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Qualidade de Vida e Grupo de Adolescentes: uma Experiência no Projeto Rede Coltec:

Juventude, Famílias e Projeto de Vida

SIEXBRASIL: 17832

Área Temática Principal: promoção da saúde e qualidade de vida

Autores:

Fabíola Oliveira Lima – Coordenadora - Prof. Dr. Walter Ernesto Ude – Coordenador - Ana Cláudia Ribeiro Miguel – Aluna bolsista - Leonardo Zambelli Loyola Braga – Aluno bolsista

Instituições:

Faculdade de Educação/Departamento de Ciências Aplicadas à Educação Centro Pedagógico/Colégio Técnico/Setor de Apoio Psicopedagógico

Palavra chave: adolescência

Introdução e objetivos O Colégio Técnico enquanto parte do Centro Pedagógico da Universidade Federal de Minas Gerais tem entre seus propósitos o desenvolvimento do ensino, pesquisa e extensão no ensino médio e profissional, conforme documento do “Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da UFMG”. Esta experiência implica na permanente busca e formulação de novas metodologias, servindo como campo de experimentação e referencial para outras escolas, como também para o desenvolvimento de propostas de intervenção neste contexto. Entre os desafios a que o COLTEC se propõe enfrentar no âmbito educativo destaca-se a defesa de escola democrática que vise o desenvolvimento da autonomia, do senso crítico e da cidadania, através do questionamento das práticas instituídas e “cristalizadas”. Entretanto, além dessas atribuições é, também, de sua responsabilidade, desenvolver estratégias e referências para que seus alunos possam se posicionar frente à complexidade do contexto contemporâneo durante o processo de formação. De acordo com Pinto (2001:61), ao se referenciar na obra de Paulo Freire, “o veículo capaz de tirar o homem da posição de objeto no mundo para o de sujeito com o mundo é a educação crítica e aberta à liberdade de decisão”. Neste sentido, o projeto elaborado e implementado a partir de setembro de 2004, intitulado “Projeto Rede COLTEC: juventude, famílias e projeto de vida”, visa contribuir em questões relativas ao projeto de vida dos alunos e das alunas do COLTEC, incluindo suas famílias e seus educadores. A demanda, colocada pela Diretoria no ano de 2002, surgiu a partir de aspectos observados no contexto escolar e em consonância com a fase da adolescência, tais como, consumo de drogas, questões relacionadas à sexualidade, depressão, temáticas vinculadas às relações familiares, perspectivas de futuro na sociedade atual e a necessidade de implementação de atividades culturais, esportivas e de expressão. Neste sentido, a partir destas demandas apontadas, foi encaminhada à Reitoria uma proposta que visasse atuar no contexto de tais situações, com o objetivo de desenvolver atividades preventivas diante de fatores de riscos enfrentados pelos sujeitos escolares. Sensível a esta responsabilidade, e preocupada com as situações identificadas no ambiente escolar, em meados de 2004, a Reitoria da UFMG analisou a proposta elaborada para o Centro

Pedagógico, inicialmente denominado “Projeto de Qualidade de Vida no Centro Pedagógico”. Desta ação chegou-se à proposição do atual projeto. Visando a fornecer elementos para a construção metodológica e detecção de processo viável de intervenção, foram realizados grupos focais (Gatti, 2005) com discentes e responsáveis familiares. Além disso, buscou-se orientação em pesquisa realizada com os educadores do COLTEC quanto ao tema drogas e adolescência, no sentido de buscar subsídios para a implementação do projeto. Este estudo preliminar possibilitou levantar indicadores relevantes, que nos permitiram vislumbrar a efetivação desta proposta que pretendíamos concretizar. No grupo realizado com os alunos, destacamos os seguintes pontos: incômodo quanto ao tratamento que recebem na família (ora como adulto, ora como crianças); pressões quanto ao desempenho social; dificuldade de posicionamento frente ao grupo de colegas; consumismo; individualismo exacerbado na sociedade atual; sentimento de vazio; insegurança; falta de referência quanto aos processos de auto-regulação; desejo de abrir espaços de convivência; de ajudar pessoas em situação de risco; dentre outras questões que foram levantadas. Diante do exposto, nossa proposta de intervenção visou criar espaços para a produção de sentido (Rey, 2003) e reconstrução de significados que possibilitem confrontar com certa ausência de referência no contexto atual de nossa sociedade, devido ao afrouxamento de determinadas regras, ao consumismo, às mudanças aceleradas de atitudes e práticas sexuais; com o enorme fluxo de informação, a banalização da violência; a fragilidade de vínculos, e o individualismo exacerbado. Para tanto, a implementação do Projeto Rede COLTEC traz como objetivos centrais o desenvolvimento de atividades psicossociais e educativas que possam gerar espaços coletivos de conversação, de intercâmbio de experiências, de manifestação sociocultural, e de troca de saberes; propiciar trabalhos educativos, culturais e psicossociais junto aos alunos que possibilitem o fortalecimento da integridade e de vínculos com a rede social (Sluzki, 1997) mais ampla; identificar situações que necessitem de abordagem mais individualizada; envolver as famílias nas questões que abrangem o contexto escolar e sócio- familiar, no intuito de propiciar maior interação entre escola e comunidade; ampliar a participação do corpo docente e dos funcionários nas propostas educativas que atravessam e ultrapassam o cotidiano escolar, na perspectiva de gerar produção de novas zonas de sentido (Rey, 2003) e significados na prática pedagógica; buscar co-participação junto às diversas áreas acadêmicas da UFMG, no que se refere à inclusão de procedimentos de intervenção, recursos técnicos e outros instrumentos disponíveis na nossa comunidade acadêmica.

