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PPLLAANNEEJJAAMMEENNTTOO URURBBAANONO
PPrrooffaa DDrraa MMaarriiaa CCececíliíliaa BBoonnaattoo BBrraannddaalilizzee
20082008
A Disciplina PROGRAMA
A Disciplina
PROGRAMA

1. Introdução

2. Legislação Cadastral

3. Metodologia do Cadastro Técnico (CT)

4. CT Multifinalitário para Planejamento Urbano

5. Noções de Planejamento Urbano

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4. CTM & Planejamento Urbano
4. CTM & Planejamento Urbano

4.1. CTM & Realidade Brasileira

4.2. Conceitos de Planejamento Urbano

4.3. Legislação Ambiental Urbana

4.4. Lei de Zoneamento Urbano & Uso do Solo

4.5. Produtos Cadastrais

4.6. Projeto de Loteamento Urbano

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4.1. CTM & Realidade Brasileira
4.1. CTM & Realidade Brasileira

O planejamento no âmbito municipal visa resolver os problemas dos munícipes em determinada época. A ordenação do espaço urbano é necessária para eliminar as distorções do capitalismo moderno.

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É necessária a correção do desequilibro social brasileiro resultante da colonização baseada na escravidão, do capitalismo tardio e do neoliberalismo.

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Assim, o espaço urbano apresenta uma dinâmica populacional oriunda do modo de produção capitalista. Neste cenário torna-se o cadastro multifinalitário um instrumento de gestão municipal e de tomada de consciência da problemática urbana.

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4.1. CTM & Realidade Brasileira EEvvoolluuççãoão ATUAL (até 2000) TENDÊNCIA Objetivo Taxação Taxação
4.1.
CTM & Realidade Brasileira
EEvvoolluuççãoão
ATUAL (até 2000)
TENDÊNCIA
Objetivo
Taxação
Taxação & Serviços
Uso
Impostos
Impostos
Registro
Planejamento
Usuários
Munícipes
Cartórios
Empresas
Estatais
Órgãos Meio Ambiente
Provedores
Prefeitura/Cidadão
Cartórios
Empresas
Estatais
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4.1.
CTM & Realidade Brasileira
mmeettooddoloologgiiaass
AVANÇO
CADASTRO
AUMENTO
EVOLUÇÃO
ggeeootteeccnnoloologgiiasas
Município
DE
ccoonnssuullttasas
TECNOLÓGICA
FUNÇÕES
AUMENTO
DE
DEMANDA
aaccesesssosos
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4.2. Conceitos de Planejamento Urbano
4.2.
Conceitos de Planejamento Urbano

Espaço Urbano

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Em termos geográficos o espaço se assemelha a uma espécie de arcabouço tridimensional que encerra os ambientes físico e humano. O espaço é uma entidade social. Neste contexto, o espaço pode ser dividido em urbano e rural. No espaço rural a paisagem é mais ou menos marcada pelos elementos do meio natural: a influência do solo, do clima, da declividade do relevo, a presença de água e vegetação e onde a população vive dispersa em pequenos sítios. No espaço urbano a população se concentra em áreas totalmente humanizadas e dedica-se às atividades industriais, comerciais e de prestação de serviços.

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4.2. Conceitos de Planejamento Urbano
4.2.
Conceitos de Planejamento Urbano

Origem das Cidades

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O surgimento dos conglomerados urbanos é um fato histórico, geográfico e, acima de tudo, social.

Tem-se, como o seu aparecimento, o fim da pré-história, já que no início a sociedade primitiva não desenvolveu a cidade, mas apenas aldeias rurais (as chamadas “proto-cidades”), que não eram fixas e mudavam de lugar com a exaustão do solo. A pré-história compreendeu especialmente os períodos paleolítico e mesolítico.

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4.2. Conceitos de Planejamento Urbano
4.2.
Conceitos de Planejamento Urbano

Origem das Cidades

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A princípio houve a separação entre a agricultura e o pastoreio e, conseqüentemente, o surgimento da primeira divisão social do trabalho, entre o agricultor e o pastor. Nota-se portanto que a sociedade de classes precedeu a origem da cidade.

