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Prefeitura Municipal de Santos

ESTÂNCIA BALNEÁRIA
SECRETARIA DE EDUCAÇÃO
DEPARTAMENTO PEDAGÓGICO

“Na
cadência
bonita do
samba...”

DEPED/SEDUC
2006
1
Sumário

História do samba................................................04
Reconhecimento...................................................04
Hora da revalorização............................................05
Samba-canção.....................................................06
Primórdios da bossa..............................................07
Samba de breque..................................................07
Samba-rock.......................................................08
Reconexão........................................................08
Samba-enredo.....................................................09
Protesto.........................................................09
Samba-duro.......................................................10
Permeando a MPB..................................................10
Pagode...........................................................11
Nomes novos nas paradas .........................................12
Linha de montagem................................................12
Alguns dos principais sambistas de todos os tempos...............13
Alguns instrumentos de percussão utilizados no samba.............15
Referências Bibliográficas.......................................16

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3
História do samba

Mário de Andrade, grande historiador da nossa música popular, afirma


que "os portugueses fixaram o nosso tonalismo harmônico, nos deram a
quadratura estrófica e provavelmente a síncope que nós nos encarregamos de
desenvolver ao contato com a pererequice rítmica do africano”.

As origens do samba vieram do Batuque, que era o ato de bater com


ritmo, de fazer batucada a uma música, com instrumentos de percussão, de
ritmo monótono e constante para acompanhar a dança. Mas a controvérsia é
formada, pois muitos dizem que o samba não se originou do batuque. Diz-se
que o termo veio da África, mas a etimologia veio de Portugal, como nos
afirma Macedo Soares. Porém Mário Andrade nos diz que talvez o samba surgiu
de uma variação do Batuque que veio a ser chamado inicialmente de SEMBA.

Gênero básico da MPB, o samba tem origem afro-baiana de tempero


carioca. Ele nasceu nas casas das "tias" baianas da Praça Onze, no centro
do Rio (com extensão à chamada “pequena África”, da Pedra do Sal a Cidade
Nova), descendente do lundu, nas festas dos terreiros entre umbigadas
(semba) e pernadas de capoeira, marcado no pandeiro, prato-e-faca e na
palma da mão. Embora antes de Pelo Telefone, assinada por Ernesto dos
Santos, o Donga (com Mauro de Almeida) em 1917, outras gravações tenham
sido registradas como samba, foi esta que fundou o gênero — apesar da
autoria discutida e da proximidade com o aparentado maxixe. Também nesse
estilo ambíguo são as principais composições de José Barbosa da Silva, o
Sinhô, auto-intitulado "o rei do samba", que, junto com Heitor dos
Prazeres, Caninha e outros pioneiros, estabelece os primeiros fundamentos
do setor, que ganharia uma feição mais definitiva com a
chamada "turma do Estácio".
Formada por Alcebíades Barcellos, o Bidê, Armando
Marçal, Newton Bastos e Ismael Silva e mais os malandros
Babaçu, Brancura, Mano Edgar, Mano Rubem (uma abordagem bem
anterior aos manos do hip hop), essa corrente injeta uma
cadência mais picotada no samba e tem o endosso de filhos da
classe média como o ex-estudante de medicina Noel Rosa e o
ex-estudante de direito Ary Barroso, que redimensionam o
estilo por meio de obras memoráveis. Com a explosão da era do
rádio a partir dos anos 30, o samba ganha enorme difusão por
meio de cantores como Francisco Alves, Orlando Silva, Silvio
Caldas, Mário Reis, Carmen Miranda — que consegue projetá-lo
Ismael Silva internacionalmente a partir do cinema — e, mais adiante,
Dalva de Oliveira, Aracy de Almeida, Elizeth Cardoso, entre
outros.
Novas adesões como a do refinado baiano Dorival Caymmi, além das
harmonias elaboradas de Custódio Mesquita, o molejo de Pedro Caetano, o
figurino tropicalista de Assis Valente, a sobriedade de Sinval Silva, o
populismo luxuoso de Herivelto Martins e o sotaque interiorano arrastado de
Ataulfo Alves conduzem o samba para outros caminhos já ao sabor da
indústria musical. A ideologia do Estado Novo de Getúlio Vargas contamina o
cenário e, do malandro convertido (O Bonde São Januário, de Ataulfo e
Wilson Batista) chega-se ao samba-exaltação, cujo carro-chefe, Aquarela do
Brasil, de Ary Barroso, torna-se o primeiro hino brasileiro no exterior.

