Você está na página 1de 29

i

N

W

V

/

\

V

E

Í

V

J

/

\

W

1

I N

1

L

M

N

A

L

1

U

I N

A

L

FAÇA

UMA

JORNADA

VISUAL

ATRAVÉS

DA

V I D A

E

D O S

TEMPOS

BÍBLICOS

 

I

n

t

r

o

A U T O R ,

d

u

ç

ã

o

L U G A R

E

a

D A T A

D A

R E D A Ç Ã O

0 livro de Daniel oferece ao intérprete da Bíblia duas alternativas quanto à sua autoria: ou se trata de um relato do próprio Daniel ou de al­

guém que lhe era próximo e é historicamente confiável, ou foi escrito por um zelote religioso durante a revolta dos macabeus e é pura ficção.

A questão sobre a autoria depende essencialmente da época em que o livro foi escrito. A suposição de que Daniel ou alguém ligado à Babilônia e posteriormente à Pérsia o escreveu implica uma data por volta de 530 a.C. A sugestão de que foi composto durante as guerras dos macabeus estabelece sua redação em cerca de 165 a.C. Ambos os argumentos são complexos, mas há boas razões para considerar o livro de Daniel historicamente confiável e escrito no início do período Persa (ver “ Quando foi escrito o livro de Daniel?’’, em Dn 1).

DESTINATÁRIO

Baseado na suposição de uma data mais antiga para a composição (530 a.C.), Daniel escreveu a seus companheiros judeus exilados na Babilônia para lembrá-los do controle soberano de Deus sobre a história mundial e encorajá-los com as promessas de Deus de restauração.

F A T O S

C U L T U R A I S

E

D E S T A Q U E S

Os defensores de uma data tardia para a composição (ca. 165 a.C.) argumentam que o livro teve a intenção de encorajar os judeus oprimi­ dos da época do conflito contra o cruel rei selêucida Antíoco IV (ver “Antíoco IV Epifânío” , em Dn 11). Para os que sustentam essa teoria, o propósito de Daniel era persuadir os judeus em combate de que havia exemplos históricos de judeus devotos que haviam derrotado reis pagãos e suas perseguições ao povo de Deus (Dn 3— 6). Além disso, esses estudiosos argumentam que as profecias dos capítulos 2, 7,

8 e 11 foram escritas para mostrar ao povo que todas as dificuldades que eles estavam suportando sob o governo de Antíoco haviam sido

previstas e que a plenitude do Reino de Deus se seguiria à queda desse governante. Intrínseca a essa interpretação é a pressuposição de que todos os exemplos e profecias contidos no livro constituíam aspectos de uma fraude piedosa. Contra isto, além do fato de que a inclusão de uma “ fraude piedosa” na Bíblia seria no mínimo teologicamente problemática, deve-se observar que os reis pagãos, em Daniel, são às vezes retratados sob aspectos positivos (4.1-3,36,37; 6.19-28). Se o contexto histórico de Daniel fosse a guerra judaica, ocorrida séculos mais tarde, contra Antíoco IV, o homem que erigiu uma estátua de Zeus e sacrificou porcos (animais ritualmente impuros) no templo de Jerusalém e que na realidade tentou erradicar o judaísmo, esses retratos positivos de reis pagãos apresentados por um combatente judeu zeloso seria inexplicável. Mas qual o propósito de Daniel, se o livro for entendido como um documento histórico de 530 a.C.? Evidentemente, o livro foi es­ crito para encorajar os judeus do exílio e da Diáspora à fidelidade durante o prolongado período em que Israel permaneceria, na melhor das hipóteses, como uma nação obscura e subordinada a governantes de vários poderes mundiais pagãos. Alguns desses governantes seriam severos e opressores, enquanto outros seriam tolerantes e até mesmo amigos dos judeus, Apesar de tudo, as gerações de leitores de Daniel deveriam depositar sua esperança no fato de que Deus tinha previsto essa dificuldade e se preocupava com eles.

L

IN H A

DE

T E M P O

r

Ministério de Jeremias em Judá (ca. 626-585 a.C.)

Exílio de Daniel na Babilônia (ca. 605-536 a.C.)

Queda de Jerusalém (586 a.C.)

Conquista da Babilônia pelos persas (539 a.C.)

Daniel na cova dos leões (ca. 539 a.C.)

Primeiro retorno de exilados a Jerusalém (ca. 538 a.C.)

Redação do livro de Daniel (ca. 536-530 a.C.)

Fim do ministério de Daniel (ca. 536 a.C.)

1400 A.C.

1300

1200

1100

1000

900

800

700

t i f e

600

i

500

1

i

1

m

í

400

EN Q U A N TO

VOCÊ

I N T R O D U Ç Ã O

A

D A N I E L

1 3 8 3

A narrativa fascinante dos primeiros seis capítulos prende facilmente a atenção do leitor. Procure exemplos de fé inabalável diante das piores expectativas, ou seja, sem levar em conta a soberania de Deus.

Ao entrar em contato com a literatura apocalíptica encontrada no restante do livro, um comentário bíblíco detalhado sobre esses capítulos será de grande utilidade. Um bom comentário mostrará as semelhanças entre essa porção altamente simbólica de Daniel e o livro de Apocalipse, no final do NT.

VOCÊ

SABIA?

• Daniel foi levado para a Babilônia no grupo deportado em 605 a.C., mas ainda estava lá em 539 a.C. e também quando os primeiros exilados voltaram a Jerusalém (Dn 1.1).

• Belsazar, filho de Nabonido, era corregente com o pai e governou a Babilônia durante a ausência de Nabonido da capital por dez anos (5.1).

• A identidade do “ rei Dario” é incerta. Nesse sentido, Dario era evidentemente um nome de trono para alguém que governava sob ordens de Ciro ou então o nome do trono de Ciro na Babilônia (6.1).

TEMAS

0 livro de Daniel inclui os seguintes temas:

1. Soberania de Deus. Os fatos narrados em Daniel enfatizam a fidelidade de Deus e sua autonomia absoluta sobre a história mundial (2.47;

3.17,18; 4.28-37; 5.18-31). Embora às vezes aparente o contrário, Deus está no controle dos acontecimentos, reinos e governos globais (5.21).

2. Fidelidade a Deus. Deus recompensa os que são fiéis a ele e o reconhecem (cp. 1.8 com 1.15-20; 2.17,18 com 2.19; 2.27,28 com

2.48,49; 3.12,16-18 com 3.26-30; 5.16-18 com 5.29; 6.7-12 com 6.19-24). 0 livro revela que é possível ao oprimido povo de Deus sobre­ viver e até mesmo prosperar numa cultura hostil à sua fé.

3.

Profecias de acontecimentos futuros. As quatro visões de Daniel contêm predições de períodos futuros de perseguição, como também

do

retorno do Cristo triunfante (7.11,26,27; 8.25; 9.27; 11.45; 12.13). As visões de Daniel encorajam o fiel povo de Deus que está vivendo

debaixo da opressão e da perseguição, oferecendo uma perspectiva divina sobre a realidade que difere do puramente visível: Deus vencerá

no final, assim os cristãos de qualquer época podem viver a expectativa do triunfo definitivo (2,44; 7.27; Ap 11.15).

SUMÁRIO

I. 0 cativeiro, fidelidade e ascensão de Daniel e seus três amigos (1)

II. Os destinos das nações (2— 7)

A. 0 sonho de Nabucodonosor de uma estátua (2)

B. A imagem dourada de Nabucodonosor e sua adoração (3)

C. Visão de Nabucodonosor: a grande árvore (4)

D. A queda de Belsazar e da Babilônia (5)

E. Daniel na cova dos leões (6)

F. Sonho de Daniel: os quatro animais (7)

III. 0 destino de Israel (8— 12)

A. Visão de Daniel: o carneiro e o bode (8)

B. Oração de Daniel e a visão das 70 “ semanas” (9)

C. Visão de Daniel: o futuro de Israel (10— 12)

1 3 8 4

DANI EL

1.1

Daniel na Babilônia

I No terceiro ano do reinado de Jeoaquim, rei de Judá, Nabucodonosor,3 rei da Babilônia, veio a Jerusalém e a sitiou.b 2 E o Senhor entregou Jeoaquim, rei de Judá, nas suas mãos, e também

alguns dos utensílios do templo de Deus. Ele levou os utensílios para o templo do seu deus na terra de Sinear" e os colocou na casa do tesouro do seu deus.0

1.1 «2Rs 24.1;

*2Cr36.6

1.2°2Cr 36.7; Jr 27.19,20; Zc

5.5-11

3 Depois o rei ordenou a Aspenaz, o chefe dos oficiais da sua corte, que trouxesse alguns dos israe­

1.3 d2Rs 20.18;

litas da família real e da nobreza:d4jovens sem defeito físico, de boa aparência, cultos, inteligentes, que

dominassem os vários campos do conhecimento e fossem capacitados para servir no palácio do rei. Ele deveria ensinar-lhes a língua e a literatura dos babilônios1’. 5 De sua própria mesa, o rei designou- -Ihes uma porção diária de comida e de vinho.e Eles receberiam um treinamento durante três anos e depois disso passariam a servir o rei.f

24.15; Is 39.7

1.5 ev. 8,10; V. 19

6 Entre esses estavam alguns que vieram de Judá: Daniel,s Hananias, Misael e Azarias.7 0 chefe dos

1.6 sEz 14.14

oficiais deu-lhes novos nomes: a Daniel deu o nome de Beltessazar;ha Hananias, Sadraque; a Misael, Mesaque; e a Azarias, Abede-NegoJ

1.7 hDn 4.8; 5.12;

'Dn 2.49; 3.12

8 Daniel, contudo, decidiu não se tornar impuro) com a comida e com o vinho do rei, e pediu ao

chefe dos oficiais permissão para se abster deles.9E Deus fez com que o homem fosse bondosokpara

com Daniel e tivesse simpatia1por e le .10Apesar disso, ele disse a Daniel: “Tenho medo do rei, o meu senhor, que determinou a comida e a bebida de vocês. E se ele os achar menos saudáveis que os outros jovens da mesma idade? O rei poderia pedir a minha cabeça por causa de vocês” .

1.9 *Gn 39.21;

Pv 16.7; '1 Rs 8.50;

S1106.46

11 Daniel disse então ao homem que o chefe dos oficiais tinha encarregado de cuidar dele e de

Hananias, Misael e Azarias:12 “Peço que faça uma experiência com os seus servos durante dez dias:

Não nos dê nada além de vegetais para comer e água para beber.13 Depois compare a nossa aparência com a dos jovens que comem a comida do rei, e trate os seus servos de acordo com o que você concluir” . 14 Ele concordou e fez a experiência com eles durante dez dias.

15 Passados os dez dias, eles pareciam mais saudáveis e mais fortes do que todos os jovens que

1.15 mÊx 23.25

1.16 "v. 12,13

com iam a comida da mesa do rei.m 16 Assim o encarregado tirou a com ida especial e o vinho que haviam sido designados e em lugar disso lhes dava vegetais." 17 A esses quatro jovens Deus deu sabedoria e inteligência0para conhecerem todos os aspectos da cultura e da ciência.P E Daniel, além disso, sabia interpretar todo tipo de visões e sonhos.1) 18 Ao final do tempor estabelecido pelo rei para que os jovens fossem trazidos à sua presença, o chefe dos oficiais os apresentou a Nabucodonosor.19 O rei conversou com eles, e não encontrou nin­ guém comparável a Daniel, Hananias, Misael e Azarias; de modo que eles passaram a servir o rei.s 20 O rei lhes fez perguntas sobre todos os assuntos que exigiam sabedoria e conhecimento e descobriu

que eram dez vezes mais sábios do que todos os magos e encantadores de todo o seu reino.1 21 Daniel permaneceu ali até o primeiro ano do rei Ciro.u

1.17°1 Rs 3.12; pDn 2.23; Tg 1.5;

QDn2.19,30;

7.1; 8.1

1.18 «v. 5

1.19 *Gn 41.46

1.20 *1Rs 4.30;

Dn 2.13,28

121 “Dn 6.28;

10.1

0

1 .2

Is to

é, n a

re g iã o

da

B a b ilô n ia .

6

1 .4

H e b ra ic o : caldeus.

1.1 De acordo com o sistema babilônio de computar os anos do reinado

de um rei, o terceiro ano de Jeoaquim teria sido 605 a.C., visto que seu

primeiro ano completo de reinado começou no dia de ano-novo, depois

de sua ascensão, em 608. Mas, de acordo com o sistema em Judá, que

contava o ano de ascensão como o primeiro ano de reinado, esse foi

Jeoaquim ” (ver J r 25.1; 4 6 .2 e nota; ver também

“O problema da cronologia dos reis de Judá e de Israel”, em IRs 14). Visto que o primeiro capítulo do livro de Daniel começa e termina com marcadores cronológicos, é possível datar a carreira de Daniel. Embora Jerusalém tenha sido destruída pelos babilônios em 586 a.C., Daniel foi levado para a Babilônia numa deportação mais antiga, em

“o

quarto ano de

605 a.C. D n 1.21 registra que ele ainda estava lá em 539 a.C. Uma vez

que Daniel menciona em 10.1 que recebeu uma visão durante o tercei­

ro ano de Ciro, sabemos que ele ainda estava vivo quando os primeiros

exilados voltaram a Jerusalém.

1.2 Os utensílios do templo foram “levados” quando o povo de Judá foi

exilado na Babilônia. A primeira deportação (605 a.C.) incluiu Daniel;

e a segunda (597 a.C.), Ezequiel. Uma terceira deportação aconteceu

em 586 a.C., quando os babilônios destruíram a cidade de Jerusalém e o

templo de Salomão (ver “Exílio e genocídio no antigo Oriente Médio”,

sistema de escrita aprendido facilmente e entendido por todos (ver nota em 2.4).

1.7 A mudança de nome implicava submissão à autoridade de

Nabucodonosor (ver notas em Gn 17.5; 2Rs 23.34). O nome dos deuses

pagãos estavam incorporados aos significados desses nomes babilônios:

Beltessazar provavelmente significa “Bel [i.e., Marduque] proteja sua vida!”; Sadraque, “comando de Aku [o deus-lua sumério]”; Mesaque, “Quem é o que Aku é?”; Abede-Nego, “servo de Nego/Nebo/Nabu”.

1.8 Daniel considerava a comida e a bebida da mesa de Nabucodono­

sor ritualmente contaminada, porque a primeira porção da comida era oferecida a ídolos, e uma porção do vinho era derramada sobre um al­ tar pagão (ver “Os ‘restaurantes do templo’ e a comida sacrificada aos

ídolos”, em lC o 8, para um equivalente no NT). Além disso, animais cerimonialmente impuros eram comidos e até mesmo os que eram consi­ derados limpos não eram sacrificados nem preparados de acordo com os regulamentos da Lei mosaica (ver “Alimentos puros e impuros na Bíblia

e no antigo Oriente Médio”, em Lv 11).

1.17 Com a ajuda de Deus, Daniel e seus amigos dominaram completa­

mente a literatura babilônia principal (ver nota em 1.4), como também

as sutilezas da astrologia e da adivinhação por meio de sonhos (ver nota

em

Ez 21).

em G n 40.8; ver também “Oráculos sobre sonhos no mundo an­

O

deus de Nabucodonosor era Marduque, deus da ordem cósmica e

tigo”, em Jó 4).

principal divindade do panteão babilônio.

1.4 A “língua e a literatura dos babilônios” incluía a literatura clássica

em cuneiforme sumério e acádio, um sistema de escrita silábico com­ plicado (ver “Suméria”, em Gn 4; e “O cuneiforme e os tabletes de barro no antigo Oriente Médio”, em Is 30). O idioma da comunicação normal na Babilônia multirracial era o aramaico, representado num

1.20 “Os magos e encantadores” são os peritos nas “artes” mágicas da

adivinhação (ver nota em D t 18.10-18; ver também “Adivinhação na

Acádia”, em D t 18).

1.21 Daniel passou cerca de setenta anos na Babilônia e ainda vivia por

volta do ano 537 a.C. (10.1), o que lhe deu a satisfação de ver o primeiro retorno de exilados do cativeiro babilônio para Judá.

s

r

-

, \ A

D

l

r

,

^

i

' 0

f.

H

~

,

*

V

-

QUANDO ESCRI TO

'vyvs r»v**ípít*w>K2

w

r

^

a

a

r

r

t »

M

t

•-r.-r* s.-trô rl

w

•'Vy

■ » l i » ’f H

râVr<

1

)

M

A CREDIBILID

FOI O LIVRO

DE

B Í

DANI EL

DANIEL 1 A datação do livro de Daniel é controversa (ver também

a introdução ao livro). Estudos tradicionais sustentam que o livro foi

composto no século VI a.C., a julgar pelas informações históricas nele contidas, porém os argumentos comuns para datar Daniel do século

II a.C. são os seguintes:

• f

sos heróis do AT nos capítulos de 44 a 50, mas não Daniel.