O pastor precisava dos produtos agrícolas do agricultor e este, por sua vez, precisava dos produtos animais daquele. Esta necessidade mútua marca o aparecimento dos postos de troca, onde pastores e agricultores permutavam seus produtos.

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4.2. Conceitos de Planejamento Urbano
4.2.
Conceitos de Planejamento Urbano

Origem das Cidades

Tiro (Líbano)

de Planejamento Urbano Origem das Cidades Tiro (Líbano) A cidade de Ombos , no Egito, é

A cidade de Ombos, no Egito, é tida como a mais antiga cidade do mundo, construída em, aproximadamente 4.000 a.C. Entre as cidades mais antigas estão: Tebas, Mênfis e Hieracompolis no Vale do Nilo; Harapá, Moenjo-Daro e Laore na Bacia do Indus (contemporâneas das grandes pirâmides egípcias); Jericó, Tiro e Jerusalém; além de Pequim na China

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4.2. Conceitos de Planejamento Urbano
4.2.
Conceitos de Planejamento Urbano

Urbanismo: Ciência das Cidades

Os termos “urbanização” e “urbanismo”, com o sentido de planejamento urbano, foram usados pela primeira vez na segunda metade do século XIX, por Ildefonso Cerdá, em sua obra intitulada Teoria Geral da Urbanização.

Leopoldo Mazzaroli (in: Mukai, 1988) definiu o urbanismo como:

“a ciência que se preocupa com a sistematização e desenvolvimento da cidade, buscando determinar a melhor posição das ruas, dos edifícios e obras públicas, de habitação privada, de modo que a população possa gozar de uma situação sã, cômoda e estimada”.

Concepção que se restringe aos limites da cidade!!!

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4.2. Conceitos de Planejamento Urbano
4.2.
Conceitos de Planejamento Urbano

Urbanismo: Ciência das Cidades

A partir da publicação da obra de Ebenezer Howard, intitulada Cidades Jardins do Amanhã (1902), o urbanismo começa a abranger a cidade e o campo, preocupando-se com algo mais que os aspectos meramente físicos do território.

A partir daí, o urbanismo deixa de ser mera disciplina da cidade e passa para projetos de estruturação regional e, posteriormente, os planos nacionais de um país.

Tal concepção moderna deve-se ao reconhecimento de que a cidade não é entidade com vida autônoma, destacada e isolada no território. Em verdade, o urbanismo ultrapassa os limites da cidade para englobar um território inteiro, que se influencia mutuamente, devendo, pois, ser estudado de forma sistêmica e conjugada.

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4.2. Conceitos de Planejamento Urbano
4.2.
Conceitos de Planejamento Urbano

Urbanismo: Ciência das Cidades

Torna-se, assim, o urbanismo, em razão da escola racionalista ou funcional representada por Le Corbusier (1975), na ciência da organização do espaço, para além das restritas fronteiras das cidades.

Segundo Le Corbusier (1975):

El urbanismo es la ordenación de los lugares y de los locales diversos que deben abrigar el desarrollo de la vida material, sentimental y espiritual en todas sus manifestaciones, individuales o colectivas. Abarca tanto los aglomeraciones urbanas como los agrupamientos rurales. El urbanismo ya no puede estar sometido exclusivamente a las regras de un esteticismo gratuito.”

El urbanismo debe velar tres funciones fundamentales: 1ª abitar; 2ª trabajar; 3ª recrearse.”

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4.2. Conceitos de Planejamento Urbano
4.2.
Conceitos de Planejamento Urbano

Urbanismo: Ciência das Cidades

Ainda segundo Le Corbusier (1975), os objetivos do urbanismo são:

1. A ocupação do solo;

2. A organização da circulação;

3. A legislação.

A inevitável incidência das diversas ciências no estudo e disciplina do fenômeno urbano leva a crer que o jurista e o arquiteto, sozinhos, não mais resolvem os problemas da cidade, porque convergem, na solução destes problemas, conhecimentos sociológicos especializados, geográficos, estatísticos, de engenharia sanitária, de biologia, de medicina, e sobretudo políticos e econômicos.

