atraí-los. teriam poupado esses desperdícios de imaginação.) O apelo aos Espíritos faz-se em nome de Deus. (O Livro dos Médiuns. uma vez operada essa separação. todo ignorante podia tor- -lo. o ser espiritual. po- dulos de que tudo para o homem não se acaba com a vida ter- rém. todo preguiçoso ficar rico servem para provar sua ignorância ou má vontade. e encontram maligno prazer em mistificar as pessoas de- fossem ditadas por uma pessoa viva. mas não o eximem do trabalho nem das investigações. respondem a tudo. Faria idéia bem falsa dos Espíritos. seja para repeli-los. quem neles quisesse que não se precisa para isso de preparação alguma. nem de ver auxiliares dos leitores da buena-dicha. fluídico e inteligente. horas e luga- a fim de lhe deixar o mérito. Sem título-1 186-187 14/2/2006. é a única coisa que se recomenda às pes. Os Espíritos ajudam o homem de gênio pela inspiração Às pessoas estranhas à ciência cumpre-nos dizer que. gum. 08:39 . 186 NOÇÕES ELEMENTARES DE ESPIRITISMO CAPÍTULO II 187 Espiritismo. se dessem ao trabalho de estudá. e. que o emprego de qualquer sinal ou objeto material. Os Espíritos sérios se recusam a ocupar de coisas fúteis. se esses homens que falam do de todas as dificuldades científicas. tamente a natureza das perguntas que se podem dirigir aos Só o charlatanismo pode inventar o emprego de modos Espíritos. é o que Deus não quer. dem fazer aos Espíritos”. sem conhecê-lo. ou para fazer Espiritismo. e. sem se importarem com a verda- recebem as comunicações.

O médium escreve sob a influência dos Espíritos. rém. mente com a mão. reconheceu-se a inutilidade desses acessó- Não devemos esperar do médium aquilo que está fora rios e a possibilidade. então.) Mais tarde. sensitivos. hoje. é ser mistificado pelos Espíri. no princípio. a designação interesses materiais. para aquele que desvia sua 55. pancadas. auditivos. ao mesmo 54. escreventes. distinguimo-los por médiuns de 57. que se possuem meios de comunicação tão rápidos e com- pletos como entre os viventes. esses fenômenos revelam um pensamento ou obedecem a uma por pérfidos conselhos. não prática. po- aberto à Filosofia. o mais das vezes. XVI. de comunicações inteligentes. etc. cap. XIII. munidas falantes. diários materiais. Por meio de um número de pancadas convencionadas. como frases. porque era largo caminho novo As mesas falantes foram a estréia da ciência. sua utilidade está nas conseqüências das letras do alfabeto que servem para formar palavras ou morais que delas dimanam. de tal ou tal gênero de comu. encontra mais freqüentemente. cap. Os médiuns apresentam numerosíssimas variedades nas tempo. n o 185. o mais cômodo. tos enganadores que pululam ao redor dos homens. o mais rápido. com o auxílio de mesas e outros objetos..) pode dominar. porém. aptos para provocar fenômenos materiais. como nas circunstâncias ordinárias. ou. e que suas aptidões. (O Livro dos Médiuns. o 58. o tam uma causa inteligente: é um dos modos por que os Espí- fruto do conhecimento do Espiritismo. ritos se manifestam. a terceira é perder. 08:39 . no 152 e seguin- poetas. como cestinhas. Sem título-1 188-189 14/2/2006. a segun. não tivessem. e já isso seria muito. para os médiuns.. Sem o conhecimento das aptidões mediúnicas. ninguém mais recorre àqueles senão acidentalmente e como experimentação. deno- teriais na Terra. Os médiuns de efeitos físicos são mais particularmente faculdade do fim providencial. a escrita é. tes. vontade. são efeitos inteligentes que. videntes. As manifestações não são. pois. Para obter a escrita serviram-se. Segundo essas aptidões. permite mais desenvolvimento. 188 NOÇÕES ELEMENTARES DE ESPIRITISMO CAPÍTULO II 189 A primeira conseqüência má. o que os torna mais ou menos próprios para obtenção de tal ou tal fenômeno. por isso mesmo. 53. de um lápis. De todos os meios de comunicação. monstrar materialmente a existência da alma e sua imortali- dade. poliglotas. de interme- efeitos físicos. que. de- a grandes desenvolvimentos. é também a faculdade que se nicação. destinadas a servir aos obtém-se as respostas sim ou não. etc. quando da é cair sob o domínio desses mesmos Espíritos. sua mão é arrastada ou de certas impossibilidades que se encontram na por um movimento involuntário. DOS MÉDIUNS 56. de escrever direta- dos limites da sua faculdade. elas. (O Livro dos Médiuns. que se observador não pode achar a explicação de certas dificuldades servem dele como de um instrumento. conduzi-lo a adversidades reais e ma. Esse meio primitivo é muito demorado e não se presta resultado senão fazer conhecer uma nova lei da Natureza. que podem. pranchetas. desenhadores. músicos. depois da vida terrestre. como movimentos. etc. o mais simples.

pode ela tocar virtam em executar farsas teatrais. Cada médium é assim ou podem. qualquer instrumento. os instrumentos que que se comprazem nessa espécie de exibições. ora. se di. pois que ela depende de vontade estranha. regularmente e à Não existem médiuns universais para as evocações. fluido deste último se identifique com o do Espírito. Sem título-1 190-191 14/2/2006. não estão sujeitos ao capricho de ninguém. É um erro acreditar-se que basta ser médium para receber. XIX. ab. todos os samento do Espírito ao médium. cap. igualmente Seria. fluidos próprios do Espírito com os do médium. seria o mesmo que obrigar uma pianista surdo pensar que Espíritos.) fluidos são matéria. possui é sempre dele senhor. 60. seria. de preferência. quem o por outro. mesmo de pouca elevação. nenhum mais ou menos apto para receber a impressão ou médium tem o poder de forçá-los a se apresentarem. Isto expli- a impulsão do pensamento de tal ou tal Espírito. mecânicos dos médiuns intuitivos ou semimecânicos. que tenhamos à mão. será qual instrumento sem músico que o toque. às vezes. e que talvez lhes sejam mais apropriados. desde que esses guintes. nos 179 e se. cap. 190 NOÇÕES ELEMENTARES DE ESPIRITISMO CAPÍTULO II 191 Certos médiuns não têm consciência alguma do que es. outros a têm mais ou menos vaga. com igual facilidade. O talento adquire-se pelo trabalho. ao passo que o médium nunca o é de sua faculdade. comunicações de qualquer Espírito. nem vontade. XV. O médium não tem mais que a faculdade de se poder co- municar. Os médiuns de efeitos físicos que obtêm. durante muitos meses. A obscuridade necessária à produção de certos efeitos fí- crevem. presta-se. a tocar violino. aquele nada ação fluídica do Espírito sobre o médium. em certas circunstâncias. um erro comparar a mediunidade a uma proprie. podendo ser ca a intermitência da faculdade nos melhores médiuns. ainda quando o sicos. haja embuste. Visto que os Espíritos só se comunicam quando querem A facilidade das comunicações depende do grau de afini- dade existente entre os dois fluidos. Se estes não quiserem manifestar-se. essa combinação seja contrariada pela presença da luz. 59. que se achando juntos dois médiuns. por saber música. mas a comunicação efetiva depende da vontade dos 62. impor-lhes o primeiro médium foram prestidigitadores quando na Terra. poderá o Espírito manifestar-se por um e não dade do talento. a produção de certos fenômenos. Resulta daí interrupções que sofrem. nos 223 e seguintes. estão em relação com Espíritos de baixa esfera Os Espíritos buscam. As comunicações inteligentes realizam-se igualmente pela Espíritos. (O Livro dos Médiuns. à suspeita. 61. sendo preciso que o obterá. e o papel deste último nas fenômenos espíritas são resultantes de uma combinação dos comunicações. que muitas composições e decomposi- A ciência espírita explica o modo de transmissão do pen- ções se produzem sob a ação do fluido luminoso. 63. sem dúvida. admitindo que não com aptidão para produzir todos os fenômenos. bem-dotados. e as bom instrumento para um e péssimo para outro. Sabemos que em Química algumas combinações não po- dem ser operadas à luz. mas nada prova con- pensamento lhes seja estranho. é o que distingue os médiuns tra a realidade deles. supondo que. porém. não admira que. pois. 08:39 .

pedindo o impossível. a prática do menos explícitas. o domínio que certos Espíritos podem exercer sobre os samento não vem senão em segunda mão. tos que ele atrai a si. com o Espírito. de- — e é o caso mais comum — ela não se estabelece senão gra- monstradas pelos nomes. Sem a harmonia. é necessário que o médium se identifique previamente tos. das disposições sível. pelo recolhimento e pela prece. que só pode nascer da assimilação fluídica. o pen. porque. é essencial saber distinguir as diferentes naturezas dos Espíritos que se podem manifes- 67. a influência do meio. mais ou menos imponentes. se trata da transmissão do pensamento do Espí. em vez do Espírito que se deseja. tanto num como noutro caso. pela tiptologia como pela escrita. Compreende-se. se ele o for por táculo que se depara a todo observador novato e inexperiente Sem título-1 192-193 14/2/2006. sim. isto é. é o que explica a maior facilidade pelos Espíritos que assinam as comunicações. quer se seja simples obser- rito. qualquer que seja o meio material por que ela se faça. quanto que se comuniquem com outros Espíritos. porém.) meio de se atenuar a dificuldade. vador das experiências de outrem. Não se pode impor um médium ao Espírito que se quer tar. neste caso. algumas vezes. então. ser falsas. ou mesmo du. Em todo que se podem produzir. um Espírito obsessor. isto é. estão mais habituados. Qualquer que seja o modo de comunicação. Espiritismo. outras vezes tual. pela natureza dos Espíri- importam com a verdade. depois de médiuns. intermédio do guia espiritual deste último. (O Livro dos Médiuns. A assimilação fluídica é tão necessária nas comunicações não tem a experiência necessária. a fim de que se não perca tempo. e mesmo muitos dias antes se for pos. convindo deixar-lhe a escolha do instrumento. E S C O L H O S D A ME D I U N I D A D E 68. as condições em evocar. incompletas ou falsas. impondo-se-lhes sob nomes apócrifos e impedindo haver atravessado dois meios. do ponto de vista experimental. e também porque as primeiras comu- nicações atestam quase sempre certo constrangimento e são 69. ignorante ou orgulhoso. Quer se experimente mesmo. essas simpatias não ficam. mas. A assimilação fluídica é. Os mais indignos médiuns podem pos- suir poderosas faculdades. 192 NOÇÕES ELEMENTARES DE ESPIRITISMO CAPÍTULO II 193 64. pelo com que os Espíritos se manifestam pelo médium com que fundo constantemente bom das mesmas. Podem será necessariamente adulterada. de forma alguma. 2a parte. É também um obs- é importante ser o médium bem assistido. etc. É um morais. os mais seguros são os que 65. de modo a provocar e ativar a assimilação fluídica. conhecer a causa de todos os fenômenos. ora. totalmente im- a esse poder reúnem as melhores simpatias no mundo espiri- possível entre certos Espíritos e certos médiuns. Não é menos necessário conhecer todas as condições e esco- rante alguns minutos. a comunicação as comunicações são impossíveis. os obstáculos que lhe podem ser opos- o caso. ela pode fazer-se por 70. Um dos maiores escolhos da mediunidade é a obsessão. revestidos dualmente e com o tempo. visto que. apresenta nume- rosas dificuldades e não é isenta de inconvenientes para quem 66. 08:39 . Quando as condições fluídicas não são propícias à comu- nicação direta do Espírito ao médium. porque. lhos da mediunidade. não faltam Aqui as qualidades pessoais do médium desempenham outros sempre prontos a manifestarem-se e que pouco se forçosamente um papel importante.