❖ Belsazar é chamado "rei" da Babilônia2 em Daniel 5; o rei na

verdade era Nabonido.

0 livro de Eclesiástico,1escrito em cerca de 180 a.C., cita numero­

 

Dario, o medo (5.31 e cap. 6) é desconhecido.

•5*

As

histórias sobre a insanidade de Nabucodonosor3e da fornalha

de

fogo são lidas como lendas piedosas — histórias absurdas de mi­

lagres, comuns nos textos judaicos do período intertestamental.

❖ Metade de Daniel foi escrita em aramaico,4 idioma que os judeus falavam durante o período intertestamental. Daniel 3 também in­

clui três palavras gregas, indicação de que o livro foi escrito depois que

a

cultura grega invadiu o Oriente Médio.

 

Essaevidência, porém, não é tão forte quanto parece:

Eclesiástico também omite o nome de outros israelitas famosos,

até

mesmo Esdras. Além disso, o próprio Jesus ben Siraque pode ter

sido influenciado por Daniel. Em Eclesiástico 36.10 ele ora: "Apressa

o tempo, e lembra-te do teu desígnio" — verbosidade que se

assemelha a Daniel 11.27,35. Pode ser que Ben Siraque despreocu- padamente citou Daniel, que, é claro, implica que o livro já existia

em seu tempo.

❖ 0 livro demonstra familiaridade com a história e a cultura dos séculos VII e VI a.C. Daniel registra corretamente o cargo de Belsazar, corregente de Nabonido, e assim poderia ter sido chamado "rei" (5.1), mas em 5.16 Belsazar oferece tomar aquele que for capaz de inter­ pretar a escritura na parede "o terceiro em importância no governo do reino". Como o próprio Belsazar era o segundo no governo,5essa era a maior honra que poderia conferir. 4» Dario, o medo, não é mencionado por esse nome fora da Bíblia,6 mas é o tipo de quebra-cabeça histórico com que os estudiosos repeti­ damente deparam nos textos antigos. Já as obras judaicas de ficção re­ ligiosa do penodo intertestamental carecem de credibilidade histórica,

de modo que não têm paralelo nas obras histórias. 0 livro apócrifo de

Judite, por exemplo, escrito durante o reinado de Antíoco IV, contém erros históricos absurdos e é completamente distinto de Daniel.

gres de Daniel. Ainda assim, as seguintes observações são pertinentes:

A história e a arqueologia não têm condições de provar os mila­

Os milagres não provam que uma obra é fictícia.

A loucura de Nabucodonosor era uma condição clínica rara, po­

rém autêntica, chamada boantropia (tornar-se um boi). Histórias fictícias de milagre contêm elementos escandalosos sem analogia clínica (e.g., em Tobias 2.9,10, outro livro apócrifo, Tobit fica cego

por causa do estrume de pardal que lhe caiu nos olhos).

Esteia de basalto representando Nabonido (SS5-539 a.C.),

Império Neobabilônio

o ú ltim o

g o v e r n a n t e

d o

© dr.James C. Martin; Museu britânico; fotografadocom permissão

0 fato de que a metade de Daniel foi escrita em aramaico é um mistério para qualquer reconstrução de sua história. Mas o aramaico de Daniel é "oficial", ou "imperial" — o ara­ maico padrão usado na correspondência oficial, usado quando era a língua franca do Oriente Médio (ver 2Rs 18.26; Ed 4.7; Dn 2.4), não o aramaico coloquial e regional do século II a.C. na Palestina, quando

o idioma comum da região era o grego. As três palavras gregas de Daniel 3.5 são termos musicais. Os poe­ tas e músicos gregos eram famosos, por isso seu vocabulário musical entrou em uso muito cedo. 0 que seria surpreendente é haver tão

pouco grego em Daniel para um livro escrito no século II a.C., quando

o mundo estava completamente helenizado. As palavras persas em Daniel são de uma época mais antiga, pré- -helenística.

* Os rolos do mar Morto tem lançado nova luz sobre Daniel. A caver­

na 1 de Qumran continha vários fragmentos do livro (1QDana b) num

manuscrito que sugere uma data do século II a.C. Outros fragmentos de Daniel, da caverna 4, apresentam um estilo que sugere uma data do fim do período hasmoneu ou início do período herodiano.

É improvável que um livro tão incomum, escrito em época tão tardia

(165 a.C.), tenha sido aceito e entrado em circulação como Escritura

autorizada tão rapidamente.

'Edesiástico é um livro apócrifo; ver "Os Apócrifos", em Tt 1.

codonosor", em Dn 4.

2Ver o Glossário na p. 2080 para as definições das palavras em negrito.

sVer "Nabonido e Belsazar, em Dn 5.

JVer "A loucura de Nabu­

4Ver "Línguas do mundo do Antigo Testamento", em Ed 2.

6Ver "Dario, o medo", em Dn 6.

1386

DANIEL

2.1

O Sonho de Nabucodonosor

2 No segundo ano de seu reinado, Nabucodonosor teve sonhos;v sua mente ficou tão perturbada" que ele não conseguia dorm ir*2 Por isso o rei convocou os magos,v os encantadores, os feiticeiros2

e os astrólogos'13 para que lhe dissessem o que ele havia sonhado.bQuando eles vieram e se apresenta­ ram ao rei,3 este lhes disse: “Tive um sonho que me perturba0e quero saber o que significa*'”.

4Então os astrólogos responderam em aramaicodao rei:c“Ó rei, vive para sempre!e Conta o sonho aos teus servos, e nós o interpretaremos”. 5 O rei respondeu aos astrólogos: “Esta é a minha decisão: se vocês não me disserem qual foi o meu sonho e não o interpretarem, farei que vocês sejam cortados em pedaços* e que as suas casas se tornem

montes de entulho.96Mas, se me revelarem o sonho e o interpretarem, eu darei a vocês presentes,

recompensas e grandes honrarias.hPortanto, revelem-me o sonho e a sua interpretação”. 7 Mas eles tornaram a dizer: “Conte o rei o sonho a seus servos, e nós o interpretaremos”.

8Então o rei respondeu: “Já descobri que vocês estão tentando ganhar tempo, pois sabem da m inha decisão.9Se não me contarem o sonho, todos vocês receberão a mesma sentença;' pois vocês combinaram enganar-me com mentiras, esperando que a situação mudasse. Contem-me o sonho, e saberei que vocês são capazes de interpretá-lo para m im ”j

2.1 vjó 33.15,18;

Dn 4.5; wGn 41.8;

xEt 6.1; Dn 6.18

2.2 yGn 41.8;

ZÊX7.11; av. 10;

Dn 5.7; »Dn4.6

2.3 cDn 4.5

2.4 €d 4.7;

eDn 3.9; 5.10

2.5 ty. 12;

aEd 6.11; Dn 3.29

2.6 ty. 48; Dn 5.7,16

2.9 'Et 4.11;

ils 41.22-24

10 Os astrólogos responderam ao rei: “Não há homem na terra que possa fazer o que o rei está

pedindo! Nenhum rei, por maior e mais poderoso que tenha sido, chegou a pedir uma coisa dessas a nenhum mago, encantador ou astrólogo.k 1 1 0 que o rei está pedindo é difícil demais; ninguém pode

revelar isso ao rei, senão os deuses,1 e eles

não vivem entre os mortais1*”.

12 Isso deixou o rei tão irritado e furiosomque ele ordenou a execução" de todos os sábios da

Babilônia.13 E assim foi emitido o decreto para que fossem mortos os sábios; os encarregados saíram

à procura de Daniel e dos seus amigos, para que também fossem mortos.0

2.12 mDn 3.13,19;

"v. 5

2.13 °Dn 1.20

14 Arioque, o comandante da guarda do rei, já se preparava para matar os sábios da Babilônia,

quando Daniel dirigiu-se a ele com sabedoria e bom senso.15 Ele perguntou ao oficial do rei: “Por que

o rei emitiu um decreto tão severo?” Arioque explicou o motivo a Daniel.16 Diante disso, Daniel foi pedir ao rei que lhe desse um prazo, e ele daria a interpretação.

17 D aniel vo lto u

para casa, contou o problem a aos seus amigos Hananias, Misael e Azarias,P

2.17

PDn 1.6

18e lhes pediu que rogassem ao Deus dos céus que tivesse misericórdia1!acerca desse mistério/ para que ele e seus amigos não fossem executados com os outros sábios da Babilônia.19Então o mistérios foi revelado a Daniel de noite, num a visão.* Daniel louvou o Deus dos céus 20e disse:

“Louvado seja o nome de Deus para todo o sempre;11

2.18 ils 37.4;

rJr 33.3

2.19 sv. 28; Uó

33.15; Dn 1.17 2.20 “S1113.2; 145.1,2; vJr 32.19

a sabedoria e o poderv a ele pertencem.

21 Ele muda as épocas e as estações;™ destrona* reis e os estabelece. Dá sabedoriav aos sábios

W «Dn 7.25;

*Jó 12.19; SI 75.6,7; vTg 1.5

e conhecimento aos que sabem discernir.

22 Revela coisas profundas e ocultas;2 conhece o que jaz nas trevas,3

e a luzbhabita com ele.

23 Eu te agradeço e te louvo, ó Deus dos meus antepassados;0 tu me deste sabedoriade poder, e me revelaste o que te pedimos; revelaste-nos o sonho do rei”.

2.22 zJó 12.22;

SI 25.14; Dn 5.11;

aS1139.11,12;

Jr 23.24; Hb 4.13;

bls 45.7; Tg 1.17

223 cÊx 3.15;

dDn 1.17

a 2 .2 Ou caldeus-, também em todo o livro de Daniel.

b

c 2 .4 Daqui até o final do capítulo 7 o texto original está èm aramaico.

d 2 .1 1 Aramaico: com a carne.

2 .3 Ou o que sonhei.

2.1 A data é 604 a.C. (ver 1.1 e nota).

2.2 Ver “Adivinhação na Acádia”, em D t 18. Embora a tradução

“astrólogos” apareça várias vezes (e.g., D n 3.8; 4.7; 5.7,11), a única re­ ferência inequívoca à prática e aos seus praticantes é encontrada em Is

47.13

e em Jr 10.2 (que tranqüiliza o povo, dizendo que não devem se assustar

“com os sinais no céu”). Era característico das sabedorias babilônia e egípcia considerar o movimento das estrelas, tomando nota das variações

e conjunções para predizer acontecimentos na Terra.

2.4 Visto que os astrólogos eram provenientes de contextos raciais varia­

dos, eles se comunicavam em aramaico, o idioma mais compreendido

da época. Desse ponto até o fim do capítulo 7, a narrativa inteira está em aramaico.

Arioque também era o nome de um rei da Mesopotâmia que viveu

séculos antes (Gn 14.1).

2.18 “Mistério”, uma palavra-chave em Daniel (v. 19,27-30,47; 4.9),

também aparece com frequência nos escritos da seita de Qumran (os ro­ los do mar Morto). No N T, o grego equivalente refere-se aos propósitos secretos de Deus (ver Rm 11.25; Ap 10.7).

2.14

(“aqueles fitadores de estrelas que fazem predições de mês a mês”)

DANIEL

2.24

n

s ?

Os reinos das profecias de Daniel

DANIEL 2 Daniel 2 e 7 juntos apresentam um olhar profético sobre os quatro reinos que

dominariam o mundo. Eles são represen­ tados por quatro metais (cap. 2) e por uma visão de quatro animais (cap. 7). Uma teoria sustenta que esses reinos são a Babilônia,

a Média, a Pérsia eaGrécia, respectivamente.

Entretanto, a Média nunca atingiu acondição de potência mundial. Seu período de inde­ pendência foi simultâneo ao da Babilônia, mas foi governado como parte da Pérsia após

a queda da Babilônia, em 539 a.C. Por volta

de 550 a.C., Ciro, o rei da Pérsia, derrotou o

último rei da Média, Astiages, e uniu os dois reinos.' Na realidade, o livro de Daniel trata

a Média e a Pérsia como um único poder (cf. 5.28; 6.8,12,15; 8.20).

Uma interpretação mais plausível sus­ tenta que esses reinos são a Babilônia, a Medo-Pérsia, a Grécia e Roma, concordan­ do bem com o simbolismo e com a história factual dos reinos mencionados. 0 primeiro reino é identificado como a Babilônia (2.38),2

a cabeça de ouro (v. 32) e o leão alado (7.4).

O leão era um símbolo conhecido da realeza babilônia, como demonstrado pelas estátuas

e pelos relevos de leões escavados nas ruí­

nas da Babilônia. 0 arrancar das asas e a subsequente transformação num homem talvez represente a doença e restauração de Nabucodonosor.3 0 segundo animal, com a aparência de urso, foi "erguido por um de seus lados" (7.5). Isso corresponde à dominação persa no Império Medo-Persa após a derrota de As­ tiages diante de Ciro II (o fato de que o urso erguido por um lado simboliza o predomínio dos persas sobre os medos).4 De modo seme­ lhante, o carneiro de Daniel 8 é representado com dois chifres, um mais longo que o outro, identificados como os reis da Média e da Pér­ sia (v. 20). Sob os governos de Ciro e de seu filho Cambises, três reinos foram "mastiga­ dos", simbolizados nas três costelas na boca do urso (7.5). Esses reinos eram a Lídia (546 a.C.), o Império Caldeu (539 a.C.) e o Egito (525 a.C.).

0 terceiro animal, um leopardo com qua­ tro asas e quatro cabeças (7.6), representa o Império Grego.5A rapidez e agilidade do leo­ pardo (cf. Hc 1.8 sobre a Babilônia) simboliza

a velocidade de Alexandre, o Grande, que

conquistou todo o mundo conhecido entre

334 e 323 a.C. Depois de sua morte prema­ tura, o reino foi dividido entre quatro de seus generais, fato simbolizado nas quatro cabe­ ças do leopardo: 1) Cassandro sobre a Grécia

e Macedônia; 2) Lisímaco sobre a Trácia e a

Ásia Menor; 3) Selêuco sobre a Síria e o Orien­

te Médio;6 4) Ptolomeu sobre o Egito.7 Ao

mesmo tempo, o número quatro provavel­ mente não deveria ser forçado aqui: os reinos

gregos após a morte de Alexandre foram por algum tempo bastante instáveis, e várias di­ nastias ascendiam e caíam — Lisímaco, por exemplo, foi morto em batalha em 281 a.C.,

e nenhuma dinastia o sucedeu. Onúmero quatro provavelmen­

te é apenas representativo dos

vários reinos gregos que em

diversos momentos controla­

ram partes do Oriente Médio e, em particular, a Terra Santa.

0 último reino, "diferente de todos os animais anteriores" (7.7), denota Roma.8 As pernas de ferro da imagem (2.33) tal­ vez indiquem um império geral­ mente caracterizado por duas

partes principais, uma no Orien­ te (onde o grego era o idioma principal) e outra no Ocidente (onde o latim predominava). Os dez chifres podem representar

os vários imperadores e dinas­

tias que governaram o Império Romano (mais uma vez, "dez" representa aqui uma pluralida­ de e não deve ser forçosamente

dez equivalentes históricos específicos). Ao longo de sua história, o Império Romano foi governado pela República, por vários generais que tomaram o

poder durante a República em épocas pos­ teriores (e.g., Mário, Sula e Júlio César) e por várias dinastias que governaram depois que Augusto consolidou seu poder. Competir

pelo poder por meio de intrigas, assassinatos

e guerra civil aberta era uma característica

normal da história romana, e isso parece es­ tar refletido na diversidade da imagem (ferro misturado com barro). Um tema interessante dos quatro reinos

é que eles se tornam progressivamente gran­

des, variados, violentos e instáveis. A Babilô­ nia é retratada como um reino solidamente unificado, enquanto a Pérsia está dividida em duas partes (uma dominando a outra). A Grécia tem quatro cabeças, e Roma tem uma multiplicidade de divisões.

Frasco na form a de um ator grego cômico

Preserving Bible Times; © dr. James C. Martin; usado com permissão do Museu Britânico

'Ver "Ciro, o Grande", em Ed 1. 2Ver "Babilônia", em Is 13. 3Ver "A loucura de Nabucodonosor", em Dn 4. 4Ver "História persa antiga até Dario", em Et 1. 5Ver

"Grécia: das cidades-Estado independentes até Alexandre, o Grande", em A t 20. Rm 2; e "O Império Romano", em Rm 4.

6Ver "Os selêucidas", em Dn 12.

'Ver "Os ptolomeus", em Dn 7.

«Ver "Roma”, em

1 3 8 8

DANIEL

2.24

Daniel Interpreta o Sonho

24Então Daniel foi falar com Arioque,e a quem o rei tinha designado para executar os sábios da

Babilônia, e lhe disse: “Não execute os sábios. Leve-me ao rei, e eu interpretarei para ele o sonho que teve”. 25Imediatamente Arioque levou Daniel ao rei e disse: “Encontrei um hom em entre os exilados de Judá* que pode dizer ao rei o significado do sonho”.

