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Inquérito por Questionário

Processo de Recolha de
Dados

Abril de 2010

Investigação Educacional
Docente: Professora Alda Pereira

Trabalho realizado por:


Alice Cruz
Ana Maria Ataíde
Maria Filomena Lopes
Maria Serafina Roque Cabral
Maria Sousa
Mestrado em Supervisão
Pedagógica
Mestrado em Supervisão Pedagógica 2
Processo de Recolha de Dados

Índice

Índice..............................................................................................................2

Introdução......................................................................................................2

Fase de planificação.......................................................................................3

Fase de elaboração........................................................................................3

Fase de aplicação...........................................................................................6

Prevenção das não respostas.........................................................................6

Tipos de Questões..........................................................................................7

Métodos ou Técnicas de Amostragem............................................................8

1.Pontos fortes e pontos fracos de questionários.........................................10

Considerações finais.....................................................................................11

Referências bibliográficas:...........................................................................11

Introdução
Um questionário é um instrumento de investigação que utiliza processos de
recolha sistemática de dados, com vista a dar resposta a um determinado problema.
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Processo de Recolha de Dados

Baseia-se normalmente numa série de perguntas a serem aplicadas a uma amostra


representativa do grupo que se pretende estudar. Os dados recolhidos são de fácil
tratamento uma vez que as respostas, em particular as fechadas, permitem uma fácil
quantificação dos resultados e consequentemente a sua análise estatística resulta
facilitada.
Ao longo deste trabalho pretendemos intentar a construção de um esquema
gráfico exemplificativo do planeamento desta importante ferramenta de investigação,
nomeadamente em contexto educacional. Deste modo, procuraremos elencar e
sistematizar procedimentos e atitudes a ter em conta ao longo das sucessivas fases de
planeamento, construção e aplicação do questionário. Cumpre salientar que a
organização da informação em quadros-síntese tem subjacente uma intenção prática:
permitir uma consulta rápida e eficaz que, por seu turno, possibilite a aferição de
procedimentos a ter em conta na realização de um inquérito por questionário.

Fase de planificação
Antes da elaboração do questionário

Pensar cuidadosamente sobre a natureza da primeira


hipótese geral e nas variáveis e perguntas iniciais com ela
associadas.
Decidir o tipo de resposta desejável para cada pergunta
associada com a hipótese geral:
- Qualitativa descrita por palavras;
- Qualitativa escolhida pelo respondente;
Hipóteses e variáveis - Quantitativa apresentada em números;
- Quantitativa escolhida pelo respondente.
Decidir quais as técnicas estatísticas adequadas para testar a
hipótese e ter em atenção os pressupostos destas técnicas
(nominal, ordinal, de intervalo ou de rácio).
Listar todas as variáveis da investigação, partindo de um
olhar atento sobre as hipóteses gerais.
Redigir a hipótese operacional.
Identificar a população e a amostra
Planear as secções do questionário.
Questões Especificar o número de perguntas para medir cada variável.
Elaborar uma versão inicial para cada pergunta.

Fase de elaboração
Durante a elaboração do questionário
(O investigador deve ter alguns cuidados no(a))

Formulação das - Coerência intrínseca e organização coerente das questões;


- Organização clara e por temáticas;
questões
- Questões mais difíceis e melindrosas no final.
Escolha dos tipos de - Perguntas de identificação: Identificação do inquirido.
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Devem ter em atenção certos grupos sociais específicos


(idade, género, profissão, habilitações académicas, …);
- Perguntas de informação, têm como objectivo colher
dados sobre factos e opiniões do inquirido;
questão - Perguntas de descanso, por vezes sem tratamento
posterior, servem para mudar de assunto, fazer uma pausa,
introduzir questões mais difíceis;
- Perguntas de controlo, destinadas a verificar a veracidade
de outras perguntas inseridas noutra parte do questionário.
Contacto com o - Canais a seleccionar;
- Técnicas utilizar para evitar as não respostas;
inquirido
- Esforço para garantir a fiabilidade das respostas.
Questionários enviados por correio: acompanhados de
envelope para resposta, devidamente endereçados e selados;
- Por portador – este deve ser preparado previamente;
Escolha de canais de - Enviar por circuitos burocráticos;
- Via telemática - não é a via mais indicada uma vez que não
comunicação é acessível a todos, pondo em causa a representatividade das
respostas. Contudo, em questionários a amostras
intencionais é mais fácil uma vez que é possível obter as
respostas a questões específicas por um nº significativo de
utilizador destas redes telemáticas.
O questionário é um instrumento de investigação bastante
Fiabilidade fiável, contudo a opção por questões fachadas amplifica a
sua fiabilidade