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4.2. Conceitos de Planejamento Urbano
4.2.
Conceitos de Planejamento Urbano

Urbanismo: Ciência das Cidades

Ainda com relação ao urbanismo, deve-se especial atenção ao direito urbanístico.

Este constitui um conjunto de preceitos ou normas das quais a administração pública municipal se vale para a coordenação e o ordenamento do território (urbano ou não), em nome do interesse coletivo e dos titulares dos direitos de propriedade.

Sua formação, ainda em processo de afirmação, decorre da nova função do Direito, que consiste em oferecer instrumentos normativos ao poder público, a fim de que se possa, com respeito ao princípio da legalidade, atuar no meio social e no domínio privado, para ordenar a realidade no interesse da coletividade.

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4.2. Conceitos de Planejamento Urbano
4.2.
Conceitos de Planejamento Urbano

Paisagem Urbana

Constitui a roupagem com que as cidades se apresentam a seus habitantes e visitantes.

Se revela nos elementos formais da cidade, espalhando-se nas superfícies constituídas das edificações a dos logradouros da cidade.

Seus componentes fundamentais se exteriorizam no traçado urbano, nas áreas verdes e outras formas de arborização, nas fachadas arquitetônicas e no mobiliário urbano através de suas várias espécies.

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Diferentes Paisagens Urbanas para diferentes padrões de Ordenamento do Território.

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4.2. Conceitos de Planejamento Urbano
4.2. Conceitos de Planejamento Urbano

Sociologia Urbana

As transformações da cidade não constituem os resultados passivos da “globalidade social”. A cidade depende também das relações de imediatez, das relações diretas entre pessoas e grupos que compõem a sociedade. A cidade se constitui na imbricação da ordem próxima (relações dos indivíduos em grupos) e da ordem distante (a ordem da sociedade, regida por poderosas instituições, por um código jurídico e por uma cultura). DDoo mmeessmmoo mmooddoo qquuee emem cacaddaa mmoommeennttoo ddaa hhiissttóórriiaa uumm eessppoo éé pprroodduuzziiddoo,, eellee pprróópprriioo rreevveella,a, emem cacaddaa mmoommeennttoo ddaa hhisisttóórriia,a, uummaa cciiddaaddee ee ssuuaass ppoossssiibbiililiddaaddees.s. OO iimmppoorrttaannttee éé ssaabbeerr qquuee aass ccooiissaass mmuuddaamm ee ppoorrqquuee mmuuddaam.m.

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4.2. Conceitos de Planejamento Urbano
4.2.
Conceitos de Planejamento Urbano

Política Urbana

Visa resolver os problemas de uma sociedade em determinada área ou espaço e numa época específica, levando-se em consideração que a sociedade e seu espaço se transformam continuamente no tempo, sem que seja observado, entretanto, um mínimo de sincronismo entre eles.

Assim, a necessidade do planejamento físico territorial, ou seja, a ordenação dos espaços em que o homem exerce suas atividades, é imperativo nos dias atuais, devendo ser também preocupação do Direito Urbanístico.

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4.2. Conceitos de Planejamento Urbano
4.2.
Conceitos de Planejamento Urbano

Aspectos da Urbanização no Brasil

A Revolução Industrial, iniciada no século XVIII, originou profundas alterações na forma de ocupação do espaço e na função da cidade.

A ocupação do espaço ocorreu de modo caótico, nos poucos espaços que sobravam entre as fábricas e rodovias.

O nascimento da indústria originou cidades insalubres, marcadas pela aglomeração dos pobres em áreas periféricas, em geral oriundas do campo, sem qualquer infra-estrutura urbana.

O processo de desenvolvimento urbano do Brasil ocorreu de uma transformação social, pós Segunda Grande Guerra Mundial, que promoveu uma desarmonia entre os sistemas humano e natural.