26O rei perguntou a Daniel, também chamado Beltessazar:S “Você é capaz de contar-me o que v i

no meu sonho e interpretá-lo?” 27Daniel respondeu: “Nenhum sábio, encantador, mago ou adivinho é capaz de revelar ao rei o

m istério sobre o qual ele p ergun tou ,h 28mas existe u m Deus nos

Ele m ostrou ao rei N abucodonosor o que acontecerá nos últim os diasJ O sonho e as visões que passaram por tua mentek quando estavas deitado foram os seguintes:

céus que revela os mistérios.'

2.24 "V. 14

2.25 <Dn 1.6; 5.13;

6.13

2.26 9Dn 1.7

2.Z7*v.10

2.28 'Gn 40.8;

Am 4.13; iGn 49.1; Dn 10.14;‘ Dn 4.5

29 “Quando estavas deitado, ó rei, tua mente se voltou para as coisas futuras, e aquele que revela os

mistérios te m ostrou o que vai acontecer.30Quanto a m im , esse mistério não me foi revelado1porque

eu tenha mais sabedoria do que os outros homens, mas para que tu, ó rei, saibas a interpretação e entendas o que passou pela tua mente.

31 “T u olhaste, ó rei, e diante de ti estava uma grande estátua: uma estátua enorme,m im ­

2.30'Is 45.3; Dn 1.17; Am 4.13

2.31 ” Hc 1.7

pressionante, de aparência terrível. 32A cabeça da estátua era feita de ouro puro; o peito e o braço eram de prata; o ventre e os quadris eram de bronze; 33as pernas eram de ferro; e os pés eram em parte de ferro e em parte de b a rro .34Enquanto estavas observando, uma pedra soltou-se, sem auxílio

2.34

"Zc 4.6; «V.

de mãos," atingiu a estátua nos pés de ferro e de barro e os esmigalhou.0 35Então o ferro, o barro,

44,45; SI 2.9;

Is 60.12; Dn 8.25

o bronze, a prata e o ouro foram despedaçados, viraram pó, como o pó da debulha do trigo na eira

durante o verão. O vento os levouP sem deixar vestígio. Mas a pedra que atingiu a estátua tornou-se uma montanha1!e encheu a terra toda.

2.35 pSI 1.4;

37.10; Is 17.13; Ils 2.3; Mq 4.1

36“Foi esse o sonho, e nós o interpretaremos para o rei. 37Tu , ó rei, és rei de reis.r O Deus dos

2.37 í z

26.7;

=Jr 27.7

céus concedeu-te domínio,s poder/força e glória;38nas tuas mãos ele pôs a humanidade, os animais

2.38 Ur 27.6;

selvagens e as aves do céu. Onde quer que vivam , ele fez de ti o governante deles todos.* T u és a cabeça

Dn 4.21,22

de ouro.

39 “Depois de ti surgirá um outro reino, inferior ao teu. Em seguida surgirá um terceiro reino, reino

de bronze, que governará toda a terra.40Finalmente, haverá um quarto reino, forte como o ferro, pois

o ferro quebra e destrói tudo; e assim como o ferro despedaça tudo, também ele destruirá e quebrará

todos os outros.y 41 Como viste, os pés e os dedos eram em parte de barro e em parte de ferro. Isso quer dizer que esse será um reino dividido, mas ainda assim terá um pouco da força do ferro, embora tenhas visto ferro misturado com b a rro .42Assim como os dedos eram em parte de ferro e em parte de barro, também esse reino será em parte forte e em parte frágil.43E, como viste, o ferro estava m is­ turado com o barro. Isso significa que se farão alianças políticas por meio de casamentos, mas a união

decorrente dessas alianças não se firmará, assim como o ferro não se mistura com o barro.

2.40 “Dn 7.7,23

44 “N a época desses reis, o Deus dos céus estabelecerá um reino que jamais será destruído e que

nunca será dominado por nenhum outro povo. Destruiráv todos os reinos" daqueles reis e os exterm i­ nará, mas esse reino durará para sempre.x 45Esse é o significado da visão da pedrav que se soltou de

uma montanha, sem auxílio de mãos,z pedra que esmigalhou o ferro, o bronze, o barro, a prata e o

ouro. “O Deus poderoso m ostrou ao rei o que acontecerá no futuro. O sonho é verdadeiro, e a interpre­ tação é fiel”.

2.44 «SI 2.9;

1Co 15.24;

"Is 60.12;

»S1145.13;

Is 9.7; Dn 4.34; 6.26; 7.14,27;

Mq 4.7,13;

LC1.33

2.45 ils 28.16;

*Dn 8.25

46 Então o rei Nabucodonosor caiu prostrado3diante de Daniel, prestou-lhe honra e ordenou que

2.46*Dn8.17;

At 10.25; bAt 14.13 2.47'Dn 11.36; üDn 4.25; ev.

22,28

lhe fosse apresentada uma ofertabde cereal e incenso.47O rei disse a Daniel: “Não há dúvida de que o seu Deus é o Deus dos deuses,0o Senhor dos reisde aquele que revela os mistérios,e pois você conse­

guiu revelar esse m istério”.

48 Assim o rei pôs Daniel num alto cargo e o cobriu de presentes. Ele o designou governante de toda

a província da Babilônia e o encarregou de todos os sábios da província.*49Além disso, a pedido de Daniel, o rei nomeou Sadraque, Mesaque e Abede-Nego administradores da província da Babilônia,a

enquanto o próprio Daniel permanecia na corte do rei.

2.48 *v. 6; Dn 4.9;

5.11

2.49 üDn 1.7

DANIEL

3.20

1389

3.1 "Is 46.6;

Jr 16.20; Hc 2.19 3.2 'v. 27; Dn 6.7

A Imagem de Ouro de Nabucodonosor

3 0 rei Nabucodonosor fez uma imagemhde ouro de vinte e sete metros de altura e dois metros e

setenta centímetros de largura0, e a ergueu na planície de Dura, na província da Babilônia.2 De­

pois convocou os sátrapas, os prefeitos, os governadores, os conselheiros, os tesoureiros, os juizes,

os magistrados e todas as autoridades provinciais,' para assistirem à dedicação da imagem que mandara erguer.3 Assim todos eles — sátrapas, prefeitos, governadores, conselheiros, tesoureiros, juizes, magistrados e todas as autoridades provinciais — se reuniram para a dedicação da imagem que o rei Nabucodonosor mandara erguer, e ficaram em pé diante dela.

3.4 IDn 4.1; 6.25

3 .5 *v. 10,15

3.6 V. 11,15,21;

Jr 29.22; Dn 6.7;

Mt 13.42,50; Ap 13.15 3 .7 "V. 5

3 .8 "Dn 2.10

3.9 “Ne 2.3;

Dn 5.10; 6.6

3.10 PDn 6.12; "v. 4-6

3.12'Dn 2.49; •Dn 6.13; € t 3.3

3.14 >ls 46.1;

Jr 50.2; «v.1

3.15 »ls 36.18-20;

»ÊX 5.2; 2Cr 32.15

3.16 *Dn 1.7

3 .17 »SI27.1,2; "JÓ5.19; Jr 1.8

3.18 “V. 28;

Js 24.15

3.19 dLv 26.18-28

4 Então o arauto proclamou em alta voz: “Esta é a ordem que é dada a vocês, ó homens de todas as

nações, povos e línguas:!5 Quando ouvirem o som da trombeta, do pífaro, da citara, da harpa, do sal- tério, da flauta dupla* e de toda espécie de música, prostrem-se em terra e adorem a imagem de ouro

que o rei Nabucodonosor ergueu.k6Quem não se prostrar em terra e não adorá-la será imediatamente

atirado numa fornalha em chamas”.1 7 Por isso, logo que ouviram o som da trombeta, do pífaro, da citara, da harpa, do saltério e de toda espécie de música, os homens de todas as nações, povos e línguas prostraram-se em terra e adoraram

a imagem de ouro que o rei Nabucodonosor mandara erguer.m

8Nesse momento alguns astrólogos" se aproximaram e denunciaram os judeus, 9 dizendo ao rei

Nabucodonosor: “0 rei, vive para sempre!010Tu emitiste um decreto,p ó rei, ordenando que todo aquele

que ouvisse o som da trombeta, do pífaro, da citara, da harpa, do saltério, da flauta dupla e de toda espécie de música se prostrasse em terra e adorasse a imagem de ouro,')11 e que todo aquele que não se prostrasse em terra e não a adorasse seria atirado numa fornalha em chamas.12Mas há alguns judeus que nomeaste para administrar a província da Babilônia, Sadraque, Mesaque e Abede-Nego,rque não te dão ouvidos,s ó rei. Não prestam culto aos teus deuses nem adoram a imagem de ouro que mandaste erguer”.1 13 Furioso,uNabucodonosor mandou chamar Sadraque, Mesaque e Abede-Nego. E assim que eles

foram conduzidos à presença do re i,14 Nabucodonosor lhes disse: “É verdade, Sadraque, Mesaque

e Abede-Nego, que vocês não prestam culto aos meus deusesvnem adoram a imagemwde ouro que man­

dei erguer?15 Pois agora, quando vocês ouvirem o som da trombeta, do pífaro, da citara, da harpa,

do saltério, da flauta dupla e de toda espécie de música, se vocês se dispuserem a prostrar-se em terra

e a adorar a imagem que eu fiz, será melhor para vocês. Mas, se não a adorarem, serão imediatamente atirados numa fornalha em chamas. E que deusx poderá livrá-losv das minhas mãos?”

16 Sadraque, Mesaque e Abede-Negoz responderam ao rei: “Ó Nabucodonosor, não precisamos de­

fender-nos diante de t i . 17 Se formos atirados na fornalha em chamas, o Deus a quem prestamos culto pode livrar-nos,a e ele nos livrarábdas tuas mãos, ó re i.18 Mas, se ele não nos livrar, saiba, ó rei, que não prestaremos culto aos teus deuses nem adoraremos a imagem de ouro que mandaste erguer”.c

19 Nabucodonosor ficou tão furioso com Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, que o seu semblante

mudou. Deu ordens para que a fornalha fosse aquecida seted vezes mais que de costume 20 e ordenou

a

3 .1 Aramaico: 60 côvados de altura e 6 côvados de largura. O côvado era uma medida linear de cerca de 45 centímetros.

6

3 .5

Ou todos os instrumentos tocando juntos-, também nos versículos

10 e 15.

3.1-30 Técnicas avançadas para fundir e refinar metais em fornos foram desenvolvidas nas civilizações mais antigas. O sistema atual de demarcar

na verdade uma alta torre cheia de cinzas (2Macabeus 13.4-8; esse livro é apócrifo, não encontrado no cânon protestante tradicional).

períodos arqueológicos amplos é baseado no aparecimento sucessivo de pedra, bronze e ferro. As ligas refinadas mais comuns eram de cobre, pra­ ta, chumbo e ouro. As fornalhas de tijolo eram normalmente construídas

A tradição judaica posterior contém um registro em que Abraão é livrado de uma fornalha ardente depois de ter se recusado a adorar ídolos.

como cúpulas circulares ou como estruturas mais altas, semelhantes às

3.1

Estátuas com essas dimensões, embora feitas de madeira, eram ba­

chaminés. Uma fornalha descoberta em Nipur (ca. 2000 a. C.) tem a forma de um túnel de estrada de ferro, com uma extremidade bloqueada e outra servindo de entrada. As fornalhas eram aquecidas com carvão até as temperaturas extremas de 900 a 1000 a.C. Como descrito em Daniel 3, a punição pela queima é bem atestada

nhadas a ouro. Essa estátua media 27 metros de altura e provavelmente representava o deus Nabu, cujo nome formava o primeiro elemento do nome Nabucodonosor. Dura era o nome de um lugar marcado por uma série de montes (lo­ calizados a alguns quilômetros ao sul da Babilônia) ou um substantivo

no antigo Oriente Médio:

comum que significa “área cercada com muros”.

A Bíblia prescreve a morte pelo fogo para punir a prostituição da

20.14).

3.2

As sete classificações de oficiais do governo deviam prometer submis­

filha de um sacerdote (Lv 21.9) e para certas formas de incesto (Lv

são completa ao império, recentemente estabelecido, quando estivessem diante da imagem.

A

queima foi proposta no caso de Tamar (Gn 38.24) e de fato foi

3.4

A Babilônia tòrnara-se uma cidade cosmopolita, cuja população in­

aplicada contra Acã e sua família, depois que eles já haviam sido

cluía gente de muitas nacionalidades e origens étnicas.

apedrejados até a morte (Js 7.15,25).

3.5

“Citara”, “harpa” e “flauta dupla” (ou talvez “pequeno tambor”) são

O Código de H am urabi (antigo código de lei babilônio) estipula a queima para vários crimes. O rei assírio Assurnasirpal II costumava

palavras gregas emprestadas em Daniel. Músicos e instrumentos gregos são mencionados em inscrições assírias escritas antes do tempo de Nabu­

queimar vivos seus prisioneiros.

codonosor (ver “Instrumentos musicais antigos”, em SI 5).

Jeremias registra que Nabucodonosor, rei da Babilônia, puniu com

3.8

O termo “judeus” é uma forma abreviada de “judaítas” (ver nota

a

fogueira dois falsos profetas, Acabe e Zedequias (Jr 29.21,22; ver

em Jr 34.9).

também “Nabucodonosor”, em 2Rs 24).

3.15

Insultos motivados pela arrogância eram característicos de orgulho­

Na Síria, séculos mais tarde, Antíoco IV Epifânio executou o sumo sacerdote ilegítimo Menelau, lançando-o numa chaminé que era

sos reis da Mesopotâmia (ver Is 36.18-20).

1390

DANIEL

3.21

que alguns dos soldados mais fortes do seu exército amarrassem Sadraque, Mesaque e Abede-Nego e

os atirassem na fornalha em chamas.21E os três homens, vestidos com seus mantos, calções, turbantes

e outras roupas,

rei era urgente e a fornalha estava tão quente que as chamas mataram os soldados que levaram Sadra­ que, Mesaque e Abede-Nego,e 23 e estes caíram amarrados dentro da fornalha em chamas.

na fornalha extraordinariamente quente.22 A ordem do

foram amarrados e atirados

24 Mas logo depois o rei Nabucodonosor, alarmado, levantou-se e perguntou aos seus conselheiros:

“Não foram três os homens amarrados que nós atiramos no fogo?”

Eles responderam: “Sim, ó rei”.

25 E o rei exclamou: “Olhem! Estou vendo quatro homens, desamarrados e ilesos, andando pelo

fogo, e o quarto se parece com um filho dos deuses”.

26 Então Nabucodonosor aproximou-se da entrada da fornalha em chamas e gritou: “Sadraque,

3 .2 6 'Dn 4.2,34

Mesaque e Abede-Nego, servos do Deus Altíssimo/ saiam! Venham aqui!”

E Sadraque, Mesaque e Abede-Nego saíram do fogo.27 Os sátrapas, os prefeitos, os governadores

e os conselheirosS do rei se ajuntaram em torno deleshe comprovaram que o fogo' não tinha ferido o

corpo deles. Nem um só fio de cabelo tinha sido chamuscado, os seus mantos não estavam queimados,

e não havia cheiro de fogo neles.

3.27 iv. 2; «IS 43.2; Hb 11.32-34; 'Dn 6.23

28 Disse então Nabucodonosor: “Louvado seja o Deus de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, que

3.28 iSI 34.7;

enviou o seu anjoi e livrou os seus servos! Eles confiaram* nele, desafiaram a ordem do rei, preferindo abrir mão de sua vida a prestar culto e adorar a outro deus que não fosse o seu próprio Deus.129 Por

isso eu decretomque todo homem de qualquer povo, nação e língua que disser alguma coisa contra" o

Deus de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego seja despedaçado e sua casa seja transformada em montes

de entulho,npois nenhum outro deus é capaz de livrar0 alguém dessa maneira”.

Dn 6.22; At 5.19;

KJÓ 13.15; SI 26.1; 84.12; Jr 17.7; V. 18

3.29 "Dn 6.26;

"Ed 6.11;°Dn 6.27

30 Então o rei promoveu Sadraque, Mesaque e Abede-Nego na província da Babilônia.P

Outro Sonho de Nabucodonosor

^

0

rei Nabucodonosor,

4.1

«Dn 3.4;

rDn 6.25

aos homens de todos os povos, nações e línguas,'1 que vivem no mundo inteiro:

Paz e prosperidade!r

2 Tenho a satisfação de falar a vocês a respeito dos sinaiss e das maravilhas que o Deus Altíssimo*

realizou em meu favor.