Nota: Antes do questionário ser lançado deverá ser efectuado um trabalho de pré-
codificação de todas as respostas fechadas e um esboço de codificação das questões
abertas. Além disso, dever-ser-á efectuar uma primeira leitura de forma a verificar a
fiabilidade das respostas e codificar as que resultam de questões abertas.
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Antes da aplicação do questionário: Quanto às perguntas

- O número de questões deve ser adequado à pesquisa em


Reduzidas ao Q.B.
presença e não mais que esse quanto baste (Q.B.). Contudo,
(quanto baste)
devem abranger-se todos os pontos a questionar.
- Evitar que sejam ambíguas, indutíveis ou induzíveis.
- Evitar o uso de duplas negativas. Evitar, ainda,
indiscrições gratuitas, pois, estas podem ser dissuasoras da
resposta.
- Apresentar um n.º limitado de respostas típicas para
Tanto quanto possível escolher. O n.º de respostas não deve ser excessivo ou muito
fechadas reduzido.
- Instruções claras e precisas de resposta (colocar uma x).
Devem ser construídas perguntas de controlo.
- Quando se pede ao inquirido que ponha uma única cruz na
resposta correspondente à sua escolha, as repostas devem
ser mutuamente exclusivas.
- A pergunta deve formalizar uma interrogação, que seja
percebida pelo inquirido, mesmo que este não saiba
responder; no questionário poderá surgir a hipótese não sei.
Compreensíveis para os
- Devem ter-se em conta as características culturais e
respondentes
demográficas dos potenciais inquiridos para que eles
possam compreender o que estão a fazer. Usar linguagem
familiar e natural.
Antes da aplicação do questionário: Quanto à apresentação do questionário

Apresentação do - Conter elementos indispensáveis para credibilidade aos


investigador olhos do inquirido.
- Deve ser feita de forma clara e simples, mostrando o valor
Apresentação do tema que o inquirido pode trazer à investigação com as repostas
fornecidas.
- Deve ser boa para que as perguntas
Qualidade e cor do papel possam ser impressas no verso e reverso
da folha.
- Clara e adequada ao público-alvo. A
mancha gráfica deve ser aberta e
Disposição gráfica
visualmente atractiva.
e Difusão
- Deve acautelar-se a distribuição de um
envelope selado para as respostas.
- Deve ser reduzido ao mínimo.
N.º de folhas - É importante referir o tempo médio
previsto para a resposta.

NOTA: Devem ter-se em atenção dois critérios: clareza e rigor na apresentação e


comodidade para o respondente.
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Fase de aplicação
Durante a aplicação do questionário

Aplicação do questionário
Pré-testes Propriamente
A uma amostra
dito
aspectos:A 1.ª versão do questionário deve ser verificada tendo em atenção os seguintes

- Todas as questões são


compreendidas pelos inquiridos da
mesma forma, e da forma prevista
pelo investigador.

-As repostas alternativas às


questões fechadas cobrem todas as - Aplicado a uma
respostas possíveis. amostra de indivíduos
pertencentes à
-Não há questões inúteis,
população do inquérito
inadequadas à informação
(mas que não façam
pretendida, demasiado difíceis ou a
parte da amostraO questionário
que um grande número de pessoas
seleccionada) ou a uma deverá ser
se recusa a responder, por serem
população similar (no enviado e o
tendenciosas ou desencadeadoras
caso do questionário serinvestigador
de reacções de auto-defesa.
aplicado à totalidade dadeve ter o
-Não faltam perguntas relevantes. população considerada). cuidado de
controlar se
- A amostra deve ser este chegou
encorajada a fazer aos seus
observações e sugestões. destinatários.
- Após a análise das
respostas e sugestões
-Os inquiridos não julgam o proceder à redacção
questionário demasiado longo, definitiva.
aborrecido e difícil.

Nota 1: Esta verificação poderá permitir averiguar as condições em que o questionário


deverá se aplicado, a sua qualidade gráfica e a adequação da carta e das instruções que o
acompanham.
Nota 2: Com a aplicação inicial do inquérito a um pequeno grupo de pessoas que
conheçam o tema, acautelam-se a identificação dos problemas maiores e sugestões de
melhoria.