Metodologia Observando as demandas levantadas, por meio de grupos focais anteriormente realizados com os adolescentes das três séries do COLTEC e membros do Grêmio estudantil, surgiram indicativos que nos permitiram propor grupos, cujas temáticas abordadas seriam de interesse dos sujeitos envolvidos. Isto nos daria margem de reflexão para assuntos tanto relacionados às vivências próprias desta fase de vida quanto ao modo de significação da Instituição. A proposição de tais grupos é referenciada em Afonso (2000:50), uma vez que procuramos “favorecer a sensibilização, a expressão e a comunicação, a reorganização das narrativas no campo grupal, a possibilidade de sistematização e comparação dos pontos de vista, o trabalho com conflitos e diferenças”. A este grupo foi proposto ser aberto a todos os alunos, com enfoque e alvo àqueles de 1 o ano, por se encontrarem em condição de adaptação à comunidade do COLTEC, tornando-se o grupo um ambiente favorável ao acolhimento, suporte e apoio. No entanto, os alunos participariam conforme necessidade e desejo particular, não se tornando obrigatória a freqüência. No entanto, ao longo do processo de realização dos grupos, ocorreram mudanças estruturais, que perpassam pelo objetivo de atingir maior adesão e interesse por parte dos alunos. A

formação do grupo de “Quarta-feira 12h”, assim denominado posteriormente pelos próprios adolescentes, se deu, no primeiro momento, a partir da necessidade de se levantar as

expectativas dos alunos de 1 o ano em relação ao COLTEC e avaliar a Calourada. Esta primeira reunião aconteceu no dia 18/02/2005. A partir disto seguiram-se outros 15 encontros, nos quais foram abordados diversos temas vivenciais: consumismo, intolerância às diferenças

e suas possíveis conseqüências, discriminação e exclusão social, diferenciação dos alunos

concursados e aqueles vindos do CP pelos próprios alunos, famílias e suas expectativas, adolescência, oportunidades, liberdade, pressão escolar, dentre outros. Nesse sentido, faz-se imprescindível ressaltar que a metodologia utilizada foi sendo modificada ao longo dos encontros. Primeiramente, baseados na definição de oficinas de Afonso (2000:9) em que é “um trabalho estruturado com grupos, independentemente do número de encontros, sendo focalizado em torno de uma questão central que o grupo se propõe a elaborar, em um contexto social. A elaboração que se busca na Oficina não se restringe a uma reflexão racional mas envolve os sujeitos de maneira integral, formas de

pensar, sentir e agir”, utilizamos somente a temática propiciadora de diálogo e discussão entre os alunos. Ao final, chegava-se a uma reflexão conclusiva, a qual possibilitava a geração de indicativos e retirava-se o tema para o encontro seguinte. Como nos alerta Demo (2005), todo processo de pesquisa participante se constitui num processo permanente de construção e reconstrução parcial e provisório das demandas identificadas.