4.2-SI 74.9;

•Dn 3.26

3 Como são grandes os seus sinais! como são poderosas as suas maravilhas!11 O seu reino é um reino eterno;

o seu domínio

durav de geração em geração.

4.3 “S1105.27;

4 Eu, Nabucodonosor, estava satisfeitowe próspero em casa, no meu palácio.5 Tive um sonhox que

4.4 «SI 30.6

me deixou alarmado. Estando eu deitado em minha cama, os pensamentos e visões que passaram pela minha mentev deixaram-me aterrorizado.6Por isso decretei que todos os sábios da Babilônia fossem

4.5 «Dn 2.1;

vDn 2.28

3 .2 9 Ou blasfemar.

3.23 Intercalados entre os livros canônicos do AT da antiga Vulgata estão certos livros e capítulos adicionais. E a estes que o uso protestan­ te geralmente designa pelo termo “apócrifos” (ver “Os Apócrifos”, em T t 1). Algumas adições ap livro de Daniel sáo incluídas nesse corpo de literatura. Entre os versículos 23 e 24 do capítulo 3 do livro canônico de Daniel, as versões grega e latina inserem: 1) uma oração de confissão nacional com súplica pela libertação, feita por Azarias, amigo de Daniel (cf. 1.7), enquanto ele e seus dois companheiros estavam na fornalha ardente; 2) um salmo de louvor (dependente de SI 148 e 136) proferido pelos três; 3) uma estrutura narrativa que contém detalhes não autorizados pelo Daniel genuíno. Essa seção pode ser de autoria composta e prova­ velmente foi escrita em hebraico. Além disso, na Vulgata (tradução latina do séc. IV d.C.), “A História de Susana” compõe o capítulo 13 de Daniel; nos manuscritos gregos, o texto é anteposto ao capítulo 1. Dois jogos de palavras cruciais ao clímax do relato sugerem que foi composto em grego, mas não há consenso nesse assunto. A origem e data de “A História de Susana” são desconhecidas.

Uma teoria é que a obra foi composta em Alexandria, por volta de 100

a.C. A história conta que dois anciãos israelitas, na Babilônia, acusaram Susana falsamente de adultério, por ela ter resistido aos seus avanços de luxúria. Mas o jovem Daniel conseguiu inocentar Susana, ao mesmo tempo em que condenou os anciãos, enlaçando-os num testemunho contraditório.

A

Estátua de Bel/O Dragão são fábulas que ridicularizam o paganismo

e

aparecem como o capítulo 13 de Daniel na versão grega (Septuaginta)

e

como capítulo 14 na versão latina (Vulgata). Datam do século I ou

II

a.C., e seu idioma original é incerto. Na história, Daniel investiga

para denunciar a Ciro a fraude dos sacerdotes que clandestinamente con­ sumiam as ofertas de alimentos de Bel (Baal, i.e., Marduque). Depois de destruir Bel, Daniel prepara uma fórmula que explode um dragão sagrado. Posto numa cova de leões, Daniel é alimentado e liberto miraculosamente. 3.25 Nabucodonosor, falando como politeísta pagão, estava satisfeito por considerar a quarta figura um ser celestial menor (“anjo,” v. 28) en­ viado pelo Deus todo poderoso dos judeus (ver também 6.22).

DANIEL

4.8

13 91

4.7 aGn 41.8;

cDn2.16

4.8 «Dn 1 .7; eDn 5.11,14

trazidos à minha presença para interpretarem2 o sonho para m im .7 Quando os magos,3 os encanta- dores, os astrólogos e os adivinhos0 vieram, contei-lhes o sonho, mas eles não puderam interpretá-lo.c 8 p0r fim veio Daniel à minha presença e eu lhe contei o sonho. Ele é chamado Beltessazar,d em home- nagem ao nome do meu deus; e o espirito dos santos deusese esta nele.

.

,

,

.

,

1

4 .6 Ver “Oráculos sobre sonhos no mundo antigo”, em Jó 4.

4 .8 O nome babilônio de Daniel, Beltessazar, era formado de Bel (“se­ nhor”), título do deus babilônio Marduque (ver nota em 1.7).

A loucura de Nabucodonosor

DANIEL 4 Nabucodonosor reinou de 605 a 562 a.C., quando a Babilônia estava no auge do poder.1 As inscrições revelam o orgulho desse rei por suas realizações: a construção de templos e a enorme fortifica­ ção da cidade da Babilônia. 0 livro de Daniel registra que Deus feriu Nabucodonosor com uma estranha aflição para humilhá-lo. Os registros extrabíblicos mencionam a enfer­ midade apenas de forma indireta. 0 histo­

riador judeu Flávio Josefo cita o testemunho do sacerdote babilônio Berosso, segundo o qual Nabucodonosor morreu após um perío­

do de debilidade.2 0 escritor cristão Eusébio

preservou uma tradição do historiador grego Megástenes (ca. 300 a.C.), segundo a qual Nabucodonosor, tendo subido no terraço de seu palácio, foi influenciado por algum deus. (Na Antiguidade, a loucura era vista como uma possessão por uma divindade.)

Ladrilho babilônio com inscrição de Nabucodonosor

Preserving BibleTimes;© dr. James C. Martin; usado com permissão do Museu Britânico

A doença descrita em Daniel 4.22-34 parece ter sido uma desordem mental

psicótica. 0 começo típico desse tipo de en­ fermidade acontece no final da vida e pode durar de meses a anos, diminuindo espon­ taneamente, sem haver recaída. A licantro- pia, doença que faz o paciente se imaginar como um lobo, é uma dessas desordens.

A condição de Nabucodonosor denota a

boantropia — comportamento como o de um boi. Entretanto, o relato do incidente pode estar relacionado a uma personagem

da

Epopéia de Gilgamés. Esse mito, conhecido

da

biblioteca de Assurbanipal (668-626 a.C.),

relata que Enkidu, um selvagem, criatura se­ melhante a um animal peludo, não vestido e que comia grama, se tornou civilizado — a antítese do que seria esperado de um culto e autossuficiente construtor de cidades, como

Nabucodonosor.3

Pouco se sabe dos últimos anos de Na­ bucodonosor no poder. Os sete "tempos" ou períodos (4.16,23,32) da doença podem representar anos, meses ou várias outras

unidades de tempo. Se a doença durou sete anos, então seu início deve ter sido no fim do reinado de Nabucodonosor, após a conclusão

de seus numerosos projetos de construção.

'Ver "Nabucodonosor", em 2Rs 24; e "Babilônia", em

Is 13.

2Ver "Historiadores do mundo antigo", em

S1132.

3Para mais informações sobre Gilgamés,

ver "Edesiastes e a Epopéia de Gilgamés", em Ec 9.

1392

D A N

I

E L

4.9

9 Eu disse: Beltessazar, chefef dos magos, sei que o espírito dos santos deusesa está em você, e que

4.9 Dn 2.48;

nenhum mistério é difícil demais para você. V o u contar o meu sonho; interprete-o para m im .10Estas são as visões que tive quando estava deitado em m inha cama:h olhei, e diante de m im estava uma árvore muito alta no meio da terra.'11A árvore cresceu tanto que a sua copa encostou no céu; era visível até os confins da te rra .12Tin h a belas folhas, muitos frutos, e nela havia alimento para todos. Debaixo dela os animais do campo achavam abrigo, e as aves do céu vivia m em seus galhos;) todas as criaturas se alimentavam daquela árvore.

13Nas visões que tive deitado em minha cama,kolhei ev i diante de m im uma sentinela, um anjod que descia do céu;14ele gritou em alta voz: “Derrubem a árvore e cortem os seus galhos; arranquem as suas folhas e espalhem os seus frutos. Fujam os animais de debaixo dela e as aves dos seus galhos.m 15Mas deixem o toco e as suas raízes, presos com ferro e bronze; fique ele no chão, em meio à relva do campo. “Ele será molhado com o orvalho do céu e com os animais comerá a grama da te rra .16A mente humana lhe será tirada, e ele será como um animal, até que se passem sete tempos6.11 17“A decisão é anunciada por sentinelas, os anjos declaram o veredicto, para que todos os que vivem saibam que o Altíssim o0dominaP sobre os reinos dos homens e os dá a quem quer, e põe no poder o mais simples1!dos homens”. 18Esse é o sonho que eu, o rei Nabucodonosor, tive. Agora, Beltessazar, diga-me o significado do

dos sábios do meu reino consegue interpretá-lo parám im / exceto você,s pois o

espírito dos santos deuses está em você.*

sonho, pois nenhum

sDn 5.11.12

4.10 “V. 5;

'Ez 31.3,4

4.12'Ez 17.23;

Mt 13.32

4.13 kDn 7.1;

V. 23; Dt 33.2;

Dn8.13

4.14 "Ez 31.12;

Mt3.10

4.16 "V. 23,32

4.17 «v. 2,25;

SI 83.18; P jr 27.5- 7; Dn 2.21; 5.18- 21; »Dn 11.21

4.18'Gn 41.8; Dn 5.8,15; sGn 41.15; W. 7-9

Daniel Interpreta o Sonho

19 Então Daniel, também chamado Beltessazar, ficou estarrecido por algum tempo, e os seus pen­

samentos o deixaram aterrorizado.11Então o rei disse: “Beltessazar, não deixe que o sonho ou a sua interpretação o assuste”. Beltessazar respondeu: “M eu senhor, quem dera o sonho só se aplicasse aos teus inimigos e o seu significado somente aos teus adversários!20A árvore que viste, que cresceu e ficou enorme, cuja copa encostava no céu, visível em toda a te rra ,21com belas folhas e muitos frutos, na qual havia alimento para todos, abrigo para os animais do campo, e morada para as aves do céu nos seus galhos — 22essa árvore,v ó rei, és tu! T u te tornaste grande e poderoso, pois a tua grandeza cresceu até alcançar o céu, e o teu dom ínio se estende até os confins da terra.w 23“E tu, ó rei, viste também uma sentinela, o anjox que descia do céu e dizia: ‘Derrubem a árvore e destruam-na, mas deixem o toco e as suas raízes, presos com ferro e bronze; fique ele no chão, em meio à relva do campo. Ele será molhado com o orvalho do céu e viverá com os animais selvagens, até que se passem sete tempos’.'' 24“Esta é a interpretação, ó rei, e este é o decreto2que o Altíssimo emitiu contra o rei, meu senhor:

25T u serás expulso do meio dos homens e viverás com os animais selvagens; comerás capim como os bois e te molharás com o orvalho do céu. Passarão sete tempos até que admitas que o Altíssimo3 domina sobre os reinos dos homens e os dá a quem quer.b 26A ordem para deixar o toco da árvore com as raízes0significa que o teu reino te será devolvido quando reconheceres que os Céus dom inam .d 27Portanto, ó rei, aceita o m eu conselho: Renuncia a teus pecados e à tua maldade, pratica a justiça e tem compaixão dos necessitados.e Talvez, então, continues a vive r em paz”.f

O Cumprimento do Sonho

4.19"Dn 7.15,28;

8.27; 10.16,17

4.22 >2Sm12.7;

»Jr27.7;Dn

2.37,38; 5.18,19

4.23<v.13;»Dn

5.21

4.24 *JÓ40.12; SI

107.40

4.25 av. 17; SI

83.18; bJr 27.5; Dn 5.21

4.26cv.15;dDn

2.37

4.27 «Is 55.6,7;

H Rs 21.29; SI

41.3; Ez 18.22

28 Tu d o isso aconteceua com o rei Nabucodonosor. 29 Doze meses depois, quando o rei estava

andando no terraço do palácio real da Babilônia,30disse: “Acaso não é esta a grande Babilônia que eu construí como capital do meu reinos com o meu enorme poder e para a glória da m inha majestade?”11

a4 .1 3

A ra

m a ic o : santo-, ta

m b é m

n o s

v e rs íc u lo s

17 e 23.

b4 .1 6

O u

anos; ta m b é m

n o s

v e rs íc u lo s

2 3 ,2 5

e 32.

c4 .3 0 O u para ser minha residência real.

4.30 hls 37.24,25;

Dn 5.20; Hc 2.4

4 .9

Ver nota em 1.20.

4.22 O império de Nabucodonosor era o maior e mais poderoso daquela

4.11 Numa inscrição de uma edificação de Nabucodonosor, a Babilônia

parte do mundo até aquele tempo (ver “Nabucodonosor”, em 2Rs 24).

é comparada a uma árvore que se expande (cf. v. 22). A expressão “sua

4.25

Ver “A loucura de Nabucodonosor”, em Dn 4.

copa encostou no céu” era usada nos templos-torres da Mesopotâmia

4.26

O termo “Céus” era uma forma judaica de se referir a Deus.

(ver nota em Gn 11.4).

4.30

A Babilônia era realmente grandiosa, e Nabucodonosor muito con­

4.16 “Sete” significa perfeição, e “tempos” podem representar períodos indefinidos.

tribuiu para esse esplendor (ver “Babilônia”, em Is 13).

DANIEL

5.6

1393

31 As palavras ainda estavam nos seus lábios quando veio do céu uma voz que disse: “É isto que

4.34

iDn 12.7;

Ap4.10;

«1145.13;

Dn 2.44; 5.21;

6.26; Lc 1.33

4.35'Is 40.17; "S1115.3; 135.6; "Is 45.9; Rm 9.20

está decretado quanto a você, rei Nabucodonosor: Sua autoridade real foi tirada.32Você será expulso do meio dos homens, viverá com os animais selvagens e comerá capim como os bois. Passarão sete tempos até que admita que 0 Altíssimo domina sobre os reinos dos homens e os dá a quem quer”. 33 A sentença sobre Nabucodonosor cumpriu-se imediatamente. Ele foi expulso do meio dos homens e passou a comer capim como os bois. Seu corpo molhou-se com o orvalho do céu, até que os seus cabelos e pelos cresceram como as penas da águia, e as suas unhas como as garras das aves.'

34 “Ao fim daquele período, eu, Nabucodonosor, levantei os olhos ao céu, e percebi que 0 meu en­ tendimento tinha voltado. Então louvei o Altíssimo; honrei e glorifiquei aquele que vive para semprej

“O seu domínio é um domínio eterno; 0 seu reino dura de geração em geração.k 35 Todos os povos da terra são como nada diante dele.1 Ele age como lhe agradam com os exércitos0 dos céus e com os habitantes da terra. Ninguém é capaz de resistir à sua mão ou dizer-lhe: ‘O que fizeste?’n

4.36 »Pv 22.4

36 “Naquele momento voltou-me 0 entendimento, e eu recuperei a honra, a majestade e a glória

do meu reino.0Meus conselheiros e os nobres me procuraram, meu trono me foi restaurado, e minha

4.37 grandeza veio a ser ainda m aior.37 Agora eu, Nabucodonosor, louvo, exalto e glorifico o Rei dos céus,

porque tudo 0 que ele faz é certo, e todos os seus caminhos são justos.P E ele tem poder para humilhar aqueles que vivem com arrogância”.^

>Dt 32.4;

SI 33.4,5;

<fx 18.11;

Jó 40.11,12;

Dn 5.20,23

5.2 "2Rs 24.13; Jr 52.19;® 1.7; Dn 1.2

5.4 «S1135.15-18; Hc 2.19; Ap 9.20

O Banquete de Belsazar:

A Escrita na Parede

5 Certa vez o rei Belsazar deu um grande banqueter para mil dos seus nobres, e com eles bebeu

muito vinho. 2 Enquanto Belsazar bebia vinho, deu ordens para trazerem as taças de ouro e de

pratas que 0 seu predecessor, Nabucodonosor, tinha tomado do templo de Jerusalém, para que 0 rei

e os seus nobres, as suas mulheres e as suas concubinas bebessem nessas taças.1 3 Então trouxeram as taças de ouro que tinham sido tomadas do templo de Deus em Jerusalém, e 0 rei e os seus nobres, as suas mulheres e as suas concubinas beberam nas taças.4Enquanto bebiam 0 vinho, louvavam os

deuses de ouro, de prata, de bronze, de ferro, de madeira e de pedra.u

5 Mas, de repente apareceram dedos de mão humana que começaram a escrever no reboco da

5.6 vDn 4.5;

"EZ7.17

parede, na parte mais iluminada do palácio real. O rei observou a mão enquanto ela escrevia. 6 Seu

rosto ficou pálido, e ele ficou tão assustado* que os seus joelhos batiam um no outro e as suas pernas vacilaram.™

a 4.35 Ou anjos.