Reconhecimento

Empurrada pela especulação imobiliária, a Pequena África já se


espalha por diversos morros e primitivas favelas de onde brotam novos
bambas, como Cartola, Carlos Cachaça e, posteriormente, Nelson Cavaquinho e
Geraldo Pereira, na Mangueira, Paulo da Portela, Alcides Malandro
Histórico, Manacé e Chico Santana, na Portela, Molequinho e Aniceto do
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Império Serrano, entre inúmeros outros. O samba ganha status de identidade
nacional pelo reconhecimento de intelectuais como Villa-Lobos, que organiza
uma histórica gravação com o maestro erudito americano Leopold Stokowski no
navio Uruguai, em 1940, de que participam Cartola, Donga, João da Baiana,
Pixinguinha e Zé da Zilda.
Depois da fundação da Deixa Falar, por Ismael, em 1928, a partir da
reunião de blocos do Estácio, o fenômeno das escolas de samba toma conta do
cenário. E propulsiona subgêneros, do partido-alto cantado como desafio nos
terreiros ao samba-enredo, trilha para desfile das agremiações. Iniciadas
nos moldes dos ranchos, as escolas — Mangueira, Portela, Império e
Salgueiro e depois Mocidade Independente, Beija-Flor e Imperatriz
Leopoldinense — cresceriam até dominar o carnaval, transformando-se em show
bizz, com forte impacto no movimento turístico.
As concentrações urbanas que provocaram o aparecimento das primeiras
danceterias populares, as gafieiras, também produzem seu estilo próprio, o
samba-choro ou samba-de-gafieira, crivado de síncopas. Viceja ainda, desde
a década de 30, o samba-de-breque — com pausas preenchidas por falas — que
consagraria o personagem malandro criado por Moreira da Silva e o samba-
canção, mais lento, a partir de Ai, Ioiô (Linda flor) por Araci Cortes, em
1929, posteriormente influenciado pelo bolero com enredos sentimentais de
que seria expoente o gaúcho Lupicínio Rodrigues. Em outras praças, como São
Paulo, onde pontificaria o satírico Adoniran Barbosa, ou Bahia, terra dos
enredos tristes de Batatinha, o samba incorporava sotaques regionais.
Após a Segunda Guerra, a influência cultural americana motiva o
aparecimento da bossa nova, um modo diferente de dividir o fraseado do
samba, agregando influências do impressionismo erudito e do jazz,
inaugurado por João Gilberto, Tom Jobim e Vinicius de Moraes, após
precursores como Johnny Alf, João Donato e músicos como Luís Bonfá e
Garoto. O movimento teria toda uma geração de discípulos como Carlos Lyra,
Roberto Menescal, Durval Ferreira e grupos como Tamba Trio, Bossa 3, Zimbo
Trio e os pioneiros vocais Os Cariocas. Na mesma época, um ramal popular
turbinado conhecido por sambalanço projetava o teleco-teco de Elza Soares,
Miltinho, Luis Bandeira, Ed Lincoln, Luis Antonio, Djalma Ferreira e
vários. Dissidências internas na bossa geraram os afro-sambas de Baden
Powell e Vinicius de Moraes. Além disso, parte do movimento (re)aproximou-
se do samba tradicional, revalorizando sambistas ditos "de morro" como o
portelense Zé Kéti, Cartola, Nelson Cavaquinho, Elton Medeiros e mais
adiante Candeia, Monarco, Monsueto e o iniciante Paulinho da Viola.
O show Rosa de Ouro, do produtor Hermínio Bailo de Carvalho, revela,
além da dama do teatro de revista Araci Cortes, Clementina de Jesus, elo
perdido das origens afro do samba. A exemplo de seu xará Paulo Benjamim de
Oliveira da mesma escola Portela – que intermediou as
relações do morro com a cidade quando o samba era
perseguido – Paulinho da Viola, com sua pegada autoral
mesclada ao choro, se transformaria num embaixador do
gênero tradicional diante do público mais vanguardista,
incluindo os tropicalistas. Também no interior da bossa
apareceria um modificador do samba, Jorge Ben com seu
estilo "misto de maracatu" e uma inclinação para o rhythm &
blues americano, que mais adiante suscitaria o aparecimento
de um subgênero apelidado suingue. Paulinho da Viola

Hora da revalorização

A princípio afastado do foco principal na era universitária dos


festivais, o gênero teria sua revanche num certame específico, a Bienal do
Samba, e veria no final dos 60 o aparecimento do divisor de águas Martinho
da Vila. Além de popularizar o partido-alto (Casa de Bamba, Pequeno
Burguês), este fluminense de Duas Barras compactou o samba-enredo – forma
consagrada por autores como Silas de Oliveira e Mano Décio da Viola –
ampliando sua potencialidade no mercado. No começo dos anos 70, novo surto
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de revalorização do samba projetaria com altas vendagens três divas
Alcione, Beth Carvalho e Clara Nunes, além do cantor Roberto Ribeiro e dos
compositores João Nogueira, Nei Lopes e Wilson Moreira. Descendente dos
estilos de violão de Gilberto Gil (que endereçou o petardo Aquele Abraço
para a ditadura) , Baden Powell e Dorival Caymmi, João Bosco em dupla com o
poeta Aldir Blanc, renovaria o samba tradicional (inclusive o de enredo),
algo que Aldir continuaria a fazer com novos parceiros como Guinga e Moacyr
Luz, na década de 90. Ainda no fim dos anos 70, Beth Carvalho começaria a
freqüentar rodas de samba do bloco Cacique de Ramos, onde descobriria o
emergente movimento do pagode, desvelado em seu disco “De Pé no Chão”, de
1978.
Este ramal do samba, movido a partido-alto, pontuado
pelo banjo e pela percussão do tantã, seria uma resposta
ao ocaso do samba no início dos 80, que obrigaria os
participantes a reunirem-se em fundos de quintal para
mostrar suas novas composições diante de uma platéia de
vizinhos. Os primeiros discos solos desses pagodeiros
saíram em plena redistribuição de renda do Plano Cruzado e
projetaram de imediato as artes de Zeca Pagodinho (o único
que se firmaria ao fim da onda inicial), Almir Guineto,
Jovelina Pérola Negra e o Grupo Fundo de Quintal, que
revelaria ainda a dupla Arlindo Cruz e Sombrinha. Também
partideiro, o pernambucano Bezerra da Silva nesse mesmo
período emplacaria seus sambandidos com enredos que
documentam a guerra civil da sociedade partida.
O rótulo pagode seria usado também na década seguinte
para denominar uma espécie de samba-pop inspirado na
balada romântica que geraria – a partir do sucesso de
Cavaco-banjo
grupos como o Raça Negra, Negritude Jr., Art Popular e Só
Pra Contrariar – o aparecimento de um número incalculável
de clones com diferentes graduações de proximidade com o samba de raiz. O
tronco principal, no entanto, sobrevive alimentado pela revalorização de
antigos bambas ainda em atividade, como Nelson Sargento, Monarco, Noca da
Portela, Wilson das Neves, Walter Alfaiate e as Velhas Guardas da Portela
(vide o recente disco Tudo Azul produzido por Marisa Monte) e Mangueira,
além do trabalho persistente de ativistas como Nei Lopes, Luis Carlos da
Vila e Wilson Moreira.