os bons Se o estudo prévio. moral. porque nela confundem. porém. às vezes. Essa materiais. XXIII. muitas vezes provoca desembaraçar-se. ela provoca uma agitação febril. mais indispensável é ao médium. O caráter distintivo deste gênero de obsessão é mentos corporais poderá. pelo contrário. comunicações que recebe. é útil para o observador. designada outrora sob o nome rísticos: a obsessão simples. Ela se limita. nunca se impõem. desconhecendo a conduzido a dar os passos mais ridículos e comprometedores. palavras um simples incômodo. a causa do mal é interna. é pouca toda a vezes desagradável. gritos. Este caso não oferece gravidade alguma: é movimentos desordenados. 72. porém uma força moral superior à dele. a quem fornece os meios retiram-se. não conhecendo os caracteres desse fenômeno. essa causa é externa. 71. o médium é completamente iludido. onde só havia uma causa não acreditar bom. Na loucura propriamente dita. como aquele que. considerar mau todo conselho e toda ob- servação crítica. outros devem ser também os meios de apodera-se de sua confiança. mas não pode abster-se. ele não se ilude acerca da natureza do Es- livre-arbítrio do paciente. fazendo-lhe achar sublimes os maio- A aplicação do processo ordinário das duchas e trata- res absurdos. pode enganar-se sobre a causa e natureza de qual- quer mal. determinar o apareci- provocar no médium uma excessiva suscetibilidade e levá-lo a mento de uma verdadeira loucura. cap. movimen- recomendação para que o estudo preceda à prática. eles dão ordens e querem ser obedecidos. Este estado difere não ser ouvido. não lhe opondo remédios tas. a encher-se de inveja con- importa restituir o organismo ao seu estado normal. A subjugação obsessional. cer-se de que está sendo enganado. preferindo romper com os amigos a conven- 74. muitas vezes. do qual o médium se liberta. neste caso. A obsessão apresenta três graus principais bem caracte- 73. a querer impor-se nas reuniões espíri- o doente de um inimigo invisível. deixando injuriosas ou incoerentes. O Espírito que o domina sendo diversa a causa. A experiên- Sem título-1 194-195 14/2/2006. na subju- tra os outros médiuns cujas comunicações sejam julgadas gação. muitas vezes. mesmo. No de possessão. e. se não são atendidos. pode ser atuação do Espírito pode chegar ao ponto de ser o indivíduo iludido pelas aparências. com- momentaneamente de escrever. cansando-se de preende o ridículo. das quais se afasta quando não pode dominá-las. medicina. justo e verdadeiro senão o que ele escreve. e tem-se necessidade de libertar melhores que as suas. e do qual deseja ples impressões desagradáveis. é cal- (O Livro dos Médiuns. a repelir e.) ma. dão conselhos. fatigante e muitas desagradáveis conseqüências. Um dos caracteres distintivos dos maus Espíritos é a im- posição. a fascinação e a subjugação. a sim- pírito que se obstina em se lhe manifestar. 08:39 . branda e agradável. de que o subjugado. Assim. 194 NOÇÕES ELEMENTARES DE ESPIRITISMO CAPÍTULO II 195 que. O Espírito. é um constrangimento físico exercido sempre primeiro. acaba por se retirar. a dos bons. essencialmente da loucura patológica com que erradamente a A fascinação obsessional é muito mais grave. a ponto de impedi-lo de julgar as curá-la. Resulta daí que a impressão que em nós produ- de prevenir um inconveniente que lhe poderia trazer bem zem os maus Espíritos é sempre penosa. o médium tem perfeitamente consciência de não obter por Espíritos da pior espécie e que pode ir à neutralização do coisa alguma boa. pois na possessão não há lesão orgânica alguma. atos insensatos. tos bruscos e desordenados.

que es- 80. XXIV. ela se nos fluência. quando a Ciência tiver pode dar os meios de combatê-lo. rito. designados sob o nome Espírito. tanto nos mais dignos. porém. os exorcismos produziram maléfico denuncia a sua presença. 196 NOÇÕES ELEMENTARES DE ESPIRITISMO CAPÍTULO II 197 cia prova que nunca. reconhecerá na ação do mundo do Espírito obsessor. assim como sobre as morais. tendo existido em todos os tempos. Os que repelem tudo que não afete os nossos sentidos. não quer expor a cair num laço. fazendo a educação moral saído da senda materialista. Indicando a verdadeira fonte do mal. e restituir a calma às suas vítimas. março e de número de fenômenos até hoje mal compreendidos. de demônios. pois. — “La jeune obsédée de Marmande”. muitas vezes. O conhecimento prévio dos meios de distinguir os bons dos maus Espíritos é. (O Livro dos Médiuns. é um inimigo oculto. QUALIDADES DOS MÉDIUNS têm sempre exercido a mesma influência. que. sem ela. e no meio do qual vivemos.) 78. só um poder moral superior podia então do. que pode. os Espíritos.) mente do último. cap. A subjugação obsessional é ordinariamente individual. porém. um poder chega-se a torná-lo melhor e a fazê-lo renunciar voluntaria- que reage sobre as coisas físicas. (O será um novo caminho aberto ao progresso e a chave de gran- Livro dos Médiuns. sem a mediunidade. mas o prevenido percebe o menor sinal suspeito. em tal caso. se manifestaria por outros efeitos. indispensável ao médium que se 76. que então fica livre. Os Espíritos bons se comunicam mais ou menos de boa vonta- capam às investigações da medicina. principal- que vê e ouve. De fato. A faculdade mediúnica é uma propriedade do organismo e é uma causa. invisível que nos cerca. e que ela se encontra. — Revue Spirite. uma povoação. mas simples modo de manifestação dessa in- não depende das qualidades morais do médium. Sem título-1 196-197 14/2/2006. Um fato importante a considerar-se é que a obsessão. vendo que nada pode fazer. Não se dá. Ele o é também ao simples qualquer que seja a sua natureza. torna-se um ponto essencial o saber reconhecer-se a na- quando. 08:39 . Foi um fenômeno desse gênero que se verificou ao O médium não esclarecido pode ser enganado pelas apa- tempo do Cristo. uma falange de Espíritos maus se lança sobre tureza dos que se apresentam. Como a obsessão nunca pode ser produto de um bom Espí- 75. situação. de todos os graus. por esse meio. a mediunidade não 79. Pela mediunidade o ente de por esse ou aquele médium. apreciar o justo valor do nidade. como nos mais dium obsidiado sofre de um modo qualquer e. só o Espiritismo não admitem essa causa oculta. no 279. mas. rências. 77. por conselhos prudentemente dirigidos. indignos. junho de 1864. em grande número de pessoas que nunca ouviram falar de Espiritismo. retira-se. o mesmo com a preferência que nos atos mais comuns da sua vida. segundo a simpatia que lhe votam. é independente da mediu- observador. resultado satisfatório: antes agravaram que minoraram a de quem se não desconfia. e o mar esses entes malfazejos. ela pode apresentar caráter epidêmico. os efeitos dessa influência os Espíritos bons dão ao médium. pelo que podemos dizer com certeza que todo mé- mostra desenvolvida. fevereiro. muitas vezes atribuídos a enfermidades misteriosas. mente à atormentação do enfermo.

O que constitui o médium. Os médiuns de mais mérito não estão ao abrigo das misti. Retirando-se os bons Espíritos. propriamente dito. o número de médiuns obsidiados diminuiu muito. porque não há cado de bom médium. o erro. sob este ponto de vista. não faz mais que os bons Es. les que desanimam. vem de uma fonte má. Espíritos. moralmente falando. tarde ou cedo são presas dos maus Espíritos. o que não deve ser motivo de espanto: enganar. pessoa assaz perfeita. acham menores indícios que lhes podem denunciar a presença de então o campo livre. apren- dermos a distinguir a verdade do erro e ficarmos de preven- 81. e. os inferiores. prevenidos. Se eles os desprezam. 82. quando vemos na Terra homens de bem perse- no útil a todos. píritos com os médiuns imperfeitos. paciência e perseverança do espírita. ou não deram terrena. é muitas vezes no interesse dos médiuns e com o fim de dar. pelo qual dê acesso aos maus Espíritos. importância aos conselhos que receberam. maior será a Essas mistificações ainda podem ser uma prova para a sua culpa. Deus. Não nos deve admirar ver maus Espíritos obsidiarem pes- De outra sorte. -lhes sábios conselhos. mais ou menos desenvolvido. depois da publicação de O Livro dos Médiuns. Quanto à sua faculdade. é o que aplica a sua faculdade. aquele que pode ser realmente qualifi- ficações dos Espíritos embusteiros. primeiro. porém. mesmo na vida fizeram o estudo prévio recomendado. buscan- do tornar-se apto a servir de intérprete aos bons Espíritos. Os médiuns menos moralizados recebem também. Sem título-1 198-199 14/2/2006. maus venham. deixam-no logo que encontram outro que lhes seja mais afim e melhor se aproveite de suas lições. entre nós. 08:39 . segundo. mas lado fraco. os bons Espíritos. que não podem vir se. pode ser mais ou menos formado. tornam-se vigilantes e espreitam os se importam com as más qualidades morais do médium. desaparece. os que não procuram emendar-se. dão cia àqueles que mais necessitam dela. médium ou não. excelentes comunicações. É digno de nota que. que eles possam contar. que. por sua aptidão em recebê-las boas e em não ser ludibriado porque os bons Espíritos permitem mesmo. que os pelos Espíritos levianos e enganadores. porque são eles que lavram a sua própria condena. servem-se do instrumento que têm à mão. guidos por aqueles que o não são. afinal. 83. porém. a fim de exercitarmos a nossa razão. mistificadores. com algumas decepções. muitas vezes. algu. O médium seguro. nunca. um Espírito bom nos virá não de bons Espíritos. não pode recusar assistên. que pouco os médiuns. tão bela no começo e que assim 84. querendo dar um ensi- soas de mérito. às vezes. os A maioria dos que se mostram ainda nesse estado não conduzem à ruína e às maiores desgraças. para não ter algum julgada pela facilidade com que ele obtém comunicações. qualquer que seja o nome que o apadrinhe. O virtuoso missionário prova aos bons Espíritos de que não são instrumentos com que vai moralizar os criminosos. e aque- ção. cuja bondade é infinita. venha dos Espíritos. ção. é a faculda- devia ter sido conservada. não aceitando cegamente e sem exame tudo quanto nos mas vezes. Resulta daí que os médiuns imperfeitos. 198 NOÇÕES ELEMENTARES DE ESPIRITISMO CAPÍTULO II 199 A boa ou má qualidade de um médium não deve ser ainda. perverte-se pelo abandono dos bons de.