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4.2. Conceitos de Planejamento Urbano Aspectos da Urbanização no Brasil Urbanização → f (migração pela
4.2.
Conceitos de Planejamento Urbano
Aspectos da Urbanização no Brasil
Urbanização → f (migração pela busca do emprego)
Explosão Demográfica → Década de 70
População Urbana
19196060
44%44%
19197070
56%56%
19198080
67%67%
19199090
75%75%
20200000
81%81%
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4.2.
Conceitos de Planejamento Urbano
Aspectos da Urbanização no Brasil
De acordo com pesquisa realizada pelo IBGE, entre os censos de 1991 e
2000 o número de favelas no Brasil aumentou em 25% e acima de
1.269 municípios declararam, em 2001, terem favelas ou outro tipo de
habitações precárias.
As favelas são formadas por populações excluídas do mercado
imobiliário legal e que busca meios alternativos de habitação.
Em geral, o local de uma favela é uma área de invasão clandestina na
periferia das grandes cidades e em regiões metropolitanas.
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4.2. Conceitos de Planejamento Urbano
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Conceitos de Planejamento Urbano

Aspectos da Urbanização no Brasil

Segundo o IBGE, 37% dos municípios brasileiros possuem loteamentos irregulares e seus habitantes “proprietários” não cadastrados.

As prefeituras municipais brasileiras não possuem nem estrutura jurídica nem legal para impedir as invasões e os loteamentos ilegais.

Aglomerado Subnormal (favelas e similares) é um conjunto constituído de no mínimo 51 unidades habitacionais - ocupando ou tendo ocupado até período recente, terreno de propriedade alheia (pública ou não); dispostas de forma desordenada e densa, carentes, em sua maioria, de serviços públicos essenciais. (IBGE)

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4.2. Conceitos de Planejamento Urbano
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Conceitos de Planejamento Urbano

Aspectos da Urbanização no Brasil

O padrão de urbanização imprimiu às metrópoles, ao menos duas fortes características associadas ao modo predominante de fazer "cidade", apresentando componentes de insustentabilidade associados aos processos de expansão da área urbana e de transformação e modernização dos espaços intra-urbanos, e proporcionando baixa qualidade de vida urbana a parcelas significativas da população

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PPaaddoo ddee UUrrbbaanniizazaççããoo nnacaciiononaall éé IINNSSUUSSTTEENTNTÁÁVVEEL!L!

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4.2. Conceitos de Planejamento Urbano
4.2.
Conceitos de Planejamento Urbano

Aspectos da Urbanização no Brasil

Em apenas quatro décadas (1950 a 1990) formaram-se 13 cidades com mais de um milhão de habitantes e em todas elas a expansão da área urbana assumiu características semelhantes, isto é, não resultou de determinações ou projetos articulados, mas, ao contrário, prevaleceu a difusão do padrão periférico, condutor da urbanização do território metropolitano, perpetuando, assim, o loteamento ilegal, a habitação autoconstruída e conjuntos habitacionais populares distantes da produção pública.

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4.2. Conceitos de Planejamento Urbano
4.2.
Conceitos de Planejamento Urbano

Aspectos da Urbanização no Brasil

A significativa concentração da pobreza nas metrópoles brasileiras tem como expressão um espaço dual:

De um lado, a cidade formal, que concentra os investimentos públicos e, de outro, o seu contraponto absoluto, a cidade informal, relegada dos benefícios equivalentes e que cresce exponencialmente na ilegalidade urbana que a constitui, exacerbando as diferenças sócio-ambientais.

A precariedade e a ilegalidade são seus componentes genéticos e contribuem para a formação de espaços urbanos totalmente desprovidos de atributos de urbanidade.

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4.2. Conceitos de Planejamento Urbano
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Conceitos de Planejamento Urbano

Aspectos da Urbanização no Brasil

A expressão Cidade Clandestina ou Cidade Irregular define a forma abusiva do crescimento urbano sem controle, próprio da cidade industrial metropolitana, compreendendo os bairros relegados pela ação pública, a cidade dos pobres e dos excluídos, a cidade sem infra-estrutura e serviços suficientes, a cidade ilegal, ainda que legítima.

Já na década de 30, na metrópole de São Paulo, havia a menção à existência de uma cidade clandestina, termo utilizado para designar os espaços da cidade onde predominava o fenômeno da abertura de loteamentos sem licenças, registros ou alvarás fornecidos pela prefeitura e que, eventualmente, também apresentavam problemas fundiários, isto é, de titulação da propriedade.