Prevenção das não respostas


Instruções
Natureza da Tipo de Sistema de
clara e Estratégias de reforço
pesquisa inquirido perguntas
acessíveis
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- Aumenta a taxa de
resposta o envio de
- Maior nível de - Aumenta a - Aumenta a
- Aumenta a cartas de anúncio do
habilitações taxa de taxa de
taxa de lançamento do
académicas resposta se as resposta se as
resposta se inquérito, assim como
responde com questões instruções
for útil para a garantia da
maior forem claras e preenchimento
o inquirido devolução dos
frequência objectivas. forem clara.
resultados do estudo
aos interessados.
Nota: A consideração dos aspectos elencados na tabela permite a prevenção de não
respostas.

Tipos de Questões
Na elaboração de um questionário devemos ter em conta dois tipos de questões:
as questões de resposta aberta e as de resposta fechada.
Nas questões de resposta aberta, os indivíduos constroem a resposta com
palavras próprias sendo-lhes dada liberdade de expressão.
Nas questões de resposta fechada, os inquiridos apenas têm de escolher a opção,
de entre as várias apresentadas, que mais se adequa à sua opinião.
Por vezes podem aparecer num mesmo questionário questões pertencentes aos
dois tipos referidos, considerando-se neste caso que é um questionário misto.
Tanto um tipo de questões como o outro apresentam vantagens e desvantagens.

TIPO DE
VANTAGENS DESVANTAGENS
QUESTÕES
- Respeita o pensamento livre e a
- Dificuldade em organizar e
originalidade;
categorizar as respostas;
- Origina respostas mais variadas,
- Requer mais tempo para
mais representativas e fiéis à
responder às questões;
opinião do inquirido;
- Frequentemente a caligrafia pode
- O inquirido concentra-se mais
Resposta ser ilegível;
sobre a questão;
aberta - Em caso de nível baixo de
- A maior vantagem para o
instrução dos inquiridos, as
investigador reside na recolha de
respostas podem não representar a
informação variada sobre o tema
opinião real do próprio.
em questão
- Rapidez e facilidade de resposta; - Dificuldade em elaborar as
Resposta - Maior uniformidade, rapidez e respostas possíveis a uma
fechada simplificação na análise das determinada questão;
respostas; - Não estimula a originalidade e a
- Facilidade na categorização das variedade de resposta;
respostas para posterior análise; - Não preza uma elevada
- Permite contextualizar melhor a concentração do inquirido sobre o
questão. assunto em questão;
- O inquirido pode optar por uma
resposta que se aproxima mais da
sua opinião não sendo esta uma
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representação fiel da realidade.

Métodos ou Técnicas de Amostragem


Métodos ou técnicas de Amostragem
SimplesAleatória Amostragem
Constituição das principais Amostras Casuais, Probabilísticas ou Aleatórias

- Método de selecção dos elementos da amostra, em que cada um deles tem uma
probabilidade igual de ser seleccionado do universo. As duas técnicas mais
vulgarmente utilizadas para escolher uma amostra aleatória simples são:
- Técnica da Lotaria
- Técnica da Tabela dos Números Aleatórios
SistemáticaAmostragem Aleatória

- Variante da amostragem aleatória simples que se usa quando os elementos da


população estão organizados de forma sequencial.
EstratificadaAmostragem

- Usa informação existente sobre a população para que o processo de


amostragem seja mais eficiente.
- As três etapas para se definir uma amostra estratificada são:
- definir os estratos;
- seleccionar os elementos dentro de cada estrato mediante um
processo aleatório simples;
- conjugar os elementos seleccionados em cada estrato, que na sua
totalidade constituem a amostra
- Útil quando o universo estatístico é formado por populações de grande
Clusterspor Amostragem

dimensão e dispersas por vastas áreas geográficas;


- Usa agrupamentos naturais de elementos da população, nos quais cada
elemento da população pertence a um só grupo. Para tal, é necessário que se
disponha de uma listagem completa das amostras primárias (por exemplo, as
turmas de uma escola);
- Os Clusters são escolhidos aleatoriamente e, dentro de cada Cluster todos os
elementos são seleccionados, ou seja, só existe uma etapa de amostragem.
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quando o utilizador pretende extrapolar com confiança para

ou Por EtapasMulti-Etápica Amostragem

- Selecciona-se em primeiro lugar, aleatoriamente, uma amostra por Clusters;


- Continua-se, por etapas, com a selecção de Clusters até se chegar às unidades
da amostra

elementares.
Preferíveis
o Universo os resultados obtidos a partir

ConveniênciaporAmostragem

- Ocorre quando a participação é voluntária ou os elementos da amostra são


Constituição escolhidos por uma questão de conveniência (os amigos e os amigos dos
das
principais
amigos);
Amostras Não - É mais útil para captar ideias gerais, identificar aspectos críticos do que
Casuais, Não propriamente a objectividade científica.
Probabilística
s
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por Quotas Amostragem


ou Não
Aleatórias

Muito úteis no
início de uma - Análogo ao método de amostragem estratificada, mas em vez de se escolher
investigação, uma amostra aleatória dentro de cada um dos estratos da etapa final, escolhe-se
para testar as uma amostra não aleatória do tamanho determinado pela fracção de amostragem.
primeiras
versões de um
questionário.

