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JURISDIÇÃO E COMPETÊNCIA Prof. Tael João Selistre A República Federativa do Brasil, como estabelecido no

JURISDIÇÃO E COMPETÊNCIA

Prof. Tael João Selistre

A República Federativa do Brasil, como estabelecido no artigo 1º da Constituição da República, é formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constituindo-se em um Estado Democrático de Direito, sendo que o seu governo é realizado pelos três Poderes da União, que são independentes e harmônicos entre si, como expressa o seu artigo 2º, cada um deles exercendo suas atividades próprias e específicas. Cabe ao Poder Judiciário o poder da jurisdição. Assim, o Poder Judiciário, no exercício desse poder, realiza a jurisdição. Este poder é atribuído a todos aqueles que integram o Judiciário. Todo e qualquer juiz, independentemente do local onde ele exerce as suas funções, tem jurisdição, porque jurisdição nada mais é do que o poder conferido pela lei aos que integram o Judiciário para declarar o direito em uma situação litigiosa concreta. Este poder, conseqüentemente, é abstrato, porque todo juiz investido no cargo, enquanto no exercício desse cargo, o exerce, porque isto decorre da própria determinação constitucional que confere a cada juiz o poder da jurisdição. Abstratamente, cada juiz, em qualquer lugar, independente da Justiça que ele integra, tem jurisdição, porque jurisdição tem exatamente esse significado. Cada juiz recebe este poder e o realiza subjetivamente, porque cada um individualmente considerado possui este poder. Por isso que a jurisdição, tendo essa natureza abstrata e subjetiva, não pode ser dimensionada, não pode ser limitada. Em razão disso, afirma-se que ela é una e indivisível. Mas, ela só pode ser exercida pelos integrantes do Poder Judiciário e dentro dos limites estabelecidos pela lei, que são os determinados pelas regras de competência. Quando se fala em competência, ela guarda relação com o princípio do juiz natural. Esse princípio do juiz natural decorre da determinação feita em dois incisos do art. 5º: os incs. XXXVII e LIII. O primeiro estabelece uma vedação: “não haverá juízo ou tribunal de exceção”. O segundo assegura o processo e o julgamento por uma autoridade competente. Isso significa dizer que não podem ser criados juízes e tribunais de exceção para o exame de um fato ocorrido. Ele tem que ser examinado pelos juízes e tribunais já existentes, que são os elencados no art. 92 da Constituição da República.

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11/6/2014

Área: Direito Processual Penal - 1

Tema: Jurisdição e Competência

Neste dispositivo estão todos os órgãos do Poder Judiciário, menos dois. O primeiro delas é

Neste dispositivo estão todos os órgãos do Poder Judiciário, menos dois. O primeiro delas é o Tribunal do Júri, que nunca foi tratado na esfera constitucional brasileira dentro dos capítulos do Poder Judiciário, mas sempre como uma garantia individual, sendo a sua competência assegurada para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida. O segundo, que é uma novidade trazida pela atual Constituição, é o Juizado Especial. O Júri é tratado no art. 5º, inc. XXXVIII, da Constituição da República; o Juizado Especial no art. 98 da Constituição da República. Nós temos, portanto, além do elenco estabelecido no art. 92, da Constiuição Federal, que inserir também esses dois outros órgãos que integram o Judiciário e que só existem na Justiça Comum Federal e Estadual. Conseqüentemente, quando o inc. XXXVII do art. 5º veda a criação de juízes e tribunais de exceção, está determinando que só quem pode examinar uma determinada situação concreta é um dos órgãos do Poder Judiciário existentes e, entre eles tenho que buscar o competente, porque assim determina o inc. LIII. A combinação desses dois incisos estabelece o princípio do juiz natural. Juiz natural, portanto, é o juiz competente. A competência, assim, decorre de preceitos legais, podendo, conseqüentemente, ser entendida como os limites estabelecidos pela lei dentro dos quais o juiz exerce a jurisdição. A competência não estabelece limites à jurisdição, mas limites ao exercício da

jurisdição.

Em sendo assim, a competência tem natureza concreta e objetiva. Logicamente, não se podendo discutir processualmente o que é abstrato e subjetivo, mas apenas o que é concreto e objetivo, logicamente, não pode existir conflito de jurisdição, mas, apenas, conflito de competência.