Segundo Mário de Andrade:

Samba: dança de salão, aos pares, com acompanhamento de canto, em compasso


2/4 e ritmo sincopado. Dança de roda.

Lundu: canto e dança populares no Brasil durante o séc. XVIII, introduzidos


provavelmente pelos escravos de Angola.

Maxixe: dança e canto populares em voga no Brasil no final do século XIX e


início do séc. XX. Fusão da habanera, pela rítmica, e da polca, pela
andadura, com adaptação da síncopa afro-lusitana.

Modinha: canto de salão, urbano, conhecido tanto no Brasil quanto em


Portugal.

Choro: conjunto musical livre, de função puramente musical, composto de


pequeno grupo de instrumentos solistas, exercendo o resto do conjunto uma
função acompanhante, antipolifônico, de caráter puramente rítmico-harmônico.

Samba-canção

O marco inaugural deste samba ralentado, sentimental, com menos


batuque, predomínio melódico e maior parentesco com a modinha e a seresta
(e depois o bolero) é nítido: a composição Ai, Ioiô (Linda Flor) que leva
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três assinaturas, a do compositor Henrique Vogeler e dos letristas Marques
Porto e Luiz Peixoto. A música tinha sido lançada em duas ocasiões
anteriores com outras letras & letristas e os títulos de Linda Flor
(gravada por Vicente Celestino) e Meiga Flor (por Francisco Alves). Mas só
na última versão, reescrita por exigência da diva do teatro de revista
Araci Cortes (que a gravaria com sucesso em 1929), ela faria enorme
sucesso, contribuindo para a fixação do gênero.
Praticado por autores tão diversificados quanto Ary Barroso (que o
tratava com desprezo apesar de ter composto duas obras-primas no ramo,
Risque e Folha Morta), teria seu apogeu nas décadas de 40 e 50. Seu
conteúdo melancólico (que mais tarde incorporaria a palavra fossa) serviria
ao romantismo descabelado do sambolero (de expoentes como o brega Adelino
Moreira) como o Molambo (de Jaime Florence, o Meira), cujo intérprete,
Roberto Luna, literalmente descabelava-se ao cantar. Nelson Gonçalves
angariou um milhão de ouvintes no incipiente mercado brasileiro de 1957
para a pungente história de A Volta do Boêmio.

Primórdios da bossa

Paradoxalmente, o mesmo estilo daria base para os altos vôos


harmônicos da bossa nova, tendo sido utilizado nas primeiras composições de
Tom Jobim, como Incerteza, Faz uma Semana, Pensando em Você e Tereza da
Praia. Precursores do movimento como os cantores Dick Farney (Marina,
Copacabana), Doris Monteiro (Se Você Se Importasse), Nora Ney (Ninguém Me
Ama, De Cigarro em Cigarro, Menino Grande) e compositores como Garoto (Duas
Contas), Valzinho (Doce Veneno), Dolores Duran (Castigo, Fim de Caso, A
Noite do Meu Bem, Por Causa de Você, esta em parceria com Tom Jobim) e Tito
Madi (Não Diga Não, Cansei de Ilusões) adotaram o estilo como plataforma
intimista para desvincular-se da eloqüência rítmica do samba tradicional.