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4.2. Conceitos de Planejamento Urbano
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Conceitos de Planejamento Urbano

Aspectos da Urbanização no Brasil

A análise das práticas urbanísticas que consolidaram a cidade clandestina ou irregular revela, como recorrente, a relação permissiva entre poder público e loteadores, permeada pela tolerância à irregularidade e à clandestinidade.

A reprodução e a permanência desse padrão de urbanização apontam para a incapacidade recorrente do Estado em controlar e fiscalizar o uso e a ocupação do solo e atuar como controlador efetivo, financiador ou provedor de moradia para as populações com menos recursos.

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4.2. Conceitos de Planejamento Urbano
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Conceitos de Planejamento Urbano

Aspectos da Urbanização no Brasil

A evolução desse processo resultou no agravamento de práticas ambientais predatórias, gerando erosões do solo, enchentes, desabamentos, desmatamentos e poluição dos mananciais de abastecimento e do ar, que afetam o conjunto urbano e em especial as áreas ocupadas pela população de baixa renda.

Os problemas ambientais urbanos dizem respeito tanto aos processos de construção da cidade e, portanto, às diferentes opções políticas e econômicas que influenciam as configurações do espaço, quanto às condições de vida urbana e aos aspectos culturais que formam os modos de vida e as relações interclasses.

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4.2. Conceitos de Planejamento Urbano
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Conceitos de Planejamento Urbano

Aspectos da Urbanização no Brasil

Nas parcelas da cidade produzidas informalmente, onde predominam os assentamentos populares e a ocupação desordenada, a combinação dos processos de construção do espaço com as condições precárias de vida urbana gera problemas socioambientais e situações de risco que afetam tanto o espaço físico quanto a saúde pública. São eles:

1) Desastres provocados por erosão, enchentes, deslizamentos; destruição indiscriminada de florestas e áreas protegidas; contaminação do lençol freático ou das represas de abastecimento de água.

2) Epidemias e doenças provocadas por umidade e falta de ventilação nas moradias improvisadas, ou por esgoto e águas servidas que correm a céu aberto, falta de água potável, entre outros.

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4.2. Conceitos de Planejamento Urbano
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Conceitos de Planejamento Urbano

Aspectos da Urbanização no Brasil

As questões ambientais urbanas adquiriram visibilidade no decorrer das décadas de 80 e 90, impulsionadas pelos fóruns internacionais promovidos pelas Nações Unidas.

Das mudanças verificadas na política dos assentamentos humanos, entre a conferência de Vancouver 1976 (Habitat I) e a de Istambul 1996 (Habitat II), destaca-se a importância reservada às cidades e metrópoles no contexto das nações e na aplicação do conceito de sustentabilidade, bem como a revisão da crença de que o Estado, através da produção em grande escala de moradias em conjuntos habitacionais, poderia produzir domicílios para os pobres nas cidades na quantidade necessária.

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4.2. Conceitos de Planejamento Urbano
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Conceitos de Planejamento Urbano

Aspectos da Urbanização no Brasil

A conferência do Rio de Janeiro, em 1992, denominada ECO92 (United Nations Conference on Environment and Development), centrada nos problemas do meio ambiente e desenvolvimento, concluiu que 3/4 do crescimento da população urbana mundial, na última década do século XX, será absorvido por cidades do Terceiro Mundo, e colocou em evidência as questões da pobreza urbana e do custo econômico e social da degradação ambiental urbana.

Os compromissos assumidos pelos governos, entre os quais o governo brasileiro, com a implementação das agendas mencionadas no evento apontam para a importância do papel sinalizador de uma política urbana federal que apóie as ações locais nos estados, metrópoles e municípios da federação.

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4.3. Legislação Ambiental Urbana
4.3.
Legislação Ambiental Urbana

No âmbito da Gestão Ambiental Urbana, as leis federais que disciplinam a proteção e o uso do meio ambiente que interessam diretamente aos planejadores e desenhistas urbanos são:

Código Florestal (Lei 4771/65) Lei de Parcelamento Territorial Urbano (Lei 6766/79) Lei da Política Nacional do Meio Ambiente - PNMA (Lei 6938/81) Lei da Política Nacional dos Recursos Hídricos - PNRH (Lei 9433/97) Lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação - SNUC (Lei 9985/2000); e Estatuto das Cidades (Lei 10257/01).