4 .3 4 A história de Daniel, o profeta, é confirmada pelas palavras de Jesus (M t 24.15) e pelas referências à retidão e à sabedoria de Daniel, pelo seu contemporâneo profético, Ezequiel (Ez 14.14,20; 28.3, embora alguns estudiosos relacionem as passagens posteriores com o Daniel do material épico ugarítico). O livro de Daniel apresenta uma demonstração eterna de separação da impureza, de coragem contra determinados acordos, de eficácia na oração e de dedicação àquele cujo “reino dura de geração em geração”. 5.1-4 Os historiadores gregos Heródoto e Xenofonte atestaram a orgia do banquete e também a blasfêmia que acontecia em tais ocasiões (ver “Heródoto e a queda da Babilônia”, em Jr 50). 5.1,2 O nome Belsazar foi considerado por muitos anos uma criação literária fictícia de um autor posterior ao cativeiro, que assume o pseu­ dônimo de Daniel (ca. 165 a.C.). Hoje, entretanto, os estudos arqueo­ lógicos comprovam que Belsazar foi uma personagem histórica. Em Dn 5, temos a indicação de que ele era filho de Nabucodonosor (v. 2,11,13,18,22). Isso está de acordo com o uso geral semítico, em que o descendente de alguém é chamado “filho”. Nabucodonosor morreu em 562 a.C., após um reinado de quarenta e dois anos, e foi sucedido no trono por Amel-Marduque (562-560 a.C.), o Evil-Merodaque de Jr 52.31 e 2Rs 25.27. Evil-Merodaque foi substituído por Mergal Sharusar (NergalSarezer), que reinou de 560 a 556 a.C. e foi sucedido por Labasi-

-Marduque, seu filho, um rei fraco, que reinou durante apenas alguns meses e foi destronado por uma revolução. Um dos conspiradores, Nabonido, ascendeu ao trono. Embora um re­ volucionário, era também um homem de cultura e zelo religioso pelos deuses da Babilônia. Ele é às vezes denominado “o primeiro arqueólogo do mundo”. Nabonido foi o último rei verdadeiro da Babilônia e pai de Belsazar (ver “Nabonido e Belsazar”, em Dn 5; e “Babilônia”, em Is 13). Nabonido tornou Belsazar corregente quando se mudou para a Arábia, aparentemente para consolidar o império enfraquecido. Isso explica a recompensa de Belsazar, de tomar-se “o terceiro em importância no go­ verno do reino”, oferecida a Daniel (v. 7,16). A Crônica de Nabonido foi escrita após a conquista da Babilônia, em 539 a.C. Ciro, da Pérsia, alegou que havia tomado a cidade sem uma luta, descrevendo sua benignidade para com a população e se considerando um “déspota Iluminado” e executor da vontade dos deuses. Sua avaliação do caráter de Belsazar foi excessivamente baixa, não estando em desacor­ do com o que é apresentado no relato bíblico. 5.5-31 Há muita discussão sobre a forma original da inscrição e também sobre sua interpretação. As palavras parecem referir-se a três pesos de uso comum: a mina, o siclo e a meia mina. Ou podem ser termos usados nas tesourarias da Mesopotâmia: “calculado, pesado e divisões”.

94

DANIEL

5.7

7Aos gritos, o rei mandou chamar os encantadores, os astrólogos e os adivinhos* e disse a esses sábiosv da Babilônia: “Aquele que ler essa inscrição e interpretá-la, revelando-me o seu significado, vestirá um manto vermelho, terá uma corrente de ouro no pescoço2e será o terceiro em importância no governo do reino”.3 8 Todos os sábios do rei vieram , mas não conseguiram ler a inscrição nem dizer ao rei o seu

significado.119Diante disso o rei Belsazar ficou ainda mais aterrorizado0 e o seu rosto, mais pálido. Seus nobres estavam alarmados.

5.7 x|S44.25;

vDn 4.6,7;

*Gn 41.42;

aDn 2.5,6,48;

6.2,3

5.8 bDn 2.10,27

5.9 «te 21.4

10 Tendo a rainha0ouvido os gritos do rei e dos seus nobres, entrou na sala do banquete e disse: “Ó

rei, vive para sempre!d Não fiques assustado nem tão pálido!11Existe um hom em em teu reino que possui o espírito dos santos deuses.eNa época do teu predecessor verificou-se que ele era um ilum ina­ do e tinha inteligência e sabedoria* como a dos deuses. O rei Nabucodonosor, teu predecessor — sim, o teu predecessor — o nomeou chefe dos magos, dos encantadores, dos astrólogos e dos adivinhos.s 12Verificou-se que esse homem, Daniel, a quem o rei dera o nome de Beltessazar,h tinha inteligência

a 5 .1 0 Ou rainha-mãe.

5.11 «Dn 4.8,9,19;

•v. 14; Dn 1.17;

aDn 2.47,48

5.12

5.12

hDn 1.7

V. 14-16;

Dn 6.3

A mensagem misteriosa era o fato de que “Deus contou” os dias do reino (v. 26) e que o rei fora “pesado na balança e achado em falta” (v. 27). Seu reino deveria ser “dividido e entregue aos medos e persas” (v. 28). Não se passou muito tempo entre a interpretação e o cumprimen­ to: “Naquela mesma noite Belsazar, rei dos babilônios, foi morto” (v. 30).

5.10 A “rainha” pode ser: 1) a esposa de Nabucodonosor; 2) a filha de

Nabucodonosor e esposa de Nabonido; 3) a esposa de Nabonido, mas não filha de Nabucodonosor.

5.11 Nabucodonosor havia morrido em 562 a.C.; o ano então é 539

a.C.

POVOS,

w m m

TERRAS

E

G O VE R NA NT E S

ANT IGOS

Nabonido e Belsazar

DANIEL 5 Belsazar (que significa "Bel protege o rei") era filho do rei babilônio

Um texto babilônio, as Crônicas de Na­ bonido, relata que Nabonido pôs as tropas

tributos, concedia arrendamentos e se ocupava da manutenção dos templos, con­

Nabonido, que reinou de 556 a 539 a.C.,

militares sob o comando de Belsazar e lhe

forme atestado em várias cartas comerciais

e foi o monarca principal de 550 até 540

confiou o reino antes de partir para o Ocidente.

e

contratos contemporâneos de seu reina­

a.C., aproximadamente. Embora Naboni­ do alegasse ser herdeiro legitimo do reino de Nabucodonosor, está claro que não fazia parte da linhagem de sucessão ori­ ginal. Uma inscrição encontrada em Harã

Durante o reinado de Belsazar, que durou cerca de dez anos, Nabonido permaneceu em campanha em Tema (Arábia). Aparen­ temente, Nabonido era devoto do deus Sin e não tinha nenhum interesse na adoração a

do. Ele era aparentemente tão incrédulo quanto seu pai (como se vê em sua falta de consideração pelo Deus de Israel) e igual­ mente cruel. Como "segundo" governante, prometeu a Daniel a posição de "terceiro"

indica que a mãe de Nabonido, Adade- -Gupi, foi responsável pela sua ascensão ao

Marduque (o principal deus babilônio). Ele até mesmo deixou de observar a tradicional

em importância no reino (v. 16). Pouco se sabe dos últimos anos de Belsazar no poder.

poder. Alguns acreditam que ela era filha

festa de ano-novo. Por isso, foi menospre­

A

Babilônia estava bem fortificada quando

de Nabucodonosor, assim Nabucodonosor

zado, porque o consideravam um monarca

os persas atacaram, em 539 a.C. Conta-se,

teria sido avô ou predecessor de Belsazar

herege e negligente. Curiosamente, ele pa­

porém,

que Ciro desviou as águas do Eufrates

(Dn 5.2). Outros propõem que Belsazar

rece ter sido um dos primeiros arqueólogos

e

abriu um acesso para a cidade. Heródoto

desempenhou um papel ativo em antecipar

da história, tendo realizado escavações em

e

Xenofontes relatam que Ciro encontrou a

a subida de seu pai ao trono, assassinando um homem chamado Labasi-Marduque, que tinha maiores chances de se tornar rei.

Agade,UrukeUr. Embora sempre descrito como "filho do rei" em fontes assírias, Belsazar exerceu todas as funções da realeza, inclusive recebia

cidade em celebração e a tomou com relativa facilidade.1 Nabonido voltou à Babilônia em 539 a.C., mas foi capturado em Borsipa e foi exilado em Carmânia, no Ocidente.2

DANIEL

6.4

1395

extraordinária e também a capacidade de interpretar sonhos e resolver enigmas e mistérios.' Manda chamar Daniel, e ele te dará 0 significado da escrita”.

5.13 JDn 6.13

13 Assim Daniel foi levado à presença do rei, que lhe disse: “Você é Daniel, um dos exilados que

meu pai, o rei, trouxe de Judá?)14 Soube que o espírito dos deuses está em você e que você é um ilumi­ nado com inteligência e sabedoria fora do com um .15 Trouxeram os sábios e os encantadores à minha presença para lerem essa inscrição e me dizerem 0 seu significado, porém eles não 0 conseguiram.

16 Mas eu soube que você é capaz de dar interpretações e de resolver mistérios. Se você puder ler essa

inscrição e dizer-me 0 que significa, você será vestido com um manto vermelho e terá uma corrente

de ouro no pescoço, e será 0 terceiro em importância no governo do reino”,

17 Então Daniel respondeu ao rei: “Podes guardar os teus presentes para ti mesmo e dar as tuas

recompensas a algum outro.kNo entanto, lerei a inscrição para 0 rei e te direi 0 seu significado.

5.18 Ur 27.7;

Dn 2.37,38

5 .19 mDn 2.12,13;

3.6

5.20 "Dn 4.30;

«Jr 13.18; P jó

40.12; Is 14.13-15

5.21 «Ez 17,24;

Dn 4.16,17,35

5.22 SÊX 10.3;

2Cr 33.23

5.23 Ur 50.29;

“S1115.4-8;

Hc 2.19; vjó 12.10; ” JÓ 31.4;

Jr 10.23

5.26 «Jr 27.7;

ils 13.6

5.27 «SI 62.9

5.28 «Is 13.17; ‘ Dn 6.28

18 “Ó rei, foi a Nabucodonosor, teu predecessor, que 0 Deus Altíssimo deu soberania, grandeza,

glória e majestade.119 Devido à alta posição que Deus lhe concedeu, homens de todas as nações, povos

e línguas tremiam diante dele e 0 temiam. A quem 0 rei queria matar, matava;ma quem queria poupar, poupava; a quem queria promover, promovia; e a quem queria humilhar, humilhava.20No entanto, quando 0 seu coração se tornou arrogante e endurecido por causa do orgulho,11 ele foi deposto de seu

trono real e despojado0 da sua glória.P21 Foi expulso do meio dos homens e sua mente ficou como a de um animal; passou a viver com os jumentos selvagens e a comer capim como os bois; e 0 seu corpo se molhava com 0 orvalho do céu, até reconhecer que 0 Deus Altíssimo domina'! sobre os reinos dos

homens e põe no poder quem ele quer/

22 “Mas tu, Belsazar, seu sucessor, não te humilhaste,s embora soubesses de tudo isso.23 Ao con­

trário, te exaltaste acima* do“ Senhor dos céus. Mandaste trazer as taças do templo do Senhor para que nelas bebessem tu, os teus nobres, as tuas mulheres e as tuas concubinas. Louvaste os deuses de prata, de ouro, de bronze, de ferro, de madeira e de pedra, que não podem ver nem ouvir nem entender.u Mas não glorificaste 0 Deus que sustenta em suas mãos a tua vida" e todos os teus caminhos.”

24 Por isso ele enviou a mão que escreveu as palavras da inscrição.

25 “Esta é a inscrição que foi feita:

MENE, MENE, TEQUEL, PARSIM*1.

26 “E este é o significado dessas palavras:

Menef-. Deus contou os dias* do teu reinado e determinou o seu fim.v

27 TequelJ: Foste pesado na balança e achado em falta.z

28 Perese: Teu reino foi dividido e entregue aos medos3 e persas”.b

29 Então, por ordem de Belsazar, vestiram Daniel com um manto vermelho, puseram-lhe uma

corrente de ouro no pescoço, e 0 proclamaram 0 terceiro em importância no governo do reino.

5.30 "v. 1; «Is 21.9; Jr 51.31

5.31 «Dn 6.1; 9.1

6.1 'Dn 5.31;

«Et 1.1 6 .2 "Dn 2.48,49; 'Ed 4.22 6 .3 iGn 41.41;

Et 10.3; Dn 5.12-

14

30 Naquela mesma noite Belsazar,0 rei dos babilônios/", foi morto,'131 e Dario,e o medo, apoderou-se

do reino, com a idade de sessenta e dois anos.

Daniel na Cova dos Leões

6 Dario* achou por bem nomear cento e vinte sátrapasS para governar todo o reino, 2 e designou

três supervisores sobre eles, um dos quais era Daniel.h Os sátrapas tinham que prestar contas' a

eles para que o rei não sofresse nenhuma perda.3 Ora, Daniel se destacou tanto entre os superviso­

res e os sátrapas por suas grandes qualidades, que 0 rei planejava tê-lo à frente do governo de todo

0 império J 4 Diante disso, os supervisores e os sátrapas procuraram motivos para acusar Daniel em sua administração governamental, mas nada conseguiram. Não puderam achar nele falta alguma,

a

5 .2 3 Ou te levantaste contra o.

»

5 .2 5 Aramaico: UPARS1M-, isto é, E PARSIM.

c

5 .2 6 M ene pode significar contado ou m ina (uma unidade monetária).

d

5 .2 7 Tequel pode significar pesado ou siclo.

e

5 .2 8 Peres (o singular de Parsim) pode significar dividido ou Pérsia ou m eia m ina ou m eio siclo.

f

5 .3 0 Aramaico: caldeus.

5 .16 Sobre o “terceiro em importância no governo do reino”, ver nota

em 5.1,2.

5.21 Ver “A loucura de Nabucodonosor”, em Dn 4. 5.26-28 Ver notas da NVI. Três pesos (mina, siclo e meia mina ou meio siclo) podem ser intencionados, simbolizando três governantes, respec­ tivamente: Nabucodonosor, Evil-Merodaque ou Nabonido e Belsazar. Para uma interpretação alternativa, ver nota em 5-5-31.

5.29 Os três símbolos da autoridade de um governante eram o anel de

sinete (ver “Anéis de sinete”, em Et 8), o manto real e a corrente de ouro usada ao redor do pescoço (ver Gn 41.42).

5.30 Ver “Heródoto e a queda da Babilônia”, em Jr 50.

5.31 Ver “Dario, o medo”, em Dn 6.

9 6

DANIEL

6.5

pois ele era fiel; não era desonesto nem negligente. 5Finalm ente esses homens disseram: “Jamais encontrarem os algum m otivo para acusar esse Daniel, a menos que seja algo relacionado com a lei do Deus dele”.k

6 E assim os supervisores e os sátrapas, de comum acordo, foram falar com o rei: “Ó rei Dario,

6.6'Ne 2.3; Dn 2.4

vive para sempre!17Todos os supervisores reais, os prefeitos, os sátrapas, os conselheiros e os gover- nadoresm concordaram em que o rei deve em itir um decreto ordenando que todo aquele que orar a

qualquer deus ou a qualquer hom em nos próxim os trinta dias, exceto a ti, ó rei, seja atirado na cova dos leões." 8Agora, ó rei, emite o decreto e assina-o para que não seja alterado, conforme a lei dos medos e dos persas, que não pode ser revogada”.09E o rei Dario assinou o decreto.

6.7 "Dn 3.2; "SI 59.3; 64.2-6;

Dn3.6

10 Quando Daniel soube que o decreto tinha sido publicado, foi para casa, para o seu quarto, no

6.10 P1 Rs 8.48,49;

andar de cima, cujas janelas davamP para Jerusalém e ali fez o que costumava fazer: três vezes por dia ele se ajoelhava1! e orava, agradecendo ao seu Deus.r 11Então aqueles homens foram investigar e en­ contraram Daniel orando, pedindo ajuda a D eus.12E foram logo falar com o rei acerca do decreto real:

“T u não publicaste um decreto ordenando que nestes trinta dias todo aquele que fizer algum pedido a qualquer deus ou a qualquer homem, exceto a ti, ó rei, será lançado na cova dos leões?”

O rei respondeu: “O decreto está em vigor, conforme a lei dos medos e dos persas, que não pode ser revogada” ,s

«195.6;'At 5.29

6-12 ®Et 1.19; Dn

3.8-12

13 Então disseram ao rei: “Daniel, um dos exilados de Judá,' não te dá ouvidos," ó rei, nem ao

6.13'Dn 2.25;

decreto que assinaste. Ele continua orando três vezes por dia”. 14Quando o rei ouviu isso, ficou muito contrariadov e decidiu salvar Daniel. Até o pôr do sol, fez o possível para livrá-lo.

5.13; "Et 3.8;

Dn3.12

6.14 *Mc 6.26

6 .7 A cova dos leões tinha uma abertura relativamente pequena no topo (cf. v. 17), tornando impossível a fuga do prisioneiro.