Por outro lado, pode-se afirmar, dentro deste contexto, que as regras de competência têm fonte constitucional e são complementadas pelas regras da legislação infraconstitucional. Ou, de uma maneira mais precisa, todas as regras de competência decorrem do texto constitucional, seja porque são determinadas expressamente, seja porque decorrem de maneira indireta (ex. constitucionalmente, o que não for da competência do Júri ou do Jecrim é da competência constitucional do juiz singular). Assim colocadas as questões, o fato gerador da competência é o fato delituoso. Portanto, em cima do crime praticado é que deve ser desenvolvido o raciocínio para ser determinada a competência. A competência é classificada em duas espécies distintas: a material e a funcional.

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Área: Direito Processual Penal - 2

Tema: Jurisdição e Competência

A primeira tem que ser entendida como a competência para a ação penal como um

A primeira tem que ser entendida como a competência para a ação penal como um todo. Ou seja, o órgão do Poder Judiciário onde a ação penal deve ser proposta, instruída e julgada. Seja um determinado Tribunal, seja um órgão do primeiro grau. Para determiná-la existem critérios principais e secundários. A segunda é a determinada para a prática de um ato relacionado com a ação penal. Um ato que com ela guarde relação. Assim ela pode ocorrer tanto no primeiro grau como no segundo grau de jurisdição (Ex. medidas cautelares, recursos, execução, etc.). Para melhor se entender essa classificação, deve ser observado o quadro

seguinte:

Competência

Pessoa (quem) – prerrogativa de função – comp. Orig. dos Tribunais militar federal competência absoluta
Pessoa (quem) – prerrogativa de função – comp. Orig. dos Tribunais
militar
federal
competência absoluta
justiça especial
estadual 1
(ação penal)
eleitoral
matéria (qual) – natureza da infração
federal (especializada)
principal
justiça comum
estadual (residual)
Júri
Juiz singular
JECRIM
Material
local
(onde) – lugar da infração
competência relativa
secundário
alternativo: domicilio ou residência do réu (lugar infração penal desconhecido)
conexão e continência
prevenção
distribuição
Funcional – para a prática de atos relacionados à ação penal.
(Competência absoluta)

A competência material é estabelecida pela presença, em regra, concomitante de três critérios principais e que decorrem de três perguntas que devem ser feitas em cima do fato delituoso: quem praticou o fato delituoso? qual foi o fato delituoso praticado? onde ele foi praticado? Essas três perguntas estabelecem os três critérios principais na fixação da competência: pessoa, matéria e local. A competência material em razão da pessoa e da matéria é absoluta. A competência material em razão do local é relativa. A primeira indagação, relacionada com o autor do crime, serve, penas, para determinar ou não a chamada competência originária dos Tribunais.

1 Pode tramitar perante o Conselho de Justiça ou perante juiz de direito militar após emenda 45

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Área: Direito Processual Penal - 3

Tema: Jurisdição e Competência

Exercendo o autor do crime um cargo que a Constituição confere prerrogativa de função, esta

Exercendo o autor do crime um cargo que a Constituição confere prerrogativa de função, esta competência originária está presente, o que significa dizer que a ação penal deve tramitar diretamente perante um determinado Tribunal. Esta regra de competência é a mais absoluta de todas.

Quando não ela não se caracteriza, o segundo critério para determinar a competência material é a natureza da infração. Isto é, o tipo de crime cometido é que vai determinar a competência, estabelecendo, em um primeiro momento a Justiça competente. Existem quatro Justiças com competência criminal: a Militar, a Eleitoral, a Federal e a Estadual. As duas primeiras são especiais e as duas últimas comuns. A Militar pode ser Federal ou Estadual. A Justiça Comum pode ser Federal ou Estadual. Esse é o quadro das Justiças existentes no Brasil, cuja competência é determinada pela natureza da infração. Como o nome está dizendo, Justiça Especial tem uma determinada especialização: Justiça Militar, crime militar; Justiça Eleitoral, crime eleitoral. Essas são as duas especializações. O que não é especial é comum. Conseqüentemente, para que se determine a competência da Justiça Comum, deve ser afastada a competência das Justiças Especiais. Isto é, deve ser desenvolvido um raciocínio por exclusão. Como existem duas Justiças Comuns (Federal e Estadual), e como a Federal tem a sua competência expressamente determinada na Constituição da República, em razão de especificações determinantes, fundamentalmente, do interesse da União na apuração do fato delituoso, o que sobrar se insere na competência da Justiça Comum Estadual. Por isso que ela tem competência residual com relação às demais.