Contudo, todas estas leis estão hierarquicamente disciplinadas pela CCononssttiittuuiiçãçãoo FFeeddeeralral (CF), tomada como base e soberana em relação a todas as demais.

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4.4. Lei de Zoneamento Urbano e Uso do Solo
4.4.
Lei de Zoneamento Urbano e Uso do Solo

Conforme a área que se pretende gerir, há vários tipos de zoneamento que podem ser combinados de acordo com as necessidades práticas e as exigências legais.

Santos (2004, p.18) define o zoneamento na legislação ambiental como:

um

instrumento de gestão do território, elaborado por técnicos e cientistas especializados, provenientes do Estado ou de organizações da sociedade civil, sob a coordenação do mesmo Estado na figura dos órgãos responsáveis pela gestão do

território e dos recursos naturais”.

Assim, o zoneamento tem como função definir os usos possíveis de zonas territoriais específicas nas esferas urbanas, rurais e especialmente protegidas do ponto de vista ambiental, artístico, cultural e paisagístico a partir de critérios técnicos e legais e da participação ativa e organizada da comunidade que habita o espaço a que ele se destina. Portanto, é um instrumento norteador para o plano de uso do espaço.

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4.4. Lei de Zoneamento Urbano e Uso do Solo
4.4.
Lei de Zoneamento Urbano e Uso do Solo

No âmbito da gestão ambiental urbana deve-se atentar para três tipos de zoneamentos: urbano (incluindo o industrial), ambiental ou ecológico-econômico e hídrico (diagnóstico do regime hídrico das bacias).

Zoneamento Urbano: tem como finalidade estipular regras quanto à ordenação do espaço territorial urbano incluindo o zoneamento industrial, priorizando a segurança sanitária de suas populações (como os planos higienistas após a Revolução Industrial), mas que hoje podem ser utilizados para disciplinar outras atuações humanas no desenvolvimento urbano. Uma vez mapeado o zoneamento urbano este integrará o Plano de Uso que por sua vez reproduz as potencialidades e restrições ao uso de ocupação do solo e não se vincula necessariamente aos condicionantes ambientais do território.

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4.4. Lei de Zoneamento Urbano e Uso do Solo
4.4.
Lei de Zoneamento Urbano e Uso do Solo

No âmbito da gestão ambiental urbana deve-se atentar para três tipos de zoneamentos: urbano (incluindo o industrial), ambiental ou ecológico-econômico e hídrico (diagnóstico do regime hídrico das bacias).

Zoneamento Ambiental ou Ecológico-Econômico: tem como objetivo orientar as políticas públicas para a execução das diretrizes constitucionais no que tange o desenvolvimento sócio-econômico- ambiental. Divide o território em zonas de acordo com a necessidade de proteção, conservação e recuperação dos recursos naturais e do desenvolvimento sustentável. Unidade de Conservação, Área de Proteção Ambiental, Corredor Ecológico, Zona de Amortecimento, entre outras.

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4.4. Lei de Zoneamento Urbano e Uso do Solo
4.4.
Lei de Zoneamento Urbano e Uso do Solo

No âmbito da gestão ambiental urbana deve-se atentar para três tipos de zoneamentos: urbano (incluindo o industrial), ambiental ou ecológico-econômico e hídrico (diagnóstico do regime hídrico das bacias).

Zoneamento Hídrico: trata de um espaço ainda pouco utilizado pelos arquitetos e urbanistas que é a unidade hidrográfica. Este zoneamento ou diagnóstico do regime hídrico será integrado ao Plano de Bacia e gerido pelo Comitê de Bacia Hidrográfica.

A Lei N° 9433/97 institui a Política Nacional dos Recursos Hídricos e traz princípios que devem nortear a atuação dos entes da Federação em termos de recursos hídricos tais como: o da adoção da bacia hidrográfica como unidade de planejamento com o Plano Diretor de Recursos Hídricos; o dos usos múltiplos da água, segundo o qual põe todas as categorias que usam água em igualdade de acesso; o reconhecimento do valor econômico da água; e o da gestão descentralizada e participativa.