O recurso posterior adotado pela equipe do Projeto foi a utilização de filmes como provocador

de discussão sobre temas que estariam sendo demandados e presentes no cotidiano dos

alunos. Foram utilizados dois filmes: “O Elefante”, abordando a questão da violência, agressividade, discriminação, isolamento social, dentre outros em escola estadunidense; e “A Tormenta”, abarcando questões como liderança, coesão grupal, fidelidade entre alunos de num navio escola. Depois de assistidos os filmes, seguiam-se encontro de discussão e análise da temática, com o intuito de aproximação da idéia central às vivências cotidianas no COLTEC, nas famílias e na sociedade. Outra estratégia adotada foi a de iniciar os encontros com a utilização de técnicas de relaxamento e oficinas em dinâmicas de grupo (Afonso, 2000). Este momento concretizou-se como um marco de transição metodológica, uma vez que houve mudança de orientação de um supervisor para outro. Estes grupos tinham por objetivo, além de provocar um espaço de reflexão de assuntos temáticos, estimular o interesse entre os alunos. O grupo, agora denominado “Relaxamento”, ganhou caráter de promoção de qualidade de vida em meio ao turbilhão de situações a que os alunos estão expostos, seja dentro do COLTEC, ou nas redes sociais mais amplas. Desenvolveu-se, assim, uma identidade grupal que possibilitasse a discussão das pressões cotidianas vivenciadas. Algumas temáticas foram retiradas desses encontros, propiciando a idéia de formação de novos grupos específicos: os de “Sexualidade”

e “Projeto de vida”, assim caracterizados. Tais grupos seriam independentes ao grupo

“Relaxamento”, sendo as inscrições realizadas pelos próprios alunos, conforme necessidade e interesse. Todos os encontros foram anteriormente construídos pela equipe, com o intuito de que pudéssemos planejar a melhor estratégia de abordagem da temática. Os indicativos, retirados do grupo anterior, eram analisados pela equipe e discutidos de acordo com a visão sistêmica (Sluzki, 1997): a mola-mestra de todo o Projeto. A partir disto, escolhíamos jogos e dinâmicas que julgávamos mais interessantes para os adolescentes, com o intuito de possibilitar o trabalho do tema. Também era de fundamental importância para a equipe que as tarefas despertassem o interesse e a motivação para a discussão posterior, bem como o desejo de continuação neste grupo. Diante dessas considerações, passamos, a seguir, à apresentação dos resultados e discussão.

Resultados e Discussão Ao todo, foram realizados 26 grupos com os adolescentes, sendo 16 encontros utilizando a técnica de discussão de temática – “Grupo 12h”, 4 encontros destinados aos filmes e posteriores discussões, e ao final, 6 encontros com a técnica “Relaxamento”. Conforme exposto, durante a realização dos grupos, houve mudanças estruturais, evidenciadas, por exemplo, pela fase de transição de “Quarta 12h” para o de “Filmes”, e logo após para o “Relaxamento”. Isto ocorreu devido à percepção da equipe de que os alunos não estavam envolvendo-se com a metodologia proposta, uma vez que, no decorrer do processo, houve uma queda de participação nos encontros combinados. Alguns motivos foram levantados e discutidos, tanto pela equipe quanto com os próprios alunos, para tal “desânimo” por parte dos adolescentes ao longo do andamento dos grupos. Em princípio, os estudantes ponderaram, em relação aos grupos de discussão, que os encontros estavam se tornando muito teóricos, restringindo-se, apenas, ao nível discursivo. Isto os deixava cansados e com a impressão, aparente, de improdutividade para o objetivo proposto, o qual era de provocar a reflexão das temáticas e a conseqüente generalização do produto final para as relações cotidianas. Diante da percepção destas questões, a equipe resolveu tornar a dinâmica dos encontros mais interessante para os adolescentes, adotando filmes no intuito de instigar a discussão propiciada pela temática principal. Além disso, verificamos que houve redução do número de participantes ao longo dos encontros. Nesse sentido, dois pontos foram levantados: os filmes não atingiram a intenção inicial de aproximarem das experiências cotidianas, devido ao fato de não causarem identificação e conseqüentemente, mobilização para o trabalho seja pela “falta de atualidade ou por apresentar uma dinâmica lenta”; e, também, por terem sido divididos em duas partes, já que a duração ultrapassava o tempo disponível. Isto ocasionava, muitas vezes, uma impossibilidade para alguns alunos. Naquele momento, houve uma ruptura do processo de realização dos grupos para a equipe reavaliar as técnicas adotadas, que tinham como objetivo provocar discussão, reflexão e produção de novas zonas de sentido (Rey, 2003) que se refletisse no cotidiano vivencial dos alunos. Isto poderia ser propiciado na medida que fosse ampliada a perspectiva de ver e lidar com aquelas questões, margeando a possibilidade de melhorar a qualidade de vida dos adolescentes do COLTEC. Neste sentido, diante da necessidade e da visão da equipe da importância de tais grupos para os alunos, resolvemos propor encontros que visassem atingir a questão emergencial proposta pelos participantes, ou seja, a pressão acadêmica e familiar. Esta demanda surgiu ao final do trimestre, num momento em que os alunos estavam sobrecarregados com trabalhos e provas, evidenciando a necessidade de um espaço de acolhimento e relaxamento. Com isso, foi proposto um grupo específico que abordasse a questão da qualidade de vida de forma mais atraente, com técnicas de relaxamento corporal, meditação e dinâmicas. Estas possibilitavam a emergência de questões “sufocadas” pelas pressões internas e externas e automatismos, por meio do uso de papel, tintas, lápis de cor e de cera, água, sendo que sempre, no final das “sessões” ao final, produzia-se algo significativo, trazendo-as para uma possibilidade expressiva. (Afonso, 2000). O trabalho com estes grupos tinha como referência teórico-pratica a proposta de Pichon- Rivière (1986:124), “grupos operativos”, ou seja, aproximava-se da seguinte definição: “um conjunto restrito de pessoas, ligadas entre si por constantes de tempo e espaço, e articuladas por sua mútua representação interna, que se propõe, de forma explícita ou implícita, uma tarefa, que constitui sua finalidade”. Porém, ao longo do andamento, como os outros grupos anteriores, os adolescentes iam se dissipando, até que ao final, restavam apenas dois ou três interessados. Vários motivos foram levantados e discutidos pela equipe para tal desmotivação. A primeira foi a questão da sobrecarga escolar, ou seja, o Colégio ocupa espaço integral no cotidiano dos alunos, pois os