DANIEL 6 Daniel 6 informa-nos que, depois da conquista da Babilônia pelos persas,1 a cidade foi governada por um rei chamado "Dario, o medo". Essa declaração apresenta um problema: não há nenhum registro des­ se indivíduo fora da Bíblia — fato que tem trazido questionamentos à historicidade e autoria de Daniel. Muitos acreditam que um autor desconhecido escreveu Daniel cen­ tenas de anos após a queda da Babilônia e que a figura de Dario, o medo, como a maior parte de Daniel, é pura ficção.2 Mas seria prudente descartar a existência de Dario por aquele motivo?

❖ Dario, o medo, não pode ser o rei persa conhecido como Dario I, visto que esse Dario posterior foi o sucessor de Ciro, não seu pre- decessor.3Além disso, Dario, o medo, que su­ postamente era da idade de 62 anos na época da queda da Babilônia (5.31), nasceu em 601/600 a.C., enquanto a História indica que

Dario, o medo

Dario I só começou a reinar em 522 a.C. Os que acreditam que Daniel não é um livro histórico pressupõe que o autor simplesmente estava confuso sobre a história persa e pensou que Dario I havia precedido Ciro, o Grande. Essa teoria, porém, implica uma surpreendente ignorância do autor. Ciro, o Grande, criador do Império Persa, é uma figura proeminente no AT, etambém Dario I, sempre apresentado como persa, enquanto Dario, o medo, obvia­ mente é de outra nacionalidade. •h Dario, o medo, pode ter sido Ciro, o Gran­ de.4 De acordo com essa teoria, Daniel 6.28 poderia ser traduzido desta forma: "Assim

Daniel prosperou durante o reinado de Dario, isto é, o reinado de Ciro, o persa". Entretanto, o texto poderia simplesmente ser traduzido por "e no reinado de Ciro, o persa”, como na maioria das versões. Embora seja uma possibilidade, essa interpretação não é convincente.

1Ver "Babilônia", em Is 13.

2Ver "Quando foi escrito o livro de Daniel?", em Dn 1.

3Ver "Dario I", em Ed 5.

• f Dario, o medo, também pode ter sido um

rei vassalo designado por Ciro paragovernara

Babilônia. 0 hebraico de Daniel 9.1 apoia essa teoria, declarando que Dario "foi constituído" rei, usando um verbo no passivo. Além disso,

o aramaico de Daniel 5.31 afirma que Dario

"recebeu o reino" ("apoderou-se do reino", na NVI). Normalmente, um escritor não diria que um conquistador "recebeu" um reino. Assim,

é mais provável que Dario, o medo, não fosse um "rei" da mesma categoria que Ciro, mas

subordinado. É importante observar que

o livro de Daniel jamais se refere a esse Dario

como rei da Pérsia ou dos medos, mas apenas como rei da Babilônia. 0 nome pessoal de Da­ rio, o medo, podeter sido Gubaru, governador designado por Ciro. Gubaru é mencionado em documentos cunerformes, inclusive nas Crô­ nicas de Nabonido.

um

4Ver "Ciro, o Grande", em Ed 1.

DANIEL

7.5

1397

6,16 «V. 7;

yJó 5.19;

SI 37.39,40

6.18 a2Sm 12.17;

bEt 6.1; Dn 2.1

15Mas os homens lhe disseram: “Lembra-te, ó rei, de que, segundo a lei dos medos e dos persas, nenhum decreto ou edito do rei pode ser modificado”.™

16 Então o rei deu ordens, e eles trouxeram Daniel e o jogaram na cova dos leões.* O rei, porém, disse a Daniel: “Que o seu Deus, a quem você serve continuamente, o livre!*” 17 Taparam a cova com uma pedra, e o rei a selou2 com o seu anel-selo e com os anéis dos seus

nobres, para que a decisão sobre Daniel não se modificasse.18 Tendo voltado ao palácio, o rei passou

a noite sem comer3 e não aceitou nenhum divertimento em sua presença. Além disso, não conseguiu dormir.b

19 Logo ao alvorecer, o rei se levantou e correu para a cova dos leões.20 Quando ia se aproximando

da cova, chamou Daniel com voz que revelava aflição: “Daniel, servo do Deus vivo, será que o seu

Deus, a quem você serve continuamente, pôde livrá-lo dos leões?”0

6.21 dDn 2.4

6.22 eDn 3.28;

ISI 91.11-13;

Hb 11.33;

■At 12.11;

2Tm4.17

6.23 hDn 3.27;

n Cr 5.20

6.24 JDt 19.18,19;

Et 7.9,10; SI 54.5; kDt 24.16; 2Rs 14.6; 'Is

38.13

6.25 "Dn 4.1

6.26 "SI 99.1-3;

Dn 3.29; “Dn 2.44;

4.34

6.27

PDn4.3;

w. 22

6.28 ^Cr 36.22;

Dn 1.21

7.1

« n 5.1;

Dn 1.17; «Jr 36.4

vAp 7.1

7.3 »Ap 13.1

7.2

7.4 «Jr 4.7;

ÍZ17.3

21 Daniel respondeu: “Ó rei, vive para sempre!d 22 O meu Deus enviou o seu anjo,e que fechou

a boca dos leões.* Eles não me fizeram mal algum, pois fui considerado inocente à vista de Deus.0 Também contra ti não cometi mal algum, ó rei”.

23O rei m uito se alegrou e ordenou que tirassem Daniel da cova. Quando o tiraram da cova, viram

que não havia nele nenhum ferimento,11pois ele tinha confiado1no seu Deus.

24 E, por ordem do rei, os homens que tinham acusado Daniel foram atirados na cova dos leões,i junto com as suas mulheres e os seus filhos.k E, antes de chegarem ao fundo, os leões os atacaram e

despedaçaram todos os seus ossos.1

25Então o rei Dario escreveu aos homens de todas as nações, povos e línguas de toda a terra:

“Paz e prosperidade!m

26“Estou editando um decreto para que em todos os domínios do im pério os homens temam e

reverenciem o Deus de Daniel."

“Pois ele é o Deus vivo

e permanece para sempre;

o seu reino não será destruído;

o seu dom ínio jamais acabará.0

27Ele livra e salva;

faz sinais e maravilhasP nos céus e na terra.

Ele livrou Daniel

do poder dos leões”.(i

28 Assim Daniel prosperou durante os reinados de Dario e de Ciro“,r o Persa.

O Sonho de Daniel:

Os Quatro Animais

7 No prim eiro ano de Belsazar,s rei da Babilônia, Daniel teve um sonho, e certas visões passaram

por sua mente,* estando ele deitado em sua cama. Ele escreveu11o seguinte resum o do seu sonho.

2

“E m m inha visão à noite, eu v i os quatro ventos do céuv agitando o grande m a r.3Quatro grandes

animais,w diferentes uns dos outros, subiram do mar. 4“O prim eiro parecia um leão* e tinha asas de águia.v Eu o observei e, em certo momento, as suas asas foram arrancadas, e ele foi erguido do chão, firmou-se sobre dois pés como um hom em e recebeu coração de homem. 5“A seguir, v i um segundo animal, que tinha a aparência de um urso. Ele foi erguido por um dos seus lados, e na boca, entre os dentes, tinha três costelas. Foi-lhe dito: ‘Levante-se e coma quanta carne puder!’2

a 6 .2 8 Ou Dario, isto é, o reinado de Ciro.

6.17 Ver “Anéis de sinete”, em Et 8.

6 .24 Segundo o costume persa, a família de um homem compartilhava da culpa dele (ver Et 9.24,25).

7.1 A data aqui é incerta — talvez 553 a.C. Os acontecimentos do capí­

7 .4 -7 Ver “Os

meus”, em Dn 7. 7.4 O leáo com asas de águia é um querubim que simboliza o Império Neobabilônio (ver Gn 3.24 e nota).

reinos das profecias de Daniel”, em D n 2; e “Os ptolo-

1398

DANIEL

7.6

6 “Depois disso, vi um outro animal, que se parecia com um leopardo.3 Nas costas tinha quatro asas, como as de uma ave. Esse animal tinha quatro cabeças e recebeu autoridade para governar. 7 “Em minha visão à noite, vi ainda um quarto animal, aterrorizante, assustador e muito poderoso. Tinha grandes dentes de ferro,bcom os quais despedaçava e devorava suas vítimas e pisoteava tudo o que sobrava. Era diferente de todos os animais anteriores e tinha dez chifres.0

8 “Enquanto eu considerava os chifres, vi outro chifre, pequeno,dque surgiu entre eles; e três dos primeiros chifres foram arrancados para dar lugar a ele. Esse chifre possuía olhos como os olhos de um homeme e uma boca que falava com arrogância.' 9“Enquanto eu olhava,

“tronos foram colocados,

e um ancião se assentou.

Sua veste era branca como a neve;

o cabelo era branco como a lã.9

Seu trono era envolto em fogo,

e as rodashdo trono estavam em chamas. 10 De diante dele, saía um rio de fogo.' Milhares de milhares o serviam;

milhões e milhões estavam diante deleJ O tribunal iniciou o julgamento,

e os livroskforam abertos.

7.6 aAp 13.2

7.7 »Dn 2.40;

<=Ap12.3

7.8 dDn 8.9;

eAp 9.7; *S112.3; Ap 13.5,6

7.9 aAp 1.14;

hEz 1.15; 10.6

7.10*SI 50.3; 97.3; Is 30.27; JDt 33.2; SI 68.17; Ap 5.11;

KAp20.11-15

11 “Continuei a observar por causa das palavras arrogantes que o chifre falava. Fiquei olhando até

7.11'Ap 19.20

que o animal foi morto, e o seu corpo foi destruído e atirado no fogo.112 Dos outros animais foi retirada a autoridade, mas eles tiveram permissão para viver por um período de tempo.

13 “Em minha visão à noite, vi alguém semelhante a um filho de homem,mvindo com as nuvens

7.13 "Mt 8.20*;

dos céus.n Ele se aproximou do ancião e foi conduzido à sua presença.14 Ele recebeu autoridade,0 glória e o reino; todos os povos, nações e homens de todas as línguas o adoraram.P Seu domínio é um domínio eterno que não acabará, e seu reino jamais será destruído.1!

A Interpretação do Sonho

15 “Eu, Daniel, fiquei agitado em meu espírito, e as visões que passaram pela minha mente me

aterrorizaram.r 16 Então me aproximei de um dos que ali estavam e lhe perguntei o significado de tudo o que eu tinha visto. “Ele me respondeu, dando-me esta interpretação:s 17‘Os quatro grandes animais são quatro reinos

que se levantarão na terra.18 Mas os santos do Altíssimo receberão o reino e o possuirão para sempre;

sim, para todo o sempre’.*

Ap 1.13*; "Mt 24.30; Ap 1.7

7.14 °Mt 28.18;

pSI 72.11;102.22;

1Co 15.27; Ef 1.22; uDn 2.44; Hb 12.28; Ap 11.15

7.16 sDn 8.16;

9.22; Zc 1.9

7.18 Is 60.12-14;

Ap 2.26; 20.4

19 “Então eu quis saber o significado do quarto animal, diferente de todos os outros e o mais

aterrorizante, com seus dentes de ferro e garras de bronze, o animal que despedaçava e devorava suas vítimas, e pisoteava tudo o que sobrava. 20 Também quis saber sobre os dez chifres da sua cabeça e sobre o outro chifre que surgiu para ocupar o lugar dos três chifres que caíram, o chifre que tinha olhos

e uma boca que falava com arrogância.21 Enquanto eu observava, esse chifre guerreava contra os

santos e os derrotava,u 22 até que o ancião veio e pronunciou a sentença a favor dos santos do Altíssimo;

chegou a hora de eles tomarem posse do reino.

7.21

uAp 13.7

23 “Ele me deu a seguinte explicação: ‘O quarto animal é um quarto reino que aparecerá na terra.

Será diferente de todos os outros reinos e devorará a terra inteira, despedaçando-a e pisoteando-a.v 24 Os dez chifres™ são dez reis que sairão desse reino. Depois deles um outro rei se levantará, e será diferente dos primeiros reis.25 Ele falará contra o Altíssimo,* oprimirá os seus santos e tentará mudar os tempos"'' e as leis. Os santos serão entregues nas mãos dele por um tempo, tempos*1 e meio tempo.z

a 7 .2 5 Ou o calendário; ou ainda asfestas religiosas.

b 7 .2 5 Ou dois tempos.

7.24

«Ap 17.12

*ls 37.23;

Dn 11.36; *Dn 2.21; zDn 8.24; 12.7; Ap 12.14

7.25

7.9 O “ancião” (ou “antigo em dias” de acordo com algumas traduções) é uma referência a Deus (ver “Tronos no mundo antigo”, em SI 99). Para referências literais e figuradas ao cabelo na Bíblia, ver nota em SI 40.12; ver também “Barba e cortes de cabelo no mundo bíblico”, em Is 15.

7.24 Para mais informações sobre os “dez reis”, ver “Os reinos das pro­ fecias de Daniel”, em Dn 2.

DANIEL

7.28

26“ ‘Mas o tribunal o julgará, e o seu poder lhe será tirado e totalmente destruído, para sempre. 27Então a soberania, o poder e a grandeza dos reinos que há debaixo de todo o céu serão entregues nas mãos dos santos, o povo do Altíssimo. O reino dele será um reino eterno,3e todos os governantes o

7.27 *Dn 2.44;

4.34; Lc 1.33; Ap 11.15; 22.5; »SI 22.27; 72.11;

86.9 adorarãobe lhe obedecerão’.

7.28 “Dn 4.19

28 “Esse é o fim da visão. Eu, Daniel, fiquei aterrorizado1por causa dos meus pensamentos e meu

rosto empalideceu, mas guardei essas coisas comigo”.

DANIEL 7 Daniel 7.6 descreve uma visão em que um reino é representado por um leo­ pardo com quatro asas e quatro cabeças. As asas representam grande velocidade, mas as cabeças significam que o reino seria dividido em vários domínios. 0 leopardo simboliza o reino grego de Alexandre, o Grande, estabe­ lecido com velocidade de relâmpago, mas que se rompeu em várias partes, governadas por diversas dinastias gregas depois de sua morte.1 Os ptolomeus foram uma dinastia de reis gregos que começou a governar o Egito logo após a morte de Alexandre, o Gran­ de, até o tempo da anexação do Egito por Roma. Sua história, datada do século III a.C., está conectada intimamente à da região hoje conhecida como Palestina. Os ptolomeus go­ vernaram a Palestina e, portanto, Jerusalém de 323 a 200 a.C.2 Os governantes ptolomeus mais importantes foram:

Ptolomeu I Sóter (323/305-282 a.C.). Imediatamente após a morte de Alexandre, em 323 a.C., seu general Ptolomeu tomou o controle da administração do Egito, assumin­ do o título de "rei" em 305 a.C. Ptolomeu era muito inteligente e, depois de ter tomado o controle de um domínio rico e relativamente isolado (o Egito), deu início a uma dinastia que durou mais de dois séculos. Sua capital, Alexandria, era uma cidade grega situada no Egito.3Ptolomeu é "o rei do sul", em 11.5.

Os ptolomeus

•5* Ptolomeu II Filadelfo (282-246 a.C.). Seu reinado foi próspero e marcado por impres­ sionantes projetos de construção, como a fi­ nalização do farol de Alexandria e da famosa biblioteca. Também se engajou em guerras com os selêucidas pelo controle da Palestina

e da Anatólia. Ptolomeu II trabalhou muito

para estabelecer a cultura e a educação gre­ gas no Egito e em outros lugares, mas ofen­ deu os súditos gregos quando se casou com a própria irmã, Arsinoé. Ptolomeu III Evérgeta (246-222 a.C.). Seu reinado foi marcado por guerras contra os

selêucidas, provocadas pelo fato de que o rei selêucida, Selêuco II, assassinou a irmã de Ptolomeu, Berenice, eofilho dela.4Bereniceé

"a filha do rei do sul", em 11.6.

• r Ptolomeu IVFilopátor (222-205 A.C.). Esse

rei é às vezes descrito como um governante fraco, embora tenha derrotado Antíoco III da Síria em Ráfia, em 217 a.C. Ele incorporou tro­ pas egípcias ao seu exército (em vez de usar apenas soldados gregos), e alguns acreditam que esse ato espalhou a semente de futuras revoltas dos egípcios. Ele é "o rei do sul", de Daniel 11.11.

Ptolomeu V Theós Epifânio (204-180 a.C.). Durante a administração desse regente, a Palestina foi deixada para os selêucidas (200 a.C.). A pedra de Roseta comemora sua co­

roação.5

•?♦ Ptolomeu VI Filometor (180-145 a.C.). Durante seu reinado, o controle ptolomeu

do Egito quase entrou em colapso. Antíoco IV conquistou sua passagem para Mênfis, no Egito, por volta de 168 a.C. e sem dúvida teria tomado o controle do país, não fosse sua ex­ pulsão por uma delegação de Roma. •b 0 poder ptolomeu declinou depois que os

membros da família real começaram a lutar entre si pelo poder e que Roma passou a ter mais influência nos negócios do Egito. 0 últi­ mo ptolomeu a governar o Egito foi a famosa Cleópatra VII (51-30 a.C.). Inteligente e enge­ nhosa (foi a única da dinastia do ptolomeus a conquistar alealdade dos egípcios, por apren­ der afalar o idioma deles, mastambém assas­ sinou seu irmão, Ptolomeu XIV, para chegar ao trono), ela se beneficiou do envolvimento

sexual com Júlio César e depois com Marco

Antônio para melhorar sua posição política no relacionamento com Roma. Sua aliança com Marco Antônio, entretanto, decretou sua ru­ ína. Elefoi derrotado por Otaviano (Augusto) em Ácio, em 31 a.C.,6 e ela cometeu suicídio quando percebeu que Otaviano marchava implacavelmente em direção a ela.