Samba-de-breque

Derivado do picote rítmico do samba-choro, o samba-de-


breque foi popularizado pelo cantor (Antonio) Moreira da
Silva, um carioca da Tijuca, nascido em 1902, num episódio
que se tornou lendário. Moreira, que começou com voz
empostada candidatando-se a um lugar no pódio ocupado pelos
grandes (Chico Alves, Orlando Silva, Silvio Caldas), foi
cantar o samba Jogo Proibido (de Tancredo Silva, Davi Silva
e Ribeiro da Cunha) no Cine-Teatro Meier, numa noite de
abril de 1936, e inseriu versos improvisados nos
intervalos. A iniciativa fez sucesso e Moreira começou a
ampliar seus apartes a ponto de o violonista Frazão, que
Moreira da Silva atuava em seu grupo, reclamar: "Estou acostumado a
acompanhar música e não conversa". A radicalidade do corte introduzido por
Moreira – que chega a parar a melodia para inserir um discurso, como no
caso de Na Subida do Morro – foi, sem dúvida, um marco divisório do gênero
e acabou transformando o intérprete em seu ícone, completado pela imagem de
malandro à antiga, envergando um terno de linho, chapéu de palhinha e ginga
constante.
Mas, na verdade, a inclusão de um breque (do inglês break, freio),
ainda que embutido no samba, vem de antes, como lembra o próprio biógrafo
de Moreira, Alexandre Augusto em O Último dos Malandros (Editora Record,
1996). Composições como Minha Palhoça (“lá tem troça/ se faz bossa”), de J.
Cascata, e até O Orvalho Vem Caindo (“... guarda civil/ que o salário ainda
não viu”) de Noel Rosa e Kid Pepe, ambas de 1933, tinham suas freiadas,
ainda que fossem apenas uma “arrumação do carro” da melodia para onde todos
retornavam. Algo que desembocaria em sambas sincopados de Geraldo Pereira,
craque em acoplar frases ao recorte melódico como em Escurinho ("já foi no
Morro do Pinto/ acabar com o samba"), em que o espaço aberto parece a conta
de um comentário de trombone.
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Outros cantores também gravaram sambas de breque como o rival de
Moreira, Jorge Veiga, o paulista Germano Mathias e até o baiano Gilberto
Gil. Especialista em todas as modalidades de samba, Nei Lopes não deixaria
de colocar sua marca de artífice numa parceria com João Nogueira (Baile no
Elite), além de dedicar um CD abrangendo o tema em Sincopando o Breque.
Moreira da Silva ainda dividiu shows com o tropicalista Macalé, a quem
chegaria a chamar de herdeiro – e que descreve em Tira os Óculos e Recolhe
o Homem as confusões em que ambos se meteram numa excursão. Com alguma boa
vontade, podem-se ouvir ecos do gênero até mesmo em Você Não Soube Me Amar,
mega sucesso da Blitz que inauguraria o BRock dos anos 80.

Samba rock

"Quando eu inventei essa batida, chamava de sacundin


sacunden, depois, na época da jovem guarda, virou jovem
samba, e, mais tarde, sambalanço", disse certa vez Jorge
Ben Jor, ao explicar as origens daquilo que ficaria
conhecido, a partir dos anos 70, como suingue ou samba-rock
(termo que, aliás, ele não endossa). O fato é que,
inspirados por sua batida peculiaríssima, uma série de
artistas passou a adaptar o samba, que era tradicionalmente
tocado em compasso binário (2/4), ao compasso quaternário
(4/4) do rock e da soul music. Ao mesmo tempo, eles se
Jorge Ben Jor apropriaram dos instrumentos elétricos das bandas da jovem
guarda para tocar o velho balanço em novo estilo. Jorge Ben
Jor, novamente, teve a primazia nesse campo, fazendo-se acompanhar dos
Fevers em seu disco de 1967, O Bidu – Silêncio no Brooklin.
De quebra, ainda forneceu repertório para as bandas de rock que se
aventuraram pelo samba, como é o caso dos Mutantes (em A Minha Menina, no
seu disco de estréia) e os Incríveis (em Vendedor de Bananas). Ainda no fim
dos anos 60, outros exemplos de como o samba poderia caber na moldura
rítmica do rock-soul: a Pilantragem de Carlos Imperial e Wilson Simonal
(que fez de País Tropical, de Jorge Ben Jor, um de seus cavalos de batalha)
e a farra orquestral do maestro Erlon Chaves (que concorreu em 1970, no V
Festival Internacional da Canção, da Rede Globo, cantando Eu Quero Mocotó,
também de Jorge, acompanhado por sua Banda Veneno).
Nos anos 70, a voz potente de Tim Maia popularizaria o samba-soul,
emplacando dois sucessos nesse estilo: Réu Confesso e Gostava Tanto de
Você. Jorge Ben Jor teve uma queda para o funk a partir do disco A Banda do
Zé Pretinho (1978), mas artistas por ele diretamente influenciados seguiram
a sua orientação anterior, com muito sucesso em bailes do subúrbio carioca.

Reconexão

Revelada no começo dos anos 80, a diva do soul brasileiro, Sandra de


Sá, teve um flerte com a cena do suingue com as músicas Olhos Coloridos e
Enredo do Meu Samba (de Jorge Aragão e Dona Ivone Lara, que por sinal teria
um sucesso de samba-rock em dueto com Jorge Ben Jor, Sorriso Negro, de
Adilson Barbado e Jorge Portela). Restrito aos bailes, o samba-rock pouco
avançou em termos de reconhecimento nos anos 80, exceto pela reconexão de
samba e rock ensaiada pelo roqueiro Lobão em sua parceria com o sambista
Ivo Meirelles (que, mais tarde, daria origem ao projeto Funk'n'Lata de Ivo)
e pela homenagem feita por Lulu Santos no disco Popsambalanço e Outras
Levadas, de 1989.
No fim dos anos 80, o circuito paulistano do samba se encarregaria de
recauchutar a idéia sambalanço em um formato mais pop. Instrumentos
eletrônicos de um lado, os velhos cavaquinhos, surdo, pandeiro e tantã de
outro, surgiam nomes de grande sucesso como Raça Negra, Eliana de Lima e
Negritude Júnior. Inicialmente voltados para uma diluição das raízes do
samba em música pop de gosto duvidoso, esses artistas acabaram por dar
origem a um termo pejorativo, o pagode paulistano, também conhecido como
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samba mauriçola (por causa da insistência dos integrantes dos grupos em
usar blazeres, calças sociais e cordões de ouro).
Alguns deles, porém, chegaram a retomar as referências do samba-rock,
como é o caso do Art Popular (na música Agamamou) e o Molejo (Samba Rock do
Molejão). Na periferia de São Paulo, ao longo dos anos 90, os bailes
continuavam tocando as velhas músicas, que apareciam aqui e ali em
coletâneas piratas vendidas em lojas do centro da cidade. Enquanto isso,
uma banda da periferia recriava o samba-rock, com fartas e equilibradas
doses dos dois ingredientes: os Virgulóides, que estouraram em 1997 com a
música Bagulho no Bumba, um poderoso cruzamento de guitarras, cavaquinho e
batuques.