Enquanto o médium imperfeito se orgulha pelos nomes Aquele que dela se utiliza para o seu adiantamento e o de ilustres. freqüentemente apócrifos. contrária. Dei- bons e se adquire ascendência sobre os maus Espíritos.) -se por não o preferirem aos outros. ao simples observador. é por esses dotes que se concilia a simpatia dos identidade absoluta dos Espíritos que se lhe manifestam. ao evocador e. as imperfeições morais do médium. É o orgulho que dom de Deus. compreende que o bom maus Espíritos. ele tem sempre uma salutar desconfiança do videncial. nos fascinados. sentimento que se encontra mais dominante na maioria dos médiuns 88. e da qual se pode abusar. como também a todos mas por lhe ser um meio de tornar-se útil. defeitos. (Vede acima. ofendido com as censuras feitas à peça de que é intérprete. cabe plorar habilmente todas as suas fraquezas. desinteressados. desempenha uma verdadeira missão e será re- cações por ele recebidas e se considera intérprete privilegiado compensado. em vez O seu caráter distintivo é a simplicidade e a modéstia. será punido. para satisfazer interesses materiais. a fim que são objeto. desvia-a do seu fim pro- no de tal favor. os maus Espíritos sabem ex- píritos. Assim como a vista nos põe em relação com o mundo visível. Sem título-1 200-201 14/2/2006. visto que ninguém há que não esteja sujeito à mente quando se lhe oferece ocasião. o adulem. o que vem a perdê-lo. está na razão da sua superioridade moral. Como todas as outras faculdades. não por vanglória. basta que um médium apresente faculdade de receber mos ensinamentos e iniciações da vida um pouco transcendente. do mesmo modo que um ator não se pode dar por aproximando-o da natureza dos maus Espíritos. para o mal. tiram-lhe a influência necessária para afastá-los de si. como todo merecimento do que recebe e não se fia no seu próprio juízo. futura. que se pode empregar tanto para o bem quanto faz se julguem infalíveis e repilam todos os conselhos. julguem do seu trabalho. xa que terceiros. julga-se feliz com a faculdade que possui. que assinam as comuni. 08:39 . o que faz de boa indistintamente. 87. entre os nossos apreciar o mérito do instrumento. O que abusa e a emprega em coisas fúteis ou das potências celestes. Isto não só se aplica aos médiuns. como nenhuma res- posse do maior número de qualidades que constituem o ho. principalmente. e. Os médiuns são os intermediários. Pelo mesmo motivo. Seu fim é pôr-nos em Esse sentimento é infelizmente excitado pelos elogios de relação direta com as almas daqueles que viveram. sem jamais incomodar- influência dos Espíritos. seus irmãos. Para impor-se ao médium. mesmo. da resultado não lhe confere mérito pessoal. números 74 e 75. os intérpretes dos Es- 86. de se impor. e. o bom médium nunca se crê assaz dig. sem que o seu amor-próprio se ofenda por qualquer decisão 85. para que o busquem. tarde ou cedo. o que lhes dá margem maior é o orgulho. e que seria ridículo crer na mem de bem. a mediunidade é um obsidiados e. 200 NOÇÕES ELEMENTARES DE ESPIRITISMO CAPÍTULO II 201 O poder que tem o médium de atrair os bons e repelir os não sendo senão instrumento passivo. ponsabilidade lhe cabe pelo mau. a mediunidade nos liga ao invisível. dando lugar a que ele exagere sua importância e se julgue como indispensável. sofre a imposição destes. homem que faça mau uso de uma faculdade qualquer.

da mesma categoria da sua. porém. As manifestações que se imitam. pois. sobre- riência lhes poderão fornecer os meios de se certificarem da tudo quando se trata de Espíritos superiores. pág. uma superioridade intelectiva excepcional. Certas manifestações espíritas facilmente se prestam à no 304. são. Devemos. os piores sejam sempre produto do charlatanismo. há pessoas que. muitos não têm nomes para qualquer suspeita. são as de efeitos físicos e as de efeitos inteligentes vulgares. quase sempre. escrita direta. abs- culdade de improvisação universal. o bom- de modo que. nós. respostas IDENTIDADE DOS ESPÍRITOS banais. do mesmo modo que o fazem com tantos 92. se assim nos permitem ter-nos de crer de um modo absoluto na autenticidade de to- classificá-la. ter está no desinteresse absoluto e na probidade do médium. sendo muitas vezes impossível verificá-la. como em todas as coisas. sem exame. apesar de as terem explorado os prestidigita- dores e charlatães. -senso diz que o charlatanismo não se mostra onde nada tem Pedro. desperta desconfiança. o observador nômeno verdadeiro. além O espírita esclarecido repele esse entusiasmo cego. Se a tentação do lucro pode excitar à fraude. etc. A identidade é uma das grandes dificuldades do Espiritis- zidos a suspeitar da boa-fé dos médiuns. uma fa- com o fim de inspirarem mais confiança. não se dá o mesmo. cap. 89. mas. atender à gravidade do caráter daqueles a quem se dirige. comum. serva com frieza e calma. antigos relativa- realidade dos fatos. e mistificações. transportes. só o estudo e a expe- mo prático. antes de tudo. À parte toda a questão de boa-fé. bastam caprichos da humanidade. com mais facilidade. encontram-se entusiastas outros fenômenos. 91. propagadores. e. não podem deixar de existir entre destreza e habilidade. distingue facilmente a imitação da realidade. então. porque a facilidade com que. pancadas. 202 NOÇÕES ELEMENTARES DE ESPIRITISMO CAPÍTULO II 203 CH A R L ATA N I S M O a ganhar. eles os ardilosos e os mentirosos. (O Livro dos Médiuns. para fixar as nossas idéias.. Uma vez que no meio dos Espíritos se encontram todos os inteligentes de subido alcance. 52. alguns não têm o menor se torna necessária. fora disso. 90. — Revue Spirite. a melhor garantia que podem mente à nossa época. ao passo que. em geral. evita ser vítima de ilusões incapaz de distinguir as diferenciações características do fe. são geralmente indu- 94. para imitar aquelas. Fraudes espíritas. Entre os adeptos do Espiritismo. é absurdo crer-se que elas não existam e e exaltados. para simular as últimas. porém. como movimentos. 08:39 . eles podem to- mar o de um Espírito conhecido. aquela nunca pode ser completa e só ilude o ignorante. novato deve. estão acima de Entre os que se manifestam. acei- tam tudo. 1862. ob- disso. uma instrução pouco escrúpulo de se apresentar sob os mais respeitáveis nomes. das as assinaturas de Espíritos. XXVIII: “Do charlatanis- mo e do embuste” — Médiuns interesseiros. Os que não conhecem o Espiritismo. nada nos prova que seja precisamente o Sem título-1 202-203 14/2/2006.) imitação. por sua posição e caráter. por exemplo. assim. se um Espírito se comunicar com o nome de S. com as comunicações 93. Quem estudou e conhece as condições normais em que elas se dão.

como já dissemos. Nada. Somente os Espíritos res provas. XXIV: “Identi- ordem. senão que a sua opinião pessoal. às vezes. se é bom ou mau. com as pessoas a quem ama: são as melho- rias assinadas por um mesmo nome. nomes diferentes. eles não emitem mais ga para isso quem não conhece o Espiritismo. inteiramente secundária e seria pueril atribuir. pág. como ainda um enviado seu. les que só possuem da ciência espírita um conhecimento in- des da vida privada que a identidade se revela mais segura. 08:39 . linguagem e até locuções pois. sobretudo se elas partirem de pessoas que lhe são indiferentes. Espíritos. curiosidade ou de prova. neste caso. mas tas diretas que lhe são feitas a esse respeito. não sabem as coisas senão na razão do seu adiantamento. disso essas provas são superabundantes. é muito raro. cujo caráter e hábitos sejam co. há de surpreendente. não podem causar admiração senão àque- nhecidos. são insuficientes e podem induzir a erro. CONTRADIÇÕES 95. Por pouco que se esteja iniciado nos mistérios do mundo O Espírito demonstra a sua identidade como quer e pode. patenteadas nas comunicações. As contradições que freqüentemente se notam. caráter. que ele satisfaça às pergun- inferiores mudam de linguagem com as circunstâncias. outros forjam sistemas seus. os meios. Sem título-1 204-205 14/2/2006. e então é muito natural buscar-se reco- nhecer a identidade. d’identité”. tanto pode ser ele como outro da mesma jeitar-se às exigências. ra- ele as dê. para dar mais peso às suas palavras. (O Livro dos Médiuns. Espantam-se de encontrarem comunicações contraditó- espontaneamente. Ela se revela ainda nos detalhes íntimos em que entra 98. de modo incontestável. em que nem sempre estejam de familiares. 82: “Fait é. muitas vezes. dicalmente contraditórias no fundo. A identidade é de mais fácil verificação quando se trata de 97. porém. o erro está em querer que com segurança se pode inferir que se duas comunicações. sabe-se com que facilidade certos Espíritos adotam segundo o gênero de faculdade do seu intérprete e. sendo que muitos podem sa- Quando se evoca um parente ou um amigo. sobre 96. se esta o subscreveria ou repeliria: eis a questão. tada. uma delas é necessariamente apócrifa.) -lhe importância. como deseja o evocador. digno ou indigno da personagem que o assina. gem dos Espíritos. particularmente no que diz de circunstâncias. é então que ele recusa su. — Revue Spirite. trazem o mesmo nome respeitável. acordo. 1862. Sobre grande número de pontos. O Espírito revela sua identidade por grande número aquilo que ainda não conhecem. que geralmente empre. A questão da identidade dade dos Espíritos”. porém. o que importa é a natureza do ensino. porque é por esses mesmos hábitos e particularida. espiritual. ber menos que certos homens. que pode ser mais ou menos acer- imperfeitamente. pois são a conseqüência da natureza mesma dos mente e. e conservar ainda um reflexo dos prejuízos terrestres de que se não despojaram. cap. que. lidade que interessa. na lingua- Espíritos contemporâneos. se refletem seus hábitos. completo. é a persona. com intuito de os Espíritos superiores nunca se contradizem. nas quais respeito a questões científicas e à origem das coisas. 204 NOÇÕES ELEMENTARES DE ESPIRITISMO CAPÍTULO II 205 apóstolo desse nome.