mesmos têm aulas no período da manhã e à tarde, quase todos os dias. Isto impossibilitava a realização de atividades extracurriculares como lazer, reflexão ou outras atividades que possam contribuir para promoção de qualidade de vida, conforme a idéia inicial proposta por este grupo. Outro ponto discutido foi o horário de realização dos grupos, uma vez que tínhamos que contemplar tanto alunos que estudavam pela manhã e tarde. Esse “horário em comum” era inevitavelmente nas horas de almoço, acarretando dispersão por parte dos adolescentes. Este fato foi causa de muitas mudanças quanto ao melhor dia da semana para a realização, com a finalidade de abranger maior número de alunos. “Pichon-Rivière compreende o homem como um emergente de uma rede vincular, determinado histórica e socialmente e capaz de transformar-se e transformar a realidade na qual é sujeito”, de acordo com Freitas e colaboradores (1997:182). Baseados nesta proposição orientamos nosso trabalho com grupos no COLTEC, considerando que operar um grupo consiste em romper com as expectativas fixas e atitudes estereotipadas, gerando novos modos de comunicação e efeitos de sentido que possibilitem a transformação grupal e individual. Tendo em vista os resultados alcançados e as dificuldades verificadas, nos remetemos para as conclusões construídas a partir desta experiência.

Conclusão Apostamos na concepção de ser humano enquanto um ser de relações, parte essencial de uma rede social, o qual constrói sua identidade nesta interação social, provocando mudanças simultâneas em si e na sociedade. Com base nisso, este Projeto busca atuar de forma a propiciar a melhoria da qualidade desta interação social, tentando auxiliar na formação de sujeitos críticos, saudáveis, autônomos, interativos, ativos, conscientes, atuais e que saibam exercer o direito de cidadania, refletindo tais condições na rede social mais ampla. Tais considerações nos permitiram compreender a importância do contexto social, não somente dos alunos, mas globalmente, envolvendo professores, famílias, Instituição e sociedade, como também a maneira dessas relações se entrelaçarem, formando a teia que envolve a vida dos alunos. De acordo com Pichon-Rivière (1986:17), procura-se entender a existência humana através da mudança “nos níveis individual, psicossocial, comunitário e nas direções dos comportamentos”, na medida em que considera o intercâmbio dialético entre o sujeito e seu contexto e estuda a interação entre o intra-subjetivo e o intersubjetivo. Comporta, portanto, modelos de aprendizagem e vínculo, intimamente ligados à nossa identidade e história. A partir desta visão, a tentativa é de não limitar o espaço de construção da subjetividade e do entendimento mais amplo a respeito do conjunto social que abarca o adolescente, numa única perspectiva técnica, mas tentar visualizar a complexidade do fenômeno que nos desafia. Vale ressaltar que durante esta fase peculiar da vida, consideramos fundamental a validação de projetos que viabilizem a promoção da qualidade de vida e da saúde mental dos jovens, já que se encontram num ciclo de vida, em pleno desenvolvimento humano. Na implementação deste projeto deparamos em resistências advindas da cultura institucional, dos preconceitos, da grade curricular pesada (algumas turmas têm aulas em horário integral de segunda à sexta-feira) e outras resistências inerentes aos próprios processos grupais. Procuramos enfrentar essas dificuldades analisando e buscando ampliar e vislumbrar outras possibilidades de ações. Contudo, mesmo diante das adversidades, continuamos defendendo que avançar na perspectiva de melhoria qualidade de vida implica na possibilidade do jovem posicionar-se enquanto sujeito frente às pressões familiares e escolares, indicativos presentes em muitas análises temáticas dos grupos focais realizados. Neste sentido, cremos que a proposta de ruptura no processo autômato do cotidiano para propiciar um momento de reflexão de atitudes e idéias seja de muita valia para se tentar evitar que sofrimentos sejam