Samba-enredo

"No começo não havia samba enredo, o mais cantado na quadra era o que
valia para o desfile", informa um mestre da matéria, o portelense Jair de
Araújo Costa, o Jair do Cavaquinho. Em 1962, por sinal, ele projetou-se por
meio de um samba de quadra em sua escola, Meu Barracão de Zinco, gravado
com sucesso por Jamelão. A pré-história do gênero, no Rio de Janeiro, foi
marcada por sambas de Cartola e Carlos Cachaça na Estação Primeira de
Mangueira como Pudesse meu Ideal, de 1932 ou Homenagem (só de Cachaça) do
ano seguinte, um dos primeiros a incluir personagens da história do Brasil.
Cartola e Cachaça emplacariam ainda um segundo lugar para a verde-e-rosa no
desfile de 1936 com O Destino Não Quis. Nesses primórdios, o samba que as
escolas levavam para a avenida tinha apenas a primeira parte, a outra
ficava livre para ser versada, improvisada na hora.
Em 1934, com Meu Grande Amor, estreava na escola Prazer da Serrinha
outra dupla que seria responsável pelo formato básico do samba-enredo
(antes da aceleração dos desfiles), o filho de pastor protestante Silas de
Oliveira (Assunção) (1916-1972) e o ex-jornaleiro Décio Antonio Carlos, que
se tornaria conhecido por Mano Décio da Viola (1909-1984). Juntos,
inicialmente na Serrinha e depois no resultante Império Serrano, eles
compuseram alguns dos maiores clássicos do ramo como Conferência de São
Francisco (1945), Exaltação a Duque de Caxias (1955), Medalhas e Brasões
(1960) e Heróis da Liberdade (com Manoel Ferreira) (1969), enredo que
incomodou os censores da ditadura recrudescida, e Apoteose ao Samba (1974).
Aquarela Brasileira (1964) e Pernambuco, Leão do Norte (1968).

Protesto

No final dos 60, novas dissidências apareceriam com o desembarque do


partideiro Martinho José Ferreira, o Martinho da Vila Isabel
através de um samba-enredo compactado, Carnaval de Ilusões
(com Gemeu), de 1967 que não foi bem aceito pelo júri,
incluindo o compositor Chico Buarque. Martinho protestaria
em Caramba ("Malha malha, malhador/ que não aceita a
evolução/ (...) caramba, nem o Chico entendeu o enredo do
meu samba"). E seguiria mexendo no formato em Quatro Séculos
de Modas e Costumes (1968) e Iaiá do Cais Dourado (1969).
Artistas de fora das escolas como João Bosco e Aldir
Blanc (Mestre-Sala dos Mares), Chico Buarque e Francis Hime
(Vai Passar) ampliaram as possibilidades do gênero, que
Martinho da Vila
ganha letras mais politizadas e da exaltação parte para a
crítica de costumes. Filho de uma família "metida a nobre,
que achava samba coisa de crioulo", o Procurador Federal e advogado Gustavo
Adolfo de Carvalho Baeta Neves, morto em 1987 aos 52 anos, encarnou outro
caso a parte de fascínio pelo samba-enredo. Com o pseudônimo de Didi (e em
muitos casos cedendo a autoria para outros compositores) ele escreveu nada
menos de 22 sambas-enredo, entre eles as obras primas O Amanhã e É Hoje,
ambos para a União da Ilha. Foi homenageado pela escola em 1991 por meio de
De Bar em Bar, Didi um Poeta (Franco).
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Da década de 80 em diante, com a invasão das escolas pelas classes
média e alta e a transformação do desfile em show bizz cada vez mais
opulento, também o samba-enredo mudou. Sua velocidade foi sendo aumentada
para permitir que o gigantismo das escolas não atrapalhasse a rígida
cronometragem da comissão julgadora. As enormes vendagens dos discos com os
sambas-enredos vencedores de cada escola motivaram disputas acirradas entre
compositores, com torcidas subsidiadas e rateio do bolo por um número cada
vez maior de parceiros. Depois de dominar o período carnavalesco tirando
espaço das marchinhas e dos próprios sambas de carnaval, o samba-enredo
sofre, a partir de meados dos 90, um processo de exaustão da fórmula com
discos em queda de vendagem e o alcance de suas músicas cada vez mais
restrito aos dias de folia.