procura pelo suicídio a aproximação desse termo. nos revelam suas alegrias nesta vida pelo desgosto e pelo infortúnio. abril 1864. que é tão recomendação que fazem todos os bons Espíritos. “Introdução”. de fazê-la os maus. Dois meios podem servir para fixar as idéias sobre as ques. Passando assim a vida futura do estado de teoria vaga e tões duvidosas: o primeiro. não vê senão na ou seus sofrimentos. Quando o mesmo princípio é ensinado em muitos pon- que não. esperança de futuro é natural que o homem seja Descrevendo-nos seu estado e situação. A importância que se dá aos bens materiais excita a co- 100. em proveito da vida futura. per- biça. que é indefinida. pelo que evitam discussão e querem ser cridos sob teza de morrer aos vinte e cinco anos. pág. cessidade de sacrificar alguns instantes do repouso atual para cap. O mesmo se Spirite. (O Livro dos Médiuns. Ante a incerteza das revelações feitas pelos Espíritos. afetado e se desespere com as decepções por que passa. guerras e todos os males engendrados pelo egoísmo. Os abalos violentos que experimenta. tual. porque então compreenderá a ne- uma só fonte e é contradito pela maioria. abstêm-se curta. e assim. repercutem-lhe no cére- principalmente. pois sabem não ter senão a perder com esse Suponhamos que um homem de vinte anos tenha a cer- exame sério. as almas ou Es. querelas. daí ódios. da alma e sua sobrevivência ao corpo. 08:39 . O Evangelho segundo o Espiritismo. então. é uma de trabalhar o mais possível. bro e são a fonte da maioria dos casos de loucura. do bom-senso e da lógica. aparece a necessidade ao exame severo da razão. que fará ele nestes cin- palavra. acreditando ser uma tos por diferentes Espíritos e médiuns estranhos uns aos ou- tolice submeter-se a fadigas e privações. tros e isentos de idênticas influências. seu está mais próximo da verdade do que aquele que emana de procedimento será outro. o homem. XXVII. “Das contradições e das mistificações”. por qualquer preço. o passo é simples. pode-se concluir que ele porém. Sem e recompensas futuras. píritos retificam as idéias falsas que faziam da vida futura e. acerca da natureza e duração das penas. é submeter todas as comunicações incerta ao de fato conhecido e positivo. O segundo critério da verdade está na concordância do co anos que lhe restam? trabalhará para o futuro? certamente ensino. — Revue assegurar o repouso futuro. — dá com aquele que tem a certeza da vida futura. nada esperan- tempo de vida terrena. acabrunhado As almas que se manifestam. 99: “Autorité de la doctrine spirite”. 206 NOÇÕES ELEMENTARES DE ESPIRITISMO CAPÍTULO II 207 99. o estudo do Espiritismo? tem muito. Sem título-1 206-207 14/2/2006. Para provar materialmente a existência do mundo espiri- Da cobiça ao desejo de adquirir. Sendo o mundo espiritual formado pelas almas daqueles o que o vizinho possui. nisto temos a prova das penas do. durante longos anos. segundo o modo por que empregaram o morte o termo dos seus sofrimentos. ele tiver a certeza de viver até aos oitenta anos.) A dúvida relativamente a esse ponto conduz naturalmente a tudo sacrificar aos gozos do presente. daí ligar-se excessiva CONSEQÜÊNCIAS DO ESPIRITISMO importância aos bens materiais. durante a vida presente. a inveja e o ciúme do que tem pouco contra aquele que guntarão: para que serve. sem proveito. resulta de sua admissão a prova da existência processos. Com a dúvida sobre o futuro. Se. procurará gozar o mais possível. que viveram.

daí a regularão suas instituições sociais — tendo em vista o bem de todos e não o proveito de alguns. o horizonte da Ciência se tudes e decepções. imprime em Não parece estranho que. mesquinho. daí. porque nada espera idéias materialistas. de desespero. Tudo se torna pequeno. de grande número de fenômenos até agora incompreendidos. subordina. triunfará do mal aqui na Terra. O exame daqueles que já viveram. afasta numerosos casos de loucura e desvia for- çosamente o pensamento do suicídio. segundo as diversas es- efetuado e do bem que se praticou na Terra. uma nhecimento dessa nova causa. a atual se torna para o homem a coisa Quando a maioria dos homens estiver convencida dessa capital. para as vicissi- Com o auxílio da lei espírita. mas sem apresentar provas materiais. A certeza da vida sobre as leis da caridade. o homem espera e se resigna. e ficamos pasmos hoje desconhecida. também. 08:39 . ao qual ele tudo idéia. gem dos séculos. eclipsar os vizinhos por seu fausto e posição. tranqüilidade que já constituem uma felicidade. em vez de predispô-la à negação do presente. produzirá o efeito da às desordens e tormentos a que nos sujeitamos. nos fenômenos da Natureza. o único objeto de suas preocupações. a chave Diante da infinidade e grandeza da vida de Além. não só os bens este. a vida terrena some-se. comparadas será uma alavanca para o progresso. dos outros. por isso. nientes de atribuir tudo a uma única causa: a matéria. eles as repilam e classifiquem de tendência. por conseqüência. pelos quais ele é capaz de sacrificar felicidade. é a revelação de uma das forças da Natureza e. no meio dos acontecimentos da vida. nos elevarmos acima dos outros. quando ela professar esses princípios e praticar o bem. assaz natural. 208 NOÇÕES ELEMENTARES DE ESPIRITISMO CAPÍTULO II 209 Sem a vida futura. tanto na ordem física quanto na moral. -Túmulo. retificará imenso número de erros prove- de haver dado importância a coisas tão efêmeras e pueris. os professores ensinam a da felicidade futura está na razão do progresso moral existência da alma e seus atributos. superstições? Sem título-1 208-209 14/2/2006. aspira a brilhar. futura e de suas conseqüências muda-lhe totalmente a ordem de idéias e lhe faz ver as coisas por outro prisma. tirando todo motivo alargará. uma indiferença que. quando se lhes fornecem as quantos estão bem convencidos dessa verdade uma provas que não tinham. nos cerca e de sua ação sobre o mundo corporal. como o grão de areia ao lado de uma monta- Quando a Ciência levar em conta essa nova força até nha. pro- materiais como as honrarias. nos da vida. eles infiltrarão na mocidade o contraveneno das com a dúvida perde a paciência. do futuro. impreterivelmente. Quando do alto de suas cátedras os sábios proclamarem a existência do mundo espiritual e sua participação nos fenôme- Com a certeza do futuro. porque nada mais vê além. que a soma colas. como um segundo na conta. para fazer o bem e evitar o mal. e assim basearão as leis civis a própria honra. provando que a soma Nas lições de filosofia clássica. uma calma. O co- Daí. em uma palavra. de desditas está na razão dos vícios e más ações. com o fito de descoberta de um agente inteiramente novo. é um véu que A demonstração da existência do mundo espiritual que se levanta descobrindo imenso e esplêndido horizonte. como se alargou com o da lei da gravitação. mesmo neste mundo. elevar-se acima curarão os homens não mais se molestarem uns aos outros. quer gozar a todo custo. compreen- ambição desordenada e a importância que liga aos títulos e a derão que a lei da caridade ensinada pelo Cristo é a fonte da todos os efeitos da vaidade.

a queda de um fruto fez descobrir a lei que rege os mundos. as Sem título-1 210-211 14/2/2006. ele o prova por fatos materiais e revelações são rodeadas de certas dificuldades. ção que o Espiritismo prepara. revelaram a potência galvânica. despreza os meios de lhes fornecer de novo debaixo do Sol. tam- que eles lhes ensinam a existência da alma. esses germens que. existiram de nar-nos alguma coisa além do que já sabemos. dar-nos a explicação do que não com. mas que de tal bém do fenômeno vulgar das mesas girantes saiu a prova da fato não têm prova alguma? existência do mundo invisível. O Espiritismo não descobriu nem inventou os Espíritos. ou mesmo nenhuma. mo prega. em todas as épo- nós mesmos poderemos saber. dar e do modo por que o pode fazer. fazem mais que isso. As verdades revolução nas idéias. no qual se acreditou 102. incredulidade. sobre um ponto cação da realidade da vida futura. uma patente demonstração? Só as verdades eternas são absolutas. bastam preendemos e encaminhar-nos para um progresso mais rápido. 210 NOÇÕES ELEMENTARES DE ESPIRITISMO CAPÍTULO II 211 Não será isso o mesmo que confessar a seus discípulos rãs. ora. todavia. cujo dever é provar a seus discípulos novas. filhos da dúvida e da não é menos real que os Espíritos esclarecidos — quando sa. pelo que encontraremos. como não descobriu o mundo espiritual. procura com empenho e colhe com alegria tudo o que possa demonstrar a veracidade dessa hipótese. vê-se que só a demonstração cas. desembaraçando-o dos minuciosas precauções para se lhes comprovar a exatidão. uma doutrina que. desta. as- sim como de um grãozinho pode brotar uma árvore imensa. bemos interrogá-los e quando lhes é permitido — podem reve- lar-nos fatos ignorados. as que o Espiritis- 101. sobretudo. 104. descobertas. As menores causas podem produzir grandes efeitos. se elas exigem o apresenta em sua verdadeira luz. a fim de só se lhe pedir o que ela pode circunstâncias. se as suas em todos os tempos. uma revolução nas idéias não pode ensinadas pelo Espiritismo são antes conseqüências que deixar de produzir outra na ordem das coisas. Suponhamos que os Espíritos sejam incapazes de ensi. o caráter das É nisto. É esta revolu. saltando num prato. pois. de ciência. sendo fundadas sobre leis naturais. e. Os Espíritos. como. que o estudo sério e completo da ciência manifestações e o grau de confiança que podem inspirar. OBSERVAÇÃO — Estas explicações. conseguiram desenvolver. O Espiritismo ensina poucas verdades absolutamente um professor de filosofia. incompletas como são. preconceitos e idéias supersticiosas. segundo as espírita é indispensável. 103. porém. em alguns anos. ou do que por todos os tempos. mediante estudo mais completo e mais da existência do mundo espiritual conduz forçosamente a uma atentas observações. fez a volta do mundo e pode regenerá-lo pela verifi- Quando um sábio emite uma hipótese. para mostrar a base em que se assenta o Espiritismo. 08:39 . em virtude do axioma — nada há que eles têm uma alma. ultrapassando esses limi- tes é que nos expomos a ser enganados.

tanto mais que o maior número deles se acha fora de nosso alcance. Além disso. poderiam eles viver entre nós. no 55. — Revue Spirite. terão habi- tantes como a Terra? Todos os Espíritos o afirmam e a razão diz que assim deve ser. C A P Í T U L O I I I C A P Í T U L O I I I Solução de alguns problemas Solução de alguns problemas pela Doutrina Espírita pela Doutrina Espírita PLURALIDADE DOS MUNDOS 105. nem por sua colocação. 1858. nem pelo seu volume. A Terra não ocupa no Universo nenhuma posição especial. por Flammarion. e nada justificaria o privilégio exclusivo de ser habitada. semelhantes aos da Terra? Em uma palavra. 65: “Pluralité des mondes”. serão seus habitantes. Se os mundos são povoados. em tudo. Deus não teria criado milhares de globos. e nós entre eles? Sem título-1 212-213 14/2/2006. com o fim único de recrear-nos a vista.) 106. (O Livro dos Espíritos. 08:39 . Os diferentes mundos que circulam no espaço. pág.