As regras determinantes das especializações e das especificações estabelecidas

expressamente na Constituição da República não podem receber interpretação ampla. Devem sempre ser interpretadas restritivamente. De tal sorte que, na dúvida, a competência é residual.

A Justiça Comum tem a sua competência, pela natureza da infração, repartida

entre três juízos diferenciados e que só existem na Justiça Comum: o juízo do Júri, o juízo do Juiz

Singular e o juízo do JECrim.

O primeiro com competência para os crimes dolosos contra a vida; o segundo

para os crimes de maior potencialidade ofensiva; o terceiro para os de menor potencialidade ofensiva.

O Júri prevalece sobre os outros dois órgãos, e, logicamente, o Juiz Singular

prevalece sobre o JECrim. São fundamentos legais o artigo 78, inciso I, o artigo 78, incciso III,

ambos do Código Penal, e a Lei nº 11.313, já incorporada nas Lei nºs 9.099/95 e 10.259/01. Depois, uma vez identificada a justiça e o juízo competentes, o terceiro critério principal é chamado de lugar da infração. E esse critério serve apenas para definir o foro competente. O lugar da infração é determinado pelo art. 70 do Código de Processo Penal.

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Tema: Jurisdição e Competência

No terreno da territorialidade, há um critério alternativo ou subsidiário, estabelecido no artigo 72 do

No terreno da territorialidade, há um critério alternativo ou subsidiário, estabelecido

no artigo 72 do Código de Processo Penal, que é o domicílio ou residência do réu.

Entretanto, ele só pode ser cogitado numa única hipótese: quando não se sabe o lugar da infração.

Existem ainda critérios secundários determinantes da competência, e eles só

podem ser cogitados quando, pelos critérios principais, existir mais de um órgão do Judiciário

competente para a ação penal. São eles: conexão e continência, prevenção e distribuição.

Esses critérios todos têm características próprias e específicas. Assim as regras de

conexão, continência e prevenção são sempre de natureza processual. As regras de distribuição

são de organização judiciária. Portanto, havendo uma regra de distribuição e uma de prevenção,

prevalece a segunda, pelo princípio da hierarquia das leis.

Havendo, no caso concreto, uma regra de conexão e continência e outra de

prevenção, sendo ambas processuais, portanto, da mesma hierarquia, prevalece a primeira,

porque regras de conexão e continência alcançam todo e qualquer órgão do Poder Judiciário.

 

Além

da

competência

material,

existe

a

competência funcional, que abrange

toda

a

estrutura

e

organização

da

Justiça

brasileira,

e

que pode ser representada pelo

seguinte esquema:

Funci o n a l

- Horizontal

(1º grau)

- Vertical

(2º grau)

- Fases do Processo

- pré-processual

- execução (fase pós-processual) - instrução

(fase processual)

- julgamento

- instrução (fase processual) - julgamento - Objeto do Juízo (somente no Tribunal do Júri) -

- Objeto do Juízo (somente no Tribunal do Júri)

- Recursal - Originária - pessoa - matéria
- Recursal
- Originária
- pessoa
- matéria

Essa competência funcional para a prática de atos relacionados com uma ação

penal ou para estabelecer uma repartição da competência para a prática de certos atos, pode

ocorrer no plano horizontal, guardando, conseqüentemente, relação com o 1º grau, ou no plano

vertical, quando as regras são dirigidas para os órgãos do 2º grau.

A horizontal pode ser apontada em dois momentos distintos. Ela pode ser por fases

do processo ou por objeto do juízo. E a competência funcional vertical pode ser recursal ou

originária dos tribunais. Esta competência funcional originária não tem relação com a competência

material. A competência funcional é determinada para a prática de certos atos que devem se

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Tema: Jurisdição e Competência

desenvolver originariamente em um determinado tribunal, com repercussão em uma ação penal. A originária pode

desenvolver originariamente em um determinado tribunal, com repercussão em uma ação penal. A originária pode ser determinada pela pessoa ou pela matéria. Quanto à primeira modalidade de competência funcional horizontal por fases do processo, ela pode ser cogitada em razão de fases que ocorrem no desenvolvimento de uma ação penal, que ocorrem antes da sua propositura ou depois de uma decisão condenatória transitada em julgado. Ou seja, ela pode ser pré-processual, processual ou pós- processual.