Samba-duro
Nascido na Bahia, o samba-duro é conhecido como pagode baiano ou
samba-de-roda, tem um swing que lembra muito o axé music.
O pagode foi relido com pitadas de ritmos locais como o samba-
reggae. Suas letras são carregadas de alegria e bastante dançantes.
É geralmente cantada por grupos como: É o Tchan, Gang do Samba,
Patrulha do Samba, Terra samba, Pagod'art, Nossa Juventude, Harmonia do
samba etc.
Com a palavra, alguém que entendia do assunto: "Estão todos cantando
samba menor e dizendo que é partido-alto e eu sou um dos errados porque não
quero ficar isolado". Aos 65 anos, em 1977, Aniceto Menezes, o Aniceto do
Império (um dos fundadores da escola da Império Serrano), admitia no
lançamento de seu primeiro disco (dividido com outro partideiro, Nilton
Campolino) que o gênero já não era o mesmo iniciado por seus ancestrais.
Gerado nas festas religiosas do jongo de procedência rural, batido em
tambores chamados de candongueiro, angumavita e caxambu, o partido virou
chula raiada, como na exemplar e remota Patrão, prenda
seu gado, da trinca fundadora Pixinguinha, Donga e João
da Bahiana, registrada pelo cantor e estudioso
Almirante. Mas Aniceto, fiel ao tradicionalismo, ditava
algumas regras que via desrespeitadas. "O partido tem
hora para começar, mas não para acabar, já que os
versos são livres, feitos na hora. E precisa da
presença do coro", situava.
Para ele, a adaptação pedida pelo mercado teve um
divisor de águas. "O samba menor foi um recurso que
surgiu na época em que Paulo da Portela ficou em
evidência, para adaptar o samba aos coristas",
garantia. Mal saberia, ele que morreu pobre e esquecido
em 1993 aos 80 anos, que o partido-alto ainda sofreria
Tantã
outras modificações até servir de combustível para o
movimento conhecido por pagode de fundo de quintal,
movido a banjo e tantã. E que até o termo pagode acabaria desvirtuado num
samba-pop de duvidosa consistência.
Permeando a MPB
A própria denominação partido-alto, já insinua algum tipo de
superioridade para seus praticantes (turumbambas, no tempo do jongo,
segundo Aniceto, daí a encurtada expressão bamba), que deviam desenvolver
longas estrofes de seis ou mais versos e voltar ao estribilho. Enfim, o
correspondente no universo do samba ao repente ou cantoria nordestina. O
partido permeia a história da MPB. Pode ser encontrado na assinatura do
andarilho dos morros e rodas de malandragem Noel Rosa com o lendário João
Mina em De Babado, de 1936, gravado em dupla com Marilia Baptista.
Anteriores ainda são Falem de Mim, de Rufino, de 1928, com Alcides Malandro
Histórico e Alvaiade ambos da Portela e Quitandeiro (de Paulo da Portela,
de 1933, antes da segunda parte escrita depois por Monarco) também por
10
Alvaiade, faixas posteriormente gravadas na série das escolas de samba do
selo Marcus Pereira, em 1974.
E o partido também pontifica nas batucadas da Baixada e adjacências e
nas novas favelas violentas e miseráveis, capturado pelo pernambucano
Bezerra da Silva. “As rodas de partido moldaram muito compositor”, como
testemunha Elton Medeiros comentando a gravação de Não Vem (Assim Não Dá),
de 1977, que conheceu Candeia numa delas, na festa da Penha. Junto com os
dois entram na roda ilustre Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito.
Partideiros como Clementina de Jesus (dialogando com outra figura lendária,
o portelense João da Gente) e Xangô da Mangueira, além de Aniceto, atestam
que esse tipo de samba de melodia curta governado pelo ritmo, mesmo
distante das origens é um dos mais evidentes elos entre o gênero urbanizado
e sua nascente africana.

Pagode

Você sabia?

Está no dicionário: templo pagão asiático. Mas no Brasil,


a palavra pagode passou a denominar também um tipo de
festa "com comida e bebida, de caráter íntimo", na
definição acadêmica do folclorista Câmara Cascudo.

Em qualquer festa que se preze, porém, não pode faltar música alegre,
e aí, naturalmente, entra o samba. Foi ele que fez do pagode uma das mais
fortes tradições dos subúrbios do Rio de Janeiro. Um quintal guarnecido
pela sombra das árvores, algumas caixas de cerveja, uns quitutes, um
cavaquinho ali, mesinhas para se batucar... Está formado o cenário para que
os versadores e instrumentistas mostrem sua categoria, o público sambe
animado e à tarde entre pela noite e a noite pela madrugada. Ao longo dos
anos 70, quando os emergentes sambistas se viram diante do bloqueio das
rádios e das próprias escolas de samba (reféns de um carnaval
comercializado), os pagodes se tornaram a melhor opção para que suas
composições fossem ouvidas e divulgadas.
Das mais famosas cantoras de samba da época (junto com Alcione e
Clara Nunes), Beth Carvalho, certo dia foi investigar o pagode do Cacique
de Ramos e levou alguns daqueles compositores ainda desconhecidos para o
seu disco de 1978, De Pé no Chão. Foi a partir daí que o Brasil tomou
conhecimento de nomes como o grupo Fundo de
Quintal dos compositores Arlindo Cruz e Sombrinha
(Vou Festejar), os ex-Fundo Jorge Aragão
(Coisinha do Pai) e Almir Guineto (que tirou
terceiro lugar no festival MPB Shell, de 1981,
com Mordomia), Zeca Pagodinho (Camarão que Dorme
a Onda Leva), Jovelina Pérola Negra, Luiz Carlos
da Vila (de Por um Dia de Graça, gravado mais
tarde por Simone), entre outros. Astros desse
novo samba, que rumava para o futuro com um
sólido embasamento no passado, eles
protagonizariam mais tarde, a partir de 1986 um
dos movimentos de melhor resultado comercial da
história da música brasileira: o pagode.
Ironicamente, por uma contingência de marketing e
mídia, a festa passou a emprestar seu nome à
música que a anima.
Repique de mão – só tem uma pele Coube ao Fundo de Quintal introduzir as
inovações instrumentais e harmônicas do pagode em
relação ao tradicional samba. Para reforçar o cavaquinho, Almir Guineto
trouxe o banjo, que soa mais alto no meio da massa sonora. No lugar do
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pesado surdo, Ubirani pôs o leve e versátil repique de mão. Jorge Aragão,
por sua vez, trouxe para os sambas as harmonias mais intrincadas,
aparentadas da bossa nova (e, graças a suas sofisticadas letras, ficaria
conhecido como O Poeta do Samba). Inicialmente divulgados por Beth Carvalho
e outros nomes de destaque do samba, esses artistas em pouco tempo
conquistaram luz própria.

