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Estudo de Caso sobre Técnicas de Previsão

Data de entrega: No dia da N2. O trabalho vale 3 pontos da N2. Grupo de no máximo 2 pessoas.

CASO 1 – A indústria automobilística brasileira

Com a chegada da Ford e da GM no Brasil, a indústria automobilística do país começou a engatinhar. A primeira a se instalar foi a Ford, em 1919, seguida da GM que, em 1925, teve seu primeiro veículo montado em terras nacionais. Com uma produção muito pequena, os automóveis vinham dos Estados Unidos da América encaixotados em kits, e eram apenas montados no país. Porém, somente após os anos de 1950 ocorreu, de fato, a implantação da indústria automobilística, quando a Volkswagen, e não as norte-americanas Ford e GM, implantou o pleno potencial da produção em massa no Brasil, sem passar nem mesmo pelo sistema de produção artesanal.

A Kombi foi o primeiro veículo brasileiro produzido pela Volkswagen, com cerca de 50% das peças

produzidas no país. Com arrojo, pioneirismo e por meio de grandes investimentos, a montadora lançou, em 1959, o Fusca, que já em 1961 era produzido com 95% de peças nacionais. A empresa alcançou um grande sucesso no mercado nacional (entre os automóveis de passageiros), do qual chegou a representar, em 1968, 76 por cento.

Aos poucos, as empresas americanas foram reagindo, mas não chegaram a ameaçar o amplo domínio da Volkswagen em um mercado que chegou a crescer 20 por cento ao ano, em seus dois períodos de boom: de 1961 a 1967 e de 1968 a 1975. A década de 1970, com a entrada da Fiat em 1973, marcou, então, a consolidação das quatro grandes montadoras que dominam o mercado até os dias de hoje: VW, Ford, GM e Fiat. No setor de caminhões e ônibus, juntaram-se a Mercedes, a Volvo e a Scania.

Os investimentos na indústria de base durante o segundo governo de Getúlio Vargas (de 1951 a 1954), com a construção da CSN, da Petrobras e de outras, foram fundamentais para a constituição da indústria automobilística do Brasil. No entanto, a falta de fornecedores de autopeças, um setor que ainda estava se desenvolvendo, obrigou as montadoras a adotarem práticas de verticalização mais intensas que nas próprias matrizes.

Até a década de 1990, a indústria automobilística nacional permaneceu praticamente estagnada. É bem verdade que a indústria de autopeças se desenvolveu; as montadoras incentivaram muitos de seus parceiros nos países de origem a montarem suas empresas no Brasil. Porém, a maior parte delas dependia das tecnologias importadas e dos desenhos e especificações das montadoras para criar capacitação tecnológica no país. Ou seja, apesar do surgimento de fornecedores de autopeças, o nível de verticalização das montadoras permaneceu muito elevado devido, principalmente, à falta de uma rede de suprimentos confiável. Apenas operações pouco complexas eram terceirizadas.

Foi a partir dessa década, no entanto, sob o impacto da abertura do mercado, que a indústria automobilística brasileira se viu pressionada, devido à entrada dos concorrentes estrangeiros. Um número crescente de carros importados passou a circular pelas ruas do país e marcas de várias nacionalidades, como Audi, Toyota, Honda, Nissan, Volvo, Citröen, Peugeot e Renault, passaram a fazer frente aos veículos fabricados no Brasil. Isso deixou claro que o longo período de estagnação

da indústria automobilística brasileira influenciou a competitividade do produto nacional: o design e

a qualidade do veículo importado eram visivelmente superiores e os índices de produtividade da

indústria nacional eram infinitamente inferiores aos alcançados nos EUA e no Japão. Além de estarem perdendo mercado para os importados, várias empresas começaram a anunciar investimentos em novas fábricas no Brasil, o que mostrava que o país era um mercado promissor.

Observou-se, então, uma forte concentração de esforços no intuito de melhorar a qualidade do automóvel de fabricação nacional. As indústrias procuraram se adequar ao padrão de eficiência e qualidade estabelecido pelas empresas japonesas do setor, cujas técnicas industriais foram incorporadas ao dia-a-dia das empresas brasileiras. A produção enxuta, incluindo todos os instrumentos e técnicas a ela associados, como o just-in-time, trabalho em equipe, qualidade total (TQM) e certificações segundo normas internacionais de qualidade, passou a fazer parte do cotidiano das empresas nacionais.

O ambiente de intensa competitividade obrigou a indústria automobilística brasileira a se

reestruturar. A opção pelo global sourcing foi a primeira alternativa estratégica para que as empresas pudessem comprar peças de melhor qualidade por um preço competitivo. Para acelerar esse processo de reestruturação, muitas empresas iniciaram programas de terceirização, downsizing e management-by-out (sub-contratação de serviços de ex-funcionários), entre outros.