'Ver "Grécia: das cidades-Estado independentes até Alexandre, o Grande”, em A t 20.

18. 4Ver "Os selêucidas", em Dn 12.

2Ver "A história da Terra Santa", na p. xxiii.

!V er "Alexandria", em At

5Ver "A pedra de Roseta e a decifraçâo dos hieróglifos”, em Êx 9.

6Ver "César Augusto, imperador de Roma; o censo; Quirino,

1400

DANIEL

8.1

A Visão de Daniel:

O Carneiro e o Bode

8 No terceiro ano do reinado do rei Belsazar, eu, Daniel, tive outra visão, a segunda. 2 Na minha visão eu me vi na cidadela de Susã,d na província de Elão;e na visão eu estava junto do canal

de U la i.3 01heif para cima e, diante de mim, junto ao canal, estava um carneiro; seus dois chifres eram compridos, um mais que o outro, mas o mais comprido cresceu depois do outro.4 Observei o carneiro enquanto ele avançava para o oeste, para o norte e para o sul. Nenhum animal conseguia resistir-lhe, e ninguém podia livrar-se do seu poder. Ele fazia o que bem desejavaQ e foi ficando cada vez maior.

8.2 <e 1.2;

«Gn 10.22

8.3 «Dn 10.5

8.4 oDn 11.3,16

5 Enquanto eu considerava isso, de repente um bode, com um chifre enorme entre os olhos, veio

do oeste, percorrendo toda a extensão da terra sem encostar no chão.6Ele veio na direção do carneiro de dois chifres que eu tinha visto ao lado do canal, e avançou contra ele com grande fúria. 7 Eu o vi

atacar furiosamente o carneiro, atingi-lo e quebrar os seus dois chifres. O carneiro não teve forças para

resistir a ele; o bode o derrubou no chão e o pisoteou,11 e ninguém foi capaz de livrar o carneiro do seu poder.8O bode tornou-se muito grande, mas no auge da sua força o seu grande chifre foi quebrado,' e em seu lugar cresceram quatro chifres enormes, na direção dos quatro ventos da terraj

9 De um deles saiu um pequeno chifre, que logo cresceu em poder na direção do sul, do leste e

da Terra Magnífica.k 10 Cresceu até alcançar1 o exército dos céus, e atirou na terra171 parte do exército das estrelas e as pisoteou.n11 Tanto cresceu que chegou a desafiar o príncipe do exército;0suprimiu

o

sacrifício diárioP oferecido ao príncipe, e o local do santuário foi destruído.^12 Por causa da rebelião,

o

exército dos santos e o sacrifício diário foram dados ao chifre. Ele tinha êxito em tudo o que fazia, e

a

verdade foi lançada por terra.

8.8 i2Cr 26.16-21; Dn 5.20; iDn 7.2;

Ap7.1

8.9 «Dn 11.16

8.10 'Is 14.13;

mAp 12.4; "Dn 7.7; °Dn 11.36,37;

pEz46.13,14

8.11 qDn 11.31;

12.11

8.1— 12.13 Esses capítulos foram escritos em hebraico (ver nota em

2.4).

8.1 A data é cerca de 551 a.C. Os acontecimentos do capítulo 8, na

verdade, precedem os do capítulo 5.

8.2 A “cidadela de Susã” consistia na acrópole (área superior fortificada)

e no complexo do palácio, que se distinguia da cidade circunvizinha. Fo­ ram realizadas várias investigações arqueológicas no local desde a metade

do século XIX. O rei Xerxes havia feito reformas extensas nas estruturas do palácio (ver “Susã”, em Et 9). Para mais informações sobre Eláo, ver nota em Jr 25.25.

8.3 O carneiro representa o Império Medo-Persa (v. 20), e o mais longo

de seus dois chifres reflete a posição predominante da Pérsia (ver 7.5; ver

também “Os reinos das profecias de Daniel”, em D n 2).

8.5 O bode é a Grécia, e o “chifre enorme entre os olhos” é Alexandre, o

Grande, “o primeiro rei” (v. 21).

8.7 A Grécia esmagou o Império Medo-Persa.

8.8 Gom a morte de Alexandre, o Grande (o “chifre enorme”), no auge

do poder (323 a.G.), seu reino foi dividido entre seus quatro generais. 8.9-12 O chifre que começou “pequeno” (v. 9) é Antíoco IV Epifanio (ver “Antíoco IV Epifânio”, em Dn 11).

T E X T O S

E

A R T E F A T O S

A N T I G O S

DANIEL 8 Nabonido era o pai do rei Belsazar da Babilônia, com quem governou como corregente por vários anos.1 Um rolo de Qumran, datado entre 75 e 50 a.C., comu- mente chamado de A oração de Nabonido, ou 4QprNab, é um registro apócrifo de uma cura de Nabonido, provavelmente com base em Daniel 4. 0 texto relata que o rei Nabonido foi afligido com uma doença físi­ ca durante sete anos, até que um exorcista judeu perdoou seus pecados. 0 judeu então incentivou Nabonido a documentar o fato e

Oração de Nabonido

glorificar a Deus, que o perdoou. Na seção final do rolo, Nabonido declara que suas súplicas anteriores aos deuses do mundo haviam ficado sem resposta. 0 rolo dá a entender que Nabonido viajou para Tema, na Arábia, e permaneceu ali vários anos. Esse detalhe é preciso. Na realidade, foi durante sua permanência em Tema que Belsazar reinou na Babilônia. Daniel 8.1, portanto, refere-se a Belsazar como rei porque os babilônios o viam como sua autoridade governamental. Fora isso,

entretanto, há poucas razões para conside­ rar A oração de Nabonido um fato histórico. A história parece baseada no registro bíblico da cura de Nabucodonosor.2 Outros livros apócrifos, como A Estátua de Bel/0 Dra­ gão, também são lendas populares que se desenvolveram com base no livro canônico de Daniel.3 Como tal, A oração de Nabonido não pode confirmar nem refutar a confiabilidade histórica de Daniel 4.

DANIEL

9.3

140

8.13 Dn 4.23;

sDn 12.6; •Lc 21.24; Ap 11.2

8.14 uDn 12.11,12

8.15 vv.1;

«Dn 10.16-18

13 Então ouvi dois anjosar conversando, e um deles perguntou

ao outro: “Quanto tempo durarão os acontecimentos anunciados por esta visão?s Até quando será suprimido o sacrifício diário e

a rebelião devastadora prevalecerá? Até quando o santuário e o

exército ficarão entregues ao poder do chifre e serão pisoteados?'”

14 Ele me disse: “Isso tudo levará duas mil e trezentas tardes e

manhãs; então o santuário será reconsagrado6”.11

A Interpretação da Visão

15 Enquanto eu, Daniel, observava a visãov e tentava entendê-

8.16

xDn 9.21;

-la, diante de mim apareceu um ser que parecia homem.w 16 E ouvi

Lc 1.19

a

voz de um homem que vinha do Ulai: “Gabriel,11dê a esse homem

 

o

significado da visão”.

8.17

vEz 1.28;

17

Quando ele se aproximou de mim, fiquei aterrorizado e

Dn 2.46; Ap 1.17;

zHc 2.3

8.18 aDn 10.9;

bEz 2.2; Dn 10.16-

caí prostrado.v Ele me disse: “Filho do homem, saiba que a visão

refere-se aos tempos do fim”.z

18 Enquanto ele falava comigo, eu, com o rosto em terra,3 perdi

18 os sentidos. Então ele tocou em mim e me pôs em pé.b

8.19 cHc 2.3

8.21 dDn 10.20;

eDn 11.3

19 E disse: “Vou contar a você o que acontecerá depois, no tem­

po da ira, pois a visão se refere ao tempo do fim.c 20 O carneiro de dois chifres que você viu representa os reis da Média e da Pérsia.

2 10 bode peludo é o rei da Grécia,de o grande chifre entre os seus

olhos é o primeiro rei.e 22 Os quatro chifres que tomaram o lugar do chifre que foi quebrado são quatro reis. Seus reinos surgirão da

nação daquele rei, mas não terão o mesmo poder.

V ozes a n tig a s

As palavras da oração que Nabonido, rei da Babilônia, o Grande Rei, orou quando pelo decreto divino foi afligido com uma úlcera fétida enquanto estava em Temani:

"Eu, Nabonido, fui afligido com uma úlcera fétida durante sete anos, e porque Deus a colocou em mim eu o busquei e ele me curou, e um profeta perdoou meu pecado. Esse profeta era um judeu, do exílio judai­ co, e ele me disse: 'Proclame isto e escreva isto para dar honra e majestade ao nome

do Deus Altíssimo!'. Assim, escrevi isto: 'Eu fui afligido enquanto estava em Temani com uma úlcera fétida por um decreto do Deus Altíssimo. Durante sete anos, orei diante dos deuses de prata, ouro, bronze, ferro, madeira, pedra e barro, porque pre­ "

sumi que eles eram deuses

fragmentado e ilegível neste ponto].

[o texto é

— A oração de Nabonido, dos rolos do

mar Morto, 4Q 242 (tradução por Duane

Garrett)

Ver o artigo "Oração de Nabonido", em Dn.8.

23 “No final do remado deles, quando a rebelião dos ímpios

8.24'Dn 7.25;

tiver chegado ao máximo, surgirá um rei de duro semblante, mestre em astúcias.24Ele se tornará muito

11.36 forte, mas não pelo seu próprio poder. Provocará devastações terríveis e será bem-sucedido em tudo o

8.25 sDn 11.36;

"Dn 2.34; 11.21

8.26‘Dn 10.1;

iAp 22.10;

kDn 10.14

8.27 'Dn 2.48;

mDn 7.28

9.2 °2Cr 36.21; Jr 29.10; Zc 7.5

9.3 PNe 1.4; Jr 29.12

que fizer. Destruirá os homens poderosos e o povo santo.'25 Com o intuito de prosperar, ele engana­

rá a muitos e se considerará superior aos outros. Destruirá muitos que nele confiam^ e se insurgirá contra o Príncipe dos príncipes.9 Apesar disso, ele será destruído, mas não pelo poder dos homens.h

26 “A visão das tardes e das manhãs que você recebeu é verdadeira;' sele^ porém a visão, pois

refere-se ao futuro distante” .k

27 Eu, Daniel, fiquei exausto e doente por vários dias. Depois levantei-me e voltei a cuidar dos

negócios do rei.1Fiquei assustado"1 com a visão; estava além da compreensão humana.

A Oração de Daniel

9 Dario," filho de Xerxese, da linhagem dos medos, foi constituído governante do reino babilônio^.

2No prim eiro ano do seu reinado, eu, Daniel, compreendi pelas Escrituras, conforme a palavra

do

S e n h o r

dada ao profeta Jerem ias, que a desolação de Jerusalém iria d urar setenta0 anos.

3 Por isso me voltei para o Senhor Deus com orações e súplicas, em jejum , em pano de saco e coberto de cinza.P

0

8 .1 3

Hebraico: santos.

b

8 .1 4

Ou purificado.

c

8 .2 5 Ou que vivem em paz.

d

8 .2 6

Ou guarde em segredo.

e

9 .1 Hebraico: Assuero, variante do nome persa Xerxes.

f

9 .1 Hebraico: caldeu.

8 .14 Isso pode significar 2.300 dias completos. No entanto, como eram oferecidos sacrifícios matutinos e vespertinos diariamente no templo (9.21; Êx 29.38,39), é bem possível que “duas mil e trezentas tardes e manhãs” se refira ao número de sacrifícios oferecidos consecutivamente em 1.150 dias — o intervalo entre a profanação do altar por Antíoco e sua reconsagraçáo por Judas Macabeu, em dezembro de 164 a.C. 8 .17 O termo “filho do homem” aqui não deve ser confundido com “alguém semelhante a um filho de homem” em 7.13.

8.21 Cf. versículo 5 e nota.

8.23-25 Esses versículos descrevem Antíoco IV e sua ascensão ao po­ der por meio da trama e da fraude política. Antíoco autodenominou-se Epifanio (“manifestação de Deus”). Morreu em 164 a.C., em Tabas, na Pérsia, como resultado de doença ou de acidente. Na realidades Deus (o “Príncipe dos príncipes”, v. 25) o destruiu.

9.1 A data é 538 a.C. Ver “Dario, o medo”, em Dn 6. O Xerxes mencio­

nado aqui não é o do livro de Ester.

9 .2

Ver “Os setenta anos de cativeiro”, em Jr 25.

9.3

O pano de saco era o traje grosseiro dos pranteadores (ver notas em

0 2

DANIEL

9.4

4 Orei ao S e n h o r , o m eu Deus, e confessei:

9.4 qDt 7.21;

rDt7.9

Ó Senhor, Deus grande e temível,Q que manténs a tua aliança de am orr com todos aqueles que te

temos cometido pecado e somos culpados.s Tem os

sido ímpios e rebeldes, e nos afastamos1dos teus mandamentos e das tuas leis.u 6Não demos ouvido aos teus servos, os profetas,v que falaram em teu nome aos nossos reis, aos nossos líderes e aos nossos antepassados, e a todo o teu povo.

amam e obedecem aos

teus m andam entos,5nós

9.5 sS1106.6;

«Is 53.6; uv. 11; Lm 1.20

9.6 ^Cr 36.16;

Jr 44.5

7 Senhor, tu és justo, e hoje estamos envergonhados.w Sim, nós, o povo de Judá, de Jerusalém e de

9.7 «SI 44.15; *Dt 4.27; Am 9.9; yJr 3.25

9.9 «1 130.4;

*Ne 9.17; Jr 14.7

9.10 b2Rs 17.13-

15; 18.12

9.11 cls 1.4-6;

Jr 8.5-10

9.12 «Is 44.26;

Zc 1.6; ejr 44.2-6;

Ez5.9

9.13 «Is 9.13;

Jr 2.30

9.14 sJr 44.27;

hNe 9.33

todo o Israel, tanto os que estão perto como os que estão distantes, em todas as terras pelas quais nos espalhastexpor causa de nossa infidelidade para contigo.v 8 Ó S e n h o r , nós e nossos reis, nossos líderes

e nossos antepassados estamos envergonhados por termos pecado contra t i.9O Senhor nosso Deus é

misericordioso e perdoador,2apesar de termos sido rebeldes;310não te demos ouvidos, S e n h o r nosso Deus, nem obedecemos às leis que nos deste por meio dos teus servos, os profetas.b 11Todo o Israel transgrediu a tua lei e se desviou, recusando-se a te ouvir. Por isso as maldições e as pragas escritas na Lei de Moisés, servo de Deus, têm sido derramadas sobre nós, porque pecamos0contra t i. 12Cum pristeda palavra proferida contra nós e contra os nossos governantes, trazendo-nos grande desgraça. Debaixo de todo o céu jamais se fez algo como o que foi feito a Jerusalém.e 13Conform e está escrito na Lei de Moisés, toda essa desgraça nos atingiu, e ainda assim não temos buscado o favor do S e n h o r , o nosso Deus, afastando-nos de nossas maldades e

obedecendo à tua verdade.f 14O S e n h o r não hesitou em trazer desgraças sobre nós, pois o S e n h o r ,

o nosso Deus, é justo em tudo o que faz; ainda assim nós não lhe temos dado atenção.h

A

l

i

i

i

r i

POVOS.

TERRAS

E

G O VE R NA NT E S

Os caldeus

m

m

A NT I GOS

DANIEL 9 Os caldeus eram um grupo étnico

o

domínio assírio na região e governou

dos reinos, o esplendor do orgulho dos babi­

seminômade mencionado pela primeira vez

durante uma década antes de ser expulso

lônios'" (Is 13.19).

um

povo da terra de Kaldu. Vivendo na fronteira

em fontes antigas do século IX a.C., como

(ca. 722- 710 a.C.).1Por volta de 626 a.C., o poder assírio declinou, e o poder dos caldeus

A Babilônia era conhecida como a cidade do aprendizado, por isso o termo "caldeu"

sul da Babilônia, eram organizados em "ca­

na

Babilônia experimentou um ressurgimen­

veio a representar os sacerdotes, os astrólo­

sas" tribais, cada uma liderada por um líder

to

durante os reinados de Nabopolassar e

gos e a classe instruída (Dn 2.10; 4.7; 5.7).

tribal. Essas tribos foram assimiladas pela cultura predominante e herdaram o império da Babilônia, por isso os termos "caldeus" e "babilônios" se tornaram sinônimos (Is 47.1; Dn 9.1).

de seu filho Nabucodonosor. Essa última dinastia da Babilônia é conhecida como os caldeus ou Império Neobabilônio. 0 reinado dos caldeus trouxe maior florescimento e fama ao Império Babilônio.