1. Pontos fortes e pontos fracos de questionários

Pontos fortes Pontos fracos

 São bons para medir atitudes  Normalmente são curtos;


e clarificar outros factores  Pode ocorrer ausência de
dos participantes na resposta em alguns itens;
investigação;  As pessoas que preenchem
 Baratos (especialmente os questionários podem
questionários enviados via e- não recordar informação
mail e questionários importante;
administrados a grupos);  Os níveis de resposta
 Podem fornecer informações podem ser baixos nos
sobre os modos de pensar dos questionários feitos via e-
participantes; mail e correio;
 Podem fornecer amostras de  Itens de resposta aberta
probabilidade; podem reflectir diferenças
 Podem ser ministrados a nas capacidades verbais, e
grupos; tornar pouco claras as
 Permitem que os respostas a itens
participantes mantenham o interessantes;
anonimato;  A análise de dados pode
 Validade de medição levar à perda de tempo nos
moderadamente elevada (i.e., itens abertos;
validade e fiabilidade  Há medidas que
elevadas) para questionários necessitam ser validadas.
bem construídos e válidos;
 Os itens fechados podem
fornecer a informação
quantitativa de que os
investigadores precisam;
 Itens abertos podem fornecer
informação detalhada por
meio das palavras dos
participantes;
 Os itens fechados permitem
uma análise simplificada dos
dados.
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Considerações finais
O questionário é um instrumento de recolha de dados, privilegiado pelo
paradigma positivista, que visa recolher informação por parte dos investigadores a partir
de um universo de respondentes, ou de uma amostra desse universo, sobre as suas
crenças, conhecimentos, valores ou convicções. Tanto as questões como as respostas
devem ser colocadas por escrito, o que, em parte, facilita a tarefa do investigador, uma
vez que não tem que perder tempo a fazer transcrições como acontece com a entrevista.
Como referem Hill & Hill, «É muito fácil elaborar um questionário mas não é
fácil elaborar um bom questionário» (2000: 83). Para ser devidamente validado, e para
que os dados sejam fiáveis, devem ser seguidas normas de substância e técnicas de
elaboração de questões que os estudos sobre esta matéria têm vindo a aprimorar, porque
apesar de ser um instrumento de simples análise e de recolha rápida de informação,
concebê-lo de modo rigoroso não é tarefa fácil. Uma vez que o questionário tem por
objectivo a recolha de dados que permitam testar as hipóteses, é importante que estas
estejam claramente definidas antes da sua concepção, dado que poderão "justificar o
trabalho da parte empírica da investigação" (Hill & Hill, 2005: 22).
É fundamental, na construção de um questionário, formular questões claras que
permitam o reconhecimento da fiabilidade dos dados, já que, como referem Ghiglione e
Matalon (2001), a existência tanto do erro como da ambiguidade levarão
inevitavelmente a conclusões erradas. Torna-se, por isso, importante redigir questões de
claro entendimento por parte dos respondentes. Segundo Ghiglione e Matalon (2001) a
escolha das questões depende de múltiplos factores, a saber: O tema e os objectivos da
investigação, a lógica e sequência do questionário, a capacidade para formular questões
fechadas, a capacidade de análise das variáveis em jogo ou ainda o impacto e/ou
expectativa do investigador face ao inquirido e vice-versa.
Todo o questionário deve ser previamente testado numa amostra que, de
preferência pertença ao universo que se pretende investigar, porque da sua aferição e
reformulação, caso seja necessária, resultam a validação do questionário definitivo e a
fiabilidade dos dados recolhidos.

Referências bibliográficas:
Carmo, Hermano, Ferreira, Manuela M. (2008). Metodologia da investigação – Guia
para Auto-aprendizagem. Lisboa: Universidade Aberta.
Ghiglione, R. & Matalon, B. (2001). O inquérito: teoria e prática. (4ª ed.). Oeiras:
Celta Editora.
Hill, M.M.; Hill, A. (2002): Investigação por Questionário. Lisboa: Edições Sílabo.
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Educational Research – Disponível online em


http://www.southalabama.edu/coe/bset/johnson/dr_johnson/2lectures.htm, Acedido em
20/04/2010.