somatizados no próprio corpo do sujeito. Cria-se assim, um ambiente propício para se voltar às questões internas através do relaxamento corporal e das técnicas que propiciem consciência corporal. Estes grupos tinham e mantêm o intuito de promoção da qualidade de vida, pois a entendemos, também, como sendo conquistada na medida em que o indivíduo construa maior conscientização das próprias ações e pensamentos. Calcados neste pressuposto, podemos pensar que o adolescente pode desenvolver a aprendizagem e o senso crítico acerca das questões impostas pela sociedade, discutindo, refletindo e propondo soluções alternativas de ações. Concordamos com Afonso (2000:22) quando a autora reavalia que “a aprendizagem vai além da mera incorporação de informações e pressupõe o desenvolvimento da capacidade de criar alternativas – através dela percebe-se o grau de plasticidade grupal frente aos obstáculos e à criatividade para superar as contradições e mesmo integrá-las”. Portanto, diante do exposto e levando-se em consideração todos os aspectos apresentados, concordamos que o trabalho em grupo seja necessário e eficaz em relação aos objetivos propostos pelo Projeto. Dentro disso, a possibilidade de construção da identidade, da autonomia quanto às escolhas conscientes dos participantes, o encontro como formas alternativas de atuação, desenvolvimento pessoal/Institucional, as vivências subjetivas no confronto com o Outro com relação às formas de pensar, agir e sentir, e a integração de experiências são alguns pontos que merecem destaque para se dar continuidade à realização dos grupos. Finalizando, entendemos que a abordagem sistêmica de relações como uma possibilidade de se atingir de maneira ampla e abrangente, o cotidiano e as vivências pessoais dos adolescentes. Em suma, acreditamos que seja imprescindível provocar discussões críticas entre os sujeitos escolares e propiciar um espaço em que estas questões sejam abordadas no contexto escolar, em busca de novas sínteses e alternativas transformadoras para uma sociedade mais humana.

Bibliografia AFONSO, Lúcia. (org). Oficinas em dinâmica de grupo: um método de intervenção psicossocial. BH: Edições do campo social, LABGRUPO, 2000. DABAS, Elina Nora. A intervenção em Rede. In: Nova Perspectiva Sistêmica. n.6, 1993. DEMO, Pedro. Pesquisa Participante. Brasília: Líber Livros, 2005. GATTI, Bernadete. Grupo Focal na pesquisa em Ciências Sociais e Humanas. Brasília: Líber Livros, 2005 FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática. SP: Paz e Terra, 1999. 12ª edição. FREITAS, Mª. Nivalda et al. Grupo operativo: caminhando para além da reelaboração coletiva dos conflitos institucionais. In: BOMFIM, E. (org.) Horizontes Psicossociais. BH:

ABRAPSO 1997 (pg.181-188). PICHON-RIVIÈRE, Enrique. O processo grupal. São Paulo: Martins Fontes, 1986. 2ª edição. PINTO, Mércia da C. Veloso. OFICINAS EM DINÂMICA DE GRUPO COM ADOLESCENTES NA ESCOLA: a construção da identidade e autonomia mediada pela interação social. 2001. REY, Fernando Gonzáles. Sujeito e Subjetividade. São Paulo: Thompson, 2003. SLUZKI, Carlos. A Rede Social na prática Sistêmica: alternativas terapêuticas. São Paulo:

Casa do Psicólogo, 1997.