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4.4. Lei de Zoneamento Urbano e Uso do Solo
4.4.
Lei de Zoneamento Urbano e Uso do Solo

Legislação do Município de Curitiba

Lei N° 9800/2000: ZZononeeaammeennttoo,, UUssoo ee OOccuuppaçãaçãoo ddoo SSoololo no Município de Curitiba

Anexos

Lei N° 9801/2000: IInnssttrruummeennttooss ddee PPoollííttiicaca UUrrbbaanana no Município de Curitiba

Lei N° 9802/2000: Institui incentivos para a implantação de PPrrooggrarammaass HaHabbiittaacciioonnaaiiss ddee IInntteerreessssee SSoocciialal

Lei N° 9803/2000: TTrarannssfeferrêênncciiaa ddee PPootteenncciiaall CCononssttrruuttiivovo

Lei N° 9804/2000: Cria o SSiissttememaa ddee UUnniiddaaddeess ddee CCononsseerrvvãoão do Município de Curitiba e estabelece critérios e procedimentos para implantação de novas Unidades de Conservação

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4.4. Lei de Zoneamento Urbano e Uso do Solo
4.4. Lei de Zoneamento Urbano e Uso do Solo

Legislação do Município de Curitiba

Lei N° 9800/2000: ZZononeeaammeennttoo,, UUssoo ee OOccuuppaçãaçãoo ddoo SSoololo no Município de Curitiba

Anexos

Lei N° 9805/2000: Cria o SSeettoorr EEssppeecciiaall ddoo AAnneell ddee CCononsseerrvvããoo SSaanniittáráriioo AAmmbbiieennttalal e dá outras providências

Lei N° 9806/2000: Institui o CCóóddiiggoo FFlloorreessttalal do Município de Curitiba, e dá outras providências

Decreto N° 183/2000: Regulamenta o Art. 34 e seguintes, todos componentes do Capítulo IV – Da CCllaassssiiffiicaçcaçããoo ddooss UUssosos, da Lei nº 9.800/00, define, relaciona os usos do solo e dá outras providências

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Zoneamento 2000 -42-
Zoneamento 2000
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Zoneamento Sistema Viário -43-
Zoneamento Sistema Viário
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4.5. Produtos Cadastrais
4.5. Produtos Cadastrais

Exemplo de Produtos Gerados para Curitiba Cadastro das Áreas Verde

Cadastro da Rede Integrada de Transporte

Cadastro dos Conjuntos Habitacionais

Cadastro dos Loteamentos

Cadastro das Ocupações Irregulares

Cadastro da Rede de Saneamento

Cadastro das Unidades de Conservação

Entre muitos outros

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4.6. Projeto de Loteamento Urbano
4.6.
Projeto de Loteamento Urbano

A atual eessttrruuttuurara ffuunnddiiáárriiaa uurrbbaanana é decorrente dos loteamentos implantados sem aprovação oficial.

3737%% ddooss mmununiiccííppiiooss bbrarassiilleeiirrosos possuem loteamentos irregulares.

Para a incorporação da cciiddaaddee iinnffoorrmmalal é necessária a montagem de novas eessttrruuttuurraass eessppeecciiaaiiss,, pparaaralleellaass ààss eexxiisstteenntteses.

A rreegguullaarriizaçãzaçãoo ddaa ttiittuullããoo ddooss llootteses depende da rreegguullarariizaçzaçããoo uurrbbaannííssttiicaca ddoo emempprreeeennddiimmeenntoto que, por sua vez, depende de negociações com o loteador omisso e assim por diante, em uma cadeia de situações que precisam ser identificadas caso a caso.

A ssoolluuçãçãoo iinnddiivviidduualal é fundamental para o encaminhamento da regularização fundiária e administrativa, mas iinnssuuffiicciieenntete para a ssoolluuçãçãoo ddooss pprroobbllememaass uurrbbaannííssttiiccooss ddoo llootteeaamemenntoto e suas áreas vizinhas, o que constitui um dilema a ser equacionado.