Nomes novos nas paradas

Em carreira solo, Guineto foi um dos sambistas de maior sucesso dos


anos 80 com músicas como o jongo Caxambu, Mel na Boca, Jibóia e Conselho.
Ex-empregada doméstica, revelada em 1985, no LP Raça Brasileira (junto com
Zeca Pagodinho, Elaine Machado, Mauro Diniz e Pedrinho da Flor), Jovelina
Pérola Negra estourou com Feirinha da Pavuna, Brincadeira Tem Hora e O
Bagaço da Laranja. O ex-cantor de coco Bezerra da Silva também fez muito
sucesso com sambas irreverentes, mas de alto teor de crítica social, como
Defunto Cagüete, Malandragem Dá Um Tempo, Bicho Feroz, recolhidos entre a
sua equipe de compositores do morro. Zeca Pagodinho, por
sua vez, ganhou a atenção popular com S.P.C., Casal Sem
Vergonha, Judia de Mim e Coração em Desalinho.
No meio da euforia consumista do Plano Cruzado, em
1986, os pagodeiros se mostraram excelentes vendedores de
discos (sempre mais de 100 mil cópias por lançamento) e
conquistaram seu quinhão na grande mídia: simplesmente
não saíram do rádio e da TV. De curtição exclusivamente
Zeca Pagodinho suburbana, os pagodes tornaram-se moda também nos bairros
da elitista Zona Sul carioca e nos mais diversos recantos Brasil adentro. O
ímpeto aos poucos diminuiu, com a conseqüente queda de poder aquisitivo do
seu maior público consumidor – as classes menos abastadas. Logo, uma nova
modalidade de samba, bem mais comercial e desvinculada das raízes, passaria
a ser conhecida como pagode. Em São Paulo, no começo da década de 90, uma
variação mais pop do samba-rock dos bailes deu as caras em músicas de
bandas como o Raça Negra e o Negritude Júnior.

Linha de montagem

Esse pagode suingado, também conhecido como samba mauricinho (por


causa da opção dos músicos pelos símbolos de status da classe alta) foi um
dos grandes sucessos ao longo da década, com músicas de refrões fáceis e
romantismo deslavado (não raro encomendadas a hitmakers profissionais),
predominância de instrumentos eletrônicos e coreografias de gosto duvidoso.
Como se houvesse uma linha de montagem, os grupos se multiplicaram por todo
o país: Só Pra Contrariar (que teve seu nome tirado do título de música do
Fundo de Quintal e bateu em 1998 a marca de três milhões de cópias vendidas
de um único disco), Cravo e Canela, Ginga Pura, Razão Brasileira, Molejo,
Exalta Samba, Soweto, Malícia, Os Morenos, Ki Loucura, Katinguelê, Art
Popular, Karametade, Só No Sapatinho, Sensação, Toke Divinal e outros menos
votados. Na Bahia, esse pagode foi relido com pitadas de ritmos locais como
o samba-reggae e samba duro, por bandas como o Gera Samba (futuro É o
Tchan) e Terra Samba.
Mas o chamado samba de raiz, do começo do fenômeno pagode, viveu
alguns bons momentos na segunda metade dos anos 90, com Zeca Pagodinho (que
estourou músicas como Samba Pras Moças e Faixa Amarela), Martinho da Vila,
Beth Carvalho e Bezerra da Silva, então convertido em culto entre as bandas
de rock, que regravaram de Malandragem Dá um Tempo (Barão Vermelho e Planet
Hemp) e Candidato Caô Caô (O Rappa). A tradição do samba foi resguardada
com a descoberta de Walter Alfaiate, Wilson das Neves e das Velhas Guardas
da Mangueira e da Portela (esta com disco produzido pela cantora Marisa
Monte). Novos nomes do velho samba também apareceram: Dudu Nobre
(cavaquinista da banda de Zeca Pagodinho), Marquinhos de Oswaldo Cruz,
Marquinho China e Renatinho da Abolição.
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Alguns dos principais sambistas de todos os tempos:

José Barbosa da Silva. O Sinhô


Nasceu nos subúrbios do Rio de Janeiro em 1888, ano da
abolição da escravatura. Foi um dos principais divulgadores
do novo gênero, ajudando a consolidá-lo junto a emergente
massa urbana. Recebeu por isso o titulo de rei do samba.
Morreu em 1930, aos 42 anos.