A regra é a de que, na fase pré-processual e na fase processual, o juiz com

competência funcional deve ter também competência material. Exs: só pode decretar prisão preventiva na fase do inquérito o juiz que tem competência material; a exceção de incompetência é examinada pelo juiz da ação. Na fase pós-processual, onde se insere a competência da execução, deve ser lembrada regra do art. 65 da Lei nº 7.210/84. O juiz competente para a execução é o indicado pela lei de organização judiciária. Em casos omissos, será o da sentença. O que significa dizer que é dele a competência para todos os incidentes da execução, assim estabelecidos no art. 66, da mesma lei.

A respeito desta matéria deve ser lembrada a Súmula nº 192 do Superior

Tribunal de Justiça.

A competência funcional pode ser por objeto do juízo, assim se entendendo a sua a

repartição para a prática de atos para examinar um determinado aspecto, a respeito do qual se exige uma decisão ou uma deliberação A única hipótese ocorre no procedimento do Júri, onde há uma repartição de atos entre o Juiz-Presidente e o Conselho de Sentença. Os jurados, examinando o mérito, julgam o fato submetido à sua consideração, podendo absolver ou condenar o réu. Podem, entretanto, desclassificar a infração. Em razão destas deliberações, devem ser observadas as regras de competência funcional por objeto do juízo. Quando o Júri absolve, o Juiz Presidente terá que adotar as providências determinadas no art. 492, inciso II, do CPP. Quando o Júri condena, o Juiz Presidente deve observar as determinações estabelecidas no inciso I, do mesmo artigo. Quando o Júri desclassifica, a competência funcional para o julgamento passa a ser do Juiz Presidente, devendo ele proferir sentença, aplicando, se for o caso, os chamados institutos descriminalizantes da Lei nº 9.099/65, assim como determinado no § 1º, do mesmo artigo, julgando, inclusive, os crimes conexos, como explicita o seu § 2º.

Resta a análise do exame da competência funcional vertical, que se desdobra em duas hipóteses diferenciadas: a primeira, chamada de recursal, que é a razão de ser desta

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Tema: Jurisdição e Competência

verticalidade; e a segunda, chamada de originária, que pode ser estabelecida em razão da pessoa

verticalidade; e a segunda, chamada de originária, que pode ser estabelecida em razão da pessoa ou da matéria. Toda matéria relacionada com recursos se insere na primeira hipótese. Se, em princípio, não há grande dificuldade em se estabelecer esta competência funcional, porque as Justiças são organizadas com os seus órgãos de 1º grau e de 2º grau, existem certas regras em matéria recursal que não podem ser esquecidas. Assim, por exemplo, os crimes políticos, definidos na Lei nº 7.170/83 com a denominação de crimes contra a segurança nacional, são da competência da Justiça Federal. Julgando a ação penal, com a condenação ou a absolvição do réu, o recurso cabível não é a apelação, mas o recurso ordinário constitucional para o Supremo Tribunal Federal, com fundamento no art. 102, inc. II, letra b, da Constituição Federal. Esta é uma regra de competência funcional O recurso extraordinário cabe contra toda e qualquer decisão proferida em única ou última instância, independentemente de quem a prolatou. O art. 102, inc. III, da Constituição da República, é preciso a respeito. Pode, assim, ser a decisão de um Tribunal ou das Turmas Recursais.

Por outro lado, o recurso especial definido no art. 105, inc. III, da Constituição da República, ao conferir competência ao Superior Tribunal de Justiça, ocorre apenas com relação às decisões tomadas em única ou última instância pelos Tribunais Regionais Federais e pelos Tribunais de Justiça. Por isso que não cabe recurso especial contra decisões tomadas pelas Turmas Recursais, pois elas não se inserem no conceito de Tribunais. Pela mesma razão, no plano eleitoral, recursos especiais contra decisões tomadas pelos Tribunais Regionais Eleitorais, se inserem na competência funcional recursal do Tribunal Superior Eleitoral, a teor do disposto no art. 121, § 4º, da Constituição da República. A última hipótese de competência funcional vertical é chamada de originária e pode ser determinada em razão da pessoa ou em razão da matéria. Esta competência originária em razão da pessoa ou da matéria não tem nada a ver com a competência originária material que é para ação penal. Esta é para a prática de determinados atos relacionados com uma ação penal que determina a competência originária de um tribunal ou pela condição da pessoa envolvida ou pela matéria que é trazida à discussão. Em razão da pessoa, nas ações de habeas corpus e mandado de segurança; a condição da pessoa é que vai determinar de quem é a competência para examiná-las. No art. 102, inc. I, letra d, da Constituição da República, vê-se que a competência do Supremo, em um primeiro momento, para exame de habeas corpus, decorre da condição do paciente. Se for uma daquelas pessoas que são processadas originariamente por crimes