um encaixado no outro. 108. não é. aproxima cada vez mais da natureza dos anjos. sem buscar o prejuízo uns dos ou- questões mais capitais. as artes e as ciências já atingiram um grau de perfeição que 109. págs. e. do qual a morte não é. como tudo leva a crê-lo e como A alma não está. 214 SOLUÇÃO DE ALGUNS PROBLEMAS PELA DOUTRINA ESPÍRITA CAPÍTULO III 215 A forma geral poderia ser. ou não existia antes da Na série progressiva dos mundos. riormente a este? não está sujeita aos sofrimentos. localizada num parece demonstrá-lo as observações astronômicas. confundidos durante a vida e separados 107. não pode haver meio-termo. moléstias e enfermidades. finalmente. ponto particular do corpo. intelectual e fisicamente. III. mais que um desdobramento. mais ou menos. Qual a sede da alma? Se o meio for diverso. encontram-se tropeços a cada passo. aí Depois da questão da existência da alma. se se ter nela acreditado. a mesma. aflições e necessidades mais importantes conseqüências.) o que tem conduzido muitos pensadores à incredulidade. alguns estão no po. o nosso nem ocupa o formação do corpo. primeiro nem o último lugar. isto é. Nessa ocasião um deles é destruído. Sem título-1 214-215 14/2/2006. sob o ponto de vista intelectual e so que o outro subsiste. Admitindo que esses mundos sejam povoados. figuradamente supor dois corpos semelhantes na forma. 08:39 . Podemos corpos. mo. provável que. Isto é confirmado por todos os Espíritos. como os peixes são feitos para viver na água e as aves no ar. outros são muito mais adiantados moral. (Revue Spirite. págs. mas o DA ALMA organismo deve ser adaptado ao meio em que eles têm de viver. pois. — O Evangelho segundo o Espiritismo. eles possam mudar de mundo com os mesmos o qual ela constitui um ser complexo. sem ela. mas é um dos mais materializados Com a preexistência da alma tudo se explica lógica e natu- e atrasados. moral? Durante a vida a alma age mais especialmente sobre os Segundo o ensino dos Espíritos. de alguma sorte. ralmente. onde o invólucro corporal. 1858. ela forma com o perispírito um con- zação deve ser diferente. Há. 67. a organi. irradia exteriormente. ao pas- mesma colocação que o nosso. em seu junto fluídico. Ela é. neles. — Idem. Será a alma criada ao mesmo tempo que o corpo. por não mais adiantados. mes- 1860. mais material e mais propensa nifestar sua presença. outros são mais atrasados. assimilando-se ao corpo inteiro. penetrável. 108 e 223. menos material. De duas uma: ou a alma existia. como o provam a observação e os fenô- ao mal. o mal moral é desconhecido. isentos dos desgostos. ela é a única capaz de expli- que os apoquentam na Terra. podendo mesmo ponto que o nosso. transportar-se ao longe e aí ma- sua humanidade mais bruta. a organização física. interna e externa. estarão na depois da morte. 318 e 320. ou ante- foge à nossa apreciação. menos sonambúlicos. como geralmente se crê. ao mesmo tem- em graus de adiantamento muito diferentes. outros ainda car uma multidão de problemas até hoje insolúveis. com estado normal. sendo mesmo isolar-se do corpo. Pelo contrário. certos dogmas da Igreja ficam sem justificação. é esta uma das os homens vivem em paz. os mundos se acham órgãos do pensamento e do sentimento. cuidados. cap. quase fluídico. porque de sua solução dimanam as tros.

são as que têm vivido mais e mais progredido antes de sua encarnação. como a lógica. Pouco a pouco o livre-arbítrio se desenvol- ve. nos 166 a 222. 1862. 114. Qual o estado da alma em sua origem? 110. (O Livro dos Espíritos. homens. o Espírito. o Espírito sente alma. como explicar a diversida- de de aptidões e predisposições naturais que notamos entre os Desde a concepção. já tinha a alma feito 114 e seguintes. na Terra. e veremos aplainar-se a maioria das dificuldades. Criou Deus as almas iguais moral e intelectualmente. Fez a alma esse progresso anterior. Sem título-1 216-217 14/2/2006. na Terra? por um cordão fluídico. 08:39 . ção dos fatos que diariamente estão sob os nossos olhos. ou estava estacionária? O progresso anterior da alma é simultaneamente 115. encontram-se numa espécie Sem individualidade e sem consciência de si mesma. o estudo dos diferentes graus de adiantamento do homem. Antes da sua união com o corpo. antes da sua união ao corpo. ou prova que o progresso anterior da alma deve fazer-se em uma fê-las mais perfeitas e inteligentes umas que as outras? série de existências corporais. Admita-se. Além do ensino dos Espíritos sobre esse ponto. Este laço se estreita cada vez mais. de sua existência. ao menos como hipótese. Se a alma já existia. mas com igual aptidão para tudo. Como e em que momento se opera a união da alma ao corpo? 113. A princípio. quando o impõe a outras para alcança- rem a felicidade eterna? A desigualdade das almas em sua origem seria a negação O HOMEM DURANTE A VIDA TERRENA da justiça de Deus.) ele do trabalho umas. sem vontade própria e sem consciência perfeita ria como se não existisse. não podem deixar dúvidas a esse respeito. está. e os As almas mais adiantadas. ainda que errante. em inteligência e moralidade. a preexistência da alma. isto é. Desde esse momento. preso ao corpo com o qual se deve unir. (O Livro dos Espíritos. não conciliaria essa preferência com a justiça. a prova disto está na observa- outras. se- de infância. Sendo todas as criaturas obra sua.) algum progresso. abril. antes da sua união com o corpo tinha As almas são criadas simples e ignorantes. 216 SOLUÇÃO DE ALGUNS PROBLEMAS PELA DOUTRINA ESPÍRITA CAPÍTULO III 217 Os Espíritos resolveram a questão afirmativamente. nos 111. mais ou menos numerosas. por que dispensaria páginas 97 a 106. se- Se Deus as houvesse feito umas mais perfeitas que as gundo o grau a que ele chegou. no estado de alma pro- demonstrado pela observação dos fatos e pelo ensino dos priamente dita. 112. 116. sem ela sua individualidade e consciência de si? ciência e sem conhecimento do bem e do mal. à medida que o corpo Essa diversidade é a conseqüência do progresso feito pela se vai desenvolvendo. ao mesmo tempo que as idéias. Se as almas são criadas iguais. ou em precedente existência corporal? Espíritos. — Revue Spirite. fatos.

mas não no-las po- dualmente. Por que de dois filhos do mesmo pai. isto é. 218 SOLUÇÃO DE ALGUNS PROBLEMAS PELA DOUTRINA ESPÍRITA CAPÍTULO III 219 uma perturbação que cresce sempre. apesar dos bons conselhos que recebem? panha a mudança de estado. Qual a origem das idéias inatas. suas idéias se acham momenta- É o resultado do progresso moral adquirido. donde ção de outras novas. mas. mas não se podem manifestar senão proporcional- mente ao desenvolvimento dos órgãos. a união então é completa e definitiva. mas as almas As idéias inatas são o resultado dos conhecimentos ad. Qual o estado intelectual da alma da criança no não exista. Elas se vão esclarecendo aos inatas são o resultado do progresso intelectual. ao aproximar-se do nas. um tolo. 121. educados nas mesmas condições. em razão da perturbação que acom. É um fato esse que vem em abono da origem das idéias ção das almas mais perfeitas umas que as outras. somente o corpo procede do corpo. A educação pode fornecer a instrução que falta. que vem juntar-se Sem título-1 218-219 14/2/2006. educação desenvolvem as idéias inatas. como as idéias neamente em estado latente. mas não o gênio. Sendo a primeira hipótese incompatível com a justiça de como lhes transmitem o princípio das qualidades corporais. axioma que a parte é da mesma natureza que o todo. Por que encontramos crianças instintivamente boas em Seu estado intelectual e moral é o que tinha antes da um meio perverso. algumas vezes. riormente adquiridas. passo que outras são instintivamente viciosas em um meio bom. Deus. prova. e o de um tolo. são independentes umas das outras. O ambiente e a de a consciência de si e não recobra as idéias senão gra. da dos pais. quando este 117. que a alma do filho não procede. a partir do momento em que a criança começa a dem dar. um bom e o outro mau? Por que o filho de um homem de ces. mas depende mui- inteiramente privadas de cultura intelectual? tas vezes da escolha feita pelo Espírito. ao união ao corpo. abstra. Na geração. Como se podem revelar gênios nas classes da sociedade tal ou tal família não é um efeito do acaso. vem o amor dos pais pelos filhos e o destes por aqueles? Os Espíritos se ligam por simpatia. 08:39 . em virtude do por elas adquirido anteriormente à encarnação. no caso de inatas. O homem de gênio é a encarnação de um Espírito respirar. um é às vezes inteligente e o outro estúpido. 118. ou um progresso sorte alguma. para servirem de base à aquisi. das disposições preco. apesar dos maus exemplos que colhem. se assim não fosse. 122. adiantado que muito houvera já progredido. são idéias que se conser- varam no estado de intuição. um homem ção feita da instrução? de gênio? As idéias inatas não podem ter senão duas fontes: a cria. os pais transmitiriam aos filhos as suas qualidades e defeitos próprios. e o nascimento em 119. momento de nascer? 120. gênio é. É um fato que prova serem as idéias inatas independen- cimento. tes do meio em que o homem foi educado. de serem criadas ao mesmo tempo que o corpo. das aptidões instintivas para uma arte ou ciência. poucos. além disso. o Espírito per. quiridos nas existências anteriores. Se as almas são independentes umas das outras. ocasião em que ela se torna completa. só fica de pé a segunda. a alma possui todas as idéias ante.

Por que encontramos em certas pessoas. quem. por uma Sem título-1 220-221 14/2/2006.) semelhante ou dessemelhante. simpatia. Tem o homem o livre-arbítrio. a um é dado um mau filho. e do seu caráter na existência homem. para excitá-los a isso. porém. resoluções que ele. baseia-se na admissão desse livre-arbítrio. cie de atmosfera impregnada das qualidades boas ou más do dentes existências. progresso futuro? a fim de que sofram a pena de talião. ou está sujeito à fatalidade? 125. pág.) 124. “Da Infância”. elas São Espíritos que não se ligaram na mesma família por se adivinham e compreendem. nem mérito do vezes. é o atributo que a divindade imprime àquele e o eleva acima de todas as outras criaturas. Por que há maus pais e maus filhos? fluidos. a outro. compensa um contra-senso. de algum modo. nascidas em con- 127. se amaram em uma existência anterior. O livre-arbítrio do homem é uma tivas provêm também. pelo contato desses fluidos. 220 SOLUÇÃO DE ALGUNS PROBLEMAS PELA DOUTRINA ESPÍRITA CAPÍTULO III 221 àqueles a quem amou no mundo espiritual ou em suas prece. teriores existências? Não será ela necessária ao seu que também ele o foi. 126.) 141. encontran. É assim que se pode explicar o fenômeno da transmissão de pensamento. Por que não conserva o homem a lembrança de suas an- ram em existência anterior. os pais têm por missão Espírito encarnado. e que. Pelo contato desses 123. de relações anteriores. O perispírito irradia ao redor do corpo. muitos. Qual a origem do sentimento a que chamamos dição servil. e. não São quase sempre entes que se conheceram e. instintos de dignidade e grandeza. filhos. só apresentam instintos de baixeza? É uma recordação intuitiva do progresso feito nas prece- dentes existências e das resoluções tomadas pelo Espírito antes É uma reminiscência intuitiva da posição social que de encarnar. 1861. (Revue Spirite. Por outro lado. esquece como o Espírito já ocupou. É isto tão real que a estima dos homens. a impressão sensitiva. no 379. por. muitas vezes. toda re- do-se nesta. muitas vezes. Deus lhes inspira uma afeição impressão que pode ser agradável ou desagradável. uns pelos outros. muitas vezes. conseqüência da justiça de Deus. 08:39 . Qual a causa das simpatias e antipatias que se manifes- tam entre pessoas que se vêem pela primeira vez? Se a conduta do homem fosse sujeita à fatalidade. algumas haveria para ele nem responsabilidade do mal. sa. os fluidos mútua. pág. lêem uma na outra. sem se falarem. bem que pratica. sendo por isso tendem a confundir-se ou a repelir-se. para punição do que fo. 128. faltam a essa missão. um mau pai. (Vede a parte que trata do Esquecimento do passado. 270: “La Peine du talion”. Esses dois sentimentos podem ainda ter uma outra cau. As antipatias instin. experi- ajudar o progresso dos Espíritos que encarnam como seus mentam. nascidas nas classes superiores. precedente. duas almas. Toda punição seria uma injustiça. são atraídos um para o outro. segundo sua natureza punidos. mas com o fim de servirem de instrumentos de pro- vas uns aos outros e. pelo mesmo motivo. formando uma espé. Duas pessoas que se encontram. enquanto ou- consciência? tras. (O Livro dos Espíritos.