Enquanto a indústria de autopeças vive uma transformação radical nos últimos anos, que envolve o

fechamento de um número significativo de fábricas e a mudança de propriedade de outras – o que deixa transparecer uma tendência à concentração e uma consolidação de uma transferência desse setor para o mercado exterior, a indústria automobilística brasileira vive um momento de grande euforia, com recordes de produção e vendas sendo quebrados mês a mês, conforme apresentado nas tabelas a seguir. O bom momento do país, a estabilidade econômica, a expansão da massa salarial e

do crédito fazem com que os gestores dessa indústria invistam cada vez mais na modernização e no

aumento da capacidade produtiva instalada. Empresas como a Fiat, a VW, a Gm e a Renault anunciam, frequentemente, novas contratações. A Anfavea (Associação Nacional de Fabricantes de

Veículos Automotores) aponta que a expectativa do setor é de crescimento da produção e aumento no nível de emprego. No entanto, alguns riscos começam a rondar o mercado brasileiro, especialmente com a expectativa de que este viverá uma crise.

A seguir

Licenciamento e Exportação de Autoveículos:

serão

apresentados

alguns

dados

da

industria

Brasileira

em

relação

à

Produção,

Tabela 1 Produção, licenciamento e exportação da indústria brasileira (autoveículos).

Ano

Produção

Licenciamento

Exportação

1957

1.166

1.172

-

1958

3.831

3.682

-

1959

14.495

14.371

-

1960

42.619

40.980

-

1961

60.205

60.132

1962

83.876

83.541

1963

94.764

94.619

1964

104.710

103.427

1965

113.772

114.882

1966

128.821

127.865

1967

139.260

139.211

1968

165.045

164.341

1969

244.379

241.542

3

1970

306.915

308.024

52

1971

399.863

395.266

656

1972

471.055

457.124

6.611

1973

564.002

557.692

13.891

1974

691.310

639.668

47.591

1975

712.526

661.332

52.629

1976

765.291

695.207

62.079

1977

732.360

678.824

56.636

1978

871.170

797.942

77.388

1979

912.018

828.733

76.486

1980

933.152

793.028

115.482

1981

585.834

447.608

157.228

1982

672.589

556.229

120.305

1983

748.371

608.499

132.804

1984

679.386

532.235

151.962

1985

759.141

602.069

160.626

1986

815.152

672.384

138.241

1987

683.380

410.260

279.530

1988

782.411

556.744

226.360

1989

730.992

566.582

164.885

1990

663.084

532.906

120.377

1991

705.303

597.892

127.153

1992

815.959

596.964

243.126

1993

1.100.278

903.828

249.607

1994

1.248.773

1.127.673

274.815

1995

1.297.467

1.407.073

189.721

1996

1.458.576

1.405.545

211.565

1997

1.677.858

1.569.727

305.647

1998

1.254.016

1.211.885

291.788

1999

1.109.509

1.011.847

204.024

2000

1.361.721

1.176.774

283.449

2001

1.501.586

1.295.096

321.490

2002

1.520.285

1.218.546

369.925

2003

1.505.139

1.168.681

440.957

2004

1.862.780

1.258.446

603.052

2005

2.011.817

1.369.182

684.260

2006

2.092.003

1.556.220

635.851

2007

2.391.354

1.975.518

588.346

2008

2.545.729

2.193.277

558.207

Fonte: Anfavea - Anuário da indústria automobilística brasileira

Pede-se:

Analisar os dados da Tabela 1 e fazer uma previsão para os próximos 03 anos (2009, 2010 e

2011) em relação à produção, licenciamento e exportação de autoveículos. Aplique os diversos métodos de previsão existentes. Qual é em sua concepção o método mais adequado? 2) Acesse o site da Anfavea (www.anfavea.com.br/anuario.html) e obtenha os dados reais os anos 2009, 2010 e 2011 (páginas 59, 63 e 75). Faça uma comparação com o previsto no item anterior. 3) Quais os aspectos econômicos deveriam ser levados em consideração no desenvolvimento de um modelo de previsão de demanda para a indústria automobilística?

1)

Tabela 2 Licenciamento de veículos novos no ano de 2010

 

Jan. 10

Fev. 10

Mar. 10

Abr. 10

Mai. 10

Jun. 10

Jul. 10

Automóveis

213.312

220.957

353.738

277.843

251.087

262.758

302.332

Fonte: Anfavea

4) Com os dados da Tabela 2, faça uma previsão do licenciamento de automóveis para os 12 meses de 2010. Qual é em sua concepção o método mais adequado? Depois de fazer os cálculos, acesse o site da Anfavea (http://www.anfavea.com.br/tabelas2010.html) e verifique os dados reais de licenciamento para esse ano.