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4.6. Projeto de Loteamento Urbano
4.6.
Projeto de Loteamento Urbano

CCaracaractteerrííssttiiccaass FFununddaammeennttaaisis

Todo e qualquer pprroojjeettoo ddee llootteeaamemenntoto, em maior ou menor grau, altera e agride o eeccoossssisistteemmaa nnaattuurralal.

O nonovvoo ssiissttememaa eeccoollóóggiicoco criado poderá ou não ser estável ou instável, econômico ou anti-econômico, agradável ou desagradável, dependendo do critério adotado pelo urbanista.

Os ecossistemas naturais mmeenonoss aalltteeraraddosos por um projeto de loteamento são, geralmente, os mmaaiiss aaggraraddáávveeisis, eessttáávveeisis e eecconôonômmiiccosos.

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4.6. Projeto de Loteamento Urbano CCoommpprreeeenndede
4.6.
Projeto de Loteamento Urbano
CCoommpprreeeenndede

Conhecimento 3D3D da área sobre a qual será realizado o empreendimento ® Levantamento Topográfico

Marcação da gglleebaba e divisão das qquuaaddrarass ee llootteses ® Forma

PPrreesseerrvvaçãaçãoo ddee ÁÁrreeasas: ambientais; escoamento da água superficial; encostas com d > 45º; dunas, restingas e mangues…

Consideração da ddeecclliivviiddaaddee ee vveeggeettaçãoação e de sua relação com a vveennttililããoo ee aa iinnssoollaaçãoção

Consideração da ddeecclliivviiddaaddee com o eessccooaammeennttoo ddaass áágguuaass pplluuvviiaaisis

Consideração da ddeecclliivviiddaadede com a cciirrccuullaçãaçãoo ddee ppeeddeessttrreses ® projeto de rampas com baixo, médio e alto atrito

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4.6. Projeto de Loteamento Urbano CCoommpprreeeenndede
4.6.
Projeto de Loteamento Urbano
CCoommpprreeeenndede

Consideração da ddeecclliivviiddaadede com relação ao ppoossiicciiononaammeenntoto e à ffoorrmmaa ddaass qquuaaddrarass ee rruuasas ® ruas diagonais às curvas de nível

Definição da mmaallhhaa uurrbbaanana e ccoommbbiinanaççããoo ddee ttraraççaaddosos: ortogonal, não ortogonal, triangular, espinha de peixe, em T, de traçado aberto, etc.

Definição das áárreeaass ddeessttiinnaaddaass aa eeqquuiippaammeennttooss uurrbbaanosnos: praças, parques, arborização urbana, saneamento básico, iluminação, etc.

Definição da tipologia das vias veiculares: calçada, faixa de veículo, ciclovia, estacionamento, canteiros, faixa de ônibus, baia de ônibus, curvatura das vias, raio de curvatura dos entroncamentos, largura das vias, etc.

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4.6. Projeto de Loteamento Urbano CCoommpprreeeenndede
4.6.
Projeto de Loteamento Urbano
CCoommpprreeeenndede

Definição do ppaavviimemennttoo ddaass vviiasas: betuminoso, bloco de concreto, concreto in loco, paralelepípedo, pedra, tijolo cerâmico, junta aberta, etc.

Definição dos sisissttememaa pplluuvviiaaisis: meio-fio, sarjeta, sarjetões, bocas- de-lobo, condutos de ligação, caixas de ligação, poços de visitas, galerias, canalização a céu aberto, bacias de estocagem, etc.

Definição da eesscacalala: vertical e horizontal, cidade, bairro, logradouro, objetos, etc.

Definição dos ssíímmbboollooss cacarrttooggffiiccosos mais adequados à representação dos projetos de loteamento.

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4.6. Projeto de Loteamento Urbano
4.6.
Projeto de Loteamento Urbano

BBiibblliiooggraraffiiaa RReeccoommeennddaadada

LLootteeaamemennttooss UUrrbbaannosos. Juan Luis Mascaró. Porto Alegre, 2005.

TTooppooggraraffiiaa AApplliicacaddaa àà MMeeddiiççããoo,, DDiivvisisããoo ee DDememaarrcaçãocação. José Anibal Comastri e Joel Gripp Junior. UFV, 2002.

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