quanto mais observar ou infringir as leis de Deus. por outra. 08:39 . segui- de seguir o bom ou o mau caminho. seria perfeitamente feliz. — ritos criminosos. segundo seja ele a encar nação de um Espírito um dia mau em uma existência próspera. isto é. vém da inferioridade do planeta. O materialista que faz todas as faculdades morais e 132. por conseqüência. A imperfeição dos Espíritos que aqui se encarnam. sem livre-arbítrio e. quanto à predominância deste. a Providência não existiria. 134. embriaguez ou idiotismo. O homem nasce bom ou resignadamente ele soube suportá-las. Ele estabeleceu leis. reduz o homem ao estado de máquina. porém suscetível. pro- Se fosse do acaso. cujos habitantes são. isto deve parecer é dessa infração que provém o mal. em relação à eternidade. pág. surdas. (Revue Spirite. Não se dá. O estudo do Espiritismo prova que a prosperidade do mau mem. 222 SOLUÇÃO DE ALGUNS PROBLEMAS PELA DOUTRINA ESPÍRITA CAPÍTULO III 223 enfermidade.) formam. é a ou um ato da Providência? origem do mal na Terra. É preciso fazermos uma distinção entre a alma e o ho. que as aflições do homem de bem são. ou. porque Ele é soberanamente bom. 1861. em razão do seu livre-arbítrio. nem sempre as observam. onde só encarnam Espíritos depu- talmente essa faculdade. eles se infelicitam reci- procamente e punem-se uns aos outros. rados. Admitida. porém. pág. não lhe será mais que mau. Por que vemos tantas vezes o mau prosperar. má. loucura. nem boa nem tem terríveis conseqüências em suas seguintes existências. perguntamos como se conciliam esses maioria. predomina? mudas ou afetadas de moléstias incuráveis. e estas são 133. na porém. 1862. e vida presente. tendo seu livre-arbítrio. adiantado ou atrasado. Será Deus o criador do mal? Deus não criou o mal. de das de uma felicidade. como escola de Espíritos pouco adiantados e cárcere de Espí- ca. o mesmo com quem admite a pluralidade das existências e pensa na brevidade de 130. O homem já nasce bom ou mau? cada uma delas. 97: “Phrénologie spiritualiste”. tanto maior e duradoura. sem responsabilidade do mal e sem mérito do bem que prati. a Providência. enquanto outras possuem todas as vantagens físicas? Será um efeito do acaso. clamorosa injustiça. para quem a acredita única. 76: “La tête de Garibaldi”. Espíritos inferiores ou que pouco têm progredido. A alma é criada simples e ignorante. Qual a origem do bem e do mal na Terra e por que este cia? Por que vemos tantas pessoas nascerem cegas. pelo contrário. mundos mais adiantados. Em Sem título-1 222-223 14/2/2006. Pelo contato de seus vícios. o mal não existe ou está em minoria. enquanto o sempre boas. 129. os Para aquele cujo pensamento não transpõe as raias da Espíritos. Qual a causa dos males que afligem a humanidade? intelectuais dependerem do organismo. aquele que homem de bem vive em aflição? as observasse fielmente. perde aciden. Por que nascem alguns na indigência e outros na opulên- 131. é lastimado ou desprezado. porém. ao mesmo tempo. O nosso mundo pode ser considerado. Os males da nossa humanidade são a conse- qüência da inferioridade moral da maioria dos Espíritos que a Idem.

Por que foi. aos maus-tratos e à humilhação a que submeteram os outros. conciliável com a justiça de Deus. ele poderá sair dela por sua inteligência e tra- admitir que esse efeito tem uma causa. 224 SOLUÇÃO DE ALGUNS PROBLEMAS PELA DOUTRINA ESPÍRITA CAPÍTULO III 225 fatos com a sua bondade e justiça? É por falta de compreen. o Espírito goza de toda a liberdade e da plenitude das sa que a miséria. nos dá força para suportarmos as vicissitudes da Deus. o idiota e o imbecil. talvez. ou para ficar isenta delas? da existência. (Revue zes. deve achar-se antes desta. 1861. Os estudos espíritas. se a alma é criada ao mesmo tempo que o A posição dos idiotas e dos imbecis seria a menos corpo. nascido na miséria. são votados. Durante a vida. qualquer que seja posições sociais seria a maior das injustiças — quando não a distância a que se transporte. que serve para chamá-lo. o Espírito fica sempre preso seja o resultado da conduta atual — se ela não tivesse uma ao corpo por um cordão fluídico. Compreende-se que quem se torna miserável ou enfer- mo. pág. compensação. ções. para que possa merecer criada idiota? uma expiação. Por miserável que seja a condição em que o Se admitimos a justiça de Deus. entregues Spirite. 311: “Les crétins”. seja punido por 135. para em todas as coisas a causa deve preceder ao efeito. dorme. porém. A convicção que dessa verdade adquirimos. foi por se sentirem presos. ao embrutecimento e ao desprezo. feitos acerca dos imbecis e idiotas. mas o Espírito não suportá-la. eles não há compensação possível. sem invejar a dos outros. abusou do poder para pelo desprezo de que se vêem objeto. muitas ve. pelas tentações que dá e pelos abusos que suas faculdades. As observações práticas provam que. nessas condi- A riqueza é também uma prova. para agir sepa- uma prova em que a vitória é mais difícil. demonstra ser ela mentos em que este lhe dispensa a presença.) Nem sempre uma vida penosa é expiação. muitas vezes é prova escolhida pelo Espírito. em laços que não podem quebrar. A diferença das radamente e ir aonde quer. de fato. sido tão considerados em encarnação precedente. Esses estudos no-los fazem ver. na qual fez mau uso da fortuna que Deus o Espíritos que abusaram da inteligência. pelo são da causa de tais males que muitos se arrojam a acusar Espiritismo. vida e aceitarmos a nossa sorte. 08:39 . e sofrem cruelmente encarregara de gerir. desde o seu nas. Qual o estado da alma durante o sono? çar mais rapidamente. que mais de um. Os estudos espíritas nos mostram. quando. e se esta causa não se balho. sujeitos àqueles a quem trataram com dureza. sua alma necessidade de a alma já ter vivido. 173: “L’Esprit d’un idiot”. pois. foi rico e considerado em uma tros homens. nascido na abjeção. que essa enfermidade é uma expiação infligida a existência anterior. conforme a coragem com que saiba No sono é só o corpo que repousa. e anteriormente orgulhoso e prepotente. — Idem. 136. porque mento até a morte. que vê um meio de avan. que fez ela para merecer tais aflições. pág. tenham oprimir os fracos. 1860. por suas imprudências ou por excessos. desde o nasci- encontra na vida presente. mas muito mais perigo. na hipótese da unicidade cimento. há. Sem título-1 224-225 14/2/2006. não podemos deixar de homem nasça. então. também o exemplo dos que viveram. que mais de provam que suas almas são tão inteligentes como as dos ou- um homem. Por que há homens idiotas e imbecis? onde pecou: porém. aproveita-se do repouso do corpo. dos mo- enseja.

era preciso explicar: 1o. Só a morte rompe A alma do selvagem atingirá. são a recordação dos lugares e das pessoas que o Espírito viu ou visitou nesse estado. tendo esse monopólio. não é compreensível que o selvagem não pu- deu em seus momentos de liberdade e algumas vezes avisos desse conseguir civilizar-se aqui na Terra. Sem a preexistência da alma. com o tempo. o que seria a negação da sua justiça. 11: “L’Esprit d’un côté et le corps de Esta proposição seria admissível. Além que. nela se apresentam almas disso.) caso em que se poderia dizer ser a Terra destinada a determi- nado grau. faça o seu pro- bulismo. pois. selvagem fique perpetuamente em estado de inferioridade. depois da morte. — Revue Spirite. a razão recusa admitir que. quando vemos al- ocultos dados por Espíritos benévolos. cada vez mais aperfeiçoadas e apro- priadas ao seu adiantamento. Donde vêm os pressentimentos? contrário! São recordações vagas e intuitivas do que o Espírito apren. por que menos que admitamos tenha Deus criado almas selvagens e só a Terra teria o monopólio das encarnações. quantas vezes temos diante de nós a prova do 138. o mes- esse laço. sono. como estaria um rústico coloca- os outros têm de fazer. 141. 2 o . etc. e onde estão deslocados. esta questão é insolúvel. rante o sono. (O Livro 140. a presen. sonam- que a alma. pág. dos Espíritos: “Emancipação da alma. São Espíritos muito inferiores. mo grau da alma esclarecida. a Se fosse de outro modo. que experimentam reencarnar em meio que não é o fato material que prova o progresso que uns já fizeram e que seu. a alma do encarnadas de todos os graus. personnes vivantes”. 81: “Étude sur l’Esprit des da Terra se achassem no mesmo nível moral e intelectual. ora. de- 139. Qual a causa dos sonhos? encarnações sucessivas. no 284. não encarnando mais que uma vez. é um bárbaras. saídos das raças ça simultânea da selvageria e da civilização. às vezes. Sem título-1 226-227 14/2/2006. Não será admissível. nOS 400 e seguintes. no meio das sociedades civilizadas. essa alma não pode atingir esse grau senão em 137. 1860. como todos os dias mor- rem selvagens. Por que há na Terra selvagens e homens civilizados? monstrada por exemplos que temos à vista. sonhos. mas mais adiantadas encarnadas ao lado dele. Com efeito. do que resulta a possibilidade da pluralidade das existências terrenas. na Terra.. bem como se ache na mesma elevação que a do homem esclarecido. do de repente numa cidade adiantada. 226 SOLUÇÃO DE ALGUNS PROBLEMAS PELA DOUTRINA ESPÍRITA CAPÍTULO III 227 quando a sua presença se torna necessária. Por que. 1860. vista dupla. por almas civilizadas. se todos os habitantes l’autre”. seguindo todos os graus interme- Os sonhos são o resultado da liberdade do Espírito du- diários a esses dois extremos. letargia”. mas. pág. — O gresso no estado de Espírito ou em outras esferas? Livro dos Médiuns: “Evocação das pessoas vivas”. se mostram seres de ferocidade comparável à dos mais bárbaros selvagens? Admitindo para as almas um mesmo ponto de partida — única doutrina compatível com a justiça de Deus —. — Idem. segundo pensam algumas pessoas. 08:39 .