0 período caldeu/neobabilônio marcou o começo do registro das informações histó­ ricas, econômicas e astronômicas precisas, bem como a elevação do aramaico à con­ dição de língua franca (idioma comum

0 primeiro caldeu notável registrado na Bíblia é Merodaque-Baladã, rei da Babilônia,

Nabucodonosor, sob cujo governo o reino de Judá foi conquistado e exilado (Jr 52),2além

e comercial) do Oriente Médio (2.4).4 Final­ mente, o Império Neobabilônio caiu diante

que enviou mensageiros a Ezequias de Judá

de suas realizações militares é atribuída a ele

de Ciro, da Pérsia,5e a glória da Mesopotâ-

com a finalidade de formar uma coalizão

a maior reconstrução da cultura e da vida

mia desapareceu na História.

contra a Assíria (2Rs 20.12-19; Is 39.1). Me- rodaque-Baladã uniu as tribos da Caldeia e, com ajuda dos elamitas, conseguiu subverter

religiosa da Babilônia.3 A cidade veio a ser considerada uma das maravilhas do mundo antigo e, nas palavras do profeta, era "a joia

1Ver "A campanha de Senaqueribe contra Merodaque-Baladã", em Is 39.

2Ver "Os últimos dias de Jerusalém", em Jr 6.

3Ver "Nabucodonosor", em 2Rs 24.

9.15 Ur 32.21;

iNe 9.10

9.16 KSI 31.1;

Ur 32.32; mZc 8.3;

"65.14

D A N

I E L

10.6

1403

15 Ó Senhor nosso Deus, que tiraste o teu povo do Egito com mão poderosa' e que fizeste para ti

um nomei que permanece até hoje, nós temos cometido pecado e somos culpados.16 Agora, Senhor, conforme todos os teus feitos justos,kafasta de Jerusalém,1da tua cidade, do teu santo monte,ma tua ira

e

a tua indignação. Os nossos pecados e as iniquidades de nossos antepassados fizeram de Jerusalém

e

do teu povo objeto de zombaria11 para todos os que nos rodeiam.

9.17 °Nm 6.24-26; SI 80.19

9.18 "SI 80.14;

Hs 37.17; Jr 7.10-

12; 25.29

9.19 "SI 44.23

17 Ouve, nosso Deus, as orações e as súplicas do teu servo. Por amor de ti, Senhor, olha com bon­

dade0para“ o teu santuário abandonado.18 Inclina os teus ouvidos, ó Deus, e ouve; abre os teus olhos

e vêP a desolação da cidade que leva o teu nome.<i Não te fazemos pedidos por sermos justos, mas por

causa da tua grande misericórdia.19 Senhor, ouve! Senhor, perdoa!r Senhor, vê e age! Por amor de ti, meu Deus, não te demores, pois a tua cidade e o teu povo levam o teu nome.

As Setenta Semanas

9.20 *v. 3; S1145.18; Is 58.9

9.21 <0n 8.16;

Lc 1.19; "Êx 29.39

9.23vDn10.19;

LC1.28;

wDn 10.11,12;

Mt 24.15

«Is 53.10;

yls 56.1

20 Enquanto eu estava falando e orando, confessando o meu pecado e o pecado de Israel, meu

povo, e trazendo o meu pedido ao S e n h o r , o meu Deus, em favor do seu santo montes — 21 enquan­ to eu ainda estava em oração, Gabriel,* o homem que eu tinha visto na visão anterior, veio voando rapidamente para onde eu estava, à hora do sacrifício da tarde.u 22 Ele me instruiu e me disse: “Daniel, agora vim para dar a você percepção e entendimento.23 Assim que você começou a orar, houve uma resposta, que eu trouxe a você porque você é muito amado.v Por isso, preste atenção à mensagem para entender a visão:w

9.24 24 “Setenta semanas estão decretadas para o seu povo e sua santa cidade a fim de acabar com6 a

transgressão, dar fim ao pecado, expiar* as culpas, trazer justiça eterna,v cumprir a visão e a profecia,

e ungir o santíssimos

9.25 í d 4.24;

"Jo 4.25

9.26 "Is 53.8; "Na 1.8

25 “Saiba e entenda que, a partir da promulgação do decreto que manda restaurar e reconstruir2

Jerusalém até que o Ungido,3 o príncipe, venha, haverá sete semanas, e sessenta e duas semanas. Ela será reconstruída com ruas e murosá, mas em tempos difíceis . 26 Depois das sessenta e duas semanas,

o Ungido será morto,be já não haverá lugar para ele. A cidade e o Lugar Santo serão destruídos pelo

povo do governante que virá. O fim virá como uma inundação:0 guerras continuarão até o fim, e de­ solações foram decretadas. 27 Com muitos ele fará tuna aliança que durará uma semana. No meio da semana ele dará fim ao sacrifício e à oferta. E numa ala do templo será colocado o sacrilégio terrível, até que chegue sobre ele£o fim que lhe está decretado”.d

10.1 "Dn 1.21; 'Dn 1.7; 9Dn 8.26

A Visão do Homem Vestido de Linho

1

terce*ro ano de Ciro,e rei da Pérsia, Daniel, chamado Beltessazar,f recebeu uma revelação.

l

u

A

mensagem era verdadeiras e falava de uma grande guerraf. Na visão que teve, ele entendeu

a

mensagem.

2 Naquela ocasião eu, Daniel, passei três semanas chorando.113 Não comi nada saboroso; carne e

vinho nem provei; e não usei nenhuma essência aromática, até se passarem as três semanas.

10.4'Gn 2.14

10.516 9.2;

Ap 15.6; KJr 10.9 10.6'Mt 17.2; ■"Ap 19.12; "Ap 1.15

4 No vigésimo quarto dia do primeiro mês, estava eu em pé junto à margem de um grande rio, o

Tigre.15 Olhei para cima, e diante de mim estava um homem vestido de linho) com um cinto de ouro pu-

ríssimo1' na cintura.6Seu corpo era como berilo, o rosto como relâmpago,1os olhos como tochas acesas,m os braços e pernas como o reflexo do bronze polido,11 e a sua voz era como o som de uma multidão.

a 9 .1 7 Hebraico:/flze resplandecer-o teu rosto sobre.

b 9 .2 4 Ou p ara restringir.

c 9 .2 4 Ou o Lugar Santíssimo.

d 9 .2 5 Ou trincheiras.

e 9 .2 7 Ou sobre isso.

f 1 0 .1 Oufala v a de tempos difíceis.

9.18 A “cidade que leva o teu nome” é Jerusalém. 9 .20 O “santo monte” é Sião (ver “Zafom, Olimpo, Sinai e Sião: o mon­ te de Deus”, em SI 48). 9.24-27 “Setenta semanas” é uma expressão bastante aplicada a Dn 9.24-27, profecia que, presumivelmente em contraste com as profecias gerais em Dn 2 e 7, define o tempo exato dentro do quarto reino, quan­ do o Messias então apareceria. Quase todos os estudiosos concordam em que as “semanas” designam 490 anos. A profecia é 1) dividida — os períodos sucessivos são descritos como 7/62/1; 2) datada — “de” e “até” em 9.25; 3) determinante — seus propósitos consideram Israel (v. 24), a redenção (v. 24), o Messias (v. 24,26,27), os sacrifícios (v. 27) e Jerusa­ lém (v. 25-27); 4) debatida (ver em seguida). Três perspectivas primárias são sustentadas: 1) A perspectiva crítica sustenta que a “profecia” foi escrita por um pseudoDaniel em 165 a.C.

e sincroniza (de modo não exato) com a história entre 586 a.C. (a que­

2) a perspectiva dispensacionalista

considera a sexagésima nona semana encerrada antes da crucificação de Jesus, deixando a septuagésima semana (sendo a era presente um “gran­ de parêntese”) para ser cumprida na grande tribulação; 3) a perspectiva conservadora ou tradicional afirma que a septuagésima semana foi intro­ duzida pelo batismo de Jesus e dividida ao meio (três anos e meio) pela sua morte, levando assim ao término dos sacrifícios (v. 27).

10.1 A data é 537 a.C., o terceiro ano depois da conquista da Babilônia

da de Jerusalém) e 164 a.C. (Antíoco);

por Ciro, em 539 a.C. (ver nota em 1.1 relativa à computação dos anos do reinado de um rei).

10.3 Ver nota em 1.8.

1404

DANIEL

10.7

SÍTIOS

ARQUEOLÓGICOS

DANIEL 10 Persépolis (que significa "cidade persa”) era a capital dos reis aquemênidas (dinastia persa). Suas ruínas, conhecidas como Takht-i Jamshid, estão localizadas a nordeste de Shiraz, no Irã, a 226 quilôme­ tros do golfo Pérsico. Inscrições trilíngues no local informam as atividades de edificação de várias gerações de monarcas persas.’ Dario I (522-486 a.C.)2 deu início à cons­ trução da cidade depois de ter criado uma plataforma de 13,3 hectares, 12 metros acima da planície. Ele erigiu fortificações, uma escada monumental até a plataforma, um palácio, uma sala de audiências e outros

PERSÉPOLIS

edifícios. A sala de audiências, ou Apadana, empregou 72 colunas de pedra, cada uma com 20 metros de altura, das quais 13 ainda permanecem. Sua escada oriental estava ornamentada com imagens de delegações de persas, medos, egípcios, assírios, gregos e outros em suas vestimentas tradicionais, carregando tributos. Xerxes I, que reinou de 486 a 465 a.C., adicionou um palácio maior, o harém e a tesouraria. Começou a "sala do trono de 100 colunas" e construiu o "portão de To­ das as Nações", ornamentado com touros colossais, alados e com cabeças humanas.

Milhares de tabletes elamitas dos reina­ dos de Dario, Xerxes e Artaxerxes I3 foram recuperados da tesouraria, nos quais são descritos vários nomes judaicos, entre eles Baruque, Zacarias, Abias e Ezequi[as]. Ar- taxerees I (465-425 a.C.) completou a sala do trono, e Artaxerxes III (359-338 a.C.) acrescentou uma escadaria para o palácio de Dario. Alexandre, o Grande, destruiu a ci­ dade em 330 a.C., vingando a destruição de Atenas por Xerxes, em 480 a.C.4 Os sepulcros dos reis aquemênidas, escavados nas rochas de Naqsh-i Rustam, estão localizados 5,7 quilômetros ao norte da cidade.

'Ver "História persa antiga até Dario", em Et 1; e "História persa antiga de Xerxes em diante", em Et 1.

Pérsia", em Ed 7.

4Ver "Atenas", em At 18.

2Ver "Dario I", em Ed 5.

3Ver "Artaxerxes I, o rei da

7 Somente eu, Daniel, tive a visão; os que me acompanhavam nada viram ,0 mas foram tomados

10.7 »2Rs 6.17-20;

de tanto pavor que fugiram e se esconderam. 8Assim fiquei sozinho,P olhando para aquela grande visão; fiquei sem forças,'Q m uito pálido, e quase desfaleci/ 9 Então eu o ouvi falando e, ao ouvi-lo, caí prostrado com o rosto em terra, e perdi os sentidos.s

At 9.7

10.8 PGn32.24;

<€n 8.27; fHc 3.16 10.9 sDn 8.18

10.10 Ur 1.9;

“Ap 1.17

10 E m seguida, a mão de alguém tocou em mim* e me pôs sobre as m inhas mãos e os meus joelhos

vacilantes.1111E ele disse: “Daniel, você é m uito amado.v Preste bem

-se,w pois eu fui enviado a você”. Quando ele me disse isso, pus-me em pé, tremendo.

atenção ao que vo u falar; levante-

10.11 vDn 9.23;

*Ez2.1

12 E ele prosseguiu: “Não tenhá medo, Daniel. Desde o prim eiro dia em que você decidiu buscar en­

tendimento e humilhar-se* diante do seu Deus, suas palavras foram ouvidas, e eu vim em resposta a elas.y

13Mas o príncipe do reino da Pérsia me resistiu durante vinte e um dias. Então Miguel,z um dos príncipes supremos, veio em minha ajuda, pois eu fui impedido de continuar ali com os reis da Pérsia.14Agora vim explicar3a você o que acontecerá ao seu povo no futuro, pois a visão se refere a uma época fiitura”.b

10.12 *Dn 9.3;

vDn 9.20

10.13 ^v. 21;

Dn 12.1; Jd 9

10.14 aDn 9.22;

bDn 2.28; 8.26;

Hc2.3

15 Quando ele me disse isso, prostrei-m e com o rosto em terra, sem conseguir falar.016Então um

10.15 cEz 24.27;

ser que parecia homem" tocou nos meus lábios, e eu abri a m inha boca e comecei a falar.d Eu disse

àquele que estava em pé diante de m im : Estou angustiado*5por causa da visão, meu senhor, e quase desfaleço.17Com o posso eu, teu servo, conversar contigo, meu senhor? M inhas forças se foram, e mal posso respirar.f

Lc 1.20

10.16 dls 6.7;

Jr 1.9; Dn 8.15-18; els 21.3

10.17fDn 4.19

18 O ser que parecia hom em tocoufl em m im outra vez e me deu forças.19Ele disse: “Não tenha

10.18 9v. 16

medo, você, que é m uito amado. Que a pazh seja com você! Seja forte! Seja forte!”'

10.19 hjz 6.23;

Is 35.4; Us 1.9; ils 6.1-8

Ditas essas palavras, senti-me fortalecido e disse: Fala, meu senhor, visto que me deste forças.i

20 Então ele me disse: “Você sabe por que vim? Tenho que voltar para lutar contra o príncipe da

10.20 kDn 8.21;

Pérsia e, logo que eu for, chegará o príncipe da Grécia;k 21mas antes revelarei a você o que está escrito

no Livro da Verdade.1E nessa luta ninguém me ajuda contra eles, senão Miguel,mo príncipe de vocês;

11'

E,

no prim eiro ano de D ario,n rei dos medos, ajudei-o e dei-lhe apoio.

11.2

10.21 'Dn 11.2; -w.

13; Jd 9

11.1 nDn 5.31

Os Reis do Sul e os Reis do Norte

2 “Agora, pois, vou anunciar a você a verdade:0Outros três reis aparecerão na Pérsia, e depois virá

112 °Dn 10.21;

um quarto rei, que será bem mais rico do que os anteriores. Depois de conquistar o poder com sua

0 1 0 .1 6 Conforme a maioria dos manuscritos do Texto M assorético. Os manuscritos do m ar M orto e a Septuaginta dizem algo que se parecia com a m ão de um homem

pDn 10.20

DANIEL

11.25

1405

11.3 ® n 8.4,21

r iq u e z a ,

in s t ig a r á

t o d o s

c o n t r a

o

r e in o

d a

G r é c ia .P 3 E n t ã o

s u r g ir á

u m

r e i

g u e r r e ir o ,

q u e

g o v e r n a r á

11.4 Dn 7.2;

8.22

c o

m

g r a n d e

p o d e r

e

fa r á

o

q u e

q u i s e r .? 4 L o g o

d e p o is

d

e

e sta b e le c id o » , o

s e u

im p é r io

s e

d e s fa r á

e

s e r á

 

re

p a rtid o

e n tre

o s

q u a tro

v e n to s

d o

c éu .r N ã o

p a s sa rá

p a r a

o s

se u s

d e sce n d en te s, e

o

im p é rio

n ã o

se rá

p

o d e ro so

c o m o

a n tes, p o is

s e r á

d e sa rra ig a d

o

e

e n tre g u

e

a

o u tro s.

5

“ O

re i

d o

s u l

se

to rn a rá

fo rte,

m a s

u m

d o s

se u s

p rín c ip e s

se to rn a rá

a in

d a

m a is

fo rte

q u e

ele

e

g

o v e rn a rá

o

seu

p ró p rio

re in o

c o m

g ra n d e

p o d e r.

6 D e p o is

d e

a lg u n s

a n o s, eles

se

to rn a rã o

a lia d o s.

A

filh a

d o

re i d o

su l

fa rá

u m

tra ta d o c o m

o

re i

d o

n o rte ,

m a s

e la

n ã o

m a n te rá

o

seu

p o d e r,

ta m p o u c o

e

le

c o n s e r v a r á

o

dele*1. N a q u e le s

d ia s

e la

s e r á

e n tr e g u e

à

m o r t e ,

c o m

s u a

e s c o lta

r e a l

e

c o m

s e u

p a ic e

c