Alfredo da Rocha Vianna, o Pixinguinha.


Nascido no Rio, em 1898, era chamado pela avó de
Pizindim (menino bom em dialeto africano) e pela molecada de
Bexiguinha (este por conta das marcas que a varíola deixara
em seu rosto). Da fusão dos dois apelidos surgiu Pixinguinha,
um dos maiores compositores e instrumentista da MPB. Entre
vários clássicos, é autor de Carinhoso, que recebeu letra de
Braguinha. Morreu em 1973.

Ernesto dos Santos, o Donga.

Carioca, nascido em 1891. Freqüentador da roda de


baianos da casa da Tia Ciata, reuniu sob o nome de samba um
arranjo de motivos populares e registrou como Pelo Telefone.
Em seus últimos dias, aposentado como funcionário da Justiça,
doente e quase cego, morava em subúrbio do Rio. Morreu em
1974.

João Machado Guedes, o João da Baiana.

Filho da Baiana Perciliana de Santo Amaro (o que lhe


rendeu o apelido), o carioca João veio ao mundo em 1887. Ele e
Donga, dentre os nomes daquela época, tiveram grande
longevidade, seguindo como representantes do samba até a
década de 70. Quando morreu, em 1974 (mesmo ano que o
companheiro), estava recolhido a Casa dos Artistas, em
Jacarepaguá-RJ.

Adoniran Barbosa (1910-1982)

Reverenciado como o único sambista verdadeiro de São


Paulo pelos cariocas, Adoniran Barbosa tirava de seu dia-a-
dia os personagens e situações de suas músicas. Seu jeito
simples com a fala rouca e contador de histórias o fizeram
colecionar muitos amigos, entre eles Elis Regina e Clara
Nunes, que também interpretaram muitas de suas canções. Trem
das onze, de sua autoria, conquistou o concurso de Carnaval
do IV Centenário do Rio de Janeiro, em 1965.

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Ari Barroso (1903-1964)
Ari Barroso ficou famoso em todo o mundo com Aquarela do
Brasil, o primeiro samba de exaltação patriótica. Órfão de pai e
mãe, foi criado pela avó materna e por uma tia. Tocava piano aos
12 anos de idade no cinema de sua cidade, Ubá, fazendo fundo
musical para filmes mudos. Formou-se em Direito no Rio de
Janeiro. Com a marcha Dá nela venceu o concurso carnavalesco de
1930.

Ataulfo Alves (1909-1969)


Ai, que saudades da Amélia, em parceria com Mário Lago
(ator), é uma de suas mais célebres músicas. Nascido em Miraí,
Minas Gerais, mudou-se para o Rio de Janeiro aos 18 anos. Foi
diretor de harmonia do Fale Quem Quiser, bloco organizado no
bairro Rio Comprido. Carmen Miranda gravou um de seus sambas
chamado Tempo perdido.

Cartola (1908-1980)

Cartola é marcado por sua sensibilidade inata e sua


poesia intuitiva, que o tornaram um dos principais artistas
populares do Brasil. Aprendeu a tocar cavaquinho com o pai.
Morador do morro da Mangueira, foi o responsável por
escolher as cores verde e rosa da Escola de Samba Estação
Primeira de Mangueira, além de compor o samba-enredo Chega
de demanda para o primeiro desfile da escola.

Chiquinha Gonzaga (1847-1935)

A compositora foi responsável por aproximar a música


erudita da popular, uma vez que tinha uma sólida formação de
pianista e regente. Chiquinha foi, também, uma das primeiras
a introduzir o violão nos salões cariocas. Começou a
carreira como compositora de polcas e compôs a primeira
marcha carnavalesca brasileira Ô Abre alas.

Lamartine Babo (1904-1963)

O estilo único de Lamartine Babo era sua interpretação


que, por meio de inflexões, destaca o humor e o lirismo de
suas canções. Sua carreira no rádio foi iniciada em 1929, na
Rádio Educadora, onde cantava e contava piadas. Nos anos 30,
compôs marchinhas e sambas para o carnaval como Teu cabelo não
nega(1932). Em 1942, criou o programa de rádio Trem da
Alegria, no qual lançou os hinos que compôs para todos os
times cariocas de futebol.

Noel Rosa (1910-1937)


Suas melodias mostram um verdadeiro retrato da vida
carioca, através do lirismo e do sarcasmo. Tentou estudar
Medicina, mas optou pela boemia do bairro de Vila Isabel,
reduto do samba urbano cultivado pela classe média. Em 1932,
iniciou suas atuações na emissora Rádio Philips. Com mais de
200 composições, Noel tem clássicos como Com que roupa? (1930)
e Até amanhã (1932).
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Alguns instrumentos de percussão utilizados no samba:

rebolo
ganzá

pandeiro

surdão

repinique – tem 2 peles (pele de resposta)

agogô

tamborim

Reco-reco

cuíca (10')

Chocalho de platinela madeira reta


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Referências Bibliográficas

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<http://www.quirino.com.br/detalhes.asp?detalhe1=R82>. Acesso em 08/05/2006.

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<http://www.gope.net>. Acesso em 12/05/2006.

<http://www.cliquemusic.com.br/br/Generos/Generos.asp?Nu_Materia=26>.
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<http://www.canalkids.com.br/arte/musica/samba.htm>. Acesso em 12/05/2006.

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