Se a maioria dos seus novos cheio de virtudes. uma acabaria por degenerar. por que razão. pas- tenha. 08:39 . no mesmo meio em que podem satisfazer as a transformação da Humanidade? — (O Livro dos Espíritos: “Lei suas inclinações. pág. uma nação avança. donde vem a diversidade 142. por extinguir-se. o povo de bem são tão novas uma como a outra. por exemplo. pergunta-se. vida foi material e sensual. no 155. os quais são. do corpo? Tem ela instantaneamente a consciência de si? Em te. Como se opera a separação da alma e do corpo? É brusca ou gradual? Se na morte do corpo a alma deixa definitivamente a Ter- ra. delas é boa e a outra má? OBSERVAÇÃO — Essas questões provocam outras que encontram solução no mesmo princípio. que encarnam em um meio simpático e. atrai por simpatia Espíritos mais avançados.) Se a alma é criada juntamente com o corpo. que vê? Que experimenta ela? Sem título-1 228-229 14/2/2006. sem negar a Deus os atri. como a dos homens da Idade Média. À medida que uma geração dá um passo para fren. e tanto menos rapidamente quanto mais a Um chinês. na Terra? — Há raças rebeldes ao progresso? — A raça ne- São Espíritos que têm mais ou menos os mesmos gra é suscetível de subir ao nível das raças européias? — A escravi- gostos e inclinações. segundo os indivíduos e as circunstâncias da com as almas novas que diariamente chegam? morte. dele se tinham afastado. pág. encarnará entre um povo mais 145. então. nos 776 e seguintes. Os laços que prendem a alma ao corpo não se rompem ção com o grau do seu adiantamento. Os Espíritos encarnam em um meio simpático e em rela. dão é útil ao progresso das raças inferiores? — Como se pode operar muitas vezes. é assim que. ainda. Como progridem e como degeneram os povos? la race nègre”. butos de bondade e justiça. 1862. que progredisse suficientemen. afinal. 97: “Perfectibilité de 143. se este tivesse de ser recomeçado dão variável. a do criminoso e a do homem diariamente e não mais descessem a um meio inferior. e. 1862. habitantes fosse de natureza inferior e os antigos emigrassem Se a alma não é anterior ao corpo. senão aos poucos. de progresso”. desde então. na vida atual. pergunta-se por O HOMEM DEPOIS DA MORTE que têm elas costumes mais brandos e inteligência mais desenvolvida? 144. os mesmos que já haviam vivido no mesmo país e que. as dos homens de hoje são tão novas. uma palavra. e. por exemplo. (O Livro dos Espíritos. — Idem. — Revue Spirite. 228 SOLUÇÃO DE ALGUNS PROBLEMAS PELA DOUTRINA ESPÍRITA CAPÍTULO III 229 OBSERVAÇÃO — Não é possível admitir-se. tão primitivas. 1: “Doctrine des anges déchus”. o mesmo ponto de partida que a de um homem so a passo. Qual a situação da alma imediatamente depois da morte adiantado. Donde vem o caráter distintivo dos povos? de raças. talvez. qual seria o fruto do trabalho feito para O desprendimento opera-se gradualmente e com lenti- melhoramento de um povo.) te e não encontrasse mais na sua raça um meio correspon- dente ao grau que atingiu. que a alma do criminoso endurecido por seu progresso.

Sem título-1 230-231 14/2/2006. vindade. e o Espírito sente-se feliz Deus está em toda parte. pág. pode ser de algumas horas somente. não são o resultado de da matéria de que ela acaba de separar-se. milhares de indivíduos. pág. 230 SOLUÇÃO DE ALGUNS PROBLEMAS PELA DOUTRINA ESPÍRITA CAPÍTULO III 231 No momento da morte. esse momento é cheio de ansie- Deus. é tanto mais longa quanto mais mate. e que se dissipa o uma teoria ou de um sistema. é a de grande alívio e de imenso bem-estar. A alma que deixa o corpo. enquanto vivos. à medida que se destrói a influência da alma depois da morte ou durante a vida.) ta. e Deus o permite hoje. pois a sua situação. 1862. segundo seus hábitos durante a vida terrena. de muitos anos. desembaraçado. nos vêm rialmente o indivíduo viveu. gênero de riável. 08:39 . As faculdades perceptivas da alma são proporcionais à Para aquele cuja consciência não é pura e amou mais a sua purificação: só as de escol podem gozar da presença de vida corporal que a espiritual. é um erro. dia. pode ver a Deus? melhante à que acompanha um despertar plácido. como de muitos morte. por que nem todos os que vê e sobretudo do que entrevê. o que os encarnados são. porém. para aqueles que. é muito va- da escala. sente-se livre. dade e de angústias. é calma e em tudo se. Sanson”. observados em todas as fases e períodos da sua existência espiritual. seqüente à morte. pela vista. mesmo. eles se desmaterializam e se purificam. etc. 332: “Le réveil de l’Esprit”. os Espíritos atrasa- como aquele a quem tirassem as cadeias que o prendiam. A sensação a que podemos Espíritos podem vê-lo? chamar física. que não se sabe o o seu estado futuro. como nós o estamos na luz solar. a perturbação. que. — Idem. págs. idem. Tem. em relação a Deus. Se Deus está em toda parte. A lucidez das idéias e a memó. falando da vida futura. que vão aumentando à medida que ele se reconhece. OBSERVAÇÃO — Estas respostas e todas as relativas à situação ria do passado lhe voltam. se identificaram com Muitas vezes diz-se. dos. seqüente à morte. 129 e 171: “Obsèques de M. 1859. entre- tanto. são. meses ou. estão envolvidos numa espécie de nevoeiro que O Em sua nova situação. instruir. a alma vê e ouve ainda outras oculta a seus olhos. (Revue Spirite. 146. tudo se apresenta confuso. nada tem de penosa para o homem de bem. desde o mais baixo ao mais alto grau O tempo da perturbação. no estado do homem que sai de profundo sono e que procu- ra compreender a sua situação. ela conserva-se ton. — Idem. dias. a respeito. porque então sente medo e certo terror diante do 147. porque ninguém no-lo veio contar. É menos longa. são precisamente os que nela já se acham. porém. é-lhe 1860. porque esses compreendem imediatamente que nela se passa. porque em toda parte Ele irra- por não mais experimentar as dores corporais que o atormen. Os Espíritos inferiores então. mas de estudos diretos feitos sobre nevoeiro que lhe obscurece os pensamentos. e que se não dissipa senão à medida que coisas que escapam à grosseria dos órgãos corporais. mais que em nenhuma outra época. também muito variável. preciso algum tempo para se reconhecer. sensações e percepções que nos são desconhecidas. em relação aos Espíritos: verdadeiros cegos. A sensação que a alma experimenta nesse momento é como último aviso à incredulidade e ao materialismo. fica-se como que livre de um fardo. 244: “Mort d’un Spirite”. podendo dizer-se que o Universo está mergulhado na di- tavam alguns instantes antes.

dualmente e sem abalo. no 165. suicídio ou aci- A individualidade da alma é mostrada de modo material. fora dos casos de morte tem pensamento e volição próprios. O gênero de morte influi no estado da alma? dualidade? Como a constata e como podemos constatá-la? O estado da alma varia consideravelmente segundo o gê- Se as almas não tivessem sua individualidade depois nero de morte. poden- em um todo homogêneo. isto. é a querem. Graças ao Espiritismo experimental. 1863. estado. pág. uma vez que elas pensam e e não acha explicação para a sua situação. 08:39 . 319: “Un Esprit qui ne se croit pas mort”. do qual uma parte ab. e mostra-se espantado de não é mais uma coisa vaga. dendo instantaneamente transportar-se a distâncias imensas. erra no espaço e. dente. de terem animado tal ou tal indivíduo na Terra. não teriam caráter algum distintivo. sorveríamos ao nascermos. Para onde vai a alma depois de deixar o corpo? Este sistema. sobretudo. como para nós. mais ou menos constante em tal caso. fica como que tonto com a mudança nele efetuada. porém o resultado da observação. mas. — lucro fluídico ou perispírito. — Idem. Na morte violenta. o que prova evidentemente não estarem confundidas persuasão em que ele se conserva de não estar morto. o mais das vezes. espécie de corpo limitado. donde Na morte natural. sur- por assim dizer. o Espírito. isso sem falar das provas patentes do essa ilusão durar muitos meses e mesmo muitos anos. 232 SOLUÇÃO DE ALGUNS PROBLEMAS PELA DOUTRINA ESPÍRITA CAPÍTULO III 233 148. o desprendimento se opera gra- resultaria não haver interesse algum em fazermos o bem. em muitos indivíduos. a individualidade da alma como se ainda estivesse no mundo. pois é tão desolador quanto o materialismo. porquanto ali não haveria mais individualidades. (O Livro dos Espíritos. que faz Revue Spirite. OBSERVAÇÃO — Há quem pense poder fugir à pecha de materialista idem. — Idem. onde com outras se confundi- ria. dela um ser distinto. qualidades próprias de cada qual. pela linguagem e preendido. 166: “Le suicidé de la Samaritaine”. querendo umas o que outras não Um fenômeno. sobretudo. 1859. pág. por suplício. ) do-a depois da morte à massa comum. 97: “François Simon Louvet”. que distinguem umas das violenta. idem. Depois da morte. segundo a natureza dos hábi- da morte. 184: “Le Zouave de Magenta”. Neste que nos dão. que amou. nas manifestações espíritas. espécie de transição. quando fala. julga ocupar-se dos seus negócios. geralmente se supõe. tem a alma consciência de sua indivi. 149. 1858. 326: “Un Esprit au convoi de son corps”. pág. umas são boas e outras más. cuja vida foi absorvida pelos outras. pág. começando mesmo antes que a vida esteja extinta. não lhe responderem. Sem título-1 232-233 14/2/2006. para elas. a do crimi- noso estaria na mesma altura que a do homem de bem. 150. agem de modo diferente. tal como gotas d’água no oceano. O reservatório comum do conjunto universal equivaleria ao aniqui. como Espiritualismo. não existirem. umas sábias e outras ignorantes. po- lamento. verificando ainda a sua individualidade por seu invó- gozos e interesses materiais. 1858. formando dela a nossa alma e restituin- pág. os laços são partidos bruscamente. A própria alma reconhece sua individualidade. 1859. não merece mesmo o nome de Ela não vai perder-se na imensidade do infinito. por admitir um princípio inteligente universal. ele se locomove. porque Essa ilusão também se nota. no meio daqueles que conheceu e. seria o mesmo que tos durante a vida.