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Tema: Jurisdição e Competência

perante o Supremo Tribunal Federal e que estão relacionadas nas letras b e c deste

perante o Supremo Tribunal Federal e que estão relacionadas nas letras b e c deste inciso I, a competência é do Supremo Tribunal Federal. Na letra i, do mesmo art. 102, constata-se que a condição da autoridade coatora é que vai determina a competência do Supremo Tribunal Federal. Ao tratar do Superior Tribunal de Justiça, o art. 105, inc. I, letra c, estabelece: que a sua competência para habeas corpus se estabelece quando o coator ou paciente for qualquer das pessoas mencionadas na alínea “ a”. Isto é, aquelas que são processadas perante o Superior Tribunal de Justiça pela prática de fatos delituosos. O regramento é um pouco diferente, já que estabelece essa regra de competência funcional tanto para a condição de paciente, quanto para a condição de autoridade coatora. Inclusive, estabelece uma complementação, no sentido de que terá competência funcional, também, quando o coator for tribunal sujeito à sua jurisdição, ou seja, os Tribunais Regionais Federais e os Tribunais de Justiças, bem como quando for um Ministro de Estado ou Comandante da Marinha, do Exército ou da Aeronáutica. Atenção: Ministros de Estado, Comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, na condição de pacientes, a competência será do Supremo Tribunal Federal; já na condição de coatores, a competência será do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da matéria, a competência funcional vertical originária dos tribunais decorre do exame de determinados incidentes ou até mesmo de uma determinada ação em razão da matéria. Assim, a revisão criminal é uma ação que se insere na competência originária dos tribunais. Por outro lado, a exceção de suspeição de um Juiz se insere na competência originária do tribunal ao qual ele está vinculado. Por outro lado, o conflito de competência sempre é da competência originária de um determinado tribunal. A primeira regra é a de que o Tribunal competente é aquele perante o qual os Juízes que discutem competência estão vinculados. Se um Juiz de Direito do Estado do Rio Grande do Sul, da Comarca de Caxias do Sul, suscita conflito de competência contra um Juiz de Direito do Estado do Rio Grande do Sul, Comarca de Gramado, quem vai examinar este conflito de competência é o Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, porque eles são vinculados ao mesmo tribunal. Por outro lado, se um Juiz Federal da 4ª Região discute competência com outro Juiz Federal da 4ª Região, o Tribunal competente é o Regional Federal da 4ª Região, porque eles estão vinculados ao mesmo tribunal.

Todavia, e esta é a segunda regra, se os Juízes estão vinculados a Tribunais diversos, a competência para o conflito de competência é do Superior Tribunal de Justiça, como determina o art. 105, I, letra d, parte final, da Constituição Federal. Por exemplo, se um Juiz Estadual de Caxias do Sul discute competência com um Juiz Federal de Caxias do Sul,

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estando eles vinculados a Tribunais diversos, a competência é do Superior Tribunal de Justiça. O

estando eles vinculados a Tribunais diversos, a competência é do Superior Tribunal de Justiça. O Estado do Rio Grande do Sul é um dos três Estados que tem Tribunal Militar. Se ocorrer um conflito de competência entre um Juiz de Direito Militar vinculado ao Tribunal Militar Estadual e um Juiz de Direito Estadual vinculado ao Tribunal de Justiça, a competência é do STJ, porque eles estão vinculados a tribunais diversos. A Súmula nº 555 do Supremo Tribunal Federal, que afirma que a competência é do Tribunal de Justiça, não se aplica nos Estados em que há Tribunais Militares Estaduais, que são os do Rio Grande do Sul, São Paulo e Minas Gerais. Sempre que houver, em um conflito de competência, o envolvimento de um Tribunal Inferior, a competência também é do Superior Tribunal de Justiça Mas, se ocorrer um conflito de competência envolvendo um tribunal superior, a competência é do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 102, inciso I, letra “o”, da Constituição Federal. Esses são os aspectos fundamentais a respeito da introdução ao estudo da

competência.

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