alcan- conservam-se na infância. não tendo feito mais que passar alguns instantes na vida. pouco mais ou menos. O incompleto desenvolvimento dos órgãos da criança não Sendo o progresso proporcionado à vontade do Espírito. dava ao Espírito a liberdade de se manifestar completamente. Os Espíritos desmaterializados pouco se preocupam com Podendo a mesma questão ser formulada acerca do estado inte- as coisas materiais. intelectualmente. Encontra a alma no mundo dos Espíritos os parentes que e a do ignorante. aqueles que mais a amam vêm recebê-la à na Terra. seus durante a vida. pág. conservam os gostos e as livre desse invólucro. ainda interesse pelos trabalhos que não pôde completar? delicado e adornado com as graças da inocência. porque a entrada no mundo dos Espíritos não conhecidos de outras existências. entre a do selvagem e a do homem civilizado? ali a precederam? A mesma. Conserva a alma a lembrança do que fez na Terra? Tem ela mãe o encanto que sempre está ligado à afeição de um ente frágil. idiotas e loucos depois da morte. Se. encon- Quanto aos trabalhos que começaram. é para não tirar à 152. 1860. (Revue Spirite. as que progrediram. Progridem mais ou menos. o que adquiriram em ciência 154. segundo sua vontade. 17: “Mère! Je suis là”. e prosseguem nas Sem título-1 234-235 14/2/2006. o Espírito de um deles. punição para os culpados. (Revue Spirite. como durante a vida? çam uma encarnação de ordem mais elevada. mas se adiantam muito. 132. O Espírito.) adiantado. 234 SOLUÇÃO DE ALGUNS PROBLEMAS PELA DOUTRINA ESPÍRITA CAPÍTULO III 235 151. o estado intelectual e moral da alma e moralidade. 1858. não sofre modificação nas Guarda todas as afeições morais e só esquece as ma- faculdades. As que ficaram estacionárias. 1862. têm necessidade de pôr em prática. lectual da alma dos imbecis. recomeçam uma da criança morta em tenra idade? Suas faculdades existência análoga à que deixaram. — Idem. 341: “Les amis ne nous menino pode. há muitos que. tância e utilidade. e ajudam-na a desprender-se dos laços terrenos. dá à alma todos os conhecimentos que lhe faltavam Geralmente. pág. pois. 156. Conserva a alma as afeições que tinha na vida terrena? da sua encarnação.) lhos. na outra vida. suas faculdades são o que eram antes inclinações que tinham durante a vida. porém. por longo tempo. entre a alma do sábio 153. Progridem as almas. como também a outros muitos. al. que já não são de sua essência. por isso vem satisfeita ver os parentes e amigos e sente-se feliz com a lembrança OBSERVAÇÃO — Nas comunicações espíritas. pág. falar como adulto. e algu- gumas vezes. que existia entre elas Não só os encontra. 08:39 . de que se julgam felizes por estar livres. Que diferença há. algumas vezes. Qual. depois da morte? Entretanto. adota a linguagem infantil. segundo sua impor- tra-se a solução no que precede. sua chegada no mundo espiritual. durante a vida corporal. depois da morte. inspiram a outros o desejo de terminá-los. porque pode ser Espírito oublient pas dans l’autre monde”. 155. teriais. a privação de ver as almas mais caras é. Depende da sua elevação e da natureza desses traba.

sem trabalho. na vida futura. Um estado mente na existência terrena. necessidade da pluralidade das existências. As comunicações espíritas colocam os so- Sem título-1 236-237 14/2/2006. a não ser em suas alegrias e sofrimentos? pode fazer hoje? Se as almas não fizessem mais que tratar de si durante a Se a sorte é irrevogavelmente fixada. pág. da. 236 SOLUÇÃO DE ALGUNS PROBLEMAS PELA DOUTRINA ESPÍRITA CAPÍTULO III 237 mesmas idéias. em sua justiça. 1859. 126: “Progrès d’un Esprit pervers”. não podendo. a sorte das crianças que morrem em idem. pág. na vida futura. que o fogo do in- impossibilidade. não poderia aprová-la na espiritual. 1858. crêem-se dispensados de estudar e trabalhar mais. Qual.) tiver vivido alguns instantes. entretanto. e futuramente o que Mesmo entre os homens esclarecidos. tem por sorte atual o que mereceu da existência anterior. têm ocupações em relação com o seu grau de bem e reparar o mal que fizeram? adiantamento. 344: “Un ancien Esta questão é uma das que melhor provam a justiça e a charretier”. As almas. depois da mor. A sorte do homem. ou que desta se veja priva- porque há muitos que não puderam esclarecer-se suficiente. ela deve ter um destino qualquer. Uma alma que só 1861. (O Livro dos Espíritos. pois. idem. sem falar dos idiotas. admitida a justiça divina. pág. ter entrevisto a vida. imbecis. selvagens e de elevado número de crianças que morrem sem Uma existência logo em começo interrompida. idem. de ser a sorte ferno é todo moral e não material. não define a nature- da alma irrevogavelmente fixada depois da morte. por toda a eternidade. o permitir que o homem faça amanhã o que não outra coisa. hoje. e Deus. 383: “Progrès des Esprits”. pág.) sessenta? 160. seria egoísmo. idem. (Revue Spirite. que condena essa falta na homens em idades diferentes. Em que consistem os sofrimentos da alma depois da Por que Deus lhe tira assim os meios que concede a outros? morte? Irão as almas criminosas ser torturadas em chamas Só o fato da diversidade das durações da vida e do estado materiais? moral da grande maioria dos homens. e por que. “Le tenra idade? tambour de la Bérésina”. melhorar-se. misto. e não é isto prova que Deus nos dá de sua 159. pág. 186. prova a A Igreja reconhece perfeitamente. está irrevogavelmente ma do Cristo — cada um é punido ou recompensado conforme fixada depois da morte? suas obras — é tão ilógico como contrário à justiça de Deus A fixação irrevogável da sorte do homem. não vida corporal. não pode merecer prêmio nem castigo. seria igualmente uma injustiça. Têm as almas ocupações na outra vida? Pensam elas em bondade. admitir-se que. segundo a máxi- 157. 158. essa alma seja chamada a go- te. idem. 1860. za dos sofrimentos. ao mesmo tempo que procuram instruir-se e Quem sabe se o criminoso que morre aos trinta anos. porém. gando-se assaz perfeitos. pois. sem fazer nem bem nem mal. 142: “L’Esprit et les héritiers”. pág. por que morrem os eternidade. seria a negação absoluta da justiça e da bondade de Deus. jul- vier a merecer em suas existências ulteriores. há muitos que. 08:39 . concede Deus a todos o tempo de produzir a maior soma de ou Espíritos. no 558: “Ocupações e mis- não se teria tornado um homem de bem. 82: “La reine d’Oude”. zar da bem-aventurança dos anjos. ter conseqüência alguma para a alma. se vivesse até aos sões dos Espíritos”.

não há se pode abreviar-lhe as penas. experimenta numa nova encarnação. idem. O amor dos Espíritos”. 166: “Le suicidé de la resultado de um fogo material. no 664. idem. 1860. e. pois. 275: “Le père Crépin”. A alma. 08:39 . pág. pág. página 270: “La peine du talion”. outros se conservam junto aos tesouros um testemunho de interesse. Revue Spirite. 161. graus Como dissemos. idem. — Revue Spirite. apesar de não serem o 79: “L’assassin Lemaire”. idem. o favo- necessidade de um lugar determinado e circunscrito. no mundo espiritual. experimenta um consolo. 1859. que enterraram. elas a eternidade em contemplação? lhoso. para isso. por rentos julgam sofrer o frio e as privações que suportaram na quem se pede. que não tenha. pág. quando ele. é neste sentido que reverso e suas conseqüências naturais. miserável. athée”. deixam de ser 1859. idem. em transes perpétuos. etc. sendo qua. 53: “Suicide d’un é assim que certos assassinos são obrigados a conservarem. no 237: “Percepções. não sentir ódio. pela prece o exortamos ao arrependimento e ao moral. para os Espíritos dessa nature. Regnier”. pág. seu desejo de fazer o necessário para ser feliz. 331: “Sensations des Esprits”. e. nem inveja. idem. e o infeliz é sempre consolado. mérito. A prece será útil às almas sofredoras? riais conserva esses pendores juntamente com a impossibili. se não está depurado. pág. desde o instante em que ela entra e de expiação. — quer que se ache o Espírito perverso. que o homem de gostos sensuais e mate. com medo que os rou. 1858. há as penas e provas souffrants”. por esse meio. coupable dans le monde des Esprits”. Parte 4a: “Esperanças e consolações”. Em que consistem os gozos das almas felizes? Passam sofrer o que fez a outrem sofrer. 384: se sempre essas mesmas faltas o instrumento do seu castigo. de ser humilhado. pág. idem. infeliz com seus filhos. o inferno estará com ele. podemos cap. 316: “Le châtiment”. de seu lado.) materiais que o Espírito. nem por isso. pág. idem. a fonte de suprema feli- Sem título-1 238-239 14/2/2006. “Penas e gozos futuros”. não há um defeito. Todos os bons Espíritos a recomendam e os imperfeitos dade de satisfazê-los. que os une é. o que lhe é uma tortura. um ato mau. se avarento. como a punição à gravidade da falta. felicidade dos bons Espíritos consiste em conhecer todas as temente para merecer habitação em mundo melhor. quando encontra pessoas que compartilhem de suas dores. idem. a Terra é um dos lugares de exílio infinitos nos gozos da alma. (O Livro dos Espíritos. uma imperfeição De outro lado. Onde rece com a sua boa vontade. I. a pedem como meio de aliviar os seus sofrimentos. 61: “Estela mais terríveis. página 247: “Le suicidé de la rue Quincampoix”. A za. queimar almas imateriais. dos Espíritos. 315: “Effets de la prière sur les Esprits Além dos sofrimentos espirituais. em uma palavra. pág. “Châtiment de l’egoïste”. nem ambição. idem. pág. pág. sensações e sofrimentos nem qualquer das paixões que desgraçam os homens. se foi A justiça quer que a recompensa seja proporcional ao mau filho. em certos casos. do qual cada um se pode libertar. que efetivamente não poderia Samaritaine”. um purgatório. (O Livro coisas. que certos ava. 315: “Entrée d’un Essas penas não são uniformes: variam infinitamente. apreciá-los e convencer-nos de que. melhorando-se suficien. porque vê na prece vida por sua avareza.) -se no próprio lugar do crime e a contemplar suas vítimas incessantemente. para os bons Espíritos. idem. há. 238 SOLUÇÃO DE ALGUNS PROBLEMAS PELA DOUTRINA ESPÍRITA CAPÍTULO III 239 frimentos sob os nossos olhos. segundo a natureza e o grau das faltas cometidas. eles. nem ciúme. bem. no caminho do bem. na qual é colocado em condições de 162.1861. se foi orgu. até aquele em que atinge a perfeição.

— Revue Spirite.) OBSERVAÇÃO — Convidamos os adversários do Espiritismo e os que não admitem a reencarnação a darem. por outro princípio qualquer que não seja o da pluralidade das existências. de uma atividade inces- sante pelas missões que os Espíritos recebem do Ser Supre- mo. ao contrário. 240 SOLUÇÃO DE ALGUNS PROBLEMAS PELA DOUTRINA ESPÍRITA cidade. idem. 321 e 322. págs. Sem título-1 240 14/2/2006. (O Livro dos Espíritos. nem os sofri- mentos. 1860. O estado de contemplação perpétua seria uma felicidade estúpida e monótona. 179: “Madame Gourdon”. porque lhes fornece ocasiões de serem úteis e de fazerem o bem. seria a ventura do egoísta. 08:39 . uma solução mais lógica. “Les purs Esprits: Le séjour des bienheureux”. pág. A vida espiritual é. nem as angústias da vida material. 1861. dos problemas acima apresen- tados. pois não experimentam as necessidades. uma existên- cia interminavelmente inútil. e cujo desempe- nho os torna felizes. de serem seus agentes no governo do Universo — missões essas proporcionadas ao seu adiantamento. no 558: “Ocu- pações e missões dos Espíritos”.

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